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7,219
EQ-5D em estudantes universitários de medicina : estudo observacional
Estudantes de medicina,Qualidade de vida,Epidemiologia
Introdução: A qualidade de vida relacionada com a saúde dos jovens estudantes finalistas de Medicina é um tema ainda pouco explorado e que deve ser medido utilizando instrumentos validados, tentando igualmente perceber quais os factores que a podem influenciar, bem como em que medida. Objectivo: Estudar a qualidade de vida dos estudantes do 6º Ano de Medicina, segundo variáveis epidemiológicas. Metodologia: Estudo observacional, transversal e analítico, realizado em Setembro, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, por aplicação do questionário EQ-5D (Índice e EQ-VAS) a todos os alunos do 6º Ano de 2013/2014, juntamente com um inquérito epidemiológico sobre variáveis económico-sociais. Realização de estatística descritiva e inferencial. Resultados: De uma população de 270 alunos de Medicina, foi obtida uma amostra de 186 participantes (69% sexo feminino) com uma média de 23,6 ± 1,7 anos de idade. A média do Índice de Qualidade de Vida dos estudantes é de 0,88 ± 0,15 e a do EQ-VAS de 83,0 ± 13,6. A qualidade de vida é melhor percebida no sexo masculino (Índice de Qualidade de Vida ♂ 0,92 ± 0,13 vs ♀ 0,86 ± 0,15 p=0,005 e EQ-VAS ♂ 86,5 ± 10,9 vs ♀ 81,1 ± 14,6 p=0,009, respectivamente). Tem diferença com significado a satisfação com a vida social (0,89 ± 0,14 vs 0,78 ± 0,15 p<0,001), e a percepção do estado de saúde (84,1 ± 12,9 vs 76,2 ± 16,2 p=0,005), a satisfação na vida estudantil no EQ-5D (0,89 ± 0,14 vs 0,81 ± 0,17 p= 0,008). A preocupação com o futuro é diferente no índice EQ-5D (0,86 ± 0,15 vs 0,90 ± 0,14 p=0,047) e no EQ-VAS (80,5 ± 15,2 vs 85,1 ± 11,8 p=0,021). Discussão: Sem outros valores para comparar com os presentes percebe-se a importância estratégica de estudar determinantes e influenciadores da qualidade de vida de estudantes finalistas de Medicina para que possam ser desenhadas as medidas tácticas tendentes à melhoria das suas capacidades de estudo e aprendizagem, devendo esta actividade de medida ser realizada regularmente. Conclusão: Variáveis socio-epidemiológicas como o sexo masculino, a satisfação com a vida social e estudantil e preocupação com o futuro interferem com o estado de saúde dos alunos.
Ciências Médicas e da Saúde
7,225
Vivência familiar e personalidade em toxicodependentes
Família.,Abuso da droga,Depressão
A literatura mostra existir uma relação entre a toxicodependência e a vivência familiar do indivíduo na sua infância/adolescência, com repercussões na formação da sua personalidade, que é consequência da construção do sentido de si e dos outros. O presente trabalho científico, tem como finalidade relacionar as experiências de adversidade precoce, dinâmicas parentais e ambiente familiar, relatados na primeira pessoa, com as características da personalidade do sujeito toxicómano participante. Foram aplicados os instrumentos EVF (Entrevista de Vinculação à Família), MMPI (versão Mini Mult) e IDB (Inventário da Depressão de Beck) a um conjunto de toxicodependentes (N=30) internados em Comunidade Terapêutica. Os resultados apontam para a existência de episódios familiares comuns nas histórias de vida relatadas pelos participantes. A aplicação do Mini Mult revelou scores altos (≥65) em 6 das 8 escalas clínicas em estudo nos toxicómanos. Os resultados do IDB revelaram sintomatologia depressiva em 80% da amostra. Determinadas personalidades apresentaram resultados mais significativos em específicos ambientes familiares. Foram verificadas relações entre dimensões esquizofrénicas (Sc) da personalidade e o ambiente familiar marcado por agressão / repressão parental; paranoia (Pa) e violência doméstica; hipomania (Ma) e ausência de referência parentais; depressão e violência doméstica; perfil MMPI psicótico e agressão / repressão parental; perfil MMPI psicótico e abuso / dependência de substâncias parental
Ciências Médicas e da Saúde
7,226
O conhecimento sobre amianto detido pelos profissionais de saúde da Região Centro
Pessoal da saúde,Asbesto
O amianto tem sido apontado como causa de inúmeras doenças, na atualidade, sendo pertinente a avaliação dos efeitos da exposição a estas fibras, existentes em diversos materiais, nomeadamente pelos profissionais de saúde das áreas de prevenção, de diagnóstico e tratamento de doenças. Assim, com este estudo pretendeu-se verificar o nível de conhecimentos sobre riscos de exposição ao amianto por parte dos profissionais de saúde da região centro. Para o cumprimento deste objetivo, efetuou-se um estudo, quanto à sua natureza de coorte transversal e quanto ao tipo de estudo este foi de caráter Descritivo-Correlacional (nível II). Relativamente à conceção do desenho amostral, o tipo de amostragem foi Não-Probabilística e a técnica foi por Conveniência. A amostra foi de 58 profissionais pertencentes às Unidades de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde do Centro, IP, e da Unidade Local de Saúde da Guarda. O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra indeferiu o pedido de autorização para a realização do estudo junto dos seus profissionais de saúde. Para a concretização do estudo foram aplicados questionários de avaliação de conhecimentos sobre amianto e de conhecimentos de riscos de exposição ao amianto. Neste estudo verificou-se que existe uma correlação entre o nível de conhecimento sobre amianto e o nível de conhecimento de riscos de exposição ao amianto, isto é, na sua generalidade, quanto maior o nível de conhecimento sobre amianto, maior será também o nível de conhecimento de riscos de exposição ao amianto. Pôde apurar-se também, que na sua maioria, os profissionais inquiridos sabe que a exposição ao amianto pode causar doenças pulmonares obstrutivas crónicas, asbestose, cancro do pulmão e mesotelioma. Relativamente às caraterísticas do amianto mais reconhecidas pelos inquiridos é a resistência a altas temperaturas e a algumas substâncias químicas. De referir ainda que praticamente todos os inquiridos sabe que revestimentos de edifícios e coberturas (fibrocimento) são constituídos por amianto
Ciências Médicas e da Saúde
7,227
O médico de família e os cuidados paliativos na criança
Medicina familiar,Criança,Cuidados paliativos
O enquadramento do estudo assenta na compreensão e proposta de algumas medidas para fazer face ao alheamento dos médicos de família e ao ostracismo a que são votados nos cuidados paliativos pediátricos. Como objectivo nuclear pretendemos dimensionar a integração dos cuidados paliativos pediátricos num contexto de rede alargada, focalizando a articulação do médico de família com o pediatra e vice-versa. Quanto à metodologia, o trabalho consta de duas partes. A primeira reporta a uma revisão teórica sobre o médico de família face à doença de mau prognóstico na criança e a família como sistema de suporte. A segunda parte refere-se a um estudo de investigação de natureza observacional, transversal e exploratório/descritivo, com aplicação de um questionário sobre uma amostra de vinte médicos de família e outra de vinte pediatras. O questionário, validado, assenta em quatro dimensões (comunicação com as crianças doentes e familiares, organização e coordenação de cuidados, conhecimento e perícia dos profissionais e integração de cuidados). Destacamos estes resultados: - Médicos de família com 46% das respostas em relação aos pediatras (33%), quanto às dificuldades na comunicação com os doentes e familiares; - Pediatras com 65% para 50% das respostas dos médicos de família, no reconhecimento de dificuldades na organização dos cuidados;- Clara afirmação da necessidade de mais conhecimentos e aptidões por parte dos médicos de família (51%) para 40% das respostas dos pediatras; - Médicos de família com 57% das respostas em relação aos pediatras (46%) no que respeita à inadequação da integração dos cuidados. Como conclusão há que destacar a insuficiente formação teórica e prática dos médicos de família e pediatras, o que justifica o investimento na educação, treino, conhecimento e competências para uma melhor prestação de cuidados paliativos.
Ciências Médicas e da Saúde
7,232
Quantificação de antipsicóticos em urina recorrendo à microextração por sorvente empacotado combinada com a cromatografia líquida de ultra eficiência
Antipsicótico - efeitos adversos.
Desde a sua introdução, na década de 50, que os antipsicóticos se tornaram amplamente prescritos na psiquiatria clínica, como tratamento de primeira linha para a esquizofrenia e outros distúrbios psicóticos. Com o atual crescimento do consumo de antipsicóticos em Portugal, e face aos efeitos colaterais causados por estes, tornou-se indispensável o desenvolvimento de metodologias analíticas que possibilitassem a identificação e quantificação destes fármacos em matrizes biológicas de forma rápida, simples e económica. Neste sentido, surge o nosso presente estudo, cujo principal objetivo foi a determinação de antipsicóticos, nomeadamente a clozapina, a risperidona e os seus metabolitos ativos norclozapina e 9-hidroxiriperidona, em amostras de urina, recorrendo à microextração por sorvente empacotado (MEPS), seguido de análise por cromatografia líquida de ultra eficiência com detetor de fotodiodos (UHPLC-PDA). Foram alvo de avaliação neste trabalho os fatores que influenciam o desempenho da MEPS, incluindo o tipo de sorvente, o número de ciclos de extração, o volume de amostra, o pH da amostra, o sistema de solventes e o volume de eluição. As melhores condições de extração envolveram a passagem de 500 μL de amostra através do sorvente C18 em 5 ciclos de extração. O extrato obtido foi analisado por UHPLC, usando um sistema de fase móvel binário, constituída por metanol e uma solução aquosa de ácido fórmico a 0,1%, num gradiente de concentração ao longo da separação cromatográfica, com um fluxo constante de 250 μL min-1. A validação do método analítico incluiu o estudo da seletividade, linearidade, limites de deteção e quantificação, precisão, exatidão e eficiência de extração. O método validado demonstrou ser seletivo para os compostos em estudo, além de apresentar um desempenho satisfatório em termos de linearidade, com fatores de correlação (r2) acima de 0,998. Relativamente aos limites de deteção, estes mostraram-se igualmente satisfatórios com valores que variaram entre os 0,052 e 0,055 μg mL-1, enquanto que os limites inferiores de quantificação foram da ordem dos 0,1 μg mL-1, correspondendo à mais baixa concentração da reta de calibração. No que diz respeito à exatidão, os valores obtidos variaram entre os –1,5 e os 20%, enquanto que na precisão os coeficientes de variação mantiveram-se abaixo dos 19%. Em termos de recuperação, os valores conseguidos variaram entre 76 e os 96%, encontrando-se de acordo com resultados de outros estudos. A fim de testar a aplicabilidade do método proposto, foram analisados 23 casos reais. As concentrações determinadas variaram entre 0,10 e 2,08 μg mL-1, permitindo evidenciar a capacidade do método para identificar e quantificar este tipo de substâncias. Podemos, assim, concluir que o método analítico desenvolvido demonstrou ser eficiente, designadamente ao nível do tempo de análise, e suficientemente sensível para a deteção, identificação e quantificação de clozapina, risperidona e os seus metabolitos ativos em amostras de urina. De salientar, também, que a simplicidade da metodologia proposta o torna compatível com a rotina analítica de um serviço de toxicologia
Ciências Médicas e da Saúde
7,233
Gestão de resíduos de medicamentos : estudo sobre os comportamentos e ações desenvolvidas pelos intervenientes nesta gestão
Resíduos de medicamentos
O desenvolvimento da sociedade leva ao aumento do consumo de produtos farmacêuticos, que consequentemente, origina uma maior produção de resíduos e um maior desperdício de medicamentos. Os destinos finais incorretos que se dão a estes resíduos podem ter consequências de elevado grau de gravidade no ambiente, e igualmente, na saúde pública. Desta forma, é importante entender como é feita a gestão deste tipo de resíduos, desde o primeiro responsável, passando pelo próprio consumidor, até ao responsável pela sua eliminação e valorização. Este estudo pretende perceber qual é o papel dos intervenientes na gestão dos resíduos de medicamentos, quais são os tratamentos que as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR’s) usam na redução ou eliminação de resíduos de medicamentos nas águas residuais, entender quais são os comportamentos e os conhecimentos da população relativamente a este tipo de resíduos, e por fim, qual é o desperdício de medicamentos que existe em Portugal. Para atingir os objetivos referidos, procedeu-se a uma entrevista presencial a responsáveis de 3 ETAR’s de diferentes dimensões, nomeadamente, a de Coimbra, a da Figueira da Foz e a da Mealhada, e utilizou-se um questionário de autopreenchimento, para uma amostra de 100 inquiridos, utentes do Centro de Saúde da Figueira da Foz. Os resultados demonstraram que nas ETAR’s ninguém tem qualquer conhecimento da presença de resíduos de medicamentos nas águas residuais. Os inquiridos no questionário revelaram alguns bons comportamentos, como a deposição dos medicamentos fora de uso ou fora de validade nas farmácias, e algum conhecimento dos problemas dos resíduos de medicamentos no ambiente e a forma como os devem evitar. No entanto, demonstraram ainda alguma falta de informação e formação no tema. Quanto ao desperdício de medicamentos, verificou-se que a maioria dos inquiridos não acaba as suas embalagens de medicamentos, constatando-se que é nos analgésicos e anti-inflamatórios que existe o maior desperdício. Em conclusão, e relativamente às ETAR’s, devendo estas proceder à análise regular dos compostos presentes nas águas residuais, e também à estruturação das mesmas para poderem utilizar os tratamentos adequados à redução ou eliminação dos resíduos de medicamentos. Quanto ao conhecimento da população na temática dos resíduos de medicamentos constatou-se ser importante uma maior sensibilização e mais formação, desde cedo, sobre o ambiente e a gestão dos resíduos de medicamentos. Para terminar, deve-se atuar no desperdício dos medicamentos ao nível de todos os responsáveis, desde a legislação até à forma de eliminação ou valorização dos resíduos.
Ciências Médicas e da Saúde
7,237
Sobre dignidade e morte: a experiência de profissionais em cuidados paliativos na realidade de um serviço de oncologia pediátrica do Brasil
Direito de morrer,Cuidados paliativos,Pediatria
O câncer é considerado um problema de saúde pública, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer, e encontra-se entre as dez maiores causas de morte do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Trata-se de uma doença crônica e estigmatizada como fatal, envolta por sentimentos adversos, como medo e angústia, tanto nos pacientes quanto em seus familiares. Quando ocorre em crianças, os sentimentos intensificam-se, possivelmente por, culturalmente, essa idade não ser associada a aspectos negativos e a morte. Esse momento torna-se mais delicado quando se constata o prognóstico desfavorável e o paciente é inserido na equipe de cuidados paliativos. Todo esse processo de cuidados pressupõe o acompanhamento de uma equipe multiprofissional, preparada técnica e emocionalmente, para lidar com todas as nuances envolvidas na doença, inclusive com a morte, que se faz presente cotidianamente. O presente trabalho visa compreender a experiência da promoção da dignidade no morrer vivenciada pelos profissionais de uma equipe de cuidados paliativos em oncologia pediátrica. Para o alcance desse objetivo geral, busca-se especificamente identificar o que entendem os profissionais de saúde sobre os cuidados paliativos e sua prática, compreender como os profissionais lidam com o processo de morrere reconhecer os recursos e estratégias utilizados pelos profissionais de saúde para trabalhar com crianças em cuidados paliativos.Baseia-se em uma pesquisa de campo, realizada a partir de entrevistas semi-estruturadas, com nove profissionais da equipe de cuidados paliativos, de um hospital de referência em oncologia pediátrica do estado do Ceará/Brasil. Com caráter descritivo e abordagem qualitativa, utiliza para análise dos dados, a hermenêutica crítica de Gadamer. Nos resultados da pesquisa, constata-se que a maioria dos profissionais entrevistados, compreendem o conceito de cuidados paliativos e seus princípios, e estabelecem, em sua prática, condutas condizentes com os objetivos da área, priorizando a qualidade de vida e proporcionando maior dignidade no processo de morrer dos pacientes. Além disso, demonstram encontrar bons recursos de enfrentamento que lhes servem como suporte para o trabalho cotidiano com a morte. Contudo, apresentam dificuldade em lidar com a temática, referenciando sentimentos negativos e evitando o contato com o assunto, fatores que podem trazer implicações à sua prática cotidiana.Acredita-se que essas dificuldades sejam evidenciadas, não somente por se tratar de um assunto estigmatizado cultural e socialmente, mas também devido à falta de formação teórica e emocionalpara o trabalho com essas questões. Torna-se evidente, portanto, a necessidade de criação de espaços formativos em prol da capacitação teórica dos profissionais para temáticas que envolvem a morte, bem como, a criação de momentos para a elaboração das demandas emocionais suscitadas. Com intuito de contribuir, de maneira efetiva, na melhoria do serviço prestado, essa pesquisa propõe a criação desses dois espaços, para que os profissionais possam exprimir seus sentimentos, compartilhar percepções, emoções e pensamentos, visando a minimização das dores e dúvidas diante das perdas sentidas constantemente. Essa proposta deve fortalecer a coesão da equipe, tornando-a mais preparada, tanto teórico quanto emocionalmente, para trabalhar com a morte em seu cotidiano de trabalho.
Ciências Médicas e da Saúde
7,239
A dengue: um (novo) problema de saúde pública em Portugal e na Europa
Dengue, Portugal,Dengue, Europa,Saúde pública
A dengue é uma infeção viral transmitida por mosquitos, causada por quatro diferentes serotipos do vírus da dengue (DENV), que nas últimas décadas se transformou num grande problema de saúde pública a nível global, sendo que nem vacina nem tratamento específico estão disponíveis. Pensa-se que o número de infeções anuais possa chegar aos 390 milhões por ano, causando 500 mil casos de dengue severa e mais de 20 mil mortes. Pensa-se que o número de infeções anuais possa chegar aos 390 milhões por ano, causando 500 mil casos de dengue severa e mais de 20 mil mortes. O vetor primário do DENV é o mosquito Aedes aegypti, enquanto o Aedes albopictus é o vetor secundário. Segundo a nova classificação da OMS, a dengue divide-se em dengue, com ou sem sinais de alarme, e dengue severa. A ocorrência de dengue severa foi fortemente associada a infeções secundárias com serotipo diferente da primeira infeção, podendo isto ser explicada pela teoria de potenciação dependente de anticorpos e, mais recentemente, pelo papel das células T. Será a produção de citocinas as principais causadoras do vazamento plasmático observado, mas os eventos ao nível do sistema imune decorrentes de uma infeção pelo DENV são complexos e de conhecimento limitado. O ECDC é a entidade central que ajuda a orientar os países europeus ao nível da vigilância de vetores, e a REVIVE a responsável em Portugal. Os métodos de controlo passam por estratégias ambientais, biológicas e químicas, além da participação da comunidade. A dengue já esteve presente em Portugal e na Europa até ao século passado, mas, com a eliminação do A. aegypti, não se verificaram casos autóctones até, depois da introdução do A. albopictus, a ocorrência de surtos em França e Croácia, em 2010. Em 2012, ocorreu o primeiro surto de dengue na Madeira, provocado pelo A. aegypti. Ambas as espécies já estão presentes em território europeu, e, com as alterações climáticas, poderão ocorrer alterações no padrão dispersivo do vetor e aumentar a adequabilidade climática para o seu estabelecimento. A presente dissertação tem como objetivo a revisão do conhecimento mais recente sobre a dengue enquanto problema de saúde pública e desafio ao sistema imunitário, estimar as potencialidades futuras da dengue em Portugal e na Europa e apresentar propostas para uma melhor preparação em caso de surto futuro e de presença de dengue de novo na Europa.
Ciências Médicas e da Saúde
7,241
Os conhecimentos nutricionais dos alunos do mestrado integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e a sua associação com os hábitos alimentares e nível de actividade física praticados
Nutrição,Estudantes de medicina,Actividade motriz
Introdução: O impacto que a alimentação tem na saúde é inquestionável. Apesar da população achar que os médicos são a fonte mais credível de informação sobre nutrição, o aconselhamento nutricional que prestam é limitado, sobretudo por uma fraca formação no tema, perdendo-se assim a oportunidade de beneficiar a saúde através da alimentação. Um estudo numa Universidade grega concluiu que os conhecimentos sobre alimentação saudável dos estudantes de Medicina eram superiores aos demais, mas apesar disso não se alimentavam melhor. No caso português, quando se investiga o estilo de vida dos universitários, os resultados são habitualmente preocupantes, nomeadamente com uma baixa prática de actividade física e maus hábitos alimentares. Objetivos: De forma genérica, esta tese pretendeu medir os conhecimentos nutricionais, a prática de actividade física e a prevalência de alguns aspectos de uma alimentação saúdável nos 1º, 3º e 6º anos do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra no ano lectivo de 2012/2013, e saber se estas variáveis se comportavam de forma diferente entre os anos de curso em estudo e sexos. Também foi objectivo saber se na amostra, há uma associação entre os conhecimentos nutricionais e o nível de actividade física e hábitos alimentares praticados. Metodologia: Foram distribuídos, durante o ano lectivo, aos alunos em anonimato e regime de voluntariado um Questionário de caracterização demográfica e antropométrica, o Questionário de Conhecimentos Nutricionais, o Questionário do Nível Actual de Atividade Física e um Inquérito alimentar das 24 horas do dia anterior. A partir do último estudaram-se 3 aspectos de uma alimentação saudável, número de refeições, número de peças de fruta e quantidade de álcool consumidos. Resultados: Estudou-se uma amostra total de 465 questionários, valor representativo da população. O índice de massa corporal médio aumentou ao longo dos anos de curso e é maior no homem. De uma forma geral os conhecimentos nutricionais aumentaram significativamente ao longo dos anos de curso e foram superiores na mulher. O homem revelou praticar mais actividade física e a realização de actividade física decresceu ao longo dos anos de curso. Quanto melhor ficaram classificados no Questionário de Conhecimentos Nutricionais, mais actividade física os alunos realizaram. Os alunos do 1º ano ingeriram mais refeições diárias e os do 6º ano foram os que mais consumiram fruta. Nos aspectos estudados, as mulheres alimentaram-se significativamente melhor. Todos os grupos demográficos (anos de curso em estudo e sexo) comeram maioritariamente o número diário de refeições recomendadas e minoritariamente o número de peças de fruta que deviam. A descrição de consumo de álcool foi mais reduzida que o esperado em qualquer grupo demográfico. Os alunos melhor classificados no Questionário de Conhecimentos Nutricionais comeram mais fruta. Conclusões: A autora conclui que alguns resultados são positivos, nomeadamente os conhecimentos nutricionais, em que os alunos ficaram classificados maioritariamente no 4º quartil e o número de refeições diárias que fazem. Os resultados mais preocupantes concentram-se na baixa prática de de actividade física e baixo consumo de fruta. Em alguns aspectos, a vida universitária aparenta ter pioriado o estilo de vida dos alunos. A promoção de maior prática desportiva deve ser vista como prioritária para a Comunidade Universitária assim como o reforço da importância da fruta para a Saúde.
Ciências Médicas e da Saúde
7,242
Avaliação e controlo da dor em regime ambulatório em doente em cuidados paliativos usando aplicações móveis de tecnologias de informação e comunicação: proposta de processo electrónico para gestão de doente a necessitar de controlo de dor crónica em regime ambulatório
Avaliação da dor,Cuidados paliativos
Nas sociedades modernas a busca pelo bem estar e qualidade de vida assume uma importância enorme. A necessidade de estar em permanente contacto com o mundo envolvente trouxe a expansão das tecnologias de informação e comunicação. Rapidamente se percebeu que este fenómeno poderia ser transferido para o âmbito da Saúde e apoio de doentes crónicos em sofrimento. O presente trabalho teve como objetivo principal criar um método de comunicação e transmissão de informação sobre o estado de saúde de doentes em cuidados paliativos, com sofrimento por dor crónica. O desenho do trabalho centrou-se na criação de uma aplicação informática e de um sítio na internet através dos quais os doentes poderiam transmitir regularmente a intensidade e localização das dores, que seriam interpretadas pela equipa de saúde no hospital de seguimento, podendo receber, pela mesma via, orientações clínicas, alertas e conselhos para melhorar o seu bem-estar e qualidade de vida. Isto sem terem de recorrer ao hospital, nomeadamente aos serviços de urgência. Posteriormente testou-se a aplicação numa amostra de 27 voluntários saudáveis para avaliar a sua aplicabilidade, detetar falhas a corrigir e assegurar da sua utilidade em ambiente real. Os resultados obtidos revelam que esta aplicação seria útil com vantagens para o doente e sistema de saúde, sendo de fácil manejo, intuitiva e, caso a equipa de profissionais de saúde se adapte, consegue controlar as queixas álgicas do doente. Trata-se de um novo paradigma na relação doente/profissionais de saúde, responsabilizando mais o doente, obtendo-se informação em tempo real, libertando os profissionais de registos exaustivos de dados clínicos para se centrarem no controlo das queixas do doente. Deseja-se que no futuro este tipo de tecnologias possa ser integrado nos registos clínicos electrónicos dos sistemas de saúde.
Ciências Médicas e da Saúde
7,243
Os benefícios do tratamento da hipovitaminose D na dor músculo-esquelética crónica em idosos
Idoso,Dor,Vitamina D,Musculos esqueléticos
A vitamina D (vit D) é fundamental na manutenção da homeostasia do cálcio, através da sua acção a nível intestinal, renal e ósseo. Hoje, estão identificados receptores da vit D em vários tecidos, designadamente no músculo esquelético, pelo que esses tecidos também podem estar sob a regulação da vit D. Vários estudos têm demonstrado uma elevada prevalência de hipovitaminose D, em vários grupos populacionais, em que se destacam os idosos. Esta condição pode ter causas diversas, sendo a principal a baixa exposição solar. A hipovitaminose D tem sido implicada em diversas condições patológicas, como é o caso do aumento do risco de fracturas, disfunção dos membros inferiores e na dor crónica. A dor crónica pode resultar em diversas incapacidades, afectando as actividades quotidianas e a qualidade de vida e estima-se que 50 a 86% dos idosos apresentam algum grau de dor. Os mecanismos através dos quais a hipovitaminose D resulta em dor músculo-esquelética não estão completamente esclarecidos mas poderão envolver hiperinervação do músculo por axónios nociceptores, possivelmente agravada pela perda do efeito anti-inflamatório da vit D. A dor ósteo-muscular associada à hipovitaminose D tende a responder pouco aos anti-inflamatórios e aos opióides, mas pode melhorar após suplementação com vit D. Contudo, nem todos os estudos encontraram evidência de efeito favorável da vit D na dor. Este estudo tem como objectivo compreender o efeito do tratamento da hipovitaminose D na saúde dos idosos, designadamente, na intensidade da dor músculo-esquelética crónica. Foi realizado um estudo experimental, com indivíduos com 65 anos ou mais, com dor músculo-esquelética crónica e hipovitaminose D. Foram determinadas as concentrações séricas de 25-hidroxivitamina D (25(OH)D) e paratormona (PTH) e avaliados vários parâmetros clínicos: dor, estado nutricional, funcionalidade, estado afectivo e qualidade de vida. Os participantes foram suplementados com colecalciferol e foram reavaliados após 4 meses. Verificou-se melhoria significativa da dor (p=0,008), que parece ocorrer essencialmente para valores de 25(OH)D iniciais < 20 ng/ml, acompanhada de possível melhoria da qualidade de vida, sem haver variação significativa dos níveis de PTH, do grau de independência para as actividades de vida diária, do estado afectivo ou nutricional. Pela análise dos coeficientes de correlação de Spearman, parece ter existido melhoria da força de preensão palmar, do estado afectivo e da qualidade de vida, associadas à melhoria da dor. A hipovitaminose D é frequentemente subvalorizada. Porém, a vit D tem vários efeitos benéficos, comprovados ou potenciais. Assim, é importante considerar esta condição, bem como a suplementação de vit D, nomeadamente, perante quadros álgicos. De facto, a evidência existente até ao momento, corroborada pelo presente estudo, embora insuficiente, sugere que o tratamento da hipovitaminose D pode ser um aspecto importante na abordagem do idoso com dor músculo-esquelética crónica, podendo, inclusive, melhorar a qualidade de vida, aspecto fundamental em clínica, nomeadamente, em clínica geriátrica. O presente estudo representa um contributo adicional para a compreensão da relação entre a hipovitaminose D e a dor crónica. São, contudo, necessários mais estudos, para possibilitar tirar conclusões definitivas sobre este tema.
Ciências Médicas e da Saúde
7,244
Qualidade de vida em diálise
Diálise,Qualidade de vida
A Doença renal crónica constitui hoje um importante problema médico e de saúde pública, temática de importância fundamental na área da saúde, em que a tecnologia intervindo nas fronteiras entre a vida e a morte é determinante na manutenção da vida. Os avanços da tecnologia e a melhoria dos tratamentos dialíticos evoluíram substancialmente, bem como o conhecimento ligado à insuficiência renal e seu tratamento, o que permitiu melhorar a qualidade de vida destes doentes nestes últimos anos. É indiscutível que a insuficiência renal e a diálise causam transtornos e incómodos à vida do doente, do ponto de vista físico, profissional e familiar. É importante reconhecer a avaliação da qualidade de vida relacionada com a saúde, como um indicador de excelência dos cuidados de saúde, refletindo a voz do utente. O objetivo desta tese consistiu em desenvolver um estudo não experimental, descritivo, transversal e quantitativo, com o propósito de avaliar a qualidade de vida relacionada com a saúde nas pessoas com insuficiência renal crónica em hemodiálise. A amostra consistiu em 75 doentes com insuficiência renal crónica em tratamento de hemodiálise no Centro de diálise Davita-Leiria. Neste estudo concluiu-se que a maioria dos doentes encara o tratamento como uma modalidade dolorosa, sofrida, angustiante, com limitações físicas, sociais e nutricionais, situação esta que não interfere na interacção utente-sociedade-família. Os resultados deste estudo demonstram que a doença renal crónica terminal tem um peso elevado na qualidade de vida destes doentes, reduz consideravelmente o desempenho físico e profissional do doente, levando a um impacto negativo sobre a sua perceção da própria saúde e afetando os níveis de vitalidade (energia e cansaço), o que pode limitar as interacções sociais e causar problemas relacionados à saúde mental. Relativamente ao desempenho emocional é outra dimensão que se revelou afetada. A depressão pode induzir o doente a inúmeras complicações, desta forma é relevante avaliar o estado emocional desses doentes, já que esse fator afeta diretamente o resultado da diálise e a sobrevivência dos doentes submetidos a este tratamento. Na população estudada constata-se que a maioria dos doentes estudados são do sexo masculino, na faixa etária dos 66 anos. Quanto ao estado civil, mais de metade são casados com ou sem registo e verifica-se que 65,33% possuem baixa escolaridade com idêntico percentual de aposentados. Verifica-se valores médios de qualidade de vida superiores nos doentes casados com registo, trabalhadores por conta própria e maiores rendimentos.
Ciências Médicas e da Saúde
7,246
Fadiga em trabalhadores de centrais térmicas da EDP na Região Centro
Fadiga,Profissões
O presente estudo visa analisar a percepção da fadiga numa população de trabalhadores por turnos das centrais de produção termoeléctrica da Região Centro pertencentes à EDP (Energias De Portugal). O seu principal objectivo é a avaliação da percepção da fadiga em trabalhadores por turnos. Esta avaliação é feita de forma absoluta, bem como comparativa, relativamente a uma população que, trabalhando no mesmo sector, não realiza trabalho por turnos. A motivação para a realização deste estudo partiu de trabalho anterior de acompanhamento destes trabalhadores, no qual se percepcionaram queixas relacionadas com a execução de trabalho por turnos. Assim, resolveu-se estudar, de forma sistematizada e quantitativa, a real dimensão do problema, pretendendo-se com a informação recolhida e analisada nesta dissertação recomendar formas de melhorar o acompanhamento regular dos trabalhadores em causa, quer seja no contexto de Exames Periódicos de Medicina do Trabalho, quer seja contribuindo para a organização do trabalho ou dinamizando acções de sensibilização e de educação para a saúde. A fadiga em trabalhadores por turnos tem, desde sempre, vindo a ser reconhecida como um importante factor a ter em conta na sua saúde e bem-estar, no seu desempenho e produtividade, bem como na sinistralidade laboral. A revisão bibliográfica feita aponta para que os trabalhadores por turnos apresentem, com maior prevalência: fadiga, alterações do sono, interferência na vida pessoal e familiar, agravamento de patologias já conhecidas, aumento do risco para o desenvolvimento de patologias gastrointestinais, cardiovasculares e relacionadas com a gestação. Para a avaliação da fadiga nesta população foram aplicados dois questionários, CIS (Checklist Individual Strenght) e OFER (Occupational Fatigue Exhaustion/Recovery Scale), tanto a trabalhadores por turnos como a outros trabalhadores, publicados na literatura, cada um contando com vinte questões de auto-preenchimento, sendo que o primeiro conta com quatro dimensões e o segundo com três. Resumo Maria António Lemos iii Foi realizada análise estatística dos dados obtidos, utilizando testes não paramétricos (Mann-Whitney) para comparar, entre trabalhadores por turnos e outros, os resultados nas diferentes dimensões, recorrendo-se a uma correcção de Bonferroni para controlar o nível de significância global de 0.05. As consistências internas nas dimensões dos questionários foram avaliadas recorrendo ao α de Cronbach. Os resultados obtidos mostraram diferenças estatisticamente significativas entre o grupo de trabalhadores por turnos e os de trabalhadores que não fazem turnos, na aplicação do questionário CIS, considerando as suas quatro dimensões (severidade da fadiga, problemas de concentração, diminuição da motivação, exercício físico), mostrando maior gravidade no primeiro grupo. Relativamente ao questionário OFER, e às suas três dimensões (fadiga aguda, fadiga crónica, recuperação entre turnos), os resultados indicam uma diferença estatisticamente significativa na gravidade percepcionada entre os grupos analisados, sendo de maior dimensão no primeiro grupo (trabalhadores por turnos). Conclui-se, assim, que para a amostra estudada, há associação positiva entre a realização de trabalho por turnos e a percepção e medição de fadiga. Resulta deste trabalho um conjunto de remodelações a considerar, destacando-se a necessidade de implementar um controlo mais rigoroso dos sintomas relacionados com fadiga destes trabalhadores, reunir com chefias e responsáveis para contribuir para uma melhor organização do trabalho e incrementar a dinamização da sensibilização dos trabalhadores para esta problemática, bem como relativamente a estratégias que visem melhorar a capacidade de tolerância a este tipo de trabalho.
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7,247
Cuidados paliativos domiciliários: a sua importância no concelho da Lousã
Cuidados paliativos,Cuidados domiciliários
Introdução: Os cuidados paliativos estão em desenvolvimento em Portugal e no mundo, contribuindo para uma resposta humanizada e interdisciplinar aos doentes e famílias que enfrentam uma doença avançada, através da ação de equipas de cuidados paliativos em hospitais e na comunidade. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar as necessidades e explorar a experiência do doente com cancro em fase avançada e conhecer a realidade em termos de apoio domiciliário existente ou desejado no concelho da Lousã. Métodos e Participantes: Este é um estudo descritivo-exploratório, seguindo uma abordagem qualitativa. Foram realizadas dez entrevistas a doentes oncológicos adultos (seis participantes do sexo feminino, com idade média de 50 anos e a maioria com cancro de mama) que vivem no concelho da Lousã, seguidos pela Unidade de Saúde Familiar local. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisados utilizando a metodologia de análise de conteúdo proposta por Bardin (1977). Resultados: Através da análise de conteúdo surgiram seis categorias, que deram resposta às questões de investigação traçadas: Cuidados Paliativos; Vivência do processo de doença; Necessidades e problemas dos doentes; Cuidados/apoio; Importância de uma equipa de Cuidados paliativos Domiciliários no concelho; Local de cuidados preferido. Os participantes mostraram uma boa perceção sobre Cuidados Paliativos; utilizam diversas estratégias para lidar com a doença, variando entre otimismo e a negação; e por último, veem utilidade numa equipa de cuidados paliativos domiciliários no concelho, mais pelo apoio que podem dar à família do que o cuidado/apoio ao próprio. Conclusão: Os resultados sugerem que o desenvolvimento de cuidados paliativos domiciliários é uma prioridade adequada a fim de prestar cuidados de fim de vida para atender às preferências dos doentes no concelho da Lousã.
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7,250
Disfunção miccional em traumatismos vertebro-medulares
Urologia,Contusões
A disfunção miccional que sucede ao traumatismo vertebro-medular, frequentemente designada de bexiga neurogénica, é uma das consequências mais importantes e limitativas para o indivíduo, após este tipo de lesão. A reorganização das vias de inervação da bexiga altera o controlo voluntário da micção e causa a emergência de reflexos não fisiológicos, de onde advêm os diferentes sintomas. Ainda que a incidência dos traumatismos tenha vindo a diminuir, as sequelas devastadoras impostas ao indivíduo, quer imediatas quer futuras, que condicionam a sua qualidade de vida e dificultam uma recuperação funcional completa, fazem com que estes nunca deixem de representar uma importante causa de morbilidade. Décadas de investigação na área e os conhecimentos adquiridos acerca dos mecanismos moleculares, organizacionais e neuroquímicos permitiram desenvolver estratégias de tratamento cada vez mais eficazes, particularmente na área da farmacologia. Actualmente, os objectivos passam pelo desenvolvimento de agentes que se revelem seguros e com um adequado perfil de reacções adversas, contra novos alvos terapêuticos. Este artigo de revisão pretende, assim, analisar e resumir a anatomia e a fisiologia do tracto urinário inferior e do processo miccional, bem como a fisiopatologia da sua disfunção de etiologia neurogénica. Pretende ainda abordar as manifestações clínicas que subjazem a esta patologia, os meios de diagnóstico disponíveis ao seu estudo e as estratégias terapêuticas recomendadas actualmente. Para a sua realização, foi pesquisada a literatura científica relevante através da base de dados PubMed, dando preferência aos estudos mais recentes, quando possível. Foram ainda consultados livros e publicações da especialidade.
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7,251
O impacto da restrição calórica no envelhecimento
Nutrição,Envelhecimento
A dieta de restrição calórica tem potencial para contrariar o aparecimento de patologias associadas à idade, reduzir o ritmo de envelhecimento, e aumentar a longevidade, intervindo tanto no envelhecimento primário como no secundário. Os seus efeitos vão muito para além da diminuição do peso corporal. Praticamente todos os fatores de risco da doença aterosclerótica são melhorados, o que juntando ao decréscimo dos mediadores inflamatórios e à diminuição de fibrose, vai preservar a integridade da função vascular durante o envelhecimento. A RC revelou diminuir o risco de diabetes mellitus tipo 2, e aumentar a adiponetina; os seus efeitos na insulina são complexos mas apontam no sentido de aumentar a sobrevivência. A RC retarda também a deterioração do SNA, tem um papel favorecedor no cérebro, especialmente se este já for envelhecido, e mostra-se capaz de reduzir o aparecimento de neoplasias malignas. Através da modulação do stress oxidativo, a RC afeta amplamente processos inerentes à deterioração do organismo com o tempo, como a peroxidação lipídica, a oxidação de proteínas, o dano do DNA nuclear e mitocondrial, o dano do RNA. Ao estimular a atividade de sirtuínas, a RC consegue estabilizar a transferência de eletrões na CTE, aumentar a biodisponibilidade da eNOS (diminuindo a pressão arterial), modular a transcrição de genes pela desacetilação de histonas, o que implica a compactação da cromatina, e intervir ainda na prevenção da doença de Alzheimer.
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7,252
Avaliação molecular de um modelo experimental de terapia complementar
Sistema imunológico, rato,Reiki
O presente estudo tem como objetivo avaliar a imposição e toque de mãos num modelo de patologia experimental e verificar com base na histogia e imunologia os efeitos da prática desta terapia complementar num grupo de dez ratos machos Wistar, com oito semanas de idade. Os animais foram aleatoriamente divididos em dois grupos de cinco ratos cada. O grupo I (controlo) não foi submetido a qualquer tipo de manipulação e os animais do grupo II (teste) foram submetidos individualmente a quinze minutos de reiki por dia, aplicado pela investigadora. Este procedimento foi feito três vezes por semana, durante oito semanas, tendo após este período todos os animais sido sacrificados e necropsiados. Dos grupos teste e controlo foram recolhidos fragmentos para avaliação histológica e colhido sangue, de todos os animais, no final da experiência. O sangue foi enviado para avaliar a fluorescência dos linfócitos e monócitos sem identificar o grupo de cada animal. A autofluorescência intracelular é geralmente dominada pelos nucleótidos de piridina (NAD(P)H) reduzidos e pelas flavinas oxidadas (FMN, FAD), sendo ambas potencialmente úteis como indicadores metabólicos celulares. A avaliação imunológica foi realizada através de medições de autofluorescência usando os fluoróforos isotiocianato de fluoresceína (FITC) e R-ficoeritrina (EPR) num citómetro de fluxo BD FACSCanto II. O objetivo deste estudo é avaliar a ação de um procedimento de reiki sobre os leucócitos do rato. Foi feito um teste cego, ou seja, as análises dos dois grupos foram feitas por profissionais que desconheciam a origem do material. Os resultados sugerem um aumento da atividade dos monócitos nos animais submetidos ao procedimento de reiki, mostrando alterações imunológicas em comparação com o grupo de controlo. Este estudo revela que a aplicação deste procedimento provoca alterações semelhantes às observadas em estudos anteriores de caracterização da resposta imunitária, contribuindo para a elucidação dos efeitos fisiológicos desta terapia energética
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7,254
Riscos psicossociais e capacidade no trabalho na população de Outil (Cantanhede)
Saúde ocupacional,Saúde mental,Factores de risco,Avaliação da capacidade de trabalho
A Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHST) tem como objetivo conservar o bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores, para isso, é necessário adotar medidas que exigem a interação de várias áreas como a medicina do trabalho, a higiene do trabalho, a engenharia de segurança, a ergonomia, a psicologia, entre outras. Este assunto começou a ser tido em conta, em meados do Séc. XX. Até aí o único aspeto importante relacionado com o trabalho era a produtividade, não havendo preocupação com lesões, doenças nem mesmo se essas situações conduzissem à morte do trabalhador. Tem-se verificado que os riscos psicossociais são riscos emergentes de saúde ocupacional, ou seja, são riscos novos, que estão a aumentar e cujos efeitos sobre a saúde dos trabalhadores estão a agravar-se. As novas formas de contratos de trabalho e insegurança no emprego, a mão-de-obra em envelhecimento, a intensificação do trabalho, as exigências emocionais elevadas no trabalho e a difícil conciliação entre a vida profissional e pessoal são os principais geradores de consequências negativas para os trabalhadores, para as organizações e para a sociedade. Estes riscos requerem grande preocupação por parte das empresas, no entanto devido à delicadeza necessária para abordar esta temática, à escassez dos recursos e à falta de sensibilização, muitas vezes não lhe é dada a devida importância. Os objetivos deste estudo são analisar o nível de exposição da população ativa aos riscos psicossociais, avaliar a capacidade para o trabalho e analisar os efeitos dos riscos psicossociais no trabalho na capacidade para o trabalho. Para atingir os objetivos anteriormente referidos, a metodologia utilizada foram dois questionários, autoadministrados, numa amostra de 140 trabalhadores residentes na localidade de Outil. Com os dados obtidos, foi possível inferir que a população se encontra numa situação de risco intermédio relativamente à exposição aos riscos psicossociais. Este facto não se deve ao sexo do trabalhador nem ao setor em que exerce a sua atividade profissional. Concluiu-se também que a população em estudo apresenta, de um modo geral um bom Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT). Este índice vai diminuindo com o avançar Riscos Psicossociais e Capacidade no Trabalho na população de Outil (Cantanhede) XV da idade do trabalhador. O ICT não está correlacionado linearmente com o sexo nem com o setor profissional. Com este estudo verifica-se também que o nível de exposição aos riscos psicossociais se relaciona com a capacidade para o trabalho na medida em que alguns aspetos psicossociais do trabalho potenciam ou inibem a capacidade para o trabalho. Os aspetos que inibem a capacidade para o trabalho são: as exigências quantitativas, os conflitos laborais, a confiança horizontal e vertical, o compromisso face ao local de trabalho, a saúde em geral e os problemas em dormir. Já pelo contrário, o significado do trabalho, a importância que o trabalhador atribui ao trabalho é um fator que potencia a capacidade para o trabalho. A crise económico-financeira atravessada pelo país, e um pouco por toda a Europa, neste momento origina muitas alterações organizacionais e estruturais nas empresas, o que potencia o aparecimento dos riscos psicossociais afetando a saúde física e mental do trabalhador e consequentemente a sua capacidade para o trabalho. O reconhecimento e a gestão dos riscos psicossociais a que estão sujeitos os trabalhadores e a avaliação da sua capacidade para o trabalho tornam mais fácil e eficaz a tomada de decisão e o desenrolar de programas de ação que ajudem as empresas a ultrapassar este momento conturbado a nível socioeconómico e financeiro, mantendo os trabalhadores saudáveis física e mentalmente.
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7,255
Estatinas, miopatia e exercício físico
Estatinas,Miopatias,Exercício físico
Introdução As doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade e morbilidade nos países industrializados, constituindo um grave problema de saúde pública. A hipercolesterolémia representa um importante fator causal dessas doenças. As estatinas, ou inibidores da 3-hidroxi-3-metilglutaril-coenzima A redutase, são os agentes mais efetivos no tratamento da hipercolesterolémia. A miopatia é o efeito adverso mais frequentemente associado às estatinas, podendo ocorrer elevações assintomáticas da creatina cinase e rabdomiólise com manifestações mais graves que podem pôr a vida em risco. Os mecanismos através dos quais as estatinas induzem miopatia ainda são incertos, sendo embora reconhecida a probabilidade dos efeitos miotóxicos das estatinas aquando da associação com a prática de exercício físico. Objetivos  Averiguar se a miopatia associada à toma de estatinas é agravada pelo exercício físico;  Verificar se o sexo e a idade dos indivíduos condicionam a escolha da estatina;  Objetivar se os indivíduos que tomam estatinas têm um padrão alimentar diferente;  Determinar se a escolha da estatina limita o exercício físico aeróbio regular e se este aumenta os níveis da CPK nos pacientes que tomam estatinas;  Verificar se a miopatia é um efeito adverso frequente das estatinas na região Centro de Portugal;  Objetivar a influência do exercício físico, moderado e intenso, com e sem Atorvastatina 80mg, nos níveis sanguíneos da CPK. Métodos Foram realizados três estudos: 1: Observacionais: 1.a) Aplicação de um inquérito na Unidade de Saúde Familiar Topázio, Centro de Saúde de Eiras, Coimbra; 1.b) Investigação de base de dados na Unidade de Farmacovigilância do Centro; 2: Investigação com medicamento: Experiência prática que decorreu no ginásio Fisicamente, em São Martinho do Bispo, Coimbra. Resultados Estudo 1.a) O sexo e a idade dos indivíduos não influenciaram a utilização de uma estatina mais ou menos potente; Os utilizadores de estatinas não seguiam uma dieta variada e equilibrada e a maior parte deles (66%) não praticava exercício físico aeróbio regular, e os que praticavam apenas o executavam, na maior parte das vezes, com uma intensidade reduzida; Não se verificou aumento nos níveis da CK após o início do tratamento com estatinas nem mesmo aquando da prática regular de exercício físico aeróbio. Estudo 1.b) É baixa a frequência de Reações Adversas ao medicamento (estatinas) na base de dados da Unidade de Farmacovigilância do Centro. Dos 2453 casos de RAM, 64, dizem respeito às estatinas. Dessas 64 notificações, 21 descreviam diversas formas de miotoxicidade associadas à toma desses hipolipemiantes, o que equivale a 32,8% das notificações. Foram consideradas graves 9 dessas reações (42,9%). Estudo 2. A Atorvastatina administrada em doses elevadas não teve efeito nos níveis sanguíneos da CK, nem quando administrada isoladamente nem quando repetidamente. O exercício físico, mesmo quando executado a um nível moderado, aumentou os níveis da CPK. Conclusões Não se verificou a ocorrência de miopatia associada a toma de estatinas, mesmo aquando da utilização de doses elevadas de atorvastatina administradas repetidamente e a prática de exercício físisco intenso, que foi comprovado pelos níveis de CK e ausência de sintomatologia. Este aspeto foi complementado pelo reduzido número de casos de RAM de miopatia associada à toma de estatinas, registados na região Centro de Portugal. Somente o exercício físico teve influência nos níveis da CPK, mesmo quando praticado com intensidade moderada
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7,256
Luminol : contributo para a estimativa do intervalo postmortem e de restos estilizados
Luminol,Cadáver
Perante restos esqueletizados, identificados ou não, é de considerar a relevância da avaliação do tempo decorrido desde a morte do indivíduo, designado por intervalo postmortem (PMI1) Esta é uma das atribuições do antropólogo forense, saber há quanto tempo aconteceu a morte o que, obviamente, tem importantes consequências legais. O PMI é um dos principais desafios da Antropologia Forense, e vários são os métodos referenciados que o pretendem determinar, analisando factores intrínsecos e extrínsecos aos restos esqueletizados. É de salientar a necessidade de desenvolver uma técnica precisa, económica, fácil e reprodutível, que opere como teste presuntivo ou de orientação, com número de amostras considerável, que permita a significância estatística dos resultados obtidos. A reacção química que ocorre na presença de luminol, quimioluminescência, é assinalada como uma ferramenta de trabalho no sentido de avaliar o PMI, devido à sua elevada afinidade para a hemoglobina, que fica protegida no tecido ósseo pelo seu elevado conteúdo mineral, após o suprimento de sangue ter cessado postmortem. Esta técnica é já aplicada em locais de crime, na detecção de sangue, devido à grande sensibilidade da hemoglobina, podendo assim ser usada também em amostras de osso, segundo o mesmo princípio. O estudo da técnica do luminol surge como um método a investigar, com o objectivo de complementar os restantes métodos de avaliação do tempo decorrido desde a morte de restos esqueletizados já existentes, contribuindo para uma avaliação mais precisa do PMI e com a finalidade de permitir a distinção entre ossos de interesse médico-legal (em Portugal, amostras com menos de 15 anos) e ossos sem significado médico-legal (amostras com mais de 15 anos). 1 Foi decidida a utilização da sigla em inglês por uma questão de uniformização ix A amostra em estudo é constituída por 51 indivíduos de ambos os sexos, todos adultos, com idades entre os 20 e os 98 anos e com tempo decorrido desde a morte conhecido. O osso seleccionado foi a clavícula, com ausência de patologias ósseas. Os resultados obtidos na presente dissertação, com falsos positivos a atingir os 100%, descartam a possibilidade de, pelo menos sem a investigação de uma amostra de maiores dimensões e variedade, ser possível a distinção entre ossadas de pertinência forense e sem interesse médico-legal, para a realidade portuguesa. Contudo, a hipótese da reacção de quimioluminescência ser aplicada como teste presuntivo, sobretudo para restos esqueletizados fragmentados, mantém-se, com uma percentagem de falsos negativos de 22 a 25%. Comparando os dois tipos de escala empregues, embora mais subjectiva, a escala de 5 níveis apresenta resultados mais detalhados e descritivos, existindo duas categorias (“muito fraco positivo” e “forte positivo”) com assertividade de 100%, sendo, portanto, a mais indicada para uso futuro. Os resultados da estatística de Kappa, com valores compreendidos entre 0,79 e 0,97, revelaram confiança inter e intraobservador no teste de aplicação de luminol, como teste de presunção. A diagnose do PMI, baseada nos registos da reacção do luminol com a hemoglobina, não pode ser usada isoladamente. É necessária a interpretação das circunstâncias de recolha, das condições ambientais e também uma análise crítica dos dados resultantes do exame antropológico.
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7,259
Derrame pleural maligno
Derrame pleural maligno
Introdução: A patologia oncológica ocupa cada vez mais um lugar de destaque na prática clínica em todo o mundo, dado o número crescente de casos. Uma das complicações mais frequentes nos pacientes com neoplasias avançadas é o derrame pleural maligno, sendo o cancro de pulmão a causa mais comum; no entanto, o cancro da mama, ovário, do tracto gastrointestinal e os linfomas são agentes etiológicos com alguma frequência. O prognóstico nestes doentes é geralmente reservado dado que a presença de derrame pleural traduz frequentemente disseminação da doença e a resposta à terapêutica sistémica é variável, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos doentes, nomeadamente por sintomas como dispneia, tosse e dor torácica. Objectivos: A presente revisão visa abordar a problemática do derrame pleural associado à patologia neoplásica, procurando integrar a informação disponibilizada pelos vários autores nos últimos 10 anos. A metodologia escolhida baseou-se na pesquisa de artigos indexados na PubMed. Desenvolvimento: Avanços consideráveis foram feitos no diagnóstico de derrames pleurais malignos, através do recurso à análise do líquido pleural e dos estudos imagiológicos que melhoraram a execução das biópsias pleurais. A obliteração da cavidade pleural com talco continua a ser o gold standard no tratamento; no entanto, dependendo do prognóstico do doente, a abordagem varia, podendo passar por uma toracocentese para alívio sintomático ou então procedimentos mais invasivos como cateteres pleurais de longa duração. Conclusões: Apesar da existência de múltiplas técnicas bem toleradas para o controlo e tratamento destes derrames pleurais, as estratégias actuais estão claramente inadequadas. Mais pesquisa deve ser feita no sentido de encontrar novas abordagens e modalidades terapêuticas para este problema de incidência crescente.
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7,261
Fatores de risco microbiológicos e ambientais na doença inflamatória intestinal : uma revisão
Doença de Crohn,Doenças inflamatórias dos intestinos,Exposição ao ambiente,Microbiota
Introdução: a Doença Inflamatória Intestinal (DII) é uma patologia que envolve o tubo digestivo, podendo ter manifestações extraintestinais. A fisiopatologia desta doença permanece obscura, apesar de se manter a crença de que ela ocorre devido a uma complexa interação entre fatores de risco genéticos, ambientais, imunitários e microbiológicos. Objetivo: rever os dados relativos ao papel dos agentes microbiológicos e ambientais como fatores de risco para a DII, e clarificar os mecanismos fisiopatológicos envolvidos. Métodos: pesquisa nas bases de dados “PubMed”, “b-On” e “RCAAP”, com restrição aos estudos publicados nos últimos 6 anos. Resultados: não foram identificados microrganismos patogénicos comuns a todos os casos de DII. Verificou-se que a permeabilidade aumentada da barreira epitelial permite a translocação de microrganismos capazes de desencadear inflamação intestinal e que a DII é favorecida quando ocorre um desequilíbrio na homeostasia entre o microbioma intestinal e o hospedeiro. Quanto aos fatores de risco ambiental com influência fisiopatológica no desenvolvimento da DII, apenas foi possível identificar o consumo de tabaco como fator de risco na Doença de Crohn e fator protetor na Colite Ulcerosa. Os estudos sobre os restantes agentes ambientais revistos neste trabalho apresentaram resultados muito díspares entre eles. Conclusão: as alterações no microbioma constituem um fator de risco para o desenvolvimento da DII, em particular num contexto multifatorial, mas é fundamental compreender no futuro a forma como cada microrganismo específico modela o sistema imunitário. Quanto aos fatores ambientais, a disparidade de resultados sugere que são necessários mais estudos sobre esta problemática, estudos esses que permitam excluir todas as variáveis de confusão, para que se obtenham conclusões válidas que permitam recomendar a evicção ou potenciação da exposição a determinados fatores, bem como o desenvolvimento de terapêuticas dirigidas aos fatores de risco.
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7,262
Colangite esclerosante primária : um estudo retrospetivo no CHUC
Colangite esclerosante,Doenças inflamatórias dos intestinos
Introdução: A Colangite Esclerosante Primária (CEP), caracterizada por fibrose concêntrica e obliterante com estenose e dilatação da árvore biliar, tem tido um aumento da sua incidência e prevalência nos últimos anos. Encontra-se associada a Doença Inflamatória Intestinal (DII) e a sua apresentação é assintomática, na maioria dos casos, sendo o seu diagnóstico tardio. O prognóstico é variável e o único tratamento que prolonga a sobrevida é o transplante hepático (TH). Este estudo tem como objetivo descrever a população com CEP seguida no serviço de Gastrenterologia no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). Materiais e Métodos: Estudo retrospetivo dos doentes diagnosticados entre 1985 e 2013. Excluíram-se causas secundárias. Além da evolução clínica, bioquímica, imagiológica e histológica, procurou-se detetar doenças associadas e alterações na colonoscopia, endoscopia e ecografia. Fez-se, também, um estudo da subpopulação submetida a transplante hepático e a retransplante. Resultados: Incluídos 36 doentes (Sexo masculino – 63,9%, Média etária - 34,30 ±15,01) com clínica de apresentação de icterícia, prurido, dejeções líquidas e dor abdominal. Surgiram episódios de colangite em 25%. Encontra-se associada com Colite Ulcerosa (CU) em 50%, Doença de Crohn (DC) em 13,89% e Hepatite Autoimune (HAI) em 15,6%. O método de diagnóstico mais usado foi a biópsia hepática (72,2%). Detetaram-se 3 estenoses dominantes em que duas delas eram compatíveis com colangiocarcinoma. O tipo de extensão da CU mais comum é a pancolite, estando associada a inflamação do íleon e “rectal sparing”. Com a evolução da doença, foram detetadas varizes esofágicas em 44,4% e gastropatia hipertensiva em 33,3%. 31 doentes estão medicados com ácido ursodesoxicólico, desde o momento de diagnóstico, e 16 submetidos a TH (8,0±5,7 anos, em média, após o diagnóstico) A indicação mais comum foi a presença de cirrose biliar. Houve recorrência de CEP em 4 doentes, numa média de 10,5 ± 5,8 anos após TH. 3 foram retransplantados 10 ±7,94 anos após o primeiro TH. Desde o diagnóstico até à morte a média foi de 10,8 ±7,1 anos. Discussão e conclusão: A CEP é quase duas vezes mais frequente no sexo masculino e com maior incidência na terceira década de vida. No momento do diagnóstico, apresenta evidências compatíveis com doença colestática crónica. A CU está mais frequentemente associada do que a DC, tendo-se verificado que os achados característicos são pancolite e “rectal sparing”. Existem 6 casos de sobreposição com HAI. Com a evolução da doença, surgem complicações da hipertensão portal e colangiocarcinoma. O TH permanece o tratamento de escolha.
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7,263
Processamento emocional :|binfluência de variáveis demográficas
Ajustamento emocional,Neurologia,Dados demográficos
Introdução: A perceção e expressão emocional são funções básicas na modelação do comportamento e da interação social. Existem atualmente evidências de que algumas patologias neurológicas e psiquiátricas interferem com a capacidade de percecionar emoções, no entanto, não se conhece com clareza a influência de variáveis demográficas nesta mesma função. Não obstante, para a variável idade existem estudos que afirmam que aquando do processamento de expressões faciais, adultos jovens e idosos ativam diferentes redes corticais, sugerindo-se que exista uma reorganização relacionada com a idade na discriminação da expressão facial. Na População Portuguesa ainda não existem provas normalizadas para estudar esta capacidade. Objetivo: Analisar a influência de variáveis demográficas como a idade, a escolaridade e o género, na capacidade de perceção emocional numa amostragem por conveniência, obtida na comunidade em indivíduos de nacionalidade portugueses, saudáveis. Determinar valores normativos preliminares para o reconhecimento emocional na população portuguesa. Material/Métodos: Participaram no estudo 96 adultos saudáveis, com idades compreendidas entre 15 e 61 anos, com habilitações académicas variando entre o ensino básico, ensino secundário e o ensino superior, com uma distribuição equivalente entre os géneros. Para o estudo da perceção emocional foi utilizada a bateria computorizada Comprehensive Affect Testing System – CATS que avalia as seis emoções básicas, via expressão facial e prosódia. Para a análise dos dados recorreremos ao software estatístico Statisical Package for Social Science – SPSS. Resultados: A variável idade está associada a alterações na perceção emocional, sugerindo-se, que o grupo etário dos 31-45 anos é o que apresenta melhor desempenho em tarefas de processamento emocional em termos globais. Relativamente às emoções básicas apenas se encontraram diferenças na perceção da emoção "Alegria", tendo o grupo etário dos 15-30 anos obtido a pior prestação e o dos 31-45 anos o melhor desempenho. No que respeita à escolaridade, a tarefa mais influenciada por esta variável foi a prosódia, sendo o grupo com escolaridade básica (1-9 anos) o que o que apresentou pior desempenho nestas tarefas. Observaram-se, também diferenças significativas na perceção da emoção “Raiva” tendo o grupo com escolaridade superior (≥13 anos) obtido melhores desempenhos do que o de escolaridade básica. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre o desempenho nas provas do CATS e a variável género. São apresentados os valores normativos preliminares no desempenho no CATS de acordo com as variáveis idade e escolaridade. Discussão/Conclusão: A idade e a escolaridade parecem modelar o processamento emocional sendo que a variável idade é que mais influencia o desempenho no CATS e não se observaram diferenças de género nestas tarefas. Aquelas variáveis foram selecionadas para a definição dos dados normativos.
Ciências Médicas e da Saúde
7,265
A relevância do dador na transplantação renal
Dadores de tecidos,Urologia,Transplantação do rim
A Doença Renal Crónica Terminal é uma patologia debilitante e de mortalidade elevada, cuja prevalência tem sofrido um aumento progressivo alarmante. A transplantação renal é a terapêutica de excelência na gestão desta patologia, suplantando a diálise tanto em qualidade de vida como em sobrevida. O desenvolvimento deste campo terapêutico enfrenta actualmente vários desafios, sendo o principal o insuficiente número de doações renais para um número cada vez mais elevado de doentes. O alargamento dos critérios de doação e o desenvolvimento de procedimentos de transplantação está em crescendo, apesar de ainda insuficiente para colmatar as necessidades, implicando novos obstáculos a nível técnico, das características dos dadores, económico, legal e ético. Neste contexto, procedeu-se à comparação de ambas as entidades fulcrais ao combate da escassez de órgãos: o dador vivo e o dador cadáver. Esta comparação realizou-se através da análise de fontes bibliográficas nacionais e internacionais com o intuito de descortinar os benefícios e desvantagens dos dois tipos de doação e a razão das disparidades e obstáculos das dádivas em diferentes centros. Da revisão realizada destaca-se a dádiva em vida como fonte mais promissora para o progresso da transplantação renal, pela confirmação de melhores resultados quer a nível de qualidade e sobrevida do enxerto a longo prazo como de qualidade de vida dos doentes com insuficiência renal crónica terminal.
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7,266
Comportamento clínico e funcional na DPOC : o novo paradigma
Pneumologia,Doença pulmonar obstrutiva crónica
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença heterogénea e multifactorial muito prevalente com manifestações pulmonares e sistémicas, que tem sido tradicionalmente avaliada de acordo com parâmetros espirométricos. As novas guidelines GOLD publicadas em 2011 introduzem alterações significativas quanto à abordagem da DPOC, tendo sido proposta uma nova classificação da gravidade que assenta na avaliação combinada da função pulmonar, sintomatologia, história de exacerbações e comorbilidades. Este estudo propõe-se assim a analisar a relevância da alteração da classificação da gravidade da DPOC, aferindo a relação existente entre o comportamento clínico e funcional nesta doença. Apesar de a função pulmonar constituir um marcador essencial para o diagnóstico e avaliação da DPOC, a análise unidimensional do VEMS não reflecte a complexidade da DPOC, registando fraca relação com a sintomatologia, qualidade de vida relacionada com a saúde, exacerbações e comorbilidades. De facto, doentes com o mesmo grau de limitação do fluxo aéreo podem registar uma heterogeneidade de manifestações clínicas, frequência de exacerbações e comorbilidades. O novo sistema de categorização multidimensional GOLD 2011 permite então uma optimização da avaliação da DPOC e uma adaptação das recomendações terapêuticas a um contexto mais personalizado, enfatizando a importância da avaliação da sintomatologia, risco de exacerbações (função pulmonar e história de exacerbações) e comorbilidades. A nova classificação GOLD representa um inegável avanço e uma mudança de paradigma. Todavia, é fundamentada em construções teóricas e observacionais recentes que carecem de validação e as suas implicações práticas são ainda largamente desconhecidas. Assim, esforços devem ser feitos no sentido de validar e eventualmente restruturar este sistema de categorização através de ensaios clínicos prospectivos.
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7,267
Alteração das células natural killer em função da produção de espécies reactivas de oxigénio
Células destruidoras naturais,Tuberculose,Leucemia mielóide crónica
As células Natural Killer (NK) são componentes chave do sistema inato devido à citotoxicidade e libertação de citocinas, sem estimulação prévia, na resposta inicial contra células infetadas e malignas. A sua ação é totalmente dependente do balanço entre um variado repertório de recetores ativadores e inibidores. Embora uma prévia estimulação não seja obrigatória, a comunicação com células do sistema inato especialmente com células apresentadoras de antigénio pode exacerbar a sua função. A produção de espécies reativas de oxigénio (ROS) intracelulares pela NADPH oxidase durante a fagocitose pelas células apresentadoras de antigénio é um mecanismo simples que contribui para ajudar na destruição do agente patogénico. No entanto o sistema enzimático NAPDH oxidase também produz ROS com impacto negativo sobre as células NK. Em muitas patologias associadas com inflamação crónica, ROS estão aumentadas e as células NK são incapazes de realizar ação citotóxica. Na infeção por Mycobacterium tuberculosis, as células NK podem ter um papel importante produzindo IFN-γ e lisando macrófagos infectados. No entanto o M. Tuberculosis pode sobreviver nos macrófagos evitando as ROS produzidas, sem que o sistema imune responda apropriadamente. Na leucemia mielóide crónica a descontrolada expansão das células mielóides está correlacionada com a diminuição linfócitos antitumorais. O principal objetivo deste trabalho é investigar as alterações das células NK em indivíduos com tuberculose e leucemia mielóide crónica devido à produção de ROS. Estudámos 88 amostras de sangue periférico de 50 doentes com leucemia mielóide crónica, 13 amostras de doentes com tuberculose e 20 amostras de indivíduos saudáveis. A produção de ROS e a expressão de alguns recetores e marcadores da superfície de células NK (CD56/CD16, CD57, CD11b, NKp46) foram avaliadas por citometria de fluxo para todas as amostras. As células NK e os monócitos de indivíduos saudáveis foram separadas através da separação de células ativas por fluorescência e colocadas em cultura em diferentes condições para avaliar a capacidade das células NK para resistir à produção de ROS. Nos doentes com tuberculose tal como nos doentes com leucemia mielóide cronica, as células NK, os monócitos e os granulócitos do sangue periférico apresentam um aumento de ROS comparando com controlos saudáveis. Não foi detetada nenhuma diferença entre as subpopulações de células NK. A estimulação de células NK com IL-2, IL-12 e IL-15 revelou ter um papel protetor protector ao diminuir os níveis de ROS Em conclusão em doentes com tuberculose e leucemia mielóide cronica, as células NK têm os níveis de ROS sendo esse um dos possíveis mecanismos immunosupressores. A estimulação com uma combinação de interleucinas pode ter um papel protector
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7,268
Drogas e a condução rodoviária sob influência de benzodiazepinas e antidepressivos : prescrição médica e abuso
Condução de veículo,Benzodiazepinas,Antidepressivos,Prescrição de medicamentos
As benzodiazepinas são fármacos maioritariamente utilizados nos distúrbios de ansiedade, dissonias, convulsões, distúrbios musculares, desintoxicação alcoólica e de outras substâncias de abuso, bem como na sedação/amnésia em procedimentos invasivos. Por seu lado, os antidepressivos apresentam como principal indicação terapêutica a depressão, podendo ser utilizados como terapêutica coadjuvante noutros distúrbios psiquiátricos. O consumo de benzodiazepinas e antidepressivos está associado a alguns problemas de saúde e segurança pública. A diminuição da atenção, da concentração, dos reflexos, da capacidade visual, da coordenação motora e do raciocínio, associados ao aumento dos tempos de reacção e à falta de consciencialização dos utilizadores para a diminuição das suas capacidades, torna estes fármacos num risco para a segurança rodoviária. Este risco pode ainda ser potenciado pelo desrespeito da prescrição médica, pelo seu consumo abusivo ou pelo consumo concomitante de álcool. A determinação de ligações entre o consumo destes medicamentos psicoactivos e a segurança rodoviária é, contudo, um assunto ainda extremamente complexo, sendo fundamental esclarecer melhor o papel dos efeitos das benzodiazepinas e dos antidepressivos sobre a condução rodoviária. A prevenção da condução sob influência destes fármacos depende, em grande medida, do conhecimento por parte da classe médica dos riscos inerentes à sua utilização. A consciencialização da prescrição médica, bem como o fornecimento de informações claras aos doentes revela-se, assim, de extrema importância
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7,271
Associação entre doença periodontal e doenças cardiovasculares
Doenças cardiovasculares,Doenças periodontais,Aterosclerose
A associação entre doença periodontal e doença cardiovascular tem sido alvo de vários estudos de investigação. A importância da inflamação na fisiopatologia da doença cardiovascular (aterosclerose em particular) é o factor chave para que múltiplos estudos tenham sido realizados. O factor inflamação parece ser o ponto de união mais plausível entre duas patologias aparentemente tão distintas como a doença periodontal e doença cardiovascular. Sendo ambas patologias frequentes, torna-se importante clarificar esta associação no sentido de minorar o desenvolvimento de patologia cardiovascular, que acarreta elevadas taxas de mortalidade e morbilidade. Este trabalho é uma análise de alguns estudos que avaliaram a possibilidade de associação entre estas duas patologias. Procurou-se verificar se a doença periodontal poderá ser considerada como um novo factor de risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Procurou-se também compreender os mecanismos que interligam estas patologias, bem como saber quais os microorganismos ,e seus mecanismo de actuação, mais relevantes para esta associação. Foram pesquisados 343 artigos em inglês, português e espanhol publicados entre 2005 e 2011, dos quais foram selecionados 64.
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7,273
Traços de personalidade estilos de coping e qualidade do sono em estudantes do sexo feminino
Personalidade,Adaptação psicológica,Estudantes de medicina,Saúde da mulher
Introdução: Um sono de boa qualidade é fundamental para o nosso bem-estar e funcionamento diurno. Existem diferenças individuais nos padrões de sono, conhecendo-se ainda pouco sobre os factores que concorrem para essas diferenças, particularmente em jovens do sexo feminino. Objectivo: Explorar a associação entre Traços de Personalidade (Extroversão, Neuroticismo), Estilos de Coping (Reavaliação, Inibição), Afecto (Positivo, Negativo), Activação Cognitiva à noite e o Padrão de Sono (Duração habitual, Profundidade, Qualidade, Necessidade, Flexibilidade, Latência, Acordares nocturnos, Inércia). Metodologia: A amostra incluiu 303 estudantes universitárias (Média de idades, M=18.80 anos, Desvio Padrão, dp=1.13, Variação=17-24) do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que aceitou responder voluntariamente à versão reduzida do Inventário de Personalidade de Eysenck (Eysenck & Eysenck, 1964; Silva, 1994; Barton et al., 1995), ao Questionário de Regulação Emocional (Gross & John, 2003), ao Perfil de Estados de Humor (McNair et al., 1971; Azevedo et al., 1991), a um item sobre Activação Cognitiva à noite e a um Questionário do Sono previamente validado. Resultados: A Extroversão e o Afecto Positivo permitiram explicar uma boa Qualidade de Sono [R2=.023, F(2,264)=3.12, p<.046] e menor duração de Sono Necessário [R2=.04, F(2,263)=5.49, p=.005]. Em contraste, o Neuroticismo, o Afecto Negativo e a Activação Cognitiva à noite contribuíram para pior Qualidade do Sono [R2=.11, F(3,261)=10.91, p<.001], enquanto que Neuroticismo, Inibição e Activação Cognitiva à noite contribuíram para maior duração de Sono Necessário [R2=.08, F(3,268)=7.82, p<.001]. Contrariamente ao 3 que seria esperado os Estilos de Coping não se associaram de forma consistente com as variáveis de Sono. Conclusões: Este estudo permitiu confirmar a importância dos Traços de Personalidade (Extroversão, Neuroticismo), do Afecto (Positivo, Negativo) e da Activação Cognitiva à noite enquanto factores psicológicos a ter em conta no estudo da Qualidade e Necessidade de Sono em estudantes universitárias. 1 Parte deste trabalho foi apresentado no 20th Congress of the European Sleep Research Society . Lisboa, 14-18 de Setembro de 2010 Quintal J, Marques M, Soares MJ, Rosmaninho J, Lopes M, Maia B, Pereira AT, Macedo A, Gomes A, Bos S, Azevedo MH (2010) Neuroticism, coping styles and sleep quality in female students. Journal of Sleep Research, 19 (suppl.2):212.
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7,274
Hérnia diafragmática congénita : experiência de 15 anos do Serviço de Cuidados Intensivos do Hospital Pediátrico de Coimbra
Hérnia diafragmática,Pediatria
Introdução: a hérnia diafragmática congénita (HDC) é uma malformação complexa rara que apresenta elevada mortalidade, mesmo em centros de referência, constituindo por isso um desafio terapêutico. Tem-se assistido a uma evolução no tratamento desta patologia, que passa pela ventilação suave e a cirurgia diferida, após o controle da hipertensão pulmonar. O diagnóstico pré-natal é essencial para definir a estratégia terapêutica perinatal a adoptar, nomeadamente o planeamento do parto num hospital de apoio perinatal diferenciado. Para o Serviço de Cuidados Intensivos do Hospital Pediátrico de Coimbra (SCI-HPC), são referenciados desde há 30 anos todos os casos diagnosticados de HDC da Região Centro. Objectivos: determinar a incidência da HDC na Região Centro; caracterizar os recém-nascidos admitidos no SCI-HPC; avaliar a estratégia utilizada, a mortalidade e o seu padrão evolutivo. Metodologia: efectuou-se um estudo descritivo com vertente exploratória, retrospectivo, cujo universo foi constituído pelas crianças com diagnóstico de HDC na Região Centro no período decorrido entre Janeiro de 1995 e Dezembro de 2009. Foram analisadas variáveis relacionadas com as características dos recém-nascidos admitidos no SCI-HPC, estratégias terapêuticas utilizadas, factores de prognóstico e mortalidade. Constituíram-se 2 grupos consoante o ano de admissão: grupo A (1995-2001) e o grupo B (2002-2009), nos quais se comparou as variáveis anteriormente referidas. Os dados foram tratados estatisticamente com recurso ao SPSS 17.0. Resultados: a incidência anual média foi de 2,2/10.000 nados vivos. Dos 60 recém-nascidos internados no SCI-HPC, 29 (48,7%) tinham diagnóstico pré-natal, em 23 (38%) foram encontradas malformações associadas e em 14 (23,3%) o defeito era direito. Nasceram em 3 hospitais de apoio perinatal diferenciado 43 (71,7%) recém-nascidos. A mortalidade global foi de 15%. A mortalidade do grupo A (29%) foi significativamente superior à do grupo B (5%; p=0,032). No que respeita aos factores de prognóstico, principais características e à estratégia terapêutica utilizada, não se verificaram diferenças com significado estatístico nos dois grupos estudados. O DPN foi estabelecido em 37,5% dos RN do grupo A e em 52,8% do grupo B (p=0,369). Conclusões: a incidência da HDC na Região Centro é semelhante à encontrada na literatura. Verificou-se uma redução significativa da mortalidade ao longo do tempo, que poderá em parte ser explicada pelo maior número de recém-nascidos com diagnóstico pré-natal, o que possibilitou uma melhoria da assistência perinatal.
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7,276
Asma e obesidade em idade pediátrica
Pediatria,Obesidade,Asma
A asma é a doença crónica pediátrica mais comum dos países industrializados, atingindo cerca de 10% da população pediátrica. Caracteriza-se por uma inflamação crónica e hiperreatividade das vias aéreas associada a broncoconstrição reversível das vias aéreas. A sua prevalência tem vindo a aumentar internacionalmente e em Portugal. Simultaneamente observa-se um aumento da prevalência da obesidade e excesso de peso na população pediátrica, com valores calculados entre os 6 e os 13%. O objetivo desta revisão bibliográfica é discutir alguns mecanismos propostos para a ligação entre ambas as patologias, dando ênfase aos estudos realizados em idade pediátrica, com as suas particularidades e consequências. Esta relação é proposta desde a década de oitenta, tendo sido apontados efeitos mecânicos, inflamatórios, genéticos e in utero, bem como salientada uma possível influência do sexo, idade e microbiota intestinal. A obesidade tem consequências mecânicas na fisiologia pulmonar, condicionando alterações dos seus volumes, de ventilação e perfusão. Reconhece-se, atualmente, o papel complexo do tecido adiposo e da sua relação com as vias aéreas, pelo menos parcialmente, através de uma base inflamatória, com mediadores comuns, como fator de necrose tumoral alfa, interleucina 6 ou proteína C reativa e através do stresse oxidativo. As principais adipocinas produzidas pelo tecido adiposo, leptina e adiponectina, parecem ter influência na produção do ambiente inflamatório. Adicionalmente, é avançada uma partilha de determinantes genéticos, com identificação de polimorfismos associados a ambas as doenças. A hipótese da programação fetal também já foi utilizada para explicar esta relação, partindose da teoria de que alguns insultos in utero condicionam adaptações que por sua vez influenciam a instalação futura de doenças como a asma e a obesidade. O papel da microbiota intestinal foi igualmente salientado, verificando-se que vários fatores podem interferir na qualidade, número e função da população microbiológica do intestino, causando perturbações na relação com o organismo hospedeiro e condicionando também o aparecimento destas patologias. Esta população é potencialmente modificável. Apesar da inconsistência das evidências atuais nesta área, está documentado que a relação entre asma e obesidade traz consequências na gravidade de sintomas, conduta terapêutica e qualidade de vida destas crianças. Deste modo, é relevante a completa compreensão desta ligação, colocando-se a hipótese de que a criança asmática e obesa possa eventualmente representar um novo fenótipo de asma, com história natural e abordagem próprias.
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7,278
A transmissão do VHB, do VHC e do VIH aos profissionais de saúde
Exposição ocupacional,Doenças infecciosas,Profissões de saúde
A exposição a agentes patogénicos constituiu, desde sempre, um sério risco para os profissionais de saúde, contabilizando-se anualmente mais de 500 000 acidentes ocupacionais potencialmente infetantes. Embora alguns outros microrganismos possam estar envolvidos, são sobretudo três os que maiores preocupações condicionam em termos de proteção/profilaxia da infeção dos referidos profissionais: o vírus da hepatite B (VHB), o vírus da hepatite C (VHC) e o vírus da imunodeficiência humana (VIH). As principais vias de transmissão destes agentes são a via percutânea e o contacto com sangue contaminado. No entanto, estão igualmente relatados casos de transmissão através de outros materiais potencialmente infetantes (OMPI), que não o sangue, e através do atingimento de superfícies mucosas. O risco de transmissão de qualquer destes agentes varia de acordo com a influência de diversos fatores, alguns deles específicos de cada vírus. Estes fatores incluem: 1 - o material orgânico envolvido na exposição; 2 - a origem/natureza da exposição; 3 - o estado infecioso da fonte infetante; 4 - as caraterísticas do agente patogénico envolvido; 5 - os mecanismos de defesa/estado imunológico do profissional de saúde acidentado; 6 - a eficácia das medidas profiláticas pós-exposição. Epidemiologicamente, o VHC parece ser o agente vírico mais comummente implicado neste tipo de exposições acidentais, sendo a classe dos enfermeiros e dos cirurgiões as mais afetadas. Contudo, apenas uma pequena percentagem destes contatos resulta efetivamente em infeção do profissional acidentado. Em contrapartida, uma elevada percentagem dos casos de exposição ocupacional não é reportada às entidades competentes, nomeadas individualmente por cada estabelecimento de saúde. Para a redução do número de acidentes ocupacionais contribuiu, em larga escala, a implementação de diversas medidas preventivas, tais como as precauções padrão, as técnicas de controlo e segurança no trabalho, os dispositivos de segurança e a recomendação da vacinação anti-VHB de todos os profissionais de saúde. No seu conjunto, estas medidas possibilitaram uma prática clínica mais segura e consciente, tanto para o doente, como para o pessoal implicado nos cuidados de saúde. Como complemento desenvolveram-se as medidas profiláticas pós-exposição, que visam evitar a seroconversão do trabalhador acidentado. Contudo, enquanto que para o VHB e o VIH já existem tratamentos profiláticos pós-exposição específicos e com eficácia já comprovada, o mesmo não se verifica para o VHC. Neste sentido, e à luz dos conhecimentos atuais, procurámos analisar o risco atual para transmissão destes três agentes víricos aos profissionais de saúde, no exercício da sua atividade, bem como discutir os dados epidemiológicos até agora identificados, os fatores de risco envolvidos e as medidas preventivas/profiláticas já implementadas e/ou que deveriam ser também equacionadas, para que a prevalência dos casos de infeção pós-acidente ocupacional continue a diminuir.
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7,281
Prevenção e controlo dos efeitos adversos do tratamento hormonal do carcinoma da próstata
Neoplasias da próstata,Terapêutica de substituição de hormonas,Efeitos colaterais e reações adversas relacionadas a medicamentos
O carcinoma da próstata é o tumor sólido mais comum no homem, sendo actualmente uma grande quantidade de doentes tratada com recurso ao bloqueio androgénico. Este causa efeitos adversos a nível ósseo, cardiovascular, metabólico, cognitivo, hematológico e sexual, entre outros. Este trabalho visa rever a literatura acerca das estratégias de prevenção e tratamento dos referidos efeitos adversos por forma a melhorar a qualidade de vida dos doentes. Foi realizada uma pesquisa na base de dados da PubMed, seleccionando artigos em inglês publicados desde 2000. Referências adicionais foram retiradas dos artigos seleccionados. O controlo dos efeitos adversos do bloqueio androgénico é feito através da adopção de medidas higieno-dietéticas, de alterações do estilo de vida, da suplementação vitamínica, do exercício físico de resistência, da evicção de factores de risco (sobretudo álcool e tabaco) e do acompanhamento psicológico. Estes, complementados por uma monitorização do perfil metabólico, ósseo, cardiovascular e hepático do doente e de rastreios periódicos da patologia mais frequente (dislipidémia, diabetes, perda de densidade óssea e anemia), asseguram o acompanhamento adequado do doente. O tratamento farmacológico adquire um papel importante na perda de densidade óssea (bisfosfonatos), na diabetes (anti-diabéticos orais ou insulina), na dislipidémia (estatinas), na disfunção sexual (inibidores da fosfodiesterase tipo 5) e nos sintomas vasomotores (anti-depressivos e anti-androgénios esteróides). A radioterapia pode ser utilizada no tratamento da ginecomastia. É fundamental discutir com o doente a relação benefício-risco da terapêutica hormonal antes do seu início. Aquele deve ser informado dos possíveis efeitos adversos, motivado para a adopção de estilos de vida saudáveis e alertado para a detecção de sinais precoces de tais efeitos. A avaliação da tolerância e do surgimento de complicações deve ser realizada pelo menos anualmente, ajustando-se conforme o caso. Pode haver indicação para tratamento preventivo antes do aparecimento de efeitos secundários. Deve incidir-se no apoio psicológico ao indivíduo para assegurar a adesão terapêutica
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7,286
Défice seletivo de imunoglobulina A
Imunoglobulinas,Imunoglobulina A
O défice seletivo de imunoglobulina A (DSIgA) é a imunodeficiência primária de anticorpos mais prevalente. Foi descrita pela primeira vez em 1961 e caracteriza-se pela deficiência total ou absoluta de IgA (concentrações séricas inferiores a 0,07 g/L ou abaixo do limiar de deteção), na presença de níveis normais de IgG e IgM, em pacientes com mais de 4 anos de idade e em que tenham sido excluídas outras causas de hipogamaglobulinémia. Este distúrbio tem uma prevalência variável na população mundial, sendo mais frequente nos países ocidentais e muito mais rara nos países do Extremo Oriente. A sua etiologia é ainda desconhecida, embora existam associações a certos haplótipos HLA que parecem conferir um risco acrescido de desenvolver a doença. Clinicamente, manifesta-se com frequência por um quadro de infeções recorrentes do trato respiratório, mas também gastro-intestinal, genito-urinário, entre outros. Pode ainda apresentar manifestações clínicas de atopia e auto-imunidade, tendo sido também associada a uma maior frequência de doença oncológica. O diagnóstico é feito através do doseamento sérico das imunoglobulinas, que deverá ser acompanhado por um estudo laboratorial mais alargado e diferenciador, mas também imagiológico e possivelmente genético, em casos selecionados. O tratamento consiste, maioritariamente, na educação do doente e na profilaxia e tratamento atempado dos episódios infeciosos. Poderão surgir várias complicações no decorrer desta doença, e poderá ocorrer também uma evolução para imunodeficiência comum variável. O prognóstico e a qualidade de vida destes doentes está intrinsecamente ligado ao tipo e gravidade das manifestações clínicas, ao seu tratamento e a vários fatores demográficos e sociais. No final desta monografia, é descrito, resumidamente, um caso clínico ilustrativo da história natural e da evolução de um distúrbio pertencente ao espetro da doença em estudo.
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7,287
Síndrome de Wolff-Parkinson-White
Síndroma de Wolff-Parkinson-White,Pré-excitação;,Via acessória aurículo-ventricular;,Taquicardia supraventricular paroxistica,Morte súbita,Ablação por catéter com radiofrequência
A Síndrome de Wolff-Parkinson-White é considerada a forma mais comum de préexcitação ventricular e caracteriza-se pela presença de uma via acessória de condução aurículo-ventricular. A via acessória permite a ocorrência de bypass ao nódulo aurículoventricular, o que condiciona uma activação do músculo ventricular mais precoce do que seria de esperar, se o impulso seguisse a via normal do sistema de condução cardíaco, dando assim origem ao fenómeno de pré-excitação. A sua prevalência, na população geral, é de aproximadamente 0,01 a 0,31%. A maioria dos pacientes permanece assintomática, ao longo da sua vida, sendo que quando ocorrem sintomas estes são normalmente decorrentes de taquiarritmias, sendo as mais comuns a taquicardia supraventricular paroxística, podendo esta ser ortodrómica ou antidrómica, a fibrilhação e flutter auriculares e a fibrilhação ventricular. A incidência anual de morte súbita cardíaca varia de 0 a 0,39%, sendo o seu mecanismo mais comum a fibrilhação ventricular precipitada por fibrilhação auricular capaz de condução rápida através da via acessória. Por este motivo, os pacientes com esta Síndrome devem ser submetidos a uma estratificação do risco de morte súbita. O padrão electrocardiográfico clássico desta Síndrome caracteriza-se por intervalo PR curto <0,12 segundos, progressão lenta do segmento inicial do complexo QRS, conhecida como onda delta, complexo QRS alargado >0,12 segundos e alterações secundárias de repolarização. Relativamente à genética, verificou-se a existência de uma Síndrome de transmissão autossómica dominante, compreendendo miocardiopatia hipertrófica, Wolff-Parkinson-White e doença de condução, sendo que nesta Síndrome foi identificado um locus genético no cromossoma 7q3 e uma mutação missense no gene que codifica a subunidade reguladora γ2 da proteína cinase AMP activada (PRKAG2). Apesar de existirem várias modalidades terapêuticas disponíveis para estes pacientes, nomeadamente terapêuticas farmacológicas e cirúrgicas, a ablação por catéter com radiofrequência é o tratamento de escolha para pacientes com taquiarritmias sintomáticas. Os inúmeros desenvolvimentos alcançados, a nível diagnóstico e terapêutico, contribuem para a cura de grande maioria dos pacientes, que podem usufruir de um bom prognóstico a longo prazo.
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7,288
Estado ponderal das crianças da Unidade de Saúde familiar Cruz de Celas : análise de alguns comportamentos e influências para o excesso de peso e obesidade
Obesidade,Patologia,Peso corporal,Criança
Introdução: o excesso de peso e obesidade infantil são um grave problema de saúde pública actualmente e que tem graves consequências. Neste sentido torna-se essencial tomar medidas preventivas, que devem ser baseadas em evidências de forma a serem desenvolvidas e orientadas de forma eficaz. Objectivos: este estudo, tem dois objectivos gerais, apurar a prevalência de obesidade e excesso de peso nas crianças da Unidade de Saúde Familiar – Cruz de Celas, e avaliar alguns hábitos e influências, verificando se têm relação com o estado ponderal das crianças. Desta forma, pretende-se perceber quais os hábitos, comportamentos e influências que equivalem a factores de risco para o desenvolvimento de excesso de peso, permitindo pensar de forma mais esclarecida e orientada nas acções contra o excesso de peso na infância. Metodologia: foi elaborado um questionário que foi preenchido durante entrevista aos pais que acompanhavam as crianças entre os 2 e os 11 anos à consulta, onde eram registadas as biometrias da criança e dos pais, alguns dados demográficos e comportamentos e atitudes relacionados com a alimentação e actividade física. Por fim, foi utilizado o programa Medicine One® para consultar as biometrias das crianças dessa idade e apurar qual a prevalência de excesso de peso e obesidade na população da Unidade de Saúde Familiar – Cruz de Celas dessa faixa etária. Resultados: verificou-se uma prevalência de 24,34% de excesso de peso e obesidade na população estudada. Foi possível apurar que, da amostra estudada, 48,7% dos pais possui um curso superior, e os seus filhos têm um menor risco relativo de excesso de peso 4,2 vezes inferior. Observou-se também que o excesso de peso das mães é um factor de risco para excesso de peso nos filhos, com um risco relativo de 3,8 vezes. A ingestão de fruta e vegetais é inferior na amostra do que é recomendado, e a maior ingestão destes alimentos estão relacionados com menor risco de excesso de peso. 35,3% dos pais de crianças com excesso de peso descreve o peso do seu filho como normal. As crianças sem excesso de peso praticam cerca de 4 vezes mais tempo de desporto extra-curricular, têm mais actividades ao ar livre e vêm cerca de 1,5h de televisão por dia, menos cerca de 40 minutos que as crianças com excesso de peso (2,3h). Conclusões: conclui-se que, nesta amostra, a menor escolaridade e o excesso de peso dos pais são factores de risco para desenvolvimento de excesso de peso nas crianças, devendo ser dada especial atenção a estas no sentido de vigiar e prevenir precocemente o excesso de peso. É necessário estimular a uma maior ingestão de vegetais e frutas e limitar a ingestão de sumos, refrigerantes e doces e guloseimas. Por fim concluiu-se que muitos pais não têm percepção do excesso de peso dos filhos e, portanto, da necessidade de modificar a alimentação ou outros hábitos. Assim, é fundamental sensibilizar os pais para esta realidade como passo crucial no combate à obesidade infantil
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7,289
O Stress na diátese das doenças do cólon
Stresse,Doenças do cólon
INTRODUÇÃO: A palavra stress é empregue muitas vezes no quotidiano comum, e é considerada a causa de muitas situações de ansiedade e desespero, frequentemente de alguns sinais e sintomas gastrointestinais. Ainda assim, quando confrontados com uma patologia real e objectiva, o stress deixa de fazer parte das preocupações diagnósticas ou terapêuticas, e passa a ter um papel quase mitológico, sem que seja considerado devidamente. OBJECTIVOS: Rever a influência do stress na fisiopatologia das doenças do cólon. DESENVOLVIMENTO: Nos dias de hoje, as neurociências revelam cada vez mais evidências de como a mente e o corpo estão unidos, de como a percepção do mundo que nos rodeia consegue influenciar e modificar estruturalmente o cérebro e o corpo, alterando quem somos: uma mente que emerge de um cérebro e um corpo que se vão construindo ao longo da vida. O sistema nervoso central e o resto do corpo relacionam-se idealmente em consonância para manter a homeostasia interna. Os eventos exteriores são julgados pelo crivo do sistema nervoso central, e quando são interpretados como ameaça, levam à activação do stress. A relação entre o cérebro e o cólon, chamada de eixo brain-gut, é extremamente sensível ao stress, que é uma reacçao de natureza fisiológica, podendo ser activado por eventos de carácter psicológico, reais ou imaginados. O cólon, apesar de não ser essencial à vida, é um orgão bastante independente, com sistema nervoso, imunitário e endócrino próprios, e uma flora intestinal. Este orgão é extremamente susceptível à acção do stress, que altera o seu funcionamento com vista à adaptação a estímulos externos e internos stressantes. Quando a activação do stress se torna crónica, deixa de ter carácter adaptativo e condiciona a alterações físicas em todo o eixo brain-gut. Foram encontradas alterações na motilidade, percepção visceral, permeabilidade, flora intestinal e inflamação, que condicionaram a sintomas e sinais no espectro das doenças funcionais e doença inflamatória intestinais. CONCLUSÃO: O stress psicológico crónico consegue condicionar a fisiopatologia do cólon. É imperativo considerar os factores ambientais e sociais para a etiologia das doenças do cólon, com uma abordagem preventiva, sempre que possível, com a identificação de antecedentes de stress ou dos doentes em risco de sofrer de stress, para minorar este factor etiológico.
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7,290
Cancro do colo do útero : abordagem preventiva
Epidemiologia,Medicina preventiva,Neoplasias do colo do útero,Papillomavirus humano
O Carcinoma do Colo do Útero é a segunda neoplasia mais frequente no sexo feminino em todo mundo e representa sensivelmente 10% de todos os cancros femininos, sendo a principal causa de morte por cancro na mulher dos 35 aos 55 anos. O mecanismo fisiopatológico subjacente a esta patologia ainda não é totalmente compreendido, mas em mais de 99% dos casos, a infecção pelo Vírus do Papiloma Humano está presente. Alguns subtipos do Vírus do Papiloma Humano são considerados de alto risco na progressão para tumores de colo uterino, em especial os subtipos 16 e 18. As infecções por Vírus do Papiloma Humano são comuns e geralmente transitórias em mulheres jovens sexualmente activas. Apenas uma pequena fracção das mulheres infectadas desenvolvem Cancro do Colo do Útero, o que implica o envolvimento de co-factores ambientais e genéticos na carcinogénese. O primeiro programa de rastreio na Europa iniciou-se nos anos cinquenta na Finlândia. Em Portugal, o rastreio de base populacional iniciou-se na região de saúde do centro em 1990 e neste momento, em 2011 cobre quase todo o território nacional. O rastreio do cancro do colo do útero faz-se através de um exame de fácil execução, a citologia. O método a adoptar é a citologia convencional ou em meio líquido. Recomenda-se que seja efectuado a nível dos cuidados de saúde primários. A vacina contra o Vírus do Papiloma Humano, que confere protecção contra os subtipos 6, 11, 16 e 18, foi introduzida em 2009 no programa nacional de vacinação, para jovens com 13anos. Neste relatório, pretende fazer-se um levantamento dos resultados mais recentes e relevantes dos vários estudos desenvolvidos e publicados sobre esta patologia, com especial relevância às políticas preventivas. Foi feita uma revisão bibliográfica sobre a epidemiologia, a etiologia, a história natural, os factores de risco e as políticas preventivas do Cancro do Colo do Útero, a implementação da vacina e o rastreio. Foram analisados dados do Cancro do Colo do Útero em Portugal e na região de saúde do centro, nomeadamente incidência, mortalidade, rastreio e vacinação. Sendo esta uma patologia frequente, prevenível e de diagnóstico precoce, deve ser considerada prioritária nas políticas de saúde públicas.
Ciências Médicas e da Saúde
7,293
A importância das alterações dos compósitos dentários na identificação de carbonizados
Compósitos dentários,carbonizados
A identificação de cadáveres carbonizados apresenta-se como um desafio da prática corrente da Medicina Legal, principalmente devido à pouca informação que permanece conservada, após a destrutiva ação da temperatura. Nestes casos, toda a informação que possa ser recolhida do cadáver é fundamental e pode contribuir activamente através do método de identificação reconstrutivo. O objectivo principal deste trabalho é propor um parâmetro auxiliar de avaliação num cadáver carbonizado e, nomeadamente na análise dentária, contribua para a sua identificação. Tendo em vista o objectivo do trabalho, foi efectuado o estudo dos efeitos da temperatura em três marcas comerciais de compósitos dentários Voco® com o compósito Grandio, Kerr® com o compósito Herculite XRV Ultra e Colthène® com o compósito Synergy D6. Foram analisadas as alterações sobre as suas propriedades ópticas (fluorescência), sobre as propriedades macroscópicas (coloração) e difração de raios-X (transformações de fase). Estas propriedades foram analisadas à temperatura ambiente e quando submetidos a elevadas temperaturas (200ºC, 250ºC, 300ºC, 500ºC e 1000ºC) tanto para os materiais de restauração como para a peça dentária não restaurada, que serve assim de controlo e comparação. Concluiu-se que é possível utilizar os compósitos dentários como fonte de informação em corpos carbonizados, uma vez que estes apresentam diferentes comportamentos a nível óptico que permitem a sua distinção. Os materiais fluorescentes utilizados pela indústria, comportam-se de modo distinto a temperaturas inferiores a 300ºC, no entanto a avaliação da fluorescência dos materiais revela-se inconclusiva, para temperaturas iguais ou superiores a 300ºC. A avaliação macroscópica não oferece informação relativa à distinção das marcas comerciais dos materiais de restauração utilizados, no entanto promove a distinção entre material de restauração e o dente. A análise por difração de raios-X diferencia uma das marcas de compósito (Herculite) das restantes e também do dente a qualquer temperatura.
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7,376
Alimentos funcionais
Alimentação
Os alimentos funcionais não têm uma definição universalmente aceite. Assume-se, no entanto, que um alimento adquire estatuto de alimento funcional se originar efeitos fisiológicos benéficos para a saúde, no que respeita especificamente à redução do risco de desenvolvimento de doença ou à optimização de uma situação de saúde, para além da sua função básica nutritiva. A pertinência deste artigo de revisão assenta, portanto, no papel dos alimentos funcionais como promotores da saúde sendo portanto, uma mais-valia económica pela sua participação na redução de custos na saúde e na melhoria da qualidade de vida. Realizei uma revisão pormenorizada com base na literatura recente publicada após 2000 e disponível nas bases de dados da PubMed, Science Direct e b-On. Com este trabalho pretendo caracterizar os principais compostos activos (prebióticos e probióticos, carotenóides, flavonóides, ácido linoleico conjugado (CLA), ácido gordo ómega 3 e fitosteróis) e respectivos efeitos metabólicos no organismo e, clarificar o conceito de benefício para a saúde dos alimentos funcionais. Apesar dos estudos animais, assim como, os estudos epidemiológicos sugerirem uma associação positiva entre os diversos alimentos funcionais e a redução do risco de doenças crónicas, tais como a diabetes, cancro, doenças cardiovasculares, muitos dos mecanismos de acção subjacentes a esses efeitos benéficos não estão completamente esclarecidos, devendo estes serem considerados em próximos estudos, no entanto, propõe-se uma dieta mediterrânica com o intuito de uma melhor qualidade de vida da população em geral
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7,394
Sonolência diurna em estudantes de medicina
Psicologia,Hipersonolência idiopática,Estudantes de medicina
Introdução: A sonolência diurna excessiva (SDE) é uma queixa comum nas populações, com prevalência estimada entre 6.7-36% na população geral (Roberts et al., 2000; Santibañez, 1994) e entre 22-93.2% nos estudantes de Medicina (Rodrigues et al., 2002; Santibañez, 1994), variabilidade decorrente, possivelmente, das diferenças metodológicas. A sonolência diurna (SD) tem sido associada a consequências funcionais incluindo lentificação cognitiva e dificuldades de memória bem como a elevada morbi-mortalidade por acidentes de trabalho e rodoviários. Nos estudantes de Medicina tem sido associada a piores resultados académicos (Rodrigues et al., 2002). Também tem sido relacionada à maior probabilidade de cometer erros médicos (Kramer, 2010). Não temos conhecimento da existência, à data, de trabalhos publicados acerca da prevalência de SD em estudantes de Medicina portugueses. Objectivos: Avaliar a prevalência de SD em estudantes de Medicina, determinar o seu impacto no funcionamento do indivíduo e analisar factores que lhe possam estar associados e que contribuam para o seu risco. Metodologia: A amostra deste estudo transversal é constituída por 465 estudantes do 1º e 2º anos do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina de Coimbra, que preencheram voluntariamente questionários que incluíam a Escala de Sonolência de Epworth e itens relacionados com hábitos do ciclo sono-vigília e impacto funcional da SD. Resultados: A prevalência de SD nesta amostra é de 31.4% e 69.7% dos sujeitos relatam restrição de sono. 42.6% sentem que o rendimento é prejudicado pela SD e 31.6% sentem necessidade de dormir sesta durante o dia. Foi encontrada uma associação estatística significativa negativa entre SD e latência de sono e positiva entre SD e tempo necessário para levantar depois de acordar, sendo estes os únicos predictores de SD. Conclusões: Parte significativa da amostra apresenta SDE, pelo que, medidas de sensibilização junto de professores e alunos devem ser tomadas no sentido de promover a regularização do ciclo sono-vigília e higiene do sono adequada, com vista à diminuição da SD e do prejuízo por ela causada nos estudantes.
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7,472
Benefícios e riscos do exercício físico em idade geriátrica
Exercício fisico,Idoso,Geriatria
Introdução: Atendendo ao perfil demográfico da população residente em Portugal, é fundamental a promoção de um envelhecimento ativo. Para isso, é necessário desmitificar os mitos do exercício físico por parte dos idosos e promover a adesão a programas de exercício, tentando eliminar possíveis barreiras e garantindo a segurança. Objetivos: Este artigo de revisão pretende sumarizar os efeitos do exercício físico no idoso em termos músculo-esqueléticos e articulares, cardiovasculares, cognitivos, respiratórios e imunitários; e ainda fornecer informação para a prescrição de exercício físico adaptada ao idoso e suas comorbilidades. Material e Métodos: O tema foi revisto utilizando a interface de pesquisa PubMed da Medline, através das seguintes equações de pesquisa: “Physical exercise and elderly and (cardiovascular benefits OR musculoskeletal and articular benefits OR respiratory benefits OR cognitive benefits OR imunitary benefits), “Normal aging” e “Exercise prescription and elderly”. A pesquisa foi restringida a artigos em inglês e português, publicados desde o ano 1995 até à atualidade (Março de 2013). Os artigos foram selecionados tendo em conta a sua relevância. Resultados: Vários estudos demonstraram efeitos positivos do exercício físico no idoso. Nomeadamente, na manutenção da massa e força musculares, na prevenção de fragilidade e osteoporose, melhorias na composição corporal e redução de sintomas de condições reumatológicas. Verificaram-se também melhorias nos parâmetros fisiológicos cardiorrespiratórios (VO2máx, fração de ejeção), redução da pressão arterial, diminuição do risco de doença coronária, melhorias na insuficiência cardíaca, no perfil lipídico e na sensibilidade à insulina; melhor capacidade funcional e menor declínio da função pulmonar relacionada com o envelhecimento. O exercício ajuda a compensar e a atenuar aspetos fundamentais da imunossenescência. Parece ainda atrasar a idade de instalação do declínio cognitivo, mas é muito controverso se o consegue prevenir. Em termos de riscos, os principais são: lesões músculo-esqueléticas e articulares, eventos coronários agudos e alterações imunológicas agudas. Conclusão: Apesar da existência de fatores de risco do exercício físico para o idoso, principalmente naquele com doenças prévias, eles são ultrapassados pelos evidentes benefícios em respeito de um envelhecimento saudável, ativo e social. Sobretudo, é fundamental adotar desde cedo um estilo de vida saudável, como atividade física e alimentação equilibrada, com vista a um envelhecimento saudável e à prevenção de doenças crónicas
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7,476
Alcoolismo nos idosos
Idoso,Alcoolismo,Geriatria
Introdução: O consumo de álcool, principalmente considerado nocivo, de risco, ou associado a dependência, contribui para um aumento da morbilidade e mortalidade. Isto verifica-se com maior frequência na população mais jovem. No entanto, a avaliação do consumo de álcool nos idosos vem sendo demonstrada válida e necessária, principalmente porque existe um aumento global da população idosa e também pela subvalorização frequente deste aspecto, neste grupo etário. Objectivos: Identificar o panorama do consumo de álcool nos idosos; Identificar motivos para o consumo de álcool nos idosos; Estabelecer uma relação entre o consumo de álcool e problemas relevantes e frequentes nos idosos; Identificar métodos diagnósticos indicados para a avaliação do consumo, para os idosos; Expor técnicas de abordagem terapêutica. Métodos: Foram identificados artigos e informação relevantes através de pesquisa no PubMed, WHO (World Health Organization), NIAAA (National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism), ADAI (Alcohol and Drug Abuse Institute) Library, DGS (Direcção Geral de Saúde), Portal da Saúde e Instituto Nacional de Estatística. Discussão: Demonstrou-se que os padrões de consumo de álcool diferem entre as diversas regiões e que existe um aumento do consumo de álcool nos idosos. Existem motivos diversos para o consumo de álcool nos idosos, no entanto o consumo de risco, nocivo ou associado a dependência verifica-se com maior frequência no contexto de patologias, para alívio das mesmas, em contexto social desfavorável, reforma, entre outros. O consumo de álcool, mesmo não considerado de risco, está associado ao início ou agravamento de patologias de base, ou de eventos frequentes nos idosos e, ainda, interage com medicação. Os questionários CAGE, AUDIT, ARPS, MAST-G e SMAST-G são considerados os métodos diagnósticos mais eficazes para a avaliação do consumo de álcool nos idosos. O tratamento da dependência alcoólica não difere nas diferentes idades, mas existem determinados factores nos idosos que podem influenciar o insucesso terapêutico. Conclusão: Foram demonstradas a importância da avaliação do consumo de álcool em idosos, a necessidade de definir quantidades adequadas de consumo para os idosos, abordagens terapêuticas e definidas estratégias preventivas de padrões de consumo nocivo ou associado a dependência.
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7,478
Abordagem terapêutica da síndrome de hipoventilação/obesidade
Obesidade,Hipoventilação,Pneumologia
Introdução: A Síndrome de Hipoventilação/Obesidade é definida como uma tríade de obesidade, hipoventilação diurna e hipercapnia crónica, associada a doenças respiratórias do sono. Com a prevalência crescente da obesidade, esta síndrome tende a aparecer em cada vez mais indivíduos, em todo o mundo. A fisiopatologia da Síndrome de Hipoventilação/Obesidade correlaciona-se quase em exclusivo com o excesso de gordura abdominal e torácica, ocorrendo uma hipoventilação alveolar crónica e um defeito de ventilação-perfusão. A polissonografia tem um papel importante no seu diagnóstico e tratamento, sendo utilizada para titulação das pressões usadas na terapia ventilatória. Apesar das suas elevadas taxas de morbilidade e mortalidade, o diagnóstico e o tratamento continuam a ser tardios. Nos últimos anos desenvolveram-se várias modalidades terapêuticas eficazes para a Síndrome de Hipoventilação/Obesidade. Objectivos: Revisão da literatura científica actualmente disponível sobre modalidades terapêuticas para o controlo da Síndrome de Hipoventilação/Obesidade. Métodos: Para este artigo de revisão, o método utilizado foi a revisão sistemática da Literatura médica internacional sobre o tema, pesquisada na base de dados PubMed, no intervalo de tempo entre 2001 e 2011. Desenvolvimento: O tratamento da Síndrome de Hipoventilação/Obesidade envolve várias modalidades terapêuticas, que podem ser usadas isoladamente ou em associação, incluindo a perda de peso, por alterações do estilo de vida ou cirurgia bariátrica, e terapia ventilatória por pressão positiva, associada ou não a oxigenoterapia suplementar. Neste artigo de revisão abordam-se hipóteses de protocolos terapêuticos na área da terapia ventilatória, com bons resultados clínicos e laboratoriais. Outras modalidades terapêuticas menos utilizadas são a traqueostomia, a terapia farmacológica e a flebotomia. Conclusão: Existem várias opções de tratamento eficazes ao alcance destes doentes, mas não existem guidelines aprovadas para o tratamento da Síndrome de Hipoventilação/Obesidade. As melhores opções disponíveis para o tratamento desta síndrome são a perda de peso e a terapia ventilatória com pressão positiva, devendo ser consideradas em programas específicos de terapia multimodal
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7,479
Parassónias
Parassónias,Distúrbios do sono,Parassónias do sono REM
O sono é fundamental para a vida humana, permitindo o equilíbrio físico e emocional. Um terço da nossa vida é passada a dormir, mas ainda são mal conhecidos os processos fisiológicos e fisiopatológicos que aí decorrem. Dentro destes últimos, encontram-se as parassónias, que podem ser definidas como episódios clínicos com manifestações motoras, comportamentais e autonómicas, reflectindo uma activação do Sistema Nervoso Central (S.N.C.) e do Sistema Nervoso Autónomo, ocorrendo durante o sono e que devem ser distinguidas das alterações dos processos responsáveis pelos estados de sono e despertar. Podem surgir durante o sono REM (Rapid Eye Movement) ou NREM (Non Rapid EyeMovement), estando relacionadas com uma multiplicidade de factores: história familiar, privação do sono, medicação, stress, doença febril, patologia respiratória, entre outros. Epidemiologicamente, as parassónias são mais frequentes nas crianças e, embora bastante comuns na população, nem sempre são valorizadas, resultando em consequências para o doente, como lesões corporais, constrangimento social, diminuição da concentração e da actividade diária, incómodo e dano para o companheiro de cama. O diagnóstico é frequentemente baseado na clínica e, quando tal não é possível, recorre-se ao Electroencefalograma (EEG), registo polisonográfico e muito pontualmente realiza-se uma Tomografia Computorizada (TC) ou uma Ressonância Magnética Nuclear (RMN) cerebral. O tratamento é essencialmente comportamental, adequado à parassónia em questão – modificação dos hábitos de sono, medidas protectoras, treino de relaxamento, entre outras. Em caso de maior severidade, pode ter que se optar pela terapêutica farmacológica.
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7,480
Internamentos por patologia pedopsiquiátrica nos últimos 4 anos numa unidade de internamento de curta duração
Psiquiatria infantil,Hospitalização
Introdução: O reconhecimento da doença pedopsiquiátrica tem vindo a aumentar nos últimos anos, encontrando-se subavaliada por falta de planeamento médico-social. A falha nos recursos existentes faz do Serviço de Urgência (SU) uma importante porta de entrada para a sua identificação. O objetivo deste trabalho foi caracterizar os doentes de Pedopsiquiatria internados numa Unidade de Internamento de Curta Duração (UICD) durante um período de quatro anos, analisando o perfil dos internamentos, e problemas/dificuldades, e sugerir medidas para otimizar os cuidados prestados nesta população. Material e métodos: Estudo descritivo retrospetivo, com análise dos processos clínicos das crianças/adolescentes internadas por patologia pedopsiquiátrica na UICD no SU do Hospital Pediátrico, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, de 1 de fevereiro de 2011 a 31 de janeiro de 2015. Analisadas variáveis demográficas, proveniência, data de admissão, antecedentes pessoais e familiares, risco psicossocial, motivo de urgência e de internamento, diagnósticos/problemas, tratamento, intervenção social e orientação. Tratamento estatístico em SPSS® 22 (p=0,05). Resultados: Foram analisados 225 internamentos, representando 195 crianças/adolescentes, 66,2% do sexo feminino, com mediana de idade de 15,4 anos. As alterações de comportamento foram o antecedente pessoal mais frequente (32,4%), com uma associação significativa com o sexo masculino (p=0,0025). A perturbação depressiva foi o antecedente familiar mais frequentemente encontrado (10,7%). Os motivos de admissão e diagnósticos/problemas mais frequentes foram a tentativa de suicídio e as alterações de comportamento, a primeira mais associada ao sexo feminino (p=0,0013) e as segundas ao sexo masculino (p=0,0386). A necessidade de observação por Pedopsiquiatria foi o principal motivo de internamento em UICD. Foi encontrada 5 uma forte correlação entre os antecedentes pessoais e diagnósticos/problemas para a perturbação do comportamento alimentar/anorexia nervosa (75%) e alterações de comportamento (70%). Os fatores de risco psicossocial mais frequentes foram problemas familiares (44,4%). Os antipsicóticos foram os psicofármacos mais prescritos e 74,2% dos adolescentes ficaram com agendamento de consulta de Pedopsiquiatria. Discussão: A maioria dos casos foram adolescentes do sexo feminino. As alterações de comportamento e as tentativas de suicídio foram os problemas de saúde mental mais frequentes, com os conflitos familiares a revelarem-se como principal fator de risco associado. Conclusões: Os problemas de saúde mental na adolescência são frequentes, afetam o desenvolvimento e têm repercussões sociais, educativas e familiares graves, pelo que é urgente repensar e alterar os meios existentes a nível médico, social e judicial.
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7,484
Avaliação do risco-benefício dos bifosfonatos em mulheres com osteoporose da pós-menopausa
Osteoporose pós-menopausa,Bifosfonatos
A osteoporose da pós-menopausa é um problema major de saúde pública que pode afectar cerca de 20 % destas mulheres. A maioria destes casos carece de tratamento farmacológico, e os bifosfonatos são, actualmente, os agentes de primeira linha no tratamento deste distúrbio esquelético. Este trabalho tem por objectivo proceder à avaliação do perfil risco-benefício dos bifosfonatos na terapêutica da osteoporose da pós-menopausa. Para isso, procedeu-se à análise de artigos científicos e de revisão acerca desta temática. Os artigos consultados foram publicados entre 2004-2010. Os bifosfonatos são uma classe de fármacos, podendo ser agrupados em bifosfonatos não-aminados e aminados (alendronato, risendronato, ibandronato, pamidronato e ácido zolendrónico). Apenas estes últimos têm interesse farmacológico e clínico, em virtude da sua maior potência relativa. São fármacos cuja absorção gastrointestinal é muito reduzida; contudo, a biodisponibilidade após administração endovenosa é muito maior. São inibidores da actividade osteoclástica, actuando especificamente nestas células. Assim, ao reduzirem a reabsorção óssea, promovem o aumento subsequente da sua densidade mineral. Segundo diversos estudos, os bifosfonatos previnem a perda de massa óssea, preservam a estrutura do osso, reduzem a sua fragilidade e o risco de fracturas. Revelaram-se mais eficazes que os restantes tratamentos alternativos para a osteoporose da pós-menopausa. Estão disponíveis bifosfonatos orais (alendronato, risendronato e ibandronato) e endovenosos (ibandronato, pamidronato, ácido zolendrónico). Existem formulações orais diárias, orais intermitentes e infusões endovenosas. Estas duas últimas formulações estão associadas a uma maior adesão a longo prazo e, por conseguinte, maior redução do risco de fracturas: associam menor frequência das administrações, menor incómodo e menor incidência de efeitos secundários digestivos. São, portanto, os esquemas preferidos pelas doentes. Apresentam alguns efeitos secundários, principalmente do foro gastrointestinal. Estes afectam negativamente a adesão ao tratamento, mas podem ser minimizados se administrados correctamente, ou optando pelos esquemas intermitentes ou endovenosos. A osteonecrose dos maxilares foi recentemente reconhecida como um efeito secundário dos bifosfonatos, e a relação de causa-efeito está bem estabelecida. É um efeito adverso grave que tem limitado a prescrição dos bifosfonatos a estas mulheres. Contudo, de uma forma geral, são fármacos seguros e bem tolerados. São igualmente os agentes com a melhor relação custo-benefício. Os bifosfonatos são geralmente os agentes terapêuticos de primeira linha para a maioria das mulheres em pós-menopausa com osteoporose, devido à sua elevada potência, eficácia, bom perfil de segurança e boa relação custo-benefício.
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7,486
Condutas suicidas no doente com esquizofrenia
Psiquiatria,Suicídio : prevenção e controlo,Esquizofrenia
Introdução: Através de autópsias psicológicas tem sido estimado que mais de 90% das pessoas que morrem por suicídio têm uma perturbação psiquiátrica, sendo a Esquizofrenia uma das perturbações frequentemente encontradas. Estes doentes têm um risco de cerca de 10% de suicídio, valor muito aumentado relativamente à população geral, sendo o suicídio a primeira causa de morte prematura nestes doentes. Constitui-se assim urgente a detecção dos doentes em risco e o desenvolvimento de estratégias terapêuticas e preventivas eficazes. Objectivos: Com o presente trabalho de revisão pretendeu-se conhecer a realidade do suicídio nos doentes com Esquizofrenia, nomeadamente sistematizar os múltiplos factores de risco e as suas inter-relações. Foi também objectivo conhecer o ponto da situação actual das várias facetas de uma abordagem terapêutica multidisciplinar, no sentido da prevenção dos comportamentos suicidários nestes doentes. Desenvolvimento: No que respeita às condutas suicidas dos doentes com Esquizofrenia, estão identificados vários factores de risco: tentativa de suicídio prévia, perturbações afectivas comórbidas e/ou desesperança, acontecimentos de vida adversos, sexo masculino, fraco apoio social e familiar, história familiar de suicídio, abuso de substâncias, elevado funcionamento pré-mórbido, fraca adesão terapêutica, múltiplos internamentos, alta hospitalar recente e primeiros anos de doença. Questões controversas têm-se verificado acerca da influência da sintomatologia psicótica positiva, bem como da presença de juízo crítico. Na abordagem farmacológica, evidências demonstram que os antipsicóticos atípicos no tratamento da Esquizofrenia apresentam maior utilidade face aos neurolépticos convencionais. A clozapina tem apresentado os melhores resultados e está aprovada nos doentes com Esquizofrenia e alto risco de suicídio. Antidepressivos e estabilizadores do humor parecem úteis perante história de depressão. A melhor abordagem terapêutica inclui a combinação de tratamento farmacológico com intervenções psicossociais para optimização dos factores de risco passíveis de serem modificados, sendo que em conjunto têm mostrado eficácia superior no tratamento e prevenção de condutas suicidárias. Conclusões: Existe uma vasta informação disponível que ajuda os profissionais de saúde a melhor compreenderem as condutas suicidárias no doente com Esquizofrenia, permanecendo alguns aspectos que merecem melhor clarificação. Torna-se urgente desenvolver e pôr em prática de forma generalizada, planos de prevenção do suicídio no doente com Esquizofrenia, sendo necessária uma adequada abordagem multidisciplinar envolvendo os doentes, médicos, equipas de enfermagem, psicoterapeutas, familiares e toda a sociedade geral. Em anexo apresenta-se um guia com o objectivo de ajudar os clínicos na avaliação do risco de suicídio em doentes com diagnóstico de Esquizofrenia.
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7,488
Atividade fisica : envelhecimento e saúde
Atividade motriz,Envelhecimento,Saúde
Neste trabalho, através da revisão de aproximadamente três dezenas de artigos científicos e/ou de revisão científica presentes na base de dados Medline e da consulta de um livro de texto sobre Medicina Geriátrica e de um documento de trabalho da Comissão das Comunidades Europeias, tratei de objetivar a conexão existente entre a Atividade física, o Envelhecimento e a Saúde. Inquiri também sobre a existência de estratégias inovadoras de implementação, atuação e manutenção de atividade física. Constatei que a influência da Atividade Física, apesar de ainda não totalmente desvendada, é, na sua grande maioria, benéfica no Envelhecimento e/ou na Saúde. Tal facto torna importante a execução de investigações no sentido de entender esta relação, para que novas e melhores aplicações de Atividade Física possam surgir. Encontrei variadas novidades no que toca a metodologias da prática de Atividade Física. Estas possibilitam, cada vez mais, ultrapassar barreiras da implementação do exercício; aprimoram a avaliação devida antes da prescrição do exercício; especificam esquemas a aplicar aquando da presença de patologias e/ou morbilidades crónicas, especialmente no caso das mais prevalentes nos idosos – Diabetes Mellitus, artrose, osteoporose, doenças respiratórias, patologias cardiovasculares e sequelas de patologias cerebrovasculares. Existem também várias modalidades de treino promissoras, porém todavia controversas: treino de flexibilidade como rotina; treino multimodal; e treino simulador de tarefas funcionais. Identifiquei assim propostas concretas e inovadoras que, claramente, exigem empreendedorismo.
Ciências Médicas e da Saúde
7,489
Biológicos no tratamento da psoríase
Psoríase,Terapia biológica
Introdução: A psoríase é uma doença inflamatória crónica, imunomediada, multissistémica, que afecta aproximadamente 1-3% da população mundial. Devido à natureza crónica da doença, os doentes sofrem um impacto físico, psicológico, económico e social significativo, com repercussão na sua qualidade de vida. O envolvimento articular ocorre em aproximadamente 5 a 40% dos doentes. Os tratamentos sistémicos convencionais (metotrexato, ciclosporina e acitretina) e fototerapia, são eficazes no seu tratamento, contudo o risco de toxicidade impede o seu uso prolongado e continuado. A identificação de novos mecanismos fisiopatológicos da psoríase levou ao desenvolvimento de uma nova classe terapêutica constituída pelos agentes biológicos. Estes possuem uma acção selectiva e especifica ao antagonizar moléculas importantes, interferindo assim no mecanismo imunológico que induz a psoríase. Objectivo: Esta revisão focará o mecanismo de acção, normas de uso, eficácia e segurança dos agentes biológicos desenvolvidos para o tratamento da psoríase em placas moderada a grave e artrite psoriática. Desenvolvimento: As terapêuticas biológicas para o tratamento da psoríase e/ou para a artrite psoriática definem-se pelo seu modo de acção e por isso classificam-se em três categorias: moduladores de citocinas (inibidores do factor de necrose tumoral-α: etanercept, infliximab, adalimumab, golimumab e certolizumab), moduladores de células T (efalizumab e alefacept) e inibidores das interleucinas (IL) 12 e IL- 23 (ustekinumab e briakinumab). Uma vez que cada agente biológico possui um potencial para efeitos adversos graves, deve haver prudência ao iniciar e manter um tratamento contínuo. Antes de iniciar a terapêutica com um agente biológico, os doentes devem ser sujeitos a uma avaliação clínico-laboratorial adequada. A monitorização deve ser mantida em todos os doentes durante o tratamento. Conclusão: Estes agentes demonstraram ser seguros e eficazes, constituindo uma alternativa aos tratamentos convencionais e uma importante arma ao dispor do dermatologista no tratamento da psoríase moderada a grave. Apesar da eficácia comprovada destes agentes, mais evidências são necessárias relativamente à segurança a longo prazo.
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7,490
Ressonância magnética cardíaca no estudo da miocardiopatia hipertrófica
Miocardiopatia hipertrófica,Hipertrofia ventricular esquerda,Ressonância magnética
Introdução A Miocardiopatia Hipertrófica (MCH) é uma doença primária do sarcómero cardíaco, que se caracteriza por hipertrofia ventricular esquerda (VE), sem dilatação da cavidade ventricular e com envolvimento ocasional do ventrículo direito. Dada a heterogeneidade de expressão fenotípica, bem como o seu curso clínico variável, a abordagem diagnóstica da MCH permanece questionável. Apesar de a ecocardiografia transtorácica constituir a técnica de imagem de primeira linha no diagnóstico da MCH, a Ressonância Magnética Cardíaca (RMC) permite uma avaliação morfológica e funcional do coração, não reprodutível por outro método não invasivo. Objectivos Constituíram objectivos do presente estudo: 1) Descrever alterações encontradas na RMC de uma população de doentes seguidos nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), com diagnóstico confirmado de MCH. 2) Determinar se a RMC permite maior acuidade que a ecocardiografia transtorácica em estabelecer o diagnóstico de MCH e aceder à magnitude de hipertrofia VE. 3) Analisar a relação entre a presença de realce tardio (RT) na RMC, e as características clínicas e demográficas da população em estudo. Metodologia Foram identificados 12 doentes, com diagnóstico confirmado de MCH, que realizaram RMC nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), no período de tempo compreendido entre 01/06/2006 e 28/10/2010. Realizou-se uma análise descritiva e analítica das variáveis demográficas e clínicas da população em estudo, bem como das alterações imagiológicas. Diana Rita da Cruz Martins 4 Procedeu-se a uma análise comparativa entre os dados previamente obtidos na ecocardiografia transtorácica e os referentes à RMC, avaliando ainda a existência de associação significativa entre a identificação de RT na RMC e as variáveis demográficas, clínicas, bem como factores de risco para morte súbita cardíaca (MSC). Resultados Na população em estudo, identificou-se igualdade de géneros, apresentando uma idade média de 37±23 anos. Verificou-se que os valores de espessura máxima da parede VE, mensurados por ecocardiografia e RMC, foram estatisticamente diferentes. Identificaram-se áreas de RT em 91,7% dos doentes porém, não foram obtidos resultados estatisticamente significativos quando relacionado o RT com dados demográficos e clínicos da população em estudo. Conclusões A RMC identificou valores estatisticamente superiores de hipertrofia VE, quando comparada com a ecocardiografia transtorácica, reconhecendo igualmente doentes que apresentavam graus de hipertrofia massivos (espessura máxima ≥ 30mm), colocando-os assim num subgrupo de alto risco. Não foi identificado valor prognóstico associado à presença de RT na RMC.
Ciências Médicas e da Saúde
7,491
Bases celulares e moleculares do envelhecimento
Envelhecimento,Células,Idoso,Longevidade
Nas sociedades modernas como a nossa, cada vez mais ligadas à informação e ao conhecimento, a biologia e a genética do envelhecimento constituem áreas científicas de relevo, uma vez que a esperança de vida das populações tem vindo a aumentar. O envelhecimento é um processo inerente a todos os seres vivos, caracterizado pela diminuição da capacidade de resposta orgânica a novos desafios. A genética destaca-se como uma das áreas que tem contribuído, de modo significativo, para entender a entidade biológica a que denominamos idoso. Nos últimos anos, os avanços das técnicas de genética e de biologia celular e molecular possibilitaram identificar algumas das vias implicadas na longevidade. A integração deste conhecimento com os resultados obtidos noutras áreas biomédicas, como as neurociências, tem permitido compreender as causas do envelhecimento. Neste artigo, será abordado o fenótipo e as patologias associadas ao envelhecimento, com breve referência às síndromes progeróides. Além disso, serão discutidas as teorias explicativas do processo de envelhecimento, bem como os principais fatores indutores de senescência celular e suas consequências.
Ciências Médicas e da Saúde
7,492
Necrose tubular aguda de causa medicamentosa
Nefrologia,Necrose tubular aguda,Doença iatrogénica,Aminoglicosídeos
A Necrose Tubular Aguda é a forma mais frequente de Insuficiência Renal Aguda atingindo incidências elevadíssimas nas Unidades de Internamento Hospitalar e representando cerca de 80% dos casos de Insuficiência Renal Aguda nas Unidades de Cuidados Intensivos. A fisiopatologia inclui dois mecanismos distintos – isquémia e lesão tubular renal directa -, sendo a principal causa a deplecção do volume intravascular, seguida da Insuficiência Cardíaca Congestiva e da nefrotoxicidade induzida pelos Antibióticos da família dos Aminoglicosídeos. Cerca de 25% dos casos de Necrose Tubular Aguda nos doentes em estado crítico são provocados por administração medicamentosa, resultando esta percentagem não só do facto de se tratarem de doentes com múltiplas co-morbilidades que acarretam maior susceptibilidade para lesão renal, como também por requererem a administração de múltiplos fármacos com potencial nefrotóxico, gerando-se assim um efeito lesional sinérgico. A lesão celular provocada por fármacos processa-se através de diversos mecanismos fisiopatológicos. Os fármacos que provocam Necrose Tubular Aguda têm, regra geral, um mecanismo comum – a indução da síntese de espécies reactivas de oxigénio e stress celular que pode, no limite, induzir morte celular ou necrose. Os mecanismos através dos quais é induzido o stress celular é que diferem. No caso exemplar da Cisplatina é a redução da glutationa intracelular (principal defesa antioxidante do organismo humano) que está na origem do stress celular; já a Anfotericina B altera a permeabilidade membranar celular e leva a um aumento do influxo de iões de sódio através da bomba Na+/K+, com aumento do consumo de ATP, provocando um efeito compensatório de aumento dramático na respiração mitocondrial com aumento da produção de radicais livres. Nesta revisão bibliográfica será feita uma breve abordagem aos mecanismos nefrotóxicos de alguns fármacos, nomeadamente anti-inflamatórios não esteróides, inibidores da enzima de conversão da angiotensina II e bloqueadores dos receptores da angiotensina, agentes imunomodeladores, agentes antineoplásicos e agentes antimicrobianos, com particular destaque para a nefrotoxicidade induzida pelos antibióticos aminoglicosídeos, pelo importância que têm no tratamento de infecções potencialmente fatais por agentes bacterianos gram-negativos, e por serem a causa mais frequente de Necrose Tubular Aguda Nefrotóxica. A Necrose Tubular Aguda determina um aumento na utilização dos recursos médicos e dos custos. Porque esta poderá ser uma patologia prevenível é imperativo que, para além do conhecimento da sua fisiopatologia e dos seus factores de risco, se promova o uso de estratégias preventivas. Na prática clínica actual, pela ausência de evidência científica suficiente, poucas são as estratégias usadas - pretende-se com este trabalho fazer uma revisão de alguns estudos recentemente realizados no âmbito da prevenção desta patologia.
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7,494
PSA e novos marcadores no diagnóstico de carcinoma da próstata
Antigénio especifico da próstata,Marcadores biológicos,Neoplasias da próstata
INTRODUÇÃO: A deteção precoce e o tratamento do carcinoma da próstata resulta numa sobeja diminuição da morbilidade e mortalidade associada à doença e, por isso, é importante o desenvolvimento de novos testes capazes de diagnosticar esta neoplasia na sua fase inicial. Apesar do marcador PSA e do toque retal se manterem como ferramentas de base para o diagnóstico, vários estudos têm sido feitos para encontrar o marcador ideal para a prática clínica mais sensível e específico. Definimos como OBJETIVOS desta revisão a avaliação da utilidade do uso do antigénio específico da próstata e definir e caraterizar os novos marcadores laboratoriais no diagnóstico do Carcinoma da Próstata. MATERIAIS E MÉTODOS: Pesquisa bibliográfica na base de dados MedLine usando como palavras-chave prostate cancer, PSA e new serum biomarkers para as datas entre 2001 e 2011. Foram escolhidas mais algumas publicações de revisão sobre este assunto com um recuo máximo de 20 anos. DESENVOLVIMENTO/RESULTADOS: As várias publicações analisadas demonstram as limitações do uso generalizado do PSA no diagnóstico de neoplasia da próstata, e outras que avaliam a sensibilidade e especificidade associada especificamente aos marcadores escolhidos: antigénio carcinoma da próstata 3, calicreínas, antigénio precoce do carcinoma da próstata, α-metilacil CoA racemase e genes de fusão. Foi possível avaliar a sua utilidade atual e a sua aplicabilidade futura no diagnóstico e monitorização do carcinoma da próstata. DISCUSSÃO: Não está provado que um só marcador seja suficiente para, isoladamente, diagnosticar com precisão o carcinoma da próstata. O antigénio específico da próstata continua a ser o marcador mais fiável para aplicação clínica; nenhum dos outros marcadores atuais conhecidos tem, para já, valor diagnóstico superior. No entanto, a sua aplicação em conjunto com o PSA pode ser uma mais-valia no diagnóstico do carcinoma da próstata.
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7,495
Perturbação obsessivo-compulsiva em idade pediátrica
Perturbações do comportamento da criança,Distúrbios obsessivos-compulsivos
A POC constitui um distúrbio psiquiátrico relativamente comum, afetando adultos e crianças, e comportando grandes limitações funcionais. Existem algumas diferenças entre a POC em idade pediátrica e a POC na idade adulta, nomeadamente no que se refere à distribuição por género, padrões de comorbilidade, tratamento. Este artigo pretende ser uma revisão crítica da literatura disponível, discutindo-se aspetos epidemiológicos, fisiopatologia, fenomenologia, diagnóstico, comorbilidades, tratamento e prognóstico.
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7,496
Vacinas contra o HPV : presente e futuro
Papilomavirus humano,Vacinas
A associação entre a infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV) e o cancro do colo do útero é atualmente evidente. Sendo o cancro do colo do útero a segunda causa de morte por cancro na mulher, a sua morbilidade e mortalidade conduziram ao desenvolvimento de métodos de prevenção primária e secundária. A prevenção secundária é realizada sob a forma de um rastreio organizado, através do exame citológico, designado exame Papanicolau. Mais recentemente foi introduzida a prevenção primária através das vacinas contra o HPV (Gardasil® e Cervarix®). Prevê-se que num futuro, a médio prazo, a diminuição da prevalência da infeção persistente pelo HPV obrigue a uma revisão das guidelines da prevenção do cancro do colo do útero, nomeadamente no que diz respeito ao programa de rastreio. O sucesso destas vacinas nos múltiplos ensaios clínicos realizados levou à sua inclusão nos programas nacionais de vacinação de vários países. No entanto o seu elevado preço impede a aplicação da vacinação nos países subdesenvolvidos, onde se encontram 80% das vítimas de cancro do colo do útero e, portanto, onde o impacto da infeção pelo HPV é maior. Por outro lado, foi também comprovado que estas vacinas não têm efeito sob a infeção já estabelecida, ou lesões a ela associadas. Por estes motivos, estão em desenvolvimento múltiplas vacinas de segunda geração, entre elas, novas vacinas preventivas e vacinas com efeito terapêutico. Assim, as vacinas profiláticas contra o cancro do colo do útero são eficazes, seguras e imunogénicas, porém, o seu verdadeiro impacto só será contemplado a médio/longo prazo. Até lá é necessário manter a investigação científica, no sentido de adequar os programas de rastreio à nova realidade pós-vacinal, avaliar a eficácia das vacinas quadrivalente e bivalente a médio/longo prazo (de forma a analisar a necessidade de aplicação de reforços vacinais) e promover o desenvolvimento de novas vacinas, quer com efeito profilático, quer com efeito terapêutico. O objetivo final é englobar a população mundial num esforço conjunto para a diminuição da prevalência do cancro do colo do útero, através da adequação de programas combinados de vacinação, rastreio e tratamento precoce.
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7,497
Síndrome de apneia obstrutiva do sono : aspectos particulares na mulher
Apneia obstrutiva do sono,Pneumologia,Mulheres
Introdução: A Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma causa comum de sonolência diurna e um factor de risco independente para a Hipertensão Arterial e outras Doenças Cardiovasculares, estando associada a uma diminuição geral na qualidade de vida. Um aspecto intrigante da SAOS é a diferença na sua prevalência entre os dois géneros, sendo que vários estudos relatam uma prevalência cerca de 2 a 3 vezes superior no sexo masculino. No entanto, tem sido constatada uma subestimação da prevalência desta patologia no sexo feminino, em muito relacionada com uma clínica diferente neste género. Pensa-se que factores como a idade, obesidade, anatomia da via aérea superior, controlo respiratório, hormonas sexuais e etapas fisiológicas do ciclo sexual da mulher possam desempenhar um papel importante na fisiopatologia da SAOS e, por conseguinte, na diferença constatada entre os géneros. Objectivo: Revisão da literatura científica actualmente disponível sobre a SAOS na mulher, nomeadamente no que respeita às diferenças entre os géneros na apresentação clínica e fisiopatologia subjacente, assim como as suas possíveis implicações no tratamento. Métodos: Recolha de bibliografia científica através da base de dados PubMed, nos idiomas português, inglês, francês e espanhol, abrangendo o período de 2001 a 2011 e utilizando as seguintes palavras-chave, em combinações variadas: “Síndrome Apneia Obstrutiva Sono”, “diferenças entre géneros”, “mulher”, “fisiopatologia” e “menopausa”. Foram ainda consultadas as referências dos artigos relevantes previamente seleccionados, em busca de novos artigos para inclusão. Resultados e Discussão: A SAOS é mais comum no sexo masculino. A mulher com SAOS apresenta certas características que a diferem do homem, tais como maior obesidade, uma junção orofaríngea mais estreita e mais pequena, um palato mole mais curto e uma menor colapsibilidade das vias aéreas superiores, quando comparada com o homem. Além disso, a menopausa e a Síndrome dos ovários poliquísticos estão ambas relacionadas com o aumento da prevalência da SAOS, sugerindo uma importante influência hormonal na fisiopatologia desta doença, assim como a gravidez, que está associada também a uma exacerbação da SAOS bem como a graves complicações feto-maternais. Apesar dos sintomas típicos de SAOS como a roncopatia serem uma manifestação frequente em ambos os géneros, as doentes do sexo feminino apresentam maior prevalência de sintomas atípicos, como cefaleias matinais, fadiga e depressão, que poderão contribuir para o subdiagnóstico na mulher. O tratamento de eleição da SAOS é o CPAP mas, na mulher, a terapêutica hormonal de substituição assume-se como um potencial tratamento de futuro. Conclusão: A SAOS é uma doença multifactorial que na mulher apresenta certas características que a distinguem da SAOS no homem mas que carecem de confirmação através de estudos de grande escala.
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7,500
Insuficiência cardíaca com função sistólica preservada
Insuficiência cardíaca,Insuficiência cardíaca com função sistólica preservada (ICFSP),Fracção de ejecção do ventrículo esquerdo (FEVE),Disfunção diastólica (DD),Elastância ventricular e arterial,Ecocardiografia,Terapêutica,Prognóstico
A insuficiência cardíaca (IC) com função sistólica preservada (ICFSP) representa uma síndrome clínica caracterizada por sinais e/ou sintomas de IC e uma fracção de ejecção do ventrículo esquerdo (FEVE) preservada (> 40% ou 50%), que no presente é responsável por cerca de metade dos casos de IC. Este artigo pretende fazer uma revisão da literatura sobre a epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico, tratamento e prognóstico da ICFSP. A ICFSP está associada a idades mais avançadas, género feminino, obesidade, hipertensão arterial e fibrilhação auricular. A atenção por parte da comunidade médica para este tipo de IC é relativamente recente, daí que o conhecimento sobre a fisiopatologia seja ainda escasso. Atribuí-se o mecanismo principal à disfunção diastólica, que significa um conjunto de alterações ao nível do relaxamento e da elastância do ventrículo esquerdo (VE). Existem também alguns estudos que apontam para a existência de alterações ao nível da função sistólica e do acoplamento ventrículo-arterial. Durante algum tempo os critérios de diagnóstico da ICFSP foram alvo de discussão. Em 2007, foi proposto um algoritmo de diagnóstico pela Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC), segundo o qual seria necessário que se verificassem três condições para o diagnóstico de ICFSP: sinais e/ou sintomas de IC, função sistólica do VE normal ou ligeiramente deprimida e evidência de disfunção diastólica do VE. A investigação diagnóstica de um doente com suspeita de ICFSP implica, por isso, o recurso a métodos como ecocardiografia com doppler, doppler tecidular, doseamento de biomarcadores cardíacos ou mesmo cateterismo cardíaco. Assim como para a IC com fracção de ejecção diminuída (ICFED), o tratamento da ICFSP deve contemplar uma intervenção no estilo de vida a par de medidas farmacológicas. A este nível, existe ainda pouca evidência sobre os fármacos com maior beneficio em doentes com ICFSP. Segundo os ensaios mais recentes, o antagonista do receptor da angiotensina II (ARAII) candesartan mostrou algum benefício quando usado em doentes com ICFSP. A utilidade de bloqueadores adrenérgicos β e de digitálicos permanece pouco clara. Actualmente, a única orientação classe I nível de evidência A para o tratamento da ICFSP é o controlo da pressão arterial sistólica e diastólica. O prognóstico da ICFSP e da ICFED parece ser semelhante, com taxas de morbilidade e mortalidade comparáveis, segundo os estudos mais actuais. No entanto, ao contrário da ICFED, na ICFSP, registam-se mais mortes por causas não cardiovasculares. O conhecimento actual sobre a fisiopatologia e o tratamento da ICFSP é insuficiente. A investigação deverá continuar, procurando identificar os seus mecanismos principais e possíveis alvos terapêuticos.
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7,501
Auto-imunidade e infertilidade
Auto-imunidade,Doenças auto-imunes,Infertilidade feminina
As doenças auto-imunes atingem frequentemente mulheres em idade fértil. Doenças como Tiroidite Auto-imune, Lúpus Eritematoso Sistémico e Síndrome Antifosfolipídico têm sido investigadas para possíveis associações com a falência da reprodução. A auto-imunidade pode influenciar diversos mecanismos da reprodução, como a falência ovárica prematura, implantação embrionária e abortos de repetição. A tiroidite auto-imune é uma patologia muito frequente na população feminina. Verificou-se uma maior prevalência desta doença em mulheres inférteis, principalmente com endometriose, estando associada a um aumento da taxa de abortos espontâneos. A fisiopatologia subjacente a esta associação permanece pouco clara, no entanto, existem algumas hipóteses explicativas: alguns consideram a acção directa dos auto-anticorpos na placenta, outros defendem que o baixo nível de hormonas tiroideias durante a gestação pode por si só levar a abortos espontâneos. Os testes de função tiroideia e anticorpos anti-tiroideus devem ser incluídos no acompanhamento de mulheres inférteis de modo a identificar as pacientes que podem beneficiar de um tratamento imediato, bem como de uma vigilância apertada durante a gravidez. O Lúpus Eritematoso Sistémico é uma doença auto-imune que atinge primariamente mulheres em idade reprodutiva. A gravidez de uma paciente com esta patologia apresenta um risco aumentado de abortamento, parto prematuro, pré-eclâmpsia, e atraso de crescimento intra-uterino. A actividade da doença aumenta significativamente o risco destas complicações. Por esta razão, a altura da gravidez deve coincidir com um período de remissão da doença. O Síndrome Antifosfolipídico consiste na presença de anticorpos anti-fosfolipídicos em associação com manifestações clínicas de trombose arterial/venosa ou complicações obstétricas específicas. Este síndrome é frequentemente visto em associação com Lúpus e tem sido correlacionado com abortos recorrentes. Acredita-se que o mecanismo de perda fetal seja a ligação dos anticorpos antifosfolipídicos às células do trofoblasto, resultando na formação deficiente da placenta. As complicações trombóticas na circulação uteroplacentária também têm sido propostas como mecanismo contribuinte. A terapêutica ant i-trombótica é fortemente recomendada nestas pacientes. Fortes evidências indicam que a auto-imunidade é primariamente responsável por falência ovárica prematura, principalmente em casos associados com tiroidite auto-imune, Doença de Addison, e outras doenças poliendócrinas auto-imunes. Diversos autores destacaram a influência de factores auto-imunes major na implantação, nomeadamente a existência de anticorpos anti-fosfolipídicos e anticorpos anti-nucleares, dando ênfase ao potencial papel que eles podem desempenhar no processo reprodutivo.
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7,503
Metamorfina e cancro : novo horizonte para um velho fármaco
Endocrinologia,Metformina,Neoplasias,Novas indicações de medicamentos
A metformina, um dos agentes hipoglicemiantes orais mais amplamente prescrito, recebeu recentemente maior atenção devido aos seus potenciais efeitos antitumorogénicos, os quais se pensam ser independentes dos seus efeitos hipoglicémicos. Diversos estudos observacionais e biológicos revelaram uma associação significativa entre a metformina e a redução da incidência de cancro, de uma forma dose-dependente, bem como uma melhor resposta à quimioterapia. Os mecanismos através dos quais a metformina exerce estes efeitos são mediados pela ativação da proteína cinase AMPK, inibição da via do mammalian target of rapamycin (mTOR), inibição dos fatores de crescimento insulina-like (IGFs), e muitos outros. Esta revisão destaca aspetos básicos da biologia molecular da metformina e sumariza novos avanços na atividade antineoplásica da metformina, integrando resultados de estudos clínicos recentes.
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7,505
Doença de Pompe juvenil : a propósito de quatro casos clínicos
Pediatria,Doença de depósito de glicogénio tipo II
A doença de Pompe ou doença de armazenamento de glicogénio tipo II é uma doença genética, autossómica recessiva, por deficiência de maltase ácida. É uma entidade rara, com incidência estimada em 1/40.000. Embora se distingam três formas de apresentação (infantil, juvenil e do adulto), observa-se um espectro clínico nas manifestações desta doença. Desde Março de 2006, que em Portugal está comercializada uma terapêutica enzimática de substituição. Foram estudadas retrospectivamente quatro doentes (duas irmãs). Em todas, a doença manifestou-se no segundo ano de vida. O tempo decorrido até ao diagnóstico variou entre dois e onze anos. Aquando do diagnóstico, todas apresentavam miopatia com atraso de aquisições motoras e em duas havia hipertrofia do ventrículo esquerdo. A suspeita clínica surgiu na sequência de insuficiência respiratória em contexto infeccioso em duas doentes, durante a qual foi valorizada a miopatia subjacente. Nas outras foi constatada a miopatia, associada à história familiar numa delas. A creatina cinase e as aminotransferases plasmáticas estavam elevadas em todos os casos. Todas evoluíram com insuficiência respiratória crónica por síndrome restritiva. O diagnóstico foi baseado na diminuição da actividade da maltase ácida em fibroblastos que se situou entre 0 e 1,5% do limite inferior do normal. Na biópsia muscular, realizada em três doentes, demonstrou-se acumulação lisossómica de glicogénio. Todas as doentes apresentavam a mutação c.1064T > C no exão 6 do gene GAA (glucosidase-alpha-acid), em homozigotia numa delas, associada às mutações c.1666A > G no exão 12 e c.2065G > A no exão 15 nas duas irmãs e à mutação c.380G > T no exão 2 na doente mais nova. Todas iniciaram terapia enzimática de substituição logo que disponível, com boa tolerância. A mais jovem faleceu. As doentes sobreviventes mantêm medidas de suporte ventilatório e fisioterapia, sendo que a mais velha se desloca em cadeira de rodas e a irmã mantém marcha independente. A doente mais nova faz marcha apoiada em andarilho. Os nossos casos incluem-se clinicamente na forma juvenil da Doença de Pompe. A doença de Pompe deve ser considerada nas miopatias progressivas, especialmente das cinturas e dos músculos respiratórios em qualquer idade e em pequenos lactentes com cardiomiopatia. A elevação da creatina cinase é um dado sensível, embora inespecífico. Dada a grande variabilidade dos achados genéticos, a demonstração da redução da actividade da maltase ácida (em leucócitos ou outros tecidos), continua a ser o pilar do diagnóstico desta doença rara.
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7,506
Comportamentos de risco para doenças sexualmente transmissíveis em adolescente
Doenças transmitidas sexualmente,Adolescente
Introdução: A adolescência é encarada como uma etapa sensível de descoberta que pode levar à adopção de atitudes potencialmente arriscadas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é durante a adolescência que se verifica maior incidência de doenças sexualmente transmissíveis: atinge 25% dos jovens com menos de 25 anos. Assim, torna-se fundamental identificar os comportamentos sexuais de risco dos adolescentes, para que se possa investir numa educação eficaz para a prevenção da doença. Objectivos: Identificar e caracterizar comportamentos do foro sexual de adolescentes, percebendo se estes estão ou não susceptíveis à contração de doenças sexualmente transmissíveis. Metodologia: Foi feito um levantamento dos hábitos e comportamentos sexuais de jovens com idades compreendidas entre os 14 e os 19 anos, alunos de duas escolas públicas de Coimbra, através da realização de um pequeno inquérito em meio escolar. A sua aplicação foi autorizada pelo sistema de Monitorização de Inquéritos em Meio Escolar e pela Direcção das escolas. Foi realizado posteriormente o estudo estatístico, com o programa SPSS. Resultados: Dos 146 adolescentes inquiridos, 68.5% eram do sexo feminino e 31.5% eram do sexo masculino. Verificou-se que apenas 37.0% dos alunos já tiveram relações sexuais e que, à medida que a sua idade aumenta, aumentou a percentagem de jovens com actividade sexual. Houve um predomínio de rapazes com vida sexual activa, em comparação com as raparigas. A média da idade da primeira relação sexual foi de 14.65 anos, não sendo estatisticamente diferente nos dois sexos. A maioria dos inquiridos (55.6%) referiu ter menos de uma relação sexual por semana. Relativamente ao número de parceiros sexuais dos adolescentes, 46.3% referiu que teve apenas um, 27.8% dos adolescentes teve dois parceiros sexuais, 9.3% teve três parceiros e 16.7% teve mais de três. Não foram verificadas diferenças estatisticamente diferentes nos dois sexos, mas verificou-se que à medida que diminui a idade da primeira relação sexual, aumenta o número de parceiros sexuais. A maioria dos inquiridos (66.7%) negou relações sexuais desprotegidas. Constatou-se que o contraceptivo mais utilizado por esta amostra é o preservativo, sendo sempre utilizado por 72.2% dos adolescentes. A maioria dos jovens negou relações sexuais sob o efeito de álcool ou drogas, não se verificou uma relação entre estas e a utilização do preservativo, nem diferenças significativas entre os dois sexos. Conclusão: A maioria dos adolescentes que participaram neste estudo demonstraram que sabem como evitar comportamentos de risco, tendo como único factor de risco para doenças sexualmente transmissíveis a idade precoce da primeira relação sexual.
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7,508
Transplantação renal de dador vivo : relato de um caso
Transplantação do rim,Dadores de tecidos
Objectivo: Aprofundar conhecimentos acerca da Transplantação Renal tendo por base a realidade do centro português mais activo neste domínio. Introdução: A insuficiência renal crónica é um problema global de saúde pública com tendência a aumentar. A Transplantação Renal de Dador Vivo assume-se como a melhor terapêutica substitutiva da função renal Apresentação do caso: Seguiu-se um caso de segundo transplante renal de dador vivo. Doente e respectivo dador foram acompanhados desde a avaliação pré-transplante, cirurgia e num período de 3 meses pós-transplante. Trata-se de um doente de 36 anos, diagnosticado como insuficiente renal crónico aos 22., recebendo transplante renal de dador vivo. Devido a disfunção crónica do enxerto há necessidade de ser integrado em programa de hemodiálise 11 anos depois. Beneficia novamente de transplantação renal de dador vivo após um período de 14 meses em diálise. No período de acompanhamento pós-transplante não há a registar quaisquer intercorrências tanto no doente como na dadora. Conclusão: A transplantação renal de dador vivo exige grande capacitação técnicocientífica para que se atinja o sucesso.
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7,510
Correlação entre localização e atividade epileptogénica : comparação entre epilepsias focais por tumores benignos e displasias corticais focais
Displasia Cortical Focal,Tumor SNC de baixo grau,Atividade Interictal,Atividade Ictal,Dispersão da atividade interictal
Introdução Neste trabalho, procurámos determinar a localização da zona epileptogénica tendo por base duas populações distintas mas homogéneas de doentes - tumores de baixo grau e displasia cortical focal - tentando estabelecer uma correlação entre as áreas lesionais, as áreas de atividade paroxística interictais (áreas “irritativas”) e as zonas de início de atividade ictal. Sendo assim, tentámos compreender se a concordância/discrepância entre a atividade ictal/interictal é dependente da topografia ou da etiologia da lesão. Posteriormente avaliámos a relação da dispersão da atividade interictal com determinados indicadores clínicos de gravidade associados à epilepsia. Métodos Selecionámos 15 doentes com tumores de baixo grau e 13 doentes com displasia cortical focal. Todos os doentes apresentavam lesão focal única documentada por RMN 1,5T e todos foram submetidos a monitorização Vídeo-EEG. Categorizámos os doentes consoante a localização da lesão (frontal, temporal, central ou parieto-occipital). De seguida, para cada doente medimos a atividade ictal e interictal nos elétrodos e fizemos uma divisão cerebral em cinco regiões (frontal, temporal, central, parietooccipital e contralateral à lesão) consoante a distribuição e percentagem de atividade registada pelos elétrodos. Por último, comparámos a localização das atividades interictal, ictal e sua concordância com a localização da lesão. Resultados Os doentes com tumores de baixo grau na região temporal tinham um padrão de atividade ictal maioritariamente localizado na área lesional. Já nos doentes com displasia cortical focal temporal o padrão da atividade interictal foi o mais localizado na área lesional. Estas diferenças entre o padrão de distribuição da atividade ictal/interictal para a região temporal poderão resultar da etiologia da lesão. Os doentes com displasia cortical focal frontal apresentaram um padrão discordante entre a atividade ictal e interictal, exceto quando o padrão interictal era constituído por surtos repetitivos. Não foi possível comparar este grupo de doentes com o grupo dos tumores benignos dadas as dimensões da amostra. Para as restantes regiões cerebrais, independentemente do tipo de lesão, tanto a atividade ictal como interictal foram registadas predominantemente fora da região lesional. Por outro lado, verificámos que a dispersão da atividade interictal parece influenciar dois dos indicadores de gravidade clínica da epilepsia avaliados: co-morbilidades psiquiátricas e frequência de crises (apenas nos doentes com displasia cortical focal). Conclusão A realização deste estudo permitiu-nos concluir que a importância relativa das medidas de localização da área epileptogénica (atividade de início ictal, atividade interictal e área lesional) varia consoante a etiologia da lesão (nomeadamente para a região temporal) e topografia da lesão (nomeadamente para as regiões parieto-occipital e central)
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7,513
Feocromocitoma : o desafio do seu diagnóstico
Feocromocitoma,Diagnóstico
O feocromocitoma é um tumor raro derivado das células cromafins da glândula suprarrenal, ou menos frequentemente de localização extra-adrenal, que secreta catecolaminas. A principal manifestação clínica é a hipertensão arterial. Sintomas típicos incluem cefaleias, sudorese e palpitações. Estão também associadas formas graves de cardiomiopatias, insuficiência cardíaca, choque cardiogénico e falência multiorgânica. O diagnóstico bioquímico é feito através da determinação das catecolaminas e metanefrinas plasmáticas e urinárias. A TC, a RMN, o cintigrama com MIBG e a PET são os principais exames imagiológicos para o estudo da localização do tumor. Na sua grande maioria surge de forma esporádica, mas cerca de 10% dos casos ocorre em indivíduos portadores de mutações que predispõem ao desenvolvimento de síndromes genéticas. O reconhecimento dessas síndromes permite fazer uma abordagem mais precoce da doença em indivíduos com uma probabilidade superior de a vir a desenvolver. Com este trabalho foi possível rever os principais pontos de relevo no diagnóstico de feocromocitoma e a melhor forma de o investigar e estudar na prática clínica.
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7,514
Diferenças no prognóstico cardiovascular entre diabéticos conhecidos e diabéticos recém diagnosticados após uma sindrome coronária aguda
Diagnóstico,Diabetes mellitus,Doença coronária
Introdução e Objectivos: A Diabetes Mellitus tipo 2 é atualmente reconhecida como um importante fator de risco de morbilidade e mortalidade cardiovascular, particularmente em doentes admitidos com síndromes coronárias agudas. No entanto, permanece incerto se o prognóstico cardiovascular dos doentes cuja primeira manifestação da diabetes é uma síndrome coronária aguda é igual ao dos indivíduos já reconhecidamente diabéticos. Métodos: Foram estudados 1822 doentes internados desde Maio de 2004 a Dezembro de 2010 com síndromes coronárias agudas numa unidade de cuidados intensivos coronários. O grupo dos diabéticos conhecidos foi denominado Grupo 1 e o dos recém diagnosticados como Grupo 2 (n=1450 e n=372, respectivamente). Foram diagnosticados como novos diabéticos tipo 2 os doentes com glicémia em jejum > 126 mg/dl ou provas de tolerância à glicose oral ≥ 200 mg/dl (2 horas após ingestão de 75g de glucose), ambos realizados no 3º/4º dia de internamento. Foram analisadas variáveis demográficas, laboratoriais e de imagem e os fatores de risco cardiovascular. O seguimento clínico mediano foi de 1234 dias. O endpoint primário foi a taxa de mortalidade cardiovascular. Como endpoint secundário considerou-se a taxa de reinternamento (quer por síndromes coronárias agudas como por insuficiência cardíaca). Resultados: Ambos os grupos apresentaram idades semelhantes mas o Grupo 1 apresentou mais elementos do sexo feminino (35.9 vs. 29.3%, p=0.02). No Grupo 1 verificou-se maior prevalência de fatores de risco cardiovascular (antecedentes familiares e pessoais de doença coronária, hipertensão arterial e dislipidémia), apesar de menos hábitos tabágicos. Relativamente aos parâmetros vitais apenas a frequência cardíaca era superior no Grupo 2 (81.1 ± 17.8 vs. 78.1 ± 16.2, p=0.003). O Grupo 2 apresentou-se mais frequentemente com enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento ST (28.9 vs. 20.4%, p<0.001). As estatinas estavam mais presentes no Grupo 1 à data do evento (52.3 vs. 42.2%, p=0.004). A mortalidade cardiovascular foi superior no Grupo 2 durante o seguimento clinico (23.7 vs. 11.9%, log rank<0.001). Em análise multivariada, três variáveis mantiveram-se como fatores independentes de mortalidade cardiovascular durante o seguimento clínico: idade (p=0.01; OR de 1.32; IC 95% 1.15-3.22), FE<30% (p=0.023; OR de 1.22; IC 95% 1.05-1.82) e a duração da diabetes (p=0.045; OR de 1.42; IC 95% 1.05-2.02). Conclusões: Os doentes do Grupo 2 (diabéticos recém diagnosticados) apresentam maior mortalidade cardiovascular. Assim, este grupo de doentes nos quais a primeira manifestação da Diabetes Mellitus tipo 2 é uma síndrome coronária aguda representa um subgrupo de doentes de maior gravidade em que as complicações cardiovasculares ocorrem mais cedo.
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7,515
Preservação da fertilidade em mulheres com cancro da mama
Fertilidade,Neoplasias da mama
O cancro da mama é a neoplasia mais comum na mulher, tendo uma incidência não desprezável em mulheres jovens. O seu diagnóstico precoce e tratamento imediato têm melhorado significativamente a sobrevida e permitido uma sobrevivência livre de doença. A abordagem terapêutica do cancro da mama inclui, frequentemente, quimioterapia com agentes citotóxicos que, embora contribuam para a grande taxa de sobrevivência, têm efeitos nocivos a nível gonadal e podem comprometer a capacidade reprodutiva das doentes. A questão da fertilidade reveste-se de grande importância em mulheres que ainda não tenham constituído família ou não tenham terminado o seu projecto familiar. Assim, no decurso do tratamento de uma doente em idade reprodutiva, devem ser dadas a conhecer as opções de preservação da fertilidade disponíveis numa fase inicial do planeamento do processo terapêutico, de forma a que a doente possa fazer uma escolha informada. As opções disponíveis, num contexto de cancro da mama, são a criopreservação de embriões, a criopreservação de ovócitos, a criopreservação de tecido ovárico e a inibição do eixo hipotálamo-hipófise-ovário. Os tumores da mama são frequentemente hormonodependentes, pelo que é necessário avaliar cuidadosamente as consequências de uma estimulação ovárica. Deve ser tido em consideração o modo como essa estimulação é levada a cabo uma vez que a mesma poderá sujeitar o organismo a concentrações séricas elevadas de estradiol (tal como acontece nas estimulações classicamente utilizadas em técnicas de Procriação Medicamente Assistida). Outras questões devem ainda ser colocadas, designadamente quais serão os efeitos de uma gravidez numa mulher com antecedentes de cancro da mama e que condicionantes temporais deverão ser propostas à mulher que deseje engravidar. O principal objectivo deste trabalho é, através de uma revisão bibliográfica, sintetizar os avanços e resultados do uso das supra-referidas técnicas e apontar perspectivas de futuro numa área tão determinante para a qualidade de vida e bem-estar das mulheres com neoplasia da mama.
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7,517
Impacto da prática de atividade física na fibromialgia
Fibromialgia,Actividade motriz
Introdução: A Fibromialgia ocupa cada vez mais um lugar de destaque na prática clínica em todo o mundo, tendo vindo a ganhar terreno no tocante ao número de doentes fibromiálgicos que acorrem à ajuda médica. O diagnóstico desta patologia requer uma grande capacidade de suspeição, uma vez que estamos perante doentes com particularidades especiais, pelo que a imperiosidade de uma relação médico-doente empática aqui se reveste de extrema importância. Embora o prognóstico não seja ainda muito promissor, os resultados do efeito da atividade física na atenuação da sintomatologia têm sido encorajadores, continuando a desenvolver-se esforços no sentido de estimular a sua prática e enraizá-la nos hábitos destes doentes. Objetivos: A presente revisão visa abordar a Fibromialgia e o impacto do exercício físico e da adoção de medidas dietéticas apropriadas na atenuação das queixas da doença, bem como explorar a supremacia de uma relação médico-doente empática na adesão do paciente ao tratamento e consequente eficácia do mesmo, procurando deste modo integrar a informação disponibilizada pelos vários autores. Desenvolvimento: A Fibromialgia é uma entidade clínica complexa, caracterizada por dor difusa e presença de pontos dolorosos em regiões anatomicamente definidas, às quais se associa um conjunto vasto de sintomas que vai desde a fadiga, a perturbações do sono, disfunção cognitiva ou mesmo episódios depressivos, o que gera uma enorme incapacidade nos doentes, levando a que frequentemente o médico se veja confrontado com um leque variado de diagnósticos. A necessidade de uniformização do quadro semiológico da Fibromialgia, devido à multiplicidade de características clínicas vigentes, levou então a que fossem criados em 1990 critérios de diagnóstico pelo Colégio Americano de Reumatologia. Ainda que o panorama possa por vezes não parecer o mais animador, um dos meios que pode influenciar positivamente a qualidade de vida do doente fibromiálgico é a prática de exercício físico. Também os benefícios de uma dieta saudável constituem um campo em exploração, visto existirem já estudos indicativos de que determinadas normas alimentares poderão influenciar positivamente a qualidade de vida daqueles que sofrem da doença. Conclusões: Partindo de uma abordagem holística do doente, este poderá beneficiar das estratégias terapêuticas já existentes e que deverão ser exploradas na tentativa de apaziguar as queixas decorrentes do quadro semiológico do doente fibromiálgico.
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7,518
A vitamina D e a doença alérgica
Alergia,Vitamina D,Deficiência de vitamina D
A Vitamina D tem sido estudada devido à sua influência sobre variadas doenças, entre as quais a Doença Alérgica. Tem-se verificado uma prevalência crescente no défice de Vitamina D, resultante de uma alimentação pobre nesta vitamina associada a uma diminuída exposição solar. Concomitantemente, tem-se verificado também um aumento na prevalência da Doença Alérgica. Este trabalho afigura-se oportuno, enquanto revisão de literatura, por avaliar a relação da Vitamina D com a Doença Alérgica, nomeadamente, a nível dos seus factores de risco, da sua patogénese, fisiopatologia, expressão clínica e terapêutica. A vitamina D é apontada por induzir a síntese de peptídeos antibacterianos (como a Catelicidina e a Defensina β-4), por alterar o equilíbrio Th1/Th2, por estimular a síntese de células T reguladoras, por interferir na maturação e na diferenciação de Células Dendríticas por alterar o padrão de síntese de citocinas, entre muitas outras coisas. A Vitamina D tem, consequentemente, um papel importante na determinação das características fenotípicas da asma, tais como a função pulmonar, a hiperreactividade das vias aéreas, o risco de exacerbação e a resposta à terapêutica. A elaboração de mais investigação, que permita chegar a conclusões com elevado grau de evidência, irá possibilitar o estabelecimento de um papel mais relevante para a Vitamina D e para os seus análogos na prática clínica da Doença Alérgica
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7,520
Avaliação clínica da displasia de desenvolvimento da anca e sua validade para referenciação ecográfica
Anca,Displasia,Ecografia
Introdução: A displasia do desenvolvimento da anca engloba um amplo espectro de alterações da articulação coxo-femoral em crescimento. Em Portugal não há dados rigorosos da incidência desta patologia. Estima-se que seja 5 por 1000 nascimentos, aumentando para 20 a 25 por 1000 nascimentos quando contabilizados os casos de instabilidade articular. O diagnóstico precoce é fator prognóstico e decisivo no resultado final. As alterações no exame clínico neonatal e as observações sistemáticas nos primeiros meses de vida, enquadradas em fatores de risco conhecidos, constituem indicação para a realização do exame ecográfico basilar no diagnóstico precoce desta doença. O Serviço de Ortopedia Infantil do Hospital Pediátrico de Coimbra tem uma vasta experiência no tratamento desta patologia. Assim torna-se pertinente correlacionar dados da avaliação clínica e imagiológica, de forma a inferir dados específicos desta patologia que permitam uma melhor articulação entre Pediatras, Médicos de Família e Ortopedistas. Objetivos: Avaliação comparativa dos elementos do exame clínico e ecográfico. Análise da especificidade e sensibilidade dos dados do exame físico, de forma a estabelecer a sua validade enquanto critérios de referenciação e indicação para exame ecográfico. Materiais e Métodos: Análise prospetiva de uma amostra de crianças enviadas à Consulta de Ortopedia Infantil do Hospital Pediátrico de Coimbra por suspeita de Displasia do Desenvolvimento da Anca. Correlação entre motivo de referenciação hospitalar, alterações no exame físico, fatores de risco e a avaliação ecográfica objetivada pela classificação de Graf. Análise estatística de forma a determinar a significância e importância relativa destes elementos no espectro da Doença Displásica da Anca. A revisão da literatura foi feita pelo pubmed e o banco de dados inclui os seguintes termos de pesquisa: displasia do desenvolvimento da anca, fatores de risco, avaliação ecográfico e classificação de Graf. Inclui ainda livros de texto e referências online. Resultados: No grupo estudado, a amostra é constituída por 28 crianças com idades cronológicas entre 1 mês e 7 meses de idade. Há um predomínio do sexo feminino (n=19 crianças). Os motivos de referenciação para consulta de Ortopedia Infantil foram variados, entre os quais destaca-se a instabilidade articular (n=10) e a limitação da abdução (n=6). Os fatores de risco identificados nesta amostra de crianças foram: primiparidade, apresentação pélvica, instabilidade neonatal, história familiar e outras condições associadas como torcicolo congénito. Ao exame físico as manobras realizadas foram: Ortolani/Barlow, Abdução, Galeazzi, Telescopagem, Sinal das Pregas Inguinais e das Pregas das Coxas. A correlação das manobras do exame físico com o resultado ecográfico revelou que há uma relação estatisticamente significativa entre a manobra de abdução e o resultado ecográfico com p=0,004, assim como entre o sinal de pregas inguinais e o resultado ecográfico com p=0,001. As manobras de abdução e o sinal de pregas inguinais permitem uma redução na incerteza da classificação do resultado ecográfico de 67,0%. O modelo apresenta elevada sensibilidade e boa especificidade. Conclusões: Não há um modelo ideal no rastreio clínico e ecográfico, devendo-se dar especial atenção à manobra de abdução e à avaliação das pregas inguinais na criança dado o seu valor de sensibilidade e especificidade. Pode-se afirmar que as manobras de limitação da abdução e o sinal de assimetria das pregas inguinais quando conjugadas apresentam validade como critérios para diagnóstico de DDA.
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7,522
Polimorfismo do gene PNPLA3 : fator de risco para o desenvolvimento de doença hepática alcoólica (DHA)
Alcoolismo,Factores de risco,Polimorfismo genético
A DHA constitui uma das principais causas de doença hepática crónica, sendo responsável por elevadas taxas de morbilidade e mortalidade, na população mundial. Portugal ocupa o 8º lugar do ranking mundial no consumo de bebidas alcoólicas. Cerca de 1 milhão de portugueses é considerado bebedor excessivo e 500 mil são considerados doentes alcoólicos crónicos. No entanto, nem todos os consumidores excessivos desenvolvem DHA e apenas 10-15% daqueles que a desenvolvem atingem os estádios mais graves de doença hepática. O desenvolvimento de DHA depende de diversos fatores: dose, duração e horário diário da ingestão alcoólica, tipo de bebida, género, genética, etnia, estado nutricional, fatores imunológicos e patologias concomitantes. Dos referidos, os fatores genéticos apresentam--se como responsáveis por cerca de 50% da suscetibilidade individual para o desenvolvimento da DHA. Recentemente foi identificado um SNP (single-nucleotide polymorphism) do gene adiponutrin/patatin-like phospholipase-3 (PNPLA3), responsável pela mutação em rs738409 C>G, mutação associada ao desenvolvimento de DHA. O presente estudo objetiva: 1- Estudar a prevalência do SNP rs738409 do gene PNPLA3 numa população de bebedores excessivos portugueses; 2- Verificar a relação entre a prevalência de doentes alcoólicos com DHA e a frequência do polimorfismo em questão. 3- Verificar a associação entre a frequência do SNP rs738409 do gene PNPLA3 e prevalência de estádios mais avançados de DHA. Com este projeto de investigação os autores propõem um estudo inovador em Portugal, avaliando a prevalência do SNP rs738409 do gene PNPLA3 na população com maior risco de DHA em Portugal: alcoólicos crónicos e bebedores excessivos. Este projeto de investigação conta com a colaboração dos Serviços de Medicina Interna e de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, EPE) (HUC-CHUC), da Unidade de Alcoologia de Coimbra (UAC), do Instituto de Genética Médica da FMUC e do Laboratório de Bioestatística e Informática Médica da FMUC. Envolve a utilização de dados de saúde pessoais e a recolha de amostras biológicas, sendo garantido anonimato e confidencialidade dos dados, de acordo com os princípios éticos e deontológicos. Serão definidos grupos homogéneos de doentes alcoólicos com DHA, que irão constituir o "grupo casos" e de indivíduos alcoólicos sem DHA, que irão constituir o "grupo controlo". Os indivíduos que constituem o "grupo casos", serão divididos em 2 subgrupos: doentes com lesão hepática alcoólica pré-cirrose e doentes com cirrose hepática alcoólica. A recolha dos dados clínicos será feita através de entrevista, questionário CAGE e consulta do processo clínico de cada doente para obtenção de dados laboratoriais e imagiológicos. A análise genética para identificação do SNP rs738409 do gene PNPLA3 será feita através do método de PCR-RFLP com a enzima de restrição BtsCI (New England BioLabs). Com a realização deste projeto de investigação pretende-se alargar o conhecimento sobre a relação do SNP rs738409, polimorfismo do gene PNPLA3, e o desenvolvimento da DHA. O estabelecimento de uma associação entre estas duas entidades permitirá uma abordagem diagnóstica e terapêutica mais otimizada e dirigida, através da identificação de ferramentas de diagnóstico precoce e de novos alvos terapêuticos.
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7,523
Anorexia nervosa e alterações da função reprodutora
Anorexia nervosa,Anorexia nervosa,Amenorreia
A Anorexia Nervosa é um distúrbio do comportamento alimentar que regista, apesar das relativamente baixas taxas de prevalência, um interesse crescente nas sociedades ocidentais pela incidência crescente mas fundamentalmente pela potencial gravidade das complicações médicas, morbilidade e mortalidade. Afetando de forma particular adolescentes e adultos, especialmente jovens do sexo feminino, constitui uma patologia multifatorial, etiológica e fisiopatologicamente complexa, ainda pouco esclarecida, que encaixa num modelo bio-psico-social, em que fatores de predisposição genética são influenciados por fatores psicológicos e contexto social, com crescente relevância dada a aspetos neurobiológicos. Definida, segundo a classificação do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders IV, pela recusa em manter um peso corporal mínimo adequado à idade e sexo, pelo medo intenso em engordar e pela distorção da perceção da imagem corporal e, no sexo feminino, por amenorreia. A anorexia nervosa tem uma evolução clínica geralmente prolongada, caraterizada por alterações psicológicas endócrino-metabólicas multisistémicas, a maioria reversíveis após tratamento, com a exceção parcial da redução da densidade mineral óssea e défices cognitivos. A nível terapêutico recomenda-se uma abordagem multidisciplinar, com integração de psicoterapia (individual e familiar), estabilização médica, com o principal objetivo de normalização do peso corporal, e reabilitação nutricional. A amenorreia, uma das caraterísticas definidoras do distúrbio, é tradutora do comprometimento do eixo hipotálamo-hipófise-gonada em adaptação ao estado de desnutrição, cujos mecanismos subjacentes e a variabilidade individual verificada entre as doentes anoréticas, assim como as repercussões a longo prazo, estão ainda pouco esclarecidos. Com o tratamento a maioria das mulheres recuperaram a função menstrual, registando taxas de fertilidade normais, com prognóstico favorável. Contudo, de um modo geral, antecedentes de Anorexia Nervosa, ativa ou em remissão, associam-se a um aumento do risco de complicações materno-fetais. Além disto a disfunção menstrual associa-se a longo prazo a distúrbios do crescimento e desenvolvimento pubertário, alterações ósseas e cognitivas. Apesar dos resultados discordantes publicados, as recomendações de cuidados pré-natais intensivos e um acompanhamento pós-natal rigoroso, e para o tratamento pré-concecional são consensuais. Neste trabalho procura-se fazer uma avaliação sumária da literatura quanto à Anorexia Nervosa e às múltiplas complicações médicas envolvidas, incidindo de modo particular nos aspetos referentes à epidemiologia, fisiopatologia, evolução e outcome da disfunção menstrual nos doentes do sexo feminino.
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7,524
Role of hepcidin impairment in chronic kidney disease : implication for new therapeutics opportunities
Nefropatias,Terapêutica por associação de medicamentos
A anemia da doença renal crónica (DRC) é responsável por um aumento significativo da morbilidade e mortalidade entre os pacientes, bem como por uma pior qualidade de vida. A desregulação da homeostasia do ferro é um mecanismo fisiopatológico chave neste processo e a hepcidina é reconhecida como um mediador fundamental. Quando degradada pela hepcidina, a ferroportina é incapaz de mobilizar o ferro para a eritropoiese, causando anemia. São vários os factores que influenciam a expressão e actividade da hepcidina, incluindo os níveis de ferro, um elevado estado inflamatório, a hipóxia e a actividade eritropoética. Os mecanismos moleculares responsáveis pela regulação da síntese e actividade da hepcidina estão a tornar-se mais conhecidos ao longo dos últimos anos, devido a uma intensa investigação experimental e clínica nesta área do conhecimento. Na DRC, a diminuição da produção de eritropoietina (EPO), já não é reconhecida como o factor exclusivo para o desenvolvimento de anemia, e um estado de elevada inflamação assume um papel primordial, tanto directamente como através do aumento da hepcidina. Deste modo, as terapias actuais, baseadas no uso de ferro intravenoso (IV) e agentes estimuladores da eritropoiese (ESA), embora parcialmente eficazes, não tratam a origem do problema, exigindo frequentemente elevadas doses, com possíveis efeitos adversos e até mesmo o desenvolvimento de resistência à terapêutica com ESA. Tratamentos alternativos que permitam baixar a hepcidina e/ou a inflamação estão a ser investigados, com resultados promissores no tratamento da anemia e na superação da resistência aos ESA. Finalmente, muitos métodos analíticos foram testados para medir os valores de hepcidina, a fim de serem utilizados como ferramentas para o diagnóstico e seguimento do tratamento nestes pacientes, com resultados interessantes. Nesta revisão, sumariamos o papel da hepcidina na homeostasia do ferro, os mecanismos moleculares subjacentes a este processo, o tratamento actual para a doença renal crónica e o papel da hepcidina e da inflamação na fisiopatologia da doença. Revemos também as novas estratégias terapêuticas para diminuir a inflamação e os níveis de hepcidina, bem como a possibilidade de usar estes marcadores para melhorar o diagnóstico e o acompanhamento do tratamento de pacientes com DRC e anemia.
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7,525
Terapêutica médica da hipertrofia benigna da próstata
Hipertrofia benigna da próstata,Terapêutica
A Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP) caracteriza-se por um processo histológico proliferativo dos elementos celulares da próstata, aumento volumétrico da próstata e disfunção miccional. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, a esperança média de vida em Portugal tem aumentado o que alicerçado no facto desta patologia ser mais prevalente a partir dos 50 anos atesta a importância do seu estudo. Actualmente, existem várias opções terapêuticas sendo a médica cada vez mais usada com recurso a diversas classes de fármacos. Com o objectivo de explicitar as inúmeras terapias médicas existentes, o seu modo de acção e respectivas vantagens e desvantagens, procede-se á revisão sistemática da literatura científica disponível. Assim, destacam-se os antagonistas/bloqueadores dos receptores adrenérgicos alfa, inibidores da 5 alfa-reductase, anti-colinérgicos, agentes fitoterápicos e inibidores da fosfodiesterase tipo 5. O uso cada vez mais frequente de uma modalidade terapêutica mais particularizada e eficaz para cada caso permitirá obter melhores resultados reflectidos numa redução das morbilidades e numa considerável melhoria da qualidade de vida
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7,526
Dermatomicoses em doentes transplantados de órgãos sólidos
Dermatomicoses,Transplantes de orgãos,Doentes
A transplantação de órgãos sólidos, apesar de aumentar a esperança e qualidade de vida de muitos doentes, confere-lhes também um grau de imunossupressão que favorece a ocorrência de doença oportunista. As infeções, particularmente as fúngicas, são uma das complicações mais temíveis nos doentes transplantados. A pele é, nestes casos, sede frequente de infeção fúngica oportunista, quer como local primário quer como expressão de infeção sistémica. Este trabalho pretende elaborar uma revisão cuidada e sistematizada das dermatomicoses oportunistas relevantes e causadoras de elevados índices de morbilidade em doentes transplantados de órgãos sólidos, nomeadamente transplantes hepáticos, cardíacos e renais. Foi executada uma pesquisa em bases de dados bibliográficas (Pubmed, Medline) selecionando-se os artigos de relevância mais notória. A compreensão do contexto epidemiológico e etiológico destas infeções, bem como dos fatores de risco associados é fundamental para a formulação de hipóteses diagnósticas. A falta de especificidade e a heterogeneidade de manifestações clínicas tornam, muitas vezes, difícil a suspeição clínica do diagnóstico. No domínio terapêutico, o arsenal disponível inclui o uso de antifúngicos, a aplicação de técnicas cirúrgicas ou simplesmente a redução da imunossupressão. Existem medidas preventivas que devem ser universalmente empregues não só em ambiente hospitalar mas durante toda a vida do doente transplantado. Atualmente, embora se tenham verificado significativos avanços no âmbito da terapêutica imunossupressora, permanece a dificuldade em encontrar um equilíbrio entre o controlo da rejeição do órgão transplantado e a evicção da infeção fúngica oportunista
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7,527
Dequalinium : a new approach on leukaemia treatment?
Leucemia,Terapêutica
As neoplasias hematológicas são doenças que se originam a partir de alterações no normal processo de diferenciação hematopoiética e são cada vez mais comuns. As actuais terapias para o cancro tentam induzir morte celular mas a falta de especificidade para a célula tumoral limita a sua eficácia. A principal função mitocondrial é a fosforilação oxidativa, no entanto, este processo induz a síntese de espécies reactivas de oxigénio (ROS) que têm um papel importante na indução de proliferação e/ou morte celulares. Os catiões lipofílicos possuindo uma carga positiva deslocalizada (DLCs) penetram as barreiras hidrofóbicas das membranas citoplasmática e mitocondrial para se acumularem na mitocôndria em resposta ao seu potencial transmembranar negativo. O facto das células neoplásicas terem maior potencial de membrana citoplasmático e/ou mitocondrial em relação às células normais, pode permitir uma maior acumulação destes compostos nas células neoplásicas. O Dequalinium (DQA) é um DLC que interfere com a mitocôndria e, assim, o nosso objectivo é avaliar o potencial terapêutico do DQA em neoplasias hematológicas, nomeadamente em Leucemia Linfocítica Crónica (LLC), Leucemia Mielóide Crónica (LMC), Síndrome Mielodisplásico (SMD), Leucemia Promielocítica Aguda (LPA) e Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB). Para atingirmos este objectivo utilizámos cinco linhas celulares, incubámos as células EHEB (LLC), K562 (LMC), F36P (SMD), HL-60 (APL) e Farage (LDGCB), com diferentes concentrações de DQA quer em administração de dose única, quer por administração diária, em monoterapia e/ou em associação com a terapêutica anticancerígena convencional. Recorremos à citometria de fluxo para avaliar o potencial de membrana mitocondrial, os níveis de ROS (H2O2; O2 •-), da defesa antioxidante Glutationa Reduzida (GSH) e dos níveis de caspase 3, citocromo c, ciclina D1 e p53. Os nossos resultados mostram que o DQA induz diminuição da viabilidade celular por apoptose tardia/necrose num modo dependente de tempo, de dose e do tipo celular. As linhas celulares mais sensíveis parecem ser as K562, as Farage e as HL-60 (IC50 de 2,5 μM), seguidas pelas F36P (IC50 de 5 μM) e por fim as menos sensíveis EHEB (IC50 entre 5 e 7,5 μM). Os nossos resultados sugerem que a associação de DQA com FDN, Imatinib, Ara-C e ATRA, respectivamente nas EHEB, K562, F36P e HL-60, aumenta o efeito citotóxico observado para os mesmos compostos sozinhos. A adição diária parece ser a melhor estratégia terapêutica para as F36P e para as HL-60, visto que permite o uso de uma dose menor. Estes efeitos parecem ser mediados por indução de stress oxidativo, uma vez que observámos um aumento de ROS e uma diminuição dos níveis de GSH e do potencial de membrana mitocondrial. Esta perda do potencial mitocondrial e o aumento de caspase 3 e citocromo c indicam uma activação da via intrínseca da apoptose, que pode ser modulada pela proteína p53, cujos níveis estavam significativamente aumentados nas células EHEB, K562 e HL-60. Também observamos um aumento dos níveis de ciclina D1 nas células K562. Em resumo, os nossos resultados sugerem que o DQA pode ser utilizado como nova abordagem terapêutica em neoplasias hematológicas tanto em monoterapia como em associação com a terapêutica convencional.
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7,529
Estudo da massa magra nos obesos e seu impacto nas comorbilidades
Obesidade,Indice de massa corporal,Diabetes mellitus do tipo 2,Hipertensão arterial,Apneia,Co-morbilidade
Objectivo Realizar estudo transversal de uma amostra de conveniência, com vista a avaliar o padrão de massa magra numa população obesa, e a relação existente entre os componentes da massa magra e comorbilidades resultantes da obesidade. Material e Métodos A informação necessária para o estudo foi obtida através de inquérito individual e avaliação da composição corporal por bioimpedância através da tecnologia InBody® dos indivíduos obesos que recorreram à consulta externa de Nutrição Clínica do Serviço de Medicina Interna dos Hospitais da Universidade de Coimbra entre Agosto de 2010 e Dezembro de 2011. Para a análise estatística dos resultados recorreu-se à aplicação informática Statistical Package for the Social Sciences - SPSS®. Resultados Foram incluídos no estudo 76 obesas, de idades compreendidas entre os 18 e os 76 anos com uma média de 52 anos. A amostra evidenciou uma tendência para elevados valores de massa magra nos membros superiores e tronco. Cerca de 85,5% das doentes apresentavam valores de massa muscular esquelética acima dos parâmetros normais. Porem, com o estudo estatístico de regressão linear, verificou-se que por cada aumento do grau de obesidade há uma diminuição na massa muscular esquelética de 2,383 Kg. Quanto à análise de comorbilidades verificou-se diferença estatisticamente significativa da média do índice de massa muscular esquelética (IMME) entre o grupo de doentes hipertensos e não hipertensos, isto é, nos doentes hipertensos o IMME foi menor do que no grupo de doentes não hipertensos. Um estudo mais aprofundado permitiu obter diferenças estatisticamente significativas da media de massa magra periférica nos grupos com e sem HTA, verificando-se maior quantidade de massa magra periférica no grupo de não hipertensos. Não foi demostrada diferença estatisticamente significativa das médias do IMME entre os grupos com hipercolesterolemia e sem hipercolesterolemia, o mesmo ocorreu relativamente à hipertrigliceridemia, apneia do sono e DT2. Conclusões Os resultados obtidos permitiram concluir a existência de um excesso de massa magra na obesidade, verificando-se no entanto a sua diminuição com o grau de obesidade crescente. Foram observadas diferenças estatisticamente significativas na média do IMME entre o grupo com HTA e sem HTA. A massa magra periférica aumentada poderá funcionar na obesidade como um factor protector contra a HTA dada a circulação hiperdinâmica dai decorrente que poderá explicar o tamanho adaptado das artérias (remodelação vascular). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas da média do IMME nas restantes comorbilidades em estudo. Os resultados obtidos evidenciam a importância de determinar a distribuição da massa magra e definir os parâmetros para a avaliação da sua qualidade (nomeadamente do musculo esquelético) em vez de quantificar apenas o seu valor absoluto.
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7,533
Depressão e doença cardiovascular
Doenças cardiovasculares
Há muito que a associação entre a Depressão Major e a Doença Cardiovascular tem vindo a ser estudada. A estas doenças, de grande incidência e prevalência mundiais, tem vindo a ser dedicado um olhar mais atento na tentativa de compreender quais os mecanismos e formas pelas quais ambas se relacionam, com o objectivo último de melhorar e refinar os tipos de tratamento aplicados aos doentes que delas padecem. Debate-se hoje em dia o facto de existir a possibilidade de que uma destas doenças possa desencadear a outra, ou de se encontrarem factores subjacentes até agora pouco considerados, na génese das duas. Este trabalho tem como objectivo fazer uma revisão bibliográfica actual no que respeita à descrição dos mecanismos que medeiam a Depressão Major e a Doença Cardiovascular, quais os modelos preconizados hoje em dia, e quais as formas de tratamento existentes para os doentes com ambas as patologias. Nenhum destes três pontos se encontra completamente estudado, sendo necessários mais e maiores estudos em diversas áreas mas, apesar disso, obtiveram-se já dados que suportam o facto de existirem factores de risco bidireccionais, e de terapêuticas que se revelaram promissoras na diminuição das taxas de mortalidade e morbilidade, com aumento da qualidade de vida dos indivíduos afectados.
Ciências Médicas e da Saúde
7,534
Estudo retrospectivo de um grupo de doentes submetidos a cirurgia bariátrica
Cirurgia bariátrica,Co-morbilidade,Obesidade
Objectivo: Estudar retrospectivamente uma população de doentes obesos submetidos a cirurgia bariátrica. Avaliar as técnicas cirúrgicas usadas e respectivas complicações assim como avaliar a eficácia da cirurgia bariátrica a longo prazo não só como terapêutica de obesidade como também das comorbilidades a ela associadas. Material e Métodos: Recorreu-se a análise estatística de dados contidos nos processos clínicos de doentes que foram submetidos a cirurgia bariátrica nos H.U.C. entre 2001 e 2007. Foi avaliada a evolução ponderal ao longo do tempo e comparados os valores analíticos dos doentes obesos antes e 4 anos depois de terem sido submetidos a cirurgia bariátrica. Resultados: Foi estudada uma amostra relativa a 201 doentes. Realizaram-se 201 cirurgias bariátricas e 18 doentes colocaram BIG antes de serem submetidos ao procedimento cirúrgico. Todas as técnicas foram eficazes na perda sustentada de peso mas a mais eficaz foi o Bypass Gástrico com ou sem enterectomia. Um número significativo de doentes, 4 anos após a cirurgia, ficou tratado das comorbilidades. Conclusão: Todas as cirurgias bariátricas, em diferentes percentagens, revelaram eficácia no que respeita aos objectivos dos procedimentos cirúrgicos. Os resultados confirmaram a eficiência esperada e assim é mais um contributo para um reforço no investimento na área da cirurgia bariátrica por forma a que esta constitua cada vez mais uma opção disponível e acessível às populações.
Ciências Médicas e da Saúde
7,535
Avaliação funcional em idosos com défice cognitivo ligeiro ou doença de Alzheimer
Doença de Alzheimer,Idoso,Avaliação geriátrica
Introdução: Em Portugal denota-se um envelhecimento demográfico crescente, sendo essencial, na manutenção da qualidade de vida e da independência, a integridade das actividades básicas de vida diária. Na doença de Alzheimer pode haver comprometimento destas, enquanto no défice cognitivo ligeiro mantêm-se intactas. Objectivos: Avaliação funcional de idosos com doença de Alzheimer ou défice cognitivo ligeiro. Verificar se existe diferença estatisticamente significativa entre grupos, procurar saber como as variáveis sociodemográficas, a força de preensão palmar, a mobilidade, as actividades funcional e física influenciam as actividades básicas da vida diária, em idosos com estes dois diagnósticos. Metodologia: Estudo descritivo, transversal, numa amostra de 40 idosos, de ambos os sexos, com diagnóstico anterior de doença de Alzheimer ou défice cognitivo ligeiro. Instrumentos de avaliação: Índice de Barthel, Timed Get Up and Go Test, Short Physical Performance Battery, dinamometria e Questionário Internacional de Actividade Física. Resultados: Observam-se correlações positivas e estatisticamente significativas com os resultados globais do índice de Barthel e com a mobilidade, actividade física, força de preensão palmar e actividade funcional. Nas variáveis mobilidade e actividade física houve relação nas dimensões tomar banho (mobilidade: rs = -0,52 ; p = 0,001; actividade física: rs = 0,38 ; p = 0,015) e continência vesical (mobilidade: rs = -0,41 ; p = 0,008; actividade física: rs = 0,32 ; p = 0,045). Além das dimensões tomar banho (força de preensão palmar: rs = 0,60 ; p < 0,001; actividade funcional: rs = 0,51 ;p = 0,001) e continência vesical (força de preensão palmar: rs = 0,47 ; p = 0,003; actividade funcional: rs = 0,44 ; p = 0,005), também se encontrou correlação na dimensão continência intestinal (força de preensão palmar: rs = 0,32 ; p = 0,048; actividade funcional: rs = 0,36 ; p = 0,022), nestas duas variáveis. Identificaram-se duas variáveis preditoras estatisticamente significativas: a mobilidade ( = -0,39 ; p = 0,009) e a força de preensão palmar ( = 0,32 ; p = 0,030). Conclusões: A baixa mobilidade, os menores níveis de força, a menor actividade física e funcional correlacionam-se com maior dependência nas actividades básicas de vida diária. Evidenciou-se maior dependência no sexo feminino e nos idosos com baixo nível de escolaridade, nas dimensões tomar banho e higiene pessoal. Foi encontrada uma maior força de preensão palmar nos idosos com défice cognitivo ligeiro em comparação com aqueles com doença Alzheimer, sendo a única diferença evidenciada entre grupos.
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Especialidade de medicina geral e familiar
Medicina Geral e Familiar,Cuidados de Saúde Primários,Especialidade,Sistemas de Saúde,Formação
Em 1978, a Declaração de Alma-Ata definiu os cuidados de saúde primários como a chave para o desenvolvimento económico e social, melhor qualidade de vida e paz mundial. Para atingir estes objetivos, a declaração defende princípios como a acessibilidade, uso adequado de recursos, equidade e justiça social. O modo como os princípios revolucionários de Alma-Ata foram aplicados não permitiu que se atingissem os objetivos de “Saúde para Todos no Ano 2000”, e assim, surgem no ano de 2000 os “Objetivos de Desenvolvimento do Milénio” com metas concretas a serem atingidas pelos países membros das Nações Unidas até ao ano de 2015. Os cuidados de saúde primários devem desempenhar um papel central nos sistemas de saúde, o que nem sempre aconteceu, havendo tendencialmente maior atenção dada aos serviços especializados e uma coexistência de múltiplos programas dirigidos, o que levou muitas vezes a menor acessibilidade e qualidade dos cuidados de saúde. É importante colocar os Cuidados de Saúde Primários no centro dos sistemas de saúde, de modo a que possa haver uma coordenação de serviço e que se possam prestar cuidados de saúde de qualidade e custo-efetivos com bons resultados nos indicadores de saúde. A Medicina Geral e Familiar é a especialidade médica que presta estes cuidados de saúde abrangentes, que levam em conta o contexto familiar e comunitário do doente, e cuja definição e características vão evoluindo de modo a que se possa alcançar cada vez mais cuidados de saúde de qualidade. A formação de médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar é feita de acordo com o programa de formação pós-graduada de cada país, sendo de crucial importância que a especialidade tenha também forte presença na fase de formação pré-graduada para que se possam formar médicos capazes de prestar cuidados de saúde de qualidade.
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Avaliação do impacto da educação do doente com asma no controlo da doença e na qualidade de vida
Asma,Educação para a saúde,Qualidade de vida
Introdução A asma é uma doença crónica e inflamatória das vias aéreas com elevada prevalência na população geral, em que o conhecimento, educação e envolvimento dos doentes é crucial para o sucesso no controlo e tratamento. Objetivos Com este estudo pretendeu-se avaliar a eficácia de sessões de educação e esclarecimento de indivíduos com diagnóstico de asma, no controlo da doença e na qualidade de vida destes doentes. Adicionalmente, avaliar a eficácia da sessão na aquisição de conhecimentos com uso de questionário validado “Questionário para Avaliação dos Conhecimentos de Doentes Asmáticos sobre a sua Doença”. Métodos Trata-se de um estudo prospetivo de cohort numa população de doentes asmáticos não completamente controlados, selecionados na consulta externa de Pneumologia dos HUC-CHUC. Os doentes foram incluídos se score de ACT (Asthma Control Test) ≤ 20, sob terapêutica otimizada. A qualidade de vida e controlo da doença foram avaliados em dois momentos, antes da sessão e às seis semanas, usando os questionários validados ACT, ALQ (Asthma Life Quality) e CARAT (Control of Rhinitis and Asthma Test). A avaliação dos conhecimentos adquiridos foi avaliada com o uso do questionário referido, antes e depois das sessões. A análise estatística foi realizada através do programa de software SPSS Statistics versão 20.0.0 e R versão 2.13.1. Variáveis categóricas foram descritas como frequências absolutas e relativas e as variáveis contínuas foram reportadas como média e desvio-padrão. A comparação de variáveis quantitativas foi baseada no uso de testes não-paramétricos (teste de Wilcoxon). O teste de Qui-quadrado foi usado para comparar variáveis categóricas. Resultados O teste de Wilcoxon para amostras emparelhadas mostrou que existem diferenças estatisticamente significativas entre os scores ACT antes e depois das sessões (p = 0.022), assim como entre os scores CARAT (p = 0.015), ALQ (p = 0.034) e Q (número de respostas corretas ao questionário de avaliação de conhecimentos) (p = 0.036) nesse mesmo intervalo. Através de análise de correlação bivariada verificou-se que os valores de ACT2 e CARAT2 não apresentam correlação estatisticamente significativa (coeficiente de Spearman) com os valores de ALQ2 (r = - 0.64, p = 0.121) e (r = -0.45, p = 0.3075), respetivamente. Observou-se uma variação percentual superior dos scores de CARAT ( ̅ = 44.55%) e ACT ( ̅ = 36.74%) comparativamente aos scores ALQ ( ̅ = 29,41%). Os valores de CARAT2 e ALQ2 não apresentaram correlação estatisticamente significativa com o tempo de evolução da doença (r = 0.56, p = 0.1875) e (r = -0.74, p = 0.0566), respetivamente, contrariamente ao observado para os valores de ACT2 (r = 0.88, p = 0.0091). Discussão A presença de variação significativa dos valores de ACT, CARAT e ALQ antes e depois das sessões caracteriza melhorias significativas nos parâmetros de controlo da doença e de qualidade de vida. A obtenção de diferenças estatisticamente significativas entre os valores Q demonstrou o aumento dos conhecimentos por parte dos doentes. Conclusão Concluiu-se que a educação para a asma, tendo em vista a transmissão de informação e o ensino de práticas de auto-monitorização, é eficaz na melhoria clínica e no aumento da qualidade de vida num grupo de doentes asmáticos. Para além disso, demonstrou ser capaz de aumentar o conhecimento sobre a doença de forma significativa
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Úlcera péptica complicada : abordagem diagnóstica e terapêutica
Úlcera pética,Diagnóstico,Terapêutica
Úlcera péptica é uma doença crónica que atinge o tracto gastro-intestinal e que se traduz por uma lesão da sua superfície mucosa, sobretudo a nível gástrico e duodenal. Cerca de 25% dos doentes com úlcera péptica sofrerão uma complicação grave ao longo da sua vida. A hemorragia é a mais frequente das complicações, seguindo-se a perfuração e a obstrução do esvaziamento gástrico. Outras complicações podem eventualmente surgir, ainda que com baixa incidência. O objectivo do presente trabalho é fazer uma revisão das técnicas disponíveis no arsenal diagnóstico e terapêutico actual das complicações da úlcera péptica, abordando cada uma de forma independente. Quando estamos perante um quadro de hemorragia secundária a úlcera péptica, a endoscopia digestiva alta é um elemento chave tanto no diagnóstico como na terapêutica, devendo ser uma medida de primeira linha. Se esta manobra falhar deve avançar-se para uma abordagem terapêutica baseada na radiologia de intervenção ou numa intervenção cirúrgica. A perfuração é a complicação responsável pela maioria dos óbitos nos pacientes com úlcera péptica, sendo quase sempre diagnosticada pelas evidências clínicas com ou sem apoio de exames imagiológicos. O tratamento é normalmente uma intervenção cirúrgica por via laparoscópica, com excepção dos casos pontuais em que se dá um encerramento espontâneo, cujo tratamento é feito com base em medidas conservadoras. A obstrução do esvaziamento gástrico é diagnosticada pelo contexto clínico e pela realização de um trânsito gastro-duodenal. Se a estenose for secundária a fenómenos inflamatórios e portanto reversível, o tratamento pode ser conservador, mas se esta for devida a fibrose, são necessárias medidas mais interventivas como a dilatação endoscópica por balão ou a cirurgia. O diagnóstico e a terapêutica das complicações da úlcera péptica têm sido importantes alvos de investigação nos últimos anos, tendo-se verificado uma evolução significativa nestes domínios. É necessário manter esta tendência, para que se possa optimizar a abordagem das situações correspondentes, situações estas que com frequência acarretam elevadas taxas de morbilidade e mortalidade.
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Controlo e prevenção da cólera
cólera,prevenção,controlo,vacinas,Vibrio cholerae
Introdução: A cólera é uma doença infecciosa causada por Vibrio cholerae, transmitida por via fecal-oral, cuja manifestação clínica sob a forma de diarreia aquosa profusa pode, em apenas algumas horas, levar à morte. Apesar do vasto conhecimento actual acerca da sua epidemiologia, patogénese e meios de transmissão, a cólera permanece um importante problema de saúde pública à escala global, que acarreta custos económicos e sociais consideráveis. A sua incidência e mortalidade são significativas e têm vindo a aumentar nos últimos anos, o que aponta para a premência do desenvolvimento e aplicação de medidas eficazes para a sua prevenção e controlo. Objectivos: O presente trabalho pretendeu efectuar uma revisão das estratégias de prevenção e controlo da cólera e elencar, para cada realidade epidemiológica, as vantagens de cada medida e os obstáculos que se colocam à sua execução prática. Material e métodos: Para este efeito, realizou-se uma pesquisa utilizando as bases de dados Pubmed e b-ON, tendo-se seleccionado a bibliografia mais relevante publicada entre Janeiro de 2007 e Março de 2013. Resultados: O combate à cólera assenta primariamente no desenvolvimento das condições de saneamento, com o tratamento adequado dos dejectos humanos, e de fornecimento de água com qualidade às populações. O ideal, a longo prazo, será a criação de infra-estruturas para este efeito; dada a frequente escassez de recursos, algumas medidas, de mais fácil aplicação, poderão ser implementadas para prevenir e controlar surtos e doença endémica, tais como a sensibilização da população para questões de higiene (lavagem das mãos com sabão) e sistemas de armazenamento, filtração e desinfecção da água. As vacinas poderão também ajudar no controlo da doença. Três vacinas orais contra a cólera, com efectividade e segurança comprovadas, estão aprovadas pela OMS; a sua aplicação por antecipação e/ou de forma reactiva obteve resultados consideráveis na prevenção da doença. A vigilância é uma ferramenta de apoio no delineamento das estratégias, possibilitando uma actuação dirigida. No entanto, diversos obstáculos se colocam à implementação prática destas medidas, particularmente de carácter social, cultural, ético, político, logístico e económico. Conclusão: Embora existam as ferramentas necessárias para a prevenção e controlo da endemia e de surtos epidémicos de cólera, a sua implementação prática encontra dificuldades importantes. O sucesso das acções desenvolvidas dependerá essencialmente da melhoria das condições higiénico-sanitárias das populações afectadas e em risco, reforçada de forma positiva pelo uso criterioso das vacinas disponíveis. Espera-se que a investigação actualmente em curso possa levar ao desenvolvimento de vacinas com melhor perfil de segurança e efectividade.
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Predição do risco transfusional de concentrado eritrocitário durante a circulação extracorporal em cirurgia coronária
Transfusão,Concentrado eritrocitário,Cirurgia de revascularização coronária,Circulação extracorporal,Factores de risco,Predição do risco,Modelo de predição de risco.
Introdução: O objectivo deste trabalho consistiu no estudo de doentes submetidos a cirurgia de revascularização coronária (CABG), de forma a identificar os factores de risco pré-operatórios e desenvolver e validar um modelo de predição de risco para transfusão de concentrado eritrocitário (CE) durante a circulação extracorporal (CEC). Métodos: Estudo retrospectivo que incluiu doentes submetidos consecutivamente a CABG isolada com CEC, no Centro de Cirurgia Cardiotorácica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, entre Janeiro de 2012 e Dezembro de 2013. O modelo de risco foi desenvolvido e validado utilizando o método de regressão logística associado à técnica de amostragem aleatória com reposição. O poder discriminatório e a calibração do modelo foi aferida pela área abaixo da curva ROC (receiver operator characteristic) e pelo teste Hosmer-Lemeshow (H-L), respectivamente. Resultados: Dos 530 pacientes deste estudo, a transfusão de CE ocorreu em 91 (17,2%) durante a CEC. Destes, a maioria foi transfundido com uma (54,9%) ou duas (41,8%) unidades de CE. As variáveis incluídas no modelo final (reportado como odds ratio; IC95%) foram: idade (1,07; 1,02-1,13), taxa de filtração glomerular (0,98; 0,96-1,00), superfície corporal (0,95; 0,92-0,98), doença vascular periférica (3,03; 1,01-9,05), doença cerebrovascular (4,58; 1,29-16,18) e hematócrito (0,55; 48-,63). O modelo de risco desenvolvido tem excelente poder discriminatório (área abaixo da curva ROC: 0,963). Os resultados do teste H-L mostram que o modelo prevê com precisão, tanto globalmente quer ao longo da análise parcelar dos grupos de decis de risco. Conclusões: Desenvolvemos um modelo de predição de risco para transfusão de CE durante a circulação extracorporal que revela um desempenho adequado relativamente à discriminação, calibração e estabilidade ao longo de um espectro de risco. Consequentemente, o modelo de risco desenvolvido pode ser usado como um instrumento para fornecer estimativas individuais precisas sobre o risco transfusão de CE durante a CEC na nossa população de doentes. Adicionalmente, poderia ser usado como um adjuvante valioso para a melhoria da prática clínica do nosso centro, essencialmente no que respeita à escolha do tratamento e alocação de recursos, ao consentimento informado e ao controlo de qualidade.
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A terapêutica com insulina da diabetes mellitus tipo 2
Terapêutica,Insulina,Diabetes mellitus do tipo 2
A diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) é uma doença crónica que combina a deficiente secreção de insulina com o aumento da resistência à insulina. A sua história natural indica uma progressiva diminuição da secreção de insulina devido à disfunção progressiva das células β; assim, a maioria dos doentes irá eventualmente necessitar da administração de insulina para um adequado controlo metabólico. A insulina deve ser iniciada quando as outras terapêuticas não insulínicas falham ou quando há uma hiperglicemia muito marcada ou sintomática. A individualização do plano terapêutico a cada doente deve ser um fundamento base do tratamento dos doentes com DMT2. Assim, tanto os alvos terapêuticos como os fármacos devem ser definidos para cada doente tendo em vista uma panóplia de factores incluindo idade, comorbilidades, duração da doença e risco de iatrogenia. Deve envolver-se activamente o doente tendo em atenção as suas crenças e expectativas. Actualmente dispomos de diversas formulações de insulina: insulinas basais (insulina humana de acção intermédia e análogos de acção prolongada), insulinas prandiais (insulina humana regular de acção curta e análogos acção rápida) e insulinas bifásicas (misturas de insulinas humanas ou análogos, com diferentes tempos de acção). A maioria dos doentes com DMT2 irá iniciar a insulinoterapia, com uma insulina basal uma vez por dia; mas, com o evoluir da doença, poderá ter de passar para um esquema mais complexo com insulinas bifásicas ou esquema de múltiplas administrações de insulina (basal/bolus). A terapêutica com insulina não é, no entanto, desprovida de riscos sendo a hipoglicemia e o aumento de peso os mais preocupantes. Além disso tanto doentes como os médicos criaram mitos que vão impor barreiras ao início do tratamento. Estas barreiras devem ser ultrapassadas numa parceria entre médico e doente.
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Patogenia Imunogenética da doença de Addison Auto-imune: uma revisão
Doença de Addison,Doenças genéticas,Doenças imunológicas
A doença de Addison Auto-imune é a principal causa de insuficiência suprarrenal primária. Embora o seu diagnóstico e tratamento sejam relativamente simples, o primeiro é muitas vezes atrasado devido à clínica insidiosa; o segundo, dado não restabelecer os níveis fisiológicos dos corticosteróides, é relacionado com um aumento na morbilidade e mortalidade dos doentes. Este artigo fornece uma revisão sobre a patogénese da insuficiência suprarrenal auto-imune. Através do motor de pesquisa “PubMed”, foram avaliados artigos publicados entre 2000 e 2012 e relacionados com a patogénese da autoimunidade suprarrenal. Também se seleccionaram artigos presentes nas referências dos artigos previamente analisados e outros de revistas portuguesas e brasileiras. Vários estudos sugeriram como marcadores de autoimunidade os anticorpos anti-21-hidroxilase, as células T reactivas a epítopos dessa enzima e várias citocinas (como IFN- ) e interleucinas. A determinação de anticorpos anti-21OH, enquanto preditores de progressão para doença, não é aplicável à população geral, mas apenas a situações onde a doença de Addison é frequente, nomeadamente no contexto de síndromes poliglandulares auto-imunes. A síndrome poliglandular auto-imune tipo 1 está associada a mutações do gene AIRE, enquanto que as outras formas de doença de Addison auto-imune se relacionam com polimorfismos dos genes HLA e outros. Deste modo, o conhecimento detalhado da imunopatologia e genética pode levar à descoberta de novas práticas de prevenção, detecção precoce e a novas terapêuticas para a doença de Addison.
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O papel da ressonância magnética na miocardiopatia dilatada
Miocardiopatia hipertrófica,Ressonância magnética
Introdução: a ecografia cardíaca é o exame mais frequentemente utilizado no diagnóstico de miocardiopatia dilatada. Novos estudos mostram que a ressonância magnética apresenta várias vantagens em relação à ecografia no diagnóstico e prognóstico da doença. Objectivos: Revisão de literatura das características imagiológicas e das vantagens diagnósticas e prognósticas do uso da ressonância magnética na miocardiopatia dilatada. Desenvolvimento: A miocardiopatia dilatada é definida como uma doença miocárdica de etiologia desconhecida sendo, de todas as miocardiopatias a mais frequente. Tem causa genética em 20% a 50% dos casos, sendo os restantes devido a agressões tóxicas, metabólicas e infecciosas. A detecção precoce e adequação do prognóstico revelam-se fundamentais para um tratamento e manutenção adequados. A ressonância magnética cardíaca, por permitir uma melhor caracterização morfofuncional e tecidual tem potencial para melhor caracterizar esta patologia, conjuntamente com outros exames normalmente utilizados como a ecocardiografia cardíaca, electrocardiograma e radiografia do tórax. A técnica de realce tardio através do uso de gadolínio endovenoso e captação da imagem subsequentemente apresenta implicações prognósticas relevantes, identificando indivíduos em risco e representando um método não invasivo, uma vez que pode ser repetido sem aplicação de radiação ou material radioactivo. Conclusão: A ressonância magnética é uma ferramenta útil na avaliação diagnóstica e prognóstica da miocardiopatia dilatada.
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Envelhecimento e nutrição : contracção calórica e longevidade
Envelhecimento,Nutrição
O processo de envelhecimento, que envolve a acumulação de diversas alterações ao nível genético e celular, e um desequilíbrio da balança homeostática, que conduz ao aparecimento de patologias crónicas e em último caso à morte, sempre foi alvo de interesse por partedo Homem. Existem diversas teorias sugeridas para o explicar. O objectivo deste trabalho passa por tentar entender os mecanismos deste processo e os factores que o influenciam, para a definição de uma possível estratégia de envelhecimento saudável. A metodologia passa por uma revisão da literatura mais recente sobre este assunto. A contracção calórica, a única estratégia não genética capaz deaumentar a longevidade em diversas espécies, é alvo de enorme investigação. Os mecanismos celulares e moleculares responsáveis pelos efeitos induzidos pela contracção calórica ainda não estão totalmente esclarecidos e requerem maior investigação. Estudos em humanos são de difícil realização e só agora começam a mostrar resultados mais conclusivos, embora, até ao momento, só tenha sido possível executar ensaios de curta duração, estando neste momento em andamento um estudo de longo termo. Os resultados são promissores na modificação de alguns biomarcadores relacionados com a idade, mas mais estudos são necessários para avaliar o real efeito sobre a longevidade e sobre a saúde. Os miméticos apresentam-se com boas perspectivas futuras para obviar alguns dos problemas da implementação de programas de longa duração de contracção calórica. A implementação de protocolos de longa duraçãode contracção calórica não parece actualmente uma medida exequível pelas dificuldades inerentes, quer de motivação, culturais ou outras. É necessário comparar os efeitos benéficos desta intervenção nutricional, com aqueles relacionados com hábitos alimentares saudáveis, bem como maior investigação sobre esta intervenção dietética a longo prazo em humanos.
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Clínica e laboratório na meningite aguda em pediatria : que utilidade no diagnóstico etiológico?
Pediatria,Meningite,Diagnóstico
Introdução: A meningite bacteriana é causa de elevada morbilidade e mortalidade, pelo que é importante o diagnóstico correto, não só para instituir antibioterapia mas também para evitar tratamento desnecessário em caso de meningite vírica. Neste estudo estabeleceram-se parâmetros clínicos e laboratoriais, com respetivos valores de cut-off, sensibilidade e especificidade, que ajudam a diferenciar meningite bacteriana de vírica. Métodos: Estudo retrospetivo de crianças/adolescentes, admitidos num Hospital Pediátrico do Grupo III, entre 1 de Janeiro de 2005 e 30 de Junho de 2015, com diagnóstico de meningite aguda e identificação de agente etiológico. Foram excluídos os doentes com punção lombar traumática, análise citoquímica incompleta do líquido cefalorraquidiano, imunodeficiência, derivação ventrículo-peritoneal e imunossupressão ou antibioterapia nas duas semanas anteriores à realização da punção lombar. Efetuou-se a análise dos dados com o programa IBM SPSS Statistics, versão 22 (nível de significância 5%). Nas variáveis qualitativas foi usado o teste de Qui-quadrado (2) e nas quantitativas o teste de Mann-Whitney. Nas variáveis com diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos de meningite analisou-se a área sob a curva receiver operating characteristic (ROC) para avaliar a utilidade clínica. Resultados: Incluíram-se 41 doentes, 22 dos quais com meningite bacteriana (54%) e 19 com meningite vírica (46%). A mediana de idades foi significativamente menor (p<0,001) na meningite bacteriana (2,5 anos) do que na vírica (6,9 anos). Clinicamente, na meningite bacteriana predominou a presença de febre  39ºC (p=0,033), convulsões e/ou alteração do estado de consciência (p=0,003) e exantema purpúrico (p<0,001), enquanto na meningite vírica foi mais frequente a presença de cefaleia (p<0,001) e rigidez da nuca (p<0,001), Analiticamente, na meningite bacteriana os valores de proteinorráquia (p=0,001) e de proteína C-reativa plasmática (pCr) (p<0,001) foram significativamente superiores, enquanto que os valores de glicorráquia (p=0,008) e a relação glicorráquia/glicémia (p=0,019) foram significativamente menores. A pCr foi o único parâmetro com bom poder discriminativo (cut-off 6,95 mg/dL, 75% de sensibilidade e 94% de especificidade). Discussão: Sendo um estudo retrospetivo com análise de casos de um só hospital e com uma amostra reduzida apresenta diversas limitações. Seria necessário a inclusão de mais casos para a validação dos resultados obtidos. Conclusão: Concluiu-se que a presença de febre, convulsões, alteração do estado de consciência, exantema purpúrico, proteinorráquia, relação glicorráquia/glicémia e pCr plasmática são achados clínicos e laboratoriais úteis na distinção de meningite bacteriana. A pCr plasmática destacou-se por ser um parâmetro com bom poder discriminativo.
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Doença cardíaca isquémica e coronárias normais : caracterização de uma população referênciada para angiografia coronária
Cardiologia,Doenças cardiovasculares,Isquémia miocárdica,Angiografia coronária
Introdução: A patologia cardíaca isquémica tem tido nos últimos anos uma incidência crescente. Na maioria dos casos encontra-se relacionada com aterosclerose coronária e manifesta-se por dor torácica. Com o advento da angiografia coronária, verificou-se que uma proporção significativa de doentes com angina (cerca de 40%) apresentava artérias coronárias aparentemente normais. Neste grupo incluem-se pacientes com testes de isquémia positivos. O mecanismo que desencadeia dor torácica ou até mesmo isquémia miocárdica, nestas condições, permanece controverso. Vários termos foram propostos para caracterizar pacientes que sofriam de dor torácica do tipo anginoso e uma angiografia coronária normal: síndrome X, angina microvascular e isquémia miocárdica não-aterosclerótica. Pensa-se que a disfunção endotelial e o vasospasmo coronário possam estar implicados na fisiopatologia. Alguns estudos questionaram a presença de isquémia em indivíduos com coronárias normais, sugerindo que alterações da percepção da dor e/ou hipersensibilidade miocárdica possam motivar os quadros clínicos referidos. Trata-se assim de uma população heterogénea relativamente aos processos fisiopatológicos isquémicos e não-isquémicos, que parece ter um prognóstico favorável a longo prazo. Objectivo: Neste trabalho pretendemos caracterizar uma população de doentes referenciados para angiografia coronária por doença isquémica e cujo resultado mostrou artérias coronárias aparentemente normais. Como objectivo secundário propomo-nos a comparar os diferentes parâmetros estudados, entre o género masculino e o feminino. População e Métodos: Estudo retrospectivo, transversal, dos doentes angiografados no Laboratório de Hemodinâmica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) entre 1 de Janeiro de 2007 e 31 de Dezembro de 2008. Através da consulta dos processos clínicos dos doentes e das requisições de angiografia coronária, caracterizou-se a população no que se refere a: género, idade, presença de factores de risco para doença cardiovascular, motivo da realização do exame (clínica sugestiva e/ou exames não invasivos positivos) e medicação prévia. Resultados: Dos 507 doentes estudados, 263 pertenciam ao género masculino e 244 ao género feminino. Apresentaram uma idade média de 62± 11,0 anos e um IMC de 28,7±4,2 Kg/m2. Verificou-se que 71,0% tinham sintomatologia sendo que 58,2 % tinham um angor típico. O género feminino apresentou uma clínica de angor superior ao género masculino (76,6% vs 65,8%, p≤0,05). Dos factores de risco estudados, verificou-se que a prevalência da hipertensão arterial foi 64,5%, da dislipidémia 59,6%, da diabetes mellitus 17,6%, dos hábitos tabágicos 14,2% e da história familiar 11,8%. Foram realizados exames não invasivos de isquémia em 86,0% dos pacientes, tendo sido a prova de esforço o exame mais requisitado (61,0%). Verificou-se que os antecedentes de SCA prévio foram mais prevalentes no género masculino ( 6,5% vs 2,9%, p=0,06). No que toca à medicação, o AAS foi o fármaco mais prescrito (73,7%). Os nitratos foram prescritos mais no género feminino ( 25,0% vs 15,6%, p=ns) Conclusão: Verificou-se uma maior percentagem de indivíduos do género masculino na população de estudo, contudo foi o género feminino o mais sintomático. A prevalência de factores de risco para doença coronária foi superior na população de estudo que na população em geral. A positividade dos testes de isquémia, apesar das coronárias normais, levanta-nos a questão da existência de falsos positivos nas provas de esforço ou falsos negativos na angiografia coronária. Apesar disso, a disfunção endotelial poderá ser o mecanismo justificativo da sintomatologia na maioria dos casos, devido à grande prevalência de factores de risco, que contribuem para a diminuição do fluxo sanguíneo a nível microvascular.
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7,550
Implantação de prótese valvular aórtica por via percutânea
Prótese das válvulas cardíacas,Estenose aórtica
Actualmente, a estenose aórtica é a mais frequente valvulopatia na Europa, tem uma longa e latente fase assintomática, mas quando os sintomas finalmente ocorrem, a deterioração clínica pode ser rápida. Pacientes com estenose aórtica severa sintomática têm uma sobrevida média de dois anos e a substituição cirúrgica da válvula aórtica continua a ser o único tratamento efectivo que melhora o prognóstico e a qualidade de vida. Embora os resultados sejam excelentes com a cirurgia convencional, alguns pacientes com sintomas severos, são considerados de elevado risco para este procedimento. Para estes pacientes até aproximadamente oito anos atrás não havia outra opção se não serem muitas vezes deixados com estratégias subóptimas como o tratamento médico ou a valvuloplastia por balão, como medida paliativa ou como ponte para a cirurgia de coração aberto. Os últimos oito anos de experiência com técnicas percutâneas de implantação de prótese valvular aórtica mostram que esta técnica menos invasiva pode tornarse uma promissora opção terapêutica para pacientes com estenose aórtica severa sintomática. Nesta revisão, são apresentados os tipos de válvulas aórticas implantáveis por via percutânea que estão comercializadas, a técnica, vantagens e limitações. Temos por objectivo analisar a literatura desde o desenvolvimento experimental até à aplicação clínica desta nova modalidade de tratamento para pacientes com estenose aórtica severa e alto risco cirúrgico, sendo feita uma revisão dos principais aspectos do procedimento, resultados clínicos e hemodinâmicos a curto e médio prazo. O primeiro caso, num humano, de implantação de prótese valvular aórtica por via percutânea para o tratamento da estenose aórtica sintomática realizou-se em 2002. Seguiram-se uma série de registos que demonstraram que esta nova tecnologia era viável para o tratamento de pacientes inoperáveis ou de alto risco para a cirurgia clássica de substituição de válvula aórtica. Resultados de recentes ensaios multicêntricos usando quer a válvula Edwards SAPIEN quer a CoreValve Revalving System têm mostrado que o procedimento é seguro e eficaz. Na maioria dos ensaios, as duas tecnologias estavam associadas a uma taxa de sucesso >90% e a uma mortalidade aos 30 dias do procedimento <10% apesar dos ensaios envolverem pacientes de risco muito elevado. Também se deve notar que numerosos estudos têm demonstrado que estas próteses valvulares têm boas características hemodinâmicas a curto e médio prazo.
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7,551
Obesidade e cancro
Obesidade,Neoplasias,Mortalidade
A prevalência de excesso de peso e de obesidade tem aumentado substancialmente nas últimas décadas na maioria dos países industrializados, e espera-se que venha a aumentar ainda mais no futuro. A obesidade é considerada um factor de risco para várias doenças crónicas tais como hipertensão, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidémia, existindo também evidências de que seja factor de risco para diversos tipos de cancro. De facto, quase por unanimidade, grandes estudos epidemiológicos acordaram que a obesidade aumentava o risco de certos tipos de cancro, nomeadamente cancro do endométrio, do rim, da vesícula biliar (nas mulheres), da mama (em mulheres pós-menopausicas), do cólon (particularmente nos homens) e do esófago (adenocarcinoma do esófago). No entanto, os dados sobre o cancro do pâncreas, próstata, fígado, ovário e neoplasias hematopoiéticas são escassos e/ou inconsistentes. Várias teorias fisiopatológicas foram postuladas para explicar esta associação e variam desde factores mecânicos, dietéticos, genéticos ou imunológicos, a produtos de secreção hormonal dos adipócitos (leptina e adiponectina). Além disso, a obesidade pode desempenhar um papel no prognóstico de alguns tipos de cancro. O impacto final da obesidade na mortalidade por cancro é variável, podendo, em certas populações, ir até aos 20%.
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A infertilidade em medicina geral e familiar : a abordagem e o seguimento do casal
Infertilidade,Medicina familiar
Introdução: A infertilidade é um problema de saúde com grande impacto biopsicossocial. O médico de família é o profissional de saúde mais próximo do casal infértil, estando numa posição privilegiada para dar início à abordagem da infertilidade. Métodos: Com base na apresentação de um caso clínico, o objetivo deste artigo é apresentar uma revisão teórica da problemática da infertilidade sob o ponto de vista da Medicina Geral e Familiar. São abordados o diagnóstico, a investigação etiológica, as alternativas terapêuticas e a importância do seguimento do casal ao longo de todo o processo. Resultados: A infertilidade ronda os 14% na Europa, afetando um em cada sete casais. Em Portugal cerca de 8,9% das mulheres entre os 25 e os 44 anos foram diagnosticadas como inférteis. Apesar de apenas 26% dos casais inférteis portugueses recorrerem ao médico de família, este clínico diagnostica e investiga fatores de risco reprodutivo e causas de infertilidade. O tratamento de algumas situações pode estar ao alcance da Medicina Geral e Familiar e quando tal não se verifica é da sua competência referenciar o casal. Para além disso, deve caber a este clínico a orientação do casal durante todo o processo. Conclusões: De forma a incrementar o papel deste clínico, é necessário incentivar o uso das linhas de orientação existentes e apostar em formação diferenciada para que os médicos de família se sintam mais confiantes na abordagem do casal infértil
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Doença cardíaca isquémica : revisitar o estudo WISE
Doenças das válvulas cardíacas,Cardiopatias,Cardiologia,Mulheres
A Doença Cardíaca Isquémica (DCI) é um distúrbio no qual existe um suprimento inadequado de sangue e oxigénio para o miocárdio. É a doença que acarreta maior mortalidade e morbilidade na generalidade dos países desenvolvidos. Apesar da significativa diminuição da mortalidade por DCI que se tem verificado nas últimas três décadas, os avanços recentes não conduziram a um decréscimo tão notório da taxa de mortalidade em mulheres, quando comparado com o declínio considerável verificado nos homens. A aterosclerose coronária constitui a causa mais importante da isquemia miocárdica. Os seus principais factores de risco coadunam-se com os hábitos e estilo de vida típicos dos países desenvolvidos: a dieta hipercalórica e a obesidade, a diabetes mellitus tipo II, o tabagismo e o sedentarismo, cuja prevalência tem vindo a aumentar. Existem ainda factores de risco não modificáveis, como a história familiar, a idade e o género. As investigações iniciais, que se focavam em populações de meia-idade, verificaram que as mulheres pré-menopausa apresentavam uma prevalência muito menor de DCI que os homens, possivelmente devido ao efeito protector do estrogénio. Esta hormona eleva os níveis de colesterol-HDL, tem efeitos vasodilatadores e até anti-aterogénicos e anti-inflamatórios a nível da parede vascular e, consequentemente, previne a evolução da doença aterosclerótica. Verificou-se, portanto, que as mulheres desenvolvem DCI sintomática cerca de uma década mais tarde que os homens. Contudo, à medida que os estudos envolveram populações mais idosas, verificou-se que a diferença encontrada nos mais jovens se esbate e até se inverte de forma marcada. Ainda no que se refere a diferenças entre géneros, a disfunção endotelial e a doença microvascular, outras das causas de cardiopatia isquémica, parecem representar um papel Doença Cardíaca Isquémica – Revisitar o Estudo WISE preponderante nas apresentações sintomáticas da doença nas mulheres sem obstrução coronária relevante. Estas e outras diferenças entre géneros no que se refere aos mecanismos fisiopatológicos, factores de risco, apresentação e detecção de DCI foram alvo de vários estudos, nomeadamente o Women's Ischemia Syndrome Evaluation (WISE), com o objectivo de compreender as especificidades das mulheres, definir abordagens diagnósticas alternativas e eficazes e direccionar a terapêutica de forma a melhorar o prognóstico desta patologia no sexo feminino. O objectivo deste trabalho de revisão é, por um lado, revisitar o referido estudo, expondo e analisando as suas principais conclusões e, por outro, mostrar alguns dos avanços feitos nos últimos anos para responder às questões levantadas pelo estudo WISE, procurando assim um maior e melhor entendimento no que concerne à caracterização da DCI nas mulheres.
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Tratamento do varicocelo e impacto na infertilidade masculina
Urologia,Infertilidade masculina,Varicocele,Cirurgia,Terapia
Actualmente, a infertilidade é um problema em crescimento, estimando-se que a sua prevalência nos casais em idade reprodutiva seja de aproximadamente 15 %. Considera-se que o factor masculino está associado a 50% dos casos documentados. O varicocelo é uma patologia benigna e comum que atinge sensivelmente 15% da população masculina, podendo estar presente em 40% dos doentes com infertilidade. Objectivos Este artigo de revisão bibliográfica tem como objectivos expor o tratamento do varicocelo e, observar o seu potencial impacto no tratamento da infertilidade masculina. Material e Métodos O método utilizado para a elaboração deste artigo consistiu numa extensa revisão de artigos científicos originais e de revisão na Pubmed / Medline (até Novembro de 2011) em língua inglesa, usando os seguintes termos: varicocele, male infertility, varicocele treatment, varicocelectomy, percutaneous occlusion, medical treatment, semen parameters, pregnancy rates, assisted reproduction techniques, em várias combinações. Adicionalmente foram consultados livros e sites especializados na área e relevantes para a temática. Desenvolvimento A associação entre varicocelo e infertilidade masculina é conhecida desde a década de 1950, permanecendo a fisiopatologia do processo incerta. Os parâmetros seminais estão habitualmente alterados na presença de varicocelo e a oligoastenoteratozoospermia é a anormalidade mais comum. Num contexto de infertilidade conjugal, o tratamento do varicocelo tem como propósito melhorar a função testicular e os parâmetros seminais com vista ao aumento da probabilidade de concepção. Todavia, o Tratgrau em que o tratamento do varicocelo melhora as taxas de gravidez e o sucesso das técnicas de reprodução assistida, continuam a ser temas controversos. Actualmente, estão descritas duas vertentes para o tratamento do varicocelo: tratamento médico e tratamento cirúrgico, com taxas de complicações e recidiva distintas. A varicocelectomia ou a oclusão percutânea da veia espermática interna afectada, são as terapêuticas mais abordadas na literatura, e as preconizadas na maioria dos casos. Conclusão São necessários mais estudos comparativos, controlados e randomizados para uniformizar a informação dispersa por diferentes publicações, com a finalidade de se poder concluir sobre qual o melhor método para o tratamento do varicocelo e, qual o verdadeiro impacto na fertilidade de cada doente.
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Alterações da substância branca relacionadas com o envelhecimento
Envelhecimento,Leucoaraiose
Introdução - As Alterações da Substância Branca Relacionadas com o Envelhecimento traduzem um fenómeno imagiológico cerebral da população idosa e são apontadas como causa importante de defeito cognitivo e demência vascular. Têm uma localização subcortical e são evidenciadas como áreas de hipodensidade na Tomografia Axial Computadorizada e de hiperintensidade nas imagens da Ressonância Magnética Nuclear ponderada em T2. Objectivos – Com este trabalho, pretendemos realizar uma revisão da literatura sobre as Alterações da Substância Branca Relacionadas com o Envelhecimento, em particular os factores de risco, os mecanismos etiopatogénicos, as manifestações clínicas, o diagnóstico e o prognóstico, procurando avaliar a sua importância. Nesse sentido, fizemos uma pesquisa em bases de dados bibliográficas, nomeadamente a Pubmed e a Medline, sublinhando os trabalhos que nos pareceram mais importantes. Desenvolvimento – A sua incidência e prevalência estão relacionadas com a idade, aproximando-se dos 100% na oitava década da vida. Apesar de ser conhecida a sua relação com a doença vascular, a etiopatogenia destas lesões não está claramente esclarecida, sendo a isquémia crónica cerebral, por doença de pequenos vasos das artérias perfurantes cerebrais, a hipótese mais aceite. Recentemente, o refluxo venoso jugular e consequente isquémia de origem venosa têm sido apontados como outra causa possível deste fenómeno. Os factores de risco vascular parecem estar implicados no desenvolvimento e evolução das lesões e a hipertensão arterial, a diabetes mellitus e antecedente de acidente vascular cerebral assumem o papel mais importante. Em termos anatomo-patológicos, estes achados imagiológicos correspondem a áreas de enfarte incompleto, de edema e de gliose, associadas a desmielinização e palidez da substância branca, com perda axonal associada. Apesar da investigação intensa em torno de marcadores biológicos capazes de auxiliar o diagnóstico desta entidade, a inexistência de um biomarcador específico reflecte a falta de esclarecimento em torno da sua génese. O significado clínico desta entidade permanece incerto. O defeito cognitivo, as perturbações motoras e da motivação, a depressão e a disfunção urinária são as principais manifestações clínicas associadas e são, também, os principais factores que contribuem para a perda da independência funcional e menor qualidade de vida do idoso. Conclusão – Do ponto de vista clínico, estas alterações constituem uma entidade patológica com impacto profundo na qualidade de vida no contexto de uma sociedade envelhecida. Por este motivo, a interpretação destas alterações como achados clinicamente significativos por parte da comunidade médica é fundamental e o esclarecimento dos mecanismos e precipitantes é imperativo, no sentido do desenvolvimento de uma abordagem preventiva e terapêutica eficaz.
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7,561
Rim único : evolução em idade pediátrica
Rim,Anomalias congénitas,Criança
O seguimento de doentes com rim único (RU) congénito é controverso dadas as incertezas quanto à sua fisiopatologia e curso clínico. Realizado estudo retrospectivo de 42 crianças com diagnóstico pré-natal de RU, com objectivo de avaliar a evolução da função renal, valores tensionais e presença de microalbuminúria, ao longo do tempo para melhor caracterizar a sua história natural. Em 69% dos casos de RU ocorreu por displasia do rim contralateral e 13% por agenesia. Constituíram-se 3 grupos: A – RU normal por agenesia do contralateral (n=24); B – RU normal com rim contralateral displásico (n=11); C – RU com refluxo vesico-uretral (RVU) (n=7). Registaram-se os seguintes parâmetros aos 2, 5, 10 e 15 anos de idade: peso, estatura, índice de massa corporal (IMC), tensão arterial (TA) sistólica e diastólica, creatinina sérica e respectiva clearance, taxa de filtração glomerular (TFG) determinada pela cistatina C, microalbuminúria numa amostra ocasional de urina e diâmetro ecográfico longitudinal do RU. As crianças apresentaram evolução estatural adequada à idade e sexo; mas, mais de 20% em todas as avaliações apresentavam IMC>P85. Não ocorreu aumento dos valores de TA ao longo do tempo. Elevado número de casos de TA sistólica (38%) e diastólica (43%) >P90 aos 2 anos, não constatados nas avaliações seguintes. Registaram-se apenas 3 casos de TA sistólica entre P90-P95 no último ano de seguimento das respectivas crianças. A creatinina sérica aumentou com o tempo sendo estatisticamente significativa até aos 10 anos (p<0,05), conforme esperado. A TFG determinada pela cistatina C evidenciou tendência decrescente a partir dos 5 anos, sugerindo declínio da função renal (apenas um caso com valores <75 ml/min/1,73m2). A clearance de creatinina manteve tendência crescente. A microalbuminúria apresentou sempre valores elevados. Verificou-se aumento progressivo do número de crianças com rim hipertrófico (43% aos 2 anos, 80% aos 15 anos). As infecções do trato urinário ocorreram em 24% das crianças e destas, 1/3 tinham RVU. Os grupos não apresentaram diferenças estatisticamente significativas. Assim, os achados sugerem aumento compensatório do diâmetro longitudinal do RU e tendência para declínio da função renal com início na primeira década de vida, registando-se apenas casos pontuais de TA entre o P90-95 (pré-hipertensão) O tempo de seguimento relativamente curto poderá explicar não termos encontrado crianças com afecção grave da função renal ou hipertensão. No entanto, encontrámos crianças com valores de pré-HTA e diminuição da TFG; a identificação precoce destas situações de risco permite instituir medidas de prevenção, conservando a função do RU.
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7,562
Avaliação da adequação do uso de medicamentos sorodoseáveis no idoso
Medicamentos,Idoso
Introdução: A Monotorização terapêutica de fármacos é uma ferramenta útil para a otimização do tratamento no doente idoso. Este estudo tem como objetivo avaliar se os médicos procedem à monitorização da concentração de medicamentos sorodoseáveis no doente idoso, nomeadamente com diminuição da função renal. Métodos: Um estudo retrospetivo descritivo foi realizado no serviço de Medicina Interna A do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), sendo analisados 1489 doentes, com mais de 65 anos, internados entre janeiro e março de 2015. No estudo foram incluídos os doentes com internamentos com mais de 72 horas, e medicados com fármacos sorodoseáveis, nomeadamente, aminofilina, digoxina, gentamicina, amicacina, vancomicina, fenobarbital, carbamazepina, fenitoína e valproato. Resultados: A amostra final era constituída por 100 doentes, com uma média de idades de 82,5 anos, dos quais 64% apresentavam doença renal crónica em estádio 3 ou mais avançado. Em 73% dos casos não se fez qualquer doseamento da concentração plasmática do fármaco. Mas, 27% receberam pelo menos um doseamento, sendo que, em 7 % destes, se fez mais do que um doseamento. Entre os doseados, a maioria (59%) tinha concentração dentro da faixa terapêutica, 30% tinham uma concentração infraterapêutica e 11% supraterapêutica. Em relação aos antibióticos foi quase sempre solicitado pelo menos um doseamento sérico (85,7%), e foram aqueles, que em geral, tiveram mais do que um doseamento. Em contrapartida, verificou-se uma percentagem baixa de determinações plasmáticas naqueles medicados com xantinas (22.3%), digitálicos (19,4%) e anticonvulsivantes.(5,3%) O maior número de doseamentos inadequados verificou-se nas xantinas (54,5%), aminoglícosideos (27,3%) e anticonvulsivantes (9,1%). Conclusões: O presente estudo parece demonstrar que a monitorização dos medicamentos sorodoseáveis no idoso nem sempre é realizada, principalmente em fármacos utilizados de forma crónica. Em geral, apesar da maioria dos doentes ter função renal diminuída, obteve-se a dose indicada, para a concentração desejável de fármaco no sangue. No entanto, fármacos como os antibióticos aminoglícosideos, com margens terapêuticas estreitas, ainda são um desafio. É necessária a implementação de estratégias de modo a aumentar o uso da monitorização terapêutica nos fármacos sorodoseáveis no idoso.
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