| "EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR VICE-PRESIDENTE DO |
| EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO |
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| Ref. Processo nº 5003187-67.2020.4.02.5001/ES |
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| AUTOSERVIÇO FAE LTDA., já qualificada nos autos mencionados em epígrafe, vem |
| respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por seus advogados ao final subscritos, |
| com endereço na Av. Nossa Senhora dos Navegantes, nº 955, sala 1.901, Ed. Global |
| Tower, Enseada do Suá, Vitória/ES, CEP: 29.050-355, e-mail: contato@fpsv.adv.br, com |
| supedâneo no art. 105, inciso III, alíneas ?a? da Constituição e nos artigos 1.029 e |
| seguintes do Código de Processo Civil, interpor |
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| RECURSO ESPECIAL |
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| contra o acórdão que negou provimento ao Recurso de Apelação apresentado pela ora |
| Recorrente, integrado pelo acórdão que negou provimento aos Embargos de Declaração |
| também apresentados pela ora peticionante. |
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| Revelado o cabimento do recurso e estando o preparo comprovado, requer-se a admissão |
| do presente recurso e sua conseguinte remessa ao col. Superior Tribunal de Justiça. |
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| Nestes termos, |
| Pede deferimento. |
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| Vitória/ES, 25 de novembro de 2022. |
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| RAZÕES RECURSAIS |
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| Processo nº: 5003187-67.2020.4.02.5001 |
| Recorrente: AUTOSERVIÇO FAE LTDA |
| Recorrido: DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL E UNIÃO FEDERAL |
| Tribunal de origem: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO |
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| Colendo Superior Tribunal de Justiça, |
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| Eméritos Ministros Julgadores. |
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| I. SÍNTESE DA MARCHA PROCESSUAL |
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| Trata-se, na origem, de Mandado de Segurança impetrado pela ora Recorrente com o |
| objetivo de obter excluir da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da |
| Social (PIS) o valor do ICMS-ST pago por ela na entrada da mercadoria e embutido no |
| valor da nota fiscal de entrada na consideração da receita bruta auferida de suas vendas. |
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| Na ocasião, em apertada síntese, sustentou a ora Recorrente que: |
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| a-) No Recurso Extraordinário nº 574.706, o Supremo Tribunal |
| Federal decidiu, por maioria de votos, que o ICMS não deve |
| integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. O entendimento |
| esposado pelo Pretório Excelso é plenamente extensível ao ICMS- |
| ST; |
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| b-) ao adquirir a mercadoria com o ICMS-ST embutido no valor do |
| produto, o que o contribuinte substituído faz, em verdade, é |
| efetuar o reembolso do ICMS de sua operação que já foi recolhido |
| pelo substituto em razão da submissão daquele produto à |
| sistemática da substituição tributária.; |
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| c-) ao efetuar a revenda para o consumidor final, há no preço final |
| não apenas o valor da mercadoria vendida, mas também o valor |
| de ICMS-ST embutido no preço praticado pelo Impetrante ao |
| consumidor final e que, como se sabe, não é receita do |
| contribuinte, mas sim da unidade federativa; |
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| d-) Destarte, o valor recolhido em toda cadeia é repassado ao |
| consumidor final (ICMS-ST destacado na nota do fornecedor para |
| o supermercado). Não há receita do substituído, mas tão somente |
| o reembolso do tributo já recolhido em momento anterior da |
| cadeia. |
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| e-) Em última análise, o valor pago pela mercadoria adquirida pelo |
| consumidor final representa o reembolso, ao substituído, do valor |
| que havia sido antecipado ao Estado em razão da substituição |
| tributária no momento em que o Impetrante comprou a |
| mercadoria de seu fornecedor, não constituindo receita tributável |
| e com o condão de apresentar a real capacidade contributiva do |
| contribuinte substituído |
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| Ao final, requereu fosse DETERMINADO à autoridade coatora que se abstivesse de exigir |
| que o recolhimento das contribuições para Contribuição para o Financiamento da |
| Social (PIS) fosse feito de modo a incluir o ICMS-ST nas hipóteses em que a Impetrante |
| for o contribuinte substituído. |
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| Em primeiro grau, o juízo sentenciante não concedeu a ordem pleiteada, decisão que |
| ensejou a apresentação de Recurso de Apelação ao Tribunal Regional Federal da 2ª |
| Região. |
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| Em 2ª Grau, o Eminente Relator negou provimento à Apelação sob os seguintes |
| fundamentos: |
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| a-) Na substituição tributária progressiva, como na espécie, o |
| substituto tributário é o responsável pelo recolhimento |
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| (antecipado) do tributo, cabendo ao substituído reembolsá-lo do |
| valor pago a título de ICMS-substituição (ICMS-ST).; |
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| b-) O ICMS-ST jamais esteve formalmente incluído na base de |
| cálculo do PIS e da COFINS do substituído, motivo pelo qual não |
| pode o imposto ser objeto de exclusão da base de cálculo dessas |
| contribuições; |
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| c-) No Tema 69, prevaleceu o entendimento de que a arrecadação |
| do ICMS (destacado na nota) não se enquadra entre as fontes de |
| financiamento da seguridade social previstas na Constituição, pois |
| não representa faturamento ou receita, mas apenas ingresso de |
| caixa ou trânsito contábil a ser totalmente repassado ao Estado- |
| membro. Já no caso do ICMS-ST, o substituído não recolhe o |
| imposto ao Fisco, logo não se pode afirmar que os valores |
| recebidos do adquirente simplesmente transitam pela sua |
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| Contra o acórdão, esta Recorrente opôs embargos de declaração para que o E. TRF2 se |
| manifestasse expressamente quanto aos fundamentos jurídicos que conduziam à |
| aplicação por analogia da ratio decidendi do Tema nº 69/STF ao caso em apreço ? como |
| pleiteado pelo ora Recorrente ? mas os aclaratórios não acolhidos pelo Tribunal Regional |
| Federal de origem. |
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| O fato é que, ao assim decidir, o Egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região: |
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| i) contrariou os art. 1º, § 1º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 |
| que dispõem que as contribuições para PIS e para a COFINS incidem |
| ?sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica? e não |
| sobre valores destinados ao pagamento do imposto relativo às |
| operações subsequentes. Assim como o ICMS próprio, o ICMS-ST é |
| receita do Estado e não do contribuinte |
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| ii) contrariou o art. 12 do Decreto-lei n. 1.598/1977 ao subverter o |
| conceito de faturamento ali descrito, em especial após a decisão |
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| proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE |
| 574.706/PR. |
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| É o que se passa a demonstrar. |
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| II. PRELIMINARMENTE: ADMISSIBILIDADE DO RECURSO |
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| Antes, porém, de evidenciar as razões pelas quais deve ser reformado o acórdão proferido |
| pelo e. TRF da 2ª Região, relevante demonstrar-se estarem presentes os requisitos de |
| admissibilidade do presente recurso especial. |
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| II.1. DA TEMPESTIVIDADE E DO PREPARO |
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| Destaca-se, inicialmente, a tempestividade do presente recurso. A confirmação da ciência |
| deu-se em 08/11/2022, com o prazo para manifestação indicado para 01/12/2022. |
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| Ademais, vide guia de recolhimento e comprovante de pagamento que seguem em anexo |
| (doc. 02), foi devidamente recolhido o preparo necessário ao conhecimento do recurso. |
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| II.2. DO CABIMENTO DO RECURSO |
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| Ainda em trato preliminar, demonstra-se, neste momento, em atenção ao determinado |
| no art. 1.029, III, do CPC/15, o cabimento deste recurso especial. |
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| Antes de tudo, não há dúvidas do esgotamento das instâncias ordinárias, uma vez que o |
| presente recurso especial é voltado contra acórdão que julgou Recurso de Apelação. |
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| Contra este acórdão, inclusive, foram opostos Embargos de Declaração, também não |
| acolhidos na origem. |
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| Na linha do que restou brevemente exposto acima, o acordão do e. TRF2 violou o disposto |
| no art. 1022, inciso II do Código de Processo Civil, ao deixar de sanar a omissão quanto |
| à obrigatoriedade de distinção dos precedentes ? inclusive em sede de repercussão geral |
| ? trazidos pelo ora Recorrente e o caso concreto, em especial quanto à própria ratio |
| decidendi do Tema 69 fixado pelo Pretório Excelso, que analisa precisamente a base de |
| cálculo das contribuições PIS/Cofins, inferindo que esta não comporta meros ingressos |
| contábeis para sua composição. |
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| A decisão contrariou, ainda, aos art. 1º, § 1º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 e |
| ao art. 12 do Decreto-lei n. 1.598/1977 ao subverter o conceito de receita bruta e |
| faturamento delineados na legislação, ampliando-o para incluir, ainda, receitas |
| destinadas aos Estados. |
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| Justifica-se, diante disso, a interposição do presente recurso com base na hipótese |
| prevista no art. 105, III, ?a? da Constituição Federal, in verbis: |
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| Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: [...] |
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| III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última |
| instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos |
| Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: |
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| a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; |
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| Ainda a respeito do cabimento, é relevante ficar claro que, por meio do presente recurso, |
| o recorrente não pretende a reanálise de qualquer elemento de prova constante dos |
| autos, e tampouco a redefinição dos fatos da causa. |
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| Frise-se, de antemão, que não há pretensão de revolvimento de matéria fática, |
| expediente vedado pela Súmula nº 7 deste col. Superior Tribunal de Justiça. Os pontos |
| suscitados pela Recorrente se atêm a aspectos jurídicos do caso, vez que pleiteiam a |
| interpretação correta e a plena aplicação de um dispositivo legal infraconstitucional. |
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| Por fim, não é demais lembrar, por fim, que a Primeira Seção do Superior Tribunal de |
| Justiça afetou a matéria (Tema Repetitivo nº 1125) em 17 de dezembro de 2021 |
| conforme se observa abaixo: |
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| Como se verá, para a análise das razões recursais e a constatação da violação à legislação |
| federal, basta partir do contexto fático definido no acórdão recorrido, quanto ao qual não |
| há qualquer divergência nos autos, a saber: |
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| (i) diferenciação entre o ICMS próprio e o ICMS-ST feita |
| pelo acórdão recorrido para fins de exclusão da base de |
| cálculo do PIS/COFINS e conclusão no sentido de que o |
| ICMS-ST não pode ser excluído da base de cálculo das |
| contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidos pelo |
| substituído ; |
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| (ii) A pretensão de excluir o ICMS-ST da base de cálculo |
| para apurar as contribuições de PIS e COFINS, uma vez |
| que integraria o custo na formação do preço de venda, |
| distorceria a sua materialidade de incidência, que é a |
| receita bruta auferida, para a receita líquida ou para o |
| lucro; |
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| (iii) Não haveria como compreender que, no precedente |
| do Supremo Tribunal Federal (Tema 69), se tenha tratado |
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| da hipótese de exclusão em favor do contribuinte que, na |
| cadeia de substituição tributária do ICMS, se encontre na |
| posição de substituído. |
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| (iv) Com o ICMS-ST o substituído não recolhe o imposto |
| ao Fisco, razão pela qual não se pode afirmar que os |
| valores recebidos do adquirente simplesmente transitam |
| pela sua contabilidade, sem lhe pertencerem. |
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| Quanto a estes pontos, repita-se, não há absolutamente nenhuma controvérsia nos |
| autos, podendo, todos eles, ser extraídos do acórdão recorrido e da própria ementa, |
| descrita abaixo: |
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| TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÕES AO |
| PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS-ST). |
| CONTRIBUINTE SUBSTITUÍDO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO TEMA |
| 69. DISTINGUISHING. |
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| 1. A substituição tributária é uma espécie de responsabilidade tributária |
| em que a sujeição passiva recai sobre uma pessoa diferente daquela que |
| possui relação pessoal e direta com a situação descrita na lei como fato |
| gerador do tributo. |
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| 2. Na substituição tributária progressiva, como na espécie, o substituto |
| tributário é o responsável pelo recolhimento (antecipado) do tributo, |
| cabendo ao substituído reembolsá-lo do valor pago a título de ICMS- |
| substituição (ICMS-ST). |
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| 3. O ICMS-ST jamais esteve formalmente incluído na base de cálculo do |
| PIS e da COFINS do substituído, motivo pelo qual não pode o imposto ser |
| objeto de exclusão da base de cálculo dessas contribuições. |
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| 4. No Tema 69, prevaleceu o entendimento de que a arrecadação do ICMS |
| (destacado na nota) não se enquadra entre as fontes de financiamento da |
| seguridade social previstas na Constituição, pois não representa |
| faturamento ou receita, mas apenas ingresso de caixa ou trânsito contábil |
| a ser totalmente repassado ao Estado-membro. Já no caso do ICMS-ST, o |
| substituído não recolhe o imposto ao Fisco, logo não se pode afirmar que |
| os valores recebidos do adquirente simplesmente transitam pela sua |
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| 5. Apelação da Impetrante desprovida. |
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| Não havendo, portanto, a pretensão à reanálise dos fatos e das provas constantes dos |
| autos, não há que se cogitar da incidência da Súmula nº 7 do Colendo STJ ao presente |
| recurso. |
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| II.3. DO PREQUESTIONAMENTO |
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| Finalmente, não há qualquer dúvida sobre a presença do requisito do prequestionamento. |
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| A questão atinente aos conceitos de receita e faturamento foram tratados no acórdão |
| objurgado. Veja-se trecho do voto do d. Desembargador Relator a respeito do tema: |
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| simplesmente porque jamais esteve formalmente incluído nessa mesma |
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| Repise-se: o substituído tributário apura a base de cálculo para determinar |
| os débitos do PIS e da COFINS com base na receita bruta auferida com as |
| vendas e, nas vendas, não há incidência do ICMS-ST porque o imposto já |
| foi recolhido antecipadamente pelo substituto. |
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| efeito de apuração da receita bruta são alheias ao Direito Tributário e não |
| interferem na relação jurídica entre o fisco e o contribuinte porque a |
| materialidade da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS é a |
| receita bruta auferida com a venda. |
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| arrecadação do ICMS (destacado na nota) não se enquadra entre as fontes |
| de financiamento da seguridade social previstas na Constituição, pois não |
| representa faturamento ou receita, mas apenas ingresso de caixa ou |
| trânsito contábil a ser totalmente repassado ao Estado-membro.. |
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| Ante todo o exposto, mostra-se admissível o presente recurso especial. |
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| III. DAS RAZÕES DO PEDIDO DE REFORMA DO ACÓRDÃO |
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| Após a demonstração do pleno cabimento deste recurso especial em razão da violação, |
| pela decisão colegiada, de dispositivo infraconstitucional, passa-se às razões de reforma |
| do acórdão, de modo a dar provimento ao presente Recurso Especial. |
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| III.1 ? DA OFENSA AO AOS ART. 1º, § 1º, DAS LEIS N. 10.637/2002 E |
| 10.833/2003 E AO ART. 12 DO DECRETO-LEI N. 1.598/1977 (CF/88, ART. 105, |
| III, ?A?) |
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| Como já restou fartamente demonstrado ao longo destas razões recursais, o acórdão |
| recorrido deixou de aplicar o que dispõem os art. 1º, § 1º, das Leis n. 10.637/2002 e |
| 10.833/2003 e o art. 12 do Decreto-lei n. 1.598/1977 quanto ao conceito de receita para |
| tributação de PIS e COFINS. |
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| Na ocasião, entendeu que a Corte Regional da 2ª Região que ?o ICMS-ST não pode ser |
| excluído da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidos pelo |
| substituído simplesmente porque jamais esteve formalmente incluído nessa mesma base |
| de cálculo?. |
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| Não é essa, entretanto, a melhor solução ao caso dos autos, senão vejamos. |
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| Já sob a luz da alteração levada a cabo pelo Poder Constituinte Derivado, foram editadas |
| as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 criando o PIS e a COFINS com a incidência não |
| cumulativa, cuja base de cálculo seria o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica |
| ? vide redação original: |
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| Lei 10.637/2002 |
| Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o |
| contábil. Produção de efeito |
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|
| a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta |
| própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. |
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| § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do |
| faturamento, conforme definido no caput. |
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| COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o |
| contábil. (Produção de efeito) |
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| § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas |
| compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações |
| em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela |
| pessoa jurídica. |
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| § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, |
| conforme definido no caput. |
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|
| A redação das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002 reforçava a tese já existente de que o |
| ICMS (ST e operação própria) não poderia compor a base de cálculo das contribuições |
| PIS/COFINS justamente por não se tratar de receita ligada à atividade comercial das |
| pessoas jurídicas, tampouco operações de conta própria ou alheia. |
|
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|
|
| Entretanto, nesse cenário, foi editada a Lei 12.973/14 que, além de alterar o conceito de |
| ?receita bruta? existente no Decreto-Lei no 1.598/1977, alterou a redação das Leis |
| 10.833/2003 e 10.637/2002 com o único objetivo de inflar artificialmente a base de |
| cálculo de tais contribuições: |
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| Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas |
| auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua |
| denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº |
| 12.973, de 2014) (Vigência) |
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|
| jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor |
| presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, |
| de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de |
|
|
| § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela |
| pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. |
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| 11 de 20 |
| Lei 10.637/2002 |
| Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, |
| incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, |
| independentemente de sua denominação ou classificação contábil. |
| (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) |
|
|
| jurídica com os respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente |
| de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de |
| dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) |
| (Vigência) |
|
|
| § 2o A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep é o total das |
| receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § |
| 1o. |
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|
| O mencionado art. 12 do Decreto-Lei no 1.598/1977, por seu turno, traz a seguinte |
| redação: |
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|
| Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº |
|
|
| I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; |
| (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) |
|
|
| II - o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº |
| 12.973, de 2014) (Vigência) |
|
|
| III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído |
| pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) |
|
|
| IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não |
| compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de |
| 2014) (Vigência) |
|
|
| § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação |
| dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) |
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|
| I - devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de |
|
|
| II - descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº |
|
|
| III - tributos sobre ela incidentes; e |
|
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|
| Pois bem. |
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|
| A inclusão do ICMS (operação própria e substituição tributária) na base de cálculo do |
| PIS/COFINS, por qualquer ótica que se observa, é flagrantemente inconstitucional. |
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| 12 de 20 |
| Em primeiro lugar, é importante deixar consignado que o faturamento e receita bruta são |
| riquezas próprias da pessoa jurídica, a ela pertencentes e que se imiscuem, em maior ou |
| menor grau, ao patrimônio da pessoa jurídica. Tratam-se de valores que ingressam nos |
| cofres de quem efetua a prestação de serviços ou venda de mercadorias. |
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|
|
| Já o ICMS, embora esteja incluído na nota fiscal e ingresse nos cofres da pessoa jurídica |
| vendedora da mercadoria ou prestadora do serviço, não é riqueza da pessoa jurídica, mas |
| sim verba destinada à Unidade Federativa com competência ativa para exigir o tributo. O |
| valor correspondente ao ICMS não guarda relação com o conceito de faturamento, muito |
| menos com o de receita bruta. |
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|
| Trata-se, antes de tudo, de um ônus fiscal do contribuinte, que deve recolher e repassar |
| ao Poder Público e não integra de forma definitiva o patrimônio da pessoa jurídica |
| alienante da mercadoria ou prestadora do serviço. |
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|
| A condição acima mencionada já havia sido notada quando do julgamento do Recurso |
| Extraordinário nº 240.785 ? finalizado em 2014 ? conforme se extrai do trecho a seguir |
| do voto vencedor: |
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| Recurso Extraordinário nº 240.785 |
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| Este decorre, em si, de um negócio jurídico, de uma operação, |
| importando, por tal motivo, o que percebido por aquele que a realiza, |
| considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de |
| serviços. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar, desse |
| modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela |
| percebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento |
| diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem |
| procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços, implicando, |
| por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende |
| como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins |
| faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a |
| beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrá- |
| lo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa |
| errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o |
| faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de |
| unidade da Federação. No caso dos autos, muito embora com |
| a transferência do ônus para o contribuinte, ter-se-á, a |
| prevalecer o que decidido, a incidência da Cofins sobre o ICMS, ou seja, a |
| incidência de contribuição sobre imposto, quando a própria Lei |
| Complementar nº 70/91, fiel à dicção constitucional, afastou a |
| possibilidade de incluir-se, na base de incidência da Cofins, o |
| valor devido a título de IPI. Difícil é conceber a existência de tributo sem |
| que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o |
| que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O |
| valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. |
| Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de |
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| riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea ?b? do |
| inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. |
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| A ementa, neste caso, restou assim redigida: |
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| TRIBUTO ? BASE DE INCIDÊNCIA ? CUMULAÇÃO ? IMPROPRIEDADE. Não |
| bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional |
| inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de |
| incidência de outro. COFINS ? BASE DE INCIDÊNCIA ? FATURAMENTO ? |
| ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de |
| Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de |
| incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. |
| (RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado |
| em 08/10/2014, DJe-246 DIVULG 15-12-2014 PUBLIC 16-12-2014 |
| EMENT VOL-02762-01 PP-00001) |
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| O raciocínio é intuitivo: se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais |
| previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobá-lo na |
| hipótese de incidência destas exações, sob pena de tributar riqueza que não pertence ao |
| contribuinte. |
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| Após anos de discussão em torno do tema, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em |
| 15 de março de 2017, por maioria de votos decidiu no julgamento do RE 574.706/PR que |
| o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não integra a base de |
| cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição |
| para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em julgamento proferido em |
| Repercussão Geral. |
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| Na oportunidade, restou consignado como tese do presente julgamento: ?O ICMS não |
| compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS?. A decisão restou |
| assim ementada: |
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| EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. |
| EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO |
| DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO |
| CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS |
| tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota- |
| se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é |
| apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de |
| aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou |
| serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2.A análise jurídica do |
| princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao |
| disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo- |
| se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da |
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| não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a |
| escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se |
| incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este |
| Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo |
| para incidência do PIS e da COFINS.4. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in |
| fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas |
| contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, |
| deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial |
| decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento |
| da dinâmica das operações. 5.Recurso provido para excluir o ICMS da base |
| de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RECURSO |
| EXTRAORDINÁRIO 574.706) |
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| Em relação ao voto vencedor, proferido pela Eminente Min. Carmem Lúcia, é |
| fundamental tecer algumas considerações que repercutem diretamente no |
| direito aqui pleiteado. |
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| Pela metodologia de apuração do ICMS (sistema de apuração contábil, com o montante |
| de ICMS a recolher é apurado mês a mês de modo a considerar o total de créditos |
| decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou |
| serviços) todo o ICMS deverá ser considerado excluído da definição de faturamento ou |
| receita bruta de modo a não compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, |
| independentemente de haver ou não parcela de ICMS a compensar. Vejamos importante |
| trecho a respeito: |
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| Trecho do voto vencedor no RE 574.706/PR |
| Enfatize-se que o ICMS incide sobre todo o valor da operação, pelo que o |
| regime de compensação importa na circunstância de, em algum momento |
| da cadeia de operações, somente haver saldo a pagar do tributo se a |
| venda for realizada em montante superior ao da aquisição e na medida |
| dessa mais valia, ou seja, é indeterminável até se efetivar a operação, |
| afastando-se, pois, da composição do custo, devendo ser excluído da base |
| de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. |
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| Contudo, é inegável que o ICMS respeita a todo o processo e o contribuinte |
| não inclui como receita ou faturamento o que ele haverá de repassar à |
| Fazenda Pública?. |
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| Em segundo lugar, embora o Supremo Tribunal Federal tenha versado sobre a questão |
| sob a ótica da legislação anterior à Lei 12.973/2014, é certo que as alterações por ela |
| trazidas no que concerne à ampliação do conceito de receita bruta entabulado Decreto- |
| Lei nº 1.598/1977 não têm o condão de alterar o entendimento sufragado pelo STF |
| porquanto a tese veiculada no julgamento do RE 574.706/PR é pela inconstitucionalidade |
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| da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, pois o ICMS não se |
| encontra inserido no conceito de faturamento ou de receita bruta. |
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| O cenário é identico na hipótese do ICMS-ST. |
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| O contribuinte substituído, ao adquirir produtos para a revenda, paga ao fornecedor |
| (fabricante) não apenas o preço das mercadorias adquiridas, mas, ainda, o ICMS-ST |
| destacado na nota. O ICMS-ST, portanto, embora seja ônus fiscal, compõe o valor |
| final da nota fiscal de aquisição da mercadoria pelo Impetrante junto ao seu |
| fornecedor. |
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| Ao efetuar a sua venda, tal e qual ocorreu no momento da aquisição das mercadorias, |
| faz-se presente o ICMS-ST cujo valor é repassado ao consumidor final junto com o |
| valor da mercadoria e a margem de lucro do Impetrante. |
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| Nesse compasso, o valor recolhido em toda cadeia é repassado. Não há receita |
| do substituído, mas tão somente o reembolso do tributo já recolhido em |
| momento anterior da cadeia. |
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| O precedente do Supremo Tribunal Federal citado na presente manifestação é cristalino |
| ao diferenciar o que é receita do contribuinte e o que é ônus fiscal, a ser repassado para |
| o próximo da cadeia e que, obviamente, não pode servir como base de tributação sobre |
| a receita/faturamento. |
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| O ICMS-ST é, inegavelmente, um custo tributário do adquirente da mercadoria |
| (contribuinte substituído) que, assim como o contribuinte substituto, inclui o valor do |
| tributo no valor de venda e, portanto, repassa o ônus fiscal ao consumidor final ? que |
| paga o valor final e encerra a cadeia. |
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| Embora não esteja destacado no cupom fiscal de venda para o consumidor final ? tal e |
| qual ocorre no caso da nota fiscal de compra de seu fornecedor ? o valor do ICMS-ST |
| está embutido no preço de venda da mercadoria em prateleira, posto que a própria |
| dinâmica do ICMS-ST pressupõe as operações que ocorrerão por toda a cadeia, inclusive |
| a operação final, para o consumidor final. |
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| Em última análise, o valor pago pela mercadoria adquirida pelo consumidor final |
| representa o reembolso, ao substituído, do valor que havia sido antecipado ao |
| Estado em razão da substituição tributária no momento em que o Impetrante |
| comprou a mercadoria de seu fornecedor, não constituindo receita tributável e |
| com o condão de apresentar a real capacidade contributiva do contribuinte |
| substituído. |
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| Com efeito, partindo das premissas fixadas pelo Supremo Tribunal Federal, entre as quais |
| o fato de que o valor do imposto estadual não pode compor a base de cálculo das |
| contribuições, nos parece axiomático que, também no caso do ICMS-ST ? plenamente |
| individualizável a partir da análise das notas fiscais de compra de seus fornecedores ? há |
| mero reembolso de um tributo já adiantado pelo sujeito anterior da cadeia, uma vez que |
| o exato valor do ICMS-ST embutido no valor final da nota no momento da aquisição pelo |
| Impetrante é repassado ao consumidor final, compondo o preço de revenda do produto |
| na prateleira. |
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| Repise-se: tal e qual ocorre com o ICMS destacado na nota fiscal fora do regime da |
| substituição tributária, o ICMS-ST constitui ônus fiscal repassado ao próximo da cadeia e |
| recebido pelo contribuinte substituído na composição de seu preço, não sendo, portanto, |
| faturamento e não configurando riqueza tributável. |
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| Não obstante, o E.TRF 2 se manifestou de forma contrária a essa interpretação. Vejamos: |
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| É fato que o contribuinte substituído suportará o ônus financeiro do ICMS- |
| ST, entretanto, tal circunstância, que possui relevância apenas sob o |
| aspecto econômico, em nada modifica a essência da relação jurídico- |
| tributária para a apuração dos débitos, pois formalmente não há qualquer |
| parcela recebida pelo substituído a título de ICMS a ser repassada ao |
| Estado. |
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| simplesmente porque jamais esteve formalmente incluído nessa mesma |
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| Repise-se: o substituído tributário apura a base de cálculo para |
| determinar os débitos do PIS e da COFINS com base na receita |
| bruta auferida com as vendas e, nas vendas, não há incidência do |
| ICMS-ST porque o imposto já foi recolhido antecipadamente pelo |
| substituto. |
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| efeito de apuração da receita bruta são alheias ao Direito Tributário e |
| não interferem na relação jurídica entre o fisco e o contribuinte |
| porque a materialidade da incidência das contribuições ao PIS e à |
| COFINS é a receita bruta auferida com a venda. |
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| arrecadação do ICMS (destacado na nota) não se enquadra entre as |
| fontes de financiamento da seguridade social previstas na Constituição, |
| pois não representa faturamento ou receita, mas apenas ingresso |
| de caixa ou trânsito contábil a ser totalmente repassado ao |
| Estado-membro. |
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| Porém, com o ICMS-ST, como visto, o substituído não recolhe o |
| imposto ao Fisco, razão pela qual não se pode afirmar que os |
| valores recebidos do adquirente simplesmente transitam pela sua |
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| Por esse motivo, não se pode aplicar automaticamente o entendimento |
| assentado pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião da fixação do Tema |
| 69, à situação do contribuinte substituído na sistemática do recolhimento |
| do ICMS-ST. (grifo nosso) |
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| Não é esta a intelecção correta a nosso sentir, não havendo sentido, com as devidas |
| vênias, efetuar diferenciação entre o ICMS recolhido pela técnica da substituição |
| tributária e o ?próprio?. |
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| Em primeiro lugar, o acórdão recorrido não consegue superar a impropriedade técnica de |
| se tratar o mesmo tributo, com a mesma sujeição passiva, como se fossem diferentes, |
| concluindo que a antecipação do recolhimento do ICMS na técnica da substituição |
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| tributária equivale a não haver o trânsito do tributo dentro da contabilidade da empresa |
| adquirente da mercadoria (substituída). |
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| De fato, o ICMS-St não é recolhido pelo substituído, mas é evidente que encontra-se na |
| nota fiscal de aquisição do fornecedor e compõe a receita da operação posterior, com a |
| saída da mercadoria para o próximo da cadeia. |
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| Nesse sentido, fundamental consignar é que a substituição tributária não é espécie |
| diferente de ICMS. O tributo é exatamente o mesmo, a diferença do ICMS e do |
| ICMS-ST é apenas a metodologia de recolhimento, a depender de leis estaduais, |
| convênios entre os estados e opção fazendária das unidades federativas que, de |
| forma a facilitar a fiscalização, optam por incluir um ou outro produto nesta |
| técnica, centralizando todo o recolhimento em um contribuinte. |
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| Os contribuintes, substituídos ou não, ocupam posições jurídicas idênticas quanto à |
| submissão à tributação pelo ICMS. A única distinção está no mecanismo de recolhimento |
| e que dependem única e exclusivamente do Estados e não da União Federal. A |
| preponderar o raciocínio da decisão recorrida, ter-se-ia aumento da carga tributária |
| federal em operações identicas de contribuintes do mesmo setor caso uma dessas |
| operações passasse a ser incluída nos rol das mercadorias submetidas à substituição |
| tributária. |
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| Assim, é de rigor seja autorizado ao Impetrante excluir ICMS-ST pago por ocasião das |
| aquisições feitas pelo Impetrante na condição de substituído tributário da base de cálculo |
| das contribuições para PIS e COFINS sobre a receita bruta auferida nas vendas dessas |
| mercadorias ao consumidor final. |
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| IV. DOS PEDIDOS |
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| Ante o exposto, por todas as razões ante invocadas, o recorrente requer que seja |
| conhecido e provido o presente recurso para (i) determinar seja autorizado ao |
| Impetrante excluir ICMS-ST pago por ocasião das aquisições feitas pelo Impetrante na |
| condição de substituído tributário da base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS |
| sobre a receita bruta auferida nas vendas dessas mercadorias ao consumidor final (ii) |
| subsidiariamente, determinar que o Tribunal a quo reanalise a questão nos termos |
| delineados no recurso. |
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| Nesses termos, |
| pede deferimento. |
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| Vitória/ES, 28 de novembro de 2022. |
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