audio_name|transcripts|normalized_transcripts stringlengths 38 742 |
|---|
2961_4572_000043|o homem de metal embevecido em sonhos de milhões por junto à pedra sem responder passou o pobre recolheu a mão vazia o anjo tutelar velou seu rosto|o homem de metal embevecido em sonhos de milhões por junto à pedra sem responder passou o pobre recolheu a mão vazia o anjo tutelar velou seu rosto |
2961_4572_000044|sou triste como o pai que as belas filhas viu lânguidas morrer e já não pousam no meu rosto pálido os risos do prazer|sou triste como o pai que as belas filhas viu lânguidas morrer e já não pousam no meu rosto pálido os risos do prazer |
2961_4572_000045|lupanar ergue-se a taça do festim da orgia gasta-se a vida em noites de luxúria no leito dos bordéis e o veneno se sorve a longos tragos nos seios brancos e nos lábios frios das|lupanar ergue-se a taça do festim da orgia gasta-se a vida em noites de luxúria no leito dos bordéis e o veneno se sorve a longos tragos nos seios brancos e nos lábios frios das |
2961_4572_000046|horas há em que a voz quase blasfema e o suicídio nos acena ao longe nas longas saturnais definha se a existência a pouco e pouco e ao lábio descorado o riso franco qual dantes já não vem|horas há em que a voz quase blasfema e o suicídio nos acena ao longe nas longas saturnais definha se a existência a pouco e pouco e ao lábio descorado o riso franco qual dantes já não vem |
2961_4572_000047|ai se abrasado crepitasse o cedro cedendo ao raio que a tormenta envia diz que seria da plantinha humilde que à sombra dele tão feliz crescia|ai se abrasado crepitasse o cedro cedendo ao raio que a tormenta envia diz que seria da plantinha humilde que à sombra dele tão feliz crescia |
2961_4572_000048|mágoas maiores do que a dor dum dia do que a morte bebida em taça morna de lábios de mulher doces falas de amor que o vento espalha juras sentidas de constância eterna quebradas ao nascer|mágoas maiores do que a dor dum dia do que a morte bebida em taça morna de lábios de mulher doces falas de amor que o vento espalha juras sentidas de constância eterna quebradas ao nascer |
2961_4572_000049|eu era sombrio e triste contente minhalma é eu duvidava sorriste já no amar tenho fé mangue a fronte que ardia em brasas a seus delírios pôs fim sentindo o roçar das asas o sopro dum querubim|eu era sombrio e triste contente minhalma é eu duvidava sorriste já no amar tenho fé mangue a fronte que ardia em brasas a seus delírios pôs fim sentindo o roçar das asas o sopro dum querubim |
2961_4572_000050|do mar os gemidos do prado os perfumes de amor me mataram de amor suspirei agora eu vos juro palavra não minto ouvi a formosa também suspirar|do mar os gemidos do prado os perfumes de amor me mataram de amor suspirei agora eu vos juro palavra não minto ouvi a formosa também suspirar |
2961_4572_000051|bendito sejas querubim de amores branca açucena que o paul brotou teu doce pranto me acalenta as dores da úlcera funda que ninguém curou|bendito sejas querubim de amores branca açucena que o paul brotou teu doce pranto me acalenta as dores da úlcera funda que ninguém curou |
2961_4572_000052|ou quer na primavera ou quer no inverno no doce anseio do bulir das ondas palpitam corações não a dor sem cura a dor que mata é moço ainda aperceber na mente a dúvida a sorrir|ou quer na primavera ou quer no inverno no doce anseio do bulir das ondas palpitam corações não a dor sem cura a dor que mata é moço ainda aperceber na mente a dúvida a sorrir |
2961_4572_000053|inda era mais bela rendida ao cansaço morrendo de amores em tal languidez que noite e que festa e que lânguido rosto banhado ao reflexo do branco luar a neve do|inda era mais bela rendida ao cansaço morrendo de amores em tal languidez que noite e que festa e que lânguido rosto banhado ao reflexo do branco luar a neve do |
2961_4572_000054|ardor e pudesse aspirando os seus perfumes viver do seu amor pra ela então seria a minha vida a glória os sonhos meus e dissera chorando arrependido bendito seja deus|ardor e pudesse aspirando os seus perfumes viver do seu amor pra ela então seria a minha vida a glória os sonhos meus e dissera chorando arrependido bendito seja deus |
2961_4572_000055|orvalho ai se eu te visse no calor da sesta a mão tremente no calor das tuas amarrotado o teu vestido branco soltos cabelos nas espáduas nuas|orvalho ai se eu te visse no calor da sesta a mão tremente no calor das tuas amarrotado o teu vestido branco soltos cabelos nas espáduas nuas |
2961_4572_000057|o véu da noite me atormenta em dores a luz da aurora me intumesce os seios e ao vento fresco do cair das tardes eu me estremeço de cruéis receios|o véu da noite me atormenta em dores a luz da aurora me intumesce os seios e ao vento fresco do cair das tardes eu me estremeço de cruéis receios |
2961_4572_000058|bendito sejas querubim de amores branca açucena que o paul brotou teu pranto é gota que mitiga as dores da úlcera funda que ninguém curou|bendito sejas querubim de amores branca açucena que o paul brotou teu pranto é gota que mitiga as dores da úlcera funda que ninguém curou |
2961_4572_000059|e louca a turba que passou sorrindo julgava um hino o que eu chamava um ai alguém murmura como o canto é lindo sorri se um pouco e caminhando vai|e louca a turba que passou sorrindo julgava um hino o que eu chamava um ai alguém murmura como o canto é lindo sorri se um pouco e caminhando vai |
2961_4572_000060|as falas sentidas que os olhos falavam não posso não quero não devo contar depois indolente firmou se em meu braço fugimos das salas do mundo talvez|as falas sentidas que os olhos falavam não posso não quero não devo contar depois indolente firmou se em meu braço fugimos das salas do mundo talvez |
2961_4572_000061|meus tristes cantos comecei chorando santas endechas doloridos ais e a turba andava só de vez em quando lânguido rosto se volvia atrás|meus tristes cantos comecei chorando santas endechas doloridos ais e a turba andava só de vez em quando lânguido rosto se volvia atrás |
2961_4572_000062|a minha vida era areal despido de relva e flor e na estação louçã tu foste o lírio que nasceu querido entre a neblina de gentil manhã|a minha vida era areal despido de relva e flor e na estação louçã tu foste o lírio que nasceu querido entre a neblina de gentil manhã |
2961_4572_000063|palmas da glória meus lauréis do estudo fogo do gênio aspiração dos anos mas o teu filho já se não rebela por tal castigo pelas mágoas duras|palmas da glória meus lauréis do estudo fogo do gênio aspiração dos anos mas o teu filho já se não rebela por tal castigo pelas mágoas duras |
2961_4572_000064|como o dia a nossa vida na aurora é toda venturas de tarde doce tristeza de noite sombras escuras|como o dia a nossa vida na aurora é toda venturas de tarde doce tristeza de noite sombras escuras |
2961_4572_000065|é viver tendo nalma o desalento sem um queixume a disfarçar as dores carregando a cruz oh ninguém sabe como a dor é funda quanto pranto sengole e quanta angústia a alma nos desfaz|é viver tendo nalma o desalento sem um queixume a disfarçar as dores carregando a cruz oh ninguém sabe como a dor é funda quanto pranto sengole e quanta angústia a alma nos desfaz |
2961_4572_000066|talvez talvez que eu encontrasse as alegrias dos tempos que lá vão e afogasse na luz da nova aurora a dor do coração talvez que nos meus lábios desmaiados brilhasse o seu sorrir e de novo meu deus tivesse crença na glória e no porvir|talvez talvez que eu encontrasse as alegrias dos tempos que lá vão e afogasse na luz da nova aurora a dor do coração talvez que nos meus lábios desmaiados brilhasse o seu sorrir e de novo meu deus tivesse crença na glória e no porvir |
2961_4572_000067|ontem no baile com ela valsando senti as delícias dos anjos do céu na dança ligeira qual silfo voando caiu-lhe do rosto seu cândido véu que noite e que baile seu hálito virgem queimava me as faces no louco valsar|ontem no baile com ela valsando senti as delícias dos anjos do céu na dança ligeira qual silfo voando caiu-lhe do rosto seu cândido véu que noite e que baile seu hálito virgem queimava me as faces no louco valsar |
2961_4572_000068|inda a boca que queimei sedento nas esponjas de fel e agora sinto no bulhar da mente a torre de babel|inda a boca que queimei sedento nas esponjas de fel e agora sinto no bulhar da mente a torre de babel |
2961_4572_000069|é ver sem dó a vocação torcida por quem devera dar-lhe alento e vida e respeitá la até é viver flor nascida nas montanhas para aclimar se apertada numa estufa à falta de ar e luz|é ver sem dó a vocação torcida por quem devera dar-lhe alento e vida e respeitá la até é viver flor nascida nas montanhas para aclimar se apertada numa estufa à falta de ar e luz |
2961_4572_000070|no fogo vivo eu me abrasara inteiro ébrio e sedento na fugaz vertigem vil machucara com meu dedo impuro as pobres flores da grinalda virgem|no fogo vivo eu me abrasara inteiro ébrio e sedento na fugaz vertigem vil machucara com meu dedo impuro as pobres flores da grinalda virgem |
2961_4572_000071|contigo dizes suspirando amores meu deus que gelo que frieza aquela como te enganas meu amor é chama que se alimenta no voraz segredo e se te fujo é que te adoro louco|contigo dizes suspirando amores meu deus que gelo que frieza aquela como te enganas meu amor é chama que se alimenta no voraz segredo e se te fujo é que te adoro louco |
2961_4572_000072|nas noites destio o céu tem estrelas o mar tem amor e a voz maviosa do bom gondoleiro repete cantando viver é amar se os peitos respondem à voz do barqueiro não quero não posso não devo contar|nas noites destio o céu tem estrelas o mar tem amor e a voz maviosa do bom gondoleiro repete cantando viver é amar se os peitos respondem à voz do barqueiro não quero não posso não devo contar |
2961_4572_000073|é a perda dura dum futuro inteiro e o desfolhar sentido das sentis coroas dos sonhos do porvir é ver que nos arrancam uma a uma das asas do talento as penas de ouro que voam para deus|é a perda dura dum futuro inteiro e o desfolhar sentido das sentis coroas dos sonhos do porvir é ver que nos arrancam uma a uma das asas do talento as penas de ouro que voam para deus |
2961_4572_000074|a flor dos meus sonhos é moça e bonita qual flor entreaberta do dia ao raiar mas onde ela mora que casa ela habita não quero não posso não devo contar|a flor dos meus sonhos é moça e bonita qual flor entreaberta do dia ao raiar mas onde ela mora que casa ela habita não quero não posso não devo contar |
2961_4572_000075|às vezes no silêncio da minhalma da noite na mudez eu crio na cabeça mil fantasmas que aniquilo outra vez|às vezes no silêncio da minhalma da noite na mudez eu crio na cabeça mil fantasmas que aniquilo outra vez |
2961_4572_000076|vozes de flauta longínqua que as nossas mágoas aviva soluço da patativa queixume do mar que rola cantiga em noite de lua cantada ao som da viola|vozes de flauta longínqua que as nossas mágoas aviva soluço da patativa queixume do mar que rola cantiga em noite de lua cantada ao som da viola |
2961_4572_000077|depois desperta no febril delírio olhos pisados como um vão lamento tu perguntaras qué da minha croa eu te diria desfolhou a o vento|depois desperta no febril delírio olhos pisados como um vão lamento tu perguntaras qué da minha croa eu te diria desfolhou a o vento |
2961_4572_000078|o viço do verdor dos anos dorme se moço e despertamos velho sem fogo para amar e a fronte jovem que o pesar sombreia vai reclinada sobre um colo impuro dormir no lupanar|o viço do verdor dos anos dorme se moço e despertamos velho sem fogo para amar e a fronte jovem que o pesar sombreia vai reclinada sobre um colo impuro dormir no lupanar |
2961_4572_000079|a neve do colo e as ondas dos seios não quero não posso não devo contar a noite é sublime tem longos queixumes mistérios profundos que eu mesmo não sei|a neve do colo e as ondas dos seios não quero não posso não devo contar a noite é sublime tem longos queixumes mistérios profundos que eu mesmo não sei |
2961_4572_000080|ninho velai ao menos pelo pobre anjinho pagai lhe em gozo o que me dais em dores maio jus|ninho velai ao menos pelo pobre anjinho pagai lhe em gozo o que me dais em dores maio jus |
2961_4572_000081|saudades do pegureiro que chora o seu lar amado calado e só recostado na pedra dalgum caminho canção de santa doçura da mãe que embala o filhinho|saudades do pegureiro que chora o seu lar amado calado e só recostado na pedra dalgum caminho canção de santa doçura da mãe que embala o filhinho |
2961_4572_000082|diz que seria da pureza danjo das vestes alvas do candor das asas tu te queimaras a pisar descalça criança louca sobre um chão de brasas|diz que seria da pureza danjo das vestes alvas do candor das asas tu te queimaras a pisar descalça criança louca sobre um chão de brasas |
2961_4572_000083|flauta e o canto do|flauta e o canto do |
2961_4572_000084|eu era a flor desfolhada dos vendavais ao correr tu foste a gota dourada e o lírio pôde viver poeta dormia pálido no meu sepulcro bem só tu disseste ergue-te lázaro e o morto surgiu do pó|eu era a flor desfolhada dos vendavais ao correr tu foste a gota dourada e o lírio pôde viver poeta dormia pálido no meu sepulcro bem só tu disseste ergue-te lázaro e o morto surgiu do pó |
2961_4572_000085|eu sofro oh anjo na cruel vigília o pensamento inda redobra a dor e passa linda do meu sonho a filha soltas as tranças a morrer de amor e louco a sigo por desertos mares por doces veigas por um céu de azul|eu sofro oh anjo na cruel vigília o pensamento inda redobra a dor e passa linda do meu sonho a filha soltas as tranças a morrer de amor e louco a sigo por desertos mares por doces veigas por um céu de azul |
2961_4572_000086|esquecimento mortalha para as dores aqui na terra é a embriaguez do gozo a febre do prazer a dor se afoga no fervor dos vinhos e no regaço das argôs modernas é doce então morrer|esquecimento mortalha para as dores aqui na terra é a embriaguez do gozo a febre do prazer a dor se afoga no fervor dos vinhos e no regaço das argôs modernas é doce então morrer |
2961_4572_000087|os doces suspiros que os ecos ouviram não quero não posso não devo contar então nesse instante nas águas do rio passava uma barca e o bom remador cantava na flauta|os doces suspiros que os ecos ouviram não quero não posso não devo contar então nesse instante nas águas do rio passava uma barca e o bom remador cantava na flauta |
2961_4572_000088|eu olho e vejo a veiga é de esmeralda o céu é todo azul tudo canta e sorri só na minhalma o lodo dum paul|eu olho e vejo a veiga é de esmeralda o céu é todo azul tudo canta e sorri só na minhalma o lodo dum paul |
2961_4572_000089|eu devera folgar nesta natura de flores e de luz e mancebo voltar me pro futuro estrela que seduz agora em vez dos hinos desperança dos cantos juvenis|eu devera folgar nesta natura de flores e de luz e mancebo voltar me pro futuro estrela que seduz agora em vez dos hinos desperança dos cantos juvenis |
2961_4572_000090|duras minhalma ofreço às provações futuras venha o martírio mas perdão pra ela a doce virgem se assemelha às flores o vento a quebra no seu verde ninho|duras minhalma ofreço às provações futuras venha o martírio mas perdão pra ela a doce virgem se assemelha às flores o vento a quebra no seu verde ninho |
2961_4572_000091|é ver que nos apagam dalma as crenças e que profanam o que santo temos coo riso dos ateus é assistir ao desabar tremendo num mesmo dia dilusões douradas tão cândidas de fé|é ver que nos apagam dalma as crenças e que profanam o que santo temos coo riso dos ateus é assistir ao desabar tremendo num mesmo dia dilusões douradas tão cândidas de fé |
2961_4572_000092|em ondas mortas meu batel dormia chorava o pano a viração sutil mas veio o vento no correr do dia e leve o bote resvalou no anil|em ondas mortas meu batel dormia chorava o pano a viração sutil mas veio o vento no correr do dia e leve o bote resvalou no anil |
2961_4572_000093|murmurar baixinho ao meu ouvido as falas da paixão se cair desmaiada nos meus braços morrendo em languidez de certo remoçado alegre e louco sentira me talvez|murmurar baixinho ao meu ouvido as falas da paixão se cair desmaiada nos meus braços morrendo em languidez de certo remoçado alegre e louco sentira me talvez |
2961_4572_000094|mas eu que não tenho risos nem alegrias tão pouco nem sinto esse fogo louco que a mocidade consome nas brancas folhas do livro só posso deixar meu nome|mas eu que não tenho risos nem alegrias tão pouco nem sinto esse fogo louco que a mocidade consome nas brancas folhas do livro só posso deixar meu nome |
2961_4572_000095|a labareda que se enrosca ao tronco torrara a planta qual queimara o galho e a pobre nunca reviver pudera chovesse embora paternal orvalho|a labareda que se enrosca ao tronco torrara a planta qual queimara o galho e a pobre nunca reviver pudera chovesse embora paternal orvalho |
2961_4572_000096|trememos de medo a boca emudece mas sentem-se os pulos do meu coração seu seio nevado de amor se intumesce e os lábios se tocam no ardor da paixão depois mas já vejo que vós meus senhores com fina malícia quereis|trememos de medo a boca emudece mas sentem-se os pulos do meu coração seu seio nevado de amor se intumesce e os lábios se tocam no ardor da paixão depois mas já vejo que vós meus senhores com fina malícia quereis |
2961_4572_000097|talvez minhalma ressurgisse bela aos raios desse sol e nas cordas da lira seus gorjeios trinasse um rouxinol talvez então que eu me pegasse à vida com ânsia e com|talvez minhalma ressurgisse bela aos raios desse sol e nas cordas da lira seus gorjeios trinasse um rouxinol talvez então que eu me pegasse à vida com ânsia e com |
2961_4572_000098|tens amor eu medo tenho medo de mim de ti de tudo da luz da sombra do silêncio ou vozes das folhas secas do chorar das fontes das horas longas a correr velozes|tens amor eu medo tenho medo de mim de ti de tudo da luz da sombra do silêncio ou vozes das folhas secas do chorar das fontes das horas longas a correr velozes |
2961_4572_000099|e teus olhares me derramam nalma doces consolos e orações de fé não serei triste se te ouvir a fala tremo e palpito como treme o mar e a nota doce que teu lábio exala virá sentida ao coração parar|e teus olhares me derramam nalma doces consolos e orações de fé não serei triste se te ouvir a fala tremo e palpito como treme o mar e a nota doce que teu lábio exala virá sentida ao coração parar |
2961_4572_000100|e olvido de passados beijos são dores essas que o tempo cicatriza dos anos no volver se a donzela infiel nos rasga as folhas do livro dalma magoado e triste suspira o coração|e olvido de passados beijos são dores essas que o tempo cicatriza dos anos no volver se a donzela infiel nos rasga as folhas do livro dalma magoado e triste suspira o coração |
2961_4572_000101|mas depois outros olhos nos cativam e loucos vamos em delírios novos arder noutra paixão amor é ó rio claro das delícias que atravessa o deserto a veiga o prado e o mundo todo o tem|mas depois outros olhos nos cativam e loucos vamos em delírios novos arder noutra paixão amor é ó rio claro das delícias que atravessa o deserto a veiga o prado e o mundo todo o tem |
2961_4572_000102|pobre poeta na manhã da vida nem flores tenho nem prazer também roto mendigo que não tem guarida tímido espreito quando a noite vem|pobre poeta na manhã da vida nem flores tenho nem prazer também roto mendigo que não tem guarida tímido espreito quando a noite vem |
2961_4572_000103|ao lado o seu bordão e o sol no raio extremo lhe dourava sobre a fronte senil a dupla croa de pobre e de ancião|ao lado o seu bordão e o sol no raio extremo lhe dourava sobre a fronte senil a dupla croa de pobre e de ancião |
2961_4572_000104|se ela vier enternecida e meiga sentar-se junto a mim se eu ouvir sua voz mais doce e terna que um doce bandolim se o seu lábio afagar a minha fronte tão fervido vulcão|se ela vier enternecida e meiga sentar-se junto a mim se eu ouvir sua voz mais doce e terna que um doce bandolim se o seu lábio afagar a minha fronte tão fervido vulcão |
2961_4572_000105|grito de angústia do pobre que sobre as águas se afoga cadáver que bóia e voga longe da praia querida grito de quem nagonia já morto se apega à vida|grito de angústia do pobre que sobre as águas se afoga cadáver que bóia e voga longe da praia querida grito de quem nagonia já morto se apega à vida |
2961_4572_000106|deus te abençoe querubim formoso branca açucena que o paul brotou teu pranto é gota de celeste gozo na úlcera funda que ninguém curou|deus te abençoe querubim formoso branca açucena que o paul brotou teu pranto é gota de celeste gozo na úlcera funda que ninguém curou |
2961_4572_000107|depois o mundo diz que libertino a folgar no delírio dos alcouces s asas empanou como se ele algoz das esperanças as crenças infantis e a vida dalma não fosse quem matou|depois o mundo diz que libertino a folgar no delírio dos alcouces s asas empanou como se ele algoz das esperanças as crenças infantis e a vida dalma não fosse quem matou |
5103_4572_000000|simpatia são dois galhos banhados de bons orvalhos nas mangueiras do jardim bem longo às vezes nascidos mas que se juntam crescidos e que se abraçam por fim são duas almas bem gêmeas que riem no mesmo riso que choram nos mesmos ais|simpatia são dois galhos banhados de bons orvalhos nas mangueiras do jardim bem longo às vezes nascidos mas que se juntam crescidos e que se abraçam por fim são duas almas bem gêmeas que riem no mesmo riso que choram nos mesmos ais |
5103_4572_000001|são vozes de dois amantes duas liras semelhantes ou dois poemas iguais simpatia meu anjinho é o canto do passarinho é o doce aroma da flor são nuvens dum céu dagosto é o que minspira teu rosto simpatia é|são vozes de dois amantes duas liras semelhantes ou dois poemas iguais simpatia meu anjinho é o canto do passarinho é o doce aroma da flor são nuvens dum céu dagosto é o que minspira teu rosto simpatia é |
5103_4572_000002|simpatia é o sentimento que nasce num só momento sincero no coração são dois olhares acesos bem juntos unidos presos numa mágica atração|simpatia é o sentimento que nasce num só momento sincero no coração são dois olhares acesos bem juntos unidos presos numa mágica atração |
2961_4629_000000|a natureza veste extraordinárias roupagens de ouro além nas oliveiras aves de várias cores e de várias espécies cantam óperas inteiras|a natureza veste extraordinárias roupagens de ouro além nas oliveiras aves de várias cores e de várias espécies cantam óperas inteiras |
2961_4629_000001|eu sei a sua história em seu passado houve um drama damor misterioso o segredo dum peito torturado e hoje para guardar a mágoa oculta canta soluça o coração saudoso|eu sei a sua história em seu passado houve um drama damor misterioso o segredo dum peito torturado e hoje para guardar a mágoa oculta canta soluça o coração saudoso |
2961_4629_000002|observo então a condição tristonha da humanidade ébria de fumo e de ópio tal qual ela é e não tal qual a sonha e a vê o sábio pelo telescópio|observo então a condição tristonha da humanidade ébria de fumo e de ópio tal qual ela é e não tal qual a sonha e a vê o sábio pelo telescópio |
2961_4629_000003|sobes ao monte ondeo edelweiss pompeia nalma do que subiu àquele monte mas vezes desces ao segredo insonte do mar profundo onde a sereia canta e onde a alcíone trêmula se espanta ouvindo a gusla crebra da sereia|sobes ao monte ondeo edelweiss pompeia nalma do que subiu àquele monte mas vezes desces ao segredo insonte do mar profundo onde a sereia canta e onde a alcíone trêmula se espanta ouvindo a gusla crebra da sereia |
2961_4629_000004|eu sei que o amor enche o universo todo e se prende dos poetas à guitarra como o pólipo que se agarra ao lodo e a ostra que às rochas eternais se agarra|eu sei que o amor enche o universo todo e se prende dos poetas à guitarra como o pólipo que se agarra ao lodo e a ostra que às rochas eternais se agarra |
2961_4629_000005|estes versos de amor que agora findo foram sentidos na solidão de uma horta à sombra dum verdoengo tamarindo que representa a minha infância morta|estes versos de amor que agora findo foram sentidos na solidão de uma horta à sombra dum verdoengo tamarindo que representa a minha infância morta |
2961_4629_000006|transponho assim toda a sombria escarpa sinistro como quem medita um crime e quando a dor me dói tanjo minha harpa e a harpa saudosa a minha dor exprime|transponho assim toda a sombria escarpa sinistro como quem medita um crime e quando a dor me dói tanjo minha harpa e a harpa saudosa a minha dor exprime |
2961_4629_000007|tudo sacrifiquei para adorá lo mas hoje vendo o horror dos meus destroços tenho vontade de estrangulá lo e reduzi lo muitas vezes a ossos|tudo sacrifiquei para adorá lo mas hoje vendo o horror dos meus destroços tenho vontade de estrangulá lo e reduzi lo muitas vezes a ossos |
2961_4629_000008|concentre e a lua a virgem mãe dos céus escampos que beija a terra e que abençoa os campos beije te o seio e te abençoe o ventre|concentre e a lua a virgem mãe dos céus escampos que beija a terra e que abençoa os campos beije te o seio e te abençoe o ventre |
2961_4629_000009|dos meus sonhos o exército desfila e à frente dele eu vou cantando a nênia do amor que eu tive e que se fez argila como tirteu na guerra de messênia|dos meus sonhos o exército desfila e à frente dele eu vou cantando a nênia do amor que eu tive e que se fez argila como tirteu na guerra de messênia |
2961_4629_000010|peste num insano ceifar que aterra e espanta de espaço a espaço sepulturas planta e em cada coração planta um cipreste|peste num insano ceifar que aterra e espanta de espaço a espaço sepulturas planta e em cada coração planta um cipreste |
2961_4629_000011|troveja e anelo ter sôfrega e ansiosa o sistema nervoso de um gigante para sofrer na minha carne estuante a dor da força cósmica furiosa|troveja e anelo ter sôfrega e ansiosa o sistema nervoso de um gigante para sofrer na minha carne estuante a dor da força cósmica furiosa |
2961_4629_000012|agregado infeliz de sangue e cal fruto rubro de carne agonizante filho da grande força fecundante de minha brônzea trama neuronial|agregado infeliz de sangue e cal fruto rubro de carne agonizante filho da grande força fecundante de minha brônzea trama neuronial |
2961_4629_000013|que poder embriológico fatal destruiu com a sinergia de um gigante em tua morfogênese de infante a minha morfogênese ancestral|que poder embriológico fatal destruiu com a sinergia de um gigante em tua morfogênese de infante a minha morfogênese ancestral |
2961_4629_000014|da observação nos elevados montes prefiro à nitidez real dos aspectos ver mastodontes onde há mastodontes e insetos ver onde há somente insetos|da observação nos elevados montes prefiro à nitidez real dos aspectos ver mastodontes onde há mastodontes e insetos ver onde há somente insetos |
2961_4629_000015|a compreensão da minha niilidade aumenta à proporção que aumenta o dia e pouco a pouco o encéfalo me invade numa clareza de fotografia|a compreensão da minha niilidade aumenta à proporção que aumenta o dia e pouco a pouco o encéfalo me invade numa clareza de fotografia |
2961_4629_000016|a cantar a alma serena mas de repente pressentindo a lousa batendo com a cabeça no barrote da guilhotina diz ao povo é pena aqui ainda havia alguma cousa|a cantar a alma serena mas de repente pressentindo a lousa batendo com a cabeça no barrote da guilhotina diz ao povo é pena aqui ainda havia alguma cousa |
2961_4629_000017|da ilusão demonstro mas demonstrando a sinto um violento rancor da vida este maldito monstro que no meu próprio estômago alimento|da ilusão demonstro mas demonstrando a sinto um violento rancor da vida este maldito monstro que no meu próprio estômago alimento |
2961_4629_000018|atinge o amor um grau nunca atingido no termômetro santo da amizade o alexandre dos anjos merecia grandes coroas nesse grande dia tesouros reais auríferos tesouros|atinge o amor um grau nunca atingido no termômetro santo da amizade o alexandre dos anjos merecia grandes coroas nesse grande dia tesouros reais auríferos tesouros |
2961_4629_000019|ela como o sol o astro deixa um rastro de luto em cada|ela como o sol o astro deixa um rastro de luto em cada |
2961_4629_000020|exulta o eterno e tudo chora tudo quando ela passa semeando a morte todos dizem coos olhos para a sorte é o castigo de deus que passa mudo|exulta o eterno e tudo chora tudo quando ela passa semeando a morte todos dizem coos olhos para a sorte é o castigo de deus que passa mudo |
2961_4629_000021|ora tangendo tiorbas em volatas cantas a vida que sangrando matas ora clavas brandindo em seva e insana fúria lembras amor a soberana imagem pétrea das montanhas duras|ora tangendo tiorbas em volatas cantas a vida que sangrando matas ora clavas brandindo em seva e insana fúria lembras amor a soberana imagem pétrea das montanhas duras |
2961_4629_000022|em tudo estruge a tua dúlia dúlia que na fibra mais forte e até na fibra mais tênue chora e se lamenta e vibra e em cada peito onde um ocaso chora levanta a cruz da redenção da aurora como a judite a redimir betúlia|em tudo estruge a tua dúlia dúlia que na fibra mais forte e até na fibra mais tênue chora e se lamenta e vibra e em cada peito onde um ocaso chora levanta a cruz da redenção da aurora como a judite a redimir betúlia |
2961_4629_000023|bem haja pois esse poder terrível essa dominação aterradora enorme força regeneradora que faz dos homens um leão que dorme e do amor faz uma potência enorme que vela sobre os homens impassível|bem haja pois esse poder terrível essa dominação aterradora enorme força regeneradora que faz dos homens um leão que dorme e do amor faz uma potência enorme que vela sobre os homens impassível |
2961_4629_000024|mudo fúlgido foco de escaldantes brasas o sol a segue e a peste ri-se enquanto vai devastando o coração das casas e como o sol que a segue e deixa um rastro de luz em tudo|mudo fúlgido foco de escaldantes brasas o sol a segue e a peste ri-se enquanto vai devastando o coração das casas e como o sol que a segue e deixa um rastro de luz em tudo |
2961_4629_000025|a manhã sinos além bimbalham troa o conúbio dos amores velhos as borboletas e os escaravelhos beijam se no ar retroa o sino e quietos beijam se além os silfos e os insetos sob a esteira dos campos que se orvalham|a manhã sinos além bimbalham troa o conúbio dos amores velhos as borboletas e os escaravelhos beijam se no ar retroa o sino e quietos beijam se além os silfos e os insetos sob a esteira dos campos que se orvalham |
2961_4629_000026|o branco estendal das madrugadas nua em banho ideal de amor te inundas agora à luz das alvoradas santas ungem te o corpo redolências tantas que ao ver-te nua o mundo se concentre|o branco estendal das madrugadas nua em banho ideal de amor te inundas agora à luz das alvoradas santas ungem te o corpo redolências tantas que ao ver-te nua o mundo se concentre |
2961_4629_000027|esta de amor onde queixosa irene quedo sonhei a aos astros ontem quando entre estrias de estrelas fosforeando egrégia estavas no teu plaustro|esta de amor onde queixosa irene quedo sonhei a aos astros ontem quando entre estrias de estrelas fosforeando egrégia estavas no teu plaustro |
2961_4629_000028|no seu olhar feroz eu adivinho o mistério da dor que a traz penada moça tão moça e já desventurada da desdita ferida pelo espinho vai morta em vida assim pelo caminho no sudário da mágoa sepultada|no seu olhar feroz eu adivinho o mistério da dor que a traz penada moça tão moça e já desventurada da desdita ferida pelo espinho vai morta em vida assim pelo caminho no sudário da mágoa sepultada |
2961_4629_000029|duras beijam te o passo multidões escravas dos desgraçados estas multidões sonham pátrias doiradas de ilusões entre os tórculos negros da desgraça flores que tombam quando a neve passa no turblhão das avalanches bravas|duras beijam te o passo multidões escravas dos desgraçados estas multidões sonham pátrias doiradas de ilusões entre os tórculos negros da desgraça flores que tombam quando a neve passa no turblhão das avalanches bravas |
2961_4629_000030|apraz me enfim despindo a última alfaia que ao comércio dos homens me traz presa livre deste cadeado de peçonha semelhante a um cachorro de atalaia às decomposições da natureza ficar latindo minha dor medonha|apraz me enfim despindo a última alfaia que ao comércio dos homens me traz presa livre deste cadeado de peçonha semelhante a um cachorro de atalaia às decomposições da natureza ficar latindo minha dor medonha |
2961_4629_000031|cativaste me irene e eis o motivo eis o motivo porque fiz esta ode|cativaste me irene e eis o motivo eis o motivo porque fiz esta ode |
2961_4629_000032|terá no entanto indubitavelmente a admiração do século presente e a sagração dos séculos vindouros oh|terá no entanto indubitavelmente a admiração do século presente e a sagração dos séculos vindouros oh |
Subsets and Splits
No community queries yet
The top public SQL queries from the community will appear here once available.