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2,542
As bacias de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e de Vilariça-Longroiva : estudo de geomorfologia
Geografia,Geomorfologia -- Trás-os-Montes
O conhecimento geomorfológico de Trás-os-Montes é, ainda, muito limitado. As raízes deste processo de investigação, materializadas no presente documento, assentaram na concepção teórica do tema em destaque, na reflexão sobre o conhecimento geomorfológico da região e na elaboração de um plano de trabalhos coerente com os objectivos propostos e consentâneo com as limitações de ordem técnica e, principalmente, logística. Conscientes do muito que havia por fazer no âmbito da Geomorfologia, procurámos encetar esforços, no sentido de colmatar algumas das principais lacunas relativas ao conhecimento da região trasmontana, procurando relacionar a informação disponibilizada por trabalhos precedentes com a que frutificaria da presente investigação com base na articulação de dados provenientes dos registos de terreno, com os das análises laboratoriais e com os que foram processados em ambiente SIG. Este estudo foi organizado em função dos conteúdos a tratar e das metodologias utilizadas. Obedecendo, naturalmente, a múltiplas contingências, e a dificuldades várias, a estrutura do trabalho foi sendo redefinida, a par e passo, com o decurso da investigação, até culminar na versão final que agora se apresenta. Trata-se de um trabalho dividido em quatro partes e "compartimentado" em dez capítulos. Ao nível das principais conclusões, pensamos que a individualização geomorfológica das bacias de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e de Vilariça-Longroiva, deverá ter sido fortemente controlada pela acção da tectónica, talvez mais do que por quaisquer outros agentes de controlo da sua morfossedimentogénese. Não obstante, é nosso entendimento que a acção da tectónica terá de ser articulada com outros factores, destacando-se a importância da diversidade litológica, das variações climáticas globais e, em particular, das que se fizeram sentir a nível regional e local. Em paralelo com a importância da tectónica, entendemos que a ligação distal das depressões interiores ao nível de base oceânico, deverá ter sido um factor fundamental para que se consiga compreender a evolução recente do modelado regional. A especificidade da conjugação destas três grandes categorias de factores e, no pormenor, dos sub-factores nos quais se podem segmentar, parece responder, de modo ajustado e suficientemente coerente, aos problemas colocados por um relevo cuja complexidade morfológica radica, desde logo, no próprio substrato litológico. No final, permanece a sensação de que nem tudo o que queríamos dizer foi dito, e de que nem tudo o que queríamos ter feito foi, de facto, concretizado. Como paliativo deste desconforto, resta-nos o consolo de pensar que este, como qualquer outro processo de investigação científica é, por natureza e, porventura, também por definição, uma "tarefa aberta".
Ciências Sociais
2,543
Serras de xisto do centro de Portugal : contribuição para o seu conhecimento geomorfológico e geo-ecológico
Geo-ecologia,Serras de xisto -- Portugal, zona centro
A dissertação visa contribuir para o conhecimento geomorfológico e geo-ecológico das Serras de Xisto do sector ocidental da Cordilheira Central Portuguesa. A primeira parte do trabalho trata sobretudo da análise geomorfológica, e desenvolve-se por trás capítulos, versando, respectivamente, sobre o quadro morfo-estrutural; as formas do relevo e depósitos de cobertura. A segunda parte, corresponde aos capÍtulos quarto (hidroclimatologia, principal causa da morfogénese e da evolução recente e actual das vertentes) e quinto (intervenção antrópica e alteração dos ecossistemas), aparece mais voltada para a quantificação e para o ambiente, denotando preocupações mais geo-ecológicas. Esta segunda parte, a mais actual, centra-se no papel desempenhado pelo homem, como principal responsável pela evolução das vertentes verificada ao longo do último milénio, ressaltando-se a construção dos campos agrícolas. Apontam-se, também, as consequências do êxodo rural para a complementaridade agro-silvo-pastoril que, até então, constituia a base de sobrevivência das comunidades serranas. Abordam-se os incêndios florestais e salienta-se a sua contribuição para o acelerar da evolução actual das vertentes, que n‹o se confina apenas ao seu aspecto geomorfológico, mas também interfere do ponto de vista geo-ecológico, contribuindo para intensificar, ainda mais, a rápida mutação a que os espaços serranos estão a ser sujeitos. O homem, primeiro, como interventor directo, depois, na actualidade, por não intervenção, determinou o acelerar da evolução natural das vertentes, pelo que ele é o principal factor da evolução actual das vertentes serranas.
Ciências Sociais
2,544
Os lugares e a saúde : uma abordagem da geografia às variações em saúde na Área Metropolitana de Lisboa
Geografia da saúde,Área Metropolitana de Lisboa,Saúde pública -- Área Metropolitana de Lisboa,Urbanismo -- Área Metropolitana de Lisboa
Este estudo, que tem como objectivo conhecer a forma como diferentes factores influenciam a saúde da população residente na Área Metropolitana de Lisboa (AML), coloca a ênfase no impacte dos factores ambientais, físicos e imateriais, enquanto determinantes da saúde. Sendo o contexto multidimensional, teorizaram-se as múltiplas dimensões do ambiente sociomaterial local, insistindo sobretudo nos aspectos que fazem a diferença entre os lugares. Avaliadas as dimensões ambientais, procurou-se modelar e explicar a sua influência na saúde individual, recorrendo-se a diferentes metodologias de análise estatística multivariada. Os resultados obtidos comprovam a tese colocada: na AML há uma forte relação entre saúde e lugar. Essa relação, que se verifica para diferentes características contextuais, permanece quando são controladas características individuais tidas como determinantes maiores da saúde. O quadro das variações em saúde não se apresenta linear; mais do que um efeito universal do lugar na saúde, parece haver efeitos muito específicos do lugar na saúde, que afectam de forma distinta diferentes grupos populacionais. A acessibilidade ao transporte público, a disponibilidade de Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT), o capital social e a privação material têm um impacte significativo no estado de saúde auto-avaliado. Melhores acessibilidades, maior disponibilidade de MCDT, níveis elevados de capital social e baixos níveis de privação material, melhoram o estado de saúde individual. Uma análise mais específica sugere que a saúde das mulheres é influenciável sobretudo pela qualidade dos alojamentos e pela disponibilidade de equipamentos de apoio social e familiar; por seu lado, os homens mostram-se mais sensíveis ao capital social e à disponibilidade de um conjunto diversificado de recursos locais. Face aos resultados obtidos, acredita-se que este estudo contribua para preencher um vazio teórico e metodológico existente nesta área de investigação, promovendo o conhecimento (ainda tão incipiente) desta problemática em Portugal.
Ciências Sociais
2,545
Um contributo para pensar a geografia das migrações : a comunidade brasileira na Região Centro de Portugal
Migrações internacionais,Imigrante brasileiro -- Região Centro
A investigação sobre a inserção de brasileiros no mundo do trabalho, na Região Centro de Portugal, constitui um contributo para se pensar a geografia das migrações internacionais neste país. Investigar as causas da emigração brasileira, as razões da escolha da Região Centro e como o(a) trabalhador(a) brasileiro(a) tem-se incluído no mundo do trabalho são os objetivos principais desta pesquisa. Adotou-se como área geográfica de estudos os distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria. A compreensão dessa mobilidade territorial tem um componente no lugar e outro no mundo. As questões globais interferem incisivamente no lugar e este por sua vez se reflete no mundo. As trajetórias geográficas desses trabalhadores, quem são, como chegaram, qual a escolaridade, como se inserem no mundo do trabalho nos distritos analisados, como percebem o Brasil e a escolha da região Centro de Portugal para morar e trabalhar, foram pontos destacados na investigação. Ao desenvolver os conceitos de migração, globalização e mundo do trabalho, buscou-se elementos de suporte para analisar a geografia das migrações no campo específico da geografia social. Assim, foi necessária a correlação com as teorias das migrações internacionais, sobretudo com maior atenção para as teorias da Nova Divisão Internacional do Trabalho e dos Sistemas Migratórios. Os resultados dos inquéritos e os depoimentos de brasileiros foram analisados e diluídos no transcorrer do texto. Através da pesquisa empírica, foi possível identificar que a origem geográfica da maioria dos inquiridos está relacionada com o Centro-Sul do Brasil. A pesquisa identificou que a motivação principal para se submeter a uma migração internacional em direção a Portugal não foi apenas econômica, mas também constituída de elementos subjetivos, ou seja, a vontade de querer conhecer e experienciar outras realidades. A maioria dos trabalhadores brasileiros inquiridos tem consciência da origem dos problemas sociais do país, da exploração da mão-de-obra imigrante em Portugal, do ritmo de trabalho que é muito pesado e do salário baixo; mas mesmo assim enfatizaram ser melhor do que ficar no Brasil. Tem aumentado significativamente o número de mulheres brasileiras que submete-se a uma migração internacional com destino a Portugal. As redes sociais a envolver parentes e amigos existentes no lugar de acolhimento, a falta de perspectiva no Brasil, o mapa mental de Portugal e da Europa e as representações sociais sobre a migração internacional constituíram um vetor de mobilidade de trabalhadores brasileiros em direção à Região Centro de Portugal.
Ciências Sociais
2,546
As serras calcárias de Condeixa-Sicó-Alvaiázere : estudo de geomorfologia
Maciço de Sicó
As Serras Calcárias de Condeixa-Sicó-Alvaiázere correspondem ao conjunto de relevos calcários, calcomargosos e calcodolomíticos, por vezes fortemente influenciados pela tectónica de fracturação que, na Orla Meso-Cenozóica Ocidental Portuguesa (sub-sector setentrional), se estendem, a Sul de Coimbra, entre os paralelos de Condeixa (a Norte) e de Alvaiázere (a Sul), e os meridianos dos Rios Dueça (a Nascente) e Arunca (a Poente). A articulação dos elementos morfo-estruturais com o significado dos depósitos (depósitos gresosos, tufos calcários e depósitos de vertente) e do modo como processos cársicos (responsáveis por formas de superfície-lapiás, dolinas, grandes depressões, canhões, reculées, etc.- e de profundidade - lapas e algares) e processos fluviais (responsáveis, por exemplo, pelo desmantelamento quaternário das grandes formas cársicas) se teriam combinado para a evolução do modelado que hoje se nos apresenta, veio a permitir o entendimento da evolução polifásica e poligénica desta área carsificada, cuja maior particularidade advém do facto de uma grande parte das formas cársicas serem herdadas de tempos pré-cretácicos e de, ainda hoje, se conservarem localmente importantes coberturas gresosas sobre os calcários, soterrando uma paleotopografia carsificada em constante evolução.
Ciências Sociais
2,547
Cova da Beira : ocupação e exploração do território na época romana
Arqueologia
Apresentam-se circunstanciadamente tanto os resultados das escavações levadas a cabo no templo romano de Nossa Senhora das Cabeças (Orjais, Covilhã) e na quinta romana de Terlamonte I (Teixoso, Covilhã), como os resultados das prospecções extensivas efectuadas em toda a área da Cova da Beira e, muito particularmente, das prospecções intensivas concretizadas ao longo do vale da Ribeira da Meimoa (Fundão). Com base nestes trabalhos de campo – e para esta região do interior norte da Lusitania – propõe-se uma paisagem com contornos particulares, liberta de uma planificação oficial romana mais apertada e exigente: ausência de extensos e monumentais centros urbanos e proliferação pelos campos de núcleos rurais de feição indígena. Analisam-se ainda outras componentes que estruturariam este território e marcariam as suas formações sociais, tendo sempre como cenário a debatida geografia política da região em época romana.
Ciências Sociais
2,548
Dinâmicas industriais, inovação e território : abordagem geográfica a partir do Centro Litoral de Portugal
Inovação tecnológica -- Portugal
De forma crescente os geógrafos industriais têm vindo a sublinhar a importância do conhecimento para a criação e manutenção da competitividade das indústrias, assim como do papel da localização no processo da aprendizagem. A geografia da inovação procura analisar as relações que se estabelecem, numa determinada área, entre as formas de organização espacial, os comportamentos dinâmicos dos agentes considerados individual ou colectivamente, as políticas seguidas e o processo de inovação tecnológica. A primeira preocupação desta investigação prende-se, neste contexto, com a análise dos processos de produção e transferência de inovações tecnológicas e com a formação de territórios com condições específicas em termos de actividade industrial inovadora ou com características inovadoras. O segundo elemento central refere-se ao acesso e à difusão da inovação e à formação de redes de inovação. O terceiro aspecto relaciona-se com as empresas e com os territórios. Privilegiámos a visão dos “meios inovadores” (e, em paralelo, elementos de outras abordagens), por ser de entre as novas formas de organização territorial da produção, aquela que incorpora não só os aspectos relacionados com a articulação que se verifica entre organização da produção industrial e a organização social que viabiliza a sua reprodução (e que possibilita processos de inovação centrados no território), como também permite compreender o processo colectivo de aprendizagem e a inovação de base territorial. Assim, o âmbito deste estudo aparece definido num primeiro momento pelo sistema de relações entre as instituições de investigação (universidades e institutos) do Centro Litoral de Portugal e as firmas que utilizam este conhecimento. Em simultâneo, analisamos os elementos que possibilitam caracterizar o quadro produtivo industrial e o contexto territorial da produção e os aspectos relacionados com as políticas industrial e de ciência e tecnologia, dado o papel central que apresentam para a transformação das estruturas organizacionais dos contextos espaciais em que se aplicam. Conjuntamente com os aspectos anteriormente mencionados, permitem definir as configurações territoriais com maiores possibilidades de funcionarem em termos de “meios inovadores”. Utilizamos dois níveis espaciais de análise: NUTS III para o Continente, e concelhos para as NUTS do Centro Litoral. O estudo de caso incidiu sobre o concelho de Águeda.
Ciências Sociais
2,549
A sociedade de consumo e os espaços vividos pelas famílias : a dualidade dos espaços, a "turbulência" dos percursos e a identidade social
Comportamento dos consumidores
A relação entre o consumidor e os seus espaços de vivência quotidiana (família, vizinhança, comunidade, grupos de sociabilidade, trabalho), concretizada em percursos, em dualidades e em identidades, surge no centro da análise. Confrontado com tendências que resultam de um entrecruzar de orientações globais e realidades locais, o consumidor contemporâneo - influenciado, também por importantes modificações dos papéis sexuais no trabalho e fora dele, afectado por uma revolução de costumes, dependente de estilos de vida assentes na inovação tecnológica e na procura da identidade, limitado pela insegurança no emprego, subordinado à sociedade informacional, mas, mais do que nunca, pronto a assumir novas experiências - é, neste período tardio da modernidade, o objecto de estudo deste trabalho. A investigação centra-se em Coimbra (cidade e concelho), que surge como modelo de organização espacial urbana fora das áreas metropolitanas do País. Sendo capaz de fornecer à população uma parte significativa dos bens e serviços oferecidos por aquelas, mantém fundadas expectativas de qualidade de vida sustentadas pelos níveis de conforto dos lugares de residência, pelas características das relações sócio-familiares, por boas acessibilidades gerais e específicas. O aparelho comercial e de serviços surge, aqui, como uma estrutura para a acção de uma população que vê no consumo um meio de libertação : para uns, pela possibilidade de acesso a um mercado genérico de bens e serviços em constante crescimento ; para outros, pela possibilidade de se demarcarem, escapando-lhe.
Ciências Sociais
2,550
O clima urbano de Coimbra : estudo de climatologia local aplicada ao ordenamento urbano
Ordenamento urbano -- influência climatérica -- Coimbra
O trabalho "O Clima Urbano de Coimbra. Estudo de Climatologia local aplicada ao ordenamento urbano", tal como o nome indica, caracteriza o clima de Coimbra, à escala local, na perspectiva da sua potencial utilização no ordenamento urbano da cidade. Para além de se caracterizarem os regimes climáticos de toda um conjunto de variáveis climáticas observadas na estação meteorológica do Instituto Geofísico da Universidade, a descida à escala de pormenor é feita através da análise dos contrastes termohigrométricos espaciais entre diferentes espaços da cidade, com diferentes tipos de ocupação do solo e de morfologia urbana, alicerçada na comparação de dados de termohigrógrafos em abrigo; assim como no conjunto de observações termohigrométricas itinerantes, em 40 locais da cidade, com diversificados contextos urbanos e topográficos, que permitiu, a par da observação empírica de outros parâmetros climáticos, e após adequado tratamento estatístico dos dados, sintetizar a informação através de cartografia topoclimática de pormenor, instrumento privilegiado de aplicação da Climatologia ao Urbanismo.
Ciências Sociais
2,551
Património cultural e trajectórias de desenvolvimento em áreas de montanha : o exemplo da Serra da Lousã
Desenvolvimento local -- Lousã
O tema desta dissertação está relacionado com a contribuição do património cultural ao nível local para a prossecução de objectivos de sustentabilidade territorial em áreas rurais de montanha, através da análise de políticas, instrumentos e projectos/iniciativas de promoção do desenvolvimento. A organização do trabalho inclui duas partes principais. Depois de um capítulo introdutório que situa a temática em análise no contexto da Geografia (explicando, também, as considerações metodológicas e as razões do estudo empírico), procura-se na primeira parte, através de uma revisão de literatura e de exemplos a várias escalas, caracterizar o actual debate conceptual e anotar as principais orientações/tendências. Os grandes eixos de análise percorrem o ordenamento e o desenvolvimento sustentável (bem como os requisitos para a sua operacionalização), o património cultural e a sua ligação aos objectivos do desenvolvimento (enfatizando-se o conceito e sua evolução; a protecção, a valorização e a interpretação), e os caminhos para o desenvolvimento rural e das áreas montanhosas. Na segunda parte da dissertação, analisam-se, com base no estudo da Serra da Lousã, as dinãmicas territoriais e as perspectivas de desenvolvimento relacionadas com o património cultural, enfatizando-se em particular, o exemplo das aldeias serranas da Lousã, e mostra-se como esse recurso pode servir de estímulo ao (des)envolvimento dos seus territórios /populações. Pretende-se fazer a transição entre as teorias, os quadros orientadores e normativos (que se produzem às escalas internacional e nacional e as condições concretas de activação, salvaguarda e valorização do património, bem como mostrar o modo como os contextos locais interferem nesses processos.
Ciências Sociais
2,554
A depressão Régua-Chaves-Verín : contributo para a análise do risco de ravinamento
Riscos geomorfológicos,Depósitos de vertente -- perfis de alteração,Geomorfologia -- zona de Chaves,Granitóides -- zona de Chaves
O presente trabalho está dividido em três partes. A primeira aborda aspectos relacionados com as linhas gerais da geomorfologia da área de estudo. Do ponto de vista geológico a área de estudo é constituída por rochas granitóides, metassedimentares e rochas sedimentares de idade ceno-quaternária que preenche o interior das depressões. A nível tectónico, o papel do desligamento Régua-Chaves-Verin é especialmente importante para a definição da morfologia da área de estudo. A falha apresenta uma orientação predominantemente NNE-SSW e movimentou-se com uma forte componente destra até ao final do Vestefaliano (Carbónico superior). Entre o Estefaniano (Carbónico superior) e o Pérmico inferior, a falha passa a ter um movimento de componente esquerdo importante. Posteriormente ao início do Triásico superior, desligamentos paralelos à falha foram reactivados como falhas distensivas. A evidência da actividade neotectónica da área de estudo é em grande parte indirecta relacionada principalmente com falhas que afectam depósitos Neogénicos, a actividade sísmica, o vigor das escarpas e o escalonamento das superfícies de erosão, assim como a existência de nascentes minerais que confirmam a actividade da estrutura. Na segunda parte do trabalho, são analisados alguns perfis de alteração em rochas granitóides e depósitos de vertente. Estes últimos demonstram a importância da acção do frio nos processos morfogenéticos ao longo do Quaternário. Embora fossem encontrados alguns paleossolos, a sua datação revelou-se extremamente difícil uma vez que o teor em carbono no sedimento, na ordem dos 3% por amostra, associado à ausência de azoto indica que o seu teor em carbono orgânico é nulo ou próximo disso. Assim, a interpretação paleogeográfica e paleoclimática baseou-se na análise macroscópica dos diferentes depósitos, na análise mineralógica da fracção argilosa e nos aspectos granulométricos. Os depósitos indicam importantes flutuações climáticas num ambiente periglaciar cuja acção da precipitação, principalmente da precipitação nivosa e a acção dos ciclos gelo-degelo que foram muito importantes na dinâmica ao nível das vertentes. Ao nível dos mantos de alteração, o estudo de alguns perfis de alteração baseou-se na análise no terreno e no trabalho laboratorial, nomeadamente na análise química da rocha tal qual, na análise mineralógica das fracções argilosa e silto-argilosa e no estudo granulométrico. O avanço meteórico na área de estudo está muito relacionado com factores que controlam a intensidade da meteorização, nomeadamente ao nível da presença de litóclases que imprimem um avanço da meteorização em profundidade. Em termos gerais, o avanço meteórico é acompanhado de um aumento da fracção silto-argilosa em resultado da meteorização preferencial das plagioclases e da biotite. Verifica-se ainda um aumento da caulinite ao nível da fracção argilosa e silto-argilosa e ainda uma diminuição mais ou menos acentuada da maioria dos óxidos, principalmente o CaO e o Na2O acompanhado de um aumento da alumina relacionado com o facto de este óxido ficar provavelmente retido em grande parte nos produtos de meteorização. Foram ainda utilizadas algumas relações moleculares no sentido de avaliar os diferentes graus de meteorização do granito. Os riscos geomorfológicos e, em particular, a cartografia dos riscos geomorfológicos ocupam a terceira parte do trabalho. O conceito de risco, embora imbuído de inúmeras interpretações e até aplicações, envolve na nossa perspectiva o fenómeno geomorfológico em si e, por outro lado, o conceito de vulnerabilidade ao qual está intrínseco o impacto do fenómeno ao nível da sociedade. Assim, debruçamo-nos pelo estudo dos ravinamentos que são entendidos como um risco natural e, mais especificamente, como um risco geomorfológico, principalmente porque afectam o recurso solo, de importância muito elevada para o Homem, traduzindo-se em problemas de ordem económica e social principalmente numa área rural. A cartografia das áreas de risco de ravinamento é definida a partir do índice Iravinamento. O índice obtém-se a partir de três outros índices: Igeomorfológico, Iclimático e o Iuso do solo. A utilização deste índice permite obter um escalonamento de áreas mais ou menos favoráveis ao surgimento de ravinas, não eliminando automaticamente uma área em que um índice apresenta um valor baixo. Para a elaboração do mapa são introduzidos os vários parâmetros em ambiente SIG permitindo assim conjugar, por um lado, todos os factores, e ordenar, por outro, as áreas em função da sua susceptibilidade aos ravinamentos, permitindo obter uma uniformização dos valores para diferentes áreas.
Ciências Sociais
2,555
Espiritualidade e território: estudo geográfico de Fátima
Turismo religioso -- Fátima,Fátima
Estudar a dimensão espacial inscrita nos fenómenos de natureza religiosa, tanto na esfera pessoal como na social, eis a finalidade assumida deste trabalho. Porque a realidade contemporânea é, neste domínio, consideravelmente multifacetada, não se restringe àqueles o objecto de estudo, antes se alarga o mesmo às manifestações de uma espiritualidade não estritamente religiosa. Porque se partilha uma concepção do espaço onde se acomodam percepções individuais, se amalgamam representações colectivas e se entrelaçam elos comunitários, parte-se da noção de território, enquanto construção social que carrega uma vertente material, mas também uma componente ideal e uma espessura temporal. Privilegiando uma óptica de geografia cultural e beneficiando dos contributos aduzidos à Geografia pelos geógrafos humanistas, este projecto de investigação situa-se, do ponto de vista disciplinar, no campo da geografia da religião. A problemática de estudo, neste âmbito, dirige-se especialmente à compreensão dos mecanismos de difusão no espaço de cultos e de culturas religiosas, da atracção exercida por santuários e lugares sagrados e do papel simbólico e identitário que tais lugares apresentam para certas comunidades. São focadas, de modo particular, as várias formas de mobilidade religiosa, isto é, as deslocações humanas no espaço terrestre cuja motivação possa ser considerada, essencialmente, como relevando do foro religioso ou espiritual, prosseguindo finalidades situadas também nesta esfera e tendo como destino lugares de grande intensidade do sagrado. Aqui, procura-se dilucidar até que ponto antigas práticas, como as peregrinações, ainda hoje levadas a cabo, podem assimilar-se, sem mais, às desencadeadas no quadro do turismo moderno, ou se ambas, embora compartindo facetas idênticas, devem continuar, em bom rigor, a distinguir-se, numa destrinça conceptual não isenta de consequências, no plano da actividade turística e no da eclesiástica. A legitimidade de tal diferenciação, que expressamente se assume, não prejudica a constatação do surgimento e do crescente incremento de práticas mobilitárias que combinam elementos de turismo e de peregrinação – o turismo religioso. À luz destas perspectivas, a tese ora resumida debruça-se sobre o exemplo de Fátima, a cidade-santuário portuguesa que, aliás, deu origem à pesquisa empreendida, da qual é o caso de estudo, a área-amostra e o principal inspirador das reflexões temáticas desenvolvidas ao longo do texto. Começando por situar Fátima do ponto de vista físico, urbano, demográfico, turístico e religioso, dão-se a conhecer novos ângulos das forças centrípetas e centrífugas geradas a partir deste santuário mariano e da rede religiosa global que potenciam, em termos de respectiva mensagem religiosa, bem como de um culto com rituais e iconografia específicos. Realçada é, também, a importância deste centro religioso enquanto referência para as comunidades de emigrantes portugueses e, em geral, para o mundo católico lusófono. Estas conclusões, aliadas a uma relativamente forte presença de estrangeiros (cerca de 20% dos cinco a seis milhões de visitantes anuais), permitem a sua classificação como santuário de projecção internacional. O conhecimento dos peregrinos e turistas da Cova da Iria foi conseguido através de um inquérito lançado durante um ano a 668 visitantes, que permitiu detectar a existência de uma certa heterogeneidade no seio destes e confirmar o papel decisivo protagonizado por este Santuário enquanto pólo aglutinador de formas tradicionais e modernas de religiosidade, o que levou a propor a sua qualificação, pela função que exerce para muitos, como igreja matriz de Portugal. Palavras-chave: geografia da religião; geografia cultural; território religioso; espiri-tualidade; peregrinação; turismo religioso; turismo cultural; espaço sagrado; lugar sagrado; santuário; cidade-santuário; atracção; difusão; Fátima
Ciências Sociais
2,560
A indústria no distrito de Aveiro : análise geográfica relativa ao eixo rodoviário principal (E.N. nº 1) entre Malaposta e Albergaria-a-Nova
Geografia
Pretendeu-se com este estudo a aplicação dos princípios da Geografia Industrial. Escolheu-se para tal o distrito de Aveiro, considerando significativo no contexto geográfico e económico de Portugal, e mais concretamente o eixo rodoviário principal (EN nº 1), entre Malaposta e Albergaria-a-Nova, que constitui um importante suporte de focos industriais. A análise proposta é antecedida de uma visão sumária relativa ao processo de crescimento industrial em Portugal. De facto o espaço industrial é, em certa medida, uma herança do passado e, além disto, está inserido num outro imediatamente próximo e mais vasto, marcado por determinada estrutura económica, onde actuam factores conjunturais de âmbito alargado. A este primeiro capítulo segue-se o estudo dos aspectos demográficos. Nos três capítulos seguintes a indústria á analisada ao nível do distrito de Aveiro e, de um modo mais detalhado, relativo ao troço escolhido da Estrada Nacional nº1, nos restantes. Assim, procedeu-se ao exame, por concelhos, do grau de industrialização, repartição geográfica das indústrias, grau de concentração e dimensão das empresas, do processo evolutivo da industrialização no decurso dos dois últimos séculos e da incidência dos diferentes factores na localização industrial. Na terceira parte analisa-se a indústria a nível do eixo rodoviário e dos concelhos onde está incluído (Anadia, Águeda e Albergaria-a-Velha), segundo os estabelecimentos, pessoal ao serviço (repartição profissional, estrutura etária por sexo e actividade profissional, proveniência geográfica) e empresários. Uma vez concluído o estudo da produção, no contexto do > segue-se a empresa: organização, localização, relações técnicas e geográficas e, ainda, perspectivas de evolução. Finalmente teceram-se breves considerações sobre o efeito da actividade industrial que, entretanto, se tem vindo a implantar nos meios rurais, incluindo a urbanização. Em volume anexo reuniu-se um conjunto de quadros estatísticos a fim de ilustrar e até complementar alguns dos temas desenvolvidos no trabalho. Inseriram-se ainda, duas notas, onde se esclarecem assuntos que, directa ou indirectamente, influenciaram a interpretação dos elementos fornecidos pelas fontes utilizadas: vários critérios de classificação das indústrias e formação do distrito de Aveiro.
Ciências Sociais
2,561
Serra de Montemuro : dinâmicas geomorfológicas, evolução da paisagem e património natural
Serra de Montemuro -- Portugal -- geomorfologia,Serra de Montemuro -- Portugal -- recursos turísticos
A Serra de Montemuro apresenta-se, do ponto de vista morfológico, como um imponente maciço com vertentes abruptas, constituindo um relevo vigoroso com altitude máxima de 1381 metros no V.g. Montemuro, com uma forma grosseiramente triangular e claramente dissimétrica. Local de inigualável beleza e riqueza paisagística e morfológica é, no entanto, uma região "marginal" e muito pouco conhecida. A sua imponência, a par com as suas adversas condições morfológicas e climáticas, desde sempre condicionaram a fixação da população e limitaram o seu desenvolvimento. Este facto é evidente num trabalho de Amorim Girão, convenientemente intitulado "Montemuro. A mais desconhecida serra de Portugal", publicado no distante ano de 1940, bem como na escassa produção de teor geográfico sobre esta região. Contudo, a diversidade morfológica, geológica e mesmo de ocupação antrópica, que encerra em toda a sua extensão, permite-nos constatar a existência de paisagens diversificadas, marcadas ora pela incisão de cursos de água e por vertentes desnudas e abruptas, ora por extensos retalhos aplanados, por pequenos lameiros em áreas levemente deprimidas e por bosques onde ainda podemos encontrar relíquias do coberto vegetal original. Os principais objectivos almejados com este estudo consistem na análise das dinâmicas geomorfológicas que conduziram à elaboração do modelado aqui presente, na compreensão da evolução da paisagem montemurana e do conjunto de factores (de natureza física e antrópica) envolvidos na sua transformação recente, bem como na identificação dos valores paisagísticos endógenos existentes nesta área de montanha, nomeadamente os de natureza geomorfológica, considerados como valores patrimoniais a preservar e potenciar de forma sustentada. Estes três vectores guiaram a nossa investigação, suportada por um conjunto diversificado de metodologias, assentes num exaustivo trabalho de campo e num trabalho de gabinete, com o recurso às tecnologias de informação geográfica, úteis para a análise geomorfológica do espaço, para a observação e compreensão das dinâmicas e potencialidades da paisagem. A primeira parte deste trabalho foi, assim, dedicada à compreensão dos factores de ordem geológica e estrutural e sua influência no desenvolvimento da morfologia da Serra de Montemuro, tendo-se concluído existir um forte condicionalismo por parte destes factores na evolução do relevo montemurano. Foram analisados, de igual forma, os processos morfogenéticos que estiveram envolvidos nessa evolução, identificados a partir dos vestígios presentes na área em estudo: os depósitos que regularizam as vertentes, especialmente caracterizadores dos períodos frios quaternários; os próprios elementos morfológicos, especialmente os relacionados com as superfícies de aplanamento e com a morfologia granítica; e mesmo as particularidades da rede hidrográfica. A segunda parte deste estudo foi orientada no sentido da caracterização da paIsagem da Serra de Montemuro, baseada nos pressupostos morfo-estruturais evidenciados na primeira parte, com o objectivo de identificar e valorizar as potencialidades naturais e culturais que ela encerra e que decorrem das inter-relaçães entre o Ser Humano e a Natureza, debruçando-nos, de forma mais significativa, sobre os valores patrimoniais relacionados com a geomorfologia, ou seja, com o património geomorfológico. Com efeito, aplicámos uma metodologia de sistematização e avaliação do património geomorfológico existente na Serra de Montemuro, desenvolvendo, também, um conjunto de instrumentos úteis para a promoção deste tipo de património junto de diversos tipos de públicos alvo, definindo algumas estratégias baseadas neste conjunto de valores naturais, indispensáveis para o desenvolvimento integrado desta área de montanha do Portugal Central.
Ciências Sociais
2,564
Impactes naturais e antrópicos no Estuário do rio Mondego e litoral adjacente
Estuário do rio Mondego,Monitorização,Figueira da Foz,Perfil de praia,Evolução da linha de costa
As zonas costeiras e o seu delicado equilíbrio estão atualmente em risco como consequência da intensa utilização destes espaços, designadamente pelos usos artificializados do território. Ainda que devido à fragilidade que lhes está atribuída, pela forte exposição às ações energéticas do mar, as zonas costeiras apresentaram desde sempre um papel preponderante nas sociedades. A intensificação do crescimento populacional nas áreas costeiras, os impactos das atividades antrópicas levadas a cabo nas bacias hidrográficas e as intervenções de defesa costeira entre outros fatores, constituem os principais problemas das áreas litorais portuguesas. Este trabalho apresenta a monitorização dos processos naturais e antrópicos no estuário do Mondego no verão de 2011, cerca de um ano após o prolongamento do molhe norte do porto da Figueira da Foz. Relativamente ao período de monitorização fez-se uma caraterização dos controlos da dinâmica sedimentar, nomeadamente a agitação marítima (altura e rumo), assim como as intervenções efetuadas pelo próprio homem (ex. extrações sedimentares). Recorreu-se à elaboração de perfis topográficos de praia, entre junho e setembro de 2011. Adicionalmente, foram realizadas análises granulométricas de areias sedimentares recolhidas ao longo dos perfis. Foi possível identificar um expressivo avanço da linha de costa no segmento mais a sul da área de estudo (setor da Bola Nívea), demonstrando a retenção dos sedimentos transportados pela deriva litoral pelo prolongamento do molhe norte do porto. Nas areias analisadas predomina a areia média. Palavras-chave: estuário do Mondego, evolução da linha de costa, perfil de praia, Figueira da Foz, monitorização.
Ciências Sociais
2,567
Estrutura da paisagem e modelação da ocupação do solo. Aplicação aos concelhos de Aveiro, Viseu e Guarda
Paisagem -- Aveiro -- Viseu -- Guarda,Ocupação do solo -- Aveiro -- Viseu -- Guarda,Estrutura da paisagem,Ocupação do solo -- Região Centro,Paisagem -- Região Centro,Desenvolvimento sustentável -- Região Centro
O tema central deste trabalho é o estudo da paisagem num contexto de sustentabilidade dos territórios, complementado a nível metodológico e instrumental com uma aplicação à modelação das dinâmicas de ocupação do solo nos municípios de Aveiro, Viseu e Guarda. O trabalho está estruturado em seis capítulos. No primeiro faz‐se a apresentação das linhas gerais do tema, e tecem‐se algumas considerações de apresentação e caracterização das três áreas geográficas em estudo. No segundo capítulo, abordam‐se as questões de enquadramento teórico, discutindo o lugar da Geografia no cortejo das ciências e contextualizando as temáticas do território e da paisagem no quadro epistemológico de referência. A parte final deste capítulo é dedicada a uma apresentação sintética da utilidade e dos principais tipos de modelos com aplicação no universo da ciência geográfica. O capítulo terceiro é preenchido com a apresentação, tão pormenorizada quanto foi possível, dos quadros físicos e principais elementos geo‐humanos de cada uma das áreas seleccionadas. No Capítulo quarto, analisa‐se a evolução das ocupações do solo e os principais traços definidores da estrutura da paisagem em cada uma das áreas de estudo, ao longo dos últimos 50 anos. Os conhecimentos adquiridos através desta análise foram essenciais na aplicação prática da simulação das dinâmicas espaçotemporais, apresentadas no capítulo cinco. No sexto capítulo reúnem‐se as ideias chave do trabalho e as principais conclusões.
Ciências Sociais
2,568
Imigração e desenvolvimento em regiões de baixas densidades : territórios de fronteira no Alentejo (Portugal) e na Extremadura (Espanha)
Imigração -- Portugal,Imigração -- Espanha,Desenvolvimento regional -- Alentejo,Desenvolvimento regional -- Extremadura (Espanha),Desenvolvimento regional,Imigrante -- Extremadura (Espanha),Imigrante -- Alentejo
Portugal e Espanha continuam a ser países emissores de migrantes, embora no final do séc.XX tenham assistido a uma entrada sem precedentes de população imigrante. Esta alteração do contexto migratório foi sentida sobretudo nas grandes cidades, cuja cosmopolitização em muito resultou da chegada de estrangeiros que, tal como muitos nacionais, aí fixaram residência e desenvolveram actividades profissionais. Porém, verifica-se que o padrão geográfico de distribuição dos imigrantes no território não se restringe apenas aos centros urbanos mais dinâmicos do ponto de vista económico e laboral. Também em pequenas cidades do interior de ambos os países, assim como em áreas rurais, a presença dos imigrantes é uma realidade cada vez mais comum. Este facto leva a questionar, por um lado, como é que estes territórios de baixas densidades, aparentemente repulsivos do ponto de vista económico, laboral e social, se constituem como atractivos para os estrangeiros; por outro, se a presença de população imigrante poderá interferir de forma positiva no(s) processo(s) de desenvolvimento regional. Tendo como base este panorama, foi constituído um quadro teórico onde se discutiu a importância das migrações para o desenvolvimento do território, focando-se num posterior momento a análise no caso português e espanhol, que derivou no estudo do caso de concelhos fronteiriços do Alentejo (Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Monforte, Arronches, Elvas e Campo Maior) e da Extremadura (comarca de Alburquerque e de Badajoz), respectivamente.
Ciências Sociais
2,569
Reabilitação e Segurança do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia. Um Projecto de Protecção Civil
Proteção civil -- Vila Nova de Gaia,Vila Nova de Gaia
O Centro Histórico Antigo de Vila Nova de Gaia é um verdadeiro documento vivo das condições de vida e das técnicas de construção de gerações ancestrais representativo de valores culturais, nomeadamente históricos, arquitectónicos, urbanísticas ou simplesmente afectivos que, por constituírem uma memória colectiva, não se podem perder por incúria ou desleixo. É necessário chamar a atenção para as questões higio-sanitárias (abastecimento de água, saneamento de águas residuais, resíduos sólidos urbanos), qualidade de vida (ruído, poluição atmosférica), condições de habitabilidade, parques e zonas de lazer, turismo e segurança contra risco de incêndio que uma área deste tipo suscita, bem como salientar procedimentos a adoptar para promover uma prevenção e protecção mais eficazes na defesa do nosso Património Histórico e Cultural, numa conjugação da arquitectura e da engenharia tendo como base a organização social das suas gentes. Assim, este trabalho responde a um desejo de contribuir para a preservação do Centro Histórico, tanto contra o risco de incêndio, como face às inundações ancestrais a que está sujeito, ou às manifestações geomorfológicas importantes, atendendo à morfologia da área em causa e à intervenção que todos os dias este território sofre, quer pela renovação nos arruamentos (por exemplo das ruas Cândido dos Reis e Serpa Pinto), quer no património, tanto na recuperação do edificado, como na construção de novas habitações e ainda na reabilitação da frente ribeirinha, como seja a actual construção de um Hotel 5 Estrelas Superior, a meia encosta, com 15 700 m2 de impermeabilização do solo, mesmo no coração da Sub-bacia da Fervença, com os benefícios e contras que advirão ou a construção de novas vias, nomeadamente a Circular do Centro Histórico, a meia encosta. A resposta constitui o presente Projecto de Protecção Civil, com propostas de medidas preventivas, mitigadoras, com Planos de Prevenção e Actuação, salientando-se os Projecto Industrigaia, Plano 3P, Plano de Intervenção dos Bombeiros, Plano de Actuação em Cheias e Inundações, na certeza de que é uma tarefa de todos e para todos, sem esquecer as urgências ambientais. O Centro Histórico de Vila Nova de Gaia merece este novo esforço e citando Edmund Burke: “Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer pouco”.
Ciências Sociais
2,571
O olhar das palavras do turista britânico : representações de Portugal nos livros de viagens : 1950-2000
Turismo -- Portugal -- séc. 20,Portugal -- descrição e viagens -- séc. 20,Portugal -- literatura inglesa -- séc. 20,Literatura de viagens -- Grã-Bretanha -- séc. 20
O turismo pode ser entendido como um fenómeno social multidimensional onde os livros de viagens têm um papel fundamental na estruturação da experiência turística, funcionando como mediadores entre a identidade do local e a representação de determinado espaço turístico. Utilizando como fonte os livros de viagens britânicos editados na 2ª metade do século XX, a presente investigação analisa a representação de Portugal, considerando, por um lado, o turismo – locais visitados, atracções turísticas, transporte e alojamento utilizado – e, por outro lado, a identidade de Portugal – Cenários naturais, História e Autenticidade, Povo e Estilo de vida. Os livros de viagens foram alvo de análise de conteúdo no intuito de avaliar a "imagem de Portugal a partir da experiência e da oferta de produtos turísticos" e de análise interpretativa de modo a avaliar a "imagem de Portugal a partir da identidade do país". Os resultados da nossa investigação mostraram que durante este período Portugal construiu uma imagem de destino turístico alicerçada na praia, no mundo rural e no património do passado, verificando-se uma elevada estabilidade do núcleo principal de localidades e atracções turísticas. Por outro lado, no que diz respeito à representação da identidade de Portugal, verificámos a contaminação política dos discursos turísticos e a tendência para a propagação de estereótipos e ideias cristalizadas desde meados do século XX, cimentando um país de base rural com dificuldades em acompanhar o ritmo do desenvolvimento dos países do centro da economia-mundo.
Ciências Sociais
2,574
Políticas de turismo no Brasil : tomada de decisão e a análise das estruturas de governança nos destinos turísticos de Armação dos Búzios e de Paraty, Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Brasil
A globalização juntamente com a crise financeira e a ineficiência do Estado que se tornou demasiado grande, passaram a questionar o papel estatal, impondo-lhe o desafio de se tornar mais forte e mais eficiente, como forma de restaurar a capacidade diretiva e a governabilidade. Constituindo-se assim fator determinante para a implementação da reforma denominada de Nova Gestão Pública, impondo redução à capacidade diretiva do Estado em favor das transformações econômicas, produtivas e comerciais. Na América Latina e no Brasil, além da Nova Gestão Pública, foi necessária a reforma de segunda geração que incidiu sobre a melhoria da governabilidade e sobre o fortalecimento institucional por meio da reforma do serviço público. As reformas de ordem estrutural influenciaram o modo como a sociedade passou a se relacionar com o governo, de forma que o modo tradicional de condução social e seus instrumentos se tornaram ineficientes e obsoletos. Como consequência, as pessoas e organizações se tornaram independentes, suscitando o ressurgimento da sociedade civil e a formação do terceiro setor com redes sociais de cooperação. A mudança no papel do Estado e a relação com a sociedade no turismo influenciaram a política turística brasileira que direcionou a organização social por meio de conselhos municipais e instâncias de governança regional, demandando a participação da sociedade civil organizada em redes de atores. Esse contexto motivou a presente investigação cujo objetivo central é conhecer até que ponto as instituições de governança turística estão representando uma nova forma de tomar decisões coletivas para melhoria dos destinos turísticos no Brasil, bem como identificar se a denominação de “estruturas de governança” são apenas uma formula atrativa sem conteúdo. A metodologia utilizada pautou-se pelos instrumentos da pesquisa quantitativa e qualitativa. A quantitativa gerou um banco de dados referente ao perfil dos visitantes e residentes, possibilitando melhor compreensão do território e das percepções a partir do olhar de quem vive e de quem o visita. Na pesquisa qualitativa utilizamos a análise de conteúdo que permitiu encontrar as categorias de análise que compuseram o quadro empírico relativo à governança nos destinos estudados. Os resultados das análises territoriais e quantitativa do turismo revelaram que os destinos têm apresentado uma evolução positiva no que diz respeito à infraestrutura e à organização da oferta turística. Embora os visitantes percebam certas deficiências, os destinos lhes agradaram e proporcionaram uma experiência de viagem muito satisfatória. Os residentes apresentaram percepções mais positivas que negativas, sendo a mais positiva relacionada à geração de emprego e renda. A pesquisa qualitativa revelou que nos destinos estudados o desenvolvimento turístico se encontra em estágios de desenvolvimento turístico distintos. Armação dos Búzios tem a atividade turística mais consolidada, a sociedade civil organizada e atuante, enquanto em Paraty, o turismo se acha em desenvolvimento, a sociedade civil está se organizando e a atuação tem sinalizado para um fortalecimento gradativo entre os atores sociais, o que nos permite inferir que há uma tendência de mudança da governança hierárquica para a governança em rede.
Ciências Sociais
2,575
Turismo, Território e Desenvolvimento: Competitividade e Gestão Estratégica de Destinos
Turismo e lazer,Competitividade,Gestão estratégica,Desenvolvimento local,Desenvolvimento sub-regional,Desenvolvimento regional,Prospetiva territorial -- região Centro,Prospetiva territorial -- Baixo Mondego,Prospetiva territorial -- Coimbra
Esta tese pretende contribuir para tornar mais inteligível algo que é social, económica e politicamente relevante e intrinsecamente dinâmico e complexo: o turismo. Pelo facto de ser marcadamente territorial e multiescalar, entre o local e o global, o turismo tem no espaço geográfico um importante referencial e nos territórios locais, sub-regionais e regionais importantes áreas de atuação, de planeamento e de gestão, com contributos efetivos ao nível do ordenamento do território. O turismo é aqui valorizado como um sistema. É esta perspetiva de concetualização que motiva e estrutura a investigação. A opção recai, pois, por interpretar e por valorizar o sistema turístico, as componentes e os agentes do sistema, bem como as relações do sistema com a sua envolvente, convocando-se para a sua compreensão a teoria geral dos sistemas, a teoria da complexidade, a teoria do caos e a teoria dos rizomas. Neste contexto, valorizam-se diferentes arquiteturas teórico-interpretativas do sistema turístico propondo-se uma estrutura concetual própria. No âmbito do sistema turístico são analisadas as tendências que o sistema tem evidenciado nos últimos decénios, numa análise que tende, na sua dimensão quantitativa, a incidir sensivelmente na última década. Espacialmente analisam-se as tendências a diferentes escalas: à escala mundial, nacional, regional, sub-regional e local, sendo estas três últimas escalas que se valorizam e nas duas últimas que se ancora a investigação empírica. Neste sentido, esta tese centra-se numa sub-região do Centro Litoral de Portugal: o Baixo Mondego. Um território que tem na extensa linha de costa, no vale baixo do rio Mondego e no eixo urbano Coimbra – Montemor-o-Velho – Figueira da Foz importantes referências identitárias, a par de ter no seu património, natural e cultural, marcas de singularidade, de notoriedade e de autenticidade que atraem há largas décadas, ainda que com intermitências, turistas nacionais e internacionais. À escala da sub-região do Baixo Mondego valorizam-se, enquanto componentes do sistema turístico, a oferta e a procura, bem como os seus agentes. Para o estudo da procura turística foi aplicado, durante doze meses, um inquérito por questionário, tendo-se constituído uma amostra de 666 turistas. A aplicação deste instrumento de investigação fez-se com o propósito de traçar o perfil da procura turística; de conhecer as características da viagem e a importância que a sub-região do Baixo Mondego e os seus lugares enquanto destinos turísticos assumem no contexto desta; de identificar as motivações para viajar; de avaliar as perceções e as representações que os turistas têm do(s) destino(s) e a avaliação que fazem deste(s) e da oferta turística instalada sobrevalorizando-se as experiências vividas a par de se procurar descortinar a importância que as novas tecnologias de informação e de comunicação têm para a procura turística. Com base na estatística inferencial formulam-se e testam-se hipóteses recorrendo-se, para tal, aos testes de hipóteses, testes paramétricos (análises de correlação, análises de variância) e testes não paramétricos (qui-quadrado χ2). Para se aferir a fiabilidade e a consistência de algumas escalas de medida utilizadas faz-se uso do Alpha de Cronbach. Para além disto, recorre-se à regressão logística binária com o objetivo de modelizar traços da procura turística e identificar as variáveis que melhor predizem as experiências vividas no destino como melhores e muito melhores do que os turistas esperavam. Para o estudo da oferta turística foi constituído um painel de agentes e de grupos de interesse locais, sub-regionais e regionais tendo-se aplicado a técnica Delphi. Durante cerca de 8 meses 48 agentes e grupos de interesse interagiram, não presencialmente, para avaliar os recursos e os produtos turísticos existentes no território, para identificar os constrangimentos e os desafios que se colocam designadamente em termos de turismo e para realizar uma análise prospetiva das estratégias de competitividade. Procedeu-se, pois, a uma recolha de opiniões que se estruturou e consolidou no decorrer de três rondas. Em termos de contributo prático este estudo fornece às organizações (entidades, empresas e associações) um conhecimento da procura turística que se orienta para este território e uma exploração sistemática da opinião dos agentes e dos grupos de interesse locais, sub-regionais e regionais acerca dos recursos e dos produtos turísticos bem como das estratégias de valorização dos mesmos. Este estudo entende o território como espaço de ação coletiva pelo que faz uma avaliação da colaboração, das parcerias e das redes em turismo, refletindo criticamente sobre aquelas que devem ser as estratégias de reforço destas e de valorização e de promoção do(s) destino(s) turístico(s). Aponta estratégias para (re)qualificar a oferta turística e aumentar a procura. Ensaia também aquela que deve ser a direccionalidade das linhas de acção e as prioridades em termos de atuação a seguir pelos decisores no âmbito do território e do turismo, no médio e no longo prazo. Decisões e ações que devem consubstanciar a(s) estratégia(s) e que se revestem de extrema importância em termos do desenvolvimento do território, da afirmação do turismo e da competitividade do(s) destino(s). Esta investigação pretende, assim, contribuir para uma gestão que perspetive o turismo como um importante elemento da atividade económica, que procure uma visão holística e que privilegie uma análise sistémica das suas componentes. Este estudo postula que a eficiência do sistema turístico pressupõe uma gestão estratégica resiliente que contemple a sustentabilidade, a qualidade, a inovação e a competitividade. Sustenta, ainda, a necessidade de uma gestão mais participada, que valorize a cooperação e a colaboração entre os agentes e os grupos de interesse, que contemple a cenarização e que considere os futuríveis.
Ciências Sociais
2,576
Hidrossistema cársico de Degracias-Sicó. Estudo do funcionamento hidrodinâmico a partir das suas respostas naturais
Hidrologia cárssica,hidrossistema cársico,funcionamento hidrodinâmico,análise de séries temporais,características físicas das águas das exsurgências,karst aquifer,karst hydrodynamic functioning,spring water physical characteristics
As características hidrogeológicas das regiões cársicas são complexas e significativamente diferentes das dos meios porosos e fissurados. Estruturas subterrâneas compostas por poros, fissuras, fracturas e condutas de várias dimensões e formas, e com uma significativa descontinuidade e variabilidade dos parâmetros hidráulicos, originam condições de circulação subterrânea profundamente complexas e de grande especificidade. Por isso, o estudo das características hidrodinâmicas à escala regional constitui um enorme desafio devido à complexidade, originalidade e heterogeneidade destes meios. Este trabalho procura aprofundar o conhecimento do comportamento hidrodinâmico cársico segundo uma perspectiva funcional (caudal, temperatura e condutividade eléctrica das exsurgências). Simultaneamente, este estudo procura inferir algumas características gerais da estrutura de drenagem hipogeia, em particular a sua funcionalidade, capacidade de armazenamento e grau de carsificação interna. Esta perspectiva de análise fornece resultados muito importantes, uma vez que a água drenada por uma surgência traz impresso o funcionamento global interno do sistema cársico. Por essa razão, o funcionamento hidrodinâmico é entendido e analisado neste trabalho numa perspectiva de análise inputoutput de sistemas, estabelecendo relações entre a precipitação (input) e o caudal (output), sendo, por isso, o hidrossistema considerado como uma ‘caixa-negra’. No presente estudo, utiliza-se uma combinação de três métodos de análise profusamente aplicados e testados na investigação do funcionamento hidrogeológico dos sistemas cársicos: a análise das séries temporais da precipitação e do caudal (análise correlatória e espectral), a análise da curva de recessão e a interpretação hidrodinâmica da variação da temperatura e da condutividade eléctrica do caudal. O período de estudo e a recolha de dados estenderam-se por quatro anos (2009/2010 – – 2012/2013), à excepção da condutividade eléctrica, em que foram apenas considerados dois anos, tendo o registo de dados sido feito com uma periodicidade de 20 minutos. A área de estudo é o hidrossistema cársico Degracias-Sicó, localizado na região Centro-Oeste de Portugal, totalizando uma área de, aproximadamente, 120 Km2 e sendo constituído por calcários do Dogger com um elevado grau de carsificação e extremamente fracturados no seu bordo ocidental. A área de recarga situa-se a 300 m - 350 m de altitude e é bastante aplanada, embora seja significativamente heterogénea do ponto de vista da espessura do solo/epicarso bem como da distribuição das formas exocársicas. A precipitação anual ronda aqui os 1200 mm, com uma estação húmida que se prolonga de Novembro a Abril e um período seco que se estende de Junho a Setembro. Os principais locais de descarga do hidrossistema são exsurgências tanto de carácter permanente como temporário, localizadas entre os 40 m e os 70 m ao longo do bordo Oeste, sendo a principal, a exsurgência dos Olhos d’Água do Anços, com um caudal anual médio de 1.3 m3/s e significativas oscilações entre o caudal drenado na estiagem (0,2 m3/s) e o caudal drenado em situação de cheia invernal (5 m3/s ou mais). No que se refere à estrutura da tese, a primeira parte é constituída por dois capítulos: o primeiro dedicado às questões teóricas da hidrologia cársica e à revisão da literatura científica da especialidade, contemplando os principais temas debatidos e estudados nas últimas décadas, enquanto o segundo capítulo é dedicado à caracterização geográfica, geomorfológica e climática da área em estudo, as quais desempenham um importante papel nos processos de recarga e de descarga cársicos. A segunda parte da tese centra-se na investigação do funcionamento hidrodinâmico do sistema cársico e encontra-se dividida em dois tipos de análise: a da recarga do hidrossistema (precipitação, quantificação e distribuição temporal ao longo do ano hidrológico) e a abordagem minuciosa da descarga com a aplicação de três métodos, sendo dada particular ênfase à determinação do atraso da resposta da exsurgência dos Olhos d’Água do Anços a um episódio pluvioso, de modo a quantificar o atraso input-output. Os resultados obtidos revelam um comportamento hidrodinâmico bimodal, o que mostra a dualidade do hidrossistema em estudo: por um lado, o pequeno atraso entre a ocorrência de um episódio de chuva e a resposta da exsurgência expressa a existência de uma rede funcional de condutas, que rapidamente drenam o hidrossistema (escoamento rápido). Por outro lado, o carácter de grande inércia traduzido no seu elevado efeito de memória, elevada capacidade de armazenamento, forte não-linearidade, boa capacidade de filtragem e esvaziamento lento das reservas (predomínio de escoamento de base). O reconhecido contributo deste estudo para a compreensão do hidrossistema cársico em estudo reflecte que este tipo de análise, baseada em mais do que um método, constitui uma excelente abordagem na investigação dos hidrossistemas cársicos. No entanto, algumas questões relativas ao funcionamento hidrodinâmico permanecem ainda pouco claras, o que significa que a investigação com recurso a outras técnicas (análise hidrogeoquímica, por exemplo) e as séries de dados mais extensas.
Ciências Sociais
2,577
Indústria(s), territórios inteligentes e criatividade na Região Centro Litoral de Portugal Continental: O sistema de conhecimento do Baixo Vouga
Inovação,Indústria,Sociedade da aprendizagem e do conhecimento,Territórios inteligentes e criativos,Desenvolvimento territorial,Marketing territorial,Baixo Vouga,Estarreja
Os territórios adquirem uma nova dimensão intangível com base nos indivíduos, nas novas tecnologias de informação e comunicação, na aprendizagem coletiva e na emergência duma nova economia baseada no conhecimento. Com efeito, as cidades e regiões enquadram-se numa lógica de competitividade sustentada pelo conhecimento e pela criatividade dos agentes de desenvolvimento no território, nomeadamente das empresas industriais. Deste modo, é central equacionar diferentes estratégias de desenvolvimento para os territórios locais e regionais, considerando o conceito de território inteligente e criativo e o papel que a indústria e demais agentes têm vindo a ter para a prossecução, dinamização e operacionalização destes processos. As cidades e regiões enquadram-se numa lógica de competitividade à escala global, crescentemente suportada pelas plataformas digitais. Assim, o sistema virtual de inovação/conhecimento tem o objetivo de facilitar as interações entre os agentes de desenvolvimento no território, no espaço real. Da relação entre quatro dimensões principais no território (física/real; económica, do conhecimento e da criatividade; social e institucional; e virtual/digital) surge o conceito de território inteligente e criativo. Neste sentido, a definição de uma arquitetura destes espaços, onde os diferentes agentes de desenvolvimento (nomeadamente a indústria) deverão assumir papéis centrais, é fundamental para que se promovam e utilizem instrumentos que valorizem o desenvolvimento integrado, sustentável e criativo dos territórios. Nesta investigação, é importante que se valorize o Baixo Vouga, território historicamente marcado pela indústria, interligando os seus agentes de desenvolvimento em torno de um sistema de conhecimento e criatividade (assente na conexão entre os ambientes físico/real, económico, virtual/digital e social/institucional), numa lógica de articulação, organização e poder de interpretação dos fatores e estratégias de desenvolvimento territorial. É central capitalizar as potencialidades de desenvolvimento territorial do território de estudo (ao nível do seu sistema produtivo, do seu sistema científico e tecnológico e do seu capital intelectual) no contexto dos territórios inteligentes e criativos, prestando ao concelho de Estarreja uma especial atenção. Com efeito, Estarreja poderá aparecer como território agregador de espaços, pessoas e indústrias coletoras de conhecimento, com forte capacidade de aprendizagem, inovação e criatividade. Independentemente dos agentes de desenvolvimento, pré-requisitos presentes no concelho em estudo e através do desenvolvimento do conceito de território inteligente e criativo, é fundamental que se perspetive um modelo de organização e operacionalização do sistema de inovação, conhecimento e criatividade local/regional. Com este modelo poder-se-á cruzar as diferentes dimensões do sistema, fomentar a participação dos diferentes agentes/atores (como a universidades, as unidades de I&D, as empresas e os recursos humanos qualificados, entre outros) e valorizar as potencialidades e oportunidades do território. Nesta perspetiva, o recurso a políticas de desenvolvimento e conhecimento poderá ser imprescindível para a prossecução deste tipo de estratégias. Por outro lado, a concertação entre os agentes de uma visão/posicionamento para o território e para o seu desenvolvimento territorial terá que residir nas dimensões do digital, inteligente, criativo e do marketing territorial.
Ciências Sociais
2,578
Alterações Ambientais e Riscos Associados à Exploração Mineira no Médio Curso do Rio Zêzere. O Caso das Minas da Panasqueira
Mina da Panasqueira,Metais pesados,Ribeira do Bodelhão,Rio Zêzere,Impactos ambientais,Panasqueira Mine,Heavy metals,Bodelhão brook,Zêzere river,Environmental impacts
abalho que aqui se apresenta tem como objetivos, avaliar as consequências ambientais e humanas decorrentes da atividade mineira que se exerce há mais de 118 anos neste troço do médio Zêzere, no centro interior de Portugal. Uma análise histórica evolutiva da atividade mineira tem como objetivo mostrar as mudanças que se foram operando na atividade, assim como nos mercados e o impacte desta nos movimentos humanos que se processaram ao longo do século XX. Não nos podemos alhear que fatores naturais, socioeconómicos e políticos explicaram e explicam o processo de abandono populacional que esta área sofreu ao longo das últimas seis décadas à qual a atividade mineira não é alheia. As áreas mineiras ativas e degradadas, sempre estiveram associadas a impactes ambientais e de cariz geotécnico e incidem de forma altamente prejudicial na segurança, na saúde pública e na sustentabilidade dos ecossistemas envolventes. Esses impactes agravam-se de forma extremamente negativa quando as minas e as suas infraestruturas são abandonadas sem manutenção e sem qualquer tipo de gestão das escombreiras. Portugal, país com longa tradição mineira tem presentemente 174 áreas mineiras abandonadas a precisarem de uma intervenção urgente. Não podemos esquecer que já foram feitas intervenções de fundo em diversas minas abandonadas, no entanto urge intervir e reabilitar muitos outros locais. Neste trabalho incidimos a nossa atenção nos impactes ambientais e aos riscos associados à indústria mineira a lavrar próximo de um dos principais cursos de água de Portugal, estamos a falar do rio Zêzere, e as minas são as da Panasqueira. A mina da Panasqueira, sendo a maior mina produtora de volfrâmio da Europa, está em funcionamento há mais de 118 anos criando ao longo desse tempo um passivo ambiental que é hoje fonte de preocupação, de autarcas e populações dos concelhos sob sua influência (Covilhã, Fundão e Pampilhosa da Serra, Oleiros, Pedrogão Grande). A sua exploração ao longo deste tempo produziu dezenas de milhões de m3 de inertes que foram depositados em escombreiras (na Panasqueira, Barroca Grande e Cabeço do Pião), e milhões de m3 de águas residuais provenientes quer diretamente da mina, da lavaria, da ETAR – Estação de Tratamento de Águas Residuais, e das escorrências pluviais que incidem nos taludes das barragens de lamas e das escombreiras. Esta exploração pôs e põe em risco não só as aldeias que estão inseridas no couto mineiro da Panasqueira (Panasqueira, Barroca Grande, Aldeia de S. Francisco, Cabeço do Pião), como também as aldeias existentes nas proximidades do couto mineiro, que contactam com o rio Zêzere (Barroca do Zêzere, Dornelas do Zêzere, Porto de Vacas, Esteiro, Janeiro de Baixo). A escombreira dita nova, situada na Barroca Grande, suporta duas barragens de lamas (uma já encerrada) e uma ETAR localizada no local de Salgueira que foi inaugurada em 1957, e desde essa altura está subdimensionada. Essa situação leva a que, em muitas situações o excesso de águas provenientes da mina e da barragem de lamas ultrapassam em muito a capacidade de tratamento de águas da ETAR, o que leva a que os excedentes (o que na maioria das situações ultrapassa o valor em tratamento), sejam libertados diretamente na ribeira do Bodelhão, afluente do rio Zêzere. A antiga escombreira localizada no Cabeço do Pião, abandonada desde 1994, encontra-se em péssimo estado de conservação quando comparada com a escombreira da Barroca Grande e conhecida como escombreira nova. Possui pouca ou nenhuma vegetação por isso a instabilidade crescente dos seus taludes, que originam frequentes deslizamentos de materiais para o rio Zêzere, que passa na base da escombreira. A velha ETAR no Cabeço do Pião, trata os caudais gerados por infiltração e águas de escorrência provocadas pela precipitação e que ficam carregadas de sulfuretos metálicos oxidados vindos da velha barragem de lamas até à base da escombreira antiga. A ETAR pelo seu estado de conservação não permite que esta trabalhe o que mostra o total abandono a que está votada, indo todo o caudal que deveria ser tratado diretamente para o rio Zêzere. A realidade demográfica explica também o esplendor e o definhamento da importância das minas nesta área, é a partir dos finais dos anos 50 do século XX, que a “febre da emigração”, assente no pressuposto que a mina deixou de atrair, implicitamente porque já estava associado o mal da mina, “Silicose”, a quem para lá fosse trabalhar. Perante esta nova realidade a ocupação do espaço rural não mais foi o mesmo. O ódio à mina contribuiu decisivamente para o abandono das aldeias e o rápido despovoamento desta área, fez com que a empresa mineira se visse na contingência de ter de contratar mão-de-obra em Cabo Verde. Desde meados dos anos 60 que a loucura da mina não mais foi a mesma. De facto olhando para os quadros com a evolução demográfica, cruzando com o conhecimento profundo deste território, podemos concluir que as minas, desde há muito tempo, deixaram de exercer uma influência capital na evolução demográfica da região, como foi entre 1930 e 1960, no entanto, e devido à crise profunda que Portugal e a Europa atravessa, em que o emprego rareia, é hoje esta mina empregadora de muitos oriundos desta área que pelos mais variados motivos regressaram às suas aldeias, mas não os suficientes para inverter a tendência de despovoamento e de um acelerado envelhecimento das populações residentes.
Ciências Sociais
2,580
Turismo de Negócios. Convention & Visitors Bureau na Região Centro de Portugal
Turismo de Negócios,Gestão de Destinos,Convention & Visitors Bureau
Para além do alojamento, dos espaços para reuniões, das acessibilidades e das organizações locais de apoio (como é o caso dos Convention & Visitors Bureaux) representarem uma grande importância no momento de escolha do local para realizar ou assistir a uma conferência ou outro evento de negócios, também a atratividade do destino, relacionada com as atividades culturais, recreativas e de lazer possíveis de se realizarem antes, durante ou depois do evento, influencia a decisão de escolha. É por este motivo que quando falamos de Turismo de Negócios devemos ter em conta, necessariamente, a existência de uma relação de complementaridade entre este e os restantes produtos turísticos que, por sua vez, deverão ser valorizados de forma a aumentar a atratividade do destino e, consequentemente, a contribuir para o desenvolvimento local. As estruturas organizativas denominadas Convention & Visitors Bureau (CVB) desempenham um papel fundamental na gestão e nas atividades de marketing dos territórios como destinos de Turismo de Negócios. Um dos seus propósitos passa precisamente pela organização e promoção não só do alojamento e dos espaços para reuniões (e outros eventos) do território onde se situam, mas também da oferta relacionada com o lazer e a animação de modo a valorizar a experiência turística dos visitantes, de uma forma articulada com os stakeholders dos destinos. Com esta dissertação pretende-se evidenciar as potencialidades turísticas de um território específico na Região Centro, delimitado pelo Baixo Mondego, Baixo Vouga e Dão-Lafões que, aliadas às estruturas e equipamentos específicos, existentes principalmente nos seus principais centros urbanos, proporcionam um ambiente favorável ao desenvolvimento do Turismo de Negócios neste território. Para isso, estruturámos um modelo de investigação baseado na revisão bibliográfica e discussão da temática, na análise dos principais recursos e atrativos do território, na análise dos CVB’s já existentes em Portugal e na realização de um estudo Delphi junto de um painel de especialistas que direta ou indiretamente estão ligados à atividade turística neste território específico, resultando na proposta concreta de medidas estratégicas e na identificação de competências organizativas e características territoriais que poderão contribuir para dar expressão ao Turismo de Negócios e mais concretamente à criação de uma estrutura do tipo CVB como forma de fortalecer e valorizar este território específico como destino de Turismo de Negócios.
Ciências Sociais
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Determinantes do Desenvolvimento do Pinhal Bravo em Áreas Dunares (Dunas de Mira)
Floresta,Dunas,Pinheiro bravo,Solos,Fisiografia,Subcoberto vegetal
As dunas litorais são áreas de grande pressão humana. É encontrar um equilíbrio entre interesses económicos sociais e ambientais. No passado, a florestação, onde que já pôs em prática os métodos modernos de coabitação de espécies nativas e exóticas, no sentido de promover o referido equilíbrio, foi a forma mais eficaz de controlar o avanço das dunas para o interior. No entanto, esta pode diminuir a variedade das espécies dunares, uma vez que o crescimento das árvores impede por vezes o desenvolvimento dos estratos mais baixos, típicos de áreas mais iluminadas. Feita a arborização na primeira metade do século passado, pode agora verificar-se que o pinhal então instalado tem diferentes expressões de desenvolvimento. Observam-se, em áreas muito próximas, estações com muito bom desenvolvimento e outras em que o pinhal só muito dificilmente sobrevive. Foi a procura da razão para estas diferenças que orientou este trabalho. Os fatores analisados foram relativos aos (1) elementos de solo (pH, matéria orgânica, fósforo, potássio, humidade e hidrofobia); (2) elementos de fisiografia (altitude, diferença para o mínimo de altitude do transecto, a profundidade da toalha freática, a exposição e distância ao mar) e (3) subcoberto vegetal (riqueza específica, percentagem da espécie mais representativa do subcoberto vegetal, percentagem de subcoberto total, percentagem de subcoberto arbustivo, altura média do subcoberto arbustivo, percentagem de subcoberto herbáceo/subarbustivo, altura média do subcoberto herbáceo/subarbustivo, percentagem de acácias, percentagem de líquenes, percentagem de musgos, volume aparente do subcoberto vegetal. Estes fatores foram avaliados em nove transectos correspondentes a diferentes unidades espaciais. O seu efeito no desenvolvimento do pinheiro (diâmetro à altura do peito, altura média, densidade e altura dominante) foi estudado através do estabelecimento dos testes estatísticos considerados adequados (testes Anova, testes de Tukey, testes de Friedman, coeficientes de correlação bivariada de Pearson e de Spearman, coeficientes de regressão linear múltipla, análise de componentes principais e análise de Clusters) (Field, 2005; Grobe, 2005; Mota, 2007; Vilelas, 2009; Sato, 2011). As correlações de Pearson e a regressão linear múltipla mostram que o desenvolvimento do pinhal está significativamente relacionado de forma positiva com o subcoberto arbustivo (altura e percentagem), com a percentagem de acácias, com a percentagem de musgos, hidrofobia em outubro. Está, ainda, negativamente relacionado com a riqueza específica, o subcoberto herbáceo (altura e percentagem), com a percentagem de líquenes, com a profundidade da toalha freática, com a altitude, com a diferença para a altitude mínima do transecto, com a exposição e com a distância ao mar, com o pH, com o P2O5, com o K2O. A análise de componentes principais, confirmada pela de clusters, explica entre 57,07 e 69,5% da variância total. O pinhal apresenta coeficientes: (1) positivos - percentagem de acácias, subcoberto arbustivo (altura e percentagem), volume aparente do subcoberto vegetal; (2) negativos - altitude, percentagem da espécie mais abundante do subcoberto vegetal, percentagem de subcoberto total, pH, P2O5, período húmido (coeficientes >0,70). A profundidade da toalha freática e o K2O apresentam, consoante o método estatístico utilizado, resultados que são por vezes contraditórios. A matéria orgânica só apresenta alguns resultados consideráveis no último método utilizado, a análise de clusters. Os locais de menor altitude, menor profundidade da toalha freática e menor pH são os que se mostraram mais favoráveis ao crescimento arbóreo. Estas árvores realizarão elevados consumos de P2O5 e K2O disponíveis. Este estudo poderá ser útil no apoio a planos de ordenamento desta área, indicando quais os locais favoráveis à manutenção do pinheiro bravo e identificando aqueles onde será conveniente a instalação de outras espécies.
Ciências Sociais
2,582
Tufos calcários no Algarve Central. Geomorfologia, sedimentologia e paleoambientes
Tufos Calcários,Carso,Geomorfologia,Paleoambientes,Sedimentologia,Algarve,Portugal
Os tufos calcários são um importante repositório de informação paleoambiental, registando as condições no momento da deposição, com grande relevância para a interpretação ecológica da paisagem onde se inserem. Estes depósitos são assim uma ferramenta útil para a análise dos terrenos cársicos do Algarve Central, que por sua vez carecem de um estudo aprofundado sobre a sua distribuição e evolução. Este trabalho teve como principais objetivos a compreensão da evolução geomorfológica e paleoambiental desta área, para a qual foi necessário proceder a uma caraterização do modelado atual (com maior ênfase sobre o modelado cársico) e a sedimentologia e geomorfologia dos tufos calcários. Procurou-se assim compreender a geomorfologia e funcionamento hidrogeológico da área, para desta forma definir os principais focos de investigação para a interpretação paleoambiental. Com o fim de compreender a distribuição dos processos morfogenéticos, optou-se pela síntese com recurso a cartografia geomorfológica (quando se justificasse de pormenor e temática) dos principais aspetos da morfologia cársica, fluvial e estrutural e da morfometria do terreno, testemunhos da evolução da paisagem. A informação representada foi recolhida com trabalho de campo e em gabinete/laboratório. O levantamento geomorfológico e sedimentológico dos afloramentos de tufos calcários foi complementado com a execução de lâminas delgadas, de análises RAMAN e de difração r-x, a elaboração de estratigrafia de pormenor e a quantificação da sedimentação em ambiente natural. Nesta área do Algarve Central, os tufos calcários apresentam-se preferencialmente distribuídos nas áreas de descarga das subbacias hidrogeológicas da área de São Lourenço-Goldra, Loulé-Amendoeira-Almargens e São Romão-Alface. Para além da importância das caraterísticas hidroquímicas dos aquíferos, foi possível observar que a turbulência elevada e as condições climáticas quentes e secas são favoráveis à formação de tufos calcários. A estação primaveril, mais favorável, contrasta com a acumulação de tufos lenta sob condições frias e húmidas e com a interrupção/dissolução no período de estiagem e início da estação húmida. Os depósitos de tufos calcários refletem o tipo de ambiente de formação, pela sua geomorfologia e associações de fácies. Optou-se pela divisão das fácies de tufo calcário em dois grandes grupos: as fácies de acumulação e as fácies granulares. No primeiro grupo, as texturas resultam da precipitação direta dos carbonatos sobre vários tipos de superfície (v. g. briófitas, caules e folhas), cujo cimento apresenta geralmente texturas bandadas que representam as variações nas condições de formação dos tufos. A velocidade de precipitação do carbonato de cálcio é relevante na granulometria e hábito da calcite precipitada, pelo que se considera pertinente considerar o conjunto de tufos calcários micríticos. São caraterísticos de ambientes de precipitação lenta e podem adquirir a morfologia das restantes fácies de acumulação. Os depósitos caratrerísitcos do grupo de fácies granulares caraterizam-se pela remobilização dos materiais do seu ponto de nucleação/precipitação original, acumulando-se em áreas onde as caraterísticas hidrodinâmicas o permitam. Podem resultar da quebra de ramos incrustados, do desmantelamento do tufo, da nucleção em materiais em suspensão ou da acumulação na carga de fundo. Frequentemente são consolidados por cimentos diagenéticos na sua nova posição. Consideraram-se assim associações de fácies caraterísticas dos vários tipos de ambiente do Algarve Central, na origem de vários morfótipos comuns em tufos calcários. Estes são assim caraterizados por ambientes de barreira fitoconstruída, de planície aluvial, palustres e lacustres, que podem formar morfologias compostas como os tufos fluviais de barreira (com e sem barragem) e os tufos calcários de curso de água suspenso. Na análise do conjunto de morfologias tipicamente associadas aos tufos calcários, é possível relacionar a sua distribuição num diagrama triangular em função do equilíbrio de três domínios: exsurgência, curso de água e declive. A utilização deste modelo contínuo permite assim a integração dos vários afloramentos no mesmo diagrama, em função da sua avaliação empírica são enquadrados, tornando a sua comparação e compreensão fluída. O carso do Algarve Central é descontínuo e pouco desenvolvido, onde as formações cuja evolução cársica é mais importante correspondem a materiais calcários oxfordianos-kimeridgianos, kimeridgianos e kimeridgianos-titonianos. É nestas que se localizam as mais importantes formas cársicas: campos de lapiás (incluindo relevo ruiniforme), dolinas, grutas, o polje de Fojo e e a superfície cársica de Campina de Galegos-Almargens. Esta informação permitiu assim estabelecer a relação entre algumas morfologias importantes no Algarve Central e a sua génese. O vale da rib.ª das Mercês terá assim representado uma importante área de recarga da subbacia hidrogeológica de Loulé-Amendoeira, através de perdas no leito da rib.ª ou da drenagem criptorreica de um polje de bordadura cársica, posteriormente capturado pela rib.ª de Algibre. Uma das áreas de descarga deste aquífero seria, à semelhança da atualidade, na área de Loulé, onde se acumulou de uma grande espessura de materiais carbonatados eluviais (na atual S200-220Loulé), assim como nas superfícies mais elevadas dos terraços do rio Seco. Ambas as superfícies são caraterizadas por tufos calcários de planície aluvial, juntamente com outros depósitos aluviais e períodos favoráveis à pedogénese. A incisão fluvial e posterior degradação destas superfícies deu origem à formação de outros níveis aplanados onde se desenvolveram formas cársicas. Atualmente podem-se encontrar vários afloramentos tufos calcários fluviais de barreira e de planície aluvial e de curso de água suspenso.
Ciências Sociais
2,583
Paisagem Cultural e o Elétrico na Cidade de Coimbra: Propostas para a sua reintrodução turística
Paisagem Cultural
O trabalho de investigação aqui proposto defende a importância da identidade e da memória expressas no elétrico como património cultural. O recurso a uma análise diacrónica do seu uso como meio de transporte, visa demonstrar o seu potencial turístico como (re)criador de valores paisagísticos, patrimoniais, identitários e culturais. O elétrico assumiu um papel importante na vida das pessoas, nas suas vivências e experiências individuais e coletivas, que se torna um símbolo com identidade cultural. Tem um forte poder de sedução capaz de mudar a paisagem urbana, materializar-se num geossímbolo e até transformar o uso de novos espaços sociais, transportando-nos a um mundo imaginário repleto de simbolismo e nostalgia de um tempo passado. O elétrico poderá ser um património de extrema relevância na (re)criação de novos territórios turísticos através de representações que se territorializam, pois modificam os lugares e as paisagens urbanas. É por isso, importante fazer uma identificação do valor simbólico e funcional e discutirem que medida se tornou objeto de patrimonialização, recorrendo a um novo paradigma museológico no uso das representações e da multissensorialidade.
Ciências Sociais
2,584
Turismo na Serra da Estrela - Impactos, Transformações Recentes e Caminhos Para o Futuro
Turismo da natureza,Recursos turísticos,Planeamento estratégico e sectorial,Gestão de Destinos
A Serra da Estrela, assim como o seu território envolvente, tem apresentado profundas transformações económicas e sociais ao longo das últimas décadas, sobretudo a partir do último quartel do século XX. À emergência da atividade industrial ligada ao setor têxtil seguiu-se um período de depressão profunda, materializado num processo de falência em massa das indústrias ligadas ao setor, desemprego e movimentos demográficos de abandono do território. A atividade do turismo apresenta-se, hoje, por todo o mundo, como uma atividade em franco crescimento, capaz de gerar fluxos económicos significativos e novas oportunidades de desenvolvimento. Portugal e a região da Serra da Estrela, no contexto de uma economia aberta e globalizada, não se encontram à margem deste fenómeno. O turismo, enquanto atividade económica, funciona como um agente indutor de desenvolvimento, sobretudo em regiões onde o tecido económico e produtivo se apresenta pouco competitivo, pelo investimento em infraestruturas, empregos gerados e fixação das pessoas ao território. Assim, sustentados nesta realidade, decidimos avançar com um estudo sobre os efeitos ponderosos que a atividade do turismo apresenta, quando associada ao exercício da atividade do planeamento, no contexto do território supra referido. Falar de turismo e de planeamento implica, forçosamente, falar de recursos, da sua gestão e do desenvolvimento económico que proporcionam a cada território. A maior ou menor atratividade que um destino turístico apresenta depende do modo como os recursos, qualitativamente representativos, se inter-relacionam. É nesta simbiose que a prática do planeamento em turismo assume a sua verdadeira importância nos termos da atual abordagem ao fenómeno turístico. A uma gestão correta e proficiente dos destinos turísticos nunca é estranha a atividade do planeamento e é aqui, justamente, que reside a sua força. Considerando-se as vantagens comparativas que os recursos turísticos da região da Serra da Estrela oferecem, ao funcionarem como fatores atrativos para a captação de novos turistas e de novos investimentos facilitadores de desenvolvimento económico e social, os grandes objetivos desta investigação passam por: (i) identificar as características do território e competências organizativas capazes de permitir à atividade do turismo criar condições para a afirmação do turismo enquanto atividade de alavancagem económica e social numa região de montanha e de baixa densidade e (ii) determinar o impacto que o planeamento e uma correta gestão dos recursos podem ter no processo de transformação económica e social na Serra da Estrela, a partir da atividade do turismo. Nesse sentido, para além de colocar em evidência o potencial turístico intrínseco à região da Serra da Estrela, designadamente a partir dos seus recursos mais atrativos, a investigação que aqui se apresenta pretende dar resposta à questão central, que reside no impacto que o planeamento e uma correta gestão dos recursos turísticos podem ter no processo de transformação económica e social da região. Foi estruturado um modelo de investigação de acordo com os cânones da investigação científica, onde a técnica Delphi assumiu preponderante importância, tendo-se constituído, para esse efeito, um painel de especialistas convidados que, direta ou indiretamente, se encontram ligados à atividade do turismo no território em análise. Do estudo resultou a identificação dos recursos mais atrativos, transformações ocorridas, produtos e medidas estratégicas de intervenção a desenvolver no território da Serra da Estrela e respetiva gestão enquanto destino turístico.
Ciências Sociais
2,585
Inovação Institucional, Turismo e Desenvolvimento em Territórios de Baixa Densidade - o caso do Geopark Naturtejo
Turismo
A pressão competitiva atual implica alterações profundas e fundamentais na atividade económica. Muitas organizações lutam por se manter a par com as rápidas mudanças nas infraestruturas e nas práticas. Disrupção, pressão competitiva e antecipação de necessidades são desafios que conduzem a gestão a inovar, mas focalizando os esforços em inovação tecnológica e de produto. No entanto, com a crescente diminuição do ciclo de vida dos produtos e das tecnologias, aquelas inovações criam valor por cada vez menos tempo. As discussões e iniciativas à volta da inovação têm sido acompanhadas por uma crescente literatura que apresenta e estuda abordagens ao produto, ao serviço, ao processo, ao modelo de negócio, à própria gestão. Apesar de úteis, aquelas discussões e iniciativas podem acabar por falhar uma oportunidade relevante, subexplorada e cada vez mais relevante - a inovação institucional. A possibilidade de rever o estado da arte da atuação das instituições e desenvolvendo a arquitetura relacional dentro e entre instituições, reavaliando os trade-offs entre elas é o ponto de partida do trabalho apresentado, prestando a atenção devida ao conhecimento, à aprendizagem, à criatividade, ao funcionamento em rede e ao território. O que se procurará determinar é se uma nova arquitetura institucional permite às instituições aprender mais rápido para transpor essa aprendizagem de forma mais efetiva, em seu benefício, em benefício da rede à(s) qual(ais) se encontra ligada e em benefício da comunidade onde se encontra localizada. Percebendo a importância deste tipo de inovação, este trabalho pretende analisar a contribuição de inovação institucional para o desenvolvimento das atividades turísticas em territórios de baixa densidade, focando o papel desempenhado pelos geoparques. Para atingir este desiderato, a perceção das dinâmicas no Turismo, do lado da oferta e do lado da procura, são fundamentais no sentido de posicionar o caso de estudo - o Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional, Portugal – no âmbito daquelas dinâmicas. Uma vez que as ações desta instituição se refletem no espaço, a compreensão sobre as temáticas territoriais foi também desenvolvida, com a particularidade de se distinguirem as especificidades dos Territórios de Baixa Densidade devido ao território onde se localiza o caso de estudo. As conclusões retiradas evidenciam (ainda) alguma articulação precária entre os atores regionais e um grande nível de dependência face aos poderes públicos, limitando o impacto que a instituição Geoparque Naturtejo produz no território. É possível ainda referir um subaproveitamento das potencialidades existentes na região, seja ao nível dos atores, seja ao nível da oferta. A capacidade do Geoparque em estabelecer o ‘seu’ território é inegável; o reconhecimento desse território por parte da comunidade em geral (residentes, empresas, turistas) é, no entanto, algo que exige um esforço maior pela gestão da instituição. Em turismo, a interatividade é imprescindível. A capacidade de articulação entre forças dinâmicas é de tal forma importante que, se não existir, pode inverter toda a lógica de desenvolvimento. Uma correta conceptualização que envolva os diferentes atores - institucionais, económicos, financeiros, empresariais - numa rede sinérgica de cooperação permitirá catapultar a região, no seu todo, para novos limiares produtivos, atendendo ao conjunto de recursos disponíveis.
Ciências Sociais
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A expressão territorial da identidade religiosa da população católica portuguesa. Estudo de caso da diocese de Coimbra
geografia cultural
A expressão territorial da identidade religiosa da população católica portuguesa. Estudo de caso da diocese de Coimbra. Com este título, a tese de doutoramento que apresentamos procura estudar a religião enquanto fenómeno geográfico, analisando o uso, a produção e a apropriação dos espaços face a um comportamento distinto do ser humano, cuja motivação é atribuída à religião ou à devoção por elementos sagrados ou espirituais. Este trabalho tem como suporte teórico algumas das metodologias e dos conceitos fundamentais trabalhados pela geografia cultural, mas também pela geografia da religião, ambas enquadradas cientificamente no ramo da geografia humana. A revisão bibliográfica deste estudo contemplou os ensinamentos da Escola de Berkley, com destaque para Carl Sauer e de David Sopher, que mostraram uma cultura super-orgânica e a possibilidade de estudar as áreas culturais homogéneas ou mosaicos-padrão, mas também as paisagens materiais. Incluímos ainda a importância, nos estudos geográficos, do movimento “cultural turn” e da abertura da geografia a outros ramos de pesquisa, a adaptação dos seus métodos de trabalho, a inclusão de novos protagonistas e a abertura a novos temas de análise. O pós-estruturalismo e a desconstrução de muitas realidades que ancoravam a sociedade moderna, permitiram alcançar uma nova geografia mais crítica, socialmente mais inclusiva e metodologicamente mais qualitativa. Duncan, Cosgrove, Jackson, Hall, Tuan, Thrift, Stump, Kong e Stoddard são alguns dos autores que trabalham sobre esta nova perspetiva mais voltada para o mundo dos significados, do simbolismo, da imaginação, da perceção, das representações, mas também das crenças e das devoções religiosas que, nalguns contextos, condicionam e justificam o comportamento das pessoas. Através destas disciplinas, da geografia cultural e da geografia da religião, mostramos que a cultura, a religião, as identidades, os lugares, os espaços, os territórios 10 e as paisagens têm vindo a sofrer um processo de desconstrução e de adaptação às mudanças resultantes da globalização e da sociedade pós-moderna. Os estudos geográficos têm procurado compreender e mostrar esta adaptação, incorporando os efeitos da instantaneidade, do hibridismo e das multiterritorialidades, multiescalaridades e multitemporalidades. Ou seja, os estudos geográficos, mesmo os que associamos à religião, procuraram exibir os distintos fluxos e direções, usos e apropriações diferenciadas dos territórios religiosos. Procuram explicar que, mesmo no interior de comunidades aparentemente homogéneas, como a Igreja Católica, há descontinuidades e particularidades que necessitam de ser analisadas. Na atualidade, as identidades religiosas não são únicas mas plurais e diversas e estão relacionadas com outras componentes da identidade cultural. Cada pessoa define e constrói os seus laços afetivos com os lugares sagrados. Estes laços representam diferentes intensidades, interações e hierarquias e compõem territórios únicos e complexos. Compõem também as paisagens pós-representacionais que são próprias de cada contexto e que combinam elementos materiais mas também imateriais. Há um percurso de vida paralelo a um percurso religioso que, em simbiose e em conjunto com outros fatores identitários, condicionam o comportamento espacial de cada um. Tendo presente que a religião é apenas uma variável explicativa da realidade geográfica, descrevemos a evolução e a distribuição da população católica no território nacional, procurando uma justificação ampla e conjunta com as grandes transformações sociais, culturais, politicas, jurídicas e económicas e as transições demográficas que ocorreram no nosso país entre os séculos XX até à atualidade. Estas transformações mostraram um país heterogéneo e diverso, onde a presença e influência da Igreja Católica oscila com a progressiva diversidade das crenças e devoções religiosas ou espirituais, mas também com a perda de laços com o mundo religioso. A leitura regional de um conjunto de indicadores sociodemográficos permitiu explicar, em parte, a imagem de um país que tem vindo, de forma progressiva, a alterar a 11 sua identidade etno-cultural uniforme e centrada na história, no poder e na presença da Igreja Católica em muitos campos da sociedade. Numa outra escala, procurámos analisar a heterogeneidade que existe no contexto do concelho e da diocese de Coimbra. A evolução e a distribuição da população católica não ocorreu da mesma forma e com a mesma intensidade em todas as freguesias do concelho, com particular destaque para as freguesias predominantemente urbanas e as freguesias rurais. Verificámos que há diferentes expressões da territorialidade religiosa da população que dependem, de fatores geográficos, como o local de residência ou a localização dos lugares sagrados (igrejas), mas também do perfil socioeconómico e cultural da população crente, praticante e integrada na diocese de Coimbra. Isto significa que a relação do homem com o espaço onde vive é rica de interações e de experiências. A relação, a perceção e apropriação dos lugares sagrados depende profundamente de um conjunto de fatores desde a idade, sexo ou da situação social de cada pessoa, resultando em multiterritorialidades religiosas.
Ciências Sociais
2,587
Turismo de Saúde e Bem-Estar: Estratégia de Desenvolvimento Local para as Caldas da Cavaca
turismo de saúde e bem-estar,competitividade,gestão estratégica,sustentabilidade
Esta tese, para além de abordar a temática da gestão estratégica de destinos turísticos e a importância e contributo que o turismo tem para o desenvolvimento local, tendo em conta a valorização dos seus recursos territoriais, focalizou-se no turismo de saúde e bem-estar. Devido à existência de enorme diversidade de conceitos e dificuldade no balizamento do turismo de saúde e bem-estar foi proposta uma tipologia de oferta para este produto estratégico, tendo em conta a realidade em Portugal. Foram ainda apontados os fatores de competitividade que influenciam a escolha de destinos de saúde e bem-estar. A importância terapêutica da água termal e as suas possibilidades de potenciação são também elementos de análise importantes neste estudo. O Complexo Termal das Caldas da Cavaca é uma estância termal situada no concelho de Aguiar da Beira e na sub-região de Viseu Dão Lafões que pertence à Região Centro de Portugal, e ao longo da sua história viveu diferentes fases de desenvolvimento, estando hoje, confrontada com um enorme desafio que envolve um conjunto de fatores que passam essencialmente pela reorganização e diversificação da sua oferta, por uma promoção mais eficiente junto dos mercados e pela cooperação institucional. Os principais objetivos desta tese passam por compreender quais as estratégias e modelos de gestão seguidos pelas boas práticas internacionais e nacionais de termalismo, definir o perfil do cliente das Caldas da Cavaca, as suas motivações, comportamentos, perceções, satisfação e recomendações, e por fim, definir uma estratégia de desenvolvimento turístico sustentado para o Complexo Termal das Caldas da Cavaca. Neste sentido, estruturou-se um modelo de investigação suportado por um aprofundado enquadramento teórico, numa análise dos principais recursos e atrativos do território, numa estratégia de benchmarking aplicada com a análise a boas práticas de termalismo europeu e das estâncias termais nacionais, na aplicação de questionários aos clientes da Caldas da Cavaca e numa entrevista ao atual gestor da unidade, culminando numa análise final que levou à estruturação da estratégia de desenvolvimento sustentado para as Caldas da Cavaca, estratégia esta, que contempla a sustentabilidade, a qualidade, a inovação e a competitividade. Em termos de contributo prático, este estudo, fornece uma orientação estratégica para as Caldas da Cavaca, como importante destino de wellness termal, no curto, médio e no longo prazo, visando essencialmente a (re)qualificação da oferta turística e o aumento da procura. Estas medidas e ações revestem-se de extrema importância em termos do desenvolvimento do território, da afirmação do turismo e da competitividade do destino.
Ciências Sociais
2,588
As imagens e as representações na afirmação estratégica dos lugares. O caso particular do cinema e da cidade de Coimbra
Imagem,Image
O objetivo primordial desta investigação centra-se na temática da imagem da cidade de Coimbra e do cinema, enquanto contributo para a construção de representações de um lugar. Nas últimas décadas, Coimbra tem perdido importância estratégica no contexto nacional face ao emergir de um conjunto de fatores que competem com as suas centralidades tradicionais. Após uma breve reflexão sobre alguns dos desafios atuais impostos a esta cidade, a aplicação de uma entrevista a um primeiro focus group e consequente tratamento de dados, permitiram tecer considerações sobre as imagens que diferentes atores da cidade possuem sobre este espaço urbano e seu posicionamento estratégico. Tendo em vista analisar as representações da cidade, a partir do cinema, recorreu-se ao estudo das imagens, diálogos e territorialidades de algumas personagens divulgadas nos filmes Capas Negras (1947) e Rasganço (2001), que têm Coimbra como cenário. A reflexão quanto às perceções existentes sobre este centro urbano, obtidas a partir do visionamento destas duas produções fílmicas, resultaram, de igual modo, da aplicação de metodologias de recolha e tratamento de dados (qualitativas), a um segundo focus group. Apresentando imagens diversificadas e antagónicas, de forma global, Coimbra é observada como sendo detentora de uma imagem estereotipada e real. Esta constrói-se, sobretudo, a partir da sua Universidade, apesar da referência a outros capitais identitários da urbe como a “saúde” e a “cultura”. É descrita como uma cidade que só ganha projeção de forma pontual, o que traduz uma imagem enfraquecida. Apesar de ser considerada como um espaço urbano com qualidade de vida, beleza paisagística, cosmopolita, com capacidade de produzir conhecimento, este é também caracterizado como tradicional e velho, como tendo dificuldade em comunicar, projetar-se e em fixar capital humano qualificado. Algumas destas reflexões encontram-se representadas nos filmes Capas Negras (1947) e Rasganço (2001). Nestes filmes, a cidade é retratada como sendo um lugar “tradicional”, caracterizado por rituais singulares associadas à Universidade de Coimbra. Apesar dos laços de filiação que consegue criar, este é representado como um espaço urbano de “passagem”. É também transmitida a representação de uma cidade “dual”, ou seja, de um lugar onde se verifica uma separação entre a comunidade estudantil e universitária e a população local efetiva. Através de um segundo focus group realizou-se uma análise às perceções sobre Coimbra, retiradas a partir do visionamento das duas películas. Apesar de não corresponder à imagem que têm de Coimbra, esta é percecionada, pelos entrevistados, como sendo uma urbe cuja imagem se constrói, sobretudo, a partir da sua Universidade e estudantes. Observada como um território com dificuldade em fixar jovens recém-licenciados e como sendo um lugar no qual há uma separação entre classes sociais. Este trabalho científico pretende colocar em destaque que a “imagem de um lugar” é um tema complexo e importante, demostrar que o cinema pode apresentar-se como um contributo à representação de lugares, construção de perceções e refletir que o meio audiovisual constitui um mecanismo de interpretação das dinâmicas de um território.
Ciências Sociais
2,589
O turismo de iates - Estratégia de desenvolvimento para a Figueira da Foz
Lazer,Turismo náutico,Figueira da Foz,Iates,Desenvolvimento
O turismo, resultado da evolução dos tempos de lazer, é já em pleno século XXI uma atividade global e de reconhecida capacidade de promoção do desenvolvimento nos territórios onde decorre. O turismo de iates surge como um dos segmentos da atividade turística genérica, apresenta contornos de crescimento e de potenciador de desenvolvimento nos territórios onde decorre. Pela posição geoestratégica de Portugal, existe um número assinalável de embarcações de recreio a atravessar, anualmente, ao longo da faixa costeira atlântica. Ao mesmo tempo, está cada vez mais presente a noção, a nível nacional, da necessidade e da capacidade intrínseca que Portugal possui para ser um país com uma economia marítima desenvolvida e geradora de riqueza, a partir dos diferentes sectores relacionados, entre eles, o turismo. O benchmarking ou aprender com os melhores pode ser um dos pontos de partida para a sedimentação dos vetores que se pretendem para o crescimento da maritimidade em Portugal e, por isso, a Nova Zelândia surge enquanto estudo de caso. À escala local, a Figueira da Foz surge como um destino marítimo e turisticamente histórico, com particularidades únicas. Possuindo este território uma estrutura portuária de recreio, seria expectável que o número de iatistas passantes tivesse expressão suficiente para que este segmento turístico fosse, na atualidade, considerado uma mais valia (com proveito oficial e conscientemente assumido pelos autóctones) para o desenvolvimento local. Tal facto, surge, por enquanto, apenas como uma faculdade reconhecida pelas instituições e agentes locais. Foi a partir desta receptividade e das diversas potencialidades existentes que se propôs o desenvolvimento de uma estratégia que tenha como objetivo o crescimento do turismo de iates. À falta de estudos desta tipologia à escala local no âmbito nacional, partiu-se para a busca de dados que não estavam registados ou disponíveis, tendo-se, por isso, utilizado a metodologia Delphi. Sequencialmente, procedeu-se à constituição de um painel de especialistas que direta e indiretamente estão ligados à náutica de recreio, à decisão institucional, à vertente académica, e ao turismo. O resultado culminou numa ferramenta e num conjunto de medidas que, caso aplicadas, poderão colocar a Figueira da Foz enquanto destino com o turismo de iates entre as suas centralidades.
Ciências Sociais
2,590
Lazer e turismo nos jardins históricos portugueses: uma abordagem geográfica
lazer,leisure,turismo de jardins,garden tourism
Os jardins são transversais às diversas civilizações, ilustrando a relação do Homem com a Natureza e, por isso, constituem hoje importantes testemunhos culturais e históricos. São símbolos de memória, de identidade, de pertença e de leitura dos territórios. Revelam-se fundamentais na preservação da memória cultural e da identidade coletiva de uma sociedade. Por isso o jardim histórico é celebrado na Carta de Florença como um “monumento vivo”. Detentores de um valor intrínseco que se traduz na sua elevada capacidade atrativa, os jardins são, cada vez mais, locais de visita e de consumos lúdicos/turísticos vários, inserindo-se de forma perfeita na ideia contemporânea de experiência turística assente na satisfação prolongada das sensações visuais, sensoriais ou emocionais. A visita a jardins, enquanto atividade do tempo de férias e/ou de lazer, vem sendo posicionada no campo dos fenómenos, mormente no âmbito do turismo cultural e da recreação da sociedade dita pós-moderna. Após uma contextualização dos jardins enquanto património cultural que é necessário proteger, qualificar e valorizar, e enquanto atrações turísticas que é essencial desenvolver e promover, à escala internacional e nacional, aprofundou-se esta análise através do estudo empírico realizado. Esta investigação propõe assim conhecer, estudar e discutir a dimensão lúdica e turística dos jardins históricos portugueses tendo em conta a avaliação do quadro da oferta e da procura conseguida através da aplicação de inquéritos, por questionário, aos responsáveis de cerca de 100 jardins e a uma amostra de 666 visitantes de três jardins históricos – Parque de Serralves, Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e Jardim do Palácio Fronteira. Este estudo permitiu demonstrar que, por um lado, os jardins portugueses têm características próprias e únicas e, concomitantemente, potencial para se transformarem num produto turístico de qualidade e com visibilidade, ainda com uma grande margem de progressão. Por outro lado, permitiu identificar e caracterizar o perfil do visitante de jardins, as suas motivações, hábitos e comportamentos na visita, tendo-se apurado que estes variam consoante a experiência que os diferentes jardins oferecem, os interesses e o tipo de visitante. O presente estudo confirma ainda o papel importante dos jardins no desenvolvimento dos territórios e enquanto locais de satisfação das necessidades lúdicas e turísticas da sociedade. Em função dos resultados destas duas vertentes reflete-se ainda sobre as medidas que se consideram estratégicas para a valorização e promoção dos jardins históricos portugueses com vista a um maior e melhor desenvolvimento da vertente turística. Pretende-se, assim, que esta investigação contribua não só para um conhecimento mais profundo da temática, mas que possa também constituir uma ferramenta útil para os vários intervenientes nestes espaços.
Ciências Sociais
2,591
O Enoturismo na Região Demarcada do Douro: a Festa das Vindimas como produto turístico
Paisagem Cultural,Enoturismo,Festa das Vindimas
A presente investigação, conducente à obtenção do grau de Doutor em Turismo, Lazer e Cultura, ramo de Turismo e Desenvolvimento, na Universidade de Coimbra, aborda a temática do Enoturismo na Região Demarcada do Douro, mais especificamente a Festa das Vindimas. A tese apresenta, primeiramente, uma revisão da literatura onde são discutidas as premissas e as problemáticas atuais associadas ao Enoturismo, expondo uma visão global do tema, em particular na Região Demarcada do Douro (RDD). Ao longo da sua história a RDD sofreu diversas alterações que se repercutiram nas demarcações sucessivas e na importância relativa de cada uma das sub-regiões. No entanto, para a compreensão da dinâmica deste território, Património Mundial da Humanidade desde 2001, apenas faremos sobressair os marcos históricos mais relevantes para a compreensão do objeto de estudo. É também realizada uma análise da oferta e da procura e de formas de gestão do destino turístico. Definidos o objeto e os objetivos do estudo, foi realizada uma abordagem qualitativa e quantitativa, com base num trabalho de campo, com a aplicação de inquéritos por questionário e através da observação direta e/ou participante. Foi possível confirmar a importância do Enoturismo, em particular a Festa das Vindimas, na promoção do destino. Posteriormente, em consequência dos resultados obtidos, a investigação centra-se na definição do perfil do enoturista da Festa das Vindimas e a forma como ele vivencia a experiência.
Ciências Sociais
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Turismo e Património Cultural nos Campos do Mondego: lugares, práticas e tradições
turismo
Esta investigação teve como objetivo central a identificação e inventariação dos recursos endógenos de 15 freguesias periurbanas e rurais da sub-região do Baixo Mondego, para eventual aproveitamento turístico e recreativo. Tratam-se de espaços geográficos inseridos na bacia hidrográfica do Rio Mondego a jusante de Coimbra designadamente de S. João do Campo, S. Silvestre, S. Martinho de Árvore, S. Martinho do Bispo, Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal, Arzila, Montemor-o-Velho, Carapinheira, Tentúgal, Pereira, Santo Varão, Granja do Ulmeiro e Alfarelos, localidades não valorizadas e algo desconhecidas ou ignoradas até hoje na promoção da atividade turística. Constituem, por isso, novos polos de interesse que se tornam fundamentais para a oferta turística, especialmente porque existe uma clientela de proximidade que em muito pode beneficiar a criação de uma procura turística alternativa. Procurou responder-se à questão: se, e em que medida os recursos endógenos daquelas freguesias são suscetíveis de complementar a oferta do destino turístico Coimbra, em função das suas singularidades e especificidades. A investigação recorreu, para recolha de informações, à aplicação de um inquérito por questionário dirigido aos residentes das localidades acima mencionadas. Definiu-se uma amostra composta por um grupo de 180 indivíduos a quem foram colocadas questões relacionadas com o turismo, o património cultural, natural e paisagístico e, também, sobre os diversos serviços e equipamentos (alimentação, alojamento, recreação, entretenimento) existentes na sua área de residência. A conclusão que se retirou da investigação é que a hipótese principal foi confirmada revelando que, de facto, existe uma vasta oferta de recursos que permitem o estabelecimento favorável da atividade turística. Baseada nos dados empíricos, é apresentada uma proposta de três rotas turísticas para mostrar os principais atrativos e estimular o desenvolvimento do turismo nestas áreas, distribuídas e geridas a partir do estabelecimento de um Parque Patrimonial Rural como forma de garantir a sustentabilidade do território. This research had as main objective the identification and inventory of local resources of 15 periurban and rural parishes of the Lower Mondego subregion, for any tourist and recreational use. These are geographic spaces inserted in the Mondego River basin downstream of Coimbra namely S. João do Campo, S. Silvestre, S. Martinho de Árvore, S. Martinho do Bispo, Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal, Arzila, Montemor-o-Velho, Carapinheira, Tentúgal, Pereira, Santo Varão, Granja do Ulmeiro and Alfarelos not valued locations and something unknown or ignored to date in the promotion of tourism. Are therefore new centers of interest that are key to the tourist offer, especially because there is a local customer base that can greatly benefit from the creation of an alternative tourism demand. Sought answer to the question whether and to what extent the endogenous resources of those parishes are likely to complement the offer of the tourist destination Coimbra, according to their singularities and specificities. Research resorted to collecting information, the application of a questionnaire addressed to the residents of the above mentioned locations. A sample was defined composed of a group of 180 individuals whom questions were asked related to tourism, cultural, natural and landscape heritage and also on the various services and equipment (food, lodging, recreation, entertainment) in your area. The conclusion that withdrew from the research is that the main hypothesis was confirmed revealing that, in fact, there is a wide range of features that allow the successful establishment of tourism. Based on empirical data, a proposal of three tourist routes to show the main attractions and stimulate the tourism development in these areas is presented, distributed and managed from the establishment of a Rural Heritage Park in order to guarantee the sustainability of the territory.
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2,594
Recolha seletiva: um balanço de energia e recursos face à dispersão geográfica - estudo caso: concelho de Coimbra e concelho da Figueira da Foz
Geografia,Gestão de Resíduos
O presente estudo desenvolveu-se através da análise dos dados acerca das ”quantidades de resíduos” provenientes da recolha seletiva dos ecopontos dos concelhos de Coimbra e Figueira da Foz do Distrito de Coimbra e dos “quilómetros percorridos” para a recolha desses resíduos e encaminhamento para a estação de triagem. Os anos em estudo foram de 2009 a 2013 e os dados anteriormente referidos foram obtidos através da consulta do sítio da internet da ERSUC, empresa gestora dos resíduos urbanos. Por outro lado, com a informação recolhida da tipologia dos camiões de recolha e do ano de matrícula, recorreu-se ao programa COPERT IV para obter as quantidades de CO2 emitidos por fluxo de resíduos, tendo conseguido fazer um balanço, recorrendo ao software do site norte americano STOPWASTE. Com esta calculadora, e fazendo as adaptações necessárias à realidade portuguesa, conseguimos calcular a quantidade de CO2 que se deixa de emitir para a atmosfera ao fazer a reciclagem das quantidades de resíduos recolhidos. De referir que foi usada a percentagem de 6% como taxa de refugo, segundo os dados obtidos através da ERSUC. Assim, verificou-se que temos um balanço muito positivo no que respeita às quantidades de CO2 que são poupadas com a reciclagem dos resíduos provenientes dos ecopontos comparativamente com a quantidade de CO2 emitido com a sua recolha e encaminhamento para a estação de triagem. É certo que no presente estudo não foram contemplados os quilómetros percorridos e as consequentes emissões de CO2 com o transporte da estação de triagem para as empresas recicladoras. Por outro lado, o presente estudo permitiu chegar à conclusão que também conseguimos poupar energia ao reciclarmos os materiais recolhidos, quando comparamos com a energia que é gasta com a recolha e transporte destes mesmos materiais. This study was developed by analyzing the data "quantities of waste" from the selective collection of waste recycling bins, for the municipalities of Coimbra and Figueira da Foz the district of Coimbra and "mileage" for such waste and referral to the station screening. The years in the study were from 2009 to 2013 and previously reported data were obtained through the Internet site of the ERSUC, company wich managing municipal waste. On the other hand, with the information collected from the type of truck collection and year of registration, he used the COPERT IV program to obtain the quantities of CO2 emitted with a waste stream and managed to take stock, using the site's software north American STOPWASTE. With this calculator, and making the necessary adjustments to the Portuguese reality, we can calculate the amount of CO2 that is allowed to emit into the atmosphere when you recycle the quantities of waste collected. Note that the percentage of 6% as scrap rate was used, according to data obtained by ERSUC. Thus it was found that we have a very positive with regard to the quantities of CO2 are saved with the recycling of waste from ecopoints compared to the amount of CO2 emitted to the collection and forwarding to the screening station. It is true that in this study the mileage and consequently CO2 emissions with transportation screening station at recycling companies were not included. Furthermore this study has lead to the conclusion that we can also save energy by recycling the collected materials, when compared to the energy that is spent on the collection and transport of these same materials. KEYWORDS: Municipal waste, selective collection, balance, Coimbra
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Gestão de Destinos Turísticos: novas políticas de desenvolvimento turístico e modelos de governança de DMO (Destination Management Organization). Uma proposta para o Destino Porto
gestão de destinos,governança,desenvolvimento turístico,destination management organization (DMO),destino Porto,destination management,governance,tourism development,destination Porto
A presente investigação assume como compromisso fornecer resposta à crescente necessidade de estratégias sistemáticas de gestão dos destinos turísticos fornecendo, em particular, a sistematização de conhecimento a partir das mais recentes políticas de desenvolvimento turístico e dos mais recentes modelos de governança de DMO (Destination Management Organization). Seguiu-se uma abordagem metodológica mista, em que são conciliados procedimentos qualitativos e quantitativos, ainda que tenha sido privilegiada a vertente qualitativa dado que se recorreu ao método de estudo de caso, mais especificamente com o recurso à técnica Delphi, que recebeu o contributo de 28 especialistas num painel equitativo de elementos representantes de 4 grupos de interesse do destino Porto, nomeadamente setor público, setor privado, academia e comunidade local. A auscultação ao painel envolveu três rondas de questionários. Os dados dos questionários foram analisados quer seguindo procedimentos quantitativos (análise de frequências, média, mediana e desvio padrão) quer qualitativos (análise de conteúdo). A investigação realizada permitiu concluir que na atualidade, no destino Porto, as políticas seguidas não são consentâneas com as necessidades de desenvolvimento turístico que se impõem empreender e ainda que não se verifica na rede de stakeholders que compõem o sistema turístico, e nas respetivas relações de poder, um efetivo envolvimento ao nível da governança e da gestão do destino. A investigação permitiu ainda concluir que, atendendo à atual fase do seu ciclo de vida e ao ambiente favorável que caracteriza o posicionamento atual do destino Porto, estão reunidas as condições para implementar um novo modelo de governança e gestão do destino que se materializa a partir da concretização de um novo modelo de governança e gestão de DMO, na forma de Agência Regional de Desenvolvimento Turístico do Destino Porto. Este novo modelo de gestão de destino incorpora as mais recentes políticas de desenvolvimento turístico e está alinhado com os mais recentes modelos de governança de destinos e de governança e gestão de DMO’s.
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2,597
As TIG no ensino de Geografia: conceções, usos escolares e suas condicionantes
Tecnologias de Informação Geográfica (TIG),Ensino de Geografia,Geotechnologies,Geography teaching
O desenvolvimento tecnológico recente possibilita, de um modo inédito, o acesso e a manipulação de informação geográfica. A localização, uma questão transversal a diversas áreas do conhecimento, tornou-se um ícone da Sociedade do Conhecimento, colocando o pensamento espacial como uma competência chave do cidadão do século XXI. Neste contexto, e no sentido de aproximar a Geografia escolar da conceção da Digital Earth, é pertinente o uso das diversas Tecnologias de Informação Geográfica (TIG) como ferramentas educativas ao serviço do cumprimento dos objetivos desta área disciplinar, os quais, em última instância, visam a formação de cidadãos geograficamente competentes. Como a integração destas tecnologias no ensino está dependente de vários fatores, entendeuse como pertinente compreender a visão dos docentes e dos futuros docentes de Geografia em relação às TIG, aferir quais os usos escolares destas ferramentas e identificar as condicionantes à sua integração no processo de ensino-aprendizagem. Para a concretização destes três grandes objetivos, que se definiram como base para este trabalho, definiu-se um sistema de recolha de dados baseado na aplicação do inquérito por questionário e na realização de entrevistas semiestruturadas. Pelo facto de a pesquisa envolver a análise de dados quantitativos, recolhidos com o questionário, e de dados qualitativos, recolhidos com a entrevista, posiciona-se o estudo empírico desenvolvido ao nível das metodologias mistas de investigação. Perante a natureza dos dados recolhidos, a análise estatística inferencial e a análise de conteúdo impuseram-se como técnicas de análise de dados mais apropriadas. Participaram na investigação 473 informadores: 415 docentes de Geografia dos Ensinos Básico e Secundário, 52 professores formandos dos Mestrados em Ensino de História e Geografia dos Ensinos Básico e Secundário, e seis docentes universitários deste curso de mestrado. As conclusões obtidas sugerem que os participantes no estudo perspetivam que o uso educativo das TIG no ensino de Geografia contribui para o exercício da cidadania no século XXI. Ainda assim, constata-se que aprender a lecionar Geografia com TIG não é um objetivo consolidado ao nível dos Mestrados em Ensino de História e Geografia. Os resultados indicam que os docentes de Geografia possuem reduzidos conhecimentos em TIG, não são utilizadores frequentes destas ferramentas em contexto educativo e recorrem a estas ferramentas, sobretudo à Geospatial Web, como recurso didático, dado ser menos frequente a utilização das TIG enquanto estratégia de ensino-aprendizagem suportada em metodologias de ensino ativas. Ou seja, estas ferramentas surgem mais frequentemente como suporte para a apresentação de conteúdos, e menos como suporte para a exploração de conteúdos pelos alunos. Este nível de integração, é reflexo da resistência à mudança por parte dos docentes e resultam de limitações de caráter organizacional e de gestão implícitas às políticas educativas, que se traduzem em problemas no acesso a equipamentos, na excessiva carga horária dos docentes, bem como no elevado número de alunos por turma. No entanto, apesar de condicionada por barreiras de diversa ordem, a integração das TIG no ensino de Geografia pode ser estimulada com a capacitação dos professores de carreira e dos professores formandos e com a disponibilização de ferramentas e de material didático que permitam criar um contexto educativo favorável a lecionar Geografia com TIG. Esta proposta está baseada nos resultados deste estudo, que indicam que a maior frequência de formação favorece um maior conhecimento, mas também um uso mais frequente destas ferramentas, mesmo quando as instalações escolares não estão preparadas.
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2,598
Património Cultural e a Reabilitação Urbana. Um Caminho para o Desenvolvimento do Turismo na Cidade Histórica do Dondo (Angola)
Património cultural,Cidade histórica,Reabilitação urbana,Turismo,Dondo,Desenvolvimento turístico
No contexto atual de dificuldade socioeconómica em Angola, importa que o turismo seja encarado como uma atividade estratégica para o desenvolvimento das comunidades. Para que sejam criados projetos que satisfaçam os interesses das populações é fundamental considerar a sua participação na conceção, implementação e monitorização dos recursos culturais locais. Neste sentido, a presente tese tem como propósito analisar o contributo do património cultural para o desenvolvimento do turismo numa cidade histórica. A dimensão simbólica e identitária do património cultural como impulso ao desenvolvimento turístico local visando a melhoria da imagem da cidade, a conservação dos recursos endógenos e a geração de mais-valias para a localidade, é um referencial importante para o Dondo. Uma cidade, cujo núcleo urbano encontra-se em estado avançado de degradação mas que mantém ainda uma estrutura distintiva de uma determinada época que urge salvaguardar e valorizar. Com essa perspetiva foram definidos dois grandes objetivos para sustentar esta investigação, com adoção de uma abordagem metodológica eclética, própria de um estudo de caso, através da conciliação dos procedimentos qualitativos e quantitativos. Na primeira parte da tese desenvolveu-se uma contextualização por meio de um enquadramento teórico-conceptual para compreender melhor as dimensões do estudo: património cultural, cidade histórica e turismo, através de uma pesquisa bibliográfica e documental que remete à abordagem em torno da génese, caraterísticas e processo evolutivo. A segunda parte é reservada ao estudo do caso, através da análise e tratamento dos dados e informação recolhidos com o trabalho empírico realizado, onde procedeu-se a aplicação de inquéritos por questionários aos residentes e aos visitantes, assim como entrevistas aos responsáveis do setor público, nas diferentes escalas. A investigação proporcionou a definição de uma estratégia de desenvolvimento turístico e permitiu concluir, por um lado, que o património cultural é o elemento principal a considerar na elaboração e prossecução dos planos de reabilitação urbana e de desenvolvimento turístico em cidades históricas e, por outro, que para a salvaguarda da cidade histórica do Dondo e melhoria das condições de vida dos seus residentes é fundamental a adoção de modalidades turísticas de base cultural que sejam alternativas à massificação. Para o cumprimento desses objetivos, importa que haja outra abordagem pública no sentido da promoção da intersetorialidade e de uma melhor articulação dos subsetores do turismo para o devido alinhamento entre a estratégia e a operação. A expectativa com a elaboração da presente tese é de contribuir para ajudar a solucionar constrangimentos atuais e posteriores por via da conjugação de valências mútuas dos setores do turismo e da cultura, perspetivando resultados satisfatórios multiformes. Espera-se acima de tudo que haja um novo entendimento no país sobre a cultura e o património cultural e a sua relação com a atividade turística.
Ciências Sociais
2,600
Turismo balnear e dinâmicas territoriais: casos de estudo - Praia de Mira e Praia da Tocha
Turismo Balnear,Tourisme balnéaire,Beach tourism
Os territórios do litoral oferecem um campo permanente para a investigação geográfica. Descrever as dinâmicas territoriais da paisagem litoral é descobrir as reações dos sistemas naturais à ação do ser humano, bem como, colocar em evidência a formação das complexas formas de vivenciar o espaço marítimo, de que somos todos herdeiros e dele fazemos parte. É neste contexto que pretendemos com este trabalho evidenciar a importância do turismo balnear nas dinâmicas territoriais de duas antigas localidades piscatórias, Praia de Mira e Praia da Tocha. Apesar de ser um fenómeno relativamente recente, as práticas turísticas têm uma história longa. No mundo helénico os homens livres realizavam viagens por terra e pelo Mediterrâneo, estimulados pela sua natureza curiosa e vontade de conhecer outras realidades, de forma a aumentar os seus conhecimentos, dedicando-se, ainda, à contemplação ociosa do mundo que viam. No império romano era comum o ócio entre os cidadãos, pois acreditavam e praticavam o descanso do corpo e da mente, imprescindível à produtividade no trabalho. Desde sempre que a ânsia de saber e conhecer constituía a principal motivação das deslocações, intensificando-se as viagens com fins diplomáticos e com objetivos educativos. Contudo, é nos séculos XVII e XVIII, com o surgimento do Grand Tour, que se encontra a génese do turismo moderno. Nesta época do Grand Tour já havia alguma organização no que respeita ao alojamento destes turistas. No último terço do século XVIII, começam a ganhar projeção as idas às praias. A novidade reside, agora, na conciliação entre as finalidades terapêuticas e higienistas das águas marítimas, do revigorante ar à beira-mar, com uma sociabilidade festiva, dominada pelo lazer. Em consequência da crescente pressão urbanística, antigas aldeias de pescadores são transformadas em estâncias de veraneio. A vista para o mar é o fator principal para a localização das casas de praia. Da necessidade ao desejo e gosto de estar em contacto com o litoral, a praia, o mar, o sol e todas as atividades que este espaço faculta, levou ao surgimento e desenvolvimento do turismo balnear, costeiro, de sol e mar. Este segmento turístico é constituído pelas atividades turísticas ligadas à recreação, entretenimento ou descanso em praias, num ambiente costeiro, explorando e usando os seus recursos naturais na tríade praia, sol e mar. Em Portugal o pioneirismo de veranear em praias deve-se à família real portuguesa, com a instalação da corte em Cascais durante o verão na segunda metade do século XIX, estando na origem do movimento percursor da moda do banho em Portugal e que viria a consolidar-se ao longo do século XX. Nos anos 60 e inícios da década de 70 o turismo nacional encontra um verdadeiro desenvolvimento. O boom económico dos países europeus, a massificação do uso do automóvel e as férias pagas são fatores que concorrem para o desenvolvimento da atividade turística em Portugal e do turismo balnear, em particular. Grandes empreendimentos turísticos são criados na costa algarvia, na Ilha da Madeira e nas praias da península de Tróia, bem como a construção dos aeroportos internacionais do Algarve e do Funchal. O território em estudo, não fica alheio a este fenómeno, sendo que também foi alvo de uma intervenção urbanística nos anos 50 do século passado, na localidade da Praia de Mira, a fim de dar resposta à crescente procura turística no lugar. Este território é caracterizado por uma elevada fragilidade física, onde todas as iniciativas para desenvolver o turismo balnear devem ser planeadas, avaliadas e monitorizadas de forma sistemática, a fim de evitar uma degradação paisagística e ambiental e, por outro lado, para não colocar bens e vidas em risco. Na Praia de Mira e a Praia da Tocha, do ponto de vista demográfico, é a população flutuante que apresenta maior dinamismo, sobretudo na Praia da Tocha. São lugares que surgiram e se desenvolveram pela exploração dos recursos marinhos, com um processo de crescimento demográfico contínuo, à custa de migrações internas, populações das proximidades, atraídas pelo seu desenvolvimento, sobretudo na década de oitenta do século passado na Praia de Mira e, uma década depois, um forte incremento populacional na Praia da Tocha. A expansão dos alojamentos nos lugares em estudo aconteceu segundo o ritmo de crescimento populacional, sendo que na Praia da Tocha foi onde o fenómeno mais se evidenciou. A população residente apresenta uma estrutura etária envelhecida. O arrendamento informal a veraneantes é uma prática comum. A época de arrendamento do imóvel a veraneantes na Praia de Mira acontece no verão, enquanto na Praia da Tocha também sucede fora do época balnear, ao longo de todo o ano. A reincidência do alojamento de uns anos para os outros é uma realidade muito forte na Praia de Mira, pois há uma tradição enraizada em arrendar os espaços de uns anos para os outros aos mesmos veraneantes. Na Praia da Tocha ainda se encontram ecos de um lugar com um passado de terra de pescadores sazonais e ocupação temporária pelos proprietários das residências secundárias, na época de verão. A estrutura etária dos veraneantes revela-nos também que a Praia de Mira é mais procurada por jovens e idosos e que a Praia da Tocha é frequentada maioritariamente por adultos. A Praia de Mira atrai mais estrangeiros do que a Praia da Tocha. A casa de férias é a razão principal dos turistas que frequentam a Praia da Tocha, pois são, na sua maioria, proprietários da mesma. É lugar de residências secundárias. A Praia de Mira tem mais e melhor disponibilidade e capacidade hoteleira do que a Praia da Tocha, bem como melhores estruturas para a prática de campismo. Enquanto a Barrinha é o recurso de referência para os veraneantes da Praia de Mira, os turistas da Praia da Tocha consideram os campos agrícolas das aldeias próximas, a segurança, a tranquilidade e a luz da praia como sendo os aspetos e referências que mais apreciam na localidade. São lugares onde o turismo balnear se instalou, moldou e alterou a organização do território, embora separados por uma distância curta, a evolução que apresentam mostra como a procura os diferencia e, sobretudo, a relação com o mar e agricultura os tem mantido social e economicamente diferentes.
Ciências Sociais
2,603
Vulnerabilidade e risco face à erosão costeira entre Aguda-Paramos : duas metodologias de análise
Erosão costeira,Factores de risco,Vulnerabilidade,Aguda-Paramos
Desde a década de 80, as questões relacionadas com a vulnerabilidade e o risco das áreas costeiras perante a intensificação do ritmo de recuo da linha de costa têm sido amplamente discutidas a nível mundial e nacional. Em Portugal e no mundo tem-se assistido ao desenvolvimento e aplicação de técnicas e métodos que permitam a obtenção de dados cada vez mais precisos sobre a evolução do sistema natural e do sistema antrópico, permitindo um ordenamento do território com maior sustentabilidade. No presente trabalho propõe-se a aplicação de duas propostas metodológicas, para analisar a vulnerabilidade e uma proposta de análise do risco, adaptadas aos dados disponíveis e à especificidade na faixa costeira situada entre Aguda (concelho de Vila Nova de Gaia) e Paramos (concelho de Espinho). Nestas propostas foram utilizadas as seguintes variáveis: altimetria, geomorfologia, variação da posição histórica da linha de costa (m/ano), condições de artificialização da linha de costa, tipo de ocupação do solo, número de habitantes, distância do edificado, tipo de estruturas rodoviárias e caminho-de-ferro, retracção da linha de costa em 50 anos e 100 anos e valor da superfície de terreno segundo o IMI. As variáveis resultaram da análise e vectorização da informação retirada através de cartas militares topográficas dos anos de 1970, 1993 e 1998, de fotografias aéreas de 1965 e 1967, de ortofotomapas de 1988, 2003 e 2005 e de levantamentos CAD e de terreno. O tratamento das variáveis e a avaliação da vulnerabilidade e do risco foram realizados com o Sistema de Informação Geográfica (SIG). A análise da vulnerabilidade e do risco partiu da aplicação dos índices aos segmentos costeiros em estudo, na qual se verificou que o sector I apresenta níveis moderados e elevados da vulnerabilidade e um risco moderado perante o recuo da linha de costa. No sector II toda a linha de costa apresenta níveis de vulnerabilidade e de risco elevados a muito.
Ciências Sociais
2,605
Análise da susceptibilidade, vulnerabilidade e do risco sísmico no concelho da Povoação (São Miguel, Açores), recorrendo a técnicas de cartografia automática
Sismo -- Ilha de São Miguel,sco sísmico -- Concelho da Povoação
O arquipélago dos Açores, ao longo dos seus mais de cinco séculos de história, tem sido palco de um conjunto de fenómenos naturais com origens diversas que em virtude da sua magnitude e dos impactes causados foram catastróficos para a população. Neste contexto, destaca-se a Ilha de são Miguel, localizada no grupo oriental do arquipélago, a qual foi afectada deste o seu povoamento no séc. XV, por diversas crises sísmicas, terramotos e erupções vulcânicas. É na Ilha de São Miguel que se insere o local de estudo a que se reporta o presente trabalho, o concelho da Povoação, um dos mais fustigados da ilha por catástrofes e calamidades naturais ao longo da história. Na génese destes acontecimentos estão as especificidades geográficas, geológicas, tectónicas e geomorfológicas. O trabalho engloba uma caracterização sumária do enquadramento geotectónico do Arquipélago dos Açores, onde o concelho da Povoação se enquadra, bem como uma caracterização sumária do concelho da Povoação no que se refere a aspectos gerais, nomeadamente aos diferentes enquadramentos, geomorfológico, tectónico, sísmico, uso dos solos, divisão administrativa, aspectos demográficos e vulnerabilidade do parque habitacional com o intuito de gerar um modelo de avaliação do risco sísmico recorrendo a cartografia automática. Numa segunda fase procede-se à apresentação dos principais sismos registados e documentados no último século, tendo-se optado por caracterizar em pormenor três dos eventos mais recentes, registados respectivamente nos anos de 1932, 1935 e 1952 que provocaram o pânico e semearam a destruição na maior parte das freguesias do concelho. Após a recolha dos dados necessário para inserir no modelo criado em SIG, procedemos à introdução dos dados e à sua ponderação de modo a poder obter uma carta de susceptibilidade sísmica da qual classificamos em quatro classes: Baixa, Moderada, Elevada e Muito Elevada. Noutra fase posterior, acrescentamos mais três variáveis ao modelo, no sentido de apurar a vulnerabilidade. Para tal, introduzimos ao modelo a variável uso dos solos, vulnerabilidade do edificado por freguesia, segundo a classificação de Gomes (2003) e a densidade populacional por freguesia. Dessa relação obtivemos quatro classes de vulnerabilidade: Muito Baixa, Baixa, Elevada e Muito Elevada. Assim sendo, da relação da carta de susceptibilidade com a carta de vulnerabilidade, obtivemos uma carta de risco sísmico para o concelho da Povoação, na qual pudemos concluir que as zonas urbanas são as de maior risco em detrimento das zonas agrícolas e pastagens. Convém referir que se recorreu à cartografia automática de Risco Sísmico, recorrendo para tal ao software Arcgis 9.2 ™, em que as ponderações atribuídas a cada variável são de carácter subjectivo, embora sejam fundamentadas com bibliografia.
Ciências Sociais
2,606
Mulheres e ambiente : a problemática da apanha de inertes na Ilha de Santiago (Cabo Verde)
Mulher -- Ilha de Santiago,Extracção de inertes -- Ilha de Santiago,Impacto ambiental -- avaliação -- Ilha de Santiago
Em Cabo Verde e, particularmente, na ilha de Santiago, a extracção clandestina de areias e cascalhos para a construção civil tem sido feita no fundo das ribeiras e nas faixas costeiras, de forma excessiva e sem plano de extracção e de recuperação das áreas degradadas. É, sobretudo, a mulher a responsável pela difícil tarefa da extracção clandestina de inertes, devido quer ao baixo nível de escolaridade, quer à ausência de formação profissional qualificada, à emigração maciça da população masculina, e ainda, a outros factores sociais e culturais, com destaque para a gravidez precoce e consequente necessidade de assumir um papel de chefe de família. Da análise dos inquéritos efectuados às pessoas que extraem clandestinamente os inertes, ficou bem expresso que cada vez mais os fundos das ribeiras e as faixas costeiras vêm afirmando a sua importância na economia das populações, principalmente das mulheres chefes de família afectadas pelo desemprego e situações precárias. Para além das mulheres chefes de família deparou-se também com crianças, idosos e alguns homens adultos, exercendo esta actividade, mas a tempo parcial. As primeiras por causa da escola, os idosos pela questão de saúde e da própria idade e os homens adultos por questão pessoais. À medida que aumenta a idade e a maturidade física e psicológica, os homens sentem receio ou mesmo vergonha de exercerem a actividade extractiva pela forte exploração a que são sujeitos, dado que se trata de uma tarefa difícil, perigosa e de baixo rendimento, onde os camionistas (homens) são os mais beneficiados, já que compram os inertes nos envolvidos da actividade extractiva e vendem-nos ao consumidor final, ao dobro do preço. Na análise dos impactes ambientais utilizaram-se as Matrizes de Interacção de Leopold, que permitiram identificar os impactes ambientais (negativos, positivos, pouco significativos, moderados e significativos) e avaliar a sua incidência espacial (local, regional e supra-regional) e o seu alcance temporal (temporário, longo prazo e permanente), bem como as principais ameaças para o desenvolvimento sustentável da ilha, caso as medidas mitigadoras não sejam adoptadas. Ressalta-se desta análise que os impactes negativos mais significativos resultam do processo extractivo.
Ciências Sociais
2,609
Turismo, património e desenvolvimento em ambientes de montanha : o exemplo do Piódão (Cordilheira Central)
Piodão -- turismo -- desenvolvimento,Ordenamento do território,Espaço rural -- desenvolvimento,Espaço rural -- turismo,Desenvolvimento local -- Piodão,Política de turismo -- Piodão
As políticas e as iniciativas da União Europeia para os espaços rurais conheceram nos últimos anos uma viragem muito acentuada. Depois de uma fase dominada por preocupações essencialmente produtivistas e economicistas, emergem as perspectivas territorialistas e ambientalistas, centradas na sociedade rural, que enfatizam a dimensão multifuncional da agricultura e do mundo rural, valorizam a especificidade e o potencial dos seus recursos (designadamente culturais e ecológicos) e assumem como prioritários os conceitos de sustentabilidade, subsidiariedade e parceria. Nesta atmosfera de mudança, o turismo e em particular os novos produtos destinados a captar segmentos específicos da procura turística e vinculados a uma maior exigência em matéria de planeamento e sustentabilidade da actividade turística, emergem como oportunidade para revitalizar os territórios de matriz rural, melhorar a qualidade de vida das populações, e valorizar os seus recursos mais relevantes (como o património). Os ambientes de montanha no âmbito da transição dos valores produtivos (ou de uso) para os valores de fruição da paisagem, e das preocupações no sentido de encontrar instrumentos adaptados às suas especificidades e articular as diferentes políticas públicas que interferem no seu desenvolvimento, configuram um interessante laboratório de análise destas tendências evolutivas. A Aldeia Histórica do Piódão (Serra do Açor/Cordilheira Central) é um exemplo relevante para analisar a implementação e os resultados das intervenções públicas neste domínio. Após uma contextualização geral deste micro-território de montanha (através de indicadores demográficos, económicos e sociais), explicitamos a construção do “Piódão turístico”, analisamos a participação e a percepção local no âmbito dos processos de mudança relacionados com a implementação de políticas públicas, e aprofundamos a análise em torno dos visitantes (através de um inquérito por questionário que permitiu conhecer as características dos inquiridos, a experiência e a dimensão da visita, e a sua percepção e avaliação da aldeia). A dimensão empírica da investigação pretende explicitar o modo como a turisficação e a patrimonialização podem contribuir para a revitalização do tecido económico e social, a requalificação territorial, a melhoria da qualidade de vida da população residente, e o reforço da capacidade local de atracção de visitantes, e assim contribuir para estruturar e implementar novas orientações para o seu desenvolvimento
Ciências Sociais
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Critérios de sustentabilidade da ocupação urbana : caso de estudo na cidade de Aveiro
Planeamento urbano -- Aveiro,Ordenamento do território -- Aveiro,Clima urbano -- Aveiro,Alteração climática -- Aveiro
A presente dissertação exprime um trabalho de investigação e de revisão em matéria de Clima Urbano, Ordenamento do Território e índices de conforto, nomeadamente através da análise dos conceitos, instrumentos de gestão territorial disponíveis, boas práticas e dados climatológicos. O estudo sobre o conforto térmico urbano é um importante indicador do impacto da ocupação urbana na alteração do microclima, podendo causar problemas referentes à saúde, qualidade de vida e ao consumo energético. Este trabalho visará contribuir para a preservação das condições de conforto térmico, num estudo de caso na cidade de Aveiro, tendo em conta a sustentabilidade. O Ordenamento do Território surge em força num contexto de resposta aos desafios da sustentabilidade. As cidades são uma matriz complexa de actividades e efeitos que exigem um planeamento sustentável e uma compreensão das suas relações e impactes ao nível local e global. Têm um papel importante na concretização de objectivos de várias estratégias e na solução para a sustentabilidade global. O clima urbano é a forma mais evidente de modificação climática inadvertidamente provocada pelo Homem. A ilha de calor urbana é um dos padrões térmicos mais evidentes do clima das cidades e ocorre praticamente em todo o Mundo. Existe um reconhecimento e consciencialização da importância de aderência a processos de sustentabilidade e um crescente efectivar do compromisso por parte das autoridades locais. As cidades europeias têm criado iniciativas inovadoras e diversas com vista ao desenvolvimento local sustentável. Contudo, há ainda um longo caminho a percorrer. A mobilização e envolvimento efectivo de agentes e cidadãos constitui um dos grandes desafios, tal como, a percepção de cada local como uma realidade única à qual os processos, embora assentes em princípios e fases metodológicas aprovadas, se devem adaptar.
Ciências Sociais
2,625
A transformação de um território-zona de conflito e as inerentes preocupações ambientais, de qualidade de vida e sustentabilidade : o caso da cidade de Estarreja
Planeamento urbano -- Estarreja,Espaço verde urbano -- Estarreja,Qualidade do ar -- Estarreja,Poluição -- Estarreja
Para a generalidade da população, habitar em aglomerados urbanos tem sido uma preocupação constante, no que diz respeito à qualidade de vida dos cidadãos e à sustentabilidade ambiental. A presença de espaços verdes urbanos é latente na minimização dos efeitos negativos do processo de urbanização, uma vez que, permitem e contribuem para melhores condições de habitabilidade, nomeadamente, a nível estético, na qualidade do ar, na redução dos níveis de ruído e na geração de condições micro-climáticas mais confortáveis. Actualmente, existe uma procura acentuada de espaços verdes por parte da população, como também, se constata ser uma crescente preocupação pela adopção de um planeamento urbano mais ecológico e sustentável, por parte das entidades e agentes locais. A presente dissertação tem como objectivo o estudo do papel dos espaços verdes na qualidade de vida das populações, e neste caso em concreto, da cidade de Estarreja. Para tal, foram efectuados registos de temperatura, quer através da colocação de sondas fixas em quatro pontos distintos, dentro e fora da cidade, quer através de percursos efectuados durante um determinado período, com uma sonda móvel. Nesta investigação, também foram elaboradas análises dos principais poluentes atmosféricos, incidentes nesta área de estudo. Hoje e futuramente, as áreas verdes são e serão, as principais responsáveis e detentoras, pela promoção de qualidade de vida da população e do ambiente.
Ciências Sociais
2,627
Turismo cultural e religioso no distrito de Coimbra : mosteiros e conventos : viagem entre o sagrado e profano
Turismo cultural,Turismo religioso,Turismo cultural -- Portugal,Turismo religioso -- Portugal,Património religioso -- concelho de Coimbra
A ideia central que presidiu à escolha do tema a abordar no presente trabalho foi estudar o Património religioso e cultural no distrito de Coimbra, que poderia ser aproveitado para fins turísticos e culturais através da elaboração de um possível roteiro turístico-religiosa, interligando o Turismo religioso com o Turismo Cultural, que incidiria no desenvolvimento local do distrito. Desde logo, decide-se destacar as igrejas, conventos, mosteiros, festas religiosas, etc., as mais interessantes e representativas do distrito da nossa ponte de vista, que poderiam contribuir para o desenvolvimento local deste. No presente trabalho, os objectivos fundamentais são: - Definir o Turismo Cultural e Religioso -Tentar perceber a provável ligação/relação entre a religião e o turismo - Reflectir sobre as origens, a história do Turismo Religioso - Interligar o Turismo religioso e Turismo cultural - Definir e Caracterizar o distrito de Coimbra a nível Geográfico - Fazer o inventário do património religioso do distrito - Considerar as igrejas com potencial turístico e cultural para o Desenvolvimento Local do distrito - Destacar e apresentar os Mosteiros e Conventos na zona estudada interligando o sagrado com o profano. - Elaborar um roteiro turistíco, cultural e religioso, misturando o religioso e o profano.
Ciências Sociais
2,628
O turismo e os territórios da espiritualidade : os caminhos de Santiago em Portugal
Turismo religioso,Caminhos de Santiago,Caminhos de Santiago -- Portugal
A indústria turística tem vindo a assumir um papel cada vez mais preponderante, traduzindo-se num crescente investimento, tanto pelas entidades públicas como privadas, em diferentes segmentos da actividade. Consequentemente, o interesse sobre a área, o desenvolvimento de estudos e investigações neste âmbito têm-se multiplicado. Além do mais, hoje, o turismo e a indústria a si associada são considerados como uma âncora de salvamento para uma economia que se assume cada vez mais instável. “O Turismo e os Territórios da Espiritualidade: os Caminhos de Santiago em Portugal”, constitui um trabalho de investigação, tendo como principal foco o Turismo, numa pesquisa entre a Religião, Espiritualidade, os Caminhos de Santiago e o caso particular de um dos percursos que liga Braga à cidade do Apóstolo mártir. No entanto, tem um carácter interdisciplinar, devido à proximidade com outras áreas de conhecimento, de forma a potencializar a inteligibilidade e a compreensão, não sendo uma pesquisa teológica, apesar da proximidade com a temática. Na área geográfica onde desenvolvemos o nosso estudo, o caminho a Santiago a partir de Braga, o turismo é considerado uma área em expansão e, ao que tudo indica, a actividade ali desenvolvida já apresenta sinais de crescimento, evidenciando impactos significativos, muito devido aos esforços desenvolvidos pelos órgãos de poder das regiões. No entanto, considera-se que no caso particular do Caminho a Santiago Português, por muitos esforços que já se tenham feito, a quantidade de órgãos com poder sobre ele não se uniram num esforço para alcançar em conjunto objectivos, acabando por cada órgão estabelecer as suas estratégias e prioridades até à fronteira do poder vizinho. Queremos dizer com isto que não existe uma consciência colectiva, e que muitas vezes as questões políticas acabam por ser barreiras ao desenvolvimento coerente e harmonioso, num caminho que devia ser visto como um só, e não dividido por fronteiras regionais ou municipais. Tudo isto também contribui para que haja uma fraca divulgação e conhecimento a respeito desta tradição e é neste sentido que esta proposta também pretende seguir.
Ciências Sociais
2,629
Expansão urbana e riscos naturais : o caso de Coimbra
Coimbra -- expansão urbana,Planeamento urbano -- Coimbra,Expansão urbana -- Coimbra,Risco natural -- Coimbra
O presente trabalho enquadra-se no Curso de Mestrado Dinâmicas Sociais e Riscos Naturais. Constitui um dos seus principais objectivos a promoção de maior integração da componente do risco no planeamento do território, nomeadamente das áreas mais dinâmicas em termos de expansão urbana. Considera-se que essa maior integração será melhor conseguida quanto melhores e mais sólidas forem as metodologias de análise. Numa primeira fase, o âmbito geográfico do estudo é o centro urbano de Coimbra, sendo analisado o seu espaço urbano sob o ponto de vista morfológico. Para além disso, também constitui motivo de interesse o modo como este espaço se expandiu no período 1985 – 2005, assim como a análise de dinâmicas futuras. Em consequência desta análise, foi delimitado um caso de estudo, uma área dinâmica sob o ponto de vista urbano e que, ao mesmo tempo, se apresentou como problemática em termos de riscos naturais, tendo-se evidenciado, numa fase posterior, o risco geomorfológico. Uma vez definido o caso de estudo procedeu-se à avaliação do Risco segundo a fórmula Risco Geomorfológico = Perigosidade * Vulnerabilidade. No entanto, com o evoluir do trabalho, revelou-se uma fórmula desadequada ao contexto em análise. Decorrente da evolução do trabalho e da recolha bibliográfica, avaliou-se segundo a seguinte fórmula: Risco Geomorfológico = Susceptibilidade * Vulnerabilidade (Vulnerabilidade social + Vulnerabilidade infraestrutural). Na última fase do trabalho, confrontou-se as zonas de maior risco, o espaço urbano e o zonamento do PDM, evidenciando-se algumas áreas problemáticas, para as quais se procurou definir formas de integração entre o risco e o processo de ordenamento do território e apontar algumas soluções .
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2,631
A paisagem cultural do Buçaco : a singularidade de um território turístico e de lazer
Mata do Buçaco,Paisagem cultural,Turismo -- Buçaco
O trabalho de investigação que se desenvolveu, foi realizado numa perspectiva de estudo caso, em que se abordou a paisagem cultural da Mata do Buçaco, como recurso fundamental para o desenvolvimento do potencial turístico da região. Fez-se um enqua-dramento geográfico do Buçaco a nível local e nacional e uma identificação clara e sumária do seu património existente. Pela análise das principais potencialidades elabo-radas, verificou-se a necessidade de apresentação de acções de desenvolvimento que potencializem a região entre elas a criação de um centro interpretativo numa corrente museológica. Fez-se também, uma articulação entre o Buçaco e outros lugares turísticos da Região Centro.
Ciências Sociais
2,632
Seia, onde tudo parece nada ... : o turismo como factor de desenvolvimento económico
Seia -- turismo
O Turismo tem-se transformado, neste final de século, numa das actividades económicas mais pujantes da nossa época. Estendeu-se a todos os cantos do mundo. Contribui para a criação de riqueza e melhoria do bem-estar dos cidadãos. Também em Portugal o sector conheceu um forte crescimento nas duas últimas décadas e a produção a ele associada coloca-o entre os mais importantes sectores da economia. O Turismo continua a não merecer dos poderes políticos a atenção e os cuidados que a sua importância e a sua dimensão exigem. Não é de estranhar, por isso, a luta pelo reconhecimento político do sector. O sucesso do Turismo garante-se através da atribuição de uma dimensão turística aos transportes, ao desenvolvimento regional, às infra-estruturas, ao ambiente e à cultura. Sem a criação de uma consciência colectiva assente no conhecimento aprofundado e com bases científicas, favorável ao Turismo, este terá sempre sérias dificuldades em se impor como actividade de corpo inteiro. Nos últimos dez anos alteraram-se as concepções de desenvolvimento turístico que passaram a ter como referência e valores fundamentais a sustentabilidade, a qualidade, a diferenciação e a diversificação. Assistiu-se à emergência de novos destinos, introduziram-se novas condições de concorrência, criaram-se novas modalidades de oferta, assistiu-se a um amplo movimento de reorganização empresarial, surgiram novas formas de exploração do transporte aéreo (baixo – custo) e os consumidores passaram a dispor de mais e melhor informação. De acordo com estes parâmetros pretendo analisar a evolução do Turismo, com especial incidência no Turismo de Portugal. A Serra da Estrela e o Concelho de Seia vão ser o meu estudo de caso
Ciências Sociais
2,633
No princípio estava o mar : Peniche : o património cultural, o turismo e o mar
Património cultural -- Peniche,Turismo cultural -- Peniche,Economia do turismo -- Peniche,Peniche -- recursos turísticos
Tendo como território de estudo a cidade de Peniche, o trabalho que aqui apresenta-mos pretende, através de uma abordagem ao fenómeno da actividade turística e ao conceito do Património enquanto recurso turístico, analisar algumas das potencialidades, ameaças e desa-fios dos recursos naturais e culturais existentes nesta cidade, com características muito pró-prias. Serão aqui objecto de atenção os Patrimónios Geomorfológico, Histórico edificado, Arqueológico Subaquático e Gastronómico. Foi nossa intenção a elaboração de uma investigação de inventariado dos principais recursos turísticos da região de Peniche, traçando algo que se pretende assemelhar a um pequeno roteiro turístico, com pontos de paragem obrigatória em monumentos religiosos e militares, na ilha da Berlenga, que possui uma variedade de ofertas no âmbito do Turismo de Natureza, nas Falésias do Cabo Carvoeiro e nas características Rendas de Peniche, também conhecidas por Rendas de Bilros. Analisaremos ainda as potencialidades das ondas de “classe mundial” das praias de Peniche para a prática do Surf e outros desportos náuticos, cujo desenvolvimento tem vindo a ser fortemente apoiado pela Câmara Municipal de Peniche, e o impacto deste turismo centra-do no Surf na economia local, no desenvolvimento do turismo regional e sua contribuição para um desenvolvimento sustentável.
Ciências Sociais
2,635
Espaços abertos : definição de conceitos e mapeamento : uma proposta metodológica para a classificação em áreas urbanas
Áreas urbanas -- classificação,Espaços abertos,Parques urbanos,Cidade -- Coimbra (Portugal),Cidade -- Curitiba (Brasil),Cidades
Ao longo dos séculos tem-se observado o crítico aumento das concentrações urbanas. Somado ao desenvolvimento pautado em modelos económicos que priotizam o lucro contra o bem-estar dos habitantes, os resultados são grandes Aglomerações humanas nas cidades e a degradação do ambiente natural. Sendo a urbanização um processo irreversível, estudos na área de Ecologia Urbana e Planejamento da Paisagem vêm buscando medidas e índices afim de melhorar o meio ambiente urbano. Nesse sentido, o presente trabalho propõe um conceito para a classificação dos espaços de integração humana nas cidades (de forma ambiental, social e econômica) e, mais especificamente, uma maneira de classificar os parques urbanos. A identificação e localização desses espaços em mapas nos ajudam no reconhecimento das áreas dentro do tecido urbano que não contam com essas estruturas ambientais e/ou cívicas e a partir daí é possível propor medidas para que sejam implantadas estruturas para suprir as necessidades da população. O conceito de “espaço aberto” que tem sua ramificação em espaços cívicos e espaços verdes mostrou-se bastante didático e de fácil aplicação. O enfoque desse trabalho foi o de, através do conceito de greenspace, classificar alguns parques nas cidades de Coimbra e Curitiba e, nesse primeiro momento, verificar a aplicabilidade do conceito.
Ciências Sociais
2,636
Política marítima europeia : uma política à medida de Portugal?
Economia marítima -- Europa,Economia marítima -- Portugal,Política marítima -- Europa
Sabemos que dois terços do planeta Terra são ocupados pelos Oceanos. Logo, é premente ocuparmo-nos deles da forma mais sustentável possível. E os “mares” foram desde sempre a seiva da Europa. Os europeus desde há muito tempo tiveram propensão para se libertarem do mare incognitum. Essa ousadia trouxe retorno económico, cultural e científico notáveis para a Humanidade. Os espaços marítimos e o litoral europeu, são essenciais para o bem-estar e prosperidade, ligam continentes através de rotas comerciais, regulam o clima, são fonte de alimento, de energia, e de inúmeros recursos (muitos ainda desconhecidos) e são também locais privilegiados de residência e lazer para os cidadãos. A Europa preconiza actualmente uma Política Marítima Integrada reflectindo e projectando a nossa relação com os oceanos e mares. Esta abordagem inovadora e holística reforça a capacidade da Europa face aos desafios da globalização e da competitividade, às alterações climáticas, à autonomia energética, à segurança marítima, entre outras. O leme da Política Marítima Europeia Integrada foi tomado, em 2005, pelo Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e está ancorada na Agenda de Lisboa (apela ao crescimento económico e emprego) e na Agenda de Gotemburgo (apela ao desenvolvimento sustentável – ambiental, económico e social). A nossa longa histórica marítima, a língua e cultura portuguesa, e, o facto de existir uma Estratégia Nacional para o Mar, em consonância com a Política Marítima Europeia Integrada, podem ser os factores-chave para Portugal concretizar um dos seus maiores desígnios para o século XXI – o Mar. Importa referir que é iminente o alargamento da zona económica exclusiva (equivalente a 43 vezes à área de Portugal Continental), e, caso seja aceite, teremos seguramente uma nova oportunidade de estar no centro do mundo. Esta investigação tem portanto, como objectivo, analisar a política marítima europeia e os seus desenvolvimentos em Portugal.
Ciências Sociais
2,638
O clima de Mangualde : contrastes topoclimáticos, efeitos bioclimáticos e aplicação ao ordenamento urbano
Clima -- Mangualde -- Portugal
Para o Futuro planeamento em Mangualde - O clima assume o seu carácter imprescindível no ambiente urbano. Não sendo sempre considerado, é um elemento em crescendo na sua importância. A realização desta dissertação privilegiou a percepção climática dos indivíduos, o enquadramento no Clima Regional, os contrastes termohigrométricos, o vento e o bioclima de dias específicos na cidade de Mangualde, onde a distribuição espacial foi imperativa. Destas prioridades surgiram na necessária interpretação das modificações da cidade e da sua progressão no futuro. Um ordenamento urbano eficaz para a cidade de Mangualde, obrigatoriamente passará pela compreensão do clima. As variações sazonais do clima proporcionam ambiências diferentes para as quais é necessário intervir e dar resposta. Nesse sentido, conhecer as normas climáticas foi imperativo, mas pela severidade do antagonismo climático, também os extremos e o seu estudo foram primordiais. Os contrastes termohigrométricos e do vento, sendo a base deste estudo, são sem dúvida, a sustentação do entendimento do clima à escala local. A ilha de calor urbano tem a sua primazia neste trabalho, bem como a de frescura, humidade e secura. O bioclima foi compreendido como essencial na sua relação com o espaço, observável para quatro dias escolhidos pelas suas características peculiares, onde a exacerbação da exposição humana demonstra toda a sua vulnerabilidade. O Clima de Mangualde é o contributo fundamental para o ordenamento saudável da cidade e para a qualidade de vida da população, que se quer cada vez melhor.
Ciências Sociais
2,639
Tecnologias de informação e turismo : e-tourism
Turismo,Tecnologias da informação,E-commerce,Internet,Sociedade
Esta dissertação tem como objectivo focar as alterações causadas nos serviços turísticos, devido ao crescimento da internet e o posterior surgimento das tecnologias de informação, bem como as mudanças na estrutura dos relacionamentos e estratégias da indústria em relação ao público. Será dada especial importância à implementação das mesmas nas áreas que compõem os serviços, com especial atenção para o comércio electrónico que vai se tornando cada vez mais importante para o sucesso dos intervenientes que prestão serviços ligados ao turismo.
Ciências Sociais
2,640
Arborização viária : avaliação e proposta de requalificação para a Cidade de Coimbra
Planeamento arbóreo,Arborização,Requalificação urbana -- Coimbra,Árvore -- meio urbano -- Coimbra,Arborização -- Coimbra
Neste estudo foi efectuado o inventário e a análise da situação actual da arborização viária de uma área com relativa representatividade da cidade de Coimbra. A cidade apresenta características interessantes em relação à posição geográfica, relevo, clima e histórico de ocupação. Neste trabalho foi delimitada uma área de 770 hectares, a qual foi inventariada totalmente. As árvores foram examinadas e cadastradas, sendo os dados levantados processados e analisados. Foram contabilizados 4064 indivíduos arbóreos, os quais se repartem por 33 famílias e 57 espécies diferenciadas. Este número de exemplares arborescentes não é muito representativo na área de estudo, pois para além de existirem muitas ruas sem arborização, por mero esquecimento ou descuido, também existe um elevado número de arruamentos que não permitem a sua implantação. A área de estudo encontra-se longe da arborização viária ideal, pois para além das referidas ruas sem arvoredo, nas que o possuem, este nem sempre se encontra bem estruturado e em boas condições. De modo a atenuar estas contrariedades, propõem-se algumas alterações e inserções de vários indivíduos arbóreos nas artérias coimbrãs. Para se chegar a esta proposta fizeram-se inúmeros estudos da área de estudo. Numa última parte deixam-se ainda algumas recomendações, muitas delas poderão ser adoptadas por outras áreas urbanas. Espera-se que este trabalho sensibilize e informe todos aqueles que o leiam, particularmente os responsáveis pela arborizações viárias.
Ciências Sociais
2,643
O Museu do Pão em Seia : uma iniciativa de desenvolvimento local com expressão nacional
Museu do Pão -- Seia,Desenvolvimento local -- Seia,Desenvolvimento sustentável -- Seia
A presente dissertação intitulada “O Museu do Pão em Seia: uma iniciativa de desenvolvimento local com expressão nacional”, surgiu pela necessidade imperiosa de perceber de que modo, esta iniciativa poderá contribuir e reforçar o processo de desenvolvimento sustentável ambicionado para esta região. Em Portugal, os espaços rurais de baixa densidade evocam a imagem de áreas distantes, pouco acessíveis, isoladas, marginais e pobres. Os novos paradigmas de ordenamento do território, num quadro de sustentabilidade, procuram a sua requalificação através da salvaguarda e valorização do património natural e humano, elementos-chave na afirmação desses espaços e no reforço da auto-estima das populações que, ainda, aí permanecem. Os espaços museológicos, em especial os de localização rural e de dimensão local, quase sempre, elementos de leitura do território, da sua história, dos seus modos de viver e da sua cultura, poderão constituir factores de uma rede coerente de estruturas, de recursos, de equipamentos essenciais no reforço de uma identidade e na emergência de uma relevância geográfica, com potencial atractivo. Para isso, torna-se necessário a sua afirmação enquanto estruturas dinamizadoras de acções culturais, como unidades didácticas e pedagógicas, sendo relevante a sua contribuição no estudo da história local, para deste modo contribuir eficazmente na rede de novos actores capazes de promover o desenvolvimento. O Museu do Pão teve na sua génese o propósito de dar a conhecer a História do Pão, desde as formas de cultivo, passando pelas técnicas tradicionais de moagem, produção e distribuição, as quais se encontram em vias de extinção. Incorporando, também, uma vertente pedagógico-didáctica, esta iniciativa de cariz local assume em termos geográficos uma expressão nacional atraindo milhares de visitantes. Assim, na tentativa de perceber de que forma este espaço museológico contribui para o desenvolvimento local procedeu-se à realização de um inquérito junto dos visitantes, cujos resultados foram analisados e, posteriormente discutidos recorrendo à Análise Factorial de Correspondências Múltiplas. Além destes dados foram recolhidas algumas entrevistas aos grupos a título exploratório. Esta investigação pretende esclarecer o modo como estes espaços ajudam a revitalizar o território, a melhorar a qualidade de vida das populações residentes, a reforçar a identidade local capaz de constituir um modelo de atracção turística e, assim contribuir para o desenvolvimento.
Ciências Sociais
2,644
Geografia física e ordenamento do território no Município da Baía Farta - Benguela (Angola)
Ambiente,Ordenamento do território -- Baía Farta (Benguela) -- Angola,Município da Baía Farta -- Benguela,Desenvolvimento sustentável -- Município da Baía Farta,Ordenamento do território -- Município da Baía Farta,Património natural -- Município da Baía Farta,Recursos naturais
A experiência acumulada nos últimos anos a nível internacional e nacional produziu uma nova consciência global acerca das implicações ambientais do desenvolvimento humano, traduzida por maior responsabilidade da sociedade como um todo. Os Estados devem definir políticas ambientais que correspondam a essa nova consciência global, com o objectivo não só de renovar ou utilizar correctamente os recursos naturais disponíveis, garantindo assim o desenvolvimento sustentado de toda a humanidade, como também de assegurar permanentemente a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. A identificação dos principais recursos naturais e principais condicionantes para o desenvolvimento do Município da Baía Farta, deve ser vista de diversas formas e circunscreve-se em análises para avaliar se as políticas governamentais postas em prática têm sido suficientes em função do Ordenamento do Território, já que tudo depende da forma como se organiza o espaço em prol dos objectivos que se pretendem alcançar. O problema da litoralização da população e actividades económicas não é novo, já que ligada aos antecedentes históricos da guerra a que Angola esteve sujeita, foi-se observando uma progressiva concentração da população ao longo da Faixa Litoral. Assim o estudo sobre o Município da Baía Farta representa, um percurso reflexivo e analítico dos constrangimentos e potencialidades de desenvolvimento em torno das diferentes teorias e práticas no concernente à problemática do Planeamento e Ordenamento do Território. O Ordenamento do Território afigura-se como a chave para a solução eficaz de muitos problemas que actualmente assolam Angola em geral, bem como a Província de Benguela e Município da Baía Farta em particular, nomeadamente em relação a ignorância aos riscos naturais na localização de actividades, mistura e sobreposição desordenadas de uso, acessibilidade da população aos lugares de trabalho, dificuldades territoriais no fornecimento de serviços públicos e equipamentos a população, aos conflitos entre actividades e sectores, ao desequilíbrio territorial, degradação ecológica, desperdício de recursos naturais, descoordenação entre organismos públicos da mesma categoria e entre níveis administrativos distintos. O tema é bastante relevante, visto que tem a ver com o diagnóstico do território, objecto de planeamento tendo em consideração a caracterização física, social e económica permitindo um estudo pormenorizado da região, através da observação directa, análise de mapas de diversos tipos, inquéritos, entrevistas, consultas de fontes bibliográficas, bem como a elaboração e análise de dados de natureza muito variada. Da análise dos inquéritos, depreendeu-se a percepção da população em função do sexo, idade, naturalidade, ocupação profissional, morada, grau de instrução e tempo de vivência ou de trabalho para as respostas mais significativas relativas a qualidade do ambiente, transformações recentes e impactes no turismo, ambiente, paisagem e emprego. Do estudo feito verificou-se que existe uma disparidade acentuada entre as Comunas Sede da Baía Farta, Dombe Grande e as Comunas da Equimina, Kalohanga e Orla Marítima Sul que se encontram num estado precário no domínio das infraestruturas sociais, carecendo de uma intervenção urgente em matéria de ordenamento do território; não obstante, a paralisação do parque industrial, o turismo deficiente, a ineficácia de fiscalização no ramo pesqueiro, a falta de técnicos qualificados, os riscos naturais com maior incidência para os riscos de inundação, seca e desertificação e a não implementação dos planos e programas por falta de verbas, constituem os principais problemas no Município da Baía Farta. Para se ultrapassar o quadro existente torna-se imprescindível, elaborar planos directores que visem recuperar e desenvolver todas as infra-estruturas de apoio ao desenvolvimento do Município da Baía Farta em geral, uma vez que em toda a sua extensão terrestre e marítima observam-se recursos naturais com grande potencial económico, bastando para o efeito promover o desenvolvimento dos sectores económicos e financeiros e a competitividade, bem como traçar estratégias para o desenvolvimento rural no concernente ao comércio rural revitalizado, repovoamento florestal, agricultura camponesa dinamizada e apoiada, apoiar o desenvolvimento do sector privado, pesca artesanal e o fomento das micro unidades industriais e investir mais nos recursos humanos, para o desempenho da função da gestão local e da prestação de serviços.
Ciências Sociais
2,645
Planeamento estratégico de marketing territorial e perspectivas de desenvolvimento na Região Autónoma da Madeira
Planeamento estratégico,Marketing territorial,Planeamento estratégico -- Região Autónoma da Madeira,Marketing regional -- Região Autónoma da Madeira,Desenvolvimento regional -- Região Autónoma da Madeira,Economia do turismo -- Região Autónoma da Madeira,Desenvolvimento regional,Turismo,Região Autónoma da Madeira,Ultraperiferia
Num contexto em que se assiste à crescente concorrência global entre os territórios pela captação de recursos susceptíveis de incentivar o desenvolvimento (investimentos, moradores, turistas, eventos, entre outros), o planeamento estratégico ancorado a uma perspectiva de marketing territorial assume-se como uma ferramenta de gestão territorial extremamente útil e actual no processo de constituição de uma imagem eficaz do território, de modo a que se torne mais apelativa para os públicos pretendidos. Face aos condicionalismos inerentes ao quadro de inserção territorial da Região Autónoma da Madeira (insularidade, ultraperiferia, descontinuidade territorial) e, em paralelo, às oportunidades de desenvolvimento que a mesma encerra, efectua-se um diagnóstico multi-sectorial e avalia-se a percepção dos residentes e turistas relativamente às dinâmicas de desenvolvimento, qualidade de vida e satisfação global do território. Num último momento avalia-se de que maneira a Região Autónoma, enquanto destino turístico de qualidade reconhecida, tem projectado os seus produtos turísticos e através de que canais é difundida a imagem da Região. Por fim, é valorizado um instrumento de planeamento, procurando avaliar em que medida o planeamento estratégico de marketing territorial poderá contribuir para estruturar o território internamente e o integrar em espaços mais vastos, através de acções que assegurem a satisfação dos cidadãos, investidores e visitantes.
Ciências Sociais
2,647
Pensar os territórios rurais : paisagem, planeamento e desenvolvimento em Sever do Vouga
Economia rural -- Sever do Vouga,Património cultural -- Sever do Vouga,Património natural -- Sever do Vouga
Os espaços rurais sofreram fortes transformações na estrutura socioeconómica e territorial, que conduziram à necessidade de (re) pensar os processos de desenvolvimento. Apesar da paisagem rural se caracterizar pela baixa densidade, actualmente distingue-se também pela diversidade funcional. O surgimento da multifuncionalidade rural lançou novas oportunidades de reabilitação de um mundo deixado à margem, relembradas nas potencialidades e recursos endógenos que estes territórios podem oferecer às suas populações e aos agentes externos. Por outro lado, a complexidade territorial de espaços que são heterogéneos, torna ainda mais relevante a necessidade da existência de um ordenamento e planeamento que seja sensível a esta característica, que responda às necessidades do território e das populações e que possa prever desafios futuros. O território de Sever do Vouga, sendo um espaço com características marcadamente rurais, tem a particularidade de se localizar numa faixa de transição litoral/interior e a vantagem de se inserir na dinâmica Sub-Região do Baixo Vouga. Este facto confere-lhe uma acrescida diversidade paisagística, manifesta em oportunidades de maior potencial socioeconómico e territorial, que tornam relevante o interesse no seu estudo. O trabalho a apresentar segue uma abordagem metodológica que se apoia no estudo de três dimensões territoriais. A paisagem, cuja análise de parâmetros permitirá adquirir um conhecimento territorial contributivo na identificação das potencialidades e das fragilidades que, por sua vez, podem favorecer ou comprometer o desenvolvimento. O planeamento, em que através da confrontação entre as medidas planeadas e executadas se poderá avaliar o alcance do seu nível de adequação ao território. O desenvolvimento, que servirá para analisar as opções seguidas na implementação das políticas de desenvolvimento rural. Pretende-se que o resultado comprove que, o profundo conhecimento do território, obtido do estudo da paisagem, e a reflexão sobre o impacto de acções de planeamento e desenvolvimento passadas, são fundamentais no processo de melhoria contínua da escolha das opções futuras e do caminho a seguir na definição de estratégias que melhorem a qualidade de vida do mundo rural.
Ciências Sociais
2,649
O contributo das iniciativas comunitárias para o desenvolvimento do território : o caso do Município de Oliveira de Azeméis
Cooperação económico internacional,Desenvolvimento regional -- Oliveira de Azeméis,Fundos comunitários para a cooperação -- Portugal,Desenvolvimento do território -- Portugal
O tema central desta dissertação está relacionado com a importância das iniciativas da União Europeia para a promoção do desenvolvimento dos territórios e das populações. No contexto de Portugal, enfatizamos os Programas Operacionais Regionais e a sua implementação no concelho de Oliveira de Azeméis, no período 2000-2006 e 2007-2013. A política regional europeia assenta nos princípios orientadores de coesão, competitividade e cooperação territorial, e pretende reduzir as importantes assimetrias económicas, sociais e territoriais que ainda existem entre as regiões da Europa. Neste contexto, a dimensão territorial assume relevância na última década, no contexto do alargamento da União Europeia, de tal maneira que o Tratado de Lisboa a reconheceu como terceira dimensão da coesão. A política regional (financiada através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, Fundo Social Europeu e Fundo de Coesão) é a expressão da solidariedade da União Europeia com os países e regiões menos favorecidos, que se manifesta através de programas integrados e, de forma complementar, é reforçada através de outros instrumentos para a promoção do desenvolvimento, orientados para domínios de intervenção específica como, por exemplo, os programas de iniciativa comunitária relacionados com o desenvolvimento rural (LEADER), as regiões de fronteira (INTERREG) e as áreas urbanas degradadas (URBAN), entre outros. No caso de Portugal, identificamos e caracterizamos a estrutura e as ferramentas para promover o desenvolvimento do território nacional, em articulação com a União Europeia, e enfatizamos o modo como o nosso país respondeu às orientações estratégicas da União Europeia, nomeadamente no que diz respeito aos instrumentos de desenvolvimento territorial e sua articulação com a política regional. Em relação ao município de Oliveira de Azeméis, analisamos com base na Subregião do Entre Douro e Vouga, as suas dinâmicas demográficas e socioeconómicas, acessibilidades e caracterização física. A partir da análise da cidade de Oliveira de Azeméis, pretendemos explicitar a importância dos Quadros Comunitários na Região Norte e as intervenções apoiadas pelos Programas Operacionais Regionais, no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio III (2000-006) e Quadro de Referência Estratégico Nacional (2007-2013).
Ciências Sociais
2,652
Downhill urbano em Portugal : dimensão desportiva e potencialidades turísticas
Turismo urbano,Ciclismo
Nas relações entre o turismo e os espaços urbanos verifica-se um elevado grau de competitividade entre destinos, materializando-se numa intensa procura de elementos diferenciadores, no sentido de aumentar a capacidade de atracção de determinado território. Neste sentido, o valor e a qualidade dos produtos e ofertas turísticas assentam na sua capacidade de atracção de fluxos, onde o turismo relacionado com os eventos desportivos cada vez mais se afirma como um mercado bastante apelativo ao nível da captação de fluxos, quer na dimensão da prática desportiva, quer no domínio dos espectáculos desportivos. As oportunidades advindas dos eventos fomentam potencialidades a vários níveis, desde a sua capacidade de criação de desenvolvimento socioeconómico para os territórios, às diferentes experiências providenciadas aos turistas/visitantes. Além dos efeitos positivos ao nível dos destinos, os eventos desportivos podem ser vistos como elementos estruturantes do sector turístico de um determinado território, permitindo despertar o consumo de diferentes produtos turísticos na mesma ocasião, bem como “vender a cidade” de diferentes formas. Num contexto de dinamização e desenvolvimento de novos mercados e ofertas, emerge o aproveitamento dos eventos de Downhill Urbano, onde a afinidade entre este tipo de provas e o património dos locais de realização das mesmas, se assume como um elemento basilar, com a capacidade de aumentar exponencialmente as suas potencialidades, não só ao nível da promoção e valorização da riqueza patrimonial, como também num contexto de educação patrimonial, na medida em que estimula uma aproximação efectiva entre o público e o património, despertando deste modo uma ligação bastante positiva entre um desporto radical, o património histórico e os espectadores. O enfoque desta dissertação no Downhill Urbano procura evidenciar as potencialidades turísticas de uma disciplina do ciclismo com génese em Portugal, no sentido de estimular novas linhas de desenvolvimento e crescimento de dinâmicas que fomentem um turismo inteligente, consciente e acima de tudo sustentável, com a capacidade de criar valor junto do mercado, e por conseguinte demonstrar a criatividade do sector em promover as mais-valias dos territórios, providenciando novas matrizes de desenvolvimento turístico.
Ciências Sociais
2,653
Museus e turismo na Serra da Estrela
Património cultural -- Serra da Estrela,Turismo cultural -- Serra da Estrela,Museu -- Serra da Estrela
A crescente importância económica e social da actividade turística revela também um conjunto significativo de mudanças qualitativas como a segmentação, as novas escolhas geográficas, o planeamento, entre outras. Estas são acompanhadas de importantes alterações ao nível do comportamento dos turistas, que são cada vez mais activos, participativos, exigentes, e informados. Os espaços museológicos configuram espaços de lazer por excelência, referenciados e publicitados por todas as regiões com actividade turística significativa. A observação directa do fenómeno e os investimentos públicos e privados neste tipo de espaços motivou o interesse em investigar a relação existente entre os espaços museológicos e o turismo. Ao mesmo tempo, importa problematizar a distribuição turística e o seu novo paradigma de intermediação, no sentido de chamar a atenção para a importância da construção de uma cadeia de valor do turismo que potencie ao máximo o sucesso dos destinos. As orientações estratégicas de planeamento e desenvolvimento do turismo nacional e local, baseados em pilares como a sustentabilidade ambiental e económica, lazer e cultura, indicam que as regiões de Portugal, como a Serra da Estrela e o seu Pólo de Desenvolvimento Turístico, devem incrementar os seus recursos em efectivos produtos turísticos. A exploração massiva do Alto da Torre através do produto neve, não garante procura durante todo o ano, e nesse sentido é necessário garantir oferta turística e de lazer de qualidade suficiente para atrair uma nova procura, com motivações e necessidades diversificadas, tal como a fragmentação, hedonismo, fortes níveis de informação e conhecimento caracterizadores dos indivíduos da era pós-moderna. A presente investigação, no referido contexto de análise da relação entre os museus e a actividade turística, aparece centrada em dois casos de estudo na Serra da Estrela (Cordilheira Central), o Museu do Pão (Seia) e o Museu de Lanifícios (Covilhã), e permite conhecer o perfil do visitante de museus nesta região, as suas motivações, opiniões, consumos e percursos em torno dos espaços museológicos e dos seus quadros geográficos de relação.
Ciências Sociais
2,655
Contributo da climatologia para a sustentabilidade urbana : o caso da Figueira da Foz
Climatologia urbana -- Figueira da Foz
À escala do topoclima urbano intervêm diversos factores, tais como a densidade de construção e o grau de impermeabilização do solo, a morfologia urbana, a topografia, a vegetação e a proximidade a importantes massas de água, responsáveis não só por contrastes térmicos e higrométricos espaciais, mas também com efeitos nos campos de vento. Em cidades de média dimensão, cujo povoamento urbano se insere num contexto morfológico mais ou menos acidentado, mesmo no litoral, a topografia é, frequentemente e em interacção com os demais factores, o factor preponderante. É o que se verifica na nossa área de estudo, a cidade da Figueira da Foz, onde a Serra da Boa Viagem, o oceano Atlântico e o estuário do Mondego, contribuem para um quadro topoclimático muito específico e contrastado. Tendo como objectivo a investigação dos contrastes topoclimáticos em espaço urbano e peri-urbano, efectuaram-se várias campanhas de observação de temperatura, de humidade relativa, e de direcção e velocidade do vento, complementadas com os dados obtidos por uma rede urbana de termógrafos em abrigo o que, em conjunto, permitiu observar os campos termohigrométricos, na sua diversidade espacial e variabilidade temporal, intra e interdiurna. Após a compreensão das principais características do padrão topoclimático desta área litoral, onde o “jogo” entre os sistemas atmosfera – oceano – superfície terrestre é influenciado pela cidade, identificaram-se e definiram-se as unidades de resposta climática homogénea (climatopos), para as quais se propuseram algumas orientações climáticas numa lógica de melhoria da sustentabilidade urbana na Figueira da Foz.
Ciências Sociais
2,656
Turismo fluvial no Douro : rio, caminho de ontem atracção de hoje
Turismo -- Rio Douro
Actividade em crescente expansão em Portugal e no mundo, o turismo fluvial surge como um produto dinamizador de cursos de água e de territórios adjacentes. Com um desenvolvimento notável em alguns dos principais rios mundiais, esta actividade tem ganho, igualmente, visibilidade no rio Douro que, nas últimas décadas, tem visto embarcações animarem o seu percurso e respectivas margens. No presente trabalho propomo-nos a estudar a evolução do turismo fluvial no país e no mundo através da sua contextualização geográfica e da análise da oferta dos mais reconhecidos operadores marítimo-fluviais. Numa abordagem mais específica, incidiremos sobre a forma como este produto tem vindo a desenvolver-se na região do Douro com o intuito de contribuir para um maior conhecimento dos reais impactos neste território.
Ciências Sociais
2,657
Reincidência de incêndios florestais no distrito da Guarda : factores desencadeantes e consequências ambientais da manifestação do risco dendrocaustológico
Incêndio florestal -- distrito da Guarda,Risco de incêndio -- distrito da Guarda
O nosso país tem sido, ao longo das últimas décadas, fustigado por numerosos incêndios florestais. A área ardida tem vindo a aumentar consideravelmente, sendo o país do Sul da Europa Mediterrânea com a maior percentagem de área queimada. Quando se examina a distribuição geográfica das áreas ardidas, em termos de NUT’s II, a Região Centro tem sido a mais flagelada por estes acontecimentos. A uma escala mais pormenorizada, o distrito da Guarda representa, de igual forma, uma das áreas mais afectadas pelas chamas, motivo pelo qual centramos este estudo nessa área. O início e a evolução de um incêndio dependem da influência das condições atmosféricas, da topografia, da vegetação, entre outros, os quais, compõem o chamado piroambiente (define-se pelos factores que determinam o início de um fogo, as suas características físicas e propagação na paisagem). Os diversos factores envolvidos interagem de forma complexa e variam no espaço e/ou no tempo. A propensão desta área ao fogo é agravada por factores socioeconómicos e conjunturais que, por acção ou omissão, têm facilitado a ignição e a propagação do fogo na paisagem. Achámos pertinente a elaboração deste estudo para tentarmos perceber o elevado número de ocorrências de incêndios florestais, assim como de área ardida na área de estudo. A inter-relação entre diversos factores de natureza física, tais como, por exemplo, geomorfologia, climatologia, hidrologia e pedologia, com factores de natureza antrópica, nomeadamente as susceptibilidades da área de estudo aos incêndios florestais, que decorrem, essencialmente, da falta de gestão do espaço florestal, a qual, por sua vez, é consequência das profundas transformações que a sociedade portuguesa viveu na última metade do século XX, constituem um assunto de elevado interesse científico. Pretende-se assim, efectuar uma análise diacrónica da manifestação do risco dendrocaustológico na área de estudo, no período compreendido entre os anos hidrológicos de 1980/81 e 2009/10. Após a ocorrência de incêndios florestais, surgem, entre outras, preocupações ambientais, algumas das quais se traduzem em mudanças na ocupação do solo, sendo possível estabelecer diversas formas de evolução da paisagem. Por isso, o trabalho de campo efectuado para a realização deste estudo, incide na observação da regeneração da vegetação ao longo do tempo, após os incêndios florestais. Deste modo, com o presente estudo procura-se contribuir para uma melhor compreensão das diversas interacções que contribuem para o risco de incêndio florestal, assim como, se deseja transmitir a nova paisagem que, progressivamente, vai ganhando terreno após a passagem dos incêndios florestais.
Ciências Sociais
2,659
Evolução das "barras" no sistema lagunar da Ria Formosa : a barra da Fuseta como caso de estudo
Barra -- Fuseta,Ria Formosa
As “barras” no sistema lagunar da Ria Formosa deslocam-se para leste e, no caso da “barra” da Fuseta, essa migração é rápida e de uma forma não linear. Tal fenómeno tem sido atribuído à deriva de oeste para leste, à alternância entre a deriva de oeste para leste com o levante, ao aquecimento global e até a temporais que potenciam a erosão com consequente transporte de sedimentos no litoral. Porém, esta explicação muito geral deixa várias questões por responder, a primeira porque razão migra a barra para leste com uma velocidade tão variável. A segunda grande questão prende-se com o facto que durante a migração, a barra quando chega ao Livramento, abranda e abre uma nova barra na praia da Fuseta, onde já tinha estado antes de 1950. Têm de existir outros factores, que alterem os agentes e os processos morfogenéticos, que expliquem de uma forma cabal e pormenorizada a migração para leste da barra, a seu carácter inconstante e a peculiar característica de ciclicidade. Este trabalho de investigação vai explorar para além das derivas oceânicas, da acção dos temporais e do aquecimento global outros aspectos e características da paisagem tais como a litologia, a tectónica, a morfologia da laguna, o clima e por fim a hidrografia, marinha, cársica, lagunar e fluvial. Pretende ser uma análise integrada da superfície terrestre da Fuseta e assim poder dar respostas mais detalhadas a este singular caso de evolução morfossedimentar do litoral da praia da Fuseta. Palavras chave: evolução morfossedimentar, laguna de maré, laguna estuarina, deriva litoral, saída para o mar, barra, canal de enchente, canal de vazante, bacia hidrográfica, meandro de vazante, geomorfologia cársica e erosão laminar.
Ciências Sociais
2,661
Turismo Termal em São Pedro do Sul
Desenvolvimento,Termalismo,Turismo,Turismo de Saúde e Bem-estar,Termas de São Pedro do Sul
Com o título de “Turismo Termal em São Pedro do Sul”, a presente dissertação visa apresentar alguns aspetos sobre o termalismo em São Pedro do Sul. Com o intuito de contextualizar o objeto de estudo deste trabalho, começa-se por falar do percurso histórico do termalismo desde a antiguidade, que decorre desde o ano 2400 a.C. quando o estudo da água como agente terapêutico teve inicio. Com a civilização grega surgiram os banhos públicos em 500 a.C., fazendo parte dos costumes relacionados com o embelezamento e cuidados com o corpo. Mais tarde os romanos deram continuidade à prática dos banhos, mas estes davam mais importância ao cenário onde as termas eram construídas. O império romano construiu diversos balneários munidos de instalações como piscinas, banhos, estufa, sala de massagem, etc.. Na idade média surge a proibição dos banhos por parte da igreja católica, pois esta abulia por completo as termas. Mais tarde o turismo começa a apresentar novos aspetos, pois no século XVI começa-se a notar cada vez mais frequência termal. Com o desenvolvimento das infraestruturas termais foram cada vez mais procuradas por classes sociais mais elevadas. No século XIX a ida às termas é feita pela corte, realeza e burguesia, funcionando como um espaço de encontro social. No final do século XX o turismo de massas intensifica-se e aparece o turismo de saúde e bem-estar que conjuga os tratamentos curativos nas termas, o repouso físico e psicológico com o relaxamento e tratamento estético. Também Portugal sofreu vários períodos de ascensão e decadência, mas aas estâncias começaram a recuperar o seu dinamismo a partir da variada oferta que possuem tanto na componente terapêutica como de turismo de saúde e bem-estar. Seguidamente, analisa-se alguns aspetos relativos às termas de São Pedro do Sul. As termas em questão são um importante fator de desenvolvimento local da região, sendo o motor económico do concelho. Os números de aquistas têm-se mantido relativamente equilibrado nos últimos anos. Por ultimo analisa-se os questionários realizados aos consumidores das termas de São Pedro do Sul, que têm como principal objetivo analisar o seu perfil, ver qual o tipo de termalismo que é mais requisitado por parte destes e saber alguns aspetos adicionais relacionados com a sua estada nas termas e serviços termais. Palavras-chave: Desenvolvimento; Termalismo; Turismo; Turismo de Saúde e Bem-estar; Termas de São Pedro do Sul.
Ciências Sociais
2,662
Ambiente urbano: contrastes térmicos e higrométricos espaciais em Aracaju-Sergipe (Brasil)
Clima urbano,Ilha de Calor,Aracaju,Urban climate,Heat Island
O presente trabalho teve como objetivo analisar os contrastes térmicos e higrométricos espaciais, à escala topoclimática, no espaço urbano e periurbano da cidade de Aracaju. Neste estudo encontrou evidências significativas de contrastes topoclimáticos no espaço intraurbano, o que leva a fortes indícios de ocorrência da ilha de calor nesta cidade. Isto foi possível mediante o confronto dos dados de temperatura e umidade relativa entre as estações meteorológicas urbanas do Parque da Cidade (PC), do Centro da Cidade (CC) e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) com a estação meteorológica da INFRAERO (INFRA) localizada no Aeroporto de Santa Maria, de caráter mais periurbano. Além deste, do confronto de dados oriundo dos pontos de observação, distribuídos em vários pontos da cidade através do transecto móvel. Durante o segmento temporal da investigação, tornou-se notório a diferença térmica e higrométrica entre a área urbana e periurbana, em que as frequências relativas de ocorrência de diferenças de temperatura máxima maiores que zero (%>0), superaram os 96% no centro cidade. A ilha de calor do centro em seu ritmo intradiurno foi mais intensa, em que os valores das %>0 situaram-se por volta dos 100% durante os finais da manhã até parte da noite. Em contrapartida, o núcleo mais quente durante o final da noite, madrugada até o início da manhã passou a ser PC-INFRA, nos quais os valores foram superiores a 50%, porque no período curto da manhã foi quando o INMET-INFRA ultrapassou os 50% e tornou-se o mais quente. Foi possível notar no campo térmico ilhas de calor de fortes magnitudes, onde chegaram a 7,5ºC em contraste com a área envolvente, enquanto ao campo higrométrico foram mais acentuados, com diferenças de 20%. Além disso, a morfologia urbana e os contrastes topoclimáticos estão extremamente relacionados. Particularmente às elevadas temperaturas associadas à ilha de calor podem ser indesejáveis para a saúde ao interferir no conforto bioclimático humano e sobre os efeitos econômicos atribuídos ao aumento do consumo de energia para o resfriamento dos edifícios Neste sentido, a fim de estudar o desenvolvimento do clima urbano de Aracaju, uma nova rede urbana de instrumentos meteorológicos devem ser tomados em consideração, devido à ausência de qualquer histórico de registros de temperatura e umidade relativa em áreas industriais, no centro da cidade ou em parques verdes. Uma rede articulada de estações meteorológicas urbanas seria uma oportunidade para compreensão de vários fenômenos climáticos e de seus efeitos sobre a população.
Ciências Sociais
2,663
O cinema na construção e promoção de territórios turísticos : a imagem do rural no cinema português
Cinema,Turismo Criativo,Turismo Cinematográfico,Representações sociais,Espaço Rural
O setor do Turismo tem sido alvo de grandes desenvolvimentos nas últimas décadas e hoje em dia é um dos poucos a conseguir resistir, revelando valores positivos, perante a conjuntura económica menos favorável pela qual estamos a atravessar. O mercado turístico é extremamente competitivo, o que faz com que os agentes responsáveis pela promoção dos destinos, tenham que estar atentos e que criem novas estratégias de divulgação dos territórios. Isto porque, os turistas estão cada vez mais exigentes, informados e as suas decisões tendem a ser individualizadas, o que marca um afastamento da oferta massificada que tantas vezes se sente no turismo. O facto das fontes utilizadas na promoção dos destinos e do turismo serem cada vez mais difusas e multifuncionais, também desempenha um papel importante na atual situação do setor. É neste sentido, que o cinema se integra nesta investigação. Por um lado, surge como condicionador da imagem dos territórios – ao estar associado a estratégias de marketing territorial; e por outro, o cinema como construtor de territórios turísticos – uma vez que cria fluxos turísticos em territórios que aparecem no ecrã e é uma tipologia que vai ao encontro das novas tendências do setor, como o turismo criativo. Esta tipologia de turismo encaixa-se na tentativa da inovação da oferta e da fuga à massificação, pois permite aos turistas o desenvolvimento das suas capacidades criativas, integrando-os em atividades que vão além da observação passiva de um lugar ou objeto. A componente prática do documento consiste na análise de duas obras cinematográficas portuguesas, realizadas no meio rural. O que se pretende averiguar são as representações sociais associadas ao espaço rural português.
Ciências Sociais
2,665
Avaliação Ambiental Estratégica dos Planos Municipais de Ordenamento do Território da Região Centro
Avaliação Ambiental Estratégica,Planos Municipais do Ordenamento do Território
A Avaliação Ambiental Estratégica consiste num instrumento de política ambiental que visa a garantir a qualidade, proteção e valorização do ambiente promovendo assim, a sustentabilidade. Esta gestão ambiental vai contribuir para a deteção de problemas ambientais antes mesmo da implementação do plano. Neste sentido, os planos e os programas, ainda em fase de elaboração, são alvo de uma avaliação com diferentes variáveis para que no final o impacte no ambiente seja o mínimo possível.
Ciências Sociais
2,666
A baixa densidade rural num contexto geográfico de fluxos e permanências:atores locais, tempos e redes. O exemplo de Foios (Sabugal)
Rural,Fluxos,Permanências,Atores locais,Tempos,Redes
Esta dissertação aborda os espaços de baixa densidade de matriz rural num contexto geográfico de fluxos e permanências, pelo estudo dos atores de intervenção local, respetivas temporalidades e territorialidades.
Ciências Sociais
2,667
Dinâmicas Territoriais em Albergaria-a-Velha
Dinâmicas Territoriais,Geografia
O território português passou por fortes e profundas transformações nas últimas décadas. As mudanças ocorridas no país atingiram diversas áreas, tanto no que se refere a características imateriais, ao nível da cultura ou modo de vida, como da estrutura do território e características demográficas. Estas mudanças implicaram alterações substanciais na forma como a população se distribui no território e consequentemente na organização do espaço. A geografia, enquanto disciplina de síntese, afigura-se como fundamental na compreensão holística dos novos fenómenos territoriais, tornando-se peça fundamental na sua compreensão e na procura de novas soluções de ordenamento e planeamento que permitam a identificação das potencialidades e fragilidades do território, a sua coesão, a mitigação dos fenómenos de segregação espacial e funcional, tendo como objetivo o desenvolvimento do território. Esta dissertação, sob o tema “Dinâmicas Territoriais em Albergaria-a-Velha”, procura contextualizar, em primeiro lugar, o concelho de Albergaria-a-Velha na região envolvente, em particular na Região Centro e na sub-região do Baixo Vouga, através do enquadramento espacial, económico, demográfico e habitacional. De seguida, efetua-se uma sucinta caracterização do território concelhio, através da descrição das suas componentes biofísicas, do enquadramento dos seus instrumentos de planeamento, e de uma breve síntese histórica, assim como da dinâmica demográfica e habitacional. Esta reflexão abarca um período cronológico definido, entre 1991 e 2011, permitindo assim obter uma perspetiva de evolução do território. Por último, foi definida uma área de estudo, que corresponde quase na sua totalidade à freguesia de Albergaria-a-Velha. Após a devida caracterização territorial, descreve-se a evolução da sua malha urbana e a localização das suas principais atividades económicas, partindo, de seguida, para uma análise mais profunda das suas características demográficas e habitacionais, utilizando para tal o nível de desagregação máxima permitida, a subsecção estatística. Esta análise foi efetuada, de novo, tendo por base o período entre 1991 e 2011.
Ciências Sociais
2,668
Contributo dos espaços verdes para o bem-estar das populações - Estudo de caso em Vila Real
Geografia da saúde,Saúde
A saúde é definida pela OMS como estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença ou incapacidade, enfatizando assim a importância da saúde para a realização plena da vida humana. Os Espaços Verdes Urbanos (EVU) revelam-se cada vez mais importantes na melhoria da qualidade de vida, promovendo estilos de vida saudáveis e contatos sociais com impactes positivos na saúde física e mental. Há, pois, uma relação inequívoca entre a qualidade de vida, bem-estar das populações e qualidade ambiental; neste contexto, os EVU são hoje considerados como elementos fundamentais à saúde e bem-estar das populações. O presente trabalho desenvolve-se na cidade de Vila Real e pretende estudar dois EVU - o Parque do Corgo e o Parque Florestal – com o principal objetivo de perceber a relação entre os EVU em estudo, o bem-estar e a qualidade de vida das populações frequentadoras destes espaços, avaliando os benefícios destes espaços e a forma como estes se integram na cidade. Recorrendo a grelhas de observação e inquéritos realizados à população utilizadora destes EVU, espera-se obter um conjunto de resultados que revelem a sua importância no contexto urbano em que se integram e sugiram ações e estratégias adequadas à maximização dos seus benefícios.
Ciências Sociais
2,669
Intervenção no espaço canal da linha da Lousã. Novas lógicas de construção de espaços de fruição no espaço urbano de Coimbra.
Corredores verdes,Estrutura ecológica,Parque Verde do Mondego -- Coimbra,Greenway,Ecological structure
A qualidade de vida, hoje em dia, é cada vez mais um factor competitivo para as cidades, pois mais necessário do que dotar a sua população do acesso a bens, serviços e equipamentos, é necessário criar condições para que de uma forma sustentável no futuro a população continue a ter acesso a esses espaços. A pressão urbanística de que as cidades têm vindo a ser alvo é outro factor que leva a que haja interesse por parte dos responsáveis pelo ordenamento e planeamento do território no sentido de encontrar soluções que visam melhorar a qualidade de vida da população urbana. A forma que se verifica mais viável para resolver muitos dos problemas é através da criação de espaços verdes lineares contínuos e multifuncionais, denominados de corredore verdes. Após ser feito um enquadramento do ponto de vista teórico, é estudada a possibilidade de implementação de um corredor verde na cidade de Coimbra, com o principal objectivo de oferecer à população espaços que podem ser utilizados para variados fins, tendo em conta o conceito de multifuncionalidade associado aos corredores verdes. Recreio e lazer, deslocação da população por modos suaves, com o objectivo de diminuir o tráfego motorizado, são apenas alguns dos objectivos deste estudo. De certa forma, aliviar os impactes ambientais negativos que por muito nos custe admitir, se fazem sentir actualmente nas cidades. Por outro lado, trata-se de dinamizar um espaço que se encontra actualmente abandonado, outrora uma linha de caminho de ferro que servia a cidade de Coimbra e localidades limítrofes.
Ciências Sociais
2,670
Ensaio metodológico sobre a importância da modelação espacial da sinuosidade rodoviária para apoio à decisão no ataque inicial aos incêndios florestais: o exemplo da serra da Lousã
Incêndios Florestais,Sinuosidade rodoviária,Tempos de deslocação,Ataque Inicial
Os espaços de montanha são, sem sombra de dúvida, um marco no território nacional, representando cerca de 20% do espaço continental (P. CARVALHO, 2008). Dadas as características mediterrâneas do clima português e as especificidades destes espaços, os incêndios florestais encontram nas áreas de montanha o seu apogeu, daí a existência de grandes áreas ardidas. A paisagem da área de estudo, a serra da Lousã, sofreu importante ação antrópica, onde as florestas abertas e as áreas de cortes ou de novas plantações representam 26,15 % do uso do solo, pelo que não admira que seja um espaço marcado pela ocorrência dos incêndios florestais. A média anual da área ardida, entre 1975 e 2012, situou-se pelos 3.460 hectares, fazendo com que cerca de 63,33% do território já tenha ardido, havendo uma reincidência de até 5 vezes, pelo que hoje já quase nada se vislumbra da sua floresta autóctone. Considerando os 5 anos mais críticos, a nível das áreas ardidas, observou-se que cerca de 70% da área ardida decorreu fora do denominado “período crítico”, quando não está assegurada a prontidão dos meios de combate aos incêndios florestais. A estratégia de combate assenta no estacionamento dos meios, nos quartéis; as especificidades do espaço de montanha impõem um traçado sinuoso ao sistema rodoviário, o qual aumenta as distâncias entre o quartel de bombeiros e as principais manchas florestais, pois a influência da topografia na sinuosidade rodoviária é notória. Neste trabalho, a sinuosidade rodoviária, entendida como a diferença entre a distância observada e a distância real, foi analisada como um potencial fator que influencia a velocidade e a distância efetiva percorrida pelos meios terrestres. De facto, na área de estudo, o índice de sinuosidade é de 1,150 na área baixa (< 215m) e de 1,402 na área alta (> 215m), o que atrasa o tempo de resposta da primeira intervenção, que se quer rápida, ou seja, inferior a 20 minutos, mas em que cerca de 10% da área se encontra com tempos de deslocação >20 minutos. Ora, como qualquer intervenção dos Bombeiros para combate a incêndios florestais implica, necessariamente, a deslocação de meios humanos e mecânicos, abastecidos de água, para as áreas florestais, a qualidade dos acessos torna-se um aspeto fundamental a ter em consideração. Todavia, nem sempre as estradas e caminhos florestais facilitam essa tarefa, pois, pela sua própria natureza, apresentam dificuldades acrescidas para a progressão de homens e máquinas (sinuosidade, diferenças de cotas, tipo de piso, largura da via), pelo que um dos objetivos do ataque inicial, o de colocar, no local do incêndio, o primeiro meio de intervenção operacional até 20 minutos após o despacho, está à partida bastante condicionado nas áreas de montanha, o que dificulta que, no mais curto espaço de tempo possível, se possa projetar sobre o local de ignição a quantidade de água necessária e suficiente para a sua extinção, por forma a evitar que o incêndio assuma maiores proporções. Para além disso, foi também realizada uma avaliação do nível de suscetibilidade no território em estudo, através da ponderação e análise dos tipos de uso do solo, da reincidência de incêndios e das classes de declives. Verificou-se que cerca de 68% das suas áreas são críticas (suscetibilidade elevada, muito elevada e máxima), o que se reflete na necessidade de adequar a dispersão de meios de combate às caraterísticas destas áreas. Partindo da premissa de que os incêndios florestais, apesar dos esforços para evitar a sua eclosão, continuarão a ocorrer em quantidade considerável, devem ser adotadas medidas que não só visem dificultar a sua propagação, mas também potenciem a sua rápida extinção, através do combate. Pelo que é crucial proceder à modelação espacial dessas condicionantes, não só para identificar áreas críticas, de suscetibilidade elevada, mas também para planear os tempos de intervenção, onde o destacamento de meios terrestres de combate para locais estratégicos de pré-posicionamento é fundamental para uma resposta atempada.
Ciências Sociais
2,671
Processos de transformação da paisagem: influências do passado e do presente
Paisagem,Ensino,História,Geografia,Evolução da ocupação e uso do solo,Romanização
O trabalho que exponho representa a derradeira etapa de um ano letivo que incluiu a prática pedagógica supervisionada, integrada no Mestrado em Ensino de História e Geografia no 3ºciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário. Este é, portanto, o relatório final, no qual incluirei a componente científica dos seminários (História e Geografia), lecionados pela Doutora Ana Isabel Ribeiro e Doutora Adélia Nunes, respetivamente, e a aplicação didática para cada uma das vertentes. Além disso, este relatório final incluirá ainda o balanço do estágio pedagógico, o qual abordarei numa primeira fase. Na vertente histórica, decidi incidir o meu estudo nas marcas transformadoras que o povo romano imprimiu no território atualmente português, particularmente na paisagem. O apogeu do Império romano é um dos temas de História no 7º ano e, respeitando esse critério, decidi-me por tratar este tema. Um excelente exemplo da presença romana em Portugal situa-se em Conímbriga, local que elejo para visitar com os alunos, para que estes possam contactar diretamente com a fonte histórica. Esta atividade teria, essencialmente, o propósito de fortalecer algumas noções retidas na sala de aula, durante o estudo desta temática. Quanto ao contexto programático no caso da disciplina de Geografia, esta matéria insere-se no tema “A Terra: estudos e representações”, sobre o qual trabalhamos uma unidade dedicada à descrição da paisagem. No meu seminário, optei por realizar um estudo comparativo sobre a evolução da ocupação e uso do solo de dois municípios distintos – Góis e Montemor-o-Velho. Para isso, foi necessário recorrer a cartas de ocupação e uso do solo de períodos diferentes e apontar a respetiva evolução. Na aplicação didática referente à vertente da Geografia, resolvi propor uma atividade que, tal como na vertente histórica, retirasse os alunos da sala de aula e os levasse a contactar diretamente com o conteúdo programático. A atividade começaria ainda no espaço de aula com a visualização de fotografias antigas de determinados locais da vila de Montemor-oVelho e, posteriormente, os alunos seriam confrontados com esses mesmos cenários, mas no presente. Desta forma, tirar-se-iam conclusões sobre as modificações ocorridas nestas paisagens com o decorrer do tempo.
Ciências Sociais
2,673
Pelos Caminhos da Indústria do Papel: uma abordagem histórico-geográfica. O caso da Soporcel.
Ensino,Indústria do Papel
O presente trabalho que de seguida se apresenta tem como objetivo descrever todas as atividades que foram desenvolvidas no ano letivo 2013/2014, durante o Estágio Pedagógico Supervisionado na Escola Básica 2º e 3º ciclos de Inês de Castro e nos Seminários Científicos de História e de Geografia, na Faculdade de Letras. Começa-se por apresentar o Capítulo I fazendo um balanço das atividades letivas e extraletivas desenvolvidas durante o estágio. No Capítulo II uma análise da evolução histórico-geográfica da indústria do papel no Mundo e em Portugal. No Capítulo III é feita a apresentação do caso em estudo, a Soporcel, o seu enquadramento histórico-geográfico. No Capítulo IV a descrição do Eucalipto, espécie recém-chegada a Portugal. No Capítulo V a aplicação da atividade pedagógico-didática, inserido numa exposição, cujo tema é Comunicar: suportes de escrita – da Pedra ao Papel. Palavras-chave: Atividade pedagógica, Estágio Pedagógico, Eucalipto, Indústria, Indústria do Papel, Soporcel, Suportes de Escrita
Ciências Sociais
2,674
Alojamento turístico low cost na cidade do Porto: hostels
Hostels,Turismo low cost,Alojamento
O turismo está em constante evolução, aparecendo novas tendências geradoras de novos conceitos, resultado das motivações dos turistas. Os jovens procuram produtos turísticos a preços acessíveis para poderem viajar. Dentro destas novas tendências emancipam-se conceitos, que anteriormente, ainda não estavam em tão grande utilização no nosso país. As motivações e o rendimento do turista ditam o caminho do turismo low cost. Portugal vive uma viragem do turismo, isto devido, em grande parte, ao conceito low cost. O turismo low cost é um segmento com força suficiente para desenvolver, recuperar recursos específicos e espaços recriando-os em produtos turísticos. O alojamento turístico aproveitando-se disso pode também crescer. Aliando a atratividade do preço cobrado, os hostels utilizam edifícios históricos ou de idade avançada, reaproveitando e dando uma nova vida à malha urbana e a edifícios, que, outrora tiveram outro significado e função. A cidade do Porto é um bom exemplo de boas práticas no turismo low cost, podendo suscitar grandes desenvolvimentos a nível turístico como a nível local.
Ciências Sociais
2,675
O turismo de natureza no Funchal
Turismo de Natureza
O presente trabalho é fruto de um esforço para conhecer o conceito, as caraterísticas, singularidades, relações e benefícios do Turismo de Natureza nos territórios. Este turismo deixa evidentes marcas nos territórios desde pela perspetiva económica, política, como também ambiental, sociocultural e histórica. O Turismo de Natureza é um tipo de turismo que tem ganho uma forte dinâmica, em termos de procura e de oferta, bastante relevante um pouco por todo o mundo. Este considerado como um dos tipos de turismo com maior expansão, é um produto turístico prioritário e importante para Portugal. Este turismo congrega múltiplas atividades em diversos espaços (áreas protegidas, montanhas, jardins e outros), tempos (férias, fins de semana, estações do ano) e ambientes (terra, água e ar), sobressaindo práticas de observação, fruição e interpretação da natureza, modalidades de hospedagens, desportos da categoria soft e hard e condições do estado do tempo (eventos astronómicos, fenómenos naturais e outros). O Funchal, enquanto estudo de caso, sendo o principal concelho urbano da RAM, é muito visitado por turistas e o Turismo de Natureza traduz-se numa procura e uma oferta consistentes, com produtos e recursos singulares. Neste concelho, realizaram-se inquéritos e questionários para turistas e entidades, respetivamente, com vista a conhecer melhor a procura e a oferta do Turismo de Natureza. Enviaram-se 30 questionários para as empresas de animação turística; vários questionários entre tantos, para os jardins, teleféricos, museus de história natural e Parque Ecológico do Funchal, tendo resposta de 15 instituições (que demonstraram ter bons produtos e serviços bastante apreciados pelos visitantes/turistas do Funchal). Aos turistas, realizaram-se 105 inquéritos por questionário para aqueles que se encontraram, no mês de junho de 2014, num espaço verde – Pico do Areeiro. Dos inquiridos (65% homens e 35% mulheres), todos registaram o gosto pela componente verde do Funchal/Ilha; 51% quer voltar para o Funchal/Ilha e 65% envolveu-se em atividades na natureza.
Ciências Sociais
2,677
Dinâmicas de desenvolvimento local em Montemor-o-Velho: importância sócio espacial dos núcleos históricos do concelho
Desenvolvimento Local,Espaço Rural,Recursos Endógenos,Dinâmicas Territoriais
O desenvolvimento de um território é um processo dinâmico que se estrutura numa articulação complexa entre os seus recursos endógenos e as forças externas que sobre os primeiros exercem um efeito de repulsa ou de atração. O ambiente, a cultura local e o património são três elementos chave a considerar na avaliação do potencial dos espaços rurais, devendo ser a população local e os stakeholders a assumir um papel determinante no desenvolvimento local do território. O município de Montemor-o-Velho conta com espaços muito ricos do ponto de vista histórico, ambiental, gastronómico e cultural. O seu potencial patrimonial está disperso e subaproveitado. O turismo tem vindo a impor-se como atividade primordial para relançar o desenvolvimento de alguns espaços rurais, particularmente daqueles que têm recursos de elevada qualidade natural e cultural, no entanto não pode ser visto como único recurso, sendo necessário alcançar uma perspetiva estratégica tendo em conta toda a dinâmica inerente a um território que se pretende em desenvolvimento. Este trabalho permitiu adquirir uma noção da realidade da dinâmica do desenvolvimento local atual, através do estudo de alguns núcleos históricos do município, reunindo condições para pensar estrategicamente sob este território.
Ciências Sociais
2,678
Áreas de intervenção prioritária para a mitigação do risco de incêndio florestal: o município de Góis como estudo de caso
Risco de Incêndio
Ano após ano e com especial incidência na época de Verão o nosso país é afetado pelo problema dos incêndios florestais. O fogo em si mesmo, não é um problema, mas antes a forma como este se relaciona com a gestão e utilização que o homem da ao território. O aumento da intensidade e do número de incêndios, que levou de igual forma ao aumento da extensão das áreas ardidas, e ao aumento da reincidência dos incêndios, principalmente nas regiões de matriz mais rural, nomeadamente no interior norte e centro de Portugal, tem na sua a profunda alteração socioeconómicas das últimas décadas nos espaços rurais que têm vindo a evidenciar um decréscimo sucessivo da população residente, com o consequente abandono das áreas cultivadas, traduzindo-se esta dinâmica na destruturação do território rural, com o avanço de áreas florestais sobre áreas agrícolas abandonadas e um aumento da carga de combustível disponível para arder. A mitigação dos efeitos negativos decorrentes do despovoamento passa, em grande medida, pelo estabelecimento de melhores políticas de prevenção que partindo de uma definição, o mais rigorosa possível, das áreas mais sensíveis, implemente medidas de gestão da floresta e áreas envolventes e crie estratégias eficazes na mitigação do risco de incendio florestal. Deste modo, achamos pertinente a elaboração deste estudo, com os objetivos de perceber na área de estudo, a distribuição da frequência dos incêndios nas últimas três décadas, e identificar áreas que são mais suscétiveis a ocorrência de incêndios, e a partir daí delimita-las, de forma a propor uma atuação mais consistente que permita aumentar a resiliência dessas áreas aos incêndios florestais. Tendo em conta a existência de uma ferramenta, no caso o Plano Operacional Municipal, que advém do Plano Municipal de Defesa da Floresta, que nos indica as áreas mais sensíveis a ocorrência de incêndios florestais, e a existência de áreas com uma gestão especial por se tratar de áreas protegidas, procurou-se delimitar áreas que pela suas características de ocupação e uso do solo, orografia, proximidade a aglomerados populacionais, histórico de reincidência de incêndios e distanciamento as estruturas de apoio ao combate a incêndios (quarteis de bombeiros), devam merecer uma especial atenção e planeamento para a mitigação dos efeitos da ocorrência de incêndios.
Ciências Sociais
2,681
Estratégia de desenvolvimento local com base nos recursos naturais: o caso dos municípios da Beira Serra
Geografia Física,Plano Estratégico,Desenvolvimento Sustentavel,Marketing Territorial,Recursos Naturais,Ordenamento do Território
A região da “Beira Serra” contempla várias unidades de relevo, como a Cordilheira Central, a Plataforma do Mondego e a Bacia Tectónica de Lousã-Arganil, com características naturais específicas, que, por sua vez, criam condições especiais para a evolução da natureza e do relevo. Neste contexto, a definição de uma estratégia de desenvolvimento com vista ao aproveitamento dos recursos naturais desta região, com baixa densidade de matriz rural, pode, futuramente, resultar no seu sucesso. Deste modo, tendo como base as características deste território e à luz da metodologia específica, não rigorosa e flexível, do planeamento estratégico, selecionamos vários indicadores – a geologia e geomorfologia, o clima, a hidrologia e o uso e ocupação do solo –, bem como os instrumentos que os regulam – as condicionantes biofísicas. Através dos indicadores, serão apresentadas as abordagens para o aproveitamento dos recursos naturais, tendo como principal fundamento as orientações estratégicas da União Europeia para 2020, no que diz respeito ao aproveitamento dos fundos do novo quadro comunitário. Considerando este constructo teórico e metodológico, a estratégia visa tornar este território num espaço dependente das condições endógenas ambientais para o seu desenvolvimento, ou seja, um EcoTerritório: i) orientando o investimento para a exploração das indústrias de extracção de inertes e do sector agroflorestal; ii) potenciando o património natural; iii) criando orientações para a sustentabilidade ambiental, para ao combate às alterações climáticas e para produção de energias de fontes renováveis; iv) Criando lógica educacionais voltadas para o ambiente, quer para a salvaguarda ou para a especialização em aproveitamento dos recursos.
Ciências Sociais
2,682
Ondas de calor e ondas de frio em Coimbra: impactes na mortalidade da população.
Climatologia,Ondas de frio,Ondas de calor,Temperaturas extremas,Mortalidade,Coimbra
A temperatura do ar é dos elementos climáticos que mais condiciona as atividades humanas e os processos biológicos, ao nível do conforto e da saúde. A exposição a ondas de calor e a ondas de frio apresenta impactes na saúde e origina aumentos de mortalidade, dependendo da vulnerabilidade das populações expostas, bem como da duração, intensidade e frequência destes paroxismos térmicos. Assim, atendendo às consequências das ondas de calor e das ondas de frio na morbilidade, mortalidade e atividades humanas, o estudo sobre a sua ocorrência, especialmente numa série temporal longa revela-se importante. Não se pode evitar a sua ocorrência, contudo pode-se reduzir a vulnerabilidade humana, de maneira a reduzir os seus impactes. Quanto à metodologia, primeiro consultou-se bibliografia sobre a temática de ondas de frio, ondas de calor e temperaturas extremas, assim como sobre a sua relação com a saúde humana, particularmente ao nível da morbilidade e da mortalidade humanas, e da vulnerabilidade social, partindo de literatura publicada no estrangeiro e em Portugal. Os dados sobre temperaturas extremas foram obtidos no IGUC e foram tratados através de software Excel. A cartografia sobre os diferentes elementos de vulnerabilidade foi elaborada com recurso ao software ArcGIS 10.1. Os dados das ondas de calor e de frio foram cruzados com dados de mortalidade segundo a causa de morte, especificamente cedidos pelo INE para os dias em causa. Caracterizou-se a área de estudo, o concelho e a cidade de Coimbra, do ponto de vista administrativo, demográfico, socioeconómico, habitacional e de emprego da população residente e cartografou-se a vulnerabilidade social das freguesias do concelho. Contabilizou-se a ocorrência de ondas de calor e de ondas de frio na cidade de Coimbra, caracterizando a duração, frequência e intensidade e estabelecendo-se a análise da evolução das ocorrências por meses e por décadas. Entre 1865 e 2013, em Coimbra, ocorreram 41 ondas de calor e 9 ondas de frio. Procedeu-se a uma breve caracterização sinótica das ondas de calor de 29 de julho a 3 de agosto de 2003, 11 a 17 de julho de 2006, 4 a 11 de agosto de 2006 e 24 a 30 de julho de 2010 e da onda de frio de 8 a 16 de fevereiro de 1983 e contabilizaram-se os óbitos ocorridos no distrito de Coimbra, durante aqueles paroxismos térmicos, de acordo com a Classificação Internacional das Doenças. Durante as ondas de calor verificou-se excesso de mortalidade, aumentando no 3º dia após o início e prolongando-se nos dias subsequentes, sendo maior nas mulheres e nos idosos, nas doenças circulatórias e respiratórias. No caso da onda de frio, verificou-se excesso de mortalidade, aumentando no 7º dia após o início e prolongando-se nos dias subsequentes, sendo maior nos idosos, nas mulheres e nas doenças circulatórias e isquémica do coração.
Ciências Sociais
2,686
A Serra da Arrábida e os Riscos Naturais
Serra da Arrábida,Riscos Naturais,Incêndio Florestal,Cartografia de Risco,Inquérito,Prevenção e Mitigação
A Serra da Arrábida apresenta um conjunto de fatores naturais associados a fenómenos de risco e está sujeita a uma pressão humana crescente. Como tal, a ocorrência de situações potencialmente perigosas para o Ser Humano é inevitável. O objetivo do presente trabalho consiste em identificar e hierarquizar os tipos de risco natural mais importantes na Serra da Arrábida, adotando como caso de estudo o incêndio florestal, o tipo de risco natural que assumiu especial notoriedade ao longo da utilização de várias metodologias de análise. O trabalho culmina com elaboração de cartografia de risco de incêndio florestal e apresentação de propostas de prevenção dos fenómenos e de mitigação dos seus efeitos. De forma a proceder à identificação e hierarquização dos vários fenómenos de risco, recorremos à análise dos dados resultantes da aplicação de um inquérito sobre a temática dos Riscos Naturais na Serra da Arrábida, ao estudo da base de dados de ocorrências cedida pelo Comando Distrital de Operações de Socorro de Setúbal e, ainda, a uma análise de risco, utilizando a metodologia desenvolvida pelo FEMA (Federal Emergency Management Agency), resultante da construção de uma matriz de ponderações. O processo de elaboração de cartografia de incêndio florestal resultou da ponderação e da classificação dos vários elementos de perigosidade e de vulnerabilidade possíveis de cartografar, e da produção da carta de risco resultante do cruzamento de informação das cartas de perigosidade e de vulnerabilidade. O vínculo estabelecido entre a população da Serra da Arrábida e os fenómenos de risco fez com que estes indivíduos se revelassem bastante mais conhecedores acerca de praticamente todos os fenómenos naturais abordados no trabalho. Reconhecem mais facilmente as causas dos fenómenos, as suas consequências e consideram ter melhor capacidade de previsão, nomeadamente no que diz respeito aos riscos identificados. Ainda assim, são apontadas várias falhas, relativamente à prevenção e mitigação dos fenómenos de risco, de resolução mais ou menos complexa, que requerem prudência e empenho das mais variadas entidades envolvidas na gestão do risco.
Ciências Sociais
2,689
Incêndios Florestais em Portugal Continental fora do "período crítico". Contributos para o seu conhecimento.
Incêndios florestais fora do "período crítico"
Todos os anos, durante o verão, milhares de hectares de floresta são devastados pelos incêndios florestais que se verificam em várias regiões do globo. Na Europa, por exemplo, a maior parte, concentram-se na região do Mediterrâneo. Portugal tem sido o país mais afetado registando, maioritariamente, entre os meses de julho a setembro, uma grande concentração do número de ocorrências e área ardida, pelo que estes meses foram designados de período crítico, durante o qual vigoram medidas especiais de prevenção, deteção e combate a incêndios florestais. Apesar dos incêndios florestais serem mais frequentes na época estival, estes podem ocorrer em qualquer altura do ano, desde que se reúnam condições propícias à sua deflagração. Por vezes, até assumem grandes dimensões, como os dois grandes incêndios florestais ocorridos em Penela, no distrito de Coimbra, nos finais do mês de março de 2012, cuja área ardida atingiu os 1 882 ha. Ora, a presente investigação tem por objetivo apresentar uma reflexão sobre os incêndios florestais que deflagraram em Portugal Continental, fora do “período crítico”, entre 1981 e 2012, com vista a uma melhor compreensão da real dimensão desta problemática, pouco debatida entre nós, mas que nos afeta anualmente e, por vezes, com alguma gravidade. Para o efeito, recolheram-se os dados oficiais dos incêndios florestais registados no território continental relativos aos anos referidos supra, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, procedendo-se depois, a uma análise temporal e espacial quer, do número de ocorrências quer, das áreas ardidas, bem como, das respetivas causas. Além disso, efetuou-se também, uma abordagem às condições sinóticas que lhes estiveram subjacentes.
Ciências Sociais
2,690
Marketing Territorial e desenvolvimento: o futuro das cidades. Avaliação dos planos estratégicos territoriais: Coimbra e Chaves.
Marketing Territorial,Planeamento Estratégico,Planos Estratégicos,Coimbra,Desenvolvimento Regional,Chaves
Atualmente, assiste-se a uma crescente concorrência entre os territórios pela captação de recursos que incentivem o desenvolvimento desses mesmos territórios. O planeamento estratégico assume-se, neste contexto, como uma ferramenta crucial para a definição de opções que permitam a qualificação dos territórios. Na tentativa de reforçar a competitividade e de promover as potencialidades de um território para atrair recursos, o marketing territorial surge como um auxiliar do planeamento estratégico. A sua contribuição passa por organizar os recursos locais e por transmitir uma imagem aliciante e inovadora no sentido de persuadir o mercado e os investidores a investirem nos territórios. Nesta dissertação pretende-se perceber se no contexto nacional o planeamento estratégico e o marketing territorial têm contribuído para o desenvolvimento sustentável dos territórios, avaliando assim planos estratégicos de dois municípios (Chaves e Coimbra) com características geográficas e socioeconómicas distintas. É elaborado um esquema de avaliação no sentido de identificar e avaliar as virtudes e fragilidades destes planos para os municípios em causa. Esta avaliação não visa fazer juízos de valor sobre o Plano, os Atores e os resultados, somente pretende perceber qual o impacto que estes planos têm para as cidades tendo em atenção os objetivos e estratégias definidas, o processo de elaboração e o nível de concretização.
Ciências Sociais
2,691
Geopatrimónio da Ilha de São Nicolau: Valorização Geoturística
Geopatrimónio,Geoconservação,Ilha de São Nicolau,Geoturismo,Inventariação
O presente trabalho enquadra-se na temática do Geopatrimónio da Ilha de São Nicolau (Cabo Verde). Para a concretização deste objetivo, partiu-se da inventariação e/ ou avaliação dos elementos patrimoniais que constitui a base de estratégia de geoconservação de qualquer lugar, quer seja um País, uma Ilha, um Município ou uma Área Protegida. Na sequência desta inventariação, foram inventariados treze geossítios com elementos de interesse geológico e/ou geomorfológico, que foram alvo das etapas que constituem uma estratégia de geoconservação: a sua avaliação (numérica ou quantificação do seu valor), classificação, conservação, valorização, divulgação e monitorização. Os geossítios selecionados abrangem todos os elementos representativos da geodiversidade da Ilha. Esses elementos foram avaliados com base nos resultados numéricos obtidos de acordo com os valores científicos (estético, ecológico, cultural), valor de uso e a necessidade de proteção que cada um possui. Com os resultados obtidos foram selecionados os geossítios que apresentam valores mais elevados na sua avaliação, bem como os mais vulneráveis, tendo em vista uma estratégia de geoconservação. Para cada um destes geossítios, foi proposto um plano de estratégia geoturística ao mesmo tempo que foram enquadrados num roteiro que visa promover o seu valor natural, cultural e geoturístico.
Ciências Sociais
2,693
O património cultural no marketing dos lugares e no desenvolvimento dos territórios rurais: o concelho do Sabugal
Património cultural,Marketing territorial,Espaço rural,Sabugal
Ao longo dos tempos, a ideologia e a conceção em torno do património cultural foi evoluindo, tornando-se numa área de conhecimento e de intervenção cada vez mais relevante. O património cultural apresenta uma relação direta com o tempo e com o espaço e por isso o seu estudo é cada vez mais interdisciplinar. Por um lado, esse legado é o reflexo da ocupação e vivência do homem sobre o território no passado e por isso é importante para a compreensão das sociedades e da cultura num determinado momento da história. Mas o património não pode ser visto exclusivamente como memória e passado, uma vez que a sua importância se mantem, na medida em que, o património está constantemente a (re)construir-se. Atualmente, no futuro dos territórios, o património cultural é um recurso a partir do qual ainda muito se pode trabalhar e explorar. Ao nível dos lugares, todos podem beneficiar do seu património local através de uma cuidada gestão e programação cultural e com estratégias de marketing territorial. Particularmente para os espaços rurais, cada vez mais caracterizados pela baixa densidade populacional, o património cultural deixou de ser encarado como algo retrógrado que liga os territórios a um passado de pouco desenvolvimento e passou a ser uma espécie de “prancha de salvação” para muitos territórios que correm o risco de a qualquer momento se “afundarem” no abandono e no esquecimento. Mas de que serve aos territórios ter riqueza e património se não sabem comunicar a sua imagem? Este é o grande enfoque desta dissertação, que associa três grandes temas que podem ser trabalhados de forma conjunta: território, património e marketing. Se esse trabalho for bem feito, os benefícios não são só para os territórios e para o património, são também para as comunidades e para a economia. E tudo o que tem garantias em termos económicos leva as pessoas a investir e a apostar. Portanto, é necessário demonstrar que existem mais-valias em comunicar o território e o património para que comecem os investimentos. Melhor que falar das vantagens dessa associação, só com um exemplo concreto de marketing territorial através do património cultural, num espaço de contexto rural como é o caso do concelho do Sabugal.
Ciências Sociais
2,696
A evolução morfológica e funcional dos Coutos do Mosteiro de Alcobaça – Uma experiência de Ensino
Assoreamento da Lagoa da Pederneira,Ordem de Cister
O presente relatório insere-se no âmbito do Mestrado em Ensino de História e Geografia no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário. Divide-se em três grandes capítulos sendo o primeiro dedicado ao trabalho desenvolvido durante a Prática Letiva Supervisionada no Colégio São Teotónio em Coimbra, nomeadamente a caracterização da escola onde decorreu o estágio, das turmas onde se desenvolveram as atividades pedagógicas e a descrição da metodologia de trabalho aplicada. O segundo capítulo concentra-se sobretudo no estudo de duas temáticas bastante complexas da História e da Geografia da Estremadura portuguesa: o assoreamento da Lagoa da Pederneira e a influência do trabalho dos monges da Ordem de Cister neste processo. Por um lado temos o assoreamento natural que ocorreu numa complexa estrutura geológica e litológica: o Diapiro das Caldas da Rainha, cuja erosão do núcleo desta estrutura, durante o Quaternário, deu origem a um fundo baixo e plano que viria posteriormente a constituir, com a subida do nível das águas do mar no último máximo transgressivo, lagoas como a da Pederneira. A par das condições naturais, a atividade humana ao longo dos séculos, principalmente o desbravamento de terras numa busca constante pelos locais que melhor reuniam condições para exploração agrícola e pecuária, condicionou, também, largamente o assoreamento da mesma. O terceiro capítulo está dedicado a uma aplicação didática, através de uma visita de estudo, que pretende transmitir aos alunos do 7º ano do Ensino Básico, os assuntos abordados anteriormente e que se encontram relacionados com as metas Curriculares das disciplinas de História e de Geografia
Ciências Sociais
2,697
Gestão Territorial em Zonas Costeiras: o exemplo de São Martinho do Porto
Gestão Territorial em Zonas Costeiras,O exemplo de São Martinho do Porto
É consensual que as áreas costeiras são consideradas territórios de elevada importância estratégica em termos ambientais, económicos e sociais. Do mesmo modo são também reconhecidos os seus problemas e ameaças. A crescente pressão demográfica e concentração de atividades nestes espaços, cria problemas e conflitos de difícil solução, e ameaça destruir o seu delicado equilíbrio. A artificialização, associada a uma rápida expansão da indústria e do turismo nas regiões do litoral, particularmente intensa nos países desenvolvidos e nos países emergentes com alta taxa de crescimento, provoca uma inquietação generalizada sobre a sustentabilidade destas áreas. A necessidade de ordenar os usos e atividades neste espaço, conduziu ao aparecimento de sucessivos instrumentos legais, estratégias e planos de ação, numa grande diversidade e frequente desarticulação de políticas e de intervenções. Reconhece-se atualmente que os sistemas litorais são demasiado complexos para serem geridos por meio de políticas sectoriais, pelo que uma gestão integrada destes espaços afigura-se como a melhor forma para compatibilização de fatores e interesses divergentes. Trata-se de um processo flexível de gestão que visa o desenvolvimento sustentável destas regiões, e este exige que os recursos do litoral sejam salvaguardados em quantidade e qualidade, de modo a satisfazer as necessidades atuais sem pôr em causa o seu usufruto pelas gerações vindouras. Em Portugal o ordenamento e a gestão destas áreas assentam num conjunto de instrumentos e programas de natureza vinculativa ou orientadora que têm como objetivo estabelecer as regras a que deve obedecer a ocupação, uso e transformações dos solos. Este trabalho propõe como problemática central perceber a forma como se processou a ocupação da orla costeira, no caso particular de São Martinho do Porto, as potencialidades, os problemas e ameaças que sobre ela pendem, e o impacto que as políticas e instrumentos de gestão tiveram no rumo que essa ocupação seguiu.
Ciências Sociais
2,699
Valorização de Produtos Gastronômicos no Brasil e em Portugal: Estudo de Caso do Pastel de Tentúgal e dos Doces de Pelotas
Valorização de produtos gastronômicos,Açúcar,Doçaria,Brasil,Portugal
O ser humano é um animal de história e tradição e sem essas bases sente-se perdido e vazio. Dentre os seus saberes desenvolvidos está o Gastronômico, passado adiante através de gerações. A alimentação tradicional é um patrimônio imaterial e nenhum povo se desenvolve de maneira sadia sem conhecer e valorizar suas raízes. A Gastronomia é parte do alicerce de nossa personalidade e conforto familiar, tornando seu estudo, resgate e valorização de grande importância para o desenvolvimento humano no espaço em que vive. Esta dissertação teve como objetivo central realizar uma análise comparativa dos processos de valorização de produtos gastronômicos em Portugal e no Brasil, a partir dos estudos de caso: Pastel de Tentúgal e Doces de Pelotas. A metodologia do trabalho é de caráter exploratório e descritivo. As entrevistas foram de caráter qualitativo, para os atuantes no setor, e quantitativo, para os consumidores. Em ambos os casos estudados foram detectadas e sugeridas oportunidades de melhoria aos processos de valorização. Nos inquéritos aos consumidores percebemos, tanto em Tentúgal como em Pelotas, um reconhecimento, quase unânime, da importância destas ações. Contudo, este não foi acompanhado, com tanta intensidade, quando questionamos a respeito da possibilidade de pagar-se um preço maior pelo doce certificado.
Ciências Sociais
2,700
Turismo Industrial. Contributos para a "produtização"no Município de Santa Maria da Feira
Turismo Sustentável,Turismo Industrial,Produtização,Santa Maria da Feira,Planeamento estratégico
O Turismo afigura-se como um dos principais geradores de receitas mundiais, assim como um importante setor estratégico no nosso país, a todas as escalas. Existe uma clara necessidade para planear, de forma a maximizar os recursos endógenos de cada região, consolidando e diversificando a oferta turística a nível municipal e promovendo assim, a sustentabilidade turística. O Estudo de Caso (Município de Santa Maria da Feira) trata-se de uma região marcada pelo Turismo Cultural, mais concretamente, pelos eventos de rua. A nível socioeconómico destaca-se a sua força industrial, uma vez que é o concelho que mais exporta a nível nacional. As suas principais indústrias são a cortiça, o papel, o calçado e a metalurgia. Perante uma procura cada vez mais exigente, com gostos cada vez mais distintos, cria-se a oportunidade para o surgimento de novos produtos turísticos, como o Turismo Industrial (TI). Partindo desta realidade, este trabalho de investigação pretende averiguar a possibilidade de planeamento e desenvolvimento do TI no concelho, bem como, sugerir algumas ideias para a elaboração de uma proposta de “produtização” de recursos neste âmbito. Para isso, reunir-se-ão um conjunto de informações reveladoras de oportunidades e potencialidades, bem como fraquezas e ameaças à região, através de entrevistas semiestruturadas, a vários stakeholders (entidades empreendedoras do concelho, representantes de instituições culturais, técnicos de turismo, responsáveis e proprietários de industrias representativas, etc…).
Ciências Sociais
2,702
Turismo e Desenvolvimento no Concelho de Seia: O "olhar" da Imprensa
Turismo,Lazer,Imprensa
O valor económico, social, cultural e político da atividade turística para o desenvolvimento territorial é indiscutível. Esta atividade tem a capacidade de desenvolver os lugares independentemente da sua dimensão e natureza, sejam eles territórios urbanos ou rurais. Várias têm sido as estratégias desenvolvidas nos últimos anos no âmbito do turismo para que lugares considerados periféricos tenham oportunidade de se tornarem visíveis no panorama nacional e internacional. Em pleno século XXI são muitos os meios que nos permitem avaliar o impacto que esta atividade tem nos lugares, como é o caso da imprensa. Partindo de autores de áreas tão distintas como a economia, a geografia, o turismo, ou o jornalismo, nesta dissertação pretende-se estudar a relação que existe entre a atividade turística num território que ainda mantém características de ruralidade, o concelho de Seia, e a imprensa regional, para conseguir perceber, por um lado, a influência da atividade turística no desenvolvimento do concelho de Seia e, por outro, para perceber de que forma esta atividade é documentada pela imprensa, nomeadamente pelo “Jornal Porta da Estrela”.
Ciências Sociais
2,703
Alta de Coimbra: Evolução urbana e funcionalidades
Prática pedagógica supervisionada,Evolução urbana,Turismo,Funcionalidades,Alta de Coimbra
O presente relatório de estágio pretende descrever as diferentes atividades desenvolvidas durante a prática pedagógica supervisionada e dos seminários científicos de História e de Geografia. A primeira parte é referente à realização do estágio pedagógico no Colégio Bissaya Barreto. Trata-se de uma caracterização geral da escola e das turmas afetas e das diferentes atividades desenvolvidas durante a prática pedagógica. Numa segunda parte são desenvolvidos os seminários científicos. Ambos os seminários estão centrados na mesma área, a Alta de Coimbra, reportando-se a épocas históricas distintas. O seminário de História centra-se na evolução urbana da Alta de Coimbra durante a modernidade, tendo como ponto de referência a Universidade. O seminário de Geografia centra-se nas diferentes funcionalidades, em particular o turismo. Numa parte final do relatório é caracterizada a aplicação didática desenvolvida com vista à aplicação dos seminários científicos. A visita de estudo, aplicação didática selecionada, foi desenvolvida de forma a integrar ambas as disciplinas de História e de Geografia.
Ciências Sociais
2,705
O Idoso em Contexto Rural: o Exemplo do Concelho de Penela
Envelhecimento,Idoso
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a população com mais de 60 anos, a nível mundial, aumentará cerca de 22%, isto no horizonte até 2050. Em Portugal, embora este fenómeno abranja todo o território, é nas áreas rurais e sobretudo de interior que este mais se faz sentir. Como consequência deste fenómeno, surge o agravamento de um outro problema social muito evidente em Portugal que se prende com a exclusão social. Este problema social impede a população com mais de 60 anos de participar ativamente na vida cívica, quer porque a situação económica não lho permite quer porque apresenta uma mobilidade física reduzida. Numa tentativa de minimizar o impacto negativo, as políticas públicas introduziram um novo conceito designado por “inclusão social”. Este conceito tem como principal objetivo garantir às pessoas em risco ou socialmente debilitadas o acesso aos recursos necessários que permitam envelhecer de forma saudável, com a qualidade de vida a que têm direito. É com base nestes pressupostos que se pretende enfatizar o papel do idoso na sociedade em que vivemos, sobretudo nas áreas rurais, através de uma abordagem que integra as escalas Europeia, Nacional e Concelhia. Importante também será compreender o comportamento e a forma como se relaciona com o território que o circunda, bem como a oferta e a disposição dos equipamentos e respostas sociais no território. Assume ainda relevância as distâncias-tempo entre o idoso e os serviços e bens de consumo primários e, portanto, essenciais à qualidade de vida. Penela foi o concelho escolhido para esta investigação por ser um concelho com características heterogéneas e por se tratar de um território envelhecido. Para conhecer a importância do idoso no concelho e para saber exatamente o caminho a seguir, optou-se por fazer, numa fase ainda inicial, algumas entrevistas exploratórias, seguindo um modelo semiestruturado. Neste sentido, tornou-se relevante verificar as ofertas de equipamentos e respostas sociais do concelho, assim como os serviços e bens de consumo, indispensáveis à sua qualidade de vida. Posteriormente, irá proceder-se a um levantamento de todos os equipamentos sociais e respetivas respostas do concelho direcionados para o idoso, assim como a elaboração de cartogramas que permitam compreender melhor as distâncias-tempo dos lugares até aos serviços ou estabelecimentos comerciais, necessários à sua qualidade de vida.
Ciências Sociais
2,707
O Software Livre e de Código Aberto na Administração Pública - Dos mitos às questões de natureza legal, ética e de optimização de recursos públicos
Software Livre e de Código Aberto,Sistemas de Informação Geográifca,Adopção de Software Livre e de Código Aberto SIG na Administração Pública Portuguesa,Avaliação comparada de Software SIG,Optimização de recursos públicos,SIGósAPp
Entre 2008 e 2015, o Estado Português despendeu mais de 37 milhões de euros apenas com a aquisição/renovação de licenças de Software Proprietário (SP) SIG, valor que ultrapassa os 250 milhões de euros se lhe adicionarmos os gastos com software para sistema operativo (nos quais se incluem programas de produtividade, de escritório, gestão de dados, multimédia, etc.). A tomada de consciência destas avultadas despesas, a crise económica e financeira que o país atravessa e a existência de soluções alternativas que, em princípio, poderão permitir uma gestão mais eficiente da máquina administrativa do Estado Português neste domínio estarão, por certo, na origem da implementação de estratégias e reformas que visam a redução das despesas, impondo a utilização de Software Livre e de Código Aberto (SL/CA) quando existe essa possibilidade e quando o seu custo for inferior à alternativa em SP. O actual cenário legislativo levou-nos a desenvolver uma investigação na qual explanamos, de modo tão esclarecedor quanto julgámos possível, sobre os seguintes assuntos: i. Prestar esclarecimentos sobre o que é, afinal, o SL/CA SIG e por que razões este deve ser prioridade para a Administração Pública Portuguesa (APP). ii. Propor estratégias para seleccionar e testar SL/CA SIG, com recurso à execução de exercícios específicos em SIG enquadrados nas competências da APP (modelação da susceptibilidade à ocorrência de movimentos de vertente; modelação da acessibilidade física relativa a infra-estruturas de saúde), com o intuito de comprovar se o SL/CA é uma solução credível e robusta na resolução de problemas espaciais, de modo a competir com a principal referência do mercado constituindo uma verdadeira alternativa a esse software modelo. iii. Ensaiar a génese de uma plataforma (SIGósAPp) para apoio à decisão na selecção do software SIG mais adequado à resolução de problemas e projectos específicos, estando nós conscientes de que os organismos públicos estão legalmente obrigados a justificar as suas opções no que diz respeito à selecção/aquisição/implementação de software, e sabendo que em alguns casos o SL/CA é a solução mais rentável. Esta plataforma (aplicação/programa/interface) visa constituir-se como instrumento de apoio aos administradores públicos no momento de decidir sobre a migração para SL/CA, tendo em conta os diversos, difusos e muito definidos e estruturados parâmetros que devem ser tomados em linha de conta no balanço entre o custo toral da solução e o retorno do investimento que, entre outros factores, depende das características das suas especificações, dos objectivos e características da organização/departamento/serviço, necessidade de formação do pessoal técnico, entre muitos outros.
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