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2,709
Eventos Desportivos: opção estratégica de revitalização da imagem dos destinos turísticos. O caso dos European Universities Games 2018 em Coimbra.
Turismo,Eventos
Os destinos turísticos apresentam-se como parte integrante do sistema turístico e assumem uma elevada importância no momento da escolha de viagem por parte de um turista potencial, sendo por isso necessário o implementar constante de várias estratégias, assentes no plano de ação geral do território, no sentido de diferenciar o destino turístico da concorrência, concorrência essa que cada vez mais se centra em torno de um no mercado internacional e não apenas nos territórios adjacentes. Com efeito, tendo em conta a competitividade inerente ao sistema turístico, é possível afirmar que uma gestão estratégia focada e planeada a longo prazo permite consequências positivas para o destino turístico e para a sua imagem, potencializando os recursos naturais e as características intrínsecas ao território, bem como aos territórios adjacentes ao mesmo. Em resultado da necessidade de um planeamento estratégico motivado pela diferenciação, os eventos assumem-se como fator determinante para os destinos turísticos já que permitem, consoante o planeamento efetuado e os objetivos expectados, apresentar novas ofertas de lazer e de animação turística, não só a um turista potencial, mas também à comunidade local, permitindo assim a constante superação de uma imagem anterior, originando a repetição de visitas e/ou a chegada de novos turistas ou visitantes. Contudo, nem todos os eventos têm a capacidade de alterar a imagem de um destino por si só ou de se tornarem a imagem de marca de um destino turístico: importa ter em consideração que os megaeventos, de índole desportiva, são aqueles que se perfilam com maior capacidade de alterar a imagem de um destino turístico, dada a sua relevância no panorama global. Tendo a noção da importância que os megaeventos desportivos apresentam para um território, é possível afirmar que é devido aos seus impactos positivos (maioritariamente de ordem económica) e às possibilidades de desenvolvimento local que lhe estão associados (possibilitação de reestruturação de equipamentos e infraestruturas), que surge o estudo do caso desta dissertação, os European Universities Games 2018, um evento que contará com mais de três mil atletas, dispersos por mais de uma dezena de campeonatos desportivos diferentes, centrados nos territórios de Coimbra, Figueira da Foz e Montemor-o-Velho. Com efeito, o estudo de caso centra-se especificamente na cidade de Coimbra, um destino turístico com uma imagem marcadamente cultural e que tem, na organização deste megaevento desportivo, a possibilidade de alterar a sua imagem e posicionar-se como destino desportivo de referência.
Ciências Sociais
2,711
Vinhos em Terras de Chanfana: A Viabilidade do Turismo de Gastronomia e Vinhos nos concelhos de Miranda de Corvo e de Lousã
Gastronomia e Vinhos,Turismo,Desenvolvimento,Património Cultural Imaterial,Viabilidade
Este trabalho visa avaliar fundamentalmente a valorização da oferta gastronómica e vinícola no âmbito do Turismo nos concelhos de Miranda de Corvo e de Lousã. Miranda de Corvo é conhecida por ser a capital e berço da Chanfana, e também pelo Vinho de Lamas. Por sua vez, a Lousã, para além de partilhar a mesma tradição gastronómica, apresenta-se com o vinho da Quinta de Foz de Arouce. Ao longo deste estudo, é realizada uma análise que explicita a utilização, por parte do Turismo, deste tipo de conteúdo considerado Património Cultural Imaterial nestas regiões. Aborda-se as ofertas de Turismo Enogastronómico já presentes bem como as delineadas. Ainda neste âmbito, é efetuado um estudo descritivo, problemático e refletivo a fim de verificar a viabilidade deste segmento turístico sobretudo na perspetiva de produto turístico de procura primária. Por conseguinte, são descritas recomendações para tal. Para além disso, apresenta-se o levantamento dos outros recursos naturais e culturais, e consequentemente os produtos associados, existentes e valorizados, que acabam por ser impulsionadores do Turismo Enogastronómico. Por assumirem o estatuto de destinos de Turismo Enogastronómico, são apontados os respetivos contributos trazidos no que concerne ao desenvolvimento local sustentável. Com a sua prática acertada, é preservada e promovida a Gastronomia e Vinhos enquanto identidade cultural do povo de Miranda de Corvo e de Lousã.
Ciências Sociais
2,713
Património Cultural como Recurso Turístico: estudo de caso em Delmiro Gouveia – Alagoas (Brasil)
Património Cultural,Turismo,Desenvolvimento,Alagoas,Delmiro Gouveia,Cultural Heritage,Tourism,Development
O património cultural representa a história de vida da sociedade. Ele é fruto das heranças que marcam os lugares, e seu reconhecimento é fundamental para a preservação da narrativa da humanidade. A pesquisa sobre o Património Cultural como Recurso Turístico: estudo de caso em Delmiro Gouveia – Alagoas (Brasil); pretendeu revalorizar o património cultural presente em Delmiro Gouveia, com apresentação dos bens existentes e afirmação do turismo como forma de reconhecer, proteger e valorizar o património. A metodologia utilizada considerou três momentos. No primeiro, realizou-se recolha e leitura das bibliografias e documentos relacionados ao património, espaço e turismo. No segundo, efetuou-se a pesquisa em campo, com coleta de informações sobre o património e turismo em Delmiro. No terceiro, foi realizado o tratamento dos dados através de técnicas estatísticas e das ferramentas SIG. A investigação é constituída em duas partes. Na primeira, são apresentados os dois primeiros capítulos que abordam o património no contexto internacional e no Brasil, as definições do conceito de património cultural (material, imaterial e natural), a relação existente entre património cultural e os lugares, a noção de espaço e imagem, e o turismo como forma de valorização do património. Na segunda parte, são apresentados os dois capítulos que tratam do estudo de caso. O primeiro apresenta informações acerca do património e turismo existente no território ao qual o município de Delmiro está inserido. O segundo disserta sobre o património e turismo presentes em Delmiro, e considera as influências que os territórios circunvizinhos proporcionam. Os resultados apresentam os dados recolhidos sobre o património cultural e turismo em Delmiro, e a forma como esses bens são valorizados através do turismo. Contudo, esta investigação busca revalorizar o património cultural do município de Delmiro Gouveia, esse que representa a história do lugar e oferece potencial para o desenvolvimento económico e social através do turismo.
Ciências Sociais
2,714
Aplicação de Tecnologias de Informação Geográfica à monitorização das dunas primárias - Subsídios para a prevenção do risco de galgamento na praia do Furadouro
Ambientes Litorais,Erosão Costeira,Dunas,Geotecnologias,LiDAR,Drone,DSAS
Ao longo dos anos o crescimento da população nas zonas costeiras aumentou cada vez mais, concentrando aí os grandes centros de decisão económica, política e social. Este crescimento foi bastante rápido e mal planeado originando uma pressão urbana e industrial. Como consequência tivemos muitos ambientes litorais destruídos causando o aumento da vulnerabilidade territorial face á erosão costeira. Este processo é originado por vários fatores naturais que aliado às ações humanas tornam o risco ainda maior. As dunas têm um elevado valor ecológico e a sua preservação é fundamental para o bem-estar dos ambientes costeiros. Contudo estas são bastante vulneráveis e o seu desenvolvimento depende das ações do vento, da areia e da vegetação. A vegetação tem um papel fundamental na estabilização das dunas, onde a perda da cobertura vegetal tem como consequência ficarem mais suscetíveis à erosão costeira. O objetivo do presente trabalho foi estudar a praia do Furadouro, já que teve um crescimento urbano bastante rápido, com graves problemas de ordenamento, e sendo esta já identificada como uma área de risco devido aos problemas de erosão e recuo da linha de costa. Em termos metodológicos irei utilizar várias geotecnologias, de modo a estudar a zona norte da praia do Furadouro. Utilizando Modelos Digitais de Superfície (MDS) obtidos por LiDAR aéreo, como também, técnicas Drone fotogramétricas, sendo estes complementados com dados obtidos através do posicionamento por GNSS em modo NRTK, o que permitiu a delimitação da posição da linha de costa relativa ao ano de 2011 e 2015. Nesta dissertação, a monitorização da linha de costa tem um papel fundamental na medida em que é estudado o seu passado, como também o seu comportamento no presente através da utilização da ferramenta Digital Shoreline Analysis System (DSAS), incorporada na plataforma ArcGIS. Aqui, foram utilizadas várias posições históricas da linha de costa, de modo a retirar várias conclusões, nomeadamente estatísticas com as taxas de acreção/erosão de sedimentos. A ferramenta DSAS, juntamente com os dados obtidos pelo Drone, permitiram concluir que estas tecnologias podem ser utilizadas eficazmente na monitorização topográfica das dunas, ou noutros processos associados aos riscos naturais.
Ciências Sociais
3,178
Civitas collipponensis : povoamento e estratégias de ocupação do espaço
Arqueologia,Collipo
Civitas Collipponensis é um estudo de investigação sobre a ocupação do espaço da Estremadura Central portuguesa na época romana. Composto por cerca de 900 páginas, organiza-se em três volumes, cabendo ao primeiro uma síntese onde se abordam os vectores estruturantes e estratégias de ocupação do espaço, ao segundo um inventário alargado e circunstanciado de todos os sítios identificados e referidos na síntese anterior para além de um estudo pormenorizado sobre as mais de 50 epígrafes oriundas da região, enquanto o terceiro volume nos dá a conhecer as escavações efectuadas e os materiais exumados. Constata-se que a estratégia de ocupação do espaço antigo começa a definir-se em finais da Idade do Bronze, alicerçando-se em eixos naturais de trânsito onde a componente marítima assume um lugar de destaque, a par do controlo efectivo dos vales férteis por onde correm aqueles eixos. Discute-se a influência e o papel efectivo dos povos túrdulos na região, referidos por Pompónio Mela, bem como a reacção à chegada e fixação dos Romanos até que o desenvolvimento económico da região culmine com a elevação do antigo oppidum túrdulo a município de direito latino. Procura-se avaliar o a real importância da metalurgia do Ferro ou outras fontes de rendimento que animam a região, bem como as razões da prematura decadência do grande pólo dinamizador da economia– a cidade – até à emergência no campo dos principais nódulos e modelos de romanidade. Finalmente vislumbram-se os laços sociais, económicos e culturais através de uma abundante epigrafia que nos mostra hispânicos e latinos a aspirarem, lado a lado, a participar nas mais altas dignidades do novo estilo de vida.
Humanidades
3,179
A cidade romana de Beja: percursos e debates acerca da "civitas" de Pax Ivlia
Achados arqueológicos -- Beja
NOTA PRÉVIA O alargamento das problemáticas arqueológicas, em grande medida devedoras, quer de um novo tipo de diálogo que se estabeleceu entre a arqueologia e as ciências da terra —pedologia, sedimentologia, palinologia, entre outras—, quer da utilização de novas técnicas—foto-interpretação, teledetecção, por exemplo—, exige uma maior objectividade na valorização dos vestígios arqueológicos, enquanto suportes de um discurso de natureza histórica. Uma análise aprofundada não se sustenta apenas em mapas de pontos referenciando locais habitados; a morfologia, as redes viária e hidráulica, por exemplo, e os dados do meio ambiente, constituem outros tantos itens de pesquisa e análise simultânea. É uma exigência de coerência que deve motivar a ligação de um sítio a uma rede. Uma visão do povoamento baseada unicamente sobre a cartografia de pontos não permite antever os sistemas mais complexos que os regem. Ao invés, colocar os sítios em situação relativamente aos caminhos, aos parcelários, às vias, e representá-los segundo a sua forma (e não por intermédio de símbolos), enfim, descrever os tecidos paisagísticos e não apenas os sítios espalhados pela paisagem sem relação directa com o meio, constitui a único método possível de abordar a paisagem urbana e rural como um processo de transformação e não como uma imagem ou sistema de signos. Cientes da dificuldade, ou mesmo incapacidade prática, de desenvolver um trabalho centrado na abordagem de todas as temáticas inerentes ao estudo da civitas de Pax Iulia, e considerando a vasta bibliografia existente, resulta evidente que qualquer decisão relativa ao enfoque temático deste estudo deve ser precedida pela definição muito concreta daquilo que se pretende saber sobre Pax Iulia e do grau de profundidade pretendido para esse conhecimento. Não se satisfará este estudo com o clássico entendimento da civitas como o quadro principal no qual se organiza a vida política e social inscrita em limites que se desenham pelas marcas do raio de influência dos magistrados. É bem verdade que este postulado, vincada a respectiva dimensão temporal, pode considerar-se suficientemente operativo para desenvolver um estudo sobre a civitas; quer-nos parecer, no entanto, que esta linha de raciocínio traduz uma concepção que privilegia na civitas a sua dimensão de espaço e instrumento de poder, opção por norma coincidente com a preocupação em elencar os elementos estereotipados da cidade romana, mas, por isso mesmo, menos atenta aos respectivos elementos de individualização. A civitas não é uma coisa. Nem mesmo um espaço. A civitas é um corpo onde se reconhecem vários espaços—espaço sócio-político, espaço político- administrativo, espaço sócio-cultural, espaço económico, espaço de cultivo, etc.—, cada um deles com a sua escala temporal (a do tempo da sua construção) e os seus ritmos de funcionamento. Mais do que a definição e caracterização da cidade e dos seus campos, que consideramos importante averiguar, interessa-nos sobremaneira o estudo da respectiva interacção, de cujo perfil serão incontornavelmente devedores os contornos tomados por cada um dos espaços atrás aludidos, e, sobretudo, a respectiva articulação. Importa, antes de mais, reconhecer que “toda a experiência é simultaneamente inscrita no espaço e no tempo. O tempo e o espaço estão ligados de forma indivisível enquanto atributos de um objecto ou organização. Pode dizer-se que o espaço era a expressão da memória do tempo, que era tempo solidificado, em particular no duplo processo sedimentação/erosão que a arqueologia observa através das estratificações antropizadas” [FICHES e VAN DER LEEUW, 1990, 505], e que a compreensão do funcionamento da civitas se produzirá de forma tanto mais acertada quanto maior for a capacidade de recolher todo o tipo de documentação—arqueológica e paisagística—e de nela ler os processos perceptivos e cognitivos que são responsáveis pela relação entre o homem e tudo o que o rodeia, ideia que T. Inglot [INGLOT, 1987] prefere designar como apropriação da natureza em lugar de antropização. Num primeiro momento, o território da civitas assume o papel de espaço de inquérito e de espaço de lançamento das problemáticas. Os resultados do inquérito e as conclusões das problemáticas vertidas sobre o espaço territorial permitir-nos-ão depois apreendê-lo como a expressão de um certa forma de exercício do poder e de um determinado modo de vida, nas suas múltiplas espacialidades e temporalidades. O espaço vivido será natural e logicamente o ponto de chegada e não o ponto de partida. É pois com base nestes pressupostos que temos por pertinente configurar o trabalho que aqui se inicia como um esforço analítico susceptível de dar resposta às seguintes questões: que tipo de conhecimento sobre a civitas de Pax Iulia se pode atingir a partir dos vestígios conservados?; poderão esses vestígios revelar-nos o momento da criação da civitas e responder pelo impacte que esta criação provocou no povoamento anterior?; como se estruturou, organizou e equipou a civitas?; quais os modos de exploração dos recursos?
Humanidades
3,180
Mosaicos romanos de Portugal : o Algarve Oriental
Mosaico romano -- Algarve
A tese que se apresenta é o resultado do trabalho, mais vasto, que a Missão Luso-Francesa “Mosaicos do Sul de Portugal” tem desenvolvido em Portugal, no sentido de publicar um património vastíssimo e mal conhecido, não só do público em geral, mas também do público científico, em particular. Dando seguimento aos dois volumes do Corpus dos Mosaicos Romanos de Portugal editados até ao momento, esta Missão dedicou os últimos cinco anos ao estudo dos mosaicos do Algarve – zona oriental – tendo o presente estudo resultado das pesquisas que desenvolvemos no âmbito deste projecto. Conhecidos, na maioria, desde o séc. XIX, estes mosaicos nunca foram objecto de um estudo aprofundado, embora amiúde referidos desde então em publicações diversas sobre o Algarve romano. O nosso estudo integra duas das maiores villae da região – Cerro da Vila (Vilamoura) e Milreu (Estói – Faro), além de outros locais menos explorados como, por exemplo, a villa de Amendoal. Incluem-se, ainda, todos os fragmentos de mosaicos desta região, hoje dispersos por diversos museus portugueses (Museu Nacional de Arqueologia, Museu Municipal de Faro, Museu Municipal da Figueira da Foz, Museu Municipal de Loulé e Museu de Albufeira), perfazendo um catálogo de 78 números. A metodologia segue a linha já implementada no CMRP II1: exaustão na recolha de documentação existente, desenho dos pavimentos tessela a tessela à escala 1/1, dossiê fotográfico, descrição pormenorizada de todos os pavimentos, paleta de cores. Com o respectivo enquadramento arqueológico e arquitectónico, apresentam-se todos os mosaicos do Algarve oriental, realçando do estudo estilístico não só as influências, mas também o seu carácter original, numa área periférica do Império romano. A discussão estilística, tendo em conta as evidências arquitectónicas e arqueológicas disponíveis para cada um dos casos, permitem o debate em torno da cronologia destes pavimentos. Por ter sido dado maior enfoque aos mosaicos de carácter geométrico, os mosaicos com o tema da fauna marinha de Milreu e o mosaico do Oceano de Ossonoba (Faro) são abordados de forma muito sucinta no que diz respeito aos aspectos iconográficos, reservando-se para a edição do CMRP II2 o seu estudo aprofundado. Apesar da informação disponível sobre as estruturas associadas aos mosaicos seja limitada na maior parte dos casos, considerou-se pertinente a análise da relação entre a funcionalidade de um determinado compartimento e o mosaico que o reveste, constituindo uma abordagem inovadora na perspectiva da investigação centrada no estudo de mosaicos. Também a discussão de aspectos técnicos da construção do pavimento se justificam porque estes espelham a dinâmica de construção do edifício, trazendo importante contributo, não só à compreensão das intervenções arquitectónicas realizadas, quando se analisam os suportes, por exemplo, como também à definição da qualidade da produção mosaística, quando se analisam aspectos cromáticos ou as dimensões das tesselas. Com o devido enquadramento no contexto histórico-geográfico, à luz dos dados disponíveis sobre a ocupação romana no Algarve, o estudo destes mosaicos contribuiu para o aclarar de vários aspectos da caracterização das populações que ocuparam esta região da Lusitânia, durante um período compreendido entre o séc. I e o séc. V.
Humanidades
3,182
Inscrições romanas do Conventus Pacensis : subsídios para o estudo da romanização
Inscrições romanas,Epigrafia,Arqueologia
A obra inclui, na primeira parte, o estudo pormenorizado das 686 inscrições romanas encontradas no Sul de Portugal, entre os rios Tejo e Guadiana, parte delas inéditas e a quase totalidade com importantes revisões de leitura. A segunda parte do volume intitula-se "Subsídios para o estudo da romanização" e sintetiza os dados colhidos no catálogo, distribuidos pelos seguintes capítulos : 1. As estruturas político-administrativas; 2. A sociedade; 3. A componente sagrada; 4. As práticas epigráficas. Em apêndice, 4 mapas, a indicação do paradeiro das inscrições e tábuas de correspondência com os demais corpora epigráficos peninsulares. Os índices epigráficos (p.855-891) foram preparados segundo o modelo do CIL II e constituem importante fonte de informação. De não menos utilidade para historiadores e arqueólogos que para epigrafistas, os indices gerais de fontes, onomástico, geográfico e dos assuntos tratados (p. 899-938).
Humanidades
3,185
Aspectos do povoamento da Beira Interior (Centro e Sul) nos finais da Idade do Bronze
Povoamento -- Beira Interior -- Idade do Bronze
Este estudo constitui um primeiro balanço aprofundado sobre o Bronze Final da Beira Interior que se desejou rigoroso e o mais completo possível. Entendendo os espaços domésticos como verdadeiros palcos aglutinadores da prática e reprodução sócio-cultural, isto é, também como espaços sociais, procurou-se abordar e discutir a problemática do seu funcionamento e o papel que desempenharam no sistema regional de povoamento em que se inseriam, mediante as especificidades, as particularidades, as similitudes e as afinidades, ou seja, pela variabilidade, que o registo arqueológico permitiu detectar. Pretendeu-se, através deles, definir o perfil das comunidades beirãs, e a sua forma de organização sócio-económica, de finais do II e inícios do I milénio a.C. Estruturalmente, o trabalho desenvolve-se em quatro partes gerais. A I parte reúne os capítulos que versam os princípios básicos orientadores de todo o estudo subsequente. A II parte agrega a documentação arqueológica disponível e estudada. Dividiu-se em duas secções por virtude do modo como a informação foi recolhida. A secção A é corporizada pelo inventário dos vestígios arqueológicos, independentemente da sua importância, do seu valor ou da sua fidedignidade. Catalogaram-se 62 sítios e achados. Pelo contrário, na documentação reunida na secção B, houve total controlo na sua obtenção, com os respectivos registos. Na III parte são discutidos e interpretados os dados reunidos em II. São propostas diversas hipóteses interpretativas e explicativas para as particularidades assinaladas na Beira Interior, discutindo-se igualmente determinados problemas comuns a outras regiões. A IV parte é fruto do trabalho e da colaboração de investigadores que, em diversas áreas, muito contribuiram para o enriquecimento deste estudo, numa perspectiva interdisciplinar assumida.
Humanidades
3,186
A rede viária romana da faixa atlântica entre Lisboa e Braga
Estrada romana -- Lisboa-Braga
A dissertação de doutoramento A Rede Viária da Faixa Atlântica entre Lisboa e Braga estuda a rede de estradas romanas da regi‹o entre as duas cidades referidas e delimitadas grosso modo pelo litoral e pelo Maciço Central. Divide-se em nove capítulos: Introdução; Aspectos Gerais; Estudos Anteriores e Metodologia; Fontes Antigas; Os Miliários; Fontes Medievais e Modernas; Estações Viárias; Traçados Topográficos e Vestígios das Vias; Conclusões. O segundo volume recolhe notas, ilustrações, bibliografia, mapas e anexos. Através do estudo exaustivo das fontes antigas, literárias, epigráficas e arqueológicas, a obra estabelece o traçado preciso da estrada Olisipo-Bracara, da estrada Olisipo-Conimbriga, por Collipo, bem como de diversas estradas secundárias, com recurso sistemático à foto-interpretação. Foi concedida especial atenção à problemática das estações viárias e da identificação de povoações, como Eburobrittium, Talabriga, Caeno Oppidum e Chretina, entre outras. A estrada Olisipo-Bracara, constituída por várias secções com características especiais, transformou-se, no século III, no itinerário mais importante da faixa atlântica peninsular. Do estudo realizado deduz-se a primazia da função administrativa das vias, sem esquecer o seu papel económico e cultural. As estradas Olisipo-Bracara e Olisipo-Conimbriga- Collipo, em parte sucessoras de caminhos proto-históricos, constituíram elemento decisivo na estruturação do território na época romana e revelaram-se determinantes no período de constituição da Nacionalidade portuguesa.
Humanidades
3,187
A civitas de Viseu : espaço e sociedade
Arqueologia -- Viseu
O primeiro volume da tese é um catálogo das estações e inscrições romanas da civitas de Viseu. Inventariam-se 252 estações, grande parte das quais inéditas e 116 monumentos epigráficos. Estuda-se cada inscrição por si, com consideráveis linguísticas e a sua integração no contexto arqueológico de achamento, quando conhecido. O segundo volume é constituído por estudos sobre o povoamento e a sociedade da civitas de Viseu. O autor começa a fazer a localização de todos os povos pré-romanos citados na inscrição da Ponte de Alcântara (CIL II 760) e define depois os limites da civitas. O território dos Interannienses merece um estudo aprofundado ao nível hidrológico e geológico, como factores condicionantes da implantação romana no terreno. Estuda-se o povoamento pré-romano, tentando o autor descortinar as relações entre os castros e as razões da sua permanência ou abandono após a chegada dos Romanos e quais destes aglomerados constituiriam povoados de primeira, de segunda ou terceira ordem. A capital da civitas, cujo nome romano se ignora, mas que se localizaria em Viseu merece um estudo atento e demorado. O autor refuta a ideia de aproveitamento de um castro anterior, tenta definir as muralhas e a sua evolução, determina as linhas urbanísticas, localiza o forum e estuda as necrópoles, a elas referindo as várias inscrições encontradas na cidade. A viação romana merece estudo atento. Além do levantamento exaustivo dos troços de vias e do estudo do traçado das mesmas, o autor refere os resultados de dois cortes efectuados na via romana de Coimbrões. Na terceira parte estuda-se a religião e a sociedade a partir dos dados fornecidos pela Epigrafia. O terceiro volume é um volume de gravuras, onde se incluem mapas desenhos e centenas de fotografias.
Humanidades
3,191
A arquitectura doméstica de Conímbriga e as estruturas económicas e sociais da cidade romana
Arquitectura doméstica,Conimbriga -- estruturas,Arquitectura romana -- Conímbriga
A presente tese é constituída por um estudo global da arquitectura doméstica da cidade romana de Conimbriga (prov. Lusitania), dividido em duas partes. O estudo é precedido por uma contextualização da evidência disponível em três aspectos principais: a história da investigação e o avanço do conhecimento; os contextos concretos da investigação no que diz respeito aos principais problemas da cronologia dos edifícios e da sua documentação, e o quadro global do que é conhecido da arquitectura doméstica no Império Romano. A primeira parte do estudo é constituída por uma análise sistemática dos vinte e sete edifícios domésticos conhecidos, no todo ou em parte, e de uma referência a dois edifícios não considerados no estudo por razões de vária ordem. A cidade propriamente dita está escavada em 15% da sua extensão máxima total. Dos edifícios conhecidos é feita referência à natureza, extensão e origem da informação disponível, são descritas as suas estruturas, apreciada a sua cronologia e arquitectura e são catalogadas as unidades residenciais identificadas. A catalogação das unidades residenciais é o elemento essencial para compreender as articulações internas dos edifícios e é a base indispensável para o suporte de algumas conclusões ulteriores do estudo. A segunda parte do estudo é composta por indagações aprofundadas dos aspectos mais significativos do conjunto estudado, nomeadamente, o aspecto ecológico da actividade edilícia na cidade, os modelos histórico-artísticos e etnográficos das construções e, elemento central de toda a tese, a articulação dos programas arquitectónicos domésticos com a ideologia a eles subjacente (analisada na perspectiva do Wertbegriff). A este elemento é associada uma análise da expressão ideológica dos programas decorativos reconhecidos nos mosaicos das principais residências. A articulação dos elementos reconhecidos em distintos cenários urbanos (na óptica proposta por A. Rapoport) é também desenvolvida. De particular importância neste apartado é, para além da verificação de um padrão muito fino de situações diversas de unidades residenciais recobertos seja pela designação tradicional de domus, seja pela de insula, a identificação de unidades de carácter semi-público, identificáveis como sedes de colégios ou corporações, designáveis de scholae. A estrutura sócio-económica da cidade é abordada através de uma reconstrução do volume demográfico da cidade, da estrutura social dessa população e do valor económico da construção doméstica como forma de expressão dessa estrutura. As conclusões centram-se sobretudo nas propostas de interpretação dos dados analisados como ilustrações de um conceito inovador do processo de “romanização” como um processo de enculturação através do qual as populações locais recentraram a sua posição numa esfera cultural e política (romana) nova através de um processo cognitivo, movido essencialmente pela competição interna por um estatuto social privilegiado expresso pela adesão a uma prática habitacional romana, com fundas consequências nos domínios cultural, social e económico.
Humanidades
3,192
Amílcar Pinto : um arquitecto português do século XX
Pinto, Amílcar, 1890-1978 -- obra,Arquitectura
Amílcar Pinto: um arquitecto português do século XX constitui em primeiro lugar um ensaio biográfico. Nos vários momentos do texto e da investigação, procurámos descobrir quem foi este “arquitecto ignorado” do século XX português. Investigando a vida do artista, perspectivou-se a razão de ser da obra de arte e, nesse contexto, revelou-se de utilidade extrema a realização complementar de um inventário exaustivo da obra arquitectónica de Amílcar Pinto, inventário que acompanha, em anexo, o presente estudo. No desenvolvimento do texto, adoptou-se uma estrutura em três capítulos. Inicialmente, propôs-se uma breve abordagem contextual que se entendeu designar por “Tendências gerais da Arquitectura Portuguesa nos inícios do século XX”. Trata-se de um esforço de síntese, com a necessária objectividade, no qual se pretendeu contribuir para a contextualização, na sua época, da obra de Amílcar Pinto. Posteriormente, num segundo momento, desenvolveu-se uma abordagem biográfica do arquitecto em análise, focando o seu período formativo, a sua evolução artística, assim como descortinando alguns perfis de clientela. Foi esta a biografia possível de construir à luz das fontes existentes, a qual esteve sempre orientada para o relato das vivências profissionais e artísticas deste arquitecto. Este esboço biográfico fez antever, desde logo, duas fases distintas na obra de Amílcar Pinto: uma primeira fase, que se poderá associar ao chamado “estilo tradicional português”; e uma segunda fase, já com aproximações ao moderno e bastantes influências das linhas e das formas da “arte deco”. Assim, no terceiro capítulo, a evolução estilística da obra arquitectónica de Amílcar Pinto foi o nosso objecto de estudo primordial, tendo aí desenvolvido a análise histórica e crítica das principais obras do arquitecto, com base numa abordagem sincrónica e em critérios tipológicos. Na verdade, poder-se-á dizer que investigar, nas suas diversas fases, o percurso e a obra de Amílcar Pinto, “exumando a sua memória”, foi também desvendar a evolução da arquitectura portuguesa coeva, contribuindo para a definição de intenções e de aspirações, tanto dos arquitectos, como da encomenda e da aceitação por parte do público.
Humanidades
3,194
Representações rupestres no Piemonte da Chapada Diamantina (Bahia, Brasil)
Arte rupestre -- Chapada Diamantina,Vestígio arqueológico -- Brasil,Pinturas ruprestes -- Bahia -- Brasil,Arqueologia -- Bahia -- Brasil
O objeto de estudo desta pesquisa são os sítios de representações rupestres do Piemonte da Chapada Diamantina. O problema inicial de investigação parte da discussão da noção de tradição na arqueologia brasileira e da sua aplicação nos estudos das representações rupestres no Nordeste do país. Este caminho levou a constatação de que os signos geométricos identificados são estudados de maneira parcial, em decorrência da dificuldade de apreensão de seus conteúdos e por dispor de formas representadas universalmente, argumento contrário a perspectiva de construção de cenários arqueológicos regionais. Na contramão desta compreensão, neste trabalho buscou-se verificar se os signos geométricos identificados no Piemonte apresentavam repertórios gráficos significativos, de maneira a se constituir como elementos para construção de cenários arqueológicos regionais. Para atingir este objetivo partimos para a observação da paisagem do Piemonte da Chapada Diamantina, quando levantamos dados sobre a sua conformação (geotectônica, geologia, geomorfologia, solos, hidrografia, clima, vegetação, paleopaisagem e uso atual), conduzindo à compreensão dos locais escolhidos pelos grupos humanos para a ocupação e entendendo os fatores que evidenciam a relação de reciprocidade entre o homem e o meio. Com esta base, estudamos os sítios rupestres, supondo existir significados subjacentes às pinturas e adotando a noção de gramática para análise das 49 jazidas arqueológicas levantadas. A partir desta perspectiva, foi possível indicar três perfis gráficos específicos para a região, provavelmente fruto de uma sucessão de momentos distintos de ocupação do território, dentre os quais o mais expressivo é formado quase exclusivamente por símbolos geométricos. A partir do estudo de caso é possível concluir que as representações geométricas constituem importantes fontes para construção de panoramas arqueológicos regionais, além dos dados possibilitarem induzir diretrizes específicas para a observação da região e, consequentemente, para a continuidade futura dos estudos arqueológicos no Piemonte da Chapada Diamantina.
Humanidades
3,197
Vidros da Terra. O vidro tardomedieval e moderno em Portugal (séculos XIV-XVII). O contributo da arqueologia
Portugal,História do vidro,Idade Média,Época Moderna,Técnicas de produção,Tipologia,Arqueometria,Arqueologia
Neste trabalho procurou-se investigar a produção, o uso e a circulação dos objectos em vidro, em Portugal, entre a Idade Média tardia e o início da época moderna, tendo, como fonte principal, a arqueologia. A partir de espólios procedentes de escavações arqueológicas levadas a cabo em várias localidades do país (Tarouca, Coimbra, Lisboa, Almada, Beja e Tavira), procurámos construir o quadro da evolução tipológica deste material, do séc. XIV até ao séc. XVII, colmatando, assim, uma lacuna existente nos estudos sobre cultura material portuguesa. O estudo tipológico foi integrado com outros aspectos, respeitantes aos processos tecnológicos que permitem a laboração do vidro e a produção de objectos. As análises químicas, realizadas sobre uma selecção de peças, permitiram identificar as matérias-primas utilizadas para o fabrico. Esta classificação tipológica constituiu base suficiente para traçar a evolução do uso e da circulação do vidro, em Portugal, nas épocas consideradas. Os dados recolhidos foram utilizados de forma transversal e reagrupados a partir de outros pontos de vista, a saber: a provável origem das peças, a evolução cronológica dos tipos e as modalidades de uso do vidro em Portugal. Combinando os dados arqueométricos com o estudo estilístico, foi possível reconhecer objectos importados e avançar hipóteses sobre os lugares de produção. Algumas das perguntas que colocámos emergiam da necessidade de determinar se os achados arqueológicos teriam ajudado a desvendar a fisionomia das produções locais, cuja existência tinha sido afirmada pelas fontes escritas, mas ainda não se encontrava comprovada pela arqueologia. Na falta de dados arqueológicos sobre fornos a trabalhar no país, anteriores ao séc. XVIII, tivemos que proceder na dependência, quer das informações que pudemos obter da análise estilística, quer da contribuição da arqueometria. Comparando os vidros dos espólios portugueses com a vidraria europeia das mesmas épocas, tornou-se evidente a presença de objectos cujas características, estilísticas e tecnológicas, permitiram identificá-los com objectos de importação, saídos maioritariamente das produções veneziana ou façon de Venise. Claras características partilhadas com a produção vidreira espanhola vieram, também, a constatar-se. Por outro lado, na base da mesma comparação, conseguimos identificar grupos de objectos que, devido a peculiaridades formais e ornamentais inquestionáveis e aos tipos de vidros utilizados, podemos excluir como derivados das produções europeias até hoje conhecidas; lográmos avançar a hipótese de os imputar a outras oficinas, talvez portuguesas. Através de seriações cronológicas das formas e dos tipos identificados, e recorrendo, também, às fontes documentais e iconográficas, foi possível identificar em que medida os objectos de vidro participaram na construção do quotidiano, e que correntes tecnológicas e estilísticas se encontram documentadas nos artefactos estudados. Podemos, portanto, afirmar que foi possível analisar factores de continuidade e de inovação no uso do vidro, em Portugal, entre o séc. XIV e XVII. Nas primeiras duas centúrias, predominam as formas medievais, com estritas analogias com a vidraria europeia; nos séc. XVI e XVII, há uma maior individualização estilística e intensificam-se as importações. A identificação da procedência dos vidros tidos como importados tem permitido confirmar que, nos séculos considerados, as correntes comerciais dominantes trouxeram a Portugal, sobretudo, peças procedentes de Veneza, de centros de fabrico façon de Venise e, possivelmente, de Espanha. Contudo, o afluxo de mercadoria importada não impediu o desenvolvimento da produção vidreira nacional, que aproveitava de matérias-primas locais e fabricava objectos providos de formas próprias. Esta abordagem permitiu trazer à luz uma nova realidade e ultrapassar, desta forma, algumas das noções existentes sobre a indústria vidreira portuguesa, fundamentadas, meramente, em documentos escritos. Emergiram novos conceitos, relativos à importância do vidro no quotidiano do Portugal tardomedieval e moderno.
Humanidades
3,199
Arqueologia Social Inclusiva. A Fundação Casa Grande e a Gestão do Património Cultural da Chapada do Araripe
Arqueologia social inclusiva
Esta tese apresenta o estudo de caso da Fundação Casa Grande que utiliza dos conhecimentos sistematizados pela arqueologia, no delineamento de soluções práticas e caminhos frente aos problemas concretos da comunidade de Nova Olinda, Chapada do Araripe, Brasil. Essa comunidade através de suas crianças, pôde legitimar a herança do patrimônio arqueológico como guardiãs da memória local, construindo cidadania e dignificando suas próprias vidas. Essas heranças revividas, foram recriadas e retransmitidas pelas próprias crianças na construção da cidadania: Inventariando, conhecendo, preservando, partilhando e divulgando os antigos e novos saberes. Com essa experiência, pôde-se ainda inferir que a arqueologia deve sim, proporcionar e desenvolver os interesses científicos e sociais de produção de conhecimento sobre a herança cultural numa pequena comunidade,inserida em um macro contexto arqueológico, como a Chapada do Araripe e o Nordeste do Brasil. Neste processo de entrega do patrimônio cultural à contemporaneidade a arqueologia inscreve um potencial fundamental de desenvolvimento de uma Arqueologia Social Inclusiva, embasada numa experiência concreta, mas ao mesmo tempo intangível de reafirmação de identidade.
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3,221
Memórias da minha terra, Amor: uma aldeia, um património
Património cultural -- Amor,Património edificado -- Amor,Amor -- distrito de Leiria
A aldeia de Amor, localizada junto à cidade de Leiria, conhece-se pela lenda que lhe atribui o nome com base nos amores de D. Dinis. No entanto, o lugar é mais do que uma lenda. Possui património edificado, (i)material e natural que o tornam diferente de todos os outros envolventes. As histórias, as experiências, o modo de vida e as condições económicas condicionaram os habitantes e o seu modo de estar e de viver. Assim, pretende-se que esta mostra dos diferentes tipos de património existentes em Amor seja o primeiro passo para a tomada de consciência dos próprios habitantes acerca da riqueza que tem a sua terra e da necessidade da sua preservação. Pretende-se que a sintam como sua e que dela não façam apenas dormitório. A história da criação do lugar enquanto freguesia e as tentativas de explicação a propósito da origem do topónimo serão os temas introdutórios. A nível do património edificado, merecerão destaque a igreja matriz, os moinhos, as fontes, os lavadouros e as habitações. Ao nível do património (i)material, vamos debruçar-nos sobre as tradições orais, os usos e os costumes sociais, as tradições religiosas e profanas, as artes e os ofícios tradicionais. Os Campos do Lis e os Altos de S. Paulo merecerão o realce como património natural. Estas as áreas mais vivas na lembrança dos que ainda têm muito para contar. Longas conversas, histórias, recordações, memórias e fotografias antigas foram mote para recolha de informações… Acarinhámos a criação de «raízes» – que só assim o património será valorizado. Na transmissão às gerações vindouras – numa identidade a não perder
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3,223
Estudo arqueológico do território compreendido entre Aljazede/Ateanha, Chão de Ourique/Póvoa e Vale do Rio Dueça : evolução entre a época romana e altomedieval
Arqueologia,Vestígio arqueológico romano -- concelho de Ansião
Nesta dissertação de mestrado, cujo tema é o estudo arqueológico do território compreendido entre Aljazede / Ateanha, Chão de Ourique / Póvoa e Vale do Rio Dueça, realizo uma síntese sobre a dinâmica e transformação das formas de ocupação do espaço, entre a época romana e altomedieval. Tanto durante o período Romano, como já na Alta Idade Média, verifico a preponderância da passagem das vias de comunicação neste local e as transmissões feitas ainda numa fase pré-romana. A predominância dos sítios rurais durante os séculos IV e V é atestada pela presença de três villae (Rabaçal, S. Simão e Santiago da Guarda). Analiso assim, a forma como a localização destas estruturas foi preponderante na evolução da área de estudo, que se centra na Várzea de Aljazede. Entre a antiguidade tardia e os inícios da nacionalidade, existe um vazio de conhecimentos histórico-arqueológicos para este local, patente também nos princípios da ocupação romana. Pretendo através do estudo dos vestígios de superfície e da morfologia rural, obter resultados que me levem a compreender a dinâmica ocupacional desenvolvida entre a época romana e altomedieval na área determinada para investigação.
Humanidades
3,225
Habitação nobre da vila de Condeixa
Arquitectura -- Condeixa-a-Nova -- Portugal,Palácios -- Condeixa-a-Nova -- Portugal
A descrição dos palácios de Condeixa-a-Nova a nível arquitectónico e histórico bem como o seu enquadramento e importância na história da vila.
Humanidades
3,226
Modelos didáticos na museologia e ensino da botânica na Universidade de Coimbra
Museologia -- Coimbra,Botânica -- ensino,Modelos botânicos
Com este trabalho pretendeu-se iniciar o estudo dos modelos da Universidade de Coimbra, particularmente os modelos botânicos. Uma primeira contribuição para a definição de tipologias é apresentada, com base na observação dos diversos modelos existentes na Universidade. É feita uma sinopse histórica interligando o ensino da Botânica com o desenvolvimento dos museus, especialmente Museus de História Natural, ao longo do tempo até aos dias de hoje, com enfoque na museologia universitária de Coimbra. Na terceira parte do estudo é apresentada a colecção de modelos botânicos enquanto caso de estudo, iniciando-se com a história destes objectos desde que foram adquiridos até aos dias de hoje. As particularidades deste acervo são expostas e segue-se a sua caracterização, bem como uma contribuição para um melhor conhecimento acerca dos fabricantes, com base em dados extraídos de cada um dos modelos analisados.
Humanidades
3,228
Lucernas, candis e candeias : para uma distribuição geográfica no território português
Lucernas -- Portugal,Candeias -- Portugal,Candis -- Portugal,Iluminação -- Portugal -- séc. 4-13
A abordagem proposta incide na análise de utensílios de iluminação, visando depreender a sua evolução crono-morfológica, do período paleocristão (séculos IV e V) à Reconquista (séc. XIII) e a sua distribuição geográfica no actual território português. A metodologia adoptada fundamentou-se na pesquisa bibliográfica, considerando-se publicações científicas, onde há referência à exumação de lucernas, candis ou candeias, e sempre que tais luminárias, inseridas em colecções de museus, foram alvo de estudo. Dos resultados obtidos pode inferir-se uma relação de continuidade entre as distintas formas, verificando-se afinidades e ausência de rupturas entre produções. Na análise da distribuição geográfica identificaram-se lucernas tardias em 37 sítios, localizados sobretudo no litoral e em regiões meridionais. A maioria resulta de produções locais ou regionais, registando-se, de igual modo lucernas de origem norte africana. Relativamente aos candis, há uma clara predominância de exemplares conhecidos, posteriores ao período emiral. A sua dispersão revela maior incidência no Sul do país, em particular no Alentejo e Algarve. Nos 31 sítios onde se registaram, verifica-se a relação com importantes eixos viários ou fluviais, frequentemente associados aos principais assentamentos. Raros exemplares provêm de regiões a norte do Tejo, denotando-se, à semelhança das lucernas, demarcada ausência no interior. A partir da segunda metade do séc. XII e até às primeiras quatro décadas do séc. XIII, são as candeias simples ou com pé alto, que, tendo já substituído os candis, perpetuam a sua forma. Identificadas em 16 sítios, surgem sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo e no sul do país. Os exemplares de pé alto são menos comuns, concentrando-se sobretudo no Baixo Alentejo e Algarve, em estrita relação com vias de comunicação. Concluí-se que a persistência de algumas formas se traduz numa continuidade em relação às produções precedentes. De igual modo, a dispersão geográfica dos vários objectos de iluminação corrobora tal inferência, verificando-se padrões e frequências coincidentes, além da clara relação com eixos viários, que se inscrevem na longa diacronia.
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3,232
Cerâmicas Medievais de Santa Olaia (Figueira da Foz) depositadas no Museu Municipal Dr. Santos Rocha
Cerâmica medieval
O presente relatório é fruto de um estágio realizado no Museu Municipal Dr. Santos Rocha, proporcionado pelo Gabinete de Estágios da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no âmbito do 2º ano do Mestrado de Arqueologia e Território. O nosso intuito é demonstrar, a partir da análise de um lote de cerâmicas, a importância do Castelo de Santa Olaia durante a fase da Reconquista cristã, sobretudo devido ao seu papel de proteção, de defesa e de vigilância na “linha” fronteira do Baixo Mondego, atalaia de Coimbra e Montemor-o-Velho. Inicialmente, selecionámos as cerâmicas correspondentes ao período medieval do sítio arqueológico de Santa Olaia, freguesia de Santana (Figueira da Foz), recolhidas por Santos Rocha, que ainda não tinham sido alvo de estudo. Contudo, verificando-se existirem outras peças de escavações mais recentes, coordenadas pela Dra. Isabel Pereira, no referido Museu, englobámo-las neste estudo, a fim de complementá-lo. No nosso trabalho, procedemos a todas as etapas aquando de um estudo cerâmico, como a marcação (e remarcação), a colagem, o registo gráfico e fotográfico, a inventariação e a catalogação. Posteriormente, consultámos bibliografia de diversos estudos cerâmicos para o estabelecimento de paralelos com base na morfologia e decoração das peças. Assim, com esta análise, foram identificadas cerâmicas exógenas, de importação, de filiação islâmica, em que predominam as jarrinhas e os púcaros de colos cilíndricos retos e corpos globulares, típicos dos períodos emirais e califais, mais propriamente, dos séculos IX-XI. A análise revelou igualmente, um conjunto de fabrico local, de cerâmica comum, composto por panelas, potes, bilhas, com decoração incisa e puncionada nas asas, que correspondem a fabricos redutores, frequentes no Norte Peninsular, enquadrados entre os séculos X e XIII, correspondendo o último século ao abandono de Santa Olaia. This report is the result of an internship held at the Museu Municipal Dr. Santos Rocha, provided by “Gabinete de Estágios” da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, in the 2nd year of the Master of Archaeology and Planning. Through the analysis of a batch of ceramics, our aim is to demonstrate the importance of the Castle Santa Olaia during the Christian Reconquista mainly due to its role of protection, defense and surveillance in the frontier "line" of Baixo Mondego, guard of Coimbra and Montemor-o-Velho. Initially we selected ceramics corresponding to the medieval period of the archaeological site of Santa Olaia, parish of Santana (Figueira da Foz), which were collected by Santos Rocha and had not yet been studied. However, the most recent excavated pieces in the museum, coordinated by Dr. Isabel Pereira, turned out to be an important complement for the research. Thus we carried out all the steps of a ceramic study, such as marking (and markup), re-assemblage, graphic and photographic registration, inventorying and cataloging. Subsequently we consulted the bibliography of various ceramic studies as to be able to compare and relate based on morphology and decoration. This analysis enabled us to identify various kinds of ceramics: exogenous, imported, of Islamic affiliation, mainly jarrinhas and jugs of straight cylindrical necks and globular bodies, typical of periods emirais and califais, more specifically, in the IX-XI centuries. It has also revealed to us a set of local manufacture of common ceramic, composed of pots, jars with engraved and perforated decoration on the wings, which correspond to reducers manufactures frequently found in Northern Iberia, framed between the X and XIII centuries, the latter corresponding to the abandonment of Santa Olaia.
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3,234
Torre Velha 3 entre a Antiguidade Tardia e Alta Idade Média: Contextos materiais do "Ambiente II"
Arqueologia,Arqueologia Medieval
Os trabalhos realizados para a construção da Barragem da Laje, entre 2008 e 2009, pela Palimpsesto, permitiram documentar uma série de vestígios arqueológicos do Calcolítico, Bronze final, Idade do Ferro e da Antiguidade Tardia e período emiral. Esta última fase é representada por contextos habitacionais, domésticos e funerários, nos quais se recolheu volume considerável de espólio. As intervenções colocaram a descoberto o lagar ou prensa do “Ambiente I” e o complexo habitacional do “Ambiente II”, diversas estruturas, sobretudo, silos/fossas e “fundos de cabana”. Acrescentam-se-lhes também a identificação de diversas sepulturas, arquitectadas na necrópole e algumas dispersas pela zona habitacional. O estudo dos materiais, particularmente, cerâmica comum, cerâmica de importação, cerâmica de construção e metais, exumados do “Ambiente II” e espaço circundante, permitiu caracterizar as formas e funções das produções oleiras locais e regionais e analisar peças exógenas, nomeadamente, objectos metálicos. Grande parte dos materiais corresponde à cerâmica comum, repartida pelos recipientes de cozinha, mesa, armazenamento e cozinha e higiene pessoal, com destaque para as panelas/pote de perfil em “S” e para a decoração impressa a corda, típica dos contextos tardo-antigos, e panelas “valencianas”, típicas do período emiral. Juntam-se o aplique de cinturão e o felús, indicadores da presença de populações germânicas e muçulmanas em Torre Velha 3, sítio ocupado continuamente entre os séculos IV/V e IX.
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3,235
Paisagens do Baixo Mondego: Por um debate acerca de Ega, Arrifana e Picota
Arqueologia,Baixo Mondego,Morfologias,Arqueogeografia,Paisagem,Longa duração
Na paisagem do Baixo Mondego, na charneira entre os terrenos de campo e os terrenos de monte, articulados, neste caso, pelo rio de Mouros, importante afluente, na margem sul, do rio Mondego, encontramos as localidades de Ega, Arrifana e Picota. Sobre elas, recai, no âmbito desta dissertação na especialidade de Arqueologia Medieval e Moderna, uma análise morfológica que se quer na longa duração para melhor compreender a ocupação e exploração do espaço; foca-se, portanto, nas planimetrias. À escala destas localidades, mas superando-as quando necessário, como na análise da rede viária, centramo-nos nos processos de construção da paisagem, que, embora incomensuráveis à escala das tradicionais disciplinas, permitem-nos traçar, com alguma segurança, a evolução da área objecto de estudo; comprova-se, então, a capacidade destas análises em contribuírem, de forma autónoma, para o esclarecimento de certos aspectos sociais, políticos, territoriais e económicos das sociedades.
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3,237
Modelo preditivo logístico aplicado aos povoados proto-históricos da Beira Interior
Beira Interior,Proto-história,Regressão logística,Sistemas de Informação Geográfica,Mapa preditivo,Bootstrap
Visando uma melhor compreensão dos fatores que terão contribuído para a escolha dos locais de implantação de povoados proto-históricos na região da Beira Interior, recorreu-se a várias técnicas de análise estatística univariada, assim como a uma regressão logística multivariada e a Sistemas de Informação Geográfica. Analisou-se 15 variáveis ambientais e culturais em todo o território de estudo, tendo-se selecionado 4 destas para integração no modelo logístico final. A seleção das mesmas foi corroborada por meio de um método de reamostragem, bootstrap, tendo sido obtido o mesmo modelo que o alcançado anteriormente. Das 4 variáveis finais salienta-se a importância do estudo da visibilidade e defensibilidade para toda a área em apreço, e não somente para os povoados conhecidos. Comprovou-se assim que a maioria dos sítios arqueológicos se encontra implantada nos locais a nível do território, que maximizam localmente estes dois fatores. Para avaliação do modelo final foi utilizada uma amostra de validação, constituída por 19 povoados de localização conhecida, e que não foram usados na construção deste, tendo-se alcançado o valor de 0.975 para o Índice de Ganho de Kvamme. Obteve-se também uma redução das zonas de maior probabilidade a apenas 1.5% da área total em estudo, conseguindo-se bons valores de exatidão e precisão. Aplicando este modelo logístico a toda a área da Beira Interior foi possível obter um mapa de probabilidade de ocorrência de povoados proto-históricos, criando-se assim uma ferramenta auxiliar na prospeção e salvaguarda dos mesmos.
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3,239
Territórios, recursos naturais e salinas. As técnicas tradicionais de produção de sal. O caso da Salina Municipal do Corredor da Cobra (Núcleo Museológico do Sal), Figueira da Foz
Figueira da Foz,Núcleo Museológico do Sal,Sal,Salinas,Instrumentos de produção de sal,Etno-arqueologia
O presente relatório é o resultado de um estágio realizado no Núcleo Museológico do Sal (dependência cultural do Museu Municipal Dr. Santos Rocha) inserido na Salina Municipal do Corredor da Cobra, na freguesia de Lavos (Figueira da Foz). Pretende-se apresentar o estudo dos instrumentos de produção de sal (que apesar de contemporâneos configuram protótipos que remontarão pelo menos ao período medieval), bem como a valorização turística e patrimonial das salinas, estudando-se o caso de sucesso do Núcleo Museológico do Sal. Directamente relacionado com o estudo dos instrumentos, apresentam-se os métodos e técnicas artesanais de produção de sal, bem como as infraestruturas onde esta se desenvolve. Neste sentido, analisam-se os vários compartimentos, canais de derivação de água e as divisórias que compõem as salinas, direccionando-se, a análise para a Salina Municipal do Corredor da Cobra. Para concretizar este estudo, realizou-se um pequeno trabalho de campo (etnográfico) culminando na recolha de alguns depoimentos de marnotos, no activo, no salgado da Figueira da Foz. De modo a corroborar a importância do sal em Portugal, bem como a antiguidade da sua exploração, expõem-se algumas fontes documentais, que atestam a presença de salinas desde período medieval, particularmente desde 929, data da primeira referência escrita conhecida até à data. O estudo do sal do ponto de vista da Arqueologia não é fácil, uma vez que esta actividade desenvolve-se em estruturas laboradas com materiais perecíveis, o que dificulta o registo arqueológico, pelo que na área em estudo não se conseguem datar as primitivas infra-estruturas salícolas devido à constante reutilização e laboração das mesmas. Todavia, em outras regiões portuguesas e espanholas, conhecem-se evidências de infra-estruturas salícolas (elaboradas com materiais mais resistentes) que remontam ao período medieval e sobretudo ao período romano. Para esta época, alude-se às fábricas de preparação de preparados piscícolas, relacionadas, claramente, com a produção de sal. Na Península Ibérica, o registo arqueológico da exploração de sal remete também para a Pré-História e Proto-História, embora a mesma ocorresse em “moldes” um pouco distintos como se demonstrará.
Humanidades
3,314
corpxs sem pregas: performance, pedagogia e dissidências sexuais anticoloniais
performance,performance
Esta pesquisa trata de práticas e teorias artísticas e educacionais que elaboram desidentificações às hegemônicas epistemologias ocidentais, através da proposição de metodologias criativas e políticas em performance e pedagogia que reinscrevem e reconstroem discursos, representações, imaginários e práticas corporais, em (re)posicionamentos que transitam entre as dissidências sexuais e as desobediências anticoloniais. As estratégias adotadas, neste trabalho, estão entrelaçadas com as minhas vivências e identidades fraturadas enquanto artista/pesquisadxr/educadxr latino-americano e dissidente sexual, por meio de construtos artísticos nomeados, aqui, de convivialidades performáticas transficcionais que questionam as relações geopolíticas constituídas através das colonialidades em agendas culturais, educacionais e existenciais da produção de conhecimentos entre o global e o local. Para isto, proponho uma coreorgia entre as instâncias de criação, realização, documentação e análise de cinco convivialidades performáticas transficcionais, a partir de conhecimentos incorporados no ao vivo e/ou por mediações tecnológicas, em uma escrita performativa, instaurando possíveis pistas para os corpxs sem pregas: protocolos de experimentação em arte, cosmovisão artístico-educacional que contamina corpxs e espaços, em liminares dissidências sexuais e desmontagens epistêmicas anticoloniais. De forma debochada, os corpxs sem pregas podem acionar rachaduras na colonial/modernidade, que possam interferir e reconstruir corpxs e espaços em performance e pedagogia, escancarando para outras formas de viver e (re)existir, em múltiplas intersecções, resistências, conhecimentos e curas.
Humanidades
3,315
O Renascimento em Coimbra. Modelos e Programas Arquitectónicos
Arquitetura Portuguesa,Coimbra, Século XVI
Análise dos programas e modelos de maior repercussão em Coimbra no século XVI.
Humanidades
3,316
Matéria das Astúrias. Ritmos e realizações da expansão asturiano-leonesa no actual centro de Portugal. Séculos VIII-X
História da Arte Medieval,Reino de Astúrias,Moçárabes,Viseu
Há muitas formas de caracterizar o século VIII. Neste estudo, pretendi esclarecer o real alcance dos agentes de Córdova e de Oviedo no Ocidente peninsular e discutir a importante acção de berberes e de moçárabes naquele primeiro século do Emirato de Córdova e do reino das Astúrias. O resultado final é um contributo para a definição de um panorama mais rigoroso acerca de um século sobre o qual se sabe ainda tão pouco. Esclarecidas as “fronteiras” (ou a sua ausência) entre os blocos civilizacionais que, na Idade Média, protagonizaram a (re)conquista, pretendi estudar a forma como os agentes colonizadores asturianos e leoneses se instalaram no espaço entre os rios Douro e Mondego, a partir da segunda metade do século IX. Assumindo que existiram terras de ninguém - no sentido em que, durante muito tempo, largas faixas da Península Ibérica não estiveram vinculadas a poderes delegados de Córdova ou de Oviedo-León e que, por isso, mantiveram ou criaram fórmulas específicas de auto-regulação - concluo que a acção colonizadora setentrional terá sido tendencialmente pacífica (sem que subsista notícia acerca de enfrentamentos militares pela posse do território) e de uma extraordinária amplitude geográfica, que abarca praticamente todo a área entre o rio Côa e o Oceano Atlântico, e entre o rio Douro e regiões mais difusas a Sul da Serra da Estrela e do rio Mondego. Esta dinâmica colonizadora globalizante em direcção ao actual centro de Portugal, que a documentação da época situa sobretudo numa faixa ocidental mais litoral, entre Santa Maria da Feira e Coimbra, conhece-se especialmente graças aos contributos da História da Arte e da Arqueologia. No vasto território interior entre Penacova e Numão, entre Arouca e Trancoso, subsistem os vestígios materiais mais impressivos da primeira expansão do bloco cristão setentrional sobre o Ocidente peninsular. Neste âmbito, S. Pedro de Lourosa continua a ser a principal referência construtiva (enriquecida, em anos recentes, com novas e problemáticas leituras sobre o que representa). Mas a análise territorial mais profunda, que tive ocasião de sintetizar, reafirma a verdadeira importância de outros locais, como S. Pedro de Balsemão, o Mosteiro de Fráguas, S. Martinho da Várzea de Lafões, a Sé de Viseu, o castelo de Trancoso, a Senhora do Barrocal, a igreja do Prazo, e um número crescente de sítios onde os agentes asturianos e leoneses deixaram registo material da sua instalação. Durante século e meio, diferentes vagas da expansão asturiana e leonesa alteraram profundamente a paisagem construída do território. Entre os agentes da colonização conta-se um príncipe, um rei, diversas famílias condais, bispos, comunidades monásticas, presbíteros e um número indeterminado de homens e mulheres livres, atraídos pelas possibilidades oferecidas por toda uma região a presuriar. Os dados reunidos nesta tese asseguram ao centro do actual território de Portugal continental o estatuto de capítulo essencial para a história dos reinos de Astúrias e de Leão. Foi aqui que aquelas unidades políticas mais se expandiram para Sul até finais do século X. E é aqui que se encontram materiais em quantidade e qualidade inequívocas da sua presença.
Humanidades
3,317
A Emergência da Ciência Moderna e a sua Representação no Texto Dramático
Teatro e ciência,Texto dramático de tema científico,História do Teatro,História da Ciência
Nas últimas três décadas assistimos a uma proliferação cada vez mais intensa de temas científicos em peças de teatro. A partir da constatação desta singularidade, este estudo procura estabelecer quais os primeiros momentos de encontro entre o teatro e a ciência moderna, analisando a produção literária dramática no período de emergência daquela. O resultado é uma viagem pela história do teatro, da ciência e das sociedades europeias dos séculos XVI, XVII e início do XVIII, através da análise de um corpus de peças que abordam um espectro temático amplo, desde as artes pré-científicas como a astrologia, a alquimia e a magia natural, até as primeiras representações da ciência moderna. O estudo está dividido em seis capítulos que correspondem ao agrupar por temas do corpus de textos dramáticos estudados. O primeiro reúne um conjunto de peças que refletem uma presença intrínseca da astrologia nas crenças e costumes das sociedades europeias europeias do século XVI e XVII. No segundo estão reunidos textos em que a presença das artes está associada à fraude e ao engano. No terceiro capítulo estudamos o caso particular de El Astrologo Fingido, da sua influência e adaptações. Num quarto momento debruçamo-nos sobre o conjunto das “peças médicas” de Molière, analisando o tratamento dramático dado por este autor à medicina. O quinto capítulo incide sobre a peça The Tragical History of Doctor Faustus e da relação aí estabelecida entre conhecimento e poder. Finalmente, no último capítulo, analisamos um conjunto de peças onde é possível detetar uma progressiva inscrição ciência moderna, associada às figuras epocais do século XVII do virtuoso, do projetista e do filósofo natural, e também à discussão pública sobre a educação e erudição femininas.
Humanidades
3,318
O Limite da Margem na Arte em Portugal (Sécs. XIV-XVI)
História da Arte,Iconologia,séculos XIV, XV, XVI,Margem,Marginalia,Parergon
Num momento em que a margem se tornou um lugar-comum dos interesses e preocupações das Humanidades em geral e da História da Arte em particular, importa questionar os seus limites epistemológicos e operativos, sem deixar de reconhecer o seu imenso potencial para o conhecimento dos objectos - policrónicos, heterocrónicos ou anacrónicos (Didi-Huberman) - do passado. Movendo-se entre o início do século XIV e o início do século XVI, esta tese propõe-se precisamente abordar, a partir do caso português e das suas inevitáveis infiltrações, interacções e influências além-fronteiras, um dos períodos da História da Arte que mais recentemente têm servido à Iconologia como campo experimental para a revisão dos seus próprios limites: na descodificação das imagens do passado, no enfrentamento da enorme espessura cronológica do objecto artístico, na relação, por vezes teoricamente turbulenta, entre texto e imagem. Partindo, assim, da construção histórica e historiográfica da própria ideia de margem, imagens marginais, ornamento e superfluidade, este trabalho procura problematizar o conceito de marginalia, gerado nos domínios da literatura, estendido à codicologia e recentemente aplicado, em crescendo, às margens de todo e qualquer suporte da imagem pertencente à “longa Idade Média” (Le Goff) que, precisamente nas margens, escorre para lá do artifício dos seus limites e se (con)funde com a modernidade. Instrumentalizando a noção de parergon, e partindo da glosa de Derrida sobre a formulação kantiana da obra e do seu suplemento, do seu entorno, do seu excesso, do que está sobre ela, em torno dela, para além dela, propõe-se ainda entender a margem e as imagens marginais como superfluidade indispensável a um espaço ou um objecto, porque a ele intrínseca e com ele dialogante. Este espaço ou objecto encontram-se, por sua vez, na arquitectura religiosa, no mobiliário coral, na tumulária, na iluminura, com muitos outros suportes da imagem a alimentarem paralelos e contactos iconográficos. Dividida em três partes, que articulam a história e teoria dos marginalia medievais, para depois acompanharem a sua presença na arte em Portugal entre os séculos XIV e XVI e finalmente consubstanciarem as suas premissas gerais na abordagem histórico-artística e iconológica ao Mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha), eleito como estudo de caso, esta tese procura estender a problematização da margem para lá do entorno – mais ou menos vazio, mais ou menos habitado - do fólio iluminado em direcção ao limite, à extremidade, ao interstício, à (in)visibilidade do objecto artístico que se constrói a partir da tensão e da interacção constante entre os seus centros e as suas margens. Porque a margem contém o profano, o monstruoso, o grotesco e por vezes até o transgressivo, mas não se define a partir deles, esta tese procura também explorar outros temas e outros sentidos, que vão ao encontro da participação dialógica no centro, ao seu complemento e à sua diluição, mas nem sempre à sua contradição.
Humanidades
3,319
Arte Monástica em Lorvão: Sombras e realidade: I - Das origens a 1737
Lorvão -- Monografia Histórica
O longo passado artístico do Mosteiro de Lorvão é traçado tendo em atenção todas as condicionantes de ordem geográfica, política, económica, social e principalmente cultural. Este passado apresenta-se, por via de regra, como o espelho dos momentos mais felizes ou infortunados da sua história, mas é, acima de tudo, a expressão do ideal espiritual que sempre presidiu à vida da comunidade. Instituição masculina do monaquismo peninsular, nascida no século VI (pedra visigótica), acabou por adoptar a Regra de S. Bento e sofrer uma grande reforma nos alvores do século XIII, operada pela rainha D. Teresa, filha de D. Sancho I, que a transformou no primeiro mosteiro feminino cisterciense de Portugal. É estudada a arte da época medieval através dos vestígios, peças subsistentes e referências. 1597 marca o início da renovação dos edifícios, com a construção do novo claustro. As obras, que transformaram por completo a fisionomia da velha casa monástica, prolongar-se-iam até ao começo do século XIX, mas são analisadas apenas até 1737, data da inauguração da noviciaria, duplamente significativa, pois marca o fim do ciclo do Barroco, e simultaneamente o início de nova geração de religiosas, com outra sensibilidade estética. Todas as obras realizadas se subordinaram à preocupação da qualidade, pelo que sempre se recorreu a artistas bem conceituados. Por Lorvão passaram, no período estudado, arquitectos como Carlos Gimac e Gaspar Ferreira, pintores como Miguel de Paiva, André Reinoso e Agostino Masucci, escultores como Manuel Ferreira e João da Rocha, entalhadores como Simão da Mota, Luís Vieira da Cruz e Bento Vieira, para não falar em ourives prateiros como Manuel Carneiro da Silva e muitos outros mestres. Realça-se a actividade dos monges arquitectos de Cister: Fr. João Salvado (dormitório e talvez varandas do claustro), Fr. João do Espírito Santo (retábulo-mor de 1698), Fr. Luís de S. José (retábulo das Santas Rainhas), Fr. Alexandre de S. João (planta da noviciaria).
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3,324
A morada da sabedoria
História da arte,Universidade de Coimbra -- Paço Real de Coimbra,Universidade de Coimbra -- Edifícios -- Arquitectura -- Evolução
Tendo por objecto o Paço Real de Coimbra na primeira etapa da sua existência, até nele se alojar, em 1537, a Universidade Portuguesa e partindo de um cruzamento exaustivo de fontes nunca antes tentado em tão vasta escala, apoiado num amplo conjunto de intervenções arqueológicas, a dissertação permitiria exumar a primitiva estrutura da alcáçova de Coimbra, núcleo embrionário do actual edifício — um vasto quadrilátero flanqueado de torres circulares, ao gosto dos palácios omíadas e abássidas do Próximo Oriente, erguido por Almançor ao redor de 994 —, ao mesmo tempo que reconhecer a sua evolução no decurso do tempo, até aos meados do século XVI: a edificação do primitivo palatium, composto de capela e aula anexa, erguido pelo alvazir D. Sesnando, após a reconquista definitiva da cidade, cerca de 1080; a vasta campanha de obras levada a cabo por D. Afonso IV cerca de 1330; a intervenção de D. João I, em finais do século XIV; a do Infante D. Pedro, seu filho, entre 1415 e 1430; a grandiosa reforma dinamizada por D. Manuel I a partir de 1507 e concluída por seu filho, D. João III, em 1533; as obras decorrentes do estabelecimento no palácio da Universidade, enfim, levadas a cabo em 1537 e, especialmente, em 1544, quando a instituição, dividida na transferência para Coimbra, recupera a sua antiga unidade. A investigação documental e a intervenção arqueológica possibilitariam a reconstituição da evolução morfológica do edifício, tanto em planta como em volumetria, fazendo do antigo Paço Real de Coimbra, hoje, uma das residências régias medievais melhor conhecidas a nível europeu.
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3,332
La iglesia de la Magdalena de Olivenza : modelo del gótico português
História da Arte,Gótico português
O objecto da tese é a compreensão de uma obra arquitectónica A Madalena de Olivença, vista através dos olhos de um arquitecto, debulhando o rosário de decisões, vicissitudes e problemas que são necessários salvar. Uma visão fraccionada em várias classes e em vários planos ópticos de distinta intensidade. Num primeiro plano, mais superficial, por imediato, consiste em observar o edifício em si mesmo e a sua inserção no espaço que o rodeia. É uma visão próxima, descritiva e tangível, fazendo ressaltar a importância e a influência do edifício na cidade. Este primeiro plano tem um interesse predominantemente local. Num segundo plano, já mais amplo, o edifício é considerado como um exemplar de uma produção arquitectónica mais extensa, in casu a realizada no reinado de D. Manuel. É mais distante, e nele se investiga a relação entre os edifícios da referida época arquitectónica, procurando as características comuns e individuais, ao mesmo tempo que se comparam estas com a produção arquitectónica que, na altura, se realizava na Europa. Num terceiro plano, mais conceptual, é proposto um método de análise arquitectónico seguindo o fio condutor dos três principais autores e actores de um edifício: o promotor ou dono, o arquitecto ou projectista e o construtor ou mestre de obras, tendo por objectivo mais as suas mentes do que os seus nomes. Conhecer o seu pensamento, as suas intenções, a sua formação, as suas ambições, até ao ponto de adivinhar os seus raciocínios. Afastada a visão superficial da Igreja da Madalena de Olivença, é toda a arquitectura manuelina que se encontra reflectida no seu interior. Uma arquitectura donde tipológicamente se propõe uma disposição estrutural e volumétrica nova. Onde se exerce uma construção sincera. Onde a decoração é mágica, capaz de dirigir os olhos do espectador para onde ela quer e fazendo-lhe crer o que ela quer. As suas referências estão no gótico, preferindo o Inglês e o Germânico ao Francês, e rejeitando explicitamente os novos ares "romanos" ou Italianizantes.
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3,333
Ópera na Amazónia na época da borracha (1880-1907) : Bug Jargal de José Cândido da Gama Malcher
Ciências Musicais Históricas,Ópera -- Brasil -- Séc. 19-20
A partir da idéia de que a obra de arte reúne condições de explicar a si mesma e o ambiente, através da análise de elementos sincrônicos e diacrônicos, a presente dissertação de doutoramento volta-se não só para a expansão do entendimento e aplicação de teorias críticas da Arte, como para um objeto de investigação inédito; qual seja o da atividade cénico-musical da Amazónia, em particular a cidade de Belém (capital do Pará, então a maior cidade setentrional brasileira), durante os anos áureos da economia gomífera, na viragem dos séculos XIX para XX. Serviu ao propósito da tese um espécime musical que sobrevive apenas em cópia manuscrita do próprio autor, a despeito da sua exibição na altura de sua criação ter excedido os limites regionais, provocando repercussão constatável em várias publicações brasileiras e estrangeiras. Bug Jargal, com música de José Cândido da Gama Malcher (1853-1921) e libreto de Vincenzo Valle (1857-1890), baseia-se na novela homônima de Victor Hugo, que relata os acontecimentos históricos de São Domingos (atual Haiti). O desenvolvimento do tema escravagista e colonialista pelos autores do melodrama faz convergir assuntos universais ao palco das discussões maiores da época e reanima o debate sobre o projeto de emancipação do Homem, numa época marcada pelo choque cultural e a diversidade poética. Nitidamente embasado em fontes dramatúrgico-musicais coevas e valendo-se de grande quantidade de material temático-musical original, Bug Jargal não é só uma peça que se limite ao interesse musical; pois deita luz sobre as mentalidades de uma época e lugar que destacam-se pela profundidade de reflexão e elaboração de sua expressão. A tese está composta de três partes e possui um volume com dois anexos. A primeira parte com seis capítulos trata do ambiente teatral do Pará, seus antecedentes, influências e componentes. A segunda parte, com três capítulos, aborda os envolvidos na criação da ópera, a circunstância em que esta aconteceu e a sua recepção. A última parte, com sete capítulos, trata da confecção do melodrama. Dos anexos consta parte iconográfica e a transcrição, na íntegra, da versão para piano de Bug Jargal.
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3,334
O canto litúrgico da Paixão em Portugal nos séculos XVI e XVII : os Passionários Polifónicos de Guimarães e Coimbra
Música litúrgica -- passionários polifónicos -- Portugal -- séc.16-17
O Ms SL 11-2-4 da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento de Guimarães e o MM 56 da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra contêm a mesmo modelo musical para o canto litúrgico da Paixão: monodia para as Paixões de Mt, Mc, Lc e Jo e nove versos polifónicos a três vozes (seis com palavras de Cristo e três com palavras do Texto) das Paixões de Mt e Jo. Ambos os Mss foram copiados no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra no último quartel do século XVI e não ostentam autoria. Para se compreender o conteúdo destes códices, estudou-se a origem da Paixão como forma litúrgica e musical, expondo-se o seu enquadramento ritual dentro da Liturgia católica da Semana Santa, através das normas do Ceremoniale Episcoporum e dos principais cerimoniais portugueses dos séculos XVI-XVIII. Verificando-se que o tonus passionis dos Mss de Guimarães e Coimbra é essencialmente igual ao de outros Passionários portugueses dos séculos XVI e XVII, de que se conhecem hoje quatro impressos e quatro manuscritos, constata-se, a partir dos estudos dos melhores especialistas da matéria, que o modelo melódico tradicional português é diferente de qualquer dos modelos conhecidos na Europa coetânea, constituindo uma tradição autónoma e unitária desde os finais da Idade Média até, pelos menos, 1732, ano em que se publica em Lisboa um Passionário com o mrDelo romano, segundo a versão quinhentista de G. Guidetti. É sobre aquele modelo tradicional que os compositores portugueses dos séculos XVI e XVII escreveram versões variadas de paixões polifónicas. Estas, em número de 166, foram inventariadas nos principais arquivos de música portugueses, desde o Minho ao Algarve, estabelecendo-se uma tipologia característica de acordo com os espécimes e a própria tradição portuguesa: Texto da Paixão, Versos da Paixão (Ditos vários e Ditos de Cristo) e Bradados da Paixão (Bradados integrais e Turbas). O trabalho termina com um estudo aprofundado da tradição da música da Paixão no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, no qual se contempla uma prática característica da monodia tradicional portuguesa com especial ênfase, rítmica e melódica, em determinados versos da Paixão e, sobretudo, a versão polifónica de todos os versos polifónicos dos Mss de Guimarães e Coimbra. Em apêndice apresenta-se a transcrição moderna completa de todos estes versos polifónicos bem como uma transcrição parcial dos principais Mss portugueses inventariados neste trabalho.
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3,342
Museologia da Arte Sacra em Portugal (1820-2010). Espaços, Momentos, Museografia
Museologia,Arte sacra -- Portugal,Património religioso -- Portugal,Arte sacra -- Portugal -- 1820-2010
A arte sacra cristã constitui uma categoria muito própria da produção artística, enquanto evidência material do Homem e da sua relação com o Sagrado, caracterizada quer pela temática e simbologia, quer pela peculiar aplicação ritual. Atendendo à importância do legado histórico e artístico eclesiástico no património cultural português, o presente estudo analisa as práticas museológicas em torno dos bens da Igreja Católica afectos ao culto e à devoção, nomeadamente a sua inclusão na esfera dos museus e a utilização em exposições, desde o início do período liberal, momento de afirmação do museu como instituição de utilidade pública, até à actualidade, marcada por uma crescente dinâmica neste domínio. Em termos estruturais, radica em dois objectivos distintos que se complementam num avanço convergente do histórico para o teórico e do geral para o particular, procurando compreender o fenómeno da museologia da arte sacra em Portugal através das suas dimensões permanente e temporária. Num âmbito histórico, traça-se a evolução da museologia da arte sacra, a partir do inventário e estudo dos museus e das exposições temporárias, determinando os momentos-chave e a sua relação com a História do País, da Igreja e da Museologia, de um modo geral, considerando não apenas o processo expositivo mas também as restantes funções museológicas que se coligem da definição internacional de museu, bem como as outorgadas especificamente aos museus desta tipologia. Em concreto, examinam- -se as motivações e a relação entre as exposições temporárias, as permanentes e as acções desenvolvidas no âmbito da salvaguarda dos bens culturais da Igreja e suas inter- -influências. Dentro de um plano mais teórico, analisa-se a relação da arte sacra com a disciplina museológica, ponderando o termo de uma função ritual e devocional e o início de uma nova existência como objecto museológico pleno, e o que ocorre quando a entidade musealizadora é a própria Igreja.
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3,345
Memória da Saudade : o percurso e identidade artística do Ballet Gulbenkian como estrutura de referência na dança portuguesa (1961-2005)
Ballet Gulbenkian,Fundação Gulbenkian -- Portugal
Este estudo teve como objectivo primeiro enquadrar o trabalho de uma companhia da bailado e dos seus artistas numa realidade que, pela sua importância histórica, se agigantou nos espaços nacional e internacional por mérito próprio. O título proposto, “Memória da Saudade”, remete-nos para uma realidade mista de orgulho e nostalgia, já que o Ballet Gulbenkian foi, sem qualquer dúvida, o grupo de dança com maior qualidade de obras, projecção e longevidade, dando, de certo modo, uma forma definitiva à História da Dança Portuguesa do século XX. A grande maioria das carreiras dos bailarinos e coreógrafos ligados à dança portuguesa contemporânea surgiu na sequência do trabalho levado a cabo pelos artistas portugueses e estrangeiros do BG. Este pertinente estudo visou a análise do percurso artístico do Ballet Gulbenkian através do legado das muitas figuras que o integraram e lhe deram vida enquanto importante estrutura coreográfica. O nosso olhar balizou-se entre os anos de 1961 e 2005, correspondendo a primeira data à formação do Grupo Experimental de Ballet e a segunda à extinção do Ballet Gulbenkian. Procedeu-se a uma mapeação cronológica do trabalho desenvolvido, bem como à caracterização da gestão artística de cada um dos períodos correspondentes aos seus seis directores principais.
Humanidades
3,346
Vens Ver ou Vens Viver? Estética e Política da Participação
Performance,Participação
Esta Dissertação de Doutoramento centra-se na apologia da participação - e do conhecimento através da participação - que, desde o final do século passado, tem produzido fenómenos nas mais diversas áreas, das artes performativas à política, passando pelo desporto, entretenimento e comércio. Ao longo deste trabalho, sobre uma realidade evanescente, cruzam-se olhares diversos, tais como os principais contributos teóricos a nível internacional, reflexões dos protagonistas dos fenómenos abordados e as experiências pessoais do autor, desde as mais privadas às de cidadania, passando pela sua prática enquanto artista performativo. Neste percurso, que se organiza ao longo de três etapas, viaja-se de alguns momentos históricos marcantes – para as artes performativas, filosofia, artes visuais e economia - até ao último reduto da subjetividade das experiências locais do autor. No trajeto atravessa-se também uma reflexão acerca das narrativas e performances que conformam o espaço público contemporâneo, nomeadamente na Europa e em Portugal. O cruzamento de diversas perspetivas e discursos, e a constante procura de conexões entre fenómenos, pretende dar a compreender os sentidos, significados, circunstâncias e consequências da apologia contemporânea da participação.
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3,348
Performance e Ritualização: Moda e Religiosidade em Registros Corporais
Corpo,Ritual,Moda,Religiosidade,Arte Contemporânea,Artes Performativas
Este trabalho apresenta a estrutura de uma tese-projeto (Practice-led Research) e pretende refletir sobre a mobilização do corpo em práticas performativas e ritualistas que se articulam de formas diversas com a moda e com a religiosidade, dois territórios que entendemos simultaneamente contrastantes e contíguos na cultura contemporânea. Um dos objetivos maiores desta pesquisa é o de pensar e servir a um processo de criação artística, constituído por um conjunto de nove projetos performativos, ilustrativos do âmbito temático da investigação, sendo todos descritos na sua dimensão conceitual e documental através de vídeo, fotografia e instalação, entre outros meios. Assumimos que o corpo é um operador simbólico de grande relevância e que este ocupa um lugar determinante nas figurações culturais e artísticas, protagonizando o reencontro plural das artes tanto com as obsessões da contemporaneidade, como com a ritualidade mais ancestral. O discurso desenvolvido sobre o corpo contempla a sua ativação em práticas artísticas como a arte da performance, a dança contemporânea, a body art, a carnal art, além de criadores próximos dos designados modern primitives, praticantes da body modification, adeptos de movimentos urbanos que incorporam uso de piercings, tatuagens, escarificações entre outras alterações corporais.
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3,350
A musicalidade na dramaturgia de ator - das Vanguardas do século XX ao caso do Teatro O Bando
atuação teatral,pedagogia teatral,musicalidade,teatro O Bando
O presente trabalho propõe-se investigar os diálogos existentes entre a musicalidade e o teatro no âmbito da dramaturgia de atores, tendo como estudo de caso o grupo de teatro português O Bando. Apoia-se nas vanguardas do século XX à contemporaneidade com o propósito de buscar os procedimentos de atuação teatral fundados no diálogo entre o teatro e a música. O percurso metodológico segue as pesquisas dos artistas e pedagogos teatrais Appia, Jaques-Dalcroze, Meyerhold, Artaud e Barba, a fim de selecionar e analisar os elementos musicais que sustentam o ofício do ator e fundam uma prática atoral de característica musical. Seguindo o mesmo percurso com educadores musicais, compositores e musicólogos, busca-se referências sobre os conceitos musicais do início do século XX à contemporaneidade, especialmente aquelas que se deixam impregnar pelo cruzamento de áreas e saberes. Finalmente, propõe-se observar a musicalidade na prática pedagógica do Teatro O Bando, em seu curso de formação “Consciência do Actor em Cena”. As principais conclusões apontam que a musicalidade está presente na pedagogia da atuação tanto nas vanguardas teatrais do século XX quanto no caso do Teatro O Bando e corresponde a uma estratégia de criação atoral que favorece a precisão e a imaginação. A musicalidade estabelece ainda novas formas de leitura por parte dos espectadores, novos procedimentos de improvisação e notação, novas regras e convenções. Busca-se colaborar com as pesquisas sobre a pedagogia de ator e oferecer um auxílio para o ensino teórico e prático da atuação em instituições de ensino e coletivos teatrais e performativos.
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3,359
O palácio abacial de Alcobaça : um palácio para um abade
Palácio Abacial de Alcobaça,Mosteiro de Alcobaça
Uma reflexão sobre o papel empreendedor do Cardeal D. Henrique, do Rei com os seus debuxos e a extrema competência técnica de Miguel de Arruda na concepção do Palácio Abacial de Alcobaça.
Humanidades
3,372
Contribuição metodológica para a investigação histórica e concepção de roteiros hipermédia participativos e potenciadores de novas vivências do espaço
Património arquitectónico -- Coimbra,Turismo cultural -- Coimbra,Hipermédia,Tecnologia da informação e comunicação
No contexto da dissertação de mestrado em Património Europeu, Multimédia e Sociedades de Informação – Euromachs surge esta tese / projecto que pretende ser inovadora ao colocar as Tecnologias de Informação e Comunicação “ao serviço” da fruição do património, sendo no caso de estudo o Património Edificado na cidade de Coimbra. O que se pretende é a estruturação de um sistema web disponível em suportes móveis que permitirá ao visitante o acesso a informação especializada bem como a interacção com essa mesma informação. O visitante poderá ainda aceder não só à informação “escrita”e cientifica mas também aceder a informação em formato multimédia como sejam reconstituições 3D ou pequenos filmes acerca do património edificado e cultural. O objectivo é mostrar de que modo é que uma pesquisa científica acerca do património e da sua contextualização poderá sair das páginas de um livro e transformarse numa aplicação “web” portátil, dinâmica e interactiva. Fazendo a ponte entre as “Letras” e as “T.I.C.”, a meta que se pretende atingir é a de divulgar o Património levando o “público” a interagir com ele.
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3,373
Cinemas: notas sobre o quadro, suas imagens e seus tempos
Cinema -- aspectos sociológicos,Cinema -- técnicas,Realização cinematográfica
O propósito deste trabalho é explorar os tempos do cinema, a partir relação entre o cinema e seu espectador. Esta relação ocorre de um modo singular, muito diferente da relação entre o espectador e outros modelos de arte, como o teatro, a pintura e a fotografia. Nesta pesquisa sobre as causas dessa singularidade, nós comparamos o cinema com estas outras artes, e, também, analisamos as especificidades do quadro e imagens cinematográficos para estabelecer alguns pontos, que podemos somente encontrar no cinema, que atraem e condicionam a atenção do espectador para dentro ou fora da imagem, estes são os centros de acção. E, finalmente, nos pensamos como o espectador pode alcançar um contato mais livre e íntimos com o filme, escapando, assim, das intenções do realizador, através dos centros de afeição. Palavras-
Humanidades
3,377
O Orfeão Madeirense : das origens a 1957
Orfeão Madeirense -- história,Orfeão Madeirense -- 1920-1957
A música é uma actividade fundamental do ser humano e o seu estudo e divulgação tarefas importantes. Este trabalho trata de uma organização dedicada à música que é o Orfeão Madeirense. Ao longo deste trabalho procuramos mostrar a importância deste grupo musical no contexto cultural da Madeira. O Orfeão nasceu em 1920 pela mão de um grupo de militares, convidando para maestro o Dr. Passos de Freitas, estudante de Coimbra que, chegado à Madeira quis pôr em prática os ensinamentos e vivências de Coimbra, onde se licenciou em Direito. O seu percurso não foi uniforme; teve épocas de maior e menor actividade. Ainda hoje existe, embora o presente estudo incida no período entre 1920 e 1957. A justificação para esta escolha reside no facto de nesta última data terem sido aprovados os seus estatutos. Esta colectividade tinha um carácter comercial, pois os espectáculos que faziam eram pagos, embora as entidades oficiais como a autarquia também apoiasse a sua função social de divulgação e lúdica.
Humanidades
3,379
Don't come knocking de Wim Wenders e o universo imagético de Edward Hopper
Hopper, Edward, 1882-1967 -- pintura,Wenders, Wim, 1945- Don't come knocking,Cinema e pintura,Teoria da imagem,Wenders, Wim, 1945 -- obra,Hopper, Edward, 1882-1967 -- obra
O objectivo desta dissertação é o estabelecimento de uma relação entre cinema e pintura, concretamente, a partir da teoria da imagem, caminhar para a interpretação das obras de Wim Wenders e de Edward Hopper. Partindo-se de aspectos relativos à teoria da imagem, estabelece-se uma relação do cinema com a pintura, especificamente, com a imagem no contexto de cada uma destas artes. Sendo a imagem um poderoso meio da ficção, que existe essencialmente pelo facto de possuir uma capacidade de comunicação única, ela é análoga do real, uma vez que é uma alusão directa à realidade. No âmbito deste estudo, a ligação prende-se com o efectivo realismo da pintura de Edward Hopper, ou seja, com o modo como este pintor representa o objecto. Neste intuito, procurar-se-á elaborar uma análise e estabelecer uma relação entre alguns aspectos visuais mais determinantes no trabalho de Edward Hopper e no filme Don’t come knocking (2005) de Wim Wenders. Por outras palavras, trata-se de estabelecer uma análise entre a relação de diálogo de vários quadros de Hopper com o filme em causa, de Wenders. Esta relação assenta sobre as questões temática, plástica e narrativa, que se encontram subjacentes às imagens pictóricas (Hopper) e cinematográficas (Wenders).
Humanidades
3,381
Arte, crítica e sociedade na obra de Fialho de Almeida
Almeida, Fialho de, 1857-1911 -- obra,Sociedade portuguesa -- séc. 19-20
A presente dissertação procura analisar o papel desempenhado por Fialho de Almeida (1857-1911) enquanto crítico da sociedade portuguesa finissecular, actividade marcada pela análise satírica e, por vezes, impiedosa dos seus vários intervenientes. A revisitação do espaço vivencial e criativo do autor ocupa a primeira parte da tese, por ser considerado um aspecto basilar na compreensão do pensamento fialhiano. A expressão artística nacional, nos seus mais diversos géneros e manifestações, entre a literatura, a pintura e o teatro, funciona enquanto campo privilegiado para o escritor repensar o país e constitui, por isso, um dos pontos centrais deste trabalho, sendo o objecto a explorar de modo mais demorado na segunda parte da dissertação. Outro dos focos examinados diz respeito à relação que o projecto crítico de Fialho estabelece com a imprensa do final do século e com os seus protagonistas. Conclui-se que Fialho atribui um lugar de destaque ao teatro enquanto bem cultural ao serviço da sociedade, embora reconheça, simultaneamente, o falhanço dessa missão educativa em contexto português. O cenário negro que traça das artes no final de Oitocentos reflecte a ideia generalizada da decadência do Portugal contemporâneo, opinião que se acentua através da passagem de Fialho pelas redacções dos jornais. Esta experiência revela o carácter panfletário da “esfera pública” oitocentista em Portugal, o que nos permite reconfigurar um retrato do país que apesar de todas as modificações estéticas ocorridas durante o século XIX, se encontra, ainda, longe da modernidade.
Humanidades
3,383
Coimbra brasileira : proposta para um itinerário
Relações luso-brasileiras -- séc. 16-20,Turismo cultural -- Coimbra -- séc. 21,Estudante brasileiro -- Coimbra -- séc. 16-20,Figura de relevo -- Coimbra -- séc. 16-20
Nesta dissertação, orientada para o turismo brasileiro em Coimbra, tentamos fazer referência a alguns dos mais importantes vultos luso-brasileiros que ligam o país irmão à cidade portuguesa do conhecimento. Assim, passamos pela história, essencialmente profissional, de personalidades que vão desde Frei Henrique de Coimbra a Bernardino Machado. Descrevendo os edifícios da Universidade que foram alvo da Reforma Pombalina, explicando a Capela dos Estudantes da Baía no Colégio de São José dos Marianos, passando pela tão importante Inconfidência Mineira, e terminando com informação sobre a Inquisição em Coimbra, entre outros temas abordados.
Humanidades
3,384
Verdade efabulada : a ficcionalização do real no cinema brasileiro contemporâneo : 2000-10
Cinema brasileiro,Espectador,Realismo,Neo-realismo,Identidade nacional,Cinema -- Brasil
O projecto aborda o resgate de um sentido de identidade nacional no cinema brasileiro contemporâneo (2000-10), amplamente influenciado pelo neo-realismo, em que a violência surge como tema dominante no cinema do real, pautado pela exclusão e pobreza, num registo híbrido entre documentário e ficção, verosimilhança e mentira, verdade e efabulação, num claro sintoma de permeabilidade entre ambos, uma vez que a noção de realidade é destabilizada e o espectador é projectado num estado de fruição mais interpelador.
Humanidades
3,386
Pascoal Parente e a pintura setecentista em Portugal
Pintura -- Portugal -- séc. 18,Parente, Pasquale, m. 1796 -- obra,Parente, Pasquale, m. 1796 -- pintura -- Portugal
Inventário e análise da trajetória artística do pintor napolitano Pascoal Parente durante a sua permanência em Portugal no século XVIII.
Humanidades
3,388
A Capela de Nossa Senhora da Penha de França e o Solar dos Brasis
Talha,Torre do Terrenho -- Concelho de Trancoso,Arte barroca -- Torre do Terrenho,Capela de Nossa Senhora da Penha de França -- Torre do Terrenho,Solar dos Brasis -- Torre do Terrenho,Tecto em caixotão,Brutesco -- pintura -- Portugal,Iconografia religiosa
A presente investigação centra-se no tema das artes decorativas da talha barroca do século XVIII e arte religiosa da mesma época e a sua relação com o Brasil. Apesar das várias súmulas feitas acerca do objecto de estudo em questão, muito ainda há para se dizer. Sendo a talha uma área de investigação em franca expansão nas várias cronologias e tipologias, a sua abordagem sugere sempre novas abordagens. Neste sentido, a urgência do estudo ao solar e à capela de Nossa Senhora da Penha de França reveste-se de particular importância, na medida em que este conjunto ter sido construído com ouro vindo do Brasil, encontra-se bastante degradado, havendo algumas partes que já ruíram. A área geográfica na qual o estudo se circunscreve é Torre do Terrenho, freguesia integrada no Concelho de Trancoso, distrito da Guarda, procedendo-se à análise das várias relíquias, enquanto manifestação do barroco, com especial ênfase na arte da talha retabular, imaginária e tectos pintados, em caixotão.
Humanidades
3,390
Fatal, cativa e independente : a mulher no film noir
Mulher -- cinema,Film noir
A presente dissertação inicia-se por uma breve tentativa de definição do período clássico do film noir. Após uma contextualização sociocultural, histórica e política, é abordada a dificuldade em categorizar os filmes deste tipo. Propondo dar um contributo para a discussão, o film noir é assumido como sendo uma categoria transgenérica. Partindo da análise dos contextos do film noir, é proposta uma abordagem da figura feminina presente no mesmo. Mulher fatal, mulher cativa e mulher independente são os três tipos considerados. Analisar a mulher no film noir é um contributo para compreender o lugar das mulheres na sociedade americana. Enquanto as duas primeiras são claramente reconhecidas pela crítica noir, bem como as suas significações, a mulher independente é uma figura pouco explorada, e que merece um maior reconhecimento, para além de ser das que mais está associada à sua época. Em Double Indemnity (1944) é mostrada a polaridade entre a mulher fatal e a mulher cativa. A análise da mulher independente encontra a representação adequada em Phantom Lady (1944).
Humanidades
3,394
Espaço espanto : para um estudo sobre O Gebo e a Sombra (1966)
Brandão, Raúl, 1867-1930 -- obra,Sousa, Ernesto de, 1921-1988 -- obra,Peixinho, Jorge, 1940-1945 -- obra
Em Fevereiro de 1966 é apresentada no Teatro Experimental do Porto uma encenação de O Gebo e a Sombra de Raul Brandão. O encenador foi Ernesto de Sousa. Foi a segunda de apenas duas encenações que fez, ambas no Teatro Experimental do Porto. A música foi composta por Jorge Peixinho. Foi a segunda de dez incursões que fez na música de cena. Os três nomes essenciais deste trabalho: Raul Brandão, Ernesto de Sousa e Jorge Peixinho. É a partir do jogo de gravitações em torno destes três nomes que surge este trabalho. Três mentalidades criativas, todas elas marcantes. Todos eles anunciadores de modernidade e de mudança, empenhados na ruptura com os cânones artísticos - no teatro, na literatura, na música, nas artes plásticas e no cinema - do seu tempo que, abertamente, rejeitavam propondo outros projectos dramatúrgicos, performativos ou musicais. O presente trabalho assume-se como um trabalho de cruzamento disciplinar. Não é uma tese musicológica, redigida sobre o trabalho de Jorge Peixinho. Também não é uma tese sobre o teatro de Raul Brandão. Não é, tampouco, um trabalho de genética do espectáculo desenhado por Ernesto de Sousa. Contudo, não sendo nenhuma das coisas referidas, não deixa também de ser cada uma dessas coisas. É um trabalho que se pretendeu, espelhando a nossa analogia do triângulo no que concerne O Gebo e a Sombra de 1966, um lugar comum a cada uma dessas disciplinas, não sendo, porém, nenhuma delas em absoluto e que pretende reflectir a convergência de circunstâncias que fazem desta obra naquele momento em particular um acto de substancial importância na história das artes performativas em Portugal.
Humanidades
3,396
O Primo Bazilio - Argumento Cinematográfico baseado na obra homónima de Eça de Queiroz - trabalho introdutório
Relatório de Projecto
Relatório de Projecto sobre Argumento Cinematográfico.
Humanidades
3,397
Produção Teatral N'A Escola da Noite
Produção Teatral
O presente relatório consiste na compilação das actividades ao longo de três meses de estágio curricular no âmbito do Mestrado de Estudos Artísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Humanidades
3,398
O género musical Concertado em três manuscritos do século XVII do fundo musical da Universidade de Coimbra: do contraponto improvisado à composição
Música,Contraponto improvisado,Género Concertado,Técnicas de contraponto musical
O fundo musical da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra contém um espólio ímpar dos séculos XVI e XVII. Aí encontramos três manuscritos - o MM 52, o MM 236 e o MM 243 - nos quais se encontram um conjunto de composições musicais denominadas Concertados. Através da análise destas peças construídas sobre um Cantus Firmus, bem como da leitura crítica da tratadística musical ibérica do século XVI na sua parte referente ao contraponto, veremos como as práticas improvisatórias musicais, alicerçadas num conjunto alargado de técnicas de contraponto utilizadas pelos músicos do século XVI, se demonstram em peças escritas baseadas num Cantus Firmus, compostas num período histórico posterior - o século XVII. Este facto remete-nos para uma continuidade da forma de aprender e de trabalhar dos músicos, alterada aos poucos por questões relativas à passagem para uma predominância cada vez maior da escrita e da imprensa. Serão elencadas algumas razões para esta permeabilidade entre técnicas de contraponto improvisado e as técnicas utilizadas pelos compositores na sua música escrita. Este trabalho engloba também a edição crítica da primeira parte do MM 52.
Humanidades
3,399
Os Bastidores em Directo
assistente de operações,bastidores da televisão
Intitulado “Os Bastidores em Directo”, este relatório de estágio pretende ser uma ligação entre o Mestrado de Estudos Artísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e o estágio curricular efectuado nos bastidores de uma estação de televisão em Lisboa, a TVI – Televisão Independente. Um relatório dividido em três grandes capítulos, a história da empresa, a experiência vivida e a programação com a qual tive contacto. No primeiro, abordo toda a história da empresa que gere a estação e dou uma breve referência a todos os canais que esta tem a funcionar. A TVI, o canal generalista e de sinal aberto, a TVI24, o canal de notícias, a TVI Internacional, a terceira estação de televisão internacional portuguesa e a TVI Ficção que une conteúdos de ficção da TVI com soluções interactivas. No segundo capitulo, faço referência ao trabalho desenvolvido ao longo dos quatro meses de estágio, com contornos gerais acerca das funções desenvolvidas, relatando diversos episódios que sucederam durante o mesmo. No terceiro, é feito uma abordagem à experiência integrada na programação do canal, divida em três subcapítulos, divisão essa que abrange os três estúdios das instalações da estação e os programas que neles se realizam. Da informação ao entretenimento, do desporto à política, todos os quais - na função de Assistente de Operações - tive a oportunidade de trabalhar. Serve assim este suporte teórico para procurar unir a experiencia académica com a profissional, demonstrar como foi essa integração e adaptação num estúdio de televisão, mostrar a importância que um conjunto de pessoas - que nunca aparecem no ecrã – têm, numa emissão previamente gravada ou em directo.
Humanidades
3,400
O espólio do compositor António Fragoso (1897-1918): análise do fundo musical e transcrição de sete manuscritos inéditos para piano
Portugal
António Fragoso é um nome incontornável na História da Música portuguesa. O reportório musical por si escrito agradou, desde logo, aos seus pares. Algumas das suas obras tiveram a honra de ser incluídas nos programas oficiais do Conservatório Nacional de Música ainda durante a sua vida, tendo sido tocadas desde então por sucessivas gerações de estudantes e músicos profissionais. Apesar da estima e da consideração que os músicos nutrem pela música de António Fragoso, o seu espólio permanece até hoje por inventariar e catalogar. Tal facto entristece, quando descobrimos que o legado é rico e variado, não se limitando a manuscritos musicais. No acervo total identificamos quatro fundos distintos: o musical, o documental, o fotográfico e o fonográfico. A análise e o cruzamento de informações desses fundos será fundamental para aprofundar o conhecimento que temos do compositor e contribuirá seguramente para o enriquecimento da musicologia portuguesa. Tal investigação transcende, porém, o âmbito deste trabalho, pelo que decidimos, nesta dissertação, focar-nos na análise do fundo musical, dando especial importância aos manuscritos inéditos para piano, descobertos no decorrer desta investigação. Da totalidade desses manuscritos decidimos transcrever sete para um formato de partitura actual, legível pelos músicos em geral. Procurámos também fazer um levantamento do espólio musical na sua globalidade, tarefa que se encontrava por fazer e que irá completar as listas de obras de António Fragoso, anteriormente publicadas. Esta actualização permitirá que a comunidade científica e a sociedade em geral tomem conhecimento da totalidade das obras musicais do autor. Pretendemos, assim, contribuir para a divulgação do nome e da obra de António Fragoso e estimular a comunidade científica a interessar-se por esta figura, devolvendo-lhe o lugar que merece no panorama cultural português. Esperamos também lançar o alerta sobre a necessidade de cuidar da preservação e conservação daquele acervo, que se constitui de uma importância histórica indubitável, enquanto património musical português.
Humanidades
3,401
Os Bastidores da Informação no Cinema
Cinema,Jornalismo,Política,Estados Unidos da América
A presente dissertação analisa os filmes Network (Sidney Lumet, 1976) e Wag the Dog (Barry Levinson, 1997) para, através deles, analisar o contexto jornalístico da sua criação (e a relação com os seguintes), sem esquecer a realidade sócio-histórica. Sendo essa a nossa principal preocupação, procurou-se, ainda, desenvolver novas leituras dos filmes em análise, nomeadamente ao nível do papel do jornalismo na sociedade e da forma como este influencia a sociedade e se deixa, eventualmente, influenciar por interesses particulares. Pretendemos, assim, perceber como o processo de informação foi visto pelos cineastas em causa, tendo em conta a ação de fatores externos (no filme) e a presença de referenciais da respetiva contemporaneidade. Reconhecendo a importância de ferramentas científicas nos estudos fílmicos, recorremos, sobretudo, a dois tipos de análise: da imagem e narrativa. A partir delas, procurámos explorar as relações intra e extradiegéticas, a fim de perceber melhor cada obra e a realidade em que surge, assim como aspetos que as aproximam, apesar dos 21 anos de diferença entre elas. Deste modo, não podemos esquecer a relevância da construção fílmica e da narração, assim como das ferramentas e processos adotados pelo realizador.
Humanidades
3,402
A Iconografia Mariana no Espaço Jesuíta Português: Culto e Devoção à Virgem Maria na Igreja do Colégio de Jesus de Coimbra
Companhia de Jesus,Iconografia mariana,Igreja do Colégio de Jesus de Coimbra (atual Sé Nova de Coimbra),Culto e devoção -- Virgem Maria,Capelas -- Retábulos -- Imaginária,História da Igreja do Ocidente
Enquadrada majoritariamente no âmbito da Arte Religiosa, nomeadamente no campo da arte sacra e da iconografia, esta pesquisa teve como objeto de estudo a iconografia mariana no espaço jesuíta português, o culto e a devoção à Virgem Maria na Igreja do Colégio de Jesus de Coimbra. Partindo da análise do contexto cristão europeu ao contexto cristão português, verificou-se a evolução da espiritualidade e da devoção à Virgem Maria. Constatou-se que a evolução da espiritualidade e os debates teológicos em torno da divina maternidade de Maria refletiram sobre os programas iconográficos marianos. Assim, buscou-se identificar os elementos iconográficos pertinentes às diversas representações da Virgem. As Ordens Religiosas tiveram um papel crucial na promoção da devoção à Maria. As muitas igrejas, capelas e ermidas dedicadas à Nossa Senhora em Portugal denunciam a forte presença deste elemento devocional. Esta trajetória de pesquisa culminou com a análise do papel da Companhia de Jesus sobre a promoção do culto e devoção mariano em Portugal, especialmente na Igreja do Colégio de Jesus de Coimbra. Com o apoio de D. João III, os jesuítas desenvolveram seu apostolado educativo em terras portuguesas, instalando colégios e estreitando sua relação com a sociedade. Assim como em outras igrejas da Companhia, a Sé Nova de Coimbra (antiga Igreja do Colégio de Jesus) exibe, em suas capelas e retábulos, diversos elementos que constatam a relevância do culto e devoção à Virgem Maria para a Ordem. A devoção mariana revelou-se como um elemento fortemente presente na história da Companhia de Jesus, sendo largamente explorada na arte sacra das igrejas jesuítas e, sobretudo, na propagandística da Companhia. Assim, concluiu-se que a Igreja do Colégio de Jesus de Coimbra (atual Sé Nova) possui indicativos que revelam a elevada influência dos jesuítas na promoção do culto mariano em Portugal.
Humanidades
3,405
Coimbra World Heritage Festival - Uma Metodologia a Potencializar Intercâmbios Culturais
Financiamento Público e Mecenato,Gestão e Programação do Património Cultural
Por também considerar que o curso de Mestrado em Gestão e Programação do Património Cultural da Universidade de Coimbra visa assegurar uma formação especializada na área de Gestão Cultural buscando qualificar os estudantes para que, no futuro, enquanto profissionais, possam integrar ou coordenar de forma competente, projetos de gestão do património, cuja investigação e o desenvolvimento cognitivo dos alunos e educadores têm como vocação o estudo de problemas “em cima da mesa”, respeitantes aos diferentes domínios do Património Cultural, classificado ou não, pela UNESCO, este trabalho foi desenvolvido para refletir sobre a repercussão da nomeação da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia como Património Mundial da UNESCO. Para tanto, discorre um pouco a história das universidades e a particularidade do contexto de ensino português e sua contribuição para formação das elites brasileiras e como os alunos egressos de seus bancos ocuparam papéis importantes na história do Brasil e de Portugal. Reflete ainda sobre o contexto jurídico do património em Portugal e seus desafios com a crise económica mundial, apresenta possibilidades de financiamento aos bens culturais com fontes provenientes da União Europeia, de Portugal e também do Brasil e sugere como devem se posicionar mercadologicamente as Universidades e equiparáveis quando dotadas de legitimidade por meio do enquadramento no regime do Património Cultural. Por fim, é apresentado de forma detalhada o projeto cultural Coimbra World Heritage Festival. Este, surgiu na cadeira de Gestão e Programação do Património Cultural como avaliação parcial do Mestrado enfoque e foi elaborado para celebração dos povos do Património Cultural, nomeadamente, a comunidade representativa da Universidade de Coimbra, com as descrições das ações previstas, dos objetivos, metodologia, orçamentos e todos os requisitos necessários para a elaboração de um projeto cultural análogo para um scheme na Europa, ou no mecenato do Brasil.
Humanidades
3,407
Reserva Natural do Paul de Arzila: Plano de Valorização
Património Natural,Património Cultural,Identidade,Valorização,Turismo de Natureza,Atividades
O presente projeto pretende, a partir da caracterização patrimonial da Reserva Natural do Paul de Arzila (RNPA) e da sua situação atual, expor um conjunto de medidas que visam a sua revalorização. Num primeiro momento, analisar-se-á o Paul, bem como os processos que originaram a sua classificação. De seguida, desenvolver-se-á uma análise crítica da situação presente na RNPA. Esta centra-se na existência de uma problemática patrimonial e identitária relacionada com o Paul, em grande parte consequência do modo como se operou a sua classificação como património natural. A classificação contribuiu para a existência de um afastamento em relação ao Paul por parte das populações, cessando, assim, a maioria das suas práticas que contribuíam para o sustento das famílias. Algumas dessas práticas relacionavam-se com a existência de manifestações artesanais, como a construção de instrumentos de pesca e a manufatura de esteiras. A ausência de atividades agrícolas no Paul, aliadas à situação financeira da Reserva Natural, contribuíram para um desleixo da sua manutenção. A Reserva apresenta, também, problemas ao nível da sua divulgação e dos programas e atividades direcionados aos visitantes. Estas situações originaram críticas de ambas as partes e uma monotonia que se reflete no decréscimo do número de visitantes. Numa tentativa de resolução dos problemas existentes, o projeto propõe um plano de valorização. Este plano apresenta possíveis soluções de financiamento, promoção, divulgação e diversidade de programas. Estas propostas têm como principais objetivos a captação de visitantes, a reaproximação das populações ao Paul e a preservação das manifestações culturais que representam a identidade das populações.
Humanidades
3,410
Os Retábulos da Nova Igreja do Mosteiro de Santa Clara em Coimbra
Santa Clara-a-Nova,Retábulos,Talha Religiosa,Arte Religiosa,Domingos Lopes,Domingos Nunes,António Gomes
Edificado por iniciativa de D. João IV, o mosteiro de Santa Clara-a-Nova resolvia os eternizados problemas com a inconstância do Mondego mas, sobretudo, contribuía para a afirmação e legitimação da nova monarquia, ecoando sobre a cidade a matriz régia associada às práticas políticas da Restauração. A aparente rigidez do programa arquitectural, estabelecido na igreja do mosteiro, dialoga com uma atmosfera luxuosa, de ouro e brilho, onde se inscreve o ciclo retabular de Santa Clara-a-Nova. Reflectindo uma campanha política, aliada a ideários pós-tridentinos, os 16 retábulos da igreja traduzem-se numa aposta em temática litúrgica e franciscana, sempre direccionada para uma abordagem que beneficiava a história da instituição, sendo o seu objectivo primordial a glorificação da relíquia sagrada do corpo da Rainha Santa. Saídos da mais prestigiada escola de talha do país, Domingos Lopes, António Gomes e Domingos Nunes (oriundos da cidade do Porto) foram os responsáveis pela execução das novas máquinas retabulares de Santa Clara de Coimbra. O gosto régio pelas formas tratadísticas foi impresso aos entalhadores portuenses pelas plantas de Mateus do Couto. Contudo, a rigidez do traçado não impediu a agitação das linhas sinuosas da talha, conseguindo estabelecer harmoniosa comunhão. Os grandes objectivos deste trabalho passam pela análise criteriosa do programa retabular no interior da igreja, pela observação detalhada das fontes iconográficas que serviram de modelo aos diferentes retábulos e pelo confronto produtivo com as obras afins e produzidas no mesmo circuito laboral.
Humanidades
3,412
O uso do recurso audiovisual na divulgação do património do Museu Nacional de Machado de Castro
Patrimonio,Audiovisual
O relatório retrata, numa perspetiva teórica e prática, as novas formas comunicacionais praticadas pelo Museu Nacional de Machado de Castro, com particular enfoque nas medias virtuais (redes sociais). Estas configuram um esforço de aproximação a um público-alvo e a efetivação de seu papel de guardião e divulgador de bens materiais e imateriais, bem como de educador e conscientizador, inscrevendo-se na função social dos museus, a qual tem vindo a assumir progressivamente um peso cada vez mais incontornável. Entrelaçaram-se esses motes, de modo a caracterizar, sinteticamente, as temáticas abordadas no decurso do estágio realizado no MNMC no âmbito do Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Este relatório visa refletir sobre a perceção da influência das formas virtuais de comunicação e em especial o recurso audiovisual utilizado no Museu, associando uma vertente prática por via de vídeos criados para a sua fanpage, no intuito de divulgar seu património. Produziu-se uma websérie designada A Escolha, exibida semanalmente on-line via facebook. Os conservadores do MNMC escolheram peças de relevância dentro do contexto das coleções do Museu e levaram a público o significado e a história das mesmas. Recorrendo a soluções alternativas às tradicionais formas de comunicação praticadas, o MNMC não apenas amplifica a divulgação do seu património, mas investe, também, no aprofundamento da relação entre a instituição, a comunidade envolvente e o contexto nacional e internacional em geral. Soma-se, a esses objetivos, o de descobrir e captar novos públicos ao tirar partido de novas ferramentas de comunicação, as media virtuais.
Humanidades
3,414
Manuel Filipe e a sua Fase Negra (1942-45)
Arte Neo-Realista Portuguesa,Arte Contemporânea em Portugal
Desenvolve-se este estudo sobre a Fase Negra (1942-45) do pintor Manuel Filipe (1908-1992) no contexto da sua polémica recepção em Portugal e da repressão que sobre ele se abateu. Esclarecendo aspectos fundamentais da sua vida (como desde quando começou a expor, ou se efetivamente escreveu e veiculou algum pensamento teórico estético sobre a arte e os artistas coevos a Manuel Filipe), que permaneciam esquecidos ou ignorados, tentou-se entender a sua série de carvões à luz da emergente corrente neo-realista da qual, na vertente visual e gráfica, foi um dos pioneiros entre nós, fortemente influenciado pelo expressionismo alemão e a nova objectividade, mas também pelos muralistas mexicanos, entretanto muito divulgados entre nós. A série dramática estrutura-se tematicamente à volta dos excluídos e dos marginalizados, da exploração operária e da exaltação do papel da Mulher, constituindo um amplo painel, formalmente não homogéneo, pois utiliza várias linguagens plásticas, de uma galeria de monstros e de um bestiário inumano representativo da atitude crítica do autor e testemunho da difícil situação da produção artística e cultural no auge da ditadura do Estado Novo.
Humanidades
3,420
O mercado da música urbana em Portugal: Estudo de Caso “Music In My Soul”
música; portugal; portuguesa; agência; urbana; mercado
Este trabalho visa o estudo do mercado de música urbana português a partir de uma perspetiva pessoal tendo em conta a Music In My Soul como caso de estudo. O mesmo teve em conta um estágio e consequente emprego na empresa. Tenta-se assim avaliar como novas empresas nacionais se podem adaptar a um mercado que aposta cada vez mais nos meios digitais como forma de promoção e venda dos seus produtos e serviços (artistas, espetáculos, álbuns, etc.). O mesmo tem em conta ainda o crescimento da importância da venda de espetáculos no rendimento da indústria e como as editoras que antes dependiam exclusivamente da venda de fonogramas agora se tentam relacionar não só com a edição, mas com o agenciamento de artistas. Assim, é dada uma contextualização histórica da evolução da indústria fonográfica portuguesa e através de dados concretos é demonstrado um novo paradigma que se compreende em dois pontos essenciais: o crescimento da venda de música online e da venda de espetáculos, face aos antigos valores da venda de fonogramas em formato físico dos quais dependia e assentava a indústria musical. É ainda apresentada a Music In My Soul como um exemplo concreto de como novas empresas se podem estabelecer segundo um modelo próprio que se adapte a novos desafios que o mercado estabelece. São apresentadas as principais dificuldades do mercado nacional atual e como esta empresa procura solucionar as mesmas.
Humanidades
3,422
António Teixeira Lopes: a construção do artista e a interpretação da obra
António Teixeira Lopes,Romantismo,Escultura,Historiografia Artística,Portugal
A presente dissertação constitui uma proposta de interpretação da obra escultórica de António Teixeira Lopes no seio da historiografia artística nacional e europeia, a partir das peças doadas pelo escultor em 1933, que se encontram presentes na Casa-Museu, em Vila Nova de Gaia. A seleção encontra-se, desta forma, assente na narrativa que o próprio António Teixeira Lopes entendeu construir quando, através da doação, reclamou para si um lugar na história da arte portuguesa. Analisando o legado composto pelas Memórias, a casa e o espólio – profissional e privado – procurou-se entender as preferências do artista, a sua autoimagem e o modo como pretendeu ser recordado. Nesse sentido, em Paris ou, mais tarde, em Vila Nova de Gaia, procedeu-se, primeiro, à caraterização profissional do artista na sua formação académica, no círculo cultural em que se inseriu ou nos contactos e viagens que efetuou. Em seguida analisou-se a estratégia montada em torno do contrato de doação propriamente dito e a da casa enquanto palco de vivência e afirmação do escultor, funcionando esta não só como um centro cultural localizado a norte do país, como também como um museu particular de exposição das suas obras. Por último, após uma revisão da classificação estilística da obra de António Teixeira Lopes, no seio da historiografia artística nacional à luz da internacional do século XIX e partindo do que António Teixeira Lopes pensava sobre arte e do entendimento do seu método de trabalho, procurou-se demonstrar que a classificação estilística do mesmo como naturalista merecia revisão. Neste âmbito, avança-se com uma proposta de interpretação da obra de António Teixeira Lopes no campo da escultura do final do século XIX em Portugal.
Humanidades
3,424
Diogo de Castilho e a Arquitectura da Renascença em Coimbra
Diogo de Castilho,Arquitetura, Coimbra
Análise da obra do arquiteto Diogo de Castilho.
Humanidades
3,426
O Mosteiro de S. Jorge de Coimbra
História da arte
Estudo do Mosteiro de S. Jorge de Coimbra, no âmbito do seminário em História da Arte – “Arte Monástica em Portugal – séculos XVI-XIX”, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Humanidades
3,718
O Estado, a Igreja e a Sociedade em Portugal : 1832-1911
História Moderna e Contemporânea
A Dissertação constitui uma análise da política eclesiástica durante a vigência da monarquia constitucional e uma abordagem das ideologias veiculadas nesta fase histórica. O estudo do regalismo e da sua prática a nível interno completa-se com a sua abordagem no plano das relações externas. Assim, o relacionamento entre o Estado português e a Santa Sé é estudado, tal como as Concordatas. Tendo como objecto a longa duração traçaram-se também as linhas gerais das relações entre o Estado e a Igreja nas diferentes conjunturas desde a fase de instabilidade sócio-religiosa inicial até ao compromisso estabelecido entre as duas instituições na década de 90. A abordagem histórica nunca se situa numa perspectiva meramente jurisdicista como acontece com alguns dos trabalhos mais antigos sobre este assunto. Ao invés procurou-se captar a dimensão social subjacente às duas instituições, assim como as mundividências sustentadas pelos diferentes estratos sociais. Nesta linha, analisou-se o movimento de secularização e as suas formas específicas de concretização histórica. Como epílogo da 1a parte do trabalho estudou-se o fim do Estado confessional e as consequências sociais, políticas e religiosas que esse evento provocou. Na 2a parte apresenta-se o confronto entre clericalismo e anticlericalismo, estuda-se o liberalismo católico nas suas relações com o catolicismo intransigente, traça-se o quadro evolutivo do movimento católico nas suas diferentes dimensões, elabora-se a história do Partido Católico, explicam-se as razões do seu insucesso, estuda-se a religiosidade popular e define-se o relacionamento entre Igreja e ciência. Neste quadro, confronta-se o modernismo com o integrismo e esclarece-se o debate ideológico travado sobre esta matéria. Por fim, faz-se a história das minorias religiosas, desde as suas primeiras manifestações na ilha da Madeira, até à consolidação das Igrejas reformadas nos dois últimos decénios do regime monárquico-constitucional. A tese termina com uma síntese conclusiva sobre o conteúdo das duas partes e dos doze capítulos que a estruturam e lhe dão corpo.
Humanidades
3,726
Da visigótica à carolina : a escrita em Portugal de 882 a 1172 : aspectos técnicos e culturais
Escrita -- Portugal -- 882-1172,Letra visigótica -- Portugal,Letra carolina -- Portugal,Pergaminho -- tratamento
A obra que leva o título em epígrafe é constituída por um Prefácio ao qual se seguem cinco capítulos e uma Conclusão. Da secção designada por Apêndices, fazem parte a publicação de cartas dos séculos IX a XII (15), acompanhadas de estampas, um núcleo de receitas de tinta para escrever portuguesas, dos sécs. XV - XVIII (10), e ainda a transcrição de dois actos escritos com interesse para o estudo da elaboração de manuscritos. Seguem-se quadros, mapas, figuras e um conjunto de catorze gravuras (dez a cores) respeitantes ao pergaminho, e sua confecção, e às condições materiais do acto de escrever. Uma lista de Fontes Manuscritas e Impressas e uma Bibliografia completam a obra. No primeiro capítulo, intitulado Condições materiais do acto de escrever pretendeu-se captar onde e como se exercia a ars scribendi entre os sécs. IX - XII. Nos capítulos II, A escrita visigótica, e III As escritas carolina, carolino-gótica, gótica e minúscula diplomática, analisou-se, sob o ponto de vista técnico e cultural, todas as variedades de escrita visigótica bem como todas as outras grafias que com ela foram coexistindo no Reino de Portugal. Nos capítulos IV, Tipologia da escrita utilizada nos documentos de 1054 a 1172, e V Notários e tendências gráficas, procurou-se observar onde, quando, e por quem, se manifestou a introdução da escrita carolina, naquela região. Pela análise da escrita dos sécs. IX - XII, no noroeste da Península hispânica, sobretudo no futuro Reino de Portugal, foi possível obter um melhor conhecimento daquele espaço, tempo e sociedade. É que a escrita não é apenas um acto psico-motor mas ela é, acima de tudo, um produto individual ou colectivo, do meio cultural, político, económico e social que a cria, usa e extingue.
Humanidades
3,730
Darwin em Portugal : 1865-1914 : filosofia, história, engenharia social
Darwin, Charles, 1809-1882,Spencer, Herbert, 1820-1903,Quental, Antero de, 1842-1891
Na introdução do nosso estudo definimos o nosso referente, a teoria da evolução darwiniana e as suas relações privilegiadas com os evolucionismos de Herbert Spencer e de Ernst Hæckel, para sabermos exactamente o que é que íamos procurar na cultura portuguesa e para podermos caracterizar o tipo de acolhimento que a filosofia, as diversas teorias da história e da sociedade fizeram do darwinismo. Além disso, procurámos transmitir uma ideia propedêutica da recepção do darwinismo em Portugal; por um lado, através das suas incidências nas ciências naturais e, por outro lado, tomando como barómetro os artigos e as notícias que se publicaram, expressamente, para homenagear o sábio inglês, por ocasião da sua morte, em 1882, e aquando do quinquagésimo aniversário da Origem das espécies, em 1909. O nosso estudo divide-se em três partes, correspondentes a três domínios (filosofia, história e engenharia social) que ordenámos segundo o critério clássico do grau de abstracção. Embora distintas, as três partes estão unidas por uma comunidade problemática que, tomada globalmente, consiste em determinar o valor que nos referidos campos foi atribuído à teoria darwiniana. Consoante as particularidades das fontes, aquela problemática comum diversifica-se em múltiplas questões. Entre estas, refira-se, nomeadamente, a averiguação e o exame das formas de apropriação e de uso que as teorias da história e da sociedade fizeram da lógica evolucionária de Darwin, entre 1865 e 1914. Na primeira parte, analisamos os efeitos produzidos pelo darwinismo na reflexão filosófica anteriana. Se o poeta filósofo não é toda a filosofia portuguesa, entre 1865 e 1914, a verdade é que ele foi o único que lutou pela salvação filosófica da ciência, em particular, da teoria científica da evolução. Antero, "o Só", como foi identificado por Manuel Laranjeira, concebeu uma metafísica evolucionista que valorizava a teoria darwiniana da evolução, mas que também via na Weltanschauung cientista um sinal dos tempos. Assim, embora Antero recuse o estatuto de filosofia ao monismo hæckeliano, atribui-lhe o mérito de mostrar que a verdadeira filosofia não podia ser construída à margem do progresso científico. O esforço único e criativo que Antero desenvolveu para conciliar a metafísica com a ciência impôs que lhe tivessemos dado um tratamento de distinção. Na segunda parte do nosso estudo, analisamos o impacto do darwinismo na história, e especialmente, na teoria teofiliana da história, nas posições dos críticos de Teófilo Braga, na "teoria da história universal" de Oliveira Martins, nos estudos de Ramalho Ortigão e, finalmente, na teoria da história da Augusto Coelho. Conforme se verificará, os modos como os referidos autores enquadram e utilizam os enunciados darwinianos da "preservação das raças favorecidas na luta pela vida" ou selecção natural, da luta inter-racial, da hereditariedade, do evolver imprevisível, etc., acusam diferenças que, em última análise, traduzem variações do chamado "mito ariano" (Léon Poliakov) que, na época considerada, recebeu a cobertura da lógica darwinista da história. A terceira parte do nosso estudo intitula-se engenharia social (conhecer para transformar) e nela abordamos a construção sociológica teofiliana, o modelo-zénite de Júlio de Matos, a apropriação do darwinismo pela teoria-prática anarquista e os reflexos da eugenia em Portugal, no período histórico em causa. O ideário acrata, com a sua fundamentação cientista, é aquele que melhor permite provar que o darwinismo se converteu num Zeitgeist; por outro lado, é o testemunho mais perturbador de que a lógica darwiniana da história serviu ideários sociais que, em rigor, estavam completamente fora dos horizontes do sábio inglês. O nosso estudo termina com o consenso alargado da elite pensante, sobretudo médica, em torno das implicações eugénicas do darwinismo. A moderação das propostas eugénicas avançadas, entre 1865 e 1914, a prudência jurídica nesta delicada matéria, aliadas a outros indicativos da época, revelam a profunda "paixão" de Portugal pela França.
Humanidades
3,732
Aqui também é Portugal : a colónia portuguesa do Brasil e o salazarismo
Salazarismo -- Estado Novo,Colónia portuguesa -- Brasil
O objectivo deste trabalho é tentar traçar a trajectória da adesão dos emigrantes portugueses radicados no Brasil ao salazarismo. A cidade do Rio de Janeiro, então capital daquele país, foi escolhida como referencial da nossa pesquisa, já que constituiu até a década de cinquenta o principal núcleo da colónia portuguesa em terras brasileiras. A partir da trajectória destas associações e, em especial, da Federação das Associações Portuguesas do Brasil, traçamos a história do núcleo da colónia defensor da ideologia do Estado Novo. Esta defesa é feita através dos meios de comunicação administrados pelos emigrantes e de acções a favor do regime. Por outro lado, buscamos analisar as fortes relações que são estabelecidas entre a sociedade emigrante e o governo português. Neste contexto, damos destaque a dimensão heróica assumida pela figura de Oliveira Salazar na colónia e a acção das associações na organizações de manifestações de apoio a política do Estado Novo levadas a cabo no Brasil.
Humanidades
3,739
Fronteiras culturais luso-brasileiras : demarcações da história e esclas identitárias : 1870-1910
Interculturalidade
Este trabalho tem por propósito o estudo de um problema específico: o das demarcações culturais que têm lugar, em finais do século XIX e inícios do século seguinte, entre Brasil e Portugal. Em ordem ao seu tratamento, percorrem-se duas linhas de análise: uma, é a que procura explicar os contornos da escala cultural luso-brasileira no período em análise; outra, é a equaciona a construção das matrizes identitárias emergentes na referida escala. Para este efeito, desenvolve-se uma pesquisa em três etapas: a) a detecção dos mecanismos de funcionamento articuladores da mencionada escala cultural luso-brasileira; b) a identificação dos fundamentos teóricos mobilizados naquele mesmo âmbito; c) o estudo das matrizes identitárias produzidas no contexto do movimento relacional pluriescalar das culturas "portuguesa" e "brasileira". Esta incursão (trabalhando sobre as noções de historicidade, fundação e origem) evidencia a nuclearidade da história no contexto dos processo de demarcação identitária luso-brasileira.
Humanidades
3,742
Entre monárquicos e republicanos numa "Cidade de Deus" : história política e social de Braga no contexto nacional : 1890-1933
Braga -- 1890-1933.,História de Braga,História social -- Braga
“Almejar mais e melhor”. Este poderá bem ser o lema que impulsionou a longa caminhada, iniciada anos atrás, direccionada para a compreensão da história política e social de Braga desde o declinar da Monarquia até aos primórdios do Estado Novo. Anteriormente, havíamos já desenvolvido uma investigação centrada na história política de Braga confinada ao período compreendido entre 1890 e 1926. Não obstante termos descortinado nesse trabalho uma realidade até então, no essencial, desconhecida, afigurou-se-nos pertinente, entretanto, analisar mais profunda e alargadamente a temática em causa. A aproximação do centenário da proclamação da República, impõe-se confessá-lo, constituiu-se num estímulo adicional para procurarmos compreender melhor uma realidade já esboçada, mas a nossa condição de minhoto residente em Braga desde há muitos anos não deixou de pesar no árduo projecto de investigação em que nos envolvemos. Conhecer o pulsar político da cidade de Braga e do seu espaço envolvente no percurso do republicanismo, manifesto nos últimos anos da Monarquia, até à clausura da República – na sequência da revolução de 28 de Maio de 1926, desencadeada justamente em Braga – e aferir das características da sociedade bracarense neste período estatui-se, pois, na meta primordial desta dissertação. A possibilidade de esta investigação poder vir a adensar o conhecimento sobre a história nacional deste período não deixou de assumir-se como uma motivação suplementar. Nesta investigação propusemo-nos clarificar se Braga era de facto, na viragem dos séculos XIX/XX, uma cidade empedernidamente “crente e monárquica” – como avançavam alguns monárquicos, convictos do carácter inamovível do seu “feudo” – ou se, pelo contrário, estávamos perante uma urbe onde o republicanismo também progredia de forma visível, ainda que marcada por tergiversações, por avanços e recuos. No aspecto político, pretendíamos ainda percepcionar, com maior clareza, se a emergência da revolução de 28 de Maio ocorrera como uma revolução anunciada, assim como queríamos identificar os elementos e as forças que ancoraram localmente a nova ordem saída desta revolução. Sobre a sociedade bracarense propúnhamo-nos definir o seu perfil nas múltiplas vertentes (educacional, quadro mental, caciquismo e condições materiais de vida, designadamente), condição necessária para melhor compreender o curso da política local, a sua sintonia ou a colisão manifesta relativamente ao contexto nacional. Pretendíamos ainda descortinar protagonistas até aqui obscuros e que mereceriam ser trazidos para as luzes da ribalta. Ao longo dos últimos cinco anos, num afã persistente, despendemos um quase incontável número de horas na consulta de fontes manuscritas e impressas, à guarda de vários arquivos e bibliotecas (Arquivo Distrital de Braga, Arquivo Municipal de Braga, Arquivo do Governo Civil de Braga, Arquivos Histórico-Parlamentar e da Torre do Tombo, em Lisboa, Biblioteca Pública de Braga e Biblioteca Pública Municipal do Porto) ou na mãos de particulares. No conjunto das fontes utilizadas, a imprensa da época constitui um recurso de particular valia, como se pode constatar pelas múltiplas referências à sua utilização. Deve reter-se, porém, que a consulta de jornais, com orientação editorial diversa ou mesmo oposta, impôs-se necessariamente como um procedimento recorrente – porque quase o único possível, por vezes – para podermos aferir com maior rigor do curso da acção política, da idiossincrasia de alguns personagens ou até das marcas da sociedade e da economia da época. Para a conveniente contextualização do objecto de estudo nesta investigação, centrado em Braga, recorremos também, naturalmente, a múltiplas obras sobre a História de Portugal deste período, das quais retirámos as informações pertinentes, bem como a outras de natureza diversa, nas quais vislumbrámos a colheita de alguns dados úteis. A estrutura deste trabalho reflecte as considerações atrás formuladas. Assim, na Parte I efectuámos uma abreviada abordagem da História de Portugal, para definir o necessário enquadramento do objecto de estudo focalizado nos planos local e regional. Ainda nesta Parte I, sempre que ajuizámos adequado, inserimos já referências várias relativas ao espaço envolvente à urbe bracarense, procurando dessa forma ora robustecer as considerações válidas para o quadro do país, ora retirar conclusões que permitissem salientar alguma especificidade da sociedade e política bracarenses. Na Parte II analisámos, o mais aprofundadamente possível, a cidade de Braga e a área circundante, nos domínios político e social de forma mais incisiva, mas passando igualmente pela vertente económica. Nesta Parte II, várias personagens, até agora menos bem ou mesmo mal conhecidas, ganham contornos mais claros, no respeitante ao seu posicionamento político, e à linha de rumo adoptada ao longo do período em análise. Acontecimentos vários que marcaram a “cidade dos arcebispos” ficam igualmente mais transparentes, tornando-se agora possível percepcionar melhor as tensões manifestas neste período, as dificuldades que embaraçaram os detentores do poder, ou o percurso de vários notáveis locais na procura de protagonismo político e projecção social. [...]
Humanidades
3,743
Egas Moniz : representação, saber e poder
Moniz, Egas, 1874-1955 -- vida e obra
A singularidade de um cientista de um país semi-periférico como Portugal, ter conseguido, em 1949, a maior distinção científica do Século XX – o Prémio Nobel – tem suscitado a questão de saber que diferenças no seu trajecto, no alcance dos resultados das suas investigações científicas, e nas condições em que viveu, explicam um tão elevado grau de reconhecimento de que foi objecto, em contraste com outros cientistas portugueses, ao longo do século passado. Sem embargo da profusa e interessante bibliografia disponível, designadamente resultante da investigação encetada pelo Grupo de História e Sociologia da Ciência do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra – CEIS20, no âmbito do qual desenvolvemos o presente trabalho, foram identificados, nesse acervo bibliográfico, três tipos de fragilidades relativamente aos quais importava aprofundar a investigação, de modo a produzir um conhecimento mais satisfatório. Em primeiro lugar, as circunstâncias em que Egas Moniz foi nomeado para o Prémio Nobel, referidas vaga e incompletamente na literatura disponível; em segundo lugar, o evitamento generalizado das polémicas que acompanharam as descobertas científicas de Egas Moniz, o seu papel estimulante para o entendimento dos problemas que elas se propunham resolver; em terceiro lugar, a mitificação da figura, por via de um enviesamento biográfico que omitia ou referia mitigadamente aspectos centrais das suas práticas sociais, culturais e políticas. A investigação levada a cabo nos arquivos da fundação Nobel revelou um conjunto de documentos inéditos que veio acrescentar informação indispensável para a compreensão do processo de avaliação e recompensa científica que dominou o século XX. Foi, de facto, o Prémio Nobel que promoveu e consolidou internacionalmente a figura de Egas Moniz. É um aspecto central para a história e sociologia da ciência, quer na óptica da representação de Egas Moniz, quer na perspectiva do estudo dos dispositivos de avaliação e recompensa científica do século XX. Por isso, as sucessivas nomeações de Egas Moniz para o prémio Nobel, as razões invocadas da parte dos seus pares para o nomearem, em contraposição às apreciações e comentários dos avaliadores do Comité Nobel, fornecem uma boa base para a compreensão das práticas e dos valores associados à cultura dos cientistas. À luz da nova documentação revelada fica patente um conjunto de limitações derivado de adaptações discutíveis do legado de Alfred Nobel e de normas de organização institucional que impedem o escrutínio tempestivo dos actos do comité Nobel. Como se pode depreender a partir da análise do dossier de Egas Moniz, a espécie de moratória de 50 anos que impede a divulgação dos fundamentos para aceitação ou recusa de cientistas nomeados, a margem de arbitrariedade, decisões injustificadas e métodos duvidosos, afectam as deliberações do Comité Nobel. Assim, ao longo do nosso trabalho, pretendemos Primeiro, desmontar parte do intricado processo de nobelização; Segundo, contestar a ideia difusa de que o alcance e o investimento de Egas Moniz na sua carreira política foram despiciendos e, Terceiro, propor a recomposição do perfil biográfico de Moniz, agregando-lhe os aspectos que lhe conferem maior densidade social, cultural e histórica, sublinhando os principais pontos de contacto entre o indivíduo e a sua época, que o mesmo é dizer, entre o ser individual e as instituições; Moniz nas suas figurações, nos termos caros a Norbert Elias, ou, ainda, de acordo com Wright Mills, nos pontos de intersecção entre estrutura social e biografia. Egas Moniz surge, pois, no texto que aqui submetemos, como um conjunto de representações – construídas, pensadas e dadas a ler – que registámos sob as denominações categoriais de fragmentação identitária (persistência de biografias lacunares) e de poder biográfico (condicionamento deliberado das versões biográficas). A nossa proposta consiste na valorização de uma série culturalmente relevante de elementos biográficos (ou biografemas) e da sua integração na narrativa acerca de Egas Moniz com vista ao que chamamos uma historiografia inclusiva.
Humanidades
3,744
A Madeira e a construção do mundo Atlântico : séculos XV-XVII
Madeira, arquipélago -- séc.15-17
O objectivo desta dissertação é o estudo da história do arquipélago da Madeira, como espaço participante da e na construção do Mundo Atlântico, no decurso dos séculos XV a XVII. Não se trata, pois, de uma monografia e sim do estudo histórico de um espaço insular aberto ao mar e aos mundos que através dele comunicam. Privilegiando a abordagem sistémico-globalizante, a obra abarca a referida realidade histórica pelo desenvolvimento de doze capítulos, agrupados em quatro partes: o espaço, a economia, a sociedade e a ritualidade. Assim, o autor começa por captar o espaço e o ecossistema primitivo, despovoado, encontrado pelos portugueses, em 1419, os quais, desde logo, se mostraram empenhados na organização e construção desse mesmo espaço, pela "domesticação" da energia selvagem. De igual modo, detecta os povoadores/sesmeiros nos esforçados trabalhos do derrube da densa floresta madeirense, do arroteamento e do cultivo da terra, da construção dos "poios", das levadas, dos caminhos, das pontes, das habitações, dos templos, das fortificações. No domínio da economia, este estudo trata da estrutura agrária, dos frutos da terra e dos frutos do mar, dos problemas da mão-de-obra e sua relação com a produção, transformação e comercialização dos bens. E dedica especial atenção à actividade mercantil, aos problemas do abastecimento interno, ao comércio externo e ao tráfego marítimo, às questões da moeda, do crédito, dos preços, dos salários, sem esquecer a organização das finanças públicas, os réditos e as despesas senhoriais, eclesiásticas, reais/estatais e municipais, bem como a estrutura do aparelho fiscal. Quanto à sociedade, depois de abordar a evolução demográfica, o autor procura captar a estrutura social e a sua (i)mobilidade, estuda as questões de saúde e da organização das instituições de assistência médico-social, e embrenha-se na complexa teia das relações de poder/poderes e da organização político-jurídica e militar. Por último, na esfera da espiritualidade, o autor estuda as questões relacionadas com a organização cultural (os problemas do ensino, a produção literária, a cultura popular e as manifestações etnográficas e artísticas, os tempos de lazer e as actividades lúdicas), penetra no foro da organização religiosa através do estudo das estruturas clericais e das práticas religiosas e aventura-se no terreno resvaladiço das mentalidades e do imaginário.
Humanidades
3,753
A cultura erudita portuguesa nos séculos XIII e XIV : juristas e teólogos
Cultura portuguesa -- séc. 13-14
O tema que aborda fundamenta-se, exclusivamente, nos escritos eclesiásticos entre o século XII a XIV, sendo os seus autores, na totalidade, juristas e teólogos. Literatura parenética, penitencial, controversista, jurídica, económica, hagiográfica e teológica, foram as principais fontes onde se procurou investigar sobre o poder político e alguns aspectos mais importantes da vida cultural da sociedade medieval. Da análise aos Documentos Régios e das Chancelarias (séc. XII-XIII), Annales Domni Alfonsi Port. Regis e da Vita Theotonii, regista-se o perfil do príncipe ideal cristão e a relação quase constante do poder régio a uma autoridade transcendente. Na literatura parenética, sobretudo nos Antonii Patavini Sermones Dominicales Festivi, ou na Summa Sermonum de Festivitatibus per anni circulum, respectivamente de S. António de Lisboa (+1231) e de Frei Paio de Coimbra (+1250), salienta-se missão e as virtudes do príncipe, assim como as noções de paz, direito e de justiça. Seguem-se referências ao discurso jurídico, sobretudo aos Apparatus ad Decretales, de Vicente Hispano (+1248), Summa de Libertate Ecclesiastica(l3ll), de Egas de Viseu, Speculum Regum e De Statu et Planctu Ecclesiae, de Álvaro Pais (1349), onde se procurou acentuar a diversidade das principais ideias políticas. Em Pedro Hispano (1277), filósofo, médico e papa, chama-se a atenção não só para importantes aspectos biográficos, mas para possíveis vertentes do seu pensamento político implícito em algumas das suas bulas, com destaque para a Jucunditatis et exultationis. A Literatura penitencial, preciosa fonte histórica e espelho da própria sociedade, representada pelo Liber Poenitentiarius(1246) de João de Deus e do Livro das Confissões (l399?), de Martín Pérez, aparece como um bom testemunho da evolução, não só do progresso e desenvolvimento económico, mas também do pensamento teológico, intelectual e político. Na cultura económica, constituída pelo Comentário ao Tratado «Da Economia» de Aristóteles, atribuído a Durando Pais, bispo de Évora (1283), destaca-se a relação e as noções das três ciências: Ética, económica e política. A Teologia controversista (Speculum Hebraeorum, de Frei João de Alcobaça (séc. XIV), Collyrium Fidei, de Álvaro Pais e Tratado Teológico identificado na dissertação com o Livro de las tres creencias), é apresentada como expressão de encontro de culturas e um modo de convivência em que os príncipes e o povo se foram moldando à presença e aceitação de outros povos. Corrente controversista que se reflecte até em alguns dos principais documentos do processo histórico da fundação da Universidade Portuguesa, para além das questões sobre a jurisdição entre o poder político e a Igreja, sobretudo quando relacionadas com a Faculdade de Teologia que se defende no presente trabalho como existente desde os primórdios dos Estudos Gerais.
Humanidades
3,754
Bruxaria e superstição num país sem "caça às bruxas" : Portugal 1600-1774
Feitiçaria -- Portugal -- 1600-1774
O objectivo do livro é perceber porque é que em Portugal, entre 1600 e 1774, não se assistiu a um fenómeno de repressão violenta e maciça dos agentes de práticas mágicas ilícitas. No fundo, o que se tenta explicar é porque é que numa época durante a qual várias zonas da Europa Central e do Norte foram autenticamente varridas por um fenómeno de "caça às bruxas", Portugal ficou relativamente imune a este processo. Esta abordagem feita a partir de dois pontos de vista diferenciados. Um primeiro preocupado em obter uma visão de conjunto daquilo que se passou em Portugal. Um segundo tentando detectar como é que surgia uma acusação de bruxaria numa pequena comunidade, qual a dinâmica de todo o processo complexo que a gerava e qual a função que essas acusações e crenças tinham na vida quotidiana das populações. Esta abordagem foi executada em constante comparação com o que nas várias facetas analisadas se passou noutras zonas da Europa, nomeadamente nos países cuja situação mais se aproximava de Portugal: a Espanha e os estados italianos. O texto tem uma preocupação comparativa evidente que é usada para demonstrar a especificidade do caso português.
Humanidades
3,757
A influência da Universidade de Coimbra na formação da nacionalidade brasileira
Universidade de Coimbra -- séc. 18,Identidade nacional -- Brasil -- séc. 18
A dissertação trata do campo da discussão sobre a influência da Universidade de Coimbra na formação da nacionalidade brasileira. Essa discussão foi tema de várias obras publicadas no Brasil por Historiadores, Sociólogos e Cientistas Políticos os quais estão indicados na Dissertação. As características específicas do processo de formação da nacionalidade brasileira são tratadas como uma prática social e uma concepção que surgem imbricadas a outras noções que caracterizam a modernidade. A ideia de nação passa por uma concepção moderna e vincula-se à ideia de unidade territorial, de língua, de povo, de cultura que é configurada pelo Estado moderno, cuja expressão política, organiza essa ideia. Partimos de uma pesquisa que permitiu estimar o corpo técnico formado em Coimbra; essa estimativa possibilitou organizar uma mostra estatística dos brasileiros formados pela Universidade de Coimbra. A estatística desse corpo técnico formam a estrutura de nossa Dissertação. Os dados são importantes informações porque chamam a atenção para o plano de formação dos brasileiros o que conduziu à organização dos primeiros quadros técnicos do Brasil. O estudo da análise histórica das estatísticas permitiu uma estimativa, apresentada no Capitulo 1 da Dissertação. Essa análise por um lado possibilitou estimar a significação dos quadros profissionais brasileiros no período de 1700 a 1820, por outro lado, abriu a condição de podermos identificar o papel desses brasileiros nos acontecimentos que marcaram o processo histórico de montagem do Estado-nação. O detalhamento sobre o número de Egressos de Coimbra que participaram dos movimentos conspiratórios do final do século XVIII, às diferentes actividades desenvolvidas, o legado escrito, à participação no processo de independência, à actuação como deputados constituintes em 1823, à participação na elaboração da Constituição de 1824, à participação na elaboração do primeiro Código Penal brasileiro, o Código de 1830, configuram a importância desse corpo técnico no processo histórico brasileiro. A análise do papel dos brasileiros Egressos de Coimbra na organização do Estado-nação nos possibilitou pensar no ponto de aproximação da modernidade portuguesa implantada pela Reforma pombalina de 1772, como um discurso científico de vanguarda e uma prática educativa. Esse discurso e essa prática romperam as representações medievais no campo científico, esse rompimento reflectiu-se no campo jurídico-político brasileiro.
Humanidades
3,760
O Município de Coimbra da Restauração ao Pombalismo : poder e poderosos na Idade Moderna
Município de Coimbra -- história -- 1640-1777
Sendo o poder municipal, na época estudada, a face mais humanizada da comunidade citadina na relação com o território, esta dissertação de doutoramento inicia-se por um Livro I que aborda, do ponto de vista da intervenção camarária, o peso do aro urbano e sua hegemonia sobre uma considerável região rural incluída no termo concelhio, seus espaços, poderes, populações, jurisdições e instituições locais, definindo-se modos de vida que, a despeito da sua especificidade sociológica, depararam no plano ecológico com obstáculos e adversidades de notável permanência. Os 1759 indivíduos que ocuparam o poder concelhio da cidade coimbrã de 1640-41 a 1771-72 foram, no Livro II, observados a partir de uma reconstituição microbiográfica e em situação de disputa/distribuição de quotas de poder e honra pessoal que a Câmara a descrevia. No seio da nobreza tradicional da terra e da “governança” municipal uma cultura e arquétipo de código fidalgo, elitista e plutocrático, vão prevalecendo e orientando-se como reacção conservadora para a convergência centralizante com alguns objectivos do Estado absolutista e acção dos ministros régios. Questiona-se, no Livro III, essa cidade menos autogovernada no seu direito e costume e mais integrada politicamente no Estado-Nação, numa evolução, que se periodizou, em que a fiscalidade e a guerra aceleram transformações nos órgãos municipais, enquanto se acentua a debilidade do património e rendas concelhias. No entanto, conservam-se importantes capacidades electivas, atributos judiciais e criminais que as vereações exercitam e uma política económica intervencionista; as práticas de resolução, entre outros meios, pelo voto levantam ainda, sob a temática eleitoral, a questão representativa nos concelhos desta época. Os 138 anos de poder municipal em estudo, que se confrontou com outras realidades históricas portuguesas e europeias, moldaram de forma significativa uma cidade que, além de distinta metrópole universitária, se orgulhava de ser das principais do Reino.
Humanidades
3,766
O aglomerado urbano de Setúbal : crescimento económico, contexto social e cultura operária : 1880-1930
Desenvolvimento sócio-económico -- Setúbal -- 1880-1930,Desenvolvimento cultural -- Setúbal -- 1880-1930
O presente trabalho teve como objectivo principal contribuir para um melhor conhecimento do aglomerado urbano de Setúbal, radicado numa área geográfica privilegiada. Este facto provocou o seu rápido desenvolvimento económico e atraiu, desde sempre, ao espaço que ocupa, gentes do Norte e do Sul do país, portadoras de culturas diversas que, ao interpenetrarem-se, fizeram desta cidade um pólo cultural com características muito próprias. O porto, situado na margem Norte do estuário do Rio Sado, liga Setúbal ao mar, transformando-a num dos principais centros portugueses de pesca, de extracção salícola e de indústria de conservas de peixe. Mas a sua importância, para a economia nacional e para a estrutura sociocultural dos séculos XIX e XX, tem sido menosprezada pelos estudiosos do nosso tempo. Esta realidade fez com que dedicássemos a nossa atenção a este aglomerado urbano, convencidos de que forneceremos novas pistas para os estudos macro-históricos. A inexistência quase total de monografias sobre as actividades económicas, a trama social e o contexto cultural da cidade, durante o período que seleccionámos, levaram-nos a procurar documentação mais variada, extensa e pormenorizada, que nos forneceu conhecimentos mais profundos sobre esta cidade e sobre os factores que proporcionaram o seu tão rápido crescimento. Os arquivos nacionais, distritais, municipais, de empresas e associações e particulares, a imprensa local e nacional, os folhetos, prospectos e outras fontes escritas, sem esquecer os testemunhos orais, foram preciosíssimos para a realização do estudo que apresentamos. Assim, numa perspectiva globalizante, embora limitada pelos espaço e tempo definidos para este trabalho, tentámos perceber a relação existente entre o meio físico e o desenvolvimento económico do aglomerado urbano de Setúbal, e a importância deste na construção do tecido social e na produção de um movimento cultural, de raiz fundamentalmente operária, com expressões diferentes das verificadas noutras cidades portuguesas.
Humanidades
3,770
Violência, justiça e sociedade rural : os campos de Coimbra, Montemor-o-Velho e Penacova de 1858 a 1918
História Moderna e Contemporânea,História rural -- Baixo Mondego -- 1858-1918,História social -- Baixo Mondego -- 1858-1918
A partir de documentos de proveniência diversa - recenseamentos da população, cadastro da propriedade, registos de passaportes, processos correccionais, entre outros - procurou-se fazer um estudo aprofundado sobre a sociedade rural das regiões de Coimbra, Montemor-o-Velho e Penacova desde meados do século passado até cerca de 1918. Determinar como é que concelhos geograficamente diversos mas que têm em comum a partilha de um rio - o Mondego - reagiram ao desenvolvimento económico iniciado com a Regeneração, quais as modalidades revestidas em cada concelho e quais os seus reflexos ao nível dos comportamentos e atitudes rurais. Sendo concelhos predominantemente agrícolas acusam, durante o período considerado, um fraco crescimento populacional devido à emigração. Na base deste fenómeno encontram-se importantes transformações agrícolas. Por um lado, o desaparecimento do direito de compáscuo, exercido nos campos do Mondego, que arrastando a diminuição da criação de gado contribuirá para o empobrecimento de muitos. Por outro lado, a introdução da cultura do arroz que obedecendo a imperativos comerciais conduzirá a profundas alterações ecológicas, com inevitáveis reflexos sociais. Sendo uma cultura subsidiária da média ou grande propriedade vai levar à criação de um poderoso grupo de influentes locais. Nos fins do século XIX, a transformação das culturas e do cadastro da propriedade, a desvalorização do preço da terra, associados a crises específicas de certos ramos da produção (vinho, gado), agudizaram os conflitos sociais, provocando uma grande inquietação no mundo agrário e acelerando a emigração em direcção ao Brasil. Como resposta à depressão agrícola exige-se um maior intervencionismo estatal, criam-se os primeiros sindicatos agrícolas e multiplicam-se as mútuas de gado. Todas estas modificações se reflectiram na estrutura social, intensificando a violência, quer a interna e específica da sociedade rural, quer aquela que é dirigida contra a instauração da ordem económica liberal e que se vai expressar nas contravenções às leis do reordenamento agrícola e hidráulico do Mondego, às leis das estradas e dos caminhos de ferro e ao avanço dos campos de arroz. A análise dos processos correccionais permitiu, neste domínio, um estudo detalhado do processo da violência nestas áreas, permitindo esclarecer sobre a sua cartografia, caracterização social das classes perigosas, motivações ou os seus mecanismos de controlo. A violência não é aqui um epifenómeno restrito a certas franjas sociais mas, pelo contrário, atravessa todos ou quase todos os estratos sociais, fazendo parte dos costumes. Desta análise ressalta o seu carácter profundamente tradicional, servindo a violência para assegurar a manutenção do statu quo. Num mundo em mudança, a violência é um dos instrumentos de que a sociedade rural se serve para recusar a passagem do mundo tradicional a um mundo agrícola sujeito às regras do capitalismo.
Humanidades
3,773
A Sé de Coimbra : a instituição e a chancelaria (1080-1318)
Sé de Coimbra -- chancelaria -- 1080-1318,Diocese de Coimbra -- séc. 11-14
Esta tese de doutoramento estuda a Sé de Coimbra desde a restauração da diocese, por volta de 1080, até ao final do episcopado de D. Estêvão Eanes Brochardo, falecido em 1318, sob uma dupla perspectiva, correspondente às duas partes em que se encontra dividida. Na primeira parte, analisa-se a história da instituição e dos bispos, a organização do cabido catedralício, a forma como a diocese era governada. Na segunda, estuda-se a chancelaria desta catedral através da análise dos documentos nela produzidos, procurando perceber as práticas seguidas nesta oficina de escrita e o quadro humano que a compunha.
Humanidades
3,783
Os Açores nos Séculos XV e XVI
História de Portugal -- Açores -- séc.15-16
Utilizando um método sistémico ou globalizante por excelência, mas sem descurar (quando se torna necessário) a análise, o autor procura esclarecer um conjunto de problemas, entre os quais este: as relações do homem europeu com o novo espaço dos Açores, numa perspectiva geográfica, económica e sócio-cultural. Concluirá que o cenário natural não era favorável à aproximação dos homens, formando-se, ao invés, isolats, de que a aldeia/paróquia será a mais adequada e expressiva representação. Isto mesmo poderá ainda hoje constatar-se, já que só uma percentagem mínima de açorianos conhece o arquipélago, havendo muitos que até a pequena ilha, em que habitam, desconhecem! Também o(s) Poder(es) não concorreu(ram) para a coesão da realidade social, uma vez que a Coroa/Estado não logrou substituir (quando se impunha) nem o regime senhorial/donatarial, nem muito menos a força das elites concelhias representadas nas vereações. A linguagem e a religião poderiam ter funcionado como factores de união (e, certamente, funcionaram), mas não se perca de vista a diversidade dos falares e as manifestações contrárias ou ameaçadoras da ortodoxia. Foram sim (sobretudo) as grandes rotas transatlânticas, com relevo para o funcionamento das que ligavam as Índias Ocidentais à Europa, que lograram atar as ilhas umas às outras, criando-se uma unidade arquinsular. Regionalmente, Angra, mais do que Ponta Delgada, será o centro desta mini-economia-mundo, funcionando o istmo Flores- Horta-Praia da Graciosa/ Velas-Angra-Ponta Delgada como o grande traço de união. Deste modo, a suficiência e o isolamento da aldeia/paróquia foram contrariados, afirmando-se o papel importante da vila e da cidade. Por outras palavras, às culturas veio juntar-se a civilização trazida, sobretudo, pelo grande comércio.
Humanidades
3,787
O cinema no "entroncamento" do "progresso" : contributo para a história do espectáculo cinematográfico em Portugal
Cinema,História do cinema,Cinema -- Portugal -- séc. 20
Propõe-se uma abordagem histórica da temática do cinema e do espectáculo cinematográfico pelo estudo da história local e regional. Discutimos, assim, antes de mais, os conceitos subjacentes, essencialmente, no que concerne ao perfil de uma nova história local e ao alcance histórico da realidade do espectáculo cinematográfico no mundo contemporâneo, mediante uma perspectiva do cinema como fenómeno complexo que se revestiu de múltiplas dimensões, sempre entrecruzadas num contexto de época. A partir da análise de um caso concreto é possível explorar realidades de sentido mais amplo e ponderar a articulação de uma diversidade de instâncias, do particular ao geral. Tal como pretendemos sublinhar, através do desenvolvimento concreto da nossa investigação, a história local faculta-nos um terreno de estudo delimitado que permite, designadamente, um levantamento sistemático de dados documentais e uma visão integrada de vectores e dinâmicas, com especial significado. Estudámos, concretamente, a actividade de exibição cinematográfica numa pequena localidade de província, a Pampilhosa do Botão, procurando aproveitar da melhor forma uma importante oportunidade de trabalho. Centrados na história de uma mesma casa de espectáculos, esforçámo-nos por conciliar a percepção de um sentido evolutivo, distinguindo fases que se sucederam num amplo quadro cronológico, com a focagem mais precisa de um período particular, concretamente, o da plena expansão do cinema mudo em que se insere, localmente, o estabelecimento de uma presença regular do espectáculo cinematográfico, a partir de 1925. Neste estudo, há que compreender a especificidade de um meio e reconhecer a forma como o cinema se impôs, conquistando um público bastante amplo, forçosamente heterogéneo. Coerentemente, afirmou-se uma imagem e criaram-se novos interesses, bem expressos na definição de hábitos de frequência regular. O perfil da programação, que, no seu conjunto, conseguimos reconstituir, resultou, como se compreende, da combinação de um conjunto de factores, desde as condições que influíram na produção original dos filmes, até às opções de escolha por parte da gerência deste pequeno cinema, em interacção com o meio local, passando pelo papel das empresas distribuidoras e pela diferente posição relativa dos agentes destes sectores. Num quadro de viabilidade que interessa compreender, foi possível, na verdade, a exibição local de muitas produções cinematográficas, a vários títulos, especialmente representativas. A par de um discurso de promoção, ajudaram a impor localmente uma consciência do valor do cinema, enquanto importante meio de expressão cultural, veículo de comunicação e forma de recreação, sem concorrência directa no mundo de então, muito em particular no caso de um pequeno meio com as características deste. Assumindo a existência de públicos de cinema e a realidade da manifestação de preferências, procedemos à análise dos resultados de bilheteira como testemunho concreto de um quadro de recepção. Essa abordagem crítica pressupôs a criação de um corpo organizado de informação e a sua exploração mediante um método adequado. Na verdade, o tratamento quantitativo deve servir um esforço de interpretação, envolvendo a ponderação de uma diversidade de factores. Para uma mais correcta compreensão, procurámos também colher elementos de comparação, tendo em conta, quer a generalidade do quadro nacional, quer outras realidades particulares. Um pouco por toda a parte, o espectáculo cinematográfico depressa venceu barreiras e aproximou realidades, no âmbito do desenvolvimento de uma cultura de massas. Pudemos verificar, igualmente, como a decisiva afirmação do cinema, com o seu poder de fascínio, baixo custo e permanente renovação da oferta, se combinou com uma rápida consolidação de interesses e de linhas de preferência, por parte dos espectadores, constituindo-se, nesse campo, uma importante base para a evolução nas décadas seguintes. Relativamente a esses outros tempos, sumariamente referidos neste trabalho, sublinhámos alguns traços de um período de ouro do cinema sonoro que foi particularmente significativo para o cinema português, e procurámos, depois, evidenciar aspectos de uma problemática de evolução que iria alterar um quadro dominante do cinema e segmentar realidades. Evitando interpretações menos fundamentadas, há, na verdade, que distinguir nesta matéria os diferentes contextos históricos e a existência de realidades, da produção à recepção, com uma especificidade que deve ser reconhecida.
Humanidades
3,788
Elites Salazaristas Transmontanas no Estado Novo - O Caso de Artur Águedo de Oliveira (1984 - 1978)
História de Portugal -- Estado Novo,Oliveira, Artur Águedo de -- obra,Política -- Portugal -- Estado Novo,Salazarismo
O assunto deste estudo, Elites Salazaristas Transmontanas no Estado Novo – o Caso de Artur Águedo de Oliveira (1894-1978), consiste na abordagem de uma interpretação possível das bases ideológicas nas quais assentou a política estadonovista, com particular relevância reflexiva sobre a biografia de um Homem que, além de ideólogo do regime, foi uma «mão» poderosa e incansável que o cultivou e serviu durante décadas, marcando de alguma forma, a História das Ideias e Mentalidades do Portugal Contemporâneo, com incidência na região de Trás-os-Montes. Para além do conhecimento da carreira de Águedo de Oliveira nos aparelhos político, administrativo, económico e financeiro do Estado Novo, foi elaborado um estudo da sua actividade nos aspectos ideológico, doutrinário e cultural. Com efeito, para uma compreensão e juizo crítico acerca deste Político do Estado Novo, na globalidade e profundidade suficientes e justificativas da sua inserção na História do Portugal Contemporâneo, afigura-se este tema como original, e de relevante interesse no alargamento das perspectivas e vias de interpretação do referido período histórico, bem como para o conhecimento da influência da elite política salazarista de Trás-os-Montes. A metodologia utilizada não foi, por conseguinte, cronológica, pese embora o acompanhamento do percurso político de Águedo de Oliveira, mas, essencialmente, temática e evolutiva, na medida em que, nos vários capítulos, se vai desenrolando o fio condutor da sua Ideologia e da sua Acção Política, não descurando o seu relacionamento com o elenco governamental a que pertenceu, em analogia e consonância com a «Identidade» do Regime. A demonstração que Águedo de Oliveira poderá, efectivamente, ser considerado um orador político, difusor da Propaganda do Estado Novo na sua generalidade (veja-se o capítulo primeiro «O modo transmontano de ser salazarista», o capítulo terceiro «O poder e as elites» e o capítulo quinto «Águedo de Oliveira: um percurso político, de S. Bento ao Terreiro do Paço) e do Regime Salazarista em particular, constitui também um objectivo deste estudo. A imitação do Mestre de Coimbra (Salazar), sempre pretendida, mas nem sempre conseguida por Águedo de Oliveira, auscultada no percurso da sua carreira política de ministro, deputado, «braço» activo de estruturas como a Legião Portuguesa e a União Nacional foi tratada, respectivamente, no capítulo quarto «Águedo de Oliveira, o pupilo de Salazar», e no capítulo sétimo «A Ideologia de Águedo de Oliveira». Uma interpretação extensiva regionalista (Trás-os-Montes) da actividade política de Águedo de Oliveira, onde o Regime se implantou com profundas raízes, de onde provieram, juntamente com ele, outras «mãos direitas» (Ministros) que asseguraram e difundiram as linhas mestras estadonovistas, fez parte, também, do conteúdo deste estudo. O último aspecto focado, constituindo o tema do capítulo oitavo «Alguns conteúdos temáticos da sua Biblioteca», traduziu-se numa via de, sem ultrapassar a natureza essencial do tema (intrinsecamente político), captar as linhas programáticas extrinsecamente demonstrativas do facto de um Político do Estado Novo acumular a Prática com a Ideologia, a Acção com as Convicções, a «Formação» com a «Informação», indubitavelmente presentes no «Caso» de Águedo de Oliveira. Nas Conclusões, aproximadas e não definitivas, formulam-se as seguintes perguntas: Quem foi o «Homem» Águedo de Oliveira? Em que sentido poderá ser interpretado como um «Homem Prático» de Salazar? Fazem parte integrante desta dissertação dois volumes anexos: - O Volume Anexo I: Documentos – O enunciado lógico da sua Ideologia; - O Volume Anexo II: Esboço de uma imagem da sua fotobiografia.
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3,790
As metamorfoses de um guerreiro : Afonso Henriques na cronística medieval
Afonso Henriques, Rei de Portugal -- vida e obra
A presente dissertação enquadra-se no âmbito da história da historiografia e da cultura medieval. Através do exame sistemático de fontes cronísticas medievais, procurámos estabelecer um percurso evolutivo das imagens do primeiro rei luso, D. Afonso Henriques, relacionadas com as suas actividades militares, ocupando um lugar privilegiado a guerra de expansão contra os muçulmanos, conflito convencionalmente designado de Reconquista. Desta forma, esta pesquisa foi norteada pelo objectivo de compreender, ao longo do período medieval, qual o papel assumido pelo reavivamento da memória da guerra de conquista na prossecução dos propósitos políticos que geralmente se encontram subjacentes aos textos historiográficos medievais. Para atingir os objectivos propostos, partimos de uma análise dos textos contemporâneos ao reinado de Afonso I de Portugal, procedendo, em seguida, ao estudo dos textos cronísticos castelhanos, compilados ao longo do século XIII, que igualmente acomodam representações daquele monarca, e que, de alguma forma, se relacionam com a emergência da cronística redigida em português. Cumpridos estes passos, passámos a abordar os textos cronísticos portugueses redigidos entre a segunda metade do século XIII e os inícios do século XVI. Ainda assim, não ignorámos as representações do rei provenientes de narrativas integradas em compilações não cronísticas, como é o caso dos Livros de Linhagens. O trabalho foi organizado segundo um critério cronológico, além de se ter em consideração a relação de intertextualidade estabelecida entre as crónicas e a consequente transferência de tópicos discursivos de um texto para o(s) outro(s). Por conseguinte, este cuidado forçou-nos a assumir uma metodologia comparatista na hora de abordar as fontes, visto que os seus testemunhos apresentam uma relação de dependência face a um ou mais textos anteriores. Por outro lado, tentámos, sempre que possível, identificar o meio social que presidiu à compilação das crónicas e desvelar quais os preconceitos políticos, ideológicos e culturais que eivam as suas narrativas, bem como a respectiva funcionalidade.
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3,794
O «Vértice» de uma Renovação Cultural. Imprensa periódica na formação do Neo-Realismo (1930-1945)
Vértice (publicação periódica),Imprensa periódica
Procurando dar respostas a uma linha de pesquisa aberta pelo grupo de Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais sediada no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, o presente trabalho visou inquirir se o Neo-Realismo português constituiu uma corrente estética, portador de uma visão estética própria e alternativa aos modelos seus contemporâneos, a partir do território histórico em que os seus protagonistas se confrontaram em (e com) determinadas circunstâncias da vida cultural e política. Tratava-se de saber se (e como) o Neo-Realismo resistiu ou não a um apelo exclusivamente diacrónico, num tempo em que importantes batalhas pareciam sugerir aos escritores e artistas um empenhamento imediato da literatura e da arte em torno de um conteúdo; mas também se a doutrinação estética então produzida, com maior ou menor lucidez que a urgência da realidade e os níveis de maturidade dos seus autores teriam permitido, sustentou as práticas criativas; e, finalmente, se as respostas da criação literária, artística e ensaística evidenciaram, por parte dos protagonistas, resultados concordantes, unívocos ou, pelo contrário, terão aberto soluções dissonantes ou justapostas. Para tal, foram empreendidas investigações no sentido de recensear os percursos pessoais e as trajectórias de grupos aí onde os afloramentos exploratórios, espontâneos na criação e na reflexão deram lugar a uma organização da espontaneidade num amadurecimento em público – processo de formação em que o surgimento de tais protagonistas em publicações periódicas juvenis, num longo período entre 1931 e 1940, se desvelou como processo discursivo, de pensamento e de criação em devir, até ao momento da sua consagração como autores e, conjuntamente, como movimento cultural.
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3,805
Retórica da alteridade : Portugal e os portugueses na historiografia brasileira
Historiografia brasileira,Identidade,Cultura luso-brasileira,Interculturalidade
A presente investigação tem como principal objetivo evidenciar o discurso dos historiadores brasileiros a respeito de Portugal e dos portugueses, no contexto da formação da sociedade brasileira, quando a presença portuguesa na América deu ensejo à constituição de variadas representações. A retórica da alteridade que buscamos identificar tomou como lastro as formas de identidade que os historiadores estabeleceram para o Brasil, fazendo de Portugal e seu povo importante ponto de inflexão nessa construção. As noções de Irmandade e Ambiguidade serviram como baliza para analisar as narrativas históricas, em suas diversas perspectivas, circunscritas à primeira centúria após a Independência, o que nos permitiu analisar os modos com que aqueles historiadores referenciavam os portugueses, no tempo real, daqueles existentes no tempo histórico, cristalizados nas fontes por eles utilizadas. No sentido de dar inteligibilidade aos diversos contextos aqui abordados, no qual estavam inseridos os historiadores elegidos, optamos por estruturar o presente texto em três distintos tempos, determinantes para compreensão das mudanças efetivadas na sociedade brasileira em sua formação.
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3,811
Maria Keil, uma operária das artes (1914-2012). Arte Portuguesa do século XX
Maria Keil,Arte portuguesa -- séc. XX
Estudar a vida e a obra de Maria Keil é analisar a História e a Arte Portuguesas desde a década de 1930, quando a autora começou a sua actividade, até 2012, ano em que faleceu. Tendo desenvolvido obra em diversas áreas artísticas, destacando-se as artes gráficas, publicidade, ilustração, azulejaria, desenho e pintura, Maria Keil definia-se como uma “operária das artes”. O corpo de trabalho que nos legou é vasto e diversificado, pleno de beleza, sensibilidade e humanismo, qualidades que caracterizavam a personalidade e o traço da artista. Nascida em Silves em Agosto de 1914, com o início da I Guerra Mundial, Maria da Silva Pires deixou a terra Natal aos quinze anos de idade por vontade da família aconselhada por Samora Barros, seu professor na Escola Industrial, e partiu para Lisboa para frequentar a Escola de Belas-Artes. Após a conclusão do curso geral, de três anos, frequentou o primeiro ano do curso de pintura com o pintor Veloso Salgado. Entretanto, conheceu na Escola Francisco Keil do Amaral, na altura aluno de arquitectura, com quem viria a casar em 1933. O casamento com Keil do Amaral e a aproximação a um círculo de amizades que incluía alguns dos mais notáveis intelectuais e artistas da época, fê-la perceber que “na Escola não se aprendia nada”. Na rua, nos cafés, designadamente na Brasileira do Chiado, em casa de amigos, era nesses locais que de facto se aprendia e se tinha acesso ao que as vanguardas artísticas internacionais faziam. Longe dos modelos em gesso e do academismo do ensino oficial das artes, havia um mundo por descobrir cujos ecos chegavam timidamente a Portugal, através de revistas e livros estrangeiros ou pela boca dos poucos artistas nacionais que conseguiam viajar e estabelecer-se fora do país. Em 1936, Maria Keil começou a colaborar com o Estúdio Técnico de Publicidade (ETP), fundado por José Rocha, onde trabalhavam, entre outros, Fred Kradolfer, Botelho, Bernardo Marques, Ofélia Marques e Thomaz de Mello. No ETP, Maria reaprendeu a desenhar, conheceu uma nova realidade, a da publicidade, e desenvolveu um grafismo muito próprio, de risco sintético e estilizado, claramente modernista, que aplicaria, mais tarde, a outras áreas artísticas. Esse momento marcou o início da actividade profissional, multifacetada, da autora. Nas décadas de 1930 e 1940, num contexto político totalitário, em que a Arte foi colocada ao serviço do regime através da acção do SPN/SNI, Maria Keil trabalhou, tal como a maioria dos artistas da sua geração, como decoradora nas exposições internacionais de Paris (1937), Nova Iorque (1939), São Francisco (1939) e na Exposição do Mundo Português (1940). Neste âmbito, de referir, ainda, a colaboração com a revista Panorama, a participação nas Campanhas do “Bom gosto”, a decoração das Pousadas de Portugal e dos edifícios dos CTT, a realização de figurinos e cenários para a Companhia de Bailado Verde-Gaio, entre outros. Paralelamente a autora, que sempre se posicionou, tal como o marido e o seu círculo de amizades mais próximas, do lado da oposição ao regime, chegando a ser presa pela PIDE em 1953 por ter ido receber Maria Lamas ao aeroporto, desenvolveu outros trabalhos, para clientes privados, muitas vezes amigos pessoais, essencialmente na área da ilustração. A este propósito, refira-se a forte consciência social e política de Maria Keil que a levou a defender várias causas, entre as quais, a da Mulher. A década de 1950 colocou a azulejaria e a ilustração infantil no seu caminho, áreas artísticas que desenvolveu de forma notável até ao final da vida. Casada com o arquitecto responsável pelo projecto do Metropolitano de Lisboa, Maria fez os painéis de azulejo abstractos, de cariz geométrico, que decoravam as suas estações. Além do marido, outros arquitectos recorreram ao seu trabalho na área da azulejaria nos anos de 1950, tendo a autora executado um conjunto de obras que contribuíram para introduzir decisivamente o modernismo na azulejaria portuguesa. A partir da década de 1950 e até 2009, ano da derradeira intervenção de Maria Keil na área da azulejaria, a artista produziu dezenas de painéis de azulejo, sempre na Fábrica da Viúva Lamego. A actividade de ilustração infantil começou em 1953, com Histórias da Minha Rua de Maria Cecília Correia, e continuou, sem parar, até 2010, data em que ilustrou o livro Florinda e o Pai Natal de Matilde Rosa Araújo, tendo a autora deixado um legado de cerca de quarenta obras infantis ilustradas. Paralelamente, Maria Keil foi autora de cartões para tapeçarias, escreveu livros, infantis e para adultos, dedicou-se à fotografia e pintou. A pintura, essencialmente de retratos, embora lhe tenha valido um prémio em 1941, era para a autora uma área de actividade pessoal, que ela não incluía no seu trabalho profissional, ou seja, Maria Keil não se considerava uma pintora. No entanto, ao longo da sua vida Maria não deixou de expor, individualmente ou em exposições colectivas, a sua obra de pintura que revela, sobretudo no domínio do retrato, uma elevada qualidade estética e técnica.
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3,814
Do Minho ao Mandovi. Um estudo sobre o pensamento colonial de Norton de Matos
História,História Contemporânea
A longa vida do general José Norton de Matos (1867-1955) teve na questão colonial, apesar do “Milagre de Tancos” e da sua candidatura à presidência da República, em 1949, um esteio maior. Com efeito, a sua comissão na Índia, (1898-1908), onde dirigiu os Serviços de Agrimensura, a sua participação na missão encarregue de delimitar os limites de Macau (1909-1910), assim como os cargos de Governador-Geral (1912-1915) e de Alto-Comissário (1921-1924) da província de Angola, assinalaram muitos anos de actividade no Ultramar, a que se seguiu, uma vez concluída a acção no terreno, a redacção de livros de pendor doutrinário e uma vasta colaboração em jornais e revistas, sendo de destacar aquela que desenvolveu n’O Primeiro de Janeiro (1931-1954). De resto, é possível falar num saber (sobretudo) de experiência feito, em que Norton beneficiou do contacto directo com colonialistas de gerações anteriores, como Mouzinho de Albuquerque, Henrique Paiva Couceiro ou Joaquim José Machado, governador da Índia quando da sua chegada a este território. Seja como for, as leituras dos clássicos ingleses da colonização tiveram o seu lugar no ideário “nortoniano”, expressando o general grande apreço pela aliança com a Grã- Bretanha e admiração pelos seus processos administrativos nos territórios africanos e na Índia. O objectivo deste estudo é seguir o percurso colonial de Norton de Matos, de modo a integrá-lo na sua época. Havendo convivido com a questão ultramarina, ao longo de três regimes políticos, ensaiar-se-á avaliar a sua experiência colonial a partir das linhas de força da Monarquia Constitucional, da Primeira República e do Estado Novo. Apreciar os debates e os argumentos trocados. Explicar o impacto da geopolítica mundial do período de entre-guerras no olhar desta importante figura histórica portuguesa do século XX, cotejando-a com a mitologia colonial herdada da Primeira República e aqueloutra desenvolvida pelo Estado Novo. Importa, pois, estabelecer os pontos de contacto entre os três regimes e explicitar algumas ideias que permearam as suas visões, nomeadamente, o mito prometeico da “gesta colonizadora”, o Apartheid, a miscigenação e o entendimento colonial que fazia dos imperialismos coloniais, assim como as primeiras independências, na Ásia e em África.
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3,816
A Cooperação Portuguesa no contexto da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (1998-2012): um ensaio de modelização
Cooperação Internacional para o Desenvolvimento,Soft Systems Methodology,Cooperação Portuguesa,Modelização,Política
A Cooperação Portuguesa, que se destacou nos últimos anos com a qualidade da Ajuda prestada, tem sofrido, desde 2011, uma série de alterações que se têm refletido em termos políticos e estruturais. De facto, não só se assistiu à fusão de 2 (dois) organismos distintos [o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e o Instituto Camões, no novo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. (Camões-ICL)], como a língua passou a ser prioritária em relação à Cooperação (tal como mencionado aquando da discussão do Orçamento de Estado para 2013) e a diplomacia económica a estar no cerne da política externa portuguesa. Se a fusão levanta uma série de questões sobre o impacto que essa mudança terá no sistema de Cooperação, já que se observa uma mudança de natureza do configurador principal, as restantes parecem contrariar toda uma lógica de atuação ao nível das recomendações do CAD (Comité de Ajuda ao Desenvolvimento)/OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) e dos compromissos assumidos internacionalmente. A emergência de novas prioridades conduz a uma nova realidade (Cooperação + Língua + Diplomacia Económica) para a qual não existe, na nossa opinião, uma estratégia de Cooperação que permita perceber de que forma as 3 (três) vertentes serão articuladas e em que lugar ficará a Cooperação. Neste sentido, e tendo presente a atual situação da Cooperação Portuguesa, procuramos não só desenvolver uma proposta de metodologia de análise estrutural do sistema de Cooperação Português, como também sugerir uma reconfiguração do mesmo, tendo como base todo um conjunto de mudanças identificadas através da implementação da Soft Systems Methodology (SSM). Estas, que segundo a terminologia da SSM assumem a designação de mudanças desejáveis e culturalmente possíveis, terão em conta princípios como a eficácia, a transparência, a visibilidade, coerência, a sustentabilidade e a boa governação.
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3,817
Portugal e Itália. Divergências e Convergências em Quarenta e Três Anos de Relações Diplomáticas (1943-1986)
Política externa,Diplomacia,Portugal,Itália,Europa,Império Colonial
Entre 1943 e 1986, as relações diplomáticas luso-italianas caracterizaram-se por uma progressiva aproximação. Finda a II Guerra Mundial, a Itália, membro do Eixo até 1943, assinava, em 1947, o Tratado de Paz como país vencido. Em Portugal, os governantes portugueses temiam que a vitória dos Aliados levasse ao fim do Estado Novo, um regime antidemocrático e autoritário com características fascizantes. As incertezas e as expectativas internas e externas eram, pois, vividas em Lisboa e em Roma com nervosismo até ao final dos anos 40, quando os instrumentos principais das relações internacionais no Ocidente – como a ONU, a OECE, a NATO e a CECA – ficam delineados, permitindo aos dois países integrarem-se numa esfera de interacção comum e no âmbito da qual as relações luso-italianas ficavam reforçadas. Contudo, se a Itália garantia o seu lugar nos projectos de cooperação europeia, Portugal direccionava-se para o Ultramar. Também aqui as relações luso-italianas poderiam encontrar um ponto de reforço se ao anticolonialismo professado pelo Governo de Roma não se opusesse o acérrimo colonialismo do Governo de Lisboa, com a desconfiança do Governo português a acentuar-se com o início das guerras coloniais, a partir de 1961. Condenado na ONU, pressionado na NATO, Portugal buscava o apoio da Itália, cedido apenas dentro dos limites da solidariedade devida a um aliado no quadro da Aliança Atlântica. Caído o Estado Novo em Abril de 1974, Roma e Lisboa encetavam um período de maior identificação em termos de princípios políticos e de objectivos, com a primeira a ceder os seus préstimos para garantir o sucesso da transição democrática e para acelerar o processo da negociação da independência das colónias. Ao fazê-lo, pretendia não só solidificar as relações diplomáticas com Lisboa, mas também com os novos países surgidos do Ultramar, considerados altamente rentáveis para investir e alargar a presença da Itália na África. A Democracia de Abril veio também permitir o estreitamento das relações luso-italianas no campo multilateral, com a Itália a ter um papel de destaque no processo de adesão de Portugal à CEE não só ao impor um número de reformas a executar a nível comunitário para optimizar o funcionamento institucional e salvaguardar a economia italiana, produtora de produtos similares à portuguesa e com necessidades símiles em termos de financiamentos europeus, mas também ao acelerar a conclusão das negociações, em 1985.
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3,819
Pelos meandros do xisto: o património rural na Freguesia de Vide
Património rural
Em Pleno Parque Natural da Serra da Estrela apresenta-se um pecúlio cultural que praticamente se desvaneceu da memória de quem com ele conviveu. Na freguesia da Vide, os indivíduos que nela encontram as suas origens foram agora questionados sobre o conceito de património cultural e rural sendo convidados a dar a sua colaboração para encontrar os meios mais eficazes que possam salvaguardar a sua memória e identidade. Recorda-se o pensamento que afirma “um povo sem história é um povo sem identidade”. Conhecer o património cultural deste território rural, os hábitos e costumes da sua população, forneceu a perspectiva socioeconómica das suas gentes e da sua história. Foi esse caminho o que se pretendeu percorrer: recuperar, hoje mais através da memória, um património esquecido. Os aspectos da economia rural, das várias aldeias que integram o território, as culturas agrícolas, as práticas diárias e as artes e ofícios tradicionais, marcaram com relevo o desenvolvimento económico de tempos antigos mas correm o risco de se perder no tempo presente. Procura-se descrever para melhor conhecer as infraestruturas dos aglomerados urbanos, em que as habitações, as edificações de carácter religioso ou as escolas se revelavam como elementos mais expressivos. Também se evidenciam outras estruturas de utilização colectiva, como as fontes, os fornos e as eiras, imprescindíveis na subsistência das populações que delas se serviram. Percorrendo esse ambiente de vivências rurais apresentam-se os moinhos de cereais, os lagares de vinho ou ainda os lagares de azeite, essenciais no processo de transformação dos produtos agrícolas. Dão-se a conhecer as diferentes formas de organização do espaço dedicado à exploração agrícola, bem como os diferentes sistemas de rega e outras edificações de cariz rural, utilizados no território em estudo. Com a apresentação do património da freguesia de Vide, das existências agora registadas com a colaboração dos actores locais, colocam-se dúvidas sobre quais as perspectivas do seu futuro. O que fazer com esta tomada de consciência do património rural? Que projectos desenvolvidos podem fornecer indicadores para delinear e reforçar um programa para a revitalização do tecido produtivo local? Quais os resultados dos programas de reabilitação patrimonial em territórios próximos, com características socioeconómicas similares, implementados nas últimas décadas? Colocadas estas questões, analisados os ensaios já efectuados noutros locais, a tese “Pelos meandros do xisto: o património rural na Freguesia de Vide” procura apresentar uma proposta de salvaguarda para o património rural da freguesia de Vide, na esperança de que esse património engendrado em múltiplas gerações consiga aproximar as gerações vindouras ao território e aos habitantes que ainda por ali resistem. O mundo rural tradicional desaparece a passos largos perdendo irremediavelmente capacidade de adaptação aos novos tempos e à nova realidade socioeconómica. Consagra-se pelas políticas das últimas quatro décadas que as cidades são única saída para a sobrevivência das gerações rurais mais jovens. Só o passar do tempo poderá aclarar se o Interior de Portugal voltará à sua condição de território maninho.
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3,820
Em demanda do sebastianismo em Portugal e no Brasil: um estudo comparativo (séculos XIX/XX)
Sebastianismo,Portugal,Brasil,Estudo comparativo
Este estudo visa comparar as manifestações do sebastianismo em Portugal e no Brasil, nos séculos XIX e XX. É certo que elas são anteriores a estes períodos nas suas vertentes mais crédulas, faceta em que a propagação dos textos fundadores, particularmente das Trovas de Bandarra, foi sendo assimilada por camadas populares que, de uma maneira mais ortodoxa ou mais heterodoxa, viveram, individualmente ou como seita, a negação da morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir, em 1578, na expetativa do seu inevitável retorno. Também se quis assinalar o pano de fundo comum a Portugal e ao Brasil do ponto de partida do fenômeno. Todavia, foi nossa intenção destacar esta diferença: enquanto aqui a sua dimensão “religiosa” e popular, sobretudo em certas regiões mais pobres e isoladas, se prolongou no decurso do século XIX, na Metrópole, o distanciamento crítico foi acompanhado pela extinção das encarnações de “D. Sebastião”, o que, mais cedo do que no Brasil, transformou-o em mito, cujo significado terá de ser lido à luz da problemática da época: a definição das identidades nacionais e do seu entendimento como comunidades de destino. Neste sentido, o esforço desta demanda foi analisar e descrever o objeto numa ótica comparativa, a fim de se detetar as suas contiguidades e as suas diferenças em Portugal e no Brasil. Desafio que nos levou a explorar uma metodologia que fosse capaz de revelar a sedimentação discursiva do enredo sebástico em seus diferentes repertórios legitimadores. Com isso, evitámos a ambição de fazer “a história do sebastianismo”, ou de explicar sua “origem”, ou de enxergar a experiência brasileira como um mero “apêndice” da portuguesa, ou, sequer, de a diluir no debate acerca da chamada “cultura luso-brasileira”, onde, diga-se, a questão tem passado um pouco ao largo dos estudiosos. No entanto, também não se deixou de levar em conta que o sebastianismo é herdeiro de uma rica gama de discursos que, direta ou indiretamente, ampliaram a semântica de termos que, na mitologia em causa, valem por si, como foi o caso de vocábulos como “D. Sebastião”, “sebastianistas” e “sebastianismo”. Com esta perspetiva quisemos provar que, se o mito foi ajuizado como objeto de curiosidade pelos estrangeiros, para muitos inteletuais portugueses e brasileiros das últimas décadas de Oitocentos a sua continuidade, mesmo que mais mitigada, causava inquietação, sobretudo num momento em que as nações buscavam na técnica e na ciência os motores do progresso e da emancipação dos povos. Ora, se muitos foram os escritos que, então, ajudaram a inteletualizar o sebastianismo – enxergando-o, inclusive, a partir de uma dimensão idiossincrática –, poucos foram aqueles que viram nele matéria de reflexão, de onde se poderia tirar lições importantes sobre os processos identidários e acerca da historicidade da sua produção e reprodução. Foi neste quadro que privilegiámos os escritos de Oliveira Martins, em relação a Portugal, e os de Euclides da Cunha, em relação ao Brasil, ambos munidos de um amplo referencial teórico e que tiraram proveito das possibilidades apresentadas pelo surgimento das novas ciências sociais, mormente das que teorizavam os vários evolucionismos e os risco da sua degenerescência. Do primeiro, retomou-se o repertório sebástico e deu-se-lhe um tratamento interdisciplinar, em consonância com uma antropologia cultural do mito e com os conceitos de nação e nacionalidade, em contraposição à visão cientificista dos positivistas. Do segundo, que dialogou com Oliveira Martins e com as experiências sebásticas brasileiras anteriores, releu-se a sua interpretação do episódio de Canudos, na conflituosa fase de instauração da República no Brasil, num imenso laboratório de onde Euclides da Cunha buscou compreender a nacionalidade brasileira, sem escamotear a força positiva da componente sebástica no conjunto de algumas práticas antigas ainda mantidas nos sertões do Norte do Brasil. De tudo isto se confirmou que as especificidades portuguesas, cedo transformaram o sebastianismo num mito cultural, cuja sobrevivência se mitigou num atentismo próprio de quem espera, não tanto da sua ação, mas da emergência do impossível, a esperada redenção, qual “utopia regressiva”, dos males da pátria. No Brasil, por seu turno, as manifestações sebásticas oitocentistas tiveram um cunho mais popular, apocalíptico e sacrificial. Porém, elas também foram ganhando um cariz intelectualizado, voltado para a ação, e cujas permanências ainda são sentidas como um dos referenciais mais duradouros da cultura portuguesa. De onde tudo o que se expôs não esteja desligado do permanente debate sobre a construção do Brasil como nação.
Humanidades
3,822
Majestosa Educação: família e civilidade no Segundo Reinado do Brasil (1840-1889)
História,Civilidade,Família,Vida Privada,Império do Brasil,History,Civility,Family,Private Life,Empire of Brazil
Civilidade, polidez, cortesia, urbanidade, “savoir-vivre”, “trato de mundo”, “bomtom”... Muitos foram os termos empregados para representar um código social recente no Brasil, figurado como prática entre os fins do século XVIII, mas decididamente ampliando no século XIX. Aos variados sentidos também se acompanhou, de uma só vez no tempo, variadas significações ambientadas no império: se na Europa a civilidade era uma marca histórica, acompanhada pelo refinamento dos modos desde a Antiguidade, e com maior força durante a modernidade, ela se fazia novidade no Brasil oitocentista. Razões não faltaram: transferência da família real portuguesa, da sede da coroa e de boa parte da sua nobreza; emancipação política brasileira; início de dois reinados, com breve intervalo regencial. Se o cenário político e o tempo eram de mudanças para o Brasil, igualmente deviam ser suas práticas, julgadas como algo que deveria sofrer melhorias, não apenas pelo desejo de se civilizar, como pela exigência em fazê-lo. Afinal, se a sociedade tinha sua gramática, era urgente estudá-la, e não houve melhor escola que a vida privada, e nem melhor educadora a ensiná-la que a própria família. Nela consiste nossa atenção: entender como se relaciona, durante o Segundo Reinado no Brasil, a família com o código da civilidade, num tempo de marcas burguesas, e não mais cortesãs, embora tropicalmente escravocrata.
Humanidades
3,823
O passado na ponta dos dedos: o mobile learning no ensino da História no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário
História,Educação,Construtivismo,Mobile learning,iPad,iTunes U
Este trabalho de investigação incide sobre o impacte da utilização de tablets no ensino da História no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário. Partimos da análise sobre a evolução das correntes pedagógicas portuguesas dos últimos 30 anos, do papel da História nos curricula de diferentes sistemas de ensino (ao nível do 3º CEB e do Ensino Secundário) e da especificidade do seu ensino. Em seguida, fazemos o estado da arte em relação a investigações e projetos sobre a utilização de tecnologias no ensino e, em particular, sobre a utilização de dispositivos móveis para ensinar e para aprender. As tecnologias móveis são cada vez mais parte do quotidiano de qualquer jovem estudante e permitem formas crescentemente sofisticadas de acesso à informação e interação social. As potencialidades destes dispositivos contribuem para que sejam considerados ferramentas incontornáveis no desenvolvimento de estratégias de aprendizagem motivadoras e na aquisição de competências por parte de alunos que são hoje considerados verdadeiros "nativos digitais". Por outro lado, o curriculum do ensino básico e secundário exige aos alunos a capacidade de compreensão e análise de temáticas históricas por vezes complexas, face às competências cognitivas que lhe estão associadas. É, por isso, importante criar mecanismos que ajudem os alunos a saber utilizar a informação a que conseguem hoje aceder, sobretudo ensinando-os a selecionar e filtrar essa mesma informação. Foi tendo por base estas questões e tendo subjacente as abordagens construtivistas e conectivistas que preparámos um estudo onde tablets (iPads) e uma plataforma de suporte ao ensino (iPads e iTunes U) foram utilizados como eixo de um ecossistema de aprendizagem para o desenvolvimento de competências nas aulas de História, procurando desenvolver uma estratégia que proporcionasse uma aprendizagem de qualidade, que passasse pela fase de domínio dos conteúdos a lecionar, utilização desses mesmos conteúdos na concretização de pequenas tarefas e a apropriação dos conteúdos para utilização em novas situações. Do ponto de vista da metodologia de investigação realizou-se um estudo de caso, no qual participaram alunos de duas escolas urbanas com ensino básico e secundário, uma pública e outra privada. Destes alunos, quarenta e sete frequentavam o nono ano de escolaridade e vinte e dois o décimo segundo ano de escolaridade (Curso Científico-Humanístico de Humanidades). A importância deste estudo prende-se com a ausência, em Portugal, de estudos sobre a utilização de tablets para o desenvolvimento de estratégias de ensino e de aprendizagem nas aulas de História, procurando capitalizar as vantagens destes dispositivos numa disciplina complexa como é o caso da História. As técnicas de recolha de dados utilizadas foram o inquérito e as notas de campo. Os instrumentos de recolha de dados concebidos para este estudo foram: o questionário inicial de caracterização dos participantes, o questionário de opinião onde se inquiriu a reação dos alunos aos recursos educativos e às tarefas solicitadas e os testes de conhecimentos. Da análise dos testes, dos questionários e através da observação que fizemos podemos concluir que a plataforma iTunes U permitiu organizar o processo de aprendizagem, promovendo a autonomia dos alunos e o iPad permitiu anotar os documentos e criar trabalhos interativos com a aplicação Book Creator. Ao longo da aplicação do estudo, constatou-se que a estratégia utilizada contribuiu para que as aulas de História tivessem outro tipo de dinamismo e de interatividade, encorajou a aprendizagem pela construção do saber e o desenvolvimento de competências ao nível da análise da documentação apresentada, para além de aumentar a motivação dos alunos para a aprendizagem da História. Os participantes reconheceram que se sentiram mais motivados para as aulas de História e que ter ao dispor ferramentas como o iPad facilitam o processo de aprendizagem e contribuem para o desenvolvimento de competências relevantes, sobretudo ao nível do trabalho colaborativo e da síntese dos conteúdos lecionados. A criação de uma história baseada nos acontecimentos estudados, revelou-se, para os participantes, para além de uma tarefa divertida, uma boa forma de aprender.
Humanidades
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Darwin em Portugal (1910-1974). O darwinismo e a evolução na produção científica de botânicos portugueses
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O presente trabalho visa analisar a influência do darwinismo na botânica portuguesa, no período compreendido entre 1910 e 1974, procurando averiguar a originalidade portuguesa quanto ao acolhimento da teoria darwiniana e a influência de conceitos darwinistas na investigação científica. Num primeiro momento, procurar-se-á contextualizar a problemática central do nosso estudo no quadro geral da história internacional do darwinismo, com base numa consulta que privilegiou os trabalhos assinados por autoridades consagradas na área e estudos de natureza idêntica. Em sintonia com algumas das últimas tendências dos estudos sobre a receção e a história do darwinismo, procurar-se-á ainda mostrar como em Portugal se traduziu, representou e comemorou Charles Darwin. Num segundo momento, proceder-se-á à avaliação da influência do darwinismo na produção científica de doze botânicos portugueses que exerceram a sua atividade na Universidade de Coimbra (Júlio Augusto Henriques, Luís Wittnich Carrisso, Aurélio Quintanilha e Abílio Fernandes), na Universidade de Lisboa (António Xavier Pereira Coutinho, Rui Teles Palhinha, Flávio Resende e Carlos das Neves Tavares) e na Universidade do Porto (Gonçalo Sampaio, Américo Pires de Lima, Manuel Joaquim Ferreira e Arnaldo Roseira). Através da análise, procurar-se-á averiguar se as investigações científicas dos botânicos portugueses referidos foram influenciadas pelo darwinismo. Procurar-se-á também verificar se os seus trabalhos pedagógicos e programas das disciplinas que lecionaram incluíram tópicos relacionados com a evolução, se se dedicaram à divulgação de ideias evolucionistas em Portugal, se procederam à tradução de trabalhos relevantes sob o ponto de vista dos estudos da evolução, se se mantiveram informados sobre os acontecimentos mais relevantes ao nível da história da evolução e se algum dos seus respetivos discípulos se dedicou aos estudos de evolução. Teoria da evolução que se tornou com celeridade um dos tópicos de discussão prediletos da comunidade científica, sendo amplamente debatida no plano teórico, o darwinismo não teve, contudo, uma influência imediata nas investigações conduzidas ao nível das ciências biológicas de finais do século XIX e inícios do século XX.
Humanidades
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Convento de Cristo - 1420/1521 - Mais do que um século
Convento
Este trabalho de investigação teve como objectivo fundamental a verdadeira compreensão de um dos conjuntos edificados mais complexos de Portugal, no período específico entre 1420 e 1521, e que compreendeu a regedoria da Ordem de Cristo pelo Infante D. Henrique e por D. Manuel I. Alicerçou-se nas teorias enunciadas na dissertação de Mestrado em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 2009, intitulada “O Convento de Cristo em Tomar: do Infante D. Henrique às empreitadas manuelinas”, de que é autora. A procura da confirmação de algumas dessas teorias através da consulta exaustiva do fundo documental do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, a utilização de estudos de GPR e do acompanhamento de campanhas arqueológicas que, então, se desenvolveram no convento, permitiram a identificação de percursos e de espaços desconhecidos, numa percepção de um todo arquitectónico até aqui incompreendido. Assim, tornou-se possível a identificação, nos descontextualizados claustros henriquinos, do cumprimento rigoroso da tipologia dos mosteiros cistercienses demonstrando a intenção do Infante D. Henrique na sua utilização como regra e referência. Identificou-se, também, que a utilização da Charola como igreja conventual, cuja definição planimétrica contrariava a tipologia cisterciense, não impediu o cumprimento do seu plano, adaptando a planta centralizada às novas exigências pretendidas, através da inclusão do coro e das ligações obrigatórias da igreja com o dormitório, o claustro e o acesso individual dos leigos. Esta nova leitura espacial acompanha a introdução de referências do modelo cisterciense para a construção do convento, ao mesmo tempo que percepciona a introdução de um novo formulário arquitectónico na construção dos Paços do Regedor da Ordem. Esta, definiu-se pela particularidade de, pela primeira vez, o Regedor da Ordem ser um leigo não podendo, por isso, partilhar a sua residência com os religiosos conventuais, e obedeceu a fórmulas de carácter civil, cumprindo-se na íntegra, a tipologia de uma casa senhorial. A necessidade de enquadramento exterior deste paço e de articulação do antigo recinto norte da fortaleza templária, onde se instalaram o convento e o paço da Ordem com os restantes espaços amuralhados levou, entre outras intervenções, à abertura da Porta do Sol e à definição do terreiro do Recebimento. Descobre-se, assim, um convento de raiz tipológica cisterciense, que engloba na sua formação a mítica Charola templária e que funciona, durante quase meio século, segundo esses princípios vivenciais. Ao mesmo tempo, assiste-se ao funcionamento da dupla urbanidade de Tomar, através da distribuição das actividades de carácter administrativo no interior da vila amuralhada, e da exploração comercial, industrial e de hospedagem na vila ribeirinha. A tomada de consciência de que as vilas de Tomar foram fundadas pela Ordem do Templo e se tornaram pertenças da Ordem de Cristo, permitiu reconhecer a importância deste território como elemento passível de ser instrumentalizado. Assim se compreendeu a acção de D. Henrique de reconversão e dignificação dos espaços urbanos e, posteriormente, de D. Manuel, com a transformação da vila amuralhada em vila clerical e a reconfiguração do espaço urbano da vila de baixo. Foi, aliás, a regedoria de D. Manuel, que rompeu com a rigidez formal cisterciense e introduziu uma complexidade plástica e formal que parecia ter transformado o anterior convento cisterciense em algo meramente casuístico, ornamental e despropositado; quase, ou mesmo, megalómano. A compreensão e a leitura deste objecto arquitectónico conventual na sua relação com a vila amuralhada, na correlação com a vila de baixo e na consequente identificação enquanto estrutura de excepção no panorama nacional do final de quatrocentos e início de quinhentos, permitiu a verdadeira consciencialização do poder da Ordem de Cristo. Foi, aliás, a chegada de D. Manuel à Regedoria da Ordem que imprimiu um novo fôlego nos objectivos inicialmente traçados pelo Infante, originando uma verdadeira transformação no convento e nas vilas, que se agigantaram. Novas formas materiais, técnicas e cores invadem o senhorio da Ordem de Cristo mas, acima de tudo, uma nova gestão permite transformar “ferro em ouro”. O convento e paço mestral invadem e preenchem toda a estrutura fortificada, e a vila intramuros, agora transformada em vila clerical, adquire a função do dormitório da clausura. A casa do capítulo manuelina e o renovado pátio do recebimento formalizam, a partir de então, a entrada de aparato na Sede da Ordem por cavaleiros e leigos, e o convento é coberto de pinturas, estuques e guadamecis; a vila clerical é recuperada e dignificada. Em simultâneo, e pela mão de D. Manuel, a vila de baixo reajusta-se, redefine-se e especializa-se, transformando-se na única Tomar. A administração, a indústria, o comércio e o lazer tomam o seu lugar pré definido na nova Vila, que resplandece com as novas regras urbanísticas que saneavam terrenos, construíam frentes ribeirinhas de trânsito fluvial, traçavam e regulavam alinhamentos e cérceas, ao mesmo tempo que redefiniam o espaço público segundo princípios cénicos e de aparato. O senhorio da Ordem de Cristo espelhava, agora sim, a administração de um rei que se caracterizava por uma vontade firme de exteriorizar e de materializar as suas qualidades, e de se afirmar enquanto monarca eleito e pré-destinado para construir um império e mudar a geografia do mundo. Este trabalho de investigação teve como objectivo fundamental a verdadeira compreenção deste complexo edificado, e permitiu a reconstituição de todos os espaços que compunham e definiam a Sede da Ordem de Cristo e as vilas de Tomar. Desconstruiu mitos e questionou teorias e lendas que se perpetuaram no tempo em redor deste monumental edifício, resgatando a sua verdadeira identidade.
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