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fa20152
"EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL VICE-
PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2a REGIÃO
Processo n 0520175-08.2008.4.02.5101
SEOUL MOTORS COMERCIO E SERVICOS DE AUTOMOVEIS
LTDA., devidamente qualificada nos autos do processo em referência, vem, por seus
advogados, com fundamento no art. 105, III, ?a? e ?c?, da Constituição Federal e no
art. 1.029 e seguintes do Código de Processo Civil (CPC), interpor o presente
RECURSO ESPECIAL
Em face do acórdão de Evento n 108, consoante as razões a
seguir apresentadas.
Outrossim, requer a juntada da anexa guia de recolhimento das
custas recursais (Doc. 01), tudo a demonstrar o devido preparo do presente recurso.
1
Todavia, caso assim não se entenda, requer seja indicada eventual insuficiência, nos
termos do - 2° do artigo 1.007 do CPC.
Requer, ainda, seja o presente Recurso Especial admitido e
regularmente processado, sendo posteriormente remetido ao Egrégio Superior
Tribunal de Justiça (STJ), a fim de que seja conhecido e provido pelas razões anexas.
OAB/SP N 128.341 ARTHUR PIMENTEL DIOGO
OAB/RJ N 136.118 (SUPLEMENTAR) OAB/RJ N 156.788
2
EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Recorrente: SEOUL MOTORS COMERCIO E SERVICOS DE AUTOMOVEIS
LTDA.
Recorrido: Fazenda Nacional
Ref.: Mandado de Segurança 0520175-08.2008.4.02.5101
Egrégio Superior Tribunal de Justiça,
Colenda Turma Julgadora,
Excelentíssimo Ministro Relator
1. DA TEMPESTIVIDADE:
O presente recurso especial é tempestivo, tendo em vista que a
intimação que possibilitou a sua interposição foi realizada em 18/07/2022 (segunda-
feira), iniciando-se a contagem do prazo de 15 (quinze) dias, no primeiro dia útil
subsequente, 19/07/2022 (terça-feira), encerrando-se, portanto, em 08/08/2022
(segunda-feira).
2. DOS FATOS:
Trata-se, na origem, de Mandado de Segurança impetrado pelo
Recorrente objetivando (i) a declaração do direito líquido e certo de não ser compelido
ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre os 15 (quinze)
primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual
obtenção do auxílio-doença ou do auxílio-acidente), adicional de férias de 1/3, salário-
3
maternidade e férias gozadas; bem como (ii) o direito a compensação de tais valores
recolhidos indevidamente.
Ao analisar o pleito, entendeu o Juízo da 21a Vara Federal do
Rio de Janeiro por conceder a segurança em parte para reconhecer o direito em
relação aos valores pagos nos quinze primeiros dias de afastamento de funcionário
doente ou acidentado.
Nesse passo, o caso foi encaminhado à análise do Eg. Tribunal
Regional Federal da 2a Região (TRF2) em sede de Apelação interposta pela
Recorrente e pela Fazenda Nacional, e remessa necessária.
Assim, a 4a Turma Especializada do Eg. TRF2, deu parcial
provimento à Remessa Necessária e ao Recurso de Apelação da Recorrente, e negou
provimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos da ementa abaixo:
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO
PAGA PELO EMPREGADOR NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DO AUXÍLIO
DOENÇA/ACIDENTE. TERÇO CONSTITUCIONAL NÃO-INCIDÊNCIA.
NATUREZA INDENIZATÓRIA. SALÁRIO-MATERNIDADE. FÉRIAS.
NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. LC N 104/2001.TAXA
SELIC. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
1. É pacífico o entendimento do STJ segundo o qual não é devida a
contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pelo empregador ao
empregado, correspondente ao período dos primeiros quinze dias de
afastamento do empregado por motivo da doença ou acidente, sob a
consideração de que tais verbas não possuem natureza de contraprestação.
2. A incidência de contribuição sobre os salários percebidos durante o período
de férias não guardam a menor controvérsia, já que há fato gerador
(percepção de salário) devendo apenas haver paralisação das atividades do
obreiro (interrupção do contrato de trabalho).
3. No que se refere ao adicional de um terço, a questão encontra-se
pacificada na jurisprudência do excelso Supremo Tribunal Federal, não
havendo necessidade de se tecer considerações sobre as mesmas
4. O salário-maternidade tem natureza remuneratória, e não indenizatória,
integrando a base de cálculo da contribuição previdenciária.
4
5. Os recolhimentos efetuados indevidamente a título de contribuição
previdenciária sobre auxílio-doença/acidente e 1/3 de férias, podem ser
compensados somente com os valores devidos a título de contribuição
previdenciária.
5 A compensação observará a disposição do artigo 170-A do CTN,
acrescentado pela LC n 104/2001, que veda a compensação de tributo
objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença.
6. A correção do indébito observará a disposição da Lei n 9.250/95, que criou
a Taxa SELIC, excluindo-se qualquer índice de correção monetária ou juros
de mora (art. 39, - 4 , da Lei n 9.250/95).
7. Apelações da União Federal/Fazenda Nacional improvida. Remessa
necessária e apelação da parte impretante providas em parte.
Tendo o acórdão partido de premissas equivocadas e restado
silente sobre aspectos essenciais ao desenvolvimento do caso, foram opostos os
competentes Embargos de Declaração pela Recorrente, inclusive, para fins de
prequestionamento, os quais foram negados provimento pelo Eg. TRF2.
Diante de tal cenário, foram interpostos os competentes
recursos especial e extraordinário.
Tendo em vista o julgamento dos Temas 72 e 985 pelo Eg.
Supremo Tribunal Federal (STF), foi determinado o Juízo de retratação, razão pela
qual a Turma do TRF2, deu parcial provimento ao apelo da Recorrente e da Fazenda
Nacional, nos termos da ementa abaixo:
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SALÁRIO
MATERNIDADE E ADICIONAL DE UM TERÇO DE FÉRIAS. RE N
576.967/PR (TEMA 72) E RE N 1.072.485/PR (TEMA 985) JULGADOS SOB
A SISTEMÁTICA DE REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE
RETRATAÇÃO EXERCIDO.
1. O acórdão, objeto do recurso às vias extraordinárias, foi proferido por esta
Colenda Turma Especializada em julgamento que reconheceu a incidência
da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a não incidência
sobre o terço constitucional de férias.
2. A Egrégia Vice-Presidência desta Corte, quando da admissibilidade dos
recursos interpostos às Cortes Superiores, determinou o retorno dos autos
5
para a análise de adequação do que foi decidido por este Colegiado aos
precedentes vinculantes, oportunizando-se o exercício do juízo de retratação,
caso cabível.
3. A tese firmada pelo STF no julgamento do RE n 576.967/PR (tema 72),
contudo, é a de ser inconstitucional a incidência da contribuição
previdenciária a cargo do empregador sobre o salário maternidade. Já quanto
ao terço constitucional de férias (RE n 1.072.485/PR ? tema 985), a tese é a
de ser legítima a incidência da contribuição sobre o valor satisfeito a título de
terço constitucional de férias.
4. Há divergência, portanto, entre os temas decididos pela Corte Superior e o
que ficou decidido por esta Colenda Turma Especializada, motivo pelo qual
se impõe o exercício do juízo de retratação para adequação à jurisprudência
vinculante.
5. Juízo de retratação exercido.
Contudo, em que pese o juízo de retratação exercido, fato é que
a discussão foi dada como encerrada, carecendo as demais verbas levantadas pela
Recorrente de apreciação.
Diante de tal cenário, outra alternativa não restou à Recorrente
que não fosse a interposição do presente recurso especial, pelas razões de fato e de
direito a seguir expostas.
3. DO CABIMENTO:
a) Da violação ao art. 1.022, II do CPC
Como exposto anteriormente, trata-se, na origem, de Mandado
de Segurança impetrado pela Recorrente objetivando (i) a declaração do direito
líquido e certo de não ser compelido ao recolhimento da contribuição previdenciária
patronal incidente sobre os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário
doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxílio-doença ou do auxílio-
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acidente), adicional de férias de 1/3, salário-maternidade e férias gozadas; bem como
(ii) o direito a compensação de tais valores recolhidos indevidamente.
Ao analisar o caso, o Tribunal a quo entendeu parcial provimento
aos recursos interpostos pela Recorrente e pela Fazenda Nacional.
No entanto, data vênia, o acórdão partiu de premissas
equivocadas, especialmente no que tange a afronta às disposições contidas no art.
22, I da Lei n 8.212/91, arts. 150, I e 195. I, da Constituição.
Isso porque, o Tribunal desconsidera que a União exige o
recolhimento da contribuição previdenciária patronal sobre valores que não possuem
natureza remuneratória, ou seja, sobre montantes que não são pagos ou creditados
em favor dos empregados, em clara afronta ao texto constitucional.
Em que pese as reformas previdenciárias, a Carta Maior em seu
art. 195, I, limita claramente a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre
as verbas de caráter remuneratório, ou seja, contraprestações ao trabalho.
Tal fato é corroborado pela jurisprudência deste Eg. Superior
Tribunal de Justiça e da Suprema Corte.
Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que a
contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do
empregado, a qualquer título, quer anteriores, quer posteriores à Emenda
Constitucional n 20/1998 (RE 565160, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal
7
Pleno, julgado em 29/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL -
MÉRITO DJe-186 DIVULG 22-08-2017 PUBLIC 23-08-2017).
Do mesmo modo, este Eg. Superior Tribunal de Justiça (STJ)
consolidou sua jurisprudência no sentido de que não sofrem a incidência de
contribuição previdenciária ?as importâncias pagas a título de indenização, que não
correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador? (REsp
1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe
18/03/2014, submetido ao art. 543-C do CPC).
Diante de tal cenário, o r. acórdão desconsidera a jurisprudência
pátria no sentido de que só caberia a incidência das exações em análise se a verba
trabalhista possuir natureza remuneratória, destinando-se a retribuir o trabalho,
qualquer que seja a sua forma, de modo que tal montante deve integrar a base de
cálculo da contribuição, consoante se extrai das razões de decidir dos votos proferidos
no Recurso Especial 1.230.957/RS, AgInt no REsp 1.621.558-RS e REsp n
1.230.957.
Sendo assim, resta claro que as verbas que integram a base de
cálculo da contribuição previdenciária patronal restringem-se àquelas que
representam ganhos ou créditos, assim entendidos como acréscimos, rendimentos.
Logo, não se afigura possível concluir que os valores de férias
gozadas e adicional de férias de 1/3 são objeto de incidência da contribuição
previdenciária patronal.
8
Além disso, apesar de levantado pela Recorrente, o Tribunal de
origem não considera o fato de que, ainda que não ostentem caráter indenizatório ou
constem expressamente no rol de exceções do art. 28, -9 , da Lei n. 8.212/91, tais
verbas não constituem ?ganhos? ou qualquer espécie de remuneração a atrair a
incidência da exação em questão.
Logo, não se revela razoável a interpretação dos dispositivos
legais aplicáveis à espécie, no sentido de se admitir que um tributo devido por pessoa
distinta do contribuinte da exação possa ser entendido como ?ganho? ou rendimento,
tão somente a partir da existência da expressão ?a qualquer título? ou pelo fato de tais
valores não constarem expressamente do rol de exceções legais, sendo certo que o
parágrafo 9 do art. 28 da Lei n 8.212/91 não é taxativo, devendo ser examinado, no
caso concreto, se a parcela paga ao empregado possui natureza salarial, à luz do
conceito de remuneração e de salário-de-contribuição.
Por todo o exposto, resta claro o cabimento do presente recurso
com base no art. 105, III, ?a? da Constituição Federal.
b) Do cabimento do presente recurso com base no art. 105, III, ?c? da
Constituição Federal
O v. acórdão acabou por divergir frontalmente do entendimento
deste Eg. STJ, conforme resta claramente comprovado através do julgado abaixo
transcrito e da respectiva demonstração analítica da divergência jurisprudencial:
ACÓRDÃO RECORRIDO ACÓRDÃOS PARADIGMAS ? STJ
?PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A
9
CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA
SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO
REMUNERAÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR NOS
CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE;
PRIMEIROS QUINZE DIAS DO AUXÍLIO
SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO;
DOENÇA/ACIDENTE. TERÇO CONSTITUCIONAL
IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE
NÃO-INCIDÊNCIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. 1. Recurso especial de
SALÁRIO-MATERNIDADE. FÉRIAS. NATUREZA
HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA.1.1
REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. LC N
Prescrição. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar o RE
104/2001.TAXA SELIC. COMPENSAÇÃO.
566.621/RS, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de
PRESCRIÇÃO.
11.10.2011), no regime dos arts. 543-A e 543-B do CPC
(repercussão geral), pacificou entendimento no sentido de
1. É pacífico o entendimento do STJ segundo o qual que, \"reconhecida a inconstitucionalidade art. 4 , segunda
não é devida a contribuição previdenciária sobre a parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do
remuneração paga pelo empregador ao empregado, novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após
correspondente ao período dos primeiros quinze dias o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9
de afastamento do empregado por motivo da doença de junho de 2005\". No âmbito desta Corte, a questão em
ou acidente, sob a consideração de que tais verbas comento foi apreciada no REsp 1.269.570/MG (1a Seção, Rel.
não possuem natureza de contraprestação. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.6.2012), submetido
ao regime do art. 543-C do CPC, ficando consignado que,
\"para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplica-se o art.
2. A incidência de contribuição sobre os salários 3 , da Lei Complementar n. 118/2005, contando-se o prazo
percebidos durante o período de férias não guardam
prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por
a menor controvérsia, já que há fato gerador homologação em cinco anos a partir do pagamento
(percepção de salário) devendo apenas haver antecipado de que trata o art. 150, - 1 , do CTN\".
paralisação das atividades do obreiro (interrupção do
contrato de trabalho). 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao
adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não
3. No que se refere ao adicional de um terço, a incidência de contribuição previdenciária decorre de
questão encontra-se pacificada na jurisprudência do expressa previsão legal (art. 28, - 9 , \"d\", da Lei 8.212/91
excelso Supremo Tribunal Federal, não havendo - redacao dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional
necessidade de se tecer considerações sobre as de férias concernente às férias gozadas, tal importância
mesmas possui natureza indenizatória/compensatória, e não
constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual
sobre ela não é possível a incidência de contribuição
4. O salário-maternidade tem natureza remuneratória, previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira
e não indenizatória, integrando a base de cálculo da Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp
contribuição previdenciária. 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de
16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de
5. Os recolhimentos efetuados indevidamente a título Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte
de contribuição previdenciária sobre auxílio- orientação: \"Jurisprudência das Turmas que compõem a
doença/acidente e 1/3 de férias, podem ser Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de
compensados somente com os valores devidos a afastar a contribuição previdenciária do terço de férias
título de contribuição previdenciária. também de empregados celetistas contratados por
empresas privadas\".
5 A compensação observará a disposição do artigo (...)
170-A do CTN, acrescentado pela LC n 104/2001,
que veda a compensação de tributo objeto de 2. Recurso especial da Fazenda Nacional.
contestação judicial antes do trânsito em julgado da 2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no
sentença. acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não
fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 Aviso prévio
6. A correção do indébito observará a disposição da indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei
Lei n 9.250/95, que criou a Taxa SELIC, excluindo- 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a
se qualquer índice de correção monetária ou juros de título de indenização, que não correspondam a serviços
mora (art. 39, - 4 , da Lei n 9.250/95). prestados nem a tempo à disposição do empregador, não
ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT
estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por
prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a
sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a
devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo
10
7. Apelações da União Federal/Fazenda Nacional empregador, nasce para o empregado o direito aos salários
improvida. Remessa necessária e apelação da parte correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a
impretante providas em parte. integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487,
- 1 , da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta
de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a
reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado
sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA estipulada na Constituição Federal (atualmente
SALÁRIO MATERNIDADE E ADICIONAL DE UM regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como
TERÇO DE FÉRIAS. RE N 576.967/PR (TEMA 72) se conferir à referida verba o caráter remuneratório
E RE N 1.072.485/PR (TEMA 985) JULGADOS SOB pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o
A SISTEMÁTICA DE REGIME DE REPERCUSSÃO trabalho, mas sim reparar um dano. Ressalte-se que, \"se o
GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO EXERCIDO. aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia
o empregado não presta trabalho algum, nem fica à
disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à
1. O acórdão, objeto do recurso às vias hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de
extraordinárias, foi proferido por esta Colenda Turma
não haver previsão legal de isenção em relação a tal
Especializada em julgamento que reconheceu a verba\" (REsp 1.221.665/PR, 1a Turma, Rel. Min. Teori
incidência da contribuição previdenciária sobre o Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese
salário maternidade e a não incidência sobre o terço
sobre a natureza indenizatória do aviso prévio
constitucional de férias. indenizado, destacam-se, na doutrina, as lições de Maurício
Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento.
2. A Egrégia Vice-Presidência desta Corte, quando da Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2a Turma, Rel. Min. Mauro
admissibilidade dos recursos interpostos às Cortes Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC,
Superiores, determinou o retorno dos autos para a 2a Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1 .12.2010; AgRg
análise de adequação do que foi decidido por este no REsp 1.205.593/PR, 2a Turma, Rel. Min. Herman
Colegiado aos precedentes vinculantes, Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1a
oportunizando-se o exercício do juízo de retratação, Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011;
caso cabível. AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2a Turma, Rel. Min. Cesar
Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011.
2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o
3. A tese firmada pelo STF no julgamento do RE n auxílio-doença. No que se refere ao segurado empregado,
576.967/PR (tema 72), contudo, é a de ser durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do
inconstitucional a incidência da contribuição afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe
previdenciária a cargo do empregador sobre o salário ao empregador efetuar o pagamento do seu salário
maternidade. Já quanto ao terço constitucional de integral (art. 60, - 3 , da Lei 8.213/91 ? com redacao dada
férias (RE n 1.072.485/PR ? tema 985), a tese é a de pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o
ser legítima a incidência da contribuição sobre o valor pagamento efetuado pelo empregador, a importância
satisfeito a título de terço constitucional de férias. paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo
porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre
4. Há divergência, portanto, entre os temas decididos a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum
pela Corte Superior e o que ficou decidido por esta serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a
Colenda Turma Especializada, motivo pelo qual se orientação das Turmas que integram a Primeira
impõe o exercício do juízo de retratação para Seção/STJ firmou-se no sentido de que sobre a
adequação à jurisprudência vinculante. importância paga pelo empregador ao empregado
durante os primeiros quinze dias de afastamento por
motivo de doença não incide a contribuição
5. Juízo de retratação exercido. previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de
incidência da exação, que exige verba de natureza
remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR,
2a Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg
no REsp 1074103/SP, 2a Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe
16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1a Turma, Rel. Min.
Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1a Turma, Rel.
Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006.
2.4 Terço constitucional de férias. O tema foi exaustivamente
enfrentado no recurso especial da empresa (contribuinte),
levando em consideração os argumentos apresentados pela
Fazenda Nacional em todas as suas manifestações. Por tal
razão, no ponto, fica prejudicado o recurso especial da
Fazenda Nacional.
11
3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET
EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente
provido, apenas para afastar a incidência de contribuição
previdenciária sobre o adicional de férias (terço
constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso
especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito
ao regime previsto no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução
8/2008 - Presidência/STJ. (Doc. 02)
DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL
Do julgado acima, denota-se que o esse E. STJ entendeu que, diferentemente do disposto no
v. Acórdão recorrido, no conhecido representativo da controvérsia, REsp 1.230.957 ? RS
(2011/0009683-6), acompanhando o entendimento já consagrado no STF, ratificou o pleito
dos contribuintes acerca do caráter indenizatório de determinadas rubricas que não deveriam
constar na base de cálculo da contribuição previdenciária, como é o caso das verbas em
discussão nestes autos.
Dessa forma, restam todos os requisitos necessários à
admissibilidade do presente recurso, sob fundamento da alínea ?c?, III do art. 105 da
Constituição.
4. DAS RAZÕES PARA REFORMA PARCIAL DO ACÓRDÃO RECORRIDO:
a) Do cerne do debate: não-incidência
Inicialmente, imprescindível esclarecer que a não incidência da
contribuição previdenciária patronal sobre os valores em debate resta inequívoca
diante da análise da hipótese de incidência aplicável ao caso.
Não se discute a eventual natureza destes valores ? se
remuneratória, salarial ou indenizatória -, nem mesmo o conteúdo destes conceitos
para fins previdenciários ou trabalhistas, posto que construídos em outros contextos
e arraigados sob outras óticas.
12
Do mesmo modo, não se discute o fato destes pagamentos
serem incorporáveis ou não ao salário, se são considerados para fins de
aposentadoria, ou, ainda, se integram ou não o salário-de-contribuição dos segurados.
Na verdade, analisa-se, sob a égide do princípio da legalidade
tributária (artigo 150, inciso I, Constituição da República Federativa do Brasil), se tais
valores estão sujeitos à hipótese de incidência eleita pelo legislador infraconstitucional
para fins de exigência da contribuição previdenciária devida pelas empresas, qual
seja, a prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/91.
b) Da Contribuição Previdenciária Patronal
Atribui-se no artigo 195 da Carta Magna a competência tributária
para instituição de contribuições sociais a serem estabelecidas e recolhidas,
distintamente, pelo empregador, trabalhador, realizador de concursos de prognósticos
e, ainda, pelo importador de bens ou serviços, a fim de financiar a seguridade social,
conforme se pode observar:
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma
direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e
das seguintes contribuições sociais:
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da
lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n 20, de
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou
creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo
sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n 20, de
b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional n 20,
de 1998)
13
c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional n 20, de 1998)
II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não
incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo
regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada
pela Emenda Constitucional n 20, de 1998)
III - sobre a receita de concursos de prognósticos.
IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele
equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional n 42, de 19.12.2003)
Exercendo a competência que lhe foi atribuída no artigo 195,
inciso I, alínea ?a?, da Constituição Federal, a União, através da Lei 8.212/91, elegeu
o legislador ordinário, como hipótese de incidência1 ou hipótese tributária2 da
contribuição previdenciária patronal o pagamento de remunerações destinadas a
retribuir o trabalho, seja pelos serviços prestados, seja pelo tempo em que o
empregado ou trabalhador avulso permanece à disposição do empregador ou tomador
de serviços.
Esse é o teor do inciso I do artigo 22, da Lei 8.212/91:
Capítulo IV
DA CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA
Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade
Social, além do disposto no art. 23, é de: (Vide Lei n 9.317, de 1996)
I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou
creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e
trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o
trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos
1Termo brilhante desenvolvido pelo saudoso GERALDO ATALIBA (in Hipótese de Incidência Tributária.
6a ed. São Paulo : Malheiros, 2003. pg. 55. grifos nossos) e também adotado por HUGO DE BRITO
MACHADO (Curso de Direito Tributário. 25a ed. São Paulo : Malheiros, 2004. pg. 135/136).
2Expressão sugerida, com igual brilhantismo, por PAULO DE BARROS CARVALHO (Curso de Direito
Tributário. 15a ed. São Paulo : Saraiva, 2003. pg. 244).
14
habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de
reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo
tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos
da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de
trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei n 9.876, de
26.11.99)
Curial destacar que a delimitação da incidência da contribuição
em tela foi observada pela própria Receita Federal do Brasil em sua Instrução
Normativa RFB n° 971, de 13.11.2009 (IN RFB 971/09) publicada no DOU de
17.11.2009:
Art. 51. Constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal:
(...)
III - em relação à empresa ou equiparado à empresa:
a) a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregado,
trabalhador avulso, contribuinte individual e cooperado intermediado por
cooperativa de trabalho;
gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos:
a) no mês em que for paga, devida ou creditada a remuneração, o que ocorrer
primeiro, a segurado empregado ou a trabalhador avulso em decorrência da
prestação de serviço;
empresa e do equiparado são as seguintes:
I - o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título,
durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe
prestam serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua
forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e
os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços
efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador, nos
termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou de acordo coletivo
de trabalho ou de sentença normativa;
15
Art. 72. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do
equiparado, observadas as disposições específicas desta Instrução
Normativa, são:
I - 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas, devidas ou
creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e
trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no
inciso I do art. 57;
Importante observar que a ? insista-se ? delimitação da
incidência da contribuição patronal sobre os valores pagos destinados a retribuir o
trabalho efetivo ou potencial também foi consagrada pelo Egrégio Supremo Tribunal
Federal.
De fato, pretendeu-se, através das Medidas Provisórias 1.523-
13 e 1.596-14, ampliar a hipótese tributária em debate para além dos valores pagos
em decorrência de contraprestação de serviços, de modo a se abranger todos os
quaisquer valores pagos pela empresa aos trabalhadores - inclusive verbas
rescisórias ? restando, à época, assim redigido o - 2 do artigo 22 da Lei n 8.212/91:
Art. 22. (...)
- 2 . Para fins desta Lei, integram a remuneração os abonos de qualquer
espécie ou natureza, bem como as parcelas denominadas indenizatórias
pagas ou creditadas a qualquer título, inclusive em razão da rescisão do
contrato de trabalho, ressalvado o disposto no - 9 do art. 28.?
Ocorre que a ampliação supra ? já sob a égide do artigo 195,
inciso I, da CF ? foi prontamente obstada à unanimidade pelo Pleno da SUPREMA
CORTE nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) 1.659-6:
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Medida liminar. [...] -
Relevância da fundamentação jurídica da arguição de inconstitucionalidade
do - 2 do artigo 22 da Lei n 8.212/91 na redacao dada pela Medida
Provisória 1.523-13 e mantida pela Medida Provisória 1.596-14. Ocorrência
16
do requisito da conveniência da suspensão de sua eficácia Suspensão do
processo desta ação quanto às alíneas ?d? e ?e? do - 9 do artigo 28 da Lei
8.212/91 na redacao mantida pela Medida Provisória 1.523-13, de 23.10.97.
Liminar deferida para suspender a eficácia ?ex nunc?, do - 2 do artigo 22 da
mesma Lei na redacao dada pela Medida Provisória 1.596-14, de 10.11.97.
STF Pleno, v.u. j. 27.11.1997, DJ de 08.05.1998
Do voto do eminente relator, Ministro MOREIRA ALVES, no
sentido de não se admitir a suposta incidência geral e indiscriminada pretendida pelo
Fisco, destaca-se o seguinte trecho:
(...) ?2. Resta a examinar, portanto, agora, o pedido de liminar no tocante à
argüição de inconstitucionalidade do - 2 do artigo 22 da Lei 8.212/91 na
redacao mantida pela Medida Provisória 1.596-14. Passo a fazê-lo. Quanto a
esse parágrafo, que diz respeito a parcelas que integram a base de cálculo da
contribuição, a cargo das empresas destinadas à seguridade social, o exame
de sua inconstitucionalidade para o efeito de concessão, ou não, de liminar,
deve fazer-se à luz da orientação majoritária desta Corte, a partir do julgamento
do RE 166.772, no sentido de que, na expressão ?folha de salário? utilizada no
artigo 195, I, da Constituição, salário não é qualquer pagamento, mas o que,
como tal, o é em sentido técnico, distinguindo-se da remuneração em geral,
por ser esta gênero de que aquele é espécie.?
Não bastasse o controle de constitucionalidade exercido na
ADIN supra, a malfada alteração do artigo 22, parágrafo 2 da Lei n 8.212/91 restou
expressamente rejeitada quando da conversão da MP 1596-14 na Lei n 9.528, de 10
de dezembro de 1.997.
Ocorre que em inegável ofensa ao princípio da legalidade estrita
(CF, 150, inciso I)3 ? bem como ao histórico legislativo e jurisprudencial - exige a
autoridade fazendária o recolhimento da contribuição social previdenciária
pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há
3Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;
17
remuneração por serviços prestados, ou seja, hipóteses que desbordam do fato
gerador in abstracto:
i) Terço constitucional de férias.
ii) Férias gozadas.
Todavia, são todas circunstâncias em que o empregado não
está, obviamente, prestando serviços nem se encontra à disposição da empresa!
E, assim age a autoridade recorrida, por exegese absolutamente
equivocada dos dispositivos legais em tela, bem como, por abusiva confusão entre os
institutos e conceitos em debate.
c) Das Férias e do terço constitucional
Como de conhecimento, a recorrida faz a indevida equiparação
entre as contribuições patronais e dos empregados.
Nesse contexto, a contribuição previdenciária patronal sobre os
valores pagos a título de férias gozadas ao argumento de que estão excluídas do
salário-de-contribuição apenas as férias indenizadas e o respectivo terço
constitucional4.
4 Lei n 8.212/91, art. 28, - 9 Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei,
exclusivamente: (Redação dada pela Lei n 9.528, de 10.12.97) d) as importâncias recebidas a título
de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da
remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; (Redação
dada pela Lei n 9.528, de 10.12.97). (g.n.)
18
Ocorre que o salário-de-contribuição ? repita-se - é a base de
cálculo da contribuição devida pelos SEGURADOS, não a base de cálculo da
contribuição patronal, conforme previsto no já transcrito artigo 20 da Lei n 8.212/91.
Como se não bastasse, esta indevida exigência é sustentada
pela autoridade fazendária em dispositivos infra legais, contidos na citada IN RFB
971/09:
gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: [...]
i) no mês a que se referirem as férias, mesmo quando pagas
antecipadamente na forma da legislação trabalhista; [...]
empresa e do equiparado são as seguintes: [...]
- 8 A remuneração adicional de férias, de que trata o inciso XVII do art. 7
da Constituição Federal, integra a base de cálculo, no mês a que ela se referir,
mesmo quando paga antecipadamente na forma da legislação trabalhista. [...]
Todavia, INADMISSÍVEL, ILEGAL e INCONSTITUCIONAL que
dispositivos de Instrução Normativa extrapolem a hipótese tributária, ocorrendo
indubitável desrespeito ao princípio da legalidade.
Na verdade, de acordo com o que já foi exaustivamente exposto,
a hipótese de incidência da contribuição previdenciária patronal, bem como, sua base
de cálculo, dizem respeito exclusivamente aos valores pagos, destinados a retribuir
um trabalho efeito ou potencial ? o que não é o caso dos funcionários em gozo de
férias ? não havendo, mais uma vez, que se invocar peculiaridades do salário-de-
contribuição, atinente à contribuição dos trabalhadores.
19
Finalmente, impende ponderar significativa condição atinente as
verbas em debate, atendo-se ao fato de que não há incorporação destes benefícios à
aposentadoria do trabalhador, conforme assente a jurisprudência desta Corte. Sendo
assim, o encargo inserido nesta obrigação fere a lógica de que se obtém o direito a
um benefício previdenciário mediante a previa contribuição, e, por outro lado, a
contribuição só se justifica ante a perspectiva da sua retribuição em forma de
benefício.
?(...) O REGIME CONTRIBUTIVO É, POR ESSÊNCIA, UM REGIME DE
CARÁTER EMINENTEMENTE RETRIBUTIVO. A QUESTÃO DO
EQUILÍBRIO ATUARIAL (CF, ART. 195, - 5 ). CONTRIBUIÇÃO DE
SEGURIDADE SOCIAL SOBRE PENSÕES E PROVENTOS: AUSÊNCIA DE
CAUSA SUFICIENTE. - Sem causa suficiente, não se justifica a instituição
(ou a majoração) da contribuição de seguridade social, pois, no regime de
previdência de caráter contributivo, deve haver, necessariamente, correlação
entre custo e benefício. A existência de estrita vinculação causal entre
contribuição e benefício põe em evidência a correção da fórmula segundo a
qual não pode haver contribuição sem benefício, nem benefício sem
contribuição. (...)?
A Colenda Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da
Segunda Região, no mesmo norte da tese ora sustentada, esposou o entendimento
de que os valores ? férias gozadas - não são pagos por retribuição de serviços:
?PREVIDENCIÁRIO. ABONO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE
CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO. [...] II ? Abono constitucional de férias é
pago não em razão da contraprestação de serviços, mas sim, e tal como
férias, pelo tempo de serviço, não podendo ser entendido como integrante da
remuneração.[...]? (TRF 2a R., 5a T., AC n 113.734, Rel. Des. Fed. IVAN
ATHIÉ, DJ de 19.06.2001)
No mesmo norte, a seguinte e recente decisão do E. Tribunal
Regional Federal da 5a Região afastando a contribuição patronal de TODAS as verbas
em debate:
20
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO.
AUXÍLIO-DOENÇA. AUXÍLIO-ACIDENTE. FÉRIAS. ADICIONAL DE 1/3 (UM
TERÇO) DE FÉRIAS. SALÁRIOMATERNIDADE. COMPENSAÇÃO.
PRESCRIÇÃO. INCIDÊNCIA DOS LIMITES PERCENTUAIS DAS LEIS
9.032 E 9.129/95.
[...] 2. Os valores pagos a título de auxílio-doença, auxílioacidente e férias
gozadas não ostentam natureza salarial, eis que são pagos em períodos nos
quais não há prestação de serviços por parte do trabalhador, devendo, pois,
serem excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. O
salário-maternidade é um benefício custeado pela Previdência Social, não
integrando a folha de salários para efeito de contribuição social do
empregador, razão por que também não deve integrar a base de cálculo da
contribuição social. [...] 11. Apelação da Fazenda Nacional e Remessa
Necessária improvidas. Apelação do Impetrante provida, em parte, para o fim
de reconhecer ser indevida a incidência da Contribuição Previdenciária
(parcela patronal) também sobre as verbas referentes ao salário-
maternidade, às férias e ao respectivo adicional de 1/3 (um terço) [...] (TRF
da 5a Região, AC n 8.627 / CE, 03a Turma, Des. GERALDO APOLIANO, DJ.
19.01.2010)
Seguindo o mesmo entendimento, este Superior Tribunal de
Justiça após reabrir a discussão sobre o tema, decidiu reconhecer a não incidência
de contribuição previdenciária sobre parcelas pagas aos empregados a título de férias,
vide abaixo:
RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
SALÁRIO-MATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS. AUSÊNCIA DE
EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PELO EMPREGADO. NATUREZA
JURÍDICA DA VERBA QUE NÃO PODE SER ALTERADA POR PRECEITO
NORMATIVO. AUSÊNCIA DE CARÁTER RETRIBUTIVO. AUSÊNCIA DE
INCORPORAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. NÃO INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARECER DO MPF PELO
PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO
PARA AFASTAR A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
SOBRE O SALÁRIO-MATERNIDADE E AS FÉRIAS USUFRUÍDAS. 1.
Conforme iterativa jurisprudência das Cortes Superiores, considera-se
ilegítima a incidência de Contribuição Previdenciária sobre verbas
indenizatórias ou que não se incorporem à remuneração do Trabalhador. 2.
O salário-maternidade é um pagamento realizado no período em que a
segurada encontra-se afastada do trabalho para a fruição de licença
maternidade, possuindo clara natureza de benefício, a cargo e ônus da
Previdência Social (arts. 71 e 72 da Lei 8.213/91), não se enquadrando,
portanto, no conceito de remuneração de que trata o art. 22 da Lei 8.212/91.
3. Afirmar a legitimidade da cobrança da Contribuição Previdenciária sobre o
21
salário-maternidade seria um estímulo à combatida prática discriminatória,
uma vez que a opção pela contratação de um Trabalhador masculino será
sobremaneira mais barata do que a de uma Trabalhadora mulher. 4. A
questão deve ser vista dentro da singularidade do trabalho feminino e da
proteção da maternidade e do recém nascido; assim, no caso, a relevância
do benefício, na verdade, deve reforçar ainda mais a necessidade de sua
exclusão da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, não havendo
razoabilidade para a exceção estabelecida no art. 28, - 9o., a da Lei 8.212/91.
5. O Pretório Excelso, quando do julgamento do AgRg no AI 727.958/MG, de
relatoria do eminente Ministro EROS GRAU, DJe 27.02.2009, firmou o
entendimento de que o terço constitucional de férias tem natureza
indenizatória. O terço constitucional constitui verba acessória à remuneração
de férias e também não se questiona que a prestação acessória segue a sorte
das respectivas prestações principais. Assim, não se pode entender que seja
ilegítima a cobrança de Contribuição Previdenciária sobre o terço
constitucional, de caráter acessório, e legítima sobre a remuneração de
férias, prestação principal, pervertendo a regra áurea acima apontada. 6. O
preceito normativo não pode transmudar a natureza jurídica de uma verba.
Tanto no salário-maternidade quanto nas férias usufruídas,
independentemente do título que lhes é conferido legalmente, não há efetiva
prestação de serviço pelo Trabalhador, razão pela qual, não há como
entender que o pagamento de tais parcelas possuem caráter retributivo.
Consequentemente, também não é devida a Contribuição Previdenciária
sobre férias usufruídas. 7. Da mesma forma que só se obtém o direito a um
benefício previdenciário mediante a prévia contribuição, a contribuição
também só se justifica ante a perspectiva da sua retribuição futura em forma
de benefício (ADI-MC 2.010, Rel. Min. CELSO DE MELLO); dest'arte, não há
de incidir a Contribuição Previdenciária sobre tais verbas. 8. Parecer do MPF
pelo parcial provimento do Recurso para afastar a incidência de Contribuição
Previdenciária sobre o salário-maternidade. 9. Recurso Especial provido para
afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o salário-
maternidade e as férias usufruídas. (REsp 1322945/DF, Rel. Ministro
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
27/02/2013, DJe 08/03/2013)
Em sua fundamentação, o Ministro Relator Napoleão Nunes
Maia Filho, com base na leitura do artigo 22 da Lei 8.212/91, analisa a incidência da
contribuição previdenciária a partir do fato gerador previsto em lei, qual seja,
remunerações pagas pelo empregador ao empregado destinadas a retribuir o
trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição
do empregador ou tomador de serviços.
22
Trata-se, portanto, de uma análise baseada no princípio da
legalidade, disposto no artigo 150, inciso I da Constituição Federal, e da tipicidade
cerrada, no artigo 97 do Código Tributário Nacional.
Destaca-se no que tange ao salário-maternidade, este Superior
Tribunal de Justiça afirma sua natureza de benefício, a cargo e ônus da Previdência
Social, de modo que a referida parcela não se enquadra no conceito de remuneração
de que trata o supramencionado artigo 22 da Lei n 8.212/91.
Por seu turno, o mesmo raciocínio esposado pelo Ministro,
devidamente acompanhado pelos demais membros da Primeira Seção deste Superior
Tribunal de Justiça, foi aplicado às parcelas pagas aos empregados a título de férias.
Isso porque, o pagamento desta verba não possui caráter
retributivo, eis que, quando do recebimento destes valores, o empregado não está
efetivamente prestando serviços nem à disposição do empregador ou tomador de
serviços, conforme determina o artigo 22 da Lei n 8.212/91.
Além disso, este Superior Tribunal de Justiça ressaltou que o
Pretório Excelso Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento acerca da não
incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias,
observada sua natureza indenizatória (Ag Rg no AI 727.958/MG).
Portanto, como as prestações acessórias seguem as
respectivas prestações principais, não se pode, em um mesmo raciocínio, entender
ser ilegítima a incidência sobre o terço constitucional de férias e legítima sobre as
férias, concebida como prestação principal em relação àquela.
23
Ante o exposto, em consonância com o entendimento exposto,
depreende-se que sobre as parcelas de férias gozadas e terço constitucional deve ser
afastada a incidência da contribuição, nos moldes do artigo 22 da Lei n 8.212/91.
5. DO DIREITO À COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA:
Por todo o exposto, certo é que a Recorrente efetuou
pagamentos indevidos.
Assim, tem o direito líquido e certo ? artigo 66 da Lei n 8.383/91,
combinado com o artigo 74 da Lei n 9.430/96 ? de proceder à compensação dos
respectivos valores ? recolhidos nos últimos cinco anos (e eventualmente no curso da
demanda) ? com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer
tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ?
tendo-se em vista a integração promovida pela Lei n 11.457, de 16 de março de 2007
(DOU de 19.03.2007) -, inclusive com os então administrados pelas extintas
Secretaria da Receita Federal e Secretaria da Receita Previdenciária, em especial
com as contribuições arrecadadas ao INSS, além das incidentes sobre as folhas de
pagamento de salários.
Oportuno destacar-se que, na esteira da Súmula n 213 do
Superior Tribunal de Justiça, o presente remédio constitucional é via plenamente
adequada para os fins em tela.
6. DOS PEDIDOS:
24
Por todo o exposto, a Recorrente requer, espera e confia seja
conhecido e provido o presente recurso especial para, com base nas razões acima
expostas, seja reformado o v. acórdão recorrido e, por conseguinte, integralmente
acolhidos os pedidos constantes da petição inicial.
Requer, por fim, que todas as publicações e intimações relativas
a este processo sejam feitas em nome do advogado NELSON WILIANS FRATONI
RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n 128.341, sob pena de nulidade (art. 272,
-5 do CPC).
OAB/SP N 128.341 ARTHUR PIMENTEL DIOGO
OAB/RJ N 136.118 (SUPLEMENTAR) OAB/RJ N 156.788
25
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