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data: textos extraídos (outputs) dos 4 modelos OCR na RTX 6000 — 50 págs cada, p/ comparação de acurácia (CER/WER)

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+ text[[234, 213, 805, 234]]
2
+ Faculdade São Francisco de Assis – FSFA
3
+
4
+ title[[315, 380, 728, 398]]
5
+ # APOSTILA DA DISCIPLINA
6
+
7
+ text[[428, 544, 613, 560]]
8
+ Disciplina EAD
9
+
10
+ text[[326, 588, 717, 604]]
11
+ Linguagens Formais e Autômatos
12
+
13
+ text[[397, 631, 645, 647]]
14
+ Prof. Matheus Serpa
15
+
16
+ text[[430, 830, 610, 846]]
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+ Março de 2026.
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+ sub_title[[138, 85, 297, 110]]
2
+ ## SUMÁRIO
3
+
4
+ text[[138, 148, 909, 859]]
5
+ 1 Introdução às Linguagens Formais 5
6
+ 1.1 Símbolos, Alfabetos e Cadeias 5
7
+ 1.1.1 Prefixo, Sufixo e Subpalavra 6
8
+ 1.1.2 Exemplos de Cadeias 7
9
+ 1.2 Linguagens Formais e Fecho de Kleene 7
10
+ 1.3 Operações sobre Cadeias e Linguagens 8
11
+ 1.3.1 Representações de Linguagens 9
12
+ 1.3.2 Potência e Fecho de uma Linguagem 9
13
+ 1.4 A Hierarquia de Chomsky — Visão Geral 10
14
+ 1.5 Aplicações: Fases de um Compilador 10
15
+ 1.6 Lista de Exercícios 11
16
+ 2 Conceitos sobre Linguagens Formais 13
17
+ 2.1 Gramáticas Formais 13
18
+ 2.1.1 Exemplo de Gramática 14
19
+ 2.2 Derivação e Linguagem Gerada 14
20
+ 2.2.1 Árvore de Derivação 14
21
+ 2.3 Hierarquia de Chomsky 15
22
+ 2.3.1 Exemplos por Tipo 16
23
+ 2.3.2 Gramáticas Regulares: Linear à Direita e à Esquerda 17
24
+ 2.4 Operações sobre Linguagens e Fechamento 17
25
+ 2.5 Relação entre Gramáticas e Reconhecimentos 18
26
+ 2.6 Lista de Exercícios 19
27
+ 3 Linguagens Regulares e Autômatos Finitos Determinísticos 21
28
+ 3.1 Autômatos Finitos Determinísticos 21
29
+ 3.1.1 Função de Transição Estendida e Aceitação 22
30
+ 3.2 Representações de um AFD 22
31
+ 3.2.1 Segundo Exemplo: AFD para Cadeias Terminadas em ab 23
32
+ 3.3 Computação Passo a Passo 24
33
+ 3.3.1 Exemplo: AFD para Paridade de a's 24
34
+ 3.3.2 Estado Morto e Funções Parciais 25
35
+ 3.4 Propriedades das Linguagens Regulares 25
36
+ 3.5 Lista de Exercícios 26
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1
+ text[[137, 81, 909, 914]]
2
+ 4 Autômatos Finitos Não-Determinísticos 28
3
+ 4.1 Definição Formal de AFN 28
4
+ 4.1.1 Exemplo: AFN para Cadeias Terminadas em ab 29
5
+ 4.1.2 Exemplo: AFN para Cadeias Contendo aba como Subpalavra 29
6
+ 4.2 Função de Transição Estendida e Aceitação 30
7
+ 4.2.1 Exemplo de Computação 30
8
+ 4.3 Equivalência AFN-AFD: Construção de Subconjuntos 31
9
+ 4.3.1 Exemplo de Conversão 31
10
+ 4.4 Vantagens do Não-Determinismo 32
11
+ 4.5 Lista de Exercícios 33
12
+ 5 Autômatos Finitos com Movimentos Vazios 35
13
+ 5.1 Definição Formal de AFN-ε 35
14
+ 5.2 Fecho-ε 36
15
+ 5.2.1 Exemplo: AFN-ε M7 36
16
+ 5.2.2 Exemplo: AFN-ε para a*b* ∪ c 37
17
+ 5.3 Função de Transição Estendida 37
18
+ 5.4 Eliminação de ε-Transições 38
19
+ 5.4.1 Exemplo de Eliminação 39
20
+ 5.5 Equivalência AFN-ε, AFN e AFD 39
21
+ 5.5.1 Aplicações Práticas dos AFN-ε 40
22
+ 5.6 Lista de Exercícios 41
23
+ 6 Expressões Regulares 43
24
+ 6.1 Definição Formal 43
25
+ 6.2 Precedência dos Operadores 44
26
+ 6.2.1 Exemplos de Expressões Regulares 44
27
+ 6.3 Leis Algébricas 45
28
+ 6.4 Teorema de Kleene: ER e Linguagens Regulares 47
29
+ 6.4.1 Construção de Thompson 47
30
+ 6.4.2 Limitações das Expressões Regulares 48
31
+ 6.5 Lista de Exercícios 49
32
+ 7 Linguagens Livres de Contexto 51
33
+ 7.1 Gramática Livre de Contexto 51
34
+ 7.1.1 Definição Formal 51
35
+ 7.1.2 Exemplo: L = {a^n b^n | n ≥ 0} 52
36
+ 7.2 Derivações e Árvores de Derivação 53
37
+ 7.2.1 Derivação Mais à Esquerda e Mais à Direita 53
38
+ 7.2.2 Árvore de Derivação 54
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1
+ text[[140, 81, 910, 856]]
2
+ 7.3 BNF e Gramáticas Ambíguas 54
3
+ 7.3.1 Notação BNF 54
4
+ 7.3.2 Ambiguidade 55
5
+ 7.3.3 Recursão em Gramáticas 56
6
+ 7.4 Lista de Exercícios 56
7
+ 8 Simplificação de GLC e Formas Normais 58
8
+ 8.1 Etapa 1: Eliminação de Símbolos Inúteis 59
9
+ 8.1.1 Identificação de Variáveis Geradoras 59
10
+ 8.1.2 Exemplo 60
11
+ 8.2 Etapa 2: Eliminação de Produções Vazias 60
12
+ 8.2.1 Algoritmo 60
13
+ 8.2.2 Exemplo Detalhado 61
14
+ 8.3 Etapa 3: Eliminação de Produções Unitárias 61
15
+ 8.3.1 Algoritmo 61
16
+ 8.3.2 Exemplo Detalhado 62
17
+ 8.4 Forma Normal de Chomsky 62
18
+ 8.4.1 Definição e Algoritmo 62
19
+ 8.4.2 Exemplo de Conversão para FNC 63
20
+ 8.4.3 Forma Normal de Greibach 63
21
+ 8.5 Lista de Exercícios 64
22
+ 9 Autômatos com Pilha 66
23
+ 9.1 Definição Formal 66
24
+ 9.1.1 A Sêxtupla 66
25
+ 9.1.2 Operações na Pilha 67
26
+ 9.2 Função de Transição 67
27
+ 9.2.1 Formato 67
28
+ 9.2.2 Não Determinismo 68
29
+ 9.3 Critérios de Parada 68
30
+ 9.3.1 ACEITA, REJEITA e LOOP 68
31
+ 9.4 Exemplo: AP para \( L = \{a^{n}b^{n} \mid n \geq 1\} \) 69
32
+ 9.4.1 Construção 69
33
+ 9.4.2 Processamento de aabb 69
34
+ 9.4.3 Processamento de entradas rejeitadas 70
35
+ 9.5 Visualização do Processamento 71
36
+ 9.6 Lista de Exercícios 71
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1
+ text[[140, 81, 910, 920]]
2
+ 10 Construção de AP a partir de GLC 73
3
+ 10.1 Teorema e Construção Formal 73
4
+ 10.1.1 Enunciado 73
5
+ 10.1.2 Regras de Transição 73
6
+ 10.2 Exemplo: \( L = \{a^{n}b^{n} \mid n \geq 1\} \) 74
7
+ 10.2.1 Gramática em FNC 74
8
+ 10.2.2 Processamento de aabb 75
9
+ 10.2.3 Correspondência entre derivação e processamento 75
10
+ 10.3 Poder Computacional dos AP 76
11
+ 10.3.1 AP Determinístico versus Não Determinístico 76
12
+ 10.3.2 Correspondência na Hierarquia 76
13
+ 10.4 Lista de Exercícios 77
14
+ 11 Propriedades das Linguagens Livres de Contexto 79
15
+ 11.1 Lema do Bombeamento para LLC 79
16
+ 11.1.1 Enunciado Formal 79
17
+ 11.1.2 Exemplo: \( \{a^{n}b^{n}c^{n}\} \) Não é LLC 80
18
+ 11.2 Propriedades de Fechamento 81
19
+ 11.2.1 Operações que Preservam LLC 81
20
+ 11.2.2 Tabela Comparativa 82
21
+ 11.3 Decidibilidade 82
22
+ 11.3.1 Problemas Decidíveis e Indecidíveis 82
23
+ 11.3.2 Tabela de Decidibilidade 83
24
+ 11.4 Linguagens Inerentemente Ambiguas 83
25
+ 11.4.1 Definição e Exemplo 83
26
+ 11.4.2 Posição das LLC na Hierarquia 84
27
+ 11.5 Lista de Exercícios 84
28
+ 12 Máquina de Turing e Hierarquia de Chomsky 86
29
+ 12.1 Definição Formal 86
30
+ 12.1.1 A 8-Tupla 86
31
+ 12.1.2 Estrutura da Fita 87
32
+ 12.2 Critérios de Parada 87
33
+ 12.2.1 ACEITA, REJEITA e LOOP 87
34
+ 12.2.2 Exemplo: MT para \( \{a^{n}b^{n} \mid n \geq 1\} \) 88
35
+ 12.3 Tese de Church-Turing 89
36
+ 12.3.1 Enunciado e Significado 89
37
+ 12.4 Hierarquia de Chomsky Completa 90
38
+ 12.4.1 Os Quatro Tipos 90
39
+ 12.4.2 Tabela da Hierarquia 90
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@@ -0,0 +1,5 @@
 
 
 
 
 
 
1
+ text[[140, 83, 905, 178]]
2
+ 12.4.3 Gramáticas Irrestritas 91
3
+ 12.4.4 Visão Geral dos Reconhecimentos 91
4
+ 12.5 Lista de Exercícios 92
5
+ 13 Referências 94
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@@ -0,0 +1,32 @@
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1
+ sub_title[[139, 87, 841, 110]]
2
+ ## 1 INTRODUÇÃO ÀS LINGUAGENS FORMAIS
3
+
4
+ text[[136, 138, 907, 262]]
5
+ A Teoria das Linguagens Formais é um dos pilares da Ciência da Computação. Desenvolvida inicialmente pelo linguista Noam Chomsky na década de 1950, seu objetivo original era formalizar o estudo das linguagens naturais. Posteriormente, verificou-se que os mesmos formalismos eram aplicáveis — e extremamente úteis — na descrição de linguagens artificiais, especialmente linguagens de programação e na construção de compiladores (MENEZES, 2011).
6
+
7
+ text[[136, 266, 908, 432]]
8
+ Compreender essa teoria permite ao profissional de computação entender os limites do que é computável, projetar linguagens de programação e construir ferramentas como compiladores, interpretadores e analisadores de texto. Conceitos dessa área são também aplicados em bioinformática, processamento de linguagem natural e verificação formal de sistemas (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002). De maneira complementar, o domínio de conceitos algorítmicos básicos — como estruturas de dados, recurso e análise de complexidade — é um pré-requisito importante para a compreensão dos modelos formais estudados nesta disciplina (MEDINA; FERTIG, 2006).
9
+
10
+ text[[136, 436, 908, 582]]
11
+ Além dessas aplicações clássicas, a teoria das linguagens formais possui conexões profundas com a álgebra abstrata, a lógica matemática e a teoria dos grafos. O estudo de monoides livres, por exemplo, fornece uma base algébrica para a concatenação de cadeias, enquanto a lógica de segunda ordem sobre cadeias finitas corresponde exatamente às linguagens regulares (SIPSER, 2007). Essas conexões interdisciplinares tornam a área fundamental não apenas para a prática da computação, mas também para a pesquisa em ciência da computação teórica.
12
+
13
+ sub_title[[138, 609, 555, 627]]
14
+ ## 1.1 Símbolos, Alfabetos e Cadeias
15
+
16
+ text[[136, 647, 906, 706]]
17
+ Um símbolo (ou caractere) é uma entidade abstrata básica, não definida formalmente. Letras, dígitos e caracteres especiais são exemplos de símbolos. Símbolos são os átomos a partir dos quais construímos todas as estruturas da teoria.
18
+
19
+ text[[136, 710, 907, 770]]
20
+ Um alfabeto, denotado \( \Sigma \) , é um conjunto finito e não vazio de símbolos. A restrição de finitude é essencial: embora as linguagens possam ser infinitas, o conjunto de símbolos base é sempre finito. Exemplos clássicos:
21
+
22
+ text[[138, 784, 433, 801]]
23
+ • \( \Sigma_{1}=\{a,b\} \) — alfabeto binário;
24
+
25
+ text[[138, 816, 542, 833]]
26
+ • \( \Sigma_{2}=\{0,1\} \) — alfabeto dos dígitos binários;
27
+
28
+ text[[138, 849, 717, 866]]
29
+ • \( \Sigma_{3}=\{a,b,c,\ldots,z\} \) — 26 letras minúsculas do alfabeto romano.
30
+
31
+ text[[138, 880, 906, 920]]
32
+ A escolha do alfabeto depende do domínio de aplicação. Em computação, o alfabeto \( \{0,1\} \) é fundamental para representação binária; em linguagens de programação, o alfa-
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1
+ text[[137, 85, 907, 144]]
2
+ beto pode incluir letras, dígitos e símbolos especiais como +, ; e f. Independentemente do número de símbolos, a condição de finitude garante que possamos enumerar todos os elementos do alfabeto (MENEZES, 2011).
3
+
4
+ text[[137, 148, 907, 272]]
5
+ Uma cadeia (ou palavra) sobre \( \Sigma \) é uma sequência finita de símbolos de \( \Sigma \) . A cadeia vazia, denotada \( \varepsilon \) , não contém nenhum símbolo e desempenha papel análogo ao do zero na aritmética: é o elemento neutro da concatenação. O comprimento de uma cadeia w, denotado \( |w| \) , é o número de símbolos que a compõem; em particular, \( |\varepsilon| = 0 \) . A notação \( |w|_{a} \) indica o número de ocorrências do símbolo a em w. Exemplos sobre \( \Sigma = \{a, b\} \) : \( |abba| = 4 \) , \( |abba|_{a} = 2 \) , \( |abba|_{b} = 2 \) .
6
+
7
+ text[[137, 276, 906, 336]]
8
+ A n-ésima potência de uma cadeia w, denotada \( w^{n} \) , é a concatenação de w consigo mesma n vezes: \( w^{0} = \varepsilon \) e \( w^{n} = w \cdot w^{n-1} \) . Assim, para w = ab: \( w^{2} = abab \) e \( w^{3} = ababab \) . A notação \( a^{n} \) representa n cópias do símbolo a.
9
+
10
+ sub_title[[186, 350, 552, 366]]
11
+ ## Exemplo – Cadeias e Comprimentos
12
+
13
+ text[[153, 378, 576, 397]]
14
+ Seja \(\Sigma = \{0, 1\}\). Considere as seguintes cadeias:
15
+
16
+ text[[154, 411, 538, 430]]
17
+ • \( w_{1}=0110 \) : \( |w_{1}|=4 \) , \( |w_{1}|_{0}=2 \) , \( |w_{1}|_{1}=2 \) ;
18
+
19
+ text[[154, 444, 529, 463]]
20
+ • \( w_{2}=111 \) : \( |w_{2}|=3 \) , \( |w_{2}|_{0}=0 \) , \( |w_{2}|_{1}=3 \) ;
21
+
22
+ text[[154, 477, 328, 496]]
23
+ • \( w_{3} = \varepsilon \) : \( |w_{3}| = 0 \) .
24
+
25
+ text[[153, 510, 888, 552]]
26
+ Observe que \( w_{1}^{2}=01100110 \) e \( |w_{1}^{2}|=2\cdot|w_{1}|=8 \) . De modo geral, vale a propriedade \( |w^{n}|=n\cdot|w| \) para qualquer cadeia w e inteiro \( n\geq0 \) .
27
+
28
+ sub_title[[139, 582, 495, 599]]
29
+ ## 1.1.1 Prefixo, Sufixo e Subpalavra
30
+
31
+ text[[137, 613, 907, 672]]
32
+ Dada uma cadeia w, dizemos que x é prefixo de w se w = xy; sufixo se w = yx; e subpalavra se w = yxz, para cadeias y, z adequadas. Essas noções são essenciais na análise léxica de compiladores (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
33
+
34
+ text[[137, 676, 940, 736]]
35
+ Por exemplo, para w = abcb: os prefixos são \( \varepsilon \) , a, ab, abc, abcb; os sufixos são \( \varepsilon \) , b, cb, bcb, abcb; e as subpalavras incluem \( \varepsilon \) , a, b, c, ab, bc, cb, abc, bcb, abcb. Um prefixo (ou sufixo) x é dito próprio se \( x \neq w \) e \( x \neq \varepsilon \) .
36
+
37
+ text[[137, 741, 907, 822]]
38
+ Note que a cadeia vazia \( \varepsilon \) é prefixo, sufixo e subpalavra de qualquer cadeia w, e toda cadeia w é prefixo, sufixo e subpalavra de si mesma. Uma cadeia de comprimento n possui exatamente \( n + 1 \) prefixos (incluindo \( \varepsilon \) e w) e \( n + 1 \) sufixos. O número de subpalavras distintas pode ser menor que \( \binom{n}{2} + n + 1 \) devido a repetições (SIPSER, 2007).
39
+
40
+ sub_title[[186, 837, 504, 854]]
41
+ ## Contagem de Prefixos e Sufixos
42
+
43
+ text[[155, 866, 445, 884]]
44
+ Para uma cadeia w com \( |w| = n \) :
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1
+ text[[155, 81, 567, 101]]
2
+ - Número de prefixos (incluindo \(\varepsilon\) e \(w\)): \(n + 1\)
3
+
4
+ text[[155, 113, 490, 134]]
5
+ - Número de prefixos próprios: \(n - 1\)
6
+
7
+ text[[155, 145, 560, 167]]
8
+ - Número de sufixos (incluindo \(\varepsilon\) e \(w\)): \(n + 1\)
9
+
10
+ text[[155, 179, 483, 200]]
11
+ - Número de sufixos próprios: \(n - 1\)
12
+
13
+ sub_title[[139, 227, 430, 247]]
14
+ ### 1.1.2 Exemplos de Cadeias
15
+
16
+ text[[139, 257, 907, 299]]
17
+ Sobre \(\Sigma = \{a, b\}\): \(\varepsilon\), \(a\), \(b\) são cadeias de comprimento 0 ou 1; \(ab\), \(ba\), \(aa\), \(bb\) são cadeias de comprimento 2; \(abba\) e \(aabb\) são cadeias de comprimento 4.
18
+
19
+ text[[139, 299, 904, 343]]
20
+ A Tabela [1.1] organiza as cadeias de comprimento 0 a 3 sobre o alfabeto \(\Sigma = \{a, b\}\), evidenciando que o número de cadeias de comprimento \(n\) é \(|\Sigma|^n = 2^n\).
21
+
22
+ table_caption[[227, 355, 817, 377]]
23
+ Tabela 1.1: Cadeias sobre \(\Sigma = \{a, b\}\) organizadas por comprimento.
24
+
25
+ table[[139, 387, 905, 533]]
26
+ <table>Comprimento<br/>nΣ<sup>n</sup>Cadeias01ε12a, b24aa, ab, ba, bb38aaa, aab, aba, abb, baa, bab, bba, bbb</table>
27
+
28
+ sub_title[[139, 562, 655, 586]]
29
+ ## 1.2 Linguagens Formais e Fecho de Kleene
30
+
31
+ text[[139, 600, 907, 641]]
32
+ O **fecho de Kleene** de \(\Sigma\), denotado \(\Sigma^*\), é o conjunto de todas as cadeias sobre \(\Sigma\), incluindo \(\varepsilon\):
33
+
34
+ equation[[380, 636, 666, 680]]
35
+ \[ \Sigma^* = \bigcup_{i=0}^{\infty} \Sigma^i = \Sigma^0 \cup \Sigma^1 \cup \Sigma^2 \cup \dots \]
36
+
37
+ text[[139, 686, 907, 750]]
38
+ onde \(\Sigma^0 = \{\varepsilon\}\), \(\Sigma^1 = \Sigma\), e \(\Sigma^n\) é o conjunto das cadeias de comprimento \(n\). O **fecho positivo** \(\Sigma^+ = \Sigma^* - \{\varepsilon\}\) exclui a cadeia vazia. Note que \(\Sigma^*\) é sempre infinito e que \(|\Sigma^n| = |\Sigma|^n\) (SIPSER, 2007).
39
+
40
+ text[[139, 750, 909, 835]]
41
+ Uma **linguagem formal** \(L\) sobre \(\Sigma\) é qualquer subconjunto de \(\Sigma^*\): \(L \subseteq \Sigma^*\). Essa definição é bastante geral: inclui desde a linguagem vazia \(\emptyset\) até \(\Sigma^*\) inteiro. A linguagem vazia \(\emptyset\) (nenhuma cadeia) difere de \(\{\varepsilon\}\) (contém exatamente a cadeia vazia). A Tabela [1.2] apresenta exemplos.
42
+
43
+ text[[139, 835, 907, 878]]
44
+ A Figura [1.1] ilustra a relação entre o alfabeto \(\Sigma\), o fecho de Kleene \(\Sigma^*\) e uma linguagem \(L \subseteq \Sigma^*\), mostrando que toda linguagem é um subconjunto do universo de cadeias possíveis.
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1
+ image[[350, 81, 700, 252]]
2
+
3
+
4
+ image_caption[[169, 262, 870, 283]]
5
+ <center>Figura 1.1: Relação entre \(\Sigma\), \(L\) e \(\Sigma^*\): toda linguagem \(L\) é um subconjunto de \(\Sigma^*\).</center>
6
+
7
+ table_caption[[325, 313, 720, 334]]
8
+ Tabela 1.2: Exemplos de linguagens formais.
9
+
10
+ table[[137, 344, 907, 447]]
11
+ <table>AlfabetoLinguagem \(L\)Exemplos{0, 1}{w | |w| é par}ε, 00, 01, 10{a, b}{a<sup>n</sup>b<sup>n</sup> | n ≥ 1}ab, aabb{a, b}{w | w = w<sup>R</sup>} (palíndromos)a, aba, abba</table>
12
+
13
+ sub_title[[186, 476, 428, 497]]
14
+ Distinção Fundamental
15
+
16
+ text[[155, 506, 460, 528]]
17
+ É crucial distinguir três conceitos:
18
+
19
+ text[[155, 540, 705, 561]]
20
+ - A linguagem vazia \(\emptyset\) não contém nenhuma cadeia: \(|\emptyset| = 0\).
21
+
22
+ text[[155, 574, 841, 595]]
23
+ - A linguagem {ε} contém exatamente uma cadeia (a cadeia vazia): \(|\{ε\}| = 1\).
24
+
25
+ text[[155, 607, 760, 628]]
26
+ - A cadeia vazia ε é um elemento (uma cadeia), não uma linguagem.
27
+
28
+ text[[155, 640, 852, 661]]
29
+ Confundir esses conceitos é um dos erros mais frequentes em provas e exercícios.
30
+
31
+ sub_title[[137, 693, 655, 716]]
32
+ 1.3 Operações sobre Cadeias e Linguagens
33
+
34
+ text[[137, 730, 906, 814]]
35
+ A **concatenação** de duas cadeias \(x\) e \(y\), denotada \(xy\), é a justaposição de seus símbolos. É associativa, possui \(\varepsilon\) como elemento neutro, mas **não** é comutativa. A **reversa** de \(w = a_1a_2\cdots a_n\), denotada \(w^R\), é \(a_n\cdots a_2a_1\); em particular, \(\varepsilon^R = \varepsilon\). Uma cadeia \(w\) com \(w = w^R\) é um **palíndromo** (SIPSER, 2007).
36
+
37
+ text[[137, 815, 905, 922]]
38
+ Sobre linguagens, definem-se: **união** \(L_1 \cup L_2\), **concatenação** \(L_1L_2 = \{xy \mid x \in L_1, y \in L_2\}\), **interseção** \(L_1 \cap L_2\), **complemento** \(\overline{L} = \Sigma^* - L\) e **fecho de Kleene** \(L^* = \bigcup_{i=0}^\infty L^i\). Por exemplo, para \(L_1 = \{a, ab\}\) e \(L_2 = \{b, ba\}\): \(L_1 \cup L_2 = \{a, ab, b, ba\}\) e \(L_1L_2 = \{ab, aba, abb, abba\}\). Essas operações permitem construir linguagens complexas a partir de linguagens simples.
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1
+ sub_title[[188, 87, 586, 105]]
2
+ Exemplo – Operações sobre Linguagens
3
+
4
+ text[[155, 113, 717, 135]]
5
+ Sejam \(L_1 = \{a, ab\}\) e \(L_2 = \{b, ba\}\) sobre \(\Sigma = \{a, b\}\). Calculemos:
6
+
7
+ text[[155, 147, 450, 168]]
8
+ - **União:*- \(L_1 \cup L_2 = \{a, ab, b, ba\}\)
9
+
10
+ text[[155, 181, 576, 201]]
11
+ - **Concatenação:*- \(L_1 \cdot L_2 = \{ab, aba, abb, abba\}\)
12
+
13
+ text[[155, 214, 670, 234]]
14
+ - **Interseção:*- \(L_1 \cap L_2 = \emptyset\) (nenhum elemento em comum)
15
+
16
+ text[[155, 245, 386, 267]]
17
+ - **Reversa:*- \(L_1^R = \{a, ba\}\)
18
+
19
+ text[[155, 280, 888, 322]]
20
+ Observe que a concatenação \(L_1 \cdot L_2\) é obtida concatenando cada cadeia de \(L_1\) com cada cadeia de \(L_2\): \(a \cdot b = ab\), \(a \cdot ba = aba\), \(ab \cdot b = abb\), \(ab \cdot ba = abba\).
21
+
22
+ sub_title[[139, 351, 519, 371]]
23
+ 1.3.1 Representações de Linguagens
24
+
25
+ text[[139, 381, 902, 465]]
26
+ Linguagens podem ser representadas por: (1) **enumeração** — listar todas as cadeias, viável apenas para linguagens finitas; (2) **compreensão** — descrever por propriedade, ex.: \(L = \{a^n b^n \mid n \ge 1\}\); (3) **gramáticas formais** — regras que geram as cadeias; (4) **autômatos** — máquinas que reconhecem as cadeias (MENEZES, 2011).
27
+
28
+ text[[139, 467, 905, 551]]
29
+ Para cada classe na Hierarquia de Chomsky, existem formalismos geradores (gramáti-
30
+ cas) e reconhecedores (autômatos) equivalentes. Essa dualidade é um dos resultados mais
31
+ elegantes da teoria. Duas representações são **equivalentes** quando definem exatamente
32
+ a mesma linguagem.
33
+
34
+ text[[139, 553, 905, 637]]
35
+ A escolha da representação depende do objetivo: para especificar padrões de busca, expressões regulares são mais convenientes; para implementar reconhecedores, autômatos finitos são preferíveis; para descrever a sintaxe de linguagens de programação, gramáticas livres de contexto são o padrão (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
36
+
37
+ sub_title[[139, 658, 580, 679]]
38
+ 1.3.2 Potência e Fecho de uma Linguagem
39
+
40
+ text[[139, 689, 904, 773]]
41
+ A potência de uma linguagem é definida como \(L^0 = \{\varepsilon\} \in L^n = L \cdot L^{n-1}\) para \(n \ge 1\).
42
+ O **fecho de Kleene** de \(L\) é \(L^* = \bigcup_{i=0}^\infty L^i\) e o **fecho positivo** é \(L^+ = \bigcup_{i=1}^\infty L^i\). Essas operações são fundamentais na definição de expressões regulares e na especificação de padrões em compiladores (SIPSER, 2007).
43
+
44
+ text[[169, 774, 870, 796]]
45
+ Por exemplo, para \(L = \{a, ab\}\): \(L^0 = \{\varepsilon\}\), \(L^1 = \{a, ab\}\), \(L^2 = \{aa, aab, aba, abab\}\).
46
+
47
+ text[[139, 796, 904, 860]]
48
+ Observe que \(L^+ = L \cdot L^*\), ou equivalentemente, \(L^* = \{\varepsilon\} \cup L^+\). Quando \(\varepsilon \in L\), temos \(L^* = L^+\), pois a cadeia vazia já está presente na potência \(L^1\). Caso contrário, \(L^*\) e \(L^+\) diferem apenas pela presença de \(\varepsilon\) (MENEZES, 2011).
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1
+ sub_title[[138, 87, 692, 106]]
2
+ ## 1.4 A Hierarquia de Chomsky — Visão Geral
3
+
4
+ text[[136, 125, 907, 205]]
5
+ A Hierarquia de Chomsky classifica as gramáticas (e as linguagens que elas geram) em quatro tipos, do mais restrito ao mais geral. Cada tipo corresponde a um modelo computacional de reconhecimento com poder expressivo crescente (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
6
+
7
+ text[[136, 209, 907, 270]]
8
+ A Figura 1.2 apresenta visualmente a relação de inclusão entre os quatro tipos. Cada classe está estritamente contida na classe superior, ou seja, existem linguagens em cada nível que não pertencem ao nível inferior.
9
+
10
+ image[[317, 284, 723, 500]]
11
+
12
+
13
+ figure_title[[137, 512, 906, 547]]
14
+ Figura 1.2: Hierarquia de Chomsky: relação de inclusão estrita entre os quatro tipos de linguagens.
15
+
16
+ sub_title[[185, 579, 544, 597]]
17
+ ## Resumo da Hierarquia de Chomsky
18
+
19
+ text[[154, 606, 889, 646]]
20
+ • Tipo 3 – Regulares: reconhecidas por autômatos finitos. Exemplos: identificadores, constantes numéricas.
21
+
22
+ text[[154, 660, 888, 701]]
23
+ • Tipo 2 – Livres de Contexto: reconhecidas por autômatos com pilha. Exemplos: expressões aritméticas, parênteses balanceados.
24
+
25
+ text[[154, 715, 888, 755]]
26
+ • Tipo 1 – Sensíveis ao Contexto: reconhecidas por autômatos linearmente limitados. Exemplo: \( \{a^{n}b^{n}c^{n} \mid n \geq 1\} \) .
27
+
28
+ text[[154, 769, 888, 810]]
29
+ • Tipo 0 – Recursivamente Enumeráveis: reconhecidas por máquinas de Turing. Incluem linguagens para as quais não existe algoritmo de decisão.
30
+
31
+ sub_title[[138, 842, 634, 863]]
32
+ ## 1.5 Aplicações: Fases de um Compilador
33
+
34
+ text[[137, 880, 907, 920]]
35
+ Um compilador traduz código-fonte de alto nível para linguagem de máquina. A teoria das linguagens formais fundamenta suas três principais fases de análise (HOPCROFT;
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1
+ text[[138, 84, 409, 101]]
2
+ ULLMAN; MOTWANI, 2002):
3
+
4
+ text[[137, 121, 904, 161]]
5
+ • Análise Lóxica: varre o código-fonte identificando tokens (palavras reservadas, identificadores, operadores). Baseia-se em linguagens regulares e autômatos finitos.
6
+
7
+ text[[137, 176, 904, 215]]
8
+ • Análise Sintática: verifica se a sequência de tokens obedece à gramática da linguagem. Baseia-se em linguagens livres de contexto e autômatos com pilha.
9
+
10
+ text[[137, 230, 905, 269]]
11
+ • Análise Semântica: verifica aspectos de significado, como compatibilidade de tipos e escopo de variáveis.
12
+
13
+ text[[136, 288, 906, 369]]
14
+ Autômatos finitos são úteis na modelagem de circuitos digitais e na análise léxica; gramáticas apoiam o reconhecimento de estruturas recursivas em linguagens de programação. Essas ferramentas teóricas são, portanto, indispensáveis na engenharia de compiladores modernos (SIPSER, 2007).
15
+
16
+ text[[136, 373, 907, 476]]
17
+ A Figura 1.3 ilustra as fases de análise de um compilador, mostrando como o código-fonte é processado sequencialmente. Cada fase utiliza formalismos distintos da teoria das linguagens formais: a análise léxica emprega autômatos finitos (Tipo 3), a análise sintática emprega gramáticas livres de contexto (Tipo 2), e a análise semântica utiliza técnicas que transcendem as linguagens livres de contexto (RAMOS; NETO; VEGA, 2009).
18
+
19
+ image[[138, 491, 911, 556]]
20
+
21
+
22
+ figure_title[[194, 570, 850, 587]]
23
+ Figura 1.3: Fases de análise de um compilador e os formalismos associados.
24
+
25
+ text[[136, 613, 907, 736]]
26
+ Além das fases de análise, um compilador realiza fases de síntese (geração e otimização de código). A tabela de símbolos, que armazena informações sobre identificadores, é uma estrutura compartilhada entre todas as fases. Ferramentas como lex (análise léxica) e yacc (análise sintática) automatizam a geração dessas fases a partir de especificações formais, demonstrando a aplicação direta da teoria na prática (DIVERIO; MENEZES, 2008).
27
+
28
+ sub_title[[138, 765, 424, 783]]
29
+ ## 1.6 Lista de Exercícios
30
+
31
+ text[[159, 802, 905, 840]]
32
+ 1. Qual foi o propósito inicial que motivou o desenvolvimento da Teoria das Linguagens Formais?
33
+
34
+ text[[196, 857, 543, 874]]
35
+ (a) Investigar hardware para Assembly.
36
+
37
+ text[[196, 883, 497, 900]]
38
+ (b) Analisar sistemas de arquivos.
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1
+ text[[196, 84, 905, 124]]
2
+ (c) Desenvolver teorias relacionadas às linguagens naturais, verificando depois aplicabilidade em linguagens artificiais.
3
+
4
+ text[[195, 133, 525, 151]]
5
+ (d) Melhorar velocidade de execução.
6
+
7
+ text[[196, 160, 462, 178]]
8
+ (e) Projetar módulos de rede.
9
+
10
+ text[[158, 193, 801, 211]]
11
+ 2. Quais são as três análises mais comuns realizadas por um compilador?
12
+
13
+ text[[195, 226, 521, 244]]
14
+ (a) Simbólica, lexical, interpretativa.
15
+
16
+ text[[195, 253, 490, 271]]
17
+ (b) Lóxica, sintática e semântica.
18
+
19
+ text[[195, 281, 468, 299]]
20
+ (c) Formal, gráfica, heurística.
21
+
22
+ text[[195, 307, 498, 326]]
23
+ (d) Recursiva, linear, exponencial.
24
+
25
+ text[[196, 335, 552, 353]]
26
+ (e) Convergente, divergente, otimização.
27
+
28
+ text[[159, 368, 758, 386]]
29
+ 3. Como funcionam as fases de análise léxica, sintática e semântica?
30
+
31
+ text[[195, 401, 905, 440]]
32
+ (a) Lóxica identifica erros lógicos; sintática atribui significado; semântica separa variáveis.
33
+
34
+ text[[195, 449, 905, 488]]
35
+ (b) Lóxica garante operações corretas; sintática converte para máquina; semântica verifica CPU.
36
+
37
+ text[[195, 497, 905, 538]]
38
+ (c) Lóxica varre código identificando tokens; sintática verifica estrutura (gramática); semântica checa significado (tipos corretos).
39
+
40
+ text[[195, 546, 905, 586]]
41
+ (d) Lóxica trata formatação; sintática traduz para Assembly; semântica decide plataformas.
42
+
43
+ text[[196, 594, 905, 633]]
44
+ (e) Lóxica substitui instruções; sintática monta declarações; semântica ignora símbolos.
45
+
46
+ text[[159, 649, 820, 667]]
47
+ 4. Qual é o papel dos autômatos finitos e das gramáticas em compiladores?
48
+
49
+ text[[195, 682, 652, 700]]
50
+ (a) Autômatos não têm aplicação em análise léxica.
51
+
52
+ text[[195, 709, 905, 749]]
53
+ (b) Autômatos são úteis na modelagem de circuitos digitais e análise léxica; gramáticas apoiam reconhecimento de estruturas recursivas.
54
+
55
+ text[[196, 758, 716, 776]]
56
+ (c) Gramáticas foram substituídas por técnicas semânticas.
57
+
58
+ text[[195, 786, 650, 804]]
59
+ (d) Autômatos e gramáticas são um único conceito.
60
+
61
+ text[[196, 812, 655, 831]]
62
+ (e) Ambos só aparecem em linguagens de alto nível.
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1
+ sub_title[[137, 88, 875, 110]]
2
+ ## 2 CONCEITOS SOBRE LINGUAGENS FORMAIS
3
+
4
+ text[[137, 137, 907, 263]]
5
+ Neste capítulo, estudamos os mecanismos que permitem definir e gerar linguagens de maneira precisa: as gramáticas formais. Uma gramática é um conjunto finito de regras que especifica como construir todas as cadeias de uma linguagem, mesmo quando essa linguagem é infinita. Além disso, apresentamos a célebre Hierarquia de Chomsky, que classifica as gramáticas em quatro tipos fundamentais, cada um associado a um modelo computacional de reconhecimento (MENEZES, 2011).
6
+
7
+ text[[137, 265, 907, 348]]
8
+ A Hierarquia de Chomsky organiza todo o estudo da disciplina e é um dos resultados mais importantes da ciência da computação teórica. Compreendê-la permite situar cada formalismo no contexto correto e entender o poder expressivo de cada classe de linguagens (SIPSER, 2007).
9
+
10
+ text[[137, 351, 907, 456]]
11
+ Gramáticas formais foram inicialmente propostas por Noam Chomsky para modelar a estrutura das linguagens naturais, mas rapidamente se mostraram indispensáveis na descrição de linguagens de programação. A notação BNF (Backus-Naur Form), amplamente utilizada na especificação de linguagens como Algol, Pascal e C, é essencialmente uma gramática livre de contexto (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
12
+
13
+ sub_title[[137, 483, 441, 504]]
14
+ ### 2.1 Gramáticas Formais
15
+
16
+ text[[137, 519, 904, 625]]
17
+ Uma gramática formal é uma quádrupla \(G = (V, T, P, S)\), onde: \(V\) é o conjunto finito de variáveis (não-terminais); \(T\) é o conjunto finito de **terminais**, com \(V \cap T = \emptyset\); \(P\) é o conjunto finito de **regras de produção**; e \(S \in V\) é o **símbolo inicial**. Os terminais são os símbolos que aparecem nas cadeias finais; as variáveis são auxiliares no processo de geração (SIPSER, 2007).
18
+
19
+ text[[137, 627, 907, 668]]
20
+ Cada regra tem a forma \(\alpha \to \beta\), onde \(\alpha\) contém ao menos uma variável. Quando uma variável \(A\) possui múltiplas produções, usamos a notação \(A \to \alpha_1 \mid \alpha_2 \mid \dots \mid \alpha_n\).
21
+
22
+ sub_title[[186, 682, 522, 700]]
23
+ #### Componentes de uma Gramática
24
+
25
+ text[[156, 710, 585, 730]]
26
+ Uma gramática \(G = (V, T, P, S)\) é composta por:
27
+
28
+ text[[156, 743, 888, 784]]
29
+ - \(V\) — variáveis (não-terminais): símbolos auxiliares usados na geração. Convenção: letras maiúsculas \((S, A, B, \dots)\).
30
+
31
+ text[[156, 797, 888, 839]]
32
+ - \(T\) — terminais: símbolos que compõem as cadeias finais. Convenção: letras minúsculas \((a, b, c, \dots)\) ou dígitos.
33
+
34
+ text[[156, 852, 848, 872]]
35
+ - \(P\) — regras de produção: definem como substituir cadeias contendo variáveis.
36
+
37
+ text[[156, 885, 780, 906]]
38
+ - \(S\) — símbolo inicial: variável a partir da qual toda derivação começa.
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1
+ text[[155, 81, 888, 120]]
2
+ A condição \(V \cap T = \emptyset\) garante que não há ambiguidade sobre a natureza de cada símbolo.
3
+
4
+ sub_title[[139, 145, 445, 165]]
5
+ ### 2.1.1 Exemplo de Gramática
6
+
7
+ text[[139, 177, 904, 218]]
8
+ Considere \(G_1 = (\{S\}, \{a, b\}, P, S)\) com \(P = \{S \to aSb \mid ab\}\). Essa gramática gera \(L(G_1) = \{a^nb^n \mid n \ge 1\}\). Para derivar \(aaabb\): \(S \Rightarrow aSb \Rightarrow aaSb \Rightarrow aaabb\).
9
+
10
+ text[[139, 220, 904, 261]]
11
+ Outra gramática \(G_2 = (\{S, A\}, \{a, b\}, \{S \to aAb, A \to aAb \mid \varepsilon\}, S)\) gera a mesma linguagem. Gramáticas que geram a mesma linguagem são ditas equivalentes.
12
+
13
+ sub_title[[187, 273, 594, 293]]
14
+ #### Exemplo – Gramática para Palíndromos
15
+
16
+ text[[155, 302, 619, 323]]
17
+ A gramática \(G_3 = (\{S\}, \{a, b\}, P, S)\) com produções:
18
+
19
+ equation[[415, 341, 630, 360]]
20
+ \[S \to aSa \mid bSb \mid a \mid b \mid \varepsilon\]
21
+
22
+ text[[155, 380, 884, 421]]
23
+ gera a linguagem dos palíndromos sobre \(\{a, b\}\): \(L(G_3) = \{w \in \{a, b\}^* \mid w = w^R\}\). Derivação de \(abba\):
24
+
25
+ equation[[366, 424, 678, 441]]
26
+ \[S \Rightarrow aSa \Rightarrow abSba \Rightarrow ab\varepsilon ba = abba\]
27
+
28
+ text[[155, 455, 888, 496]]
29
+ Note que as produções \(S \to a\) e \(S \to b\) geram palíndromos de comprimento ímpar, enquanto \(S \to \varepsilon\) gera palíndromos de comprimento par.
30
+
31
+ sub_title[[139, 526, 571, 549]]
32
+ ## 2.2 Derivação e Linguagem Gerada
33
+
34
+ text[[139, 565, 905, 648]]
35
+ A **derivação** consiste na aplicação sucessiva de regras de produção a partir de \(S\). Dizemos que \(\alpha\) **deriva diretamente** \(\beta\) (\(\alpha \Rightarrow \beta\)) se \(\beta\) é obtida substituindo em \(\alpha\) uma ocorrência do lado esquerdo de alguma produção pelo respectivo lado direito. A notação \(\alpha \Rightarrow^* \beta\) indica zero ou mais passos de derivação (MENEZES, 2011).
36
+
37
+ text[[139, 650, 905, 714]]
38
+ A **linguagem gerada** por \(G\) é \(L(G) = \{w \in T^* \mid S \Rightarrow^* w\}\), ou seja, todas as cadeias de terminais deriváveis a partir de \(S\). A cadeia \(w\) pertence a \(L(G)\) se e somente se pode ser obtida por uma sequência finita de aplicações de regras de produção.
39
+
40
+ text[[139, 714, 904, 799]]
41
+ É importante distinguir entre **formas sentenciais** e **sentenças**. Uma forma sentencial é qualquer cadeia \(\alpha \in (V \cup T)^*\) tal que \(S \Rightarrow^* \alpha\); ela pode conter variáveis. Uma sentença é uma forma sentencial que pertence a \(T^*\), ou seja, não contém variáveis. Assim, \(L(G)\) é o conjunto de todas as sentenças deriváveis a partir de \(S\) (SIPSER, 2007).
42
+
43
+ sub_title[[139, 820, 419, 839]]
44
+ ### 2.2.1 Árvore de Derivação
45
+
46
+ text[[139, 852, 907, 913]]
47
+ Para gramáticas livres de contexto (Tipo 2), cada derivação pode ser representada por uma **árvore de derivação** (ou árvore sintática). A raiz é o símbolo inicial \(S\), os nós internos são variáveis e as folhas são terminais ou \(\varepsilon\). A leitura das folhas da esquerda para
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1
+ text[[137, 84, 905, 123]]
2
+ a direita produz a cadeia derivada. Árvores de derivação são a base da análise sintática em compiladores (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
3
+
4
+ text[[137, 127, 907, 166]]
5
+ A Figura 2.1 mostra a árvore de derivação da cadeia aabb na gramática \( G_{1} \) com as produções \( S \rightarrow aSb \mid ab \) .
6
+
7
+ image[[396, 185, 649, 278]]
8
+
9
+
10
+ figure_title[[189, 292, 853, 309]]
11
+ Figura 2.1: Árvore de derivação de aabb na gramática \( G_{1} \) : \( S \Rightarrow aSb \Rightarrow aabb \) .
12
+
13
+ text[[136, 335, 907, 436]]
14
+ Uma gramática é ambígua se existe pelo menos uma cadeia com mais de uma árvore de derivação distinta. A ambiguidade é indesejável em linguagens de programação, pois pode levar a interpretações diferentes do mesmo programa. Técnicas de desambigução incluem a reformulação da gramática e o uso de regras de precedência (LEWIS; PAPADIMITRIOU, 2004).
15
+
16
+ sub_title[[137, 464, 480, 484]]
17
+ ## 2.3 Hierarquia de Chomsky
18
+
19
+ text[[136, 501, 907, 562]]
20
+ Chomsky (1956) classificou as gramáticas em quatro tipos conforme as restrições sobre suas produções. A cada tipo corresponde uma classe de linguagens e um dispositivo de reconhecimento (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
21
+
22
+ figure_title[[364, 576, 680, 594]]
23
+ Tabela 2.1: Hierarquia de Chomsky.
24
+
25
+ table[[139, 606, 904, 790]]
26
+ <table>TipoGramáticaRestriçõesReconhecedor0Irrestrita\( \alpha \rightarrow \beta \) , sem restrições adicionaisMáquina de Turing1Sensível ao Contexto\( |\alpha| \leq |\beta| \)Aut. Lin. Limitado2Livre de Contexto\( A \rightarrow \alpha \) , com \( A \in V \)Autômato com Pilha3Regular\( A \rightarrow aB \) ou \( A \rightarrow a \)Autômato Finito</table>
27
+
28
+ text[[137, 816, 907, 876]]
29
+ A relação de inclusão estrita entre as classes é: Regulares ⊂ Livres de Contexto ⊂ Sensíveis ao Contexto ⊂ Recursivamente Enumeráveis. Em cada nível, existem linguagens que não pertencem à classe inferior.
30
+
31
+ text[[137, 880, 907, 919]]
32
+ A Figura 2.2 ilustra essa relação de inclusão, mostrando exemplos de linguagens pertencentes a cada nível mas não ao nível inferior. Essa organização hierárquica guia o
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1
+ text[[137, 85, 906, 123]]
2
+ estudo da disciplina: começamos pelas linguagens regulares (mais simples) e avançamos para classes mais expressivas.
3
+
4
+ image[[305, 139, 738, 375]]
5
+
6
+
7
+ figure_title[[137, 386, 905, 420]]
8
+ Figura 2.2: Diagrama de Venn da Hierarquia de Chomsky com exemplos de linguagens em cada nível.
9
+
10
+ sub_title[[138, 450, 404, 468]]
11
+ ## 2.3.1 Exemplos por Tipo
12
+
13
+ text[[137, 480, 905, 541]]
14
+ Uma gramática regular (Tipo 3) tem produções da forma \( A \rightarrow aB \) ou \( A \rightarrow a \) . Exemplo: \( G_{4} = (\{S, A\}, \{a, b\}, P, S) \) com \( S \rightarrow aS \mid bA \) , \( A \rightarrow bA \mid b \) gera \( L(G_{4}) = \{a^{m}b^{n} \mid m \geq 0, n \geq 1\} \) . Derivação de aabb: \( S \Rightarrow aS \Rightarrow aaS \Rightarrow aabA \Rightarrow aabb \) .
15
+
16
+ text[[137, 544, 907, 627]]
17
+ Uma gramática livre de contexto (Tipo 2) permite \( A \rightarrow \alpha \) com \( \alpha \) qualquer cadeia de terminais e variáveis: \( S \rightarrow SS \mid (S) \mid \varepsilon \) gera a linguagem de parênteses balanceados. Já a linguagem \( \{a^{n}b^{n}c^{n} \mid n \geq 1\} \) requer gramática sensível ao contexto (Tipo 1), pois precisa de produções com mais de uma variável no lado esquerdo (SIPSER, 2007).
18
+
19
+ sub_title[[185, 640, 625, 658]]
20
+ ## Exemplo – Derivações Detalhadas por Tipo
21
+
22
+ text[[153, 668, 792, 688]]
23
+ Tipo 3 (Regular): \( G_{4} \) com \( S \rightarrow aS \mid bA \in A \rightarrow bA \mid b \) . Para gerar abbb:
24
+
25
+ equation[[383, 707, 664, 725]]
26
+ \[ S\Rightarrow aS\Rightarrow abA\Rightarrow abbA\Rightarrow abbb \]
27
+
28
+ text[[185, 746, 836, 765]]
29
+ Tipo 2 (Livre de Contexto): \( G_{5} \) com \( S \rightarrow SS \mid (S) \mid \varepsilon \) . Para gerar \( (() \) :
30
+
31
+ equation[[414, 784, 631, 803]]
32
+ \[ S\Rightarrow(S)\Rightarrow((S))\Rightarrow(() \]
33
+
34
+ text[[153, 824, 889, 907]]
35
+ Tipo 1 (Sensível ao Contexto): A linguagem \( \{a^{n}b^{n}c^{n} \mid n \geq 1\} \) não pode ser gerada por nenhuma gramática livre de contexto, mas pode ser gerada por uma gramática sensível ao contexto com regras que garantem \( |\alpha| \leq |\beta| \) em cada produção \( \alpha \rightarrow \beta \) .
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@@ -0,0 +1,29 @@
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1
+ sub_title[[137, 85, 741, 102]]
2
+ ## 2.3.2 Gramáticas Regulares: Linear à Direita e à Esquerda
3
+
4
+ text[[136, 116, 906, 218]]
5
+ As gramáticas regulares podem ser classificadas em dois subtipos. Uma gramática linear à direita possui produções da forma \( A \rightarrow wB \) ou \( A \rightarrow w \) , onde \( w \in T^{*} \) e \( B \in V \) . Uma gramática linear à esquerda possui produções da forma \( A \rightarrow Bw \) ou \( A \rightarrow w \) . Ambos os subtipos geram exatamente as linguagens regulares, mas não devem ser misturados na mesma gramática (MENEZES, 2011).
6
+
7
+ text[[136, 222, 906, 283]]
8
+ A conversão entre gramáticas lineares à direita e à esquerda é possível por meio da reversão da linguagem. Se G é linear à direita e gera L, então existe uma gramática linear à esquerda que gera a mesma linguagem L (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
9
+
10
+ text[[137, 293, 901, 591]]
11
+ Exemplo – Gramática Linear à Direita e à Esquerda
12
+ Considere a linguagem \( L = \{a^{m}b^{n} \mid m \geq 1, n \geq 1\} \) .
13
+ Gramática linear à direita: \( G_{D} = (\{S, A\}, \{a, b\}, P_{D}, S) \) com:
14
+ \( S \rightarrow aS \mid aA, \quad A \rightarrow bA \mid b \)
15
+ Derivação de aabb: \( S \Rightarrow aS \Rightarrow aaA \Rightarrow aabA \Rightarrow aabb \) .
16
+ Gramática linear à esquerda: \( G_{E} = (\{S, B\}, \{a, b\}, P_{E}, S) \) com:
17
+ \( S \rightarrow Sb \mid Bb, \quad B \rightarrow Ba \mid a \)
18
+ Derivação de aabb: \( S \Rightarrow Sb \Rightarrow Bbb \Rightarrow Babb \Rightarrow aabb \) .
19
+ Ambas geram a mesma linguagem L, ilustrando a equivalência entre os dois sub-
20
+ tipos.
21
+
22
+ sub_title[[137, 618, 700, 638]]
23
+ ## 2.4 Operações sobre Linguagens e Fechamento
24
+
25
+ text[[136, 656, 905, 716]]
26
+ Uma classe de linguagens é fechada sob uma operação se o resultado da operação aplicada a linguagens da classe permanece na classe. As principais operações são: união, interseção, concatenação, complemento e fecho de Kleene (MENEZES, 2011).
27
+
28
+ text[[137, 719, 905, 758]]
29
+ A Tabela 2.2 resume as propriedades de fechamento. Esses resultados serão demonstrados ao longo dos próximos capítulos para as linguagens regulares.
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@@ -0,0 +1,23 @@
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1
+ figure_title[[232, 82, 810, 100]]
2
+ Tabela 2.2: Propriedades de fechamento das classes de linguagens.
3
+
4
+ table[[140, 113, 904, 297]]
5
+ <table>ClasseUniãoInters.Compl.Concat.KleeneRegularSimSimSimSimSimLivre de ContextoSimNãoNãoSimSimSensível ao Cont.SimSimSimSimSimRec. EnumerávelSimSimNãoSimSim</table>
6
+
7
+ sub_title[[186, 330, 475, 347]]
8
+ ## Fechamento e Decidibilidade
9
+
10
+ text[[150, 355, 890, 481]]
11
+ As propriedades de fechamento têm consequências práticas importantes. O fato de que linguagens regulares são fechadas sob complemento e interseção permite, por exemplo, verificar se a interseção de duas linguagens regulares é vazia — um problema decidível. Por outro lado, como linguagens livres de contexto não são fechadas sob interseção, problemas análogos para essa classe podem ser indecidíveis (LEWIS; PAPADIMITRIOU, 2004).
12
+
13
+ sub_title[[137, 514, 720, 534]]
14
+ ## 2.5 Relação entre Gramáticas e Reconhecedores
15
+
16
+ text[[136, 552, 907, 654]]
17
+ Para cada tipo de gramática na Hierarquia de Chomsky, existe um modelo computacional equivalente: gramáticas regulares correspondem a autômatos finitos; gramáticas livres de contexto a autômatos com pilha; gramáticas sensíveis ao contexto a autômatos linearmente limitados; e gramáticas irrestritas a máquinas de Turing (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
18
+
19
+ text[[136, 658, 907, 739]]
20
+ Essa dualidade entre geradores e reconhecedores permite escolher o formalismo mais conveniente para cada situação: gramáticas são naturais para gerar linguagens, enquanto autômatos são naturais para reconhecer se uma cadeia pertence a uma linguagem (LEWIS; PAPADIMITRIOU, 2004).
21
+
22
+ text[[137, 743, 907, 783]]
23
+ A Tabela 2.3 resume a correspondência entre formalismos geradores e reconhecedores para cada nível da hierarquia, incluindo os problemas de decisão associados.
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1
+ figure_title[[146, 82, 897, 100]]
2
+ Tabela 2.3: Correspondência entre gramáticas, reconhecedores e problemas de decisão.
3
+
4
+ table[[140, 113, 904, 318]]
5
+ <table>TipoGramáticaReconhecedorPertinência3RegularAutômato FinitoDecidível em \( O(n) \)2Livre de ContextoAut. com PilhaDecidível em \( O(n^{3}) \)1Sens. ao ContextoAut. Lin. LimitadoDecidível (PSPACE)0IrrestritaMáquina de TuringIndecidível</table>
6
+
7
+ text[[136, 345, 907, 470]]
8
+ Observe que a complexidade do problema de pertinência cresce com o tipo da gramática. Para linguagens regulares, o teste de pertinência é realizado em tempo linear, simulando o autômato finito. Para linguagens livres de contexto, o algoritmo CYK resolve o problema em tempo \( O(n^{3}) \) . Para linguagens sensíveis ao contexto, o problema é decidível mas pode exigir espaço exponencial. Para linguagens recursivamente enumeráveis (Tipo 0), o problema de pertinência é decidível em geral (SIPSER, 2007).
9
+
10
+ sub_title[[137, 497, 425, 515]]
11
+ ## 2.6 Lista de Exercícios
12
+
13
+ text[[157, 534, 810, 551]]
14
+ 1. Qual das alternativas descreve corretamente linguagem formal sobre Σ?
15
+
16
+ text[[195, 567, 666, 584]]
17
+ (a) Conjunto infinito que inclui somente cadeia vazia.
18
+
19
+ text[[195, 594, 905, 632]]
20
+ (b) Qualquer subconjunto de \( \Sigma^{*} \) (finito ou infinito), formado por cadeias de comprimento finito.
21
+
22
+ text[[196, 643, 557, 659]]
23
+ (c) Todas as cadeias de alfabeto infinito.
24
+
25
+ text[[195, 670, 708, 687]]
26
+ (d) Apenas cadeias sem repetições, excluindo cadeia vazia.
27
+
28
+ text[[196, 697, 730, 714]]
29
+ (e) Cadeias com número de símbolos igual ao tamanho de \( \Sigma \) .
30
+
31
+ text[[157, 730, 860, 747]]
32
+ 2. Em relação a terminais \( (T) \) e não-terminais \( (V) \) , qual afirmação está correta?
33
+
34
+ text[[196, 763, 552, 780]]
35
+ (a) Terminais substituídos por variáveis.
36
+
37
+ text[[196, 790, 531, 806]]
38
+ (b) Não-terminais são unidades finais.
39
+
40
+ text[[196, 818, 544, 835]]
41
+ (c) Terminais não aparecem nas regras.
42
+
43
+ text[[196, 845, 906, 882]]
44
+ (d) Não-terminais são variáveis que geram cadeias; terminais são elementos básicos das sentenças finais.
45
+
46
+ text[[197, 893, 481, 910]]
47
+ (e) Não há diferença conceitual.
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1
+ text[[157, 85, 600, 102]]
2
+ 3. A derivação de uma cadeia ocorre por meio de:
3
+
4
+ text[[193, 117, 907, 157]]
5
+ (a) Substituições sucessivas de subpalavras que correspondem ao lado esquerdo de regras de produção.
6
+
7
+ text[[194, 166, 475, 184]]
8
+ (b) Comparações entre cadeias.
9
+
10
+ text[[194, 193, 539, 211]]
11
+ (c) Enumerações de todos os símbolos.
12
+
13
+ text[[194, 220, 688, 238]]
14
+ (d) Escolha de qualquer sequência sem consultar regras.
15
+
16
+ text[[195, 247, 617, 265]]
17
+ (e) Retirada de não-terminais sem substituição.
18
+
19
+ text[[157, 281, 475, 298]]
20
+ 4. O conjunto \( L(G) \) é formado por:
21
+
22
+ text[[194, 314, 672, 332]]
23
+ (a) Todas as cadeias de não-terminais deriváveis de S.
24
+
25
+ text[[194, 341, 673, 359]]
26
+ (b) Qualquer sequência de terminais ou não-terminais.
27
+
28
+ text[[194, 368, 907, 407]]
29
+ (c) Cadeias sobre T geradas por S por meio de zero ou mais aplicações de regras de produção.
30
+
31
+ text[[194, 416, 544, 434]]
32
+ (d) Cadeias sobre V e T sem terminais.
33
+
34
+ text[[195, 443, 596, 461]]
35
+ (e) Cadeias de comprimento infinito sobre V.
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1
+ sub_title[[137, 87, 904, 142]]
2
+ ## 3 LINGUAGENS REGULARES E AUTÔMATOS FI-
3
+ NITOS DETERMINÍSTICOS
4
+
5
+ text[[136, 171, 907, 294]]
6
+ Neste capítulo, estudamos a classe mais restrita da Hierarquia de Chomsky: as linguagens regulares (Tipo 3). Apesar de serem a classe com menor poder expressivo, possuem enorme importância prática, fundamentando analisadores léxicos, buscas com expressões regulares e validação de formatos de dados. Apresentamos o autômato finito determinístico (AFD) como modelo de reconhecimento dessas linguagens (MENEZES, 2011).
7
+
8
+ text[[136, 298, 907, 380]]
9
+ Uma linguagem L é regular se existir uma gramática regular, um autômato finito ou uma expressão regular que a defina. Esses três formalismos possuem exatamente o mesmo poder expressivo; neste capítulo, focamos no AFD e em sua relação com gramáticas regulares (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
10
+
11
+ text[[136, 383, 907, 487]]
12
+ O estudo dos autômatos finitos determinísticos é o ponto de partida natural para a teoria dos autômatos. Por serem o modelo mais simples de computação, os AFDs permitem introduzir conceitos fundamentais — como estado, transição e aceitação — de forma clara e acessível, antes de avançar para modelos mais complexos nos capítulos seguintes.
13
+
14
+ sub_title[[137, 514, 611, 533]]
15
+ ## 3.1 Autômatos Finitos Determinísticos
16
+
17
+ text[[137, 551, 906, 611]]
18
+ Um AFD é uma 5-tupla \( M = (\Sigma, Q, \delta, q_0, F) \) , onde: \( \Sigma \) é o alfabeto de entrada; Q é o conjunto finito de estados; \( \delta : Q \times \Sigma \to Q \) é a função de transição (total); \( q_0 \in Q \) é o estado inicial; e \( F \subseteq Q \) é o conjunto de estados finais.
19
+
20
+ text[[137, 616, 907, 697]]
21
+ A função \( \delta \) é total: para cada par \( (q, a) \) , existe exatamente um estado destino. Isso garante o determinismo — a computação nunca “trava”. Quando necessário, adiciona-se um estado morto \( q_{d} \notin F \) com \( \delta(q_{d}, a) = q_{d} \) para todo a, garantindo totalidade da função (SIPSER, 2007).
22
+
23
+ sub_title[[186, 710, 330, 727]]
24
+ ## Determinismo
25
+
26
+ text[[152, 737, 888, 777]]
27
+ A propriedade essencial de um AFD é o determinismo: para cada par (estado atual, símbolo lido), existe exatamente um estado seguinte. Isso significa que:
28
+
29
+ text[[153, 792, 713, 809]]
30
+ • Não há escolha: o próximo estado é unicamente determinado;
31
+
32
+ text[[153, 825, 696, 842]]
33
+ • Não há bloqueio: a função δ é definida para todo par (q, a);
34
+
35
+ text[[153, 858, 771, 875]]
36
+ • A computação é uma sequência única de estados (sem ramificações).
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1
+ sub_title[[137, 85, 641, 102]]
2
+ ## 3.1.1 Função de Transição Estendida e Aceitação
3
+
4
+ text[[136, 116, 905, 175]]
5
+ A função de transição estendida \( \delta^{*}: Q \times \Sigma^{*} \to Q \) é definida recursivamente: \( \delta^{*}(q, \varepsilon) = q \) e \( \delta^{*}(q, wa) = \delta(\delta^{*}(q, w), a) \) . A linguagem aceita por \( M \in L(M) = \{w \in \Sigma^{*} \mid \delta^{*}(q_{0}, w) \in F\} \) .
6
+
7
+ text[[137, 180, 905, 218]]
8
+ Uma cadeia w é aceita se, ao processar todos os seus símbolos a partir de \( q_{0} \) , o autômato atinge um estado em F; caso contrário, w é rejeitada.
9
+
10
+ text[[136, 222, 907, 304]]
11
+ A função estendida \( \delta^{*} \) generaliza \( \delta \) para cadeias de comprimento arbitrário. Por exemplo, se \( \delta^{*}(q_{0}, ab) = q_{2} \) e \( \delta(q_{2}, a) = q_{1} \) , então \( \delta^{*}(q_{0}, aba) = q_{1} \) . Essa definição recursiva permite analisar a computação do autômato símbolo por símbolo, o que é a base de qualquer implementação prática (MENEZES, 2011).
12
+
13
+ sub_title[[137, 332, 530, 351]]
14
+ ## 3.2 Representações de um AFD
15
+
16
+ text[[136, 369, 907, 450]]
17
+ Um AFD pode ser representado pela 5-tupla formal, pela tabela de transição ou pelo diagrama de estados. Na tabela, linhas são estados e colunas são símbolos; → indica o estado inicial e * indica estados finais. No diagrama, estados são círculos, transições são setas rotuladas, o estado inicial recebe seta de entrada, e estados finais têm borda dupla.
18
+
19
+ text[[136, 455, 907, 535]]
20
+ Cada representação tem suas vantagens: a 5-tupla formal é precisa e adequada para definições e provas; a tabela de transição facilita a implementação computacional; e o diagrama de estados oferece uma visualização intuitiva do comportamento do autômato (SIPSER, 2007).
21
+
22
+ text[[137, 538, 904, 579]]
23
+ A Tabela 3.1 e a Figura 3.1 mostram o AFD \( M_{1} = (\{a, b\}, \{q_{0}, q_{a}, q_{b}, q_{f}\}, \delta, q_{0}, \{q_{f}\}) \) que aceita cadeias contendo aa ou bb como subpalavra.
24
+
25
+ figure_title[[324, 593, 718, 610]]
26
+ Tabela 3.1: Tabela de transição do AFD \( M_{1} \)
27
+
28
+ table[[451, 625, 593, 744]]
29
+ <table>\( \delta \)ab\( \rightarrow q_{0} \)\( q_{a} \)\( q_{b} \)\( q_{a} \)\( q_{f} \)\( q_{b} \)\( q_{b} \)\( q_{a} \)\( q_{f} \)\( *q_{f} \)\( q_{f} \)\( q_{f} \)</table>
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1
+ image[[285, 80, 768, 263]]
2
+
3
+
4
+ figure_title[[225, 275, 817, 292]]
5
+ Figura 3.1: AFD \( M_{1} \) : aceita cadeias com aa ou bb como subpalavra.
6
+
7
+ sub_title[[137, 321, 778, 338]]
8
+ ## 3.2.1 Segundo Exemplo: AFD para Cadeias Terminadas em ab
9
+
10
+ text[[136, 351, 906, 412]]
11
+ Considere o AFD \( M_{2} = (\{a, b\}, \{q_{0}, q_{1}, q_{2}\}, \delta, q_{0}, \{q_{2}\}) \) que aceita todas as cadeias sobre \( \{a, b\} \) terminadas em ab. A ideia é que o estado \( q_{0} \) representa “nenhum progresso”, \( q_{1} \) representa “último símbolo lido foi a” e \( q_{2} \) representa “últimos dois símbolos foram ab”.
12
+
13
+ figure_title[[204, 425, 839, 443]]
14
+ Tabela 3.2: Tabela de transição do AFD \( M_{2} \) (cadeias terminadas em ab).
15
+
16
+ table[[451, 456, 593, 555]]
17
+ <table>\( \delta \)ab\( \rightarrow q_{0} \)\( q_{1} \)\( q_{0} \)\( q_{1} \)\( q_{1} \)\( q_{2} \)\( *q_{2} \)\( q_{1} \)\( q_{0} \)</table>
18
+
19
+ image[[280, 592, 780, 746]]
20
+
21
+
22
+ figure_title[[280, 760, 763, 776]]
23
+ Figura 3.2: AFD \( M_{2} \) : aceita cadeias terminadas em ab.
24
+
25
+ text[[136, 803, 907, 884]]
26
+ Note que este AFD possui 3 estados, cada um codificando informação sobre os últimos símbolos lidos. Essa técnica de projetar estados como “memória” do sufixo recente é amplamente utilizada na construção de AFDs para padrões de subcadeias (MENEZES, 2011).
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1
+ sub_title[[137, 86, 523, 106]]
2
+ ## 3.3 Computação Passo a Passo
3
+
4
+ text[[137, 123, 906, 163]]
5
+ Para verificar a aceitação de uma cadeia, simulamos \(\delta^*\) passo a passo. No AFD \(M_1\), para \(w = abba\):
6
+
7
+ equation[[372, 163, 670, 186]]
8
+ \[q_0 \xrightarrow{a} q_a \xrightarrow{b} q_b \xrightarrow{b} q_f \xrightarrow{a} q_f \in F \quad \checkmark\]
9
+
10
+ text[[137, 196, 644, 216]]
11
+ A cadeia \(abba\) é aceita, pois contém \(bb\). Já para \(w = abab\):
12
+
13
+ equation[[372, 231, 666, 255]]
14
+ \[q_0 \xrightarrow{a} q_a \xrightarrow{b} q_b \xrightarrow{a} q_a \xrightarrow{b} q_b \notin F \quad \times\]
15
+
16
+ text[[137, 275, 612, 294]]
17
+ A cadeia \(abab\) é rejeitada, pois não contém \(aa\) nem \(bb\).
18
+
19
+ sub_title[[187, 305, 555, 327]]
20
+ ### Exemplo – Computação no AFD \(M_2\)
21
+
22
+ text[[157, 334, 825, 355]]
23
+ Verifiquemos a aceitação de cadeias no AFD \(M_2\) (cadeias terminadas em \(ab\)):
24
+
25
+ text[[187, 355, 666, 377]]
26
+ Cadeia \(w = bab\): \(q_0 \xrightarrow{b} q_0 \xrightarrow{a} q_1 \xrightarrow{b} q_2 \in F \quad \checkmark\) (aceita)
27
+
28
+ text[[187, 376, 692, 398]]
29
+ Cadeia \(w = aba\): \(q_0 \xrightarrow{a} q_1 \xrightarrow{b} q_2 \xrightarrow{a} q_1 \notin F \quad \times\) (rejeitada)
30
+
31
+ text[[187, 398, 666, 419]]
32
+ Cadeia \(w = aab\): \(q_0 \xrightarrow{a} q_1 \xrightarrow{a} q_1 \xrightarrow{b} q_2 \in F \quad \checkmark\) (aceita)
33
+
34
+ text[[187, 419, 632, 440]]
35
+ Cadeia \(w = bb\): \(q_0 \xrightarrow{b} q_0 \xrightarrow{b} q_0 \notin F \quad \times\) (rejeitada)
36
+
37
+ text[[157, 441, 888, 483]]
38
+ Observe que \(bb\) é rejeitada pois não termina em \(ab\), confirmando o comportamento esperado.
39
+
40
+ text[[137, 500, 905, 540]]
41
+ Outro exemplo clássico é o AFD para cadeias com número par de \(a\)'s e par de \(b\)'s, que exige \(2 \times 2 = 4\) estados codificando a paridade de cada símbolo (SIPSER, 2007).
42
+
43
+ sub_title[[137, 562, 580, 583]]
44
+ ### 3.3.1 Exemplo: AFD para Paridade de \(a\)'s
45
+
46
+ text[[137, 593, 906, 657]]
47
+ O AFD \(M_3 = (\{a, b\}, \{q_{\text{par}}, q_{\text{impar}}\}, \delta, q_{\text{par}}, \{q_{\text{par}}\})\) aceita cadeias com número par de \(a\)'s (incluindo zero). O estado \(q_{\text{par}}\) indica que o número de \(a\)'s lidos até o momento é par, e \(q_{\text{impar}}\) indica que é ímpar. Os \(b\)'s não alteram a paridade.
48
+
49
+ image[[360, 671, 700, 789]]
50
+
51
+
52
+ image_caption[[258, 800, 784, 820]]
53
+ <center>Figura 3.3: AFD \(M_3\): aceita cadeias com número par de \(a\)'s.</center>
54
+
55
+ text[[137, 842, 905, 906]]
56
+ A técnica de codificar informação modular nos estados é extremamente versátil. Por exemplo, para aceitar cadeias cujo comprimento é múltiplo de 3, bastam 3 estados representando os restos 0, 1, 2 da divisão por 3. De modo geral, qualquer propriedade que
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1
+ text[[137, 84, 905, 123]]
2
+ dependa de uma quantidade finita de informação sobre a cadeia lida pode ser codificada nos estados de um AFD (SIPSER, 2007).
3
+
4
+ sub_title[[186, 133, 555, 151]]
5
+ ## Exemplo – Computação no AFD \( M_{3} \)
6
+
7
+ text[[150, 150, 900, 270]]
8
+ Verifiquemos cadeias no AFD \( M_{3} \) (número par de a's):
9
+ Cadeia \( w = abba: q_{par} \xrightarrow{a} q_{impar} \xrightarrow{b} q_{impar} \xrightarrow{a} q_{impar} \xrightarrow{a} q_{par} \in F \quad \checkmark (2 a's - par) \)
10
+ Cadeia \( w = aba: q_{par} \xrightarrow{a} q_{impar} \xrightarrow{b} q_{impar} \xrightarrow{a} q_{par} \in F \quad \checkmark (2 a's - par) \)
11
+ Cadeia \( w = a: q_{par} \xrightarrow{a} q_{impar} \notin F \quad \times (1 a - \text{impar}) \)
12
+ Cadeia \( w = bbb: q_{par} \xrightarrow{b} q_{par} \xrightarrow{b} q_{par} \xrightarrow{b} q_{par} \in F \quad \checkmark (0 a's - par) \)
13
+
14
+ sub_title[[137, 296, 540, 313]]
15
+ ## 3.3.2 Estado Morto e Funções Parciais
16
+
17
+ text[[136, 327, 907, 430]]
18
+ Em alguns livros, a função de transição pode ser definida como parcial: \( \delta(q,a) \) pode não estar definida para certos pares \( (q,a) \) . Nesse caso, a computação “trava” e a cadeia é rejeitada. Para converter um AFD com função parcial em um AFD com função total, basta adicionar um estado morto \( q_{d} \) (não-final) e direcionar todas as transições indefinidas para \( q_{d} \) , com \( \delta(q_{d},a)=q_{d} \) para todo \( a\in\Sigma \) (MENEZES, 2011).
19
+
20
+ text[[136, 433, 907, 514]]
21
+ Embora ambas as definições sejam equivalentes em poder expressivo, a função total é preferida em definições formais pois simplifica a análise teórica. Na prática, omitir o estado morto nos diagramas torna as figuras mais legíveis (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
22
+
23
+ sub_title[[137, 542, 667, 562]]
24
+ ## 3.4 Propriedades das Linguagens Regulares
25
+
26
+ text[[136, 580, 906, 661]]
27
+ A classe das linguagens regulares é fechada sob união, interseção, complemento, concatenação, fecho de Kleene e reversa. O fechamento sob complemento é particularmente simples: dado o AFD M para L, basta inverter estados finais e não-finais para obter um AFD para \( \overline{L} = \Sigma^{*} - L \) (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
28
+
29
+ sub_title[[186, 670, 496, 688]]
30
+ ## Fechamento sob Complemento
31
+
32
+ text[[152, 699, 890, 737]]
33
+ Dado um AFD \( M = (\Sigma, Q, \delta, q_{0}, F) \) que reconhece L, o AFD \( M' = (\Sigma, Q, \delta, q_{0}, Q - F) \) reconhece \( \overline{L} = \Sigma^{*} - L \) .
34
+
35
+ text[[152, 742, 890, 825]]
36
+ Atenção: essa construção exige que \( \delta \) seja total. Se o AFD original tiver transições indefinidas, é necessário primeiro adicionar o estado morto antes de inverter os estados finais. Caso contrário, o estado morto (que deveria rejeitar) passaria a aceitar, produzindo um resultado incorreto.
37
+
38
+ text[[136, 837, 907, 920]]
39
+ Nem toda linguagem é regular. A linguagem \( \{a^{n}b^{n} \mid n \geq 0\} \) não é regular, pois um autômato finito não consegue “contar” um número arbitrário de símbolos com sua memória finita (apenas o estado atual). A prova formal utiliza o Lema do Bombeamento (Pumping Lemma), que será estudado em capítulo posterior (MENEZES, 2011).
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1
+ text[[137, 85, 905, 122]]
2
+ A Tabela 3.3 resume as operações de fechamento com indicações de como a construção é realizada.
3
+
4
+ figure_title[[243, 136, 801, 154]]
5
+ Tabela 3.3: Operações de fechamento para linguagens regulares.
6
+
7
+ table[[139, 167, 904, 328]]
8
+ <table>OperaçãoFechada?ConstruçãoUniãoSimProduto de autômatos ou AFN com \( \varepsilon \) -transiçõesInterseçãoSimProduto de autômatos (estados pares)ComplementoSimInverter estados finais/não-finais no AFDConcatenaçãoSimAFN com \( \varepsilon \) -transição entre sub-autômatosFecho de KleeneSimAFN com \( \varepsilon \) -transição de finais ao inicialReversaSimInverter setas, trocar inicial e finais</table>
9
+
10
+ text[[136, 356, 907, 480]]
11
+ Um resultado importante é que gramáticas regulares e AFDs são formalismos equivalentes: para toda gramática regular pode-se construir um AFD, e vice-versa. A conversão de gramática para AFD associa variáveis a estados e produções a transições (SIPSER, 2007). Na prática, essa construção algorítmica é a base de ferramentas geradoras de analisadores léxicos, que automatizam a implementação de reconhecedores a partir de especificações formais (RAMOS; NETO; VEGA, 2009).
12
+
13
+ sub_title[[138, 507, 425, 526]]
14
+ ## 3.5 Lista de Exercícios
15
+
16
+ text[[159, 544, 779, 562]]
17
+ 1. Qual formalismo NÃO é utilizado para definir linguagens regulares?
18
+
19
+ text[[196, 577, 384, 595]]
20
+ (a) Autômato Finito
21
+
22
+ text[[196, 604, 399, 622]]
23
+ (b) Expressão Regular
24
+
25
+ text[[197, 631, 402, 649]]
26
+ (c) Gramática Regular
27
+
28
+ text[[196, 659, 490, 676]]
29
+ (d) Gramática Livre de Contexto
30
+
31
+ text[[197, 686, 389, 703]]
32
+ (e) Movimento Vazio
33
+
34
+ text[[159, 719, 905, 737]]
35
+ 2. Para o autômato \( M_{1} \) que reconhece “aa” ou “bb” como subpalavra, qual é \( \delta^{*}(q_{0}, abba) \) ?
36
+
37
+ text[[197, 753, 255, 771]]
38
+ (a) \( q_{0} \)
39
+
40
+ text[[197, 779, 252, 797]]
41
+ (b) \( q_{1} \)
42
+
43
+ text[[197, 806, 253, 825]]
44
+ (c) \( q_{2} \)
45
+
46
+ text[[197, 834, 253, 852]]
47
+ (d) \( q_{f} \)
48
+
49
+ text[[197, 861, 323, 878]]
50
+ (e) Indefinida
51
+
52
+ text[[160, 894, 471, 912]]
53
+ 3. Qual linguagem NÃO é regular?
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1
+ text[[197, 84, 562, 102]]
2
+ (a) \( \{w \in \{a, b\}^{*} \mid w \text{ contém “aa” ou “bb”}\} \)
3
+
4
+ text[[198, 111, 260, 128]]
5
+ (b) \( \Sigma^{*} \)
6
+
7
+ text[[198, 138, 249, 155]]
8
+ (c) ∅
9
+
10
+ text[[197, 165, 619, 183]]
11
+ (d) \( \{w \in \{a, b\}^{*} \mid w \text{ com } n^{0} \text{ par de } a \text{ e par de } b\} \)
12
+
13
+ text[[198, 192, 357, 210]]
14
+ (e) \( \{a^{n}b^{n} \mid n \geq 0\} \)
15
+
16
+ text[[160, 226, 658, 243]]
17
+ 4. No quintuplo \( M = (\Sigma, Q, \delta, q_{0}, F) \) , o que representa \( \delta \) ?
18
+
19
+ text[[197, 259, 432, 276]]
20
+ (a) Conjunto de estados Q
21
+
22
+ text[[197, 286, 377, 303]]
23
+ (b) Estado inicial \( q_{0} \)
24
+
25
+ text[[198, 313, 376, 330]]
26
+ (c) Estados finais F
27
+
28
+ text[[197, 341, 409, 357]]
29
+ (d) Função de transição
30
+
31
+ text[[198, 368, 332, 384]]
32
+ (e) Alfabeto \( \Sigma \)
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1
+ sub_title[[137, 87, 919, 110]]
2
+ ## 4 AUTÔMATOS FINITOS NÃO-DETERMINÍSTICOS
3
+
4
+ text[[136, 139, 907, 283]]
5
+ Neste capítulo, estudamos os autômatos finitos não-determinísticos (AFN), uma extensão dos AFDs que permite maior flexibilidade na modelagem de linguagens. Em um AFN, cada par (estado, símbolo) pode levar a múltiplos estados simultaneamente. Apesar dessa aparente extensão, AFNs e AFDs reconhecem exatamente a mesma classe de linguagens — as linguagens regulares. Apresentamos também o algoritmo de construção de subconjuntos, que converte qualquer AFN em um AFD equivalente (MENEZES, 2011).
6
+
7
+ text[[136, 287, 906, 368]]
8
+ O não-determinismo é um conceito central na Teoria da Computação. Intuitivamente, o autômato explora simultaneamente todos os caminhos de computação possíveis, e aceita a cadeia se pelo menos um desses caminhos atinge um estado final (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
9
+
10
+ text[[136, 373, 907, 497]]
11
+ Do ponto de vista prático, o não-determinismo oferece uma poderosa ferramenta de projeto: ao invés de construir diretamente um AFD — que pode exigir raciocínio complexo sobre como codificar informação nos estados — pode-se projetar primeiro um AFN mais simples e intuitivo, e depois converter sistematicamente para um AFD equivalente. Essa abordagem é amplamente empregada na construção de analisadores léxicos a partir de expressões regulares (RAMOS; NETO; VEGA, 2009).
12
+
13
+ sub_title[[137, 524, 503, 543]]
14
+ ## 4.1 Definição Formal de AFN
15
+
16
+ text[[136, 562, 906, 644]]
17
+ Um AFN é uma 5-tupla \( M = (\Sigma, Q, \delta, q_0, F) \) , com a diferença fundamental em relação ao AFD na função de transição: \( \delta : Q \times \Sigma \to 2^{Q} \) . A notação \( 2^{Q} \) representa o conjunto das partes de Q; assim, \( \delta(q, a) \) retorna um conjunto de estados (possivelmente vazio). Quando \( \delta(q, a) = \emptyset \) , a computação naquele ramo “morre” (SIPSER, 2007).
18
+
19
+ text[[136, 647, 905, 707]]
20
+ Todo AFD é um caso particular de AFN em que \( |\delta(q,a)|=1 \) para todo par \( (q,a) \) . Portanto, a classe de linguagens reconhecidas por AFNs é pelo menos tão ampla quanto a dos AFDs — e, como veremos, é exatamente a mesma.
21
+
22
+ sub_title[[186, 720, 475, 738]]
23
+ ## AFD vs AFN – Comparação
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1
+ table[[150, 88, 899, 288]]
2
+ <table>CaracterísticaAFDAFNFunção δ\( Q \times \Sigma \rightarrow Q \)\( Q \times \Sigma \rightarrow 2^{Q} \)Transições por (q, a)Exatamente 1Zero ou maisDeterminismoSimNãoAceitaçãoEstado final atingidoAlgum caminho atingeFPoder expressivoLing. regularesLing. regulares</table>
3
+
4
+ sub_title[[137, 312, 688, 330]]
5
+ ## 4.1.1 Exemplo: AFN para Cadeias Terminadas em ab
6
+
7
+ text[[163, 343, 866, 361]]
8
+ O AFN \( M_{1}=\left(\{a,b\},\{q_{0},q_{1},q_{2}\},\delta,q_{0},\{q_{2}\}\right) \) reconhece cadeias terminadas em ab:
9
+
10
+ figure_title[[324, 375, 718, 392]]
11
+ Tabela 4.1: Tabela de transição do AFN \( M_{1} \) .
12
+
13
+ table[[418, 406, 627, 506]]
14
+ <table>\( \delta \)ab\( \rightarrow q_{0} \)\( \{q_{0}, q_{1}\} \)\( \{q_{0}\} \)\( q_{1} \)\( \emptyset \)\( \{q_{2}\} \)\( *q_{2} \)\( \emptyset \)\( \emptyset \)</table>
15
+
16
+ image[[303, 542, 754, 630]]
17
+
18
+
19
+ figure_title[[264, 638, 778, 655]]
20
+ Figura 4.1: AFN \( M_{1} \) : reconhece cadeias terminadas em ab.
21
+
22
+ text[[137, 682, 904, 719]]
23
+ No estado \( q_{0} \) , ao ler a, o autômato pode tanto permanecer em \( q_{0} \) quanto ir para \( q_{1} \) . Essa é a essência do não-determinismo.
24
+
25
+ text[[135, 724, 907, 827]]
26
+ Compare este AFN com o AFD equivalente da Figura 3.2 do capítulo anterior: ambos reconhecem a mesma linguagem (cadeias terminadas em ab), mas o AFN é mais simples de projetar. No AFN, a “adivinhação” de quando iniciar o reconhecimento do padrão ab é realizada pelo não-determinismo; no AFD, essa informação precisa ser codificada explicitamente nos estados (MENEZES, 2011).
27
+
28
+ sub_title[[137, 849, 817, 867]]
29
+ ## 4.1.2 Exemplo: AFN para Cadeias Contendo aba como Subpalavra
30
+
31
+ text[[137, 880, 905, 918]]
32
+ Considere o AFN \( M_{3} = (\{a, b\}, \{q_{0}, q_{1}, q_{2}, q_{3}\}, \delta, q_{0}, \{q_{3}\}) \) que reconhece cadeias contendo aba como subpalavra:
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1
+ image[[216, 85, 844, 172]]
2
+
3
+
4
+ image_caption[[208, 181, 833, 202]]
5
+ <center>Figura 4.2: AFN \(M_3\): reconhece cadeias contendo aba como subpalavra.</center>
6
+
7
+ text[[137, 223, 905, 330]]
8
+ O padrão é claro: o autômato permanece em \(q_0\) lendo qualquer símbolo, até “adivinhar” que a ocorrência de aba está começando. A partir daí, segue a sequência \(q_0 \xrightarrow{a} q_1 \xrightarrow{b} q_2 \xrightarrow{a} q_3\), e permanece em \(q_3\) (estado final) lendo o restante da cadeia. Esse padrão de projeto — um “laço de espera” seguido de uma sequência linear — é utilizado para reconhecer qualquer subcadeia fixa (SIPSER, 2007).
9
+
10
+ sub_title[[137, 355, 710, 379]]
11
+ ## 4.2 Função de Transição Estendida e Aceitação
12
+
13
+ text[[137, 392, 907, 437]]
14
+ A **função de transição estendida** \(\delta^* : 2Q \times \Sigma^* \to 2Q\) opera sobre conjuntos de estados: \(\delta^*(P, \varepsilon) = P\) e \(\delta^*(P, wa) = \bigcup_{q \in \delta^*(P, wa)} \delta(q, a)\).
15
+
16
+ text[[137, 435, 905, 499]]
17
+ Uma cadeia \(w\) é **aceita** por \(M\) se \(\delta^*( \{q_0\}, w) \cap F \neq \emptyset\), ou seja, se ao menos um caminho de computação atinge um estado final. A aceitação em AFNs é **existencial**: basta um caminho bem-sucedido (MENEZES, 2011).
18
+
19
+ text[[137, 500, 904, 607]]
20
+ A natureza existencial da aceitação tem uma interpretação computacional interessante: podemos imaginar que o AFN “clona” a si mesmo a cada ponto de escolha, explorando todos os caminhos em paralelo. Se qualquer clone atinge um estado final ao fim da leitura, a cadeia é aceita. Essa metáfora do paralelismo ilimitado é o que torna os AFNs mais fáceis de projetar, embora não amplie o poder expressivo (SIPSER, 2007).
21
+
22
+ sub_title[[137, 627, 464, 648]]
23
+ ### 4.2.1 Exemplo de Computação
24
+
25
+ text[[167, 657, 448, 679]]
26
+ Para \(\delta^*( \{q_0\}, aab)\) no AFN \(M_1\):
27
+
28
+ equation[[277, 696, 770, 768]]
29
+ \[
30
+ \begin{align*}
31
+ \delta^*( \{q_0\}, a) &= \delta(q_0, a) = \{q_0, q_1\} \\
32
+ \delta^*( \{q_0\}, aa) &= \delta(q_0, a) \cup \delta(q_1, a) = \{q_0, q_1\} \cup \emptyset = \{q_0, q_1\} \\
33
+ \delta^*( \{q_0\}, aab) &= \delta(q_0, b) \cup \delta(q_1, b) = \{q_0\} \cup \{q_2\} = \{q_0, q_2\}
34
+ \end{align*}
35
+ \]
36
+
37
+ text[[137, 785, 456, 805]]
38
+ Como \(q_2 \in F\), a cadeia \(aab\) é aceita.
39
+
40
+ sub_title[[187, 817, 655, 837]]
41
+ #### Exemplo – Computação Detalhada: Cadeia bab
42
+
43
+ text[[157, 845, 612, 867]]
44
+ Analisemos \(\delta^*( \{q_0\}, bab)\) passo a passo no AFN \(M_1\):
45
+
46
+ text[[187, 867, 644, 888]]
47
+ **Passo 1** — leitura de \(b\): \(\delta^*( \{q_0\}, b) = \delta(q_0, b) = \{q_0\}\)
48
+
49
+ text[[187, 888, 683, 910]]
50
+ **Passo 2** — leitura de \(a\): \(\delta^*( \{q_0\}, ba) = \delta(q_0, a) = \{q_0, q_1\}\)
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1
+ text[[185, 80, 884, 122]]
2
+ Passo 3 — leitura de b: \(\delta^{*}(\{q_0\}, bab) = \delta(q_0, b) \cup \delta(q_1, b) = \{q_0\} \cup \{q_2\} = \{q_0, q_2\}\)
3
+ Como \(\{q_0, q_2\} \cap \{q_2\} = \{q_2\} \neq \emptyset\), a cadeia bab é aceita.
4
+
5
+ sub_title[[185, 142, 650, 163]]
6
+ Exemplo – Computação Detalhada: Cadeia ba
7
+
8
+ text[[157, 170, 810, 258]]
9
+ Analisemos \(\delta^{*}(\{q_0\}, ba)\) no AFN \(M_1\):
10
+
11
+ Passo 1 — leitura de b: \(\delta^{*}(\{q_0\}, b) = \delta(q_0, b) = \{q_0\}\)
12
+
13
+ Passo 2 — leitura de a: \(\delta^{*}(\{q_0\}, ba) = \delta(q_0, a) = \{q_0, q_1\}\)
14
+
15
+ Como \(\{q_0, q_1\} \cap \{q_2\} = \emptyset\), a cadeia ba é rejeitada (não termina em ab).
16
+
17
+ sub_title[[137, 287, 835, 311]]
18
+ 4.3 Equivalência AFN–AFD: Construção de Subconjuntos
19
+
20
+ text[[137, 325, 912, 410]]
21
+ O resultado central deste capítulo é que para todo AFN existe um AFD equivalente. A demonstração é construtiva e chama-se **construção de subconjuntos**: cada estado do AFD corresponde a um subconjunto de estados do AFN. Dado \(M_N = (\Sigma, Q_N, \delta_N, q_0, F_N)\), constrói-se \(M_D = (\Sigma, Q_D, \delta_D, \{q_0\}, F_D)\) onde (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002):
22
+
23
+ text[[137, 416, 666, 440]]
24
+ - \(\delta_D(S, a) = \bigcup_{q \in S} \delta_N(q, a)\) para cada macro-estado \(S \subseteq Q_N\);
25
+
26
+ text[[137, 447, 424, 469]]
27
+ - \(F_D = \{S \in Q_D \mid S \cap F_N \neq \emptyset\}\).
28
+
29
+ text[[137, 476, 907, 519]]
30
+ Se o AFN possui \(n\) estados, o AFD pode ter até \(2^n\) estados. Na prática, muitos subconjuntos são inacessíveis e o AFD resultante é menor.
31
+
32
+ text[[137, 519, 907, 626]]
33
+ A construção é realizada incrementalmente: começa-se pelo macro-estado \(\{q_0\}\) e, para cada macro-estado alcançado, computam-se as transições com cada símbolo do alfabeto. Macro-estados novos são adicionados à fila de processamento até que nenhum novo estado seja gerado. Esse processo sempre termina, pois o número de subconjuntos possíveis é finito (\(2^n\)) (MENEZES, 2011).
34
+
35
+ sub_title[[137, 645, 441, 665]]
36
+ 4.3.1 Exemplo de Conversão
37
+
38
+ text[[166, 675, 558, 697]]
39
+ Aplicando ao AFN \(M_1\) (\(q_0, q_1, q_2\); \(F = \{q_2\}\)):
40
+
41
+ table_caption[[303, 705, 738, 726]]
42
+ Tabela 4.2: Construção de subconjuntos para \(M_1\).
43
+
44
+ table[[401, 739, 640, 840]]
45
+ <table>Macro-estadoab→ A = {q<sub>0</sub>}BAB = {q<sub>0</sub>, q<sub>1</sub>}BC*C = {q<sub>0</sub>, q<sub>2</sub>}BA</table>
46
+
47
+ text[[137, 857, 907, 922]]
48
+ O AFD equivalente tem 3 macro-estados acessíveis (\(A, B, C\)), com \(F_D = \{C\}\) pois \(C\) contém \(q_2\). Podemos verificar: \(ab\) leva \(A \to B \to C \in F_D\) (aceita); \(ba\) leva \(A \to A \to B \notin F_D\) (rejeitada) (SIPSER, 2007).
ocr_outputs/deepseek-ocr-2/page-34.md ADDED
@@ -0,0 +1,53 @@
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1
+ sub_title[[186, 86, 735, 105]]
2
+ Exemplo – Construção de Subconjuntos Passo a Passo
3
+
4
+ text[[156, 113, 568, 134]]
5
+ Vamos detalhar a construção para o AFN \(M_1\):
6
+
7
+ text[[186, 135, 580, 155]]
8
+ **Início:** O estado inicial do AFD é \(A = \{q_0\}\).
9
+
10
+ text[[186, 156, 410, 177]]
11
+ **Processando** \(A = \{q_0\}\):
12
+
13
+ text[[156, 189, 666, 210]]
14
+ - \(\delta_D(A, a) = \delta_N(q_0, a) = \{q_0, q_1\} = B\) (novo macro-estado)
15
+
16
+ text[[156, 222, 460, 243]]
17
+ - \(\delta_D(A, b) = \delta_N(q_0, b) = \{q_0\} = A\)
18
+
19
+ text[[186, 255, 437, 277]]
20
+ **Processando** \(B = \{q_0, q_1\}\):
21
+
22
+ text[[156, 288, 707, 310]]
23
+ - \(\delta_D(B, a) = \delta_N(q_0, a) \cup \delta_N(q_1, a) = \{q_0, q_1\} \cup \emptyset = \{q_0, q_1\} = B\)
24
+
25
+ text[[156, 321, 759, 344]]
26
+ - \(\delta_D(B, b) = \delta_N(q_0, b) \cup \delta_N(q_1, b) = \{q_0\} \cup \{q_2\} = \{q_0, q_2\} = C\) (novo)
27
+
28
+ text[[186, 355, 434, 376]]
29
+ **Processando** \(C = \{q_0, q_2\}\):
30
+
31
+ text[[156, 388, 617, 410]]
32
+ - \(\delta_D(C, a) = \delta_N(q_0, a) \cup \delta_N(q_2, a) = \{q_0, q_1\} \cup \emptyset = B\)
33
+
34
+ text[[156, 421, 583, 443]]
35
+ - \(\delta_D(C, b) = \delta_N(q_0, b) \cup \delta_N(q_2, b) = \{q_0\} \cup \emptyset = A\)
36
+
37
+ text[[156, 455, 888, 498]]
38
+ **Fim:** Nenhum novo macro-estado gerado. Estados finais: \(C\) contém \(q_2 \in F_N\), logo \(F_D = \{C\}\).
39
+
40
+ sub_title[[137, 529, 592, 551]]
41
+ 4.4 Vantagens do Não-Determinismo
42
+
43
+ text[[137, 567, 907, 652]]
44
+ Embora AFNs não reconheçam linguagens adicionais, oferecem vantagens de **concisão** (podem ter exponencialmente menos estados que o menor AFD equivalente), **facilidade de projeto** (projetar primeiro um AFN e depois converter) e **composição** (operações de fechamento são demonstradas mais facilmente com AFNs).
45
+
46
+ text[[137, 654, 907, 758]]
47
+ Existe uma família de linguagens em que o menor AFN requer \(n+1\) estados e o menor AFD requer \(2^n\) estados, mostrando que o limite exponencial é justo (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002). Aspectos práticos da implementação eficiente da construção de subconjuntos são discutidos em detalhe na literatura voltada à modelagem e construção de autômatos (RAMOS; NETO; VEGA, 2009).
48
+
49
+ sub_title[[186, 771, 526, 792]]
50
+ Explosão Exponencial de Estados
51
+
52
+ text[[156, 800, 888, 906]]
53
+ Um exemplo clássico da explosão exponencial é a linguagem \(L_n = \{w \in \{a, b\}^* \mid o n\)-ésimo símbolo antes do fim é \(a\}\). Um AFN para \(L_n\) precisa de apenas \(n+1\) estados (adivinha quando faltam \(n\) símbolos e verifica que o próximo é \(a\)), mas qualquer AFD equivalente requer pelo menos \(2^n\) estados, pois precisa “lembrar” os últimos \(n\) símbolos lidos.
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1
+ text[[152, 81, 890, 145]]
2
+ Esse resultado demonstra que, embora AFNs e AFDs tenham o mesmo poder expressivo, a representação por AFN pode ser exponencialmente mais compacta (SIP-SER, 2007).
3
+
4
+ text[[137, 156, 905, 261]]
5
+ Na prática, muitas aplicações utilizam uma abordagem híbrida: o projetista especifica o comportamento desejado por meio de expressões regulares ou AFNs, e uma ferramenta automatizada realiza a conversão para AFD quando necessário para eficiência de execução. Ferramentas como lex e flex empregam exatamente essa estratégia na geração de analisadores léxicos (LEWIS; PAPADIMITRIOU, 2004).
6
+
7
+ text[[137, 262, 904, 305]]
8
+ A Tabela 4.3 sintetiza as principais diferenças entre AFDs e AFNs, incluindo aspectos de complexidade de tempo e espaço que são relevantes para aplicações práticas.
9
+
10
+ table_caption[[290, 315, 752, 336]]
11
+ Tabela 4.3: Resumo comparativo entre AFD e AFN.
12
+
13
+ table[[137, 345, 907, 579]]
14
+ <table>AspectoAFDAFNNúmero de estadosPode ser exponencialmente maiorGeralmente mais compactoTempo de simulação\(O(n)\) por cadeia de tamanho \(n\)\(O(n \cdot |Q|)\) por cadeiaFacilidade de projetoRequer raciocínio detalhadoMais intuitivo e modularConversão—Construção de subconjuntosUso em compiladoresExecução do analisadorEspecificação de padrões</table>
15
+
16
+ sub_title[[137, 607, 428, 629]]
17
+ ## 4.5 Lista de Exercícios
18
+
19
+ text[[161, 645, 714, 666]]
20
+ 1. Qual enunciado descreve a função de transição de um AFN?
21
+
22
+ text[[197, 677, 369, 698]]
23
+ (a) \(\delta: Q \times \Sigma \to Q\)
24
+
25
+ text[[197, 703, 397, 725]]
26
+ (b) \(\delta: Q \times \Sigma \to \mathcal{P}(Q)\)
27
+
28
+ text[[197, 728, 375, 752]]
29
+ (c) \(\delta: Q \times \Sigma \to 2^Q\)
30
+
31
+ text[[197, 757, 375, 778]]
32
+ (d) \(\delta: 2^Q \times \Sigma \to Q\)
33
+
34
+ text[[197, 783, 373, 805]]
35
+ (e) \(\delta: \Sigma \times Q \to 2^Q\)
36
+
37
+ text[[161, 817, 600, 839]]
38
+ 2. A função estendida \(\delta^*\) satisfaz \(\delta^*(P, aw) = \dots\)?
39
+
40
+ text[[197, 849, 383, 871]]
41
+ (a) \(\delta(P, a) \cup \delta(P, w)\)
42
+
43
+ text[[197, 875, 350, 897]]
44
+ (b) \(\delta^*(\delta(P, a), \varepsilon)\)
45
+
46
+ text[[197, 902, 388, 925]]
47
+ (c) \(\bigcup_{q \in P} \delta^*(q, a) \cup w\)
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1
+ text[[196, 80, 410, 108]]
2
+ (d) \(\delta^{*}\left(\bigcup_{q\in P}\delta(q,a), w\right)\)
3
+
4
+ text[[197, 110, 430, 133]]
5
+ (e) \(\{\delta(q,a) \mid q \in \delta^{*}(P,w)\}\)
6
+
7
+ text[[161, 145, 675, 166]]
8
+ 3. Qual condição garante que \(w\) é aceita por um AFN \(M\)?
9
+
10
+ text[[196, 178, 546, 199]]
11
+ (a) \(\delta(q_0, w)\) definido para todo símbolo.
12
+
13
+ text[[196, 206, 450, 226]]
14
+ (b) Todo caminho atinge \(F\).
15
+
16
+ text[[196, 234, 721, 254]]
17
+ (c) Existe pelo menos um caminho que atinge estado em \(F\).
18
+
19
+ text[[196, 260, 480, 280]]
20
+ (d) Conjunto alcançado é vazio.
21
+
22
+ text[[196, 287, 460, 309]]
23
+ (e) \(\delta^{*}(\{q_0\}, w) \cap (Q \setminus F) \neq \emptyset\)
24
+
25
+ text[[161, 321, 787, 342]]
26
+ 4. Se um AFN tem \(n\) estados, máximo de estados no AFD equivalente?
27
+
28
+ text[[196, 353, 264, 375]]
29
+ (a) \(n^2\)
30
+
31
+ text[[196, 383, 287, 402]]
32
+ (b) \(n + 1\)
33
+
34
+ text[[196, 408, 264, 429]]
35
+ (c) \(2n\)
36
+
37
+ text[[196, 435, 262, 456]]
38
+ (d) \(2^n\)
39
+
40
+ text[[196, 463, 260, 483]]
41
+ (e) \(n!\)
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1
+ sub_title[[139, 87, 905, 142]]
2
+ ## 5 AUTÔMATOS FINITOS COM MOVIMENTOS VA-ZIOS
3
+
4
+ text[[137, 171, 907, 274]]
5
+ Neste capítulo, estendemos o modelo de autômatos finitos ao permitir transições vazias (ε-transições), obtendo os autômatos finitos com movimentos vazios (AFN-ε). Em uma ε-transição, o autômato muda de estado sem consumir nenhum símbolo da entrada. Apesar dessa extensão, os AFN-ε reconhecem exatamente a mesma classe de linguagens que AFDs e AFNs: as linguagens regulares (MENEZES, 2011).
6
+
7
+ text[[137, 277, 907, 358]]
8
+ As \( \varepsilon \) -transições são úteis na construção modular de autômatos a partir de expressões regulares (construção de Thompson) e na demonstração de propriedades de fechamento das linguagens regulares. Elas permitem “conectar” sub-autômatos sem redesenhar sua estrutura interna (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
9
+
10
+ text[[137, 363, 907, 487]]
11
+ Do ponto de vista conceitual, as \( \varepsilon \) -transições representam mudanças de estado “espontâneas” — o autômato pode transitar entre estados sem necessidade de estímulo externo. Essa liberdade adicional simplifica significativamente a construção composicional de autômatos, conforme veremos ao longo deste capítulo. É importante ressaltar que essa extensão não amplia o poder computacional do modelo; trata-se exclusivamente de uma conveniência de projeto (SIPSER, 2007).
12
+
13
+ sub_title[[138, 514, 524, 533]]
14
+ ## 5.1 Definição Formal de AFN-ε
15
+
16
+ text[[137, 551, 907, 633]]
17
+ Um AFN-ε é uma 5-tupla \( M = (\Sigma, Q, \delta, q_{0}, F) \) , onde a função de transição tem domínio estendido: \( \delta : Q \times (\Sigma \cup \{\varepsilon\}) \to 2^{Q} \) . Assim, \( \delta(q, \varepsilon) \) indica os estados alcançáveis a partir de q sem consumir símbolo algum da entrada. Graficamente, as \( \varepsilon \) -transições são setas rotuladas com \( \varepsilon \) (SIPSER, 2007).
18
+
19
+ text[[137, 637, 907, 697]]
20
+ A diferença em relação ao AFN convencional é justamente essa possibilidade de transição espontânea: o autômato pode “avançar” entre estados gratuitamente, sem que o cabeçote de leitura se mova.
21
+
22
+ sub_title[[188, 710, 481, 728]]
23
+ ## Comparação: AFN vs AFN-ε
24
+
25
+ table[[193, 740, 860, 890]]
26
+ <table>CaracterísticaAFNAFN-εDomínio de δQ × ΣQ × (Σ ∪ {ε})Transições vaziasNão permitidasPermitidasPoder expressivoLing. regularesLing. regularesUso principalReconhecimentoConstrução composicional</table>
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1
+ sub_title[[138, 87, 293, 105]]
2
+ ## 5.2 Fecho-ε
3
+
4
+ text[[137, 125, 906, 183]]
5
+ O conceito central para trabalhar com AFN-ε é o fecho-ε (ou ε-closure). Ele captura todos os estados alcançáveis a partir de um estado usando apenas ε-transições. A definição recursiva é:
6
+
7
+ equation[[354, 181, 685, 232]]
8
+ \[ \delta_{\varepsilon}(q)=\{q\}\cup\delta(q,\varepsilon)\cup\left(\bigcup_{p\in\delta(q,\varepsilon)}\delta_{\varepsilon}(p)\right) \]
9
+
10
+ text[[137, 240, 905, 279]]
11
+ Para um conjunto \(P \subseteq Q\): \(\delta_{\varepsilon}(P) = \bigcup_{q \in P} \delta_{\varepsilon}(q)\). Na prática, computa-se por busca em largura ou profundidade no grafo das \(\varepsilon\)-transições (MENEZES, 2011).
12
+
13
+ text[[138, 283, 905, 323]]
14
+ O fecho-ε sempre inclui o próprio estado (zero ε-transições é válido). Assim, δε(q) ⊇ {q} para todo q.
15
+
16
+ sub_title[[186, 336, 551, 354]]
17
+ ## Algoritmo para Computar o Fecho-ε
18
+
19
+ text[[154, 365, 775, 383]]
20
+ O fecho-ε de um estado q pode ser computado pelo seguinte algoritmo:
21
+
22
+ text[[180, 397, 712, 416]]
23
+ 1. Inicialize o conjunto resultado \( R = \{q\} \) e uma fila \( F = [q] \) .
24
+
25
+ text[[179, 431, 473, 448]]
26
+ 2. Enquanto F não estiver vazia:
27
+
28
+ text[[213, 464, 472, 481]]
29
+ (a) Retire um estado p de F.
30
+
31
+ text[[212, 490, 715, 509]]
32
+ (b) Para cada \( r \in \delta(p, \varepsilon) \) : se \( r \notin R \) , adicione r a R e a F.
33
+
34
+ text[[179, 524, 306, 541]]
35
+ 3. Retorne R.
36
+
37
+ text[[153, 557, 888, 598]]
38
+ Esse algoritmo é essencialmente uma busca em largura (BFS) no grafo dirigido formado pelas ε-transições. Sua complexidade é \( O(|Q|^{2}) \) no pior caso.
39
+
40
+ sub_title[[138, 627, 416, 644]]
41
+ ## 5.2.1 Exemplo: AFN-ε M7
42
+
43
+ text[[138, 657, 905, 697]]
44
+ Considere \( M_{7}=\left(\{a\},\{q_{0},q_{f}\},\delta,q_{0},\{q_{f}\}\right) \) com \( \delta(q_{0},\varepsilon)=\{q_{f}\} \) e \( \delta(q_{f},a)=\{q_{f}\} \) . Este autômato reconhece \( L(M_{7})=\{a\}^{*}=\{\varepsilon,a,aa,\ldots\} \) .
45
+
46
+ image[[380, 715, 677, 795]]
47
+
48
+
49
+ figure_title[[346, 806, 696, 824]]
50
+ Figura 5.1: AFN-ε M7: reconhece {a}*.
51
+
52
+ text[[139, 848, 905, 889]]
53
+ O fecho-ε: \(\delta_{\varepsilon}(q_{0})=\{q_{0},q_{f}\}\) (pois \(q_{f}\in\delta(q_{0},\varepsilon)\)) e \(\delta_{\varepsilon}(q_{f})=\{q_{f}\}\). Como \(\delta_{\varepsilon}(q_{0})\cap F=\{q_{f}\}\neq\emptyset\), a cadeia \(\varepsilon\) é aceita.
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1
+ sub_title[[137, 85, 510, 102]]
2
+ ## 5.2.2 Exemplo: AFN-ε para \( a^{*}b^{*}\cup c \)
3
+
4
+ text[[136, 116, 907, 177]]
5
+ Considere o AFN-ε \( M_{8} = (\{a, b, c\}, \{q_{0}, q_{1}, q_{2}, q_{3}, q_{4}\}, \delta, q_{0}, \{q_{2}, q_{4}\}) \) que reconhece a linguagem \( a^{*}b^{*} \cup \{c\} \) . A ideia é construir dois sub-autômatos — um para \( a^{*}b^{*} \) e outro para \( \{c\} \) — e conectá-los por ε-transições a partir do estado inicial.
6
+
7
+ image[[315, 196, 744, 391]]
8
+
9
+
10
+ figure_title[[202, 402, 840, 419]]
11
+ Figura 5.2: AFN-ε \( M_{8} \) : reconhece \( a^{*}b^{*}\cup\{c\} \) usando construção modular.
12
+
13
+ text[[136, 443, 907, 526]]
14
+ Neste exemplo, \( \delta_{\varepsilon}(q_{0})=\{q_{0},q_{1},q_{2}\} \) pois \( q_{0}\stackrel{\varepsilon}{\rightarrow}q_{1}\stackrel{\varepsilon}{\rightarrow}q_{2} \) . Como \( q_{2}\in F \) , a cadeia \( \varepsilon \) é aceita (pertence a \( a^{*}b^{*} \) ). A modularidade da construção é evidente: os sub-autômatos para \( a^{*}b^{*} \) e para \( \{c\} \) são independentes, conectados apenas pelas \( \varepsilon \) -transições de \( q_{0} \) (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
15
+
16
+ sub_title[[137, 554, 566, 573]]
17
+ ## 5.3 Função de Transição Estendida
18
+
19
+ text[[166, 591, 741, 608]]
20
+ A função estendida \( \delta^{*}:2^{Q}\times\Sigma^{*}\to2^{Q} \) para AFN- \( \varepsilon \) é definida por:
21
+
22
+ text[[161, 624, 392, 641]]
23
+ 1. Base: \( \delta^{*}(P,\varepsilon)=\delta_{\varepsilon}(P) \)
24
+
25
+ text[[161, 657, 666, 674]]
26
+ 2. Passo: \( \delta^{*}(P,wa)=\delta_{\varepsilon}(\{r\mid\exists s\in\delta^{*}(P,w):r\in\delta(s,a)\}) \)
27
+
28
+ text[[136, 691, 905, 729]]
29
+ Ou seja: compute os estados atuais após ler w; aplique a transição com o símbolo a; aplique o fecho-ε ao resultado (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
30
+
31
+ text[[137, 733, 905, 771]]
32
+ A cadeia w é aceita se \( \delta^{*}(\{q_{0}\},w)\cap F\neq\emptyset \) , exatamente como nos AFNs convencionais, mas com o fecho-ε incorporado em cada passo.
33
+
34
+ text[[188, 786, 650, 803]]
35
+ Exemplo – Computação em \( M_{7} \) com Cadeia aa
36
+
37
+ text[[157, 815, 499, 832]]
38
+ Calculemos \( \delta^{*}(\{q_{0}\},aa) \) no AFN- \( \varepsilon \) \( M_{7} \) :
39
+
40
+ text[[186, 836, 523, 854]]
41
+ Base: \( \delta^{*}(\{q_{0}\},\varepsilon)=\delta_{\varepsilon}(\{q_{0}\})=\{q_{0},q_{f}\} \)
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1
+ text[[186, 81, 410, 100]]
2
+ Passo 1 — leitura de a:
3
+
4
+ equation[[275, 117, 770, 138]]
5
+ \[
6
+ \text{Transições com } a : \quad \delta(q_0, a) \cup \delta(q_f, a) = \emptyset \cup \{q_f\} = \{q_f\}
7
+ \]
8
+
9
+ equation[[358, 142, 600, 165]]
10
+ \[
11
+ \text{Fecho-}\varepsilon : \quad \delta_{\varepsilon}(\{q_f\}) = \{q_f\}
12
+ \]
13
+
14
+ text[[155, 181, 412, 202]]
15
+ Portanto, \(\delta^*(q_0), a) = \{q_f\}\).
16
+
17
+ text[[186, 204, 410, 223]]
18
+ Passo 2 — leitura de a:
19
+
20
+ equation[[360, 241, 677, 263]]
21
+ \[
22
+ \text{Transições com } a : \quad \delta(q_f, a) = \{q_f\}
23
+ \]
24
+
25
+ equation[[0, 0, 999, 799]]
26
+ \[
27
+ \text{Fecho-}\varepsilon : \quad \delta_{\varepsilon}(\{q_f\}) = \{q_f\}
28
+ \]
29
+ Portanto, \(\delta^*(q_0), aa) = \{q_f\}\).
30
+
31
+ Como \(q_f \in F\), a cadeia \(aa\) é aceita.
32
+
33
+ text[[155, 351, 522, 405]]
34
+ 5.4 Eliminação de ε-Transições
35
+
36
+ text[[137, 419, 904, 460]]
37
+ Todo AFN-ε M = (Σ, Q, δ, q₀, F) pode ser convertido em um AFN equivalente M' = (Σ, Q, δ', q₀, F') sem ε-transições. A construção define (MENEZES, 2011):
38
+
39
+ equation[[395, 473, 644, 529]]
40
+ \[
41
+ \delta'(p, a) = \delta_{\varepsilon} \left( \bigcup_{q \in \delta_{\varepsilon}(p)} \delta(q, a) \right)
42
+ \]
43
+
44
+ text[[137, 535, 905, 597]]
45
+ Ou seja: primeiro aplica-se o fecho-ε ao estado p; depois, para cada estado no fecho, aplica-se a transição com a; finalmente, aplica-se novamente o fecho-ε ao resultado. Os novos estados finais são:
46
+
47
+ equation[[374, 615, 666, 636]]
48
+ \[
49
+ F' = F \cup \{q \in Q \mid \delta_{\varepsilon}(q) \cap F \neq \emptyset\}
50
+ \]
51
+
52
+ text[[137, 655, 904, 718]]
53
+ Um estado torna-se final se ele próprio já era final ou se alcança um estado final por
54
+ ε-transições. Em particular, se \(\delta_{\varepsilon}(q_0) \cap F \neq \emptyset\), o estado inicial deve ser marcado como
55
+ final para garantir que \(\varepsilon \in L(M')\).
56
+
57
+ text[[167, 718, 884, 740]]
58
+ A Figura 5.3 ilustra o processo de eliminação de ε-transições para o autômato \(M_7\).
59
+
60
+ image[[222, 755, 830, 842]]
61
+
62
+
63
+ image_caption[[210, 849, 830, 870]]
64
+ <center>Figura 5.3: Eliminação de ε-transições em \(M_7\): \(q_0\) torna-se estado final.</center>
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1
+ sub_title[[137, 85, 448, 102]]
2
+ ## 5.4.1 Exemplo de Eliminação
3
+
4
+ text[[164, 115, 595, 133]]
5
+ No \( M_{7} \) anterior, \( \delta_{\varepsilon}(q_{0})=\{q_{0},q_{f}\} \) . Calculamos \( \delta' \) :
6
+
7
+ equation[[286, 153, 757, 173]]
8
+ \[ \delta^{\prime}(q_{0},a)=\delta_{\varepsilon}(\delta(q_{0},a)\cup\delta(q_{f},a))=\delta_{\varepsilon}(\emptyset\cup\{q_{f}\})=\{q_{f}\} \]
9
+
10
+ equation[[286, 178, 641, 198]]
11
+ \[ \delta^{\prime}(q_{f},a)=\delta_{\varepsilon}(\delta(q_{f},a))=\delta_{\varepsilon}(\{q_{f}\})=\{q_{f}\} \]
12
+
13
+ text[[136, 217, 905, 256]]
14
+ Como \( \delta_{\varepsilon}(q_{0})\cap\{q_{f}\}\neq\emptyset \) , temos \( F^{\prime}=\{q_{0},q_{f}\} \) . O AFN resultante aceita \( \{a\}^{*} \) sem \( \varepsilon \) -transições.
15
+
16
+ text[[186, 270, 642, 288]]
17
+ Exemplo – Eliminação de ε-Transições em \( M_{8} \)
18
+
19
+ text[[153, 298, 650, 317]]
20
+ Para o AFN-ε \( M_{8} \) da Figura 5.2 calculemos os fechos-ε:
21
+
22
+ text[[153, 330, 888, 372]]
23
+ • \(\delta_{\varepsilon}(q_{0})=\{q_{0},q_{1},q_{2}\}\) (pois \(q_{0}\stackrel{\varepsilon}{\rightarrow}q_{1}\stackrel{\varepsilon}{\rightarrow}q_{2}\), e \(q_{0}\stackrel{\varepsilon}{\rightarrow}q_{3}\) com \(q_{3}\) não levando a mais estados por \(\varepsilon\)). Na verdade: \(\delta_{\varepsilon}(q_{0})=\{q_{0},q_{1},q_{2},q_{3}\}\).
24
+
25
+ text[[153, 386, 319, 404]]
26
+ • \(\delta_{\varepsilon}(q_{1})=\{q_{1},q_{2}\}\)
27
+
28
+ text[[153, 418, 579, 438]]
29
+ • \(\delta_{\varepsilon}(q_{2})=\{q_{2}\},\quad\delta_{\varepsilon}(q_{3})=\{q_{3}\},\quad\delta_{\varepsilon}(q_{4})=\{q_{4}\}\)
30
+
31
+ text[[153, 451, 889, 491]]
32
+ Como \( \delta_{\varepsilon}(q_{0})\cap F=\{q_{2}\}\neq\emptyset \) , o estado \( q_{0} \) torna-se final em \( M_{8}^{\prime} \) , garantindo que \( \varepsilon \) é aceita.
33
+
34
+ sub_title[[137, 522, 598, 541]]
35
+ ## 5.5 Equivalência AFN-ε, AFN e AFD
36
+
37
+ text[[164, 560, 641, 577]]
38
+ Os três modelos são equivalentes em poder expressivo:
39
+
40
+ equation[[419, 598, 624, 615]]
41
+ \[ AFD\equiv AFN\equiv AFN-\varepsilon \]
42
+
43
+ text[[136, 637, 907, 719]]
44
+ Todos reconhecem exatamente as linguagens regulares. A cadeia de conversão é: AFN-eliminar \( \varepsilon \) → AFN subconjuntos → AFD. As \( \varepsilon \) -transições facilitam construções modulares (união, concatenação, fecho de Kleene de autômatos), sendo amplamente usadas na construção de Thompson para converter expressões regulares em autômatos (SIPSER, 2007).
45
+
46
+ text[[136, 723, 907, 783]]
47
+ Embora não ampliem o poder de reconhecimento, as \( \varepsilon \) -transições são uma ferramenta de projeto valiosa que simplifica a composição de autômatos e a demonstração de propriedades teóricas (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
48
+
49
+ sub_title[[186, 797, 430, 815]]
50
+ ## Cadeia de Equivalências
51
+
52
+ text[[153, 825, 890, 864]]
53
+ A equivalência completa entre os formalismos para linguagens regulares pode ser resumida como:
54
+
55
+ equation[[252, 885, 792, 903]]
56
+ \[ ER\longleftrightarrow AFN-\varepsilon\longleftrightarrow AFN\longleftrightarrow AFD\longleftrightarrow Gramática Regular \]
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1
+ text[[155, 81, 690, 100]]
2
+ Cada seta representa um algoritmo de conversão construtivo:
3
+
4
+ text[[155, 113, 554, 133]]
5
+ - ER → AFN-ε: Construção de Thompson
6
+
7
+ text[[155, 145, 576, 166]]
8
+ - AFN-ε → AFN: Eliminação de ε-transições
9
+
10
+ text[[155, 179, 572, 199]]
11
+ - AFN → AFD: Construção de subconjuntos
12
+
13
+ text[[155, 213, 505, 232]]
14
+ - AFD → ER: Eliminação de estados
15
+
16
+ text[[155, 245, 725, 266]]
17
+ - AFD ↔ Gram. Regular: Correspondência estados-variáveis
18
+
19
+ text[[155, 280, 688, 300]]
20
+ Esses algoritmos são detalhados ao longo dos capítulos 3 a 6.
21
+
22
+ text[[139, 309, 905, 351]]
23
+ A Tabela 5.1 apresenta um resumo comparativo dos três modelos de autômatos finitos, destacando suas características e aplicações típicas.
24
+
25
+ table_caption[[227, 362, 816, 382]]
26
+ Tabela 5.1: Resumo comparativo dos modelos de autômatos finitos.
27
+
28
+ table[[139, 394, 904, 561]]
29
+ <table>ModeloPrincipais CaracterísticasAplicação TípicaAFDDeterminístico, função total, computação únicaImplementação direta, simulação eficienteAFNNão-determinístico, múltiplas transiçõesProjeto de reconhecimentos, especificaçãoAFN-εε-transições, construção modularConstrução de Thompson, fechamento</table>
30
+
31
+ sub_title[[139, 585, 522, 605]]
32
+ ### 5.5.1 Aplicações Práticas dos AFN-ε
33
+
34
+ text[[139, 616, 904, 743]]
35
+ As ε-transições são indispensáveis em diversas aplicações práticas da teoria dos autômatos. Na construção de compiladores, a **construção de Thompson** (detalhada no Capítulo 6) utiliza AFN-ε como formato intermediário na conversão de expressões regulares para autômatos. Cada operação da expressão regular (união, concatenação, fecho) é traduzida em um padrão de composição que emprega ε-transições para conectar subautômatos (RAMOS; NETO; VEGA, 2009).
36
+
37
+ text[[139, 744, 905, 850]]
38
+ Além disso, as ε-transições facilitam a demonstração construtiva de propriedades de fechamento. Para provar que linguagens regulares são fechadas sob união, por exemplo, basta criar um novo estado inicial com ε-transições para os estados iniciais dos dois autômatos originais. Construções análogas funcionam para concatenação e fecho de Kleene (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
39
+
40
+ sub_title[[186, 860, 703, 879]]
41
+ #### Exemplo – Fechamento sob União com ε-Transições
42
+
43
+ text[[155, 888, 888, 910]]
44
+ Dados dois AFDs \(M_A\) (para \(L_A\)) e \(M_B\) (para \(L_B\)), podemos construir um AFN-ε para
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1
+ text[[157, 81, 405, 101]]
2
+ \(L_A \cup L_B\) da seguinte forma:
3
+
4
+ text[[181, 113, 500, 135]]
5
+ 1. Crie um novo estado inicial \(q_{novo}\).
6
+
7
+ text[[181, 145, 888, 188]]
8
+ 2. Adicione \(\varepsilon\)-transições de \(q_{novo}\) para \(q_{0A}\) (estado inicial de \(M_A\)) e para \(q_{0B}\) (estado inicial de \(M_B\)).
9
+
10
+ text[[181, 201, 475, 221]]
11
+ 3. Os estados finais são \(F_A \cup F_B\).
12
+
13
+ text[[156, 234, 888, 275]]
14
+ O AFN-\(\varepsilon\) resultante aceita \(w\) se e somente se \(w \in L_A\) ou \(w \in L_B\), pois a \(\varepsilon\)-transição inicial “escolhe” qual sub-autômato simular.
15
+
16
+ sub_title[[137, 307, 428, 328]]
17
+ ## 5.6 Lista de Exercícios
18
+
19
+ text[[157, 344, 519, 365]]
20
+ 1. Qual a definição do fecho vazio \(\delta_\varepsilon(q)\)?
21
+
22
+ text[[197, 376, 270, 398]]
23
+ (a) \(\{q\}\)
24
+
25
+ text[[197, 404, 293, 425]]
26
+ (b) \(\delta(q, \varepsilon)\)
27
+
28
+ text[[197, 426, 500, 455]]
29
+ (c) \(\{q\} \cup \delta(q, \varepsilon) \cup (\bigcup_{p \in \delta(q, \varepsilon)} \delta_\varepsilon(p))\)
30
+
31
+ text[[197, 458, 320, 480]]
32
+ (d) \(\delta^*(q), \varepsilon\)
33
+
34
+ text[[197, 485, 342, 508]]
35
+ (e) \(\bigcup_{a \in \Sigma} \delta(q, a)\)
36
+
37
+ text[[157, 519, 468, 540]]
38
+ 2. No AFN-\(\varepsilon\) \(M_7\), qual é \(\delta_\varepsilon(\{q_0\})\)?
39
+
40
+ text[[197, 551, 290, 572]]
41
+ (a) Vazio
42
+
43
+ text[[197, 579, 280, 600]]
44
+ (b) \(\{q_0\}\)
45
+
46
+ text[[197, 607, 305, 629]]
47
+ (c) \(\{q_0, q_f\}\)
48
+
49
+ text[[197, 634, 280, 655]]
50
+ (d) \(\{q_f\}\)
51
+
52
+ text[[197, 661, 330, 682]]
53
+ (e) \(\{q_0, q_f, q_1\}\)
54
+
55
+ text[[157, 695, 565, 715]]
56
+ 3. Qual expressão descreve \(\delta^*\) em um AFN-\(\varepsilon\)?
57
+
58
+ text[[197, 728, 457, 750]]
59
+ (a) \(\delta^*(P, wa) = \delta(\delta^*(P, w), a)\)
60
+
61
+ text[[197, 755, 430, 777]]
62
+ (b) \(\delta^*(P, \varepsilon) = \bigcup_{q \in P} \delta(q, \varepsilon)\)
63
+
64
+ text[[197, 782, 530, 803]]
65
+ (c) \(\delta^*(P, wa) = \delta_\varepsilon(\delta^*(P, w)) \cup \delta^*(P, a)\)
66
+
67
+ text[[197, 810, 384, 831]]
68
+ (d) \(\delta^*(P, \varepsilon) = \delta(P, \varepsilon)\)
69
+
70
+ text[[197, 836, 640, 858]]
71
+ (e) \(\delta^*(P, wa) = \delta_\varepsilon(\{r \mid \exists s \in \delta^*(P, w) : r \in \delta(s, a)\})\)
72
+
73
+ text[[157, 871, 496, 891]]
74
+ 4. Ao eliminar \(\varepsilon\)-transições, \(\delta'(p, a)\) é:
75
+
76
+ text[[197, 903, 295, 924]]
77
+ (a) \(\delta(p, a)\)
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1
+ text[[198, 84, 275, 101]]
2
+ (b) \( \delta_{\varepsilon}(p) \)
3
+
4
+ text[[198, 108, 539, 133]]
5
+ (c) \( \bigcup_{q\in\delta_{\varepsilon}(p)}\delta(q,a)\cup\delta_{\varepsilon}\left(\bigcup_{q\in\delta_{\varepsilon}(p)}\delta(q,a)\right) \)
6
+
7
+ text[[198, 138, 318, 156]]
8
+ (d) \( \delta_{\varepsilon}(\delta(p,a)) \)
9
+
10
+ text[[199, 165, 349, 186]]
11
+ (e) \( \bigcup_{q\in\delta(p,a)}\delta_{\varepsilon}(q) \)
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1
+ sub_title[[137, 87, 600, 109]]
2
+ ## 6 EXPRESSÕES REGULARES
3
+
4
+ text[[136, 139, 907, 283]]
5
+ Enquanto os autômatos finitos são modelos operacionais de reconhecimento, as expressões regulares (ER) oferecem uma notação algébrica e declarativa para denotar linguagens regulares. Amplamente utilizadas em ferramentas como grep, sed e em linguagens de programação, as ERs permitem descrever padrões de forma compacta e legível. A importância teórica reside no Teorema de Kleene: a classe de linguagens denotadas por expressões regulares é exatamente a classe das linguagens regulares (MENEZES, 2011).
6
+
7
+ text[[136, 287, 907, 368]]
8
+ Por exemplo, a linguagem de todas as cadeias sobre \( \{a,b\} \) que contêm a subcadeia ab pode ser descrita simplesmente como \( (a+b)^{*}ab(a+b)^{*} \) , dispensando a construção explícita de estados e transições. Essa condição é uma das principais vantagens das ERs (SIPSER, 2007).
9
+
10
+ text[[136, 373, 907, 475]]
11
+ Na prática, expressões regulares são onipresentes na computação moderna. Validação de e-mails, busca textual avançada, filtragem de logs, definição de tokens em compiladores e roteamento de URLs em servidores web são apenas algumas das aplicações que dependem diretamente de expressões regulares. Compreender sua fundamentação teórica permite ao profissional utilizá-las com maior segurança e eficiência (RAMOS; NETO; VEGA, 2009).
12
+
13
+ sub_title[[137, 503, 402, 522]]
14
+ ## 6.1 Definição Formal
15
+
16
+ text[[137, 540, 906, 642]]
17
+ Seja \( \Sigma \) um alfabeto. Uma expressão regular sobre \( \Sigma \) e a linguagem que ela gera, \( L(r) \) , são definidas recursivamente. Os casos base são: \( \emptyset \) (gera a linguagem vazia), \( \varepsilon \) (gera \( \{\varepsilon\} \) ) e cada \( a \in \Sigma \) (gera \( \{a\} \) ). Os casos recursivos: se r e s são ERs, então \( (r + s) \) gera \( L(r) \cup L(s) \) (união), \( (r \cdot s) \) gera \( L(r) \cdot L(s) \) (concatenação) e \( (r^{*}) \) gera \( (L(r))^{*} \) (fecho de Kleene).
18
+
19
+ text[[136, 647, 906, 707]]
20
+ O operador de concatenação é frequentemente omitido (rs significa \( r \cdot s \) ). A notação \( r^{+} \) abrevia \( r \cdot r^{*} \) (uma ou mais repetições). Parênteses podem ser omitidos conforme a precedência dos operadores (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002).
21
+
22
+ text[[137, 710, 905, 749]]
23
+ A Tabela 6.1 apresenta os elementos básicos da definição, reforçando a correspondência entre cada expressão e a linguagem que ela denota.
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1
+ figure_title[[272, 82, 772, 99]]
2
+ Tabela 6.1: Expressões regulares: casos base e recursivos.
3
+
4
+ table[[140, 111, 902, 319]]
5
+ <table>Expressão rLinguagem L(r)Descrição∅∅Linguagem vazia (nenhuma cadeia)ε{ε}Apenas a cadeia vaziaa (com a ∈ Σ){a}Apenas o símbolo ar + sL(r) ∪ L(s)Uniãor · sL(r) · L(s)Concatenaçãor*(L(r))*Fecho de Kleene (zero ou mais)r+L(r) · (L(r))*Fecho positivo (uma ou mais)</table>
6
+
7
+ sub_title[[137, 353, 532, 372]]
8
+ ## 6.2 Precedência dos Operadores
9
+
10
+ text[[137, 390, 905, 449]]
11
+ A precedência, da mais alta para a mais baixa, é: (1) fecho de Kleene (*); (2) concatenação; (3) união (+). Assim, \( ab^{*} \) significa \( a(b^{*}) \) , \( a + bc \) significa \( a + (bc) \) e \( a + b^{*}c \) significa \( a + ((b^{*})c) \) .
12
+
13
+ text[[137, 454, 905, 493]]
14
+ Essa convenção permite escrever expressões de forma mais enxuta. Por exemplo, \( ab^{*}+c \) equivale a \( (a(b^{*})) + c \) e gera a linguagem \( \{ab^{n} \mid n \geq 0\} \cup \{c\} \) (SIPSER, 2007).
15
+
16
+ sub_title[[186, 507, 671, 525]]
17
+ ## Exemplo – Aplicação das Regras de Precedência
18
+
19
+ text[[155, 536, 585, 554]]
20
+ Analise a expressão \( ab^{*}a + ba^{*}b \) sobre \( \Sigma = \{a, b\} \) .
21
+
22
+ text[[186, 558, 500, 574]]
23
+ Aplicando as regras de precedência:
24
+
25
+ text[[179, 590, 433, 607]]
26
+ 1. Primeiro, o fecho: \( b^{*} \) e \( a^{*} \) .
27
+
28
+ text[[178, 623, 555, 641]]
29
+ 2. Depois, a concatenação: \( a(b^{*})a \) e \( b(a^{*})b \) .
30
+
31
+ text[[179, 656, 559, 674]]
32
+ 3. Finalmente, a união: \( (a(b^{*})a) + (b(a^{*})b) \) .
33
+
34
+ text[[186, 689, 386, 707]]
35
+ A linguagem gerada é:
36
+
37
+ equation[[186, 727, 856, 746]]
38
+ \[ L=\{ab^{n}a\mid n\geq0\}\cup\{ba^{n}b\mid n\geq0\}=\{aa,aba,abba,\cdots\}\cup\{bb,bab,baab,\cdots\} \]
39
+
40
+ text[[155, 767, 887, 806]]
41
+ São cadeias que começam e terminam com o mesmo símbolo, com zero ou mais repetições do outro símbolo no meio.
42
+
43
+ sub_title[[137, 836, 559, 854]]
44
+ ## 6.2.1 Exemplos de Expressões Regulares
45
+
46
+ text[[166, 866, 608, 886]]
47
+ A Tabela 6.2 apresenta exemplos sobre \( \Sigma=\{a,b\} \) .
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+ figure_title[[320, 82, 722, 99]]
2
+ Tabela 6.2: Exemplos de expressões regulares.
3
+
4
+ table[[140, 112, 904, 254]]
5
+ <table>ERLinguagem\( (a + b)^{*} \)\( \Sigma^{*} \) — todas as cadeias\( a(a + b)^{*} \)Cadeias que começam com a\( b^{*}ab^{*}ab^{*} \)Cadeias com exatamente dois a&#x27;s\( a^{*}b^{*} \)Cadeias da forma \( a^{n}b^{m} \)\( ((a + b)(a + b))^{*} \)Cadeias de comprimento par</table>
6
+
7
+ sub_title[[184, 288, 720, 305]]
8
+ ## Exemplo – Construção de ERs para Padrões Comuns
9
+
10
+ text[[155, 316, 688, 335]]
11
+ Sobre \(\Sigma=\{0,1\}\), construa ERs para as seguintes linguagens:
12
+
13
+ text[[185, 338, 642, 356]]
14
+ (a) Cadeias que começam com 0 e terminam com 1:
15
+
16
+ equation[[475, 377, 568, 395]]
17
+ \[ 0(0+1)^{*}1 \]
18
+
19
+ text[[154, 416, 888, 455]]
20
+ Precisamos de pelo menos dois símbolos. O primeiro é 0, o último é 1, e no meio pode haver qualquer cadeia.
21
+
22
+ text[[186, 458, 568, 476]]
23
+ (b) Cadeias de comprimento exatamente 3:
24
+
25
+ equation[[430, 497, 613, 515]]
26
+ \[ (0+1)(0+1)(0+1) \]
27
+
28
+ text[[186, 536, 609, 554]]
29
+ (c) Cadeias que não contêm 00 como subcadeia:
30
+
31
+ equation[[454, 574, 590, 593]]
32
+ \[ 1^{*}(01^{+})^{*}(\varepsilon+0) \]
33
+
34
+ text[[155, 614, 886, 632]]
35
+ A ideia é que após cada 0 deve haver pelo menos um 1 (exceto possivelmente no final).
36
+
37
+ text[[186, 635, 506, 653]]
38
+ (d) Cadeias com número par de 0's:
39
+
40
+ equation[[461, 673, 582, 692]]
41
+ \[ (1^{*}01^{*}01^{*})^{*}1^{*} \]
42
+
43
+ text[[155, 712, 800, 731]]
44
+ Os 0's sempre aparecem em pares, com qualquer número de 1's entre eles.
45
+
46
+ sub_title[[137, 764, 381, 784]]
47
+ ## 6.3 Leis Algébricas
48
+
49
+ text[[137, 801, 906, 842]]
50
+ Duas ERs r e s são equivalentes (r = s) se \( L(r) = L(s) \) . As principais leis são apresentadas na Tabela 6.3
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+ figure_title[[295, 82, 750, 100]]
2
+ Tabela 6.3: Leis algébricas das expressões regulares.
3
+
4
+ table[[140, 112, 904, 468]]
5
+ <table>LeiExpressãoComutatividade da união\( r + s = s + r \)Associatividade da união\( (r + s) + t = r + (s + t) \)Associatividade da concat.\( (rs)t = r(st) \)Elemento neutro da união\( r + \emptyset = r \)Elemento neutro da concat.\( r\varepsilon = \varepsilon r = r \)Elemento absorvente\( r\emptyset = \emptyset r = \emptyset \)Distributividade\( r(s + t) = rs + rt \)Idempotência da união\( r + r = r \)Definição de \( r^{*} \)\( r^{*} = \varepsilon + r \cdot r^{*} \)Fecho do fecho\( (r^{*})^{*} = r^{*} \)Absorção\( \emptyset^{*} = \varepsilon \)</table>
6
+
7
+ text[[137, 491, 906, 551]]
8
+ A concatenação não é comutativa: \( ab \neq ba \) . Essas leis permitem simplificar ERs; por exemplo, \( a + a(b + a)^{*} = a(\varepsilon + (b + a)^{*}) = a(b + a)^{*} \) , usando \( \varepsilon + r^{*} = r^{*} \) (MENEZES, 2011).
9
+
10
+ sub_title[[188, 563, 578, 581]]
11
+ ## Exemplo – Simplificação Passo a Passo
12
+
13
+ text[[155, 592, 670, 610]]
14
+ Simplifique a expressão \( r = (a + b)^{*} a (\varepsilon + b) (\varepsilon + a) (a + b)^{*} \) .
15
+
16
+ text[[154, 613, 890, 696]]
17
+ Observe que \( (a + b)^{*} \) no início aceita qualquer prefixo, e \( (a + b)^{*} \) no final aceita qualquer sufixo. A parte central \( a(\varepsilon + b)(\varepsilon + a) \) gera as cadeias \( \{a, ab, aa, aba\} \) . Como essas cadeias começam com a e são subcadeias de qualquer cadeia aceita, a expressão completa aceita qualquer cadeia que contenha a como subcadeia:
18
+
19
+ equation[[427, 715, 615, 734]]
20
+ \[ r=(a+b)^{*}a(a+b)^{*} \]
21
+
22
+ text[[154, 754, 889, 795]]
23
+ Essa simplificação usa o fato de que \( (a + b)^{*} \cdot X \cdot (a + b)^{*} \) absorve qualquer extensão de X, desde que a condição essencial (conter a) seja preservada.
24
+
25
+ sub_title[[186, 824, 514, 841]]
26
+ ## Leis Frequentemente Esquecidas
27
+
28
+ text[[155, 852, 700, 871]]
29
+ Algumas identidades úteis que são frequentemente esquecidas:
30
+
31
+ text[[155, 884, 538, 904]]
32
+ • \( \varepsilon + r^{*} = r^{*} \) (pois \( \varepsilon \in L(r^{*}) \) por definição)
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+ text[[155, 81, 536, 100]]
2
+ • \( r^{+} = rr^{*} = r^{*}r \) (uma ou mais repetições)
3
+
4
+ text[[155, 113, 624, 133]]
5
+ • \( r^{*} = \varepsilon + r^{+} \) (zero ou mais = vazio + uma ou mais)
6
+
7
+ text[[155, 146, 603, 167]]
8
+ • \( (r + s)^{*} = (r^{*}s^{*})^{*} \) (intercalar repetições de r e s)
9
+
10
+ text[[155, 180, 694, 199]]
11
+ • \( r^{*}r^{*} = r^{*} \) (concatenar dois fechos é o mesmo que um fecho)
12
+
13
+ sub_title[[137, 232, 770, 252]]
14
+ ## 6.4 Teorema de Kleene: ER e Linguagens Regulares
15
+
16
+ text[[137, 270, 907, 330]]
17
+ O Teorema de Kleene garante que uma linguagem é regular se e somente se é de- notada por alguma ER. A demonstração tem duas direções (HOPCROFT; ULLMAN; MOTWANI, 2002):
18
+
19
+ text[[137, 348, 907, 410]]
20
+ • ER ⇒ Autômato (Construção de Thompson): cada ER é convertida recursivamente em um AFN-ε. Os casos base (∅, ε, a) geram autômatos triviais. União, concatenação e fecho são obtidos conectando sub-autômatos por ε-transições.
21
+
22
+ text[[137, 425, 907, 464]]
23
+ • Autômato ⇒ ER (Eliminação de estados ou Lema de Arden): remove-se progressi- vamente estados do autômato, substituindo transições por expressões regulares.
24
+
25
+ text[[137, 483, 907, 585]]
26
+ Junto com os resultados dos capítulos anteriores, isso estabelece a tríplice equiva- lência: ER ≡ Autômatos Finitos ≡ Gramáticas Regulares. Na prática, ERs são convenientes para descrever padrões, autômatos para implementar reconhecedores e gra- máticas para gerar cadeias. A implementação eficiente dessas conversões é fundamental para ferramentas de busca textual e analisadores léxicos (RAMOS; NETO; VEGA, 2009).
27
+
28
+ sub_title[[137, 610, 466, 627]]
29
+ ## 6.4.1 Construção de Thompson
30
+
31
+ text[[137, 640, 907, 700]]
32
+ A construção de Thompson converte uma expressão regular em um AFN-ε de forma recursiva. Cada operador (união, concatenação, fecho) corresponde a um padrão de com- posição de sub-autômatos. A Figura 6.1 ilustra os três padrões fundamentais.
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1
+ image[[256, 84, 800, 320]]
2
+
3
+
4
+ figure_title[[137, 336, 905, 371]]
5
+ Figura 6.1: Construção de Thompson: padrões para união \( (r + s) \) , concatenação \( (rs) \) e fecho \( (r^{*}) \) .
6
+
7
+ text[[137, 397, 906, 479]]
8
+ Cada sub-autômato produzido pela construção de Thompson possui exatamente um estado inicial (sem transições de entrada) e um estado final (sem transições de saída). Essa propriedade garante que os sub-autômatos podem ser compostos sem interferência, preservando a correção da construção (SIPSER, 2007).
9
+
10
+ sub_title[[186, 493, 703, 511]]
11
+ ## Exemplo – Construção de Thompson para \( (a + b)^{*}ab \)
12
+
13
+ text[[152, 522, 797, 540]]
14
+ Para a expressão \( (a + b)^{*}ab \) , a construção é realizada de dentro para fora:
15
+
16
+ text[[153, 545, 889, 582]]
17
+ Passo 1: Construa o AFN-ε para a (um estado inicial, transição a, um estado final).
18
+
19
+ text[[184, 587, 645, 605]]
20
+ Passo 2: Construa o AFN-ε para b (analogamente).
21
+
22
+ text[[184, 608, 610, 625]]
23
+ Passo 3: Combine com união para obter \( a + b \) .
24
+
25
+ text[[184, 629, 700, 647]]
26
+ Passo 4: Aplique o fecho de Kleene para obter \( (a + b)^{*} \) .
27
+
28
+ text[[184, 651, 710, 668]]
29
+ Passo 5: Concatenem com o AFN para a, obtendo \( (a + b)^{*}a \) .
30
+
31
+ text[[184, 672, 716, 689]]
32
+ Passo 6: Concatenem com o AFN para b, obtendo \( (a + b)^{*}ab \) .
33
+
34
+ text[[153, 693, 890, 755]]
35
+ O resultado é um AFN-ε que pode ser convertido em AFD pela eliminação de ε-transições seguida da construção de subconjuntos. Esse é exatamente o procedimento que ferramentas como lex utilizam internamente.
36
+
37
+ sub_title[[137, 784, 580, 802]]
38
+ ## 6.4.2 Limitações das Expressões Regulares
39
+
40
+ text[[137, 814, 906, 896]]
41
+ ERs não podem descrever linguagens que exigem “memória ilimitada”: \( \{a^{n}b^{n} \mid n \geq 0\} \) (contar e comparar), \( \{ww^{R}\} \) (palíndromos) e \( \{a^{n^{2}}\} \) (comprimento quadrado perfeito) são exemplos de linguagens não regulares. A prova formal utiliza o Lema do Bombeamento (SIPSER, 2007).