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desajuizados ou levianos. |
• “Os Espíritos não pertencem perpetuamente a uma só classe. Todos se |
melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esse |
melhoramento se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns |
como expiação e a outros como missão. A vida material é uma prova pela |
qual eles devem passar repetidas vezes até que tenham alcançado a |
perfeição absoluta; é um tipo de peneira ou de depurador do qual eles |
saem mais ou menos purificados. |
• “Deixando o corpo, a alma volta ao mundo dos Espíritos, de onde tinha |
saído para experimentar uma nova existência material após um lapso de |
tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de |
Espírito errante.6 |
• “Como o Espírito deve passar por muitas encarnações, resulta que todos |
nós temos tido várias existências e que teremos ainda outras, mais ou |
menos aperfeiçoadas, seja na Terra ou em outros mundos. |
• “A encarnação dos Espíritos sempre se realiza na espécie humana; seria |
um erro acreditar que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um |
animal. |
• “As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e |
nunca regressivas; todavia, a rapidez do seu progresso depende dos |
esforços que fazemos para chegarmos à perfeição. |
• “As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; |
assim, o homem de bem é a encarnação do bom Espírito, e o homem |
perverso é a de um Espírito impuro. |
• “A alma tem sua individualidade antes da sua encarnação e a conserva |
após sua separação do corpo. |
Entre esta doutrina da reencarnação e aquela da metempsicose, tal como certas seitas |
admitem, há uma diferença característica que será explicada no decorrer desta obra. |
[Nota do tradutor: Sobre metempsicose, veja as questões 222, 611, 612 e 613.] |
6 |
29 – O Livro dos Espíritos |
• “No seu retorno ao mundo dos Espíritos, a alma encontra lá todos aqueles |
que conheceu na Terra, e todas as suas existências anteriores se refazem |
na sua memória, com a lembrança de todo bem e de todo mal que tenha |
feito. |
• “O Espírito encarnado está sob a influência da matéria; o homem que |
supera esta influência pela elevação e depuração de sua alma se aproxima |
dos bons Espíritos, com os quais estará um dia. Aquele que se deixa |
dominar pelas más paixões e põe todas as suas alegrias na satisfação dos |
desejos grosseiros se aproxima dos Espíritos impuros, dando |
preponderância à natureza animal. |
• “Os Espíritos encarnados habitam os diferentes planetas do Universo. |
• “Os Espíritos não encarnados, ou errantes, não ocupam uma região |
determinada e circunscrita; eles estão por toda parte no espaço e ao nosso |
lado, vendo-nos e nos acotovelando sem cessar; é toda uma população |
invisível que se movimenta ao nosso redor. |
• “Os Espíritos exercem uma ação incessante sobre o mundo moral e mesmo |
sobre o mundo físico; eles atuam sobre a matéria e sobre o pensamento, |
constituindo uma das potências da natureza, causa eficiente de uma |
multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados, e que |
não encontram uma solução racional senão no Espiritismo. |
• “As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons |
Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos |
ajudam a suportá-las com coragem e resignação; os maus nos atraem para |
o mal: para eles é um prazer nos ver cair e nos misturar a eles. |
• “As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. |
As ocultas acontecem pela influência boa ou má que eles exercem sobre |
nós, sem o sabermos; cabe ao nosso julgamento discernir as boas das más |
inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da |
palavra ou de outras manifestações materiais, mais frequentemente |
através dos médiuns que lhes servem de instrumentos. |
• “Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação. |
30 – Allan Kardec |
Podemos evocar todos os Espíritos: tanto os que animaram homens |
desconhecidos, como aqueles das personagens mais ilustres, seja qual for a |
época em que tenham vivido; evocar também os de nossos parentes, |
amigos ou inimigos, e obter deles — por comunicações escritas ou verbais |
— conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, |
sobre o que pensam a nosso respeito, assim como revelações que lhes |
sejam permitidas nos fazer. |
• “Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia deles pela natureza moral |
do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se alegram com as reuniões |
sérias onde predominam o amor ao bem e o desejo sincero de se instruir e |
se melhorar. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, ao |
contrário, encontram livre acesso e podem agir com toda a liberdade entre |
as pessoas frívolas ou guiadas somente pela curiosidade, e onde quer que |
se encontrem maus instintos. Longe de se obter bons conselhos ou |
informações úteis, deles só se deve esperar futilidades, mentiras, |
brincadeiras de mau gosto ou mistificações, pois muitas vezes eles tomam |
nomes venerados para melhor induzirem ao erro. |
• “A distinção dos bons e dos maus Espíritos é extremamente fácil; a |
linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, repleta |
da mais alta moralidade, livre de qualquer paixão grosseira; seus |
conselhos exaltam a mais pura sabedoria e sempre tem por objetivo o |
nosso melhoramento e o bem da humanidade. A linguagem dos Espíritos |
inferiores, ao contrário, é inconsequente, às vezes vulgar e até grosseira; se |
às vezes eles dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem |
falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância; eles zombam da |
credulidade dos homens e se divertem às custas dos que os interrogam, |
lisonjeando sua vaidade, alimentando seus desejos com falsas esperanças. |
Em resumo, as comunicações sérias, em toda a acepção da palavra, só são |
dadas nos centros sérios, naqueles onde os membros estão reunidos por |
uma íntima comunhão de pensamentos em favor do bem. |
• “A moral dos Espíritos superiores se resume como aquela do Cristo nesta |
máxima evangélica: fazer aos outros aquilo que gostaríamos que os outros |
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