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<fileDesc><titleStmt><title>Os bois não comem pedras da ribeira</title></titleStmt><sourceDesc><recordingStmt><recording><desc>Recolhas gravadas para o ALEPG (Atlas Linguístico e Etnográfico de Portugal e da Galiza)</desc><date when="1996">11.1996</date><place><settlement>Altares</settlement><region type="municipality">Angra do Heroísmo</region><region type="district">Terceira</region><geo>38.791254 -27.299501</geo></place><media url="Audio/1Ac1111a_inf4_3m2s_Os bois nao comem pedras da ribeira.wav"/><equipment>Originalmente gravado em suporte magnético.</equipment></recording></recordingStmt></sourceDesc></fileDesc><profileDesc><textClass><keywords>gado de trabalho, bovinos, alimentação do gado, negócios</keywords></textClass><particDesc><listPerson><person role="interviewer"><name>Gabriela Vitorino, João Saramago, Luísa Segura</name></person><person role="informant" sex="M" age="82"><name>Infte 4 - Manuel Soares Barros, 82 anos, agricultor, analfabeto</name><residence>Altares</residence></person></listPerson></particDesc></profileDesc></teiHeader>
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<u who="INF" id="u-1"> A gente até tínhamos quatro bous. <del reason="truncated">Tínham</del>, no tempo, tínhamos trinta reses. Mas a gente tinha quatro bous, mas uns eram mais novos e os outros eram mais velhos. Os mais velhos eram para…, para sair, quando semeasse, ajudar a semear o milho aos mais novos, em lugar de umas vacas que tinham dado bezerro naqueles dias…, cousa. Vinheram aí, houve precisão de carne, vinheram aí esses negociantes para levar os bous. E, home, a gente não tínhamos vontade mas tivemos que de cedê-los. Esse negociante tinha uns bous de carrear, que a gente que fosse lá apartar uns bous para trazer para aí para semear o milho e, depois, que, que os íamos levar. E eu disse ao meu irmão: “O quê, é porque eu vou buscar bous daquele homem para aqui, e a semear milho com eles e tratar aqui deles, eu,… que eles estão tão delgadinhos, estão se acabando e para a gente ir lá levá-los cheios de carne? Não, não, não, não. A gente há-de ficar-lhe é com os bous.” Foi-se lá casa para ir buscar os bous, estava lá um criado com eles, eu estive lá a ver os bous, tudo, e depois eu disse: “Isto aqui…” – ele tinha lá cinco juntas de bous – “Isto aqui há bous de diferença” – eu é que lhe disse – “Isto aqui há bous de diferença; uns menor do que outros. Para mim, no corpo, é aqueles. E aqueles outros pode as obras serem melhores mas, eu não sei; tu é que podes explicar isso à gente. Eu não quero levar daqui uns bous para, depois, eu vir aqui trazê-los. E não quero estar-me lá a aborrecer com eles.” E ele disse: “Olha, os bous melhores é aqueles, em tudo: é o corpo, é tudo. Estão magros…” E depois eu disse: “Agora, o patrão <del reason="truncated">pa</del>, a gente poisar os bous em preço.” Diz ele: “É para ser vendidos?” Pois eu digo: “É.” Diz ele: “Olha, o preço dos bous é tanto. Eu sei o preço deles todos, até.” E eu disse-lhe: “E eu dou tanto.” E ele disse-me: “É do senhor, leva-os.” Trouxe. Semeámos o milho, botámos o milho, apanhámos o milho quando chegou ao tempo de apanhar esse milho que se semeou; apanhar milhos, botar o milho em casa e comer umas socas… Tratámos deles. Ele vem cá para os vir buscar, mas já paga o dobro do dinheiro que eu, que eu lhe tinha dado. Já pagou o dobro do dinheiro. E o criado quando soube disso, um dia disse-me: “Vossemecê é muito fino de mais: para comprar queria barato e para…”</u>
<u who="GV" id="u-2"> Para vender é caro.</u>
<u who="INF" id="u-3"> “… para, para vender quis muito caro!” Digo eu: “Quis muito caro porque eu tratei deles. Eu tratei deles e que, e que <del reason="truncated">fo</del>, e que foi com despesa. Eles não comeram não foi pedras da ribeira nem nada. Eles comeram comida que eu lhe botava. Portanto, ele tem de pagar a comida que… Eu <del reason="truncated">n</del>. Eles, quando eu os trouve, eles não tinham carne. Ele se fosse para vender ninguém os queria, para merca. Ele veio buscar uns para, gordos para embarcar, a gente levámos estes magros mas tivemos que tratar deles. A gente tratámos deles…</u>
<u who="GV" id="u-4"> …muito bem.</u>
<u who="INF" id="u-5"> …, os bous, ora, quando chegou o tempo de coisar, para se irem embora, estavam gordos e grandes, que tinham crescido, estava…a coisa, já vê que tinha de crescer dinheiro.</u>
<u who="GV" id="u-6"> Claro!</u>
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