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21,007 | Tsunamis e cidades resilientes : estratégia para Lisboa ribeirinha : entre Alcântara e o Terreiro do Paço | Tsunami,Catástrofe ambiental,Cidade, estudos | As nossas Costas e cidades costeiras estão cada vez mais vulneráveis, a riscos humanos e naturais. Do vasto leque de catástrofes, o estudo incide apenas no Tsunami. Actualmente existe uma grande desinformação e desconhecimento principalmente no âmbito das políticas urbanas de protecção, mitigação, arquitectura e urbanismo. Como tal pretendeu‐se não só estudar o desastre natural, mas também as formas e práticas preventivas que acautelem as nossas cidades e territórios de forma mais adaptada com o meio ambiente. Após um período em Valparaíso (pesquisa), e em Santiago do Chile (trabalho no PRES Constitución) o autor observou atentamente o processo de reconstrução urbana costeira do país, bem como as metodologias utilizadas, após o terramoto e tsunami de Fevereiro de 2010. Na segunda vertente agora em território português, continuou a investigação focando o trabalho a partir de perspectivas e abordagens práticas, que têm a ver com o (re)fazer cidade, nomeadamente na concepção de processos de mitigação e prevenção, de modo a serem integrados num projecto urbano de larga escala de Lisboa Ribeirinha. Em particular, Lisboa necessita de uma estratégia e gestão de evacuação dada a ausência no presente de qualquer plano. Criando novos dispositivos entre cidade e rio, com a principal preocupação da prevenção e salvaguarda humana e contribuindo para uma melhoria urbana ribeirinha. Tendo como objectivo principal o de divulgar e de lançar o debate. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,008 | Os novos Paços do Concelho : os edifícios - sede das Câmaras Municipais portuguesas após o 25 de Abril | Paços do Concelho, Portugal, pós 25 Abril,Câmara Municipal, Portugal, estudos,Edificios públicos, arquitectura, Portugal | O presente trabalho tem como objectivo o estudo dos Paços do Concelho depois do 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje, um período feito de mudanças dos modelos arquitectónicos e do poder local, um período de novas tendências e de modernidade. Este estudo resulta da análise da arquitectura destes equipamentos públicos administrativos, focando nos casos de estudo que são a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão (único caso escolhido anterior à democracia e que servirá de contraponto), Águeda, Matosinhos, São João da Madeira, Guarda, Lagos, Seixal, Celorico de Basto e Portalegre. Para cada caso é feita uma análise de documentos escritos, gráficos e do edifício em si. A importância da escolha é relativa à sua imagem arquitectónica, em que cada exemplo comporta uma análise do edifício, uma descrição da abordagem do arquitecto, da função destinada e respectiva distribuição do programa. Cada edifício, para além das acções que desempenha, valoriza-se pelo significado inerente ao objecto, pelo seu carácter simbólico de poder, relevante e característico. Estudaremos as relações entre os vários edifícios, seguindo métodos, influências, semelhanças e diferenças. Pretende-se elaborar uma reflexão acerca da intervenção nos Paços do Concelho em Portugal, numa abordagem ao tema com base nos vários casos de estudo. O trabalho é de divulgação e de síntese, estruturada numa visão global centrada numa temática que abrange todo o território de Portugal, na compreensão de evolução de uma realidade dos municípios, que são hoje em dia um dos pilares da democracia. Foi importante procurar o seu desenvolvimento e perceber os processos históricos que levam ao aparecimento dos novos Paços do Concelho em Portugal, tratando a sua evolução ao longo dos tempos e centrando nos construídos a partir de 25 de Abril de 1974, altura em que ocorre uma revolução quer a nível político quer arquitectónico, até aos dias de hoje. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,011 | Na espacialidade dos Casinos de Macau : [experiência, morfologia e topologia] | Casino, Macau,Espaço, percepção,Morfologia, Macau,Topologia, Macau | O pequeno território de Macau faz-se da hibridez de revoluções culturais de vários tempos, onde à simbiose luso-chinesa se juntou o estilo Vegas. Os resultados desta ‘importação’ são de uma tal magnitude que Macau vive numa condição sobrecarregada onde tudo se faz e se pensa em torno da indústria dos casinos. Da competição desenfreada entre as concessionárias resultam edifícios icónicos que desprezam qualquer preexistência, afectando as dinâmicas urbanas do quotidiano. Erguendo-se imponentemente nas ruas como arquitecturas extravagantes e singulares, os casinos de Macau são, efectivamente, parte preponderante na definição identitária da cidade e, pelas actividades que oferecem, movem um turismo de massas. Estes edifícios pretendem ser cada vez mais e cada vez melhores, pelo que as suas excentricidades vão surgindo mais excêntricas. Oferecem diversificados conteúdos programáticos, revestem-se de variados e caricatos espaços, onde toda a componente sensorial e comunicativa é superlativa, colocando a semântica espacial num segundo plano. Nesse sentido, sob a perspectiva de visitante, a presente dissertação procura, depois de compreender os efeitos dos edifícios no contexto da cidade, investigar a importância e influência do papel do pensamento arquitectónico na experiência do espaço dos casinos de Macau, focando-se no estudo de três casos: Wynn Macau, Grand Lisboa e Venetian Macau. São, então, tomadas diferentes abordagens na análise destes casinos que, complementarmente, nos facultarão chaves para a interpretação espacial de cada um, por forma a identificar e confrontar diferenças e/ou semelhanças nas suas estratégias sensoriais, morfológicas e topológicas. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,015 | Coimbra, cidade de bairros : articulação urbana entre o centro da cidade e os bairros da Conchada e Ingote | Periferia urbana -- Coimbra, séc. 20,Desenvolvimento urbano, Conchada,Desenvolvimento urbano, Ingote,Reabilitação urbana -- espaço público, Coimbra,Bairro da Conchada (Coimbra),Bairro do Ingote (Coimbra) | Muitas vezes, as periferias das cidades são áreas sem estrutura1 do ponto de vista arquitectónico e urbano. A formação / génese de tais periferias relaciona-se com a grande especulação na densificação de novos territórios, ou, noutros casos, da sua informal ocupação, causando a fragmentação dos tecidos urbanos. No caso de Coimbra, muitos dos planos que foram propostos para a cidade, no século XX, resultaram numa ocupação, densificação do território e realojamento, baseada na formação de bairros periféricos, inicialmente precários. Os realojamentos deram-se em massa, num curto espaço de tempo, adensando as condições para a fragmentação territorial. Inserido no quadro suburbano estão os bairros da Conchada e do Ingote, que, actualmente, sofrem do estigma associado à sua marginalização. Pretende-se, assim, emendar esta realidade, propondo uma estratégia de articulação urbana entre o centro da cidade de Coimbra e os bairros da Conchada e do Ingote, a partir do espaço público. Por um lado, partiu-se de um processo de análise crítico, cuja concretização apoia-se em mapas de análise, para cada um dos bairros, evidenciando a sua inserção urbana, os seus aspectos morfológicos e formais, bem como as suas fragilidades, dando origem a temas / propostas de projecto. Por outro lado e, resultante deste método de análise, surgiu o projecto estratégico. O projecto é pontuado pela conformação de uma nova centralidade nos dois bairros, estimulando a periferia e reforçando o tecido urbano, a partir de uma nova costura urbana. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,016 | O Metro ligeiro como dinamizador da cidade : o caso de Macau | Metro, Macau, projecto,Mobilidade urbana, Macau,Planeamento urbano, Macau | Macau, uma cidade com mais de quatrocentos anos de história, com uma dimensão pequena, alta densidade populacional, ruas estreitas e muito trânsito, é caracterizada pela ocorrência de grande número de situações e factores diversificados que expressam as múltiplas influências e transformações mundiais e regionais. O seu desenvolvimento acelerado dos sectores do jogo e do turístico têm introduzido modificações drásticas no seio do ambiente e da vida preexistentes em Macau. Neste momento surge a necessidade de criar novos aterros para este território, solução esta que já foi implementada por diversas ocasiões durante toda a história de Macau. Para além dos novos aterros, também é necessário incluir o sistema de Metro Ligeiro neste território, sistema este muito debatido, por diversos factores. Decorrente do trabalho académico, desenvolvido no âmbito do Design Studio "Cidade e Infraestrutura" realizado no Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra, pelo Professor Doutor Nuno Grande, nasceu este projecto que tem como objectivo desenvolver uma estratégia geral de intervenção que contempla a inserção do traçado do Metro Ligeiro na zona Sul da Península de Macau, interligando este meio de transporte com os novos aterros propostos. Para realizar este trabalho é necessário compreender as conexões entre as infraestruturas do Metro e o tecido urbano, estudar o território de Macau e fazer uma análise critica das propostas existentes do grupo de trabalho para o planeamento urbanístico dos novos aterros de Macau, para posteriormente, realizar a estratégia geral integrando este sistema de transporte de forma adequada e de forma a dinamizar o tecido urbano existente e o proposto. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,018 | À margem da identidade contributos para a valorização da identidade de Aljustrel, Fátima: espaço público e acessos | Espaço público , Aljustrel,Vias de comunicação , Aljustrel,Planeamento urbano, Fátima,Turismo religioso. Fátima,Fátima, desenvolvimento urbano | À margem da identidade, a cidade é palco de constantes transformações desregradas que alteram o seu funcionamento e ameaçam a sua unidade. Como é natural, no caso de Aljustrel, as infraestruturas e o espaço público desempenham um papel central na estruturação do esqueleto urbano. Para além de servirem a população residente, estes eixos tentam suportar a pressão turística que, após 1917, irrompeu pelo território e contribuiu direta e indiretamente para a sua indefinição espacial. Este trabalho tem como objetivo a apresentação de propostas de intervenção, com base no estudo do espaço público e vias de acesso a Aljustrel, uma aldeia de Fátima, situada no concelho de Ourém. Como ponto de partida pretende compreender-se as dinâmicas desta aldeia rural de projeção turístico-religiosa internacional e entender como estas dinâmicas influenciam o espaço público e viceversa. A requalificação dos eixos que estruturam Aljustrel e das vias de acesso a esta aldeia é a ideia chave deste projeto. Neste sentido, pretende estudar-se formas de intervir no espaço público, preconizando um ritmo de crescimento mais equilibrado e sustentado, visando a transformação deste núcleo urbano ambíguo num lugar identitário, feito de pessoas para pessoas e onde o percurso é tanto ou mais importante que o destino que o serve. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,019 | Paradigma da representação da identidade : [continuidade versus rutura] | Adega vinícola, séc. 21,Enoturismo,Quinta do Vallado,Adega Mayor,Quinta do Portal | Tomando consciência de que a arquitetura atravessa momentos de viragem, de rutura e de constantes alterações de paradigmas, propomos uma análise desta nova realidade. A partir de um tema secular, o da produção do vinho, esta dissertação procura compreender a linguagem que a arquitetura escolhe para as construções do séc. XXI, especificamente para as adegas. Colocamos em cima da mesa o debate entre duas questões: a tradição e a contemporaneidade. Terão as imagens do passado lugar nos tempos de hoje? Ou pelo contrário, serão necessárias novas imagens para um novo futuro? O futuro da arquitetura é um tema que, instintivamente, preocupa os arquitetos, indagando: “que futuro queremos para a arquitetura?” Sabemos que, o passado, a sua recuperação e valorização, ocupam um lugar de destaque na produção arquitetónica de hoje, mas a inovação e a procura por novas formas e linguagens estão também sempre presentes. Procuramos entender de que modo são apropriadas as referências do passado para novas construções. A escolha dos casos de estudo recaiu, como referido, na temática das arquiteturas do vinho, nomeadamente as chamadas “adegas de autor”. Face ao recente crescimento desta indústria, bem como súbito envolvimento integrado do público, as empresas viram-se obrigadas a crescer e inovar. A arquitetura surge acima de tudo, como um importante meio para a melhoria da imagem da empresa, no fundo, como uma importante estratégia de marketing para reforçar as empresas face à competitividade do mercado. Situamos a questão da identidade destes espaços como foco da análise desta dissertação. Numa questão apenas, poderíamos colocá-lo como: o que foram e o que pretendem ser? A dualidade continuidade e rutura marca o epicentro desta dissertação, levando-nos, pois, à procura de um entendimento das ambições de cada 9 IX intervenção, à forma como responde aos conceitos e às questões próprias do programa, tentando identificar as decisões projetuais e o papel do arquiteto enquanto veículo desta alteração de paradigma de representação. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,020 | Da mestria à interpretação : aspectos compositivos da habitação unifamiliar de Mies van der Rohe | Mies van der Rohe, Ludwig, 1886-1969, obra,Habitação unifamiliar, séc. 20 | A presente dissertação pretende elaborar uma análise acerca dos aspetos compositivos que definem a habitação unifamiliar de Mies van der Rohe, um dos grandes mestres da arquitetura moderna. O tema surge da ideia inicial de projetar uma casa segundo os seus princípios compositivos funcionais, espaciais e estruturais. Além disso, pelo modo como concebeu o seu pensamento arquitetónico que atribuiu um carácter intemporal a toda a sua obra. Assim, após estudar a personalidade do arquiteto, realizou-se uma abordagem geral da sua vida, na qual se enquadrou os oito projetos de habitação unifamiliar que foram convertidos nos casos de estudo desta dissertação. Como forma de compreender os princípios de composição na conceção da habitação é feita uma análise, também como um intento à perceção da evolução concetual no processo de desenho do arquiteto. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,021 | Encontros entre a peregrinação e o turismo : de Condeixa-a Nova a Conímbriga proposta de caminhos e de um albergue | Turismo,Património,Condeixa,Conímbriga,Peregrinação,Fátima,Caminhos de Santiago,Santiago de Compostela,Tourism,Heritage,Condeixa,Conímbriga,Pilgrimage,Fátima,Santiago de Compostela,Way of Saint James | A crescente primazia da actividade turística, particularmente a partir do século XX, veio despoletar alterações significativas nos modos de conceber os desenvolvimentos local e regional. O progresso das sociedades, causa e efeito das melhorias ao nível da qualidade de vida, trouxe consigo novos interesses e novas formas de olhar o território. O Turismo, e em particular os Produtos Turísticos, assumem-se hoje como mais-valias em vários âmbitos, dos quais se destacam benefícios culturais, sociais e económicos. No caso particular do Turismo Cultural, uma associação do Património ao Turismo, a procura por lugares emblemáticos e o aprofundamento do seu conhecimento são importantes factores na valorização do território. Condeixa-a-Nova tem, no seu domínio, aquele que constitui o mais importante exemplar do património arqueológico em Portugal: as ruínas da antiga cidade romana de Conímbriga. Sendo o turismo um factor basilar de desenvolvimento local e regional, este trabalho defende a potenciação da região em causa, por meio de um melhor aproveitamento dos seus recursos patrimoniais, preservando a sua identidade e memória, ao longo das gerações futuras. As Ruínas de Conímbriga são, assim, o ponto de ancoragem da presente dissertação, já que a afluência anual de turistas àquele lugar (entre 85 a 100 mil pessoas) comprova a sua importância e relevância nos panoramas nacional e internacional. Concomitantemente, Condeixa beneficia da passagem de milhares de peregrinos em direcção a Fátima e a Santiago de Compostela, pelas ruas e trilhos do concelho, que fazem parte dos Caminhos de Santiago. Reunidos estes pressupostos e analisados alguns conceitos teóricos fundamentais, a presente dissertação propõe uma nova organização do território de Condeixa-a-Nova em termos de circuitos pedonais e cicláveis, de forma a fomentar a interligação de dois elementos que, até agora, se encontram distanciados: a vila e Conímbriga. O elo entre estes dois elementos será também facilitado pelo novo Museu PO.RO.S que serve precisamente esse propósito e, por isso, será central nesta demanda. Além dos itinerários turísticos e de peregrinação, é ainda proposta a construção de um Albergue destinado ao acolhimento de peregrinos e de turistas, melhorando, desta forma, a capacidade do município para acolher os públicos que o procuram. A escolha do lugar para a implantação do albergue deveu-se à existência neste local de uma estrutura em betão armado de um edifício inacabado e posteriormente abandonado. O novo edifício incorpora a estrutura já existente, repetindo o seu módulo e os seus níveis. Situado defronte do Museu PO.RO.S e junto do Parque Verde da Ribeira de Bruscos, o albergue relaciona-se com o espaço aberto em redor e acolhe os peregrinos num espaço simultaneamente de abrigo e de passagem, o que é facilitado pela sua forma em “U”, com galeria aberta para o pátio central. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,023 | Gottfried Semper : proposta para um método (1852-1959) | Semper, Gottfried, 1803-1879, obra,Arte, séc. 19, estudos | Quando as portas do Hyde Park abriram para a Grande Exposição no primeiro dia de Maio de 1851, vislumbrava-se a possibilidade de aceder a um conhecimento sem precedentes. Por muitos esta possibilidade era encarada como uma das maiores virtudes da época industrial, por outros, a confirmação do falhanço da época. Um dos organizadores, o arquitecto alemão Gottfried Semper, exilado em Londres entre 1850 e 1855, encara a exposição de forma algo complexa e dividida. Por um lado, insurge-se contra o vago historicismo nos artefactos produzidos industrialmente, o seu estilo emprestado e de falsa materialidade, por outro, admira o princípio comparativo sobre o qual a exposição era organizada. Na presente dissertação propomos desvendar as premissas base da produção teórica de Gottfried Semper entre 1834 e 1859, dando um ênfase particular à produção escrita entre 1852 e 1859 que, de um ponto de vista, cronológico se encontram no âmago da sua produção teórica. Destes textos e palestras, destaca-se a publicação Wissenschaft, Industrie und Kunst onde, numa típica preocupação com a arte do século XIX, envolta no manto acertivo dos manifestos, Semper critica os efeitos da industrialização da arte, a abundância de meios e a incapacidade de os dominar e sugerindo uma reforma social e académica. Para esclarecer a proposta do texto referido iremos analisar, na transição do século XVIII para o século XIX, a evolução do conceito de história segundo o ideal de perfeição grega, as críticas à arte industrial e o ensino científico Francês e Alemão. Desta análise pretendemos criar uma base sólida para resgatar algumas das noções sobre invenção e estilo, compreendendo assim o método proposto por Semper. Da articulação entre a Grande Exposição, o contexto e a crítica, devemos garantir uma noção clara de estilo, adequada para resolver os problemas da época que, segundo Semper, eram a causa do declínio da produção artística da época. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,025 | Os maggie cancer caring centres : a arquitectura como "fenómeno transitivo"? | Jencks, Charles, 1939-, obra,Maggie Cancer Caring Centres.,Centro de Oncologia, Reino Unido,Hospitais, Reino Unido,Cancro,Arquitectura, aspectos ambientais | Dentro de uma sociedade que, parece viver alheia aos problemas de saúde decorrentes do seu estilo de vida, encontram-se doenças crónicas, dentro das quais se destacam os problemas cancerígenos decorrentes dos processos de industrialização, da proliferação das cidades, do desenvolvimento económico e da globalização alimentar. Charles Jencks entende que a arquitetura, enquanto meio de comunicação, acaba por refletir os problemas contemporâneos e, com efeito, tende a encontrar respostas para os mesmos através da sua linguagem. A ‘expressão univalente’, característica do modernismo, alterou-se durante o pós-modernismo e, ao que parece, atualmente, rege-se de acordo com o cosmos. Não será novidade, então, que as alterações sofridas se reflitam, também, nos espaços de saúde que passaram de uma grande instituição a edifícios de ‘escala doméstica’, onde o tipo deixa de ser facilmente identificável e, onde, os cuidados prestados tentam encontrar as necessidades dos seus pacientes. Com efeito, surgem instituições de saúde em que, como são exemplo os Maggie’s Cancer Caring Centres cujo cofundador é Charles Jencks, o tratamento se foca no bem-estar físico, mental e social. Nestes espaços, localizados no Reino Unido e construídos em memória de Maggie Keswick, não se trata a parte física da enfermidade, mas sim, a fração emocional. Como tal, questiona-se o objetivo terapêutico do ‘objeto arquitetural’. No sentido de melhor entender este papel, tem-se investido em organizações que estudam a influência das características físicas do espaço no resultado médico dos pacientes, dentro dos quais se destaca o Evidence Based Design. Verifica-se que, em alguns casos, existe uma relação direta entre input e output e assim, os espaços obtidos, de acordo com estas regras espaciais, formam um ‘Ambiente Terapêutico’. Contudo, há variáveis de ordem subjetiva que dificilmente se podem medir desta forma, incluindo o efeito social e o poder que a imagem pode ter na psicologia do indivíduo. Por se considerar que há mais do que um efeito estritamente clínico, Charles Jencks escreve sobre o possível efeito ‘placebo arquitetural’ e ainda, Annemans, Van Audenhove, Vermolen, & Heylighen avançam com um novo conceito, ‘Ambiente Saudável’, para melhor caracterizar o papel terapêutico da arquitetura. Assim, no sentido de melhor perceber o efeito psicológico dos objetos sobre o utilizador e a possível criação de ‘vínculos emocionais’, entendeu-se ser necessário cruzar a psicanálise com a arquitetura, mais propriamente, com os Centros Maggie. A ‘teoria da relação de objeto’, de Donnald Winnicott, sobre os ‘fenómenos transitivos’ permite precisamente fazer esta reflexão. Percebendo a construção mental do ser humano, pode equacionar-se como é que estes Centros, na condição abstrata, a de objeto, criam uma relação com os seus usuários e podem, por isso, contribuir para o requerido bem-estar. Chega-se a um momento em que o ‘objeto arquitetural’ parece querer interagir com o indivíduo, reequilibrando-o emocionalmente e, por este motivo, faça, talvez, sentido considerar a arquitetura como o ‘fenómeno transitivo’ do referido psicanalista ou, adaptando a resposta, como um ‘objeto de reequilíbrio emocional’. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,026 | Património que acolhe os livros: teorias de restauro aplicadas em bibliotecas municipais | Biblioteca Municipal de Amarante,Biblioteca Municipal de Tavira,Biblioteca Municipal de Ílhavo,Património arquitectónico, conservação e restauro,Biblioteca pública, arquitectura | O conceito clássico de património refere-se, a um conjunto de bens deixados de uma geração passada. Esta herança define uma cultura e um lugar enquanto património arquitectónico. É nesta sequência, que existe um interesse de restaurar e reutilizar os monumentos e edifícios históricos. A Biblioteca Municipal é um equipamento que garante um desenvolvimento cultural e do “saber”, e assim promove educação e conhecimento ao ser humano. Pela riqueza das suas funções, torna-se um programa conveniente para ocupar o nosso património arquitectónico. Nesta lógica, é pertinente aprofundar o conhecimento das diferentes formas de intervir nos monumentos e edifícios históricos. Para isso se recorre ao conhecimento das Cartas de Atenas e Veneza. Bem como às teorias de Viollet-le-Duc, Ruskin, Riegl e Brandi. Por fim, se procede a uma análise crítica, em que se verifica a presença das diferentes teorias com os casos de estudos. Em que estes são as Bibliotecas Municipais de Amarante, Tavira e Ílhavo. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,027 | "O lado solar do tempo do fascismo" : Lisboa sob o olhar do novo cinema português | Cinema (arquitectura),Cinema português, séc. 20,Lisboa, 1962-1974 | Depois da Segunda Guerra Mundial, era tempo de pensar nos danos causados nas populações e nas cidades. Alguns artistas, arquitectos e pensadores, ao levarem para as suas mesas de trabalho o tema social, contribuíram para a revolução cultural, que acontecera em toda a Europa. Esta dissertação explora o discurso que a arquitectura e o cinema partilham sobre as cidades, sua relação simbiótica e suas consequências. A contextualização histórica e factual divide o trabalho em duas partes, sendo que, a primeira lança as bases para o debate que a segunda sugere: a forma como a cidade foi sendo representada ao longo do tempo, o discurso arquitectónico de Alison e Peter Smithson que se relaciona com o cinema e os habitantes da urbe e, introduzindo os casos de estudo, o contexto português na nova corrente cinematográfica que surgiria, nos anos 60, fruto de um longo período de saturação da censura. Os filmes do Novo Cinema português, tal como noutras correntes cinematográficas europeias dos anos 50 e 60, mostraram as ruas, as suas gentes, num registo quase documental e etnográfico. A cidade de Lisboa foi a mais usada para mostrar Portugal de 1962 até 1974, destacando-se um conjunto de três capítulos, cada um referente a uma zona da cidade. Dom Roberto, filme ainda ligado aos do “cinema de ouro” mas já numa outra vertente mais denunciadora, mostra as vivências num pátio lisboeta; Belarmino, a história de um boxeur, que vive intensamente o Rossio e os Restauradores, seus cafés, suas boîtes e o ginásio; Os Verdes Anos, O Cerco, O Recado, O Mal-amado e Meus Amigos, para além da zona de urbanismo e de construção moderna que crescia na periferia da cidade, manifestam o sentimento que os personagens tinham sobre o centro lisboeta. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,028 | O paço de Óis : história e projecto de reabilitação | Casa senhorial, Portugal, estudo,Paço de Ósis -- Anadia, requalificação,Turismo de habitação, Anadia | O património arquitectónico português encontra-se “semeado” por todos os recantos do país, desde à costa até às nossas fronteiras. Muito deste património está documentado e estudado, particularmente o de especial relevância histórica, religiosa e /ou artística, porém, o património da casa senhorial ainda está, em boa parte, por descobrir e é desconhecido aos olhares dos demais. A presente dissertação propõe-se contribuir para a investigação da casa senhorial portuguesa com um estudo sobre o Paço de Óis do Bairro, que se encontra no coração da Bairrada. Para além da casa principal, a quinta tem vários equipamentos que hoje se encontram fechados e degradados por falta de função. O mesmo acontece, em parte, com o andar de serviços do edifício principal, que se encontra desocupado. As casas senhoriais necessitam, muitas vezes, de um projecto de documentação e valorização arquitectónica e também de um projecto de investimento económico que as torne sustentáveis para as famílias proprietárias. A proposta de valorização arquitectónica passa muitas vezes por registos, documentação e pequenas intervenções que podem transformar e revitalizar todo o edifício. A questão fundamental a que esta dissertação se propõe responder é: de que maneira se pode valorizar e adaptar, a outro tipo de programa, este tipo de património sem o desfigurar? Após uma breve introdução sobre a história da casa senhorial portuguesa, procura-se reconstituir a história do Paço de Óis e documentar as sucessivas transformações que o edifício principal foi recebendo, pelo menos, desde o século XVII. A finalizar este estudo, apresenta-se uma proposta de reabilitação do Paço de Óis, que inclui um projecto de adaptação de funções a turismo de habitação e o reenquadramento na zona da Bairrada, com nova produção vinícola. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,030 | Representação da utopia e sucesso : a partir dos casos de estudo : Bom Sucesso, Óbidos, 2003, Vila Utopia, Oeiras, 2006 | Habitar,Habitação unifamiliar,Arquitectura contemporânea portuguesa | A habitação remonta às origens do homem, tendo evoluído do abrigo, que proporcionava proteção, até às casas dos nossos dias, representativas dos indivíduos que as habitam. Na atualidade, no mundo ocidental, a habitação tem que permitir aos seus moradores satisfazer as necessidades básicas de conforto, privacidade, higiene e alimentação, possibilitando um espaço de dormir, de lazer e de trabalho, adaptado às famílias contemporâneas. Numa altura em que é reconhecida a qualidade dos arquitetos portugueses a nível internacional, torna-se pertinente observar/perceber, de que forma estes desenvolvem a habitação unifamiliar, representativa do maior encargo financeiro na vida quotidiana das famílias portuguesas, que conta com o maior número de amadores. De forma a aprofundar a habitação unifamiliar contemporânea, em Portugal, a presente dissertação recorre à análise de dois empreendimentos que lhe servem de casos de estudo, o Bom Sucesso, Architecture Resort, Leisure & Golf, em Óbidos e o Vila Utopia, em Oeiras. Destinados um a primeira habitação e outro a segunda, abrangem um grupo de arquitetos de renome. Para facilitar a sua análise, ambos são estudados quer enquanto conjunto, quer através de algumas moradias representativas dos mesmos. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,031 | A arquitectura do museu de arte : de arquivo a site-specific | Museu de arte,Museu, requalificação arquitectónica | A arquitectura do museu de arte sofreu, durante as últimas décadas, uma expansão sem precedentes. Arte e Arquitectura lideram o debate em torno da instituição museológica e o conceito de lugar para a arte tem sido reformulado, assistindo-se a uma consolidação do mesmo enquanto elemento marcante no espaço urbano. Entendidos como espaços de memória e preservação da História, aliam a estas funções primordiais a capacidade de se reinventarem no tempo através do cruzamento entre arte e arquitectura. Quando estes dois saberes se intersectam, há uma abrangente possibilidade de estruturas que permitem a fruição do espaço expositivo, assim como das obras de arte que o completam. O estudo de exemplos seleccionados, já inseridos na cidade, resultado de um processo de reintegração no território urbano, permitiram compreender como os paradigmas estudados se verificam, ou não, nestes modelos. A importância desta preferência vai além das premissas inerentes à arquitectura do museu de arte e prende-se com a oportunidade de incidir esta investigação em exemplos menos versados mas não menos interessantes, de escala mais controlada, contrastando com os grandes cânones arquitectónicos. Procurando uma compreensão acerca das relações entre Arte e Arquitectura no espaço expositivo, esta investigação pretende reflectir acerca da vasta possibilidade de espaços gerados por este vínculo e simultaneamente perceber de que forma a arquitectura do museu de arte irá envolver-se na recepção da obra de arte por parte do espectador. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,032 | Arquitectura a reacção pictória : a pintura no trabalho e vida de um arquitecto | Guedes, Pancho, 1925-, obra,Afonso, Nadir, 1920-2013, obra,Le Corbusier, obra,Arquitecto, influência da pintura | A presente dissertação tem como principal objectivo estudar e explorar três arquitectos ligados à arte/pintura, segundo uma conotação de “amor/ódio”. No entanto não é suposto estudar exaustivamente as suas vidas e obras, mas sim perceber onde é que a pintura se introduz no trabalho do arquitecto e que importância manifestou para o desenvolvimento do mesmo. Os presentes arquitectos foram Pancho Guedes1, Nadir Afonso e Le Corbusier. Guedes é claramente um arquitecto pintor, incapaz de trabalhar a pintura e a arquitectura separadamente. Apresenta uma obra baseada nas formas orgânicas da natureza, apropriando-se das linhas irregulares em constante metamorfose. O organicismo e o surrealismo são correntes que se manifestam unicamente no seu labor, o que provoca uma invocação a um contexto onírico. Nadir Afonso, arquitecto que abandona a sua profissão para se tornar pintor, define a sua obra pictórica através de uma busca fugaz pelas leis matemáticas e geométricas com a finalidade de alcançar a tão desejada harmonia. Produz pinturas durante toda a sua vida, encontrando no meio pictórico a liberdade, que segundo ele, não existia na arquitectura. Le Corbusier, detentor de uma personalidade complexa, produz a arquitectura não deixando de parte as suas outras paixões artísticas, nomeadamente a pintura. É um dos personagens mais importantes ligado à arquitectura de vanguarda do século XX, tendo desenvolvido uma infinidade de projectos arquitectónicos, pinturas e esculturas combinadas a um racionalismo constante, onde os traços reguladores, parte de um estudo intitulado Modulor, seriam determinantes para as suas produções. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,033 | Giovanni Muzio e Fernando Távora | Muzio, Giovanni, 1893-1982, obra,Távora, Fernando, 1923-2005, obra,Ponte D. Luís I.,Avenida D. Afonso Henriques, Porto,Campo Alegre(Porto) | A cidade do Porto serve de base a esta dissertação, na qual vou estudar a indissociabilidade entre a forma urbana da cidade e as pontes sobre o Douro. Entre as várias pontes existentes cinge-se o campo de estudo à ponte D. Luís e à ponte da Arrábida. Caracteriza-se o processo de evolução e de expansão da cidade que seguiu diferentes padrões na relação entre os atravessamentos sobre o rio e o desenvolvimento de novas entradas e novas centralidades. As evoluções tecnológicas, as infra-estruturas, os novos padrões de localização de actividades são os principais factores que alimentaram a forma de crescimento e apontaram para uma nova forma de apropriação e organização do espaço. “Este processo de crescimento e transformação interfere na identidade da própria cidade tal como já aconteceu noutros períodos da história. Coloca-se então a questão da leitura da forma da cidade, de como ela se vai progressivamente revitalizando em função do todo e das suas partes, variando a caracterização da sua identidade”1. O impacto no tecido urbano reflecte fracturas diferentes, em escalas e tempos também distintos. Uma das rupturas acontece no tecido urbano histórico e consolidado com a ponte D. Luís; a outra ruptura é criada no tecido em expansão com a construção da ponte da Arrábida, onde a auto-estrada cria uma ruptura no território a urbanizar. Pretende-se, com esta escolha, abordar as propostas de intervenção de Giovanni Muzio e Fernando Távora na resolução da inserção destas duas pontes nas margens e no tecido urbano envolvente. Através do percurso individual e da produção arquitectónica destes dois arquitectos abordo as propostas apresentadas para a Avenida da Ponte e para a zona do Campo Alegre. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,035 | La ciudad abierta de Valparaíso : uma cidade-laboratório | Escola de Arquitectura e Desenho, Valparaíso,Arquitectura, ensino, Chile,Pós-modernismo (arquitectura),Valparaíso | A Poesia diz, a Arquitetura faz. Uma Cidade que não é cidade. Não há ideias tipológicas, não há referências nem imagens de um passado clássico ou tradicional, não há planos nem alegorias maquinistas. Não há épicas nem grandes retóricas. Não há ruas, não há lotes. No entanto percebe-‐se um inigualável ar de modernidade. Um laboratório híbrido, surrealista e existencialista onde arquitectos, escultores, poetas e pintores trabalham juntos com a pura ideia de que vida, estudo e trabalho se fundem numa coisa só. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,036 | Entre casa e cidade: o lugar interpessoal na casa primitiva do futuro | Sou, Fujimoto, 1971- obra,Casa,Cidade,Habitar | Que dificuldade é esta de o sujeito urbano se relacionar com o vizinho? De que forma evoluiu a conformação de cidade, de modo a permitir que a sociedade se alheasse da essência relacional? Porque a casa é arquitectura, e toda a arquitectura é cidade, a habitação unifamiliar também tem um papel definidor da forma e conteúdo urbanos, sendo, porém, frequentemente tida, pelas várias entidades actuantes da malha urbana, como uma peça isolada, concebida para servir interesses individuais admitidos pelo pensamento moderno. Pretende-se, portanto, explorar a qualidade de vizinhança com que a propriedade privada pode contribuir para o todo da cidade, sendo o espaço intermédio aquele que se situa entre público e privado, o meio eleito para dar forma ao livre arbítrio do habitante, no que toca à sua vontade pessoal de ser social ou recluso. Que forma pode este espaço assumir? Atenta-se no trabalho de Sou Fujimoto, desvendando potenciais da sua obra, que parte do homem primitivo para investigar como é que a arquitectura do futuro próximo pode evocar as suas necessidades primordiais de se relacionar com o outro. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,037 | O convento de Santa Maria de Cós, Alcobaça : uma proposta de requalificação | Mosteiro de Santa Maria de Cós, Alcobaça,Ordem de Cister, Alcobaça,Conventos femininos, Alcobaça | O presente trabalho tem como objetivo a elaboração de um projeto de Requalificação do Convento de Santa Maria de Cós. Este cenóbio, localizado no que outrora foram os coutos de Alcobaça, era um convento feminino pertencente à Ordem de Cister. Do que sobra do corpo do mosteiro, parte permanece camuflada em construções locais ou serventias de habitações privadas. As pedras soltas espalhadas no chão e as resistentes que ainda formam parte das paredes da antiga ala dos dormitórios das monjas ilustram a forma de um passado que não teve menos de violento do que de fascinante. Como qualquer projeto de arquitetura, é necessária uma investigação preliminar que permita o conhecimento, por um lado, da área e/ou objeto em estudo, por outro, do estado da arte, dentro das possibilidades do programa de intervenção. Investigação e projeto são o resultado transcrito nas páginas que compõem este trabalho. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,038 | Reabilitação sustentável : análise integrada de edifícios habitacionais da Alta de Coimbra | Reabilitação de edifícios, Alta de Coimbra,Arquitectura sustentável, Coimbra,Desenvolvimento urbano sustentável | A dissertação estabelece um entendimento integrado da reabilitação urbana como resposta aos problemas de despovoamento e degradação dos centros urbanos portugueses, propondo uma intervenção sustentável de complementaridade entre cidade e edificado. A ideia de sustentabilidade associada à reabilitação urbana tem como resultado um equilíbrio entre: políticas urbanas que reduzam a ocupação de novo solo urbano; estratégias económicas, sociais, culturais e ambientais que as concretizem e a reabilitação do edificado cujo resultado garanta qualidade arquitetónica; a valorização de características patrimoniais e construtivas do edificado; a melhoria do conforto do ambiente interior e a racionalização do uso de materiais. Para fazer prova da ideia defendida recorre-se à leitura crítica de dois edifícios habitacionais da Alta de Coimbra, a partir da qual se descortinam aspetos de reabilitação sustentável, que devem contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e para a atração de moradores permanentes nos centros urbanos. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,039 | A cidade do sal : um contributo para a integração das salinas no espaço urbano de Aveiro | Salinas, Aveiro,Requalificação urbana, Aveiro,Ria de Aveiro, requalificação | Esta dissertação centra-se na ligação de Aveiro com a sua ria e, em particular, com as salinas. A cidade precisa de se reencontrar com o passado e criar condições de um futuro mais sustentável. Os projectos propostos nos últimos anos indicam uma vontade de mudar o rumo da história mas baseiam-se em intervenções pontuais, incapazes de impulsionar uma verdadeira transformação urbana. Por isso, e aproveitando a vivência pessoal do espaço, é proposto um plano de revitalização das salinas. Trata-se de um percurso multisensorial que visa apelar ao regresso da população a uma actividade que tanto influenciou o desenvolvimento da região. Mais do que um plano de pormenor, pretende ser um conjunto de intenções, segundo as quais se crê ser possível requalificar a frente ribeirinha de Aveiro. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,040 | Box in box : uma ideia para a garagem de São João | Garagem de São João, Covilhã,Covilhã, urbanismo,Reabilitação de edifícios, Covilhã | A presente dissertação tem como tema a reabilitação de um edifício abandonado na cidade da Covilhã. Uma antiga garagem encerrada e presentemente ao abandono. Propõe-se um novo uso para este espaço preservado as duas principais fachadas - e do ponto de vista arquitetónico as mais interessantes - ao mesmo tempo dividindo o edifício em dois novos blocos afastados das antigas fachadas e onde o novo programa se insere. O programa é orientado para a cultura e para as novas indústrias criativas com espaços para receber pessoas em início de actividade, saídas dos cursos criativos que existem na Universidade da Beira Interior (UBI) e onde de possam estabelecer e apresentar os seus trabalhos. O programa inclui, além do co-work, espaços para pequenas empresas, auditório, sala de exposições, bar e restaurante a partir dos quais se obtém uma magnifica vista para toda a Cova Beira. Para complementar este trabalho e a apresentação da solução, foi analisada um pouco da história da Covilhã. Uma breve análise da evolução urbana desde as primeiras formações castrejas até às intervenções do Programa POLIS já neste século. De salintar três partes importantes nesta análise: as intervenções do Marques de Pombal com a criação da Real Fábricade Panos no séc. XVIII que atraiu pessoas à cidade desenvolvendo-a vindo esta a ser conhecida como a Manchester portuguesa; as intervenções urbanísticas do Estado Novo que levam indirectamente ao aparecimento da Garagem de São João e à reformulação da Praça do Município; e, por último, as intervenções feitas pelo Programa POLIS já neste século. É ainda apresentada uma breve história que leva ao aparecimento deste edifício onde outrora esteve instalado o Teatro Velho que viria a dar lugar ao Cine-Teatro São João. Contudo, a remodulação da Praça do Município e a edificação do Teatro-Cine da Covilhã nesta mesma praça levaram ao abandono do projecto inicial passando a edificar-se a Garagem de São João. Como modelos para esta proposta são apresentados dois exemplos: a Lx Factory e a Oliva Creative Factory. Dois edifícios ligados às indústrias criativas e com espaços destinados a usos culturais, embora com reabilitações diferentes. No primeiro aproveitou-se ao máximo todo o edifício e sem efectuar alterações formais ou reabilitação exterior, onde apenas se procedeu à devisão do interior mediante o programa que era proposto. No segundo reabilitou-seo edifício existente para poder acolher os novos espaços e interveio-se no exterior. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,041 | Voltar ao rio para (re)descobrir a porta de Alcobaça para o mar : uma proposta para o território do rio Alcoa na antiga Lagoa da Pederneira | Rio Alcoa, paisagem,Ciclovias, Rio Alcoa, projecto,Parque, Rio Alcoa, projecto | O Alcoa é um rio integrado num território rico e diversificado, transformado por diversos factores, naturais ou antrópicos, ao longo dos séculos. Estas metamorfoses ocorreram mais significativamente no troço do rio a partir da zona urbana da cidade de Alcobaça até à foz. Actualmente, a paisagem é dominada por campos agrícolas; contudo, outrora fora ocupada pela Lagoa da Pederneira, um “braço” de mar reentrante. As boas condições proporcionadas pela Lagoa atraíram a fixação do Homem, deixando um legado de marcas arquitectónicas desde a época romana. O século XII, após a doação do Couto de Alcobaça à Ordem de Cister, principia os impactos mais significativos do Homem no domínio da paisagem, pela aplicação de uma política precisa de exploração agrícola. Surgem as campanhas de arroteamento, edificam-se granjas, processam-se as primeiras obras de hidráulica e o emparcelamento do território. Estas iniciativas vão ter efeitos na Lagoa, acelerando o seu processo de assoreamento e conduzindo, mais tarde, à sua extinção. Com o fim das Ordens religiosas masculinas em Portugal novas alterações ocorrem na paisagem; as obras de hidráulica prosseguem, constroem-se as grandes vias de circulação, a actividade industrial desenvolve-se e surgem as primeiras estruturas associadas ao turismo. O trabalho apresenta uma proposta para o troço do rio Alcoa no território da antiga Lagoa, valorizando a paisagem na relação com a cidade de Alcobaça. O projecto é constituído por três operações interligadas mas distintas, segundo as diferentes realidades geográficas do lugar. Na planície aluvial propõe-se uma ciclovia, associada a circuitos alternativos, que introduza e potencie a visita, a travessia e usufruto deste território. No vale de transição entre a zona urbana da cidade de Alcobaça e início dos campos agrícolas – a “garganta” - surge o programa do Parque Verde. O desenho do parque serve-se da riqueza natural do vale e das estruturas fabris da antiga COFTA, explorando novos percursos e definindo/resgatando novos espaços. Por fim, associado a estes dois objectivos, propõe-se redesenhar a porta da cidade, dignificando a principal estrada de ligação ao mar. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,043 | O processo Tietê : uma proposta possível | Cidade, São Paulo, 1554-2012,Planeamento urbano, São Paulo, séc. 19-20,Frentes de água, São Paulo,Arco Tietê, São Paulo, séc. 20 | Principais motores do desenvolvimento da cidade de São Paulo, desde o século XIX que os rios Pinheiros e Tietê têm sido objeto de diversos projetos com vista ao aproveitamento e ocupação das suas margens. Maioritariamente de caráter funcionalista, estes estudos têm enfatizado a circulação rodoviária e o transporte individual, provocando um corte na relação entre a cidade e a frente ribeirinha. Com o objetivo de inverter esta tendência, o projeto Arco do Futuro, lançado em 2012, procura alterar o atual modelo da cidade, tornando-a mais equilibrada e conectada com as suas linhas de água. Este estudo centra-se na primeira etapa do plano Arco do Futuro: o Arco Tietê. Este projeto atua nas zonas envolventes às marginais do rio Tietê que, em consequência da desindustrialização da zona central, encontram-se subutilizadas e deterioradas. Esta dissertação pretende investigar este projeto sob três eixos: examinar as propostas apresentadas a concurso público; avaliar e criticar planos similares ao caso de estudo; discutir a intervenção no waterfront como meio de regeneração urbana. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,045 | Sentir tudo sem nada me ter sido explicado : experiência multissensorial na arquitectura | Percepção sensorial,Arquitecto, função social,Memória,Museu | Vivemos uma vida desenfreada, onde não há tempo para ver e sentir realmente o que nos rodeia. Na arquitectura também esta visão retiniana se verifica. Tem-se privilegiado a arquitectura como imagem, em vez de uma arquitectura que ultrapasse a questão programática e interaja com o nosso tecido nervoso/ com a nossa percepção sensorial. A contemplação, a visão, a beleza e a memória são essenciais para uma arquitectura sensorial. Além disso, a questão da memória colectiva na arquitectura apresenta-se como mote de uma arquitectura em que tudo se sente, mas nada nos é explicado. Procurando uma compreensão sobre a arquitectura – Sentir tudo sem nada me ter sido explicado – é uma investigação que reflecte sobre quais podem ser as componentes da arquitectura, que contribuem para um exercício consciente das suas possibilidades. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,046 | Estâncias termais contemporâneas : os casos de Vidago e Pedras Salgadas | Siza, Àlvaro, 1933-, obra,Termas, Vidago,Termas, Pedras Salgadas,Termas, Portugal, história,Turismo termal, Portugal | Quem hoje ouve falar em estâncias termais não imagina edifícios com fachadas magnificentes, galerias esbeltas, grandes salões de baile, salas de jantar e de piano, parques românticos e casinos. Mas esta descrição corresponde a um momento da história do termalismo em Portugal. É essa história que este trabalho visita, tendo como foco as respostas da arquitetura às mudanças culturais e económicas, à evolução tecnológica, às exigências de saúde pública e, mais recentemente, às ameaças que são o abandono, a degradação e o esquecimento. Num momento em que o país luta com a falta de meios e procura soluções adequadas à reabilitação de edifícios históricos, este trabalho centra-se nas intervenções de Álvaro Siza Vieira em Vidago e Pedras Salgadas que permitiram revitalizar estas duas estâncias termais. Ao analisar estes dois casos específicos é possível concluir que a arquitetura desempenha hoje um papel fundamental no poder de atração de turistas e na manutenção de uma memória histórica nacional. Esse objectivo é alcançado com intervenções que permitam modernizar os edifícios preservando o património e valorizando as pré-existências, que estabeleçam relações entre o antigo e o novo. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,047 | Coimbra de volta ao Centro : uma estratégia para (re)centrar a identidade : (no âmbito do seminário Coimbra Capital Europeia da Cultura : planos e projetos para uma candidatura virtual) | Reabilitação urbana, Coimbra, estudo,Rua Visconde da Luz, Coimbra,Rua Ferreira Borges, Coimbra | Esta dissertação é resultado do Seminário de Investigação em Arquitetura, proposto pelo Professor Doutor Walter Rossa, “Coimbra Capital Europeia da Cultura: planos e projetos para uma candidatura virtual”, que prevê a candidatura da cidade de Coimbra a Capital Europeia da Cultura em 2027. Com efeito, foi elaborada uma análise geral da cidade, que neste contexto, facilmente destacou áreas com necessidade e interesse de intervenção, da qual se salienta este eixo cultural e comercial, “da Portagem à Sofia”, que aqui apresento, através da reanimação da Rua Visconde da Luz e Rua Ferreira Borges. Com este trabalho pretendo, principalmente, que a cidade seja entendida e programada no seu todo, procurando resolver os seus principais problemas, com o intuito de devolver ao espaço público e à sua sociedade, a importância manifestada outrora, especialmente neste centro histórico, descaracterizado e em decadência. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,049 | Turismo e interioridade : um percurso termal pelo Alto Tâmega | Turismo termal, Alto Tâmega,Termas, Alto Tâmega,Água minero-medicinal, Alto Tâmega,Percurso pedestre, Alto Tâmega,Ciclovias, Alto Tâmega | O Alto Tâmega é uma região pouco desenvolvida do interior português, na qual têm estado subaproveitados os recursos com potencial turístico, em boa parte porque a sua exploração não tem sido orientada por uma perspetiva integrada. As suas águas mineromedicinais, bem como os resultados da exploração destas (balneários e fábricas de engarrafamento), são reconhecidas, pelo que este tem sido o recurso turístico mais promovido, ao longo dos anos, e aquele que adquiriu algum significado económico na região. Contudo as estratégias turísticas que se focaram exclusivamente nesse importante recurso, sem cuidar da sua articulação com a exploração dos restantes, têm deixado a região aquém do seu potencial, não se tendo traduzido no desenvolvimento sustentável da mesma. O presente estudo ensaia os termos de referência de um plano estratégico que tem como pontos fundamentais realizar um diagnóstico e propor ações para o desenvolvimento turístico da região do Alto Tâmega, no sentido de aumentar o valor do seu recurso mais reconhecido – as águas minero-medicinais – mediante a associação da sua exploração à de outros recursos endógenos. O eixo estruturador desse plano será a criação de um percurso pedonal e ciclável que servirá de âncora às outras ações de valorização dos recursos endógenos, reforçando a coesão e a identidade territorial. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,050 | Âncoras de desenvolvimento : os equipamentos coletivos no desenho urbano : o caso de Viseu - do século XX até às expansões mais recente | Urbanismo, Viseu, séc. 20-21, estudo,Desenvolvimento urbano, Viseu,|Liceu de Alves Martins,Hospital de São Teotónio,Viseu,Forum Viseu,Palácio do Gelo | Nos territórios urbanos sempre existiram construções consideradas essenciais ao ato de fazer cidade e que serviram de impulso para o desenvolvimento do seu desenho, podendo ser representadas a partir de edifícios ou estruturas urbanas, como é o caso da muralha. De um modo geral, estas construções têm um carácter público e são designadas por equipamentos coletivos, constituindo-se como verdadeiras âncoras de desenvolvimento. O presente estudo pretende, assim, analisar o contributo dado pelos equipamentos coletivos no desenvolvimento do desenho urbano, considerando que estes podem atuar na estrutura urbana das mais variadas formas. A investigação que tem vindo a ser produzida a este respeito está relacionada com estudos de morfologia urbana relativos à idade média e à idade moderna. Porém, a minha abordagem contempla o século XX, décadas de 40 e 50, estendendose até às expansões mais recentes. A cidade de Viseu é o caso de estudo, onde estão integrados quatro exemplos que se assumiram como âncoras de desenvolvimento - Liceu de Alves Martins, Hospital Distrital de Viseu, Palácio do Gelo e Forum Viseu. A partir destes exemplos é feita uma análise concreta ao tema, para relevar o papel que os equipamentos têm desempenhado no desenho e redesenho de malhas urbanas. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,051 | Megaeventos desportivos : como elemento de metamorfose urbana 1960-2012 | Jogos Olímpicos, desenvolvimento urbano, 1960-2012,Aldeia Olímpica, sustentabilidade,Eventos desportivos | Esta dissertação foi desenvolvida no âmbito do mestrado integrado em Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, e apresenta como primeiro objectivo analisar a importância dos megaeventos no desenho e renovação do tecido urbano. Esta análise é feita com base no espaço-tempo determinado de 1960 a 2012, tendo como base de partida os Jogos Olímpicos de Roma e ponto de chegada a Londres 2012, especificando casos em que houve mudanças de paradigma e que funcionaram como âncoras ao longo da história. Apesar de nesta dissertação o principal objectivo centrar-se nos eventos desportivos, não deixaremos de parte os festivais, exposições e feiras, que ao longo da história deixaram marcas. Por último, como objectivo final, procuramos entender qual o impacto que estes megaeventos têm sobre o desenvolvimento de uma cidade e a sua sociedade e quais as estratégias adoptadas para o pós-evento. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,053 | Projeto Hotel da Lagoa : Metodologias actuais para a arquitectura bioclimática | Arquitectura bioclimática,Arquitectura sustentável,Hotel da Lagoa -- projecto arquitectónico,Hotelaria e Turismo | A Região do Oeste é marcada por uma paisagem natural única, onde a Lagoa de Óbidos se oferece como importante elemento definidor do lugar, na articulação com o concelho vizinho das Caldas da Rainha. Posiciona-se como ponto de partida para a experimentação de um vasto património natural, histórico e edificado, propícios ao desenvolvimento turístico de uma região de oportunidades excecionais. Apesar da diversidade dos recursos disponíveis, a sazonalidade e o foco quase exclusivamente balnear configuram as razões de um inexistente crescimento local e do fraco desenvolvimento do setor. O presente trabalho desenvolve a proposta para reconfiguração de uma unidade hoteleira, direcionando-a sobretudo para modelos mais inovadores de turismo de saúde e bem-estar, e de turismo natureza. Implantado junto à margem norte da lagoa, no lugar do Nadadouro, o hotel define-se pela extraordinária relação visual que estabelece com a paisagem envolvente. O projeto explorou metodologias diversas de otimização de desenho e desempenho. De forma a tirar o máximo partido das características ambientais do lugar, fez-se um estudo criterioso do clima local, através da geração de ficheiros climáticos reais, partindose depois para o diagnóstico e desenvolvimento de estratégias passivas, e análises da radiação e iluminação natural, conseguidos com a ajuda de softwares especializados. A presente tese documenta o trabalho realizado, de transformação do projeto desenvolvido na disciplina de Projeto V, respondendo a um conjunto de oportunidades, não exaustivas, que hoje se colocam à arquitetura bioclimática. Procuram-se desempenhos que qualquer projeto pode e deve garantir desde os momentos iniciais Palavras-chave: Hotelaria e Turismo, Clima, Softwares especializados, Arquitetura Bioclimática. da conceção. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,054 | Reabilitação [revitalização] de áreas urbanas consolidadas : análise crítica das sociedades de reabilitação urbana | Reabilitação urbana, Porto,Sociedades de reabilitação urbana, Porto,Reabilitação urbana, Portugal,programas | Sendo a cidade um organismo em constante evolução e construção, é natural que esta se transforme consoante a evolução da sociedade que a tem vindo a construir. No entanto, a cidade transformou-se através da construção de novos lugares e centralidades, o que levou ao esquecimento e abandono das suas áreas mais antigas. Com o passar do tempo a degradação e a desvitalização tomaram conta destas áreas da cidade, levando o Governo, central e local, a uma busca soluções para travar e inverter este processo. Assim através de programas, ações, intervenções, e mais recentemente, políticas, as nossas cidades foram cobertas de tentativas, mas no entanto o problema persistiu e o ciclo de declínio tem sido difícil de inverter. Esta situação deve-se à falta de avaliação de tais iniciativas, de forma a serem aperfeiçoadas, em vez de revogadas e substituídas por outras. Esta dissertação pretende fazer aquilo que raramente se tem feito em Portugal, que é analisar e refletir sobre os resultados da atual política de reabilitação urbana enquadrada pelo Regime Jurídico da Reabilitação Urbana, criado pelo Decreto-Lei n.º 307/2009 e alterado pela Lei n.º 32/2012, e mais propriamente sobre as entidades criadas por este regime para gerir os processos de reabilitação urbana, as Sociedades de Reabilitação Urbana (SRU). Tendo como caso de estudo a SRU do Porto, a Porto Vivo, SRU (PVSRU) e a sua atuação, segue-se uma análise da atual política de reabilitação portuguesa através da análise da evolução da reabilitação urbana e deste conceito, na Europa, em Portugal e no Porto. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,055 | As igrejas de Álvaro Siza : tensão entre a identidade do autor e o confinamento das práticas religiosas | Siza, Álvaro, 1933- obra,Igreja de Santa Maria, Marco de Canavese,Arquitectura religiosa, séc. 20-21 | O presente trabalho de investigação surge da vontade de refletir sobre os caminhos tortuosos da arquitetura religiosa contemporânea, sobretudo de cariz Cristã Católica. A arquitetura sacra, nas últimas décadas, parece habitar horizontes dificilmente conciliáveis: entre as tensões da manifestação autoral e a experiência de comunidade. Deste modo, propõe-se destacar que os edifícios religiosos recentes, mais do que reveladores de um estilo ou de um critério estético de uma época, mais do que determinados pela especificidade das práticas religiosas, revelam sobretudo a identidade do seu arquiteto, no campo das suas investigações projetuais. Para argumentar esta tomada de posição, utilizaremos os contributos de Álvaro Siza no âmbito do programa do complexo paroquial: S. João Bosco, para o bairro da Malagueira (1988-89), Santa Maria, em Marco de Canavezes (1990-96) e Santa Maria do Rosário, em Roma (1998-2000). Dando particular enfâse à Igreja do Marco uma vez que foi a única obra construída. Com os casos de estudos eleitos, pretende-se analisar de forma justaposta a obra de um dos maiores nomes da cultura portuguesa. Partindo de questões fulcrais do seu fazer e sentir arquitetura - o desenho como ideia primeira, o sentido de lugar, compromisso entre tradição e modernidade, a ambiguidade, a luz como modeladora do espaço, a poética de construir, entre outras-, procura-se elucidar que estas igrejas evidenciam o traço característico e o espírito criador do seu arquiteto, aqui transportados para a especificidade e complexidade do programa religioso. É a Igreja de Álvaro Siza. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,056 | Centro Comercial enclave cénico da cidade contemporânea : os centros comerciais de Via Catarina e Norte Shopping no Porto | Via Catarina Shopping,Norte Shopping,Planeamento urbano,Centro comercial | A evolução e implantação dos grandes empreendimentos comerciais nas cidades contemporânea e que denominamos Shoppings ou centros comerciais têm permanecido patente na história da humanidade. Pretende-se conhecer o impacto que os centros comerciais têm a nível social, quer a nível de afluxo de indivíduos em direção às áreas comerciais quer em termos de impacto económico local, centro e periferia urbana. Fazemos uma abordagem sobre a instalação dos primeiros centros comerciais nas maiores cidades do mundo, como Nova Iorque, Tóquio e Paris. Não obstante, centramo-nos no caso português, dando como exemplos dois dos centros comerciais mais importantes da cidade do Porto, os centros comerciais Via Catarina e o Norte Shopping. O primeiro localizado no centro da cidade e o segundo localizado na periferia urbana. Para estes dois casos pretendemos conhecer a evolução da ocupação do espaço urbano, os fluxos económicos, os acessos, a sua influência no comércio local e no alargamento urbano e o sucesso ou insucesso a nível económico de cada centro comercial. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,057 | Reordenamento urbano do parque da saúde da Guarda : o antigo Sanatório Sousa Martins, Guarda cidade saúde | Lino, Raul, 1879-1974, obra,Sanatório Sousa Martins, Guarda,Parque da Saúde, Guarda,Sanatório | Esta Dissertação tem como objectivo estudar o desenvolvimento, de uma zona, de grande importância na Cidade da Guarda, que levou ao crescimento da mesma, saindo assim de uma caracterização de cidade medieva e começando a estruturar um novo desenvolvimento urbano da cidade. A evolução do Parque da Saúde da Guarda, desde o primeiro plano do arquitecto Raul Lino (1907), tem sido constante ao longo dos anos, procurando deste modo, colmatar as necessidades da população, avanços e inovações na área da medicina. Na actualidade, o recinto hospitalar depara-se com a ausência de organização, sendo este o panorama que motivou a intenção de propor, de forma consciente, a reorganização do parque. Após um estudo sobre o Parque da Saúde da Guarda, esta tese tem como principal objectivo resolver problemas de ordenamento urbano e fazer do mesmo um local icónico da cidade. Para tal, propõe-se espaços e percursos que percorram todos os edifícios e pontos de interesse do recinto de forma coerente e coordenado, favorecendo todos os locais de grande importância. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,058 | Rotas interpretativas - Condeixa-a-Nova : transição entre o Baixo-Mondego - Vales do Maciço de Sicó | Mobilidade sustentável, Condeixa-a-Nova,Ciclovias, Condeixa-a-Nova,Percurso pedestre, Condeixa-a-Nova,Património histórico, Condeixa-a-Nova | A presente dissertação de mestrado pretende desenvolver uma rede de percursos interpretativos no Município de Condeixa-a-Nova, destinada a mobilidades lentas - preferencialmente a ciclável - numa tentativa de estimular a aproximação da comunidade residente e visitante ao Território, proporcionando a leitura do mesmo. Esta rede, maioritariamente assente em Corredores Verdes, tenciona criar uma nova dinâmica de relações (inter)municipais na região do Baixo-Mondego/Maciço de Sicó aliada a um sistema de transportes multi-modal, introduzindo a bicicleta como alternativa efetiva. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,060 | Da reabilitação urbana à conquista do espaço público : uma proposta de intervenção no centro histórico de Viseu | Reabilitação urbana, Viseu,Centro histórico, Viseu,Espaço público, Viseu,reabilitação | A cidade actual enfrenta problemas urbanos de uma complexidade intensa. Os grandes desafios urbanos estão tanto nas áreas periféricas como nos centros urbanos “históricos” ou “fundadores”. A descentralização dos “centros históricos” aliada aos processos de periferização conduziram ao desenvolvimento de novas ideias de vivência, novos hábitos e por conseguinte, contribuíram para uma progressiva degeneração do espaço público. O conceito de “reabilitação urbana” tem-se ampliado no seu significado nas últimas décadas, sendo cada vez mais relevante no vocabulário da gestão e organização do território. As estratégias de reabilitação urbana são, cada vez mais, fundamentais nas transformações urbanas actuais pela sua capacidade de intervir cirurgicamente no espaço público colmatando situações de incoerência ou carecidas de uma revalorização. Incidindo no caso particular do “centro histórico” de Viseu, procurou-se reflectir sobre as temáticas apresentadas, na intenção de elaborar uma estratégia de intervenção sustentada para a requalificação do espaço público. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,065 | O que foi feito dos planos gerais de urbanização? : núcleos muralhados : património e desenvolvimento urbano : (1930-1970) | Plano geral de urbanização -- Portugal -- 1930-1970,Desenvolvimento urbano -- Portugal,Urbanismo,Elvas,Trancoso,Almeida,Óbidos,Valença do Minho | Esta dissertação dedica-se à análise da produção urbanística nacional entre as décadas de 1930 e 1970, período em que esteve vigente o decreto-lei que em 1934 criou a figura do Plano Geral de Urbanização, e centra-se no caso específico de cinco núcleos muralhados portugueses. É avaliada a consideração urbanística que mereceram estes territórios, tendo em conta a fragmentação física a que estavam sujeitos devido à presença de uma cintura defensiva, à qual somavam-se questões relacionadas ao valor patrimonial que lhes era atribuído. Num período em que o conceito de património urbano começava a ser formado, ensaiavam-se estratégias que respondessem à necessidade de planear o desenvolvimento dos aglomerados e, simultaneamente, de salvaguardar os tecidos históricos. Frequentemente estas intenções conduziam a uma fragmentação concetual caracterizada pelo binómio conservação vs. desenvolvimento, em detrimento de uma visão global da cidade no sentido de um planeamento integrado. Face à degradação física e aos desequilíbrios urbanos comuns às áreas antigas em Portugal e à escassa produção científica referente ao urbanismo recente, o contributo desde estudo assenta na análise crítica das propostas urbanísticas elaboradas no século passado para aglomerados de pequena e média dimensão, assim como na avaliação da influência que tiveram no desenvolvimento dos casos de estudo selecionados. O estudo das experiências de planeamento no passado recente é essencial para uma compreensão melhor dos problemas que hoje afetam muitas vilas e cidades portuguesas, tal como para o desenho de políticas de reabilitação urbana consistentes e que contemplem os imparáveis processos de evolução inerentes à vida urbana. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,068 | O círculo arquitetura-ideologia : um perfil através da obra arquitectônica no século XXI | Ideologia,Obra arquitectónica | Mediante a proliferação de arquiteturas que acenam um forte impacto pelas imagens e vinculação à lógica do mercado consumista, essa dissertação se propôs a traçar um perfil da condição da obra arquitetônica no século XXI. Com efeito, se baseia em três fundamentos: para melhor compreender as forças por trás das imagens e do mercado, concentrou-se nos conceitos para ideologia. Diversas são suas entradas ao longo da História, inclusive por arquitetos. Segundo baseia-se em um tema interno da obra arquitetônica, que tangencia também o da ideologia: a discussão sobre a autonomia, seja a da forma, seja a disciplinar. O que remete para um terceiro ponto: uma busca do início da formação da arquitetura contemporânea, nos anos 60 e que se desdobrou até o século XXI. Desse modo se observou que a relação entre arquitetura e ideologia se aprofundou quanto mais próxima dos anos 2000, fundindo-se no «Círculo Arquitetura-Ideologia»: conceito que foi verificado tanto na parte teórica, quanto de modo objetivo e direto, em três casos de estudo, pertencentes ao Rio de Janeiro do século XXI. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,077 | Reabilitação da antiga fábrica da Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas | Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas,Espaço industrial, Torres Novas, reabilitação | A Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas (CNFTTN) foi fundada a 2 de Outubro de 1845 por um grupo de comerciantes lisboetas. Tomou posse de uma antiga e pequena fábrica de chitas, na periferia de Torres Novas, e foi gradualmente comprando terrenos à sua volta. O local onde está implantada atualmente era conhecido como o “Sítio de Santa Bárbara”, devido ao moinho que aí se localizava com o mesmo nome. Este sempre foi um local muito procurado para a implantação de sistemas de aproveitamento hidráulico. Sucederam-se uma série de moinhos, lagares e fábricas de curtumes, chitas e têxteis. Em 1881, a CNFTTN era já a 12ª fábrica na lista das 50 maiores empresas da indústria transformadora portuguesa, com 403 trabalhadores. Encerrou a sua atividade a 29 de Julho de 2011, com 166 anos de existência. Esta dissertação tem como tema uma proposta de reabilitação para a fábrica da antiga Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas. A principal intenção do projeto é de ligar o espaço da antiga fábrica à cidade, tornando-a parte do tecido urbano e abertamente percorrível pelo público. São criados dois novos acessos, ambos pedonais: um direto para a Rua da Fábrica e o outro feito pela proposta de um caminho pela margem do rio Almonda que irá fazer a ligação ao centro da cidade. São propostas algumas demolições, maioritariamente de pequenos pavilhões sem qualquer interesse arquitetónico. É criada uma nova praça central e organizadora do espaço. Aos edifícios são atribuídos novos programas, como um Museu da CNFTTN, um Centro Cultural e Incubadora de Empresas, um hostel, um restaurante, um minimercado e um ginásio. São ainda propostos novos edifícios e espaços como um estacionamento subterrâneo e uma piscina fluvial com quiosque e balneários. A intervenção pretende-se de certo modo minimalista, mantendo e preservando a identidade do património industrial em questão. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,393 | Aula de Campo e Aula de Museu: Recursos didáticos para conteúdos com Paleontologia nos Ensinos Básico e Secundário | Aula de Campo,Aula de Museu,Recursos didáticos,Paleontologia,Field Class,Museum Class,Didactic resources,Palaeontology | A Aula de Campo (AC) e a Aula de Museu (AM) constituem ferramentas cuja importância se encontra amplamente comprovada na aprendizagem prática e experimental das Ciências Naturais, podendo-se aplicar na exploração de um largo espetro de conteúdos paleontológicos, com ligação aos Ensinos Básico e Secundário. Não obstante, verifica-se que o atual contexto destes graus de ensino contínua longe de promover satisfatoriamente estas estratégias. Partindo deste referencial, colocámos a questão: Como apoiar os docentes dos Ensinos Básico e Secundário na implementação de AC e de AM centradas em conteúdos com Paleontologia? Neste sentido, o presente estudo apresenta como objetivos: (1) conhecer os fatores que levam os docentes, do ensino não superior, a utilizar/não utilizar AC e/ou AM na lecionação de conteúdos paleontológicos; (2) facultar informação relevante, aos professores, para a escolha da estratégia a adotar, com vista a boas práticas; (3) revelar e valorizar afloramentos/jazidas e geocoleções museológicas quanto ao seu potencial para intervenções educativas; (4) organizar materiais gerais que facilitem a implementação, no campo, em locais com relevância para intervenções educativas, focalizando a Paleontologia e respetivas áreas interdisciplinares. Para a prossecução deste trabalho, o espaço geográfico selecionado foi circunscrito à área de intervenção da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares Direção de Serviços da Região Centro. Abrangeram-se, desta forma, regiões com uma diversidade geológica e paleontológica excecionais, que compreendem um intervalo estratigráfico bastante amplo, representado por numerosos afloramentos e jazidas com elevado potencial de intervenção educativa e onde as respetivas sucessões estratigráficas e conteúdos fósseis se encontram bem estudados. Em simultâneo, a diversidade de acervos museológicos com geocoleções significativas e acessíveis ao público escolar é, também, considerável nesta área. Analisaram-se as metas curriculares da disciplina de Ciências Naturais do 7º ano, os programas curriculares da disciplina de Biologia e Geologia do 10º ano e 11º ano, assim como o de Geologia do 12º ano, os manuais existentes para os respetivos anos e disciplinas, no que respeita aos conteúdos com Paleontologia e, ainda, administrou-se um questionário a professores do grupo 520 (Biologia e Geologia). Deste estudo concluiu-se que existem fatores inerentes ao professor, outros ao meio e aos recursos que influenciam a utilização das AC e/ou AM para a lecionação de conteúdos com Paleontologia. Desses, salienta-se a formação inicial de professores, tendo-se verificado uma maior apetência para a realização deste tipo de estratégias por parte daqueles em cuja formação inicial a Geologia esteve mais presente. Também, a formação continua na área da Paleontologia parece ter impacto positivo na implementação de AC e de AM. A falta de conhecimento da Geologia da região, onde a escola se insere, constitui um outro fator significativo adicional, assim, como a extensão dos programas e número de alunos por turma. O envolvimento de duzentos e cinquenta e seis professores, que participaram no questionário, a elaboração de dezanove fichas de campo e vinte e duas fichas de museu, com informações relevantes para a planificação de uma intervenção educativa com Paleontologia na área selecionada e a disponibilidade de material didático padrão, aplicável em AC e em AM nos conteúdos com Paleontologia e áreas interdisciplinares, constituem mais-valias potenciais do presente estudo. Em concreto, os materiais de campo preparados incidem sobre jazidas de elevada relevância paleontológica e estratigráfica, facilmente acessíveis e adequadas do ponto de vista didático, quanto à sua exploração por professores e alunos em atividades de campo. Dadas as limitações de tempo e dimensão da tese, mas também por ser junto ao litoral que a densidade populacional e de estabelecimentos de ensino é maior, optou-se por contextos geológicos da Orla Mesocenozoica Ocidental Portuguesa, num intervalo estratigráfico que compreende unidades representativas do Jurássico, Cretácico, Neogénico e Quaternário. Consideramos este estudo bastante pertinente no momento atual, pois discutem-se cada vez mais as problemáticas relacionadas com os currículos. A sua apresentação e discussão entre pares poderá contribuir para uma análise mais profunda da formação de professores que lecionam conteúdos com Paleontologia ou seus interdisciplinares, contribuindo para que estes se tornem mais seguros na prática letiva e levantem novas interrogações para posteriores estudos nesta área. | Ciências Exactas e Naturais |
21,430 | Processamento por flutuação do caulino de olho marinho : contribuição para o estudo do fenómeno de arrastamento em flutuação de polpas com partículas de calibre muito fino | Jazida de flutuação,Ollho Marinho | A flutuação é um processo de concentração de minerais que se baseia nas propriedades superficiais das partículas, tendo por base a adesão selectiva de algumas partículas sólidas para com o ar e de outras para com a água. Este processo depende de muitas variáveis, tendo o calibre das partículas uma importância fundamental. Ele apresenta um campo de aplicação que varia desde algumas µm até algumas centenas de µm. Uma vez que o calibre condiciona o modo como as partículas são recuperadas, analisamos a sua influência no arrastamento (flutuação falsa) e na flutuação verdadeira, utilizando um produto com elevada quantidade de finos. Analisamos ainda a influência da concentração e tipo de reagente, o tipo de aparelho (célula vs coluna), o grau de agitação na célula, a taxa de aeração na coluna e a altura da espuma na coluna. Para as diferentes condições de trabalho, analisamos a influência do calibre das partículas e estudamos a selectividade do processo de flutuação através da quantificação da contribuição da flutuação verdadeira e da flutuação por arrastamento. Para este estudo escolhemos o caulino como produto de trabalho, pois ele apresenta uma granulometria extremamente fina. Para as diferentes condições laboratoriais analisamos o comportamento das partículas flutuadas e arrastadas na zona da espuma e a influência do calibre das partículas nos fenómenos de arrastamento e de drenagem. Implementamos um novo método de cálculo da contribuição da flutuação verdadeira e da flutuação por arrastamento, também designada por flutuação falsa, que será comparado com os três métodos descritos na bibliografia da especialidade. Implementamos um modelo fenomenológico que avalia o grau de flutuabilidade dos minerais penalizantes do caulino, tendo em consideração a influência do calibre das partículas na flutuação e no arrastamento, quantificando a recuperação por acção do arrastamento e da flutuação verdadeira. | Ciências Exactas e Naturais |
21,433 | O Pliocénico e o Plistocénico da plataforma litoral entre os paralelos do Cabo Mondego e da Nazaré | Pliocénico,Plistocénico,Terraços fluviais,Geomorfologia -- Beira Litoral | Este trabalho desenvolveu-se numa área definida, genericamente, entre os paralelos da Serra da Boa Viagem e da Nazaré. Teve como objectivo o estudo dos depósitos Pliocénicos e Plistocénicos da Plataforma Litoral entre as localidades atrás referidas, bem como os relevos adjacentes a oriente e a linha de costa a ocidente. Este estudo compreendeu uma importante componente de trabalho de campo, do qual resultaram dados sedimentológicos, geomorfológicos e tectónicos. Para a sistematização da apresentação dos dados obtidos, o trabalho foi dividido em várias partes: a primeira, de enquadramento geral, localização geográfica e metodologias, contextualiza a área na Orla Meso-Cenozóica, que, em termos geomorfológicos, define uma plataforma de fracos pendores e inclinação para oeste. Na área de estudo, esta plataforma é interrompida a norte pela Serra da Boa Viagem e contacta a este e sudoeste com o Maciço de Sicó e Maciço Calcário Estremenho, respectivamente. Salientam-se também os acidentes tectónicos principais, sem esquecer os resultados da actividade diapírica; na segunda parte apresenta-se o estudo do Pliocénico na Plataforma Litoral, estabelecendo para a área de estudo associações de fácies deposicionais tradutoras dos diferentes ambientes sedimentares, procedendo-se à construção de mapas de fácies para o topo e para a base da unidade a partir dos dados recolhidos (paleocorrentes, tamanho máximo dos clastos, granulometrias, minerais de argila e arquitectura deposicional de fácies). Desta forma, deduziu-se a distribuição espacial de sistemas de leque aluvial, de delta, de pântano e marinhos (praia e plataforma siliciclástica). Esta cartografia pormenoriza as características da transgressão pliocénica, que no máximo da inundação atingiu os relevos ca1cários a leste e sudoeste, os quais terão funcionado como barreira a essa incursão marinha. A mesma marcha de trabalho (reconhecimento de campo, descrição de fácies, construção de colunas estratigráficas e painéis fotográficos de afloramentos) foi seguida para o estudo do Plistocénico, no estabelecimento da hierarquia dos terraços fluviais dos rios Mondego e Lis, recorrendo à identificação dos patamares através de fotografia aérea, conjugada com mapas hipsométricos detalhados e modelos sombreados de iluminação oblíqua, complementando-se estas abordagens com reconhecimento de campo. Identificaram-se para o Mondego seis níveis de estabilidade (identificados por Ml, M2, M3, M4, M5 e M6), com alargamento do vale e eventual agradação sedimentar, criados no decurso da etapa de incisão fluvial durante o Quaternário. Para este estudo colaborámos na obtenção de datações por luminescência dos sedimentos pertencentes aos dois mais espessos terraços do Baixo Mondego, que indicam que o tecto do terraço M5 tem 100 mil anos e que o tecto do terraço M4 é mais antigo que 138 mil anos. No Vale do Lis identificaram-se quatro níveis de estabilidade fluvial (L 1, L2, L3 e L4), mas consideramos que a pequena dimensão do vale e o declive das vertente não permitiu que se cartografassem níveis mais altos (e mais antigos). Para o rio Lis não dispomos de dados de datações, embora possamos correlacionar, de forma provisória, o terraço L4 (coberto pelas aluviões) com o terraço M6 do Mondego. A geomorfologia da área mostra que a extensa plataforma culminante se apresenta a altitudes diferenciadas e, por vezes, basculada. O traçado das curvas de nível, a análise das perturbações no desenho da rede hidrográfica, a distribuição das nascentes naturais e a identificação de lineamentos por detecção remota conjugaram-se na identificação das diferentes formas, permitindo o reconhecimento de estruturas tectónicas, principalmente lineares. A deformação tectónica recente na área foi analisada em mapa de lineamentos, que, após estudo estatístico, revelou como sistemas tectónicos mais importantes, os sistemas com direcção N-S, NE-SW e NNW-SSE. Calculou-se também o comportamento de movimentação vertical dos vários compartimentos tectónicos, que se revelou ser desigual, quantificando-se os movimentos em compartimentos positivos e negativos. A análise da distribuição dos hipocentros de eventos de magnitude inferior ou igual a 4,4 ocorridos no período de 1990-2008 mostra que estão associados à localização de estruturas diapíricas (Monte Real e Soure) e nas proximidades de outras áreas tidas como afectadas pela neotectónica (Figueira da Foz e Nazaré). | Ciências Exactas e Naturais |
21,434 | Lagoas de Quiaios : contribuição para o seu conhecimento geológico e hidrogeológico | Wetlands,Hydrostratigraphy,Hydrogeochemical evolution,Sistema Aquífero Quaternário de Aveiro | Na zona costeira a norte da serra da Boa Viagem, entre as Dunas de Quiaios, a ocidente, e a planície da Gândara, a oriente, existem pequenas lagoas naturais de água doce, referidas neste trabalho como Lagoas de Quiaios. Para melhor conhecer a geologia e a hidrogeologia da região costeira, onde se enquadram estas zonas húmidas naturais, desenvolveu-se trabalho de investigação em diversas áreas específicas do conhecimento. O trabalho de campo, de reconhecimento geológico e hidrogeológico, sinalizou dois aspectos que necessitavam de estudo e pesquisa específicos. Por um lado, a existência de uma cobertura arenosa quase total e a escassez de dados geológicos de sondagens mecânicas, dificultava a definição das unidades geológicas em profundidade; por outro, a inexistência de pontos de acesso aos aquíferos, sobretudo aos mais profundos, na região ocidental das lagoas, tornava difícil a sua caracterização a uma escala mais detalhada. Para ultrapassar estes problemas recorreu-se à aplicação de técnicas de prospecção geofísica, com especial utilização do método electromagnético. Após a execução de perfis de condutividade eléctrica aparente, com direcções aproximadamente paralelas e perpendiculares à linha de costa actual, estabeleceram-se sectores (geofísicos) cujos materiais apresentavam comportamentos electromagnéticos semelhantes. Efectuou-se ainda um perfil de geo-radar, que permitiu demarcar alguns níveis confinantes, provavelmente constituídos por paleossolos, e onde foi possível visualizar algumas das estruturas associadas aos edifícios dunares da zona meridional da lagoa das Braças. Definiram-se os locais onde seriam instalados os piezómetros que constituíram a rede de monitorização para recolha de dados sobre as características hidrodinâmicas e hidroquímicas dos aquíferos. A análise das amostras recolhidas aquando da execução das sondagens mecânicas para instalação dos piezómetros, permitiu definir unidades sedimentares cuja associação revelaria as unidades aquíferas e confinantes existentes na zona em estudo. Os materiais recolhidos possibilitaram ainda a execução de algumas análises polínicas e malacológicas, que forneceram esclarecimentos acerca da génese e do ambiente de formação das diversas unidades sedimentares. A informação hidrogeológica recolhida através da rede de monitorização, entretanto instalada na zona ocidental das lagoas, conjugada com a informação da água subterrânea de poços e furos encontrados a oriente e com os dados da água superficial de lagoas e linhas de água, possibilitou a determinação de fluxos de água e a elaboração de mapas de parâmetros hidrodinâmicos e hidroquímicos. Os resultados obtidos foram analisados segundo os processos hidrogeoquímicos actuantes e foram apontadas hipóteses para a evolução da água subterrânea no interior dos aquíferos. Toda a informação foi combinada de modo a elaborar um modelo hidrogeológico conceptual, com o recurso a ferramentas de estatística e análise de dados, assim como, através de modelação hidrogeológica. As conclusões retiradas da junção de todos os resultados obtidos permitiu conhecer melhor a geologia recente desta área costeira, caracterizar as unidades aquíferas e as relações entre a água superficial e água subterrânea na envolvente destas zonas húmidas. | Ciências Exactas e Naturais |
21,437 | Representações para o Ensino e a Aprendizagem de Temas de Geologia no Ensino Básico e no Ensino Secundário | Geologia -- ensino | O termo representação define-se, no sentido mais lato, como o conjunto de símbolos ou sinais, utilizados nos processos de comunicação. As representações podem ser divididas em internas (ou mentais) e externas. As representações internas resultam da complexidade da estrutura cognitiva dos indivíduos, sendo construídas e influenciadas ou modificadas pelas representações externas que lhes são apresentadas, por exemplo, nos processos de ensino e de aprendizagem. As representações externas poderão, por sua vez, dividir-se em pictóricas e linguísticas. As linguísticas dizem respeito aos processos de linguagem oral e escrita, enquanto as pictóricas incluem as diversas categorias de imagens, como: fotografias, desenhos, esquemas, gráficos e mapas (Otero, 2002; Otero et al., 2003). Actualmente, constata-se que as representações pictóricas (fotografias, desenhos, esquemas, gráficos e mapas) ganham importância nos manuais de ensino de Ciências Naturais e de Geologia, o que reduz, obrigatoriamente, o espaço ocupado antes pelas representações linguísticas (texto escrito) na apresentação dos temas científicos. Observase que as imagens, especialmente na categoria de fotografia, figuram como “fundo” de muitas páginas, adquirindo uma importância bastante expressiva, principalmente nos manuais do ensino básico. É, ainda, comum encontrar uma repetição dos registos fotográficos, quer dentro do mesmo manual, quer entre os diferentes manuais utilizados para o mesmo ciclo. Para além disso, verifica-se que as imagens nem sempre comunicam, de forma efectiva, com o texto, por vezes não se apresentam legendadas devidamente e, na maioria dos casos, não incluem elementos indispensáveis a uma interpretação adequada do seu significado. Por outro lado, regista-se o facto das orientações curriculares, do programa curricular e dos manuais do ensino básico e do ensino secundário não incluírem referências claras à importância da utilização de representações pictóricas inseridas no contexto da região onde decorrem os processos de ensino e de aprendizagem dos conteúdos da Geologia. Para desenvolver esta investigação, que partiu dos pressupostos citados, bem como de algumas considerações teóricas sobre a importância das representações internas e externas nos processos de ensino e de aprendizagem, foi formulado o problema: Qual a importância que as orientações curriculares, o programa, os manuais escolares, os alunos e os professores atribuem à utilização de representações pictóricas no ensino (básico e secundário) dos temas da Geologia? Neste sentido, pretendeu-se, neste trabalho, concretizar os seguintes objectivos: - Avaliar a forma como as representações pictóricas são contempladas pelas orientações curriculares, pelo programa e pelos manuais do ensino básico e secundário, investigando-se 10 manuais do 7º e do 10º ano; - Analisar, nos manuais, a relação de predomínio das representações pictóricas (fotografias, desenhos, esquemas, gráficos e mapas); - Verificar, no caso do 7º e do 10º ano, a existência de fotografias de locais de interesse geológico (LIGs), nacionais, internacionais e sem referência geográfica; - Investigar os locais de interesse geológico (LIGs), nacionais e internacionais, preferencialmente valorizados; - Avaliar a existência, nos manuais do 7º e do 10º ano, de uma relação efectiva entre as formas de comunicação verbal (linguística) e não verbal (pictórica); - Investigar se os modelos pictóricos, utilizados nos manuais analisados, se encontram legendados devidamente e, no caso particular das fotografias, se são encontradas escalas; - Avaliar a existência de relações entre as representações internas (modelos mentais) dos alunos e as representações externas pictóricas que lhes são continuamente apresentadas; - Conhecer as ideias dos docentes do ensino básico e secundário acerca das vantagens/potencialidades e das limitações dos modelos pictóricos, utilizados no ensino dos temas da Geologia; - Perceber, até que ponto, as orientações curriculares, o programa e os manuais de ensino promovem a inserção de representações pictóricas (fotografias) relativas ao contexto geológico e cultural das diferentes regiões; - Avaliar a existência de vantagens associadas à realização de aulas de campo, centradas no contexto regional dos participantes; - Comparar o interesse e a capacidade de gestão das tarefas de campo dos alunos do ensino básico e secundário; - Avaliar as respostas dos discentes do ensino secundário (10º e 11º anos) acerca da utilização, exploração e construção de modelos pictóricos durante as três fases de uma aula de campo (pré-campo, campo e pós-campo); - Construir, aplicar e validar novos modelos para o ensino (“teaching models”) (com representações pictóricas), respeitantes aos temas seleccionados, centrados no contexto geológico e cultural da região algarvia. Com base nas amostras, nos instrumentos e nos procedimentos definidos no quadro metodológico, foi possível concluir que: - As representações externas de carácter pictórico são consideradas e sugeridas, de forma mais ou menos explícita, em cada um dos aspectos analisados nas orientações curriculares do ensino básico e no programa curricular do ensino secundário (linhas orientadoras, objectivos, competências e modalidades de avaliação); - Os manuais do 7º ano valorizam a utilização das diferentes formas pictóricas, não existindo, nos manuais do 10º ano, indicações claras sobre a importância didáctica da utilização das imagens (sobretudo no que diz respeito às competências contempladas); - As fotografias, presentes em 56,2% dos casos nos manuais do 7º ano e em 52,2% dos casos nos manuais do 10º ano, destacam-se, de forma bastante expressiva, no âmbito dos subtemas analisados, em relação às restantes representações pictóricas (desenhos, esquemas, gráficos e mapas); - Nem todos os casos analisados referenciam, geograficamente, os locais de interesse geológico retratados, já que em 33,6% dos casos, nos manuais do 7º ano, e em 48,3% dos casos, nos manuais do 10º, não existe qualquer referência aos locais (nacionais e/ou internacionais) fotografados; - Os autores dos manuais dos dois ciclos de ensino (básico e secundário) optaram, no caso dos subtemas investigados, pela utilização de fotografias de locais de interesse geológico nacionais (45,2% dos casos nos manuais do 7º ano e 50% dos casos nos manuais do 10º ano), em detrimento dos locais internacionais (21,2% dos casos nos manuais do 7º ano e 1,7% dos casos nos manuais do 10º ano); - No que diz respeito aos locais nacionais (apresentados sob a forma de fotografia) mais valorizados, destacam-se, para os subtemas em questão, a Serra D’Aire e Candeeiros (no caso dos manuais do 7º ano) e a zona de Arouca (no caso dos manuais do 10º ano). Relativamente aos locais internacionais, distinguem-se os Estados Unidos da América (Estado da Califórnia), Espanha e Himalaias (cordilheira montanhosa), nos manuais do 7º ano, e os Estados Unidos da América, nos manuais do 10º ano; - Não se verifica, de uma forma geral, uma comunicação efectiva entre o conteúdo expresso nas formas verbal e pictórica, observando-se que em 28% dos casos (nos manuais do 7º ano) e em 42,6% dos casos (nos manuais do 10º ano) não se observa qualquer relação entre o texto e a imagem decorrente; - Sobretudo no que diz respeito aos manuais do 7º ano, grande parte das legendas que acompanham as representações pictóricas não descreve o conteúdo visual apresentado, designando, apenas resumidamente, o objecto e/ou processo geológico em questão (58,4% dos casos nos manuais do 7º ano e 52% dos casos nos manuais do 10º ano); - Na grande maioria dos exemplos investigados (84,6% dos casos nos manuais do 7º ano e 85% nos manuais do 10º ano) as fotografias não apresentam escalas, cuja presença e interpretação se tornam indispensáveis no processo de compreensão dos processos e/ou objectos geológicos representados; - As representações externas de carácter pictórico, na categoria de fotografia, contribuem, ainda que de forma pouco expressiva, para a formação de representações internas (modelos mentais) cientificamente adequadas; - A maioria dos docentes (ensinos básico e secundário) considera “importante” (8 em 12 docentes) ou “muito importante” (2 em 12 docentes) a utilização de representações pictóricas, enumerando um conjunto de vantagens, mas, também, um conjunto de desvantagens associadas à utilização destes modelos no ensino dos conteúdos da Geologia. As vantagens e as desvantagens ou limitações, referidas pelos professores entrevistados, concordam, no geral, com as ideias apresentadas no enquadramento teórico e reforçam alguns resultados obtidos no âmbito desta investigação; - A maioria dos professores entrevistados defende que as imagens permitem o desenvolvimento de competências de interpretação de dados, de aplicação de conhecimentos a novas situações, de análise e de síntese ou resumo dos conteúdos leccionados (7 respostas num universo de 12 entrevistados), argumentando, contudo, que, quando utilizadas de forma inadequada e/ou exagerada, podem provocar dispersão, distracção e confusão nos discentes (4 respostas num universo de 12 entrevistados); - O programa curricular, as orientações curriculares e os manuais analisados (sobretudo do 10º ano) não alertam, de forma directa e objectiva, para a importância da selecção, da visita, do registo pictórico e da exploração didáctica de locais inseridos no contexto da região onde decorre o processo de leccionação dos temas da Geologia; - Os dados obtidos nesta investigação parecem evidenciar vantagens inerentes à realização de aulas de campo numa perspectiva interdisciplinar, inseridas no contexto regional/local e cultural dos participantes e auxiliadas por actividades pré-campo e póscampo (desenvolvidas, em conjunto, por alunos e professores); - Os resultados deste trabalho parecem evidenciar um maior interesse e uma maior capacidade de gestão e de organização das tarefas de campo, por parte dos alunos do ensino secundário, facto que poderá estar relacionado com a insuficiência deste tipo de actividade, sobretudo no ensino básico; - Os alunos do ensino secundário (10º e 11º anos), que participaram no preenchimento dos questionários de avaliação das aulas de campo, consideram, de uma forma geral, vantajosa a utilização, a exploração e a construção de modelos pictóricos, durante as três fases da aula de campo; - Na opinião dos participantes, a utilização de fotografias, antes da aula de campo, exige atitudes de empenho e concentração (66,7% dos alunos) e permite uma compreensão mais eficaz dos aspectos a observar no campo (60,4% dos alunos). Quando explorados nas actividades pós-campo, os registos fotográficos promovem o interesse dos alunos para a realização de outras saídas (57,8% dos alunos considera este aspecto “muito importante”), permitindo, também, explorar e interpretar os conteúdos, reflectir e discutir acerca dos objectos e dos processos anteriormente observados (73,3% dos alunos). No decorrer da aula de campo, a realização de fotografias melhora a compreensão dos conteúdos leccionados (na opinião de 70% dos alunos) e serve para recordar mais tarde os momentos de convívio (67,3% dos alunos “concorda muito” com este aspecto); - No que diz respeito às vantagens principais das aulas de campo com registo fotográfico, os alunos “concordam muito” com o facto desta metodologia permitir o reconhecimento do local visitado (67,3% dos inquiridos), aumentar o dinamismo das aulas (61,2% dos inquiridos) e promover a criatividade (59,2% dos inquiridos). Assim, de acordo com os resultados obtidos nesta investigação, as orientações curriculares, o programa curricular, os manuais escolares investigados e os intervenientes principais nos processos de ensino e de aprendizagem (alunos e professores) valorizam a utilização dos modelos pictóricos no ensino dos temas da Geologia, sendo, no entanto, necessário implementar um conjunto de estratégias que permitam uma exploração mais eficaz do potencial intrínseco das imagens, de forma a melhorar os resultados de aprendizagem dos alunos, em particular, nas disciplinas de Ciências Naturais e de Geologia. | Ciências Exactas e Naturais |
21,440 | Caracterização geológica e geotécnica das unidades litológicas da Cidade da Praia (Santiago, Cabo Verde) | Vulcanologia -- Ilha de Santiago,Litologia -- Ilha de Santiago,Geologia -- Ilha de Santiago | Este trabalho produz uma avaliação das características geológicas e geotécnicas de um território da ilha de Santiago, Cabo Verde, incidindo sobre a cidade da Praia e a área envolvente. Os objectivos principais do trabalho são a representação cartográfica das unidades litológicas, com uma proposta de coluna litológica sintética, a correlação com as unidades geológicas definidas por outros autores, bem como a realização de um conjunto de ensaios in situ e análises laboratoriais visando a caracterização dos parâmetros físicos e mecânicos das diferentes unidades litológicas definidas para a área em estudo. É efectuada uma compilação sobre as principais investigações geológicas realizadas em Cabo Verde, desde o séc. XIX até a actualidade, assim como a descrição das características geológicas da ilha de Santiago e dos principais processos de formação e evolução das formas de relevo e dos recursos naturais (hídricos e solos). A pesquisa incluiu uma revisão dos conceitos descritivos de caracterização dos vulcanitos e vulcanoclastitos presentes e compreendeu a redefinição das unidades litológicas da região, a respectiva representação cartográfica na escala 1: 10.000 (com maior detalhe do que a informação pré-existente) e o levantamento de campo dos principais alinhamentos estruturais. São igualmente apresentados os resultados do tratamento das bandas espectrais de imagens de satélite que suportam a definição das unidades litológicas, bem como dos principais alinhamentos tectónicos que afectam as unidades da área de estudo. Para a caracterização das diferentes unidades litológicas com base nas propriedades in situ, recorreu-se a perfis-tipo, estabelecendo uma descrição das características mineralógicas, petrográficas, texturais e estruturais das materiais presentes. Os materiais foram igualmente ensaiados in situ e amostrados para uma caracterização laboratorial. Os resultados dos ensaios geotécnicos, geomecânicos, mineralógicos e de radioactividade natural permitiram refinar a cartografia proposta e estabelecer parâmetros de comportamento para as 30 unidades litológicas consideradas, a partir de intervalos de valores não homogéneos, contudo representativos da variabilidade observada. Com base nestes resultados são apresentados valores indicativos de aptidão dos materiais, nomeadamente para fundações de edifícios, aterros, construção e potencial hidrogeológico. | Ciências Exactas e Naturais |
21,443 | Séries Carbonatadas ricas em matéria orgânica do Jurássico da Bacia Lusitânica (Portugal): Sedimentologia, Geoquímica e interpretação paleoambiental | Matéria orgânica,Sedimentologia,Estratigrafia,Palinofácies,Geoquímica,Interpretação paleoambiental,Membro de Polvoeira da Formação de Água de Madeiros (Sinemuriano Superior),membro Margo-calcários com níveis betuminosos da Formação de Vale das Fontes (Pliensbaquiano),Formação de Cabaços (Oxfordiano),Jurássico,Bacia Lusitânica,Portugal,Organic matter,Sedimentology,Stratigraphy,Palynofacies,Geochemistry,Paleoenvironmental interpretation,Polvoeira Member from the Água de Madeiros Formation (Upper Sinemurian),Marly-Limestones with organic-rich facies member from the Vale das Fontes Formation (Pliensbachian),Cabaços Formation (Oxfordian),Jurassic,Lusitanian Basin,Portugal | As bacias sedimentares on- e offshore pertencentes às margens conjugadas do oceano Norte Atlântico são atualmente foco de intensa investigação, tendo como um dos principais objetivos a avaliação do seu potencial para exploração de petróleo. A Bacia Lusitânica é considerada como um potencial alvo de exploração, devido à excelente exposição e elevada qualidade dos seus afloramentos, ou como um ponto de partida para a compreensão das pouco conhecidas bacias offshore das margens Norte Atlânticas. Uma das principais razões que motiva o continuado investimento no território nacional é o reconhecimento (em afloramento e em sondagens) de vários intervalos ricos em matéria orgânica no registo sedimentar da Bacia Lusitânica, nomeadamente no Sinemuriano (Membro de Polvoeira da Formação de Água de Madeiros), Pliensbaquiano (membro Margo-calcários com níveis betuminosos da Formação de Vale das Fontes) e Oxfordiano (formação de Cabaços). Nesta tese é apresentada a caracterização geológica destes intervalos, singulares pela ocorrência de quantidades significativas de matéria orgânica à escala da bacia, recorrendo a técnicas clássicas da Sedimentologia, Estratigrafia e Paleontologia em conjunção com modernas ferramentas derivadas da Geoquímica, Palinofácies e Biogeoquímica. O objetivo é o de contribuir para a reconstituição das condições sedimentológicas, biológicas e hidroatmosféricas correlativas da sedimentação e para a interpretação de detalhe e discussão dos possíveis eventos, regionais ou globais que, em última análise, condicionaram a produção, deposição e preservação da matéria orgânica nesta área do futuro Oceano Atlântico. A interpretação dos dados obtidos e a sua interseção com a informação preexistente permitiu refinar os quadros estratigráficos e modelos paleoambientais estabelecidos para as referidas séries da Bacia Lusitânica. Estes dados também possibilitaram a construção de um quadro de evolução sequencial de 2ª- e 3ª-ordem para o Sinemuriano Superior– Pliensbaquiano, enquadrado pela evolução lateral, temporal, geoquímica e palinofaciológica dos principais intervalos ricos em matéria orgânica. Observa-se, no intervalo de idade pliensbaquiana, que as principais ocorrências deste tipo de fácies são refletidas na variação temporal do δ13C e no registo lateral e vertical das suas quantidades em lípidos, hidratos de carbono e proteínas. Os trabalhos desenvolvidos no limite Jurássico Médio-Superior (especialmente a Formação de Cabaços) mostram, através das variações laterais e temporais dos teores de Carbono Orgânico Total e do estudo da Palinofácies, a elevada dinâmica biológica associada a variações de alta frequência dos ambientes deposicionais. | Ciências Exactas e Naturais |
21,444 | Magmatitos e metamorfitos de alto grau no contacto entre as zonas de Ossa Morena e Centro Ibérica: significado geodinâmico | Metamorfismo,Magmatismo,Geocronologia,Geodinâmica | Na Zona de Ossa Morena próximo do contacto com a Zona Centro Ibérica na região de Abrantes, afloram três unidades tectonostratigráficas de orientação geral NW-SE, que da base para o topo compreendem a Série Negra, o Complexo Ígneo Ácido e Básico do Sardoal (CIABS) e o Complexo Ígneo Máfico de Mouriscas (CIMM) e que contactam através de carreamentos. A Série Negra é constituída por filitos, quartzo-filitos, micaxistos, xistos quartzo-micáceos, metavulcanitos, metavulcanoclastitos, xistos quartzo-feldpsáticos, chertes e quartzitos negros. Estas litologias são intercaladas por xistos verdes e anfibolitos e intruídas por filões de riodacito. Os anfibolitos são subalcalinos e apresentam afinidades geoquímicas MORB e intra-placa. Terão sido gerados a partir de magmas relativamente oxidados. O CIABS é constituído por xistos quartzo-feldspáticos com uma idade ígnea de 692 + 77/-60 Ma, por ortognaisses finos com uma idade ígnea de 569 ± 3 Ma, ortognaisses grosseiros com uma idade ígnea de 548 ± 4 Ma e migmatitos. Ocorrem intercalações de anfibolitos com idades metamórficas de 539 ± 3 Ma e 529 ± 5 Ma e intrusões de filões de riodacito com idade ígnea de 308 ± 1 Ma. Os protólitos dos ortognaisses são subalcalinos, peraluminosos e não se encontram relacionados entre si por processos de cristalização fraccionada. Têm características isotópicas híbridas. Terão sido gerados em ambiente de margem continental activa, a partir da fusão da crusta continental inferior meta-sedimentar e meta-ígnea e média superior meta-ígnea. As composições dos minerais dos ortognaisses foram reequilibradas, especialmente biotite e moscovite e menos intensamente a plagioclase. Os protólitos dos anfibolitos do CIABS são toleíticos e calco-alcalinos com assinatura geoquímica de MORB N e E e terão sido gerados em ambiente de arco-ilha. No xisto quartzo-feldspático e em dois ortognaisses foram encontradas monazites com idade ca. 540 Ma, interpretada como a idade do evento metamórfico. Esta idade é idêntica à do zircão metamórfico dum anfibolito (539 ± 3 Ma) e anterior à idade de arrefecimento da titanite de outro anfibolito (529 ± 5 Ma) após o pico metamórfico (ca. 539 Ma). Este evento metamórfico de grande amplitude terá conduzido à formação dos migmatitos. O riodacito é subalcalino, pertence à série calco-alcalina e terá sido gerado em ambiente de margem continental activa a partir duma fonte empobrecida e de composição próxima da do manto litosférico Europeu e é uma rocha ígnea. O CIMM é constituído por anfibolitos subalcalinos Neoproterozóicos com protólitos de assinaturas geoquímicas distintas (MORB, intra-placa e margem continental activa) mas idades ígneas idênticas (ca. 544 Ma). Os dados isotópicos indicam protólitos da litosfera subcontinental com variável contaminação crustal. O CIMM contém dois litótipos de idade Ordovícica: o protomilonito trondjemítico intrusivo com idade ígnea de 483,0 ± 1,5 Ma e o anfibolito com almandina com uma idade ígnea de 477 ± 2 Ma. O protólito do protomilonito trondjemítico é peraluminoso e corresponde a uma pulsação magmática distinta da dos protólitos dos ortognaisses do CIABS. Os dados isotópicos indicam uma fonte mista com influência de fonte mantélica empobrecida e contaminação crustal. A geoquímica de elementos maiores e traço sugere génese por fusão parcial de anfibolitos locais. O protomilonito apresenta reequilíbrio das composições químicas das micas. O anfibolito com almandina apresenta localmente texturas metatexíticas discretas com neossoma. O protólito deste anfibolito corresponde a uma pulsação magmática distinta dos protólitos dos anfibolitos Neoproterozóicos e possui assinaturas MORB e intra-placa. Os dados isotópicos indicam que os protólitos terão sido gerados a partir duma fonte MORB e duma fonte mantélica empobrecida com composição próxima da do manto litosférico Europeu. As condições de P-T obtidas para as rochas Neoproterozóicas e Ordovícicas caem no campo da fácies anfibolítica, havendo uma amostra de anfibolito do CIABS com valores próximos da transição para a fácies granulítica. Os valores negativos de εNd(t) das rochas Neoproterozóicas (-8.1 a -2.9) e os valores antigos das idades modelo TDM (1.51 a 1.81 Ga) são característicos de terrenos do tipo cadomiano observados noutras áreas da Cadeia Varisca Europeia. A idade dos zircões herdados (1.6-2.8 Ga) comprova a antiguidade dos tempos de residência crustal dos seus protólitos. Foram estabelecidos vários estádios de evolução tectono-magmática na região desde o Neoproterozóico até ao Paleozóico tardio. O primeiro estádio corresponde à presença dum arco-ilha durante o Criogeniano, o segundo à formação do arco cadomiano durante o Criogeniano/Edicariano, o terceiro a um episódio metamórfico de médio a alto grau que teve lugar no tempo da passagem do Pré-câmbrico-Câmbrico, o quarto a um episódio magmático durante o Ordovícico relacionado com a abertura do Rheic e o último a um evento ígneo durante o Carbónico. A Zona de Cisalhamento Tomar-Badajoz-Córdoba constitui uma sutura cadomiana retomada durante a orogenia varisca. | Ciências Exactas e Naturais |
21,445 | Mineralogia, Geologia, Metalurgia e Arte de Minas no Ensino Industrial na Cidade do Porto (1864-1974) | Ensino Industrial,Mineralogia,Geologia,Arte de Minas | A dissertação aqui apresentada debruça-se sobre a temática do ensino da Mineralogia, da Geologia, da Metalurgia e da Arte de Minas no Instituto Industrial do Porto, desde 1964 até 1974, nas suas várias vertentes: cursos, professores, disciplinas (ensino teórico e prático) e coleções museológicas. Com esta investigação procuramos analisar o desenvolvimento do estudo destas áreas do saber na Escola do Porto e o seu eventual contributo para o progresso científico e tecnológico em domínios aplicados à indústria, incluindo a extrativa e a de transformação de matérias-primas de origem geológica. O ensino industrial em Portugal foi sofrendo diversas alterações estruturais e programáticas, que acompanharam sucessivas políticas decretadas pela tutela, mas também os avanços científicos e tecnológicos que se foram registando nesta área, durante mais de 160 anos. Após um tímido dealbar do desenvolvimento industrial e do ensino prático e aplicado, fomentados pela visão reformista do Marquês de Pombal, figura chave da tutela entre 1750 e 1777, os governantes da primeira metade do séc. XIX não souberam dirigir de forma eficaz o seu esforço, chegando o País a meados de oitocentos sem uma indústria modernizada e a laborar em pleno e sem operários qualificados para tal. Sucessivos períodos de conflito e de forte instabilidade política também a isso ajudaram. Com a criação do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria em 30 de Agosto de 1852, no âmbito da Regeneração, iniciou-se novo período de desenvolvimento significativo da economia nacional, tendo como grande interveniente Fontes Pereira de Melo. Anteriormente, com as reformas que se seguiram ao advento definitivo do Liberalismo, já haviam sido criadas algumas escolas vocacionadas para fornecer uma formação profissionalizante. Foi, porém, em finais de 1852 que ocorreu o verdadeiro arranque do ensino industrial em Portugal. Conhecedores da realidade industrial nacional e, em especial, da cidade do Porto, os dirigentes da Associação Industrial Portuense anteciparam-se ao governo e criaram a sua própria escola industrial, denominada Escola Industrial Portuense, em Novembro de 1852. Contudo, a intervenção estatal não tardou, oficializando o ensino industrial com o Decreto de 30 de Dezembro de 1852, através do qual se criaram o Instituto Industrial de Lisboa e a Escola Industrial do Porto. A primeira reforma globalizante do ensino industrial, em 1864, marcou uma viragem importante neste nível de instrução. A escola do Porto passou a denominar-se de Instituto Industrial, tal como a de Lisboa, sendo introduzidas novas áreas do saber nos currículos (disciplinas de Mineralogia, de Geologia, de Metalurgia e de Arte de Minas), novos cursos (Condutores de Minas, professado em três anos, 1ª classe, e quatro anos, 2ª classe) e estabelecimentos auxiliares de ensino (laboratórios e gabinetes). A formação dos alunos passou a ser composta por uma vertente teórica complementada por uma outra com caráter prático e experimental. No período estudado, foram vários os docentes responsáveis por estas disciplinas. Distinguimos António Ferreira Girão, Manuel Rodrigues Miranda Júnior, José Diogo Arroyo, Roberto Bellarmino do Rosário Frias, Celestino Maia ou Artur Mendes da Costa, como alguns dos mais importantes dinamizadores destas áreas na Escola, durante o período em estudo. As cadeiras sofreram várias reformas e alterações consoante o desenvolvimento tomado pelo ensino industrial e as próprias necessidades da indústria contemporânea. Obviamente que estes fatores influenciaram os conteúdos programáticos das mesmas, alterando, igualmente, a sua denominação ao longo dos tempos. Inicialmente a cadeira da área apenas contemplava a Arte de minas, a Docimasia e a Metalurgia. Com a reforma de 1886 introduziram-se conteúdos de Mineralogia e Geologia nos planos de curso, mantendo um trajeto separado até 1974. Os manuais recomendados também foram fonte de referência para entendermos as teorias adotadas e a influência exercida pela escola francesa e suas traduções. A prática estava associada aos gabinetes e laboratórios onde eram realizadas experiências e outros trabalhos, não esquecendo as visitas de estudo efetuadas com objetivo dos alunos tomarem conhecimento da realidade industrial da época. O primeiro estabelecimento auxiliar de ensino a ser criado para estas áreas foi o Gabinete de Mineralogia, seguindo-se o Gabinete de Arte de Minas, o Laboratório Metalúrgico e o Gabinete de História Natural. Para uma aprendizagem mais eficaz, o ensino prático era ministrado com base em espécimes, modelos, instrumentos, quadros parietais e mapas, adquiridos maioritariamente no estrangeiro, em casas comerciais especializadas de renome internacional como Les Fils de Émile Deyrolle (Paris), F. Krantz (Bona), Theodor Gerdorf (Freiberg) ou J. Digeon (Paris), permitindo traçar a história da aprendizagem e da didática das Ciências Geológicas e das Engenharias de Minas e Metalúrgica associadas à história do ensino industrial em Portugal. Em suma, a presença deste tipo de coleções denota um conhecimento científico elevado e uma partilha de ideias e técnicas, o que permitiu a um País como Portugal desenvolver o ensino industrial tendo como referência os países tecnicamente mais desenvolvidos como Inglaterra, França ou Alemanha. A criação do ensino industrial em Portugal constituiu, assim, um importante passo no desenvolvimento do País, numa época em que a indústria e as vias de comunicação estavam em pleno crescimento e, com uma maior facilidade de deslocação, a partilha de conhecimentos se tornava inevitável. Desde modo, e já com mais de 160 anos de história, o Instituto Superior de Engenharia do Porto e os seus diversos acervos (museológico, documental e bibliográfico) são uma referência incontornável para a compreensão da evolução do ensino na cidade do Porto e em Portugal. | Ciências Exactas e Naturais |
21,446 | O contexto geológico de Coimbra-Lousã. Atividades práticas para o ensino da Geologia | Aprendizagem,Atividades práticas,Aulas de campo,Estratégias e recursos,Estudos de avaliação | Em Geologia, a aprendizagem depende da capacidade do aluno em compreender o mundo que o rodeia. A aprendizagem será tanto mais significativa, quanto mais próximo for o objeto de estudo da realidade do aluno. Por esta razão, a planificação, construção, validação, implementação e avaliação de atividades práticas, desenvolvidas a partir da geodiversidade portuguesa, com base na literatura científica e em trabalhos de campo, contribui para o desenvolvimento de competências (conhecimentos, capacidades e atitudes) relevantes na formação do aluno como cidadão e para a literacia científica. Este estudo teve como objetivo principal avaliar estratégias e recursos para o ensino e a aprendizagem em Geociências, através do planeamento e construção para a realização de atividades práticas, devidamente fundamentados no conhecimento científico e didático e desenvolvidos a partir do contexto geológico da região entre Coimbra-Lousã. A metodologia envolveu: análise documental, trabalho de campo, trabalho laboratorial, simplificação de cartas geológicas, interpretação de representações pictóricas, construção de recursos, validação, reformulação; aplicação em contexto de sala de aula/ambiente exterior e avaliação. Os recursos didáticos foram sujeitos a processos de validação por investigadores externos, especialistas em Geociências e/ou em Educação, por professores e por alunos. Desta forma obtiveram-se soluções inovadoras e viáveis, sustentadas pela prática e pela reflexão. Foram preparadas três atividades práticas, uma para o ensino básico e duas para o ensino secundário. Para o ensino básico foi preparada uma atividade de exterior, do tipo aula de campo, na qual os alunos mostraram grande empenho, dado o seu caráter inovador. O envolvimento na atividade de exterior facilitou a construção de conhecimento, o desenvolvimento de capacidades e a sensibilização para questões ambientais. Para o ensino secundário, foram preparadas duas atividades de diferentes tipologias, com um denominador comum, o estudo de situações-problema concretas, que facilitou as aprendizagens na sala de aula. A recetividade, dos alunos e dos professores às atividades práticas, foi boa e os recursos desenvolvidos foram considerados adequados aos conteúdos a trabalhar e ao nível etário, embora tenham sido apontadas algumas dificuldades relacionadas, principalmente, com a especificidade da linguagem científica e técnica e a compreensão de textos científicos. | Ciências Exactas e Naturais |
21,448 | A Carsificação nas Colinas Dolomíticas a Sul de Coimbra (Portugal centro-ocidental) - Fácies deposicionais e controlos estratigráficos do (paleo)carso no Grupo de Coimbra (Jurássico Inferior) | Evolução do carso e paleocarso,Carbonatos de águas marinhas rasas,Karst and palaeokarst evolution,Shallow-marine carbonates | É proposto um modelo evolutivo geológico/geomorfológico para explicar a distribuição espácio-temporal do paleocarso que afeta a sucessão carbonatada marinha de águas rasas do Jurássico Inferior (Grupo de Coimbra), aflorante na região Coimbra-Penela (Portugal centro-ocidental), numa configuração morfo-estrutural específica (Colinas Dolomíticas). No Grupo Coimbra, apesar do caráter essencialmente dolomítico e da presença de níveis areno-pelito/argilosos e margosos interpostos, identifica-se alguma carsificação, sendo visíveis vários aspetos ligados tanto à micro como a meso-carsificação. Todos os tipos de formas cársicas observadas são preenchidas por uma cobertura siliciclástica pós-jurássica (autóctone e/ou alóctone), o que aponta para uma natureza paleocársica. O principal objetivo deste trabalho é estudar o tipo de interação existente entre as fácies deposicionais, a diagénese precoce, as descontinuidades (sin e pós-deposicionais) e a distribuição espácio-temporal do paleocarso. O conceito de paleocarso não se limita aqui à definição de uma forma, e eventualmente do depósito que a preenche, que resultam de um ou vários processos/mecanismos, mas é interpretado como parte do registo geológico local e regional. As informações de campo recolhidas na observação detalhada de 21 afloramentos (entre várias dezenas de outras observações de campo), assim como o resultado do levantamento geológico-estrutural e geomorfológico, foram cartografadas e registadas em colunas estratigráficas que mostram a sucessão lítica, incluindo dados sedimentológicos, paleontológicos e estruturais. A determinação das fácies baseou-se em observações de campo sobre a textura e as estruturas sedimentares, bem como na análise petrográfica de lâminas delgadas em laboratório. As formas cársicas e paleocársicas (superficiais e subterrâneas) foram classificadas e julgadas com base na atual localização geográfica, morfologia, descontinuidades com que estão associadas, posição estratigráfica e grau de enterramento que permitiu distinguir um carso exposto, nu ou completamente exumado, de um paleocarso coberto ou parcialmente enterrado. Um quadro litostratigráfico formal foi proposto para os ~110 m de espessura local do Grupo de Coimbra, temporalmente atribuído ao Sinemuriano inferior-base do Pliensbaquiano onde se distinguem duas subunidades: a formação de Coimbra, essencialmente dolomítica; e, por cima, a formação de S. Miguel, essencialmente calco-dolomítica e calco-margosa. As 15 fácies identificadas foram agrupados em 4 associações de fácies, geneticamente relacionadas, indicativas de uma sedimentação em distintos ambientes: inter/supramareal, lagunar, complexo de barreira e de mar aberto, num contexto de sistema deposicional que vai desde uma planície de maré até à parte interna, muito pouco profunda e de baixo gradiente, de um sistema de rampa carbonatada. Corpos brechificados estão associados com slump sin-sedimentares (com direção W a NW), mostrando a importante atividade de falhas N-S e NNE-SSW durante o Sinemuriano. Todos estes depósitos se organizam em ciclos principalmente batidecrescentes de escala métrica, em alguns casos truncados por eventos de exposição subaérea. No entanto, não se observam evidências de alterações pedogenéticas, ou o desenvolvimento de horizontes de solos. Estes factos refletem intervalos de exposição subaérea de muito curto prazo (intermitentes/efémeros), num ambiente com caraterísticas paleoclimáticas de tipo semiárido mas com um aumento nas condições de humidade durante a eogénese do Grupo de Coimbra, o que pode ter promovido o desenvolvimento de uma dissolução micro-paleocársica (carso eogenético). Reconheceram-se dois tipos de dolomitização: (1) uma sin-deposicional (ou de diagénese precoce) de “tipo penesalino”, possivelmente resultante de refluxos de salmouras (submareal pouco profundo) e uma precipitação primária relacionada com a evaporação de águas marinhas, sob condições semiáridas, em ambientes inter/supramareal, com a concomitante ação de uma atividade microbiana; (2) dolomitização/desdolomitização heterogénea secundária, comum durante a diagénese, particularmente onde os fluidos seguem descontinuidades como falhas, diaclases, planos de estratificação e, em alguns casos, estruturas paleocársicas pré-existentes. A posição estratigráfica muito específica das formas cársicas reconhecidas é aqui entendida como sendo a direta consequência de uma alta heterogeneidade de fácies/microfácies e contrastes de porosidade (deposicional e suas modificações diagenéticas), com o contributo de uma circulação hidráulica eficaz através do desenvolvimento de uma macro/meso-permeabilidade, controlada pelas descontinuidades sin e pós-deposicionais - planos de estratificação, falhas e diaclases. Estas conexões hidráulicas influenciam e controlam significativamente os processos inicias de formação do carso subterrâneo, bem como o grau de carsificação, durante as fases meso/teleogenéticas do Grupo de Coimbra. Reconhece-se uma carsificação múltipla e complexa (polifásica e poligénica) que inclui 8 fases (á escala local) integradas em 4 períodos à escala regional: Jurássico, pré-Cretácico, pré-Pliocénico e Plio-Quaternário. Cada fase de carsificação compreende um tipo específico de (paleo)carso (eogenético, subjacente, desnudado, a manto-enterrado e exumado). Finalmente, as caraterísticas geológicas, geomorfológicas e hidrogeológicas permitem descrever o aquífero local e definir, em grandes linhas, o seu funcionamento atual. O mapa da vulnerabilidade intrínseca elaborado mostra um aquífero cársico/fissurado e parcialmente entupido (paleocarso) com elevada a muito elevada suscetibilidade à contaminação. | Ciências Exactas e Naturais |
21,449 | Hidrogeologia, Hidroquímica e análise de risco dos sistemas aquíferos nas envolventes das exsurgências de Montouro e de Olhos de Fervença (Cantanhede) | água subterrânea,groundwater | As exsurgências de Montouro e de Olhos da Fervença estão associadas a formações sedimentares, detríticas e carbonatadas, da Orla Mesocenozóica Ocidental. O trabalho de investigação desenvolveu-se nas zonas envolventes das exsurgências, nomeadamente na microbacia hidrográfica de Montouro e na bacia hidrográfica de Fervença. Com o intuito de melhor conhecer a hidrogeologia e idroquímica destas áreas realizaram-se trabalhos multidisciplinares, que possibilitaram reunir informação para quantificar a vulnerabilidade intrínseca e, posteriormente, estimar o risco. Em ambos os locais existe a presença de uma forte cobertura sedimentar que impossibilita a observação de estruturas geológicas, tendo sido realizadas campanhas de prospeção eletromagnética, nos domínios tempo e frequência, que possibilitaram identificar alinhamentos estruturais hidraulicamente condutivos associados às exsurgências. As campanhas de campo incluíram, igualmente, a inventariação de pontos de água, a medição piezométrica e a amostragem de águas, com medição in situ de parâmetros físico-químicos e com realização de análises químicas e isotópicas. Esta informação permitiu a elaboração de mapas piezométricos, com identificação dos principais fluxos de água subterrânea e das principais zonas de recarga. Simultaneamente, construíram-se mapas hidroquímicos e a interpretação dos resultados possibilitou estabelecer os processos hidrogeoquímicos atuantes nas águas ao longo do seu percurso. A conjugação destes dados conduziu à criação de uma proposta de modelo hidrogeológico conceptual para os locais de estudo. A nascente de Montouro surge em formações sedimentares porosas, no entanto, o aquífero associado estará em domínios profundos onde, para além deste tipo de formações, ocorrem rochas sedimentares carbonatadas e evaporíticas, responsáveis pela fácies hidrogeoquímica cloretada sódico-magnésico-cálcica da sua água. A exsurgência de Olhos da Fervença constitui um ponto de descarga natural do Sistema Cársico da bairrada e a água apresenta fácies bicarbonatada cálcica. A vulnerabilidade intrínseca foi avaliada através dos métodos DRASTIC e COP. Foi estabelecido um método modificado designado DRASTIC-SA, que considera o parâmetro análise estrutural (SA). Os índices apresentam valores mais elevados de vulnerabilidade intrínseca nas zonas de afloramento das formações quaternárias e/ou das formações carsificadas, correspondendo aos locais de recarga das unidades aquíferas. O índice de perigosidade foi obtido através da metodologia RNLUN, assinalando as zonas de maior perigosidade. Os resultados do índice de vulnerabilidade intrínseca e do índice de perigosidade viabilizaram a elaboração dos mapas de risco para as bacias hidrográficas em estudo. As zonas de risco moderado a baixo estão, geralmente, associadas à ocupação florestal, e as zonas de risco mais elevado estão relacionadas com zonas urbanas, de atividade industrial ou agrícola. | Ciências Exactas e Naturais |
21,450 | Paleomagnetismo e Tectónica de Placas - Desenvolvimento e Avaliação de Modelos para o Ensino | Tectónica de Placas,Paleomagnetismo,Ensino da Geologia,Manuais escolares | O presente trabalho tem como ponto de partida a importância do Paleomagnetismo no ensino e aprendizagem da Tectónica de Placas no ensino secundário. Teve, como plataforma de base, um estudo qualitativo em manuais escolares de Biologia e Geologia do 10.ºano de escolaridade e de Geologia do 12.º ano, leia-se, o universo dos manuais disponíveis no mercado livreiro nacional, o qual revelou, como resultado imediato e considerando as orientações curriculares, a ausência de informação sobre a História da Ciência, a exiguidade de atividades práticas (de campo e laboratoriais) e de conteúdos de enriquecimento. Mediante os resultados obtidos e com o objetivo de colmatar as lacunas identificadas, foram desenvolvidos recursos pedagógicos de maneira a dar cumprimento ao programa curricular de Geologia do 12.º ano, no que diz respeito ao conteúdo “Os primeiros passos de uma nova teoria. A Teoria da Tectónica de Placas”, integrante do “Tema I - Da Teoria da Deriva dos Continentes à Teoria da Tectónica de Placas”. Posteriormente, os recursos elaborados foram validados e avaliados por quinze docentes com experiência na lecionação do referido programa. Para o efeito, recorreu-se a uma metodologia de obtenção de dados diferenciados, para a qual se construíram e aplicaram um questionário individual e uma entrevista semiestruturada. Com base nos dados recolhidos na amostragem pudemos registar, como principais, as seguintes conclusões: - Todos os recursos pedagógicos avaliados e validados se podem considerar relevantes, exequíveis e úteis, podendo-se constituir como um complemento aos manuais escolares disponíveis no mercado. - O Paleomagnetismo é uma temática que todos os docentes inquiridos consideram ser pouco aprofundada nos currículos das disciplinas do ensino secundário em geral e, particularmente, em Geologia do 12.º ano. - A avaliação que os professores participantes neste estudo fazem acerca dos manuais de Geologia do 12.º ano, nomeadamente acerca dos últimos com os quais trabalharam, está de acordo com os resultados por nós obtidos na análise qualitativa e põe em evidência lacunas relativamente à ausência de conteúdos sobre a História da Ciência, lacunas de atividades práticas e, ainda, lacunas de conteúdos de enriquecimento. - Relativamente aos conteúdos sobre História da Ciência, essas omissões revelam uma falta de articulação com as orientações curriculares para a disciplina de Geologia do 12.º ano, que privilegiam este tipo de conteúdos. - Todos os entrevistados reconhecem a importância da utilização de atividades práticas na lecionação de conteúdos no âmbito do ensino da Geologia, em geral, e do Paleomagnetismo, em particular, bem como a existência de uma relação entre a sua utilização e a aprendizagem efetiva dos conceitos. A intenção última deste trabalho vincula a ideia do contributo para o estudo do Paleomagnetismo no âmbito da lecionação da Tectónica de Placas, no ensino secundário. Não é uma proposta fechada; entendê-lo dessa forma seria negar tudo o que a pedagogia e a didática acrescentarão no futuro a esta temática. Pretende, antes, constituir-se como uma oportunidade motivacional que cative os alunos e possibilite aos professores meios que rentabilizem o seu tempo letivo. | Ciências Exactas e Naturais |
21,451 | Estudo sobre as reações pozolânicas de argilas calcinadas: contributo para o desenvolvimento de geomateriais | Argila calcinada,Pozolana | A utilização de adições pozolânicas na composição do cimento portland ou na sua substituição parcial no fabrico do betão encontra-se bastante generalizada e são conhecidos os efeitos benéficos de tais adições na resistência mecânica e durabilidade. No entanto, a utilização de metacaulino como adição pozolânica não é ainda muito utilizada, eventualmente pelo seu recente desenvolvimento e pela dificuldade em definir as características adequadas ao desempenho necessário. Com este trabalho pretende-se investigar a relação entre matérias-primas argilosas de diferentes origens geográficas (Cervães, Coja e Catraia dos Poços) com a qualidade do produto resultante e a influência deste na resistência do betão contribuindo deste modo para o conhecimento sobre o potencial de utilização deste tipo de pozolanas. O metacaulino é obtido por calcinação de argilas onde a caulinite seja um dos minerais predominantes, em condições de temperatura e tempo de exposição adequados à natureza da matéria-prima. Na prática obtém-se um novo produto onde a cristalinidade da caulinite é destruída pela perda da água constituinte, o que lhe permite adquirir propriedades pozolânicas que ao reagir com o hidróxido de cálcio resultante da hidratação do cimento, formam compostos com propriedades aglomerantes, estáveis e insolúveis, de matriz porosa fina que aumentam a resistência mecânica e dificultam a penetração dos agentes agressivos. Ao hidróxido de cálcio é atribuída grande parte da responsabilidade, embora que indireta, pela degradação do betão. Estes fenómenos são tanto mais rápidos quanto maior for a porosidade do betão, podendo a pozolana possuidora de uma elevada finura, contribuir para a diminuição da rede porosa, aumentado a resistência à carbonatação e à penetração de outros agentes agressivos. As argilas utilizadas nesta investigação foram selecionadas a partir dos materiais existentes com separação por via húmida das granulometrias inferiores a 74 μm e a 63 μm, procurando simular um processo industrial simples que utilize o máximo de recurso mineral disponível. Determinaram-se as propriedades físicas e químicas das matérias-primas e das argilas calcinadas produzidas em consonância com as principais características preconizadas pelas normas ASTM C-618 e NF P 18-513 e compararam-se os resultados obtidos com os limites de aceitação das referidas normas, dos quais se destacam a finura (percentagem de partículas superiores a 63 µm e 45 µm), teor em SiO2 e Al2O3, índice de atividade, fixação do hidróxido de cálcio e resistência à compressão. Depois de calcinadas, as argilas foram utilizadas na substituição parcial do cimento portland no fabrico de provetes de betão para determinação da sua influência e verificação da evolução da resistência mecânica do betão entre 3 e 180 dias. Concluiu-se que, embora alguns dos resultados da avaliação da qualidade do produto não cumpram com os requisitos da norma NF P 18-513 e as matérias-primas utilizadas fossem constituídas por diversos minerais argilosos com diferente composição química, granulometria e temperatura necessária para a calcinação, é possível produzir um material pozolânico com qualidade que permite a respetiva utilização na substituição parcial do cimento portland no fabrico de betão, mantendo ou melhorando a sua resistência mecânica. | Ciências Exactas e Naturais |
21,462 | Trabalho de campo em sistemas cársicos : uma investigação com alunos do ensino básico no âmbito das ciências naturais | Geologia -- Ensino | Existe actualmente um amplo consenso entre os professores dos diversos níveis educativos e investigadores, acerca da importância que têm as actividades de campo para a aprendizagem das Ciências Naturais. Todavia, este consenso nem sempre se traduz na prática, na realização de saídas de campo e, quando estas ocorrem, assumem por vezes, um carácter tradicional do tipo “excursionista”. A presente investigação refere-se à concepção, implementação e avaliação de uma intervenção educativa, no âmbito da disciplina de Ciências Naturais, centrada em Trabalho de Campo, numa perspectiva inovadora, envolvendo uma turma de alunos do 7º ano de escolaridade (12 a 14 anos), de uma escola do Ensino Básico do distrito de Aveiro. A intervenção realizou-se na sala de aula / laboratório e campo, durante o 3º período lectivo, ao longo de 6 sessões, em torno da temática curricular “Dinâmica Externa da Terra” - “Paisagens Geológicas”-, em particular, dos processos e agentes envolvidos na modelação dos sistemas cársicos, cujas expressões na paisagem os alunos tiveram oportunidade de observar e reconhecer, através da realização de Trabalho de Campo, em pequenos grupos, centrado nas Serras Calcárias de Condeixa-Sicó- -Alvaiázere. Do ponto de vista da metodologia, o estudo delineado, tem uma natureza essencialmente qualitativa, do tipo estudo de caso, em que a recolha de dados foi realizada através da observação directa, diário do professor, questionário de diagnóstico, análise ao conteúdo das fichas de trabalho realizadas pelos alunos e questionário de avaliação da intervenção. Para além da utilização de métodos de natureza qualitativa, foram integrados outros, de natureza quantitativa, sob a “forma de estatística descritiva”. Os resultados do estudo mostram que o Trabalho de Campo desenvolvido numa perspectiva activa e inovadora, articulando actividades realizadas na sala de aula / laboratório e campo, parece contribuir para uma adequada integração de conceitos e ideias promotoras de aprendizagem. A mesma ideia é corroborada pelos alunos que reconhecem no Trabalho de Campo uma alternativa às estratégias de ensino tradicionais, mais teóricas e “livrescas”. O trabalho cooperativo foi também valorizado pelos alunos, designadamente no seu contributo para a aprendizagem e partilha de ideias, bem como na entreajuda dos pares. | Ciências Exactas e Naturais |
21,463 | Práticas lectivas para os temas de sismologia e heterotrofia : um estudo de avaliação com alunos do 10º ano de escolaridade | Geologia -- Ensino -- Sismologia,Biologia -- Ensino -- Heterotrofia | O objectivo geral deste estudo consistiu na identificação de possíveis causas que estão na base da baixa taxa de sucesso, na disciplina de Biologia e Geologia do 10º ano, em temas já leccionados ao longo do 3º CEB, nomeadamente Sismologia e Heterotrofia, bem como na proposta de estratégias de superação desse insucesso. Para dar resposta ao problema de investigação foram formuladas, entre outras, as seguintes questões parcelares: A linguagem utilizada nos instrumentos de avaliação será um entrave ao sucesso educativo? A construção dos testes de avaliação na disciplina de Biologia e Geologia será muito distinta da utilizada na disciplina de Ciências Naturais? A metodologia utilizada pelo professor influenciará o desenvolvimento de competências por parte dos alunos? Participaram neste estudo 13 alunos de uma turma do 10º ano do 1º Curso Científico-Humanísticos de uma escola do distrito de Leiria. Para a consecução deste trabalho foi efectuado um enquadramento teórico prévio, que incidiu sobre perspectivas de ensino e metodologia de investigação-acção. Foram construídos e aplicados instrumentos. Os resultados permitiram concluir que: a baixa taxa de sucesso dos participantes poderá dever-se a um não domínio de competências requeridas para quem frequenta o Ensino Secundário, resultante de um Ensino Básico pouco centrado no aluno e nos seus interesses, bem como na quase ausência de actividades práticas em que o aluno deveria ter um papel mais activo; o quadro é um recurso muito válido e os alunos gostam de intervir na construção de resumos e esquemas da matéria; o professor tem um papel muito importante no sucesso dos seus alunos, já que as estratégias por ele utilizadas influenciam as suas aprendizagens; as dificuldades sentidas pelos alunos, na construção de respostas às questões abertas, estão relacionadas com a ausência de familiaridade face a esta tipologia de questão bem como ao grau de exigência na sua estruturação. | Ciências Exactas e Naturais |
21,464 | A morte: percepção das estratégias de coping familiares e da qualidade de vida familiar em sujeitos que experienciaram a perda de uma pessoa significativa no último ano | Morte,Estratégias de coping familiares,Qualidade de vida familiar,Stress familiar | Este estudo pretendeu verificar se a percepção das estratégias de coping familiares e da qualidade de vida familiar era diferente em função da morte de uma pessoa significativa (parente, amigo, colega ou namorado). Para isso analisaram-se as diferenças entre os resultados de 158 sujeitos que referiram não ter sofrido uma perda e 78 sujeitos que afirmaram ter perdido uma pessoa significativa no último ano, nas Escalas de Avaliação Pessoal Orientadas para a Crise em Família (F-COPES; McCubbin, Olson, & Larsen, 1981) e no Qualidade de Vida (QOL; Olson & Barnes, 1982). Os resultados demonstram que não existem diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos de sujeitos no que concerne ao valor total de coping e à percepção da qualidade de vida familiar. Relativamente aos factores dos instrumentos, apenas está presente uma diferença estatisticamente significativa do factor filhos, correspondente à versão parental do QOL, com os sujeitos que perderam alguém significativo a relatarem uma maior qualidade de vida relativamente a este aspecto. No que respeita às diferenças entre sujeitos enlutados, na sua maioria, as variáveis sócio-económicas, a existência de doenças crónicas, acidentes e divórcios, a relação com o falecido e o grau de parentesco não tiveram influência nos resultados. Por fim, pôde-se constatar que o nível de stress percepcionado pela família é superior quanto menos estratégias de coping a família utilizar e que factores de stress concomitantes levam a que a percepção da qualidade de vida familiar seja inferior. | Ciências Sociais |
21,465 | Contribuição para o estudo da matéria orgânica do sinemuriano superior de S. Pedro de Moel e de Peniche (Portugal) | Sedimentação -- Matéria orgânica -- Sinemuriano,Estratigrafia | O Jurássico inferior da Bacia Lusitânica (Portugal) é composto maioritariamente por uma sedimentação hemipelágica rica em matéria orgânica (MO). O presente trabalho está centrado num conjunto de horizontes do Sinemuriano superior em S. Pedro de Moel e em Peniche, que abrange as formações de Coimbra (maioritariamente composta por calcários) e dos membros de Polvoeira e da Praia da Pedra Lisa da Formação de Água de Madeiros (margas, calcários margosos e black shales). Faz-se neste trabalho uma análise da MO que está contida nas referidas duas unidades, sustentada por uma estratigrafia de alta resolução. Os dados referem-se a um estudo que é suportado pela petrografia orgânica [Palinofácies, Índice de Coloração de Esporos (ICE) e poder reflector da vitrinite (Ro%)] e pela geoquímica orgânica [carbono orgânico total (COT) e componentes moleculares] de 31 amostras margo-calcárias. A análise óptica permite comprovar que os componentes orgânicos particulados são geralmente representados pela matéria orgânica amorfa. Os fitoclastos, geralmente degradados e oxidados, são pontualmente abundantes em alguns níveis estratigráficos da Formação de Coimbra e do Membro de Polvoeira em Peniche. Os palinomorfos mostram uma associação maioritariamente composta por grãos de pólen de Classopollis, zigósporos, acritarcas e prasinófitas. A análise de geoquímica orgânica mostrou que a maioria das amostras é rica em MO, destacando-se alguns horizontes estratigráficos da Formação de Coimbra, com 8,8% de COT e 2,6% de enxofre. Os componentes moleculares indicam uma MO derivada de fitoplâncton e de vegetais superiores com uma abundância relativa dos esteranos regulares em C27 e C29. As condições de preservação da MO com base na razão dos componentes moleculares Pr/Fi e H35/H34 sugerem condições disóxicas-anóxicas em alguns horizontes estratigráficos. Apesar da natureza orgânica das duas unidades estudadas, os parâmetros ópticos (ICE e Ro%) comprovam que a MO analisada encontra-se termicamente imatura para gerar hidrocarbonetos. | Ciências Exactas e Naturais |
21,466 | Avaliação dos níveis de poluição por partículas na cidade de Benguela, Angola : um estudo de magnetismo ambiental | Poluição atmosférica -- Benguela | A cidade de Benguela, centro de cultura e concentração de recursos económicos, demográficos, tecnocientíficos, entre outros, é também centro de grandes frustrações e tenções humanas, consequência do processo histórico-geográfico da assimilação dos seus diferentes espaços. Neste sentido, é importante desenvolver investigações sobre as relações, por vezes complexas, entre o homem e o ambiente urbano ou outras zonas que o rodeiam, em especial, aqueles bairros com condições críticas de saúde, alimentação, energia, contaminação. Estas investigações podem constituir um ponto de partida para procurar soluções viáveis por parte dos governos locais. O presente trabalho é fruto de uma pesquisa científica sobre avaliação dos níveis de poluiçãona cidade de Benguela, com fins de prevenir as consequências ou efeitos sobre o meio, e que hoje se percebe como factor de risco para o futuro da humanidade, isto é, mediante um estudo exploratório com vista a uma contribuição com teóricos e práticos acerca das políticas de gestão e protecção do meio de acordo a realidade da província e do país. Na elaboração deste trabalho, foi definido como objectivo principal caracterizar os níveis de poluição por partículas na cidade de Benguela e como objectivos específicos: 1) caracterizar as partículas de poeiras através das suas propriedades magnéticas (susceptibilidade magnética; magnetização remanescente isotérmica, MRI, e parâmetros S) na cidade de Benguela, a partir da selecção de locais representativos; 2) avaliar e comparar os níveis de poluição por partículas em relação as épocas seca e chuvosa; 3) diagnosticar os níveis de poluição por partículas e relacioná-los, se possível, com a qualidade de vida e saúde das populações. | Ciências Exactas e Naturais |
21,468 | Inventariação, valorização e divulgação de sítios com interesse geológico no concelho de Miranda do Corvo | Geologia -- Coimbra -- Portugal,Património geológico -- Miranda do Corvo | Este trabalho incidiu em temáticas relacionadas com património geológico, que têm vindo a ter importância crescente no meio académico e na sociedade. Já não é com o espanto de outros tempos, que o cidadão comum ouve falar de assuntos relacionados com a geodiversidade e a sua protecção. Visou-se o estudo e a proposta de estratégias de uso, divulgação e protecção de características geológicas no concelho de Miranda do Corvo. Miranda do Corvo é um concelho com 127 km2 de área, possuindo considerável geodiversidade, com potencial de uso educativo e turístico. Procedeu-se à inventariação e quantificação dos locais com potencialidade de uso e apresentam-se algumas propostas de divulgação do interesse geológico. As fichas de inventário elaboradas avaliam a vulnerabilidade dos locais e propõem algumas medidas de geoconservação. As propostas de uso educativo centraram-se no 12º ano de escolaridade, onde os conteúdos programáticos incluem o estudo da história geológica de uma região. Os materiais propostos são para a realização de uma actividade de Trabalho de Campo, podendo ser simplificados para utilização noutros anos de escolaridade. Os materiais para divulgação da geologia local (painéis) foram associados a outros aspectos de actividades turísticas ou de lazer, inserindo nestas, uma componente interpretativa da geologia local. Pela potencialidade de uso a curto prazo e espectável frequência de utilizadores, salientam-se os materiais de geologia elaborados para o Parque Biológico da Serra da Lousã. As fichas de inventário de sítios de interesse geológico, onde constam sugestões de medidas de protecção e valorização, bem como os projectos de painéis propostos para o concelho, serão entregues à autarquia. Os painéis propostos para colocação no Parque Biológico e alguns materiais de uso educativo, serão cedidos à direcção do parque para dinamização de actividades no âmbito da geologia. Os materiais de uso educativo foram divulgados junto dos professores da Escola José Falcão de Miranda do Corvo, estando disponíveis para utilização por parte destes. | Ciências Exactas e Naturais |
21,476 | As Termas de Sangemil: Um Estudo Hidrogeológico | Hidrogeologia,Termas de Sangemil,Cartografia hidrogeológica,Hidrogeoquímica elementar e isotópica,Geotermometria,Modelo conceptual do circuito hidrotermal,Hydrogeology,Sangemil thermal waters,Hydrogeological mapping,Elemental and isotope hydrochemistry,Geothermometry,Hydrothermal conceptual model | Constitui o fulcro deste trabalho o estudo da emergência termal de Sangemil (Beira Alta, Portugal Central). São quatro os vectores principais deste estudo: compreensão do mecanismo de exurgência, da composição química, da termalidade e origem destas águas. O estudo levado a efeito é apresentado ao longo de catorze capítulos, cuja ordenação revelará de certo modo, a metodologia seguida: Um capítulo introdutório, em que se procura fornecer o enquadramento geológico-estrutural das águas termais do país com particular realce para as da região das Beiras. No capítulo 2 faz-se um breve esboço histórico das Termas de Sangemil. Após análise das condições geomorfológicas e climatológicas (capítulos 3 e 4), são expostas as características geológicas e estruturais da área em estudo, que permitiram eleger o modelo geológico-estrutural de controlo na emergência (cap. 5). A abordagem das condições hidrogeológicas (capítulo 6) é feita de maneira qualitativa, por absoluta ausência de dados sobre as características hidráulicas dos aquíferos. No capítulo 7, faz-se o estudo comparativo da água termal versus águas frias locais e apresentam-se os mecanismos hidrogeoquímicos que conduziram às respectivas tipologias químicas. A aplicação da análise factorial como técnica estatística multivariada, possibilitou confirmar algumas conjecturas esboçadas pela apreciação dos dados físico-químicos. Recorremos a todos os geotermómetros químicos de que temos conhecimento, para inferir a temperatura de base da água termal. A utilização dos denominados geotermómetros termodinâmicos, constitui mais uma análise complementar no capítulo sobre geotermometria (capítulo 8). O estudo isotópico (isótopos estáveis e radioactivos) e a termalidade, são os temas desenvolvidos nos capítulos 9 e 10, respectivamente, precedendo o corolário natural de qualquer investigação neste domínio, isto é, a elaboração de um modelo conceptual para o sistema hidrotermal (capítulo 11). Damos ainda conta do actual uso da água termal; focamos as suas potencialidades como recurso energético de baixa entalpia (capítulo 12) e analisamos as vulnerabilidade à poluição no capítulo 13. As principais conclusões deste trabalho expressam-se no capítulo 14. | Ciências Exactas e Naturais |
21,478 | Riscos naturais no ordenamento do território : aplicação ao município de Câmara de Lobos : construção de um sistema de gestão ambiental em ambiente S.I.G. | Riscos naturais,Ordenamento do território,Ilha da Madeira -- Câmara de Lobos,Sistema de gestão ambiental | O presente estudo aborda a área temática dos riscos naturais, numa perspectiva concelhia, nomeadamente com a avaliação da susceptibilidade natural e da vulnerabilidade, na qual será identificado os elementos estruturais e sociais com maior grau de exposição. Situado na placa Africana, mais concretamente na região intraplaca, o Arquipélago da Madeira, formado no Miocénico, é de origem vulcânica e assenta em pleno domínio oceânico. A área em estudo, o concelho de Câmara de Lobos, situa-se na zona centro-ocidental da ilha da Madeira, a Oeste do Funchal. É um dos mais importantes da região, com uma área de 52,6 km2 e uma densidade populacional de 668,9 hab/km2. Desde a colonização da ilha, no início do século XV, que estão relatados inúmeros acontecimentos catastróficos naturais e em particular na área geográfica em estudo, causando inúmeras vítimas e avultados prejuízos materiais. Neste âmbito e de modo a proceder uma avaliação da susceptibilidade natural concelhia, foi efectuado um levantamento histórico dos fenómenos que causaram danos materiais e humanos, utilizando inúmeras referências bibliográficas, e precedido de uma análise as características do meio físico envolvente. Posteriormente e em conjugação com o anteriormente descrito, foi efectivada uma análise à vulnerabilidade social e infra-estrutural, por freguesia, aos riscos naturais. Numa primeira fase, foram seleccionados grupos sociais que, devido a inúmeros factores, são os mais indicativos das características da população que poderá ser afectada. Das variáveis seleccionadas, foi produzida uma estimativa da vulnerabilidade social. Na avaliação da vulnerabilidade infra-estrutural, foi utilizada a mesma metodologia para o parque habitacional concelhio, com a selecção de critérios estruturais, de forma a estimar a vulnerabilidade da habitação e consequentemente, a imposição de um risco acrescido dos seus habitantes; auxiliará também na validação do edificado como um elemento vulnerável, quando exposto a uma adversidade. A sobreposição das variáveis supramencionadas, determinou uma delimitação geográfica das áreas mais susceptíveis, tendo sido complementada com um levantamento dos elementos mais expostos aos eventos destrutivos naturais. Conclusivamente, a avaliação de risco efectuada permitiu a introdução de uma nova estratégia de pré-actuação aos fenómenos de elevada perigosidade, capaz de atenuar perdas e danos socioeconómicos, a nível concelhio. Este exercício terá como objectivo primordial o auxílio e optimização das políticas de gestão do território, no âmbito dos planos municipais de emergência e de ordenamento do território. | Ciências Exactas e Naturais |
21,480 | Estudo de maciços terrosos de fundação de barragens | Barragens,Maciços terrosos | No presente trabalho procura-se abordar o estudo de maciços terrosos de fundações de barragens. Com este objetivo, e feita uma breve introdução na qual se procura dar o enquadramento em que se insere o trabalho. No ponto 2 são abordados, de um modo que se procura ser sistemático, os problemas geológicos e geotécnicos associados a este tipo de fundações, utilizando-se frequentemente exemplos de situações reais. Os métodos de estudo suscetíveis de serem empregues e a metodologia que deve presidir na sua escolha e aplicação, são tratados no ponto 3. Neste ponto procura-se igualmente dar enfase às situações para que melhor se adaptam os diferentes métodos de estudo, e as informações que permitem obter. No ponto 4 faz-se referência a algumas situações concretas de fundações de barragens em maciços terrosos, recentemente estudadas em Portugal. | Ciências Exactas e Naturais |
22,657 | Ecoimmunology perspective of host-parasite interactions in Limosa limosa across its migratory flyway | Ecoimmunology,long-distance migration,waders,pathogen pressure,innate immunity,adaptive immunity,molecular evolution,Ecoimunologia,migradores de longa distância,limícolas,pressão parasítica,imunidade inata,imunidade adaptativa,evolução molecular | Para aves migradoras de longa distância, as mudanças ecológicas ao longo da migração, aliadas ao esforço físico, podem desequilibrar os investimentos em imunidade, levando a uma maior a vulnerabilidade à doença e reduzindo a capacidade de sobrevivência. Apesar de a imunidade ser um componente fisiológico de auto-preservação, esta implica custos bem como benefícios. Num contexto ecológico (ex. energia limitada), são gerados trade-offs entre a imunidade e outros componentes fisiológicos, dando origem a variações da resposta imune ao longo do tempo (ciclo anual) e do espaço (diferentes habitats). Para além disso, as respostas imunitárias também variam entre espécies e são optimizadas em função de situações específicas da vida de um indivíduo para maximizar a sobrevivência e o fitness. Muitos estudos em ecoimunologia focam-se na compreensão dos padrões globais de respostas imunes em aves selvagens e nos mecanismos que alteram a susceptibilidade à doença, o que consequentemente poderá afectar a sobrevivência e a dinâmica populacional. Infelizmente a informação relativa a estes trade-offs imunológicos permanece maioritariamente desconhecida, tratando-se portanto de conhecimento essencial quando contextualizado com os efeitos das alterações climáticas sobre a ecologia das migrações e distribuição de doenças animais. O trabalho englobado nesta tese procurou responder como é que as diferenças na pressão parasítica ambiental afectam a imunidade inata e adaptativa de aves selvagens. O migrador de longa distância Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa; Maçarico), foi usado como modelo de estudo, uma vez que duas das suas subespécies, nominal (Limosa limosa limosa) e islandesa (L. l. Islandica), variam na estratégia migratória e uso de habitat, que consequentemente difere na pressão parasítica. De seguida, resumo as principais contribuições do meu trabalho para a área da ecoimunologia. No capítulo I, usando uma ave límicola como modelo, testei se a capacidade da resposta imune está de facto correlacionada com o risco de contrair doenças, uma vez que o risco difere com as estratégias de migração e habitat. O trabalho focou parâmetros de imunidade inata e demonstrei que esta não é de natureza estanque, mas que varia ao longo do ciclo anual dos Maçaricos em resposta à estação do ano, disponibilidade de recursos e trade-offs fisiológicos. Os investimentos na imunidade e estratégias aplicadas também variaram em resposta ao risco de infecção. Os trade-offs entre a imunidade e outros componentes fisiológicos, tornaram-se mais evidentes durante períodos energeticamente exigentes, como a reprodução. Por exemplo, neste período a subespécie islandesa suprimiu alguns componentes da imunidade inata, quando ocupava áreas onde o risco de infecção é baixo. Os resultados também indicam que os ajustes e estratégias imunitárias são únicas para cada espécie. Contudo a migração parece afectar as variadas espécies de aves da mesma maneira, dando origem a uma imunosupressão geral da resposta inata e possivelmente a uma maior vulnerabilidade à doença. No capítulo II, o gene MHC-I da subespécie islandesa de Maçarico foi caracterizado com o auxílio da sequenciação de Sanger e Illumina MiSeq. A caracterização focou quase exclusivamente o domínio α2 (exão 3) deste gene, que é conhecido pelo seu polimorfismo e por codificar parte das glicoproteínas que reconhecem agentes patogénicos. Neste trabalho descobri 47 novos alelos do gene MHC-I, todos eles de natureza provavelmente clássica (ou funcional). Os Maçaricos islandeses têm entre um e quatro loci, com pelo menos três a ser expressos. A organização do gene MHC-I é bastante semelhante à do seu parente mais próximo, a Seixoeira (Calidris canutus), mas comparado com outras espécies de Charadriiformes, os alelos tinham um polimorfismo menor e poucos locais sujeitos a selecção positiva. Este padrão parece ser um reflexo de os indivíduos experienciarem a uma menor pressão patogénica ao longo da sua rota de migração. No capítulo III, aprofundámos o papel da pressão patogénica como origem da diversificação dos genes MHC. Com o auxílio da sequenciação Illumina MiSeq, comparámos as duas subespécies de Maçarico relativamente à diversidade e ao polimorfismo do exão 3 do gene MHC-I. Ambas as subespécies sobrepuseram-se no que toca ao número de alelos (e loci) por indivíduo, mas a subespécie nominal, tinha significativamente mais alelos e tendencialmente um maior polimorfismo. Diferentes tamanhos populacionais poderão explicar parcialmente as diferenças encontradas entre subespécies ao nível da diversidade genética, no entanto, o número de locais sujeitos a selecção positiva encontrados para a subespécie nominal, foi duas vezes superior ao encontrado para a subespécie islandesa. As diferenças no que toca à selecção positiva, sugerem que a selecção natural é mais forte para a subespécie nominal e portanto uma adaptação a habitats ricos em parasitas. O capítulo IV centra-se nos sinais sexuais e avalia se eles realmente reflectem a qualidade dos parceiros e a sua capacidade em combater doenças. Para isso testei se o investimento na imunidade inata poderia ser reflectido pelos carácteres sexuais secundários da plumagem dos Maçaricos. Os resultados indicam que algumas características da plumagem dos machos e fêmeas estão ligadas a componentes solúveis de imunidade inata e que os investimentos na plumagem são custosos. Para além disso, o sinal foi honesto para os machos, mas não para as fêmeas, uma diferença que poderá estar relacionada com constrangimentos energéticos específicos para cada sexo, e pelos papéis desempenhados durante a reprodução. Em resumo, os dados indicam que as fêmeas seleccionam não só os machos que são melhores a combinar a muda da plumagem e a migração, mas também os mais competentes no combate às infecções. O Capítulo V aborda uma questão mais prática enfrentada por investigadores que trabalham com aves selvagens e sem acesso fácil ou imediato ao laboratório. Os ensaios imunológicos tornaram-se uma ferramenta generalizada para uma abordagem integrada da imunidade, mas desconhecia-se até à data se os ciclos repetidos de congelamento-descongelamento (CD) pós-amostragem poderiam afectar o resultado final dos ensaios imunológicos. Neste trabalho foi implementada uma abordagem experimental para o tratamento pós amostragem, bem como outras questões metodológicas, e os resultados indicaram que as amostras de plasma (ou soro) permanecem estáveis após ciclos repetidos de CD e que portanto, os componentes imunológicos permanecem inalterados. Mostrámos também que pequenas alterações metodológicas nos protocolos destes ensaios não causaram variações substanciais nos resultados finais. | Ciências Exactas e Naturais |
22,688 | Paleobiologia das populações medievais portuguesas : os casos de Fão e S. João de Almeida | Paleoantropologia,Paleodemografia,Paleopatologia,Cemitérios medievais | Pretende-se reconstruir a vida e a morte do homem medieval português com base no que realmente resta dele: o seu esqueleto. É o esqueleto humano a base de toda a investigação deste trabalho. Há duas perspectivas fundamentais, a do mundo dos mortos e a do mundo dos vivos, sendo o esqueleto a ponte entre os dois mundos. Relativamente ao primeiro, são os dados da antropologia funerária que se tornam especialmente reveladores e é este o tipo principal de análise explorado para a Necrópole medieval de Fão. As condições desta Necrópole, que terá sido utilizada desde o século XI até ao século XIV inclusivé, por uma população dita natural de baixo nível sócio-económico, permitiram sobretudo analisar o mundo dos mortos: a grande fragmentação dos esqueletos limitou seriamente a reconstrução da vida. Assim, do trabalho de escavação, por nós realizado, de grande parte da que constitui, até ao momento, a maior necrópole medieval portuguesa (reune, pelo menos, cerca de 170 sepulturas) retiraram-se dados relativos, principalmente, à organização espacial do cemitério, posição de inumação, frequência de indivíduos por sepultura. Foi ainda assim possível determinar alguns parâmetros paleodemográficos inéditos tais como a esperança média de vida à nascença (27.7 anos) e proceder a uma estimativa do tamanho populacional. A outra população analisada, proveniente da Igreja de S. João de Almedina em Coimbra, datada dos séculos XII-XV, é constituída por cerca de uma centena de esqueletos num estado de preservação relativamente bom. Se para este caso não foi possível falar sobre o mundo dos mortos, já que não acompanhámos o trabalho de escavação, foi possível uma boa reconstrução da vida. Esta vai bem além da mera reconstrução morfológica. É sobretudo através das vertentes demográfica e patológica da análise paleobiológica que se tenta realmente entrar no mundo dos vivos. Assim tornaram-se conhecidas várias facetas do modus vivendi desta população medieval citadina com base em dados que vão desde a estrutura etária (pela primeira vez na Europa, obtém-se uma população medieval com uma proporção significativa de idosos), proporção sexual, patologia oral (reveladora, também, do tipo de dieta), patologia degenerativa articular e não articular ( esta última a tornar-se particularmente informativa relativamente ao tipo de ocupação profissional), patologia infecciosa, patologia traumatica e, finalmente, através da análise dos indicadores de stress, nomeadamente, linhas de Harris, hipoplasias do esmalte e hiperostose porótica. | Ciências Exactas e Naturais |
22,690 | A população inexistente : estrutura demográfica e genética da populacão da Lombada, Bragança | Genética humana,Populações humanas -- Bragança | Utilizando dados de natureza histórica (registos paroquiais de casamentos, baptizados e óbitos), pretendeu-se analisar algumas das variáveis que mais directamente contribuem para a estrutura genética da população estudada. Para o efeito, recorreu-se a diversos métodos de diferentes disciplinas - Demografia, Ecologia e Genética de Populações, de modo a conseguir uma abordagem tão ampla quanto possível e simultaneamente com um grau de pormenorização elevado abarcando assim não só a pluralidade de fenómenos envolvidos, como também registar os acontecimentos básicos em cada lugar que, no seu conjunto, determinam a estrutura genética global da Lombada. Uma das conclusões principais que se podem extrair, relaciona-se com a importância do factor geográfico como determinante do isolamento genético. Mesmo pequenas distâncias constituem uma barreira que força as populações a estabelecerem relações apenas com as que lhes ficam mais perto (contíguas), não constituindo, por outro lado, a fronteira política uma barreira especialmente importante. | Ciências Exactas e Naturais |
22,691 | O poder do espaço : dominação simbólica, território e identidade nas montanhas de Trás-os-Montes | Territorialidade,Comunidades rurais -- Trás-os-Montes,Identidade cultural,Propriedade rural | O significado cultural do território demarcado das aldeias transmontanas constitui a avenida de investigação desta monografia. Diversos cenários simbólicos, rituais e mitopoeicos são relacionados, demonstrando o uso do território, na acção e na conceptualização da identidade. Numa era de extensão das fronteiras da comunidade, com a integração na sociedade nacional e global, os aldeões encontram-se envolvidos numa redefinição da natureza do social e numa redefinição da própria natureza. O argumento avança para a observação da autarquia, dos rituais e da mitiologia aldeãs como realidades historicamente processadas. As tradições folk são menos uma forma vestigial do passado do que expressão da formação de hegemonias sociopolíticas e ideológicas que acompanham a incorporação no estado nacional moderno, no século XIX. A discussão é conduzida, assim, para a distinção entre, por um lado, o poder sobre o espaço e, por outro, o poder do espaço. A distinção entre a espacialidade como fundamento geográfico do exercício do poder e o espaço como arma simbólica. O argumento segue uma orientação diversa da tendência, largamente dominante na tradição antropológica, para abordar o espaço como província de representação e metáfora. A questão é que o território aldeão constitui uma ordem de poder simbólico que opera fora das metáforas dos discursos hegemónicos, alargando a zona imaginária da identidade e identificando a aldeia com o mundo. | Ciências Exactas e Naturais |
22,692 | A aldeia de Outeiro (1700-1900) : uma contribuição à Antropologia Social portuguesa | Etnografia,Estrutura social | O trabalho tem como objectivo o estudo antropológico de uma aldeia rural, com o pseudónimo de Outeiro, situada a 69 Km de Coimbra e pertencente ao Concelho de Tábua, Província da Beira Alta. No início do trabalho de campo (Abril de 1988), possuia 179 habitantes e 49 fogos. Os principais assuntos abordados são: a) Estrutura Social: grupos sociais. b) Economia: emigração, herança. c) Religiosidade: sagrado e profano, a concepção de mundo camponesa de Deus e do Diabo, festas religiosas (N.S. de Fátima) e laica (carnaval), crenças, superstições e bruxaria). d) Ritos de Passagem ou Ritos e Ciclo de Vida: nascimento, baptismo, casamento e morte. e) Cultura material: alfaias agrícolas tradicionais. A monografia baseia-se em trabalho de campo etnográfico, realizado continuamente ao longo de dois anos (Abril de 1988 a Março de 1990). A metodologia utilizada foi a "observação-participante", além de consultas de arquivos oficiais e registos paroquiais, a fim de estabelecer um elo de ligação entre o presente e o passado etnográfico. | Ciências Exactas e Naturais |
22,712 | Actividade eléctrica e secreção pulsátil de insulina em ilhéus de Langerhans de animais normais e diabéticos | Insulina,Ilhéus de Langerhans | A diabetes mellitus tipo 2 (T2DM) caracteriza-se por uma redução da secreção de insulina bem como perturbações do padrão pulsátil da mesma. Na célula _ pancreática, a actividade eléctrica (AE) constitui uma das etapas iniciais do acoplamento estímulo-secreção, promovendo o influxo de Ca2+ necessário à exocitose. Assim, o objectivo principal deste trabalho consistiu em averiguar o papel da AE na redução da secreção de insulina observada num modelo animal de T2DM, os ratos Goto-Kakizaki (GK), bem como na génese da secreção pulsátil de insulina. A AE foi registada em ilhéus isolados por digestão com colagenase, utilizando microeléctrodos intracelulares de elevada resistência. A secreção de insulina foi quantificada utilizando uma técnica de ELISA. Para estabelecer a correlação entre a AE e a secreção de insulina efectuaram-se registos simultâneos destes dois parâmetros. As células _ de murganho estimuladas com glicose ([G]) apresentaram AE oscilatória (bursts). Pelo contrário, os ilhéus de rato não apresentaram bursts de AE. Nestes últimos, ratos Wistar normais (Wr) ou GK, a estimulação com [G] provocou uma despolarização para um patamar não oscilatório. Embora de amplitude semelhante, a despolarização foi significativamente mais lenta nos ilhéus GK e a AE iniciou-se tardiamente, observando-se um desvio da curva dose-resposta para valores superiores da [G] nos ilhéus GK. Detectaram-se dois padrões predominantes de oscilações em ilhéus de murganho: 1) Um padrão regular de bursts sincronizado com pulsos de secreção de insulina (1 a 6min-1); 2) Um padrão intermitente constituído por agrupamentos de bursts (0,3 a 0,5min-1), acompanhados por pulsos de secreção de frequência idêntica. Os ilhéus de rato exibiram oscilações de secreção de insulina com períodos de cerca de 10, 2,5 e Em conclusão, as alterações verificadas na AE induzida por glicose parecem ser responsáveis pela ausência da 1ª fase e redução da 2ª fase da secreção de insulina em ilhéus GK. Finalmente, cada ilhéu possui capacidades de marca-passo, sendo provavelmente responsável pela pulsatilidade da secreção de insulina registada in vivo. | Ciências Exactas e Naturais |
22,723 | Mecanismos de oxidação electroquímica e quantificação de drogas de abuso | Oxidação | O trabalho apresentado nesta dissertação teve como objectivo o estudo do mecanismo de biotransformação oxidativa de drogas de abuso e o desenvolvimento de metodologias electroanalíticas para a sua quantificação em formulações farmacêuticas e amostras apreendidas. As drogas estudadas foram a morfina, a codeína, a di-hidrocodeína, a heroína, a apomorfina e a cocaína. Para esclarecer e comprovar as etapas intermediárias e os produtos resultantes do processo oxidativo foram também sintetizados e estudados diversos metabolitos e análogos de cada uma das drogas referidas. Os estudos realizados permitiram clarificar os mecanismos de oxidação das drogas de abusoassim como propor novas etapas de oxidação e metabolitos paraos processos oxidativos que ocorrem. Os dados obtidos evidenciaram a ocorrência de uma interacção em solução entre a morfina e a cocaína com a formação de um complkexo de inclusão. Foram desenvolvidos dois métodos electroanalíticos baseados na voltametria de onda quadrada e na análise por injecção em fluxo com detecção amperométrica para a quantificação das drogas estudadas em formulações farmacêuticas e em amostras apreendidas. Estas metodologias analíticas mostraram serem boas alternativas à utilização dos métodos de referência baseados em análises volumétricas e na cromatografia líquida (HPLC). | Ciências Exactas e Naturais |
22,753 | Efeitos dos métodos de hemólise e da pré-incubação com ATP na Ca+, composição lipo-proteica e orientação de vesículas membranares | Eritrócitos - Estrutura membranar e actividade de cálcio APPase | A problemática investigada e discutida nesta tese parte da ideia inicial de que as membranas dos eritrócitos têm sido largamente utilizadas como modelo para o estudo de membranas biológicas. Contudo, apesar de facilmente preparadas, as membranas obtidas por diferentes métodos apresentavam diferenças nalgumas características estruturais e funcionais. Assim, o objectivo inicial da tese foi o de investigar o efeito na Ca2+ ATPase e na composição lipo-proteica membranar de dois métodos de hemólise vulgarmente utilizados na preparação de membranas, respectivamente hemólise isotónica na presença de saponina e hemólise hipotónica na presença de Tris/EDTA. Subsequentemente, foi estudado o efeito da pré-incubação com ATP de membranas preparadas por hemólise hipotónica nos parâmetros acima referidos, uma vez que este tratamento é vulgarmente utilizado para a preparação de um modelo de membranas conhecido por membranas invertidas, o qual é particularmente útil para o estudo da bomba de Ca2+ da membrana plasmática. Resultados obtidos durante os estudos cinéticos da Ca2+ ATPase sugeriram a existência nestas membranas duma fosfatase estimulada por ATP e Ca2+ que actuava em componentes fosforilados da membrana. Estudos preliminares para a caracterização desta enzima bem como do seu substrato são incluídos neste trabalho. Finalmente, e ainda dentro da problemática da utilização de membranas de eritrócitos como modelo da membrana plasmática foram ainda investigados nesta tese o efeito da idade dos eritrócitos e dos métodos de conservação das membranas nos parâmetros acima referidos. Os resultados dos estudos respeitantes ao efeito do método de hemólise na Ca2+ ATPase e na composição lipo-proteica das membranas dos eritrócitos mostraram que a actividade da Ca2+ ATPase, o conteúdo em fosfatidilinositol 4,5 bifosfato e a susceptibilidade das proteínas à degradação durante o processo de manutenção das membranas eram mais elevadas em membranas preparadas pelo método de hemólise isotónica na presença de saponina do que em membranas preparadas pelo método de hemólise hipotónica na presença de Tris/EDTA. Porém, a elevada actividade da Ca2+ ATPase em membranas preparadas pelo método de hemólise isotónica era aparente pois durante os ensaios da actividade desta enzima e para baixas concentrações de ATP (0 a 0,3 mM) observou-se libertação de fosfato que não resultava do y-P do ATP. Este fosfato resultava sim da actividade dum fosfatase dependente de ATP e Ca2+ e da idade dos eritrócitos que era sensível ao número de lavagem das membranas, às condições e ao tempo da sua manutenção a 4oC e a -30oC. Contudo, não foi possível discernir se esta fosfatase actuava ou não no fosfatidilinositol 4,5 bifosfato das membranas. Os resultados dos estudos respeitantes ao efeito da pré-incubação na presença de ATP em membranas preparadas pelo método de hemólise hipotónica na presença de Tris/EDTA, nomeadamente as características de acumulação activa e ligação passiva de Ca2+, a acessibilidade da acetilcolinesterase, a distribuição dos aminofosfolípidos, a morfologia das membranas, o número de fracções obtidas por centrifugação das membranas num gradiente descontínuo de Dextrano T110 4 a 20% bem como a sua caracterização mostraram que este tratamento das membranas conduz à formação duma população heterogénea de vesículas enriquecida de outras com elevada capacidade de acumular Ca2+ activamente e reduzida acessibilidade da acetilcolinesterase. No entanto, não foi possível discernir se estas vesículas eram ou não vesículas invertidas. Dos resultados apresentados nesta tese concluíu-se que: 1. as membranas de eritrócitos preparadas pelo método de hemólise isotónica na presença de saponina e hemólise hipotónica na presença de Tris/EDTA diferiam na actividade da Ca2+ ATPase e da fosfatase dependente de ATP e Ca2+, no conteúdo em fosfatidilinositol 4,5 bifosfato e na susceptibilidade das proteínas à degradação; 2. a pré-incubação na presença de ATP de membranas de eritrócitos obtidas por hemólise hipotónica na presença de Tris/EDTA originava uma população heterogénea de vesículas no que se refere à sua morfologia, capacidade de acumulação activa de Ca2+ e acessibilidade da acetilcolinesterase. | Ciências Exactas e Naturais |
22,759 | Estudo da microbiologia de uma água mineral na emergência e na água engarrafada: ecologia microbiana em águas oligotróficas | Água mineral - Microbiologia | As águas minerais são águas de profundidade, de composição estável, protegidas de qualquer tipo de contaminação química ou bacteriológica e que ascendem à superfície através de emergências naturais ou furos artesianos. Os aquíferos de água mineral não estão isentos de microrganismos, possuindo uma população bacteriana própria que deve ser a única presente na água engarrafada. Com este trabalho pretendeu-se estudar e conhecer a microflora de uma água mineral lisa com origem num aquífero situado no centro de Portugal continental. Para tal, estudou-se a flora presente na água do aquífero e o modo como a flora autóctone foi influenciada pela modificação do sistema superior de captação do aquífero, operada durante o período em que decorreu o estudo. Estudou-se também, durante um ano, a microflora da água engarrafada em diversos tipos de vasilhame com o objectivo de se conhecer as alterações (quantitativas e, sobretudo, qualitativas) que se verificam nas populações microbianas ao longo do tempo de armazenamento. O estudo simultâneo das populações presentes no aquífero e na água engarrafada, permitiu saber se as populações presentes em elevado número na água engarrafada tinham origem em bactérias presentes em pequeno número no aquífero. Utilizou-se neste estudo água engarrafada em diversos tipos de vasilhame para se determinar qual a influência do vasilhame na microflora da água mineral engarrafada. Pretendeu-se, ainda, com este trabalho, determinar se a composição química e microbiológica da água mineral, assim como o vasilhame, influenciam a sobrevivência de bactérias alóctones. Com o estudo da sobrevivência de bactérias alóctones em água verificou-se que a capacidade de sobrevivência depende de cada estirpe, varia com o tipo de água (mineral ou da rede de distribuição) em que a bactéria é inoculada e com as condições em que a água se encontra. Estes estudos resultaram no conhecimento da microbiologia da água mineral no seu percurso de engarrafamente desde a nascente até ao produto final. | Ciências Exactas e Naturais |
22,762 | Transdução e conjugação energética na Ca2+-ATPase do retículo sarcoplasmático : interacção de vanadatos | Retículo sarcoplasmático,Vanadatos,Cálcio ATPase | Os estudos realizados mostram claramente que as diferentes espécies oligoméricas de vanadato, presentes nas soluções de vanádio(V), promovem diferentes efeitos na actividade da bomba de cálcio do retículo sarcoplasmático. Os estudos conjugaram parâmetros cinéticos, espectro-fotométricos, radiométricos (45Ca) e espectrométricos de ressonância magnética nuclear de 51V (51V-RMN). A interacção de tetravanadato é maior para a Ca2+-ATPase quando esta se encontra na aludida conformação E2 do que quando se encontra na conformação E2-P. Contudo, mesmo quando a enzima se encontra na denominada conformação E1 (Ca2+ presente no meio), tanto a espécie tetramérica como a espécie decamérica de vanadato interagem com o RS, enquanto que a espécie monomérica só o faz em determinadas condições, isto é, quando é possível a conformação E1-P devido à presença de ATP e Ca2+. Apenas o vanadato decamérico inibe fortemente a acumulação de Ca2+ conjugada à hidrólise de ATP, o efluxo de Ca2+ associado à síntese de ATP e a ejecção de H+ promovida pela ATPase do retículo sarcoplasmático. Uma solução de "decavanadato" 2 mM em vanádio, que contém entre 190 a 200 µM de espécie decamérica de vanadato e menos de 100 µM de espécie monomérica, inibe 50% a acumulação de Ca2+, enquanto que uma concentração equivalente de vanadato (2 mM) na forma de "monovanadato", contendo cerca de 662, 143 e 252 µM das espécies monomérica, dimérica e tetramérica, respectivamente, não tem qualquer efeito inibitório na acumulação de Ca2+ pelo RS. Por outro lado, "decavanadato" (2 mM em vanádio) inibe 75% a actividade de Ca2+-ATPase, enquanto que "monovanadato" 2 mM produz uma inibição de 50%. Portanto, o quociente Ca2+/ATP do transporte de Ca2+ é significativamente aumentado pelo "monovanadato". Sugere-se que a conjugação energética relativa à translocação de Ca2+ possa ser modulada através de mecanismos moleculares sensíveis a espécies oligoméricas de vanadato, nomeadamente a espécie tetramérica. | Ciências Exactas e Naturais |
22,765 | Caracterização do transporte do ácido y-aminobutírico em vesículas da membrana plasmática sináptica | Transporte de cálcio,Membranas plasmáticas sinápticas | Dois sistemas membranares, sinaptossomas e vesículas da membrana plasmática sináptica (VMPS), foram isolados a partir do córtex cerebral do carneiro, e utilizados como modelos no estudo dos mecanismos de translocação do ácido 4-amino-n [2,3-3H)butírico ([3H]GABA) através da membrana pré-sináptica dos terminais corticais. O estudo comparativo da libertação de [3H]GABA previamente acumulado em VMPS e sinaptossomas apoia a coexistência de duas vias de libertação (exocitose e efluxo através do transportador localizado na membrana plasmática neuronal) de [3H]GABA nos sinaptossomas enquanto que apenas a segunda via de libertação se encontra presente nas VMPS. A análise do efeito dos catiões e do potencial de membrana ([[Delta]][[psi]]) na acumulação e libertação de [3H]GABA permitiu dissociar as contribuições das componentes eléctrica e química nestes mecanismos de translocação. O transporte de [3H]GABA depende dos gradientes electroquímico de K+ e de Na+ e, deste modo, a despolarização das VMPS reduz a acumulação de [3H]GABA de acordo com a magnitude do Dy. Além da contribuição do K+ para o [[Delta]][[psi]], a simples presença deste catião no interior das VMPS é essencial para o transporte de GABA. Por outro lado, a magnitude do [[Delta]][[psi]] modifica os parâmetros (Jmax en) característicos da dependência entre o influxo de [3H]GABA e a concentração de Na+ extravesicular, sendo observada uma diminuição do valor de Jmax, um aumento de n para o Na+, quando ocorre despolarização. Quanto ao processo de permuta GABA/[3H]GABA este é estimulado por Na+ e inibido por despolarização, enquanto que o processo de libertação é estimulado por despolarização e por Na+ e inibido por Ca2+ extravesiculares. A análise do efeito dos aniões na acumulação e libertação de [3H]GABA é indicativa de que o Cl- participa na manutenção do gradiente de concentração de [3H]GABA nas VMPS (função em que não pode ser substituído por nenhum outro anião sem perda de eficiência) e interage com o transportador de GABA do lado extravesicular (função em que pode ser total (Ba-) e parcialmente (NO3-) substituído. | Ciências Exactas e Naturais |
22,766 | Purificação e caracterização físico-química da protease de Cynara cardunculus L. | Protease do cardo - Purificação e caracterização | A flor do cardo (Cynara cardunculus L.) é tradicionalmente utilizada em Portugal no fabrico de queijo. A protease responsável pela actividade coagulante foi isolada a partir de flores secas com um rendimento de 80%, por extracção dos estiletes com citrato de sódio 0,1M pH 3,0 seguida de cromatografia de exclusão molecular em Sephadex G-100 e liofilização. A protease migra em PAGE/SDS sob a forma de duas bandas distintas com massa molecular aparente 31000 e 16000 daltons. As duas bandas reagem positivamente à coloração com reagente de Schiff indicando que ambas são glicosiladas após desglicosilação com TFMS as subunidades migram em PAGE/SDS sob a forma de duas bandas com massa molecular de 27500 e 14400 daltons. As subunidades da protease de Cynara cardunculus L. foram isoladas por cromatografia de fase reversa em HPLC e por cromatografia de exclusão molecular em Sephadex G-100 na presença de guanidina 6M. A composição em aminoacidos e em hidratos de carbono, a análise do terminal aminico e os mapas petidicos com CNBr, tripsina e protease da estirpe V8 de S. aureus mostraram que a subunidade de 16000 daltons não é um fragmento proteolítico nem um monomero da subunidade de 31000 daltons. A protease é inibida por pepstatina e tem actividade proteolitica a pH acidico; tem o máximo de actividade a 50o C e é activa na presença de ureia, Triton X-100 e de alguns solventes organicos, sendo inibida por SDS e cloreto de guanidina. A protease de Cynara cardunculus L. tem preferencia por ligações peptidicas que envolvam aminoacidos hidrofóbicos clivando preferencialmente ligações do tipo (Phe, Leu, ILe)-(Val, Tyr). Tal como a maioria das restantes enzimas coagulantes a protease de C. cardunculus L. inicia a coagulação do leite por clivagem da ligação Phe105-Met 106 da K-caseína. A actuação desta protease na IgG humana resulta na formação de Fc e F(ab)2 respectivamente a parte efectora do anticorpo e a região que reconhece o antigénio. | Ciências Exactas e Naturais |
22,770 | Caracterização físico-química e funcional de quelatos metálicos como radiofármacos | Quelatos | Radiofármacos são produtos de utilização médica em cuja composição entra um radionuclídeo. Quelatos de radiometais, sejam pequenas moléculas, ou na forma de bioconjugados (como é o caso dos radiopeptídeos ou anticorpos monoclonais), são correntemente utilizados no diagnóstico de uma grande variedade de patologias. >br> Foram estudados ao longo desta dissertação uma série de ligandos poliaza de estrutura linear ou macrocíclica. O nosso estudo incidiu principalmente nos complexos formados entre estes ligandos e os catiões In3+ e Ga3+, devido ao interesse dos radioisótopos 111In, 67Ga e 68Ga em Medicina Nuclear. Todos os trabalhos foram direccionados para a obtenção de relações estrutura/actividade biológica para os quelatos estudados. De facto, existe uma relação estreita entre propriedades fisico-químicas dos quelatos e a sua biodistribuição e eliminação do organismo, sendo de realçar a carga efectiva do quelato, o modo como essa carga está distribuída no complexo, o carácter lipofílico/hidrofílico, o grau de protonação a pH fisiológico, a capacidade de ligação a proteínas, entre tantas outras. Assim, aos estudo estruturais por espectroscopia de RMN (Ressonância Magnética Nuclear) em solução aquosa de uma série de quelatos de Ga3+ e In3+, seguiu-se a avaliação da sua distribuição in vivo recorrendo aos compostos radiomarcados e a modelos animais. | Ciências Exactas e Naturais |
22,771 | Efeitos bioquímicos de fármacos anticancerígenos em células humanas com características leucémicas: estudo em linhas celulares linfoblásticas | Fármacos anticancerígenos,Linhas celulares linfoblásticas,Leucemia | Neste trabalho foram estudados os efeitos de diferentes tipos de fármacos anticancerígenos a nível de alguns parâmetros bioquímicos e morfológicos de linfócitos-T leucémicos humanos em cultura, utilizando como modelos experimentais duas linhas celulares designadas CCRF-CEM e Jurkat. Analisou-se, em particular, a influência dos fármacos a nível de alguns mecanismos de transdução de sinais transmembranares relacionados com o controlo da proliferação celular. Foram seleccionados para este estudo seis agentes farmacológicos actualmente com aplicação clínica no tratamento de leucemias linfoblásticas agudas, nomeadamente, os compostos metotrexato (MTX), adriamicina (ADR), daunorubicina (DNR), vincristina (VCR), 6-mercaptopurina (6MP) e prednisolona (PRD). Os efeitos antiproliferativos e citotóxicos dos diversos fármacos foram avaliados com base na medição simultânea de diferentes parâmetros indicadores de proliferação e viabilidade celulares, incluindo o efeito dos compostos a nível do ciclo celular. No sentido de analisar a importância de mecanismos de transdução de sinais transmembranares para a determinação dos efeitos antiproliferativos e/ou citotóxicos dos fármacos em linfócitos leucémicos, estudou-se a acção destes agentes a nível de mecanismos de regulação do metabolismo de fosfoinositóis e da concentração de Ca2+ livre intracelular ([Ca2+]i). As perturbações da homeostase do Ca2+ em células previamente tratadas com MTX, DNR e VCR estimuladas através do complexo receptor de antigénio/CD3 (TCR/CD3) poderão representar uma fase inicial na sequência de alterações celulares conducentes à inibição do crescimento dos linfócitos leucémicos pelos referidos agentes. Foi também avaliado o papel de fenómenos de apoptose como mecanismo de indução de morte dos linfócitos leucémicos por acção dos fármacos anticancerígenos. O MTX, a DNR, a ADR e a VCR induzem um conjunto de alterações morfológicas e bioquímicas em linfócitos CCRF-CEM e Jurkat compatíveis com um processo comum de indução de morte celular por apoptose. O comportamento diferencial dos linfócitos CCRF-CEM e Jurkat face aos mesmos agentes anticancerígenos sugere que factores específicos da própria célula contribuem para a determinação do mecanismo de acção de agentes quimioterapêuticos apontando, por conseguinte, para uma participação activa da célula na iniciação da sua própria morte. | Ciências Exactas e Naturais |
22,773 | Estudo do efeito de insecticidas de uso comum na bioenergética mitocondrial | Insecticidas,Mitocôndria | A falta de selectividade dos insecticidas torna-os tóxicos para espécies úteis e para o próprio Homem. Os efeitos destes compostos não estão ainda devidamente esclarecidos, em particular os relacionados com mecanismos responsáveis pela toxicidade crónica induzida pelo contacto frequente com doses substanciais, embora não letais, ou pela exposição, durante largos períodos de tempo, a quantidades diminutas do composto. Estudos prévios demonstraram que certos insecticidas podem afectar o metabolismo mitocondrial. Contudo, esses estudos são escassos e frequentemente contraditórios nas suas conclusões. Em virtude da reconhecida importância da mitocôndria no metabolismo energético celular, desenvolvemos estudos visando o estabelecimento de relações de toxicidade de insecticidas de uso comum em mecanismos bioenergéticos básicos de mitocôndrias isoladas do fígado do rato. Em particular, foram estudados os efeitos de insecticidas pertencentes a 3 dos 4 grandes grupos químicos nos quais estes compostos vulgarmente são agrupados: DDT (organoclorados); paratião e malatião (organofosforados); carbaril (carbamatos). O DDT afecta a capacidade fosforilativa das mitocôndrias. A diminuição da eficiência fosforilativa resulta da acção do insecticida na cadeia respiratória, na ATP-sintetase e no transportador mitocondrial do fosfato. Aparentemente, o DDT interfere com circuitos protónicos localizados responsáveis pela transferência de energia para a ATP-sintetase, em particular ao nível do sistema constituído pelo transportador de nucleótidos/ATP-sintetase. O malatião não afecta as funções mitocondriais. Pelo contrário, o paratião afecta a capacidade fosforilativa das mitocôndrias devido a acções do insecticida ao nível da desidrogenase do succinato, da ATP-sintetase e do transportador de fosfato. O carbaril não afecta a capacidade fosforilativa das mitocôndrias. Não obstante, o insecticida diminui a capacidade oxidativa das mitocôndrias. Esta acção do carbaril diminui a velocidade de síntese do ATP ocasionando uma diminuição efectiva da capacidade de resposta das mitocôndrias às exigências energéticas da célula. | Ciências Exactas e Naturais |
22,774 | Mecanismos de neurossecreção : transporte do ácido gama - aminobutírico | Neurotransmissores,GABA,Sinoptossomas | O ácido y-aminobutírico (GABA) é o neurotransmissor de inibição mais abundante no sistema nervoso central dos mamíferos desempenhando um papel importante na farmacologia do stress e da ansiedade. Porém, a compartimentação e a origem (citoplasmática ou vesicular) do GABA libertado por despolarização não estão claramente esclarecidos. O GABA tritiado [3H]GABA adicionado exogenamente aos sinaptossomas isolados do cortéx cerebral do carneiro é acumulado em dois compartimentos diferentes que correspondem respectivamente aos espaços citoplasmático e vesicular. O [3H]GABA do compartimento citoplasmático é libertado, na ausência de Ca2+, quando o potencial electroquímico do Na+ é colapsado (por K+ ou ubaína) e troca com o composto análogo do GABA, o ácido diaminobutírico (DABA). Pelo contrário, o GABA acumulado no compartimento vesicular é libertado por despolarização com K+ na presença de Ca2+ e não troca com o DABA. A libertação de GABA independente de Ca2+, induzida por K+ ou por ubaína, depende de Na+ e ocorre pela inversão do transportador de GABA da membrana plasmática. A libertação dependente de Ca2+ não depende de Na+ e representa a exocitose das vesículas sinápticas. A despolarização da membrana plasmática parece ser um requisito absoluto para os mecanismos de libertação de GABA dependente e independente de Ca2+. Os bloqueadores dos canais de Ca2+ inibem os movimentos de Ca2+ e a libertação de GABA induzida por despolarização com K+ na ausência e na presença de Ca2+. Porém, a inibição de ambos os mecanismos só é observada por concentrações relativamente elevadas dos bloqueadores o que sugere que os seus efeitos não são mediados pela ligação de alta afinidade das drogas à membrana plasmática. | Ciências Exactas e Naturais |
22,776 | Função da proteína portal na encapsidação do DNA pelo bacteriofago SPP1 : evolução de um paradoxo funcional para um paradoxo estrutural | Encapsidação do DNA-Bacteriófago SPP1 | SPP1 é um bacteriófago virulento de Bacillus subtilis que encapsida o DNA por um mecanismo de cabeça cheia (Streisinger et al., 1967, Proc. Natl. Acad. Sci. USA, v. 57, pp. 292-295; Tye et al. 1974, J. Mol. Biol., v. 85, pp. 501-532; Morelli et al., 1979, Mol. Gen. Genet., v. 168, pp. 153-164). De acordo com esta estratégia, após uma quantidade determinada de DNA estar presente no interior do pré-capsídeo viral, a molécula de DNA é clivada de forma inespecífica. Este corte define a dimensão do cromossoma viral maduro. A caracterização de diversos mutantes SPP1 siz, que encapsidam quantidades de DNA inferiores às da estirpe selvagem do fago, permitiu identificar o cistrão (gene 6) que codifica uma proteína (pg6) envolvida no dimensionamento do DNA maduro. As diversas versões do gene foram clonadas e sequenciadas permitindo relacionar três resíduos diferentes do pg6 com este processo. O facto de todas as substituições de aminoácidos conducentes ao fenótipo siz implicarem uma redução no carácter acídico do pg6 poderá indicar que a carga de resíduos-chave daquele desempenha um papel importante no dimensionamento do DNA encapsidado. O pg6 foi purificado. A observação ao microscópio electrónico da proteína revelou a presença de uma estrutura em forma de roda dentada com treze lóbulos que apresenta um poro interno electrodenso nas perspectivas de topo. Esta morfologia particular é associada a uma função do pg6 na translocação do DNA para o interior do pré-capsídeo fágico. O homo-oligómero possui 13 subunidades do pg6, constituindo a primeira proteína descrita com simetria redecamérica. Esta é um componente estrutural minoritário do bacteriófago localizado na conecção cabeça-cauda. As propriedades descritas permitiram identificar o pg6 como o polipeptídeo de SPP1 análogo às proteínas do vértice portal descritas para outros bacteriófagos ([[lambda]], T3, T4, P22, [[??]]29) (Bazinet e King, 1985, Annu. Rev. Microbiol., v. 39, pp. 109-129). | Ciências Exactas e Naturais |
22,777 | Efeito da fonte de carbono e da concentração de solutos na acumulação intracelular de polióis em Debaryomyces hansenu, Candida famata, Psichia farinosa e Geotrichum candidum | Osmoregulação,Leveduras xerotolerantes,Solutos compatíveis,Polióis,Microbiologia | A maior parte das leveduras e dos fungos filamentosos, quando em situações de agressão osmótica, acumulam, como substâncias osmorregu-ladoras, polióis. A acumulação intracelular destes alcoóis está relacionada com a fase de crescimento e é proporcional à concentração externa de solutos osmoticamente activos, iónicos ou não iónicos. Nas leveduras Debaryomyces hansenii, Candida famata e Pichia farinosa, o glicerol é a substância osmorreguladora (soluto compatível) principal. Em meios em que é usada glicose, como fonte de carbono, as concentrações mais elevadas deste poliol ocorrem durante a fase exponencial de crescimento. O arabitol é acumulado em concentrações significativas, apenas durante a fase estacionária. Nestas leveduras a substituição da glicose por eritritol nos meios de cultura com NaCl 1 M conduz à acumulação deste poliol, durante a fase exponencial, em níveis comparáveis aos do glicerol em meio com glicose. Este facto demonstra que, nestas leveduras, o glicerol pode ser substituido nas suas funções de soluto compatível, por eritritol, quando este poliol é fornecido exogenamente. No fungo leveduriforme Geotrichum candidum, é o arabitol que desempenha o papel de soluto compatível principal, sendo acumulado durante a fase exponencial de crescimento em meios com glicose, em resposta à diminuição da actividade da água no meio. Durante a fase estacionária, observa-se a acumulação intracelular de manitol. Neste fungo, o glicerol não é acumulado nas células, quando este poliol é utilizado como fonte única de carbono. Nestas condições, o arabitol continua a ser acumulado em resposta ao aumento da concentração de NaCl no meio, desempenhando, assim, as funções de substância osmorreguladora principal. | Ciências Exactas e Naturais |
22,782 | Optimização de complexos lipossoma catiónico-ADN para transfecção de células neuronais | Lipossoma catiónico | O transporte e cedência intracelulares de genes e oligonucleotídeos é hoje considerado uma promissora estratégia terapêutica para o tratamento das doenças do sistema nervoso central (SNC), dado que as estratégias convencionais se têm revelado pouco eficazes. A aplicação bem sucedida desta metodologia passa pela concepção de veículos específicos para o transporte do material genético para as células alvo, de modo a que aí se possam verificar níveis adequados de expressão génica. Este projecto visou, fundamentalmente, desenvolver vectores não virais do tipo lipossómico, para um transporte e cedência eficazes de genes em células neuronais em cultura e in vivo. O nosso objectivo consistiu, especificamente, na promoção da internalização celular mediada por receptores dos complexos ternários – lipossoma catiónico/ADN/transferrina (lipoplexos-Tf) – e em garantir uma maior eficácia na cedência intracelular do material genético. Foi ainda nosso objectivo contribuir para o esclarecimento dos mecanismos pelos quais os lipoplexos cedem ADN ao citoplasma, realizando estudos sistemáticos de associação celular. Visando a utilização destes sistemas no tratamento de doenças do SNC, propusemo-nos testar estas estratégias na transfecção de células neuronais, incluindo o transporte de potenciais genes terapêuticos em modelo animal de lesão neuronal. A associação de Tf aos lipoplexos mostrou ser eficaz na potenciação da actividade e eficiência de transfecção das células neuronais, quer in vitro, quer in vivo após administração estereotáxica no estriado de ratos Wistar. A administração in vivo do plasmídeo codificando para o factor de crescimento neuronal (NGF), mediada por lipoplexos-Tf, revelou-se eficaz na diminuição da lesão excitotóxica causada pela injecção intraestriatal de ácido caínico, sugerindo que estes sistemas constituem uma estratégia promissora para a prevenção e/ou recuperação da degeneração neuronal. | Ciências Exactas e Naturais |
22,800 | Caracterização da flora vascular e do padrão e dinâmica da paisagem na Serra do Caramulo : análise do estado de conservação de taxa prioritários | Flora vascular -- Serra do Caramulo | A gestão do território e dos recursos naturais requer dados actualizados sobre a biodiversidade, raridade e alteração da cobertura do solo. Com o propósito de facultar esta informação biológica, estudou-se, na Serra do Caramulo, especificamente, a diversidade da flora vascular, a alteração do padrão da paisagem e o estado de conservação de taxa prioritários da flora vascular. Foram herborizados e/ou reunidas citações bibliográficas e de herbário de 681 taxa, pertencentes a 383 géneros e agrupados em 102 famílias. Descreveu-se, também, um novo híbrido para a ciência, Narcissus x caramulensis P. Ribeiro, Paiva e Freitas. Alguns taxa constituem novidades fitogeográficas para Portugal e para as províncias da Beira Alta e Beira Litoral. De acordo com a bibliografia consultada, 5 taxa são endémicos de Portugal e 64 são endemismos ibéricos. A Serra contém 79 taxa introduzidos, 9 dos quais considerados invasores segundo a legislação nacional. As alterações na cobertura do solo, entre 1990 e 2004, para a área da Serra do Caramulo acima dos 400 metros, consistiram, sobretudo, num grande aumento da extensão dos eucaliptais e numa acentuada diminuição, por fragmentação, das folhosas e resinosas. A paisagem tornou-se muito fragmentada durante o período estudado. Os factores socioeconómicos podem explicar grande parte desta dinâmica. Tendo em conta a localização dos taxa prioritários na área de estudo, a sua ocorrência nos diferentes habitats, o número e tamanho dos grupos de indivíduos e as ameaças a que estão sujeitos, definiram-se prioridades, apresentaram-se estratégias de conservação e identificaram-se as áreas mais importantes para a protecção desses taxa. Construiu-se, ainda, uma base de dados gráfica, integrando informação considerada útil para as autarquias locais, a fim de apoiar acções conservacionistas e promover o planeamento e a gestão da área num contexto sustentável. | Ciências Exactas e Naturais |
22,833 | Secreção diferencial nas células cromafins: relação com características da maquinaria exocitótica | Catecolaminas,Exocitose,Sintaxina,SNAP-25 | Neste trabalho utilizámos as células cromafins em cultura para estudar a regulação da secreção das catecolaminas (CA) e da Leu-encefalina (Leu-Enk). Os estudos realizados com a (w-agatoxina IVA (w-Aga) permitiram esclarecer a participação de canais de Ca2+ do tipo P na exocitose nas células cromafins. A inibição da secreção pela w-Aga apresentou dois componentes com valores de IC50 que estão de acordo com as afinidades da toxina a bloquear os canais P e Q noutros sistemas. Além disso, a aditividade dos efeitos de uma baixa concentração de w-Aga e da w-conotoxina MVIIC, numa dose que inibe maximamente os canais Q, corrobora a hipótese das duas toxinas estarem a actuar em locais diferentes. A contribuição dos canais P para a secreção foi maior a baixas intensidades de estimulação. Para investigar se a libertação de diferentes transmissores químicos presentes nas células cromafins pode ser diferencialmente regulada, determinámos paralelamente a libertação de Adr e Leu-Enk em diferentes condições de estimulação. A libertação de Adr necessitou menores despolarizações e teve uma cinética mais rápida que a libertação de Leu-Enk. Ensaios com células permeabilizadas mostraram ainda diferenças significativas nas concentrações de Ca2+ às quais se registou a libertação máxima de Leu-Enk, Adr e NA. Em conjunto os resultados sugerem que as células cromafins têm uma população heterogénea de grânulos cromafins disponíveis para serem libertados, e que a libertação de CA e dos neuropeptídeos co-armazenados pode ser diferencialmente regulada. Para determinar se as diferenças na secreção nos dois tipos de células cromafins estão relacionadas com diferenças na maquinaria exocitótica recorremos às toxinas do botulismo (BoNT). A libertação de NA exibiu uma maior sensibilidade à clivagem da SNAP-25 e da sintaxina 1 pela BoNT/A e BoNT/C1. Estudos de imunocitoquímica revelaram que as células noradrenérgicas, mais afectadas pela BoNT/C1, expressam maiores quantidades sintaxina 1A e 1B enquanto que a SNAP-25 não apresentou diferenças significativas de expressão nos dois tipos de células. Estes resultados sugerem que as diferenças observadas na secreção nas células noradrenérgicas e adrenérgicas se podem relacionar com características da maquinaria exocitótica dos dois tipos de células. | Ciências Exactas e Naturais |
22,906 | Nanopartículas como potenciais agentes de contraste para imagem de ressonância magnética : caracterização físico-química de polioxometalatos (POMs) contendo iões lantanídeos (III) e suas nanopartículas revestidas de sílica | Lantanídeos,Nanopartículas,Polioxometalates,Ressonância magnética | Foram sintetizados Polioxometalatos (POMs) contendo diferentes iões lantanídeos (III) do tipo Lindqvist e também nanopartículas revestidas com sílica e contendo POMs de diferentes iões lantanídeos (III). As termogravimetrias permitiram verificar o número de moléculas de água de hidratação nos POMS e através de técnicas como a espectroscopia de infravermelhos (IV) foi possível comprovar a correcta estrutura lacunar Lindqvist de todos os POMs. Posteriores análises através de microscopia electrónica de transmissão e varrimento revelaram a estrutura em tipo “core-shell” das nanopartículas contendo estes POMs embora bastante aglomeradas. Os dados de potencial zeta e dispersão dinâmica da luz permitiram concluir que os POMs foram correctamente internalizados nestas nanopartículas e revestidos por SiO2, apresentando populações de nanopartículas com POMs contendo diferentes iões lantanídeos que se podem assumir homogéneas. Os estudos de relaxividade a campo baixo (20 MHz ) e campo alto (500 MHz) permitiram avaliar a sua eficácia como potenciais agentes de contraste para Imagem de Ressonância Magnética (IRM). | Ciências Exactas e Naturais |
22,937 | Conservação in vitro e ex situ e valorização de endemismos ibéricos das Apiaceae portuguesas | Apiaceae,Óleos essenciais,Quimiotaxonomia | As ameaças crescentes à perda de biodiversidade impõem medidas que invertam essa tendência. A fitodiversidade é a base da vida na Terra e indispensável ao funcionamento dos ecossistemas pelo que a sua conservação é urgente, particularmente a de espécies raras e em maior risco, como as endémicas, de habitats e características muito peculiares. O conhecimento de propriedades intrínsecas a estes taxa promove a sua valorização e interesse e o recurso a técnicas de micropropagação in vitro permite a sua preservação pela utilização e aplicação sustentáveis. Neste contexto, propusemo-nos estudar as Apiaceae ibéricas endémicas com representação em Portugal, identificando catorze taxa pertencentes a onze géneros (Angelica, Bunium, Conopodium, Daucus, Distichoselinum, Eryngium, Ferula, Ferulago, Laserpitium, Seseli, Thapsia), 13 endemismos de Portugal e Espanha e um endemismo exclusivamente português, Daucus carota subsp. halophilus. Este taxon e Angelica pachycarpa, Distichoselinum tenuifolium e Seseli montanum subsp. peixotoanum têm uma área geográfica de distribuição mais restrita. Priorizando a colheita sustentada das espécies mais ameaçadas, pelo estudo de Floras, exemplares de Herbário e outra informação disponível, procedeu-se à localização, identificação, conservação e valorização de treze dos taxa, estando apenas Bunium macuca subsp. macuca por localizar. Para isso, foi feito o reconhecimento das localidades e representação em Portugal, em mais de 150 saídas de campo de norte a sul e os respetivos exemplares voucher depositados no Herbário COI. A avaliação do ciclo de vida e fenologia é determinante para a colheita sustentada, tendo-se recolhido 11 taxa para o banco de sementes, dos quais seis foram novidade e integrados pela primeira vez no banco de sementes do Jardim Botânico de Coimbra, Banco de Germoplasma de Braga e do Millenium Seed Bank, em Kew. A reserva no Jardim Botânico foi implementada para a conservação ex situ (sementes e coleções vivas) e in vitro e in situ das plantas, com recurso à micropropagação dos quatro taxa prioritários e respetiva aclimatização em condições naturais. Para a caraterização morfológica dos taxa, e dada a grande complexidade taxonómica da família, recorreu-se a metodologias complementares, como a morfometria, microscopia ótica e de scanning, citometria de fluxo e caracterização de óleos essenciais, para distinguir Daucus carota subsp. maximus das outras três subespécies nativas de Portugal (D. carota subsp. carota; D. carota subsp. halophilus; D. carota subsp. gummifer). Estudos similares permitiram distinguir duas subespécies de Eryngium duriaei, nomeadamente, Eryngium duriaei subsp. duriaei e Eryngium duriaei subsp. juresianum. Nos quatro taxa mais vulneráveis estabeleceram-se protocolos de micropropagação com vista à multiplicação em larga escala. Foram testados diferentes tipos de explantes (ápices caulinares, segmentos foliares, pecíolos e raízes) e diferentes técnicas de micropropagação: proliferação de meristemas, organogénese e embriogénese somática. Para todos os taxa foi possível a regeneração por proliferação de meristemas e por embriogénese somática bem como a respetiva aclimatação de plantas. Para alguns dos taxa foi possível verificar que a cultura in vitro não induziu variabilidade ao nível do cariótipo. Para além dos ensaios de micropropagação, estabeleceu-se também um protocolo de indução floral in vitro em Daucus carota subsp. halophilus tendo-se otimizado as condições de indução de floração e caracterizado este processo de morfogénese quer em termos das condições de cultura quer do desenvolvimento floral por microscopia ótica e eletrónica de varrimento. Os resultados mostraram que o IAA e a BA são importantes na evocação floral. A análise do pólen mostrou que embora este fosse formado in vitro não foi possível conseguir a sua germinação quer em meio sintético quer em polinizações artificiais. Outro aspeto importante do trabalho centrou-se na caracterização dos óleos essenciais de alguns taxa de forma a conseguir a sua valorização e uma mais fácil aceitação em termos de conservação. Este tipo de análises foi realizado em Daucus carota subsp. halophilus, Distichoselinum tenuifolium, Seseli montanum subsp. peixotoanum e Eryngium duriaei, (duas subespécies: Eryngium duriaei subsp. duriaei e Eryngium duriaei subsp. juresianum) e ainda Thapsia minor. A composição química dos óleos foi determinada por cromatografia gás-líquido de alta resolução e cromatografia gás-líquido acoplada a espectrometria de massa. Para a maioria dos óleos foram conseguidas percentagens de identificação superiores a 90%. Os óleos foram obtidos de plantas em diferentes estágios de desenvolvimento, com o objetivo de identificar a fase de maior rendimento em óleo essencial ou que produz óleos de composição particular. Foi feita a avaliação da atividade antifúngica de óleos essenciais com vista à validação científica de usos populares e eventual avaliação do seu potencial industrial. Os óleos essenciais que apresentaram maior atividade antifúngica foram os de Daucus carota subsp. halophilus, ricos em elemicina, particularmente contra dermatófitos e Cryptococcus neoformans. Os óleos essenciais de Distichoselinum tenuifolium e de Thapsia minor também revelaram ter propriedades antifúngicas, sendo o mirceno e o acetato de geranilo, respetivamente, o constituinte químico maioritário do óleo. Os óleos essenciais mostraram ainda poder ser utilizados como importantes auxiliares de diagnóstico quimiotaxonómico na avaliação, certificação e clarificação taxonómica de dois taxa, Daucus e Eryngium, comprovando-se a asarona como marcador para Daucus carota subsp. maximus e α-neocalitropseno, o constituinte químico marcador exclusivo de Eryngium duriaei subsp. juresianum. | Ciências Exactas e Naturais |
22,958 | Biogeografia e diversidade de fungos micorrízicos arbusculares em cenários contrastantes de uso do solo e de regime hídrico | Biogeografia,Usos do solo,Regime hídrico,Agroecossistemas | A maior parte da biodiversidade de agroecossistemas reside no solo e as funções desempenhadas têm efeito direto e indireto sobre a qualidade e crescimento das culturas, ciclagem de nutrientes, produtividade e sustentabilidade do solo e assim a multifuncionalidade ecossistema. Dentre os microrganismos sensíveis a ações antropogênicas, destacam-se os fungos micorrízicos arbusculares (FMA) que têm ocorrência generalizada e são influenciados por fatores diversos de natureza biótica e abiótica ocupando um importante nicho ecológico. O objetivo desta tese foi avaliar a diversidade de fungos micorrízicos arbusculares e aspectos funcionais em cenários contrastantes de uso do solo e de regime hídrico. O estudo é dividido em três capítulos. O Capítulo I delimitou a biogeografia de fungos micorrízicos arbusculares no estado de Santa Catarina-Brasil. O Capítulo II teve o objetivo de avaliar a influência de diferentes sistemas de uso do solo sob a atividade e riqueza de FMA e o Capítulo III que avaliou a resistência e resiliência das comunidades de FMA de dois sistemas contrastantes de uso do solo sob a influência de eventos climáticos extremos e como estas comunidades operam em termos funcionais em Montemor-o-Novo (Sul de Portugal). A abordagem experimental utilizada foi para o Capítulo I e II foram realizadas coletas a campo em quatro regiões do Estado de Santa Catarina/Brasil em cinco sistemas de uso do solo: floresta nativa (FN), pastagem (PA), reflorestamento com eucalipto (RE), integração lavoura-pecuária (ILP) e plantio direto (PD). Em Portugal também foram realizadas coletas nos sistemas de manejo sustentável (MS) e manejo convencional (MC) em áreas de Montado (Quercus suber L) (Capítulo II). O Capítulo III foi realizado em Portugal a partir de experimentos de semi campo em unidades denominadas “modelos terrestres de ecossistemas” (terrestrial model ecosystems – TMEs) que consistiu na avaliação das alterações na estrutura e função das comunidades de FMA identificadas na Etapa I e sujeitas a diferentes eventos de pluviosidade extrema. No Capítulo I, a distribuição espacial das espécies de FMA nas regiões estudadas não é aleatória e a dissimilaridade na estrutura das comunidades do interior para o litoral de Santa Catarina está correlacionada com a distância geográfica. É confirma a hipótese de distância-dissimilaridade (distance decay) que prevê que a da similaridade entre duas comunidades pode ser ocasionado por eventos históricos, mas os resultados não rejeitam a hipótese de Baas-Becking uma vez que foram observadas relações significativas entre o teor de argila, de carbono orgânico; No Capítulo II foi concluído que a riqueza e diversidade de espécies de FMA foram influenciadas pelos sistemas de uso de forma pontual e dependente da região. As espécies Acaulospora koskei e Glomus sp. apresentaram-se com as principais espécie de caráter generalista, o que revela sua capacidade de adaptação a diferentes condições de solo; e No Capítulo III os FMA foram influenciados pelas alterações climáticas de regimes de chuva em diferentes manejos de produção. | Ciências Exactas e Naturais |
22,992 | Estudos toxicológicos de materiais nano-estruturados de carbono. Algumas aplicações farmacológicas | Fulerenos,Partilha membranar,Bioenergética mitocondrial,Toxicidade,Atividade antioxidante,Entrega de acidos nucleicos | Este trabalho descreve um estudo da interação de suspensões aquosas de C60 e de C60(OH)18-22 com sistemas biológicos considerando modelos de complexidade crescente, das membranas aos organismos, passando pelos organelos e células. Enquanto a preparação de suspensões aquosas de C60(OH)18-22 foi realizada por dissolução direta em água, tendo dado lugar a nanopartículas com diâmetro inferior a 3 nm e potencial Zeta de cerca de -37 mV, a obtenção de suspensões aquosas de C60 obrigou a uma dissolução prévia em tolueno, seguida de transferência para água, produzindo nanopartículas de 33 nm e potencial Zeta de cerca de -25 mV. As características físicas das nanopartículas não sofreram alteração nos meios que mimetizaram as condições fisiológicas dos sistemas biológicos. Estudos de supressão de fluorescência mostraram que os fulerenos partilham extensivamente tanto em modelos membranares como em membranas nativas e incorporam em regiões distintas da membrana. C60 apresenta valores de coeficiente de partilha cerca de 6 vezes superiores aos de C60(OH)18-22 e localiza-se preferencialmente no interior hidrofóbico da membrana ao passo que C60(OH)18-22 prefere regiões próximas dos grupos polares dos fosfolípidos. Os efeitos dos fulerenos na atividade do sistema respiratório mitocondrial, tomada como ilustrativa de uma função celular residente na membrana e fortemente influenciada por agentes que interagem com os componentes da membrana e alteram a sua topologia, foram investigados seguindo as flutuações do potencial elétrico transmembranar, a despolarização induzida pelo ADP e o consumo de oxigénio promovido por diferentes substratos. Foi demonstrado que, na mesma gama de concentrações, C60 exerce uma toxicidade mitocondrial mais severa do que C60(OH)18-22, traduzindo-se por aumento da permeabilidade passiva da membrana interna a protões e inibição da atividade dos complexos respiratórios, sem afetar o sistema fosforilativo. Todavia, C60(OH)18-22 a concentrações superiores à máxima utilizada de C60, inibe a atividade da FoF1-ATPsintase. A um nível de complexidade biológica mais elevado e num contexto de toxicologia ambiental, os efeitos dos fulerenos foram avaliados em dois organismos-modelo: Geobacillus stearothermophilus em representação dos microrganismos decompositores e Lemna gibba em representação das plantas fotossintéticas. Enquanto o crescimento e a estrutura morfológica da bactéria não foram afetados pelos fulerenos na gama de concentrações de 2 a 15 mg/L (para C60) e de 5 a 200 mg/L (para C60(OH)18-22) e a atividade respiratória dos protoplastos só foi inibida pelo fulereno hidroxilado a concentrações muito elevadas (≥1040 g/mg de proteína), a proliferação vegetativa da L. gibba foi fortemente reduzida por C60 (até 10 mg/L) e por C60(OH)18-22 (≥ 100 mg/L). Alterações do conteúdo em clorofilas e da atividade fotossintética de L. gibba, mais severas na presença de C60 do que de C60(OH)18-22, foram igualmente observadas. A toxicidade dos fulerenos foi também avaliada utilizando linhas celulares humanas (HeLa, neuro2a) e culturas primárias de astrócitos de rato, não tendo sido detetados efeitos tóxicos a concentrações até 15 mg/L para C60 e até 100 mg/L para C60(OH)18-22, após 24 e 48 horas de incubação. Estes resultados motivaram a investigação do potencial farmacológico destas nanopartículas. C60, ao contrário do C60(OH)18-22, mostrou capacidade de proteger as células neuro2a da toxicidade de t-butil-hidroperóxido, conhecido por induzir morte celular associada a stresse oxidativo. Já os estudos de peroxidação lipídica em mitocôndrias de fígado de rato mostraram que ambos os fulerenos são capazes de se opor à degradação oxidativa dos lípidos induzida pelo agente oxidante, sendo a proteção conferida por C60 significativamente superior à promovida pelo seu congénere hidroxilado. Estes resultados são discutidos à luz das diferenças na localização e extensão da partilha dos fulerenos nas biomembranas. Numa perspetiva de aplicação farmacológica dos fulerenos a doenças neurodegenerativas, investigou-se a possibilidade do fulereno C60 conjugar às suas propriedades antioxidantes a capacidade de funcionar como vetor de ácidos nucleicos, num contexto de terapia génica. C60, embora não tenha permitido, nas condições experimentais ensaiadas, promover a expressão de uma proteína-repórter (GFP) em células HeLa, por transfecção com um plasmídeo de DNA, revelou qualidades assinaláveis como vetor de moléculas de RNA de interferência, induzindo o silenciamento da expressão da proteína GFP em células HT-1080 e U87. Em conclusão, as propriedades físico-químicas dos fulerenos, influenciando a sua incorporação e topologia nas membranas biológicas, revelaram-se determinantes da atividade toxicológica e do potencial farmacológico daqueles compostos. Especificamente, a ausência de toxicidade em células nervosas, o efeito protetor de danos oxidativos e a capacidade de transportar ácidos nucleicos (siRNA) conferem ao C60 elevado potencial neuroprotetor. | Ciências Exactas e Naturais |
23,007 | Símbolos e práticas culturais dos Makonde | Antropologia cultural,Antropologia biológica -- Mapiko -- Moçambique,Macondes (Etnias) -- Moçambique,Modificações dentárias,Patologia oral,Escarificações -- rituais de iniciação -- tatuagens | Esta tese propõe como principal objectivo, o estudo das características antropológicas sociais e culturais mais marcantes do povo Makonde. Pretendeu-se conhecer e compreender as razões da existência de certos rituais como a mutilação dentária, a iniciação masculina e feminina, o Mapiko, a escarificação do corpo, as tatuagens e outras características identitárias e estabelecer analogias com outras etnias de matriz linguística Bantu e de distintas áreas geográficas de Moçambique. O desenvolvimento do tema foi apoiado pela colheita dos seguintes dados: revisão bibliográfica de documentos relevantes no âmbito da antropologia, da história e das ciências sociais e políticas, entrevista a individualidades académicas e a anciãos locais, e na observação directa. Este trabalho tem como razão de ser, a vontade de querer aprofundar o conhecimento, sobre o povo Makonde, nomeadamente, no que diz respeito às práticas da mutilação dentária, como forma de expressão identitária desta etnia. Os Makonde são orgulhosos de si próprio, das suas raízes, tradições e cultura. Alguns dos seus rituais já não tem o rigor e a força de outrora, no entanto, continuam a ser uma oportunidade de socialização e um meio de ensinar os mais jovens a preservar e a recriar a cultura dos seus antepassados. Actualmente, a mutilação dentária é uma prática abandonada. No entanto, os Makonde tem conseguido manter a sua identidade. Para tal, muito tem contribuído a arte escultória, as cerimonias iniciaticas e a força da dança Mapiko. | Ciências Exactas e Naturais |
23,023 | Qualificação da paisagem de parques urbanos ribeirinhos com valorização da sua função educativa: caso de estudo: o parque oriental da cidade do Porto como laboratório escolar da paisagem em meio urbano | Parque Urbano | Considerando que a paisagem urbana pode constituir um eixo pedagógico na melhoria das aprendizagens para o desenvolvimento sustentável, a presente tese tem o objetivo geral de promover a valorização e a qualificação da multifuncionalidade da paisagem em parques urbanos ribeirinhos em contexto de educação/formação ambiental de alunos do terceiro ciclo do ensino básico. Num estudo de caso, foi avaliada a função educativa da paisagem do Parque Oriental (Porto) através de uma investigação com alunos de oitavo de uma escola do Porto, tendo sido observadas diferenças significativas entre as capacidades e o conhecimento adquiridos por alunos submetidos ao ensino tradicional (grupo controlo) e por alunos com ensino em sala de aula utilizando a metodologia de Aprendizagem Baseada na Resolução de Problemas (ABRP) e, em complemento, o trabalho de campo no Parque Oriental organizado segundo o modelo de Nir Orion. Observou-se que os alunos que fizeram estudos em contexto real de paisagem adquiriram maior capacidade de avaliação crítica e de aplicação de conhecimentos em novas situações do que os alunos que realizaram as suas aprendizagens apenas em sala de aula e com recurso à utilização do manual escolar. Na sequência do apresentado, foi proposta a qualificação do Parque Oriental para valorização da sua utilização como Laboratório Escolar da Paisagem, pelas escolas, em meio urbano. No Parque, foram definidas áreas de trabalho para o tratamento de temas específicos, nomeadamente no âmbito da biodiversidade, da qualidade da água e da economia verde. Ainda com o objetivo de promover a melhoria das aprendizagens dos alunos para o desenvolvimento sustentável, com valorização do estudo da paisagem, foi proposta a reformulação das metas curriculares do oitavo ano, foi proposta a criação de uma sala-laboratório da paisagem para investigação de aspetos relativos à ecologia urbana, na escola, e foram apresentadas orientações para a criação e manutenção de Laboratórios Escolares da Paisagem, na proximidade das escolas. | Ciências Exactas e Naturais |
23,040 | Immunophenotypic, genetic and molecular characterization of B-cell chronic lymphoproliferative disorders: multiclonal versus monoclonal nature | B-cells,B-cell chronic lymphoproliferative disorders,monoclonal B-cell lymphocytosis,chronic lymphocytic leukemia,multiclonality,immunogenetics,cytogenetics,immunophenotyping | Hoje o conhecimento dos mecanismos envolvidos na patogenia das doenças linfoproliferativas crónicas de célula-B (B-CLPD) assume uma importância crescente. De forma geral, a sobrevivência e/ou proliferação da célula tumoral depende tanto das anomalias genéticas das células neoplásicas como do microambiente tumoral. Neste sentido, o desenvolvimento generalizado de técnicas moleculares para a caracterização quer das alterações genéticas presentes nas células tumorais, quer das características do recetor das células B (BCR), mostrou-se fundamental. Como consequência, a leucemia linfocítica crónica (CLL) é hoje considerada como o protótipo para várias doenças de células B em que as interações com o microambiente, mais que a presença de uma anomalia genética específica, são cruciais no surgimento, expansão ou mesmo na progressão da doença, em pelo menos uma fração dos casos. Neste sentido, a existência de um repertório de genes da região variável da cadeia pesada da imunoglobulina (IGHV) tendencioso juntamente com um estado mutacional particular e a recente identificação em casos não relacionados de locais de ligação ao antigénio (Ag) praticamente homólogos (BCR “estereotipados") é, regra geral, indicativo do envolvimento de um conjunto limitado de Ags, superantigénios ou ambos, no desenvolvimento da doença, fomentando a investigação das fases iniciais da mesma, p.e., através do estudo da linfocitose monoclonal de células B (MBL). Neste sentido, a citometria de fluxo veio facilitar a identificação de casos de MBL com (MBLhigh) ou sem (MBLlow) linfocitose B absoluta, a qual precede a maioria dos casos de CLL, permitindo assim a investigação de potenciais mecanismos envolvidos na transição de tais estados precursores tipo MBL, para CLL. Uma vez que a tumorigénese consiste num processo em várias etapas, os primeiros eventos transformantes podem ainda ocorrer em etapas mais precoces, quer diretamente na contrapartida normal da célula de CLL ou talvez, mesmo no compartimento de células estaminais hematopoiéticas de doentes com CLL. Para resolver esta questão, na presente tese de doutoramento investigámos múltiplas características fenotípicas e do BCR de células B clonais assim como do seu microambiente, numa série relativamente ampla de clones MBL, CLL/B-CLPD, tanto de casos monoclonais como multiclonais. De forma a explorar se determinados Ags poderão estar envolvidos em vias citogenéticas específicas durante as fases inicias do processo oncogénico, na primeira parte do estudo, focámos o nosso interesse na potencial associação entre determinados perfis citogenéticos e repertórios IGHV específicos. Num segundo passo, foram comparadas as características do BCR e as alterações citogenéticas dos clones de células B de casos monoclonais vs. casos multiclonais para determinar neste último grupo de doentes, a possível existência de uma maior homologia nos BCR que fosse potencialmente indicadora da ocorrência de respostas imunes mediadas por células B. Por fim, comparámos as características dos casos com clones MBL e CLL estereotipados vs. não estereotipados. De forma geral, foram detetados três grupos principais de clones com padrões distintos, mas parcialmente sobrepostos, relativamente ao uso dos genes IGHV, ao estado mutacional desses genes e às alterações citogenéticas: 1) um grupo enriquecido em clones MBLlow expressando genes IGHV específicos (p.e. VH3-23) sem alterações citogenéticas ou com alterações isoladas de bom prognóstico; 2) um grupo principalmente constituído por clones MBLhigh e estágios avançados de CLL com um repertório IGHV restrito, mas diferente (p.e., VH1-69), muitas vezes associado com cariótipos complexos e alterações citogenéticas de mau prognóstico, e; 3) um grupo com características intermédias, com prevalência de genes IGHV mutados e com números mais elevados de células clonais B del(13q)+. Estes resultados sugerem que as características do BCR de clones de células B com fenótipo de CLL podem modular o tipo de alterações citogenéticas adquiridas pela célula transformada, a sua taxa de aquisição, e eventualmente também, as suas consequências clínicas. Tal como referido anteriormente, os resultados recentes apoiam a existência em doentes com CLL, de uma estimulação crónica subjacente das células B por um conjunto restrito de epítopos. Neste sentido, expansões de ≥ 2 clones de células B têm sido frequentemente relatadas em B-CLPD, principalmente na MBL, a qual parece constituir um epifenómeno de estimulação antigénica crónica e persistente. Assim, foi colocada a hipótese de a multiclonalidade se encontrar associada com características particulares do BCR indicando uma maior probabilidade de interação com determinantes imunológicos partilhados. A análise comparativa de clones de células B com fenótipo de CLL e com fenótipo não-CLL de casos de MBL, CLL/B-CLPD multiclonais vs. monoclonais mostrou que, nos casos multiclonais o BCR clonotípico apresenta um grau ligeiramente maior de homologia de HCDR3, juntamente com características hematológicas e citogenéticas únicas, que estão tipicamente associadas com os estágios iniciais da doença. De entre estes casos foi ainda identificado um subgrupo de clones de células B (coexistentes) filogeneticamente relacionados que exibiam características moleculares e citogenéticas únicas. No seu conjunto, esses resultados apoiariam a natureza de tais expansões de células B multiclonais associada ao Ag e o potencial envolvimento de múltiplos epítopos em promover o desenvolvimento da MBL e favorecer a sua progressão para doença (p.e., LLC). No entanto, o cenário no qual podem ocorrer esses eventos permanece desconhecido. De forma a ganhar um maior conhecimento acerca deste cenário, na última parte do nosso trabalho, investigamos ainda a potencial relação entre uma hematopoiese alterada/ clonal e o estímulo antigénico durante a expansão dos clones de CLL e MBL estereotipados vs. não estereotipados. No geral, os casos estereotipados exibiam mais frequentemente genes IGHV1 em vez de IGHV3, juntamente com sequências HCDR3 mais longas e genes IGHV não mutados. O tamanho dos clones de células B estereotipados no sangue periférico (PB) não mostrou estar relacionado com o seu perfil citogenético, mas sim com a presença de imunofenótipos associados com mielodisplasia em células mielóides do PB. Tal associação particular sugere que o surgimento e/ou expansão de clones de células B de CLL nestes casos estereotipados pode ser favorecido por uma hematopoiese alterada subjacente. Em conclusão, os nossos resultados destacam o potencial envolvimento de diferentes vias induzidas pelo Ag nos estágios iniciais de desenvolvimento da MBL e de transformação para CLL, onde o reconhecimento de múltiplos epítopos pelo BCR, juntamente com a coexistência ou não de uma hematopoiese alterada subjacente, poderão modular os padrões de aquisição de alterações citogenéticas na patogénese da CLL, através de diferentes vias de transição desde os estágios de MBL multiclonal até aos clones de CLL monoclonal com perfis citogenéticos mais complexos. | Ciências Exactas e Naturais |
23,045 | As mil caras de uma doença - sífilis na sociedade Coimbrã no início do século XX | Paleopatologia,Indivíduos identificados,História da medicina,Arquivos,Cemitério Municipal da Conchada,Hospitais da Universidade de Coimbra | A sífilis é uma infeção sexualmente transmissível, crónica e com transmissão congénita, cujo passado clínico se encontra bem documentado. Desde o século XV a meados do século XX, constituiu um sério problema de saúde pública na Europa. Em Portugal, são inúmeras as obras que se dedicam a este tema, particularmente depois da identificação do seu agente etiológico, o Treponema pallidum pallidum, e da descoberta de antibióticos eficazes no seu tratamento; apesar disto, a pesquisa paleopatológica no país revela apenas 9 casos possíveis/prováveis de sífilis, facto que é acompanhado pela inexistência de números oficiais no que respeita à doença no passado. Os objetivos principais do trabalho que agora se apresenta visam exatamente tentar entender e colmatar algumas destas falhas. Desta forma, o primeiro objetivo do trabalho foi o de contribuir para o conhecimento da sífilis na cidade de Coimbra, ao longo das primeiras décadas do século XX. Este objetivo foi concretizado através da consulta de material de arquivo dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e do Cemitério Municipal da Conchada (CMC). O período temporal escolhido centrou-se entre 1904 e 1937, anos de falecimento dos indivíduos das coleções osteológicas “Esqueletos Identificados” (CEI) e “Trocas Internacionais” (CTI), utilizadas na pesquisa paleopatológica. Em segundo lugar pretendeu-se aferir a importância da consulta de arquivos para os estudos paleopatológi¬cos. Finalmente, procurou-se estabelecer uma relação entre a localização das lesões da sífilis no vivo e as observadas no esqueleto, cruzando dados obtidos nos arquivos com os observados nos esqueletos pertencentes à CEI e à CTI. De entre os internamentos efetuados nos HUC entre 1904 e 1937, 5,9% (6705/114307) tinham como patologia diagnosticada a sífilis. A maioria dos doentes entrou com diagnóstico de sífilis adquirida (89,3% [1619/1813]), tendo os restantes 10,7% (194/1813) ocorrido na sua forma congénita. A sífilis adquirida afetou sobretudo jovens adultos (20-39 anos), solteiros, sem distinção estatisticamente significativa entre sexos. A sífilis congénita foi detetada sobretudo em crianças, entre os 0 e os 4 anos de idade. A maioria dos internamentos por sífilis congénita ocorreu quando a doença se apresentava já na sua forma terciária (53,9% [21/39]), o mesmo não sucedendo na forma adquirida da doença, com 29,5% (1063/3598) dos casos. A sífilis óssea foi responsável por 16,2% (57/352) dos internamentos femininos e 8,1% (60/738) dos masculinos, manifestando-se sobretudo por reações ósseas inespecíficas, como osteítes e reações periósteas, ocorrendo a formação de gomas ósseas em 1,8% das mulheres e 1,3% dos homens. A maioria das manifestações ósseas da doença ocorreu no crânio em 64% das mulheres e 61,8% dos homens, particularmente no palato e nos parietais. Os membros inferiores foram afetados em 48% dos indivíduos do sexo feminino e em 60% dos masculinos. A sífilis enquanto causa de morte revelou-se pouco frequente, englobando 0,9% (181/20680) dos enterramentos efetuados no CMC no período em estudo. A maioria destes indivíduos era do sexo masculino (57,5%), com uma idade média à morte de 45,4 anos; as mulheres, correspondentes a 38,1% das mortes por sífilis, faleceram, em média, aos 40,7 anos. Perto de metade (46,4%) das inumações pertenceu a crianças com menos de 10 anos de idade à morte. Todas as mortes por sífilis se ficaram a dever à forma terciária da doença, com 83,1% (49/59) dos casos de sífilis maligna (neurossífilis e cardiovascular). Nas coleções osteológicas 0,8% (13/1647) dos indivíduos possuem sífilis registada como causa de morte; após análise dos arquivos dos HUC, o número subiu para 56 (3,4%), 39 do sexo masculino (idade média à morte de 43,7 anos) e 17 do feminino (idade média de 40,6 anos); destes, 29% (n=16) foram diagnosticados com sífilis secundária, 25% (n=14) terciária e 7% (n=4) primária. Seguindo os critérios de diagnóstico propostos na bibliografia paleopatológica nenhum dos indivíduos poderia ter sido identificado como doente de sífilis. Apenas em 15 (27,3%) foram referenciadas lesões, não específicas, com possível relação com a doença; destes, 16,4% (n=9) possuíam o crânio afetado, sem qualquer caso de caries sicca; relativamente ao esqueleto pós-craniano foram identificadas lesões nos ossos dos membros inferiores, em 50% (n=1) das mulheres e 46,7% (n=7) dos homens, em algumas costelas e num esterno. A inexistência de gomas ósseas não permite concluir que estas lesões tenham origem na sífilis, ainda que essa seja uma causa possível. Estes resultados vêm confirmar, e reforçar, a problemática do diagnóstico paleopatológico, em particular quando o esqueleto está incompleto, sendo essencial a continuidade dos estudos, quer em populações coevas mas distanciadas espacialmente, quer em populações mais antigas, de forma a melhor compreender o passado da sífilis. | Ciências Exactas e Naturais |
23,060 | A Flore Portugaise e as viagens de Hoffmannsegg e Link a Portugal (1795-1801) | Botânica | O mecenas e botânico alemão Johann Centuris Graf von Hoffmannseg (Conde de Hoffmannsegg) promoveu duas viagens a Portugal, uma em 1795/1796, na companhia do ilustrador e futuro dermatologista Wilhelm Gottfried Tilesius e outra, de 1798 a 1801, desta vez na companhia do botânico e professor universitário Johann Heinrich Friederich Link. A primeira viagem fracassou, mas a segunda deu origem à publicação, entre 1809 e 1840, da Flore Portugaise ou description de toutes les plantes que croissent naturellement au Portugal, (Flora Portuguesa ou descrição de todas as plantas que crescem naturalmente em Portugal) uma monumental edição, impressa na Alemanha, com 54x36 cm, 504 páginas de texto, 114 gravuras impressas pelo, então inovador, processo da calcografia e acabadas de colorir manualmente; a obra nunca foi encadernada, tendo sido editada em 22 fascículos, que foram saindo entre 1809 e 1840. O original, com 150 desenhos, ficou destruído nos últimos bombardeamentos aéreos da II Guerra Mundial, que atingiram a biblioteca do Jardim Botânico de Berlim, na noite de 1 de março de 1943. A Flore Portugaise, de que são conhecidos no Mundo muito poucos exemplares, descreve 659 espécies da flora portuguesa, das 2059 recolhidas por Hoffmannsegg e Link e das mais de 3000 atualmente conhecidas e ficou por concluir. A tipografia que a imprimiu no século XIX ainda há poucos anos, à data da queda do Muro de Berlim (1989), detinha, como verificamos, milhares de folhas soltas e gravuras da Flore Portugaise, o que demonstra que a própria distribuição foi interrompida. Parte dessas sobras da tipografia foram adquiridas por um alfarrabista alemão que encadernou na década de 1990 cerca de 50 exemplares incompletos da Flore, que vendeu em leilões, um dos quais adquirimos na Califórnia. Essas viagens, em plena Revolução Francesa, deram origem, ainda, a três livros escritos por Heinrich Friederich Link, com a descrição da própria viagem e dos percursos feitos pelos dois botânicos em Portugal. Pretendeu-se com este trabalho, através da pesquisa em arquivos e publicações antigas, apurar as circunstâncias e contexto histórico e científico em que a Flore Portugaise foi preparada e editada, e apurar as razões porque ficou por concluir; sabe-se agora que as relações pessoais entre Hoffmannsegg e Link foram uma dessas razões, porventura a principal. A vontade de Link se antecipar a Brotero na divulgação de importantes novidades botânicas sobre Portugal, levou-o a publicar em 1801 o primeiro livro da viagem a Portugal, conseguindo fazer isso antes de Brotero publicar a sua Flora Lusitanica, em 1804. Link antecipou-se também a Hoffmannsegg, publicando com este livro o mapa de Portugal que tinham preparado para incluir na Flore Portugaise, e que Hoffmannsegg tinha muita vontade de ver publicado pois, segundo ele, fazia muitas correções à geografia de Portugal o que, afinal, não era bem assim. Em 1826 o famoso editor berlinense Georg Reimer tentou concluir a edição da Flore e celebrou um contrato com Hoffmannsegg para prosseguir a edição até ao 30º fascículo, mas este contrato nunca foi cumprido, tendo a edição sido definitivamente interrompida no fascículo 22º, em 1840. Encontrou-se documentação que demonstra a preparação pelos dois botânicos alemães de uma outra obra, a Flore Lusitaniae, e traduziu-se pela primeira vez para português o prefácio que Hoffmannsegg, em data posterior a 1814, chegou a escrever para essa obra. Revisitaram-se os livros das viagens a Portugal, interpretando muita da informação ali dada, completando-a e atualização a nomenclatura das espécies descritas e, como complemento, trata-se em anexo um manuscrito inédito do botânico austríaco Friedrich Welwitsch, sobre a Flore Portugaise, encontrado na Academia de Ciências de Lisboa e um manuscrito quase inédito do botânico amador francês Louis-François de Tollenare sobre a flora do Porto. | Ciências Exactas e Naturais |
23,092 | Vitamina C e cancro. Estudo experimental | vitamina C,cancro colorretal,efeito citotóxico,efeito quimiossensibilizante | O cancro colorretal é o terceiro tipo de cancro mais incidente e representa 9,7% da incidência de cancro em todo o mundo. A taxa de mortalidade tem diminuído, principalmente nos países ocidentais, devido aos programas de rastreio e consequente deteção da doença em estádios precoces, assim como, à disponibilidade de terapias mais eficazes. A quimioterapia mantém-se uma das principais opções terapêuticas contra esta neoplasia. No entanto, esta modalidade de tratamento convencional mostra-se muitas vezes insuficientemente eficaz e altamente associada a efeitos adversos limitantes da prossecução dos tratamentos. O potencial da vitamina C na terapia do cancro há muito que tem sido avaliado, pelas suas propriedades pró-oxidantes e pelo seu potencial em reduzir os efeitos adversos relacionados com o tratamento do cancro. Dada a polarização de corrente de pensamento entre o ceticismo relativo à eficácia terapêutica de concentrações farmacológicas de vitamina C e as evidências altamente sugestivas dos seus efeitos benéficos no tratamento do cancro, há uma necessidade eminente de conhecimento dos mecanismos específicos pelos quais a vitamina C atua contra a célula tumoral. Atuais revisões sistemáticas têm sugerido uma reduzida robustez dos estudos pré-clínicos e dos ensaios clínicos realizados com concentrações farmacológicas de vitamina C. Esta é a razão que motivou a realização deste trabalho experimental, cujo objetivo é avaliar o potencial da vitamina C, na forma de ácido ascórbico (AA), no tratamento do cancro colorretal. A citotoxicidade da vitamina C em três linhas celulares humanas de cancro colorretal, com diferentes perfis genéticos, foi avaliada e o seu mecanismo anti-tumoral foi estudado. Para tal, inúmeras técnicas de biologia celular e molecular foram utilizadas, entre elas, o ensaio da sulforrodamina B, a citometria de fluxo, a microscopia ótica, o western blot, a marcação radioativa e os estudos de influxo. Adicionalmente, pretendeu-se averiguar o efeito quimiossensibilizante da vitamina C in vitro, com a implementação de um modelo de combinação de fármacos baseado num desenho experimental em raio. O modelo animal heterotópico de cancro colorretal foi desenvolvido para avaliação do potencial terapêutico e sinérgico da vitamina C in vivo. Os estudos de citotoxicidade mostraram que o ácido ascórbico induziu efeitos anti-proliferativos, citotóxicos e genotóxicos nas três linhas celulares de cancro colorretal. As vias de morte ativadas pelo ácido ascórbico foram dependentes da sensibilidade das linhas celulares ao stresse oxidativo e da intensidade do estímulo oxidativo. O ácido ascórbico foi igualmente capaz de induzir morte celular por um mecanismo independente de espécies reativas de oxigénio, de caspases e da proteína P53. Elevadas concentrações de ácido ascórbico permitiram ainda reverter a quimiorresistência da linha celular LS1034. O modelo de combinação de fármacos mostrou que concentrações elevadas de ácido ascórbico sensibilizam a célula de cancro colorretal ao efeito do 5-FU, da oxaliplatina e do irinotecano. Os efeitos anti-proliferativos mais notórios ocorreram quando o ácido ascórbico estava presente em maior proporção. A combinação de ácido ascórbico com oxaliplatina revelou ser a mais promissora, facto corroborado pelos resultados dos estudos in vivo. Os estudos in vivo mostraram ainda que concentrações farmacológicas de ácido ascórbico inibiram o crescimento de xenotransplantes de cancro colorretal e potenciaram os efeitos citotóxicos da oxaliplatina e do irinotecano. Este trabalho de investigação fundamental reforça o potencial da vitamina C no tratamento do cancro colorretal. De facto, concentrações farmacológicas deste nutriente medeiam diferentes mecanismos de ativação de morte da célula tumoral e sensibilizam-na para o efeito da quimioterapia. Este conhecimento mais aprofundado dos mecanismos de ação da vitamina C e a expectável rigorosa avaliação da sua eficácia clínica poderão contribuir para o estabelecimento de protocolos de tratamento mais eficazes, economicamente sustentáveis, de baixa toxicidade e que contribuam para a melhoria da qualidade de vida do doente oncológico. Colorectal cancer is the third most frequent type of cancer worldwide, representing an incidence of 9.7%. The mortality rate has decreased, especially in Western countries due to screening programs implementation and the subsequent detection of the disease in early stages, as well as the availability of more effective therapies. However, chemotherapy remains a major therapeutic option against this type of cancer. This conventional treatment modality often displays insufficient effectiveness and highly adverse effects limiting the pursuit of treatments. The potential of vitamin C in cancer therapy has long been evaluated by its pro-oxidant properties and its potential to reduce the adverse effects related to the cancer treatment. Given the division of opinions between the skepticism around the therapeutic efficacy of pharmacological concentrations of vitamin C and the highly suggestive evidence of their beneficial effects in the treatment of cancer, there is an imminent need for knowledge of the specific mechanisms by which vitamin C acts against tumor cell. Current systematic reviews have suggested a reduced robustness of preclinical studies and clinical trials with pharmacologic concentrations of vitamin C. This is the reason that motivated this experimental study, which aims to assess the potential of vitamin C, in the form of ascorbic acid (AA), for the treatment of colorectal cancer. The cytotoxicity of vitamin C in three human colorectal cancer cell lines, with different genetic profiles, was evaluated and its antitumor mechanism was studied. For this purpose, several cellular and molecular biology techniques have been used, such as sulforhodamine B assay, flow cytometry, light microscopy, western blot analysis, radioactive labeling and influx studies. In addition, it sought to determine the chemosensitive effect of vitamin C in vitro, with the implementation of a model of drugs combination based on a ray experimental design. The heterotopic animal model of colorectal cancer has been developed for evaluation of therapeutic and synergistic potential of vitamin C in vivo. Cytotoxicity studies showed that ascorbic acid induces anti-proliferative, cytotoxic and genotoxic effects in cells of the three cell lines of colorectal cancer. The cell death pathways activated by ascorbic acid are dependent on the sensitivity of cell lines to oxidative stress and oxidative stimulus intensity. Ascorbic acid is also capable of inducing cell death through a mechanism independent of reactive oxygen species, caspases and P53. High concentration of ascorbic acid also allowed to reverse the chemoresistance of LS1034 cell line. The model of drugs combination showed that high concentrations of ascorbic acid sensitize the colorectal cancer cell to the effects of 5-FU, oxaliplatin and irinotecan. The most notorious anti-proliferative effects were observed when ascorbic acid is present in greater proportion. The combination of ascorbic acid and oxaliplatin was shown to be the most promising combination, fact corroborated by the results of in vivo studies. In vivo studies have shown that pharmacological concentrations of ascorbate inhibit the growth of colorectal cancer xenografts and potentiate the cytotoxic effects of oxaliplatin and irinotecan. This fundamental research work reinforces the potential of vitamin C in the treatment of colorectal cancer. In fact, pharmacological concentrations of this nutrient mediate different mechanisms of tumor cell death activation and sensitize it to the effect of chemotherapy. This deeper understanding of vitamin C mechanisms of action and the expected rigorous evaluation of its clinical effectiveness may contribute to the establishment of more effective treatment protocols, economically sustainable, with low toxicity and that contribute to the improvement of cancer patient's quality of life. | Ciências Exactas e Naturais |
23,096 | Avaliação dos mecanismos moleculares de resistência a hipometilantes em Leucemia Mieloide Aguda | Leucemia mieloide aguda,Azacitidina,Decitabina,Transportadores membranares, nuclear e enzima de metabolismo,Resistência farmacológica | A leucemia mieloide aguda (LMA) é uma neoplasia complexa e heterogénea da célula progenitora hematopoiética, cujas características incluem desregulação da diferenciação, proliferação clonal e acumulação na medula óssea de células mieloides imaturas. A leucemia promielocítica aguda é um subtipo raro de LMA em que existe acumulação de promielócitos na medula óssea. A maioria dos casos está associado a uma translocação reciproca t(15;17) (q24.1;q21.2) envolvendo os genes PML/RARα. Apesar dos bons resultados da terapêutica com o ácido all-trans retinóico (ATRA), um indutor da diferenciação, alguns doentes desenvolvem efeitos secundários (ex. síndrome do ATRA) e/ou resistência à terapêutica. Neste sentido, tornou-se necessário o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. Sabendo que as células tumorais estão geralmente, hipermetiladas na zona do promotor de genes supressores tumorais, o que conduz ao seu silenciamento epigenético, foi relevante a partir desta característica desenvolver novas terapias dirigidas a alvos moleculares. Assim surgiu a terapia epigenética através de moduladores epigenéticos, nomeadamente os agentes hipometilantes e os inibidores das desacetilases das histonas. Os hipometilantes como a 5-azacitidina (AZA) e a 2’-deoxy-5-decitabina (DAC) estão atualmente aprovados para o tratamento de algumas neoplasias hematológicas, incluindo leucemias mieloides agudas e síndromes mielodisplásicas. A eficácia da terapia epigenética depende da capacidade de transporte do fármaco para o tecido alvo, entre outros mecanismos. Alterações na atividade e/ou expressão dos transportadores de influxo e efluxo, e ainda em enzimas de metabolismo como a UDP (uridina difosfato) glucuronosil transferase família 1 membro A1 (UGT1A1), podem influenciar a eficiência farmacológica dos fármacos hipometilantes. O objetivo deste trabalho consistiu em avaliar alguns mecanismos moleculares envolvidos na resistência a moduladores epigenéticos (hipometilantes), em particular o envolvimento dos transportadores de efluxo da família ABC e das proteínas vault, na leucemia mieloide aguda. Para a realização do trabalho experimental foi utilizada uma linha celular de LMA/LPA (sem a translocação PML/RARα), a linha celular HL-60, e uma sublinharesistente ao fármaco azacitidina, as células HL-60AZA, (previamente estabelecida no Laboratório de Oncobiologia e Hematologia (LOH) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra). Ambas as linhas celulares foram incubadas com doses crescentes de azacitidina e decitabina durante 72h. A proliferação e viabilidade celulares foram avaliadas através do teste de exclusão azul de tripano e o tipo de morte celular por microscopia ótica (morfologia celular) após coloração das células com May-Grünwald-Giemsa. Os níveis de expressão génica do transportador membranar ABCG2 (gene que codifica a proteína BCRP), assim como do gene da enzima UGT1A1, foram determinados por PCR em tempo real. Os níveis de expressão proteica dos transportadores membranares da família ABC, glicoproteína-P (P-gp), MRP1 e da proteína transportadora nuclear major vault (MVP ou LRP), foram avaliados recorrendo à técnica de citometria de fluxo. Por fim, através da técnica de MS-MLPA (Methylation-Specific Multiplex Ligation-dependent Probe Amplification), analisou-se o perfil de metilação de vários genes supressores tumorais (TP73, MSH6, VHL, RARβ, ESR1, CDKN2A, PAX5, KLLN, MGMGT, PAX6, WT1, CD44, GSTP1, ATM, CADM1, CHF3, BRCA2, RB1, THBS1, PYCARD, CDH13, TP53, BCRA1, STK11, GATA5) nas duas linhas celulares em estudo. Em termos de resultados observou-se um efeito citostático (dependente da concentração do fármaco e da linha celular) e citotóxico (dependente da concentração, do tempo de incubação e da linha celular) induzidos pela azacitidina. Estes efeitos foram mais evidentes na linha HL-60 do que na linha resistente, HL-60AZA. O IC50 da linha HL-60AZA foi de 187,1 μM e o da linha HL-60 de 58,5 μM, o que demonstra que as células HL-60AZA são cerca de 3,2 vezes mais resistentes à azacitidina relativamente às células parentais sensíveis. De igual modo, a decitabina induziu um efeito citostático e citotóxico dependentes da concentração de fármaco, do tempo de incubação e da linha celular, superiores na linha celular sensível, comparativamente à linha resistente. No entanto, a concentração de decitabina necessária para atingir o IC50 foi inferior à da azacitidina. A sublinha celular HL-60AZA (cujo IC50 foi de 5195 μM) revelou ser resistente 110,8 vezes superior, comparativamente à linha celular sensível (cujo IC50 foi de 46,9 μM). No presente trabalho observou-se resistência cruzada à decitabina nas células resistentes à azacitidina, indicando, que em caso de resistência a um análogo de nucleósido, haverá resistência a fármacos da mesma família. 5 Morfologicamente, as células HL-60 incubadas durante 72h com 5 μM de azacitidina apresentam menor razão núcleo-citoplasma, comparativamente à situação controlo e às células HL-60AZA incubadas nas mesmas condições. A avaliação dos perfis de metilação e do número de cópias dos genes estudados, não revelou diferenças entre a linha celular HL-60AZA e a linha parental HL-60. No entanto, nas células resistentes observou-se um aumento estatisticamente significativo dos níveis de expressão proteica dos transportadores da família ABC, glicoproteína-P e MRP1, e de MVP e uma tendência para aumento dos níveis de expressão dos genes ABCG2 e UGT1A1. Em conclusão, os resultados sugerem o envolvimento dos transportadores glicoproteína-P, MRP1 e MVP no desenvolvimento de resistência à azacitidina na leucemia mieloide aguda. | Ciências Exactas e Naturais |
23,097 | A reedificação da igreja de São Julião em Lisboa : estudo bioantropológico de uma amostra de 22 indivíduos e um ossário inumados na primeira metade do século XIX | Período pós- pombalino,Museu do Dinheiro,esqueleto humano,antropologia funerária,antropologia dentária,paleopatologia | Os estudos bioantropológicos permitem reconstruir padrões de vida das populações pretéritas. A presente dissertação visa o estudo de uma amostra de 22 indivíduos inumados in situ e de um ossário, provenientes da unidade estratigráfica 27 das escavações realizadas, em 2010 e 2011, na igreja de São Julião, atualmente sede do Museu do Dinheiro, em Lisboa. A amostra data dos inícios da primeira metade do século XIX. A análise laboratorial baseou-se na observação macroscópica, a olho nu e através de radiografias, e nas metodologias convencionalmente estabelecidas para investigações paleodemográficas e paleopatológicas, tendo em conta as necessidades específicas impostas pelo material em estudo. Os vestígios osteológicos recuperados do ossário permitiram a observação de um número mínimo de 3 indivíduos, 2 adultos um do sexo feminino e outro do sexo masculino, e de um não-adulto. Das inumações primárias observou-se a presença de 18 indivíduos adultos, dos quais 9 femininos, 7 masculinos, destes 2 adultos jovens, e 2 de sexo indeterminado. Dois dos 4 indivíduos não adultos tinham idades compreendidas entre 0 e 2 anos e os restantes entre 5 e 9 anos. As médias das estaturas foram: 159,44 cm ± 4,35 cm(n=9) no sexo feminino, 172,34 cm ± 4,79 cm (n=7) no sexo masculino e 163,14 cm ± 4,63 cm (n=2) nos de sexo indeterminado. Da análise das alterações patológicas orais destacam-se a presença de cáries e a acumulação de cálculo dentário em 90% (9/10) dos casos observados, e ainda em 20% (2/10) dos indivíduos o desgaste atípico, a presença de hipoplasias e a presença de lesões periapicais. Das restantes alterações patológicas observadas destacam-se a presença de alterações degenerativas articulares em 94% (17/18) dos indivíduos. Destaca-se, ainda, a presença de alterações possivelmente associadas a disfunções metabólicas (n=2), doenças infeciosas (n=2) e eventos traumáticos (n=6). Nos esqueletos 2767, 2770 e 2786 observou-se a presença de ossificações atípicas correspondentes à região da faringe. As comparações efetuadas com um estudo prévio de material osteológico do mesmo local não revelaram diferenças assinaláveis. | Ciências Exactas e Naturais |
23,100 | Estimativa da idade a partir da 1ª costela | Idade à morte,Adultos,1ª costela,Estimação pelo método do núcleo | A estimativa da idade é um dos parâmetros do perfil biológico mais problemático de estimar, sobretudo nos adultos devido à variabilidade do envelhecimento. Os investigadores têm a sua disposição várias metodologias para diferentes indicadores etários. Um dos métodos recentemente desenvolvido é o método de DiGangi e colaboradores (2009) para a 1ª costela. Este osso apresenta algumas características que o tornam um bom indicador etário: (1) é facilmente identificável e robusta, relativamente à 4ª costela; (2) a remodelação óssea e ossificação da cartilagem inicia-se cedo e prolonga-se até depois da 8ª década de vida; e (3) a ossificação da cartilagem segue um padrão de distinto das restantes, iniciando-se na junção costocondral em direção ao esterno. O presente trabalho tem dois grandes objetivos: (1) avaliar o desempenho do método de DiGangi e colaboradores (2009); e (2) aplicar uma nova abordagem estatística, proposta por Lucy e colaboradores (2002) a partir da qual se desenvolveram modelos preditivos. O método de DiGangi e colaboradores (2009) foi aplicado numa amostra de 192 indivíduos e os modelos preditivos foram elaborados a partir de uma amostra de 226 indivíduos. Estes indivíduos pertencem à CEI/XXI e CEIUC. A concordância, tanto intra-observador como inter-observador variou entre ligeira e substancial. O valor de concordância inter-observador mais baixo foi para a topografia da superfície da cabeça (k = 0.2813, p-value = 0.000) e o valor mais elevado foi a forma geométrica da face costal (k = 0.7407, p-value = 0.000). Obteve-se 82% de cobertura, 22 anos de erro entre a idade real e a idade estimada e um viés de -15 anos. Até aos 69 anos, todos os indivíduos foram inseridos nos intervalos que continham as suas idades cronológicas. A correlação entre a idade real e estimada (r = 0.69), tal como a correlação entre as variáveis com a idade, são moderadas. E o coeficiente de determinação (r2 = 0.48) sugere que as alterações que se dão na 1ª costela estão relacionadas com outros fatores. A nova abordagem estatística permitiu reduzir o erro, que varia entre os 16-18 anos, embora, de forma geral, o desempenho das duas abordagens tenha sido semelhante. A partir dos resultados obtidos pode-se concluir que o método de DiGangi e colaboradores (2009) é pouco fiável e pouco exato. É necessário realizar investigações adicionais para compreender as alterações degenerativas da 1ª costela e rever os sistemas de classificação demodo a aumentar a concordância, de modo a que este indicador se torne adequado para estimar a idade à morte de adultos. | Ciências Exactas e Naturais |
23,101 | Produção de bioetanol a partir de Sargassum muticum (Phaeophyceae) | S. muticum,Hidrólises,Bioetanol,Fermentação | Sagarssum muticum é membro da ordem Fucales, da família Sargassaceae, e do gênero Sagarssum. Esta espécie é um potencial competidor e substituto de membros de Laminariales e Fucales que, em suas comunidades, são considerados como espécies chaves ou críticas. As macroalgas têm como um dos seus constituintes predominantes, os polissacarídeos, onde os principais são: alginato, ágar e carragenanas, assim a classe Phaeophyceae, apresenta especial predominância do ácido algínico, que através de hidrólise ácida destaca subprodutos como a glicose, a fucoidana e o ácido algínico, sendo este último um polímero linear que apresenta resíduos do ácido β-D manorônico, assemelhando-se desta forma à pectina e à celulose, que ao sofrerem fermentação permitem a produção de bioetanol. As amostras de Sargassum muticum foram submetidas a extração de polissacarídeos, sacarificação ácida e enzimática, fermentação com S. cerevisiae e analisadas por HPLC e CG para monitoração dos índices de etanol. Os maiores teores de açúcares foram encontradas nas sacarificações realizadas com H2SO4 a 5%, seguida por 2,5% e 3%. Entre os hidrolisados submetidos a fermentações com Saccharomyces cerevisiae, obteve-se os maiores teores de produção de etanol. Já as que apresentaram os menores índices foram as amostras H2SO4 a 4% e as que receberam sacarificação por celulase. O baixo desempenho das fermentações dos hidrolisados com celulase pode ter sido influenciado pela baixa atividade da enzima (1,44U/mg), se comparada com as celulases comercializadas atualmente (atividade igual ou superior a 700 U/mg). Neste trabalho, foram analisadas e contabilizadas por Cromatografia Gasosa, a presença de etanol que mostrou de forma clara resultados compatível com taxa de produção de etanol observada nos hidrolizados com H2SO4 a 2,5% e 4% (variação 2), pois, estes são os únicos a apresentar valores acima de 50%, distanciando-se do percentual dos demais hidrolisados. | Ciências Exactas e Naturais |
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