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Ementa e Acórdão 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA FORMULADO FORA DO PRAZO ESTABELECIDO NO ART. 422 DO CPP. DESCUMPRIMENTO DA SÚMULA VINCULANTE 14 NÃO VERIFICADO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – A decisão agravada não merece reforma ou qualquer correção. A análise da reclamação foi exauriente, respeitados os estreitos limites deste meio processual. II – No caso sob exame, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido pelo art. 422 do Código de Processo Penal – CPP, de maneira que inexiste violação à Súmula Vinculante 14, que assegura ao defensor regularmente constituído, no interesse do representado, “acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. III – O art. 422 do CPP, com a redação dada pela Lei 11.689/2008, marca o início da segunda fase do procedimento bifásico do Júri: a da preparação para o julgamento pelo Tribunal do Júri. E com a reforma pela qual passou o processo penal, por meio da Lei 11.689/2008, buscou-se desestimular incidentes que levassem a não realização da sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri. IV – Agravo regimental a que se nega provimento. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7A6C-8F07-53FD-65C9 e senha D1BA-F030-D287-1F54 Supremo Tribunal Federal Supremo Tribunal Federal Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 19 Ementa e Acórdão RCL 56645 ED-AGR / PB A C Ó R D Ã O Acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão virtual da Segunda Turma, na conformidade da ata de julgamentos, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Brasília, 6 de março de 2023. RICARDO LEWANDOWSKI – RELATOR 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7A6C-8F07-53FD-65C9 e senha D1BA-F030-D287-1F54 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB A C Ó R D Ã O Acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão virtual da Segunda Turma, na conformidade da ata de julgamentos, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Brasília, 6 de março de 2023. RICARDO LEWANDOWSKI – RELATOR 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7A6C-8F07-53FD-65C9 e senha D1BA-F030-D287-1F54 Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 19 Relatório 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO R E L A T Ó R I O O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski (Relator): Trata-se de agravo regimental nos embargos de declaração contra decisão que julgou improcedente o pedido de determinar ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial, sob pena de nulidade por violação à Súmula Vinculante 14 (documento eletrônico 18). Irresignado, o agravante sustenta que “[...] o franqueamento do acesso às imagens das câmeras de segurança não é abarcado por tal artigo, já que não se refere a produção de nova prova a ser utilizada em plenário, mas sim de disponibilização à defesa daqueles elementos informativos que já foram produzidos lá no inquérito policial. A fase de preparação do plenário se refere à produção de novas provas ou realização de diligências que não foram antes realizadas, o que não se aplica ao presente caso, por duas razões: I) a prova já tinha sido produzida; II) a diligência investigativa já tinha sido concluída. Nesse contexto, franquear à defesa o acesso às imagens das câmeras de segurança não seria diligência, mas sim disponibilizar aquilo que já estava em poder da autoridade policial desde a época do suposto delito. Por oportuno, o simples fato de os agentes investigativos não terem encontrado nada supostamente relevante não afasta Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E31D-3D9F-CD3A-CFAB e senha 71B9-2C9E-108C-3002 Supremo Tribunal Federal 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO R E L A T Ó R I O O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski (Relator): Trata-se de agravo regimental nos embargos de declaração contra decisão que julgou improcedente o pedido de determinar ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial, sob pena de nulidade por violação à Súmula Vinculante 14 (documento eletrônico 18). Irresignado, o agravante sustenta que “[...] o franqueamento do acesso às imagens das câmeras de segurança não é abarcado por tal artigo, já que não se refere a produção de nova prova a ser utilizada em plenário, mas sim de disponibilização à defesa daqueles elementos informativos que já foram produzidos lá no inquérito policial. A fase de preparação do plenário se refere à produção de novas provas ou realização de diligências que não foram antes realizadas, o que não se aplica ao presente caso, por duas razões: I) a prova já tinha sido produzida; II) a diligência investigativa já tinha sido concluída. Nesse contexto, franquear à defesa o acesso às imagens das câmeras de segurança não seria diligência, mas sim disponibilizar aquilo que já estava em poder da autoridade policial desde a época do suposto delito. Por oportuno, o simples fato de os agentes investigativos não terem encontrado nada supostamente relevante não afasta Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E31D-3D9F-CD3A-CFAB e senha 71B9-2C9E-108C-3002 Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 19 Relatório RCL 56645 ED-AGR / PB a necessidade de a íntegra das imagens ser disponibilizada ao agravante, principalmente porque lá podem existir registros que materializem sua tese de negativa de autoria. Ademais, o enfoque constitucional da matéria é outro, e versa unicamente sobre a necessidade de ser franqueado à defesa o acesso à integralidade das diligências realizadas. Para melhor elucidação, aplica-se, por analogia, o raciocínio utilizado nas interceptações telefônicas. Nesse instituto, os investigadores transcrevem o que acham de relevante das gravações, mas isso não afasta a necessidade de o inteiro teor das mídias da interceptação ser disponibilizado nos autos.” (págs. 4-5 do documento eletrônico 33). Ao final, formula os seguintes requerimentos: “A. Anular a sessão do júri e os atos posteriores que houverem eventualmente ocorrido no processo de origem, em razão de violação à Súmula Vinculante nº 14 que causou grave prejuízo ao agravante, uma vez que não lhe foi franqueado acesso às imagens das câmeras de segurança que foram utilizadas no inquérito policial – diligência já finalizada e não abarcada no art. 422 do CPP; B. Determinar ao juízo de origem a disponibilização das mídias das câmeras de segurança das empresas ‘Mais Trigo Distribuidora’ e ‘Seletronic’, no dia 14/09/2015, a que teve acesso a autoridade policial no inquérito, sob pena de nulidade, por violação à Súmula Vinculante nº 14.” (pág. 6 do documento eletrônico 33). É o relatório. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E31D-3D9F-CD3A-CFAB e senha 71B9-2C9E-108C-3002 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB a necessidade de a íntegra das imagens ser disponibilizada ao agravante, principalmente porque lá podem existir registros que materializem sua tese de negativa de autoria. Ademais, o enfoque constitucional da matéria é outro, e versa unicamente sobre a necessidade de ser franqueado à defesa o acesso à integralidade das diligências realizadas. Para melhor elucidação, aplica-se, por analogia, o raciocínio utilizado nas interceptações telefônicas. Nesse instituto, os investigadores transcrevem o que acham de relevante das gravações, mas isso não afasta a necessidade de o inteiro teor das mídias da interceptação ser disponibilizado nos autos.” (págs. 4-5 do documento eletrônico 33). Ao final, formula os seguintes requerimentos: “A. Anular a sessão do júri e os atos posteriores que houverem eventualmente ocorrido no processo de origem, em razão de violação à Súmula Vinculante nº 14 que causou grave prejuízo ao agravante, uma vez que não lhe foi franqueado acesso às imagens das câmeras de segurança que foram utilizadas no inquérito policial – diligência já finalizada e não abarcada no art. 422 do CPP; B. Determinar ao juízo de origem a disponibilização das mídias das câmeras de segurança das empresas ‘Mais Trigo Distribuidora’ e ‘Seletronic’, no dia 14/09/2015, a que teve acesso a autoridade policial no inquérito, sob pena de nulidade, por violação à Súmula Vinculante nº 14.” (pág. 6 do documento eletrônico 33). É o relatório. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E31D-3D9F-CD3A-CFAB e senha 71B9-2C9E-108C-3002 Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA VOTO O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski (Relator): Bem reexaminados os autos, verifico que a decisão agravada não merece reforma ou qualquer correção. A análise da reclamação foi exauriente, respeitados os estreitos limites deste meio processual. Por oportuno, transcrevo o inteiro teor da decisão agravada: “Trata-se de reclamação com pedido de liminar proposta por Jonatha Oliveira de Sousa Pontes para garantir a observância do enunciado da Súmula Vinculante 14 pelo Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Campina Grande/PB. A defesa técnica narra, em síntese, o seguinte: ‘Extrai-se dos autos que, ainda em sede de inquérito, a autoridade policial solicitou das empresas ‘Mais Trigo Distribuidora’ e ‘Seletronic’ (anexo 3 – págs. 1 e 2), no dia 14/09/2015, as imagens das câmeras de segurança no dia e horário do suposto homicídio investigado neste processo. Dando continuidade à marcha processual, no anexo 3 - pág. 3, surgiu relatório de ordem de missão argumentando que, das imagens das câmeras de segurança, não foi possível identificar o veículo utilizado na suposta fuga. Todavia, analisando-se os autos eletrônicos, percebe- se que as referidas imagens não foram juntadas a este caderno processual, razão pela qual o requerente solicitou acesso a seu conteúdo (anexo 2). Apesar de reconhecer tacitamente a ausência das imagens de câmera de segurança nos autos, o juízo de origem negou o pedido de requisição de seu conteúdo à autoridade policial, sob o argumento de que o Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA VOTO O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski (Relator): Bem reexaminados os autos, verifico que a decisão agravada não merece reforma ou qualquer correção. A análise da reclamação foi exauriente, respeitados os estreitos limites deste meio processual. Por oportuno, transcrevo o inteiro teor da decisão agravada: “Trata-se de reclamação com pedido de liminar proposta por Jonatha Oliveira de Sousa Pontes para garantir a observância do enunciado da Súmula Vinculante 14 pelo Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Campina Grande/PB. A defesa técnica narra, em síntese, o seguinte: ‘Extrai-se dos autos que, ainda em sede de inquérito, a autoridade policial solicitou das empresas ‘Mais Trigo Distribuidora’ e ‘Seletronic’ (anexo 3 – págs. 1 e 2), no dia 14/09/2015, as imagens das câmeras de segurança no dia e horário do suposto homicídio investigado neste processo. Dando continuidade à marcha processual, no anexo 3 - pág. 3, surgiu relatório de ordem de missão argumentando que, das imagens das câmeras de segurança, não foi possível identificar o veículo utilizado na suposta fuga. Todavia, analisando-se os autos eletrônicos, percebe- se que as referidas imagens não foram juntadas a este caderno processual, razão pela qual o requerente solicitou acesso a seu conteúdo (anexo 2). Apesar de reconhecer tacitamente a ausência das imagens de câmera de segurança nos autos, o juízo de origem negou o pedido de requisição de seu conteúdo à autoridade policial, sob o argumento de que o Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB requerimento deveria ter sido feito na fase do art. 422 do CPP, bem como de que não houve demonstração de prejuízo (anexo 1). Diante disso, visando à proteção do processo e à efetividade da plenitude de defesa no plenário do júri, é necessária a disponibilização das imagens das câmeras de segurança com urgência, ante a proximidade do julgamento para 27/10/2022 (anexo 4). É importante salientar que, ao contrário do que argumentou o magistrado, a ausência dessas imagens utilizadas pela autoridade policial causa grave prejuízo ao acusado, uma vez que lá podem existir provas incontestes ou elementos que corroborem sua tese de negativa de autoria, sustentada no interrogatório e nas alegações finais (anexo З). É de se registrar que não há como se exigir do reclamante a indicação específica sobre qual momento das referidas imagens poderá auxiliar sua tese, já que não se tem conhecimento do seu conteúdo. Exigir tal evidência neste momento, com a devida vênia, geraria o dever de produção de prova diabólica. Ainda, por oportuno, é de se registrar que a defensora subscrita teve contato com este processo apenas quando foi designada para atuar na sessão do júri, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade de algibeira ou deslealdade processual. Por fim, a ausência de disponibilização da mídia requerida é matéria de ordem pública, já que está umbilicalmente ligada à efetividade da plenitude de defesa, de sorte que não pode ser abarcada pela preclusão temporal do art. 422 do CPP.’ (pág. 2 do documento eletrônico 1). Ao final, requer: ‘A. Com urgência, liminarmente, suspender a realização da sessão do júri designada para o dia 27/10/2022 (amanhã), com fulcro no art. 989, II, do CPC c/c 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB requerimento deveria ter sido feito na fase do art. 422 do CPP, bem como de que não houve demonstração de prejuízo (anexo 1). Diante disso, visando à proteção do processo e à efetividade da plenitude de defesa no plenário do júri, é necessária a disponibilização das imagens das câmeras de segurança com urgência, ante a proximidade do julgamento para 27/10/2022 (anexo 4). É importante salientar que, ao contrário do que argumentou o magistrado, a ausência dessas imagens utilizadas pela autoridade policial causa grave prejuízo ao acusado, uma vez que lá podem existir provas incontestes ou elementos que corroborem sua tese de negativa de autoria, sustentada no interrogatório e nas alegações finais (anexo З). É de se registrar que não há como se exigir do reclamante a indicação específica sobre qual momento das referidas imagens poderá auxiliar sua tese, já que não se tem conhecimento do seu conteúdo. Exigir tal evidência neste momento, com a devida vênia, geraria o dever de produção de prova diabólica. Ainda, por oportuno, é de se registrar que a defensora subscrita teve contato com este processo apenas quando foi designada para atuar na sessão do júri, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade de algibeira ou deslealdade processual. Por fim, a ausência de disponibilização da mídia requerida é matéria de ordem pública, já que está umbilicalmente ligada à efetividade da plenitude de defesa, de sorte que não pode ser abarcada pela preclusão temporal do art. 422 do CPP.’ (pág. 2 do documento eletrônico 1). Ao final, requer: ‘A. Com urgência, liminarmente, suspender a realização da sessão do júri designada para o dia 27/10/2022 (amanhã), com fulcro no art. 989, II, do CPC c/c 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 6 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB art. 158 do RISTF; B. No mérito, confirmar a liminar e julgar procedente a presente reclamação para determinar ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial, sob pena de nulidade por violação à Súmula Vinculante nº 14; C. Pelo princípio da eventualidade, na remota hipótese de o pedido liminar ter sido julgado prejudicado pelo decurso do tempo, anular a sessão do júri e os atos posteriores que houverem eventualmente ocorrido no processo de origem, em razão de violação à Súmula Vinculante nº 14 que causou grave prejuízo ao reclamante.’ (pág. 6 do documento eletrônico 1). Em 27/10/2022, indeferi o pedido de liminar por entender que ele não estaria suficientemente fundamentado, reservando- me ao exame mais aprofundado da matéria por ocasião do julgamento do mérito. Instada a se manifestar, a autoridade reclamada prestou informações, in verbis: ‘A Defesa alega que não teve acesso às imagens de câmeras de segurança obtidas pela autoridade policial durante as investigações, oriundas de câmeras de empresas localizadas na região onde ocorreu o crime de homicídio que vitimou Francisco Anselmo Gonçalves da Silva, ocorrido em 12 de setembro de 2015, nas proximidades de uma praça no bairro do Catolé, nesta cidade. Compulsando-se os autos, vê-se que a Defesa peticionou 04 (quatro) dias antes da data agendada para a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri, pugnando pelo acesso às referidas mídias. Analisando-se o caderno processual, vê-se que o ofício que faz referência às imagens recentemente solicitadas pela Defesa encontra-se juntado aos autos desde o ano de 2015, sem que tais mídias tenham sido requeridas pela parte desde então. Segundo o documento, não foi possível, nas imagens obtidas, a visualização e 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB art. 158 do RISTF; B. No mérito, confirmar a liminar e julgar procedente a presente reclamação para determinar ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial, sob pena de nulidade por violação à Súmula Vinculante nº 14; C. Pelo princípio da eventualidade, na remota hipótese de o pedido liminar ter sido julgado prejudicado pelo decurso do tempo, anular a sessão do júri e os atos posteriores que houverem eventualmente ocorrido no processo de origem, em razão de violação à Súmula Vinculante nº 14 que causou grave prejuízo ao reclamante.’ (pág. 6 do documento eletrônico 1). Em 27/10/2022, indeferi o pedido de liminar por entender que ele não estaria suficientemente fundamentado, reservando- me ao exame mais aprofundado da matéria por ocasião do julgamento do mérito. Instada a se manifestar, a autoridade reclamada prestou informações, in verbis: ‘A Defesa alega que não teve acesso às imagens de câmeras de segurança obtidas pela autoridade policial durante as investigações, oriundas de câmeras de empresas localizadas na região onde ocorreu o crime de homicídio que vitimou Francisco Anselmo Gonçalves da Silva, ocorrido em 12 de setembro de 2015, nas proximidades de uma praça no bairro do Catolé, nesta cidade. Compulsando-se os autos, vê-se que a Defesa peticionou 04 (quatro) dias antes da data agendada para a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri, pugnando pelo acesso às referidas mídias. Analisando-se o caderno processual, vê-se que o ofício que faz referência às imagens recentemente solicitadas pela Defesa encontra-se juntado aos autos desde o ano de 2015, sem que tais mídias tenham sido requeridas pela parte desde então. Segundo o documento, não foi possível, nas imagens obtidas, a visualização e 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 7 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB identificação da motocicleta que teria sido utilizada para a fuga dos autores do crime. Com efeito, aberto o prazo estipulado no art. 422 do CPP, a Defesa nada requereu. Somente o fez faltando apenas 04 (quatro) dias para a realização da sessão de julgamento. Dessarte, não tendo sido obedecido o prazo do art. 422, tampouco demonstrado o prejuízo para a Defesa pela ausência de tais imagens, as quais não foram utilizadas na acusação, o pedido foi indeferido por este Juízo. No dia 27 de outubro de 2022, o réu Jonatha Oliveira de Sousa Pontes foi julgado pelo Conselho de Sentença e condenado a uma pena de 18 (dezoito) anos de reclusão, tendo sido mantida sua prisão preventiva. O réu encontra- se em local incerto e não sabido. Os autos encontram-se aguardando o trânsito em julgado da sentença. Sendo essas as informações que presto a Vossa Excelência, fico à disposição para maiores esclarecimentos caso seja necessário.’ (págs. 3-4 do documento eletrônico 14; grifado no original). A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela procedência do pedido, em parecer assim ementado: ‘Reclamação. Tribunal do Júri. Mídia não juntada aos autos. Imagens de câmeras de segurança que remontam à época do crime, em 2015. Indeferimento do pedido de requisição feito em 2022, sob o fundamento de ausência de manifestação da Defesa no prazo legal, impossibilidade de identificação, pelas imagens, da motocicleta usada na fuga, e não demonstração de prejuízo pela Defesa. Alegada violação à Súmula Vinculante 14. Informações que dizem respeito ao momento do crime imputado ao réu. Direito de acesso à mídia, ainda que a solicitação pela Defensoria Pública tenha ocorrido após o prazo legal. Mesmo que o ofício a que se refere a decisão reclamada tenha afirmado não ser possível a identificação da motocicleta utilizada na fuga, caberia à 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB identificação da motocicleta que teria sido utilizada para a fuga dos autores do crime. Com efeito, aberto o prazo estipulado no art. 422 do CPP, a Defesa nada requereu. Somente o fez faltando apenas 04 (quatro) dias para a realização da sessão de julgamento. Dessarte, não tendo sido obedecido o prazo do art. 422, tampouco demonstrado o prejuízo para a Defesa pela ausência de tais imagens, as quais não foram utilizadas na acusação, o pedido foi indeferido por este Juízo. No dia 27 de outubro de 2022, o réu Jonatha Oliveira de Sousa Pontes foi julgado pelo Conselho de Sentença e condenado a uma pena de 18 (dezoito) anos de reclusão, tendo sido mantida sua prisão preventiva. O réu encontra- se em local incerto e não sabido. Os autos encontram-se aguardando o trânsito em julgado da sentença. Sendo essas as informações que presto a Vossa Excelência, fico à disposição para maiores esclarecimentos caso seja necessário.’ (págs. 3-4 do documento eletrônico 14; grifado no original). A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela procedência do pedido, em parecer assim ementado: ‘Reclamação. Tribunal do Júri. Mídia não juntada aos autos. Imagens de câmeras de segurança que remontam à época do crime, em 2015. Indeferimento do pedido de requisição feito em 2022, sob o fundamento de ausência de manifestação da Defesa no prazo legal, impossibilidade de identificação, pelas imagens, da motocicleta usada na fuga, e não demonstração de prejuízo pela Defesa. Alegada violação à Súmula Vinculante 14. Informações que dizem respeito ao momento do crime imputado ao réu. Direito de acesso à mídia, ainda que a solicitação pela Defensoria Pública tenha ocorrido após o prazo legal. Mesmo que o ofício a que se refere a decisão reclamada tenha afirmado não ser possível a identificação da motocicleta utilizada na fuga, caberia à 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB Defensoria Pública, no caso, manifestar-se sobre as imagens e concluir pela possibilidade de sua utilização ou não na defesa do réu. O acesso amplo a todos os elementos de prova é direito da Defesa, desde que não digam respeito a diligências em andamento e cujo acesso possa prejudicar o curso das investigações. Excepcionalidade não alegada pelo Juízo Reclamado. Precedente do STF: ‘Nada, absolutamente nada, respalda ocultar de envolvido dados contidos em autos de procedimento investigativo ou em processo alusivo à ação penal, pouco importando eventual sigilo do que documentado’, Rcl 31.213/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJe de 16/10/2018. Parecer pela procedência da Reclamação.’ (pág. 1 do documento eletrônico 16). É o relatório. Decido. Transcrevo, por oportuno, o inteiro teor da decisão reclamada: ‘Vistos etc. Analisando-se os autos, vê-se que o ofício que faz referência às imagens agora solicitadas pela Defesa encontra-se juntado aos autos desde o ano de 2015 sem que tais mídias tenham sido requeridas pela parte desde então. Segundo o documento, não foi possível, nas imagens obtidas, a visualização e identificação da motocicleta que teria sido utilizada para a fuga dos autores do crime. Com efeito, aberto o prazo estipulado no art. 422, a Defesa nada requereu. Somente o fez neste momento, faltando apenas 04 (quatro) dias para a realização da sessão de julgamento. Dessarte, não tendo sido obedecido o prazo do art. 422, tampouco demonstrado o prejuízo para a Defesa pela ausência de tais imagens, indefiro o pedido de id. 65070039. Intime-se. Cumpra-se.’ (pág. 2 do documento eletrônico 2). Conforme se verifica, inexiste violação à Súmula 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB Defensoria Pública, no caso, manifestar-se sobre as imagens e concluir pela possibilidade de sua utilização ou não na defesa do réu. O acesso amplo a todos os elementos de prova é direito da Defesa, desde que não digam respeito a diligências em andamento e cujo acesso possa prejudicar o curso das investigações. Excepcionalidade não alegada pelo Juízo Reclamado. Precedente do STF: ‘Nada, absolutamente nada, respalda ocultar de envolvido dados contidos em autos de procedimento investigativo ou em processo alusivo à ação penal, pouco importando eventual sigilo do que documentado’, Rcl 31.213/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJe de 16/10/2018. Parecer pela procedência da Reclamação.’ (pág. 1 do documento eletrônico 16). É o relatório. Decido. Transcrevo, por oportuno, o inteiro teor da decisão reclamada: ‘Vistos etc. Analisando-se os autos, vê-se que o ofício que faz referência às imagens agora solicitadas pela Defesa encontra-se juntado aos autos desde o ano de 2015 sem que tais mídias tenham sido requeridas pela parte desde então. Segundo o documento, não foi possível, nas imagens obtidas, a visualização e identificação da motocicleta que teria sido utilizada para a fuga dos autores do crime. Com efeito, aberto o prazo estipulado no art. 422, a Defesa nada requereu. Somente o fez neste momento, faltando apenas 04 (quatro) dias para a realização da sessão de julgamento. Dessarte, não tendo sido obedecido o prazo do art. 422, tampouco demonstrado o prejuízo para a Defesa pela ausência de tais imagens, indefiro o pedido de id. 65070039. Intime-se. Cumpra-se.’ (pág. 2 do documento eletrônico 2). Conforme se verifica, inexiste violação à Súmula 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB Vinculante 14, que assegura ao defensor regularmente constituído, no interesse do representado, ‘acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa’. No caso sob exame, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido pelo art. 422 do Código de Processo Penal – CPP, litteris: ‘Art. 422. Ao receber os autos, o presidente do Tribunal do Júri determinará a intimação do órgão do Ministério Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, para, no prazo de 5 (cinco) dias, apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5 (cinco), oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligência.’ Nesse contexto, entendo afigurar-se legítima a decisão reclamada, na linha, aliás, do seguinte precedente que menciono a seguir: ‘JÚRI – PROVA – OPORTUNIDADE. Consoante dispõem os artigos 422 e 423 do Código de Processo Penal, requerimento de prova a ser feita no Plenário deve vir à balha no prazo de cinco dias após a intimação para tanto.’ (HC 99.184/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma). Com efeito, o art. 422 do CPP marca o início da segunda fase do procedimento bifásico do Júri: a da preparação para o julgamento pelo Tribunal do Júri. E com a reforma pela qual passou o processo penal, por meio da Lei 11.689/2008, buscou- se desestimular incidentes que levassem a não realização da sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri. Nessa linha, o art. 457 do CPP, com a redação dada pela referida lei, assentou que até mesmo o não comparecimento do acusado solto, do assistente ou do advogado do querelante que tiver sido regularmente intimado não justificariam o adiamento do julgamento. Do mesmo modo, o art. 461 do CPP estabelece que o 6 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB Vinculante 14, que assegura ao defensor regularmente constituído, no interesse do representado, ‘acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa’. No caso sob exame, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido pelo art. 422 do Código de Processo Penal – CPP, litteris: ‘Art. 422. Ao receber os autos, o presidente do Tribunal do Júri determinará a intimação do órgão do Ministério Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, para, no prazo de 5 (cinco) dias, apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5 (cinco), oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligência.’ Nesse contexto, entendo afigurar-se legítima a decisão reclamada, na linha, aliás, do seguinte precedente que menciono a seguir: ‘JÚRI – PROVA – OPORTUNIDADE. Consoante dispõem os artigos 422 e 423 do Código de Processo Penal, requerimento de prova a ser feita no Plenário deve vir à balha no prazo de cinco dias após a intimação para tanto.’ (HC 99.184/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma). Com efeito, o art. 422 do CPP marca o início da segunda fase do procedimento bifásico do Júri: a da preparação para o julgamento pelo Tribunal do Júri. E com a reforma pela qual passou o processo penal, por meio da Lei 11.689/2008, buscou- se desestimular incidentes que levassem a não realização da sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri. Nessa linha, o art. 457 do CPP, com a redação dada pela referida lei, assentou que até mesmo o não comparecimento do acusado solto, do assistente ou do advogado do querelante que tiver sido regularmente intimado não justificariam o adiamento do julgamento. Do mesmo modo, o art. 461 do CPP estabelece que o 6 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB julgamento não será adiado se a testemunha deixar de comparecer, salvo se uma das partes tiver requerido a sua intimação por mandado, declarando não prescindir do depoimento e indicando a sua localização. Mas, destaque-se: da mesma forma que o requerimento de diligências, o pedido de intimação por mandado também deverá ser feito no prazo previsto pelo art. 422 do CPP. De acordo com esse entendimento, menciono o HC 92.819/RJ, da relatoria da Ministra Ellen Gracie: ‘DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. NULIDADE ABSOLUTA. PROCEDIMENTO DO JÚRI. FALTA DE COMPARECIMENTO DE TESTEMUNHA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DOSIMETRIA DA PENA. CONTINUIDADE ESPECÍFICA. TENTATIVAS DE HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO. DENEGAÇÃO DA ORDEM. 1. Duas são as questões de direito tratadas neste habeas corpus: a) pretensa nulidade absoluta no julgamento do paciente pelo tribunal do júri em razão do não- comparecimento de duas testemunhas; b) alegado equívoco na dosimetria da pena imposta ao paciente devido à continuidade delitiva. 2. No Direito brasileiro, a falta de qualquer das testemunhas não será motivo para o adiamento da sessão do tribunal do júri, salvo se alguma das partes houver requerido sua intimação, declarando expressamente não prescindir do depoimento, com indicação de seu paradeiro para intimação (CPP, art. 455, caput). 3. Com o advento da Lei n° 11.689, de 09 de junho de 2008 (que ainda não está em vigor, devido ao prazo de vacatio legis), há clara indicação do desestímulo quanto à não-realização da sessão de julgamento pelo tribunal do júri. Assim, o julgamento não será adiado em razão do não comparecimento do acusado solto, do assistente de acusação ou do advogado do querelante que fora 7 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB julgamento não será adiado se a testemunha deixar de comparecer, salvo se uma das partes tiver requerido a sua intimação por mandado, declarando não prescindir do depoimento e indicando a sua localização. Mas, destaque-se: da mesma forma que o requerimento de diligências, o pedido de intimação por mandado também deverá ser feito no prazo previsto pelo art. 422 do CPP. De acordo com esse entendimento, menciono o HC 92.819/RJ, da relatoria da Ministra Ellen Gracie: ‘DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. NULIDADE ABSOLUTA. PROCEDIMENTO DO JÚRI. FALTA DE COMPARECIMENTO DE TESTEMUNHA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DOSIMETRIA DA PENA. CONTINUIDADE ESPECÍFICA. TENTATIVAS DE HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO. DENEGAÇÃO DA ORDEM. 1. Duas são as questões de direito tratadas neste habeas corpus: a) pretensa nulidade absoluta no julgamento do paciente pelo tribunal do júri em razão do não- comparecimento de duas testemunhas; b) alegado equívoco na dosimetria da pena imposta ao paciente devido à continuidade delitiva. 2. No Direito brasileiro, a falta de qualquer das testemunhas não será motivo para o adiamento da sessão do tribunal do júri, salvo se alguma das partes houver requerido sua intimação, declarando expressamente não prescindir do depoimento, com indicação de seu paradeiro para intimação (CPP, art. 455, caput). 3. Com o advento da Lei n° 11.689, de 09 de junho de 2008 (que ainda não está em vigor, devido ao prazo de vacatio legis), há clara indicação do desestímulo quanto à não-realização da sessão de julgamento pelo tribunal do júri. Assim, o julgamento não será adiado em razão do não comparecimento do acusado solto, do assistente de acusação ou do advogado do querelante que fora 7 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB regularmente intimado (nova redação do art. 457, do CPP). A respeito do não comparecimento de testemunha, o art. 461, do CPP (na nova redação dada pela referida Lei n° 11.689/08), reproduz substancialmente o tratamento atual. 4. Não houve o apontado vício na sessão de julgamento, tanto assim é que constou da própria ata de julgamento o requerimento feito pela defesa no sentido da substituição de testemunha, o que foi indeferido. 5. O Direito Processual Penal, na contemporaneidade, não pode mais se basear em fórmulas arcaicas, despidas de efetividade e distantes da realidade subjacente, o que é revelado pelo recente movimento de reforma do Código de Processo Penal com a edição das Leis n°s. 11.689 e 11.690, ambas de 09 de junho de 2008, inclusive com várias alterações no âmbito do procedimento do tribunal do júri. 6. O regime das nulidades processuais no Direito Processual Penal é regido por determinados princípios, entre os quais aquele representado pelo brocardo pas de nullité sans grief. A impetrante não indica, concretamente, qual teria sido o prejuízo sofrido pelo paciente. 7. Ao paciente foi reconhecida a presença de continuidade específica nas tentativas de homicídio duplamente qualificado. O aumento da pena em razão do crime continuado se fundamentou na regra consoante a qual nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas até o triplo (CP, art. 71, parágrafo único), levando em consideração as circunstâncias judiciais do art. 59, do Código Penal, especialmente as de índole subjetiva. 8. Houve adequada e expressa fundamentação no acórdão do Tribunal de Justiça a respeito do fator de aumento da pena corporal em razão do crime continuado 8 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB regularmente intimado (nova redação do art. 457, do CPP). A respeito do não comparecimento de testemunha, o art. 461, do CPP (na nova redação dada pela referida Lei n° 11.689/08), reproduz substancialmente o tratamento atual. 4. Não houve o apontado vício na sessão de julgamento, tanto assim é que constou da própria ata de julgamento o requerimento feito pela defesa no sentido da substituição de testemunha, o que foi indeferido. 5. O Direito Processual Penal, na contemporaneidade, não pode mais se basear em fórmulas arcaicas, despidas de efetividade e distantes da realidade subjacente, o que é revelado pelo recente movimento de reforma do Código de Processo Penal com a edição das Leis n°s. 11.689 e 11.690, ambas de 09 de junho de 2008, inclusive com várias alterações no âmbito do procedimento do tribunal do júri. 6. O regime das nulidades processuais no Direito Processual Penal é regido por determinados princípios, entre os quais aquele representado pelo brocardo pas de nullité sans grief. A impetrante não indica, concretamente, qual teria sido o prejuízo sofrido pelo paciente. 7. Ao paciente foi reconhecida a presença de continuidade específica nas tentativas de homicídio duplamente qualificado. O aumento da pena em razão do crime continuado se fundamentou na regra consoante a qual nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas até o triplo (CP, art. 71, parágrafo único), levando em consideração as circunstâncias judiciais do art. 59, do Código Penal, especialmente as de índole subjetiva. 8. Houve adequada e expressa fundamentação no acórdão do Tribunal de Justiça a respeito do fator de aumento da pena corporal em razão do crime continuado 8 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB específico, havendo apenas o limite da pena fixada pelo crime continuado não ultrapassar a pena do concurso material, o que foi rigorosamente observado no julgamento da apelação. 9. Habeas corpus denegado.’ (HC 92.819/RJ, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma). Isso posto, julgo improcedente o pedido (art. 161, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal – RISTF).” (documento eletrônico 26). De fato, julguei improcedente o pedido de determinar-se ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial por não vislumbrar violação à Súmula Vinculante 14. Como destacado, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido no art. 422 do Código de Processo Penal – CPP. No recurso sob análise, a parte agravante alega que o franqueamento do acesso às imagens das câmeras de segurança não é abarcado por tal artigo, uma vez que não se refere à produção de nova prova a ser utilizada em plenário, mas sim de disponibilizar à defesa elementos informativos que já foram produzidos no inquérito policial. Ocorre que, no prazo de 5 (cinco) dias estabelecido pelo art. 422 do CPP, o juiz determinará a intimação do Ministério Público e da defesa para apresentar rol de testemunhas, juntar documentos e requerer quaisquer diligências ou novas provas entendidas como pertinentes. Essa é a lição de Guilherme de Souza Nucci, in verbis: “Manifestação das partes: aberta a fase de preparação do plenário, as partes serão intimadas a apresentar o rol de testemunhas que pretendam ouvir (cinco para cada uma), bem 9 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB específico, havendo apenas o limite da pena fixada pelo crime continuado não ultrapassar a pena do concurso material, o que foi rigorosamente observado no julgamento da apelação. 9. Habeas corpus denegado.’ (HC 92.819/RJ, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma). Isso posto, julgo improcedente o pedido (art. 161, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal – RISTF).” (documento eletrônico 26). De fato, julguei improcedente o pedido de determinar-se ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial por não vislumbrar violação à Súmula Vinculante 14. Como destacado, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido no art. 422 do Código de Processo Penal – CPP. No recurso sob análise, a parte agravante alega que o franqueamento do acesso às imagens das câmeras de segurança não é abarcado por tal artigo, uma vez que não se refere à produção de nova prova a ser utilizada em plenário, mas sim de disponibilizar à defesa elementos informativos que já foram produzidos no inquérito policial. Ocorre que, no prazo de 5 (cinco) dias estabelecido pelo art. 422 do CPP, o juiz determinará a intimação do Ministério Público e da defesa para apresentar rol de testemunhas, juntar documentos e requerer quaisquer diligências ou novas provas entendidas como pertinentes. Essa é a lição de Guilherme de Souza Nucci, in verbis: “Manifestação das partes: aberta a fase de preparação do plenário, as partes serão intimadas a apresentar o rol de testemunhas que pretendam ouvir (cinco para cada uma), bem 9 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB como podem formular requerimentos para a produção de provas, diligências ou juntada de documentos. Terão cinco dias, cada parte, para a manifestação.” (Código de Processo Penal Comentado. Rio de Janeiro: Forense, 19ª ed. 2020, p. 892; grifado no original). Por fim, registro uma vez mais que o requerimento de diligência ou de prova a ser feita em plenário deve obedecer ao prazo de 5 (cinco) dias previsto no art. 422 do CPP, sob pena de preclusão. Com essa compreensão, anoto o ensinamento de Renato Brasileiro de Lima: “Especificação das demais provas que as partes pretendem produzir em plenário: o art. 422 do CPP prevê o momento procedimental adequado par as partes indicarem as provas que pretendem produzir no plenário do júri. Enfim, podem não apenas arrolar testemunhas que irão depor perante os jurados, mas também juntar documentos e requerer diligências (v.g., reconstituição do crime, complementação do laudo pericial, etc.). Apesar do caráter facultativo dessa manifestação, é bom lembrar que, não se pronunciando a parte nesse momento, estará preclusa a oportunidade de requerer a produção de provas no plenário do júri, sem que se possa objetar eventual cerceamento da acusação (ou da defesa).” (Código de Processo Penal comentado. Salvador: Juspodium, 6ª ed. rev., atual. e ampl. 2021, p. 1280; grifado). Assim, bem reexaminada a questão, entendo que o recurso revela o mero inconformismo do agravante com a decisão que não lhe foi favorável. Isso posto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto. 10 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB como podem formular requerimentos para a produção de provas, diligências ou juntada de documentos. Terão cinco dias, cada parte, para a manifestação.” (Código de Processo Penal Comentado. Rio de Janeiro: Forense, 19ª ed. 2020, p. 892; grifado no original). Por fim, registro uma vez mais que o requerimento de diligência ou de prova a ser feita em plenário deve obedecer ao prazo de 5 (cinco) dias previsto no art. 422 do CPP, sob pena de preclusão. Com essa compreensão, anoto o ensinamento de Renato Brasileiro de Lima: “Especificação das demais provas que as partes pretendem produzir em plenário: o art. 422 do CPP prevê o momento procedimental adequado par as partes indicarem as provas que pretendem produzir no plenário do júri. Enfim, podem não apenas arrolar testemunhas que irão depor perante os jurados, mas também juntar documentos e requerer diligências (v.g., reconstituição do crime, complementação do laudo pericial, etc.). Apesar do caráter facultativo dessa manifestação, é bom lembrar que, não se pronunciando a parte nesse momento, estará preclusa a oportunidade de requerer a produção de provas no plenário do júri, sem que se possa objetar eventual cerceamento da acusação (ou da defesa).” (Código de Processo Penal comentado. Salvador: Juspodium, 6ª ed. rev., atual. e ampl. 2021, p. 1280; grifado). Assim, bem reexaminada a questão, entendo que o recurso revela o mero inconformismo do agravante com a decisão que não lhe foi favorável. Isso posto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto. 10 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 19 Voto Vogal 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO V O T O O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES: Trata-se de agravo regimental interposto pelo Defensor Público-Geral do Estado da Paraíba contra decisão proferida pelo Ministro Ricardo Lewandowski. Na presente reclamação busca-se, em síntese, o acesso às imagens das câmeras de segurança relacionadas aos fatos descritos na denúncia e que, embora mencionadas em relatório policial, não teriam sido disponibilizadas à defesa. Aduz a parte reclamante que “a ausência de disponibilização da mídia requerida é matéria de ordem pública, já que está umbilicalmente ligada à efetividade da plenitude de defesa, de sorte que não pode ser abarcada pela preclusão temporal do art. 422 do CPP”. A fim de amparar a propositura nos termos do inciso III do art. 988 do Código de Processo Civil, adota como parâmetro a Súmula Vinculante 14, que consagra a prerrogativa do defensor de acessar amplamente todos os elementos de prova documentados no decorrer da investigação procedimento judicial: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Conforme a jurisprudência desta Corte, o cabimento da reclamação depende da demonstração de estrita aderência entre o objeto do ato reclamado e o entendimento paradigma: “Direito Penal e Processual Penal. Agravo Interno na Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Supremo Tribunal Federal 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO V O T O O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES: Trata-se de agravo regimental interposto pelo Defensor Público-Geral do Estado da Paraíba contra decisão proferida pelo Ministro Ricardo Lewandowski. Na presente reclamação busca-se, em síntese, o acesso às imagens das câmeras de segurança relacionadas aos fatos descritos na denúncia e que, embora mencionadas em relatório policial, não teriam sido disponibilizadas à defesa. Aduz a parte reclamante que “a ausência de disponibilização da mídia requerida é matéria de ordem pública, já que está umbilicalmente ligada à efetividade da plenitude de defesa, de sorte que não pode ser abarcada pela preclusão temporal do art. 422 do CPP”. A fim de amparar a propositura nos termos do inciso III do art. 988 do Código de Processo Civil, adota como parâmetro a Súmula Vinculante 14, que consagra a prerrogativa do defensor de acessar amplamente todos os elementos de prova documentados no decorrer da investigação procedimento judicial: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Conforme a jurisprudência desta Corte, o cabimento da reclamação depende da demonstração de estrita aderência entre o objeto do ato reclamado e o entendimento paradigma: “Direito Penal e Processual Penal. Agravo Interno na Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 19 Voto Vogal RCL 56645 ED-AGR / PB Reclamação. Súmula Vinculante 14. Transcrição integral de diálogos em interceptação telefônica. Impossibilidade. Cerceamento de defesa. Não ocorrência. Precedentes. Agravo a que se nega provimento. 1. A reclamação exige estrita pertinência entre a decisão reclamada e o paradigma invocado. A questão discutida nos autos não se adequa ao conteúdo da Súmula Vinculante 14. 2. O Supremo Tribunal Federal afasta a necessidade de transcrição integral dos diálogos gravados durante quebra de sigilo telefônico, rejeitando alegação de cerceamento de defesa pela não transcrição de partes da interceptação irrelevantes para o embasamento da denúncia. 3. Ausência de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 4. Agravo interno a que se nega provimento”. (Rcl 33783 AgR, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 29/11/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-277 DIVULG 12-12-2019 PUBLIC 13-122019) (grifou-se). Nesse contexto, há de se estabelecer diferenciação ente as situações que compreendem injustificada recusa de acesso a elementos probatórios documentados nos autos, hipótese abarcada pelo enunciado da Súmula Vinculante 14, e as que dizem respeito ao indeferimento de diligências requeridas pelas partes, estas que, se por um lado podem em tese ensejar o reconhecimento de nulidade, por outro não guardam correlação direta com o conteúdo do paradigma tido como violado. Conforme já me manifestei (Rcl 55.918, julgada em 26.09.2022): “[...] O indeferimento de diligências não se equipara a negativa de acesso a elementos de prova já documentados nos autos, sendo apenas este o objeto da súmula invocada como parâmetro. Ademais, o Código de Processo Penal autoriza à defesa a ampla produção de provas. Faculta-lhe ainda o requerimento de diligências ao julgador, que não as deferirá se considerá-las irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. Não é obrigatório o deferimento de todas as diligências requeridas, até porque tal atuação inviabilizaria a adequada marcha processual. Assim, presidindo o feito, poderá, de forma 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB Reclamação. Súmula Vinculante 14. Transcrição integral de diálogos em interceptação telefônica. Impossibilidade. Cerceamento de defesa. Não ocorrência. Precedentes. Agravo a que se nega provimento. 1. A reclamação exige estrita pertinência entre a decisão reclamada e o paradigma invocado. A questão discutida nos autos não se adequa ao conteúdo da Súmula Vinculante 14. 2. O Supremo Tribunal Federal afasta a necessidade de transcrição integral dos diálogos gravados durante quebra de sigilo telefônico, rejeitando alegação de cerceamento de defesa pela não transcrição de partes da interceptação irrelevantes para o embasamento da denúncia. 3. Ausência de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 4. Agravo interno a que se nega provimento”. (Rcl 33783 AgR, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 29/11/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-277 DIVULG 12-12-2019 PUBLIC 13-122019) (grifou-se). Nesse contexto, há de se estabelecer diferenciação ente as situações que compreendem injustificada recusa de acesso a elementos probatórios documentados nos autos, hipótese abarcada pelo enunciado da Súmula Vinculante 14, e as que dizem respeito ao indeferimento de diligências requeridas pelas partes, estas que, se por um lado podem em tese ensejar o reconhecimento de nulidade, por outro não guardam correlação direta com o conteúdo do paradigma tido como violado. Conforme já me manifestei (Rcl 55.918, julgada em 26.09.2022): “[...] O indeferimento de diligências não se equipara a negativa de acesso a elementos de prova já documentados nos autos, sendo apenas este o objeto da súmula invocada como parâmetro. Ademais, o Código de Processo Penal autoriza à defesa a ampla produção de provas. Faculta-lhe ainda o requerimento de diligências ao julgador, que não as deferirá se considerá-las irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. Não é obrigatório o deferimento de todas as diligências requeridas, até porque tal atuação inviabilizaria a adequada marcha processual. Assim, presidindo o feito, poderá, de forma 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 19 Voto Vogal RCL 56645 ED-AGR / PB fundamentada, indeferir diligências demandadas pelas partes se não as considerar essenciais ao deslinde do feito. Tal atuação não equivale a indeferir acesso a elementos de provas documentados nos autos [...]”. No caso em exame o que se tem é a ausência processual da prova almejada (elemento, ao que tudo indica, descartado como de potencial interesse na fase de reconhecimento), e a não a sua negativa de disponibilização. Tanto é assim que o pedido formulado pela parte reclamante é para que seja determinada “a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial”, providência que desde sempre poderia ter sido postulada pela defesa, porquanto incontroverso que a referência às gravações fora consignada em relatório policial juntado ao feito já no ano de 2015. Não se cuida aqui ‒ desde sempre restrito ao espectro de abrangência da reclamação ‒ de nulidade por cerceamento de defesa, o que se cogitaria se ao acusado fosse negada diligência voltada à obtenção de informação essencial à comprovação das suas teses, cenário passível de configurar óbice à salvaguarda da investigação defensiva, instrumento primordial “ao estabelecimento de um efetivo equilíbrio de poderes entre acusação e defesa na esfera penal, ao viabilizar a obtenção de meios de prova relevantes para o confronto dos dados materiais reunidos na investigação pública, tendencialmente acusatória” (KISS, Vanessa de Morais. A investigação defensiva no processo penal brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2022. p. 44). Logo, não é caso de reclamação. Destaca-se, por fim, que não se vislumbra justificativa plausível para que a defesa tenha se omitido quando intimada para fins do art. 422 do Código de Processo Penal, bem como que não lhe socorre o prazo de três dias previsto no art. 479 do Código de Processo Penal, pois não há que se falar em juntada de documento novo, mas sim de requerimento extemporâneo de nova diligência. Feitas as devidas considerações, acompanho o voto do relator no 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB fundamentada, indeferir diligências demandadas pelas partes se não as considerar essenciais ao deslinde do feito. Tal atuação não equivale a indeferir acesso a elementos de provas documentados nos autos [...]”. No caso em exame o que se tem é a ausência processual da prova almejada (elemento, ao que tudo indica, descartado como de potencial interesse na fase de reconhecimento), e a não a sua negativa de disponibilização. Tanto é assim que o pedido formulado pela parte reclamante é para que seja determinada “a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial”, providência que desde sempre poderia ter sido postulada pela defesa, porquanto incontroverso que a referência às gravações fora consignada em relatório policial juntado ao feito já no ano de 2015. Não se cuida aqui ‒ desde sempre restrito ao espectro de abrangência da reclamação ‒ de nulidade por cerceamento de defesa, o que se cogitaria se ao acusado fosse negada diligência voltada à obtenção de informação essencial à comprovação das suas teses, cenário passível de configurar óbice à salvaguarda da investigação defensiva, instrumento primordial “ao estabelecimento de um efetivo equilíbrio de poderes entre acusação e defesa na esfera penal, ao viabilizar a obtenção de meios de prova relevantes para o confronto dos dados materiais reunidos na investigação pública, tendencialmente acusatória” (KISS, Vanessa de Morais. A investigação defensiva no processo penal brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2022. p. 44). Logo, não é caso de reclamação. Destaca-se, por fim, que não se vislumbra justificativa plausível para que a defesa tenha se omitido quando intimada para fins do art. 422 do Código de Processo Penal, bem como que não lhe socorre o prazo de três dias previsto no art. 479 do Código de Processo Penal, pois não há que se falar em juntada de documento novo, mas sim de requerimento extemporâneo de nova diligência. Feitas as devidas considerações, acompanho o voto do relator no 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 19 Voto Vogal RCL 56645 ED-AGR / PB sentido de negar provimento ao Agravo Regimental. 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB sentido de negar provimento ao Agravo Regimental. 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Inteiro Teor do Acórdão - Página 18 de 19 Extrato de Ata - 06/03/2023 SEGUNDA TURMA EXTRATO DE ATA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PROCED. : PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) : JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) : NÃO INDICADO Decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Segunda Turma, Sessão Virtual de 24.2.2023 a 3.3.2023. Composição: Ministros André Mendonça (Presidente), Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Edson Fachin e Nunes Marques. Hannah Gevartosky Secretária Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8270-1584-9FF9-56BB e senha 5489-2326-00D9-2F3D Supremo Tribunal Federal SEGUNDA TURMA EXTRATO DE ATA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PROCED. : PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) : JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) : NÃO INDICADO Decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Segunda Turma, Sessão Virtual de 24.2.2023 a 3.3.2023. Composição: Ministros André Mendonça (Presidente), Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Edson Fachin e Nunes Marques. Hannah Gevartosky Secretária Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8270-1584-9FF9-56BB e senha 5489-2326-00D9-2F3D Inteiro Teor do Acórdão - Página 19 de 19
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=767297762
2023-03-06T00:00:00
2023-05-02T00:00:00
A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Segunda Turma, Sessão Virtual de 24.2.2023 a 3.3.2023.
AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA FORMULADO FORA DO PRAZO ESTABELECIDO NO ART. 422 DO CPP. DESCUMPRIMENTO DA SÚMULA VINCULANTE 14 NÃO VERIFICADO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – A decisão agravada não merece reforma ou qualquer correção. A análise da reclamação foi exauriente, respeitados os estreitos limites deste meio processual. II – No caso sob exame, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido pelo art. 422 do Código de Processo Penal – CPP, de maneira que inexiste violação à Súmula Vinculante 14, que assegura ao defensor regularmente constituído, no interesse do representado, “acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. III – O art. 422 do CPP, com a redação dada pela Lei 11.689/2008, marca o início da segunda fase do procedimento bifásico do Júri: a da preparação para o julgamento pelo Tribunal do Júri. E com a reforma pela qual passou o processo penal, por meio da Lei 11.689/2008, buscou-se desestimular incidentes que levassem a não realização da sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri. IV – Agravo regimental a que se nega provimento.
sjur478235
- Acórdão(s) citado(s): (JÚRI, PROVA, OPORTUNIDADE) HC 99184 (1ªT). (DILIGÊNCIA, INTIMAÇÃO, PRAZO, PREJUÍZO) HC 92819 (2ªT). (CABIMENTO, RECLAMAÇÃO, ADERÊNCIA ESTRITA) Rcl 33783 AgR (1ªT). - Decisões monocráticas citadas: (CABIMENTO, RECLAMAÇÃO, ADERÊNCIA ESTRITA) Rcl 55918.
RICARDO LEWANDOWSKI
Segunda Turma
56645
[ "LEG-FED LEI-011689 ANO-2008\n LEI ORDINÁRIA\n\n", "LEG-FED LEI-013105 ANO-2015\n ART-00988 INC-00003\n CPC-2015 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL\n\n", "LEG-FED DEL-003689 ANO-1941\n ART-00422 ART-00457 ART-00461 ART-00479\n CPP-1941 CÓDIGO DE PROCESSO PENAL\n\n", "LEG-FED RGI ANO-1980\n ART-00161 PAR-ÚNICO\n RISTF-1980 REGIMENTO INTERNO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL\n\n", "LEG-FED SUV-000014\n SÚMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF" ]
Rcl-ED-AgR
acordaos
Rcl 56645 ED-AgR
[ "" ]
AGTE.(S) : JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) : NÃO INDICADO
[ "" ]
Ementa e Acórdão 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL PENAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA FORMULADO FORA DO PRAZO ESTABELECIDO NO ART. 422 DO CPP. DESCUMPRIMENTO DA SÚMULA VINCULANTE 14 NÃO VERIFICADO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – A decisão agravada não merece reforma ou qualquer correção. A análise da reclamação foi exauriente, respeitados os estreitos limites deste meio processual. II – No caso sob exame, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido pelo art. 422 do Código de Processo Penal – CPP, de maneira que inexiste violação à Súmula Vinculante 14, que assegura ao defensor regularmente constituído, no interesse do representado, “acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. III – O art. 422 do CPP, com a redação dada pela Lei 11.689/2008, marca o início da segunda fase do procedimento bifásico do Júri: a da preparação para o julgamento pelo Tribunal do Júri. E com a reforma pela qual passou o processo penal, por meio da Lei 11.689/2008, buscou-se desestimular incidentes que levassem a não realização da sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri. IV – Agravo regimental a que se nega provimento. Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7A6C-8F07-53FD-65C9 e senha D1BA-F030-D287-1F54 Supremo Tribunal Federal Supremo Tribunal Federal Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 19 Ementa e Acórdão RCL 56645 ED-AGR / PB A C Ó R D Ã O Acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão virtual da Segunda Turma, na conformidade da ata de julgamentos, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Brasília, 6 de março de 2023. RICARDO LEWANDOWSKI – RELATOR 2 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7A6C-8F07-53FD-65C9 e senha D1BA-F030-D287-1F54 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB A C Ó R D Ã O Acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão virtual da Segunda Turma, na conformidade da ata de julgamentos, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Brasília, 6 de março de 2023. RICARDO LEWANDOWSKI – RELATOR 2 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7A6C-8F07-53FD-65C9 e senha D1BA-F030-D287-1F54 Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 19 Relatório 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO R E L A T Ó R I O O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski (Relator): Trata-se de agravo regimental nos embargos de declaração contra decisão que julgou improcedente o pedido de determinar ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial, sob pena de nulidade por violação à Súmula Vinculante 14 (documento eletrônico 18). Irresignado, o agravante sustenta que “[...] o franqueamento do acesso às imagens das câmeras de segurança não é abarcado por tal artigo, já que não se refere a produção de nova prova a ser utilizada em plenário, mas sim de disponibilização à defesa daqueles elementos informativos que já foram produzidos lá no inquérito policial. A fase de preparação do plenário se refere à produção de novas provas ou realização de diligências que não foram antes realizadas, o que não se aplica ao presente caso, por duas razões: I) a prova já tinha sido produzida; II) a diligência investigativa já tinha sido concluída. Nesse contexto, franquear à defesa o acesso às imagens das câmeras de segurança não seria diligência, mas sim disponibilizar aquilo que já estava em poder da autoridade policial desde a época do suposto delito. Por oportuno, o simples fato de os agentes investigativos não terem encontrado nada supostamente relevante não afasta Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E31D-3D9F-CD3A-CFAB e senha 71B9-2C9E-108C-3002 Supremo Tribunal Federal 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO R E L A T Ó R I O O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski (Relator): Trata-se de agravo regimental nos embargos de declaração contra decisão que julgou improcedente o pedido de determinar ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial, sob pena de nulidade por violação à Súmula Vinculante 14 (documento eletrônico 18). Irresignado, o agravante sustenta que “[...] o franqueamento do acesso às imagens das câmeras de segurança não é abarcado por tal artigo, já que não se refere a produção de nova prova a ser utilizada em plenário, mas sim de disponibilização à defesa daqueles elementos informativos que já foram produzidos lá no inquérito policial. A fase de preparação do plenário se refere à produção de novas provas ou realização de diligências que não foram antes realizadas, o que não se aplica ao presente caso, por duas razões: I) a prova já tinha sido produzida; II) a diligência investigativa já tinha sido concluída. Nesse contexto, franquear à defesa o acesso às imagens das câmeras de segurança não seria diligência, mas sim disponibilizar aquilo que já estava em poder da autoridade policial desde a época do suposto delito. Por oportuno, o simples fato de os agentes investigativos não terem encontrado nada supostamente relevante não afasta Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E31D-3D9F-CD3A-CFAB e senha 71B9-2C9E-108C-3002 Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 19 Relatório RCL 56645 ED-AGR / PB a necessidade de a íntegra das imagens ser disponibilizada ao agravante, principalmente porque lá podem existir registros que materializem sua tese de negativa de autoria. Ademais, o enfoque constitucional da matéria é outro, e versa unicamente sobre a necessidade de ser franqueado à defesa o acesso à integralidade das diligências realizadas. Para melhor elucidação, aplica-se, por analogia, o raciocínio utilizado nas interceptações telefônicas. Nesse instituto, os investigadores transcrevem o que acham de relevante das gravações, mas isso não afasta a necessidade de o inteiro teor das mídias da interceptação ser disponibilizado nos autos.” (págs. 4-5 do documento eletrônico 33). Ao final, formula os seguintes requerimentos: “A. Anular a sessão do júri e os atos posteriores que houverem eventualmente ocorrido no processo de origem, em razão de violação à Súmula Vinculante n 14 que causou grave prejuízo ao agravante, uma vez que não lhe foi franqueado acesso às imagens das câmeras de segurança que foram utilizadas no inquérito policial – diligência já finalizada e não abarcada no art. 422 do CPP; B. Determinar ao juízo de origem a disponibilização das mídias das câmeras de segurança das empresas ‘Mais Trigo Distribuidora’ e ‘Seletronic’, no dia 14/09/2015, a que teve acesso a autoridade policial no inquérito, sob pena de nulidade, por violação à Súmula Vinculante n 14.” (pág. 6 do documento eletrônico 33). É o relatório. 2 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E31D-3D9F-CD3A-CFAB e senha 71B9-2C9E-108C-3002 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB a necessidade de a íntegra das imagens ser disponibilizada ao agravante, principalmente porque lá podem existir registros que materializem sua tese de negativa de autoria. Ademais, o enfoque constitucional da matéria é outro, e versa unicamente sobre a necessidade de ser franqueado à defesa o acesso à integralidade das diligências realizadas. Para melhor elucidação, aplica-se, por analogia, o raciocínio utilizado nas interceptações telefônicas. Nesse instituto, os investigadores transcrevem o que acham de relevante das gravações, mas isso não afasta a necessidade de o inteiro teor das mídias da interceptação ser disponibilizado nos autos.” (págs. 4-5 do documento eletrônico 33). Ao final, formula os seguintes requerimentos: “A. Anular a sessão do júri e os atos posteriores que houverem eventualmente ocorrido no processo de origem, em razão de violação à Súmula Vinculante n 14 que causou grave prejuízo ao agravante, uma vez que não lhe foi franqueado acesso às imagens das câmeras de segurança que foram utilizadas no inquérito policial – diligência já finalizada e não abarcada no art. 422 do CPP; B. Determinar ao juízo de origem a disponibilização das mídias das câmeras de segurança das empresas ‘Mais Trigo Distribuidora’ e ‘Seletronic’, no dia 14/09/2015, a que teve acesso a autoridade policial no inquérito, sob pena de nulidade, por violação à Súmula Vinculante n 14.” (pág. 6 do documento eletrônico 33). É o relatório. 2 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E31D-3D9F-CD3A-CFAB e senha 71B9-2C9E-108C-3002 Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA VOTO O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski (Relator): Bem reexaminados os autos, verifico que a decisão agravada não merece reforma ou qualquer correção. A análise da reclamação foi exauriente, respeitados os estreitos limites deste meio processual. Por oportuno, transcrevo o inteiro teor da decisão agravada: “Trata-se de reclamação com pedido de liminar proposta por Jonatha Oliveira de Sousa Pontes para garantir a observância do enunciado da Súmula Vinculante 14 pelo Juízo da 2... Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Campina Grande/PB. A defesa técnica narra, em síntese, o seguinte: ‘Extrai-se dos autos que, ainda em sede de inquérito, a autoridade policial solicitou das empresas ‘Mais Trigo Distribuidora’ e ‘Seletronic’ (anexo 3 – págs. 1 e 2), no dia 14/09/2015, as imagens das câmeras de segurança no dia e horário do suposto homicídio investigado neste processo. Dando continuidade à marcha processual, no anexo 3 - pág. 3, surgiu relatório de ordem de missão argumentando que, das imagens das câmeras de segurança, não foi possível identificar o veículo utilizado na suposta fuga. Todavia, analisando-se os autos eletrônicos, percebe- se que as referidas imagens não foram juntadas a este caderno processual, razão pela qual o requerente solicitou acesso a seu conteúdo (anexo 2). Apesar de reconhecer tacitamente a ausência das imagens de câmera de segurança nos autos, o juízo de origem negou o pedido de requisição de seu conteúdo à autoridade policial, sob o argumento de que o Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA VOTO O Senhor Ministro Ricardo Lewandowski (Relator): Bem reexaminados os autos, verifico que a decisão agravada não merece reforma ou qualquer correção. A análise da reclamação foi exauriente, respeitados os estreitos limites deste meio processual. Por oportuno, transcrevo o inteiro teor da decisão agravada: “Trata-se de reclamação com pedido de liminar proposta por Jonatha Oliveira de Sousa Pontes para garantir a observância do enunciado da Súmula Vinculante 14 pelo Juízo da 2... Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Campina Grande/PB. A defesa técnica narra, em síntese, o seguinte: ‘Extrai-se dos autos que, ainda em sede de inquérito, a autoridade policial solicitou das empresas ‘Mais Trigo Distribuidora’ e ‘Seletronic’ (anexo 3 – págs. 1 e 2), no dia 14/09/2015, as imagens das câmeras de segurança no dia e horário do suposto homicídio investigado neste processo. Dando continuidade à marcha processual, no anexo 3 - pág. 3, surgiu relatório de ordem de missão argumentando que, das imagens das câmeras de segurança, não foi possível identificar o veículo utilizado na suposta fuga. Todavia, analisando-se os autos eletrônicos, percebe- se que as referidas imagens não foram juntadas a este caderno processual, razão pela qual o requerente solicitou acesso a seu conteúdo (anexo 2). Apesar de reconhecer tacitamente a ausência das imagens de câmera de segurança nos autos, o juízo de origem negou o pedido de requisição de seu conteúdo à autoridade policial, sob o argumento de que o Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB requerimento deveria ter sido feito na fase do art. 422 do CPP, bem como de que não houve demonstração de prejuízo (anexo 1). Diante disso, visando à proteção do processo e à efetividade da plenitude de defesa no plenário do júri, é necessária a disponibilização das imagens das câmeras de segurança com urgência, ante a proximidade do julgamento para 27/10/2022 (anexo 4). É importante salientar que, ao contrário do que argumentou o magistrado, a ausência dessas imagens utilizadas pela autoridade policial causa grave prejuízo ao acusado, uma vez que lá podem existir provas incontestes ou elementos que corroborem sua tese de negativa de autoria, sustentada no interrogatório e nas alegações finais (anexo З). É de se registrar que não há como se exigir do reclamante a indicação específica sobre qual momento das referidas imagens poderá auxiliar sua tese, já que não se tem conhecimento do seu conteúdo. Exigir tal evidência neste momento, com a devida vênia, geraria o dever de produção de prova diabólica. Ainda, por oportuno, é de se registrar que a defensora subscrita teve contato com este processo apenas quando foi designada para atuar na sessão do júri, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade de algibeira ou deslealdade processual. Por fim, a ausência de disponibilização da mídia requerida é matéria de ordem pública, já que está umbilicalmente ligada à efetividade da plenitude de defesa, de sorte que não pode ser abarcada pela preclusão temporal do art. 422 do CPP.’ (pág. 2 do documento eletrônico 1). Ao final, requer: ‘A. Com urgência, liminarmente, suspender a realização da sessão do júri designada para o dia 27/10/2022 (amanhã), com fulcro no art. 989, II, do Código de Processo Civil c/c 2 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB requerimento deveria ter sido feito na fase do art. 422 do CPP, bem como de que não houve demonstração de prejuízo (anexo 1). Diante disso, visando à proteção do processo e à efetividade da plenitude de defesa no plenário do júri, é necessária a disponibilização das imagens das câmeras de segurança com urgência, ante a proximidade do julgamento para 27/10/2022 (anexo 4). É importante salientar que, ao contrário do que argumentou o magistrado, a ausência dessas imagens utilizadas pela autoridade policial causa grave prejuízo ao acusado, uma vez que lá podem existir provas incontestes ou elementos que corroborem sua tese de negativa de autoria, sustentada no interrogatório e nas alegações finais (anexo З). É de se registrar que não há como se exigir do reclamante a indicação específica sobre qual momento das referidas imagens poderá auxiliar sua tese, já que não se tem conhecimento do seu conteúdo. Exigir tal evidência neste momento, com a devida vênia, geraria o dever de produção de prova diabólica. Ainda, por oportuno, é de se registrar que a defensora subscrita teve contato com este processo apenas quando foi designada para atuar na sessão do júri, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade de algibeira ou deslealdade processual. Por fim, a ausência de disponibilização da mídia requerida é matéria de ordem pública, já que está umbilicalmente ligada à efetividade da plenitude de defesa, de sorte que não pode ser abarcada pela preclusão temporal do art. 422 do CPP.’ (pág. 2 do documento eletrônico 1). Ao final, requer: ‘A. Com urgência, liminarmente, suspender a realização da sessão do júri designada para o dia 27/10/2022 (amanhã), com fulcro no art. 989, II, do Código de Processo Civil c/c 2 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 6 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB art. 158 do RISTF; B. No mérito, confirmar a liminar e julgar procedente a presente reclamação para determinar ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial, sob pena de nulidade por violação à Súmula Vinculante n 14; C. Pelo princípio da eventualidade, na remota hipótese de o pedido liminar ter sido julgado prejudicado pelo decurso do tempo, anular a sessão do júri e os atos posteriores que houverem eventualmente ocorrido no processo de origem, em razão de violação à Súmula Vinculante n 14 que causou grave prejuízo ao reclamante.’ (pág. 6 do documento eletrônico 1). Em 27/10/2022, indeferi o pedido de liminar por entender que ele não estaria suficientemente fundamentado, reservando- me ao exame mais aprofundado da matéria por ocasião do julgamento do mérito. Instada a se manifestar, a autoridade reclamada prestou informações, in verbis: ‘A Defesa alega que não teve acesso às imagens de câmeras de segurança obtidas pela autoridade policial durante as investigações, oriundas de câmeras de empresas localizadas na região onde ocorreu o crime de homicídio que vitimou Francisco Anselmo Gonçalves da Silva, ocorrido em 12 de setembro de 2015, nas proximidades de uma praça no bairro do Catolé, nesta cidade. Compulsando-se os autos, vê-se que a Defesa peticionou 04 (quatro) dias antes da data agendada para a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri, pugnando pelo acesso às referidas mídias. Analisando-se o caderno processual, vê-se que o ofício que faz referência às imagens recentemente solicitadas pela Defesa encontra-se juntado aos autos desde o ano de 2015, sem que tais mídias tenham sido requeridas pela parte desde então. Segundo o documento, não foi possível, nas imagens obtidas, a visualização e 3 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB art. 158 do RISTF; B. No mérito, confirmar a liminar e julgar procedente a presente reclamação para determinar ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial, sob pena de nulidade por violação à Súmula Vinculante n 14; C. Pelo princípio da eventualidade, na remota hipótese de o pedido liminar ter sido julgado prejudicado pelo decurso do tempo, anular a sessão do júri e os atos posteriores que houverem eventualmente ocorrido no processo de origem, em razão de violação à Súmula Vinculante n 14 que causou grave prejuízo ao reclamante.’ (pág. 6 do documento eletrônico 1). Em 27/10/2022, indeferi o pedido de liminar por entender que ele não estaria suficientemente fundamentado, reservando- me ao exame mais aprofundado da matéria por ocasião do julgamento do mérito. Instada a se manifestar, a autoridade reclamada prestou informações, in verbis: ‘A Defesa alega que não teve acesso às imagens de câmeras de segurança obtidas pela autoridade policial durante as investigações, oriundas de câmeras de empresas localizadas na região onde ocorreu o crime de homicídio que vitimou Francisco Anselmo Gonçalves da Silva, ocorrido em 12 de setembro de 2015, nas proximidades de uma praça no bairro do Catolé, nesta cidade. Compulsando-se os autos, vê-se que a Defesa peticionou 04 (quatro) dias antes da data agendada para a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri, pugnando pelo acesso às referidas mídias. Analisando-se o caderno processual, vê-se que o ofício que faz referência às imagens recentemente solicitadas pela Defesa encontra-se juntado aos autos desde o ano de 2015, sem que tais mídias tenham sido requeridas pela parte desde então. Segundo o documento, não foi possível, nas imagens obtidas, a visualização e 3 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 7 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB identificação da motocicleta que teria sido utilizada para a fuga dos autores do crime. Com efeito, aberto o prazo estipulado no art. 422 do CPP, a Defesa nada requereu. Somente o fez faltando apenas 04 (quatro) dias para a realização da sessão de julgamento. Dessarte, não tendo sido obedecido o prazo do art. 422, tampouco demonstrado o prejuízo para a Defesa pela ausência de tais imagens, as quais não foram utilizadas na acusação, o pedido foi indeferido por este Juízo. No dia 27 de outubro de 2022, o réu Jonatha Oliveira de Sousa Pontes foi julgado pelo Conselho de Sentença e condenado a uma pena de 18 (dezoito) anos de reclusão, tendo sido mantida sua prisão preventiva. O réu encontra- se em local incerto e não sabido. Os autos encontram-se aguardando o trânsito em julgado da sentença. Sendo essas as informações que presto a Vossa Excelência, fico à disposição para maiores esclarecimentos caso seja necessário.’ (págs. 3-4 do documento eletrônico 14; grifado no original). A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela procedência do pedido, em parecer assim ementado: ‘Reclamação. Tribunal do Júri. Mídia não juntada aos autos. Imagens de câmeras de segurança que remontam à época do crime, em 2015. Indeferimento do pedido de requisição feito em 2022, sob o fundamento de ausência de manifestação da Defesa no prazo legal, impossibilidade de identificação, pelas imagens, da motocicleta usada na fuga, e não demonstração de prejuízo pela Defesa. Alegada violação à Súmula Vinculante 14. Informações que dizem respeito ao momento do crime imputado ao réu. Direito de acesso à mídia, ainda que a solicitação pela Defensoria Pública tenha ocorrido após o prazo legal. Mesmo que o ofício a que se refere a decisão reclamada tenha afirmado não ser possível a identificação da motocicleta utilizada na fuga, caberia à 4 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB identificação da motocicleta que teria sido utilizada para a fuga dos autores do crime. Com efeito, aberto o prazo estipulado no art. 422 do CPP, a Defesa nada requereu. Somente o fez faltando apenas 04 (quatro) dias para a realização da sessão de julgamento. Dessarte, não tendo sido obedecido o prazo do art. 422, tampouco demonstrado o prejuízo para a Defesa pela ausência de tais imagens, as quais não foram utilizadas na acusação, o pedido foi indeferido por este Juízo. No dia 27 de outubro de 2022, o réu Jonatha Oliveira de Sousa Pontes foi julgado pelo Conselho de Sentença e condenado a uma pena de 18 (dezoito) anos de reclusão, tendo sido mantida sua prisão preventiva. O réu encontra- se em local incerto e não sabido. Os autos encontram-se aguardando o trânsito em julgado da sentença. Sendo essas as informações que presto a Vossa Excelência, fico à disposição para maiores esclarecimentos caso seja necessário.’ (págs. 3-4 do documento eletrônico 14; grifado no original). A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela procedência do pedido, em parecer assim ementado: ‘Reclamação. Tribunal do Júri. Mídia não juntada aos autos. Imagens de câmeras de segurança que remontam à época do crime, em 2015. Indeferimento do pedido de requisição feito em 2022, sob o fundamento de ausência de manifestação da Defesa no prazo legal, impossibilidade de identificação, pelas imagens, da motocicleta usada na fuga, e não demonstração de prejuízo pela Defesa. Alegada violação à Súmula Vinculante 14. Informações que dizem respeito ao momento do crime imputado ao réu. Direito de acesso à mídia, ainda que a solicitação pela Defensoria Pública tenha ocorrido após o prazo legal. Mesmo que o ofício a que se refere a decisão reclamada tenha afirmado não ser possível a identificação da motocicleta utilizada na fuga, caberia à 4 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB Defensoria Pública, no caso, manifestar-se sobre as imagens e concluir pela possibilidade de sua utilização ou não na defesa do réu. O acesso amplo a todos os elementos de prova é direito da Defesa, desde que não digam respeito a diligências em andamento e cujo acesso possa prejudicar o curso das investigações. Excepcionalidade não alegada pelo Juízo Reclamado. Precedente do Supremo Tribunal Federal: ‘Nada, absolutamente nada, respalda ocultar de envolvido dados contidos em autos de procedimento investigativo ou em processo alusivo à ação penal, pouco importando eventual sigilo do que documentado’, Rcl 31.213/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJe de 16/10/2018. Parecer pela procedência da Reclamação.’ (pág. 1 do documento eletrônico 16). É o relatório. Decido. Transcrevo, por oportuno, o inteiro teor da decisão reclamada: ‘Vistos etc. Analisando-se os autos, vê-se que o ofício que faz referência às imagens agora solicitadas pela Defesa encontra-se juntado aos autos desde o ano de 2015 sem que tais mídias tenham sido requeridas pela parte desde então. Segundo o documento, não foi possível, nas imagens obtidas, a visualização e identificação da motocicleta que teria sido utilizada para a fuga dos autores do crime. Com efeito, aberto o prazo estipulado no art. 422, a Defesa nada requereu. Somente o fez neste momento, faltando apenas 04 (quatro) dias para a realização da sessão de julgamento. Dessarte, não tendo sido obedecido o prazo do art. 422, tampouco demonstrado o prejuízo para a Defesa pela ausência de tais imagens, indefiro o pedido de id. 65070039. Intime-se. Cumpra-se.’ (pág. 2 do documento eletrônico 2). Conforme se verifica, inexiste violação à Súmula 5 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB Defensoria Pública, no caso, manifestar-se sobre as imagens e concluir pela possibilidade de sua utilização ou não na defesa do réu. O acesso amplo a todos os elementos de prova é direito da Defesa, desde que não digam respeito a diligências em andamento e cujo acesso possa prejudicar o curso das investigações. Excepcionalidade não alegada pelo Juízo Reclamado. Precedente do Supremo Tribunal Federal: ‘Nada, absolutamente nada, respalda ocultar de envolvido dados contidos em autos de procedimento investigativo ou em processo alusivo à ação penal, pouco importando eventual sigilo do que documentado’, Rcl 31.213/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJe de 16/10/2018. Parecer pela procedência da Reclamação.’ (pág. 1 do documento eletrônico 16). É o relatório. Decido. Transcrevo, por oportuno, o inteiro teor da decisão reclamada: ‘Vistos etc. Analisando-se os autos, vê-se que o ofício que faz referência às imagens agora solicitadas pela Defesa encontra-se juntado aos autos desde o ano de 2015 sem que tais mídias tenham sido requeridas pela parte desde então. Segundo o documento, não foi possível, nas imagens obtidas, a visualização e identificação da motocicleta que teria sido utilizada para a fuga dos autores do crime. Com efeito, aberto o prazo estipulado no art. 422, a Defesa nada requereu. Somente o fez neste momento, faltando apenas 04 (quatro) dias para a realização da sessão de julgamento. Dessarte, não tendo sido obedecido o prazo do art. 422, tampouco demonstrado o prejuízo para a Defesa pela ausência de tais imagens, indefiro o pedido de id. 65070039. Intime-se. Cumpra-se.’ (pág. 2 do documento eletrônico 2). Conforme se verifica, inexiste violação à Súmula 5 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB Vinculante 14, que assegura ao defensor regularmente constituído, no interesse do representado, ‘acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa’. No caso sob exame, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido pelo art. 422 do Código de Processo Penal – CPP, litteris: ‘Art. 422. Ao receber os autos, o presidente do Tribunal do Júri determinará a intimação do órgão do Ministério Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, para, no prazo de 5 (cinco) dias, apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5 (cinco), oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligência.’ Nesse contexto, entendo afigurar-se legítima a decisão reclamada, na linha, aliás, do seguinte precedente que menciono a seguir: ‘JÚRI – PROVA – OPORTUNIDADE. Consoante dispõem os artigos 422 e 423 do Código de Processo Penal, requerimento de prova a ser feita no Plenário deve vir à balha no prazo de cinco dias após a intimação para tanto.’ (HC 99.184/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma). Com efeito, o art. 422 do CPP marca o início da segunda fase do procedimento bifásico do Júri: a da preparação para o julgamento pelo Tribunal do Júri. E com a reforma pela qual passou o processo penal, por meio da Lei 11.689/2008, buscou- se desestimular incidentes que levassem a não realização da sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri. Nessa linha, o art. 457 do CPP, com a redação dada pela referida lei, assentou que até mesmo o não comparecimento do acusado solto, do assistente ou do advogado do querelante que tiver sido regularmente intimado não justificariam o adiamento do julgamento. Do mesmo modo, o art. 461 do CPP estabelece que o 6 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB Vinculante 14, que assegura ao defensor regularmente constituído, no interesse do representado, ‘acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa’. No caso sob exame, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido pelo art. 422 do Código de Processo Penal – CPP, litteris: ‘Art. 422. Ao receber os autos, o presidente do Tribunal do Júri determinará a intimação do órgão do Ministério Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, para, no prazo de 5 (cinco) dias, apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5 (cinco), oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligência.’ Nesse contexto, entendo afigurar-se legítima a decisão reclamada, na linha, aliás, do seguinte precedente que menciono a seguir: ‘JÚRI – PROVA – OPORTUNIDADE. Consoante dispõem os artigos 422 e 423 do Código de Processo Penal, requerimento de prova a ser feita no Plenário deve vir à balha no prazo de cinco dias após a intimação para tanto.’ (HC 99.184/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma). Com efeito, o art. 422 do CPP marca o início da segunda fase do procedimento bifásico do Júri: a da preparação para o julgamento pelo Tribunal do Júri. E com a reforma pela qual passou o processo penal, por meio da Lei 11.689/2008, buscou- se desestimular incidentes que levassem a não realização da sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri. Nessa linha, o art. 457 do CPP, com a redação dada pela referida lei, assentou que até mesmo o não comparecimento do acusado solto, do assistente ou do advogado do querelante que tiver sido regularmente intimado não justificariam o adiamento do julgamento. Do mesmo modo, o art. 461 do CPP estabelece que o 6 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB julgamento não será adiado se a testemunha deixar de comparecer, salvo se uma das partes tiver requerido a sua intimação por mandado, declarando não prescindir do depoimento e indicando a sua localização. Mas, destaque-se: da mesma forma que o requerimento de diligências, o pedido de intimação por mandado também deverá ser feito no prazo previsto pelo art. 422 do CPP. De acordo com esse entendimento, menciono o HC 92.819/RJ, da relatoria da Ministra Ellen Gracie: ‘DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. NULIDADE ABSOLUTA. PROCEDIMENTO DO JÚRI. FALTA DE COMPARECIMENTO DE TESTEMUNHA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DOSIMETRIA DA PENA. CONTINUIDADE ESPECÍFICA. TENTATIVAS DE HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO. DENEGAÇÃO DA ORDEM. 1. Duas são as questões de direito tratadas neste habeas corpus: a) pretensa nulidade absoluta no julgamento do paciente pelo tribunal do júri em razão do não- comparecimento de duas testemunhas; b) alegado equívoco na dosimetria da pena imposta ao paciente devido à continuidade delitiva. 2. No Direito brasileiro, a falta de qualquer das testemunhas não será motivo para o adiamento da sessão do tribunal do júri, salvo se alguma das partes houver requerido sua intimação, declarando expressamente não prescindir do depoimento, com indicação de seu paradeiro para intimação (CPP, art. 455, caput). 3. Com o advento da Lei n 11.689, de 09 de junho de 2008 (que ainda não está em vigor, devido ao prazo de vacatio legis), há clara indicação do desestímulo quanto à não-realização da sessão de julgamento pelo tribunal do júri. Assim, o julgamento não será adiado em razão do não comparecimento do acusado solto, do assistente de acusação ou do advogado do querelante que fora 7 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB julgamento não será adiado se a testemunha deixar de comparecer, salvo se uma das partes tiver requerido a sua intimação por mandado, declarando não prescindir do depoimento e indicando a sua localização. Mas, destaque-se: da mesma forma que o requerimento de diligências, o pedido de intimação por mandado também deverá ser feito no prazo previsto pelo art. 422 do CPP. De acordo com esse entendimento, menciono o HC 92.819/RJ, da relatoria da Ministra Ellen Gracie: ‘DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. NULIDADE ABSOLUTA. PROCEDIMENTO DO JÚRI. FALTA DE COMPARECIMENTO DE TESTEMUNHA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DOSIMETRIA DA PENA. CONTINUIDADE ESPECÍFICA. TENTATIVAS DE HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO. DENEGAÇÃO DA ORDEM. 1. Duas são as questões de direito tratadas neste habeas corpus: a) pretensa nulidade absoluta no julgamento do paciente pelo tribunal do júri em razão do não- comparecimento de duas testemunhas; b) alegado equívoco na dosimetria da pena imposta ao paciente devido à continuidade delitiva. 2. No Direito brasileiro, a falta de qualquer das testemunhas não será motivo para o adiamento da sessão do tribunal do júri, salvo se alguma das partes houver requerido sua intimação, declarando expressamente não prescindir do depoimento, com indicação de seu paradeiro para intimação (CPP, art. 455, caput). 3. Com o advento da Lei n 11.689, de 09 de junho de 2008 (que ainda não está em vigor, devido ao prazo de vacatio legis), há clara indicação do desestímulo quanto à não-realização da sessão de julgamento pelo tribunal do júri. Assim, o julgamento não será adiado em razão do não comparecimento do acusado solto, do assistente de acusação ou do advogado do querelante que fora 7 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB regularmente intimado (nova redação do art. 457, do CPP). A respeito do não comparecimento de testemunha, o art. 461, do CPP (na nova redação dada pela referida Lei n 11.689/08), reproduz substancialmente o tratamento atual. 4. Não houve o apontado vício na sessão de julgamento, tanto assim é que constou da própria ata de julgamento o requerimento feito pela defesa no sentido da substituição de testemunha, o que foi indeferido. 5. O Direito Processual Penal, na contemporaneidade, não pode mais se basear em fórmulas arcaicas, despidas de efetividade e distantes da realidade subjacente, o que é revelado pelo recente movimento de reforma do Código de Processo Penal com a edição das Leis ns. 11.689 e 11.690, ambas de 09 de junho de 2008, inclusive com várias alterações no âmbito do procedimento do tribunal do júri. 6. O regime das nulidades processuais no Direito Processual Penal é regido por determinados princípios, entre os quais aquele representado pelo brocardo pas de nullité sans grief. A impetrante não indica, concretamente, qual teria sido o prejuízo sofrido pelo paciente. 7. Ao paciente foi reconhecida a presença de continuidade específica nas tentativas de homicídio duplamente qualificado. O aumento da pena em razão do crime continuado se fundamentou na regra consoante a qual nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas até o triplo (Código Penal Brasileiro, art. 71, parágrafo único), levando em consideração as circunstâncias judiciais do art. 59, do Código Penal, especialmente as de índole subjetiva. 8. Houve adequada e expressa fundamentação no acórdão do Tribunal de Justiça a respeito do fator de aumento da pena corporal em razão do crime continuado 8 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB regularmente intimado (nova redação do art. 457, do CPP). A respeito do não comparecimento de testemunha, o art. 461, do CPP (na nova redação dada pela referida Lei n 11.689/08), reproduz substancialmente o tratamento atual. 4. Não houve o apontado vício na sessão de julgamento, tanto assim é que constou da própria ata de julgamento o requerimento feito pela defesa no sentido da substituição de testemunha, o que foi indeferido. 5. O Direito Processual Penal, na contemporaneidade, não pode mais se basear em fórmulas arcaicas, despidas de efetividade e distantes da realidade subjacente, o que é revelado pelo recente movimento de reforma do Código de Processo Penal com a edição das Leis ns. 11.689 e 11.690, ambas de 09 de junho de 2008, inclusive com várias alterações no âmbito do procedimento do tribunal do júri. 6. O regime das nulidades processuais no Direito Processual Penal é regido por determinados princípios, entre os quais aquele representado pelo brocardo pas de nullité sans grief. A impetrante não indica, concretamente, qual teria sido o prejuízo sofrido pelo paciente. 7. Ao paciente foi reconhecida a presença de continuidade específica nas tentativas de homicídio duplamente qualificado. O aumento da pena em razão do crime continuado se fundamentou na regra consoante a qual nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas até o triplo (Código Penal Brasileiro, art. 71, parágrafo único), levando em consideração as circunstâncias judiciais do art. 59, do Código Penal, especialmente as de índole subjetiva. 8. Houve adequada e expressa fundamentação no acórdão do Tribunal de Justiça a respeito do fator de aumento da pena corporal em razão do crime continuado 8 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB específico, havendo apenas o limite da pena fixada pelo crime continuado não ultrapassar a pena do concurso material, o que foi rigorosamente observado no julgamento da apelação. 9. Habeas corpus denegado.’ (HC 92.819/RJ, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma). Isso posto, julgo improcedente o pedido (art. 161, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal – RISTF).” (documento eletrônico 26). De fato, julguei improcedente o pedido de determinar-se ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial por não vislumbrar violação à Súmula Vinculante 14. Como destacado, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido no art. 422 do Código de Processo Penal – CPP. No recurso sob análise, a parte agravante alega que o franqueamento do acesso às imagens das câmeras de segurança não é abarcado por tal artigo, uma vez que não se refere à produção de nova prova a ser utilizada em plenário, mas sim de disponibilizar à defesa elementos informativos que já foram produzidos no inquérito policial. Ocorre que, no prazo de 5 (cinco) dias estabelecido pelo art. 422 do CPP, o juiz determinará a intimação do Ministério Público e da defesa para apresentar rol de testemunhas, juntar documentos e requerer quaisquer diligências ou novas provas entendidas como pertinentes. Essa é a lição de Guilherme de Souza Nucci, in verbis: “Manifestação das partes: aberta a fase de preparação do plenário, as partes serão intimadas a apresentar o rol de testemunhas que pretendam ouvir (cinco para cada uma), bem 9 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB específico, havendo apenas o limite da pena fixada pelo crime continuado não ultrapassar a pena do concurso material, o que foi rigorosamente observado no julgamento da apelação. 9. Habeas corpus denegado.’ (HC 92.819/RJ, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma). Isso posto, julgo improcedente o pedido (art. 161, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal – RISTF).” (documento eletrônico 26). De fato, julguei improcedente o pedido de determinar-se ao juízo de origem a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial por não vislumbrar violação à Súmula Vinculante 14. Como destacado, a autoridade reclamada indeferiu o pedido de diligência formulado pela defesa técnica diante do não atendimento ao prazo estabelecido no art. 422 do Código de Processo Penal – CPP. No recurso sob análise, a parte agravante alega que o franqueamento do acesso às imagens das câmeras de segurança não é abarcado por tal artigo, uma vez que não se refere à produção de nova prova a ser utilizada em plenário, mas sim de disponibilizar à defesa elementos informativos que já foram produzidos no inquérito policial. Ocorre que, no prazo de 5 (cinco) dias estabelecido pelo art. 422 do CPP, o juiz determinará a intimação do Ministério Público e da defesa para apresentar rol de testemunhas, juntar documentos e requerer quaisquer diligências ou novas provas entendidas como pertinentes. Essa é a lição de Guilherme de Souza Nucci, in verbis: “Manifestação das partes: aberta a fase de preparação do plenário, as partes serão intimadas a apresentar o rol de testemunhas que pretendam ouvir (cinco para cada uma), bem 9 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 19 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RCL 56645 ED-AGR / PB como podem formular requerimentos para a produção de provas, diligências ou juntada de documentos. Terão cinco dias, cada parte, para a manifestação.” (Código de Processo Penal Comentado. Rio de Janeiro: Forense, 19... ed. 2020, p. 892; grifado no original). Por fim, registro uma vez mais que o requerimento de diligência ou de prova a ser feita em plenário deve obedecer ao prazo de 5 (cinco) dias previsto no art. 422 do CPP, sob pena de preclusão. Com essa compreensão, anoto o ensinamento de Renato Brasileiro de Lima: “Especificação das demais provas que as partes pretendem produzir em plenário: o art. 422 do CPP prevê o momento procedimental adequado par as partes indicarem as provas que pretendem produzir no plenário do júri. Enfim, podem não apenas arrolar testemunhas que irão depor perante os jurados, mas também juntar documentos e requerer diligências (v.g., reconstituição do crime, complementação do laudo pericial, etc.). Apesar do caráter facultativo dessa manifestação, é bom lembrar que, não se pronunciando a parte nesse momento, estará preclusa a oportunidade de requerer a produção de provas no plenário do júri, sem que se possa objetar eventual cerceamento da acusação (ou da defesa).” (Código de Processo Penal comentado. Salvador: Juspodium, 6... ed. rev., atual. e ampl. 2021, p. 1280; grifado). Assim, bem reexaminada a questão, entendo que o recurso revela o mero inconformismo do agravante com a decisão que não lhe foi favorável. Isso posto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto. 10 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB como podem formular requerimentos para a produção de provas, diligências ou juntada de documentos. Terão cinco dias, cada parte, para a manifestação.” (Código de Processo Penal Comentado. Rio de Janeiro: Forense, 19... ed. 2020, p. 892; grifado no original). Por fim, registro uma vez mais que o requerimento de diligência ou de prova a ser feita em plenário deve obedecer ao prazo de 5 (cinco) dias previsto no art. 422 do CPP, sob pena de preclusão. Com essa compreensão, anoto o ensinamento de Renato Brasileiro de Lima: “Especificação das demais provas que as partes pretendem produzir em plenário: o art. 422 do CPP prevê o momento procedimental adequado par as partes indicarem as provas que pretendem produzir no plenário do júri. Enfim, podem não apenas arrolar testemunhas que irão depor perante os jurados, mas também juntar documentos e requerer diligências (v.g., reconstituição do crime, complementação do laudo pericial, etc.). Apesar do caráter facultativo dessa manifestação, é bom lembrar que, não se pronunciando a parte nesse momento, estará preclusa a oportunidade de requerer a produção de provas no plenário do júri, sem que se possa objetar eventual cerceamento da acusação (ou da defesa).” (Código de Processo Penal comentado. Salvador: Juspodium, 6... ed. rev., atual. e ampl. 2021, p. 1280; grifado). Assim, bem reexaminada a questão, entendo que o recurso revela o mero inconformismo do agravante com a decisão que não lhe foi favorável. Isso posto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto. 10 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0589-614D-63A8-575D e senha A90C-E377-D579-86F5 Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 19 Voto Vogal 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO V O T O O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES: Trata-se de agravo regimental interposto pelo Defensor Público-Geral do Estado da Paraíba contra decisão proferida pelo Ministro Ricardo Lewandowski. Na presente reclamação busca-se, em síntese, o acesso às imagens das câmeras de segurança relacionadas aos fatos descritos na denúncia e que, embora mencionadas em relatório policial, não teriam sido disponibilizadas à defesa. Aduz a parte reclamante que “a ausência de disponibilização da mídia requerida é matéria de ordem pública, já que está umbilicalmente ligada à efetividade da plenitude de defesa, de sorte que não pode ser abarcada pela preclusão temporal do art. 422 do CPP”. A fim de amparar a propositura nos termos do inciso III do art. 988 do Código de Processo Civil, adota como parâmetro a Súmula Vinculante 14, que consagra a prerrogativa do defensor de acessar amplamente todos os elementos de prova documentados no decorrer da investigação procedimento judicial: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Conforme a jurisprudência desta Corte, o cabimento da reclamação depende da demonstração de estrita aderência entre o objeto do ato reclamado e o entendimento paradigma: “Direito Penal e Processual Penal. Agravo Interno na Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Supremo Tribunal Federal 06/03/2023 SEGUNDA TURMA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) :JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) :DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) :NÃO INDICADO V O T O O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES: Trata-se de agravo regimental interposto pelo Defensor Público-Geral do Estado da Paraíba contra decisão proferida pelo Ministro Ricardo Lewandowski. Na presente reclamação busca-se, em síntese, o acesso às imagens das câmeras de segurança relacionadas aos fatos descritos na denúncia e que, embora mencionadas em relatório policial, não teriam sido disponibilizadas à defesa. Aduz a parte reclamante que “a ausência de disponibilização da mídia requerida é matéria de ordem pública, já que está umbilicalmente ligada à efetividade da plenitude de defesa, de sorte que não pode ser abarcada pela preclusão temporal do art. 422 do CPP”. A fim de amparar a propositura nos termos do inciso III do art. 988 do Código de Processo Civil, adota como parâmetro a Súmula Vinculante 14, que consagra a prerrogativa do defensor de acessar amplamente todos os elementos de prova documentados no decorrer da investigação procedimento judicial: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Conforme a jurisprudência desta Corte, o cabimento da reclamação depende da demonstração de estrita aderência entre o objeto do ato reclamado e o entendimento paradigma: “Direito Penal e Processual Penal. Agravo Interno na Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 19 Voto Vogal RCL 56645 ED-AGR / PB Reclamação. Súmula Vinculante 14. Transcrição integral de diálogos em interceptação telefônica. Impossibilidade. Cerceamento de defesa. Não ocorrência. Precedentes. Agravo a que se nega provimento. 1. A reclamação exige estrita pertinência entre a decisão reclamada e o paradigma invocado. A questão discutida nos autos não se adequa ao conteúdo da Súmula Vinculante 14. 2. O Supremo Tribunal Federal afasta a necessidade de transcrição integral dos diálogos gravados durante quebra de sigilo telefônico, rejeitando alegação de cerceamento de defesa pela não transcrição de partes da interceptação irrelevantes para o embasamento da denúncia. 3. Ausência de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 4. Agravo interno a que se nega provimento”. (Rcl 33783 AgR, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 29/11/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-277 DIVULG 12-12-2019 PUBLIC 13-122019) (grifou-se). Nesse contexto, há de se estabelecer diferenciação ente as situações que compreendem injustificada recusa de acesso a elementos probatórios documentados nos autos, hipótese abarcada pelo enunciado da Súmula Vinculante 14, e as que dizem respeito ao indeferimento de diligências requeridas pelas partes, estas que, se por um lado podem em tese ensejar o reconhecimento de nulidade, por outro não guardam correlação direta com o conteúdo do paradigma tido como violado. Conforme já me manifestei (Rcl 55.918, julgada em 26.09.2022): “[...] O indeferimento de diligências não se equipara a negativa de acesso a elementos de prova já documentados nos autos, sendo apenas este o objeto da súmula invocada como parâmetro. Ademais, o Código de Processo Penal autoriza à defesa a ampla produção de provas. Faculta-lhe ainda o requerimento de diligências ao julgador, que não as deferirá se considerá-las irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. Não é obrigatório o deferimento de todas as diligências requeridas, até porque tal atuação inviabilizaria a adequada marcha processual. Assim, presidindo o feito, poderá, de forma 2 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB Reclamação. Súmula Vinculante 14. Transcrição integral de diálogos em interceptação telefônica. Impossibilidade. Cerceamento de defesa. Não ocorrência. Precedentes. Agravo a que se nega provimento. 1. A reclamação exige estrita pertinência entre a decisão reclamada e o paradigma invocado. A questão discutida nos autos não se adequa ao conteúdo da Súmula Vinculante 14. 2. O Supremo Tribunal Federal afasta a necessidade de transcrição integral dos diálogos gravados durante quebra de sigilo telefônico, rejeitando alegação de cerceamento de defesa pela não transcrição de partes da interceptação irrelevantes para o embasamento da denúncia. 3. Ausência de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 4. Agravo interno a que se nega provimento”. (Rcl 33783 AgR, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 29/11/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-277 DIVULG 12-12-2019 PUBLIC 13-122019) (grifou-se). Nesse contexto, há de se estabelecer diferenciação ente as situações que compreendem injustificada recusa de acesso a elementos probatórios documentados nos autos, hipótese abarcada pelo enunciado da Súmula Vinculante 14, e as que dizem respeito ao indeferimento de diligências requeridas pelas partes, estas que, se por um lado podem em tese ensejar o reconhecimento de nulidade, por outro não guardam correlação direta com o conteúdo do paradigma tido como violado. Conforme já me manifestei (Rcl 55.918, julgada em 26.09.2022): “[...] O indeferimento de diligências não se equipara a negativa de acesso a elementos de prova já documentados nos autos, sendo apenas este o objeto da súmula invocada como parâmetro. Ademais, o Código de Processo Penal autoriza à defesa a ampla produção de provas. Faculta-lhe ainda o requerimento de diligências ao julgador, que não as deferirá se considerá-las irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. Não é obrigatório o deferimento de todas as diligências requeridas, até porque tal atuação inviabilizaria a adequada marcha processual. Assim, presidindo o feito, poderá, de forma 2 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 19 Voto Vogal RCL 56645 ED-AGR / PB fundamentada, indeferir diligências demandadas pelas partes se não as considerar essenciais ao deslinde do feito. Tal atuação não equivale a indeferir acesso a elementos de provas documentados nos autos [...]”. No caso em exame o que se tem é a ausência processual da prova almejada (elemento, ao que tudo indica, descartado como de potencial interesse na fase de reconhecimento), e a não a sua negativa de disponibilização. Tanto é assim que o pedido formulado pela parte reclamante é para que seja determinada “a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial”, providência que desde sempre poderia ter sido postulada pela defesa, porquanto incontroverso que a referência às gravações fora consignada em relatório policial juntado ao feito já no ano de 2015. Não se cuida aqui ‒ desde sempre restrito ao espectro de abrangência da reclamação ‒ de nulidade por cerceamento de defesa, o que se cogitaria se ao acusado fosse negada diligência voltada à obtenção de informação essencial à comprovação das suas teses, cenário passível de configurar óbice à salvaguarda da investigação defensiva, instrumento primordial “ao estabelecimento de um efetivo equilíbrio de poderes entre acusação e defesa na esfera penal, ao viabilizar a obtenção de meios de prova relevantes para o confronto dos dados materiais reunidos na investigação pública, tendencialmente acusatória” (KISS, Vanessa de Morais. A investigação defensiva no processo penal brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2022. p. 44). Logo, não é caso de reclamação. Destaca-se, por fim, que não se vislumbra justificativa plausível para que a defesa tenha se omitido quando intimada para fins do art. 422 do Código de Processo Penal, bem como que não lhe socorre o prazo de três dias previsto no art. 479 do Código de Processo Penal, pois não há que se falar em juntada de documento novo, mas sim de requerimento extemporâneo de nova diligência. Feitas as devidas considerações, acompanho o voto do relator no 3 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB fundamentada, indeferir diligências demandadas pelas partes se não as considerar essenciais ao deslinde do feito. Tal atuação não equivale a indeferir acesso a elementos de provas documentados nos autos [...]”. No caso em exame o que se tem é a ausência processual da prova almejada (elemento, ao que tudo indica, descartado como de potencial interesse na fase de reconhecimento), e a não a sua negativa de disponibilização. Tanto é assim que o pedido formulado pela parte reclamante é para que seja determinada “a requisição das mídias das câmeras de segurança a que teve acesso a autoridade policial”, providência que desde sempre poderia ter sido postulada pela defesa, porquanto incontroverso que a referência às gravações fora consignada em relatório policial juntado ao feito já no ano de 2015. Não se cuida aqui ‒ desde sempre restrito ao espectro de abrangência da reclamação ‒ de nulidade por cerceamento de defesa, o que se cogitaria se ao acusado fosse negada diligência voltada à obtenção de informação essencial à comprovação das suas teses, cenário passível de configurar óbice à salvaguarda da investigação defensiva, instrumento primordial “ao estabelecimento de um efetivo equilíbrio de poderes entre acusação e defesa na esfera penal, ao viabilizar a obtenção de meios de prova relevantes para o confronto dos dados materiais reunidos na investigação pública, tendencialmente acusatória” (KISS, Vanessa de Morais. A investigação defensiva no processo penal brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2022. p. 44). Logo, não é caso de reclamação. Destaca-se, por fim, que não se vislumbra justificativa plausível para que a defesa tenha se omitido quando intimada para fins do art. 422 do Código de Processo Penal, bem como que não lhe socorre o prazo de três dias previsto no art. 479 do Código de Processo Penal, pois não há que se falar em juntada de documento novo, mas sim de requerimento extemporâneo de nova diligência. Feitas as devidas considerações, acompanho o voto do relator no 3 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 19 Voto Vogal RCL 56645 ED-AGR / PB sentido de negar provimento ao Agravo Regimental. 4 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Supremo Tribunal Federal RCL 56645 ED-AGR / PB sentido de negar provimento ao Agravo Regimental. 4 Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 16D6-E737-CADE-1F94 e senha 638F-7EC3-911C-2011 Inteiro Teor do Acórdão - Página 18 de 19 Extrato de Ata - 06/03/2023 SEGUNDA TURMA EXTRATO DE ATA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PROCED. : PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) : JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) : NÃO INDICADO Decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Segunda Turma, Sessão Virtual de 24.2.2023 a 3.3.2023. Composição: Ministros André Mendonça (Presidente), Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Edson Fachin e Nunes Marques. Hannah Gevartosky Secretária Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8270-1584-9FF9-56BB e senha 5489-2326-00D9-2F3D Supremo Tribunal Federal SEGUNDA TURMA EXTRATO DE ATA AG.REG. NOS EMB.DECL. NA RECLAMAÇÃO 56.645 PROCED. : PARAÍBA RELATOR : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI AGTE.(S) : JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES PROC.(A/S)(ES) : DEFENSOR PÚBLICO-GERAL DO ESTADO DA PARAÍBA AGDO.(A/S) : NÃO INDICADO Decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Segunda Turma, Sessão Virtual de 24.2.2023 a 3.3.2023. Composição: Ministros André Mendonça (Presidente), Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Edson Fachin e Nunes Marques. Hannah Gevartosky Secretária Documento assinado digitalmente conforme Medida Provisória n 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8270-1584-9FF9-56BB e senha 5489-2326-00D9-2F3D Inteiro Teor do Acórdão - Página 19 de 19
{ "JURISPRUDENCIA": [ "RECLAMAÇÃO 56 . 645", "RECLAMAÇÃO 56 . 645", "Súmula Vinculante n 14 .", "RCL 56645 ED", "Súmula Vinculante n 14", "Súmula Vinculante n 14 .", "RECLAMAÇÃO 56 . 645", "RECLAMAÇÃO 56 . 645", "RCL 56645 ED - AGR / PB", "RCL 56645", "RCL 56645", "Súmula Vinculante 14", "RCL 56645 ED -", "AGR / PB", "Rcl 31 . 213 / SP", "RCL 56645 ED", "Rcl 31 . 213 / SP", "HC 99 . 184 / RJ", "HC 99 . 184 / RJ", "RCL 56645 ED", "AGR", "HC 92 . 819 / RJ", "HC 92 . 819 / RJ", "RCL 56645", "HC 92 . 819 / RJ", "Súmula Vinculante 14", "RCL", "HC 92 . 819 / RJ", "Súmula Vinculante 14", "RECLAMAÇÃO 56 .", "RECLAMAÇÃO 56 . 645", "RCL 56645 ED - AGR / PB", "Rcl 33783 AgR", "Rcl 55 . 918", "Rcl 33783 AgR", "Rcl 55 . 918", "RCL 56645 ED - AGR / PB", "RCL 56645", "RCL 56645", "RCL 56645 ED", "RECLAMAÇÃO 56 . 645" ], "LEGISLACAO": [ "ART . 422 DO CPP", "art . 422 do Código de Processo Penal", "CPP", "art . 422 do CPP", "Lei 11 . 689 / 2008", "Lei 11 . 689 / 2008", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 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"CPP", "artigos 422 e 423 do Código de Processo Penal", "art .", "Lei 11 . 689 / 2008", "art . 457 do CPP", "art . 461 do CPP", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 422 do Código de Processo Penal", "CPP", "artigos 422 e 423 do Código de Processo Penal", "art . 422 do CPP", "Lei 11 . 689 / 2008", "art . 457 do CPP", "art . 461 do CPP", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 422 do CPP", "CPP , art . 455 , caput", "Lei n 11 . 689", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 422 do CPP", "CPP , art . 455 , caput", "Lei n 11 . 689", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 457 , do CPP", "art . 461 , do CPP", "Lei n 11 . 689 / 08", "Código de Processo Penal", "Leis ns . 11 . 689", "11", ".", "690", "Código Penal Brasileiro , art . 71 , parágrafo único", "art . 59 , do Código Penal", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 457 , do CPP", "art . 461 , do CPP", "Lei n 11 . 689 / 08", "Código de Processo Penal", "Leis ns . 11 . 689", "11", ".", "690", "Código Penal Brasileiro , art . 71 , parágrafo único", "art . 59 , do Código Penal", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 161 , parágrafo único , do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal", "art . 422 do Código de Processo Penal", "CPP", "art . 422 do CPP", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 161 , parágrafo único , do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal", "RISTF", "art . 422 do Código de Processo Penal", "CPP", "art . 422 do CPP", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "Código", "art . 422 do CPP", "art . 422 do CPP", "Código de Processo Penal", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "Código de Processo Penal Comentado", "art . 422 do CPP", "art . 422 do CPP", "Código de Processo Penal comentado", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 422 do CPP", "inciso III do art . 988 do Código de Processo Civil", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 422 do CPP", "inciso III do art . 988 do Código de Processo Civil", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "Código de Processo Penal", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "Código de Processo Penal", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 422 do Código de Processo Penal", "art . 479 do Código de Processo Penal", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "art . 422 do Código de Processo Penal", "art . 479 do Código de Processo Penal", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001", "Medida Provisória n 2 . 200 - 2 / 2001" ], "LOCAL": [ "PARAÍBA", "ESTADO DA PARAÍBA", "Brasília", "Brasília", "PARAÍBA", "ESTADO DA PARAÍBA", "PARAÍBA", "ESTADO DA PARAÍBA", "PARAÍBA", "PARAÍBA", "bairro do Catolé", "bairro do Catolé", "Rio de Janeiro", "Salvador", "Rio de Janeiro", "Salvador", "PARAÍBA", "ESTADO DA PARAÍBA", "Estado da Paraíba", "PARAÍBA", "ESTADO DA PARAÍBA", "Estado da Paraíba", "São Paulo", "São Paulo", "PARAÍBA", 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DE SOUSA PONTES", "Ricardo Lewandowski", "RICARDO LEWANDOWSKI", "Ricardo Lewandowski", "Jonatha Oliveira de Sousa Pontes", "Ricardo Lewandowski", "Jonatha Oliveira de Sousa Pontes", "RICARDO LEWANDOWSKI", "RICARDO LEWANDOWSKI", "Francisco Anselmo Gonçalves da Silva", "Francisco Anselmo Gonçalves da Silva", "RICARDO LEWANDOWSKI", "Jonatha Oliveira de Sousa Pontes", "Jonatha Oliveira de Sousa Pontes", "RICARDO LEWANDOWSKI", "MARCO AURÉLIO", "MARCO AURÉLIO", "RICARDO LEWANDOWSKI", "Marco Aurélio", "Marco Aurélio", "RICARDO LEWANDOWSKI", "Ellen Gracie", "Ellen Gracie", "RICARDO LEWANDOWSKI", "RICARDO LEWANDOWSKI", "Ellen Gracie", "Guilherme de Souza Nucci", "Ellen Gracie", "Guilherme de Souza Nucci", "RICARDO LEWANDOWSKI", "Renato Brasileiro de Lima", "Renato Brasileiro de Lima", "RICARDO LEWANDOWSKI", "JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES", "GILMAR MENDES", "Ricardo Lewandowski", "RICARDO LEWANDOWSKI", "JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES", "GILMAR MENDES", "Ricardo Lewandowski", "ROBERTO BARROSO", "ROBERTO BARROSO", "KISS , Vanessa de Morais", "KISS , Vanessa de Morais", "RICARDO LEWANDOWSKI", "JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES", "André Mendonça", "Gilmar Mendes", "Ricardo Lewandowski", "Edson Fachin", "Nunes Marques", "Hannah Gevartosky", "RICARDO LEWANDOWSKI", "JONATHA OLIVEIRA DE SOUSA PONTES", "André Mendonça", "Gilmar Mendes", "Ricardo Lewandowski", "Edson Fachin", "Nunes Marques", "Hannah Gevartosky" ], "TEMPO": [ "06", "/", "03", "/", "2023", "24", "/", "08", "/", "2001", "6 de março de 2023", "24", "/", "08", "/", "2001", "6 de março de 2023", "24", "/", "08", "/", "2001", "06", "/", "03", "/", "2023", "24", "/", "08", "/", "2001", "06", "/", "03", "/", "2023", "24", "/", "08", "/", "2001", "14", "/", "09", "/", "2015", "24", "/", "08", "/", "2001", "14", "/", "09", "/", "2015", "24", "/", "08", "/", "2001", "06", "/", "03", "/", "2023", "14", "/", "09", "/", "2015", "24", "/", "08", "/", "2001", "06", "/", "03", "/", "2023", "14", "/", "09", "/", "2015", "24", 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"Ementa e Acórdão\n16/11/2021\nPRIMEIRA TURMA\nAG.REG. NO HABEAS CORPUS 204.656 ESPÍRITO SANTO\nR(...TRUNCATED)
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=758347035
2021-11-16T00:00:00
2021-11-25T00:00:00
"A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Pri(...TRUNCATED)
AG.REG. NO HABEAS CORPUS
"EMENTA: Processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. Posse ou porte ilegal de arma de fogo(...TRUNCATED)
sjur456492
"- Acórdão(s) citado(s):\n(HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO, EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO M(...TRUNCATED)
ROBERTO BARROSO
Primeira Turma
204656
null
HC-AgR
acordaos
HC 204656 AgR
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"AGTE.(S) : ARGEU SOUZA SILVA \nADV.(A/S) : WANDERSON OMAR SIMON \nAGDO.(A/S) : RELATOR DO HC Nº(...TRUNCATED)
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"Ementa e Acórdão\n16/11/2021\nPRIMEIRA TURMA\nAG.REG. NO HABEAS CORPUS 204.656 ESPÍRITO SANTO\nR(...TRUNCATED)
{"JURISPRUDENCIA":["HABEAS CORPUS 204 . 656","HC n 647 . 447 DO SUPERIOR","HC 115 . 659","HC 163 . 0(...TRUNCATED)
"Ementa e Acórdão\n06/03/2023\nPLENÁRIO\nARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL 783(...TRUNCATED)
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=767431518
2023-03-06T00:00:00
2023-05-05T00:00:00
"Após os votos dos Ministros Dias Toffoli (Relator), Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Cár(...TRUNCATED)
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL
"EMENTA\n\n\n\n Arguição de descumprimento de preceito fundamental. Leis Municipais nº 67/77, (...TRUNCATED)
sjur478534
"- Acórdão(s) citado(s):\n(PENSÃO ESPECIAL, DETENTOR, CARGO PÚBLICO, DEPENDENTE, EXCLUSÃO DE BE(...TRUNCATED)
DIAS TOFFOLI
Tribunal Pleno
783
["LEG-FED CF ANO-1967\n ART-00184\n CF-1967 CONSTITUIÇÃO FEDERAL\n\n","LEG-FED EMC-00000(...TRUNCATED)
ADPF
acordaos
ADPF 783
[ "" ]
"REQTE.(S) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA \nINTDO.(A/S) : PREFEITO DO MUNICÍPIO DE MUCURICI \nA(...TRUNCATED)
[ "" ]
"Ementa e Acórdão\n06/03/2023\nPLENÁRIO\nARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL 783(...TRUNCATED)
{"JURISPRUDENCIA":["ADPF n 912","ADPF n 413","ADI n 4 . 552 - MC","ADI n 3 . 853","ADPF 783 / ES","A(...TRUNCATED)
"Ementa e Acórdão\n05/12/2022\nSEGUNDA TURMA\nAG.REG. NA RECLAMAÇÃO 53.146 SÃO PAULO\nRELATOR\n(...TRUNCATED)
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=765089485
2022-12-05T00:00:00
2023-01-10T00:00:00
"A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Seg(...TRUNCATED)
AG.REG. NA RECLAMAÇÃO
"EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DO INSTITUTO DA R(...TRUNCATED)
sjur473898
"- Acórdão(s) citado(s):\n(RECLAMAÇÃO, DECISÃO, APLICAÇÃO, REPERCUSSÃO GERAL)\nRcl 50573 AgR(...TRUNCATED)
ANDRÉ MENDONÇA
Segunda Turma
53146
["LEG-FED LEI-013105 ANO-2015\n ART-00988 PAR-00005 INC-00002 ART-01021\n PAR-00004 ART-0102(...TRUNCATED)
Rcl-AgR
acordaos
Rcl 53146 AgR
[ "" ]
"AGTE.(S) : FFE CONSTRUCOES, INCORPORACOES E PARTICIPACOES LTDA. \nADV.(A/S) : ANDREI BRIGANO CANA(...TRUNCATED)
[ "" ]
"Ementa e Acórdão\n05/12/2022\nSEGUNDA TURMA\nAG.REG. NA RECLAMAÇÃO 53.146 SÃO PAULO\nRELATOR\n(...TRUNCATED)
{"JURISPRUDENCIA":["RECLAMAÇÃO 53 . 146","Recurso Extraordinário n 719 . 870 - RG / MG","Recurso (...TRUNCATED)
"Ementa e Acórdão\n05/12/2022\nSEGUNDA TURMA\nAG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.366.(...TRUNCATED)
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=765089413
2022-12-05T00:00:00
2023-01-10T00:00:00
"A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Seg(...TRUNCATED)
AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO
"EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. INOVAÇÃO RECURSAL: IMPOSSIBILIDA(...TRUNCATED)
sjur473889
"- Acórdão(s) citado(s):\n(AGRAVO REGIMENTAL, INOVAÇÃO, ARGUMENTO)\nARE 986150 AgR (2ªT), ARE 1(...TRUNCATED)
ANDRÉ MENDONÇA
Segunda Turma
1366483
["LEG-FED CF ANO-1988\n ART-00002 ART-00007 INC-00003 ART-00037\n INC-00010 ART-00039 PAR-00(...TRUNCATED)
ARE-AgR
acordaos
ARE 1366483 AgR
[ "" ]
"AGTE.(S) : ESTADO DO ACRE \nPROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO ACRE \nAGDO.(A/S) : TA(...TRUNCATED)
[ "" ]
"Ementa e Acórdão\n05/12/2022\nSEGUNDA TURMA\nAG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.366.(...TRUNCATED)
{"JURISPRUDENCIA":["ENUNCIADO n 279 DA SÚMULA DO Supremo","enunciado n 279 da Súmula do Supremo Tr(...TRUNCATED)
"Ementa e Acórdão\n05/12/2022\nSEGUNDA TURMA\nAG.REG. NOS EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.2(...TRUNCATED)
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=765756922
2022-12-05T00:00:00
2023-02-27T00:00:00
"A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, e aplicou à parte Agravante multa(...TRUNCATED)
AG.REG. NOS EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO
"EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INTERPOSIÇÃO E(...TRUNCATED)
sjur475015
"- Acórdão(s) citado(s):\n(CABIMENTO, RECURSO EXTRAORDINÁRIO, ALÍNEA \"C\")\nRE 938265 AgR (2ªT(...TRUNCATED)
EDSON FACHIN
Segunda Turma
1291308
["LEG-FED CF ANO-1988\n ART-00102 INC-00003 LET-C\n CF-1988 CONSTITUIÇÃO FEDERAL\n\n","LEG(...TRUNCATED)
RE-ED-AgR
acordaos
RE 1291308 ED-AgR
[ "" ]
"AGTE.(S) : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS \nPROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL FEDERAL (...TRUNCATED)
[ "" ]
"Ementa e Acórdão\n05/12/2022\nSEGUNDA TURMA\nAG.REG. NOS EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.2(...TRUNCATED)
{"JURISPRUDENCIA":["RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1 . 291 . 308","Enunciado n 31 do TJ / PR","Recurso Extr(...TRUNCATED)
"Ementa e Acórdão\n05/12/2022\nSEGUNDA TURMA\nAG.REG. NO HABEAS CORPUS 215.672 ESPÍRITO SANTO\nRE(...TRUNCATED)
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=765415937
2022-12-05T00:00:00
2023-02-09T00:00:00
"A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Seg(...TRUNCATED)
AG.REG. NO HABEAS CORPUS
"AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. MATÉRIA CRIMINAL. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. WRIT INC(...TRUNCATED)
sjur474372
"- Acórdão(s) citado(s):\n(NULIDADE, ARGUIÇAO, PRECLUSÃO)\nRHC 124041 (1ªT), HC 138121 AgR (2ª(...TRUNCATED)
EDSON FACHIN
Segunda Turma
215672
["LEG-FED DEL-002848 ANO-1940\n ART-00016\n CP-1940 CÓDIGO PENAL\n\n","LEG-FED DEL-003689(...TRUNCATED)
HC-AgR
acordaos
HC 215672 AgR
[ "" ]
"AGTE.(S) : ALDINEI MACHADO DE ASSIS \nADV.(A/S) : ICARO DA SILVA LANCELOTTI \nAGDO.(A/S) : SUPER(...TRUNCATED)
[ "" ]
"Ementa e Acórdão\n05/12/2022\nSEGUNDA TURMA\nAG.REG. NO HABEAS CORPUS 215.672 ESPÍRITO SANTO\nRE(...TRUNCATED)
{"JURISPRUDENCIA":["HABEAS CORPUS 215 . 672","HC 215672 AGR / ES","HC 215672 AGR / ES","HABEAS CORPU(...TRUNCATED)
"Ementa e Acórdão\n16/11/2021\nPRIMEIRA TURMA\nAG.REG. NO HABEAS CORPUS 205.511 SÃO PAULO\nRELATO(...TRUNCATED)
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=758347063
2021-11-16T00:00:00
2021-11-25T00:00:00
"A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Relator. Pri(...TRUNCATED)
AG.REG. NO HABEAS CORPUS
"EMENTA: Penal e processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. Violência doméstica. Tentat(...TRUNCATED)
sjur456500
"- Acórdão(s) citado(s):\n(SUPERVENIÊNCIA, JULGAMENTO, MÉRITO, PREJUDICIALIDADE, HC)\nHC 68336 ((...TRUNCATED)
ROBERTO BARROSO
Primeira Turma
205511
null
HC-AgR
acordaos
HC 205511 AgR
[ "" ]
"AGTE.(S) : LUIZ CLAUDIO DE SOUZA SANTOS \nADV.(A/S) : RENAN DOS SANTOS CARVALHO \nAGDO.(A/S) : R(...TRUNCATED)
[ "" ]
"Ementa e Acórdão\n16/11/2021\nPRIMEIRA TURMA\nAG.REG. NO HABEAS CORPUS 205.511 SÃO PAULO\nRELATO(...TRUNCATED)
{"JURISPRUDENCIA":["HABEAS CORPUS 205 . 511","HC n 665 . 339","RTJ 141 / 502","HC 83 . 799 - AgR","H(...TRUNCATED)
"Ementa e Acórdão\n11/11/2021\nPLENÁRIO\nAG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.342.983 (...TRUNCATED)
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=758533929
2021-11-11T00:00:00
2021-12-03T00:00:00
"O Tribunal, por unanimidade, negou provimento ao agravo, nos termos do voto do Relator, Ministro Lu(...TRUNCATED)
AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO
"EMENTA: AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL. PROCESSO PENAL. CRIME TIPIFICA(...TRUNCATED)
sjur457032
"- Acórdão(s) citado(s):\n(RE, REEXAME, FATO, PROVA, APRECIAÇÃO, MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL)\n(...TRUNCATED)
LUIZ FUX (Presidente)
Tribunal Pleno
1342983
[ "LEG-FED DEL-002848 ANO-1940\n ART-0217A\n CP-1940 CÓDIGO PENAL" ]
ARE-AgR
acordaos
ARE 1342983 AgR
[ "" ]
"AGTE.(S) : J.F.M. \nADV.(A/S) : ERIC ANTUNES PEREIRA DOS SANTOS \nAGDO.(A/S) : MINISTÉRIO PÚBL(...TRUNCATED)
[ "" ]
"Ementa e Acórdão\n11/11/2021\nPLENÁRIO\nAG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.342.983 (...TRUNCATED)
{"JURISPRUDENCIA":["RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1 . 342 . 983","ARE 1 . 175 . 278 - AgR -","A(...TRUNCATED)
"Ementa e Acórdão\n11/11/2021\nPLENÁRIO\nAÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.239 DISTRITO FE(...TRUNCATED)
https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=758230886
2021-11-11T00:00:00
2021-11-18T00:00:00
"O Tribunal, por unanimidade, julgou extinto o feito sem resolução do mérito (art. 485, VI, do CP(...TRUNCATED)
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE
"Ementa\n\n\n\n Ação direta de inconstitucionalidade. Confederação Nacional dos Trabalhadores(...TRUNCATED)
sjur456130
"- Acórdão(s) citado(s):\n(INATIVIDADE, REGISTRO SINDICAL, CONFEDERAÇÃO SINDICAL)\nADI 1121 MC ((...TRUNCATED)
ROSA WEBER
Tribunal Pleno
5239
["LEG-FED LEI-013097 ANO-2015\n ART-00142\n LEI ORDINÁRIA\n\n","LEG-FED LEI-013105 ANO-20(...TRUNCATED)
ADI
acordaos
ADI 5239
[ "" ]
"REQTE.(S) : CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES LIBERAIS UNIVERSITÁRIOS REGULAMENTADOS - CN(...TRUNCATED)
[ "" ]
"Ementa e Acórdão\n11/11/2021\nPLENÁRIO\nAÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.239 DISTRITO FE(...TRUNCATED)
{"JURISPRUDENCIA":["AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5 . 239","ADI 5239 / DF","ADI","AÇÃO DI(...TRUNCATED)
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