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7,563
Concussão cerebral no mundo do desporto : um olhar global
Traumatismo crânio-encefálico,Desportos
Introdução: A concussão cerebral corresponde a cerca de 21,4% do total de traumatismos cranianos nos EUA, tendo ganho um mediatismo crescente junto da comunidade médica e da sociedade civil. A prática desportiva é fonte de grande parte dos números desta lesão. Objetivo: O intuito desta revisão bibliográfica é analisar o atual estado da arte, em torno da concussão cerebral, tentando abordar a multiplicidade de tópicos a ela associados, reunindo-os num só artigo, com o pressuposto de colmatar as dificuldades da dispersão de publicações científicas nesta área. Materiais e Métodos: Para a realização deste artigo, houve necessidade de recorrer a alguns critérios de inclusão como a data da publicação, o tipo de estudo, as condições em que este se realizou e o tema global do artigo. Desta forma, uma seleção de 120 referências bibliográficas foi realizada após leitura cuidada de títulos, abstracts e conclusões. Conclusões: A concussão cerebral é uma patologia preocupante e com grande impacto social (300.000 casos por ano, nos EUA), sendo mais frequente em desportos de equipa e de contacto, em crianças e adolescentes e com maior incidência em mulheres. A sua fisiopatologia é mais complexa do que a sua sintomatologia inicial faria prever, sendo que o esclarecimento da cascata neurometabólica e da sua relação com as alterações do fluxo sanguíneo cerebral, equilíbrio hidroeletrolítico, lesões do citoesqueleto e neuroinflamação tem permitido antecipar características nosológicas como a duração da recuperação, a gravidade da sintomatologia e potenciais efeitos a longo prazo. São sistemáticos os estudos que afirmam a necessidade de resolução sintomática completa antes do regresso pleno à atividade desportiva. Em caso de incumprimento, o risco de desenvolvimento de complicações aumenta, sendo os síndrome pós-concussional e síndrome de segundo impacto dois dos quadros preocupantes a considerar. De todas as complicações a longo prazo, a encefalopatia traumática crónica tem merecido especial destaque, sendo descrita há largos anos, como consequência de traumatismos associados ao desporto. De entre outras patologias com crescente associação a concussões repetidas destacam-se a doença de Alzheimer, Parkinson e esclerose lateral amiotrófica. Estudos recentes demonstraram que, em doentes com história de traumatismos cranianos repetidos, a mortalidade por doenças neurodegenerativas é superior à da população geral. Contudo, são necessários estudos longitudinais que permitam analisar metodicamente e com critério a influência real da concussão cerebral no despoletar precoce de doenças neurodegenerativas.
Ciências Médicas e da Saúde
7,564
Terapêutica fotodinâmica em dermatologia : casuística nos Hospitais da Universidade de Coimbra
Fotoquimioterapia,Dermatologia
A utilização da Terapêutica Fotodinâmica tem aumentado nos últimos anos, tendo emergido como um método de tratamento não-invasivo bastante promissor na área da Oncologia. Em Dermatologia a Terapêutica Fotodinâmica é utilizada no tratamento de diversas patologias oncológicas e não oncológicas. O meu trabalho final de 6º ano teve como objectivo fazer uma revisão da bibliografia publicada relativamente às aplicações da Terapêutica Fotodinâmica em Dermatologia, nomeadamente mecanismos de acção, agentes fotossensibilizantes, fontes de radiação, indicações terapêuticas, segurança e efeitos adversos. Foi ainda realizada uma casuística dos doentes tratados com Terapêutica Fotodinâmica nos Hospitais da Universidade de Coimbra, baseada na consulta dos processos clínicos, tendo os seus resultados em termos de eficácia e segurança sido comparados com os da bibliografia revista. A Terapêutica Fotodinâmica envolve a administração de um agente fotossensibilizante, a sua acumulação nas células alvo, seguida pela irradiação selectiva da lesão com radiação de comprimento de onda apropriado. O fotossensibilizante é excitado pela irradiação, sendo a energia posteriormente transferida para o oxigénio molecular ocorrendo a formação de espécies reactivas de oxigénio, que vão oxidar componentes celulares essenciais. Os mecanismos envolvidos na Terapêutica Fotodinâmica incluem citotoxicidade directa, dano vascular e resposta imune inflamatória. Em Dermatologia utilizam-se como principais fotossensibilizantes, os precursores da protoporfirina IX, como o ácido 5-aminolevulínico e o aminolevulinato de metilo. A fonte de radiação deve ser escolhida em função do espectro de absorção do fotossensibilizante, da capacidade de penetração nos tecidos e da potência do efeito fotodinâmico desejado. Utilizam-se três tipos de fontes de radiação: lâmpadas de amplo espectro, lâmpadas de diodo e lasers. A Terapêutica Fotodinâmica tópica está aprovada, em diversos países, no tratamento de queratoses actínicas, carcinomas basocelulares e doenças de Bowen. Estas indicações clínicas estão bem estudadas e comprovadas em numerosos estudos clínicos. Contudo, o campo das suas aplicações em Dermatologia tem vindo a expandir-se nos últimos anos, com estudos clínicos no tratamento de diversas dermatoses inflamatórias e infecciosas. A Terapêutica Fotodinâmica é segura e bem tolerada. Os seus principais efeitos adversos são a sensação de queimadura, picada, ou dor restrita à área irradiada, eritema, edema e prurido. A revisão bibliográfica efectuada, bem como os dados resultantes da casuística permitiram concluir que a Terapêutica Fotodinâmica é eficaz e segura, com vantagens importantes relativamente a outras modalidades terapêuticas. Por enquanto as suas utilizações em Dermatologia estão restritas às indicações clínicas aprovadas, mas espera-se que no futuro o seu campo de aplicação se possa estender a outras patologias dermatológicas.
Ciências Médicas e da Saúde
7,565
O olfacto na doença de Parkinson
Olfato,Doença de Parkinson
Introdução: Tem havido um reconhecimento crescente de que a Doença de Parkinson (DP) constitui não só um distúrbio motor, mas também uma doença sistémica com múltiplas manifestações não motoras. Uma das mais relevantes constitui o défice olfactivo que parece ocorrer precocemente e ao longo de toda a progressão da doença. A avaliação olfactiva afigura-se como um ferramenta particularmente útil no diagnótico precoce e diferencial da DP. Objectivo: Caracterizar a função olfactiva numa amostra de pacientes com DP e avaliar a relação da mesma com determinantes clínicos e epidemiológicos. Design do estudo: Estudo prospectivo analítico observacional tipo caso-controlo. Doentes e métodos: Foram avaliados clinicamente 45 indivíduos com DP e 30 indivíduos normais através da avaliação neurológica e do protocolo de olfacto (teste do limiar olfactivo e supraliminar). Resultados: Os limiares olfactivos dos indivíduos com DP foram significativamente superiores aos dos controlos (p<0,05). A capacidade de identificação olfactiva dos doentes parkinsónicos foi inferior à dos controlos (p<0,05). As alterações observadas foram independentes da sintomatologia motora, não motora e do número de sintomas actuais. Conclusões: A disfunção olfactiva constitui um fenómeno muito prevalente na DP. A sua avaliação revela-se especialmente pertinente não só no diagnóstico precoce, mas também na identificação e orientação de pacientes com maior compromisso da sua segurança e qualidade de vida.
Ciências Médicas e da Saúde
7,566
A influência da prática de exercício físico regular no idoso diabético tipo 2
Idoso,Exercício físico,Diabetes mellitus do tipo 2
Introdução: A Diabetes Mellitus tipo 2 é uma doença crónica, cuja prevalência está intimamente ligada ao envelhecimento populacional. Apresenta-se como a epidemia do século XXI, representando um dos mais sérios problemas a nível de saúde pública. O aumento do número de casos na Sociedade Portuguesa requer a adopção de estratégias que possam contribuir para a sua prevenção e tratamento, não só pelos riscos associados, mas também pelos problemas sociais e económicos que acarreta. Objectivo: O objectivo deste trabalho é apresentar uma revisão bibliográfica acerca do efeito do exercício físico regular na Diabetes Mellitus tipo 2, especificamente em doentes idosos, tendo em conta as suas particularidades. Desenvolvimento: O envelhecimento da População Portuguesa, bem como as alterações nos padrões comportamentais são responsáveis pelo aumento da prevalência da Diabetes Mellitus tipo 2. A Diabetes Mellitus tipo 2 é uma doença crónico-degenerativa e representa 90 -95% de todos os casos de Diabetes. Caracteriza-se por hiperglicémia crónica, resultante de resistência e/ou deficiência na secreção de insulina. Particularmente no idoso, esta doença requer cuidados adicionais e específicos devido às complicações e às co-morbilidades frequentemente associadas. Além disso, são doentes frágeis com uma heterogeneidade clínica que dificulta a abordagem terapêutica. O tratamento assenta em três pontos fundamentais: alimentação adequada, actividade física/exercício físico e terapêutica medicamentosa sempre que se justifique. São muitos os benefícios decorrentes da prática de exercício físico regular pelos diabéticos. Destaca-se a regularização do peso corporal, aumento da sensibilidade à insulina e tolerância à glicose que se traduzem por melhorias no controlo glicémico, melhor funcionamento do sistema cardiovascular, e bem-estar físico e mental. Tanto o exercício aeróbio como o exercício de resistência se mostraram eficazes na obtenção destes objectivos, como referido em várias guidelines. Recentemente a combinação destes dois tipos de exercício parece ser o programa ideal para um controlo adequado, que se traduz na diminuição da hemoglobina glicosilada. Conclusões: A Diabetes constitui uma doença com prevalência crescente, cujas consequências podem ser minimizadas através da alteração dos hábitos de vida. O exercício físico é considerado um dos pilares do tratamento, constituindo uma forma de intervenção eficaz quando realizado no âmbito de um programa estruturado e orientado. O exercício físico aeróbio é o tipo de exercício tradicionalmente prescrito. No entanto, verificaram-se benefícios adicionais com a prática de exercício de resistência, nomeadamente no idoso. Assim sendo, efeitos incrementais são conseguidos com a combinação dos dois tipos de exercício.
Ciências Médicas e da Saúde
7,568
Cistectomias radicais por tumor vesical : valor prognóstico das características clínicas, analíticas e patológicas pré-operatórias
Neoplasias da bexiga,Cistectomia
Objetivo: Análise retrospetiva do valor prognóstico de fatores clínicos, bioquímicos e anatomopatológicos pré-cistectomia radical (CR) por tumor urotelial vesical. Métodos: Foram recolhidos dados dos processos de 184 doentes submetidos a cistectomia radical. Análise descritiva, univariada e de sobrevivência com SPSS 20®. Resultados: Dos 184 doentes, com idade média de 67,9 (38-86) anos, 83,2% do sexo masculino, 147 (79,9%) foram intervencionados por tumor urotelial musculo-invasivo (TMI). Após a cistectomia, o tempo de seguimento médio foi de 22.5 meses. O tempo médio para recorrência foi de 14.9±16.3 meses e, globalmente, a taxa de sobrevivência aos 12 meses de cerca de 76,3%. Factores prognósticos relacionados com: (a) resultados perioperatórios: Valores séricos de hemoglobina ≥10,5g/dl, de albumina ≥3,5g/dl e creatinina ≤1,2mg/dl pré cistectomia estiveram associados a menor mortalidade (p≤0,010) e complicações (p<0,05) no internamento. Valores elevados de creatinina sérica apresentaram maior taxa de deiscência da ferida operatória (p=0,007), que foi o motivo mais frequente de reintervenção no internamento. (b) resultados oncológicos na peça operatória de cistectomia: fumadores apresentaram piores resultados quanto à invasão ganglionar tumoral na peça operatória (p=0,010). No primeiro diagnóstico de tumor vesical, a presença de hematúria macroscópica condicionou menor upstaging (p=0,016), menos margens tumorais invadidas (p=0,045) na peça de cistectomia e ausência de doença metastática (p=0,025). Estadiamento ≥pT3 na última ressecção transuretral vesical (RTU-V) pré-cistectomia mostrou uma maior percentagem de gânglios invadidos por tumor (p=0,030). Valores baixos de hemoglobina e albumina e elevados de creatinina e PCR séricas pré-cistectomia estiveram globalmente associados a mau prognóstico na avaliação oncológica pós cistectomia. Tumores musculo- invasivos com tumor não-musculo-invasivo prévio revelaram-se, significativamente, tumores mais bem diferenciados (p=0,044) relativamente a TMI primários. (c) resultados oncológicos a longo prazo: Doentes com TMI recorrente sobreviveram mais tempo em relação a doentes com TMI primários (p=0,812). Hematúria macroscópica no primeiro diagnóstico de tumor vesical e valores “normais” de hemoglobina, albumina, creatinina e PCR plasmáticas pré-cistectomia determinaram melhor sobrevivência livre de doença (p=0,112; p=0,021; p=0,041; p<0,001; p=0,012, respetivamente). Hemoglobina e albumina séricas diminuídas antes de cistectomia foram preditores de maior taxa de recorrência tumoral (p=0,019; p=0,021). Conclusão: Este estudo unicêntrico obteve taxas aceitáveis de mortalidade no internamento e de sobrevivência a longo prazo para doentes submetidos a cistectomia radical. Realça-se o valor prognóstico da hematúria como clínica de apresentação inicial, dos valores analíticos pré cistectomia de albumina e PCR e, em particular, hemoglobina e creatinina, fatores que poderão ser alvo de um estudo mais detalhado em próximos trabalhos.
Ciências Médicas e da Saúde
7,569
Incretinas : actualização do conceito, novas moléculas e indicações
Incretinas,Diabetes mellitus do tipo 2
A Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma patologia crónica que acarreta uma morbi-mortalidade bastante elevada. Infelizmente, a sua prevalência tem vindo a aumentar drasticamente nos últimos anos. Foi desenvolvida, recentemente, uma nova abordagem da terapêutica desta doença que se baseia na fisiologia das incretinas. Este trabalho pretende definir o conceito de incretina, traçar os perfis de segurança, tolerabilidade e eficácia da terapêutica da DM2 baseada nessas hormonas, apontar as suas indicações actuais e expor as suas vantagens relativamente aos outros antidiabéticos disponíveis. Para a realização do mesmo, consultaram-se artigos científicos publicados e referenciados na MedLine/ PubMed. Actualmente, são conhecidas 2 hormonas que se adequam à definição de incretina – glucose-dependent insulinotropic polypeptide (GIP) e glucagon-like peptide-1 (GLP-1). Estas hormonas são produzidas no tracto gastrointestinal e são lançadas para a circulação sanguínea em resposta à ingestão de nutrientes, aumentando a secreção de insulina. Contudo, as incretinas possuem uma semi-vida curta, uma vez que são rapidamente degradadas por uma enzima, a Dipeptidil-Peptidase 4 (DPP-4). Para além dos efeitos pancreáticos, as incretinas possuem importantes funções noutros tecidos, uma vez que demonstram, entre outras, a capacidade de controlar o apetite, não aumentar o peso e exercem efeitos benéficos a nível cardiovascular, papéis que devem ser valorizados, visto que a maioria dos doentes com DM2 apresenta excesso de peso ou obesidade e sofre, simultaneamente, de doença cardiovascular, sendo que a DM2 constitui, por si só, um risco acrescido para a última. O tratamento da DM2 baseado nas incretinas consiste em 2 grupos distintos de fármacos: os incretino-miméticos e os potenciadores das incretinas. Os primeiros, exercem actividade similar à das incretinas e são resistentes à inactivação da DPP-4 e os segundos são constituídos pelos inibidores da DPP-4, que aumentam a semi-vida das incretinas endógenas, potenciando, assim, a sua actividade.
Ciências Médicas e da Saúde
7,570
Pielonefrite aguda : diagnóstico e tratamento
Pielonefrite,Diagnóstico,Terapia,Urologia
Objectivo: Este artigo de revisão tem como objectivo fazer um resumo da evidência científica publicada nos últimos 5 anos relativa ao diagnóstico e tratamento de Pielonefrite Aguda, tanto em adultos como em crianças. A Pielonefrite Aguda é uma infecção relativamente comum que pode deixar lesões parenquimatosas irreversíveis ou levar à morte do doente e que, por outro lado, implica gastos hospitalares elevados. Métodos: Efectuou-se uma pesquisa de textos na PubMed, utilizando os termos Mesh “Acute”, “Pyelonephritis”, “diagnosis”, “therapy” e “radiography”, em diferentes combinações. Resultados: Foram encontrados 65 documentos na pesquisa efectuada. Dos 65 foram seleccionados 41 textos. Foram apenas seleccionados os artigos relacionados com a clínica e avaliação laboratorial, comparação de métodos imagiológicos na avaliação de Pielonefrite Aguda, comparação da eficácia de diferentes planos terapêuticos, tanto em adultos como em crianças. Escolheram-se alguns textos que incluíssem populações mais específicas, como diabéticos e grávidas. Conclusão: O diagnóstico de Pielonefrite Aguda, no adulto, baseia-se essencialmente na clínica e nos achados laboratoriais, estando indicada a realização de exames imagiológicos quando a doença é severa, em pacientes de risco ou quando não existe resposta à terapêutica. O diagnóstico na criança é feito com o recurso à cintigrafia com ácido dimercaptosuccínico marcado com Tecnécio-99m. Têm-se feito esforços no sentido de encontrar um meio diagnóstico menos invasivo. Não existe consentimento quanto à terapêutica mais eficaz. A escolha do antibiótico deve ser feita tendo em conta as características específicas da população em causa bem como o espectro de resistência aos antibióticos. Deve-se iniciar tratamento empírico o mais rápido possível. Actualmente, existe uma tendência progressiva para encurtar o tempo de tratamento de modo a evitar o desenvolvimento de novas resistências aos antibióticos. Sempre que possível, deve-se utilizar a via oral. Estudos estão a ser elaborados no sentido de esclarecer o papel dos anti-inflamatórios e imunomoduladores no tratamento da Pielonefrite Aguda.
Ciências Médicas e da Saúde
7,572
Síndromes coronárias agudas depois dos oitenta anos : realidade actual e implicações clínicas
Idoso,Doença coronária
Introdução As síndromes coronárias agudas constituem uma das principais causas de morbilidade e mortalidade nos idosos. Estudos sugerem que cerca de 80% das mortes atribuídas à doença coronária ocorrem em indivíduos com mais de 65 anos. O atraso na procura médica, a apresentação clínica atípica, as comorbilidades associadas, a menor tolerância à isquémia e o maior compromisso da função cardíaca são causas apontadas para o pior prognóstico destas síndromes nos idosos. Melhorar a sobrevida deste grupo de risco exige o conhecimento da fisiopatologia do idoso e o diagnóstico mais atempado na tentativa de adoptar a estratégia terapêutica mais efectiva. Objectivos Comparar a taxa de mortalidade e a ocorrência de eventos cardíacos major adversos aos 1, 6 e 12 meses em doentes com mais de 80 anos, internados por Síndrome Coronária Aguda, com a de doentes de idade compreendida entre os 70 e 80 anos. Metodologia Os 597 doentes consecutivos foram divididos em 2 grupos em função da idade (]70;80], n=423; >80anos, n=174) e caracterizados relativamente a parâmetros demográficos, antecedentes patológicos, hábitos medicamentosos, resultados analíticos, classe de Killip e abordagem terapêutica. Utilizaram-se as curvas de Kaplan-Meyer para descrever a sobrevida e eventos cardíacos major adversos. Resultados A análise estatística demonstrou não haver diferença significativa relativamente à prevalência de importantes preditores de mortalidade nas síndromes coronárias agudas, nomeadamente, fracção de ejecção, classe Killip, glicémia e valor máximos de troponina na admissão. Constatou-se a ausência de aumento significativo da taxa de mortalidade (1, 6 e 12 meses) e da ocorrência de eventos cardíacos major adversos (1, 6 e 12 meses) nos dois grupos. Apesar disso, o grupo com idade superior a 80 anos foi submetido a uma estratégia invasiva com menor frequência (30,5 vs. 49,9%; p<0,001). Conclusões Efectivamente vários estudos consubstanciam a realidade demonstrada nesta investigação, isto é, que a opção por uma estratégia invasiva precoce (realização de angiografia e eventual revascularização) declina com a idade. Por outro lado, o maior benefício dessa estratégia, traduzido na redução efectiva da taxa de mortalidade e re-enfarte a longo prazo, é obtido pelos indivíduos de maior risco, onde se incluem os idosos. Portanto, não fosse o receio de complicações, faria todo o sentido tratar as síndromes coronárias agudas nos idosos com uma abordagem agressiva.
Ciências Médicas e da Saúde
7,573
Estudo da regeneração hepática por métodos cintigráficos no doente idoso submetido a hepatectomia
Hepatectomia,Neoplasias do fígado,Idoso
Introdução:!Mais'de'50%'dos'tumores'hepáticos'ocorrem'em'doentes'com'idade'igual' ou'superior'a'65'anos.'A'resseção'hepática'continua'a'ser'a'melhor'opção'terapêutica' potencialmente' curativa.' Em' doentes' idosos,' a' avaliação' da' capacidade' de' regeneração'funcional'hepática'é'fundamental'para'minimizar'a'insuficiência'hepática' pósToperatória.' Objetivos:! Estudo' da' regeneração' funcional' hepatocelular,' através' da' quantificação' cintigráfica'da'Fração'de'Extração'Hepática'(FEH)'da'Mebrofenina,'em'doentes'idosos' submetidos'a'hepatectomia'parcial,'comparativamente'aos'doentes'não'idosos.' Material! e! Métodos:! Incluídos,' retrospetivamente,' 102' doentes' submetidos' a' hepatectomia' parcial' por' lesões' hepáticas' primárias' ou' secundárias.' Estudados' 2' grupos:'Grupo'A'–'58'doentes'com'idade'<65'anos'(33'homens;'53,9±8,7'anos);'Grupo' B' –' 44' doentes' com' idade' ≥65' anos' (32' homens;' 71±5' anos).' Estes' grupos' eram' equiparáveis'em'diversos'parâmetros'clínicos/analíticos'com'exceção'da'presença'de' cirrose' (mais' comum' no' Grupo' B;' todos' os' doentes' classe' A' ChildTPugh)' e' do' diagnóstico' inicial' (Lesões' primárias' –'Grupo' B;'Metástases' –'Grupo' A).' A' avaliação' cintigráfica'da'FEH'foi'realizada'antes'da'cirurgia,'ao'5º'e'ao'30º'dia'pósThepatectomia,' sendo'avaliada'a'semiTvida'do'radiofármaco'(T½)'e'o'tempo'de'concentração'hepática' máxima' (Tmáx).' Uma' FEH' de' 99±0,4%' (Média±Desvio' Padrão)' corresponde' a' uma' função' hepática' normal.' Efetuado' estudo' estatístico' com' análise' uni' e'multivariada' com'recurso'ao'software$Statistica®,'versão'7,'e'SPSS®'versão'19.' Resultados:!A'mortalidade'e'morbilidade'foram,'respetivamente,'de'3,4%'e'12,1%'no' grupo' A,' e' 2,3%' e' 11,4%' no' B' (n.s.).' Os' valores' de' FEH,' T½(min)' e' Tmáx(min)' não' apresentaram'diferenças'significativas'entre'os'dois'grupos:'Grupo'A'(préToperatório:' FEH=99,2%±1,5%;' T½=36,7±21,3;' Tmáx=15±6.' 5º' dia:' FEH=96,3%±10,8%;' T½=76,4±75,9;' Tmáx=13,3±4,9.' 30º' dia:' FEH=98,4%±5,5%;' T½=38,6±7,7;' Tmáx=12,8±3,6);' Grupo' B' (préToperatório:' FEH=95,3%±13%;' T½=38,1±24,1;' Tmáx=15,9±9,4.' 5º' dia:' FEH=98,4%±2,6%;' T½=106,6±131,7;' Tmáx=15,1±6,2.' 30º' dia:' FEH=99%±2,1%;'T½=40,5±27;'Tmáx=15,5±6,7).'' Estudo'da'Regeneração'Hepática,'por'Métodos'Cintigráficos,'no'Doente'Idoso'submetido'a'Hepatectomia'! Conclusões:!O'nosso' estudo' sugere'que' a' regeneração' funcional'hepatocelular' após' hepatectomia'parcial'é'precoce,'rápida'e'sobreponível'entre'doentes'idosos'e'doentes' mais' jovens.' Assim,' a' idade' por' si' só,' não' parece' representar' uma' contraindicação' absoluta'para'hepatectomia.'
Ciências Médicas e da Saúde
7,574
Tromboembolia pulmonar : estratificação do risco e terapêutica
Embolia pulmonar,Terapêutica,Pneumologia
Introdução: A tromboembolia pulmonar é uma emergência médica que constitui um importante problema de saúde, por apresentar risco significativo de morbilidade e mortalidade sendo uma das principais causas de morte prevenível em doentes hospitalizados. Objectivo: Fazer uma revisão bibliográfica relativa à estratificação de risco e terapêutica da tromboembolia pulmonar. Desenvolvimento: A tromboembolia pulmonar é uma apresentação grave do tromboembolismo venoso com taxas de mortalidade elevada nos doentes não tratados. A estratificação do risco é fulcral como auxiliar no acompanhamento dos doentes com tromboembolismo pulmonar. Baseia-se inicialmente no equilíbrio hemodinâmico do doente (estável ou instável), e depois na clínica, marcadores de disfunção ventricular direita e marcadores de sofrimento miocárdico. Existem ainda outros índices baseados na clínica para estratificar os doentes com tromboembolia pulmonar – o índice de gravidade do embolismo pulmonar e a estratificação por oximetria de pulso. A terapêutica e os exames complementares realizados a cada doente dependem da classe de risco que lhe foi atribuída. A instituição precoce do tratamento adequado diminui consideravelmente a taxa de mortalidade nestes doentes. Conclusão: A estratificação do risco na tromboembolia pulmonar deve ser feita precocemente, sendo fundamental na escolha da terapêutica mais adequada e atempada, o que melhora a sobrevida dos pacientes. Actualmente, o tratamento da tromboembolia pulmonar consiste essencialmente na administração de heparina, heparina de baixo peso molecular ou fondaparinux, concomitantemente ou seguida por antagonistas orais da vitamina K por um mínimo de 3 meses.
Ciências Médicas e da Saúde
7,575
A vacinação contra o HPV para além do Plano Nacional de Vacinação
Papilomavírus humano,Vacinação
Introdução: O estabelecimento da relação causal entre a infecção persistente pelo Papiloma Vírus Humano (HPV) de alto risco e o cancro cervical, conduziu ao aparecimento recente de vacinas profiláticas. O HPV de alto risco foi também identificado como factor causal de 78,3% dos cancros do canal anal, 40,1% dos cancros da vulva, 47,9% dos cancros do pénis e 35,6% dos cancros da orofaringe. A vacinação contra o HPV foi incluída no Plano Nacional de Vacinação, o qual não abrange mulheres nascidas antes de 1992 nem a população masculina. Objectivos: Este trabalho tem como objectivos estudar a eficácia e segurança da vacinação nos dois grupos referidos anteriormente, com destaque para as mulheres com mais de 26 anos, faixa etária a partir da qual a utilização da vacina foi recentemente aprovada pela União Europeia. Outros dos objectivos serão perceber o lugar da vacinação na prevenção dos cancros não cervicais e o papel da citologia cervical na era da vacinação. Desenvolvimento: Estudos populacionais, realizados em alguns países, acerca da prevalência da infecção do HPV por grupos etários mostraram a existência de um segundo pico, após os 26 anos de idade. Se este aumento se deve a mudanças nos comportamentos sexuais destas mulheres, com aquisição de novas infecções ou a reactivação de uma infecção latente devido à imunosenescência e ao baixo nível de protecção conferido pela infecção natural, ainda não é claro. Estudos revelam que a vacinação é eficaz e segura neste grupo etário. 3 Ao mesmo tempo que a incidência do cancro cervical diminui em países com programas de rastreio organizados, a incidência de outros cancros não cervicais relacionados com o HPV aumentou, tanto em homens como em mulheres. Dado que uma porção substancial dos cancros não cervicais estão associados aos tipos de HPV de alto risco incluídos na vacina, as vacinas profiláticas podem ser promissoras nesta área. Nos homens a vacinação é também apoiada pela diminuição da incidência de verrugas genitais e a redução da transmissão da infecção a mulheres. Na era da vacinação, o rastreio do cancro do colo do útero não deve ser esquecido, podendo o mesmo vir a ser adaptado a uma nova situação epidemiológica gerada pela aplicação e eficácia da vacina. Conclusão: A vacinação contra o HPV surge assim como a primeira medida de prevenção primária activa na luta contra o cancro cuja eficácia não se limita à área da oncologia ginecológica, nem ao sexo feminino ou faixas etárias precoces.
Ciências Médicas e da Saúde
7,576
Luxação de próteses totais da anca : causas e tratamento
Prótese da anca,Luxações
O restabelecimento precoce e indolor da função articular e a perenidade do resultado alcançado, constituem os objectivos centrais da implantação de uma prótese total da anca (PTA). Para conseguir esse objectivo, torna-se necessário restabelecer tanto o centro de rotação da anca, quanto o “offset” femoral e o braço de alavanca dos músculos abdutores da anca, assim como conseguir igual comprimento dos membros inferiores. A prótese total da anca evoluiu significativamente ao longo das últimas duas décadas, no que concerne à melhoria do desempenho dos biomateriais que a compõem, tipo de cúpula de fricção articular, cimento ósseo, técnica cirúrgica usada para a sua fixação, implantação e desenho que deve ser muito próximo da anatomia da anca, entre outros. Neste contexto, o ortopedista têm à sua disposição uma gama alargada e múltipla de endopróteses articulares: implantes cimentados, não cimentados, híbridos, de revestimento, e com diversas cúpulas de fricção articular, metal-metal, cerâmico-cerâmico, cerâmico-polietileno altamente reticulado, metal-polietileno altamente reticulado e, mais recentemente, metal-cerâmico. Ainda assim, os componentes protéticos podem expressar uma superfície lisa ou rugosa, ser revestidos com biocerâmicos (hidroxiapatite, biovidros), com metal trabecular ou apresentarem uma implantação de iões metálicos (titânio). Por sua vez, o colo e cabeças femorais modulares ou com dupla modularidade, variação do ângulo cervicodiafisário da prótese e bem como a lateralização do fémur e, quando indicadas hastes femorais feitas por medida, permitiram uma diversidade alargada de estratégias intra-operatórias. Apesar destas melhorias, o desprendimento dos implantes devido, principalmente, às partículas de degaste dos biomateriais, continua a ser referida como a complicação major da PTA, levando à sua substituição a médio ou longo prazo. Outras complicações graves são a infecção periprotética e a luxação. O intuito principal deste trabalho foi proceder a uma descrição das causas e tratamento da luxação da prótese total primária da anca, recorrendo, para isso, a uma consulta da literatura publicada. A luxação da prótese total primária da anca tem uma frequência variável, com extremos entre os 0,3% e os 9%. Pode surgir, sob a forma de episódio único ou recidivante, em tempo precoce (até aos 2 meses do pós-operatório), ou como uma instabilidade secundária (após os 2 meses e nos 3-5 anos após a operação). Também, pode ocorrer muito mais tarde associada a amiotrofia no idoso. As causas mais frequentes de luxação da PTA incluem: a incorrecta orientação dos componentes protéticos durante a intervenção cirúrgica; a insuficiência muscular, secundária às lesões provocadas na abordagem cirúrgica; ou uma deficiente reconstituição da arquitectura da anca. Tenta-se explicar o mecanismo das luxações através do efeito “cam” ou de alavanca e da descoaptação dos componentes da prótese. O primeiro pode resultar do contacto do colo da haste femoral com o bordo da cúpula acetabular ou de um apoio anormal entre o colo e um obstáculo ósseo ou fibroso, efeito “pivot “. O outro mecanismo, pode ser favorecido por insuficiência dos músculos periarticulares, dimensão do espaço pericervical (grande cúpula/pequena cabeça femoral) ou consequência directa da perda da função retentiva da cápsula articular. Quando ocorre a luxação da PTA, esta deve à priori ser reduzida por manobras externas. O tratamento cirúrgico está indicado nas luxações recidivantes. Uma avaliação radiográfica do implante deve ser a primeira abordagem e, eventualmente, uma TAC, por forma a detectar o estado e posicionamento dos componentes ou a presença de conflito femoracetabular sem anomalia da orientação protética. Uma análise precisa da causa ou causas da luxação de PTA é indispensável para se poder definir a estratégia cirúrgica mais recomendada (reposição da cúpula acetabular, fixação de implante anti-luxante à cúpula de polietileno, implantação de uma nova cúpula de dupla mobilidade ou de cúpula acetabular constritiva, distalização da grande tuberosidade do fémur, substituição do colo femoral ou excisão artroplástica). Cada caso é um caso e constitui uma situação particular. É consensual que tudo se deve fazer para prevenir a ocorrência de uma luxação da PTA, por forma a evitar sofrimento físico e desgastes emocionais por parte do doente e, também, do cirurgião. A rigorosa avaliação clínica do doente, o estudo imagiológico adequado, a selecção do implante protético mais recomendado, a planificação pré-operatória cuidadosa, a execução técnica correcta, complementados por um programa de reabilitação pós-operatória bem conduzido representam, no seu todo, factores primordiais para alcançar o melhor resultado. Dentre todos, realça-se a técnica cirúrgica acreditando-se que no futuro será, ainda, mais rigorosa, uma vez que toda a cirurgia protética será assistida por computador.
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Derivações urinárias ortotópcas : indicações vantagens e desvantagens
Neoplasias da bexiga,Cistectomia
Objectivo: Abordar as indicações, contra-indicações, vantagens e desvantagens das derivações urinárias ortotópicas. Material e métodos: Realizei pesquisas de artigos científicos e de revisão na PubMed, com os termos: “Orthotopic Urinary Diversion”, “Cystectomy/Adverse effects”, “Cystectomy/Methods” e “Cystectomy/Contraindications/ Indications”. Limitei as pesquisas a humanos, às línguas inglesa, espanhola e portuguesa, e aos anos 1998 - 2011. Recorri ainda a 2 livros. Introdução: A neoplasia vesical é a 4ª mais frequente no homem e a 13ª mais frequente na mulher. Os doentes com tumores superficiais podem ser tratados com ressecção transuretral e/ou terapêutica intravesical, mas nos casos de tumores superficiais de alto risco e de tumores músculo-invasivos a cistectomia radical pode estar indicada. Doenças benignas como bexiga neurogénica e condições inflamatórias da bexiga também são indicações para cistectomia. Nos doentes cistectomizados há 3 opções para reestruturação do tracto urinário: derivações cutâneas incontinentes, derivações cutâneas continentes e derivações urinárias ortotópicas. Desenvolvimento: Homens, mulheres, idosos e obesos podem ser candidatos a uma neobexiga, desde que haja uma avaliação de risco com base em parâmetros oncológicos, físicos, psicológicos, técnicos e sociais. A insuficiência hepática ou renal, a incapacidade para auto-cateterização e uma margem distal uretral positiva na biópsia extemporânea contra-indicam absolutamente a reconstrução ortotópica. A existência de comorbilidades, irradiação pélvica pré-operatória, necessidade de quimioterapia adjuvante, patologia uretral e doença tumoral com elevado risco de recorrência constituem contra-indicações relativas e exigem ponderação. O esclarecimento das vantagens e desvantagens das derivações urinárias ortotópicas exige conhecimento sobre as suas complicações, morbilidade, mortalidade, resultados funcionais, segurança da sua aplicação e qualidade de vida que proporcionam. Discussão: As derivações urinárias permitem a micção pela uretra frequentemente com bons resultados funcionais e constituem uma opção segura mesmo em doentes oncológicos seleccionados. Comparando com o conduto ileal, permitem evitar a colocação de um estoma e preservar a imagem corporal, sem que a mortalidade e o risco de complicações graves sejam superiores. Quanto às desvantagens, incluem a necessidade de uma rigorosa selecção de candidatos e seguimento pós-operatório prolongado. Comparando com o conduto ileal, a técnica cirúgica é mais exigente e acarreta um risco superior de morbilidade. Ainda está por provar a sua superioridade na melhoria da qualidade de vida. Conclusão: A derivação urinária ortotópica deve ser oferecida a todos os doentes cistectomizados sem contra-indicações. Contudo, ainda está por esclarecer qual o tipo de derivação urinária mais vantajoso
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Manifestações otorrinolaringológicas da infecção pelo VIH
Otorrinolaringologia,Infecções por VIH
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) constitui uma verdadeira epidemia mundial. As manifestações otorrinolaringológicas estão presentes em grande parte dos doentes infectados. Podem surgir não só em fases iniciais da infecção, como manifestações inaugurais, mas também em fases avançadas. Com o objectivo de identificar as manifestações otorrinolaringológicas mais frequentes, as suas características clínicas, meios de diagnóstico relevantes e o respectivo tratamento, procede-se à revisão sistemática da literatura científica disponível. Se agrupadas consoante o local anatómico afectado, verifica-se que são mais frequentes as manifestações na cavidade oral, seguidas das de localização cervical, sinusal e otológica. Na globalidade podem resultar de processos infecciosos, inflamatórios ou neoplásicos. O diagnóstico das diferentes patologias baseia-se essencialmente na clínica, complementada com exames analíticos, endoscópicos e/ou imagiológicos. A identificação precoce destas manifestações por parte da classe médica permite o tratamento atempado e uma redução considerável na morbilidade, com consequente melhoria da qualidade de vida.
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O risco cardiovascular na diálise
Diálise,Doenças cardiovasculares,Factores de risco
As doenças cardiovasculares são a maior causa de morte da população sob terapia de substituição da função renal. Esta população tem, inclusive, um risco de desenvolver patologia deste aparelho até 20 vezes superior ao da população geral. Este risco aumentado inicia-se desde fases precoces da doença renal crónica e vai-se agravando ao longo do tempo, acompanhando a progressão da mesma. Os mecanismos através do qual se gera este risco elevado são decorrentes das características do estado urémico como a anemia, o aumento do volume extracelular, a calcificação arterial, entre outras, que, com o decorrer do tempo, vão gerar alterações estruturais e metabólicas a nível do miocárdio e dos vasos sanguíneos. Estas alterações colocam o aparelho cardiocirculatório numa posição fragilizada para responder a situações de stress hemodinâmico, como sobrecarga de volume e pressão ou hipotensão provocada pelo tratamento dialítico, podendo ocorrer, nesta situação, eventos cardiovasculares potencialmente fatais. Esta revisão pretende, não só explicar os mecanismos que levam ao elevado risco sob o qual se encontra esta população particular, mas também analisar os factores de risco mais comuns e a sua tradução na clínica. São ainda referenciadas as terapêuticas que já demonstraram poder condicionar alguma diminuição deste risco e influenciar positivamente a morbilidade e a mortalidade destes pacientes
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Perfil hematológico pré-operatório de doentes com meningiomas propostos para cirurgia de ressecção
Meningioma,Cirurgia,Hematologia
Os meningiomas são, na maioria tumores benignos, de crescimento lento, com origem nas células das meninges. O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico, sendo a cirurgia indicada para grandes meningiomas e/ou sintomáticos. Estes tumores são frequentemente associados a anomalias da coagulação, em particular hemorragias peri-operatórias, embora nalguns casos existam complicações tromboembólicas. A incidência e a etiologia destes fenómenos são desconhecidas, e pensa-se que alguns destes doentes já apresentem alterações da coagulação pré-operatoriamente. No entanto, a literatura é escassa, havendo apenas relatos de casos de coagulação intravascular disseminada (CID) durante a cirurgia, ou de outras complicações, em pequenas amostras de doentes operados a tumores cranianos. O objectivo deste estudo é contribuir para o melhor conhecimento e caracterização do perfil hematológico pré-operatório dos doentes com meningiomas, estabelecer possíveis correlações entre as variáveis analisadas e tentar formular estratégias para prevenção de complicações peri-operatórias. Realizou-se um estudo retrospectivo, observacional e descritivo de 116 doentes submetidos a cirurgia programada de ressecção de meningioma intracraniano, no período de 1 de Janeiro de 2007 a 31 de Dezembro de 2009 no CHC, EPE. Foram pesquisadas múltiplas variáveis: demográficas, clínicas, laboratoriais, histológicas, complicações e morte. Todos os dados recolhidos foram submetidos a tratamento estatístico, recorrendo à média e desvio padrão, mediana e intervalo interquartil e análise multivariada, utilizando a versão 13.0 do SPSS©. As variações foram consideradas significativas quando p <0,05. Dos 116 doentes analisados, a maioria eram do sexo feminino (71,6%; n=83), com idade média de 64±12anos (mínima 26 e máxima 84), 57,8% ASA II (n=67), e 33,6% (n=39) apresentavam mais de 3 comorbilidades. "PERFIL HEMATOLÓGICO PRÉ-OPERATÓRIO DE DOENTES COM MENINGIOMAS PROPOSTOS PARA CIRURGIA DE RESSECÇÃO" 4 A localização intracraniana mais frequente dos meningiomas foi a convexidade (62%), seguido da fossa posterior (7,2%) e parassagital (7,2%). O tipo histológico mais encontrado foi o fibroblástico 27,6% (n=32) e o grau I OMS 76,7% (n=89). No entanto, observou-se que a distribuição dos tipos histológicos e do grau OMS variou nos diferentes grupos etários. Salienta-se que o tipo rabdóide e grau III OMS, os mais agressivos e recidivantes, foram mais frequentes nos doentes com menos de 45 anos. Na amostra foram encontrados doentes com alterações pré-operatórias da hemoglobina (n=18), dos leucócitos (n=28), das plaquetas (n=11), do TP (n=2) e do TTPa (n=27). No total 8 doentes tiveram complicações (6 hemorragias, 1 CID, 1enfarte cerebral) e 5 morreram. Na análise comparativa entre os sexos, observou-se que nas mulheres os meningiomas são mais frequentes no grupo etário dos 45-65anos (57,8%), na classe ASAII (62,7%) e apresentavam valores inferiores de hemoglobina e superiores de plaquetas e de linfócitos. Por outro lado, o valor de plaquetas, linfócitos e TTPa diminuíram com a idade, enquanto os leucócitos e o número de doentes com TTPa alterado aumentaram com a idade. Ao comparar doentes com/sem alterações dos diferentes parâmetros analíticos, apenas se identificaram variações estatisticamente significativas, no grupo com leucócitos e TTPa alterados. O tipo rabdóide e o grau III OMS foi mais frequente no grupo com alterações leucócitos, e o grupo com TTPa alterado apresentou idades mais avançadas, mais leucócitos, e menos linfócitos e plaquetas. Na análise multivariada por regressão logística, identificou-se a trombocitopenia como factor de risco independente para ocorrência de complicações, e indícios do tipo secretor poder ser um factor predictivo de complicações. Apesar das alterações identificadas no perfil hematológico da amostra, à excepção do número de plaquetas, reconhecido como factor de risco independente para complicações, não foi identificado mais nenhum factor de risco hematológico pré-operatório. Em relação à ocorrência de complicações, os resultados podem ter sido influenciados pelo facto de todos os doentes da amostra terem feito o protocolo de profilaxia de CID (heparina e plasma), com excepção de um. A ocorrência de distúrbios hematológicos peri-operatórios, constitui uma complicação grave, com influência na morbimortalidade e outcome cirúrgico destes doentes. Assim, é indispensável investigar e conhecer melhor o perfil hematológico pré-operatório dos doentes com meningiomas, para que atempadamente seja diagnosticada alguma anomalia, se realize profilaxia e, se necessário, tratamento precoce.
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7,585
Terapêutica celular na diabetes mellitus tipo I : transplante de ilhéus encapsulados
Diabetes mellitus do tipo 1,Terapêutica
A Diabetes Mellitus Tipo 1 é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células-β produtoras de insulina, presentes nos ilhéus pancreáticos, que afeta vários milhões de pessoas mundialmente. A terapêutica base atual é a administração de insulina exógena, que embora permita um perfil glicémico semelhante ao fisiológico, tem eficácia incompleta, necessita de injeções frequentes e não elimina as complicações tardias da doença. A insulinodependência tem aparecimento precoce na vida dos doentes, levando à diminuição da qualidade de vida. Novas terapêuticas têm sido estudadas e a transplantação de ilhéus pancreáticos está no topo das alternativas, sendo menos invasiva e mais segura comparativamente ao transplante de pâncreas. A introdução do Protocolo de Edmonton tornou esta técnica mais eficaz, com insulino-independência em 70% dos pacientes transplantados, após dois anos, e níveis mais adequados de glicémia em comparação com a insulinoterapia intensiva. O conceito de encapsulamento de ilhéus surgiu para ultrapassar duas das principais dificuldades do transplante, disponibilidade limitada de órgãos e necessidade de terapia imunossupressora. O isolamento de ilhéus numa membrana semipermeável, em teoria, protege-as do ataque do sistema imune do hospedeiro, permitindo ainda a difusão de nutrientes, oxigénio, hormonas e metabolitos. Viabiliza também o uso de fontes de ilhéus xenogénicas permitindo ultrapassar a escassez de ilhéus humanos. Os dispositivos de encapsulamento podem ser fabricados com inúmeros materiais biocompatíveis, sendo o alginato um dos mais utilizados. A arquitetura, o diâmetro dos poros e a permeabilidade da membrana, influenciam a sobrevida dos ilhéus encapsulados. Existem inúmeros protocolos para a construção de cápsulas (macrocápsulas, microcápsulas e conformal coating), com o objetivo de otimizar diferentes processos, como a secreção de insulina, a imunoproteção, a neovascularização e a oxigenação dos ilhéus. A função e a viabilidade dos ilhéus encapsulados podem ser potenciadas por conjugação de vários materiais na construção da cápsula, co-encapsulamento com outros tipos de células e imunomodulação celular. Os estudos clínicos mostram redução gradual do sucesso do implante, ou seja, da insulino-independência. Contudo, a longo prazo, uma percentagem de doentes mantém uma função pancreática residual, com menores necessidades de insulina exógena, relativamente à fase pré-transplante, e maior estabilidade metabólica. O encapsulamento de ilhéus e o seu transplante não é ainda aplicado a nível clínico mas a investigação na área mostra-se promissora
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7,586
Cetoacidose diabética
Cetoacidose diabética,Diabetes mellitus
A cetoacidose diabética é uma entidade clínica descrita como uma complicação aguda da diabetes tipo 1, uma emergência médica, que pode levar à morte se não for tratada precocemente. Também há casos documentados de cetoacidose diabética em doentes com diabetes tipo 2, particularmente em diabéticos obesos de raça negra. É consequência de um défice ou mesmo ausência total de insulina, associado a um aumento relativo das hormonas contra-reguladoras, nomeadamente glucagon, catecolaminas, cortisol e hormona do crescimento, o que leva a um quadro de hiperglicémia, desidratação, cetose e acidose metabólica. Muitas vezes, tem um início insidioso, sendo precedida durante um ou vários dias por sintomas de descompensação diabética, como poliúria, polidipsia, náuseas e astenia, e pode ser a primeira manifestação de diabetes mellitus. Com este trabalho, pretende-se fazer uma revisão geral e prática, de acordo com a principal bibliografia publicada, dos principais aspectos da fisiopatologia da cetoacidose diabética, sintomatologia, factores precipitantes/ agravantes, medidas preventivas, tratamento, bem como das possíveis complicações que pode causar.
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7,587
Anemia da doença crónica
Anemia,Doenças crónicas
A anemia da doença crónica é a anemia mais prevalente, a seguir à anemia por défice de ferro. Trata-se de uma anemia hipoproliferativa, que se desenvolve no decurso de uma doença sistémica ou inflamatória, como resultado da activação aguda ou crónica do sistema imune. Foi descrita pela primeira vez, em 1930, mas só em 1950 foi caracterizada por Cartwrigh e Wintrobe. Na prática clínica, este tipo de anemia surge frequentemente em doentes hospitalizados e/ou associada a uma diversidade de patologias, nomeadamente doenças infecciosas, neoplásicas e auto-imunes. A anemia da doença crónica caracteriza-se por ser leve a moderada, normocítica e normocrómica, e por diminuição da concentração do ferro sérico, embora a quantidade de ferro a nível medular esteja normal ou mesmo aumentada. Os mecanismos fisiopatológicos são múltiplos, sendo de destacar a alteração da regulação da homeostasia do ferro, a diminuição da proliferação das células precursoras de eritrócitos, a diminuição da sobrevida dos eritrócitos e a alteração na produção de eritropoietina face ao grau de anemia. Em todo este processo é de salientar o papel do sistema imune, nomeadamente dos monócitos, dos macrófagos e dos linfócitos T activados, assim como o aumento de citocinas pró-inflamatórias como o TNFα, IFNγ, IL-1β, IL-6, entre outras. O diagnóstico diferencial com a anemia por défice de ferro é importante, no entanto, estas duas condições podem coexistir, pelo que é essencial uma avaliação laboratorial criteriosa. Alguns parâmetros a avaliar são o ferro e a transferrina sérica, o índice de saturação da transferrina, a ferritina sérica, o receptor solúvel da transferrina, a razão entre o receptor solúvel da transferrina e o log ferritina e os níveis de citocinas. O tratamento deste tipo de anemia passa pelo tratamento da doença de base. Quando este não é exequível é necessário recorrer a um conjunto de opções terapêuticas, sendo de destacar as transfusões de concentrados de eritrócitos, a administração de factores de crescimento eritróide, de terapêuticas anti-citocinas e de suplementos de ferro. A utilização destes agentes depende do grau da anemia, da doença subjacente e do estado geral do doente. Este trabalho procura fazer uma revisão teórica sobre os mecanismos celulares e moleculares envolvidos na etiopatogenia da anemia da doença crónica, as patologias que predispõem ao seu desenvolvimento, e a sua caracterização clínica e laboratorial, de modo a obter um diagnóstico correcto e o diagnóstico diferencial com outras condições similares. Por último, visa discutir a importância da terapêutica, em que situações é necessária, quais as opções disponíveis e os seus consequentes benefícios e riscos
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7,588
Abordagem dos cuidados de saúde primários no diagnóstico precoce do carcinoma prostático
Cuidados de saúde primários,Neoplasias da próstata
O adenocarcinoma prostático (CaP) é uma das patologias com maior número de novos casos por ano, sendo uma das grandes problemáticas da sociedade atual. A presente dissertação visou realçar a importância dos cuidados de saúde primários na abordagem atempada da neoplasia prostática e a sua fulcral contribuição para a prevenção, diagnóstico e reencaminhamento precoce dos doentes. Os principais temas abordados foram: prevalência, incidência e mortalidade do CaP; meios complementares de diagnóstico; impacto do diagnóstico precoce na mortalidade; sobrediagnóstico e sobretratamento; o doente e a família; e prevenção do CaP em estilos de vida. Para a elaboração deste trabalho, realizou-se uma pesquisa de artigos publicados 1989 e 2015 nos idiomas “Português”; “Inglês”; e “Espanhol”. Foi possível concluir que o CaP representa, a nível europeu, cerca de 12% de todas as neoplasias. Prevê-se um aumento gradual da incidência e da mortalidade. Denotou-se a importância da história clínica, exame objetivo e doseamento de PSA no diagnóstico precoce desta neoplasia. Novos estudos estão a ser desenvolvidos no sentido de encontrar um marcador mais sensível e específico que o PSA. Constatou-se que o rastreio alargado não está recomendado por não ter impacto significativo sobre a mortalidade. O sobrediagnóstico e o sobretratamento são problemas principais dos meios de diagnóstico atuais. Os cuidados de saúde primários devem acompanhar o doente e o respetivo agregado, identificando os principais obstáculos e atuando atempadamente de modo a manter o bem-estar físico e mental de cada elemento, a par da saúde da família. A prevenção primária, através da intervenção no estilo de vida dos indivíduos, é essencial para a diminuição da incidência da neoplasia prostática. No entanto, mais estudos são necessários de modo a estabelecer uma relação exata entre a dieta, a prática de exercício físico e a diminuição do risco de CaP.
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7,590
Complicações cirúrgicas do transplante renal
Transplantação do rim,Cirurgia
O transplante renal é hoje considerado o melhor tratamento para a doença renal terminal, proporcionando aos doentes maior sobrevivência e melhor qualidade de vida quando comparada com a diálise. Apesar de ser considerado um procedimento seguro, as suas complicações cirúrgicas constituem uma preocupação importante com impacto na morbilidade, mortalidade e nos custos em saúde. Este trabalho estuda e descreve as complicações pós-cirúrgicas da transplantação renal, abordando dados epidemiológicos, etiológicos e clínicos, bem como meios de diagnóstico, de tratamento e de prevenção para cada complicação, procedendo à revisão da literatura científica disponível. As complicações cirúrgicas são aqui agrupadas em vasculares, urológicas ou outras, consoante as estruturas anatómicas com que se relacionam. O diagnóstico e intervenção precoces diminuem a morbilidade associada à maioria das complicações descritas. Para o conseguir é importante apostar em medidas preventivas, que deverão ser tomadas desde a seleção do dador até ao follow-up do doente. Uma técnica cirúrgica e posterior vigilância adaptadas aos fatores de risco conhecidos e às características específicas do dador e do recetor são também cruciais
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7,591
Mais do que um pigmento vermelho natural : benefícios do licopeno
Pigmentos,Caroteno,Nutrição
O licopeno é um pigmento natural do grupo dos carotenóides encontrado abundantemente nos vegetais e frutos vermelhos, como o tomate, melancia e papaia, e presente, frequentemente, na dieta mediterrânica pela sua cor apelativa. Nos últimos anos, a evidência científica atribuiu-lhe um papel fulcral no combate ao stress oxidativo, um distúrbio da homeostasia presente na maioria das patologias crónicas. Deste modo, pela sua actividade antioxidante e antiproliferativa, o licopeno tem sido proposto como um agente eficaz na prevenção e tratamento de doenças crónicas. Com esta revisão aprofundei a intervenção do licopeno na prevenção de patologias crónicas, focando-me nas suas propriedades ao nível do stress oxidativo e abordando os seus benefícios na prevenção, principalmente, do cancro da próstata e da patologia cardiovascular. Foi ainda ponderada a dose de ingestão recomendada de licopeno e a possibilidade de suplementação deste nutriente como uma abordagem segura e saudável no ser humano. Como metodologia realizei uma pesquisa de artigos científicos publicados entre 2005 e 2012 na base de dados Medline com interface de pesquisa PubMed, utilizando as seguintes palavras-chave: "lycopene"; “tomato"; “bioavailability”; "antioxidant properties"; "antiproliferative properties"; "prostrate cancer"; “ health benefits”. Em estudos animais e in vitro, o licopeno demonstrou ser o mais eficaz antioxidante dentro do grupo dos carotenóides, exercendo a sua actividade através da neutralização de singletos de oxigénio e de radicais livres, da modulação de enzimas de fase II e da interferência com vias de sinalização de diferentes células, factores de crescimento e proteínas envolvidas na apoptose. Nos estudos epidemiológicos verificou-se forte evidência de redução do risco de cancro da próstata e patologia cardiovascular com o aumento quer da ingestão quer dos níveis séricos de licopeno. Contudo, os ensaios clínicos actuais sobre esta temática revelaram-se em número reduzido e com resultados controversos. Concluí que são necessários mais ensaios clínicos, randomizados e controlados, para tomar decisões a longo-prazo sobre a utilização do licopeno como componente de uma estratégia de prevenção e tratamento de patologias crónicas. Actualmente não é possível definir uma dose de ingestão segura e eficaz, porém, de qualquer forma, a ingestão de alimentos ricos em licopeno deve ser promovida, principalmente produtos processados à base de tomate, pois apesar de não totalmente comprovados os seus benefícios, a sua ingestão não apresenta evidências de efeitos deletérios na saúde.
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7,592
Ângulo bicôndilo-patelar : avaliação por radiologia convencional versus TC
Joelho,Radiologia,Diagnóstico por imagem,Estudo radiológico
Introdução: Em 1982, Delgado Martins descreve o ângulo bicôndilo-patelar e conclui que a báscula da patela diminui da extensão completa até aos 90° de flexão porém, a amostra reduzida e a falta de comparação destes ângulos com os valores de báscula obtidos por TC não permitiram considerar o ângulo bicôndilo-patelar como medida fiável da báscula patelar. Objectivos: Ampliamos o estudo de Delgado Martins através da medição do ângulo bicôndilo-patelar em 37 joelhos através da radiografia convencional e comparamos os valores obtidos com os valores de báscula dos mesmos joelhos obtidos por TC. Material e métodos: Foi então analisada uma amostra de 21 doentes que possuíam estudo imagiológico do joelho, nomeadamente radiografia axial a 30° de flexão e TC em extensão (com medição do ângulo de báscula) e realizou-se um estudo de concordância entre ambas as técnicas imagiológicas. Resultados: Verificou-se que o raio-X e o método de Delgado Martins possuem uma sensibilidade muito superior à especificidade (100% vs. 31%), facto que se revela extremamente importante pois permite a possibilidade de afirmar o método de Delgado Martins como um bom método para exclusão de casos de báscula patelar. Como se trata de uma técnica facilmente acessível numa simples consulta de rotina pode considerar-se como facilitadora na avaliação dos factores de risco major da instabilidade rotuliana, podendo evitar a realização de mais exames complementares de diagnóstico, realizando-se apenas a TAC nos casos cujos valores de báscula se encontrem no limite ou superiores ao limite validado por Delgado Martins. Todavia, não se verificou concordância estatisticamente significativa entre ambas as técnicas, porém dada a dimensão reduzida da amostra obtida conclui-se que estudos futuros devem ser realizados no sentido de validar ou não os resultados obtidos neste artigo.
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7,593
Artrite reumatóide : relação com HLADRB1 e seus efeitos na produção de anticorpos anti-CCP
Artrite reumatóide,Anticorpos,Reumatologia
Introdução: A artrite reumatóide é uma doença inflamatória auto-imune crónica que afeta em primeiro lugar as articulações sinoviais, embora possa ter, também, manifestações extra-articulares. Esta doença afeta cerca de 1% da população mundial. Desde há muitos anos que se tem vindo a estudar a componente genética ligada a esta doença e já várias hipóteses foram avançadas. Objectivos: Analisar a relação entre a artrite reumatóide e os alelos do locus DRB1 dos antigénios leucocitários humanos e a sua influência na suscetibilidade/proteção que os mesmos exercem no desenvolvimento desta patologia. Determinar a ligação entre os alelos do locus DRB1 dos antigénios leucocitários humanos e a produção de anticorpos anti-peptídeo cíclico citrulinado em doentes com artrite reumatóide. Desenvolvimento: De entre os vários genes apontados como associados à patogenia da artrite reumatóide, um certo número de alelos do locus DRB1 dos antigénios leucocitários humanos foram indicados como os principais responsáveis pela etiologia genética desta patologia, sendo que alguns conferem suscetibilidade e outros conferem proteção. Os alelos do locus DRB1 dos antigénios leucocitários humanos que predispõem para a artrite reumatóide contêm uma sequência de aminoácidos, chamada shared epitope, que determina a apresentação de determinados peptídeos auto-antigénicos aos linfócitos T. Os alelos do locus DRB1 dos antigénios leucocitários humanos que contêm a sequência shared epitope têm a capacidade de se ligar a peptídeos citrulinados derivados de autoantigénios, seguidamente, estes são apresentados aos linfócitos T e, consequentemente, é estimulada uma resposta imunitária, que leva à produção de anticorpos anti-peptídeo cíclico citrulinado. Artrite Reumatóide – Relação com HLA-DRB1 e seus efeitos na produção de anticorpos anti-CCP 5 Conclusões: Determinados alelos do locus DRB1 dos antigénios leucocitários humanos conferem suscetibilidade à doença, nomeadamente o alelo *0401, entre outros. Estes partilham a sequência de aminoácidos designada de shared epitope. Os alelos que não possuem a sequência referida, são considerados protetores. A presença do aminoácido ácido aspártico na posição 70 da terceira região hipervariável da cadeia DRB1 mostrou ter uma tendência protetora. Da mesma forma, os alelos do locus DRB1 dos antigénios leucocitários humanos com a sequência DERAA nas posições 70 a 74 da terceira região hipervariável demonstraram conferir proteção contra a doença. A produção de anticorpos anti-peptídeo cíclico citrulinado associa-se à presença de alelos do locus DRB1 dos antigénios leucocitários humanos, aumentando a suscetibilidade ao desenvolvimento de artrite reumatóide, no entanto, não foi possível inferir uma relação de causalidade direta entre ambos os fatores.
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7,594
Regurgitação mitral isquémica : uma abordagem multidisciplinar
Insuficiência da valva mitral,Doenças cardiovasculares,Cirurgia
Introdução: A regurgitação mitral isquémica (Rmi) representa um grande desafio à comunidade científica. Apesar do nosso conhecimento sobre esta patologia se ter desenvolvido de uma forma exponencial nos últimos quinze anos, ainda existe uma grande controvérsia na sua abordagem terapêutica. Objectivos: Esta revisão pretendeu expôr o estado actual dos conhecimentos acerca da Rmi crónica, incidindo na sua definição; epidemiologia; fisiopatologia; apresentação clínica; diagnóstico; tratamento; prognóstico e as perspectivas futuras nesta área. Métodos: Na elaboração desta revisão, efectuou-se uma pesquisa bibliográfica baseada em documentos seleccionados da base de dados eletrónica PubMed, utilizando palavras-chave relacionadas com o tema. Esta pesquisa focou-se essencialmente em artigos publicados nos últimos 15 anos. Resultados: A Rmi pode ser definida como a regurgitação mitral (RM) que ocorre como consequência de enfarte agudo do miocárdio (EAM) ou isquémia miocárdica crónica, na ausência de lesão estrutural do “aparelho valvular mitral” (dos folhetos, cordas tendinosas ou músculos papilares). Constitui uma complicação frequente do EAM podendo ocorrer em aproximadamente 20-25% dos doentes após enfarte e em 50% dos doentes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC) pós enfarte. Resulta de um processo multifactorial dinâmico que envolve o remodelling local e global do ventrículo esquerdo (VE) após o processo isquémico. Ainda que os mecanismos causais não estejam completamente esclarecidos, sabe-se que a Rmi é causada primariamente por uma doença do ventrículo e não por patologia da válvula mitral per si. A apresentação clínica desta patologia é heterogénea, podendo incluir desde sintomatologia isquémica até quadros típicos de insuficiência cardíaca (IC), ou ser clinicamente silenciosa. A ecocardiografia nas suas várias vertentes (transtorácica, transesofágica, tridimensional, de stress) assume um papel fundamental na sua avaliação. A Rmi tem um impacto negativo na sobrevivência do doente e no risco do aparecimento de sintomas de ICC Existe uma considerável controvérsia acerca dos benefícios relativos das várias abordagens terapêuticas: tratamento não cirúrgico versus tratamento cirúrgico, benefício da coronary artery bypass grafting (CABG) “isolada” versus a combinação da CABG com a cirurgia mitral e qual a abordagem cirúrgica mais adequada a realizar em cada caso (substituir ou reparar a válvula mitral?). Numerosos procedimentos cirúrgicos alternativos dirigidos ao “aparelho sub-valvular” (incluindo o VE) e abordagens percutâneas têm sido desenvolvidos nos últimos anos mas os resultados obtidos são controversos e necessitam de mais estudos . Conclusões: Apesar da considerável evolução no conhecimento da fisiopatologia e tratamento desta entidade, existem poucos dados conclusivos que suportem a decisão terapêutica. A reparação mitral tem sido a técnica cirúrgica eleita, pelo que é habitualmente recomendada a doentes com RM moderada-a-severa submetidos a CABG. A substituição com preservação do “aparelho sub-valvular” deve ser considerada em casos seleccionados: doentes debilitados de alto risco com diversas co-morbilidades, evidência de “tenting” severo dos folhetos, mecanismos complexos de RM ou ruptura aguda do músculo papilar. Neste contexto, é fundamental avaliar os factores de risco e comparar os benefícios a longo prazo para cada doente através de ensaios randomizados prospectivos multicêntricos.
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Hipertensos : a influência das suas crenças na adesão terapêutica
Hipertensão arterial,Doenças cardiovasculares,Terapêutica
Introdução A hipertensão arterial constitui o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares, principal causa de morbilidade e mortalidade em Portugal. Sabe-se que o doente desenvolve um padrão de crenças sobre a doença e sobre a sua medicação, que influenciam a adesão à terapêutica principalmente em patologias de carácter assintomático, como é o caso da hipertensão arterial. O objetivo deste trabalho é perceber qual o sentido de necessidade de tratamento e de preocupação com a toma da medicação que o doente hipertenso atribui à sua terapêutica específica para a hipertensão arterial em função das variáveis sociodemográficas. Adicionalmente, conhecer as crenças dos doentes no tratamento desta patologia e sua influência na adesão à terapêutica. Metodologia Estudo realizado durante cinco dias consecutivos de Fevereiro e Março de 2013, em Coimbra, incluindo como participantes uma amostra não-probabilística consecutiva de consulentes alfabetizados com o diagnóstico de hipertensão arterial, inscritos e registados nos sistemas informatizados dos Centros de Saúde da ACES Baixo Mondego I, cujos médicos constavam de uma lista de orientadores de formação específica em Medicina Geral e Familiar. Foi utilizado um questionário de autopreenchimento com informação sociodemográfica e o BMQ-specific – Beliefs about specific medicines questionnaire traduzido e validado para o português. A análise estatística foi realizada segundo as variáveis sociodemográficas sexo, idade e grau de escolaridade. Resultados O sexo masculino atribui um menor sentido de necessidade da sua terapêutica em relação com o sexo feminino. O grupo etário de idade superior a 64 anos, bem como os indivíduos com baixo grau de formação, cuja média de idades foi de 68 anos, revelam níveis de maior preocupação por desconhecerem os seus medicamentos. Discussão O sexo masculino revela uma menor crença na necessidade de tratamento que estudos relacionam com uma perceção menos negativa das consequências, cronicidade e sintomas da hipertensão arterial, traduzindo-se numa menor adesão e manutenção em terapêutica. Os doentes de idade inferior a 65 anos estão mais informados sobre os seus medicamentos, revelando menor nível de preocupação, assim como os indivíduos com média e elevada formação literária, cuja média de idades foi de 60anos, relacionando-se com uma possível melhor adesão. O grupo de baixa escolaridade, que revela maior média de idade, e a faixa etária superior a 64 anos preocupam-se mais com a medicação pelo desconhecimento que têm sobre a mesma. O médico deverá adequar a sua abordagem ao doente privilegiando a explicação da necessidade do tratamento crónico da hipertensão arterial aos homens, assim como esclarecer especialmente os mais idosos e menos letrados acerca dos medicamentos que constituem a terapêutica desta patologia. Conclusões Os doentes do sexo masculino atribuem um menor sentido de necessidade da terapêutica em relação ao sexo feminino. A idade superior a 64 anos e o baixo grau de escolaridade relacionam-se com um maior sentido de preocupação com a sua medicação antihipertensiva.
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Perfil de risco de doença cardiovascular em jovens adolescentes
Risco cardiovascular,Adolescente,Estilo de vida
Introdução: As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de mortalidade prematura e de anos de vida ajustados para a incapacidade (DALYs), na Europa. Consistem num grave problema de saúde pública, com grande impacto económico em que é imperativo intervir. Vários autores referem a necessidade da promoção da saúde e a prevenção da doença cardiovascular ser iniciada na infância. Neste sentido torna-se necessário informar e motivar os adolescentes na adoção de estilos de vida saudáveis. Objetivos: Este estudo visa avaliar o perfil de risco de doença cardiovascular em jovens adolescentes. Material e método: Estudo transversal que englobou 712 alunos inscritos no estabelecimento de ensino - Externato Cooperativo da Benedita; com idade compreendida entre os 12 e os 18 anos. Os dados bio fisiológicos foram colhidos com recurso aos instrumentos de medição: balança de bio impedância - Seca® 710, para aferir a massa corporal e Percentagem de Massa Gorda; o estadiómetro - Seca® para medir a altura; a fita métrica de antropometria - Rosskraft® para medir o perímetro da cintura e do quadril; o esfigmomanómetro digital – M6 Comfort e a braçadeira de 22 a 42cm - Confort M: Omron para avaliar a Tensão Arterial, e o sistema Accu-CheK® e Accutrend® para dosear em sangue capilar, a glicemia e colesterol, respetivamente. A análise estatística foi efetuada através do programa IBM SPSS Statistics versão 22. Os dados sociológicos foram aferidos através de questionários. As variáveis bio fisiológicas foram estratificadas segundo as recomendações internacionais. Resultados: Prevalência de fatores de risco: índice de massa corpora (excesso de peso 27% e obesidade 12%); razão cintura quadril (risco moderado 27% e alto risco 9%); percentagem de massa gorda (alta 14% e excessivamente alta 13%); hipertensão arterial 2%; anomalias do metabolismo da glicose 1%; hipercolesterolemia 6%; antecedentes familiares de evento cardiovascular prematuro 9%; tabagismo 17%; consumo de álcool 20%; atividade física insuficiente 40%. Constatou-se que o maior número de fatores de risco cardiovascular esteve predominantemente associado ao sexo feminino, jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos e com história familiar de eventos cardiovasculares prematuros. Também os jovens com índice de massa corporal e percentagem de massa gorda mais elevados, apresentaram um maior índice de fatores de risco cardiovascular. Por fim, os jovens adolescentes entre os 15 e os 19 anos de idade apresentaram piores comportamentos de risco para a saúde, bem como, piores resultados biológicos. Conclusões: Os resultados evidenciaram a necessidade de intervir, em idades precoces, na prevenção de doença cardiovascular, com incentivo de escolha de estilos de vida saudáveis, pelos adolescentes, com o envolvimento das famílias e da comunidade
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Manifestações extrapulmonares da sarcoidose
Sarcoidose,Pulmão
Introdução: A sarcoidose é uma doença multissistémica de etiologia desconhecida, que se caracteriza pela formação de granulomas inflamatórios nos órgãos envolvidos. O envolvimento pulmonar é a principal manifestação da sarcoidose, com adenopatias hilares ou envolvimento do parênquima à radiografia torácica. Objectivos: Fazer uma revisão bibliográfica relativa às manifestações extrapulmonares da sarcoidose. Desenvolvimento: A sarcoidose pode afectar qualquer órgão, sendo algumas manifestações mais comuns que outras. O envolvimento ocular traduz-se geralmente por uveíte granulomatosa. As manifestações neurológicas são caracteristicamente neuropatias cranianas (mais frequentemente do nervo facial), polineuropatia e meningite. As lesões cutâneas incluem lúpus pernio, eritema nodoso e pápulas ou placas. A sarcoidose cardíaca manifesta-se geralmente por cardiomiopatia e arritmias. Quanto às manifestações reumatológicas, pode existir poliartrite simétrica ou oligoartrite. A miopatia proximal é comum. O envolvimento dos aparelhos gastrointestinal e renal é raro. Podem surgir hipercalcémia e hiperuricémia. Conclusão: O curso da doença e o prognóstico são variáveis e o conhecimento das suas manifestações clínicas, alterações imagiológicas e localizações anatómicas é importante para o diagnóstico, prognóstico e seguimento
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Utilização da hemoglobina glicada no diagnóstico da diabetes mellitus
Diabetes mellitus,Hemoglobinas
Introdução: A hemoglobina glicada (HbA1c) resulta de uma reacção não enzimática e irreversível entre a glicose plasmática e a hemoglobina. Tendo os eritrócitos uma semi-vida de aproximadamente 120 dias, a determinação da HbA1c reflecte o nível de controlo metabólico desse período. Desenvolvimento: Em Janeiro de 2010, a American Diabetes Association (ADA) reconheceu que um valor de HbA1c igual ou superior a 6,5% podia ser usado como método diagnóstico da Diabetes Mellitus. Defende ainda que um valor maior ou igual a 5,7% estabelecia o diagnóstico de hiperglicémia intermédia. Com base na posição da ADA e numa recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) no mesmo sentido, em Janeiro de 2011, a Direcção Geral de Saúde (DGS) emitiu uma norma, “Diagnóstico e Classificação da Diabetes Mellitus”, onde a HbA1c é incluída como método de diagnóstico. Em Setembro de 2011, a DGS emitiu outra norma, “Prescrição e determinação da hemoglobina glicada A1c”, que veio reforçar esta ideia salientando que deve ser privilegiada a determinação da glicemia em jejum para este fim. É reforçada a recomendação da OMS, que valores inferiores a 6,5% não devem ser considerados para definir hiperglicémia intermédia. A utilização da HbA1c como método diagnóstico apresenta várias vantagens nomeadamente: não ser necessário o indivíduo estar em jejum, o valor não ser alterado por factores agudos e menor variabilidade intraindividual. Como desvantagens salienta-se o maior custo, a possível interferência de certas comorbilidades, a dificuldade na definição do ponto de corte para diferentes populações e o facto de ainda não estar disponível mundialmente. Objectivo: Elaboração de uma revisão bibliográfica, a fim de comparar vantagens e desvantagens da determinação da HbA1c no diagnóstico da Diabetes Mellitus aos métodos de diagnóstico usados até agora; conhecer a influência de algumas comorbilidades na determinação da HbA1c e salientar que as diferenças étnicas devem ser consideradas. Conclusões: A decisão de optar pela utilização da HbA1c para estabelecer o diagnóstico da Diabetes, deverá ser tomada por cada país individualmente tendo em consideração a disponibilidade do equipamento necessário, a presença de um controlo da qualidade dos testes, as características da população local e a possibilidade de suportar os custos.
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7,600
APOE e transformação hemorrágica após administração de alteplase em doentes com acidente vascular cerebral isquémico agudo
Hemorragia cerebral,Neurologia
Introdução: O desenvolvimento de uma hemorragia intracraneana após realização de fibrinólise em contexto de acidente vascular cerebral isquémico agudo é um fenómeno complexo e multifactorial, cujo conhecimento permanece parcialmente incompreendido. O gene que codifica a apolipoproteina E é um potencial candidato implicado na sua etiopatogénese uma vez que os alelos ε2 e ε4 parecem estar envolvidos no desenvolvimento de angiopatia amilóide. Numa população de doentes com acidente vascular cerebral isquémico agudo analisou-se uma possível associação entre o alelo ε4 e o risco de transformação hemorrágica e hemorragia intracerebral sintomática após realização de fibrinólise endovenosa. Metodologia: Estudo prospectivo que decorreu no período compreendido entre 1 de Janeiro de 2011 e 31 de Agosto de 2012 e incidiu sobre uma população de doentes com acidente vascular isquémico agudo admitidos na unidade da respectiva patologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e que foram tratados com rt-PA dentro de 4,5 horas. Os dados referentes aos casos que cumpriam os critérios de inclusão e de exclusão foram recolhidos através da folha de entrada e da análise do processo clínico. Todos os doentes foram submetidos a exames de imagem antes e 24 horas após o tratamento trombolítico e procedeu-se à extracção do DNA para genotipagem da apolipoproteína E. Para avaliação do status do doente foram utilizadas a escala National Institute of Health Stroke Scale (NIHSS) e modified Rankin scale (mRs). O tratamento estatístico foi realizado com o software SPSS. Os doentes foram divididos de acordo com a presença ou ausência de um ou mais alelos ε4, desenvolvimento ou não de transformação hemorrágica e de hemorragia intracerebral sintomática. Resultados: Na análise univariada verificou-se uma relação estatisticamente significativa entre o desenvolvimento de transformação hemorrágica e a presença de fibrilhação auricular, hiperdensidade da ACM, pontuação mais elevada de NIHSS de entrada, às 2h e às 24h, na mRs no momento da alta e mais reduzida no ASPECTS. Na análise da relação entre as variáveis estudadas com a hemorragia intracerebral sintomática verificou-se uma relação significativa com diabetes mellitus, hipertensão arterial, fibrilhação auricular, insuficiência cardíaca congestiva, pontuação mais elevada de NIHSS às 2h e 24h, no score obtido na mRs no momento da alta e, por fim, no tempo decorrido entre os sintomas e o tratamento fibrinolítico. Na análise multivariada, apenas o valor de NIHSS e a pontuação do ASPECTS no momento de admissão se revelaram preditores independentes de transformação hemorrágica e de hemorragia intracerebral, respectivamente. Conclusão: Os resultados deste estudo não sugerem a presença de uma associação estatisticamente significativa entre a presença de pelo menos um alelo ε4 e o risco de desenvolvimento de transformação hemorrágica e hematoma intracraneano sintomático em doentes com acidente vascular isquémico agudo submetidos a fibrinólise.
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7,602
Terapêutica sistémica clássica (não-biológica) na psoríase : metoxato acitretina e ciclosporina
Psoríase,Terapêutica
A psoríase é uma doença inflamatória crónica que afecta 1-3% da população. Apesar do desenvolvimento dos biológicos, o tratamento sistémico clássico é ainda a primeira linha nos doentes não controlados com agentes tópicos ou fototerapia. O objectivo desta revisão será abordar os dados mais recentes no que respeita ao tratamento sistémico da psoríase com metotrexato, ciclosporina e acitretina. Foi elaborada uma revisão na Pubmed, entre 1999 e 2012, limitada às línguas inglesa, portuguesa, francesa e espanhola. O metotrexato deve iniciar-se com doses entre 5 e 10 mg/semana, aumentando-se até um máximo de 15 a 25 mg/semana, acompanhado de uma suplementação de ácido fólico (5 mg/dia) e de uma monitorização da hepatotoxicidade com doseamento de PIIINP ou com os métodos Fibrotest® e Fibroscan®. A ciclosporina deve ser usada em doses 5 mg/kg/dia em tratamento intermitente ou contínuo, até 2 anos de duração, com monitorizações mensais da pressão arterial e da creatinina sérica. A acitretina deve ser iniciada com 10-25 mg/dia, aumentando-se até dose ideal de 0,3-0,5 mg/kg/dia, sendo especialmente eficaz combinada com análogos da vitamina D ou fototerapia. O tratamento com combinações de fármacos, nomeadamente do metotrexato com a ciclosporina, parece ser, à luz de alguns estudos, uma opção a considerar em doentes refractários à monoterapia. Apesar de haver algum consenso e experiência no uso destes fármacos, faltam ensaios aleatorizados e duplamente cegos recentes acerca destes tratamentos para que se optimize o seu uso na psoríase, nomeadamente dados que comparem estas drogas ou o seu uso combinado, com o uso de biológicos
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7,603
Estilos alimentares e a saúde : o caso especifico dos países do sul da Europa
Saúde pública,Alimentação,Alimentos dieta e nutrição
O fenómeno da globalização, a aceleração acentuada do ritmo de vida e a crescente inserção da mulher no mercado de trabalho, entre outros fatores, têm provocado alterações profundas no estilo de vida das sociedades de praticamente todas as latitudes. De entre as mudanças, não negligenciáveis, que ocorreram de forma particular nos países do Sul da Europa, nomeadamente em Portugal, conta-se a modificação dos hábitos alimentares, com o abandono da tradicional "Dieta Mediterrânica", em detrimento de regimes que propiciam o desenvolvimento de diversas patologias crónicas. Neste trabalho de revisão, pretendeu-se, num primeiro momento, identificar de que forma a alimentação influencia a Saúde Humana e Comunitária, tomando como perspetiva a evolução de diversos parâmetros indicadores de saúde ao longo das últimas décadas, período em que se tem vindo a registar o já referido desvio dos padrões alimentares tradicionais para um tipo de alimentação que tem por base refeições de mais rápida confeção, mas constituídas por alimentos comprovadamente menos saudáveis. Foram reunidos os resultados dos trabalhos de investigação considerados mais relevantes e que avaliam a relação direta entre a alimentação e patologias específicas, tendo-se posto em evidência a forma como os diferentes tipos de nutrientes vão influenciar os padrões de incidência e de mortalidade de algumas das principais doenças crónicas associadas à “sociedade moderna” – as doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial, a diabetes mellitus tipo 2, a obesidade e as doenças oncológicas. Num segundo momento e, estreitando o ângulo de abordagem, procedeu-se a uma revisão de estudos que analisam, de forma pormenorizada, as especificidades dos regimes alimentares do Sul da Europa e as vantagens que esta "Dieta Mediterrânica" – no sentido lato do termo – traz para a saúde, nomeadamente no que concerne às patologias atrás referidas. Para a consecução dos objetivos enunciados, teve-se por base um conjunto de artigos científicos recolhidos através de uma pesquisa exaustiva em duas bases de dados – PubMed (nacional e internacional, indexada) e Índex RMP (nacional, indexada e não indexada), tendose prestado particular atenção a artigos publicados em revistas de elevado fator de impacto editorial, bem como a metanálises e estudos com amostras populacionais significativas. Constatou-se que, de facto, a Dieta Mediterrânica tradicional – rica em produtos de origem vegetal, como fruta, vegetais, leguminosas, frutos secos, cereais e azeite, pobre em carne e gorduras saturadas, e sempre temperada com um estilo de vida muito característico, marcado pela atividade física, pela tranquilidade e pelo sentido de comunidade –, além de promover uma produção alimentar sustentável, oferece os seguintes benefícios: ajuda a desenvolver as economias locais e é ecologicamente favorável; é extremamente eficaz na prevenção de múltiplas doenças cardiovasculares – a sua incidência pode ser reduzida em 6 a 18%, com o incremento de apenas 1 ponto numa escala de Dieta Mediterrânica; poderá estar envolvida no controlo dos valores de pressão arteriais e do excesso de peso; tem uma função importante no combate à diabetes – o aumento de 2 pontos numa escala de Dieta Mediterrânica pode diminuir a incidência desta patologia em 35%; reduz a incidência de várias localizações tumorais, fazendo decrescer, ainda, a mortalidade por doenças oncológicas em 12-24%, além de poder reduzir a taxa de mortalidade global em 17-23%. Alertou-se, consequentemente, para a necessidade de este padrão dietético ser reabilitado e recuperado nos países mediterrânicos e, particularmente, em Portugal, onde atualmente, num contexto de crise económica e financeira, a população se encontra particularmente vulnerável e facilmente induzida à adoção de más práticas alimentares.
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7,604
Fatores preditores de resposta clínica em doentes com AVC isquémico submetidos a fibrinólise endovenosa
Acidente isquémico transitório,Fibrinólise,Neurologia,Usos terapêuticos
Introdução Em Portugal, o AVC constitui a primeira causa de morte e uma das principais causas de incapacidade no adulto, sendo o alteplase (activador recombinante do plasminogénio tecidular – rt-PA) a única terapia médica aprovada. Vários estudos identificam fatores de risco, modificáveis e não modificáveis, como possíveis preditores de resposta clínica nestes doentes. Este trabalho tem como principal objetivo a identificação de variáveis clínicas, laboratoriais e imagiológicas determinantes do prognóstico funcional em doentes com AVC isquémico submetidos a fibrinólise endovenosa. Métodos Foram estudados ambiespetivamente os doentes consecutivamente internados na UAVC, entre 1 de Abril de 2010 a 30 de Abril de 2012, com o diagnóstico inicial de AVC isquémico, submetidos a fibrinólise endovenosa e para os quais foi possível recolher o estado funcional aos 3 meses. Os dados clínicos, laboratoriais e imagiológicos foram recolhidos por consulta de instrumento de registo específico da UAVC dos CHUC-HUC. O diagnóstico final foi confirmado por consulta de carta de alta. O status funcional do doente foi avaliado aos 3 meses utilizando a escala de mRS (modified Rankin Scale). Foram considerados dois grupos distintos: um designado de “bom outcome”, para valores de mRS ≤2; e um outro designado de “mau outcome”, contemplando os doentes com mRS >2. Resultados O estudo incluiu um total de 173 doentes com diagnóstico confirmado de AVC isquémico e submetidos a fibrinólise endovenosa. Em 34% documentou-se um bom outcome aos 3 meses, enquanto 66% tiveram um mau prognóstico funcional. Na análise univariada verificou-se haver uma relação estatisticamente significativa entre o prognóstico aos três meses de evolução e as variáveis: tabagismo; medicação crónica com anticoagulantes, IECAs, ARAs e ADO; NIHSS total e item 2; leucócitos; TAS e oclusão de artéria de grande calibre. Na análise multivariada, apenas mantiveram independência como fatores preditores de prognóstico o tabagismo, a toma de ARAs, o valor de NIHSS total e a oclusão de artéria de grande calibre. Conclusão Os resultados deste estudo sugerem a medicação crónica com ARAs, a avaliação inicial pelo NIHSS (valor total) e o local de oclusão arterial como fatores preditores de resposta clínica à fibrinólise endovenosa, como terapia aguda do AVC isquémico.
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7,605
Complicação de otite média crónica colesteatomatosa : a propósito de um caso clínico de mastoidite com abcesso da mastoide
Otorrinolaringologia,Mastoidite,Otite média,Colesteotoma do ouvido médio
Introdução: A otite média crónica colesteatomatosa é uma inflamação crónica do ouvido médio caracterizada pela formação de um colesteatoma, que apresenta um comportamento destrutivo e insidioso, podendo estar associado a complicações intracranianas e extracranianas. Caso clínico: Doente do sexo masculino, de 16 anos de idade apresentava otalgia e otorreia purulenta à esquerda com cerca de 3 meses de evolução, edema e rubor marcado da região retroauricular esquerda com abaulamento do pavilhão auricular ipsilateral e dor à palpação do processo mastoideu. A tomografia computorizada demonstrou a presença de fenómenos de destruição óssea do tegmen timpani e teto da mastoide adjacente, da parede lateral da mastoide, cadeia ossicular e ouvido interno associados a mastoidite e abcesso da mastoide. Foi realizada drenagem do abcesso da mastoide, e após melhoria clínica foi realizada mastoidectomia simples à esquerda que confirmou o diagnóstico de otite média crónica colesteatomatosa. Conclusão: A terapêutica para as complicações associadas a otite média crónica colesteatomatosa inclui uma abordagem cirúrgica em conjunto com terapia médica, seguidas de um follow-up rigoroso. A técnica cirúrgica deverá ser escolhida tendo em conta o tipo de complicações, a experiência do cirurgião e características do doente em causa, nomeadamente o estado geral e a idade, no sentido de tentar proteger a integridade das estruturas próximas à lesão, como por exemplo os ossículos do ouvido, o nervo facial, o labirinto, as estruturas vasculares, o cérebro e cerebelo
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7,606
O que leva uma pessoa à consulta de medicina geral e familiar
Medicina familiar,Consulta,Doentes,Relações médico-doente
Introdução: A comunicação entre o médico-pessoa que o consulta é um pilar fundamental para o sucesso da consulta em medicina geral e familiar. O motivo de consulta, e a compreensão sobre o mesmo, revela-se da maior importância e um excelente indicador da qualidade da consulta. Objetivo: Tendo por base o ciclo de garantia de qualidade em saúde, pretendeu-se avaliar a concordância de anotações e de classificações ICPC2 de motivo para a consulta e do registo, comparando os resultados obtidos nos anos de 2014 e 2015, almejando um incremento de 5% em todos os aspetos de investigação. Materiais e métodos: Estudo em ciclo de garantia de qualidade, com a segunda fase realizada entre Julho e Dezembro de 2015, na Unidade de Saúde Familiar Topázio, por aplicação de questionário estruturado a utentes que se encontravam na sala de espera, sobre qual o motivo de consulta. No fim da recolha dos dados em 2015, estes foram intersetados com a informação médica da consulta do dia em que foram entrevistados e analisados. Foi realizada estatística descritiva e inferencial. Resultados: Em 2015 foi estudada uma amostra de 145 indivíduos. Os motivos de consulta mais referidos pelos utentes enquadraram-se na classificação ICPC2 em: “geral e inespecífico” (36,6%); “endócrino, metabólico e nutricional” (11,7%) e “gravidez/planeamento familiar” (9,0%); sendo que as codificações médicas mais comuns foram “geral e inespecífico (38,7%); “endócrino, metabólico e nutricional” (14.5%) e “gravidez/planeamento familiar” (8,3%). Em 65,5% dos casos estudados houve semelhança entre as classificações do relatado e do registado em S do SOAP médico e em 49,7% dos casos houve similitude de anotações. Houve uma diminuição da semelhança de 2014 para 2015 quer das classificações, que diminuíram de 78,8% para 65,5% (Δ= -16,9), quer das anotações que diminuíram de 74,4% para 49,7% (Δ= -33,2). Discussão: Os nossos resultados sugerem que os principais motivos de consulta estejam a sofrer correção, aproximando-se de um valor real. Na comparação dos nossos valores com os de 2014, parece-nos que estamos a assistir à correção destes últimos ou então que a prática médica esteja a sofrer de vicissitudes que obrigam a correções. Conclusão: Conclui-se haver decréscimo da semelhança dos parâmetros avaliados com redução de 2014 para 2015, de 78,8% para 65,5% nas classificações semelhantes e de 74,4% para 49,7% nas anotações semelhantes e que a intervenção realizada não foi bem-sucedida, sugerindo-se assim a necessidade de pôr à discussão esta informação e corrigir a atividade, com introdução de uma nova mudança/intervenção, seguido de nova avaliação. Mais estudos deste âmbito deveriam ser realizados em Portugal, com amostras noutros locais.
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7,608
Diagnóstico de morte cerebral
Morte cerebral -- diagnóstico,Brain death,Brain stem death,Cerebral scintigraphy with 99mTc-HMPAO,CT angiography,Magnetic resonance angiography,Transcranial Doppler,Ultrasonography,EEG
Introdução: Sendo a morte o epílogo da vida, a necessidade de definir o momento da morte, sempre se demonstrou de extrema importância ao longo dos tempos. Foi com a tafofobia, ou o medo de se ser enterrado vivo, que surgiu a necessidade de definir "morte" como a paragem irreversível das funções cardíaca e ventilatória, como se pensava classicamente. O advento, na década de 60, da ressuscitação cardiopulmonar e da manutenção artificial de funções vitais, levou a um longo caminho de investigação para definir e protocolar o diagnóstico de "morte cerebral", como paragem irreversível da actividade do tronco cerebral, nos doentes com funções vitais mantidas artificialmente. Objectivos: Este trabalho propõe-se a rever a evolução do conceito de morte cerebral, os prérequisitos, o exame clínico e os meios complementares de diagnóstico na prática clínica no adulto em Portugal. Por último o trabalho pretende ainda uma abordagem comparativa da perspectiva internacional do tema. Desenvolvimento: Numa altura em que se consegue a viabilidade de tecidos e órgãos para a transplantação de dador cadáver, a existência de um protocolo para o diagnóstico de morte cerebral de fácil execução, com critérios fiáveis, inequívocos e com a especificidade máxima possível, é imprescindível perante o risco de erros e a existência de estados clínicos que mimetizam a "morte cerebral", não obstante da ansiedade e falsas esperanças a que está submetida uma família de um doente mantido indefinidamente sob suporte artificial. Embora as normas clínicas praticadas a nível mundial apresentem algumas diferenças mais técnicas que conceptuais, a morte cerebral é hoje quase universalmente aceite. Conclusões: A morte é um conceito que permanece intemporal. Os critérios de Harvard abriram caminho para os actuais protocolos de diagnóstico que permanecem em constante actualização. Na maioria dos países, o diagnóstico é a priori estabelecido clinicamente, sendo os exames complementares não mandatórios e utilizados apenas para esclarecimento de dúvidas. Embora sejam exigidos dois conjuntos de provas clínicas, permanece actualmente não definido o período de observação mínimo entre as duas provas clínicas exigidas. De entre os meios complementares de diagnóstico, os exames radionucleares e a angiografia de quatro vasos são os testes confirmatórios de detecção de circulação cerebral globalmente mais aceites, com a principal limitação na susceptibilidade a lesões da calote craniana. A cintigrafia cerebral planar e a SPECT com 99mTc-HMPAO são os exames de primeira linha mais utilizados. A angio-TC tem vindo a emergir como exame de alternativa para o diagnóstico embora permaneça alguma controvérsia quanto à inocuidade do contraste iodado sob os tecidos para transplantação. O Doppler Transcraniano embora com muitos inconvenientes poderá ser usado com carácter adicional aos critérios existentes, em caso de dúvidas, pelo seu potencial prognóstico para estabelecer o “timing” do recurso a testes confirmatórios evitando o uso prematuro e desnecessários dos mesmos. Algumas especificidades do exame clínico poderão vir a ser sujeitas a uma revisão especializada envolvendo organizações internacionais, bem como poderá ser submetida a avaliação formal a competência dos examinadores, dada a importância e amplitude transversal do diagnóstico de morte cerebral que vão muito para além da dimensão médica e científica.
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7,609
Caracterização dos nódulos renais por ressonância magnética
Rim,Neoplasias do rim,Ressonância magnética
Objectivos: Avaliar retrospectivamente a utilidade da medição do ADC (coeficiente aparente de difusão) obtido com a Ressonância Magnética de Difusão na caracterização de massas renais, com o resultado anatomo-patológico servindo como referência para as lesões malignas, tendo sido as lesões benignas diagnosticadas com base nos aspectos imagiológicos de benignidade universalmente aceites. Procurou-se, também, avaliar os padrões de realce dos subtipos papilar e células claras dos Carcinomas de Células Renais (CCRs) na Ressonância Magnética (RM) após contraste e avaliar se é possível através desta técnica distinguir de forma precisa os dois subtipos. Materiais e Métodos: Um total de 32 lesões foram avaliadas em 20 doentes (17 homens e 3 mulheres; idade média 66.4 anos) com a Ressonância Magnética Contrastada e RM de Difusão com sincronização respiratória e valores de b de 50 e 700 seg/mm2. Foram medidos os ADCs totais de todas as lesões e o ADC das porções sólidas e quísticas/necróticas dos tumores. Para as lesões malignas foi adicionalmente calculada a percentagem de realce na fase cortico-medular. A análise de curvas ROC foi realizada para a comparação entre a percentagem de realce dos CCRs de células claras e papilares. Foram aplicados testes não paramétricos para comparação entre as variáveis, tendo sido estabelecido um nível de significância estatística de 5%. Resultados: Um total de 32 lesões (diâmetro médio de 4.49cm±2.76), incluindo 23 quistos benignos (12 quistos simples e 11 quistos complicados) e 9 CCRs( 5 células claras e 4 papilares) foram avaliadas. Os CCRs têm um ADC significativamente menor que os quistos benignos ([1.63±0.43] x10-3 mm2/s vs [2.62±0.58] x10-3 mm2/s) p<0.001. Os CCRs têm um 2 ADC significativamente menor que os quistos complicados (P=0.037) os quais, por sua vez ,têm um valor de ADC significativamente inferior ao dos quistos simples ([2.14±0.45] x10-3 mm2/s vs [3.06±0.22] x10-3 mm2/s) (P<0.001).O ADC das áreas quísticas/necróticas tumorais é estatisticamente superior ao ADC das áreas sólidas tumorais ([1.13±0.40] x10-3 mm2/s vs [2.13±0.50] x10-3 mm2/s) (p=0.008). Os carcinomas de células claras mostraram maior percentagem de realce na fase cortico-medular que os carcinomas papilares (valores médios de 140.14% e 36.33% respectivamente). Apesar de não se comprovar a significância estatística na percentagem de realce entre os subgrupos, o valor-p encontrado é de 0.05004 ou seja, aproximadamente igual a 0.050, o que mostra uma tendência para que a percentagem de realce que se obtém em cada subtipo seja diferente. O limiar de realce de 75.92% permite a distinção dos subtipos (AUC=0.900; p<0.001) com uma sensibilidade de 80% e uma especificidade de 100%. Conclusões: Lesões renais com diferentes componentes teciduais apresentam diferentes valores de ADC. Esta informação pode ser utilizada como uma parâmetro adicional para avaliação e seguimento das massas renais. Os dois subtipos mais comuns de CCRs exibem diferentes padrões de realce. A análise quantitativa do estudo dinâmico dos tumores renais apresenta-se como um meio não invasivo possível na distinção dos subtipos histológicos de CCRs
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7,610
Existem diferenças na prevalência dos factores de risco cardiovasculares entre os doentes com EAM com e sem supradesnivelamento de ST?
Doenças cardiovasculares,Electrocardiografia,Factores de risco
Introdução: De acordo com a nova definição da ESC/ACC/AHA, enfarte agudo do miocárdio corresponde a uma qualquer necrose miocárdica causada por isquémia, existindo dois subtipos: enfarte com supradesnivelamento do segmento ST e enfarte sem supradesnivelamento do segmento ST. O objectivo deste estudo foi confirmar a existência ou não de diferenças ao nível da prevalência dos factores de risco entre estes dois tipos de enfarte. População e métodos: Realizou-se um estudo observacional, longitudinal, retrospectivo de 1026 doentes de ambos os sexos, consecutivamente admitidos numa mesma Unidade de Cuidados Intensivos Coronários por enfarte agudo do miocárdio, entre Maio de 2004 e Dezembro de 2006. Procedeu-se, então, à análise de uma base de dados com registos estandardizados efectuados durante o internamento dos doentes. Resultados: Verificou-se uma maior percentagem na ocorrência de NSTEMI (56,6%), sendo estes doentes mais comummente do sexo feminino (p=0,007), mais idosos (68 vs 66 anos; p=0,012), com uma maior prevalência de factores de risco (HTA, diabetes e dislipidémia; p=0,003; p=0,008 e p=0,002) e de antecedentes coronários, com valores inferiores de biomarcadores cardíacos, efectuando com maior frequência medicação prévia, mas com uma menor percentagem de realização de prevenção secundária. Apresentam também com maior frequência uma doença multi-vaso (p=0,010), realizando, no entanto, com menor frequência cateterismo cardíaco (p<0,001). Os doentes com STEMI apresentaram maior prevalência de tabagismo (p=0,022) e estavam mais frequentemente a fazer medicação cardiovascular no momento da admissão hospitalar. Quanto ao prognóstico intra-hospitalar, os portadores de STEMI apresentaram um maior número de complicações e de taxa de mortalidade, aquando do internamento (p=0,001 e p=0,005). Conclusões: Os resultados deste estudo mostram a existência de diferenças significativas entre os dois grupos de doentes, sendo os doentes com NSTEMI tipicamente do sexo feminino, mais velhos, com um maior número de factores de risco (com excepção do tabagismo) e maior percentagem de antecedentes cardiovasculares. No entanto, são os doentes com STEMI com maior taxa de complicações e de mortalidade durante o internamento, apresentando também mais co-morbilidades, nomeadamente diabetes e insuficiência renal. Um estudo prospectivo mais abrangente e com um seguimento clínico prolongado é necessário para melhor caracterizar as diferenças entre estes dois tipos de enfarte.
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7,611
Criança de baixo peso ao nascer
Criança de baixo peso ao nascer,Doenças cardiovasculares
As doenças cardiovasculares são, atualmente, a principal causa de mortalidade e morbilidade. A sua prevalência a nível global tem vindo a aumentar e são vários os fatores de risco implicados na sua patogénese. Para além do tabagismo, hipercolesterolémia e hipertensão arterial, amplamente conhecidos, o baixo peso à nascença também se afigura como um importante determinante do risco cardiovascular. Neste contexto, este trabalho faz uma revisão bibliográfica sobre a relação entre o baixo peso à nascença e o aumento do risco cardiovascular. De facto, em 1989, Barker et al associam pela primeira vez o baixo peso à nascença a um risco elevado de mortalidade por doença coronária. Para explicar este facto, foi proposta uma teoria, na qual um ambiente intrauterino adverso causaria alterações estruturais e funcionais permanentes no desenvolvimento fetal com o intuito de prepará-lo para um provável ambiente extrauterino hostil. No entanto, quando se verifica uma discrepância entre os dois meios, as adaptações que antes eram vantajosas, acabam por ser prejudiciais, predispondo-o a patologia. Desde então, muitos outros estudos vieram consolidar a hipótese proposta inicialmente por Barker, sendo esta aceite universalmente pela comunidade científica. Dos vários estudos efetuados é de destacar a associação entre o baixo peso à nascença e diabetes mellitus tipo2, hipertensão arterial e cardiopatia isquémica. Todavia e apesar da evidência em diversos estudos, os mecanismos que estão na sua base não são ainda claros, sendo atualmente alvo de grande discussão. Foram propostos vários mecanismos, nomeadamente, fatores ambientais e genéticos; no entanto, não eram por si só suficientes para explicar a complexidade desta associação. Só mais tarde, com o advento da Epigenética, foi possível compreender alguns dos fenómenos que ocorrem in utero e que poderão ser responsáveis pelas consequências adaptativas. Ainda assim, o caminho a percorrer é longo e muitos estudos são ainda necessários para que possamos realmente compreender toda esta problemática. Concluindo, o baixo peso ao nascimento, reflexo de uma restrição do crescimento intrauterino, está associado ao aumento do risco cardiovascular e os mecanismos fisiopatológicos envolvidos estão presentes desde cedo, ainda antes do nascimento.
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7,612
Consumo de cafeína por doentes com síndrome de apneia obstrutiva do sono
Cafeína,Apneia obstrutivo do sono
Introdução: A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) está associada a uma disfunção cognitiva e a um aumento da incidência de doenças metabólicas e cardiovasculares. A cafeína é uma substância psicoactiva que produz efeitos estimulantes, de natureza ergogénica, aumentando a atenção e o desempenho em situações de fadiga nomeadamente de sonolência. Além disso, o consumo de cafeína está inversamente associado a patologias cardiovasculares e metabólicas. A interacção entre o consumo de cafeína e o SAOS poderá desenvolver-se de várias formas: o consumo de cafeína poderá diminuir o risco de desenvolvimento de SAOS através de efeitos lipolíticos, uma vez que o SAOS está fortemente relacionado com a obesidade ou pode actuar como auto-medicação nos efeitos psíquicos do SAOS, nomeadamente a sonolência e o défice neuro-cognitivo. Objectivo: O objectivo deste estudo é a avaliação dos hábitos de consumo de cafeína nos últimos vinte anos, numa população de doentes com SAOS, e a sua associação com parâmetros de gravidade e evolução da doença. Material e Métodos: Foram incluídos pacientes seguidos na consulta de patologia do sono dos Hospitais da Universidade de Coimbra, com SAOS diagnosticada através de estudo do sono. A avaliação dos hábitos de consumo de cafeína foi realizada através de um inquérito padronizado e validado, por via telefónica. Os dados clínicos, incluindo a patologia associada, o índice de massa corporal, sonolência e índice de apneia-hipopneia foram obtidos por consulta do processo clínico. Os dados demográficos e de consumo de cafeína foram ainda comparados com os dados de 49 indivíduos saudáveis já descritos num estudo prévio do nosso grupo. Resultados: Este estudo mostra que o consumo de cafeína não está relacionado nem com a gravidade nem com a evolução da SAOS, nem com os principais factores de risco associados a SAOS. Isto é reforçado pela observação que o consumo de cafeína é semelhante entre os indivíduos doentes e saudáveis. Conclusão: Conclui-se que o consumo de cafeína não influencia a evolução de SAOS. Isto significa que não se antevê nenhum benefício resultante do consumo de café mas significa também que o consumo de café não causa prejuízo nestes doentes pelo que o seu consumo pode ser aceite como seguro.
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7,613
O papel da ubiquitinação na degradação da conexina em hiperglicemia
Hiperglicémia,Ubiquinona,Conexinas
A comunicação entre células adjacentes ocorre através de gap junctions (GJ), sendo estas constituídas por canais de proteínas denominadas conexinas (Cx). Uma das formas de regular a comunicação intercelular é através da degradação das Cx. A ubiquitinação de Cx43 é um sinal bem conhecido para a internalização e degradação das GJ. Apesar de estar bem descrito que em condições de hiperglicemia (HG) ocorre um aumento da degradação da Cx43, o mecanismo endocítico associado é ainda desconhecido. Assim, o principal objetivo deste trabalho é identificar os mecanismos e vias de sinalização envolvidos na degradação da Cx43 em células expostas a altas concentrações de glucose (HG). Os resultados obtidos neste estudo mostraram que em HG ocorre um aumento da ubiquitinação da Cx43, mediada pela proteína ligase de ubiquitina Nedd4, levando a uma diminuição nos seus níveis na membrana plasmática (MP) e a um concomitante aumento na sua degradação
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7,614
Estratégias terapêuticas antitrombóticas na fibrilhação auricular e doença cerebrovascular isquémica
Terapia trombolítica,Fibrilhação auricular,Acidente vascular cerebral
Introdução e objectivos: A fibrilhação auricular (FA) é a arritmia mais frequente e é a principal causa de doença cerebrovascular isquémica (DCVI). A anticoagulação oral é o tratamento preconizado para doentes de alto risco cardioembólico, mas as limitações inerentes ao uso de antagonistas da vitamina K condicionam a sua prescrição adequada. Neste trabalho pretendemos avaliar o perfil epidemiológico das DCVI agudas, o estado diagnóstico e terapêutico da FA e o resultado funcional da DCVI numa população hospitalar. Métodos: Avaliámos prospectivamente 458 casos consecutivos de DCVI admitidos na Unidade de Acidentes Vasculares Cerebrais e enfermaria cerebrovascular de um hospital central. Para cada caso identificámos a síndrome clínica, etiologia, gravidade e resultado funcional. Nos casos de cardioembolia registámos a causa subjacente, altura de diagnóstico de FA quando presente, tratamento anticoagulante prévio, perfil de coagulação à entrada e anticoagulação à alta. Comparámos gravidade, resultado funcional e mortalidade entre as etiologias e procurámos associações com variáveis demográficas. Resultados: A cardioembolia é a principal causa de DCVI (33,4% dos eventos), sendo a FA responsável por 91,5% dos casos. Em 71,2% dos casos o diagnóstico de FA antecedeu a DCVI; 34,5% destes doentes recebiam terapêutica anticoagulante. Encontrámos diferenças significativas na gravidade, resultado funcional e mortalidade entre as várias etiologias, sendo a cardioembólica a mais grave. Detectámos maior prevalência da cardioembolia nos idosos e no sexo feminino. Conclusões: Apesar da FA ser adequadamente diagnosticada, observámos uma subutilização preocupante da terapêutica anticoagulante, colocando os portadores da arritmia em risco de sofrerem DCVI cardioembólica com elevada gravidade e mortalidade.
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7,615
Refluxo vesicouretérico : perspectivas futuras
Refluxo vésico-ureteral,Urologia
O Refluxo Vesicouretérico (RVU) corresponde ao fluxo retrógrado de urina da bexiga para o trato urinário superior por disfunção primária ou secundária da junção vesico uretérica (que em circunstâncias normais apresenta um mecanismo de anti refluxo funcional) e é a anomalia do foro urológico mais prevalente na criança. O presente artigo de revisão foi feito com base numa pesquisa bibliográfica acerca de várias aspetos relacionados com esta anomalia, de modo a obter uma visão ampla da epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, exames de diagnóstico e das várias opções terapêuticas existentes. Os exames imagiológicos mais utilizados para o diagnóstico e seguimento desta condição são a ecografia de contraste, a cistouretrografia miccional seriada e os exames de medicina nuclear. Foi possível inferir que a cistouretrografia miccional seriada é, segundo alguns autores, o exame de eleição para a caracterização do grau de gravidade do refluxo vesicouretérico, mas outros estudos concluíram que a cistografia radionucleotídica apresenta uma sensibilidade mais elevada do que a técnica anterior, havendo assim falta de consenso nesse aspeto. Foi ainda constatado que o cintigrama renal com DMSA, é o exame de eleição para avaliação de possíveis danos renais secundários a pielonefrite. Atualmente existe um leque variado de opções terapêuticas para tratamento do RVU. A este respeito, a profilaxia antibiótica é alvo de contrassenso, havendo alguns estudos que demonstram falta de eficácia e de compliance da mesma e outros estudos que demonstram resultados contrários. O tratamento cirúrgico está associado a elevadas taxas de sucesso e mais recentemente, com a evolução do tratamento endoscópico, este tem vindo a apresentar taxas de sucesso equiparáveis às anteriores. Para além das opções terapêuticas e dos exames imagiológicos atualmente conhecidos, é constatável a sua constante evolução, sendo por isso fundamental um conhecimento amplo e atual de novas técnicas que vão surgindo.
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7,616
Potencial terapêutico da cymbopogon citratus na leucemia promielocítica aguda
Leucemia promielocitica aguda,Terapêutica,Hematologia,Neoplasias
A Cymbopogon citratus é uma planta nativa da Índia e as suas folhas são utilizadas na gastronomia tradicional, consumidas como uma bebida aromática e utilizadas na medicina popular. Os extratos desta planta demonstraram, entre outras, atividade antioxidante podendo ser utilizadas na prevenção do cancro. Contudo, o seu potencial terapêutico no cancro não está esclarecido. Assim, com este trabalho pretende-se estudar o potencial terapêutico do C. citratus em leucemias, nomeadamente na Leucemia Promielocítica Aguda (LPMA), assim como alguns dos mecanismos envolvidos na citotoxicidade. Para o efeito, as células HL-60, obtidas de um doente com LPMA, foram cultivadas na ausência e na presença de vários extratos polifenólicos de uma infusão de C. citratus, a diferentes concentrações e por diferentes períodos de tempo. A proliferação e a viabilidade celular foram avaliadas pelo IC50 recorrendo ao teste do azul de tripano. O tipo de morte celular foi analisado por microscopia ótica e citometria de fluxo (CF) com anexina V e IP. Alguns dos mecanismos moleculares envolvidos na citotoxicidade induzida pela C. citratus foram avaliados por CF nomeadamente a expressão das proteínas reguladoras da apoptose, as proteínas BCL-2, BAX, FAS, FAS ligando, Caspase 3 e p53. A participação da mitocôndria e do stress oxidativo foi analisada por CF, através da determinação do potencial de membrana mitocondrial (ψmit) recorrendo à sonda fluorescente JC1, pela produção de espécies reativas de oxigénio (ROS) utilizando as sondas DCFH2-DA e DHE, e dos níveis de glutatião reduzido (GSH) através do Alanjado de Mercúrio. Os nossos resultados preliminares mostram que a infusão desta planta induz diminuição na viabilidade das células HL-60, de modo dependente da concentração, do tempo de incubação, e da fração polifenólica, com IC50 entre 50 e 250 mg/ml, após 48h de incubação. A apoptose observada pode ser mediada pelo aumento de caspase 3 e FAS ligando. Estes resultados 4 foram confirmados por microscópia ótica, observando características morfológicas típicas de morte celular por apoptose. Por outro lado, estes compostos induzem aumento da expressão intracelular de anião superóxido, diminuição da expressão de GSH e perda de potencial de membrana mitocondrial, sendo estes efeitos dependentes do tipo de fração. Assim, o nosso estudo sugere que os extratos polifenólicos da infusão de C. citratus poderão ser uma nova opção terapêutica na LPMA.
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7,618
Estratificação do risco cardiovascular pré-transplante renal
Doenças cardiovasculares,Transplantação do rim,Cardiologia
A doença cardiovascular é a principal causa de morbi-mortalidade nos doentes portadores de transplante renal. Cerca de 40% dos transplantados sofre um evento cardiovascular nos primeiros 10 anos após a cirurgia. A mortalidade de causa cardiovascular representa 29,7% do total de mortes nos doentes transplantados com rim funcionante. A estratégia ideal para avaliar o risco cardiovascular dos doentes renais em estádio terminal no período pré-operatório é controversa. As orientações clínicas atuais destacam a importância de uma boa estratificação clínica tendo em conta os fatores de risco e co-morbilidades apresentadas por estes doentes, no entanto, não estabelecem um algoritmo que englobe conjuntamente fatores de risco e exames complementares de diagnóstico. Neste contexto, para além dos fatores de risco cardiovascular tradicionais existem alguns fatores como a presença de um estado de inflamação e stress oxidativo crónico, a alteração do produto fosfo-cálcico, a hiperhomocisteinémia, o aumento da atividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona e a exposição a toxinas urémicas que têm vindo a assumir um papel cada vez mais importante. A sensibilidade e especificidade dos testes não invasivos em doentes renais crónicos são significativamente inferiores às registadas para a população geral. Vários estudos mostram que nos doentes renais crónicos a ecocardiografia de stress com dobutamina e cintigrafia de perfusão miocárdica apresentam frequentemente sensibilidades e especificidades baixas, apesar de exibirem um valor preditivo positivo elevado para eventos cardiovasculares na população geral. A angiografia coronária é, nestes doentes, o exame com maior capacidade preditiva de eventos cardiovasculares após o transplante, com sensibilidade e especificidade de 86% e 65%, respetivamente. A sua utilização encontra-se reservada para doentes com elevado risco cardiovascular, nomeadamente, doentes com angina instável, insuficiência cardíaca descompensada ou fração de ejeção deprimida (<35%), arritmia ventricular, doença valvular e em indivíduos com teste de stress positivo. Esta revisão bibliográfica pretende descrever o papel da avaliação clínica de vários fatores de risco cardiovasculares assim como de diversos exames complementares de diagnóstico na avaliação cardiovascular dos doentes pré-transplante renal.
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7,619
Barotraumatismo do ouvido em mergulhadores
Barotraumatismo,Ouvido
O mergulho recreativo tem vindo a crescer de popularidade, surgindo acompanhado por patologias relacionadas com variações de pressão, que na sua maioria ocorrem na área da otorrinolaringologia, especialmente, os barotraumatismos do ouvido. A prática saudável do mergulho recomenda uma vigilância periódica no otorrinolaringologista, com o objetivo de despistar as suas contraindicações, tratamento das patologias subjacentes, assim como, na orientação das manobras de compensação do ouvido, pois o aperfeiçoamento da técnica e treino diminuem significativamente a incidência deste tipo de acidente. Deste modo, este trabalho objetiva a revisão da literatura científica relativa ao barotraumatismo do ouvido em mergulhadores, permitindo não só, uma melhor compreensão dos mecanismos adaptativos do nosso organismo ao meio subaquático e da patofisiologia relacionada, assim como, fornecer uma ferramenta útil para o médico diagnosticar, tratar e orientar na prevenção dos acidentes de mergulho.
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7,620
A problemática dos stents farmacológicos versus stents metálicos no contexto da angioplastia primária : resultados a um ano
Angioplastia,Stents
Os stents farmacológicos demonstram benefício quando comparados com os stents metálicos na redução da reestenose e revascularização da lesão alvo. Na doença coronária instável, especificamente no enfarte agudo do miocárdio com supra desnivelamento do segmento ST, devido à reduzida informação disponível, mantém-se a necessidade de prosseguir com a recolha de dados sobre o resultado a longo prazo das intervenções percutâneas com stents. Objetivos: Determinação do impacto prognóstico dos stents farmacológicos versus metálicos no contexto da angioplastia primária. População e resultados: Foram incluídos 335 doentes submetidos a angioplastia primária num laboratório de hemodinâmica, entre 2006 e 2008. A idade média da população era de 65,9 ±13,2 anos e o género masculino representava 64,2% do total de indivíduos estudados. Os doentes foram divididos em dois grupos consoante o único tipo de stent implantado: grupo A (stents metálicos) n=120; grupo B (stents farmacológicos) n=215. Foi realizado um seguimento clínico de um ano com estratificação prognóstica pelo tipo de stent utilizado, tendo sido considerados diferentes resultados. Foram identificados os preditores para a utilização de cada tipo de stent. A taxa de mortalidade ao fim de 12 meses foi de 5,2% contra 7,3% (p=0,47) e a taxa de revascularização da lesão alvo de 4,7% contra 4,2% (p=0,86), respetivamente para stents farmacológicos e stents metálicos. Conclusão: Na população estudada o prognóstico intra hospitalar e no final do primeiro ano não foi significativamente influenciado pelo tipo de stent utilizado
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7,621
Os doentes com cancro da próstata clinicamente localizado e a qualidade de Vida no pós-tratamento com radioterapia e prostatectomia
Neoplasias da próstata,Qualidade de vida,Quimioterapia
Este artigo de revisão pretende avaliar a qualidade de vida dos doentes com cancro da próstata clinicamente localizado e que realizam uma terapêutica invasiva com fins curativos. Para isso, realizámos uma pesquisa bibliográfica de modo a recolher o maior número de artigos que comparassem a qualidade de vida de doentes que realizam prostatectomia radical e radioterapia. A recolha de dados foi feita através de pesquisa no PubMed, Sage e B-on (Biblioteca do conhecimento online). O nosso corpus de análise corresponde a 22 artigos, dos quais fizemos uma análise de conteúdo. As conclusões apontam para que a qualidade de vida geral seja significativamente afetada com as terapêuticas usadas. Quanto à qualidade de vida específica, é afetada de maneira diferente consoante a terapêutica usada.
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7,622
Forma não-clássica da hiperplasia congénita supra-renal
Hiperplasia congénita das glândulas supra-renais,Endocrinologia
Introdução: A hiperplasia congénita da supra-renal na sua forma não clássica (HCSRNC) é uma doença autossómica recessiva comum, devida à deficiência da enzima 21-hidroxilase. É causada por mutações no gene CYP21A2 e cursa com um aumento da 17-hidroxiprogesterona. Esta hormona em excesso, vai ser então convertida em androgénios que por sua vez são responsáveis pela expressão clínica da doença. Objetivos: Revisão da literatura científica atualmente disponível sobre a forma não-clássica da hiperplasia congénita da supra-renal abordando a epidemiologia, fisiopatologia, clínica, diagnóstico laboratorial e genético, diagnósticos diferenciais, tratamento, aconselhamento genético e psicobiologia. Métodos: Para este artigo de revisão, o método utilizado foi a revisão sistemática da literatura médica internacional sobre o tema, pesquisada na base de dados PubMed. Desenvolvimento: A forma não-clássica da hiperplasia congénita da supra-renal carateriza-se por uma alteração na síntese do colesterol por um defeito relativo na enzima 21-hidroxilase. Isto vai levar a uma acumulação dos precursores do mesmo, que vão provocar as alterações presentes. Esta doença tem uma maior prevalência em determinadas etnias, nomeadamente nos judeus Ashkenazi. A sua manifestação em crianças é essencialmente através da presença de pubarca e/ou adrenarca precoces, crescimento acelerado e idade óssea avançada ou até acne quístico. Nas mulheres em idade fértil, o acne também pode estar presente, bem como o hirsutismo, irregularidades menstruais, ciclos anovulatórios ou mesmo Artigo de Revisão Forma Não-Clássica da Hiperplasia Congénita da Supra-Renal infertilidade. Nos homens, a doença é de mais difícil deteção pois os sinais de hiperandrogenismo passam facilmente despercebidos, em especial se o defeito enzimático não for muito grave. Estes podem ter oligospermia com infertilidade ou tumores testiculares adrenais. O diagnóstico é feito laboratorialmente, através do teste de estimulação com ACTH sintética quando o valor da 17-hidroxiprogesterona é superior a 10 ng/dl. Este teste deve ser realizado preferencialmente de manhã e na fase folicular inicial do ciclo menstrual. O gene envolvido nesta patologia é o CYP21A2. Os indivíduos doentes são geralmente heterozigotos compostos, apresentando uma mutação grave num alelo e uma mutação leve no outro. A manifestação relaciona-se com a mutação menos grave que se associa a cerca de 20-50% de atividade enzimática residual. O diagnóstico diferencial deve ser feito com a síndrome do ovário poliquístico, o hirsutismo idiopático, o hiperandrogenismo idiopático e, nas crianças, também com a pubarca e/ou adrenarca precoces sem defeito da 21-OH. O tratamento mais adequado que se recomenda atualmente é a hidrocortisona para as crianças, em doses de 10-15 mg/m2/dia, e a dexametasona ou prednisona para os adultos e adolescentes mais velhos em quem já tenha ocorrido o encerramento da epífises ósseas, nas doses de 0,25-0,75 mg e de 5-7,5 mg, respetivamente, ao deitar. É importante que se faça uma boa monitorização com exame físico anual e doseamento das hormonas alteradas pois o sobre-tratamento pode ter como consequência uma síndrome de Cushing iatrogénica e o sub-tratamento pode levar a um mau controlo dos sintomas de hiperandrogenismo. No caso de uma mulher com a doença engravidar, as recomendações são controversas, devendo ser estudado caso a caso para a decisão da necessidade da terapêutica. Como há uma grande prevalência de heterozigotos para a mutação CYP21A2, é importante que os parceiros de grávidas com hiperplasia congénita da supra-renal não-clássica sejam submetidos a genotipagem, uma vez que assim há possibilidade de prever e prevenir o nascimento de uma criança com a forma clássica da doença. Esta patologia não implica geralmente risco de vida mas pode ter um forte impato Artigo de Revisão Forma Não-Clássica da Hiperplasia Congénita da Supra-Renal negativo psicossocial nas doentes. É tão importante a avaliação da qualidade de vida pós-tratamento como os efeitos da terapêutica da clínica em si. Conclusão: Vários estudos têm sido realizados no sentido de aprofundar o conhecimento sobre esta doença da qual ainda se sabe pouco. O seu difícil diagnóstico diferencial, bem como a terapêutica mais adequada a utilizar nestes casos, são os aspetos mais controversos. No entanto, têm sido feitos alguns avanços importantes que permitem que atualmente se diagnostiquem e tratem os doentes afetados com grande eficácia.
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7,623
A utilidade pa PET/CT nas neoplasias malignas ósseas
Neoplasias dos ossos,Exames complementares de diagnóstico
Introdução: Os sarcomas ósseos (SO) são raros, constituindo apenas 0,2% de todos os tumores. A sua incidência tem vindo a aumentar afectando cada vez mais doentes, contudo a quimioterapia neoadjuvante permitiu melhorar substancialmente as taxas de sobrevivência e de cura. As metástases ósseas são mais prevalentes que os SO atingindo entre 30% a 70% dos doentes com carcinoma, condicionando grande sofrimento e prognóstico desfavorável. O Mieloma Múltiplo (MM) representa a neoplasia maligna óssea primitiva mais frequente e quando é diagnosticado, 80% dos doentes tem envolvimento ósseo secundário com grandes repercussões no tratamento e prognóstico. A PET é um exame de medicina nuclear que oferece uma avaliação molecular de grande vantagem na abordagem tumoral. A PET/CT, ao permitir a obtenção de imagens funcionais e anatómicas num único exame, aumentou a capacidade e utilidade desta técnica despertando grande interesse no estudo das neoplasias malignas ósseas. Objectivos: Avaliar as aplicações da PET, em especial da PET/CT, no estudo das neoplasias ósseas malignas, quer as primitivas mais comuns, quer as metástases ósseas e o Mieloma Múltiplo. Métodos: Foi realizada uma revisão exaustiva com base em livros conceituados e na literatura mais recente, disponível na base de dados da PubMed, utilizando as seguintes palavras-chave: Sarcomas Ósseos; Mieloma Múltiplo; Metástases Ósseas; PET; PET/CT. Desenvolvimento: A FDG-PET/CT tem alguma utilidade na caracterização inicial das lesões ósseas, nomeadamente na distinção entre lesões benignas e malignas e na estimativa do grau tumoral das lesões malignas, contudo, a sobreposição significativa dos SUVmax não permite excluir a realização de biópsia. Actualmente é a técnica com melhores resultados no estadiamento dos SO, sobretudo pela elevada acuidade na detecção de metastização à distância, possuindo um elevado VPN que permite excluir a presença de metástases com grande segurança. A análise do SUV antes e depois da quimioterapia neoadjuvante é uma ferramenta muito importante quer na avaliação da eficácia terapêutica quer como factor de prognóstico. A FDG-PET/CT supera as técnicas convencionais na distinção entre tecido cicatricial e lesão tumoral recidivante, com o benefício adicional de não ser afectada pela presença de próteses metálicas. No estudo dos doentes com mieloma múltiplo apresenta uma elevada acuidade na detecção de lesões focais e envolvimento difuso da medula óssea, onde apenas é ultrapassada pela RM. No entanto, tem a vantagem de ser um exame de corpo inteiro que detecta substancialmente mais lesões extramedulares. Revelou ser muito útil na avaliação da resposta à terapêutica, detectando a sua eficácia mais precocemente do que qualquer outra técnica. É o exame que melhor se correlaciona com vários factores de prognóstico para a sobrevida dos doentes antes e após o transplante autólogo. Relativamente ao estudo das metástases ósseas líticas, a FDG-PET/CT apresenta uma elevada acuidade na sua detecção, superior às restantes técnicas de imagiologia convencional, sendo apenas igualada pela RM em alguns casos, especificamente na avaliação da coluna vertebral. A componente CT confere a grande vantagem de avaliar as complicações das metástases como a compressão de corpos vertebrais e compromisso neurológico da medula espinhal. A 18F-PET/CT apresenta uma elevada sensibilidade para a detecção de metástases osteoblásticas e osteolíticas tendo maior indicação nos casos de alto risco em que a cintigrafia óssea é negativa ou inconclusiva. Conclusão: A PET/CT demonstra uma grande utilidade na avaliação dos SO, MM e metástases ósseas, não estando ainda largamente implementada pela falta de estudos que estabeleçam definitivamente critérios uniformes para a sua utilização. Contudo, é impossível ignorar que será o exame do futuro em alguns aspectos da avaliação destes tumores permitindo uma grande redução do número de exames efectuados pelos doentes, melhorando substancialmente o tratamento e prognóstico destes.
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7,625
Hiperbilirrubinémias congénitas familiares não hemolíticas
Bilirrubina,Metabolismo,Icterícia,Gastrenterologia
O estudo das hiperbilirrubinémias congénitas familiares não hemolíticas é importante, pois estas incluem quer formas benignas, como a Síndroma de Gilbert, quer patologias com elevado índice de mortalidade, como a Síndroma de Crigler-Najjar. Ainda que algumas destas condições sejam benignas, é importante identificar os seus portadores, pois estes podem apresentar susceptibilidade aumentada para intoxicação por determinadas substâncias. Por outro lado, a Síndroma de Crigler-Najjar pode originar manifestações neurológicas irreversíveis, como o kernicterus, cuja incidência tem vindo a aumentar. A hiperbilirrubinémia isolada é a única manifestação laboratorial das formas congénitas familiares não hemolíticas. Apesar da maioria destas formas congénitas serem pouco prevalentes, o seu conhecimento é indispensável para o diagnóstico diferencial da hiperbilirrubinémia isolada. Desta forma, os objectivos primordiais desta revisão passam por avaliar o valor semiológico da hiperbilirrubinémia isolada e os efeitos que lhe estão associados; analisar e compreender os mecanismos fisiopatológicos que lhe são inerentes; sistematizar e classificar as hiperbilirrubinémias familiares congénitas não hemolíticas; identificar os meios de diagnóstico passíveis de esclarecer a sua etiologia; efectuar adequadamente o diagnóstico diferencial de hiperbilirrubinémia isolada e, por fim, desenhar as estratégias terapêuticas mais convenientes
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7,626
Menopausa e diabetes
Menopausa,Diabetes mellitus
Introdução A menopausa é um processo fisiológico composto por modificações hormonais, sendo cada vez mais frequente devido ao aumento da esperança média de vida. Esta condição leva a alterações da composição corporal, com aumento da prevalência da DM2, DCV e osteoporose, sendo estas patologias com grande impacto na morbilidade e mortalidade. A THS surgiu com intuito de aliviar os sintomas e a minimizar as consequências que a menopausa acarreta, contudo a sua prescrição tem diminuído. Objetivos Os objetivos deste trabalho consistiram em caracterizar as mulheres no período pósmenopausa no que diz respeito à prevalência da DM2, de complicações cardiocerebrovasculares e outras patologias, nomeadamente a osteoporose. Tentando avaliar se existiriam diferenças entre aquelas que faziam ou não THS. Metodologia Foram selecionadas mulheres na pós-menopausa com idade inferior ou igual a 65 anos, registando-se dados presentes nos processos clínicos de consultas de um trimestre. Procedeu-se à divisão em 3 grupos: não diabéticas e diabéticas, com diagnóstico de diabetes antes ou após a menopausa e se realizaram THS ou não. Resultados As mulheres no período de pós-menopausa apresentavam alterações em diversos parâmetros como IMC (29,42 kg/m2), HbA1c (7,2%), colesterol total (202,3) e LDL (119,6). No total da amostra a prevalência de DM2 foi de 17,8%, sendo que estas mulheres apresentavam valores de IMC (p<0,001), TAS (p<0,001), glicémia (p<0,001), HbA1c (p=0,020) e triglicerídeos (p=0,025) superiores e HDL inferior (p00,018) em comparação com as não diabéticas, para além da maior prevalência de HTA. Da amostra, 21,1% das mulheres realizaram THS, sendo que estas apresentavam um menor tempo de evolução de DM2 (p=0,039), valores mais baixos de triglicerídeos (p=0,042), colesterol total (p=0,010) e TAS (p=0,012), bem como menor prevalência de HTA (p=0,017). Os preditores para osteoporose foram a DM2 (OR: 11,56), diabetes antes/após menopausa (OR: 21,78 e 9,11), idade da menarca > 13 anos (OR: 4,76), idade da menopausa ≤ 50 anos (OR: 4,65) e o IMC ≥ 25 kg/m2 (OR: 0,17). Discussão e Conclusão A menopausa está associada a muitas patologias que acarretam as mais diversas consequências. Verificou-se que as mulheres pós-menopáusicas apresentavam uma prevalência de DM2 de 17,8%, justificado pelo facto de a incidência aumentar em idades superiores a 50 anos e na menopausa. Constatou-se que as diabéticas tinham mais complicações. As mulheres que tomaram THS apresentavam menor incidência de DM2, além de menor tempo de evolução da doença. A administração de THS esteve associada a menos complicações, contudo verificou-se uma maior prevalência de microcalcificações mamárias e AVC’s. A osteoporose teve como preditor a DM2, contudo a relação entre a osteoporose e a DM2 é complexa, sendo um tema atualmente controverso. Deste modo é importante realçar que o aumento da esperança média de vida deve ser acompanhado com o aumento da qualidade de vida, para isso é necessário um maior conhecimento deste grupo específico.
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7,627
Prevenção de cáries durante o tratamento ortodôntico
Estomatologia,Ortodôncia,Cáries dentárias
O tratamento ortodôntico é considerado um factor predisponente ao aparecimento da cárie dentária e da doença periodontal, devido ao aumento do potencial de acúmulo de placa bacteriana propiciado pela presença de aparelho ortodôntico fixo. No presente trabalho expõe-se uma breve revisão da literatura referente à higienização oral de pacientes portadores de aparelhos ortodônticos, procurando dar atenção especial à necessidade de reduzir problemas ocasionados para a estrutura dentária e os tecidos gengivais, decorrentes do uso de acessórios ortodônticos, sem adopção de cuidados especiais de higiene. Como se sabe, a presença de aparelho ortodôntico fixo no meio oral, cria condições adicionais favoráveis para um significativo aumento de placa bacteriana que, por sua vez, facilita o aparecimento de lesões de esmalte e inflamação gengival. Os pacientes em tratamento ortodôntico estão propensos a apresentar desvios da normalidade dos tecidos orais enquanto durar a fase activa do tratamento. Entre essas alterações, pode ocorrer o aparecimento de manchas brancas por desmineralização do esmalte, primeiro sinal clínico da lesão cárie, e gengivite, ambos causados pelo acúmulo de biofilme. Considerando-se isto, ressalta-se a necessidade de se estabelecer um programa especial de higiene oral, baseado na prevenção. São abordados métodos mecânicos e químicos para o controle de placa bacteriana em pacientes sob tratamento ortodôntico
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Mecanismos celulares e moleculares envolvidos no cancro e autoimunidade : o papel das células T reguladoras do gene FOXP-3 e do NF-KB
Autoimunidade,Cancro,Células Treg,NF-κB,FOXP3.
Introdução: Vários trabalhos científicos comprovam que existe uma estreita relação entre doenças autoimunes (DAI) e neoplásicas (NEO). De facto, em doentes submetidos a terapêutica imunossupressora, existe maior incidência de NEO. Por outro lado, em doentes submetidos a tratamentos antineoplásicos, observa-se maior predisposição para a ocorrência de DAI. Vários mecanismos moleculares e celulares têm sido descritos na relação entre autoimunidade e cancro, contudo o papel da Interleucina (IL)-21, da IL-17, do NF-κB e das células T reguladoras (Treg), não está ainda totalmente clarificado. Objectivo: Este trabalho tem como objetivo a quantificação das células T reguladoras (Treg) e a avaliação da expressão da IL-21, IL-17, do FOXP3 e do NF-κB em doentes com doenças autoimunes e/ou neoplásicas. Materiais e Métodos: O estudo foi efetuado em Sangue Periférico (SP) de doentes portadores de NEO, DAI e ambas as patologias (NEO/DAI) (total=76 doentes: 21 doentes com DAI; 47 doentes com NEO e 8 doentes com NEO/DAI e 7 controlos saudáveis (CTL)). Após a colheita de SP, procedeu-se à análise das diferentes populações linfocitárias, incluindo das células Treg (Treg naturais, nTreg, e induzidas, iTreg, através da marcação CD4+/CD127low/CD25high ou -/FOXP3+, respetivamente), da expressão das IL-17 e IL-21, do NF-κB e do FOXP3, por citometria de fluxo, utilizando anticorpos monoclonais marcados com sondas fluorescentes. Os resultados obtidos foram analisados pelo teste Anova, T-student e análise multivariada (p<0,05). Resultados: Os nossos resultados mostram que os doentes com DAI, NEO e NEO/DAI, apresentam, em geral, diminuição da percentagem de todas as subpopulações linfocitárias quando comparados com controlos saudáveis. Todos os doentes, quer os portadores de DAI, de NEO e de NEO/DAI apresentam uma diminuição significativa da percentagem de células nTreg e aumento da iTreg que produzem FOXP3 relativamente aos indivíduos saudáveis (CTL), sendo de salientar que os doentes com DAI são os que apresentam uma diminuição mais significativa das células nTreg, enquanto que o aumento das célu9las iTreg é mais acentuado nos doentes com NEO/DAI. Além disso, os doentes em geral apresentam aumento da percentagem de células Treg que expressam IL-21, IL-17 e NF-kB. No entanto,quando analisámos a população de doentes verificámos que os doentes com DAI são os que apresentam diminuição mais acentuada da expressão destas moléculas e de FOXP3, enquanto nos doentes com NEO se observou o contrário. Os doentes com ambas as patologias, NEO/DAI, são os que apresentam níveis de expressão de FOXP3 mais elevados em ambos os subtipos de células Treg. Discussão: A baixa expressão de IL-21 e IL17, em doentes com DAI, pode estar relacionado com a eficácia da terapêutica imunossupressora instituída nestes doentes, o que, por outro lado, poderá favorecer o aparecimento de neoplasias. Além disso, a diminuição da expressão de FOXP3 nos doentes com DAI pode estar associado à diminuição da atividade das células Treg e, desta forma, contribuir para a perda de auto-tolerância antigénica e, consequentemente, para a autoimunidade. Por outro lado, a elevada ativação do NF-κB em doentes com NEO pode contribuir para a activação de vias oncogénicas, podendo levar à perda da imunidade anti-tumoral e ao aumento da susceptibilidade para autoimunidade. Conclusões: As alterações observadas nas subpopulações linfocitárias sugerem o envolvimento do sistema imunitário no processo neoplásico associado à autoimunidade, podendo as citocinas IL-21 e IL-17, os fatores de transcrição NF-κB e FOXP3 e as células Treg desempenhar um papel importante
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7,632
Exames complementares de diagnóstico não invasivos na síndroma de Takotsubo
Exames complementares de diagnóstico,Cardiomiopatia de Takotsubo
INTRODUÇÃO: A Cardiomiopatia de Takotsubo apresenta-se como uma disfunção aguda e transitória do ventrículo esquerdo, com hipercinésia do segmento basal e acinésia apical. Afeta principalmente mulheres na pós-menopausa, normalmente em consequência de um significativo stress emocional ou físico, continuando por esclarecer muitos dados da sua fisiopatologia. A sua apresentação clínica assemelha-se ao Enfarte Agudo do Miocárdio, contudo, não existe obstrução significativa das artérias coronárias. Definimos como OBJETIVOS desta revisão, a avaliação da utilidade prática dos meios complementares de diagnóstico não invasivos na Cardiomiopatia de Takotsubo, determinação das suas limitações e identificação de critérios que permitam um diagnóstico diferencial com o Enfarte Agudo do Miocárdio. MATERIAIS E MÉTODOS: Pesquisa bibliográfica na base de dados PubMed usando como palavras-chave Takotsubo cardiomyopathy, diagnosis e non invasive methods para as datas entre 2005 e 2012. DESENVOLVIMENTO/RESULTADOS: As publicações analisadas avaliaram os dados epidemiológicos, as características clínicas e antecedentes dos doentes, os possíveis mecanismos fisiopatológicos e o interesse do uso de exames complementares não invasivos (eletrocardiograma, biomarcadores cardíacos, ecocardiograma e ressonância magnética cardiovascular) com o objetivo de diagnosticar a Cardiomiopatia de Takotsubo, excluindo com segurança o Enfarte Agudo do Miocárdio. DISCUSSÃO: Atualmente não é possível realizar o diagnóstico de Cardiomiopatia de Takotsubo e excluir o Enfarte Agudo do Miocárdio, recorrendo apenas a exames complementares não invasivos, não existindo nenhum parâmetro que permita realizar um diagnóstico seguro. Perante um caso suspeito de Cardiomiopatia de Takotsubo considera-se ser necessário a realização de cateterismo cardíaco. O desconhecimento dos mecanismos fisiopatológicos, é uma limitação na orientação preventiva, diagnóstica e terapêutica dos doentes
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7,634
Artrosplastia total do joelho : função e força do quadriceps femoral : estudo exploratório
Artroplastia total do joelho,Medicina física,Reabilitação
Introdução: A artroplastia total do joelho é realizada em doentes com gonartrose cuja dor não responde à terapêutica médica. A sua avaliação funcional é imperativa para que se possa estabelecer um prognóstico funcional. Pretende-se propor um modelo que avalie, em doentes com artroplastia total do joelho há mais de um ano, componentes do funcionamento e da força dos músculos que condicionam o movimento do joelho e a perspetiva do doente em relação às suas limitações. Métodos: A avaliação dos doentes com artroplastia total do joelho unilateral poderá ser realizada através da Escala Visual Analógica da dor para avaliar a intensidade da dor, do questionário Oxford Knee Score (OKS) de condição específica que avalia o estado de saúde, do Teste de caminhada de Seis Minutos para determinar a capacidade de exercício e através de estudos isocinéticos da força muscular. Resultados: Na escala visual analógica da dor a doente obteve um resultado de 20mm no membro com artroplastia total do joelho, uma pontuação de 17 pontos no questionário Oxford Knee Score o que é próximo do melhor resultado possível (12 pontos), uma distância de 446,8 metros percorrida no teste de caminhada de 6 minutos, e o momento máximo da força do quadriceps femoral de 76N.m e 46N.m obtido no teste isocinético a velocidades de 60ºs-1 e 180ºs-1, respetivamente, no membro com artroplastia total do joelho, no membro contralateral os momentos máximos obtidos foram, 81 e 51N.m, respetivamente. Discussão: O estudo sugere existir uma relação entre a dor, a força e a atividade funcional nos indivíduos sujeitos a artroplastia total do joelho, pelo que um protocolo de avaliação global destes doentes poderá incluir a análise destes 3 parâmetros. A dor e a força do músculo quadriceps femoral interferem com a realização das atividades de vida diária, as principais atividades realizadas pelos indivíduos a quem se destina este protocolo de avaliação. Conclusões: O protocolo proposto parece, de acordo com os dados da literatura, e com os resultados obtidos no caso estudado, ser adequado para avaliar o doente de uma forma global.
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7,635
Quedas no idoso
Idoso,Quedas acidentais
As quedas são um problema comum nos idosos. Estima-se que um terço dos idosos caia todos os anos, muitos deles de forma recorrente. As consequências das quedas podem ser catastróficas na vida do idoso, não só pela lesão física, responsável por imobilização, dependência e até morte, mas também pelas consequências psicológicas, sociais e económicas. As quedas raramente têm uma causa única sendo, geralmente, um fenómeno multifactorial, para o qual contribuem factores intrínsecos e extrínsecos. Alterações da marcha e do equilíbrio, défices visuais e cognitivos, défice de vitamina D, fraqueza muscular, anomalias cardiovasculares, polimedicação e perigos do meio ambiente são alguns dos factores de risco para a ocorrência de quedas. As quedas podem ser prevenidas através da identificação e correcção destes factores de risco. A implementação de um programa de exercício físico, a revisão e minimização da medicação, a suplementação com vitamina D, a correcção da visão e das anomalias cardiovasculares e o aumento da segurança no meio ambiente são medidas eficazes na prevenção das quedas. Tendo em conta o envelhecimento da população que se verifica hoje em dia, as quedas tornam-se num problema de saúde pública ao qual deve ser dado atenção e sobre o qual se deve intervir
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7,636
A experiência ERASMUS - uma comparação entre duas realidades : a Faculdade de Medicina da Università Degli Studi di Perugia Itália e a Faculdade de Medicina da Univeridade de Coimbra
Faculdades de Medicina,Ensino superior,ERASMUS,Comparação Curricular
Criado em 1987 pela União Europeia, o Projeto Erasmus é um programa de intercâmbio de estudantes e docentes que tem como objetivos cultivar educacional, linguística e culturalmente todos os que nele participam. A partir da experiência de aprendizagem em outros países europeus este programa pretende ainda promover a cooperação entre instituições europeias, de forma a enriquecer os métodos de ensino e o contexto de aprendizagem nas mesmas. Para tal, é fundamental a realização de um levantamento da informação obtida pelos alunos em mobilidade, que regressam com dados de relevo para esta melhoria educacional. É assim, com o intuito de contribuir para este enriquecimento, que tencionamos neste relatório comparar objetivamente o ensino médico na Universidade de Perugia com o da Universidade de Coimbra, tentando identificar os pontos divergentes e convergentes entre ambas. Para tal, serão abordados temas como a proporção de aulas teóricas e práticas nas unidades curriculares, a existência de estágios práticos obrigatórios fora do período lectivo, a escala de avaliação e o tipo de avaliações mais preconizada, o número de oportunidades para a realização das unidades curriculares e o sistema de acompanhamento por um tutor. Desta forma, através do confronto entre diferentes realidades, o nosso objetivo final é contribuir, de forma significativa, para o enriquecimento pedagógico da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, colaborando, em última instância, para o progresso da educação médica em Portugal
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7,637
Infertilidade masculina e factores ambientais
Urologia,Infertilidade masculina,Exposição ambiental,Factores de risco
Introdução A infertilidade é, nos nossos dias, um problema com que muitos casais se debatem. O factor masculino mostra uma incidência crescente e apresenta hoje um papel de relevo na génese dos casos de infertilidade. A função reprodutora masculina pode ser afectada negativamente por diversos factores: Genéticos, Endócrinos, Imunológicos e Ambientais. Objectivos O objectivo fundamental da minha revisão bibliográfica é abordar estes agentes agressores, explicitar os seus efeitos lesivos para o organismo humano, em particular para o sistema reprodutor masculino, e avaliar o seu impacto na função reprodutora masculina. Materiais e Métodos O método utilizado para a elaboração deste artigo consistiu numa extensa revisão de artigos científicos originais e de revisão na Pubmed/Medline (dos últimos 25 anos), em língua inglesa, usando os seguintes termos: infertility, male infertility, environmental factors, environmental disruptors, environmental risk factors and male fertility, occupational exposure, semen parameters, em várias combinações. Adicionalmente, foram consultados livros e sites especializados na área e relevantes para a temática. Desenvolvimento Os factores relacionados com o meio no qual estamos inseridos apresentam cada vez mais importância nesta problemática, representando uma séria ameaça à fertilidade masculina, tanto a nível do desenvolvimento das células germinativas masculinas, como na função testicular propriamente dita. Estão documentados inúmeros agentes químicos (pesticidas, álcool, tabaco, fármacos de uso diário, drogas ilícitas, solventes orgânicos, estrogénios ambientais e metais pesados) e físicos (calor, radiações não ionizantes e radiações ionizantes) tóxicos para a fertilidade masculina. Neste âmbito, estão a ser realizados estudos, observacionais em humanos, e experimentais com modelos animais, na tentativa de clarificar a acção destes agentes no organismo humano, em particular no sistema reprodutor masculino. Conclusões Os dados existentes até à data são algo controversos, não se podendo estabelecer uma relação inequívoca entre a presença destes agentes ambientais e o aparecimento da infertilidade masculina. Devido à elevada toxicidade destes agentes, não é possível a execução de estudos prospectivos em humanos, resultando a informação disponível de estudos retrospectivos, caso-controlo e coorte, apresentando algumas limitações. A informação resultante de estudos experimentais em animais é consistente. Porém, é difícil fazer uma extrapolação para o ser humano.
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7,638
O papel da pneumologia de intervenção na abordagem da neoplasia maligna do pulmão
Neoplasias do pulmão,Pneumologia
O rápido progresso tecnológico dos últimos anos veio proporcionar uma marcada evolução nas técnicas diagnósticas e terapêuticas da medicina. Na área da pneumologia, em particular, este avanço veio permitir um significativo desenvolvimento na abordagem das patologias das vias aéreas e dos pulmões, sobretudo na doença neoplásica, uma vez que o cancro do pulmão é o mais comum e um dos tumores malignos com pior prognóstico. A pneumologia de intervenção é um campo da pneumologia em fase crescente de aperfeiçoamento, associado à execução de procedimentos e técnicas invasivas, que tem na broncoscopia e na pleuroscopia os seus principais enfoques. A observação directa das vias aéreas é a mais evidente utilidade, mas está longe de ser o tecto de acção da broncoscopia. Através deste procedimento, é possível pesquisar células malignas nos lavados e escovados brônquicos, identificar áreas ou lesões suspeitas de malignidade, por visualização directa ou com o apoio da fluorescência ou da ecografia endobrônquica, e realizar biópsias brônquicas ou transbrônquicas com vista à caracterização histológica dos tumores do pulmão. Embora seja cada vez mais preterido pelo fibroscópio, o broncoscópio rígido é ainda o instrumento mais seguro para efectuar intervenções terapêuticas e/ou paliativas como a destruição de lesões tumorais por laser, electrocautério, árgon-plasma, braquiterapia e crioterapia e a colocação de endopróteses nos casos de estenose. As doenças malignas da cavidade pleural, primárias ou metastáticas, exigem uma investigação diagnóstica possibilitada pelo recurso a diversos procedimentos pleurais. A punção pleural, passo inicial e imprescindível para a análise bioquímica e citológica de um derrame, tem ainda a sua rentabilidade diagnóstica amplificada quando associada à realização de biópsias da pleura por agulha. Perante um estudo inconclusivo, pode-se recorrer a uma técnica pouco invasiva, a toracoscopia, que ao permitir a visualização directa da cavidade pleural, detém uma elevada sensibilidade e especificidade no diagnóstico dos derrames malignos. A utilidade das técnicas de intervenção pleural não se esgota nas capacidades diagnósticas mas oferece também o benefício de terapêutica, quer pela simples drenagem torácica, quer pela ressecção de lesões isoladas da pleura e pleurodese por talco. Detendo actualmente uma proficiência inegável, o futuro da pneumologia de intervenção avizinha-se auspicioso à medida que novos e melhores instrumentos se associam às técnicas já descritas, motivo pelo qual se considera relevante a revisão dos conhecimentos actuais desta temática.
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7,639
Síndrome de Osgood-Schlatter : o estado da arte
Dor,Joelho,Adolescência,Síndrome de Osgood-Schlatter
A Síndrome de Osgood-Schlatter caracteriza-se pela separação parcial da epifise da tuberosidade tibial, aparentemente provocada pela tracção contínua do ligamento patelar e músculo quadriceps femoral, constituindo-se como a causa mais comum de morbilidade localizada ao joelho durante a adolescência. Caracteriza-se pela sua particular frequência em indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos de idade, praticantes de exercício físico. Esta patologia é auto-limitada, de resolução espontânea, com recuperação esperada em cerca de 90% dos doentes. A sua etiologia é, ainda, desconhecida, embora vários estudos a associem à presença de alguns factores, possivelmente, predisponentes. O seu diagnóstico assenta, essencialmente, na avaliação clínica, podendo esta ser variável, desde um ligeiro desconforto à incapacidade total. Tipicamente, apresenta-se como dor progressiva, associada a tumefacção da região da tuberosidade tibial, que agrava com o esforço e exercício físico. Em casos mais duvidosos, uma radiografia lateral de ambos os joelhos, com o membro inferior em rotação interna (10-20º), permite detectar alterações que comprovem as suspeitas clínicas. Relativamente ao tratamento, que se centra na redução da sintomatologia, em cerca de 90% dos casos há uma resposta positiva a uma terapêutica que combina a aplicação local de gelo e colocação de joelheira de protecção, a toma de um anti-inflamatório não-esteróide e modificação da actividade física, com períodos de repouso mas sem imobilização total, seguido de fisioterapia. Nos restantes casos, os sintomas mantêm-se, mesmo após estas medidas. Nestes casos, em que a sintomatologia permanece após a maturação óssea, poderá estar indicado tratamento cirúrgico, havendo várias técnicas descritas com resultados variáveis. Esta é uma patologia com bom prognóstico, apresentando-se de forma típica e tendo, habitualmente, apenas indicação para terapêutica de suporte. Na maioria dos casos, há regressão dos sintomas após o fim da maturação óssea, podendo surgir complicações como pseudartrose e persistência de um ossículo no interior do tendão patelar, entre outras, em cerca de 10% dos casos. Neste trabalho, pretende-se fazer uma revisão bibliográfica sobre a Síndrome de Osgood-Schlatter, de forma a avaliar o estado actual da arte e a presença ou não de consensos quanto a esta patologia, procedendo a uma avaliação das formas de tratamento, tanto conservador como cirúrgico, na expectativa de encontrar qual o melhor tratamento para esta doença
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O panorama actual da tuberculose multirresistente
Tuberculose multirresistente,Rifampicina
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa causada por bactérias do complexo Mycobacterium tuberculosis. Apesar do declínio na incidência e mortalidade desta doença, principalmente nos países industrializados, o surgimento de novas formas de tuberculose, resistentes aos fármacos tuberculostáticos existentes, constitui actualmente um dos maiores problemas de saúde pública. Vários factores estão relacionados com o aparecimento de resistência, através de alterações genéticas. A infecção por HIV parece ser um factor de risco importante, apesar da sua relação com a resistência a tuberculostáticos não estar ainda bem esclarecida. A tuberculose multirresistente (MDR-TB) define-se pela resistência a pelo menos isoniazida e rifampicina. O desenvolvimento posterior de tuberculose extensamente resistente (XDR-TB), caracterizada por resistência a isoniazida e rifampicina associada a resistência a fluoroquinolonas e a pelo menos um injectável (capreomicina, kanamicina ou amicacina), veio agravar ainda mais o panorama da TB a nível mundial. O diagnóstico e tratamento destes doentes é um desafio para os actuais programas de controlo de tuberculose, devido não só à falta de capacidade laboratorial principalmente em países com menos recursos, mas também às opções terapêuticas disponíveis, mais onerosas, menos seguras e eficazes do que os fármacos usados na TB susceptível a fármacos. Actualmente, surgem novas opções diagnósticas baseadas essencialmente em técnicas moleculares. Está em curso, igualmente, o desenvolvimento de outras estratégias terapêuticas, não só com o aparecimento de novas moléculas, mas também com novas formas e vias de administração ou abordagens não farmacológicas, em casos particulares. Assim, pretendeu-se com este trabalho obter uma perspectiva global deste tema vasto e complexo, sintetizar os principais mecanismos de resistência e factores de risco associados à MDR-TB, sistematizar princípios diagnósticos e regimes terapêuticos recomendados a nível internacional, e englobar as novas abordagens diagnósticas e terapêuticas propostas por estudos recentes, à luz do contexto epidemiológico actual. É, ainda, apresentado um caso clínico representativo.
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7,643
Comparação dos sintomas na pós-menopausa em mulheres com ovários poliquísticos e mulheres com fisiologia ovárica normal
Pós-menopausa,Síndroma do ovário poliquístico,Ovário
O síndrome dos ovários poliquísticos (SOP) é actualmente considerado como a principal endocrinopatia nas mulheres em idade reprodutiva, sendo a causa mais frequente de infertilidade de causa anovulatória e hiperandrogenia, afectando 5 a 10% das mulheres em idade fértil. Corresponde a um distúrbio complexo e heterogéneo caracterizado por hiperandrogenia e insulinorresistência com hiperinsulinémia compensatória. A sua fisiopatogenia e etiologia permanecem até hoje pouco claras. A expressão clínica deste síndrome é variável, podendo apresentar importantes repercussões a nível reprodutivo, como irregularidades menstruais, infertilidade e neoplasia do endométrio, como a nível metabólico e cardiovascular através da obesidade central, dislipidémia, insulinorresistência com aumento do risco de progressão para diabetes mellitus tipo 2 e síndrome metabólico. O aumento do risco cardiovascular conferido pelo SOP e pelo síndrome metabólico não parecem ser idênticos mas aditivos. A abordagem terapêutica incide na instituição de medidas higienodietéticas, na melhoria da sensibilidade à insulina, tratamento do hirsutismo e acne, como manifestações clínicas de hiperandrogenismo, e indução da ovulação em caso de infertilidade. É fundamental a necessidade de prevenção das várias complicações a médio e a longo prazo o mais precocemente possível de forma a melhorar a qualidade de vida das doentes. A ligação entre síndrome dos ovários poliquísticos e doenças cardiovasculares no início do período de vida da mulher é explorada na maioria das vezes, com avaliações limitadas focando os anos após a menopausa. Ainda pouco se sabe sobre as características clínicas e bioquímicas e o grau de severidade dos sintomas comuns após a menopausa em mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos. O objectivo principal desta revisão bibliográfica é saber se existe diferença nos sintomas característicos após a menopausa em mulheres com o síndrome comparativamente a mulheres com fisiologia ovárica normal. Considerando a elevada prevalência de factores de risco cardiovasculares e os sinais precoces de aterosclerose em mulheres jovens com o síndrome, pretende-se fazer um ponto da situação sobre as evidências disponíveis relativas a alterações endócrinas e metabólicas após a menopausa em mulheres com ovários poliquísticos, esclarecendo até que ponto existe um agravamento do risco cardiovascular em mulheres afectadas com síndrome dos ovários poliquísticos na sua vida após a menopausa em comparação com mulheres com ovários normais. Este artigo pretende ainda descrever de que forma a vigilância em mulheres com ovários poliquísticos pode influenciar a progressão desta patologia.
Ciências Médicas e da Saúde
7,646
Terapêutica do sarcoma de Kaposi : uma revisão da literatura
Terapêutica,Sarcoma de kaposi
Introdução: O Sarcoma de Kaposi (SK) é uma neoplasia de origem vascular, de localização cutânea, mucosa ou visceral. Com o diagnóstico dos primeiros casos de SIDA (síndrome de imunodeficiência adquirida), foi identificado como uma das suas manifestações mais frequentes. Na década de 90, o advento de anti-retrovíricos eficazes diminuiu a sua incidência nos países desenvolvidos. Objectivos: Identificar e caracterizar as diversas variantes de SK; esclarecer a sua etiologia e patogénese; identificar os modos de transmissão do vírus VHH-8 (vírus herpes humano tipo 8); sistematizar os dados epidemiológicos relativos à sua prevalência geográfica e em grupos populacionais particulares; analisar as diferentes alternativas terapêuticas já encontradas e a sua aplicação em casos particulares; indicar algumas terapêuticas inovadoras actualmente em investigação. Desenvolvimento: Existem 4 tipos de SK: clássico; endémico; relacionado com a SIDA e associada a imunossupressão. Todas partilham o mesmo agente etiológico - o VHH-8, pertencente à subfamília gama dos vírus herpes. Provoca uma proliferação de células fusiformes de origem endotelial, originando lesões cutâneas, mucosas ou viscerais de diferente extensão e gravidade. Os doentes com SK associado a VIH devem efectuar terapêutica anti-retrovírica. No caso de persistência das lesões ou impossibilidade de controlo da virémia VIH, são vários os agentes disponíveis. Na presença de lesões superficiais localizadas, pode recorrer-se a radioterapia, crioterapia, injecção intra-lesional ou excisão cirúrgica. Perante doença disseminada, rapidamente progressiva ou atingindo órgãos internos, torna-se necessária terapêutica sistémica com interferão , antraciclinas liposomais ou paclitaxel. Conclusão: A incidência do SK em doentes com SIDA tem vindo a diminuir fundamentalmente devido à introdução da terapêutica anti-retrovírica combinada (TARVc). No entanto, o risco de desenvolvimento de SK permanece substancialmente elevado nos indivíduos infectados por VIH, podendo surgir em qualquer etapa da infecção. A resposta ao tratamento é variável, dependendo da gravidade das lesões e do perfil imunitário do doente. O SK permanece, no entanto, uma doença incurável. O esclarecimento dos mecanismos patogénicos subjacentes ao SK permitirá o desenvolvimento de novas modalidades terapêuticas.
Ciências Médicas e da Saúde
7,647
Insulino-resistência e inflamação : efeitos da restrição calórica em ratos idosos diabéticos tipo 2
Resistência á insulina,Fisiologia,Animais de laboratório
Introdução: A diabetes mellitus tipo 2 (DMT2), uma doença metabólica que resulta de insulino-resistência (IR) e incapacidade da célula  segregar adequadamente insulina, representa um dos mais importantes desafios para a saúde pública do mundo ocidental. A IR é um estado metabólico anormal precoce e tem várias causas ainda pouco conhecidas. É aceite a ligação entre IR, inflamação e obesidade, no entanto, nem todos os doentes com DMT2 são obesos, ainda que, nestes doentes, a ativação crónica do sistema imunitário esteja, também, presente e relacionada com IR. A restrição calórica (RC), uma intervenção dietética baixa em calorias, sem malnutrição, é útil na prevenção e controle da DMT2. No entanto, não são, ainda, compreendidos os efeitos da RC na DMT2 não obesa. Objetivo: Avaliar, na DMT2 e de forma independente da obesidade, ratos Goto-Kakizaki (GK) idosos, os efeitos da RC na IR hepática e na inflamação local. Métodos: Foram estudados quatro grupos experimentais de ratos com 12 meses de idade. Dois grupos controlo, alimentados ad libitum: ratos Wistar normais (W) e GK – um modelo de DMT2 espontânea, não obesa; e dois grupos submetidos a restrição calórica durante 12 semanas (WRC e GKRC). Foi feita avaliação metabólica sistémica, sendo a análise de vários parâmetros (JNK, Akt/PKB e AMPK) no tecido hepático realizada por Western Blot. Resultados: A RC conduziu a aumento da tolerância à glicose e diminuição dos níveis de HbA1C, triglicerídeos e ácidos gordos livres. A RC também se mostrou benéfica em parâmetros envolvidos na inflamação e IR hepáticos: diminuição da expressão de JNK e aumento da expressão de Akt e de AMPK. Conclusão: A RC melhora o perfil glicídico e lipídico da DMT2. Os seus efeitos em parâmetros de inflamação e energéticos/ de IR a nível hepático sugerem o envolvimento do fígado nos benefícios metabólicos da RC.
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7,650
Pain and quality of life in multiple sclerosis patients
Esclerose múltipla,Qualidade de vida,Dor
A dor é um sintoma incapacitante na esclerose múltipla (EM) que é frequentemente esquecido na prática clínica. Estudos prévios descreveram valores de prevalência de dor entre 30 e 60%. Este estudo pretende avaliar a prevalência de dor neuropática e musculoesquelética e a sua relação com a qualidade de vida. Um total de 60 doentes foi entrevistado para avaliar sintomas dolorosos e preencher o inventário de depressão de Beck (BDI) e o questionário MusiQoL. A prevalência de dor encontrada foi de 63% e a sua presença foi independente da idade, género, número de anos de doença, subtipo de doença, escala expandida de status da incapacidade de Kurtzke (EDSS) e número de surtos no ano anterior. A pontuação do BDI foi significativamente diferente entre grupos (p=0,008). 13% dos doentes referiram dor neuropática, 22% dor musculoesquelética e 28% os dois tipos de dor. Na dor neuropática, o sinal de Lhermitte foi o mais comum (56%) e na dor musculoesquelética, a dor muscular foi a mais prevalente (77%). Doentes com dor tinham uma pontuação de MusiQoL significativamente menor que também se relacionava negativamente com a cotação do BDI. A depressão foi o preditor mais forte de dor (R2=0,186, p=0,008) e a presença de dor foi um forte preditor de uma menor pontuação no domínio da sintomatologia do MusiQoL (F=3,97, p=0,05). Cerca de 32% dos doentes com dor estavam a fazer terapêutica sintomática. A dor é, portanto, um sintoma que prejudica muito a qualidade de vida e que está frequentemente associado a depressão, que piora ainda mais a qualidade de vida e altera a perceção da dor. A baixa frequência de tratamento destes sintomas indica a necessidade de maior atenção a este problema.
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7,656
Terapêutica da malária
Malária,Terapêutica
A malária é uma das doenças infecciosas com maior impacto ao nível da Saúde Pública nos países em vias de desenvolvimento. No entanto, os fenómenos de globalização, as alterações climáticas e a maior mobilidade das populações poderão conduzir a uma maior disseminação da doença, com o aparecimento de casos de malária em zonas actualmente consideradas não endémicas. Considerando esse risco, a terapêutica da malária deverá constituir motivo de constante actualização por parte de Infecciologistas e Médicos de Família em todo o Mundo. À semelhança do que vem acontecendo com outras patologias, a emergência de resistências aos fármacos mais utilizados é, hoje em dia, uma das grandes preocupações dos clínicos nas áreas endémicas. As associações de fármacos são, actualmente, o gold standard da terapêutica, com a Organização Mundial de Saúde a recomendar, como tratamento de primeira linha, as combinações baseadas em derivados da artemisinina. Todavia, em Portugal, estes fármacos ainda não estão muito difundidos, utilizando-se outras combinações. Na malária grave, o objectivo é tratar o doente o mais rapidamente possível, utilizando-se um fármaco (quinino ou um derivado da artemisinina) por via parentérica, complementado com medidas de suporte e associando-lhe antibioterapia oral após o tratamento parentérico. Por outro lado, em áreas endémicas, as crianças representam uma percentagem significativa dos doentes com malária e um grupo etário onde a mortalidade é exageradamente elevada. Em Pediatria, os fármacos utilizados são semelhantes aos dos adultos (com excepção das tetraciclinas), mas as doses devem ser precisas e adaptadas ao peso ou, mais correctamente, à superfície corporal. A malária na gravidez também representa um desafio, já que existe a preocupação de poupar o embrião/feto a eventuais toxicidades farmacológicas; contudo, tanto os derivados da artemisinina (excepto no primeiro trimestre) como o quinino podem ser usados no tratamento da malária na grávida. Em relação à coinfecção malária-VIH, sabe-se que estes dois agentes interagem em prejuízo do doente. 2 Apesar disto, o tratamento da malária nestes doentes não difere do da população em geral. Finalmente, e com particular ênfase nestes casos particulares, existem muitas linhas de investigação. Esta observação assume particular importância nesta infecção, já que, para além do desconhecimento relativo a vários pormenores da patogenia da doença, é essencial manter sempre um arsenal terapêutico amplo de modo a que, na eventualidade de os tratamentos mais recentes falharem, estarem disponíveis, de imediato, fármacos comprovadamente seguros, adequados e, fundamentalmente, eficazes.
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7,657
Dasi e prova de esforço cardiopulmonar na inficiência cardíaca
Cardiologia,Teste de esforço,Insuficiência cardíaca,Questionários
A. Introdução A insuficiência cardíaca é caracterizada por intolerância ao esforço traduzindo-se, tipicamente, por dispneia, astenia e fadiga. Os mecanismos subjacentes à limitação física na insuficiência cardíaca têm sido alvo de investigação e incluem factores como diminuição do débito cardíaco na resposta ao esforço, disfunção metabólica da musculatura esquelética, anormal capacidade de vasodilatação e anormal distribuição da circulação sanguínea. Estes factores são determinantes da capacidade funcional do doente e, consequentemente, da sua qualidade de vida. O grau de intolerância ao esforço é habitualmente utilizado na prática clínica para avaliar a gravidade da doença e a eficácia da terapêutica e a sua quantificação é obtida pela medição do volume máximo de oxigénio consumido, em prova de esforço cardiopulmonar. Seja por razões culturais, ou por hábitos da vida diária há, frequentemente, dificuldade de correlação e concordância entre os resultados da prova de esforço cardiopulmonar e a opinião expressa pelo doente acerca da sua capacidade funcional. Da necessidade de quantificar a capacidade funcional subjectiva do doente surge o inquérito DASI (Duke Activity Status Index). B. Objectivo Este estudo visa a avaliação comparativa entre os dados colhidos através do questionário DASI e os parâmetros obtidos na prova de esforço cardiopulmonar, bem como a comparação entre o score DASI e a Escala de BORG, em doentes com insuficiência cardíaca. DASI e Prova de Esforço Cardiopulmonar na Insuficiência Cardíaca Ana Raquel Maia 6 C. Metodologia Estudo prospectivo, de coorte, que incluiu 55 doentes insuficientes cardíacos, referenciados da consulta de Cardiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra entre Outubro de 2009 e Abril de 2010. A população em estudo foi dividida em dois grupos consoante o número de METs atingidos pelos doentes na prova de esforço cardiopulmonar: METs < 5 (n = 21) e METs ≥ 5 (n=34). Da prova de esforço foram colhidas as seguintes variáveis: parâmetros basais (pressão arterial e frequência cardíaca), tempo de prova, nº de METs atingidos, parâmetros de esforço (pressão arterial máxima e frequência cardíaca máxima, sintomatologia de esforço e motivo de paragem da prova), parâmetros ventilatórios (consumo de O2, produção de CO2 e número de ciclos respiratórios por minuto) e alterações electrocardiográficas decorrentes do esforço. A capacidade funcional, estimada através da resposta ao DASI, foi comparada com os dados obtidos através da prova de esforço cardiopulmonar. D. Resultados A população era maioritariamente do sexo masculino (72,7%), com idade média de 53,7 anos (DP ± 12). O valor médio do score DASI na população geral foi de 27,1 ± 14,8, sendo significativamente maior no grupo de doentes que atingiram um nº de METs ≥ 5 (30,9 ± 14,6 vs. 21,0 ± 13,3, p = 0,02). O volume máximo de O2 consumido foi consideravelmente superior neste grupo de doentes (20,3 ± 3,0 vs. 17,1 ± 3,9, p = 0,10). Existe correlação estatisticamente significativa entre o score DASI e tempo de exercício (0,49, p < 0,01), nº de METs atingidos (0,41, p < 0,01) e escala de BORG (- 0,39, p <0,01). E. Conclusões O DASI permite avaliar a capacidade funcional de forma fidedigna, mas não de forma precisa. Assim sendo, não deve ser utilizado como substituto da prova de esforço cardiopulmonar. No entanto, o DASI não deixa de ser uma mais valia para o médico, uma vez que lhe permite monitorizar a sintomatologia do seu doente, avaliar a resposta deste à terapêutica e perceber como é que a doença lhe afecta a qualidade de vida e quais as limitações que esta lhe impõe
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7,659
A tomografia computorizada para o estudo dos metatársicos com fins de identificação médico-legal
Estatura,Ossos metatársicos,Tomografia por raios X,Medicina legal
Frequentemente, na investigação forense, os restos cadavéricos esqueletizados ou em avançado estado de putrefação são o único material disponível para a identificação das vítimas e o estabelecimento da sua causa de morte. Esta tarefa é realizada pela Antropologia Forense, a qual criará um perfil biológico, que permitirá estabelecer a identificação positiva do indivíduo. Dois dos parâmetros principais na reconstrução do perfil biológico correspondem à estatura e sexo. A estatura nem sempre é fácil de obter, dado que os restos cadavéricos podem encontrar-se incompletos e/ou em mau estado de conservação, sendo necessário nestes casos estimar a estatura por um dos dois métodos fundamentais: o método anatómico ou o método matemático. Nas últimas décadas foram publicados numerosos trabalhos nos quais se calcula a estatura pelo método matemático. Os ossos longos, especialmente do membro inferior (fémur e tíbia), mostraram uma grande fiabilidade para o cálculo. Como os ossos longos se apresentam muitas vezes fragmentados foram desenvolvidas diversas fórmulas que utilizam fragmentos destes para a estimativa da estatura. Os ossos longos de pequenas dimensões, como os ossos da mão e do pé, demonstraram ser muito mais resistentes do que os acima referidos, encontrando-se mais facilmente íntegros e dando resultados mais fiáveis do que os fragmentos ósseos. Outros autores escolheram medir radiologicamente os ossos, obtendo assim fórmulas úteis no caso de identificação de vítimas com corpos fragmentados mas não esqueletizados, como acontece nos desastres de massa. Este é o primeiro estudo, até à data, em que se demonstra a utilidade da tomografia computadorizada na identificação médico-legal, através do estúdio de metatársicos. No presente trabalho foram utilizados 216 metatársicos (o 1º e 2º do pé esquerdo), previamente obtidos, de cadáveres autopsiados na Delegação do Centro e do Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal de Portugal, IP. A estatura dos cadáveres, medida desde o vértex até à face plantar do calcanhar com recurso à utilização de uma craveira, foi registada no início da autópsia por Cordeiro (2002). Posteriormente foram medidos os ossos digitalmente, mediante a tomografia computadorizada (TC dental scan), tendo sido realizadas as medidas que correspondem aos comprimentos fisiológicos e máximos do 1º e 2º metatársicos e à largura máxima da metade da diáfise do 1º metatársico. Estas medidas foram comparadas com as existentes numa base de dados registada durante o estudo de Cordeiro (2002) e Cordeiro et al. (2009), tendo-se calculado novas fórmulas para a estimativa da estatura e determinação do sexo do indivíduo mediante métodos flexíveis de regressão, que introduzem várias variáveis na predição. Destas fórmulas cabe destacar, como a mais exata para a estatura, S=895.4803+10.7848F2, a qual é calculada com base no 2º metatársico, para uma amostra de sexo indeterminado. Relativamente à determinação do sexo foi elaborada uma fórmula usando o Modelo Linear Generalizado com base no 1º metatársico.
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7,660
Exercício físico|h[Documento electrónico] : estratégia neuroprotectora num modelo de toxicidade estriatal induzida pela metanfetamina?
Metanfetamina-toxicologia,Exercício físico,Corpo estriado,Modelos animais,Ratos
A Metanfetamina (MA) é uma droga psicostimulante ilícita consumida em todo o mundo, sendo a segunda droga mais consumida, logo a seguir ao cannabis. Vários estudos mostraram que o consumo de MA provoca lesões neurodegenerativas no estriado, nos locais pré e pós-sinápticos. A exposição à MA leva à lesão de marcadores terminais dopaminérgicos, como a TH (tirosina hidroxilase), que implica depleção da DA e 5-HT, e aumento do marcador astrocitário GFAP (Proteína Glial Fibrilar Ácida). O propósito deste estudo foi demonstrar a influência do exercício físico na neuroprotecção do estriado, usando um modelo de toxicidade por MA, em murganhos de estirpe C57BL/6. Os animais foram divididos em quatro grupos, dois com prática de exercício físico (MA+ Ex e SAL+Ex) e dois sedentários (MA+Sed e SAL+Sed). O exercício físico consistia na prática de corrida em “Treadmill” durante 8 semanas, 5 dias por semana, a uma velocidade de 30cm/s, durante 30 minutos (com 5 minutos de aquecimento e 5 minutos de arrefecimento a 20cm/s), sem inclinação. Os animais foram administrados intraperitonealmente com uma injeção única de MA (30mg/Kg) ou uma solução salina (NACl 0,9%) e sacrificados, por decapitação, 72 horas depois. Os estriados foram dissecados em gelo e guardados a -80ºC. Foi feita a quantificação dos níveis de DA (e seus metabolitos) e 5-HT, através do método HPLC (Cromatografia Liquida de Alta Eficiência), e a determinação da expressão de TH (marcador da perda de neurónios dopaminérgicos) e GFAP (marcador astrocitário) através da técnica Western Blotting. Foi verificado que a MA produziu neurodegenerescência dos terminais dopaminérgicos, através da diminuição dos valores estriatais da DA e seus metabolitos, bem como da enzima TH. O aumento dos níveis estriatais da proteína GFAP também sugere neurotoxicidade e o contributo da MA na neuroinflamação. No entanto, os grupos de exercício físico não mostraram alterações comparativamente com os grupos sedentários. Em conclusão, os resultados sugerem que o exercício físico moderado não protegeu da neurodegenerescência produzida pela toxicidade por MA.
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7,662
Repercussão no crescimento estatural da corticoterapia inalada em crianças asmáticas
Pediatria,Corticoesteroides,Asma
A asma é uma doença inflamatória crónica infantil cujo controlo clínico é geralmente assegurado pela corticoterapia inalada. Como qualquer terapêutica, esta possui efeitos adversos e persiste alguma preocupação na interferência do crescimento, maioritariamente pelo facto de estudos a curto-prazo terem revelado uma diminuição da velocidade de crescimento. Contudo a relevância clínica destes resultados ainda não foi completamente esclarecida. Esta revisão tem como objectivo analisar os estudos que avaliam a repercussão no crescimento da corticoterapia inalada a longo-prazo. Para revisão da literatura utilizaram-se a Medline e artigos publicados em jornais nacionais e internacionais desde 1990 até 2012, tendo sido seleccionados estudos randomizadas e controlados de duração superior a 12 meses. Foram analisados 11 estudos que preenchiam os critérios defenidos. Verificou-se uma diminuição no crescimento estatural durante o período inicial da terapêutica, após o qual ocorre uma compensação de tal forma que a estatura adulta final não é prejudicada a um nível clinicamente significativo. Verificou-se, ainda, que a gravidade da asma afecta o crescimento e os estudos não são consensuais quanto ao efeito da dose da corticoterapia no crescimento. Pode concluir-se que os corticosteróides inalados são necessários ao controlo da asma e os seus benefícios ultrapassam largamente as desvantagens. Assim, crianças asmáticas que necessitem desta terapêutica não deverão ser privadas da corticoterapia inalada a longo-prazo nas doses recomendadas, pelo receio de repercussões negativas no crescimento, embora se aconselhe a monitorização do mesmo
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7,663
Caracterização genética de glioblastoma multiforme
Glioblastoma,Genética
Contexto: O glioblastoma multiforme é o mais frequente e letal dos tumores cerebrais malignos primários, tendo-se verificado um aumento da sua incidência nos últimos anos. Trata-se de uma doença de mau prognóstico, sendo que menos de 3% dos pacientes padecendo desta têm uma sobrevida superior a 5 anos após o diagnóstico, permanecendo uma entidade resistente à terapêutica. No sentido de melhorar a resposta à terapêutica e o prognóstico, têm sido feitos inúmeros esforços visando a caracterização genética deste tumor. Objectivo: Revisão das principais alterações genéticas que ocorrem no glioblastoma multiforme, com foco nos mecanismos genéticos e epigenéticos que se manifestam neste tumor, a sua distribuição percentual entre os vários subtipos e a sua influência no prognóstico. Métodos: Foi realizada uma extensa pesquisa bibliográfica em bases de dados da literatura médica, abrangendo o período de 1993 a 2013, tendo sido seleccionadas publicações em língua inglesa e francesa. As pesquisas foram realizadas na base de dados Pubmed (www.pubmed.com), Science Direct (www.sciencedirect.com), assim como na Biblioteca do conhecimento online - B-On (www.b-on.pt) com o objectivo de encontrar fontes bibliográficas acerca da caracterização genética de glioblastoma. Seleccionaram-se oitenta e uma fontes bibliográficas. Foram usadas as seguintes palavras-chave em diferentes combinações: “Glioblastoma Multiforme”, “Genética” (Genetics), “Epigenética” (Epigenetics), “Classificação” (Classification) e “Diagnóstico” (Diagnosis). Resultados e Conclusão: O glioblastoma multiforme caracteriza-se pela presença de diversas alterações genéticas e epigenéticas, que ocorrem quer isoladamente como em associação, traduzindo-se em diferentes cursos da doença, assim como em diferentes respostas à terapêutica e prognóstico. A caracterização genética do glioblastoma multiforme permite o conhecimento dos diversos mecanismos que têm influência no decurso desta patologia, assim como poderá conduzir à optimização da sua abordagem terapêutica e eventualmente à melhoria do seu prognóstico.
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7,665
USF Cruz de Celas : quais as necessidades em cuidados continuados integrados?
Cuidados de saúde orientados,Envelhecimento
Introdução: A maior prevalência de doentes dependentes, fruto do envelhecimento da população e da maior prevalência de doenças crónicas, cria uma lacuna no Serviço Nacional de Saúde, que a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados vem preencher. Para aqueles que cuidam dos seus familiares em casa, o apoio fornecido pelas equipas domiciliárias é fundamental. Objectivos: Avaliar a necessidade de uma Equipa de Cuidados Continuados Integrados para responder às necessidades dos utentes dependentes da USF Cruz de Celas. Metodologia: Estudo realizado através da consulta dos processos dos utentes inscritos na visita domiciliária de vigilância da Unidade de Saúde Familiar Cruz de Celas com preenchimento de 5 tabelas elaboradas para o efeito e da aplicação a uma amostra não randomizada de profissionais de saúde de um questionário na mesma instituição. Resultados: A população estudada tem 63 utentes, maioritariamente do sexo feminino, acima dos 79 anos. Segundo a Escala de Katz é mais frequente a dependência parcial moderada a ligeira e a dependência parcial grave. Segundo a Escala de Lawton é mais frequente a dependência parcial grave e a dependência parcial moderada a ligeira. As patologias mais prevalentes foram as perturbações depressivas, hipertensão arterial sem complicações, insuficiência cardíaca, diabetes mellitus não insulino dependente, fibrilhação/flutter auricular, osteoartrose do joelho e outras osteoartroses, demência, úlcera crónica da pele e parkinsonismo. As maiores necessidades estão no domínio da continuidade de cuidados no domicílio e na necessidade de ensino/treino doente/cuidadores, no entanto estas são satisfeitas, tal como as de vigilância e tratamentos complexos. É na área da reabilitação, controlo de sintomas e cuidados paliativos que se verificam as situações de necessidades não satisfeitas. A maioria destes utentes vive com a família natural e recebem apoio principalmente dos familiares, empregada doméstica, para além dos técnicos de saúde da visita domiciliária. Recebem apoio sobretudo na higiene da roupa, da casa, alimentação, medicamentos e higiene pessoal. Na parte dos recursos existentes verifica-se que em situações de urgência os profissionais excedem a carteira de serviços da instituição. Conclusões: Dado que a actividade dos profissionais de saúde já excede a carteira de serviços, embora em situações excepcionais e ainda se verifica a existência de utentes com necessidades não satisfeitas, seria vantajoso a colaboração de uma Equipa de Cuidados Continuados Integrados no Centro de Saúde. Palavras – chave: dependência; visita domiciliária de vigilância; Unidade de Saúde Familiar; necessidades não satisfeitas; recursos existentes; Equipa de Cuidados Continuados Integrados
Ciências Médicas e da Saúde
7,666
Marcadores moleculares no diagnóstico e prognóstico de tumores não-músculo invasivos da bexiga : conjuntura atual e perspetivas futuras
Biomarcadores tumorais,Diagnóstico,Neoplasias da bexiga
O cancro da bexiga é uma doença heterogénea, que se apresenta em cerca de 75% das vezes sob a forma de tumores não-músculo invasivos. Estes tumores apresentam altas taxas de recorrência e cerca de 10 a 15% progridem para formas músculo invasivas. Atualmente, as estratégias de diagnóstico e seguimento baseiam-se na realização de cistoscopias e citologias urinárias. Nos últimos anos vários marcadores moleculares têm sido investigados, de forma a esclarecer o seu envolvimento no processo neoplásico vesical, bem como a sua possível utilização como marcadores de diagnóstico, recorrência ou progressão no cancro da bexiga. O presente trabalho teve como objetivo principal sumariar os marcadores moleculares mais recentemente investigados e propostos para validação. Foi realizada uma pesquisa com base na PubMed, centrada em trabalhos publicados de Agosto de 2010 a Agosto de 2015, escritos em Português e Inglês e utilizando as palavras-chave “bexiga”, “não-músculo invasivo” e “marcadores”. Vários marcadores moleculares foram descritos como potenciais candidatos a utilização na prática clínica (P53, Survivin, Ki-67,…), alguns apresentando características como facilidade de análise, baixo custo ou capacidade para melhorar a estratificação de risco usada atualmente. No entanto os estudos apresentam maioritariamente baixa força estatística, não são reprodutíveis e alguns apresentam resultados distintos para o mesmo marcador molecular. Perante a evidência atual, continua a não ser aceite a utilização de marcadores moleculares na prática clinica. Estudos com maior força estatística terão que ser realizados para que ocorra a validação destes marcadores moleculares. No futuro poderão ser introduzidos marcadores moleculares na prática clínica, para utilização em conjunto com as tabelas de estratificação de risco disponíveis atualmente
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7,668
Perfecionismo pensamento perservativo negativo e psicopatologia : um estudo prospectivo
Depressão,Pensamento,Psicologia clínica
Introdução: O perfecionismo é uma disposição de personalidade que tem sido associada a uma variedade de condições psicopatológicas, sendo por isso considerado um processo transdiagnóstico. O pensamento perserverativo negativo (PPN), sob a forma de preocupação e/ou ruminação, é um processo cognitivo que medeia esta relação e que é perpetuado devido às crenças positivas de que este poderá ser benéfico na prevenção de eventos adversos. Objetivos: Neste estudo pretende-se analisar as relações entre perfecionismo, PPN, crenças positivas sobre a ruminação (metacognições) e perturbação psicológica de modo a esclarecer o papel destes traços enquanto fatores de risco. Materiais e Métodos: Neste estudo prospetivo participaram 272 estudantes universitários que completaram questionários de autorresposta, validados para a população portuguesa, em dois momentos diferentes separados no tempo por cerca de 1 ano (T0 e T1). Utilizaram-se duas dimensões de segunda ordem de Perfeccionismo, através da administração das Escalas Multidimensionais de Perfecionismo de Frost e de Hewitt & Flett - Preocupações com a Avaliação e Esforços Perfecionistas. Os outros questionários foram os seguintes: Questionário de Pensamento Perserverativo; o Inventário Multidimensional de Crenças Perfecionistas; a Escala de Crenças Perfecionistas Sobre a Ruminação - Adaptada; a Escala de Stresse Percebido; e o Perfil de Estados de Humor. Este último foi utilizado para avaliar as dimensões Tensão-Ansiedade e Depressão, as variáveis dependentes neste estudo. Resultados: Através de um modelo sequencial de predição e de mediação mostrou-se que as Preocupações com a Avaliação, quando mediadas pela Interferência Cognitiva e Improdutividade/ICI (dimensão mais negativa do PPN) no T0 e no T1 e pela Tensão- Ansiedade no T0, explicam 45,84% da variância da Tensão-Ansiedade no T1. As Preocupações com a Avaliação quando mediadas pela ICI no T0 e no T1 e pela Depressão no T0, são responsáveis por 46,19% da variância da Depressão no T1. Discussão: As preocupações com a avaliação e o e PPN estão prospectivamente associados à perturbação psicológica, revelando-se fatores de risco para a manutenção de estados afetivos ansiosos e depressivos. Confirma-se a hipótese de que o ICI, dimensão mais negativa do PPN, é um mediador longitudinal da relação entre perfecionismo negativo e perturbação psicológica
Ciências Médicas e da Saúde
7,669
Padrões clínicos e laboratoriais de reactividade cruzada entre aeroalérgicos/alérgenos alimentares em idade pediátrica
Pediatria,Alergia
Introdução - A existência de reactividade cruzada entre aeroalérgenos e alérgenos alimentares é conhecida. A síndrome ácaros-marisco caracteriza-se pelo aparecimento de alergia a marisco em doentes sensibilizados a ácaros e a síndrome pólenes - frutos por alergia a frutos e vegetais frescos em doentes sensibilizados a pólenes. As manifestações destas alergias podem ir de sintomas localizados e ligeiros, como na síndrome de alergia oral, até casos graves de anafilaxia. O risco de desenvolver alergia a alimentos com reactividade cruzada em doentes sensibilizados a alérgenos ambientais é uma questão pertinente para pais e profissionais de saúde, pela necessidade de aconselhar medidas de evicção alimentar. Objectivo – Identificar padrões clínicos e/ou laboratoriais sugestivos de desenvolvimento de alergia a frutos e vegetais frescos e alergia a mariscos, em doentes sensibilizados a pólenes e a ácaros, respectivamente. Métodos - Em doentes com prováveis síndromes de reactividade cruzada alimentos/ aeroalérgenos, foram analisados dados da história pessoal, os valores de IgE específicas a frutos/vegetais, ácaros e pólenes e IgEs específicas para componentes alergénicos através da técnica de microarray. Artigo Científico Resultados – Metade dos doentes apresentavam asma, rinite e dermatite atópica aquando do aparecimento da alergia alimentar. Metade tinha história de outras alergias ou sensibilizações a outros alimentos. Os valores de IgEs específicas a pólenes e ácaros eram baixas. Apesar de reacções graves, as IgE específicas para os frutos e mariscos eram baixas, especialmente no caso das frutas. A determinação de IgEs específicas para componentes alergénicos comprovou reactividade cruzada em 7/14 doentes podendo antecipar nestes a possibilidade de desenvolverem alergia a frutos/ vegetais frescos ou marisco. Conclusão– Valores baixos de IgEs específicas a ácaros, pólenes, marisco e frutos/vegetais não afasta o risco de desenvolver alergia alimentar. Embora com algumas limitações, a utilização do diagnóstico molecular através da técnica de microarray permite identificar doentes com risco de alergia alimentar.
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O paradoxo da obesidade : uma realidade nos doentes com síndromes coronárias agudas
Obesidade,Doença coronária
Estudos recentes demonstraram uma relação não consensual entre Índice de Massa Corporal e mortalidade em populações que sofreram Síndromes Coronárias Agudas. O presente estudo teve como objectivo avaliar a associação do Índice de Massa Corporal com o prognóstico intra-hospitalar e com o follow-up (18 meses) em doentes com Síndromes Coronárias Agudas. Foi realizada uma análise retrospectiva de uma base de dados com 1603 doentes consecutivos hospitalizados por Síndromes Coronárias Agudas. A amostra foi dividida em três grupos, de acordo com o Índice de Massa Corporal: A- 18,5-24,9kg/m2 (n=478) ; B- 25-30 kg/m2 (n=751) ; C- >30 kg/m2 (n=374). Desta análise foi possível concluir que os doentes obesos eram significativamente mais novos (p<0,001), do sexo masculino (p<0,001) e apresentavam piores características basais, com maior incidência de hipertensão arterial (p<0,001), dislipidémia (p<0,001), diabetes mellitus (p<0,001), bem como maior incidência de história prévia e familiar de doença coronária (p<0,001). Foram igualmente mais frequentemente tratados com clopidogrel (p<0,006), inibidores das glicoproteínas IIb- IIIa (p<0,002) e antagonistas dos canais de cálcio (p<0,002). Os doentes dos grupos B e C tiveram ainda uma duração de internamento superior (p<0,014). No entanto este estudo demonstrou que os doentes com IMC>25 kg/m2 apresentaram uma prevalência inferior de insuficiência cardiaca na alta (p<0,009). Em contrapartida, os doentes do grupo A apresentaram uma maior incidência de complicações (p<0,042) e morte (p<0,029) intra-hospitalares, comparativamente com os restantes grupos de doentes com maior Índice de Massa Corporal. Não foram observadas diferenças entre os grupos em relação ao tipo de Síndromes Coronárias Agudas, marcadores de necrose miocárdica e tratamento intra-hospitalar, bem como em relação à morbilidade (p=0,053) ou mortalidade (p=0,472) no follow-up médio de 18 meses. A análise dos dados revelou ainda que os principais preditores de morte nesta população foram o sexo feminino, baixa fracção de ejecção ventricular esquerda e elevada classe de Killip. 3 Em conclusão, este estudo demonstrou que existe uma elevada prevalência de excesso de peso e obesidade na população estudada e que apesar de estas condições terem estado associadas a um melhor prognóstico intra-hospitalar, este facto pode estar associado a outros factores tais como diferenças no sexo, fracção de ejecção ventricular esquerda e classe de Killip, sendo por isso necessários outros estudos para obter conclusões mais definitivas. No que diz respeito ao follow-up não foram observadas diferenças significativas na morbilidade e mortalidade entre os diferentes grupos
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Importância do estado nutricional da grávida no decurso da gestação
Nutrição,Gravidez
O desenvolvimento de um novo ser começa no momento da conceção. O microambiente sentido na altura é capaz de influenciar o futuro do embrião desde o primeiro instante. Como o embrião depende da condição nutricional pré-gestacional materna durante todo o 1º trimestre da gestação, é fundamental que a mulher que pretenda engravidar tenha um bom estado nutricional e procure atingir um peso saudável. Durante a gestação surgem adaptações fisiológicas e metabólicas na mãe, capazes de conciliar o aumento das necessidades fisiológicas da grávida com o adequado crescimento fetal, garantindo ainda a criação de reservas energéticas necessárias no parto e pós-parto. Do ponto de vista metabólico, a gravidez é dividida em duas fases: fase materna – anabólica, durante a qual se criam as reservas energéticas que serão usadas durante a segunda fase, a fase fetal – catabólica, durante a qual ocorre grande parte do crescimento fetal. O metabolismo dos nutrientes também se altera de modo a que o feto rentabilize o seu consumo. No período pré-natal, as recomendações nutricionais prendem-se com o consumo de energia e ganho de peso. Não só com a quantidade de Kcal/dia, como também com a qualidade e o modo como essas Kcal se distribuem pelas principais classes de nutrientes, e pelos diferentes tempos da gestação. Apesar dos macronutrientes serem os responsáveis pela carga calórica necessária ao crescimento fetal, são os micronutrientes que, muitas vezes, regulam os processos epigenéticos, modelando a expressão génica e, consequentemente, a proliferação celular e a apoptose. Como a gravidez provoca grandes mudanças fisiológicas e metabólicas na mãe, as concentrações ótimas de macronutrientes e micronutrientes podem ser alteradas. Por este motivo, é importante que sejam dadas recomendações nutricionais específicas à grávida, capazes de influenciar positivamente o desenrolar da gestação, e o futuro nutricional do feto e da própria mãe.
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Gravidez na adolescência : a realidade portuguesa
Gravidez na adolescência,Factores socioeconómicos,Escolaridade, Família,Factores Biológicos
A adolescência constitui um período de grandes mudanças e instabilidade. Esta etapa do desenvolvimento humano, correspondente aproximadamente à faixa etária entre os 10 e os 19 anos de idade (segundo a OMS), constitui uma fase na qual o ser humano experimenta grandes alterações ao nível físico, psíquico e social. Corresponde à ponte entre a dependência inerente à infância e a independência a que é associado o estado adulto. A parentalidade nesta fase da vida interrompe o percurso para a vida adulta, pois condiciona a formação académica conduzindo à diminuição do leque de empregos disponíveis, levando ao desempenho de empregos com menores rendimentos e consequentemente à pobreza. Para além das consequências económicas a gravidez adolescente está associada a consequências negativas para a saúde materna e da criança. Ao nível da Europa, o Reino Unido é o país com a maior taxa de gravidez na adolescência, ocupando Portugal o 2º lugar neste âmbito, dentro dos 15 países fundadores da União Europeia. O contexto em que o adolescente se desenvolve pode funcionar como factor protector ou factor de risco: Estatuto socioeconómico, Escolaridade, Família, Pares, Mass-media, Factores biológicos, comportamentais e migração. O baixo estatuto socioeconómico é o factor de risco mais referido na literatura. Tendo em conta a sua multifactoridade, as estratégias que visem diminuir os números de gravidez adolescente têm também elas que incidir sobre várias dimensões. Em Portugal a informação, formação e cuidados de saúde acerca de contracepção e sexualidade está delineada essencialmente ao nível das instituições de saúde e Gabinetes de Apoio à Sexualidade Juvenil e dos CAJ, no âmbito das Delegações Regionais do IPJ. Está ainda contemplada a educação sexual nas escolas pelas leis nº 3/84 de 24 de Março e nº 120/99 de 11 de Agosto e clarificada no DL 259/00 de 17 de Outubro. Este trabalho visa explorar a problemática da gravidez adolescente, nomeadamente determinar factores de risco e o papel da família, pares, escola, mass-média e serviços de saúde como factores de risco ou como factores protectores, assim como de estratégias para a evitar recorrendo a trabalhos realizados ao nível nacional e internacional.
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Intervenção nutricional em doentes com risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2
Diabetes mellitus tipo 2,Nutrição
Introdução e Objetivos: A DM2 configura-se hoje como uma epidemia mundial, traduzindose num grande desafio para os sistemas de saúde de todo o mundo. O envelhecimento da população, a urbanização crescente e a adoção de estilos de vida pouco saudáveis como sedentarismo, dieta inadequada e obesidade são os grandes responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência da diabetes em todo o mundo. O objetivo deste estudo é avaliar e comparar resultados em doentes com risco de desenvolver DM2 antes e após IN (recomendações nutricionais, plano alimentar e AF). Material e Métodos: Estudo quantitativo, não experimental, transversal, descritivo e correlacional, efetuado a doentes referenciados pela 1ª vez à consulta de Apoio Nutricional. Foi aplicado um questionário de avaliação de risco (FINDRISK), análises laboratoriais (HbA1c e PTGO), e avaliação nutricional. Após 6 meses de IN, foi efectuada nova avaliação (aplicação do questionário, análises laboratoriais e parâmetros nutricionais). Para o tratamento estatístico, utilizou-se o programa SPSS® v. 19.0. Resultados: A amostra é constituída por 106 utentes com idade média de 52.27 anos. O score de risco de desenvolver DM2 dentro de 10 anos, antes da IN, mostrou que 54.7%dos utentes apresentava um risco “moderado” ou seja que 1 em cada 6 utentes desenvolverá a doença, 44.3% tinham risco “alto” (1 em cada 3 desenvolverá a doença) e 1.0% risco “muito alto” (1 em cada 2 desenvolverá a doença). Após a IN (com mudanças nas MA – peso, PA, NGV; estilo de vida – alimentação e AF) observamos uma diminuição do score de risco nos grupos “alto” e “moderado”, embora o grupo mais representado continue a ser o “moderado” com 48.0%. 40.8% têm um risco alto, mas 11.2% têm um risco ligeiro, ou seja que 1 em cada 25 utentes desenvolverá a doença, não existindo nenhum utente com risco muito alto. A IN levada a cabo durante seis meses foi benéfica para os utentes, com a diminuição do risco de desenvolver diabetes nos próximos 10 anos. Esta diminuição no score de risco dos utentes é significativo (Z=-3.900; p=.000***), Conclusão: A TN é reconhecida como indispensável à gestão global da diabetes. As sociedades científicas internacionais recomendam que a TN deve fazer parte do tratamento de Intervenção Nutricional em Doentes com Risco de desenvolver Diabetes Mellitus Tipo 2 primeira linha para todas as pessoas com diabetes, quer tenham DM1, DM2 ou DG. A TN é ainda considerada fundamental nas fases da hiperglicemia intermédia.
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7,676
Tráfico de seres humanos : uma perspectiva geral sobre a exploração sexual de mulheres
Tráfico de pessoas,Exploração sexual, mulheres,Vitimização
Sob égide da máxima prevenir o tráfico, condenar os ofensores e proteger as vítimas, o fenómeno do tráfico de seres humanos tem sido perspetivado como um problema global que requer uma solução global. O reconhecimento crescente da multiplicidade de padrões, propósitos e atores envolvidos contribuiu para uma, igualmente crescente, consciencialização da sua complexidade, estando esta na base da pressão internacional que suplica aos Estados uma atuação premente na luta contra este crime. Todavia, se é certo que a atenção para esta questão proliferou, assim como as suas definições, abordagens e interpretações, também é certo que novos desafios surgiram. Apesar da controvérsia em torno das várias facetas do fenómeno, bem como da sua delimitação conceptual, os diferentes focos teoréticos vieram permitir um entendimento mais abrangente, chamando à atenção para novas dimensões que devem ser incluídas no momento da elaboração de respostas estratégicas de prevenção e combate ao crime. No sentido de aprofundar o conhecimento teórico, a presente dissertação acolheu o desejo de condensar a informação mais relevante narrada pela literatura científica sobre a temática da exploração sexual de mulheres vítimas de tráfico humano. Fê-lo através do enquadramento das questões históricas e teóricas que sustentam esta realidade, da abordagem à dinâmica organizacional da rede, onde consta a análise dos seus componentes processuais (recrutamento, transporte, exploração), bem como o perfil dos principais atores envolvidos. Foi, ainda, alvo de um circunstanciado estudo o impacto da vitimação na saúde física, social e, sobretudo, mental destas mulheres, que III constatou que ansiedade, depressão e PTSD são as patologias mentais mais reportadas pela evidência empírica. Por último, tentou-se desconstruir o processo de reintegração social segundo os principais contextos a ter em conta, designadamente educativo e formativo, económico, psicossocial, familiar e comunitário. Concluiu-se, em traços gerais, que a intervenção com vítimas de tráfico deve orientar-se no sentido da reconstrução da sua identidade, tratando-se esta de uma questão essencial, visto que estas mulheres, subordinadas a práticas brutais, foram, frequentemente, tratadas como objetos, acabando, muitas das vezes, por perder o sentido positivo do self, percecionando-se, elas mesmas, como propriedade de outrem. Como tal, assuma-se primordial restabelecer a autoestima, construir novas narrativas que não incluam a vitimação como um fardo imorredouro na vida destas mulheres e repor competências pessoais adormecidas, rumando sempre no sentido da reintegração social. Neste ponto, a mobilização de uma rede social de apoio sólida revela-se um fator de suprema relevância no processo de recuperação. De igual modo, a sociedade precisa de estar preparada para acolher as suas vítimas. Opções de integração baseadas nos interesses e necessidades das vítimas, articuladas com os da comunidade, são essenciais para o sucesso do processo de reintegração, que se encontra, também, dependente dos serviços disponíveis e da sua qualidade. Não obstante a proliferação de estruturas de apoio, assistência e proteção, a evidência empírica tem vindo a denunciar a escassez de recursos, assim como tem apontado para a urgente necessidade de avaliar quer os serviços quer o processo de reintegração, bem como investigar, de modo mais profundo, as verdadeiras necessidades das vítimas. Com efeito, entende-se que as principais estratégias a seguir, em virtude de um sólido e completo apoio às vítimas, devem-se pautar pela multidisciplinaridade, articulação, cooperação e agilidade comunicativa entre os vários serviços e entidades nacionais e internacionais, quer sejam governamentais ou não governamentais.
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7,679
Artroplastia versus artrodese no tratamento da patologia degenerativa cervical
Neurocirurgia,Coluna vertebral,Manipulação da coluna,Artroplastia,Artrose,Fusão vertebral
Introdução: Numa fase inicial, a doença degenerativa cervical é abordada por medidas médicas e só se estas se mostrarem infrutíferas é que se avança para uma abordagem cirúrgi-ca, cujo gold standard é a discectomia cervical anterior seguida de fusão. No entanto, este procedimento está associado a uma alteração da biomecânica cervical, que a longo prazo pode levar a doença do segmento adjacente (DSA). Por tudo isto começou a surgir interesse por técnicas que preservassem a dinâmica cervical, nas quais se incluem as técnicas de artroplastia cervical. Contudo, e apesar dos aparentes benefícios desta última técnica, este tema ainda permanece muito controverso. Materiais e métodos: Foi executada uma pesquisa na PUBMED e na Base de Artigos da Biblioteca Central dos Hospitais da Universidade de Coimbra, de onde foram selecionados estudos que comparassem as técnicas de artroplastia e artrodese em termos clínicos e/ou funcionais, ou em relação a complicações, parâmetros intra- e pós-operatórios, cirurgias secundárias ou custo-eficácia. Resultados: As técnicas mostraram-se equiparáveis em termos clínicos e de efeitos adversos gerais. Na avaliação funcional, a artroplastia mostrou conseguir manter um movi-mento cervical próximo do fisiológico no curto e médio prazo, ao contrário da artrodese. Todos os estudos que analisaram a taxa de cirurgias secundárias mostraram uma vantagem estatisticamente significativa para o grupo da artroplastia. O tempo operatório foi o único parâmetro intraoperatório que mostrou sistematicamente uma diferença estatisticamente sig-nificativa entre as duas técnicas, sendo a artroplastia a técnica com os maiores tempos. Finalmente, a análise do custo-eficácia mostrou que a artroplastia é tão custo-eficaz como algumas técnicas de artrodese, nomeadamente a técnica de placa, cage e substituto. Discussão: Existem muitos problemas com os estudos desenhados para avaliar esta pro-blemática. A falta de consenso científico na escolha dos parâmetros clínicos e funcionais dos Artroplastia versus Artrodese no Tratamento da Patologia Degenerativa Cervical estudos e a falta de estudos de superioridade fazem com que seja difícil tirar conclusões com elevado nível de evidência, ou mesmo realizar estudos comparativos como as meta-análises. Muito poucos estudos avaliam o principal racional para a escolha da artroplastia, nomeada-mente a incidência de DSA após a cirurgia. Os follow-ups são curtos e muitas vezes o núme-ro amostral é muito reduzido. Conclusão: Assim, os estudos parecem apontar para uma semelhança das duas técnicas em termos clínicos, complicações e custo-eficácia. O necessário agora é direcionar esforços para a realização de estudos de superioridade, mais longos (5 a 10 anos) e cujos end-points sejam a incidência de DSA ou a durabilidade da prótese. O consenso científico em relação aos parâmetros a utilizar na avaliação desta temática deve ser procurado. Entretanto, a utili-zação das técnicas de artroplastia devem ser reservadas a casos selecionados.
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7,680
Perturbações de personalidade : alterações previstas no DSM-5
Doenças do sistema nervoso,Personalidade
As perturbações de personalidade constituem uma das áreas mais controversas da psicopatologia, sendo a melhor forma de as conceptualizar e classificar uma questão sujeita a intenso debate há décadas. Historicamente, o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM) classificou-as segundo um modelo categorial, havendo extenso suporte empírico a defender uma transição para um modelo dimensional. A publicação do DSM-5, prevista para Maio de 2013, deixou antever a possibilidade de uma mudança radical na área da patologia da personalidade. O Grupo de Trabalho responsável pela construção desta secção do manual elaborou um modelo híbrido, constituído por categorias diagnósticas específicas e avaliação dimensional da severidade do impacto sobre o funcionamento do indivíduo e dos traços de personalidade patológicos presentes. A reacção por parte da comunidade psiquiátrica às alterações propostas foi predominantemente negativa, sendo referidas excessiva complexidade, falta de suporte empírico e incompatibilidades e incoerência conceptuais, culminando na rejeição do modelo proposto em Dezembro de 2012 e retenção das categorias diagnósticas prévias. Fez-se uma revisão de artigos relativos às formas categórica e dimensional de conceber a personalidade, bem como de publicações referentes ao modelo proposto e principais críticas de que foi alvo. Apresentou-se uma versão sumarizada do modelo e dos seus vários componentes, Níveis de Funcionamento de Personalidade, tipos de perturbação de personalidade e traços de personalidade patológicos, bem como da sua evolução ao longo do processo de trabalho. Concluiu-se que a ausência de aceitação deste modelo por parte dos clínicos, aliada à falta de suporte empírico adequado, constituiria um obstáculo intransponível para a sua adopção na nova edição do manual.
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7,681
Imunossupressão e infecções virais e fúngicas em doentes transplantados renais :|bum estudo em 461 doentes transplantados nos HUC entre 2003 e 2007
Transplantação do rim,Imunossupressão,Infecções
Introdução: As novas drogas imunossupressoras originam um risco cada vez maior de infecções oportunistas na população de doentes transplantados renais. Objectivos: O objectivo da pesquisa foi estabelecer possíveis associações entre a ocorrência de infecções virais e fúngicas e factores como a imunossupressão utilizada, a ocorrência de episódios de rejeição, de morte e de perda do enxerto. Métodos: Foram alvo da análise 461 doentes transplantados no Serviço de Urologia e Transplantação Renal dos Hospitais da Universidade de Coimbra entre 2003 e 2007. Recolheram-se dados dos processos clínicos dos doentes relativos à imunossupressão tomada e às infecções adquiridas. Resultados/Conclusões: Verificou-se que os pacientes que tomaram anticorpos monoclonais apresentaram uma incidência superior de infecções virais comparativamente com o grupo que tomou anticorpos policlonais (Timoglobulina) (p=0,017). A profilaxia antiviral utilizada nos doentes a tomar Timoglobulina poderá ter influenciado estes resultados. A incidência de infecção por BK poliomavírus não variou significativamente entre os doentes a tomar uma combinação de Tacrolimus e Micofenolato de Mofetil/Myfortic (1,9%) e os doentes que não tomaram esta combinação (1,59%). Estabeleceu-se uma associação entre a ocorrência de infecções por Candida e a ocorrência de infecções por citomegalovírus (p<0,05). Observaram-se 5 pacientes infectados por Candida entre os 19 pacientes que apresentaram infecção por citomegalovírus (26,32%) e apenas 10 infecções em 442 pacientes que não foram infectados por citomegalovírus (2,26%). O estudo não mostrou um risco aumentado de morte (P=0,698) ou de perda de enxerto (P=0,112) nos pacientes com serologias positivas para HbsAg comparativamente aos pacientes HbsAg negativos. Os pacientes hospitalizados devido a infecções virais apresentavam níveis de creatinina dois anos após o transplante mais elevados (média: 1,93 vs 1,44; p=0,000; mediana: 1,80 vs 1,30). As infecções virais e fúngicas foram associadas a maior perda do enxerto renal.
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7,682
Loucos de rua : o abandono de pessoas de baixa renda com transtorno mental em Brasilia/Brasil : estudo de caso UNAF/AREAL
Responsabilidade social,Doenças mentais,Direitos humanos,Saúde mental, Brasil,Doença mental, tratamento, Brasil
A falência do sistema público de saúde brasileiro não é desconhecida, tão pouco atual. O presente estudo busca apresentar aspectos específicos de um público esquecido pela saúde pública brasileira. Pessoas que tem sua cidadania descartada, por serem pobres e sofrerem com transtornos psiquiátricos. Desde a reforma psiquiátrica, ocorrida em 2001, não há mais manicómios no Brasil. Essas estruturas deveriam ser supridas por serviços substitutivos, dentre eles as Residências Terapêuticas e pelos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS, contudo, mais de 15 anos se passaram e a capital do Brasil conta somente com 13 CAPS e nenhuma unidade de Residência Terapêutica. Verifica-se, portanto, um grande número de pessoas com transtorno psiquiátrico em abrigos públicos ou filantrópicos. Pessoas sem identidade, sem nome, sem vida pregressa, com um comprometimento mental severo, devido a cronicidade e a falta de acompanhamento de sua doença. A pesquisa faz um estudo de caso, entre os anos 2013 e 2015, na Unidade de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias – UNAF Areal, Abrigo Institucional público, vinculada à política de Assistência Social, no Distrito Federal. Avalia-se o quantitativo de pessoas com transtorno mental encaminhadas para atendimento médico psiquiátrico. Pessoas com vínculos familiares extremamente fragilizados ou rompidos, sem possibilidade imediata de reintegração familiar, ou seja, dependentes do Estado.
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7,685
Efeitos da nutrição na infância precoce no desenvolvimento do tecido adiposo
Obesidade,Nutrição,Restrição calórica
Introdução: A obesidade e o excesso de peso têm uma etiologia multifactorial que resulta da interacção de factores genéticos e ambientais. Estas condições apresentam uma elevada prevalência nos países ocidentais e actualmente nos países em desenvolvimento. O tecido adiposo tem uma função importante na regulação da resposta inflamatória associada à obesidade. As alterações nutricionais no período pré e pós natal podem ter consequências futuras na função do tecido adiposo. A nutrição influencia a reprogramação de respostas inflamatórias através de alterações da expressão genética. Objectivo: O objectivo deste estudo foi determinar a relação entre a restrição alimentar durante a gestação, associada ou não a crescimento pós-natal acelerado, e a expressão genética de marcadores inflamatórios no tecido adiposo subcutâneo de animais jovens. Material e métodos: Um grupo de ovelhas com gestação gemelar foi alimentado de acordo com as suas necessidades energéticas (R; n=10) e outro grupo com restrição nutricional de 60% deste valor (N; n=10) desde os 110 dias de gestação até ao termo (147 dias). Em dez crias de cada grupo foi promovido o crescimento pós-natal acelerado (A) e nas restantes o crescimento foi limitado (S). As crias foram eutanasiadas aos 17 meses de vida. Amostras de tecido adiposo subcutâneo foram colhidas e conservadas a - 80ºC até à análise de mRNA para os genes que codificam a adiponectina, leptina, interleucina (IL) -6 e -18, monocyte chemoattractant protein-1 (MCP-1), factor de necrose tumoral (TNF)-α, toll-like receptor (TLR)-4, fat mass and obesity-associated (FTO) gene e glucose-responsive protein (GRP) 78 utilizando a técnica de polymerase chain reaction em tempo real. 7 Resultados: O peso de nascimento encontrava-se diminuído após restrição calórica materna. Aos 17 meses de idade o peso corporal e quantidade de massa gorda eram semelhantes entre os grupos. A expressão genética de adiponectina encontrava-se diminuída nas fêmeas que sofreram crescimento pós-natal acelerado (NS: 0.671±0.21, NA: 0.22±0.04 (p <0.05)). A quantidade de mRNA para FTO e IL-6 estava diminuída, no grupo do sexo feminino que sofreu restrição nutritiva in utero (ex. FTO - RA: 1.3±0.3, NA: 0.56±0.04 p <0.05)). Não houve alterações significativas na determinação de leptina, TNF-α, MCP-1, TLR-4, IL-18 ou GRP-78 em nenhuma intervenção. Conclusões: O tecido adiposo subcutâneo apresenta alterações limitadas na sua expressão genética após a manipulação do meio nutricional pré e pós-natal. As principais alterações estão relacionadas com o aumento ponderal após o nascimento, período durante o qual há maior deposição de tecido adiposo. Apesar da quantidade de tecido adiposo ser semelhante há diferenças na expressão genética entre os grupos que podem ter consequências na idade adulta.
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7,686
Dispositivos de estimulação elétrica cardíaca em Portugal : breve perspectiva histórica
Cardiologia,Estimulação eléctrica,História da medicina
O conhecimento relativo à provável existência de um sistema elétrico a nível cardíaco remonta a séculos passados. Vários foram os investigadores que desde muito cedo se dedicaram a tentar perceber e mimetizar a condução elétrica cardíaca. Tal como qualquer outra estrutura, este sistema elétrico também pode estar sujeito à ocorrência de alterações anatómicas e funcionais e, consequentemente, a doenças. Com o intuito de substituir a função deste tecido em situações de falência, foram desenvolvidos dispositivos cujo principal objetivo passava por assegurar a manutenção da atividade elétrica cardíaca de forma contínua e regular. Desta forma, é apresentada uma resenha história acerca da evolução destes aparelhos (pacemakers e cardioversores desfibrilhadores implantáveis), focando não só os acontecimentos a nível mundial mas, sobretudo os acontecimentos decorridos a nível nacional, com base numa pesquisa realizada na pubmed e em testemunhos dos intervenientes nesta área a nível nacional. Assim, desde o aparecimento do primeiro dispositivo na Suécia até ao momento atual, estes aparelhos têm vindo a sofrer inúmeras transformações quer no mecanismo de funcionamento, quer na sua apresentação (tamanho e forma), quer na sua própria funcionalidade. São cada vez mais pequenos e cada vez têm mais funções, podendo ser utilizados em diversas situações clínicas, muitas mais que as inicialmente pretendidas. Uma vez que estes dispositivos estão em constante evolução não se pode deixar de pensar nas perspetivas futuras e, assim, é feita também uma pequena abordagem daquilo que poderá mudar para que se aumente a eficácia e funcionalidade destes dispositivos.
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7,687
A infecção por helicobacter pylori no Centro de gastrenterologia da FMUC em 2009 e 2010 : o que aconteceu aos doentes infectados?
Helicobacter pylori,Gastroenterologia
Objectivo Este estudo pretende dar a conhecer dados sobre a infecção por Helicobacter pylori (H.pylori) no Centro de Gastrenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra durante 2009 e 2010 e verificar como se relacionam a idade, tabaco, álcool e achados na endoscopia digestiva alta (EDA) com a erradicação do bacilo. Pretendeu-se ainda saber qual o tratamento mais utilizado como primeira linha e qual o tratamento mais usado após falha da erradicação (tratamento de resgate) e respectivas taxas de sucesso. Material e Métodos Foram incluídos todos os indivíduos positivos no teste respiratório com 13C-ureia durante 2009 e 2010, que responderam a um inquérito individual e foi considerado o seguimento de cada um, efectuado através do teste respiratório, até Dezembro de 2010. Dividiram-se os doentes com seguimento e em que não houve erradicação do H.pylori em quatro grupos (A, B, C, D). O Grupo A é heterogéneo, composto por indivíduos tratados com esquemas de primeira linha e por indivíduos tratados com esquemas de resgate (após falha terapêutica anterior). Os Grupos B, C e D contêm indivíduos que no grupo anterior não erradicaram o bacilo, foram submetidos a tratamento de resgate e fizeram o seguimento com o teste respiratório. Para a análise estatística dos resultados recorreu-se à aplicação Statistical Package for the Social Sciences - SPSS ®. Resultados Obteve-se uma amostra com idade média de 47 anos. 87.6% e 67% dos indivíduos não tinham hábitos tabágicos e etílicos, respectivamente. 86.1% Fizeram EDA e o achado mais frequente foi gastrite (24.4%). A análise estatística revelou que a erradicação do H.pylori é independente da idade, tabaco, álcool e achados da EDA. No Grupo A, o tratamento de primeira linha erradicou o bacilo em 69.4% dos casos e a Amoxicilina e Claritromicina foi o esquema mais utilizado com erradicação de 76.7%. Nos casos em que houve falha terapêutica anterior, o tratamento de resgate mais utilizado foi a Amoxicilina e Claritromicina com erradicação de 20%. Nos indivíduos submetidos a tratamento de resgate, a erradicação foi significativamente menor, em comparação com os indivíduos submetidos a tratamento de primeira linha. No Grupo B houve erradicação do bacilo em 40% dos casos, sendo a Amoxicilina e Levofloxacina o esquema mais utilizado, com erradicação de 42.9%. Conclusão A idade, tabaco, álcool e achados na endoscopia digestiva alta não se associam de forma significativa com a erradicação do H.pylori. As percentagens de erradicação foram baixas e longe do limiar de aceitabilidade, quer após o tratamento de primeira linha quer após tratamentos de resgate. A resistência antibiótica pode ter influenciado consideravelmente os resultados obtidos. Mais estudos sobre o H.pylori e a resistência em Portugal são necessários para fazer face ao desafio terapêutico.
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7,688
Ruptura traumática do diafragma no politraumatizado grave
Rotura,Diafragma,Traumas múltiplos
Este trabalho tem como objectivo a revisão de artigos de publicações recentes sobre ruptura traumáticas do diafragma no politraumatizado grave que engloba uma revisão anatómica sobre a estrutura em questão, uma breve apreciação histórica das primeiras descrições e seriações referentes ao tema mas também aborda as suas principais características, localização anatómica, causas e os mecanismos fisiopatológicos subjacentes. Sendo uma situação cada vez menos comum mas não rara, este tipo de traumatismo abdominal tem maior incidência no sexo masculino na quarta década de vida e uma distribuição muitas vezes variável geograficamente. O diagnóstico imagiológico é difícil e, em alguns casos inconclusivo, não só pelas dificuldades técnicas existentes numa situação traumática aguda, como pelas características morfológicas do próprio órgão, mas também porque esta lesão surge com muita frequência em concomitância com outras mais evidentes, de maior ou igual gravidade clínica, que são também elas indicadores de severa morbi-mortalidade mimetizando maior atenção. Assim sendo, apesar da evolução das técnicas imagiológicas hoje conhecidas e utilizadas, o diagnóstico de ruptura traumática do diafragma é feito na maioria das situações intra-operatoriamente. A terapêutica é exclusivamente cirúrgica com uma percentagem de complicações centradas predominantemente no sistema respiratório. Tanto um diagnóstico atempado como um tratamento rápida e adequadamente instituído são fundamentais para o sucesso terapêutico, evitando temíveis complicações tardias como são as herniações de órgãos intra-abdominais para o compartimento torácico através da descontinuidade muscular. As herniações viscerais para além de provocarem fenómenos compressivos directos podem sofrer obstrução, isquémia e ruptura com consequente morbilidade. Este trabalho, pretende alertar para esta problemática fazendo também um levantamento retrospectiva de casos já exposto na literatura de Hérnias Diafragmáticas Traumáticas em doentes internados no Serviço de Medicina Intensiva dos Hospitais da Universidade de Coimbra (SMI-HUC) de 1990 a 2009.
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Endometriose e infertilidade : prevalência da endometriose em mulheres inférteis e mulheres sem problemas de fertilidade
Endometriose,Infertilidade
Introdução: A endometriose é uma patologia benigna frequente, estrogénio-dependente, progressiva e extremamente incapacitante, que afecta mulheres em idade reprodutiva. A sua sintomatologia não se relaciona directamente com a severidade da doença. A associação da endometriose à infertilidade é consensual, apesar da sua relação causa/efeito não ser clara. Objectivos: Determinação da prevalência de endometriose e infertilidade num grupo de mulheres submetidas a laparoscopia. Avaliação das características clínicas, laboratoriais e imagiológicas das mulheres com endometriose. Comparação de parâmetros tendo em consideração a presença de infertilidade, a localização e o estadio da doença. Avaliação da influência da localização e dos estadios de endometriose na fertilidade. Metodologia: Avaliação retrospectiva dos casos submetidos a laparoscopias no Serviço de Ginecologia dos HUC, entre 1 de Janeiro de 2006 e 31 de Dezembro de 2009. Determinação da prevalência de endometriose e infertilidade nesta amostra. Análise e comparação de diversos parâmetros clínicos, laboratoriais e imagiológicos. Resultados: A prevalência de endometriose em mulheres submetidas a laparoscopias foi de 11,3%. Nas mulheres com antecedente de infertilidade, a prevalência de endometriose foi de 60%, enquanto que nas mulheres sem história de infertilidade foi de 6,2%. Na amostra total de laparoscopias, a prevalência de infertilidade foi de 9,6%. No grupo de mulheres com endometriose, a prevalência de infertilidade foi de 50,6%. Conclusões: A localização extra-ovárica da endometriose parece correlacionar-se com a presença de infertilidade, enquanto o estadio da doença não parece influenciar a fertilidade. O nível sérico de CA-125 parece estar associado à localização ovárica e estadios avançados da doença. Contudo, não parece relacionar-se com a presença de infertilidade
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7,691
Sinais ungueais de doenças sistémicas
Doença,Manifestações cutâneas,Doenças das unha,Unhas,Comorbilidade
As unhas são estruturas epiteliais cutâneas especializadas e têm como funções a protecção da extremidade dos dedos e a manipulação fina. São facilmente inspeccionadas num exame objectivo, podendo dar diversas informações ao médico. Alterações na cor, forma ou textura das unhas podem ser sugestivas de uma grande variedade de doenças sistémicas. É, por isso, útil saber identificar essas alterações para que seja possível fazer um diagnóstico célere e acompanhamento adequado do doente. São exemplos os dedos em baqueta de tambor, que muitas vezes sugerem doença pulmonar ou doença intestinal inflamatória crónica, e a coiloníquia classicamente associada a carência marcial. O principal objectivo deste trabalho consiste na elaboração de uma revisão das manifestações ungueais que fornecem pistas para o diagnóstico de doenças sistémicas
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7,692
Influência do exercício na neurotoxicidade causada pela metanfetamina no córtex frontal do murganho
Metanfetamina,Toxicologia,Exercício físico,Córtex pré-frontal,Modelos animais
A metanfetamina é uma droga psicoestimulante ilícita, amplamente usada em todo o mundo. As evidências científicas sugerem que o seu uso crónico leva a altera-ções neurodegenerativas no cérebro, que incluem danos nos terminais dopaminérgi-cos e serotonérgicos e a uma astrogliose reativa. Estas premissas sugerem que são necessárias estratégias para tratar estes efeitos deletérios, para além de uma abordagem farmacológica. O exercício físico tem-se des-tacado devido ao seu possível efeito neurorregenerador face a este tipo de neurotoxi-cidade. Neste sentido, pretendeu-se investigar um possível efeito neurorregenerador do exercício físico nos terminais monoaminérgicos e na astrogliose do córtex num modelo por injeção de metafetamina em murganhos C57BL/6. Para este efeito, os murganhos foram submetidos a um programa de exercício físico (cinco dias de exercício por semana durante sete semanas) com início vinte e quatro horas após a administração de uma dose elevada de metanfetamina (30 mg/kg, i.p.). Para estimar a neurotoxicidade cortical avaliaram-se os níveis de dopamina e serotonina e seus metabolitos, recorrendo à cromatografia líquida de alta pressão (HPLC), à expressão de TH (Tirosina Hidroxilase – marcador da perda de neurónios dopaminérgicos) e de GFAP (Proteína Glial Fibrilar Ácida – marcador de astrócitos) por Western Blotting. A diminuição dos valores corticais de dopamina e seus metabolitos, de serotoni-na e da enzima TH são sugestivos de que a metanfetamina, nesta dosagem, produziu neurodegenerescência dos terminais dopaminérgicos e serotonérgicos, constituindo, desta forma, um bom modelo para avaliar a neurotoxicidade cortical. Apesar do exer-cício ter mostrado potencial neurorregenerador ao nível serotonérgico não parece ter sido eficaz na reversão da neurotoxicidade dopaminérgica. O significado do impacto positivo do exercício físico nos terminais serotonérgicos exige uma atenção mais deta-lhada no futuro. Globalmente este trabalho sugere que o exercício físico é uma putati-va estratégia neurorregeneradora
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7,693
Nutrição e cancro da mama
Nutrição,Neoplasias da mama
A alimentação tem sido, durante décadas, largamente estudada como um possível fator ambiental relevante na prevenção do cancro da mama, porém, apesar de se ter obtido várias informações valiosas, a relação entre o cancro da mama e muitos dos nutrientes permanece controversa. Realizei uma revisão sistemática de vários estudos que abordam a relação entre o cancro da mama e a nutrição, publicados após 2004, através da pesquisa na pubmed, science direct e b-on. O presente artigo de revisão tem como objetivo aprofundar os conhecimentos sobre a relação entre o cancro da mama e diversos nutrientes/micronutrientes/alimentos, assim como os mecanismos subjacentes, de modo a conseguirmos um suporte para definição de futuras estratégias, nomeadamente, otimizações do plano alimentar, que visam a prevenção do cancro da mama. Apesar dos estudos animais, assim como, os mecanismos subjacentes sugerirem uma associação entre os diversos nutrientes e o cancro da mama, apenas existe evidência de o cancro da mama estar associado positivamente com a obesidade/excesso de peso, ganho de peso e álcool. A obesidade/excesso de peso e ganho de peso estão associados a um maior risco de cancro da mama na pós menopausa. O consumo de qualquer tipo de álcool, inclusive ligeiro a moderado, aumenta o risco de cancro da mama nas mulheres pré e pós menopausicas. Existem várias razões para a controvérsia existente, devendo estas ser consideradas em próximos estudos, no entanto, propõe-se uma dieta mediterrânica e exercício físico como estratégia preventiva do cancro da mama.
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7,694
Revisão sistemática sobre febre hemorrágica do dengue
Febre hemorrágica de Dengue,Dengue
Introdução – O dengue assume-se como uma das doenças infeciosas reemergentes do século XXI. As regiões onde o dengue é endémico têm-se expandido e as formas de doença severa, como a febre hemorrágica do dengue, são mais frequentes. Na Europa, o advento das viagens provocou um aumento do número de viajantes com febre causada por dengue no regresso ao país de origem. Objetivos – O trabalho debruçou-se sobre as atuais alterações na definição da entidade clínica referente à doença severa do dengue, febre hemorrágica do dengue, a sua epidemiologia e o mecanismo de patogénese de doença. Clinicamente, importou esclarecer as principais manifestações clínicas, as diferentes formas de realizar o diagnóstico, com que outras patologias pode ser feito o diagnóstico diferencial, o tratamento da doença e que desenvolvimentos se podem esperar, particularmente na abordagem terapêutica. Desenvolvimento - Na febre hemorrágica do dengue houveram diversas questões que suscitaram controvérsia na comunidade científica internacional, nomeadamente quanto aos critérios de classificação da doença, aos possíveis mecanismos de patogénese e qual deve ser o tratamento preconizado. A definição em uso foi considerada como não sendo a adequada, estando a aguardar validação uma nova definição. O mecanismo de patogénese permanece ainda em parte por esclarecer. Os mecanismos de imunopatogenese, dependente de anticorpos, foram aceites como uma possível teoria explicativa da doença. Clinicamente, a hipovolémia resultante do extravasamento plasmático foi conotada como a característica cardinal da doença. O correto diagnóstico deve ter em conta outras patologias febris. O tratamento base é a fluidoterapia: soros cristaloides ou coloides. Conclusões – Dada a massificação do turismo, os profissionais de saúde dos países não-endémicos poderão ser confrontados com doentes com infeções por dengue. Pela atual ausência de vacina profilática e de terapêutica específica, é essencial uma definição clínica e laboratorial clara que auxilie os profissionais de saúde a detetar e providenciar tratamento adequado em tempo útil. De forma a inverter a tendência epidemiológia da doença conclui-se que é necessário sensibilizar a população e os viajantes para regiões endémicas, bem como formar os profissionais de saúde.
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7,696
Retransplantes no programa de transplnte hepático dos HUC : frequência causa e resultados
Transplantes,Gastrenterologia.
Introdução - A retransplantação hepática é a única opção terapêutica para doentes com falência irreversível do enxerto. No entanto, afigura-se controversa, uma vez que é mais complicada, tem menor sobrevida e envolve mais custos que a transplantação primária. Objectivo - Com este estudo pretende-se analisar as circunstâncias e os resultados de todos os retransplantes hepáticos efectuados em doentes adultos no programa de transplante hepático dos Hospitais da Universidade de Coimbra, até 31.12.2010. Materiais e Métodos - Foi feita uma análise retrospectiva dos processos de 83 doentes adultos, a que correspondem todos os retransplantes feitos no nosso programa (99) desde o seu início em 1992 até 31.12.2010. Foram analisadas, entre outras, as seguintes variáveis: indicações dos retransplantes, sobrevida e causas de morte dos doentes, o tempo entre retransplantes, a presença de complicações vasculares, biliares ou infecciosas. A amostra era constituída por 54 homens e 29 mulheres. A idade média, à data do primeiro transplante, era de 38,24±11,3 anos. Resultados - A frequência de retransplantes sobre o número total de transplantes foi de 11%. As principais indicações para retransplante hepático foram: a disfunção primária do enxerto, a trombose da artéria hepática, a cirrose biliar secundária e a rejeição crónica. 58,6% dos retransplantes foram precoces. A sobrevida global para os 83 doentes foi de 77,8%, 57,8% e 44,4%, respectivamente, aos 1, 5 e 10 anos de seguimento após o primeiro transplante. As principais causas de óbito foram a sépsis, as complicações no peri-operatório e a falência multiorgânica. A 31.12.2010, 39 dos 83 doentes retransplantados estavam mortos. Dos 99 retransplantes, houve complicações biliares em 26% dos casos, complicações vasculares em 15% casos e infecções bacterianas em 65% dos casos. Conclusão - Os resultados dos retransplantes hepáticos efectuados nos Hospitais da Universidade de Coimbra são equiparáveis aos de outros centros semelhantes.
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7,699
Sarcopenia e envelhecimento
Sarcopenia,Envelhecimento,Músculos
O processo de envelhecimento está associado a modificações que incluem um declínio da função neuromuscular e consequente redução da massa e força muscular. A sarcopenia é um fenómeno central no processo de envelhecimento na medida em que pode ser agravada por outras alterações desencadeadas pelo envelhecimento a outros níveis e estas podem ser agravadas pela sarcopenia que entretanto se desenvolve. Esta sarcopenia que se inicia por volta da 3ª, 4ª década de vida leva a uma progressiva incapacidade e perda de independência. Nestas circunstâncias, este trabalho tem como objectivo conhecer os mecanismos que estão implicados nestes processos para melhor estabelecer estratégias de abordagem no sentido de atrasar ou prevenir o seu desenvolvimento e, com isso, promover um envelhecimento saudável que está sempre associado a maior longevidade e melhor qualidade de vida. Os mecanismos que ocorrem com o envelhecimento e que contribuem para o desenvolvimento da sarcopenia são múltiplos e incluem: aumento da apoptose e disfunção mitocondrial nos miócitos, processos neurodegenerativos (perda de motoneurónios alfa), redução dos níveis de hormonas anabólicas (testosterona, estrogénios, GH, IGF-1), aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias (TNF-, IL-6), stress oxidativo devido à acumulação de radicais livres, sedentarismo e ingestão nutricional inadequada. De todos estes factores responsáveis pela sarcopenia do envelhecimento a inactividade física e a ingestão nutricional inadequada, além de estarem relacionados com os principais mecanismos celulares subjacentes à sarcopenia, são factores modificáveis pelo que merecem especial importância como estratégia de intervenção com o objectivo de atrasar a progressão da sarcopenia. O exercício de resistência é o melhor tipo de exercício para aumentar a massa e força muscular embora o exercício aeróbico também tenha benefícios importantes. O aumento da quantidade e da qualidade de proteínas na dieta parece ser uma das estratégias mais importantes para promover a síntese proteica muscular e deste modo contribuir para o aumento da massa e força muscular. Assim, apesar da sarcopenia ser uma das características mais marcantes de um processo fisiológico e irreversível, o envelhecimento, é possível estabelecer estratégias que permitam atrasar ou prevenir o seu desenvolvimento e assim promover um envelhecimento saudável. Como metodologia foi feita uma revisão pormenorizada sobre a literatura disponível e recente nas bases de dados PubMed, ScienceDirect e b-On utilizando as seguintes palavras-chave: sarcopenia, processo de envelhecimento, inflamação, músculo-esquelético, massa muscular, força muscular, composição corporal, actividade física e necessidades alimentares
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7,700
Asma grave em adultos
Asma,Fénotipo
Este trabalho tem por objectivo oferecer informação plena e fiável acerca da asma grave, dos seus fenótipos e novas bordagens terapêuticas, com especial interesse sobre a terapêutica biológica emergente com omalizumab, bem como fazer uma breve referência à epidemiologia da asma e ao diagnóstico do doente asmático difícil de controlar. A realização deste trabalho teve por base uma revisão actualizada da literatura, por forma a criar uma nova fonte literária de consulta acerca desta patologia. A asma grave revela-se um tema actual e deveras pertinente, dada a necessidade em conhecê-la melhor, quer em termos biológicos, clínicos ou fisiopatológicos, o que nos permitiria defini-la e categorizá-la melhor. Uma compreensão aprofundada acerca da asma grave possibilitaria uma actuação mais eficaz, bem como o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas, contribuindo para um melhor controlo da doença. É de salientar as limitações que a asma grave impõe aos que dela padecem em termos de qualidade de vida, assim como o impacto económico que acarreta, apesar de corresponder apenas a uma minoria dos doentes asmáticos. Ainda neste trabalho pretende-se fazer uma breve referência à resposta ao omalizumab instituída a um grupo seleccionado de doze doentes com asma grave do Hospital de Dia do Serviço de Imunoalergologia dos Hospitais de Universidade de Coimbra.
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7,701
Actividade da doença na artrite reumatóide
Actividade motriz,Artrite reumatóide
Introdução: A artrite reumatóide é uma doença reumática inflamatória de causa desconhecida e elevada prevalência, cuja apresentação clínica mais típica é a de uma poliartrite crónica, simétrica, aditiva e periférica. Pode cursar com envolvimento de múltiplos órgãos e sistemas extra-articulares e está associada a uma significativa co-morbilidade, consumo acentuado de recursos de saúde e a uma maior taxa de mortalidade. Objectivos: O objectivo deste trabalho foi caracterizar uma população de doentes com artrite reumatóide e estudar a relação entre a actividade da doença e múltiplos parâmetros clínicos, demográficos e educacionais. Metodologia: Em colaboração com a Consulta Externa do Serviço de Reumatologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, foram colhidos dados demográficos, características clínicas, avaliação funcional, qualidade de vida e características sócio-culturais de um conjunto de doentes com artrite reumatóide. As associações entre as variáveis estudadas foram avaliadas através de análise de regressão linear multivariada (método stepwise). Resultados: Numa amostra de 119 doentes com artrite reumatóide, observou-se uma associação estatisticamente significativa entre sexo masculino e menor actividade da doença segundo todos os índices compostos (DAS28-VS: B=-0,789; p=0,008; DAS28-PCR: B=-0.500; p=0,047; SDAI: B=-3,716; p=0,016), enquanto que uma maior duração da doença se associou com uma maior actividade da doença segundo o DAS28-VS (B=0,021; p=0,040) e um maior número de anos de escolaridade se associou com uma menor actividade da doença segundo o DAS28-PCR (B=-0,049; p=0,025). Quando a análise foi feita ao nível das variáveis individuais de cada índice composto, um maior número de anos de escolaridade associou-se a uma menor avaliação global da doença pelo doente (B=-0,149; p=0.004), enquanto que o sexo masculino se associou a uma VS mais baixa (B=-10,339; p=0,035). Conclusões: A avaliação da actividade da doença é complexa e pode ser influenciada por factores demográficos e educacionais. Nesta população de doentes com artrite reumatóide, o sexo masculino e um maior grau de instrução associaram-se a uma menor actividade da doença. Sendo que os mesmos cut-offs para índices de actividade da doença na artrite reumatóide são usados para ambos os sexos e diferentes graus de instrução e substrato social ou cultural, este estudo permite questionar se não se deveriam usar diferentes cut-offs para diferentes sub-populações.
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7,702
Traumatismos torácicos graves e lesões associadas : estudo descritivo de uma amostra referente a um ano de internamentos no SMI do CHUC
Traumatologia,Medicina interna,Unidade de cuidados intensivos,Ventilação
O Trauma constitui um crescente e significativo problema de saúde pública a nível mundial, sendo uma causa importante de morbilidade e mortalidade. O traumatismo torácico destaca-se não só pela sua elevada incidência mas também pelo aumento da gravidade e da mortalidade das lesões associadas. O espectro de lesões torácicas pode variar de insignificante a letal, sendo que frequentemente ultrapassam os limites anatómicos, associando-se a lesões de outros segmentos corporais como a cabeça e coluna vertebral, abdómen e membros. Atendendo ao facto de actualmente se tratar de um problema de relevo, justificase a realização deste trabalho, que tem como objectivos rever o conhecimento sobre traumatismos torácicos graves e lesões associadas no que diz respeito a fisiopatologia, mecanismos de lesão, epidemiologia, diagnóstico e abordagem inicial e, por último, estudar através de uma análise descritiva, os casos de traumatismos torácicos graves admitidos durante o ano de 2010 no Serviço de Medicina Intensiva dos HUC. O funcionamento normal dos órgãos torácicos está intrinsecamente relacionado com a normal compartimentação anatómica do tórax. O traumatismo de um dos órgãos ou estruturas implica a alteração da função de outros, interrompendo os normais mecanismos fisiológicos e dando origem a sinais clínicos. Apesar de frequentemente associado a população mais jovem e activa, principalmente por acidentes de viação e violência urbana, a incidência é também significativa ao nível da população mais idosa, não só devido aos acidentes de viação mas também a quedas de altura. Na maioria dos traumatismos torácicos, os exames complementares de diagnóstico para avaliar todas as lesões envolvidas bem como o tratamento precoce são fundamentais para evitar complicações posteriormente. É extremamente útil perceber os mecanismos de traumatismo, prever o risco de vida subjacente, chegar ao diagnóstico correcto e optar por uma abordagem prudente com base no estado hemodinâmico do doente. O conhecimento da epidemiologia do trauma permite por um lado procurar melhorar o desempenho na abordagem do trauma grave e, por outro, caminhar no sentido da prevenção das lesões traumáticas, das complicações subjacentes e da elevada morbi-mortalidade que lhes tão associadas.
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7,703
Síndroma de dor patelo-femoral
Joelho,Dor,Síndroma patelo-femural
Introdução: A Síndroma de Dor Patelo-Femoral é uma das patologias músculo-esqueléticas mais frequentes na clínica ortopédica e atinge até 25% da população. A SDPF continua uma entidade clínica de identificação difícil pela falta de uniformidade de critérios relativamente ao diagnóstico e tratamento. Materiais e métodos: Realizou-se uma revisão da literatura actual sobre Síndroma de Dor Patelo-Femoral utilizando a PUBMED e livros de referência de Biomecânica e de Ortopedia. Da pesquisa na PUBMED foram seleccionados estudos dos últimos 5 anos, escritos em inglês e com informação considerada relevante para o tema. Pretendeu rever-se os conceitos gerais, definição, epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento da SDPF. Discussão: Da análise efectuada verifica-se que a Síndroma de Dor Patelo-Femoral é um dos distúrbios músculo-esqueléticos mais frequentes relativos ao joelho. Afecta sobretudo indivíduos jovens, do sexo feminino e desportistas. Trata-se de uma entidade clínica multifactorial. Diversos factores anatómicos e biomecânicos, como o aumento do ângulo Q, a hiperpronação excessiva do pé, o enfraquecimento do Quadricípite Femoral, os desequilíbrios musculares entre o Vasto Medial Oblíquo e o Vasto Lateral e o encurtamento dos Isquiotibiais e do Tracto Iliotibial são considerados factores de risco para a perda do equilíbrio e condicionantes do quadro sintomático. A Síndroma de Dor Patelo-Femoral é um diagnóstico de exclusão e deve basear-se na história clínica, exame físico e meios complementares de diagnóstico. A Dor Anterior do Joelho é a manifestação clínica mais comum e ocorre em actividades físicas como subir e descer escadas ou com o agachamento. Durante o exame físico devem ser identificadas as possíveis alterações que justificam a dor. Os exames complementares de diagnóstico são na maior parte dos casos normais e ajudam na exclusão dos diagnósticos diferenciais. O tratamento conservador continua a ser uma das melhores opções terapêuticas e envolve a utilização de fisioterapia e ortóteses. Os objectivos do tratamento consistem na correcção das deficiências biomecânicas e das características do movimento, no fortalecimento muscular e na redução da dor. Após um plano de tratamento conservador, uma fracção dos doentes desenvolve sintomas crónicos. Tem-se procurado identificar os factores de prognóstico que permitam identificar os doentes mais susceptíveis à cronicidade e melhorar o resultado dos tratamentos. O tratamento cirúrgico é o último recurso e só deve ser realizado nos doentes com sintomas persistentes após um plano de tratamento conservador adequado e cujos factores contribuintes podem ser corrigidos pela cirurgia. Conclusão: A Síndroma de Dor Patelo-Femoral continua sujeita a alguma discussão e a falta de consenso caracteriza-a como um verdadeiro desafio clínico. Consideram-se diversos factores de risco e existem múltiplas opções terapêuticas, não existindo um protocolo de tratamento uniforme para todos os doentes. Cada doente deve ser avaliado de forma individual identificando-se todos os factores de risco, de modo a escolher a opção terapêutica mais adequada para cada caso.
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