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7,081
Abordagem da menopausa nos cuidados de saúde primários : a visão de dois centros de saúde
Menopausa,Terapia,Cilmatério,Cuidados primários de saúde,Terapêutica hormonal de substituição.,Medicina geral
Introdução: O climatério representa uma fase de mudança e de transição no ciclo de vida feminino, durante o qual as mulheres experimentam alterações físicas e psicológicas decorrentes do hipoestrogenismo e envelhecimento. O Médico de Família é habitualmente o primeiro profissional de saúde a quem a mulher recorre para esclarecer as suas dúvidas e solicitar o alívio da sintomatologia climatérica, ocupando uma posição privilegiada para promover a capacitação e empowerment das utentes. Métodos: Promoveu-se um estudo observacional transversal, aplicando um questionário de auto-preenchimento a 92 mulheres, com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos, que frequentam os Centros de Saúde Norton de Matos e S. Martinho do Bispo (USF Mondego), de forma a avaliar a abordagem da menopausa nos Cuidados de Saúde Primários. A recolha dos dados decorreu de abril a julho de 2014. O tratamento estatístico foi efetuado através da plataforma estatística IBM SPSS v21.0. Resultados: Mais de metade das mulheres (55,4%) referiu ter conversado com o Médico de Família sobre a menopausa e todos os assuntos relacionados, todavia 19,6% ainda manifestavam dúvidas. O médico foi considerado a principal fonte de informação para 50% das inquiridas. A maioria das mulheres (77,2%) descreveu a presença de sintomas climatéricos, sendo os mais frequentes as dores ósseas (73,2%) e a ansiedade (67,6%). 39,1% das inquiridas indicaram a interferência do climatério na sua vida diária, sendo a vida familiar (69,4%) e a sexual (58,3%) as mais afetadas. Verificou-se uma associação significativa entre a presença de sintomas e a interferência do climatério na vida diária e na qualidade de vida da mulher. As mulheres sintomáticas (OR=12,983 com IC95% [2,808;60,033]) e as que referiram a interferência do climatério no dia a dia (OR=5,965 com IC95% [2,364;15,048]) apresentaram uma probabilidade aumentada de recorrer a consultas de Medicina Geral e Familiar. As infeções urinárias de repetição (91,7%) foram as queixas que mais motivaram a ida ao Médico de Família. Das mulheres sintomáticas, 45,1% referiram ter cuidados adicionais ou fazer algum tratamento. A terapêutica hormonal revelou-se a mais eficaz no alívio das queixas, tendo como prescritor mais frequente o Ginecologista (58,3%). Conclusão: O Médico de Família assume um papel crucial na capacitação e acompanhamento da mulher climatérica. Constatou-se que ainda permanecem dúvidas que necessitam de ser esclarecidas e que são necessárias normas que uniformizem a abordagem da menopausa na prática clínica.
Ciências Médicas e da Saúde
7,082
Otimização da técnica de array CGH em diagnóstico pré-natal
Diagnóstico pré-natal,Hibridização genómica comparativa
A implementação da tecnologia de array CGH como rotina no diagnóstico pré-natal tem vindo a ser discutida nos últimos tempos. Contudo, esta introdução necessita de uma estratégia adequada que garanta a obtenção de DNA de qualidade diretamente a partir de amostras fetais, sem recorrer a cultura de células. Neste estudo delineou-se e otimizou-se uma estratégia de extração e purificação de DNA a partir de líquido amniótico direto, que permitiu a realização de array CGH em diagnóstico pré-natal. Foram selecionados dois protocolos comerciais de extração de DNA que foram otimizados e comparados entre si, de modo a determinar o que apresentava melhor rendimento e qualidade. O controlo da qualidade do DNA obtido foi feito recorrendo a espectrofotometria, a análise do grau de fragmentação através de corrida em gel de agarose e a uma validação dos resultados através de aplicação comparativa numa plataforma de array CGH 180K. A estratégia que garantiu melhores concentrações de DNA de qualidade para análise foi validada recorrendo a 10 amostras de líquido amniótico direto. O estudo efetuado demonstrou que a maioria das amostras, principalmente com um menor número de semanas de gestação, necessitam da realização de um protocolo adicional de concentração e purificação de DNA, para além do protocolo de extração de DNA, de modo a garantir os parâmetros mínimos de quantidade e qualidade para a realização de pelo menos um ensaio de array CGH. A comparação de DNA extraído pelos dois protocolos otimizados não revelou diferenças significativas entre si, e, como tal, optou-se por adotar, na estratégia de extração, o protocolo com a melhor relação custo/benefício. A validação da estratégia estudada em 10 amostras de líquido amniótico revelou valores de quantidade e qualidade de DNA que permitem a realização de array CGH para os volumes iniciais de líquido testados. Os resultados deste trabalho reforçam a importância da tecnologia de array CGH em DPN e demonstram uma estratégia de extração, concentração e purificação de DNA, partindo de líquido amniótico direto recolhido a partir das 15 semanas de gestação com parâmetros de quantidade/qualidade que permitem a realização de array CGH.
Ciências Médicas e da Saúde
7,083
O eosinófilo em dermatologia
Eosinófilos,Dermatologia,Doenças da pele,Dermatose eosinofílica,Dermatose com eosinófilos,Caracterização histológica,Correlação clínico-patológica
Os granulócitos eosinófilos são leucócitos com múltiplas funções que podem ser encontrados num largo espectro de doenças cutâneas e apenas infiltram a pele em estados patológicos. Surgem associados a doenças alérgicas ou parasitárias, mas são também observados em doenças autoimunes e hematológicas, assim como em tumores e infeções virais ou bacterianas. Na lista exaustiva de todas as dermatoses em que o eosinófilo está implicado, podemos distinguir dois grupos: o grupo das dermatoses com eosinófilos, nosologicamente bem individualizadas nas quais o eosinófilo é um componente do infiltrado inflamatório, não centrado nem definido por esta célula (dermatite atópica, urticária, penfigoide bolhoso, toxidermias, etc.), e o grupo das dermatoses eosinofílicas para as quais a eosinofilia representa um denominador comum e constitui um critério diagnóstico fundamental (ex: hiperplasia angiolinfoide com eosinofilia, síndrome hipereosinofílica, síndrome de Wells, úlcera eosinofílica da língua, granuloma facial). Partindo destes conceitos, o presente artigo constitui um estudo clínico-patológico de 74 casos selecionados por critérios histológicos a partir dos relatórios informatizados e manuais do Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Portugal, e tem como objetivo a identificação de diferenças histológicas entre os dois grupos de dermatoses referidos. Após uma análise multivariada, verificamos uma diferença estatisticamente significativa na densidade de eosinófilos entre dermatoses eosinofílicas e dermatoses com eosinófilos (p = 0,033, OR = 0,207). No entanto, a amostra recolhida é insuficiente para garantir a potência dos testes estatísticos realizados. As restantes características histológicas são semelhantes entre os dois grupos de dermatoses. Aspetos sobreponíveis do infiltrado eosinofílico podem surgir em afeções cutâneas diversas, e infiltrados com características distintas podem por vezes ser observados na mesma patologia. Os resultados deste estudo reforçam a importância da correlação clínico-patológica no diagnóstico das dermatoses associadas aos eosinófilos.
Ciências Médicas e da Saúde
7,084
Prostatite crónica/síndrome de dor pélvica crónica : estado da arte
Prostatite,Fisiopatologia,Diagnóstico,Terapia,Doença crónica,Dor pélvica
CONTEXTO: A prostatite é uma das patologias urológicas mais frequentes. Foram definidas quatro categorias, sendo que a categoria III refere-se a prostatite crónica/síndrome de dor pélvica crónica. A apresentação clínica desta síndrome é heterogénea e complexa. OBJECTIVO: Rever e actualizar os conceitos sobre a prostatite crónica/síndrome de dor pélvica crónica, salientando os aspectos principais da fisiopatologia, apresentação clínica, diagnóstico e tratamento. AQUISIÇÃO DE EVIDÊNCIA: Pesquisas em livros de texto e em bases de dados bibliográficas – PubMed e UpToDate. Dos artigos encontrados foram citados 79. SÍNTESE DA EVIDÊNCIA: Através da análise dos resultados da pesquisa, verificou-se que existem diferentes teorias, baseadas em estudos, para explicar a fisiopatologia. Diferentes sinais e sintomas podem estar presentes em diferentes indivíduos. Relativamente ao tratamento, muitos fármacos têm sido testados e utilizados, com eficácia em alguns doentes e fracasso noutros. CONCLUSÃO: A prostatite crónica/síndrome de dor pélvica crónica é uma síndrome multifactorial e complexa, pelo que, o doente deve ser enquadrado no seu contexto biopsicossocial, para melhor entendimento e maior sucesso no tratamento.
Ciências Médicas e da Saúde
7,087
Infecções fúngicas da pele em transplantados renais
Micose,Terapia,Doenças da pele,Dermatologia,Transplantação do rim,Interacções de medicamentos,Antifúngicos,Imunossupressores
Introdução: O desenvolvimento de potentes agentes imunossupressores representa um dos avanços mais significativos na transplantação de órgãos sólidos. No entanto, o seu uso na prevenção e tratamento da rejeição encontra-se intimamente relacionado com o desenvolvimento de maior número de infecções e alteração do espectro das infecções que ocorrem após o transplante renal. Apesar do declínio dramático na incidência de infecções fatais que marcou os sucessos iniciais da transplantação renal, a infecção continua a ser uma importante causa de morbilidade e mortalidade. Neste contexto que condiciona sobretudo uma diminuição das defesas antimicrobianas dependentes da imunidade mediada por linfócitos T, algumas infecções são particularmente frequentes ou seguem um curso evolutivo diferente, nomeadamente as infecções por vírus, bactérias intracelulares e fungos, tanto dermatófitos e leveduras como fungos saprófitas. Objectivo: O presente trabalho pretende realizar uma revisão das infecções fúngicas cutâneas que ocorrem mais frequentemente em transplantados renais, focando os seus aspectos clínico-evolutivos anormais bem como as condicionantes à sua terapêutica. Materiais e Métodos: O tema foi revisto utilizando a interface de pesquisa bibliográfica de conhecimento online – Elsevier, Wiley e Pubmed da Medline, utilizando as palavras-chave, na língua inglesa, “fungal skin infections kidney transplantation”, “antifungal drugs kidney transplantation”, “immunossuppression drugs kidney transplantation”, “interactions antifungal immunosuppressants”. Os resultados de pesquisa foram restringidos a artigos em inglês, francês, espanhol e português, publicados desde o ano 1988 até à actualidade. Os artigos foram seleccionados pela relevância do seu conteúdo, sendo que alguns foram excluídos pelo facto de existirem artigos semelhantes mais recentes. Resultados: As infecções fúngicas cutâneas ou superficiais são causadas principalmente por dermatófitos, leveduras e fungos saprófitas. Nos receptores de transplante renal é fundamental o diagnóstico precoce das dermatoses fúngicas, para subsequente tratamento adequado. Os fármacos antifúngicos tópicos são habitualmente insuficientes em transplantados renais, sendo habitualmente necessário recorrer a antifúngicos sistémicos, que devem ser seleccionados em função do agente causal e da terapêutica imunossupressora a realizar pelo doente. Os inibidores da calcineurina têm sido o pilar da terapêutica imunossupressora em transplantação. Contudo, o uso destes fármacos conduz a nefrotoxicidade, que é uma causa importante de falência a longo prazo do enxerto. O surgimento de agentes não-nefrotóxicos potentes, como os inibidores da mTOR possibilitou a redução/suspensão dos inibidores da calcineurina precocemente no pós-transplante. Os antifúngicos do grupo dos azóis inibem as enzimas do CYP450 que metabolizam os agentes inibidores da calcineurina e os inibidores da mTOR. A antecipação destas interacções permite a utilização destes agentes juntos, e a minimização da toxicidade e/ou das concentrações supraterapêuticas dos imunossupressores no início da terapêutica antifúngica azólica. Conclusão: As dermatoses fúngicas são frequentes em transplantados renais, e a sua ocorrência aumenta progressivamente com o tempo decorrido a partir do transplante, sendo importante a sua monitorização. O tratamento das infecções fúngicas cutâneas obriga a uma monitorização farmacodinâmica com manutenção de níveis séricos dos fármacos imunossupressores dentro do intervalo terapêutico, devido a possíveis interacções com os fármacos antifúngicos. A adequação da imunossupressão consoante o risco imunológico do doente pode proporcionar o balanço pretendido da imunossupressão adequada com o mínimo de infecções oportunistas. A investigação multicêntrica é certamente uma contribuição valiosa para os cuidados ao doente.
Ciências Médicas e da Saúde
7,088
Carcinoma papilar da tiróide
Neoplasias da tiróide,Carcinoma papilar
Os carcinomas da tiróide são as neoplasias malignas endócrinas mais comuns, embora representem apenas cerca de 1% de todas as neoplasias. Traduzem-se geralmente por um nódulo solitário da tiróide, assintomático, apresentação que é também frequente nas doenças benignas desta glândula. O carcinoma papilar da tiróide corresponde a 85-90% dos carcinomas da tiróide (Kam-Tsung et al, 2010) e a sua incidência tem vindo a aumentar por factores ainda não completamente esclarecidos. Trata-se de um carcinoma bem diferenciadoque geralmente tem um crescimento lento e é clinicamente indolente, apresentando um bom prognóstico. No entanto, podem ocorrer formas agressivas com disseminação tumoral, mais frequentemente a nível locoregional mas também à distância, geralmente por via linfática para pulmão e osso. É a neoplasia a tiróide mais frequentemente relacionada com exposição a radiações ionizantes e na sua oncogénese estão envolvidas várias alterações genéticas que envolvem a transdução de sinal ao longo da via MAPK. As mutações BRAF constituem a alteração genética mais comum no carcinoma papilar da tiróide, sendo que mais de 90% são mutações BRAFV600E. Estas ocorrem exclusivamente no carcinoma papilar e no carcinoma anaplásico derivado do carcinoma papilar e parecem estar associadas a tumores mais agressivos, disseminação tumoral e metástases linfáticas, constituindo um potencial útil marcador molecular na avaliação do carcinoma papilar da tiróide. Os métodos de diagnóstico e tratamento do carcinoma da tiróide estão em constante evolução. A ecografia de alta resolução tendo, actualmente, um papel importante não só na avaliação dos nódulos, mas também na detecção de gânglios cervicais suspeitos, e a citologia aspirativa 7 por agulha fina sendo minimamente invasiva, são os procedimentos de primeira linha no diagnóstico. Actualmente o tratamento baseia-se essencialmente na cirurgia (tiroidectomia total ou quase total), com ou sem esvaziamento ganglionar, tratamento com Iodo 131 e supressão TSH com levotiroxina. O desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, baseadas principalmente na inibição de mediadores moleculares chave do processo oncogénico, como os inibidores de tirosina cinase, poderá melhorar o prognóstico de neoplasias disseminadas refractárias à terapêutica actual. Um seguimento atento dos doentes através da realização periódica de ecografia, doseamento de tiroglobulina e cintigrafias corporais permite a detecção e tratamento precoces de doença persistente ou recorrente
Ciências Médicas e da Saúde
7,089
Deteção e estratégias de intervenção por parte dos profissionais dos cuidados de saúde primários na suspeita de abuso do idoso
Idoso,Cuidados primários de saúde,Abuso do idoso,Portugal
Introdução: Os profissionais dos cuidados de saúde primários encontram-se numa posição privilegiada para identificarem e orientarem casos de maus-tratos de idosos. Este estudo investigou como se enquadram estes profissionais nesta matéria. Métodos: Foi elaborado um questionário posteriormente aplicado a médicos e enfermeiros de 12 Unidades de Saúde de Coimbra. Foram estudados parâmetros relacionados com aspetos demográficos, perceção do abuso e das estratégias de atuação, experiência pessoal e formação nesta área. O nível de significância estabelecido foi 0,05. Resultados: A taxa global de resposta foi de 67,9%. Foram validados 127 questionários. Verificou-se uma percentagem significativa de idosos no ficheiro clínico dos profissionais e que a maioria destes efetuavam visitas domiciliárias. A maior parte (64,6%) percecionou o abuso como sendo mais prevalente em contexto familiar e 32,3% indicaram a negligência como a forma mais frequente. Lesões em diferentes estados evolutivos (31,5%) e sinais de constrição física (30,7%) foram apontados como patognomónicos. A incerteza no diagnóstico foi um dos principais fatores que limitam a denúncia, tendo-se verificado dúvidas sobre a obrigatoriedade de reportar os casos às autoridades judiciais. Constatou-se que 87,4% destes profissionais afirmam que se sentiriam mais confortáveis com protocolos de atuação e que este tema não foi abordado na sua formação básica em 70,9% dos casos. Discussão e conclusões: Há uma consciencialização da relevância do problema e do papel que podem desempenhar na prevenção e diagnóstico do abuso. No entanto, uma abordagem mais aprofundada do tema durante a formação do profissional associada ao desenvolvimento de normas de orientação clínica, contemplando uma abordagem multidisciplinar, revela-se útil para uma maior segurança dos profissionais na gestão de casos.
Ciências Médicas e da Saúde
7,091
Perturbação pós-stress traumático e risco de suicídio em ex-combatentes
Stress pós-traumático,Suicídio
Os ex-combatentes de guerra são uma população com características específicas que lhes conferem determinados riscos para o desenvolvimento de perturbações psiquiátricas, sendo o suicídio o resultado final mais temível. A Perturbação Pós-Stress Traumático é aquela perturbação psiquiátrica mais emblemática que foi extensivamente estudada nesta população. Neste trabalho a intenção foi através da pesquisa bibliográfica explorar essa perturbação, a sua história, as suas bases neurobiológicas, os condicionantes que contribuem para que ela se desenvolva no ex-combatente, bem como sistematizar os mais significativos fatores de risco para o suicídio nesta população. A recolha bibliográfica foi feita a partir de uma pesquisa inicial com as palavras-chave: suicide, PTSD e veterans no Pubmed, a partir da qual foram selecionados alguns artigos e aos quais se juntaram outros recolhidos a partir de referências bibliográficas e livros de referência sobre a PPST. Nem todos os estudos se mostraram coerentes no sentido de identificar a condição de ex- -combatente como fator independente de risco. No entanto, o risco de suicídio nos ex- -combatentes não deve ser menosprezado, e todos eles devem ser estudados no sentido de identificar fatores de risco. A maioria dos estudos aponta para a PPST como fator de risco para suicídio nestes indivíduos, pelo que devem ser sinalizados os indivíduos com essa perturbação. A prevenção do suicídio nos ex-combatentes deve incidir na identificação daqueles que reúnem um maior número de fatores de risco, tentando intervir a nível daqueles que são eventualmente modificáveis e tentando promover e acentuar os fatores protetores também modificáveis. Perturbação Pós-Stress Traumático e risco de suicídio em ex-combatentes 5 No sentido de apurar aqueles ex-combatentes que apresentam maior risco de suicídio e que portanto devem ser submetidos a intervenção urgente, é proposta a eventual criação no futuro de um índice de risco específico para esta população com os fatores de risco mais significativos, que seria utilizável pela generalidade dos profissionais de saúde
Ciências Médicas e da Saúde
7,092
Síndrome de Lyell : perigo na prescrição médica
Dermatologia,Necrose epidérmica tóxica
Introdução: A Síndrome de Lyell constitui uma reacção idiossincrática grave, maioritariamente induzida por fármacos e que atinge difusamente pele e mucosas. O prognóstico pode ser previsto com alguma precisão pela escala SCORTEN e o tratamento exige a suspensão imediata da medicação causal, bem como a referenciação para uma Unidade de Queimados que proporcione cuidados diferenciados. Material e Métodos: Estudo retrospectivo de 5 vítimas autopsiadas no INMLCF – Delegação do Centro, entre Janeiro de 2007 e Janeiro de 2014, falecidas por complicações desta entidade. Foram avaliados parâmetros pessoais e inerentes à abordagem terapêutica que poderão ter influenciado o desfecho fatal e, eventualmente, determinado uma alegação de negligência médica. Resultados: Três mulheres e dois homens, com média de idades de 63,4±17,2 anos, com envolvimento de 45,3±17,1% de superfície corporal total e SCORTEN de pelo menos 3,6±1,7. Em média os doentes demoraram 3,4±5,0 dias a procurar assistência médica, sendo a medicação suspeita imediatamente interrompida em todos os casos e verificando-se num intervalo médio de 9,4±12,3 dias até referenciação para a Unidade de Queimados. Em dois dos casos a família apresentou queixa de negligência médica. Conclusão: Alguns doentes protelam a procura de assistência médica perante a sintomatologia, sendo invariavelmente esta síndrome confundida com a síndrome de hipersenssibilidade induzida por fármacos. Verifica-se um deferimento substancial na referenciação para Unidade de Queimados. Ainda que a maioria dos casos não acarrete consequências legais face à difícil abordagem desta entidade, os profissionais de saúde não devem tornar-se displicentes, pois um desfecho clínico e/ou judicial desfavorável constitui uma realidade possível.
Ciências Médicas e da Saúde
7,093
Técnicas não invasivas de imagem cardíaca na avaliação da doença coronária crónica :aplicações actuais e perspectiva futura
Cardiologia,Exames complementares de diagnóstico
Os métodos não invasivos de imagem cardíaca têm-se revelado de extrema importância no âmbito da doença isquémica crónica, não só a nível do diagnóstico/ exclusão, como na determinação da sua repercussão funcional, estratificação do risco e avaliação da viabilidade miocárdica. O seu valor incremental em relação aos scores clínicos na estratificação do risco, tem sido uma mais valia na decisão clínica, quer na selecção de doentes para cateterismo, quer suplementando as informações angiográficas no que concerne à selecção dos doentes que mais beneficiam da revascularização ou de terapêutica médica intensiva. O presente artigo, visa a revisão da literatura mais relevante na área da Ecocardiografia, Cardiologia nuclear e das relativamente recentes Tomografia computorizada cardíaca e Ressonância magnética cardíaca, no âmbito da avaliação de doença isquémica crónica. Cada técnica será abordada isoladamente e em comparação com as restantes, no que concerne ao seu valor diagnóstico e prognóstico, limitações, relação custo-eficácia e disponibilidade. Peremptória no contexto actual, será a análise da segurança de cada técnica, dando ênfase à exposição a radiação ionizante. Por fim, é apresentada uma proposta de abordagem ao doente com doença coronária suspeita ou confirmada, em termos de selecção de técnicas não invasivas para diagnóstico, estratificação do risco e avaliação prognóstica. São tidas em consideração as características do doente, clínica apresentada e portanto probabilidade pré-teste da doença (Teorema de Bayes), a relação custo-eficácia de cada método, disponibilidade actual e segurança, sempre com o objectivo primordial de facilitar/ fundamentar a decisão clínica.
Ciências Médicas e da Saúde
7,095
Associação entre gamapatia monoclonal e neuropatia
Paraproteinemias,Neuropatias
As gamapatias monoclonais (GM) constituem um grupo heterogéneo de doenças do sistema hematopoiético que cursam com a produção de uma proteína monoclonal no soro e/ou na urina (componente M, proteína de Bence-Jones). As imunoglobulinas (Ig) depositadas apresentam cadeias pesadas G, A, M, E ou D, e cadeias leves, kappa ou lambda. A maioria das paraproteínas são Ig G, com menos de 15% do tipo Ig M. A prevalência das GM na população depende da raça, do género e aumenta com a idade, sendo 10% aos 80 anos. O espectro clínico é amplo e de prognóstico variável, podendo manifestar-se (em 75% dos casos) de forma assintomática como gamapatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS) ou sob a forma de doença sistémica maligna - mieloma múltiplo, macroglobulinémia de Waldenstrom, amiloidose, síndrome POEMS (Polineuropatia, Organomegália, Endocrinopatia, proteína M e alterações cutâneas) e crioglobulinémia. As manifestações neurológicas nos doentes com GM apresentam variadas etiologias: infiltração tumoral, compressão radicular/medular, vasculite. Contudo a investigação centra-se na comprovação da patogenicidade das imunoglobulinas monoclonais e na comprovação de eficácia terapêutica, nomeadamente na MGUS. A neuropatia por MGUS Ig M apresenta-se clinicamente homogénea traduzida por desmielinização sensório-motora distal, progressiva com identificação de anticorpos anti-glicoproteína associada à mielina (anti-MAG) em 50% dos casos. Contudo, a neuropatia por MGUS Ig G e Ig A verifica-se clinicamente heterogénea - 60% com CIDP (Polineuropatia Desmielinizante Inflamatória Crónica), sem identificação de anticorpos específicos, alvo de menor número de estudos. Diversos estudos tem sido conduzidos no sentido de comprovar a eficácia terapêutica das neuropatias associadas a GM. No entanto, devido aos efeitos adversos associados à terapêutica, esta é indicada apenas perante incapacidade e progressão da neuropatia, estando o prognóstico condicionado pela presença de malignidade hematológica. OBJETIVOS: Este trabalho tem como objectivos (1) Elaborar uma revisão actualizada da literatura sobre a prevalência da associação de neuropatia e gamapatia monoclonal; o tipo de neuropatia; a relação com o tipo de imunoglobulina; o espectro das manifestações clínicas mais comuns, avaliando a importância destes fatores no prognóstico dos doentes e, eventualmente, na estratégia terapêutica. (2) Fazer um estudo retrospectivo de correlação entre as manifestações neurológicas e a presença de neuropatia associada a gamapatia monoclonal em doentes seguidos no CHUC no periodo de 5 anos. METODOLOGIA: A revisão bibliográfica foi feita com recuros à plataforma Medical Subject Heading (MeSH) e à European Federation of Neurological Societies (EFNS). A recolha de dados foi feita através da consulta de processos clínicos de doentes com manifestações neurológicas e gamapatia monoclonal seguidos no serviço de neurologia e hematologia do Centro Universitário e Hospitalar de Coimbra (CHUC). Os dados foram analisados estatisticamente pelo SPSS versão 19.0. RESULTADOS: Amostra com 48 doentes de idade média de 64,4±12,6 anos, 28 do género masculino e 20 do género feminino. A GM diagnosticada foi: MGUS-54,2% com 66,9±13,1 anos, MM-35,4% da amostra, 85,7% no estadio III, com 59,6±11,5 anos; linfoma não Hodgkin de grandes células-4,1% com 73±9,9 anos, MW-2,1% num doente com 70 anos, Síndrome POEMS-2,1% da amostra, aos 50 anos e PV-2,1% num doente com 70 anos. A Ig G foi a Ig mais prevalente: MGUS-73,1%, MM-52,9% Não se verificou a presença de GM Ig D ou Ig E. Nos doentes com MGUS, 15,4% apresentou PNP, 42,3% RP, 26,9% STC/U, 34,6% sem alterações ao EMG. Nos doentes com MM, 52,9% apresentou PNP, 35,3% RP, 29,4% STC/U. Nos casos de linfoma não Hodgkin verificou-se PNP axonal sensitiva generalizada por citostáticos e lesão nervosa iatrogénica após biópsia. O doente com MW apresentou manifestações neurológicas secundárias a poliomielite e o doente com POEMS PNP sensório-motora desmielinizante assimétrica proximal e distal dos MI. Uma PNP iatrogénica foi diagnosticada no doente com PV. Nos doentes com MGUS, em 69,2% o diagnóstico ocorreu de forma simultânea com as manifestações neurológicas no contexto de investigação etiológica do quadro neurológico. Em 26,7% (4) dos doentes avaliados foi diagnosticada PNP. Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas no estudo das variáveis propostas. A etiologia para as manifestações neurológicas e comorbilidades verificadas foram: Imune entre GM e PNP - 4,2% da amostra; PNP iatrogénica - 23% (18,8% em doentes com MM, 2,1% em doentes com doença linfoproliferativa e os restantes 2,1% atribuídos a terapêutica da PV com hidroxiureia); compressão do nervo mediano e/ou ulnar uni ou bilateral em grau moderado-grave - 25% dos doentes; RP - 27,1% doentes (destes 3 doentes com mieloma múltiplo e 10 doentes com MGUS, 1 dos quais com RP diabética); lesão nervosa por massa tumoral - 6,3%; cerca de 10,4% (5/26) das manifestações nos doentes com MGUS permaneceram sem causa identificável. CONCLUSÃO: O nosso estudo revelou que o aumento de prevalência com a idade acrecida à presença de comorbilidades inerentes a uma polpulação envelhecida dificulta o estabelecimento de causalidade entre a GM e a neuropatia imune, particularmente perante MGUS cujo diagnóstico é estabelecido na sua maioria (69,2%) no decorrer de investigação do quadro neurológico. Além disso, 35,4% dos doentes com GM possuem avaliação no contexto de MM, a maioria com neurotoxicidade associada ao tratamento.
Ciências Médicas e da Saúde
7,096
Default mode network : self, laterização e patologia
Psiquiatria,Cérebro,Neurociências
O “default mode network” (DMN) apareceu como um conjunto de regiões cerebrais cuja actividade diminuía, a partir de um estado passivo, quando um indivíduo executava uma tarefa externa. As primeiras pistas foram para que estivesse relacionado com funções do “self”. O objectivo deste trabalho foi demonstrar que o DMN é essencial na construção do “self”. Regiões mediais do cérebro, como córtex pré-frontal medial, cíngulo posterior e parietal inferior, fazem parte do DMN. O DMN foi associado a recuperação de memória autobiográfica, evocação semântica, modulação emocional e cognição interna. Mostrou estar anticorrelacionado com tarefas que exigem atenção externa. A sua desactivação depende das características tarefa executada. Há uma subespecialização de funções dentro do DMN. O DMN sofre alterações ao longo do desenvolvimento do indivíduo. Apresenta a maturidade após a adolescência e o declínio nos idosos. A lateralização hemisférica do DMN acompanha o desenvolvimento da sua conectividade funcional. Várias regiões do DMN apresentaram assimetria funcional. O estudo da correlação entre DMN e patologia demonstrou que estas regiões cerebrais estão implicadas na fisiopatologia de doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia, o distúrbio de hiperactividade e défice de atenção, a depressão major e perturbação de stress pós-traumático.
Ciências Médicas e da Saúde
7,097
Feocromocitoma e paraganglioma malignos : a importância do estudo genético
Endocrinologia,Feocromocitoma,Paraganglioma
Os feocromocitomas e paranganliomas malignos são tumores muito raros com mau prognóstico. A malignidade caracteriza-se pela presença de metástases em locais que não têm células cromafins. No entanto, o potencial maligno destes tumores é muito difícil de prever. Visto que grande parte dos tumores malignos apresenta metastização apenas anos mais tarde do diagnóstico inicial, têm sido estudados vários marcadores a nível bioquímico, histológico, imunohistoquímico e imagiológico que possam indicar o potencial maligno. Até hoje, nenhum destes mostrou ser totalmente eficaz na identificação do carácter maligno do tumor. Aqueles que mostraram ter maior relação com o risco potencial de disseminação à distância foram tumor de grandes dimensões, localização extra-adrenal e secreção de dopamina. Novos marcadores moleculares como a telomerase, a Hsp90 e o SNAIL parecem ser promissores. Nos últimos anos, foram descobertos novos genes relacionados com o aparecimento de feocromocitomas e paragangliomas e concluiu-se que cerca dum terço destes tumores estão associados à presença de mutações genéticas herdadas. O estudo dos genes e das suas funções a nível celular permitiu decifrar as principais vias moleculares de oncogénese, identificando possíveis alvos moleculares para terapêuticas personalizadas que estão actualmente sob estudo. Esta investigação tem grande importância dado que o tratamento dos casos malignos continua sem apresentar resultados favoráveis. A análise genética permitiu estabelecer uma relação entre as alterações genéticas e o fenótipo dos indivíduos afectados. As mutações que conferem maior risco de malignidade são principalmente aquelas localizadas no gene SDHB, embora a mutação NF1 tenha também alguma predisposição para essa evolução. O teste genético tem um papel importante no futuro da abordagem a estes indivíduos, dando indicações quanto ao prognóstico da doença, à possibilidade da realização de terapêuticas personalizadas e à necessidade de investigar os seus familiares.
Ciências Médicas e da Saúde
7,098
Evolução clínica e prognóstico em doentes admitidos por pneumonia adquirida na comunidade
Pneumonia
Introdução: A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma das principais causas de morbi e mortalidade a nível mundial. O seu reconhecimento precoce e o enquadramento epidemiológico e clínico podem obviar um desfecho potencialmente fatal. A identificação precoce dessas características poderá constituir um passo fundamental na redução da mortalidade, ao potenciar uma abordagem terapêutica mais eficaz. Objetivos: Procuramos efetuar um enquadramento epidemiológico, avaliar o impacto de vários fatores de risco conhecidos na evolução clínica e prognóstico de doentes imunocompetentes admitidos por PAC, e identificar preditores independentes de mortalidade nesta população. Métodos: O nosso estudo retrospetivo incluiu a consulta de 225 processos clínicos de doentes, admitidos no Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) por PAC, de Janeiro a Dezembro de 2011. Procedeu-se à colheita de dados epidemiológicos, clínicos e referentes à opção terapêutica e às mortalidades precoce (primeiros 30 dias após a alta) e tardia (entre os 30 e 60 dias subsequentes à mesma). Averiguamos ainda a realização das vacinações anti-influenza e anti-pneumocócica no pós-internamento e a ocorrência de novos episódios de PAC. Na avaliação estatística, entre outras metodologias, recorremos à regressão de Cox, no sentido de analisarmos a contribuição desses dados para o prognóstico dos doentes. Resultados: A nossa Amostra Médica incluiu assim 225 doentes. A mortalidade total foi de 7,6%. Os doentes com mais de 65 anos (53,8%) e com score de gravidade 2 segundo o CURB-65 (24,9%) foram os que mais contribuíram para o desfecho fatal. 4 Outros fatores estiveram associados a um pior prognóstico: sexo masculino, presença de comorbilidades, história de infeções prévias do trato respiratório, realização de antibioterapia prévia, menor duração da sintomatologia, do internamento e das antibioterapias endovenosa e oral, atingimento pulmonar bilateral, identificação dos microrganismos Klebsiella Pneumoniae e Acinetobacter Baumanii e ausência de antibioterapia com um macrólido e a associação penicilina / inibidor das β-lactamases. No entanto, a análise da regressão de Cox demonstrou não existir uma associação significativa do ponto de vista estatístico. Conclusão: Este estudo sugere que, entre outros fatores, a idade avançada e um score de gravidade clínica superior constituem marcadores de mau prognóstico em doentes com PAC. Estes dados reforçam a necessidade de otimização da abordagem inicial e posterior acompanhamento dos doentes. A aposta na prevenção dos fatores de risco e a melhoria da adesão às campanhas de vacinação poderão assumir um papel crucial nesse sentido.
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7,099
Broncologia de intervenção no carcinoma do pulmão
Carcinoma do pulmão de não-pequenas células,Exames complementares de diagnóstico
O cancro do pulmão é ainda a maior causa da mortalidade por cancro em todo o mundo, com uma baixa taxa de sobrevida. O diagnóstico e o estadiamento precoces são fundamentais para definir a melhor conduta terapêutica e o prognóstico do paciente. Novas técnicas diagnósticas têm surgido recentemente no sentido de se aumentar as possibilidades de diagnósticos precoces do cancro do pulmão. Broncoscopia de autofluorescência, ultrassonografia endobrônquica ou navegação electromagnética broncoscópica são algumas dessas técnicas, minimamente invasivas e muito seguras, que podem aumentar a capacidade de diagnóstico e de estadiamento precoces. Os pacientes com cancro do pulmão em estádio avançado desenvolvem sintomas respiratórios devido ao crescimento central ou endobrônquico do tumor, ou até mesmo pela compressão das vias aéreas. Muitas modalidades de tratamento endobrônquicas estão disponíveis, sendo indicadas tanto em estádios avançados do cancro do pulmão com obstrução grave das vias aéreas como em estádios iniciais. A laserterapia, a coagulação com árgon-plasma, a terapia fotodinâmica, a braquiterapia e as próteses, são exemplos de algumas das técnicas utilizadas na gestão dessa doença. Essas terapias são frequentemente utilizadas em combinação umas com as outras, atingindo-se dessa forma um rápido alívio dos sintomas, melhorando consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes com cancro do pulmão. Todos esses métodos podem ser combinados entre si, ou complementar outros métodos paliativos, tais como a radiação ou a quimioterapia
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7,100
A tomografia computorizada e os marcadores biológicos na avaliação da síndrome aórtica aguda
Tomografia por emissão computorizada,Marcadores biológicos,Aorta
A Síndrome Aórtica Aguda (SAA) é incomum, grave e requer um diagnóstico e tratamento precoces em virtude de se associar a elevadas taxas de mortalidade. No seu algoritmo diagnóstico estão habitualmente incluídos uma avaliação laboratorial sumária e exames imagiológicos, sendo o método de imagem mais comumente utilizado na sua abordagem inicial a tomografia computorizada (TC), a qual permitirá excluir o diagnóstico em muitos dos casos em que é colocada essa suspeita. Por outro lado, são também usados biomarcadores como os D-dímeros, leucócitos, proteína C reactiva (PCR), creatina cinase (CK) e troponina I como indicadores de probabilidade no diagnóstico. Neste trabalho seleccionou-se uma amostra de doentes submetidos a angiografia torácica e/ou abdominal por TC multidetectores com suspeita de SAA ou com esse diagnóstico confirmado, num período de três anos (2010-2012), com posterior recolha dos dados relativos ao doseamento sérico dos biomarcadores referidos acima. Realizou-se uma avaliação demográfica e da prevalência da SAA, verificou-se a relação entre a suspeita e a confirmação do diagnóstico através da TC e compararam-se os doseamentos séricos médios entre os doentes com e sem SAA. Verificou-se uma baixa prevalência da SAA no conjunto de TC realizadas (aproximadamente 1,09%), num total de 33 casos; o diagnóstico foi confirmado apenas em cerca de um quarto dos casos em que existia uma suspeita inicial. O doseamento dos biomarcadores PCR, CK e troponina I não mostrou propriedades diagnósticas favoráveis. Quanto aos leucócitos, apesar de terem sido encontradas médias com diferença significativa entre grupos, não parecem ter utilidade como ferramenta diagnóstica na SAA. Os D-dímeros apresentaram um valor preditivo negativo de 92% para o valor de corte de 1,57 µg/mL, mostrando assim ser o biomarcador com maior utilidade na SAA, pois a sua exclusão será muito provável para valores inferiores aos referidos. Para este valor de corte, a acuidade diagnóstica foi de 88%, embora a utilidade como ferramenta de exclusão se considere superior à sua utilidade como forma de confirmar o diagnóstico. Concluiu-se com este trabalho que a TC é um método imagiológico útil no esclarecimento da suspeita de SAA, permitindo excluir esse diagnóstico na sua maioria. Consideramos que o doseamento sérico dos D-dímeros deverá fazer parte de uma abordagem diagnóstica integrada com a realização de exame imagiológico, pois poderá contribuir para excluir ou elevar a suspeita de SAA, seleccionando de uma forma mais eficiente os doentes que devem ser melhor estudados por TC.
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7,101
Fertilidade masculina e envelhecimento
Envelhecimento,Fertilidade
Introdução: Todo o organismo vivo está sujeito ao processo de envelhecimento, isto é, a perda progressiva das suas funções, tendo como resultado final a morte desse mesmo organismo. Ao longo da vida, os órgãos e tecidos humanos são alvo de diversas modificações relacionadas com a idade e com o envelhecimento. O resultado destas manifestações, para além de poder aumentar a susceptibilidade de um determinado organismo à doença, contribui essencialmente para o declínio das funções associadas aos órgãos alvo. A influência deste envelhecimento na fertilidade masculina, embora ainda pouco estudado, tem sido objeto de estudo, tendo sido já obtidas algumas conclusões relevantes. Com o contínuo envelhecimento da população, os estudos dos efeitos da idade nos órgãos e tecidos humanos são cada vez mais suscetíveis de interesse. Objetivo: O objetivo deste artigo é providenciar evidência científica atualizada, de forma a compreender a influência da idade no potencial fértil masculino, caraterizando as alterações que ocorrem ao nível orgânico e de que forma podem influenciar a fertilidade e a ocorrência de determinadas patologias na descendência. Resultados: Com o avançar da idade verifica-se a ocorrência de alterações histomorfológicas testiculares que condicionam alterações importantes nos parâmetros espermáticos. Alterações endócrinas e exócrinas também podem afetar de forma negativa a espermatogénese, embora não existam ainda estudos muito conclusivos no que toca à influência destas alterações no declínio da fertilidade. A existência de comorbilidades com o avançar da idade e os seus tratamentos parecem ter também efeitos na fertilidade masculina, tanto por condicionarem a atividade física e psíquica do individuo, como por existirem efeitos diretos deletérios dos fármacos usados 5 para o tratamento destas afeções na espermarmatogénese, funções endócrina e exócrina, parâmetros histomorfológicos, etc. A idade paterna avançada parece também associar-se à maior incidência de patologia na descendência. Doenças como Autismo, esquizofrenia e Síndrome de Down são mais prevalentes em descendentes de indivíduos com idade avançada. Conclusão: O efeito real da idade paterna na fertilidade ainda não se encontra bem definido, embora já se encontre algum trabalho realizado e que aponta para a influência negativa do envelhecimento no potencial fértil masculino
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7,104
Estado anterior : contributo para a sua caracterização na perspectiva da avaliação médico-legal
Medicina legal,Feridas e lesões,Dano corporal
Um problema complexo da avaliação do dano corporal pós-traumático para fins de reparação ocorre quando nos deparamos com a existência de um estado anterior ao traumatismo. A forma como é valorado o estado anterior, sem critérios de homogeneidade entre os diversos peritos médicos, origina, com alguma frequência, dificuldades interpretativas que impedem uma correcta avaliação do dano pós-traumático. Mesmo na vertente clínica da abordagem médico-legal desta temática, as orientações específicas sobre a sua metodologia de avaliação são escassas. Assim, a pouca informação sobre esta matéria a nível nacional, sobretudo na vertente médico-legal, aliada à complexidade da sua análise e à falta de uniformização neste tipo de avaliação, constituíram as principais motivações do estudo agora apresentado. Foram avaliadas as possíveis associações existentes entre patologias orgânicas ou traumáticas e um estado anterior, com o objectivo de melhor descrever os princípios gerais e específicos para o estabelecimento da imputabilidade e/ou agravamento dessas mesmas patologias. Neste enquadramento foi ainda efectuado um estudo retrospectivo, tendo por base perícias médico-legais, onde as lesões traumáticas provocaram um eventual agravamento do estado anterior ou em que este influenciou negativamente as consequências do traumatismo. Foram descritos alguns casos, enfatizando a metodologia de avaliação médico-legal e a forma de valorização do estado anterior. A título de exemplo, pode referir-se que a frequência de uma artrose cervical na população em geral é elevada e, muitas vezes, assintomática, pelo que é lícito questionar a responsabilidade do traumatismo no agravamento de uma artrose ou no desencadeamento da sua expressão sintomática. Nas hérnias discais pode aceitar-se a influência do traumatismo apenas quando o intervalo temporal é inferior a três ou quatro meses (podendo, no entanto, ser maior no caso de fractura vertebral pós-traumática) e v não for encontrada qualquer outra causa favorável ao aparecimento desta lesão. Um traumatismo pode desencadear ou agravar o quadro clínico de lesões da coifa de rotadores pré-existentes. Um reumatismo inflamatório pode ser desencadeado ou agravado por um evento traumático, desde que o intervalo temporal livre esteja ausente (nas espondiloartropatias) ou seja inferior a três meses (nas artrites periféricas). Um traumatismo físico ou psíquico pode desencadear ou agravar a situação clínica de uma psoríase, sendo que o intervalo de aparecimento não deve ser superior a cinco ou seis semanas. No que se refere à esclerose múltipla, aceita-se que o traumatismo apenas possa gerar um impulso evolutivo desta patologia. Um evento traumático pode provocar uma epilepsia pós-traumática, pode agravar uma epilepsia pré-existente ou até desencadear o aparecimento de uma epilepsia latente. O nexo de causalidade entre um traumatismo e um enfarte agudo do miocárdio é mais facilmente estabelecido na ausência de factores de risco cardiovasculares e quando este quadro patológico ocorre nos momentos subsequentes ao traumatismo. Para que o traumatismo possa revelar ou agravar uma tuberculose, o seu intervalo de aparecimento deve estar compreendido entre um mês a seis meses na tuberculose osteo-articular periférica, entre quinze dias a seis meses na tuberculose urogenital e até trinta meses na tuberculose vertebral. Para se discutir o estabelecimento do nexo de causalidade entre um traumatismo e o aparecimento de uma arteriopatia dos membros inferiores, o intervalo temporal deve ser inferior a um ano. Para que o traumatismo possa agravar uma diabetes mellitus pré-existente ou até desencadear uma diabetes mellitus insulino-dependente, o intervalo temporal não deve exceder os quatro ou seis meses. Em determinadas circunstâncias poderá aceitar-se o papel do traumatismo na aceleração evolutiva do cancro, estimulando a sua disseminação. vi Em regra, a verificação de um dano físico ou patológico anterior não constitui, usualmente, uma tarefa complexa. Porém, estabelecer com rigor e precisão a influência que esse estado anterior pode assumir na situação em avaliação, pode revelar-se difícil, até porque a valorização do estado anterior depende, em grande medida, do ramo do Direito em que a perícia se processa. Na verdade, se no âmbito do Direito do Trabalho, são várias as regras que devem ser aplicadas nestes casos, o mesmo já não ocorre no âmbito do Direito Civil
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7,105
Um olhar sobre o crime de pedopornografia : importância do uso de fotografia da face na estimativa da idade
Antropologia forense,Criança,Abuso sexual da criança,Fotografia,Determinação da idade pelos dentes,Determinação da idade pelo esqueleto,Face
A estimativa da idade de vítimas de pedopornografia tem vindo a desempenhar um papel essencial na prática forense, devido ao elevado número de casos de pornografia infantil observado nas últimas décadas. No sentido de tentar combater este problema, vários peritos são chamados a depor em tribunal. Tendo em mente o propósito do presente projecto, na verificação da importância do uso de fotografias da face, na estimativa da idade em casos de pedopornografia, procedeu-se à análise de 128 fotografias da face de menores (83 do sexo feminino e 45 do sexo masculino), com idades compreendidas entre 1 e 17 anos, efectuada por um conjunto de 12 avaliadores (3 antropólogos forenses, 3 médicos-legistas, 3 pediatras e 3 “não-especialistas”). Cada avaliador efectuou um total de 4 observações, separadas temporalmente, sendo que nas duas iniciais apenas se pronunciaram sobre a idade de cada indivíduo observado, enquanto nas duas últimas mencionaram igualmente qual a característica geral da face mais relevante para a indicação da idade. Os resultados obtidos demonstram que a estimativa da idade apresenta melhores resultados (87,92%) quando se trata de indivíduos mais novos (<12 anos). Quando analisada a fiabilidade das respostas dadas pelos avaliadores, constata-se que só a partir de um erro de ± 2 anos é que se verificam resultados “fiáveis” (79,51%). Ao examinar a influência de alguns parâmetros nas estimativas realizadas (sexo, existência de filhos e categoria profissional dos avaliadores, assim como sexo dos indivíduos em estudo), observa-se que, para as idades concretas, apenas a categoria profissional dos avaliadores e o sexo dos indivíduos em estudo não influenciam as estimativas correctas. Contudo, nos grupos etários, os resultados diferem, com a categoria profissional a ser o único parâmetro a influenciar as estimativas correctas (evidenciando-se os Pediatras com melhores resultados). Relativamente às características gerais da face mais relevantes para a estimativa da idade, salienta-se o “aspecto geral da face”, mais frequentemente mencionado pelos avaliadores, mas mais vezes associado a estimativas incorrectas (75,39%). Em termos gerais, apesar de Portugal não possuir qualquer ferramenta informática que permita analisar a estimativa da idade com base em fotografias, acredita-se que devam ser implementados novos critérios que permitam melhorar este tipo de metodologias de modo a não serem causadores de erros judiciais.
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7,106
Mecanismos celulares e moleculares envolvidos na trombose : implicações clínicas e terapêuticas
Trombose,Epidemiologia,Fisiopatologia,Prevenção e controlo,Terapia,Factores de risco,Trombofilia
A trombose apresenta-se como uma importante causa de morbilidade e mortalidade, particularmente nos países industrializados o que se deve, em parte, ao envelhecimento global da população e consequente aumento da prevalência de muitos dos fatores de risco conhecidos como integrantes na patogenia da trombose. Vários desses fatores de risco têm sido alvo de pesquisas detalhadas no intuito de identificar os principais grupos de risco e proporcionar-lhes tratamento profilático eficaz. Neste sentido, é fundamental, além de manter uma elevada suspeita clínica, saber distinguir uma trombofilia de uma situação causal potencialmente reversível, ou seja, diferenciar quais os doentes em que o risco trombótico pode ser atenuado apenas pela correção dos seus fatores de risco e quais os que, nessa impossibilidade, têm de ser estudados e mantidos sob vigilância regular de forma a evitar uma possível recorrência. Existe toda uma bateria de testes laboratoriais de coagulação atualmente disponíveis, no entanto, o seu uso deve complementar, e não substituir, a avaliação clínica. Além disso, não existe nenhum exame em particular que forneça uma avaliação global da hemostase. O Novo Modelo Celular da Coagulação veio reforçar esta limitação dos testes laboratoriais em reproduzir in vitro os eventos que estão na base do sistema hemostático. As opções de tratamento da trombose também têm sido alvo de muita polémica e controvérsia, nomeadamente no que diz respeito à anticoagulação oral. Até à relativamente pouco tempo, os inibidores da vitamina K (representados mais popularmente pela varfarina) eram os únicos fármacos disponíveis no mercado. Recentemente, novos anticoagulantes orais de ação mais seletiva e previsível têm vindo a surgir e conquistar popularidade. Mas também eles têm limitações e a ausência de monitorização regular e de antídoto exige uma maior responsabilidade por parte quer do médico quer do doente, nomeadamente no que diz respeito à adesão à terapêutica. Assim, é necessária mais investigação nesta área com vista ao afastamento da trombose do pódio das patologias mais letais no mundo.
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7,107
Estudo citogenético e molecular em indivíduos com défice cognitivo : impacto na área médico-legal
Distúrbios do conhecimento,Genética,Medicina legal
O défice cognitivo (DC) é um distúrbio com uma elevada prevalência na população. Tem um grande impacto na qualidade de vida da pessoa afetada, na família e na comunidade onde o indivíduo se insere, na sociedade, nos sistemas de educação e solidariedade social e mesmo no sistema legal. Deste modo a determinação da etiologia torna-se indispensável, tanto do ponto de vista familiar, económico e social como jurídico. O desenvolvimento da genética, nas áreas da citogenética, biologia molecular e da genómica propicia um estudo mais aprofundado e alargado de indivíduos com DC e distúrbios do comportamento de causa desconhecida. Deste modo pretendeu-se neste estudo: (I) Identificar e caracterizar as alterações genotípicas dos indivíduos pertencentes ao grupo de pacientes com défice cognitivo e distúrbios do comportamento estudados no Laboratório de Citogenética e Genómica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, referidos pelas consultas de Genética Médica e de Desenvolvimento do Hospital Pediátrico de Coimbra nos anos 2010 e 2011. (II) Estabelecer a correlação entre o genótipo e o fenótipo destes indivíduos de modo a demonstrar a causalidade das alterações encontradas. (III) Justificar e sustentar a importância de exames complementares de diagnóstico genético na avaliação feita pelo perito médico e na elaboração do relatório médico-legal, sempre que envolvam indivíduos (vítimas ou agressores) com défice cognitivo e distúrbios do comportamento. A realização deste trabalho permitiu detetar numa percentagem significativa de casos (15,7%) alterações no genótipo de indivíduos com DC e distúrbios do comportamento. Tornando-se o estudo citogenético, molecular e genómico um meio complementar de diagnóstico essencial, permitindo que se estabeleça uma prova da causalidade do DC e dos distúrbios de comportamento apresentados por estes indivíduos e se justifique o fenótipo apresentado pelos mesmos. Em resumo, com os resultados obtidos a partir desta investigação pode afirmar-se que o estudo citogenético, molecular e genómico é um meio de diagnóstico importante destes indivíduos quando avaliados nas perícias médico-legais, enquadrados em crimes de maus tratos e/ou abuso sexual
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7,108
Transplantação renal em doentes com disfunção do trato urinário baixo
Sintomas do trato urinário inferior,Transplantação do rim,Falência renal crónica
Contexto: A disfunção do trato urinário baixo engloba um conjunto de patologias que podem levar à doença renal crónica terminal (DRCT). Está bem estabelecido que o tratamento de escolha para a DRCT é o transplante renal. Este grupo de doentes requer uma abordagem específica da sua patologia de base por forma a obter resultados satisfatórios com o transplante. Objetivo: Pretendemos rever quais as estratégias de transplantação renal em doentes com insuficiência renal terminal causada por disfunção do trato urinário baixo, bem como os resultados obtidos, por forma a sintetizar quais as que permitem melhor sobrevivência individual e do enxerto. Aquisição de evidência: Analisámos estudos relevantes publicados na literatura, tendo como fontes Pubmed, Web of Knowledge, B-on, Elsevier, Sciente Direct, dando primazia a estudos de revisão ou estudos comparativos de larga escala, selecionando artigos desde o ano 2000 até ao presente. Síntese de evidência: A transplantação renal pode ser aplicada com sucesso em doentes com antecedentes de patologia do trato urinário baixo, obtendo resultados comparáveis com aqueles grupos sem esta condição. Os avanços recentes nas técnicas cirúrgicas permitem criar um trato urinário baixo novo e adaptado capaz, de manter a boa função do enxerto. Conclusões: A patologia do trato urinário baixo já não é considerada uma contraindicação à transplantação renal e a sua abordagem e tratamento apropriados permitem alcançar resultados bastante satisfatórios.
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7,109
Genética do suicídio : a hipótese GABAérgica
Suicídio,Genética,Ácido gama-aminobutírico,Receptores de GABA,Receptores de GABA-A,Receptores de GABA-B
O suicídio é uma das grandes problemáticas dos dias de hoje, atingindo cerca de um milhão de pessoas em cada ano. Estudos familiares, de gémeos e de adoção demonstram que existe uma componente genética de cerca de 30-55% para o comportamento suicida. O estudo dos fatores genéticos que podem predispor os indivíduos para este comportamento pode contribuir para a prevenção de situações de risco. O sistema GABAérgico tem sido implicado na etiologia do suicídio. Por exemplo, estudos de microarrays revelam alterações nos níveis de expressão de genes das subunidades de recetores GABAA, em vítimas de suicídio. Contudo, os genes do sistema GABAérgico estão mundialmente pouco estudados em relação à etiologia do comportamento suicida. Neste estudo, investigou-se o papel dos polimorfismos IVS10+15A>G do gene GABRA1, G3145A do gene GABRG2 e C1412T do gene GABRB2, na etiologia do suicídio na população portuguesa. Os resultados obtidos não revelaram associação entre os polimorfismos nos genes GABRA1 (IVS10+15A>G), GABRG2 (G3145A) e GABRB2 (C1412T) e o suicídio na amostra de indivíduos da população portuguesa estudada.
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7,110
Ritmos circadianos e perturbações de humor
Ritmo circadiano,Transtornos do humor
Ritmos circadianos são ritmos endógenos com a periodicidade aproximada de 24 horas que controlam vários processos biológicos. Estes ritmos estão normalmente sincronizados ao ambiente físico e social e são regulados principalmente pelo núcleo supraquiasmático, influenciado por estímulos fóticos e não fóticos. Várias evidências apontam para a existência de uma relação entre a desregulação dos ritmos circadianos e a fisiopatologia de perturbações de humor. Fez-se uma revisão de artigos sobre ritmos circadianos, perturbações de humor e terapêuticas antidepressivas dirigidas à regulação de ritmos circadianos, tendo sido analisados 57 artigos científicos. Apresentou-se um resumo da informação colhida que inclui uma explicação inicial sobre a base anatómica, fisiológica e genética dos ritmos circadianos, seguida dos mecanismos de desregulação e ritmos mais comummente desregulados nas perturbações de humor, e por fim uma apresentação de algumas terapêuticas antidepressivas dirigidas à regulação dos ritmos circadianos. Conclui-se a provável existência de uma relação bidireccional entre perturbações de humor e desregulações de ritmos circadianos, bem como a eficácia antidepressiva de terapêuticas dirigidas à correcção dos mesmos
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7,111
Envelhecimento demográfico e sustentabilidade do sistema de segurança social
Envelhecimento da população
A temática do envelhecimento demográfico e a sua relação com a sustentabilidade dos sistemas de segurança social, em particular no caso do volume e quantidade de pensões de velhice atribuídas, reveste-se de capital importância e actualidade. Para se compreender com clareza esta relação, é fundamental concretizar três realidades: o envelhecimento das populações; a história, orgânica e funcionamento dos sistemas de segurança social (no caso, o português); e de que forma estas se relacionam. A história da preocupação social formal com o bem-estar das populações remonta ao séc. XV, existindo todavia de forma informal desde tempos imemoriais. A legislação aprovada no âmbito da segurança social é vasta, e o seu conhecimento permite integrar de que forma esta foi sendo adaptada ao longo do tempo. Se a orgânica e modo de funcionamento do sistema se compreendem consultando a vasta legislação existente, nomeadamente a Lei de Bases do Sistema de Segurança Social, múltiplos indicadores permitem, com objectividade, analisar a interacção deste com a situação demográfica actual. O envelhecimento demográfico, olhando para a taxa bruta de mortalidade, esperança de vida à nascença e aos 65 anos e indicadores de fertilidade, assim como os números relativos a migrações e aos movimentos das populações. A situação actual do sistema de segurança social atentando no índice de sustentabilidade potencial, índice de dependência de idosos, assim como a evolução dos números relativos aos beneficiários de pensões de velhice, peso no PIB do sistema e evolução deste. O peso crescente da população idosa ameaça a sustentabilidade do sistema de segurança social, sendo uma ameaça de teor multifactorial: não apenas o número de pensões Envelhecimento Demográfico e Sustentabilidade do Sistema de Segurança Social 4 de velhice tem gradualmente aumentado, mas também as de invalidez e de sobrevivência, a procura de recursos de saúde, aliadas a uma diminuição relativa da população activa, e, portanto, das contribuições para o sistema de segurança social. A compreensão da realidade demográfica do país, do funcionamento do sistema de segurança social e da interacção de ambos permite, de uma forma mais rigorosa, pensar em soluções para a questão levantada
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7,112
O papel das células T reguladoras dos ligandos BAFF e APRIL e receptores Baff-R e TACI no cancro e autoimunidade
Linfócitos T,Auto-imunidade,Neoplasias
Introdução: Atualmente, verifica-se um aumento de incidência tanto de doenças oncológicas como de doenças auto-imunes na população em geral. Há diversos mecanismos celulares e vias de sinalização celular envolvidos na doença autoimune e oncológica, no entanto o NF-κB, os ligandos BAFF e APRIL e seus recetores, BAFF-R e TACI, e as células reguladoras T reguladoras são os mais preponderantes. Objetivos: Com este trabalho pretende-se identificar e quantificar o NF-kB, os ligandos BAFF e APRIL e seus recetores, BAFF-R e TACI, e as células T reguladoras, em doentes com doenças auto-imunes e/ou neoplásicas, de modo a contribuir para clarificar o seu papel nestas patologias. Métodos: Foram quantificadas as células T reguladoras (Treg) e avaliada a expressão do BAFF, BAFF-R, TACI e APRIL em doentes com doenças auto-imunes e/ou neoplásicas de modo a analisar o seu papel na fisiopatogenia destas doenças. O estudo foi efetuado em Sangue Periférico (SP) de 11 controlos saudáveis (CTL) e de 76 doentes, dos quais 21 com doenças auto-imunes (DAI), 47 com neoplasias (NEO) e 8 com ambas as patologias (DAI e NEO). Após a colheita do SP, procedeu-se à análise das diferentes populações linfocitárias, com identificação das células Treg, e avaliação da expressão do BAFF, BAFF-R, TACI e APRIL por citometria de fluxo, utilizando anticorpos monoclonais marcados com sondas fluorescentes. Os resultados obtidos foram estatisticamente analisados pelo teste Anova, T-student e análise multivariada (p<0.05). Resultados: Na análise dos resultados do linfograma, os linfócitos totais dos doentes DAI e dos doentes NEO encontravam-se diminuídos em comparação com os controlos. Observou-se diminuição significativa de linfócitos B nos doentes com DAI e doença auto-imune e neoplásica (DAI+NEO) e aumento significativa dos linfócitos T dos doentes com DAI comparativamente aos controlos e aos doentes com neoplasia. As células nTreg dos indivíduos saudáveis (controlos) representam um pequeno nicho de células, no entanto, os diferentes grupos de doentes apresentam aumento significativo desta percentagem de células. Os doentes com neoplasia apresentam aumento da percentagem de células a expressar BAFF comparativamente aos controlos, contrariamente, os doentes com DAI+NEO e os doentes com DAI apresentam menor percentagem destas células. O recetor de superfície BAFF-R revelou maior percentagem de expressão nas células de doentes com DAI+NEO do que nas células dos controlos. A análise do ligando TACI revelou que o grupo de doentes com neoplasia se destacava dos restantes grupos de doentes devido à elevada percentagem de expressão. Por fim, a análise do ligando APRIL revelou que os grupos de doentes com DAI+NEO e os NEO apresentam cerca de 3 vezes mais células com expressão desta molécula comparativamente aos controlos. Discussão: Nos doentes analisados verificou-se aumento significativo das células nTreg nos doentes com DAI, com doença neoplásica e principalmente nos doentes com DAI e neoplasia, possivelmente uma forma das patologias oncológicas gerarem um ambiente imunossupressor e uma tentativa do sistema imune dos doentes com DAI de suprimir a resposta inflamatória anómala. Considerando os ligandos BAFF, BAFF-R, TACI e APRIL, o grupo de doentes com neoplasia, revelou aumento substancial de expressão destes ligandos, revelando que podem ser mecanismos adquiridos de sobrevivência celular em doenças neoplásicas. Conclusão: Comprovou-se que há distúrbios relevantes a nível dos linfócitos B e T, com alteração das suas populações em ambas as patologias. Além disso, os nossos resultados sugerem que as células T reguladoras e os ligandos e recetores relacionados com o NF-kB, BAFF, APRIL e BAFF-R e TACI, respetivamente, podem participar na fisiopatologia das doenças auto-imunes e neoplásicas, podendo eventualmente constituir novos alvos terapêuticos para o tratamento destas patologias
Ciências Médicas e da Saúde
7,114
Infecção urinária de repetição na mulher adulta saudável :estado da arte
Infecções das vias urinárias,Mulheres
Introdução: As infecções do tracto urinário estão entre as doenças infecciosas bacterianas mais comuns e afectam sobretudo a população feminina. Estima-se que 25% das mulheres que já tiveram um episódio de cistite aguda venha a ter, pelo menos, uma recidiva ao longo da sua vida. Objectivo: Pretende-se rever o estado da arte acerca da Infecção Urinária de Repetição na mulher adulta saudável, incluindo definição, epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, factores de risco, diagnóstico, tratamento, profilaxia e custos associados. Materiais e métodos: Realizou-se uma pesquisa nas bases de dados da MEDLINE e PubMed, de artigos originais, revisões, meta-análises, revisões sistemáticas, normas de orientação clínica e ensaios clínicos publicados nos últimos anos, nas línguas inglesa e portuguesa. Foram utilizados principalmente os termos MeSH Urinary Tract Infections e recurrence ou Prevention and Control. Foram também consultadas publicações da Associação Portuguesa de Urologia, nomeadamente Acta Urológica, Separatas e Guias de Prática Clínica. Resultados: A cistite aguda ocorre principalmente em mulheres e raramente está associada a doenças de base e/ou anomalias estruturais ou funcionais do tracto urinário. A Echerichia coli é o agente etiológico isolado com maior frequência, sendo responsável por 70-95% do total dos casos. Este microrganismo possui determinantes genéticos de virulência e de resistência aos antibióticos, que desempenham um papel importante em infecções urinárias de repetição, definidas como a existência de, pelo menos, duas infecções durante seis meses ou três episódios durante um ano. A identificação de factores de risco e/ou situações predisponentes à infecção constitui uma etapa fundamental na abordagem das infecções urinárias de repetição, cujo diagnóstico deve incluir pelo menos uma urocultura. A antibioterapia é crucial no tratamento da cistite aguda não complicada, mas enquanto estratégia profilática não é VIII obrigatória. São possíveis várias abordagens, sendo que a profilaxia contínua apresenta uma eficácia de 95%, embora a profilaxia pós-coito seja preferível nos casos em que os episódios sucessivos de cistite estejam relacionados com a actividade sexual. A terapêutica auto-instituída está reservada para mulheres diferenciadas, com história de recorrências bem documentada, capazes de reconhecer a sintomatologia e de cumprir criteriosamente as instruções médicas. Além dos efeitos adversos associados à antibioterapia, a emergente resistência aos antibióticos acentua a necessidade de terapêuticas profiláticas alternativas, com destaque para a imunoterapia, que é hoje considerada a opção mais eficaz e mais bem documentada. O consumo de arando, a administração intravaginal de lactobacilos, a aplicação vaginal de estradiol/estriol e a acupuntura são outras das alternativas disponíveis. Finalmente, as infecções urinárias recorrentes são muito comuns e constituem um real problema sócio-económico, tendo em conta o grau de morbilidade e os custos que acarretam. Conclusões: Pela sua elevada frequência, as infecções urinárias de repetição têm grandes repercussões em termos de morbilidade e custos em saúde. De modo a minorar esta situação, é fundamental que os episódios de cistite aguda sejam correctamente diagnosticados, tratados e prevenidos, de acordo com as normas de orientação clínica actualmente em vigor, que já contemplam o crescente problema mundial da resistência aos antibióticos. Para esse efeito, não deve ser esquecida a variabilidade existente entre as várias regiões geográficas, relativamente não só aos agentes etiológicos mais frequentemente isolados, mas também ao perfil de susceptibilidade local desses microrganismos aos antibióticos.
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Acidentes de viação em menores : mortalidade dos últimos 10 anos
Acidente de trânsito,Criança,Mortalidade
Introdução: A sinistralidade rodoviária é um grave problema de saúde pública. Os acidentes de viação são uma das principais causas de morte em menores, apesar do número destas ter vindo a diminuir. Contudo, essa diminuição poderia ser ainda mais acentuada se todas as medidas consideradas eficazes na prevenção destes acidentes fossem devidamente implementadas. Objetivos: Apurar os padrões de mortalidade de menores vítimas de acidentes de viação e a sua variabilidade, e analisar estes dados face aos de outras entidades oficiais e face às medidas preventivas rodoviárias implementadas nos últimos anos. Metodologia: Realizou-se um estudo retrospetivo, revendo os 49 processos de autópsias de menores vítimas de acidentes de viação realizadas, de 2003 a 2012, na Delegação do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, recolhendo dados quanto à vítima, ao acidente, à viatura envolvida e aos traumatismos resultantes, relacionando-os entre si, e ainda quanto à presença de álcool ou drogas de abuso e à utilização de dispositivos de segurança. Resultados: Verificou-se um mínimo de dois mortos/ano, sendo 2003 o ano com mais casos. No período estudado, constatou-se uma diminuição de 65,53% na mortalidade de menores por acidente de viação, predominando vítimas adolescentes do género masculino. A maior parte dos acidentes ocorreu em Agosto e/ou à sexta-feira, sendo que as colisões e os atropelamentos foram os tipos de acidente mais frequentes, com veículos ligeiros a estarem mais vezes envolvidos. A falta de informação limitou a análise quanto ao uso de dispositivos de segurança e à influência de álcool e/ou drogas de abuso. Todas as vítimas apresentavam lesões em mais do que um segmento corporal, sendo que as lesões da cabeça foram as mais frequentes. Conclusões: A diminuição encontrada da mortalidade rodoviária de menores é consistente com dados nacionais e europeus. Dever-se-á ao aumento da segurança rodoviária, às campanhas preventivas, à mudança de comportamentos de condutores e peões, à fiscalização rodoviária e às alterações legislativas obrigando ao uso de dispositivos de segurança adequados. O elevado número de adolescentes mortos, relacionar-se-á com a crescente autonomia destes e com a não utilização de Sistemas de Retenção de Crianças após os 12 anos. Torna-se necessário reforçar a adesão às medidas que se mostraram eficazes na prevenção de acidentes, visando diminuir a sinistralidade, nomeadamente em menores, que são os mais vulneráveis a lesões e/ou sequelas severas. É fundamental o aumento da utilização correta dos dispositivos de segurança, a maior fiscalização rodoviária em áreas residenciais/escolares e a formação de pais e educadores para promoverem comportamentos rodoviários adequados.
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Nova abordagem terapêutica para o colangiocarcinoma: do NIS à radioterapia metabólica
Neoplasias do tracto biliar,Colangiocarcinoma,Canais biliares
O colangiocarcinoma (CC) é uma neoplasia com mau prognóstico que possui uma taxa de sobrevivência diminuta, tornando-se crucial investigar novas opções terapêuticas para este tipo de tumor altamente agressivo. Recentemente foi demonstrado que o CC apresenta expressão aumentada de NIS (do inglês sodium iodide symporter), uma molécula que medeia a captação de iodo. É sabido que o NIS possui um papel preponderante na radioterapia metabólica com iodo-131 para o tratamento de tumores da tiróide, sendo também atualmente alvo de investigação ativa para o tratamento de tumores extra-tiroideus. Assim, o objetivo deste trabalho consistiu em avaliar o potencial terapêutico da radioterapia metabólica com iodo-131 numa linha celular de CC. Para tal, foi utilizada uma linha celular humana de CC extrahepático, a linha TFK- 1. Os estudos foram iniciados pela determinação da expressão de NIS na linha celular, e para além disso realizaram-se estudos de captação e de retenção de iodo-131. Posteriormente as células foram sujeitas a doses de radiação entre 0,35 e 60 Gy com este radioisótopo, para avaliar e caracterizar os efeitos da radioterapia metabólica ao nível da sobrevivência celular, danos no DNA, tipos e mecanismos de morte celular induzidos e alterações no ciclo celular. Verificou-se que as células TFK-1 expressam NIS, aumentando a captação após irradiação. Em concordância, o iodo-131 é captado e retido por esta linha celular. Observou-se que o tratamento com iodo-131 induziu danos severos no DNA e um decréscimo da sobrevivência celular, dependentes da dose de radiação. O tipo de morte celular predominantemente induzido foi a apoptose, seguida por uma tendência para o aumento da razão BAX/BCL-2, despolarização da membrana mitocondrial e libertação de citocromo c. Após a irradiação, verificou-se um aumento da produção de radical superóxido e de peróxidos intracelulares. Observou-se também uma tendência para o XII ! aumento da expressão de superóxido dismutase e de glutationa reduzida. No que se refere à análise do ciclo celular, não se verificaram diferenças relativamente ao controlo. Desta forma foi possível concluir que as células TFK-1 expressam NIS, o que permite a captação de iodo-131. Consequentemente, a irradiação com iodo-131 induz danos no DNA, resultando numa diminuição da sobrevivência e da viabilidade celular bem como um aumento da morte celular principalmente por apoptose, através da via mitocondrial. O radical superóxido e os peróxidos intracelulares parecem estar envolvidos neste processo. Pelo exposto, a radioterapia metabólica com iodo-131 poderá ser uma opção promissora para o tratamento do CC.
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Gated SPECT myocardial perfusion imaging in patients with end stage renal disease : comparison with clinical data
Falência renal crónica,Doença da artéria coronária,Doenças cardiovasculares,Factores de risco,Imagem de perfusão do miocárdio,Electrocardiografia
Introdução: Os doentes com doença renal terminal (DRT) representam uma população particularmente desafiante dado que a doença arterial coronária (DAC) continua a ser uma das principais causas de morte nesta população, o que limita o sucesso a longo prazo do transplante renal. Deste modo, a estratificação do risco cardiovascular é fundamental na seleção de doentes para transplante e pode ser realizada de forma não invasiva pela CPM. O objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência de alterações na cintigrafia de perfusão do miocárdio (CPM) e a sua relação com fatores de risco cardiovascular, manifestações clínicas de isquémia, padrão electrocardiográfico (ECG) e frequência cardíaca após a administração de adenosina em pacientes com DRT. Métodos: Foram incluídos 112 doentes consecutivos com DRT em diálise, que foram encaminhados para a nossa instituição entre Outubro de 2011 e Abril de 2013, para realizar CPM, de forma a estratificar o risco cardiovascular pré-operatório do transplante renal. Os dados colhidos incluíram o género, a idade, a presença de fatores de risco para aterosclerose (diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidémia e tabagismo), a frequência cardíaca em repouso, a presença de angina prévia e o padrão eletrocardiográfico basal. A CPM foi realizada de acordo com o protocolo de esforço seguido pela obtenção de imagens em repouso, com o uso de Tc 99m-tetrafosmina. Um sistema de pontuação de 17 segmentos foi usado para semi-quantificar os defeitos de perfusão miocárdica. Uma FEVE ≤ 45% foi considerada anormal. O histograma de fase foi obtido pelo Emory Toolbox Software e um desvio padrão (SD) ≥ 43º foi considerado significativo para dessincronia mecânica. Resultados: A idade média foi de 51.8 ± 10.8 anos e a maioria dos pacientes eram do género masculino. Alterações da perfusão miocárdica estavam presentes em 22.3% dos pacientes. A duração do intervalo QRS (OR = 1.0, P < 0.005) e a frequência cardíaca em repouso (OR = 1.1, P < 0.05) foram preditores independentes de uma perfusão anormal. Uma FEVE ≤ 45 % estava presente em 13.4% dos doentes. A evidência de um ECG sugestivo de hipertrofia do miocárdio (OR = 8.2, P < 0.05), a duração do intervalo QRS (OR = 1.0, P < 0.05 ) e a referência a história prévia de angina (OR = 5.4, P < 0.05 ) foram preditores independentes de uma FEVE ≤ 45%. A dessincronia ventricular esquerda foi observada em 16.1% da população estudada. A idade (OR = 0.9, P < 0.05) e o SRS (OR = 1.3, P < 0.001) foram preditores independentes de dessincronia mecânica. Conclusões: As alterações da perfusão do miocárdio não tiveram qualquer relação com a presença de fatores de risco cardiovascular. As alterações no padrão de ECG foram preditoras de uma perfusão anormal e, juntamente com a evidência eletrocardiográfica de hipertrofia miocárdica, foram preditoras de uma função ventricular esquerda diminuída, sem relação com a presença de dessincronia mecânica. A baixa prevalência de defeitos de perfusão encontrada, que foi, de igual modo, muito heterogénea no que concerne a idade, justifica a necessidade premente de realizar mais estudos, de forma a definir o melhor protocolo e processo de aquisição de imagens mais adequado na CPM, bem como a população ideal a ser submetida a este exame, no que respeita à avaliação de pacientes com DRT em lista de espera para transplante renal.
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Avaliação da qualidade de vida nas pessoas idosas em contexto de cuidados de saúde primários : a problemática do utente diabético
Cuidados primários de saúde,Qualidade de vida,Diabetes mellitus,Idoso,Envelhecimento
Objetivos: Descrever o perfil sociodemográfico/clínico e avaliar a qualidade de vida das pessoas diabéticas tipo 2 com 75 ou mais anos, seguidas numa Unidade de Saúde Familiar, e analisar as variáveis que com ela interferem. Metodologia: Estudo transversal, descritivo, com componente analítica. Os dados foram recolhidos no período compreendido entre dezembro de 2009 e março de 2010, utilizando-se as versões portuguesas do EASYcare e da Escala de Satisfação Com a Vida, e um questionário complementar. Resultados: A amostra incluiu 83 pessoas idosas diabéticas. A maioria são mulheres, com uma média etária de 80,9 anos (DP=4,3), viúvas ou casadas, com escolaridade baixa, que vivem acompanhadas em zona urbana, e com rendimentos baixos/médios. Clinicamente, a amostra apresenta bom controlo glicémico, cumpre medicação antidiabética oral, tem em média 11,2 anos de doença (DP=10,1), apresenta complicações da diabetes, excesso de peso, tensão arterial e ficha lipídica não controladas. De uma forma geral, os participantes apresentaram uma avaliação positiva para a qualidade de vida. Contudo, percecionam de pior forma as áreas referentes à vida em comunidade, saúde mental e bem-estar, e funcionamento mnésico. Das variáveis sociodemográficas é o género e a capacidade financeira que mais interferem com os domínios da qualidade de vida. As variáveis clínicas estudadas interferem muito modestamente com a qualidade de vida. A satisfação com a vida é influenciada negativamente pela baixa capacidade financeira, pela presença de complicações da diabetes, e pelo agravamento da qualidade de vida. Conclusões: No idoso diabético a qualidade de vida é um constructo multidimensional envolvendo outros fatores para além da saúde.
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Resultados a longo prazo da reconstrução do ligamento cruzado anterior com plastia tipo leeds-keio
Ortopedia,Ligamentoplastia,Ligamento cruzado anterior
Introdução: Ao longo dos anos diversos biomateriais têm sido utilizados na reconstrução do LCA como plastia de substituição. Podem-se dividir em três grupos: autoenxertos, aloenxertos e enxertos sintéticos ou artificiais. Os ligamentos artificiais surgiram na década de 80 do século XX como uma alternativa muito promissora aos enxertos biológicos, com a finalidade de ultrapassar algumas das suas complicações e limitações. Nas décadas de 80 e 90 o ligamento de Leeds-Keio foi um dos mais utilizados devido às suas características de resistência, biocompatibilidade, fácil manuseio, boa relação custo/benefício e à sua alegada capacidade de permitir a formação de um neoligamento. Posteriormente, vários estudos relataram dúvidas na existência de formação de um neoligamento, bem como resultados desencorajadores a médio prazo devido a complicações. Surpreendentemente, voltaram a aparecer na literatura novos casos de reconstrução do LCA com esta plastia. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi avaliar os resultados funcionais a longo prazo da reconstrução do ligamento cruzado anterior com plastia tipo Leeds-Keio. Metodologia: Realizou-se um estudo retrospetivo não randomizado, tipo coorte, comparativo. Nível de evidência - IV. Foram incluídos no estudo todos os doentes submetidos a reconstrução do LCA com ligamento de Leeds-Keio constantes nos registos clínicos dos HUC. Procedeu-se à comparação com 8 doentes, com igual patologia, submetidos a ligamentoplastia pelo mesmo cirurgião (FF) e constantes na base de dados do mesmo, funcionando como 2 grupos de controlo (grupo OTO e grupo ST-G). Complementarmente, foram incluídos 4 casos de doentes com follow-up mínimo de 15 anos (idêntico ao dos casos LK) e avaliação radiográfica para comparar com os resultados da avaliação radiográfica do grupo LK. Como parâmetros de avaliação funcional foram escolhidas a escala de Lysholm e a escala IKDC; como testes de estabilidade ligamentar: o teste da gaveta anterior e a manobra de Lachman-Trillat; foi usado o Score de Ahlback para determinar grau de artrose do joelho. Resultados funcionais a longo prazo da reconstrução do ligamento cruzado anterior com plastia tipo Leeds-Keio. 4 Os resultados clínicos dos grupos de controlo foram obtidos por consulta do processo clínico e os resultados do grupo LK foram obtidos por consulta do processo clínico e observação presencial por observador independente. Resultados: Ao 5º ano do pós-operatório, na manobra de Lachman-Trillat, 50% obtiveram a classificação “duro” no grupo LK, 75% no grupo OTO e 100% no grupo ST-G. O teste da gaveta anterior foi negativo em 50% dos casos no grupo LK, 75% no grupo ST-G e 100% no grupo OTO. Na escala de Lysholm, o grupo LK pontuou 76,0 ± 21,0, o grupo OTO 97,5 ± 5,09 e o grupo ST-G 97,5 ± 5,0. Relativamente à escala IKDC, no grupo OTO e no grupo ST-G, 75% encontravam-se na categoria A, enquanto no grupo LK, 75% se encontravam na categoria B e 25% na categoria C. No grupo LK verificaram-se a existência de complicações a médio/longo prazo em 100% dos casos; no grupo OTO em 25% e no grupo ST-G não houve complicações. Nos resultados a longo prazo (follow-up de 23 anos) do grupo LK, 75% dos doentes encontram-se na categoria C da escala IKDC e 25% na categoria B. A escala de Lysholm obteve uma pontuação de média de 62,8 ± 29,9. Foram necessárias cirurgias subsequentes no joelho operado em 75% dos casos e em 75% dos casos houve confirmação de rotura do ligamento de Leeds-Keio. Todos os doentes revelaram a presença de alterações degenerativas. Conclusões: A longo prazo os resultados da plastia LK são maus, com uma taxa elevada de complicações e alterações degenerativas. Recomenda-se manter como gold standard para a reconstrução do LCA o uso de autoenxertos, quer OTO quer ST-G. Aguardamos por melhor avaliação do ligamento artificial, que deve ser considerado em fase experimental
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Lipofilling : do laboratório para o bloco operatório
Tecido adiposo,Cirurgia plástica,Células estaminais
Introdução: Há mais de um século que o tecido adiposo é utilizado no tratamento de defeitos de tecidos. No entanto, apenas recentemente foi considerado um implante de referência, devido às suas qualidades volumétricas e à sua acção benéfica sobre a qualidade da pele. Em particular, a técnica de transplante autólogo de tecido adiposo (lipofilling) evoluiu exponencialmente desde a sua primeira descrição em 1893, e tem sido, nas últimas décadas, usada tanto no campo da cirurgia estética como reconstrutiva. Um avanço notório inclui a utilização de células estaminais mesenquimatosas da linha adipocítica identificadas recentemente em aspirados de tecido adiposo, permitindo a reparação de tecidos, através da sua transplantação, . O entusiasmo relativamente à aplicabilidade destas células estaminais, que são, além disso, abundantes e de colheita fácil, justifica o investimento crescente na área. Métodos: Estudo baseado numa pesquisa exaustiva e sistemática da literatura publicada até Janeiro de 2015, usando as palavras-chave “lipofilling”, “autologous fat transfer” e “fat grafting”, e seleccionando os artigos publicados em inglês e francês mais relevantes, referentes ao tema em questão. Os trabalhos encontrados foram analisados com base nos seguintes termos: a) representarem um avanço conceptual na área; b) estabelecerem uma relação clara entre a intervenção e o resultado esperado na saúde; c) fundamentarem o significado da intervenção para a saúde e a doença (eventuais impactos negativos). Resultados: Ao longo dos últimos anos, tem havido um aprofundamento do domínio básico do lipofilling, preferindo-se actualmente técnicas cirúrgicas menos invasivas, em detrimento de outras mais agressivas. No entanto, os resultados da aplicação desta técnica em cirurgia estética e reconstrutiva têm sido bastante variáveis, tanto a curto como a longo prazo. Actualmente, não existe um local dador de tecido adiposo ideal, nem nenhum método de processamento da gordura revelou ser superior aos outros existentes. De facto, o sucesso do Lipofilling: do laboratório para o bloco operatório ! lipofilling parece depender maioritariamente da técnica e da experiência do cirurgião. No entanto, um aspecto consensual é a possibilidade de extrair células estaminais mesenquimatosas do tecido adiposo com potencial para se diferenciarem em adipócitos, osteoblastos, condrócitos, miócitos e células neurónio-like. Mais ainda, tais células, podem promover a neoangiogénese através da secreção de factores angiogénicos e antiapoptóticos, mecanismo que pode suportar a sua capacidade de melhorar a troficidade cutânea e promover inúmeras aplicações futuras ainda em estudo. Conclusão: As evidências sugerem que o tecido adiposo autólogo é o produto de preenchimento que mais se aproxima do ideal. Estão fortemente sustentadas as suas vantagens não só em aplicações estéticas como, por exemplo, no envelhecimento da face, mas também reconstrutivas, nomeadamente na reconstrução pós-mastectomia. De facto, face ao potencial das células estaminais adipocíticas, as expectativas relativamente ao lipofilling vão muito para além da sua mera utilização como técnica de preenchimento. No entanto, tem-se, ainda, pouca segurança relativamente ao potencial efeito oncológico da transplantação destas células. Além disso, o facto de não haver uma técnica uniformizada para esta intervenção dificulta a classificação e qualificação dos resultados de diferentes cirurgiões. O mecanismo exacto pelo qual altera o local para onde é transplantado continua, também, por esclarecer. Assim, a sua utilização generalizada afigura-se como algo de promissor, mas são necessários mais estudos que suportem o seu comportamento fisiológico e o seu papel na reparação de tecidos.
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Reabilitação pulmonar na DPOC
Terapêutica por medicamentos,Doenças obstrutivas do pulmão,Pneumologia
A DPOC é uma das mais prevalentes e debilitantes doenças no mundo inteiro, ocupando actualmente um lugar de destaque nas principais causas de mortalidade e morbilidade da população global. Em Portugal, 14,2% da população sofre de DPOC. Os doentes com este diagnóstico devem ser englobados em planos terapêuticos cuidados que, para além do tratamento farmacológico optimizado e personalizado a cada doente, englobam também outras estratégias não farmacológicas. Muitas das terapias não farmacológicas provaram já o seu valor na abordagem destes doentes sendo os Programas de Reabilitação Pulmonar o protótipo desta abordagem. São inquestionáveis as evidências da sua acção sobre a sintomatologia dos doentes, reduzindo a dispneia e a fadiga, melhorando consideravelmente a qualidade de vida dos doentes, aumentando a sua capacidade física e melhorando o prognóstico. Munindo-se de uma equipa multidisciplinar e de diversas estratégias, tendo como base o exercício físico, os Programas de Reabilitação Pulmonar devem ser considerados ferramentas fundamentais no arsenal do tratamento da DPOC, merecendo a atenção dos prestadores de cuidados de saúde para a implementação de políticas públicas que incluam estes programas na rotina dos serviços de saúde
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Pânico e prolapso mitral : o estado presente da relação entre ambos
Pânico,Prolapso da válvula mitral,Fisiopatologia,Ataques de pânico
Depois de 30 anos de discussão acerca da associação entre o prolapso da válvula mitral e a perturbação de pânico, vários aspetos de caráter técnico e de amostragem têm sido apontados recentemente como causadores da relação inadequada entre as duas patologias. No entanto, a revisão da literatura deixa poucas dúvidas de que ambas as patologias coocorrem frequentemente, estando ou não associadas. Este trabalho de revisão sistemática pretendeu conhecer o estado atual da relação entre ambas e determinar a prevalência da perturbação de pânico nos doentes com prolapso mitral e vice-versa, analisando os eventuais mecanismos implicados nesta relação. As evidências das investigações até agora realizadas têm sido insuficientes para estabelecer ou excluir definitivamente a associação entre as doenças. Verifica-se, contudo, que o prolapso mitral acaba por ser uma patologia cardíaca com eventuais consequências psiquiátricas, uma vez que é mais provável que este possa influenciar o surgimento do pânico do que o contrário. Embora esta seja uma questão teórica importante, na prática clínica verifica-se que normalmente estes doentes apresentam um prolapso discreto e pouco significativo. Mesmo na ausência de uma relação comprovada de causa-efeito entre o prolapso e o pânico e na ausência de um mecanismo de unificação, várias têm sido as hipóteses apontadas para a sua associação. Por um lado pode tratar-se de uma desregulação autonómica ou iónica ou um fator genético a estar na base de ambos os quadros, ou então uma das doenças poderá potenciar o desenvolvimento da outra como consequência fisiopatológica ou apenas psicológica. Por outro lado, pode apenas tratar-se de uma coincidência ou do facto de ambas as patologias serem muito frequentes e, portanto, detetadas com maior probabilidade.
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Monossomia parcial do cromossoma 21 : apresentação de um caso clínico
Cromosomas,Genética molecular
Introdução: A monossomia parcial do cromossoma 21 (HSA21) é uma entidade muito rara e de elevada complexidade fenotípica. A partir da apresentação e discussão do caso clínico de uma criança do sexo masculino com 21 meses de idade, portadora de uma deleção intersticial do braço longo do HSA21 (21q) herdada da mãe e sua comparação com o fenótipo da progenitora e escassos casos descritos na literatura, pretende-se contribuir para alargar o conhecimento acerca das manifestações clínicas das aneuploidias deste cromossoma. Materiais e Métodos: Para a elaboração da história clínica, foram consultados os processos clínicos após obtenção de consentimento informado. A análise citogenética foi realizada com linfócitos em metafase, obtidos através de sangue periférico, de acordo com os procedimentos padrão. O cálculo dos percentis e os gráficos de crescimento basearam-se nas curvas da Organização Mundial de Saúde. A pesquisa bibliográfica foi realizada consultando a interface de pesquisa PubMed da Medline e utilizando as palavras-chave chromosome 21 monosomy, partial monosomy chromosome 21, interstitial deletion of chromosome 21 e aneuploidy 21. A pesquisa foi restringida a artigos em inglês publicados entre 2000 e 2013, seleccionados de acordo com a relevância do seu conteúdo. Foram ainda consultados alguns artigos de interesse histórico prévios a 2000. Resultados: A criança apresentava macrocefalia com alargamento do espaço subaracnóideu da infância, plagiocefalia, atraso do desenvolvimento motor, hipotonia axial, alterações faciais dismórficas, obesidade e criptorquidia. A progenitora apresentou, na infância e adolescência, características craniofaciais dismórficas e atraso global do crescimento e desenvolvimento psicomotor. As análises citogenéticas de ambos os indivíduos revelaram uma deleção intersticial proximal de 21q (21q11.2 – q21.2). Discussão: Observámos diferenças entre o fenótipo da mãe e da criança em relação à progressão da estatura e peso, alterações músculo-esqueléticas e aspectos do desenvolvimento psicomotor. As alterações observadas na criança estão em concordância com mapas de relações genótipo-fenótipo previamente descritos na literatura e com a hipótese de deleções proximais de 21q condicionarem fenótipos mais frustres. Conclusões: A monossomia parcial de 21q condiciona uma marcada variabilidade fenotípica, mesmo para deleções na mesma região e, até, para deleções com pontos de quebra idênticos. Estas diferenças podem dever-se à variabilidade genética noutras regiões do cromossoma, nomeadamente a polimorfismos que condicionem a expressão génica. Uma das limitações do nosso trabalho prende-se com a ausência de estudos moleculares. Mais estudos são necessários para o esclarecimento das causas moleculares das manifestações fenotípicas na monossomia parcial de 21q.
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Abuso sexual de menores : achados clínicos e implicações médico-legais
Abuso sexual da criança,Medicina legal
A presente dissertação pretende abordar a problemática mundial do abuso sexual de menores, perspetivando-se a intervenção pericial do médico nestas situações, as normas para a realização da perícia médico-legal e o significado dos seus resultados, bem como as implicações legais subjacentes a este procedimento. Neste sentido realizou-se uma revisão da literatura publicada sobre a incidência e a prevalência deste crime, nomeadamente em Portugal, bem como das caraterísticas do abuso sexual intrafamiliar e extrafamiliar, traçando-se o perfil do abusador, da vítima e das circunstâncias do abuso. Procedeu-se também a uma análise dos principais indicadores psicossociais e comportamentais da vítima susceptíveis de, durante a recolha de informação pelo médico, indiciar o abuso, e a uma análise das normas e procedimentos técnicos aplicados à perícia médico-legal no que diz respeito à entrevista da vítima, ao exame da superfície corporal e da região ano-genital, à recolha de vestígios forenses, ao diagnóstico e à profilaxia de infeções sexualmente transmissíveis e da gravidez nas menores adolescentes. Revelou-se importante a especial atenção do médico à história clínica que pode ser a única prova disponível, dada a elevada probabilidade de não existirem sinais ao exame objetivo ou vestígios de práticas sexuais. A não existência de sequelas físicas ou de provas forenses não significa que o crime não aconteceu. Deste modo, o testemunho do menor merece uma avaliação pela psicologia forense no intuito de valorar a sua veracidade. Em Portugal, a reforma penal de 2007 permitiu tornar o crime de abuso sexual de menores em crime público, implicando dever de denúncia a todo o cidadão que tome conhecimento do mesmo. Este procedimento visa uma adequada triagem e notificação do crime ao Ministério Público que tomará as devidas providências para investigação dos factos e para a preservação da prova. Em sede de processo-crime, o artigo 163.º do Código do Processo Penal Português atribui valor probatório à perícia médico-legal, estando, à partida, subtraído à livre apreciação do juiz. Assim, cabe ao médico a realização de uma perícia objetiva, coerente e imparcial.
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Álcool e cognição em idade geriátrica
Álcool etilico,Geriatria,Cognição
O processo de produção de etanol é milenar, e desde então que as bebidas alcoólicas têm vindo a fazer parte do nosso quotidiano. Sabe-se hoje em dia que o consumo abusivo de álcool acarreta graves consequências para o indivíduo e para a sociedade. Existe evidência de uma forte correlação entre este padrão de consumo e alterações cognitivas significativas, modificação na estrutura e fisiologia cerebral e surgimento de patologias potencialmente fatais. Por outro lado, os efeitos desta molécula parecem ser dose-dependentes e, cada vez mais, surge nova evidência de que um padrão de consumo leve a moderado durante a idade geriátrica se associa a um efeito protector contra demência e défice cognitivo, assim como risco cardiovascular. Para o efeito desta revisão servi-me de diversos estudos publicados sobretudo entre 2000 e 2014, após pesquisa na base de dados PubMed. Estes estudos apresentaram resultados algo discrepantes, porém, as publicações mais recentes em que além de uma amostra mais idosa se utilizaram exames de estado mental para avaliação cognitiva dos grupos parecem ser cada vez mais unânimes em relação a este efeito benéfico do etanol. Contudo, é necessária mais informação acerca dos mecanismos neurobiológicos do álcool numa população envelhecida, assim como maior compreensão acerca do padrão óptimo de consumo que confere maior protecção da cognição no idoso.
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Efeito do exercício físico na capacidade funcional em idosos institucionalizados
Exercício físico,Idoso
Introdução: A limitação das actividades de vida diárias (AVD) é uma das principais problemáticas do envelhecimento, levando a elevados custos sociais, familiares e económicos. O exercício físico tem sido identificado como uma forma eficaz e de baixo custo de prevenir/reduzir o declínio funcional associado ao envelhecimento. O objectivo deste trabalho foi, através da avaliação do desempenho de AVD, comparar a funcionalidade entre dois grupos de idosos institucionalizados, um praticante regular de exercício e outro controlo não praticante. Métodos: O estudo incluiu 100 idosos institucionalizados, 50 homens e 50 mulheres, constituindo dois grupos (cada com 50 idosos, 25 homens e 25 mulheres) um deles praticante regular de exercício e um controlo, aos quais foi aplicada a Escala de Barthel. Resultados: Não foram obtidas diferenças significativas entre os dois grupos nas AVD avaliadas pela Escala de Barthel, e no nível geral de dependência. Discussão e Conclusão: Apesar de neste estudo não se ter verificado efeito benéfico do exercício na funcionalidade, tais conclusões são bastante limitativas de generalização.
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7,130
Geriatria e cuidados paliativos
Geriatria,Cuidados paliativos
A população mundial, particularmente a dos países desenvolvidos, está cada vez mais envelhecida. O aumento da esperança média de vida, da prevalência de doenças crónicas e progressivas e das transformações da rede familiar são factores que vão ganhando importância na organização dos sistemas de saúde e dos recursos dirigidos aos doentes crónicos, pelo que urge uma necessidade crescente da aplicação de cuidados paliativos. Os cuidados paliativos procuram a prevenção e intervenção no sofrimento, melhorando a qualidade de vida, de pessoas com doenças incuráveis e/ou graves e debilitantes, abrangendo ainda o componente psicológico e espiritual, e o auxílio à família. A falta de consideração pelas alterações epidemiológicas da doença, o desconhecimento dos direitos subjacentes à população geriátrica, a desvalorização da avaliação e tratamento dos sintomas do idoso, as barreiras existentes à implementação dos cuidados paliativos e as implicações financeiras para os doentes e sistemas de Saúde, são algumas das dificuldades que os doentes enfrentam no fim da vida. A presente revisão pretende compilar a mais recente informação científica sobre necessidade e importância de cuidados paliativos do idoso no final da vida. O método utilizado foi a pesquisa nas bases de dados da PubMed e Medline de literatura científica referente aos Cuidados Paliativos na população idosa, mas também publicações sobre generalidades de cuidados paliativos, organização de Sistemas de Saúde, avaliação e tratamento da dor, cuidados continuados integrados e alterações demográficas, excluindo documentos não escritos em português ou inglês e anteriores a 1990. Esta análise chega à conclusão que os cuidados paliativos não se limitam a prestar cuidados de fim de vida, uma vez que uma intervenção precoce no curso da doença proporciona uma melhoria na qualidade de vida e diminuição de tratamentos caros e agressivos. Também evidencia a importância do novo olhar sobre os cuidados paliativos; a urgência de adaptar os modelos de cuidados a outros doentes não-oncológicos, com base na necessidade em vez do diagnóstico ou 6 prognóstico; e os benefícios destes cuidados. Os cuidados paliativos em idosos devem ser instituídos como parte integrante de todos os serviços de saúde.
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7,131
Perceções dos técnicos periciais relativamente à fiabilidade e admissibilidade como meio de prova dos métodos de criminalística utilizados pela GNR
Ciências forenses,Investigação criminal,Crimes-vestígios
Na investigação criminal, a Criminalística representa uma das áreas mais importantes no que concerne à recolha de meios de prova da prática de um determinado crime. Como tal, o presente estudo tem por objetivo determinar quais as principais técnicas utilizadas pelos peritos da GNR na recolha, acondicionamento e transporte de vestígios e qual a sua fiabilidade e admissibilidade como meio de prova em tribunal. Também se pretende apurar se as técnicas que atualmente se encontram a ser utilizadas são eficientes, conciliando a eficácia com a celeridade exigente na adoção destes processos e determinar a existência ou inexistência de discordâncias entre os métodos e técnicas utilizadas e a legislação aplicável às mesmas. Com a intenção de alcançar os objetivos inicialmente propostos, foram incluídos no estudo cerca de 135 indivíduos, dos quais 67 pertencentes ao NAT (Núcleo de Apoio técnico da GNR) e 68 magistrados, recorrendo-se a um questionário, elaborado propositadamente para o efeito deste estudo, para a recolha dos dados amostrais. Dos resultados desta investigação, os métodos utilizados atualmente pelos peritos da GNR são maioritariamente admissíveis e fiáveis enquanto meio de prova nas instâncias judiciárias, havendo assim uma relação positiva entre a eficácia e a celeridade do processo de recolha, acondicionamento e transporte de vestígios. De igual modo, estas metodologias além de serem conhecidas são também consideradas suficientes e eficazes como meio de prova. Decorrida a investigação, nota-se que existe conhecimento das fases mais relevantes da abordagem investigativa e qual o tipo de abordagem que deve ser implementado, nomeadamente a fase mais importante é a Inspeção judiciária e deve ser sempre feita uma abordagem rigorosa e ordenada na recolha de elementos probatórios. Relativamente aos vestígios, os mesmos são dotados de bastante valor enquanto meio de prova da prática de um facto, deparando-se, porém, os peritos com algumas dificuldades nos seus processos de recolha e acondicionamento, tais como a contaminação dos elementos de prova presentes na cena do crime e o estado de conservação dos vestígios. De igual modo, todas as técnicas utilizadas no âmbito da Criminalística são congruentes com aquilo que se encontra previsto nas leis lusitanas.
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7,132
Tratamento cirúrgico de endocardite infecciosa em válvula esquerda nativa
Endocardite,Válvulas cardíacas,Doenças do coração
A Endocardite Infecciosa (EI) é uma causa de doença valvular cardíaca grave que, tem sido, durante séculos, uma constante preocupação e desafio no seio da classe médica. Patologia, esta, no entanto, com uma densidade estatística populacional baixa, porquanto afecta, apenas, entre 3 a 10 pessoas em cada 100.000. Não obstante os mais recentes avanços médicos nos diagnósticos e terapias utilizados, os riscos de morte e agravamento desta patologia mantêm-se elevados, não se observando, assim, nas últimas duas décadas, um progresso evidente na eficácia do combate a esta doença. Tal facto, é motivado, principalmente, pelo desenvolvimento da resistência aos antibióticos administrados, pela mudança da microbiologia da doença, tendo em conta os dados demográficos dos doentes. Esta mutação na microbiologia da doença fez com que a faixa etária mais afectada mudasse. Inicialmente, incidia mais sobre os adultos jovens com doença valvular prévia, porém, actualmente, afecta, mais, por um lado, os doentes com idades avançadas, com próteses valvulares e esclerose valvular degenerativa e, por outro lado, doentes submetidos a procedimentos invasivos ou consumidores de drogas intravenosas. Uma percentagem significativa de doentes adquire EI associada aos cuidados de saúde, prevalecendo a infecção por Staphylococcus aureus e diminuindo assim a prevalência dos Streptococcus como microorganismo primordial na EI. 7 Apesar da EI ser primariamente tratada de forma conservadora com antibioterapia, a intervenção cirúrgica é por vezes mandatória, quando várias complicações graves surgem na evolução clínica do doente, e são indicação em, aproximadamente, metade dos doentes com EI. As complicações mais frequentes da EI são a insuficiência cardíaca, sendo esta a indicação major de tratamento cirúrgico, a infecção persistente, o abcesso cardíaco, as vegetações grandes e a embolia periférica, entre outras situações mais pontuais. Um timing óptimo para a intervenção cirúrgica nestas situações, resulta numa diminuição da mortalidade, tanto precoce, como tardia. A cirurgia para a prevenção de embolia sistémica em doentes com vegetações grandes é uma prática clínica que tem evoluído, com bons resultados pós-operatórios. Os objectivos desta revisão prendem-se no estudo da evolução epidemiológica e microbiológica que levou ao panorama actual da EI, e apreender, um pouco melhor, quais as principais indicações cirúrgicas do tratamento da EI, em válvula esquerda nativa, o timing, qual a intervenção mais adequada, consoante a situação clínica, e a válvula em questão, seja substituição ou reparação valvular, complicações, especialmente as neurológicas e os resultados que se observam pela escolha cirúrgica no tratamento da EI. Apesar destas evoluções promissoras, as recomendações para o tratamento cirúrgico estão limitadas pela falta de estudos prospectivos com ensaios controlados e randomizados, uma limitação que se aplica largamente na área da patologia valvular cardíaca. Actualmente, os estudos em que as recomendações europeias se baseiam são observacionais e retrospectivos, que facilmente são enviesados for falta de ajustamento estatístico adequado. Estudos com uso de 8 análise de propensão são uma forma importante de ajustar o viés do tratamento nos estudos observacionais. Esta selecção de doentes, que beneficiam mais da técnica cirúrgica, dos diferentes tipos de técnicas e o timing mais adequados, consoante o estado clínico do doente, tem-se tornado gradualmente mais transparente e evidente, permitindo a criação de guidelines consolidadas com linhas orientadoras bem definidas. No entanto mais estudos baseados em ensaios randomizados controlados e prospectivos são necessários para validar estas indicações, com possíveis variações nas indicações actuais a curto prazo.
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7,133
Síndrome de Kallmann
Hormonas,Síndroma de Kalmann
O Síndrome de Kallmann caracteriza-se por um atraso pubertário devido a deficiência de GnRH – hipogonadismo hipogonodotrófico – com a associação de anosmia. Constitui uma doença rara genética com várias formas hereditárias, onde mutações encontradas em 11 genes, que codificam proteínas responsáveis pelo desenvolvimento neuronal, provocam a ausência de desenvolvimento do bulbo e tracto olfativo assim como migração de neurónios GnRH até ao hipotálamo. O fenótipo pode ser muito variável, dependendo dos genes implicados. O diagnóstico deve ser realizado atempadamente a fim de iniciar o tratamento de reposição hormonal e prevenir as consequências físicas e psicológicas do atraso pubertário. Este trabalho inclui uma revisão sobre a história, epidemiologia, clinica, diagnóstico, fisiopatologia e tratamento desta doença.
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7,134
Validação populacional da escala de capacitação de controlo da diabetes : versão breve (DES-SF)
Cuidados primários de saúde
Introdução – A “Diabetes Empowerment Scale - Short Form (DES-SF)” foi criada em 2003 pelo Diabetes Research and Training Centre da Universidade do Michigan, como resultado da redução de uma escala anteriormente elaborada, a “Diabetes Empowerment Scale (DES)”, de forma a possibilitar uma avaliação mais breve e global da capacitação em doentes diabéticos. Em 2013, a DES-SF foi traduzida para português pelo Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC). Objetivo – Aplicação da escala DES-SF à população diabética tipo 2 da região centro, de forma a aferir a fiabilidade e validade da escala e avaliar uma possível correlação entre o score do DES-SF e o nível de controlo de diabetes pelo valor da Hemoglobina glicada A1c (HbA1c). Métodos – Estudo observacional transversal pela aplicação do DES-SF a diabéticos de 3 Unidades de Saúde Familiar da região zona centro de Portugal. Foi inicialmente realizado o teste e re-teste (escrita e passados cinco minutos oral) para conhecimento do valor de alfa de Crohnbach em 20 elementos, que não foram depois estudados. Realizou-se depois aplicação a pacientes diabéticos após a consulta de enfermagem e antes da entrada na consulta médica. Foi realizada estatística descritiva e inferencial após verificação da normalidade dos dados. Resultados – Foi obtida uma amostra de 20 na primeira fase. O valor de alfa de Chronbach foi de 0.9 a 1,00 nos 8 itens da escala. A média dos resultados da aplicação escrita foi de 3,78 ± 0,71 e da aplicação oral foi de 3,79 ± 0,645. A amostra da segunda fase foi de 81 diabéticos, VALIDAÇÃO POPULACIONAL DA ESCALA DE CAPACIDADE DE CONTROLO DA DIABETES - VERSÃO BREVE (DES – SF) 2 sendo 55,6% do sexo masculino. A idade média foi de 68,5 ± 1,1 com uma HbA1c média de 6,8 ± 0,2 e um tempo de evolução desde o diagnóstico de 9,2 ± 0,9. Verificou-se que a média do score final da escala foi de 4,1 ± 0,8. A análise estatística revelou haver uma correlação, estatisticamente significativa, entre o score final e os níveis de Hba1C (r= -0,114; p=0,312). Discussão - Pela análise dos resultados da primeira fase, verificou-se que o valor de alfa Crohnbach é excelente o que confirma a fiabilidade da escala. Como as médias obtidas nas duas aplicações são muito próximas, não é crível a existência de diferença entre as variáveis estudadas. A segunda fase revela que, na população estudada, foi evidenciada correlação fraca entre os valores de HbA1c e o valor do questionário. Conclusão - A Escala de Capacidade de Controlo da Diabetes – Versão Breve (DES-SF), revelou ser uma escala válida e fiável para medir a capacitação em doentes diabéticos em Portugal. Confirmou-se a presença de uma correlação fraca, entre o resultado obtido no final da escala e o valor de HbA1c.
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7,137
Osteogénese imperfeita : da etiopatogenia à terapêutica atual
Genética,Osteogénese imperfeita,Ortopedia
A osteogénese imperfeita (OI) compreende um grupo clinicamente heterogéneo de distúrbios hereditários do tecido conjuntivo, caracterizado por osteopenia, suscetibilidade a fraturas e deformidades ósseas. É uma doença rara, com um espectro clínico amplo, variando desde múltiplas fraturas in utero e morte perinatal a estatura normal em adulto e baixa incidência de fraturas. O objetivo deste trabalho foi efetuar uma revisão da literatura científica sobre a OI, procurando uma descrição atual da definição, etiopatogenia, apresentação clínica, radiológica e histológica, tratamento e prognóstico, dando ênfase ao papel dos bifosfonatos como um importante aliado terapêutico. Com esse intuito, foi efetuada uma pesquisa bibliográfica na Medline com interface de pesquisa Pubmed referente aos últimos 10 anos. Foram encontrados mais de 550 artigos, dos quais se selecionaram 43, que incluíam matéria relacionada com o objetivo da dissertação. Adicionalmente, foram consultados mais 2 artigos referentes à prática clínica num dos centros de referência a nível nacional para o tratamento da OI. Tradicionalmente, a OI era classificada em 4 tipos (tipos I a IV) e era unicamente associada a defeitos nos genes que codificam o colagénio tipo I. Atualmente, são distinguidos 7 diferentes tipos de OI e, embora os defeitos no colagénio tipo I sejam responsáveis por cerca de 90% dos casos, até à data sabe-se que mais 14 genes estão também envolvidos. O tratamento obriga a um envolvimento multidisciplinar, onde se inclui a ortopedia, com vista à melhoria da qualidade de vida dos doentes. O mais importante avanço terapêutico foi a introdução dos bifosfonatos no tratamento das formas moderadas a severas da OI, alterando a história natural da doença através do aumento da densidade mineral óssea, diminuição da incidência de fraturas, melhoria do tamanho e forma dos corpos vertebrais, alívio da dor musculosquelética e melhoria funcional em doentes. No entanto, no presente, o melhor regime terapêutico e os efeitos adversos a longo prazo da terapêutica com bifosfonatos permanecem desconhecidos, continuando o pamidronato endovenoso cíclico a ser considerado o fármaco de eleição. Não obstante, não existe ainda cura para a OI. A esperança reside em novas opções terapêuticas e na terapia genética
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7,139
Perfeccionismo, pensamento perseverativo negativo e perturbações do comportamento alimentar
Imagem corporal,Personalidade,Pensamento,Prevalência,Perturbações da alimentação
Introdução: Apesar de existir uma forte evidência sobre a relação entre perfeccionismo e perturbações do comportamento alimentar (PCA), ainda não são bem conhecidos os processos cognitivos que a medeiam. Este traço de personalidade também tem sido consistentemente associado ao pensamento repetitivo negativo (PRN), sob a forma de preocupação e ruminação. Por outro lado, níveis elevados de preocupação e ruminação têm sido descritos em doentes com PCA. Objetivo: Analisar, pela primeira vez, a relação entre perfeccionismo, PRN e sintomas de PCA, tanto numa amostra clínica como numa amostra da comunidade. De modo mais específico, pretendemos analisar se existem diferenças significativas entre estas amostras nos níveis das variáveis de perfeccionismo e de PRN, bem como verificar se as dimensões de PRN são mediadores da relação entre as dimensões de Perfeccionismo e a sintomatologia das PCA. Metodologia: Estudo transversal e observacional. 166 participantes do sexo feminino, [114 (68.7%) da população geral (estudantes e trabalhadoras) e 52 (31.3%) recrutadas nas consultas de PCA do Hospital Pediátrico e do Centro de Responsabilidade Integrada de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra] preencheram os seguintes questionários validados para a população portuguesa: Teste de Atitudes Alimentares (TAA-25), Escalas Multidimensionais de Perfeccionismo (EMP- Hewitt e Flett; Frost et al), Inventário Multidimensional de Cognições Perfeccionistas, Questionário de Pensamento Perseverativo. Todas as participantes da amostra clínica foram entrevistadas com a secção de PCA da Diagnostic Interview for Genetic Studies para obtenção das categorias diagnósticas segundo o DSM-IV. A idade média não diferiu significativamente entre a subamostra da população geral e a clínica (23.78±6.340 vs. 22.54±7.637). Resultados: Em todas as variáveis, exceto na dimensão Organização da EMP de Frost, a subamostra clínica apresentou pontuações médias significativamente superiores à subamostra da população geral. Considerando a amostra total, os preditores significativos e mais consistentes da sintomatologia das PCA avaliada através do TAA-25 foram a Preocupação com os erros, os Esforços perfeccionistas (dimensão compósita/ fator de segunda ordem) e a Interferência Cognitiva e Improdutividade (ICI). A ICI foi mediadora da relação entre os preditores de perfeccionismo e o TAA-25, bem como entre aqueles e as dimensões Comportamentos bulímicos e Dieta do TAA-25. A ICI foi também mediadora da relação entre as Críticas parentais e a dimensão Pressão social para comer do TAA-25. Discussão e Conclusão: O estudo confirma que o perfeccionismo se relaciona com a sintomatologia das PCA e acrescenta que esta também se relaciona com o PRN. Além disso, mostra que o PRN, particularmente a ICI, medeia parcialmente a relação entre as dimensões de perfeccionismo e o comportamento alimentar anómalo
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7,140
Avaliação do estado de hidratação em idosos institucionalizados
Idoso,Desidratação,Lar de idosos,Idoso institucionalizado
A água é fundamental ao bom funcionamento de todo organismo e uma hidratação adequada é importante para promover a saúde e o bem-estar dos idosos, mas, com o envelhecimento, os mecanismos de regulação da água ficam alterados. Além disso, têm tendência a beber menos líquidos do que o recomendado, o que aumenta o risco de desidratação. Por isso, torna-se essencial investigar o nível de hidratação e o risco de desidratação nos idosos. Os objetivos deste estudo são: avaliar o estado de hidratação em idosos institucioalizados; identificar e caraterizar os que apresentam desidratação e/ou maior risco da mesma e avaliar o efeito do fornecimento adequado de água e/ou sal de acordo com o tipo de desidratação. Materiais e métodos: Trata-se de um estudo prospectivo realizado na Santa Casa da Miericórdia da Sertã nos dois lares de idosos (Lar António Ferreira Alberto e Lar Nossa Senhora do Carmo), em 96 idosos, de ambos os géneros, considerando a presente amostra acamados, em cadeiras de rodas e autónomos. O estudo decorreu em duas fases, a primeira de outubro de 2013 a fevereiro de 2014 e a segunda entre abril e maio de 2014. A primeira fase teve como objetivo avaliar o grau de hidratação e identificar os idosos que apresentavam desidratação, bem como identificar os utentes com maior risco de ficarem desidratados. Enquanto na segunda fase, o objetivo foi avaliar o impacto do fornecimento de água e/ou sal nos idosos que estavam desidratados e em risco de desidratação. Foi realizada uma avaliação antropométrica, em jejum, avaliando-se o peso (kg), altura (cm) e altura do joelho (cm) de modo a calcular o IMC dos utentes. Nos idosos acamados utilizou-se a equação validada nos idosos portugueses para calcular a altura (cm) com base na altura do joelho (cm). O grau de dependência dos idosos estudados foi avaliado através do IK, este constituído por seis questões que permitem avaliar a autonomia do idoso. Para avaliar o risco de desidratação da população alvo foi aplicado o DRAC, que tem em conta o género feminino, o IMC e a idade superior a 85 anos, bem como quatro áreas de preenchimento distintas, tais como as condições de saúde, a medicação, os comportamentos de ingestão e os indicadores laboratoriais. Os parâmetros laboratoriais presentes no inquérito foram utilizados para caraterizar o estado de hidratação da amostra. Além destes indicadores, também a creatinina e a ureia foram consideradas na análise. No sentido de permitir uma melhor avaliação e interpretação dos dados, foram criados três grupos de idades: 65-74, 75-84 e ≥ 85 anos, fazendo uma separação por género, mas apenas antes da intervenção. Depois da intervenção, para uma melhor análise estatística dos dados foram criados dois grupos: 75-84 anos e ≥ 85 anos com junção de ambos os géneros. Para concluir se existiam, ou não, diferenças estatisticamente significativas antes e depois da intervenção entre os vários parâmetros laboratoriais considerados, foi aplicado o teste de igualdade de médias T-Student, considerando p<0,05 para apurar o significado estatístico. A análise estatística deste trabalho foi efetuada através do SPSS versão 17. Resultados/discussão: A média de idades da população estudada foi de 84 anos, estando o género feminino mais presente com 66,67% (64 utentes) do que o género masculino, com 33,33% (32 utentes). A faixa etária mais prevalente no género masculino foi 75-84 anos com 50% (16 utentes), enquanto no género feminino a idade ≥85 anos foi a mais representativa com 59,37% (38 utentes). De um modo geral, de acordo com os resultados dos parâmetros laboratoriais analisados nos critérios definidos, a grande maioria da população idosa da amostra (95%) estava hidratada, enquanto 5 idosas (5%) com a média de idade 84,80 anos, tinham desidratação hipotónica associada a hiponatremia, e todas apresentaram maior risco de desidratação no DRAC e dependência grave de acordo com o IK. Identificaram-se 35 idosos (36,45%) com maior risco de desidratação, que apresentaram uma média de idade de 86 anos, sendo o género feminino o mais representado com 31 utentes (89%), assim como os de idade ≥ 85 anos com 21 utentes (67,5%). Neste grupo estavam as 5 idosas com desidratação hipotónica associada a hiponatremia, com um grau de dependência grave, de acordo com o IK. Constatou-se de um modo geral que, à medida que a idade avança, o grau de dependência e o risco de desidratação vão aumentando, sendo mais evidente no grupo com idade ≥85 anos, particularmente no género feminino. Antes e após a hidratação no grupo com maior risco de desidratação, verificaram-se diferenças estatisticamente significativas no grupo de 75-84 anos, na cor e densidade da urina. Conclusão: A maioria dos idosos institucionalizados estava hidratada, sendo que 5% apresentaram desidratação hipotónica associada a hiponatremia. Após a intervenção, no grupo identificado com maior risco de desidratação, não se verificaram melhorias na hiponatremia, tendo-se observado uma diminuição do estado de hidratação no grupo de 75-84 anos. No grupo de idade ≥ 85 anos, houve uma ligeira evolução do estado de hidratação. O DRAC é uma ferramenta útil, prática, eficaz e económica de identificação do risco nos idosos institucionalizados, sendo essencial a sua validação na população idosa portuguesa, razão por que é necessário desenvolver mais trabalho de investigação nesta área.
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7,141
Displasia epimetadiafisária autossómica recessiva associada a surdez neurossensorial grave e displasia dos cones e bastonetes grave de inicio precoce : uma nova síndrome?
Doenças genéticas do recém-nascido
Os autores apresentam dois irmãos de 17 e 9 anos, filhos de pais consanguíneos, com um quadro sindrómico caracterizado por uma distrofia grave de cones e bastonetes de início precoce, nanismo de tronco e membros curtos secundário a displasia óssea grave, hérnia umbilical e hipoacusia neurossensorial severa bilateral. Este fenótipo assemelha-se a determinadas ciliopatias, não se enquadrando, no entanto, nos critérios de diagnóstico das ciliopatia descritas na literatura, representando uma nova síndrome.
Ciências Médicas e da Saúde
7,142
Prescrição de opioides a adultos idosos com dor persistente não oncológica, nos cuidados primários de saúde
Analgésicos opióides,Doença crónica,Idoso,Cuidados primários de saúde
Estudo experimental com intervenção, não randomizado, tendo como alvo idosos com mais de 65 anos com dor crónica não oncológica, inscritos em várias Unidades de Saúde do ACES Dão Lafões. Este estudo tinha como objetivos principais descrever as características básicas da dor, avaliar o estado funcional , emocional e do humor, bem como a função cognitiva, antes e depois da terapêutica com medicamentos opioides até 100 Equivalentes de Morfina. Também o impacto desta terapêutica na intensidade da dor e na satisfação pessoal do idoso, conhecer as taxas de abandono e desistências e os principais efeitos adversos. Fundamentalmente deveu-se à importância da dor crónica não oncológica na população geriátrica e participaram no estudo realizado em contexto de ambulatório 46 idosos, selecionados pelos Médicos de Família, com base em critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, entre Dezembro de 2013 e Agosto de 2014. Baseou-se em instrumentos-teste necessários para avaliação, quase todos validados pelo Núcleo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e na observação regular dos doentes ao longo de 3 ou 4 consultas, tendo por suporte um protocolo/roadmap previamente elaborado para doentes idosos. Uma dor contínua persistente foi apontada por 73,9% (n=34) dos participantes e a mediana da duração da dor em anos situou-se nos 10(6-15). A categoria tida por dor severa foi a mais prevalente 89% (n=41) e isto originava na opinião deles, uma interferência grave nas atividades de vida diária de 80,4% (n=37). As dores na região lombar (31,1%) e nos joelhos (20,8%), foram as regiões mais prevalentes. O tramadol com ou sem paracetamol, foi o fármaco mais utilizado 51,3% (n=40), mas o uso de opioides fortes na forma transdérmica foi também considerável 29,5% (n=23), com doses entre os 20-80 Equivalentes de Morfina. A terapêutica opioide teve um impacto significativo na redução da intensidade da dor, mas pelo contrário, a avaliação do estado funcional, emocional e do humor, bem como o cognitivo, não apresentou diferença estatisticamente significativa entre a avaliação inicial e final. O número de abandonos por ineficácia terapêutica foi de 17,4% (n=8) e os devidos a efeitos colaterais foi de 13%(n=6). Regra geral os efeitos colaterais não foram severos, mas mesmo assim responsáveis por abandonos. O uso de opioides, tantos os fracos como os fortes, em casos devidamente ponderados, sozinhos ou associados a outras medicações adjuvantes, parecem ser úteis na melhoria da dor crónica e na satisfação pessoal do doente. No entanto, por si só, parecem não constituir a solução ideal na abordagem à maioria destes doentes, dada a complexidade multifatorial da dor e dos efeitos adversos que provocam.
Ciências Médicas e da Saúde
7,143
A importância dos rastreios médicos para utentes
Cuidados primários de saúde
Introdução: A prevenção secundária, aplicada sob a forma de rastreios médicos, traduz-se pela identificação de um estado patológico numa fase ainda assintomática, e prevenção ou minimização da progressão de doença numa fase precoce. Em Portugal, os dados sobre a importância atribuída pelos utentes aos rastreios médicos são escassos, o presente estudo pretende determinar tal conhecimento. Objetivos: Estudar a importância atribuída aos rastreios médicos pelos utentes. Métodos: Foi realizado um questionário aplicado a amostra de 400 utentes de duas Unidades de Saúde Familiar e duas Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados do Concelho de Coimbra durante os meses de Julho e Agosto de 2013. Foram também obtidas informações relativas à idade, género, actividade profissional, toma regular de medicação, grau de formação académica, auto-percepção de qualidade de saúde e Unidade de Saúde. As respostas dadas ao questionário foram estudadadas de acordo as variáveis acima enumeradas. Resultados: O questionário foi aplicado a uma amostra de 400 doentes dos 11 e os 90 anos (média de 53,84 anos), dos quais 65,0% do género feminino, 68,5% com grau de formação académica média, 72,0% com toma regular de medicação, 52,3% profissionalmente activos, 50,2% distribuídos em USF e 61,0% com autocaracterizarão da sua saúde como Razoável ou Fraca. Nas USF observou-se a existência de com uma população mais jovem (USF 73,6% vs UCSP 66,3%, p=0,009). Nas 5 perguntas do questionário, verificou-se que em relação à aceitação da realização de rastreios médicos por parte dos consulentes 94,8% dos consulentes aceitam; 93,3% dos inquiridos acham que os rastreios médicos permitirem indicar a presença A importância dos rastreios médicos para utentes 7 de doença; 88,3 % dos inquiridos acham que mesmo que façam um rastreio médico podem vir a sofrer ou morrer de uma doença. Por fim, 43,5% dos inquiridos afirma aceitar a realização de rastreios em saúde porque querer saber que está saudável; 36,2% porque confiam nos rastreios; 28,5% porque querem saber que têm doença e 23,7% porque aceitam as consequências de os fazer. Para a questão “Julga que um rastreio lhe permite saber se tem uma doença?” os consulentes atendidos em UCSP atribuíram maior percentagem de respostas negativas (4%USF vs 9,5% UCSP, p=0,026). Discussão e Conclusão: Foi possível desenvolver um questionário sobre a importância de rastreios médicos para utentes e proceder à sua aplicação em duas USF e duas UCSP. A maioria da população em estudo aceita a realização de rastreios em saúde quando propostos e julga que um rastreio médico permite identificar a presença de doença. Os consulentes de UCSP julgam numa percentagem superior aos consulentes de USF que os rastreios não identificam doença. A maioria dos inquiridos aceita os rastreios médicos como meio de determinar se estão saudáveis. A transmissão de conceitos de promoção e prevenção em saúde são essenciais.
Ciências Médicas e da Saúde
7,144
A prevalência da violência contra idosos no contexto do envelhecimento populacional e dos cuidados continuados de saúde no Brasil com uma contribuição da experiência portuguesa
Idoso,Envelhecimento,Abuso de idosos,Cuidados de longa duração,Idoso - violência
O envelhecimento populacional, do qual já sofre Portugal e tem projeção para ocorrer em três décadas no Brasil, necessita de um planejamento antecipado para se adequar às mudanças no atendimento à saúde. O presente trabalho teve por objetivo conhecer a prevalência da violência contra idosos da rede de cuidados continuados brasileira. Para isso, consistiu de investigação de campo em uma unidade de saúde brasileira, além de busca em bases de dados e documentos de acesso ao público brasileiro e português. A investigação no território brasileiro foi realizada através das fichas clínicas de utentes internados entre 2012 e 2013 no PAD do GHC. O estudo de campo encontrou o predomínio de suspeita de negligência ou abandono (25%) seguido por suspeita de violência física (15%). Houve ainda quatro casos (2,4%) definidos de negligência ou abandono. As mulheres foram as principais cuidadoras, responsáveis por 68% dos idosos. O principal motivo de internação foi o AVC e suas sequelas (23%), seguido pelas doenças respiratórias (20%) e pelas neoplasias (12%). Os dados governamentais ainda são insuficientes para conhecer a prevalência da violência contra os idosos e a literatura existente ainda não chegou a um consenso metodológico de investigação, com variabilidade de resultados muito ampla. Com isso, não foi possível definir a prevalência da violência, mas os resultados encontrados e a comparação com a rede de cuidados portuguesa permitiu ampliar as possibilidades estratégicas para melhor conhecer o problema e para o seu enfrentamento: investigação por fichas clínicas; descrição sistemática de áreas não-expostas e da organização familiar nas fichas clínicas pelas equipas de saúde; metodologias de pesquisa que alinhem o meio com a tipologia de violência; reforço comunitário e institucional para apoio ao cuidador de modo a suportar as mudanças da STD; investimento na formação e na educação continuada
Ciências Médicas e da Saúde
7,145
Papel do HPV e cofatores no cancro do colo do útero
Neoplasias do colo do útero,HPV,Cofatores,Carcinogénese,Coinfeção,Imunosupressão,Paridade,Tabaco,Contraceção
O papel do Vírus do Papiloma Humano (HPV) na etiopatogenia do cancro do colo do útero (CCU) está bem estabelecido. Sabe-se que a infeção por este vírus é necessária mas não suficiente por si só, existindo cofatores na carcinogénese cervical. Este artigo consiste numa revisão da literatura médica sobre o HPV e os seus cofatores. Os principais objetivos foram compreender a estrutura e o ciclo de vida do HPV; descrever o seu papel na carcinogénese cervical; descrever os cofatores da infeção por HPV, o seu peso no desenvolvimento do CCU e os mecanismos pelos quais influenciam a progressão da infeção pelo HPV para cancro. O tabaco é um cofator bem estabelecido, sabendo-se que interfere em todas as fases da carcinogénese. Contudo, o seu mecanismo de ação ainda não é bem conhecido, supondo-se que tenha um efeito simultaneamente imunodepressor e genotóxico. O uso de contraceção hormonal combinada por via oral, principalmente se superior a 5 anos, parece aumentar o risco de CCU e a suspensão do contracetivo tem um efeito benéfico. Este cofator aumenta a exposição da zona de transição e influencia a imunidade local. O papel da gravidez na progressão das lesões parece ser mínimo. Todavia, parece existir um aumento do risco de CCU com a multiparidade. As alterações hormonais e imunológicas próprias da gravidez bem como o trauma do colo do útero aquando do parto podem estar envolvidas no mecanismo. As mulheres com imunossupressão, quer iatrogénica, quer por patologias autoimunes ou pelo Vírus da Imunodeficiência Humana/ Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (VIH/SIDA) têm também um risco aumentado de lesões pré-malignas e CCU. Nestas doentes poderá haver uma infeção latente que se torna ativa ou, por outro lado, comprometimento da capacidade daquelas eliminarem uma nova infeção. A coinfeção por outros agentes sexualmente transmissíveis, como a Chlamydia trachomatis e o Herpes simplex vírus 2, aumentará o risco uma vez que promovem a inflamação crónica do colo do útero. Por último, os cofatores genéticos ainda não são bem conhecidos, supondo-se que terão um papel na imunidade. Em suma, existem cofatores da infeção por HPV com um papel preponderante no aparecimento de cancro do colo do útero. O conhecimento destes cofatores permitirá compreender melhor a evolução da infeção pelo HPV numa determinada mulher, possibilitando uma vigilância mais atenta e direcionada.
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ECCI : potenciação da esfera social, adesão terapêutica e qualidade de vida da pessoa em cuidados continuados e paliativos : operacionalização no âmbito de cuidados de saúde primários
Serviço social,Cuidados continuados e paliativos,Qualidade de vida,Social work,Continuous and palliative care,Quality of life
O índice de dependência e o aumento das doenças crónicas suscitam novas estratégias de gestão em saúde. A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) permite aos Assistentes Sociais, no seio de equipas multidisciplinares, estabelecer e manter vínculos de cuidados de grande valor social entre estruturas formais e cidadãos. É na desigualdade de oportunidades que se justifica estudar em que medida as respostas existentes no território nacional no tocante à acessibilidade aos cuidados de saúde representam uma resposta efetiva à pessoa doente no seu meio natural de vida e de que modo a RNCCI consegue responder a esta necessidade. Assim, os principais objetivos deste estudo comparativo são: medir a perceção da qualidade de vida (QdV) da população acompanhada, medir a melhoria da mesma após a intervenção das Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) e conhecer a preferência dos participantes quanto ao local para receber cuidados. Para o efeito, foi aplicado o instrumento WHOQOL-Bref, duas escalas numéricas e um questionário de escolha múltipla. A amostra (N=36) foi selecionada por conveniência e de forma aleatória. Metade dos participantes encontravam-se internados e os restantes no domicílio. Os principais resultados indicam que a amostra era maioritariamente do sexo feminino (61,1%) e com baixa escolaridade (69,4%). A média de idades era de 74,25 anos e 94,4% dos indivíduos que admitiram estar doentes, 44,4% estavam-no há mais de um ano. Apenas 13,9% preencheram os questionários autonomamente, embora não se registrassem diferenças estatisticamente significativas na perceção geral da saúde entre os dois grupos (U = 157,500; p =.888). Nos domínios físico e psicológico, os indivíduos internados apresentavam pontuações mais elevadas de QdV e os do domicílio, no do ambiente, embora sem diferenças estatisticamente expressivas. Para o domínio das relações sociais, verificaram-se diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos (U = 225,500; p =.044) com os indivíduos internados a apresentar ordem média mais elevada. Quanto à QdV em geral, registou-se uma ordem média mais elevada no domicílio com diferenças estatisticamente significativas (U = 93,000; p =.029). Todos admitiram ter significativas melhorias da sua QdV após a intervenção das ECCI e 61% dos inquiridos preferiam o domicílio para receber os cuidados de saúde. Conclui-se que este estudo é inovador em Portugal nos moldes em que o investigador se propôs desenvolver e o mesmo demonstra a importância da intervenção das ECCI na comunidade. Estas facilitam uma boa comunicação em saúde, potenciam os cuidados de proximidade, promovem uma maior capacidade para o autocuidado e habilitam os cidadãos para uma melhor gestão dos recursos com ganhos em saúde. Não obstante o tamanho da amostra, este estudo comparativo apresenta resultados sobre a utilidade social de um maior incentivo à passagem de cuidados institucionais para cuidados domiciliários. Finalmente, o autor deste estudo defende que, corresponsabilizar a sociedade civil na vida coletiva, incrementar o número de ECCI e Paliativos alargando a sua ação em território nacional, potencia os Cuidados de proximidade, acrescenta valor social e responde aos desafios do financiamento público da saúde.
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7,149
Osteoporose e envelhecimento
Osteoporose,Envelhecimento
A osteoporose é uma doença potencialmente geradora de grande limitação e dependência, se não for identificada e tratada atempadamente, de modo a evitar de ocorrência de fracturas osteoporóticas. Têm sido apontadas múltiplas hipóteses para explicar a fisiopatologia da osteoporose, no entanto a sua etiologia multifactorial é francamente reconhecida, através do reconhecimento da importância do património genético, bem como das alterações hormonais e bioquímicas que o organismo experimenta com o envelhecimento. São conhecidas muitas condições médicas e estilos de vida que podem acelerar a perda natural de densidade mineral óssea, e que devem ser tidos em consideração antecipando a ocorrência de danos potencialmente irreversíveis. A intervenção sobre a doença deve ser anterior à sua manifestação clínica, através da correcta identificação e avaliação dos factores de risco, valorizando a idade avançada como um dos factores mais preponderantes para a osteoporose. O diagnóstico é feito com recurso a densitometria óssea da coluna vertebral ou da anca, como um Score T inferior ou igual a -2,5, segundo a definição da OMS (Organização Mundial de Saúde). Múltiplas recomendações têm sido publicadas, no sentido de identificar eficazmente os indivíduos que poderão beneficiar da realização de uma densitometria óssea axial. O caminho do tratamento eficaz da osteoporose passa pela prevenção da perda de massa óssea e pelo seu rastreio. O tratamento passa não só pela terapêutica farmacológica, mas também por modificações de estilo de vida. São vários os agentes terapêuticos anti-osteoporóticos, que se classificam quanto ao seu modo de acção em agentes que estimulam a formação de tecido ósseo e aqueles 4 que inibem a sua reabsorção. Os agentes de primeira linha, tanto na mulher como no homem, são os bifosfonatos, que inibem a acção dos osteoclastos, e promovem um aumento da DMO e uma redução do risco de fracturas vertebrais e não vertebrais. Os suplementos de cálcio e vitamina D são amplamente utilizados, actuando como agentes adjuvantes dos anti-osteoporóticos, e colmatam potenciais défices nutricionais, comuns na população portuguesa
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7,150
Existirá uma maior incidência de displasia de desenvolvimento da anca em crianças com pé boto idiopático?
Criança,Pé boto,Displasia,Anca
Introdução: A relação entre Pé boto idiopático e Displasia de Desenvolvimento da Anca (DDA) não está completamente estudada, existindo poucos dados relativos à sua incidência e controvérsia quanto à necessidade de rastreio imagiológico da DDA nestes doentes. Este estudo tem como objetivos determinar a incidência de DDA em crianças com pé boto idiopático, compará-la à descrita para a população em geral e determinar se estes doentes devem ser rastreados para DDA. Pacientes e Métodos: Realizou-se um estudo coorte retrospetivo, incluindo doentes com pé boto idiopático tratados no Serviço de Ortopedia Pediátrica do CHUC, EPE- HP, entre 1 de Janeiro de 2006 e 31 de Dezembro de 2012. Colheram-se os dados demográficos e relativos ao pé boto e às ancas (utilizou-se a classificação de Graf para a DDA). Realizaram-se entrevistas telefónicas aos pais dos doentes, para colher dados indisponíveis nos registos clínicos. O número de nados-vivos em Coimbra foi facultado pelas Maternidades Bissaya Barreto e Daniel de Matos. O estudo estatístico foi realizado com Microsoft Excel® e SPSS®. Este estudo foi aprovado pela Comissão Coordenadora do Conselho Científico da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Resultados: A incidência anual de pé boto idiopático em Coimbra variou entre 0,87 e 2,58:1000 nados-vivos. Foram tratados 73 doentes no HP, sendo 48 do sexo masculino e 53% com pé boto bilateral. A idade atual dos doentes é de 4,01 ± 2,01 anos. As crianças foram tratadas pelo Método de Ponseti com 5,56 ± 1,64 gessos e utilizaram as botas de Dennis- Browne durante 3,11 ± 1,48 anos. Em 17,8% dos doentes foi realizada investigação imagiológica para despistar DDA. Foi diagnosticada DDA em 3 crianças e esta foi clinicamente significativa em apenas 1 menina, que foi tratada com tala de Pavlik. Nas outras 2 crianças foram identificadas ancas imaturas, que evoluíram para a normalidade. Não se observou qualquer diagnóstico tardio de DDA. Não foi observada diferença significativa para a incidência de DDA entre sexo feminino e masculino (p=0,27). Conclusão: Os doentes com pé boto idiopático tratados no HP apresentam uma baixa incidência de DDA (4,1%), sobreponível à incidência encontrada na população em geral. Os resultados obtidos não suportam uma associação entre pé boto e DDA, sugerindo que o pé boto não constitui um fator de risco para a DDA e que o exame clínico das ancas é suficiente para o rastreio da DDA em crianças com pé boto
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7,151
Envelhecimento muscular esquelético e alterações mitocondriais com a idade : o papel do sedentarismo e dos estilos de vida activa ao longo da vida
Envelhecimento,Estilos de vida,Músculos esqueléticos
O processo de envelhecimento biológico caracteriza-se por uma progressiva deterioração fisiológica com redução na capacidade funcional e aumento na incidência e susceptibilidade a determinadas doenças. A sarcopenia associada ao envelhecimento, caracterizada por uma redução da massa e força muscular com a idade é considerada uma característica major ao nível do envelhecimento do tecido muscular esquelético, sendo responsável por uma diminuição dramática na capacidade funcional dos idosos com consequente perda de independência e mobilidade. Várias teorias têm sido descritas com o objectivo de tentar explicar o fenómeno de envelhecimento. Neste contexto, a teoria do envelhecimento mitocondrial tem sido uma das mais prevalentes, relacionando o envelhecimento com a disfunção mitocondrial e o stress oxidativo. O aumento no stress oxidativo e consequente lesão oxidativa das biomoléculas, associado ao envelhecimento, será o resultado de uma maior produção de ERO mitocondrial e/ou uma diminuição nas defesas antioxidantes que associados a uma maior susceptibilidade dos tecidos à lesão oxidativa poderão ter consequências ao nível da diminuição na funcionalidade celular. Neste sentido, evidências recentes sugerem que muitas das alterações biológicas associadas ao processo de envelhecimento podem ser atenuadas pela adopção de estilos de vida activa e saudáveis, nomeadamente ao nível da prática regular de exercício físico. Com este projeto pretendemos estudar as alterações estruturais do músculo esquelético associadas à idade. Adicionalmente é também nosso objectivo estudar mitocôndrias isoladas a partir do músculo esquelético, considerando as suas características morfológicas, bioquímicas e funcionais e verificar qual o papel que o sedentarismo e diferentes padrões de exercício físico realizado ao longo da vida poderão ter nas variáveis em estudo. Mais especificamente, pretendemos caracterizar o tecido muscular esquelético e as mitocôndrias isoladas a partir de 6 músculos esqueléticos de jovens, idosos sedentários e idosos activos. Com vista a atingir esses objectivos, usaremos 60 ratinhos machos C57BL/6J, com 3 meses de idade, posteriormente divididos em 4 grupos (grupo jovem- GJ; grupo velhos sedentários- GVS; grupo velhos activos- GVA; grupo velhos treinados- GVT). Os animais do GJ serão sacrificados logo após uma semana de quarentena no nosso laboratório, com 3 meses de idade. Os animais do GVS serão colocados individualmente em gaiolas pequenas; os animais do GVA serão colocados individualmente em gaiolas com livre acesso a uma roda de actividade durante todo o protocolo experimental e os animais do GVT serão submetidos a um protocolo de exercício de resistência em tapete rolante. A actividade física voluntária será monitorizada diariamente nos animais do GVA ao longo de todo o período experimental (20 meses). Todos os animais serão mantidos a temperatura constante (21-25ºC) num ciclo diário de 12 horas dia-noite, com comida e bebida ad libitum. Após este período, os animais dos grupos GVS, GVA e GVT serão sacrificados (com 23 meses de idade) por deslocamento cervical e os músculos dos membros posteriores (soleus, gastrocnemius, tibialis anterior, e quadriceps) serão extraídos para análise morfológica e para o isolamento mitocondrial. A avaliação morfológica do musculo esquelético será realizada de acordo com métodos previamente descritos [1]. O isolamento das mitocôndrias musculares esqueléticas será realizado de acordo com métodos já descritos por Tonkonogi e Sahlin [2]. Da suspensão final de mitocôndrias serão separadas aliquotas de modo a proceder às análises funcional, bioquímica e morfológica. Para a avaliação da funcionalidade mitocondrial iremos recorrer à utilização de um eléctrodo de oxigénio (Hansatech DW 1, Norfork,UK). Os ensaios da actividade respiratória mitocondrial consistirão na avaliação de determinados parâmetros respiratórios mitocondriais, nomeadamente, o estado 3, estado 4, RCR (um indicador de integridade mitocondrial) e o ADP/O (indicador de eficiência fosforilativa mitocondrial). Com vista a avaliar a permeabilidade da membrana interna e a taxa máxima de fosforilação 7 oxidativa em condições de desacoplamento, adicionaremos, durante o estado 3 da respiração mitocondrial, oligomicina e carbonil cianide m-clorofenilhidrazone (CCCP), respectivamente. Os dados da funcionalidade serão expressos em actividade respiratória/mg proteina mitocondrial e actividade respiratória/actividade CS. Considerando as análises bioquímicas, serão avaliados marcadores de stress oxidativo (GSH/GSSG, grupos-SH, aconitase), defesas antioxidantes (actividades da GSH, SOD e GPx), marcadores de lesão oxidativa (grupos carbonilo) e um marcador de actividade metabólica (actividade da citrato sintase). A avaliação morfológica e morfométrica das mitocôndrias será realizada por microscopia electrónica de transmissão usando métodos convencionais de modo a caracterizar quantitativamente e qualitativamente a suspensão mitocondrial. A análise estatística será efectuada com recurso à utilização de testes paramétricos ou não-paramétricos de acordo com o tipo de distribuição das variáveis dependentes. Para além da determinação de diferenças entre grupos serão realizadas igualmente correlações entre as variáveis dependentes e independentes.
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7,152
O "Disease Mongering" no ensino superior : um estudo em alunos universitários de medicina
Marketing de Serviços de Saúde,Ensino superior,Doença
Introdução: O crescente fenómeno de promoção da doença (disease mongerig) está a transformar a saúde num bem de consumo, apoiando-se em estratégias, entre as quais as de marketing, geridas por interesses económicos. Tomam parte neste processo, não só a Indústria farmacêutica, mas também os responsáveis pelas política de saúde e a classe médica. Objectivo: Conhecer a opinião de alunos universitários, finalistas de Mestrado Integrado em Medicina, quanto à existência de uma hipotética nova síndrome médica, à aceitação da campanha de rastreio e da oferta terapêutica respectivas. Metodologia: Estudo observacional, transversal e analítico, com aplicação de um questionário aos alunos do 6º ano de 2013/2014 do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade de Coimbra. Análise estatística descritiva e inferencial não paramétrica e segundo variáveis epidemiológicas. Resultados: De uma população de 270 alunos de Medicina, foi obtida uma amostra de 81 participantes (65,4% sexo feminino) com uma média de 23,6 ± 1,5 anos de idade. Consideram a hipotética nova síndrome muito frequente 55,6% dos inquiridos, 84,0% considera não sofrer da mesma, 51,8% concordaria em fazer o rastreio proposto e 39,5% o tratamento, 54,3% consideram que a síndrome em questão não existe. Em todas as questões o sexo feminino supera o masculino em respostas positivas, particularmente no que diz respeito à realização do rastreio (66% vs. 25%; p<0,001). Sem diferença significativa os inquiridos que não sofrem de doença crónica, mostram maior aceitação em relação ao tratamento (41,4% vs. 27,3%), e à existência da síndrome (47,1% vs 36,4%) quando comparados aos doentes crónicos. O mesmo acontece com aqueles que não fazem medicação crónica quando comparados com os que realizam tal medicação. O “disease mongering” no ensino superior: um estudo em estudantes finalistas de Medicina Discussão: Sem outros valores para comparar com os apresentados, percebe-se a importância de que qualquer cidadão, e neste caso específico o estudante finalista de Medicina (prestes a adquirir competências singulares na sociedade), seja alertado para o fenómeno da disease mongering e reconheça e evite o seu marketing exagerado, estrategicamente gerido por interesses acessórios ao bom estado de saúde da população. Conclusão: A aceitação da hipotética nova síndrome, no que diz respeito à sua frequência (55,6%), à realização de rastreio (51,9%), do tratamento (39,5%) e também no que diz respeito à existência da mesma (47,5%), revela que os estudantes do 6º ano de Medicina, não são imunes à promoção da doença
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7,153
Potencial terapêutico de inibidores do NF-KB no linfoma difuso de grandes células B
Linfoma de células B
O Linfoma Difuso de Grandes Células B é o mais comum dos subtipos de Linfoma não-Hodgkin, representando cerca de 30 a 58 % dos casos destas neoplasias. Tal como em outros linfomas, a via do fator de transcrição nuclear kB (NF-kB) está envolvida no seu processo oncogénico. Após ativação, o NF-kB é translocado do citoplasma para o núcleo celular, acionando a transcrição génica de fatores antiapoptóticos. Desta forma, a desregulação da via do NF-kB confere às células cancerígenas vantagem na sobrevivência por inibir a apoptose, sendo responsável pelo desenvolvimento de vários Linfomas não-Hodgkin e sendo essencial para o Linfoma Difuso de Grandes Células B. A inativação do NF-kB conseguida pela inibição da IKK ou pela inibição da degradação proteasómica do IkB surge assim como potencial estratégia terapêutica neste tipo de linfomas. O objetivo desta investigação foi avaliar o potencial terapêutico de um inibidor da IKK (Parthenolide) e de um inibidor do proteasoma (MG-262) no Linfoma Difuso de Grandes Células B, em monoterapia e em associação com a quimioterapia convencional. Pretendeu-se ainda clarificar os mecanismos moleculares envolvidos na citotoxicidade induzida por estes fármacos. Uma linha celular de Linfoma Difuso de Grandes Células B, as células Farage, foi testada na ausência e na presença de doses crescentes de Parthenolide e MG-262, em monoterapia e em associação com a Vincristina, fármaco anticancerígeno do esquema de tratamento convencional. O efeito antiproliferativo foi avaliado pelo Teste metabólico da resazurina. O tipo de morte celular foi investigado por Citometria de Fluxo (pela dupla marcação celular com Anexina V e Iodeto de Propídeo e pela análise do ciclo celular) e por Microscopia Ótica (usando a coloração May-Grünwald-Giemsa). A expressão da Caspase 3, molécula reguladora da apoptose, foi analisada por Citometria de Fluxo utilizando um anticorpo monoclonal marcado com um fluorocromo. Este método foi utilizado para avaliar a expressão do NF-kB fosforilado e de conjugados de ubiquitina, de forma a esclarecer o efeito farmacodinâmico do Parthenolide e do MG-262, respetivamente. Os resultados obtidos mostram que o Parthenolide e o MG-262, tanto em monoterapia como em combinação com a Vincristina, reduziram a viabilidade celular de modo dependente da dose e do tempo de exposição, induzindo morte celular predominantemente por apoptose. Um efeito antiproliferativo sinérgico foi observado quando a Vincristina foi usada em combinação com o MG-262, sugerindo um benefício clínico. A diminuição do NF-kB fosforilado e o aumento dos conjugados de ubiquitina traduzem a inibição da IKK e do proteasoma, respetivamente pelo Parthenolide e MG-262, confirmando o efeito inibitório da via do NF-kB por estes dois fármacos. Assim, este estudo sugere que o Parthenolide e o MG-262 podem constituir novas abordagens terapêuticas no Linfoma Difuso de Grandes Células B.
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7,156
Identificação de preditores de fibrilhação auricular paroxística em doentes com AVC isquémico de causa indeterminada
Fibrilação auricular,Acidente vascular cerebral,Neurologia
Introdução: Uma percentagem expressiva de AVCs isquémicos (entre 30 e 40%, de acordo com diferentes séries) persiste sem causa identificada, apesar da investigação exaustiva. Um dos possíveis responsáveis é a fibrilhação auricular paroxística (FAP), muitas vezes indetectável em exames de rotina. O nosso estudo tem como objetivo identificar preditores independentes clínicos, electrofisiológicos e imagiológicos da FAP numa população de doentes com AVC de causa indeterminada. Métodos: Estudo de coorte histórico que incidiu sobre uma população de doentes com AVC isquémico, admitidos no serviço de neurologia do Centro Hospitalar de Coimbra (CHUC) no período compreendido entre 1 de Janeiro de 2011 e 30 de Junho de 2013 e, que receberam a classificação etiológica de «indeterminado» no momento da alta hospitalar. Excluíram-se os doentes que faleceram, aqueles que não foi possível acompanhar em consulta durante todo o período de follow-up do estudo (6 meses) e os que foram reclassificados após revisão do processo hospitalar por neurologista vascular. Resultados e discussão: Foram incluídos 191 doentes com uma média de idades de 72,7 anos (DP: 12.2), 92 (48.2%) do sexo masculino, tendo sido identificada FAP em 56 (29.3%). Assumiram-se como preditores independentes de deteção de FAP as seguintes variáveis: Idade (OR 1.34; IC 95%: 1.09 – 1.65; p <0.05), recorrência de AVC (OR 4.53; IC 95%: 1.50 – 14.44; p <0.05), presença de dilatação (OR 14.00; IC 95%: 1.56 – 12.20; p <0.05) e auto-contraste na aurícula e apêndices auriculares esquerdos (OR 11.07; IC 95%: 4.30 – 8.65; p <0.05). Conclusão: Em doentes com AVC de causa indeterminada, a idade, a dilatação da AE, e a presença de auto-contraste na AE e/ou AAE e a recorrência precoce revelaram ser preditores independentes de deteção de FAP.
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7,159
Esclerose múltipla uma ou várias doenças?
Esclerose múltipla
As doenças inflamatórias desmielinizantes do Sistema Nervoso Central são cada vez mais prevalentes em todo o mundo e são a principal causa não traumática de défices neurológicos em adultos jovens. Estas doenças incluem um espectro amplo de patologias que habitualmente podem ser diferenciadas com base na clínica, patologia, imagiologia e exames laboratoriais. No entanto, existe uma considerável sobreposição entre estas doenças, originando diagnósticos incorrectos ou incertezas diagnósticas. Os subtipos clínicos de Esclerose Múltipla surto-remissão e secundária progressiva são as doenças inflamatórias desmielinizantes idiopáticas mais comuns. Formas mais raras de doenças inflamatórias desmielinizantes podem ser classificadas em: 1) Agudas ou fulminantes como a Doença de Marburg, a Esclerose concêntrica de Baló e a Encefalomielite aguda disseminada; 2) Monofásicas como a Neuromielite óptica, os síndromes clínicos isolados que correspondem à Nevrite óptica, à Mielite e aos síndromes desmielinizantes inflamatórios do tronco cerebral; 3) Doenças multifásicas com distribuição topográfica restrita como a Neuromielite óptica recorrente, Nevrite óptica recorrente e a Mielite transversa recorrente; 4) Esclerose Múltipla Tumefactiva. Parte destas doenças são ainda consideradas variantes de Esclerose Múltipla, outras são consideradas entidades nosológicas específicas, como é o caso da Neuromielite óptica após a descoberta do seu biomarcador serológico. Este artigo de revisão tem como objectivo abordar a heterogeneidade clínica, patológica, imagiológica e laboratorial destas doenças, no sentido de clarificar o espectro da EM e assim permitir diagnósticos precoces e terapêuticas específicas.
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7,160
Hemangioma infantil : clínica fisiopatologia e tratamento
Hemangioma,Criança
O hemangioma infantil (HI) é o tumor cutâneo mais frequente nas crianças. Este resulta da proliferação de células endoteliais imaturas e ao contrário de outros tumores surge após o nascimento e involui espontaneamente na maioria dos casos. O presente artigo de revisão foi feito com base numa pesquisa bibliográfica acerca de vários temas relacionados com esta patologia de modo a obter uma visão ampla da epidemiologia, fisiopatologia, histopatologia, clínica, complicações, diagnóstico e opções terapêuticas existentes. Os factores de risco associados ao desenvolvimento deste tumor são a idade materna avançada, gestação múltipla, placenta prévia, pré-eclampsia, prematuridade e o baixo peso á nascença sendo este último o mais relevante. Hoje pensa-se que a histogénese do HI proviria de angioblastos residentes ou circulantes, células de origem placentar embolizadas ou células stem hemangioblastoídes. Estudos recentes apontam ainda para uma possível regulação da proliferação celular endotelial progenitora e diferenciação pelo sistema renina angiotensina (SRA). Na maioria dos casos, o HI apresenta-se clinicamente sob a forma superficial e localizada. As áreas mais afectadas são a cabeça e o pescoço. Este tumor vascular pode ainda surgir associado a síndrome PHACE, síndrome PELVIS, síndrome SACRAL e hemangiomatose. O diagnóstico baseia-se essencialmente na clínica e no exame físico. Os exames de imagem estão reservados para casos duvidosos ou atípicos. Dado a involução espontânea característica, muitas vezes a opção terapêutica passa pela abordagem “wait and see”. No entanto, alguns hemangiomas podem levar a morbilidades cosméticas e funcionais e nestes casos é necessário proceder a uma intervenção terapêutica activa FMUC Hemangioma Infantil: Clínica, Fisiopatologia e Tratamento 3 e precoce. Existe um leque variado de opções terapêuticas. O tratamento médico é considerado 1ª linha nomeadamente a corticoterapia e o propranolol. Outras modalidades médicas como a imiquimod, ciclofosfamida, interferão, vincristina, bleomicina e escleroterapia ficam reservados para casos seleccionados ou resistentes á terapêutica de 1ª linha. A terapêutica cirúrgica normalmente é mais dirigida ao tratamento de hemangiomas superficiais (laser) ou remoção de tecido involutivo (excisão cirúrgica)
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7,163
Polimedicação no idoso
Polimedicação,Idoso
A polimedicação, cada vez mais comum nos idosos, pode ser definida de várias formas, seja quantitativamente, usualmente com o consumo de 5 ou mais fármacos simultaneamente, ou qualitativamente, através do uso de mais medicamentos do que os indicados. Esta faixa etária ocupa, cada vez mais, um lugar de destaque na sociedade actual. Os objectivos principais deste trabalho foram, por um lado, proceder à descrição e avaliação dos factores de risco para a polimedicação e, por outro, aprofundar o conhecimento sobre que métodos se podem utilizar para a evitar e como os colocar em prática e, finalmente, avaliar a adesão à medicação, nomeadamente o que poderá ser feito para a melhorar. Todos estes propósitos foram focados no idoso. A pesquisa foi feita utilizando como palavras-chave polypharmacy; elderly; geriatric; adherence; hyperpharmacotherapy. As bases de dados usadas online foram a Pubmed e a Cochrane summaries ou, caso a situação o exigisse, livros e revistas da especialidade, tendo sido incluídos artigos em inglês ou em português, desde 2008 a 2013, inclusivé. Na literatura podem-se encontrar descritos vários factores de risco para a polimedicação, embora existam alguns resultados divergentes devido às múltiplas variáveis de confundimento existentes. A polipatologia, o comportamento do utente em relação à saúde e as guidelines estão entre os factores referidos. Os métodos existentes para diminuir este problema são muito variados, podendo consistir em listas de medicamentos a evitar ou em intervenções multidisciplinares. Cada um tem as suas vantagens e desvantagens mas, pela sua funcionalidade e aplicabilidade, algumas listas de medicamentos e os meios tecnológicos têm surgido cada vez com mais relevância. Qualquer que seja a intervenção feita, o essencial é a individualização do método aplicado. Polimedicação no idoso 4 No que toca à adesão, muitos factores foram já descritos, bem como formas de a potenciar. A prevalência da má adesão é preocupante, tal como as suas consequências. A simples melhoria da relação médico-doente é suficiente para contribuir para a sua melhoria. Pelo aumento da população idosa, acréscimo do número de patologias associado ao envelhecimento e da quantidade de fármacos disponíveis e necessários para a tratar, o problema da polimedicação ameaça assumir proporções preocupantes. Muitas das vezes, este problema, pelo seu carácter progressivo, escapa à atenção dos médicos. As consequências aziagas da inadequação da medicação poderiam, em muitas ocasiões, ser evitadas caso se cumprissem pressupostos simples. Assim, é essencial uma maior atenção à polimedicação, tal como um melhor conhecimento sobre a forma como se deve proceder para a evitar
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7,164
Evolução dos transplantados hepáticos em duas fases distintas do programa de transplantes dos HUC
Transplantação,Hospitais - Hospitais da Universidade de Coimbra
A avaliação dos resultados de um programa de Transplantes hepáticos em dois momentos diferentes permite verificar áreas onde existem progressos e outras onde esses progressos não ocorreram. Com esse propósito, comparam-se dois grupos de 75 doentes transplantados em 1992-96 (43 homens, idade média 39,2 anos sd 10,8) com outros tantos doentes transplantados em 2004-06 (47 homens, idade média 38,9 anos sd 12,6). Nos períodos citados foi transplantado um número equivalente de cirróticos (34,7% vs 29,3%, p=0,60) e de paramiloidóticos (46,7% vs 45,3%, p=1,000); houve um aumento nas intervenções por falência hepática aguda (4% vs 17,3%, p=0,017). Não houve aumento na taxa de transplantes sequenciais (7,7% vs 22,7% dos cirróticos, p=0,289). As complicações têm frequência idêntica nos dois grupos. A necessidade de diálise pós-operatória foi de 17,3% vs 10,7%, (p=0,364); a ocorrência de rejeição aguda foi de 65,3% vs 52,0%, (p=0,136); uma rejeição crónica observou-se em 6,7% em ambos os grupos. Complicações vasculares observaram-se em 17,3% e 14,7% (p=0,852); complicações biliares em 49,3% e 42,7% (p=0,561). Infecções bacterianas detectaram-se em 66,7% e 53,3%, (p=0,357); houve uma maior frequência de infecções por CMV em 2004-06 (5,3% vs 18,7%, p=0,028) e uma maior taxa de infecções fúngicas em 1992-96 (29,3% vs 14,7%, p=0,039). As sobrevidas aos 5 anos para os cirróticos (65,4% vs 81,8%, p=0,342), paramiloidóticos (74,3% vs 94,1%, p=0,055) e transplantados por falência hepática fulminante (66,7% vs 69,2%, p=0,620) não apresentaram diferenças significativas, no entanto verificou-se um aumento significativo na sobrevida geral aos 5 anos em 2004-06 (69,3% vs 84,0%, p=0,035). O acumular de experiência da equipa de Transplantação, apesar de não diminuir significativamente a frequência das complicações, resultou num aumento importante da sobrevida.
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7,165
Saúde sexual dos adolescentes : conhecimentos riscos e mitos
Adolescência,Saúde sexual e reprodutiva
Introdução: A saúde sexual é parte importante da saúde e desenvolvimento dos jovens, sendo os comportamentos sexuais e seus riscos um importante aspeto de saúde pública. O presente artigo visa avaliar as fontes de informação e mitos sobre sexualidade e o risco de infeção por ISTs e gravidez não planeada nos adolescentes. Materiais e métodos: O estudo foi realizado numa escola secundária, onde foi escolhida uma amostra de 100 adolescentes do 10º e 11ºanos. Foi aplicado um questionário anónimo de 19 perguntas de resposta fechada. Foi utilizado o programa SPSS para realizar a análise dos dados. Resultados: A principal fonte de informação sobre assuntos de sexualidade procurada pelos inquiridos foi a internet, apenas 62% dos inquiridos referiu esclarecer dúvidas sobre sexualidade junto dos pais e a maioria dos jovens nunca frequentou uma consulta de planeamento familiar apesar de muitos referirem que seria útil ter mais apoio técnico para esclarecer dúvidas. Apenas 7% reconheceu corretamente uma lista de infeções sexualmente transmissíveis, o VIH foi reconhecido pela totalidade da amostra. O preservativo foi reconhecido pela maioria da amostra como método para evitar estas infeções e parte da amostra referiu ser possível fazê-lo com a “pílula” ou coito interrompido. A “pílula” do dia seguinte e o aborto foram considerados por parte dos inquiridos como um método contracetivo seguro para evitar a gravidez não desejada, sendo o preservativo o método mais reconhecido (89%), seguido pela “pílula” (70%). Apenas 58% referiu ser possível engravidar durante a menstruação, 25% referiu ser possível engravidar com prática de sexo anal e a maioria referiu que só é possível engravidar por penetração ou inseminação artificial. Apenas 81% reconheceu que a “pílula” do dia seguinte pode ser prejudicial para a saúde, uma parte dos inquiridos referiu que a masturbação e as relações sexuais durante a menstruação podem constituir perigo para a saúde. Conclusão: Os resultados obtidos levam a crer no risco acrescido de ISTs e gravidez nos adolescentes. É fundamental atuar no sentido da melhoria da informação e da responsabilização dos adolescentes pelos seus comportamentos sexuais, promovendo um atraso no início da atividade sexual e a prática de sexo seguro.
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7,166
Urgência de oftalmologia : casuística e análise dos resultados no ano de 2011 nos HUC
Urgências,Oftalmologia.
Introdução: Os Serviços de Urgência (SU) são serviços tendencialmente gratuitos, universais e sempre disponíveis, adquirindo um papel central no Serviço Nacional de Saúde português. É estimado que as urgências oftalmológicas representem cerca de 3-7% de todos os atendimentos do SU de um hospital. Contudo, especificamente em Portugal, é escassa a literatura relativa a esses atendimentos. Objectivo: Caracterização do tipo de doente que recorre ao SU, apresentação clínica, frequência das diferentes patologias oftalmológicas e abordagem terapêutica no Serviço de Oftalmologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) no ano de 2011. Materiais e Métodos: Revisão retrospectiva de 6.284 registos clínicos de consultas realizadas no SU de Oftalmologia. Foram recolhidos os seguintes dados: sexo, idade, hora, dia da semana, mês, referenciação, localidade (concelho), a entidade financeira responsável e o diagnóstico de saída; a história clínica foi organizada segundo os sintomas, a lateralidade e o tempo de evolução, a abordagem terapêutica e fármacos prescritos, o tempo de atendimento e o encaminhamento posterior. Os traumas mecânicos foram classificados de acordo com o Birmingham Eye Trauma Terminology System. Resultados: O número de homens admitidos (54,5%) foi superior ao de mulheres (45,5%), sendo a idade média de 50,2 anos +/- 18,4 e 54,6 anos+/-, respectivamente. Os concelhos mais próximos contribuiram com a maioria dos doentes. Os episódios de urgência são mais frequentes nos meses de Março, Maio, Junho e Agosto, e 77,2% dos atendimentos ocorreram entre as 6 e as 18 horas. Sessenta e nove por cento dos doentes Daniel Silva Melo 2 URGÊNCIAS DE OFTALMOLOGIA. CASUÍSTICA E ANÁLISE DOS RESULTADOS NO ANO 2011 NOS H. U. C. FMUC recorreram ao SU pela sua própria iniciativa. Os traumatismos do globo ocular e da órbita, incluindo queimaduras, constituiram o maior grupo de diagnósticos (28,5%), seguido das infecções agudas (26,8%). Sessenta e nove por cento dos doentes teve alta em menos de 120 minutos. Cinquenta e dois por cento dos doentes tiveram alta para domicílio, 22,6% foram orientados para consulta externa e 2,1% foram internados. Conclusão: É aceite que é função dos serviços primários de saúde referenciar os doentes aos SU de Oftalmologia, contudo a maioria dos doentes procura por sua própria iniciativa este serviço. A correcção ou melhoria deste comportamento poderá passar por medidas educativas que passem pela sensibilização da doença ocular aguda pela população e com a promoção de cursos específicos aos clínicos não especialistas para maior segurança na execução de técnicas básicas na abordagem inicial e normas de referenciação para um Centro de Oftalmologia.
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7,167
Colangite esclerosante primária : evolução dos doentes transplantados hepáticos
Colangite,Transplantação do fígado
Objetivo: Este trabalho tem como objetivo avaliar a evolução dos doentes com colangite esclerosante primária transplantados no CHUC (Centro Hospitalar Universitário de Coimbra). Avaliar-se-ão a frequência e o tipo de complicações biliares, o curso da doença inflamatória crónica do intestino procurando verificar se têm sido efetuados os controles geralmente recomendados, a sobrevida global e a qualidade de vida que os doentes mantêm. Métodos: A amostra estudada é constituída por 17 doentes transplantados hepáticos por colangite esclerosante primária identificados entre 1993 e 2012. A informação de cada doente foi obtida através do processo único, do processo da consulta de transplantação hepática, de contato telefónico e pessoal. A sobrevida foi analisada de acordo com o modelo de regressão de Cox, o método Kaplan-Meier e avaliada através do teste log-rank. Resultados: Oito doentes apresentavam doença inflamatória crónica concomitante. A sépsis foi causa de morte em 2 doentes. O carcinoma hepatocelular foi encontrado num doente. Conclusões: A sobrevida 1 ano após transplante aproxima-se dos 88%. Apesar deste fato, as complicações biliares são mais frequentes neste grupo de doentes comparando com outras indicações para transplante. A idade à data do transplante é um preditor de sobrevida. Os doentes com doença inflamatória crónica intestinal associada devem ter uma vigilância regular com elevada suspeição de displasia/neoplasia.
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7,169
Colheita de estudo dos nódulos cardionectores : um contributo para o esclarecimento de mortes de causa desconhecida
Medicina legal,Autópsia
Colheita e estudo dos nódulos cardionectores: um contributo para o esclarecimento de mortes de causa desconhecida Introdução: Num Serviço de Patologia Forense a diminuição de mortes de causa indeterminada, que não devido à existência de putrefacção, constitui sempre um objectivo a alcançar, quer a nível internacional quer nacional. A maioria destes casos deve-se a situações de morte natural em que não foi possível, apesar da realização de exames complementares, determinar concretamente qual a patologia orgânica que desencadeou a morte. Atendendo a que a morte natural de causa cardíaca é aquela que mais frequentemente se encontra em patologia forense, particular atenção deve ser dedicada a este órgão, nomeadamente no que respeita ao sistema de condução. De facto, embora uma arritmia não se documente num exame post mortem, o estudo do sistema de condução pode revelar alterações que sugiram e/ou permitam o diagnóstico do evento fatal. Objectivos: O objectivo deste estudo consiste em contribuir para ao esclarecimento de causa de mortes desconhecidas através da análise do sistema cardionector em autópsias da Delegação do Centro do INML, IP. Material e Métodos: Para tal, nos últimos anos tem-se procedido a um estudo prospectivo relativamente ao sistema de condução cardíaco em casos com suspeita de morte natural, pertencentes a indivíduos com idade superior a 18 anos, em que não foi possível, no decorrer da autópsia forense, determinar a causa efectiva da morte. Foram colhidas cem amostras de nódulos sinusal e atrioventricular, que se prepararam segundo a técnica de rotina, complementada com a coloração especial ”Tricrómio de Masson” (de fácil execução e não onerosa). Resultados: Verificou-se a presença de alterações do sistema cardionector em mais de um terço dos casos de morte por patologia cardíaca, as quais ou permitiram esclarecer a causa de morte ou, embora não tendo contribuído directamente para a morte, devem ser valorizadas. Conclusões: Este trabalho mostra que o estudo do sistema cardionector permite, com exigências mínimas - quer económicas quer de trabalho - em casos selecionados, realizado por profissionais experientes, propor um diagnóstico da causa de morte, reduzindo assim, o número de mortes de causa desconhecida.
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7,171
A influência das alterações climáticas nas patologias respiratórias
Mudança climática,Doenças das vias respiratórias
As alterações climáticas (ACs) sempre estiveram presentes no nosso planeta com sazonalidade equilibrada. No entanto, com a forte industrialização implementada no decorrer da revolução industrial, o consumo não sustentável das fontes energéticas levou a uma maior emissão de gases com efeito de estufa para a atmosfera, que contribuíram para o aquecimento global. Estes têm vindo a contribuir para a ocorrência de eventos climatéricos extremos, promovendo o aumento da predisposição das populações para o desenvolvimento de doenças respiratórias e cardiovasculares, principalmente em crianças, idosos e indivíduos portadores de patologia crónica. As ACs têm efeitos múltiplos nas populações. O aumento dos períodos de calor sustentado (ondas de calor) promove a elevação da incidência de alergias, asma e infeções respiratórias, estando estas associadas ao aumento da concentração de poluentes e alergénios atmosféricos, assim como à antecipação das fases polínicas. Estes efeitos fazem se sentir sobretudo em áreas urbanas. Por outro lado, a exposição às baixas temperaturas promove um aumento do risco de infeções respiratórias, estando a mortalidade particularmente relacionada com a presença do vírus Influenza. O aumento das concentrações atmosféricas de poluentes atmosféricos, tais como o ozono (O3), dióxido de azoto (NO2), dióxido de enxofre (SO2), material particulado (PM) e partículas de exaustão do diesel (DEP), promovem agressão das vias aéreas e consequente desenvolvimento de processos inflamatórios que também vão estar envolvidos no aumento da morbilidade e mortalidade cardiorrespiratória. As ACs vão ainda influenciar o padrão de distribuição de diversas doenças infeciosas, aumentando o risco de infeção principalmente para as doenças transmitidas por vetores. Devido à crescente evidência, é importante reconhecer o impacto que as ACs têm sobre a saúde pública, avaliando a sua importância na incidência de patologias respiratórias, na exacerbação de quadros crónicos e na mortalidade das populações. Desde modo é crucial inferir possíveis estratégias que possam diminuir a vulnerabilidade das populações através da implementação de medidas de prevenção e adaptação que visem a diminuição da letalidade e disfunção social associadas aos efeitos das ACs
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7,176
A lesão de Dieulafoy na Unidade de Cuidados Intensivos de Gastrenterologia do C.H.U.C.
Hemorragia gastrointestinal,Terapêutica
Introdução. A Lesão de Dieulafoy é usualmente considerada uma causa rara de hemorragia digestiva, sendo potencialmente fatal devido à rápida expoliação hemática que condiciona. A terapia endoscópica é normalmente bem-sucedida na hemóstase primária, mas pouco é conhecido sobre o melhor tipo de abordagem para estes doentes, bem como a sua eficácia a longo prazo. No presente artigo procedeu-se ao estudo das características clinico-epidemiológicas, tratamento e outcome dos doentes tratados numa unidade de cuidados intensivos. Métodos. Estudo retrospectivo dos processos clínicos de45 doentes admitidos na Unidade de Cuidados Intensivos de Gastrenterologia e Hepatologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, entre Agosto de 2006 e Abril de 2013, com o diagnóstico de Lesão de Dieulafoy. Uma entrevista telefónica foi levada a cabo para determinar a eficácia a longo prazo da terapêutica instituída. Resultados. A maioria dos doentes era do sexo masculino, com co-morbilidades significativas e uma média de idades de 75,84±12,68 (25-92) anos. Apresentaram-se mais comummente por hematemeses, melenas ou ambas. Foi necessário uma média de 1,40±0,66 (1-4) endoscopias para o diagnóstico da lesão. A hemóstase endoscópica, preferencialmente mecânica, foi definitiva em 95,6% dos casos. A recidiva hemorrágica a curto prazo foi maior para os métodos químicos e térmicos. A taxa de mortalidade foi de 8,9%. Durante um período de seguimento médio de 30,6 meses, nenhum dos doentes reportou recidiva hemorrágica. Conclusões. A Lesão de Dieulafoy não pode ser considerada uma causa rara de hemorragia digestiva, sendo a endoscopia altamente bem-sucedida em conseguir hemóstase definitiva. Apesar de os métodos mecânicos serem superiores aos restantes no curto prazo, a longo prazo todas as técnicas têm igual eficácia (100%). A combinação de diferentes métodos revelou-se superior à monoterapia
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7,177
A influência da nutrição na resposta inflamatória e no envelhecimento
Dieta,Fenómeno fisiológico nutricional,Inflamação,Envelecimento,Stress oxidativo,Longevidade
A esperança média de vida tem vindo a aumentar. Este aumento, mais evidente nos países desenvolvidos, torna o envelhecimento populacional uma realidade. Os indivíduos com mais de 85 anos têm percentualmente um crescimento ainda maior que a população entre os 65 e os 85 anos. No entanto, o aumento da esperança média de vida, não é sinónimo de melhor qualidade de vida. As várias patologias crónicas dos idosos, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2 e outras doenças degenerativas, são consideradas a “epidemia” do século XXI e quase todas estas patologias partilham um mecanismo fisiopatológico comum, uma resposta inflamatória marcada. Mas afinal qual será a causa deste aumento de incidência de patologias crónicas ligadas ao envelhecimento? Apesar de os cuidados de saúde terem melhorado nos últimos anos, os hábitos de vida da população em geral cada vez se tornam menos saudáveis, nomeadamente a nível da alimentação. É sabido que existem vários componentes da dieta que modulam a resposta inflamatória. O consumo de determinados nutrientes pode levar à produção de compostos anti-inflamatórios, mas desequilíbrios na proporção e ingestão de outros nutrientes nefastos podem levar a maior produção de mediadores inflamatórios. Além disso, sabe-se que a resposta inflamatória crónica de baixo grau, observada com o envelhecimento, é um fator de desenvolvimento de doenças relacionadas com o envelhecimento. Surgiu então o conceito de inflammageing (a junção numa só palavra de inflammmation e ageing). O presente trabalho tem como objetivo uma revisão sobre a influência da nutrição na resposta inflamatória e no envelhecimento, no ponto de vista fisiopatológico. Pretende-se uma avaliação dos principais mecanismos inflamatórios associados ao envelhecimento e quais os componentes nutricionais que os podem potenciar ou suprimir, para melhor compreensão do papel da nutrição num envelhecimento saudável
Ciências Médicas e da Saúde
7,178
Qualidade de vida dos doentes com fibromialgia
Fibromialgia,Qualidade de vida
Introdução: A fibromialgia é uma causa de dor crónica de etiopatogenia desconhecida e a controvérsia de que se recobre a sua definição, abordagem e terapêutica é, do mesmo modo, cronicamente disruptiva. Os doentes fibromiálgicos experienciam, sabidamente, uma profunda afecção do quotidiano. Explorar a sua realidade é contribuir para tornar compreensível a globalidade desse mal-estar tão diversamente comunicado. A qualidade de vida é uma dimensão crescentemente relevante numa Medicina desejavelmente mais humana. A cronicidade assume-se como um factor crucial no planeamento dos cuidados de saúde e a gestão do bem-estar sobrepõe-se à imediatez de uma cura. Deste modo, é possível alcançar uma análise personalizada, realista e flexível do impacto das doenças crónicas. Esta abordagem serve com particular êxito o modelo nosológico da fibromialgia: o clínico não acompanhará uma doença, mas o doente. Objectivos: O objectivo deste trabalho é actualizar a informação científica relativa à qualidade de vida dos doentes com fibromialgia, através da revisão da literatura publicada nos últimos anos. Os estudos quantitativos e qualitativos que caracterizaram as vivências destes doentes inferiram maioritariamente sobre as dimensões da saúde mental, da sexualidade, do sono e da actividade laboral, com análise do impacto económico gerado quer para os sistemas de saúde, quer para os indivíduos. Adicionalmente, examinou-se a variação do impacto da fibromialgia segundo a idade e o género. Desenvolvimento: Confirmou-se, indubitavelmente, uma diminuição da funcionalidade global e da qualidade de vida dos doentes com fibromialgia. Os dados obtidos foram discordantes quanto ao impacto da fibromialgia segundo as diferentes faixas etárias; interessa, ainda, estudar quais os aspectos mais acometidos em cada etapa da vida. Parece haver diferenças significativas entre os géneros nos doentes com fibromialgia; no entanto, a carência de estudos que foquem a população do sexo masculino permite apenas fazer referências descritivas, e não uma análise sumativa. A disfunção sexual concorre para a diminuição da qualidade de vida dos doentes fibromiálgicos. Todas as componentes da sexualidade estão prejudicadas nos homens, sendo os estudos menos coerentes quanto às dimensões afectadas entre as mulheres; de resto, os factores psicológicos parecem assumir, nestas, maior importância. A diminuição da líbido é uma constante. Importa, ainda, realçar o papel significativo da co-morbilidade psiquiátrica na disfunção sexual. De facto, os distúrbios do humor e ansiosos são frequentes nos doentes fibromiálgicos, estando relacionados com a diminuição da funcionalidade e com o prejuízo da qualidade de vida. A alteração da imagem corporal e os índices de catastrofização são variáveis a ter também em conta. A qualidade do sono encontra-se, nos doentes fibromiálgicos, acentuadamente diminuída, sendo comuns a insónia inicial, os acordares frequentes e a insónia terminal. Estas perturbações relacionam-se estreitamente com a hiperalgesia e com os distúrbios do humor. A fibromialgia comporta custos económicos elevados, inicialmente explicados pelo diagnóstico tardio e acompanhamento médico errático. Após a classificação dos doentes, o carácter dispendioso advem dos custos indirectos, principalmente relacionados com o absentismo laboral e com a diminuição da produtividade. O desemprego é mais frequente nos doentes com fibromialgia, sendo a decisão relativa ao status laboral dependente de factores relacionados com a própria doença e com variáveis pessoais e externas. A adaptação das características do trabalho às toleradas pelos doentes fibromiálgicos assume-se como a opção mais recomendável. No entanto, a permanência no trabalho per se não parece conferir benefícios aos doentes. Conclusões: A fibromialgia revela-se uma doença incapacitante, com influência sobre todas as dimensões da qualidade de vida consideradas. Serão necessários estudos adicionais para compreender a interacção causal entre os diferentes factores, permitindo um acompanhamento verdadeiramente holístico e sensível. Palavras-chave: fibromialgia, qualidade de vida, idade, género, disfunção sexual, distúrbios do sono, alterações psiquiátricas, trabalho, impacto económico
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7,179
Deleção na região do síndrome de Wolf-Hirschhorn: do genótipo ao fenótipo
Genética,Componentes do genoma,Fenótipo
Introdução: O Síndrome de Wolf-Hirschhorn (WHS) é caracterizado geneticamente por uma deleção terminal 4p16.3. A variabilidade clínica é atribuída ao tamanho das deleções e consequentemente aos genes envolvidos. Foram identificadas duas regiões críticas, a WHSCR1 e a WHSCR2. A deleção destas regiões é critério necessário para confirmar a existência do síndrome. O risco de recorrência familiar depende do mecanismo que originou a deleção. O cariótipo, FISH, MLPA e array-CGH são as ferramentas de análise utilizadas, sendo a última considerada de 1ªlinha. Os objetivos deste estudo foram comparar a capacidade de diagnóstico destas técnicas, discutir a relação genótipo-fenótipo em 6 casos e avaliar a implicação do perfil genómico para o doente e para a família. Material e métodos: Material: Foram selecionados 6 casos enviados ao Laboratório de Citogenética e Genómica da FMUC com deleções em 4p16.3 que incluem a região do WHS (3 em diagnóstico pré-natal e 3 seguidos na consulta de Genética do Hospital Pediátrico); Métodos: Cariótipos (casos 1-4 e 6), FISH (casos 1-4 e 6), MLPA (casos 2,3 e 5) e array-CGH (2-6). As técnicas foram utilizadas consoante as especificidades dos casos em estudo. Os progenitores dos 6 casos foram igualmente estudados. Resultados: A anomalia cromossómica do caso 1 foi detetada pelo cariótipo. Nos restantes casos o cariótipo foi normal. A deleção variou em tamanho de 0,28 Mb (caso 5) a maior que 5-10 Mb (caso 1). Não se observou nenhum gene comum aos 6 casos. A deleção envolveu as regiões críticas do WHS nos casos 1,2,3 e 6. Nos casos 1,3 a 6 a deleção é de novo, no caso 2 foi identificada uma t(4;7) de origem paterna. Nos casos 4 e 5 a deleção identificada é semelhante num dos progenitores. Discussão: Os casos 4 e 5, apesar de possuírem algumas características fenotípicas deste síndrome, não possuem deleção de WHSCR1 ou WHSCR2, consequentemente não se pode considerar geneticamente estes casos como verdadeiros Wolf-Hirschhorn. A discussão focou-se nos genes que demonstraram ser responsáveis pelo fenótipo do WHS, não estando alguns localizados nas regiões críticas para este síndrome. Conclusão: Os estudos de citogenética e genómica devem ser complementares na procura de um diagnóstico. Em casos com suspeita de Síndrome de Wolf-Hirschhorn o estudo não deve ser dirigido apenas para a pesquisa das regiões críticas. A interpretação da relação entre o genótipo e o fenótipo e do mecanismo que causa a deleção é importante para o aconselhamento genético.
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7,180
Febre e antipiréticos em pediatria : quando e quais usar?
Pediatria,Febre,Medicamentos
A febre é muito comum em idade pediátrica e causa frequente de preocupação para pais e profissionais de saúde. O uso de antipiréticos é prática corrente nos dias de hoje, a fim de normalizar a temperatura, mesmo que esta sofra apenas pequenas elevações. No entanto, a febre é um mecanismo fisiológico que tem efeitos benéficos no combate à infeção. Não há evidências de que agrave o curso de uma doença ou que provoque complicações neurológicas. Assim, o objetivo principal do tratamento sintomático da criança febril deve incidir na melhoria do seu conforto global, e não sobre a normalização da temperatura corporal. Deste modo, devem ser enfatizados o bem-estar geral da criança, a importância de monitorizar a sua atividade, observando sinais de alarme, de doença grave e incentivando a ingestão de líquidos. O uso de antipiréticos apenas deve ser considerado quando o desconforto da criança é evidente, e sempre de acordo com o peso da criança. A monoterapia assegura o tratamento adequado para o alívio do desconforto provocado pela febre. Alternar paracetamol com ibuprofeno oferece pouca ou nenhuma vantagem sobre a monoterapia e pode revelar-se perigoso pelo risco acrescido de sobredosagem e toxicidade
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7,181
Importância e impacto de experiências de adversidade precoce
Abuso da criança
A infância apresenta-se como um importante período de rápida e constante evolução. Determinadas experiências adversas precoces, nomeadamente abuso parental, físico ou emocional, negligência, episódios de violência e de abuso sexual, identificam-se como agressões ambientais graves que, ocorrendo na criança, poderão deixar impressões para toda a sua vida. Estes mesmos eventos, poderão apresentar direta ou indiretamente repercussões na saúde mental do indivíduo adulto, cidadão em sociedade. O principal objetivo do presente estudo foi o de proceder não só a uma revisão da associação entre experiências de adversidade precoce e a incidência de patologia do foro psiquiátrico no adulto, como também destacar eventuais reflexos na sociedade destes contextos de vivências negativas. Para elaboração do trabalho, foram pesquisados artigos relativos à temática na base de dados MEDLINE, sendo posteriormente selecionados aqueles que se consideraram enquadrar no âmbito da dissertação. Após o estudo aprofundado da temática, é inegável a associação entre experiências de adversidade precoce e a incidência de patologia psiquiátrica no adulto, não se inferindo, no entanto, a sua causalidade direta. Esta situação poderá desencadear consequências de índole variada na sociedade. A título de exemplo, refira-se o facto de que um indivíduo com fragilidades na sua saúde mental implica custos mais elevados para a sociedade, dado que apresenta menor produtividade e contribui para o aumento de encargos financeiros, prejudicando a vitalidade da economia na sociedade em que está inserido. A menor oportunidade de emprego acentua o fosso da desigualdade social. Os efeitos de eventos traumáticos precoces também se fazem sentir no desempenho do seu papel como elemento pertencente a um núcleo familiar. De forma a minimizar o risco de exposição a tais experiências, a tónica deverá ser colocada na prevenção da vivência de eventos traumáticos em tenra idade, recorrendo para isso a uma equipa multidisciplinar.
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7,183
Retinoblastoma : do diagnostico ao aconselhamento genético : experiência de 16 anos
Retina,Retinoblastoma,Genética
O Retinoblastoma é um tumor maligno das células precursoras da retina que resulta de mutações no gene supressor tumoral RB1. Tem uma incidência de 1 em 15000-20000 nascimentos, e ocorre em crianças antes dos 5 anos de idade. Este estudo teve como objetivo avaliar a realização do estudo molecular do gene RB1 para confirmação molecular do diagnóstico em crianças e adolescentes com história pessoal de retinoblastoma de forma a facilitar o aconselhamento genético. Estudaram-se dez casos, com antecedentes de retinoblastoma e com idades compreendidas entre os cinco e os 16 anos. Posteriormente foram incluídos 15 familiares. Todos os indivíduos receberam aconselhamento genético. Dos 10 casos, seis (60%) tiveram retinoblastoma unilateral, com uma idade média de diagnóstico de 29,8 meses. Os restantes quatro (40%) tiveram retinoblastoma bilateral, com uma idade média de diagnóstico de 12,7 meses. Foi identificada história familiar de retinoblastoma em três (33,3%) dos casos. Em seis (60%), dois dos seis com retinoblastoma unilateral e todos os quatro com retinoblastoma bilateral, foi encontrada uma mutação, incluindo um mosaicismo. Os testes foram também efetuados a 15 familiares, tendo sido identificados oito indivíduos heterozigotos. Este estudo enfatiza a importância do estudo molecular do gene RB1 no plano de seguimento de todos os casos com retinoblastoma, através da integração de uma equipa multidisciplinar para melhorar a sua vigilância e proporcionar um aconselhamento genético adequado ao próprio e aos seus familiares.
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7,185
O racional de terapêutica intensiva na diabetes mellitus tipo I
Diabetes mellitus do tipo 2,Terapêutica
A Diabetes Mellitus tipo 1 caracteriza-se por uma hiperglicemia crónica resultante de uma deficiência total de produção de insulina, em consequência de uma destruição das células beta pancreáticas. Desde a descoberta da insulina em 1921, importantes avanços têm ocorrido no que respeita ao tratamento e vigilância da Diabetes Mellitus tipo 1. Entre eles, de destacar o desenvolvimento de análogos da insulina, a monitorização contínua da glicose (retrospetiva ou em tempo real) e a implementação e aperfeiçoamento das bombas de perfusão de insulina. Atualmente, a terapêutica convencional cedeu o seu lugar à terapêutica intensiva, cujo fundamento básico é mimetizar, o mais fidedignamente possível, o padrão fisiológico de produção de insulina. Este tipo de terapêutica faz-se por múltiplas injeções diárias ou bomba de perfusão subcutânea de insulina, utilizando análogos de insulina. A terapêutica intensiva de forma a otimizar o controlo metabólico inclui também suporte nutricional, exercício físico e apoio escolar, no contexto de uma equipa multidisciplinar de apoio permanente. Desde o Diabetes Control and Complications Trial, em 1993, vários estudos científicos têm tornado evidentes os benefícios da terapêutica intensiva na prevenção das complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia e neuropatia), estando ainda por provar o benefício direto nas macrovasculares. Na atualidade, esta terapêutica é o alicerce do controlo metabólico dos doentes com Diabetes Mellitus tipo 1, desempenhando um papel essencial na prevenção do aparecimento e agravamento das complicações crónicas. O atual desenvolvimento tecnológico tem proporcionado melhorias significativas da qualidade de vida destes doentes.
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7,186
Bancos de tecidos no sec. XXI : legislação e segurança
Bancos de tecidos,Legislação odontológica
Introdução: O tecido ósseo é o segundo tecido de origem humana mais transplantado. Isto deve-se sobretudo aos avanços científicos nas áreas da segurança microbiológica, imunologia e biologia de incorporação dos aloenxertos e à evolução da legislação internacional que regulamenta as transplantações de órgãos e tecidos. Este trabalho pretende conhecer a forma como tem sido abordada em alguns artigos recentes a temática da segurança dos aloenxertos disponíveis para transplantação, uma das principais preocupações presentes na legislação europeia e nacional sobre Bancos de Tecidos. Materiais e métodos: Efetuou-se uma pesquisa na PUBMED e na Base de Artigos da Biblioteca Central dos Hospitais da Universidade de Coimbra/Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra para identificar artigos sobre segurança, qualidade e legislação referentes a aloenxertos do aparelho locomotor. Consultaram-se também o website da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação, o seu “Manual de Boas Práticas”, a legislação nacional vigente, as Diretivas do Parlamento Europeu e Comissão Europeia e a Declaração de Istambul de 2008. Procedeu-se ainda a um estudo quantitativo dos resultados analíticos dos aloenxertos preparados, conservados e disponibilizados pelo Banco de Tecidos dos Hospitais da Universidade de Coimbra entre janeiro 2009 e dezembro 2011. Resultados: Os artigos pesquisados mostram a preocupação de entidades governamentais, Bancos de Tecidos e utilizadores em que seja estabelecido maior rigor e controlo na aplicação de critérios de seleção de dadores. Evidenciam os avanços das tecnologias laboratoriais e das técnicas de esterilização e o rigor organizativo do controlo de qualidade. A harmonização e regulamentação dos critérios de seleção de dadores facilitam a aplicação de critérios de Bancos de Tecidos no Séc. XXI: Legislação e Segurança Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra / Rui Manuel de Freitas Dias segurança e qualidade. Não há relatos significativos de contaminação microbiológica dos aloenxertos, mas o aparecimento de novas doenças infeciosas, como o vírus do Nilo Ocidental, indica a necessidade de constante atualização da triagem e das técnicas de esterilização. Os resultados encontrados no estudo casuístico revelam que a taxa de contaminação e de recusa dos aloenxertos está dentro dos valores de outras unidades de transformação. Discussão: O risco de transmissão de doenças é remoto se forem cumpridos os protocolos de seleção dos dadores, da colheita e do controlo microbiológico dos aloenxertos. A exigente legislação europeia contribuiu para altos níveis de qualidade e segurança microbiológica na transplantação de órgãos e tecidos, respeitando a dignidade humana e os direitos dos cidadãos. Os Estados-Membros devem implementar diretrizes para os aspetos organizacionais, de gestão, documentação e controlo de qualidade. Conclusão: A conservação e a disponibilização dos aloenxertos para aplicação clínica só são possíveis em Bancos de Tecidos acreditados. As alterações legislativas da União Europeia originaram profundas reformas estruturais, exigindo elevados padrões de qualidade e segurança biológicas. Embora a transmissão de doenças pelos aloenxertos seja rara, são necessárias uma seleção ainda mais rigorosa do potencial dador e a uma melhoria dos sistemas de qualidade.
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7,187
Cirurgia e redesignação sexual : o estado da arte
Cirurgia,Identidade do género
Introdução e Objectivos A cirurgia de redesignação sexual constitui o último passo para o tratamento do distúrbio de identidade de género. O diagnóstico e selecção dos doentes para intervenção cirúrgica deve ser um processo meticuloso, realizado por uma equipa multidisciplinar, para evitar arrependimento e insatisfação. Neste trabalho pretende-se fazer uma revisão bibliográfica dos artigos científicos publicados sobre a problemática da “Cirurgia de redesignação sexual” e abordar as técnicas cirúrgicas que oferecem os melhores resultados estéticos e funcionais, quer para a vaginoplastica, quer para a faloplastia. Material e Métodos Foi identificada e analisada a literatura em língua inglesa no tema “Cirurgia de redesignação sexual”, através do motor de buscar do PubMed, livros e revistas indexadas. Resultados A cirurgia de redesignação sexual obriga a múltiplas intervenções cirúrgicas, genitais e não genitais. Em transexuais homem-mulher o objectivo primário da cirurgia de redesignação genital é criar um órgão genital feminino de aparência normal com uma neovagina de dimensões compatíveis com actividade sexual e sensibilidade do neoclitóris que permita sensação erógena e orgasmo, com riscos mínimos de complicações. Nesse contexto o retalho peniano-escrotal é o que tem mostrado os melhores resultados. Em transexuais mulherhomem o procedimento ideal deve criar em um único tempo operatório um neofalo com boa aparência estética, provido de sensibilidade erógena e táctil. Essa técnica deve permitir ao doente urinar em pé, apresentar volume suficiente para suportar próteses erécteis e possibilitar Cirurgia de Redesignação Sexual: O Estado da Arte 3 a existência de actividade sexual. O retalho antebraquial-radial é o mais utilizado, dado que permite melhores resultados com menor morbilidade. Discussão e Conclusão Apesar da falta de estudos prospectivos randomizados em intervenções cirúrgicas de redesignação sexual, existem duas técnicas que atingiram a posição de primeira escolha para a vaginoplastica e para a faloplastia. Devido à segurança, excelentes resultados estéticos e funcionais, assim como o elevado grau de satisfação dos doentes, o retalho peniano-escrotal deve ser considerado a técnica gold standard na vaginoplastia e o antebraquial radial para a faloplastia.
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7,188
Impacto da hiperglicemia na admissão em doentes admitidos por enfarte agudo do miocárdio
Enfarte,Hiperglicemia
Introdução: A hiperglicemia na admissão no contexto das síndromes coronárias agudas é um marcador bem estabelecido de mau prognóstico a curto prazo. Objetivo: Avaliar o impacto da hiperglicemia na admissão no prognóstico a curto e longo prazo, em doentes diabéticos e não diabéticos admitidos por enfarte agudo do miocárdio (EAM), e determinar preditores independentes de mortalidade nesta população. Métodos: Foram incluídos 2462 doentes, admitidos numa unidade de cuidados intensivos cardíacos por EAM, de Maio de 2004 a Junho de 2013. Os doentes foram divididos em quatro grupos de acordo com os quartis de glicemia na admissão: Grupo 1 (≤ 100 mg/dL, n=606), Grupo 2 (101-122 mg/dL, n=616), Grupo 3 (123-162 mg/dL, n=620) e Grupo 4 (≥ 163 mg/dL, n=620). Foram analisadas as características clínicas e laboratoriais, conduta terapêutica e seguimento clínico. Resultados: A amostra incluiu 722 (29,3%) diabéticos previamente conhecidos e 1740 (70,7%) doentes não diabéticos. A hiperglicemia na admissão esteve associada a pior perfil de risco cardiovascular e elevação do segmento ST, maiores níveis de biomarcadores de necrose miocárdica e de inflamação, menor fração de ejeção ventricular esquerda, valores mais elevados de glicemia na prova de tolerância à glicose oral e de hemoglobina glicosilada. Verificou-se um aumento progressivo e significativo da mortalidade intra-hospitalar ao longo dos quartis de glicemia, no entanto, a hiperglicemia na admissão não se associou de forma significativa à mortalidade intra-hospitalar na análise multivariada. A mortalidade a 1 e a 2 anos foi superior no Grupo 4 e a glicemia na admissão ≥ 163 mg/dL foi um preditor independente de mortalidade a longo prazo. Conclusão: Este estudo sugere que a hiperglicemia na admissão é um marcador de mau prognóstico a curto e a longo prazo em doentes com EAM, sendo um preditor independente de mortalidade a longo prazo. Estes dados reforçam a necessidade de otimização da abordagem das perturbações do metabolismo da glicose em todas as fases da doença coronária, instável e estável, de forma a melhorar o prognóstico desta população de doentes.
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7,190
Análise dos movimentos oculares : método de avaliação da percepção auditiva em crianças pequenas
Pediatria,Movimentos oculares,Audição
O impacto da surdez é devastador em vários parâmetros do desenvolvimento da criança: linguagem, aprendizagem, socialização, equilíbrio psicológico e capacidades cognitivas. Estas consequências dependem de vários factores que incluem a idade de instalação da surdez, a causa, o grau e o tempo de privação auditiva. A precocidade do diagnóstico e o rigor com que é determinado, são fundamentais na definição e na monitorização de um programa de reabilitação específico personalizado para a criança surda. A audiologia infantil é hoje uma área da Otorrinolaringologia em franco desenvolvimento, pois associa métodos comportamentais a equipamentos de detecção neurobiológica de sofisticação crescente. Os métodos subjectivos (Audiometria infantil), apesar de fornecerem informação mais completa, estão essencialmente dependentes das competências técnicas dos recursos humanos exigindo grande disponibilidade de tempo. Os métodos objectivos (Reflexos acústicos, Potenciais Evocados Auditivos, Otoemissões acústicas), não estando tão dependentes da colaboração da criança, implicando por vezes sedação, embora mais rápidos e quantificáveis, fornecem informação mais limitada. Com a finalidade de encontrar instrumentos que minimizem os erros técnicos e permitam obter resultados fiáveis duma forma rápida e segura, existem actualmente equipas de investigação internacionais usando metodologias diversas. A metodologia “eye tracking” (análise de movimentos oculares) é hoje uma tecnologia inovadora, em que os avanços tecnológicos recentes permitem desenvolver vários instrumentos úteis no campo da saúde. No capítulo da Audiologia será possível captar a Análise de movimentos oculares - método de avaliação da percepção auditiva em crianças pequenas 2012 Luís Filipe Silva 4 reacção de percepção auditiva mesmo antes de haver uma resposta consciente voluntária, o que associa as vantagens do rigor na informação à relativa facilidade de execução. O objectivo do presente trabalho é fazer um estudo comparativo entre exames convencionais e técnicas de rastreamento ocular (eye tracking) para rastreio de surdez em crianças. Avaliamos 10 crianças, caracterizadas na sua capacidade auditiva por testes convencionais, na clínica de ORL do HPC, e definimos um protocolo de procedimentos de aplicação das técnicas de rastreamento ocular (eye tracking) na detecção de respostas auditivas, demonstrando a sua validade nesta aplicação. Este método será útil quer em termos de diagnóstico, quer na reabilitação de crianças surdas com próteses auditivas, particularmente na programação de próteses complexas como por exemplo os implantes cocleares. Na realização deste trabalho, que é de interesse muito relevante na área da investigação clínica da surdez infantil e que decorrerá na sequência da actividade clínica de ORL do candidato, serão cumpridas as normas éticas no respeito pelos doentes e suas famílias, segundo a legislação em vigor.
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7,194
Influência hormonal na enxaqueca
Enxaqueca,Hormonas
A enxaqueca é uma das doenças neurológicas mais frequentes e associa-se a um grande impacto a nível pessoal, social e económico nos países desenvolvidos. Os estudos epidemiológicos revelam que é aproximadamente três vezes mais frequente durante os anos correspondentes ao período reprodutivo da mulher do que nos homens com a mesma idade. Por outro lado, parecem existir alterações importantes na evolução da doença durante a menarca, o período menstrual, a gravidez e a menopausa. Estes factos fazem antever uma possível associação entre as hormonas sexuais femininas e a enxaqueca. Objectivos e Métodos Com o objectivo de reunir a evidência científica existente sobre esta hipotética relação e estudar possíveis estratégias terapêuticas, foi realizada uma pesquisa bibliográfica com base no modelo dos “5 S” de Haynes (Systems, Summaries, Synopses, Synthesis and Studies). Conclusão Apesar dos escassos estudos realizados, as flutuações hormonais e, particularmente, a privação de estrogénios, surgem hoje como factores associados a uma evolução desfavorável na enxaqueca sem aura. Esta constatação tem levado ao desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas baseadas na profilaxia hormonal, que poderão assumir no futuro um lugar de destaque na orientação das mulheres com enxaqueca associada a flutuações hormonais e resistentes às terapêuticas convencionais.
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7,195
O uso de embriões humanos em investigação científica : visão ética
Embrião,Ética
A investigação em células embrionárias é um dos temas mais actuais e mais controversos em que a nossa sociedade está envolvida, trazendo consigo questões éticas importantes que devem ser discutidas e, sobretudo, legisladas de forma a que não haja actos não pensados que podem interferir com o curso natural do percurso humano. As técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) trouxeram consigo embriões excedentários que não são utilizados e que, por isso, são criopreservados. O número crescente de embriões extra-corporais levaram ao emergir de questões como as de permissibilidade para realização de pesquisas, que tem vindo a ser traduzida nos termos de quais os atributos que conferem ao embrião o carácter de Pessoa e quando se instala nele esta condição. A legislação Portuguesa actual tem leis específicas sobre a investigação com recurso a embriões, proibindo a sua criação através da PMA com o objectivo deliberado da sua utilização para experimentação. As questões éticas que esta prática cada vez mais frequente levanta, levam à necessidade de criação de leis rigorosas que não levam a interpretações equívocas e que lesa os que não as seguem.
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7,196
Treino cognitivo nos idosos
Idoso,Capacidade psicomotriz,Cognição
O Treino Cognitivo (TC) inclui o conjunto de intervenções comportamentais, não farmacológicas, que têm o intuito de preservar e, se possível potenciar, as capacidades intelectuais de um indivíduo, quer através do treino de capacidades cognitivas específicas, quer pelo exercício de actividades que têm como objectivo produzir melhorias num conjunto de áreas, que no seu todo, produzem benefícios na realização de funções da sua vida quotidiana. Pelos declínios da cognição que marcam tanto o envelhecimento normal como certas condições patológicas associadas à idade avançada, tal como o Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) ou estados de demência, a aplicação deste tipo de medidas na população idosa tem hoje uma crescente importância. Como tal, o objectivo da presente revisão foi sobretudo rever o actual estado da arte, descrevendo alguns dos principais marcos e descobertas feitos na investigação realizada até à data nesta área. Foi também tentado averiguar quais as melhores abordagens e estratégias de TC a seguir, tanto em idosos saudáveis, como em idosos com DCL e estados de demência, nomeadamente Doença de Alzheimer (DA). De forma mais pormenorizada, é salientada a importância das técnicas de Treino Nuclear (TN) e Prática Exaustiva (PE) sobre as de Treino Estratégico (TE), como forma de obter melhores resultados, tanto em termos directos como em termos de transferência em idosos saudáveis. Salienta-se também a importância da ênfase dada ao processo de codificação no TC da memória, cujas diferenças inter-individuais poderão estar na base da diferença de desempenho de muitos idosos. De reparar também que estudos de neuroimagem mostraram que indivíduos idosos apresentam sensivelmente a mesma plasticidade cerebral que indivíduos mais jovens, quando providenciados com as devidas estratégias no processo de aprendizagem de uma nova capacidade. Para além disto, não deverá ser esquecida a importância do Exercício Físico (EF) como complemento do TC na manutenção das capacidades cognitivas na idade avançada. É também aqui descrita a vantagem das técnicas reconstituintes de TC sobre as técnicas compensatórias nos doentes com DA.
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7,197
Relação entre otite seromucosa amamentação e obesidade pediátrica
Otite,Aleitamento materno,Pediatria
Introdução: A otite seromucosa é uma patologia do ouvido médio muito prevalente na população pediátrica. Existem diversos factores etiológicos implicados no seu desenvolvimento, tais como a obesidade infantil e o aleitamento artificial. Objectivos: Estudar a relação entre otite seromucosa, amamentação exclusiva e obesidade pediátrica. Metodologia: Estudo prospectivo de uma coorte de 189 crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos, submetidas a intervenção cirúrgica por otite seromucosa entre os 3 e os 7 anos de idade. Procurou-se relacionar os percentis de peso e Índice de Massa Corporal (IMC), a existência de amamentação e duração da amamentação exclusiva com a idade mais precoce ou tardia da cirurgia. Resultados: Os percentis de peso e IMC à data da entrevista são significativamente mais elevados do que à data da cirurgia. A maior parte das crianças foram amamentadas, embora durante um período inferior a 6 meses. Não foi determinada nenhuma associação entre a duração da amamentação exclusiva e a idade da cirurgia. Conclusões: Considerando a relação encontrada entre a otite seromucosa e a obesidade, sugere-se que a obesidade infantil seja um factor de risco para otite seromucosa. A maior parte das crianças foi amamentada, contudo com uma duração inferior ao recomendado. O conhecimento mais detalhado dos factores de risco desta patologia constitui a “pedra angular” para a sua adequada prevenção.
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7,199
Agressões sexuais e exames sexuais no concelho de Coimbra nos últimos 5 anos
Agressão,Comportamento sexual
A violência sexual é, por certo, um dos fenómenos que mais contribui para relevar o mais paradoxal do comportamento humano, nas suas múltiplas manifestações. Apesar da crescente quantidade de denúncias, os números baseiam-se em estatísticas oficiais que necessariamente refletem apenas a ponta do iceberg desta problemática. O presente estudo pretende, através de uma análise retrospetiva das agressões sexuais ocorridas no concelho de Coimbra e observadas entre janeiro de 2008 e dezembro de 2012, possibilitar algum conhecimento da realidade neste domínio no concelho em apreço. Foram recolhidos elementos relativos ao perfil da vítima, perfil do(s) agressor(es), perfil da agressão, perfil do comportamento pós-agressão e qualidade da perícia e do relatório pericial. Dos 58 casos estudados, 86% envolveram vítimas do sexo feminino e 14% vítimas do sexo masculino. A grande maioria das vítimas (64%) era menor, tendo a mais nova 12 meses. Nestas, 86% eram do sexo feminino e 69% com idades inferiores a 14 anos. Apenas 36% da população era adulta, tendo a mais velha 50 anos, envolvendo, em 10% destes casos, vítimas do sexo masculino, uma com 19 e outra com 40 anos de idade. O agressor era na totalidade dos casos do sexo masculino, na sua grande maioria único (em 88% dos casos), adulto, conhecido da vítima em 74% dos casos - prevalecendo os do núcleo familiar ou parental no caso das vítimas menores - apresentando um baixo nível de escolaridade (em 22% dos casos) e comportamentos desviantes num considerável número de casos (29%). AGRESSÕES SEXUAIS E EXAMES SEXUAIS NO CONCELHO DE COIMBRA NOS ÚLTIMOS 5 ANOS Susana Fernandes Rosa 2 A maioria das agressões ocorreu no período noturno e em local público, independentemente do sexo da vítima, sendo que nos casos em que a vítima era menor, se verificaram preferencialmente em espaço privado e doméstico. A violência física e a ameaça verbal foram os meios de constrangimento mais frequentemente utilizados para consumar a agressão (40% dos casos). A maioria dos casos de abuso ocorreu de forma repetida e por tempo prolongado, sendo o agressor conhecido e próximo da vítima em quase todos eles. O coito vaginal e as carícias de natureza sexual foram os tipos de crimes sexuais predominantes nas agressões relativas a vítimas do sexo feminino (56%) e o coito anal nas do sexo masculino (76%), não se tendo recorrido ao uso de preservativo na maioria dos casos (72%). A maioria dos exames periciais foi realizada após mais de 24 horas da agressão (cerca de 66%), ainda que aproximadamente 38% das vítimas do sexo feminino tenha recorrido a exame médico-legal nas primeiras horas. Os exames médico-legais não terão oferecido, na sua maioria, elementos de materialidade válidos para o processo judicial, tendo-se revelado, em 60% dos casos, inconclusivos.
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7,201
Genética da perturbação de hiperactividade e défice de atenção : gene snap-25
Genética,Hiperactividade motriz
A Perturbação da Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma doença neuropsiquiátrica que se estima afectar 8% a 12% das crianças a nível mundial e está relacionada com o aumento do risco de dificuldades na aprendizagem, abuso/dependência do álcool e perturbações de personalidade anti-social. Vários estudos efectuados a nível mundial têm associado genes do complexo SNARE à PHDA, particularmente o gene SNAP-25. Contudo, não existe nenhum estudo efectuado relativamente ao gene SNAP-25 na população portuguesa. Assim, no sentido de se investigar uma eventual associação entre o polimorfismo T1069C no gene SNAP-25 e a PHDA na população portuguesa, procedeu-se à recolha de amostras de probandos e seus progenitores (trios). A genotipagem foi efectuada por PCR-RFLP e os dados obtidos foram analisados segundo as estratégias do HRR e TDT e os resultados revelaram uma tendência de associação entre o polimorfismo T1069C do gene SNAP-25 e a PHDA (HRR: c2=3,50; d.f =1; p=0,061; TDT: c2=3,75; d.f =1, p=0,053). Assim, a estratégia de associação com base em trios e métodos HRR e TDT, que revelaram uma tendência de associação entre o alelo T do polimorfismo T1069C do gene SNAP-25 e a PHDA, parece sugerir que o polimorfismo estudado poderá desempenhar um papel directo na etiologia da PHDA na população portuguesa. Será importante o uso de uma amostra maior, bem como a análise de haplotipos, a fim de esclarecer uma eventual associação entre o gene SNAP-25 e a PHDA na população portuguesa
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7,203
Adrenoleucodistrofia : uma forma rara de insuficiência corticosuprarrenal
Adrenoleucodistrofia,Doenças genéticas
A insuficiência corticosuprarrenal apresenta-se como uma síndrome rara, mas que se associa a significativa morbilidade e mortalidade quando não tratada adequadamente. Uma das etiologias desta patologia é a adrenoleucodistrofia ligada ao X. O presente manuscrito visou sumarizar as evidências científicas atuais sobre insuficiência corticosuprarrenal e adrenoleucodistrofia ligada ao X. A bibliografia revista para o efeito consistiu em artigos científicos disponibilizados na base de dados PubMed. A adrenoleucodistrofia ligada ao X é uma doença genética, em que a mutação do gene ABCD1 leva à acumulação de ácidos gordos de cadeia muito longa em todos os tecidos e fluidos corporais. Os tecidos nervoso, suprarrenal e testicular são os mais afetados e justificam a semiologia observada. Na verdade, apesar da variabilidade fenotípica que caracteriza a adrenoleucodistrofia ligada ao X, virtualmente todos os doentes desenvolvem sintomas que limitam a sua qualidade de vida e, por vezes, a esperança de vida. O carácter progressivo da doença é ilustrado no caso clínico apresentado de um indivíduo do sexo masculino com compromisso neurológico e cognitivo extenso. Atualmente o único tratamento que permite controlar a progressão da doença é o transplante autólogo de células hematopoiéticas. A definição precisa da fisiopatologia da adrenoleucodistrofia ligada ao X poderá ajudar o desenvolvimento de novas terapias e a identificar quais os pacientes que mais beneficiam com cada opção terapêutica.
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7,204
Casuística da doença de Caroli nos CHC
Doença de Caroli
Introdução: A Doença de Caroli é uma doença congénita rara em que há dilatação das vias biliares intra-hepáticas devido a uma malformação do prato ductal biliar. O diagnóstico surge muitas vezes como diagnóstico de exclusão. Os exames gold standard para o diagnóstico são a CPRE e a CPT, mas a CPRM tem sido utilizada com mais frequência. O tratamento inclui terapêutica de suporte, endoscópica e cirúrgica. Objetivos: Realizar um estudo retrospetivo dos doentes diagnosticados e tratados por esta doença nos CHUC comparando os resultados com a literatura internacional recente. Métodos: Análise retrospetiva dos exames histopatológicos hepáticos realizados nos CHUC entre 2000 e 2012. Resultados: Foram estudados onze doentes com o diagnóstico histológico confirmado de Doença de Caroli. Foram obtidas informações relativas à caracterização dos doentes, quadro clínico, diagnóstico da doença, tipo de doença, localização, exames complementares de diagnóstico e tratamento. Conclusões: Neste estudo verificou-se um atraso no tratamento destes doentes em virtude do diagnóstico tardio. A importância do reconhecimento precoce da doença resulta no tratamento atempado e redução da morbilidade e mortalidade.
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7,205
Assistência ao parto em Cabo Verde : retrato das experiências vividas por mulheres cabo-verdianas
Parto, Cabo Verde,Cuidados primários de saúde, Cabo Verde.
Problemática: o parto é um processo fisiológico normal que requer cuidado e acolhimento mas, apesar disso, e de acordo com a literatura vigente, esse momento tão importante para a mulher e família é, muitas vezes, pautado por défice de cuidado e acolhimento. Objectivos: descrever as experiências vividas por mulheres cabo-verdianas durante o trabalho de parto e parto em meio hospitalar e compreender as experiências vividas por mulheres cabo-verdianas durante o trabalho de parto e parto em meio hospitalar. Material e métodos: estudo de natureza qualitativa com abordagem fenomenológica descritiva. A amostra intencional ficou constituída com 50 mulheres cabo-verdianas, após consentimento informado e devida autorização da instituição de referência, e de acordo com critérios de inclusão definidos. A recolha de dados realizou-se através de entrevistas abertas, onde obtiveram-se os relatos das mulheres participantes acerca das suas experiências do parto e da maternidade: no contexto de envolvência social; contexto da envolvência da equipe; contexto pessoal. Os dados foram analisados de acordo com o método fenomenológico descritivo de Giorgi (2008). Resultados: uma estrutura essencial emergiu das unidades de significado das experiências vividas das mulheres cabo-verdianas relativas ao parto e à maternidade. De acordo com a sequência dos diferentes contextos mencionados acima, destacaram-se os seguintes constituintes-chaves: a família; os amigos; a experiência de ser cuidada no parto; o acolhimento; a interação com a equipa de profissionais de saúde; medo; a experiência da dor do parto; percepção (autoavaliação) do seu comportamento durante o trabalho de parto e parto; a experiência pessoal do puerpério. Conclusão: é de salientar que grande parte das mulheres cabo-verdianas participantes descreveram que as suas experiências relativas ao parto foram vivenciadas de forma negativa, uma vez que, relataram vivências de abandono, frieza e excesso de intervenções nos partos, muitas também não realizaram as consultas de vigilância pré-natal nem receberam assistência de preparação para o parto.
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7,206
O papel da medicina legal na avaliação do quantum doloris
Medicina legal,Técnicas de avaliação de danos
A avaliação do dano corporal, pertencente ao âmbito da Medicina Legal, reveste-se, na sociedade actual, como um processo de extrema complexidade, dificultando a missão do perito em valorar o dano com a maior certeza possível. Um dos parâmetros do dano corporal e aquele sobre o qual se foca o presente trabalho é o quantum doloris, avaliado no período dos danos temporários. Por compreender não só a dor física mas também a dor vivenciada do ponto de vista psicológico trata-se de um parâmetro fortemente subjectivo, o que implica, naturalmente, acrescidas dificuldades. Para compreender a avaliação do dano corporal é necessário usufruir das bases teóricas do conhecimento da própria dor, dos métodos actualmente utilizados quer em adultos quer em crianças para uma graduação da dor o mais concreta e objectiva possível, e conhecer as concepções jurídicas sobre o tema e as implicações que a avaliação acarreta no âmbito do Direito Civil. Ultrapassada a problemática da avaliação em si e concluída a imputabilidade médica e o nexo de causalidade parte-se para a reparação do dano descrito no Direito Português como dano não patrimonial. A reparação do dano pressupõe uma indemnização que funciona como sanção para o lesante e simultaneamente como satisfação e compensação para o lesado. A procura de métodos de avaliação com maior capacidade de objectividade tem recaído sobre as novas tecnologias, em particular as técnicas de neuroimagiologia, alimentando a esperança de que num futuro próximo as assinaturas neurológicas façam legalmente parte da avaliação do dano corporal.
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7,208
Novas drogas sintéticas e as smart-shops : realidade nacional no contexto internacional
Drogas clandestinas,Drogas de rua,Psicotrópicos.,Anfetaminas - Portugal
Novas drogas psicoativas têm entrado no mercado internacional e, mais importante ainda, nacional, nos últimos anos. Apresentando-se inicialmente como substâncias legais, têm como objetivo substituir muitos dos efeitos adquiridos pelas drogas ilegais e, desta forma, contornar a lei. Os casos de emergência, internamento e mesmo morte têm aumentado assustadoramente. O primeiro fenómeno a que se assistiu no nosso país verificou-se na Ilha da Madeira, no ano de 2011, seguindo-se os casos de intoxicação que rapidamente se seguiram em todo o continente, levando a uma verdadeira epidemia. Esta situação séria e difícil de controlar em termos de Saúde Pública, levou à implementação de medidas legais para controlar estas substâncias. Este trabalho procura, assim, proceder a uma revisão da literatura relativamente às novas substâncias psicoativas, dando especial enfoque aos grupos com maior representatividade em termos de consumo e perigo para a saúde pública: canabinóides sintéticos, feniletilaminas e seus derivados, derivados da catinona, e piperazinas e derivados. Procura, igualmente, avaliar a magnitude do impacto deste fenómeno refletindo sobre as estratégias de controlo integradas num paralelo entre o contexto nacional e internacional. Verifica-se, desta forma, que o plano de ação adotado na maioria dos países, inclusive em Portugal, assenta num pressuposto de prevenção secundária de danos, exercendo o controlo precoce de determinada substância através de ilegalização temporária. Contudo, é de facto preocupante que, apesar de toda a ação legislativa criteriosamente realizada para controlar a venda deste tipo de substâncias, predomine uma evolução rápida do mercado, no sentido de criar novos compostos similares aos que haviam sido proibidos. O controlo e restrição deste tipo de substâncias tornam-se, assim, dependentes, em grande medida, do conhecimento por parte da sociedade dos riscos inerentes à sua utilização. A consciencialização dos seus efeitos, bem como o fornecimento de informações claras revela-se, assim, de extrema importância.
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7,209
Diagnóstico clínico e etiológico da pneumonia adquirida na comunidade : actualidade e perspectivas futuras
Pneumonia,Diagnóstico,Saúde pública
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é um problema significativo de Saúde Pública que urge combater. Estima-se que a sua incidência, a nível mundial, seja de 2,6 a 13.4 casos/1000 habitantes/ano e admite-se que possam ocorrer cerca de 50.000 a 100.000 casos anualmente. Em Portugal, este valor ronda os 2,7 casos/1000 habitantes/ano podendo atingir os 11 casos/1000 habitantes/ano nas pessoas com mais de 65 anos e em doentes com múltiplas co-morbilidades. Apesar de nos últimos anos termos assistido a avanços significativos na abordagem diagnóstica e terapêutica, a PAC continua a ser uma importante causa de morbi-mortalidade a nível mundial mesmo nos países mais desenvolvidos gerando repercussões sócio-económicas muito significativas. Nos Estados Unidos da América, a PAC é a principal causa de morte por Doenças Infecciosas e a 6ª causa mais comum de morte em termos globais apresentando taxas de mortalidade que variam de 1 a 50% consoante o local do tratamento. Com algumas excepções que apontam para números mais elevados considera-se que, nos países desenvolvidos, 20 a 30% dos doentes com PAC necessitam de hospitalização dos quais 5 a 10% necessitam de internamento nas Unidades de Cuidado Intensivos (UCI). A forma de apresentação da PAC é muito variável. O doente pode apresentar um quadro clínico localizado, com pouca gravidade que responde bem ao tratamento, ou envolvimento sistémico com um prognóstico muito reservado caso o tratamento não seja instituído rapidamente. Deste modo, a abordagem diagnóstica inicial e a estratificação da gravidade com base nas escalas de referência são extremamente importantes para decidir o local de tratamento – ambulatório, enfermaria ou UCI. Diagnóstico Clínico e Etiológico da Pneumonia Adquirida na Comunidade: Actualidade e Perspectivas Futuras V Simões, S Freitas 6 Por outro lado, mesmo utilizando múltiplos meios de diagnóstico, o agente etiológico específico não é identificado em 40 a 60% dos casos de PAC. Embora se admita que apenas um número restrito de agentes seja responsável pela grande maioria das PAC, a identificação do microrganismo responsável por cada episódio pode possibilitar a adequação ou restrição do tratamento empírico inicialmente instituído e diminuir o risco de multi-resistências. Face a esta realidade, entendeu-se ser pertinente a elaboração de uma revisão sobre os principais aspectos do diagnóstico clínico e etiológico da PAC no adulto imunocompetente bem como, perceber os novos avanços experimentais que estão a ser desenvolvidos no sentido de tornar o diagnóstico clínico e etiológico mais célere. Foi feita uma revisão bibliográfica de vários artigos e Guidelines, desde 2000 a 2011, com o auxílio dos motores de busca Google e PubMed
Ciências Médicas e da Saúde
7,210
Cefaleias e fármacos : as cefaleias como reação adversa a fármacos
Cefaleias,Preparações farmacêuticas - efeitos adversos
Contexto: A presente dissertação de Mestrado desenvolvida no âmbito do Mestrado em Saúde Pública, pretende desenvolver o tema “Cefaleias como reação adversa a fármacos” de forma a identificar estado da arte da notificação de cefaleias provocadas por fármacos. Objetivos: Identificação de notificação de cefaleias como reação adversa a fármacos. Métodos: De forma a concretizar o objetivo definido, foi efetuada uma pesquisa na base de dados da Unidade de Farmacovigilância do Centro (UFC) de modo a identificar as notificações que contivessem o termo “headaches”, registadas durante o período de 2001 até ao presente. Resultados: No período referido, existe um total de 2662 notificações, em que 133 dessas notificações contêm o termo “headaches”. Cerca de 79% dos casos dizem respeito ao sexo feminino e cerca de 21% dizem respeito ao sexo masculino. Sendo também possível identificar diferenças entre idades; de acordo com a informação recolhida da UFC é possível identificar cinco intervalos de idade, nos quais as cefaleias são mais frequentes, nomeadamente, dos [30;40[, dos [40;50[, dos [50;60[, dos [60;70[ e dos [70;80[ anos. Ao longo do tempo é possível verificar uma tendência para a diminuição das notificações de cefaleias, assim com uma tendência decrescente de RAM’s graves. Quanto ao nexo de causalidade, 12% das reações adversas medicamentosas (RAM’s) foram classificadas como definitivas, 14% RAM’s como prováveis, 19% como possíveis, 2% como Improváveis, 1% como Condicionais, 5% como não Classificáveis e em 47% não existe informação. A identificação das notificações por grupo terapêutico, do medicamento em causa, é também um dos focos mais importantes, sendo o grupo 2. Sistema Nervoso Central e o grupo 3. Aparelho Cardiovascular, os grupos nos quais se verifica uma maior percentagem de notificações. Dentro do grupo 3. Aparelho Cardiovascular, é possível identificar que dos fármacos em causa 21% correspondem a fármacos vasodilatadores. Conclusões: A notificação de cefaleias na UFC é reduzida, provavelmente por fatores como a elevada prevalência de cefaleias na população em geral, as cefaleias serem consideradas fenómenos de baixa relevância, elevados níveis de polimedicação. Todos estes fatores resultam numa elevada dificuldade de atribuição do nexo de causalidade com o medicamento em causa. Deste modo, torna-se fundamental a nível de promoção da saúde da população a promoção de campanhas de chamada de atenção ao tema, dinamização de sessões de esclarecimento e educação da comunidade numa maior preocupação e atenção para as cefaleias.
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Psicoses delirantes crónicas e esquizofrenia a caminho de uma distinção
Esquizofrenia,Delirio
A psicose delirante crónica (PDC) pode ser definida como uma perturbação psicótica crónica caracterizada pela ocorrência de um delírio persistente e bem organizado, estando os restantes domínios da personalidade intactos. O diagnóstico diferencial com esquizofrenia paranóide (EP) pode ser considerado face à ocorrência de ideação delirante, principalmente de conteúdo persecutório. A avaliação comparativa da origem do delírio, idade de início, sintomatologia, evolução e desempenho funcional permitem estabelecer a distinção entre os dois quadros psicopatológicos. A PDC caracteristicamente manifesta-se mais tardiamente em relação à EP1. O delírio da PDC é monotemático e monossintomático, estando frequentemente ausentes sintomas de primeira ordem, sintomas negativos e alucinações, característicos da EP12. O estudo da prevalência de perturbação da personalidade prémórbida revela que na PDC o distúrbio paranóide da personalidade é o mais frequente, estando por outro lado a EP associada à perturbação esquizóide e esquizotípica3. A evolução para a cronicidade é comum a ambas as entidades em estudo, porém o desempenho psicossocial e a autonomia dos doentes com PDC são preservados, em contraste à deterioração progressiva associada à EP1,4,5. A análise bibliométrica da PDC conclui que ao longo da última década o número de publicações sofreu um aumento importante, tendo sido mais significativo que o contributo das publicações relativas à EP. Da mesma análise se conclui que os termos PDC e paranóia são descritos na literatura sem diferenças significativas. Esforços no sentido de eleger uma designação universalmente aceite poderão abrir espaço à optimização do estudo de revisão
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A hipertensão arterial e a inalação do pó de tabaco tradicional enquanto problema de saúde pública
Hipertensão,Tabaco
Este estudo aborda a temática da inalação do pó de tabaco enquanto problema de saúde pública. Tem como objetivo estabelecer a relação de causa e efeito entre a hipertensão arterial e a inalação do pó de tabaco tradicional que chamamosʺ tumbacoʺ em Angola e de combater os factores de risco de hipertensão arterial, de facto um dos factores de risco das doenças cardiocerebrovasculares. Existe já muitos estudos sobre a hipertensão e tabaco em cigarro, mas com este pretende-se em particular, discutir sobre a hipertensão e o consumo de tabaco tradicional pelo nariz. Para atingir este objetivo, estudaremos uma amostra randômica do tamanho mais ou menos de 150 pessoas do Município de Noqui, Província do Zaire, República de Angola.
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Importância da nutrição na prevenção e tratamento do cancro colo-rectal
Neoplasias colorrectais,Nutrição
O Cancro colorectal (CCR) apresenta-se como umas das principais causas de morte relacionadas com cancro, com incidência especialmente elevada em países desenvolvidos. De entre os factores de risco para esta doença, a alimentação em particular tem vindo a ser alvo de um número crescente de estudos, podendo a informação obtida ser utilizada no sentido de estabelecer príncipios base para a aplicação preventiva. Neste artigo de revisão sumarizou-se a evidência cientifica existente acerca deste tema, com o objectivo de contribuir para uma melhor compreensão por parte de médicos e pacientes dos alimentos e padrões alimentares úteis na prevenção primária desta patologia. Cedeu-se especial atenção aos dados epidemiológicos que os suportam como tal, assim como aos mecanismos de quimioprevenção através dos quais actuam. Neste estudo abordou-se o padrão alimentar ‘Mediterrânico’, que revelou um elevado grau de evidência de efeito benéfico na prevenção do CCR, devido à acção conjunta dos seus componentes: alimentos ricos em fibra, fontes de proteína com baixo teor de gordura, azeite e consumo moderado de vinho tinto. O padrão alimentar ‘Ocidental’, típico de países desenvolvidos, revelou ser responsável por aumentar o risco de desenvolvimento de CCR, condicionado principalmente pelo consumo elevado de alimentos ricos em gordura, carnes vermelhas, carnes processadas, hidratos de carbono refinados e consumo de álcool. Quanto a micronutrientes, a suplementação com cálcio e vitamina D revelou-se benéfica na diminuição do risco de CCR, apesar de os mecanismos através dos quais estes actuam não estarem inequivocamente comprovados. Em relação ao folato alimentar, este apresentou uma dualidade de acção no seu efeito no CCR, podendo causar um aumento ou uma diminuição do risco de CCR, dependendo de vários factores. As vitaminas não apresentaram evidência conclusiva de um efeito benéfico no risco de CCR. A obesidade revelou-se como um factor responsável pelo aumento do risco de incidência de CCR. Compreendendo a influência da alimentação na incidência do CCR, poderão ser implementadas estratégias com vista a diminuir a mortalidade associada a esta patologia através de prevenção primária, complementando as medidas de rastreio e terapêuticas existentes.
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Síndrome de insensibilidade aos androgénios
Androgénios - efeitos adversos
A síndrome de insensibilidade aos androgénios é a uma patologia com hereditariedade ligada ao X que afeta indivíduos com cariótipo 46,XY. Trata-se da anomalia da diferenciação sexual mais frequente em indivíduos 46,XY e é causada por uma mutação no gene do recetor dos androgénios. Recorrendo a uma pesquisa atualizada da literatura, elaborou-se a seguinte revisão bibliográfica que procurou reunir o estado atual do conhecimento sobre a síndrome. A síndrome de insensibilidade aos androgénios manifesta-se sob uma forma completa, parcial ou mínima de acordo com a alteração funcional do recetor e o grau de resistência hormonal. Os sintomas podem ir desde indivíduos com fenótipo feminino, amenorreia primária e ausência de pêlos até indivíduos com fenótipo masculino e alterações da espermatogénese, passando por diferentes graus de ambiguidade. O diagnóstico tem em conta as características clínicas, perfil hormonal e identificação da mutação no gene do recetor. O acompanhamento destes indivíduos deve ser feito por uma equipa multidisciplinar experiente. O tratamento baseia-se na escolha do sexo, cirurgia do trato urogenital com planeamento de gonadectomia por risco aumentado de tumores, terapêutica hormonal de substituição e apoio psicológico. Apesar das diretrizes atualmente definidas, é evidente a falta de dados em grandes amostras populacionais que as suportem, existindo questões importantes que continuam por esclarecer. A precocidade do diagnóstico e terapêutica é entendida como a abordagem mais adequada, de modo a diminuir o impacto psicológico/psiquiátrico, bem como integrar os indivíduos numa sociedade cuja definição dicotómica de género é fundamental. O prognóstico é geralmente bom, no entanto casos de insatisfação surgem, particularmente na insensibilidade parcial, levando ao desenvolvimento de novas ideias, de que é exemplo a opção legal de escolha por um sexo indefinido, que poderão pôr em causa as diretrizes seguidas.
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Avaliação clínica e terapêutica de doentes com dor oncológica
Dor,Oncologia,Avaliação da dor
Introdução: Cerca de 30 – 60% dos doentes oncológicos a efectuar terapêutica citostática e mais de 66% dos que apresentam cancro avançado referem dor. A dor é severa e com um impacto significativo na qualidade de vida em cerca de 78% de todos os doentes oncológicos. Uma adequada classificação da dor é essencial para o estabelecimento da estratégia terapêutica. As guidelines da Organização Mundial de Saúde têm revelado eficácia no controlo da dor oncológica, sendo, por isso, recomendadas na prática clínica. Objectivos: O presente estudo pretende avaliar as características clínicas da dor oncológica, bem como a eficácia de diversas estratégias terapêuticas instituídas, em doentes seguidos na Unidade da Dor do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Metodologia: Análise clínica retrospectiva de 80 processos de doentes oncológicos, admitidos na Unidade da Dor no ano de 2009. A colheita dos dados clínicos incluiu parâmetros como a idade, sexo, localização anatómica do tumor primário, metastização, tipo de dor, intensidade da dor à data de admissão e após instituição da terapêutica, terapêutica analgésica e adjuvante. Resultados: 65% dos doentes eram do sexo masculino e a idade mediana do grupo foi de 67 anos. Quanto à origem do cancro, o cancro colo-rectal e o do pulmão foram os mais frequentes e 76% dos doentes apresentavam doença metastizada na data da primeira consulta. A dor nociceptiva foi o tipo de dor mais frequentemente observado (53,8%). De uma forma global, a intensidade média da dor na primeira consulta foi 6. Os grupos de fármacos mais usados consoante o tipo de dor foram: na dor neuropática - analgésicos não-opióides (65%), opióides fortes (59%), anticonvulsivantes (82%) e anti-inflamatórios (77%); na dor nociceptiva – analgésico não-opióide (74%) e anti-inflamatórios (74%); na dor mista - analgésicos não-opióides (80%), opióides fortes (60%), anti-inflamatórios (90%) e anti-depressivos (45%). Observou-se dor controlada, na altura da reavaliação, em 47% dos doentes com dor neuropática, em 74,3% dos doentes com dor nociceptiva e em 60% dos doentes com dor mista. Conclusão: O tipo de dor influencia a intensidade de dor oncológica, o tratamento médico usado e a sua eficácia. A dor neuropática, pelas suas especificidades etiológicas e clínicas bem como pela sua importância na dor oncológica, destaca-se como um desafio terapêutico. A utilização na prática clínica das guidelines da Organização Mundial de Saúde revela-se eficaz no controlo da maior parte dos casos de dor oncológica.
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Preditores de mortalidade a curto e a longo prazo após uma síndrome coronária aguda : serão iguais?
Doença coronária,Doença aguda,Prognóstico
Introdução: As Síndromes Coronárias Agudas são importantes causas de mortalidade prematura, morbilidade e admissões hospitalares na Europa e no Mundo. A identificação, aquando da admissão, dos doentes cujas características predigam maior probabilidade de mortalidade é necessária. Embora os efeitos das Síndromes Coronárias Agudas se mantenham durante anos, os estudos realizados têm-se focado principalmente no primeiro mês após a ocorrência. Objectivo: Comparar preditores de mortalidade, aos 30 dias e 1 ano, após uma Síndrome Coronária Aguda. Metodologia: Estudo retrospectivo de 1169 doentes internados durante o período compreendido entre Maio de 2004 e Dezembro de 2006 e que sobreviveram ao evento. Os doentes foram alvo de um seguimento clínico aos 30 dias e 1 ano após a alta hospitalar. Resultados: A mortalidade global aos 30 dias foi de 2,4% e aos 365 dias de 9,1%. Na análise univariada, associavam-se a mortalidade aos 30 dias e 1 ano a idade mais avançada, presença de fibrilhação auricular, pico elevado de troponina I, glicemia na admissão mais elevada, baixa taxa de filtração glomerular e fracção de ejecção do ventrículo esquerdo, diagnóstico de insuficiência cardíaca, uso intra-hospitalar de diuréticos e uma estratégia não-invasiva. Na análise multivariada os preditores de mortalidade aos 30 dias foram valores de Troponina I ≥44,2 Ul/L (OR:6,7, IC95%:2,4-18,5), Classe Killip >1 na admissão (OR:4,5, IC95%: 1,6-12,4) e a opção por uma estratégia conservadora (OR: 5,1, IC95%: 1,6-12,4). Aos 365 dias, revelaram-se preditores de mortalidade, a idade superior a 73 anos (OR: 3,5, IC95%: 1,5-8,2), valor de Tropinina I ≥38,9 Ul/L (OR: 3,8, IC95%: 1,7-8,7), glicemia na admissão ≥136,5 mg/dL (OR: 2,9, IC95%: 1,3-6,6), fracção de ejecção do ventrículo esquerdo <49,5% (OR: 2,5, IC95%: 1,2-5,4), Classe Killip na admissão >1 (OR: 2,3, IC95%: 1,0-5,3) e uma estratégia de tratamento conservadora (OR: 3,3, IC95%: 1.4-7,7). Conclusões: As consequências de uma Síndrome Coronária Aguda são multifactoriais: enquanto a curto prazo os factores determinantes de mortalidade são a extensão de necrose e a terapêutica instituída, a longo prazo parece ser definida, também, pelo estado metabólico e funcional do doente.
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Genotipagem do NAT2 : implicações na terapêutica da tuberculose com isonizida na população portuguesa
Tuberculose - terapia.,Izoniazida,Técnicas de genotipagem
A farmacogenómica, que engloba actualmente o domínio da farmacogenética, constitui um importante avanço para a personalização da Medicina, possibilitando a selecção do fármaco e dose adequadas ao genótipo de cada indivíduo, o que contribui para aumentar a eficácia terapêutica e diminuir a toxicidade. Os objectivos deste artigo de revisão consistem, em primeiro lugar, na análise das implicações da genotipagem do gene NAT2 na terapêutica da tuberculose com isoniazida, em segundo lugar, na descrição de um estudo das frequências genotípicas do NAT2 efectuado numa amostra de população do centro de Portugal. A tuberculose permanece um problema à escala global, constituindo a principal causa de morte por uma doença infecciosa curável, o que justifica a necessidade contínua de investigação e a implementação de medidas que optimizem o seu tratamento. Em Portugal, apesar de se verificar uma evolução favorável, persiste ainda o problema de saúde pública, com consequências a nível humano, económico e social. O gene NAT2 codifica a enzima N-acetiltransferase 2, responsável pela acetilação da isoniazida, fármaco essencial à terapêutica da tuberculose. Polimorfismos do gene NAT2 são responsáveis pelas diferenças individuais na actividade enzimática, e a sua caracterização permite a classificação da população em acetiladores rápidos, intermédios e lentos por genotipagem, e a individualização da dose terapêutica. As concentrações séricas da isoniazida influenciam a eficácia terapêutica e, sobretudo, a sua toxicidade, a qual inclui formas graves e mortais de hepatites tóxicas agudas que impõem o transplante hepático. A maioria dos estudos aponta no sentido de que os genótipos do NAT2 correspondentes a acetiladores lentos aumentam a susceptibilidade para a ocorrência de hepatotoxicidade, mas com um efeito modesto. A individualização da dosagem terapêutica de acordo com a capacidade metabólica do doente é actualmente possível a custos moderados, recorrendo à genotipagem dos doentes, embora a comprovação dos seus benefícios careça de estudos prospectivos. Para avaliar as repercussões da individualização terapêutica da isoniazida com base na genotipagem, na população portuguesa, é essencial a caracterização das frequências dos vários genótipos do NAT2. Estudaram-se 101 doentes tratados nos Hospitais da Universidade de Coimbra e no Serviço de Luta Anti-tuberculose do Centro e uma população controlo de 60 indivíduos. A genotipagem do NAT2 foi efectuada por sequenciação automática. As frequências de acetiladores rápidos, intermédios e lentos foram, respectivamente, de 3.96 %, 45.54% e 50,5% nos doentes com tuberculose, e de 8.33%, 41.67% e 50% na população controlo (p>0.05). Conclui-se que pelo menos metade dos doentes que acorrem aos cuidados de saúde são acetiladores lentos e deste modo, poderão beneficiar de uma dosagem terapêutica personalizada.
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