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7,705
Úlceras de pressão nos idosos
idosos,Úlcera por pressão
As úlceras de pressão constituem uma ameaça à saúde e bem-estar de muitos doentes com fatores predisponentes ou estados de vulnerabilidade por vezes passíveis de correção. A sensibilização para este problema e as suas potenciais consequências aumentou, mas a sua morbilidade e mortalidade requerem investigação e educação que permitam reduzir o seu impacto nefasto. O objetivo deste trabalho é o estudo das úlceras de pressão na população idosa, particularmente a identificação de fatores de risco e sistematização de técnicas de prevenção e tratamento. Em maio de 2012 foi efetuada uma pesquisa bibliográfica sistemática utilizando os motores de busca PubMed e Google Scholar por artigos publicados depois de 2000; destes, foram admitidos apenas os considerados mais relevantes e de maior contribuição para o conhecimento atual. Foi demonstrado como o diagnóstico correto e precoce associado a uma classificação pertinente aplicando os critérios das National e European Pressure Ulcer Advisory Panels tem influência no prognóstico. A elevada prevalência desta patologia na população idosa foi reforçada, bem como a importância da estratificação de risco com a escala de Braden. A abordagem de uma úlcera de pressão deve sempre partir da prevenção, com a intervenção nos mecanismos fisiopatológicos da doença, particularmente pela atenuação de forças compressivas, de fricção e deslizamento, pela melhoria da condição cutânea e pela correção de estados de malnutrição. O tratamento deve englobar atos médicos, cirúrgicos e de enfermagem, com a aplicação de terapêuticas adjuvantes, como a estimulação elétrica, a injeção de macrófagos ativados e a suplementação nutricional adequada. Tornou-se evidente a necessidade de estudos subsequentes, particularmente relativos à aplicação das escalas de estratificação de risco, e à epidemiologia desta doença em países europeus, de modo a promover uma melhoria da ação futura.
Ciências Médicas e da Saúde
7,706
Avaliação prospectiva da disfunção endócrina em doentes com cirrose hepática
Cirrose hepática,Doenças do sistema endócrino
Introdução: A cirrose hepática é uma doença crónica muito prevalente no nosso país, sendo 70 a 85% casos de etiologia alcoólica. É uma entidade nosológica definida histopatologicamente por morte celular, desenvolvimento de fibrose e alterações da arquitectura celular e, macroscopicamente, por formações macro e micronodulares, alterações estas que podem evoluir para a irreversibilidade. Pode acompanhar-se por diversas manifestações clínicas e complicações como encefalopatia porto-sistémica (EPS), peritonite bacteriana espontânea (PBE), ascite, varizes esofágicas, síndrome hepato-renal ou síndrome hepato-pulmonar. A destruição do parênquima hepático está associada ao desenvolvimento de diversas alterações endocrinológicas, pois o fígado é local de metabolização e produção de múltiplas hormonas e proteínas. As alterações mais frequentes verificam-se ao nível do eixo hipotálamo-hipófise-glândulas endócrinas, ao nível da função tiroideia e metabolismo da glicose. Objectivos: Este estudo pretende avaliar o grau de disfunção endócrina em doentes internados por descompensação de cirrose hepática. Também se pretendem avaliar alguns parâmetros nutricionais. Doentes e Métodos: É um estudo prospectivo, descritivo, unicêntrico, que incluiu 19 doentes do sexo masculino (Média etária-56,9±10,1 anos), com cirrose hepática, internados numa enfermaria de Gastrenterologia durante o período de 18/01/2010 a 02/03/2011. Foram avaliados a idade, etiologia da cirrose, classificação Child-Pugh e MELD, descompensação justificando o internamento, doseamentos hormonais e proteicos (T3 livre, T4 livre, TSH, insulina em jejum, testosterona, pré-albumina, transferrina, anticorpos anti-tiroperoxidase e anti-tiroglobulina). Resultados: Etiologia da cirrose: álcool-89,4%, autoimune-5,3%, vírus-5,3%. Classificação Child Pugh: A-15,8%, B-36,8%, C-47,4%. MELD: 20±6. Descompensação de cirrose: ascite-63,2%; EPS-42,1%; hemorragia digestiva alta (HDA) -31,6%; PBE-26,3%. Doentes diabéticos: 21,1%. Doseamentos hormonais: Testosterona total média-2,14±1,565ng/mL (mín 0,4; máx 6,4; hipotestosteronémia em 68,4%), estradiol médio-87,29±83,3pg/mL (mín<10pg/mL; máx 367 pg/mL), TSH média-2,23±1,07μU/mL (mín 0,71; máx 4,1), tri-iodotironina (T3) livre- 2,32±0,44pg/mL (mín <1; máx 3,4; hipotiroidismo em 10,5%), tiroxina (T4) livre- 1,26±0,43ng/dL (mín 0,7; máx 2,6), anticorpos anti-tireoglobulina normais em 94,7% dos casos. Doseamentos proteicos: hipo-prealbuminémia em 89,5% com valor médio de 0,082±0,06g/L (mín 0,02; máx 0,28), hipotransferrinémia em 57,9% com valor médio de 1,69±0,73g/L (mín 0,51; máx 2,76). Modelo de avaliação da Homeostase (HOMA)>3,04 em 52,9% com valor médio de 4,12; Simple Quantitative Insulin Sensitivity Check Index (QUICKI)>0,32 em 35,3% com valor médio de 0,32. Conclusão: Verificou-se predomínio de cirróticos em estadios avançados, com descompensações diversas. Os distúrbios hormonais mais frequentemente encontrados foram o défice de testosterona, o aumento de estradiol, bem como alterações da homeostase e sensibilidade à insulina. Baixos níveis de pré-albumina e transferrina sugerem um estado nutricional deficiente.
Ciências Médicas e da Saúde
7,708
Choque cardiogénico : previsões e follow-up
Cardiologia,Choque cardiogénico,Infarto do miocárdio
INTRODUÇÃO: O choque cardiogénico encontra-se classicamente associado ao enfarte agudo do miocárdio (EAM), do qual é uma complicação grave em cerca de 7% dos casos. Apresenta uma elevada mortalidade, sendo a etiologia mais comum, a disfunção grave do ventrículo esquerdo. São objetivos deste trabalho a caracterização de uma coorte de doentes com choque cardiogénico secundário a síndrome coronária aguda (SCA) e a determinação de parâmetros prognósticos neste grupo de doentes. POPULAÇÃO E MÉTODOS: Efetuou-se um estudo, observacional, longitudinal, prospetivo e contínuo, que incluiu 2620 doentes. Comparámos os dois grupos de acordo com o desenvolvimento de choque: sem choque (grupo A) e com choque (grupo B). RESULTADOS: Em análise univariável, os doentes do grupo B eram mais idosos e mais frequentemente apresentavam diabetesmellitus e hiperglicémia, tinham maior frequência de fração supra-desnivelamento de ST, bem como fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) inferior. O enfarte com maior incidência de choque cardiogénico foi o enfarte anterior. Apresentaram maiores concentrações de CK máxima (U/L) e CKMB massa máxima (IU); paradoxalmente os valores médios de colesterol total e colesterol LDL foram mais elevados nos doentes sem choque. Verificou-se que o grupo B foi menos frequentemente submetido a tratamento com ácido acetilsalicílico, Ticlopidina, Clopidogrel eBeta-Bloqueantes. O grupo B apresentou ainda mortalidade intra-hospitalar elevada (60.5%). No seguimento clínico verificou-se que as taxas de mortalidade por todas as causas aos 30, 365 dias e a longo prazo foram significativamente superiores neste grupo. Contudo, em análise multivariável, os fatores estatisticamente significativos na associação ao desenvolvimento de complicação por choque cardiogénico foram apenas a hiperglicémia e a idade. CONCLUSÃO: O choque cardiogénico é principal causa de morte em doentes hospitalizados por SCA, representado mais de ¾ da mortalidade. Nos doentes que desenvolvem choque a mortalidade situa-se nos 60,5%. Em doentes internados com SCA, o facto de serem mais velhos e de apresentarem valores de glicémia aumentadossão fatores que aumentam a probabilidade de virem a desenvolver uma complicação por choque cardiogénico.
Ciências Médicas e da Saúde
7,710
Avaliação da reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho a longo prazo
Ortopedia,Ligamento cruzado anterior,Cirurgia,Prognóstico
Pretendeu-se avaliar a incidência de alterações artrósicas a médio e longo prazo de joelhos sujeitos a ligamentoplastia do LCA. Foram revistos em 2008, 50 doentes de uma coorte de 234 doentes operados entre 1983 e 1998 na UJ-SOHUC, com tempo mínimo de recuo de 10 anos. Todos os doentes foram avaliados presencialmente clínica e radiograficamente, tendo os resultados obtidos sido tratados e analisados estatisticamente, bem como comparados com a literatura nacional e internacional. Apenas 18% dos doentes apresentavam alterações radiográficas sugestivas de artrose, 40% dos quais agravadas nos últimos 10 anos. Procedeu-se à correlação de vários parâmetros clínicos e radiográficos afim de identificar possíveis factores de risco, dos quais a idade na cirurgia superior a 35 anos, a estabilidade ligamentar e a lesão meniscal associada se confirmaram como tal
Ciências Médicas e da Saúde
7,711
O modelo de comunicação do INMLCF na relação com os media : estudo de caso para uma análise da compreensão pública das ciências forenses em Protugal
Ciências forenses - Portugal,Comunicação,Meios de comunicação
Numa época em que o público tem acesso diário a notícias sobre crimes violentos, a comentários de supostos especialistas que dissecam investigações policiais e a séries como ‘CSI’ ou ‘Dexter’, assiste-se a um crescente interesse pela área da medicina legal e ciências forenses. Este interesse, no entanto, não se tem feito acompanhar de uma reflexão sobre os modelos e estratégias de comunicação das entidades reconhecidas como peritas neste domínio – no caso português, o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF). Usando o INMLCF como campo privilegiado de investigação para um estudo de caso e focalizando a observação nos últimos seis anos, esta pesquisa pretende caracterizar não só a relação do público com as ciências forenses, como identificar e analisar o modelo de comunicação utilizado pela instituição, verificar se as estratégias comunicativas são usadas de forma consciente e de que forma é que, do seu ponto de vista, atingem o público. Por fim, foi uma intenção deste trabalho deixar algumas propostas de objectivos e acções junto dos media ao INMLCF
Ciências Médicas e da Saúde
7,712
Responsabilidade profissional em saúde : análise da situação no concelho de Coimbra
Responsabilidade do médico
A responsabilidade profissional em saúde reporta-se aos deveres e obrigações que os seus profissionais assumem no exercício da sua profissão. O médico é técnica e deontologicamente independente e responsável pelos seus actos, devendo observar o maior respeito pelo direito à protecção da saúde das pessoas e da comunidade, sem ultrapassar os limites das suas qualificações e competências. Nas relações com os seus colaboradores não-médicos deve observar uma conduta de perfeita cooperação, de mútuo respeito e confiança, e assumir a responsabilidade dos actos por eles praticados desde que ajam no cumprimento das suas directivas. Até há poucas décadas atrás pouco se discutia ou se escrevia sobre a responsabilidade profissional em saúde. No imaginário colectivo o médico era uma figura mítica, um benfeitor que intervinha sempre para o bem do doente. Actualmente a Medicina concentra-se estritamente nos avanços da tecnologia e da ciência, exagerando os seus benefícios e ignorando ou minorando os seus perigos, começando os prestadores de cuidados de saúde a serem avassalados por reclamações, processos disciplinares e judiciais, profundamente veiculados e explorados pelos meios de comunicação social. O Conselho Médico Legal, um dos quatro órgãos do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, IP e “órgão-chave” da organização médico-legal portuguesa, exerce funções de consultadoria técnico-científica e ética, através da emissão de pareceres sobre questões concretamente colocadas. No âmbito da actuação deste Conselho foram revistos os processos a ele endereçados, entre os anos de 2001 e 2010, e seleccionados os referentes a unidades de saúde do concelho de Coimbra para análise e caracterização da situação neste concelho, considerado uma referência nacional na área da saúde.
Ciências Médicas e da Saúde
7,713
Personalidade e preferências dos doentes em relação à comunicação de más notícias
Comunicação de más notícias,Cuidados terminais,Doente terminal,Comunicação em saúde
Nos últimos anos tem sido desenvolvida alguma investigação com o intuito de diminuir o impacto negativo que a comunicação de más notícias inevitavelmente gera nos doentes e seus familiares. Os estudos mostram que a satisfação com a informação e com o estilo de comunicação associa-se à adesão aos tratamentos e à adaptação psicológica à doença. O Measure of Patients’ Preferences (MPP; Parker et al. 2001) foi desenvolvido para avaliação das preferências do doente (PD) em relação à comunicação de más notícias e tem revelado boas propriedades psicométricas em contexto oncológico (Fujimori et al., 2007; Parker et al. 2001; Sánchez et al., 2009). As PD têm sido estudadas em relação com variáveis sócio-demográficas e clínicas (Covinsky et al. 2000; Jenkins et al., 2001). O estudo da sua relação com os traços de personalidade, apesar de ainda escasso (Sánchez et al., 2009), é muito relevante, pois ao influenciar o modo como os doentes interpretam, reagem e lidam com a informação, a personalidade pode influenciar enormemente as PD. Os objetivos deste estudo foram: 1. Adaptar e validar a versão portuguesa experimental da Escala de Preferências dos Doentes (Parker et al., 2001), de modo a que se aplique não apenas ao contexto oncológico; 2. Analisar, pela primeira vez em Portugal, a relação entre as preferências dos doentes acerca da comunicação e os principais traços de personalidade. Foi realizado um estudo observacional e correlacional, a partir dos dados de uma amostra de conveniência, composta por 254 participantes com idade superior a 50 anos, que responderam a um inquérito em papel, contendo um breve questionário de auto-resposta para avaliação de traços de personalidade (FFI-20; Pais Ribeiro) e das preferências na comunicação de más notícias (MPP; Parker et al. 2001). A versão portuguesa da Escala de Preferências na Comunicação de Más Notícias apresenta boa validade e consistência interna, permitindo avaliar com fidelidade as dimensões Apoio, Conteúdo e Facilitação Verificou-se ainda que ser mulher, ter menos idade e ter mais escolaridade são fatores que se associam a maiores exigências na comunicação de más notícias e pessoas com níveis mais elevados de extroversão e de conscienciosidade também requerem da parte do médico maior atenção às práticas comunicativas. Em conclusão, a personalidade, a idade e o género são variáveis a ter em conta na comunicação de más notícias, relativamente às quais se justifica mais investigação e mais formação dos profissionais de saúde.
Ciências Médicas e da Saúde
7,714
Qualidade de vida no adolescente desportista : evolução na época desportiva
Adolescente,Desportos,Qualidade de vida
Introdução A qualidade de vida (QoL) é uma importante medida de saúde das populações. A evidência destaca os efeitos benéficos da participação em atividades desportivas, com impacto na QoL. Em Portugal são escassos os trabalhos nesta área, nomeadamente nas crianças e adolescentes. É importante estudar em que medida o desporto influencia a QoL, avaliar e caracterizar a QoL dos adolescentes desportistas, assim como explorar fatores determinantes. Objetivos Geral: Avaliar e caracterizar a QoL genérica de adolescentes praticantes de futebol 11, durante uma época desportiva, através de questionário “escala genérica do Inventário Pediátrico de Qualidade de Vida versão 4.0 (PedsQL 4.0)”. Específicos: Conhecer a evolução da QoL percecionada em dois períodos temporais da época desportiva e o potencial impacto de variáveis como: escalão desportivo; sofrer de doença; toma de medicamentos; titularidade; jogar regularmente; sofrer de lesão desportiva e rendimento escolar. Material Versão portuguesa do questionário escala genérica do PedsQL 4.0, relatório para adolescentes. Ficha de dados, especificamente elaborada, para colheita de variáveis epidemiológicas. Documento de consentimento informado. Universo de adolescentes do sexo masculino que praticam futebol na Associação Académica de Coimbra/ Organismo Autónomo de Futebol, nos escalões principais de iniciados, juvenis e juniores. Funcionários administrativos e das equipas técnicas dos escalões jovens da Associação Académica de Coimbra/ Organismo Autónomo de Futebol. Metodologia Tipo de estudo: observacional em dois pontos de medida, do tipo transversal, por aplicação de questionário. Amostra representativa da população, como o conjunto de respondentes, em dois tempos da época desportiva. A população correspondeu ao universo de estudo. O investigador entregou presencialmente os questionários aos atletas, com referência expressa a confidencialidade, anonimato e sigilo das respostas. A aplicação dos questionários foi realizada em dois tempos diferentes, fase inicial da época desportiva – tempo 1 – e fase final da época desportiva – tempo 2. Foram critérios de exclusão: nacionalidade estrangeira/ não domínio da língua portuguesa; não integrar a equipa no tempo 1. Entrega dos questionários: tempo 1 em 18, 19 e 21 de novembro de 2014, para juniores, iniciados e juvenis, respetivamente. Tempo 2 em 25 de março de 2015 para iniciados, 30 de abril de 2015 para juvenis e 11 de maio de 2015 para juniores. Análise de dados em SPSS 20.0 com estatística descritiva e inferencial. Resultados Em ambos os tempos de aplicação dos questionários a amostra foi representativa da população. Amostra de 64 questionários correspondente a 88,9% dos adolescentes atletas no tempo 1 e de 54 questionários correspondente a 91,5% dos adolescentes atletas no tempo 2. Na transição de tempos destacam-se 13 missings. Se no tempo 1 o escalão mais representativo foram os juvenis, no tempo 2 foram os iniciados. Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre as amostras dos dois tempos para as variáveis: idade; escalão desportivo; reprovação de ano na escola; classificação negativa em disciplinas no último ano; padecimento de doença ou problema de saúde; toma de medicamentos diariamente; lesão desportiva no último mês; titularidade na maioria dos jogos no último mês; jogar na maioria dos jogos no último mês. O auto-relato de doença ou toma de medicamentos diariamente foi muito reduzido, pelo que as amostras são de adolescentes saudáveis. Do tempo 1 para o tempo 2 verifica-se uma maior pontuação média no PedsQL, para o total (85,91±9,21 e 86,97±9,19, respetivamente) e em todas as dimensões de saúde, contudo sem significado estatístico. Em ambos os tempos, as dimensões física e social tiveram as pontuações mais elevadas e a dimensão escolar teve a menor pontuação média. Na análise isolada por escalões também não se verificaram diferenças estatísticas entre os dois tempos. Na análise da pontuação média obtida no PedsQL em função de variáveis para cada amostra, no tempo 1 e no tempo 2, obtiveram-se os seguintes resultados: Em ambos os tempos, a pontuação média no PedsQL foi mais elevada para os atletas no escalão de iniciados, em todas as dimensões. Com significado estatístico, exceto para a dimensão social. Em ambos os tempos, a pontuação média no PedsQL foi mais baixa para os atletas que relataram já ter chumbado de ano ou ter tido negativa no último ano. As diferenças não tiveram significado estatístico. Em cada amostra, as pontuações médias no PedsQL não foram significativamente diferentes em função das variáveis “lesão desportiva no último mês”; “titularidade na maioria dos jogos no último mês” e “jogar na maioria dos jogos no último mês”. Discussão Na comparação com outros estudos em populações genéricas de crianças e adolescentes, verificámos que as nossas amostras de atletas tiveram maiores pontuações médias no PedsQL. Em contrapartida, estes valores foram inferiores ao registado em estudo a adolescentes atletas nos Estados Unidos da América. Não encontrámos na literatura médica outros estudos que analisem a evolução da QoL em adolescentes atletas ao longo da época desportiva. A relação da QoL com a idade não é clara nos diferentes estudos. A menor pontuação verificada em escalões desportivos superiores pode ter influência de fatores socioculturais. Na nossa investigação, a menor QoL para os adolescentes que relataram pior rendimento escolar, está em acordo com a evidência existente. São necessários mais estudos para avaliar a relação entre o rendimento desportivo e a QoL, assim como qual a melhor forma de o fazer. Conclusões Os adolescentes atletas são uma população com características próprias, que reflete-se em melhor QoL percecionada, relativamente estável ao longo da época desportiva. É importante desenvolver investigação que permita concluir sobre a melhor forma de avaliar variáveis que influenciam a QoL na dimensão desportiva
Ciências Médicas e da Saúde
7,715
Obesidade e diabetes mellitus tipo 2
Obesidade,Diabetes mellitus não-insulino dependente
A obesidade é geralmente definida como uma doença crónica em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus capazes de afectar a saúde. Os doentes obesos não se diferenciam apenas na percentagem de excesso de peso, mas também na distribuição regional de tecido adiposo. Assim, o excesso de tecido adiposo, a sua distribuição e as consequências associadas à saúde, variam consideravelmente entre indivíduos obesos. O risco de efeitos adversos para a saúde é maior em indivíduos obesos, em que o excesso de tecido adiposo se encontra maioritariamente a nível abdominal. Assim, a medição do perímetro abdominal é um método simples e prático na identificação destes pacientes. Várias doenças crónicas estão associadas à obesidade, destacando-se doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, certos tipos de cancro, doenças da vesícula biliar e hepáticas. A acumulação de tecido adiposo abdominal, bem como a obesidade por si só, estão associadas com o aumento do risco de intolerância à glicose e resistência à insulina, sendo este último, um dos factores fisiopatológicos implícitos no desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2, bem como, o défice na secreção de insulina pelo pâncreas. Não se conhece qual dos dois factores é primário, ainda que, a maioria dos autores considere que a resistência à insulina é primária e que a hipersecreção de insulina, para compensar essa resistência, acaba por "esgotar" a capacidade da célula ß pancreática, levando à hiperglicémia. Estudos sobre perda de peso em doentes obesos com diabetes mellitus tipo 2 têm consistentemente demonstrado que uma diminuição de 10 a 20% do peso, resulta numa notável melhoria do controlo glicémico e da sensibilidade à insulina. Todavia, a perda de tecido adiposo abdominal, pode ser mais importante para a melhoria do doente diabético que, a perda de peso por si só.
Ciências Médicas e da Saúde
7,716
Obesidade e gravidez : consequências e abordagem clínica da grávida obesa
Gravidez,Obesidade,Obstetrícia
Objectivos: A obesidade é uma doença crónica cuja prevalência tem vindo a aumentar exponencialmente em todo o mundo. Este aumento reflecte-se nas mulheres em idade fértil e, em particular, nas grávidas, nas quais esta patologia pode ter consequências graves. Através da presente revisão pretendeu-se definir o impacto da obesidade sobre a gestação, identificando situações de aumento de risco tanto para a grávida como para o feto, assim como estudar as diferentes intervenções disponíveis actualmente para o tratamento da obesidade na grávida, no sentido de permitir a elaboração de recomendações nacionais adequadas a esta situação. Material e Métodos: Realizou-se uma pesquisa das bases de dados PubMed, b-ON e Elsevier Science Direct de artigos publicados em inglês entre Janeiro de 2005 e Dezembro de 2012. Resultados: Verificou-se que a obesidade é um factor de risco para abortamento espontâneo, morte fetal, malformações congénitas, dificuldades de vigilância da gravidez, diabetes gestacional, doença hipertensiva da gravidez, parto pré e pós-termo, necessidade de indução do trabalho de parto, trabalho de parto estacionário, parto instrumentado e por cesariana, assim como para macrossomia, baixo peso de nascimento, hemorragia e infecção materna, internamento mais longo, hipóxia fetal e recurso a cuidados intensivos neonatais. A obesidade resulta ainda numa menor probabilidade de parto vaginal. Não foi encontrada relação entre a obesidade materna e a distócia de ombros ou icterícia neonatal. Discussão e Conclusões: Tendo em conta as consequências adversas da obesidade na gravidez, diferentes tipos de intervenção para a perda de peso nestas mulheres têm sido sugeridos. Os principais tipos de intervenção utilizados actualmente, alterações do estilo de vida e cirurgia bariátrica, parecem ter um impacto positivo sobre a perda de peso pré-concepcional e ganho ponderal gestacional, assim como sobre os efeitos adversos associados à obesidade na gravidez; no entanto, a informação disponível na literatura sobre intervenções para o controlo de peso na grávida obesa é ainda escassa e pouco sistematizada, sendo necessária mais investigação para que os seus efeitos possam ficar totalmente esclarecidos e recomendações nacionais adequadas à abordagem clínica da grávida obesa possam ser elaboradas.
Ciências Médicas e da Saúde
7,717
Esquizofrenia e perturbações delirantes na sua relação com as personalidades esquizotípica e paranóide
Esquizofrenia,Delírio
Introdução: A autonomia das psicoses delirantes em relação à esquizofrenia, sempre foi uma questão controversa, e existem problemas quanto ao uso do modelo axial da DSM-IV, uma vez que esta não diferencia convenientemente a esquizofrenia dos transtornos delirantes, e uma vez também que esta não articula o Eixo I com o Eixo II, o qual pode ser determinante ou agravante do Eixo I. Também a questão das personalidades tem então estado sob escrutínio recente, desde que se percebeu que a personalidade esquizotípica pode anteceder a esquizofrenia, e existem alguns estudos que indicam que alguns indivíduos que desenvolvem esquizofrenia ou algum outro transtorno psicótico apresentam previamente transtorno de personalidade esquizotípica. Objetivos: O principal objetivo deste estudo focou a possível relação existente entre estes distúrbios do Eixo I, e os transtornos de personalidade esquizotípica e paranóide. Métodos: Para responder a estas problemáticas recorreu-se a uma metanálise da bibliografia existente, avaliando-se vinte e um artigos que apresentavam informação relativa às relações familiares, genéticas, e de antecedentes, entre estes distúrbios. Resultados e conclusão: Após o enquadramento de todos os resultados, conclui-se que a psicose delirante e a esquizofrenia podem ser consideradas entidades separadas, pois apresentam antecedentes que as distinguem. Existem fatores de risco diferentes, mais prevalentes em cada distúrbio, os ambientais e individuais mais frequentes na psicose delirante, e os genéticos na esquizofrenia. A relação entre o transtorno de personalidade esquizotípica e a esquizofrenia, como seu antecedente mostrou-se também evidente, assim como a existência de um maior risco de transmissão genética, e de relação intrafamiliar, entre estas duas patologias. Ficou no entanto por esclarecer, qual a relação entre o transtorno de personalidade paranóide e os distúrbios do Eixo I, principalmente a psicose delirante, tendo-se mostrado patente a necessidade de realizar novos estudos que demonstrem se de facto existe alguma relação entre o transtorno de personalidade paranóide e as psicoses delirantes, e se existe alguma causa genética na psicose delirante
Ciências Médicas e da Saúde
7,718
Fertilidade após cancro da mama : perspectivas
Neoplasias da mama,Quimioterapia
Os progressos no diagnóstico e tratamento do cancro da mama associam-se a um diagnóstico cada vez mais precoce da doença e a um aumento da sobrevida destas doentes. O cancro da mama é significativo entre mulheres em idade fértil, sendo que 25% dos cancros da mama precedem a menopausa. Na sociedade ocidental cada vez mais se assiste ao adiamento da procriação, o que para algumas doentes significa lidar com um cancro da mama quando ainda planeiam uma gravidez. Vários estudos indicam que para um número significativo de mulheres, este desejo não se altera depois de uma doença neoplásica. A terapia médica utilizada no cancro da mama, nomeadamente a quimioterapia, pode induzir falência ovárica precoce. Propõe-se uma revisão dos estudos desenvolvidos até à data, para uma sistematização dos vários preditivos de falência ovárica induzida pela quimioterapia, bem como uma ilustração das várias técnicas que emergem como potenciais manipuladoras da infertilidade que pode seguir-se a um tratamento de cancro. A falência ovárica induzida pela quimioterapia está primariamente dependente dos citostáticos escolhidos, dose, duração do tratamento e idade da doente. Admite-se uma escalonização tóxica dos vários citostáticos na função ovárica, sendo praticamente unânime que os agentes alquilantes como a ciclofosfamida se encontram entre os mais tóxicos, enquanto que outros como os taxanos ainda não têm uma posição bem definida. A idade da doente é um factor prognóstico independente dos citostáticos utilizados. Das várias técnicas disponíveis para preservação da fertilidade, destaca-se a criopreservação de embriões, a criopreservação de ovócitos ou tecido ovárico e a supressão ovárica com análogos da hormona libertadora de gonadrofinas (GnRH). Apesar dos avanços nesta área, a principal dificuldade na aplicação de algumas das novas estratégias, reside no facto de não haver estratégias definitivas. Apesar de muitos estudos apresentarem bons indícios relativamente a estas técnicas, ainda existem algumas vulnerabilidades que impossibilitam a aplicação segura destas técnicas.
Ciências Médicas e da Saúde
7,719
Diabetes gestacional no âmbito dos cuidados de saúde primários
Diabetes gestacional,Cuidados de saúde
A incidência da Diabetes Gestacional (DG), aumentou drasticamente nos últimos anos e prevê-se que continue a aumentar. Assim, é importante estar atento aos fatores de risco desta patologia, principalmente aos preveníveis e modificáveis. O diagnóstico deve ser efetuado segundo as novas normas, uma vez que vários estudos demonstraram que dessa forma se verifica uma diminuição da morbilidade tanto materna como fetal e deve ser instituída terapêutica adequada, o mais precocemente possível. O acompanhamento apertado e precoce das grávidas é de extrema importância neste contexto, tendo os cuidados de saúde primários um papel relevante no aconselhamento e seguimento a longo prazo destas doentes e dos seus filhos
Ciências Médicas e da Saúde
7,720
Diagnóstico da doença pulmonar obstrutiva crónica : novos desenvolvimentos
Doença pulmonar obstrutiva crónica,Diagnóstico
Introdução: A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é caracterizada pela existência de obstrução do fluxo aéreo que não é completamente reversível com a medicação. A DPOC é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade nas sociedades desenvolvidas. Esta doença é ainda, no entanto sub-diagnosticada ou mesmo confundida com outras patologias. Assim é necessária uma aposta no diagnóstico precoce, de forma a diminuir a sua morbilidade e aumentar a qualidade de vida dos doentes. Para além da história clínica, têm grande importância os exames complementares de diagnóstico, que nos últimos anos têm vindo a evoluir significativamente, nomeadamente ao nível da sua eficácia e fiabilidade. Objectivo: O objectivo deste trabalho é a sistematização do conhecimento actual da doença e os seus métodos de diagnóstico e estadiamento, actuais e futuros com base nos conhecimentos mais recentes. Desenvolvimento: A DPOC tem indubitavelmente um grande impacto na nossa sociedade. Assim é importante o desenvolvimento de estratégias que permitam um diagnóstico na fase inicial da doença e deste modo estabelecer a terapêutica numa fase precoce, incluindo a cessação tabágica. A existência de DPOC é confirmada pela espirometria, sendo este actualmente o exame gold standard para o diagnóstico e estadiamento. A observação de uma relação VEMS/CVF inferior a 70% após a prova de broncodilatação, é uma das suas características. A par da espirometria existem outros exames que se realizam de forma a uma melhor caracterização da doença, nomeadamente: a radiografia do tórax, tomografia computorizada (TC) torácica, ressonância magnética (RM), gasometria arterial e o doseamento da alfa-1 anti-tripsina (AAT). Conclusão: Para impedir um aumento cada vez maior da incidência da doença é necessário desenvolver estratégias dirigidas à sociedade para implementação de políticas de prevenção e cessação tabágica. É de extrema importância, o diagnóstico da doença numa fase precoce através dos métodos de diagnóstico já disponíveis e paralelamente estudos que permitam novos desenvolvimentos nesta área, de modo, a oferecer aos doentes maior qualidade de vida
Ciências Médicas e da Saúde
7,721
Estudos genéticos na esclerose múltipla
Neurologia,Esclerose múltipla,Genética
A Esclerose Múltipla é uma doença inflamatória e degenerativa do Sistema Nervoso Central, cujo curso clínico varia consideravelmente entre os indivíduos afectados. Trata-se da doença desmielinizante mais comum do Sistema Nervoso Central em adultos jovens, predominando no sexo feminino. A sua prevalência em Portugal é de aproximadamente 50 por cada 100.000 indivíduos, já na Europa do Norte é de cerca 190 por cada 100.000 habitantes, afectando perto de 2.500.000 pessoas por todo o mundo. A Esclerose Múltipla é uma doença de tendência familiar, sendo o risco da doença significativamente maior nos indivíduos com familiares próximos afectados. Os indivíduos com Esclerose Múltipla têm uma probabilidade de 10 a 20% de terem um parente afectado, um valor significativo, maior do que seria de esperar numa doença que não tivesse qualquer componente genético. Além disso, esta patologia manifesta-se predominantemente na raça Caucasóide, sendo extremamente rara nos Negros e nos Orientais. A componente genética é susceptível de desempenhar um papel na determinação de quem está em risco de desenvolver Esclerose Múltipla, na sua progressão e na resposta à terapêutica. Ao contrário de outras doenças neurológicas, não foi, até à data, descrito qualquer modelo Mendeliano de transmissão da doença, o que dificulta o esclarecimento acerca da sua etiologia; não há famílias nas quais uma mutação num único locus ou região de um cromossoma seja responsável pelas manifestações clínicas da Esclerose Múltipla, sendo mais provável o envolvimento de muitos genes diferentes, cada um com um efeito de leve a moderado. O processo através do qual a predisposição genética se expressa clinicamente é desconhecido, mas envolverá, provavelmente, eventos no desenvolvimento e função do sistema imunitário e a história individual de exposição a certos factores ambientais (vírus, radiação solar, etc). A identificação de genes de susceptibilidade para esta complexa doença tem sido um contínuo desafio. Apesar da grande quantidade de estudos de associação realizados ao longo da última década e da panóplia de genes candidatos, a associação mais consistente/conhecida é com os haplotipos do Complexo Major de Histocompatibilidade (MHC) de classe II, particularmente aqueles que contêm o HLA-DR15, alelo DRB1*1501, e o HLA-DQ6. Os recentes avanços tecnológicos, combinados com um melhor entendimento do genoma humano, abrirão novas oportunidades, prometendo desvendar a base genética da Esclerose Múltipla. A compreensão alargada do papel dos genes na Esclerose Múltipla poderá trazer inúmeros benefícios na forma como esta doença é diagnosticada e tratada
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7,723
Dermatomiosite
dermatomiosite,anticorpos anti-nucleares,dermatomiosite juvenil,dermatomiosite amiopática,fenómeno paraneoplásico,dermatomiosite induzida por fármacos
A dermatomiosite é uma doença inflamatória idiopática com envolvimento multissistémico. Trata-se de uma doença rara que tem um pico de incidência por volta dos quarenta anos nos adultos e entre os cinco e os catorze anos na criança. É duas vezes mais frequente no sexo feminino do que no masculino. A sua etiologia permanece desconhecida, mas há evidência de participação de uma reacção auto-imune com o contributo de factores extrínsecos em indivíduos geneticamente predispostos. As manifestações clínicas cutâneas incluem eritema facial em heliotropo, eritema do decote, pápulas de Gottron, telangiectasias periungueais, poiquilodermia e calcinose. A coexistência de fraqueza muscular, aumento dos níveis de creatina cinase e aldolase no plasma, mialgias, alterações miogénicas na electromiografia, anticorpos anti-Jo 1 positivos, artrite ou artralgias não destrutivas, sinais inflamatórios sistémicos e achados patológicos compatíveis com miosite inflamatória também contribuem para o diagnóstico. A dermatomiosite pode ser um fenómeno paraneoplásico com excepção da dermatomiosite juvenil. A frequência de doenças malignas em adultos com dermatomiosite varia de dez a cinquenta por cento. É frequente a dermatomiosite preceder o diagnóstico da neoplasia, o que exige uma monitorização e vigilância adequadas. As neoplasias mais frequentemente associadas são os carcinoma do ovário, gástrico, pulmão e linfomas. As variantes clínicas englobam não só a dermatomiosite juvenil, como também a forma amiopática, em que não se verifica envolvimento muscular, e as síndromes de sobreposição com outras doenças auto-imunes. O tratamento tem como objectivo melhorar a função e evitar a incapacidade. Engloba medidas não farmacológicas e farmacológicas tópicas (tais como, fisioterapia, fotoprotecção e corticóides tópicos) e terapêuticas farmacológicas sistémicas (nomeadamente, corticóides orais, imunossupressores e imunoglobulina humana polivalente intravenosa, entre outras). Os indicadores de mau prognóstico englobam a doença recalcitrante, idade avançada do doente, atraso no diagnóstico, coexistência de neoplasia, febre, astenia-anorexia, fibrose pulmonar intersticial, disfagia e leucocitose. Geralmente, a dermatomiosite juvenil tem melhor prognóstico do que a do adulto
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7,725
Tratamento cirúrgico do feocromocitoma
Feocromocitoma,Cirurgia,Urologia
Contexto: A escolha de uma abordagem terapêutica adequada permite que o potencial de cura do feocromocitoma seja muito elevado, pelo que é de extrema importância aprofundar o conhecimento sobre as diversas opções de tratamento existentes e respetivas características e aplicações. Objetivo: Os objetivos desta revisão são (1) descrever as técnicas cirúrgicas existentes para o tratamento do feocromocitoma, (2) analisar as suas indicações, contraindicações, vantagens e desvantagens e (3) avaliar e comparar os resultados das diferentes técnicas cirúrgicas usadas para tratamento do feocromocitoma. Métodos: Realizei uma extensa pesquisa bibliográfica em bases de dados da literatura médica abrangendo o período de 2000 a 2012. Selecionei bibliografia escrita em língua portuguesa, inglesa e espanhola. As pesquisas foram realizadas na base de dados Pubmed e também na Science Direct (www.sciencedirect.com) e no Repositório Institucional dos HUC (rihuc.huc.min-saude.pt) com o objetivo de encontrar estudos sobre o tratamento cirúrgico do feocromocitoma, tendo selecionado 51 fontes bibliográficas. Utilizei as seguintes palavras-chave em diferentes combinações: “feocromocitoma” (pheochromocytoma), “tratamento cirúrgico” (surgical treatment), “suprarrenalectomia” (adrenalectomy), “cirurgia laparoscópica” (laparoscopic surgery) e “cirurgia aberta” (open surgery). Resultados: A suprarrenalectomia laparoscópica permite uma redução da mortalidade e morbilidade associadas à cirurgia para tratamento do feocromocitoma, tanto nas suprarrenalectomias totais como parciais, embora situações como doença cardiopulmonar grave, coagulopatia persistente, obesidade mórbida e invasão local devam levar a optar pela via aberta. O papel do volume tumoral nesta decisão é ainda controverso. A escolha entre uma abordagem transperitoneal ou retroperitoneal depende sobretudo da preferência do cirurgião. As várias variantes laparoscópicas já desenvolvidas podem levar a melhores resultados intra e pós-operatórios. Uma terapêutica médica adequada pré e intraoperatória contribui para diminuir as complicações da intervenção. Conclusão: A suprarrenalectomia laparoscópica é o método de escolha no tratamento cirúrgico do feocromocitoma e as várias variantes desenvolvidas tornam-no mais promissor que nunca, sendo muito importante a realização de controlo sintomático pré e intraoperatório.
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7,726
Efeitos da actividade física na imunossenescência
Medicina,Idoso,Fisiologia,Exercício,Envelhecimento,Fenómenos do sistema imunológico
Com o processo de envelhecimento ocorrem alterações fisiopatológicas a diversos níveis no organismo. Denomina-se por imunossenescência, a gradual deterioração do sistema imune, que ocorre com o envelhecimento, e que se pode associar a diminuição da função imunitária ou da sua regulação. Este processo torna os idosos mais susceptíveis a infecções, doenças auto-imunes e neoplasias. Para fazer face aos efeitos da imunossenescência, a actividade física moderada apresenta-se como uma possível terapêutica. É necessário analisar as alterações induzidas pelas imunossenescência e documentar os efeitos da actividade física moderada nos vários componentes que integram o sistema imune de indivíduos idosos, a nível quantitativo e qualitativo. Com o envelhecimento assiste-se a um decréscimo dos vários elementos da imunidade inata e adquirida, com excepção: das células NK (com alterações ainda não esclarecidas), dos neutrófilos (com capacidade fagocitária aumentada) e da actividade inflamatória e do complemento (aumentadas). Verifica-se que a prática de actividade física, regular e moderada, na população geriátrica, atenua o declínio dos diversos parâmetros imunológicos, com excepção dos linfócitos B, que não apresentam alterações relevantes, e das células NK, cujos autores não são consensuais. A actividade física apresenta-se, portanto, como uma medida acessível e de baixo custo, para atingir um envelhecimento mais saudável e com qualidade de vida. Contudo, mais estudos são necessários, de forma a esclarecer determinadas questões que permanecem em aberto: mecanismos de actuação da actividade física sobre o sistema imunitário e que características são necessárias ao exercício e idoso, para os efeitos se exprimirem.
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7,729
Internamento na rede de cuidados continuados e o destino pós alta : importância da capacidade funcional do utente e as dificuldades do cuidador-família
Continuidade de assistência ao paciente,Capacidade funcional,Cuidados continuados,Cuidadores,Fisioterapia
Numa sociedade cada vez mais envelhecida o aumento da necessidade de apoio às pessoas idosas dependentes emerge como um problema prioritário nas políticas sociais, de saúde e económicas dos países desenvolvidos. A criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), resulta como resposta a esse problema, com o objetivo de promover a continuidade de cuidados de forma integrada, com um trabalho em equipa envolvendo os utentes e os cuidadores, respeitando sempre as suas necessidades e expetativas. A prestação de cuidados de fisioterapia em CC tem como objetivo principal atingir a máxima capacidade funcional para cada utente, de forma a permitir que este adquira a capacidade de regresso ao seu domicílio. Para isso é fundamental a avaliação da capacidade funcional e a avaliação das dificuldades sentidas pelos cuidadores, para, se necessário, adaptar as intervenções e estratégias de forma a tornar possível alcançar os objetivos. Objetivo: Conhecer e analisar os fatores que estão envolvidos na decisão do destino de alta, analisando se níveis de capacidade funcional e de dificuldades no ato de cuidar, conduzem a locais de destino de alta diferentes. Metodologia: Para a sua realização escolhemos um tipo de estudo quantitativo de tipo descritivo exploratório e correlacional, com a amostra consecutiva de 60 utentes e respetivos cuidadores da UC da SCME, sendo que foram excluídos 10 por terem sido transferidos para outras unidades hospitalares por agudização da situação clínica. Como tal, a análise baseia-se em 50 utentes e respetivos cuidadores. Foi aplicado pela investigadora no momento de admissão do utente o questionário geral, onde constam os dados sociodemográficos do utente e do cuidador, e ainda dados clínicos do utente e de contexto da prestação de cuidados. Foi avaliada a capacidade funcional dos utentes com a MIF nas primeiras 48 horas após admissão destes, a meio do internamento (após 15 dias) e no dia da alta. Foram ainda avaliadas as dificuldades dos cuidadores com o CADI nas primeiras 48 horas de admissão do utente e no dia da alta. Resultados: - Os utentes do foro neurológico e de outro foro apresentam uma dependência funcional moderada e os do foro músculo-esquelético apresentam independência completa/modificada na admissão. No momento de alta a maioria dos utentes, independentemente da patologia, apresentam independência completa/modificada. Sendo que o período onde se verifica a maior evolução funcional é nos primeiros 15 dias de internamento. - Os cuidadores identificam um maior número de dificuldades associadas ao 5 ato de cuidar no momento da admissão comparativamente com o da alta do utente. Sendo os cuidadores profissionalmente ativos, com idade inferior a 60 anos, com familiares com dependência moderada que identificam um maior número de dificuldades, em que as mais referidas são as associadas a “Reações à prestação de cuidados”, “Exigências de ordem física na prestação de cuidados”, “Restrições na vida social” e “Problemas financeiros”. - Há diferenças significativas na capacidade funcional dos utentes consoante o destino de alta, isto é, quanto maior a capacidade funcional maior a probabilidade de o utente regressar ao domicílio com ou sem suporte social. – Há diferenças significativas na identificação de dificuldades no ato de cuidar, referidas pelos cuidadores consoante o destino de alta, ou seja, à medida que os valores da CADI total vão aumentando o destino de alta varia de domicílio sem suporte, para domicílio com suporte e institucionalização. Conclusões: Os resultados demonstram que não podemos afirmar que a capacidade funcional é perentória perante as dificuldades dos cuidadores, nem vice-versa, uma vez que o que se verifica é que quando uma aumenta a outra diminui, ou seja, quanto maior a capacidade funcional do utente menores são as dificuldades referidas pelos cuidadores. Logo, o destino de alta é influenciado pelas duas variáveis de igual forma.
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7,730
The potential role of CRF corticotropin-releasing factor in the treatment for cocaine addiction
Terapêutica por medicamentos,Droga,Farmacologia
Cocaine is a powerful CNS (central nervous system) psychostimulant, being highly addictive. There is staggering evidences that the stress, and particularly his major effector CRF (corticotropin-releasing factor), has a crucial role in drug addiction, including to cocaine. In this review it will be analyzed the role of CRF in the cocaine-induced neuroadaptations, underlying the chronic consumption of cocaine and the behaviour propitiating relapse. Finally, it will be characterized the potencial role of CRF receptor antagonists as pharmacological tools for the treatment of cocaine addiction. CRF1 selective antagonists CP154.526, antalarmine and MPZP have potential to be used in cocaine addiction treatment whereas, R121919 and NBI-27914 do not. In relation to CRF2 selective antagonist AS-30 and Astressin-2B there are not sufficient data do analyze its potential. Non selective CRF antagonists α-helical CRF and D-Phe CRF12-41 have also potential to be used in cocaine addiction treatment. This data strongly support that both CRF1 and CRF2 contribute to cocaine addiction. The relevance of this review stems from the fact that there is no pharmacological therapeutics approved to cocaine addiction. Resumo A cocaína é um poderoso estimulante do SNC (sistema nervoso central). Existem evidências de que o stress, incluindo o seu principal mediador, o CRF (factor de libertação de corticotropina), tem um papel crucial na adição à cocaína. Esta hormona hipotalâmica aumenta os efeitos agudos da cocaína e dirige a neuroplasticidade induzida pela cocaína que caracteriza a adição. Neste artigo de revisão, irá ser analisado o papel do CRF nas neuroadaptações no cérebro desencadeadas pela cocaína que condicionam o seu consumo crónico incluindo o comportamento de recaídas. Por último, serão analisados quais os antagonistas dos receptores do CRF que têm potencial para serem utilizados no tratamento farmacológico da adição à cocaína. Este trabalho é crucial visto que não existem terapêuticas farmacológicas disponíveis para o tratamento da adição à cocaína. Os antagonistas selectivos dos receptores CRF1 CP154.526, antalarmine e MPZP têm potencial para serem utilizados no tratamento da adição à cocaína, ao contrário de R121919 e de NBI-27914. Relativamente a antagonistas selectivos do CRF2, AS-30 e Astressin-2B, não existe informação suficiente sobre o seu putativo interesse terapêutico. Os antagonistas não selectivos do CRF α-helical CRF e D-Phe CRF12-41 também evidenciam potencial terapêutico na adição à cocaína.
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7,731
Modelos de intervenção na área de reinserção social em comportamentos aditivos e dependências : evolução recente e perspectivas futuras
Reintegração social,Comportamento adictivo
As políticas públicas relacionadas com os comportamentos aditivos e dependências (CAD) têm sofrido alterações nos últimos anos. Estes comportamentos têm repercussões na sociedade e apresentam-se como um problema de saúde pública. Com o desígnio de minimizar e reduzir o impacto do consumo de substâncias psicoativas tem havido uma aposta na reinserção nos últimos anos. As perturbações relacionadas com adições e comportamentos aditivos são uma constante no nosso dia-a-dia, a perspetiva de saúde mental pública. Assim, pretende-se avaliar a evolução da intervenção em reinserção na sociedade portuguesa e impactos das políticas nas práticas profissionais. Numa primeira fase é objetivo clarificar conceitos e um levantamento bibliográfico desta área, para no final se analisar a perspetiva de alguns profissionais relativamente as suas experiências e perceções sobre a reinserção e as perspetivas de futuro. Tudo isto leva a que a evolução nesta matéria de CAD, assente na constituição das equipas especializadas que consolidam a importância do trabalho em equipa multidisciplinar e interdisciplinar, onde todos desempenham um papel ativo e o doente é visto para além da parte física, médica, considerando-se o psico e o social imprescindíveis. A escolha do tema decorre da intervenção profissional do dia-a-dia e pretende ser um trabalho reflexivo pessoal, de curiosidade e aprofundamento de conhecimentos profissionais, podendo em algum momento ser útil aos promotores de políticas nesta área. O trabalho incide sobre a identificação e comparação de intervenções nesta vertente nomeadamente nos modelos implementados, contextualizando-os nos pressupostos sociais e políticos da sua implementação em Portugal. Este estudo apresentado é de cariz exploratório, onde não se pretende testar de hipóteses, mas identificar padrões e ideias, e refletir sobre o tema seguindo para isso uma metodologia qualitativa, procurando que as conclusões apresentadas tenham apenas um caracter descritivo, não pretendendo generalizar os resultados obtidos. A metodologia utilizada assenta na revisão bibliográfica e documental, incluindo legislação, realizando para o efeito uma abordagem qualitativa, utilizando como método de recolha de dados a entrevistas semiestruturada. Ao nível dos resultados encontramos uma indefinição quanto às políticas que aparenta desinvestimento na área, desmotivação e desinteresse dos profissionais, aliada à necessidade de clarificação da orgânica dos serviços. Há uma evolução ao nível do reconhecimento da área pelos outros profissionais, sendo referida algumas dificuldades na articulação com algumas áreas profissionais. O Modelo de Intervenção em Reinserção (MIR) veio permitir uma uniformização de procedimentos e consequentemente da intervenção e que se repercute na melhoria da qualidade de vida dos utentes. Recomenda-se que haja mais formação, supervisão e trabalho em equipa, e que a aposta na avaliação dos serviços, das intervenções e do impacto destas seja motivo de reflexão. Na definição de intervenções futuras os parceiros são essenciais para a criação de um modelo de funcionamento comum
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7,733
Reabilitação da função sexual após prostatectomia radical
Urologia,Prostatectomia,Comportamento sexual
O cancro da próstata é a segunda neoplasia mais comum nos homens. Para as neoplasias localizadas o “gold standard” terapêutico é a prostatectomia radical. Porém, esta apresenta duas principais complicações urológicas que podem afectar de maneira bastante significativa a qualidade de vida dos doentes e que são, a incontinência e a disfunção eréctil. A disfunção eréctil é bastante comum após a prostatectomia radical (PR), atingindo cerca de 56% dos homens, que acabam por passar por esta má experiencia, mesmo que por um curto período após a cirurgia. Para facilitar a recuperação da função sexual, as estratégias de reabilitação peniana visam os nervos cavernosos, a vascularização arterial, a manutenção da arquitectura do músculo cavernoso e a distribuição do colagéneo (actuando nos mecanismos arteriais, venosos e nervosos). O objectivo desta revisão será explicar as várias opções terapêuticas disponíveis, como os inibidores da 5 fosfodiesterase (IPDE5), injecções intracavernosas, supositórios intra-uretrais de alprostadil, aparelhos de erecção a vácuo e as próteses penianas e a administração de eritropoetina. E por fim uma breve revisão da terapia com genes, ainda em estudo, que um dia poderá ser utilizada na reabilitação peniana. Grande controvérsia rodeia estas terapêuticas, no entanto há evidências que o seu uso precoce pode melhorar a recuperação da funcção erectil pós-prostatectomia radical. Além disso, é de extrema importância o aconselhamento médico, sobre estas estratégias terapêuticas, aos doentes que serão ou que já foram prostatectomizados, de maneira a estimular a adesão à reabilitação peniana. Mais estudos são necessários, para confirmar os benefícios assim como para determinar protocolos eficazes de tratamento na reabilitação da função sexual.
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7,734
Agressões sexuais : a importância do perito em medicina legal no serviço de urgência
Medicina legal,Violência sexual
Introdução: Permanece incógnito o número de casos de agressões sexuais uma vez que apenas uma minoria dos casos é denunciada devido a tabus sociais e culturais, a valores pessoais ou negação. Apesar das discrepâncias estatísticas de país para país os seus valores são sempre assustadores e, segundo dados do Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América, 75% das vítimas necessitam de cuidados médicos após a agressão. Assim, aos médicos do Serviço de Urgência cabe muitas vezes a abordagem inicial das vítimas, devendo ser providenciado um local reservado, simultaneamente dispondo de tempo e conhecimentos práticos forenses que favoreçam uma abordagem sistemática de avaliação e tratamento. Objectivos: O presente trabalho visa inferir sobre a capacidade de resposta dos Médicos que prestam Serviço de Urgência nos Hospitais da Universidade de Coimbra na avaliação, recolha de amostras forenses e tratamento das vítimas de agressão sexual. Metodologia: Realização e análise de inquéritos anónimos aos médicos das especialidades de Cirurgia e Ginecologia, uma vez que, no Hospital considerado, para eles são triadas as vítimas de agressões sexuais. Os dados foram tratados usando o SPSS versão 16.0. Resultados: 57,1% dos inquiridos responderam ao inquérito (mais Ginecologistas que Cirurgiões, e mais internos que especialistas). Nenhum respondente acertou menos de 11 perguntas e nenhum interno de Ginecologia menos que 16. A maioria dos respondentes acertou entre 16 a 20 questões. Apenas Internos acertaram mais do que 20 perguntas (3 internos de Cirurgia e 1 de Ginecologia). As questões providas de maiores dificuldades foram as relacionadas com a correcta técnica de colheita de fluídos biológicos, prazo geralmente aconselhado para realização da mesma e seu envio para análise laboratorial. Conclusões: Perante médicos que todos os dias se encontram na iminência de terem ao seu cuidado vítimas de agressão sexual, é importante investir numa maior formação forense, evitando a revitimização que um exame inadequado ou a espera pelo Perito Médico-Legal de chamada causaria. É fundamental a criação de condições para o atendimento destas vítimas no Serviço de Urgência, providenciando-se o material necessário.
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7,736
Doença crónica : iatrogenia limitações e qualidade de vida
Doente Crónico,Idoso,Iatrogenia,Depressão,Mobilidade,Qualidade de Vida
A doença crónica, principalmente no idoso, faz parte das grandes problemáticas das sociedades e sistemas de saúde atuais. Estudos e investigações adicionais são necessários no sentido de construir possibilidades de abordagens cada vez mais eficazes e adequadas a este tipo de doentes. O trabalho realizado teve por objetivo sumariar e destacar as principais problemáticas que envolvem a esfera do doente crónico, com enfoque no idoso. Os temas abordados foram: doença iatrogénica, limitações, relação com o(s) cuidador(es) e com o meio social, tendo sido destacados os problemas com maior impacto na qualidade de vida do doente crónico, bem como os principais pontos de intervenção e que necessitam de novas estratégias preventivas. Analisaram se limitações como depressão e ansiedade, alterações da mobilidade e incapacidade física, dor crónica, alteração da auto-estima e auto-imagem e mudanças na autonomia. Conclui-se que a doença iatrogénica consiste numa problemática, estatisticamente comprovada, principalmente em indivíduos idosos, com múltiplas comorbilidades e polimedicados. Foram, também, identificadas várias medidas preventivas, passíveis de serem aplicadas, que podem diminuir o impacto deste problema. Todas as limitações abordadas revelaram relação sólida e significativa com várias doenças crónicas, pelo que maior atenção deve ser conferida, a cada um destes pontos, para prevenir ou retardar o surgimento de tais condicionantes. Por último, constatou-se que a relação que o doente crónico estabelece com o(s) seu(s) cuidador(es) e com o meio social envolvente é crucial tanto para a aceitação da doença e da disfunção que esta acarreta, como para a manutenção de vários parâmetros de qualidade de vida
Ciências Médicas e da Saúde
7,737
Terapêutica dos prolactinomas : tratamento e suas complicações
Prolactinoma,Terapêutica
Os prolactinomas ou tumores produtores de prolactina são os tumores secretores da hipófise mais comuns, representando cerca de 40% dos adenomas hipofisários e são uma causa importante de hipogonadismo e infertilidade. Seguidamente à terapêutica de vigilância, a terapêutica médica com agonistas dopaminérgicos surge como tratamento de primeira linha e mostra-se altamente eficaz na maioria dos casos. A terapêutica cirúrgica e/ou, mais raramente, a radioterapia estão indicadas apenas na resistência ou intolerância à terapêutica dopaminérgica, nas complicações agudas neurológicas, nos tumores malignos e eventualmente no planeamento de uma gravidez. Finalmente, aquando do insucesso das terapêuticas anteriores, a terapêutica experimental pode ser considerada, nomeadamente com análogos da somatostatina ou compostos quiméricos, antagonistas dos receptores de prolactina (PRL) ou ainda a terapêutica dirigida aos receptores de estrogénio. O tratamento com dopaminérgicos, embora altamente eficaz, pode estar associado a diversas complicações, nomeadamente gastrointestinais, cardiovasculares e neuropsiquiátricas. A cirurgia e a radioterapia podem-se associar também a outras complicações sendo o hipopituitarismo a mais frequente. Será feita uma revisão bibliográfica no que concerne à terapêutica instituída nos prolactinomas bem como o surgimento de complicações e/ou efeitos colaterais dessas mesmas terapêuticas e o seu impacto na qualidade de vida do doente. Esta revisão será feita através da consulta de artigos que incidam nestes aspectos.
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7,739
Determinação do estado redox do líquido céfalo-raquídeo na doença de Alzheimer
Neurologia,Doença de Alzheimer,Líquido cefalo-raquideo,Oxirredução
Introdução: A Doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência, constituindo 50 a 80% de todos os casos. Atualmente, o diagnóstico provável de DA é baseado em achados clínicos e resultados de testes neuropsicológicos só sendo possível chegar a um diagnóstico definitivo após exame post mortem. A importância da via oxidativa e das espécies reativas de oxigénio como intervenientes no processo de dano neuronal progressivo na DA tem sido amplamente demonstrada. Têm sido encontradas deficiências nos complexos da cadeia respiratória mitocondrial e uma diminuição do metabolismo energético no cérebro dos doentes de DA, que tem início provavelmente muitos anos antes do início dos sintomas da doença. Uma forma indireta de avaliar o metabolismo oxidativo no cérebro é determinar o estado redox do líquido céfalo-raquídeo (LCR) através da concentração de lactato e piruvato naquele fluído orgânico. Objetivos: Avaliar a utilidade da razão entre os níveis de lactato e piruvato no LCR, como indicador precoce de disfunção metabólica na DA. Verificar se as alterações metabólicas são específicas da DA ou se são comuns a outros tipos de défices cognitivos e demência e correlacionar as alterações observadas com a gravidade da demência e com perfis genéticos de risco como o polimorfismo da Apolipoproteína E (APOE). Metodologia: Foram investigados três grupos de diagnóstico estabelecidos com base em critérios estandardizados: 67 indivíduos com DA (Critérios NINCDS-ADRDA, 1984), 31 com Defeito Cognitivo Ligeiro (DCL) (Critérios de Petersen, 2001) e 37 com Degenerescência Lobar Fronto-Temporal (DFT) (Critérios de Neary e colaboradores, 1998). A gravidade da DA foi avaliada através da escala Clinical Dementia Rating (CDR), sendo que o grau 0,5 corresponde a demência questionável (equivalente do DCL), e os estadios 1, 2 e 3, respetivamente a demência ligeira, moderada e grave. Os doseamentos de lactato e piruvato foram efetuados por técnicas colorimétricas, a partir de amostras de LCR colhidas e armazenadas no decurso da investigação diagnóstica. O genótipo da Apolipoproteína E foi determinado em amostras de sangue periférico por PCR seguido de enzimas de restrição. A análise dos dados foi realizada com recurso ao software estatístico SPSS. Resultados: Os valores bioquímicos de lactato, piruvato e a razão lactato/ piruvato, doseados no LCR dos indivíduos com DA, DCL e DFT não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os diferentes grupos de diagnóstico nem entre géneros. Estes valores bioquímicos também não apresentaram diferenças significativas entre portadores e não portadores do alelo ε4 do gene ApoE nem entre os diferentes graus de severidade de demência avaliadas pela CDR no grupo com DA. Conclusão: A concentração de piruvato e lactato no LCR, assim como a sua razão (lactato/piruvato) não parecem ser marcadores específicos da DA, apresentando valores semelhantes noutras situações clínicas como o DCL e DFT. Apesar de noutros estudos se terem observado alterações da concentração destes marcadores no LCR e diferenças entre os diferentes graus de severidade na DA, no nosso estudo não encontrámos diferenças significativas.
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7,741
Insuficiência ovárica prematura : análise da associação a outras falências endócrinas
Ginecologia,Insuficiência ovárica primária,Doenças do sistema endócrino
A Insuficiência Ovárica Prematura caracteriza-se pela existência de uma disfunção primária do ovário que impede o correcto desempenho das suas funções enquanto órgão reprodutivo e endócrino em mulheres antes dos 40 anos de idade. Trata-se de um distúrbio que afecta cerca de 1% das mulheres com menos de 40 anos, 1:1000 mulheres com 30 anos e 1:10000 mulheres com 20 anos. Através da revisão da literatura, pretende-se definir o quadro clínico associado a este distúrbio, as etiologias implicadas e os meios de diagnóstico e terapêutica disponíveis, analisando a associação desta patologia com outras disfunções endócrinas. Estão identificados dois mecanismos patogénicos responsáveis pela Insuficiência Ovárica Prematura: depleção e disfunção folicular. Existem múltiplas etiologias implicadas, assumindo o factor genético e a auto-imunidade um papel importante; no entanto, na maioria dos casos não se encontra uma causa específica. A Insuficiência Ovárica Prematura manifesta-se clinicamente de forma heterogénea, variando o seu espectro clínico desde as irregularidades menstruais até à amenorreia. Trata-se de um exemplo de hipogonadismo hipergonadotrófico. As consequências são múltiplas e graves e relacionam-se directamente com o hipoestrogenismo em causa: infertilidade, disfunção neuro-endócrina, patologia cardiovascular e osteoporose, entre outras. Dadas as implicações, é importante uma orientação diagnóstica e terapêutica precoce e correcta, de modo a tentar diminuir as consequências do défice hormonal implicado. Revela-se essencial a implementação de uma adequada terapêutica hormonal de substituição bem como a abordagem da infertilidade. Pelas consequências já descritas, assume-se de fulcral importância a sistematização do conhecimento sobre esta disfunção endócrina e reprodutiva, nomeadamente no âmbito da Ginecologia
Ciências Médicas e da Saúde
7,742
Valor da calprotectina fecal na determinação da actividade da doença inflamatória intestinal : ênfase particular na recidiva pós-cirúrgica nos doentes com doença de Crohn
Gastrenterologia,Doenças inflamatórias intestinais,Doença de Crohn,CComplexo de antigénio L1 leucocitário
A Doença Inflamatória Intestinal (DII) é uma doença crónica, cursando com períodos de remissão e de agudização. Vários métodos podem ser utilizados na avaliação da sua actividade mas aqueles que são utilizados na prática clínica têm baixa especificidade e sensibilidade ou são de carácter invasivo. Assim torna-se facilmente compreensível que se insista na necessidade de encontrar alternativas que idealmente deverão caracterizar-se por serem de fácil utilização, terem um carácter não invasivo e apresentarem custos reduzidos. A terapêutica médica da DII consiste na diminuição da inflamação, quer pela imunomodulação, quer pela imunossupressão, tornando por isso, imprescindível a quantificação da inflamação activa para aferição terapêutica. Os índices clínicos, embora importantes, são facilmente influenciáveis por fenómenos não inflamatórios (estenoses, fístulas e procedimentos cirúrgicos); os marcadores séricos (velocidade de sedimentação e proteína C reactiva) apresentam baixa acuidade decorrente em grande parte da ausência de sensibilidade e especificidade para a inflamação intestinal. A colonoscopia com biopsias (considerado o método gold standard para avaliação da actividade da doença) e a cápsula endoscópica são exames invasivos e dispendiosos. A calprotectina é uma proteína ligada ao cálcio derivada predominantemente dos neutrófilos, constituindo mais de 60% das proteínas do citosol. Desta forma, a sua presença nas fezes é proporcional à migração neutrofílica através do tracto gastrointestinal e consequentemente ao grau de inflamação da parede do tubo digestivo. Para além disso, apresenta estabilidade nas fezes à temperatura ambiente, resistência à actividade de degradação pelas bactérias intestinais e pode ser quantificada por ELISA, características estas que a tornam atractiva para a prática clínica. A concentração da calprotectina fecal (CF) é proporcional à inflamação intestinal: quando aumentada é preditiva de inflamação severa ao exame anatomo-patológico. Admite-se assim a hipótese de, numa condição patológica caracterizada pela oscilação entre períodos de actividade e sendo a recorrência endoscópica mais precoce que a clínica, que a CF terá a capacidade de predizer recidivas clínicas em doentes assintomáticos, reduzindo assim a necessidade de explorações endoscópicas durante tratamento. Particularizando, na Doença de Crohn (DC), a cirurgia não é curativa pelo que o risco de recorrência pós-cirúrgica é grande. Desta forma, a instituição de terapêutica profilática está dependente da avaliação objectiva da actividade da doença, nomeadamente o estudo endoscópico capaz de detectar lesões macroscópicas tradutoras de recidiva clínica. O Score de Rutgeerts é o utilizado na mensuração e uniformização destes achados em doentes com DC já submetidos a uma ressecção íleo-cólica. Pretende-se assim analisar a capacidade do doseamento da CF como meio complementar de diagnóstico não invasivo na predicção de recidiva da DC. A aluna propõe-se estudar prospectivamente 30 doentes com diagnóstico de Doença de Crohn já submetidos a ressecção ileo-cecal, assintomáticos (Crohn´s Disease Activity Índex<150) e com terapêutica estável nas últimas 12 semanas. Os valores de CF serão comparados com os achados endoscópicos, classificados de acordo com índice de Rutgeerts e secundariamente, a CF será comparada também com os valores laboratoriais (hemoglobina, leucócitos, plaquetas e proteína C reactiva). Desta forma, pretende-se determinar a acuidade da CF no diagnóstico de recidiva endoscópica (definida no material e métodos) utilizando o valor de cut-off recomendado. Para alem disso, pretende-se determinar um novo cut-off com maior sensibilidade e especificidade e verificar a existência de correlação entre os valores de CF, índice endoscópico e parâmetros analíticos.
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7,743
Pesquisa de fatores ambientais e da presença de antecedentes familiares como fatores de risco para o desenvolvimento da doença de Chron
Gastrenterologia,Doença de Chron,Factores de risco,Exposição ambiental
Introdução: A Doença de Crohn (DC) é uma doença crónica, progressiva e destrutiva. Apesar de a sua etiologia permanecer obscura, é atualmente considerada o resultado de uma interação multifatorial. É caracterizada como uma doença dos países industrializados que, embora relativamente rara, tem vindo a ter incidência crescente. Este aspeto faz com que se suspeite que fatores ambientais (FA) tenham um papel relevante na sua etiopatogenia. Objetivos: Pesquisa de FA e da presença de antecedentes familiares (AF) como fatores de risco (FR) para o desenvolvimento da DC. Métodos: Incluímos no estudo 123 doentes da consulta de DC do Serviço de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), entre Julho e Novembro de 2011. Destes, 121 foram validados. Foram aplicados questionários preenchidos presencialmente pelos mesmos, pretendendo avaliar: situação sociodemográfica da amostra, hábitos de saúde e existência de AF com doença inflamatória intestinal (DII). Foi posteriormente feita uma análise de frequências. Em relação ao tabaco foi ainda aplicado o Teste t de Student para determinar o significado estatístico da percentagem de fumadores obtida no estudo; e o Teste de Comparação de Médias para correlacionar o tempo de cessação tabágica com o tempo de duração da doença. Resultados: Dos inquiridos, 62% são mulheres, pertencendo atualmente a uma faixa etária adulta (32% dos 31 aos 40 anos), apesar de os primeiros sintomas surgirem mais frequentemente na terceira década de vida. A maioria dos inquiridos reside em Coimbra, sendo que a maior parte refere ambientes urbanos como principal local de habitação, quer no passado, quer no presente. Grande parte concluiu o ensino secundário (40%) e encontra-se ativo a nível profissional (73,9%). As profissões são qualificadas na maior parte das vezes. Quanto a hábitos tabágicos, 23,6% é fumador, sendo este valor significativo quando comparado com o da população Portuguesa em geral (p<0,05). Os ex-fumadores deixaram de fumar, muito provavelmente, aquando do diagnóstico (p<0,05). Mais de metade das inquiridas toma contracetivos orais (CO). Dos inquiridos, 35,2% diz ter familiares consanguíneos com DII que, na maior parte das vezes, corresponde a DC. Conclusões: O aumento da incidência da DC parece ter como papel preponderante a existência de FA que podem ser vistos como FR para a DC. Dentro da nossa amostra pareceu haver uma forte predominância de indivíduos com nível de escolaridade elevado, exercendo profissões qualificadas e habitando preferencialmente em zonas urbanas. A taxa de fumadores é significativamente superior ao da população em geral e grande parte dos inquiridos tem familiares com DII
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Eficácia da corticoterapia e oxigenoterapia hiperbárica em trabalhadores com surdez súbita
Saúde ocupacional,Corticosteróides, uso terapêutico,Oxigenoterapia,Surdez
O ouvido é responsável pelo sentido da audição, permitindo ao ser humano comunicar com os seus pares, escutar uma diversidade de sons e prevenir dos perigos que o cercam. Como tal, quando o ser humano tem a capacidade auditiva preservada, a sua falha súbita é um motivo de transtorno que prejudica, naturalmente, a sua qualidade de vida. A surdez súbita é um sintoma caraterizado pela falta de acuidade auditiva que se instala num curto período de tempo até 72 horas. Por ter indeterminadas e inexplicáveis etiologias, a surdez súbita é um dos temas mais controversos e desafiantes para os médicos otorrinolaringologistas. Na maioria dos casos, é de causa idiopática e o seu prognóstico depende do grau da perda, bem como, da precocidade com que é diagnosticada e tratada. Nos últimos anos, vários autores têm pesquisado sobre este tema, nomeadamente, quais os protocolos de tratamento mais eficazes. A perda de audição pode, também, resultar da exposição a níveis sonoros elevados nos locais de trabalho. Em Portugal, a surdez é um dos sintomas com maior relevância em termos ocupacionais, pelo que é urgente e necessário que as entidades patronais criem medidas de modo a proteger a saúde dos seus trabalhadores e, consequentemente, melhorar a qualidade da empresa. No presente estudo “Eficácia da Corticoterapia e Oxigenoterapia Hiperbárica em trabalhadores com Surdez Súbita" pretende-se identificar as principais caraterísticas da surdez súbita e as classes profissionais onde esta é mais incidente, bem como, correlacionar a eficácia do tratamento com categoria profissional do doente. Através de um estudo experimental, pretende-se comprovar a eficácia do tratamento referido, anteriormente, com base na comparação dos dados audiológicos, nomeadamente, a perda tonal média (PTM) antes e pós-tratamento. Após a análise das PTM comprovou-se a melhoria média de 22 dB, sendo este um valor significativo para uma melhor qualidade de vida pessoal e social.
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Repercussão sistémica na DPOC
Doença pulmonar obstrutiva crónica,Inflamação,Comorbilidades,Terapêutica
Os estudos mais recentes indicam que a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma doença complexa que envolve mais do que a obstrução aérea. Como a DPOC tem por base uma resposta inflamatória anómala ao tabaco e outras partículas nocivas, o “spill-over” de mediadores inflamatórios pode resultar em manifestações sistémicas. Exemplos dessas comorbilidades são as doenças cardiovasculares, hipertensão pulmonar, cancro pulmonar, anemia, caquexia, diabetes, miopatia, osteoporose, depressão e apneia obstrutiva do sono. Um melhor entendimento da origem e consequências da inflamação sistémica e potenciais terapêuticas poderão levar a um melhor tratamento dos doentes com DPOC.
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7,747
Os neuroléticos na perturbação do espetro do autismo
Autismo,Neurologia
Introdução: A perturbação do espetro do autismo é uma patologia crónica do neurodesenvolvimento, com apresentação em idades precoces cujos principais sintomas são défices na comunicação, na interação social e padrões de comportamentos restritivos e estereotipados. Frequentemente os indivíduos apresentam associados sintomas disruptivos como auto e hetero agressividade, agitação psicomotora, birras, hiperatividade e alterações de humor, que interferem gravemente com a sua qualidade de vida e das suas famílias. O tratamento farmacológico destes sintomas baseia-se em várias classes de medicamentos, sendo os neuroléticos a mais utilizada, uma vez que demonstra maior eficácia e segurança. A farmacogenética tem sido decisiva na procura das causas para esta perturbação, demonstrando já alguns avanços na descoberta de genes que interferem na farmacodinâmica e no tipo de reações adversas dos neuroléticos e que prometem optimizar a utilização destes nos quadros de autismo. Objetivo: Rever as indicações dos neuroléticos nos quadros de autismo, no que à eficácia e reações adversas diz respeito. Materiais e Métodos: Revisão realizada com base na literatura disponível na base de dados Pubmed, referente à utilização dos neuroléticos na perturbação do espectro do autismo. Conclusões: Os resultados dos estudos analisados sugerem que os neuroléticos são úteis na abordagem dos sintomas associados ao autismo. Apenas a risperidona e o aripiprazol têm indicação legal para o tratamento da irritabilidade relacionada com as perturbações do espetro do autismo, contudo os restantes fármacos utilizados off label também demonstram eficácia nestes quadros. As reações adversas são frequentes, sendo os efeitos extrapiramidais, o aumento de peso e a sonolência os mais observados
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7,750
Padrão alimentar, nutricional e estilos de vida relacionados com a degenerescência macular relacionada com a idade na população portuguesa
Degenerescência macular, idade,Estilos de vida,Dieta mediterrânica
Introdução e Objetivos: A Degenerescência Macular Relacionada com a Idade (DMI) é uma das principais causas de perda de visão central e cegueira a nível mundial em indivíduos com idade superior a 55 anos. A prevalência mundial dos estadios iniciais da DMI foi estimada em 8,01% e a dos estadios tardios em 0,37%. Atualmente, o tratamento da DMI continua limitado às formas tardias nas quais ocorre neovascularização coroideia, pelo que as estratégias de prevenção são essenciais. A DMI é uma doença multifatorial, envolvendo uma complexa interação entre fatores ambientais, incluindo o estilo de vida e fatores genéticos. Têm sido realizados vários estudos com o objetivo de determinar possíveis associações entre a dieta e o estilo de vida e a prevalência e progressão de DMI, mas os resultados obtidos têm sido inconsistentes. Relativamente a estes estudos, um número limitado avaliou a associação entre a adesão à dieta mediterrânica e a DMI. Os resultados sugerem que a dieta mediterrânica parece estar associada a uma diminuição do risco de progressão da DMI. Neste estudo, pretendeu investigar-se as diferenças alimentares e nutricionais, incluindo a adesão à dieta mediterrânica, e determinados estilos de vida, como por exemplo a prática de exercício físico e os hábitos tabágicos, em dois grupos de participantes, com e sem DMI, numa população portuguesa. Métodos: Este estudo observacional e transversal foi desenvolvido como uma extensão do Epidemiological Study on the Prevalence of Age-Related Macular Degeneration in Portugal, no âmbito do qual foi determinada a presença e estadio de DMI. O estudo incluiu 434 indivíduos com DMI e 565 sem DMI, com idade igual ou superior a 55 anos, selecionados a partir da população inscrita no Centro de Saúde da Lousã. Os participantes responderam a um questionário de estilo de vida e outro de frequência alimentar, validados para a população portuguesa. O peso, altura e perímetro abdominal foram determinados presencialmente. A conversão de alimentos em nutrientes foi efetuada com base na Tabela de Composição dos Alimentos. O MeDi-score foi o método escolhido para avaliar a adesão à dieta mediterrânica. Resultados e conclusões: Os indivíduos com DMI apresentaram uma menor frequência média de refeições diárias e de refeições ligeiras, quando comparados com indivíduos sem DMI. Neste último grupo, verificou-se existir um consumo significativamente mais elevado de citrinos (kiwi, laranja e tangerina; p ≤ 0,001), pão integral (p ≤ 0,001), bem como de água, carotenos, folatos e ácidos orgânicos (p ≤ 0,001), comparativamente aos indivíduos com DMI. Os resultados também demonstraram que a adesão à dieta mediterrânica não estava associada de modo estatisticamente significativo à DMI. Estudos futuros serão necessários para clarificar o papel da nutrição e do estilo de vida na prevalência e incidência da DMI.
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7,751
Autismo de alto funcionamento : revisão casuística de uma amostra
autismo,perturbação do espectro de autismo,autismo de alto funcionamento
Introdução: As perturbações do espectro do autismo são uma patologia complexa do neurodesenvolvimento cujas manifestações são caracterizadas por uma tríade semiológica que engloba: dificuldades na interacção social, limitação na comunicação verbal e não verbal, e presença de comportamento rígido com interesses repetitivos e limitados. Dentro destas perturbações, o conjunto de indivíduos com um quociente de desenvolvimento ou intelectual global igual ou superior a 70 é denominado por autismo de alto funcionamento. Objectivos: Este trabalho teve por finalidade caracterizar uma população de crianças e adolescentes com o diagnóstico de perturbações do espectro do autismo na procura de diferenças entre o subgrupo de crianças com autismo de alto funcionamento versus autismo com défice cognitivo. Métodos: Através da análise de dados informatizados da Unidade de Neurodesenvolvimento e Autismo, Hospital Pediátrico Carmona da Mota, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, 1188 pacientes que cumpriram critérios para o diagnóstico de autismo, foram incluídos neste estudo; dos quais, 290 apresentavam autismo de alto funcionamento. Procedeu-se à análise estatística das variáveis: género; idade de diagnóstico; parâmetros da Autism Diagnostic Interview-Revised e da Autism Diagnostic Observation Schedule; idade gestacional; idade de aquisição das etapas do desenvolvimento psicomotor; problemas de sono; nível académico dos pais; perímetro craniano (à nascença e no momento da avaliação); escalas de Ruth Griffiths, Wechsler Inteligence Scale for Children e Childhood Autism Rating Scale. Resultados: Globalmente, os parâmetros avaliados revelaram diferenças, na sua maioria com uma relação estatisticamente significativa entre os dois subgrupos. As excepções para esta situação foram observadas com a idade gestacional (p=0,472) e com o perímetro craniano no momento da avaliação que exibiram valores semelhantes nos dois subgrupos e acima dos valores esperados na população geral (~16% versus 3%). Observou-se uma maior proporção de indivíduos com macrocefalia no momento da avaliação clínica relativamente ao nascimento. O nível académico dos pais é significativamente superior no grupo de autismo de alto funcionamento. Dentro de cada subgrupo os resultados mais pertinentes encontrados centram-se na Wechsler Inteligence Scale for Children (third edition) e na Childhood Autism Rating Scale. Conclusão: Existem diferenças entre autismo de alto funcionamento e autismo com défice cognitivo no que diz respeito à caracterização diagnóstica, antropométrica, antecedentes pessoais, familiares e avaliação cognitiva. Concluiu-se também que a macrocefalia não está directamente relacionada com a gravidade dos sintomas de autismo, défices de linguagem e cognitivos. Quanto ao nível académico dos pais, conclui-se que existe uma relação inversa entre este e o grau de gravidade de autismo.
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7,752
Sistema de saúde português : organização e planeamento
Saúde comunitária,Sistema de saúde,Organização,Planeamento,,Financiamento,Cidadania
O presente trabalho apresenta-se com o objectivo principal de suscitar uma discussão profunda, informada e transversal em todos os cidadãos, em especial na comunidade médica, acerca da organização dos sistemas de saúde, da importância do planeamento nas políticas para este sector e na sustentabilidade do financiamento dos serviços públicos. Para tal, desenvolvemos uma revisão de artigos e livros sobre os temas referidos, procurando dar a conhecer a orgânica de um sistema de saúde, a evolução e a realidade actual do sistema de saúde e dos indicadores de saúde portugueses, comparando com os sistemas existentes em alguns dos países mais desenvolvidos do mundo. Este trabalho permite-nos rever alguns momentos-chave da evolução da organização das políticas de saúde a nível mundial, começando esse breve historial na civilização egípcia e terminando na Era moderna da saúde, nomeadamente na actual fase da promoção da saúde das populações. Antes de iniciar a discussão sobre a organização de sistemas de saúde, é feito um levantamento histórico da implementação e evolução do serviço público de saúde português (o Serviço Nacional de Saúde), considerado por muitos a maior conquista social do século passado a nível nacional. Este capítulo permite perceber a importância crescente dada ao sector da saúde pelas populações, não só em Portugal mas também em toda a União Europeia, a qual inclui na sua matriz ideológica fundacional (o Modelo Social Europeu) a singular relevância da saúde, em particular da existência de sistemas públicos, de cobertura universal, com facilitada acessibilidade e tendencial gratuitidade. No capítulo da organização de sistemas de saúde, podemos entender as diferenças existentes nos países europeus quanto ao financiamento do sector e quanto à cobertura por parte do seguro privado. Em seguida, este trabalho apresenta a organização dos cuidados de saúde primários, em particular a reforma portuguesa, que revela ser um bom exemplo, pela conseguida melhor alocação de recursos, avaliação de eficiência e relação entre os profissionais de saúde e entre as instituições de saúde, para além de uma melhor cobertura da população e uma melhor capacidade instalada para efectivar essa cobertura, libertando os hospitais para as actividades inerentes aos cuidados secundários e terciários. O estudo dos hospitais, incluindo a sua relevância para a organização de todo o sistema e a sua organização interna, é pormenorizadamente abordado. No capítulo do planeamento em saúde, é dado um enfoque especial na evolução dos indicadores de saúde portugueses e na implementação dos planos nacionais de saúde, os quais permitiram o seguimento de políticas para o sector a longo prazo, tornando muito mais eficaz o nosso sistema de saúde. Assim, este é um trabalho que pretende dar a conhecer, de uma forma objectiva, a realidade da saúde portuguesa, comparando-a pontualmente a outros países europeus, permitindo a qualquer cidadão formular uma opinião informada sobre as políticas de saúde e, se assim o entender, propor alternativas credíveis e possíveis de implementar
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7,755
Anestesia em transplantação renal
Insuficiência renal crónica,Transplantação do rim,Anestesia
Introdução: A insuficiência renal crónica constitui um relevante problema de saúde pública. Trata-se de uma doença com repercussões multissistémicas, que pode evoluir para doença renal terminal com necessidade de diálise ou de transplante renal. Deparamo-nos com a necessidade de desenvolver uma estratégia para a otimização do doente, desde que é proposto para transplante, passando pelo pré-operatório, per-operatório, e culminando no pós-operatório. A coordenação de ação de uma equipa multidisciplinar, constituída pela Nefrologia, Urologia e Anestesiologia, revela-se fundamental para o sucesso desta terapêutica. O planeamento anestésico é individualizado para cada doente, pelo facto de se tratar de doentes com insuficiência renal terminal, que frequentemente apresentam uma grande diversidade de patologia associada. A anestesia para transplante renal tem particularidades inerentes , que condicionam o funcionamento precoce e tardio do enxerto. Objetivos: Este trabalho pretende proporcionar uma visão geral das mais importantes questões relacionadas com os insuficientes renais terminais propostos para transplante renal. Debruçamo-nos sobre a anestesia neste universo de doentes, as suas condicionantes e especificidades. Métodos: Revisão da literatura cientifica, publicada entre 2000 e 2012, com o intuito de caracterizar o candidato a transplante renal e principais questões relevantes para a estratégia anestésica. Tecemos breves considerações sobre aspetos do foro da Nefrologia e Cirurgia. Conclusão: O sucesso do transplante renal depende de inúmeros fatores, entre os quais destacamos uma estratégia anestésica, que tenha em conta as particularidades individuais do doente e que seja adequada às comorbilidades típicas da insuficiência renal terminal. Os procedimentos inerentes à anestesia para transplante renal revelaram-se significativamente importantes no funcionamento precoce e tardio do novo rim implantado, em particular o nível e a qualidade de hidratação per-operatória sustentada numa monitorização adequada. A abordagem multidisciplinar é fundamental para o êxito desta terapêutica, baseada na coordenação entre as equipas de Anestesia, Nefrologia e Cirurgia.
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7,756
Uréter retrocava e obstrução urinária
Uréter,Urologia,Obstrução ureteral
Introdução: O uréter retrocava é uma anomalia congénita rara resultante de um desenvolvimento embrionário anormal da veia cava inferior, que resulta num uréter posterior à mesma. Estima-se que a incidência desta patologia ronde os 1 em cada 1000 nados vivos, sendo mais prevalente no sexo masculino com um ratio de 3:1 Devido ao seu percurso aberrante, o uréter retrocava associa-se frequentemente a obstrução uretérica e hidronefrose, apresentando os pacientes frequentemente dor ou desconforto abdominal, principalmente no flanco direito. Embora a anomalia seja congénita, os pacientes habitualmente apenas se tornam sintomáticos na terceira ou quarta década de vida, devido à lenta instalação do quadro obstrutivo. A pielografia retrógrada e a urografia intravenosa são os exames classicamente descritos para o seu diagnóstico, sendo que recentemente a tomografia axial computorizada e a ressonância magnética têm vindo a ser adoptados como os exames de eleição na confirmação diagnóstica. O tratamento dos indivíduos sintomáticos ou com hidronefrose grave é cirúrgico e a cirurgia aberta permaneceu o “gold standard” durante vários anos. Actualmente, a laparoscopia tem vindo a assumir um papel preponderante na correcção cirúrgica desta patologia. Objectivos: Com este trabalho pretendo fazer uma revisão da informação dispersa na literatura sobre o uréter retrocava, abordando a origem, anatomia topográfica, diagnóstico clínico e radiológico e tratamento. Desenvolvimento: Para a realização deste artigo efectuei uma pesquisa de artigos na PubMed utilizando os termos “circuncaval ureter” e “retrocaval ureter” publicados até Dezembro de 2011, obtendo um total de 328 trabalhos publicados. Baseando-me na leitura do Uréter retrocava e obstrução urinária abstract, selecionei inicialmente 80 artigos, tendo utilizado 67 para a elaboração deste artigo de revisão. Conclusão: O uréter retrocava é uma anomalia congénita rara frequentemente associada a hidronefrose, predominantemente encontrada à direita, mas que também se pode encontrar à esquerda ou ser bilateral. Esta anomalia congénita associa-se em cerca de 20% dos casos a outras patologias congénitas, principalmente relacionadas com os sistemas génito-urinário e cardiovascular. A sintomatologia relaciona-se com a obstrução uretérica e a dor localizada no flanco direito é o sintoma mais comum. A tomografia axial computorizada e a ressonância magnética têm sido recentemente propostos como os exames de primeira linha na confirmação diagnóstica de anomalias da veia cava inferior. As comparações entre os resultados terapêuticos obtidos com a cirurgia aberta e laparoscopia demonstram claramente as vantagens da cirurgia minimamente invasiva. Actualmente, a laparoscopia roboticamente assistida e a cirurgia laparoscópica por porta única têm vindo a demonstrar a sua eficácia na cirurgia urológica no geral, e no tratamento do uréter retrocava em particular.
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7,757
Espessura do músculo adutor do polegar como um novo método de avaliação : comparação com outros parâmetros de avaliação antropométrica
Avaliação do risco nutricional, idoso,Espessura do músculo adutor do polegar
Uma correta avaliação nutricional permite identificar o indivíduo em risco nutricional logo no momento de admissão e precocemente estabelecer programas de intervenção para o internamento. O objetivo deste trabalho foi comparar uma nova técnica com as técnicas antropométricas clássicas de avaliação nutricional para que as diferenças não invalidem a sua utilização numa população idosa. Metodologia: Estudo prospetivo transversal, tipo coorte, com uma amostra de conveniência recolhida em doentes internados na Unidade de Convalescença da Santa Casa da Misericórdia de Anadia (UC) e na Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia da Vila de Pereira (UCC). O período de recolha da amostra decorreu entre Junho e Dezembro de 2015 (sete meses). Foram realizadas avaliações do estado nutricional dos doentes na admissão e à data de alta (um mês). Nos internamentos mais prolongados procedeu-se também a uma avaliação intercalar após um mês de internamento, ou sempre que o plano individual de intervenção do utente se justificasse. Para avaliação do risco nutricional utilizou-se como critério o Índice de Massa Corporal (IMC), consideraram-se os valores de referência propostos pelos autores Ferry e Alix (em 2002) para a população idosa, já utilizados anteriormente nas duas Unidades de Internamento. Resultados e discussão: A amostra foi constituída por 56 doentes de ambos os géneros com mais de 65 anos e com um tempo de internamento igual ou superior a um mês. Desta amostra 35 doentes não fizeram e 21 fizeram reabilitação física. Na admissão, uma proporção consideravelmente baixa de doentes apresentava situação de desnutrição (13%), 23% apresentavam risco de desnutrição, 45% eram normoponderais e 20% apresentavam diagnóstico de obesidade. Em cada doente foi efetuada avaliação antropométrica (altura, peso, cálculo do IMC, pe- rímetro braquial, prega cutânea tricipital, perímetro muscular braquial e perímetro da cintura), avaliação por bioimpedância (massa livre de gordura, massa muscular, massa adiposa, metabolismo basal em repouso, índice de gordura visceral) e medida a espessura do músculo adutor do polegar (EMAP). Conclusão: A EMAP, um novo método de avaliação ainda não validado para a população portuguesa, demonstrou ser um instrumento confiável para avaliação do risco nutricional em idosos comparativamente com outros parâmetros de avaliação de massa magra. A medição da EMAP é simples, rápida, não invasiva e de baixo custo, exequível mesmo em doentes acamados.
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7,758
Bases anatómicas da cirurgia da glândula tiróide
Glândula tiróide,Paratiróide,Nervo recorrente laríngeo,Complicações,Cirurgia da tiróide
Introdução: É indispensável ter um conhecimento profundo da Morfologia da glândula tiróide, para minimizar a incidência de complicações suscitadas pela tiroidectomia, nomeadamente a lesão das glândulas paratiróides e dos nervos laríngeos. Objectivos: Revisão teórica sobre a Anatomia normal da glândula tiróide e das estruturas com ela relacionadas directamente; identificar glândulas paratiróides em peças de cadáver, confirmando-as histologicamente. Desenvolvimento: Procedeu-se à revisão da embriogénese normal da tiróide e apontou-se algumas anomalias do desenvolvimento. Descreveu-se a conformação exterior da glândula, as suas relações (realçando as relações com os nervos laríngeo superior e recorrente), a vascularização arterial, a drenagem venosa e linfática e a sua constituição anatómica. Fez-se uma revisão da embriogénese das paratiróides e apontaram-se algumas anomalias congénitas. Descreveu-se a morfologia normal das paratiróides, suas relações, vascularização e estrutura. Fez-se uma pequena revisão das complicações anatómicas da cirurgia da glândula tiróide, enfatizando a lesão das paratiróides e do nervo laríngeo recorrente. Para ilustrar a dificuldade em identificar e preservar as glândulas paratiróides per-operatoriamente, foram dissecadas 20 peças de cadáver, em que se isolaram 48 “eventuais” glândulas, das quais 35 foram confirmadas por histologia como sendo efectivamente paratiróides. Em 11 peças, todas as “eventuais” paratiróides foram confirmadas. Em 6 peças, apenas algumas paratiróides foram confirmadas. Em 3 peças, nenhuma das “eventuais” paratiróides isoladas era efectivamente paratiróide. Em 7 das 20 glândulas tiróides ressecadas, foram identificadas 8 paratiróides no estudo histológico: 4 sub-capsulares; 3 extra-capsulares e 1 intra-tiroideia. As dimensões das paratiróides não tinham relação estatisticamente significativa. Conclusões: O conhecimento profundo da anatomia das estruturas do compartimento central do pescoço e das suas variações mais frequentes diminui, mas não elimina as complicações da cirurgia da tiróide, nomeadamente a excisão iatrogénica das paratiróides, cuja dificuldade de identificação foi evidenciada nas peças dissecadas.
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7,761
Leptin levels in patients with fibromyalgia and relationship with the features of the disease
Reumatologia,Fibromialgia,Leptina
Introdução: A fibromialgia é uma doença caracterizada por dor generalizada e pela presença de sensibilidade dolorosa aumentada à pressão em zonas anatómicas bem definidas. Além disso, os doentes referem com frequência sintomas associados, tais como perturbações do humor como depressão, ansiedade, sono não repousante e cansaço, entre outras. A hipótese de que a leptina, uma hormona derivada do tecido adiposo, possa estar implicada na fisiopatologia da fibromialgia, é reforçada pela observação de que afecta dois dos sintomas mais frequentes desta doença: aumento da sensibilidade à dor e perturbações do humor. Contudo, os resultados dos estudos nestas matérias são algo contraditórios. Objectivos: O nosso estudo teve o intuito de comparar os níveis séricos de leptina num grupo de pacientes com fibromialgia e num grupo controlo. Além disto, pretendeu-se averiguar se os níveis de leptina estavam relacionados com depressão/ansiedade e com o limiar de dor. O nosso estudo pretendeu ainda comparar a distribuição de massa gorda corporal em doentes fibromiálgicos e em controlos saudáveis. Métodos: Doseámos os níveis séricos de leptina de 19 doentes do sexo feminino com o diagnóstico estabelecido de fibromialgia e de 19 controlos saudáveis. Todos os participantes foram submetidos a um exame físico (que incluiu a avaliação dos perímetros abdominal e da coxa, das pregas cutâneas em 4 locais específicos, dos limiares dolorosos em 5 localizações e ainda um estudo da bioimpedância) e responderam a um breve inquérito demográfico, assim como à versão portuguesa do Hospital Anxiety and Depression Scale. Resultados: O nosso estudo mostrou que não havia diferenças significativas nos níveis de leptina entre os dois grupos. Os doentes com fibromialgia apresentaram menor limiar de dor e maior prevalência de depressão e ansiedade. Verificámos que os níveis séricos de leptina não estavam associados nem com a depressão/ansiedade, nem com o limiar de dor. O nosso trabalho também revelou que não havia diferenças entre os dois grupos estudados, no que concerne à distribuição da massa gorda. Conclusões: Os doentes com fibromialgia e os indivíduos saudáveis têm níveis similares de leptina. As concentrações de leptina não se associaram nem à depressão/ansiedade, nem ao limiar doloroso. Não se encontrou um padrão de distribuição preferencial de massa gorda corporal que se relacionasse com a fibromialgia
Ciências Médicas e da Saúde
7,762
Fisiopatologia e prevenção da metastização óssea no cancro da próstata
Metástases uroplásicas,Neoplasias da próstata,Neoplasias dos ossos
O carcinoma da próstata é um tumor altamente prevalente na maioria dos países ocidentalizados, sendo considerada a neoplasia mais frequente no homem e a terceira causa de morte por cancro, e tende a metastizar preferencialmente para o tecido ósseo. Enquanto na sua forma localizada se trata de uma doença curável e com uma perspectiva de sobrevivência aceitável, a disseminação para o osso representa uma fase irreversível da doença, com perspectivas de tratamento, até há bem pouco tempo, meramente paliativo. As metástases ósseas são, portanto, a maior complicação do carcinoma da próstata, não só por traduzirem uma doença disseminada, mas também pela dor que causam e pelas complicações a que estão associadas. A disseminação óssea neoplásica é um processo complexo e apenas parcialmente conhecido, no qual participam múltiplas moléculas e células do próprio osso como os osteoclastos e os osteoblastos. Sabe-se, hoje, que o eixo desempenhado pela osteoprotegerina e pelo receptor activator of nuclear factor-κB (RANK) e seu respectivo ligando é a pedra basilar da actividade osteoclástica metastática. Por outro lado, as famílias das wingless type integration site family member (WNTs) e das bone morphogenetic proteins (BMPs), são as principais responsáveis pela actividade dos osteoblastos. Da actividade destes dois tipos de células resulta o aspecto imagiológico metastático, que no carcinoma da próstata é, geralmente, osteoblástico. O estudo progressivamente mais aprofundado da fisiopatologia da metastização óssea tem levado à concepção de métodos terapêuticos para tratar esta localização secundária no carcinoma da próstata. Os tratamentos actuais actuam essencialmente na redução da dor e na prevenção das complicações ósseas resultantes das metástases. Todavia, tem-se verificado um interesse crescente no desenvolvimento de métodos de prevenção da metastização óssea, de forma a conseguir impedir a progressão da doença e aumentar a sobrevida destes doentes. Num momento em que os bisfosfonatos constituem a arma terapêutica mais poderosa no tratamento da doença metastática óssea, outras estratégias afiguram-se plausíveis, como os inibidores do eixo RANK/RANKL, inibidores dos factores de crescimento do osso, da angiogénese, do factor de crescimento epidérmico, antagonistas da endotelina, havendo ainda espaço para o estudo de fármacos citotóxicos, radiofármacos, e produtos naturais, entre outros. Actualmente, existem vários ensaios clínicos em curso, tentando aferir a viabilidade de diversos fármacos na prevenção da metastização óssea relacionada com alguns tipos de tumores. Alguns resultados pré-clínicos são promissores, mas, por enquanto, deveremos estar ainda a alguma distância da introdução no mercado de fármacos com indicação para utilização na prevenção da disseminação do carcinoma da próstata para o osso.
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Abuso estudantil de substâncias e seus efeitos na performance física
Estudantes,Medicamentos
Introdução: As festas académicas da cidade de Coimbra criam um ambiente de festa que une grande parte da população jovem que frequenta as instituições de ensino superior desta cidade. Estas são famosas pelos consumos abusivos de substâncias por parte dos seus aderentes, nomeadamente de bebidas alcoólicas. Objectivos: Avaliar as alterações na performance física dos estudantes que participam nestas festividades. Métodos: A performance física de cada participante foi avaliada em dois momentos: na semana imediatamente a seguir a uma das festas e numa outra semana, espaçada em, pelo menos, um mês da festa académica anterior. Na semana anterior a ambas as séries de testes foi entregue a cada participante um questionário, inquirindo os participantes sobre o número, quantidade e tipo de bebidas alcoólicas consumidas, o número de refeições diárias, o exercício físico efectuado, o número de horas de sono diárias, o número de batimentos cardíacos ao acordar, o consumo diário de tabaco, de fármacos e de outras drogas. Os testes físicos seleccionados para a avaliação da performance física dos participantes foram o Teste de Luc Léger (avaliação da performance física aeróbia) e o Running-Based Anaerobic Sprint Test (RAST) (avaliação da performance física anaeróbia). Resultados: Na amostra, durante as festividades académicas houve um aumento estatisticamente significativo do consumo de álcool (p < 0,001) e de tabaco (p < 0,05). O número de refeições desceu nas festividades (p < 0,001), assim como o número de horas de exercício moderado a extenuante (p < 0,05). Os resultados obtidos no teste de Luc Léger não se correlacionam com as diferenças das variáveis estudadas, com excepção do número de horas de exercício físico (p < 0,01). O aumento do consumo de Trabalho Final de 6º Ano Abuso Estudantil de Substâncias e seus Efeitos na Performance Física álcool nas festividades correlaciona-se com a diminuição dos parâmetros avaliados pelo RAST (com excepção do Índice de Fadiga), assim como com a diminuição do número de horas de sono, embora apenas a nível do Trabalho Mínimo e Médio. O aumento do consumo de tabaco correlaciona-se com um aumento do Índice de Fadiga. Conclusões: Apenas foi possível apurar diferenças estatisticamente significativas relativamente à performance anaeróbica dos participantes. Um consumo superior de bebidas alcoólicas correlacionou-se com uma diminuição do trabalho realizado na prova, reflectindo assim uma diminuição da performance física. Foi também possível detectar que, no teste anaeróbico, o tabaco influenciou negativamente a taxa de declínio da força do participante.
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7,764
Caracterização do consumo de substâncias psicoactivas nos estudantes de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Farmacologia,Estimulantes do sistema nervoso central,Drogas ilícitas,Estudantes de medicina,Detecção de abuso de substâncias
Introdução: Em Portugal são escassos os estudos que avaliem o consumo de substâncias psicoactivas pelos estudantes de Medicina. Investigações realizadas em outros países referem que a prevalência de consumo não difere entre estes e outros jovens pertencentes ao ensino superior. Objectivos: Analisar o padrão de consumo e as motivações que levam ao uso de substâncias psicoactivas pelos estudantes de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Métodos: Aplicação de questionário de preenchimento anónimo, distribuido por toda a comunidade estudantil do Mestrado Integrado em Medicina, em Outubro de 2011; 27,13% da população (426 alunos) colaborou no preenchimento do inquérito. Resultados: Praticamente não se verifica uma maior prevalência de consumo de substâncias psicoactivas em estudantes de Medicina relativamente a outros cursos do ensino superior. As excepções prendem-se com o consumo de psicofármacos, que assume valores mais elevados, e de ecstasy, com uma menos prevalência. As substâncias mais utilizadas foram o álcool, bebidas energéticas e tabaco. No que toca a substâncias ilícitas, os canabinóides ocupam o primeiro lugar de consumo. O factor diversão foi considerado o mais importante para o consumo das substâncias questionadas. Não se verificou associação entre a alteração de residência durante o período lectivo e o consumo da maioria das substâncias psicoactivas, exceptuando-se na ingestão de bebidas energéticas. Verificou-se associação (p<0,05) entre o ano de curso e a prevalência de consumo de álcool, bebidas energéticas, substâncias canabinóides e psicofármacos tranquilizantes. Conclusão: O consumo de substâncias psicoactivas pelos estudantes de Medicina não difere do de outros estudantes, à excepção de medicamentos psicotrópicos e de ecstasy, que adquirem aqui uma maior e menor prevalência, respectivamente. A utilização das substâncias investigadas é, tendencialmente, de carácter experimental, à excepção do álcool, que apresenta elevada frequência de consumo na questão “consumo no último mês”. A principal motivação enunciada pelos estudantes para a utilização de substâncias psicoactivas foi o factor diversão.
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7,766
Bulimia nervosa
Bulimia,doença do comportamento alimentar,terapia cognitivo comportamental
A bulimia nervosa é uma doença do comportamento alimentar que ocorre com uma prevalência de 1-3% sobretudo em mulheres jovens. A etiologia é multifactorial, resultando da interacção de factores genéticos, sócio culturais, hormonais, psíquicos e neuroquímicos. Os critérios de diagnóstico de bulimia segundo a DSM-IV de 1994 são: 1. Episódios recorrentes de compulsão periódica. Um episódio de compulsão periódica é caracterizado por: (a) ingestão, em um período limitado de tempo (por ex., dentro de um período de 2 horas) de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria durante um período similar e sob circunstâncias similares (b) sensação de falta de controlo sobre o comportamento alimentar durante o episódio (por ex., um sentimento de incapacidade de parar de comer ou de controlar a quantidade dos alimentos) 2. Comportamento compensatório inadequado e recorrente, com o fim de prevenir o aumento de peso, como auto-indução de vómito, uso indevido de laxantes, diuréticos, enemas ou outros medicamentos, jejuns ou exercícios excessivos. 3. A compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados ocorrem, em média, pelo menos duas vezes por semana, por 3 meses. Existem dois tipos:  Tipo Purgativo: durante o episódio actual de Bulimia Nervosa, o indivíduo envolveu se regularmente na auto-indução de vómitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.  Tipo Não Purgativo: durante o episódio actual de Bulimia Nervosa, o indivíduo usou outros comportamentos compensatórios inadequados, tais como jejuns ou exercícios físicos excessivos. As manifestações clínicas ocorrem principalmente no subtipo purgativo, como por exemplo: hipertrofia indolor bilateral das glândulas salivares, existência de calos nas mãos, erosão e/ou perda do esmalte dentário. Os vómitos repetidos podem originar alcalose metabólica e o abuso de laxantes podem produzir acidose metabólica leve. Lacerações do esófago, ruptura do estômago e arritmias constituem complicações mais graves e ameaçadoras de vida. O tratamento deve ser feito por uma equipa multidisciplinar incluindo psiquiatra, psicólogo, nutricionista e endocrinologista e engloba terapia cognitivo comportamental e terapêutica nutricional. Com este artigo pretende-se efectuar uma pesquisa sistemática da literatura científica existente na biblioteca dos HUC e na PUBMED, com o objectivo de fazer uma revisão desta doença do comportamento alimentar, cuja prevalência tem vindo a aumentar nas últimas décadas.
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7,767
Tibial pressure pain : evaluation of its prevalence and correlations
Reumatologia,Tíbia,Dor,Fibromialgia,Vitamina D
Introdução: A dor à pressão tibial, caracterizada pela presença de dor quando se exerce uma pressão digital ligeira sobre a face antero-interna da tíbia (ao pesquisar edema dos membros inferiores, por exemplo), parece ser um achado frequente na prática clínica. Contudo, esta entidade não se identifica na literatura médica nem nos foi possível encontrar quaisquer estudos ou orientações sobre a sua possível etiologia e adequada interpretação clínica. Enquanto alguns clínicos sugerem a relação da dor à pressão tibial com níveis diminuídos de vitamina D, outros defendem que pode ser uma manifestação de fibromialgia; outros ainda entendem não atribuir qualquer relevância clínica a este achado. Objectivos: O principal objectivo deste estudo foi avaliar a prevalência da dor à pressão tibial. Como objectivos secundários procurámos analisar a associação entre o baixo limiar de dor à pressão tibial e fibromialgia, vitamina D, hormonas tiroideias, ansiedade e depressão. Métodos: A nossa amostra foi constituída por 63 elementos do sexo feminino, divididos por três grupos de 21 indivíduos: um grupo de pacientes fibromiálgicos, um grupo constituído pelas suas irmãs não fibromiálgicas e outro pelas suas mães. Todos os elementos foram submetidos a colheita de sangue para doseamento dos níveis de 25(OH)D, TSH, T3 e T4 livre. A avaliação do limiar da dor foi efectuada com o recurso a um dolorímetro de pressão. Foram testados os limiares dolorosos da face antero-interna das tíbias, do manúbrio externo e do leito ungueal dos dedos indicadores. Todos os indivíduos preencheram a versão portuguesa do Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS). Resultados: Verificou-se a ocorrência de dor à pressão tibial, a uma pressão menor do que 4 kg/cm2, em quase dois terços da amostra (61,9%), sendo que 43,6% destes correspondiam a pacientes com o diagnóstico de fibromialgia. A média do limiar de dor à pressão tibial nas pacientes fibromiálgicas (3,01 ± 1,60 Kg/cm2) mostrou-se significativamente inferior (p<0,005) quando comparado com a média do limiar doloroso obtido no grupo das irmãs saudáveis (4,68 ± 1,67 Kg/cm2) e no grupo das mães (3,92 ± 2,13). Não foram encontradas relações estatísticas significativas (p>0,05) entre a presença de dor à pressão tibial e os biomarcadores estudados (níveis de 25(OH)D e hormonas tiroideias), ansiedade ou depressão. Conclusões: No nosso estudo observámos uma alta prevalência de dor à pressão tibial em todos os grupos. Foi encontrada uma relação estatisticamente significativa entre fibromialgia e dor à pressão tibial. No entanto, mais estudos serão necessários para esclarecer a etiologia da dor provocada pela pressão tibial.
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7,768
Caracterização de uma população portuguesa com miocardiopatia hipertrófica seguida num hospital terciário artigo científico
Miocardiopatia hipertrófica,Hipertrofia ventricular esquerda,Ecocardiografia
Introdução – A miocardiopatia hipertrófica é a doença cardíaca genética mais comum, definida pela presença de hipertrofia miocárdica inexplicada. Possui um espectro clínico muito amplo, podendo os doentes permanecer assintomáticos durante toda a vida ou, pelo contrário, apresentar sintomas severos como síncope, insuficiência cardíaca congestiva e fibrilhação auricular. A morte súbita cardíaca é a complicação mais séria e o diagnóstico pode ser estabelecido pela observação ecocardiográfica de hipertrofia 15 mm em qualquer segmento miocárdico, mais frequentemente no septo interventricular. Objectivos – Caracterização clínica e ecocardiográfica de uma população portuguesa com diagnóstico de miocardiopatia hipertrófica, seguida num hospital terciário. Metodologia – Foram analisados os parâmetros dos ecocardiogramas transtorácicos (modo M, 2D, Doppler) de 74 doentes com miocardiopatia hipertrófica realizados entre 1999 e 2008 no serviço de Cardiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Em 2009 foi realizado um follow-up a 34 (45,9%) desses doentes, tendo sido avaliada a existência de sintomas associados à miocardiopatia hipertrófica, hospitalização devido a problemas cardiovasculares decorrentes da doença, medicação cardiovascular habitual e história familiar sugestiva. Resultados – Os exames analisados demonstraram prevalência de um grau importante de hipertrofia do septo interventricular (espessura média 17,5±4,7 mm) e de dilatação da aurícula esquerda (diâmetro médio 47,4±8,9 mm). Verificou-se também, numa proporção considerável, alterações da válvula mitral: insuficiência (73%) e movimento sistólico anterior (43,2%) que provocava obstrução dinâmica do fluxo de saída do ventrículo esquerdo em 41,9%, suficiente para produzir um gradiente significativo, cujo valor médio apurado foi 55,6±31,9 mmHg. A análise da distribuição segmentar da hipertrofia miocárdica permitiu verificar que o segmento mais frequentemente atingido era o septo interventricular (95,9%) e que em cerca 3 de 40% dos doentes apenas um segmento miocárdico se encontra hipertrofiado, sendo a proporção idêntica à obtida para 3 ou mais segmentos afectados. O follow-up permitiu observar que em 94,1% os doentes apresentavam sintomatologia relacionada com a miocardiopatia hipertrófica, nomeadamente dispneia de esforço (79,4%), palpitações (73,5%), tonturas (52,9%) e precordialgia (38,2%). Em 32,4% dos casos foram reportados antecedentes familiares sugestivos e foi referida história de hospitalização devida a causa cardiovascular em 18 casos (52,9%). Grande parte dos doentes (91,2%) efectuava medicação cardiovascular, estando a maioria medicada com bloqueadores beta-adrenérgicos e/ou bloqueadores dos canais de cálcio. Conclusões – Este estudo revelou que a população analisada apresenta, de forma genérica, características similares às de populações integradas em estudos internacionais, assim como o follow-up demonstrou resultados que encontram suporte em trabalhos publicados.
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7,769
Quistos do colédoco em idade pediátrica
Quisto colédoco,Cirurgia,Criança pré-escolar
Introdução: Quistos do colédoco são uma condição congénita caracterizada por dilatações das vias biliares. Embora raras no mundo ocidental, com uma incidência de 1 em 100 000 a 150 000 nados vivos, são muito frequentes nos países asiáticos. Existe um importante risco de morbilidade e mortalidade associado à ausência de tratamento, de entre os quais o risco de transformação maligna. Assim, é essencial o diagnóstico precoce seguido do tratamento cirúrgico adequado e atempado. Objetivos: Neste estudo pretende-se apresentar a experiência do Serviço de Cirurgia do Hospital Pediátrico de Coimbra no tratamento de quistos do colédoco. Metodologia: Realizou-se um estudo retrospetivo de todos os casos de quisto do colédoco operados no referido Serviço por excisão total do quisto e hepaticojejunostomia em Y-de-Roux desde 1 de outubro de 1989 a 31 de outubro de 2011. Colheram-se dados dos processos clínicos relativos a demografia, quadro clínico, exames complementares de diagnóstico, complicações peri e pós-operatórias e seguimento pós-operatório. Para apresentação dos resultados recorreu-se à mediana, e limites mínimo e máximo para as variáveis numéricas e percentagens para sumarizar dados demográficos. Resultados: Analisaram-se um total de 12 casos. Onze pacientes (91,7%) eram do sexo feminino. A mediana da idade de início dos sintomas, idade do diagnóstico e idade com que se realizou a cirurgia curativa foi, respetivamente, 2,4, 2,5 e 4,2 anos. Os sintomas mais frequentes foram icterícia colestática (n=5), dor abdominal (n=3) e massa abdominal (n=1). Desenvolveram-se complicações decorrentes do quisto em 50% dos casos: colangite (n=4), pancreatite (n=1), peritonite por rutura do quisto (n=1). Foram classificados de acordo com a classificação de Todani em tipo I (n=6) e tipo IV (n=6). Não houve mortalidade. Não se detetaram alterações malignas. A taxa de complicações precoces foi de 16,7% (n=2) e de complicações tardias 9,1% (n=1). Apenas 1 dos 6 doentes com quistos do colédoco do tipo IV manteve dilatação persistente dos ductos intrahepáticos após ciurgia. Conclusões: O nosso estudo confirma a recomendação atual para excisão total e reconstrução por hepaticojejunostomia em Y-de-Roux para tratamento desta condição, em detrimento da cistoduodenostomia outrora recomendada. A análise da nossa série corrobora outras séries pediátricas relativamente à baixa morbilidade após o tratamento cirúrgico referido e à resolução pós-operatória precoce da dilatação dos ductos intrahepáticos presentes no quisto do colédoco do tipo IV-A.
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7,770
Prevenção da malária em grávidas e crianças residentes nas zonas endémicas
Malária,Grávidas,Criança
A prevenção da Malária nas regiões endémicas merece particular atenção num Mundo cujo objectivo major é o combate à pobreza. Globalmente, ocorrem 200 a 500 milhões de casos de malária por ano, dos quais resultam 1,5 a 2,7 milhões de mortes, 75% das quais ocorrem em crianças com idade inferior a 5 anos na África Subsariana. Cinquenta milhões de mulheres grávidas residem em zonas endémicas para a malária e estima-se que 10.000 mulheres e 200.000 crianças morram em virtude da infecção por malária transmitida durante a gravidez. Anemia materna severa, prematuridade e baixo peso ao nascer contribuem para mais de metade dessas mortes. A malária é causada pela infecção com uma ou mais das quatros espécies de Plasmodium: Plasmodium falciparum, Plasmodium malariae, Plasmodium ovale e Plasmodium vivax, transmitidos aos humanos pela picada do mosquito Anopheles fêmea. Devido aos escassos recursos financeiros da maioria dos países das zonas endémicas, a prevenção da malária torna-se um grande desafio em política de Saúde Pública. Na campanha “Roll Back Malaria” da Organização Mundial de Saúde são citadas as seguintes medidas preventivas: prevenção da picada do mosquito pelas redes mosquiteiras impregnadas com insecticida (RMIIs), detecção precoce e tratamento dos casos sintomáticos e aplicação de tratamento preventivo intermitente (TPI) para crianças e mulheres grávidas. O controlo do vector através de pulverização residual com insecticida no interior das habitações (PRIIH) e a utilização de larvicidas são medidas legítimas, mas, os custos, a resistência ao insecticida e o impacto ecológico são algumas das suas limitações. Entretanto, a melhoria das condições económicas, uma maior segurança alimentar e a aposta em programas de educação sobre os métodos preventivos (ex: RMIIs) nas zonas endémicas podem reduzir significativamente a miséria e a morte pela malária.
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7,771
Sífilis
Sífilis,Epidemiologia,Clínica,Diagnóstico
A sífilis é uma doença infecciosa de distribuição mundial, sendo a primeira causa de ulceração genital nos países em vias de desenvolvimento. É uma doença sexualmente transmissível, causada pela espiroqueta Treponema pallidum, que se caracteriza por um grande pleomorfismo clínico. A origem da sífilis é uma questão que tem suscitado discussão, sendo consensual que esta assumiu um principal papel epidemiológico na Europa desde finais do século XV até ao advento dos antibióticos. Até então, as terapêuticas propostas comportavam efeitos adversos muito graves, associados à sua relativa ineficácia. Com os antibióticos, o número de casos de sífilis diminuiu drasticamente. No entanto, não só nunca se conseguiu erradicar a doença, como se tem verificado, na actualidade, um aumento significativo no número de casos. A sífilis evolui clinicamente de acordo com diversos estadios de infecção: primária, secundária e terciária, atravessando fases assintomáticas (sífilis latente). Sendo a identificação directa do agente difícil e, na prática clínica, apenas praticável na úlcera primária, a serologia é o método de diagnóstico mais utilizado. Dentro dos estudos serológicos existem testes não treponémicos e treponémicos, com diferentes sensibilidades e especificidades, sendo os primeiros mais adequados para uma avaliação diagnóstica inicial e como método de monitorização da resposta terapêutica e os últimos como confirmação diagnóstica. O tratamento de escolha continua a ser a penicilina, variando a dose e o tempo de tratamento consoante os diferentes estadios da infecção. Com este artigo pretende-se apresentar uma revisão sistematizada da literatura existente acerca da epidemiologia, clínica, diagnóstico e terapêutica da sífilis, fazendo referência a particularidades relevantes e procurando reunir a informação mais importante destes aspectos
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7,772
Imunosupressão e infecções bacterianas em doentes transplantados renais : um estudo em 487 doentes transplantados nos últimos cinco anos no SUTR dos HUC
Transplantação do rim,Imunossupressão,Infecções bacterianas
Introdução: A terapia imunossupressora é a supressão artificial da resposta imunológica, geralmente conseguida através da utilização de medicamentos, para que o corpo não rejeite, por exemplo, um órgão transplantado, através do seu sistema imune. Para que isso não ocorra, o mesmo deve ser mantido num nível suficientemente suprimido, mas não o bastante para que permita a ocorrência de infecções por microorganismos da flora comensal ou do ambiente que nos rodeia. Objectivos: Avaliação da incidência, da localização e dos agentes etiológicos das infecções bacterianas nos transplantados renais, da sua relação com os esquemas de imunossupressão praticada, bem como a sua influência na sobrevivência do enxerto e do doente. Doentes e Métodos: Este estudo retrospectivo é dirigido aos casos de transplantação renal efectuados no Serviço de Urologia e Transplantação Renal dos Hospitais da Universidade de Coimbra, desde 1 de Janeiro de 2003 e 31 de Dezembro de 2007 (n=487). Foram avaliados vários factores com possível impacto no prognóstico final. Resultados: O seguimento médio destes doentes foi de 40,52 meses (mínimo: 0,23 meses e máximo: 80,76). Foram registadas 639 infecções em 283 doentes (desde 1 a 10 infecções por doente), responsáveis por 374 internamentos. As infecções ocorreram sobretudo no primeiro ano do pós-transplante (56,65%), atingiram sobretudo o sexo feminino (69,46%) e o aparelho urinário (42,41%) e o sistema respiratório (28,95%). A etiologia bacteriana verificou-se em 257 casos (40,22%), a vírica em 57 (8,92%), a fúngica em 29 (4,54%) e foi desconhecida em 296 (46,32%). Dos agentes bacterianos, os mais frequentes foram os bacilos Gram negativos (75,88%), nomeadamente a Escherichia Coli (38,13%). A infecção condicionou um agravamento da função renal com elevação da creatinina, verificando-se recuperação da mesma ao fim de um mês. As sobrevivências do doente e do enxerto não são influenciadas pelo sexo do doente (P = 0,860 e P = 0,909), pela presença de infecções (P = 0,920 e P = 0,971), pelo esquema imunossupressor utilizado (P = 0,452 e P = 0,086) ou pelo uso de anticorpo (P = 0,753 e P = 0,631). Conclusões: As infecções do tracto urinário são as mais frequentes e a Escherichia Coli o agente mais frequentemente envolvido. A sobrevivência do doente e do enxerto renal não são condicionadas pela ocorrência de infecção, pelo esquema imunossupressor ou pelo uso de anticorpo. Nenhum esquema imunossupressor utilizado se relaciona com a maior ocorrência de infecções, nem condiciona o local de infecção.
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7,773
Asma na gravidez e sua terapêutica
Pneumologia,Asma,Gravidez
Introdução: O número de mulheres grávidas asmáticas tem vindo a aumentar. Inúmeras dúvidas e preocupações acompanham a futura mãe ao longo da gravidez, devidas essencialmente à utilização de terapêutica farmacológica nesse período. É neste contexto que surge o receio de complicações tanto para a grávida como para o feto, levando muitas vezes ao abandono da terapêutica farmacológica por receio de efeitos teratogénicos ou outros. No entanto, é indispensável um controlo adequado da asma na mulher grávida para prevenir que esta agrave durante a gravidez ou que ocorram exacerbações que possam originar complicações tanto para a mãe como para o feto. Desenvolvimento Inúmeros estudos recomendam a utilização de medicamentos durante a gravidez, apesar de estes poderem apresentar alguns efeitos secundários. Este trabalho teve como objectivo fazer uma revisão da bibliografia publicada relativamente à prevalência da asma na gravidez, aos mecanismos possíveis de influência da gravidez sobre a gravidade da asma, aos possíveis efeitos secundários da terapêutica utilizada na asma durante a gravidez e, principalmente, à terapêutica mais aconselhada para o tratamento da asma ao longo da gravidez, parto e amamentação. Toda esta revisão visa procurar ajudar o médico e a grávida asmática a conseguirem uma boa gestão da asma para que a gravidez ocorra sem complicações. Conclusão Pretende-se um controlo adequado da asma na gravidez, tendo sempre em conta uma abordagem médica multi-disciplinar com a interacção de um obstetra e de um pneumologista. Essa abordagem deve explicar os riscos e benefícios da terapêutica à paciente grávida, permitindo assim uma gestão mais eficiente da asma de modo a evitar possíveis complicações tanto para a mãe como para o feto. Neste sentido, os corticosteróides inalados são, ainda hoje, a principal terapêutica farmacológica utilizada em mulheres grávidas e o salbutamol, a beclometasona e a budesonida são as moléculas mais estudadas e mais seguras.
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7,774
Nefropatia induzida por contraste na intervenção coronária
Doenças do rim,Doenças cardiovasculares
Introdução: A Nefropatia induzida por contraste é uma complicação frequente na intervenção coronária e está associada a maior tempo de internamento, maiores taxas de mortalidade e morbilidade e mais custos económicos. Objectivos: Este trabalho pretende reunir um conjunto de informações relevantes sobre Nefropatia induzida por contraste na intervenção coronária, nomeadamente quanto à definição, fisiopatologia, factores de risco, clínica, complicações e estratégias de prevenção. Desenvolvimento: A definição de Nefropatia induzida por contraste não é consensual entre os estudos, no entanto a Sociedade Europeia de Radiologia Urogenital define-a como um aumento da creatinina sérica de 25% em relação ao valor basal ou um aumento de 0,5 mg/dl no valor absoluto num espaço de 48 a 72 horas após a administração de contraste, sem outra causa aparente. Também a fisiopatologia não está completamente esclarecida, aceitando-se alterações na hemodinâmica renal e citotoxicidade como os dois mecanismos fundamentais. Diversos factores de risco têm sido descritos para o desenvolvimento de Nefropatia induzida por contraste. Aqueles que mais se relacionam com o desenvolvimento de nefropatia de contraste são insuficiência renal e diabetes mellitus nos factores dependentes do indivíduo e volume e osmolaridade do contraste nos factores dependentes do contraste. Outros factores são também mencionados. O tratamento da Nefropatia induzida por contraste passa mais especificamente pela prevenção. Numerosos estudos têm sido realizados no sentido de avaliar diversas formas preventivas. Dentro das medidas não farmacológicas, a hidratação foi considerada como a melhor forma de prevenção de nefropatia induzida por contraste. Outras como o volume e tipo de contraste, hemodiálise, hemofiltração e suspensão de fármacos nefrotóxicos são também mencionadas. Já nas medidas farmacológicas, fármacos antioxidantes, Trabalho Final de Mestrado Integrado em Medicina vasodilatadores e outros têm sido estudados. Dentro dos antioxidantes são frequentemente mencionados a acetilcisteína e o ácido ascórbico. Fármacos vasodilatadores como a dopamina, fenoldopam, antagonistas da adenosina, bloqueadores dos canais de cálcio, prostaglandinas E, péptideo natriurético atrial, antagonistas da endotelina e inibidores da enzima de conversão da angiotensina. São também mencionados outros como diuréticos e estatinas. Conclusão: Embora já existam muitos estudos acerca de Nefropatia induzida por contraste, muitos pontos como a definição, fisiopatologia e estratégias de prevenção permanecem desconhecidos, inconclusivos ou contraditórios. Assim, mantêm-se a necessidade de prosseguir com investigações nesta área, de forma a esclarecer estes pontos e diminuir a sua incidência e complicações.
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7,775
Infecções do tracto urinário
Doenças urológicas,Infecções das vias urinárias,Terapêutica
As infecções do tracto urinário são infecções bacterianas comummente encontradas em clínica geral, e a terapia empírica é a abordagem escolhida para a maioria dos casos. Para o melhor tratamento, o médico de clínica geral, para além dos sintomas do paciente deve conhecer a etiologia e a susceptibilidade dos uropatogéneos. Este Trabalho aborda por faixa etária e sexo, a classificação, a epidemiologia, os factores de risco e a etiologia da infecção do tracto urinário. A prevenção e a patogenia da doença, a correspondente investigação clínica e laboratorial e, as recomendações actuais de tratamento, também serão revistas. As infecções do tracto urinário durante a gravidez e as infecções associadas ao cateter urinário serão igualmente abordadas
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7,777
Angioplastia primária no enfarte agudo do miocárdio com supra ST
Enfarte do miocárdio,Angioplastia coronária com balão
Introdução: O enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST é uma importante causa de mortalidade e morbilidade em todo o Mundo sendo, actualmente, a angioplastia primária o tratamento preferencial. Objectivos: Fazer uma revisão bibliográfica relativa ao papel da Angioplastia Primária no tratamento do Enfarte Agudo do Miocárdio com Supra ST. Desenvolvimento: O enfarte agudo do miocárdio foi em 2004 a terceira principal causa de morte em Portugal. É maioritariamente causado pela oclusão súbita de uma artéria coronária major após disrupção de uma placa aterosclerótica. A reperfusão pode salvar o tecido miocárdico em risco de necrose, com melhoria da função ventricular esquerda e sobrevivência. Pode ser efectuada com recurso a fibrinólise, angioplastia primária ou a cirurgia de bypass coronário. A dilatação da artéria coronária através da angioplastia provoca alterações morfológicas no vaso e, sendo um procedimento invasivo, tem várias complicações associadas. Ao longo do tempo, este procedimento tem evoluído consideravelmente, com o desenvolvimento de novos aparelhos para melhorar os resultados obtidos. Dentro destes destacam-se os stents, que demonstraram estar associados a diminuição da taxa de mortalidade e de complicações a longo termo. A única contra-indicação absoluta da angioplastia primária é a recusa por parte do doente. Muitos estudos demonstraram a superioridade da angioplastia primária face à fibrinólise com redução da mortalidade, complicações e melhoria da sobrevivência. A eficácia da reperfusão relaciona-se com a rapidez com que é realizada. Assim, tem sido debatido qual o tempo porta-balão aceitável, hoje considerado duas horas pela Sociedade Europeia de Cardiologia, bem como com o tempo de evolução, sendo consensuais os benefícios da reperfusão até às doze horas. Actualmente, a angioplastia primária é considerada o tratamento preferencial nestes doentes se realizada em tempo útil, sendo recomendada a implementação de sistemas de emergência que permitam a optimização do tratamento do enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST. Conclusão: Cerca de três décadas de progresso baseado na evidência têm demonstrado a eficácia da angioplastia primária, pelo que hoje constitui a terapêutica de reperfusão preferencial no enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST.
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7,778
Alterações imunológicas na esclerose múltipla e sua contribuição para o conhecimento da fisiopatologia da doença
Esclerose múltipla,Imunologia,Neurologia
Introdução: A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crónica do Sistema Nervoso Central (SNC) imunomediada, que se caracteriza por um processo de inflamação e desmielinização, associados a neurodegenerescência e gliose. As alterações histopatológicas tipicamente descritas sugerem o envolvimento das células residentes do SNC, da imunidade inata, bem como das células migratórias da imunidade adaptativa. Objectivos: Identificar os componentes do sistema imune inato e adquirido, implicados na etiopatogénese da EM; procurar esclarecer o papel destas células e moléculas no início e progressão da doença; e por fim, apresentar mecanismos imunopatogénicos putativos. Desenvolvimento: A maioria dos estudos sugerem que o processo de desmielinização activa na EM envolve uma reacção inflamatória com acumulação de linfócitos T e B, particularmente perivascular. Foram observadas alterações em determinados fenótipos de linfócitos T CD4+, particularmente os Th1, Th17 e Treg. Os dois primeiros, de carácter pró-inflamatório apresentam-se amplamente expandidos e correlacionam-se com maior grau de actividade da doença. Induzem a produção de IFN- γ e TNF-α, envolvidos em processos de activação de células efectoras, quimiotaxia, e alterações na permeabilidade da Barreira Hemato-Encefálica (BHE). Os linfócitos Treg pelo contrário estão reduzidos ou disfuncionais, estando suprimidas as suas propriedades protectoras anti-inflamatórias. As células residentes no SNC, como potenciais apresentadoras de moléculas de MHC de classe I, são susceptíveis à acção citotóxica dos linfócitos T CD8+ presentes nas lesões activas, que predominam sobre os linfócitos T CD4+. Os linfócitos B estão envolvidos em diversos processos, nomeadamente, apresentação antigénica e activação de linhas efectoras de linfócitos T, produção de anticorpos/opsonização (de eventuais antigénios mielínicos ou não mielínicos). Em doentes com EM Secundariamente Progressiva observam-se por vezes estruturas semelhantes a folículos linfóides de localização meníngea, relacionadas com maior gravidade da doença. A imunidade inata intervém na apresentação antigénica e criação de ambiente pró-inflamatório. As alterações atrás descritas ocorrem na presença de uma BHE com permeabilidade aumentada. Os mecanismos fisiopatológicos propostos para explicar a EM envolvem a activação periférica de Linfócitos T e B, e migração destes através de uma BHE inadequadamente permeável. No SNC, imunidade inata e adquirida interagem e conjugam respostas pró-inflamatórias que fomentam a desmielinização e adicionalmente, degenerescência axonal. Conclusão: A fisiopatologia da EM demonstra ser um complexo processo onde operam diversos elementos do sistema imune inato e adquirido, de origem periférica e residentes no SNC. O conhecimento dos mecanismos imunopatogénicos tem impacto terapêutico, no desenvolvimento de estratégias orientadas e modificadoras da doença, e eventualmente de biomarcadores.
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7,781
Síndrome de Lynch
Neoplasias colorrectais heriditárias não-associadas à polipose
A Síndrome de Lynch é uma afecção que se caracteriza pela elevada predisposição de desenvolvimento de carcinoma colorectal associado a diversos cancros extracólicos em que se incluem: o endometrial, o ovárico, o gástrico, o do intestino delgado, o das vias biliares, o do tracto uroepitelial superior, o da pele, e o cerebral. Esta predisposição também está associada ao aparecimento de neoplasias colorectais síncronas e metácronas. Normalmente ocorre em idades precoces (< 45 anos) e representa cerca de 2-5% de todos os carcinomas colorectais. Tem um tipo de transmissão autossómica dominante e é causada por mutações nos genes reparadores dos erros de duplicação do DNA, mais especificamente os genes MSH2, MLH1, MSH6, e PMS2 sendo estes designados de genes “DNA mismatch repair”. O seu diagnóstico é feito pela detecção dessas mesmas mutações, e é suspeito pela presença da instabilidade de microssatélites e dos testes imunohistoquímicos. A selecção de um eventual portador recai principalmente sobre a história familiar, nomeadamente na presença dos critérios de Amsterdão e de Bethesda, ambos já revistos ao longo destes últimos anos. Depois do diagnóstico estar feito todos os portadores da doença são recomendados a submeterem-se a um protocolo de vigilância e tratamento. Isto também se aplica aos parentes que estão em risco de desenvolver uma neoplasia e que necessitam de rastreio regular para detecção e actuação precoces. No entanto, apesar de nas últimas duas décadas se terem feito grandes avanços no conhecimento da síndrome, muito ainda está por esclarecer, e muitos estudos se terão de realizar para que haja uma maior conformidade nos métodos de diagnóstico, de vigilância e de tratamento, para que se possa oferecer o máximo de apoio ao doente com Síndrome de Lynch e para que este possa viver o máximo de tempo com a melhor qualidade de vida. Conclui-se assim que esta síndrome continuará a ser um desafio para o médico e para toda a sua equipa multidisciplinar, não só pelo impacto que ela tem no indivíduo portador e sua restante família, como também devido à falta de total conformidade na abordagem desta síndrome em todos os seus aspectos, desde o seu diagnóstico, passando pelo aconselhamento genético e vigilância, até ao tratamento. Portanto muitos mais estudos deverão ser realizados e analisados para que se possam tirar cada vez mais conclusões fidedignas que façam direccionar o médico e toda a sua equipa num caminho mais seguro e eficaz no rastreio e tratamento do indivíduo portador da síndrome e sua família
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7,782
Epidemiologia da demência em Portugal
Demência,Epidemiologia,Neurologia
Introdução: A demência constitui a expressão clínica de várias entidades patológicas, de entre as quais se destacam a Doença de Alzheimer, a mais prevalente, responsável por 50 a 70% dos casos, e a Demência Vascular. A incidência e prevalência de demência aumentam com a idade, duplicando a cada cinco anos após a sexta década de vida. Estimam-se 4,6 milhões de novos casos de demência por ano e um total de mais de 24 milhões de doentes com demência em todo o mundo. Esta entidade encontra-se entre as dez principais causas de morte nos países desenvolvidos, constituindo a segunda causa de óbito neurológico. De acordo com uma projecção baseada em dados dos estudos do grupo EURODEM de 1991 e publicada em 1994, haveria um total de 92.470 casos de demência e 48.706 pessoas com Doença de Alzheimer em Portugal. Em 2003-2008 foi realizado o primeiro estudo de base populacional para determinação da prevalência de demência no nosso país. Os resultados evidenciaram uma prevalência de 2,7% na população entre os 55 e os 79 anos de idade. Por outro lado, os dados mais recentes do Intercontinental Marketing Services Health indicam que o número de doentes tratados com fármacos específicos para demência, em Portugal, ronda os 40.000. O envelhecimento demográfico é uma realidade e a proporção de idosos e, sobretudo, dos muito idosos tem aumentado a um ritmo acelerado, pelo que será de esperar também um aumento do número de casos de demência em Portugal. Objectivo: Obter uma estimativa actualizada da prevalência de demência em Portugal. Métodos: À população residente em Portugal, em 2008, foram aplicados os valores de prevalência de demência ajustada à idade obtidos para a Europa Ocidental por um estudo da Alzheimer’s Disease International. Resultados: O número estimado de Portugueses com demência, acima dos 60 anos de idade, seria de, aproximadamente, 135.008 casos em 2008, o que corresponde a 5,5% da população com mais de 60 anos. Sabendo que doença de Alzheimer será responsável por 50 a 70% de todos os casos, poderemos deduzir que existiriam entre 67.504 e 94.506 doentes com esta forma de demência; aparentemente, só 40.000 recebem fármacos especificamente dirigidos à doença. Conclusão: Com o aumento da população idosa aumenta também o número de casos de demência. Aparentemente, nem todos os doentes com Doença de Alzheimer recebem a medicação aconselhada, sugerindo que esta condição está, muito provavelmente, sub-diagnosticada.
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7,783
Aconselhamento para prática de actividade física em diabéticos seguidos no centro de saúde
Actividade motriz,Exercício,Diabetes mellitus,Saúde familiar
Introdução: A diabetes é um problema de grande magnitude e a actividade física (AF) é parte da sua terapêutica. Há poucos estudos em condições reais versando, especificamente, o aconselhamento baseado no estádio motivacional. Fez-se um estudo para verificar o impacto metabólico, vascular e antropométrico e na qualidade de vida nos diabéticos do aconselhamento breve para o exercício físico baseado no estado motivacional, na consulta de diabetes no Centro de Saúde versus grupo controlo. Pretendeu-se também caracterizar os hábitos de actividade física das pessoas com diabetes seguidas em Centro de Saúde e verificar o impacto no tempo de consulta de diabetes da aplicação do instrumento PACE (Provider Assessment and Counseling for Exercise) de aconselhamento de exercício físico versus grupo controlo. Métodos: Estudo prospectivo, randomizado, controlado. População-alvo: diabéticos seguidos em consulta de diabetes no Centro de Saúde (CS) em estudo. Amostra: todos os diabéticos de dois ficheiros em consulta entre 15/9/09 e 15/11/10. Randomização em grupo de intervenção e controlo após estratificação por género e idade. Intervenção: instrumento de motivação para AF validado em Portugal - instrumento PACE. Informação recolhida por médicos investigadores em 5 consultas ao longo de 1ano. Estatística descritiva e inferencial (t de Student, Man-Whitney, Wilcoxon, Qui2, riscos relativos (RR) por análise de intenção de tratar). Resultados: Amostra de 88 diabéticos, idade média 64,06 anos, 50% género feminino. Grupo de intervenção (n=44) e controlo com diferença inicial apenas no perímetro abdominal (PA) (p=0,041). Inicialmente 69,9% dos diabéticos praticavam AF. Após a intervenção, a AF não se alterou significativamente, com um RR de aumentar o nível de AF no grupo de intervenção vs. controlo aos 6 meses de 1.80 (0.82-3.95, NNT de 5,88) e aos 9 meses de 0.40 (NNH 3,33). A glicémia em jejum não se alterou significativamente (RR 6 meses 0.93 (0.60-1.45) e aos 9 meses 0.81 (0.48-1.38)), assim como a HbA1c, que aumentou em ambos os grupos e tempos de avaliação (RR 6 meses 0.51 (0.24-1.07) e 9 meses 0.54 (0.24-1.20)). O peso, Índice de Massa Corporal (IMC), PA e tensão arterial (TA) diminuíram em ambos os grupos aos 6 e 9 meses de intervenção. A pressão de pulso (PP) diminuiu significativamente apenas no grupo de intervenção aos 6 meses. Quanto às variáveis lipídicas, avaliadas no início e final do estudo, apenas houve diminuição significativa dos triglicerídeos no grupo controlo. Não houve diferenças estatisticamente significativas no tempo de duração das consultas entre o grupo de intervenção e o grupo controlo a não ser no tempo 2 (3 meses de avaliação) de medição, em que o tempo foi maior no grupo controlo (p=0,025). Discussão: Uma limitação foi a amostra reduzida e retirada de dois ficheiros apenas, não se podendo generalizar à população diabética local. Apesar das limitações, foi um estudo importante para perceber que este instrumento pode ser aplicável nos Cuidados Primários, apesar de não ter ficado claro o seu benefício. Foi um estudo inovador aplicando metodologia motivacional em consulta de diabetes no CS e pode ajudar na procura de uma metodologia eficaz para promover AF nos diabéticos em Portugal.
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7,784
Avaliação médico-legal em direito civil e em direito do trabalho das artroplastias totais da anca e do joelho
Ortopedia,Medicina legal,Artroplastia da anca,Artroplastia do joelho
Com o envelhecimento progressivo da população, tem crescido muito o número de pessoas com artroplastias totais da anca e joelho. Esta situação constata-se quer em indivíduos fora do mercado de trabalho, quer em indivíduos com vida laboral activa. No domínio do Direito de Trabalho e Civil, ainda é causa de controvérsia a avaliação e determinação da incapacidade dos sinistrados vítimas de acidentes de viação ou de trabalho, que tem implantadas artroplastias. Com este trabalho pretende-se efectuar uma revisão científica sobre a legis artis no domínio da Medicina Legal e da Ortopedia, bem como a elaboração de normas de procedimento na avaliação e atribuição de incapacidades
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7,785
Manifestações psicopatológicas na esclerose múltipla
Neurologia,Esclerose múltipla,Perturbações mentais
A Esclerose Múltipla é a doença crónica/incapacitante mais comum do Sistema Nervoso Central em adultos jovens, com uma prevalência entre 2 e 150 por 100.000. Trata-se de uma doença inflamatória, desmielinizante e degenerativa, que apresenta um espectro clínico variável, reflectindo a presença e distribuição das placas de desmielinização, cursando, entre outros, com nevrite óptica, anormalidades sensitivas, fraqueza muscular ou disfunções cerebelosas. Do ponto de vista da evolução clínica classifica-se em Surto/Remissão, Secundária Progressiva com ou sem Surtos, Primária Progressiva e Primária Progressiva com Surtos, sendo a evolução, para cada doente, imprevisível. Os doentes com Esclerose Múltipla apresentam frequentemente comorbilidade psiquiátrica, afectando principalmente o humor, o comportamento, a personalidade e a cognição. Os distúrbios psicopatológicos mais comummente associados à Esclerose Múltipla são a Depressão, a Doença Bipolar, a Euforia, a Perturbação da Expressão Emocional Involuntária/Riso e Choro Patológicos, a Psicose e as Alterações da Personalidade. Esta revisão procurará investigar a literatura existente acerca de epidemiologia, impacto e tratamento das perturbações psiquiátricas em pessoas com Esclerose Múltipla. Procurar-se-á reunir os dados disponíveis acerca da fisiopatologia dos distúrbios psiquiátricos no âmbito da Esclerose Múltipla, explorando as hipóteses genética, de substrato orgânico, de reacção psicológica e atendendo aos factores sociais. Serão desenvolvidas as consequências que a comorbilidade psiquiátrica tem na evolução clínica e conduta terapêutica da Esclerose Múltipla, analisando o subdiagnóstico e subtratamento a que tem estado sujeita, e salientando o benefício em termos de qualidade de vida e capacidade funcional que estes doentes recolhem com o diagnóstico e tratamento correctos e atempados destas condições paralelas à doença neurológica. As implicações na pesquisa futura a desenvolver serão, igualmente, abordadas, nomeadamente o desenvolvimento de instrumentos de diagnóstico válidos e reprodutíveis das diversas entidades psiquiátricas, os tratamentos farmacológicos-padrão a utilizar precocemente em doentes com Esclerose Múltipla e sintomatologia depressiva concomitante e, por último, as consequências económicas e sociais que a psicopatologia acarreta no âmbito da Esclerose Múltipla. Do presente estudo emerge a necessidade do desenvolvimento de programas e instrumentos com vista a um maior conhecimento da psicopatologia associada à Esclerose Múltipla, reduzindo o estigma que esta provoca e encorajando o seu tratamento, uma vez que os estudos neuropsiquiátricos até este momento realizados evidenciam enormes limitações, dado focarem-se num único sintoma, não usarem instrumentos adaptados para doentes neurológicos e poucos terem investigado as correlações estruturais das alterações comportamentais na Esclerose Múltipla.
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7,786
Anorexia nervosa
Anorexia nervosa,Diagnóstico,Terapêutica
Anorexia nervosa é uma doeça psiquiatrica com severas consequências orgânicas, caracterizada pela recusa em manter um peso minimamente normal. Os doentes com anorexia nervosa apresentam uma imagem corporal profundamente distorcida, um medo intenso de ganhar peso, mesmo quando visivelmente desnutridos. A anorexia nervosa é o resultado de um complexo jogo de factores biológicos, sociais e psicológicos. Oitenta e cinco por cento dos doentes têm a doença entre os treze e os dezoito anos e são predominantemente mulheres. O tratamento geralmente envolve reabilitação nutricional, monitorização médica e tratamento psicológico. As alterações físicas e médicas são em grande parte secundárias a perturbação do estado nutricional e dos hábitos alimentares, e a maioria destas alterações resolvem com a normalização dos comportamentos alimentares e do peso, com a possível excepção da densidade mineral óssea. Recentes avanços têm sido feitos no estudo da interacção dos vários factores de risco que originam a Anorexia Nervosa. Embora tenham sido também efectuados avanços no tratamento desta doença, são necessários mais estudos para definir tratamentos eficazes
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7,788
Estimulação cerebral profunda na terapêutica da perturbação obsessiva-compulsiva
Transtorno obsessivo-compulsivo,Psiquiatria,Estimulantes do sistema nervoso central
Introdução A Perturbação Obsessivo-Compulsiva é uma doença complexa, cujo quadro clínico é caracterizado pela presença de obsessões (pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos e repetitivos, inaceitáveis ou indesejados pelo doente e que geram resistência) e compulsões (actos essencialmente repetitivos e estereotipados). A terapêutica médica desta doença tem a componente farmacológica, que se baseia na administração de Inibidores da Recaptação de Serotonina, e na componente psicológica, com Terapia Cognitivo-Comportamental. No entanto, cerca de 10% dos doentes são refractários ao tratamento médico, mesmo utilizando-se um leque variado de estratégias terapêuticas. Assim, métodos de neurocirurgia e neuromodelação têm sido utilizados na tentativa de resolução destes casos refractários. A Estimulação Cerebral Profunda, utilizada com sucesso no tratamento da Doença de Parkinson e outras patologias neuromotoras surge então como uma possível alternativa na terapêutica da Perturbação Obsessivo-Compulsiva. Objectivos O objectivo deste trabalho é fazer uma revisão da Perturbação Obsessivo-Compulsiva, um estudo da Estimulação Cerebral Profunda, e uma análise dos doentes com Perturbação Obsessivo-Compulsiva após terem sido submetidos a esta terapêutica, com uma descrição da neurofisiologia da doença e metodologia aplicada nesta técnica. Desenvolvimento Através de diferentes estudos analisando a aplicação de Estimulação Cerebral Profunda em diferentes regiões alvo, localizadas a nível dos circuitos neurológicos os quais se pensa que 2 estão envolvidos na patogénese da Perturbação Obsessivo-Compulsiva, obteve-se resultados terapêuticos bastante promissores. Os locais mais estudados são o braço anterior da cápsula interna, estriado ventral, nucleus accumbens e núcleo subtalâmico. A melhoria sintomatológica média dos pacientes foi atingida em todos os estudos, nas diferentes regiões alvo. O número de efeitos adversos foi reduzido. O facto de a técnica ser reversível e ajustável ao longo do tempo é também um ponto forte desta. No entanto, um melhor estudo neurofisiológico dos circuitos neurológicos da Perturbação Obsessivo-Compulsiva é necessário para uma compreensão mais aprofundada da patologia, e assim um direcionamento ainda mais eficaz da terapêutica da Estimulação Cerebral Profunda. Conclusão O facto de a Estimulação Cerebral Profunda apenas recentemente ter sido aplicada no tratamento da Perturbação Obsessivo-Compulsiva faz com que o número de estudos com amostras alargadas e com diferentes regiões alvo seja ainda reduzido. No entanto, os resultados são promissores, e esta assume-se como uma técnica atractiva na terapêutica da Perturbação Obsessivo-Compulsiva, podendo abrir um novo caminho no tratamento de casos refractários à terapêutica médica, com poucos efeitos adversos.
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7,789
Auto-questionário ao doente com lúpus eritematoso sistémico para rastreio da atividade da doença : estudo prospetivo com o P-SLAQ
Lupus eritematoso sistémico,Questionários
Introdução: O lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença sistémica autoimune, caraterizada por exacerbações e remissões imprevisíveis da atividade da doença. Objetivos: Avaliar a responsividade e validade do Portuguese systemic lupus activity questionnaire (P-SLAQ), um auto questionário de avaliação da atividade do LES. Métodos: O P-SLAQ, a avaliação global da existência de crise do LES (Crise LES) e da intensidade do LES (AGD), foram respondidos por doentes consecutivos com LES, cumprindo os critérios de classificação ACR 1997, imediatamente antes da consulta. O reumatologista, desconhecendo os resultados do P-SLAQ, examinou cada paciente e completou o Systemic Lupus Assessment Measure-Revised (SLAM-R), Systemic Lupus Erythematosus Disease Activity Index (SLEDAI-2K) e Physician Global Assessment (PGA). A correlação do P-SLAQ com os restantes instrumentos de avaliação da atividade da doença foi analisada pela correlação de Pearson. A responsividade, incluiu doentes com 2 avaliações em consultas consecutivas, calculou-se pela correlação de Pearson entre as variações obtidas (entre a segunda e primeira avaliação) no P-SLAQ e SLAM-R exclusivamente clínico (SLAM-clínico). Realizou-se análise multivariada para testar o efeito de co-variáveis como a variação do P-SLAQ na variação do SLAM-clínico. Resultados: Na análise de validade foram incluídos 166 doentes com pelo menos uma avaliação (85,5% mulheres e idade média 42,7±3,5). Verificaram-se correlações significativas (p<0,01) moderadas do P-SLAQ com Crise LES (r=0,567), AGD (r=0,694) e SLAM-clinico (r=0,350). Na avaliação da responsividade, incluindo 87 doentes cujas avaliações tiveram intervalo médio de 4 meses, o P-SLAQ apresentou moderada responsividade relativamente ao SLAM-clínico (r=0,343, p<0,01). No modelo de regressão linear analisaram-se como potenciais co-fatores preditivos da variação do SLAM-clínico, a variação do P-SLAQ, género, idade, grau de escolaridade e duração da doença. Além da Diferença do P-SLAQ, apenas a idade é um fator preditor significativo baixo da Diferença do SLAM-clínico no modelo multivariável. Conclusões: Verificou-se que a autoavaliação da atividade do LES pelo doente com P-SLAQ se correlaciona com a avaliação clínica pelo médico, através do SLAM-clínico. Além disso, a variação na pontuação do P-SLAQ correlaciona-se com alterações da atividade clínica do LES entre consultas consecutivas, medidas pelo SLAM-clinico, em análise uni e multivariada. Contudo, o valor preditivo da autoavaliação pelo doente para detetar variações da atividade do LES é baixo. Estes resultados reforçam a necessidade de monitorização médica dos doentes com LES a intervalos regulares, ainda que não apresentem manifestações de agudização aparentes para o doente.
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7,790
Determinantes de tabagismo na adolescência
Tabagismo,Adolescência
O tabagismo associa-se a elevadas taxas de mortalidade e morbilidade, constituindo a principal causa de morte evitável no mundo. Dado que a maioria dos fumadores começou a fumar na adolescência, este é um período crítico para intervenção. Fatores contextuais (como relações interpessoais, práticas parentais, escola, comunidade, exposição a influências pró-tabágicas dos Media, restrições e acesso a tabaco e estratégias e políticas de promoção do mesmo) e fatores individuais (genes, determinados atributos pessoais/características psicológicas, depressão, ansiedade, álcool e drogas ilícitas, preocupações com o peso e nível de atividade física) determinam o aparecimento de tabagismo na adolescência, em resultado da sua atuação e interação. O clínico tem um papel fundamental nesta temática, não só na deteção dos fatores de risco de tabagismo na adolescência, mas também na atuação preventiva e na cessação tabágica do adolescente e fumadores do seu círculo de relacionamentos. O conhecimento dos determinantes de tabagismo na adolescência é essencial para a elaboração de programas de prevenção eficazes, na medida em que permite reconhecer a origem do problema e orientar a intervenção nesse sentido, unindo não só esforços provenientes dos clínicos, família, escolas e outras instituições, mas também medidas de caráter político e legislativo a nível nacional e internacional, no sentido de modificar favoravelmente as taxas de mortalidade e morbilidade associadas ao tabagismo.
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7,791
Impacto do enfarte agudo do miocárdio no perfil de atividade física
Exercício,Enfarte do miocárdio
Introdução: A doença arterial coronária é um dos principais problemas de saúde pública nos países desenvolvidos, apresentando uma elevada morbilidade e mortalidade. A reabilitação cardíaca constitui um elemento fundamental na prevenção secundária da doença arterial coronária, sendo que a atividade física regular desempenha um papel central neste tipo de abordagem multidisciplinar. Objetivos: Comparar os níveis de atividade física antes do enfarte agudo do miocárdio e 3 meses depois, avaliando o impacto deste no perfil de atividade física do doente. Identificar os doentes com maior risco para não alcançarem os níveis de atividade física recomendados na prevenção secundária, ou seja, aqueles que mais beneficiariam da reabilitação cardíaca. Metodologia: Estudo prospetivo de 50 doentes admitidos com enfarte agudo do miocárdio numa Unidade de Cuidados Intensivos Coronários, procurando avaliar os níveis de atividade física dos doentes antes e 3 meses depois do enfarte do miocárdio, através do International Physical Activity Questionnaire (versão curta). Esta população de doentes foi dividida de forma a comparar 2 grupos: doentes com e sem melhoria do perfil de atividade física (fazendo esta divisão de acordo com a categoria de atividade física prévia e pós-enfarte do miocárdio e também em função do score IPAQ). Resultados: Após o enfarte agudo do miocárdio, 24% dos doentes melhoraram de categoria IPAQ, com apenas 10% dos doentes na categoria de atividade física baixa, metade dos doentes com atividade física moderada e 40% dos doentes na categoria de atividade física alta. Os doentes com níveis baixos de atividade após o enfarte agudo do miocárdio eram os que praticavam menos exercício previamente. Apesar da maioria dos doentes que apresentava atividade física baixa antes do enfarte do miocárdio ter melhorado de categoria, 29% desses doentes mantiveram-se na categoria de atividade física baixa. Os doentes sem melhoria do score IPAQ apresentavam doença coronária menos severa (lesões de um vaso), com tendência para um menor número de stents implantados comparativamente com os doentes que melhoraram de score após o EAM (1,0±1,0 vs 1,7±1,5, p=0,056). Conclusões: A avaliação do perfil de atividade física prévia, através de questionários, pode ser importante para identificar os doentes mais propensos a não alcançarem os níveis de atividade recomendados na prevenção secundária da doença arterial coronária, permitindo selecionar os doentes que mais beneficiariam de reabilitação cardíaca.
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7,792
Reabilitação cardíaca na doença coronária : revisão clínica
Doença das coronárias,|Reabilitação
A doença coronária é uma causa importante de morbi-mortalidade nos países desenvolvidos, com grande impacto social e económico. Devido ao envelhecimento da população e à passagem da doença coronária de uma entidade aguda para uma doença predominantemente crónica, surge a necessidade crescente de serviços médicos que ajudem os doentes a melhorar a sua qualidade de vida, diminuir os sintomas, aumentar a capacidade funcional e reduzir o risco de morbi-mortalidade. Em resposta a esta necessidade surgiu a Reabilitação Cardíaca. Ela é um campo multidisciplinar da Medicina que visa a optimização da função biopsicossocial dos doentes com doença cardiovascular. Os cuidados de Reabilitação Cardíaca podem-se iniciar no internamento, mas a sua componente mais significativa decorre em contexto ambulatório, como um programa integrado, a longo prazo. Este inclui avaliação médica, prescrição de exercício, modificação de factores de risco cardiovasculares, educação e aconselhamento. Inicialmente o exercício físico era a matriz destes programas, actualmente estes evoluíram no sentido da prevenção integrada multifactorial e multidisciplinar, onde todos os aspectos dos cuidados cardiovasculares preventivos são prestados, incluindo terapia nutricional, perda de peso, controlo dos lípidos sanguíneos, controlo da tensão arterial, controlo da diabetes mellitus e controlo do stress. A Reabilitação Cardíaca é dirigida aos doentes após evento coronário agudo, cirurgia de bypass, angioplastia coronária percutânea, cirurgia valvular, transplante cardíaco, doentes com angina estável ou insuficiência cardíaca. Inicia-se com a avaliação dos factores de risco, prova de esforço e delineamento dos objectivos de curto a longo prazo. O trabalho que desenvolvemos teve como objectivo avaliar o estado da arte em Reabilitação Cardíaca, particularmente na doença coronária. Pretendeu-se pesquisar as evidências científicas quanto aos seus resultados e sua efectividade, rever os mecanismos explicativos e fundamentos das intervenções, analisar a sua evolução ao longo dos tempos e qual a sua realidade em Portugal. Da análise da bibliografia que fizemos concluímos que a participação em programas de Reabilitação Cardíaca está associada a melhoria dos factores de risco cardiovasculares, diminuição da mortalidade, diminuição da incidência de novos eventos coronários, alívio dos sintomas e diminuição das incapacidades. Apesar dos seus benefícios, estes programas são pouco utilizados, com apenas 1,8% dos candidatos elegíveis em Portugal a participar. A contribuir para esta escassa utilização estão a distribuição geográfica e as baixas taxas de referenciação. Estes programas têm-se mostrado muito interessantes nos estudos de custo-efectividade, merecendo lugar de maior destaque na prestação de cuidados a longo prazo aos doentes cardíacos.
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7,793
Efeito do exercício físico na resposta inflamatória do idoso
Envelhecimento,Idoso,Inflamação,Exercício físico
Com o aumento substancial da esperança média de vida, torna-se evidente o impacto na saúde pública das doenças associadas ao envelhecimento. Neste contexto, é imperativo identificar os factores de risco associados às doenças mais prevalentes no idoso e delinear modelos interventivos capazes de prevenir e/ou melhorar esses mesmos factores. Diversos estudos têm identificado a inflamação crónica como um importante factor de risco para o desenvolvimento de doenças cardio-vasculares, cancro colo-rectal, artrite, obesidade e diabetes mellitus tipo 2, entre outras. No idoso em particular, a inflamação crónica poderá estar igualmente implicada no desenvolvimento da sarcopenia. Actualmente alguns investigadores reconhecem o músculo como um órgão endócrino, capaz de produzir e libertar citocinas, e que, quando estimulado através da realização de exercício físico, poderá promover a elevação da concentração plasmática de citocinas com propriedades anti-inflamatórias. Esta revisão pretende reunir as principais evidências que poderão constituir linhas explicativas do possível benefício da prescrição de exercício físico como meio de reduzir a inflamação crónica no idoso. Os estudos epidemiológicos têm observado uma associação entre o sedentarismo e a inflamação crónica, quer em adultos jovens quer em idosos. Contudo, estes estudos não fornecem qualquer informação sobre uma possível relação causal. Alguns estudos experimentais constataram que a realização de um plano regular de exercício físico, predominantemente aeróbio, foi capaz de reduzir significativamente concentrações plasmáticas da Proteína C Reactiva, da Interleucina 6 e Interleucina 8, sugerindo que a prática de exercício físico, através de mecanismos ainda não esclarecidos, contribui para uma melhoria do perfil inflamatório crónico nos idosos. Acredita-se que o aumento da Interleucina 6 durante o exercício físico desempenhe um papel central neste processo, promovendo o aumento da concentração de citocinas anti-inflamatórias como o Antagonista do receptor da Interleucina 1 e Interleucina 10, que por sua vez vão inibir a produção de citocinas inflamatórias como o Factor de Necrose Tumoral α e a Interleucina 1. Contudo, serão necessários mais estudos para que, de uma forma consistente e metódica, se avaliem a influência da intensidade, do volume e dos diferentes tipos de exercício físico no idoso, conducentes à elaboração de planos objectivos e interventivos capazes de actuar positivamente na inflamação crónica.
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Síndrome de Cushing : aspectos neuropsiquiátricos
Endocrinologia,Síndrome de Cushing,Depressão,Perturbações neuróticas
Introdução: A síndrome de Cushing endógena é uma endocrinopatia rara, resultante de uma produção excessiva e crónica de cortisol. Esse excesso de cortisol vai levar a alterações em praticamente todos os sistemas orgânicos, inclusivé no sistema nervoso central, levando a que grande parte destes doentes apresentem tanto na fase activa da síndrome, como após a remissão do hipercortisolismo, distúrbios psiquiátricos e neurológicos. Objectivos: O objectivo deste trabalho visa a elaboração de uma revisão da literatura existente acerca dos aspectos neurológicos e psiquiátricos presentes na síndrome de Cushing, bem como dos possíveis mecanismos responsáveis por essas alterações. Desenvolvimento: A nível neurológico, a atrofia cerebral e o consequente surgimento de défices cognitivos estão presentes na maioria dos doentes na fase activa e permanecem durante meses ou anos após a remissão do hipercortisolismo, havendo no entanto uma recuperação pelo menos parcial de ambos ao longo do tempo. O surgimento da atrofia cerebral terá provavelmente uma etiologia multifactorial: o excesso de cortisol, alterações da captação de glicose a nível cerebral, alterações da neurogénese ou dos receptores do cortisol. A patologia psiquiátrica mais comum na síndrome de Cushing é sem dúvida a depressão, podendo manifestar-se nas formas atípica e melancólica, que, tal como a atrofia cerebral e os défices cognitivos, tem tendência para melhoria após a remissão do hipercortisolismo. Na síndrome de Cushing a depressão deve ser pensada como uma complicação com etiologia tanto biológica como psicossocial, tendo em conta a probabilidade do envolvimento de várias hormonas do eixo hipotálamo-hipofise-adrenal, de neurotransmissores cerebrais (principalmente a serotonina) e de alterações genéticas, assim como de aspectos decorrentes de eventos de vida stressantes e da personalidade prévia dos doentes. Outras patologias psiquiátricas, embora menos comuns, como a mania, hipomania e psicoses, também podem surgir, tal como distúrbios psiquiátricos minor como sejam o aumento da ansiedade, as insónias, a irritabilidade e a fadiga. A diminuição da qualidade de vida dos pacientes com síndrome de Cushing é outro aspecto a que actualmente se tem atribuído cada vez mais importância. Conclusões: Os clínicos devem estar alertados para a perspectiva psiconeuroendocrinológica da síndrome de Cushing, entendendo que não se trata apenas de uma patologia endócrina, mas também neurológica e psiquiátrica, existindo a necessidade de uma reabilitação biopsicossocial durante meses ou anos
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7,795
Cirurgia convencional versus cirurgia endovascular no tratamento de aneurismas da aorta abdominal
Aneurisma aórtico abdominal,Aorta abdominal,Cirurgia
A- Introdução O aneurisma da aorta abdominal é uma situação clínica associada a um elevado risco de mortalidade pela possibilidade de rotura, quer pela sua história natural quer a qualquer momento. Apesar dos avanços no apoio peri e pós-operatório ao tratamento cirúrgico desta patologia, nas últimas quatro décadas ocorreu um progresso muito restrito no desfecho dessas situações de rotura, com taxas de mortalidade operatória globalmente superiores a 60%. Há, pois, todo o interesse em intervir precocemente, isto é, antes da rotura, em período geralmente assintomático. O tratamento gold-standard para esta patologia tem sido a abordagem cirúrgica convencional, isto é, por laparotomia e interposição de enxerto. No entanto, recentemente, a técnica menos invasiva de abordagem endovascular tem registado maior preferência em muitos Centros de Cirurgia Vascular do mundo inteiro. Urge então avaliar se o tratamento endovascular apresenta uma melhoria nos resultados a curto e longo prazo, reduz a ocorrência de efeitos colaterais adversos, complicações e recorrências, apresenta critérios válidos para a selecção de doentes de acordo com a população em maior risco de desenvolvimento desta patologia, reduz o número de dias de internamento necessários, assim como se apresenta vantagens na relação custo/benefício, tudo isto em comparação com aquele tratamento cirúrgico convencional. B- Objectivos Com este trabalho, vai ser realizada uma revisão teórica sobre os princípios clínicos da terapia cirúrgica convencional e da terapia cirúrgica endovascular, analisando os riscos inerentes, as populações-alvo, critérios de selectividade e taxas de ocorrência de efeitos adversos e mortalidade, bem como os resultados a médio e longo prazo e os cuidados pós-operatórios a ter e a manter, recolhendo os dados de diversos estudos efectuados em diferentes Centros Cirúrgicos. Por último, como objectivo maior deste trabalho, pretende-se analisar e obter uma conclusão quanto à existência de uma abordagem terapêutica de eleição para tratamento de aneurismas da aorta abdominal. C- Conclusão Embora com menores taxas de mortalidade e morbilidade a curto prazo, a elevada taxa de reintervenções, de complicações a longo prazo e os elevados custos associados não possibilitam a adopção da cirurgia endovascular como terapêutica de eleição. As suas indicações devem limitar-se a doentes idosos, doentes com baixa esperança média de vida ou que apresentem critérios de risco cirúrgico major. Nos restantes doentes propostos para intervenção cirúrgica de reparação de AAA, a abordagem convencional permite atingir um estado de cura definitiva, não sendo necessária formação específica das equipas clínicas para a sua realização com sucesso. A esta abordagem cirúrgica estão também associados menores custos interventivos e de follow-up. Além desses factos, permite uma adequada cobertura territorial e interventiva a nível nacional.
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7,796
Comportamentos sexuais dos estudantes de medicina
Estudantes de medicina,Comportamento sexual,Perturbações sexuais
Introdução : Pouco se sabe sobre o impacto que o Curso de Medicina tem sobre os seus estudantes a nível de satisfação sexual, ou sobre os comportamentos na área da Sexualidade face ao fácil acesso a informação sobre esta temática associado ao Curso em questão. Objectivos: Recolher informação na população alvo (estudantes de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra), através da distribuição, preenchimento e recolha de inquéritos anónimos e confidenciais, de modo a caracterizar os comportamentos sexuais dos estudantes de medicina e comportamentos de risco, como amostra representativa da sua faixa etária, assim como determinar a incidência de episódios de disfunção sexual pela carga psicológica associada à frequência do ensino médico. Métodos: Realizou-se um estudo descritivo transversal em duas fases (entre Março e Maio 2009 e entre Setembro e Novembro de 2009), através de inquéritos auto-preenchidos, numa amostra de estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Resultados: Foram recolhidos e validados 306 inquéritos; 66% do sexo feminino; idade média 21 anos. Na amostra recolhida 83,5% são sexualmente activos (média de início da actividade sexual aos 17,5 anos). Na população masculina 51,9% encontravam-se comprometidos, 88,5% assumiram-se como heterossexuais e 87,5% praticavam masturbação. Na população feminina 61,9% estavam comprometidas, e 98,5% eram heterossexuais e 47% admitiram masturbar-se. As práticas sexuais mais realizadas foram o sexo vaginal e oral (60,3%) e a preferida foi o sexo vaginal (86,7%). No total 16,2%, 74,3%, e 16,8% têm hábitos tabágicos, etílicos, e de consumo de estupefacientes respectivamente. A principal queixa no sexo masculino foi a de dificuldade em atingir o orgasmo (25,3%); no sexo feminino prevaleceu a dor durante o acto sexual (64,1%). O método contraceptivo mais usado foi a conjugação de preservativo e pílula (35,5%).A satisfação sexual dos indivíduos do sexo masculino teve uma média de 7,45; sendo de 7,56 no sexo feminino. Foram correlacionadas a satisfação sexual, variáveis de disfunção sexual masculina e feminina com as restantes variáveis. Conclusões: Os comportamentos sexuais deste grupo de estudantes foram caracterizados. A presença de episódios de dificuldade em atingir o orgamo masculino e dos vários os tipos de disfunção sexual feminina abordados foram superiores ao descrito na literatura. Mais estudos são necessários para confirmar estes resultados.
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7,797
Dador com mais de 65 anos na transplantação renal : condição do dador e função do enxerto
Transplantação do rim,Dadores de tecidos,Urologia
Introdução: O transplante com dadores marginais permitiu diminuir o número de doentes em lista de espera. Esta técnica possibilita uma melhor qualidade de vida, menor morbilidade e mortalidade que a hemodiálise. Dadores marginais definem-se por idade superior a 60 anos ou superior a 50 anos e dois ou mais dos seguintes factores de risco: história de Hipertensão Arterial, Diabetes mellitus tipo 2, Acidente Vascular Cerebral (AVC) como causa de morte ou creatinina sérica superior a 1,5 mg/dl. Objectivos: Avaliar as condições dos dadores marginais com mais de 65 anos de todos os transplantes renais realizados no Serviço de Transplantação dos Hospitais da Universidade de Coimbra (ST-HUC) e analisar a sobrevivência do doente, do enxerto, bem como, a sua função um e três meses após o transplante. Metodologia: Análise retrospectiva dos transplantes renais realizados no ST-HUC, entre Março de 1994 e Fevereiro de 2012, cujo dador tinha idade igual ou superior a 65 anos. Resultados: Foram transplantados 198 doentes, com idade média de 59,4 anos, maioria do sexo masculino (68,7%). A etiologia mais frequente de Doença Renal Crónica foi indeterminada e o tempo médio de diálise de 4,6 anos. A idade média dos dadores foi de 69,6 anos, a maioria do sexo feminino (55,6%). A principal causa de morte dos dadores foi AVC (68,8%). O tempo médio de isquémia foi de 19,0 horas. Do total de transplantados, 85,8% permaneceram vivos. As principais causas de morte foram pneumonia e doença cardiovascular. Verificou-se função inicial em 72,2%, rejeição aguda em 7,6% e perda de enxerto em 24,2%, cuja principal causa foi a morte. Os níveis médios de creatinina eram de 2,3 mg/dl e 1,9 mg/dl, um e três meses após o transplante, respectivamente. Metade dos doentes com tempo de diálise superior a 10 anos teve função tardia do enxerto. Quanto maior o tempo de isquémia, maior a função tardia, menor a sobrevivência do enxerto e maior a mortalidade. Para tempos de isquémia superiores a 30 horas, foram encontrados valores de creatinina significativamente mais elevados ao terceiro mês. Conclusões: Os dadores marginais são uma alternativa aceitável, com boa função do enxerto, permitindo combater a escassez de órgãos disponíveis para transplante. A idade do dador não foi causa de perda do enxerto, diminuição da sobrevivência do mesmo ou do doente. Contudo, verificou-se que tanto o tempo de diálise pré-transplante como o tempo de isquémia a que o enxerto foi sujeito são factores de mau prognóstico.
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7,798
Consumo de café : riscos e benefícios
Cafeína,Nutrição,Stresse oxidativo,Diabetes mellitus,Doenças cardiovasculares
O café é, a seguir à água, a bebida mais consumida em todo o mundo com um consumo per capita de 11.5 kg nos países industrializados. Consumido pelo seu efeito estimulante ou apenas pelo seu aroma, a verdade é que um terço da população mundial bebe café numa quantidade superior a qualquer outra bebida. A sua popularidade associada à importância económica que representa, explica a crescente investigação científica desenvolvida nas últimas décadas com enfoque nos efeitos a nível da saúde humana. Continuam a existir controvérsias quanto aos benefícios e riscos associados ao seu consumo. No entanto, nas últimas décadas têm-se multiplicado os estudos que suportam o seu potencial contributo na promoção da saúde e a sua associação à redução do risco de várias doenças crónicas. O café é uma mistura química complexa, composta por mais de 1000 estruturas químicas diferentes responsáveis pelos efeitos biológicos verificados nos consumidores habituais. Além da cafeína, outros constituintes têm revelado propriedades antioxidante e anticancerígena incluindo o ácido clorogénico e os produtos da sua degradação. Outros compostos biologicamente ativos são o cafestol e o caveol, diterpenos implicados no aumento dos níveis de colesterol verificado nos consumidores de café não filtrado. Os resultados dos estudos epidemiológicos sugerem que o consumo de café possa prevenir o aparecimento de algumas doenças crónicas, nomeadamente a Diabetes Mellitus tipo 2, a doença de Parkinson e as hepatopatias (cirrose e o hepatocarcinoma). A maioria dos estudos prospetivos de coorte não prova a existência de um aumento da incidência de patologia cardiovascular. No entanto, o consumo de café está a associado ao aumento de alguns fatores de risco para doença cardiovascular como são os níveis elevados de homocisteína e de LDL. O aumento da tensão arterial verificado é relativamente reduzido e não pode ser atribuído exclusivamente à cafeína. A associação negativa entre o café e o risco de desenvolver Diabetes Mellitus tipo 2 está bem estabelecida do ponto de vista epidemiológico apesar dos mecanismos subjacentes a esta proteção não estarem ainda bem estabelecidos. Para alguns tumores verifica-se uma redução de risco nos consumidores de café. Face à luz dos conhecimentos científicos atuais, é possível afirmar que o consumo moderado de 3/4 porções de café por dia (300-400 mg de cafeína), quando enquadrado num contexto de hábitos de vida saudáveis, demonstra benefícios para a saúde humana.
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7,799
Hepatite C crónica :|bque opções terapêuticas?
Hepatite C crónica,Terapêutica
A hepatite C crónica representa uma importante causa de morbilidade e mortalidade a nível mundial. Estima-se actualmente que cerca de 3% da população mundial se encontre infectada com este vírus, o que representa cerca de 170 milhões de pessoas por todo o mundo. Apesar de ter havido um claro desenvolvimento das estratégias terapêuticas desde a descoberta do vírus da hepatite c em 1989, ainda hoje existem certos grupos, nomeadamente os infectados com vírus da hepatite c genótipo 1 ou 4, nos quais a eficácia terapêutica é de cerca de 55% dos doentes tratados, sendo ainda mais baixa em doentes não respondedores ou em doentes que recidivaram após tratamento inicial. Devido a este facto existe um grande interesse na comunidade médica especializada no sentido de alcançar melhores resultados terapêuticos, passando este objectivo pela optimização dos esquemas terapêuticos actuais e pelo descobrimento de novos fármacos específicos contra este vírus. Actualmente o tratamento baseia-se no uso de interferão peguilado e ribavirina durante diferentes períodos de tempo, dependendo do genótipo infectante. A optimização destes esquemas passa pelo aumento ou diminuição da sua duração mediante as taxas de resposta a 4ª semana (resposta virológica rápida) ou à 12ª semana (resposta virológica inicial). Passa ainda pela diminuição dos efeitos adversos destes medicamentos, através da descoberta de novos interferões e novas ribavirinas ou do uso de factores de crescimento, melhorando assim a qualidade de vida dos doentes e aumentando a sua adesão ao tratamento. Outro tipo de abordagem visa a descoberta de novos medicamentos que actuem em vias específicas do ciclo de vida viral, tais como, inibidores da entrada na célula, inibidores da protease, inibidores da polimerase e inibidores da montagem e libertação viral. Existe ainda outra via que tem sido abordada para tentar combater esta infecção, intervindo na imunomodelação dos mecanismos de defesa do hospedeiro, permitindo assim uma maior eficácia na eliminação viral. Apesar de existirem melhorias significativas no tratamento e alguns resultados encorajadores destes novos fármacos, há ainda um longo caminho a percorrer no sentido de alcançar resultados terapêuticos ideais na luta contra esta patologia
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7,800
Efeito do tabaco no desenvolvimento e progressão do cancro da próstata
Tabagismo,Neoplasias de próstata
As doenças resultantes do tabagismo constituem um dos principais problemas de saúde, sobretudo no que diz respeito às doenças respiratórias, cardiovasculares e neoplásicas, estimando-se cerca de 1 bilião de homens e 250 milhões de mulheres fumadores em todo o mundo. No entanto, permanece por esclarecer a sua acção no cancro da próstata, o qual constitui a neoplasia sólida mais diagnosticada e a segunda causa de morte por cancro nos homens, nos países ocidentais. Pretende-se sistematizar o conhecimento relativamente à acção do tabaco no desenvolvimento e progressão do cancro da próstata e avaliar de que forma a sua evicção poderá ter um efeito preventivo. O fumo de cigarro contém mais de 4000 substâncias conhecidas, das quais mais de 60 são carcinogénicas. As mais estudadas são os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), Nnitrosaminas e aminas aromáticas heterocíclicas que parecem estar relacionados com o desenvolvimento da doença através da formação de aductos PAH-DNA e de acções mutagénicas e epigenéticas. Os PAHs também aumentam a expressão das ANP32A e ciclofilina A, também aumentadas em outras neoplasias, aumento da expressão de MMP-9, associado a uma maior capacidade de invasão local e metastização, e aumento da proliferação celular em células da tiróide. 3 O tabagismo provoca silenciamento de genes supressores tumorais e de enzimas destoxificantes por hipermetilação dos ilhéus CpG das regiões promotoras. Apesar do estado de hipermetilação ser menor nos ex-fumadores, é conhecido que o tabaco também induz hipermetilação de genes de defesas antioxiadantes como a glutationa S-transferase (GST) que tem um papel importante na destoxificação de compostos resultantes do fumo como os PAHs. Por outro lado, a diminuição de estrogénios e aumento de testosterona resultante do tabagismo, poderá estar relacionado com um maior risco para o desenvolvimento da doença. Além disso, o tabaco contém níveis significativos de cádmio, um metal pesado implicado também na carcinogénese prostática. O fumo de tabaco contém agentes oxidantes, aumenta a produção de espécies reactivas de oxigénio, diminui as defesas antioxidantes (diminuição das vitaminas A e C e em menor extensão a GST) e é promotor de inflamação sistémica o que terá provavelmente um papel na etiologia desta doença. Por outro lado, polimorfismos genéticos parecem estar associados a aumento do risco de cancro da próstata em fumadores, como o polimorfismo Ile105Val do gene da GST, o qual está relacionado com uma menor actividade desta enzima. A doença também é mais prevalente em fumadores com o genótipo AA da Manganésio Superóxido Dismutase (MnSOD) e/ou que tenham um genótipo de acetiladores rápidos para a N-acetil-transferase (NAT1). A relação entre tabagismo e a incidência de cancro da próstata não é clara, no entanto a incidência aumenta em indivíduos que acumulam outros factores de risco. Por outro lado, parece haver relação com maior agressividade da doença, pior prognóstico e mortalidade aumentada
Ciências Médicas e da Saúde
7,802
Carcinoma hepatocelular : caracterização de uma população num serviço hospitalar
Carcinoma hepatocelular,Diagnóstico,Terapêutica
O Carcinoma hepatocelular é actualmente a sexta neoplasia maligna mais frequente no mundo e a terceira causa mais frequente de morte relacionada com neoplasias malignas. É ainda o maior responsável pela mortalidade de doentes cirróticos, ocorrendo em 80% dos casos neste contexto. Os procedimentos diagnósticos e terapêuticos que lhe estão associados estão cada vezes mais estandardizados constituindo guidelines subscritos pelas mais importantes associações internacionais para Estudo do Fígado. Objectivos Pretende-se a criação de uma base de dados sobre carcinoma hepatocelular, onde esteja reunida todas as informações essenciais, permitindo um seguimento mais sistematizado destes doentes. Expõem-se também informações de doentes que foram relevantes para a sua constituição. Metodologia Fez-se uma análise do panorama actual do conhecimento do hepatocarcinoma na literatura científica e recolheram-se os dados de um grupo de 14 doentes de forma a definir as informações que deveram estar presentes na base de dados. Fazendo uso do programa FileMaker®, que permite criação de bases de dados podendo-se proceder a modificações sem perda de dados antigos, criou-se um conjunto de layouts e adicionaram-se os dados dos referidos doentes. Resultados Criou-se assim uma base de dados constituída por layouts dedicados ao hepatocarcinoma. Depois da identificação do doente envolvido colhem-se dados sobre o método que permitiu a descoberta da neoplasia. As informações necessárias para o estadiamento proposto pelo grupo de Barcelona (BCLC) designadamente o performance status, o Child-Pugh, os dados fundamentais da morfologia e da localização do tumor bem como elementos sobre a invasão vascular ou a presença de metástases são recolhidos de modo sistemático. Anotam-se igualmente dados definidores da hepatopatia subjacente. As modalidades terapêuticas possíveis são depois dissecadas. Assim existe um layout para eventuais ressecções cirúrgicas; um outro para transplante hepático e suas complicações; ainda um outro para os procedimentos ablativos percutâneos. Para uma eventual quimoembolização bem como para a utilização de inibidores das quinases existem layouts com campos apropriados que permitem recolher dados sobre as eficácia e os correspondentes efeitos adversos. Termina-se com um layout dedicado ao seguimento geral dos doentes. Nela foram implementadas as informações dos doentes que serviram para a melhorar e adaptar à realidade do serviço hospitalar. Conclusão Conseguiu-se com este trabalho fazer uma base de dados sobre carcinoma hepatocelular que pretende tornar o seu seguimento mais sistematizado e as decisões mais correctas. Fez-se ainda uma casuística dos doentes cujas informações contribuíram para a formação da base de dados.
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7,803
Diabetes e doença cardiovascular
Diabetes mellitus,Doenças cardiovasculares
Introdução: A diabetes mellitus é uma das doenças crónicas mais comuns a nível mundial, estima-se que esta atingia cerca 12,4% da população portuguesa em 2010. A DM2 está associada ao desenvolvimento de complicações crónicas macrovasculares (doença arterial coronária, doença cerebrovascular e doença arterial periférica) e microvasculares (retinopatia, nefropatia e neuropatia). A doença cardiocerebrovascular é a principal responsável pela morbilidade e mortalidade nos diabéticos. Objetivos: Contribuir para um melhor conhecimento e caracterização de uma população diabética que frequenta a consulta de Medicina Interna e de Nutrição Clínica dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Avaliando parâmetros laboratoriais, prevalência de complicações crónicas associadas à DM2 e a terapêutica instituída, bem como identificando factores de risco de DCV, tentando distinguir a gravidade das comorbilidades de acordo com o tempo de evolução da doença. Metodologia: Consulta de processos clínicos de doentes com diabetes mellitus tipo 2 seguidos em consulta durante um trimestre. A amostra foi subdividida em dois grupos: DM <10 anos ou DM ≥10 anos de diagnóstico e obesos ou não obesos. Resultados: A população alvo tinha em média 66,1 anos e apresentavam um IMC de 32,7 kg/m2. Verificou-se que 53,1% dos doentes tinham HbA1c <7% e 53,9% apresentavam uma glicémia pré-prandial <126 mg/dl. A prevalência de complicações macrovasculares foi de 16,7% (5,9% doença arterial coronária, 5,9% doença cerebrovascular e 9,8% doença arterial periférica) e microvasculares de 27,5% (6,9% retinopatia, 19,6% nefropatia e 7,8% neuropatia). A terapêutica farmacológica para a DM2 era usada por 94,1% dos doentes, sendo que 82,4% utilizavam ADOs, 28,4% insulina e 16,7% ADOs e insulina. A HTA e a dislipidémia estavam presentes em 88,2% e 82,4% dos diabéticos. Constatou-se que os indivíduos com DM ≥10 anos tinham pior controlo glicémico, maior prevalência de complicações crónicas, bem como um maior recurso a insulina. Por sua vez, os obesos apresentavam uma menor ocorrência de microangiopatia e menor tempo de evolução da DM2. Após realização de uma análise multivariada identificou-se os preditores de macroangiopatia (DM ≥10 anos), de microangiopatia (DM ≥10 anos, c-HDL ≤45 mg/dl, TFG <60 ml/min/1,73m2 e terapêutica com sulfonilureias) e de ambos em simultâneo (DM ≥10 anos, c- Total ≥190 mg/dl, c-HDL ≤45 mg/dl e a TFG <60 ml/min/1,73m2). Discussão e Conclusão: Verificou-se que a prevalência de complicações crónicas vasculares da DM foi mais baixa quando comparada com outros estudos. Ao contrário do recomendado, 5,9% dos indivíduos apenas realizava terapêutica não farmacológica para a DM. Os DM ≥10 anos apresentavam uma média de idades superior e maior número de complicações. Constatou-se que a obesidade não era preditor de macroangiopatia. Deste modo, torna-se de extrema importância encarar e abordar a DM2 como um grave problema de saúde pública, que pode resultar em inúmeras complicações limitando fortemente a qualidade de vida dos doentes e acarretando elevados custos para a sociedade.
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7,804
Transplante hepático pediátrico com enxerto de dador vivo : experiência do centro de referência em Protugal
Transplante de fígado,Dadores de tecidos,Pediatria,Morbilidade,Mortalidade
Introdução: Atualmente, o transplante hepático pediátrico é a terapêutica recomendada na doença hepática terminal, tendo o transplante hepático com enxerto de dador vivo surgido em resposta ao aumento da procura e da escassez de órgãos. O objetivo deste estudo é apresentar a experiência em transplante hepático de dador vivo do centro de referência português do transplante hepático em idade pediátrica. Métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo de coorte que abrangeu todas as crianças (n=24) submetidas a transplante de dador vivo efetuado no âmbito do programa de transplantação hepática dos Hospitais da Universidade de Coimbra - Hospital Pediátrico/Centro Hospitalar de Coimbra, entre Abril de 2001 e Fevereiro de 2009, e cujo período de estudo se estendeu até Dezembro de 2012. Colheram-se dados dos processos clínicos relativos a informação clínica e demográfica dos dadores e recetores, indicação para transplante hepático, cirurgias prévias, dados perioperatórios, imunossupressão e profilaxia antimicrobiana, complicações pós transplante, mortalidade e tempo de seguimento. Para apresentação dos resultados empregou-se o método de Kaplan-Meier para as curvas de sobrevida; percentagem para as variáveis categóricas; média ± desvio padrão, mediana e percentis 25-75, limite máximo e limite mínimo para as variáveis quantitativas e gráficos boxplot para a representação da mediana e percentis 25-75. Resultados: Entre 2001 e 2009 realizaram-se 24 transplantes de dador vivo correspondentes a 24.5% do total de transplantes hepáticos pediátricos efetuados no mesmo período. A idade média das crianças transplantadas foi de 5 anos, das quais 25% estavam no primeiro ano de vida. Das doenças hepáticas primárias que motivaram o transplante hepático, a atrésia das vias biliares foi a causa mais frequente (38%). A frequência de complicações cirúrgicas foi de 71%, sendo que as complicações vasculares (44%) e as biliares (29%) foram as mais frequentes. A sobrevida após transplante hepático de dador vivo foi de 92% no 1º ano e de 87.5% aos 5 e 10 anos. Ocorreram 3 óbitos e 2 retransplantes hepáticos. Das crianças vivas com o enxerto original (N=20), 19 mantinham boa função global, sem previsão de transplante. Conclusão: Os resultados obtidos no presente estudo foram coincidentes com outros estudos publicados. No entanto, ocorreu uma maior incidência de trombose da veia porta e estenose da veia cava, relativamente à literatura atual. Por outro lado o retransplante foi inferior ao publicado na literatura. O seguimento a longo prazo destes doentes, com o objetivo de evitar a perda tardia do enxerto e permitir uma boa qualidade de vida e um normal crescimento e desenvolvimento, dever-se-á manter e poderá justificar novos estudos.
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7,805
Modalidades de execução de rastreio do cancro do colón e recto
Neoplasias do colon do útero,Neoplasias do recto,Exames complementares de diagnóstico
Introdução: O Cancro Colo-Rectal representa um grande problema de saúde pública responsável por um milhão de novos casos todos os anos. A maioria dos Cancros Colo-Rectais tem origem em pólipos adenomatosos através da sequência adenoma-carcinoma, com um tempo de progressão de aproximadamente dez anos, sendo causa de significativa morbi-mortalidade, onde o tratamento da doença desempenha um enorme encargo financeiro para a sociedade. Vários estudos têm mostrado que o rastreio do Cancro Colo-Rectal reduz a mortalidade, a incidência e melhora a sobrevivência. Os métodos actualmente disponíveis para rastreio são, a pesquisa de sangue oculto nas fezes, existindo para tal, o teste do guaiaco e testes imunoquímicos, a colonoscopia, a sigmoidoscopia flexível, a colonografia por tomografia computorizada, a cápsula endoscópica, os testes de ácido desoxirribonucleico fecal e os biomarcadores serológicos. Objectivos: Analisar e comparar o impacto financeiro, estimando o custo da implementação de um programa de rastreio de base populacional pelas técnicas de pesquisa de sangue oculto nas fezes e por colonoscopia total na região Autónoma dos Açores. Métodos: Utilizadas quatro taxas de participação, 25; 50; 65 e 75%, para comparar as três técnicas de rastreio. Com base nos custos totais, foram calculados os custos por participante para as mesmas taxas de participação. Resultados: Para taxa de participação de 25%, o total de custos estimados para a implementação de um rastreio de base populacional foi de 910.497,29€ para o método guaiaco, de 1.830.374,69€ para o método imunoquímico e 2.186.494,30€ para a colonoscopia, com custos por participante de 75,01€; 150,79€ e de 180,13€ respectivamente. 4 Para a taxa de 50%, o total de custos estimados foi de 1.501.115,60€ para o método guaiaco; 3.308.980,92€ para o método imunoquímico e de 4.186.914,68€ para a colonoscopia, com custos por participante de 61,83€; 136,30€ e 172,47€ respectivamente. Para a taxa de 65%, o total de custos estimados foi de 1.852.857,87€ para o guaiaco; 4.180.811,30€ para o método imunoquímico e de 5.387.166,91€ para a colonoscopia, com custos por participante de 58,71€, 132,47€ e 170,70€, respectivamente. Para a taxa de 75%, o total de custos estimados foi de 2.086.262,45€ para o guaiaco; 4755711,99€ para o imunoquímico e 6187335,06€ para a colonoscopia, com custos por participante de 57,29€, 130,60€ e 169,91€ respectivamente. Conclusão: Quando a taxa de participação é semelhante para as três técnicas, os custos totais e os custos por participante são consideravelmente maiores para a colonoscopia total, seguida do método imunoquímico e por fim o método guaiaco.
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7,807
Condossarcomas do aparelho osteoarticular e dos tecidos moles : estudo retrospectivo da casuística dos Hospitais da Universidade de Coimbra de 1998 a 2011
Condrossarcomas convencionais,condrossarcomas desdiferenciados,resultados,género sexual,idade,localização esquelética
Introdução Os condrossarcomas são o segundo tipo de sarcomas do osso mais comuns, têm maior incidência entre a 4.ª e a 6.ª décadas de vida, e o seu tratamento é principalmente cirúrgico. Em termos gerais têm um bom prognóstico e este é influenciado por diversos factores (grau histológico, localização esquelética, idade do doente, entre outras). As variantes dos condrossarcomas têm, geralmente, pior prognóstico e os desdiferenciados representam a sua maior fatia. Métodos Revimos 101 casos de doentes diagnosticados com condrossarcomas do aparelho osteoarticular e tecidos moles, pelo serviço de anatomia patológica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), entre os anos de 1998 e 2011. De todos os doentes, 10 foram perdidos no estudo, 14 morreram de causa não relacionada com o sarcoma, 4 continuam vivos apesar de terem a doença e 47 encontram-se vivos sem doença. O follow-up mínimo foi de 8 dias e o máximo de 149 meses. A análise estatística foi realizada com recurso ao software IBM SPSS® v.19, realizando-se uma análise descritiva das variáveis, testes de normalidade para as variáveis quantitativas, comparação de variáveis nominais usando o teste de Qui-Quadrado e análise de sobrevivência com recurso a curvas de Kaplan-Meier. Resultados No nosso estudo havia 38 homens e 63 mulheres. A idade média foi de 55 anos (variando entre os 17 e os 82 anos), à data do diagnóstico. O fémur foi o osso mais afectado (29/101), seguido do osso coxal (14/101), do úmero (12/101) e da mão (12/101). O tamanho médio do maior eixo foi de 11,0 cm. Analisamos 46 condrossarcomas de grau 1, 39 de grau 2 e 11 de grau 3 (todos eles desdiferenciados). Optou-se pelo tratamento cirúrgico em 90 deles, registando-se 5 com margens cirúrgicas inadequadas. Da análise das curvas de Kaplan-Meier evidenciámos que a idade, o tamanho, o grau histológico, o desenvolvimento de complicações Área Científica de Ortopedia pós tratamento inicial e o de recidivas locais ou de doença à distância apresentam resultados estatisticamente significativos. Discussão e Conclusões No nosso estudo, o sexo feminino foi o mais afectado por este tipo de sarcomas, mas tal facto não tem implicações prognósticas significativas. Acreditamos que a idade, o tamanho do maior eixo destes sarcomas, o grau histológico, o desenvolvimento de complicações pós tratamento inicial e o de recidiva local ou de doença à distância são factores que interferem negativamente sobre o prognóstico dos condrossarcomas.
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7,808
Perturbação sexual do desejo e da excitação na mulher : novos desenvolvimentos
Psiquiatria,Sexualidade,Disfunções sexuais psicogénicas,Mulheres
Introdução: Ao longo do curso de Medicina, a omissão e o silêncio relativamente à sexualidade feminina nas diversas disciplinas, levou a uma maior interesse da minha parte por este tema em específico. O estudo desta área visou preencher esta lacuna, não só como uma forma de dar resposta à minha curiosidade, mas por ser uma referência na minha formação como futura profissional de saúde. Objectivos: Este artigo teve como objectivo fazer uma revisão geral da literatura sobre disfunções sexuais femininas, da excitação e desejo, abordando modelos de resposta sexual feminina, definições das perturbações do desejo e excitação, epidemiologia e factores etiológicos implicados nessas disfunções sexuais, tendo em conta os novos desenvolvimentos na área. Desenvolvimento: A sexualidade humana assistiu a grandes transformações nas últimas décadas, especialmente no que diz respeito à mulher, cuja sexualidade tem sofrido adaptações tendo em conta o seu contexto e evolução sócio-cultural. Partiu-se do modelo clássico, linear e sequencial de resposta sexual proposto por Masters e Johnson, até aos mais recentes modelos circulares, onde as fases que integram a resposta sexual feminina se sobrepõem, numa ordem não definida e são amplamente condicionadas por contextos de ordem biológica, psicológica e social. Impõe-se, portanto, a necessidade de observar a resposta sexual feminina por uma nova perspectiva. No entanto, a subjectividade e a dificuldade de mensuração de parâmetros biológicos e psicossomáticos tornam este tema, ainda, bastante controverso e pouco consensual. Apresentam-se as propostas de novos critérios e nomenclaturas de perturbações da excitação e desejo para a V edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders relativamente às disfunções sexuais femininas. Estudos mais fidedignos são necessários, não só para compreender o real impacto da disfunção na população feminina, mas para distinguir situações transitórias e adaptativas da resposta sexual feminina de verdadeiras disfunções sexuais. Conclusões: Dada a contextualidade da sexualidade feminina, bem como a ênfase dada a este tema nas últimas décadas, várias são as áreas em reformulações, estudos e debates. São precisos mais estudos com base nas novas conceptualizações de modelos de resposta sexual feminina, que tenham em conta a sua complexidade e dimensão biopsicossocial, condições estas que afectarão abordagens e tratamentos dessas mesmas perturbações sexuais.
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7,809
Comparação dos preditores independentes da mortalidade a um ano entre doentes com e sem insuficiência renal após uma síndrome coronária aguda
Síndroma corononiana aguda,Insuficiência renal,Mortalidade
Introdução: As Síndromes Coronárias Agudas são uma das principais causas de morbilidade e mortalidade no Mundo. Novos indicadores de insuficiência renal têm suscitado atenção na previsão de resultados adversos em doentes com estas Síndromes. Estudos recentes sugerem que a doença renal crónica, um problema de saúde pública mundial, afecta negativamente o diagnóstico, tratamento e prognóstico dos doentes com características de alto risco para Síndromes Coronárias Agudas. Vários aspectos da relação entre a insuficiência renal e doença cardiovascular permanecem inexplorados. Contudo, diversos estudos têm demonstrado a importância crucial da insuficiência renal no prognóstico e desfecho dos doentes com Síndromes Coronárias Agudas, considerando-a um preditor independente de mortalidade. Objectivo: Comparar os preditores independentes de mortalidade a um ano, entre doentes com e sem insuficiência renal, após uma Síndrome Coronária Aguda. Metodologia: Estudo retrospectivo de 927 doentes com Síndrome Coronária Aguda, de um único centro, internados durante o período compreendido entre Maio de 2004 e Dezembro de 2006 e que sobreviveram ao evento. O seguimento clínico foi realizado ao fim de 1 ano após a alta hospitalar. Os doentes foram divididos em 2 grupos de acordo com a Clearance de Creatinina: Grupo A (n=381) – Clearance de Creatinina <60 mL/min e Grupo B (n=546) – Clearance de Creatinina ≥60 mL/min. Resultados: Os doentes na População com Clearance de Creatinina <60 mL/min eram mais frequentemente do sexo feminino (45,2% vs 21,2%, p<0,001), mais idosos (759 anos vs 6111 anos, p<0,001), apresentavam mais frequentemente enfarte agudo do miocárdio sem supra-desnivelamento do segmento ST (53,8% vs 38,9%, p<0,001), frequências cardíacas na admissão mais elevadas (8018 bpm vs 7614 bpm, p=0,001), menos frequentemente classe Killip-Kimball I (75,9% vs 91,3%, p<0,001), pior função sistólica ventricular esquerda (fracção de ejecção do ventrículo esquerdo 5012% vs 5310%, p<0,001), tinham mais vezes bloqueio completo de ramo esquerdo (6,8% vs 3,2%, p=0,008), valores maiores de glicemia na admissão (135,0 mg/dL vs 124,0 mg/dL, p=0,001) e apresentavam taxas de mortalidade significativamente mais altas (mortalidade intra-hospitalar de 8,5% vs 1,2% e a um ano 13,9% vs 5,1%; p<0,001 e p<0,001, respectivamente). Na análise multivariada os preditores independentes de mortalidade na população com Clearance de Creatinina ≥60 mL/min foram a idade ≥71,5 anos (OR: 5,77, IC95%: 1,894-17,576), valor de troponina I ≥38,9 U/L (OR: 8,206, IC95%: 2,402-28,036), glicemia na admissão ≥152,5 mg/dL (OR: 3,11, IC95%: 1,038-9,317), fracção de ejecção do ventrículo esquerdo 47,5% (OR: 3,586, IC95%: 1,21-10,632), classe Killip-Kimball >1 (OR: 9,089, IC95%: 2,353-35,117), enfarte agudo do miocárdio prévio (OR: 6,664, IC95%: 1,931-22,998) e bloqueio completo de ramo esquerdo no electrocardiograma (OR: 16,817, IC95%: 2,694-104,993). Na população com Clearance de Creatinina <60 mL/min os únicos preditores independentes de mortalidade foram a idade ≥74,5 anos (OR: 3,209, IC95%: 1,478-6,966) e a frequência cardíaca ≥78,5 bpm (OR: 2,976, IC95%: 1,435-6,174). Conclusão: A insuficiência renal parece ser um preditor independente de eventos adversos tão forte que a sua importância se sobrepõe à dos outros preditores de mortalidade tradicionais após uma Síndrome Coronária Aguda. Perante a existência de insuficiência renal, não é necessária a presença de quaisquer outros factores de risco para prever um prognóstico sombrio. Estes resultados salientam a importância do tratamento agressivo dos doentes com insuficiência renal e Síndromes Coronárias Agudas, independentemente da existência de outros preditores de mau prognóstico.
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7,810
Inibidores da 5-fosfodiesterase no tratamento sintomático da hiperplasia benigna da próstata
Hiperplasia benigna da próstata,Disfunção eréctil,Inibidores da fosfodiesterase
Tanto a hiperplasia benigna da próstata como a disfunção eréctil são patologias com elevada prevalência em homens com mais de 60 anos de idade, existindo evidência epidemiológica de que possam partilhar uma fisiopatologia comum. Foram assim formuladas quatro teorias que podem explicar esta relação: a teoria da Rho-cinase; a do síndrome metabólico e da hiperactividade autonómica; a da via do óxido nítrico e a da aterosclerose pélvica. Tendo sido demonstrado o efeito regulador dos inibidores da 5-fosfodiesterase no tónus muscular da próstata, vários estudos foram realizados no sentido de verificar o efeito destes fármacos na hiperplasia benigna da próstata. Assim, este artigo tem por objectivo elaborar uma revisão da informação que se encontra publicada acerca da utilização de inibidores da 5-fosfodiesterase no tratamento da hiperplasia benigna da próstata, de modo a entender o fundamento da utilização deste fármaco e a sua eficácia na sintomatologia desta patologia. Em todos os estudos analisados, os inibidores da 5-fosfodiesterase demonstraram serem eficazes na melhoria dos sintomas e serem bem tolerados, tanto em monoterapia como em combinação com bloqueadores α. O tratamento combinado demonstrou ainda ser mais eficaz do que a utilização isolada de cada um dos fármacos. Para além da melhoria sintomática, verificou-se um efeito anti-proliferativo e inibidor da trans-diferenciação de fibroblastos num estudo pré-clínico. No entanto, são necessários estudos clínicos de larga escala e com distribuição aleatória para determinar a segurança a longo prazo, a eficácia e a relação custo-eficácia da utilização dos inibidores da 5-fosfodiesterase no tratamento sintomático da hiperplasia benigna da próstata.
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7,812
Comparação entre stents metálicos e stents revestidos por fármacos nas síndromes coronárias agudas
Cardiologia,Revascularização miocárdica,Stents,Stents farmacológicos
Introdução: A doença isquémica cardíaca assume-se actualmente como a primeira causa de morte no Mundo. As Síndromes Coronárias Agudas constituem um conjunto de manifestações clínicas da doença isquémica cardíaca em fase instável, cujo tratamento actual assenta na Intervenção Coronária Percutânea, uma técnica considerada “life saving” que muito tem evoluído nos últimos 20 anos. Os Stents revestidos por Fármacos, introduzidos neste procedimento em 2002, permitiram uma diminuição significativa das taxas de reestenose face aos seus predecessores, os Stents Metálicos. No entanto, estudos desenvolvidos posteriormente originaram alguma controvérsia quanto à sua utilização. Objectivos: Procedeu-se à revisão de literatura publicada, através da base de dados PubMed, comparando a utilização de Stents Metálicos e Stents revestidos por Fármacos nas Síndromes Coronárias Agudas, em termos de eficácia e segurança. Desenvolvimento: Os estudos pivot que levaram à aprovação dos Stents revestidos por Fármacos excluíram as Síndromes Coronárias Agudas, tendo permanecido estas como indicações “off label”. Os primeiros estudos realizados em doentes com Enfarte Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST, foram animadores. No entanto, o tamanho das amostras, a sua representatividade e o follow-up foram considerados insuficientes. A crescente utilização dos Stents revestidos por Fármacos em situações “offlabel”, a inconsistência das terapêuticas anti-plaquetares e relatos de Trombose por Stent, levantaram questões quanto à escolha do tipo de stent. Em resposta, foram desenvolvidos estudos em populações mais abrangentes e a Trombose por Stent foi avaliada com maior rigor. Em doentes com perfil clínico e lesões de maior risco, apesar de terem apresentado uma maior taxa de eventos adversos, os Stents revestidos por Fármacos revelaram-se superiores. ! )! Em doentes intervencionados por Síndromes Coronárias Agudas, mostraram também maior eficácia, sem aumento da incidência de morte, reenfarte ou trombose. Estes resultados foram consistentes em estudos de registos, ensaios clínicos randomizados e meta-análises, até 3 anos de follow-up. A Trombose por Stent revelou-se multifactorial, sendo a descontinuação da terapêutica anti-plaquetar um dos factores preditivos mais relevantes. Conclusões: Os Stents revestidos por Fármacos apresentam até à data um balanço final positivo, em contexto de Síndrome Coronária Aguda. No entanto, permanecem dúvidas relativamente à sua segurança a longo prazo e verdadeira incidência de Trombose por Stent, sendo necessários estudos de maiores dimensões e follow-up. A melhor compreensão dos factores preditivos de trombose pode ser importante no desenvolvimento de designs mais seguros e terapêuticas anti-plaquetares mais eficazes.
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7,813
Obesidade e depressão
Psiquiatria,Obesidade,Depressão,Causalidade
A obesidade e a depressão são importantes problemas de saúde. A elevada prevalência de ambas as patologias, bem como a sobreposição de algumas das suas complicações sugere a possível existência de uma associação entre a obesidade e a depressão. Foi realizada uma revisão dos mais recentes artigos, com intuito de perceber se a obesidade e a depressão se associam e qual direcção em que esta se processa, tendo em consideração as variáveis que poderão moderar a associação. Finalmente, procurou-se reunir as teorias explicativas mais frequentemente aceites como estando na base desta associação. A obesidade e a depressão coexistem frequentemente. A obesidade pode funcionar como um factor de risco para o aparecimento de depressão e vice-versa. Existe alguma evidência da bidireccionalidade entre as duas patologias. Esta associação parece verificar-se mais consistentemente no sexo feminino. Existem inúmeras teorias explicativas para o mecanismo que liga as duas patologias, incluindo os distúrbios alimentares, doença física, estigma social, inflamação, resistência à insulina e diabetes, hipótese vascular da depressão, psicopatologia parental, efeitos secundários dos antidepressivos, hormonas esteróides sexuais, o papel de diversos neurotransmissores, a desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, entre outros. Apesar de todas as tentativas para explicar a associação, é possível que nenhuma das hipóteses isoladamente consiga explicá-la. Muitas das teorias explicativas parecem partilhar, no entanto, de um mecanismo central, a desregulação do eixo hipotálamo-hipófisesuprarrenal. A confimação da existência de uma associação entre a obesidade e a depressão alerta para a necessidade de combinar terapêuticas que melhorem quer a saúde mental quer a saúde física, de modo a atingir uma melhor qualidade de vida e bem estar. A determinação das Cristina Cruz Página 4 de 72 características inter-individuais e mecanismos que interagem com a associação permite que essas terapêuticas sejam o mais direccionadas e eficazes possível.
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7,814
Do crónica : uma perspectiva biopsicossocial
Psiquiatria,Dor
Introdução: A dor crónica é um grave problema de saúde pública, de elevada prevalência em Portugal e no mundo, e que origina custos significativos para os indivíduos, famílias e cuidadores, bem como para os sistemas de saúde e para as economias. Objectivos: Este trabalho teve como objectivo expor os modelos de dor que influenciaram a visão da dor ao longo dos tempos até ao desenvolvimento do modelo biopsicossocial; desenvolver os princípios em que este se baseia; actualizar o conhecimento existente sobre os métodos de avaliação do doente com dor crónica; e rever as intervenções terapêuticas biopsicossociais mais utilizadas. Desenvolvimento: Os modelos de dor têm vindo a incorporar novas descobertas, tendo-se tornado mais complexos. A teoria do controlo do portão da dor foi o primeiro modelo que integrou factores fisiológicos e psicológicos. A abordagem biopsicossocial defende que a experiência da dor é determinada pela interacção dinâmica entre factores biológicos, psicológicos e sociais. O modelo operante foca-se nas manifestações objectivas de dor e sofrimento expressas como comportamentos de dor, os quais estão sujeitos a condicionamento. O modelo cognitivo-comportamental foi desenvolvido a partir do modelo operante, integrando os seus princípios à teoria e terapia cognitiva. Um bom esquema terapêutico não pode ser iniciado sem uma adequada avaliação, e esta deve atender aos factores cognitivos, afectivos, comportamentais e sociais. Existem instrumentos que permitem medir, classificar e avaliar a dor e fenómenos a ela associados com validade e reprodutibilidade. A utilização de intervenções psicológicas no tratamento da dor crónica é considerada uma terapêutica de primeira linha. Os paradigmas de reforço, punição, extinção e modelação são fundamentais ao tratamento pelo modelo de condicionamento operante. As intervenções cognitivo-comportamentais que têm sido desenvolvidas partilham quatro componentes essenciais: educação, aquisição de aptidões, ensaio/prova/teste cognitivo e comportamental e generalização e manutenção. Conclusões: As intervenções biopsicossociais são hoje consideradas como as mais eficazes no tratamento da dor crónica, no entanto, é ainda necessário realizar mais estudos para melhor quantificar e esclarecer algumas questões. Os estudos existentes não permitem tirar conclusões acerca da eficácia das técnicas de condicionamento operante pois são escassos, contraditórios e não seguem muitas vezes o protótipo preconizado por Fordyce. Quanto à terapêutica cognitivo-comportamental, está provado que adiciona resultados significativos relativamente às intervenções médicas disponíveis.
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7,815
Dieta mediterrânica e doença de Alzheimer
Doença de Alzheimer,Dieta mediterrânica
Introdução: A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa cuja característica clínica principal é a perda de memória que interfere com as actividades diárias, conduzindo a debilitação física e morte. É uma doença cuja prevalência está a aumentar e que acarretará graves custos aos sistemas de saúde. Existe actualmente um grande interesse nas fases prodrómicas da doença, nomeadamente no defeito cognitivo ligeiro, definido como um défice da memória e de outras funções cognitivas mas que não interfere com as actividades diárias que pode preceder a doença de Alzheimer. O principal factor de risco para a doença de Alzheimer é a idade, mas estão implicados outros factores genéticos e ambientais. A dieta mediterrânica é o padrão alimentar praticado nos países da bacia do Mar Mediterrâneo. Caracteriza-se pela ingestão abundante de cereais integrais, frutas e legumes, pela ingestão moderada de peixe, ovos, lacticínios e carnes brancas e pela ingestão escassa de carnes vermelhas, batatas, cereais refinados, doces e também pela prática regular de exercício físico. O azeite é a principal fonte de gordura e o vinho é consumido em quantidades moderadas. A dieta mediterrânica é um padrão alimentar cujo potencial protector de doenças cardiovasculares e cancro está bem documentado. Intervenções na área da prevenção da doença de Alzheimer e no atraso da conversão do defeito cognitivo ligeiro em doença de Alzheimer estão a ser estudadas. Objectivo: Revisão do conhecimento científico actual sobre a relação entre dieta mediterrânica e a doença de Alzheimer. Desenvolvimento: O stress oxidativo, a inflamação, o metabolismo da homocisteína e o metabolismo lipídico são mecanismos implicados na doença de Alzheimer. Portanto é admissível que certos padrões alimentares como a mediterrânica que promovem um bom perfil lipídico, boa disponibilidade de vitaminas e anti-oxidantes e até de substâncias anti-inflamatórios possam ter um papel protector da doença de Alzheimer. Conclusão: Começa a existir alguma informação credível que apoie a relação entre dieta mediterrânica e a doença de Alzheimer, no entanto são necessários estudos de larga escala e sobretudo ensaios clínicos randomizados para que se possam fazer recomendações específicas aos indivíduos em risco e aos doentes de Alzheimer. É razoável recomendar à população em geral exercício físico e a dieta mediterrânica pois está largamente provado que é um estilo de vida que prolonga e melhora a qualidade de vida.
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7,816
Síndrome da morte súbita do lactente e tabagismo : ciência e estratégias de intervenção
Pediatria,Morte súbita do lactente,Tabagismo
Introdução: A Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL) é a principal causa de morte pós-neonatal no lactente. O tabagismo é, actualmente, o principal factor de risco prevenível. Objectivos: A presente revisão pretende actualizar o conhecimento sobre a relação causal entre exposição ao fumo do tabaco e SMSL e desenvolver estratégias de intervenção preventivas eficazes na redução da exposição e consequente redução dos casos de SMSL. Desenvolvimento: O risco de SMSL aumenta com o tabagismo activo na gravidez e com o tabagismo passivo pós-natal materno e de outros. A exposição ao tabagismo passivo na gravidez aumenta as concentrações fetais e neonatais de nicotina e cotinina. A etiologia da SMSL permanece desconhecida mas têm sido encontradas alterações relacionadas com a exposição ao tabaco. A cessação tabágica da grávida e prevenção da recaída baseiam-se em intervenções psicossociais personalizadas. A farmacoterapia não é recomendada, reservando-se para grávidas que não respondem à terapêutica não medicamentosa. A principal fonte de exposição passiva das crianças é a casa, onde restrições parciais não oferecem protecção máxima. Conclusões: O tabagismo na gravidez e a exposição das crianças ao fumo do tabaco devem ser preocupações actuais. A cessação tabágica na gravidez e medidas de controlo da exposição a ambientes de fumo do tabaco reduzem a SMSL. A legislação deve proteger os não fumadores do tabagismo passivo, particularmente as crianças. A educação da população é a base para a mudança. O profissional de saúde tem um papel primordial na avaliação dos hábitos tabágicos da grávida/pais e da exposição das crianças, que devem ser consideradas rotina, bem como no apoio à cessação tabágica e na educação para a saúde
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7,817
Avanços na terapêutica farmacológica da fibromialgia
Fibromialgia,Terapêutica por medicamentos
A Fibromialgia é uma doença comum que afecta predominantemente mulheres e que se caracteriza por dor crónica generalizada, fadiga e distúrbios do sono. Apesar da etiologia da Fibromialgia não ser conhecida, pensa-se que resulte da sensibilização do sistema nervoso central, devido a distúrbios dos neurotransmissores (níveis reduzidos das aminas biogénicas e concentrações elevadas de neurotransmissores excitatórios) em conjunto com factores predisponentes. Os parâmetros que avaliam sintomas como a dor, fadiga, distúrbios do sono e função multidimensional permitem comparar a eficácia de diferentes fármacos. O objectivo do tratamento da Fibromialgia, que deve ser individualizado, é a redução dos sintomas e melhoria da função. Este artigo de revisão focou-se em recentes ensaios clínicos acerca da terapêutica farmacológica da Fibromialgia, sendo as recomendações clínicas baseadas na evidência proveniente dos mesmos. Tendo em conta as recomendações da European League Against Rheumatism, este artigo discutiu diversas opções terapêuticas para a Fibromialgia, de acordo com os níveis de evidência de eficácia disponíveis: pequena (anti-inflamatórios não esteróides e opióides), moderada (oxibato de sódio) e elevada (tramadol, inibidores selectivos da recaptação da serotonina, agonistas da dopamina, antidepressivos tricíclicos, inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina e ligandos α2-δ). Pelo facto de a Fibromialgia provocar morbilidade e incapacidade substanciais e pelo facto de se assistir à utilização rotineira de fármacos não eficazes no tratamento da dor de origem central associada à Fibromialgia, houve necessidade de aprovação de fármacos especificamente para esta patologia. Até à data, foram aprovados três fármacos pela Food and Drug Administration: pregabalina, duloxetina e milnaciprano. No entanto, nenhum fármaco foi aprovado pela European Medicines Agency. Este artigo de revisão descreveu estes fármacos de acordo com o perfil de segurança, tolerância e eficácia, discutindo o seu papel na abordagem da Fibromialgia. Tendo em conta a natureza multifacetada da Fibromialgia, é necessária uma abordagem integrada, que inclua terapêutica farmacológica e opções de terapêutica não farmacológica, que também foram aqui discutidas. Assim, o objectivo deste artigo de revisão foi analisar e sintetizar aspectos inerentes aos fármacos disponíveis actualmente, principalmente aos três fármacos aprovados com o intuito de tratar esta doença, relativamente à eficácia no alívio da dor e melhoria da qualidade de vida dos doentes com Fibromialgia. A revisão das terapêuticas da Fibromialgia foi feita pela pesquisa na base de dados da PubMed, de ensaios clínicos, metanálises e artigos de revisão relativos ao tratamento da Fibromialgia. Os artigos foram seleccionados com base na qualidade, relevância e grau de atenção recebido previamente. As referências adicionais foram identificadas nas referências bibliográficas dos artigos publicados.
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7,819
Perfil sérico da leptina em doentes com patologia endometrial
Leptina,Endométrio
A leptina é uma hormona que actua na regulação do balanço energético, na reprodução, angiogénese, proliferação celular e na inflamação. O cancro do endométrio está fortemente associado à obesidade, assim como a uma menarca precoce, menopausa tardia e a níveis elevados de estrogénios de origem endógena. A leptina tem sido associada a mecanismos ligados ao desenvolvimento e patogénese do cancro do endométrio. Este estudo pretende rever os dados publicados que correlacionam a leptina e seu papel na patogénese do cancro do endométrio. O cancro do endométrio tem como principal factor de risco o estrogénio endógeno, apresentando uma taxa de incidência consideravelmente aumentada em mulheres pós-menopáusicas, facto que pode estar correlacionado com o aumento de peso frequentemente observado nas mulheres nesta fase da vida. O tecido adiposo é considerado um orgão de secreção endócrina, sendo o principal responsável pela produção de estrogénios endógenos na mulher pós-menopáusica. O tecido adiposo é também sede da produção de leptina. Esta hormona tem um papel essencial na regulação do peso corporal e do balanço energético, mais concretamente na massa tecidual gorda. Tratando-se a obesidade de um dos principais factores de risco para o desenvolvimento de cancro do endométrio, a leptina poderá ter alguma importância fisiopatológica nesta patologia. Os trabalhos têm apontado para uma elevação dos níveis séricos de leptina em mulheres obesas com cancro do endométrio comparativamente a mulheres sem esta patologia. A leptina aparenta ter um papel no desenvolvimento tumoral, contudo ainda parcialmente desconhecido.
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7,820
Estudo da prevalência dos factores femininos de infertilidade na população da região autónoma da Madeira e comparação com o centro de procriação medicamente assistida dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Infertilidade feminina,Factores de risco
Introdução: A infertilidade é o fracasso em alcançar uma gravidez clínica após 12 meses ou mais de relações sexuais desprotegidas e tem uma prevalência de 9 a 10% dos casos em Portugal. A sua incidência tem aumentado devido a factores como o adiamento do nascimento do primeiro filho, a obesidade e o aumento da incidência das doenças sexualmente transmissíveis. A avaliação clínica do casal infértil engloba o espermograma, o teste pós-coital, a avaliação da ovulação, do útero e das trompas e a laparoscopia. Estudos sobre a prevalência da infertilidade, Hull et al. (1985) e Collins (1995), mostraram que a disfunção ovulatória ocorria em 21-27% dos casos, as anomalias tubares em 14-22%, a endometriose em 5-6%, a infertilidade masculina em 25-26%, a infertilidade idiopática em 17-28% e outras causas em 4%. Objectivos: investigar as causas de infertilidade feminina e sua prevalência, o tipo de infertilidade (primária ou secundária) e relacionar as duas últimas condições com a idade da mulher, comparando duas populações de casais inférteis das consultas do Hospital Dr. Nélio Mendonça (hospital periférico) e dos Hospitais da Universidade de Coimbra (hospital central). Métodos: Estudo retrospectivo com consulta de processos da consulta de especialidade dos hospitais referidos, entre Janeiro de 2004 e Dezembro de 2008. Estudo estatístico realizado com SPSS® 17.0 para Windows®. Resultados: Não se encontraram diferenças significativas entre as duas populações, onde a média de idades da mulher é de 31,7 anos verificando-se uma maior prevalência da infertilidade primária. As mulheres com infertilidade secundária apresentaram uma idade superior. Foram encontradas diferenças significativas entre as populações referentes às várias etiologias da infertilidade. A principal etiologia foi a feminina (57,4% versus 66,2%), seguida do factor masculino (38,1% versus 41,2%) e da infertilidade idiopática (7,2% versus 9,9%). A disfunção ovulatória foi a principal causa de infertilidade feminina (50,1% versus 40,9%), seguida das anomalias tubares (35,4% versus 41,0%), da patologia uterina (14,8% versus 18,2%), da endometriose (13,0% versus 18,1%) e outras causas (1,8% versus 4,4%). As duas populações apresentaram uma maior prevalência de disfunção ovulatória nas mulheres com menos de 35 anos e de anomalias tubares nas mulheres com idade igual ou superior a 35 anos. Conclusões: a etiologia da infertilidade e a sua prevalência são semelhantes às da literatura, contudo existem diferenças na prevalência das várias etiologias da infertilidade feminina entre um hospital periférico e um centro especializado. A prevalência das diferentes causas da infertilidade feminina està associada à idade da mulher.
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7,821
Obesidade e banda gástrica
Obesidade,Bypass gástrico
A Organização Mundial de Saúde considera a obesidade uma epidemia global, desde 1997. A sua prevalência tem vindo a aumentar em todo o mundo, atingindo valores alarmantes nos países ocidentais. Em Portugal 14,2% da população adulta é obesa. A obesidade mórbida, definida por Índice de Massa Corporal≥40, está a aumentar num ritmo maior que a obesidade. Esta epidemia crescente é uma consequência de um balanço energético positivo, o qual é decorrente de alimentação e exercício físico inadequados. Vários determinantes influenciam esta dicotomia e, em última instância, confluem na etiologia da obesidade. Os determinantes podem ter origem genética ou ambiental, sendo difícil quantificar o peso de cada um deles. A obesidade aumenta o risco de desenvolvimento de várias complicações de saúde, nomeadamente, hipertensão arterial, Diabetes Mellitus tipo 2, dislipidemia, vários tipos de cancro, apnéia obstrutiva do sono etc… Em última instância, a obesidade é uma condição que diminui a esperança média de vida. A banda gástrica ajustável é o método preconizado na Europa e baseia-se na redução da capacidade de armazenamento do estômago. Os mecanismos de perda de peso decorrentes da colocação da banda gástrica não estão completamente esclarecidos, contudo os resultados têm-se mostrado muito satisfatórios a longo-prazo. A selecção e preparação dos pacientes, efectuada pela equipa multidisciplinar, mostram-se como procedimentos marcantes no sucesso da cirurgia e o follow-up dos pacientes a longo prazo é essencial.
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7,824
Farmacoterapia da dependência de metanfetamina
Dependência da droga,Metanfetamina
Cerca de 15 milhões de pessoas consomem regularmente metanfetamina, o que a torna a segunda droga ilícita mais utilizada, a seguir à cannabis (United Nations Office on Drugs and Crime, 2007). A relativa facilidade com que os ingredientes primários podem ser adquiridos e convertidos no produto final, bem como o seu baixo preço (Sulzer et al., 2005), explicam porque nos últimos anos o consumo de metanfetamina se tornou uma epidemia à escala mundial (Barr et al., 2006). A metanfetamina é uma droga psicoestimulante que exerce os seus efeitos essencialmente através da libertação de monoaminas para a fenda sináptica, podendo produzir dependência (Barr et al., 2006). Actualmente não existem fármacos aprovados para o tratamento da dependência de metanfetamina (Vocci and Appel, 2007). A única forma de tratamento continua a ser a psicoterapia, no entanto as taxas de recaída são elevadas. Na última década tem aumentado substancialmente a pesquisa de medicamentos que possam ser eficazes no tratamento desta dependência (Elkashef et al., 2008 A). Resultante desta demanda, vários fármacos foram já testados em ensaios clínicos e alguns obtiveram resultados encorajadores. Neste artigo de revisão propõe-se realizar uma abordagem acerca da dependência de metanfetamina fazendo referência à sua epidemiologia, às propriedades da metanfetamina, incluindo a sua estrutura química, farmacocinética e farmacodinâmica, às manifestações da síndrome de abstinência, aos riscos associados ao seu consumo e por fim às possíveis estratégias terapêuticas no combate a esta dependência. Neste último ponto destacarei quais os fármacos já testados em ensaios clínicos randomizados, controlados por placebo e duplamente cegos, publicados na Cochrane Library, Pubmed e Science Direct, que obtiveram resultados promissores. Pretende-se, com este estudo, permitir aos clínicos uma rápida revisão deste tema e o conhecimento de quais os fármacos que num futuro próximo poderão fazer parte do seu arsenal terapêutico no combate a esta epidemia. Neste trabalho evidencia-se que, ao contrário do modafinil, o bupropiom e a danfetamina parecem ter eficácia moderada no tratamento desta dependência. Os resultados obtidos pela naltrexona em dependentes de anfetamina, sugerem a necessidade de estudos que comprovem a sua eficácia específica relativamente à dependência de metanfetamina. Porém, não existem quaisquer evidências concretas que permitam justificar a utilização destes ou doutros fármacos no tratamento da dependência de metanfetamina. Desta forma, torna-se vital reproduzir estas pesquisas em ensaios clínicos randomizados, controlados por placebo e duplamente cegos, multicêntricos e em grande escala, para esclarecer definitivamente o seu verdadeiro potencial terapêutico na dependência desta droga.
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7,825
Esclerose múltipla : uma doença primariamente inflamatória ou neurodegenerativa?
Neurologia,Esclerose múltipla
Objectivo: Os desenvolvimentos da genética, imunologia, patologia e técnicas de imagem têm permitido uma nova visão sobre o verdadeiro mecanismo inicial da Esclerose Múltipla (EM). Lesões que precedem as placas desmielinizantes, típicas desta doença que afecta o SNC, têm vindo a ser observadas, colocando a hipótese de uma oligodendropatia como causa inicial, contrariando a teoria inflamatória defendida pela grande maioria dos autores. Este trabalho pretende rever e apresentar as conclusões retiradas de pesquisas recentes de forma a tentar perceber o verdadeiro processo patológico que despoleta a EM. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática através dos 5 níveis da Pirâmide de Haynes, excluindo apenas o primeiro nível, Systems, por ainda não ser uma ferramenta completamente desenvolvida. Equações que incluíram os termos multiple sclerosis, inflammation, inflammatory, neurodegeneration, neurodegenerative e imunopathology foram usadas em fontes como UpToDate, Dynamed, Evidence Based Medicine, ACP Journal Club, Cochrane Library, PubMed e Medical Subject Headings. De 971 artigos encontrados em toda a pesquisa, 158 foram seleccionados com base em vários critérios de selecção. Resultados: Confirma-se a presença de um processo imune e degenerativo na EM, que podendo ser independentes, se envolvem num leque de possíveis etiologias que incluem genética, infecções, tóxicos, entre outras. Anormalidades nos oligodendrócitos e activação de microglia são observados em áreas do SNC aparentemente normais, antecipando em meses o aparecimento de lesões inflamatórias típicas da EM e o surgimento de sinais clínicos. Conclusões: São necessários mais estudos que ultrapassem as dificuldades inerentes à caracterização desta patologia, como recolha de amostras e pesquisa de biomarcadores específicos. Contudo, são várias as pesquisas que apontam para um aparecimento precoce de lesões a que os autores chamam de pré-activas, surgidas antes do processo imune e que podem representar o mecanismo precursor da EM. A causa para a oligodendropatia observada nestas lesões é, no entanto, ainda muito incerta, apesar de hipóteses como toxicidade pelo glutamato, disfunção mitocondrial e alterações oligodendrocíticas internas estarem a ser seriamente consideradas.
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7,826
Avaliação do impacto da realização prévia de cirurgia coronária ou angioplastia coronária na ocorrência de eventos adversos major fatais e não fatais
Cirurgia torácica,Angioplastia,Avaliação de resultados de acções preventivas
INTRODUÇÃO: As estratégias terapêuticas actuais para as síndromes coronárias agudas incluem frequentemente o recurso a medidas de revascularização coronária, não sendo ainda unânime qual a melhor modalidade a empregar. OBJECTIVOS: Avaliar o impacto da realização prévia de cirurgia coronária ou angioplastia coronária na ocorrência de eventos adversos major, fatais e não fatais, no contexto de síndromes coronárias agudas. METODOLOGIA: Estudo observacional, longitudinal, retrospectivo em que se procedeu à análise de uma base de dados única, onde foram incluídos todos os doentes consecutivamente admitidos por síndromes coronárias agudas entre os anos de 2004 e 2006. Na população em estudo foram considerados dois grupos, o dos doentes não sujeitos a medidas de revascularização (grupo A) e o daqueles a elas submetidos (grupo B). Este último foi ainda subdividido em três subgrupos, dependendo da realização de angioplastia coronária, de cirurgia coronária ou de ambas as técnicas (grupos B1, B2 e B3, respectivamente). Foi realizada a caracterização basal da população e analisado, em cada grupo, o risco de ocorrência de acidente vascular cerebral, reenfarte, insuficiência cardíaca e necessidade de nova revascularização nos primeiros 36 meses após a alta hospitalar. RESULTADOS: Foram incluídos 1877 doentes; os do grupo B apresentavam com maior frequência história de stresse/sedentarismo, antecedentes de doença coronária, recurso a medicação cardiovascular e cateterismo prévios (p<0,05). A diabetes mellitus foi mais frequente nos doentes do grupo B2 (p=0,038). Os pacientes do grupo A tinham uma classe Killip superior na admissão e valores mais favoráveis de fracção de ejecção do ventrículo esquerdo, triglicerídeos e HDL (p<0,05). Porém, apresentavam níveis mais elevados de CKMB (p=0,013) e uma maior prevalência de enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (p<0,001), enquanto o enfarte agudo do miocárdio sem supradesnivelamento foi mais frequente nos doentes do grupo B2. Os doentes do grupo B3 apresentavam com maior frequência angina instável e maior extensão da doença coronária segundo critérios angiográficos. Os doentes do grupo B1 revelaram menos complicações a nível intra-hospitalar, traduzindo-se numa menor mortalidade neste período (p=0,048). Quanto à ocorrência de eventos cardiovasculares major, a cirurgia de revascularização miocárdica apresentou resultados superiores em relação à angioplastia coronária, tendo sido identificado um pior prognóstico nos doentes do grupo B3. CONCLUSÕES: O estudo aponta para a necessidade de escolha criteriosa na abordagem de revascularização inicial. Aconselham-se novos estudos no sentido de esclarecer qual o melhor método de revascularização a ser empregue no tratamento das síndromes coronárias agudas.
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7,846
Prevenção da microinfiltração coronária no tratamento endodôntico
Obturação dos canais das raizes dentárias
O principal factor etiológico para o desenvolvimento de patologia periapical é a infecção intrarradicular por microrganismos da flora oral. Por isso, o tratamento endodôntico tem como objectivo preservar as condições de assépsia ou eliminar os microrganismos do interior dos canais radiculares, tendo em vista promover a manutenção ou o restabelecimento da integridade dos tecidos periapicais. As condições de assépsia, alcançadas durante a fase de preparação biomecânica, devem ser preservadas com a realização da obturação tridimensional do sistema canalar, seguida da restauração coronária. Com este procedimento, o clínico pretende impedir a entrada ou reentrada dos microrganismos no sistema canalar e a sua posterior progressão até aos tecidos periapicais. No entanto, a longo prazo, mesmo que todas as etapas terapêuticas anteriormente referidas sejam meticulosamente executadas, os microrganismos podem invadir o canal a partir da cavidade de acesso, dos canais laterais ou dos túbulos dentinários. A microinfiltração coronária resultante da recidiva de cárie, de fractura ou degradação da interface dente/material de restauração, desempenha um papel primordial neste processo. A partir do momento em que os microrganismos chegam ao sistema de canais radiculares podem encontrar condições propícias à sua progressão ao longo da obturação canalar e interagir com os tecidos periapicais. A sua interacção directa ou indirecta através da libertação de toxinas facilitam o desenvolvimento de patologia periapical póstratamento, ou seja, influenciam negativamente o prognóstico do tratamento endodôntico. De um modo genérico podemos afirmar que, utilizando os critérios de Strindberg, as terapêuticas actualmente disponíveis permitem taxas de sucesso, após 4 a 6 anos, de cerca de 95% para situações de biopulpectomia, e de aproximadamente 80% para dentes com periodontite apical. Por conseguinte, o desenvolvimento de materiais e métodos terapêuticos que permitam impedir a propagação dos microrganismos constitui um desígnio para a optimização do prognóstico do tratamento. A clorohexidina é um agente antimicrobiano, de largo espectro, efectivo contra a maioria dos microrganismos envolvidos no desenvolvimento da periodontite apical. Reveste-se de particular interesse devido à sua capacidade de eliminar o Enterococcus faecalis e a Candida albicans, espécies resistentes aos clássicos medicamentos de uso intracanalar e frequentemente associadas aos casos de insucesso do tratamento endodôntico. A sua adsorção à dentina e a posterior libertação gradual, ao longo de várias semanas, em concentrações com eficácia antimicrobiana, conferem-lhe a designada substantividade antimicrobiana. Esta propriedade pode possibilitar uma resistência adicional da obturação canalar à microinfiltração coronária, quer pela existência de um mecanismo farmacológico capaz de compensar falhas adesivas ou coesivas no material de obturação, quer pela melhoria do substrato para a adesão resultante do condicionamento da dentina. O objectivo deste trabalho foi avaliar, in vitro e in vivo, a eficácia de um gel de clorohexidina a 2%, aplicado como medicação intracanalar por um período de 7 dias, na prevenção da microinfiltração coronária após a obturação. No modelo experimental in vitro a hipótese foi testada frente a 3 materiais de obturação diferentes: a) um cimento endodôntico extensamente estudado e com alargada utilização clínica, o Pulp Canal Sealer® (Kerr – SybronEndo); b) um cimento endodôntico recentemente introduzido no mercado, o GuttaFlow® (Colténe/Whaladent) e c) um material recém desenvolvido, o Resilon™/Epiphany™ (Pentron Clinical Technologies). Este último material representa um novo paradigma na obturação de canais radiculares, substituindo a utilização de gutapercha por um polímero à base de policaprolactona (Resilon™), que é utilizado como material de núcleo, associado a um cimento endodôntico (Epiphany™), com o qual tem possibilidade de estabelecer ligação química. Realizou-se a preparação biomecânica de 140 canais de dentes monorradiculares, com morfologia recta, e comprimento padronizado de 16 milímetros. As raizes foram divididas em 12 grupos teste, de 10 espécimes cada, e 4 grupos controlo, de 5 espécimes cada, sendo depois aleatoriamente atribuídos aos grupos em estudo. Metade dos grupos teste foram previamente medicados com o gel de clorohexidina a 2%, durante uma semana, e a outra metade imediatamente obturada com cada um dos 3 materiais anteriomente referidos. Posteriormente todas as amostras foram submetidas à inoculação coronária de bactérias (Enterococcus faecalis) ou fungos (Candida albicans), no modelo experimental de dupla câmara desenvolvido por Torabinejad e colaboradores, durante um período de 80 dias. De acordo com a metodologia utilizada no modelo experimental in vitro e os resultados encontrados pode concluir-se que: 1 – A medicação intracanalar com gel de clorohexidina a 2%, durante uma semana, conferiu uma resistência adicional à microinfiltração coronária de Candida albicans (p=0,0396), todavia o mesmo não se verificou para o Enterococcus faecalis (p=0,3554). 2 – A obturação canalar com Epiphany™/Resilon™ ou guta-percha/GuttaFlow®, apresentou uma resistência superior à microinfiltração coronária do que o método clássico de compactação lateral de guta-percha associada ao cimento endodôntico Pulp Canal Sealer®. 3 – Os diferentes perfis de contaminação apresentados pelas amostras submetidas à infiltração de bactérias ou de fungos sugerem que o modelo experimental tem impacto nos resultados obtidos. Não obstante, manteve-se o perfil geral de resistência de todos os grupos estudados frente a ambos os microrganismos. No estudo experimental in vivo a hipótese foi testada frente a um único material de obturação, tendo sido escolhido o Resilon™/Epiphany™. Esta opção prendeu-se sobretudo com a necessidade de manter o tamanho da amostra dos diferentes grupos dentro do nível exigido pelo planeamento estatístico. Além disso optámos por utilizar o material mais recentemente desenvolvido, por representar uma nova abordagem na área da obturação canalar. O modelo permitiu avaliar a biocompatibilidade dos materiais utilizados, bem como a sua eficácia clínica perante a microinfiltração coronária de microrganismos. Neste estudo foram utilizadas 6 cadelas de raça Beagle, com cerca de dois anos de idade, e o protocolo operatório envolveu a utilização de 10 prémolares birradiculares em cada animal. Os canais em estudo foram alvo de aleatorização por blocos, tendo em cada cadela sido atribuído um prémolar ao grupo controlo positivo, três ao grupo controlo negativo e seis ao grupo teste. O grupo 1 foi preparado e obturado na mesma sessão com Epiphany™/Resilon™. O grupo 2 foi preparado e medicado com gel de clorohexidina a 2%, durante uma semana, e na segunda sessão obturado com o mesmo material e técnica que o grupo 1. Relativamente à metodologia e aos resultados obtidos com o modelo experimental in vivo, podemos concluir que: 1 – O estudo rejeita a hipótese nula, ou seja, a medicação intracanalar com gel de clorohexidina a 2% não conferiu, neste modelo experimental, uma protecção adicional contra o desenvolvimento de inflamação periapical em raízes obturadas expostas à microinfiltração coronária. De facto, canais sem medicação e obturados numa única sessão apresentaram uma menor incidência de inflamação periapical. 2 – Independentemente da abordagem terapêutica, em sessão única ou com medicação intracanalar, a realização de biopulpectomia e obturação canalar com o sistema Resilon™/Epiphany™, numa sessão única ou com medicação intracanalar durante 1 semana, permite um prognóstico histológico favorável, traduzido pela ausência de inflamação periapical em 66% dos casos tratados. 3 – A obturação canalar com Resilon™/Epiphany™ não impediu o desenvolvimento de inflamação grave, verificada em 8% das raízes expostas ao meio oral, sugerindo que este material pode ser permeável ao ingresso de microrganismos. 4 – A histomorfometria permitiu a introdução de parâmetros de avaliação quantitativa úteis na análise da reacção inflamatória periapical. O aumento da intensidade da inflamação foi directamente proporcional à espessura do ligamento periodontal e à área de cemento secundário. Nos grupos tratados com gel de clorohexidina a 2% ambas as variáveis apresentaram um aumento estatisticamente significativo. 5 – A extrusão periapical de cimento endodôntico Epiphany™ intensificou a resposta inflamatória periapical. No enquadramento dos modelos experimentais in vitro e in vivo utilizados não se verificou uma correlação entre os resultados obtidos em ambos os estudos. Concretamente, o modelo in vivo não permitiu confirmar a protecção adicional contra a microinfiltração coronária conferida pela medicação intracanalar, com gel de clorohexidina a 2%, verificada no modelo in vitro. Este estudo reforça os argumentos defendidos pelos autores que questionam a validade clínica dos resultados obtidos nos modelos de microinfiltração in vitro.
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7,848
Apexificação e Revascularização pulpar em dentes permanentes imaturos: estudo experimental in vivo
Apexificação,Pulp revascularization,Revascularização pulpar,Apexification,Dentes permentes imaturos,Immature permanent teeth
Durante o processo de desenvolvimento dos dentes permanentes é bastante comum a ocorrência de situações de cárie ou de traumatismos, que podem alterar ou mesmo danificar o tecido pulpar e prejudicar a fisiologia do complexo pulpo-dentinário e o normal desenvolvimento radicular. A perda prematura de uma polpa funcional em dentes imaturos leva à paragem da formação de dentina radicular, condicionando uma parede canalar pouco espessa e funcionalmente comprometida. Nestas circunstâncias clínicas, é geralmente recomendado um procedimento de apexificação com indução de uma barreira apical capaz de reter os materiais obturadores e impedir o seu contacto com os tecidos periapicais. Contudo nos dentes imaturos sujeitos à técnica de apexificação, mesmo quando tratados de acordo com o estado da arte, ou seja, barreira apical de MTA seguida de restauração adesiva, o prognóstico é incerto, devido à desfavorável relação coroa/raiz e grande suscetibilidade à fratura. Por outro lado, os procedimento de apexificação restringem a progressão e a maturação radicular. Com esta perspetiva, surgiram nos últimos anos alguns tratamentos inovadores que possibilitaram uma revascularização e revitalização do espaço pulpar de dentes imaturos necrosados e periodontite apical, permitindo o reforço das paredes radiculares e por vezes a continuação do seu desenvolvimento, abrindo assim novas possibilidades terapêuticas neste campo. É neste contexto que se situa o trabalho experimental aqui apresentado. Com efeito, o objetivo principal deste estudo consiste, para além da indução de um coágulo sanguíneo, numa avaliação in vivo do desempenho biológico e potencial regenerativo de diferentes matrizes (ácido hialurónico/quitosano e pectina/quitosano) colocadas no espaço canalar de dentes imaturos com necrose pulpar e periodontite apical, tendo por base análises radiográficas, histológicas, imunocitoquímicas e histomorfométricas. Na sua realização foram utilizados quatro cães da raça Beagle, envolvendo no total 56 dentes imaturos. Em cada um dos animais, foram selecionados 14 pré-molares. Estes dentes foram divididos em 6 grupos, nos quais estão incluídos dois grupos de controlos (20 canais) e quatro grupos de teste (76 canais) perfazendo um total de 96 canais radiculares. Os quatro grupos teste foram agrupados do seguinte modo: grupo 1 (apexificação com MTA); grupo II (coágulo sanguíneo); grupo III (coágulo sanguíneo + matriz polimérica de hialuronato de sódio/ quitosano – HA:CS) e grupo IV (coágulo sanguíneo + matriz polimérica de pectina/ quitosano - P:CS). Nos grupos controlo está inserido um controlo positivo (sem qualquer intervenção) e um negativo (infetados, sem qualquer tratamento). Nos resultados de apexificação (grupo 1), com base numa análise radiográfica foi possível verificar uma resolução das lesões periapicais (94%), um ligeiro aumento da espessura das paredes radiculares (77,8%) e encerramento apical (67%), apesar de uma ligeira extrusão do MTA (44%). Já as observações histológicas mostraram o lúmen dos canais completamente preenchidos com MTA, bem como a criação de uma barreira apical formada maioritariamente por cemento celular. Nos grupos experimentais em que foram aplicadas as matrizes (grupos 2, 3 e 4), foi possível confirmar radiograficamente, na grande maioria dos casos, a existência de uma barreira cervical de MTA adequada e bastante satisfatória. Verificou-se também uma evolução positiva no sentido da resolução da radiotransparência apical em 84%, um aumento da espessura das paredes radiculares em 77,2 % e um encerramento apical parcial e/ou completo em 70,2% das situações estudadas. A análise dos resultados em microscopia de luz revelou que os procedimentos de revascularização aplicados em dentes imaturos com necrose pulpar e periodontite apical, permitiram a recuperação de um estado vital no canal pulpar, possibilitando um desenvolvimento radicular para apical da restauração, traduzido por um aumento, ainda que mais significativo em espessura (85,6%) do que em comprimento (45,6%), das paredes radiculares, a par de grande número de casos (66,7%) de encerramento apical. Independente das matrizes utilizadas encontrámos com grande frequência, o espaço canalar novamente preenchido com grandes áreas de tecido conjuntivo laxo muito vascularizado e a presença de tecidos mineralizados com diferentes características e localizações. De entre estes tecidos destaca-se por um lado a formação de cemento celular em aposição à face interna da dentina, geralmente acompanhado por um tecido conjuntivo semelhante ao ligamento periodontal (contendo também alguns restos epiteliais de Malassez), bem como várias áreas de tecido ósseo, por vezes bastante extensas e dispersas no lúmen do canal. O conjunto destas estruturas no espaço canalar, parece resultar da migração e invasão dos tecidos constituintes do periodonto para o interior do canal pulpar, situação certamente facilitada pela dimensão do ápice. Apesar da possibilidade teórica de uma maior eficácia nos processos de regeneração com aplicação de diferentes matrizes (grupo 3 e 4), foram encontrados melhores resultados apenas com a indução, formação e estabilização de um coágulo sanguíneo (grupo 2). Assim, a capacidade regenerativa resultante da adição das matrizes ao coágulo não se revelou favorável. Um aspeto que nos parece importante registar é a presença quase constante de formações mineralizadas, circundadas por ligamento periodontal, contendo restos epiteliais de Malassez, situadas a uma certa distância das raízes dentárias correspondentes. Estas áreas de tecido mineralizado são essencialmente constituídas por cemento celular e dentina, mostrando uma composição em tudo semelhante às paredes do ápice de qualquer raiz, incluindo a presença de foramina, surgindo como resultado de um processo de diferenciação e maturação da papila apical. O aparecimento isolado destas estruturas, ou seja a sua separação da raiz correspondente, pode ficar a dever-se a traumatismos mecânicos ou factores iatrogénicos, tendo em conta que estas formações são facilmente destacáveis. A preservação da integridade estrutural da papila apical (evitando também o seu destacamento da raiz correspondente) e da bainha radicular epitelial de Hertwig (ou dos seus derivados), bem como efetuar um diagnóstico atempado e controlo da infeção/inflamação, a par de um eficaz mecanismo de revascularização, são condições essenciais que, à partida, podem proporcionar o desenvolvimento e maturação das células estaminais, adequadas à diferenciação fenótipica dos tecidos a regenerar, o que pode fazer toda a diferença na reconstituição do complexo pulpo dentinário e crescimento radicular.
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7,849
Caracterização multiparamétrica da saúde oral de uma amostra de crianças portuguesas diabéticas tipo 1: potenciais determinantes de intervenção preventiva e terapêutica
Crianças,Diabetes mellitus tipo 1,Saúde oral,Imunologia,Microbiologia,Metabolómica
Introdução: A diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença crónica, tendencialmente debilitante, de incidência crescente, que afeta essencialmente crianças e jovens adultos. Fatores genéticos e ambientais parecem constituir a sua base etiológica multifactorial, igualmente caracterizada pela destruição autoimune das células β pancreáticas produtoras de insulina permanecendo, no entanto, muitos dos mecanismos envolvidos por esclarecer. A DM1 e a saúde oral relacionam-se estrita e reciprocamente, reconhecendo-se nos pacientes diabéticos uma maior susceptibilidade a patologias orais de natureza inflamatória, catabólica e crónica, com hipotético impacto particularmente a nível salivar, ainda que sem consenso generalizado. Este trabalho teve como objetivo a identificação de potenciais determinantes da DM1 na saúde oral das crianças, particularmente relacionados com parâmetros salivares microbiológicos, imunológicos, metabolómicos e comportamentais/ambientais. Materiais e métodos: Foi efetuado um estudo clínico observacional do tipo analítico e transversal (seccional cruzado) cumprindo os requisitos éticos e legais exigidos. A amostra compôs-se de 133 crianças com DM1 e 72 não diabéticas saudáveis, dos 5 aos 15 anos, seguidas nas consultas da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Hospital Pediátrico de Coimbra e Odontopediatria do Mestrado Integrado em Medicina Dentária da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. As crianças diabéticas foram agrupadas de acordo com os níveis de HbA1c. A avaliação clínica oral foi desempenhada por uma Médica Dentista experiente, sujeita a calibração prévia, contemplando o registo de aspectos comportamentais e relacionados com a higiene oral, patologia oral, taxa de fluxo estimulado, capacidade tampão e carga bacteriana (S.mutans e Lactobacillus) salivares. Foi igualmente caracterizada a carga e biodiversidade de leveduras na saliva e mucosa, perfil metabolómico salivar por 1H-NMR e imunoinflamatório parcial por citometria de fluxo. Após organização de resultados e categorização de variáveis procedeu-se a análise estatística através do SPSS 19® com aplicação dos testes Kruskal-Wallis, χ2, Mann-Whitney, t de Student, exato de Fisher, coeficiente de Spearman e odds ratio; valores de p <0,05 foram considerados significativos para um IC de 95%. Resultados: As crianças diabéticas apresentaram valores médios percentuais de HbA1c de 8,19±1,42 e duração média da doença de 5,2±3,4 anos. Um controlo metabólico mais favorável foi significativamente associado a um nível de formação superior dos progenitores e à menor idade. Na avaliação sumária da condição periodontal cerca de 50% das crianças não diabéticas e 70% das diabéticas apresentaram hemorragia à sondagem/cálculos, associada ainda a valores salivares médios mais elevados de CD3+ e aumento da idade. 40,3% dos não diabéticos e 13,5% dos diabéticos revelaram experiência de cárie em ambas as dentições. Os valores dos índices cpo/CPO foram, global e respectivamente: a) amostra total: 2,70±2,42/1,54±1,99; b) não diabéticos: 3,52±2,53/1,91±2,23; c) diabéticos: 1,79±1,90/1,25±1,70. Por idades-índice obteve-se um CPO aos 6/12 e 15 anos, respetivamente, de: a) amostra total: 0,00/4,20±1,92 e 4,00±1,00; b) não diabéticos: 0,00/6,00±1,41 e 5,00±4,00; c) diabéticos: 0,00/3,00±1,00 e 5,74±4,48. O valor do índice SiC aos 12 anos foi de 5,80±1,72. O índice CPO foi significativamente influenciado pelos valores de HbA1c, idade, frequência de escovagem dentária, presença de má oclusão e carga bacteriana salivar, enquanto no cpo a presença de DM, o género, a idade, a carga bacteriana salivar e o número de refeições diárias foram determinantes. Na taxa de secreção e capacidade tampão salivares não houve diferenças estatisticamente significativas entre grupos. Os diabéticos metabolicamente controlados apresentaram menor carga salivar de S. mutans e Lactobacillus ainda que a presença de DM per se não se tenha revelado fundamental. Cerca de 60% das crianças (diabéticas/não diabéticas) apresentaram colonização por leveduras positiva, mas apenas 3 destas com manifestações clínicas, estando a ausência de leveduras (na saliva/mucosa) mais marcada (42,4/73,3%) nas crianças com menor HbA1c.. A espécie mais frequentemente isolada foi a C. albicans. A presença de DM traduziu-se numa maior frequência salivar relativa de C. albicans (vs outras espécies) associando-se ainda a presença de leveduras na saliva a maiores concentrações de propionato, alanina, etanol, butirato, acetato e formato. Nas crianças com maior prevalência de C. albicans houve acentuação salivar significativa de CD45+, enquanto nas com maior prevalência de “outras espécies” foram mais relevantes os CD14+ e CD8+. A presença de leveduras na mucosa relacionou-se com a subpopulação salivar de CD8+ e aumento da concentração salivar de propionato, etanol, acetato e formato, revelando-se aqui a biodiversidade significativamente superior. Na análise do perfil metabolómico salivar destacaram-se as concentrações significativamente acrescidas, nas crianças não diabéticas, de alanina, etanol e malato, enquanto as diabéticas apresentaram níveis mais elevados de butirato. Na caracterização imunoinflamatória constatou-se que as crianças diabéticas apresentaram níveis salivares mais elevados de CD45+, granulócitos, CD3+ e CD4+, constituindo a duração da DM um factor determinante na subpopulação salivar de CD3+, tal como a idade em relação aos CD14+. Conclusões: Respeitando o âmbito e limitações inerentes à metodologia deste trabalho pode concluir-se que a presença de DM1 nas crianças está associada a alterações de alguns dos parâmetros de saúde oral, metabolómicos e imunoinflamatórios da saliva, bem como de alguns fatores de risco ambientais/comportamentais para o desenvolvimento de patologia oral.
Ciências Médicas e da Saúde
7,851
Avaliação clínica e laboratorial de diferentes sistemas adesivos em dentistaria restauradora
Dentistaria Restauradora,Adesão e sistemas adesivos
Introdução A execução de restaurações adesivas diretas com resinas compostas assume-se como o procedimento de eleição no tratamento de dentes posteriores. Contudo, a limitada durabilidade clínica destas restaurações deve-se, essencialmente, à perda progressiva da integridade das respetivas interfaces adesivas. De facto, nenhuma estratégia adesiva é isenta de sensibilidade técnica e a especificidade das diferentes moléculas, a sua proporção relativa e o modo como interagem entre si e com os substratos diferem grandemente entre as diferentes classes de sistemas adesivos, com repercussões sobre a qualidade da adesão proporcionada por cada uma. A simplificação dos procedimentos adesivos parece ser uma realidade incontornável, tendo catapultado os sistemas autocondicionantes para um patamar de relevo na área da dentistaria adesiva. Contudo a carência de estudos clínicos randomizados que comprovem a sua eficácia é notória, particularmente na avaliação do seu desempenho na restauração de dentes posteriores. Este trabalho teve duas vertentes de investigação: a primeira com base na execução de um estudo clínico randomizado cujo objetivo foi avaliar a eficácia a um ano de cinco sistemas adesivos em restaurações de cavidades oclusais realizadas com uma resina composta e a segunda com base num ensaio laboratorial que visou comparar as forças de adesão ao esmalte humano preparado com broca de dois sistemas adesivos do tipo condicionar e lavar e de três sistemas adesivos autocondicionantes aplicados de forma ativa ou passiva, bem como avaliar a micromorfologia superficial e a ultramorfologia das interfaces adesivas por eles produzidas. Materiais e métodos Foi efetuado um estudo clínico randomizado após aprovação da comissão de ética do CHUC e da FMUC, seguindo os parâmetros definidos pelo CONSORT. Foram efetuadas 159 restaurações em cavidades oclusais de dentes posteriores em 54 pacientes utilizando cinco sistemas adesivos diferentes em função do grupo (OptiBondTM FL (G1-OBFL) , Kerr; Prime & Bond® NTTM (G2- PBNT), Dentsply DeTrey; ClearfilTM SE Bond (G3-CSEB), Kuraray; Xeno® III (G4-XIII), Dentsply DeTrey e Xeno® V+ (G5-XV+), Dentsply DeTrey) e uma resina composta (Esthet•X® HD A2; Dentsply DeTrey) seguindo um técnica de estratificação anatómica por incrementos. As restaurações foram avaliadas segundo os critérios de avaliação internacionais aprovados pela FDI num período inicial entre 3 e 7 dias após a execução do tratamento restaurador (0M); após 6 (6M) e 12 meses (12M) de acordo com diversos parâmetros enquadrados nas propriedades estéticas, funcionais e biológicas. Posteriormente foi ainda efetuada uma avaliação das restaurações com base em macrofotografias digitais. Para a análise estatística executou-se o teste de Friedman para amostras emparelhadas, seguido de comparação par-a-par com o teste de Wilcoxon. Comparações inter-grupos foram efetuadas com recurso ao teste de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney para a avaliação post hoc. Os índices de concordância entre os métodos de avaliação clínica direta e registo macrofotográfico, foram determinados pela análise do Coeficiente de Correlação Intraclasse. O parâmetro adaptação marginal foi selecionado como o desfecho primário deste estudo e foi considerado na análise da potência e na determinação do risco relativo entre os grupos. O nível de significância estatística estabeleceu-se em α=0.05 para todas as análises. Para o estudo laboratorial foram preparadas 96 faces vestibulares e linguais/palatinas de terceiros molares humanos com uma broca diamantada de grão médio de modo a expor uma superfície de esmalte. Estas foram distribuídas aleatoriamente em oito grupos englobando os mesmos sistemas adesivos utilizados no estudo clinico, dos quais os sistemas autocondicionantes foram aplicados segundo dois modos: ativo (AT) ou passivo (PS) (G1: OptiBondTM FL; G2: Prime & Bond® NTTM, G3: ClearfilTM SE Bond/PS; G4: ClearfilTM SE Bond/AT; G5: Xeno® III/PS; G6: Xeno® III/AT; G7: Xeno® V+/PS; G8: Xeno® V+/AT). Após a sua polimerização foram construídos blocos de resina composta de uma forma incremental que, após armazenamento em água destilada durante 24h a 37ºC foram seccionados com uma serra de precisão diamantada e refrigerada por forma a obter bastonetes (1mm2), posteriormente submetidos ao ensaio de microtração (μTBS) a uma velocidade de 0.5 mm/min. As superfícies foram examinadas sob microscopia óptica por forma a determinar os padrões de fratura. A micromorfologia superficial produzida pela ação acídica e as interfaces adesivas correspondentes de cada grupo foram observadas em microscopia confocal e microscopia eletrónica de varrimento. Para os dados coletados dos ensaios de microtração foi realizada a comparação entre grupos através de One-Way ANOVA, considerando a correção de Games-Howel para as análises post-hoc (α=0.05). A distribuição probabilística de Weibull foi considerada para a avaliação do risco de fratura. Resultados No estudo clínico foram avaliadas ao final de um ano 153 restaurações em 51 pacientes. De entre as propriedades estéticas apenas o parâmetro pigmentação marginal e superficial registou alterações significativas dos 0M aos 12M para todos os grupos exceto para o PBNT. A mesma avaliação nas propriedades biológicas não registou alterações significativas em qualquer dos grupos. Relativamente às propriedades funcionais verificou-se dos 0M aos 12M uma diminuição estatisticamente significativa do número de restaurações classificadas com grau de adaptação marginal excelente (score 1) apenas para os sistemas autocondicionantes (p<0.01). Aos 12M registaram-se níveis de score 1 na avaliação parâmetro adaptação marginal em 96.7%, 90.3%, 45.2%, 50% e 16.7% dos casos para os G1, G2, G3, G4 e G5, respetivamente, ficando as restantes restaurações classificadas entre os scores 2 e 3, com maior prevalência para o primeiro. Aos 12M verificaram-se diferenças estatisticamente significativas na adaptação marginal dos grupos. Ambos os G1 e G2 apresentaram resultados estatisticamente superiores a qualquer um dos outros grupos enquadrados nos sistemas autocondicionantes (p<0.01). Destes últimos, os G3 e G4 revelaram um comportamento muito semelhante e superior ao G5. O XV+ foi o sistema adesivo que registou scores mais elevados ao nível da adaptação marginal, o que condicionou as diferenças estatisticamente significativas com todos os grupos no final do primeiro ano de avaliação clínica. A comparação dos resultados do método de avaliação fotográfico com a avaliação clínica direta determinou concordância máxima aos 0M. Contudo, aos 6M e 12M houve um decréscimo natural dos índices de concordância associado à fratura da restauração e adaptação marginal. Apesar de não terem sido considerados quaisquer insucessos clínicos globais pelo facto de a frequência de scores 4 e 5 ter sido nula, o risco relativo de ocorrência de desadaptação marginal em restaurações efetuadas com os sistemas autocondicionantes estudados demonstrou ser 2.5 vezes superior em relação aos sistemas do tipo condicionar e lavar. No estudo laboratorial, a análise dos resultados decorrentes dos ensaios de microtração demonstraram não existir diferenças estatisticamente significativas nas forças de adesão entre os G1 (26.86 ± 7.71 MPa), G2 (27.10 ± 7.17 MPa), G4 (25.14 ± 7.11 MPa) e G5 (22.65 ± 8.58 MPa). Para a avaliação dos sistemas adesivos autocondicionantes em função do modo de aplicação verificou-se que, apenas para o sistema adesivo CSEB, a aplicação ativa produziu valores significativamente superiores (G4: 25.14 ± 7.11 MPa) comparativamente ao modo de aplicação passivo (G3: 15.63±6.51)(p<0.01). Para os G5 e G6 não foram detetadas diferenças nos valores de adesão obtidos. O XV+ originou valores de adesão próximos de 0 MPa, independentemente do seu modo de utilização e revelou um comportamento negativo muito significativo quando comparado com qualquer outro grupo no que concerne à resistência adesiva (p<0.01). No que concerne à distribuição dos padrões de fratura, para os sistemas adesivos do tipo condicionar e lavar (G1 e G2) foi encontrado um comportamento similar detetando-se uma distribuição dispersa entre falhas mistas, adesivas, coesivas no esmalte. Para o XIII e CSEB foram maioritariamente detetadas falhas adesivas ou mistas, independentemente do modo de aplicação empregue. O XV+ foi o único a condicionar falhas pré-teste (FPT; 14/G7 e 22/G8) e padrões de fratura exclusivamente adesivos. A avaliação qualitativa da micromorfologia superficial e das interfaces adesivas por MEV e MC demonstrou existir um diferencial importante no padrão de interação com o esmalte produzido pelos diferentes grupos. Conclusões Independentemente dos sistemas adesivos estudados, não se registaram insucessos ao final de um ano avaliação clínica das restaurações efetuadas. Todas as restaurações foram consideradas no mínimo satisfatórias sendo que o parâmetro adaptação marginal demonstrou ser o mais relevante na diferenciação do comportamento dos diferentes sistemas adesivos estudados. Ao final de um ano de avaliação clínica, o OBFL e o PBNT não apresentaram diferenças entre si, mas demonstraram um desempenho superior em relação a todos os sistemas adesivos autocondicionantes (CSEB, XIII e XV+). De entre estes últimos, o CSEB e o XIII demonstraram um comportamento similar mas superior ao XV+ que apresentou o pior comportamento de entre todos os grupos acompanhado por um maior índice de desadaptação marginal. O registo documental e a avaliação das restaurações através de macrofotografias digitais uniformizadas revelou ser um método válido e útil na avaliação das restaurações. O sistema adesivo e/ou o respetivo modo de aplicação exerceram um efeito significativo nas forças de adesão ao esmalte preparado com broca. Os sistemas adesivos do tipo condicionar e lavar OBFL e PBNT conjuntamente com os sistemas autocondicionantes CSEB aplicado de forma ativa e o XIII aplicado de forma passiva registaram os valores de adesão mais elevados e estatisticamente semelhantes entre si. O sistema adesivo XV+ demonstrou forças de adesão significativamente inferiores a todos os outros materiais, independentemente do modo de aplicação. Relativamente ao modo de aplicação, apenas o CSEB demonstrou uma influência significativa e positiva nos resultados das forças de adesão quando foi aplicado de forma ativa.
Ciências Médicas e da Saúde
7,852
Pilares protéticos de dimensão horizontal discrepante: biomecânica e desempenho clínico
Ensaio clínico randomizado,Clinical randomized study
Introdução A utilização de pilares de cicatrização ou componentes protéticos de diâmetro inferior ao da plataforma do implante, conceito conhecido como platform switching (PS), tem sido associado a uma menor remodelação óssea marginal. Ainda que existam vários trabalhos publicados que sustentam esta teoria, todas as revisões sistemáticas são unânimes em considerar a necessidade de mais estudos clínicos prospetivos controlados e randomizados, com condições comparáveis entre os grupos teste e controlo e com períodos de seguimento de pelo menos 5 anos. O trabalho apresentado nesta tese teve duas linhas de investigação: uma foi a realização de um estudo numérico pelo método dos elementos finitos (MEF), para simular o comportamento dinâmico e estático de um implante osteointegrado na região posterior mandibular e reabilitado com pilares convencionais e pilares de plataforma horizontal discrepante, e a segunda, um estudo clínico prospetivo randomizado, cujo objetivo foi avaliar a eficácia de implantes reabilitados com coroas unitárias cimentadas sobre pilares protéticos coincidentes (PM) ou sobre pilares protéticos com platform switching, no sector posterior mandibular. Materiais e métodos No estudo numérico avaliou-se o comportamento biomecânico de um implante Camlog® Screw-Line 4.3x13 mm, reabilitado com um pilar protético PS ou PM. Nesta análise, a carga aplicada aos implantes foi simulada com forças de 17.1 N, 114.6 N e 23.4 N nas direções vestíbulo-lingual, axial e disto-mesial, respetivamente, atuando sobre o plano oclusal de um pilar protético. Este sistema de forças corresponde a uma força oclusal mastigatória média de 118.3 N e um ângulo 75º com o plano oclusal. Foi criado um modelo de um implante parcialmente osteointegrado, colocado em osso tipo II e III, na região molar mandibular. Nas mandíbulas do tipo II o osso esponjoso é envolto por uma camada de osso cortical com 2 mm de espessura, enquanto nas mandíbulas do tipo III a camada de osso cortical é mais fina, com apenas 1 mm de espessura. O programa de elementos finitos utilizado foi o ADINA® e todos os corpos foram discretizados com elementos tetraédricos, com 0.2 mm, isoparamétricos, de quatro nós com três graus de liberdade, correspondentes às 3 translações por nó. Neste estudo, todos os materiais foram considerados homogéneos, isotrópicos e com um comportamento elástico linear, com exceção do osso cortical que foi considerado transversalmente isotrópico. Para verificar se o modelo numérico adotado simularia, em termos gerais, as condições clínicas verificadas no estudo clínico, foi feito uma análise dinâmica através da AFR com o sistema Osstell™ Mentor. Assim, criou-se no modelo virtual da arcada inferior uma zona de transição osso/implante, de secção transversal circular com 1 mm de espessura, a envolver o implante. Nesta região foram atribuídas propriedades mecânicas diferentes: na interface osso-implante do tipo f, as propriedades do osso cortical e esponjoso estão tipicamente associadas com uma interface ainda não osteointegrada (no estudo clínico corresponde ao dia da colocação dos implantes); a interface do tipo d já apresenta algum grau de osteointegração (no estudo clínico corresponde ao dia da colocação das coroas). O estudo clínico foi aprovado pela comissão de ética do CHUC, seguindo os parâmetros definidos pela declaração de “Consolidated Standards of Reporting Trials” (CONSORT ). Neste estudo cada paciente poderia receber entre 2 a 4 implantes Camlog® Screw-Line colocados no setor posterior mandíbular (posições 34 a 37 e 44 a 47). Se após a cirurgia os implantes tivessem estabilidade primária, ou seja, um ISQ igual ou superior a 50, o paciente era randomizado e alocado a um dos dois grupos: o PS, com pilares platform switching; e o grupo PM, com pilares coincidentes ou platform matching (PM). As radiografias foram padronizadas através de um posicionador individualizado para cada paciente, permitindo a sua reprodutibilidade ao longo do estudo. Após um período de cicatrização de 6 a 8 semanas (implantes em osso tipo I a III), ou de 12 a 14 semanas (osso tipo IV), foram feitas as impressões definitivas e, 2 a 4 semanas depois, foram colocados os pilares protéticos correspondentes e cimentadas as coroas metalocerâmicas. Foram efetuadas radiografias padronizadas para documentar os níveis ósseos proximais logo após a cirurgia (já com os pilares de cicatrização), antes e após a colocação da reabilitação, após 12, 24 36 e 48 meses de seguimento. O dia da colocação das coroas foi considerado o baseline do estudo. Em cada visita de controlo, além das radiografias, foram também avaliados os seguintes parâmetros clínicos: mobilidade do implante, hemorragia à sondagem, profundidade de sondagem, índice de placa e satisfação do paciente. Resultados A análise do comportamento dinâmico no estudo pelo MEF permitiu concluir que a frequência de ressonância aumenta com a melhoria da osteointegração e decresce com a diminuição da espessura de osso compacto. Além disso, foi possível verificar que o valor da frequência de ressonância é mais sensível à qualidade do osso peri-implantar do que à espessura do osso cortical. Os resultados obtidos neste estudo numérico foram validados pelo estudo clínico. Assim, os valores de ISQ obtidos no dia da colocação dos implantes de diâmetro 4.3 mm, e que no MEF correspondeu à interface implante/osso tipo f, foram de 78.1e 78.5 para os implantes colocados em osso tipo II no ensaio clínico e no MEF, respetivamente. Para o osso tipo III, esses valores foram de 77.3 e 77.5, no ensaio clínico e no MEF, respetivamente. No dia da colocação das coroas, e que correspondeu à interface tipo d, os valores de ISQ no ensaio clínico foram de 79.8 e 80.5, para os implantes com um diâmetro de 4.3 mm colocados em osso tipo II e III, respetivamente, e de 80.7 e 80.5 no modelo tipo II e tipo III de elementos finitos, respetivamente. Na análise do comportamento estático assumiu-se para todas as simulações a interface osso/implante do tipo d. Para a mandíbula tipo II, a concentração de tensões, quer no modelo convencional quer no modelo PS, é observada na face mesial, próximo da face lingual. No osso compacto, a tensão máxima de von Mises no modelo PM é de 33.3MPa e no modelo PS é de 29MPa. No modelo PS a tensão máxima encontra-se adjacente à primeira espira do implante, próxima da junção entre osso compacto e esponjoso enquanto no modelo PM se encontra no osso compacto junto à plataforma do implante. No osso esponjoso, a tensão máxima de von Mises é semelhante em ambos os modelos (e menor que no osso cortical) e situa-se na porção mais coronal do osso esponjoso. Para a mandíbula tipo III, a tensão máxima em ambos os modelos encontra-se na região da crista óssea, sendo de 33.7 MPa no modelo convencional e de 25.4 MPa no modelo PS. No osso esponjoso, a tensão máxima de von Mises no modelo convencional é de 28.9 MPa e no modelo com plataforma discrepante de 31.2 MPa. Para o modelo PS a região peri-implantar cortical apresenta um menor nível de tensão que o modelo convencional. Contudo, o osso peri-implantar esponjoso apresenta níveis semelhantes de tensões de compressão e tração em ambos os modelos. No ensaio clínico foram incluídos 35 pacientes, dos quais 5 são split-mouth, com um total de 86 implantes colocados. Em junho de 2014, todos os implantes tinham completado os 2 anos de seguimento e, os 20 primeiros pacientes, correspondendo a 51 implantes (22 do grupo PS e 29 do grupo PM), completaram o controlo dos 48 meses. Assim, obtiveram-se 20 quadrantes em cada grupo, com um total de 42 implantes reabilitados com pilares PS e 44 implantes com pilares PM. Todos os implantes alcançaram estabilidade primária, com um valor médio do ISQ de 76.8 ± 4.29 no dia da cirurgia. Após o período de cicatrização, o valor médio do ISQ subiu para os 80 ± 2.81. O tipo de plataforma não influenciou a variação do ISQ. A profundidade de inserção dos implantes no dia da cirurgia foi muito semelhante entre os dois grupos, ficando a 0.03 mm, em média, da crista óssea. Dentro de cada grupo, não existiram diferenças significativas entre a distância da plataforma à crista óssea em mesial e distal. Também não se verificaram diferenças entre os grupos para as faces mesial e distal. Desde a cirurgia até à colocação das coroas a perda óssea média foi de -0.5 ± 0.37 mm para o grupo PS e de -0.4 ± 0.39 mm para o grupo PM, sem diferenças significativas entre os dois grupos. Entre a carga e os 12 meses, os implantes do grupo PS ganharam osso (0.13 ± 0.34 mm) enquanto os do grupo PM continuaram a perder osso (-0.21 ± 0.49 mm), sendo esta diferença significativa para o teste t para amostras independentes entre os grupos PS e PM. Dos 12 meses aos 48 meses, a variação média dentro de cada grupo é muito pequena, sendo de 0.12 mm para os implantes com pilares PS e 0.11 mm para os pilares PM. Todavia, apesar de pequena, os implantes do grupo PS mostram uma tendência para ganhar osso e os do grupo PM para perder osso. Após 24 meses, 77% dos implantes do grupo PS e 35.7% do grupo PM ganharam osso. Aos 4 anos de seguimento podemos constatar que 83% dos implantes do grupo PS e apenas 29.6% do grupo PM ganharam osso. No grupo PM, mais de 40% dos implantes perderam mais de 0.4 mm ao fim de 4 anos em função. Considerando os critérios de sucesso definidos por Buser et al. (1999), e uma perda óssea média inferior a 1.5 mm ao fim de um ano em função e de 0.2 mm em cada ano subsequente, apenas foram registados 2 casos de insucesso, ambos alocados ao grupo PM. Assim, a probabilidade cumulativa de sucesso foi de 94.2% para o grupo PM e de 100% no grupo PS. Contudo, não foram detetadas diferenças estatisticamente significativas no sucesso dos grupos PS e PM. Durante o estudo não foi perdido nenhum implante tendo sido alcançado uma taxa de sobrevivência de 100% para ambos os grupos. Conclusões Os resultados do estudo numérico pelo MEF permitiram concluir que: – A configuração PS teve a vantagem biomecânica de diminuir a tensão de von Mises na região peri-implantar. – Não foi claro que a configuração PS desloque a concentração de tensão para o osso esponjoso peri-implantar. O presente estudo mostrou que este comportamento aparece apenas para osso tipo III, onde as maiores tensões de von Mises apareceram no osso esponjoso peri-implantar. Os resultados do estudo clínico prospetivo randomizado permitiram concluir que: – Após um período de 24 meses em função, a utilização de pilares PS mostrou ter um efeito positivo na manutenção ou até na melhoria dos níveis ósseos peri-implantares quando comparado com a utilização de pilares convencionais. A diferença na remodelação óssea marginal após 2 anos foi de 0.38 mm, em média, sendo favorável ao grupo PS. – - Os implantes colocados com a plataforma infraóssea perderam mais osso, entre a cirurgia e a carga, que os implantes colocados justa e supraósseos, independentemente do tipo de pilar. – - Apesar da diferença verificada entre os dois grupos, esta não é suficiente para comprometer o sucesso nem a sobrevivência dos implantes.
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7,855
Filmes Finos de Titânio-Zircónio para osteointegração
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Os biomateriais têm-se desenvolvido em face da necessidade de satisfazer uma procura clínica cada vez mais exigente alargando os limites de utilização. Reconhecendo no Titânio excelentes propriedades mas também algumas limitações, essencialmente biomecânicas, a solução tem passado pelo desenvolvimento de algumas ligas de Titânio. A mais recente liga de Titânio desenvolvida uma liga de Titânio e Zircónio (TiZr) apresenta um reforço das propriedades biomecânicas em relação ao Titânio e uma osteointegração similar ou melhor do que o “gold standard” dos implantes atuais. As suas propriedades e características específicas como a composição química, a topografia estruturada e a energia de superfície são apontadas como favorecedoras da osteointegração, proporcionando uma cicatrização óssea mais rápida e estável. Neste contexto surgiu o nosso estudo, para desenvolver uma metodologia, controlada e reprodutível, que pudesse replicar as características do novo biomaterial e esclarecer in vitro de que forma participam nos processos de osteointegração. Para além disso, permitiu-nos também pesquisar outras formulações em relação com estas propriedades e características que pudessem ser majorativas para as etapas de cicatrização óssea. O nosso estudo decorreu em três etapas: 1) o desenvolvimento e otimização de processos e procedimentos para a elaboração do material; 2) a elaboração controlada e reprodutível do material; 3) a avaliação da sua bioatividade e biocompatibilidade in vitro. Usamos a técnica de pulverização catódica (“sputtering”) em modo magnetrão, para a produção de filmes finos de espessura sub-micrométrica e composição química controlada. A aplicação simultânea de técnicas de análise da composição, estrutura e morfologia dos filmes produzidos permitiu-nos otimizar os procedimentos por forma a mimetizarmos as características do biomaterial em análise comparativa. Assim, as condições otimizadas de deposição foram estabelecidas em: • tempo de deposição 15 minutos; • polarização do substrato -40 V; • porta substratos em cobre; • velocidade de rotação do substrato 23 rpm; • número de pastilhas de Zircónio do alvo composto de Titânio com Zircónio - 11 pastilhas. Estas condições permitiram elaborar um filme de TiZr com 1 mm de espessura, com cerca de 15% em peso de Zircónio e com características “feature less” que não alteravam a topografia do substrato. No seguimento do estudo utilizámos então estas condições para elaborarmos de forma controlada e reprodutível os filmes de TiZr sobre substratos de TiZ maciço e com tratamento de superfície SLA (Sandblasted, Large grit, Acid etched). Produzimos 2 filmes distintos: ➢ filme TiZr com 15% em peso de Zircónio e 1 mm de espessura; ➢ filme TiZr com 7% em peso de Zircónio e 1 mm de espessura. A análise da composição com EDS (espectrometria de dispersão de energia) permitiu qualificar e quantificar a presença dos elementos Titânio e Zircónio nas referidas proporções. A análise topográfica com microscópio de alta resolução de variação de foco infinita confirmou a manutenção de uma topografia similar das amostras revestidas com os filmes, traduzindo uma influência não significativa dos mesmos sobre a topografia. A bioatividade in vitro foi avaliada através do potencial da energia da superfície e formação de precipitados de fosfato de cálcio, enquanto que a citotoxicidade e viabilidade celular in vitro foram avaliadas com cultura celular de células osteoblásticas MG63 em contacto direto sobre os biomateriais. O potencial Zeta da energia de superfície revelou a existência de uma energia de superfície relativamente elevada em valor absoluto, mas de carga negativa, e que aumenta com o aumento do teor em Zircónio, de acordo com a carga negativa do Zircónio em pH neutro; ambos os factores são favorecedores de uma bioatividade elevada na interface da superfície do material. A formação de precipitados de fosfato de cálcio ocorreu em todas as superfícies de forma significativa e seguindo o padrão descrito: na formação inicial há maior número de precipitados de cálcio e só depois se formam os precipitados de fósforo, como também na aproximação à relação estequiométrica mais estável próxima da hidroxiapatite. O comportamento dos filmes de TiZr com 15% de Zircónio seguiu o comportamento das amostras de TiZr maciço. A citotoxicidade e viabilidade celular in vitro mostrou que no final do dia 1 de cultura não havia diferença no número médio de células aderidas e/ou viáveis, baseado no ensaio da resazurina que, através da actividade mitocondrial das células em cultura, avalia o seu estado proliferativo e a sua viabilidade. Ao final do dia 4 e dia 7 de cultura o número de células viáveis e em estado proliferativo era significativamente diferente entre as superfícies. Significativamente mais células estavam aderidas e viáveis no dia 4 e 7 na superfície do filme Ti15Zr R550 do que na superfície TiZr (p< 0.05) e também significativamente mais células viáveis foram encontradas na superfície cp Ti SLA aos dia 4 e 7 quando comparadas com a superfície Ti15Zr R550. Este comportamento deverá ser atribuído por um lado à falta de estruturas nanométricas na superfície SLA do TiZr, pois elas existem apenas no SLActive (forma comercializada desta superfície), e por outro à existência das mesmas nos filmes TiZr e à nano textura dos filmes, como comprovado morfologicamente por SEM. Assim do nosso estudo, considerando os limites do mesmo e atendendo às condições em que se realizou, concluímos: - a técnica de pulverização catódica em modo magnetrão permite desenvolver filmes finos de forma controlada, os quais podem ser utilizados para estudos in vitro e in vivo de avaliação entre as características da superfície e os processos de cicatrização óssea e biocompatibilidade. - o método desenvolvido permitiu desenvolver um filme fino TiZr com composição química controlada e características “featured-less”, i.e., sem variação topográfica; - os filmes com a espessura de 1 μm ao serem depositados sobre um substrato de cp Ti SLA contribuíram para aumentar a superfície disponível da amostra; - os filmes produzidos apresentam uma topografia com características nanométricas que condicionam as propriedades biológicas; - os filmes produzidos não apresentaram efeitos citotóxicos nas células osteoblásticas MG63; - o modelo presente, podendo ser optimizado, permitirá avaliar a importância dos diferentes elementos do filme no potencial biológico; - o modelo presente permitirá desenvolver superfícies para avaliar a importância das diferentes características das superfícies in vivo.
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