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O recorrente tem um suporte familiar absolutamente exemplar. |
Trabalha em parceria com a sua companheira, na RIM, onde já tem o cargo de chefe, o que se arrisca a perder, dada a sua impossibilidade em prestar o trabalho. |
Do ponto de vista social, o recorrente é visto pela comunidade como uma pessoa pacífica, respeitadora e humilde, encontrando-se plenamente inserido no meio onde vive. |
É tido pelos seus amigos como uma pessoa de bem e companheiro, que gosta de ajudar os outros. |
Estamos perante uma pessoa plenamente inserida do ponto de vista económico, familiar e social. |
Um dos princípios basilares de um Estado de Direito é o princípio da liberdade do cidadão, o qual está, no nosso ordenamento jurídico, consagrado no art. |
2, n. 1, da Constituição da República Portuguesa. |
A aplicação da prisão preventiva está sujeita não só às condições gerais contidas nos n.s 19 a 19 do CPP, em que avultam os princípios da adequação, da necessidade e da proporcionalidade, como aos requisitos gerais previstos no art. |
20 e aos específicos consagrados no art. |
20, do CPP. |
Neste contexto, a aplicação das medidas de coação, máxime da prisão preventiva, pautando se pelo princípio constitucional da presunção da inocência, deve respeitar os princípios da necessidade, adequação, proporcionalidade e subsidiariedade. |
A prisão preventiva, enquanto medida de coação de natureza excecional e de aplicação subsidiária, só pode ser determinada quando as outras medidas se revelem inadequadas ou insuficientes, devendo ser dada prioridade a outras menos gravosas por ordem crescente - cf., conjugadamente, o art. |
2, n. 2 da CRP e o art. |
19, n .s 2 e 3, do CPP Tal medida , mantida ao recorrente, assentou no elevado perigo de continuidade da atividade criminosa para o efeito foi invocado, como facto relevante, o recorrente ter um a personalidade violenta, fria e calculista, pese embora, de perturbação do inquérito, nomeadamente, o perigo para aquisição conservação ou veracidade da prova, usando o conhecimento que tem relativamente a intervenientes processuais fulcrais, no sentido de estes, quando inquiridos no âmbito do processo, não relatarem factos que, correspondendo à verdade, possam fazer piorar a sua situação jurídica, e com grande acuidade o perigo de fuga e já anteriormente se tentou subtrair à ação da justiça, com a versão de "que não se entregou porque tinha a possibilidade de assistência por parte da sua ilustre defensora", embora de forma incipiente, crê-se com o real o perigo de fuga. |
Com o devido respeito, se os demais requisitos não subsistem, muito menos o de perigo de fuga é real, pois como j á acima se explanou, se essa fosse a real intenção do recorrente, ele tê-lo-ia feito, pois desde a data dos factos, até à sua detenção, passaram mais de 72 horas. |
Pelo que, se essa fosse de facto real intenção do recorrente, este já teria fugido. |
Mas ao invés, procurou a ajuda necessária para se entregar, pois não o queria fazer sozinho, e só não o fez por impedimento real, concreto e amplamente conhecido nos autos, desde a sua detenção e posteriormente provado, pela junção do comprovativo do impedido da ora subscritora, bem como pela alegação da conversação mantida no dia 28-09 -2021, com o Chefe da PSP. |
A versão trazida pelo recorrente não é inverosímil, porquanto é assente em factos concretos, desde já provados nos autos por documento, bem como poderia ainda ser comprovado pela inquirição do Chefe, o que claramente o Tribunal a quo ignorou. |
Quem quer fugir à justiça, não procura a PSP em 28-09-2021, antes da sua detenção) para dar conhecimento da sua pretensão em pretender apresentar-se pelos factos ocorridos no dia 25-09-2021 e apresentar a justificação para o facto de não o fazer no imediato, dando nota de onde se encontrava a residir. |
Tais factos e atitude do recorrente não são compatíveis com o perigo de fuga. |
Sucede que o perigo aqui em causa "deve ser real e iminente, não meramente hipotético, virtual ou longínquo, e resultar de ponderação de factos vários, como sejam toda a factualidade conhecida no processo e a sua gravidade, bem como quaisquer outros, como a saúde, situação económica, profissional e do recorrente, bem como a sua inserção no contexto social e familiar” - Ac. |
da RC, de 102011 in www.dgsi.pt Proc 2221/19PBAVR-A.C1). . |
In casu, não foram mencionados factos suscetíveis de permitir a aplicação de medida tão gravosa ao recorrente, tendo a mesma assentado apenas em meros juízos abstratos, não concretizados em factos, tal como exige o art. |
20, do CCP. |
Até porque, não estão indiciados quaisquer factos que façam depreender a continuação da atividade criminosa, o perigo de perturbação do inquérito e o perigo de fuga. |
O comportamento colaborante, pacífico e humilde do recorrente, revelam uma faceta da personalidade que, conjugada com a ausência de antecedentes criminais, a sua plena inserção laboral, social e familiar, permite, indesmentivelmente, afirmar que estamos perante uma atenuação das exigências cautelares que determinaram a manutenção da sua prisão preventiva. |
Desde que entrou no, o recorrente não come, já emagreceu vários quilos, não consegue viver naquele meio, chora compulsivamente, por ter praticado factos, que acabaram por destruir a sua vida pacata e está a entrar em desespero. |
Nunca pensou estar numa prisão e o tempo decorrido já o fez ver e pensar que não é sítio onde queira estar. |
O recorrente tem tido um com portamento exemplar no estabelecimento prisional, sendo que teme pela sua integridade física e mesmo pela sua vida, dentro do. |
Importa ainda ter presente que o recorrente tem uma estrutura psicológica muito frágil, pelo que a sua permanência em estabelecimento prisional, longe da sua família, certamente colocará em risco a sua própria vida. |
O apoio familiar é especialmente importante para a sua existência, bem como o contato permanente com os seus 3 filhos menores, os quais se encontram com as mães e que o recorrente os ajudava, quer monetariamente, quer ficando com os mesmos, sempre que as mães lho solicitavam. |
Desde que se encontra detido não mais viu os seus filhos, o que o tem abalado imenso. |
Para além do mais, depois do impacto sofrido com a busca, apreensão, detenção e a sua prisão preventiva, a sua debilidade física e instabilidade emocional sempre o impediriam de continuar com a atividade criminosa e/ou sequer de praticar algum ato menos conforme com a lei e muito menos de perturbar o inquérito, manipulando as testemunhas e muito menos de fugir, pois o recorrente não consegue viver longe das pessoas que ama, como a sua companheira e os seus filhos, pelo que nunca pensou em fugir, mesmo quando teve essa possibilidade em aberto, nem jamaia fugiria. |
Assim, a ausência de antecedentes criminais, a postura desde sempre colaborante do recorrente e a sua plena integração familiar, laboral e social afastariam necessariamente o perigo de continuação da atividade criminosa, de perturbação do inquérito e o perigo de fuga. |
Sem prescindir e admitindo-se por mera hipótese que existissem os perigos plasmados no art. |
20, als., e, do CPP, os mesmos no caso em análise, nunca teriam a carga atribuída pelo Tribunal a quo e que justificou a manutenção da prisão preventiva. |
De facto, atendendo à postura e colaboração do recorrente, à ausência de antecedentes criminais e à sua plena integração laboral, social e familiar, as necessidades cautelares que eventualmente existissem, podiam ser igualmente satisfeitas através de outras medidas de coação menos gravosas, mormente a constante no art. |
20 obrigação de permanência na habitação), do CPP, por aplicabilidade do n. 3, do art. |
19 do CPP. |
De outra forma, a prisão preventiva deixará de ser uma medida excecional, a ultima ratio, passando a assumir-se como a medida de coação regra. |
Assim, a prisão preventiva é desproporcional ou excessiva face ao caso concreto. |
Na decisão que decretou a manutenção da prisão preventiva ora impugnada, o Tribunal a quo não valorou, conforme devia, a ausência de antecedentes criminais, a inserção laboral, social e familiar do recorrente, o facto de não se ter furtado à justiça, quando o poderia ter feito, bem com o a sua postura colaborante, não o tendo feito ab initio pelo facto de não estar devidamente assessorado pela sua advogada, o que sempre manifestou e comprovou ser facto verdadeiro. |
Sendo que, assim que a sua advogada deixou de se encontrar impedida de o acompanhar, requereu a sua audição, explicando a sua versão dos factos, requereu novos meios de prova como as filmagens do, onde se terá iniciado a discussão) e inquirição de testemunhas, com vista a colaborar com a justiça na descoberta da verdade material dos factos. |
Tais elementos probatórios não foram relevados pelo Tribunal a quo, mas aproveitou a indicação probatória indicada pelo recorrente na subsequente investigação. |
Por um lado, a versão do recorrente não é verossímil, mas por outro aproveita os elementos de prova que o mesmo indica com vista ao cabal esclarecimento dos factos. |
Podemos assim concluir que, na manutenção da prisão preventiva ora em causa, não foram observados os princípios e regras que lhe estão subjacentes, mormente, os princípios da necessidade, adequação, proporcionalidade e subsidiariedade, o que torna a mesma ilegal, por violação, entre outros, dos arts. |
1, n. 2, 2, n. 2, 3, n. 2, da CRP e dos arts. |
19, n. 1, 19, n. 2, 193, 20 e 20, do CPP. |
Os referidos preceitos deviam ter sido interpretados no sentido de ser suficiente, face à postura e colaboração do recorrente, à ausência de antecedentes criminais, às necessidades cautelares em causa, que claramente estão sobrevalorizadas no despacho de que se recorre, a aplicação de outra medida de coação menos gravosa. |
TERMOS EM QUE DEVE O DESPACHO RECORRIDO SER SUBSTITU ÍDO POR OUTRO QUE REVOGUE A PRISÃO PREVENTIVA MANTIDA AO RECORRENTE E APLIQUE A ESTE OUTRA MEDIDA DE COAÇÃO QUE RESPEITE OS PRINCÍPIOS DA NECESSIDADE, ADEQUAÇÃO, PROPORCIONALIDAD E MENOR INTERVENÇÃO, MORMENTE A OBRIGAÇÃO DE PERMANÊNCIA NA HABITAÇÃO, SUJEITA A VIGILÂNCIA ELETRÓNICA.» O recurso foi regularmente admitido. |
O Ministério Público, na 1 instância respondeu ao recurso, pronunciando-se no sentido de dever ser negado provimento ao recurso e mantido o despacho recorrido, formulando, a final, as seguintes conclusões: «1) O arguido não se conformando com o despacho proferido em 16/11/2021, que lhe manteve a medida de coação de prisão preventiva, vem dele interpor recurso. |
2) O arguido ficou sujeito à supra referida medida de coação, por se verificarem, os perigos, nomeadamente para aquisição e conservação da prova, de continuação da atividade criminosa, em razão da personalidade do arguido, e de perturbação da ordem e tranquilidade públicas, em razão da natureza do crime, nos termos do art. |
20 als., e do Código de Processo Penal, estando fortemente indiciado da prática dos crimes de homicídio qualificado, na forma tentada, p. e p. pelos artigos 1, n. 1, 2, 2, n.s 1 e 2, 13 e 13, n.s 1 e 2, al., parte final do Código Penal e um crime de detenção de arma proibida concurso, p. e p. pelos artigos 1, n. 1 do Código Penal e 8, n. 1, als. |
e da Lei n. 5/2006, de 23/0 3) O recorrente alegou, em síntese, que os perigos enunciados ficam debelados com a aplicação da medida de coação de obrigação de permanência na habitação, com recurso a meios técnico de controlo à distância, pelo que, deveria a Mm. |
Juiz de Instrução Criminal, no despacho recorrido, ter alterado a medida de coação em sede de primeiro interrogatório judicial de arguido detido. |
4) Aqui chegados, importa dizer que o recorrente não recorre do despacho que lhe determinou a aplicação da medida de coação de prisão preventiva, mas sim daquele que a manteve. |
5) Esclarecido este ponto, salienta-se que, como é exigido, não ocorrerem alterações fundamentais ou significativas da situação existente à data da pronúncia anterior sobre a aplicação da medida de coação, pelo que, o tribunal não pode reformar in pejus a decisão anteriormente tomada, isto é, a proferida em 30/09/202 6) Se é verdade que a primeira decisão não é definitiva, não é menos verdade que ela é intocável e imodificável enquanto não sobrevierem motivos que justifiquem legalmente nova tomada de posição. |
7) Desde a aplicação da medida de coação de prisão preventiva até 16/0912021 nada de relevo para a eventual alteração do estatuto coativo do arguido foi carreado para os autos, a não ser o interrogatório complementar do próprio, no qual apresentou uma versão dos factos completamente risível, merecedora de total descrédito e reveladora de que ainda não atingiu nem se debruçou sobre a gravidade dos factos por si cometidos, manifestamente insuficiente para fundamentar uma nova decisão nos termos recorridos. |
8) A Mm. |
Juiz de Instrução motivou cabalmente a sua decisão com base nos elementos probatórios existentes nos autos e que comprovam os factos fortemente indiciados e subsumíveis a crime graves. |
9) Já no que diz respeito à fundamentação de direito, a Mm. |
Juiz de Instrução justificou com a verificação, em concreto, de todos os perigos previstos no art. |
20, als. |
a do Código de Processo Penal, com especial incidência no perigo de continuação da atividade criminosa consumar a morte do, tendo em conta a personalidade violenta do arguido. |
10) Assim, a prisão preventiva, em face dos fundamentos que a determinaram, mostra-se adequada e necessária a afastar os perigos supra enunciados e proporcional, tendo em conta a natureza dos crimes em causa e a pena que, previsivelmente, virá a ser aplicada ao arguido. |
11) Inexistindo factos e provas subsequentes à aplicação da prisão preventiva que alterem o circunstancialismo que a determinou, não pode a mesma ser alterada, apenas e tão-só, pelo decurso do tempo. |
12) Assim, conclui-se que o despacho recorrido não violou, de modo algum, o disposto nos artigos. |
1, n. 2, 2, n. 2, 3, n. 2 da Constituição da República Portuguesa e 19, n. 1, 192, n. 2, 19, 20 e 20, todos do Código de Processo Penal, devendo, por isso, o arguido aguardar os ulteriores termos processuais sujeito à medida de coação de prisão preventiva. |
Termos em que deve ser negado provimento ao recurso interposto, mantendo-se na íntegra o despacho recorrido. |
Decidindo, assim, farão Exas. |
justiça.» O Sr. Juiz de Instrução Criminal proferiu despacho de sustentação da decisão recorrida. |
Nesta Relação a Exm. |
PGA emitiu parecer no sentido de o recurso dever ser julgado improcedente, aderindo à fundamentação aduzida pelo Ministério Público junto da 1 Instância, na resposta que ofereceu. |
Foi cumprido o disposto no artigo 417, n. 2, do Cód. |
Proc. |
Penal, sem resposta do recorrente. |
Efetuado exame preliminar e colhidos os vistos, vieram os autos à conferência, cumprindo agora apreciar e decidir. |
FUNDAMENTAÇÃO Delimitação do objeto do recurso Constitui jurisprudência uniforme que os poderes de cognição do tribunal de recurso são delimitados pelas conclusões extraídas pelo recorrente da motivação de recurso cf. |
artigo 412, n. 1 do Código de Processo, sem prejuízo, da apreciação das questões de conhecimento oficioso, como sejam as nulidades que não devam considerar-se sanadas cf. |
artigos 410, n. 3 e 119, ambos do Código de Processo. |
Assim, no caso em análise, considerando as conclusões extraídas pelo arguido/recorrente, da motivação do recurso que apresentou, a questão suscitada é a da substituição da medida de coação de prisão preventiva a que o arguido se encontra sujeito por outra medida coativa menos gravosa, mormente, a de obrigação de permanência na habitação, com vigilância eletrónica. |
Decisão recorrida Passamos a transcrever o despacho recorrido: «Fls. |
255 e segs. |
O arguido CATE... veio requerer a substituição da medida de coacção de prisão preventiva a que se encontra actualmente sujeito pela medida de coacção de obrigação de permanência na habitação, com sujeição a vigilância electrónica, para a qual adianta dar o seu consentimento. |
Sustenta a sua posição com as circunstâncias de já ter vindo dar nos autos a sua versão dos factos em sede de primeiro interrogatório remeteu-se ao silêncio), pretendendo, agora, colaborar com a justiça, o que apenas não fez anteriormente por impedimento da sua ilustre advogada, ainda, que assume os factos que relatou em sede de interrogatório complementar e que se encontra muito arrependido, por fim, que tem boa inserção familiar e laboral, sendo que a medida que preconiza se mostra suficiente em face das necessidades cautelares do caso concreto. |
Pronunciando-se sobre o requerimento do arguido, veio o Ministério Público pugnar pelo seu indeferimento, sustentando a sua posição com os argumentos referidos no despacho de fls. |
263-264, e cujo teor aqui se dá, brevitatis causa, por integralmente reproduzido. |
Em suma entende que nada de novo, com excepção da versão factual do arguido, foi carreado para os autos, sendo que esta se mostra "completamente risível, merecedora de total descrédito e reveladora de que ainda não atingiu nem se debruçou sobre a gravidade dos factos”, considerando por fim que se mantém ainda actual o perigo de continuação da actividade criminosa, em função da personalidade do arguido, pugnando pela manutenção da situação coativa do mesmo. |
Cumpre decidir. |
O arguido Cate, na sequência de interrogatório judicial realizado em 30 de Setembro de 2021, foi sujeito à medida de coacção de obrigação de prisão preventiva. |
No despacho inicial foi referido que se considerava existirem em relação ao arguido fortes indícios de factualidade descrita a fls. |
189-190 cuja descrição aqui se dá por integralmente, que o constitui na prática de: - Um crime de homicídio qualificado, na forma tentada, p. e p. pelos artigos 1, n. 1, 2, 2, n.s 1 e 2, 13, 13, n.s 1 e 2, al., parte final, todos do Código Penal, - Um crime de detenção de arma proibida, em concurso aparente, p. e p. pelos artigos 1, n. 1 do Código Penal e 8, n. 1, als. |
e da Lei n. 5/2006, de 23/0 Foi também considerado indiciado que corre termos um inquérito crime, com o n. no DIAP – 1 Secção do Seixal da Procuradoria daComarca de Lisboa, onde se investigam factos relacionados com uma situação em que o ora arguido terá apontado uma caçadeira ao ofendido naquele processo exigindo-lhe a devolução imediata de um automóvel, alegando que tinha sido enganado num negócio que ambos terão efectuado. |
Foi entendido, em face desta factualidade, existir perigo de continuação da actividade criminosa, em função, em síntese, da personalidade violenta do arguido, aceitando-se que o mesmo em liberdade pudesse praticar actos de idêntica natureza, nomeadamente, concretizar o que não conseguiu, ou seja, matar a vitima, ou mesmo voltar a utilizar a mesma violência contra terceiras pessoas. |
Foi entendido existir perigo de perturbação do inquérito, porquanto, em síntese, se entendeu que o arguido se poderia aproveitar do conhecimento que tem de todas as testemunhas presenciais para condicionar testemunhas fulcrais do processo. |
Foi entendido existir perigo de fuga em face da elevada moldura penal aplicável ao caso. |
Concluiu-se assim que a prisão preventiva era a única medida de coacção, além do TIR, que satisfazia as exigências de prevenção do caso em concreto. |
Vejamos agora se a situação é de manter. |
Antes do mais – há que o frisar – tem sido entendimento de há longa data pacífico que a decisão que impõe a prisão preventiva, apesar de não ser definitiva, é intocável e imodificável enquanto não se verificar uma alteração, em termos atenuativos, das circunstâncias que a fundamentaram. |
A este propósito, e a título meramente exemplificativo, vide os acórdãos do Tribunal da Relação do Porto de 30/3/2005 e 21/9/2005, números convencionais JTRP00038328 e JTRP00037857, bem como o acórdão do Tribunal da Relação de Évora de 27/11/2007, proc.2720/07-1, e ainda o do Tribunal da Relação de Lisboa de 13/10/2008, proc. |
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