| "EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL VICE- |
| PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO |
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| Processo nº 5042645-48.2021.4.02.5101 |
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| SINDICATO COMÉRCIO VAREJISTA DE VEÍCULOS NO |
| MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO, devidamente qualificada nos autos do processo |
| em referência, vem, por seus advogados, com fundamento no art. 105, III, ?a? e ?c?, |
| da Constituição Federal e no art. 1.029 e seguintes do Código de Processo Civil |
| (CPC), interpor o presente |
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| RECURSO ESPECIAL |
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| Em face do acórdão de Evento nº 12, integrado pelo decisum de |
| Evento nº 32, consoante as razões a seguir apresentadas. |
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| Outrossim, requer a juntada da anexa guia de recolhimento das |
| custas recursais (Doc. 01), tudo a demonstrar o devido preparo do presente recurso. |
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| Todavia, caso assim não se entenda, requer seja indicada eventual insuficiência, nos |
| termos do § 2° do artigo 1.007 do CPC. |
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| Requer, ainda, seja o presente Recurso Especial admitido e |
| regularmente processado, sendo posteriormente remetido ao Egrégio Superior |
| Tribunal de Justiça (STJ), a fim de que seja conhecido e provido pelas razões anexas. |
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| OAB/SP Nº 128.341 ARTHUR PIMENTEL DIOGO |
| OAB/RJ Nº 136.118 (SUPLEMENTAR) OAB/RJ Nº 156.788 |
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| GABRIEL CAMPOS LIMA NADINE PRATES DE CASTRO |
| OAB/RJ N° 176.444 OAB/RJ N° 222.090 |
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| 2 |
| EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA |
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| Recorrente: SINDICATO COMÉRCIO VAREJISTA DE VEÍCULOS NO MUNICÍPIO |
| DO RIO DE JANEIRO |
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| Recorrido: União Federal ? Fazenda Nacional |
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| Ref.: Processo nº 5042645-48.2021.4.02.5101 |
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| Egrégio Superior Tribunal de Justiça, |
| Colenda Turma Julgadora, |
| Excelentíssimo Ministro Relator |
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| 1. Da Tempestividade: |
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| O presente recurso especial é tempestivo, tendo em vista que a |
| intimação que possibilitou a sua interposição foi realizada em 14/10/2022 (sexta- |
| feira), iniciando-se a contagem do prazo de 15 (quinze) dias, no primeiro dia útil |
| subsequente, 17/10/2022 (segunda-feira), encerrando-se, portanto, em 04/11/2022 |
| (sexta-feira), considerando a suspensão dos prazos processuais em 02/11/2022 |
| (Doc. 02). |
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| 2. Dos Fatos: |
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| Trata-se, na origem, de Mandado de Segurança impetrado pela |
| Recorrente e seus membros objetivando (i) a declaração do direito líquido e certo de |
| não serem compelidas a recolherem as contribuições sociais, inclusive, a contribuição |
| previdenciária prevista no art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, sobre os valores |
| descontados em folha de salário referente aos descontos do vale transporte, |
| descontos do vale alimentação/refeição e desconto de assistência |
| médica/odontológica; e (ii) o direito a compensação de tais valores recolhidos |
| indevidamente, observando-se o prazo quinquenal, a incidência de taxa SELIC. |
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| Ao analisar o pleito, entendeu o Juízo da 22ª Vara Federal do |
| Rio de Janeiro por denegar a segurança pleiteada e extinguir o processo. |
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| Nesse passo, a Recorrente interpôs o competente Recurso de |
| Apelação, o qual foi provido parcialmente para reconhecer a legitimidade passiva dos |
| Delegados da Receita Federal, nos termos da ementa abaixo: |
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| TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO |
| PREVIDENCIÁRIA PATRONAL E DEVIDAS A TERCEIROS. DESCONTOS |
| NA FOLHA DE SALÁRIOS DO EMPREGADO. VALE-TRANSPORTE. VALE- |
| ALIMENTAÇÃO. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA. DESPESA. |
| INCIDÊNCIA. |
| 1. No presente caso, há que se reconhecer a legitimidade passiva dos |
| Delegados das Delegacias da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I e |
| II (DRF RJ I e II), com endereços no Centro do Rio de Janeiro e na Barra da |
| Tijuca, tendo em vista que o sindicato abrange todos os seus membros que |
| possuem domicílio fiscal no Município do Rio de Janeiro. |
| 2. A contribuição previdenciária patronal incide, nos termos do art. 22, I, da |
| Lei nº 8.212/91, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou |
| creditadas, aos segurados empregados, ou seja, sobre o valor bruto das |
| remunerações, e não sobre o valor líquido após os descontos da folha de |
| salários, incluindo as cotas de participação dos trabalhadores a título de vale- |
| transporte, de vale-alimentação e de assistência médica e odontológica, |
| conclusão que se aplica às contribuições devidas a terceiros. Precedentes |
| dos Tribunais Regionais Federais. |
| 3. Considerando que os descontos do vale-transporte, de vale-alimentação e |
| de assistência médica e odontológica não têm natureza jurídica de |
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| indenização, mas de despesas suportadas pelos empregados, não podem |
| ser abatidos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. |
| 4. Pretender ?que a rubrica atinente aos descontos que o empregador faz na |
| folha de salários, relativos à cota-participação dos empregados no custeio do |
| vale transporte, auxílio-alimentação e plano de saúde, não integra a |
| remuneração de fato recebida pelos empregados, seria o mesmo que retirar |
| a incidência da contribuição previdenciária devida pelo próprio empregado, o |
| que não encontra previsão em lei?. (Decisão monocrática proferida no REsp |
| nº 1.929.164/RS, pelo Ministro Herman Benjamin, publicado em 06/04/2021). |
| 5. Apelação dos impetrantes parcialmente provida. |
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| Tendo o Tribunal de origem, data venia, partido de premissas |
| equivocadas e restado silente quanto aspectos essenciais ao desenvolvimento do |
| caso, a Recorrente opôs os competentes Embargos de Declaração, inclusive, para |
| fins de prequestionamento da matéria, rejeitados. |
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| Diante de tal cenário, outra alternativa não restou à Recorrente |
| que não fosse a interposição do presente recurso especial, pelas razões de fato e de |
| direito a seguir expostas. |
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| 3. Do Cabimento: |
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| a) Da violação ao art. 1.022, II do CPC |
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| Como exposto anteriormente, trata-se, na origem, de Mandado |
| de Segurança objetivando (i) a declaração do direito líquido e certo não ser compelida |
| a recolher as contribuições sociais, inclusive a contribuição previdenciária prevista no |
| art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, valores descontados em folha de salário |
| referente aos descontos do vale transporte, descontos do vale alimentação/refeição e |
| desconto de assistência médica/odontológica; e (ii) o direito a compensação de tais |
| valores recolhidos indevidamente. |
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| 5 |
| Ao analisar o caso, o Tribunal a quo negou provimento ao apelo |
| da Recorrente quanto ao mérito. |
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| No entanto, data vênia, o acórdão exarado pela c. Turma do |
| TRF2, partiu de premissas equivocadas e restou silente sobre aspectos essenciais ao |
| caso, especialmente no que tange ao pedido da Recorrente de manifestação quanto |
| a afronta às disposições contidas no art. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91, arts. 150 e 195. |
| I, da Constituição e 97 e 110 do Código Tributário Nacional (CTN). |
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| Isso porque, o Tribunal de origem deixou de observar que a |
| Constituição Federal determina, em seu art. 195, que as contribuições incidam sobre |
| o faturamento, o lucro e a folha de salário, deixando de fora a folha de pagamento, |
| sendo certo que os rendimentos recebidos pelo trabalhador não integra o salário de |
| da Lei nº 8.212/91, não devendo fazer parte de sua base de cálculo, o que sequer foi |
| levantado no julgamento do caso. |
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| Tal fato foi, inclusive, corroborado pela jurisprudência deste Eg. |
| Superior Tribunal de Justiça e da Suprema Corte, não sendo observado pelo Tribunal |
| de origem. |
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| Este Eg. STJ no conhecido representativo da controvérsia, REsp |
| 1.230.957 ? RS (2011/0009683-6), acompanhando o entendimento já consagrado no |
| STF, ratificou o pleito dos contribuintes acerca do caráter indenizatório de |
| determinadas rubricas que não deveriam constar na base de cálculo da contribuição |
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| previdenciária (aviso prévio indenizado, terço constitucional de férias e os quinze dias |
| que antecedem o auxílio-doença). |
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| Além disso, apesar de levantado pela Recorrente, o Tribunal de |
| origem deixou de analisar que o art. 110 do CTN, dispõe expressamente sobre a |
| inviabilidade da alteração do conceito de remuneração, como de qualquer instituto ou |
| conceito de direito privado. |
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| Nesse sentido, mesmo com a oposição de embargos |
| aclaratórios em face do acórdão proferido em sede de apelação, o E. Tribunal a quo |
| quedou-se inerte em relação ao pleito da ora Recorrente. |
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| Ressalta-se que a Recorrente não desconhece o entendimento |
| desta Corte Superior no sentido de que o julgador não está obrigado a responder a |
| todas as questões postas pelas partes, mas sim aquelas necessárias à formação do |
| seu conhecimento. |
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| No entanto, no presente caso, tal entendimento jamais poderia |
| ser utilizado como justificativa para que o Tribunal de origem deixasse de se |
| manifestar acerca dos pontos essenciais à resolução do caso. |
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| Assim, não apenas o acórdão deixou de tratar a matéria debatida |
| com posicionamento deste Superior Tribunal, como permaneceu silente sobre a as |
| omissões apontadas, violando indiscutivelmente o art. 1.022, II do CPC, visto que os |
| vícios levantados pela Recorrente permanecem, em clara falha na prestação |
| jurisdicional capaz de causar a nulidade do v. acórdão. |
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| 7 |
| Para que não restem dúvidas quanto ao direito da Recorrente, |
| observa-se o julgado abaixo deste Eg. STJ: |
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| PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ART. 1.022 DO CÓDIGO DE |
| PROCESSO CIVIL. VIOLAÇÃO. OMISSÃO EXISTENTE. SOLUÇÃO DA |
| CONTROVÉRSIA. QUESTÃO RELEVANTE. RETORNO DOS AUTOS À |
| ORIGEM. |
| I-A parte recorrente alegou, na petição dos aclaratórios na origem, a |
| necessidade de averiguação da natureza do software comercializado pela |
| empresa, se produzido de forma personalizada ou em grande escala |
| (massificada). |
| II-Apesar de instada a se manifestar, a Corte local não analisou a relevante 1 |
| questão suscitada pela parte recorrente. |
| III-CARACTERIZA-SE, PORTANTO, OFENSA AO ART. 1.022 DO CÓDIGO |
| DE PROCESSO CIVIL DE 2015 QUANDO A CORTE DE ORIGEM DEIXA |
| DE SE PRONUNCIAR A RESPEITO DE QUESTÕES ESSENCIAIS AO |
| JULGAMENTO DA LIDE, AS QUAIS PODERIAM, EM TESE, LEVAR A |
| RESULTADO DIVERSO. |
| IV-Não caracteriza revolvimento do acervo fático-probatório o provimento do |
| recurso especial em razão de violação do art. 1.022 do Código de Processo |
| Civil de 2015. |
| V-Agravo interno improvido. |
| (STJ-AgInst. no RESP nº 1.068.039/RJ; Segunda Turma; Rel. Min. Francisco |
| Falcão; DJe 17/08/2017) |
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| Por todo o exposto, verifica-se que o v. acórdão recorrido, por |
| ter persistido nos vícios apontados pela Recorrente, acabou por violar o art. 1.022, II |
| do CPC, restando claro o cabimento do presente recurso com base no art. 105, III, ?a? |
| da Constituição Federal. |
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| b) Do cabimento do presente recurso com base no art. 105, III, ?c? da |
| Constituição Federal |
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| O v. acórdão acabou por divergir frontalmente do entendimento |
| deste Eg. STJ, conforme resta claramente comprovado através dos julgados abaixo |
| transcritos e da respectiva demonstração analítica da divergência jurisprudencial: |
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| 8 |
| ACÓRDÃO RECORRIDO ACÓRDÃOS PARADIGMAS ? STJ |
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| PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. |
| TRIBUTÁRIO. MANDADO DE TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO |
| SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. |
| PREVIDENCIÁRIA PATRONAL E REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. |
| DEVIDAS A TERCEIROS. DESCONTOS DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU |
| NA FOLHA DE SALÁRIOS DO NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO |
| EMPREGADO. VALE-TRANSPORTE. CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO |
| VALE-ALIMENTAÇÃO. ASSISTÊNCIA MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; |
| MÉDICA E ODONTOLÓGICA. DESPESA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA |
| INCIDÊNCIA. PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O |
| AUXÍLIO-DOENÇA. 1. Recurso especial de |
| HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS |
| 1. No presente caso, há que se reconhecer |
| LTDA. 1.1 Prescrição. O Supremo Tribunal |
| a legitimidade passiva dos Delegados das |
| Federal ao apreciar o RE 566.621/RS, Tribunal |
| Delegacias da Receita Federal do Brasil no |
| Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de |
| Rio de Janeiro I e II (DRF RJ I e II), com |
| 11.10.2011), no regime dos arts. 543-A e 543-B |
| endereços no Centro do Rio de Janeiro e na |
| do CPC (repercussão geral), pacificou |
| Barra da Tijuca, tendo em vista que o |
| entendimento no sentido de que, \"reconhecida a |
| sindicato abrange todos os seus membros |
| inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da |
| que possuem domicílio fiscal no Município |
| LC 118/05, considerando-se válida a aplicação |
| do Rio de Janeiro. |
| do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações |
| ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 |
| 2. A contribuição previdenciária patronal dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005\". No |
| incide, nos termos do art. 22, I, da Lei nº âmbito desta Corte, a questão em comento foi |
| 8.212/91, sobre o total das remunerações apreciada no REsp 1.269.570/MG (1ª Seção, |
| pagas, devidas ou creditadas, aos Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de |
| segurados empregados, ou seja, sobre o 4.6.2012), submetido ao regime do art. 543-C do |
| valor bruto das remunerações, e não sobre CPC, ficando consignado que, \"para as ações |
| o valor líquido após os descontos da folha ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplica-se o art. 3º, |
| de salários, incluindo as cotas de da Lei Complementar n. 118/2005, contando-se |
| participação dos trabalhadores a título de o prazo prescricional dos tributos sujeitos a |
| vale-transporte, de vale-alimentação e de lançamento por homologação em cinco anos a |
| assistência médica e odontológica, partir do pagamento antecipado de que trata o |
| conclusão que se aplica às contribuições art. 150, § 1º, do CTN\". 1.2 Terço constitucional |
| devidas a terceiros. Precedentes dos de férias. No que se refere ao adicional de férias |
| Tribunais Regionais Federais. relativo às férias indenizadas, a não incidência de |
| contribuição previdenciária decorre de expressa |
| 3. Considerando que os descontos do vale- previsão legal (art. 28, § 9º, \"d\", da Lei 8.212/91 - |
| transporte, de vale-alimentação e de redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao |
| assistência médica e odontológica não têm adicional de férias concernente às férias |
| natureza jurídica de indenização, mas de gozadas, tal importância possui natureza |
| despesas suportadas pelos empregados, |
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| não podem ser abatidos da base de cálculo indenizatória/compensatória, e não constitui |
| das contribuições previdenciárias. ganho habitual do empregado, razão pela qual |
| sobre ela não é possível a incidência de |
| 4. Pretender ?que a rubrica atinente aos contribuição previdenciária (a cargo da empresa). |
| descontos que o empregador faz na folha A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg |
| de salários, relativos à cota-participação nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor |
| dos empregados no custeio do vale Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando |
| transporte, auxílio-alimentação e plano de entendimento das Turmas de Direito Público |
| saúde, não integra a remuneração de fato deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: |
| recebida pelos empregados, seria o mesmo \"Jurisprudência das Turmas que compõem a |
| que retirar a incidência da contribuição Primeira Seção desta Corte consolidada no |
| previdenciária devida pelo próprio sentido de afastar a contribuição previdenciária |
| empregado, o que não encontra previsão do terço de férias também de empregados |
| em lei?. (Decisão monocrática proferida no celetistas contratados por empresas privadas\". |
| REsp nº 1.929.164/RS, pelo Ministro 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade |
| Herman Benjamin, publicado em tem natureza salarial e a transferência do |
| 06/04/2021). encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) |
| não tem o condão de mudar sua natureza. Nos |
| termos do art. 3º da Lei 8.212/91, \"a Previdência |
| 5. Apelação dos impetrantes parcialmente |
| Social tem por fim assegurar aos seus |
| provida. |
| beneficiários meios indispensáveis de |
| manutenção, por motivo de incapacidade, idade |
| avançada, tempo de serviço, desemprego |
| involuntário, encargos de família e reclusão ou |
| morte daqueles de quem dependiam |
| economicamente\". O fato de não haver prestação |
| de trabalho durante o período de afastamento da |
| segurada empregada, associado à circunstância |
| de a maternidade ser amparada por um benefício |
| previdenciário, não autoriza conclusão no sentido |
| de que o valor recebido tenha natureza |
| indenizatória ou compensatória, ou seja, em |
| razão de uma contingência (maternidade), paga- |
| se à segurada empregada benefício |
| previdenciário correspondente ao seu salário, |
| possuindo a verba evidente natureza salarial. |
| Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, |
| § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que |
| o salário maternidade é considerado salário de |
| contribuição. Nesse contexto, a incidência de |
| contribuição previdenciária sobre o salário |
| maternidade, no Regime Geral da Previdência |
| Social, decorre de expressa previsão legal. Sem |
| embargo das posições em sentido contrário, não |
| há indício de incompatibilidade entre a incidência |
| da contribuição previdenciária sobre o salário |
| maternidade e a Constituição Federal. A |
| Constituição Federal, em seus termos, assegura |
| a igualdade entre homens e mulheres em direitos |
| 10 |
| e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 |
| assegura proteção do mercado de trabalho da |
| mulher, mediante incentivos específicos, nos |
| termos da lei. No que se refere ao salário |
| maternidade, por opção do legislador |
| infraconstitucional, a transferência do ônus |
| referente ao pagamento dos salários, durante o |
| período de afastamento, constitui incentivo |
| suficiente para assegurar a proteção ao mercado |
| de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder |
| Judiciário, a título de interpretação, atuar como |
| legislador positivo, a fim estabelecer política |
| protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir |
| o empregador do ônus referente à contribuição |
| previdenciária incidente sobre o salário |
| maternidade, quando não foi esta a política |
| legislativa. A incidência de contribuição |
| previdenciária sobre salário maternidade |
| encontra sólido amparo na jurisprudência deste |
| Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes |
| precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. |
| Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp |
| 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de |
| 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. |
| Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp |
| 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, |
| DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª |
| 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. |
| Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; |
| AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. |
| Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg |
| no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro |
| Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no |
| REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo |
| Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp |
| 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito |
| Gonçalves, DJe de 17.3.2010. 1.4 Salário |
| paternidade. O salário paternidade refere-se ao |
| valor recebido pelo empregado durante os cinco |
| dias de afastamento em razão do nascimento de |
| filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da |
| CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do |
| que ocorre com o salário maternidade, o salário |
| paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, |
| não se trata de benefício previdenciário. Desse |
| modo, em se tratando de verba de natureza |
| salarial, é legítima a incidência de contribuição |
| previdenciária sobre o salário paternidade. |
| 11 |
| Ressalte-se que \"o salário-paternidade deve ser |
| tributado, por se tratar de licença remunerada |
| prevista constitucionalmente, não se incluindo no |
| rol dos benefícios previdenciários\" (AgRg nos |
| EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. |
| Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). 2. |
| Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 |
| Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não |
| havendo no acórdão recorrido omissão, |
| obscuridade ou contradição, não fica |
| caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 |
| Aviso prévio indenizado. A despeito da atual |
| moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto |
| 6.727/2009), as importâncias pagas a título de |
| indenização, que não correspondam a |
| serviços prestados nem a tempo à disposição |
| do empregador, não ensejam a incidência de |
| contribuição previdenciária. A CLT estabelece |
| que, em se tratando de contrato de trabalho por |
| prazo indeterminado, a parte que, sem justo |
| motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar |
| a outra a sua intenção com a devida |
| antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo |
| empregador, nasce para o empregado o direito |
| aos salários correspondentes ao prazo do aviso, |
| garantida sempre a integração desse período no |
| seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). |
| Desse modo, o pagamento decorrente da falta de |
| aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, |
| visa a reparar o dano causado ao trabalhador que |
| não fora alertado sobre a futura rescisão |
| contratual com a antecedência mínima |
| estipulada na Constituição Federal (atualmente |
| regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, |
| não há como se conferir à referida verba o |
| caráter remuneratório pretendido pela |
| Fazenda Nacional, por não retribuir o |
| trabalho, mas sim reparar um dano. Ressalte- |
| se que, \"se o aviso prévio é indenizado, no |
| período que lhe corresponderia o empregado não |
| presta trabalho algum, nem fica à disposição do |
| empregador. Assim, por ser ela estranha à |
| hipótese de incidência, é irrelevante a |
| circunstância de não haver previsão legal de |
| isenção em relação a tal verba\" (REsp |
| 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino |
| Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese |
| sobre a natureza indenizatória do aviso prévio |
| indenizado, destacam-se, na doutrina, as lições |
| 12 |
| de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro |
| Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, |
| 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, |
| DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª |
| Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de |
| 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª |
| 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª |
| Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de |
| 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª |
| Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de |
| 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze |
| dias que antecedem o auxíliodoença. No que se |
| refere ao segurado empregado, durante os |
| primeiros quinze dias consecutivos ao do |
| afastamento da atividade por motivo de doença, |
| incumbe ao empregador efetuar o pagamento do |
| seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 |
| com redação dada pela Lei 9.876/99). Não |
| obstante nesse período haja o pagamento |
| efetuado pelo empregador, a importância paga |
| não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo |
| porque no intervalo dos quinze dias consecutivos |
| ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou |
| seja, nenhum serviço é prestado pelo |
| empregado. Nesse contexto, a orientação das |
| Turmas que integram a Primeira Seção/STJ |
| firmou-se no sentido de que sobre a importância |
| paga pelo empregador ao empregado durante os |
| primeiros quinze dias de afastamento por motivo |
| de doença não incide a contribuição |
| previdenciária, por não se enquadrar na hipótese |
| de incidência da exação, que exige verba de |
| natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no |
| REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman |
| Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp |
| 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, |
| DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª |
| Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp |
| 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino |
| Zavascki, DJ de 17.8.2006. 2.4 Terço |
| constitucional de férias. O tema foi |
| exaustivamente enfrentado no recurso especial |
| da empresa (contribuinte), levando m |
| consideração os argumentos apresentados pela |
| Fazenda Nacional em todas as suas |
| manifestações. Por tal razão, no ponto, fica |
| prejudicado o recurso especial da Fazenda |
| Nacional. 3. Conclusão. Recurso especial de |
| 13 |
| HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS |
| LTDA parcialmente provido, apenas para afastar |
| a incidência de contribuição previdenciária sobre |
| o adicional de férias (terço constitucional) |
| concernente às férias gozadas. Recurso especial |
| da Fazenda Nacional não provido. Acórdão |
| sujeito ao regime previsto no art. 543-C do CPC, |
| c/c a Resolução 8/2008 - Presidência/STJ. (REsp |
| 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL |
| MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em |
| 26/02/2014, DJe 18/03/2014) (Doc. 03) |
|
|
|
|
| PAGAMENTO DE IMPOSTOS E |
| CONTRIBUIÇÕES (SIMPLES). MANDADO DE |
| SEGURANÇA. AGÊNCIAS DOS CORREIOS. |
| CONTRATO DE FRANQUIA. DIREITO DE |
| OPÇÃO PELO SIMPLES. |
| - O art. 9º, inc. XIII, da Lei 9.317/96 não ofende o |
| princípio constitucional da isonomia. |
| - Entretanto, a atividade exercida pela empresa, |
| qual seja a prestação de serviços postais |
| mediante contrato de franquia firmado com a |
| Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ? |
| EBCT, não se insere na expressão |
| 'assemelhados' constante do inc. XIII do art. 9º |
| referido, que estabelece vedações à inscrição de |
| determinadas empresas no Sistema Integrado de |
| Pagamento de Impostos e Contribuições das |
| Microempresas e Empresas de Pequeno Porte ? |
| SIMPLES. |
| - Franqueadora de serviços da Empresa |
| Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, não se |
| assemelha à representação comercial. |
| - Vedação de analogia in malam partem, máxime |
| porque o sistema tributário admite interpretação |
| benéfica. |
| - Recurso Especial não conhecido (Súmulas n.ºs |
| 05 e 07, do STJ). |
| (REsp 395.199/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, |
| 27/05/2002, p. 134) (Doc. 04) |
|
|
|
|
| PAGAMENTO DE IMPOSTOS E |
| CONTRIBUIÇÕES (SIMPLES). ANÁLISE DE |
| MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. |
| 14 |
| INTERPRETAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL. |
| RECURSO ESPECIAL INADMISSÍVEL. |
| SÚMULAS N.ºS 5 E 7, DO STJ. |
| - \"As atividades de instalação elétrica não estão |
| abrangidas pela vedação prevista no art. 9º, § 4º, |
| da Lei 9.317, podendo a empresa prestadora |
| desses serviços ser optante\" (Resp 380761) - |
| Ainda que assim não fosse, as próprias regras da |
| experiência comum indicam que exploram |
| serviços de instalação e manutenção de |
| equipamentos elétrico-mecânicos não se |
| enquadram no art. 9º, inciso XII, alínea \"f\" da Lei |
| 9.317/96. |
| - Equiparar essas empresas implicaria em |
| analogia in malam partem, num sistema tributário |
| que, quando nada, admite em prol do |
| contribuinte, a interpretação mais benéfica (art. |
| 106, I, CTN). |
| - Deveras, a análise do contrato social com o |
| escopo de aferir o objeto da empresa e suas |
| atividades para afastar funções assemelhadas, |
| data venia, incide no mesmo veto da sindicância |
| fático-probatória (Súmulas 05 e 07 do STJ). |
| - Recurso Especial não conhecido. |
| (REsp 403.568/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, |
| 27/05/2002, p. 138) (Doc. 05) |
|
|
|
|
|
|
| DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL |
| Dos julgados acima, denota-se que o esse E. STJ entendeu que, diferentemente do disposto |
| no v. Acórdão recorrido, no conhecido representativo da controvérsia, REsp 1.230.957 ? RS |
| (2011/0009683-6), acompanhando o entendimento já consagrado no STF, ratificou o pleito |
| dos contribuintes acerca do caráter indenizatório de determinadas rubricas que não deveriam |
| constar na base de cálculo da contribuição previdenciária, como, por exemplo, desconto de |
| assistência médica/odontológica, desconto do vale-transporte, desconto do vale- alimentação |
| e demais valores descontados em folha de salários. Além disso, a partir dos julgados acima, |
| resta claro que o sistema tributário permite apenas a interpretação benéfica ao contribuinte, |
| sendo certo que o art. 28, § 9º da Lei nº 8.212/91, não é taxativo, devendo ser analisado |
| conforme cada caso. |
|
|
|
|
| Dessa forma, restam todos os requisitos necessários à |
| admissibilidade do presente recurso, sob fundamento da alínea ?c?, III do art. 105 da |
| Constituição. |
|
|
| 15 |
| 4. Das Razões para Reforma do Acórdão Recorrido: |
|
|
|
|
| A contribuição previdenciária, a cargo do empregador, incide |
| sobre o salário devido ao empregado, pelo trabalho prestado com vínculo de emprego. |
|
|
|
|
| Além das verbas salariais, o empregador também paga ao |
| empregado verbas de natureza indenizatórias e verbas que não se destinam a |
| remunerar uma efetiva contraprestação de trabalho (verbas não salariais). |
|
|
|
|
| Essas verbas não devem compor a base de cálculo da |
| contribuição previdenciária, porque não possuem natureza salarial. |
|
|
|
|
| Assim, a contribuição previdenciária incidente sobre parcelas |
| não salariais e indenizatórias estaria sendo imposta em total desatenção ao |
| ordenamento jurídico e, por conseguinte, sendo o tributo exigido indevidamente do |
| contribuinte. |
|
|
|
|
| ?Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma |
|
|
| I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da |
| lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de |
| 1998) |
|
|
| a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou |
| creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, |
| mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº |
| 20, de 1998).? |
|
|
|
|
|
|
|
|
| 16 |
| O texto constitucional traz, ainda, no §11, do artigo 201, que, |
| para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida, os ganhos habituais do |
| empregado deverão ser incorporados ao salário: |
|
|
|
|
| ?Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, |
| de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que |
| preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: |
|
|
| (...) §11. ?Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão |
| incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e |
| consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.? |
|
|
|
|
| A Constituição Federal determina, em seu art. 195, que as |
| contribuições incidam sobre o faturamento, o lucro e a folha de salário, deixando de |
| fora a folha de pagamento. |
|
|
|
|
| Diante dos permissivos constitucionais supracitados, foi |
| instituída pela Lei nº 8.212/91 a contribuição previdenciária incidente sobre a folha de |
| salários e demais rendimentos decorrentes do trabalho, que, no seu art. 22, assim |
| dispõe: |
|
|
|
|
| ?Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, |
| além do disposto no art. 23, é de: |
| I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou |
| creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e |
| trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o |
| trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos |
| habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de |
| reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo |
| à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do |
| contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença |
| normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). |
| II - para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº |
| 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de |
| incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do |
| trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer |
| do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: |
|
|
| 17 |
| a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o |
| risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; |
| b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante |
| esse risco seja considerado médio; |
| c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante |
| esse risco seja considerado grave.? |
|
|
|
|
| Conforme se observa no dispositivo acima transcrito, o fato |
| gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários e |
| demais rendimentos decorrentes do trabalho é a remuneração habitual paga, |
| devida ou creditada a qualquer título pela empresa à pessoa física, a fim de |
| remunerar o serviço prestado ou o tempo em que a pessoa física ficou à |
| disposição do empregador ou tomador de serviços. |
|
|
|
|
| Portanto, para que determinado rendimento pago pelo |
| empregador ou tomador de serviço à pessoa física seja considerado como fato |
| gerador da contribuição previdenciária, ele deve ser: |
|
|
|
|
| (i) pago, devido ou creditado a qualquer título por uma pessoa |
| jurídica; |
|
|
|
|
| (ii) remuneratório de um serviço prestado ou do tempo em que a |
| pessoa física ficou à disposição do empregador ou tomador de |
| serviços; e |
|
|
|
|
| (iii) habitual e incorporado ao salário para efeito de contribuição |
| previdenciária. |
|
|
|
|
|
|
|
|
| 18 |
| Assim, somente quando presentes cumulativamente as |
| circunstâncias acima relacionadas é que um rendimento recebido pelo trabalhador da |
| pessoa jurídica pode desencadear a incidência da contribuição previdenciária. |
|
|
|
|
| Não estando presentes todas as circunstâncias materiais |
| supracitadas, o rendimento recebido pelo trabalhador não integra o salário de |
| da Lei nº 8.212/91, não devendo fazer parte de sua base de cálculo. |
|
|
|
|
| Diferentemente da verba remuneratória as verbas de caráter |
| indenizatório não estão no campo de incidência da contribuição previdenciária |
| disposta na referida lei federal. |
|
|
|
|
| Isso porque, o valor pago a título de indenização e/ou benefício |
| previdenciário não é remuneratório de um serviço prestado ou do tempo em que a |
| pessoa física ficou à disposição do empregador ou tomador de serviços, e sim uma |
| restituição de um prejuízo sofrido pelo trabalhador, ou seja, sua finalidade é reparar, |
| repor e/ou compensar de alguma forma dano ou prejuízo havido. |
|
|
|
|
| Nessa linha, visando corroborar as alegações da Recorrente |
| destaca-se que o Eg. STF, há muito tempo, já entende que a parcela recebida pelo |
| trabalhador a título de indenização não está dentro do campo de incidência da |
| contribuição prevista no artigo 195, inciso I, alínea ?a?, da CF: |
|
|
|
|
| AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. |
| CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INCIDENTE SOBRE HORAS EXTRAS E TERÇO |
| CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. IMPOSSIBILIDADE.Somente as parcelas |
| incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição |
| 19 |
| previdenciária. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 389903 |
| AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Primeira Turma, julgado em 21/02/2006, |
| DJ 05-05-2006 PP00015 EMENT VOL-02231-03 PP-00613) |
| EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. |
| CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AS HORAS EXTRAS E O |
| TERÇO DE FÉRIAS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. Esta Corte fixou |
| entendimento no sentido que somente as parcelas incorporáveis ao salário |
| do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Agravo |
| Regimental a que se nega provimento. |
| (AI 727958 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em |
| 16/12/2008, DJe-038 DIVULG 26-02-2009 PUBLIC 27-02-2009 EMENT VOL- |
| 02350-12 PP-02375) |
|
|
|
|
| Sob o mesmo entendimento, este Superior Tribunal de Justiça, |
| no conhecido representativo da controvérsia, REsp 1.230.957 ? RS (2011/0009683- |
| 6), DJe 18/03/14, acompanhando o entendimento já consagrado no STF, ratificou o |
| pleito dos contribuintes acerca do caráter indenizatório de determinadas rubricas que |
| não deveriam constar na base de cálculo da contribuição previdenciária (aviso prévio |
| indenizado, terço constitucional de férias e os quinze dias que antecedem o auxílio- |
| doença). |
|
|
|
|
| Nesse sentido, passou-se a julgar procedentes as ações, em |
| favor das empesas, uma vez que não pode o intérprete adulterar a definição e, por |
| consequência, ampliar a aplicação de institutos de direito privado, contrariamente ao |
| sentido que lhe dá a melhor doutrina, jurisprudência e até mesmo a Carta Política. |
| Nessa senda, é correto afirmar que a expressão ?verba remuneratória? não |
| compreende determinadas verbas, como por exemplo, as indenizatórias. |
|
|
|
|
| Dessa forma, constata-se que as expressões ?verba |
| remuneratória? e ?verba indenizatória? não correspondem ao mesmo instituto jurídico, |
| haja vista que abarcam sentidos diversos, incapazes de autorizar que no conteúdo da |
|
|
|
|
|
|
| 20 |
| ?remuneração? sejam incluídas as verbas de caráter indenizatório, por não possuírem |
| natureza remuneratória. |
|
|
|
|
| A expressão salário não traz um conceito aberto, amplo, sob o |
| qual se possam amoldar pagamentos de várias origens e, principalmente, de distintas |
| justificativas. |
|
|
|
|
| Resta claro que somente incidirá contribuição previdenciária |
|
|
|
|
| Na prática, as empresas que não buscam o socorro do |
| Judiciário, acabam por incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária |
| valores pagos aos trabalhadores além dos salários, ou seja, de cunho indenizatório, |
| como, por exemplo, terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado, quinze dias |
| que antecedem ao auxílio-doença e as rubricas aqui discutidas: desconto de |
| assistência médica/odontológica, desconto do vale-transporte, desconto do |
| vale- alimentação e demais valores descontados em folha de salários. |
|
|
|
|
| A) DA AFRONTA AOS ARTS. 150 E 195. I, DA CF E 97 E 110 DO CTN |
|
|
|
|
| O tributo é composto de elementos distintivos: o fato gerador e |
| a base de cálculo. O fato que gera contribuições sociais dos empregadores, nos |
| termos da lei, é ter a seu serviço trabalhadores sujeitos ao regime geral previdenciário. |
|
|
|
|
|
|
|
|
| 21 |
| As bases de cálculo das contribuições do empregador, já |
| definidas pela Constituição Federal, são a folha de salário, o faturamento e o lucro: |
|
|
|
|
| ?Art. 195 - A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma |
|
|
| I - dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o |
| lucro;? |
|
|
|
|
| Colhendo os ensinamentos de Lenice Silveira Moreira, tem-se |
| que somente caberá a aplicação de outras fontes do direito se a lei for omissa. In casu, |
| a norma constitucional é clara ao referir que os empregadores contribuirão para a |
| previdência social com base na folha de salários, faturamento e lucro, não sendo |
| admissível acrescer à norma jurídica significado novo ao termo salário, capaz de |
| incluir as verbas trabalhistas indenizatórias (Novas Incidências Previdenciárias, IOB |
| Jurisprudência, 17/97, pg. 422). |
|
|
|
|
| A definição de remuneração advém do ramo do Direito do |
| Trabalho e não se confunde com indenização, como se depreende das palavras de |
| Arnaldo Sussekind: |
|
|
|
|
| ?Remuneração é a soma do salário percebido em virtude do contrato de |
| trabalho e dos proventos auferidos de terceiros legal e habitualmente pelos |
| serviços executados. (SUSSEKIND, Arnaldo. Direito Brasileiro do Trabalho |
| vol. II, pág.180, grifou-se).? |
|
|
|
|
| No tocante à contribuição previdenciária sobre as |
| remunerações, a regra de competência do artigo 195, I, ?a?, da CF, traz como fato |
| tributável, de forma nítida, apenas parcelas de natureza remuneratória (não |
| indenizatória) ou benefício previdenciário. |
|
|
| 22 |
| Por isso o artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91 define como base |
| de cálculo ?o total das remunerações pagas destinadas a retribuir o trabalho?, |
| corroborando com o conceito de salário de contribuição, no art 28, inciso I, da referida |
| Lei, o que faz com que as parcelas indenizatórias estejam fora do alcance da |
| incidência de contribuição previdenciária. |
|
|
|
|
| Nessa linha, cabe ressaltar que o CTN, em seu art. 110, dispõe |
| expressamente sobre a inviabilidade da alteração do conceito de remuneração, como |
| de qualquer instituto ou conceito de direito privado, nos seguintes termos: |
|
|
|
|
| Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance |
| de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou |
| implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, |
| ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou |
| limitar competências tributárias. |
|
|
|
|
| E, não menos importante, o art. 97 do mesmo Diploma preceitua: |
|
|
|
|
| Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: |
|
|
| I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; |
|
|
| II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos |
| 21, 26, 39, 57 e 65; |
|
|
| III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o |
| disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; |
|
|
| IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o |
| disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; |
|
|
|
|
| Além de não observar a regra do art. 110 do CTN, vislumbra-se |
| violação à Constituição interpretar que a pretensão do legislador ordinário foi a de |
|
|
|
|
| 23 |
| regulamentar matéria de competência de Lei Complementar, que exige quórum |
| especial. |
|
|
|
|
| Ora, se o legislador pretendesse a inclusão de verba |
| indenizatória no conteúdo da redação do inciso I e II, do artigo 22, e inciso I, do artigo |
| 28, ambos da Lei nº 8.212/91, deveria ter obedecido à regra constante no §4º do art. |
| 195 da Carta Política, que faz exigência de Lei Complementar (art. 154, I da CF) para |
| autorizar a cobrança de outras fontes de custeio não previstas originalmente na |
| Constituição Federal. |
|
|
|
|
| Há, sem dúvida, uma expansão de fonte da Seguridade Social, |
| em face de maior abrangência de conteúdo da remuneração. |
|
|
|
|
| É impossível crer que na acepção de remuneração possam ser |
| incluídas verbas de caráter eminentemente indenizatórias. |
|
|
|
|
| Nesse sentido, não se pode admitir a inaplicabilidade das |
| normas e doutrina que regem a matéria, ainda mais em se tratando de tema ligado à |
| constitucionalidade de lei, ou seja, à segurança das relações jurídicas e, por |
| conseguinte, de interesse de toda a sociedade. |
|
|
|
|
| Ressalte-se que o salário de contribuição do empregado ? base |
| de cálculo para cômputo da sua contribuição ao Sistema Previdenciário ? é calculado |
| proporcionalmente ao número de dias do mês em que houve trabalho efetivo. Assim |
| dispõe a Lei 8.212/91: |
|
|
|
|
| Art. 28. Entende-se por salário contribuição: |
|
|
| 24 |
| § 1° - Quando a admissão, a dispensa, o afastamento ou a falta do |
| empregado ocorrer no curso do mês, o salário-de-contribuição será |
| proporcional ao número de dias de trabalho efetivo, na forma estabelecida |
| em regulamento. |
|
|
|
|
| Verifica-se, pois, que para o cálculo da contribuição |
| previdenciária do segurado empregado utiliza-se, apenas, o valor recebido pelo |
| empregado a título de salário/remuneração, pois corresponde ao número de dias em |
| que o trabalho foi, efetivamente, realizado. |
|
|
|
|
| Em consequência, as verbas ora discutidas ? desconto do vale- |
| transporte, desconto do vale-alimentação e desconto de assistência |
| médica/odontológica - estão excluídas do âmbito do que pode ser considerado |
| remuneração. |
|
|
|
|
| Logo, a verba que o empregado receber, sem haver um elo com |
| o serviço prestado, não precisa necessariamente ser isenta pela lei, pois já está |
| naturalmente excluída da abrangência da base de cálculo, por não se enquadrar no |
| conceito estipulado pela Constituição Federal, em seu art. 195, I, ?a?, Lei Ordinária nº |
| 8.212/91, art. 22, I e art. 28, I e Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457. |
|
|
|
|
| À lume da estrita legalidade, nos moldes do artigo 150, I da CF |
| e 97 do CTN, temos que compete à função legislativa a incumbência de prescrever |
| exaustivamente sobre a norma tributária ? preceito da tipicidade cerrada ? |
| competindo-lhe descrever integralmente seus componentes, sob pena de afrontar-se |
| tal princípio. |
|
|
|
|
|
|
|
|
| 25 |
| Diante do exposto, a exigência de contribuição previdenciária |
| sobre verbas de cunho indenizatório, ou seja, de caráter não remuneratório, contraria |
| os artigos constitucionais e infraconstitucionais acima descritos. |
|
|
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| B) DO SALÁRIO E DAS VERBAS INDENIZATÓRIAS |
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| Salário é, apenas, a contraprestação paga, pelo empregador, |
| aos serviços prestados pelo trabalhador por ele contratado (CLT, art. 3º, caput). Por |
| outro lado, a indenização destina-se a reparar um direito malferido. |
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| Para todas as interpretações dos dispositivos legais aqui |
| aventadas como ofensivas à Constituição (na medida em que intentam assemelhar |
| indenizações e salários), vale transcrever o ensinamento de AMAURI MASCARO |
| NASCIMENTO: |
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| \"Distingue-se salário e indenização. Indenização é a reparação de danos. |
| Não se confundem com salário as indenizações de dispensas sem justa |
| causa e outras, com as diários e ajudas de custo, cuja natureza é também de |
| ressarcimento.\" |
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| É nesse sentido que se aplica à hipótese o art. 110 do Código |
| Tributário Nacional, pouco importando se o ramo considerado é do Direito Privado ou |
| não. O que importa é que os conceitos de Direito Positivo utilizados na outorga |
| constitucional de competências não podem ser alterados pelo legislador ordinário (ou |
| pelo intérprete), pois, se pudessem, teriam condições de ampliar a sua própria |
| competência, o que não tem sentido. |
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| A simples leitura desses preceitos revela que todos eles se |
| referem ao conceito de salário, tal como definido nos artigos 457 e 458 da CLT, que, |
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| como visto, determina sua aplicabilidade para todos os efeitos legais, incluindo, |
| portanto, os previdenciários. |
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| Tal conclusão resulta não só do fato de o fundamento |
| constitucional destes preceitos se referir expressamente à base de cálculo da |
| contribuição em causa, como sendo a folha de salário, mas também da utilização da |
| expressão remunerações, que é essência do conceito de salário. |
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| O artigo 457, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) |
| conceitua: \"compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos |
| legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como |
| contraprestação do serviço, as gorjetas que receber\". Acrescenta o §1º que \"integram |
| o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, |
| percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo |
| empregador\"; e o §2º exclui dos salários\" (...) ?as ajudas de custos, assim como as |
| diárias para viagem que não excedam de cinquenta por cento do salário percebido |
| pelo empregado\". |
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| Logo, o termo remuneração corresponde, à contraprestação dos |
| serviços contratados ao empregado mediante contrato de trabalho, e devida a este |
| pelo empregador. A remuneração é constituída essencialmente pelo salário. |
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| Como ensina Aroldo Gomes de Mattos, sendo, pois, o \"salário\" |
| conceituado no Direito Privado como a contraprestação devida pelo empregador pelos |
| serviços prestados pelo empregado, segue-se que não há como confundi-lo com |
| parcelas indenizatórias, devidas por força da legislação trabalhista em razão de |
| descumprimento ou da resilição do pacto laboral, ou pela legislação previdenciária, |
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| para proteger e auxiliar o trabalhador desamparado. (A Inconstitucionalidade da |
| Incidência da Contribuição Previdenciária sobre Parcelas Indenizatórias, Dialética, nº |
| 25, pg. 43). |
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| O conceito de remuneração nas contribuições previdenciárias |
| está na Constituição Federal de 1988, onde o art. 195 dá algumas indicações que |
| permitem identificar ora o fato gerador, ora o sujeito passivo, ora a base de cálculo |
| dessas contribuições. No inciso I, dispõe que: \"a seguridade social será financiada por |
| toda a sociedade (...) mediante recursos provenientes (...) das seguintes contribuições |
| sociais: I - dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o |
| lucro; II - dos trabalhadores, III - (...)?. |
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| Pelo inciso I, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, considera-se salário |
| de contribuição para o empregado a remuneração efetivamente recebida ou creditada |
| a qualquer título durante o mês. |
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| A distinção entre as figuras salário e indenização é tão clara que |
| dispensaria maior esforço de argumentação. De qualquer modo, vale trazer à colação |
| o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: \"Salário é pagamento do trabalho |
| prestado, de períodos nos quais o empregado fica à disposição do empregador e das |
| interrupções do trabalho\". (Iniciação ao Direito do Trabalho, Ed. LTR, 11ª edição, |
| p.266). E, sendo assim, a MP não poderia fixar novas fontes de recurso para |
| empregadores, já que a contribuição destes só poderá se dar nos termos do inciso I |
| artigo 195 da CF/88. Não fosse assim, restaria inútil e sem sentido o preceito ali |
| contido. Ademais, indenizar é tornar sem dano. Compensar alguém da perda de |
| alguma coisa que, voluntariamente, não perderia. O Professor Roque Antonio |
| Carrazza, RTD nº 60, pg. 93, ao comentar a indenização sobre o prisma do imposto |
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| de renda, assim se pronunciou: \"...Indenização não é nem rendimento, nem provento |
| de qualquer natureza, mas reparação de pecúnia, por perda de direito. Melhor |
| esclarecendo, na indenização há compensação, em pecúnia, por dano sofrido; nunca |
| rendimento. O direito ferido é transformado numa quantia em dinheiro\". |
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| Na mesma linha, destaca o Prof. Washington de Barros |
| Monteiro: \"Mas a indenização deve ser justa, isto é, deve corresponder efetivamente |
| ao real prejuízo sofrido pela parte lesada. Como o próprio étimo deixa entrever, |
| indenizar é desfazer o dano, recompor situação primitiva, anular os efeitos da lesão |
| jurídica\" (Curso de Direito Civil, 16ª ed. v.4/336, 1981). |
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| Eventual lei que determine tributar tais pagamentos (decorrentes |
| de indenizações) será inconstitucional. Nem se alegue que, através do mecanismo de |
| ficções, presunções e equiparações, o legislador (ou o intérprete) pode transformar |
| indenizações em salários. O emprego de ficções, presunções ou equiparações não |
| há de violar direitos constitucionais, uma vez que os contribuintes só podem ser |
| tributados pela contribuição previdenciária, quando pagarem salários e não |
| indenizações. |
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| Em suma, não se pode querer validamente equiparar o |
| recebimento de uma indenização à obtenção de salários. Insiste-se, nos patamares |
| do Direito: indenização não é e nunca será salário. Na medida que indenização não |
| configura salário, temos que sobre elas não pode incidir a contribuição previdenciária, |
| mesmo que o legislador, ou o intérprete fiscal queira alcançá-la. |
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| A propósito da natureza jurídico-tributária da indenização, assim |
| elucidou o ilustre Ministro MILTON PEREIRA: |
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| \"Em apertada síntese, na indenização inexiste riqueza nova. E, sem riqueza |
| nova, não pode haver incidência do IR ou de qualquer outro imposto de |
| competência residual da União (nesse caso, por ausência de indício de |
| capacidade contributiva). Assim, enquanto reinem dúvidas sobre o |
| significado, o conteúdo e o alcance da expressão ?renda e proventos de |
| qualquer natureza?, a doutrina e jurisprudência de há muito vêm entendendo |
| que ela não compreende as importâncias percebidas a título de indenização\". |
| (Recurso Especial nº 34.988 - 0- SP, in Rev. STJ nº 72, pg. 189). |
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| Do saudoso mestre Geraldo Ataliba, citado pela Juíza do TRF |
| da 3ª Região, no MS nº 153042 REG nº 94.03.062229-6 (Dialética Nº 2, pg. 105 e |
| seg.), aprendemos: |
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| ?... o ético indenizar implica precisamente a noção de compensar ou |
| recompensar do dano ou prejuízo sofrido; reparar e compensar é estabelecer |
| equilíbrio entre; contrabalançar; substituir...? |
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| O que leva o empregador a pagar aos empregados as |
| importâncias examinadas é exatamente o assumido dever de compensá-los pela |
| perda que lhes impuseram, ao dar por extinta a relação empregatícia que com eles |
| mantinham. Não se trata de verbas salariais, pois não configuram qualquer tipo de |
| contrapartida de serviços prestados. |
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| Sob esse prisma, bem esgotada a oceânica diferença entre |
| verba salarial e verba indenizatória, passa-se a discorrer sobre as rubricas cujo caráter |
| indenizatório aqui se almeja reconhecido judicialmente. |
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| C) DO DESCONTO DO VALE TRANSPORTE |
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| Por primeiro, antes da demonstração do caráter indenizatório da |
| rubrica ?desconto do vale-transporte?, importante ressaltar, para o correto |
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| entendimento da questão, a diferenciação entre vale-transporte e desconto do vale- |
| transporte. |
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| O custeio do vale-transporte é suportado em duas partes: pelo |
| empregador quando faz a aquisição do benefício e pelo funcionário quando do |
| desconto na folha de salários. O empregador tem autorização legal, Lei nº 7.418/85, |
| para descontar na folha de pagamento o percentual de até 6% sobre o valor do salário |
| básico do empregado, tendo em vista o vale-transporte fornecido. Isso significa que |
| esse percentual não será descontado de outros benefícios, como horas extras, |
| comissões, entre outras. |
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| No entanto, caso o valor correspondente ao vale-transporte seja |
| inferior a 6% do salário básico, o percentual do desconto será reduzido de forma |
| proporcional. No caso de demissão, admissão ou férias, o percentual de 6% será |
| descontado do salário básico proporcional aos dias trabalhados dentro do mês. Se o |
| empregado recebeu o vale-transporte no início do mês, deverá devolver ao |
| empregador os vales não utilizados, ou este último descontará do acerto o valor |
| correspondente a eles. |
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| Vamos considerar um funcionário que receba um salário básico |
| de R$ 2.000 por mês e utilize 2 vales-transportes por dia para ir e voltar do trabalho. |
| Para esse cálculo, vamos estabelecer o valor do vale-transporte em R$ 2,50. |
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| Para 22 dias trabalhados durante o mês, temos um total de 44 |
| vales-transportes necessários ao empregado nesse período (2 x 22 = 44). Então, o |
| valor final dos vales-transportes fornecidos no mês será de R$ 110 (44 x 2,50 = 110). |
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| Vejamos: se o desconto total do vale-transporte deve ser de até |
| 6% do valor do salário básico, no exemplo apresentado o desconto total deveria ser |
| de até R$ 120 (2.000 x 6% = 120). Como o valor total dos vales-transportes é de R$ |
| 110, será este o valor descontado do salário básico, e R$ 120. |
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| Por outro lado, caso o valor total do vale-transporte |
| ultrapassasse o limite dos R$ 120, somente R$ 120 poderiam ser descontados do |
| salário básico do funcionário. Nessas situações, é o empregador que deve arcar com |
| o excedente. |
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| Tal diferenciação é de extrema importância, evitando-se que se |
| confunda o desconto de até 6% do vale com o próprio vale-transporte, já que este, por |
| lei, já é excluído da base de cálculo por ter notório caráter indenizatório. Vejamos. |
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| O art. 2º da Lei nº 7.418/85, que instituiu o vale-transporte, |
| preceitua que tal verba (o vale puro) não tem natureza salarial, não se incorpora à |
| remuneração e não constitui base de incidência de contribuição previdenciária: |
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| ?Art. 2º - O Vale-Transporte, concedido nas condições e limites definidos, |
| nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Renumerado do |
| art. 3º, pela Lei 7.619, de 30.9.1987) |
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| a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer |
| efeitos; |
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| b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de |
| Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; |
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| c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador.? |
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| O Decreto nº 95.247/87, que regulamentou a Lei nº 7.418/85 |
| (instituidora do vale-transporte), em seu art. 6º, manteve a natureza não salarial da |
| verba, tendo em vista seu caráter indenizatório: |
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| ?Art. 6° O Vale-Transporte, no que se refere à contribuição do empregador: |
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| I - não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração do beneficiário |
| para quaisquer efeitos; |
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| II - não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do |
| Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; |
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| III - não é considerado para efeito de pagamento da Gratificação de Natal (Lei |
| n° 4.090, de 13 de julho de 1962, e art. 7° do Decreto-lei n° 2.310, de 22 de |
| dezembro de 1986); |
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| IV - não configura rendimento tributável do beneficiário.? |
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| Já a Súmula nº 89 do CARF (Conselho Administrativo de |
| Recursos Fiscais), Tribunal administrativo federal de instância máxima, que decide |
| sobre questões de repercussão teórico-prática e econômico-financeira, prescreve |
| que: |
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| Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre |
| valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. |
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| Advocacia-Geral da União, no Ato nº 004/2016, tendo em vista a aprovação do |
| Parecer da PGFN/CRJ nº 189, declarou autorizada a dispensa de impugnação judicial, |
| interpostos nas ações judiciais que pleiteiem a não incidência de contribuição |
| previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia: |
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| 33 |
| ?nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de |
| contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, |
| considerando o caráter indenizatória da verba?. |
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| Na mesma linha, a Tabela de Incidência de Contribuição da |
| Subsecretaria de Arrecadação e Atendimento ? Secretaria da Receita Federal do |
| Brasil ?, publicada em 28/04/15 (constante do site da RFB), extirpa a rubrica da base |
| de cálculo da contribuição previdenciária: |
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| Tanto no âmbito administrativo quanto no Judiciário, a questão, |
| como é de notório conhecimento, é pacificada. |
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| Vejamos acórdão do CARF, Conselho Administrativo de |
| Recursos Fiscais, que preceitua a não incidência da contribuição previdenciária sobre |
| o vale-transporte, mesmo pago em pecúnia: |
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| ?Processo nº 16327.000914/2010-16 Recurso nº Voluntário |
| Acórdão nº 2202-003.369 ? 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária |
| Sessão de 10 de maio de 2016 |
| Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias |
| Recorrente BANCO CITIBANK S/A |
| Recorrida FAZENDA NACIONAL |
| ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS |
| Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 (...) |
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| VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO? |
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| Conforme disposto na súmula CARF nº 89, a contribuição social |
| previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que |
| em pecúnia. |
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| ?ABONO ÚNICO |
| De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 \"o abono previsto em |
| Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem |
| habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária (...) |
| Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. |
| Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar |
| provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, |
| Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira |
| Barbosa votaram pelas conclusões (Assinado digitalmente) |
| MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado |
| digitalmente) |
| JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 |
| Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de |
| Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson |
| Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins |
| (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada? |
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| Este Superior Tribunal de Justiça nunca destoou de tal |
| entendimento. Vejamos ementas de alguns, entre inúmeros, julgados que compõem |
| a jurisprudência pacífica acerca do tema: |
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| TRIBUTÁRIO. VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO DE |
| FORMA CONTÍNUA. AUSÊNCIA DE DESCONTO. INCIDÊNCIA DE |
| CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. 1. O vale-transporte, |
| quando descontado do empregado no percentual estabelecido em lei, não |
| integra o salário-de-contribuição para fins de pagamento da contribuição |
| previdenciária. 2. Situação diversa ocorre quando a empresa não efetua tal |
| desconto, pelo que passa a ser devida a contribuição para a previdência |
| social, porquanto referido valor incorpora-se à remuneração do trabalhador. |
| 3. In casu, o recorrente efetuou o pagamento do vale-transporte em dinheiro, |
| de forma contínua, sem efetuar o desconto, o que possibilita a incidência de |
| contribuição previdenciária. 4. Precedentes da Primeira e Segunda Seção do |
| Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 443.820/RS, REsp nº 653.806/TO, |
| AGRESP nº 421.745/RJ, REsp nº 420.451/RS, REsp nº 194.231/RS) 5. |
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| 35 |
| Recurso especial improvido. (REsp 664.068/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, |
| PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2005, DJ 16/05/2005, p. 252) |
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| PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. VALETRANSPORTE. |
| AUXÍLIO- CRECHE. 1. O vale-transporte, quando descontado no percentual |
| estabelecido em lei do empregado, não integra o salário-de-contribuição para |
| fins de pagamento da previdência social. 2. Situação diversa ocorre quando |
| a empresa não efetua tal desconto, pelo que passa a ser devida a |
| contribuição para a previdência social, porque tal valor passou a integrar a |
| remuneração do trabalhador. 3. O auxílio-creche tem natureza utilitária em |
| benefício do empregado. São ganhos habituais sob forma de utilidades, pelo |
| que os valores pagos a tal título integram o salário-de-contribuição. 4. |
| Recurso do INSS provido. (REsp 194.229/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, |
| PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/02/1999, DJ 05/04/1999, p. 90) |
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|
|
| Pois bem. O caráter indenizatório do vale-transporte é definido ? |
| por lei, demais comandos normativos mencionados e jurisprudência ?, logo não deve |
| fazer parte da base de cálculo da contribuição previdenciária. |
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| Ocorre que a parcela do vale-transporte descontada na folha de |
| salário do funcionário, no limite de até 6%, também tem natureza indenizatória, pois |
| esse valor está sendo ressarcido ao empregador e, sendo assim, deixa de ter caráter |
| remuneratório (salarial). |
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| A importância que as empresas pagam a seus funcionários |
| durante o período de afastamento por doença, por exemplo, também não é salário, |
| nem é decorrente de rendimento do trabalho, pelo singelo motivo de que não |
| representa uma contraprestação pelo labor prestado, pelo contrário, o segurado a |
| recebe pela ausência de trabalho. |
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|
| Do mesmo modo, não se pode entender como verba salarial o |
| desconto do vale-transporte, ao passo que se trata de desconto (legal) do valor |
| percebido pelo funcionário a título de vale-transporte (indenizatório). |
| 36 |
| Aliás, a própria nomenclatura da rubrica ?desconto do vale- |
| transporte? já descaracteriza, por si só, a pretensão de ver inserido tal pagamento no |
| conceito jurídico e material de natureza salarial! |
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| Como dito, ao empregador é autorizado proceder ao desconto |
| de até 6% do salário básico do empregado (excluídos quaisquer adicionais ou |
| vantagens) a título de restituição do vale-transporte. O ato de descontar, dentro do |
| percentual estabelecido em lei, exclui o caráter salarial do valor de custeio do |
| benefício. |
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| Nessa senda, o valor descontado (6% do salário básico) não |
| implica em aumento de patrimônio do empregado, tendo natureza essencialmente |
| ressarcitória ou indenizatória! Em vez de aumentar o patrimônio do empregado, o |
| valor descontado aumenta o patrimônio do empregador, pois é ele que resta |
| indenizado/ressarcido. |
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| Logo, como um ressarcimento ao empregador pode ser tido |
| como salário (contraprestação devida ao empregado)? Os conceitos são |
| diametralmente diferentes! Sendo até uma aberração jurídica confundi-los ou |
| equipará-los. |
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| O intuito do legislador ao permitir que o empregador se ressarça |
| do valor de custeio do vale-transporte é, evidentemente, indenizatório, pois tem como |
| fim indenizar o empresário, responsável pelo risco do negócio, e ao mesmo tempo |
| permitir que este auxilie o transporte de seus colaboradores sem ônus excessivo e |
| exclusivo. |
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| 37 |
| Nesse diapasão, o desconto do vale-transporte não remunera |
| um serviço prestado ou sequer o tempo em que a pessoa física ficou à disposição do |
| empregador, e sim restitui um ?prejuízo financeiro? sofrido não pelo trabalhador, mas |
| pelo empregador! Assim, sua finalidade é reparar, repor e/ou compensar de alguma |
| forma o valor adiantado para compra do vale-transporte. |
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| A expressão salário não se enquadra, sob a mais absoluta |
| forma, a tal rubrica. |
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| Conforme viu-se à exaustão, incide contribuição previdenciária |
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| Logo, o desconto ora analisado, que não tem um elo com o |
| serviço prestado, não precisa ser isento pela lei, pois já está naturalmente excluído da |
| abrangência da base de cálculo, por não se enquadrar no conceito estipulado pela |
| Constituição Federal, em seu art. 195, I, ?a?, Lei Ordinária nº 8.212/91, art. 22, I e art. |
| 28, I e Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457. |
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| É de clareza solar que o desconto do vale-transporte não se |
| equipara à verba salarial, pois não configura qualquer tipo de contrapartida pelos |
| serviços prestados, simplesmente ressarce o empregador (e não o empregado), o |
| indeniza ou o compensa. |
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| 38 |
| Na hipótese dos autos a pretensão da Recorrente não é a de |
| que não incida a contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de |
| vale-transporte. O seu objetivo é o de que seja deduzido da base de cálculo da |
| contribuição sobre a sua folha de salários o valor correspondente à contribuição |
| de 6% do salário do beneficiário, destinada a custear o vale-transporte. |
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| Porém, os 6% que são descontados do salário do beneficiário |
| para custear o vale-transporte não são deduzidos da base de cálculo da contribuição |
| previdenciária da empresa e é contra isso que se insurge a Recorrente. |
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| Desse modo, resta nítido que não existe relação jurídico- |
| tributária que obrigue a Recorrente a pagar a contribuição previdenciária patronal, |
| inclusive SAT e as destinadas aos terceiros, sobre a parcela de 6% descontada do |
| empregado para custear o vale-transporte. |
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| D) DO DESCONTO DO VALE-ALIMENTAÇÃO |
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| Na mesma linha do desconto do vale-transporte, o desconto do |
| vale-alimentação ? seja fornecido in natura, por cesta básica, em ticket ou espécie ? |
| também deve ser extirpado da base de cálculo da contribuição previdenciária, tendo |
| em vista que o benefício ostenta nítido caráter indenizatório. |
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| Assim como no caso do vale-transporte e do respectivo desconto |
| permitido por lei (máximo de 6%), importante caracterizarmos a diferenciação entre o |
| vale-alimentação e o desconto do vale-alimentação. |
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| 39 |
| Vale lembrar que a lei, art. 458 da CLT, não estipula um valor |
| mínimo de desconto da alimentação fornecida, do salário do trabalhador, apenas um |
| valor máximo (teto) que não pode ultrapassar 20% do salário: |
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| ?Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para |
| todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras |
| prestações \"in natura\" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, |
| fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o |
| pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) |
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| § 3º - A habitação e a alimentação fornecidas como salário-utilidade deverão |
| atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, |
| a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do salário-contratual.? |
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| A incorporação ao salário só pode acontecer quando o vale- |
| alimentação é dado de forma gratuita, ou seja, sem que o empregador efetue o |
| desconto. |
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| Se a empresa decide por descontar alguma porcentagem do |
| salário do funcionário, mesmo que ela seja simbólica, o vale alimentação precisa ser |
| concedido separadamente, pois passa a ser considerado como parcela de natureza |
| indenizatória. |
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| Pois bem. Ultrapassado tal esclarecimento, passemos à |
| demonstração do caráter indenizatório que se almeja ser reconhecido judicialmente. |
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| Advocacia-Geral da União, no Ato nº 03/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer |
| da PGFN/CRJ nº 2117/2011, declarou autorizada a dispensa de impugnação judicial, |
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| 40 |
| interpostos nas demandas judiciais que pleiteiem a não incidência de contribuição |
| previdenciária sobre o pagamento do vale-alimentação: |
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| ?nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento |
| in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição |
| previdenciária? |
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| A Tabela de Incidência de Contribuição da Subsecretaria de |
| Arrecadação e Atendimento ? Secretaria da Receita Federal do Brasil ?, publicada em |
| 28/04/15, extirpa a rubrica da base de cálculo da contribuição previdenciária: |
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| Ainda a Receita Federal do Brasil, através de sua Coordenação- |
| Geral de Tributação, solucionou consulta opinando que a parcela in natura do vale- |
| alimentação abrange tanto a cesta básica quanto as refeições fornecidas pelo |
| empregador aos seus funcionários: |
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| Solução de Consulta nº 130 ? Cosit Data 1 de junho de 2015 |
| Processo XXX |
| Interessado XXX |
| CNPJ/CPF XXX |
| ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AUXILIO |
| ALIMENTAÇÃO IN NATURA. ABONO ÚNICO |
| A parcela in natura do auxílio alimentação, a que se refere o inciso III do art. |
| 58 da IN RFB nº 971, de 2009, abrange tanto a cesta básica, quanto as |
| refeições fornecidas pelo empregador aos seus trabalhadores. |
| A expressão 'Convenção Coletiva de Trabalho' constante do inciso XXX do |
| art. 58 da IN RFB nº 971, de 2009, não abrange os Acordos Coletivos nem |
| as Sentenças Normativas por não mencioná-los expressamente. |
| 41 |
| Entende-se por abono único pago sem habitualidade, o pagamento único, |
| desvinculado do salário, que não caracterize contraprestação pelos serviços |
| prestados. Dispositivos Legais: art. 58, IN RFB nº 971/2009; art. 4º, Decreto |
| nº 5/1991; art. 19, §§ 4º e 5º, da Lei nº 10.522/2002; Parecer PGFN/CRJ/Nº |
| 2117/2011; Ato Declaratório PGFN nº 03/2011; Parecer PGFN/CRJ/Nº |
| 2114/2011; e Ato Declaratório PGFN nº 16/2011. |
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| Já no Judiciário, este Superior Tribunal de Justiça, ratificando o |
| entendimento do âmbito administrativo, decidiu que o valor concedido pelo |
| empregador a título de vale- alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, |
| mesmo se pago em dinheiro e esteja o empregador inscrito ou não no Programa de |
| Alimentação do Trabalhador ? PAT: |
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| ?PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. |
| TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE-ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE |
| ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT. CONTRIBUIÇÃO |
| PREVIDENCIÁRIA. NÃO-INCIDÊNCIA. |
| 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale-alimentação não se |
| sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido |
| benefício é pago em dinheiro. |
| 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa |
| Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de |
| tributação. |
| 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela |
| inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor |
| pago em espécie sobre o vale-transporte do trabalhador, mercê de o benefício |
| ostentar nítido caráter indenizatório. (STF - RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros |
| Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) |
| 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para |
| que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base |
| integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do |
| trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo |
| trabalho efetivado. |
| 5. É que: (a) \"o pagamento in natura do auxílio-alimentação, vale dizer, quando |
| a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da |
| contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o |
| empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador - |
| PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho\" |
| (REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em |
| 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal |
| é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o |
| seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de |
| 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência |
|
|
| 42 |
| da contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, já que, |
| qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza |
| indenizatória'; (d) \"a remuneração para o trabalho não se confunde com o |
| conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura). Suas |
| causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, |
| ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. |
| As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações |
| pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as |
| conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não |
| correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre |
| ele e a empresa não representam remuneração do trabalho, circunstância que |
| nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de |
| cálculo in concreto das contribuições previdenciárias\". (CARRAZZA, Roque |
| Antônio. fls.2583/2585, e-STJ). |
| 6. Recurso especial provido.? |
| (REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão |
| Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe |
| 10/05/2011) |
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| Por sua vez, o Tribunal Superior do Trabalho, de forma uníssona, |
| entende que a concessão do vale-alimentação, mesmo (e quando) descontada do |
| empregado, perde o caráter salarial e adquire caráter indenizatório, pois não se |
| integra à remuneração do colaborador para os efeitos legais. Vejamos acórdãos |
| explicativos que fielmente retratam o entendimento do TST: |
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| ?RECURSO DE EMBARGOS DO RECLAMANTE - AJUDAALIMENTAÇÃO - |
| DESCONTO NO SALÁRIO - DESCARACTERIZAÇÃO DO SALÁRIO- |
| UTILIDADE. |
| Para a configuração do salário in natura é indispensável a habitualidade da |
| prestação, e que a utilidade tenha sido concedida a título gratuito, como |
| retribuição pelo contrato (princípio da causalidade). Quando a ajuda- |
| alimentação é concedida a título oneroso, não sendo suportada apenas pelo |
| empregador, pois a utilidade recebida pelo empregado implica em desconto |
| de seu salário, não se caracteriza o salário in natura. Recurso de embargos |
| conhecido e desprovido. (...) |
| Se o empregador concede a utilidade a título gratuito, de forma habitual, em |
| função do contrato de trabalho (princípio da causalidade), em tese, |
| caracterizado está o salário in natura, que se integra ao salário contratual |
| para todos os efeitos.? |
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| 43 |
| In casu, a concessão da alimentação não foi suportada apenas |
| pelo empregador, pois a utilidade recebida pelo empregado implicou em desconto de |
| seu salário, o que a desfigura como salário in natura. |
|
|
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|
| Não sendo, portanto, ônus econômico exclusivo do empregador, está |
| afastado o caráter salarial da utilidade prestada. Assim, não se há de falar em |
| integração desta verba na remuneração do empregado para os efeitos legais. |
| (E-RR - 824-14.2011.5.18.0012 , Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de |
| Mello Filho, Data de Julgamento: 06/09/2012, Subseção I Especializada em |
| Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 23/11/2012) |
|
|
|
|
| RECURSO DE EMBARGOS. SALÁRIO \"IN NATURA\". \"TÍQUETES- |
| ALIMENTAÇÃO\". DESCONTO. PROVIMENTO. |
| A não gratuidade na alimentação fornecida pela empresa descaracteriza a |
| natureza salarial da verba. No presente caso, restou consignado pela C. |
| Turma que era efetuado desconto mensal no salário do reclamante de 20%. |
| Embargos conhecidos e providos. |
| (E-RR - 623341-76.2000.5.01.5555, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, |
| Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, DJ de 4/5/2007) |
|
|
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|
| Dos julgados e comandos legais acima citados, denota-se o |
| nítido caráter não salarial e indenizatório do desconto do vale-alimentação. |
|
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|
|
| Isso porque, seu fim não é remuneratório, ou seja, não |
| representa contraprestação pelo trabalho do empregado, apenas indeniza o |
| empregador pelo adiantamento do custeio do benefício alimentício do empregado. |
|
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|
| A vantagem concedida ao colaborador de modo algum tipifica |
| compensação pelo labor realizado. |
|
|
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|
| Nesse ínterim, não correspondendo à contraprestação |
| sinalagmática da relação existente entre o funcionário e a empresa empregadora, não |
|
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| 44 |
| retrata remuneração (salário), circunstância que conduz inevitavelmente ao ora |
| defendido: não é base de cálculo da contribuição previdenciária. |
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| referente ao desconto do vale-alimentação (seja fornecido in natura, por cesta básica, |
| em ticket ou espécie). |
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| E) O DESCONTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA/ODONTOLOGIA |
|
|
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|
| O empregador pode oferecer serviços médicos, odontológicos e |
| similares aos empregados e dirigentes da empresa. Essa tarefa pode ser executada |
| por serviço médico próprio da empresa ou por terceiro a ela conveniada, sendo lícito |
| ao empregador, inclusive, reembolsar as despesas médicas suportadas por seus |
| colaboradores. |
|
|
|
|
| Nesse contexto, atua o empregador, paralelamente ao Estado, na |
| missão de desenvolver e expandir as ações de Seguridade Social. Como as ações do |
| Poder Público em prol do direito à saúde são custeadas com recursos da seguridade |
| social, o legislador houve por bem tornar isento de contribuição previdenciária os |
| valores destinados à assistência médica e odontológica dos empregados. |
|
|
|
|
| No ano de 1992, a Consultoria Jurídica do Ministério da |
| Previdência Social, por meio do Parecer MPS/CJ/N. 107, de 14 de setembro de 1992, |
| declarou que os valores despendidos pelos empregadores e destinados à assistência |
| médica dos empregados e dependentes não integra o salário-de-contribuição, dada a |
| inexorável natureza assistencial do benefício, como se colhe da seguinte conclusão: |
|
|
| 45 |
| ?O conceito de salário-de-contribuição da Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991 |
| está posto no artigo 28, nos seguintes termos: ?Art. 28 Entende-se por salário- |
| de-contribuição: I ? para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração |
| efetivamente recebida ou creditada a qualquer título, durante o mês, em uma |
| ou mais empresas, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, |
| ressalvado o disposto no § 8º e respeitados os limites dos §§3º, 4º e 5º deste |
| artigo. |
|
|
| De ponto, verifica-se que nem o serviço médico prestado pela própria |
| empresa, nem aquele conveniado, constituem importâncias efetivamente |
| recebidas ou creditadas em favor dos empregados durante o mês, muito |
| menos configuram ganhos habituais sob a forma de utilidades. |
|
|
| Na hipótese do serviço médico oferecido pela própria empresa, por ato de |
| liberalidade e colaboração com o Poder Público em matéria de saúde do |
| trabalhador, somente quando o empregado utiliza esporadicamente o |
| serviço, há um acréscimo eventual em sua remuneração. |
|
|
| (...) Por não constituir um ingresso normal com que conta o trabalhador para |
| sua subsistência, porquanto só quando eventualmente utilizada por ele há um |
| ganho efetivo, a assistência médica prestada pela própria empresa não se |
| identifica com a remuneração devida, revestindo-se, inquestionavelmente, de |
| autonomia conceitual. |
|
|
| Não sendo remuneração, nem ganho habitual sob a forma de utilidade, não |
| integra o salário-de-contribuição. |
|
|
| No caso específico de convênios de assistência médica, em que participam |
| a empresa, seus empregados e a instituição que presta os serviços, há que |
| se considerar a inexistência do fator gratuidade do serviço para o empregado, |
| que, necessariamente, arca com parcela do custeio. |
|
|
| As partes, empresa e empregados, se solidarizam em benefício de todos, |
| num contrato de natureza civil, onde há adesão expressa e voluntária para o |
| custeio da prestação médica. Não há que se falar em salário indireto, dado o |
| tipo de ajuste, oneroso para o empregado, o que retira a índole salarial do |
| negócio jurídico. |
|
|
| A assistência médica conveniada, pois, nos termos retratados, não integra o |
| salário- de-contribuição, por não integrar a remuneração do empregado nem, |
| tampouco, constituir ganho habitual sob a forma de utilidades, pela ausência |
| do fator gratuidade do serviço. |
|
|
| Há que se considerar, ainda, a hipótese da empresa custear totalmente |
| os planos de saúde para seus empregados e respectivos dependentes. |
| Neste caso, a empresa não mantém plano de saúde especificamente |
| para um empregado, mas para a massa de trabalhadores que lhe presta |
| 46 |
| serviços. Não se trata, pois, de ?remuneração paga ou creditada a |
| qualquer título? pela empresa a seu empregado, pois o serviço médico |
| não se traduz em valor pecuniário por ele recebido. Trata-se, na verdade, |
| de prestação assistencial, sendo socialmente injusto para a empresa |
| atribuir-lhe caráter salarial, e economicamente desencorajador de |
| iniciativas similares. |
|
|
| As prestações de natureza assistencial são bem delineadas pelo |
| eminente jurista Hugo Gueiros Bernardes in ?Direito do Trabalho, vol. I, |
| LTr.. SP, 1989, p. 240, quando ensina que as prestações de natureza |
| assistencial escapam à retributividade e à comutatividade inerentes ao |
| salário. |
|
|
| Em assim sendo, as prestações assistenciais, frequentes na área de |
| saúde, não constituem remuneração do empregado, não sofrendo |
| valoração para os fins de incidência da contribuição previdenciária. |
|
|
| Por outro lado, cumpre considerar que o ato de valorar o atendimento |
| médico, hospitalar ou ambulatorial prestado por serviços próprios das |
| empresas, ou por elas conveniadas, a fim de integrar o conceito de |
| salário-de-contribuição, funcionaria como fator de desestímulo para o |
| empregador melhorar as condições de trabalho do empregado. Não se |
| pode dar um tratamento legal pior ao empregador que não se limita a |
| cumprir os conteúdos mínimos da legislação do trabalho e que favorece |
| o empregado, oferecendo-lhe benefícios além da lei. |
|
|
| Em consequência das razões ora articuladas, o Parecer MTPS/CJ n. |
| 141/91 deverá ser revogado, para que seja adotada a orientação do |
| presente pronunciamento. É o parecer, s.m.j.? |
|
|
|
|
| Por meio do referido Parecer, entendeu o Ministério da |
| Previdência Social, seguindo orientação de sua Consultoria Jurídica, que o custeio de |
| plano de saúde aos empregados e dependentes não se traduz em remuneração paga |
| ou creditada a qualquer título, sobretudo porque as prestações de natureza |
| assistencial afastam a retributividade e a comutatividade inerentes ao salário. |
|
|
|
|
| Compreendeu o Ministério da Previdência Social, |
| acertadamente, que o ato de valorar o atendimento médico, hospitalar ou ambulatorial |
| prestado por serviços próprios das empresas, ou por ela conveniadas, a fim de integrar |
| o conceito de salário-de-contribuição, funcionaria como fator de desestímulo para o |
|
|
| 47 |
| empregador melhorar as condições de trabalho dos empregados, concluindo que |
| tais valores não devem sofrer a incidência de contribuições sobre a folha de |
| salários. |
|
|
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|
| Ressalta-se, ainda, relativamente aos efeitos que dimanam do |
| Parecer MPS/CJ/N. 107, de 14 de setembro de 1992, que o artigo 42 da Lei |
| Complementar n. 73/93 ? institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União e dá |
| outras providências ? o fato de que os pareceres das Consultorias Jurídicas, |
| aprovados pelo Ministro de Estado, pelo Secretário-Geral e pelos titulares das demais |
| Secretarias da Presidência da República ou pelo Chefe do Estado-Maior das Forças |
| vinculadas: |
|
|
|
|
| ?Art. 42. Os pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de |
| Estado, pelo Secretário-Geral e pelos titulares das demais Secretarias da |
| Presidência da República ou pelo Chefe do Estado-Maior das Forças |
| vinculadas.? |
|
|
|
|
| Corroborando este entendimento, a Lei nº 8.212/91 em seu § 9º |
| deixou claro a isenção, vejamos: |
|
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| ?§ 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, |
| exclusivamente: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico |
| ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o |
| reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, |
| despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura |
| abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa?. |
|
|
|
|
| Ainda, a Lei nº 13.467/17, que alterou a Consolidação das Leis |
| Trabalhistas - CLT, incluiu o § 5º no artigo 458 da CLT, enunciando que o valor relativo |
| à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio ou não, inclusive |
|
|
| 48 |
| o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, |
| próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares, mesmo quando |
| concedido em diferentes modalidades de planos e coberturas, não integram o salário |
| do empregado para qualquer efeito, nem salário de contribuição, para efeitos do |
| previsto na alínea ?q? do § 9º do artigo 28 da Lei n. 8.212/91. |
|
|
|
|
| Inclusive a Receita Federal do Brasil já se manifestou diversas |
| vezes sobre o assunto, por meio de manifestação em Solução de Consulta, mantendo |
| o entendimento de que não integra o salário de contribuição as assistências médicas |
| e odontológica. Abaixo, transcreve- se texto da decisão da Solução de Consulta nº |
| 156/2016: |
|
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|
| ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Não é possível |
| a cobrança de contribuição previdenciária sobre a concessão do benefício de |
| assistência médica, o que inclui o reembolso de despesas com |
| medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico- |
| hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade |
| dos empregados e dirigentes da empresa. |
|
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|
|
| referente ao desconto de assistência/odontológica). |
|
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| F) DOS DEMAIS DESCONSTOS EM FOLHA DE SALÁRIO |
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| Importante destacar que a tese aqui discutida requer a |
| declaração do Poder Judiciário para confimar que a base de cálculo da Contribuição |
| Previdenciária se limita ao valor efetivamente recebido pelo trabalhador, ou seja, o |
| valor líquido do seu salário que será depositado. |
|
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|
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| 49 |
| Nesse sentido, tratando-se de Mandado de Segurança, não |
| cabe a limitação de determinadas verbas a serem excluídas, sendo certo que o pedido |
| final é justamente para que a Contribuição previdenciária incida tão somente em |
| relação ao valor líquido depositado para o trabalhador, excluindo-se da sua base de |
| cálculo todo e qualquer desconto em folha salarial. |
|
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|
|
| G) DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL |
| EM OUTROS PROCESSO DE MATÉRIA IDENTICA |
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| A questão ventilada no Mandado de Segurança de origem, é tão |
| pacífica no âmbito da Receita Federal do Brasil que, além das jurisprudências aqui |
| mencionadas, em outros mandamus o Fisco manifestou expressamente seu |
| posicionamento de que não exige, e nunca exigiu, incidência da contribuição |
| previdenciária patronal sobre os valores descontados de empregados a título de VT |
| ou de VR/VA e, analogicamente ao aviso prévio invertido. |
|
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|
| Vejamos dois exemplos concretos: |
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| 1.Informações prestadas no MS nº 5064636-82.2017.4.04.7100, em 26/01/18, |
| evento 8, 14ª VF de Porto Alegre/RS: |
|
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|
|
| A Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB não exige, e nunca exigiu, |
| incidência da contribuição previdenciária patronal sobre valores descontados |
| de empregados a título de vale-transporte e/ou de vale-alimentação. |
| Portanto, não há que se falar em retirar da base de cálculo da contribuição |
| algo que nunca a compôs. |
| A propósito, não é exigida, no âmbito da RFB, tal contribuição sobre qualquer |
| valor financeiro descontado de empregado, já que, por óbvio, nos termos |
| 50 |
| dispostos no art. 28, I, da Lei nº 8.212/91, o salário de contribuição, base de |
| cálculo da contribuição previdenciária patronal, é composto pela |
| remuneração paga, devida ou creditada, durante o mês, aos segurados |
| empregados e/ou trabalhadores avulsos colocados à disposição da |
| empregadora ou da empresa contratante dos serviços. |
| Evidentemente, um valor que é descontado não é um valor pago, devido ou |
| creditado, para nos restringirmos aos termos previstos especificamente na lei |
| de regência da matéria. |
|
|
|
|
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|
| 2.Processo nº 5001532-58.2018.4.04.7205, 1ª Vara Federal da Justiça Federal de |
| Blumenau/SC: |
|
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|
|
| DO DESPROPÓSITO DA PRETENSÃO POSTA EM JUÍZO A pretensão e a |
| tese defendida pela impetrante, data venia, chegam às raias da incredulidade. |
| Não há, de fato, como se compreender a intenção de se retirar da base de |
| cálculo da contribuição previdenciária patronal, valores que não a compõem, |
| como os valores descontados dos segurados empregados, no caso, relativos |
| a vale- transporte e vale-alimentação. |
| Difícil de entender a falta de compreensão explicitada pela impetrante. |
| É óbvio e cristalino que rubricas descontadas da folha de salários não |
| integram a massa salarial, ou seja, a base de cálculo da contribuição |
| previdenciária patronal. |
| A Secretaria da Receita Federal do Brasil não exige, e nunca exigiu |
| contribuição previdenciária patronal sobre valores descontados de |
| empregados a qualquer título, ainda que sob a denominação de vale- |
| transporte e/ou de vale-alimentação. Não há que se falar, dessa forma, em |
| excluir da base de cálculo da contribuição patronal rubrica que nunca a |
| compôs. |
| O salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária |
| patronal, é composto pela remuneração paga, devida ou creditada, durante o |
|
|
|
|
| 51 |
| mês, aos segurados empregados e/ou trabalhadores avulsos colocados à |
| disposição do empregador. |
| Por óbvio, um valor descontado não é um valor pago, devido ou creditado. |
| A contribuição previdenciária não incide sobre ?descontos? e sim sobre |
| valores pagos pelo empregador aos segurados empregados. Em suma, não |
| há lógica jurídica ou mesmo matemática no pedido formulado na impetração. |
| A impetrante quer, na verdade, retirar do total de sua base de cálculo da |
| contribuição previdenciária patronal valores que não foram pagos/creditados |
| aos segurados empregados (ao contrário, foram descontados). Há aqui uma |
| impropriedade lógica. Só se pode pretender excluir da base de cálculo o que |
| nela está computado, o que não é o caso dos autos, pois as rubricas em tela |
| foram descontadas! |
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|
| O representante do Fisco Federal é taxativo ao afirmar que ?A |
| Secretaria da Receita Federal do Brasil não exige, e nunca exigiu, contribuição |
| previdenciária patronal sobre valores descontados de empregados a qualquer título, |
| ainda que sob a denominação de vale-transporte e/ou de vale-alimentação.? |
|
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|
| Desta forma, a própria autoridade coatora confirma que as |
| contribuições previdenciárias não devem compor a base de cálculo de nenhum valor |
| que é descontado do empregado a qualquer título, o que consolida ainda mais a |
| pretensão da Recorrente. |
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| 5. Dos Pedidos: |
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|
| Por todo o exposto, a Recorrente requer, espera e confia seja |
| conhecido e provido o presente recurso especial para que: |
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| (i) considerando a inobservância do art. 1.022, II do CPC, seja |
| anulado o v. acórdão recorrido e, em decorrência, sejam os |
| autos remetidos ao E. Tribunal a quo para que haja novo |
| julgamento; |
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| (ii) caso se entenda de maneira diversa, com base nas razões |
| acima expostas, seja reformado o v. acórdão recorrido e, por |
| conseguinte, integralmente acolhidos os pedidos constantes da |
| petição inicial. |
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| Requer, por fim, que todas as publicações e intimações relativas |
| a este processo sejam feitas em nome do advogado NELSON WILIANS FRATONI |
| RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob nº 128.341, sob pena de nulidade (art. 272, |
| §5º do CPC). |
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| OAB/SP Nº 128.341 ARTHUR PIMENTEL DIOGO |
| OAB/RJ Nº 136.118 (SUPLEMENTAR) OAB/RJ Nº 156.788 |
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| GABRIEL CAMPOS LIMA NADINE PRATES DE CASTRO |
| OAB/RJ N° 176.444 OAB/RJ N° 222.090 |
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