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Naqueloutro caso o funcionário punido tinha antecedentes disciplinares – ver alínea dos factos ali provados.
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No presente caso o Autor não tem antecedentes disciplinares – ponto 28 dos factos provados.”.
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Pelo que não se verifica apontada nulidade do acórdão em si.
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O que se verifica nesse caso é uma inexactidão devida a lapso manifesto que importa corrigir, como prevêem as disposições combinadas dos artigos 614, n.1, e 666, n.s 1 e 2, do Código de Processo Civil, ex do artigo 140 do Código de Processo nos Tribunais Administrativos, substituindo-se o parágrafo acima referido por estoutro, no relatório: "O Recorrido apresentou contra-alegações, defendendo a manutenção da decisão recorrida.
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Pelo exposto, os juízes da Secção Administrativa do Tribunal Central Administrativo Norte, ACORDAM em: a) Admitir o recurso de revista por o Recorrente ter legitimidade e estar em tempo, não se verificando qualquer obstáculo de natureza adjectiva.
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b) Fixar o efeito suspensivo ao recurso. )
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Manter o acórdão recorrido por não se verificar qualquer nulidade, no acórdão ou processual com reflexos no acórdão. )
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No presente acórdão que daquele passará a fazer parte integrante substitui-se o parágrafo acima referido por estoutro, no relatório: "O Recorrido apresentou contra-alegações, defendendo a manutenção da decisão recorrida.
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Porto, 202021 Rogério Martins Fernanda Brandão Hélder Vieira
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Acordam, em conferência, os Juízes Desembargadores do Tribunal Central Administrativo Norte – Secção do Contencioso Administrativo: RELATÓRIO 1 .
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", SA", inconformada,veio interpor recurso jurisdicional, em separado, da decisão do TAF do Porto, de 3 de Maio de 2021, proferida no âmbito daacção administrativa intentada por ..contra o Município ...) - ---, que julgou improcedente o pedido de Intervenção Provocada da Seguradora "...) Companhia de Seguros, SA", requerida pela chamada "A., SA".
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2 .
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No final das suas alegações, a recorrente formulou as seguintes conclusões: "A.
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A Decisão recorrida merece censura do ponto de vista jurídico – legal; B. O Tribunal a quo efectua uma incorrecta aplicação da Lei, na subsunção dos factos ao Direito; Sendo que o Tribunal a quo tendo mal fundamentado a Decisão de Não admitir a Seguradora como interveniente principal da Ré , não deve aquela ser mantida pelo Venerando Tribunal ad quem.
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Devendo ser o Recurso julgado procedente e ser revogada a Decisão a quo.
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E. Sendo admitida a Intervenção Principal da Seguradora chamada pela Ré ".
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3 .
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Notificadas as alegações de recurso, supra sumariadas nas suas conclusões, nenhuma das partes se pronunciou.
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4 .
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O Digno Magistrado do P. neste TCA, notificado nos termos do art.
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14 n. 1 do CPTA, emitiu douto e fundamentado Parecer, onde concluiu pela procedência do recurso.
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Notificado este Parecer, nenhuma das partes se pronunciou.
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5 .
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Sem vistos, mas com envio prévio do projecto aos Exmos.
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Juízes Desembargadores Adjuntos, foram os autos remetidos à Conferência para julgamento.
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6 .
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Efectivando a delimitação do objecto do recurso, cumpre apreciar e decidir as questões colocadas pela recorrente, sendo certo que o objecto do recurso se acha delimitado pelas conclusões das respectivas alegações, acima elencadas, nos termos dos arts.
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66, n. 2, 66, 68, ns.
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3 e 4 e 69, n. 1 todos do Código de Processo Civil, "ex ” dos arts.
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e 14, ambos do CPTA.
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FUNDAMENTAÇÃO 1 .
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MATÉRIA de FACTO 1 .
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Nos termos do despacho judicial de 18/10/2020, foi admitida a intervenção principal provocada formulada pela Autora, no requerimento de fls.
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134 da "A., SA” e ainda intervenção provocada acessória da "...) Companhia de Seguros, SA”, formulada pelo Réu Município ...), na sequência de contrato de seguro de responsabilidade , que juntou aos autos.
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2 .
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Na sequência do pedido efectivado em sede de contestação, pela ", SA” --- admitida como interveniente espontânea, como litisconsorte do Réu Município ...) ---, de intervenção principal provocada da "...) Companhia de Seguros, SA”, em 3/5/2021, foi proferida a seguinte decisão – objecto do presente recurso: "Ao abrigo dos arts.
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31 e 3 do CPC, admito a intervenção espontânea da a título de litisconsorte do Réu".
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Da intervenção principal provocada requerida pela : A Ré vem requerer a intervenção principal provocada da Companhia de Seguros Fidelidade, o que faz ao abrigo do disposto no art.
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31 e ss do CPC, sustentando ter celebrado contrato de seguro de que resulta a transferência de responsabilidade Vejamos então se procede o chamamento.
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A intervenção principal apenas poder provocada por iniciativa do réu ou do autor, nos termos previstos no art.
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31, n. 3, do CPC.
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Uma vez que existe uma transferência de responsabilidade ao abrigo do contrato de seguro, não está claramente em causa um litisconsórcio necessário.
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Na verdade, não estamos perante uma situação em que a lei ou o negócio exijam necessariamente a intervenção da companhia de seguros ou em que é necessária a intervenção da Ré e da companhia de seguros para que, em função da própria natureza da relação jurídica, a decisão a obter produza o seu efeito útil normal, nos termos previstos no art.
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3, n.s 1 e 2, do CPC.
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Fica, pois, por aí, afastada a aplicação do art.
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31, n. 1, do CPC.
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Finalmente, na relação jurídica fundamental dos autos encontram-se, por um lado, o lesado, por outro, o lesante, sendo a intervenção da companhia seguradora da Ré meramente indireta, em virtude de aquela ter assumido responsabilidade perante esta última.
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Tal apenas não será assim em situações excecionais, em que a seguradora se constitua como garante direta do lesado, o que não vem invocado pela Ré.
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De acordo com o Regime Jurídico do Contrato de Seguro, aprovado pelo Decreto-lei n. 72/2008, de 16 de abril, a demanda direta da seguradora é possível nos casos de seguro obrigatório art.
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14, n., e ainda, nos casos de seguro facultativo, sempre que o contrato de seguro assim o preveja art.
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14, n. ou quando o segurado tenha informado o lesado da existência de um contrato de seguro e tenha havido início a negociações diretas entre o lesado e o segurador art.
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14, n.. Não tendo sido alegada a existência de nenhuma destas circunstâncias de demanda direta, não estará em causa uma situação de litisconsórcio voluntário, que permita o chamamento a título principal da companhia seguradora, nos termos do art.
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31, n. 3, do CPC.
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Veja-se, neste sentido, a título exemplificativo, o Ac.
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do TRP de 302013, proc.
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n. 2499/18TBVCD-A.P1 in www.dgsi.pt), em que este douto tribunal considerou, num caso semelhante ao dos presentes autos, que ") não se vê como, no caso concreto, face aos termos dos contratos de seguro em causa e inexistindo lei que sobre tal disponha expressamente, a situação possa enquadrar-se na previsão do litisconsórcio ainda que voluntário) de modo a justificar a intervenção da empresa seguradora nos termos e com os efeitos próprios que lhe adviriam da qualidade de parte principal.” Encontrando-se a seguradora em causa já nos autos, na posição de Interveniente Acessória, afigura-se manifestamente inútil a convolação do presente incidente num incidente de intervenção acessória.
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Indefiro, pois, a intervenção que vem requerida.
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Custas do incidente pela Ré , ao abrigo do art.
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52, n. 1, do CPC.
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Notifique".
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2 .
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MATÉRIA de DIREITO No caso dos autos, tendo em consideração, por um lado, a decisão recorrida e sua ratio decidendi, conjugada, por outro, com o corpo das alegações de recurso, verificamos que, se a recorrente discorda da decisão na medida em que não deu aquiescência ao pedido de intervenção provocada da seguradora, ") Companhia de Seguros, SA”, também não deixa de a questionar Cfr.
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arts.
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2 a 2 do corpo das alegações.
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quanto ao facto de não ter admitido, pelo menos, a sua intervenção a título de intervenção acessória, sendo certo que uma coisa é a mesma seguradora ser "auxiliar” do Réu Município ...), na qualidade de interveniente acessória, outra é não o poder também como sua "auxiliar”.
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Apreciemos!
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Brevitatis causa, entendemos que a decisão recorrida se mostra correcta na sua fundamentação e decisão, no que se refere à improcedência do pedido de chamamento, a titulo de intervenção principal provocada, o que, a recorrente, embora dela discordando, não apresenta equacionada nenhuma das possibilidades legais ou contratuais que induzam a admissão da seguradora, a título de intervenção principal.
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Porém, ao não admitir/convolar o incidente de intervenção de terceiros num incidente de intervenção acessória, por a seguradora já estar nos autos, na decorrência do chamamento do Réu Município, já não se mostra acertada.
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Vejamos!
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Quanto à improcedência da intervenção a título principal, nos termos justificados na decisão --- que aliás – convenhamos e repetimos – a recorrente não contradita, indicando razões concretas do contrato de seguro ou mesmo uma das situações previstas no Dec. Lei 72/2008, de 16 de Abril que a possibilitem, nomeadamente, arts.
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14, ns 2 e 3 e 14, n.1, --- não tendo antes da decisão, nem depois, sido alegadas e objectivadas circunstâncias que possibilitem a demanda directa da seguradora, concluímos que inexistem razões para alterar a decisão de instância, sendo que a questão em causa não importa outras considerações, até porque – como vimos – a recorrente não contradita com eficiência as razões imanentes a essa decisão.
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No que se refere à intervenção, a título de intervenção acessória, vejamos os normativos legais.
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Assim, dispõe o Art.
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321 art.
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33 do Cód.
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Proc.
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Civil: "Campo de aplicação 1 - O réu que tenha ação de regresso contra terceiro para ser indemnizado do prejuízo que lhe cause a perda da demanda pode chamá-lo a intervir como auxiliar na defesa, sempre que o terceiro careça de legitimidade para intervir como parte principal.
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2 - A intervenção do chamado circunscreve-se à discussão das questões que tenham repercussão na ação de regresso invocada como fundamento do chamamento".
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E o art.
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33 art.
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33 do CPCivil 1961, sob a epígrafe "Dedução do chamamento" por sua vez, disciplina que: 1 - O chamamento é deduzido pelo réu na contestação ou, não pretendendo contestar, em requerimento apresentado no prazo de que dispõe para o efeito, justificando o interesse que legitima o incidente.
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2 - O juiz, ouvida a parte contrária, aprecia, em decisão irrecorrível, a relevância do interesse que está na base do chamamento, deferindo-o quando a intervenção não perturbe indevidamente o normal andamento do processo e, face às razões invocadas, se convença da viabilidade da ação de regresso e da sua efetiva dependência das questões a decidir na causa principal.
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E finalmente, podemos ver o Art.
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33 art.
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33 CPCivil que preceitua, com o título"Termos subsequente", que: 1 - O chamado é citado, correndo novamente a seu favor o prazo para contestar e passando a beneficiar do estatuto de assistente, aplicando-se, com as necessárias adaptações, o disposto nos artigos 32 e seguintes.
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2 - Não se procede à citação edital, devendo o juiz considerar findo o incidente quando se convença da inviabilidade da citação pessoal do chamado.
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3 - Sem prejuízo do disposto no artigo seguinte, os chamados podem suscitar sucessivamente o chamamento de terceiros que considerem seus devedores em via de regresso, aplicando-se, com as necessárias adaptações, o disposto nos artigos anteriores.
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4 - A sentença proferida constitui caso julgado quanto ao chamado, nos termos previstos no artigo 33, relativamente às questões de que dependa o direito de regresso do autor do chamamento, por este invocável em ulterior ação de indemnização".
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Ora, vistas as normas legais, em especial as cláusulas do contrato de seguro em causa, bem como a tramitação concreta dos autos, temos que inexiste razão para a não admissão e intervenção nos autos da seguradora, a titulo acessório, sendo que, ocupando essa posição processual nos autos, em caso de condenação da Meo, esta sempre poderá, verificados todos os requisitos legais e contratuais, exercer acção de regresso contra a seguradora, possibilidade apenas possível caso a seguradora também esteja nos autos, como sua "auxiliar”, a título de intervenção acessória, nos termos do disposto nos arts.
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32, n.1 e ss.
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do CPCivil.
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Uma coisa é a seguradora ser demandada, verificados todos os requisitos, a título de acção de regresso, exercitando o contrato de seguros pelo Município ...), outra diversa é poder ser demandada, ainda que com base no mesmo instituto, accionado o contrato de seguro pela .
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Desconhecendo-se a procedência ou improcedência) da acção e a entidade responsável, importa, preventivamente, que a seguradora esteja nos autos, a título de intervenção acessória, como auxiliar de uma e outra parte, em virtude dos respectivos contratos de seguro.
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Impõe-se, deste modo, a parcial procedência do recurso, uma vez que a recorrente, ainda que não obtenha o seu principal desiderato recursivo - intervenção principal da seguradora - acaba por obter a sua intervenção a titulo acessório, como sua auxiliar, com possíveis repercussões a nível de uma hipotética - se necessário -, acção de regresso, muito mais simplificada do que seria, caso a seguradora não tivesse esta co-intervenção processual, ainda que mais mitigada.
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DECISÃO Nestes termos, acordam, em conferência, os juízes deste Tribunal em: - Conceder parcial provimento ao recuso principal e, em consequência, admitir, como interveniente acessória, como auxiliar processual, da recorrente , SA" a "...) Companhia de Seguros, SA".
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Sem custas.
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Notifique-se.
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DN.
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Porto, 25 de Fevereiro de 2022 Antero Salvador Helena Ribeiro Nuno Coutinho ________________________________________ ) Cfr.
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arts.
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Subsets and Splits
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