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23,521
Investigação dos genes MT-CO na demência frontotemporal
Demência frontotemporal,mtDNA,COX,Variações de sequência
A demência frontotemporal é uma doença neurodegenerativa associada a atrofia dos lobos frontal e temporal. É a segunda demência de início precoce mais comum, caracterizando-se pela alteração comportamental progressiva e disfunção executiva e/ou dificuldades na linguagem. É muito heterogénea relativamente às suas características clínicas, patológicas e genéticas. O genoma mitocondrial (mtDNA) humano codifica componentes chave da cadeia respiratória mitocondrial e apresenta características próprias, distintas do genoma nuclear. A neurodegenerescência e os processos que a ligam à mitocôndria envolvem diversos tipos de mecanismos e têm-se proposto várias hipóteses para explicar a influência da mitocôndria nas diversas doenças neurodegenerativas. Quando existem mutações no mtDNA, a função energética comprometida é um defeito bioquímico comum nestas doenças, sendo também muitas vezes mencionada a alteração na produção e regulação de espécies reativas de oxigénio (ROS). De facto, a sobrevivência dos neurónios depende da função mitocondrial e do fornecimento de oxigénio, uma vez que o ATP é produzido pela OXPHOS. Este facto é da maior importância, pois são necessários níveis bastante elevados de ATP para manter as funções neuronais normais. Assim, os defeitos bioenergéticos resultantes de mutações no mtDNA parecem relacionar-se com estas doenças, nomeadamente na doença de Alzheimer (DA). Para além de vários estudos que comprovam a relevância mitocondrial em diversos processos neurodegenerativos, também na DFT têm surgido evidências da importância da mitocôndria e do seu DNA, tendo sido encontradas variações na sequência do mtDNA. No entanto, o número de estudos é ainda reduzido, tendo sido ainda estudadas poucos genes, surgindo deste modo uma necessidade de aprofundar a investigação da relação do mtDNA com esta doença. Assim, o objetivo deste estudo foi proceder à sequenciação dos três genes MT-CO codificados pelo mtDNA em 70 doentes de DFT, recorrendo à sequenciação automática. No total, foram encontradas 55 variações de sequência, com uma maioria correspondendo a polimorfismos, uma pequena parte (9) a mutações somáticas no mtDNA, previamente identificadas em determinadas linhas celulares, ou substituições publicadas em diversas doenças e uma nova alteração. Do número total de variações de sequência detetadas (em um ou mais doentes), 7 conduziam à alteração de aminoácido na sequência da proteína, para as quais se realizou uma análise in silico. Foram encontradas alterações em 80% dos doentes estudados, tendo-se detetado uma alteração nova (m.7300T>C), não existente nas bases de dados. Observou-se, de um modo geral, um maior número de alterações na subunidade 1, de maiores dimensões, em comparação com as subunidades 2 e 3. A grande parte das alterações identificadas no presente estudo são polimorfismos. No entanto, não se pode excluir a possibilidade de estarem envolvidos na etiopatogenia da DFT, juntamente com outros fatores não analisados. São necessários estudos adicionais, para entender melhor o papel do mtDNA nesta doença.
Ciências Exactas e Naturais
23,522
Embriogénese somática e outros ensaios in vitro em duas espécies de loureiro (Laurus nobilis e Laurus azorica)
Auxina,Estudos histológicos,Gemas caulinares,In vitro,Tecido embriogénico
O loureiro (Laurus nobilis L.) é uma árvore ou arbusto da família Lauraceae. Encontra-se distribuído por toda a bacia do Mediterrânico onde as suas folhas são muito utilizadas na culinária. O loureiro-bravo (Laurus azorica (Seub.) Franco) é um arbusto ou árvore da mesma família cuja distribuição está limitada ao arquipélago dos Açores, sendo importante medidas de conservação da espécie, que já foi catalogada no livro vermelho das espécies ameaçadas. Ambas as espécies são dióicas e têm baixas taxas de germinação natural. A propagação por métodos convencionais também não ocorre com facilidade. Assim, estudos de embriogénese somática têm vindo a ser realizados, para implementar um protocolo de multiplicação in vitro destas espécies bem como para compreender melhor a embriogénese somática em lenhosas. A embriogénese somática é uma técnica de Biotecnologia Vegetal com grande potencial para propagação de plantas em larga escala. Neste trabalho tentou-se o estabelecimento das duas espécies quer a partir do material adulto, quer a partir de explantes jovens, tendo em vista o estabelecimento de um protocolo eficiente de micropropagação. Duas auxinas, 2,4-D e Picloram, em diferentes concentrações, foram testadas na indução de embriogénese somática. A análise histológica efectuada em diferentes fases da resposta embriogénica mostrou que a fraca germinação obtida em estudos anteriores, poderá dever-se às poucas reservas acumuladas pelos embriões somáticos, bem como à ausência de SAM em algumas secções de embriões somáticos. A resposta mais comum foi a formação de calos embriogénicos, tendo sido testados vários meios para promover o seu desenvolvimento em embriões somáticos. A verificação da capacidade embriogénica em tecidos embriogénicos obtidos há treze anos em L. nobilis foi outro dos estudos efectuados, tendo-se verificado uma perda do potencial deste tecido evoluir em embriões somáticos. Apesar de a obtenção de embriões somáticos não ter sido conseguida, a acção do inibidor fluoridona foi interessante pela desdiferenciação que provocou no tecido embriogénico, tendo análises citológicas comprovado que o tecido proveniente da acção da fluoridona apresentava células com características meristemáticas, ao invés de todos os outros que apresentavam células com algum grau de diferenciação. A embriogénese somática repetitiva é a obtenção de embriões somáticos secundários utilizando embriões somáticos primários como explante. A embriogénese secundária em L. azorica foi conseguida neste trabalho tendo sido utilizado o mesmo protocolo de L. nobilis já descrito na literatura.
Ciências Exactas e Naturais
23,525
Imigração em Portugal e a comunidade angolana
Comunidade Angolana,Inserção de Imigração,Minorias Étnicas
A investigação foi organizada em três capítulos. O primeiro capítulo corresponde à análise teórica da temática da inserção dos imigrantes e das minorias étnicas essencialmente com base numa análise bibliográfica. Procurou-se, por um lado, apresentar os modelos teóricos mais frequentemente adoptados pelos Estados face à imigração e, por outro, identificar os principais tipos de factores que intervêm no processo de adaptação dos imigrantes ao país de acolhimento. Procedeu-se, por fim, a uma particularização desta teoria ao caso dos seus descendentes. No segundo capítulo analisa-se as politica de imigração seguidas por Portugal e a legislação nacional relativa a imigrantes e estrangeiros. Esta investigação privilegiou questões que mais directamente estão ligadas com o grupo em estudo-os descendentes de imigrantes e as minorias étnicas. É de referir que a legislação e as políticas, directa ou indirectamente relacionadas com a imigração e minorias étnicas, desenvolvidas por um estudo revelam muito sobre o seu posicionamento teórico face a estas matérias. Ao nível legislativo prestou-se especial atenção à questão da aquisição da nacionalidade portuguesa e à lei da imigração ou seja à regulação da entrada, residência e expulsão de estrangeiros. É também apresentada uma breve evolução da política de imigração em Portugal, tendo sido expostas, com maior pormenor, algumas medidas politicas que procuram contribuir para apoiar a adaptação dos imigrantes e minorias étnicas e seus descendentes, nomeadamente a criação do Alto-Comissário para Imigração e Dialogo Intercultural (ACIDI), desde de 2002, os processos de Regularização Extraordinária de Estrangeiros em situação irregular e algumas medidas de combate ao racismo e descriminação e à exclusão social. Ainda, a apresentação das principais características da Comunidade angolana residente em Portugal, na qual o grupo de descendentes de angolanos e luso - angolanos está integrada. Este consiste também num dos aspectos identificados no primeiro capitulo como um vector com influência na inserção dos indivíduos em estudo. No primeiro capítulo procede-se a uma breve análise da evolução e caracterização dos fluxos migratórios para Portugal, deslocando em seguida o foco de análise para o caso particular dos indivíduos de origem angolana, Para a caracterização da Comunidade angolana recorreu-se aos dados oficiais disponíveis e complementou-se esta informação com elementos recolhidos através da aplicação de um questionário a indivíduos de etnia angolana nascidos em Portugal ou trazidos para Portugal em criança. Esta Investigação tem como objectivo mostrar também o elevado número de associações que trabalham com a comunidade e a variedade de objectivos e actividades desenvolvidas, vamos apresentar algumas destas associações e sua localização. Por fim, procede-se através da análise dos resultados da aplicação do inquérito acima referido e das entrevistas realizadas, por um lado, caracterizar o grupo de descendentes de angolanos abrangidos na amostra e, por outro, discutir numa óptica de avaliação, a inserção destes indivíduos e alguns dos factores que influencia. A presente investigação constitui uma tentativa de reconstruir e de compreender os processos que regem as dinâmicas da identificação da comunidade angolana em Portugal e do perfil para a sua integração. Em todos os países de acolhimento de imigrantes, a integração dos seus descendentes constitui um dos maiores desafios à sociedade, incomparavelmente mais complexos do que a integração da primeira geração. Enquanto os “pioneiros” estão disponíveis para enfrentar todas as dificuldades e têm como referência a comparação com as condições mais hostis do seu país de origem, os seus filhos, muitas vezes já nascidos no país de acolhimento, não viveram o processo migratório, nomeadamente na dureza das suas causas. A comparação que encontramos, é mais uma análise interactiva e interrelacional e permite proceder à comparação de informação – justamente com os jovens da sua idade que permanecem no país, - com os jovens originários do país onde residem. E aí, as diferenças são, muitas vezes, flagrantes. A melhor maneira de olhar a sociedade portuguesa, consiste em ver como essa sociedade evoluiu durante as últimas décadas (século XX). Para outros autores, compreender Portugal, em termos dos seus fundamentos e organização, encontra -se em causa ou em discussão. Decorrem desse contexto incertezas e conflitos, posto que se confronta uma história passada e ainda recente com o facto de que o futuro português tem agora como «modelo e horizonte» a Europa. De um olhar e uma realidade histórica voltada «para dentro» vale dizer, para o interior do continen te e seu centro, coloca aí as esperanças de sua modernização e prosperidade. Transforma -se em «uma sociedade plural [...] Há de modo crescentes sinais de pluralidade: na população, nos traços étnicos e culturais nos comportamentos religiosos, na vida polít ica, na organização do Estado, na competição económica e na organização civil» (Barreto, 1995, p. 842). As condições socioeconómicas das suas famílias, em norma mais pobres que a média nacional, empurra-os para as margens da exclusão social, com impacto na habitação, na saúde ou na educação. A esta marginalização socioeconómica acresce igualmente a discriminação em função da origem, racial, étnica ou nacional. A desigualdade de oportunidades manifesta-se em vários domínios. Atravessa os seus percursos escolares e desafia os seus projectos de futuro académico e profissional, dificultando o rompimento e a superação do universo profissional de inserção dos seus países, e a construção de trajectórias de mobilidade social ascendente. Estende-se depois até à duríssima discriminação no acesso ao trabalho, passando igualmente pelos efeitos perversos dos preconceitos e/ou dos estereótipos, que os minimizam. Ainda há muitos portugueses “europeus” que se afastam de um negro, que lhe negam habitação, trabalho, por causa de séculos de desprezo e de repugnância. Portugal tem ainda um longo caminho na descoberta não física, geológica mas antes de educação, da igualdade. Este é um balanço possível da realidade de dificuldades duma comunidade cuja origem não é a de um país qualquer, mas antes de um, que a bem ou a mal, acompanhou e foi forçado a pertencer durante mais de 400 anos em situação de submissão transformado em fornecedor de força produtiva no açúcar ou no ouro de Minas Gerais e Mato Grosso, da jóia portuguesa que foi o Brasil, como bem disse o Padre António Vieira quando afirmava que sem Angola não havia Pernambuco. Pois também não haveria as reservas de ouro actuais vindas do esforço diário nas minas do Transval. Duma comunidade que pertence a um país transformado na solução da migração portuguesa mais recente. Quem quer direitos iguais, tem de dar direitos iguais. A esta realidade urge dar uma resposta positiva, que deve começar pela afirmação inequívoca da existência de um lugar na sociedade portuguesa para os descendentes de imigrantes não só angolanos mas de todos os antigos territórios portugueses. São parte inteira desta sociedade, da sua herança que também é sua. Nela devem desfrutar dos mesmos direitos e cumprir os mesmos deveres. Na educação, na formação profissional e no acesso ao emprego. No aumento das lutas pela igualdade dos géneros. No apoio à Terceira Idade. Na formação do trabalho e na igualdade da concessão do crédito. Neste processo de afirmação positiva de um lugar para os descendentes de imigrantes na sociedade portuguesa, em que deve ser garantido o pleno acesso aos direitos sociais, importa não só pedir a cada cidadã /o nacional um comportamento cívico, como também reclamar particular responsabilidade junto daqueles que pelas funções de serviço ao bem comum, como os políticos e os jornalistas, e também dar a voz, enquanto protagonistas aos descendentes de imigrantes. Que seja uma evolução inovadora da estrutura social e em termos económicos; que seja uma oportunidade humilde para solidificar e pacificar em igualdade a sociedade portuguesa. Foi isso que nos propomos fazer com este trabalho de investigação. Outro aspecto que constatamos nesta investigação, é a necessidade da integração dos jovens que chegam a Portugal em idade adulta e que nasceram no seio de famílias conservadoras nos seus valores, que se integram na sociedade portuguesa noutros níveis de sociedade. A sua integração, assume diferentes parâmetros, dos daqueles que já nascem em Portugal, com origem em famílias desestruturadas. Ultimamente muitas medidas avulsas têm sido tomadas mais em função dos perigos sociais representados pelos “negros” do que pelo desejo verdadeiro de igualdade social. O Estado apresenta-se de uma maneira muito contraditória neste campo. Não basta evocar a Constituição. Torna-se necessário introduzir neste quadro das comunidades emigrantes e não só africanas, a figura de uma autoridade adequada, independente, como a de um Provedor do Imigrante, com capacidade de poder observar, aconselhar e recomendar superiormente o equilíbrio social nesta área tão carenciada e desprotegida. É preciso repensar também a sociedade, formatando a juventude desde muito cedo procedendo à sua integração não só “de facto” mas também “de lege”com medidas concretas. Apesar de toda a experiência, que Portugal pretende assumir neste campo, projectando uma imagem exterior quer histórica de “Pai Descobridor” da Globalização, de chave crucial e incontornável na “Abertura dos Mundos aos Mundos”, de “Janela da Europa”, verificamos que a ignorância do seu passado continua a ser a Madre Mestra das medidas de exclusão, ainda não tendo sido definitivamente saneada a fórmula jurídica do direito “jus sanguinis” que assumiu o carácter da lei da nacionalidade portuguesa contra a tradição tão portuguesa do “jus solis”. O desenvolvimento desta parte dos descendentes angolanos deve passar por medidas concretas para o combate do insucesso e abandono escolar, e a qualificação objectiva dos adultos. É preciso que nos meios de comunicação se possa passar a mensagem de que as diferenças quando existem são para serem ultrapassadas e de maneira alguma se tornarem no padrão da condenação. Deverão ser co-autores de um futuro comum, participando de pleno direito na política e na cultura, nas artes e na economia. Sem eles, Portugal será mais pobre. Com eles, ganharemos todos. É a luta da Humanidade pela Humanidade.
Ciências Exactas e Naturais
23,536
Envolvimento de diferentes subpopulações de células T na resposta imune a infecção pelo virus da hepatite C
Vírus da hepatite C,Interferão-alfa peguilado e ribavirina,Resposta imune,Linfócitos T,Células NK
A infecção pelo vírus da hepatite C (VHC) é um problema global de saúde pública e uma potencial causa de morbilidade e mortalidade dos doentes. Desde da sua descoberta em 1989, o VHC tem sido reconhecido como uma das principais causas de doença hepática crónica no mundo. O VHC pode escapar às defesas do sistema imunitário, afectando negativamente a resposta imune celular, incluindo a proliferação e activação das células NK, linfócitos T helper (LTh) e linfócitos T citotóxicos (CTL). Esta fuga permite ao vírus estabelecer infecção crónica, e a partir desta altura o seu controlo requer tratamento. A associação do interferão-α peguilado (peg-IFN-α) com ribavirina é o tratamento aprovado, conduzindo à erradicação viral em 42-82% dos doentes infectados com o VHC. Dada a influência da resposta imune no controlo da infecção por VHC e na resposta ao tratamento, o objectivo principal deste trabalho foi caracterizar a resposta imune em doentes com infecção crónica por vírus da hepatite C, antes e ao longo do tratamento. Além disso, também se comparou as respostas imunes nos doentes respondedores à terapia e nos não respondedores, de modo a detectar um biomarcador preditivo da resposta à terapêutica. A resposta imune foi avaliada através de imunofenotipagem recorrendo à citometria de fluxo. Nos doentes com infecção crónica verificou-se alterações na frequência, fenótipo e função dos linfócitos T (LT) e células NK, comparativamente ao grupo controlo. A terapia induziu um aumento da actividade citotóxica e um aumento da produção de citocinas nos LT e nas células NK. Contudo como sabemos a terapia nem sempre é eficaz, sendo necessários mais estudos nesta área de modo a contribuir para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas e se possível encontrar um biomarcador preditivo de resposta ao tratamento.
Ciências Exactas e Naturais
23,540
Caracterização da resposta imune periférica na doença de alzheimer
Doença de Alzheimer,Défice cognitivo ligeiro,Inflamação
INTRODUÇÃO: A inflamação do sistema nervoso central é uma característica da Doença de Alzheimer (DA). Apesar do papel da inflamação não estar bem esclarecido no processo neurodegenerativo, existem evidências da relação desta processo com a toxicidade da proteína β-amilóide e a patologia da doença. Diferentes estudos sugerem que a inflamação não está presente apenas nos cérebros de doentes de Alzheimer mas também nas células imunes periféricas. Desta forma, o objectivo deste estudo é perceber se existem diferenças nas células do sistema imune periférico de doentes com défice cognitivo ligeiro (DCL) e de doentes de Alzheimer, de forma a perceber o envolvimento do sistema imune periférico no processo neurodegenerativo. MÉTODOS: Foram usados três grupos constituídos por indivíduos com a mesma média de idades. Assim foram recrutados 10 indivíduos sem doenças cognitivas que constituem o grupo controlo; 10 indivíduos diagnosticados com DA através da classificação NINCDS-ADRDA (McKhann, 1984) e 10 indivíduos diagnosticados com DCL, segundo os critérios da escala do ratio da demência clínica (Critérios de Petersen, 2001). Estes indivíduos não eram portadores de doenças como Diabetes, inflamações crónicas ou doenças neoplásicas, nem tomavam medicações susceptíveis de influenciar as variáveis em estudo. A análise das subpopulações de células B, T, NK e macrófagos foi efectuada por citometria de fluxo. Para a detecção de quimiocinas foram recrutados 17 controlos sem doenças cognitivas, 21 indivíduos diagnosticados com doença de Alzheimer e 27 indivíduos com DCL, usando os mesmos critérios. A quantificação das quimiocinas G-CSF, IL-8; MCP-1, MIP-1α, MIP-1β e MIG no soro dos indivíduos em estudo foi efectuada através de um ensaio multiplex que utiliza esferas que emitem fluorescência. Para amostras normais, a comparação entre os grupos foi realizada recorrendo à análise da variância ANOVA. Quando não existiu uma distribuição normal foi efectuado o teste de Kruskal-Wallis. Os resultados com os valores de ρ<0,05 foram considerados indicativos de diferenças estatisticamente significativas. RESULTADOS: Verificaram-se alterações significativas ao nível das células B, as quais nos doentes de Alzheimer apresentavam uma expressão aumentada do marcador CD69 e da molécula CD40 essencial para o switch de classe de imunoglobulinas, da mesma forma que existia um aumento das células B que sofreram switch de imunoglobulinas. Também se verificou um aumento da expressão de CD95/Fas e do receptor de quimiocinas CCR1. Os doentes com DCL apresentam uma diminuição do pool de células B Totais, associado a um aumento da expressão do receptor CD95/Fas. Existe ainda um aumento do CXCR4, da subpopulação de células B reguladoras e da percentagem de células B a produzirem IL-10. Nos doentes com DCL parece existir uma diferenciação das células Th naive no sentido Th2, dada a produção de IL-4 por parte destas células e no sentido Th17, dada a elevada produção da IL-17A por parte destas células. Existe ainda um aumento da subpopulação CD4+CD28+ produtora de IL-4. As células T citotóxicas não efectoras parecem estar a produzir uma quantidade de IFN-γ mais elevada tanto nos doentes de Alzheimer como nos doentes com DCL e uma quantidade de IL-10 mais baixa que os indivíduos controlo. As células NK apresentam uma maior produção de CRACC pelas células CD62L+ e pelas células CD62L- em ambos os grupos de doentes, quando comparados com o grupo controlo. Pelo contrário, os indivíduos controlo apresentam uma maior percentagem de células naive que os dois grupos de doentes. Nos monócitos existe um aumento da produção de IFN-γ pela subpopulação de monócitos inflamatórios nos indivíduos com DCL quando comparados com o grupo controlo. Observou-se um aumento de G-CSF e MIG em ambos os grupos de doentes quando comparados com o grupo controlo e quando se compara doentes de Alzheimer com doentes com DCL existe um aumento significativo de IL-8 e MIP-1β no soro de doentes com DCL. CONCLUSÕES: Existem evidências claras da desregulação do sistema imune periférico na doença de Alzheimer, sendo urgente esclarecer a implicação dessas alterações ao nível do processo neurodegenerativo e, da mesma forma, perceber se a alteração do sistema imune periférico é simultânea ou surge como uma consequência do processo neurodegenerativo. Estes dados sugerem ainda perfis celulares diferentes entre os doentes. Doentes de Alzheimer parecem apresentar um perfil ligeiramente mais pró-inflamatório, enquanto os doentes com DCL parecem apresentar um perfil mais anti-inflamatório dada a maior percentagem de células a produzir a interleucina anti-inflamatória IL-10. As quimiocinas IL-8 e MIP-1β surgem como potenciais biomarcadores para distinguir DCL de DA.
Ciências Exactas e Naturais
23,541
Estudo do perfil imunológico de transplantados renais – abordagem molecular a potenciais marcadores de disfunção crónica do enxerto
Transplantação renal,Rejeição crónica,Tolerância,Biomarcadores
A transplantação é a terapia de eleição para doentes com insuficiência renal crónica terminal. Desde o nascimento da área da transplantação de órgãos, o progresso das técnicas cirúrgicas e a introdução de novos agentes imunossupressores têm conduzido ao aumento da sobrevivência do enxerto a curto prazo. Contudo, este aumento dos resultados das taxas de sobrevivência do enxerto a curto prazo não tem sido acompanhado com o aumento dos resultados a longo prazo. E a acompanhar a perda tardia do enxerto estão as complicações associadas a uma terapia imunossupressora contínua. Hoje em dia, a monitorização funcional dos enxertos renais é feita pela determinação da creatinina sanguínea, cujas variações não serão específicas da rejeição, e pela análise da biópsia renal, sendo este um procedimento invasivo. Portanto, o desenvolvimento de ensaios não invasivos, que detectem biomarcadores moleculares de rejeição, pode revolucionar a monitorização dos receptores de transplantes, pela identificação de um perfil de pré-rejeição que permita a intervenção atempada antes da disfunção do enxerto estar instalada. O objectivo deste trabalho foi fazer uma avaliação genética, genómica, celular e humoral de doentes transplantados com função renal estável há mais de dez anos e transplantados aos quais foi diagnosticada rejeição/ disfunção crónica do enxerto. De forma, a encontrar algum aspecto diferencial entre os grupos, que pudesse constituir um potencial alvo de estudo, com o intuito de monitorizar a evolução do transplante sem recorrer a técnicas invasivas e, acima de tudo, avaliar o impacto dessas características na longevidade do enxerto. Ao nível de incompatibilidades HLA os grupos de estudo não apresentaram diferenças, assim como, no perfil farmacogenético. Foram observadas diferenças entre os grupos, nomeadamente, na presença de anticorpos anti-HLA, na análise da expressão génica em células do sedimento urinário, em células do sangue periférico e em subpopulações celulares. As diferenças encontradas tendem a ser indiciadoras de algum grau de tolerância nos transplantados com função renal estável há mais de dez anos, tendo em atenção que estes doentes continuam a realizar uma terapêutica imunossupressora.
Ciências Exactas e Naturais
23,542
Análise funcional de maltocinases e trealose sintases/maltocinases bifuncionais
Maltocinase,Trealose sintase,Maltose-1-fosfato,Trealose,Função
Foi recentemente descoberta em Mycobacterium tuberculosis uma nova via para a síntese de α-glucanos a partir de trealose, que foi validada a nível genético como um novo alvo promissor para o desenvolvimento de novos fármacos contra a tuberculose. Nesta via intervêm várias enzimas, nomeadamente a trealose sintase (TreS) e a maltocinase (Mak). A unidade transcripcional treS/mak está presente numa grande variedade de procariotas, incluindo apenas um arqueão. Em alguns microrganismos estes genes encontram-se fundidos num só, codificando uma enzima bifuncional, a trealose sintase/maltocinase (TreS/Mak). Foram construídas árvores filogenéticas com sequências de Maks, TreSs e TreS/Maks de diferentes microrganismos de modo a constatarmos a distribuição destas enzimas nos diferentes grupos filogenéticos. A partir de uma destas árvores, foram seleccionadas algumas enzimas Mak e TreS/Mak de microrganismos dos diferentes grupos formados para confirmação da sua função biológica. Efectuou-se seguidamente um estudo funcional das enzimas Mak e TreS/Mak seleccionadas. As sequências de algumas Maks apresentam valores de homologia moderados entre os diferentes organismos e, até à data, nenhuma fusão TreS/Mak foi caracterizada. Os genes mak e treS/mak selecionados foram amplificados, clonados e expressos em E. coli, que não possui actividade de Mak, tendo sido produzidas recombinantemente com sucesso quatro enzimas Mak e uma enzima TreS/Mak bifuncional. Seguidamente, foram realizados ensaios para testar a actividade destas enzimas em extracto, designadamente a sua especificidade para cada um dos substratos potenciais e a possível actividade de aminoglicosídeo fosfotransferase observada em algumas enzimas com sequências com homologia relevante com Maks e responsáveis pela inactivação de alguns antibióticos desta classe. As enzimas Mak expressas com sucesso apresentaram a actividade esperada em extracto e, dos diferentes aceitadores de grupos fosfato testados, apenas a maltose foi utilizada com eficiência na síntese de maltose-1-fosfato, enquanto que ATP, GTP e UTP foram dadores de fosfato eficientes na síntese daquele metabolito. Nos ensaios efectuados com antibióticos aminoglicosídeos não detectámos actividade, o que indica que as enzimas estudadas não apresentam actividade de aminoglicosídeo fosfotransferase nas condições testadas. A enzima recombinante TreS/Mak de Pseudomonas fluorescens não apresentou a actividade esperada, isto é, a conversão directa de trealose em maltose-1-fosfato, tendo sido obtido um composto desconhecido como produto. Foram obtidos espectros de ressonância magnética nuclear (RMN) com vista à identificação do composto, tratandose aparentemente de uma hexose bifosforilada. Esta enzima bifuncional utilizou maltose, trealose, maltotriose, maltotetraose, maltopentaose e maltoheptaose na síntese deste composto e apenas ATP foi utilizado como dador de grupos fosfato. Nos ensaios efectuados com antibióticos aminoglicosídeos, também não detectámos actividade, o que sugere que a TreS/Mak de Pseudomonas fluorescens não apresenta actividade de aminoglicosídeo fosfotransferase. Os resultados obtidos com este trabalho fornecem provas concretas sobre a identidade de maltocinases hipotéticas de vários grupos taxonómicos e servirá como base para trabalhos futuros que visem explorar a evolução não só destas enzimas, como também da via metabólica que canaliza trealose para a síntese de importantes polissacáridos de reserva como o glicogénio, ou com função mais específica, como por exemplo os α-glucanos da cápsula ou os polissacáridos de metilglucose de micobactérias, através de maltose-1-fosfato sintetizada por maltocinases.
Ciências Exactas e Naturais
23,543
Inventário Florístico e Atividades de Educação Ambiental na Mata da Santa Casa da Misericórdia de Arganil
Mata da Misericórdia de Arganil,Flora vascular,Diásporos,Líquenes,Educação ambiental
A Mata da Misericórdia de Arganil é uma mata antiga, secular, do domínio privado, mas aberta ao público em geral. Nos últimos anos tem sofrido algumas transformações, que, em alguns casos, não têm sido muito benéficas no que respeita à conservação do espaço, bem como da biodiversidade aí existente. Necessitando, por isso, de algumas estratégias de gestão sustentável, aliadas à conservação da natureza e de educação/sensibilização ambiental, para a preservação e manutenção da biodiversidade, assegurando, ao mesmo tempo, um progresso e crescimento adequado às necessidades da população. Os objetivos deste trabalho foram vários, destacando-se o levantamento florístico exaustivo de todos os estratos vegetais ali existentes, bem como o levantamento liquénico das espécies dominantes em locais estratégicos da Mata. Em ambas as situações foram recolhidos espécimes dos indivíduos identificados, que posteriormente foram conservados para a criação de um herbário e de uma coleção liquénica. Também foi elaborada uma coleção de diásporos, onde constam alguns dos frutos recolhidos ao longo de várias saídas de campo, além da sua forma de dispersão e agente dispersor. Outro dos objetivos passou pela elaboração de atividades de educação ambiental, tendo sido criado um percurso Botânico, cuja finalidade seria transmitir aos visitantes algumas informações relevantes sobre determinadas espécies vegetais importantes. Também foi elaborada uma atividade no âmbito dos líquenes identificados, de forma a demonstrar a sua importância para os ecossistemas, uma vez que se tratam de espécies pioneiras e indicadoras dos níveis de poluição.
Ciências Exactas e Naturais
23,545
O efeito da anfetamina na contractilidade do íleo de rato : estudos in vitro e in vivo
Anfetamina,Íleo isolado de rato,Contracção,5-HT,TAAR1
O abuso da anfetamina está associado a graves efeitos neurológicos, psiquiátricos e cardiovasculares. No entanto, os efeitos no altamente inervado tracto gastrointestinal são imprevisíveis. A anfetamina está estrutural e funcionalmente relacionada com as aminas vestigiais para-tiramina. As aminas vestigiais e as anfetaminas têm a habilidade de inibir a libertação extracelular de transmissores e/ou estimular o efluxo de transmissores a partir de reservas intracelulares, incluindo a 5-hidroxitriptamina (5- HT). Foi recentemente descrito que as anfetaminas e as aminas vestigiais são agonistas potentes de um novo receptor acoplado à proteína G, que estimula a produção de AMPc, o trace amine-associated receptor 1 (TAAR1). Foi também sugerido que alguns dos efeitos da anfetamina possam ser mediados, em parte, por esse receptor. De forma a entender o mecanismo envolvido nos efeitos adversos da anfetamina a nível gastrointestinal, o objectivo deste trabalho foi caracterizar farmacologicamente o receptor que medeia a resposta contráctil do íleo isolado de rato à anfetamina. Ratos Wistar machos foram sacrificados e o íleo removido e preparado para contracções isométricas de curvas concentração-resposta (CR) de adições independentes à 5-HT (0,1 μM – 60 μM), à tiramina e à anfetamina (1 μM – 6000 μM). Após a adição de 100 μM de acetilcolina (de forma a comparar os resultados), antagonistas de diferentes receptores foram adicionados ao banho de órgãos 15 minutos antes de cada dose da curva CR. Em todas as experiências foram utilizados segmentos controlo, aos quais se adicionou apenas o solvente apropriado para cada composto. Os segmentos de íleo foram também utilizados para cortes histológicos e técnicas de imunohistoquímica de forma a estuder a imunoreactividade de subtipos de receptores 5-HT. Foram ainda realizados estudos in vivo com o intuito de estudar o comportamento do rato após a administração de anfetamina e a sua neurotoxicidade e as possíveis consequências de tal administração na função intestinal, isto é, na resposta contráctil do íleo isolado de rato. Para tal, foi administrado 15 mg/Kg de solução salina de anfetamina aos animais ensaio e solução salina aos animais controlo. A administração foi via intraperitoneal. O comportamento assim como a temperatura foram registadas. Os animais foram sacrificados 24 horas após a administração e recolheu-se estriado, para quantificação dos níveis de monoaminas, e íleo, para estudos funcionais e imunohistoquímicos. Os estudos funcionais consistiram na realização de curvas CR de adições independentes à anfetamina e à 5-HT na ausência de qualquer antagonista. As diferenças estatísticas foram analisadas pelo teste t de Student e ANOVA seguido do teste de comparações múltiplas de Dunnett ou Tukey. Tanto a anfetamina como a tiramina induziram contracções dependentes da concentração no íleo de rato com idêntica actividade intrínseca e potência (anfetamina: Emáx de 10,51 ± 1,35 mN; pEC50 de 4,64 ± 0,19, n=25; tiramina: Emáx de 11,54 ± 1,65 mN; pEC50 de 4,09 ± 0,32, n=13). As curvas CR à anfetamina não foram significativamente alteradas pela atropina (1 μM) ou mepiramina (1 μM), excluindo o envolvimento de receptores muscarínicos e da histamina H1. No entanto, a cetanserina (1 μM), um antagonista dos receptores 5-HT2A/2C e o RS 127445 (0,05 μM), um antagonista selectivo dos receptores 5-HT2B, alteraram de forma significativa a curva CR à anfetamina. De facto, a ritanserina (1 μM), um antagonista não selectivo dos receptores 5-HT2A/2B/2C, aboliu completamente a contracção intestinal induzida pela anfetamina, apontando para o envolvimento da 5-HT2 no efeito provocado pela anfetamina. Alterações semelhantes e significativas foram, igualmente, observadas nas curvas CR à 5-HT na presença de cetanserina, RS 127445 e ritanserina. Além disso, os estudos imunohistoquímicos revelaram imunoreactividade para os receptores 5-HT2A e 5-HT2B nas células ganglionares do plexo mientérico e submucoso, mas não nas células musculares lisas das camadas longitudinal e circular. Além disso, o recentemente descrito antagonista selectivo do TAAR1, N-(3-etoxi-fenil)-4-pirrolidin-1- il-3-trifluorometil-benzamida (EPPTB), 5 μM, alterou significativamente (com redução do Emáx) as curvas CR à anfetamina e à tiramina, sugerindo igualmente o recrutamento do TAAR1. Uma vez que a reserpina (100 μM) aboliu completamente a contracção intestinal induzida pela anfetamina, e que cerca de 90% da 5-HT é sintetizada, armazenada e libertada essencialmente por células enterocromafins no intestino, propomos que a anfetamina possa desencadear a libertação de monoaminas a partir das células enterocromafins, embora mais estudos serão necessário para provar, definitivamente o envolvimentos do TAAR1 através da sua localização celular. Relativamente aos estudos funcionais realizados com os íleos dos ratos controlo e sujeitos a 15 mg/Kg de anfetamina, não foram observadas alterações estatisticamente significativas nas curvas CR à anfetamina e à 5-HT, demonstrando não haver alterações relevantes na função intestinal. Os ratos que foram administrados com anfetamina ficaram hipertérmicos durante cerca de 90 minutos e mostraram comportamentos estereotipados. Relativamente à quantificação dos níveis de monoaminas, só a dopamina diminui de forma significativa, demonstrando alguma neurotoxicidade nos ratos sujeito ao fármaco após 24 horas. Em conclusão, este estudo demonstra, pela primeira vez, que tanto a 5-HT como os trace amine-associatede receptors contribuem para a resposta contráctil do íleo de rato à anfetamina.
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23,549
O VIH/SIDA e as suas representações : uma análise antropológica dos discursos sobre o VIH/SIDA no jornal Diário
VIH/SIDA,Notícias,Discursos,Sexualidade
Esta dissertação procura analisar a linguagem presente nas notícias sobre o VIH/SIDA, presentes no jornal Diário de Coimbra, ao longo de 32 anos. Partindo destas notícias serão analisados em particular os discursos religiosos, científicos, governamentais e não-governamentais para percebermos como se originou a evolução do pensamento social sobre a SIDA. Através da análise discursiva das notícias iremos “perseguir as metáforas” do VIH, ou seja, iremos captar e descrever metodologicamente os enredos de formação discursiva e as suas conexões, produzidas pelas múltiplas fontes de informação acima mencionadas. Ao longo deste trabalho pretendemos mostrar quais os grupos populacionais mencionados nas notícias e quais as entidades que se destacam no papel de divulgação de informações sobre a epidemia. Veremos ainda como se articulam os discursos sobre o VIH/SIDA e os discursos sobre a sexualidade
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23,550
“Um Lento Entardecer de Verão”: as narrativas pessoais de portadores de retinopatia
Retinopatia,Experiência,Visão,Representação,Antropologia médica
A presente investigação, ancorada em abordagens teórico-metodológicas utilizadas pela antropologia médica, tem como pendor a análise, através da recolha de narrativas de sujeitos portadores de retinopatia, do sentido atribuído à experiência subjectiva da doença. A retinopatia caracteriza-se por um grupo de doenças degenerativas da retina, que conduzem à perda progressiva da visão ao longo da vida. O sentido da visão está permeado de significados sociais que marcam a vida de quem dele não pode fazer uso. Sendo considerado o sentido mais importante no acesso ao mundo, a experiência das pessoas que o perderam ou o vão perdendo é circunscrita a uma “narrativa de tragédia pessoal” fundada na ideia de incapacidade e infortúnio, erigida pela biomedicina consagrada na modernidade ocidental. Assim, seguindo uma abordagem que concilia a representação e a experiência da doença, o mais intrigante desta dissertação é o tentar perceber como as pessoas com retinopatia experienciam e dão significado à perda da visão ao longo da vida e ao mesmo tempo de que modo a experiência da doença é influenciada pelas representações erigidas sob a perda deste sentido, através da perpetuação de preconceitos e estereótipos. Constata-se que o modo como os indivíduos vivenciam a perda de visão está dependente de concepções, representações e significações de ordem pessoal e social, num quadro sociocultural dinâmico, onde estão em constante reavaliação.
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23,551
Efeito do exercício físico na toxicidade mitocondrial hepática induzida por Diclofenac
Exercício,NSAID,Bioenergética,Fígado,Toxicidade,Morte celular
O diclofenac é um anti-inflamatório não esteroide amplamente utilizado. Contudo, um dos efeitos secundários associados ao seu consumo é a toxicidade hepática, na qual a disfunção mitocondrial parece ter um papel relevante. O exercício físico tem sido considerado uma estratégia preventiva e terapêutica para contrariar a disfunção mitocondrial provocada por uma variedade de estímulos deletérios, incluindo os relacionados com doenças metabólicas, cardiovasculares e, ultimamente, os efeitos de fármacos. Desta forma, o objetivo do presente estudo foi analisar o efeito do treino de endurance realizado em tapete rolante (TR) e da atividade física diária em roda livre (RL) na bioenergética das mitocôndrias do fígado, incubadas com Diclofenac ou solução salina, com particular destaque na suscetibilidade para a abertura do poro de permeabilidade transitória mitocondrial (PPTM) e sinalização apoptótica. Dezoito ratos Sprague-Dawley (3 semanas) foram distribuídos aleatoriamente em três grupos (n=6): sedentários, TR (12 semanas, 60 min/dia) e RL (12 semanas com acesso 24h/dia). Foram avaliadas, in vitro, a taxa de consumo de oxigénio mitocondrial, as flutuações de potencial elétrico transmembranar e a indução do PPTM através da amplitude e taxa de swelling após a adição de cálcio, na presença e ausência de diclofenac. Paralelamente, foram também avaliadas a sinalização apoptótica, através da atividade das caspases 3, 8 e 9 e da semi-quantificação da Bax, Bcl-2, e a expressão de ANT e CycD. A atividade mitocondrial da aconitase, superóxido dismutase (Mn-SOD) e o conteúdo de grupos sulfidrilo (-SH) e malondialdeído (MDA) foram também avaliados. Só por si, o treino de endurance em TR como a atividade física voluntária em RL não promoveram alterações significativas nos parâmetros respiratórios avaliados. Porém, quando as mitocôndrias foram incubadas com Diclofenac, verificou-se uma atenuação significativa do aumento do estado 2 e 4 em ambos os grupos exercitados. Verificou-se, ainda, uma atenuação na diminuição do RCR no grupo RL para a concentração de 15μM de Diclofenac. Não se observaram diferenças entre grupos no estado 3 e no rácio ADP/O. Não se observaram diferenças no potencial máximo, nem na lag phase associada à fosforilação do ADP nos grupos estudados. Os grupos exercitados mostraram uma menor amplitude e taxa de swelling após a adição de cálcio na ausência e presença de diclofenac, o que sugere uma menor suscetibilidade à abertura do PPTM. Verificou-se um aumento da atividade de aconitase no grupo RL, mas não no grupo TR. Contrariamente, verificou-se uma diminuição do conteúdo de malondialdeído no grupo TR, sendo que o mesmo não se observou no grupo RL. O conteúdo de grupos sulfidrilo, assim como a atividade da Mn-SOD não sofreram alterações com o exercício físico. Foi observado um aumento da expressão de Bcl-2 nos grupos com TR e RL e uma diminuição da atividade da caspase-9 no grupo RL. No entanto, não foram encontradas diferenças entre grupos relativamente à expressão de Bax, CycD e no rácio Bax/Bcl-2. Os grupos TR e RL registaram uma diminuição da expressão de ANT. Os resultados obtidos parecem sugerir que quer o treino em TR quer a atividade física em RL promovem adaptações conducentes a uma maior resistência ao dano mitocondrial associado ao diclofenac. Esta resistência acrescida parece estar relacionada com uma menos suscetibilidade à indução do PPTM e a menores níveis de sinalização apoptótica.
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23,553
Caraterização molecular e funcional de variantes alfa de hemoglobina identificadas no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Hemoglobina,Hemoglobinopatias,Variantes de hemoglobina e talassémias
A hemoglobina é uma proteína tetramérica constituída por dois pares de cadeias globínicas e quatro grupos heme. A sua principal função é realizar o transporte de moléculas de oxigénio dos pulmões para os restantes tecidos do corpo humano. As hemoglobinopatias são caraterizadas pela presença de mutações nos genes globínicos. Estas mutações podem resultar na síntese de hemoglobinas com estrutura alterada (variantes de hemoglobina) ou na síntese reduzida de cadeias globínicas (talassémias). Na Unidade de Anemias Congénitas e Hematologia Molecular do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), um centro de referência para as doenças do glóbulo vermelho, identificaram-se vários indivíduos com as seguintes variantes alfa de Hb já descritas, Hb J-Paris-I, Hb Hirosaki, Hb G-Pest, Hb Toulon, Hb Setif, Hb Groene Hart, Hb Plasencia e Hb J-Camaguey. Adicionalmente identificaram-se indivíduos com variantes alfa de Hb não descritas, caraterizadas pelas seguintes mutações 40(C5)(LysAsn)(AAGAAT (1) e 104(G11)(CysArg)(TGCCGC) (2). Estas duas mutações foram designadas no laboratório por Hb HUC e Hb Iberia, respetivamente. Pelo estudo das variantes descritas, in silico, foi possível verificar o efeito das mutações na estrutura e na função da hemoglobina. Este estudo inicial ajudou a prever o efeito das variantes não descritas identificadas no laboratório. As mutações que caraterizam a Hb HUC e a Hb Ibéria ocorrem no contato 12 e no contato 11, respetivamente. A nível funcional verificou-se que a Hb HUC é uma variante estável com uma ligeira alta afinidade para o oxigénio (na presença de 2,3- difosfoglicerato) e a Hb Iberia é uma variante estável.
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23,555
Avaliação do perfil de metilação em Síndrome Mielodisplásica – Estudo comparativo entre sangue periférico e medula óssea
Síndrome Mielodisplásica,Metilação,Folato/vitaminaB12,Sangue periférico,Medula óssea
A Síndrome Mielodisplásica (SMD) consiste num grupo heterogéneo de doenças clonais da célula estaminal hematopoiética essencialmente caracterizado por displasia morfológica, citopenias periféricas com medula hipercelular, e uma hematopoiese ineficaz resultado de um excesso de apoptose e uma anormal proliferação de blastos na medula óssea. Estes doentes apresentam uma elevada probabilidade de evolução para leucemia aguda, nomeadamente para Leucemia Mieloide Aguda (LMA). A alteração que desencadeia esta doença não é conhecida, mas pensa-se que terá origem numa célula estaminal hematopoiética com elevada suscetibilidade a alterações genéticas e/ou epigenéticas que induzem alterações na proliferação, diferenciação e sobrevivência, culminando na evolução do clone maligno. Os mecanismos envolvidos na patogénese de SMD são ainda, na sua maioria desconhecidos. No entanto, sabe-se que envolvem alterações em genes fundamentais no processo hematopoiético, que regulam a maturação e proliferação celular, o ciclo celular, a reparação do ADN e a apoptose. Um dos mecanismos fortemente associado à patogénese da SMD é a metilação do ADN, que demonstrou ser responsável pelo silenciamento de genes essenciais ao funcionamento celular normal, nomeadamente de genes supressores tumorais, que se sabe estarem transcricionalmente silenciados, em consequência da metilação das suas regiões promotoras. Os padrões de metilação aberrante são mecanismos extremamente comuns nas mais variadas neoplasia humanas, nomeadamente em doenças hematológicas, e sabe-se estarem associados ao início do desenvolvimento tumoral bem como na sua progressão. Os grupos metilos necessários ao processo de metilação podem ter origem em vias metabólicas que envolvem produtos da dieta, nomeadamente o folato e a vitamina B12. Estas vitaminas são elementos chave no metabolismo do carbono, responsável não só pela produção de moléculas necessárias para a síntese e reparação do ADN, mas também pela manutenção dos níveis de S-adenosilmetionina (SAM), o principal dador de grupos metilo endógeno na maioria das reações de metilação, incluído a metilação do ADN.A avaliação do perfil de metilação de ADN pode ser efetuada em diferentes tipos de amostras biológicas, nomeadamente em sangue periférico, medula óssea e tecido tumoral. A utilização de amostras de sangue periférico poderá constituir uma forma nãoinvasiva de análise de marcadores tumorais com elevado potencial clínico, nomeadamente na avaliação do tratamento com agentes hipometilantes. Apesar da avaliação do perfil de metilação em leucócitos do sangue periférico já ser utilizado como marcador tumoral em alguns tumores sólidos, como no cancro colorectal, o seu significado clínico em neoplasias hematológicas permanece desconhecido. Os objetivos deste trabalho foram avaliar o perfil de metilação de genes supressores tumorais e de recetores de morte em amostras de sangue periférico e de medula óssea de doentes com SMD, relacionando-os com os subtipos e com os grupos de risco. Além disso, avaliámos o envolvimento do folato e da vitamina B12 na metilação do ADN, correlacionando-os com os dados obtidos. Para tal, analisamos o perfil de metilação de genes supressores tumorais (p15, p16, p53, DAPK e MGMT) e de recetores de morte (TRAIL DcR1, TRAIL DcR2, TRAIL DR4 e TRAIL DR5) em ADN genómico de amostras de sangue periférico (SP) e de medula óssea (MO) de 82 doentes com SMD de novo, colhidas aquando do diagnóstico, e de 14 controlos não neoplásicos. A análise foi efetuada após a modificação do ADN genómico pelo método do bissulfito, utilizado a Polymerase Chain Reaction (PCR) especifica de metilação (MS-PCR). Os doentes apresentam uma mediana de idade de 76 anos (22-92), com um ratio Masculino/Feminino de 40/42. Os subtipos segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) são CRDU (n=10), ARSA/CRDM-SA (n=8), CRDU (n=41), AREB-1 (n=5), AREB-2 (n=9), SMD/NMP (n=8) e 5q- (n=1). De acordo com o International Prognostic Scoring System (IPSS) são: baixo (n=12), intermédio-1 (n=42) e intermédio-2 (n=9). Os nossos resultados indicam que 88,6% das amostras de SP e 61,5% das amostras de MO dos doentes com SMD apresentam metilação do gene p15, e que 22,7% das amostras de SP e 21,8% das de MO apresentam metilação do gene p16. O gene DAPK encontra-se metilado em 59,1% das amostras de SP e em 66% das amostras de MO. Os genes TRAIL DcR1 e TRAIL DcR2 apresentam metilação em 11,4% e 18,2% das amostras de SP, e em 8% e 16% das amostras de MO, respetivamente. O gene TRAIL DR4 apresenta-se metilado em 15,9% das amostras de SP e em 24% das de MO. X Por último, 29,5% das amostras de SP e 28% das amostras de MO apresentam metilação do gene TRAIL DR5. Nenhuma das amostras de doentes ou controlos apresentou metilação dos genes p53 e MGMT. De um modo geral, observa-se que 97,7% e 83,3% das amostras de SP e de MO dos doentes, respetivamente, apresentam metilação de pelo menos um gene, e 79,5% e 56,4% apresentam mais de dois genes metilados. Além disso, a metilação dos genes estudados apresentam percentagens elevadas de concordância entre amostras de SP e MO (p15: 72,5%, p16: 77,5%, DAPK: 67,5%, TRAIL DcR1: 85%, TRAIL DcR2: 65%, TRAIL DR4: 62,5%), à exceção do gene TRAIL DR5 (40%). No entanto, apenas os genes DAPK e TRAIL DR5 apresentam resultados significativos (p= 0,04 e p=0,031). Todos os subtipos de SMD apresentam metilação dos vários genes. A metilação do gene p16 encontra-se maioritariamente nos subtipos mais avançados (AREB-1 e AREB-2). Os genes p15 e DAPK encontram-se metilados em todos os subtipos, verificando-se tendência para diminuição muito ligeira com a severidade da doença. A metilação dos genes que codificam os recetores de morte é também comum a todos os subtipos, à exceção do gene TRAIL DR4 cuja metilação foi apenas observada em doentes dos subtipos menos agressivos (CDRU, ARSA e CRDM). Nos grupos do IPSS, verificamos haver metilação em todos os grupos de risco, no entanto, os grupos de risco baixo e intermédio parecem apresentar frequências de metilação ligeiramente superiores às do grupo intermédio-2. A metilação dos genes varia de acordo com os níveis de folato e de vitamina B12, sendo que, de uma forma geral, os doentes com concentrações séricas de folato e de vitamina B12 de altas a elevadas apresentam maiores frequências de metilação. No entanto, este padrão varia entre os vários genes, e com o tipo de amostra em que a metilação foi analisada. Os níveis de 5-metilcitosina (5-mC) são superiores em doentes com SMD (8,4 ± 4,9) (%) quando comparados aos controlos (1,4 ± 0,518). Os níveis de 5-mC variam com a concentração de folato, sendo que diminuem com o aumento da concentração do folato. No entanto, não se verificou uma relação direta entre os níveis de 5-mC e as concentrações de vitamina B12, uma vez que os níveis de 5mC não variam muito nos três grupos de doentes. Assim, concluímos que a metilação aberrante é um evento bastante comum nos doentes com Síndrome Mielodisplásica e pode estar relacionada com os subtipos da doença e com os grupos de risco do IPSS, confirmando o papel da metilação do ADN na patogénese desta doença. Os níveis séricos de folato e de vitamina B12 parecem estar relacionados com o perfil de metilação dos genes estudados, bem como com os níveis de 5-metilcitosina observados nos doentes com SMD. Além disso, existe uma correlação dos padrões de metilação dos vários genes entre as amostras de sangue periférico e as amostras de medula óssea dos doentes com SMD, sugerindo que o sangue periférico poderá eventualmente constituir um marcador periférico do status de metilação em doentes com SMD.
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23,558
Estudo da frequência dos carateres discretos do esterno e costelas numa amostra populacional portuguesa
Carateres discretos,Esterno,Costelas,Tomografia computorizada,Amostra população portuguesa,Antropologia forense,Identificação
Os ossos são o material mais resistente do corpo humano e têm a capacidade de manter o registo de episódios ocorridos antemortem, perimortem e postmortem. Em muitos casos de antropologia forense, a avaliação do perfil biológico (idade, sexo, ancestralidade, e estatura) não é suficiente para se conseguir uma identificação positiva, uma vez que vários indivíduos podem partilhar o mesmo perfil, sendo por isso necessário recorrer a fatores de identidade e individualização. O recurso a carateres nãométricos pode ser uma ferramenta útil na identificação e individualização de indivíduos, sendo o objetivo primordial deste estudo conhecer o potencial de determinados carateres discretos axiais como fator de identidade. Para alcançar os objetivos avaliou-se a frequência de carateres discretos do esterno (foramen xifóide, foramen esternal e terminação do processo xifóide) e costelas (costela bífida e ausência da 12ª costela) numa amostra populacional portuguesa, com 100 imagens de tomografias axiais computadorizadas (TAC's) de indivíduos com idade entre os 15 e 60 anos e numa coleção de esqueletos identificada (CEI) do século XXI com indivíduos que registam uma idade à morte que varia de 33 a 99 anos. Todas os exames computadorizados foram analisados em imagens MIP e 3D, já coleção foi objeto de uma avaliação macroscópica. Das 100 imagens computadorizadas, as frequências das variações esternais e costais foram as seguintes: foramen xifóide com 11,9%, foramen esternal com 4%, terminação simples do xifóide com 84%, terminação dupla com 15,8%, não havendo registos para a terminação tripla e ausência de xifóide, costela bífida com 1% e ausência da 12ª costela com 6,9%. Já na CEI/XXI as frequências foram: foramen xifóide com 5,7%, foramen esternal com 7,6%, terminação simples do xifóide com 22,7%, terminação dupla com 11,3%, ausência de xifóide com 66% não havendo registos para a terminação tripla, costela bífida com 2,7% e ausência da 12ª costela com 39,2%. Nenhum carater se encontra associado com sexo ou idade. A comparação entre as duas amostras revela resultados distintos em alguns carateres nomeadamente na ausência do processo xifóide e na 12ª costela, podendo este resultado estar influenciado pela recuperação incompleta durante a exumação das peças osteológicas. Para fins de identificação em antropologia forense as imagens de TAC fornecem resultados mais fiáveis que os resultados apresentados pela CEI.
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23,563
Potencial efeito terapêutico da piridoxamina na disfunção endotelial macrovascular na diabetes tipo 2
Diabetes tipo 2,Doenças macrovasculares,Disfunção endotelial,Glicação,Piridoxamina
A diabetes tipo 2 é uma patologia complexa que apresentou uma crescente prevalência nas últimas décadas e está associada a doenças vasculares. As doenças macrovasculares representam actualmente a principal causa de mortalidade na diabetes tipo 2. A disfunção endotelial, caracterizada genericamente pela reduzida disponibilidade de óxido nítrico (NO), é uma condição que precede o desenvolvimento de lesões sintomáticas e como tal, um marcador precoce de doença macrovascular. A hiperglicemia, dislipidemia, stress oxidativo, insulino- -resistência estão na génese do desenvolvimento de doenças macrovasculares. Assim como a acumulação e a formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs) devido à hiperglicemia prolongada. Com o aumento da compreensão patológica subjacente à disfunção endotelial, novas abordagens terapêuticas estão a ser alvo de estudo, como é o caso da piridoxamina. A descoberta de que a piridoxamina pode inibir reacções de glicação e consequentemente a formação de AGEs, estimulou o interesse por este composto, numa perspectiva de potencial agente farmacológico no tratamento de doenças vasculares associadas à diabetes. No entanto, a sua potencial acção farmacológica ao nível macrovascular permanece ainda por esclarecer. Assim, este estudo teve como principal objectivo investigar o potencial efeito farmacológico da piridoxamina nos marcadores de função endotelial, stress oxidativo e glicação, num modelo animal de diabetes tipo 2, os ratos Goto-kakizaki (GK) e no respectivo modelo animal não diabético, os ratos Wistar (W). Para tal, os ratos W e GK com 6 meses de idade foram sujeitos ao tratamento com piridoxamina durante 4 semanas. Os efeitos da piridoxamina foram investigados no relaxamento vascular dependente e independente do endotélio em segmentos de artéria aorta dos diferentes grupos. O perfil metabólico, a acumulação de Nε-carboximetil lisina (CML), a expressão do receptor para AGEs (RAGE), a actividade da enzima óxido nítrico sintetase endotelial (eNOS), os níveis de stress oxidativo, a integridade da via de sinalização cGMP/NO e os parâmetros da função renal foram avaliados. Previamente demonstrou-se que os ratos GK apresentavam uma disfunção endotelial, elevados níveis de stress oxidativo e de CML e alterações na via de sinalização do cGMP/NO (Sena et al, 2011). Neste estudo verificou-se que o tratamento com piridoxamina diminuiu os níveis de triglicerídeos e os níveis de stress oxidativo nos diferentes grupos de estudos. Por outro lado, nos ratos diabético a piridoxamina melhorou o vasorelaxamento dependente do endotélio VIII e aumentou a sensibilidade no vasorelaxamento independente do endotélio. Para além disso, verificou-se que a piridoxamina reduziu os níveis de CML nos ratos GK tratados que foi acompanhada pela diminuição da expressão dos níveis de RAGE nos segmentos da artéria aorta. A via de sinalização do cGMP/NO nos ratos GK tratados com piridoxamina é revertida o que por si só explica os resultados positivos observados no vasorelaxamento dependente do endotélio nos ratos GK tratados. Este estudo, permite concluir que a piridoxamina reestabelece a função endotelial e melhora significativamente os níveis de glicação e de stress oxidativo e reduz a dislipidemia nos ratos GK tratados. A piridoxamina pode assim, vir a ser considerada como uma terapêutica adicional no tratamento da disfunção endotelial macrovascular na diabetes tipo2
Ciências Exactas e Naturais
23,566
Estratificação vertical das comunidades microbianas da zona mesopelágica, no Atlântico Norte (38º64.90N, 28º31.45W), determinada por pirosequenciação do 16S DNAr
Zona mesopelágica,Diversidade microbiana,DGGE,Pirosequenciação,RubisCO,Ciclo de Calvin-Benson-Bassham,gene cbbL
Pretendeu-se determinar e comparar a diversidade microbiana num ambiente marinho de alto mar a diferentes profundidades, na zona mesopelágica, no Atlântico Norte mais propriamente num spot com as coordenadas (38º64.90N, 28º31.45W). Para tal, foram recolhidas amostras de água do mar a três diferentes profundidades na zona mesopelágica (255m, 532m e 809m). A diversidade microbiana presente nas diferentes amostras foi determinada por análise das sequências do gene que codifica a subunidade 16S do RNA ribossomal - gene 16S RNAr dos domínios Bacteria e Archaea obtidas por pirosequenciação. A diversidade microbiana foi também comparada nas diferentes amostras através de análise visual por DGGE. A presença dos genes cbbL e cbbM que codificam a forma I e II de RubisCO, respectivamente, enzima “chave” da via de fixação de CO2 do ciclo de Calvin- Benson- Bassham (CBB), foi também determinada nas amostras recolhidas a diferentes profundidades. As populações que parecem constituir a esmagadora maioria da comunidade bacteriana na zona mesopelágica estudada estavam filogeneticamente afiliadas com a Classe Alphaproteobacteria, muito frequentes em ecossistemas marinhos, nomeadamente bactérias pertencentes ao grupo geralmente designado por Roseobacter que incluem, entre outras, as bactérias da família Rhodobacteraceae. E mais, a análise por pirosequenciação mostrou estratificação vertical atendendo aos resultados verificados para as OTUs: 1, 2, 3, 6, 8, e 10 que compreendiam os géneros Sulfitobacter, Hyphomonas, Erythrobacter. Em relação ao Domínio Archaea, a análise por pirosequenciação mostrou que a maioria das populações estavam filogeneticamente afiliadas com o Filo Euryarchaeota. Em toda a zona mesopelágica apenas as sequências que codificam a forma I de RubisCO foram detectadas, formando um cluster com vários “phylotypes” muito similares. Pelos resultados obtidos, foi possível concluir que a zona mesopelágica, de facto, não será seguramente a zona oceânica onde a produção primária, terá a relevância fundamental na sustentabilidade dos ecossistemas marinhos. Tudo parece indicar que nesta zona existem populações microbianas diversas que asseguram funções diversificadas no ecossistema.
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23,568
Potencial terapêutico de siRNA anti-FL T3 em neoplasias hematológicas
Receptor Flt3,siRNA,Leucemia Mielóide Aguda,Leucemia Mielóide Crónica,Fármacos anticancerígenos convencionais,Inibidores do proteasoma,Inibidores da farnesiltransferase
O cancro, apesar dos progressos conseguidos na sua profilaxia e tratamento, é ainda o responsável por um número elevado de mortes, nomeadamente no mundo ocidental. É uma doença multifactorial em que os genes possuem um papel fundamental. Estes, quando modificados, estimulados ou desreprimidos conferem à célula um fenótipo particular e conduzem ao crescimento desregulado e anárquico e/ou à resistência apoptose. De facto, o desenvolvimento de tumores humanos está associado a alterações genéticas e epigenéticas que determinam um perfil anormal da expressão génica a qual influencia o crescimento, a diferenciação e a morte celular. O receptor Flt3 ("FMS-like tyrosine kinase 3") é um exemplo de um receptor tirosina-cinase (RTK) da família dos RTK tipo III que desempenha uma função importante na sobrevivência, proliferação e diferenciação das células do sistema hematopoiético. A activação constitutiva do receptor Flt3 tem sido descrita em neoplasias hematológicas, conferindo pior prognóstico a estas doenças. É sabido que em cerca de 30% dos casos de Leucemia Mielóide Aguda (LMA) e 3 a 5% dos casos de Leucemia Mielóide Crónica (LMC), o receptor FLT3 encontra-se mutado (mutação pontual D835 e/ou internas em tandem, ITD), levando à activação constitutiva do mesmo, o que leva à proliferação descontrolada das células, bem como à diminuição da apoptose. O conhecimento dos mecanismos moleculares envolvidos nas neoplasias hematológicas tem permitido o desenvolvimento de novos fármacos dirigidos a alvos moleculares, os quais apresentam maior especificidade para a célula tumoral e portanto menor toxicidade. Entre estes é de salientar os inibidores da farnesiltransferase (IFTs), do proteasoma (IPs) e de tirosina-cinases (ITKs) como o Flt3. Uma vez que o receptor Flt3 tem um papel preponderante na LMA e LMC, o silenciamento de genes pode também ser uma potencial abordagem terapêutica nestas neoplasias. Neste sentido, o RNA de interferência (RNAi) é frequentemente utilizado como ferramenta de pesquisa do controlo da expressão de genes específicos, possuindo também, potencialidade terapêutica em inúmeras doenças, nomeadamente em doenças oncológicas. Este trabalho teve como objectivo analisar o potencial terapêutico de um siRNA anti-FLT3 em neoplasias hematológicas, nomeadamente na leucemia mielóide crónica (LMC) e na leucemia mielóide aguda (LMA), em monoterapia e em associação com fármacos anticancerígenos convencionais ou com novos fármacos dirigidos a alvos XIV moleculares. Procurou-se também correlacionar o potencial terapêutico desta estratégia com a presença ou ausência de mutações no gene FLT3. Para o efeito foram utilizadas duas linhas celulares de leucemias mielóides, as células HL-60 (Leucemia Promielocítica Aguda, um subtipo da LMA), e as células K562 (Leucemia Mielóide Crónica em crise blástica). As células foram transfectadas com um siRNA anti-FLT3 isoladamente e em associação com um inibidor do proteasoma, MG-262, um inibidor da farnesiltransferase, L-744,832, e com os fármacos anticancerígenos convencionais, ATRA e Imatinib, nas células HL-60 e K562 respectivamente. Para aumentar a eficácia da transfecção os siRNA anti-FLT3 foram entregues às células utilizando como veículo de transporte um agente de transfecção de base lipídica. Os resultados obtidos mostram que as células HL-60 e K562 não apresentam qualquer tipo de mutação no receptor FLT3. No entanto, verifica-se que o siRNA anti-FLT3 induz, nas células HL-60, diminuição da viabilidade celular, e morte celular por apoptose. Para além deste efeito citotóxico, o siRNA anti-FLT3 induz também, efeito citostático, observando-se após o tratamento diminuição da proliferação celular a qual é acompanhada por ligeira diminuição da expressão da ciclina D1. Nas células K562 observa-se também diminuição da viabilidade celular e aumento da morte celular por apoptose e necrose após o tratamento com o siRNA anti-FLT3. No entanto, nestas células não se verifica qualquer diminuição da proliferação celular. Além disso, após o tratamento com o siRNA anti-FLT3 observou-se diminuição da expressão do receptor em ambas as linhas celulares, demonstrando a eficácia do siRNA utilizado. Por outro lado, o siRNA anti-FLT3 não apresenta qualquer efeito sinergístico quando em associação com o ATRA nas células HL-60. No entanto, nas células K562 o efeito do Imatinib é potenciado quando em associação com o siRNA anti-FLT3. Os resultados evidenciam também que, a associação do siRNA anti-FLT3 com o MG-262 possui efeitos sinergísticos estatisticamente significativos apenas nas células HL-60, observando-se aumento do efeito citotóxico evidenciado pelo aumento da morte celular por apoptose e necrose. Por outro lado, a associação do siRNA anti-FLT3 com o L-744,832 nas células HL-60 e K562, não se mostrou eficaz, uma vez que não se verificou potenciação dos efeitos citotóxicos e/ou citostáticos. XV Embora a presença de mutação no receptor FLT3 seja um factor de pior prognóstico na LMA e LMC em crise blástica, este estudo sugere que a inibição do FLT3 pelo siRNA poderá constituir uma nova abordagem terapêutica nestes doentes mesmo na ausência de qualquer tipo de mutação neste receptor. A associação desta estratégia com fármacos já utilizados na clínica, como o imatinib, ou novos inibidores proteicos específicos, como os que interferem com o proteasoma, revelou-se também promissora. Desta forma a combinação destas terapias poderá ser uma mais-valia no tratamento destas neoplasias, as quais são caracterizadas por uma complexidade de eventos intracelulares, onde múltiplas vias estão comprometidas. O sucesso desta aplicação está também relacionado com o desenvolvimento de vectores de transporte do siRNA mais eficientes, os quais tenham aplicabilidade clínica.
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23,574
Avaliação molecular dos mecanismos envolvidos na sensibilidade e resistência ao Imatinib independente do BCR-ABL em leucemia mielóide crónicas
Leucemia mielóide crónica,Imatinib,Transportadores de influxo e Efluxo,Novos fármacos dirigidos a alvos moleculares,Moduladores de glicoproteína-P
A Leucemia mielóide crónica (LMC) é uma doença clonal mieloproliferativa que se caracteriza pela presença do gene fusão BCR-ABL. Este gene codifica o alvo terapêutico desta patologia, a oncoproteína BCR-ABL que possui actividade tirosina cinase desregulada. O tratamento de primeira linha em LMC é um inibidor tirosina cinase, o Imatinib, que bloqueia especificamente a actividade da oncoproteína BCR-ABL. Contudo, apesar dos bons resultados obtidos com esta terapêutica são conhecidos casos de resistência, cujos mecanismos moleculares podem ser mediados por múltiplas vias. Além das mutações no gene BCR-ABL, a resistência ao Imatinib pode resultar de alterações nos transportadores de influxo e efluxo, condicionando assim a concentração de fármaco acumulado no interior das células. Além destes factores, a oncoproteína BCR-ABL tem a capacidade de activar múltiplas vias de sinalização celular, que são particularmente responsáveis pelo aumento da capacidade de proliferação e pela resistência à apoptose. Assim, o conhecimento sobre os mecanismos moleculares envolvidos em todo este processo possibilitará o uso de novos fármacos na LMC. Os objectivos deste trabalho foram avaliar os mecanismos envolvidos na resistência ao Imatinib, em particular o envolvimento dos transportadores de influxo, OCT1 e OCTN2, e de efluxo, P-gP e de BCRP, e o potencial terapêutico do L-744,832 (inibidor da farnesiltransferase), do Everolimus (inibidor do mTOR) e da Reversina 205 (inibidor da P-gP) na modulação da resistência, num modelo in vitro de LMC. Para tal, foi utilizada a linha celular K562, a partir da qual foram geradas duas sublinhas resistentes ao Imatinib, as células K562 RC e K562 RD. Os níveis de expressão dos transportadores membranares, nomeadamente do OCT1, do OCTN2, da P-gP e do BCRP, foram determinados por citometria de fluxo recorrendo a anticorpos marcados com sondas fluorescentes. Através de ensaios de cinética com radiofármacos foi avaliada a actividade funcional da P-gP. De forma a avaliar os efeitos dos diversos fármacos na viabilidade celular, recorreu-se ao ensaio metabólico com resazurina, após as várias Resumo | IV linhas celulares terem sido incubadas na ausência e na presença dos compostos. A morte celular foi avaliada por microscopia óptica (coloração de May-Grünwald-Giemsa), por citometria de fluxo com a dupla marcação anexina V e iodeto de propídeo e pela avaliação dos níveis de expressão de proteínas envolvidas nos processos de morte celular, como a BAX, FAS e as caspases. Nas células resistentes observou-se diminuição dos níveis de expressão de OCT1 e OCNT2, acompanhados por aumento da expressão de P-gP e BCRP comparativamente com as células sensíveis, K562, sugerindo uma contribuição destes transportadores na resistência ao Imatinib. Além disso, e concordante com o resultado anterior, verificou-se uma diminuição na percentagem de captação do radiofármaco em relação ao observado na linha celular sensível. Os ensaios com o L-744,832, o Everolimus e com a Reversina 205, evidenciaram que estes compostos, em monoterapia, têm um efeito maioritariamente citotóxico quer na linha sensível quer nas resistentes, induzindo morte celular preferencialmente por apoptose. Estes resultados foram confirmados tanto pela microscopia óptica (características morfológicas de apoptose) como pelos níveis de expressão de moléculas mediadoras da apoptose. Adicionalmente, a associação entre os diversos fármacos e o Imatinib revelou um efeito sinergístico, o que sugere que estas associações além de benéficas pela redução da toxicidade dos fármacos, poderão ser úteis para ultrapassar a resistência ao Imatinib. Por outro lado, a Reversina 205 mostrou-se útil na modulação da resistência ao Imatinib, tendo-se observado re-sensibilização das células para este inibidor de tirosina cinase. Em conclusão, os resultados sugerem o envolvimento dos transportadores de influxo e efluxo na aquisição de resistência ao Imatinib, sendo possível re-sensibilizar as células resistentes pela administração simultânea de Imatinib e Reversina 205. Adicionalmente, conclui-se que a utilização de outros inibidores da via de sinalização celular a jusante à da oncoproteína poderá vir a ser uma nova abordagem terapêutica no tratamento de LMC.
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23,588
Estudo de marcadores bialélicos (SNPS) do cromossoma Y numa população africana (Angola)
Cromossoma Y,SNP,Angola,Ovimbundu,Mbundu,Bakongo
O estudo do cromossoma Y permite definir as linhagens paternas de um indivíduo ou populações. Neste estudo foram analisados polimorfismos do cromossoma Y, nomeadamente marcadores bialélicos ou SNPs (Single Nucleotide Polymorphisms), caracterizados como um evento mutacional único. A análise destes polimorfismos permite a atribuição de linhagens, definindo assim os haplogrupos característicos de uma população. A informação resultante desta análise permite inferir quanto à origem de uma população, revelando ser essencial em estudos de genética populacional e de grande importância em genética forense. A grande vantagem destes marcadores bialélicos deve-se ao facto de resultarem em produtos de amplificação bastante reduzidos (50pb ou menos), revelando ser muito úteis na análise de amostras de ADN degradadas. Neste estudo foram utilizadas amostras de indivíduos não aparentados de uma população angolana de três diferentes etnias (Ovimbundo, Mbundu e Bakongo). Tendo em conta a origem geográfica da população, foi adoptada uma estratégia hierárquica para definir os haplogrupos das amostras (Karafet et al. 2008). As amostras foram extraídas segundo o método de Chelex® 100 (Walsh et al. 1991) e caracterizadas para o sistema Multiplex E (P2, M154, M293, M81, M85, M78, M35, M96, V6, M191, M33, M123, M2) (Gomes et al. 2010) pelo método de minisequenciação com o kit Snapshot, da Applied Biosystems. Foi ainda necessário recorrer a outros sistemas para caracterizar amostras que não se enquadravam no haplogrupo E (Multiplex 1 e Multiplex B) (Gomes et al. 2010; Brion et al. 2005). A detecção foi realizada no ABI PRISM ® 310 Genetic Analyzer. Após análise dos resultados observou-se que grande parte das amostras se enquadrava no haplogrupo E (E1b1a * (xE1b1a4, 7)), característico das populações do centro e da costa ocidental subsariana de África. Algumas amostras foram definidas para haplogrupo R, presente principalmente em populações europeias. Este facto poderá ser explicado como resultado de eventos demográficos, como a colonização africana por populações europeias. Este trabalho teve como objectivo caracterizar uma população de Angola, nomeadamente as três principais etnias, definindo os haplogrupos presentes nesta população, para posterior aplicação à genética forense.
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23,592
Etiologia das toxicodependências no sexo masculino : pesquisa de factores genéticos
Toxicodependência,Drogas lícitas e ilícitas,Genética,Sistema de Recompensa,Genes SLC6A3,SLC6A4,SLC6A2
O aumento da prevalência da toxicodependência a nível mundial tem vindo a revelar-se cada vez mais preocupante para a sociedade e para o próprio individuo. Esta representa um grave problema social, quer pelas suas consequências ao nível de saúde pública quer pela criminalidade associada. A toxicodependência traduz-se basicamente numa dependência física e psicológica resultante do consumo excessivo e repetido de substâncias lícitas ou ilícitas. Estudos de epidemiologia genética demostram que a componente genética contribui para o desenvolvimento da dependência da nicotina, álcool e drogas, com uma hereditariedade estimada entre 50% a 60%. O sistema de recompensa, nomeadamente os sistemas dopaminérgico, serotoninérgico e noradrenérgico têm sido implicados na etiopatogenia das toxicodependências. Contudo, o papel dos polimorfismos VNTR 40 pb no gene SLC6A3, 5-HTTLPR no gene SLC6A4 e o polimorfismo G1287A no gene SLC6A2, na etiologia das toxicodependências permanece por esclarecer, particularmente na população portuguesa. Assim, face à grande heterogeneidade clínica e genética que caracteriza as toxicodependências pretende-se investigar uma eventual associação entre os genes mencionados e as toxicodependências na população portuguesa, numa amostra de doentes alcoólicos do sexo masculino com e sem historial de drogas lícitas ou ilícitas. Em relação ao polimorfismo VNTR de 40 pb do gene SLC6A3, os resultados obtidos revelaram associação quer para o alcoolismo (Χ2 = 11,308; df= 3; p= 0,013) quer para a dependência de drogas ilícitas (Χ2= 7,456; df= 2; p= 0,024). Por outro lado não foi detetada associação entre o gene SLC6A3 e a dependência tabágica. No seu conjunto, os resultados obtidos parecem sugerir que o gene SLC6A3 desempenha um papel importante na etiologia do alcoolismo e das dependências de drogas ilícitas. Com o intuito de identificar genes de susceptibilidade, investigou-se também o polimorfismo 5-HTTLPR do gene SLC6A4 na etiologia das dependências a drogas ilícitas e licitas, e os resultados obtidos não revelaram associação quer para o alcoolismo quer para a dependência a drogas ilícitas. Contudo, uma associação entre o polimorfismo 5-HTTLPR do gene SLC6A4 e a dependência tabágica foi obtida (Χ2= 7,390; df =2; p= 0,025), sugerindo que o polimorfismo 5-HTTLPR poderá eventualmente ser um fator de risco para a dependência tabágica na população portuguesa. Em relação ao gene SLC6A2, a análise estatística revelou diferenças estatisticamente significativas entre a amostra de doentes alcoólicos versus a amostra de controlos para a distribuição genotípica (Χ2= 15,609; df= 2; p= 0,000); entre a amostra de doentes alcoólicos com e sem historial de tabagismo, para a distribuição genotípica (Χ2= 40,094; df= 2; p= 0,000) e para a distribuição alélica (Χ2= 10,575; df= 1; p= 0,001). Resultados negativos, quer para o genótipo, quer para o alelo foram obtidos para a análise referente a dependência de drogas ilícitas. Os resultados obtidos permitem inferir que o polimorfismo G1287A desempenha um papel minor na etiologia quer do alcoolismo quer da dependência tabágica na população portuguesa. A investigação desenvolvida permitiu identificar fatores de susceptibilidade genética para a etiologia das toxicodependências, contributo este que poderá ter repercussões quer ao nível da prevenção e identificação de indivíduos em risco, permitindo desta forma a diminuição de vítimas de toxicodependência.
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23,596
Micropropagação de clones híbridos de Castanea sativa x C. crenata e C. sativa x C. mollissima para posterior estudos de resistência a Phytophthora cinamomi
Castanheiro,Enraizamento,Meios de cultura,Aclimatização
A Castanea sativa é uma espécie economicamente relevante para os países europeus, pela produção de madeira e fruto. No entanto a sua produção tem vindo a reduzir devido a suscetibilidade a determinados fungos. Medidas mitigadoras foram implementadas em 1945. Em 1957 iniciou-se o melhoramento genético através da hibridação com C. crenata. Em 2006 foram estabelecidos cruzamentos entre C. sativa x C. crenata e C. sativa x C. molíssima . O trabalho experimental desta tese teve como objetivo de micropropagação de 44 clones híbridos desses cruzamentos. Na fase de estabelecimento e multiplicação onde foram testados macronutrientes dos diferentes meios de cultura: Murashige&Skoog (MS); MS com macronutrientes reduzidos a metade (MS/2); Greshoff and Doy (GD); e Fossard (FS). Aos meios testados foram adicionados micronutrientes de Murashige and Skoog, vitaminas de Fossard e 0,087M de açúcar. Foi testada a adição de benzilaminopurina (BAP) nas concentrações: 0,45; 0,89 e 2,22 μM. No enraizamento e aclimatização testaram-se os seguintes métodos: 1) ex vitro – indução de enraizamento é por “Dipping”(imersão da base do rebento) (4,9 mM IBA; durante 15’’) em simultâneo com aclimatização; 2) in vitro two steps – indução de enraizamento in vitro em meio de cultura Knop (14,8 μM IBA; durante 7 dias), com posterior transferência para o mesmo meio base Knop adicionado CA 1% (durante 30 dias); 3) in vitro dipping – indução de enraizamento in vitro por “Dipping” (4,9 mM IBA; durante 15’’), com posterior transferência para o mesmo meio base Knop adicionado CA 1% (durante 30 dias). A aclimatização foi realizada em caixas de polietileno de plástico transparente contendo perlite. Após quatro semanas as plantas foram transferidas para vasos. Os melhores resultados observados durante a fase de estabelecimento foram obtidos com BAP 0,89μM. De 44 clones híbridos foram estabelecidos 30 clones. Os meios FS e MS/2 com BAP 0,45μM mostraram melhores resultados na fase de multiplicação. A formação de callus, vitrificação e clorose mostraram ser consequências do fator genótipo Clone. O enraizamento ex vitro em simultâneo com a aclimatização mostrou ser o mais eficaz dos procedimentos.
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23,601
Biomarcadores em tumores das células germinativas
Tumores células germinativas,Anticorpos,Epitélio respiratório,Epitélio intestinal,Epiderme
Os TCG (tumores de células germinativas), tal como o nome indica, são originários de células germinativas primordiais, células que darão mais tarde origem aos espermatozoides nos homens e aos oócitos nas mulheres. As células germinais migram para as gónadas, mas podem ocorrer erros, e adquirirem localização extra-gonadal. A incidência de tumores de células germinativas está bem determinada, tanto no ovário como nos testículos, sendo a sua etiologia conhecida. No entanto, podem também ocorrer em localizações incorretas como é o caso do mediastino (corresponde ao espaço compreendido entre os dois pulmões, delimitado pela pleura mediastinal). O objetivo principal deste trabalho consistiu em estudar a morfologia destes tumores com recurso a imunohistoquímica, com diferentes e variados marcadores relacionados com a maturação e organogénese do embrião humano. Com a metodologia referida tentámos também estabelecer linhagens celulares no desenvolvimento tumoral, considerando as potencialidades das células durante o desenvolvimento embrionário dos seres Humanos. Como principais conclusões verificámos que o Oct3/4 (marcador de células pluripotentes) é diferente nos TCG seminomas e carcinomas embrionários (marcação nuclear no seminoma e nuclear e citoplasmática no carcinoma embrionário). A LP34 (citoqueratinas 5, 6 e 18), a Ck7 (citoqueratinas 7) e o TTF1 (marcador pulmonar) permitiram recapitular o desenvolvimento do aparelho respiratório, sabendo que há coincidência embrionária com o CDX2 considerando este marcador intestinal. E por fim, verificámos que o Nanog (marcador de células pluripotentes) só marca TCG muito indiferenciados, correspondendo assim a um marcador de células pluripotentes, o que nos permite pensar que a proteína Nanog se encontra expressa num estádio muito precoce do desenvolvimento embrionário dos indivíduos. O mesmo acontece com a vimentina que é expressa em TCG muito indiferenciados e deixa de ser expressa quando começa a organogénese. A vimentina é um marcador importante porque em tumores/carcinomas pouco diferenciados volta a estar expressa. O painel de anticorpos selecionado visou assim caracterizar a evolução de tecidos imaturos para tecidos maduros. Pudemos perceber a linhagem celular sob a qual diferentes tumores/carcinomas podem ser classificados, de acordo com os anticorpos específicos de células/tecidos adultos e/ou ainda através da marcação com anticorpos que caraterizam as células pluripotentes.
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23,605
Ensinar biologia e geologia nos jardins e praças de Coimbra
Actividades de exterior,Modelo de Orion,rochas sedimentares,Sistemática dos seres vivos,trabalho de campo
O trabalho de campo é uma actividade de ensino realizada no exterior, decorrendo nos locais onde é possível aplicar e aprofundar os conhecimentos construídos na sala de aula. Embora as actividades de exterior sejam sugeridas nas orientações programáticas como estratégia a utilizar na disciplina de Biologia e Geologia, verifica-se que, frequentemente, os professores que leccionam a disciplina evitam realizá-las, apontando dificuldades organizacionais e logísticas como factores desmotivadores da sua implementação. Neste trabalho pretendeu-se avaliar a importância das actividades de exterior como estratégia facilitadora da aprendizagem de temas de Biologia e de Geologia. O estudo foi efectuado numa escola pública localizada junto ao centro histórico de uma cidade da região centro do país e participaram 35 alunos de duas turmas do 11º ano de escolaridade, do curso científico – humanístico de Ciências e Tecnologias. Durante a leccionação dos temas “Sistemática dos vivos” e “Rochas sedimentares” realizaram-se aulas de campo, planificadas com base num modelo construtivista. A avaliação do trabalho de campo fez-se com base em dados qualitativos obtidos a partir de diversos instrumentos de avaliação: testes diagnósticos e sumativos, cadernos de campo, grelhas de observação e questionários. Concluiu-se que as actividades de exterior implementadas contribuíram para uma leccionação mais dinâmica da sistemática dos seres vivos e das rochas sedimentares. Além disso, foram estratégias motivadoras para o estudo destes conteúdos, contribuindo também para o desenvolvimento de aprendizagens significativas e de atitudes positivas.
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23,606
Papel do ATP na infeção de Macrófagos por Candida albicans
Candida albicans,Macrófagos,ATP
As taxas de morbilidade e mortalidade provocadas por infeções fúngicas têm aumentado nas últimas décadas, constituindo um grave problema de saúde pública. Candida albicans é a espécie mais comumente identificada como sendo responsável por este tipo de infeções e, embora faça parte da flora normal do Homem, pode tornar-se patogénico em indivíduos com o sistema imunitário comprometido. As células fagocíticas profissionais têm um papel crucial na resposta a estas infeções, nas quais destacamos os macrófagos. Estes, em resposta à presença de microrganismos patogénicos, iniciam diversos mecanismos de maneira a controlar este tipo de infeções, sendo que o ATP e os seus metabolitos, nomeadamente a adenosina, desempenham um papel importante na regulação desta resposta que é mediada por recetores específicos para o ATP e adenosina. Assim, o ATP, que é libertado para o meio extracelular, atua como um “sinal de perigo”, alertando os macrófagos para a presença de patogénicos, enquanto que a adenosina tem um efeito contrário, funcionando como um sinal stop do sistema imunitário de modo a que este não seja superativado e comece a destruir as células do próprio organismo. A ecto-5'-nucleotidase (CD73) tem um papel importante neste mecanismo, pois é esta enzima que leva à formação da adenosina. Assim, o principal objetivo deste trabalho foi estudar o papel do ATP na infeção de macrófagos, principais células efetoras, por C. albicans. Tentou-se então compreender qual a influência do ATP, tanto na internalização de C. albicans por macrófagos, como na resposta destas células à infeção por esta levedura, verificando a viabilidade de C. albicans, ao longo do tempo, no interior dos macrófagos. Para tal, utilizou-se uma linha celular de macrófagos de ratinhos, células RAW 264.7, a qual foi infetada com várias estirpes de C. albicans. Os resultados obtidos mostraram que o ATP não interfere na internalização de C. albicans pelos macrófagos, pois esta é igual tanto na presença como na ausência de ATP extracelular. Demonstraram também que, efetivamente, existe um aumento do ATP extracelular em resposta á presença de C. albicans de modo a que os macrófagos sejam ativados e se defendam contra as leveduras. Essa defesa contra as leveduras observa-se através da morte destas ao longo do tempo, o que indica que os macrófagos estão a desempenhar o seu papel na defesa contra estes microrganismos. No entanto, a ausência de ATP extracelular (por adição de apirase) não se traduz numa não ativação dos macrófagos, pois os resultados obtidos mostraram que, na ausência deste, a viabilidade de C. albicans diminui, verificando-se uma maior morte das leveduras. xi Em conclusão, este estudo demonstrou que o ATP, efetivamente, pode iniciar uma resposta inflamatória por parte dos macrófagos, no entanto estes não dependem do ATP para iniciar a defesa contra C. albicans, podem ser ativados por outras vias.
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23,614
Avaliação da actividade anti-inflamatória de Cymbopogon citratus (DC) Stapf. em modelos in vivo de inflamação crónica
Cymbopogon citratus (DC) Stapf.,Processo inflamatório crónico,Citocinas,Etnomedicina
A inflamação crónica, fortemente associada a várias doenças da actualidade, afecta drasticamente a qualidade de vida de uma grande parte da população mundial. Actualmente, o tratamento de tais patologias prende-se com terapêuticas aliadas a várias limitações, entre as quais graves efeitos secundários. Com o intuito de ultrapassar essas adversidades, a procura de compostos de origem natural, com potencial terapêutico e reduzidos efeitos secundários, tem sido incessante. O infuso de Cymbopogon citratus (DC) Stapf., espécie com grande distribuição geográfica, tem sido amplamente usado pela medicina tradicional no tratamento de diversas patologias, entre as quais condições inflamatórias. Contudo, pouco conhecimento existe ainda sobre as suas reais acções terapêuticas, e subsequentes mecanismos de acção. Este trabalho surge, deste modo, com o objectivo de investigar o efeito do extracto aquoso de C. citratus (livre de óleo essencial) num processo inflamatório crónico. Para tal, o estudo utilizou um modelo in vivo desse processo induzido pelo método de cotton pellet (cotton pellet-induced granuloma), realizado em ratos Wistar machos. Este modelo foi tratado com o extracto de C. citratus por um período de cinco dias, após o qual se procedeu à análise do efeito imunomodelador. O procedimento referido também foi utilizado para os controlos do estudo (indometacina, 1 mg/Kg; dexametasona, 2,5 mg/Kg; veículo). As relações percentuais de citocinas IL-1α, IL-1β, IL-2, IL-4, IL-6, IL-10, IL-12, IL-13, IFN-γ, TNF-α, GM-FEC e RANTES, no foco inflamatório crónico, foram comparadas entre os grupos teste e controlo negativo pela técnica de ELISA. O C. citratus reduziu a expressão da maioria dos elementos proteicos próinflamatórios analisados, à excepção das isoformas da IL-1. O efeito nas citocinas antiinflamatórias foi igualmente uma redução, embora não se tenha verificado uma diminuição tão acentuada como a que se verificou para a indometacina. Daqui pode concluir-se que, de facto, o extracto aquoso de C. citratus possui um efeito imunomodelador e um maior efeito protector em comparação com os AINES, evidenciando, por isso, uma possível actividade anti-inflamatória crónica. Além disso, os resultados da análise histológica efectuada não evidenciaram qualquer citotoxicidade associada à administração da toma crónica.Os resultados obtidos no presente estudo constituem, deste modo, fortes indicadores de efeito terapêutico do Cymbopogon citratus (DC) Stapf. no que toca a desordens inflamatórias de carácter crónico, edificando, desta forma, uma base a futuros estudos que possam confirmar totalmente a propriedade originalmente descrita pela etnomedicina.
Ciências Exactas e Naturais
23,615
Uma estratégia para a discriminação entre compostos activos e inactivos em experiências de rastreio virtual : COX-1 como caso de estudo
Rastreio virtual,Acoplamento molecular,Ciclooxigenase
Um dos grandes desafios para a realização de experiências de rastreio virtual aplicando técnicas de acoplamento molecular está em encontrar ferramentas capazes de prever boas poses de compostos no local activo de uma proteína e de as pontuar correctamente, de uma forma rápida e com um baixo custo. Neste trabalho foram testadas diferentes estratégias para obter uma melhor discriminação entre compostos activos e inactivos em experiências de rastreio virtual baseadas em técnicas de acoplamento molecular utilizando a COX-1 (ciclooxigenase-1) como caso de estudo. A COX-1 foi escolhida como caso de estudo porque a sua actividade pode ser afectada por diferentes fármacos sem que estes tenham sido desenvolvidos para esse propósito, sendo por isso importante desenvolver estratégias para a identificação desses fármacos. O acoplamento molecular dos compostos no pacote da DUD (A Database of Useful Decoys) para a COX-1 foi realizado com o objectivo de se validar a capacidade do programa AutoDock Vina de prever e pontuar resultados de acoplamento molecular utilizando a COX-1. Adicionalmente, os resultados do acoplamento molecular foram analisados para obter os valores dos parâmetros constituintes da função de pontuação do programa. Estes foram utilizados para gerar classificadores através da utilização do SVM-light, um programa que implementa um algoritmo de Máquinas de Vectores de Suporte (SVM). A avaliação do desempenho da função de pontuação do AutoDock Vina e dos classificadores obtidos com o SVM-light foi realizada para dois conjuntos de “melhores” poses seleccionadas com base: (i) na ordenação dada pela função de pontuação do AutoDock Vina, e (ii) nos resultados de análise de grupos (clustering), aplicando uma análise de curvas ROC, das áreas abaixo das curvas ROC (AUC) e de curvas de enriquecimento e factores de enriquecimento. Os resultados obtidos mostram que a utilização de SVM para o desenvolvimento de classificadores a partir dos parâmetros constituintes da função de pontuação do AutoDock Vina apresenta melhorias significativas na discriminação de compostos activos e inactivos. Adicionalmente, os resultados demonstram que a utilização de novas estratégias como a utilização de uma análise de grupos para seleccionar as “melhores” poses pode melhorar significativamente os resultados do acoplamento molecular.
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23,616
Flora e vegetação da zona calcária Souselas/Brasfemes
Vegetação,Zonas calcárias,Souselas/Brasfemes,Geologia,Descrição de Angiospérmicas,Biologia reprodutiva,Dispersão,Guia de Campo
A bolsa de calcários margosos e margas de Souselas/Brasfemes localiza-se entre a Pampilhosa do Botão, a norte, e o complexo calcário Alvaiázere-Sicó a sul, o Maciço Hespérico a este e a Orla Mesocenozóica Ocidental a oeste. Esta zona apresenta um tipo de solo árido e clima tipicamente Mediterrânico, factores favoráveis ao desenvolvimento de uma elevada riqueza florística e espécies com diversas estratégias reprodutivas. O objectivo principal desta tese de mestrado assenta no estabelecimento dos fundamentos teóricos e práticos para a elaboração de um Guia de Campo sobre a diversidade vegetal e as estratégias reprodutivas da vegetação da zona calcária Souselas/Brasfemes. Para tal, efectuou-se um levantamento florístico intensivo, com colheita, identificação de plantas e captura de imagens digitais. Entre as 192 espécies inventariadas, observa-se uma grande variedade de famílias (54), dominando na amostra as Asteraceae, Poaceae, Fabaceae, Lamiaceae e Orchidaceae pelo número de espécies. Das plantas colhidas foram seleccionados 61 taxa para incluir no Guia e, para estes, foi reunida informação para identificação fácil no campo e ainda informação relativa aos mecanismos de polinização e dispersão dos diásporos. Verifica-se que a maioria das espécies possui (1) distribuição essencialmente Mediterrânica ou a ela associada, (2) polinização essencialmente por factores bióticos, nomeadamente insectos; uma pequena fracção de plantas tem a capacidade de se autopolinizar, enquanto outras adoptam mecanismos que promovem a polinização cruzada (i.e., hercogamia, dicogamia e auto incompatibilidade). Algumas das espécies possuem dispersão de diásporos por aves. É apresentada ainda a estrutura geral do Guia de Campo.
Ciências Exactas e Naturais
23,622
Efeito da berberina em animais obesos : disfunção endotelial e síndrome metabólica
Síndrome metabólica,Obesidade,Doenças macrovasculares,Disfunção endotelial,Berberina
A síndrome metabólica é considerada um estado de inflamação crónica que aumenta a disfunção endotelial precipitando eventos isquémicos cardiovasculares e aumentando a mortalidade. A disfunção endotelial, caracterizada genericamente pela reduzida disponibilidade de óxido nítrico (NO), é uma condição que precede o desenvolvimento precoce de doença macrovascular. A hiperglicemia, a dislipidemia, o stress oxidativo e a resistência à insulina estão na génese do desenvolvimento de doenças macrovasculares. A berberina é um alcalóide natural existente em rizomas e raízes de várias plantas . Foi inicialmente utilizada como um agente destoxificante e anti-inflamatório na medicina chinesa e tem sido associada a benefícios para a saúde. Contudo, ainda não estão completamente esclarecidos os seus efeitos. Este trabalho teve como objectivo estudar o potencial terapêutico da berberina na disfunção endotelial associada à síndrome metabólica induzida por dieta gorda em ratos Sprague - Dawley. Para isso foram avaliados diferentes grupos de ratos Sprague-Dawley (SD), grupo SD controlo mantido com dieta normal, grupo SD mantido com dieta gorda durante 16 semanas e grupo SD mantido com dieta gorda ao qual foi administrado berberina (100mg/Kg) durante um mês, por via oral. Foram avaliados diferentes biomarcadores metabólicos e de stress oxidativo e efectuada a caracterização funcional e estrutural da artéria aorta nos diferentes grupos de animais. Verificámos que a berberina melhorou o perfil metabólico e a disfunção endotelial e diminuiu os níveis de stress oxidativo da parede da artéria aorta. A berberina tem um potente efeito anti-oxidante e promotor da função endotelial vascular, tendo por isso um elevado potencial terapêutico na síndrome metabólica e suas complicações macrovasculares.
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23,625
Terra em transformação : avaliação de questões e atividades práticas em manuais de Ciências Naturais do 7.º ano de escolaridade
Atividades práticas,Capacidades cognitivas,Ciências Naturais,Manuais escolares,Literacia científica,Questões
Os manuais escolares devem promover o desenvolvimento de capacidades de resolução de problemas, pensamento crítico e criativo e de competências para planear uma pesquisa ou investigação. Algumas das estratégias importantes consistem na formulação de questões e na realização de atividades práticas no ensino das Ciências Naturais. O objetivo geral deste trabalho foi avaliar as questões e atividades práticas incluídas nos manuais escolares de Ciências Naturais do 7º ano de escolaridade, de quatro edições de 2012 e quatro anteriores. Para o efeito, foram selecionados oito manuais, de cinco editoras, sujeitos a uma análise documental e de conteúdo. Na avaliação das questões foram selecionados os subtemas Estrutura interna da Terra, Dinâmica interna da Terra e Consequências da dinâmica interna da Terra, e na avaliação das atividades práticas foi selecionado o subtema Os fósseis e a sua importância na reconstituição da história na Terra. O primeiro estudo, apresentado no capítulo I, considera duas dimensões de avaliação: a localização e o nível cognitivo das questões, admitindo que poderão estar relacionadas com o desenvolvimento de competências cognitivas, conducentes a literacia científica. Os manuais de 2012 revelaram um aumento de questões de nível cognitivo elevado, mas ambas as edições têm maior número de questões no nível cognitivo baixo. Quanto à localização das questões estas situam-se na sua maioria em atividades práticas, em ambas as edições. O segundo estudo, desenvolvido no capítulo II, avalia as atividades práticas em função da tipologia e do nível cognitivo, tendo revelado um ligeira evolução no nível cognitivo elevado (57%) das atividades práticas nos manuais de 2012, mas tipologia de ambas as edições revelou um menor número de atividades de Trabalho de campo, de Pesquisa e Laboratorial, comparativamente às atividades de Resolução de exercícios. Dada a importância das questões e atividades práticas no ensino das Ciências Naturais seria recomendável incluir mais questões e atividades práticas de nível cognitivo elevado, em futuras edições de manuais.
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23,628
Avaliação de alterações genéticas e epigenéticas envolvidas na susceptibilidade a cancro na síndrome de Down
Síndrome de Down,Metabolismo do folato,Variabilidade genética,Epigenética
A Síndrome de Down (SD) é a forma mais comum de aneuploidia constitucional, afectando cerca de 1 em cada 700 nascimentos. As crianças com SD apresentam um risco aumentado de desenvolver cancro 10 a 20 vezes, relativamente a crianças sem SD, em particular leucemias agudas, nomeadamente Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) e Leucemia Mieloblástica Aguda (LMA), mais especificamente o subtipo Leucemia Aguda Megacarioblástica (LAMeg). Pelo contrário, verifica-se baixa incidência de tumores sólidos nas crianças com SD (Rabin and Whitlock, 2009). Alguns genes localizados na banda 21q22 estão associados ao aumento da incidência de leucemia na SD, nomeadamente os genes ERG, ETS2 e RUNX1. Estes genes codificam factores de transcrição que estão envolvidos quer na hematopoiese, quer na megacariopoiese (Fonatsch, 2010; Stankiewicz et al., 2009). Por outro lado, o folato desempenha um papel chave na manutenção da estabilidade genómica, na metilação do ADN de diversos genes, em particular genes envolvidos na regulação do ciclo celular e genes que codificam enzimas reparadoras do ADN (p16, p15, DAPK e MGMT, respectivamente). O metabolismo do folato pode ser influenciado pelos hábitos alimentares e por polimorfismos no transportador de folato reduzido (RFC), e nas enzimas metiltetrahidrofolato redutase (MTHFR) e cistationina beta-sintetase (CBS), desempenhando um papel importante na susceptibilidade a aneuploidias e no desenvolvimento de eventos iniciais na carcinogénese. Este estudo teve como objectivos o estudo dos níveis de expressão dos genes ETS2, CBS, SOD1 e RUNX1 do cromossoma 21, assim como a análise da prevalência de variantes polimórficas em genes envolvidos no metabolismo do folato, da enzima antioxidante Cu/Zn SOD1 e o padrão de metilação dos genes p15, p16 DAPK e MGMT de forma a identificar o seu papel na ocorrência de aneuploidias, nomeadamente em doentes com SD. Para tal, nós analisámos as variantes polimórficas 844ins68 e T833C (cosegregadas em cis) do gene CBS, A251G do gene SOD1, A80G do gene RFC1 e A1298C do gene MTHFR por técnicas de PCR-RFLP em 31 amostras de fibroblastos de fetos com SD e em 30 amostras de sangue periférico de controlos saudáveis. O perfil de metilação dos genes p15, p16, DAPK e MGMT foram analisados a partir do ADN convertido com bissulfito através da técnica de MSP. Por outro lado, os níveis de expressão dos genes ETS2, CBS, SOD1 e RUNX1 foram analisados por RT-PCR em tempo real. Os nossos resultados mostram que o alelo 844ins68 wild type apresenta uma frequência alélica na SD e nos controlos de 90%. Nos controlos, foram observados cerca de 3% de homozigóticos para 844ins68 do gene CBS, 13% de heterozigóticos e 84% sem inserção, enquanto na SD observou-se uma frequência de 0%, 19% e 81%, respectivamente. Para além disto, observámos que as frequências alélicas da forma wild type dos polimorfismos de SOD1, RFC1 e MTHFR (alelo A) são semelhantes nos controlos e na SD (SOD1: 92% e 90%; RFC1: 52% e 50%; MTHFR: 70% e 69%, respectivamente para os controlos e para a SD). Resultados semelhantes foram observados nos genótipos de SOD1 e MTHFR analisados (SOD1: 83% e 80% AA, 17% e 20% AG, e 0% GG; MTHFR: 13% e 10% AA, 33% e 42% AC, e 53% e 48% CC, respectivamente para os controlos e para a SD). Por outro lado, o genótipo AA do RFC1 apareceu com menor frequência na SD (19%) comparado com os controlos (27%). As frequências genótipicas observadas não apresentam um desvio ao Equilíbrio de Hardy-Weinberg, excepto no caso dos controlos no gene CBS. A força de associação entre os polimorfismos e o risco para a SD foi medida através da avaliação do risco associado (Odd’s ratio) com um intervalo de confiança de 95% (IC95%), não tendo sido observada relação significativa entre estes polimorfismos e a SD. Contudo, a forma wild type para 844ins68 do gene CBS (OR=0.833; CI95% 0.2248-3.089), o genótipo AA de SOD1 (OR=0,8333; CI95% 0.2248- 3.089) e o genótipo AA de RFC1 (OR=0,6600; CI95% 0.1980-2.200) podem ter um efeito protector. Por outro lado, a variante 844ins68 do gene CBS (OR=1.560; CI95% 0.3927-6.198), o genótipo AG de SOD1 (OR=1.20; CI95% 0.3237-4.448) e genótipo AC de MTHFR (OR=1.444; CI95% 0.5095-4.095) podem ser factores de risco para esta patologia. Além disso, a metilação do ADN mostra que os genes p15, p16, DAPK e MGMT estão todos desmetilado nos fetos com SD. Finalmente, o estudo da expressão génica de genes localizados no cromossoma 21 não revelou diferenças significativas na variação dos níveis de expressão dos genes, apesar da existência de três cópias dos genes estudados. Este facto pode dever-se a mecanismos reguladores dos genes durante o desenvolvimento embrionário. Além disso, não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre os polimorfismos ou o perfil de metilação e os fetos com SD. O aumento do número de amostras de doentes e de controlos poderá contribuir para uma melhor análise do risco destes polimorfismos no desenvolvimento de SD.
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23,631
Ecologia trófica da Gaivota de patas-amarelas (Larus michahellis) e do Pintainho (Puffinus baroli) : uma abordagem isotópica em áreas costeiras e pelágicas
Ecologia trófica,Isótopos estáveis,Puffinus baroli,Larus michahellis
A monitorização e gestão dos ecossistemas marinhos requerem um conhecimento profundo da ecologia trófica de predadores de topo como as aves marinhas. Assim, este trabalho foi composto por três objectivos distintos: i) avaliar a sazonalidade na ecologia trófica da população da Gaivota de patas-amarelas (Larus michahellis) nidificante na ilha da Berlenga; ii) comparar a ecologia trófica entre duas colónias distintas de Pintainhos (Puffinus baroli), nas ilhas de Porto Santo e das Selvagens; iii) comparar a variação inter-anual da ecologia trófica dos Pintainhos da colónia da ilha de Porto Santo entre os anos de 2011 e 2012. Para tal foram avaliados os rácios isotópicos de δ15N e δ13C no sangue e em três tipos de penas (Primeira pena primária (P1), Oitava pena secundária (S8) e penas do peito), recolhidos durante a época de reprodução destas aves. No primeiro caso, as assinaturas isotópicas de δ15N e δ13C evidenciaram diferenças significativas entre os vários tecidos analisados, o que indica que as Gaivotas de patas-amarelas nidificantes na ilha da Berlenga alteraram a sua ecologia trófica ao longo do ano. No segundo caso, comprovou-se existir uma variação interpopulacional entre os Pintainhos nidificantes nas colónias de Porto Santo e das Selvagens quanto à sua ecologia trófica. Por fim, foram ainda encontradas diferenças significativas nos rácios isotópicos de δ13C nas amostras de sangue de Pintainhos recolhidas em dois anos consecutivos na colónia de Porto Santo, o que indica que os indivíduos desta colónia, possivelmente alteraram a sua área de alimentação durante a sua época de reprodução. Este trabalho confirma assim que as aves marinhas podem alterar as suas estratégias alimentares consoante as condições do meio em que estão inseridas, facto este que pode funcionar como indicador das condições ecológicas dos ecossistemas marinhos.
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23,638
Estudos de cultura in vitro em medronheiro (Arbutus unedo L.) aplicados ao seu melhoramento
Embriogénese somática,Germinação de sementes,Organogénese,Polinização artificial,Poliploidização,RAPDs
A espécie Arbutus unedo (Ericaceae) possui porte arbustivo ou arbóreo. O medronheiro é capaz de suportar temperaturas baixas (até -12ºC) e é tolerante à seca. Encontra-se largamente distribuído ao longo da bacia do Mediterrâneo, desde Espanha até à Turquia, algumas zonas do Norte de África e ilhas Mediterrânicas, e ainda na costa Atlântica, incluindo Irlanda e Portugal. O medronheiro tem várias aplicações: estabilização de solos, programas de reflorestação, floricultura e na produção de compota, geleia, aguardente mel e biomassa. Apesar de ser tradicionalmente uma espécie NUC (www.underutilized-species.org), o medronheiro tem também sido a aposta de vários agricultores, sendo actualmente reconhecida como uma espécie com elevado potencial. O presente trabalho insere-se num projecto mais alargado de melhoramento do medronheiro e é mais uma contribuição para um melhor conhecimento dos processos de propagação desta espécie. Foram estudadas diferentes técnicas de propagação: germinação de sementes, embriogénese somática, organogénese e multiplicação em meio líquido. Relativamente à germinação de sementes, a baixa percentagem de germinação pode ser contornada com pelo menos 14 dias de estratificação a 4ºC, obtendo-se assim percentagens de germinação próximas de 100%. Apesar de não assegurar a manutenção do genótipo, é uma técnica simples de aplicar. Em ralação à embriogénese somática, vários genótipos foram avaliados, não se tendo verificado diferenças na percentagem de indução. Os embriões somáticos passavam pelos estados de desenvolvimento típicos: globular, cordiforme, torpedo e cotiledonar, embora com algumas variações relativamente a este padrão geral. Uma percentagem considerável dos embriões formados apresentava algum tipo de anomalia, o que pode comprometer o uso desta técnica para fins de propagação. Nos estudos relacionados com a organogénese, verificou-se que a multiplicação do medronheiro por esta técnica apresenta grande potencial, devido ao considerável número de plantas obtidas. No entanto, esta técnica deve ser alvo de estudos mais pormenorizados, de forma a perceber os mecanismos envolvidos e assim explorar todo o seu potencial. O crescimento em meio líquido de plantas de medronheiro revelou-se bastante eficaz na sua multiplicação, no entanto, o enraizamento das plantas obtidas foi muito reduzido. Assim, para que a técnica possa ser aplicada, esta limitação deve ser contornada. A estabilidade genética das plantas propagadas foi testada através de vi marcadores moleculares. Não se verificaram diferenças entre perfis, pelo que provavelmente não existem diferenças entre as plantas-mãe e as plantas in vitro testadas. No entanto, uma análise mais pormenorizada deve ser realizada. Nos ensaios de melhoramento, foram abordadas três técnicas distintas: polinização artificial, embriogénese polínica e poliploidização. No que diz respeito à polinização artificial, a germinação do pólen no estigma foi observada. Os tubos polínicos percorreram todo o comprimento do estilete em 20-24 h. Este resultado foi obtido nos ensaio realizados in vitro e in vivo, o que abre boas perspectivas para possíveis cruzamentos entre diferentes genótipos. Relativamente à embriogénese polínica, quando as anteras foram colocadas em cultura não se obtiveram embriões, mas sim calo que não revelou capacidade embriogénica. Foi também estabelecida uma relação entre a morfologia dos botões florais e o estado de desenvolvimento dos micrósporos, o que pode ser útil em futuras tentativas de obtenção de haplóides. Nos ensaios de poliploidização usou-se colquicina e orizalina. Os tratamentos com orizalina e em meio líquido foram mais agressivos para as plantas. Apesar de a ploidia das plantas obtidas não ter sido testada, verificou-se um crescimento reduzido, o que pode indicar diferenças na sua ploidia. Apesar de preliminares, os resultados obtidos abrem boas perspectivas no que diz respeito a diferentes técnicas de propagação do medronheiro. No entanto, para que possam ser utilizadas de forma efectiva na propagação em massa, alguns estudos mais detalhados terão de ser levados a cabo, no sentido de optimizar algumas das técnicas. No melhoramento do medronheiro, este trabalho representa um pequeno avanço. Os resultados da polinização artificial são especialmente interessantes, e permitirão a realização de um programa de cruzamentos de genótipos, no sentido de obter variedades com características vantajosas
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23,639
Corpo, Imagem, Tuberculose : uma investigação histórica e etnográfica sobre o Centro de Diagnóstico Pneumológico de Coimbra
Corpo,Visualização médica,Tuberculose,Doença,Centro de Diagnóstico Pneumológico de Coimbra
A presente dissertação de Mestrado em Antropologia Médica tem como propósito compreender o modo como a visualização do corpo humano se foi historicamente associando à produção de conhecimento biomédico sobre a saúde e a doença, o normal e o patológico. Em específico, nesta dissertação pretende-se compreender se o modo como o paciente experiencia corporalmente a tuberculose é (ou não,) influenciado pela forma como a biomedicina compreende e concebe a doença. O objeto de estudo escolhido para a realização da investigação em apreciação foi o Centro de Diagnóstico Pneumológico de Coimbra. Com as descobertas bacteriológicas obtidas nos finais do séc. XIX, que confirmariam o caráter contagioso da tuberculose, iriam-se conduzir a transformações ao estatuto social da tuberculose. De forma a combater o agente bacilífero, mas também os hábitos individuais nocivos que seriam (indiretamente) responsáveis pela expansão da tuberculose, a medicina no país teria nesse período quer uma ação cuidadora, mas igualmente de disciplina e controlo dos corpos tuberculosos. Para o pensamento médico, só através da obediência aos preceitos máximos da higiene poderia conduzir-se à libertação desse terrível flagelo. Nestes ideais se orientariam as políticas de prevenção e assistências produzidas no âmbito da obra antiturberculose dirigida por Bissaya Barreto no distrito de Coimbra. O organismo central responsável pela organização de toda a obra antituberculosa seria o Dispensário Central Antituberculoso do Pátio da Inquisição. O Centro de Diagnóstico Pneumológico de Coimbra (CDPC) corresponde ao último dos estabelecimentos implementados em Coimbra, originários no antigo Dispensário. Nesse sentido, ao estabelecer o CDPC como objeto de estudo, será possível esclarecer como o exercício da medicina, em Coimbra, no âmbito do tratamento da tuberculose, poderá se ter modificado desde o período das políticas de Bissaya Barreto até à atualidade, considerando as suas implicações futuras na construção de uma experiência individual com a tuberculose.
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23,640
O preço da arte: discursos da medicina, jornais e gamers sobre videojogos
Discursos,Gamers,Jornais,Psicologia,Videojogos
Os videojogos são ainda um tema de forte controvérsia nos meios de comunicação contemporâneos. A principal razão disso advém dos discursos criados no seio da medicina acerca dos seus potenciais efeitos nos utilizadores. Infelizmente, ainda não existe um consenso acerca de quais e quão extensos são, realmente. Não obstante, os jornais e outros meios de comunicação apresentam resultados e comentários dessas pesquisas. A linguagem que os mass media utilizam acerca da temática está, contudo, longe de ser parcial, sendo deformada por influências políticas e económicas, assim como pela falta, em termos gerais, de conhecimentos específicos acerca dos discursos médicos. Aliás, a presença da crítica ao entretenimento nos jornais não é uma coisa nova, tendo uma já longa história. Para se saber como os utilizadores de videojogos vêm esta realidade, e como criam os seus próprios discursos acerca do tema, realizou-se uma curta etnografia junto de um grupo de gamers em Aveiro. Concluiu-se que existe desconfiança para com o que é normalmente apresentado nos jornais, e uma tendência para racionalizar alguns dos perigos normalmente relacionados aos videojogos. Também se detectaram sinais que parecem indicar que alguns destes possíveis perigos não serão tão críticos com é normalmente retratado nos media noticiosos.
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23,641
Estudo do gene PRKCG em doentes portugueses com ataxia dominante
Ataxia espinocerebelosa,Diagnóstico genético,Neurodegeneração
A ataxia espinocerebelosa tipo 14 (SCA14) é uma doença neurodegenerativa, com modo de transmissão autossómico dominante, causada por mutações no gene PRKCG que codifica a enzima PKCγ. Caracteriza-se clinicamente pela apresentação de ataxia progressiva da marcha e dos membros, disartria e alteração dos movimentos oculares. O presente trabalho teve por objectivo o rastreio de mutações na sequência codificante do gene PRKCG, bem como de parte das respectivas sequências intrónicas flanqueantes, numa série de doentes portugueses com ataxia espinocerebelosa. Este é o primeiro estudo da totalidade da sequência do gene, constituído por 18 exões, num grupo de indivíduos portugueses. Dos 60 doentes estudados, nos quais tinha sido excluída a presença de uma expansão CAG nos loci SCA 1, 2, 3/MJD, 6, 7, 17 e DRPLA, responsável pela maioria dos casos de ataxia espinocerebelosa, 54 correspondem a casos índice de famílias com ataxia cerebelosa com transmissão dominante (ADCA) e, os restantes 6 casos não possuem, aparentemente, história familiar da doença. A pesquisa de mutações foi realizada por PCR e sequenciação directa dos produtos amplificados. Em três dos casos índice familiares foram identificadas novas mutações na região reguladora, uma no exão 3 (no sub-domínio C1A da PKCγ) e duas no exão 4 (em C1B). As mutações missense c.234C>A (p.His78Gln), c.319A>G (p.Ser107Gly) e c.349T>A (p.Cys117ser) são descritas, pela primeira vez, neste trabalho. Embora a análise de co-segregação da mutação com a doença nas famílias ainda não tenha sido concluída, para duas destas mutações foi possível confirmar a sua segregação noutro elemento afectado da família. A avaliação da causalidade das alterações detectadas, pela utilização de diversas ferramentas bioinformáticas, sugere um efeito patogénico para as três mutações. Clinicamente, todos os casos identificados com mutações no gene PRKCG detectadas neste estudo apresentam ataxia cerebelosa progressiva pura, com início tardio da doença. O facto de 3 dos 54 casos de ataxia cerebelosa com transmissão dominante apresentarem mutações no gene PRKCG sugere que no diagnóstico diferencial se efectue o rastreio da SCA14 em doentes com ADCA, nos quais não foram detectadas as mutações responsáveis pelas SCAs mais frequentes. Os resultados obtidos confirmam o domínio regulador C1 da PKCγ (com 80,6% do total de mutações descritas) mas, especialmente, o C1B (64,5% do total) como um hot-spot mutacional. A pesquisa de mutações no gene PRKCG deverá ser efectuada de forma sequencial, de acordo com a distribuição das mutações descritas no gene, iniciando-se pelo 2 rastreio dos exões 4 e 5 (sub-domínio C1B), sendo depois alargada aos exões 1, 2 e 3 (sub-domínio C1A e pseudo substrato), exões 10 (motivo rico em resíduos de glicina no domínio cinase C3) e 18 (domínio AGC-cinase C-terminal) e, caso não sejam detectadas mutações, aos restantes exões do gene.
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23,644
Práticas letivas em Biologia e Geologia com alunos do 11º ano de escolaridade : Evolução biológica e Exploração sustentada de recursos geológicos
Atividades práticas,Avaliação,Estratégias de ensino e aprendizagem,Evolução biológica,Exploração sustentada de recursos geológicos
O estudo foi conduzido ao longo de um Estágio Pedagógico numa turma do 11º ano de escolaridade na disciplina de Biologia e Geologia, numa Escola Secundária de Coimbra. Foram elaborados materiais didáticos com especial ênfase para as atividades práticas e instrumentos de avaliação para as unidades didáticas Evolução biológica e Exploração sustentada de recursos geológicos, aplicados no sentido de verificar se ocorreu aprendizagem significativa dos conceitos lecionados após a realização dos mesmos. As atividades práticas são um recurso cada vez mais utilizado pelos professores na disciplina de Biologia e Geologia por motivar os alunos e torná-los agentes ativos na sua própria aprendizagem. As atividades práticas de papel e lápis, resolução de problemas e exercícios revelaram-se muito importantes no ensino e aprendizagem das unidades didáticas de Biologia e Geologia e no desenvolvimento de competências. Os instrumentos de avaliação utilizados para obtenção de dados e para responder às questões de investigação, foram o pré-teste e pós-teste, a lecionação das unidades didáticas, os testes de avaliação sumativa, as grelhas de observação e avaliação e os questionários relativos a algumas das estratégias implementadas. De uma forma geral os resultados obtidos evidenciam que as estratégias utilizadas proporcionaram a aprendizagem e consolidação de conhecimentos e uma maior motivação dos alunos na realização de atividades práticas laboratoriais. Por outro lado, permitiu uma reflexão acerca das potencialidades e limitações das práticas letivas implementadas e dos materiais utilizados.
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23,649
As Camélias Oitocentistas do Buçaco
Camellia antiga,Caracteres,chave de identificação interactiva,Mata do Buçaco,Villar d’Allen
Durante séculos, o género Camellia desempenhou um papel importante como ornamental. Em Portugal, o fascínio por estas plantas teve o seu clímax no século XIX, principalmente no noroeste e na cidade de Sintra, onde as condições são particularmente favoráveis para o seu cultivo. A Mata do Buçaco, uma floresta no centro do país, é das áreas menos conhecidas de camélias. As suas camélias datam deste período, quando estas plantas eram itens de colecção para os nobres. Alfredo Allen, Visconde da Quinta de Villar d’Allen doou, em 1884, uma colecção de diferentes cultivares ao Buçaco. Num manuscrito estão listados os 30 cultivares de Camellia japonica então oferecidos. Foram mapeados os 180 exemplares de Camellia do Buçaco. Onze dos 30 cultivares do manuscrito foram identificados e descritos, utilizando caracteres morfológicos seleccionados especialmente para cultivares de Camellia. Foi também elaborada uma chave de identificação interactiva destes cultivares. A sua maioria foi desenvolvida em viveiros europeus durante o século XIX, e eram considerados os melhores cultivares da época. A colecção de camélias antigas constitui uma componente muito interessante do arboreto, propícia ao desenvolvimento de um programa de turismo educativo associado ao levantamento das camélias portuguesas.
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23,650
Do interior da terra ao interior das plantas : práticas letivas em geologia e biologia no 10º ano de escolaridade
Ensino e aprendizagem,Estratégias,Prática de ensino supervisionada,Transporte nas plantas,Vulcanologia
O presente relatório é referente ao período de Estágio Pedagógico, desenvolvido no âmbito do Mestrado em Ensino de Biologia e de Geologia no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário. O relatório descreve e analisa as atividades organizadas e desenvolvidas durante o estágio realizado na Escola Secundária D. Duarte, durante o ano letivo de 2013/2014. As práticas letivas foram circunscritas ao lecionamento supervisionado dos temas selecionados em Geologia e Biologia do 10º ano. Mais concretamente, os Métodos de estudo para o interior da geosfera e Vulcanologia e o Transporte nas plantas. Neste trabalho participaram alunos de duas turmas tendo sido lecionado o conteúdo de Geologia à turma A e o de Biologia à turma B. As estratégias e os recursos foram avaliados por intermédio de instrumentos de avaliação: diagnóstica (pré-teste e pós-teste, no início e final, respetivamente, de cada um dos períodos de lecionamento); sumativa (questões, específicas dos conteúdos selecionados, e integradas no terceiro e quinto teste sumativo); e questionários. Tanto em Geologia como em Biologia, verificou-se evolução positiva nos resultados do pré para o pós-teste. Relativamente aos testes sumativos, a avaliação foi diferenciada em procedimental e conceptual. Apesar dos resultados positivos a nível conceptual, os alunos revelaram muitas dificuldades a nível procedimental, provavelmente relacionado com o facto de a amostra ter uma média de idades inferior a 15 anos, não tendo sido preparados para o tipo de questões (itens de construção) utilizadas na avaliação procedimental. A análise dos resultados permitiu concluir que as estratégias e recursos tiveram influência na construção dos conhecimentos científicos de Geologia e Biologia. Nos questionários, os alunos também consideraram que as estratégias e recursos contribuíram para as suas aprendizagens. Neste trabalho, identificam-se as limitações das estratégias, dos recursos e dos procedimentos do docente, propondo-se possíveis alternativas e soluções.
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23,651
Estudo da biotividade de óleos essenciais de tomilhos de Portugal
Thymus albicans,Thymus lotocephalus,Atividade antifúngica,Atividade anti-inflamatória,Viabilidade celular,Fitotoxicidade
O género Thymus L. compreende espécies aromáticas de grande relevo etnobotânico e industrial, essencialmente devido aos seus óleos essenciais que possuem múltiplas utilizações na medicina tradicional dos povos do Mediterrâneo e aplicações nas indústrias de perfumes, cosméticos, produtos farmacêuticos e agro-alimentares. Embora este género se encontre muito bem representado em Portugal, poucos estudos se têm direcionado para a avaliação do potencial bioativo de tomilhos endémicos, visando a validação científica das suas propriedades e determinação do seu perfil de segurança. Neste contexto, tendo como objeto de estudo os óleos essenciais de duas espécies de tomilhos, Thymus albicans Hoffm. & Link, um endemismo ibérico, e Thymus lotocephalus G. Lopèz & R. Morales, um endemismo lusitânico, determinaramse, com recurso a modelos in vitro, a atividade antifúngica, anti-inflamatória, e respetivos mecanismos de ação, bem como a citotoxicidade em diferentes linhas celulares de mamíferos, visando a sua aplicação eficaz e segura como agentes terapêuticos alternativos e/ou complementares. O potencial antifúngico dos óleos essenciais e dos seus compostos maioritários isolados (1,8-cineol, α-terpineol, borneol e óxido de cariofileno) foi avaliado através da determinação da concentração mínima inibitória (MIC) e da concentração mínima letal (MLC). Adicionalmente, o efeito dos óleos essenciais na inibição do tubo germinativo e na atividade de enzimas mitocondriais (viabilidade celular) foi também determinado para Candida albicans ATCC 10231. Os óleos essenciais em estudo demonstraram ter, de um modo geral, melhor atividade do que os seus compostos maioritários isolados, com eficácia contra estirpes de Candida, Cryptococcus neoformans, dermatófitos e Aspergillus, tendo sido mais ativos contra as estirpes de dermatófitos, com valores de MIC e MLC entre 0,16 e 1,25 μL mL-1. Demonstraram, também, capacidade de inibir a formação do tubo germinativo a concentrações sub-inibitórias e de comprometer a função mitocondrial de forma dose-dependente. A atividade anti-inflamatória dos óleos essenciais foi determinada usando o modelo in vitro de macrófagos de ratinho (Raw 264,7) estimulados por LPS, pela avaliação da sua capacidade de inibir a produção de óxido nítrico (NO), um mediador chave do processo inflamatório. De forma a elucidar o mecanismo de ação, foi também avaliado o potencial “scavenger” e o efeito do óleo mais ativo na expressão de enzimas chave, nomeadamente a forma induzível da sintase do NO (iNOS) e da ciclo-oxigenase(COX-2). Os resultados obtidos revelam atividade anti-inflamatória do óleo essencial de T. albicans pela inibição da produção de NO e da expressão de iNOS (0,64 μL mL-1). Tendo em consideração o potencial bioativo do óleo essencial de T. albicans para futuras aplicações terapêuticas em humanos e animais, foi determinado o seu perfil de segurança através de ensaios de citotoxicidade (viablidade celular) em macrófagos (Raw, 264,7), queratinócitos (HaCat) e hepatócitos (HepG2). O óleo essencial não revelou toxicidade para as linhas celulares estudadas a concentrações em que: é fungicida para dermatófitos (0,16 μL mL-1); é capaz de inibir a formação do tubo germinativo (0,16 e 0,32 μL mL-1), um importante fator de virulência cuja inibição é relevante para o tratamento de candidíases invasivas, e para as quais apresenta atividade anti-inflamatória (0,32 e 0,64 μL mL-1). Assim, o rendimento do óleo essencial de T. albicans, o seu potencial antifúngico e anti-inflamatório, bem como o amplo perfil de segurança demonstrados, garantem o interesse industrial para futura comercialização. Nesse sentido, ensaios futuros visando o desenvolvimento de um cosmecêutico ou nutracêutico para complemento terapêutico em infeções fúngicas e doenças de cariz inflamatório, são justificados. Adicionalmente, estabeleceu-se e otimizou-se um protocolo de avaliação da fitotoxicidade de um composto maioritário nestes óleos, o 1,8-cineol, numa linha celular de medula de tabaco (Nicotiana tabacum L.), BY-2, que permitirá, entre outras aplicações possíveis, avaliar o potencial herbicida dos óleos, visando o desenvolvimento futuro de um bioherbicida de origem terpénica, de forma a minimizar a contaminação ambiental e o surgimento de ervas daninhas resistentes, resultante do uso de herbicidas sintéticos.
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23,652
Constituintes básicos da célula, nutrição nos seres heterotróficos e o papel da sismologia no estudo da Terra : Práticas letivas em Biologia e Geologia no 10º ano de escolaridade
Constituintes básicos da célula,10º ano,Nutrição seres heterotróficos,Práticas de ensino supervisionada,Sismologia
Este relatório foi realizado no âmbito da unidade curricular de Estágio Pedagógico e Relatório do Mestrado em Ensino de Biologia e de Geologia no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário. Os objetivos gerais deste trabalho foram descrever as experiências de ensino e aprendizagem vivenciadas durante o estágio pedagógico, apresentar os métodos, estratégias e recursos selecionados para utilizar na prática letiva, apresentar os resultados relativos ao impacto dos métodos, estratégias e recursos usados durante a prática de ensino supervisionado e relacionar a prática docente com a investigação educacional. A realização da prática de ensino supervisionado foi desenvolvida na Escola Secundária D. Duarte. Os temas das aulas foram os constituintes básicos da célula e obtenção de matéria pelos organismos heterotróficos - em Biologia, e nos temas - sismologia e seus contributos para o conhecimento da estrutura interna da Terra - em Geologia. Neste estudo participaram 37 alunos de duas turmas do 10º ano de escolaridade. A componente de Biologia foi lecionada na turma A e a de Geologia na turma B. Para avaliar as estratégias e recursos implementados, durante a prática letiva, foram utilizados os dados dos testes de avaliação diagnóstica, (pré-teste e pós-teste) e sumativa, dos trabalhos realizados pelos alunos e dos questionários sobre as animações, fichas de trabalho, atividades laboratoriais e participação no IX Congresso de Jovens Geocientistas. A análise dos resultados revelou que os alunos desenvolveram aprendizagens, tanto em Biologia como em Geologia. A maioria dos alunos obtiveram resultados satisfatórios, a Biologia, denotando-se alguma dificuldade em responder corretamente às questões procedimentais, o que provavelmente se deve à falta de preparação dos alunos para responder a itens de construção. Os resultados insatisfatórios, obtidos no teste de avaliação sumativa de Geologia, deveram-se provavelmente, ao rendimento inferior da turma B quando comparada com a turma A. Os alunos consideraram que os recursos utilizados durante a lecionação, contribuíram para a evolução das suas aprendizagens. Este relatório termina com uma reflexão sobre as vantagens e limitações das estratégias e recursos utilizados, sugerindo-se algumas alternativas para melhorar as práticas letivas.
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23,654
Brain endothelial cells protection by pinacidil preconditioning in an okadaic acid-induced Alzheimer’s disease model: role of mitoKATP channels, ROS and HIF-1α
Ácido ocadaico,Canais mitocondriais de potássio sensíveis a ATP,Células endoteliais cerebrais,Doença de Alzheimer,Espécies reactivas de oxigénio,Factor de transcrição induzido pela hipóxia,Mitocôndria,Pinacidil,Pré-condicionamento
A doença de Alzheimer, a doença neurodegenerativa mais comum no idoso, é caracterizada por uma deterioração progressiva da memória e função cognitiva, e neurodegenerescência severa associada à ocorrência de duas características patológicas distintas: a deposição extracelular do peptídeo β-amiloide no parênquima cerebral e vasos sanguíneos cerebrais e acumulação intracelular de tranças neurofibrilares compostas por proteína tau hiperfosforilada. Actualmente, não existe nem cura nem tratamento eficaz para a doença de Alzheimer. Entre as estratégias de protecção existentes, o pré-condicionamento surge como um fenómeno que confere tolerância cerebral contra possíveis insultos letais através da activação de uma resposta endógena adaptativa e de sobrevivência. Embora os mecanismos moleculares específicos associados ao pré-condicionamento permaneçam desconhecidos, o factor de transcrição induzido por hipóxia 1α e as mitocôndrias são reconhecidos como peças integrantes do puzzle do pré-condicionamento. Especificamente, as espécies reactivas de oxigénio produzidas pelas mitocôndrias bem como os canais de potássio mitocondriais sensíveis ao ATP foram identificados como intermediários e alvos mitocondriais específicos envolvidos no fenómeno do pré-condicionamento. Desta forma, este estudo foi realizado para decifrar o papel das espécies reactivas de oxigénio produzidas pela mitocôndria e da via de sinalização mediada pelo factor de transcrição induzido por hipóxia 1α na proteção desencadeada pelo pré-condicionamento com pinacidil, um modulador dos canais de potássio mitocondriais sensíveis ao ATP, num modelo in vitro da doença de Alzheimer induzido pelo ácido ocadaico que promove a hiperfosforilação da proteína tau, através da inibição das fosfatases 1 e 2A. Usando as células RBE4, uma linha de células endoteliais de cérebro de rato, observou-se que concentrações sub-letais de pinacidil (≤ 10 μM, durante 24 horas) aumentaram significativamente a produção de superóxido. Recorrendo a microscopia confocal verificou-se que o pinacidil altera a rede mitocondrial nas células endoteliais, promovendo uma distribuição perinuclear de mitocôndrias alongadas. Constatou-se ainda que o pinacidil também aumenta os níveis proteicos do transportador de glucose-1 e do factor de crescimento do endotélio vascular, dois genes alvo específicos do factor de transcrição induzido por hipóxia 1α. Notavelmente, o pré-condicionamento com pinacidil impediu a perda de viabilidade celular e o potencial de membrana mitocondrial, e a produção excessiva de superóxido promovida pelo ácido ocadaico. Contudo, os efeitos protectores do pré-condicionamento com pinacidil foram inibidos na presença do antagonista específico dos canais de potássio mitocondriais sensíveis ao ATP, o ácido 5-hidroxidecanóico, do antioxidante mitocondrial coenzimaQ10, e do inibidor do factor de transcrição induzido por hipóxia 1α, o 2-metoxiestradiol. Por último, o pré-condicionamento com pinacidil preveniu parcialmente o efeito do ácido ocadaico na morfologia (mitocôndrias pequenas e arredondadas) e distribuição espacial (zona perinulear) das mitocôndrias. 7 Em conjunto, estes resultados mostram que a produção de espécies reactivas de oxigénio mediada por activadores dos canais de potássio mitocondriais sensíveis ao ATP e a indução do factor de transcrição induzido por hipóxia 1α são eventos cruciais no fenómeno do pré-condicionamento, sugerindo que os canais de potássio mitocondriais sensíveis ao ATP podem representar possíveis alvos terapêuticos na doença de Alzheimer.
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23,655
Potencial biotecnológico Haematococcus pluvialis Flotow
Haematococcus pluvialis,Crescimento,Ácidos gordos,Potencial antioxidante,Pigmentos
O crescente interesse no potencial biotecnológico das microalgas deve-se à sua importância nas várias cadeias tróficas mas, principalmente, às diversas substâncias que conseguem sintetizar e que podem ter aplicação comercial em diversas áreas como aquacultura, nutrição, saúde humana e animal, tratamento de águas residuais, produção de energia e nas indústrias alimentar, química, e farmacêutica, entre outras. A grande variabilidade da composição bioquímica da biomassa obtida das culturas de microalgas, aliada ao emprego de melhoramento genético e ao cultivo em grande escala têm permitido a utilização comercial de determinadas espécies, nomeadamente Haematococcus pluvialis. O presente trabalho incide sobre o potencial biotecnológico de uma estirpe de Haematococcus pluvialis Flotow existente na Algoteca da Universidade de Coimbra (ACOI), com o número de referência ACOI 38, tendo sido analisado o crescimento e determinados a composição em ácidos gordos, em pigmentos carotenóides, particularmente astaxantina e o valor antioxidante, tanto de células móveis como de quistos. O crescimento das células móveis e dos quistos foi estimado ao longo de 15 e 20 dias, respetivamente, em condições de cultivo diferentes, realizando-se as curvas de crescimento correspondentes. As células móveis cresceram em meio de cultura líquido M7, sob intensidade luminosa de 5,68μmol m-2 s-1, fotoperíodo de 16h:8h luz/escuro e temperatura ambiente de 23ºC. A biomassa obtida ao fim de 15 dias foi de 0,083g/L. Para o desenvolvimento de quistos as culturas foram sujeitas a um aumento de intensidade luminosa (43,24μmol m-2 s-1) e a borbulhamento com ar, mantendo-se idênticas as restantes condições. A biomassa obtida ao fim de 20 dias foi de 0,450g/L. Foi testada a influência do ácido salicílico na formação de quistos, submetendo-se uma cultura às condições antes referidas, mas com a adição de 50mg/L de ácido salicílico ao meio de cultura. A biomassa total obtida foi de 0,167g/L. O perfil de ácidos gordos foi analisado recorrendo à extração lipídica com os solventes n-hexano e metanol em banho de ultrassons, seguida de transesterificação com metóxido de sódio e injeção das amostras em cromatografia gasosa. Com base nos cromatogramas obtidos e usando um padrão SupelcoTM 37 Component FAME Mix Catalog No. 47885-U e um padrão interno constituído por uma mistura de n-hexadecano (C6) e pentadecanoato de metilo (C15:0) com concentração de 0,03mg/mL, identificaram-se os ácidos gordos presentes, sendo o ácido esteárico o mais abundantenas células móveis (0,088mg) e o ácido palmítico o mais abundante nos quistos com e sem ácido salicílico (0,169mg e 1,097mg, respetivamente), valores por grama de biomassa não seca. Para a identificação dos pigmentos presentes nos quistos efetuou-se cromatografia em coluna, leitura da absorvância no visível das frações eluídas, através de espectrofotometria, e comparação dos espectros de absorção obtidos com os descritos na literatura. Identificaram-se o β-caroteno, a astaxantina e a clorofila a, sendo o β- caroteno o pigmento mais abundante. O potencial antioxidante foi testado através dos ensaios ABTS e DPPH. Pelo ensaio de ABTS as células móveis apresentaram uma atividade antioxidante maior que os quistos com e sem ácido salicílico (6,59mg/L equivalente a ácido ascórbico versus 0,13mg/L equivalente a ácido ascórbico e 2,73mg/L equivalente a ácido ascórbico, respetivamente), comparável ao valor antioxidante da cenoura (5,98mg/L equivalente a ácido ascórbico). Pelo ensaio de DPPH apenas foi possível a medição da atividade antioxidante nas células móveis, tendo-se registado um valor comparável ao do ABTS. Os resultados obtidos comprovam que a estirpe de H. pluvialis ACOI 38 tem potencialidades associadas à alimentação humana saudável. Com efeito, os principais ácidos gordos identificados, mono e polinsaturados, possuem benefícios conhecidos, tais como redução do risco de doenças cardiovasculares, inflamatórias e melhoria das funções cerebrais. O valor antioxidante determinado foi razoável, devendo-se possivelmente aos pigmentos carotenóides identificados nas células, o que demonstra que esta estirpe também poderá ser cultivada para produção dos carotenóides astaxantina e β-caroteno, que têm potenciais aplicações nas indústrias alimentar, química e farmacêutica, entre outras. Contudo, o crescimento mostrou ser lento e baixo, nesta estirpe, pelo que estudos detalhados de cultivo para otimização do crescimento e da produção dos compostos de interesse deverão ser prioritários antes de um eventual uso comercial.
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23,658
Diminuição da Resposta Neofóbica Perante Alimentos Novos com Elevado Teor de Açúcares e Alteração das Preferências Alimentares a Favor do Conteúdo Energético em Macacos Capuchinho (Cebus apella)
Cebus apella,Neofobia alimentar,Preferências alimentares,Conteúdo nutricional
Os comportamentos de resposta neofóbica e os processos através dos quais são desenvolvidas preferências alimentares perante novos alimentos por parte de primatas não-humanos têm vindo a ser cada vez mais alvo de estudos. Sabendo-se que os primatas tendem a optar pelas escolhas alimentares que mais diretamente, e a curto prazo, satisfaçam as suas necessidades metabólicas, existem ainda lacunas de conhecimento acerca dos fatores e condicionantes que levam diferentes espécies em diferentes contextos ambientais a optar por determinadas fontes alimentares, por vezes nunca antes experienciadas ou que até contrariam a tendência para a maximização do in-take energético. O presente estudo visa averiguar se uma amostra de macacos Capuchinho em estado de cativeiro: (1) apresenta resposta neofóbica perante novos alimentos; (2) mantém a resposta neofóbica quando o alimento contém um maior teor em açúcares solúveis; e (3) se, após um período de familiarização, altera as suas preferências alimentares, de alimentos mais doces para alimentos mais energéticos. Combinações binárias de seis alimentos novos (mandioca, inhame, tofu, papaia, líchia e arando) foram apresentados a uma amostra de 19 macacos Capuchinho (Cebus apella) em estado de cativeiro. As informações nutricionais relativas a cada um dos alimentos foram previamente recolhidas para posterior análise de resultados. Na Fase 1, cada um dos sujeitos foi exposto individualmente às 15 combinações binárias possíveis a partir dos seis alimentos novos. Seguidamente, durante a Fase de Familiarização, os 19 sujeitos receberam livremente os seis alimentos novos ao longo de 21 ensaios repartidos por quatro dias. Finalmente, na Fase 2 cada sujeito foi de novo submetido às 15 escolhas binárias entre os seis alimentos novos. Durante as Fases 1 e 2 registaram-se: (1) as escolhas alimentares efetuadas por cada um dos sujeitos; (2) se o alimento selecionado foi totalmente ingerido, provado e depois rejeitado ou rejeitado sem ser provado; (3) se os indivíduos cheiram o alimento antes de o escolherem; e (4) qual a mão utilizada para a recolha do alimento selecionado. Os resultados de ambas as Fases 1 e 2 foram depois comparados entre si, tanto a nível individual como em termos de idade, sexo e estatuto social dos sujeitos. As previsões feitas apontavam para uma mudança de uma preferência inicial por alimentos com maior conteúdo em açúcarespara alimentos mais energéticos, após a fase de familiarização, e para níveis menores de resposta neofóbica por parte de machos, indivíduos de menor estatuto social e juvenis. Na Fase 1, e contrariamente ao esperado, as preferências alimentares correlacionaram-se positivamente com os conteúdos em fibras e em sódio e negativamente com os conteúdos em proteínas, açúcares solúveis e vitamina C. Na Fase 2, e após a familiarização com os alimentos, as preferências alimentares continuaram a correlacionar-se positivamente com os conteúdos em fibras e em sódio mas também agora com o conteúdo energético, indo ao encontro das expectativas. As correlações negativas com os conteúdos em açúcares solúveis e em vitamina C mantiveram-se nesta fase. O sexo e a idade só influenciaram as preferências alimentares dos sujeitos após familiarização com as consequências metabólicas da ingestão dos alimentos novos. Fatores como o olfato e a lateralidade manual não constituíram características determinantes na escolha, recolha e ingestão de alimentos novos pelos sujeitos. Os resultados da experiência não foram ao encontro das previsões feitas no início deste trabalho. As preferências alimentares demonstradas inicialmente pelos macacos Capuchinho não foram afetadas de forma significativa pela exposição prolongada aos seis tipos de alimento testados e pelas consequências metabólicas da sua ingestão. Investigações complementares focadas em condicionantes e contextos específicos apenas encontrados em condições de cativeiro devem ser levadas a cabo por forma a melhor compreender as discrepâncias comportamentais, em especial no âmbito alimentar, entre animais cativos e no estado selvagem.
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23,660
Flora da Cerca do Mosteiro de Tibães: contributo para a valorização e divulgação do seu património florístico
Biodiversidade,Carvalhal,Cerca,Fitodiversidade,Mosteiro de Tibães
O Mosteiro de Tibães, antiga Casa Mãe da “Congregação dos Monges Negros de São Bento dos Reinos de Portugal”, situado no Norte de Portugal, mais propriamente no concelho de Braga, é envolto pela sua Cerca – um conjunto de matas, jardins e campos agrícolas delimitados por um muro. Esta tese teve como objectivos o estudo florístico das plantas vasculares presentes na Cerca; o desenvolvimento de material de divulgação das suas plantas para o público e a enumeração de um conjunto de actividades que poderão ser desenvolvidas no futuro, para efeitos de educação ambiental. Ao longo dos vários caminhos que percorrem a Cerca, foram identificadas 195 espécies de plantas vasculares, pertencentes a 167 géneros de 70 famílias botânicas. As plantas foram registadas em fotografia, em digitalizações em fundo preto e/ou num herbário. Também foi elaborada uma proposta para um guia de identificação das árvores. Por fim, foi enumerado um conjunto de actividades com as plantas da Cerca. Com este material de divulgação e com as actividades, pretende-se aumentar a aproximação do público à Natureza, de modo a que as pessoas possam assimilar diversos aspectos ligados à diversidade de plantas; para conhecerem melhor as florestas e as espécies que normalmente aí ocorrem e para conhecerem as espécies invasoras e os seus perigos para os habitats naturais.
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23,661
Avaliação da inibição de Metaloproteinases da Matriz como alvo terapêutico em Neoplasias Hematológicas
Metaloproteinases da Matriz,Batimastat,Microambiente medular,Neoplasias hematológicas
O microambiente medular sendo o principal suporte da hematopoiese normal, é a estrutura que fornece proteção às células estaminais hematopoiéticas de agressões externas, bem como indicações fisiológicas necessárias à regulação destas células. No entanto, esta estrutura também é importante na formação, sustentação e desenvolvimento de clones neoplásicos. Um dos seus componentes, as metaloproteinases da matriz (MMPs), são enzimas que são responsáveis pela degradação e modulação da matriz extracelular. Estas são enzimas altamente reguladas no organismo e a mais pequena desregulação pode originar um descontrolo dos processos celulares, promovendo a formação de neoplasias. Uma vez que as terapêuticas atuais não são eficazes em todos os doentes com neoplasias hematológicas e as recidivas são frequentes, a inibição das MMPs poderá constituir uma nova abordagem terapêutica para os doentes com estas neoplasias. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial terapêutico do Batimastat (BB- 94), um inibidor das MMPs, em modelos in vitro de neoplasias hematológicas. Para o efeito, foram utilizadas quatro linhas celulares de neoplasias hematológicas, 2 de Leucemia Promielocítica Aguda, sem e com a translocação t(15;17), as células HL-60 e NB-4, respetivamente; 1 de Mieloma Múltiplo, as células H929, e 1 de Síndrome Mielodisplásica, as células F36-P. Primeiro foi determinada a expressão basal das MMPs, por Citometria de Fluxo (CF), com recurso a anticorpos específicos marcados com sondas fluorescentes. As células foram incubadas na ausência e na presença de diferentes concentrações de BB-94, entre 0,1 e 10μM, administrado em toma única ou fraccionada. Para avaliar o efeito deste inibidor na viabilidade e na densidade celular foi usado o teste de exclusão por azul de tripano. A morte celular foi avaliada por microscopia óptica, após coloração de esfregaços usando o método de May-Grünwald-Giemsa, e por CF, através da dupla marcação com Anexina V e Iodeto de Propídeo. Foi também avaliada a activação de caspases, utilizando a sonda Apostat, bem como o ciclo celular, com recurso a Iodeto de Propídeo, ambos avaliados por CF. Para confirmar a atividade gelatinolítica das MMPs, utilizou-se também o método de zimografia em gelatina, antes e após a incubação com oinibidor. Por fim, verificou-se a influência do inibidor nas vias de sinalização celular, através da expressão das proteínas ERK 1/2 e AKT, por western blot. Os resultados mostram que o BB-94 reduz a viabilidade e a proliferação celular de uma forma dependente do tempo, da dose e das características da linha celular. O IC50 do fármaco, após 48h de exposição é, aproximadamente, 7,5 μM para a linha NB-4, 10 μM para a linha F36-P e entre 7,5 e 10 μM para as linhas celulares HL-60 e H929. Além disso, os resultados sugerem que a administração diária do fármaco é mais eficaz na redução da viabilidade e da proliferação celular quando comparado à mesma dose (total) em administração única. Por outro lado, o efeito citotóxico do BB-94 é mais acentuado na linha celular de LPA que apresenta a translocação t(15;17), e este efeito aparenta ser independente da expressão de MMPs. O BB-94 induz morte celular por apoptose com activação de caspases, de forma dependente da dose. A análise do ciclo celular confirma a atividade anti-proliferativa do fármaco, uma vez que é observado um bloqueio na fase G0/G1 nas células HL-60 e H929, na fase S nas células NB-4 e na fase G2/M nas células F36-P. A zimografia em gelatina confirma a atividade do BB-94, ao ser possível observar-se um bloqueio na atividade gelatinolítica das MMPs diretamente proporcional à dose de fármaco administrada. A análise do western blot indicam que há um aumento da expressão da ERK nas células tratadas com o BB-94, quando comparado com as células sem tratamento, nas linhas celulares HL-60 e F36-P, não se observando diferenças significativas nas linhas NB-4. Por outro lado, o BB-94 induziu um aumento na expressão de AKT nas células HL-60, enquanto nas H929 foi observada uma diminuição, em comparação com o controlo. Em conclusão, estes resultados sugerem que o BB-94 poderá constituir uma potencial e nova abordagem terapêutica no tratamento de neoplasias hematológicas, apresentando um papel importante na regulação das vias de sinalização celular que controlam papéis fundamentais tanto no crescimento e desenvolvimento celular, como no controlo da morte celular. Contudo, a eficácia terapêutica poderá depender do tipo e das características genéticas da neoplasia, bem como do esquema terapêutico utilizado.
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23,664
Análise morfométrica e microevolutiva dentária através do método do polígono oclusal das cúspides
Discursos,Gamers,Jornais,Psicologia
Neste trabalho pretendeu-se analisar a existência de microevolução em Homo sapiens através da análise do polígono oclusal das cúspides da coroa de primeiros molares superiores num período temporal de cerca de 4300 anos que compreendia o Neolítico final e o período moderno. Dada a disponibilidade dos dados, foi também verificada a existência de variação entre populações do mesmo período. O método do polígono oclusal foi desenvolvido por Morris em 1986 e na última década foi usado em grande parte por Bailey (2004, 2006, 2008). Unindo numa fotografia os ápices das cúspides, o polígono resultante permite-nos avaliar a posição relativa das cúspides em relação à coroa do dente, assim como inferir sobre a forma deste através da observação dos ângulos formados. Para além de esta técnica poder ser utilizada para estudar a evolução da dentição humana através da comparação com hominíneos fósseis, também se demonstrou útil para períodos temporais bastante mais reduzidos. Não se observou uma evolução estatisticamente significativa do tamanho oclusal das coroas neste período microevolutivo de 4300 anos, contudo encontrou-se um aumento de 7,45% no tamanho do polígono oclusal e consequentemente da sua área relativa em 9,38%. Isto indica-nos que as cúspides se têm vindo a posicionar de forma diferente na coroa dos molares, afastando-se do centro da mesma. Os dados relativos aos ângulos entre as cúspides e à forma do dente não sugerem qualquer evolução, mas sim diferenças entre as várias populações. Duas das três populações medievais, embora baseadas num número muito reduzido de indivíduos, mostraram-se possivelmente distintas no tamanho oclusal, área poligonal relativa e em dois ângulos, apesar da proximidade geográfica. Visto se ter estudado microevolutivamente os primeiros molares superiores, procedeu-se também a uma análise da frequência da forma positiva da cúspide de Carabelli. Juntamente com os resultados obtidos por outros autores, este trabalho parece também apontar para a existência de uma variação na frequência mesmo dentro do grupo populacional Europeu. Os nossos valores enquadram-se dentro dos largos intervalos obtidos por estes autores com amostras de diferentes países.
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23,666
Embriogénese somática em solanáceas: integração de sistemas modelo alternativos baseados no tamarilho
Arabidopsis thaliana,Calo embriogénico,Calo não embriogénico,Solanum melongena,Solanum muricatum
A disponibilidade de sistemas modelo de embriogénese somática (ES) permitiu criar ferramentas vantajosas para o estudo de processos de diferenciação celular vegetal e para aumentar o nosso entendimento sobre os aspetos funcionais dos genes já implicados na ES. Vários sistemas modelo têm sido amplamente utilizados na caraterização da ES, tais como Daucus carota e Arabidopsis thaliana. No entanto, as descobertas fundamentadas nestas plantas deverão ser testadas noutros organismos ou sistemas para verificar a sua efetividade. Outras espécies têm demonstrado um papel emergente no entendimento de vários processos morfológicos induzidos in vitro, sendo a beringela (Solanum melongena L.) e o tamarilho (Cyphomandra betacea Cav. Sendt. syn. Solanum betaceum) exemplos dessa situação. São dois membros da Solanaceae, uma grande e diversa família de plantas cuja importância económica e interesse biotecnológico são bem conhecidos. A beringela apresenta uma notável resposta a várias técnicas de cultura in vitro devido ao grande potencial morfogénico, sendo particularmente vantajosa na indução de ES. A disponibilidade de vários protocolos de ES eficientes, combinados com o número crescente de loci identificados, disponíveis em bases de dados, possibilita a consideração do papel desta solanácea como modelo alternativo em estudos da morfogénese in vitro. Outra solanácea promissora é o tamarilho, uma espécie lenhosa cujo protocolo de ES já se apresenta otimizado. A grande vantagem do sistema de indução nesta espécie é a formação simultânea de tecidos embriogénicos (CE) e não embriogénicos (CNE) a partir do mesmo explante (folhas ou embriões zigóticos maturos) perante as mesmas condições de cultura. A comparação de perfis proteicos de CE e CNE permitiu a identificação de proteínas expressas diferencialmente durante a aquisição da competência embriogénica, incluindo a NEP-TC (GenBank, accession number JQ766254.1), uma proteína de 26,5 kDa consistentemente presente em CNE, sugerindo um possível papel como inibidor da indução de ES no tamarilho. Esta proteína apresenta um elevado grau de homologia com a família de proteínas SpoU metiltransferases de RNA de Arabidopsis thaliana. No presente trabalho, são analisados os sistemas de indução de ES da beringela e do tamarilho numa abordagem semelhante, de forma a avaliar o seu papel como sistemas modelo alternativos em estudos de ES. Adicionalmente foi estudada outra solanácea, a pera-melão (Solanum muricatum Ait.), que apresenta um hábito intermédio entre a beringela e o tamarilho, devido às suas características semi-arbustivas. Numa fase inicial,pretendeu-se verificar se as condições de indução de ES no tamarilho poderiam ser reproduzidas nesta espécie com potencial para ser explorada comercialmente e da qual ainda pouco se sabe, revelando-se assim interessante para o estabelecimento de novos protocolos de cultura in vitro. Neste sentido, foram efetuados ensaios de ES em todas as espécies usando explantes de tecidos foliares de vários genótipos. Foram testadas várias concentrações das auxinas 2,4-D, NAA e picloram e diferentes quantidades de sacarose, 3% e 9% (w/v) para a beringela, e 9% (w/v) para o tamarilho e a pera-melão. Os resultados demonstraram diferentes respostas, tendo os tecidos de beringela e tamarilho permitido obter calo com caraterísticas embriogénicas e não embriogénicas, ao contrário da peramelão, a partir da qual apenas foi obtido calo com características não embriogénicas. A expressão do gene NEP-TC foi analisada em todos os calos obtidos e tecidos foliares de beringela, pera-melão e tamarilho, tendo a abundância dos seus transcritos sido determinada através de RT-PCR. Os resultados obtidos indicaram que os níveis dos transcritos de NEP-TC variam em todos os tecidos das solanáceas, com elevada abundância em CNE, mas também em CE, e menor expressão em folhas não induzidas, o que está em concordância com os resultados previamente obtidos no tamarilho. Também foi avaliada a capacidade de indução de ES de linhas de Arabidopsis thaliana knockout para genes da família das SpoU metiltransferases de RNA. Plantas homozigóticas para a linha de inserção foram comparadas com plantas wild type. Juntamente foram analisados aspetos morfológicos tais como, o enraizamento e o desenvolvimento da roseta e da inflorescência. Os resultados demonstraram uma taxa de indução de ES ligeiramente mais elevada na linha knockout para o gene homólogo à NEPTC e, relativamente ao desenvolvimento foram registadas diferenças significativas relativamente ao enraizamento. A informação reunida neste trabalho permite a correlação entre sistemas de indução de ES de diferentes solanáceas, que possivelmente terão o potencial para contribuir como sistemas modelo alternativos. No entanto, deverão ser efetuados mais estudos no que diz respeito à otimização do protocolo de indução de ES da beringela e ao papel funcional da NEP-TC tanto na beringela como no tamarilho. Esta proteína estará possivelmente envolvida na indução de ES como um marcador da competência nãoembriogénica e poderá auxiliar na compreensão dos mecanismos de regulação deste processo.The availability of somatic embryogenesis (SE) model systems has created effective tools for studying cell differentiation processes in plants thus increasing our understanding about the functional aspects of genes implicated on SE. Over the years, several models such as Daucus carota and Arabidopsis thaliana have been widely used to characterize SE. However, the effectiveness of the discoveries based on such plants is often difficult to be verified in other systems. In recent years, other species have demonstrated an emerging role for the understanding of various in vitro induced morphological processes. This is the case of eggplant (Solanum melongena L.) and tamarillo (Cyphomandra betacea Cav. Sendt. syn. Solanum betaceum), two members of Solanaceae, a large and diverse plant family whose economic importance and biotechnological interest are well known. Eggplant is very responsive to numerous tissue culture techniques due to a high morphogenic potential that is particularly useful for SE induction. The availability of several efficient SE protocols, combined with an increasing number of identified loci available on databases, makes this solanaceous an alternative model to be considered for studies of in vitro morphogenesis. Another promising solanaceous is tamarillo, a tree species in which effective SE protocols have been developed. One of the main advantages of tamarillo is the simultaneous formation of embryogenic (EC) and non-embryogenic (NEC) tissues from the same explant (leaves or mature zygotic embryos) under the same culture conditions. Comparative proteomic analysis of EC and NEC allowed the identification of proteins differentially expressed during the acquisition of SE competence including NEP-TC (GenBank, accession number JQ766254.1), a 26.5 kDa protein consistently present in NEC, suggesting its putative role as an inhibitor of tamarillo’s SE induction. This protein shows a high degree of identity with the Arabidopsis thaliana RNA methyltransferase (SpoU) family protein. In the present study eggplant and tamarillo SE induction systems were analyzed in a combined approach to testify their role as alternative model systems for SE studies. Additionally another solanaceous, pepino (Solanum muricatum Ait.), with an intermediate habit between eggplant and tamarillo, due to its semi-shrub characteristics, was studied. In an initial step, it was intent to reproduce the SE induction conditions for tamarillo.
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23,667
Estudo comparativo do potencial anti-inflamatório e antioxidante da cianidina-3-glucósido e do ácido protocatecuico em células intestinais
Doenças Inflamatórias Intestinais,Polifenóis,Antocianinas,Cianidina-3-glucósido,Ácido protocatecuico,Atividade anti-inflamatória,Atividade antioxidante,Óxido Nítrico,Glutatião,Espécies reativas de oxigénio
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são um grupo de doenças crónicas do trato gastrointestinal (GI) com elevada incidência a nível mundial. Estas doenças são caracterizadas por uma excessiva produção de mediadores pro-inflamatórios, excessiva ativação do fator de transcrição NF-κB e disfunção na barreira intestinal para além de, um aumento do stress oxidativo. Hoje em dia ainda não existe um tratamento específico para as DII e os fármacos usados para o tratamento estão associados a vários efeitos secundários. A falta de um tratamento e os efeitos secundários associados às terapias usadas criam a necessidade de investigar novas estratégias de tratamento mais eficazes e seguras. Os polifenóis, nomeadamente as antocianinas, são compostos abundantes na alimentação, e mostram possuir uma grande variedade de efeitos benéficos na saúde humana. Estes são conhecidos pela sua grande capacidade antioxidante e anti-inflamatória e, apesar da extensa biotransformação e baixa biodisponibilidade, as antocianinas mostram ser uma boa forma para tratamento e prevenção das DII. A cianidina-3-glucósido é uma antocianina descrita como um composto com grande capacidade antioxidante e anti-inflamatória, sendo metabolizada ao longo do trato gastrointestinal. O principal metabolito resultante dessa metabolização é o ácido protocatecuico. Este ácido fenólico, devido à presença de grupos hidroxilo ligados ao anel aromático, possui uma grande capacidade redutora de radicais, podendo estar envolvido nos efeitos benéficos da cianidina-3-glucósido. Este trabalho foi idealizado com o objetivo de realizar um estudo comparativo entre a cianidina-3-glucósido e o ácido protocatecuico relativamente aos efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios em células epiteliais do intestino, células HT-29, estimuladas com uma mistura de citocinas pro-inflamatórias, a IL-1α, o TNF-α e o IFN-γ. Inicialmente, num ensaio sem células, tanto o ácido protocatecuico como a cianidina-3-glucósido mostraram ser bons agentes redutores de radicais livres, possuindo uma atividade antioxidante superior à do Trolox. No entanto, em termos comparativos a cianidina-3-glucósido foi mais eficiente como composto antioxidante que o ácido protocatecuico.Relativamente aos ensaios em células, nem a cianidina-3-glucósido nem o ácido protocatecuico foram tóxicos para as células numa concentração até 25 μM, mas também não as protegeram da citotoxicidade induzida pela mistura de citocinas. A mistura de citocinas é capaz de desencadear a produção de diversos marcadores inflamatórios, nomeadamente, de óxido nítrico pelas células intestinais que foi, no entanto, fortemente contrariada quando as células foram pré-incubadas com a cianidina-3-glucósido 25 μM. Por outro lado, a pré-incubação com ácido protocatecuico 25 μM não conferiu uma proteção significativa. As citocinas induziram também uma alteração no estado redox das células, avaliado em termos de glutatião intracelular assim como de formação de espécies reativas de oxigénio. No primeiro caso, nem a cianidina-3-glucósido nem o ácido protocatecuico, 25 μM, contrariaram o efeito das citocinas, mas no segundo, conferiram alguma proteção, particularmente quando se avaliou a formação de espécies oxidantes por microscopia de fluorescência.
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23,671
Avaliação do ciclo de vida de cogumelos nativos : comparação entre sistemas de produção abertos e fechados
Avaliação de Ciclo de Vida,Sistema de Produção Aberto,Sistema de Produção Fechado,Lactarius deliciosus,Agrocybe cylindracea
Os cogumelos são reconhecidos como alimento e, certamente, algumas espécies como iguarias, pois há muito que são apreciados pelo seu sabor e textura. Atualmente, existe um crescente interesse do público no consumo de cogumelos como alimentos funcionais devido às suas propriedades nutracêuticas. A colheita de cogumelos silvestres e a produção de cogumelos sapróbios ao nível industrial têm vindo a aumentar. A importância de estudos sobre a produção de cogumelos em Sistemas Abertos e em Sistemas Fechados é cada vez maior devido à elevada procura de novas espécies e suas propriedades. Para tal é importante proceder à Avaliação de Ciclo de Vida destes sistemas, uma vez que esta é uma ferramenta que nos permite avaliar os impactos ambientais de uma atividade em toda a sua cadeia de produção ou o impacto e importância de um determinado processo. Para desenvolver a produção de cogumelos nativos selecionaram-se duas espécies modelo e procedeu-se ao levantamento de estudos realizados para a produção em sistemas abertos de Lactarius deliciosus, e a pesquisa de técnicas e soluções já existentes para desenvolvimento de um método de produção de Agrocybe cylindracea em sistemas fechados. Após obtenção dos dados sobre a produção destas duas espécies modelo foi realizada uma Avaliação de Ciclo de Vida para analisar os impactos de cada sistema de produção e de forma a potenciar todo o processo de produção de cogumelos em sistemas abertos e em sistemas fechados. No presente estudo foram utilizadas duas categorias de impacto para a avaliação, nomeadaente o Potencial de Aquecimento Global (gCO2eq/kg cogumelo) e o Requisito Energético Primário Fóssil (MJfóssil/Kg cogumelo). Para a produção de cogumelos em sistemas abertos, a espécie Lactarius deliciosus revelou ser uma espécie com interesse estratégico e com reduzido impacto ambiental. O seu potencial no mercado português ainda se encontra por explorar, ao contrário do que acontece em Espanha onde esta espécie já é bem conhecida no mercado. Relativamente à produção em sistema fechado de Agrocybe cylindracea, dos dois substratos testados, palha de trigo e acácia, o substrato de acácia originou cogumelos com boa qualidade, e a sua Eficiência Biológica foi similar à produção em palha de trigo. No que respeita à Avaliação do Ciclo de Vida dos dois sistemas de produção, verificou-se que o sistema de produção fechado tem maior impacto ambiental devido às necessidades energéticas inerentes ao processo. Observou-se que a produção de 1kg de A. cylindracea, em sistema fechado, apresenta maior impacto ao nível do potencial de aquecimento global e do requisito energético primário fóssil, quando comparado à produção de 1kg de L. deliciosus, em sistema aberto. Na produção de A. cylindracea o potencial de aquecimento global obtido foi de 4294,47gCO2eq, enquanto a produção em sistema aberto de L. deliciosus foi de 678,67gCO2eq. Relativamente ao requisito energético primário fóssil para a produção em sistema fechado de A. cylindracea o valor obtido foi de 164,32 MJfóssil primário, enquanto no sistema aberto de L. deliciosus foi 103,68MJfóssil primário. No sistema de produção fechado será importante realizar futuramente ajustes nos vários processos que o constituem de forma a reduzir custos e impactos ambientais. Apesar da necessidade de otimização dos processos de produção, foi possível estabelecer um sistema de produção para espécies de interesse nutricional e económico.
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23,673
Aldosterona e seus receptores: novos alvos para a prevenção da morte de neurónios na retinopatia diabética
Retinopatia diabética,Sistema renina-angiotensina-aldosterona,Aldosterona,aldosterona sintetase,Receptores mineralocorticóides,hiperglicemia
A retinopatia diabética (RD) é a principal causa de cegueira em pessoas em idade de trabalhar. A prevalência da RD aumenta com a duração da diabetes, quase todas as pessoas com diabetes do tipo 1 e mais de 60% das pessoas com o tipo 2 têm retinopatia após 20 anos de diabetes. Como uma grande parte das pessoas que têm diabetes tendem a desenvolver retinopatia, esforços consideráveis têm sido investidos em intervenções profiláticas. A melhoria do controle glicémico foi o primeiro factor a ser estudado, porém, ensaios clínicos têm demonstrado que a pressão arterial é um importante e modificável factor de risco para retinopatia diabética e que a redução da pressão arterial elevada diminui significativamente o desenvolvimento e progressão da retinopatia em ambos os tipos de pacientes diabéticos (Simó R e Hernández C, 2009). Assim, têm vindo a ser desenvolvidos estudos sobre o sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS), sistema envolvido no controlo pressão arterial, volemia e equilíbrio hidroelectrolítico. Ao longo dos últimos anos tem sido demonstrado que alguns componentes do RAAS são expressos em diferentes constituintes do olho (Fletcher EL et. al., 2010). Um dos componentes do RAAS é a angiotensina II (Ang II). Estudos anteriores mostram que o olho possui a capacidade de formar Ang II (Fletcher EL et. al., 2010), sendo também conhecidos os efeitos da Ang II nos vasos sanguíneos da retina. A Ang II provoca vasoconstrição das arteríolas retinianas, vénulas e capilares através da ligação ao receptor de angiotensina do tipo 1 (AT1R) (Kawamura et. al., 2004; Rokwood et. al., 1987; Schofelder et. al., 1998). No entanto, o papel da aldosterona, o último componente do RAAS, no desenvolvimento de complicações na retina associadas à diabetes, tem sido pouco estudado. Desta forma, o objectivo principal deste trabalho foi estudar o efeito da diabetes/hiperglicemia na síntese e acção da aldosterona na retina, em particular no efeito do antagonismo dos receptores mineralocorticóides (MCR) com eplerenona na prevenção da morte neuronal na retina induzida pela diabetes/hiperglicemia, que ocorre nas fases iniciais da RD, mesmo antes da detecção de lesões vasculares. Neste estudo observamos não só a presença dos MCR e da aldosterona sintetase na retina, mas também um aumento nos níveis de proteína total dos MCR e da aldosterona sintetase em culturas celulares de retinas, expostas a elevadas concentraçõesde glicose, e em modelos animais diabéticos. Para além de aldosterona poder ser sintetizada na retina, confirmamos que os seus níveis no plasma se encontram aumentados em modelos animais diabéticos. O que nos permite induzir que existe na retina um local e sistema de acção da aldosterona que é afectado pela diabetes/ hiperglicemia. Os estudos de viabilidade e morte celular vieram demonstrar o envolvimento do sistema renina-angiotensina-aldosterona na morte neuronal da retina. Através destes estudos podemos observar que o antagonismo dos receptores mineralocorticóides previne a morte neuronal, pelo processo de necrose, da retina que ocorre nas fases iniciais da retinopatia diabética. Em suma, este trabalho mostra que existe um sistema de acção da aldosterona na retina, que esse sistema é afectado pela diabetes/hiperglicemia e que o antagonismo dos MCR com eplerenona pode ser um possível alvo terapêutico para o tratamento da retinopatia diabética.
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23,674
Vegetação e solo: calcários versus filitos
Análise multivariada,Áreas periurbanas,Solos calcários,Solos de filitos,Vegetação mediterrânea
Na zona periurbana de Coimbra distinguem-se solos de calcários, margas, calcários margosos e margo-calcários pertencentes à Orla Ocidental das Bacias Mesocenozóicas, e solos de filitos inseridos no setor Coimbra – Espinhal – Alvaiázere da zona da Ossa Morena. Calcários e filitos estão muito próximos e, como tal, supõe-se que o clima e a vegetação circundante não constituam os fatores principais causadores de variação da composição florística nos dois tipos de solo. A zona periurbana de Coimbra constitui, assim, um modelo para o estudo da influência do tipo de solo no coberto vegetal. O objetivo principal desta investigação foi comparar o elenco florístico nestes dois tipos de solo. Foram selecionadas duas áreas em cada tipo de solo de forma a realizar: (1) análises de solo de 12 colheitas: cor, pH, condutividade elétrica, teor de humidade, teor de matéria orgânica, difração de raio X, textura e fluorescência de raio X; e (2) análise da vegetação em 48 quadrados de amostragem: levantamento florístico e abundância do coberto vegetal pela metodologia DAFOR. Os dados foram analisados estatisticamente em Canoco for Windows 4.5. Os solos das áreas de calcários e os solos das áreas de filitos mostraram ter características texturais e físico-químicas distintas. Os solos calcários apresentaram valores de pH, condutividade elétrica e de teor de humidade superiores aos solos de filitos, locais onde se identificou maior presença de matéria orgânica. Os solos calcários apresentaram textura limo-argilo-siltoso e os minerais mais abundantes foram a calcite, e o quartzo. Os solos de filitos apresentaram texturas limosa, limo-arenosa e limo-siltosa e os minerais mais abundantes foram o quartzo e as micas. Nas áreas de solos calcários os óxidos existentes em maior percentagem foram o CaO e o SiO2 e os elementos traço com maior peso foram o Zr e Sr; nos solos de filitos os óxidos com maior percentagem foram SiO2 e o Al2O3 e os elementos traço com maior peso foram o Zr e o V. No total da investigação foram identificadas 288 taxa distribuídas por 61 famílias (com predominância da Fabaceae, Asteraceae e Poaceae), mostrando assim a enorme diversidade da vegetação periurbana da Coimbra. Verifica-se que existe uma distinção clara entre a vegetação das áreas de solos calcários e de solos de filitos e que os fatores ambientais que mais influenciam a ordenação das espécies e dos locais de amostragem são pH, a mineralogia e a influência antropogénica. Espécies como Cistus albidus,Cistus monspeliensis e Bellis perennis predominam nos solos de calcários e Erica arborea, Cistus salviifolius e Glandura protrata subsp. prostrata nos solos de filitos. A partir destes resultados concluiu-se que as diferenças na vegetação se devem sobretudo à mineralogia dos solos, que estabelece características físico-químicas distintas, e à influência da ação antropogénica.
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23,675
Efeito do pH e da fonte de Azoto na cultura in vitro de medronheiro (Arbutus unedo L.)
Embriogénese somática,Enraizamento,Organogénese,Proliferação de meristemas
O medronheiro (Arbutus unedo L.) é um arbusto, ou pequena árvore, comum nas florestas portuguesas. Pertence à família Ericaceae, a mesma que incluí outras espécies interessantes como os mirtilos ou as azáleas. Mede normalmente 3 a 5 metros de altura podendo, em condições excecionais, atingir os 12 metros. Tolera diferentes condições climatéricas, desde a seca às baixas temperaturas (até -12ºC), e pode ser encontrado tanto em solos calcários (básicos) como siliciosos (ácidos). Encontra-se largamente distribuído ao longo da bacia do Mediterrâneo. Apesar de ser tradicionalmente uma espécie NUC (Neglected or Underutilized Crop) é uma planta multifuncional, sendo utilizada para diversos fins. Dos frutos produzem-se compotas ou, por fermentação, é produzida a afamada aguardente de medronho. É atualmente reconhecida como sendo uma espécie com grande potencial, cada vez mais procurada por agricultores que buscam novas formas de rendimento ou que foram afetados pela elevada taxa de incêndios florestais, que ocorrem anualmente em todo o território nacional. O presente trabalho insere-se num projeto alargado de melhoramento do medronheiro e é um contributo para a otimização das técnicas de micropropagação. Foram estudados os efeitos do pH e da fonte de azoto em diferentes etapas da propagação in vitro: i) embriogénese somática, ii) proliferação de meristemas em meio sólido e meio líquido e iii) enraizamento. As ericáceas estão geralmente adaptadas a uma nutrição baseada em amónio e a pH ácido no solo. No entanto neste estudo foi revelada uma preferência por pH próximo da neutralidade (5,7-6,5) na proliferação de meristemas e em relação à fonte de azoto notou-se uma preferência pela combinação de NH4+ e NO3-. Contudo, a proliferação em meio líquido revelou que diferentes genótipos têm diferentes preferências por valores de pH no meio de cultura, indicando que este parâmetro deve ser otimizado para cada clone. A embriogénese somática revelou melhores resultados em pH próximo da neutralidade, em 2 dos 3 clones testados, embora a indução tenha ocorrido de forma heterogénea e com o aparecimento de algumas anomalias em relação aos embriões formados bem como ao tecido caloso. Apesar de interessante para a micropropagação desta espécie, esta técnica tem deser ainda alvo de um intenso melhoramento de forma a otimizar a resposta dos explantes ao meio de indução para que esta ocorra com o mínimo de anomalias. O enraizamento é uma etapa fundamental para o sucesso da micropropagação. O número de raízes formadas aumenta em pH 5,7-6,5. A modificação do meio de Knop com a adição de NH4Cl no lugar de KNO3 resultou em melhores resultados no número de raízes laterais formadas. Para além disso, o uso destas duas fontes de azoto em simultâneo resulta numa maior taxa de formação de raízes secundárias, aumentando portanto a área de absorção radicular, sendo interessante nas primeiras fases de aclimatação das plantas. Os resultados obtidos neste trabalho são uma contribuição para a compreensão do comportamento do medronheiro face a diferentes valores de pH e fontes de azoto, com vista à otimização de protocolos para a propagação de plantas em larga escala.
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23,678
Estruturas secretoras em Medronheiro (Arbutus unedo L.): caracterização morfológica, estrutural e histoquímica e avaliação da atividade proteásica da secreção
emergências glandulares,Germinação de sementes,Micropropagação,Microscopia eletrónica de varrimento,Oleorresina,Zimograma
Arbutus unedo (medronheiro), da família Ericaceae, apresenta porte arbustivo ou arbóreo, e encontra-se bem adaptado a solos pobres e a condições ambientais extremas. É nativo da bacia do Mediterrâneo e da Europa Ocidental, podendo também ser encontrado na Irlanda. Em Portugal, está espalhado por todo o país, embora seja mais abundante na Região Central e nas Serras do Caldeirão e Monchique (Algarve). Trata-se de uma espécie importante do ponto de vista ecológico, ajudando a manter a diversidade da fauna e evitando a erosão dos solos. Pode ainda ser utilizada em programas de fitorremediação, fitoestabilização e contribui para a regulação do ciclo do azoto. Economicamente, os frutos podem ser consumidos frescos ou transformados em marmeladas, compotas e conservas. No entanto, a principal fonte de rendimento para os agricultores resulta da produção de uma bebida com elevado teor alcoólico, vulgarmente designada por “Medronheira”. Esta planta pode ainda ser utilizada no fabrico de mel e na indústria floral. Na medicina tradicional, as folhas têm sido utilizadas para fazer infusões, aplicadas no tratamento de diversas patologias e, também, no tratamento de algumas doenças. A. unedo tem sido considerada uma espécie NUC, contudo devido a problemas que afetam as principais espécies florestais em Portugal (pinheiros e eucaliptos), o interesse por esta espécie surgiu e, como consequência, muitas áreas em diferentes regiões do país estão agora a ser cultivadas com medronheiro. Neste trabalho, foram aplicados dois tipos de propagação, que consistiram na germinação de sementes e na micropropagação através de cultura in vitro. Verificou-se que, as baixas taxas de germinação convencionais das sementes podem ser ultrapassadas com períodos mínimos de estratificação de 14 dias, a 4ºC, obtendo-se, assim, taxas de germinação mais elevadas, acima dos 50%, dependendo de vários fatores. A multiplicação in vitro, através da proliferação de meristemas, provou ser um método eficaz, tendo permitido obter plantas para análise das estruturas secretoras. Embora a existência de estruturas secretoras tenha sido referida por alguns autores em duas espécies de Arbutus, no medronheiro não existia, até à realização deste trabalho, nenhuma investigação aprofundada destas estruturas. Os estudos de microscopia óptica e eletrónica de varrimento e a análise histoquímica, permitiram concluir que a planta apresenta no caule e nas folhas, especialmente quando jovens, emergências glandulares, que são do mesmo tipo nas plantas crescidas in vivo e in vitro. A análise histoquímica revelou que a secreção produzida por estas emergências é umaoleorresina com propriedades hidrofílicas, sendo constituída maioritariamente por lípidos, flavonóides e terpenóides. Quanto aos terpenóides, ainda residem dúvidas acerca da sua constituição, principalmente no que diz respeito à sua volatilidade. Tendo em conta as características do secretado e o facto de se terem encontrado insetos presos nas emergências do medronheiro, realizaram-se diversos ensaios para avaliar a atividade proteásica da secreção. Verificou-se que esta era residual e que, por isso, as emergências glandulares de A. unedo deverão estar relacionadas com a proteção contra pequenos insetos, os quais se tem visto, muitas vezes, ficarem aderidos aos caules e folhas jovens. O estatuto de protocarnívora desta planta não é, porém, excluído, devendo ser realizados testes adicionais para o comprovar.
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23,679
Preservação da fertilidade: maturação in vitro de oócitos pré ou pós vitrificação
Preservação da fertilidade,Oócitos,Maturação in vitro,Vitrificação
As doenças oncológicas são, depois das doenças cardiovasculares, a segunda principal causa de morte em Portugal. Os avanços ao nível da prevenção, deteção precoce e tratamento permitem a doentes com este tipo de patologia viver por longos períodos de tempo, e assim, questões como a qualidade de vida e a preservação da fertilidade, tornaram-se cada vez mais importantes para as sobreviventes em idade reprodutiva. O número de mulheres em idade reprodutiva, com a sua fertilidade comprometida, tem aumentado consideravelmente e, consequentemente, a preservação da fertilidade feminina tem sido alvo de atenção de embriologistas e médicos, sobretudo os que se encontram ligados à medicina da reprodução. A criopreservação de oócitos deixou de ser considerada uma técnica experimental apenas em Janeiro de 2013. Contudo, dentro das várias opções de preservação da fertilidade feminina é aquela que de forma mais eficaz permite assegurar a autonomia reprodutiva. A vitrificação de oócitos é a técnica de criopreservação que se tem mostrado mais eficaz na criopreservação dos gâmetas femininos e a maturação in vitro é uma técnica muito importante quando se trata da criopreservação de oócitos imaturos. Com este trabalho pretende-se perceber se é mais ou menos benéfico, em termos de integridade estrutural (presença de um fuso meiótico normal e correto alinhamento dos cromossomas), realizar a maturação in vitro dos oócitos imaturos pré ou pós vitrificação. Globalmente, os resultados obtidos neste estudo permitem-nos concluir que a maturação in vitro é mais eficaz quando os oócitos imaturos estão em metáfase I comparativamente com oócitos em prófase I (VG- vesícula germinal) e que a maturação in vitro de oócitos em metáfase I é mais eficaz quando realizada antes da vitrificação. Relativamente ao processo de vitrificação é de referir ainda que as taxas desobrevivência de oócitos vesícula germinal (VG), metáfase I (MI) e metáfase II (MII; maturados in vitro) não foram estatisticamente distintas (p=0,121) entre os três grupos testados. Os resultados permitem ainda concluir que, independentemente do momento em que a maturação in vitro foi realizada (pré ou pós vitrificação), os oócitos maturados in vitro, nos quais foi realizada a análise da integridade do fuso meiótico e alinhamento dos cromossomas, todos eles apresentavam danos a este nível. A maturação in vitro e vitrificação de oócitos são já uma realidade em alguns laboratórios de embriologia e, é esperado que este número suba consideravelmente nos próximos anos dado o aumento notável de mulheres em idade reprodutiva com necessidade de preservar a sua fertilidade. Tendo em conta que o presente estudo, assim como outros, têm demonstrado que estas técnicas podem ter efeitos nefastos ao nível da integridade do fuso meiótico e alinhamento dos cromossomas, a tendência será a utilização de tecnologias, como o PolScope, que permitem a visualização in vivo da integridade do fuso meiótico e que, portanto, permitem a seleção de oócitos com fusos intactos para as técnicas de reprodução medicamente assistida.
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23,680
Gramíneas de altitude do Parque Natural da Serra da Estrela
Poaceae,PNSE,Chave multi-acesso,andares de vegetação,Análise florística qualitativa,Adaptação morfológica à altitude,Influência climática
As Poaceae do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) constituem uma das famílias de maior importância nas zonas de altitude. No entanto, são poucos os estudos detalhados existentes sobre a distribuição desta família na Serra da Estrela. Esta investigação teve duas componentes. A primeira componente diz respeito à composição florística em Poaceae de altitude do PNSE. Foram identificados 25 géneros e 48 espécies. Em qualquer estudo florístico a identificação depende de uma chave de identificação adequada o que não é fácil em Poaceae dado a sua evolução ter ocorrido por simplificação extrema da morfologia. A chave multi-acesso criada no âmbito deste trabalho revelou resultados muito positivos, permitindo identificação rápida, simples e com elevada taxa de sucesso numa família onde os problemas de identificação são sobejamente conhecidos. A outra componente da investigação diz respeito à distribuição das espécies de Poaceae identificadas num gradiente altitudinal de Seia (600 m) à Torre (1993 m) considerando (1) a variedade de macro e microclimas existentes no PNSE e (2) algumas adaptações morfológicas desenvolvidas pelas diferentes espécies com a altitude. (1) Os andares de vegetação da Serra da Estrela têm sido estabelecidos baseado em critérios fisionómicos/paisagísticos que são altamente subjectivos e que não consideram informação relevante sobre a distribuição das espécies. O método seguido nesta investigação para a delimitação dos andares de vegetação é baseado na composição das espécies (método florístico qualitativo), sendo, por isso, um método objectivo. Este método foi aplicado apenas à família Poaceae a qual, devido à sua importância florística nestas zonas de altitude, é provavelmente indicativa do que ocorre em toda a vegetação. A análise de cluster realizada com a composição específica de Poaceae delimitou 5 andares de vegetação que não correspondem aos 3 andares delimitados nas publicações clássicas sobre este tema (Pinto da Silva & Teles, 1980; Jansen, 2002. Os andares delimitados pelo método florístico qualitativo evidenciaram uma relação significativa com as unidades climotopológicas de Mora (2006), sendo que a complexidade climática parece reflectir-se na distribuição das gramíneas. (2) As análises CATPCA e K-Means Cluster realizadas evidenciaram uma relação estreita entre a altitude e os estados de carácter morfológicos seleccionados (hábito, inserção e secção da folha). Estes constituem respostas estruturais e funcionais relacionadas com as alterações climáticas que se fazem sentir com a altitude, principalmente as alterações de temperatura. A Análise de Clusters realizada para os caracteres morfológicos delimitou andares de vegetação semelhantes aos obtidos com a análise florística qualitativa. Desta forma, verificase que este é outro método para a delimitação de andares de vegetação, este não baseado na fisionomia/paisagem, nem na análise florística qualitativa ou quantitativa, mas sim, baseado em caracteres morfológicos influenciados pelas condições térmicas.
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23,685
Avaliação do estado fitossanitário e correlação com caraterísticas fenológicas de Quercus spp. em ambiente urbano e periurbano
Atributos funcionais,BLAST,Extracção de DNA,LA,LDMC,PCR,Quercus,SLA,Variabilidade
Cada vez mais se torna evidente a importância das várias espécies do género Quercus existentes em Portugal, seja pelo seu papel ecológico enquanto espécies-chave nos ecossitemas como os montados, onde são essenciais para a preservação de espécies ameaçadas que dependem desses mesmos ecossitemas, seja pela sua importãncia cultural e económica enquanto fonte de matéria prima e produtos de exportação. As várias espécies de carvalho existentes em Portugal são atacadas por vários patógenos e pragas, desde insetos a microfungos que causam prejuízos importantes. O trabalho aqui desenvolvido visou identificar as espécies de carvalho amostradas e avaliar alguns dos seus atributos funcionais, bem como caracterizar a variabilidade de microfungos presente na porção aérea das mesmas, identificando possíveis patógenos do género Quercus na zona urbana e periurbana da cidade de Coimbra. Nesta área, foram selecionadas 8 zonas representativas (4 urbanas e 4 periurbanas) onde foram feitas as amostragens para o estudo. Em cada zona foram selecionados aleatoriamente 5 espécimes cuja posição foi georeferenciada e de cada um foi feita uma colheita de material vegetal da porção aérea, incluindo folhas, ramos e casca. Do material recolhido, foram seleccionadas aleatoriamente 50 folhas por espécime para análise de cada atributo funcional, nomeadamente área foliar (Leaf Area - LA), área foliar específica (Specific Leaf Area - SLA) e conteúdo foliar de massa seca (Leaf Dry-Matter Content - LDMC). A análise do LDMC foi feita realizando pesagens de cada uma das 50 folhas, logo após a colheita e após secagem ao ar. A análise de LA foi feita utilizando um scanner digital e o software open source ImageJ, sendo depois o valor utilizado para calcular SLA. Os dados recollhidos foram depois tratados estatisticamente por espécime e por zona. A identificação das espécies amostradas foi feita utilizando uma chave dicotómica. Para avaliar a variabilidade de microfungos, foram recolhidos, do material vegetal amostrado, pequenos fragmentos de folhas, ramos e casca. Estes foram submetidos a uma esterilização superficial com hipoclorito de sódio a 2% tendo sido posteriormente inoculados em PDA (Potato Dextrose Agar) e incubados a 25ºC durante 5 dias. As culturas resultantes foram repicadas para PDA e incubadas a 25ºC até estarem completamente desenvolvidas. Para se proceder à identificação das espécies de microfungos, foi extraído o DNA de cada colónia pura tendo este sido depois amplificado por PCR (Polimerase Chain Reaction) utilizando primersespecíficos para fungos para a região ITS. A verificação do sucesso de cada amplificação foi feita através de uma eletroforese em gel de agarose. Os produtos de PCR foram depois sequenciados. Com as sequências obtidas foram realizados BLASTs em bases de dados online. Foram isoladas, e sequenciadas 109 amostras da região ITS que resultaram em 52 espécies de microfungos no total, 42 presentes na zona urbana e 37 presentes na zona periurbana de Coimbra. Destas 52 espécies, foram identificados 3 patógenos conhecidos do género Quercus, os microfungos Amphiporthe leiphaemia, responsável pela doença conhecida como antracnose dos carvalhos, Biscogniauxia mediterranea, responsável pela doença conhecida como carvão do entrecasco e Tubakia dryina, responsável pela doença conhecida como oak-leaf spot. Foram também encontrados outros patógenos vegetais que não afetam diretamente o género. Toda a informação recolhida neste trabalho vai ser utilizada para criar uma base de informação no software open source Quantum GIS completa com georeferenciação das zonas e indivíduos amostrados.
Ciências Exactas e Naturais
23,687
Urtica spp. Bioactividade e Cultivo
Urtica dioica,U. urens,U. membranacea,Compostos fenólicos,Antioxidante,Anti-inflamatória,Anti-fúngica,Propagação in vitro
As urtigas, apesar de comummente conhecidas pela sua picada dolorosa, são também utilizadas pelas suas propriedades terapêuticas. Desde as folhas à raiz, são tradicionalmente utilizadas para tratamento da diabetes, de patologias reumáticas, inflamatórias e hipertensão. De entre as muitas espécies existentes, a Urtica dioica L. (Urticaceae), espécie distribuída globalmente, é uma fonte de sais minerais, fibra e proteína, permitindo-lhe ser integrada na alimentação, sendo também reconhecida por utilizações que vão desde o uso da raiz para tratamento da Hiperplasia Benigna da próstata, ao uso das partes aéreas como anti-diurética, anti-reumática e antiinflamatória. Neste trabalho procedeu-se ao estudo de três espécies de urtigas: Urtica dioica, Urtica urens L. (Urticaceae), usada por vezes em substituição da Urtica dioica, e Urtica membranacea Poir. ex Savigny (Urticaceae), sobre a qual são praticamente inexistentes estudos científicos. O principal objectivo foi avaliar a bioactividade das três espécies; anti-oxidante, anti-inflamatória e anti-fúngica, e paralelamente, caracterizar constituintes fenólicos - metabolitos secundários vegetais com propriedades terapêuticas amplamente divulgadas - de modo a destacar, não só a espécie de maior interesse, mas também inferir sobre a natureza química dos compostos que podem contribuir maioritariamente para estas propriedades. Com recurso a técnicas cromatográficas, nomeadamente, HPLC acoplado a dois detectores: fotodíodos e espectrómetro de massa, foi possível identificar pela primeira vez, na Urtica dioica o ácido cafeoiltartárico e o p-cumaroilmalato. As outras duas espécies abordadas, Urtica urens e Urtica membranacea, apesar de menos bioactivas, revelaram também uma presença significativa de compostos fenólicos, tendo sido também identificados, pela primeira vez, na Urtica urens, os ácidos 3-O-cafeoilquínico, 4-O-cafeoilquínico, 5-O-cafeoilquínico e p-cumaroilcafeoilquínico, para além do flavonóide, diosmetina-O-rutinósido. Quanto à Urtica membranacea, espécie cuja distribuição é restrita à região Mediterrânica, demonstrou também algum potencial bioactivo, apesar de nunca antes ter sido objecto de estudos fitoquímicos. Foram identificados sete derivados de ácidos hidroxicinâmicos e dez flavonóides do tipo flavona e flavonol, C-, O,C- e C- glicosilados, assim como trêsderivados do 3-hidroxi-3-metilglutarilo, de distribuição muito pouco referenciada noutras plantas. A Urtica dioica demonstrou ter potencial como antioxidante, superior à das outras espécies testadas, bem como uma forte capacidade anti-inflamatória e alguma actividade anti-fúngica. Consequentemente, esta espécie foi selecionada para um estudo posterior, que permitiu avaliar o órgão aéreo da planta (flores, folhas e caules) que contribuía de modo maioritário para as propriedades bioactivas. As folhas demonstraram ser a parte com maior actividade anti-oxidante e antiinflamatória, bem como a maior concentração em ácidos hidroxicinâmicos, comparativamente à parte aérea total da planta florida. A espécie de maior bioactividade, Urtica dioica, foi também seleccionada para implementar um método de propagação desta espécie. Procedeu-se à optimização de um método de cultivo in vitro e procedeu-se a uma posterior aclimatização para solo, sendo que os resultados obtidos foram bastante promissores para o futuro cultivo in vitro da espécie.
Ciências Exactas e Naturais
23,712
Tentando identificar indivíduos através dos seus crânios: um exercício de antropologia forense
Antropologia Forense,Identificação positiva,Pessoas desaparecidas,Dados ante-mortem e post-mortem
A identificação positiva é muito importante nas Ciências Forense, tanto por razões legais como humanitárias. Hoje em dia, há um elevado número de indivíduos desaparecidos, dependendo a investigação destes casos de uma correcta identificação. Há situações em que os cadáveres chegam ao Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses já esqueletizados e é nestes casos que o papel da Antropologia Forense é fundamental, pois consegue, por exemplo estimar o sexo, a idade, a estatura, sendo estes dados uma grande valia. Assim sendo, o objectivo inicial deste trabalho era tentar identificar/excluir indivíduos desaparecidos através de técnicas de sobreposição de imagens/sobreposição craniofacial usando o programa “Composite Lab Rebuilden, Craniofacial Superimposition” disponibilizado pela Polícia Judiciária (PJ). Como não foi possível aceder a este programa, tentou confrontar-se o perfil biológico de crânios disponíveis no gabinete de Antropologia Forense do Serviço de Patologia do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses – Delegação do Sul, I.P (INMLCF) com a descrição e fotografias retiradas do site da PJ de indivíduos que se encontram desaparecidos. Para isso, procedeu-se à observação e descrição das características de 25 crânios e de seguida compararam-se os dados obtidos post-mortem com os dados disponíveis de 13 pessoas desaparecidas, tendo estas sido escolhidas tendo em conta o ano de desaparecimento, o sexo e a idade na altura em que desapareceram. vi Assim, conclui-se que as identificações positivas não foram conseguidas sobretudo pela ausência de mais dados ante-mortem sobre os desaparecidos. Foi no entanto possível fazer exclusões, o que pode ser considerado um resultado positivo
Ciências Exactas e Naturais
23,719
Identificação e análise do potencial antifúngico dos polissacarídeos das algas Saccharina latissima e Laminaria ochroleuca
Macroalgas,kelps,Saccharina latissima,Laminaria ochroleuca,Polissacarídeos sulfatados,FTIR,Antifúngicos,antioxidantes,Extração,Cultivo
Os kelps, ou algas castanhas, são macroalgas marinhas com especial interesse económico devido à sua exploração na alimentação e extração de ficocolóides (Alginatos) muito utilizados nas mais variadas indústrias. No entanto o desenvolvimento biotecnológico tem vindo a explorar potenciais produtos de interesse a partir de recursos marinhos o que revelou nas algas uma enorme variedade de compostos metabólicos com interesse nas mais variadas áreas. Sendo as algas um grupo de seres vivos extremamente resiliente a condições adversas, os seus compostos metabólicos apresentam bioatividades muito interessantes para aplicação nas mais diversas áreas industriais. Por sua vez, os polissacarídeos sulfatados - dos quais os ficocolóides (Alginatos e Ácido Algínico), Fucoidana e Laminarina - são os principais metabolitos dos kelps representando cerca de 30% da sua constituição. E estudos anteriores demonstram propriedades muito interessantes para aplicação destes compostos na área da saúde. Este trabalho é focado nos polissacarídeos sulfatados de duas espécies de kelps com especial interesse, Saccharina latissima e Laminaria ochroleuca, visando a identificação e caracterização dos mesmos. Para tal foram utilizados diferentes processos de extração para avaliar o melhor método para obtenção dos polissacarídeos de interesse, utilizando espectroscopia vibracional - Fourier Transform Infra-Red (FTIR) – para análise dos constituintes dos extratos obtidos. E posteriormente, foi testada a bioatividade antifúngica dos mesmos em leveduras. Os métodos de extração utilizados foram o Método Sequencial (MS), utilizado para separação dos diversos constituintes das algas, entre eles os polissacarídeos na última fase do processo; e um método de Extração Alcalino (EA) por Hidróxido de Sódio (NaOH), utilizado na indústria para extração de alginatos. Foram testados para ambos os métodos dois tipos de precipitação: Etanol e Cloreto de Cálcio (CaCl2). Todos os métodos foram testados para ambas as espécies S.latissima e L.ochroleuca. O extrato conseguido por EA não foi precipitável com CaCl2. Os restantes extratos foram analisados por FTIR-ATR, tendo sido possível determinar a sua constituição, foram ainda analisadas amostras de biomassa algal destas espécies por FTIR utilizadas como controlo. Os extratos conseguidos por EA não apresentavam uma boa afinidade no isolamento dos polissacarídeos de interesse em nenhuma das espécies e comparados com os espectros padrão obtidos diretamente da biomassa algal, a sua constituição era completamente diferente da dessas amostras, como tal estes não foram usados para análise da bioatividade. Os restantes extratos foram testados em ensaios antifúngicos sendo que apenas o extrato conseguido por ES a partir de L.ochroleuca é que apresentou uma boa atividade antifúngica na estirpe de Candida glabrata com um MIC visível de 25µg/mL. As necessidades do mercado de comercialização de algas levou à necessidade de desenvolvimento de técnicas de cultivo. Recentemente a aquacultura multitrófica integrada (IMTA) apresenta-se como uma potencial forma sustentável para o cultivo de algas, contudo nem todas as espécies de algas apresentam o melhor fitness de produtividade nestas condições. Para estudar a forma mais rentável para produção dos polissacarídeos de interesse foram ainda realizados alguns ensaios para o cultivo nestas duas espécies. Efetuaram-se técnicas de libertação dos esporos para obtenção da geração gametofítica, alguns ensaios de cultura das diversas fases do ciclo de vida, em que foram testados meios de cultivo com concentrações de nutrientes representantes dos encontrados nos diferentes meios de produção existentes entre os quais o IMTA. Embora os ensaios de cultivo tenham apresentado um grande desafio e não tenha sido possível a obtenção de biomassa suficiente para a extração de polissacarídeos, é de salientar a importância da continuação deste trabalho uma vez que a constituição dos mesmos é variável nas diversas fases do ciclo de vida e pode mesmo variar consoante a concentração de nutrientes a que estão sujeitos sendo portanto interessante na determinação do método de cultivo destas espécies com vista à extração destes polissacarídeos.
Ciências Exactas e Naturais
23,724
Análise de substâncias de reserva em embriões zigóticos e somáticos de feijoa e de tamarilho - optimização da embriogénese somática
Amido,Espécies lenhosas,Estudos histoquímicos,Germinação,Lípidos,Maturação,Proteínas
lA feijoa e o tamarilho são espécies fruteiras com um potencial de produção e comercialização ainda pouco explorado mas cujos frutos têm vindo a despertar um interesse crescente em alguns mercados. Por outro lado, são ambas espécies lenhosas, relativamente às quais o processo de embriogénese somática ainda apresenta algumas limitações. Deste modo, podem funcionar como um excelente modelo de estudo para espécies lenhosas, nas quais se inserem uma vasta quantidade de espécies com um elevado valor económico. A embriogénese somática tem-se revelado como um método de micropropagação altamente eficaz no sentido de permitir a produção de um grande número de plantas num curto espaço de tempo. Contudo, este processo ainda demonstra ter algumas limitações. O presente trabalho tem como principal objectivo aumentar o nível de conhecimento visando a optimização da embriogénese somática. Deste modo, procedeu-se à realização de vários ensaios com o objectivo de optimizar as condições de regeneração de plantas por embriogénese somática nas duas espécies, através de modificações nos meios de cultura (hormonas vegetais e sacarose), condições de cultura (luz vs escuro), bem como o estado do material inoculado. Para além disso, realizaram-se análises bioquímicas e histoquímicas para caracterizar as substâncias de reserva (amido, lípidos e proteínas) de embriões zigóticos e somáticos na fase cotiledonar em Feijoa sellowiana Berg. e em Cyphomandra betacea (Cav.) Sendt. Os resultados bioquímicos e histoquímicos demonstraram haver uma diferença acentuada do conteúdo lipídico entre embriões zigóticos - 48,5% e 46,6% - e embriões somáticos - 2,9% e 2,3%, de feijoa e tamarilho, respectivamente. O mesmo foi observado relativamente ao conteúdo proteico apesar de as diferenças não serem tão acentuadas. Os embriões zigóticos possuem 4,6% e 2,9% e os embriões somáticos 1,7% e 2,4%, de feijoa e tamarilho, respectivamente. Quanto aos resultados de cultura de tecidos é possível inferir que relativamente ao estado do material inoculado quer a inoculação de embriões zigóticos como a inoculação de sementes cortadas ao nível do tegumento, obtiveram a mesma taxa de sucesso de indução de embriogénese somática, em feijoa. A indução de embriogénese somática em feijoa é condicionada pela presença de luz. Também nesta espécie, a RESUMO v dessecação por si só é um estímulo indutor de embriogénese somática a partir de embriões zigóticos. As diferenças encontradas na análise quantitativa das diferentes substâncias de reserva embrionárias poderão ser um ponto-chave para a compreensão das limitações actualmente verificadas no processo de embriogénese somática. Serão necessários novos estudos para determinar a importância dos factores que influenciam essas substâncias de reserva no aumento da eficiência da embriogénese somática em termos biotecnológicos.
Ciências Exactas e Naturais
23,725
Ensinar e aprender evolução humana : um estudo centrado na aprendizagem baseada na resolução de problemas
Paleoantropologia,Recursos educativos,Ensino secundário,Estudo de avaliaçãi formativa
A evolução humana é uma área do conhecimento que conjuga evidências de várias disciplinas para abordar questões essenciais acerca de quem somos e de como nos tornámos o que somos. O tema é um excelente estudo de caso para o ensino da evolução no sentido lato, para além de desenvolver nos alunos uma nova apreciação do real parentesco entre toda a humanidade e promover um olhar crítico acerca de algumas representações sociais do significado da variação física. Porém, a temática é frequentemente negligenciada nos currículos escolares, resultando na persistência de várias conceções erróneas entre a população. Este trabalho pretendeu dar um contributo para o ensino e a aprendizagem da evolução humana em Portugal, investigando a possibilidade de aplicar uma metodologia de ensino centrada no aluno que utiliza situações-­‐problema como ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos -­‐ a Aprendizagem Baseada na Resolução de Problemas (ABRP) -­‐, à temática da evolução humana. Para tal, foram concebidos e elaborados recursos educativos referentes a 3 casos problemáticos direcionados a alunos do ensino secundário do curso de ciências e tecnologias. Pretendeu-­‐se também que estes recursos integrassem a perspetiva de ensino por investigação e promovessem uma visão adequada acerca da natureza da ciência. O caso 1 ("Em busca de fósseis de hominíneos no grande vale do Rift!") centra-­‐se na relação filogenética entre humanos e chimpanzés e no bipedismo como marca distintiva dos hominíneos. O caso 2 ("Outros humanos diferentes de nós") aborda a dispersão geográfico-­‐temporal das várias espécies de hominíneos, evidenciando a contemporaneidade dos humanos modernos com outros grupos humanos. O caso 3 ("Porque temos diferentes cores de pele?") centra-­‐se na diversidade e na evolução das cores da pele humana. Para aferir a qualidade científica e educacional dos recursos contruídos, realizou-­‐se um estudo de avaliação formativa que contou com 5 painéis de avaliadores, designadamente: doze estudantes de mestrado em "Ensino da Biologia e da Geologia no 3º ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário"; duas alunas do 11º ano de escolaridade; duas professoras de Biologia e Geologia; uma professora universitária especialista em ensino das ciências e na ABRP; e duas professoras universitárias especialistas em evolução humana. Para aferir a aplicabilidade prática dos recursos, estes foram testados com os dois primeiros painéis de juízes. Os 5 painéis de avaliadores foram unânimes em considerar que os recursos construídos apresentam elevada qualidade científica e educacional. Ainda assim, formularam críticas e sugestões que foram utilizadas para a posterior revisão dos materiais. A análise dos resultados mostrou que os recursos abordam temas relevantes para a literacia científica da evolução humana, promovem a realização eficaz de aprendizagens e permitem a correção de conceções erróneas. Também foi mencionado que apresentam rigor e correção científicos e que são motivadores e adequados ao público-­‐alvo. Em termos educacionais, estão em conformidade com os princípios da ABRP e com a perspetiva de ensino por investigação, promovendo também uma visão adequada acerca da natureza da ciência, apesar ter sido sugerido o reforço deste aspeto. Realizadas todas as retificações, considera-­‐se que os recursos estão validados formativamente e aptos a serem utilizados em práticas educativas. Espera-­‐se que depois de devidamente divulgados, se tornem instrumentos úteis, passíveis de serem mobilizados quer em contextos não formais de ensino, quer em sala de aula, nomeadamente nas disciplinas de Biologia e Geologia do 11º ano e de Geologia do 12º ano de escolaridade.
Ciências Exactas e Naturais
23,732
Mundos da arte . Um estudo etnográfico no círculo de artes plásticas de Coimbra
Arte,Mundo da arte,Rede cooperativa,Espaço expositivo,Círculo de Artes Plásticas de Coimbra
Neste estudo, procura-se reflectir a actividade de produção e circulação de arte não à luz da tradição dominante de realçar o artista, individual e único, mas segundo a rede de actividade cooperativa dos vários elementos que levam a que um objecto seja considerado arte, o chamado mundo da arte. Ao estudar o contexto específico de uma instituição de arte, como um museu ou uma galeria, é necessário, então, estabelecer o contacto com os directores e/ ou colaboradores dessa, e ver como o modo como uma exposição é montada e divulgada a pensar no público, tal como produz diferentes modos de ver as coisas. Enfatizando o raciocínio de que o olhar que temos e recordamos sobre uma obra está ligado com o contexto do artista, o espaço expositivo, o modo de expor e a divulgação feita. Tal como outra qualquer prática nos dias de hoje, a realização de uma tarefa, ou a produção de uma obra de arte, é feita através de uma rede de pessoas cooperando. E as mesmas pessoas geralmente cooperam rotineiramente, através de regras e convenções. A investigação procura realçar os vários processos e intervenientes no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, levando a uma aproximação de um estudo sobre uma instituição arte ao estudo de outro qualquer contexto da vida social.
Ciências Exactas e Naturais
23,733
Paleoepidemiologia da Osteoporose em Quatro Amostras Osteológicas Portuguesas Medievais
Osteoporose,Fracturas Osteoporóticas,Densidade Mineral Óssea,Idade Média,Portugal
Nas última décadas, a osteoporose tem sido reconhecida como um importante problema de saúde pública. Apesar de ser muitas vezes considerada uma doença das sociedades modernas ocidentalizadas, a osteoporose tem uma longa história. O avanço da osteoporose é silencioso; geralmente a doença progride sem sintomas até à ocorrência de uma fractura. O objectivo principal é tentar reconhecer os padrões epidemiológicos da Osteoporose na população portuguesa medieval. Neste estudo procedeu-se à análise de 103 indivíduos provenientes de quatro amostras esqueléticas: Necrópole Cristã de Cacela Velha, da antiga Igreja Românica de São João de Almedina, do Convento de São Francisco e da vila de Constância. Os dados da Densidade Mineral óssea foram obtidos por intermédio da densitometria DXA pois trata-se da técnica não-invasiva mais utilizada no estudo de esqueletos provenientes de contexto arqueológico. Foram mensuradas as ROIs “colo”, “anca total” e “1/3 distal” nos diferentes esqueletos. Os resultados, devido ao baixo número de indivíduos por amostra, foram inconclusivos. A densidade mineral óssea nalguns casos diminuía com a idade à morte e noutros aumentava. Os valores médios dos parâmetros não são significativos entre as diferentes amostras. A frequência de fracturas de fragilidade (compressões vertebrais) não se correlaciona com o aumento da idade à morte e com a diminuição da massa óssea. Não foram observadas fracturas da anca nem de Colles, apenas observou-se compressões dos corpo vertebral. As diferenças mais uma vez não são significativas entre amostras. Devido a uma variedade de condicionantes não se pode fazer uma reconstrução correcta do padrão paleoepidemiologico da osteoporose e perda de massa óssea na população medieval portuguesa.
Ciências Exactas e Naturais
23,745
Efeito de extratos de Solanum sisymbriifolium na eclosão e mortalidade de isolados de nemátodes-de-quisto da batateira, Globodera spp.
Nemátodes-de-quisto da batateira,Saponinas,Testes de eclosão,Exsudatos radiculares,Testes de mortalidade,Fracionamento,Solanum sisymbriifolium
Os nemátodes-de-quisto da batateira, Globodera spp., são uma grave restrição à produção agrícola e tem aumentado a necessidade de descobrir nematodicidas ecológicos e eficazes. A planta Solanum sisymbriifolium, utilizada como cultura armadilha, é uma importante solução alternativa ao possuir compostos naturais que podem ser utilizados como modelo para um produto químico sintético. Neste trabalho foi avaliado o efeito de S. sisymbriifolium (cv. Sis 6001) na eclosão de jovens do segundo estádio (J2) de G. pallida e G. rostochiensis, e estudadas as diferenças entre duas partes distintas da planta (parte aérea e raiz) e do solo onde a planta se desenvolveu. Também foram analisadas as diferenças de eclosão utilizando 3 idades diferentes da planta (1, 2 e 3 meses). Depois de determinar o extrato mais eficaz em induzir eclosão, que de acordo com os resultados dos testes foi o extrato de solo, procedeu-se a um fracionamento dos seus fitoconstituintes, por cromatografia em coluna e analisou-se a capacidade de eclosão de cada fração de modo a inferir o tipo de compostos que mais contribuem para este efeito. Uma das frações destacou-se na eclosão, para cada espécie (FC para G. pallida e FC’ para G. rostochiensis). Por outro lado, foi averiguada a capacidade nematodicida de S. sisymbriifolium através da realização de testes de mortalidade, utilizando os mesmos extratos testados para a eclosão, sendo também testadas as frações resultantes do processo cromatográfico. Neste estudo não foram observados efeitos na mortalidade de Globodera spp, sugerindo que os extratos e frações da planta que foram testados não possuem acção nematodicida direta nestes nemátodes. Para além deste estudo, obteve-se, por cromatografia em camada fina, o perfil fitoquímico de S. sisymbriifolium, que evidenciou a presença de saponinas na planta, em cada uma das duas partes analisadas, as quais não parece contribuírem para a propriedades de eclosão. De um modo geral, este trabalho permitiu aprofundar o conhecimento sobre os efeito da S. sisymbriifolium nos nemátodes-de-quisto da batateira, com vista a contribuir para o desenvolvimento de estratégias de combate vantajosas e não prejudiciais para o meio ambiente, alternativa aos métodos que já são aplicados.
Ciências Exactas e Naturais
23,748
A importância do diagnóstico médico na resposta educativa das crianças com NecessidadesEducativasEspeciais
Antropologia Médica,Avaliação,Educação especial,Escola,Professor
O presente estudo de caso surgiu de uma reflexão acerca da pertinência que o diagnóstico médico tem na determinação das respostas educativas de uma criança com deficiência. O objectivo principal deste estudo consistiu na investigação do papel do diagnóstico médico na avaliação de crianças com Necessidades Educativas Especiais, através da análise das concepções de trinta e cinco sujeitos (um psicólogo, sete professores de educação especial, doze directores de turma, catorze professores titulares de turma e um professor do ensino regular). Analisaram-se conceitos-chave como “diagnóstico médico”, “CIF” e “respostas educativas”. A principal fonte de dados utilizada foi a entrevista semiestruturada. As respostas foram classificadas e analisadas de acordo com focos de análise baseados no referencial teórico que sustenta o estudo. Os resultados indicaram que os professores de ensino especial e o psicólogo são os principais intervenientes na utilização da informação médica. Neste processo, o diagnóstico médico continua a ter um papel central nos critérios de elegibilidade para a educação especial. A maioria dos casos de alunos com necessidades educativas especiais possui informação médica, mas na generalidade esta parece não satisfazer as expectativas dos docentes por razões diversas. A CIF apesar de ser um instrumento de referência para a avaliação do aluno com necessidades educativas especiais e ser introduzido com a intenção de aperfeiçoar o processo de tomada de decisão quanto à intervenção educativa, aparentemente não está a conseguir esse objectivo. Pelas percepções analisadas, parece também existir uma lacuna na comunicação com os encarregados de educação. Concluindo, apesar de terem existido algumas condicionantes à elaboração deste estudo, através dos dados analisados constata-se que a informação médica é pertinente e necessária, mas está aquém de ser utilizada em todo o seu potencial.
Ciências Exactas e Naturais
23,749
Associação entre Obesidade Infantil e não Tomar o Pequeno-Almoço: o Papel das Características e Comportamentos Familiares
Infância,Excesso de peso,Obesidade,Não tomar pequeno-almoço,Portuguesas
Em 1998 a Organização Mundial de Saúde reconheceu a obesidade como sendo um dos principais problemas de saúde pública, afectando países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, tanto em adultos como em crianças. Na Europa, em 2007, 20% das crianças eram obesas e a taxa de aumento da obesidade infantil era dez vezes superior à verificada na década de 70 do século passado. No ano de 2007 Portugal, Espanha e Itália apresentavam a maior taxa de prevalência de obesidade infantil em crianças com menos de 11 anos de idade. Objectivos: Este estudo vai examinar a associação entre não tomar pequeno-almoço, excesso de peso e obesidade infantil, e também a sua relação com as características familiares, comportamentais e de estilo de vida, de crianças portuguesas dos 6 aos 10 anos de idade. Métodos: Foram estudadas crianças entre os 6 e os 10 anos de idade (n= 11543), num total de 5644 rapazes e 5899 raparigas, em escolas de todos os distritos de Portugal Continental. Foram medidos peso e altura. O índice de massa corporal (IMC) foi calculado e os pontos de corte definidos pelo International Obesity Task Force (IOTF) foram utilizados para definir excesso de peso e obesidade. Os pais preencheram um questionário, com perguntas sobre factores socioeconómicos e comportamentais da família. Testes de Qui-quadrado e análises de regressão multivariada logística foram utilizados para analisar as associações entre “não tomar pequeno-almoço”, “excesso de peso e obesidade” e outros factores socioeconómicos. Resultados: “Não tomar pequeno-almoço” foi 2,9% nos rapazes e 3,8% nas raparigas (X2=8,02, p <0,01). Depois de ajustados para sexo e idade, as seguintes variáveis apresentavam associação significativa e independente com “não tomar pequeno-almoço”: “excesso de peso e obesidade” (OR=1,58), “grau de instrução do pai” (referência 6º ano; 9º ano: (OR=0,58); 12º ano: (OR=0,54); Universidade ou outro grau de instrução superior: (OR=0,20)), “instrução da mãe” (referência 6º ano; Universidade ou outro grau de instrução superior: (OR= 0,27)), “número de irmãos” (referência nenhum irmão; um irmão: (OR=0,64)), “hora de levantar durante a semana” (referência antes das 7h; 7h - 8h (OR = 0,35); 8h - 9h (OR=0,37); depois das 9h (OR=0,31)), “número de horas que vê televisão durante a semana” (referência 0 – 2h; >3h (OR=5,35)), “ver TV ao pequeno-almoço” (referência nunca; três dias (OR=0,27); todos os dias (OR=0,33), “actividade física fora da escola” (OR= 2,69)). Conclusões: O presente estudo mostra uma associação significativa entre “não tomar pequeno-almoço” e “excesso de peso e obesidade” em crianças portuguesas. “Não tomar pequeno-almoço” está significativamente associado com várias características sócio demográficas e de estilo de vida, tais como o “grau de instrução dos pais”, o “número de irmãos”, ver televisão, e a “actividade física fora da escola”. Estes resultados são importantes na prevenção da obesidade infantil.
Ciências Exactas e Naturais
23,753
Identidade cultural alterna e consumo: um estudo etnográfico sobre a comunidade alterna de Recife
Alterna,Cultura e identidade,Consumo,Etnografia,Alterna,culture and identity,consumption,ethnography
A presente dissertação tem por propósito analisar e interpretar a identidade cultural do alterna de Recife1. O alterna seria alguém que busca se diferenciar das maiorias no que diz respeito ao consumo. Mais especificamente este trabalho se debruça sobre a análise de comportamentos dos membros da comunidade alterna engatados pelo consumo – não somente de bens materiais, mas também de bens imateriais como o consumo de arte, música, cinema e tecnologias. Foi realizado um estudo etnográfico, somado a pesquisas documentais e entrevistas, os quais possibilitaram a este trabalho abordar o consumo individual e colectivo sob duas ópticas, as noções que o próprio alterna tem de si e como enxerga seu consumo, e a noção que não alternas têm destes.
Ciências Exactas e Naturais
23,755
Optimização dos processos de isolamento e cultura de protoplastos de tamarilho ( Solanum betaceum Cav.)
Calo embriogénico,Cultura in vitro,Enzimas hidrolíticas,Explantes embriogenicamente induzidos,Mesófilo,Ploidia,Protoplastos
O tamarilho (Solanum betaceum Cav.) é uma espécie arbórea de pequeno porte, pertencente à família Solanaceae, e que apresenta características económicas, nutricionais e biotecnológicas bastante interessantes. No entanto, as populações naturais desta espécie possuem uma baixa variabilidade genética, a qual não é possível ultrapassar sem a aliança entre as técnicas de manipulação genética e os métodos de melhoramento mais convencionais. Os protoplastos podem assim ser considerados como uma ferramenta importante para o melhoramento desta espécie, na medida em que constituem um passo prévio a várias técnicas de manipulação genética, nomeadamente hibridação somática (por fusão de protoplastos) e transformação genética. Recorrendo ao método “one factor at a time”, analisaram-se os principais factores que afectam tanto o rendimento como a viabilidade dos protoplastos obtidos a partir de diferentes explantes em cultura in vitro de tamarilho. Estes dois parâmetros são influenciados pelo estabilizador osmótico (neste caso em concreto, a sacarose), tipos de enzimas hidrolíticas e sua concentração, temperatura e duração da digestão enzimática e métodos de purificação dos protoplastos. O maior rendimento de protoplastos isolados a partir de explantes foliares foi conseguido através da solução K3 com sacarose a 0,4 M contendo celulase “Onozuka” R-10 a 2% (w/v) e macerozima R-10 a 0,5% (w/v). As condições de incubação enzimática com melhores respostas foram a 27 ºC overnight e 30 ºC durante 6 horas para as linhas diplóide e tetraplóide, respectivamente. A centrifugação por gradiente de densidade a 100 g durante 10 min. com obtenção de uma banda interfásica revelou-se o método de purificação dos protoplastos mais eficiente. Para estimar a viabilidade dos protoplastos recorreu-se ao corante de exclusão Evans blue, registando-se valores de protoplastos viáveis acima dos 50%. No entanto, apesar de a quantidade de protoplastos viáveis por grama de peso fresco ser considerável, ainda não foi possível regenerar plantas a partir de protoplastos colocados em meio de cultura. As condições óptimas para o isolamento e purificação de protoplastos de calli e tecidos embriogenicamente induzidos envolveram a digestão enzimática com a combinação de celulase a 1%, driselase a 0,2% e pectinase a 0,02% (w/v), em solução K3 com sacarose a 0,4 M, durante 20 – 22 horas a 25 ºC (para calo embriogénico) ou overnight a 27 ºC (calo não embriogénico e explantes embriogenicamente induzidos), seguida de purificação por sedimentação dos protoplastos num pellet, quando sujeito a uma centrifugação inicial de 100 g durante 10 min. O desenvolvimento de um protocolo eficiente de isolamento e purificação de protoplastos a partir de diferentes explantes permitiu a avaliação do rendimento possível de obter com a extracção de RNA total e a sua aplicabilidade em futuras análises transcriptómicas de populações específicas de células.
Ciências Exactas e Naturais
23,756
Do calcolítico à idade do bronze: contextos funerários e análise paleobiológica de restos osteológicos humanos exumados das fossas de Torre Velha 3 (São Salvador, Serpa)
Sudoeste Peninsular,Calcolítico,Idade do bronze,Inumações em fossa,Antropologia funerária,Uso extra-mastigatório de dentes
O presente trabalho tem como objetivo estudar os restos ósseos humano exumados de nove fossas e um nicho de Torre Velha 3 (São Salvador, Serpa) datados do Calcolítico e da Idade do Bronze. Esta análise pretende dar um contributo para um conhecimento mais completo da realidade funerária da pré-história recente no Sudoeste Peninsular e das populações humanas que o compõem. Ainda que houvesse um predomínio de enterramentos individuais algumas estruturas continham enterramentos duplos (n= 2) datados da Idade do Bronze. Não foi detetado qualquer padrão na orientação dos esqueletos enquanto a deposição mostrou uma maior predileção pela posição fetal. Desta amostra, sete esqueletos adultos pertencem ao Calcolítico e nove indivíduos (seis adultos, dois adultos jovens e um não-adulto) à Idade do Bronze. Morfologicamente, destacam-se os caracteres discretos pós-cranianos como a presença de abertura septal (n=2) e de calcâneos secundários (n= 2) na amostra do Calcolítico e, perfuração supraclavicular (n= 2/7) e duas fossas hipotrocanterianas (n= 2/5) nos indivíduos pertencentes à Idade do Bronze. Nos dentários, realça-se a completa ausência da cúspide de Carabelli (n= 10) nos dois períodos cronológicos desta amostra. Na análise patológica algumas alterações osteofíticas a nível da entese foram registadas, sendo que tanto na amostra Calcolítica (n= 1/2) como na da Idade do Bronze (n= 5/9) se denota uma predomínio de alteração na zona do músculo braquioradialis, assim como no ligamento conóide. A patologia dentária revelou para o Calcolítico uma frequência de 7,96% (n= 9/113) de cáries e para a Idade do Bronze 4,14% (n= 8/193). Os depósitos de tártaro são baixos em ambos os períodos e com um desgaste dentário médio de 3,03 (n= 111) para os indivíduos do Calcolítico e 2,69 (n= 193) para os da Idade do Bronze. É de salientar um desgaste dentário tipo polimento verificado nos dentes de alguns indivíduos do Calcolítico (4,50% n= 5/111) e, ainda, alterações dentárias aparentemente por uso extramastigatório, como a presença de pequenos sulcos na superfície incisal/oclusal (Calcolítico: 3,6 n= 4/111; Idade do Bronze: 2,07 n= 4/193).
Ciências Exactas e Naturais
23,762
Análise do efeito de vários tipos de compostos na micropropagação de medronheiro (Arbutus unedo L.)
AGP,Citocininas,Compostos de azoto,Embriogénese somática,Enraizamento,Proliferação de meristemas
Arbutus unedo é uma espécie de porte arbustivo ou arbóreo e pode ser encontrado um pouco por toda a Bacia Mediterrânica, norte de África e costa Atlântica da Península Ibérica e da Irlanda. Em Portugal, ocorre com maior predominância nas regiões montanhosas do sul (Serra do Monchique, Arrábida e Caldeirão). No norte e centro do país (Oleiros, Pampilhosa, Sertã) as populações de medronheiro encontram-se fortemente fragmentadas devido a intensos programas de reflorestação com eucalipto. A sua forte capacidade de regeneração após ocorrência de incêndios florestais torna-o numa importante ferramenta para a reflorestação de zonas afectadas pelo fogo. Ainda que possua o estatuto de “Neglected and Underutilized Specie” (www.underutilized-species.org), o medronheiro é uma das espécies com maior importância económica do género Arbutus. Tal impacto deve-se quase exclusivamente à comercialização da aguardente produzida a partir da fermentação e posterior destilação do medronho. Ainda que sejam bem conhecidos os benefícios que podem resultar do consumo do fruto fresco, a aposta na sua comercialização tem sido negligenciada. As principais razões que podem explicar esta realidade prendem-se com a inexistência de uma rede de distribuição eficaz, uma reduzida capacidade de produção que não se coaduna com os requisitos das grandes superfícies e ao facto de este continuar a ser um fruto relativamente desconhecido pelo público em geral. No presente trabalho testou-se, pela primeira vez, o efeito das proteínas arabinogalactanas (AGP) na proliferação de meristemas e ainda da ureia e tioureia e das citocininas 2iP ((6-(γ,γ-Dimethylallylamino)purine)) e zeatina. No caso das AGPs verificou-se que as concentrações de 4 mg/L e 8 mg/L, em ambos os clones testados, estimularam significativamente o desenvolvimento e multiplicação dos novos rebentos. De forma a testar o efeito que a assimilação da AGP poderá exercer na formação da estrutura radicular recorreu-se aos sistemas de enraizamento in vitro e ex vitro dos rebentos obtidos. A análise da estrutura radicular dos rebentos previamente expostos ao AGP permitiu concluir que não existem diferenças significativas. A tioureia mostrou ser uma fonte de azoto mais eficaz que a ureia, notando-se um maior efeito no crescimento para concentrações de 10 mg/L, ainda que sem diferenças significativas. Também foi testado o efeito das citocininas zeatina e 2iP, tendo-se verificado que a primeira é capaz de induzir um maior crescimento e multiplicação dos rebentos. Foram as concentrações de 1 mg/L, 2 mg/L e 4 mg/L, em ambas as hormonas, que levaram ao aumento significativo no número de rebentos e peso do material obtido no fim da cultura. Nos ensaios de embriogénese somática avaliou-se o efeito de diferentes fontes de carbono no meio de indução. O incremento dos níveis de sacarose (6% e 9%) foi acompanhado pelo aumento do número de embriões formados. A exposição a 9% induziu a formação de um número significativamente superior de embriões somáticos ao verificado no controlo (3% sacarose) A descoberta de compostos que possam estimular a resposta dos explantes é essencial para aumentar a eficácia dos diferentes processos de propagação in vitro. Os resultados aqui apresentados poderão contribuir para a optimização dos protocolos de micropropagação do medronheiro. No entanto, para que os compostos analisados possam contribuir eficazmente na propagação em larga escala, deverão ser realizados estudos mais detalhados de forma a perceber melhor o modo como actuam nestes processos de morfogénese in vitro
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23,765
A revitalização da olaria em Trás di Munti e os seus significados locais Loiça pintada não é património?
Cabo Verde,Olaria,Património,Tradição,Desenvolvimento
Partindo de uma abordagem fundada na etnografia, este trabalho procura refletir sobre os propósitos e lógicas inerentes à implementação de um projeto de revitalização da olaria de Trás di Munti, Tarrafal, Cabo Verde. Ao mesmo tempo, o propósito é analisar as dinâmicas internas ao contexto onde esse projeto operou, procurando evidenciar as ambiguidades geradas entre as perspetivas externas do projeto e os sentidos locais, decorrentes das especificidades sociais e económicas da localidade. Nas ações do projeto para promover o desenvolvimento e valorizar o património e as tradições locais, tornaram-se patentes as agendas intelectuais e estéticas dos seus promotores, mas também os interesses e valores particulares dos habitantes locais. Pretende-se reconhecer a multiplicidade de discursos que podem estruturar e enquadrar diferentes significados, experiências e práticas ligadas aos conceitos de património, tradição ou cultura
Ciências Exactas e Naturais
23,766
Da faculdade ao consultório: determinantes da medicalização do sofrimento na prática médica.
Antropologia média,Biomedicina,Medicalização da sociedade,Ética,Relação médicopaciente
A consulta clínica é marcada por uma tensão estruturante que surge das incertezas da prática médica, do conflito entre o saber e o fazer. A formação médica pautada no modelo biomédico determinaria uma dificuldade em lidar com os pacientes cujas queixas não possuem uma base biológica e refletem o sofrimento associado a vivências problemáticas, o que poderia determinar a medicalização do sofrimento. O estudo teve por objetivo analisar fatores que interferem na relação médico-paciente e de que forma participariam na medicalização do sofrimento, além de tentar propor atitudes por parte dos médicos que levem a uma melhor relação médico-paciente. Foram levantadas as hipóteses de que a formação médica influencia a conduta do médico no sentido da medicalização do sofrimento; a não concordância entre a percepção do paciente sobre seus sintomas e a interpretação do médico sobre esses contribui para a medicalização do sofrimento; e o contexto da consulta médica pode influenciar o processo de medicalização do sofrimento. O trabalho de campo foi realizado numa Unidade de Saúde Familiar na região do Ribatejo. Optou-se pela metodologia qualitativa por permitir observar, descrever e interpretar um fenômeno na forma como esse se apresenta, sem tentar controlá-lo, possibilitando obter informações sobre a interação médico e paciente e os conflitos e negociações presentes no momento da consulta. A medicalização do sofrimento pode resultar do despreparo médico em abordar questões que fogem da perspectiva biológica, conseqüência da formação que privilegia os aspectos técnicos e científicos, em detrimento da dimensão relacional e humana. O médico deve manter uma postura crítica e responsável, investindo na aquisição conhecimentos técnicos e, principalmente, em saberes que ampliem sua compreensão do homem e da sociedade. A troca de experiências e a discussão dos problemas corriqueiros são formas dos profissionais construírem um conhecimento fundamentado no contexto local e de encontrarem soluções para conflitos vividos tanto a nível individual, quanto coletivo. A antropologia, ao ser usada na negociação de conflitos que surgem na prática médica, permite a aplicação de preceitos éticos sem ignorar a realidade e perspectivas do paciente
Ciências Exactas e Naturais
23,769
Estudo paleobiológico de uma amostra osteológica inumada em Santa Maria dos Olivais, Tomar
Paleodemografia,Análise morfológica,Paleopatologia,Épocas medieval/Moderna
O objecto de estudo deste trabalho consiste numa amostra osteológica constituída por 34 indivíduos inumados na necrópole de Santa Maria dos Olivais, em Tomar, nas Épocas Medieval e Moderna. A amostra é composta por 26 indivíduos adultos e 8 não adultos pertencentes a enterramentos primários. Dos 26 indivíduos 17 são homens, 8 mulheres e um foi considerado alofísico por ter igual número de caracteres masculinos e femininos. O estudo do crescimento indicou a presença de um indivíduo com um atraso de crescimento de 9 anos, com vários indícios patológicos. Quanto ao estudo morfológico esta amostra apresenta distribuição sexual assimétrica dos caracteres discretos cranianos e pós-cranianos. A estatura dos homens (n=14) varia entre 162 e 164 cm e a das mulheres (n=8) entre 154 e 162 cm, dependendo do método e lado utilizado para fazer a estimativa. Estes indivíduos apresentam robustez mais marcada no membro superior, sobretudo as mulheres. No entanto, os índices de achatamento revelam, maioritariamente, diáfises arredondadas mesmo nos braços, contradizendo os resultados da robustez. O estudo das patologias orais revelou perda ante mortem superior nas mulheres, maior desgaste dentário nos homens, uma elevada prevalência de cáries e 2 indivíduos com quisto periodontal apical. As mulheres apresentam mais hipoplasias dentárias que os homens sugerindo que estiveram sob stress fisiológico mais acentuado. O estudo paleopatológico revelou ainda uma baixa prevalência de osteaotrose, sendo a anca e o cotovelo as zonas mais afectadas. As alterações da entese registaram-se mais frequentemente no lado direito indicando que os indivíduos seriam destros. Observou-se um possível caso de DISH, lesões traumáticas em 4 indivíduos, sinais de infecção em 4 indivíduos e duas patologias congénitas, sendo uma espinha bífida oculta e a outra possivelmente uma displasia espondilo-torácica.
Ciências Exactas e Naturais
23,780
A hipótese serotoninérgica e noradrenérgica na etiologia do suicídio
Suicídio,Sistemas serotoninérgico e noradrenérgico,Genes HTR2A,SLC6A4,ADRA2A
O suicídio é um grave problema de saúde pública, sendo anualmente responsável por cerca de um milhão de mortes a nível mundial. Diversas evidências indicam que os sistemas de neurotransmissores serotoninérgico e noradrenérgico estão envolvidos na etiologia do suicídio. Deste modo, investigou-se a associação entre variantes genéticas nos genes HTR2A (T102C), SLC6A4 (VNTR Stin2) e ADRA2A (C1291G) e o suicídio na população Portuguesa. Relativamente ao polimorfismo T102C do gene HTR2A, os resultados obtidos não revelaram diferenças estatisticamente significativas entre a amostra de vítimas de suicídio e a amostra controlo, quer na distribuição genotípica (χ2= 4,150; df= 2; p= 0,126) quer na distribuição alélica (χ2= 0,14; df= 1; p= 0,708). À semelhança do gene HTR2A, a análise estatística efetuada não mostrou associação entre o polimorfismo VNTR Stin2 do gene SLC6A4 e o suicídio (frequências genotípicas: χ2= 0,097; df= 2; p= 0,953; frequências alélicas: χ2= 0,002; df= 1; p= 0,964). Procedeu-se também à análise dos resultados do polimorfismo C-1291G do gene ADRA2A sendo os mesmos negativos, quer para a distribuição genotípica (χ2= 1,660; df= 2; p= 0,436) quer para a distribuição alélica (χ2= 1,479; df= 1; p= 0,224). Face ao exposto, os resultados no seu conjunto não revelaram associação entre os genes dos sistemas serotoninérgico e noradrenérgico e o suicídio.
Ciências Exactas e Naturais
23,782
Efeitos do Crómio Hexavalente no Metabolismo Energético de uma Linha Celular do Epitélio Brônquico Humano
Cancro pulmonar,Cr(VI),BEAS-2B,Bioenergética
O crómio hexavalente [Cr(VI)] é um reconhecido agente cancerígeno pulmonar. O seu potencial para induzir o processo neoplásico foi descoberto após observação do aparecimento de diversos casos de cancro pulmonar em trabalhadores expostos a este ião. Esta descoberta promoveu a realização de estudos para observar e tentar compreender as mudanças induzidas pelo Cr(VI) ao nível celular. A desregulação do metabolismo bioenergético, uma possível mudança necessária adquirir por todas as células que sofrem transformação maligna, é uma das alterações observadas em células expostas ao Cr(VI). O consumo de glucose, de glutamina e de oxigénio (O2), a produção de lactato e de amónia, assim como os níveis intracelulares de nucleótidos de adenina são alguns dos parâmetros bioenergéticos mais relevantes neste contexto e que parecem encontrar-se alterados após exposição das células a Cr(VI). Contudo, os estudos feitos no sentido de avaliar o efeito deste ião nos parâmetros referidos são escassos, e nem todos envolveram a utilização de um modelo representativo do epitélio brônquico humano, no qual surge a maioria dos cancros pulmonares induzidos por Cr(VI). A linha celular BEAS-2B, estabelecida por Curtis Harris e colaboradores em 1988, tem sido extensivamente utilizada como modelo do epitélio brônquico humano em estudos relacionados com o cancro do pulmão, entre outros. Apesar desta linha celular ter sido imortalizada através de infecção viral, as células BEAS-2B retêm a maioria das características das células normais do epitélio brônquico humano e apenas promovem a formação de tumores quando em passagens elevadas. Este trabalho teve como principal objectivo avaliar o efeito de concentrações pouco citotóxicas de Cr(VI) em alguns parâmetros do metabolismo energético de células da linha celular BEAS-2B, em condições basais e na presença de um modulador do metabolismo. Previamente, alargámos a caracterização da mesma linha celular e determinámos os efeitos das condições e idade de cultura em diferentes parâmetros, especificamente na morfologia, proliferação e metabolismo energético. Observou-se que na ausência de revestimento, que mimetiza a matriz extracelular, o típico padrão de crescimento das culturas de células BEAS-2B se alterou, mas sem que os tempos de duplicação tenham sido afectados. Pelo contrário, os tempos de duplicação das culturas de passagem mais elevada foram superiores aos das culturas de passagem mais baixa. Adicionalmente, culturas de passagem mais elevadaapresentaram uma morfologia diferente das de passagem mais baixa. O consumo de glucose e produção de lactato não foram afectados pela idade de cultura. A exposição a Cr(VI), tanto crónica como de longa duração, promoveu alteração para um metabolismo mais fermentativo. Esta alteração foi mais evidente para as maiores concentrações de Cr(VI). De um modo geral, observou-se um aumento no consumo de glucose e na produção de lactato. Relativamente à carga energética (EC) e aos níveis intracelulares de nucleótidos de adenina, os efeitos observados foram mais ténues, tendo-se apenas verificado um decréscimo nos níveis intracelulares de ATP após exposição de longa duração a 2 μM de Cr(VI). Ao incubar células com Cr(VI) na presença de um modulador de metabolismo, a 2-deoxi-D-glucose (2-DG), ocorreu um aumento na produção de lactato, mas num valor idêntico ao observado em células incubadas apenas com Cr(VI). Desta forma, concluiu-se que este efeito se deveu apenas à presença deste ião. Estranhamente, não se verificaram alterações nos níveis intracelulares de ATP nas células incubadas com 2- DG.
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23,791
Por terras templárias. Estudo paleobiológico de uma amostra osteológica humana inumada em Santa Maria Olivais, Tomar
Tomar,Época Medieval/Moderna,Paleodemografia,Análise morfológica,Paleopatologia
A cidade de Tomar foi local de vida e de morte durante séculos e para diversos povos, incluindo romanos e árabes. A amostra osteológica em estudo faz parte da série medieval/moderna de Santa Maria do Olival, Tomar, e é composta por 28 indivíduos, 25 adultos e 3 não adultos, pertencentes a enterramentos primários, não tendo sido os ossários associados aos enterramentos analisados no presente estudo. Dos 25 indivíduos adultos, 11 pertencem ao sexo masculino, 9 ao sexo feminino e em 5 desses indivíduos não foi possível efectuar uma diagnose sexual fiável. Da análise morfológica há a destacar a robustez óssea, que revela diferenças sexuais, com todos os indivíduos do sexo feminino a indicarem valores de gracilidade e os do sexo masculino a serem classificados como robustos. É ainda de assinalar a destria, em ambos os sexos, ilustrada pela maior robustez dos ossos direitos do que a encontrada nos esquerdos. O estudo paleopatológico desta amostra revelou dados muito interessantes, nomeadamente uma maior incidência da patologia degenerativa, tanto articular como não articular, nos membros superiores, o que aponta para um intensivo trabalho braçal. Registaram-se ainda 13 casos de lesões traumáticas, principalmente no sexo masculino, indícios de patologia infecciosa em 6 indivíduos, 8 casos de patologias circulatórias em tíbias e no endocrânio de 5 dos indivíduos analisados e neoplasias em 4. Registaram-se ainda 6 patologias de etiologia incerta e um caso de doença de Legg-Calvé-Perthes.
Ciências Exactas e Naturais
23,792
Fucus ceranoides (Ochrophyta, Phaeophyceae): Bioatividades dependentes do gradiente salino
Fucus ceranoides,Salinidade,Antioxidantes,Secagem,Compostos fenólicos
Atualmente, as macroalgas começam a ter interesse na área farmacêutica e cosmética pela grande de diversidade de compostos bioativos com potencial para aplicações farmacológicas e cosméticas. Muitos destes compostos bioativos são metabolitos secundários cuja quantidade na alga varia com as condições ambientais. De entre as macroalgas, género Fucus é um dos mais comuns e o Fucus vesiculosus uma das espécies mais estudadas atualmente. Existe, no entanto, uma espécie de alga, o Fucus ceranoides, que pela sua distribuição pode servir de modelo para compreender os efeitos dos fatores ambientais, como a salinidade, na sua composição em compostos bioativos em outras algas do género, permitindo rentabilizar melhor as condições previstas para obtenção de alguns compostos específicos. O Fucus ceranoides já foi sujeita a uma bateria de testes de bioatividade num screening geral (Zubia, 2009), com resultados promissores que justificam um estudo mais pormenorizado. No presente estudo foi avaliada a influência da salinidade e de outros fatores ambientais na composição dos compostos bioativos tais como polissacarídeos e compostos fenólicos no F. ceranoides. Analisou-se igualmente a influência do método de secagem. Os compostos do F. ceranoides foram extraídos com recurso a solventes orgânicos e aquosos. Os polissacarídeos, os extratos metanólicos e aquosos foram caracterizados quimicamente e a sua bioatividade avaliada. A atividade antioxidante foi determinada pelos métodos do radical difenil-picrilhidrazilo (DPPH) e do catião radical 2,2-azino-bis- (3-etilbenzotialino-6- ácido sulfónico) (ABTS). A quantificação dos fenóis totais foi realizada pelo método de Folin-Ciocalteu, modificado especificamente para este trabalho. Procurou-se fazer uma identificação sumária dos compostos presentes em cada extrato, em amostras submetidas a diferentes condições ambientais (salinidade por ex.) e tipo de secagem (ao sol e liofilizado). Com base nos resultados, conclui-se que existem diferenças notórias nos compostos devido à salinidade sobretudo nos compostos antioxidantes e na concentração dos polissacarídeos. Na zona menos salina, a alga produz mais metabolitos secundários (maior poder antioxidante), e na zona mais salina existe uma maior concentração de polissacarídeos (menor poder antioxidante). O tipo de secagem sugere uma proteção parcial de alguns compostos, mas não protege totalmente de uma possível oxidação dos compostos mais voláteis.
Ciências Exactas e Naturais
23,796
Genes candidatos para a perturbação do défice de atenção e hiperatividade na população portuguesa: sistema neurotrófico
Perturbação do défice de atenção e hiperatividade,Neurotrofinas,Genética,Estudo de Associação,Genes BDNF,p75NTR
A Perturbação do Défice de Atenção e Hiperatividade (PDAH) é a doença neuropsiquiátrica mais comum nas faixas etárias mais baixas e apresenta repercussões nos diversos níveis sociais, familiares e económicos. A PDAH caracteriza-se por sintomas de hiperatividade, impulsividade e falta de atenção, e subdivide-se em três subtipos, o inatento, o hiperativo-impulsivo e o misto. Várias evidências sugerem que o sistema neurotrófico, particularmente o BDNF e o recetor p75NTR, desempenham um papel importante na etiologia da PDAH. Na população portuguesa não existem estudos genéticos relacionados com o sistema neurotrófico. Neste trabalho investigou-se os polimorfismos Val66Met do gene BDNF e S205L do gene p75NTR na etiologia da PDAH e procedeu-se também à análise de género e subtipos da patologia, na população portuguesa, utilizando a metodologia PCR-RFLP. Através das estratégias HRR e TDT não se obteve associação entre o polimorfismo Val66Met do gene BDNF e a PDAH na amostra total de trios (HRR - χ2=2,454; df=1; p=0,117; TDT - χ2=2,770; df=1; p=0,096). À semelhança da amostra total, na análise de género os resultados referentes ao polimorfismo Val66Met do gene BDNF são negativos (sexo feminino: HRR - χ2=1,953; df=1; p=0,162; TDT - χ2=3,000; df=1; p=0,083; sexo masculino: HRR - χ2=0,785; df=1; p=0,376; TDT - χ2=1,000; df=1; p=0,317). Em relação à análise dos subtipos da PDAH, no subtipo inatento não se observou associação entre o polimorfismo Val66Met do gene BDNF e a PDAH (HRR - χ2=0,000; df=1; p=1,000; TDT - χ2=0,091; df=1; p=0,763) e no subtipo misto verificouse uma tendência de associação entre o polimorfismo Val66Met do gene BDNF e a PDAH, utilizando as estratégias HRR e TDT (HRR - χ2= 3,282; df=1; p=0,070; TDT - χ2= 3,596; df=1; p=0,058). Na estratificação do subtipo misto, na análise de género os resultados são negativos (sexo masculino: HRR: χ2=1,399; df=1; p=0,237; TDT: χ2=0,947; df=1; p=0,331; sexo feminino: χ2=1,810; df=1; p=0,178; χ2=5,44; df=1; p=0,020), apesar da estratégia do TDT revelar um valor de p=0,020 para sexo feminino, mas face ao número reduzido de trios este representa um falso-positivo. Do seu conjunto, apesar de os resultados carecerem de mais estudos, parecem sugerir que o polimorfismo Val66Met do gene BDNF poderá desempenhar um papel importante no subtipo misto da PDAH. No que se refere ao gene p75NTR não se observou associação entre o polimorfismo S205L e a PDAH na amostra total de trios (HRR - χ2=0,113; df=1; p=0,737; TDT - χ2=0,121; df=1; p= 0,728) e na estratificação por género (sexo feminino: HRR - χ2=0,137;df=1; p=0,711; TDT χ2=0,500; df=1; p= 0,480; sexo masculino: HRR - χ2=0,000; df=1; p=1,000; TDT - χ2=0,040; df=1; p= 0,841). Relativamente aos subtipos inatento e misto também não se verificou associação entre o polimorfismo estudado e a PDAH nas estratégias utilizadas (subtipo inatento: HRR - χ2=0,136; df=1;p=0,712; TDT - χ2=0,500; df=1; p=0,480; subtipo misto: HRR - χ2=0,008; df=1; p=0,930; TDT - χ2=0,000; df=1; p=1,000). Na análise de género para o subtipo misto os resultados são negativos pelo HRR e TDT (sexo feminino: HRR - χ2=0,000; df=1; p=1,000; TDT - χ2=0,200; df=1; p=0,655; sexo masculino: HRR - χ2=0,046; df=1; p=0,830; TDT - χ2=0,050; df=1; p=0,823). No seu conjunto, os resultados parecem sugerir que o polimorfismo S205L do gene p75NTR não desempenha um papel direto na etiologia da PDAH.
Ciências Exactas e Naturais
23,798
Hospital-Colónia Rovisco Pais: processos de transformação de uma Instituição Total
Doença de Hansen,Estigma,Exclusão Social,Institucionalização,Integração Social
O presente trabalho pretende abordar a questão da desinstitucionalização dos doentes de hanseníase que passaram pelo antigo Hospital Colónia Rovisco Pais e consequentemente perceber os motivos subjacentes à permanência dos mesmos na ala de Hansen do Centro de Medicina e Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais após alta e entender de que modo consideram que os conceitos de inclusão e exclusão social estão relacionados com a sua experiência. Deste modo, foram entrevistados sete ex-doentes que se encontram a viver no antigo Hospital Colónia Rovisco Pais na Tocha acerca do seu trajeto pela instituição assim como o percurso enfrentado após alta. Este grupo divide-se em cinco indivíduos que experienciaram a vida fora da instituição após a alta e dois que não tentaram a reinserção. Foram também analisados os arquivos presentes neste mesmo local relativos a todos os doentes internos e externos que foram seguidos pelo Hospital Colónia acerca de aspetos como o sexo dos indivíduos, os principais distritos de onde os mesmos provinham, idade, datas de saída da instituição e outro tipo de informação presente neste espaço e relevante para o presente trabalho. Os ex-doentes referem não terem sentido qualquer tipo de estigma após terem saído da instituição e o facto de terem voltado deveu-se a sequelas deixadas pela patologia. Foi também possível compreender que o Centro de Reabilitação de Espariz que foi construído com o objetivo de ajudar à reintegração, foi mal aceite pela generalidade dos indivíduos que por aqui passaram e que se mostraram bastante revoltados neste local pois consideravam que o mesmo os privava da liberdade que ansiavam adquirir após a cura da patologia, além do facto de os obrigar a uma nova integração num novo espaço. O presente trabalho levantou determinadas questões como é o facto de compreender a perceção dos ex-doentes que saíram da instituição e se integraram em sociedade acerca dessa mesma reintegração assim como os apoios que foram concedidos aos mesmos de modo a facilitar este processo.
Ciências Exactas e Naturais
23,804
O escrutínio ósseo. Uma abordagem histomorfométrica na estimativa da idade em antropologia forense
Histomorfometria,Idade à morte,Biologia do esqueleto,Clavícula,Ciência forense
A idade à morte é um dos parâmetros a ser estimado pelo antropólogo forense, aquando da construção do perfil de um determinado indivíduo. O objectivo de tal análise é tentar estabelecer uma relação entre a idade cronológica e a idade biológica dos resquícios ósseos. São várias as metodologias utilizadas, sendo que a abordagem morfológica, se apresenta como mais recorrente, pois é, de certa forma, mais intuitiva. Contudo, os métodos microscópicos podem, em determinadas situações, revelar-se de extrema utilidade. A estimativa da idade em adultos baseia-se na observação da senescência intrínseca ao indivíduo. Este processo fisiológico tem bases celulares, logo não é de estranhar que a histologia tenha vindo a ser usada como ferramenta para aceder às microestruturas, que permitem estabelecer uma relação com a idade. O ponto fulcral deste projecto é testar a aplicabilidade da histomorfometria óssea na estimativa da idade, através do uso de metodologias práticas e de fácil execução. Esta investigação pretende, com base numa amostra forense de clavículas provenientes de 18 indivíduos, 10 do sexo feminino e 8 do sexo masculino, estabelecer uma relação entre a idade à morte e dois componentes histológicos, a percentagem de osso não remodelado e aérea cortical relativa. Os resultados obtidos foram altamente condicionados pelo número da amostra tendo um carácter preliminar. Não foi possível estabelecer uma relação entre a percentagem de osso não remodelado e a idade, devido a um conjunto de situações condicionantes. Em relação à área cortical relativa, foi possível observar que esta exibe uma tendência para diminuir em indivíduos mais velhos, já que segundo os resultados obtidos, as principais diferenças encontram-se nos dois extremos etários. Os indivíduos mais jovens apresentam uma área cortical relativa superior (63,66%) quando comparados aos indivíduos mais velhos (57,96%). Esta variável parece ser ainda influenciada pelo sexo, chegando mesmo a existir, no grupo etário dos 40 aos 49 anos, uma diferença de aproximadamente 16%. Sempre que possível, os resultados obtidos, ou a falta destes, foram analisados criticamente, sendo que o condicionamento da amostra revelou-se um grande impedimento ao presente estudo. Um balanço geral da metodologia usada, quer ao nível da preparação para a histologia, quer na análise microscópica e com recurso ao scâner. Esta última revelou-se de mais fácil aplicação, embora careça de resultados mais fidedignos. O desenvolvimento de investigações, que visem a aplicação da histologia na estimativa da idade, é um processo premente e basilar, dado existirem empiricamente menos estudos na área, comparativamente aos métodos morfológicos. Deste modo, pensa-se que apesar dos resultados obtidos, novos projectos poderão ser alcançados, com base na temática em estudo.
Ciências Exactas e Naturais
23,811
Preventório de Penacova : o significado dentro de um conceito médico e social, até à sua reconversão turística contemporânea
Tuberculose,Medicina social,Higiene,Natureza,Edifício,Turismo
O antigo Preventório de Penacova, actualmente reformulado como Hotel, constituiu ao longo de grande parte do século XX, e início deste século, um marco importante bem como uma referência para as pessoas da região e não só, inicialmente tratando-se de um lugar com um cariz vocacionado para o exercício de uma prevenção médica e social, e recentemente direccionado como pólo de atracção turística. A prática da medicina social constitui a primeira resposta organizada contra a tuberculose e outras doenças infecciosas. Com a reorganização do espaço urbano das cidades, e propagação de políticas de higiene sobre a população, a forma de encarar a doença começou a sofrer uma transformação. A crescente evocação das propriedades benéficas da natureza, sugeridas pelos médicos, e economicamente aproveitadas pelas entidades turísticas, levou a que surgissem na Europa, sobretudo uma série de equipamentos, de onde se destacaram os sanatórios, como edifícios que forneciam a resposta eventual para a cura da doença, ao mesmo tempo que proporcionavam o conforto que até aí não existia nos equipamentos hospitalares. Em Portugal, a construção de Sanatórios e de outros edifícios similares, como o Preventório, surgiu com algum atraso em relação ao verificado na Europa, assistindo-se sobretudo a partir do início do século XX, a um aumento nessa construção. Numa primeira fase, fruto de iniciativa privada, e posteriormente liderado pelo Estado, o combate não esteve apenas na construção destes equipamentos, como também numa série de acções políticas e filantrópicas que incutiam hábitos à população, de onde se destaca a Associação Nacional de Tuberculose. No distrito de Coimbra foi desenvolvido um plano contra a tuberculose, pela Junta da Província da Beira Litoral, liderada pelo Professor Bissaya Barreto, figura com uma personalidade misteriosa, com um trajecto político e pessoal que lhe conferiram muito do poder para se impor na vida pública, como acabou por o fazer. A criação do Preventório de Penacova surge a partir da remodelação de um edifício já existente no local onde este foi edificado. O grande responsável pela existência deste Preventório, é o professor Bissaya Barreto, que na sua rede de edifícios criados na necessidade de prestar cuidados no apoio à defesa da criança e da grávida, isto englobado no seu projecto social e médico de combate à tuberculose, salientou a necessidade da criação de um local que albergasse crianças com condições socioeconómicas desfavoráveis, tendencionalmente mais susceptíveis à tuberculose, ou ainda crianças que tivessem sido retiradas aos pais, por estes manifestarem a doença. Durante décadas este foi o seu propósito, até que seria votado ao abandono, e posteriormente após alguns anos de indefinição a solução encontrada para a revitalização do local foi a construção de um Hotel, centrando-se apenas hoje unicamente com a finalidade turística.
Ciências Exactas e Naturais
23,813
Cancro da mama e inibidores da aromatase : avaliação biológica do exemestano na linha celular MCF-7aro
Cancro da mama,Linha celular MCF-7aro,Inibidores da aromatase,Proliferação celular,Morte celular,Apoptose
O cancro da mama é uma questão de saúde pública a uma escala global sendo necessário cada vez mais, tratamentos eficazes e com menor toxicidade. Os estrogénios possuem um papel importante no crescimento dos tecidos normal e neoplásico mamário, sendo a sua acção mediada através dos receptores de estrogénio (RE). Assim, existem várias abordagens terapêuticas de bloqueio dos seus efeitos: uso de modeladores selectivos dos receptores de estrogénio (SERMs) como o tamoxifeno e inactivadores (SERDs) como o fulvestran, que actuam directamente a nível dos RE, e de compostos inibidores da aromatase (IAs). A aromatase, é responsável pelo passo final da biossíntese do estrogénio, e a sua inibição tem sido considerada um alvo terapêutico importante no cancro da mama estrogénio-dependente. De facto, o uso de IAs demonstrou ser uma alternativa eficaz ao tratamento clássico com o tamoxifeno para mulheres pós-menopáusicas com cancro da mama RE-positivo. O exemestano é um potente inibidor da aromatase de terceira generação usado na terapia. No entanto, os mecanismos de acção dos IAs a nível celular não estão totalmente esclarecidos nem os porquês da ocorrência de resistências ao tratamento. Este trabalho permitiu avaliar os efeitos in vitro do exemestano a nível da viabilidade, proliferação celular, e indução de morte numa linha celular de cancro da mama contendo receptores de estrogénio e que expressa níveis elevados de aromatase (MCF-7aro). Este composto provoca uma redução da viabilidade e uma inibição da proliferação celular induzida pela testosterona, de modo dependente da dose e do tempo de exposição com retenção do ciclo celular na fase G0/G1. Para além de alterações morfológicas tais como blebs de membrana, condensação e fragmentação de cromatina induz um aumento na ligação da Anexina V às células sugerindo também morte celular, possivelmente por apoptose. Os resultados deste trabalho indicam que a linha celular MCF-7aro poderá ser usada como modelo de estudo dos efeitos in vitro de compostos usados na terapia endócrina e contribuir para a elucidação dos mecanismos de interacção dos IAs com as células cancerígenas e descoberta de novas terapias endócrinas mais potentes e selectivas.
Ciências Exactas e Naturais
23,820
Avaliação da actividade enzimática da cadeia respiratória mitocondrial na esclerose múltipla
Cadeia respiratória mitocondrial,Doenças neurodegenerativas,Esclerose múltipla,Fosforilação oxidativa,Genoma mitocondrial,Haplogupo,Mitocôndria,mtDNA
A Esclerose Múltipla é uma doença do Sistema Nervoso Central, que envolve o sistema imunitário e que se caracteriza por desmielinização e neurodegenerescência. As principais características neuropatológicas são a perda de oligodendrócitos, desmielinização, diminuição neuroaxonal associada à inflamação e, possivelmente, à disfunção mitocondrial. O início da doença ocorre geralmente no início da vida adulta e o curso da doença agrava-se com o tempo, podendo ocorrer períodos sem manifestações clínicas (remissões), que alternam com surtos da doença (exarcerbações), que se denomina por relapsing-remitting. Com o decorrer do tempo, os doentes podem desenvolver lesões crónicas, que promovem a lesão axonal irreversível, daqui resultando que a fase relapsing-remitting evolui para uma fase secundária progressiva, que é caracterizada por não haver recuperação ou recuperação mínima. A apresentação clínica é heterogénea, os principais sintomas incluem alteração da visão, fadiga extrema, espasmos e paralisia de vários músculos. Esta doença afecta mais de dois milhões de pessoas em todo o mundo. É geralmente aceite na literatura que a Esclerose Múltipla é uma doença inflamatória auto-imune, mediada por células T específicas, que reagem contra a mielina do Sistema Nervosos Central, levando à sua perda, que, em conjunto com a disfunção mitocondrial poderá estar na origem da doença. O presente trabalho foca-se no envolvimento funcional da mitocôndria, em particular do processo de fosforilação oxidativa, no desenvolvimento das lesões nesta doença, uma vez que este organelo intracelular desempenha um papel central no metabolismo energético e na homeostase da célula. A disfunção da cadeia respiratória mitocondrial poderá ser a causa ou a consequência de lesões na mitocôndria, tais comoa oxidação de DNA mitocondrial, de proteínas e lípidos, ou alterações ao nível do poro de transição mitocondrial, um fenómeno que tem sido associado à neurodegenerescência e morte celular. Os objectivos deste estudo são: i) analisar o envolvimento da disfunção da cadeia respiratória mitocondrial na Esclerose Múltipla; ii) investigar a correlação destes dados com os estudos de genética molecular do mtDNA. O presente trabalho envolve a avaliação espectrofométrica da actividade enzimática dos complexos II, III e IV da cadeia respiratória mitocondrial, bem como da enzima marcadora mitocondrial citrato sintetase, em linfócitos isolados a partir de sangue periférico, proveniente de doentes, afectados com Esclerose Múltipla, seguidos no Serviço de Neurologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, em comparação com um grupo controlo. Os resultados obtidos evidenciam um défice da fosforilação oxidativa em 48% dos doentes com esclerose múltipla investigados, maioritariamente do complexo IV. Os dados bioquímicos foram analisados em correlação com a informação genética existentes no laboratório, para os mesmos doentes. Verificou-se que não há associação com os haplogrupos do gene mitocondrial, mas encontrámos uma diferença estatisticamente significativa para a correlação dos défices da cadeia respiratória mitocondrial com as alterações do mtDNA investigadas no grupo dos doentes. Os nossos dados sugerem que o mtDNA e a disfunção mitocondrial desempenham um papel importante na patogenia de esclerose múltipla, reforçando alguns dados já existentes na literatura e dando um novo contributo no que diz respeito à actividade dos complexos da cadeia respiratória mitocondrial em células de doentes com aquela patologia.
Ciências Exactas e Naturais
23,821
Vias de transdução envolvidas no efeito do VIP na LTP na área CA1 do hipocampo
VIP,LTP,Theta-burst,VPAC1,PKA,VPPKC,fEPSP,hipocampo,CA1
O péptido vasoactivo intestinal (VIP) é um péptido neuromodulador que se encontra largamente distribuído no sistema nervoso central e periférico e tem um papel determinante em muitas acções biológicas em mamíferos. No hipocampo, é expresso exclusivamente em interneurónios, sugerindo que poderá estar envolvido na regulação da transmissão GABAérgica do hipocampo. O VIP actua através da activação de dois receptores selectivos, o VPAC1 e o VPAC2. Em estudos prévios no nosso laboratório observou-se que o VIP inibe a LTP através da activação dos receptores VPAC1. Sabendo que as proteínas PKA e PKC são de grande importância na conversão da memória de curta duração em memórias de longa duração, e que as acções via VPAC1 no hipocampo foram associadas à activação da PKC ou de proteínas Gi, o objectivo deste trabalho foi investigar: 1) o envolvimento da PKA e PKC na inibição da LTP, mediada pelos receptores VPAC1 e ainda 2) o envolvimento da fosforilação da subunidade GluR1 dos receptores AMPA na serina 845 pela PKA e na serina 831 pela PKC ou CaMKII nessa mesma inibição. Para tal utilizaram-se fatias de hipocampo de ratos de 6 semanas e efectuaram-se registos extracelulares dos fEPSPs. Foi estimulada a área CA1 no Stratum radiatum, ou seja, sobre as fibras colaterais de Schaffer e registaram-se os fEPSPs também no Stratum radiatum na zona de contacto entre as fibras colaterais de Schaffer e as dendrites das células piramidais. Induziu-se a LTP por estimulação theta-burst (5x4 bursts de 100Hz separados por 200ms, durante 1 segundo) e utilizaram-se os inibidores da PKA (H-89, 1μM), PKC (GF109203X, 1μM) para avaliar o envolvimento destas cinases no efeito do antagonista dos receptores VPAC1, PG 97-269 (100 nM) na LTP. A fosforilação da subunidade GluR1 dos Rs AMPA nas serinas 845 (alvo da PKA) e 831 (alvo da PKC e CaMKII) foi avaliada por Western-blot, tendo primeiramente as fatias de hipocampo sido submetidas a uma estimulação de campo com um protocolo de estimulação theta-burst semelhante ao utilizado nos registos extracelulares. Os resultados do presente trabalho demonstraram que quer a presença do inibidor da PKA (H-89,1μM) quer do inibidor da PKC (GF109203X 1μM) não alterou significativamente o efeito do antagonista dos receptores VPAC1 (PG 97-269, 100 nM) na LTP induzida por theta-burst, que apresentou um valor aproximadamente, duas vezes superior ao do da respectiva situação controlo para cada grupo experimental. É 14 ainda de salientar que por si só, a presença quer do inibidor da PKA (H-89) quer do inibidor da PKC (GF109203X) não alterou significativamente a LTP obtida em situação controlo (vias controlo - 1º theta-burst). No estudo da fosforilação da subunidade GluR1 observou-se que o antagonista dos receptores VPAC1 alterou significativamente a fosforilação unicamente na serina 845. No entanto não houve alterações na fosforilação da GluR1 em resposta à estimulação theta-burst. Em conclusão, a inibição da LTP por acção do VIP endógeno não depende da actividade das proteínas PKA e PKC, nem da fosforilação da subunidade GluR1 dos receptores AMPA. No entanto, a inibição da fosforilação da GluR1 pelo VIP endógeno poderá ser importante na regulação da late-LTP.
Ciências Exactas e Naturais
23,826
Genética do suicídio : investigação de SNPs em genes das neurotrofinas e mecanismos de transdução de sinal
Suicídio,Genética,Gene BDNF,Gene p75NTR,Gene PRKG1
O suicídio é um grave problema de saúde pública a nível mundial, principalmente em países industrializados, e os factores genéticos desempenham um papel importante na sua etiologia. As neurotrofinas desempenham funções importantes no sistema nervoso central e periférico, estando envolvidas, por exemplo, em processos de plasticidade sináptica. Algumas evidências sugerem que as neurotrofinas, particularmente o Brain-Derived Neurotrophic factor (BDNF) e o receptor pan-75 neurotrophin (p75NTR), poderão desempenhar um papel importante na etiologia do suicídio. Por exemplo, estudos postmortem realizados em vítimas de suicídio revelaram alterações nos níveis de expressão de BDNF e de p75NTR no hipocampo e no córtex pré-frontal. A proteína cinase G (PKG) pertence à família das cinases serina/treonina e desempenha funções ao nível da plasticidade sináptica e das vias de transdução de sinal, principalmente na activação de vias de sinalização em células pós-sinápticas, na mobilização de vesículas sinápticas na célula pré-sináptica e na libertação de neurotransmissores. Com base nestas evidências, colocámos a hipótese de que variantes genéticas no gene PRKG1 poderão eventualmente desempenhar um papel na susceptibilidade para o suicídio. Assim, neste projecto estudou-se o envolvimento dos SNPs Val66Met, S205L e C2276T, nos genes BDNF, p75NTR e PRKG1, respectivamente, na etiopatogenia do suicídio, numa amostra da população Portuguesa seleccionada no decorrer de autópsias médico-legais, realizadas no Instituto Nacional de Medicina Legal. Os resultados obtidos para o polimorfismo Val66Met do gene BDNF não revelaram associação entre este polimorfismo e o suicídio na globalidade da amostra, na estratificação por género ou método de suicídio. Desta forma, o polimorfismo Val66Met do gene BDNF parece não desempenhar um papel importante na etiologia do suicídio. Quanto ao gene p75NTR, os resultados do estudo para a amostra de indivíduos do sexo masculino mostraram uma tendência de associação, e uma associação para o genótipo (χ2=5,302; df=2; p=0,071) e para o alelo (χ2=5,269; df=1; p=0,022),respectivamente, o que permite sugerir que o polimorfismo do gene p75NTR poderá ser um factor de risco para o suicídio no sexo masculino. Contrariamente, a amostra de indivíduos do sexo feminino não revelou alterações significativas. No que diz respeito à amostra no seu todo, e estratificada por método de suicídio, não se detectarem alterações significativas na distribuição genotípica e nas frequências alélicas. Relativamente ao polimorfismo C2276T do gene PRKG1, não foi obtida associação com o suicídio para a totalidade da amostra, bem como na estratificação por género e método de suicídio. Contudo, para a distribuição genotípica, foi obtida uma tendência de associação entre o polimorfismo C2276T do gene PRKG1 e o suicídio para indivíduos do sexo feminino (χ2=5,361; df=2; p=0,069). Face a este resultado, é importante fazer estudos adicionais para tentar esclarecer o papel do gene PRKG1 no suicídio, em particular no sexo feminino. Tendo em conta os resultados obtidos, nomeadamente para o receptor p75NTR, a hipótese do envolvimento de variantes genéticas das neurotrofinas é promissora, na etiologia do suicídio. A possível identificação de factores genéticos disponibilizará um contributo para uma melhor compreensão da etiologia do suicídio e potencialmente para a prevenção do comportamento suicida, reduzindo desta forma a taxa de suicídio.respectivamente, o que permite sugerir que o polimorfismo do gene p75NTR poderá ser um factor de risco para o suicídio no sexo masculino. Contrariamente, a amostra de indivíduos do sexo feminino não revelou alterações significativas. No que diz respeito à amostra no seu todo, e estratificada por método de suicídio, não se detectarem alterações significativas na distribuição genotípica e nas frequências alélicas. Relativamente ao polimorfismo C2276T do gene PRKG1, não foi obtida associação com o suicídio para a totalidade da amostra, bem como na estratificação por género e método de suicídio. Contudo, para a distribuição genotípica, foi obtida uma tendência de associação entre o polimorfismo C2276T do gene PRKG1 e o suicídio para indivíduos do sexo feminino (χ2=5,361; df=2; p=0,069). Face a este resultado, é importante fazer estudos adicionais para tentar esclarecer o papel do gene PRKG1 no suicídio, em particular no sexo feminino. Tendo em conta os resultados obtidos, nomeadamente para o receptor p75NTR, a hipótese do envolvimento de variantes genéticas das neurotrofinas é promissora, na etiologia do suicídio. A possível identificação de factores genéticos disponibilizará um contributo para uma melhor compreensão da etiologia do suicídio e potencialmente para a prevenção do comportamento suicida, reduzindo desta forma a taxa de suicídio.
Ciências Exactas e Naturais
23,828
Percentagem de plaquetas reticuladas : um parâmetro útil no diagnóstico da Púrpura Trombocitopénica Imune Primária
Trombocitopenia,PTI primária,Plaquetas reticuladas,CELL-DYN® Sapphire,Citometria de fluxo,CD4K-530
A Púrpura Trombocitopénica Imune (PTI) é uma doença auto-imune que se caracteriza pela presença de auto-anticorpos contra as glicoproteínas plaquetares, que levam à destruição das plaquetas no sistema reticulo-endotelial. Para o diagnóstico diferencial entre trombocitopenias por hiperdestruição periférica, como a PTI, ou por hipoprodução medular (aplasia ou invasão medular por proliferação celular anormal) é necessário, frequentemente, fazer a observação morfológica da medula óssea. As plaquetas reticuladas (rP – reticulated platelet) são plaquetas recentemente libertadas da medula óssea, têm um maior volume, são mais densas e têm ácido ribonucleico (RNA – ribonucleic acid) residual. A percentagem de rP (%rP) é um novo parâmetro plaquetar do CELL-DYN® Sapphire que utiliza o marcador de fluorescência CD4K-530. Objectivo: O objectivo principal deste trabalho é determinar a fiabilidade da %rP na avaliação da actividade trombopoiética da medula óssea, com o intuito de vir a substituir o medulograma na abordagem diagnóstica da maioria dos casos de PTI primária. Material e métodos: Em 139 amostras de sangue periférico, colhidas em ácido etilenodiaminotetracético tripotássico (EDTA K3 – ethylenediaminetetraacetic acid tripotassic), foram determinados os diferentes parâmetros plaquetares, incluindo a %rP, e a contagem de reticulócitos. Foi utilizado um equipamento CELL-DYN® Sapphire com tecnologia de citometria de fluxo. O valor de %rP foi obtido por metodologia óptica, por detecção da dispersão do feixe de luz (laser) nos ângulos 7º e 90º, e por fluorescência emitida por CD4K-530, um marcador de RNA. As amostras foram divididas em 4 grupos: PTI primária n=34; trombocitopenia induzida por quimioterapian=11; anemia hemolítica autoimune (AHAI) n=18; e controlo n=76. A análise estatística foi efectuada com o software StatView 5.0. Resultados: No grupo com PTI primária foi encontrada uma média (± desvio padrão) de percentagem de plaquetas reticuladas de 6.435 ± 3.584%; no grupo com trombocitopenia induzida por quimioterapia, 2.649 ± 1.382%; no grupo com AHAI, 2.012 ± 1.130%; e no grupo controlo, 1.632 ± 0.985%. As diferenças nos valores de %rP entre o grupo PTI e cada um dos outros grupos são estatisticamente significativas e não há diferenças entre os outros grupos. Na PTI primária a percentagem de reticulócitos, avaliada pelo parâmetro %Ret, não tem correlação com a %rP; o MPV (Mean Platelet Volume) está aumentado e o PDW (Platelet Distribution Width) está dentro dos valores normais. Conclusão: O novo parâmetro plaquetar %rP provou ser um parâmetro útil no diagnóstico da PTI primária, porque, para um número de plaquetas semelhante, a %rP é significativamente mais elevada na PTI primária do que na trombocitopenia pós-quimioterapia e não é influenciada pelos reticulócitos presentes na amostra. Embora sejam necessários estudos mais alargados, nomeadamente em doentes que se apresentem com trombocitopenia associada a neoplasias linfoproliferativas, a %rP tem potencial para vir a ser utilizada como teste complementar no diagnóstico diferencial de trombocitopenias, podendo, em alguns casos, vir a substituir o medulograma. De notar ainda que, a avaliar pelo MPV e pelo PDW, na PTI primária as plaquetas têm, uniformemente, um maior volume, o que corresponde ao que é possível observar no esfregaço de sangue periférico. Palavras-chave: Trombocitopenia; PTI primária; Plaquetas reticuladas; CELL-DYN® Sapphire; Citometria de fluxo; CD4K-530.
Ciências Exactas e Naturais
23,834
Alcoolismo e violência doméstica : investigação de variantes genéticas em genes da família do citocromo P450
Alcoolismo,Violência doméstica,Genética,CYP2E1,CYP1A2
O alcoolismo é um grave problema de saúde pública global, com implicações a nível social e económico. O consumo excessivo de álcool está associado à violência doméstica, que à semelhança do alcoolismo representa um problema social e de saúde pública igualmente preocupante na actualidade. A dependência alcóolica é uma doença complexa e multifactorial, que resulta de interacções gene-gene e gene-ambiente, com uma hereditariedade estimada entre 40- 60%. A identificação de factores genéticos associados ao alcoolismo poderá eventualmente ter um impacto determinante na diminuição do número de casos de violência doméstica. Várias evidências têm implicado as enzimas metabolizadoras do etanol, nomeadamente do sistema enzimático do citocromo P450 (CYP450), na fisiopatologia do alcoolismo. Em particular a enzima CYP2E1, o principal componente do sistema microssomal hepático de oxidação do etanol (MEOS) no fígado, é responsável por cerca de 10% da metabolização total do etanol e, simultaneamente, pode ser induzida pelo consumo do mesmo. A enzima CYP1A2, que desempenha também funções ao nível do metabolismo do álcool, é altamente indutível pelo fumo do cigarro, podendo ser importante na interacção entre estas duas dependências que estão frequentementes associadas. Face às evidências, o estudo de variantes genéticas nas enzimas da família CYP450 poderá contribuir para o preenchimento da lacuna existente nesta área de investigação e, por outro lado, responder a algumas questões no âmbito da genética do alcoolismo, com eventuais repercussões na violência doméstica. Assim, neste trabalho investigou-se a associação entre os polimorfismos nos genes CYP2E1 (−1053C>T) e CYP1A2 (C734A) com o alcoolismo e/ou violência doméstica numa amostra de doentes da população Portuguesa bem caracterizada clinicamente, com e sem historial de violência doméstica. No que se refere ao gene CYP2E1, os resultados obtidos não revelaram associação entre o polimorfismo −1053C>T e o alcoolismo na totalidade da amostra estudada. Na estratificação da amostra por género também não se observaram diferenças estatisticamente significativas, quer para o sexo feminino quer para o sexo masculino, quando comparadas com a amostra controlo. Além disso, com o intuito de se identificar genes de susceptibilidade que predispõem indivíduos alcoólicos para a violência doméstica, analisou-se o polimorfismo −1053C>T no gene CYP2E1, numa amostra dedoentes alcoólicos com e sem historial de violência doméstica, e os resultados obtidos não demonstraram associação entre o polimorfismo mencionado e a violência doméstica. Estes resultados no seu conjunto, parecem sugerir que o polimorfismo −1053C>T do gene CYP2E1 não desempenha um papel major na etiologia do alcoolismo e/ou da violência doméstica. Em relação ao gene CYP1A2, a análise da distribuição dos genótipos obtidos para a amostra total não revelou associação entre o polimorfismo C734A e o alcoolismo, apesar de se verificar uma ligeira tendência de associação (χ2= 5,244; df = 2; p = 0,073). A análise da distribuição alélica detectou diferenças estatisticamente significativas entre a amostra de doentes alcoólicos e os controlos (χ2= 4,197; df = 1; p = 0,040). Por outro lado, não se obteve associação entre o polimorfismo C734A do gene CYP1A2 e o alcoolismo na amostra estratificada por género, e também ao comparar a amostra de doentes alcoólicos com e sem historial de violência doméstica. Apesar dos resultados obtidos carecerem de replicação em diferentes populações mundiais, os mesmos sugerem que o polimorfismo C734A poderá ser um factor de risco para a dependência alcoólica na população Portuguesa. No que se refere à violência doméstica, os resultados permitem inferir que o polimorfismo C734A do gene CYP1A2 não está directamente envolvido na violência doméstica. Face aos resultados obtidos, e uma vez que este estudo é pioneiro na investigação do gene CYP1A2 na etiologia do alcoolismo, espera-se que o conhecimento adquirido possa contribuir, no futuro, para a prevenção, aplicação de terapêuticas individualizadas aos doentes alcoólicos e detecção precoce de indivíduos de risco, que no seu conjunto poderão conduzir a uma diminuição do número de vítimas.
Ciências Exactas e Naturais
23,837
Alterações dos receptores A1 e A2a da adenosina num modelo animal da doença de Parkinson : função neuroprotectora?
Doença de Parkinson,GDNF,6-hidroxidopamina,Neuroprotecção,Receptores de adenosina
Os receptores A2a da adenosina são actualmente considerados um alvo terapêutico na doença de Parkinson pois, devido à co-localização e interacção funcional com os receptores D2 da dopamina nos neurónios do estriado, a modulação com antagonistas A2a tem um efeito compensatório do défice de dopamina causado pela degeneração dos neurónios dopaminérgicos que projectam da substantia nigra para o estriado, melhorando a disfunção motora. Por outro lado, os antagonistas dos receptores A2a também mostraram efeitos neuroprotectores contra a degeneração dopaminérgica induzida por toxinas em modelos animais da doença de Parkinson, um efeito atribuído à inibição de mecanismos neuro-inflamatórios. No entanto, a activação dos receptores A2a é requerida para alguns efeitos do GDNF (Glial cell line-Derived Neurotrophic Factor), um factor neurotrófico amplamente reconhecido como protector e indutor da regeneração dos neurónios dopaminérgicos. O nosso grupo mostrou recentemente que a lesão selectiva dos neurónios dopaminérgicos em culturas de células da substantia nigra pode induzir o aumento da expressão de GDNF em astrócitos. No presente estudo utilizámos um rato modelo da doença de Parkinson, induzido pela injecção de 6-hidroxidopamina (6-OHDA) no estriado, para investigar a relação entre receptores da adenosina, expressão de GDNF e protecção dos neurónios dopaminérgicos. Em estudos de imunohistoquímica após a lesão da via nigra-estriatal, observámos um aumento significativo da expressão dos receptores A2a em astrócitos no estriado, particularmente em astrócitos que proliferaram nas zonas de transição entre zonas lesadas e zonas não afectadas. A observação, também nestas zonas, do aumento da expressão da tirosina hidroxilase (TH), um marcador dos terminais dopaminérgicos, sugere uma relação entre aumento dos receptores A2a e sobrevivência dos neurónios dopaminérgicos, e não apoia a ideia de que a activação dos receptores A2a em situações de lesão é deletéria para a sobrevivência dosneurónios dopaminérgicos. No entanto, em estudos preliminares em culturas de células da substantia nigra, observámos que a inibição dos receptores A2a teve efeitos protectores na sobrevivência dos neurónios dopaminérgicos contra a toxicidade da 6-OHDA. Nos estudos in vivo não observámos aumento da expressão de GDNF, avaliados por Western blot em extractos proteicos do estriado. No rato modelo da doença de Parkinson, observámos também um aumento marcado dos receptores A1 da adenosina no estriado, em terminais dopaminérgicos e em corpos celulares que expressam TH. A aquisição de fenótipo dopaminérgico por neurónios GABAérgicos do estriado lesado foi descrito por outros investigadores, e o nosso trabalho sugere que estes neurónios expressam também receptores A1 da adenosina. Observámos também que a degeneração da via nigra-estriatal está associada ao aumento da expressão dos receptores A1 na substantia nigra em neurónios não-dopaminérgicos cujos corpos celulares estão segregados dos corpos celulares dopaminérgicos nas regiões dendríticas da substantia nigra pars reticulata. Em conclusão, os nossos resultados num modelo animal da doença de Parkinson mostram que a lesão dos neurónios dopaminérgicos pode induzir o aumento da expressão dos receptores A2a da adenosina em astrócitos, e dos receptores A1 em terminais dopaminérgicos no estriado, em zonas de transição da lesão, onde parecem ocorrer tentativas de reparação evidenciadas pelo aumento da expressão da TH. Embora os resultados não provem uma relação entre a expressão dos receptores da adenosina e protecção dos neurónios dopaminérgicos, os nossos resultados não apoiam a ideia de que a activação dos receptores A2a contribua para a degeneração dopaminérgica.
Ciências Exactas e Naturais
23,853
Componentes para a qualidade de vida dos idosos na freguesia de Alcofra
Longevidade,Envelhecimento,Idoso,Qualidade de vida
O aumento da longevidade e do número de idosos criou novos desafios para as sociedades modernas. Um destes desafios é assegurar que os idosos vivam com qualidade de vida. Neste contexto, o conceito de qualidade de vida deve ser analisado numa perspetiva ecológica, colocando o indivíduo no seu contexto sociocultural, e ponderando uma dinâmica de forças entre as pressões ambientais e as suas capacidades adaptativas. O principal objectivo do presente estudo foi avaliar os componentes que contribuem para a qualidade devida dos idosos residentes na freguesia rural de Alcofra. Para cumprir este objectivo foram entrevistados 42 idosos com idades compreendidas entre os 66 e os 97 anos com recurso a um inquérito misto, com questões de resposta aberta e questões de resposta fechada. Estas últimas foram baseadas nos parâmetros definidos para a qualidade de vida pela Organização Mundial de Saúde (WHOQOLBREF). A maioria dos idosos entrevistados (52,4%) vive com uma qualidade de vida boa e 47.6% com uma qualidade de vida razoável. Esta perceção pode ter sido influenciada pela adaptabilidade dos idosos ao estilo de vida da comunidade, ou seja, mesmo experienciando uma redução da capacidade de funcionamento, quase todos vivem nas suas casas ou em casas de familiares e mantém pequenas tarefas do dia-a-dia, tais como, comprar e preparar os alimentos para as refeições, colher alimentos no quintal e preparar as sementeiras. Todos preservam as relações sociais com os seus familiares e os vizinhos e participam nas festividades locais. A maioria dos inquiridos tem uma saúde boa, incluindo alguns deles (cerca de 30%) que afirmaram não padecer de qualquer patologia. As patologias com maior prevalência na amostra são as comummente referidas entre os idosos, nomeadamente, as doenças cardiovasculares (31%) e as doenças articulares (19%).
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23,855
Plantas Invasoras no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra: Contribuição para a Elaboração de um Plano Gestão
Jardim Botânico da Universidade de Coimbra,Espécies invasoras,Ailanthus altissima,Plano de gestão,Controlo,SIG
O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (JBUC) é composto essecialmente por espécies de plantas exóticas. A maioria destas espécies não são invasoras, mas algumas possuem comportamento invasor, causando problemas para a conservação do Jardim, sendo importante gerir de forma sustentável as áreas afectadas por estas espécies. Para tal, é necessário, em primeiro lugar, analisar a dimensão da invasão e identificar as suas possíveis causas. Para este efeito, este trabalho focou-se no mapeamento das três espécies invasoras mais problemáticas (Ailanthus altissima, Oxalis pes-caprae e Tradescantia fluminensis) e ainda de uma quarta espécie, Acanthus mollis, que embora não listada como invasora na legislação Portuguesa, apresenta na mata do JBUC um potencial invasor preocupante. Foi também objectivo deste trabalho elaborar um reconhecimento mais detalhado (através de mapeamento das regiões invadidas com respectivo número de espécimes) de A. altissima, a espécie mais “agressiva” de todas as presentes no JBUC. Através de análises de campo e usando Sistemas de Informação Geográfica foi possível mapear as áreas invadidas, determinar o número de indivíduos em cada local, a cobertura vegetal destas espécies, a acessibilidade a cada área e conhecer o historial das acções de controlo de A. altissima realizados anteriormente no Jardim, tentando contribuir, assim, com informação relevante para um plano de gestão eficaz e fundamentado das plantas invasoras na mata do JBUC. A espécie A. altissima encontra-se em elevado número na mata do Jardim e tentativas de controlar esta espécie apenas por corte simples mostraram ser ineficazes. No entanto, metodologias que incorporaram a injecção de herbicida mostraram ser mais eficazes no controlo desta espécie. Oxalis pes-caprae e T. fluminensis são espécies existentes na mata também com uma distribuição batstante extensa. Acanthus mollis encontra-se também espalhada por toda a mata. Contudo, não deve ser uma prioridade para controlo, pois restringe de alguma forma a invasão do subcoberto por outras invasoras mais agressivas. O mapeamento das áreas invadidas realizado neste trabalho conjuntamente com um estudo com base científica do controlo das espécies de plantas que existem na mata do JBUC, ajudará certamente na elaboração de um plano de gestão eficaz a longo prazo deste importante Jardim Botânico.
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23,859
Uma biografia cultural da sala fé da exposição de longa duração do Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore. Ensaio de museologia etnográfica
Biografia cultural,"Zona de contacto",Sala Fé,Museu Théo Brandão,cultural biography,“contact zone”,Sala Fé,Théo Brandão Museum
Este trabalho toma a Sala Fé da exposição de longa duração do Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore da Universidade Federal de Alagoas (MTB/Ufal) como fonte de estudo. Ela abriga importantes elementos da cultura material das religiões populares do estado de Alagoas, como xangô, umbanda e catolicismo popular. Nesta sala acontece um tipo de apropriação especialmente por parte dos visitantes, que nela deixam moedas, bilhetes e alguns objetos pessoais próximos de algumas imagens, extrapolando, portanto, as intenções do projeto expográfico. A interação visitante-exposição na Sala Fé se dá através das oferendas religiosas, o que, normalmente, acontece em outros ambientes que não o museológico. Ao que tudo indica há ali uma sobreposição de significados simbólicos, tornando-o um espaço singular, até mesmo na própria instituição. A partir de um diálogo interdisciplinar entre a antropologia e a museologia, procurei nesta tese contextualizar a proposta do MTB/Ufal, a fim de destacar a sua importância para a compreensão dos espaços museológicos como “zonas de contacto”. Por sua vez, a situação implica também algumas questões colocadas para o museólogo, preparado para lidar com o processo de musealização e o respectivo deslocamento do objeto do circuito de uso para o circuito museológico. Neste, alguns significados que ele carrega podem ser revelados e interpretados. Esta questão deu origem à proposta desta pesquisa, cujo tema se desenvolveu a partir do que chamei preliminarmente Uma Biografia Cultural da Sala Fé da Exposição de Longa Duração do MTB/Ufal, cujo objetivo geral consistiu em compreender os sentidos atribuídos a esse espaço do ponto de vista de funcionários, bolsistas/mediadores (do Núcleo Educativo) e visitantes.
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23,865
Pesquisa de compostos bioativos em microalgas da Algoteca de Coimbra (ACOI)
Porphyridium purpureum,Chrysotila lamellosa,Ácidos gordos,Polissacarídeos,Antioxidantes
As microalgas são microorganismos fotossintéticos, de organização celular procariótica ou eucariótica. O interesse nestes microorganismos como fonte de novos compostos tem vindo a aumentar nos últimos anos devido à diversidade de metabolitos produzidos, em especial os lípidos, polissacarídeos, pigmentos, proteínas, enzimas e toxinas. O objectivo deste estudo foi conhecer o potencial biotecnológico de duas estirpes de microalgas existentes na Algoteca da Universidade de Coimbra (ACOI), Porphyridium purpureum ACOI/SAG 1380 e Chrysotila lamellosa ACOI 339. Para algumas estirpes de Porphyridium purpureum conhece-se já a capacidade de síntese de alguns compostos de interesse, nomeadamente polissacarídeos sulfatados, ficoeritrina e ácidos gordos ω3 e ω6. Em Chrysotila lamellosa há muito pouca informação publicada. Neste trabalho, para ambas as estirpes foram analisados: (1) o crescimento ao longo de 15 dias; (2) o perfil de ácidos gordos combinados do lípido extraído, seguido da respetiva quantificação por cromatografia gasosa (GC); (3) a produção de polissacarídeos e identificação dos monossacarídeos constituintes por cromatografia líquida de alta pressão (HPLC), após hidrólise; (4) o potencial antioxidante, através dos métodos espectrofotométricos ABTS e DPPH e (5) o valor da biomassa total. Nas condições de crescimento estabelecidas, fotoperíodo de 16:8 horas luz: escuro, luminosidade de 21,62μmol/m2/s, temperatura de 23°C e borbulhamento de ar, não optimizadas para a estirpe, Porphyridium purpureum demonstrou um crescimento rápido, com 0,79g/L e 0,50g/L de biomassa obtida ao fim de 15 dias em reator de 20L e balão Erlenmeyer de 250mL, respetivamente. Trata-se de uma estirpe produtora de ácidos gordos polinsaturados (PUFA’s) ω3 e ω6, em especial ácido araquidónico (C20:4ω6 - AA) e ácido eicosapentanóico (C20:5ω3 - EPA), presentes em quantidades significativas de 2,7 e 0,6% do total de ácidos gordos. Demonstrou também uma elevada produção de polissacarídeos extracelulares, 0,68g/L, constituídos maioritariamente por arabinose, manose e galactose. Adicionalmente apresentou uma atividade antioxidante de 9,98mg/L equivalente a ácido ascórbico, superior à da cenoura, e as análises à sua biomassa total revelaram também percentagens elevadas de hidratos de carbono e de proteína, 59,05% e 19,71% respetivamente.Chrysotila lamellosa, em condições de cultivo idênticas, apresentou um crescimento mais lento, com 0,64g/L e 0,40g/L de biomassa obtida ao fim de 15 dias em reator de 20L e balão Erlenmeyer de 250mL. Revelou ser uma estirpe boa produtora de ácidos gordos polinsaturados ω3, em especial ácido eicosapentanóico (C20:5ω3 - EPA) e ácido docosahexanóico (C22:6ω3 - DHA), com percentagens de 0,6 e 6,4% do total de ácidos gordos, respetivamente. Demonstrou uma capacidade antioxidante equivalente à framboesa e a análise à sua biomassa também mostrou conter elevadas percentagens de hidratos de carbono, 41,17%, e de proteína, 11,52%. O trabalho desenvolvido permite concluir que ambas as estirpes estudadas possuem um potencial biotecnológico interessante a nível nutricional, tanto pelo perfil de ácidos gordos polinsaturados que apresentam como pela sua atividade antioxidante e capacidade de produção de hidratos de carbono.
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23,867
Estudo da potencial toxicidade do processo de silenciamento da ataxina 3 mutante humana mediado por shRNA lentiviral
shRNA,Lentivírus,Doença de Machado-Joseph (MJD),Toxicidade,Neurodegeneração,Microglia,Astrócitos
Previamente, o nosso laboratório demonstrou a eficácia terapêutica do silenciamento génico da ataxina 3 mutante humana mediado por shRNA, usando lentivírus, no estriado e cerebelo de modelos animais da doença de Machado-Joseph (MJD). Tendo em conta as evidências crescentes de que o processo de silenciamento génico mediado por shRNAs pode conduzir a efeitos citotóxicos, decidiu-se averiguar a segurança da estratégia terapêutica anteriormente testada. Procedeu-se assim a uma avaliação da potencial toxicidade do shRNA lentiviral usado para o silenciamento da ataxina 3 mutante humana (shmutatx3), no estriado de murganhos. Com esse propósito foram analisados três aspectos: a integridade neuronal (através da análise imunohistoquímica da expressão de dois marcadores neuronais, DARPP-32 e NeuN, e da análise histoquímica com violeta de cresil), a resposta microglial (através da análise imunohistoquímica da expressão de um marcador microglial, iba-1) e a resposta astrocítica (através da análise imunohistoquímica e da análise por western blot da expressão de um marcador astrocítico, GFAP) no estriado de murganhos wild-type adultos em quatro time points após a injecção dos lentivírus: 2 semanas, 4 semanas, 8 semanas e 5 meses. O shmutatx3 parece apresentar toxicidade numa fase inicial, uma vez que os resultados referentes à avaliação da integridade neuronal indicam que a neurodegeneração às 2 semanas na injecção do LV-nlsLacZ-shmutatx3 (lentivírus que codificam o shmutatx3) é significativamente superior à que se verifica na injecção do LV-eGFP (lentivírus sem efeito terapêutico). Apesar da aparente toxicidade inicial, o shmutatx3 não é tóxico a longo prazo, uma vez que há uma recuperação funcional da zona lesada no estriado entre as 4 semanas e os 5 meses na injecção do LV-nlsLacZshmutatx3, que é quase completa aos 5 meses. Esse aspecto revela que existe uma adaptação neuronal à transcrição constitutiva do shmutatx3. Alguma da diferença em termos de neurodegeneração observada entre as injecções do LV-nlsLacZ-shmutatx3 e do LV-eGFP pode estar relacionada com o facto destes terem genes-repórter diferentes. Os resultados da avaliação da resposta microglial e da resposta astrocítica sugerem que a aparente toxicidade do shmutatx3 numa fase inicial, mas não a longo prazo, poderá derivar da prevalência alongada de uma microglia M1 e de um fenótipo pró-inflamatório dos astrócitos activados (fenótipos de defesa que podem ter um efeito neurotóxico se forem persistentes), que dá lugar à prevalência de uma microglia M2 e de um fenótipo anti-inflamatório dos astrócitos activados (fenótipos de reparação que têm um efeito neuroprotector e promotor do sprouting neuronal e da neurogénese) entre as 2 e as 4 semanas.
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23,869
Otimização de protocolos de micropropagação de Castanea sativa Mill e estudo da tolerância de genótipos de castanheiro à doença da tinta
Castanea sativa Mill,Citocininas,Enraizamento,Micropropagação,Phytophthora cinnamomi
A micropropagação in vitro pode ser uma mais valia em empresas que se dedicam à produção de plantas, pois é um método inovador que permite a produção de um elevado número de plantas num curto espaço de tempo. Castanea sativa Mill é uma espécie lenhosa de grande importância económica para Portugal, não obstante, as doenças que a afetam e comprometem a sua sanidade e, consequentemente, a sua capacidade produtiva. Este trabalho foi realizado no âmbito da parceria UC InProPlant e incidiu sobre dois pontos fundamentais, sendo eles a otimização de protocolos de produção de castanheiro in vitro, e a avaliação da tolerância de genótipos de castanheiro ao fungo Phytophthora cinnamomi que causa a doença da tinta. No que se refere à propagação de Castanea sativa Mill. avaliou-se: i) o efeito do tipo de citocinina e do genótipo, ii) o efeito do recipiente e iii) o enraizamento. No estudo do efeito da citocinina e do genótipo, a zeatina e o genótipo CX5 apresentaram diferenças significativas no que se refere à altura do maior rebento e ao número de nós. Já no estudo do efeito do recipiente apenas se observaram diferenças significativas entre os tubos de ensaio e os frascos luminarc. Relativamente ao enraizamento in vitro a concentração de 3 mg/l de IBA apresentou diferenças significativas em comparação com a concentração de 5 mg/l, no que diz respeito ao comprimento da maior raiz e do número de raízes. No ensaio de inoculação em ramo com o fungo Phytophthora cinnamomi estudou-se a tolerância de alguns genótipos de castanheiro a este fungo, no entanto os resultados não se revelaram conclusivos.
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23,870
Estudos genéticos de uma coleção osteológica da época Medieval
ADN degradado,Tecido ósseo,Marcadores genéticos,Época Medieval
A extração de ADN e a obtenção de um perfil genético a partir de amostras de tecido ósseo torna-se bem mais desafiante e complexo do que em amostras de referência de sangue e saliva. Fatores como a temperatura, humidade, microrganismos, o pH do solo e o armazenamento, antes e após a exumação dos esqueletos, estão correlacionados com a preservação do ADN em material ósseo e podem condicionar a obtenção de bons resultados. O ADN antigo é caracterizado frequentemente por se encontrar muito fragmentado (cadeias curtas de ADN em média entre 100 a 500 pares de bases) e em pouca quantidade, devido aos processos de degradação que sofreu ao longo do tempo. Os principais problemas que a análise de ADN antigo enfrenta são a baixa concentração de moléculas ADN das amostras, a alta degradação e fragmentação das moléculas e a contaminação com ADN exógeno, seja ele externo ou associado aos métodos de laboratório. As técnicas para o estudo de ADN degradado têm vindo a ser cada vez mais desenvolvidas devido à sua utilidade em casos forenses, bem como em estudos populacionais e evolutivos. Neste trabalho pretende-se aplicar técnicas já comprovadas como sendo eficazes em amostras de tecido ósseo em 50 amostras de uma coleção osteológica da época Medieval, já previamente estudadas por métodos antropológicos. Métodos de STR, Mini-STR, InDel, Y-STR, Y-SNP e ADN mitocondrial são aplicados tanto nas amostras em estudo como em ossos de grupos controlo com o intuito de obter o perfil genético mais completo possível para cada uma das amostras. Os resultados demonstraram maior percentagem de amplificação em marcadores bialélicos bem como quanto menor forem os produtos de amplificação de cada marcador. Foi possível atribuir um género a alguns indivíduos da população medieval através de diversos métodos genéticos. Através dos haplótipos de ADN mitocondrial e Y-SNP's foi ainda possível determinar a origem geográfica da linhagem materna e paterna respetivamente para algumas das amostras estudadas. A partir do conjunto de técnicas aplicadas concluiu-se que as amostras em estudo se encontram num elevado estado de degradação, não permitindo a reprodutibilidade desejada dos resultados, devido ao efeito estocástico característico de amostras antigas de tecido ósseo.
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23,871
Crescimento, extração e caracterização de polissacarídeos e determinação da atividade antioxidante em Pectodictyon cubicum Taft ACOI 1651
Pectodictyon cubicum,Crescimento,Polissacarídeos,Monossacarídeos,Atividade antioxidante
As microalgas são organismos unicelulares e multicelulares, fotossintéticos, de sistemas marinhos e de água doce, estando também presentes em ambientes terrestres e que representam uma grande variedade de espécies, vivendo numa ampla gama de condições ambientais. Começam a ser vistas como uma fonte de matéria-prima a ter em conta para os mais variados ramos da indústria. O objetivo deste trabalho foi conhecer o potencial biotecnológico de Pectodictyon cubicum Taft, uma estirpe pertencente à Algoteca de Coimbra (ACOI) com o número de referência ACOI 1651, no que diz respeito à produção de polissacarídeos e à sua capacidade antioxidante. O crescimento de Pectodictyon cubicum foi monitorizado durante 31 dias, em meio de cultura M7, com borbulhamento de ar, a uma temperatura ambiente de 23ºC, uma intensidade luminosa média de 21,62µmol m-2 s-1 e um fotoperíodo de 16h:8h luz/escuro, tendo sido obtida uma biomassa total final de 3,20g/L. No estudo dos polissacarídeos testaram-se dois tempos diferentes de crescimento da cultura, 15 dias e 1 mês. Para a análise do conteúdo em monossacarídeos, após cada tempo de cultivo, procedeu-se a uma extração alcalina dos polissacarídeos, seguida de hidrólise ácida, sendo obtida uma solução que foi analisada em cromatografia líquida de alta pressão (HPLC). A comparação dos cromatogramas resultantes com padrões de monossacarídeos com valor de retenção conhecidos permitiu identificar monossacarídeos como ramnose, galactose e arabinose, sendo este o monossacarídeo presente em maior quantidade, 94,80% ao fim de 15 dias de cultivo e 91,00% após 1 mês, obtendo-se diferentes quantidades de monossacarídeos consoante o tempo de crescimento. O potencial antioxidante foi testado através de dois métodos, ABTS e DPPH. Pelo método de ABTS, o valor da atividade antioxidante do extrato após crescimento de 1 mês (4,85mg/L equivalente a ácido ascórbico) foi menor que o do extrato obtido após 15 dias (7,85mg/L equivalente a ácido ascórbico), valores que estão próximos do valor de atividade antioxidante da cenoura (5,98mg/L equivalente a acido ascórbico). Para o método de DPPH foram também realizados ensaios após crescimento de 15 dias e de 1 mês, tendo sido obtidos valores de EC50 muito superiores aos valores obtidos pelos extratos dos alimentos usados como referência. Pectodictyon cubicum ACOI 1651 demonstrou ter um crescimento celular lento nas condições de cultivo definidas, assim como uma elevada produção de polissacarídeos nos dois tempos de cultivo, sendo que no cultivo de 1 mês essa produção é maior. A composição em monossacarídeos verificou-se ser semelhante à da goma-arábica, podendo esta estirpe ter potencial biotecnológico associado á indústria alimentar para finalidades espessantes, gelificantes e emulsionantes
Ciências Exactas e Naturais
23,875
Vítimas encarceradas. Histórias de Vida Marcadas pela Violência Doméstica e pela Criminalidade Feminina
Antropologia Criminal,Criminalidade Feminina,Interação Social,Lei Maria da Penha,Violência Doméstica,Criminal Anthropology,Female Criminality,Social Interaction,Law Maria da Penha,Domestic Violence
O presente trabalho tem como principal objetivo analisar, explorar, descrever e compreender a possível relação existente entre uma experiência traumática – no caso desta pesquisa, a violência doméstica, direta ou indireta – que contribuiu para o desenvolvimento de um comportamento desviante. Para tanto, esta pesquisa baseou-se nas histórias de vida das internas da Penitenciária Feminina de Brasília – Distrito Federal, Brasil. Tendo como ponto de partida suas trajetórias de vida, objetiva-se perceber as atribuições de sentido conferidas à ligação entre o contexto violento e o comportamento desviante, bem como são assimilados pelas próprias protagonistas do estudo os conceitos das palavras vítima e vitimadora, de forma a captar como se percebem. Fundada nos processos de socialização e de formação do comportamento desviante pósexperiência traumática –a violência doméstica – o trabalho abordará, além da citada no parágrafo anterior, a mudança de paradigma referente à forma como a mulher passa de vítima à transgressora, contrastando as teorias tradicionais com as contemporâneas, que vão desde a Antropologia Criminal aos discursos feministas de ruptura aos conceitos dominantes. Por fim, por meio da descrição e análise das trajetórias de vida, das motivações, do contexto social, bem como dos sentidos e significados atribuídos às experiências sociais, mais especificamente a influência que a violência doméstica exerce no comportamento desviante da vítima, este trabalho propicia reflexões de forma a clarificar a complexa problemática entre a criminalidade e suas motivações.
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23,876
Os discursos sobre o Conhecimento da Leishmaniose Humana em Portugal
leishmaniose,subnotificação,desconhecimento,Educação em Saúde,discursos,leishmaniasis,underreporting,unawareness,Health Education,discourses
A leishmaniose é uma infeção parasitária transmitida pela picada de um inseto. É endémica em pelo menos 98 países, manifestando-se em seis tipos, sendo a leishmaniose cutânea, mucocutânea e a visceral os principais. Portugal, faz parte dos países da Bacia Mediterrânea onde a doença é endémica, e tal como no resto da Europa, apesar de ser de notificação obrigatória, a subnotificação da doença humana é notória. Além disso, são diversas as referências ao desconhecimento da doença existindo estudos sobre técnicas de divulgação. Contribuindo para o estudo da doença em Portugal, visa-se a recolha de dados sobre o conhecimento desta em diferentes grupos populacionais de modo a que se torne um ponto de partida para futuras investigações na área e/ou possíveis projetos de Educação em Saúde. Como as doenças infeciosas se inserem num contexto biológico e social, usa-se a Educação em Saúde como ferramenta de partilha do conhecimento das doenças e mudanças de comportamentos de risco. Sendo a Educação uma prática de apropriação social de discursos, esta acaba por criar grupos de indivíduos segundo cada tipo de discurso, como o discurso médico e o discurso não-médico. Nesse sentido, foram estes dois grupos utilizados como amostra no presente estudo. Através de entrevistas semiestruturadas, estudou-se a sensibilidade de 16 médicos sobre a doença, e o conhecimento de 16 alunos da Universidade de Coimbra. E recorrendo a um inquérito online analisou-se o conhecimento de 121 indivíduos a nível nacional. A partir das entrevistas concluiu-se que sete indivíduos nunca ouviram falar da doença e o conhecimento desta é pouco e depende de ser médico, ter experiência de casos e ser especialista de doenças infeciosas. Para os 121 inquiridos, 84 conheciam a doença e dos 67 que deixaram comentário sugeriam a divulgação da informação sobre a mesma. Não só é necessária a divulgação de informação sobre a doença entre médicos e nãomédicos, mas também que essa divulgação seja correspondente e abrangente aos diferentes grupos discursivos existentes, de modo a que se alterem os comportamentos de risco e que se diminua a sua subnotificação.
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23,887
Caracterização de populações de orquídeas em zonas sujeitas a pastoreio
Citometria de fluxo,Gestão de habitats,Orchidaceae,Pastoreio,Sucesso reprodutivo,Serra de Candeeiros,Diversidade florística
As actividades humanas têm hoje em dia um grande peso nos habitats naturais e na sua biodiversidade. A prática de pastoreio extensivo é uma técnica que tem sido descrita como uma boa forma de gestão de habitats, apesar das opiniões sobre os seus efeitos serem contraditórias. Este trabalho teve como objectivo avaliar o impacto do pastoreio na diversidade florística e no êxito reprodutivo de uma espécie bioindicadora dos habitats estudados. Para isso foi estudada uma área da Serra de Candeeiros na qual foi desenvolvido o projecto para a conservação da Gralha-de-bico-vermelho e onde foram criadas 10 parcelas vedadas (sem pastoreio) e 10 não vedadas (com pastoreio). Nessas parcelas foram realizados 1) inventários florísticos de todo o coberto; 2) avaliada a diversidade de espécies, a caracterização citogenética e o número de indivíduos da família Orchidaceae; e 3) quantificado o sucesso reprodutivo de uma espécie da família Orchidaceae existente na maioria das parcelas, Orchis anthropophora. Com estes estudos foi possível observar que o pastoreio tem uma ação positiva no desenvolvimento de espécies vegetais, em particular nas Orchidaceae. Quanto ao sucesso reprodutivo de Orchis anthropophora, verificou-se que este não é afetado pelo pastoreio, sendo o sucesso reprodutivo baixo quer na presença quer na ausência de pastoreio. As análises de citometria de fluxo tiveram como objectivo a caracterização das espécies existentes e a confirmação da classificação taxonómica feita no local. Através destes estudos foi possível obter informação sobre o tamanho de genoma para duas espécies para as quais ainda não existem quaisquer dados na literatura. Para além disso, conseguimos demonstrar usando duas espécies, Serapias strictiflora e Serapias parviflora, que a utilização das polinias como material vegetal é um método muito mais eficaz dequantificar o tamanho de genoma na família Orchidaceae, em comparação com a utilização de material foliar. Concluindo, estes resultados reafirmam a teoria de que o pastoreio extensivo pode ser utilizado como estratégia de manutenção de alguns habitats, uma vez que no presente estudo houve um aumento da diversidade de espécies e das espécies bioindicadores da família Orchidaceae. Assim, este estudo pode ser a base de outros trabalhos sobre este tema e até ajudar a promover esta técnica de manutenção, para que possa ser posta em prática noutros locais.
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