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15,398 | Curso Online de Filosofia OLAVO DE CARVALHO Aula 16 25 de julho de 2009 [versão provisória] Para uso exclusivo dos alunos do Curso de Filosofia Online. O texto desta transcrição não foi revisto ou corrigido pelo autor. Por favor, não cite nem divulgue este material. [Parte 1: COF20090725] Boa tarde a todos. Sejam bem-v... |
15,399 | ê-se então uma espécie de escalada em que o indivíduo vai conquistando círculos cada vez maiores de linguagem, que lhe dão acesso à convivência com círculos maiores de pessoas e, portanto, a maiores e mais complexas possibilidades da ação humana. O primeiro círculo que ele tem de conquistar é claramente o da comunicaçã... |
15,400 | ele não souber, então “dane-se”: se ele não consegue explicar as suas necessidades e os seus objetivos, ninguém tem nada a ver com isso, ninguém tem a obrigação de ser tolerante e compreensivo com ele. No período da adolescência, quando o foco da convivência vai sendo transferido da família para o grupo dos seus coetân... |
15,401 | deles. Mas isso não é coisa fácil. Pessoas que no aprendizado propriamente escolar podem ir até muito mal, às vezes revelam uma habilidade extraordinária nesse sentido. Quando tomam contato com um novo grupo social, assimilam facilmente a linguagem daquele grupo e nele integram-se facilmente. Isso levou os estudiosos d... |
15,402 | em geral, são tácitas; não são declaradas. Existem as leis que foram aprovadas pelo parlamento, oficialmente vigentes e que você é obrigado a cumprir. Note que o conhecimento que as pessoas têm dessas leis é extremamente precário. Se você interroga um cidadão brasileiro sobre o Código Penal, ele não tem a menor idéia d... |
15,403 | tenetur. Se você é obrigado a conhecer as leis, mas o conhecimento das leis é praticamente impossível, então você está sendo obrigado ao impossível. Existe aí um loop lógico: você é obrigado a uma coisa que, ao mesmo tempo, é impossível; e você, por sua vez, não pode alegar essa impossibilidade. Basta isso para ver com... |
15,404 | a mais mínima idéia de qual é o sistema legal vigente. É uma coisa incrível que as pessoas não conheçam as leis, mas exerçam influência através do voto, dos debates etc. Donde já se nota que a integração do cidadão na sociedade contemporânea é cheia de percalços, contradições e problemas. O período que vai da adolescên... |
15,405 | sociedade humana. Imagine a quantidade de conhecimentos que uma pessoa – por mais burra que seja – precisa ter simplesmente para viver em sociedade. Imagine a quantidade enorme de códigos. Pode ser que ela não seja capaz de expressá- los verbalmente, mas saberá operá-los de algum modo, coisa muito mais complicada do qu... |
15,406 | interessado em saber se as pessoas o aprovam, se o que fez será bem ou mal recebido, se é um sujeito socialmente simpático ou antipático, se está dentro ou fora do código e assim por diante. O problema é você mesmo: você é um problema ambulante, um problema para você mesmo. Durante todo esse período, qualquer preocupaç... |
15,407 | dos códigos habituais e não precise mais pensar nisso. O sujeito agora tem um emprego – e sabe o que se espera dele naquele emprego, sabe o que tem de fazer –, uma família, um conjunto de obrigações e desafios a enfrentar. E essa atividade se desenrola dentro de um quadro de expectativas sociais já estabilizado e que n... |
15,408 | história é um instrumento para você conseguir certa aprovação da qual você necessita. Também é claro que há aí, fora os problemas do aprendizado escolar, o problema das afeições, daquilo de que você gosta ou não. Nesse período você pode descobrir que gosta de certas disciplinas na escola e que não gosta de outras. Algu... |
15,409 | aquilo como pretexto para dar aula de biologia em torno dos camarões e ficou seis meses lecionando camarões. Não porque os camarões dentro da ordem da estrutura total das ciências biológicas sejam tão importantes assim, mas porque pedagogicamente convinha àquele momento. Isso mostra como a estrutura da experiência educ... |
15,410 | ar no meio, obter aprovação etc.: esse é o foco de tudo que acontece. Já na passagem para a vida adulta a situação realmente muda, pois o que as pessoas esperam de você é que você desempenhe certas funções realmente. Note que o que está em jogo já não é sua aprovação social. Se você obteve um emprego é porque já foi ap... |
15,411 | não sejam suprimidas, elas passam para um segundo plano. Todavia, acontece que aquela fase de adaptação social deixa marcas profundas nas pessoas, por sua própria duração. Praticamente toda essa fase — desde o instante em você começa a sair de casa até o instante em que você é reconhecido como um cidadão adulto com dir... |
15,412 | alar como eles. E você tem de falar como eles de tal modo, que sua palavra escrita – por exemplo, numa carta ao jornal do partido –, independente da sua presença física, o identifique como membro daquela comunidade. Essas habilidades não são nada fáceis de adquirir. Aquilo que chamamos de alta cultura não é nada mais d... |
15,413 | exemplo, o domínio das línguas. Mas o domínio das línguas não é o mais difícil; o mais difícil é o domínio das inter- referências. Porque ao longo dos tempos os grandes escritores, os grandes filósofos etc. estão continuamente se reportando uns aos outros. É como se aquilo fosse realmente um diálogo em que todo mundo e... |
15,414 | quadro de referências pode estar totalmente deslocado daquele que o autor tinha em vista. Todas essas primeiras experiências são sempre baseadas no erro, numa interpretação subjetivista e, por assim dizer, provinciana. É nesse sentido que Jorge Luis Borges dizia que para entender um único livro é preciso ter lido muito... |
15,415 | ava as obras importantes e ia tentando traduzi-las – método esse que eu também usei várias vezes. Quando decidiu aprender português, tentou ler um poema de Gonçalves Dias, no qual havia a palavra “rede”. Ele foi então procurar o significado da palavra no dicionário e encontrou vários equivalentes; notou que a palavra “... |
15,416 | mundo, que Deus fez – foi inventado por algum ser humano. Isso quer dizer que hábitos, valores, critérios, sentimentos, cacoetes etc, tudo o que existe na sociedade imediata vem dessa outra sociedade. Foram as pessoas que se notabilizaram como grandes estudiosos, grandes artistas e criadores as inventoras de tudo: “a s... |
15,417 | icial dá um tiro nele, essas são ações individuais que na maior parte das vezes são, uma a uma, rastreáveis, embora componham um efeito de conjunto. O fato de que muitos indivíduos nessas circunstâncias ajam impelidos por sentimentos que eles imaginam ser coletivos não modifica em nada o que estou dizendo. Essa históri... |
15,418 | as é sem dúvida uma metonímia, uma figura de linguagem: não corresponde a uma realidade. Aos poucos, você vai notando que todas as idéias, valores, critérios etc. que estão presentes na sua sociedade imediata, nos seus grupos, têm uma origem remota em alguma idéia que alguém teve nas altas esferas do espírito. Essa idé... |
15,419 | não se interessavam muito sequer em saber quem foi o autor de certa idéia, queriam saber se ela era verdadeira ou falsa. Tanto que quando se entregava um livro com a autoria totalmente falsa a um leitor, ele não se incomodava com isso. Ninguém se preocupava em saber se uma idéia era sua ou do vizinho. Era uma situação ... |
15,420 | se preocupassem com isso. Depois, isso foi apagado e voltou aproximadamente no século XIII. Essa convicção tão comum hoje em dia, expressa nessas frases que aparecem na boca de tantas pessoas (“eu penso com minha própria cabeça”, “eu tenho minhas próprias opiniões” etc.), não é uma coisa natural no ser humano; é algo q... |
15,421 | de contar quais foram seus antecessores, de quais fontes você partiu, porque se você não o fizer, ninguém saberá onde se situa historicamente a idéia que você está apresentando. É preciso que fique claro se você está dizendo uma coisa porque é o primeiro a pensá-la ou se está apenas trabalhando em cima da idéia de outr... |
15,422 | por Poincaré fazia 15 anos. Poincaré escreveu vários livros sobre isso e Einstein disse que nunca tinha lido esses livros. É impossível, porque você vê que os raciocínios que ele usa teriam sido impossíveis sem ele ter consultado Poincaré. Portanto, esse é um dos grandes escândalos da história da ciência: é claro que a... |
15,423 | uição original, se não a geração seguinte irá fazer confusão. Se não existisse essa preocupação com a reconstituição da cronologia das idéias, ninguém jamais teria pensado em dizer “eu penso com a minha própria cabeça e não com a do vizinho”. Uma atitude que no nosso meio parece tão natural, tão espontânea, é uma criaç... |
15,424 | coisas eram exatamente da forma que eu estava dizendo, eu tinha de subdividir essa questão. Se eu fosse pesquisar por mim mesmo cada um desses problemas a partir das suas fontes primárias, de seus documentos primários, eu levaria mil e quinhentos anos e não terminaria. Felizmente, todas as perguntas concretas que eu fi... |
15,425 | , mas todo o círculo amizade dele era formado por comunistas. E ele, em vez de ser um inocente útil, não, ele não era inocente e nem útil. Ele era um espertalhão que se utilizava dos caras. Eu acho que Einstein foi um dos poucos caras que fizeram os comunistas de trouxas. Nesse sentido, o sujeito era um gênio, fantásti... |
15,426 | dá; mas todo mundo durante bastante tempo, dá. E às vezes você não engana todos, há um ou dois que não se deixam enganar – mas você engana todos os outros. Estou dando esse exemplo apenas para mostrar a que ponto tornou-se importante a questão da autoria, de saber de onde vieram as suas idéias. Um elemento fundamental ... |
15,427 | seria uma escola técnica há cinqüenta, sessenta anos atrás, restringindo-se à aquisição da licença para um determinado exercício profissional e à conquista de uma identidade social. Nada tem que ver com a formação da sua inteligência para lidar com os grandes problemas. Acontece, pois, que se você não sabe as fontes da... |
15,428 | instrumentos descritivos e explicativos que fogem completamente da realidade. O que elas estão discutindo nunca é o que está realmente em jogo, o que significa que não são capazes de prever as conseqüências de suas escolhas e decisões e não têm controle nenhum do que estão fazendo, são um bando de loucos. É só rastrean... |
15,429 | estudado, aprendido e até esquecido, de repente, aparece diante de mim como se fosse uma novidade total, na voz de pessoas com total desconhecimento do problema. Naturalmente, cada um opinava ali desde um ponto de vista inteiramente subjetivo, a partir de certos pontos do assunto que chamavam a sua atenção. Mas esses p... |
15,430 | . Ferreira Gullar, com toda a justiça, reclamava disso, alegando que às vezes é preciso internar as pessoas, não porque queiramos trancafiá-las ou livrarmo-nos delas, mas para o bem delas e de suas famílias, para que as famílias possam continuar com suas vidas mais ou menos normais, dentro de um diálogo compreensível q... |
15,431 | , pois é um assunto muito interessante. Na década de 70 apareceu esse grupo de psiquiatras (Franco Basaglia, David Cooper, Ronald Laing) que proferiu a seguinte tese, depois subscrita por Michel Foucault: o aparato psiquiátrico faz parte do aparelho repressivo do Estado e é usado para isolar as pessoas de que o establi... |
15,432 | suas famílias ou por si mesmas. Segundo, havia-se disseminado em toda a sociedade o exame crítico da atuação dos psiquiatras, inclusive pela Justiça. Ou seja, se você internasse um sujeito no hospital e o médico prejudicasse aquela pessoa, ela mesma ou seus parentes poderiam processar o médico. Isso sempre existiu em t... |
15,433 | como aparato repressivo era literalmente verdadeira para os países comunistas, no que se refere ao resto do mundo, era uma figura de linguagem hiperbólica, monstruosamente exagerada. Ora, houve algum movimento de anti-psiquiatria nos países comunistas? Não, o que houve aconteceu no Ocidente. Mas, de repente, milhares d... |
15,434 | fazendo nos hospitais psiquiátricos, a URSS deu o troco. Franco Basaglia era um discípulo direto de Antonio Gramsci. A reforma da lei psiquiátrica na Itália foi inteiramente iniciativa do partido comunista. David Cooper era um agente soviético treinado na URSS. Já Laing era um coitado, alcoólatra, um sujeito irresponsá... |
15,435 | tentaram até matar o pai. Mas há outros casos, de loucos mansos. Eu tinha um parente que tinha um acesso a cada cinco anos, um impulso homicida. Um dia ele saiu com um machado correndo atrás de um outro. Felizmente – eu não sei o porquê –, a única pessoa que ele não atacava era eu. Normalmente ele era uma pessoa inofen... |
15,436 | eu exclamei: “Epa!” A única coisa que eu podia usar em minha defesa era um vidro de emulsão de Scott que tinha no bolso. Então, ficou ele com a faca e eu com o vidro de emulsão de Scott, a única arma que tinha. O sujeito desistiu, mas dali foi embora para a casa da mulher para comer de novo a menina. Eu telefonei para ... |
15,437 | aconteceria sem contra- cultura e anti-psiquiatria. Esses cinqüenta mil brasileiros que morrem por ano, sobretudo por causa do narcotráfico – há outras causas também, mas a predominante é o narcotráfico –, jamais teriam morrido se não fosse essa gente. Esses caras eram agentes soviéticos muito mal intencionados que só ... |
15,438 | do Ferreira Gullar, que foi internado para não poder matar o pai, é uma vítima do Estado repressivo etc., nos Estados comunistas o sujeito que é simplesmente um dissidente político é internado sem ter doença nenhuma, sem ter nenhum desvio de conduta. O desvio de conduta que ele tem é ser de direita. Por isso, é interna... |
15,439 | , Aristóteles, São Tomás de Aquino, Shakespeare, Goethe etc. etc. E todas essas coisas vão tornar-se atuais para você no sentido de que são possibilidades que você está realizando. Talvez você não as realize tão bem quanto eles, mas tem de apropriar-se daquilo. Eu conheço muita gente que estudou grego, latim, alemão, i... |
15,440 | Por exemplo, é impossível ler Shakespeare como se deve sem que todos aqueles personagens apareçam para você como possibilidades suas e como outras tantas superfícies nas quais você vai se espelhar e nas quais verá a complexidade das emoções, dos desejos, dos temores que se agitam dentro de sua própria alma. Foi para is... |
15,441 | e vê que a coisa maligna volta, e volta, e volta, e volta e que freqüentemente você tem de fazer um arranjo entre as duas coisas, porque não consegue melhorar efetivamente – às vezes consegue, mas só um pouquinho. Então aí você está testando as suas possibilidades na esfera moral e começa a ter alguma idéia efetiva do ... |
15,442 | o olhar dos mestres”. Ou seja, o que São Tomás de Aquino, Aristóteles ou Shakespeare pensaria do que eu estou fazendo agora? Note bem, na fase do aprendizado de integração social você quer saber o que um monte de idiotas pensaria a seu respeito, de pessoas que nem são melhores que você. E você se submete ao julgamento ... |
15,443 | ritos e deméritos e de tomar decisões com toda firmeza e sinceridade. Durante a primeira fase, você quer ser alguém, mas esse alguém é apenas um fantasma, uma imagem que os outros projetam em você e que você sabe ser falsa. Já nessa segunda etapa, a da aquisição da alta cultura, você também será alguém; mas alguém de v... |
15,444 | as coisas com o peso da experiência interior ― testada, pensada, séria ―, aí é diferente, você pode até prestar algum serviço para a sociedade. Antes disso você pode apenas dar opinião. O que aconteceu no Brasil nos últimos trinta anos é que a alta cultura desapareceu. Não há mais pessoas assim. Dentre os caras conside... |
15,445 | ivo, porque todas aquelas “idéias” em circulação, que refletem apenas necessidades subjetivas de pessoas ou de grupos, só adquirem sentido quando se referem a um diálogo mais universal, que é, no fundo, a origem de tudo isso. Fora isso, essas idéias são apenas expressões de anseios subjetivos totalmente desencontrados ... |
15,446 | as pessoas falam. Isso é uma usurpação de altas funções por pessoas que não estão absolutamente qualificadas nem intelectualmente, nem moralmente e muito menos existencialmente para isso. É por isso que o debate é tão oco, tão pobre, tão vazio, tão miserável! E o que é que se pode fazer contra isso? O que nós estamos f... |
15,447 | preocupam em saber se o que eles estão falando está de acordo com a hierarquia. Aliás, esses escritores são os mais personalizados que existem. Quando você os lê, vê que são almas humanas de verdade, que estão ali falando com você, não um Código de Direito Canônico que ali está a abrir a boca. Mas depois que a literatu... |
15,448 | ômico não trata de todos os assuntos e não está habilitado a lidar com todos os assuntos. Então, algo que eu diga vai ter que necessariamente pisar no calo de algum liberal, porque eu não estou escrevendo para mostrar como eu sou liberal, mas para dizer as coisas como eu realmente as vejo, o que quer dizer que eu estou... |
15,449 | ção mesmo tendo pouca cultura literária, porque do pouco que leram, absorveram tudo, sem nem saber como, [01:50] por uma aptidão especial. Um sujeito que não lia muita coisa era Nelson Rodrigues. Mas do que ele lia, ele ficava impregnado. Então ele entra na tradição, ele é um escritor. Ora, para que servem os escritore... |
15,450 | quela porcaria. O ser humano não, ele fala. E na hora em que ele fala, aqueles monstros que se agitam dentro dele tornam-se reconhecíveis pelos outros e através disso ele se liberta dessa coisa. Aquele idiota do C. P. Snow, que escreveu no livro As duas culturas que “temos a cultura literária, a cultura científica”, on... |
15,451 | az de explicá-la. O simples fato de que a palavra entropia seja uma das mais usadas nessas discussões já prova que a segunda lei da termodinâmica para eles é arroz com feijão. No entanto, está provado estatisticamente que a quase totalidade das pessoas que se formam em ciências não são capazes de ler Dickens. Eu tenho ... |
15,452 | precisa entender pessoalmente, pode pedir a um amigo que lhe explique. Eu tenho muitos amigos físicos, engenheiros e pergunto para eles. Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Mas e ler Dickens? Ah, ler Dickens é um bicho-de- sete-cabeças, sim, porque ele escreveu vinte romances e para cada um deles você tem de consultar ... |
15,453 | começa a fazer sentido para você. Fora disso, a palavra Deus não quer dizer nada para você; e se você acredita nele ou não, é absolutamente irrelevante. O desastre de um país onde se perdeu a alta cultura é que tudo é decidido em função de interesses subjetivos de indivíduos ou de grupos e não existe em parte alguma ap... |
15,454 | inguém fala nada! Por que tanto desprezo por dois problemas existentes – um que equivale a um brutal derramamento de sangue todo ano e outro que só cria dificuldades e perdas para o país o tempo todo – por que é que, com esses dois problemas na mão, os brasileiros estão preocupados com problemas que não existem? Por qu... |
15,455 | essa é a sua responsabilidade. E entendam, por favor: eu peço que durante o curso vocês se abstenham de dar palpites, de dar opiniões. Fiquem quietinhos, estudem e preparem-se para, quando entrarem na arena, entrarem com tudo, com toda a força, como eu mesmo entrei. Quando se publicou o meu primeiro livro que teve um a... |
15,456 | à disposição de Deus. Deus pode fazer isso com você a qualquer instante, tão logo Ele queira. Mas nós só podemos esse. E se você recusa esse, comete pecado contra o Espírito Santo. Se você não quer adquirir a alta cultura porque se julga uma pessoa simples e sem essas ambições etc. quer dizer que, para você, Deus tem a... |
15,457 | tem culpa disso. Mas se você tem os meios e não quer adquirir alta cultura, então é claro que você é culpado, porque não quer conhecer os assuntos dos quais você fala. O sujeito que diz que não quer adquirir alta cultura está dizendo exatamente isso! Mas um sujeito que não quer ter alta cultura, será que abdica de ter ... |
15,458 | nacional consiste em três coisas: língua, religião e alta cultura; mas essas três coisas são a mesma, pois a alta cultura é o domínio da língua. Há quem pense que o domínio da língua se adquire estudando a língua, a gramática, fazendo exercícios, mas isso é apenas o domínio das regras esquemáticas da língua. A língua v... |
15,459 | cos de pedra, esquizofrênicos de último grau, que eu vi serem salvos pelo eletro-choque, com efeitos colaterais mínimos e passageiros (como lapsos de memória, ou coisa do tipo, mas que dois meses depois passavam e o sujeito ficava bom). Aluno: (...) 3) aumento de mortes de doentes mentais por suicídios ou assassinatos ... |
15,460 | objetivos. Ela é um instrumento para geração de crise social e para o aumento do poder desses grupos de pressão. Aluno: Sobre o tema opinião: ter ou não ter, ser minha ou não, lembrei-me daquele trecho de Ortega Y Gasset em A Rebelião das Massas, que transcrevo abaixo: A maior parte das pessoas não tem opinião e é prec... |
15,461 | ino, a verdade é filha do tempo. Para você acertar alguma coisa, é preciso que muita gente tenha tentado, e essas tentativas são as opiniões. Opiniões não são senão conhecimentos virtuais, conhecimentos possíveis. Algum dia a coisa deixa de ser matéria de opinião, porque se chega a uma conclusão. Por exemplo, lembremos... |
15,462 | uma opinião a respeito, eu advirto: “Eu não sei a resposta disso que você está perguntando, mas tenho uma opinião, que não vale mais do que nenhuma outra. Eu vou dá-la, mas ninguém é obrigado a aderir”. Agora, se eu souber a resposta, digo que não é uma opinião, que sei o que estou dizendo. Mas o que as pessoas querem ... |
15,463 | ana. É aí que tem de estar depositada a nossa memória, não na nossa cabeça. A gente tem de aprender a contar com essa memória externa. Quando o seu computador fica com o HD cheio, você não compra um HD externo? Eu tenho Pois bem, eu também tenho um monte de HD’s externos, nunca conto com a minha memória, mas com o depó... |
15,464 | tudo isso e não se angustie. Se você se esqueceu de algo, que ótimo! Esqueceu-se porque não está precisando dessa coisa no momento; na hora H ela voltará, sempre voltará. Às vezes, coisas que eu li há vinte, trinta anos atrás, nas quais não pensei por muito tempo, voltam de repente! [02:20] Aluno: Ainda sobre o exercíc... |
15,465 | até um pouco superior, não necessariamente no nível que ele tem de conhecimento, mas na compreensão que ele tem de você. E isso não é difícil, porque às vezes um biógrafo que está escrevendo a biografia de um grande gênio – e que não é ele propriamente um gênio – compreende-o melhor do que ele compreendia a si mesmo! I... |
15,466 | forço monstruoso! Naquele momento eu me senti compreendido, porque eu sei o que isso me custou e sei o quanto me custou muita coisa que eu sei, coisas para as quais eu não era naturalmente dotado. Eu não sou nenhum gênio lingüístico como era o Bruno [Tolentino], por exemplo: ele ficava duas semanas num país e saía fala... |
15,467 | nenhum mesmo. O que eu procurava saber, nenhum deles respondeu, primeiro porque nenhum deles tinha um conceito geral da revolução, ou quando tinha era um conceito impressionista baseado, sobretudo, na idéia de sublevação, de mudança geral. Por exemplo, saiu agora um belo livro anti-ateístico, de cujo autor não me lembr... |
15,468 | i as conclusões dele, resumi e encaixei na minha argumentação; não precisei fazer mais nada. Nesses problemas históricos específicos, recebi quase tudo pronto e não dá para dizer quais são os autores, porque são centenas! Espero colocar todos na bibliografia. Um autor que foi muito importante foi Paul Sérieux, no livro... |
15,469 | lógica dos discursos, essa idéia ninguém teve. Essa é minha mesmo; e essa é a tese central do livro. [02:30] É claro que essa tese tem de ser preenchida com milhares de soluções para milhares de problemas específicos. Mas se eu fosse estudar tudo, nunca iria conseguir... E às vezes acontece de termos uma idéia brilhant... |
15,470 | guimos abstrair o que eles estão falando. Uma vez abstraído isso, então temos algo que se pode chamar de discurso astrológico essencial. Esse discurso pode ser expresso por uma série de afirmativas sobre certos fatos ou situações que devem ocorrer na vida terrestre e humana, quando certos outros fatos estão se passando... |
15,471 | amente todos os problemas concretos estavam resolvidos. Aluno: Levando em conta o cenário cultural de nosso país, o senhor acha que há pessoas no nosso país com autoridade para determinar quem deve ser internado ou não em clínicas psiquiátricas? (...) Olavo: Pode ter um ou outro psiquiatra que seja. Pelo menos aqueles ... |
15,472 | num passe de mágica. É esse o sentido que devemos ter sobre o assunto em que estamos envolvidos, transformando a vida como grandes pesquisas em que todo o conhecimento aparece-nos no momento certo? Olavo: Eu não posso assegurar, mas para mim tem funcionado assim: eu sempre tive uma sorte muito grande de obter as inform... |
15,473 | , apenas encontrar o fato concreto que exemplifica aquilo. Há uma coisa que se chama de o Livro da Vida, é a memória de Deus. Deus tem tudo na memória e Ele pode lhe dar o que Ele quiser na hora em que Ele quiser. Quantas vezes eu já dormi com um problema na cabeça, pedi para Deus me ensinar e acordei sabendo? Deus põe... |
15,474 | -psiquiatria se achar que ela tem algo a ver com doença mental. Anti-psiquiatria não é uma psiquiatria, não é uma teoria científica, é um truque estratégico. Existe uma diferença muito grande entre isso e uma teoria psiquiátrica genuína. Por exemplo, existe aqui nos Estados Unidos um médico, que de comunista não tem na... |
15,475 | doença mental não existe, ou que ela é uma invenção da sociedade repressiva, porque com isso se está dizendo que os doentes mentais não são loucos, que louca é a sociedade. Mas se você diluiu a noção de doença mental tal como ela se aplica ao caso concreto do paciente não é legitimo utilizá-la como figura de linguagem ... |
15,476 | que o sujeito que faz isso não tem um objetivo médico, psiquiátrico, nem coisa nenhuma: é jogo de poder político, e só! Digamos, então, que a partir do surgimento da anti-psiquiatria houvesse 50 anos de discussões, de testes, um monte de trabalhos científicos a favor, um monte de trabalhos científicos contra, e no fim ... |
15,477 | que essa é a estrutura do funcionamento do sistema psiquiátrico aqui. Quer dizer, toma-se a exceção por regra. E no lugar onde a coisa é norma e regra constante durante cinqüenta anos, não se abre a boca; ao contrário, trabalha-se para os seus promotores. Que é isso, minha gente? Não se está falando de anti- psiquiatri... |
15,478 | rias representações da realidade. As catedrais góticas, que são o cume da arte humana e articulam elementos bíblicos, astrológicos, mitológicos, pictóricos etc., supõem um conhecimento do simbolismo universal. Uma catedral gótica era um conjunto de chaves interpretativas da realidade. As catedrais góticas podem ser lid... |
15,479 | ocê acorda. Não tenha medo de ser influenciado. Você vai ser influenciado necessariamente, mas influência não mata, da influência você entra e sai. Outra coisa: as obras de arte literária, como eu já disse, não são para ser interpretadas, elas são chaves interpretativas da vida real. Você não precisa propriamente inter... |
15,480 | ser deixada para depois. Aluno: Quando o senhor fala sobre o ingresso no círculo da alta cultura, diz sobre as referências a que os grandes autores fazem uns aos outros em suas obras e que, se a pessoa não estiver ao par deste quadro, ela saberá muito pouco sobre o que estará sendo discutido. Pode-se fazer uma analogia... |
15,481 | que ele era apenas um velhinho louco, esquisito – Gerardo morreu, acho que recentemente. Tinha sido nazista na juventude, maluco. Quem o prendeu foi Paulo Mercadante, mas depois ficaram grandes amigos. A poesia do Gerardo são cinqüenta anos de leitura de clássicos gregos; e está tudo ali. Cada linha tem uma evocação. P... |
15,482 | um mistério. Mas veja que Caim oferece vegetais e Abel oferece animais, que é o sacrifício do sangue. Isso é uma coisa para a gente jamais esquecer. Os vegetais são o sacrifício exterior e o sangue é o sacrifício interior. Não tem sangue nos vegetais e o sangue é o símbolo do espírito. Então, aquele sacrifício em que h... |
15,483 | ende-RJ por intermédio do satânico Dr. Khan, chefe do programa nuclear paquistanês. (...) Olavo: Olha só! Vivendo e aprendendo... Quanta sacanagem! Aluno: (...) Paul Williams mostrou ainda que conhece o passado marxista de Lula, bem como o fato de ele ter fundado o glorioso Foro de São Paulo. Finalmente afirma existir ... |
15,484 | de rezar com seus alunos na escola. Por outro lado, salientou que era necessária a formação de valores dentro da sala de aula. Confesso que fiquei sem entender a sua proposta, eu acho que a maioria dos presentes também. Creio que isso seja um exemplo de distorção e deslocamento da realidade. Mas que raios de valores es... |
15,485 | . Note que todo adolescente, quando descobre que pode usar a linguagem para influenciar as pessoas, fica maravilhado. A adolescência é a época em que você começa a discutir e ter opinião. É a tendência natural do ser humano. Uma vez que você já tenha certo domínio da linguagem e que ela lhe sirva como um instrumento pa... |
15,486 | . Você vai passar da doxa para a epistéme. Mas se você não tem a doxa... Veja que a Grécia teve quatro séculos de treinamento retórico antes que surgisse a dialética de Platão e Aristóteles. Só quando as pessoas estavam muito bem afiadas naquilo é que surge o problema: quando alguém fala bonito e é convincente, será qu... |
15,487 | e o rapaz estava maravilhado. Ora, que condição eu tinha naquela época de averiguar a veracidade do que eu estava falando? Nenhuma. Era pura persuasividade, era puro domínio da linguagem. Foi logo em seguida que eu comecei a estudar história, ciências sociais etc. e daí comecei a pensar que não tinha nenhuma garantia d... |
15,488 | , se ele sabe que pode persuadir os outros, ele já não fica de joelhos na frente dos outros para que o aceitem. Fala-se muito em cidadania, mas - meu Deus! –, se você não sabe falar que cidadania pode ter? Nesse sentido, o começo da educação é, sem dúvida, primeiro a educação do imaginário, da sensibilidade e da própri... |
15,489 | inta anos atrás – e ao mesmo tempo havia um livro que se chamava Psicopatologia Geral, de Gabriel Deshaies, em que ele descrevia as estruturas do mundo esquizofrênico, a lógica interna da esquizofrenia. Foi quando vi que tinha algo ainda a ser estudado. Gabel estava na pista, mas ele só noticiara que a coisa existia. M... |
15,490 | ado ao meu site, em que eu tentava descrever algo do meu processo de aprendizado. A primeira coisa que eu faço quando estudo qualquer coisa que seja é deixar-me impressionar profundamente por ela, como se eu estivesse assistindo a um filme – sabe aqueles filmes a que você assiste na ponta da cadeira, sem piscar? –, e e... |
15,491 | concentrou de tal modo que eu podia descrever com clareza o que se passou e o que eu ouvi. A partir do momento em que sei o que ouvi, posso comparar com o que eu sabia antes; mas não antes. Porque se na mesma hora em que o sujeito estava falando eu ficasse criticando – “ah, isto é besteira!” – eu faria uma crítica supe... |
15,492 | avilhosa! Mas quando eu tentava fazer isso, só ficava deprimido (“mas como? Isso não me alegra de maneira alguma e não acredito que isso possa alegrar alguém!”). Mas, se eu não tentasse absorver o que ele disse e não tentasse revivenciar a coisa como ele falou, eu não perceberia a incongruência existencial da coisa, pe... |
15,493 | ar as pessoas, a mim só me deprime. E acho que deprimia os outros também. Então, aquela felicidade do Epicuro só existe no nível do discurso, ela não existe como experiência real, porque se você tenta vivenciar aquela experiência, ela falha, ela não acontece. Suponha que chegue um sujeito gay para mim e diga que o Luiz... |
15,494 | “existo”, o “eu” continuou o mesmo. [02:20] Então não é o pensamento que confirma o “eu”, é o “eu” que confirma o pensamento. Digo isso porque tentei fazê-lo e assim se deu. Mas se eu tentasse ler Descartes e ficasse criticando tudo, não chegaria a nada. Então, você tem de absorver a coisa, deixar-se impregnar por ela ... |
15,495 | . Eu não posso captar isso com os meus olhos. Então, ao que ele diz que nós juntamos dois momentos e criamos em cima disso a idéia de causa, eu replico: não, é o contrário! Nós captamos um movimento único e o decompomos mentalmente em dois. E sei disso porque li Hume, levei aquilo a sério e tentei reproduzir a experiên... |
15,496 | pensaram? De vez em quando você pode tentar dominar uma pessoa. Por exemplo, se um sujeito quer bater em você, para você o contrário é preferível: que você bata nele. Às vezes isso funciona, às vezes não. Quando eu era moleque a gente brigava muito... às vezes você bate, às vezes você apanha. Mas eu sei que é preferíve... |
15,497 | obbes está totalmente errada. Quando você faz essas experiências em profundidade e começa lendo as análises críticas que outros fizeram a respeito, aquilo tudo se preenche de sentido para você e fica muito mais fácil de entender. Mas se você tenta jogar só no nível das idéias, dos conceitos etc., isso é masturbação men... |
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