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4367_4572_000388|feliz doce renovo vede agora senhor na voz do povo quão grande é seu amor à tarde que expira a flor que suspira o canto da lira da lua o clarão|feliz doce renovo vede agora senhor na voz do povo quão grande é seu amor à tarde que expira a flor que suspira o canto da lira da lua o clarão
4367_4572_000389|correria mais puro e mais constante na lira das canções no mundo tão gentil dos devaneios minhalma mais feliz saudara a luz e apagara senhor num beijo puro a dor imensa da perda do futuro que à morte me conduz|correria mais puro e mais constante na lira das canções no mundo tão gentil dos devaneios minhalma mais feliz saudara a luz e apagara senhor num beijo puro a dor imensa da perda do futuro que à morte me conduz
4367_4572_000390|vil eu sei devera sozinho sofrer comigo o tormento e na dor do pensamento devorar essa agonia devera sedento algoz em vez de sonhos felizes cortar no peito as raízes desse amor e tão descrido dos hinos matar lhe a voz|vil eu sei devera sozinho sofrer comigo o tormento e na dor do pensamento devorar essa agonia devera sedento algoz em vez de sonhos felizes cortar no peito as raízes desse amor e tão descrido dos hinos matar lhe a voz
4367_4572_000391|dela qual eco fraco de amorosa queixa perpassa a brisa na magnólia verde e o som magoado do tremer das folhas longe bem longe devagar se perde|dela qual eco fraco de amorosa queixa perpassa a brisa na magnólia verde e o som magoado do tremer das folhas longe bem longe devagar se perde
4367_4572_000392|deus nas folhas deste livro puro não manche o pranto da inocência o alvor mas cada canto que cair dos lábios traga perfumes e murmure amor|deus nas folhas deste livro puro não manche o pranto da inocência o alvor mas cada canto que cair dos lábios traga perfumes e murmure amor
4367_4572_000393|não voltou talvez ela adormecesse junto à fonte deitada na verdura e sonhando a criança se recorde do moço que ela viu e que a procura|não voltou talvez ela adormecesse junto à fonte deitada na verdura e sonhando a criança se recorde do moço que ela viu e que a procura
4367_4572_000394|talvez quem sabe não digo mas refletindo comigo talvez nem tanto te amara a tua cor é mimosa brilha mais da face a rosa tem mais graça a boca breve|talvez quem sabe não digo mas refletindo comigo talvez nem tanto te amara a tua cor é mimosa brilha mais da face a rosa tem mais graça a boca breve
4367_4572_000395|sonha feliz a idade das rosas da virgindade dos sonhos do coração puro vergel de açucenas ou lago dáguas serenas que estremece à viração|sonha feliz a idade das rosas da virgindade dos sonhos do coração puro vergel de açucenas ou lago dáguas serenas que estremece à viração
4367_4572_000396|a vida é um deserto aborrecido sem sombra doce ou viração calmante amor é a fonte que nasceu nas pedras e mata a sede à caravana errante|a vida é um deserto aborrecido sem sombra doce ou viração calmante amor é a fonte que nasceu nas pedras e mata a sede à caravana errante
4367_4572_000397|quem é que meus lábios dormentes roçava qual anjo da guarda qual sopro de deus minha mãe feliz o bom filho que pode contente na casa paterna de noite e de dia|quem é que meus lábios dormentes roçava qual anjo da guarda qual sopro de deus minha mãe feliz o bom filho que pode contente na casa paterna de noite e de dia
4367_4572_000398|na mocidade na estação fogosa ama se a vida a mocidade é crença e a alma virgem nesta festa imensa canta palpita sextasia e|na mocidade na estação fogosa ama se a vida a mocidade é crença e a alma virgem nesta festa imensa canta palpita sextasia e
4367_4572_000399|sua alma pura na novel vertigem pede ao amor o seu futuro inteiro senhor ouvi o suspirar da virgem dourai lhe os sonhos no sonhar primeiro|sua alma pura na novel vertigem pede ao amor o seu futuro inteiro senhor ouvi o suspirar da virgem dourai lhe os sonhos no sonhar primeiro
4367_4572_000400|a gota de orvalho tremendo no galho do velho carvalho nas folhas do ingá o bater do seio dos bosques no meio o doce gorjeio dalgum sabiá|a gota de orvalho tremendo no galho do velho carvalho nas folhas do ingá o bater do seio dos bosques no meio o doce gorjeio dalgum sabiá
4367_4572_000401|se brasileiro eu nasci brasileiro hei de morrer que um filho daquelas matas ama o céu que o viu nascer chora sim porque tem prantos e são sentidos e santos se chora pelos encantos que nunca mais|se brasileiro eu nasci brasileiro hei de morrer que um filho daquelas matas ama o céu que o viu nascer chora sim porque tem prantos e são sentidos e santos se chora pelos encantos que nunca mais
4367_4572_000402|doce filha da lânguida tristeza tua alma a suspirar de amor definha abre os olhos gentis à luz da vida vem ouvir no silêncio a voz da minha|doce filha da lânguida tristeza tua alma a suspirar de amor definha abre os olhos gentis à luz da vida vem ouvir no silêncio a voz da minha
4367_4572_000403|tenho pena sou tão moço a vida tem tanto enlevo oh que saudades que levo de tudo que eu tanto amei|tenho pena sou tão moço a vida tem tanto enlevo oh que saudades que levo de tudo que eu tanto amei
4367_4572_000404|o santo amor dos corações ardentes achou eco no peito dos valentes no campo e na cidade e nos salões do pescador nos lares livres soaram hinos populares à voz da liberdade|o santo amor dos corações ardentes achou eco no peito dos valentes no campo e na cidade e nos salões do pescador nos lares livres soaram hinos populares à voz da liberdade
4367_4572_000405|não pude a mente fervia o coração trasbordava interna voz me falava e louco ouvindo a harmonia que a alma continha em si soltei na febre o meu canto e do delírio no pranto morri de amores por ti|não pude a mente fervia o coração trasbordava interna voz me falava e louco ouvindo a harmonia que a alma continha em si soltei na febre o meu canto e do delírio no pranto morri de amores por ti
4367_4572_000406|agora como um louco eu fito as turbas sempre a ver se descubro a face linda os outros a sorrir passam cantando só eu a suspirar procuro ainda|agora como um louco eu fito as turbas sempre a ver se descubro a face linda os outros a sorrir passam cantando só eu a suspirar procuro ainda
4367_4572_000407|e verde se balança o galho suspira a fonte na linguagem meiga murmura a brisa como é linda a veiga responde a rosa como é doce o orvalho|e verde se balança o galho suspira a fonte na linguagem meiga murmura a brisa como é linda a veiga responde a rosa como é doce o orvalho
4367_4572_000408|borboleta dos amores como a outra sobre as flores porque és volúvel assim porque deixas caprichosa porque deixas tu a rosa e vais beijar o jasmim|borboleta dos amores como a outra sobre as flores porque és volúvel assim porque deixas caprichosa porque deixas tu a rosa e vais beijar o jasmim
4367_4572_000409|eu que não tenho como o sol seus raios embora sinta nesta fronte ardor sempre quisera ao encetar teu álbum dar-lhe perfumes desejar lhe amor|eu que não tenho como o sol seus raios embora sinta nesta fronte ardor sempre quisera ao encetar teu álbum dar-lhe perfumes desejar lhe amor
4367_4572_000410|tremia quando falava e pobre tonto chamava o baile alegrias falsas eu gosto mais dessas falas que me murmuram nas salas no ritornelo das valsas|tremia quando falava e pobre tonto chamava o baile alegrias falsas eu gosto mais dessas falas que me murmuram nas salas no ritornelo das valsas
4367_4572_000411|se a virgem viesse agora mesmo surgindo bela qual visão de amores tu pra saudá-la bem do imo dalma diz-me poeta o que escolhias flores|se a virgem viesse agora mesmo surgindo bela qual visão de amores tu pra saudá-la bem do imo dalma diz-me poeta o que escolhias flores
4367_4572_000412|rosto sonhavas então querida e presa de vago anseio debaixo das roupas brancas senti bater o teu seio e meu nome num soluço à flor dos lábios te veio|rosto sonhavas então querida e presa de vago anseio debaixo das roupas brancas senti bater o teu seio e meu nome num soluço à flor dos lábios te veio
4367_4572_000413|quando a lua brilhar num céu sem nuvens desfolha rosas no virgíneo leito nas horas do silêncio inda és mais bela banhada do luar num vago anseio os negros olhos de volúpia mortos por sob a gaze te estremece o seio|quando a lua brilhar num céu sem nuvens desfolha rosas no virgíneo leito nas horas do silêncio inda és mais bela banhada do luar num vago anseio os negros olhos de volúpia mortos por sob a gaze te estremece o seio
4367_4572_000414|por ela eu deixaria a voz das turbas e esta ânsia infeliz de gloria vã na vida que nos corre tão sombria eu seria meu deus seu doce guia e ela minha irmã|por ela eu deixaria a voz das turbas e esta ânsia infeliz de gloria vã na vida que nos corre tão sombria eu seria meu deus seu doce guia e ela minha irmã
4367_4572_000415|tu também minha inconstante tens tido mais dum amante e nunca amaste a um só eles morrem de saudade mas tu na variedade vais vivendo e não tens dó|tu também minha inconstante tens tido mais dum amante e nunca amaste a um só eles morrem de saudade mas tu na variedade vais vivendo e não tens dó
4367_4572_000416|era bem cedo tanta glória ainda o esperava meu deus na aurora linda que a vida lhe dourou pobre mancebo no fervor dessa alma ao colher do futuro a verde palma na cova tropeçou|era bem cedo tanta glória ainda o esperava meu deus na aurora linda que a vida lhe dourou pobre mancebo no fervor dessa alma ao colher do futuro a verde palma na cova tropeçou
4367_4572_000417|ai és muito caprichosa sem pena deixas a rosa e vais beijar outras flores esqueces os que te amam por isso todos te chamam borboleta dos amores|ai és muito caprichosa sem pena deixas a rosa e vais beijar outras flores esqueces os que te amam por isso todos te chamam borboleta dos amores
4367_4572_000418|quando nasci esse brado já não soava na serra nem os ecos da montanha ao longe diziam guerra mas não sei o que sentia quando a sós eu repetia cheio de nobre ousadia o nome da minha terra|quando nasci esse brado já não soava na serra nem os ecos da montanha ao longe diziam guerra mas não sei o que sentia quando a sós eu repetia cheio de nobre ousadia o nome da minha terra
4367_4572_000419|as noites brilhantes e os doces instantes dos noivos amantes na lua de mel do templo nas naves as notas suaves e o trino das aves saudando o arrebol as tardes estivas e as rosas lascivas erguendo-se altivas aos raios do sol|as noites brilhantes e os doces instantes dos noivos amantes na lua de mel do templo nas naves as notas suaves e o trino das aves saudando o arrebol as tardes estivas e as rosas lascivas erguendo-se altivas aos raios do sol
4367_4572_000420|minhalma é o batel prendido à margem sem leme em ócio vil será saara vem soltá lo pepita e correremos soltas as velas desprezando remos que o mar é todo anil|minhalma é o batel prendido à margem sem leme em ócio vil será saara vem soltá lo pepita e correremos soltas as velas desprezando remos que o mar é todo anil
4367_4572_000421|eu segui-a chamando a e ela rindo mais corria gentil por entre as flores e a flor dos ares abaixando o vôo mostrava as asas de brilhantes cores|eu segui-a chamando a e ela rindo mais corria gentil por entre as flores e a flor dos ares abaixando o vôo mostrava as asas de brilhantes cores
4367_4572_000422|morena minha sereia tu és a rosa da aldeia mulher mais linda não há ninguém tiguala ou timita coas tranças presas na fita coas flores no samburá|morena minha sereia tu és a rosa da aldeia mulher mais linda não há ninguém tiguala ou timita coas tranças presas na fita coas flores no samburá
4367_4572_000423|tem tantas belezas tantas a minha terra natal que nem as sonha um poeta e nem as canta um mortal é uma terra de amores alcatifada de flores onde a brisa em seus rumores murmura não tem rival|tem tantas belezas tantas a minha terra natal que nem as sonha um poeta e nem as canta um mortal é uma terra de amores alcatifada de flores onde a brisa em seus rumores murmura não tem rival
4367_4572_000424|tu matas todos damores faceira vendendo as flores que colhes no teu jardim quando tu passas naldeia diz o povo à boca cheia mulher mais linda não há ai vejam como é bonita coas tranças presas na fita coas flores no samburá|tu matas todos damores faceira vendendo as flores que colhes no teu jardim quando tu passas naldeia diz o povo à boca cheia mulher mais linda não há ai vejam como é bonita coas tranças presas na fita coas flores no samburá
4367_4572_000425|e depois quando a lua ilumina o horizonte com luz prateada julgo ver essa fronte divina sobre as vagas cismando inclinada|e depois quando a lua ilumina o horizonte com luz prateada julgo ver essa fronte divina sobre as vagas cismando inclinada
4367_4572_000426|não sabes que a flor traída na débil haste pendida em breve murcha será que de ciúmes fenece e nunca mais estremece aos beijos que a brisa dá|não sabes que a flor traída na débil haste pendida em breve murcha será que de ciúmes fenece e nunca mais estremece aos beijos que a brisa dá
4367_4572_000427|quem é que esse berço com todo o cuidado cantando cantigas alegre embalava minha mãe de noite alta noite quando eu já dormia sonhando esses sonhos dos anjos dos céus|quem é que esse berço com todo o cuidado cantando cantigas alegre embalava minha mãe de noite alta noite quando eu já dormia sonhando esses sonhos dos anjos dos céus
4367_4572_000428|vem eu sou a flor aberta à noite pendida no arrebol dá-me um carinho dessa voz lasciva e a flor pendida serguerá mais viva aos raios desse sol|vem eu sou a flor aberta à noite pendida no arrebol dá-me um carinho dessa voz lasciva e a flor pendida serguerá mais viva aos raios desse sol
4367_4572_000429|na primavera na manhã da vida deus às tristezas o sorriso enlaça e a tempestade se dissipa e passa à voz mimosa da mulher querida|na primavera na manhã da vida deus às tristezas o sorriso enlaça e a tempestade se dissipa e passa à voz mimosa da mulher querida
4367_4572_000430|a febre me queima a fronte e dos túmulos a aragem roçou me a pálida face mas no delírio e na febre sempre teu rosto contemplo e serena a tua imagem|a febre me queima a fronte e dos túmulos a aragem roçou me a pálida face mas no delírio e na febre sempre teu rosto contemplo e serena a tua imagem
4367_4572_000431|rigor encontrara de novo a minha vida o sol da primavera e a luz perdida nos braços desse amor minha fronte que pende sofredora acharia meu deus inspirações e o fogo que queimou gilbert e ante|rigor encontrara de novo a minha vida o sol da primavera e a luz perdida nos braços desse amor minha fronte que pende sofredora acharia meu deus inspirações e o fogo que queimou gilbert e ante
4367_4572_000432|no entanto o sacerdote fronte branca pelo gelo dos anos a seu lado tentava consolá-la a mãe aflita sublime desse belo desespero as vozes não lhe ouvia a dor suprema toldava lhe a razão no duro trance|no entanto o sacerdote fronte branca pelo gelo dos anos a seu lado tentava consolá-la a mãe aflita sublime desse belo desespero as vozes não lhe ouvia a dor suprema toldava lhe a razão no duro trance
4367_4572_000433|na hora da despedida tão cruel e tão sentida pra quem sai do lar fagueiro duma lágrima orvalhada esta rosa foi-me dada ao som dum beijo primeiro|na hora da despedida tão cruel e tão sentida pra quem sai do lar fagueiro duma lágrima orvalhada esta rosa foi-me dada ao som dum beijo primeiro
4367_4572_000434|eu sofro o corpo padece e minhalma se estremece ouvindo o dobrar dum sino quem sabe a vida fenece como a lâmpada no templo ou como a nota dum hino|eu sofro o corpo padece e minhalma se estremece ouvindo o dobrar dum sino quem sabe a vida fenece como a lâmpada no templo ou como a nota dum hino
4367_4572_000435|tanta dor nas brancas vestes tanta doçura ao luar que ali o morto poeta traviata ópera em quatro atos de verdi o libreto é uma adaptação de a dama das camélias de alexandre dumas filho nos seus íntimos segredos à sombra dos arvoredos pode viver a sonhar|tanta dor nas brancas vestes tanta doçura ao luar que ali o morto poeta traviata ópera em quatro atos de verdi o libreto é uma adaptação de a dama das camélias de alexandre dumas filho nos seus íntimos segredos à sombra dos arvoredos pode viver a sonhar
4367_4572_000436|eu que fui teu amigo inda na infância quando as almas das rosas na fragrância bendizem só a deus hoje venho nas cordas do alaúde sentido e grave à beira do ataúde dizer-te o extremo adeus|eu que fui teu amigo inda na infância quando as almas das rosas na fragrância bendizem só a deus hoje venho nas cordas do alaúde sentido e grave à beira do ataúde dizer-te o extremo adeus
4367_4572_000437|não faças como nós na infância apenas solta poeta o gorjear de amores que é doce o teu cantar seja a vida pra ti só riso e galas e adormeças a cismar quimeras da noite no luar|não faças como nós na infância apenas solta poeta o gorjear de amores que é doce o teu cantar seja a vida pra ti só riso e galas e adormeças a cismar quimeras da noite no luar
4367_4572_000438|é uma folha caída do livro da minha vida um canto imenso de dor há que tempos bem me lembro foi num dia de novembro deixava a terra natal a minha pátria tão cara o meu lindo guanabara em busca de portugal|é uma folha caída do livro da minha vida um canto imenso de dor há que tempos bem me lembro foi num dia de novembro deixava a terra natal a minha pátria tão cara o meu lindo guanabara em busca de portugal
4367_4572_000439|e de pé sobre a rocha indeciso eu lhe brado não fujas espera mas o vento já leva ligeiro esse sonho querido dum dia essa virgem de rosto fagueiro esse rosto de tanta poesia|e de pé sobre a rocha indeciso eu lhe brado não fujas espera mas o vento já leva ligeiro esse sonho querido dum dia essa virgem de rosto fagueiro esse rosto de tanta poesia
4367_4572_000440|dizem que há gozos no correr dos anos só eu não sei em que o prazer consiste pobre ludíbrio de cruéis enganos perdi os risos a minhalma é triste|dizem que há gozos no correr dos anos só eu não sei em que o prazer consiste pobre ludíbrio de cruéis enganos perdi os risos a minhalma é triste
4367_4572_000441|ai morena ai meus amores eu quero comprar te as flores mas dá-me um beijo também que importam rosas do prado sem o sorriso engraçado que a tua boquinha tem|ai morena ai meus amores eu quero comprar te as flores mas dá-me um beijo também que importam rosas do prado sem o sorriso engraçado que a tua boquinha tem
4367_4572_000442|sentir as carícias do anjo de amores da estrela brilhante que a vida nos guia uma mãe por isso eu agora na terra do exílio sentado sozinho coa face na mão suspiro e soluço por quem me chamava|sentir as carícias do anjo de amores da estrela brilhante que a vida nos guia uma mãe por isso eu agora na terra do exílio sentado sozinho coa face na mão suspiro e soluço por quem me chamava
4367_4572_000443|se teimosa rejeitando a lira a fronte virgem para ti pendida dum beijo a paga te pedisse altiva o que lhe davas meu poeta a vida|se teimosa rejeitando a lira a fronte virgem para ti pendida dum beijo a paga te pedisse altiva o que lhe davas meu poeta a vida
4367_4572_000444|então minhalma turbada a calma harpa vibrada por mão de fada como a calhandra saúda o dia em meigos cantos se exalaria na melodia dos sonhos meus|então minhalma turbada a calma harpa vibrada por mão de fada como a calhandra saúda o dia em meigos cantos se exalaria na melodia dos sonhos meus
2961_4572_000000|que me fale|que me fale
2961_4572_000001|quem dera que sintas as dores de amores que louco senti quem dera que sintas não negues não mintas eu vi|quem dera que sintas as dores de amores que louco senti quem dera que sintas não negues não mintas eu vi
2961_4572_000002|quem dera que sintas as dores de amores que louco senti quem dera que sintas não negues não mintas eu vi|quem dera que sintas as dores de amores que louco senti quem dera que sintas não negues não mintas eu vi
2961_4572_000003|quem dera que sintas as dores de amores que louco senti quem dera que sintas não negues não mintas eu vi|quem dera que sintas as dores de amores que louco senti quem dera que sintas não negues não mintas eu vi
2961_4572_000004|queixumes e os|queixumes e os
2961_4572_000005|um dia o vendaval do desengano varre lhe as flores do jardim da vida e nu das vestes que lhe dera o berço treme de frio ao vento do infortúnio|um dia o vendaval do desengano varre lhe as flores do jardim da vida e nu das vestes que lhe dera o berço treme de frio ao vento do infortúnio
2961_4572_000006|até que a morte lhe desmancha os sonhos pobre insensato quer achar por força pérola fina em lodaçal imundo menino louro que se cansa e mata atrás da borboleta que travessa nas moitas do mangal voa e se perde|até que a morte lhe desmancha os sonhos pobre insensato quer achar por força pérola fina em lodaçal imundo menino louro que se cansa e mata atrás da borboleta que travessa nas moitas do mangal voa e se perde
2961_4572_000007|mas esse sorriso tão liso que tinhas nos lábios de rosa formosa tu davas mandavas a quem quem dera que sintas as dores de amores que louco senti|mas esse sorriso tão liso que tinhas nos lábios de rosa formosa tu davas mandavas a quem quem dera que sintas as dores de amores que louco senti
2961_4572_000008|eu triste vi tudo mas mudo não tive nas galas das salas nem falas nem cantos nem prantos nem voz|eu triste vi tudo mas mudo não tive nas galas das salas nem falas nem cantos nem prantos nem voz
2961_4572_000009|na valsa tão falsa corrias fugias ardente contente tranqüila serena sem pena de mim quem dera que sintas as dores de amores que louco senti quem dera que sintas não negues não mintas eu vi|na valsa tão falsa corrias fugias ardente contente tranqüila serena sem pena de mim quem dera que sintas as dores de amores que louco senti quem dera que sintas não negues não mintas eu vi
2961_4572_000010|o homem nasce cresce alegre e crente entra no mundo co sorrir nos lábios traz os perfumes que lhe dera o berço veste-se belo dilusões douradas canta suspira crê sente esperanças|o homem nasce cresce alegre e crente entra no mundo co sorrir nos lábios traz os perfumes que lhe dera o berço veste-se belo dilusões douradas canta suspira crê sente esperanças
2961_4572_000011|meu deus eras bela donzela valsando sorrindo fugindo qual silfo risonho que em sonho nos vem|meu deus eras bela donzela valsando sorrindo fugindo qual silfo risonho que em sonho nos vem
2961_4572_000012|quem dera que sintas não negues não mintas eu vi calado sozinho mesquinho em zelos ardendo eu vi-te correndo tão falsa na valsa veloz|quem dera que sintas não negues não mintas eu vi calado sozinho mesquinho em zelos ardendo eu vi-te correndo tão falsa na valsa veloz
2961_4572_000013|quem a vida devo hei de casimiro de abreu ramente mundo é uma mentira a glória fumo a morte um beijo e esta vida um sonho pesado ou doce que sesvai na campa|quem a vida devo hei de casimiro de abreu ramente mundo é uma mentira a glória fumo a morte um beijo e esta vida um sonho pesado ou doce que sesvai na campa
2961_4572_000014|na valsa cansaste ficaste prostrada turbada pensavas cismavas e estavas tão pálida então qual pálida rosa mimosa no vale do vento cruento batida caída sem vida no chão|na valsa cansaste ficaste prostrada turbada pensavas cismavas e estavas tão pálida então qual pálida rosa mimosa no vale do vento cruento batida caída sem vida no chão
2961_4572_000015|depois louco sublime ele se engana tenta enganar-se pra curar as mágoas cria fantasmas na cabeça em fogo de novo atira o seu batel nas ondas trabalha luta e se afadiga embalde|depois louco sublime ele se engana tenta enganar-se pra curar as mágoas cria fantasmas na cabeça em fogo de novo atira o seu batel nas ondas trabalha luta e se afadiga embalde
2961_4572_000016|sem família sem pão sem lar sem ninho e rico só de fé era de tarde ao toque do mosteiro seu lábio a murmurar rezava baixo|sem família sem pão sem lar sem ninho e rico só de fé era de tarde ao toque do mosteiro seu lábio a murmurar rezava baixo
2961_4572_000017|é que esse vento que na várzea ao longe do colmo o fumo caprichoso ondeia soprando um dia tornaria incêndio a chama viva que teu riso ateia|é que esse vento que na várzea ao longe do colmo o fumo caprichoso ondeia soprando um dia tornaria incêndio a chama viva que teu riso ateia
2961_4572_000018|e não tenho como o náufrago nas ondas nas trevas um fanal eu sofro e esta dor que me atormenta é um suplício atroz e pra contá-la falta à lira cordas e aos lábios meus a|e não tenho como o náufrago nas ondas nas trevas um fanal eu sofro e esta dor que me atormenta é um suplício atroz e pra contá-la falta à lira cordas e aos lábios meus a
2961_4572_000019|vampiro infame eu sorveria em beijos toda a inocência que teu lábio encerra e tu serias no lascivo abraço anjo enlodado nos país da terra|vampiro infame eu sorveria em beijos toda a inocência que teu lábio encerra e tu serias no lascivo abraço anjo enlodado nos país da terra
2961_4572_000020|meu nome é simples e pobre mas é sombrio e traz dores grinalda de murchas flores que o sol queima e não consome sinhá das folhas do livro é bom tirar o meu nome|meu nome é simples e pobre mas é sombrio e traz dores grinalda de murchas flores que o sol queima e não consome sinhá das folhas do livro é bom tirar o meu nome
2961_4572_000021|um outro mancebo alegre poeta e crente soltara um canto fervente de amor talvez de alegria e aqui nas folhas do livro deixara amor e poesia|um outro mancebo alegre poeta e crente soltara um canto fervente de amor talvez de alegria e aqui nas folhas do livro deixara amor e poesia
2961_4572_000022|ai se eu te visse magdalena pura sobre o veludo reclinada a meio olhos cerrados na volúpia doce os braços frouxos palpitante o seio|ai se eu te visse magdalena pura sobre o veludo reclinada a meio olhos cerrados na volúpia doce os braços frouxos palpitante o seio
2961_4572_000023|eu era a flor do escalavrado galho que a tempestade no passar quebrou tu foste a gota de bendito orvalho e a flor pendida a reviver tornou teu rosto puro restitui me a calma ergue me as crenças que já vejo em pé|eu era a flor do escalavrado galho que a tempestade no passar quebrou tu foste a gota de bendito orvalho e a flor pendida a reviver tornou teu rosto puro restitui me a calma ergue me as crenças que já vejo em pé
2961_4572_000024|e o homem de metal vinha sorrindo contando ao companheiro os gordos lucros na usura de judeus o mendigo estendeu a mão mirrada e pediu-lhe na voz entrecortada uma esmola por deus|e o homem de metal vinha sorrindo contando ao companheiro os gordos lucros na usura de judeus o mendigo estendeu a mão mirrada e pediu-lhe na voz entrecortada uma esmola por deus
2961_4572_000025|e contudo meu deus eu sou bem moço devera só me rir e ter fé e ter crença nos amores na glória e no porvir eu|e contudo meu deus eu sou bem moço devera só me rir e ter fé e ter crença nos amores na glória e no porvir eu
2961_4572_000026|eu vi o pobre velho esfarrapado cabeça branca sentado pensativo dum carvalho ao pé esmolava na pedra dum caminho|eu vi o pobre velho esfarrapado cabeça branca sentado pensativo dum carvalho ao pé esmolava na pedra dum caminho
2961_4572_000027|instante depois o cipreste esguio mostra a cova ao viandante a vida é triste quem nega nem vale a pena dizê-lo deus a parte entre seus dedos qual um fio de cabelo|instante depois o cipreste esguio mostra a cova ao viandante a vida é triste quem nega nem vale a pena dizê-lo deus a parte entre seus dedos qual um fio de cabelo
2961_4572_000028|é triste como um gemido é vago como um lamento queixume que solta o vento nas pedras duma ruma na hora em que o sol se apaga e quando o lírio sinclina|é triste como um gemido é vago como um lamento queixume que solta o vento nas pedras duma ruma na hora em que o sol se apaga e quando o lírio sinclina
2961_4572_000029|pouso com dia nos gentis palmares à beira dágua nos vergéis do sul e a virgem foge e a visão se perde por outros climas noutro céu de luz e eu desperto do meu sonho verde acordo e choro carregando a cruz|pouso com dia nos gentis palmares à beira dágua nos vergéis do sul e a virgem foge e a visão se perde por outros climas noutro céu de luz e eu desperto do meu sonho verde acordo e choro carregando a cruz
2961_4572_000030|na minhalma alguma cousa vago desejos ânsias que explicar não sei talvez desejos dalgum lindo lago ânsias dum mundo com que já sonhei|na minhalma alguma cousa vago desejos ânsias que explicar não sei talvez desejos dalgum lindo lago ânsias dum mundo com que já sonhei
2961_4572_000031|oh não me chames coração de gelo bem vês traí me no fatal segredo se de ti fujo é que te adoro e muito és bela eu moço tens amor eu medo|oh não me chames coração de gelo bem vês traí me no fatal segredo se de ti fujo é que te adoro e muito és bela eu moço tens amor eu medo
2961_4572_000032|ai se eu te visse em languidez sublime na face as rosas virginais do pejo trêmula a fala a protestar baixinho vermelha a boca soluçando um beijo|ai se eu te visse em languidez sublime na face as rosas virginais do pejo trêmula a fala a protestar baixinho vermelha a boca soluçando um beijo
2961_4572_000033|um véu nos cobre de mortal tristeza e a alma em luto despida dos encantos amor nem sonhos tem|um véu nos cobre de mortal tristeza e a alma em luto despida dos encantos amor nem sonhos tem
2961_4572_000034|vós o disseste e eu padeço tanto que novos transes preparar me queres tudo me roubam meus cruéis tiranos amor família felicidade tudo|vós o disseste e eu padeço tanto que novos transes preparar me queres tudo me roubam meus cruéis tiranos amor família felicidade tudo
2961_4572_000035|os olhos rasgados são cor das safiras serenos e puros azuis como o mar se falam sinceros se pregam mentiras não quero não posso não devo contar|os olhos rasgados são cor das safiras serenos e puros azuis como o mar se falam sinceros se pregam mentiras não quero não posso não devo contar
2961_4572_000036|dalma sobram perfumes e o livro e e e e e u tenho uns amores quem é que os não tinha nos tempos antigos amar não faz mal as almas que sentem paixão como a minha que digam que falem em regra geral|dalma sobram perfumes e o livro e e e e e u tenho uns amores quem é que os não tinha nos tempos antigos amar não faz mal as almas que sentem paixão como a minha que digam que falem em regra geral
2961_4572_000037|tenho a sátira pungente o riso amargo o canto que maldiz os outros os felizes deste mundo deleitam se em saraus eu solitário sofro e odeio os homens pra mim são todos maus|tenho a sátira pungente o riso amargo o canto que maldiz os outros os felizes deste mundo deleitam se em saraus eu solitário sofro e odeio os homens pra mim são todos maus
2961_4572_000038|a velhice tem gemidos a dor das visões passadas a mocidade queixumes só a infância tem risadas ri criança a vida é curta o sonho dura um instante|a velhice tem gemidos a dor das visões passadas a mocidade queixumes só a infância tem risadas ri criança a vida é curta o sonho dura um instante
2961_4572_000039|ouve estas preces e me cumpre o voto a mim que bebo do absinto a taça feliz serás se como eu sofreres dar-te-ei o céu em recompensa ao pranto|ouve estas preces e me cumpre o voto a mim que bebo do absinto a taça feliz serás se como eu sofreres dar-te-ei o céu em recompensa ao pranto
2961_4572_000040|mas se ela a linda filha do meu sonho a pálida mulher das minhas fantasias dos seus lábios um riso um só me der se a doce virgem pensativa e bela a pudica vestal que eu criei numa noite de delírio ao som da|mas se ela a linda filha do meu sonho a pálida mulher das minhas fantasias dos seus lábios um riso um só me der se a doce virgem pensativa e bela a pudica vestal que eu criei numa noite de delírio ao som da
2961_4572_000041|seu rosto é formoso seu talhe elegante seus lábios de rosa a fala é de mel as tranças compridas qual livre bacante o pé de criança cintura de anel|seu rosto é formoso seu talhe elegante seus lábios de rosa a fala é de mel as tranças compridas qual livre bacante o pé de criança cintura de anel
2961_4572_000042|que importa ao viajor que a sede abrasa que quer banhar se nessas águas claras ser aqui ou além a veia corre a fonte não se estanca e as verdes margens não se crestam nunca na calma dos verões|que importa ao viajor que a sede abrasa que quer banhar se nessas águas claras ser aqui ou além a veia corre a fonte não se estanca e as verdes margens não se crestam nunca na calma dos verões