enunciado
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pergunta
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alternativas
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resolucao
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resposta
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Um tipo de semente necessita de bastante água nos dois primeiros meses após o plantio. Um produtor pretende estabelecer o melhor momento para o plantio desse tipo de semente, entre os meses de outubro e março. Após consultar a previsão do índice mensal de precipitação de chuva (ImPC) da região onde ocorrerá o plantio, para o período chuvoso de 2020-2021, ele obteve os seguintes dados: • outubro/2020: ImPC = 250 mm; • novembro/2020: ImPC = 150 mm; • dezembro/2020: ImPC = 200 mm; • janeiro/2021: ImPC = 450 mm; • fevereiro/2021: ImPC = 100 mm; • março/2021: ImPC = 200 mm.
Com base nessas previsões, ele precisa escolher dois meses consecutivos em que a média mensal de precipitação seja a maior possível. No início de qual desses meses o produtor deverá plantar esse tipo de semente?
["Outubro.", "Novembro.", "Dezembro.", "Janeiro.", "Fevereiro."]
Como se deseja a maior média possível, deve-se analisar as medições, em mm de precipitação. outubro/2020 e novembro/2020 → $\frac{250 + 150}{2}$ = 200 novembro/2020 e dezembro/2020 → $\frac{150 + 200}{2}$ = 175 dezembro/2020 e janeiro/2021 → $\frac{200 + 450}{2}$ = 325 janeiro/2021 e fevereiro/2021 → $\frac{450 + 100}{2}$ = 275 fevereiro/2021 e março/2021 → $\frac{100 + 200}{2}$ = 150 Assim, o plantio deve se iniciar em dezembro.
C
Nos dias atuais, para as crianças e os adolescentes, a alimentação adequada e balanceada está associada, na maioria das vezes, à busca pela forma ideal, segundo padrões ditados pela mídia. Se antes essa preocupação era predominantemente feminina, hoje existem adolescentes tentando emagrecer a qualquer custo: entram e saem de dietas e regimes feitos por conta própria, automedicam-se ou praticam exercícios físicos sem orientação.
Adolescentes associam que a conquista da "forma ideal" do corpo está relacionada à saúde no cotidiano.
["busca de auxílio médico para o tratamento com fármacos.", "adesão a programas oferecidos por academias de ginástica.", "atuação da mídia na estética presente no imaginário feminino.", "procura de um nutricionista para a realização de dieta e regime."]
Adolescentes associam que a conquista da "forma ideal" do corpo está relacionada à adoção de hábitos inadequados à saúde no cotidiano, como entrar e sair de dietas e regimes feitos por conta própria, automedicação e prática de exercícios físicos sem orientação.
A
A presença de substâncias ricas em enxofre em áreas de mineração provoca preocupantes impactos ambientais. Um exemplo dessas substâncias é a pirita (FeS₂), que, em contato com o oxigênio atmosférico, reage formando uma solução aquosa ferruginosa, conhecida como drenagem ácida de minas, segundo a equação química: $$4 \text{FeS}_2(\text{s}) + 15 \text{O}_2(\text{g}) + 2 \text{H}_2\text{O}(\text{l}) \rightarrow 2 \text{Fe}_2(\text{SO}_4)_3(\text{aq}) + 2 \text{H}_2\text{SO}_4(\text{aq})$$ Em situações críticas, nas quais a concentração do ácido sulfúrico atinge 9,8 g/L, o pH alcança valores menores que 1,0. Uma forma de reduzir o impacto da drenagem ácida de minas é tratá-la com calcário (CaCO₃). Considere que uma amostra comercial de calcário com pureza igual a 50% em massa foi disponibilizada para o tratamento.
Qual é a massa de calcário, em gramas, necessária para neutralizar um litro de drenagem ácida de minas, em seu estado crítico, sabendo-se que as massas molares do CaCO₃ e do H₂SO₄ são iguais a 100 g/mol e 98 g/mol, respectivamente?
["0,2", "5,0", "10,0", "20,0", "200,0"]
Resolução drenagem ácida: 9,8 g de H₂SO₄ em 1 L do resíduo líquido $$\text{CaCO}_3 + \text{H}_2\text{SO}_4 \rightarrow \text{CaSO}_4 + \text{CO}_2 + \text{H}_2\text{O}$$ 1 mol 1 mol 100 g — 98 g x — 9,8 g ∴ x = 10,0 g 50% — 10,0 g 100% — y ∴ y = 20,0 g
D
Ao realizar os preparativos para o Natal, uma pessoa decidiu aumentar o número de lâmpadas incandescentes de um pisca-pisca que originalmente tinha 20 lâmpadas associadas em paralelo, cada uma com resistência R. Adicionou outras 20 lâmpadas com as mesmas especificações e também em paralelo. O circuito passou a ser composto por 40 lâmpadas em paralelo e uma fonte de resistência interna r. A corrente total do circuito com 40 lâmpadas é proporcional à corrente do circuito com 20 lâmpadas, ou seja, $i_{40} = \alpha \cdot i_{20}$. Ao ligar o sistema, ela observou que o brilho das lâmpadas diminuiu com um fator de proporcionalidade igual a $\alpha^2$.
Qual é o fator $\alpha$, utilizado para obter a redução do brilho em cada lâmpada?
["$\\frac{1}{2}$", "$\\frac{1}{20}$", "$\\frac{\\frac{R}{20} + r}{\\frac{R}{40} + r}$", "$\\frac{\\frac{R}{40} + r}{\\frac{R}{20} + r}$", "$\\frac{R}{40} + r$"]
Podemos calcular a intensidade total da corrente elétrica nos dois casos, assim: Caso 1: $$i_{20} = \frac{E}{\frac{R}{20} + r}$$ Caso 2: $$i_{40} = \frac{E}{\frac{R}{40} + r}$$ Do enunciado, temos: $$i_{40} = \alpha \cdot i_{20}$$ $$\frac{E}{\frac{R}{40} + r} = \alpha \cdot \frac{E}{\frac{R}{20} + r}$$ $$\alpha = \frac{\frac{R}{20} + r}{\frac{R}{40} + r}$$
C
# A História, mais ou menos Negócio seguinte. Três reis magos ouviram um boato de que tinha nascido um menino. Viram o acontecimento no Oriente e perceberam que o menino tinha aparecido por lá. Os profetas, que não eram de dar cascata, já tinham dito o recado: em Belém, da Judeia, vai nascer o Salvador, e isso foi falado. Os três magos se mandaram. Mas cometeram um grande erro. Em vez de irem direto para Belém, como mandava o costume, resolveram dar uma passada no velho Herodes, em Jerusalém. Pra quê! Chegaram lá de boca aberta e entregaram toda a trama. Perguntaram: Onde está o rei que acaba de nascer? Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo. Quer dizer, pegou mal. Muito mal. O velho Herodes, que era um oligárquico, ficou preocupado. Que rei era aquele? Ele é que era o dono da praça. Mas comeu o que com aquele? Joia. Onde é que esse menino vai se apresentar? Em que canal? Quem é o empresário? Tem baixo elétrico? Quero saber tudo. Os magos disseram que iam encontrar o menino e na volta contariam tudo para o coroa.
Na crônica de Veríssimo, a estratégia para gerar efeito de humor decorre do(a)
["linguagem rebuscada utilizada pelo narrador no tratamento do assunto.", "inserção de perguntas diretas acerca do acontecimento narrado.", "caracterização dos lugares onde se passa a história.", "emprego de termos bíblicos de forma descontextualizada.", "contraste entre o tema abordado e a linguagem utilizada."]
O tema abordado (o nascimento de Cristo) é normalmente relatado em linguagem formal e respeitosa, o que contrasta com a linguagem informal, cheia de gírias, utilizada pelo autor.
E
A Floresta Amazônica é uma "bomba" que suga água do ar vindo do oceano Atlântico e do solo, e a faz circular pela América do Sul, causando, em regiões distantes, as chuvas pelas quais os paulistas anseiam em 2014.
O desmatamento compromete essa função da floresta, pois sem árvores
["diminui o total de água armazenada nos caules.", "diminui o volume de solo ocupado por raízes.", "diminui a superfície total de transpiração.", "aumenta a evaporação de rios e lagos.", "aumenta o assoreamento dos rios."]
O desmatamento reduz a cobertura vegetal da floresta e, consequentemente, a superfície total de evapotranspiração. Logo, há uma redução desse fenômeno, interferindo no regime pluviométrico da região.
C
Era um gato preto, como convinha a um cultor das boas letras, que já lera Poe traduzido por Baudelaire. Preto e gordo. E lerdo. Tão gordo e lerdo que, a certa altura, observei que ia perdendo inteiramente as qualidades características da raça, que são, em suma, o ódio de morte aos ratos. Já nem os afugentava! Os ratos de Ouro Preto são também dignos e solenes — não ria — tradicionalistas... descendentes de ratos que, naqueles mesmos casarões, presenciaram acontecimentos importantes da nossa história... No sobrado do desembargador Tomás António Gonzaga, imagine o senhor uma reunião dos sonhadores inconfidentes, com os antepassados daqueles ratos a passearem pelo sótão ou mesmo pelo assoalho, por entre as pernas dos homens absortos na esperança da independência nacional! E depois, os ancestrais daqueles roedores que eu via agora deslizando sutilmente no meu quarto podiam ter subido pelo poste da ignomínia colonial, onde estava exposta a cabeça de Tiradentes! E quando as órbitas se descarnam ignominiosamente, podiam até ter penetrado no recesso daquele crânio onde verdadeiramente ardia a literatura, com a simplicidade do heroísmo e a febre nacionista.
Descrevendo seu gato, o narrador remete ao contexto e a protagonistas da Inconfidência para criar um efeito desconcertante centrado no
["desenho imaginativo do casario colonial de Ouro Preto.", "efeito de apagamento de limites entre ficção e realidade.", "vínculo estabelecido entre animais urbanos e literatura.", "questionamento sutil quanto à sanidade dos inconfidentes.", "contraste entre austeridade pomposa e imagem repugnante."]
Ao descrever o seu gato, o narrador incorpora um contexto associado a aspectos solenes e dignos, cristalizados no sobrado do desembargador Tomás António Gonzaga, onde ocorriam as reuniões em que era tramada a Inconfidência Mineira. O aspecto desconcertante ocorre quando o sonho dos inconfidentes é vinculado à baixeza dos ratos que frequentavam essa residência. Tal "ignomínia colonial" ganha destaque devido à imagem repugnante de ratos do século XVIII terem subido pelo poste, "onde estava exposta a cabeça de Tiradentes".
E
No verso "Meu Deus, por que me abandonaste" do texto 2, Drummond retoma as palavras de Cristo na cruz, pouco antes de morrer.
Esse recurso de repetir palavras de outrem equivale a
["emprego de termos moralizantes.", "uso de vício de linguagem pouco tolerado.", "repetição desnecessária de ideias.", "emprego estilístico da fala de outra pessoa.", "uso de uma pergunta sem resposta."]
O próprio enunciado afirma que se trata de "repetir palavras de outrem"; portanto, trata-se de "emprego estilístico da fala de outra pessoa."
D
Sou o coração do folclore nordestino Eu sou Mateus e Bastião do Boi-bumbá Sou o boneco de Mestre Vitalino Dançando uma ciranda em Itamaracá Eu sou um verso de Carlos Pena Filho Num frevo de Capiba Ao som da Orquestra Armorial Sou Capibaribe Num livro de João Cabral Sou mamulengo de São Bento do Una Vindo no baque solto de maracatu Eu sou um auto de Ariano Suassuna No meio da Feira de Caruaru Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta Levando a flor da lira Pra Nova Jerusalém Sou Luiz Gonzaga E sou do mangue também Eu sou mameluco, sou de Casa Forte Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte
O fragmento faz parte da canção brasileira contemporânea e celebra a cultura popular nordestina. Nele, o artista exalta as diferentes manifestações culturais pela
["valorização do teatro, música, artesanato, literatura, dança, personagens históricos e artistas populares, compondo um tecido diversificado e enriquecedor da cultura popular como patrimônio regional e nacional.", "identificação dos lugares pernambucanos, manifestações culturais, como o bumba meu boi, as cirandas, os bonecos mamulengos e heróis locais, fazendo com que essa canção se apresente como uma referência à cultura popular nordestina.", "exaltação das raízes populares, como a poesia, a literatura de cordel e o frevo, misturadas ao erudito, como a Orquestra Armorial, compondo um rico tecido cultural, que transforma o popular em erudito.", "caracterização das festas populares como identidade cultural localizada e como representantes de uma cultura que reflete valores históricos e sociais próprios da população local.", "apresentação do Pastoril do Faceta, do maracatu, do bumba meu boi e dos autos como representantes da musicalidade e do teatro popular religioso, bastante comum ao folclore brasileiro."]
A letra da canção Leão do Norte apresenta personagens históricos, artistas populares e eruditos, como João Cabral de Melo Neto, fazendo referência à cultura não só pernambucana, mas também à nordestina e, obviamente, à brasileira. É importante ressaltar que o poeta João Cabral de Melo Neto, construtivista e avesso à expansão emocional, não é pertencente à cultura popular, embora tematize cerebralmente o sertanejo e o ser desprovido de recursos econômicos. Sua poesia é influenciada pela arquitetura de Le Corbusier.
B
Um dos insumos energéticos que volta a ser considerado como opção para o fornecimento de petróleo é o aproveitamento das reservas de folhelhos betuminosos, mais conhecidos como xistos betuminosos. As ações iniciais para a exploração de xistos betuminosos são anteriores à exploração de petróleo, porém as dificuldades inerentes aos diversos processos, notadamente os altos custos de mineração e de recuperação de solos minerados, contribuíram para impedir que essa atividade se expandisse. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de xisto. O xisto é mais leve que os óleos derivados de petróleo, seu uso não implica investimento na troca de equipamentos e ainda reduz a emissão de particulados pesados, que causam fumaça e fuligem. Por ser fluido em temperatura ambiente, é mais facilmente manuseado e armazenado.
A substituição de alguns óleos derivados de petróleo pelo óleo derivado do xisto pode ser conveniente por motivos
["ambientais: a exploração do xisto ocasiona pouca interferência no solo e no subsolo.", "técnicos: a fluidez do xisto facilita o processo de produção de óleo, embora seu uso demande troca de equipamentos.", "econômicos: é baixo o custo da mineração e da produção de xisto.", "políticos: a importação de xisto, para atender ao mercado interno, amplia a aliança com outros países.", "estratégicos: a entrada do xisto no mercado é oportunista diante da possibilidade de aumento dos preços do petróleo."]
O xisto betuminoso reduz a emissão de particulados pesados (a), não implica investimento na troca de equipamentos (b), o custo de mineração é alto (c), o Brasil detém a segunda maior reserva mundial (d), portanto só é correta a alternativa e: motivos estratégicos devido aos altos preços do petróleo.
E
A diversidade de atividades relacionadas ao setor terciário reforça a tendência mais geral de desindustrialização de muitos países desenvolvidos, sem que estes, contudo, percam o comando da economia. Essa mudança implica uma nova divisão internacional do trabalho, que não é mais apoiada na clara segmentação setorial das atividades econômicas.
Nesse contexto, o fenômeno descrito tem como um de seus resultados a
["saturação do setor secundário.", "ampliação dos direitos laborais.", "bipolarização do poder geopolítico.", "consolidação do domínio tecnológico.", "primarização das exportações globais."]
O setor terciário, muito amplo, segue uma tendência criada pelo processo de desindustrialização de países desenvolvidos, sob a égide de uma nova divisão internacional do trabalho, proposta que consolida o domínio da tecnologia.
D
O bioma Cerrado foi considerado recentemente um dos 25 hotspots de biodiversidade do mundo, segundo uma análise em escala mundial das regiões biogeográficas sobre áreas globais prioritárias para conservação. O conceito de hotspot foi criado tendo em vista a escassez de recursos direcionados para conservação, com o objetivo de apresentar os chamados "pontos quentes", ou seja, locais para os quais existe maior necessidade de direcionamento de esforços, buscando evitar a extinção de muitas espécies que estão altamente ameaçadas por ações antrópicas.
A necessidade desse tipo de ação na área mencionada tem como causa a
["intensificação da atividade turística.", "implantação de parques ecológicos.", "exploração dos recursos minerais.", "elevação do extrativismo vegetal.", "expansão da fronteira agrícola."]
A expansão da fronteira agrícola promove grandes desmatamentos de áreas do Cerrado, destacadamente no Brasil Central, em áreas de clima tropical típico. A criação de gado bovino de corte e a produção de grãos (mormente a soja) estão entre as principais atividades que vêm comprometendo o referido bioma.
E
# De próprio punho A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda que vai do simples bilhete aos originais de um livro. Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão "de próprio punho". Parecia que eu ia bater em alguém. Não era bem o caso. Foi numa situação bancária, dessas bem burocráticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas mãos. Na verdade, o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que à época ainda era mais fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra, hoje, tem uma espécie de alternância: dia sim, dia não, trêmula e firme, forte e fraca, mais rotunda e mais cheia de arestas. É claro que já escrevi muito mais de próprio punho ou, numa palavra mais bonita, manuscrevi (prefiro a mão ao punho, embora ele também seja usado na tarefa). Mas isso não é um feito individual. Em larga medida, é social. Muita gente sente o mesmo que eu, isto é, escreve bem menos usando as mãos, ou melhor, empregando algum tipo de tecnologia (lápis, caneta etc.) para escrever com grafite, tinta, giz, carvão, sangue e o que mais. É importante lembrar que ainda há pessoas que não sabem escrever neste país, neste planeta, mas muitas pessoas sabem e têm um combo de tecnologias mais ou menos à disposição para isso. Sou dessas pessoas privilegiadas que têm várias possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas mãos. Ainda hoje, são elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou três telas sensíveis. Mas não expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de "letras" à minha escolha. Eu e Deus e o mundo. A despeito desse rol de chances e ferramentas para escrever, o manuscrito nunca deixou de aparecer aqui e ali, muitas vezes como obrigação. Na escola, por exemplo, até hoje ele é soberano. No Enem também. Curioso, não? Fico pensando em que espaços e ocasiões ainda uso minha letra. Olhando ao meu redor, na minha casa, minha letra está em espaços muito delimitados e específicos: bilhetes. Eles estão principalmente na cozinha, em especial na porta da geladeira, a fim de manter a comunicação com meus coabitantes, sempre muito esquecidos ou relapsos. Mas também há bilhetes em post-its na minha mesa do escritório, textinhos em garranchos por meio dos quais me comunico comigo mesma, a evitar um comportamento esquecido e relapso. No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma, mas também muito mais lacônica, a ponto de nem eu me entender se passar o tempo. Em todos os casos vai minha letra, menos e mais redonda, a lápis e a tinta azul, em post-its rosa-choque, colados precariamente, e todos com destino à lixeira em breve. Justo porque eles funcionam como lembretes de tarefas e coisas que devem ser vencidas e, claro, substituídas por outras, num fluxo infinito, às vezes ansiogênico, com que a maioria dos adultos (e mais ainda as adultas) precisa conviver. As formas de escrever mudam, as necessidades também, e o resultado é um elenco complexo, em que nada dispensa nada, a depender da tarefa ou da importância das coisas ou de suas funções, claro. A escrita e suas tecnologias incríveis vão se reposicionando, mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista à luz de certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. Não adianta muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Estão aí minha farta comunicação por bilhetes, minha gaveta alegre de post-its de toda cor, esperando para serem usados, e o cheque do cartório, em que quase tudo já é digital. "Do punho ao pixel" não é uma frase filosoficamente correta. O negócio é mais "o punho e o pixel".
O recurso linguístico usado para marcar a síntese da opinião da autora sobre a temática desenvolvida foi o(a)
["emprego da primeira pessoa em \"Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão 'de próprio punho'\". (/. 1-2)", "utilização de locução adverbial em \"Na verdade, o que importava era a autenticidade da minha caligrafia\". (/. 6-7)", "uso de pronome possessivo em \"Minha letra, hoje, tem uma espécie de alternância\". (/. 9-10)", "adoção de termo autorreflexivo em \"No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma\". (/. 50-51)", "substituição da expressão \"Do punho ao pixel\" (/. 74-75) pela expressão \"o punho e o pixel\". (/. 76)"]
A síntese está expressa na frase "o punho e o pixel", pois as práticas de escrever à mão e de digitar coexistem apesar das alterações na tecnologia. A permanência está representada pela conjunção aditiva "e", somando essas duas possibilidades de registrar palavras.
E
O livro A fórmula secreta conta a história de um episódio fundamental para o nascimento da matemática moderna e retrata uma das disputas mais virulentas da ciência renacentista. Fórmulas misteriosas, duelos públicos, traições, genialidade, ambição - e matemática! Esse é o instigante universo apresentado no livro, que resgata a história dos italianos Tartaglia e Cardano e da fórmula revolucionária para a resolução de equações de terceiro grau. A obra reconstitui um episódio polêmico que marca, para muitos, o início do período moderno da matemática. Em última análise, A fórmula secreta apresenta-se como uma ótima opção para conhecer um pouco mais sobre a história da matemática e acompanhar um dos debates científicos mais inflamados do século XVI no campo. Mais do que isso, é uma obra de fácil leitura e uma boa mostra de que é possível abordar temas como álgebra de forma interessante, inteligente e acessível ao grande público.
Na construção textual, o autor realiza escolhas para cumprir determinados objetivos. Nesse sentido, a função social desse texto é
["interpretar a obra a partir dos acontecimentos da narrativa.", "apresentar o resumo do conteúdo da obra de modo impresso.", "fazer a apreciação de uma obra a partir de uma síntese crítica.", "informar o leitor sobre a veracidade dos fatos descritos na obra.", "classificar a obra como uma referência para estudiosos da matemática."]
O texto em análise aponta os elementos narrativos mais importantes da obra A fórmula secreta, destacando seus valores positivos, como a abordagem de uma época importante para a história da matemática e a capacidade de proporcionar uma leitura agradável.
C
# O complexo de falar difícil O que importa realmente é que o(a) detentor(a) do notável saber jurídico saiba quando e como deve fazer uso do português versão 2.0, até porque não há necessidade de alguém entrar numa padaria de manhã com aquela cara de sono falando o seguinte: "Por obséquio, Vossa Senhoria teria a hipotética possibilidade de estabelecer com minha pessoa uma relação de compra e venda, mediante as imposições dos Códigos Civil e do Consumidor, para que seja possível a obtenção de 10 pãezinhos em temperatura estável, de modo que a relação pecuniária no valor de R$ 5,00 seja plenamente legítima e capaz de saciar minha fome matinal?" O problema é que temos uma cultura de valorizar quem demonstra ser inteligente ao invés de valorizar quem é. Pela nossa lógica, todo mundo que fala difícil tende a ser mais inteligente do que quem valoriza o simples, e 99,9% das pessoas que estivessem na padaria iriam ficar boquiabertas se alguém fizesse uso das palavras que eu disse acima em plenas 7 da manhã em vez de dizer: “Bom dia! O senhor poderia me vender cinco reais de pão francês?” Agora entramos na parte interessante: o que realmente é falar difícil? Simplesmente fazer uso de palavras que a maioria não faz ideia do que seja um ato de falar difícil? Eu penso que não, mas é assim que muita gente age. Falar difícil é fazer uso do simples, mas com coerência e coesão, deixar tudo amarradinho gramaticalmente falando. Falar difícil pode fazer alguém parecer inteligente, mas não por muito tempo. É claro que em alguns momentos não temos como fugir do português rebuscado, do juridiquês propriamente dito, como no caso de documentos jurídicos, entre outros.
Nesse artigo de opinião, ao fazer uso de uma fala rebuscada no exemplo da compra do pão, o autor evidencia a importância de(a)
["se ter um notável saber jurídico.", "valorização da inteligência do falante.", "falar difícil para demonstrar inteligência.", "coesão e da coerência em documentos jurídicos.", "adequação da linguagem à situação de comunicação."]
No texto, o articulista opina sobre o uso da linguagem rebuscada em situações que não exigem essa variação da língua e sobre esse recurso como demonstração de inteligência. Já no primeiro parágrafo, afirma que o importante é saber “quando e como deve fazer uso desse português”. Ao demonstrar o “falar difícil” no exemplo da compra de pão, ele evidencia que a linguagem deve adequar-se à situação comunicativa, cumprindo assim a função principal da enunciação, que é transmitir o conteúdo da mensagem ao receptor, nesse caso, de maneira simples e informal.
E
# VENDEDORES JOVENS Fábrica de LONAS - Vendas no Atacado 10 vagas para estudantes, de 18 a 20 anos, sem experiência. Salário: R$ 300,00 fixo + comissão de R$ 0,50 por m² vendido. Contato: 0x97-43421167 ou atacadista@lonaboa.com.br.
Na seleção para as vagas deste anúncio, feita por telefone ou correio eletrônico, propunha-se aos candidatos uma questão a ser resolvida na hora. Deveriam calcular seu salário no primeiro mês, se vendessem 500 m de tecido com largura de 1,40 m, e no segundo mês, se vendessem o dobro. Foram bem-sucedidos os jovens que responderam, respectivamente.
["R$ 300,00 e R$ 500,00.", "R$ 550,00 e R$ 850,00.", "R$ 650,00 e R$ 1.000,00.", "R$ 650,00 e R$ 1.300,00.", "R$ 950,00 e R$ 1.900,00."]
1) Salário no primeiro mês: R$ 300,00 + R$ 0,50 * 500 * 1,40 = = R$ 300,00 + R$ 350,00 = R$ 650,00 2) Salário no segundo mês: R$ 300,00 + R$ 0,50 * 2 * (500 * 1,40) = = R$ 300,00 + R$ 700,00 = R$ 1.000,00
C
O trabalho não era penoso: colar rótulos, colocar vidros em caixas, etiquetá-las, selá-las, envolvê-las em papel celofane, branco, verde, azul, conforme o produto, separá-las em dúzias... Era fastidioso. Para passar mais rapidamente as oito horas, havia um remédio: conversar. Era proibido, mas quem se importava com proibições? O patrão vinha? Vinha o encarregado do serviço? Calavam a boca, aplicavam-se ao trabalho. Mal viravam as costas, voltavam a tagarelar. As mãos não paravam, as línguas não paravam. Nessas conversas intermináveis, de linguagem solta e assuntos crus, Leniza se completou; Isabela, Afonsina, Idália, Jurete, Deolinda – foram mestras. O mundo acabou de se desvendar. Leniza perdeu o tom ingênuo que ainda podia ter. Ganhou um jogo de corpo que convida, um olhar que promete tudo, à toa, gratuitamente. Modificou-se o timbre de sua voz. Ficou quente. A própria inteligência se transformou. Tornou-se mais aguda, mais trepidante.
O romance, de 1939, traz à cena tipos e situações que espelham o Rio de Janeiro daquela década. No fragmento, o narrador delineia esse contexto centrado no
["julgamento da mulher fora do espaço doméstico.", "relato sobre as condições de trabalho no Estado Novo.", "destaque a grupos populares na condição de protagonistas.", "processo de inclusão do palavrão nos hábitos de linguagem.", "vínculo entre as transformações urbanas e os papéis femininos."]
No texto, evidencia-se a relação entre as mudanças urbanas e os papéis femininos desempenhados. O narrador apresenta um cenário típico da década de 30 no Rio de Janeiro, utilizando personagens femininas em um ambiente profissional em que as mulheres são a força de trabalho e sofrem mudanças comportamentais devido ao convívio com outras mulheres.
E
Na avaliação da eficiência de usinas quanto à produção e aos impactos ambientais, utilizam-se vários critérios, tais como: razão entre a produção efetiva anual de energia elétrica e a potência instalada ou razão entre a potência instalada e a área inundada pelo reservatório. No quadro seguinte, esses parâmetros são aplicados às duas maiores hidrelétricas do mundo: Itaipu, no Brasil, e Três Gargantas, na China. | parâmetros | Itaipu | Três Gargantas | | :--- | :--- | :--- | | potência instalada | 12.600 MW | 18.200 MW | | produção efetiva de energia elétrica | 93 bilhões de kWh/ano | 84 bilhões de kWh/ano | | área inundada pelo reservatório | 1.400 km² | 1.000 km² | Com base nessas informações, avalie as afirmativas que se seguem. I. A energia elétrica gerada anualmente e a capacidade nominal máxima de geração da hidrelétrica de Itaipu são maiores que as da hidrelétrica de Três Gargantas. II. Itaipu é mais eficiente que Três Gargantas no uso da potência instalada na produção de energia elétrica. III. A razão entre a potência instalada e a área inundada pelo reservatório é mais favorável na hidrelétrica Três Gargantas do que em Itaipu.
É correto apenas o que se afirma em
["I.", "II.", "III.", "I e III.", "II e III."]
I. (F) A energia elétrica gerada anualmente é maior para Itaipu (93 bilhões de kWh) do que para Três Gargantas (84 bilhões de kWh), porém a capacidade máxima de geração, que é a potência instalada, é maior para Três Gargantas (18.200 MW) do que para Itaipu (12.600 MW). II. (M) Itaipu é mais eficiente porque, embora tenha potência instalada menor, consegue produzir mais energia elétrica anualmente. III. (N) Itaipu: $\frac{12\ 600\text{ MW}}{1\ 400\text{ km}^2} = 9\text{ MW/km}^2$ Três Gargantas: $\frac{18\ 200\text{ MW}}{1\ 000\text{ km}^2} = 18.2\text{ MW/km}^2$
E
No Japão, um movimento nacional para a promoção da luta contra o aquecimento global adota o slogan: 1 pessoa, 1 dia, 1 kg de CO₂ a menos! A ideia é que cada pessoa reduza em 1 kg a quantidade de CO₂ emitida por dia, por meio de pequenos gestos ecológicos, como diminuir a queima de gás de cozinha.
Considerando o processo de combustão completa de um gás de cozinha composto exclusivamente por butano (C₄H₁₀), a mínima quantidade desse gás que um japonês deve deixar de queimar para atender à meta diária, apenas com esse gesto, é de dados: CO₂ (44 g/mol); C₄H₁₀ (58 g/mol).
["0,25 kg.", "0,33 kg.", "1,0 kg.", "1,3 kg.", "3,0 kg."]
A equação da queima completa do butano pode ser expressa por: $$1 \text{ C}_4\text{H}_{10} + 13/2 \text{ O}_2 \rightarrow 4 \text{ CO}_2 + 5 \text{ H}_2\text{O}$$ $$1 \text{ mol} \quad 4 \text{ mol}$$ Massa de butano necessária para reduzir a produção de 1 kg de CO₂ pela queima do butano: $$\text{produz} \quad 1 \text{ mol de C}_4\text{H}_{10} \rightarrow 4 \text{ mol de CO}_2$$ $$\downarrow$$ $$58 \text{ g} \quad 4 \text{ x 44 g}$$ $$\text{x} \quad 1 \text{ kg}$$ $$\text{x} = \frac{58}{4 \text{ x } 44} \text{ kg}$$ $$\text{x} = 0,33 \text{ kg de C}_4\text{H}_{10}$$
B
Uma citação presente no livro dos recordes destaca que o maior pneu do mundo é produzido para um tipo de caminhão utilizado na mineração. A largura de cada pneu desse tipo de caminhão mede 148 cm e seu diâmetro externo mede 403 cm.
Uma loja de pneus pretende distribuir aos seus clientes uma miniatura desse tipo de caminhão, confeccionada com dimensões proporcionais às medidas reais. Após receber as miniaturas confeccionadas, foi verificado que a largura de cada pneu dessa miniatura mede 7,4 cm.
["2,72.", "4,29.", "12,75.", "20,15.", "27,55."]
1) $\frac{148\text{ cm}}{7,4\text{ cm}} = 20$, assim, a escala é 1 : 20 2) $\frac{403\text{ cm}}{20} = 20,15\text{ cm}$ Assim, o diâmetro externo de cada pneu dessa miniatura mede 20,15 cm.
D
Soluções, lágrimas, casa armada, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o cadáver, outro que torce a medida do caixão, caixão, essas, tocheiros, convites, convidados que entravam lentamente, a passo surdo, e apertavam a mão da família, alguns tristes, todos sérios e calados, padre e sacristã, rezas, aspersões de água benta, o fechar do caixão, o prego e o martelo, seis pessoas que o tomam da base e o levantam, e o descem a custo pela escada, não obstante os gritos, soluços e novas lágrimas da família, e vão até o coche fúnebre, e o colocam em cima e traspassam e afastam as correias, o rodar do coche, o rodar dos carros, um a um... Isto que parece um simples inventário eram notas que eu havia tomado para um capítulo triste e vulgar que não escrevi.
O recurso linguístico que permite a Machado de Assis considerar um capítulo de Memórias Póstumas de Brás Cubas como inventário é a
["enumeração de objetos e fatos.", "predominância de linguagem objetiva.", "ocorrência de períodos longos no trecho.", "combinação de verbos no presente e no pretérito.", "presença de léxico do campo semântico de funerais."]
Neste trecho, o narrador faz uma enumeração que abrange situações, gestos e objetos. Esse gênero denomina-se inventário.
A
Ao ouvir uma flauta e um piano emitindo a mesma nota musical, é possível diferenciar esses instrumentos.
Essa diferenciação se deve principalmente ao(a)
["intensidade sonora do som de cada instrumento musical.", "potência sonora do som emitido pelos diferentes instrumentos musicais.", "diferente velocidade de propagação do som emitido por cada instrumento musical.", "timbre do som, que faz com que as formas das ondas de cada instrumento sejam diferentes.", "altura do som, que possui diferentes frequências para diferentes instrumentos musicais."]
A mesma nota musical emitida pela flauta e pelo piano, supostamente com a mesma intensidade, será diferenciada pelo timbre associado a cada som. Para cada uma dessas duas ondas sonoras, haverá uma forma de onda característica, que dependerá do número e intensidade dos harmônicos que acompanham o som fundamental. Timbre do som associado à forma de onda.
D
Sempre fico nervoso quando leio minha crônica neste jornal e percebo que escapuliu a palavra "coisa" em alguma frase. Acontece que "coisa" está entre as coisas mais deliciosas do mundo. O primeiro banho da minha filha foi embalado pela minha voz dizendo, ao fundo, "cuidado, ela ainda é uma coisinha tão pequena". "Viu só que amor? Nunca vi coisa assim". O amor que não se pode explicar é "a coisa" em seu esplendor e excelência. "Alguma coisa acontece no meu coração" é a frase mais bonita que alguém já disse sobre São Paulo. E quando Caetano, citado aqui pela terceira vez para defender a dimensão poética da coisa, diz "coisa linda", nós sabemos que nenhuma palavra definiria de forma mais profunda e literária o quão bela e amada uma coisa pode ser. "Coisar" é verbo de quem está com pressa ou tem lapsos de memória. É para quando "mexe qualquer coisa doida". E que coisa magnífica poder se expressar tal qual Caetano Veloso. Agora chega, porque "esse papo já tá qualquer coisa" e eu já estou "pra lá de Marrakech".
O recurso utilizado na progressão textual para garantir a unidade temática dessa crônica é a
["intertextualidade, marcada pela citação de versos de letras de canções.", "metalinguagem, marcada pela referência à escrita de crônicas pela autora.", "reiteração, marcada pela repetição de uma determinada palavra e de seus cognatos.", "conexão, marcada pela presença dos conectores lógicos \"quando\" e \"porque\" entre orações.", "pronominalização, marcada pela retomada de \"minha filha\" e \"um namorado ruim\" pelos pronomes \"ela\" e \"lo\"."]
Para garantir a progressão temática, o recurso utilizado foi a repetição da palavra "coisa" (doze ocorrências) e o uso de dois de seus cognatos (vocábulos derivados da mesma raiz): "coisinha" e "coisar".
C
A estratégia de obtenção de plantas transgênicas pela inserção de transgenes em cloroplastos, em substituição à metodologia clássica de inserção do transgene no núcleo da célula hospedeira, resultou no aumento quantitativo da produção de proteínas recombinantes com diversas finalidades biotecnológicas. O mesmo tipo de estratégia poderia ser utilizado para produzir proteínas recombinantes em células de organismos eucarióticos não fotossintetizantes, como as leveduras, que são usadas para a produção comercial de várias proteínas recombinantes e que podem ser cultivadas em grandes fermentadores.
Considerando a estratégia metodológica descrita, qual organela celular poderia ser utilizada para inserção de transgenes em leveduras?
["Lisossomo.", "Mitocôndria.", "Peroxissomo.", "Complexo golgiense.", "Retículo endoplasmático."]
As leveduras são seres eucarióticos heterotróficos, possuindo muitas organelas citoplasmáticas, exceto os cloroplastos. Para a produção de várias proteínas recombinantes, a organela que poderia receber os transgenes seria a mitocôndria, por apresentar DNA.
B
Na América do Sul, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) lutam, há décadas, para impor um regime de inspiração marxista no país. Hoje, são acusadas de envolvimento com o narcotráfico, o qual, postumamente, financia suas ações, que incluem ataques diversos, assassinatos e sequestros. Na Ásia, a Al Qaeda, criada por Osama bin Laden, defende o fundamentalismo islâmico e vê nos Estados Unidos da América (EUA) e em Israel inimigos poderosos, os quais deve combater sem trégua. A mais conhecida de suas ações terroristas ocorreu em 2001, quando foram atingidos o Pentágono e as torres do World Trade Center.
A partir das informações acima, conclui-se que
["as ações guerreiras e terroristas no mundo contemporâneo usam métodos idênticos para alcançar os mesmos propósitos.", "o apoio internacional recebido pelas Farc decorre do desconhecimento, pela maioria das nações, das práticas violentas dessa organização.", "os EUA, mesmo sendo a maior potência do planeta, foram surpreendidos com ataques terroristas que atingiram alvos de grande importância simbólica.", "as organizações mencionadas identificam-se quanto aos princípios religiosos que defendem.", "tanto as Farc quanto a Al Qaeda restringem sua atuação à área geográfica em que se localizam, respectivamente, América do Sul e Ásia."]
À semelhança do que ocorreu com a questão 15, a alternativa correta neste teste menciona apenas o atentado de 11 de setembro de 2001 praticado pela Al-Qaeda, mas simplesmente omite as FARC, que mereceram igual destaque no enunciado.
C
A emergência da sociedade da informação está associada a um conjunto de profundas transformações ocorridas desde as últimas duas décadas do século XX. Tais mudanças ocorrem em dimensões distintas da vida humana em sociedade, as quais interagem de maneira sinérgica e confluem para projetar a informação e o conhecimento como elementos estratégicos, sob os pontos de vista econômico-produtivo, político e sociocultural. A sociedade da informação caracteriza-se pela crescente utilização de técnicas de transmissão, armazenamento de dados e informações a baixo custo, acompanhadas por inovações organizacionais, sociais e leigas. Embora haja surgido motivada por um conjunto de transformações na base técnico-científica, ela se reveste de um significado bem mais abrangente.
O mundo contemporâneo tem sido caracterizado pela crescente utilização de novas tecnologias e pelo acesso à informação cada vez mais facilitado. De acordo com o texto, a sociedade da informação corresponde a uma mudança na organização social porque
["representa uma alternativa para a melhoria da qualidade de vida.", "associa informações obtidas instantaneamente por todos e em qualquer parte do mundo.", "propõe uma comunicação mais rápida e barata, contribuindo para a intensificação do comércio.", "propicia a interação entre as pessoas por meio de redes sociais.", "representa um modelo em que a informação é utilizada intensivamente nos vários setores da vida."]
O texto enfatiza o uso da tecnologia como responsável pelas grandes transformações sociais, econômicas e culturais, marcadas pela intensa troca de informações entre os mais diferentes setores.
E
A sociologia ainda não ultrapassou a era das construções e das sínteses filosóficas. Em vez de assumir a tarefa de lançar luz sobre uma parcela restrita do campo social, ela prefere buscar as brilhantes generalidades em que todas as questões são levantadas sem que nenhuma seja expressamente tratada. Não é com exames sumários e por meio de intuições rápidas que se pode chegar a descobrir as leis de uma realidade tão complexa. Sobretudo, generalizações às vezes tão amplas e tão apressadas não são suscetíveis de nenhum tipo de prova.
O texto expressa o esforço de Émile Durkheim em construir uma sociologia com base na
["vinculação com a filosofia como saber unificado.", "reunião de percepções intuitivas para demonstração.", "formulação de hipóteses subjetivas sobre a vida social.", "adesão aos padrões de investigação típicos das ciências naturais.", "incorporação de um conhecimento alimentado pelo engajamento político."]
Durkheim foi um sociólogo que desenvolveu sua obra sob forte influência do positivismo: essa influência marcou sua preferência pelos métodos indutivos, em geral utilizados pelas ciências naturais, e pela descoberta de leis explicativas do funcionamento da sociedade.
D
# TEXTO I Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre crescentes: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim. # TEXTO II Duas coisas admiro: a dura lei correndo sobre mim e o céu estrelado dentro de mim.
A releitura realizada pela poeta inverte as seguintes ideias centrais do pensamento kantiano:
["Possibilidade da liberdade e obrigação da ação.", "Aprioridade do juízo e importância da natureza.", "Necessidade da boa vontade e crítica da metafísica.", "Prescindibilidade do empírico e autoridade da razão.", "Interioridade da norma e fenomenalidade do mundo."]
O poeta inverte a fala de Kant ao dizer que a Lei pesa sobre sua cabeça e o céu estrelado se encontra dentro dele. Nesse sentido, critica-se o conceito de interioridade da norma e a fenomenalidade do mundo.
E
Os mais antigos cozinhavam o feijão na panela de ferro a fim de acabar com a palidez de seus filhos. Alguns chegavam até a colocar um prego enferrujado nesse cozimento para liberar o ferro contido nele. Sabe-se que esse elemento pode ser encontrado na sua forma metálica ou iônica, sendo essencial para a manutenção da vida humana.
As estratégias citadas eram utilizadas com o objetivo de
["tratar a diarreia.", "prevenir a anemia.", "evitar as verminoses.", "remediar o raquitismo.", "combater a febre amarela."]
O ferro é um constituinte da molécula da hemoglobina. A carência de ferro ocasiona a anemia ferropriva. O hábito de cozinhar em panelas de ferro promove a liberação deste metal na comida, e a ingestão desse composto auxilia na prevenção do quadro de anemia ferropriva no organismo humano.
B
Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, de amor eterno, seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado, E diga o verde-louro dessa flâmula — "Paz no futuro e glória no passado." Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho te não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte. Terra adorada, Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!
O uso da norma-padrão na letra do Hino Nacional do Brasil é justificado por tratar-se de um(a)
["reverência de um povo a seu país.", "gênero solene de característica protocolar.", "canção concebida sem interferência da oralidade.", "escrita de uma fase mais antiga da língua portuguesa.", "artefato cultural respeitado por todo o povo brasileiro."]
A letra do Hino Nacional do Brasil pertence a um gênero caracterizado pela solenidade e, nesse uso patriótico da linguagem, por sua natureza protocolar, é exigida a norma culta.
B
Em uma empresa de móveis, um cliente encomenda um guarda-roupa com as dimensões de 220 cm de altura, 120 cm de largura e 50 cm de profundidade. Alguns dias depois, o projetista, com o desenho elaborado na escala de 1:8, entra em contato com o cliente para apresentar seu trabalho. No momento da impressão, o profissional percebe que o desenho não caberia na folha de papel que costumava usar. Para resolver o problema, configurou a impressora para que a figura fosse reduzida em 20%.
A altura, a largura e a profundidade do desenho impresso para a apresentação serão, respectivamente,
["22,00 cm, 12,00 cm e 5,00 cm.", "27,50 cm, 15,00 cm e 6,25 cm.", "34,37 cm, 18,75 cm e 7,81 cm.", "35,20 cm, 19,20 cm e 8,00 cm.", "44,00 cm, 24,00 cm e 10,00 cm."]
As dimensões do guarda-roupa na escala 1:8 são: 27,5 cm de altura, 15 cm de largura e 6,25 cm de profundidade. As dimensões do guarda-roupa após a redução de 20% feita na impressora são: 27,5 * 0,8 cm, 15 * 0,8 cm e 6,25 * 0,8 cm, resultando em 22 cm de altura, 12 cm de largura e 5 cm de profundidade.
A
A classificação de um país no quadro de medalhas nos Jogos Olímpicos depende do número de medalhas de ouro que obtém na competição, tendo como critério de desempate o número de medalhas de prata seguido do número de medalhas de bronze conquistadas. Nas Olimpíadas de 2004, o Brasil foi o décimo sexto colocado no quadro de medalhas, tendo obtido 5 medalhas de ouro, 2 de prata e 3 de bronze. Parte desse quadro de medalhas é reproduzida a seguir. | Classificação | País | Medalhas de ouro | Medalhas de prata | Medalhas de bronze | Total de medalhas | | :--- | :--- | :--- | :--- | :--- | :--- | | 8° | Itália | 10 | 11 | 11 | 32 | | 9° | Coreia do Sul | 9 | 12 | 9 | 30 | | 10° | Grã-Bretanha | 9 | 9 | 12 | 30 | | 11° | Cuba | 9 | 7 | 11 | 27 | | 12° | Ucrânia | 9 | 5 | 9 | 23 | | 13° | Hungria | 8 | 6 | 3 | 17 |
Se o Brasil tivesse obtido mais 4 medalhas de ouro, 4 de prata e 10 de bronze, sem alterações no número de medalhas dos demais países mostrados no quadro, qual teria sido a classificação brasileira no quadro de medalhas das Olimpíadas de 2004?
["13°", "12°", "11°", "10°", "9°"]
Com mais 4 medalhas de ouro, 4 de prata e 10 de bronze, o Brasil ficaria com 9 medalhas de ouro, 6 de prata e 13 de bronze, e a classificação do Brasil seria a 11°.
C
# 33.ª poética Estou farta da materialidade embrulhada do signo da metalinguagem narcísica dos poetas do texto de espelho em punho, revirando os óculos modernos. Estou farta dessa falta enxuta dessa ausência de objetos rotundos e contundentes do conluio entre cifras e cifrantes da feminil hora quieta da palavra da lista (política raquítica sifilítica) de supersignos cabais: “duro ofício”, “espaço em branco”, “vocábulo delirante”, “traço infinito”. Quero antes a página atravancada de abajures o zoológico inteiro caindo pelas tabelas a sedução, os maxilares o plágio atroz, ratas devorando ninhadas úmidas, multidões mostrando as dentinas, multidões desejantes, diluvianas. Bandos ilícitos, fartos, excessivos, pesados e bastardos, a pecar e, por cima, os cortinados do pudor vedando tudo com goma de mascar.
Recorrendo à intertextualidade e à metalinguagem, esse poema expande os referentes da poética de Manuel Bandeira ao
["reiterar a importância da tradição inaugurada pela primeira geração modernista.", "optar por uma linguagem de sentido impreciso, marcando o afastamento do leitor.", "propor novos níveis de possibilidades semânticas, por meio de neologismos.", "configurar uma poesia identitária, demarcada pela manifestação de gênero.", "introduzir, no espaço do repertório tradicional, imagens de efeito desconcertante."]
Ana Cristina César retoma o célebre texto de Manuel Bandeira denominado 'Poética' e introduz imagens desconcertantes como “a página atravancada de abajures/ o zoológico inteiro caindo pelas tabelas”, entre outras. Essas imagens inusitadas indicam a ruptura em relação ao texto matriz de Manuel Bandeira.
E
# Adolescentes: mais altos, gordos e preguiçosos A oferta de produtos industrializados e a falta de tempo têm sua parcela de responsabilidade no aumento da silhueta dos jovens. "Os nossos hábitos alimentares, de modo geral, mudaram muito", observa Vivian Ellinger, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), no Rio de Janeiro. Pesquisas mostram que, aqui no Brasil, estamos exagerando no sal e no açúcar, além de consumir pouco leite e comer menos frutas e feijão. Outro pegado, velho conhecido de quem exibe excesso de gordura por causa da gula, surge como marca da nova geração: a preguiça. "Cem por cento das meninas que participam do Programa não praticavam nenhum esporte", revela a psicóloga Cristina Freire, que monitora o desenvolvimento emocional das voluntárias. Você provavelmente já sabe quais são as consequências de uma rotina sedentária e cheia de gordura. "E não é novidade que os obesos têm uma sobrevida menor", acredita Claudia Cozer, endocrinologista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Mas, se há cinco anos os estudos projetavam um futuro sombrio para os jovens, no cenário atual as doenças que viriam já são parte da rotina deles. "Os adolescentes já estão sofrendo com hipertensão e diabetes", exemplifica Claudia.
Sobre a relação entre os hábitos da população adolescente e as suas condições de saúde, as informações apresentadas no texto indicam que
["a falta de atividade física somada a uma alimentação nutricionalmente desequilibrada constitui fatores relacionados ao aparecimento de doenças crônicas entre os adolescentes.", "a diminuição do consumo de alimentos fontes de carboidratos combinada com um maior consumo de alimentos ricos em proteínas contribui para o aumento da obesidade entre os adolescentes.", "a maior participação dos alimentos industrializados e gordurosos na dieta da população adolescente tem tornado escasso o consumo de sais e açúcares, o que prejudica o equilíbrio metabólico.", "a ocorrência de casos de hipertensão e diabetes entre os adolescentes advém das condições de alimentação, enquanto que na população adulta os fatores hereditários são preponderantes.", "a prática regular de atividade física é um importante fator de controle da diabetes entre a população adolescente, por provocar um constante aumento da pressão arterial sistólica."]
O texto aponta os maus hábitos alimentares e a falta de atividade física dos adolescentes como causas da obesidade e das doenças crônicas.
A
A regra de ouro, popularmente conhecida pelo provérbio 'Trate os outros como gostaria de ser tratado', é um dos princípios morais mais onipresentes. A noção subjacente, que apela para o senso ético mais básico, se expressa de uma forma ou de outra em praticamente todas as tradições religiosas, e poucos filósofos morais deixaram de invocar a regra ou pelo menos de tecer comentários a respeito da relação com seus próprios princípios.
O princípio ético apresentado no texto, como elemento estruturante da vida em sociedade, se traduz pela seguinte formulação teórica:
["Doutrina teleológica.", "Imperativo categórico.", "Pensamento utilitarista.", "Secularização inautêntica.", "Raciocínio consequencialista."]
A regra de ouro trazida no texto, 'não fazer ao outro o que não se quer que lhe façam', condiz com uma máxima universal, ou um imperativo categórico.
B
O setor de recursos humanos de uma empresa pretende fazer contratações para adequar-se ao artigo 93 da Lei nº 8.213/91, que dispõe: Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência, habilitadas, na seguinte proporção: I. até 200 empregados .....2%; II. de 201 a 500 empregados .....3%; III. de 501 a 1.000 empregados .....4%; IV. de 1.001 em diante .....5%. Constatou-se que a empresa possui 1.200 funcionários, dos quais 10 são reabilitados ou com deficiência, habilitados. Para adequar-se à referida lei, a empresa contratará apenas empregados que atendam ao perfil indicado no artigo 93.
O número mínimo de empregados reabilitados ou com deficiência, habilitados, que deverão ser contratados pela empresa é
["74.", "70.", "64.", "60.", "53."]
Se x for o número mínimo de empregados reabilitados, então 10 + x = 5% . (1200 + x) 100 (10 + x) = 5 (1200 + x) 1000 + 100x = 6000 + 5x 95x = 5000 x ≈ 52,6 O número mínimo é 53
E
A África também já serviu como ponto de partida para comédias muito vulgares, mas de grande sucesso, como Um príncipe em Nova York e Ace Ventura: um maluco na África; em ambas, a África parece um lugar repleto de tribos excêntricas e rituais de desenho animado. A animação O Rei Leão, da Disney, o filme americano mais bem-sucedido ambientado na África, não contava com elenco de seres humanos.
A produção cinematográfica referida no texto contribui para a constituição de uma memória sobre a África e seus habitantes. Essa memória enfatiza e negligencia, respectivamente, os seguintes aspectos do continente africano:
["A história e a natureza.", "O exotismo e as culturas.", "A sociedade e a economia.", "O comércio e o ambiente.", "A diversidade e a política."]
Os filmes citados enfatizam o exotismo da África, mantendo a visão etnocentrista ocidental que, desde os primeiros contatos dos europeus com o Continente Negro, procurou contrastar os povos locais com os brancos "civilizados", dentro de uma perspectiva depreciativa. Ao mesmo tempo, negligenciam a evidência de que as populações africanas apresentam uma rica variedade de culturas que não podem ser avaliadas por juízos de valor, uma vez que refletem um longo processo de construção da própria identidade, tão digna de consideração quanto a de outros continentes.
B
Os números preocupantes sobre a saúde do brasileiro indicam que alguns hábitos alimentares favoreceram o crescimento da incidência dos índices de sobrepeso e obesidade e, paralelamente, de doenças como diabetes e hipertensão arterial. Isso sinaliza que o Brasil precisa reforçar suas políticas públicas para a conscientização sobre alimentação adequada. Entre as diversas ações em curso, merece destaque a questão da rotulagem dos produtos industrializados. O "modelo semafórico nutricional", que indica as quantidades de ingredientes como açúcar, gorduras e sal na parte frontal da embalagem, de acordo com recomendações de consumo diário adotadas em alguns países da Europa e dos EUA, ou das "figuras geométricas" na cor preta com inscrições como "alto em açúcar" ou "alto em gordura saturada", adotado no Chile, são algumas das alternativas. Esse seria, segundo alguns representantes do setor, o modelo mais eficiente na transmissão da mensagem ao consumidor. Mas cabe a pergunta: mais eficiente em informar ou em aterrorizar?
Apoiando-se na premissa de que alguns dados contidos nas embalagens dos alimentos podem influenciar hábitos alimentares, esse texto faz uma crítica a quê?
["À forma de organizar as informações nos rótulos dos produtos.", "As práticas de consumo e sua relação com a saúde alimentar do brasileiro.", "À relação entre os índices de sobrepeso e determinadas epidemias.", "As políticas públicas de saúde adotadas por países estrangeiros.", "Ao desconhecimento da população sobre a composição dos alimentos."]
A pergunta final do texto, "mais eficiente em informar ou aterrorizar?", deixa evidente a crítica que se faz aos rótulos de produtos alimentícios industrializados, exemplificados pelo modelo semafórico, em que o vermelho indica altos níveis de açúcar, sal e gordura saturada, e pelo modelo chileno, em que figuras geométricas de cor preta exercem a mesma função do vermelho, podendo assustar os consumidores.
A
Uma intervenção no meio ambiente tem inquietado muitos pesquisadores que consideram um risco reviver uma espécie extinta. Os envolvidos são os mamutes, paquidermes peludos extintos há milhares de anos. Em cadáveres de mamutes recuperados de locais como a Sibéria, estão sendo conduzidas buscas por células somáticas com núcleos viáveis para, posteriormente, tentar a sua inserção em zigotos anucleados de elefantes.
O método citado é denominado clonagem embrionária porque
["permite a criação de híbridos.", "depende da reprodução assistida.", "leva à formação de uma nova espécie.", "gera embriões cromossomicamente idênticos ao parental.", "está associado à transferência de genes entre espécies."]
O núcleo celular controla todas as atividades celulares, inclusive a mitose. A implantação do núcleo na célula gera descendentes idênticos ao indivíduo que forneceu essa estrutura celular, isto é, o núcleo.
D
Com direitos civis, mas sem direitos políticos, além das mulheres, milhões de camponeses analfabetos, em sua maioria não brancos, num contexto altamente racista e racializado, milhares de imigrantes estrangeiros recém-chegados e ex-escravos recém-libertos não deixaram, apesar disso, de agir politicamente e de influir decisivamente no destino da república em formação.
Um meio pelo qual esses grupos exerceram a cidadania, nas primeiras décadas do regime político mencionado, foi o(a)
["prática do sufrágio livre e universal.", "programa de democratização do ensino.", "aliança de oligarquias partidárias estaduais.", "irrupção de levantes populares espontâneos.", "discurso de inspiração social-darwinista e eugenista."]
Os grupos sociais excluídos, mencionados no excerto, enfrentaram as elites da Primeira República manifestando-se, tanto no campo como nas grandes cidades, em favor de seus direitos, resistindo à dominação oligárquica. São exemplos de movimentos sociais envolvendo essas populações: - Movimentos rurais: Canudos (BA), Contestado (fronteira PR-SC), Cangaço (NE); - Movimentos urbanos: greves (SP-1917), imprensa operária (SP), formação de ligas de trabalhadores, Revolta da Vacina (RJ-1904), Revolta da Chibata (RJ-1910).
D
# A luta da Águia contra o Dragão na América Latina No rescaldo da crise de 2008, as instituições financeiras chinesas (Banco de Desenvolvimento da China e Banco de Exportação e Importação da China) ofereceram crédito aos países latino-americanos que encontravam dificuldades para obter empréstimos nos mercados internacionais, como a Venezuela, a Argentina e o Equador. Mais flexível que os Estados Unidos, a China ofertou a possibilidade de ser paga em commodities. Essa fórmula permitiu ao país garantir o suprimento de recursos naturais necessários para atender ao apetite crescente de sua classe média. Essa estratégia "ganha-ganha" deu frutos.
Para os países latino-americanos mencionados, a estratégia chinesa apresentada na reportagem resultou no(a)
["realinhamento da parceria militar.", "ampliação do protecionismo tarifário.", "redução da dependência tecnológica.", "endurecimento da legislação ambiental.", "redirecionamento do comércio exterior."]
A partir da facilidade de crédito que a China proporcionou, as commodities produzidas pelos países beneficiados passaram a ser direcionadas para o mercado chinês, que anteriormente era destinado aos EUA e à Europa.
E
# Terça-feira, 30 de maio de 1893. Eu gosto muito de todas as festas de Diamantina; mas quando são na igreja do Rosário, que é quase colada à chácara de vovó, eu gosto ainda mais. Até parece que a festa é nossa. E este ano foi mesmo. Foi sorteada para rainha do Rosário uma ex-escrava de vovó chamada Júlia e para rei um homem negro muito entusiasmado que eu não conhecia. Coitada de Júlia! Ela vinha há muito tempo juntando dinheiro para comprar um rancho. Gastou tudo na festa e ainda ficou devendo. Agora é que eu vi como fica caro para os pobres negros serem reis por um dia. Júlia, com o vestido e a coroa, já gastou muito. Além disso, teve de dar um jantar para toda a corte. A rainha tem uma caudatária que vai atrás segurando a capa, que tem uma grande cauda. Esta também é negra da chácara e ajudou no jantar. Eu acho graça no entusiasmo dos pretos neste reinado tão curto. Ninguém rejeita o cargo, mesmo sabendo a despesa que dá!
O trecho apresenta marcas textuais que justificam o emprego da linguagem coloquial. O tom informal do discurso se deve ao fato de que se trata de um(a)
["narrativa regionalista, que procura reproduzir as características mais típicas da região, como as falas dos personagens e o contexto social a que pertencem.", "carta pessoal, escrita pela autora e endereçada a um destinatário específico, com o qual ela tem intimidade suficiente para suprimir as formalidades da correspondência oficial.", "registro no diário da autora, conforme indicam a data, o emprego da primeira pessoa, a expressão de reflexões pessoais e a ausência de uma intenção literária explícita na escrita.", "narrativa de memórias, na qual a grande distância temporal entre o momento da escrita e o fato narrado impõe o tom informal, pois a autora tem dificuldade de se lembrar com exatidão dos acontecimentos narrados.", "narrativa oral, em que a autora deve escrever como se estivesse falando para um interlocutor, isto é, sem se preocupar com a norma-padrão da língua portuguesa e com referências exatas aos acontecimentos mencionados."]
Helena Morley é autora da autobiografia Minha vida de menina, e sua obra apresenta todas as características enumeradas na alternativa correta.
C
Aqui estou estabelecido, Nos Estados Unidos, Já se passaram dez anos, Desde que cruzei como imigrante, Não arrumei meus papéis, Continuo sendo um ilegal. Tenho minha esposa e meus filhos, Que trouxe quando eram muito pequenos, E já se esqueceram, Do meu querido México, Do qual nunca me esqueço, E não posso voltar. [...] Meus filhos não falam comigo, Aprenderam outra língua, E esqueceram o espanhol, Pensam como americanos, Negam que são mexicanos, Embora tenham minha cor.
A letra da canção coloca em cena um dilema que muitas vezes é vivenciado por imigrantes. Esse dilema se configura no sentimento do pai em relação ao(a)
["diluição de sua identidade latino-americana, advinda do contato cotidiano com o outro", "distanciamento dos filhos, gerado pela apropriação da língua e da cultura do outro", "preconceito étnico-racial sofrido pelos imigrantes mexicanos no novo país", "desejo de se integrar à nova cultura e de se comunicar na outra língua.", "vergonha perante os filhos de viver ilegalmente em outro país."]
Lê-se a resposta na última estrofe do poema: "meus filhos não falam comigo..."
B
Meu irmão é filho adotivo. Há uma tecnicidade no termo 'filho adotivo' que contribui para sua aceitação social. Há uma novidade que, por um âtimo, o absolve das mazelas do passado, que parece limpá-lo de seus sentimentos indesejáveis. Digo que meu irmão é filho adotivo, e as pessoas tendem a assentir com solenidade, disfarçando qualquer pesar, baixando os olhos como se não sentissem nenhuma ânsia de perguntar mais nada. Talvez compartilhem da minha inquietude, talvez de fato se esqueçam do assunto no próximo gole ou na próxima garfada. Se a inquietude continua a reverberar em mim, é porque ouço a frase também de maneira parcial – meu irmão é filho – e é difícil aceitar que ela não termine com a verdade tautológica habitual: meu irmão é filho dos meus pais. Estou entoando que meu irmão é filho, e uma interrogação sempre me salta aos lábios: filho de quem?
Das reflexões do narrador, apreende-se uma perspectiva que associa a adoção
["a representações sociais estigmatizadas da parentalidade.", "à necessidade de aprovação por parte de desconhecidos.", "ao julgamento velado de membros do núcleo familiar.", "ao conflito entre o termo técnico e o vínculo afetivo.", "a inquietações próprias das relações entre irmãos."]
"Filho adotivo" é uma denominação que traz em si um diferencial que torna essa pessoa menos pertencente ao contexto da parentalidade. O meio social a estigmatiza.
A
O biodiesel não é classificado como uma substância pura, mas como uma mistura de ésteres derivados dos ácidos graxos presentes em sua matéria-prima. As propriedades do biodiesel variam com a composição do óleo vegetal ou da gordura animal que lhe deu origem. Por exemplo, o teor de ésteres saturados é responsável pela maior estabilidade do biodiesel frente à oxidação, resultando em um aumento da vida útil do biocombustível. O quadro ilustra o teor médio de ácidos graxos de algumas fontes oleaginosas. Fonte oleaginosa Teor médio de ácidos graxos (% em massa) Mirístico C14:00 Palmitico C16:00 Esteárico C18:00 Oleico C18:10 Linoleico C18:30 Milho < 0,1 11,7 1,9 25,2 60,6 0,5 Palma 1,0 42,8 4,5 40,5 10,1 0,2 Canola < 0,2 3,5 0,9 64,4 22,3 8,2 Algodão 0,7 20,1 2,6 19,2 55,2 0,6 Amendoim < 0,6 11,4 2,4 48,3 32,0 0,9
Qual das fontes oleaginosas apresentadas produziria um biodiesel de maior resistência à oxidação?
["Milho.", "Palma.", "Canola.", "Algodão.", "Amendoim."]
A fonte oleaginosa que apresenta maior resistência à oxidação é a que possui menor teor de ácidos graxos insaturados (oleico, linoleico e linolênico) e maior teor de ácidos graxos saturados. teor de ácidos graxos saturados milho: 13,7% (0,1 + 11,7 + 1,9) palma: 58,3% (1,0 + 42,8 + 4,5) canola: 4,6% (0,2 + 3,5 + 0,9) algodão: 23,4% (0,7 + 20,1 + 2,6) amendoim: 14,4% (0,6 + 11,4 + 2,4) Nota: Na tabela, entre parênteses, são dados o número de átomos de carbono e o número de duplas ligações.
B
No editorial, o autor defende a tese de que "as políticas sociais que procuram evitar a entrada dos jovens no tráfico não terão chance de sucesso enquanto a remuneração oferecida pelos traficantes for tão mais compensadora do que aquela oferecida pelos programas do governo".
Para comprovar sua tese, o autor apresenta
["instituições que divulgam o crescimento de jovens no crime organizado.", "sugestões que ajudam a reduzir a atração exercida pelo crime organizado.", "políticas sociais que impedem o aliciamento de crianças no crime organizado.", "pesquisadores que se preocupam com os jovens envolvidos no crime organizado.", "números que comparam os valores pagos entre os programas de governo e o crime organizado."]
Os principais dados que o texto apresenta a respeito do problema tratado são os valores muito dispares dos salários pagos aos traficantes e da ajuda concedida pelos programas sociais do governo.
E
# A Invenção de Hugo Cabret O livro conta a jornada de Hugo Cabret, um menino órfão que mora em uma estação de trem parisiense nos anos 1930. Seu trabalho é a manutenção do relógio da estação, porém a tarefa que tem uma importância maior é completar a construção de um autômato — uma espécie de robô — deixado a ele pelo pai. Junto de sua mais nova amiga, Isabelle, filha do amargo mercador de brinquedos, Hugo embarca em uma enorme aventura em busca de respostas para suas inúmeras perguntas. O que chama a atenção antes mesmo do início da leitura é o visual do livro. Muito bonito, colorido e simbólico. Brian, além de escrever, ilustrou toda a sua obra. E são essas mesmas ilustrações que constroem o grande clímax ao redor da leitura. O autor simula a experiência do cinema em suas páginas, colocando, por exemplo, páginas pretas no início, representando a escuridão das salas de cinema. Os desenhos, que estão presentes na maioria das páginas, não são apenas ilustrações. São parte complementar da história, pois substituem as palavras em vários trechos. Leitura rápida, experimental e muito interessante — ainda mais se você é amante da história do cinema.
Nesse texto, os elementos constitutivos do gênero são utilizados para atender à função social de
["explicar para o leitor os acontecimentos da narrativa.", "informar o leitor sobre o conteúdo do livro de modo impresso.", "convencer o leitor sobre a tese defendida ao longo da descrição da obra.", "oferecer ao leitor uma avaliação do livro por meio de uma síntese crítica.", "divulgar para o leitor a obra cuja temática interessa a um grande público."]
O texto, como uma resenha literária, tem a função de apresentar uma obra, A Invenção de Hugo Cabret (2007), do estadunidense Brian Selznick, avaliando-a de maneira a incentivar o leitor, principalmente o 'amante da história do cinema', a ter contato com o livro.
D
A situação demográfica de Israel é muito particular. Desde 1967, a esquerda sionista afirma que Israel deveria se retirar rapidamente da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, argumentando a partir de uma lógica demográfica aparentemente inexorável. Devido à taxa de natalidade árabe ser muito mais elevada, a anexação dos territórios palestinos, formal ou informal, acarretaria, dentro de uma ou duas gerações, uma maioria árabe "entre o rio e o mar".
A preocupação apresentada no texto revela um aspecto da condução política desse Estado identificado ao(à)
["abdicação da interferência militar em conflito local.", "busca da preeminência étnica sobre o espaço nacional.", "admissão da participação proativa em blocos regionais.", "rompimento com os interesses geopolíticos das potências globais.", "compromisso com as resoluções emanadas dos organismos internacionais."]
A ideia da supremacia étnica numérica dos judeus israelenses, vislumbrada na criação do Estado de Israel, foi colocada em xeque pela baixa taxa de natalidade desses mesmos judeus, confrontada com as elevadas taxas de natalidade dos povos palestinos habitantes dos territórios ocupados em 1967. Com o tempo, tornar-se-ia insustentável para o Estado de Israel manter sua prevalência em territórios dominados por uma numerosa população palestina, sujeita a contínuos movimentos de revolta independentista.
B
O Conar atua para coibir os exageros na propaganda e é 100% eficiente nessa missão. CONAR Propaganda boa é propaganda responsável. Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos, que somos inalcançáveis, que não cometemos nem mesmo o menor deslize. E só não falamos isso por um pequeno detalhe: seria uma mentira. Aliás, em vez de usar a palavra “mentira”, como acabamos de fazer, poderíamos optar por um eufemismo: “meia-verdade”. Por exemplo, seria um termo muito menos agressivo. Mas não usamos essa palavra simplesmente porque não acreditamos que exista uma “meia-verdade”. Para o Conar, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, existem a verdade e a mentira, a honestidade e a desonestidade. Absolutamente nada no meio. O Conar nasceu há 29 anos (viu só? Não arredondamos para 30) com a missão de zelar pela ética na publicidade. Não fazemos isso porque somos bonzinhos (gostaríamos de dizer isso, mas, mais uma vez, seria mentira). Fazemos isso porque é a única forma da propaganda ter o máximo de credibilidade. E, cá entre nós, para que serviria a propaganda se o consumidor não acreditasse nela? Qualquer pessoa que se sinta enganada por uma peça publicitária pode fazer uma reclamação ao Conar. Ele analisa cuidadosamente todas as denúncias e, quando é o caso, aplica a punição.
Considerando a autoria e a seleção lexical desse texto, bem como os argumentos nele mobilizados, constata-se que o objetivo do autor do texto é
["informar os consumidores em geral sobre a atuação do Conar.", "conscientizar publicitários do compromisso ético ao elaborar suas peças publicitárias.", "alertar chefes de família para que eles fiscalizem o conteúdo das propagandas veiculadas pela mídia.", "chamar a atenção de empresas e anunciantes em geral para suas responsabilidades ao contratarem publicitários sem ética.", "chamar a atenção de empresas para os efeitos nocivos que elas podem causar à sociedade se compactuarem com propagandas enganosas."]
O texto, contendo informações sobre a atuação do Conar, tem como público-alvo os consumidores, o que pode ser comprovado tanto pelo último parágrafo, em que há um alerta para que o consumidor denuncie propaganda enganosa, quanto pelo veículo que a divulgou, a revista Veja.
A
Estatuto da Frente Negra Brasileira (FNB) Art. 19° - Fica fundada nesta cidade de São Paulo, para irradiar-se por todo o Brasil, a Frente Negra Brasiliana, união política e social da Gente Negra Nacional, para a afirmação dos direitos históricos da mesma, em virtude de sua atividade material e moral no passado e para a reivindicação de seus direitos sociais e políticos atuais na Comunhão Brasileira.
Quando foi fechada pela ditadura do Estado Novo, em 1937, a FNB caracterizava-se como uma organização
["política, engajada na luta por direitos sociais para a população no Brasil.", "beneficente, dedicada ao auxílio dos negros pobres brasileiros depois da abolição.", "paramilitar, voltada para o alistamento de negros na luta contra as oligarquias regionais.", "democrático-liberal, envolvida na Revolução Constitucionalista conduzida a partir de São Paulo.", "internacionalista, ligada à exaltação da identidade das populações africanas em situação de vulnerabilidade."]
A Frente Negra Brasileira (FNB), fundada em 1931, mas somente reconhecida como partido político em 1936, era uma agremiação — conforme o próprio texto transcrito menciona — de caráter político-social, cujo objetivo era mobilizar os afrodescendentes na luta por sua integração social e pela efetivação de seus direitos políticos (até 1930, prejudicados pela prática do "voto de cabresto"). Com a instauração do Estado Novo e a consequente dissolução de todas as organizações políticas, também a FNB foi extinta.
A
# O Bom-Crioulo Com efeito, Bom-Crioulo não era somente um homem robusto, uma dessas organizações privilegiadas que trazem no corpo a sobranceira resistência do bronze e que esmagam com o peso dos músculos. [...] A chibata não lhe fazia mossa; tinha costas de ferro para resistir como um Hércules ao pulso do guardião Agostinho. Já nem se lembrava do número de vezes que apanhara de chibata... [...] Entretanto, já havia cinquenta chibatadas! Ninguém lhe ouvira um gemido, nem percebera uma contorção, um gesto qualquer de dor. Viam-se unicamente naquele costão negro as marcas do junco, umas sobre as outras, entrecruzando-se como uma grande teia de aranha, roxas e latejantes, cortando a pele em todos os sentidos. [...] Marinheiros e oficiais, em um silêncio concentrado, alongavam o olhar, cheios de interesse, a cada golpe. — Cento e cinquenta! Só então houve quem visse um ponto vermelho, uma gota rubra deslizar na espinha negra do marinheiro e logo esse ponto vermelho se transformou numa fita de sangue.
A prosa naturalista incorpora concepções geradas pelo cientificismo e pelo determinismo. No fragmento, a cena de tortura a Bom-Crioulo reproduz essas concepções, expressas pela
["exaltação da resistência inata para legitimar a exploração de uma etnia.", "defesa do estoicismo individual como forma de superação das adversidades.", "concepção do ser humano como uma espécie predadora e afeita à morbidez.", "observação detalhada do corpo para a identificação de características de raça.", "apologia à superioridade dos organismos saudáveis para a sobrevivência da espécie."]
O narrador descreve Amaro, o Bom-Crioulo, como um “homem robusto”, “costas de ferro”, que, mesmo depois de cinquenta chibatadas, não havia gemido ou se contorcido de dor. A caracterização de sua resistência como inerente, “um Hércules”, é uma tentativa de justificar a exploração dos negros escravizados.
A
Em exposições de artes plásticas, é usual que estátuas sejam expostas sobre plataformas giratórias. Uma medida de segurança é que a base da escultura esteja integralmente apoiada sobre a plataforma. Para que se providencie o equipamento adequado, no caso de uma base quadrada que será fixada sobre uma plataforma circular, o auxiliar técnico do evento deve estimar a medida R do raio adequado para a plataforma em termos da medida L do lado da base da estátua.
Qual relação entre R e L o auxiliar técnico deverá apresentar de modo que a exigência de segurança seja cumprida?
["R ≥ L / √2", "R ≥ 2L / π", "R ≥ L / √π", "R ≥ L/2", "R ≥ L / (2 √2)"]
Para que a base quadrada seja fixada sobre a plataforma circular, o diâmetro do círculo deve ser maior ou igual à diagonal do quadrado de lado L. Logo, 2R ≥ L√2 ⇔ R ≥ L√2 / 2.
A
As redes de alta tensão para transmissão de energia elétrica geram um campo magnético variável o suficiente para induzir corrente elétrica no arame das cercas. Tanto os animais quanto os funcionários das propriedades rurais ou das concessionárias de energia devem ter muito cuidado ao se aproximarem do arame da cerca quando este estiver próximo a uma rede de alta tensão, pois, se tocarem no arame da cerca, poderão sofrer choque elétrico.
Para minimizar este tipo de problema, deve-se:
["Fazer o aterramento dos arames da cerca.", "Acrescentar fusível de segurança na cerca.", "Realizar o aterramento da rede de alta tensão.", "Instalar fusível de segurança na rede de alta tensão.", "Utilizar fios encapados com isolante na rede de alta tensão."]
Para evitarmos um acidente com uma pessoa encostando na cerca de arame farpado, esta deverá ser aterrada, pois seus arames passarão a ter potencial zero volts, igualando-se ao da terra. Deste modo, a ddp (diferença de potencial) se anula e a pessoa não leva choque elétrico.
A
If children live with criticism, they learn to condemn. If children live with fear, they learn to be apprehensive. If children live with pity, they learn to feel sorry for themselves. If children live with ridicule, they learn to feel shy. If children live with tolerance, they learn patience. If children live with praise, they learn appreciation. If children live with acceptance, they learn to love. If children live with approval, they learn to like themselves. If children live with recognition, they learn it is good to have a goal. If children live with sharing, they learn generosity. If children live with fairness, they learn justice. If children live with kindness and consideration, they learn respect. If children live with friendliness, they learn the world is a nice place in which to live.
Valores culturais de um povo revelam sua forma de ser, agir e pensar. Na concepção da autora, as diferentes formas de educar crianças nos Estados Unidos confirmam que as crianças
["temem quem as amedronta.", "aprendem com o que vivem.", "amam aqueles que as aceitam.", "são gentis quando respeitadas.", "ridicularizam quem as intimida."]
Em todo o texto, é possível perceber que as crianças aprendem a forma de ser, agir e pensar de acordo com o contexto em que vivem.
B
Num mapa com escala 1 : 250 000, a distância entre as cidades A e B é de 13 cm. Num outro mapa, com escala 1 : 300 000, a distância entre as cidades A e C é de 10 cm. Em um terceiro mapa, com escala 1 : 500 000, a distância entre as cidades A e D é de 9 cm. As distâncias reais entre a cidade A e as cidades B, C e D são, respectivamente, iguais a X, Y e Z (na mesma unidade de comprimento).
As distâncias X, Y e Z, em ordem crescente, estão dadas em
["X, Y, Z.", "Y, X, Z.", "Y, Z, X.", "Z, X, Y.", "Z, Y, X."]
1) A distância real entre A e B é de X = 250 000 . 13 cm = 3 250 000 cm = 32,5 km, pois a escala do 1º mapa é 1 : 250 000. 2) A distância real entre A e C é de Y = 300 000 . 10 cm = 3 000 000 cm = 30,0 km, pois a escala do 2º mapa é 1 : 300 000. 3) A distância real entre A e D é de Z = 500 000 . 9 cm = 4 500 000 cm = 45,0 km, pois a escala do 3º mapa é 1 : 500 000. Desta forma, Y < X < Z
B
Um professor tem uma despesa mensal de 10% do seu salário com transporte e 30% com alimentação. No próximo mês, os valores desses gastos sofrerão aumentos de 10% e 20%, respectivamente, mas o seu salário não terá reajuste. Com esses aumentos, suas despesas com transporte e alimentação aumentarão em R$ 252,00.
O salário mensal desse professor é de
["R$ 840,00.", "R$ 1.680,00.", "R$ 2.100,00.", "R$ 3.600,00.", "R$ 5.200,00."]
1) Seja x o salário do professor. As despesas com transporte e alimentação são 10% de x e 30% de x, respectivamente. O aumento no transporte é de: 10% de (10% de x) = 1% de x. 2) O aumento na alimentação é de: 20% de (30% de x) = 6% de x. 3) Como a soma dos aumentos é R$ 252,00, temos: $$1\% x + 6\% x = 252 \Leftrightarrow 7\% x = 252 \Leftrightarrow x = \frac{252}{0,07} = 3.600$$
D
Dados recentes mostram que muitos são os países periféricos que dependem dos recursos enviados pelos imigrantes que estão nos países centrais. Grande parte dos países da América Latina, por exemplo, depende hoje das remessas de seus imigrantes. Para se ter uma ideia mais concreta, dados recentes divulgados pela ONU revelaram que somente os indianos recebem 10 bilhões de dólares de seus compatriotas no exterior. No México, que apresenta o segundo maior volume de divisas, esse valor chega a 9,9 bilhões de dólares, e nas Filipinas, que ocupam a terceira posição, a 8,4 bilhões.
Um aspecto do mundo globalizado que facilitou a ocorrência do processo descrito, na transição do século XX para o século XXI, foi o(a)
["integração de culturas distintas.", "avanço técnico das comunicações.", "quebra de barreiras alfandegárias.", "flexibilização de regras trabalhistas.", "desconcentração espacial da produção."]
A globalização facilitou o acesso às comunicações, aos transportes e às informações, o que estimulou muitos imigrantes de países periféricos a buscar melhores oportunidades de vida e emprego em países centrais. Como consequência disso, eles enviam remessas aos seus familiares.
B
A febre maculosa brasileira é uma doença infecciosa febril aguda e com elevada taxa de letalidade. A transmissão ocorre pela picada do carrapato do gênero Amblyomma infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. As capivaras e os cavalos desempenham grande importância na cadeia epidemiológica da doença, pois são os principais reservatórios dos carrapatos transmissores.
Qual medida preventiva é importante para evitar a transmissão dessa doença?
["Tratar os doentes.", "Utilizar telas em portas domiciliares.", "Retirar sobras de alimento dos quintais.", "Fazer o controle biológico do vetor.", "Manter fechados os reservatórios de água."]
A medida preventiva que melhor controla a febre maculosa é o controle do vetor carrapato do gênero Amblyomma, que parasita mamíferos e é o hospedeiro da bactéria Rickettsia rickettsii.
D
Diferente do que o senso comum acredita, as lagartas de borboletas não possuem voracidade generalizada. Um estudo mostrou que as borboletas de asas transparentes da família Ithomiinae, comuns na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica, consomem, sobretudo, plantas da família Solanaceae, a mesma do tomate. Contudo, os ancestrais dessas borboletas consumiam espécies vegetais da família Apocinaceae, mas a quantidade dessas plantas parece não ter sido suficiente para garantir o suprimento alimentar dessas borboletas. Dessa forma, as solanáceas tornaram-se uma opção de alimento, pois são abundantes na Mata Atlântica e na Floresta Amazônica. Cores ao vento. Genes e fósseis revelam origem e diversidade de borboletas sul-americanas. Revista Pesquisa FAPESP, n.º 170, 2010 (adaptado).
Nesse texto, a ideia do senso comum é confrontada com os conhecimentos científicos, ao se entender que as larvas das borboletas Ithomiinae encontradas atualmente na Mata Atlântica e na Floresta Amazônica apresentam
["facilidade em digerir todas as plantas desses locais.", "interação com as plantas hospedeiras da família Apocinaceae.", "adaptação para se alimentar de todas as plantas desses locais.", "voracidade indiscriminada por todas as plantas existentes nesses locais.", "especificidade pelas plantas da família Solanaceae existentes nesses locais."]
As larvas das borboletas atuais, da família Ithomiinae, encontradas na Mata Atlântica e na Floresta Amazônica, apresentam especificidade pelos vegetais da família Solanaceae existentes nesses biomas.
E
# "Vida perfeita" em redes sociais pode afetar a saúde mental Nas várias redes sociais que povoam a internet, os chamados digital influencers estão sempre felizes e pregam a felicidade como um estilo de vida. Essas pessoas espalham conteúdo para milhares de seguidores, ditando tendências e mostrando um estilo de vida almejado por muitos, como o corpo esbelto, viagens incríveis, casas deslumbrantes, carros novos e alegria em tempo integral, algo bem improvável de ocorrer o tempo todo, aponta Carla Furtado, mestre em psicologia e fundadora do Instituto Felicência. A problemática pode surgir com a busca incessante por essa felicidade, que gera efeitos colaterais em quem diariamente acompanha a "vida perfeita" dos outros. Daí vem o conceito de positividade tóxica: a expressão tem sido usada para abordar uma espécie de pressão pela adoção de um discurso positivo, aliada a uma vida editada para as redes sociais. Para manter a saúde mental e evitar ser atingido pela positividade tóxica, o uso racional das redes sociais é o mais indicado, aconselha a médica psiquiatra Renata Nayara Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr).
Associação ao ideário de uma "vida perfeita", a positividade tóxica mencionada no texto é um fenômeno social recente, que se constitui com base em
["representações estereotipadas e superficiais de felicidade.", "ressignificações contemporâneas do conceito de alegria.", "estilos de vida inacessíveis para a sociedade brasileira.", "atitudes contraditórias de influenciadores digitais.", "padrões idealizados e nocivos de beleza física."]
A felicidade proveniente das redes sociais dos digital influencers é estereotipada, superficial e afeta negativamente o internauta sem senso crítico.
A
Aconteceu mais de uma vez: ele me abandonou. Como todos os outros. O quinto. A gente já estava junto há mais de um ano. Parecia que dessa vez seria para sempre. Mas não: ele desapareceu de repente, sem deixar rastro. Quando me dei conta, fiquei horas ligando sem parar – mas só chamava, chamava, e ninguém atendia. E então fiz o que precisava ser feito: bloqueei a linha. A verdade é que nenhum telefone celular me suporta. Já tentei de todas as marcas e operadoras, apenas para descobrir que eles são todos iguais: na primeira oportunidade, dão no pé. Esse último aproveitou que eu estava distraído e não desceu do táxi junto comigo. O que seria, que ele já tinha metido a mão no meu bolso no momento em que eu embarcava no táxi? Tomara que sim. Depois de fazer o que me quis, quero mais é que ele tenha ido parar na sarjeta. [ ... ] Se ao menos fossem embora do jeito que chegaram, tudo bem. [ ... ] Mas já sei o que vou fazer. No caminho da loja de celulares, vou passar numa papelaria. Pensando bem, nenhuma das minhas agendinhas de papel jamais me abandonou.
Nesse fragmento, a fim de atrair a atenção do leitor e de estabelecer um fio condutor de sentido, o autor utiliza-se de
["primeira pessoa do singular para imprimir subjetividade ao descrever uma desilusão amorosa.", "ironia para tratar da relação com os celulares na era de produtos altamente descartáveis.", "frases feitas na apresentação de situações amorosas estereotipadas para construir a ambientação do texto.", "quebra de expectativa como estratégia argumentativa para ocultar informações.", "verbos no tempo pretérito para enfatizar uma aproximação com os fatos abordados ao longo do texto."]
A fim de chamar a atenção do leitor, o primeiro parágrafo do texto contém lugares-comuns dos discursos de ruptura amorosa ("Ele me abandonou", "como todos os outros", "Ele desapareceu de repente") para relatar a troca constante que o autor faz dos aparelhos celulares.
C
A cal (óxido de cálcio, CaO), cuja suspensão em água é muito usada como uma tinta de baixo custo, confere uma tonalidade branca aos troncos de árvores. Essa é uma prática muito comum em praças públicas e locais privados, geralmente utilizada para combater a proliferação de parasitas. Essa aplicação, também chamada de caiacão, gera um problema: elimina microrganismos benéficos para a árvore.
A destruição do microambiente no tronco de árvores pintadas com cal é devida ao processo de
["difusão, pois a cal se difunde nos corpos dos seres do microambiente e os intoxica.", "osmose, pois a cal retira água do microambiente, tornando-se inviável ao desenvolvimento de microrganismos.", "oxidação, pois a luz solar que incide sobre o tronco ativa fotoquimicamente a cal, que elimina os seres vivos do microambiente.", "aquecimento, pois a luz do Sol incide sobre o tronco e aquece a cal, que mata os seres vivos do microambiente.", "vaporização, pois a cal facilita a volatilização da água para a atmosfera, eliminando os seres vivos do microambiente."]
O óxido de cálcio é um óxido básico e, em contato com a água, produz hidróxido de cálcio de acordo com a equação química CaO + H₂O → Ca(OH)₂ A destruição do microambiente no tronco de árvores pintadas com cal é devida ao processo de osmose, pois a cal retira água do microambiente, tornando-o inviável ao desenvolvimento de microrganismos. Nos processos não temos oxidação nem aquecimento; ocorre reflexão da luz, pois a pintura é branca. A vaporização da água não é facilitada, pois temos um soluto não volátil dissolvido (Ca(OH)₂).
B
As expedições científicas se caracterizavam, no século XIX, por um intenso vaivém de produtos naturais e por um modo de circulação internacional de conhecimentos e saberes. Todo esse movimento representou um passo significativo para a mundialização das ciências. Os objetos dissecados eram levados para os museus, o que resultou em uma interação científica e político-financeira e, ao mesmo tempo, gerou um corte epistemológico nas ciências naturais. Nesse caso, não somente as ideias, mas também os objetos circulavam junto com os conhecimentos. Da mesma forma, as expedições representaram um meio de realizar a transferência dos conhecimentos do campo ao laboratório, onde os produtos seriam analisados e avaliados para depois se tornarem comerciais — prática que ocorreu em larga escala no século XIX.
O tipo de viagem mencionado no texto constitui uma prática científica com o objetivo de
["favorecer a demarcação fronteiriça da região.", "determinar a expulsão da população do local.", "beneficiar o expansionismo da indústria do café.", "cooperar para a tolerância religiosa e filantrópica entre cristãos.", "contribuir para o intercâmbio institucional e econômico entre países."]
No século XIX, a circulação de pessoas, como comerciantes e cientistas, de objetos, de saberes e também de textos científicos, articulada por museus e laboratórios, evidencia que as expedições funcionavam também como parte de uma rede de produção de conhecimento e valorização econômica que partia das áreas centrais do capitalismo europeu e alcançava áreas periféricas, como América do Sul, África e Ásia.
E
Considere o seguinte jogo de apostas: Em uma cartela com 60 números disponíveis, um apostador escolhe de 6 a 10 números. Dentre os números disponíveis, serão sorteados apenas 6. O apostador será premiado caso os 6 números sorteados estejam entre os números escolhidos por ele em uma mesma cartela. O quadro apresenta o preço de cada cartela, de acordo com a quantidade de números escolhidos. | Quantidade de números escolhidos em uma cartela | Preço da cartela (R$) | | :--- | :--- | | 6 | 2,00 | | 7 | 12,00 | | 8 | 40,00 | | 9 | 125,00 | | 10 | 250,00 | Cinco apostadores, cada um com R$ 500,00 para apostar, fizeram as seguintes opções: Arthur: 250 cartelas com 6 números escolhidos; Bruno: 41 cartelas com 7 números escolhidos e 4 cartelas com 6 números escolhidos; Caio: 12 cartelas com 8 números escolhidos e 10 cartelas com 6 números escolhidos; Douglas: 4 cartelas com 9 números escolhidos; Eduardo: 2 cartelas com 10 números escolhidos.
Os dois apostadores com maiores probabilidades de serem premiados são
["Caio e Eduardo.", "Arthur e Eduardo.", "Bruno e Caio.", "Arthur e Bruno.", "Douglas e Eduardo."]
De acordo com o enunciado, podemos montar a seguinte tabela: | Apostador | Números de apostas realizadas | | :--- | :--- | | Arthur | 250 . $\binom{6}{6}$ = 250 | | Bruno | 41 . $\binom{7}{6}$ + 4 . $\binom{6}{6}$ = 41 + 4 = 45 | | Caio | 12 . $\binom{8}{6}$ + 10 . $\binom{6}{6}$ = 336 + 10 = 346 | | Douglas | 4 . $\binom{9}{6}$ = 84 | | Eduardo | 2 . $\binom{10}{6}$ = 420 | Portanto, os dois apostadores com maiores probabilidades de serem premiados são Eduardo com 420 apostas e Caio com 346 apostas.
A
O organizador de uma competição de lançamento de dardos pretende tornar o campeonato mais competitivo. Pelas regras atuais da competição, numa rodada, o jogador lança 3 dardos e pontua caso acerte pelo menos um deles no alvo. O organizador considera que, em média, os jogadores têm, em cada lançamento, $\frac{1}{2}$ de probabilidade de acertar um dardo no alvo. A fim de tornar o jogo mais atrativo, planeja modificar as regras de modo que a probabilidade de um jogador pontuar em uma rodada seja igual ou superior a $\frac{9}{10}$. Para isso, decide aumentar a quantidade de dardos a serem lançados em cada rodada.
Com base nos valores considerados pelo organizador da competição, a quantidade mínima de dardos que deve ser disponibilizada em uma rodada para tornar o jogo mais atrativo é
["2.", "4.", "6.", "9.", "10."]
Como a probabilidade de acertar o alvo é $\frac{1}{2}$, temos que a probabilidade de errar o alvo é $1 - \frac{1}{2} = \frac{1}{2}$. Portanto, no lançamento de n dardos, a probabilidade de haver ao menos um acerto é dada por: $$P = 1 - \left( \frac{1}{2} \right)^n$$ Para que a probabilidade de pontuar seja maior ou igual a $\frac{9}{10}$, temos: $$1 - \left( \frac{1}{2} \right)^n \geq \frac{9}{10} \Leftrightarrow \frac{1}{10} \geq \left( \frac{1}{2} \right)^n \Rightarrow n \geq 4$$ Portanto, a quantidade mínima é 4.
B
Uma grande virada na moderna história da agricultura ocorreu após a Segunda Guerra Mundial. Após a guerra, os governos se depararam com um enorme excedente de nitrato de amônio, ingrediente utilizado na fabricação de explosivos. A partir disso, as fábricas de munição foram adaptadas para começar a produzir fertilizantes, tendo como componente principal os nitratos. SOUZA, F.A. Agricultura natural/orgânica como instrumento de fixação biológica e manutenção do nitrogênio no solo: um modelo sustentável de MDL. Disponível em: www.plantaeorganico.com.br. Acesso em: 17 jul. 2015 (adaptado).
No ciclo natural do nitrogênio, o equivalente ao principal componente desses fertilizantes industriais é produzido na etapa de
["nitratação.", "nitrosação.", "amonificação.", "desnitrificação.", "fixação biológica do N₂."]
O principal componente dos fertilizantes industriais citado na questão é o nitrato, substância que, durante o ciclo bioquímico do nitrogênio, é produzida na etapa de nitratação por bactérias do gênero Nitrobacter, entre outras.
A
A rosa dos ventos é uma figura que representa oito sentidos, que dividem o círculo em partes iguais. Uma câmera de vigilância está fixada no teto de um shopping e sua lente pode ser direcionada remotamente, através de um controlador, para qualquer sentido. A lente da câmera está apontada inicialmente no sentido Oeste e o seu controlador efetua três mudanças consecutivas, a saber: • 1° mudança: 135° no sentido anti-horário; • 2° mudança: 60° no sentido horário; • 3° mudança: 45° no sentido anti-horário. Após a 3° mudança, ele é orientado a reposicionar a câmera, com a menor amplitude possível, no sentido Noroeste (NO) devido a um movimento suspeito de um cliente.
Qual mudança de sentido o controlador deve efetuar para reposicionar a câmera?
["75° no sentido horário.", "105° no sentido anti-horário.", "120° no sentido anti-horário.", "135° no sentido anti-horário.", "165° no sentido horário."]
Assim, para reposicionar a câmera, com a menor amplitude possível para ficar voltada na direção noroeste, a mudança deve ser de 180° - 15° = 165° no sentido horário.
E
Estudos apontam que o meteorito que atingiu o céu da Rússia em fevereiro de 2013 liberou uma energia equivalente a 500 quilotoneladas de TNT (trinitrotolueno), cerca de 30 vezes mais forte que a bomba atômica lançada pelos Estados Unidos em Hiroshima, no Japão, em 1945. Os cálculos estimam que o meteorito estava a 19 quilômetros por segundo no momento em que atingiu a atmosfera e que seu brilho era 30 vezes mais intenso do que o brilho do Sol.
A energia liberada pelo meteorito ao entrar na atmosfera terrestre é proveniente, principalmente,
["da queima de combustíveis contidos no meteorito.", "de reações nucleares semelhantes às que ocorrem no Sol.", "da energia cinética associada à grande velocidade do meteorito.", "de reações semelhantes às que ocorrem em explosões nucleares.", "da queima da grande quantidade de trinitrotolueno presente no meteorito."]
Devido ao trabalho da força de resistência do ar, ocorre a transformação da energia cinética do meteorito em energia térmica, tornando-o incandescente e com brilho intenso. A energia cinética $E_c = \frac{mV^2}{2}$ está associada à grande velocidade do meteorito.
C
Maria Leonor é uma criança de 7 anos de Miranda do Douro, em Portugal, que começou a achar muito divertido "falar brasileiro" depois que conheceu um influenciador digital na internet. Jonathan, de 6 anos, vive no Porto e passou a cumprimentar as amiguinhas com "oi, menina" depois que descobriu vídeos de brasileiros nas redes sociais. As duas crianças são parte de um fenômeno que provoca polêmica em Portugal. O sotaque brasileiro tem gerado controvérsias entre alguns pais e virou tema na imprensa local.
O fenômeno descrito no texto é provocado pelo
["aumento das trocas comerciais.", "desenvolvimento dos laços afetivos.", "crescimento do intercâmbio cultural.", "incremento da padronização linguística.", "enfrentamento do preconceito estrutural."]
O excerto indica uma modificação no modo de falar de crianças portuguesas que adotaram expressões próprias de outras regiões lusófonas. Dessa maneira, é possível considerar a existência de um intercâmbio cultural, pois há uma alteração na forma de falar português em contato com o "falar brasileiro".
C
O ano de 1954 foi decisivo para Carlos Lacerda. Os que conviveram com ele em 1954, 1955, 1957 (um dos seus momentos intelectuais mais altos, quando o governo Juscelino tentou cassar o seu mandato de deputado), 1961 e 1964 tinham consciência de que Carlos Lacerda, em uma batalha política ou jornalística, era um traidor em ação, um vandalismo desencadeado, não se sabe como, mas que era impossível parar, fosse pelo método que fosse.
Com base nas informações do texto acima e em aspectos relevantes da história brasileira entre 1954, quando ocorreu o suicídio de Vargas (em grande medida, devido à pressão política exercida pelo próprio Lacerda), e 1964, quando um golpe de Estado interrompe a trajetória democrática do país, conclui-se que
["a cassação do mandato parlamentar de Lacerda antecede a crise que levou Vargas à morte.", "Lacerda e adeptos do getulismo, aparentemente opositores, expressam a mesma posição político-ideológica.", "a implantação do regime militar, em 1964, decorreu da crise surgida com a contestação à posse de Juscelino Kubitschek como presidente da República.", "Carlos Lacerda atingiu o apogeu de sua carreira, tanto no jornalismo quanto na política, com a instauração do regime militar.", "Juscelino Kubitschek, na presidência da República, sofre vigorosa oposição de Carlos Lacerda, contra quem procurou reagir."]
Carlos Lacerda foi um dos próceres da União Democrática Nacional (UDN), que sempre combateu o varguismo e seus associados (como Juscelino Kubitschek) ou continuadores (como João Goulart). Daí sua implacável oposição ao governo JK e a malograda tentativa dos políticos situacionistas (aliás, não endossada pelo próprio presidente no sentido de cassar seu mandato de deputado federal pela Guanabara).
E
Um casal realiza um financiamento imobiliário de R$ 180.000,00, a ser pago em 360 prestações mensais, com uma taxa de juros efetiva de 1% ao mês. A primeira prestação é paga um mês após a liberação dos recursos e o valor da prestação mensal é de R$ 500,00 mais juro de 1% sobre o saldo devedor (valor devido antes do pagamento). Observe que, a cada pagamento, o saldo devedor se reduz em R$ 500,00 e considere que não há prestação em atraso.
Efetuando o pagamento dessa forma, o valor, em reais, a ser pago ao banco na décima prestação é de
["2.075,00.", "2.093,00.", "2.138,00.", "2.255,00.", "2.300,00."]
Na décima prestação, o saldo devedor é, em reais, de 180.000 - 9 . 500 = 175.500. O juro de 1% sobre este valor resulta em: 1% . 175.500 = 1.755. Assim, a décima prestação é, em reais, de 500 + 1.755 = 2.255.
D
Eu, o Príncipe Regente, faço saber aos que o presente Alvará virem: que, desejando promover e adiantar a riqueza nacional, e sendo um dos mananciais dela as manufaturas e a indústria, sou servido abolir e revogar toda e qualquer proibição que haja a este respeito no Estado do Brasil. Alvará de liberdade para as indústrias (1.º de Abril de 1808).
O projeto industrializante de D. João, conforme expresso no alvará, não se concretizou. Que características desse período explicam esse fato?
["A ocupação de Portugal pelas tropas francesas e o fechamento das manufaturas portuguesas.", "A dependência portuguesa da Inglaterra e o predomínio industrial inglês sobre suas redes de comércio.", "A desconfiança da burguesia industrial colonial diante da chegada da família real portuguesa.", "O confronto entre a França e a Inglaterra e a posição dúbia assumida por Portugal no comércio internacional.", "O atraso industrial da colônia provocada pela perda de mercados para as indústrias portuguesas."]
Em 1808, D. João revogou o alvará de proibição industrial assinado por D. Maria I. Entretanto, essa medida não produziu resultados expressivos devido à carência do Brasil em capitais e tecnologia, mas também pelo absoluto predomínio do industrialismo inglês sobre a economia luso-brasileira.
B
Uma pessoa pretende avaliar qual é a potência real de uma placa fotovoltaica nas condições operacionais de instalação. Ela constata que a máxima temperatura atingida pela placa é de 65°C. O manual de instruções desse modelo de placa informa que, a 25°C, sua potência nominal é de 250 W. Já a potência real varia com a alteração da temperatura da placa, a uma taxa de -0,4% da potência nominal a cada grau Celsius.
Qual é a menor potência real gerada, em watt?
["230 W.", "210 W.", "190 W.", "150 W.", "100 W."]
A potência nominal da placa a θ₀ = 25°C é P₀ = 250 W A temperatura máxima atingida é θ = 65°C A variação de temperatura é Δθ = θ - θ₀ = 65°C - 25°C = 40°C A potência varia a uma taxa de -0,4% por grau Celsius, ou seja, 0,4% = 0,004 (por °C) A fração total de perda de potência é 0,004 · Δθ = 0,004 · 40 = 0,16 A potência perdida é dada por ΔP = 0,16 · 250 W = 40 W Portanto, a menor potência real gerada é: P = 250 W - 40 W = 210 W
B
Muitos processos fisiológicos e bioquímicos, tais como batimentos cardíacos e taxa de respiração, apresentam escalas construídas a partir da relação entre superfície e massa (ou volume) do animal. Uma dessas escalas, por exemplo, considera que o "cubo da área S da superfície de um mamífero é proporcional ao quadrado de sua massa M".
Isso é equivalente a dizer que, para uma constante k > 0, a área S pode ser escrita em função de M por meio da expressão:
["S = k . M", "S = k . M \\frac{1}{3}", "S = k \\frac{1}{3} . M \\frac{1}{3}", "S = k \\frac{1}{3} . M \\frac{2}{3}", "S = k \\frac{1}{3} . M \\frac{2}{3}"]
Pelo enunciado, supondo que k > 0 seja a constante de proporcionalidade, tem-se: $$ S^{3} = k . M^{2} \Leftrightarrow S = k \frac{1}{3} . M \frac{2}{3} $$
D
A prefeitura de um pequeno município do interior decide colocar postes para iluminação ao longo de uma estrada retilínea, que inicia em uma praça central e termina em uma fazenda na zona rural. Como a praça já possui iluminação, o primeiro poste será colocado a 80 metros da praça, o segundo a 100 metros, o terceiro a 120 metros, e assim sucessivamente, mantendo-se sempre uma distância de vinte metros entre os postes, até que o último poste seja colocado a uma distância de 1380 metros da praça.
Se a prefeitura pode pagar, no máximo, R$ 8000,00 por poste colocado, o maior valor que poderá gastar com a colocação desses postes é
["R$ 512000,00", "R$ 520000,00", "R$ 528000,00", "R$ 552000,00", "R$ 584000,00"]
I. O primeiro poste será colocado a 80 m da praça. Os postes subsequentes serão colocados sempre a uma distância de vinte metros do anterior. Seja n o número de postes. Assim, como o último poste deve ser colocado a 1380 m da praça, podemos escrever 80 + (n - 1) * 20 = 1380 ⇒ n = 66. II. Como cada poste custa, no máximo, R$ 8.000,00, o maior valor que a prefeitura poderá gastar será 66 * 8000 = 528.000, ou seja, R$ 528.000,00.
C
Com o objetivo de testar a eficiência de fornos de micro-ondas, planejou-se o aquecimento em 10°C de amostras de diferentes substâncias, cada uma com determinada massa, em cinco fornos de marcas distintas. Nesse teste, cada forno operou à potência máxima.
O forno mais eficiente foi aquele que
["forneceu a maior quantidade de energia às amostras.", "cedeu energia à amostra de maior massa por mais tempo.", "forneceu a maior quantidade de energia em menos tempo.", "cedeu energia à amostra de menor calor específico mais lentamente.", "forneceu a menor quantidade de energia às amostras em menos tempo."]
A potência é definida como a razão entre a energia transferida e o tempo gasto, ou seja, é a rapidez com que a energia é transferida. A potência será máxima quando transmitirmos a maior quantidade de energia em menos tempo.
C
Segundo a Conferência de Quioto, os países centrais industrializados, historicamente responsáveis pela poluição, deveriam alcançar a meta de redução de 5,2% do total de emissões em relação aos níveis de 1990. O cerne da questão é o enorme custo desse processo, que requer mudanças radicais nas indústrias para que se adaptem rapidamente aos limites de emissão estabelecidos e adotem tecnologias energéticas limpas. A comercialização internacional de créditos de carbono ou de redução de gases causadores do efeito estufa foi a solução encontrada para diminuir o custo global do processo. Países ou empresas que conseguirem reduzir as emissões abaixo de suas metas poderão vender esses créditos para outro país ou empresa que não consiga.
As posições contrárias à estratégia de compensação presente no texto relacionam-se à ideia de que ela promove
["retração nos atuais níveis de consumo.", "surgimento de conflitos de caráter diplomático.", "diminuição dos lucros na produção de energia.", "desigualdade na distribuição do impacto ecológico.", "decrescimento dos índices de desenvolvimento econômico."]
A Conferência de Quioto estabelece uma meta de redução de 5,2% do total de emissões em relação às da década de 1990. Muitos países ou empresas não conseguiram reduzir as emissões e, com isso, compram créditos de outros, promovendo a desigualdade na distribuição do impacto ecológico global.
D
Nenhum dos quatro blocos de petróleo perto do Parque Ambiental de Abrolhos disponibilizados para leilão atraiu o interesse de empresas. A abertura para a exploração da área, que possui a maior biodiversidade do Atlântico Sul, está sendo contestada na Justiça. Também é alvo de críticas de ambientalistas, que realizaram um protesto em frente ao local do certame. Os blocos não arrematados agora estão incluídos na área de oferta permanente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e, caso alguma empresa manifeste interesse, um novo leilão será realizado.
O protesto sobre a exploração de petróleo na área descrita no texto se justifica pela
["vulnerabilidade do turismo.", "fragilidade do ecossistema.", "indiferença dos cidadãos.", "negligência dos magistrados.", "redução do emprego."]
O texto destaca que os blocos de exploração de petróleo se localizam próximos ao Parque Ambiental de Abrolhos, área reconhecida por abrigar a maior biodiversidade do Atlântico Sul, incluindo recifes de coral sensíveis, espécies endêmicas e áreas de reprodução de baleias, tartarugas e diversas espécies marinhas. Por isso, ambientalistas protestam contra a exploração petrolífera, que envolve riscos como derramamentos e alterações na qualidade da água, o que pode provocar danos severos e irreversíveis em um ecossistema extremamente frágil.
B
A soda cáustica pode ser utilizada no desentupimento de encanamentos domésticos e tem, em sua composição, o hidróxido de sódio como principal componente, além de algumas impurezas. A soda normalmente é comercializada na forma sólida, mas apresenta aspecto "derretido" quando exposta ao ar por certo período.
O fenômeno de "derretimento" decorre da
["absorção da umidade presente no ar atmosférico.", "fusão do hidróxido pela troca de calor com o ambiente.", "reação das impurezas do produto com o oxigênio do ar.", "adsorção de gases atmosféricos na superfície do sódio.", "reação do hidróxido de sódio com o gás nitrogênio presente no ar."]
O hidróxido de sódio (NaOH) é um composto higroscópico, ou seja, possui a capacidade de reter vapor d'água da atmosfera. A intensidade de absorção é tão grande que se forma água líquida, a qual dissolve parcialmente o composto, gerando o aspecto derretido mencionado no enunciado.
A
Uma montadora de automóveis divulgou que oferece a seus clientes mais de 1000 configurações diferentes de carros, variando o modelo, a motorização, os opcionais e a cor do veículo. Atualmente, ela disponibiliza 7 modelos de carros com 2 tipos de motores: 1.0 e 1.6. Em relação aos opcionais, existem 3 opções possíveis: central multimídia, rodas de liga e bancos de couro, podendo o cliente optar por incluir um, dois, três ou nenhum dos opcionais disponíveis.
Para ser fiel à divulgação feita, a quantidade mínima de cores que a montadora deverá disponibilizar a seus clientes é
["8.", "9.", "11.", "18.", "24."]
A montadora oferece 7 modelos, 2 tipos de motores e 3 opções de opcionais. O cliente pode optar por incluir um, dois, três ou nenhum dos opcionais disponíveis. Dessa forma, ele tem: $$C_{3,1} + C_{3,2} + C_{3,3} + C_{3,0} = 3 + 3 + 1 + 1 = 8$$ maneiras de fazer essa inclusão. Seja x a quantidade mínima de cores disponíveis. Temos que: $$\frac{7}{modelos} \cdot \frac{2}{motores} \cdot \frac{8}{opcionais} \cdot \frac{x}{cores} > 1000 \Rightarrow 112 \times 1000 \Rightarrow x > 8,9$$ Logo, a quantidade mínima de cores para que a montadora tenha mais de 1.000 configurações diferentes é 9.
B
O eixo de rotação da Terra apresenta uma inclinação em relação ao plano de sua órbita em torno do Sol, interferindo na duração do dia e da noite ao longo do ano. Terra em 21 de dezembro Uma pessoa instala em sua residência uma placa fotovoltaica que transforma energia solar em elétrica. Ela monitora a energia total produzida por essa placa em 4 dias do ano ensolarados e sem nuvens e lança os resultados no gráfico. Energia 10/01 10/04 10/07 10/10 Dia
Próximo a que região se situa a residência onde as placas foram instaladas?
["Trópico de Capricórnio.", "Trópico de Câncer.", "Polo Norte.", "Polo Sul.", "Equador."]
Na data de 10/01, a absorção de energia solar é máxima e isso significa que estamos no verão no hemisfério sul, o que corresponde à região do Trópico de Capricórnio, conforme mostrado na figura e no gráfico apresentados.
A
Fundamos, como afirmam alguns cientistas, o Antropoceno: uma nova era geológica com altíssimo poder de destruição, fruto dos últimos séculos que significaram um transtorno perverso do equilíbrio do sistema Terra. Como enfrentar esta nova situação, nunca ocorrida antes de forma globalizada e profunda? Temos trabalhado, pessoalmente, os paradigmas da sustentabilidade e do cuidado como uma relação amigável e cooperativa com a natureza. Queremos, agora, agregar a ética da responsabilidade coletiva.
A ética da responsabilidade protagonizada pelo filósofo alemão Hans Jonas e reivindicada no texto é expressa pela máxima:
["\"A tua ação possa valer como norma para todos os homens.\"", "\"A norma aceita por todos advenha da ação comunicativa e do discurso.\"", "\"A tua ação possa produzir a máxima felicidade para a maioria das pessoas.\"", "\"O teu agir almeje alcançar determinados fins que possam justificar os meios.\"", "\"O efeito de tuas ações não destrua a possibilidade futura da vida das novas gerações.\""]
Hans Jonas, citado pelo teólogo brasileiro Boff, escreveu 'O Princípio Responsabilidade: ensaio para uma ética da civilização tecnológica', no qual elabora uma preocupação ética com as gerações futuras, princípio incorporado no conceito de sustentabilidade, em que a capacidade de produção e as necessidades de consumo do presente não comprometam o bem-estar das gerações futuras.
E
No calor tórrido e seco da Serra do Cabral, em Minas Gerais, o delgado talo com flores lilases translúcidas desponta da areia branca. Philcoxia minensis recorre a truques para sobreviver. Um deles é manter as folhas enterradas, protegidas do sol, que mesmo assim é suficiente para a fotossíntese. O segundo é atrair vermes subterrâneos, que se tornam suplemento alimentar em um solo pobre. A digestão fica por conta das fosfatases secretadas pelas glândulas.
Qual tipo de substância liberada pelos vermes digeridos é absorvida por Philcoxia minensis?
["Glicose.", "Aminoácidos.", "Sais minerais.", "Fosfolipídeos.", "Ácidos nucleicos."]
A planta carnívora mencionada no texto absorverá sais minerais resultantes da ação digestiva dos vermes, pois o produto das fosfatases será o grupo fosfato, um dos macronutrientes absorvidos por vegetais.
C
Um certo carro esporte é desenhado na Califórnia, financiado por Tóquio, o protótipo criado em Worthing (Inglaterra) e a montagem é feita nos EUA e México, com componentes eletrônicos inventados em Nova Jersey (EUA), fabricados na América do Norte, que ao inscrever em seus produtos 'Made in USA', esquece de mencionar que eles foram produzidos no México, Caribe ou Filipinas. (Renato Ortiz, Mundialização e Cultura) O texto ilustra como em certos países produz-se tanto um carro esporte caro e sofisticado, quanto roupas que nem sequer levantam uma etiqueta identificando o país produtor. De fato, tais roupas costumam ser feitas em fábricas - chamadas 'maquiladoras' - situadas em zonas francas, onde os trabalhadores nem sempre têm direitos trabalhistas nos EUA, e esquece de mencionar.
A produção nessas condições indica um processo de globalização que
["fortalece os Estados Nacionais e diminui as disparidades econômicas entre eles pela aproximação entre um centro rico e uma periferia pobre.", "garante a soberania dos Estados Nacionais por meio da identificação da origem de produção dos bens e mercadorias.", "fortalece igualmente os Estados Nacionais por meio da circulação de bens e captação e do intercâmbio de tecnologia.", "compensa as disparidades econômicas pela socialização de novas tecnologias e pela circulação globalizada da mão de obra.", "realiza as diferenças entre um centro rico e uma periferia pobre, tanto dentro como fora das fronteiras dos Estados Nacionais."]
Com o advento do processo de globalização, uma tendência geral é a descentralização do processo de produção. Os países centrais concentraram a geração de tecnologia, as iniciativas de produção e a fabricação de tecidos de alto valor agregado. Para os países periféricos, destina-se a produção de gêneros de baixo valor agregado. Esses países oferecem mão de obra barata e diversos insumos críticos de produção.
E
Há qualquer coisa de especial **nisso** de botar a cara na janela em crônica de jornal — eu não fazia **isso** há muitos anos, enquanto me escondia em poesia e ficção. Crônica algumas vezes tem a intenção de ser feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos dias, mesmo o escritor mais escolado não está lá grande coisa. Tem os que mostram sua carreira e escrevem com reclamações: moderna demais, antiquada demais. **Alguns** discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar ideias. Há os textos que parecem passar despercebidos; outros rendem um montão de recados: "Você escreveu exatamente o que eu sinto", "Isso é exatamente o que falo com meus pacientes", "É isso que digo para meus pais", "Comentei com minha namorada". Os estímulos são valiosos pra quem nesses tempos andava meio assim: é como me botarem no colo — também eu me preocupo. Na verdade, nunca fui tão recebida no colo por leitores como na janela do jornal. De modo que está sendo ótima essa brincadeira séria, com alguns textos que acompanham este livro, outros espalhados por aí. Porque eu levo a sério ser sério... mesmo quando parece que estou brincando: essa é uma das maravilhas de escrever. Como escrevi há muitos anos e continua sendo a minha verdade: palavras são meu jeito mais secreto de calar.
Os textos fazem uso constante de recursos que permitem a articulação entre suas partes. Quanto à construção do fragmento, o elemento
["\"nisso\" introduz o fragmento \"botar a cara na janela em crônica de jornal\".", "\"assim\" é uma paráfrase de \"é como me botarem no colo\".", "\"isso\" remete a \"escondia em poesia e ficção\".", "\"alguns\" antecipa a informação \"É isso que digo para meus pais\".", "\"essa\" recupera a informação anterior \"janela do jornal\"."]
O pronome demonstrativo **isso**, em **nisso**, refere-se ao trecho imediatamente posterior: "botar a cara na janela em crônica de jornal".
A
Um prédio, com 9 andares e 8 apartamentos de 2 quartos por andar, está com todos os seus apartamentos à venda. Os apartamentos são identificados por números formados por dois algarismos, sendo que a dezena indica o andar onde se encontra o apartamento, e a unidade, um algarismo de 1 a 8, que diferencia os apartamentos de um mesmo andar. Quanto à incidência de sol nos quartos desses apartamentos, constatam-se as seguintes características, em função de seus números de identificação: • naqueles que finalizam em 1 ou 2, ambos os quartos recebem sol apenas na parte da manhã; • naqueles que finalizam em 3, 4, 5 ou 6, apenas um dos quartos recebe sol na parte da manhã; • naqueles que finalizam em 7 ou 8, ambos os quartos recebem sol apenas na parte da tarde. Uma pessoa pretende comprar 2 desses apartamentos em um mesmo andar, mas quer que, em ambos, pelo menos um dos quartos receba sol na parte da manhã.
De quantas maneiras diferentes essa pessoa poderá escolher 2 desses apartamentos para compra nas condições desejadas?
["$9 \\times \\frac{6!}{(6-2)!}$", "$9 \\times \\frac{6!}{(6-2)! \\times 2!}$", "$9 \\times \\frac{4!}{(4-2)! \\times 2!}$", "$9 \\times \\frac{2!}{(2-2)! \\times 2!}$", "$9 \\times \\left( \\frac{8!}{(8-2)! \\times 2!} - 1 \\right)$"]
Para cada andar, o número de maneiras diferentes de escolher 2 apartamentos entre os quais, em pelo menos um dos quartos receba sol na parte da manhã é $C_{6,2} = \frac{6!}{(6-2)! \cdot 2!}$ Como o prédio possui 9 andares, o número de maneiras de escolher 2 desses apartamentos nas condições desejadas será $9 \times \frac{6!}{(6-2)! \cdot 2!}$
B
Belém é cercada por 39 ilhas, e suas populações convivem com ameaças de doenças. O motivo, apontado por especialistas, é a poluição da água do rio, principal fonte de sobrevivência dos ribeirinhos. A diarreia é frequente nas crianças e ocorre como consequência da falta de saneamento básico, já que a população não tem acesso à água de boa qualidade. Como não há água potável, a alternativa é consumir a do rio.
O procedimento adequado para tratar a água dos rios, a fim de atenuar os problemas de saúde causados por microrganismos a essas populações ribeirinhas, é a
["filtração.", "cloração.", "coagulação.", "fluoretação.", "decantação."]
Os problemas de saúde causados por microrganismos podem ser resolvidos pela adição de substâncias bactericidas. Entre as opções, a cloração da água produz íon hipoclorito, que mata os microrganismos por oxidação. $$\text{Cl}_2 + \text{H}_2\text{O} \rightarrow \text{HCl} + \text{HClO}$$ agente bactericida $(\text{HClO} \rightarrow \text{H}^+ + \text{ClO}^-)$ hipoclorito A filtração retém partículas grandes existentes na água. A fluoretação diminui a incidência de cáries dentárias. Por decantação, partículas mais densas se depositam no fundo. A coagulação aproxima partículas dispersas na água.
B
A industrialização, o crescimento populacional e a demanda por mais alimentos, bem como o aumento da frota veicular, entre outros, geram resíduos poluentes classificados como primários ou secundários. Os poluentes primários são aqueles lançados diretamente no ar, e muitos deles reagem com alguns componentes existentes na atmosfera (oxigênio, vapor de água, entre outros), originando os poluentes secundários.
Qual poluente primário, em contato com o ar, origina um poluente secundário altamente corrosivo?
["Metano.", "Clorofluorcarbono.", "Dióxido de enxofre.", "Dióxido de carbono.", "Monóxido de carbono."]
$$\text{SO}_2 \xrightarrow{\text{O}_2} \text{SO}_3 \xrightarrow{\text{H}_2\text{O}} \text{H}_2\text{SO}_4$$ Poluente: Dióxido de enxofre; primário: Dióxido de enxofre.
C
Things We Carry on the Sea We carry tears in our eyes: good-bye father, good-bye [mother] We carry soil in small bags: may home never fade in our [hearts] We carry the carnage of mining, droughts, floods, genocides We carry the dust of our families and neighbors incinerated [in mushroom clouds] We carry our islands sinking under the sea We carry our hands, feet, bones, hearts, and best minds [for a new life] We carry diplomas: medicine, engineering, nursing, [education, math, poetry, even if they mean [nothing to the other shore] We carry railroads, plantations, laundromats, [bodegas, taco trucks, farms, factories, nursing [homes, hospitals, schools, temples... built on [the backs of our ancestors] We carry old homes along the spine, new dreams in our [chests] We carry yesterday, today, and tomorrow We're orphans of the wars forced upon us We're refugees of the sea rising from industrial waste And we carry our mother tongues [...] As we drift... in our rubber boats... from shore... to shore... [to shore...]
Ao retratar a trajetória de refugiados, o poema recorre à imagem de viagem marítima para destacar o(a)
["risco de choques culturais.", "impacto do ensino de história.", "importância da luta ambiental.", "existência de experiências plurais.", "necessidade de capacitação profissional."]
É possível identificar em todo o poema a pluralidade das experiências vividas pelos refugiados, como, por exemplo, no trecho “We’re refugees of the sea rising from industrial waste And we carry our mother tongues [...] As we drift... in our rubber boats... from shore... to shore... [to shore...]
D
# TEXTO I Lá no bairro onde eu moro É tão triste a minha vida Por eu ser um violeiro Muita gente me ofendeu Me chamam de vagabundo Muita tristeza me causou Mas eu sou encorajado Eu rezo para São Mateus Cantando eu não faço mal Porque estou louvando a Deus # TEXTO II A USP tem o primeiro curso de Viola Caipira do mundo. Os alunos que prestaram o vestibular 2005 para o curso de Música na Escola de Comunicações e Artes da USP, em Ribeirão Preto, tiveram mais uma opção: o bacharelado em Viola Caipira. Segundo o professor do curso, Ivan Vilela, existe um interesse cada vez maior pela viola caipira, pois “as pessoas se voltam para suas origens. Hoje encontramos a viola não só na música de raiz, mas também na música erudita, na música pop e até mesmo em bandas de rock.”
A maneira como a viola caipira é abordada nos dois textos revela que esse instrumento cordófono dedilhado
["assume papéis antagônicos na história da música brasileira.", "substitui aqueles de uso tradicional em vários estilos musicais.", "representa a extinta cultura tradicional de gerações passadas.", "depende de pesquisas para não desaparecer como tradição popular.", "subordina-se às manifestações musicais religiosas para continuar a ser tocado."]
No texto I, nota-se a rejeição a quem toca a viola caipira. No texto II, há o oposto, pois além de esse instrumento ser objeto de estudo na universidade, ele está sendo utilizado nos mais diversos gêneros musicais.
A
Em uma escala de 0 a 10, o Brasil está entre 3 e 4 no quesito segurança da informação. "Estamos começando a acordar para o problema. Nessa história de espionagem corporativa, temos muitas lições a aprender. Falta consciência institucional e um longo aprendizado. A sociedade começa a perceber que isso nos afeta", diz S.P., pós-doutor em segurança da informação. Para ele, devem ser estabelecidos canais de denúncia para esse tipo de situação. De acordo com o conselheiro do Comitê Gestor da Internet (CGI), o Brasil tem condições de desenvolver tecnologia própria para garantir a segurança dos dados do país, tanto do governo quanto da população. "Há uma massa de conhecimento dentro das universidades e em empresas inovadoras que podem contribuir propondo medidas para que possamos mudar isso [falta de segurança] no longo prazo". Ele acredita que o governo deve usar o suporte de compra de softwares e hardwares para a área da segurança cibernética, de forma a fomentar essas empresas, a produção de conhecimento na área e a construção de uma cadeia de produção nacional.
Considerando-se o surgimento da espionagem corporativa em decorrência do amplo uso da internet, o texto aponta a necessidade oriunda desse impacto, que se resume em
["alertar a sociedade sobre os riscos de ser espionada.", "promover a indústria de segurança da informação.", "discutir a espionagem em fóruns interinstitucionais.", "incentivar o aparecimento de delatores.", "treinar o país em segurança digital."]
A resposta corresponde ao parecer citado no texto, do conselheiro do Comitê Gestor da Internet.
B
As previsões de que, em poucas décadas, a produção mundial de petróleo poderia vir a partir têm gerado preocupação, dado seu caráter estratégico. Por essa razão, em especial no setor de transportes, intensificou-se a busca por alternativas para a substituição do petróleo por combustíveis renováveis.
Nesse sentido, além da utilização de álcool, vê-se a proposta, no Brasil, ainda que de forma experimental.
["a mistura de percentuais de gasolina cada vez maiores no álcool", "a extração de óleos de madeira para sua conversão em gás natural", "o desenvolvimento de tecnologias para a produção de biodiesel", "a utilização de veículos com motores movidos a gás do carvão mineral", "a substituição da gasolina e do diesel pelo gás natural"]
A busca por novas alternativas para a geração de energia, com a utilização de combustíveis renováveis, leva ao desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente a produção de biodiesel, a partir de óleos vegetais.
C
Em uma sociedade de origens tão nitidamente personalistas como a nossa, é compreensível que os simples vínculos de pessoa a pessoa, independentes e exclusivos de qualquer tendência para a cooperação autêntica entre os indivíduos, tenham sido quase sempre os mais decisivos. As agregações e relações pessoais, embora por vezes capacitadoras, e, de outro lado, as lutas entre facções, entre famílias, entre regionalismos, faziam dela um todo incoerente e amorfo. O peculiar da vida brasileira parece ter sido, por essa época, uma acentuação singularmente enérgica do afetivo, do irracional, do passional e uma estagnação, ou antes a atrofia correspondente, das qualidades ordenadoras, disciplinadoras e racionalizadoras.
Um traço formador da vida pública brasileira expressa-se, segundo a análise do historiador, na
["rigidez das normas jurídicas.", "prevalência dos interesses privados.", "solidez da organização institucional.", "legitimidade das ações burocráticas.", "estabilidade das estruturas políticas."]
O texto utiliza uma interpretação clássica do brasileiro como um "homem cordial" propenso a manter um bom relacionamento com seus semelhantes para explicar as relações entre agentes públicos e privados, no sentido de privilegiar seus interesses próprios em detrimento do bem comum. A origem desse desvio de conduta, recorrente nos dias atuais, pode ser encontrada no secular patrimonialismo português, perpetuado desde os tempos coloniais.
B
A Torre Eiffel, com seus 324 metros de altura e feita com treliças de ferro, pesava 7.300 toneladas quando foi concluída em 1889. Um arquiteto decidiu construir um protótipo dessa torre em escala 1:100, usando os mesmos materiais (cada dimensão linear em escala de 1:100 do monumento real). Considere que a torre real tenha uma massa $M_{torre}$ e exerça sobre a fundação na qual foi erguida uma pressão $P_{torre}$. O modelo construído pelo arquiteto terá uma massa $M_{modelo}$ e exercerá uma pressão $P_{modelo}$.
Como a pressão exercida pela torre se compara à pressão exercida pelo protótipo? Ou seja, qual é a razão entre as pressões ($P_{torre}$)/($P_{modelo}$)?
["$10^{0}$", "$10^{1}$", "$10^{2}$", "$10^{4}$", "$10^{6}$"]
1) De acordo com o texto: $L_{torre} = 100 L_{modelo}$ A razão das áreas será: $A_{torre} = 10^{4} A_{modelo}$ A razão dos volumes será: $V_{torre} = 10^{6} V_{modelo}$ 2) A pressão é dada por: $P = \frac{Peso}{Área} = \frac{densidade \cdot volume \cdot g}{Área}$ Como a densidade é a mesma e o valor de g também é o mesmo, teremos: $\frac{P_{torre}}{P_{modelo}} = \frac{V_{torre}}{V_{modelo}} \cdot \frac{A_{modelo}}{A_{torre}} = 10^{6} \cdot \frac{1}{10^{4}}$ $\frac{P_{torre}}{P_{modelo}} = 10^{2}$
C
O acidente nuclear de Chernobyl revela brutalmente os limites dos poderes técnico-científicos da humanidade e as "marchas-ré" que a "natureza" nos pode reservar. É evidente que uma gestão mais coletiva se impõe para orientar as ciências e as técnicas em direção a finalidades mais humanas.
O texto trata do aparato técnico-científico e suas consequências para a humanidade, propondo que esse desenvolvimento
["defina seus projetos a partir dos interesses coletivos.", "guie-se por interesses econômicos, prescritos pela lógica do mercado.", "priorize a evolução da tecnologia, apropriando-se da natureza.", "promova a separação entre natureza e sociedade tecnológica.", "tenha gestão própria, com o objetivo de melhor apropriação da natureza."]
Acidentes como o de Chernobyl indicam a necessidade de conjugar interesses econômicos, aplicação de técnicas e demandas sociais.
A
A cada bimestre, a diretora de uma escola compra uma quantidade de folhas de papel ofício proporcional ao número de alunos matriculados. No bimestre passado, ela comprou 6000 folhas para serem utilizadas pelos 1.200 alunos matriculados. Neste bimestre, alguns alunos cancelaram suas matrículas e a escola tem, agora, 1.150 alunos. A diretora só pode gastar R$ 220,00 nessa compra e sabe que o fornecedor da escola vende as folhas de papel ofício em embalagens de 100 unidades a R$ 4,00 por embalagem. Assim, será preciso convencer o fornecedor a dar um desconto à escola, de modo que seja possível comprar a quantidade total de papel ofício necessária para o bimestre.
O desconto necessário no preço final da compra, em percentagem, pertence ao intervalo
["(5,0; 5,5)", "(8,0; 8,5)", "(11,5; 12,5)", "(19,5; 20,5)", "(3,5; 4,0)"]
1) n.º folhas alunos matriculados 6000 ← 1200 x ← 1150 x . 1200 = 6000 . 150 ↔ ⇔ 12 . x = 69000 ↔ ⇔ x = \frac{69000}{12} = 5750 Assim, são 5750 folhas para 1150 alunos. 2) O número de pacotes é \frac{5750}{100} = 57,5, precisando então de 58 pacotes. 3) O valor da compra, em reais, é 58 x R$ 4,00 = R$ 232,00 e a direção possui R$ 220,00, precisando-se de um desconto de R$ 12,00. 232 ← 100% 12 ← x ⇔ x = 5,17%
A
# TEXTO I De casa para a escola Saber respeitar limites, esperar, suportar, ter seus desejos frustrados, fazer trocas e planejar é ter educação financeira. E o exemplo vem de casa. Mas as atitudes dos pais somente serão referências para a educação financeira se eles mesmos usarem o dinheiro de forma consciente, fizerem pesquisa e depreciarem à vista, pedirem descontos, tiverem controle de suas finanças, souberem o quanto têm e o quanto podem gastar, investir e poupar. Portanto, boa parte das razões que levam um adulto a se tornar consumista e a se endividar está na educação que recebe quando criança ou na adolescência. # TEXTO II Educação financeira para crianças Ensinar aos filhos o valor das coisas é responsabilidade dos pais, mas, se lidar com dinheiro é complicado para adultos, passar esse conhecimento para crianças é uma tarefa bem mais delicada. De acordo com a especialista em educação financeira infantil Cássia D’Aquino, o momento certo de começar a ensinar a criança a lidar com as finanças é anunciado pela própria criança, na primeira vez em que pede aos pais para lhe darem alguma coisa. Isso costuma acontecer por volta dos dois anos e meio, e, nessa hora, o pequeno mostra que já percebeu o que é dinheiro e que o dinheiro “compra” as coisas que ele pode vir a querer. À medida que os pequenos vão crescendo, os filhos vão convivendo com a forma como seus pais trabalham com o dinheiro. Para Cássia, a melhor base para uma educação financeira eficiente é aquela transmitida por meio de atitudes simples na rotina do relacionamento entre pais e filhos. Assim que a criança manifestar uma noção básica em relação a dinheiro, os pais já podem, de maneira gradual, adotar uma postura educativa.
Sob diferentes perspectivas, os textos I e II abordam o tema educação financeira. No entanto, em ambos os textos, os autores sustentam a opinião de que
["os modelos familiares impostos na infância e na juventude são espelhos para os filhos.", "o sucesso da educação financeira está ligado à forma como a escola trabalha o tema.", "uma das tarefas mais difíceis do processo de educação é estabelecer limites.", "a educação imposta pela sociedade substitui aquela recebida em casa.", "os filhos devem poupar na infância para investirem quando adultos."]
Ambos os textos defendem a ideia de que a educação financeira é tarefa dos pais. Dessa forma, a maneira como esses pais lidam com suas finanças influenciará a relação da criança com o dinheiro.
A
Era o êxodo da seca de 1898. Uma ressurreição de cemitérios antigos — esqueletos redivivos, com o aspecto terroso e o fedor das covas podres. Os fantasmas estropiados como que iam dançando, de tão trôpegos e trêmulos, num passo arrastado de quem leva as pernas, em vez de ser levado por elas. Andavam devagar, olhando para trás, como quem quer voltar. Não tinham pressa em chegar, porque não sabiam aonde. Expulsos de seu paraíso por espadas de fogo, iam, ao acaso, em descaminhos, no arrastão dos maus fados. Fugiam do sol e o sol guiava-os nesse forçado nomadismo. Adelgaçados na magreza cômica, cresciam, como se o vento os levantasse. E os braços afinados desciam-lhes aos joelhos, de mãos abanando. Vinham escoteiros. Menos os hidrópicos — de ascite consecutiva à alimentação tóxica — com os fardos das barrigas alarmantes. Não tinham sexo, nem idade, nem condição nenhuma. Eram os retirantes. Nada mais.
Os recursos composicionais que inserem a obra no chamado “Romance de 30” da literatura brasileira manifestam-se aqui no(a)
["desenho cru da realidade dramática dos retirantes.", "indefinição dos espaços para efeito de generalização.", "análise psicológica da reação dos personagens à seca.", "engajamento político do narrador ante as desigualdades.", "contemplação lírica da paisagem transformada em alegoria."]
O regionalismo, pertencente à Segunda Geração Modernista, denuncia situações trágicas da realidade nordestina, marcada pela miséria, pela migração forçada, pela fome e pelo desespero. Os recursos composicionais do trecho ressaltam isso, como se nota em "Fugiam do sol", "no arrastão dos maus fados", "andaram devagar."
A
Chiquito tinha quase trinta anos quando conheceu Mariana em um baile de casamento na Forquilha, onde moravam alguns parentes dele. Por lá foi ficando, remanchando. Fez mal à moça, como costumavam dizer, tiveram de casar às pressas. Morou algum tempo com o sogro, mas acabaram se desentendendo. Era só questão de colher o milho e vender. Mudou para a casa do velho Chico Lourenço [seu pai]. Fumaça própria ele só viu subir um par de anos depois, quando o pai repartiu as terras. De tão parecidos, pai e filho nunca combinaram direito. Cada um mais topetudo, muitas vezes dona Aparecida ouvia o marido reclamar da natureza forte do filho. Ela escutava com paciência e respondia sempre da mesma forma: — “Quem herda, não rouba”. Vinha um brilho nos olhos, o velho se acalmava.
Os ditados populares são frases de sabedoria criadas pelo povo, utilizadas em várias situações da vida. Nesse texto, a personagem emprega um ditado popular com a intenção de
["criticar a natureza forte do filho.", "justificar o gênio difícil de Chiquito.", "legitimar o direito do filho à herança.", "conter o ânimo violento de Chico Lourenço.", "condenar a agressividade do marido contra o filho."]
O pai, ao reclamar da personalidade do filho, recebe da esposa como resposta o ditado popular “Quem herda, não rouba”: a justificativa para a “natureza forte” do filho é o fato de ele ter herdado do pai tal comportamento.
B
O processo formativo do Estado desenrolou-se segundo a dinâmica de dois movimentos contraditórios e simultâneos: fragmentação e centralização. De um lado, a fragmentação, na medida em que os príncipes europeus tiveram de lutar contra o poder universalista do papa; e, de outro, a centralização, na medida em que os príncipes tiveram que lutar contra o poder político e militar de outros líderes políticos rivais. Desse processo resultaram as características fundamentais do Estado moderno: exército e burocracia civil permanentes, padronização tributária, direito codificado e mercado unificado.
A institucionalização política mencionada teve como uma de suas causas o êxito de alguns princípios em
["monopolizar o uso legítimo da força.", "reforçar a hegemonia social do clero.", "restringir a influência cultural da nobreza.", "respeitar a diversidade das vivências locais.", "contar a autoridade das lideranças carismáticas."]
Na formação dos Estados Nacionais modernos, os reis precisaram impor-se sobre outras forças internas (nobreza guerreira e cidades autônomas), além de enfrentar as pretensões universalistas do chefe da Igreja Católica. Para tanto, foram criados exércitos, inicialmente mercenários e depois forças regulares, para subjugar os nobres feudais refratários ao poder centralizado. No caso dos atritos entre o poder real e o papado, teve destaque a atuação de Felipe IV, da França, conhecido como “o Belo”, que conduziu coercitivamente o sumo pontífice ao território francês, provocando uma situação conhecida como “Cativeiro de Avignon”.
A