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6,941 | Osteodistrofia renal | Osteodistrofia renal | A doença renal crónica é um problema de saúde mundial, com incidência e prevalência crescentes. Apesar dos avanços científicos na compreensão da patogénese e o desenvolvimento de terapêuticas mais eficazes, a osteodistrofia renal continua a ser uma complicação importante nos doentes renais crónicos. A osteodistrofia renal abrange um espectro diverso de alterações ósseas nos doentes com doença renal crónica, classificada histologicamente por lesões de elevada ou baixa taxa de remodelação óssea, agora considerada uma componente da Patologia Mineral e Óssea na Doença Renal Crónica. Este novo conceito reflecte as consequências sistémicas provocadas pela perturbação do metabolismo mineral e ósseo na Doença Renal Crónica, incluindo assim: alterações de parâmetros laboratoriais, alterações morfológicas do osso e calcificação vascular. Neste contexto, o objectivo principal deste trabalho é a revisão do tema em questão, incluindo a compreensão da sua patogénese nos adultos, o seu diagnóstico e algumas formas de prevenção e tratamento. Na patogénese da osteodistrofia renal estão envolvidos múltiplos factores que levam ao hiperparatiroidismo secundário, encontrado desde a fase inicial da doença renal crónica. Com a diminuição da função renal há deterioração da homeostase mineral, tendo como consequência a alteração dos níveis plasmáticos e teciduais de fósforo, cálcio e alterações das hormonas circulantes, nomeadamente a paratormona, a vitamina D activa juntamente com os seus metabolitos, e mais recentemente, o factor de crescimento de fibroblastos-23. Com a progressão da osteodistrofia renal há também evidência, a nível tecidular, de uma diminuição do número dos receptores de vitamina D e a resistência à acção da paratormona. Tendo esta complicação início numa fase precoce da doença renal crónica, é necessário um diagnóstico e uma intervenção também precoces, de forma a diminuir a mortalidade e morbilidade destes doentes. Quanto ao diagnóstico definitivo este é feito por biopsia óssea com exame histomorfométrico do osso, realizado apenas em doentes seleccionados. O tratamento inicial deve ser direccionado para a correcção das alterações hormonais e bioquímicas, para evitar a hiperplasia das paratiroideias e as consequências ósseas. Neste âmbito é de salientar a importância do controlo de fósforo na dieta alimentar e a utilização dos fixadores de fósforo. A vitamina D, os análogos da vitamina D e mais recentemente os calcimiméticos, são fármacos úteis na osteodistrofia renal. Estes fármacos podem ser usados em combinação e devem ser controlados de acordo com alterações presentes | Ciências Médicas e da Saúde |
6,943 | Prevalência da infeção pelo VHC em doentes internados numa enfermaria de gastrenterologia | Hepatite C,Prevalência,Factores de risco | A infeção pelo vírus da hepatite C (VHC) é um problema global e uma causa importante de cirrose hepática e carcinoma hepatocelular. No contexto dos cuidados de saúde estão descritos casos isolados e surtos associados a transfusões, injeções, internamentos, cirurgias e endoscopias que chamam a atenção para a transmissão nosocomial do VHC. Com vista à determinação da prevalência da infeção VHC e respetivos fatores de risco na enfermaria de Gastrenterologia do CHUC, foi realizado um estudo transversal sobre uma amostra de 207 doentes internados entre 6 de Setembro de 2013 e 4 de Fevereiro de 2014, que incluiu um questionário sobre fatores de risco, o registo do anti-VHC nos doentes com resultados com menos de 6 meses, a determinação do anti-VHC nos restantes e a determinação do RNA quantitativo e genótipo do VHC nos doentes anti-VHC positivos. A prevalência de anti-VHC positivo era de 1,4%, correspondendo a 3 casos de infeção previamente conhecida, com origem provável em formas convencionais de infeção – utilização de drogas injetáveis e transfusões sanguíneas prévias a 1990. A prevalência dos fatores de risco era de 92,3% para internamento prévio (em média 3,8 por pessoa), 81,6% para endoscopia digestiva prévia (em média 4 por pessoa), 75,8% para cirurgia prévia (em média 2,3 por pessoa), 40,6% para transfusão sanguínea prévia (em média 1,9 por pessoa), 8,7% para transfusão sanguínea antes de 1990 (em média 1 por pessoa), 4,8% para hemodiálise, 1,4% para infeção VHC na família, 1% para uso de drogas injetáveis e 1% para contato homossexual. A média de parceiros sexuais por pessoa era de 5,0±15,3. A baixa prevalência de infeção VHC determinada e a ocorrência de fatores de risco convencionais nos 3 casos positivos encontrados, numa população com elevada exposição aos cuidados de saúde sugere que a transmissão nosocomial não desempenha um papel de relevo no contexto em que esta população se insere. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,944 | Dermatoses paraneoplásicas | Neoplasias da pele,Dermatoses | As dermatoses paraneoplásicas constituem um grupo heterogéneo de doenças que podem conduzir à identificação de uma neoplasia até então oculta ou acompanhar a evolução de uma neoplasia já conhecida. Conforme os critérios definidos em 1976 por Helen Curth1, consideram-se paraneoplásicas as dermatoses que: (1) tenham um início aproximadamente simultâneo ao da neoplasia; (2) evoluam paralelamente com a neoplasia; (3) sejam uniformemente causadas pelos mesmos tipos de neoplasia; (4) sejam pouco comuns na população em geral e (5) tenham uma associação estatisticamente significativa com a presença de determinada neoplasia. Por serem os mais relevantes, os 2 primeiros critérios são os únicos que actualmente se utilizam. As dermatoses paraneoplásicas podem classificar-se em diferentes categorias: (1) dermatoses paraneoplásicas obrigatórias, as quais estão constantemente associadas a doença maligna, sendo que a sua identificação obriga à pesquisa sistemática de neoplasia subjacente (acantose nigricante maligna, eritema necrolítico migratório, acroqueratose de Bazex, eritema gyratum repens, hipertricose lanuginosa adquirida, ictiose adquirida e pênfigo paraneoplásico; (2) dermatoses não constantemente paraneoplásicas, que podem classificar-se num primeiro grupo (2a), constituído por dermatoses com associação frequente com doença neoplásica e cuja identificação deve conduzir à pesquisa sistemática de um tumor (dermatomiosite, síndrome carcinóide, tromboflebite migratória superficial, síndrome de Sweet, pioderma gangrenoso, sinal de Leser-Trélat e hipocratismo digital adquirido), e num segundo grupo (2b), constituído por dermatoses que poucas vezes acompanham a evolução de um tumor e este só deverá ser pesquisado se outras etiologias forem improváveis ou se não houver regressão após tratamento adequado (hirsutismo, eritrodermia, queratodermia palmo-plantar e porfiria cutânea tarda; (3) dermatoses excepcionalmente paraneoplásicas (conectivites e vasculites). DERMATOSES PARANEOPLÁSICAS 7 No presente trabalho, revêem-se os aspectos clinico-patológicos de 13 dermatoses incluídas nas categorias 1 e 2A, por serem descritas na literatura actual como tendo a maior força de associação com neoplasias | Ciências Médicas e da Saúde |
6,945 | O gene DRD3 na etiologia do suicidio na população portuguesa | Suicídio,Genes,Genética molecular,População,Portugal | morte em todo o mundo e num grave problema de saúde pública. Trata-se de um fenómeno complexo de etiologia multifatorial, onde os fatores genéticos assumem um papel importante. Dada a elevada incidência deste fenómeno e a problemática que traduz, torna-se crucial e desafiante a identificação dos diversos fatores que contribuem para a sua susceptibilidade e fisiopatologia de forma a futuramente poderem ser desenvolvidas estratégias preventivas e terapêuticas. Várias evidências sugerem que o sistema dopaminérgico, particularmente o gene do recetor de dopamina D3 poderá estar implicado na etiologia do suicídio. No entanto, até ao momento não foi realizado nenhum estudo a nível mundial abordando o gene DRD3 e o suicídio. No contexto do presente trabalho investigou-se o papel do gene DRD3 na etiologia do suicídio na população portuguesa e efetuou-se também uma análise de género e de método utilizado. Os resultados do estudo do polimorfismo Ser9Gly do gene DRD3 não revelam diferenças estatisticamente significativas para as distribuições genotípicas e alélicas quer para a amostra total (distribuições genotípicas: χ2=1,371; d.f.=2; p=0,504; distribuições alélicas: χ2=0,106; d.f.=1; p=0,745), quer para a amostra fragmentada por método [distribuições genotípicas (suicídio violento: χ2=1,497; d.f.=2; p=0,473; suicídio não violento: χ2=1,626; d.f.=2; p=0,444), distribuições alélicas (suicídio violento: χ2=0,055; d.f.=1; p=0,815; suicídio não violento: χ2=1,294; d.f.=1; p=0,255)], assim como na análise do género feminino (distribuições genotípicas χ2=1,371; d.f.=2; p=0,504; distribuições alélicas χ2=0,106; d.f.=1; p=0,745). Relativamente ao género masculino, os resultados revelam uma tendência de associação entre o polimorfismo Ser9Gly do gene DRD3 e o suicídio para o genótipo 5 (χ2=5,713; d.f.=2; p=0,057) não se verificando diferenças estatisticamente significativas na distribuição alélica (χ2=0,395; d.f.=1; p=0,530). Os resultados obtidos revelam que o gene DRD3 não tem um papel direto na etiologia do suicídio na amostra total, no género feminino e na análise por método do suicídio. No entanto, apesar de os resultados obtidos no género masculino carecerem de estudos adicionais, parecem sugerir uma possível associação, sendo necessário prolongar o estudo para esclarecer o papel do polimorfismo Ser9Gly do gene DRD3 na etiologia do suicídio no sexo masculino. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,946 | Gustometria na prática clínica : aplicação á população portuguesa | Otorrinolaringologia,Paladar,População,Portugal | É do conhecimento geral que as disfunções do paladar influenciam não só as escolhas alimentares, mas também a saúde. Um protocolo de gustometria é o principal meio para o diagnóstico clínico de distúrbios do paladar e sugere possíveis tratamentos. Nenhum protocolo clínico de gustometria foi até agora adaptado e validado para a população portuguesa. O nosso objetivo é validar um protocolo de gustometria, baseado em tiras teste feitas de papel de filtro, impregnadas com soluções de diferentes sabores. Quatro concentrações diferentes para cada sabor (doce, ácido, salgado e amargo), foram administradas a 75 indivíduos. Estas tiras foram colocadas em contacto com a língua dos participantes numa sequência randomizada e os indivíduos foram convidados a identificar o sabor. Medições repetidas mostraram uma boa fiabilidade e validade para as tiras teste (ρ75=0,68, p<0,001). O limiar de hipogeusia obtido nesta população é de 4,8. O protocolo de gustometria baseado em tiras teste pode ser aplicado na prática clínica em Portugal. É rápido, eficaz e barato. A utilidade diagnóstica deste método é indiscutível, assim como as vantagens que podemos obter com a sua aplicação, para diagnóstico precoce e distinção entre distúrbios do paladar e do olfato. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,947 | Efeito das bebidas desportivas nas restaurações dentárias : estudo in vitro | Bebidas isotónicas,Erosão dentária,Restauração dentária | Introdução A prática de exercício físico é uma realidade na sociedade e a hidratação pré, per e pós competição é fundamental para o rendimento de um atleta, contribuindo para o aumento do consumo de bebidas desportivas isotónicas. Tratam-se de bebidas ácidas, com elevada capacidade tampão e constituídas por açúcares, que associadas ao aumento do refluxo gastroesofágico e diminuição da secreção salivar durante o exercício físico, contribuem para a criação e manutenção de um pH crítico na cavidade oral, aumentando o risco de cárie e/ou erosão dentária. O potencial erosivo, sendo de etiologia multifatorial, depende não só dos fatores químicos extrínsecos relacionados com as bebidas (pH, tipo de ácido, adesividade à estrutura dentária e aos materiais dentários, concentração de iões cálcio, fosfato e flúor), bem como de fatores intrínsecos (fluxo salivar e capacidade tampão) e de fatores comportamentais (frequência, forma de ingestão e hábitos de higiene). O potencial erosivo destas bebidas no esmalte dentário está comprovado, provocando desmineralização e sensibilidade dentária; no entanto, a literatura relativa ao efeito destas bebidas sobre as restaurações dentárias e suas interfaces é escassa. O presente estudo está estruturado em duas fases. A primeira fase tem por objetivo avaliar o efeito do envelhecimento em meio aquoso nas restaurações dentárias. A segunda fase tem por objetivo avaliar o efeito das bebidas ácidas nas restaurações dentárias. Materiais e métodos Foram efetuadas 80 restaurações com resina composta EsthetXHD (Dentsply DeTrey) em 40 dentes pré-molares humanos, íntegros e previamente extraídos por motivos ortodônticos, das quais 40 foram realizadas com sistema adesivo Prime&Bond®NT™ (Dentsply DeTrey) e 40 com sistema adesivo Xeno®V+ (Dentsply DeTrey). Os dentes foram seccionados longitudinalmente e para a 1ª fase do estudo as amostras foram submetidas a um processo de envelhecimento em meio aquoso durante 2 anos. Para a 2ª fase do estudo, foram selecionadas duas bebidas desportivas isotónicas (Isostar e Red Bull) e um refrigerante (Coca-Cola); como controlo negativo foi utilizada saliva artificial. As amostras foram aleatoriamente distribuídas por 8 grupos: grupo I (Prime&Bond®NT™ + Isostar); grupo II (Xeno®V+ + Isostar); grupo III (Prime&Bond®NT™ + Red Bull); grupo IV (Xeno®V+ + Red Bull); grupo V (Prime&Bond®NT™ + Coca-Cola); grupo VI (Xeno®V+ + Coca-Cola); grupo VII (Prime&Bond®NT™ + saliva artificial); grupo VIII (Xeno®V+ + saliva artificial). As amostras foram submetidas a dois protocolos de erosão consecutivos: no protocolo de imersão I as amostras foram submetidas às bebidas durante 14 dias consecutivos, duas vezes por dia durante 4 minutos de cada vez; no protocolo de imersão II as amostras foram submetidas durante 14 dias consecutivos, substituídas de 24h em 24h. A avaliação das amostras foi efetuada com base em critérios aprovados pela FDI, de acordo com diversos parâmetros incluídos em propriedades estéticas, funcionais e biológicas, por dois avaliadores, através de dois métodos: avaliação direta das restaurações e avaliação indireta a partir de macrofotografias digitais de grande ampliação. A análise das amostras foi efetuada em quatro períodos: t0 – após a execução das restaurações; t1 – após envelhecimento durante 2 anos; t2 – após o protocolo de imersão I; t3 – após o protocolo de imersão II. Foi ainda efetuada uma análise química sumária das bebidas testadas com determinação do pH e da capacidade tampão. Para a análise estatística foi utilizado o teste de Friedman para amostras emparelhadas e comparações par-a-par com o teste de Wilcoxon. Comparações inter-grupos foram efetuadas com recurso ao teste de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney. O nível de significância estatística estabeleceu-se em α=0.05 para todas as análises. Resultados Avaliação direta das amostras Relativamente às propriedades estéticas, ocorreu um agravamento estatisticamente significativo de todos os parâmetros nos grupos V e VI em t3 e de alguns parâmetros nos grupos II e IV também em t3. Relativamente às propriedades funcionais, ocorreu um agravamento estatisticamente significativo em todos os grupos das bebidas ácidas, maioritariamente em t3. Relativamente às propriedades biológicas, ocorreu um agravamento estatisticamente significativo nos grupos III, IV, V e VI, todos em t3. Nos grupos VII e VIII não ocorreram alterações. Avaliação indireta a partir de macrofotografias digitais de grande ampliação Relativamente às propriedades estéticas, ocorreu um agravamento estatisticamente significativo na maioria dos parâmetros em t3, em todos os grupos das bebidas ácidas. Relativamente às propriedades funcionais, ocorreu um agravamento estatisticamente significativo nos grupos III, IV, V e VI em t3. Relativamente às propriedades biológicas, ocorreu também um agravamento estatisticamente significativo nos grupos III, IV, V e VI em t3. Nos grupos VII e VIII não ocorreram alterações. Conclusões O envelhecimento em meio aquoso durante dois anos não provocou alterações significativas nas restaurações dentárias. As bebidas ácidas provocam alterações significativas nas restaurações dentárias e respetivos tecidos dentários marginais, cuja gravidade depende do tipo de bebida e do protocolo de exposição à mesma. O tipo de sistema adesivo utilizado não influenciou as alterações provocadas pelas bebidas ácidas nas restaurações dentárias executadas em resina composta. A avaliação indireta das restaurações a partir de macrofotografias digitais revelou ser um método útil em vários parâmetros para complementar a avaliação direta segundo alguns critérios adotados pela FDI. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,948 | Sono e comportamento alimentar em estudantes universitários : estudo longitudinal | Estudantes,Sono,Comportamento alimentar | Objetivos: Num estudo transversal, com uma grande amostra de estudantes universitárias verificou-se que a duração habitual/qualidade do sono, sonolência diurna percebida, neuroticismo, desregulação emocional, stresse percebido, reatividade do sono ao stresse e ativação pré-sono foram preditores de comportamentos alimentares/atitudes disfuncionais. Além disso, a propensão para sonolência diurna, sonolência diurna percebida e perceção da saúde física foram preditores de Indíce de Massa Corporal mais elevado. Assim, o objetivo do presente trabalho foi examinar se estas medidas estão (1) prospetivamente associadas com Comportamentos Bulímicos (C.B.) e Motivação para a Magreza (M.M) e, (2) se exposição à privação do sono está associada ao IMC e comportamentos alimentares disfuncionais. Métodos: As participantes preencheram um conjunto de questionários que avaliavam os comportamentos alimentares (Teste Atitudes Alimentares-25), aspetos de sonolência diurna, ativação, coping, neuroticismo/extroversão, perceção da saúde física e mental, stresse académico, afeto positivo e negativo, atividade pré-sono (ativação cognitiva/somática) e índice de massa corporal (IMC; kg/m2). Das 344 estudantes que preencheram essas medidas na baseline 250 preencheram as mesmas medidas um ano depois. Resultados: Encontraram-se correlações fortes entre as mesmas variáveis avaliadas na baseline e um anos depois, particularmente o IMC (.841), IQS (.725), stresse académico (.713) e os acordares noturnos (.705). As correlações entre neuroticismo, afeto/humor negativo, ativação cognitiva, IMC, acordares noturnos e perceção de saúde psicológica na baseline e comportamentos/atitudes alimentares anormais (C.B. e M.M) avaliados um ano depois, foram significativas embora pequenas. A reatividade do sono ao stresse correlacionou-se 2 positivamente com a M.M. e stresse académico, expressão emocional negativa e perceção de saúde física só se correlacionou com os C.B. Todavia nas análises de regressão só o neuroticismo e o afeto/humor negativo se revelaram preditores significativos respetivamente dos C.B. e da M.M., avaliados um ano mais tarde. Conclusões: Este trabalho usando uma ampla variedade de medidas revelou pela primeira vez evidência prospetiva, que (2) nenhuma das variáveis relacionadas com sono-vigília investigadas estão associadas com comportamentos alimentares disfuncionais, (3) stresse, desregulação emocional, e perceção de saúde psicológica/física não estão associados com comportamentos alimentares disfuncionais, e (4) neuroticismo e afeto/humor negativo são as únicas medidas associadas com comportamentos alimentares disfuncionais. Estudos futuros, devem replicar a presente investigação, em outras populações da comunidade e clínicas | Ciências Médicas e da Saúde |
6,949 | Ética no exercício médico-legal | Medicina legal | Nestes novos tempos que estamos a viver, a formação e a sensibilidade éticas terão cada vez mais um papel primordial, especialmente pelo relevo e exposição pública que a medicina legal tem vindo a conquistar. Sendo a ética um campo da maior relevância no exercício médico-legal, em virtude da sua importância na aplicação da justiça, urge portanto, uma abordagem pró-activa para aumentar os standards éticos dos seus profissionais. Por isso, o objectivo principal deste trabalho foi despertar a consciência dos profissionais forenses para a necessidade premente de reflectir sobre as preocupações éticas e que a medicina legal, como um todo, esteja mais disposta a discutir, questionar e regular comportamentos éticos dos seus membros. Procedeu-se então a uma breve descrição do que se entende por ética e os limites do seu domínio em termos gerais, médicos e forenses, bem como à exposição do conceito de perícia médico-legal e o que distingue esta actividade da prática médica assistencial. A contribuição pessoal compreendeu a análise das respostas a um questionário, abordando algumas das várias questões éticas respeitantes à actividade pericial médico-legal, dirigido a todos os médicos que exercem funções no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forense, designadamente, médicos especialistas, médicos internos e peritos médicos contratados. De um modo geral, a maioria dos inquiridos considerou muito relevante a ética na prática forense, revelando, contudo, algum desconhecimento destas questões e diversidade de procedimentos éticos, porventura, devido à ausência de formação específica nesta área, que os próprios inquiridos admitiram. Procurou-se assim proceder a uma reflexão que ajude a perspectivar a elaboração de um eventual Código de Ética que reforce condutas éticas e estabeleça guidelines que ajudem a diminuir o ónus das “áreas cinzentas” da prática forense. Não esquecendo porém, que o produto de um legislador será sempre inferior ao produto de uma consciência | Ciências Médicas e da Saúde |
6,950 | Índice de anisocitose (RDW) : um factor de prognóstico na pneumonite de hipersensibilidade? | Doenças obstrutivas do pulmão,Pneumonia,Alveolite alérgica extrínseca,Hemoglobinas anormais | A pneumonite de hipersensibilidade é uma doença pulmonar intersticial granulomatosa de etiologia conhecida, que resulta da inalação intensa ou repetida de agentes orgânicos por indivíduos susceptíveis. O prognóstico é variável e os factores de risco para evolução desfavorável não são adequadamente conhecidos. O índice de anisocitose (red blood cell distribution width - RDW) surge actualmente como um preditor independente de prognóstico entre várias patologias respiratórias, agudas e crónicas. Como o aumento do RDW pode estar, entre outros factores, relacionado com processos inflamatórios, este estudo propõe-se a avaliar o valor preditivo do RDW no prognóstico de doentes com pneumonite de hipersensibilidade. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo observacional, num Serviço de Pneumologia universitário, durante um período de estudo de 10 anos (2006-2015). Foram incluídos todos os doentes com diagnóstico de pneumonite de hipersensibilidade. As variáveis clínicas e os resultados dos testes realizados foram recolhidos através da base de dados do hospital e do processo clínico electrónico do doente. A análise de prognóstico foi realizada através do estudo do agravamento da capacidade vital e da média anual de internamentos durante três anos de seguimento. Resultados: Foram identificados 37 doentes, 13 homens e 24 mulheres, com uma idade média de 60,5 ± 14,8 anos. A etiologia mais frequente foi associada exposição a proteínas aviárias. Observaram-se valores de RDW aumentados em doentes expostos a aves, grupo que se associou a elevado número de admissões hospitalares e diminuição de função pulmonar. Índice de Anisocitose (RDW): um factor de prognóstico na pneumonite de hipersensibilidade? 4 Na análise ajustada observou-se relação significativa entre RDW superior a 14.5% e maior número de admissões hospitalares e uma maior probabilidade de perda de função pulmonar. Conclusão: O RDW poderá ser um bom factor preditor de prognóstico nos doentes com pneumonite de hipersensibilidade. Estes achados ajudam a identificar grupos de doentes com um risco aumentado de uma evolução clínica mais grave e que necessitam de um acompanhamento individualizado e mais regular. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,951 | Impacto da consulta na qualidade de vida sentida pelos consulentes | Qualidade de cuidados de saúde,Medicina familiar | Introdução: A qualidade de vida, além de um mediador direto de saúde, é indicador de um estado de saúde. Quando a qualidade de vida é considerada num contexto de saúde e doença, é comum referenciar a saúde relacionada com a qualidade de vida. A consulta é um momento de quebrar barreiras. Ao estabelecer-se uma relação empática entre o médico e o consulente, consegue-se um conhecimento mais aprofundado por parte do médico de todo o espectro de sintomas, problemas e factores de risco de cada doente e, deste modo, reforça a satisfação e confiança entre o consulente e o médico, aumentando a probabilidade de adesão às recomendações feitas por este e ao plano terapêutico acordado entre ambas as partes, sendo possível a capacitação. Objectivos: Tirar conclusões, especificamente para a Medicina Geral e Familiar em Portugal, sobre a relação entre a Qualidade de Vida, a consulta desempenhada por um médico e a Empatia. Métodos: Ensaio clínico analítico em que o questionário EQ5D foi aplicado antes e após a consulta, juntamente com um outro questionário, o questionário de Jefferson para avaliar a empatia entre o doente e o médico, na segunda parte da mesma. Resultados e Discussão: EQ-5D como instrumento genérico de medição da qualidade de vida relacionada com a saúde (QdVRS) permitiu avaliar o valor do estado de saúde na amostra estudada. 5 Houve uma melhoria significativa, sentida por parte dos consulentes na qualidade de vida, pela consulta. Após a mesma, 75% doentes apresentava um valor abaixo de 0,758, apresentando uma melhoria na sua qualidade de vida, comparativamente aos 68,8% obtidos antes da mesma. Em relação à empatia médica sentida pelo consulente, 45,8% dos doentes mostraram sentir boa empatia quando avaliaram como boa a qualidade de vida. Parece que, de num ponto de vista teórico, a relação entre o profissional de saúde e o seu doente tem evidências terapêuticas, a nível social e psicológico. A consulta é um procedimento de diagnóstico e terapêutico de elevada complexidade e técnica, o seu êxito dependendo da qualidade da relação médico-doente empática, nela desenvolvida. Conclusão: A qualidade de vida pode ser alterada por uma consulta em Medicina Geral e Familiar sobretudo quando esta é sentida como mais empática. Quando o foco da consulta é simultaneamente terapêutico e centrado no consulente este resultado parece ser mais importante | Ciências Médicas e da Saúde |
6,952 | Utilização de cardioversores desfibrilhadores implantáveis em desportistas : revisão sistemática | Desfibriladores implantáveis,Atletas | As recomendações internacionais excluem todos os atletas possuidores de um cardioversor desfibrilhador implantável (CDI) da prática de todos os desportos excepto os de baixa intensidade, inseridos na categoria IA (golf, bilhar, bowling). No entanto, estas recomendações são baseadas em consensos de peritos e a segurança ou riscos resultantes da prática desportiva nesta população ainda são largamente desconhecidos da comunidade médica. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura existente na PubMed utilizando a seguinte expressão: “((sudden cardiac death) AND (sport OR physical exercise)) AND defibrillator”. Após a avaliação de critérios de inclusão e exclusão pre-definidos, foram selecionados 36 resultados que são explorados neste manuscrito. Resultados preliminares da utilização de CDI nesta população parecem atestar a sua segurança e eficácia. Estudos futuros, permitindo o seguimento de um maior número de desportistas por um período mais duradouro, poderão fornecer mais robustez e evidência mais forte a suportar estes achados. Entretanto, a abordagem ao desportista portador de CDI deve ser personalizada e adequada ao paciente, de acordo com a cardiopatia e tipo de desporto em questão. Uma abordagem generalista com desqualificação de quase todos os desportistas sem atender às suas especificidades pode prejudicar uma quantidade considerável de doentes aos quais será vedada a possibilidade de manter a sua profissão ou prática, para a qual poderiam eventualmente apresentar um risco baixo de Morte Súbita Cardíaca | Ciências Médicas e da Saúde |
6,953 | Avaliação da acupunctura num modelo experimental de convulsões | Acupunctura,Convulsões,Modelos animais | A epilepsia é uma doença que nos coloca problemas complexos de análise, investigação e terapêutica. Na actualidade, a terapêutica antiepiléptica é o resultado de investigação que a partir de 1980 se tem desenvolvido à medida que se vão conhecendo melhor os mecanismos da neurobiologia da epilepsia. Apesar da evolução na terapêutica farmacológica e até neurocirúrgica, 25-30% das epilepsias são refractárias às actuais terapêuticas convencionais. Isto coloca o desafio do recurso a terapêuticas complementares como auxiliares dos esquemas terapêuticos actuais. Uma dessas terapêuticas, a Acupunctura, tem sido utilizada com aparentes resultados nos quadros epilépticos, nomeadamente, nos de expressão convulsiva. O objectivo deste trabalho é avaliar se a acupunctura tem alguma interferência na neutralização da sintomatologia convulsiva da epilepsia. Neste estudo utilizaram-se ratos Wistar, machos, com 8 semanas de idade. Os animais foram submetidos a um protocolo de indução de convulsões com Pentilenotetrazol (PTZ). Num protocolo (protocolo A) não foi efectuado qualquer tratamento, noutro, protocolo B, foi feita a acupunctura, fazendo a punctura de 06PE, 03ID, 06BP, 03FI, 34VB, 14DU, 16DU, Yintang e num terceiro protocolo (protocolo C), foi feita a administração de soro fisiológico, por via intraperitoneal. Os animais foram observados durante os 30 minutos imediatos à administração de PTZ, e foi feito o respectivo registo em vídeo. A análise das observações permitiram concluir que a acupunctura, nos pontos utilizados, interferiu com o perfil temporal do quadro clínico, sendo na maioria dos casos eficiente. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,954 | Compreensão da informação e hipertensão arterial | Hipertensão arterial,Informação,Compreensão | Introdução- O maior determinante na redução do risco cardiovascular é a diminuição da Pressão Arterial (PA). Este estudo tem por objetivo determinar se a compreensão da informação passada na consulta de Hipertensão Arterial (HTA) pela equipa de saúde influencia os valores da PA ou controlo da PA em pacientes hipertensos seguidos numa Unidade de Cuidados de Saúde Primários. A informação dada ao consulente parece influenciar o seu controlo da PA mas não se sabe se a compreensão dessa informação está relacionada também. Métodos- Estudo prospectivo longitudinal com intervenção. A recolha de dados decorreu entre 15 de Março e 15 Maio de 2015. Aplicação de folheto informativo construído e validado sobre definição e tratamento da Hipertensão Arterial na consulta de seguimento de Hipertensos após questionário específico sobre o tema e medição da Pressão Arterial. Remedição do conhecimento com o mesmo questionário na consulta seguinte, a 1 mês e da Pressão Arterial. Estatística descritiva e Inferencial. Resultados- A amostra final foi constituída por 49 participantes. Os valores de TAS melhoraram significativamente da primeira para a segunda consulta(p=0,015) sem ter em conta a comprenssão. No grupo que compreendeu melhor e informação, passado um mês os valores de TAD e de TAS também melhoraram, embora não se possa concluir que a compreensão tenha tido impacto. Houve uma melhoria das respostas ao questionário na sua globalidade e em duas perguntas do questionário essa melhoria foi significativa. A percentagem de hipertensos controlados (TAS<140 ou TAD<80) não subiu 4 significativamente, nem mesmo no grupo dos que apresentaram uma melhoria da compreensão. Discussão- As principais limitações do estudo foram o número de participantes e a restrição a uma só região do país o que limita o potencial de generalização. Os principais pontos fortes foram o facto de o tema ser original e de se ter utilizado um folheto construído e validado. Conclusão- Não se pode concluir que a compreensão da informação influencia o controlo da Hipertensão Arterial a curto prazo pelo que devem continuar a ser feitos estudos no sentido de esclarecer se há necessidade de se realizarem intervenções deste tipo no futuro | Ciências Médicas e da Saúde |
6,955 | Cuidadores informais e o papel do médico de família | Médicos de família,Cuidados aos doentes | Nos últimos anos, em particular na última década, face ao aumento do número de pessoas mais velhas com dependência, tem-se assistido a um interesse cada vez maior pelo estudo dos cuidadores informais e sobre a sua importância na melhoria da qualidade de vida e no adiamento, ou mesmo na ausência, da institucionalização das pessoas dependentes. O aumento significativo de pessoas mais velhas incapazes de realizar as exigências do autocuidado leva a que as suas famílias lhes prestem a maior parte dos cuidados. Nos dias de hoje são colocados grandes desafios aos cuidadores informais e às famílias com um elemento dependente. Verificou-se que as famílias influenciam e são influenciadas pela saúde dos seus elementos e que perante um elemento dependente de cuidados pode surgir uma situação de crise familiar. Os cuidados de saúde primários podem colaborar para a melhoria da saúde, quer da família, quer do elemento doente. Com o intuito de analisar esta temática foi realizada uma revisão actual da informação publicada relativamente ao perfil do cuidador informal, ao seu papel perante a pessoa dependente e na própria sociedade e as repercussões da prestação de cuidados na sua vida, nomeadamente a nível físico, emocional, social, familiar e económico. Analisou-se a importância de políticas de envelhecimento ajustadas à realidade actual e o papel do médico de família na avaliação das necessidades dos cuidadores informais. Foram analisados modelos de colaboração entre o médico de família e o cuidador informal, no sentido de dar respostas às necessidades dos cuidadores informais. O artigo visa alertar para a importância do papel dos médicos de família na identificação, monitorização e planeamento de estratégias para evitar a sobrecarga dos cuidadores informais e situações de crise familia | Ciências Médicas e da Saúde |
6,957 | Diagnóstico tratamento e prognóstico do carcinoma in situ da bexiga | Neoplasias da bexiga,Carcinoma,Bexiga | Introdução: O carcinoma in situ da bexiga consiste numa lesão plana, não invasiva, porém altamente maligna, sendo considerado um precursor do carcinoma invasivo da bexiga. Esta neoplasia corresponde a cerca de 10% dos casos de carcinoma superficial da bexiga. Pode ser classificado, de acordo com a apresentação clínica, em carcinoma in situ primário, secundário ou concomitante. Objectivos: Com este trabalho pretende-se abordar o diagnóstico, tratamento e prognóstico do carcinoma in situ da bexiga, através de uma revisão da literatura. Desenvolvimento: O diagnóstico do carcinoma in situ da bexiga pode ser dificultado pela variabilidade na apresentação clínica e nos resultados dos exames complementares. A cistoscopia, a citologia e as biópsias da bexiga constituem os exames de diagnóstico fundamentais, embora tenham sido aprovadas outras técnicas promissoras. Esta neoplasia apresenta um elevado risco de recidiva e progressão, mesmo após a terapêutica adequada. O tratamento preferencial do carcinoma in situ da bexiga consiste na administração intravesical do Bacillus Calmette-Guérin, reservando-se a cistectomia radical e outros tratamentos alternativos para casos refractários. Têm sido avaliados vários factores de prognóstico no sentido de prever a evolução clínica. Conclusões: Alguns exames complementares recentes, como a cistoscopia de fluorescência, podem ajudar no diagnóstico do carcinoma in situ da bexiga, contudo, não substituem a cistoscopia, a citologia e as biópsias da bexiga. No carcinoma in situ refractário ao Bacillus Calmette- 5 Guérin, a cistectomia radical é a terapêutica indicada, embora a melhor altura para a sua realização não tenha sido definida. A ausência de resposta ao tratamento com BCG e o envolvimento extravesical são factores relacionados com um prognóstico menos favorável. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,958 | Determinantes decisionais no internamento de doentes com pneumonia adquirida na comunidade | Pneumonia,Adulto,Hospitalização | Objetivo - identificação e análise dos determinantes decisionais de natureza clínica no internamento de doentes com diagnóstico de PAC. A principal perspetiva será identificar o conjunto de elementos clínicos mais significativos no internamento destes doentes, incluindo o CURB-65, outros sinais e sintomas, parâmetros laboratoriais e radiológicos, diagnóstico microbiológico e evolução durante o internamento, que são transversais a estes doentes e indicadores de provável gravidade. A influência da idade nesses mesmos elementos foi igualmente objeto do estudo. Materiais e Métodos - Os dados estudados foram recolhidos de Processos Clínicos correspondentes a 225 doentes internados no Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), de Janeiro a Dezembro de 2011. Foram analisados através do SPSS. Resultados – 56% doentes do sexo masculino e 54% doentes com idade superior a 65 anos. A mediana de duração dos sintomas foi de 4 dias. Os principais sintomas foram a febre (65,7%), a dispneia (59,6%), a tosse (80%) e a expetoração (63,6%). Dos sinais, as tensões arteriais sistólica (TAS) e diastólica (TAD) elevadas foram frequentes (91,6% e 81,8%, respetivamente). Já a frequência cardíaca (FC) e a frequência respiratória (FR) foram predominantes abaixo de 120 batimentos por minuto (bpm) (87,6%) e 30 ciclos por minuto (cpm) (39,6%), respetivamente. A auscultação pulmonar revelou-se maioritariamente sem alterações ab initio (49,3%). Laboratorialmente, destacou-se a hipocapnia (44%) e o pH na faixa alcalina (56%), com apenas 32,9% de hipoxemia. As comorbilidades foram um achado importante e frequente (78,2%). O agravamento durante o internamento não se mostrou prevalente (76,4%). O Streptococcus pneumoniae evidenciou-se na vertente microbiológica. A idade mostrou influenciar variáveis como a tosse, a TAD e a FC, o pH, a existência de comorbilidades e o agravamento durante o internamento. Discussão/Conclusão – A PAC atinge maioritariamente o sexo masculino e idades superiores a 65 anos. Não há concordância entre a escala de gravidade CURB-65 e o internamento dos doentes, o que permite afirmar que o juízo clínico foi determinante na decisão de internar e que a carga elevada de comorbilidades seguramente influenciou essa decisão. Os sintomas determinantes para o internamento foram a febre, a dispneia, a expetoração e a tosse, sendo esta última influenciada pelo fator idade. A bradicardia e a bradipneia superaram a taquicardia e taquipneia esperadas. Já a hipocápnia e alcalose eram expetáveis, ao contrário de uma pressão arterial de oxigénio (PaO2) normal prevalente. Em termos laboratoriais, os leucócitos apresentaram-se maioritariamente dentro da normalidade, ao contrário do esperado. 76,4% dos doentes internados não sofreram qualquer tipo de intercorrência, durante uma mediana de 9 dias de internamento. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,959 | Novas opções terapêuticas no tratamento no carcinoma da próstata localizado | Neoplasias da próstata,Carcinoma,Próstata | O carcinoma da próstata é a sexta neoplasia maligna mais comum no mundo em número de novos casos e a neoplasia mais frequente em homens europeus e americanos. Esta patologia é diagnosticada em homens cada vez mais jovens, que requerem um tratamento que comprometa o menos possível a sua qualidade de vida. De facto, com o uso generalizado do teste do PSA, a detecção deste carcinoma tem vindo a aumentar exponencialmente. Na altura do diagnóstico, a maioria dos homens tem doença clinicamente localizada. Neste contexto, as opções de tratamento mais praticadas consistem na vigilância activa, na radioterapia externa e na cirurgia (de que é exemplo a prostatectomia radical). No entanto, novas opções de tratamento focal estão já estudadas e algumas disponíveis. Estas terapêuticas, minimamente invasivas, permitem não só obter uma preservação máxima do órgão como, também, uma morbilidade menor relativamente aos tratamentos clássicos. Os objectivos deste trabalho compreendem a revisão do estado actual do tratamento focal do carcinoma da próstata localizado, a análise de quais as modalidades hoje em dia utilizadas e propostas para este tipo de terapia e, finalmente, a discussão de potenciais definições de sucesso do tratamento. As novas modalidades disponíveis para tratar o carcinoma da próstata localizado incluem a prostatectomia laparoscópica e a prostatectomia robótica, a braquiterapia, a crioterapia, o ultra-som focalizado de alta intensidade, a ablação a laser e a terapia fotodinâmica. As prostatectomias laparoscópica e robótica asseguraram resultados consistentes e suficientes para demonstrar a sua segurança, eficiência e reprodutibilidade, assim como a braquiterapia, onde as taxas de controlo bioquímico são relatadas como sendo equivalentes às da prostatectomia radical e radioterapia externa. A crioablação e o ultra-som focalizado de 4 alta intensidade são, actualmente, técnicas ablativas baseadas em energia conhecidas e utilizadas por vários cirurgiões no tratamento focal. Já as novas abordagens como a terapia fotodinâmica e a laser carecem de um maior número de estudos e avanços tecnológicos. Estas novas abordagens estão ainda no início do seu potencial de desenvolvimento, mas os dados preliminares são já animadores. No entanto, como relatado neste artigo, há ainda muitos aspectos da terapia focal por definir e que carecem da necessidade de novas pesquisas. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,960 | Indicadores de saúde como medida de evolução do Plano Nacional de Saúde | Indicadores de saúde,Planos e programas de saúde,Política de saúde | O Plano Nacional de Saúde (PNS), organizado e largamente discutido no princípio da década de 2000, teve a sua implementação em 2004 com metas estabelecidas para o ano de 2010. Considerado uma ferramenta estratégica, é cada vez mais utilizado como linha de orientação das diferentes políticas de saúde. Como objectivos definidos pretende obter ganhos em saúde, centrar a mudança no cidadão e garantir os mecanismos adequados à sua execução, sendo que para tal se desenvolveu todo um trabalho nos locais de proximidade com o utente. No entanto, a realidade vai mais além da elaboração e execução do PNS, sendo imperioso estabelecer metas e proceder à sua avaliação, de modo a deliberar o que está a ser correctamente aplicado e o que necessita de mudar. “Indicador de saúde”, pode ser definido como uma medida que nos fornece informação sobre a representação das diferentes realidades da saúde, permitindo quantificá-las, monitorizá-las e avaliá-las. Os indicadores de saúde do PNS têm em conta o cumprimento de determinados critérios (exequibilidade, fiabilidade, validade, serem ajustáveis à mudança e facilmente interpretáveis). Assim, ao estudarmos a evolução dos indicadores de saúde, procedemos à avaliação dos serviços prestados, nas mais diversas vertentes. O objectivo deste trabalho consiste em fazer uma análise da evolução dos indicadores de saúde associados ao PNS, tendo em conta os dados obtidos a nível nacional, desde a sua implementação até 2009. Será feita uma abordagem aos objectivos e metas do PNS e aos mais diversos indicadores associados às diferentes etapas. Através do estudo da informação recolhida, poderemos proceder a uma avaliação dos benefícios retirados do PNS quer para as instituições de saúde, quer para os utentes, bem como verificar a necessidade de proceder a alterações no futuro. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,963 | Infecções fúngicas análise estatística e terapêutica : 2003-2008 Unidade de Queimados Hospitais da Universidade de Coimbra | Infecção hospitalar,Cândida albicans,Unidades de queimados,Estatística | As infecções hospitalares são um dos principais factores responsáveis pelo prolongamento do período de internamento dos doentes. Estas são provocadas por diversos microrganismos, nomeadamente os fungos. Neste trabalho avaliou-se a terapêutica instituída aos doentes com infecções fúngicas internados na Unidade de Queimados (U.Q.) dos Hospitais Universitários de Coimbra (H.U.C.), entre Janeiro de 2003 e Dezembro de 2008. Neste grupo de doentes, a infecção fúngica mais frequente foi por Candida albicans, sendo o género Candida o mais frequentemente isolado. O antifúngico mais prescrito nestes doentes foi a Anfotericina B, seguido pelo Voriconazol, Fluconazol e Caspofungina. Verificou-se que a mortalidade no grupo de doentes queimados com infecção fúngica é superior à da globalidade dos doentes internados na U.Q. dos H.U.C.. Concluiu-se que a terapêutica instituída no tratamento deste tipo de doentes se encontra adequada às infecções fúngicas encontradas. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,964 | Hipertensão arterial e envelhecimento | Hipertensão,Envelhecimento,Idoso | Introdução: À medida que a população mundial envelhece, os problemas de saúde multiplicam-se. A hipertensão arterial é das patologias mais comuns no idoso, afetando aproximadamente mil milhões de indivíduos. Esta patologia poderia ser considerada como parte integrante das alterações relacionadas com o envelhecimento. A pressão arterial elevada é um fator de risco modificável para doenças cardiovasculares e está associada ao aumento da incidência de diversas patologias. Vários agentes anti- -hipertensores provaram ser úteis no controlo da hipertensão arterial na população geriátrica, reduzindo significativamente as complicações cardiovasculares. No entanto, existe uma elevada percentagem de indivíduos hipertensos não controlados, refletindo a necessidade de abordagens mais completas e melhoraria na prestação de cuidados. É fundamental encontrar intervenções que potenciem a adesão às modificações do estilo de vida e medicação anti-hipertensiva. Objetivos: Com este trabalho pretende-se fazer uma revisão da informação atual da literatura sobre hipertensão arterial e a sua relação com o envelhecimento, abordando a epidemiologia, fisiopatologia, lesão de órgão-alvo, diagnóstico e terapêutica e as suas particularidades no doente idoso. Desenvolvimento: Para a revisão do tema “Hipertensão arterial e envelhecimento”, procedeu-se à consulta de livros na área científica de Medicina Interna e à pesquisa de artigos, através da PubMed, usando as palavras-chave: “Arterial Hypertension”, “Elderly”, “Aging”, “Pathophysiology”, “Target-Organ Damage”, “Diagnosis”, “Treatment”. Nesta revisão foi incluída a informação colhida de um total de 45 artigos, que foram selecionados de acordo com a pertinência do título, resumo, ano de publicação e idioma. Conclusão: A hipertensão arterial no idoso é um problema major. O maior impacto económico, social e na saúde relativo à hipertensão arterial deriva da sua incidência nos idosos. A elevação da pressão arterial com a idade resulta do envelhecimento do sistema cardiovascular. Em particular, o aumento da rigidez arterial é responsável pelo padrão característico de hipertensão sistólica isolada e está relacionado com o desenvolvimento de lesões noutros órgãos. O compromisso autonómico, disfunção endotelial e declínio da função renal também favorecem o desenvolvimento de hipertensão arterial. Assim, esta patologia é comum no idoso e constitui um fator de risco cardiovascular importante, estando associada ao aumento de acidentes vasculares cerebrais e enfarte do miocárdio, entre outras lesões de órgão-alvo. A medição da pressão arterial nos idosos exige cuidados reforçados e a deteção de pseudohipertensão, hipertensão mascarada e hipotensão postural. A terapêutica anti-hipertensiva nos idosos é segura, bem tolerada e eficaz. As alterações no estilo de vida devem ser sempre preconizadas e a terapêutica farmacológica deve ser considerada em todos os hipertensos independentemente da idade. A maioria dos fármacos anti-hipertensores pode ser usada como tratamento de primeira linha. Sempre que possível, deve-se iniciar o tratamento farmacológico em monoterapia. A terapêutica combinada permite um controlo mais rápido e eficaz e as combinações fixas podem contribuir para a adesão ao tratamento. Os objetivos e a decisão terapêutica devem ser adaptados a cada doente, com especial atenção às patologias concomitantes. Vários fatores podem contribuir para uma fraca adesão à terapêutica. A abordagem desta patologia deve focar-se numa intervenção precoce de forma a prevenir o envelhecimento vascular e lesão arterial irreversível. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,965 | Avaliação do metabolismo hepático em doentes com insuficiência cardíaca avançada por meio de RM nuclear | Insuficiência cardíaca,Metabolismo,Diabetes mellitus,Resistência á insulina | A caquexia cardíaca representa a fase final da insuficiência cardíaca avançada, sendo caracterizada pelo desenvolvimento de alterações neurohormonais, inflamatórias e metabólicas, que contribuem para a deterioração física nestes doentes. A insuficiência cardíaca é um estado catabólico complexo que conduz a insulinorresistência, constituindo o maior factor de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2. Neste estudo pretendeu-se estudar as alterações do metabolismo glucídico em doentes com insuficiência cardíaca avançada, associada ou não a diabetes de início recente. Nos não diabéticos, de forma a avaliar o metabolismo glucídico, recorreu-se à prova de tolerância à glucose oral. Foram também utilizadas técnicas de espectroscopia por ressonância magnética nuclear para avaliar o nível de produção endógena de glicose após jejum prolongado, o contributo relativo da glucogenólise e gluconeogénese para a produção endógena de glucose e, nos não diabéticos, a sua correlação com o resultado da prova de tolerância à glucose oral. A ficha lipídica foi também avaliada. Os resultados deste estudo sugerem que os doentes portadores de insuficiência cardíaca avançada têm, na sua maioria, importantes alterações do metabolismo glucídico e lipídico e que nos não diabéticos existe uma boa correlação entre a magnitude dessas alterações e os resultados da prova de tolerância à glucose oral. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,967 | Toxémia gravídica e rim | Toxemias da gravidez,Rim,Pré-eclâmpsia,Proteinúria,Endoteliose glomerular,VEGF | A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva própria da gravidez que complica cerca de 2 a 8 % de todas as gravidezes e constitui uma causa importante de mortalidade e morbilidade materno-fetal. Clinicamente é uma síndrome heterogénea podendo apresentar-se por quadros clínicos muito diversos. Apesar dos mecanismos envolvidos ainda não serem totalmente conhecidos, a pré-eclâmpsia parece decorrer de uma deficiente perfusão placentar que condiciona disfunção endotelial sistémica e lesão em diversos órgãos maternos. O rim, órgão sujeito a diversas alterações fisiológicas durante a gravidez normal, é significativamente afectado durante a pré-eclâmpsia. A lesão renal histológica caracteristicamente encontrada é designada de endoteliose glomerular. A pré-eclâmpsia condiciona um risco aumentado para o desenvolvimento de doença cardiovascular futura incluindo doença renal. O presente trabalho pretende ser uma revisão dos conhecimentos mais recentes no que respeita ao processo de envolvimento fisiopatológico do rim na pré-eclâmpsia. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,970 | Risco cardiovascular global dos alunos da Universidade de Coimbra | Risco,Doenças cardiovasculares,Estudantes | Introdução: Estudos têm demonstrado que a população adolescente pode apresentar um risco cardiovascular aumentado, resultante da elevada prevalência de alguns factores de risco cardiovasculares. Objectivos: Calcular o Risco Cardiovascular Global dos Estudantes da Universidade de Coimbra, bem como descrever e analisar a presença de factores de risco cardiovasculares, averiguando possíveis associações entre eles e o género. Métodos: O presente estudo foi realizado em 98 alunos da Universidade de Coimbra, a quem foi aplicada a Calculadora de Risco Cardiovascular (Idade, Género, Pressão Arterial Sistólica, Colesterol Total e Hábitos Tabágicos). Os alunos foram ainda questionados sobre antecedentes familiares de doença cardiovascular. Resultados: Constatou-se que os Alunos da Universidade de Coimbra apresentavam um Baixo Risco Cardiovascular, 1%, no entanto, e para a idade reduzida – inferior a 41 anos – verificou-se a presença de uma percentagem significativa dos factores de risco tidos em conta no cálculo do risco cardiovascular global, sendo que 27% dos alunos da amostra referiram ser fumadores; 14% apresentavam hipertensão arterial sistólica e 30% apresentavam hipercolesterolemia. Verificou-se igualmente uma associação entre o género masculino e a ausência de hipercolesterolemia, característica principal da maioria dos homens (84,62%) da amostra | Ciências Médicas e da Saúde |
6,972 | Problemas dermatológicos associados ao envelhecimento | Envelhecimento da pele,Doenças da pele,Diagnóstico,Terapia,Dermatologia | Este trabalho tem como principal objetivo recolher toda a informação sobre os mecanismos fisiopatológicos inerentes ao envelhecimento da pele e dos seus principais problemas, mas também integrar sob a forma de um artigo de revisão, a aplicação de conhecimentos científicos à prática clínica identificando e orientando o tratamento das várias afeções dermatológicas no idoso. Quanto à metodologia, esta incide sobre a análise e reflexão de revistas e artigos científicos publicados e de reconhecimento científico, através da utilização de vários motores de busca como a Pubmed, B-on, Biomedcentral, ScienceDirect, Medscape, entre outros, bem como recorrendo ao repositório de artigos da biblioteca dos CHUC, do Journal of The American Academy of Dermatology e outras bibliografias de referência. Com o aumento da esperança média de vida, existe um aumento da prevalência de problemas dermatológicos associados ao envelhecimento. A pele é o maior órgão do corpo humano e a principal barreira a doenças infeciosas, é o principal indicador de saúde e bem-estar. A pele é um órgão tão importante como outro qualquer, é nela que transparecem, frequentemente, os primeiros indícios de uma doença sistémica, ou, por outro lado, sinais de que um doente está a ser bem tratado. No idoso, as queixas dermatológicas tendem, na maioria dos casos, a passar para segundo plano – contudo, a manutenção da sua integridade contribuem decisivamente para a prevenção de problemas dermatológicos mais sérios e proporcionam ao idoso um maior conforto e bem-estar. Com este trabalho pretende-se estudar os mecanismos do envelhecimento intrínseco e extrínseco da pele e a sua prevenção; conhecer quais as principais queixas e sintomas dermatológicos no idoso e saber identificar atempadamente sinais de alarme; compreender as principais doenças inerentes ao envelhecimento; conhecer as manifestações cutâneas de doenças sistémicas e autoimunes; conhecer e identificar os principais problemas dermatológicos no idoso como a formação de úlceras de pressão, dermatite de estase, infeções fúngicas, virais, bacterianas e parasitárias; saber quais as principais alterações dermatológicas associadas ao envelhecimento e à exposição solar, bem como saber identificar e distinguir as várias neoplasias dermatológicas benignas e malignas; saber identificar os principais fármacos envolvidos em reações cutâneas no idoso; por último, saber efetuar o diagnóstico e tratamento corretos dos vários problemas dermatológicos, bem como conhecer as respetivas estratégias de prevenção. Posto isto, o envelhecimento da pele é um processo degenerativo inevitável, cujos mecanismos e principais afeções devem ser amplamente compreendidos para uma melhor prestação de cuidados de saúde no doente idoso. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,973 | Pneumonia adquirida na comunidade : aspectos particulares da infecção no idoso | Pneumonia,Envelhecimento,Velho | Introdução: Devido ao envelhecimento populacional, a pneumonia adquirida na comunidade (PAC) assume uma elevada importância socioeconómica nos países desenvolvidos. Representa, actualmente, a principal causa de morte por infecções e a quinta causa de morte no geral na população geriátrica. Objectivos: A presente revisão propõe-se sistematizar o conhecimento existente acerca da PAC incidindo sobre os aspectos particulares da infecção no idoso em relação a factores de risco predisponentes, principais agentes etiológicos, métodos de diagnóstico e estratificação da gravidade, bem como estratégias de tratamento e prevenção. Desenvolvimento: As taxas de incidência, hospitalização, morbilidade e mortalidade são significativamente mais elevadas na população geriátrica em comparação com populações mais jovens. Os mecanismos responsáveis por este facto não estão totalmente compreendidos. No entanto, foram descritas na literatura alterações anátomo-fisiológicas associadas ao envelhecimento que aumentam o risco de PAC. Alguns factores de risco independentes foram também identificados. O Streptococcus pneumoniae mantém-se como o principal agente etiológico de PAC no idoso. Alguns microorganismos atípicos e patogénios emergentes, têm também importância clínica. A sintomatologia no idoso é geralmente subtil e difícil de identificar. O diagnóstico deverá ser suspeitado perante um idoso que se apresenta com febre, geralmente baixa, alteração do estado mental, falência orgânica única ou múltipla e agravamento súbito de comorbilidades. A terapêutica antimicrobiana na população geriátrica não difere significativamente de populações mais jovens. As recomendações actuais IDSA/ATS conferem uma adequada Pneumonia Adquirida na Comunidade - Aspectos Particulares da Infecção no Idoso Mestrado Integrado em Medicina - Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra 7 cobertura antimicrobiana na população geriátrica e, como tal, depois de realizada a avaliação da gravidade de PAC, estratificação do risco e decisão do local de tratamento, as guidelines deverão ser seguidas. A escolha do antibiótico mais adequado dentro dos propostos, deverá ser baseada nos padrões de sensibilidade antimicrobiana regionais, bem como na presença de factores de risco associados a infecção por microorganismos atípicos ou resistentes à antibioterapia empírica. A prevenção de PAC no idoso consiste em vacinação antigripal e antipneumocócica, e evicção tabágica. Modificações higiénicas e comportamentais são também importantes, apesar de menos eficazes. Conclusões: O envelhecimento populacional e o consequente aumento da prevalência de PAC devem ser preocupações actuais nos países desenvolvidos. A abordagem sistematizada ao doente idoso com PAC, através de uma adequada estratificação do risco e seguimento de guidelines internacionais, tem o potencial de melhorar os resultados da terapêutica. As medidas de prevenção devem ser activamente implementadas. Actualmente, é necessário desenvolver e implementar medidas protocoladas especificamente direccionadas ao doente idoso com PAC, que melhorem a sua abordagem clínica | Ciências Médicas e da Saúde |
6,974 | Hallux rigidus : abordagens terapêuticas | Ortopedia,Hallux rigidus | O hallux rigidus – principal patologia degenerativa da articulação metatarso falângica – é uma condição patológica com sérias implicações sintomáticas, resultantes em limitações na marcha e diminuição de actividades de vida diária dos indivíduos. A sua fisiopatologia não está ainda bem estabelecida, no entanto considera-se que a lesão inicial ocorra na cartilagem, evoluindo posteriormente para sinovite e para uma intensa destruição cartilaginosa, proliferação osteofítica marcada e lesão no osso subcondral. Os sintomas são caracterizados principalmente por artralgias e restrição do movimento da articulação MTF, sendo característica a incapacidade de dorsiflexão do hallux. O tratamento padrão desta patologia passa por uma abordagem não cirúrgica e cirúrgica. Numa primeira instância, o tratamento não cirúrgico pode melhorar drasticamente a condição clínica, quer pela utilização de ortóteses, modificações no calçado ou através de injecções de corticóides. Para o tratamento cirúrgico, existe uma panóplia de opções tais como a queilectomia, diferentes tipos de osteotomias, artroplastias (com ou sem implante) e artrodese. Está indicado quando o tratamento não cirúrgico não é suficiente para aliviar os sintomas, variando o tipo de cirurgia de acordo com o grau da patologia. De uma maneira simplificada a queilectomia e a osteotomia estão preferencialmente indicadas para os graus I e II, enquanto a artroplastia e a artrodese estão mais indicadas em graus III e IV. Este trabalho visa reunir e dar a conhecer várias formas de tratamento do hallux rigidus, demonstrando de uma forma didáctica as suas potencialidades no alívio desta condição clínica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,976 | Vitaminas antioxidantes, carotenóides, polifenóis e envelhecimento | Vitaminas,Antioxidantes,Envelhecimento | A Teoria do Stress Oxidativo parece ser a que mais consenso reúne entre os gerontologistas como teoria explicativa do Envelhecimento. Ainda não existe um conhecimento verdadeiramente clarificado acerca dos mecanismos químicos e biológicos inerentes à interação dos antioxidantes com o organismo. Estudos indicam que níveis séricos reduzidos de vitaminas antioxidantes estão associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, neuro-generativas e cancerígenas, causas mais comuns de mortalidade nos idosos. Relativamente à suplementação em antioxidantes, são muitos os estudos que demonstram que, para além de não existir qualquer benefício na toma dos mesmos, doses farmacológicas de antioxidantes podem acarretar efeitos deletérios para à Saúde Humana. Pretendeu-se com este trabalho rever bibliografia sobre o tema “Vitaminas Antioxidantes, Carotenóides, Polifenóis e Envelhecimento”, focando os seguintes pontos: o conceito de Stress Oxidativo e a sua relação possível com o processo de Envelhecimento; as características das vitaminas antioxidantes, a vitamina C, vitamina E, dos carotenóides e dos polifenóis, destacando a sua capacidade antioxidante; evidencias acerca da suplementação em antioxidantes e da sua eventual capacidade em prevenir ou retardar a aterosclerose e o cancro, bem como o declínio cognitivo associado à idade. Tendo por base o conteúdo desta revisão, concluiu-se que o Conhecimento atual fornece insuficiente e inconclusivo suporte para o recurso à suplementação em antioxidantes como um meio para desacelerar o Envelhecimento, apesar dos resultados encorajadores obtidos em diversos estudos | Ciências Médicas e da Saúde |
6,978 | O fenómeno do "disease mongering" (venda da doença): a opinião da população não universitária | Disease mongering,Medicalização,Marketing,Prevenção quaternária | INTRODUÇÃO: “Disease Mongering” é o nome do fenómeno de convencer indivíduos saudáveis, ou com algum factor de risco, de que estão doentes, explorando os seus medos de poderem desenvolver doença, sugerindo posterior tratamento, através da mais variada propaganda, para obter lucro com a venda de algo, que as pessoas passam a acreditar necessitar. OBJECTIVO: Perceber a susceptibilidade populacional relativamente ao fenómeno da venda da doença. METODOLOGIA: Estudo observacional e transversal, pela aplicação de um questionário especificamente efectuado com base num hipotético síndrome, a uma amostra de conveniência com 300 pessoas, na região centro de Portugal. Análise estatística descritiva e inferencial, paramétrica e não paramétrica, para variáveis nominais e ordinais, recorrendo ao SPSS. RESULTADOS: Amostra de n=300 (66,3% género feminino), com idade média de 40,89 ± 0,72 anos. Metade dos indivíduos considera o hipotético novo síndrome muito frequente (49,7%), embora a maioria não se sinta afectada (73,5%). A realização do rastreio e do tratamento são aceites por 87% e 82,7%, respectivamente, acreditando 81,3% da amostra na veracidade do síndrome em questão. Não foram encontradas diferenças significativas entre sexos e grau de literacia. São os doentes crónicos quem mais acredita sofrer do síndrome, sendo quem não se sente doente quem mais aceita fazer o rastreio e o tratamento. DISCUSSÃO: Num estudo semelhante, em alunos de Medicina em 2013, foram encontrados resultados semelhantes, mas na bibliografia portuguesa continua a não haver outras referências bibliográficas. CONCLUSÃO: A população estudada mostrou grande susceptibilidade ao Disease Mongering, dada a grande aceitação do rastreio (87%), anuência para o tratamento (82,7%) e crença da veracidade do hipotético síndrome (81,3%). | Ciências Médicas e da Saúde |
6,979 | Anemia em idade geriátrica : uma revisão da literatura | Idoso,Anemia,Etiologia,Epidemiologia,Diagnóstico,Diagnóstico diferencial,Prognóstico | Anemia em idosos é muito comum e é atribuída incorrectamente ao normal envelhecimento, sendo na maioria das vezes uma condição modificável e, como tal, deve ser gerida de forma pró-activa. A prevalência de anemia aumenta com a idade e esta é muito maior entre os residentes em lares de idosos do que entre idosos residentes na comunidade. Nesta faixa etária, as causas de anemia são geralmente multifactoriais. Os indivíduos mais velhos com anemia, mesmo aqueles com níveis baixos ou no limiar do normal, demonstraram menor resistência muscular, menor performance física, menor mobilidade e aumento da morbi-mortalidade. Não surpreendentemente, apresenta igualmente um efeito significativo na qualidade de vida no idoso. Valores de hemoglobina (Hb) no limiar inferior do normal associam-se a um risco maior de mortalidade e diminuição da performance física em comparação com indivíduos com níveis superiores de Hb (≥ 14g/dL para homens e ≥ 13g/dL para mulheres), sugerindo que os actuais limites analíticos se encontram desajustados. Um terço dos casos da anemia é devido a deficiências nutricionais e outro terceiro a doença crónica, não se limitando esta apenas à doença renal crónica. O restante terço dos casos permanece como inexplicado. Embora os médicos possam ser relutantes em pedir a ferritina nos idosos, devido às suas propriedades de fase aguda, tal marcador continua a ser uma medida importante, especialmente naqueles com sinais de inflamação. O declínio da função renal com a idade pode levar a uma diminuição da resposta à eritopoietina (EPO) e consequentemente à anemia. Mais estudos serão necessários para identificar a relevância clínica e implicações terapêuticas dos baixos e altos níveis de eritropoietina na população geriátrica. O receptor sérico da transferrina (sTfR) encontra-se como uma alternativa sensível e confiável para a avaliação das reservas de ferro e é muito útil na diferenciação entre a anemia por deficiência em ferro da anemia das doenças crónicas. Estudos recentes sugerem que o envelhecimento está fortemente relacionado à desregulação de citoquinas pró-inflamatórias, especialmente interleucina 6 (IL-6), o que pode afectar negativamente a hematopoiese, quer pela inibição da produção de EPO quer pela interacção com os receptores de EPO. Muitas questões sobre a etiologia da anemia na terceira idade permanecem ainda sem resposta. O síndrome mielodisplásico é uma causa importante de anemia no idoso, com uma prevalência de pelo menos 4%. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,981 | Esclerose múltipla primária progressiva : uma doença diferente da esclerose múltipla clássica | Neurologia,Esclerose múltipla,Esclerose múltipla crónica progressiva | Introdução: A Esclerose Múltipla é uma doença inflamatória crónica que cursa com a formação de placas de desmielinização multifocal distribuídas pelo sistema nervoso central nas quais ocorre perda de mielina, destruição axonal e formação de cicatrizes gliais. Esta doença é causadora de incapacidade clínica significativa e segundo a sua evolução clínica são definidos quatro subtipos: forma exacerbação-remissão, secundária progressiva, primária progressiva e progressiva com exacerbações. Entre estes subtipos, a Esclerose Múltipla Primária Progressiva é aquela cujas características mais se distanciam das restantes formas da doença. Objectivos: Neste trabalho de revisão pretende-se clarificar se a Esclerose Múltipla Primária Progressiva é uma doença diferente da Esclerose Múltipla clássica pesando os argumentos a favor e contra esta hipótese. Material e Métodos: A estratégia de pesquisa da revisão sistemática seguida foi a pirâmide dos 5 S de Haynes (systems, summaries, synopses, syntheses e studies). Os artigos foram seleccionados consoante o factor de impacto da revista em que foram publicados, o número de citações, a credibilidade do autor e da instituição a que pertence e ainda a relevância para este trabalho. Resultados: A esclerose múltipla primária progressiva possui características que a afastam da forma clássica da doença nomeadamente a idade de início, forma de apresentação clínica e predomínio de género. No entanto, o halotipo DR15 e os principais fenómenos fisiopatológicos subjacentes à esclerose múltipla clássica, inflamação e neurodegeneração, também estão presentes nos doentes com a forma primária progressiva apesar de a inflamação ocorrer em menor grau e estar circunscrita ao compartimento central e de se verificar maior perda axonal e de oligodendrócitos e atrofia medular. Estas particularidades têm implicações Tânia Marina Lopes Amaral 5 ESCLEROSE MÚLTIPLA PRIMÁRIA PROGRESSIVA: uma doença diferente da Esclerose Múltipla clássica? FMUC / 2012 terapêuticas não existindo actualmente nenhum fármaco eficaz para a esclerose múltipla primária progressiva. O estudo imagiológico demonstra lesões menos numerosas, que sofrem menos realce com o gadolínio e as bandas oligoclonais também mais raras nesta forma da doença o que condiciona divergências na definição dos critérios de diagnóstico. A forma primária progressiva mostrou ter muitos pontos em comum com a secundariamente progressiva exceptuando o predomínio feminino e a presença de exacerbações. Conclusão: As principais diferenças encontradas foram sobretudo de carácter quantitativo e menos de cariz qualitativo verificando-se também semelhanças nas características fundamentais da patogénese da doença. Assim, doseando os argumentos a favor e contra, a conclusão mais plausível é que a forma primária progressiva não se trata de uma doença independente mas sim de uma variante clínica da Esclerose Múltipla integrante do espectro da doença | Ciências Médicas e da Saúde |
6,982 | Avaliação do perfil demográfico cirurgico e de complicações de doentes operados com artroplastia total do joelho no serviço de ortopedia dos HUC | Ortopedia,Artroplastia de substituição do joelho,Complicações pós-operatórias | Introdução: A artroplastia total do joelho é atualmente considerada um procedimento cirúrgico comum e em crescendo, acompanhando o envelhecimento da sociedade ocidental, onde a patologia osteoarticular é, também, mais prevalente. O objetivo deste estudo consiste em caracterizar uma amostra de doentes que foi submetida a Artroplastia Total do Joelho, bem como a morbimortalidade associada a este procedimento. Propõe-se, também, destacar os principais fatores que nos podem pôr na pista de maior probabilidade de insucesso cirúrgico e que influenciam a taxa de revisão. Métodos: Promoveu-se um estudo retrospetivo de doentes submetidos a Artroplastia Total do Joelho Primária no CHUC, operados no período compreendido entre 1 de janeiro de 2009 e 1 de janeiro de 2014. Os dados recolhidos através da consulta do processo clínico individual de cada doente foram introduzidos de forma anónima em folha Excel e a análise estatística foi realizada com o programa IBM SPSS Statistics. Resultados: Foram estudados um total de 372 doentes, 29 dos quais intervencionados duas vezes no período estudado, totalizando 401 cirurgias primárias. O sexo feminino esteve representado em 66,33% e o sexo masculino em 33,67%. A média de idades aquando da cirurgia primária foi de 68 ± 10,96 anos. O diagnóstico pré-operatório foi dominado pela artrose (90,77%). A presença de comorbilidades foi identificada em 83,29%, sendo as mais prevalentes a Hipertensão (68,83%), Dislipidémia (35,16%), Diabetes (19,7%) e Obesidade (19,45%). Os dois modelos de prótese mais utilizados foram PFC Sigma (56,61%) e Vanguard (26,68%), tendo o componente patelar sido mantido em 78,3% dos casos. Surgiram 48 casos de complicações, sendo as mais frequentes descolamento assético (31,25%), infeção (29,17%) e dor (18,75%). Foi registado apenas um óbito, o que traduz numa taxa de 5 mortalidade de 0,25%. Não foi encontrada diferença significativa entre fatores de risco e a existência de complicações (P=0,763). Conclusão: Apesar dos excelentes outcomes funcionais associados a este procedimento, não é possível, nem ético, negligenciar os aproximadamente 1/5 dos doentes que fica insatisfeito. Desde cedo se depreendeu que este sucesso estaria em clara dependência de muito mais do que fatores inerentes à própria cirurgia, pelo que ainda há muito a fazer no sentido de identificar as variáveis preditoras desses piores resultados. Adicionalmente, e dada a incapacidade de desenvolver conhecimento prático à mesma velocidade que novos avanços tecnológicos se vão tornando a realidade do presente, urge fomentar o hábito do registo individual de cada doente submetido a esta cirurgia, para que se possa proceder à transmissão de conhecimentos e experiência adquirida ao longo dos anos, com vista à melhoria da qualidade dos resultados e, sobretudo, à melhoria da qualidade de vida dos doentes | Ciências Médicas e da Saúde |
6,983 | Défice de zinco no adolescente | Deficiência de zinco,Adolescente,Suplementos dietéticos | A deficiência de zinco é considerada um importante problema de malnutrição estimando-se, que cerca de 2 biliões de indivíduos, a nível mundial, possam sofrer desta deficiência. A sua prevalência é maior nos países em vias de desenvolvimento e em determinadas populações de risco, que apresentam necessidades aumentadas de zinco, como as crianças, os adolescentes, as grávidas, as mulheres a amamentar e os idosos. Em particular os adolescentes têm, frequentemente, uma ingestão dietética de zinco incapaz de satisfazer as suas necessidades e, globalmente, entre 60 a 80% dos adolescentes sofrem da deficiência de vários micronutrientes. Dentro destas deficiências, o zinco está em primeiro plano devido ao seu papel vital em várias funções durante o surto de crescimento correspondente à puberdade. Neste contexto foi feita uma revisão bibliográfica atualizada sobre o tema, de modo a clarificar e atualizar conhecimentos sobre o impacto da deficiência de zinco, sobretudo durante a adolescência. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica de artigos originais e revisões sistemáticas publicados entre 2007 e 2015. Os objectivos fundamentais desta revisão foram esclarecer as principais causas e consequências deste défice, doenças associadas à carência de zinco, métodos para avaliar os seus níveis e estratégias de prevenção desta deficiência. A principal causa da deficiência de zinco é a ingesta inadequada deste metal, por falta de aporte ou por dietas ricas em fitatos, os quais inibem a absorção de zinco. São também causa desta deficiência as patologias gastrointestinais que provoquem perdas excessivas ou mal-absorção deste mineral e a nutrição entérica ou parentérica de longa duração, sem a suplementação adequada de zinco. No que toca às manifestações deste défice, no adolescente, destacam-se: distúrbios dermatológicos, alopécia, diarreia, desaceleração de crescimento, atraso no desenvolvimento sexual, disfunção cognitiva, diminuição do paladar e comprometimento na função imunitária. As patologias mais comummente associadas a carência de zinco são as gastrointestinais. O excesso de peso e a obesidade, assim como as perturbações do comportamento alimentar, particularmente a anorexia nervosa, estão também associadas à deficiência de zinco. As principais estratégias de intervenção são a modificação ou diversificação dietética, a suplementação, a fortificação e a bio-fortificação. Atualmente, recomenda-se a inclusão de suplementos de zinco nos esquemas terapêuticos da diarreia em crianças com mais de 6 meses. Com a discussão e revisão do tema espera-se poder contribuir para alertar os profissionais de saúde sobre o interesse do equilíbrio deste oligoelemento e da detecção precoce de uma eventual deficiência. Em suma, é importante que os clínicos sejam capazes de reconhecer os sinais e sintomas clássicos do défice deste oligoelemento, e que tenham em atenção o status de zinco, perante crianças ou adolescentes em risco da deficiência deste metal ou de malnutrição generalizada. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,985 | Doença alérgica respiratória no idoso | Idoso,Envelhecimento,Asma,Rinite alérgica,Fisiopatologia,Diagnóstico,Terapia,Factores de risco | Nos últimos anos tem-se verificado, em todo o mundo, um aumento progressivo das doenças alérgicas na população idosa. Assim, é essencial reavaliar o impacto das doenças alérgicas respiratórias neste grupo etário. Apesar da elevada prevalência da asma em idosos, a sua fisiopatologia, diagnóstico e tratamento estão pouco estudadas. O mesmo ocorre na rinite alérgica, uma doença comum e, muitas vezes, negligenciada no idoso. Esta revisão oferece, a partir da influência de imunossenescência, uma análise abrangente do conhecimento actual relativo à asma e rinite alérgica, focando as barreiras ao diagnóstico e tratamento. O diagnóstico destas doenças é mais complexo no idoso, uma vez que as manifestações clínicas próprias dificultam o seu reconhecimento e confundem o já amplo diagnóstico diferencial. Além disso, o tratamento é complicado pela existência de comorbilidades ou polimedicação, resultando em efeitos deletérios no controlo da doença alérgica ou em interacções medicamentosas. É fundamental melhorar a compreensão das doenças das vias aéreas, expandindo a evidência que sustenta os cuidados no idoso. Adicionalmente é necessário aprofundar o estudo das alterações fisiopatológicas que ocorrem com o envelhecimento. Assim, o desafio actual é não só incentivar nova investigação, mas também utilizar o conhecimento existente para fazer o diagnóstico, promover a auto-gestão, desenvolver uma abordagem terapêutica no controlo das doenças respiratórias e, finalmente, proporcionar uma melhor qualidade de vida aos doentes idosos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,986 | Hipertensão renovascular : bopções e indicações terapêuticas | Hipertensão renal,Urologia | Contexto: O aumento da prevalência da Hipertensão Renovascular (HRV) decorrente do envelhecimento da população, bem como o desenvolvimento médico-tecnológico, têm vindo a alterar a abordagem terapêutica desta causa rara, mas potencialmente curável de hipertensão arterial (HTA). Desta constante modificação dos paradigmas de tratamento, surge a necessidade de discutir as diferentes opções terapêuticas passíveis de serem implementadas perante um caso de HRV, assim como as suas indicações, tendo em conta as características do doente e da etiologia da sua doença, de forma a reformular e uniformizar o método de abordagem no tratamento desta patologia. Objectivo: Os objectivos desta revisão são: 1) discutir as opções terapêuticas da HRV e suas indicações clínicas; 2) delinear uma estratégia de abordagem terapêutica geral tendo em conta as etiologias mais comuns (aterosclerose e displasia fibromuscular (DFM)); 3) apresentar uma abordagem terapêutica adaptada a classes vulneráveis (crianças e idosos). Métodos: Reviu-se e analisou-se a literatura médica sobre a terapêutica da Hipertensão Renovascular, abrangendo o período de Janeiro de 2000 a Maio de 2013, em língua portuguesa e inglesa, de revistas científicas de diversas áreas e de livros que abrangessem o tema em estudo. Foi utilizada a base de dados PUBMED, o Índex de Revistas Médicas Portuguesas e o Repositório Institucional dos HUC (rihuc.huc.min-saude.pt) com a finalidade de encontrar estudos, artigos de revisão e guidelines acerca do tema em questão. Foram utilizadas as seguintes palavras-chave, em combinações variadas: “adolescente” (adolescente), “angioplastia” (angioplasty), “anti-hipertensores” (anti-hipertensive drugs), “aterosclerose” (atherosclerosis), “cirurgia” (surgery), “displasia fibromuscular” (fibromuscular dysplasia), “doença vascular renal” (renovascular disease), “estenose artéria renal” (renal artery stenosis), “função renal” (renal function), “hipertensão renovascular” (renovascular hypertension), “idosos” (eldery), “intervenção” (intervention), “invasiva” (invasive), “pediátrico” (pediatrics), “percutânea” (percutaneous), “pressão arterial” (blood pressure), “revascularização” (revascularization), “risco cardiovascular” (cardiovascular risk), “stent” (stent), “terapêutica médica” (medical therapy),“tratamento” (treatment). Resultados: São várias as opções terapêuticas disponíveis para tratar a HRV e muitas outras prometem emergir num futuro próximo. A terapêutica médica e a invasiva, percutânea ou cirúrgica, assumem-se como métodos efectivos no controlo da pressão arterial (PA), na manutenção da função renal e na diminuição do risco cardiovascular, que constituem os objectivos terapêuticos da HRV. A terapêutica médica, fundamental na abordagem ao doente com HRV por aterosclerose, consiste na combinação da modificação do estilo de vida com agentes farmacológicos, dos quais se destacam IECA/ARA (modificadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona), contra-indicados apenas em casos de estenose bilateral hemodinamicamente significativa ou em rim único; AAP (agente anti-plaquetar) e estatinas. A intervenção percutânea pode ser executada através de dilatação com ou sem recurso a stent e poderá associar-se à braquiterapia ou ablação nervosa como métodos complementares. A angioplastia sem colocação de stent evidencia excelentes resultados no controlo e mesmo cura da displasia fibromuscular (DFM). Nos restantes casos, a colocação de stent deverá ser realizada por rotina. A terapêutica cirúrgica pode incluir o recurso à reimplantação arterial Artigo de Revisão – FMUC 2013/2014 Hipertensão Renovascular: opções e indicações terapêuticas Vanessa Alexandra Oliveira Gorito 6 directa, bypass aorto-renal ou não aorto-renal (nomeadamente hepato-renal ou espleno-renal), endarterectomia, nefrectomia, autotransplante e, inclusive, alotransplante. A cirurgia é particularmente útil na resolução da HRV na criança, ou nos casos refractários às restantes opções terapêuticas. Conclusão: As opções terapêuticas da Hipertensão Renovascular (HRV) incluem as abordagens: médica, cirúrgica e/ou percutânea. Geralmente, em doentes com displasia fibromuscular, a angioplastia transluminar percutânea (PTA) simples é a terapêutica de opção. Em doentes com HRV de causa aterosclerótica, apesar de não unanimemente aceite, a intervenção médica optimizada constitui a terapêutica de primeira linha. Idosos e crianças exigem maior cuidado na aplicação das opções terapêuticas. A par do desenvolvimento tecnológico, os paradigmas de tratamento continuarão a evoluir e permitirão, no futuro, definir uma linha orientadora de terapêutica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,987 | A vitamina D e as quedas nos idosos | Quedas acidentais,Idoso,Vitamina D,Geriatria | Numa comunidade tendencialmente mais envelhecida, as quedas revelam-se um importante tópico de intervenção da saúde pública, dado que são as principais responsáveis por lesões não intencionais na terceira idade. O objectivo desta investigação prende-se com a prevenção deste incidente através da vitamina D, averiguando se a sua suplementação diminui a incidência destes eventos em contraposição com placebo ou ausência de tratamento em ensaios clínicos randomizados. Para tal, foi efectuada uma pesquisa na base de dados da PubMed desenhada a partir do método P. I. C. O., que resultou em 75 composições científicas passivas de selecção e análise. Foram submetidos a avaliação integral 18 artigos, 11 com qualidade superior para análise primária e os restantes 7 para análise de sensibilidade, de modo a averiguar o effect size nos resultados atingidos. Um total de 5693 idosos na análise primária e 16280 na análise secundária, com idades médias de 76,7 e 77,7, respectivamente, tinham sido submetidos a diferentes estudos com vitamina D ou diferentes análogos e avaliados para a incidência de quedas. Em todos os estudos que avaliaram doses maiores de vitamina D intervaladas, os resultados não evidenciaram benefício na suplementação. Os estudos que submeteram os participantes a posologias com doses elevadas entre as 700 – 1000 UI diárias revelaram um potencial benefício na diminuição de quedas, particularmente nos indivíduos com concentração sérica de vitamina D insuficiente. Os estudos deste género que não revelaram esta tendência apresentaram pobre qualidade no registo de quedas ou óptimos valores séricos de vitamina D dos seus participantes na visita baseline. A suplementação com vitamina D em doses diárias revela-se, portanto, potencialmente terapêutica na diminuição da incidência de quedas, embora sejam necessários mais estudos esclarecedores e com melhor qualidade de desenho, registo e direccionados primariamente a este outcome | Ciências Médicas e da Saúde |
6,988 | A influência do desporto universitário na promoção de estilos de vida saudáveis | Estilo de vida,Desportos,Qualidade de vida,Estudantes,Universidades,Promoção da saúde | Introdução: Os casos de sedentarismo no ensino superior são inúmeros, apresentando um grande decréscimo de exercício físico do ensino obrigatório para o ensino voluntário. O Desporto Universitário, como promotor de competições entre universidades, apresenta-se como uma oportunidade de exercício dentro desta comunidade. O objectivo deste estudo é avaliar o impacto do Desporto Universitário nos estilos de vida dos estudantes do ensino superior em Coimbra. Métodos: Estudo descritivo-correlacional entre uma população de 107 atletas do Desporto Universitário, participantes nas secções desportivas da Associação Académica de Coimbra e de torneios universitários de basquetebol, andebol e futsal, e uma população comparativa de 179 não atletas dentro do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade de Coimbra. Os dados foram recolhidos a partir de um questionário e foi colectada informação acerca dos consumos de tabaco, álcool, drogas ilícitas e hábitos alimentares, assim como a prática de desporto fora da universidade e, numa última instância, a satisfação geral com a vida. No final, foram realizadas análises descritivas juntamente com o teste Qui-quadrado e o teste ANOVA. Resultados: As principais medidas de resultados neste estudo são o consumo de tabaco, álcool e hábitos alimentares. A frequência de fumadores dentro dos atletas é 17,8 % e dentro dos não atletas é 9,5 %, apresentando se como estatisticamente significativas as diferenças encontradas. No consumo de bebidas alcoólicas não foi encontrada relação estatisticamente significativa com a prática de Desporto Universitário, apresentando consumo em 76,6 % dos atletas e 80,4 % dos não atletas. O mesmo se passou com o consumo excessivo de bebidas, ocorrendo em 47 % dos atletas e 53,4 % dos não atletas. A análise estatística aos hábitos alimentares revelou uma relação significativa com a prática de Desporto Universitário no que diz respeito a cereais e derivados, hortícolas, carnes, pescado e ovos, frutas, lacticínios e gorduras e óleos. Apresentando os praticantes com um consumo mais baixo de todos os alimentos, comparativamente aos não praticantes. Conclusão: O Desporto Universitário continua a ser uma excelente opção para a prática desportiva dentro de estudantes no ensino superior, apesar de neste estudo não revelar benefícios nas alterações dos estilos de vida. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,989 | A comunicação e relação médico-doente como beneficio para o doente como beneficio para o doente e para a decisão médica | Relações médico-doente,Comunicação,Satisfação do paciente | Introdução: A comunicação é o núcleo da habilidade clínica para a prática de medicina. Do mesmo modo que o século XX foi a era da tecnologia, tudo leva a crer que o século XXI seja a era da comunicação. Hoje em dia, o papel crucial da relação médico-doente e a comunicação eficaz que lhe está subjacente têm tido destaque, bem como os conceitos de autonomia do paciente, a tomada de decisão partilhada, o cuidado centrado no doente e ainda a empatia do médico. A relação médico-doente deve ser considerada como um importante preditor do processo clínico do doente. A tomada de decisão partilhada entre o médico e o doente proporciona a seleção de várias medidas de tratamento e a determinação conjunta de metas a alcançar que se adequam ao doente em causa, o que leva a uma maior satisfação do doente com o tratamento, aumenta a sua adesão e melhora os resultados. Os médicos necessitam de melhorar a sua comunicação com os doentes, unindo o lado humanístico e técnico dos cuidados de saúde. Objetivo: Realçar e entender a importância da relação médico-doente como fator fundamental à boa prática médica, bem como identificar os componentes essenciais e imprescindíveis dessa relação. Uma boa relação médico-doente é um passo fundamental no sucesso terapêutico, na promoção de saúde e na abordagem bio-psico-social do doente. Métodos: Foi efetuada uma pesquisa através do Pubmed sobre a literatura recente acerca da relação médico-doente, da comunicação entre o médico e o doente, da empatia, da tomada de decisão partilhada e do cuidado centrado no doente para a realização deste artigo de revisão. Conclusões: A maioria das queixas dos doentes sobre os médicos está relacionada com problemas de comunicação e não com as competências clínicas. Os médicos devem privilegiar os sentimentos e valores dos doentes e dos seus familiares, estimulando-os para a 3 toma de decisões em conjunto. O médico deve fazer a promoção da saúde e a prevenção da doença, considerando o doente na sua integridade física, psíquica e social e não somente do ponto de vista biológico. Dar ouvidos ao doente é a peça fundamental na construção de uma boa relação. A confiança no médico e o sucesso da terapêutica dependem de uma boa comunicação entre o profissional de saúde e o doente, que inclui a comunicação verbal, a comunicação não verbal e a aparência do médico. A comunicação é uma arte que pode ser aprendida pela prática, permitindo a humanização da relação médico-doente. O ensino das habilidades de comunicação deve ser incluído em todos os níveis da educação médica, sendo fundamental no currículo de qualquer médico | Ciências Médicas e da Saúde |
6,991 | Fístula pancreática pós-duodenopancreatectomia cefálica | Fístula pancreática,Neoplasias do pâncreas,Cirurgia,Factores de risco | O carcinoma pancreático é a 4ª neoplasia mais comum, a 4ª causa de mortalidade por cancro no homem e a 5ª na mulher. A cirurgia é o único tratamento curativo, contudo, as taxas de ressecabilidade são diminutas. Muitos avanços têm sido registados no sentido de reduzir a mortalidade associada a esta patologia e as atenções voltaram-se agora para a morbilidade, que não acompanhou o decréscimo da taxa de mortalidade mantendo-se entre 30 a 50%. Dentro das causas de morbilidade, a fístula pancreática é uma complicação cirúrgica comum, potencialmente fatal, que permanece um dilema em pleno século XXI. Muitos estudos têm sido elaborados no âmbito desta complicação na tentativa de estabelecer a sua definição e melhor forma de prevenção e tratamento, de modo a que possam ser estabelecidas comparações fidedignas entre os diversos centros que se dedicam ao seu estudo | Ciências Médicas e da Saúde |
6,992 | Presbiopsia : abordagem terapêutica | Presbiopia,Epidemiologia,Fisiopatologia,Diagnóstico,Terapia | A presbiopia é uma alteração fisiológica decorrente do envelhecimento que atinge biliões de pessoas em todo o mundo. A sua base fisiopatológica permanece controversa contudo a teoria de Helmholtz é a mais aceite pela comunidade científica. A presbiopia afeta o dia a dia dos indivíduos pelo que a sua correção é de extrema importância para melhorar a sua qualidade de vida. São várias as correções para a presbiopia, desde a utilização de óculos de leitura, aos tratamentos cirúrgicos. Todos os métodos de correção apresentam vantagens e desvantagens pelo que a sua análise é importante para uma escolha mais conscienciosa para cada indivíduo. Em suma, apesar dos inúmeros avanços médicos e tecnológicos, ainda não existe um método universalmente aceite pela comunidade médica para a correção da presbiopia, dado que os diferentes tratamentos apresentam diferentes vantagens para diferentes tipos de indivíduos. Conclui-se assim, após esta revisão bibliográfica, que a melhor correção para a presbiopia está dependente do indivíduo em causa. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,993 | Dor crónica : mecanismos fisiopatológicos da sensibilização e inibição da dor | Dor,Fisiologia,Patologia | A dor aguda pode ser provocada por uma lesão externa ou interna e a sua intensidade correlaciona-se com o estímulo desencadeante. É uma dor que pode ser claramente localizada e tem uma função específica de advertência e proteção, permitindo que nos afastemos de estímulos dolorosos. A dor crónica, que apresenta uma duração superior a 3-6 meses é uma dor inútil e destruidora, torna-se, por direito próprio, uma doença, a sua intensidade deixa de estar correlacionada com um estímulo causal e perde a sua função de advertência e proteção. Os síndromes de dor crónica são patologias bastante prevalentes, tendo um grande impacto social e na economia da saúde, afastando as pessoas da sua atividade laboral, da sua rede social e familiar e diminuindo a sua autoestima. Nestas síndromes englobam-se a dor crónica somática, a dor neuropática e a fibromialgia. Sabe-se que, por exemplo uma dor aguda ou subaguda continuada, sem que o estímulo nóxico seja removido, pode dar origem a uma dor crónica. A dor crónica envolve, alterações moleculares e estruturais irreversíveis e o seu tratamento é um desafio terapêutico, independentemente de haver ou não um estímulo causal. Um exemplo desta situação é o caso da lombalgia crónica, que afeta inúmeras pessoas sendo uma causa recorrente de ausência laboral, tornando-se por isso num problema de saúde pública. Para além do tratamento da dor crónica recorrer muitas vezes à utilização de medicamentos com diversos efeitos secundários, ainda demonstra uma grande ineficácia, tornando-se relevante o conhecimento de fatores / populações de risco para que se possam criar estratégias de prevenção. Neste trabalho, realizamos uma revisão de alguns agentes que podem conduzir à dor crónica, desde a etiologia aos mecanismos fisiopatológicos, e definimos alguns dos seus fatores de risco. Identificamos um plano de atuação terapêutica que permite minimizar as consequências nefastas destas patologias da forma mais eficaz e apresentamos alguns dos avanços recentes nesta área | Ciências Médicas e da Saúde |
6,994 | Restrição calórica e envelhecimento/longevidade | Alimentação,Envelhecimento,Longevidade | A restrição calórica (RC) mostrou ser o método mais eficaz para aumentar a longevidade e retardar o envelhecimento em múltiplas espécies. Apesar de apresentar variados benefícios que se estendem a diversas espécies animais, os efeitos observados em mamíferos mereceram um lugar de destaque na bibliografia, já que têm o potencial de ajudar a prever os benefícios que resultarão da aplicação da RC em humanos. Este regime alimentar caracteriza-se por uma diminuição do aporte de calorias mantendo simultaneamente uma ingestão suficiente de micro e macronutrientes. Apesar de os seus efeitos na saúde se deverem principalmente à atenuação da desregulação da sensibilidade a nutrientes, processo que contribui para o envelhecimento, a RC também mostrou contrariar outros mecanismos causadores de envelhecimento. Em mamíferos, a RC demonstrou retardar a incidência de doenças relacionadas com a idade, melhorando a função metabólica e perfil lipídico e prevenindo a intolerância à glicose, a Diabetes Mellitus tipo II, as doenças autoimunes e as doenças do foro respiratório. Adicionalmente, mostrou gerar efeitos anticarcinogénicos, melhorar a função cardíaca diastólica, fornecer uma protecção extremamente forte contra a hipertensão arterial e a aterosclerose, prevenir o envelhecimento cerebral e diminuir a sarcopenia que ocorre com o envelhecimento. Ainda em mamíferos, a RC provou diminuir o risco de morte em 60% verificando-se uma maior influência deste regime alimentar em indivíduos do género feminino. Substâncias como a rapamicina, a metformina e o resveratrol, quando administrados como suplementos alimentares, mostraram ser miméticos da RC (MRC), despoletando alguns dos efeitos observados com este regime alimentar. Os MRC merecem um papel de destaque na literatura já que têm um verdadeiro potencial de causar um impacto na incidência de diversas patologias e na sobrevida do ser humano. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,997 | Exercício físico e imunidade no idoso | Idoso,Imunidade,Exercicio físico | O envelhecimento acarreta uma desregulação no S.I. humano, chamada imunossenescência, o que se traduz num aumento da incidência de inúmeras patologias nas faixas etárias mais avançadas. Contudo, esta desregulação não é homogénea, sendo a imunidade celular a mais afetada. De facto, ocorre uma diminuição do número total de linfócitos e ainda uma alteração da sua capacidade funcional. Para além de outras vantagens na saúde geriátrica, o E.F. parece ser um meio eficaz de atrasar a imunossenescência. Apesar de menos ampla que no jovem, a resposta do S.I. ao E.F. continua a existir no idoso. Este causa alterações transitórias e permanentes no S.I., em função das suas características. Neste sentido, verificou-se que um programa prolongado, de E.F. aeróbio, regular, de intensidade moderada é capaz de produzir modificações adaptativas benéficas no S.I., nomeadamente na imunidade celular | Ciências Médicas e da Saúde |
6,999 | Gravidez após o cancro da mama | Ginecologia,Obstetrícia,Cancro da mama,Gravidez | Enquadramento: As sobreviventes de cancro da mama trazem consigo um conjunto de questões da maior relevância sob o ponto de vista clínico e científico. Na verdade, o cancro da mama é a neoplasia mais prevalente em mulheres em idade reprodutiva, sendo que menos de 10% das mulheres que sofreram de cancro da mama engravidam após o tratamento, com valores a oscilar entre os 3,6 e os 5% em mulheres com idade inferior a 45 anos. O efeito da gravidez na sobrevida global e recorrência das doentes após tratamento de cancro da mama, as questões voltadas para a hereditariedade e fertilidade nestas mulheres são assuntos da maior atualidade e do mais elevado interesse científico. Material e métodos: Pesquisa de artigos através do PubMed, B-On, uptodate e Serviço da Biblioteca dos Hospitais da Universidade de Coimbra, sendo alargada com a consulta de referências bibliográficas consideradas de interesse, dos artigos anteriormente selecionados, no sentido de realizar-se uma revisão da literatura científica atual Resultados: A maioria dos estudos parece ser consensual em admitir que a gravidez parece ser segura após o cancro da mama quer para a mulher quer para a sua descendência, embora os estudos dirigidos a esta questão não permitam conclusões absolutas. A hereditariedade e genética parece desempenhar um papel importante nesta área embora esta questão ainda não esteja completamente esclarecida. Conclusões: Verifica-se a necessidade de estudos translacionais prospetivos e alargados e informação colhida a longo termo, no sentido de obter maior informação para o estabelecimento de potenciais protocolos de orientação quer para os clínicos quer para estas mulheres. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,000 | Avaliação geriátrica : selecção e caraterização de instrumentos validados para a população portuguesa | Idoso,Avaliação geriátrica,Psicometria,Portugal,Prática clínica baseada em evidências | Introdução: Em Portugal, a população de pessoas idosas tem crescido de forma exponencial, resultando num continuado e forte envelhecimento demográfico. As múltiplas respostas a esta realidade exigem que se assuma, como essencial, o desenvolvimento de uma intervenção multidisciplinar e diferenciada pautada, entre outras estratégias, por um processo de avaliação geriátrica sustentado pela utilização de instrumentos de medida, aferidos e validados para a população portuguesa. Neste contexto, o objectivo deste estudo foi identificar e caracterizar instrumentos, considerados cientificamente válidos, para aplicar no contexto da avaliação bio-psico-social da pessoa idosa portuguesa, disponibilizando-os num repositório alojado numa plataforma on-line de acesso livre - www.maisidosos.com, desenvolvida para o efeito. Métodos: Utilizando as bases de dados Medline, PubMed, Psyclit, EBSCO, Google Académico, B-On e com auxílio de estratégias extras, realizou-se uma revisão sistemática da literatura para a selecção dos instrumentos. A pesquisa nas bases não estipulou, à partida, qualquer limite de datas, tendo os resultados encontrados sido avaliados tendo por base os critérios de inclusão previamente estabelecidos. Efectivou-se, também, um escrutínio sistemático das respectivas qualidades psicométricas dos instrumentos de medida. Resultados: Foi identificado um significativo número de instrumentos tendo como destinatários as pessoas idosas, nos mais diversos domínios e contextos. A maioria deles resulta de adaptações transculturais, seguindo um estilo de mensuração métrica e de fácil utilização. Quanto às evidências de adequação psicométrica, os indicadores avaliados demonstraram que a maioria dos instrumentos de medida/avaliação seleccionados apresenta boas evidências de validade e fiabilidade, embora alguns ainda careçam de maiores investigações que suportem o poder de generalização dos resultados e a sua aplicabilidade em contextos muito específicos. Conclusão: Este estudo constitui-se uma mais-valia para o desenvolvimento de uma prática baseada na evidência científica, pois, com uma metodologia clara e sistematizada de pesquisa, pautada por uma análise rigorosa dos resultados obtidos, disponibiliza um conjunto de instrumentos de medida, com vista a potenciar uma intervenção qualificada de suporte ao estabelecimento de diagnósticos, intervenções e prognósticos ainda mais seguros. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,001 | Avaliação nutricional de doentes com cirrose hepática internados no Serviço de Gastroenterologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra | Cirrose hepática,Avaliação nutricional,Desnutrição | Introdução: A prevalência de desnutrição na cirrose hepática é muito comum, influenciando o estado geral, bem como a evolução clínica dos doentes. Objetivos: Caracterizar e avaliar o estado nutricional na admissão hospitalar, bem como avaliar o impacto do internamento em doentes internados com cirrose hepática no Serviço de Gastroenterologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Métodos: Nas primeiras 72 horas de internamento, foram avaliados 50 doentes, e em 36 doentes foi possível avaliar o estado nutricional nas 72 horas precedentes previamente à alta clínica. A gravidade da cirrose hepática foi avaliada pela classificação Child-Pugh, MELD e MELD-Na. A avaliação dos parâmetros bioquímicos incluiu a albumina, pré-albumina, transferrina, colesterol total, triglicerídeos, colesterol HDL, colesterol LDL, hemoglobina, contagem total de linfócitos, ácido fólico e vitamina B12. A avaliação do estado nutricional dos doentes foi realizada através de parâmetros antropométricos, Índice de Risco Nutricional, Índice de Maastricht, Dinamometria Manual, Mini Nutritional Assessment, Subjective Global Assessment e Royal Free Hospital Global Assessment. Resultados: A avaliação nutricional dos doentes na admissão hospitalar apresentou uma média de idades de 60,9 ± 12,1 anos. O Índice de Risco Nutricional e Índice de Maastricht foram os parâmetros que apresentaram maior percentagem de desnutrição, seguido da prega cutânea tricipital, Mini Nutritional Assessment, Subjective Global Assessment, Royal Free Hospital Global Assessment, perímetro braquial, perímetro muscular do braço e por último o Índice de Massa Corporal e Índice de Massa Corporal dos cirróticos. A dinamometria manual apresentou valores superiores no sexo masculino relativamente aos doentes do sexo feminino, no entanto não se verificaram diferenças estatisticamente significativas com os parâmetros utilizados na avaliação do estado nutricional. A relação do Child-Pugh, MELD e MELD-Na com os parâmetros de avaliação do estado nutricional demonstraram que os doentes classificados com pior prognóstico são os que apresentam maior prevalência de desnutrição. Na avaliação da evolução nutricional no internamento a média de idades da amostra foi de 62,8 ± 12,2 anos. Durante o período de internamento não se verificaram alterações no estado nutricional dos doentes entre a admissão e alta hospitalar. Considerações finais: A avaliação nutricional na cirrose hepática é um processo complexo dado que os métodos disponíveis são influenciados por muitos fatores não nutricionais. Assim, na avaliação deste grupo de doentes, é importante utilizar um conjunto de diferentes parâmetros que permita valorizar as alterações obtidas por cada um dos métodos e melhor caracterizar o estado nutricional. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,002 | Estudo de rastreio de risco nutricional : strongkids das crianças internadas no Hospital Pediátrico de Coimbra | Criança,Desnutrição,Prevenção e controlo,Pediatria | As crianças hospitalizadas estão em maior risco de desnutrição. Os rastreios de risco nutricional em doentes internados deveriam fazer parte da rotina diária e ser realizados logo no momento da admissão e periodicamente ao longo do internamento, de modo a estabelecer uma terapêutica nutricional individualizada e eficaz. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o risco nutricional das crianças internadas no Serviço de Pediatria Médica (SPM) do Hospital Pediátrico (HP) – CHUC com a ferramenta STRONGkids. Contribuiu-se igualmente para a avaliação da aplicação desta ferramenta de rastreio nutricional no nosso país, integrado num estudo multicêntrico nacional. Metodologia: Estudo prospetivo em que se procedeu à avaliação do risco de desnutrição com recurso à ferramenta – STRONGkids em 104 crianças do SPM do HP– CHUC, de outubro de 2013 a fevereiro de 2014 (5 meses). Foram realizados rastreios do estado nutricional na admissão e à data da alta. Nos internamentos mais prolongados, foram feitas avaliações adicionais, semanais. O questionário STRONGkids consiste em 4 itens de avaliação, a cada um dos quais é atribuída uma pontuação de 1-2 pontos: a) patologia subjacente de alto risco nutricional; b) Avaliação subjetiva do estado nutricional; c) aportes e perdas; d) perda de peso ou deficiente ganho ponderal. A avaliação antropométrica consistiu na medição do peso, comprimento ou altura e circunferência do braço. A desnutrição foi classificada em desnutrição aguda (“peso para estatura” (WFH) <-2 DP e/ou “IMC para idade” <-2 DP), e crónica (“altura para idade” (HFA) <-2 DP). Resultados e discussão: A amostra foi constituída por 104 crianças, com idade mediana de 7 anos e tempo de hospitalização mediano de 4 dias. A mediana do score de risco de desnutrição foi de 2, correspondendo a risco moderado. À entrada, uma proporção significativa dos doentes apresentou risco de desnutrição baixo (32,7%) ou elevado (8,7%), embora na maioria (58,7%) o risco tivesse sido considerado moderado. Os diagnósticos no internamento mais prevalentes foram os dos grupos “Gastrointestinal”, “Respiratório” e ”Cardíaco”. Metade dos doentes estudados tinha doença subjacente, tendo sido as mais prevalentes do foro “Gastrointestinal” e “Respiratório”. Na população estudada a prevalência de desnutrição na admissão foi 17,3%, sendo 10,6% de desnutrição aguda e 9,6% de desnutrição crónica. O grupo de risco elevado de desnutrição, em que todas as crianças tinham doença subjacente, foi o que apresentou maior prevalência de desnutrição, quer aguda quer crónica. Conclusão: Este estudo permitiu uma maior sensibilização dos profissionais de saúde para a problemática da desnutrição hospitalar. A ferramenta STRONGkids parece ser um instrumento útil, de aplicação fácil e rápida. Um rastreio de risco nutricional deverá ser realizado de forma sistemática nos serviços de internamento de pediatria, no momento da admissão e periodicamente nos internamentos mais prolongados, de forma a poder antecipar e colmatar a necessidade de intervenção nutricional individualizada. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,004 | Análise médico-legal de queimaduras em crianças : a propósito de abuso físico em Angola | Abuso da criança,Queimaduras,Diagnóstico,Medicina legal,Angola | Introdução: A deteção dos abusos contra crianças não é fácil para o médico, pois a história clínica recolhida é muitas vezes enganosa, os achados físicos são muitas vezes inespecíficos e os médicos, na maioria dos casos, não incluem o abuso no diagnóstico diferencial dos quadros clínicos com que se confrontam. Este diagnóstico é particularmente complexo no caso das queimaduras, cujas consequências, pelo menos do ponto de vista psicológico, são sempre graves. Daí a necessidade de cada vez se conhecerem mais profundamente estas situações, nas suas diversas vertentes, em cada país e comunidade, para que as medidas de detenção, diagnósticos e prevenção se possam adequar a cada realidade. Objetivo: Contribuir para conhecer melhor esta realidade e para reforçar a ideia da necessidade urgente da organização dos serviços em Angola, para que as equipas multidisciplinares possam existir e intervir adequada e atempadamente, para bem das vítimas, da comunidade e da justiça. Material e Métodos: Foram estudadas 230 crianças admitidas por queimaduras na Unidade de Queimados do Hospital Neves Bendinha, em Luanda. A ficha de recolha de dados foi preenchida durante o período de internamento das crianças, incluindo dados constantes do processo clínico hospitalar e outros obtidos através da entrevista de um dos progenitores ou representante legal da criança. Resultados e Discussão: As vítimas eram muito novas (50% até aos 5 anos; média de idade 7 anos), encontrando-se 99.6% a cargo dos familiares os quais, em apenas 69% dos casos, foram as pessoas que as levaram ao hospital; 57% não foram levadas ao hospital no dia do evento, sendo que em 77% dos casos este aconteceu em casa. Estes aspetos podem estar relacionados com a tentativa de ocultação dos cassos abusivos. De acordo com os registos clínicos, 47% das queimaduras associava-se a negligência, 33% a acidente e 20% a abuso. A queimadura provocada por imersão em água quente verificou-se em 75% dos casos alegadamente abusivos. Os locais mais atingidos foram os membros superiores (22%), tórax/mamas (22%) e membros inferiores (18%), para todos os casos, verificando-se que a região genital e nádegas sofreu mais queimaduras nas situações alegadamente abusivas (7%). As queimaduras figuradas, apesar de muito escassas no geral, surgiram em 50% dos casos de suspeita de abuso, bem como a distribuição bilateral e simétrica das lesões (em 57% destes casos), o que é altamente sugestivo de lesões intencionalmente infligidas. As queimaduras foram de 2º grau em 65% dos casos, sendo as mais graves nos casos supostamente devidos a abuso; no entanto, foi nestes casos que houve menos atingimento da área corporal (74% até 10% da área corporal), talvez porque a queimadura intencional foi aplicada a uma área concreta. Em 63% dos alegados abusos encontraram-se outras lesões distintas das queimaduras e em 28% cicatrizes de lesões (o que pode traduzir reiteração do abuso). A denúncia da suspeita de abuso foi apresentada em apenas 26% dos casos, o que está de acordo com a ocultação típica destes casos. Os supostos abusadores seriam maioritariamente familiares da vítima e do sexo feminino (58% e 56%), respetivamente, com idade média de 24 anos (20% menores de idade) e em 62% dos casos havia referência a consumo abusivo de álcool. Estes casos seriam melhor apoiados se conseguisse: (1) promover a sua deteção precoce pelos profissionais que trabalham com crianças; (2) incentivar a sinalização/denúncia da sua suspeita por esses mesmos profissionais; (3) a colaboração de especialistas em medicina legal para apoiar o diagnóstico mais seguro dos casos; (4) definir normas procedimentais e protocolos que apoiassem o diagnóstico por esses especialistas e a sua boa articulação com os outros profissionais os quais, no seu conjunto, deveriam constituir uma equipa multidisciplinar de intervenção nestes casos. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,005 | Causas do abandono e condições de vida e saúde de idosos em Luanda-Angola | Idoso,Abuso do idoso,Condições sociais,Angola | Segundo a literatura internacional a identificação de maus-tratos contra idosos deve contemplar uma avaliação que utilize fontes diversas de informação como, por exemplo, portadores de serviços, e/ou agentes que intervêm nas situações de abuso. Estudos recentes revelam que o fenómeno da violência contra as pessoas idosas está a aumentar em Portugal, não se tendo registado até à data, qualquer estudo deste tipo na população Angolana. Este estudo incide sobre a análise de dados colhidos através de entrevista a idosos em Lar da Terceira Idade em Luanda, durante o período de tempo compreendido entre Julho e Setembro de 2011. Foram estudados diversos parâmetros relativos ao género, idade, estado civil, nível de escolaridade, residência, profissão anterior, estado de saúde actual e anterior. Este trabalho possibilita o conhecimento, do ponto de vista forense, da caracterização da existência de maus-tratos e das condições de vida na população idosa na cidade de Luanda. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,007 | Perfeccionismo e eficácia da terapêutica dietética de emagrecimento | Obesidade,Terapia,Emagrecimento,Dietética,Perfeccionismo | Introdução: A eficácia da terapêutica dietética de emagrecimento pode ser influenciada por vários factores, nomeadamente ambientais, genéticos e psicológicos. No entanto, pouco se sabe acerca do papel destes últimos na eficácia da terapêutica dietética. O perfeccionismo, traço de personalidade caracterizado pela tendência para estabelecer padrões excessivamente elevados, tem sido associado às perturbações do comportamento alimentar, à auto-estima, à insatisfação com a imagem corporal, à percepção de stresse e à vivência de emoções negativas, aspectos que poderão também influenciar o envolvimento dos utentes nas prescições do seu terapeuta. Mas, o perfeccionismo pode também ter aspectos adaptativos, cujas eventuais repercussões positivas, ao nível da terapêutica dietética de emagrecimento, ainda não foram investigadas. Objectivos: Caracterizar a amostra de utentes da consulta de dietética e nutrição/exercício físico do Gabinete de Saúde Juvenil de Braga quanto aos comportamentos alimentares, satisfação com a imagem corporal, perfeccionismo, auto-estima, percepção de stresse e afecto positivo e negativo; e estudar o papel destas variaveis na eficácia da terapêutica dietética, avaliada através de antropometria e bioimpedância. Metodologia: Estudo prospectivo baseado na avaliação das participantes na primeira consulta e passados três (T3) e seis meses (T6) quanto à composição corporal através de antropometria e bioimpedância e quanto à avaliação psicológica através da aplicação de vários questionários de auto-resposta, como o Teste de Atitudes Alimentares; a Escala de Percepção de Stresse; o Perfil de Estados de Humor; a Escala Multidimensional de Perfeccionismo; a versão experimental da Almost Perfect Scale; a Escala de Silhuetas Corporais e a Escala de Auto-estima de Rosenberg. Foram avaliadas 78 jovens mulheres com excesso de peso na primeira consulta de nutrição do Gabinete de Saúde Juvenil de Braga (Idade média=21.18±3.37; IMC médio=29.70 Kg/m2 ±4.249). No T3, 74.4% destas (n=58) continuavam em seguimento e no T6 apenas 23.1% (n=18). Resultados: No T3 a percentagem de perda de peso correlacionou-se significativa e positivamente com o Afecto positivo/AP, Perfeccionismo Auto-orientado/PAO, Padrões Elevados/PE, Ordem e Auto-estima/AE e negativamente com Afecto Negativo/AN, Perfeccionismo Socialmente Prescrito/PSP, Discrepância e Insatisfação com a Imagem Corporal/IIC. No T6 a % perda de peso correlacionou-se significativa e positivamente com o AP e PE. A análise de regressão mostrou que no T3, considerando as variaveis psicológicas avaliadas no T0 como variáveis independentes, a Ordem (β=.307) revelou-se como o preditor significativo da % de peso perdido; já no T6, o preditor significativo foi a dimensão PE (β=.676). Discussão: Os resultados obtidos neste estudo mostram, pela primeira vez, que o perfeccionismo positivo está associado prospectivamente com a eficácia da terapêutica dietética de emagrecimento. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,010 | A cooperação internacional na investigação criminal : estudo comparativo da polícia de investigação científica portuguesa e francesa | Comportamento criminoso,Investigação,Criminologia,Portugal,França | A investigação criminal é, a par com a criminalidade, um fenómeno dinâmico e em constante desenvolvimento, pelo que as autoridades recorrem do apoio fundamental dos laboratórios de polícia científica para conseguir através da prova pericial ligar um suspeito a um crime ou a uma vítima. No mundo global, torna-se indispensável a cooperação internacional no combate à criminalidade, particularmente na União Europeia em que os diversos Estados membros se unem para, em uníssono, se valerem do seu poder e força em diversas matérias. Este estudo teve como objetivo relacionar o trabalho realizado pelos Laboratórios de Policia Cientifica com as suas implicações na investigação criminal a partir da colaboração e cooperação internacional no domínio forense. Para tal foi adotada uma metodologia de investigação qualitativa com dados obtidos a partir do Laboratório de Policia Cientifica de Lisboa e do Institut National de Police Scientifique de Lyon. Os resultados obtidos revelam que embora ambos os laboratórios envolvidos utilizem as mesmas técnicas e os mesmos instrumentos nas diversas especialidades forenses, as diferenças encontradas no procedimento resultam em implicações diretas na cooperação internacional. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,011 | O papel da ressonância magnética no estadiamento local do cancro da mama : estudo no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra | Ressonância nuclear magnética,Neoplasias da mama | Introdução: A utilização da Ressonância Magnética (RM) no estadiamento local do cancro da mama não é consensual, sendo a sua capacidade em avaliar o tamanho, a multifocalidade e a multicentricidade de um tumor alvo de discussão no presente. Este estudo pretende estabelecer um paralelismo entre a realidade no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e a literatura actual. Materiais e Métodos: foram seleccionados, retrospectivamente, os doentes que realizaram RM no Serviço de Imagiologia do CHUC entre Janeiro de 2012 e Janeiro de 2013 para estadiamento local de cancro da mama recentemente diagnosticado. Foram recolhidos dos “Processos Únicos” das doentes vários parâmetros relativos à população, à RM, bem como relativos à cirurgia e peça operatória e posteriormente organizados numa base-de-dados em Microsft Excel ®. A análise estatística foi realizada com recurso ao software IBM® SPSS Statistics, versão 20.0. Resultados: Das 12 doentes seleccionadas para estudo, a RM detectou focos adicionais de doença ipsi-laterais em 41,66% das mesmas, sendo detectada multifocalidade em 25% e multicentricidade em 33,3%. Em nenhuma doente se verificou, pela RM, invasão do músculo peitoral ou lesões contra-laterais. A correlação entre as dimensões da lesão principal na RM e na peça cirúrgica não apresenta diferença estatística, com p = 0,207, no entanto o seu poder estatístico é de apenas 0,452 (1-ß). Comparando o resultado da RM com a peça cirúrgica, em termos de multifocalidade não há concordância significativa (p = 1,000) e em relação a focos multicêntricos existe concordância significativa (p = 0,005; kappa = 0,800). Neste estudo foram obtidos 2 falsos negativos e 1 falso positivo. 3 Discussão/Conclusão: Os parâmetros clínicos observados nas doentes do CHUC não se coordenam totalmente com o descrito na literatura. Os resultados obtidos pela RM e a sua posterior comparação com a peça podem ter sido influenciados pelo reduzido número de doentes estudadas. No entanto deve ser tida em conta alguma falta de informação nos processos únicos ou desvalorização indevida. É perceptível a concordância na relação entre multicentricidade do tumor na RM e no estudo anatomo-patológico, bem como se torna plausível um importante valor preditivo negativo da RM no estadiamento local do cancro da mama | Ciências Médicas e da Saúde |
7,013 | Caracterização dos hábitos alimentares e avaliação antropométrica dos estudantes da Universidade de Coimbra | Hábitos alimentares,Avaliação da nutrição,Estudantes | Introdução: todo um enquadramento cultural, económico e psico-social torna a população universitária um grupo alvo de estudo e eventual intervenção nutricional, atendendo ao facto de os hábitos alimentares instituídos em idades mais jovens poderem ser os mais duradouros e mais relevantes no futuro. Objectivo: caracterizar os hábitos alimentares dos estudantes da Universidade de Coimbra recorrendo a um questionário de frequência alimentar e fazer a avaliação antropométrica com base no Índice de Massa Corporal. Material e métodos: estudo observacional, descritivo transversal com uma amostragem aleatória de conveniência, entre os alunos que recorreram à consulta de Clínica Geral/Planeamento Familiar nos Serviços Médicos da Universidade de Coimbra. Como método de obtenção de dados de consumo alimentar, utilizou-se o questionário semi-quantitativo de frequência alimentar referente aos 12 meses que antecederam a entrevista. O Índice de Massa Corporal foi calculado, após pesagem e medição dos alunos, dividindo o peso pela altura ao quadrado e foram utilizados os critérios da World Health Organization para avaliação nutricional segundo este parâmetro. A análise estatística foi realizada com recurso ao programa informático IBM SPSS Statistics for Windows, Version 20.0. Resultados: obteve-se uma amostra maioritariamente do sexo feminino (90,1%), com uma idade média de 23,46 anos. A maioria dos elementos faz as refeições em casa (78,6%). A avaliação do estado nutricional com base no IMC revelou uma população globalmente normoponderal (72,7%). Quanto ao padrão de consumo alimentar houve um predomínio no consumo de leite meio gordo, carnes brancas, gorduras como azeite e manteiga, arroz e massa, alguns alimentos processados e refrigerantes. Foi relevante o baixo consumo de frutos, hortaliças e legumes e peixe. Conclusão: o presente estudo evidenciou desvios qualitativos e quantitativos daquilo que é nutricionalmente recomendado. Com diferenças pontuais, os resultados foram similares a outros realizados em grupos semelhantes. Em face dos erros alimentares encontrados, uma vez mais se identifica uma janela de oportunidade para intervenção formativa. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,014 | Doença inflamatória pélvica aguda : do diagnóstico ao tratamento | Doença inflamatória pélvica,Diagnóstico,Terapia,Prevenção e controlo,Factores de risco | A doença inflamatória pélvica é uma possível complicação das doenças sexualmente transmissíveis e uma importante causa de gravidez ectópica e infertilidade feminina. A doença inflamatória pélvica corresponde ao espectro de alterações inflamatórias do tracto genital superior feminino. Esta resulta da contaminação via ascendente de microorganismos da vagina e/ou endocolo até ao endométrio, trompas, ovários e estruturas adjacentes causando endometrite, salpingite, parametrite, ooforite, abcesso tubo-ovárico e/ou peritonite pélvica. Esta infecção está na maior parte das vezes associada à Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. No entanto, outras bactérias (aeróbias, anaeróbias e micoplasmas do tracto genital) podem também estar envolvidas. São habitualmente referidos como factores de risco: mulher sexualmente activa, múltiplos parceiros sexuais, parceiro sexual com múltiplas parceiras, antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis, instrumentação uterina (histeroscopia, curetagens, inserção de dispositivo intra-uterino) e adolescentes com relações sexuais de alto risco (coito desprotegido). A apresentação clínica desta patologia é variável, não se lhe atribuindo qualquer sinal ou sintoma patognomónico. Os sinais e sintomas mais frequentes são: dispareunia, algias pélvicas e corrimentos vaginais anormais, com dor à mobilização do colo uterino e/ou dor à palpação na região anexial e cervicite à observação com espéculo. Nas formas mais severas da doença, sintomas sistémicos como a febre, naúseas e vómitos, podem estar associados. Em algumas mulheres a infecção poderá ser assintomática. O diagnóstico deve sempre basear-se nos achados clínicos. Os exames complementares estão sobretudo reservados para pacientes com diagnóstico incerto, gravemente doentes ou que não respondem à terapêutica inicial, e têm como intuito excluir outra patologia ou detectar complicações graves da doença inflamatória pélvica. Os diagnósticos diferenciais, mais relevantes, de algias pélvicas numa mulher jovem que é preciso ter em consideração são: a gravidez ectópica, apendicite aguda, endometriose, torção ou ruptura de quisto ovárico, entre outros. A doença inflamatória pélvica aguda é, pois, um problema major de saúde pública, devido ao facto de se associar a complicações médicas importantes (infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crónica) assim como a cuidados de saúde de custos elevados. Daí a importância de um diagnóstico precoce e de estratégias de tratamento adequadas e instituídas no imediato, na prevenção destas sequelas a longo prazo. Assim sendo, este trabalho procura fazer uma revisão teórica sobre os vários aspectos importantes na caracterização da doença inflamatória pélvica aguda, desde o diagnóstico ao tratamento. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,015 | Estimativa do sexo através de características métricas da mandíbula | Medicina legal,Antropologia forense,Determinação do sexo pelo esqueleto | A diagnose sexual a partir da análise de restos ósseos humanos é um elemento capital na investigação forense. Um grande número de estudos tem mostrado a existência de dimorfismo sexual em quase todos os ossos do esqueleto humano. A mandíbula humana adulta é um elemento do esqueleto particularmente robusto, sólido e usualmente preservado em contextos forenses. Os métodos métricos são, atualmente, os mais utilizados para a estimativa sexual, devido à sua objetividade, precisão, reprodutibilidade e baixo grau de erros inter e intra-observador. Este estudo foi feito com o intuito de desenvolver um método para a estimativa sexual da mandíbula tendo como base a coleção osteológica identificada “Escolas Médicas” da UC, como amostra de treino, e a coleção osteológica identificada de Santarém, como amostra de teste. Foram examinadas 200 e 63 mandíbulas, respetivamente para cada amostra, e efetuadas 8 medidas a cada peça anatómica. O tratamento estatístico dos dados foi realizado a partir da técnica de regressão logística. Foi obtida uma percentagem de classificação correta de 80% relativamente à primeira amostra e de 76,5% para a segunda, o que reflete alguns limites no uso isolado da mandíbula para o diagnóstico sexual | Ciências Médicas e da Saúde |
7,016 | Biópsia prostática : o valor do psa, toque rectal e ecografia transrectal | Neoplasias da próstata,Diagnóstico,Biópsia,Exame rectal digital,Ecografia,Antigénio específico da próstata | Introdução: O carcinoma da próstata é a segunda causa de morte por cancro na Europa. O diagnóstico exige biópsia prostática, sendo a sua realização condicionada por preditores, como o PSA e o toque rectal. Os preditores actuais têm fraca sensibilidade e especificidade, resultando num elevado número de biópsias negativas. São necessários novos marcadores clinicamente aplicáveis que diminuam a negatividade das biópsias. Objectivos: Correlacionar a informação clínica do doente (idade, toque rectal, volume prostático e PSA) com o resultado da biópsia prostática. Metodologia: Foi efectuado um estudo restrospectivo, baseado na revisão de 120 ficheiros clínicos de doentes submetidos a biópsia prostática no nosso Serviço entre 1 de Junho de 2009 e 31 de Maio de 2010. A idade média dos doentes estudados foi de 67,63 ± 8,75 anos. Foram efectuadas biópsias prostáticas transrectais, ecoguiadas, com colheita de 6 a 24 fragmentos (média de 13,24 ± 3,5). Resultados: A frequência de biópsias positivas foi de 37.5%. Toques rectais suspeitos reflectiram-se em 52.5% de biópsias positivas (p=0.005). Valores de PSA superiores a 4 ng/ml traduziram-se em 37.7% de biósias positivas (p=0.524), sendo a média do PSA nas biópsias positivas de 27.67ng/ml e 9.56ng/ml nas negativas. Tumores mais indiferenciados ocorreram em idades mais avançadas (p=0.013). O aumento do PSA coincidiu com aumento do score de Gleason do tumor (p=0.003). A correlação entre o resultado da biópsia e a relação PSA livre/total não se mostrou estatisticamente significativa (p=0.232). Densidades do PSA superiores a 0.3ng/ml/cc correlacionaram-se com o aumento da positividade da biópsia. Não se verificou um aumento do volume prostático com o aumento da idade (p=0.456). O aumento do número de fragmentos da biópsia não aumentou a sua positividade (p=0.177). Conclusões: A biópsia prostática é a ferramenta indispensável ao diagnóstico do cancro da próstata. Contudo, a informação clínica do doente que determina a sua realização tem fraca especificidade e sensibilidade. Diversos factores devem ser tidos em conta na tomada de decisão de proceder à biópsia prostática. Novos estudos devem ser realizados em busca do preditor ideal. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,017 | Identificação individual : o contributo da osteopatologia | Esqueleto humano - identificação,Antropologia forense | A necessidade de proceder ao estabelecimento objetivo da identidade de cadáveres, em que a mesma é desconhecida, em contextos circunstanciais diversos, que incluem, entre outros, a descoberta de restos cadavéricos de pessoa singular (potencialmente pertencentes a indivíduos dados como desaparecidos, como sucede, com relativa frequência, relativamente a idosos ou indivíduos incapazes em razão de processos patológicos psiquiátricos ou neurológicos), ou de um conjunto de indivíduos (situação comummente verificada em cenários de guerra ou resultantes de catástrofes naturais), tem conduzido, ao longo dos tempos, à investigação, e dela decorrente, à criação de métodos científicos, que permitam a identificação positiva de restos cadavéricos não identificados emergentes. O objetivo do presente trabalho foi o de avaliar o potencial de contribuição da análise de alterações osteológicas, designadamente de índole patológico, existentes em restos esqueletizados humanos, no processo de identificação individual. Por estudo de patologia (estudo osteopatológico), entendeu-se a pesquisa, quer de elementos patológicos diretamente observáveis (como seja uma fratura consolidada), quer sinais indiretos de entidades nosológicas, afetando os diferentes sistemas e aparelhos orgânicos, que não somente o osteoarticular (como seja a presença de dispositivos terapêuticos a acompanhar os restos cadavéricos). Nesse sentido, foi efetuado o estudo osteopatológico de seis esqueletos, pertencentes a coleção osteológica identificada contemporânea (respeitante a indivíduos com datas de morte situadas num intervalo compreendido entre 1997 e 2001), proveniente do Cemitério os Capuchos (sito em Santarém), atual pertença do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, com posterior confrontação dos elementos constatados com os dados clínicos ante-mortem, passíveis de obter, o que apenas foi conseguido em quatro dos seis casos analisados. Um dos casos, em que tal exercício comparativo não foi possível, diz respeito a um cadáver submetido a autópsia médico-legal, no dia seguinte ao da morte, tendo sido efetuada a confrontação entre o estudo osteopatológico dos restos esqueletizados com o relatório descritivo da perícia forense realizada. Como resultados do presente estudo, apesar das limitações constatadas no sentido de dar cumprimento ao seu objetivo, decorrentes da parca, ou mesmo inexistente, informação clínica/circunstancial ante-mortem obtida, foi possível concluir que a presença de determinados achados osteológicos pode permitir o estabelecimento da identificação positiva, com níveis de confiança fidedignos, XIV podendo, nesses casos, evitar a necessidade de recurso a outros métodos de identificação biológica, mais morosos e onerosos, como seja o estudo do perfil genético. Tal depende essencialmente de duas variáveis – nível de correspondência entre dados ante e post-mortem e grau de exclusividade do elemento lesional sobre o qual incide o estudo comparativo – propondo a autora, a elaboração de uma escala de potencial identificativo, utilizando as variáveis supracitadas, como instrumento de avaliação e apresentação dos resultados do estudo osteopatológico de restos esqueletizados com objetivos identificativos, em sede de relatório pericial, como forma de conferir maior credibilidade, em termos de objetividade científica, perante o sistema judicial, ainda que se trate de uma escala de carater qualitativo. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,018 | Incontinência urinária no idoso : tratamento | Incontinência urinária,Idoso | A incontinência urinária (IU) é uma síndrome geriátrica comum, com impacto negativo na qualidade de vida, e pode ser dispendiosa de tratar. A incontinência tem sido associada a um aumento do isolamento social, quedas, fracturas e internamentos de longa duração. Muitas vezes não declarada e, portanto, não tratada, geralmente porque os idosos recusam-se a procurar ajuda, os profissionais de saúde devem questionar sobre os sintomas, como parte da revisão de sistemas. De forma a prescrever um tratamento otimizado, é importante fazer um diagnóstico inicial adequado quanto ao tipo de incontinência – esforço, urgência ou mista –, determinar a gravidade e sintomas relacionados. A IU pode ser avaliada e tratada inicialmente pelo médico de família. A avaliação da incontinência envolve uma história clínica direcionada, exame físico, análise à urina e, se indicado, a medição do volume urinário residual pós-miccional. O objetivo deste trabalho foi comparar os estudos publicados sobre as intervenções para promoção da continência, tendo como foco principal a incontinência urinária nos idosos. Foi realizada uma revisão bibliográfica sobre o tratamento da IU em doentes geriátricos. Esta revisão foi feita com base em artigos científicos e guidelines, limitada a publicações em inglês. Esta pesquisa inclui apenas estudos sobre IU em pessoas com 65 anos ou mais. Foram analisados os diversos tipos de tratamento e concluiu-se que as estratégias comportamentais e a medicação são eficazes no tratamento da IU. Os doentes idosos podem também optar por uma abordagem cirúrgica ou implantação de dispositivos. Idosos com compromisso cognitivo e incontinência exigem um diagnóstico e tratamento diferentes, mas podem responder bem ao tratamento. O tratamento da IU melhora a satisfação dos doentes e a sua qualidade de vida | Ciências Médicas e da Saúde |
7,020 | Análise osteométrica das estruturas da articulação temporomandibular (ATM) para correlação crânio-mandíbula em antropologia forense | Medicina legal,Antropologia forense | A separação de restos humanos misturados representa um desafio especial para a Antropologia Forense, dada as circunstâncias em que frequentemente são encontrados como esqueletos incompletos, fraturados e misturados. Enquanto existem vários métodos para proceder à estimativa do número mínimo de indivíduos, para o crânio não há um procedimento standard. A presente investigação tem como objetivos quantificar a possibilidade de uma dada mandíbula pertencer a um dado crânio a partir da análise morfométrica dos ossos da articulação temporomandibular, contribuir para a melhor individualização dos restos humanos e cálculo mais fiável do número mínimo de indivíduos. O tamanho da amostra é de 109 crânios, sendo 58 homens e 51 mulheres, com idade média de 33,3 anos (dp = 11,5). Os crânios analisados são da Coleção do Museu Antropológico da Universidade de Coimbra. Para o sexo masculino foram desenvolvidas 4 equações de regressão linear (IC 95%; 85% de concordância) e para as mulheres 2 equações (IC 95%; 90% de concordância) com o objetivo de quantificar a probabilidade de uma dada mandíbula pertencer a um dado crânio. O presente método tem vantagens por ser fácil, prático de usar e podem ser facilmente reproduzível, para além de contribuir com uma melhor individualização dos restos humanos em casos de Antropologia Forense | Ciências Médicas e da Saúde |
7,021 | Variação temporal de dípteros necrógfagos em dois ambientes distintos do Algarve : dipteria, calliphoridae | Medicina legal,Entomologia,Dípteros | A entomologia forense é uma área em que o estudo dos artrópodes, de modo particular insectos, é aplicado a questões forenses frequentemente relacionadas com a determinação do intervalo post mortem (IPM) e também com o local onde ocorreu a morte. Os insectos de maior interesse forense são os dípteros necrófagos, fundamentais nos processos de decomposição do cadáver, assumindo grande importância no cálculo do IPM, por serem os primeiros a detectar e colonizar o corpo. A ordem Diptera inclui a família Calliphoridae, que contém os géneros de maior interesse forense. O tipo de espécies que ocorrem no cadáver é influenciado por factores como a região geográfica, a sazonalidade ou o tipo de habitat. Desta forma, questões relacionadas com o cálculo do IPM ou com o local onde ocorreu a morte, só podem ser resolvidas se a entomofauna necrófaga da área geográfica em questão for conhecida, bem como as variações sazonais e distribuição das diferentes espécies. Com o objectivo de investigar a composição específica e alterações sazonais das espécies da família Calliphoridae em ambientes distintos, foi levada a cabo uma experiência durante um ano, em ambiente rural e urbano, realizando-se as capturas a partir de armadilhas em garrafa com fígado de porco como isco. Foi escolhido como local de estudo a região do Algarve, sendo uma área de Portugal de onde não existem quaisquer dados de entomofauna associada a cadáveres. A ausência desta informação levanta grandes obstáculos à aplicação da entomologia forense nesta área do país. A família de dípteros mais abundante nesta experiência foi Calliphoridae, tendo sido identificadas cinco espécies: Calliphora vicina, Calliphora vomitoria, Lucilia sericata, Lucilia caesar e Lucilia ampullacea. Calliphora vicina e Lucilia sericata foram as espécies mais numerosas. Calliphora vicina e Calliphora vomitoria, espécies termofóbicas, estão sobretudo associadas aos meses de Outono e Inverno, enquanto Lucilia sericata, Lucilia caesar e Lucilia ampullacea, espécies termófilas, mantêm maior actividade nos meses de Primavera e Verão. Quanto à distribuição, Calliphora vomitoria é uma espécie de distribuição rural, à semelhança de Lucilia ampullacea e Lucilia caesar; Lucilia sericata é uma espécie de hábitos sinantrópicos, preferindo o ambiente urbano; Calliphora vicina apresenta uma ditribuição ubíqua, ou seja, mantém actividade em ambos os tipos de ambiente estudados. VIII Os resultados obtidos relativos às diferentes espécies identificadas (Calliphoridae) são discutidos relativamente às diferenças sazonais e distribuição, sendo comparados com outros estudos realizados na Península Ibérica. Também é discutida a importância forense das espécies como indicadores do intervalo post mortem e do local onde ocorreu a morte | Ciências Médicas e da Saúde |
7,022 | Acção médica em instituições de apoio a pessoas com deficiência mental | Deficiência intelectual,Assistência à saúde,Distúrbios de aprendizagem | Através do contacto directo com pessoas com deficiência mental tentei conhecer a realidade do seu quotidiano e em que medida um médico poderia ser útil nos seus cuidados diários. Por esse motivo tornei-me voluntária na Cercipom, uma instituição que cuida de pessoas com atraso cognitivo, e trabalhei a par com a equipa técnica e com as monitoras. Pude observar os problemas que a instituição tem que resolver diariamente, a forma como são geridos os cuidados de saúde e quais as limitações de acesso aos mesmos, para no fim concluir sobre quais os pontos do plano de cuidados que poderiam ser melhorados por um médico. Para complementar a minha avaliação apliquei o Inventário de Burnout de Copenhagen aos funcionários com quem contactei, com o intuito de perceber se havia um risco aumentado de desenvolvimento desse síndrome e consequentemente se se justificava a aplicação de medidas preventivas. Ao longo das minhas observações fui sempre fazendo um paralelo com o que encontrei escrito sobre o tema. Infelizmente a grande maioria reporta a realidade de outros países, havendo pouca informação sobre o que se passa em Portugal. Por esse motivo, à minha observação pessoal, acrescentei a opinião de outras instituições da zona centro (que realizam um trabalho semelhante ao da Cercipom), que obtive através de um inquérito que realizei nas mesmas. Prossegui o meu trabalho avaliando a viabilidade económica deste projecto, tendo em conta o impacto que teria na instituição, e qual a especialidade com maior competência para atender esta população. Concluí que a Cercipom não tem capacidade de suportar as despesas salariais acrescidas pela contratação de um médico e que para que haja um médico assistente na instituição poderia equacionar-se um acordo com o Sistema Nacional de Saúde, em que um profissional de saúde do serviço público se dirige à Cercipom de forma regular. Quanto à especialidade deparei-me com um tema controverso, pois existe uma grande heterogeneidade de patologias neste grupo populacional.Contudo, com base na literatura e nos problemas que encontrei na Cercipom, achei que as especialidades mais indicadas seriam a Psiquiatria e a Medicina Geral e Familiar. Com o conhecimento que adquiri e as conclusões a que cheguei, construí, em linhas gerais, um plano de actuação que me parece viável para esta instituição. O plano inclui as especialidades dos médicos que considero serem mais adequadas, a frequência com que visitariam a instituição e quais as funções que desempenhariam. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,023 | Genética e dependência de drogas lícitas, ilícitas e violencia doméstica : neurotrofinas | Dependência da droga,Violência doméstica,Genética,Factores de crescimento neural | A nível global, a dependência de drogas lícitas e ilícitas é um grave problema de saúde pública, com implicações sociais devastadoras, sobretudo associadas à criminalidade, económicas, culturais e familiares. A problemática da dependência de drogas não se resume às mortes e doenças instigadas aos consumidores, encontrando-se muitas vezes subjacente a esta a violência doméstica, a qual representa igualmente um grave problema de saúde pública e uma violação dos direitos fundamentais das mulheres. Apesar das estratégias de prevenção e tratamento atualmente disponíveis para a dependência, a identificação de fatores de risco genéticos poderá dar um grande contributo na prevenção da dependência de drogas lícitas e ilícitas de forma a mitigar as consequências socias, criminais e económicas devastadoras. Várias evidências sugerem que as neurotrofinas, particularmente o BDNF e o seu recetor p75NTR poderão desempenhar um papel importante na etiologia da dependência de álcool, tabaco, drogas ilícitas e violência doméstica. Assim, neste trabalho investigou-se os polimorfismos Val66Met e S205L dos genes BDNF e p75NTR, respetivamente, na etiologia da dependência de drogas licitas e ilícitas e violência doméstica, numa amostra da população portuguesa de dependentes de álcool, com e sem historial de dependência de tabaco, de drogas ilícitas e de violência doméstica, através da metodologia PCR-RFLP. No que se refere ao polimorfismo Val66Met do gene BDNF, utilizando a estratégia de associação, não se observou diferenças estatisticamente significativas entre a amostra de doentes dependentes de álcool e a amostra controlo, para os genótipos (χ2=0,979; df=2; p=0,613) e para alelos (χ2= 0,194; df=1; p=0,660). Resultados similares foram obtidos para a dependência de consumo de tabaco (distribuição genotípica: χ2=1,478; df=2; p=0,478; distribuição alélica: χ2= 0,232; df=1; p=0,630), drogas ilícitas (distribuição genotípica: χ2=0,111; df=2; p=0,946; distribuição alélica: χ2=0,013; df=1; p=0,909), e violência doméstica (distribuição genotípica: χ2=0,110; df=2; p=0,946; distribuição alélica: χ2=0,039; df=1; p=0,843). Relativamente ao polimorfismo S205L do gene p75NTR, os resultados obtidos revelaram associação entre o polimorfismo mencionado e a dependência de álcool (distribuição genotípica: χ2=6,620; df=2; p=0,037) e tabaco (distribuição genotípica: χ2=9,235; df=2; p=0,010; distribuição alélica: χ2=9,115; df=1; p=0,003). Resultados negativos foram obtidos para a dependência de drogas ilícitas e para a violência doméstica. Os resultados obtidos sugerem que o polimorfismo Val66Met do gene BDNF não desempenha um papel direto na etiologia da dependência de drogas e da violência doméstica na população estudada. Por outro lado, o polimorfismo S205L do gene p75NTR poderá ser um fator de risco genético para a dependência de álcool e de tabaco na população portuguesa. Os resultados obtidos são particularmente importantes no que diz respeito ao polimorfismo S205L do gene p75NTR, uma vez que, não existem estudos efetuados a nível mundial e poderão contribuir para a identificação de indivíduos em risco e a respetiva prevenção da problemática da dependência, bem como de todas as consequências nefastas associadas. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,025 | Quando só restam ossos: estudo da degradação e alteração óssea para estimativa do intervalo post-mortem | Ciências forenses,Fósseis,Osso e ossos | A estimativa do intervalo post-mortem (PMI – Post Mortem Interval) é fundamental para a reconstrução dos eventos que envolvem a morte de um indivíduo, sendo que nos últimos anos o antropólogo forense tem vindo a desenvolver um papel importante nesta área. Apesar de ser uma questão pertinente em termos judiciais, a estimativa do PMI reveste-se de uma particular dificuldade, não só devido à ausência de métodos fiáveis para o estimar como também devido à variabilidade do processo de decomposição cadavérica. Muitos estudos têm demonstrado a variabilidade inerente ao processo de decomposição, em que tanto características extrínsecas como intrínsecas ao indivíduo desempenham um papel importante, como também têm demonstrado que o tipo de deposição e ambiente envolvente ao corpo são importantes para a sua degradação. Apesar de se verificar um aumento no número de estudos que lidam com estas questões, é evidente a necessidade de mais investigação, sobretudo aquela que se foca em restos esqueletizados e em restos inumados. Como resultado destas dificuldades, esta tese foi desenvolvida no sentido de avaliar as alterações tafonómicas e a sua relação com o PMI em 86 restos esqueletizados que compõem a Coleção de Esqueletos Identificados do Séc. XXI. Estes restos são provenientes de um ambiente de inumação, sendo que foram analisadas as alterações ósseas do atlas, áxis, úmero, fémur e 1º metatársico. De forma a verificar uma possível relação entre os restos e o PMI, foram, ainda, tidas em conta variáveis extrínsecas (como a data de inumação e de exumação e estação do ano em que os cadáveres foram inumados) e intrínsecas (como sexo, idade à morte e peso da peça óssea) ao indivíduo; foi determinado o estádio de decomposição dos restos e verificada a superfície, o peso, a cor, as manchas, as fissuras, a degradação e as escamações das peças ósseas. Contudo, a análise da associação entre as variáveis sob estudo e o PMI não permitiu chegar a fortes conclusões, sendo que apenas o número de manchas presentes no áxis apresentou uma ligeira dependência com o intervalo. Porém, a relação demonstra uma grande variabilidade pelo que, se fosse desconhecido, não conseguiríamos estabelecer o PMI com credibilidade. Verificou-se também que, na classificação dos restos ósseos segundo estádios de degradação, a relação entre estes e o PMI era bastante disparo para mesmos intervalos de tempo, pelo que não permitem estabelecer o PMI com credibilidade. Constatamos, ainda, a influência de diferentes ambientes na degradação óssea; a maior sobrevivência de ossos longos em contexto de inumação; o aumento da degradação com o aumento da idade à morte; a redução do peso das peças ósseas com o aumento idade à morte em ambos os sexos; a baixa viabilidade do estudo do atlas no estabelecimento do PMI; resultados pouco promissores na relação entre os PMI’s da presente amostra (que são longos) e cor, manchas, fissuras e escamações da superfície óssea. Porém, no caso do presente estudo, o facto de a amostra ser representada sobretudo por idades à morte mais avançadas e por PMI’s de treze e catorze anos, pode ter enviesado alguns dos testes estatísticos. Sendo assim, não se pode avaliar realmente a relação entre as características observadas, o PMI e a idade à morte; talvez uma amostra mais diversificada pode apresentar resultados mais promissores. Contudo, também este estudo demonstra a dificuldade que é a estimativa do PMI para o antropólogo forense uma vez que, mesmo para restos ósseos de PMI’s idênticos, a sua classificação consoante categorias de decomposição pode ser bastante variável, dificultando o estabelecimento de uma fórmula preditiva. Assim sendo, é importante o cruzamento com outras variáveis que são sabidas terem influência no processo de degradação do corpo. Apesar das limitações encontradas, a presente tese permite caracterizar melhor um esqueleto que esteve inumado em caixão e pode oferecer novos caminhos para estudos futuros. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,026 | Factores de risco para fenómenos tromboembólicos em doentes internados no serviço de medicina intensiva | Tromboembolia,Factores de risco,Unidades de cuidados intensivos,Terapia | Introdução: Os fenómenos tromboembólicos venosos são entidades patológicas prevalentes e que continuam a associar-se a morbimortalidade elevada, apesar de existirem métodos preventivos eficazes e formalmente indicados. Múltiplos factores de risco associados ao tromboembolismo venoso têm sido descritos e a sua detecção segundo um modelo de avaliação de risco permite quantificar o risco individual de cada doente. Doentes internados em serviços de Medicina Intensiva são considerados como uma população particularmente susceptível a estes fenómenos. Objectivos: Avaliar a prevalência de factores de risco para tromboembolismo venoso, o risco tromboembólico individual, mediante aplicação de um modelo de avaliação de risco, e as práticas tromboprofiláticas, num serviço de Medicina Intensiva. Métodos: Realizou-se um estudo observacional retrospectivo da população de 39 doentes internados no serviço de Medicina Intensiva do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, pólo do Hospital Universitário, no período temporal de um mês. Aplicou-se o modelo de avaliação de risco de Caprini. Foi utilizado o software estatístico SPSS v20Ò para Windows. Resultados: Dos 39 doentes, 56,4% eram do sexo masculino e 43,6% do sexo feminino, com uma idade média de 61,38 anos [IC 95%(56,22;66,55)]. Determinou-se uma média de 9,18 factores de risco por doente [IC 95%(8,53;9,83)] e um score de risco tromboembólico médio de 13,97 pontos [IC 95%(12,70;15,24)]. O número de factores de risco por doente foi superior nos doentes médicos, face aos doentes cirúrgicos (p = 0,002) e traumáticos (p = 0,043). O score de risco foi superior nos doentes do sexo masculino, face aos doentes do sexo feminino (p= 0,041) e nos doentes médicos, face aos doentes cirúrgico (p < 0,001) e traumáticos (p = 0,011). Os factores de risco mais prevalentes foram a doença pulmonar grave, a previsão de que o doente ficaria confinado ao leito por mais de 72 horas e a presença de catéter venoso central, presentes em 100% dos doentes. A tromboprofilaxia farmacológica foi utilizada em 94,6% dos doentes, com escolha de enoxaparina em 89,2% dos casos. Não se verificou qualquer fenómeno tromboembólico. Discussão: Os doentes internados no serviço de Medicina Intensiva acumulam múltiplos factores de risco tromboembólico, com consequente score de risco muito elevado, posicionando-se acima do grupo do cut-off máximo determinado pelo modelo de Caprini, que assim se revelou inadequado a esta população. Os factores de risco mais prevalentes foram factores inerentes ao internamento no serviço de Medicina Intensiva e, isoladamente, conferiram um score de risco de 6 pontos. A tromboprofilaxia foi vastamente aplicada, sendo dominante a utilização de enoxaparina, apresentou concordância de 100% com as guidelines vigentes e foi eficaz na prevenção do tromboembolismo venoso. Conclusão: O internamento no serviço de Medicina Intensiva constitui um factor de risco global que coloca todos os doentes no grupo de risco tromboembólico máximo do modelo de Caprini. Apesar disso, as práticas tromboprofiláticas aplicadas revelaram-se eficazes, bem como seguras. O risco tromboembólico muito elevado desta população de doentes justifica o recurso à combinação de métodos tromboprofiláticos farmacológicos e mecânicos sempre que não existam contra-indicações. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,027 | Anfetaminas : da saúde à ilicitude | Anfetaminas,Uso terapêutico,Toxicidade,Efeitos adversos,Legislação | As anfetaminas constituem substâncias psicoativas exógenas, com uma estrutura semelhante aos neurotransmissores monoamínicos endógenos e um mecanismo de ação que amplifica a ação destes. Ocorre, assim, estimulação adrenérgica, de onde resultam os seus principais efeitos: estimulante, eufórico, anorexigénio, alucinogénio e empatogénico. Foram, ao longo da história da humanidade, muito utilizadas, primariamente na sua forma natural derivada de plantas, seguindo-se, depois, a produção dos compostos sintéticos, atualmente os mais prevalentes. Inicialmente desenvolvidas com objetivo terapêutico, tornaram-se progressivamente compostos ilícitos. Mais recentemente, têm surgido as chamadas “legal highs”, que tentam contornar as imposições legais relativas à produção, tráfico e consumo das anfetaminas, e por isso mesmo, são comercializadas de forma legal em muitos países. O controlo destas substâncias, bem como dos seus precursores, que continuam a proliferar, impõe-se, ainda, como um grande desafio para as unidades de regulamentação e controlo internacional. O poli-consumo de substâncias, e de forma tipo “binge”, é o padrão de consumo mais habitual. Por este motivo, possíveis interações com outras substâncias, nomeadamente outras drogas recreativas, é de extrema importância. Hoje em dia, as suas utilizações terapêuticas são limitadas, como, por exemplo, na perturbação de hiperatividade e défice de atenção ou na narcolepsia, e o uso indevido destes derivados anfetamínicos prescritos medicamente é ainda um fenómeno mal estudado, mas do qual já existem relatos. No entanto, vários autores apontam que possíveis novos alvos terapêuticos se encontram, ainda, por descobrir. A relação risco/benefício continua a ser o pilar na decisão terapêutica. O papel do médico é essencial no reconhecimento e tratamento de situações de intoxicação, nos aspetos ligados à condução e na abordagem de situações de dependência, adição e cessação do consumo, entre outras. Daí a importância da familiarização da classe médica com estes compostos, que continuam a ter grande impacto no que respeita ao consumo mundial de substâncias. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,028 | Cessação tabágica : a dinâmica da medicina geral e familiar | Cessação tabágica,Tabagismo,Terapia,Cuidados primários de saúde,Aconselhamento,Recaída | Introdução: O tabagismo constitui uma das principais causas evitáveis de doença e é um importante factor de mortalidade e morbilidade, estando associado a grande número de patologias. Trata-se ainda de uma dependência crónica, com componente física e psicológica, que representa uma prioridade de Saúde Pública a nível mundial, tornando-se crucial tomar medidas urgentes. Objectivos: são, assim, objectivos deste trabalho a actualização de conceitos, estratégias e modalidades de intervenção no domínio da prática clínica da presente temática, assim como abordar os resultados obtidos no plano da cessação tabágica na área da Medicina Geral e Familiar. Materiais e Métodos: foi efectuada revisão de bibliografia publicada entre 2007-2014, mediante pesquisa no sítio da Internet da PubMed. Foram, também, consultados os sítios da internet da World Health Organization e da Direcção Geral de Saúde, assim como as seguintes revistas: Revista Portuguesa de Pneumologia, Revista Portuguesa de Clínica Geral, Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e Acta Médica Portuguesa. Constituíram ainda, objecto de consulta diversos livros e legislação em vigor. Resultados: A cessação tabágica orientada por profissionais de saúde constitui a estratégia preventiva com o objectivo de diminuir a prevalência de fumadores. Aos Cuidados de Saúde Primários cabe um papel activo neste processo, pela sua acessibilidade e pela relação pessoal e profissional que o médico de família apresenta com os seus doentes. A sua abordagem passa pela prevenção primária, secundária e terciária. Desta forma, são distinguidos três tipos de intervenção clínica na cessação tabágica: intervenção breve, mínima e intensiva, que devem ser baseadas na boa relação médico-doente e na multidisciplinariedade entre diferentes profissionais de saúde, na qual o doente é visto de forma holística. Estas intervenções passam pelo aconselhamento e suporte comportamental do fumador, assim como farmacoterapia; a utilização de técnicas de entrevista motivacional para realçar os benefícios, alertar para os riscos e perceber quais os obstáculos permitem trabalhar a relutância em deixar de fumar. Existem grupos mais vulneráveis na população, com maior risco de consumo de tabaco, que poderão merecer especial atenção por parte dos profissionais de saúde. Um follow-up adequado é crucial para o sucesso da intervenção, prevenindo a recaída que tantas vezes faz parte do processo de cessação tabágica. Discussão e Conclusão: É notada preocupação com a epidemia tabágica a nível mundial. A abordagem da temática pelo profissional de saúde e o apoio dado por este na cessação tabágica aumenta a consciencialização dos fumadores e pode melhorar as taxas de sucesso da intervenção. A existência de um programa-tipo de actuação na cessação tabágica preconizado pela DGS, colocando em destaque o médico de família, é muito positiva como estratégia de combate ao tabagismo. A população portuguesa fumadora não está suficientemente sensibilizada para deixar de fumar, nem tão pouco dos riscos e custos que estão associados ao tabagismo. Daqueles que pretendem deixar de fumar, poucos recorrem ainda à ajuda médica. É necessária informação, comunicação e formação nas equipas de saúde, assim como na comunidade em geral. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,031 | Influência do exercício físico na neurodegenerescência causada pela metanfetamina no córtex frontal do murganho | Metanfetamina - toxicologia,Exercício físico,Córtex pré-frontal,Modelos animais,Ratos | A metanfetamina (MA) é uma droga ilícita com propriedades psicoestimulantes altamente viciante, cujo uso aumentou por todo mundo. Estudos anteriores demonstraram que uma única injecção de metanfetamina causa neurotoxicidade devido a alterações corticais dopaminérgicas e serotoninérgicas nos murganhos. Sabe-se que o exercício exerce efeitos neuroprotetores e melhora a recuperação neuronal em diversos distúrbios cerebrais. Assim, o objetivo deste estudo foi descobrir se o exercício físico protege contra a neurotoxicidade causada pela MA no córtex frontal. 24 murganhos adultos C57BL/6 foram divididos em 4 grupos: 1) Salino + sedentário; 2) Metanfetamina + sedentário; 3) Salino + exercício; 4) Metanfetamina + exercício. Os grupos foram submetidos à prática regular de exercício num tapete rolante (5dias/semana) durante 8 semanas. Após o período de exercício, os animais foram injectados com uma dose única de metanfetamina (30mg/kg, intraperitonealmente) ou com solução salina (NaCl 0,9%) e sacrificados por deslocamento cervical três dias após a injecção. O córtex frontal foi recolhido para análise da expressão de proteína glial fibrilar ácida (GFAP) e da tirosina hidroxilase (TH), para determinação dos níveis totais de dopamina (DA), e dos seus metabolitos (DOPAC e HVA) e da serotonina (5-HT). As monoaminas foram quantificadas por HPLC-ED, e os níveis de proteína enzimática foram analisados pela técnica de Western Blot. O protocolo de exercício utilizado não afetou a depleção dos marcadores dopaminérgicos e serotoninérgicos causados pela MA (DA, DOPAC, HVA, TH e 5-HT). Os níveis de serotonina no grupo salino + exercício apresentou um aumento, quando comparado com o grupo controlo. O treino no tapete rolante causou um aumento nos níveis de GFAP no grupo injetado com MA. Em conclusão, este trabalho demonstra que este protocolo de exercício não só não é neuroprotetor como potencia a neurotoxicidade induzida pela MA no córtex frontal | Ciências Médicas e da Saúde |
7,032 | Hipotiroidismo no idoso | Idoso,Hipotiroidismo,Envelhecimento | Introdução: As doenças da tiroide são muito prevalentes, ocorrendo mais frequentemente em mulheres idosas. Como os sintomas associados à disfunção tiroideia são semelhantes aos que ocorrem no envelhecimento, bons métodos de diagnóstico para o hipotiroidismo clínico e subclínico são cruciais em idosos. Enquanto a evidência científica é clara na indicação para tratamento no hipotiroidismo clínico, a indicação para tratamento no hipotiroidismo subclínico deve ser revista, especialmente na população geriátrica. Objetivo: O objetivo desta revisão científica é analisar se o hipotiroidismo tem sido abordado de acordo com a evidência científica atual para a população geriátrica. Como a maioria das dúvidas se prendem com o benefício em tratar o hipotiroidismo subclínico, foi efetuada uma extensa revisão de associações entre o hipotiroidismo subclínico e mortalidade, qualidade de vida, reversão sintomática, doença cardiovascular, mobilidade funcional, função cognitiva, depressão, entre outras. Resultados: A terapêutica hormonal substitutiva recomendada no hipotiroidismo é a levotiroxina sódica. A dose inicial de substituição deve ser inferior na suspeita de doença cardíaca concomitante. O maior risco da terapêutica com levotiroxina sódica é a sobredosagem, havendo como efeitos adversos possíveis a ansiedade, fraqueza muscular, osteoporose e fibrilhação auricular. Os resultados para a associação na população geriátrica entre o hipotiroidismo subclínico e mortalidade total, progressão para hipotiroidismo clínico, doença cardiovascular, dislipidémia, mobilidade funcional, função cognitiva, depressão e qualidade de vida são variáveis entre vários estudos. Esta variação nos resultados pode refletir diferenças nos participantes – idade, sexo, valores de TSH ou doença cardiovascular pré-existente. Contudo, os resultados sugeriram que o hipotiroidismo subclínico não parece associado com alterações metabólicas e neuropsiquiátricas nos indivíduos mais idosos dos 6 idosos, não dando suporte científico a uma diminuição do limite superior de referência da normalidade do TSH ou a uma diminuição do valor ótimo a atingir de TSH com a terapêutica hormonal de substituição, como guidelines anteriores recomendaram. Apenas um estudo recente indicou que o rastreio do hipotiroidismo pode ser útil, com aproximadamente 1% dos indivíduos rastreados a obterem uma melhoria na qualidade de vida. No entanto, o hipotiroidismo subclínico foi associado a um aumento do risco de eventos coronários e de mortalidade por causas cardiovasculares nos indivíduos com valores superiores de TSH, particularmente quando a concentração de TSH era superior a 10mU/L. Conclusão: Em doentes com um elevado risco de progressão para hipotiroidismo clínico, uma monitorização apertada da função tiroideia pode ser a melhor opção, sendo razoável não recomendar o rastreio da doença tiroideia em indivíduos idosos assintomáticos | Ciências Médicas e da Saúde |
7,035 | Vacinação na gravidez : normas orientadoras e importância em saúde materno-infantil | Vacinação,Gravidez,Cuidados primários de saúde,Vigilância,Imunização | A gravidez corresponde a um período da vida da mulher em que as doenças infeciosas representam uma grave ameaça à sua saúde e do seu filho. A imunização materna através da vacinação permite a prevenção de tais doenças e das suas complicações maternas e fetais, bem como conferir imunidade passiva ao feto nos primeiros meses de vida. Os principais objetivos do trabalho são rever as recomendações mais recentes disponibilizadas pelo ACIP para cada vacina, os riscos/benefícios associados e perceber ainda as alterações imunológicas associadas à gravidez, como é realizada a vigilância da gestação, qual o papel dos Cuidados de Saúde Primários e quais os motivos que estão na base da fraca cobertura vacinal nesta população. A metodologia utilizada baseou-se numa pesquisa bibliográfica publicada online no PubMed, na pesquisa específica das recomendações do ACIP e no acesso a normas/protocolos de saúde Materno-Infantil da ARS do Centro e da DGS. O sistema imunitário materno sofre um processo de imunomodulação e a transferência de anticorpos maternos para o feto, que lhe confere imunidade passiva, é maior nas últimas quatro semanas de gestação. A vigilância da gravidez baseia-se num protocolo que deve ser partilhado entre os Cuidados de Saúde Primários e os Cuidados Hospitalares. Segundo o ACIP, as vacinas de bactérias ou vírus inativados, de toxoides e as imunoglobulinas não apresentam riscos para o feto. Já as vacinas de bactérias ou vírus vivos atenuados (LAIV, VASPR, Varicela, Zoster e BCG) apresentam riscos teóricos de infeção fetal, abortamento espontâneo, morte fetal, morte neonatal e malformações congénitas. Deste modo, as primeiras podem ser administradas durante a gravidez e as segundas estão contraindicadas. As vacinas recomendadas a todas as grávidas são a vacina Tdap/Td e a vacina inativada contra o vírus influenza. No entanto, dado que os estudos não revelam preocupações em termos de segurança, mesmo para as vacinas contraindicadas, se a mulher for inadvertidamente vacinada, não existem razões relacionadas com a vacinação para interromper a gravidez. A cobertura vacinal das mulheres grávidas continua a não ser prática constante dos cuidados de saúde e as principais razões para tal são a falta de incentivo pelos profissionais de saúde que alegam falta de informação e questões de segurança das vacinas. Tendo em conta a estreita relação entre a grávida e os Cuidados de Saúde Primários, estes devem rever o seu estado de imunização, informar adequadamente a grávida acerca dos benefícios e riscos da vacinação e proporcionar todo o apoio que seja necessário, incluindo também o agregado familiar da grávida. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,036 | Síndromas paraneoplásicas cutâneas no idoso : meio de detecção precoce de neoplasias oculta | Idoso,Neoplasias da pele,Dermatologia | “A demografia do envelhecimento leva a que estudiosos da Demografia se foquem holisticamente num grupo populacional, os idosos, e num processo demográfico, o envelhecimento (Siegel, 1980)”. Não constitui um dado surpresa que o envelhecimento da população é uma realidade. Menos ainda, que é este o grupo etário mais atingido por processos neoplásicos - na Europa, a população geriátrica, actualmente, assume sessenta por cento de novos casos de cancro e setenta por cento de mortes por cancro. Aceita-se, assim, a legitimidade para encetar um trabalho sobre um possível método de detecção de neoplasias em idosos: a instalação de Síndrome Paraneoplásica Cutânea. A incidência deste tipo de Síndrome Neoplásica na população em geral é de 1%, desconhecendo-se valores relativos aos doentes oncogeriátricos. Para alcançar este objectivo, efectuou-se uma pesquisa na Medline, com os termos “paraneoplastic” e “dermatosis”. De entre os resultados obtidos, seleccionaram-se as entidades que, habitualmente, são encontradas na população geriátrica. De entre estas, foram escolhidas as que apresentam a associação mais forte com tumor maligno e que são específicas clínica e patologicamente para identificação dermatológica e/ou dermatopatológica. Excluíram-se condições demasiado inespecíficas, por não se revestirem de valor diagnóstico | Ciências Médicas e da Saúde |
7,038 | Envelhecimento renal | Rim,Anatomia,Fisiologia,Envelhecimento | Com o envelhecimento renal, ocorrem alterações morfológicas e funcionais que predispõem o rim a patologia, ou acentuam patologia previamente existente. Os mecanismos de senescência celular, subjacentes a algumas das alterações anatómicas e funcionais associadas ao envelhecimento do rim, têm-se tornado mais claros, permitindo uma melhor compreensão deste processo e o desenvolvimento de novas terapias, que permitam minimizar o dano renal e promover a longevidade. Com este artigo pretendo rever os aspectos anatómicos, funcionais e os mecanismos de senescência celular associados ao envelhecimento renal. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,039 | Derrame pleural de etiologia infecciosa aspectos clinicos laboratoriais e diagnostico diferencial | Derrame pleural,Diagnóstico diferencial,Infecções | Define-se derrame pleural como uma acumulação anómala de líquido na cavidade pleural, habitualmente virtual, que pode resultar de diferentes mecanismos, consoante a etiologia. A etiologia infecciosa é uma das causas mais frequentes de derrame pleural, resultando na sua maioria de uma inflamação pleural por contiguidade ou, em menor número, pela infecção directa da pleura. Cerca de 20 a 40% dos pacientes hospitalizados por pneumonia adquirida na comunidade desenvolvem derrame pleural. O derrame pleural parapneumónico tem um importante impacto na mortalidade e morbilidade. A principal questão na abordagem do derrame pleural parapneumónico é o reconhecimento de cada uma das várias fases. Existe uma variação microbiológica substancial na cultura do líquido pleural, e os microrganismos envolvidos no empiema são diferentes dos causadores da pneumonia. Bactérias aeróbias gram-positivas são os principais agentes isolados, sendo que as espécies estreptocócicas são as mais frequentes. As infecções pleurais causadas por aeróbios têm uma apresentação aguda, semelhante à pneumonia adquirida na comunidade, enquanto que a infecção por anaeróbios é mais insidiosa e indolente. A avaliação bioquímica do líquido pleural e o recurso a técnicas imagiológicas (tais como radiografia do tórax, ecografia ou tomografia computorizada) constituem os principais exames auxiliares para orientação das decisões terapêuticas. Nos casos em que há elevada suspeita de infecção pleural, deve-se proceder a toracocentese diagnóstica. Se o derrame for septado, a toracocentese pode ser guiada por ecografia. O recurso a alguns exames complementares de diagnóstico melhorou significativamente a identificação das bactérias, particularmente nos pacientes que fizeram antibioterapia previamente a colheita de líquido pleural. Por outro lado, existem alguns bons indicadores da eficácia do uso do factor de necrose tumoral (alfa) para a distinção entre derrame parapneumónico simples e derrame pleural parapneumónico complicado ou empiema. As guidelines actuais, recomendam a drenagem de qualquer derrame parapneumónico que cumpra os seguintes critérios: volume superior a metade de um hemitórax, existência de loculações, valor do pH do líquido pleural < 7.20 ou glicose pleural < 40 mg/dl, líquido pleural de aspecto purulento ou cultura positiva. A principal arma terapêutica de um derrame parapneumónico simples, complicado ou empiema é a antibioterapia adequada, associada a um suporte nutricional adaptado e drenagem de líquido por vários métodos. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,040 | Medicina centrada no doente : implicações no cancro da mama | Neoplasias da mama,Qualidade de vida,Assistência centrada no paciente,Medicina centrada no paciente,Depressão | Introdução: A nível nacional e mundial o cancro da mama é a patologia oncológica mais frequente na população feminina. Frequentemente o doente oncológico refere possuir escassa informação sobre a sua doença e tratamento o que origina incerteza, estados emocionais negativos, ansiedade e depressão. O modelo da medicina centrada no doente (MCD) propõe uma rutura no papel passivo dos doentes, valoriza a comunicação centrada no doente, a especificidade/individualização do tratamento e a decisão mútua. Julgamos que até à data nenhum estudo foi realizado sobre a MCD nesta população. Objetivos: Os objetivos iniciais deste estudo foram analisar (1) se os fatores socio-demográficos, os traços de personalidade, a afetividade e a qualidade de vida estão associados e predizem a perceção da Medicina Centrada no Doente, (2) as caraterísticas e os preditores da qualidade de vida da doente com cancro da mama, controlando o efeito da sintomatologia depressiva. Materiais e Métodos: A avaliação foi realizada através de um questionário sociodemográfico, o Perfil dos Estados de Humor (POMS), o Patients Perception of Patient-Centeredness (PPPC), o Inventário de Personalidade de Eysenck -12 (IPE-12), o Beck Depression Inventory-II (BDI II) e os questionários de avaliação da qualidade de vida da Organização Europeia para a Pesquisa e Tratamento do Cancro (EORTC QLQ-C30 e QLQ-BR23). Usaram-se dois itens para avaliar os traços disposicionais otimismo e pessimismo. Foram avaliadas 47 mulheres, como idade média de 53.16 anos (DP=9.6; variação: 33-79) escolhidas mediante o método da amostragem de conveniência. Resultados: Para a maioria das mulheres, antes do diagnóstico de cancro da mama, a saúde física e psicológica era boa/muito boa. O cancro da mama relacionou-se com prejuízos a nível de várias áreas funcionamento e com sintomatologia diversa. A área mais afetada foi o funcionamento emocional. A prevalência de depressão (BDI-II) foi de 46.8%. Os sintomas depressivos associaram-se ao agravamento dos sintomas/funcionamento, sendo um mediador total da relação destas variáveis com a pior QV. A análise de regressão hierárquica indicou que o preditor inicial da qualidade de vida foi o BDI Total. Mas quando o otimismo entrou modelo, apenas esta variável foi um preditor significativo da QV. As variáveis relacionadas com a MCD, as variáveis sócio-demográficas e os sintomas/funcionamento do doente não foram preditores significativos. A QV global também não foi um preditor da MCD. Discussão/conclusão: As perspetivas sobre o futuro, a sintomatologia depressiva, as dificuldades financeiras e o impacto da doença/tratamento no funcionamento da doente devem ser foco de avaliação e de abordagem individualizada pela equipa multidisciplinar, o que pode promover a QV da doente. A intervenção na depressão pode aumentar a QV, pois provoca simultaneamente ganhos na saúde mental e melhorias no funcionamento/sintomas. A promoção do otimismo pode aumentar a QV e a resiliência. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,042 | Abordagem da hiperglicémia na admissão hospitalar em síndromes coronários agudos : valor prognóstico e decisão terapêutica | Hiperglicemia,Terapia,Doença coronária,Prognóstico | Em doentes hospitalizados por síndromes coronários agudos, a hiperglicémia é comum e encontra-se associada a um aumento significativo das taxas de mortalidade, a curto e a longo prazo. Os mecanismos pelos quais a hiperglicémia condiciona um prognóstico desfavorável não se encontram completamente esclarecidos, permanecendo controverso o papel dos elevados valores glicémicos enquanto mediadores ou marcadores de mau prognóstico. Os objectivos do presente artigo de revisão são os de estabelecer a associação existente entre valores glicémicos elevados na admissão de doentes por síndromes coronários agudos e o prognóstico adverso concomitante, bem como o de determinar de que forma o controlo metabólico intensivo se associa a um prognóstico mais favorável nestes doentes. A hiperglicémia na admissão de doentes com síndromes coronários agudos pode ocorrer em doentes com e sem história prévia de diabetes mellitus, sendo que nestes pode ocorrer como consequência de anomalias da regulação da glicose ou como resultado de uma resposta transitória de stress, através da ativação do sistema nervoso simpático. Diversos estudos clínicos randomizados foram desenvolvidos por forma a obter um conhecimento aprofundado sobre o possível impacto de um controlo metabólico rigoroso ao nível do prognóstico destes doentes, utilizando para o efeito diversas estratégias de insulinoterapia intensiva. A partir dos resultados destes estudos pode concluir-se que em doentes hiperglicémicos com síndromes coronários agudos, um controlo metabólico rigoroso deverá estar associado a um prognóstico mais favorável, sendo este obtido predominantemente através do controlo da hiperglicémia, independentemente do tipo de terapêutica instituída. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,044 | Particularidades da função gustativa da população portuguesa | Otorrinolaringologia,Percepção gustativa,População, Portugal,Ciclo menstrual,Hormonas sexuais | Embora exista alguma informação relativa à relação entre o olfato e as hormonas sexuais, pouco se sabe acerca do paladar, que é um sistema sensorial importante para o equilíbrio e segurança nutricional. Foi observada uma melhor performance gustativa durante a fase folicular comparativamente à fase luteínica. As hormonas ováricas podem estar envolvidas na variação da sensibilidade do paladar. Foi observado um aumento na sensibilidade gustativa para o sabor doce na fase folicular e uma diminuição na fase luteínica, possivelmente relacionados com os estrogénios. O ácido foi o sabor mais frequentemente confundido, tendo sido trocado com o amargo. Por outro lado, o salgado em altas concentrações foi confundido com o ácido e em baixas concentrações com o amargo, o que pode estar relacionado com o consumo excessivo de sal na nossa população. Os contracetivos orais não parecem alterar significativamente a função gustativa. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,045 | Prevalência de fadiga na dor lombar crónica não específica | Dor lombar,Dor crónica,Fadiga | A dor lombar crónica é um problema de Saúde Pública que afeta uma grande percentagem da população ativa na Europa. Este facto condiciona um elevado nível de incapacidade e deterioração da capacidade funcional. A fadiga é um sintoma subjetivo e complexo, difícil de quantificar e assume-se como um dos principais sintomas dos doentes com dor lombar crónica. A prevalência e a patogenia da fadiga não está completamente esclarecida mas sabe-se que interfere de forma decisiva com a perceção de bem-estar e perda de qualidade de vida. Pretendemos com este estudo avaliar qual a prevalência da fadiga em doentes com dor lombar crónica não específica e qual o seu impacto na funcionalidade dos doentes. Foi realizado um estudo transversal, não-randomizado, num grupo de 30 doentes (6 homens e 24 mulheres) da região Centro de Portugal com dor lombar crónica não específica, tendo sido aplicados os instrumentos: Questionário de Caracterização Individual, Escala Visual Analógica (EVA) para dor, Escala de Impacto de Fadiga (FIS) e Questionário de Roland e Morris (RMQ). A análise demonstra um valor moderado a alto de incapacidade RMQ (pontuação média de 12.57), com cerca de 10 anos de evolução (valor médio). Verificamos uma relação estatisticamente significativa entre intensidade de dor e fadiga (p≤0.05) e entre fadiga e incapacidade (p≤0.001). A fadiga é um sintoma prevalente nos doentes com dor lombar crónica não específica e está associada à dor e incapacidade. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,047 | Avaliação nutricional no idoso | Idoso,Nutrição,Avaliação nutricional | Atualmente, a população nos países industrializados está cada vez mais envelhecida. Dadas as caraterísticas físico-psicológicas do envelhecimento, associadas a fatores sociais e ambientais, os idosos encontram-se mais suscetíveis a estados de malnutrição. Esta refere-se a qualquer desequilíbrio nutricional, nomeadamente sub e sobrenutrição, sendo um fator prognóstico em relação à mortalidade dos doentes. Deste modo, é de grande importância a identificação dos indivíduos em risco de malnutrição, através de uma avaliação nutricional baseada na clínica, com recurso a inquéritos alimentares, sendo que o MNA se assume como ferramenta globalmente aceite. O exame físico deve ser complementado por medições antropométricas e, laboratorialmente, a hipoalbuminemia tem sido associada a maior risco de desnutrição. A desnutrição é mais prevalente em idosos hospitalizados. Já a obesidade constitui uma epidemia crescente nos países ditos desenvolvidos, inclusivamente na população idosa. Assim sendo, a correta avaliação nutricional deve ser realizada regularmente nesta população, a qual ainda não beneficia de recursos específicos para a sua idade. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,048 | Contribuição para o estudo da realidade da investigação clínica cardiológica em Portugal, na perspectiva do doente e dos profissionais de saúde nela envolvidos | Ensaios clínicos,Investigação clínica,Cardiologia,Portugal | Introdução: A IC Hospitalar em Portugal é muito diversa, sendo praticamente inexistentes dados sobre esta área, sobretudo na perspectiva dos indivíduos diretamente envolvidos, procurando este estudo abordar a realidade da IC em Cardiologia em Portugal, da perspectiva do doente e do profissional de saúde nela envolvidos. Metodologia: Aplicação de questionário a participantes envolvidos em EC de Cardiologia, sendo a amostra de 157 indivíduos, idade média de 68,8 anos (DP=8,4), maioritariamente do sexo masculino (n=115; 73,2%), escolaridade até ao 4º ano (n=96; 61,1%), casados (n=120;76,4%), e atualmente reformados (n=122; 77,7%); Aplicação de questionário a profissionais de saúde envolvidos em EC de Cardiologia, sendo a amostra de 45 indivíduos, idade média de 36,4 anos (DP=7,4), maioritariamente do sexo feminino (n=36; 80%), com licenciatura como formação de base (n=39; 86,7%), e casados (n=21; 46,7%). Resultados: Relativamente aos participantes, a maioria participou apenas uma vez em EC, nunca pensaram em desistir e participariam em novo EC. Consideram o acompanhamento rigoroso, o mais importante ao aceitar participar, e não encaram a toma da medicação e possíveis efeitos secundários como dificuldades. Para a maioria a opinião da família não pesou na sua decisão, encontrando-se satisfeitos com a informação e apoio prestado, organização dos serviços, condições físicas, de higiene e segurança da unidade, e trabalho das equipas multidisciplinares envolvidas no EC. Relativamente aos profissionais, a maioria participou em mais de três ensaios, integrando a equipa de investigação por valorização profissional e considerando a motivação como principal característica que determina uma boa equipa de investigação. Apontam a falta de tempo e o desconhecimento dos protocolos como principais barreiras à participação e identificam a falta de informação em relação aos EC e sua importância, como o principal motivo responsável pela reduzida inclusão de doente. Frisam ainda a importância de equipas multidisciplinares organizadas, referindo pretender dedicar entre 25% a 50% do seu tempo à IC. Conclusão: A realização deste estudo permitiu aprofundar conhecimentos, desenvolver capacidade de análise e contribuir com dados que fundamentam a prática clínica. A maioria dos resultados obtidos são consonantes com os estudos e publicações internacionais, traduzindo uma satisfação geral, quer da parte dos participantes quer da parte dos profissionais de saúde, satisfação esta que se traduz na participação em EC de Cardiologia. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,049 | Anotações clínicas estruturadas na consulta de medicina geral e familiar : análise de uma proposta de novo paradigma | Registos médicos,Anotações,Método Weed-SOAP | Introdução: Os registos clínicos representam um aliado essencial à prática clínica, permitindo a evolução da Medicina, nomeadamente pela formação e investigação contínuas. Contudo, sabe-se que actualmente há uma preferência por registos clínicos que têm por base a codificação, pelo que se propõe um novo instrumento definidor da quantidade e qualidade da informação. Objectivo: Construção de um guião de registos em consulta de Medicina Geral e Familiar e verificação da sua aplicabilidade. Métodos: Após rondas sucessivas, um painel de peritos aceitou a formulação de um conjunto de anotações em SOAP. Depois, presencialmente, em Núcleos de Formação em Medicina Geral e Familiar, e via correio electrónico, convidaram-se médicos especialistas em MGF, orientadores e não orientadores de especialidade, bem como médicos a realizar o internato, a analisar cuidadosamente o guião proposto e a dar as suas respostas. Foram dados 10-15 minutos para que reflectissem. Findo esse tempo pediu-se que participassem, numa análise “SWOT”- à qual se acrescentou aplicabilidade e dificuldades no documento apresentado. Resultados: O instrumento construído tem mnemónicas para o registo de anotações em todos os campos do método Weed-SOAP. Pelas análises SWOT obtiveram-se mais prós do que contras à aplicação do novo guião proposto. Também em termos de aplicabilidade e dificuldades, as primeiras superam as segundas. Nas várias análises alguns dos pontos referidos foram transversais, sendo realçados por diferentes médicos. Discussão: O escasso número de artigos publicados em Portugal sobre esta temática implica uma reflexão sobre a quantidade e qualidade dos registos em anotações e codificações na consulta. A satisfação dos painéis consultados - realçando características positivas e a aplicabilidade do guião proposto – supera os inconvenientes e problemas apresentados – a novidade, o receio e o até aí desconhecimento. Conclusão: Foi criado um instrumento de recolha de informação que, ainda que sem carácter obrigatório, pode funcionar como um guia orientador da consulta. Será possível alterar o paradigma actual, por forma a melhorar a qualidade e quantidade dos registos. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,050 | Avaliação da ingestão alimentar de grávidas obesas e não obesas | Gravidez,Ingestão alimentar,Obesidade | A obesidade materna é conhecida como um fator de risco que afeta o desenvolvimento e continuidade de uma gravidez. A presença de obesidade durante a gravidez cria um ambiente intrauterino inferior ao que é considerado ideal, tanto para a mãe, como para o desenvolvimento do feto. Hoje em dia, já está bem estabelecido que a má saúde materna afeta a expressão génica fetal, e que os micronutrientes e um estado nutricional adequado desempenham um papel crítico no desenvolvimento físico e neurológico saudável do feto. Este trabalho tem como objetivos estudar a existência de adequação nutricional em grávidas obesas e não obesas pela avaliação da ingestão alimentar e a sua repercussão na evolução da gravidez e na saúde de mãe e filho. O desenho escolhido para o estudo foi o caso-controlo com recolha de dados em dois grupos, grávidas obesas e grávidas não obesas. A amostra é constituída por 54 grávidas com idade gestacional superior a 36 semanas, tendo sido a recolha de dados realizada através de um questionário sociodemográfico e clínico e por um questionário de frequência alimentar. Após análise estatística dos resultados foi apurado que a ingestão de sopa de legumes e hortaliças/legumes é superior nas grávidas obesas, que as grávidas não obesas ingerem mais energia do que o necessário e a ingestão de macronutrientes (exceto gordura total e saturada e fibra) vai de encontro ao recomendado em ambos os grupos. Além disso, verifica-se uma elevada inadequação nutricional em termos de vitamina E, folato, ferro, iodo e ácido pantoténico, em ambos os grupos estudados. Apesar de após a gravidez a maioria das mulheres ser suplementada com ácido fólico e ferro, antes da conceção apenas 11% das grávidas obesas são suplementadas com ácido fólico. Verificamos ainda que cerca de metade das grávidas tanto obesas como não obesas aumentam de peso mais do que o recomendado. No grupo das grávidas obesas, apuramos que as que aumentam de peso mais do que o recomendado, têm filhos com peso superior àquelas que aumentam de peso de acordo com os valores recomendados. Ingestão alimentar de grávidas obesas e não obesas 4 Estes resultados mostram a importância da modificação alimentar e da prática de atividade física nas grávidas obesas e que existem algumas carências nutricionais nas grávidas que podem facilmente ser corrigidas com suplementação. Por fim, a evolução do peso nas grávidas deve ser controlada para que os futuros descendentes tenham desde cedo a possibilidade de ser crianças e adultos saudáveis. Palavras-chave: cuidados pré natal, dieta, ganho de peso, gravidez, nutrição materna, obesidade, suplementação alimentar | Ciências Médicas e da Saúde |
7,051 | Resistência à radioterapia no cancro colorretal | Neoplasias colorrectais,Terapia,Radioterapia,Tolerância à radiação,Resistência à radioterapia,Marcadores tumorais | O cancro colorretal constitui o terceiro cancro mais comum e mais mortal em homens e mulheres, em Portugal. O tratamento com quimiorradioterapia é o tratamento padrão para os estádios mais avançados da doença, na medida em que promove a regressão tumoral e diminui o estadiamento T e N. No entanto, verifica-se que muitos doentes não respondem ao tratamento. A resistência à radioterapia tem vindo a ser investigada e têm sido testados diversos fármacos no sentido de sensibilizarem as células tumorais ao tratamento. Contudo, os mecanismos de radiorresistência ainda não são claros e a maioria dos marcadores moleculares sugestivos de radiossensibilidade ou radiorresistência não é utilizada na prática clínica para determinar a terapêutica mais adequada ao doente oncológico. Este estudo teve como objetivos estabelecer linhas celulares humanas de cancro colorretal e estudar a resposta das linhas celulares radiossensíveis e radiorresistentes após tratamento com radioterapia e com quimiorradioterapia in vitro e in vivo. Para estudar a radiorresistência, foram utilizadas duas linhas celulares humanas de cancro colorretal, a linha celular C2BBe1 e a linha celular WiDr. A indução de resistência foi feita através da administração semanal da dose de 2 Gy, em frações cumulativas, com um acelerador linear Clinac 600, Varian. Durante a indução de resistência, foi avaliada a resposta à radioterapia das linhas celulares nativas e das linhas celulares derivadas, através da irradiação das células com doses únicas de 0, 2, 4, 6, 8 e 10 Gy; e obtiveram-se curvas dose-resposta. Estabelecidas as linhas celulares derivadas resistentes à radioterapia, procedeu-se ao estudo da sua resposta, bem como da resposta das linhas celulares nativas, após tratamento com radioterapia (2 e 10 Gy), com quimioterapia (20 μM 5-fluorouracilo) e com quimiorradioterapia (tratamento combinado de 20 μM 5-fluorouracilo e as mesmas doses de radiação dos tratamentos isolados). A atividade metabólica foi avaliada às 24, 48, 72 e 96 horas, através do ensaio do sal brometo de 3-(4,5-dimetiltiazol-2-il)-2,5-difenil)tetrazólio; a sobrevivência celular foi avaliada 12 dias após os tratamentos, com a realização do ensaio clonogénico; os danos no ácido desoxirribonucleico foram avaliados através do ensaio cometa imediatamente após os tratamentos; e a viabilidade, os tipos de morte celular e o stresse oxidativo foram avaliados com recurso a citometria de fluxo, 96 horas após os tratamentos. Para além destas técnicas, procedeu-se à realização de um protocolo de eletroforese bidimensional para avaliar a expressão proteica das linhas celulares WiDr, sensível e resistente à radioterapia. Por fim, estabeleceram-se modelos animais heterotópicos e avaliou-se a resposta dos xenotransplantes das linhas celulares WiDr sensível e resistente à radioterapia após tratamento com quimiorradioterapia (tratamento combinado de 66,6 mg/kg 5-fluorouracilo e 2 ou 10 Gy). Foi possível estabelecer duas linhas celulares derivadas da linha celular WiDr, WiDr/6x e WiDr/10x, após seis e dez frações cumulativas de 2 Gy, respetivamente. A linha celular C2BBe1 demonstrou possuir resistência intrínseca à radioterapia, não tendo sido possível aumentar essa radiorresistência. O tratamento com radioterapia e quimiorradioterapia produziu efeitos diferentes nas linhas celulares estudadas, sendo que a linha celular C2BBe1 foi maioritariamente afetada após quimiorradioterapia, no que diz respeito à sobrevivência, proliferação e danos no ácido desoxirribonucleico. Por outro lado, apresentou-se resistente aos tratamentos de radioterapia isolada. No que diz respeito às linhas celulares WiDr e derivadas, as últimas demonstraram maior atividade metabólica, sobrevivência e viabilidade celular, sobretudo nos tratamentos com maior dose de radiação. Contudo, não se verificaram diferenças significativas ao nível do stresse oxidativo e as linhas celulares resistentes demonstraram mais danos no ácido desoxirribonucleico do que a linha parental. Verificaram-se diferenças na expressão de proteína entre a linha celular WiDr e a linha celular WiDr/10x. Relativamente aos estudos in vivo, foi possível estabelecer dois modelos heterotópicos de cancro colorretal, com xenotransplante das linhas celulares WiDr e WiDr/10x. A comparação entre a resposta dos tumores sensíveis e dos tumores resistentes à radioterapia não revelou diferenças. Afigura-se que os estudos in vitro e in vivo deverão continuar com o intuito de compreender melhor os mecanismos de resistência à radioterapia. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,054 | Motivações e obstáculos na adesão ao rastreio co cancro do cólon e reto | Prevenção de doenças,Neoplasias do recto,Neoplasias do cólon | O cancro do cólon e reto (CCR) é um dos cancros com maiores incidência e mortalidade a nível global. A implementação de programas de rastreio é essencial na diminuição da mortalidade. É sabido que, a nível global, a adesão ao rastreio do CCR é baixa (12,7%), pelo que se torna importante perceber o perfil do indivíduo que adere ao rastreio e as motivações e obstáculos nessa mesma adesão. Foram analisados 43 artigos, 1 relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e 1 relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre o rastreio do CCR, contendo informações sobre o rastreio, a adesão ao mesmo, e relacionando-a com variáveis sociodemográficas, motivações e obstáculos. As taxas de adesão ao rastreio têm uma grande variação, de 0,7% a 80%, sendo que poucos são os casos com adesões superiores a 50%. Parece ser maior com o aumento da idade, no género feminino, em indivíduos com mais habilitações literárias e maior status socioeconómico e em casados/com parceiro. A principal motivação na adesão ao rastreio é a recomendação médica. Entre os obstáculos encontram-se o medo de saber o resultado e o método do rastreio (há evicção da PSOF pela necessidade de manipular fezes). As variáveis sociodemográficas relacionam-se com alguns dos fatores motivadores e dos obstáculos à adesão ao rastreio. É importante a implementação de programas de rastreio organizados a nível global e de estratégias adequadas ao tipo de indivíduo que menos adere ao rastreio, de forma a melhorar os fatores motivadores e contrariar os obstáculos | Ciências Médicas e da Saúde |
7,056 | A decisão clínica em situações de violência doméstica | Violência doméstica,Médicos de família,Abuso da criança,Maus-tratos ao idoso | Contextualização: Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a violência é definida como o “uso intencional da força física ou do poder, sob a forma de ato ou de ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou comunidade, que cause ou tenha muitas probabilidades de causar lesões, morte, danos psicológicos, perturbações de desenvolvimento ou privação”. A Violência entre Parceiros Íntimos (VPI) é a forma mais frequente de violência e a que mais tem vindo a aumentar, sendo, assim, importante atuar nesta vertente. Objetivos Gerais: Aumentar a consciencialização da problemática da violência em todo o Mundo, alertar para o facto de a violência ser um problema evitável e, finalmente, mais importante do que agir sobre ela, é a sua prevenção e o reforçar da ideia de que a saúde pública tem um papel fundamental nesse aspecto. Objetivos específicos: Descrever a magnitude e o impacto da violência em todo o Mundo, descrever os principais factores de risco para a violência, referenciar os tipos de intervenção utilizados para resolução desta problemática que é a violência doméstica, identificando os meios mais eficazes na sua resolução e prevenção, e fazer recomendações de forma a agir a nível nacional. Material e Métodos: Para a execução desta revisão foi realizada uma pesquisa bibliográfica baseada, maioritariamente, nas fontes médicas Pubmed e no Manual SARAR, um projecto de intervenção em rede com uma duração de 36 meses (1 de Maio de 2009 a 30 de Abril de 2012). A DECISÃO CLÍNICA EM SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 2014 7 Resultados: Foi realizada uma avaliação e seleção rigorosa dos artigos mais relevantes com o intuito de fornecer informação o mais completa possível sobre o tema deste trabalho e aprofundar a metodologia dos estudos publicados. Conclusão: No que diz respeito à prática clínica em situações de Violência Doméstica, mais importante do que tratar e do que perceber quais as causas deste problema de Saúde Pública, é a sua Prevenção. É importante que esta tenha como alvo mulheres, crianças, idosos e jovens, pois é a população mais frequentemente afectada por esta problemática. O nosso país parece ainda não ter noção apreendido a dimensão desta problemática, nem tem igualmente conhecimento de quais as ferramentas mais importantes para enfrentá-la. No entanto, com a ajuda dos profissionais de saúde, este conhecimento começa a desenvolver-se e a ocupar já um espaço importante. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,058 | Diagnose sexual da segunda vértebra cervical | Medicina legal,Determinação de sexo pelo esqueleto | A estimativa do sexo é um dos parâmetros do perfil biológico a que é necessário responder tanto em caso médico-legais como em contextos bioarqueológicos. Muitas vezes os restos ósseos humanos com maior dimorfismo sexual (bacia e crânio) encontram-se mal preservados e fragmentados, podendo mesmo não estar presentes nalguns casos. É então necessário que sejam desenvolvidos métodos de estimativa do sexo baseados em ossos tidos como menos dimórficos. Assim, neste estudo, efetuaram-se 13 medidas à segunda vértebra cervical com o intuito de verificar o seu dimorfismo sexual. Foram utilizados, para amostra de treino, 190 indivíduos da Coleção de Esqueletos Identificados do Museu Antropológico de Coimbra, e para amostra de teste, 47 indivíduos da Coleção Identificada de Santarém. Realizou-se a análise logística das medições, tendo sido obtida uma percentagem de assertividade na estimativa do sexo de 89,7% na amostra de treino e de 86,7% na amostra de teste. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,059 | Impacto ambiental na oncogénese das neoplasias do pulmão | Neoplasias do pulmão,Meio ambiente e saúde pública,Saúde ambiental,Tabaco | O cancro do pulmão representa uma das principais causas de morte oncológica em todo o Mundo, sendo o tabaco o factor de risco mais importante. No entanto uma percentagem significativa das neoplasias do pulmão surge em indivíduos sem história tabágica prévia, o que sugere a importância de outros factores envolvidos, nomeadamente factores ambientais. Este artigo de revisão pretendeu realizar uma análise da relação desses mesmos factores na oncogénese do cancro do pulmão. Foram abordadas essencialmente três vertentes: poluição do ar interior, poluição do ar exterior e exposição ocupacional. A poluição do ar interior tem um impacto importante para a exposição humana já que a população passa grande parte do seu tempo em casa, sendo que a maioria dos poluentes interiores derivam da actividade antropogénica. A combustão de carvão e biomassa, as substâncias voláteis libertadas pelo aquecimento dos óleos de cozinha, o fumo de tabaco ambiental e o radão representam fontes importantes de poluição interior em algumas regiões do mundo. A poluição do ar ambiental representa uma importante causa de morbilidade e mortalidade, visto que grande parte da população mundial vive em áreas com índices precários de qualidade do ar. A utilização de combustíveis fósseis constitui a principal fonte de poluição exterior. Entre os poluentes exteriores destaque para a matéria particulada, óxidos de azoto e enxofre, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), emissões de veículos a diesel e metais pesados. Apesar da introdução de medidas para reduzir a exposição ocupacional a alguns compostos, a incidência de cancro do pulmão ocupacional é ainda elevada. Inúmeros agentes ocupacionais foram identificados como causas estabelecidas ou prováveis, sendo o asbesto considerado o factor mais importante. Neste trabalho, além do asbesto, foram abordados o radão, a sílica, o berílio, o crómio hexavalente, o bis(clorometil)éter e o fumo de tabaco ambiental | Ciências Médicas e da Saúde |
7,062 | A síncope no idoso | Idoso,Síncope,Etiologia,Diagnóstico,Terapia,Prognóstico | A síncope é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade no idoso, com enorme impacto socioeconómico subjacente. É responsável por 3% das admissões no serviço de urgência e constitui 1% das causas de internamentos. A prevalência de síncope na população idosa institucionalizada é de 23%, com incidência anual de 7% e uma taxa de recorrência a dois anos de 30%. A anamnese consiste numa ferramenta essencial para o diagnóstico de síncope, estando, por vezes, dificultada em doentes com idade avançada. O diagnóstico pode ser complexo devido a apresentações atípicas, amnésia retrógrada do episódio e ocorrência concomitante de queda. Para a identificação correcta da sua etiologia na população idosa, a abordagem deve iniciar-se com o conhecimento das modificações fisiológicas inerentes ao envelhecimento, que tornam esta população mais susceptível à síncope. Para a avaliação inicial, é essencial a medição da pressão arterial em decúbito e posição ortostática e ECG de 12 derivações. Um diagnóstico definitivo após avaliação inicial é obtido numa menor percentagem de doentes na população idosa. Exames complementares de diagnóstico como o teste de inclinação (tilt test), que são bem tolerados nos doentes idosos, assim como avanços tecnológicos através de dispositivos de monitorização cardíaca permiram um aumento das taxas de diagnósticos de síncope. O tratamento da síncope no idoso é um desafio devido aos numerosos problemas de saúde consequentes ao envelhecimento. Tem como objectivo reduzir a mortalidade e o número de recorrências. Quando possível, o tratamento deve ser dirigido à correcção da causa subjacente, podendo variar desde simples medidas conservadoras até pacing cardíaco permanente. Neste artigo pretende-se descrever os principais mecanismos etiológicos e os aspectos fisiopatológicos e clínicos subjacentes à síncope na população idosa; avaliar a existência de uma maior predisposição à síncope nesta população decorrente de alterações próprias do envelhecimento e, por fim, mencionar as medidas terapêuticas adequadas. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,064 | Doença de Coats | Doenças da retina,Telangiectasia retiniana | A Doença de Coats é uma doença relativamente pouco frequente caracterizada pelo aparecimento de telangiectasias retinianas idiopáticas, com exsudação intraretiniana e/ou subretiniana, e sem tracção vitreoretiniana. Habitualmente, o envolvimento é unilateral e atinge principalmente indivíduos do sexo masculino em idades jovens. Relativamente à etiologia, esta ainda não se encontra totalmente esclarecida mas, no entanto, está descrita uma associação desta patologia com o gene NDP. Há ainda relatos de várias associações da Doença de Coats com diferentes síndromas genéticas, enfatizando assim a hipótese do envolvimento de uma componente genética. A mais frequente destas associações é a retinopatia pigmentar. Clinicamente, os primeiros sinais ou sintomas mais comuns são a diminuição da acuidade visual, estrabismo ou leucocória. O diagnóstico é essencialmente clínico. Em alguns casos é necessário recorrer a exames complementares tais como a ecografia, a angiografia fluoresceínica, a tomografia computorizada, a ressonância magnética nuclear e o exame citológico do exsudado subretiniano. Os diagnósticos diferenciais diferem consoante a idade de apresentação. Dentro destes, o principal a excluir é o retinoblastoma, devido à sua potencial morbilidade e mortalidade. O tratamento tem como objectivo primário eliminar as telangiectasias retinianas e, deste modo, diminuir a exsudação. O seu objectivo final consiste nas preservações do globo ocular e da visão. Existem várias opções terapêuticas nomeadamente a fotocoagulação laser, a crioterapia, a correcção cirúrgica do descolamento da retina, a enucleação, os fármacos anti-VEGF e triancinolona, assim como a observação periódica. Actualmente, as investigações em curso sobre a Doença de Coats centram-se no esclarecimento da sua etiologia, assim como na determinação do melhor protocolo de intervenção terapêutica para tentar evitar a progressão da doença. Este trabalho pretende salientar aspectos relacionados com a etiologia, características clínicas, diagnóstico, tratamento, prognóstico, e investigações actualmente em curso. Enquadrado nesta perspectiva, este estudo terá como objectivo principal fazer um levantamento coerente e equilibrado dos resultados mais recentes e relevantes dos vários estudos desenvolvidos e publicados sobre esta doença | Ciências Médicas e da Saúde |
7,065 | Sarcopenia e envelhecimento | Envelhecimento,Sarcopenia | Sarcopenia pode ser considerada uma síndrome geriátrica caracterizada por perda de massa muscular e força e/ou performance física sendo que é necessário a documentação de dois dos três critérios anteriormente citados para se estabelecer o diagnóstico. Esta condição pode ter consequências muito graves, como é exemplo a síndrome de fragilidade no idoso. Atualmente a sarcopenia afeta mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo e pode vir a afetar mais de 200 milhões de indivíduos nos próximos 40 anos, sendo que é um problema atual e com importância crescente na sociedade. Em relação à fisiopatologia desta condição há que realçar um estado de inflamação crónica decorrente do envelhecimento, alterações na fisiologia do músculo, neuroenvelhecimento, alterações hormonais, sedentarismo, alterações intrínsecas do músculo esquelético e redução tanto da resposta anabólica ao exercício físico como da resposta anabólica à nutrição. Os exames complementares de diagnóstico podem ser divididos em 4 classes: métodos para determinação de massa muscular, métodos para avaliar a força muscular, métodos para a determinação de performance física e marcadores biológicos. O tratamento e prevenção mais adequados passam pela combinação de nutrição apropriada com treino de resistência, estando a aplicação de métodos farmacológicos reservada para situações particulares. Novos fármacos encontram-se atualmente em processo de investigação. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,066 | Tricotilomania : as suas relações com a perturbação obsessivo-compulsiva e o problema do espectro | Tricotilomania,Epidemiologia,Etiologia,Diagnóstico,Terapia,Distúrbio obsessivo compulsivo | Neste trabalho procedeu-se a uma revisão sistemática dos estudos e investigações realizados até então, com base de dados Medline/Pubmed e Lilacs, de modo a clarificar esta problemática do espectro no que concerne a estas entidades nosológicas. Apesar de similarmente prevalentes e crónicas, denotou-se que apresentam diferentes idades de início, tal como uma distribuição por géneros divergente. Evidenciou-se uma sobreposição bastante significativa em termos etiológicos. No que concerne à fenomenologia destas patologias surgiu novamente bastante controvérsia, mas também a neuroimagem, o estudo da função neurocognitiva e o tratamento indicaram resultados conflituantes. Outro fator que sustenta a proximidade clínica destas duas perturbações é a existência de várias comorbilidades em comum e o fato de serem mais frequentes em indivíduos que já sofrem de uma das duas condições. Analogamente a nível familiar e genético se demonstrou uma concordância considerável, tal como ambas as perturbações evidenciam a possibilidade do envolvimento de respostas neuroimunes na sua génese, o que também pressupõe alguma familiaridade nosológica. Deste modo, a partilha do mesmo espectro não é passível de ser excluída, mas sustenta-se a ideia de que a serem englobados no mesmo grupo, pertençam a pólos opostos deste mesmo espectro. Ainda assim, mais estudos seriam necessários para colmatar as incongruências que permanecem por esclarecer. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,067 | A vitamina D nos idosos | Vitamina D,Idoso,Deficiência de vitamina D,Prevenção e controlo,Terapia,Envelhecimento,Suplementos dietéticos | A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel com ações em múltiplos órgãos e tecidos. O seu papel no metabolismo ósseo já é conhecido há largos anos, mas recentemente tem sido descrita a sua ação no músculo, cérebro, próstata, mama, cólon, coração, células do sistema imunitário, pâncreas e sistema vascular. Entre os seus efeitos destacam-se regulação do metabolismo fosfo-cálcico, inibição da proliferação celular, indução de diferenciação celular, inibição da angiogénese, estimulação da produção de insulina, inibição da produção de renina e imunomodulação. Assim, realizei uma revisão da literatura dos últimos dez anos, focando particularmente os efeitos desta vitamina na população idosa, uma população extraordinariamente suscetível ao desenvolvimento de patologia e na qual a deficiência desta vitamina é particularmente prevalente e preocupante. Ao longo da revisão pude constatar que existem vários estudos que descrevem uma associação entre a deficiência de vitamina D e doenças muito comuns na população idosa, como osteoporose, fraturas, doença cardiovascular, cancro, infeções, demência e síndrome da fragilidade. A suplementação com vitamina D deve ser considerada nesta população, pois é um método fácil e seguro de prevenir esta deficiência vitamínica. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,068 | A importância da vacinação no idoso | Idoso,Vacinação | Atualmente assiste-se a um aumento significativo da população idosa, onde se observa uma maior frequência e severidade das doenças infeciosas. A forma mais eficaz de as prevenir é a vacinação. Todavia, a imunosenescência, que condiciona a maior suscetibilidade às infeções, é igualmente responsável pela menor resposta à vacinação evidenciada nos idosos. Deste modo, este trabalho analisou o panorama atual da vacinação na população idosa, com especial atenção à eficácia, segurança e recomendações das diferentes vacinas, sendo realizada, para isso, uma revisão da literatura dos últimos 10 anos. As três doenças infeciosas mais frequentes e mais preocupantes no idoso são, então, a gripe, a doença pneumocócica e o herpes zoster, estando recomendada a vacinação dos idosos contra estas na maioria dos países. A vacina da gripe comummente utilizada é uma vacina trivalente inativada e a sua eficácia tem sido alvo de muita controvérsia. Estudos iniciais demonstraram uma eficácia na população idosa na ordem dos 50%. Contudo, atualmente considera-se que os resultados foram sobrestimados por variáveis de confundimento e estudos mais recentes relatam uma redução da hospitalização por pneumonia e gripe na ordem dos 8,5%. As duas vacinas antipneumocócicas disponíveis são a vacina polissacárida de 23 valências (PPV23) e a vacina conjugada de 13 valências (PCV13). A PPV23 demonstrou, na maioria dos estudos, eficácia na proteção da doença invasiva, existindo ainda dúvidas da sua eficácia na prevenção da pneumonia pneumocócica. A PCV13 demonstrou uma eficácia de 45% contra pneumonia pneumocócica e 75% contra doença invasiva, mas confere proteção contra menos serotipos. Existe apenas uma vacina contra o herpes zoster aprovada, que é uma vacina viva atenuada. A eficácia da vacina na prevenção do HZ foi de 51,3% e de 66,5% na prevenção da nevralgia pós-herpética. Tem a limitação de não poder ser utilizada em indivíduos imunocomprometidos. Estão a ser desenvolvidas, para estas três vacinas, estratégias que melhorem a sua eficácia nos idosos. Por outro lado, estão a também ser estudadas novas vacinas da gripe e antipneumocócicas que permitam uma proteção independente da estirpe/serotipo. As vacinas recomendadas para a generalidade dos adultos são a vacina contra o tétano, a difteria e a tosse convulsa, e nalguns locais, a vacina contra a encefalite transmitida por carraça. As repostas imunológicas a estas vacinas já demonstraram ser menores nos idosos e os dados atuais sugerem que talvez os calendários vacinais necessitem de ser ajustados para evitar que estes fiquem por longos períodos sem níveis protetores de anticorpos. Finalmente, com o aumento do número de idosos a viajar, as vacinas do viajante ganham importância, porém existem poucos dados acerca da sua segurança e eficácia nesta faixa etária. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,069 | Atividade física, funções cognitivas e demência | Exercício físico,Cognição,Demência | Introdução: O conceito de demência define uma deterioração adquirida na capacidade cognitiva que vai prejudicar o desempenho das atividades quotidianas. Sendo um processo que a nível epidemiológico tem a sua maior prevalência em doentes com mais de 85 anos, este é um pormenor de relevância social devido ao facto da projeção do número de idosos estar a crescer exponencialmente e da esperança média de vida continuar a aumentar. Neste quadro, verifica-se que o número de pessoas com demência, nomeadamente com DA, está a crescer exponencialmente, logo se impõe o desenvolvimento urgente de medidas preventivas onde há já a destacar a importância do exercício físico bem como o apoio farmacológico. Metodologia: O presente trabalho teve por base a recolha, na literatura bibliográfica médica, de artigos sobre o tema em causa, preferencialmente artigos publicados, entre 2008 e 2014. O processo desenvolveu-se em dois momentos: primeiro uma pré-seleção com base nos títulos, segundo, a leitura dos resumos de modo a constatar o respetivo enquadramento no tema a tratar. O objetivo desta dissertação é sistematizar em perspetiva crítica os estudos de alguns autores no que diz respeito aos efeitos do exercício físico orientado e controlado de forma terapêutica, em benefício da prevenção ou cura do processo demencial em transtornos cognitivos leves. Discussão: Foi assente que, ao ser atingida a idade adulta, o cérebro estava completamente desenvolvido e sem capacidade de melhorar o seu desenvolvimento. Hoje, sabe-se que o cérebro continua em crescimento ao longo da vida através da formação de novos neurónios e sinapses entre eles, para o que é fundamental um fluxo sanguíneo adequado para receber oxigénio e nutrientes. Estas certezas derivam principalmente de estudos feitos em roedores, mas há cada vez mais evidências de que os resultados são equiparados no cérebro humano. O envolvimento do exercício físico na fisiopatologia do processo demencial, com base na gestão da síndrome metabólica e dos fatores de risco cardiovasculares, é um processo que pode reduzir o risco futuro de DA. Estudos feitos sobre os benefícios da atividade física na função cognitiva apontam para efeitos de intensidade diversa ao nível das diferentes funções e domínios no desempenho cognitivo, contudo a nota comum é que se confirma a importância da atividade física moderada a vigorosa na função cognitiva e executiva especialmente nos idosos. Atualmente, a demência afeta 15% das pessoas com idade acima dos 65 anos. Sendo esta faixa etária cada vez mais elevada, com fortes probabilidades de adquirir demência, é necessário desenvolver estratégias ou intervenções preventivas adequadas para retardar o seu aparecimento ou progressão. Neste sentido, têm sido implementados diversos programas e estudos, que incidem sobre a aplicação de diversas atividades físicas, exercícios/tarefas em idosos com défices cognitivos, tendo-se verificado uma melhoria de funcionamento na capacidade de realizar atividades quotidianas, promovendo o desenvolvimento de força muscular, de habilidade funcional, reduzindo o número de quedas e uma diminuição de fatores de risco cardiovasculares. Conclusão: Partindo do princípio que a atividade física desempenha um papel importante na preservação da função cognitiva e do cérebro ao longo da vida, todos os estudos, programas e experiências apontam para esta base sobretudo na área da prevenção e terapêutica de demência em indivíduos idosos. Ao longo dos últimos anos desenvolveram-se conhecimentos, fundamentaram-se certezas, mas, naturalmente, também surgiram dúvidas dadas algumas conclusões por vezes controversas e resultados díspares. Contudo há uma nota comum – é importante iniciar intervenções a nível do estilo de vida que possam reduzir um futuro risco no comportamento cognitivo. É neste sentido que o exercício físico pode ser considerado uma estratégia para tratar os sintomas de demência e/ou retardar a sua progressão. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,070 | A empatia na consulta e a capacitação dos consulentes | Empatia,Relação médico-doente,Medicina Centrada na Pessoa,Perceção do doente,Capacitação do doente | Introdução: Apesar de ainda insuficientemente estudada, a empatia assume-se como um elemento crucial quando se trata da relação médico-doente, existindo evidência da sua associação a melhores resultados clínicos. A Medicina Centrada na Pessoa defende a prestação de cuidados de saúde baseada numa partilha de poder entre o médico e o consulente, com vista a uma maior capacitação deste último. Objetivos: Validar para a língua portuguesa, a Jefferson Scale of Patient Perceptions of Physician Empathy (JSPPPE), verificar a sua fiabilidade e estudar a correlação entre a relação médico-doente empática e a capacitação do consulente. Métodos: Foi efetuada uma tradução do questionário JSPPPE para português, segundo as regras internacionalmente aceites para este género de tarefas. O pré-teste da JSPPPE foi apli-cado a 46 consulentes, para validade de conteúdo, pela linguística e conhecimento de problemas de perceção e verificação de fiabilidade. Num estudo observacional, transversal, foram aplicados dois questionários, o JSPPPE e o questionário MCP. A amostra englobou 167 utentes sendo entrevistados consulentes que saíam da consulta com o médico de família, ou aguardavam por esta, na sala de espera da USF Topázio, durante os meses de Agosto e Setembro de 2014. Registaram-se também os dados de cada utente relativamente à idade, sexo, toma diária de medicamentos, grau de instrução e atividade profissional. A empatia na consulta e a capacitação dos consulentes 8 Resultados: Relativamente ao pré-teste para avaliar a fiabilidade da JSPPPE-VP, todas as 5 questões apresentaram um alfa de cronbach superior a 0,836, o que assegura boa fiabilidade. Já no posterior estudo de campo, quanto às pontuações obtidas com a JSPPPE, o valor médio global obtido foi de 6,2. Foram considerados melhores os resultados pertencentes ao percentil igual ou superior ao P75. Sendo que 67,1% dos inquiridos, se encontraram abaixo desse limiar. Quanto ao MCP-PT, a média da pontuação obtida foi de 2,42, sendo que 63,5% dos inquiridos, se encontraram acima do percentil 75. A correlação de Pearson encontrada (0,610) entre os resultados obtidos com a JSPPPE e os obtidos com o MCP-PT, verifica uma associação linear positiva entre estes. Discussão e conclusão: O presente estudo permitiu cumprir os passos necessários a uma tradução fiável da JSPPPE. Concluiu-se que a exploração da perceção do doente sobre a empatia médica é um elemento chave para se melhorar a medicina centrada na pessoa e, deste modo, a capacitação dos consulentes. A associação positiva encontrada (correlação de Pearson) é de magnitude suficiente para merecer exploração adicional | Ciências Médicas e da Saúde |
7,071 | Riscos e benefícios da utilização da terapêutica hormonal de substituição na pós-menopausa | Pós-menopausa,Terapia,Menopausa,Terapêutica de substituição de hormonas,Medição de risco | A Terapêutica Hormonal de Substituição (THS) é uma importante medida terapêutica para os sintomas experienciados pela mulher na pós-menopausa. A decisão sobre o início da THS deverá ter em conta as necessidades da mulher, o impacto na qualidade de vida e os potenciais riscos e benefícios. A THS é recomendada por um curto período de tempo e na menor dose possível, estando indicada para controlo de sintomas vasomotores (afrontamentos e suores noturnos), tratamento da atrofia urogenital e acredita-se também que pode ter algum impacto no tratamento de sintomatologia neurovegetativa. Ainda dentro dos benefícios, destaca-se o impacto positivo que a THS tem na osteoporose. O tratamento destas condições leva a uma melhoria importante na qualidade de vida da mulher. No passado atribuía-se à THS um papel importante na prevenção de certas condições crónicas, como no caso da doença cardiovascular. Nas últimas décadas assistiu-se a uma mudança do paradigma, que se deve em grande parte aos resultados do trabalho publicado pela Women’s Health Initiative (WHI). Neste foi demonstrada uma associação entre a utilização de terapêutica combinada (estroprogestativos) e o aumento do risco de doença coronária, acidente vascular cerebral (AVC), doença tromboembólica e cancro da mama. Contudo, análises subsequentes têm vindo a demonstrar que o impacto da THS nestas patologias depende, para além da história pregressa da mulher, da idade de iniciação e da duração da terapêutica. Assim, a THS deverá ser iniciada o mais precocemente possível após o surgimento de sintomas e a duração da terapêutica, por norma, não deverá exceder os cinco anos. Apesar dos esforços no sentido de perceber qual o impacto da THS no domínio risco/benefício, este é um tema ainda bastante controverso e sobre o qual se espera que a investigação a realizar futuramente traga os necessários esclarecimentos. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,072 | Qualidade do sono em estudantes universitários | Distúrbios do sono,Estudantes,Insónia,Psicologia | Objectivo: Descrever a prevalência da insónia e perda de sono por preocupações e correlatos com sexo, outros aspectos relacionados com sono, factores psicológicos e saúde percebida, especificamente para analisar as semelhanças e diferenças entre os dois tipos de problemas de sono e suas associações, em estudantes universitários. Metodologia: 713 estudantes (65,6% do sexo feminino), idade média de 19.29 anos, completaram questionários que avaliaram a insónia (item do Inventário de Personalidade de Eysenck), a perturbação do sono por preocupações (item do General Health Questionnaire), outros aspectos de sono-vigília, activação pré-sono, activação, coping, neuroticismo, extroversão, percepção de saúde, stresse académico e humor/afecto. Resultados: A prevalência (“Muitas vezes/Quase sempre”) de perturbação do sono por preocupações era mais elevada (33.2%) do que a prevalência de insónia (10.2%). Insónia (“Muitas vezes/Quase sempre”) foi relatada por 10.5% das raparigas e 9.8% dos rapazes. A prevalência de perturbação do sono devido a preocupações era mais elevada nas raparigas (40.6%) do que nos rapazes (19.2%). Insónia e perturbação do sono por preocupações estavam significativamente correlacionadas com a percepção do estado de saúde e a maioria das variáveis sono, sendo os coeficientes mais elevados com o índice de qualidade do sono (r’s=.511; p’s <.001). A correlação entre insónia e perturbação do sono por preocupações era elevada (r=.541; p <.001). As duas queixas de sono também mostraram estarem relacionadas com quase todas as variáveis psicológicas investigadas. A análise de regressão múltipla realizada separadamente por tipo de queixa de sono mostrou que a activação cognitiva pré-sono (=.372; p<.001); a percepção de saúde (==-.075; p=.057), a tendência para preocupação (=.086; p=.051), NEO-PI-R faceta de ansiedade (=.085; p=.061), activação somática pré-sono (=.099; p=.023) e afecto positivo ( =-.085; p=.035) foram predictoras significativas de insónia enquanto que activação cognitiva pré-sono ( =.353; p<.001), apercepção de saúde ( =-.093; p =.008), tendência para preocupação ( =.153; p<.001), stresse académico ( =.129; p=.005), activação (=.127; p=.006) e sexo ( =.118; p=.001) foram predictoras significativas de perturbação do sono por preocupações. Conclusões: Insónia e perturbação de sono por preocupações são muito prevalentes em jovens estudantes. Ao contrário da insónia, com taxas semelhantes nos dois sexos, a frequência da perturbação de sono por preocupações era muito mais frequente no sexo feminino que no masculino. Este estudo sugere que as características, traço de tendência para preocupação e activação cognitiva ao deitar, podem desempenhar um papel importante na disrupção do sono por preocupações e insónia. Os resultados também sugerem que a perturbação do sono por preocupações pode configurar um fenótipo particular do constructo multidimensional de perturbações de sono. Intervenções focadas na preocupação, reactividade emocional e stresse emocional podem melhorar a qualidade do sono dos jovens, particularmente do sexo feminino. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,073 | O papel da imunosenescência no aparecimento do cancro | Geriatria,Neoplasias,Sistema imunológico | A incidência e prevalência da maioria dos cancros aumentam com a idade. Além disso, a idade constitui um factor de risco major para muitos cancros. Existe também um conjunto de evidências que relata a disfunção progressiva do sistema imunitário com o avanço da idade incluindo alterações celulares e moleculares com impacto na imunidade inata e adquirida, processo este denominado comummente de imunosenescência. Sendo os cancros imunogénicos e o sistema imunitário responsável pelo impedimento da tumorigénese, existe, actualmente, um interesse crescente na defesa do potencial papel da imunosenescência no aparecimento de cancro. Um melhor conhecimento sobre este âmbito pode contribuir para atrasar o aparecimento do cancro acarretando também uma melhor qualidade de vida na 3ªidade | Ciências Médicas e da Saúde |
7,074 | Avaliação emocional em acupunctura | Acupunctura,Ansiedade,Atenção,Memória | Introdução: Investigação publicada afirma que a acupunctura tem efeitos na redução da ansiedade e na melhoria do desempenho cognitivo, nomeadamente na atenção, concentração e memória. Este trabalho teve por objectivo a verificação do efeito da acupunctura nos níveis de ansiedade, traço e estado. Simultaneamente, verificar o efeito desta nas funções cognitivas - memória, atenção e concentração. Finalmente, pretendeu-se verificar se existe relação entre os níveis de ansiedade e as funções cognitivas. Materiais e Métodos: 21 indivíduos normais, estudantes universitários, entre os 19 e os 24 anos foram submetidos a 8 sessões de acupunctura: 2 vezes/semana, durante 4 semanas. Os pontos utilizados foram: 3-Coração, 7-Coração, Yantang, e Baihui; As agulhas, com 25mm de comprimento, foram mantidas nos pontos durante 15 minutos. Foram aplicados testes psicológicos em 2 momentos, para avaliar as funções cognitivas – STAI Y-1 e STAI Y-2, MENVIS-A (memória), Toulouse-Piéron (TP) (atenção/concentração). O primeiro ocorreu previamente às sessões e o segundo 2 a 4 dias após a última. Resultados e Conclusões: Verificou-se um aumento médio de 5% nas horas de sono; diminuição de 7% nos níveis de STAI-Y1 - ansiedade-estado (AE) – e de 10% nos de STAI-Y2 -ansiedade-traço (AT)-; melhoria de 18% no teste MENVIS, de 24% no TP velocidade atencional (VA), e de 42% no TP exactidão atencional (EA). Verificou-se uma boa correlação entre os valores antes com os de diferença (∆), e de percentagem de alteração (% alt.) em todos os testes. Os valores de AE e de AT também mostraram boa relação entre si nos vários parâmetros. Existe uma boa relação directa entre: AE antes e TP EA antes; TP VA antes e MENVIS antes; MENVIS ∆ e TP VA % alt.; MENVIS % alt. e TP VA % alt.. Verificou-se uma boa relação inversa entre: MENVIS antes e TP VA % alt.; MENVIS ∆ e TP EA % alt..; TP VA antes e MENVIS ∆; TP VA antes e MENVIS % alt.; TP VA antes e TP EA antes. Discussão e Conclusões: Concluímos que as sessões de acupunctura diminuíram os níveis de ansiedade e melhoraram as funções cognitivas estudadas. Houve uma tendência para uma melhoria mais acentuada nos indivíduos com resultados piores nos testes antes. Uma melhoria nos níveis de ansiedade relacionou-se com um aumento da performance nos testes de memória e concentração: aumento dos valores dos testes de memória e VA e diminuição dos valores de EA. Verificou-se uma relação directa entre os resultados no teste de memória e de VA, e indirecta entre o teste de memória e de EA. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,076 | Tabagismo, composição corporal e hábitos nutricionais | Obesidade,Tabagismo,Índice de massa corporal,Hábitos alimentares | Introdução- O tabagismo e excesso de peso são causas comuns de mortalidade e morbilidade evitáveis na sociedade moderna que parecem estar interligadas. Este estudo tem por objetivo compreender a intervenção de hábitos tabágicos e alimentares sobre parâmetros antropométricos tendo em consideração a interferência da idade. Métodos- Participaram 194 indivíduos que responderam a um questionário de frequência alimentar e a perguntas sobre hábitos tabágicos, sendo a população dividida em não fumadores (G-NF), fumadores (G-F) e ex-fumadores (G-EF). Foram registados o peso, altura e perímetro de cintura. Na análise estatística foi utilizado o software SPSS Statistics, versão 21, Considerando-se significativos os resultados cujo p-valor foi≤ 0,05. Resultados- Na população estudada 54,1% tinham excesso de peso e 45,4% tinham perímetro de cintura elevado. A iniciação tabágica nos fumadores e ex- fumadores foi aos 18,48 ±4,49 vs 16,48 ±3,24 anos, o número de cigarros fumados /dia foi 15,48±5,50 vs 23,38± 12,90 e a carga tabágica (CT) de 20,00± 11,56 vs 24,92±27,71 unidades maço/ ano (UMA). Verificaram-se diferenças entre peso, Índice de Massa Corporal (IMC), Perímetro da Cintura (PC) e Cintura/Anca (C/A) entre os 3 grupos com valores mais baixos no G-F (p<0,05). Observou-se uma associação entre os grupos e as variáveis obesidade G-NF (31,3%), G-F (6,3%) e G-EF (22,4%) (p<0,05), excesso de peso G-NF (62,2%), G-F (31,3%) e G-EF (60,4%) (p<0,05), PC de risco G-NF (52,0%), G-F (27,1%), GEF (50,0%) (p<0,05) e razão C/A de risco G-NF (52,0%), G-F (35,4%), G-EF (62,5%) (p<0,05) sendo todas inferiores no G-F. O perímetro da cintura relacionou-se com a obesidade (p<0,05). Estabeleceu-se uma correlação linear positiva entre parâmetros antropométricos e intensidade do tabagismo (número de cigarros fumados/ dia e CT) (p<0,05) e observou-se aumento destes parâmetros nos conjuntos G-F e G-EF com número de cigarros fumados /dia ≥25 (p<0,05). Estes valores são independentes da idade. O consumo de óleos e gorduras foi maior nos fumadores (p <0,003) e também nos mais velhos (p<0,05). Discussão- É elevada a taxa de obesidade e de excesso de peso. Fumadores de 15 cigarros / dia têm valores antropométricos mais reduzidos, mas estes valores aumentam com o consumo de tabaco tanto para fumadores como para ex-fumadores. A cessação tabágica associa-se a medidas antropométricas mais elevadas. O perímetro da cintura relaciona-se com a obesidade não constituindo um fator de risco independente. Os fumadores têm consumo mais elevado de óleos e de gorduras. Esta diferença na dieta é também observada em indivíduos com mais idade. Conclusão- Os valores antropométricos são condicionadas por hábitos tabágicos e pela sua intensidade a que se associam a algumas modificações nos hábitos alimentares. O risco da cessação tabágica se associar a aumento de peso tem de ser enquadrado na estratégia de acompanhamento destes doentes. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,077 | Prevenção das doenças alérgicas em saúde perinatal | Cuidado perinatal,Alergia | As doenças alérgicas constituem um problema cada vez mais prevalente em todo o mundo, manifestando-se frequentemente nos primeiros anos de vida. Estas apresentam grande impacto a nível económico, social e pessoal para o indivíduo, podendo mesmo dar origem a situações fatais, como é o caso da anafilaxia. Efetuou-se uma revisão dos conceitos associados a estas patologias, da sua etiologia e fisiopatologia e das formas de apresentação clínica, focando a importância de saber reconhecer as graves situações de anafilaxia. A abordagem aos vários problemas subsequentes destas patologias no contexto dos cuidados de saúde primários, o impacto das mesmas para a sociedade e as possíveis estratégias de prevenção primária, foram revistas tendo em conta as evidências mais atuais. Analisando os conhecimentos acerca da suscetibilidade do feto a fatores ambientais presentes durante a gestação e o aparecimento precoce das doenças alérgicas, considera-se o período perinatal adequado para implementar medidas de prevenção primária, embora a consciencialização para este processo se deva iniciar a nível pré-concecional. De acordo com as evidências encontradas, obteve-se assim um conjunto de recomendações cujo seguimento deve ser decidido de acordo com as expectativas individuais | Ciências Médicas e da Saúde |
7,078 | Doença vibroacústica : haverá 'ruído' além do 'ouvido'? | Ruído,Ruído ocupacional,Efeitos adversos,Poluição sonora,Mecanotransdução celular | Na década de 80 descobriu-se que a exposição crónica ao ruído de baixa frequência pode causar a Doença Vibroacústica (DVA), uma patologia sistémica causada pela exposição prolongada (>10 anos) a ruído de grandes amplitudes de pressão (≥90 dB Sound Pressure Level) e baixa frequência (≤500 Hertz, incluindo os infrasons). Caracteriza-se pela proliferação anormal das matrizes extra-celulares (colagénio e elastina) em resposta à ‘agressão’ causada pelo impacto e propagação das vibrações acústicas sobre as células (mecanotransdução). Afecta preferencialmente as estruturas cardiovasculares (espessamento do pericárdio e válvulas cardíacas), o aparelho respiratório e o SNC. O RBF foi inicialmente identificado em ambientes de indústria pesada, mas com os avanços da investigação, demonstrou-se que está presente em áreas urbanas, algumas áreas rurais, numerosos locais de trabalho e numa grande variedade de outros locais e actividades de lazer, representando um problema de Saúde Pública. Pretende-se sistematizar a informação existente sobre a Doença Vibroacústica e estudos desenvolvidos em modelos animais e seres humanos, no sentido de explicar e demonstrar os efeitos deletérios/nocivos do RBF sobre os tecidos biológicos. Como o RBF não é ‘audível’, ainda não é oficialmente considerado um agente patológico e, como tal, as medições acústicas previstas pela lei raramente têm em conta as frequências abaixo de 500Hz. Desta forma/Nesta sequência, pretende-se também analisar a evolução da legislação nesta área de Saúde Pública, tendo como referência DVA, enquanto doença profissional e o RBF, como agente causador. A investigação detalhada da Doença Vibroacústica está dependente do reconhecimento do RBF como agente patológico. Quando forem conhecidos os efeitos específicos dose-frequência, poderão desenvolver-se estudos epidemiológicas em larga escala, que permitam conhecer o verdadeiro impacto do RBF sobre a humanidade. Só então poderá ser reavaliado o papel da DVA como doença profissional, equacionando novas estratégias de prevenção e tratamento. | Ciências Médicas e da Saúde |
7,079 | Síndrome cardiorenal e novas perspectivas terapêuticas | Síndrome cardiorenal,Terapia,Insuficiência cardíaca aguda,Insuficiência renal aguda,Insuficiência cardíaca crónica,Insuficiência renal crónica | A incidência de insuficiência cardíaca e insuficiência renal, quer aguda quer crónica, tem aumentado nas últimas décadas. A co-existência destas duas doenças num mesmo indivíduo apresenta mau prognóstico. Pelo aumento da frequência destes casos surgiu a necessidade de definir e estudar mais aprofundadamente esta entidade patológica – o Síndrome Cardiorenal. Este síndrome pode ser assim definido como um conjunto de alterações fisiopatológicas entre o coração e o rim, em que uma disfunção, aguda ou crónica, de um órgão pode conduzir a um compromisso funcional, agudo ou crónico, do outro. O síndrome cardiorenal pode ser dividido em 5 tipos, consoante o órgão onde a perturbação surge inicialmente: o tipo 1 acontece quando uma degradação aguda da função cardíaca predispõe a uma lesão renal aguda. Quando perturbações crónicas na função cardíaca conduzem à doença renal crónica e progressiva, estaremos perante o tipo 2. Uma lesão aguda no rim, como por exemplo uma glomerulonefrite, pode ter consequências negativas para o coração, como por exemplo levar a uma insuficiência cardíaca ou a arritmias, considerando-se neste caso um tipo 3. Quando a insuficiência renal crónica predispõe o indivíduo para processos ateroscleróticos, retenção hídrica e consequentemente a lesão cardíaca, considera-se estarmos perante o tipo 4. Por último, o tipo 5 está presente quando uma doença cardíaca ou uma doença renal são consequência de condições sistémicas responsáveis por degradar a sua função, como por exemplo a sepsis, a diabetes mellitus ou doenças auto-imunes. A complexidade das interacções entre o rim e o coração e a ausência de uma definição e explicação claras desta entidade dificultam o seu diagnóstico e tratamento. Actualmente, a terapêutica usada ainda é empírica e muito direccionada para cada órgão (rim ou coração) em particular. O uso de diuréticos continua a ser a pedra angular do tratamento, e a chave de todo ele continua a ser a optimização das medidas contra a insuficiência cardíaca. Para além de medidas dietéticas e do estilo de vida, o uso de bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona, bloqueadores β, terapêutica anti-agregante e anti-coagulante e terapêuticas vasodilatadoras são as principais estratégias utilizadas. Outras estratégias terapêuticas emergentes são a ultrafiltração, e os antagonistas dos receptores da vasopressina e da adenosina. Devido à complexa natureza destes doentes, e ao seu reservado prognóstico é de extrema importancia que cardiologistas, nefrologistas e internistas trabalhem todos em conjunto para um objectivo comum, o de um diagnóstico precoce e de uma terapêutica optimizada. Este artigo tentará, de modo sumário, fazer um revisão concisa do conhecimento actual sobre o síndrome cardiorenal e salientar estratégias de prevenção, diagnóstico e terapêutica desta importante entidade patológica. | Ciências Médicas e da Saúde |
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