audio_name|transcripts|normalized_transcripts
stringlengths
38
742
2961_4629_000836|passado vieste dalvorada nasa dos elfos pela morte espalma cantas e eu ouço esta berceuse calma da harpa dos mundos ideais do nada|passado vieste dalvorada nasa dos elfos pela morte espalma cantas e eu ouço esta berceuse calma da harpa dos mundos ideais do nada
2961_4629_000837|e eu nem lhe ouvi o alento derradeiro quando acordei cuidei que ele dormia e disse à minha mãe que me dizia acorda o deixa-o mãe dormir primeiro|e eu nem lhe ouvi o alento derradeiro quando acordei cuidei que ele dormia e disse à minha mãe que me dizia acorda o deixa-o mãe dormir primeiro
2961_4629_000838|rendo piedosa dúlia peregrina à tua doce voz que me fascina harpa virgem brandindo mil delírios quedo me aos poucos penseroso e pasmo e a noite afeia como num sarcasmo e agora a sombra versperal morreu|rendo piedosa dúlia peregrina à tua doce voz que me fascina harpa virgem brandindo mil delírios quedo me aos poucos penseroso e pasmo e a noite afeia como num sarcasmo e agora a sombra versperal morreu
2961_4629_000839|no curso inquieto da terráquea luta quantos desejos férvidos de amor não dormem recalcados sob o horror dessas agregações de pedra bruta|no curso inquieto da terráquea luta quantos desejos férvidos de amor não dormem recalcados sob o horror dessas agregações de pedra bruta
2961_4629_000840|ninguém compreendia o meu soluço nem mesmo deus da roupa pelas brechas o ventobravo me atirava flechas e aplicações hiemais de gelo russo|ninguém compreendia o meu soluço nem mesmo deus da roupa pelas brechas o ventobravo me atirava flechas e aplicações hiemais de gelo russo
2961_4629_000841|despir a putrescível forma tosca na atra dissoluçào que tudo inverte deixar cair sobre a barriga inerte o apetite necrófago da mosca|despir a putrescível forma tosca na atra dissoluçào que tudo inverte deixar cair sobre a barriga inerte o apetite necrófago da mosca
2961_4629_000842|babujada por baixos beiços brutos no húmus feraz hierática se ostenta a monarquia da árvore opulenta que dá aos homens o óbolo dos frutos|babujada por baixos beiços brutos no húmus feraz hierática se ostenta a monarquia da árvore opulenta que dá aos homens o óbolo dos frutos
2961_4629_000843|tal é sem complicados silogismos a aritmética hedionda dos coveiros um dois três quatro cinco esoterismos da morte|tal é sem complicados silogismos a aritmética hedionda dos coveiros um dois três quatro cinco esoterismos da morte
2961_4629_000844|crença vão-se sonhos nas asas da descrença voltam sonhos nas asas da esperança muita gente infeliz assim não pensa no entanto o mundo é uma ilusão completa e não é a esperança por sentença este laço que ao mundo nos manieta|crença vão-se sonhos nas asas da descrença voltam sonhos nas asas da esperança muita gente infeliz assim não pensa no entanto o mundo é uma ilusão completa e não é a esperança por sentença este laço que ao mundo nos manieta
2961_4629_000845|e transmudado em rutilância fria encho o espaço com a minha plenitude|e transmudado em rutilância fria encho o espaço com a minha plenitude
2961_4629_000846|todos os personagens da tragédia cansados de viver na paz de buda pareciam pedir com a boca muda a ganglionária célula intermédia|todos os personagens da tragédia cansados de viver na paz de buda pareciam pedir com a boca muda a ganglionária célula intermédia
2961_4629_000847|muito mais cedo do que o|muito mais cedo do que o
2961_4629_000848|aguarda triste a escutar pancada por pancada a sucessividade dos segundos ouço em sons subterrâneos do orbe oriundos o choro da energia abandonada|aguarda triste a escutar pancada por pancada a sucessividade dos segundos ouço em sons subterrâneos do orbe oriundos o choro da energia abandonada
2961_4629_000849|podre meu pai a morte o olhar lhe vidra em seus lábios que os meus lábios osculam microrganismos fúnebres pululam numa fermentação gorda de cidra|podre meu pai a morte o olhar lhe vidra em seus lábios que os meus lábios osculam microrganismos fúnebres pululam numa fermentação gorda de cidra
2961_4629_000850|quando o homem resgatado da cegueira vir deus num simples grão de argila errante terá nascido nesse mesmo instante a mineralogia derradeira|quando o homem resgatado da cegueira vir deus num simples grão de argila errante terá nascido nesse mesmo instante a mineralogia derradeira
2961_4629_000851|sê porém forte o poeta é como jesus abraça te à tua cruz e morre poeta da morte e disse e porque isto disse o luar no céu se apagou súbito o barco tombou sem que o poeta o pressentisse|sê porém forte o poeta é como jesus abraça te à tua cruz e morre poeta da morte e disse e porque isto disse o luar no céu se apagou súbito o barco tombou sem que o poeta o pressentisse
2961_4629_000852|nessa última visão já subterrânea um movimento universal de insânia arrancará da insciência o homem precito a verdade virá das pedras mortas e o homem compreenderá todas as portas que ele ainda tem de abrir para o infinito|nessa última visão já subterrânea um movimento universal de insânia arrancará da insciência o homem precito a verdade virá das pedras mortas e o homem compreenderá todas as portas que ele ainda tem de abrir para o infinito
2961_4629_000853|trinta e seis graus à sombra o éter possuía a térmica violência de um braseiro dentro a cuspir escórias de fúlgida limalha dardejando centelhas transitórias no horror da metalúrgica batalha|trinta e seis graus à sombra o éter possuía a térmica violência de um braseiro dentro a cuspir escórias de fúlgida limalha dardejando centelhas transitórias no horror da metalúrgica batalha
2961_4629_000854|cítara suave dos apaixonados sonorizando os sonhos já passados cantando sempre em trínula volata aurora ideal dos dias meus risonhos quando úmido de beijos em ressábios teu riso esponta despertando sonhos|cítara suave dos apaixonados sonorizando os sonhos já passados cantando sempre em trínula volata aurora ideal dos dias meus risonhos quando úmido de beijos em ressábios teu riso esponta despertando sonhos
2961_4629_000855|mas o braço cansou trabalhou e o trabalho do eterno bem motor principal e alavanca arrancara lhe a crença assim como se arranca de um ninho a seda branca e de uma árvore o galho|mas o braço cansou trabalhou e o trabalho do eterno bem motor principal e alavanca arrancara lhe a crença assim como se arranca de um ninho a seda branca e de uma árvore o galho
2961_4629_000856|falas de amor e eu ouço tudo e calo o amor da humanidade é uma mentira é e é por isso que na minha lira de amores fúteis poucas vezes falo|falas de amor e eu ouço tudo e calo o amor da humanidade é uma mentira é e é por isso que na minha lira de amores fúteis poucas vezes falo
2961_4629_000857|pois minha mãe tão cheia assim daqueles carinhos com que guarda meus sapatos por que me deu consciência dos meus atos para eu me arrepender de todos eles|pois minha mãe tão cheia assim daqueles carinhos com que guarda meus sapatos por que me deu consciência dos meus atos para eu me arrepender de todos eles
2961_4629_000858|desprezaram figuras espectrais de bocas tronchas tornam me o pesadelo duradouro choro e quero beber a água do choro com as mãos dispostas à feição de conchas|desprezaram figuras espectrais de bocas tronchas tornam me o pesadelo duradouro choro e quero beber a água do choro com as mãos dispostas à feição de conchas
2961_4629_000859|em lúcido véu cantam os astros do céu ouçam e a lua cheia ouça ouço do alto a lua cheia que a sereia vai falar haja silêncio no mar para se ouvir a sereia|em lúcido véu cantam os astros do céu ouçam e a lua cheia ouça ouço do alto a lua cheia que a sereia vai falar haja silêncio no mar para se ouvir a sereia
2961_4629_000860|intimamente sei que não me iludo para onde vou o mundo inteiro o nota nos meus olhares fúnebres carrego a indiferença estúpida de um cego e o ar indolente de um chinês idiota|intimamente sei que não me iludo para onde vou o mundo inteiro o nota nos meus olhares fúnebres carrego a indiferença estúpida de um cego e o ar indolente de um chinês idiota
2961_4629_000861|o amor quando virei por fim a amá-lo quando se o amor quea humanidade inspira é o amor do sibarita e da hetaíra de messalina e de sardanapalo pois|o amor quando virei por fim a amá-lo quando se o amor quea humanidade inspira é o amor do sibarita e da hetaíra de messalina e de sardanapalo pois
2961_4629_000862|seja este sol meu último consolo e o espírito infeliz que em mim se encarna se alegre ao sol como quem raspa a sarna só com a misericórdia de um tijolo|seja este sol meu último consolo e o espírito infeliz que em mim se encarna se alegre ao sol como quem raspa a sarna só com a misericórdia de um tijolo
2961_4629_000863|luto sem fim que é o meu calvário e ansio e choro delirante e vário sonâmbulo da dor angustiado quantas venturas que me acalentaram|luto sem fim que é o meu calvário e ansio e choro delirante e vário sonâmbulo da dor angustiado quantas venturas que me acalentaram
2961_4629_000864|e quando o mundo todo paralisa e quando a multidão toda agoniza ela inda altiva ela inda o olhar sereno de agonizante multidão rodeada derrama em cada boca envenenada mais uma gota do fatal veneno|e quando o mundo todo paralisa e quando a multidão toda agoniza ela inda altiva ela inda o olhar sereno de agonizante multidão rodeada derrama em cada boca envenenada mais uma gota do fatal veneno
2961_4629_000865|então dois ossos roídos me assombram por ventura haverá quem queira roer nos os vermes já não querem mais comer nos e os formigueiros já nos desprezaram|então dois ossos roídos me assombram por ventura haverá quem queira roer nos os vermes já não querem mais comer nos e os formigueiros já nos desprezaram
2961_4629_000866|por que para este cemitério vim por que antes da vida o angusto trilho palmilhasse do que este que palmilho e que me assombra porque não tem fim|por que para este cemitério vim por que antes da vida o angusto trilho palmilhasse do que este que palmilho e que me assombra porque não tem fim
2961_4629_000867|embora a lua o aclare este engenho pau darco é muito triste nos engenhos da várzea não existe talvez um outro que se lhe|embora a lua o aclare este engenho pau darco é muito triste nos engenhos da várzea não existe talvez um outro que se lhe
2961_4629_000868|nos outros tempos e nas outras eras quantas flores agora em vez de flores os musgos como exóticos pintores pintam caretas verdes nas taperas|nos outros tempos e nas outras eras quantas flores agora em vez de flores os musgos como exóticos pintores pintam caretas verdes nas taperas
2961_4629_000869|quando chegar depois a hora tranqüila tu serás arrastado na carreira como um cepo inconsciente de madeira na evolução orgânica da argila|quando chegar depois a hora tranqüila tu serás arrastado na carreira como um cepo inconsciente de madeira na evolução orgânica da argila
2961_4629_000870|quem sabe essa grandeza horrível que em toda a sua máscara se expande à humana comoção impondo a inteira|quem sabe essa grandeza horrível que em toda a sua máscara se expande à humana comoção impondo a inteira
2961_4629_000871|tudo isto que o terráqueo abismo encerra forma a complicação desse barulho travado entre o dragão do humano orgulho e as forças inorgânicas da terra|tudo isto que o terráqueo abismo encerra forma a complicação desse barulho travado entre o dragão do humano orgulho e as forças inorgânicas da terra
2961_4629_000872|parecia o ribeiro estar chorando as lágrimas que eu triste gotejava súbito ecoou o sino o som profundo adeus eu disse para mim no mundo tudo acabou-se apenas restam mágoas|parecia o ribeiro estar chorando as lágrimas que eu triste gotejava súbito ecoou o sino o som profundo adeus eu disse para mim no mundo tudo acabou-se apenas restam mágoas
2961_4629_000873|essa obsessão cromática me abate não sei por que me vêm sempre à lembrança o estômago esfaqueado de uma criança e um pedaço de víscera|essa obsessão cromática me abate não sei por que me vêm sempre à lembrança o estômago esfaqueado de uma criança e um pedaço de víscera
2961_4629_000874|sou eu que ateando da alma o ocíduo lume apreendo em cisma abismadora absorto a potencialidade do que é morto e a eficácia prolífica do estrume|sou eu que ateando da alma o ocíduo lume apreendo em cisma abismadora absorto a potencialidade do que é morto e a eficácia prolífica do estrume
2961_4629_000875|e eu luto contra a universal grandeza na mais terrível desesperação é a luta é o prélio enorme é a rebelião da criatura contra a natureza|e eu luto contra a universal grandeza na mais terrível desesperação é a luta é o prélio enorme é a rebelião da criatura contra a natureza
2961_4629_000876|é bem possível que eu umdia cegue no ardor desta letal tórrida zona a cor do sangue é a cor que me impressiona e a que mais neste mundo me persegue|é bem possível que eu umdia cegue no ardor desta letal tórrida zona a cor do sangue é a cor que me impressiona e a que mais neste mundo me persegue
2961_4629_000877|quando à noite o infinito se levanta à luz do luar pelos caminhos quedos minha tátil intensidade é tanta que eu sinto a alma do cosmos nos meus dedos|quando à noite o infinito se levanta à luz do luar pelos caminhos quedos minha tátil intensidade é tanta que eu sinto a alma do cosmos nos meus dedos
2961_4629_000878|como a luz que arde virgem num monturo tu hás de entrar completamente puro para a circulação do grande todo|como a luz que arde virgem num monturo tu hás de entrar completamente puro para a circulação do grande todo
2961_4629_000879|sem nódoas e sem lixos subtraída à hediondez de ínfimo casco onde a forca feroz coma o carrasco e o olho do estuprador se encha de bichos|sem nódoas e sem lixos subtraída à hediondez de ínfimo casco onde a forca feroz coma o carrasco e o olho do estuprador se encha de bichos
2961_4629_000880|e todo mundo que por ela passa há de beber a taça da cicuta e há de beber até o fim da taça há de beber enxuto o olhar enxuta a face e o travo há de sentir e a ameaça amarga dessa desgraçada fruta que é a fruta amargosa da desgraça|e todo mundo que por ela passa há de beber a taça da cicuta e há de beber até o fim da taça há de beber enxuto o olhar enxuta a face e o travo há de sentir e a ameaça amarga dessa desgraçada fruta que é a fruta amargosa da desgraça
2961_4629_000881|era erguido do pó inopinadamente para que à vida quente da sinergia cósmica desperte a ansiedade de um mundo doente de ser inerte cansado de estar só|era erguido do pó inopinadamente para que à vida quente da sinergia cósmica desperte a ansiedade de um mundo doente de ser inerte cansado de estar só
2961_4629_000882|o mundo é um sepulcro de tristeza ali por entre matas de ciprestes folga a justiça e geme a natureza|o mundo é um sepulcro de tristeza ali por entre matas de ciprestes folga a justiça e geme a natureza
2961_4629_000883|na ascensão barométrica da calma eu bem sabia ansiado e contrafeito que uma população doente do peito tossia sem remédio na minhalma|na ascensão barométrica da calma eu bem sabia ansiado e contrafeito que uma população doente do peito tossia sem remédio na minhalma
2961_4629_000884|o quadro de aflições que me consomem o próprio pedro américo não pinta para pintá lo era preciso a tinta feita de todos os tormentos do homem|o quadro de aflições que me consomem o próprio pedro américo não pinta para pintá lo era preciso a tinta feita de todos os tormentos do homem
2961_4629_000885|havia pelo chão um desperdício de folhas que a áurea xantofila corta nisto ouve o canto aziago da coruja quer fugir e não vê por onde fuja implora a deus como a um fetihe vago|havia pelo chão um desperdício de folhas que a áurea xantofila corta nisto ouve o canto aziago da coruja quer fugir e não vê por onde fuja implora a deus como a um fetihe vago
2961_4629_000886|fecha te nesse medonho redudo de maldição viajeiro da extrema-unção sonhador do último sonho numa redoma ilusória cercou te a glória falaz mas nunca mais nunca mais há de cercar te essa glória nunca mais|fecha te nesse medonho redudo de maldição viajeiro da extrema-unção sonhador do último sonho numa redoma ilusória cercou te a glória falaz mas nunca mais nunca mais há de cercar te essa glória nunca mais
2961_4629_000887|vai uma onda vem outra onda e nesse eterno vaivém coitadas não acham quem quem as esconda as esconda|vai uma onda vem outra onda e nesse eterno vaivém coitadas não acham quem quem as esconda as esconda
2961_4629_000888|dissolva se portanto minha vida igualmente a uma célula caída na aberração de um óvulo infecundo mas o agregado abstrato das saudades fique batendo nas perpétuas grades do último verso que eu fizer no mundo|dissolva se portanto minha vida igualmente a uma célula caída na aberração de um óvulo infecundo mas o agregado abstrato das saudades fique batendo nas perpétuas grades do último verso que eu fizer no mundo
2961_4629_000889|fita rubra de sangue muito grosso a carne que ele havia de comer no inferno da visão alucianada viu montanhas de sangue enchendo a estrada viu vísceras vermelhas pelo chão|fita rubra de sangue muito grosso a carne que ele havia de comer no inferno da visão alucianada viu montanhas de sangue enchendo a estrada viu vísceras vermelhas pelo chão
2961_4629_000890|em vão contra o poder criador do sonho o fim das coisas mostra-se medonho como o desaguadouro atro de um rio e quando ao cabo do último milênio a humanidade vai pesar seu gênio encontra o mundo que ela encheu vazio|em vão contra o poder criador do sonho o fim das coisas mostra-se medonho como o desaguadouro atro de um rio e quando ao cabo do último milênio a humanidade vai pesar seu gênio encontra o mundo que ela encheu vazio
2961_4629_000891|minha ama de leite guilhermina furtava as moedas que o doutor me dava sinhá mocinha minha mãe ralhava via naquilo a minha própria ruína|minha ama de leite guilhermina furtava as moedas que o doutor me dava sinhá mocinha minha mãe ralhava via naquilo a minha própria ruína
2961_4629_000892|heterogêneo adeus fica-te aí com o abdômen largo a apodrecer és poeira e embalde vibras o corvo que comer as tuas fibras há de achar nelas um sabor amargo|heterogêneo adeus fica-te aí com o abdômen largo a apodrecer és poeira e embalde vibras o corvo que comer as tuas fibras há de achar nelas um sabor amargo
2961_4629_000893|culminâncias humanas ainda obscuras expressões do universo radioativo íons emanados do meu próprio ideal|culminâncias humanas ainda obscuras expressões do universo radioativo íons emanados do meu próprio ideal
2961_4629_000894|branda entanto a afagar tantas feridas a áurea mão taumatúrgica do amor traça nas minhas formas carcomidas a estrutura de um mundo superior|branda entanto a afagar tantas feridas a áurea mão taumatúrgica do amor traça nas minhas formas carcomidas a estrutura de um mundo superior
2961_4629_000895|ao terminar este sendito poema onde vazei a minha dor suprema tenho os olhos em lágrimas imersos rola me na cabeça o cérebro oco por ventura meu deus estarei louco|ao terminar este sendito poema onde vazei a minha dor suprema tenho os olhos em lágrimas imersos rola me na cabeça o cérebro oco por ventura meu deus estarei louco
2961_4629_000896|e conquanto contra isto ódios regougues a utilidade fúnebre da corda que arrasta a rês depois que a rês engorda à morte desgraçada dos açougues|e conquanto contra isto ódios regougues a utilidade fúnebre da corda que arrasta a rês depois que a rês engorda à morte desgraçada dos açougues
2961_4629_000897|num instante viu tudo e compreendendo tudo quis fazer um esforço o último esforço e o braço pendeu exangue o peito arqueou se o cansaço empolgara o e ele quis falar e estava mudo|num instante viu tudo e compreendendo tudo quis fazer um esforço o último esforço e o braço pendeu exangue o peito arqueou se o cansaço empolgara o e ele quis falar e estava mudo
2961_4629_000898|a onda estoura na negridão do oceano e entre os navios troa bárbara zoada de ais bravios extraordinariamente atordoadora à|a onda estoura na negridão do oceano e entre os navios troa bárbara zoada de ais bravios extraordinariamente atordoadora à
2961_4629_000899|mas a irritar me os globos oculares apregoando e alardeando a cor nojenta fetos magros ainda na placenta estendiam me as mãos rudimentares|mas a irritar me os globos oculares apregoando e alardeando a cor nojenta fetos magros ainda na placenta estendiam me as mãos rudimentares
2961_4629_000900|obscura planta pelo acidentalíssimo caminho faísca o sol nédios batendo a cauda urram os bois o céu lembra uma lauda do mais incorruptível pergaminho|obscura planta pelo acidentalíssimo caminho faísca o sol nédios batendo a cauda urram os bois o céu lembra uma lauda do mais incorruptível pergaminho
2961_4629_000901|meu peito túmlo do prazer finado foi outrora do riso abençoado o berço onde as venturas se embalaram mas não queiras saber nunca risonha o mistério dum peito que estertora e o segredo dumalma que não sonha|meu peito túmlo do prazer finado foi outrora do riso abençoado o berço onde as venturas se embalaram mas não queiras saber nunca risonha o mistério dum peito que estertora e o segredo dumalma que não sonha
2961_4629_000902|teus seios oh morena relíquias de carrara têm a ambrosia rara da mais rara verbena aperta me em teu peito e dá-me assim divina de lírios e boninas um veludíneo leito|teus seios oh morena relíquias de carrara têm a ambrosia rara da mais rara verbena aperta me em teu peito e dá-me assim divina de lírios e boninas um veludíneo leito
2961_4629_000903|para essas lutas uma vida é pouca inda mesmo que os músculos se esforcem os pobres braços do mortal se torcem e o sangue jorra em coalhos pela boca|para essas lutas uma vida é pouca inda mesmo que os músculos se esforcem os pobres braços do mortal se torcem e o sangue jorra em coalhos pela boca
2961_4629_000904|e eu que vivo atrelado ao desalento também espero o fim do meu tormento na voz da morte a me bradar descansa|e eu que vivo atrelado ao desalento também espero o fim do meu tormento na voz da morte a me bradar descansa
2961_4629_000905|não sei que subterrânea e atra voz rouca por saibros e por cem côncavos vales como pela avenida das mappales me arrasta à casa do finado toca|não sei que subterrânea e atra voz rouca por saibros e por cem côncavos vales como pela avenida das mappales me arrasta à casa do finado toca
2961_4629_000906|indício mais certo não havia era o suplício daí a pouco ela seria morta saiu o sol ardia a estrada torta lembrava a antiga ponte de|indício mais certo não havia era o suplício daí a pouco ela seria morta saiu o sol ardia a estrada torta lembrava a antiga ponte de
2961_4629_000907|quem sou eu neste ergástulo das vidas danadamente a soluçar de dor trinta trilhões de células vencidas nutrindo uma efeméride interior|quem sou eu neste ergástulo das vidas danadamente a soluçar de dor trinta trilhões de células vencidas nutrindo uma efeméride interior
2961_4629_000908|quem vê o herói inda com o braço altivo diz que ele não morreu diz que ele é vivo e persuadido fica do que diz bem como tu que nessa crença infinda feliz me viste no passado e a inda te persuades de que sou feliz|quem vê o herói inda com o braço altivo diz que ele não morreu diz que ele é vivo e persuadido fica do que diz bem como tu que nessa crença infinda feliz me viste no passado e a inda te persuades de que sou feliz
2961_4629_000909|aguarda a ampla reentrância de angra horrenda pára e a amarra agarrada à âncora sonha mágoas se as tem subjugue as ou disfarce as|aguarda a ampla reentrância de angra horrenda pára e a amarra agarrada à âncora sonha mágoas se as tem subjugue as ou disfarce as
2961_4629_000910|o silêncio vinha entrando pelo mundo e ele lúgubre e só trôpego e cambaleando foi-se arrastando foi aos poucos se arrastando para as bordas fatais dum precipício fundo|o silêncio vinha entrando pelo mundo e ele lúgubre e só trôpego e cambaleando foi-se arrastando foi aos poucos se arrastando para as bordas fatais dum precipício fundo
2961_4629_000911|de mim diverso rígido e de rastos com a solidez do tegumento sujo sulca em diâmetro o solo um caramujo naturalmente pelos|de mim diverso rígido e de rastos com a solidez do tegumento sujo sulca em diâmetro o solo um caramujo naturalmente pelos
2961_4629_000912|toma as espadas rútilas guerreiro e à rutilância das espadas toma a adaga de aço o gládio de aço e doma meu coração estranho carniceiro|toma as espadas rútilas guerreiro e à rutilância das espadas toma a adaga de aço o gládio de aço e doma meu coração estranho carniceiro
2961_4629_000913|de arquimedes a fadiga feroz que te esbordoa há de deixar te essa medonha marca que nos corpos inchados de anasarca deixam os dedos de qualquer pessoa|de arquimedes a fadiga feroz que te esbordoa há de deixar te essa medonha marca que nos corpos inchados de anasarca deixam os dedos de qualquer pessoa
2961_4629_000914|e o cuspo que essa hereditária tosse golfava à guisa de ácido resíduo não era o cuspo só de um indivíduo minado pela tísica precoce não|e o cuspo que essa hereditária tosse golfava à guisa de ácido resíduo não era o cuspo só de um indivíduo minado pela tísica precoce não
2961_4629_000915|bati nas pedras dum tormento rude e a minha mágoa de hoje é tão intensa que eu penso que a alegria é uma doença e a tristeza é minha única saúde|bati nas pedras dum tormento rude e a minha mágoa de hoje é tão intensa que eu penso que a alegria é uma doença e a tristeza é minha única saúde
2961_4629_000916|artéria equórea ou no estaleiro ergue a alma mastreação que o éter indica e estende os braços da madeira rica para as populações do mundo inteiro|artéria equórea ou no estaleiro ergue a alma mastreação que o éter indica e estende os braços da madeira rica para as populações do mundo inteiro
2961_4629_000917|eflúvios quentes e fatais quebrantos crestam a alma das virgens adormidas e as brumas velam nos sinistros mantos e as virgens dormem nas tumbais jazidas|eflúvios quentes e fatais quebrantos crestam a alma das virgens adormidas e as brumas velam nos sinistros mantos e as virgens dormem nas tumbais jazidas
2961_4629_000918|eu vou partir na límpida corrente rasga o batel o leito dágua fina albatroz deslizando mansamente como se fosse vaporosa ondina|eu vou partir na límpida corrente rasga o batel o leito dágua fina albatroz deslizando mansamente como se fosse vaporosa ondina
2961_4629_000919|foi numa tarde assim que nos amamos silfos morriam no ar os gaturamos num recesso de névoa adormecida punge me o peito da saudade o cardo enquanto num mocho sonolento e tardo canta no espaço a maldição da vida|foi numa tarde assim que nos amamos silfos morriam no ar os gaturamos num recesso de névoa adormecida punge me o peito da saudade o cardo enquanto num mocho sonolento e tardo canta no espaço a maldição da vida
2961_4629_000920|e muitas vezes a agonia é tanta que rolando dos últimos degraus o hércules treme e vai tombar no caos de onde seu corpo nunca mais levanta|e muitas vezes a agonia é tanta que rolando dos últimos degraus o hércules treme e vai tombar no caos de onde seu corpo nunca mais levanta
2961_4629_000921|em vão com a bronca enxada árdega sondas a estéril terra e a hialina lâmpada oca trazes por perscrutar oh ciência louca o conteúdo das lágrimas hediondas|em vão com a bronca enxada árdega sondas a estéril terra e a hialina lâmpada oca trazes por perscrutar oh ciência louca o conteúdo das lágrimas hediondas
2961_4629_000922|fomo do átomo e eurítmico transporte de todas as moléculas aborte na hora em que a nossa carne apodrecer não essa luz radial em que arde o ser para a perpetuação da espécie forte|fomo do átomo e eurítmico transporte de todas as moléculas aborte na hora em que a nossa carne apodrecer não essa luz radial em que arde o ser para a perpetuação da espécie forte
2961_4629_000923|negro e sem fim é esse em que te mergulhas lugar do cosmos onde a dor infrene é feita como é feito o querosene nos recôncavos úmidos das hulhas|negro e sem fim é esse em que te mergulhas lugar do cosmos onde a dor infrene é feita como é feito o querosene nos recôncavos úmidos das hulhas
2961_4629_000924|estes dardos acúleos caíam também da dor lá dos braços hercúleos domados pela meiga ônfale a que me rendo coração frio frio o sagrado coração da lua teu coração rolou da luz serena|estes dardos acúleos caíam também da dor lá dos braços hercúleos domados pela meiga ônfale a que me rendo coração frio frio o sagrado coração da lua teu coração rolou da luz serena
2961_4629_000925|é o soluço da forma ainda imprecisa da transcendência que se não realiza da luz que não chegou a ser lampejo|é o soluço da forma ainda imprecisa da transcendência que se não realiza da luz que não chegou a ser lampejo
2961_4629_000926|e a procela chorou num fundo arranco de mágoa triste e de paixão violenta e lúcia disse à bruma lutulenta foge senão coo o meu olhar te espanco|e a procela chorou num fundo arranco de mágoa triste e de paixão violenta e lúcia disse à bruma lutulenta foge senão coo o meu olhar te espanco
2961_4629_000927|flácido abandono lembra formosa no seu casto sono a languidez dormente da indiana enquanto o amante pálido a seu lado medita a fronte triste o olhar velado no mistério da carne soberana|flácido abandono lembra formosa no seu casto sono a languidez dormente da indiana enquanto o amante pálido a seu lado medita a fronte triste o olhar velado no mistério da carne soberana
2961_4629_000928|aos tropeços tombando o velho caminhava caminhava e a sonhar bêbado de miragem nem viu que era chegado o termo da viagem e amplo a rugir lhe aos pés o precipício estava|aos tropeços tombando o velho caminhava caminhava e a sonhar bêbado de miragem nem viu que era chegado o termo da viagem e amplo a rugir lhe aos pés o precipício estava
2961_4629_000929|podre meu pai e a mão que enchi de beijos roída toda de bichos como os queijos sobre a mesa de orgíacos festins|podre meu pai e a mão que enchi de beijos roída toda de bichos como os queijos sobre a mesa de orgíacos festins
2961_4629_000930|a custódia dos sentidos tredos e a minha mão dona por fim de quanta grandeza o orbe estrangula em seus segredos todas as coisas íntimas suplanta|a custódia dos sentidos tredos e a minha mão dona por fim de quanta grandeza o orbe estrangula em seus segredos todas as coisas íntimas suplanta
2961_4629_000931|um dia comparado com um milênio seja pois o teu último evangelho é a evolução do novo para o velho e do homogêneo para o heterogêneo|um dia comparado com um milênio seja pois o teu último evangelho é a evolução do novo para o velho e do homogêneo para o heterogêneo
2961_4629_000932|ladra furiosa a tribo dos podengos olhando para as pútridas charnecas grita o exército avulso das marrecas na úmida copa dos bambus verdoengos|ladra furiosa a tribo dos podengos olhando para as pútridas charnecas grita o exército avulso das marrecas na úmida copa dos bambus verdoengos
2961_4629_000933|barulho de mandíbulas e abdômens e vem-me com um desprezao por tudo isto uma vontade absurda de ser cristo para sacrificar me pelos homens|barulho de mandíbulas e abdômens e vem-me com um desprezao por tudo isto uma vontade absurda de ser cristo para sacrificar me pelos homens
2961_4629_000934|hoje é amargo tudo quanto eu gosto a bênção matutina que recebo e é tudo o pão que como a água que bebo o velho tamarindo a que me encosto|hoje é amargo tudo quanto eu gosto a bênção matutina que recebo e é tudo o pão que como a água que bebo o velho tamarindo a que me encosto
2961_4629_000935|lembra lisboa bela como um brinco que um dia no ano trágico de mil e setecentos e cinqüenta e cinco foi abalada por um terremoto|lembra lisboa bela como um brinco que um dia no ano trágico de mil e setecentos e cinqüenta e cinco foi abalada por um terremoto