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4367_3962_000055|vai de estrela a estrela a luz da lua na láctea claridade que flutua a surdina das lágrimas subindo a|vai de estrela a estrela a luz da lua na láctea claridade que flutua a surdina das lágrimas subindo a
4367_3962_000056|a enfermidade vai lhe palmo a palmo ganhando o corpo como num terreno e com prelúdios místicos de salmo cai-lhe a vida em crepúsculo sereno|a enfermidade vai lhe palmo a palmo ganhando o corpo como num terreno e com prelúdios místicos de salmo cai-lhe a vida em crepúsculo sereno
4367_3962_000057|fria fluente frouxa claridade flutua como as brumas de um letargo e erra no espaço em toda a imensidade um sonho doente cilicioso amargo|fria fluente frouxa claridade flutua como as brumas de um letargo e erra no espaço em toda a imensidade um sonho doente cilicioso amargo
4367_3962_000058|que outros se lembrem dos sutis e exatos traços que hoje não lembro e não revelo e se recordem com profundo anelo da tua voz de siderais contatos|que outros se lembrem dos sutis e exatos traços que hoje não lembro e não revelo e se recordem com profundo anelo da tua voz de siderais contatos
4367_3962_000059|há de ela ter a cor saudável para que a carne do seu corpo goze que o que tinha esse corpo de inefável cristalizou se na tuberculose|há de ela ter a cor saudável para que a carne do seu corpo goze que o que tinha esse corpo de inefável cristalizou se na tuberculose
4367_3962_000060|flor de sangue talvez e flor dolente de uma paixão espiritual de artista flor de pecado sentimentalista sangrando em riso desdenhosamente|flor de sangue talvez e flor dolente de uma paixão espiritual de artista flor de pecado sentimentalista sangrando em riso desdenhosamente
4367_3962_000061|vestida na alva excelsa dos profetas falou na ideal resignação de ascetas que a febre dos desejos aquebranta|vestida na alva excelsa dos profetas falou na ideal resignação de ascetas que a febre dos desejos aquebranta
4367_3962_000062|clâmides frescas de brancuras frias finíssimas dalmáticas de neve vestem as longas arvores sombrias surgindo a lua nebulosa e leve|clâmides frescas de brancuras frias finíssimas dalmáticas de neve vestem as longas arvores sombrias surgindo a lua nebulosa e leve
4367_3962_000063|e a lua vai clorótica fulgindo nos seus alperces etereais e brancos a luz gelada e pálida diluindo das serranias pelos largos flancos|e a lua vai clorótica fulgindo nos seus alperces etereais e brancos a luz gelada e pálida diluindo das serranias pelos largos flancos
4367_3962_000064|tritões marinhos belos deuses rudes divindades dos tártaros abismos vibrai com os verdes e acres eletrismos das vagas flautas e harpas e alaúdes|tritões marinhos belos deuses rudes divindades dos tártaros abismos vibrai com os verdes e acres eletrismos das vagas flautas e harpas e alaúdes
4367_3962_000065|tardes de campos repousados quietos nos longes emocionantes de rebanhos saudosos de secretos desejos vagos errantes|tardes de campos repousados quietos nos longes emocionantes de rebanhos saudosos de secretos desejos vagos errantes
4367_3962_000066|e então na treva em místicas dormências desfila com sidéreas lactescências das virgens o sonâmbulo cortejo|e então na treva em místicas dormências desfila com sidéreas lactescências das virgens o sonâmbulo cortejo
4367_3962_000067|outros mais do que o meu finos olfatos sintam aquele aroma estranho e belo que tu ó lírio lânguido singelo guardaste nos teus íntimos recatos|outros mais do que o meu finos olfatos sintam aquele aroma estranho e belo que tu ó lírio lânguido singelo guardaste nos teus íntimos recatos
4367_3962_000068|aladas alegrias sugestivas de asa radiante e branca de albornozes tribos gloriosas fulgidas altivas de condores e de águias e albatrozes|aladas alegrias sugestivas de asa radiante e branca de albornozes tribos gloriosas fulgidas altivas de condores e de águias e albatrozes
4367_3962_000069|lua das magnólias e dos lírios geleira sideral entre as geleiras tens a tristeza mórbida dos círios e a lividez da chama das poncheiras|lua das magnólias e dos lírios geleira sideral entre as geleiras tens a tristeza mórbida dos círios e a lividez da chama das poncheiras
4367_3962_000070|cróton selvagem tinhorão lascivo planta mortal carnívora sangrenta da tua carne báquica rebenta a vermelha explosão de um sangue vivo|cróton selvagem tinhorão lascivo planta mortal carnívora sangrenta da tua carne báquica rebenta a vermelha explosão de um sangue vivo
4367_3962_000071|mas pouco a pouco a ideal delicadeza daquele corpo virginal e fino sacrário da mais límpida beleza perdeu a graça e o brilho diamantino|mas pouco a pouco a ideal delicadeza daquele corpo virginal e fino sacrário da mais límpida beleza perdeu a graça e o brilho diamantino
4367_3962_000072|través o céu mais tórrido mais quente onde a luz mais flamívoma radia a voz dos teus nostálgica plangente vibrou chorou clamou por ti judia|través o céu mais tórrido mais quente onde a luz mais flamívoma radia a voz dos teus nostálgica plangente vibrou chorou clamou por ti judia
4367_3962_000073|cânticos vagos infinitos aéreos fluir parecem dos azuis etéreos dentre os nevoeiros do luar fluindo|cânticos vagos infinitos aéreos fluir parecem dos azuis etéreos dentre os nevoeiros do luar fluindo
4367_3962_000074|alta a frescura da magnólia fresca da cor nupcial da flor da laranjeira doces tons d'ouro de mulher tudesca na veludosa e flava cabeleira|alta a frescura da magnólia fresca da cor nupcial da flor da laranjeira doces tons d'ouro de mulher tudesca na veludosa e flava cabeleira
4367_3962_000075|sentimentos carnais esses que agitam todo o teu ser e o tornam convulsivo sentimentos indômitos que gritam na febre intensa de um desejo altivo|sentimentos carnais esses que agitam todo o teu ser e o tornam convulsivo sentimentos indômitos que gritam na febre intensa de um desejo altivo
4367_3962_000076|entre as vidraças como numa estufano inverno glacial de vento e chuva que sobre as telhas tamborila e rufa vejo a talhada em nitidez de luva|entre as vidraças como numa estufano inverno glacial de vento e chuva que sobre as telhas tamborila e rufa vejo a talhada em nitidez de luva
4367_3962_000077|por uma estrada de astros e perfumes a santa virgem veio ter comigo doiravam lhe o cabelo claros lumes do sacrossanto resplendor amigo|por uma estrada de astros e perfumes a santa virgem veio ter comigo doiravam lhe o cabelo claros lumes do sacrossanto resplendor amigo
4367_3962_000078|mas eu para lembrar mortos encantos rosas murchas de graças e quebrantos linhas perfil e tanta dor saudosa|mas eu para lembrar mortos encantos rosas murchas de graças e quebrantos linhas perfil e tanta dor saudosa
4367_3962_000079|n'uma evaporação de branca espuma vão diluindo as perspectives claras com brilhos crus e fúlgidos de tiaras as estrelas apagam se uma a uma|n'uma evaporação de branca espuma vão diluindo as perspectives claras com brilhos crus e fúlgidos de tiaras as estrelas apagam se uma a uma
4367_3962_000080|no entanto nessas guerras mais bizarras de sol clarins e rútilas fanfarras nessas radiantes e profundas guerras|no entanto nessas guerras mais bizarras de sol clarins e rútilas fanfarras nessas radiantes e profundas guerras
4367_3962_000081|nas horas dos ângelus nas horas do claro escuro emocional aéreo que surges flor do sol entre as sonoras ondulações e brumas do mistério|nas horas dos ângelus nas horas do claro escuro emocional aéreo que surges flor do sol entre as sonoras ondulações e brumas do mistério
4367_3962_000082|desta torre desfraldam se altaneiras por sóis de céus imensos broqueladas bandeiras reais do azul das madrugadas e do íris flamejante das poncheiras|desta torre desfraldam se altaneiras por sóis de céus imensos broqueladas bandeiras reais do azul das madrugadas e do íris flamejante das poncheiras
4367_3962_000083|era um som feito luz eram volatas em lânguida espiral que iluminava brancas sonoridades de cascatas tanta harmonia melancolizava|era um som feito luz eram volatas em lânguida espiral que iluminava brancas sonoridades de cascatas tanta harmonia melancolizava
4367_3962_000084|espiritualizai nos astros louros do sol entre os clarões imorredouros toda esta dor que na minh'alma clama quero vê-la subir ficar cantando na chama das estrelas dardejando nas luminosas sensações da chama|espiritualizai nos astros louros do sol entre os clarões imorredouros toda esta dor que na minh'alma clama quero vê-la subir ficar cantando na chama das estrelas dardejando nas luminosas sensações da chama
4367_3962_000085|vagam sombras gentis de mortas vagam em grandes procissões em grandes alas dentre as auréolas os clarões que alagam opulências de pérolas e opalas|vagam sombras gentis de mortas vagam em grandes procissões em grandes alas dentre as auréolas os clarões que alagam opulências de pérolas e opalas
4367_3962_000086|as minhas carnes se dilaceraram e vão das llusões que flamejaram com o próprio sangue fecundando as terras|as minhas carnes se dilaceraram e vão das llusões que flamejaram com o próprio sangue fecundando as terras
4367_3962_000087|do teu perfil os tímidos incertos traços indefinidos vagos traços deixam da luz nos ouros e nos aços outra luz de que os céus ficam cobertos|do teu perfil os tímidos incertos traços indefinidos vagos traços deixam da luz nos ouros e nos aços outra luz de que os céus ficam cobertos
4367_3962_000088|e entre os marfins e as pratas diluídas dos lânguidos clarões tristes e enfermos com grinaldas de roxas margaridas vagam as virgens de cismares ermos|e entre os marfins e as pratas diluídas dos lânguidos clarões tristes e enfermos com grinaldas de roxas margaridas vagam as virgens de cismares ermos
4367_3962_000089|sentimentos carnais vãos sentimentos de chama pelos tempos apagada mais claro|sentimentos carnais vãos sentimentos de chama pelos tempos apagada mais claro
4367_3962_000090|e faz lembrar uma esquisita planta de profundos pomares fabulosos ou a angélica imagem de uma santa dentre a auréola de nimbos religiosos|e faz lembrar uma esquisita planta de profundos pomares fabulosos ou a angélica imagem de uma santa dentre a auréola de nimbos religiosos
4367_3962_000091|pelos raios fluídicos diluentes dos astros pelos trêmulos velários cantam sonhos de místicos templários de ermitões e de ascetas reverentes|pelos raios fluídicos diluentes dos astros pelos trêmulos velários cantam sonhos de místicos templários de ermitões e de ascetas reverentes
4367_3962_000092|filtros sutis de melodias de ondas de cantos volutuosos como rondas de silfos leves sensuais lascivos|filtros sutis de melodias de ondas de cantos volutuosos como rondas de silfos leves sensuais lascivos
4367_3962_000093|serenidades etereais d'incensos de salmos evangélicos sagrados saltérios harpas dos azuis imensos névoas de céus espiritualizados|serenidades etereais d'incensos de salmos evangélicos sagrados saltérios harpas dos azuis imensos névoas de céus espiritualizados
4367_3962_000094|as torres de outras regiões primeiras no amor nas glórias vãs arrebatadas não elevam mais alto desfraldadas bravas triunfantes imortais bandeiras são pavilhões das hostes fugitivas das guerras acres sanguinárias vivas da luta que os espíritos ufana|as torres de outras regiões primeiras no amor nas glórias vãs arrebatadas não elevam mais alto desfraldadas bravas triunfantes imortais bandeiras são pavilhões das hostes fugitivas das guerras acres sanguinárias vivas da luta que os espíritos ufana
4367_3962_000095|quando ressurges quando brilhas e amas quando de luzes a amplidão constelas com os fulgores glaciais que tu derramas das febre e frio dás nevrose gelas|quando ressurges quando brilhas e amas quando de luzes a amplidão constelas com os fulgores glaciais que tu derramas das febre e frio dás nevrose gelas
4367_3962_000096|tantas guerras bizarras e incoercíveis no tempo e tanto tanto imenso afeto são para vós menos que um verme e inseto na corrente vital pouco sensíveis|tantas guerras bizarras e incoercíveis no tempo e tanto tanto imenso afeto são para vós menos que um verme e inseto na corrente vital pouco sensíveis
4367_3962_000097|múmia de sangue e lama e terra e treva podridão feita deusa de granito que surges dos mistérios do infinito amamentada na lascívia de eva|múmia de sangue e lama e terra e treva podridão feita deusa de granito que surges dos mistérios do infinito amamentada na lascívia de eva
4367_3962_000098|e tristes apesar de santa tardes de ouro para harpas dedilhadas por sacras solenidades de catedrais em pompa iluminadas com rituais majestades|e tristes apesar de santa tardes de ouro para harpas dedilhadas por sacras solenidades de catedrais em pompa iluminadas com rituais majestades
4367_3962_000099|vivos musselinosas como brumas diurnas descem do acaso as sombras harmoniosas sombras veladas e musselinosas para as profundas solidões noturnas|vivos musselinosas como brumas diurnas descem do acaso as sombras harmoniosas sombras veladas e musselinosas para as profundas solidões noturnas
4367_3962_000100|imaculado sobre o lodo imundo há de subir com as vivas castidades das tuas glórias o clarão profundo há de subir além de eternidades diante do torvo crocitar do mundo para o branco sacrário das saudades|imaculado sobre o lodo imundo há de subir com as vivas castidades das tuas glórias o clarão profundo há de subir além de eternidades diante do torvo crocitar do mundo para o branco sacrário das saudades
4367_3962_000101|que tu não possas alma soberana perpetuamente refulgir na altura na aleluia da luz na clara hosana do sol cantar imortalmente pura|que tu não possas alma soberana perpetuamente refulgir na altura na aleluia da luz na clara hosana do sol cantar imortalmente pura
4367_3962_000102|pássaros astros cânticos incensos formam lhe aureoles sóis nimbos imensos em torno a carne virginal e rara|pássaros astros cânticos incensos formam lhe aureoles sóis nimbos imensos em torno a carne virginal e rara
4367_3962_000103|arpejos sonhos que vão por trêmulos adejos a noite ao luar intumescer os seios lácteos de finos e azulados veios de virgindade de pudor de pejos|arpejos sonhos que vão por trêmulos adejos a noite ao luar intumescer os seios lácteos de finos e azulados veios de virgindade de pudor de pejos
4367_3962_000104|não veio é certo dos pauis da terra tanta beleza que o teu corpo encerra tanta luz de luar e paz saudosa vem das constelações do azul do oriente para triunfar maravilhosamente|não veio é certo dos pauis da terra tanta beleza que o teu corpo encerra tanta luz de luar e paz saudosa vem das constelações do azul do oriente para triunfar maravilhosamente
4367_3962_000105|para as estrelas de cristais gelados as ânsias e os desejos vão subindo galgando azuis e siderais noivados de nuvens brancas a amplidão vestindo|para as estrelas de cristais gelados as ânsias e os desejos vão subindo galgando azuis e siderais noivados de nuvens brancas a amplidão vestindo
4367_3962_000106|vinho de sol ideal canta e cintila nos teus olhos cintila e aos lábios desce desce a boca cheirosa e a empurpurece cintila e canta após dentre a pupila|vinho de sol ideal canta e cintila nos teus olhos cintila e aos lábios desce desce a boca cheirosa e a empurpurece cintila e canta após dentre a pupila
4367_3962_000107|sejam carnais todos os sonhos brumos de estranhos vagos estrelados rumos onde as visões do amor dormem geladas|sejam carnais todos os sonhos brumos de estranhos vagos estrelados rumos onde as visões do amor dormem geladas
4367_3962_000108|do alvor das límpidas geleiras desta ressumbra candidez de aromas parece andar em nichos e redomas de virgens medievais que foram freiras|do alvor das límpidas geleiras desta ressumbra candidez de aromas parece andar em nichos e redomas de virgens medievais que foram freiras
4367_3962_000109|grinaldas e véus brancos véus de neve véus e grinaldas purificadores vão as flores carnais as alvas flores do sentimento delicado e leve|grinaldas e véus brancos véus de neve véus e grinaldas purificadores vão as flores carnais as alvas flores do sentimento delicado e leve
4367_3962_000110|descreve luzes claras e augustas luzes claras douram dos templos as sagradas aras na comunhão das níveas hóstias frias quando seios pubentes estremecem silfos de sonhos de volúpia crescem ondulantes em formas alvadias|descreve luzes claras e augustas luzes claras douram dos templos as sagradas aras na comunhão das níveas hóstias frias quando seios pubentes estremecem silfos de sonhos de volúpia crescem ondulantes em formas alvadias
4367_3962_000111|dos etéreos turíbulos de neve claro incenso aromal límpido e leve ondas nevoentas de visões levanta|dos etéreos turíbulos de neve claro incenso aromal límpido e leve ondas nevoentas de visões levanta
4367_3962_000112|há prelúdios e cânticos e trenos tristes nos ares ermos solitários e nos brilhos da luz vagos e vários há dor há luto há convulsões venenos|há prelúdios e cânticos e trenos tristes nos ares ermos solitários e nos brilhos da luz vagos e vários há dor há luto há convulsões venenos
4367_3962_000113|ternura açucena dos vales da escritura da alvura das magnólias marcessíveis branca via-láctea das indefiníveis brancuras fonte da imortal brancura|ternura açucena dos vales da escritura da alvura das magnólias marcessíveis branca via-láctea das indefiníveis brancuras fonte da imortal brancura
4367_3962_000114|inaudito olhos braços e lábios mãos e seios presos d'estranhos místicos enleios já nas mágoas estão divinizados|inaudito olhos braços e lábios mãos e seios presos d'estranhos místicos enleios já nas mágoas estão divinizados
4367_3962_000115|possuis do mar o deslumbrante afeto as dormências nervosas e o sombrio e torvo aspecto aterrador bravio das ondas no atro e proceloso aspecto|possuis do mar o deslumbrante afeto as dormências nervosas e o sombrio e torvo aspecto aterrador bravio das ondas no atro e proceloso aspecto
4367_3962_000116|num cortejo de cânticos alados os arcanjos as cítaras ferindo passam das vestes nos troféus prateados as asas de ouro finamente abrindo|num cortejo de cânticos alados os arcanjos as cítaras ferindo passam das vestes nos troféus prateados as asas de ouro finamente abrindo
4367_3962_000117|votada cedo ao lânguido abandono aos mórbidos delíquios como ao sono do gozo haurindo os venenosos sucos sonho te a deusa das lascivas pompas a proclamar impávida por trompas amores mais estéreis que os|votada cedo ao lânguido abandono aos mórbidos delíquios como ao sono do gozo haurindo os venenosos sucos sonho te a deusa das lascivas pompas a proclamar impávida por trompas amores mais estéreis que os
4367_3962_000118|alta feita no talhe das palmeiras a coma de ouro com o cetim das comas branco esplendor de faces e de pomas lembra ter asas e asas condoreiras|alta feita no talhe das palmeiras a coma de ouro com o cetim das comas branco esplendor de faces e de pomas lembra ter asas e asas condoreiras
4367_3962_000119|gargalha ri num riso de tormenta como um palhaço que desengonçado nervoso ri num riso absurdo inflado de uma ironia e de uma dor violenta|gargalha ri num riso de tormenta como um palhaço que desengonçado nervoso ri num riso absurdo inflado de uma ironia e de uma dor violenta
4367_3962_000120|todos os mais recônditos martírios as angústias mortais teu lábio aflito soluça em preces de luar e lírios num trêmulo de frases inaudito|todos os mais recônditos martírios as angústias mortais teu lábio aflito soluça em preces de luar e lírios num trêmulo de frases inaudito
4367_3962_000121|fulgem da luz os viáticos serenos brancas extrema unções dos hostiários as estrelas dos límpidos sacrários a nívea lua sobre a paz dos fenos|fulgem da luz os viáticos serenos brancas extrema unções dos hostiários as estrelas dos límpidos sacrários a nívea lua sobre a paz dos fenos
4367_3962_000122|estranhas sensações maravilhosas percorrem pelos cálices das rosas sensações sepulcrais de larvas frias como que ocultas áspides flexíveis mordem da luz os germens invisíveis com o tóxico das cóleras sombrias|estranhas sensações maravilhosas percorrem pelos cálices das rosas sensações sepulcrais de larvas frias como que ocultas áspides flexíveis mordem da luz os germens invisíveis com o tóxico das cóleras sombrias
4367_3962_000123|alda fez meditar nas monjas alvas salvas do vicio e do pecado salvas amortalhadas na pureza clara|alda fez meditar nas monjas alvas salvas do vicio e do pecado salvas amortalhadas na pureza clara
4367_3962_000124|círios espiritualizante formosura gerada nas estrelas impassíveis deusa de formas bíblicas flexíveis dos eflúvios da graça e da ternura|círios espiritualizante formosura gerada nas estrelas impassíveis deusa de formas bíblicas flexíveis dos eflúvios da graça e da ternura
4367_3962_000125|e as ânsias e os desejos infinitos vão com os arcanjos formulando ritos da eternidade que nos astros canta cróton selvagem|e as ânsias e os desejos infinitos vão com os arcanjos formulando ritos da eternidade que nos astros canta cróton selvagem
4367_3962_000126|de mãos postas à luz de frouxos círios rezas para as estrelas do infinito para os azuis dos siderais empíreos das orações o doloroso rito|de mãos postas à luz de frouxos círios rezas para as estrelas do infinito para os azuis dos siderais empíreos das orações o doloroso rito
4367_3962_000127|carnais sejam carnais tantos desejos carnais sejam carnais tantos anseios palpitações e frêmitos e enleios das harpas da emoção tantos arpejos|carnais sejam carnais tantos desejos carnais sejam carnais tantos anseios palpitações e frêmitos e enleios das harpas da emoção tantos arpejos
4367_3962_000128|ressurges dos mistérios da luxúria afra tentada pelos verdes pomos entre os silfos magnéticos e os gnomos maravilhosos da paixão purpúrea|ressurges dos mistérios da luxúria afra tentada pelos verdes pomos entre os silfos magnéticos e os gnomos maravilhosos da paixão purpúrea
4367_3962_000129|eucaliptus és da origem do mar vens do secreto do estranho mar espumaroso e frio que põe rede de sonhos ao navio e o deixa balouçar na vaga inquieto|eucaliptus és da origem do mar vens do secreto do estranho mar espumaroso e frio que põe rede de sonhos ao navio e o deixa balouçar na vaga inquieto
4367_3962_000130|gargalhada atroz sanguinolenta agita os guizos e convulsionado salta gavroche salta clown varado pelo estertor dessa agonia lenta|gargalhada atroz sanguinolenta agita os guizos e convulsionado salta gavroche salta clown varado pelo estertor dessa agonia lenta
4367_3962_000131|luar de pudor sereno e breve de ignotos e de prônubos pudores erra nos pulcros virginais brancores por onde o amor parábolas descreve|luar de pudor sereno e breve de ignotos e de prônubos pudores erra nos pulcros virginais brancores por onde o amor parábolas descreve
4367_3962_000132|sobe cantando a limpidez tranqüila da tu'alma estrelada e resplandece canta de novo e na doirada messe do teu amor se perpetua e trila|sobe cantando a limpidez tranqüila da tu'alma estrelada e resplandece canta de novo e na doirada messe do teu amor se perpetua e trila
4367_3962_000133|pedem te bis e um bis não se despreza vamos retesa os músculos retesa nessas macabras piruetas d'aço e embora caias sobre o chão fremente afogado em teu sangue estuoso e quente ri coração tristíssimo palhaço|pedem te bis e um bis não se despreza vamos retesa os músculos retesa nessas macabras piruetas d'aço e embora caias sobre o chão fremente afogado em teu sangue estuoso e quente ri coração tristíssimo palhaço
4367_3962_000134|num fundo ideal de púrpuras e rosas surges das águas mucilaginosas como a lua entre a névoa dos espaços trazes na carne o eflorescer das vinhas auroras virgens musicas marinhas acres aromas de algas e|num fundo ideal de púrpuras e rosas surges das águas mucilaginosas como a lua entre a névoa dos espaços trazes na carne o eflorescer das vinhas auroras virgens musicas marinhas acres aromas de algas e
4367_3962_000135|sonhos palpitações desejos e ânsias formem com claridades e fragrâncias a encarnação das lívidas amadas|sonhos palpitações desejos e ânsias formem com claridades e fragrâncias a encarnação das lívidas amadas
4367_3962_000136|canta e te alaga e se derrama e alaga num rio de ouro iriante se propaga na tua carne alabastrina e pura|canta e te alaga e se derrama e alaga num rio de ouro iriante se propaga na tua carne alabastrina e pura
4778_3962_000000|nos santos óleos do luar floria teu corpo ideal com o resplendor da helade e em toda a etérea branda claridade como que erravam fluidos de harmonia|nos santos óleos do luar floria teu corpo ideal com o resplendor da helade e em toda a etérea branda claridade como que erravam fluidos de harmonia
4778_3962_000001|do espaço pelos límpidos velinos os astros vieram claros cristalinos com chamas vibrações do alto cantando|do espaço pelos límpidos velinos os astros vieram claros cristalinos com chamas vibrações do alto cantando
4778_3962_000002|as águias imortais da fantasia deram te as asas e a serenidade para galgar subir a imensidade onde o clarão de tantos sóis|as águias imortais da fantasia deram te as asas e a serenidade para galgar subir a imensidade onde o clarão de tantos sóis
4778_3962_000003|talvez que o sangue impuro e flamejante do teu lânguido corpo de bacante da langue ondulação de águas do reno estranhamente se purificasse pois que um veneno de áspide vorace deve ser morto com igual veneno|talvez que o sangue impuro e flamejante do teu lânguido corpo de bacante da langue ondulação de águas do reno estranhamente se purificasse pois que um veneno de áspide vorace deve ser morto com igual veneno
4778_3962_000004|fecundando quisera ser a serpe venenosa que dá te medo e dá te pesadelos para envolverem ó flor maravilhosa nos flavos turbilhões dos teus cabelos|fecundando quisera ser a serpe venenosa que dá te medo e dá te pesadelos para envolverem ó flor maravilhosa nos flavos turbilhões dos teus cabelos
2961_3962_000000|infinitos espíritos dispersos inefáveis edênicos aéreos fecundai o mistério destes versos com a chama ideal de todos os mistérios|infinitos espíritos dispersos inefáveis edênicos aéreos fecundai o mistério destes versos com a chama ideal de todos os mistérios
2961_3962_000001|ó formas alvas brancas formas claras de luares de neves de neblinas ó formas vagas fluidas cristalinas incensos dos turíbulos das aras|ó formas alvas brancas formas claras de luares de neves de neblinas ó formas vagas fluidas cristalinas incensos dos turíbulos das aras
2961_3962_000002|é o clarão que teu amor impele que desabrocha ensangüentadas rosas dentro das naturezas luminosas ó regina do mar coeli regina|é o clarão que teu amor impele que desabrocha ensangüentadas rosas dentro das naturezas luminosas ó regina do mar coeli regina
2961_3962_000003|quando do amor das formas inefáveis no teu sangue apagar-se a imensa chama quando os brilhos estranhos e variáveis esmorecerem nos troféus da fama|quando do amor das formas inefáveis no teu sangue apagar-se a imensa chama quando os brilhos estranhos e variáveis esmorecerem nos troféus da fama
2961_3962_000004|do torvo deus hediondo atroz nefando senil que embora rindo está chorando os noivados em flor da mocidade|do torvo deus hediondo atroz nefando senil que embora rindo está chorando os noivados em flor da mocidade
2961_3962_000005|do sonho as mais azuis diafaneidades que fuljam que na estrofe se levantem e as emoções sodas as castidades da alma do verso pelos versos cantem|do sonho as mais azuis diafaneidades que fuljam que na estrofe se levantem e as emoções sodas as castidades da alma do verso pelos versos cantem
2961_3962_000006|verdes gengivas de ácida salsugem mostra e parece um sátiro dantesco mas ninguém nota as cóleras horríveis os chascos os sarcasmos impassíveis dessa estranha e tremenda majestade|verdes gengivas de ácida salsugem mostra e parece um sátiro dantesco mas ninguém nota as cóleras horríveis os chascos os sarcasmos impassíveis dessa estranha e tremenda majestade
2961_3962_000007|das brancuras de seda sem desmaios e da lua de linho em nimbo e raios regina coeli das sidéreas flores hóstia da extrema-unção de tantas dores ave de prata e azul ave dos astros santelmo aceso a cintilar nos mastros|das brancuras de seda sem desmaios e da lua de linho em nimbo e raios regina coeli das sidéreas flores hóstia da extrema-unção de tantas dores ave de prata e azul ave dos astros santelmo aceso a cintilar nos mastros
2961_3962_000008|com bizarros e lúbricos contornos ei-lo satã dentre os satãs augustos por verdes e por báquicos adornos vai c'roado de pâmpanos venustos o deus pagão dos vinhos acres mornos|com bizarros e lúbricos contornos ei-lo satã dentre os satãs augustos por verdes e por báquicos adornos vai c'roado de pâmpanos venustos o deus pagão dos vinhos acres mornos
2961_3962_000009|ó virgem branca estrela dos altares ó rosa pulcra dos rosais polares branca do alvor das ambulas sagradas e das níveas camélias regeladas|ó virgem branca estrela dos altares ó rosa pulcra dos rosais polares branca do alvor das ambulas sagradas e das níveas camélias regeladas
2961_3962_000010|sois as sombras amadas de belezas hoje mais frias do que a pedra bruta murmúrios incógnitos de gruta onde o mar canta os salmos e as rudezas de obscuras religiões|sois as sombras amadas de belezas hoje mais frias do que a pedra bruta murmúrios incógnitos de gruta onde o mar canta os salmos e as rudezas de obscuras religiões
2961_3962_000011|quando as níveas estrelas invioláveis doce velário que um luar derrama nas clareiras azuis ilimitáveis clamarem tudo o que o teu verso clama|quando as níveas estrelas invioláveis doce velário que um luar derrama nas clareiras azuis ilimitáveis clamarem tudo o que o teu verso clama
2961_3962_000012|visão que a luz dos astros louros trazes papoula real tecida de neblinas leves etéreas vaporosas finas com aromas de lírios e lilazes|visão que a luz dos astros louros trazes papoula real tecida de neblinas leves etéreas vaporosas finas com aromas de lírios e lilazes