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4367_4572_000288|senhor meu deus que sois clemente e justo que dais voz às brisas e perfume à rosa oh protegei a com o manto augusto a doce virgem que sorri medrosa|senhor meu deus que sois clemente e justo que dais voz às brisas e perfume à rosa oh protegei a com o manto augusto a doce virgem que sorri medrosa
4367_4572_000289|pois não fora melhor vivesse a planta cujo perfume a solidão encanta no sossego do val não veríamos nós neste martírio desfalecer tão belo o pobre lírio pendido ao vendaval|pois não fora melhor vivesse a planta cujo perfume a solidão encanta no sossego do val não veríamos nós neste martírio desfalecer tão belo o pobre lírio pendido ao vendaval
4367_4572_000290|no teu sorriso embebido deixei meu sonho querido por ti por ti ai se eu pudesse formosa roçar te os lábios de rosa como às flores seus amores faz o louco colibri|no teu sorriso embebido deixei meu sonho querido por ti por ti ai se eu pudesse formosa roçar te os lábios de rosa como às flores seus amores faz o louco colibri
4367_4572_000291|julgo ver sobre o mar sossegado um navio nas sombras fugindo e na popa esse rosto adorado entre prantos pra mim se sorrindo compreendo esse amargo sorriso sobre as ondas correr eu quisera|julgo ver sobre o mar sossegado um navio nas sombras fugindo e na popa esse rosto adorado entre prantos pra mim se sorrindo compreendo esse amargo sorriso sobre as ondas correr eu quisera
4367_4572_000292|tu ontem vinhas do monte e paraste ao pé da fonte à fresca sombra do til regando as flores sozinha nem tu sabes moreninha o quanto achei te gentil|tu ontem vinhas do monte e paraste ao pé da fonte à fresca sombra do til regando as flores sozinha nem tu sabes moreninha o quanto achei te gentil
4367_4572_000293|se a morte colher me em breve pede ao vento que te leve o meu suspiro final será queixoso e sentido como da rola o gemido nas moitas do laranjal|se a morte colher me em breve pede ao vento que te leve o meu suspiro final será queixoso e sentido como da rola o gemido nas moitas do laranjal
4367_4572_000294|o sino da torre carpindo quem morre e o rio que corre banhando o chorão o triste que vela cantando à donzela a trova singela do seu coração|o sino da torre carpindo quem morre e o rio que corre banhando o chorão o triste que vela cantando à donzela a trova singela do seu coração
4367_4572_000295|velara senhor pelos seus dias como a mãe vela o filho que dormiu se um dia ela soltasse um só gemido dante alighieri o mais genial poeta da itália autor de a divina comédia eu iria saber porque ferido seu seio assim buliu|velara senhor pelos seus dias como a mãe vela o filho que dormiu se um dia ela soltasse um só gemido dante alighieri o mais genial poeta da itália autor de a divina comédia eu iria saber porque ferido seu seio assim buliu
4367_4572_000296|trago-te flores no meu canto amigo pobre grinalda com prazer tecida e todo amores deposito um beijo na fronte pura em que desponta a vida|trago-te flores no meu canto amigo pobre grinalda com prazer tecida e todo amores deposito um beijo na fronte pura em que desponta a vida
4367_4572_000297|não faças como nós não desças louco a buscar sensações na bruta orgia das longas saturnais se a lama impura salpicar te as penas sacode as asas minha pomba casta e foge dos pardais|não faças como nós não desças louco a buscar sensações na bruta orgia das longas saturnais se a lama impura salpicar te as penas sacode as asas minha pomba casta e foge dos pardais
4367_4572_000298|bendita bendita sejas se nas notas benfazejas tua alma falar coa minha nessa linguagem do céu que o pensamento adivinha eu o filho da poesia dormirei no meu sepulcro embalado em harmonia ao som do piano teu|bendita bendita sejas se nas notas benfazejas tua alma falar coa minha nessa linguagem do céu que o pensamento adivinha eu o filho da poesia dormirei no meu sepulcro embalado em harmonia ao som do piano teu
4367_4572_000299|perdão oh flor dos amores se quis manchar te os verdores se quis tirar te do hastil na voz que a paixão resume tentei sorver te o perfume e fui covarde e fui vil|perdão oh flor dos amores se quis manchar te os verdores se quis tirar te do hastil na voz que a paixão resume tentei sorver te o perfume e fui covarde e fui vil
4367_4572_000300|amemos este mundo é tão tristonho a vida como um sonho brilha e passa porque não havemos pra acalmar as dores chegar aos lábios o licor da taça|amemos este mundo é tão tristonho a vida como um sonho brilha e passa porque não havemos pra acalmar as dores chegar aos lábios o licor da taça
4367_4572_000301|se a dor for grande não te vergues fraco oh não escondas no sepulcro a fronte aos raios deste sol não vás como azevedo o pobre gênio embrulhar te sem dó na flor dos anos da morte no lençol|se a dor for grande não te vergues fraco oh não escondas no sepulcro a fronte aos raios deste sol não vás como azevedo o pobre gênio embrulhar te sem dó na flor dos anos da morte no lençol
4367_4572_000302|é triste ver a flor que desabrocha ou quer no prado ou na deserta rocha pender no fraco hastil é bem triste dos anos nos verdores morrer mancebo no brotar das flores na quadra juvenil|é triste ver a flor que desabrocha ou quer no prado ou na deserta rocha pender no fraco hastil é bem triste dos anos nos verdores morrer mancebo no brotar das flores na quadra juvenil
4367_4572_000303|deus recebe como um longo hosana o cântico de amor das criaturas do trono douro que circundam anjos sorrindo ao mundo a virgem mãe sinclina ouvindo as vozes dinocência bela dos lábios virginais duma menina|deus recebe como um longo hosana o cântico de amor das criaturas do trono douro que circundam anjos sorrindo ao mundo a virgem mãe sinclina ouvindo as vozes dinocência bela dos lábios virginais duma menina
4367_4572_000304|devera pobre fingido tendo nalma atroz desgosto mostrar sorrisos no rosto em vez de mágoas prazer e mudo e triste e penando como um perdido te amando sentir calar-me e morrer|devera pobre fingido tendo nalma atroz desgosto mostrar sorrisos no rosto em vez de mágoas prazer e mudo e triste e penando como um perdido te amando sentir calar-me e morrer
4367_4572_000305|era um anjo foi pro céu envolta em místico véu nas asas dum querubim já dorme o sono profundo e despediu-se do mundo pensando talvez em mim|era um anjo foi pro céu envolta em místico véu nas asas dum querubim já dorme o sono profundo e despediu-se do mundo pensando talvez em mim
4367_4572_000306|atirara pra longe sem saudade este véu que me cobre a mocidade de tanta escuridão eu que sou como o cardo do rochedo quase morto dos ventos ao rigor|atirara pra longe sem saudade este véu que me cobre a mocidade de tanta escuridão eu que sou como o cardo do rochedo quase morto dos ventos ao rigor
4367_4572_000307|à minha cabeceira rodeada de poesia tão bela como no dia em que vi-te a vez primeira teu riso a febre me acalma|à minha cabeceira rodeada de poesia tão bela como no dia em que vi-te a vez primeira teu riso a febre me acalma
4367_4572_000308|mim quando tu dormes tranqüila cerrada a negra pupila e o lábio doce a sorrir então o sonho dourado nas dobras do cortinado vem esmaltar teu dormir|mim quando tu dormes tranqüila cerrada a negra pupila e o lábio doce a sorrir então o sonho dourado nas dobras do cortinado vem esmaltar teu dormir
4367_4572_000309|era não tinha o prado mais rosas o sabiá mais gorjeios o céu mais nuvens formosas e mais puros devaneios a tua alma inocentinha tinha|era não tinha o prado mais rosas o sabiá mais gorjeios o céu mais nuvens formosas e mais puros devaneios a tua alma inocentinha tinha
4367_4572_000310|céus que jardins que flores que longos cantos de amores nos lindos sonhos te vem e quando a mente delira e quando o peito suspira suspira o peito por quem|céus que jardins que flores que longos cantos de amores nos lindos sonhos te vem e quando a mente delira e quando o peito suspira suspira o peito por quem
4367_4572_000311|depois segui te calado como o pássaro esfaimado vai seguindo a juriti mas tão pura ias brincando pelas pedrinhas saltando que eu tive pena de ti|depois segui te calado como o pássaro esfaimado vai seguindo a juriti mas tão pura ias brincando pelas pedrinhas saltando que eu tive pena de ti
4367_4572_000312|como nuvem desmaiada se tinge de madrugada ao doce albor da manhã assim ficaste querida a face em pejo acendida vermelha como a romã|como nuvem desmaiada se tinge de madrugada ao doce albor da manhã assim ficaste querida a face em pejo acendida vermelha como a romã
4367_4572_000313|quando se sente como eu sinto e sofro a mente ferve e o coração palpita de glórias e de amor se ouço arthur ao piano eu me extasio mas ouvindo teus hinos me arrebato e pasmo ante o cantor|quando se sente como eu sinto e sofro a mente ferve e o coração palpita de glórias e de amor se ouço arthur ao piano eu me extasio mas ouvindo teus hinos me arrebato e pasmo ante o cantor
4367_4572_000314|um canto amargo de ironia cheio treme nos lábios do cantor mancebo em breve a virgem do seu casto enlevo dá-lhe um sorriso e lhe intumesce o seio|um canto amargo de ironia cheio treme nos lábios do cantor mancebo em breve a virgem do seu casto enlevo dá-lhe um sorriso e lhe intumesce o seio
4367_4572_000315|ao lado da cachoeira que se despenha fremente dos galhos da sapucaia nas horas do sol ardente sobre um solo daçucenas suspensa a rede de penas ali nas tardes amenas se embala o índio indolente|ao lado da cachoeira que se despenha fremente dos galhos da sapucaia nas horas do sol ardente sobre um solo daçucenas suspensa a rede de penas ali nas tardes amenas se embala o índio indolente
4367_4572_000316|de dar-lhe a realeza nesse trono de beleza em que a mão da natureza esmerou se em quanto tinha correi pras bandas do sul debaixo dum céu de anil encontrareis o gigante santa cruz hoje brasil|de dar-lhe a realeza nesse trono de beleza em que a mão da natureza esmerou se em quanto tinha correi pras bandas do sul debaixo dum céu de anil encontrareis o gigante santa cruz hoje brasil
4367_4572_000317|ergue-se viva a minhalma sorvendo a vida em teus lábios como o saibo dos licores e na voz que é toda amores como um bálsamo bendito ouvindo a eu pobre palpito sou feliz e esqueço as dores|ergue-se viva a minhalma sorvendo a vida em teus lábios como o saibo dos licores e na voz que é toda amores como um bálsamo bendito ouvindo a eu pobre palpito sou feliz e esqueço as dores
4367_4572_000318|que de noite ao teu piano na voz que a paixão desata chorarás a raviata ue eu dantes amava tanto nas ânsias do meu amor e que darás compassiva uma gota do teu pranto à memória morta ou viva do teu pobre sonhador|que de noite ao teu piano na voz que a paixão desata chorarás a raviata ue eu dantes amava tanto nas ânsias do meu amor e que darás compassiva uma gota do teu pranto à memória morta ou viva do teu pobre sonhador
4367_4572_000319|deixava a pátria é verdade ia morrer de saudade noutros climas noutras plagas mas tinha orações ferventes duns lábios inda inocentes enquanto cortasse as vagas|deixava a pátria é verdade ia morrer de saudade noutros climas noutras plagas mas tinha orações ferventes duns lábios inda inocentes enquanto cortasse as vagas
4367_4572_000320|que chorar quando a natura é risos quando no prado a primavera é flores não foge a rosa quando o sol a busca antes se abrasa nos gentis|que chorar quando a natura é risos quando no prado a primavera é flores não foge a rosa quando o sol a busca antes se abrasa nos gentis
4367_4572_000321|se a borboleta dourada esquece a rosa encarnada em troca duma outra flor ela a triste molemente pendida sobre a corrente falece à míngua damor|se a borboleta dourada esquece a rosa encarnada em troca duma outra flor ela a triste molemente pendida sobre a corrente falece à míngua damor
4367_4572_000322|tremeste como a tulipa batida do vento frio suspiraste como a folha da brisa ao doce cicio e abriste os olhos sorrindo às águas quietas do rio|tremeste como a tulipa batida do vento frio suspiraste como a folha da brisa ao doce cicio e abriste os olhos sorrindo às águas quietas do rio
4367_4572_000323|qualquer encantos encerra mas a morena é da terra enquanto a clara é dos anjos mulher morena é ardente prende o amante demente nos fios do seu cabelo|qualquer encantos encerra mas a morena é da terra enquanto a clara é dos anjos mulher morena é ardente prende o amante demente nos fios do seu cabelo
4367_4572_000324|no sossego só dali não tinha te visto as tranças nem rasgado as esperanças por ti por ti perdi as flores da idade e na flor da mocidade é meu canto todo pranto qual a voz da juriti|no sossego só dali não tinha te visto as tranças nem rasgado as esperanças por ti por ti perdi as flores da idade e na flor da mocidade é meu canto todo pranto qual a voz da juriti
4367_4572_000325|se eu tenho de morrer na flor dos anos meu deus não seja já eu quero ouvir na laranjeira à tarde cantar o sabiá meu deus eu sinto e tu bem vês que eu morro respirando este ar|se eu tenho de morrer na flor dos anos meu deus não seja já eu quero ouvir na laranjeira à tarde cantar o sabiá meu deus eu sinto e tu bem vês que eu morro respirando este ar
4367_4572_000326|ti e disse então moreninha se um dia tu fores minha que amor que amor não terás eu dou-te noites de rosas cantando canções formosas ao som dos meus ternos ais|ti e disse então moreninha se um dia tu fores minha que amor que amor não terás eu dou-te noites de rosas cantando canções formosas ao som dos meus ternos ais
4367_4572_000327|iam vinham à roda das acácias brincavam no rosal nas violetas e eu de longe dizia que doidinhas meu deus meu deus são duas borboletas|iam vinham à roda das acácias brincavam no rosal nas violetas e eu de longe dizia que doidinhas meu deus meu deus são duas borboletas
4367_4572_000328|amemos tudo vive e tudo canta cantemos seja a vida hinos e flores de azul se veste o céu vistamos ambos o manto perfumado dos amores|amemos tudo vive e tudo canta cantemos seja a vida hinos e flores de azul se veste o céu vistamos ambos o manto perfumado dos amores
4367_4572_000329|é um país majestoso essa terra de upá eso amazonas ao prata do rio grande ao pará tem serranias gigantes e tem bosques verdejantes que repetem incessantes os cantos do sabiá|é um país majestoso essa terra de upá eso amazonas ao prata do rio grande ao pará tem serranias gigantes e tem bosques verdejantes que repetem incessantes os cantos do sabiá
4367_4572_000330|conserva na tua alma a virgindade e tenha o coração na rica aurora das rosas o matiz se a donzela cuspir nos teus amores chora perdida essa ilusão primeira mas vive e sê feliz|conserva na tua alma a virgindade e tenha o coração na rica aurora das rosas o matiz se a donzela cuspir nos teus amores chora perdida essa ilusão primeira mas vive e sê feliz
4367_4572_000331|órfã que chora a flor que se cora aos raios da aurora no albor da manhã os sonhos eternos os gozos mais ternos os beijos maternos e as vozes de irmã|órfã que chora a flor que se cora aos raios da aurora no albor da manhã os sonhos eternos os gozos mais ternos os beijos maternos e as vozes de irmã
4367_4572_000332|toda essa ternura que a rica natura soletra e murmura nos hálitos seus da terra os encantos das noites os prantos são hinos são cantos que sobem a deus|toda essa ternura que a rica natura soletra e murmura nos hálitos seus da terra os encantos das noites os prantos são hinos são cantos que sobem a deus
4367_4572_000333|triste minhalma é triste como o grito agudo das arapongas no sertão deserto e como o nauta sobre o mar sanhudo longe da praia que julgou tão perto|triste minhalma é triste como o grito agudo das arapongas no sertão deserto e como o nauta sobre o mar sanhudo longe da praia que julgou tão perto
4367_4572_000334|padre disse a pobre sestorcendo coa voz cortada dos soluços dalma onde o bálsamo as falas desperança o alívio à minha dor grave e solene o padre não falou mostrou-lhe o céu|padre disse a pobre sestorcendo coa voz cortada dos soluços dalma onde o bálsamo as falas desperança o alívio à minha dor grave e solene o padre não falou mostrou-lhe o céu
4367_4572_000335|samburá tu és a deusa da praça e todo o homem que passa apenas viu te parou segue depois seu caminho mas vai calado e sozinho porque sua alma ficou|samburá tu és a deusa da praça e todo o homem que passa apenas viu te parou segue depois seu caminho mas vai calado e sozinho porque sua alma ficou
4367_4572_000336|as doces falas de tua alma santa valem mais do que eu valho oh querubim quando rezares por teu mano não tesqueças também reza por mim bálsamo eu|as doces falas de tua alma santa valem mais do que eu valho oh querubim quando rezares por teu mano não tesqueças também reza por mim bálsamo eu
4367_4572_000337|senhor livrai a da rajada dura a flor mimosa que desponta agora deitai lhe orvalho na corola pura dai lhe bafejos prolongai lhe a aurora|senhor livrai a da rajada dura a flor mimosa que desponta agora deitai lhe orvalho na corola pura dai lhe bafejos prolongai lhe a aurora
4367_4572_000338|são flores murchas o jasmim fenece mas bafejado serguerá de novo bem como o galho do gentil renovo durante a noite quando o orvalho desce|são flores murchas o jasmim fenece mas bafejado serguerá de novo bem como o galho do gentil renovo durante a noite quando o orvalho desce
4367_4572_000339|faz que eu viva senhor dá-me de novo os gozos do meu lar o país estrangeiro mais belezas do que a pátria não tem e este mundo não vale um só dos beijos tão doces duma mãe|faz que eu viva senhor dá-me de novo os gozos do meu lar o país estrangeiro mais belezas do que a pátria não tem e este mundo não vale um só dos beijos tão doces duma mãe
4367_4572_000340|é uma terra de amores alcatifada de flores onde a brisa fala amores nas belas tardes de abril tem tantas belezas tantas a minha terra natal que nem as sonha um poeta e nem as canta um mortal|é uma terra de amores alcatifada de flores onde a brisa fala amores nas belas tardes de abril tem tantas belezas tantas a minha terra natal que nem as sonha um poeta e nem as canta um mortal
4367_4572_000341|o peito de|o peito de
4367_4572_000342|a bela caprichosa sempre nos ternos hinos dinfantil frescor entrelaçados na grinalda amiga doces perfumes e celeste amor|a bela caprichosa sempre nos ternos hinos dinfantil frescor entrelaçados na grinalda amiga doces perfumes e celeste amor
4367_4572_000343|e o do livro e de as aves de casimiro de abreu ma história brisa dizia à rosa dá formosa dá-me linda o teu amor deixa eu dormir no teu seio sem receio sem receio minha flor|e o do livro e de as aves de casimiro de abreu ma história brisa dizia à rosa dá formosa dá-me linda o teu amor deixa eu dormir no teu seio sem receio sem receio minha flor
4367_4572_000344|amei outrora com amor bem santo os negros olhos de gentil donzela mas dessa fronte de sublime encanto outro tirou a virginal capela|amei outrora com amor bem santo os negros olhos de gentil donzela mas dessa fronte de sublime encanto outro tirou a virginal capela
4367_4572_000345|tu és a pomba inocente eu sou teu anjo da guarda devo dizer-te baixinho olha que a morte não tarda mariposa dos amores deixa a luz embora arda|tu és a pomba inocente eu sou teu anjo da guarda devo dizer-te baixinho olha que a morte não tarda mariposa dos amores deixa a luz embora arda
4367_4572_000346|foi ali que noutro tempo à sombra do cajazeiro soltava seus doces carnes etrarca brasileiro e a bela que o escutava um sorriso deslizava para o bardo que pulsava seu alaúde fagueiro|foi ali que noutro tempo à sombra do cajazeiro soltava seus doces carnes etrarca brasileiro e a bela que o escutava um sorriso deslizava para o bardo que pulsava seu alaúde fagueiro
4367_4572_000347|adeus oh sonhos dourados adeus oh noites formosas adeus futuro de rosas que nos meus sonhos criei|adeus oh sonhos dourados adeus oh noites formosas adeus futuro de rosas que nos meus sonhos criei
4367_4572_000348|e a rosa dizia à brisa não precisa meu seio dos beijos teus não te adoro és inconstante outro amante outro amante aos sonhos meus|e a rosa dizia à brisa não precisa meu seio dos beijos teus não te adoro és inconstante outro amante outro amante aos sonhos meus
4367_4572_000349|ai que louca abriste o livro da minhalma livro santo escrito em noites dangústia regado com muito pranto e quase rasgaste as folhas sem entenderes o canto|ai que louca abriste o livro da minhalma livro santo escrito em noites dangústia regado com muito pranto e quase rasgaste as folhas sem entenderes o canto
4367_4572_000350|depois eu indolente descuidei me da planta nova dos gentis amores e a criança correndo pela vida foi colher nos jardins mais lindas flores|depois eu indolente descuidei me da planta nova dos gentis amores e a criança correndo pela vida foi colher nos jardins mais lindas flores
4367_4572_000351|e como a rola que em sentida queixa o bosque acorda desde o albor da aurora minhalma em notas de chorosa endecha lamenta os sonhos que já tive outrora|e como a rola que em sentida queixa o bosque acorda desde o albor da aurora minhalma em notas de chorosa endecha lamenta os sonhos que já tive outrora
4367_4572_000352|talvez que diga recordando tarde o doce anelo do feliz cantor meu deus nas folhas do meu livro dalma sobram perfumes e não falta amor|talvez que diga recordando tarde o doce anelo do feliz cantor meu deus nas folhas do meu livro dalma sobram perfumes e não falta amor
4367_4572_000353|ó anjo da loura trança a onda é mansa o céu é lindo dossel e sobre o mar tão dormente docemente deixa correr teu batel|ó anjo da loura trança a onda é mansa o céu é lindo dossel e sobre o mar tão dormente docemente deixa correr teu batel
4367_4572_000354|noivado tu dormirás ao som dos meus cantares oh filha do sertão sobre o meu peito o moço triste o sonhador mancebo desfolha rosas no teu casto leito|noivado tu dormirás ao som dos meus cantares oh filha do sertão sobre o meu peito o moço triste o sonhador mancebo desfolha rosas no teu casto leito
4367_4572_000355|a noite é linda o mar é calmo dorme a floresta meu amor só vela suspira a fonte e minha voz sentida é doce e triste como as vozes dela|a noite é linda o mar é calmo dorme a floresta meu amor só vela suspira a fonte e minha voz sentida é doce e triste como as vozes dela
4367_4572_000356|medrosa lançai os olhos sobre a linda filha dai lhe o sossego no seu casto ninho e da vereda que seu pé já trilha tirai a pedra e desviai o espinho|medrosa lançai os olhos sobre a linda filha dai lhe o sossego no seu casto ninho e da vereda que seu pé já trilha tirai a pedra e desviai o espinho
4367_4572_000357|quisera a vida mais longa se mais longa deus ma dera porque é linda a primavera porque é doce este arrebol porque é linda a flor dos anos banhada da luz do sol|quisera a vida mais longa se mais longa deus ma dera porque é linda a primavera porque é doce este arrebol porque é linda a flor dos anos banhada da luz do sol
4367_4572_000358|primeira deu-lhe esses campos bordados deu-lhe os leques da palmeira e a borboleta que adeja sobre as flores que ela beija quando o vento rumoreja na folhagem da mangueira|primeira deu-lhe esses campos bordados deu-lhe os leques da palmeira e a borboleta que adeja sobre as flores que ela beija quando o vento rumoreja na folhagem da mangueira
4367_4572_000359|virgem das sepulturas teu beijo mata as venturas da terra mas rasga o véu que a eternidade nos vela e nós os filhos do erro libertos deste desterro vamos comtigo donzela|virgem das sepulturas teu beijo mata as venturas da terra mas rasga o véu que a eternidade nos vela e nós os filhos do erro libertos deste desterro vamos comtigo donzela
4367_4572_000360|clara é sempre mais fria mas dá-me licença um dia que eu vou arder no teu gelo a cor morena é bonita mas nada nada te imita nem mesmo sequer de leve|clara é sempre mais fria mas dá-me licença um dia que eu vou arder no teu gelo a cor morena é bonita mas nada nada te imita nem mesmo sequer de leve
4367_4572_000361|ó anjo da loura trança que esperança nos traz a brisa do sul correm brisas das montanhas vê se apanhas a borboleta de azul|ó anjo da loura trança que esperança nos traz a brisa do sul correm brisas das montanhas vê se apanhas a borboleta de azul
4367_4572_000362|e perto ou longe quis beijar a sreia que em doce canto me atraiu na infância ai loucos sonhos de mancebo ardente espranças altas ei las já tão rasas pombo selvagem quis voar contente feriu me a bala no bater das asas|e perto ou longe quis beijar a sreia que em doce canto me atraiu na infância ai loucos sonhos de mancebo ardente espranças altas ei las já tão rasas pombo selvagem quis voar contente feriu me a bala no bater das asas
4367_4572_000363|pois essa alma é tão sedenta que um só amor não contenta e louca quer variar se já tens amores belos pra que vais dar teus desvelos aos goivos da beira-mar não|pois essa alma é tão sedenta que um só amor não contenta e louca quer variar se já tens amores belos pra que vais dar teus desvelos aos goivos da beira-mar não
4367_4572_000364|ela é a rola que a floresta cria ela é o lírio que a manhã descerra senhor amai a a sua voz macia como a das aves a inocência encerra|ela é a rola que a floresta cria ela é o lírio que a manhã descerra senhor amai a a sua voz macia como a das aves a inocência encerra
4367_4572_000365|ao menos nesse momento em que o letargo nos vem na hora do passamento no suspirar da agonia terei a fronte já fria no colo de minha mãe mas|ao menos nesse momento em que o letargo nos vem na hora do passamento no suspirar da agonia terei a fronte já fria no colo de minha mãe mas
4367_4572_000366|lamentemos essa pura estrela sumida como no horizonte a vela nas névoas da manhã a sepultura foi há pouco aberta mas o dormente já se não desperta à voz de sua irmã|lamentemos essa pura estrela sumida como no horizonte a vela nas névoas da manhã a sepultura foi há pouco aberta mas o dormente já se não desperta à voz de sua irmã
4367_4572_000367|esta flor desbotada já tantas vezes beijada que de mistérios não tem em troca do seu perfume quanta saudade resume e quantos prantos também|esta flor desbotada já tantas vezes beijada que de mistérios não tem em troca do seu perfume quanta saudade resume e quantos prantos também
4367_4572_000368|não viste a rola sem ninho no caminho gemendo se a noite vem não viste a rola sem ninho pois anjinho assim eu gemo também|não viste a rola sem ninho no caminho gemendo se a noite vem não viste a rola sem ninho pois anjinho assim eu gemo também
4367_4572_000369|às vezes louca num cismar perdida minhalma triste vai vagando à toa poesia fúnebre muito triste canção melancólica bem como a folha que do sul batida bóia nas águas de gentil lagoa|às vezes louca num cismar perdida minhalma triste vai vagando à toa poesia fúnebre muito triste canção melancólica bem como a folha que do sul batida bóia nas águas de gentil lagoa
4367_4572_000370|dos mares na raia a luz que desmaia e as ondas na praia lambendo-lhe o chão da noite a harmonia melhor que a do dia e a viva ardentia das águas do mar|dos mares na raia a luz que desmaia e as ondas na praia lambendo-lhe o chão da noite a harmonia melhor que a do dia e a viva ardentia das águas do mar
4367_4572_000371|não viste a barca perdida sacudida nas asas dalgum tufão não viste a barca fendida pois querida assim vai meu coração|não viste a barca perdida sacudida nas asas dalgum tufão não viste a barca fendida pois querida assim vai meu coração
4367_4572_000372|não viver é amar é ter um dia um amigo uma mão que nos afague uma voz que nos diga os seus queixumes que as nossas mágoas com amor apague|não viver é amar é ter um dia um amigo uma mão que nos afague uma voz que nos diga os seus queixumes que as nossas mágoas com amor apague
4367_4572_000373|como à sombra das árvores da pátria sembala a doce filha dos tupis a sombra da ventura e da esperança embalara meu deus essa criança nos cantos juvenis|como à sombra das árvores da pátria sembala a doce filha dos tupis a sombra da ventura e da esperança embalara meu deus essa criança nos cantos juvenis
4367_4572_000374|as vagas e hoje e hoje meu deus hei de ir junto aos mausoléus no fundo dos cemitérios e ao baço clarão da lua da campa na pedra nua interrogar os mistérios|as vagas e hoje e hoje meu deus hei de ir junto aos mausoléus no fundo dos cemitérios e ao baço clarão da lua da campa na pedra nua interrogar os mistérios
4367_4572_000375|o teu sorriso é delírio és alva da cor do lírio és clara da cor da neve a|o teu sorriso é delírio és alva da cor do lírio és clara da cor da neve a
4367_4572_000376|e como notas de chorosa endecha eu pobre canto com a dor desmaia e seus gemidos são iguais à queixa que a vaga solta quando beija a praia|e como notas de chorosa endecha eu pobre canto com a dor desmaia e seus gemidos são iguais à queixa que a vaga solta quando beija a praia
4367_4572_000377|aqui se junte qual num ramo santo do nardo o aroma e da camélia a cor e possa a virgem percorrendo as folhas sorver perfumes respirar amor|aqui se junte qual num ramo santo do nardo o aroma e da camélia a cor e possa a virgem percorrendo as folhas sorver perfumes respirar amor
4367_4572_000378|e depois vejo uns olhos ardentes em delírio nos meus se fitando e uma voz em acentos plangentes vem de longe um adeus soluçando|e depois vejo uns olhos ardentes em delírio nos meus se fitando e uma voz em acentos plangentes vem de longe um adeus soluçando
4367_4572_000379|e como a flor que solitária pende sem ter carícias no voar da brisa minhalma murcha mas ninguém entende que a pobrezinha só de amor precisa|e como a flor que solitária pende sem ter carícias no voar da brisa minhalma murcha mas ninguém entende que a pobrezinha só de amor precisa
4367_4572_000380|choraste pomba adorada e a lágrima cristalina banhou te a face divina e a bela fronte inspirada pálida e triste pendeu|choraste pomba adorada e a lágrima cristalina banhou te a face divina e a bela fronte inspirada pálida e triste pendeu
4367_4572_000381|era bem cedo na manhã da vida chegar não pôde à terra prometida que ao longe lhe sorriu embora desta estrada nos espinhos feliz tivesse os maternais carinhos cansado sucumbiu|era bem cedo na manhã da vida chegar não pôde à terra prometida que ao longe lhe sorriu embora desta estrada nos espinhos feliz tivesse os maternais carinhos cansado sucumbiu
4367_4572_000382|borboleta dos amores como a outra sobre as flores porque és volúvel assim porque deixas caprichosa porque deixas tu a rosa e vais beijar o jasmim|borboleta dos amores como a outra sobre as flores porque és volúvel assim porque deixas caprichosa porque deixas tu a rosa e vais beijar o jasmim
4367_4572_000383|oh quantas vezes a prendi nos braços que o diga e fale o laranjal florido se mão de ferro espedaçou dois laços ambos choramos mas num só gemido|oh quantas vezes a prendi nos braços que o diga e fale o laranjal florido se mão de ferro espedaçou dois laços ambos choramos mas num só gemido
4367_4572_000384|pobre mancebo nesse peito nobre e nessa fronte que o sepulcro cobre era fundo o sentir agora solitário tu descansas e contigo esse mundo de esperanças tão rico de porvir|pobre mancebo nesse peito nobre e nessa fronte que o sepulcro cobre era fundo o sentir agora solitário tu descansas e contigo esse mundo de esperanças tão rico de porvir
4367_4572_000385|e sonhava de manso cheguei-me sem leve rumor pendi me tremendo e qual fraco vagido qual sopro da brisa baixinho ao ouvido falei-lhe de amor|e sonhava de manso cheguei-me sem leve rumor pendi me tremendo e qual fraco vagido qual sopro da brisa baixinho ao ouvido falei-lhe de amor
4367_4572_000386|erguendo o dorso altivo sacudia a branca escuma para o céu sereno e eu disse a minha mãe nesse momento que dura orquestra que furor insano que pode haver maior que o oceano ou que seja mais forte do que o vento|erguendo o dorso altivo sacudia a branca escuma para o céu sereno e eu disse a minha mãe nesse momento que dura orquestra que furor insano que pode haver maior que o oceano ou que seja mais forte do que o vento
4367_4572_000387|canta e que teus hinos desperança despertem deste mundo de misérias a estúpida mudez e dos prelúdios dessa lira ingênua em poucos anos surgirá brilhante e levo a talvez|canta e que teus hinos desperança despertem deste mundo de misérias a estúpida mudez e dos prelúdios dessa lira ingênua em poucos anos surgirá brilhante e levo a talvez