| "PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL |
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| EXMO. SR. DESEMBARGADOR FEDERAL VICE-PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL |
| REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO. |
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| Processo nº : 00612182720184025102 |
| Recorrente : UNIÃO/FAZENDA NACIONAL |
| Recorrido(a) : ALLIED TECNOLOGIA S.A. |
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| A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por seu procurador oficiante |
| nos autos acima referenciados, vem a Vossa Excelência interpor o presente |
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| RECURSO ESPECIAL |
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| em face do acórdão emanado do TRF/2ª Região, com lastro no art. 105, III, alínea |
| ?a?, da Constituição Federal, em conformidade com razões que seguem anexas, |
| propugnando pela sua admissão e remessa ao crivo do C. Superior Tribunal de |
| Justiça. |
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| Requer, todavia, o sobrestamento do presente recurso especial |
| até que seja julgado pelo E. STF o recurso extraordinário referente ao Tema 118, RE |
| 592.616, com fulcro no art. 1030, III do CPC. |
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| EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA |
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| RAZÕES DO RECURSO ESPECIAL |
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| EMINENTES MINISTROS, |
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| 1. BREVE RESUMO DA DEMANDA |
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| Cuida-se de acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região que |
| afastou a inclusão do ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS, em adequação ao |
| quanto decidido no RE 574.706/PR . |
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| O acórdão, contudo, está a merecer revisão, por parte desse col. |
| STF, conforme demonstrado a seguir. |
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| 2. DA TEMPESTIVIDADE |
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| De acordo com informação disponível no andamento processual |
| eletrônico, o termo inicial do prazo recursal da União deu-se no dia 03/06/2020 |
| (Evento 27), de modo que se verifica com facilidade a tempestividade deste recurso, |
| nos termos do que estabelecem arts. 1.003, § 5º, e 183 do CPC. |
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| 3. PRELIMINARMENTE ? DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO |
| PROCESSO |
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| O acórdão recorrido reconheceu o direito de a autora excluir da base |
| de cálculo do PIS e da COFINS o valor do ISS e compensar o que foi pago a esse |
| título. |
| Apesar de reconhecer que a matéria estava pacificada em sentido |
| contrário aos interesses do recorrido, o acórdão, sob o fundamento de que o |
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| Supremo Tribunal Federal teria concluído o julgamento definitivo do RE nº |
| 574.706/PR, que trata da mesma matéria do presente feito, reputou que seria |
| necessário submeter-se ao entendimento da Corte Suprema. |
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| Incorreu o acórdão, contudo, em vícios, pois (1) não levou em conta |
| que ainda não há, efetivamente, julgamento definitivo do STF no bojo do RE nº |
| 574.706/PR, visto que está pendente de julgamento embargos e declaração opostos |
| pela União, onde requer a modulação dos efeito das decisão; e (2) aplicou referido |
| precedente ao ISS, tributo que não foi abarcado pelo referido acórdão e que é objeto |
| de outro Recurso Extraordinário, ainda não julgado. |
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| Ainda assim, pertinentes alguns esclarecimentos a justificar a |
| imperiosa necessidade de sobrestamento do presente recurso especial ao menos até |
| o trânsito em julgado do RE 574.706/PR, com base no qual foi proferido o acórdão |
| recorrido. |
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| Com efeito, em relação ao RE nº 574.706/PR, no presente momento |
| pendem de apreciação embargos de declaração opostos pela UNIÃO nos quais, além |
| de relevantes considerações sobre os limites materiais do julgado, há |
| requerimento de modulação dos efeitos do decisum. |
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| Como se sabe e foi ressaltado nos aclaratórios, os limites e o alcance |
| da tese firmada no julgamento do RE nº 574.706/PR ? inclusive com a necessária |
| distinção entre ratio decidendi e obter dictum ?, bem como a extensão e o termo |
| inicial dos seus efeitos, somente serão fixados com exatidão após o julgamento |
| dos embargos de declaração opostos pela UNIÃO naqueles autos. |
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| Diante desse contexto, a bem da segurança jurídica e em atenção ao |
| disposto no art. 525, §§ 12 e 13, no art. 926, no art. 927, § 3º, todos do CPC, |
| bem como do art. 27 da Lei nº 9.868/99, no presente momento, a decisão mais |
| conveniente seria o sobrestamento do processo até o trânsito em julgado do acórdão |
| do RE 574.706/PR. |
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| Esta, por certo, é a solução que se afigura mais compatível com a |
| coerência e a estabilidade que se espera de um sistema de precedentes, no caso, o |
| aguardo da análise dos embargos declaratórios opostos pela UNIÃO nos autos do RE |
| nº 574.706/PR, para, somente então, com o julgamento daquele recurso |
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| efetivamente complementado, sejam adotadas, com segurança, as medidas cabíveis |
| no presente feito. |
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| Assim, a UNIAO/FN requer seja sobrestado o presente feito até o |
| julgamento dos referidos Embargos Declaratórios e o consequente trânsito em |
| julgado da decisão do RE nº 574.706/PR. |
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| 4. DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO |
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| Conforme dito acima, ao julgar o recurso, a Corte Regional, entendeu |
| por estender os efeitos do entendimento adotado no RE 574.706, que versa sobre a |
| inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS-COFINS, |
| também ao ISS. |
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| Ora, sobre o ISS, cumpre consignar que tramita perante o Eg. |
| Supremo Tribunal Federal o RE 595.616/RS que versa a respeito da |
| inconstitucionalidade da inclusão do ISS na base de cálculo do PIS-COFINS. |
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| Portanto, é indevida a aplicação de analogia ao caso em apreço de |
| paradigma não representativo da controvérsia, especialmente em razão da existência |
| de afetação específica do tema ora em debate ao regime de repercussão geral, pela |
| Suprema Corte, ainda em julgamento. |
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| Conclui-se que a Corte Regional de origem afastou o entendimento de |
| que para a adoção de um precedente representativo de controvérsia ou julgado em |
| sede de repercussão geral, desnecessário é o seu trânsito em julgado, não havendo |
| que se falar de qualquer violação à segurança jurídica que deve nortear as decisões |
| judiciais e os efeitos executórios das mesmas. |
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| O presente recurso especial é interposto, portanto, com esteio no art. |
| 105, inciso III, alínea ?a?, da CR/88, por ter o acórdão, tanto em relação ao ISS, |
| violado os artigos 311, II, 1.030, II, ambos do CPC c/c o art. 1.036, §1º, do |
| CPC e art. 27, da Lei n.º 9.868/99, situação que levará à reforma do acórdão ou, |
| ao menos, ao sobrestamento do processo até a sobrevinda de decisão transitada em |
| julgado, ocasião em que será possível aferir a efetiva repercussão da decisão no |
| presente feito. |
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| E, caso assim não se entenda, por ter o acórdão violado |
| jurisprudência pacificada em sede de demanda repetitiva, e, bem assim os artigos |
| 3º, da Lei nº 9.718/98; 1º, caput, da Lei nº 10.637/02, 1º, caput, da Lei nº |
| 10.833/03 e artigo 110 do CTN |
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| 5. DO IMEDIATO PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL EM RAZÃO DE |
| PRECEDENTE EM SEDE DE DEMANDA REPETITIVA |
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| Com efeito, a mesma controvérsia foi objeto de julgamento pelo STJ, |
| no Resp nº 1.330.737/SP, representativo de controvérsia (art. 543-C do CPC/73 ? |
| art. 1.036 do CPC/2015), onde se decidiu pela inclusão do ISS na base de cálculo do |
| PIS e da COFINS, razão por que necessário o retorno dos autos para adequação do |
| julgado, a teor do art. 1030, II, do CPC/2015, ou, caso assim não se entenda, a |
| imediata admissão do recurso especial no ponto. Eis os termos do julgado: |
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| EMEN: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE |
| CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. |
| 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO |
| DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. |
| POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 |
| E 110 DO CTN. |
| 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543-C do CPC, E |
| levando em consideração o entendimento consolidado por esta |
| Corte Superior de Justiça, firma-se compreensão no sentido de |
| que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo |
| a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou |
| faturamento para fins de adequação à Hipótese de incidência do |
| PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a |
| Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidou-se no |
| Sentido de que \"o valor do ISSQN integra o conceito de receita |
| bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas |
| com o exercício da Atividade econômica, de modo que não pode |
| ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS\" (REsp |
| 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, |
| DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro |
| Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos |
| EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves |
| PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL |
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| Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp |
| 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, |
| DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro |
| Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; |
| EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto |
| Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; |
| AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira |
| Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). |
| 3. Nas atividades de Prestação de serviço, o conceito de receita |
| e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve |
| levar em consideração o valor auferido pelo prestador do |
| serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da |
| prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte |
| do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN |
| - Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma |
| razão muito simples: O consumidor (beneficiário do serviço) |
| não é contribuinte do ISSQN. |
| 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de |
| que o valor Com o qual arcará o destinatário do serviço |
| compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não |
| torna o consumidor contribuinte desse Tributo a ponto de se |
| acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o |
| ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito |
| Apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao |
| município competente), mas que transita em sua contabilidade |
| sem representar, entretanto, Acréscimo patrimonial. |
| 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor |
| como sujeito passivo de direito do tributo (Contribuinte de |
| direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma |
| simples espécie de \"substituto tributário\", cuja responsabilidade |
| Consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação |
| devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se |
| tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é |
| contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídico- |
| tributária). |
| 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão |
| de uma política do sistema tributário nacional que permite a |
| repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não |
| PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL |
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| porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação |
| jurídico-tributária como sujeito passivo de direito. |
| 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se |
| tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em |
| que determinada Entidade, por força de lei, figura no polo |
| passivo de uma relação jurídico-tributária obrigacional, cuja |
| prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo |
| substituído para, posteriormente, repassar a quantia |
| correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese |
| (Substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo |
| contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não |
| integraria o conceito De faturamento. No mesmo sentido se o |
| ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor |
| do serviço. Nesse caso, não haveria Dúvida de que o valor |
| referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou |
| faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de |
| Direito, qual seja, o prestador do serviço. |
| 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, |
| na medida em que a consideração do valor correspondente ao |
| ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a |
| definição de receita ou faturamento para fins de incidência de |
| referidas contribuições. |
| 9. Recurso especial a que se nega provimento. |
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| (RESP 201201287031 RESP - RECURSO ESPECIAL ? 1330737, |
| PRIMEIRA SEÇÃO, STJ, DJE DATA:14/04/2016, acórdão por |
| maioria). |
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| DO MÉRITO |
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| Da não configuração da hipótese do art. 311, II c/c o art. |
| 1035, §11, ambos do CPC e da violação do art. 1.036, §1º, do CPC e art. 27, |
| da Lei n.º 9.868/99 |
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| Com efeito, o acórdão violou o art. 1.036, §1º, do CPC e o art. 27, |
| da Lei n.º 9.868/99, uma vez que adotou entendimento firmado pelo STF em sede |
| de repercussão geral sem que tenha havido o trânsito em julgado do acórdão |
| paradigma, o que afasta a incidência do art. 311, II, do CPC, não podendo |
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| considerar que já há tese definitivamente firmada a ensejar a aplicação do |
| precedente. |
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| De fato, na sessão plenária de 15.03.17, o STF concluiu o julgamento |
| do RE nº 574.706/PR, em repercussão geral, reconhecendo, por maioria de votos, |
| que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. O extrato |
| da ata de julgamento foi publicado na imprensa oficial em 17.3.17, constando a |
| seguinte tese definida em repercussão geral: \"O ICMS não compõe a base de cálculo |
| para a incidência do PIS e da Cofins\". |
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| O acórdão em questão foi publicado somente em 02/10/2017. |
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| Contudo, é extremamente relevante o fato de que o Supremo |
| Tribunal Federal ainda não apreciou o pedido de modulação dos efeitos da decisão |
| formulado pela União em sua sustentação oral e reiterados, após a publicação do |
| acórdão, em sede de embargos declaratórios. |
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| De fato, a União postulou nos dois momentos processuais acima |
| referidos que, na eventualidade de ser provido o recurso extraordinário do |
| contribuinte, a tese desfavorável firmada pelo STF somente produza efeitos a partir |
| de janeiro de 2018, à vista do vultoso impacto fiscal e da necessidade de |
| garantir o equilíbrio das contas públicas, conforme exigido pela Lei de |
| Responsabilidade Fiscal. |
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| Em suma, é preciso que fique bem claro que, apesar de ter ocorrido a |
| publicação do acórdão, pende ainda de julgamento questão crucial que poderá ter |
| grande impacto sobre a definição dos casos em trâmite perante os Tribunais |
| Regionais Federais: o próprio alcance da decisão, em vista de eventual modulação |
| temporal. |
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| Isso em vista, aplicar-se a tese jurídica firmada pelo STF no |
| julgamento do RE 574.706/PR antes do trânsito em julgado desse paradigma é |
| medida que suscita um enorme problema de segurança jurídica, além de não se |
| afigurar uma boa medida de administração da Justiça. A segurança jurídica será |
| prejudicada porquanto inúmeros casos que agora se beneficiarão da aplicação do |
| paradigma impromptu poderão ser revertidos antes de seus trânsitos em julgado, |
| e outros tantos em sede de ação rescisória, a depender do alcance dado à modulação |
| de efeitos vindicada pela União. E a administração da Justiça fica comprometida |
| na medida em que tal aplicação temporal do paradigma gerará uma torrente de |
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| recursos por parte da União para evitar o trânsito em julgado e, quando isso não for |
| possível, uma maré de ações rescisórias no futuro. |
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| Releva observar que o caso clama por uma aplicação sistemática das |
| normas previstas no moderno Código de Processo Civil, que traz uma série de |
| dispositivos que apontam para a aplicação do paradigma firmado em recursos |
| repetitivos somente após seu trânsito em julgado. São eles: art. 489, § 1º, incisos IV |
| a VI, art. 525, inciso III e §§ 12 e 13, art. 926, art. 927, § 3º, e art. 1.040, todos do |
| CPC. |
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| Da consideração sistemática desses dispositivos em face dos fatos |
| verificados na realidade deste e todos os outros processos semelhantes ? isto é, que |
| envolvem a discussão acerca da inclusão do ICMS e do ISS na base de cálculo da |
| contribuição para o PIS e a COFINS ?, decorre que cumpre ao Tribunal zelar pela |
| segurança jurídica de suas decisões. |
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| Outrossim, ao aplicar o paradigma antes de seu trânsito em julgado, |
| sabendo-se que pende de apreciação pedido de modulação de efeitos formulado |
| perante o STF, o Tribunal Regional Federal está praticamente negando eficácia ? |
| porque se antecipando à resolução do Órgão competente sobre sua aplicação ? ao |
| disposto no art. 27 da Lei nº 9.868/99, de seguinte teor: |
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| Lei nº 9.868/99 |
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| Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato |
| normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de |
| excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal |
| Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir |
| os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha |
| eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro |
| momento que venha a ser fixado. |
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| Em vista disso tudo, a solução mais prudente e compatível com a |
| coerência e estabilidade que se espera de um sistema de precedentes é a que |
| decorre da aplicação sistemática dos dispositivos legais acima aludidos, e isso |
| implica aguardar-se o trânsito em julgado do acórdão paradigma. |
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| Impõe-se, portanto, o sobrestamento dos processos que |
| versem sobre a controvérsia relativa à exclusão do valor do ICMS da base de |
| cálculo das contribuições ao PIS e COFINS até a publicação do acórdão |
| resultante do julgamento dos embargos de declaração, caso providos, ou, se |
| totalmente rejeitados (inclusive o pedido de modulação), até a finalização |
| do julgamento de tal recurso. |
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|
| Assim, o acórdão recorrido ao aplicar precedente ao presente caso |
| concreto sem que tenha havido o trânsito em julgado e sem que se tenha |
| conhecimento de seus efeitos para todas as demandas judiciais acabou por vulnerar |
| os artigos indicados, especialmente o art. 27 da Lei nº 9.868/99, o art. 1.036, |
| §1º, o art. 311, II c/c o art. 1035, §11, todos do CPC, os quais, em conjunto |
| com os demais artigos acima citados, não autorizam a aplicação de precedente em |
| sede de repercussão geral que não tenha transitado em julgado, sob pena de |
| violação da necessária segurança jurídica que deve nortear as decisões judiciais, |
| notadamente em situações de relevante impacto econômico e de flagrante efeito |
| multiplicador. |
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| Do mérito propriamente ? ISS - violação dos artigos 3º, da Lei nº 9.718/98; |
| 1º, caput, da Lei nº 10.637/02 e artigo 110 do CTN |
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| O Contribuinte objetiva o reconhecimento do seu direito de excluir, |
| além do ICMS, também o ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Para tanto, |
| o acórdão invocou o entendimento proferido no julgamento do RE 595.616/RS |
| pendente de apreciação dos embargos de declaração. |
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| Ocorre que o precedente citado, além de não transitado em julgado, |
| cuida da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, não tendo tratado |
| do ISS. |
| Logo, inexiste recurso extraordinário julgado tratando |
| especificamente de uma das matérias dos autos ? exclusão do ISS da base |
| de cálculo do PIS e da COFINS. |
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| O debate, neste ponto, não envolve mera formalidade, mas uma |
| questão substancial, que diz respeito ao próprio conteúdo do precedente, que não |
| se amolda ao ISS. |
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| E, considerando-se que não há nenhum precedente do STF acerca da |
| temática ISS, é de ser considerado o entendimento que hoje prevalece no STJ acerca |
| da manutenção do ISS na base de cálculo do PIS/COFINS constante do precedente |
| acima citado - Resp nº 1.330.737/SP, representativo de controvérsia (art. 543-C do |
| CPC/73 ? art. 1.036 do NCPC), transcrito no item supra. |
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| Ora, sendo o ISS imposto não-cumulativo, o mesmo é abatido do |
| tributo devido em cada operação posterior ao do tributo devido na operação anterior. |
| Ao final, somente o valor líquido (diferença) é que será recolhido, cabendo realçar |
| que podem ocorrer casos, dependendo do setor de atividade econômica, em que |
| nenhum valor deverá ser recolhido ao Estado ou Município (o crédito do ISS é maior |
| que o débito). |
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|
| Acrescente-se, outrossim, que há equívoco quando se afirma que o |
| ISS é cobrado destacadamente nas notas fiscais. O que é cobrado é o preço do |
| serviço, no qual o ISS se integra por expressa determinação legal, consistindo seu |
| destaque mera indicação para possibilitar o crédito do adquirente ou, ainda, ?mera |
| indicação para fins de controle?, conforme legislação pertinente, ressalvados os casos |
| em que sequer é exigido o destaque. |
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| Cumpre ressaltar que a interpretação de uma norma deve ser feita |
| sempre de maneira sistemática, isto é, de forma a integrá-la às outras normas |
| vigentes em nosso ordenamento, considerando-se, precipuamente, a mens legis. |
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| A Lei Complementar 70/91 estatui que a base de cálculo da COFINS é |
| a receita bruta advinda das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de |
| serviço de qualquer natureza (caput do art. 2º). Relevante lembrar que o Egrégio |
| Supremo Tribunal Federal considerou constitucional essa base de cálculo, ao julgar a |
| ADC 01/DF. |
| Observe-se por oportuno que o legislador, no parágrafo único desse |
| mesmo art. 2º, estabeleceu algumas exclusões nessa base de cálculo, nas quais não |
| incluiu o valor do ISS referente à operação na qual foi contabilizada a receita da |
| prestação de serviço. |
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| Desde logo se verifica o equívoco quando, para justificar exclusão de |
| parcela do ISS, afirma-se que este é receita dos Municípios e não uma receita da |
| Autora, isto porque a COFINS e o PIS, consoante teor do art. 195, I, da CRFB, |
| incidem sobre o faturamento ou receita dos empregadores. |
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| Não se pode olvidar que o legislador ordinário estabeleceu como base |
| de cálculo da COFINS e do PIS a receita bruta e não a receita líquida ou algo que |
| ficasse no meio do caminho entre esses dois conceitos. |
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| No conceito de receita bruta estão todos os custos que compõem o |
| valor da operação que gerou a receita contabilizada por um dado contribuinte. |
| Nesses custos encontram-se o valor dos salários pagos, despesas com o FGTS, o |
| valor pago a título de energia elétrica, despesas com segurança, propaganda, |
| planejamento, custo da matéria-prima, etc, e, inclusive, os tributos pagos pelo |
| contribuinte e que oneram o valor do produto ou do serviço, eis que repassados ao |
| consumidor no preço, tais como todos os outros custos citados anteriormente. |
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| Entre esses tributos têm-se as mais diversas taxas, impostos e |
| contribuições, e, obviamente, o ICMS e o ISS, eis que, como os demais, são |
| repassados para o preço final do produto ou do serviço, e cuja receita é justamente o |
| fator econômico definido pelo legislador como a base de cálculo da COFINS e do PIS. |
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| Não importa qual a natureza do custo que compôs o valor da |
| mercadoria vendida ou do serviço prestado. Todos os custos compõem esse valor, |
| que é justamente aquele o qual deve ser considerado como a base de cálculo da |
| COFINS/PIS, porquanto a mesma foi definida pelo legislador como sendo a receita |
| bruta. |
| Registre-se que o fato do ICMS/ISS ser destacado na própria |
| operação não o desnatura da condição de custo repassado no preço da mercadoria |
| ou do serviço. Aliás, se este critério formal e juridicamente decorrente apenas da |
| disciplina da matéria na respectiva legislação estadual pudesse alterar a condição de |
| incidência de um tributo federal, ademais da usurpação de competência da União ter- |
| se-ia que todos os custos decorrentes de obrigações com terceiros, simplesmente |
| porque discriminados na nota fiscal ou em outro documento válido da operação de |
| compra e venda, seriam excluídos da base de cálculo da exação! |
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| O fato é que a pretensão é de exclusão do ICMS e ISS da base de |
| cálculo da COFINS, por considerar que o valor daquele é recolhido ao ente tributante, |
| mas não explica porque juridicamente, ou ao menos no plano da lógica comum, |
| somente este custo deve ser extirpado do valor do produto ou do serviço e os demais |
| devem permanecer para fins de composição da receita bruta. |
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| Neste ponto, além da questão já exposta acima, também resta |
| ressaltar que o ICMS/ISS é um imposto indireto e que ao consumidor final cabe o |
| ônus de suportar. Se o encargo não é da empresa, não há que se falar em ofensa ao |
| princípio da capacidade contribuinte, que de resto não ficaria sequer arranhado, pois |
| capacidade contributiva efetiva é de ser apurada no caso concreto e de forma |
| objetiva, nunca apenas hipoteticamente. |
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| Necessário registrar os termos do artigo 166 do CTN: A restituição |
| de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo |
| financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no |
| caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a |
| recebê-la. Há inclusive Súmulas 71 e 546 do Supremo Tribunal Federal sobre a |
| questão: |
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| Súmula 71 do STF: ?Embora pago indevidamente, não cabe |
| restituição de tributo indireto? |
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| Súmula 546 do STF: ?Cabe restituição de tributo pago |
| indevidamente, quando reconhecido por decisão que o contribuinte |
| de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum |
| respectivo.? |
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| Em síntese, conclui-se que o valor do ISS só poderá ser excluído da |
| receita bruta mensal, base de cálculo do PIS/COFINS, quando for cobrado pelo |
| contribuinte substituto como antecipação do devido pelo contribuinte substituído, nos |
| termos do que dispõe o art. 3º, §2º, I, da Lei n° 9718/98. |
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| Por fim, necessário ressaltar que o valor referente ao ISS sempre |
| compôs a base de cálculo do PIS/COFINS. Tanto que a matéria encontra-se |
| pacificada na jurisprudência, existindo súmulas dos Egrégios Tribunais Superiores, |
| cujos verbetes referem-se ao ICM, atual ICMS. |
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| Vejamos as súmulas: |
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| Súmula 258 do extinto Tribunal Federal de |
| Recursos - Inclui-se na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao |
| ICM. |
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| Súmula 68 do Superior Tribunal de Justiça ? A |
| parcela relativa ao ICM inclui-se na base de cálculo do PIS. |
| Súmula 94 do Superior Tribunal de Justiça ? A |
| parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL. |
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| Portanto, com uma conjugação dos dispositivos constitucionais e das |
| disposições expressas de lei, conclui-se que o montante do ISS integra o valor do |
| preço do serviço prestado. Considerando-se que a base de cálculo da contribuição |
| para o PIS/COFINS é o faturamento/receita bruta, excluídas desse valor somente as |
| parcelas expressamente previstas na legislação pertinente, não constando dentre |
| elas o ICMS/ISS - exceto previsão do art. 3º, §2º, I, da Lei n° 9718/98, é evidente |
| que também sobre a parcela concernente ao ISS embutido no valor das operações |
| próprias da pessoa jurídica há incidência das referidas contribuições sociais, não |
| havendo nenhum vício de legalidade, tampouco constitucionalidade nesse ponto. |
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| Está, pois, a merecer reforma o v. acórdão regional. |
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| 8. DO PEDIDO: |
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| Pelo exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) o conhecimento e o |
| integral provimento do presente Recurso Especial, com reforma do acórdão recorrido. |
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