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Novo Estado Marcelista (1929-1974)
Marcello Caetano,Marcelismo,Estado Novo,Corporativismo,Estado Social,Ultramar,Poderes,Corporatism,Welfare State,Marcelism
A presente tese de doutoramento tem como objeto de estudo Marcello Caetano (MC) e o Novo Estado marcelista, enquanto reprodução do regime instituído com a Constituição de 1933 distinta do Estado Novo salazarista. Um vasto leque de questões, tais como saber porque pode falhar uma experiência de restauração de “funcionalidade” num sistema até aí “disfuncional”, mas “bem-sucedido”, bem como saber porque é que o agente político central se “arruinou” face a forças, grupos e poderes díspares ou mesmo contraditórios, justificam uma análise historiográfica contextualizada quer por uma interpretação do projeto socio-político-económico marcelista e da relação entre MC, os itinerários do Estado Novo, os problemas fundamentais do seu tempo histórico, os poderes ou grupos de poder e a análise crítica da evolução do contexto internacional, quer por uma abordagem (obrigatória e necessariamente crítica) interior, a partir do próprio MC e do marcelismo, nas suas múltiplas vertentes e vicissitudes. Focamos a nossa análise em três pontos. Primeiramente contextualiza-se o período da juventude, até 1929, quando MC começou a colaborar com o chefe da “Situação”. De seguida, procuramos decompor o pensamento de MC segundo a sua mundividência e não tanto reconstruir uma versão precoce e sistematizada do seu pensamento. Examinamos, com particular detalhe, as suas posições e pontos de vista sobre a construção e evolução do regime, bem em relação ao seu tempo. Procura-se também enquadrar o seu pensamento no contexto internacional, avaliando-se o impacto dos principais acontecimentos na formação política e intelectual de MC até 1939. Uma vez que a experiência do poder, aliada ao acontecimento mais relevante do século XX, constituem um fator de transformação que desaconselha a mobilização apressada de posições de fases temporalmente muito distantes. Em seguida, examina-se detalhadamente a forma como MC se foi posicionando no seio do regime até 1968, convocando-se todas as abordagens, além da política, que a documentação permita. Descodificam-se todos os elementos de conflitualidade entre MC e as individualidades, instituições, grupos ou estruturas de poder permeabilizados pelo regime. Averigua-se em que medida a passagem pela Mocidade Portuguesa (MP) determinou as relações para o futuro. Aprofunda-se a noção de “poder” no pensamento de MC e, sobretudo, como se caracterizou o primeiro contacto com os “poderes” e como se processou a saída de MC das pastas das Colónias (1947) e da Presidência (1958). Decompõe-se também a chamada “travessia do deserto” (1958-68), indagando as suas causas e consequências, com destaque para a complexa questão ultramarina. Aprofunda-se o seu posicionamento em relação à configuração internacional e às principais potências e às problemáticas centrais desse período no mundo ocidental, o futuro do liberalismo e do conceito de liberdade, bem como os processos de instrumentalização destes e doutros conceitos nucleares. Finalmente caracterizam-se, de forma problematizante, detalhada e integrada as passagens de MC pelo Governo, com destaque para o Ministério das Colónias (1944-47) e a Presidência do Conselho (1968-74). Mobiliza-se, para tal, o referencial teórico liberal que marcou esse período e analisa-se a interação de MC com a evolução do sistema político-económico corporativo. Procurando levantar uma leitura alternativa, discutimos a corporativa “organização de todos os interesses” e a sua implicação na construção do “novo estado marcelista”. Avalia-se em que medida a nova praxis acrescentou instabilidade e provocou desequilíbrios no seio do regime, bem como a forma como a preparação das “eleições” de Outubro de 1969 desenhou o futuro de MC e da nova “geração estado social”. Procede-se, de seguida ao estudo aprofundado do Ministério das Colónias: quer o contato direto com a realidade corporativa, os organismos de coordenação económica e o conhecimento profundo da realidade africana, quer a origem dos “confrontos” decisivos de MC e da sua visão sobre o país com os “poderes” estruturantes. Avalia-se a ligação entre esses “confrontos” e as principais medidas do governo de MC nos diversos campos de ação, em particular a revisão constitucional de 1971. Por fim, conclui-se com um inquérito e avaliação às propostas de MC no quadro complexo das crises, lutas, dificuldades, reflexões e contradições que marcaram o espaço ocidental naquele período.
Humanidades
3,829
As Relações Diplomáticas entre Portugal e Marrocos. Do Tratado de Paz (1774) ao Protectorado (1912)
Relações luso-marroquinas -- séc. 18-20,Relações diplomáticas -- Portugal-Marrocos -- séc. 18-20
Este trabalho partiu de uma questão: como interpretar o Tratado luso-marroquino assinado em 1774. As interpretações variaram historicamente: teria marcado algo de novo nas relações entre os dois países, isto é, se -tal como a tese historiográfica colonial quis demonstrar- as relações entre o norte e o sul do Mediterrâneo apenas se teriam pautado pela luta mortal entre dois blocos civilizacionais geneticamente inconciliáveis; teria resultado apenas de um simples pragmatismo e constituiria uma estranha inovação; teria significado a partir do século XVIII um novo clima de relações transnacionais numa dimensão planetária. A nossa tese é outra, as relações luso-marroquinas e por extensão euro-marroquinas não eram uma simples inovação, muito menos se definem por mero pragmatismo, isto é, circunstancial. É indubitavelmente uma renovação dum secularismo que encontra suas raízes numa herança mediterrânica e num processo histórico linear no seu aspecto quer de confronto quer de contacto. E é também uma relação com uma componente fortemente estratégica. Portugal e Marrocos, dois países da finis terrae, com uma história binacional, encarnam um aspecto belo e épico desse contacto entre o Norte e o Sul do Mediterrâneo. Durante este período cronológico de cento e quarenta anos, que vai desde a assinatura do Tratado de paz e de comércio (1774) até à instalação do protectorado francês (1912), as relações diplomáticas luso marroquinas foram pautadas por uma linha continua que oscilou entre momentos altos e/ou relativa e forçada estagnação, e na qual as conjunturas adversas vieram ainda fortalecer e consolidar. As características variavam em diplomacia humanitária, económica, solidaria, cordial e por vezes de incidentes sem chegar e/ou regressar ao conflito. Em todos estes aspectos, recorria-se ao argumento de secular aliança e antiga amizade para superar e aprofundar as relações bilaterais. Se por norma imediata algumas análises tendem a perspetivar as relações bilaterais pelo lado material e estatístico (decerto fundamental) há e haverá o outro lado nas relações internacionais que é de natureza histórica, sociocultural, e geoestratégico. Nesse sentido as relações lusomarroquinas congregam este lado quase transcendental que existe nas relações diplomáticas em sentido lato entre estados e nações. Mais do que nunca, a diplomacia e as relações diplomáticas na sua dimensão ampla, isto é, multissectorial, e sobretudo uma diplomacia que apela a um humanismo diplomático prático é incrivelmente se não mesmo messianicamente desejada no momento em que estruturas e valores que até há pouco eram vistas como universais e eternas, se estejam a desmoronar e com elas, todas as aquisições dos últimos cinquenta anos.
Humanidades
3,831
Política externa angolana em tempo de guerra e paz: colonialismo e pós-colonialismo
Angola,diplomacia,FNLA,MPLA,política externa,UNITA,relações internacionais,diplomacy,foreign policy,international relations
O presente estudo trata da ação política dos movimentos armados de libertação de Angola – nomeadamente a FNLA, o MPLA e a UNITA, que disputaram o poder durante o atribulado processo de transição política naquele país africano, iniciado em 1974 –, assim como da política externa do Estado angolano liderado pelo MPLA, que criara, na década de 60, o Departamento de Relações Exteriores para busca de apoio e reforço da ação diplomática contra a política colonial do Estado Novo português, numa fase em que a FNLA era reconhecida por vários países do continente africano. Outro tema deste estudo é o empenho político dos movimentos de libertação, através das suas delegações e colaboradores no exterior, no sentido de obterem apoios e serem reconhecidos internacionalmente como os representantes legítimos das populações angolanas. Será ainda objeto de estudo a política externa do Estado de Angola e a normalização das relações com vários países, o reforço da cooperação, a luta contra o regime do apartheid e o fim dos vestígios do colonialismo em África. Após a queda do Muro de Berlim, em 1989, os partidos políticos de Angola participaram nas primeiras eleições gerais, supervisionadas pelas Nações Unidas, em 1992. A mudança ideológica do Estado de Angola, em vigor desde 1975, foi inevitável, tendo permitido o reconhecimento oficial do Estado angolano pelos EUA e a constituição da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Terminada a guerra civil, em 2002, o Estado angolano privilegiou as relações com a China, enquanto mantinha as ligações tradicionais com vários países como o Brasil, Cuba, ex-União Soviética e outros Estados, como nos dá conta este estudo.
Humanidades
3,833
Política, Escravatura e Feitiçaria em Angola (séculos XVIII e XIX)
escravatura,feitiço,fétiche,história de Angola,antropologia histórica,slavery,fetish,history of Angola,historical anthropology
A presente tese pretende ilustrar a forma como varia, desde meados do século XVIII até finais do século XIX, a atitude política perante a crença na feitiçaria, tanto por parte dos agentes coloniais portugueses, como das inúmeras elites locais envolvidas nos sucessivos projetos de ocupação e exploração económica do território angolano, descortinando nessa diversidade um traço perene: a existência de uma correlação estreita entre estas atitudes e a posição dos seus autores face ao tráfico negreiro. Tendo este desígnio em mente, a abordagem utilizada triangula-se entre a História Cultural, a Antropologia Histórica e a Antropologia Simétrica. Desta escolha de ferramentas heurísticas resulta uma dissertação cujos capítulos contam não só com a História do Direito e da Administração Colonial enquanto fio de Ariadne, mas se centram igualmente em análises de temáticas situadas no domínio da História da Cultura e Sociedade, da História da Ciência e mesmo no da Análise Literária, História da Arte, Sociologia e Antropologia. Assim se espera demonstrar, para além de que o tráfico negreiro e a escravidão proporcionam um fundo constante às evoluções estudadas, que uma crescente naturalização e racialização dos argumentos a favor do trabalho forçado dos africanos negros, em conjunção com um esquecimento seletivo de certos aspetos da história e das culturas advindas do contacto entre os agentes coloniais portugueses e os africanos negros, numa progressiva e ineludível subalternização tanto dos últimos como dos primeiros.
Humanidades
3,834
O Duque de Loulé - Crónica de um Percurso Político
Duque de Loulé,Presidente do Conselho de Ministros,Grão-Mestre da Maçonaria,Monarquia Constitucional,Liberalismo,Regeneração,Duke of Loulé,Prime Minister,Grand Master of the Freemasonry,Constitutional Monarchy,Liberal Period,Regeneração
A investigação que deu corpo a esta dissertação teve por objectivo estudar o percurso político do 1.º Duque de Loulé, uma das personagens cimeiras do Estado Português da segunda metade do séc. XIX, em especial na sua vertente de Homem Público, com particular incidência na época da Regeneração, nomeadamente no período em que esteve à frente da Presidência do Conselho de Ministros (1856-1870). Partindo da sua biografia, desenvolvemos os seus antecedentes, tanto pessoais, como políticos, com vista ao seu enquadramento na história e mentalidade do seu tempo, abordando as circunstâncias histórico-familiares subjacentes à sua formação, tanto no que se refere à Casa onde nasceu, como na análise posterior do seu percurso sociofamiliar. Neste contexto, destaca-se o casamento que fez com a Infanta D. Ana de Jesus Maria (filha do Rei D. João VI), tornando-se assim cunhado de D. Pedro IV, e tio da Rainha D. Maria II e de seus filhos os Reis D. Pedro V e D. Luís I. Seguiu o partido liberal, defendendo a legitimidade da Rainha, acompanhando D. Pedro IV durante toda a Guerra Civil (1832-1834), combatendo ao seu lado nas Campanhas da Liberdade e no cerco do Porto, sendo por ele nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Marinha (1833). Restaurada a legitimidade dinástica e a Carta Constitucional, retomou o seu lugar como membro da Câmara dos Pares do Reino, onde com denodo se bateria pelos princípios constitucionais em que verdadeiramente acreditava, seguindo com moderação a facção radical do liberalismo monárquico. Esta singularidade o impeliria a seguir e propugnar pelo caminho do progressismo liberal, tendo sido então nomeado como Ministro da Marinha (1835) e dos Negócios Estrangeiros (1835-1836), aderindo depois ao Setembrismo, sendo eleito deputado às Cortes Constituintes (1837-1838) e Senador (1840), e posteriormente unido à Junta do Porto, continuando a exercer o lugar de Governador Civil de Coimbra (1846-1847). Após assinar a Convenção de Gramido (1847), retomaria o seu lugar na Câmara Alta, fazendo parte do partido Nacional na oposição ao Governo, mantendo-se nessa situação até à vitória do movimento da Regeneração, levantado por Saldanha (1851). Depois de uma breve passagem pelo Governo, do qual se afastaria agastado, seria eleito como Grão-Mestre da Confederação Maçónica Portuguesa (1852), acumulando entretanto com o lugar de Provedor da Casa Pia de Lisboa (1853-1856). Em 1856, seria nomeado por D. Pedro V como Presidente do Conselho de Ministros, dando assim, início a um novo ciclo na vida política nacional, assumindo a chefia do Partido Histórico, e mantendo-se na condução dos destinos da Governação de Portugal, por cerca de nove anos, nomeadamente entre 1856-1859, 1860-1865 e 1869-1870. Seguidor dos princípios programáticos do movimento da Regeneração que ajudou a estabelecer, ou seja, o progresso material e civilizacional do País, Loulé desenvolveria uma intensa actividade governativa, conseguindo ao longo dos seus mandatos, implantar diversas medidas que lançariam as bases de um Estado Moderno. As reformas efectuadas pelos diversos governos liderados por Loulé, possibilitariam dotar o país de modernas vias de comunicação, fossem viárias, ou ferroviárias. Além do notório incremento das Obras Públicas, assistimos ainda ao desenvolvimento dos estudos estatísticos, tendo Loulé mandado realizar o 1.º recenseamento geral da população (31 de Dezembro de 1863). No campo do Ensino e Instrução, seriam dados passos importantes tanto para o aumento de estabelecimentos de ensino primário, promovendo as escolas normais femininas, o ensino industrial e agrícola, sem esquecer o aprimoramento do Ensino Superior, nomeadamente na Universidade de Coimbra e na Escola Politécnica de Lisboa. No campo político-diplomático Loulé passaria por muitas situações difíceis, tanto no plano externo, como interno, nomeadamente com a questão da barca Charles et Georges, que oporia Portugal à França de Napoleão III, e a questão da Irmãs de Caridade, acicatada pelo confronto ideológico entre liberais e ultramontanos. Apesar das grandes contrariedades com que teve de lidar a respeito destas questões, Loulé conseguirá limitar os danos que poderiam advir do ultimato francês, tendo solucionado definitivamente a bem do Estado e do Rei, a melindrosa questão religiosa. A sua personalidade moderada, tendente a conciliar plataformas de entendimento supra-partidárias, levou a que ele fosse o maior responsável pelo aparecimento do Governo da Fusão, juntando históricos moderados com regeneradores, por forma a garantirem uma maioria confortável no Parlamento, indispensável para aprovação de diversas reformas legislativas, com vista aos melhoramentos materiais e morais dos povos, e a solucionar a questão das finanças públicas. O último período governativo de Loulé parecia promissor, tendo aglutinado ao seu redor grandes nomes do seu partido, mas inesperadamente seria confrontado com o golpe de estado designado da Saldanhada (1870), que fez o País mergulhar numa ditadura. Nos últimos anos de vida ainda seria elevado ao cargo vitalício de Presidente da Câmara dos Pares do Reino (1870-1872), do qual pediria a demissão devido a arreigados princípios de coerência ideológica, convictamente liberais. Em 1875, aquando das suas exéquias, António Cândido sintetizaria o excepcional contributo de Loulé para a consolidação do regime monárquico constitucional – “durante a sua vida pública dependeu em grande parte do seu nome e da sua pessoa o justo equilibrio das tradições do passado com as aspirações do futuro”.
Humanidades
3,835
A Psiquiatria em Portugal: protagonistas e história conceptual (1884 -1924)
História da psiquiatria em Portugal,história conceptual
O objectivo desta tese é o estudo da psiquiatria portuguesa no período da sua institucionalização, que entendi balizar entre 1884 e 1924, datas em que se publicaram obras que marcaram a evolução científica de uma disciplina que se constituíu lentamente entre nós. Começo por mostrar que na historiografia se diferenciam várias abordagens, desde as mais tradicionais valorizando os progressos médicos e humanitários, até às mais críticas que procuram desenvolver uma história social e institucional, apoiando-se nas ciências sociais e estudando principalmente o alienismo e a história das instituições psiquiátricas. O trabalho é muito influenciado pela obra de German Berrios, que desde a década de oitenta tem levado a cabo uma história conceptual, que visa completar as abordagens externalistas, e que partiu da releitura dos clássicos da psicopatologia dos séculos XIX e XX, mostrando a evolução dos conceitos e construindo uma história cultural da psicopatologia. Estuda também o processo de formação dos sintomas, que surgem de interacções complexas entre os sinais cerebrais e a informação semântica. Uma síntese do contexto científico-médico internacional mostra as descobertas e progressos da medicina, onde além da biologia se inicia no fim do século o estudo das formulações psicogenéticas e os apaixonados debates a que deram lugar. No contexto nacional, procuram-se resumir os processos de desenvolvimento e as principais características, destacando-se o papel dos protagonistas, as formas do ensino, os livros e as publicações periódicas, importantes na difusão e divulgação científica. Analisou-se a legislação que foi sendo publicada, os estabelecimentos hospitalares e sua história, com regulamentos, trabalhos publicados reflectindo as práticas, planos de reforma, com destaque para a reforma de 1911, e o início do ensino oficial da psiquiatria. A despeito destes avanços verificou-se que a legislação foi escassamente aplicada e os novos estabelecimentos, manicómios e colónias agrícolas, não foram construídos. Os protagonistas, suas ideias e trabalhos publicados, constituem um dos principais capítulos desta tese, mostrando-se a diversidade de interesses e as divergências por vezes marcadas entre eles, independentemente do seu tempo histórico, atravessado por conflitos e crises sociais e políticas, mas de grande riqueza no plano das ideias. Se na primeira fase são dominantes Miguel Bombarda e Júlio de Matos, arautos de correntes científicas e filosóficas oitocentistas, na segunda fase do período em análise, com Egas Moniz e Sobral Cid em primeiro lugar, renovam-se as ideias e as relações entre neurologia e psiquiatria, divulga-se uma atitude mais psicológica e psicoterapêutica, com novas classificações e autores. A abordagem dos sintomas e doenças constitui outro grande capítulo em que se cruzam por vezes ideias diferentes consoante os autores e em que as mudanças conceptuais vão ocorrendo, balizadas por descobertas e reflexo de influências da literatura estrangeira, mas onde surgem trabalhos portugueses importantes, que são citados em livros e revistas, principalmente em França. Verificou-se com detalhe como das doenças analisadas resultou uma pluralidade evolutiva, falando-se por isso de doenças, síndromes, sintomas e patologizações, justificando uma perspectiva construcionista, no sentido de Berrios, com decomposição, fragmentação, recomposição ou manutenção de termos com alterações do conteúdo. Enumeram-se também alguns trabalhos no domínio psicopatológico e psiquiátrico, com significado renovador, vindos do movimento psicodinâmico e da psicologia, mas também da filosofia e que influenciaram ideologicamente as ideias sobre as doenças mentais, independentemente do grau de importância posterior, maior ou menor, mas que alargaram a compreensão do facto psicopatológico. Nas terapêuticas, procuram-se incluir as institucionais, destacando a importância central do asilo, cuja implementação sofreu grandes atrasos e limitações, depois no período final as tentativas frustradas de construir dispensários e colónias agrícolas. O tratamento moral, vindo da primeira metade do século XIX, mas por vezes utilizado posteriormente, é objecto de análise, tal como a hidroterapia, um tratamento de eleição como se constata nos livros de António Sena e Júlio de Matos. As terapêuticas farmacológicas são depois estudadas, recorrendo a livros, formulários, estrangeiros e nacionais, traduzindo a evolução dos conhecimentos e práticas, e suas principais utilizações, com predomínio dos hipnóticos e sedativos. Quanto à psicoterapia está presente no final do período em estudo, em referências principalmente de autores franceses, com as terapias de sugestão e de persuasão. Conclui-se que a Psiquiatria se constituíu como especialidade médica em 1911, com o ensino oficial consagrando uma campanha que se iniciara na década de 1880. Inicialmente muito ligada à fisiologia, e à anatomopatologia, vai lentamente sendo enriquecida com atitude mais compreensiva que reconhece a importância duma abordagem psicológica e depois do movimento psicodinâmico, já se vislumbrando no final do período a atenção a formas mais diversificadas de acolhimento institucional e tratamento, com alargamento pluridisciplinar e uma visão biológica mais integradora.
Humanidades
3,836
A Inquisição de Lisboa. No epicentro da dinâmica inquisitorial (1537-1579)
Inquisição,Igreja
A Inquisição de Lisboa é, entre os vários tribunais inquisitoriais portugueses, o único que não conheceu um estudo monográfico com larga amplitude de conteúdos analisada segundo uma metodologia rigorosa. Abundam, no entanto, os estudos parciais sobre este, geralmente focados no objeto da sua repressão. Esta lacuna contribui para a indefinição das dinâmicas intrínsecas à macroestrutura inquisitorial ou mesmo daquelas que animavam o campo jurisdicional em que o tribunal operava. Este estudo visa, por isso, reconstruir o processo de estabelecimento, organização interna e atividade da Inquisição de Lisboa no período que decorre desde o seu estabelecimento, em 1537, e o ano derradeiro do governo do cardeal D. Henrique enquanto Inquisidor-geral, em 1579, análise que acompanha, em termos geográficos, a evolução do distrito do tribunal assim como a influência e ação deste sobre regiões que estariam ou viriam a estar sob a alçada de outros tribunais. É dada primazia à análise das relações institucionais e pessoais travadas entre este tribunal e outros poderes concorrentes na sua área jurisdicional, com o objetivo de esclarecer os rumos seguidos pela Inquisição durante esta fase de afirmação no panorama político, religioso e social de Portugal do século XVI. Estes rumos refletem-se na formação do seu quadro humano, no investimento em infraestruturas, no exercício da sua tesouraria ou do seu auditório. A investigação recorre a uma visão pluriarticulada, aproveitando os instrumentos da história institucional e dos poderes, da história das ideias e das mentalidades, e da própria história socioeconómica, sendo especialmente valorizados os instrumentos da micro-história aplicados a estudos prosopográficos e à reconstituição de comunidades históricas, permitindo, com esta abordagem, o cruzamento de vários enquadramentos que a complexidade do objeto de estudo bem reclama, criando, finalmente, uma imagem que se quer o mais abrangente possível e compaginada com os caminhos mais recentes e inovadores no âmbito da história da Inquisição. Recorre-se, sobretudo, aos fundos documentais da Inquisição portuguesa disponíveis no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, elegendo como principal fonte os 2.715 processos que o tribunal de Lisboa julgou durante o período em análise, levantamento exaustivo que distingue o presente trabalho.
Humanidades
3,837
Zelar pela fé. Inquisição e episcopado na diocese de Cabo Verde (1646-1821)
Inquisição,Episcopado
Em Cabo Verde é conhecida a presença da Inquisição pelo menos desde a década de 40 do século XVI. Ali desenvolveu uma atividade diversificada, dirigida inicialmente (até meados de Seiscentos) contra os cristãos-novos de origem portuguesa, acusados de judaísmo. Este estudo procura reconstituir a atuação do Santo Ofício numa época posterior, a saber, desde 1646 a 1821, quando, sem negligenciar o problema central – o combate contra os cristãos-novos –, tendeu a perseguir mais ativamente outros delitos, sobretudo a bruxaria e/ou feitiçaria e bigamia, e a estar mais atenta aos cristãos da terra. No que se refere ao espaço de atuação, a Inquisição concentrou-se particularmente no arquipélago de Cabo Verde, em duas fases distintas. Na primeira, entre os séculos XVII e meados do século XVIII, incidiu de forma mais intensa e regular na parte Sul, sobretudo nas ilhas de Santiago e Fogo. Na segunda, a partir de meados de Setecentos, dirigiu-se mais para as ilhas do Norte. Ao mesmo tempo, embora de forma menos frequente e profunda, atuava no território da Guiné, região mais afastada do centro diocesano, onde dificuldades de comunicação criavam grandes obstáculos. Para levar a cabo a sua ação, o Santo Ofício, ao contrário do que sucedeu noutros espaços do império, não criou nem um tribunal, nem uma rede ampla de familiares e comissários, pelo que privilegiou uma tácita aliança com diversos agentes locais, tanto eclesiásticos, como seculares, como os bispos, cabido, franciscanos, governadores e membros do poder militar e municipal. Todavia, estes níveis de colaboração não foram sempre os mesmos, uma vez que a Inquisição optava por vezes por colaborar mais com uns do que com outros, dependendo dos locais, das épocas e dos indivíduos. Nesse contexto, destaca-se a cooperação com o episcopado, que assumiu particular importância para o Tribunal da Fé ao longo do tempo, apesar da excecional e cronologicamente circunscrita quebra de relação verificada na segunda metade do século XVIII. Assim, pela relevância dos bispos neste campo, procurou-se analisar a atividade inquisitorial e o desempenho do episcopado no governo da diocese, dado que as dinâmicas do episcopado tinham uma dimensão de disciplinamento e confessionalização que era de grande valia também para o Santo Ofício.
Humanidades
3,838
História da Psiquiatria Forense em Portugal (1884-1926): a consistente originalidade de Júlio de Matos
psiquiatria forense,alienação mental,inimputabilidade criminal,Júlio de Matos,Portugal,século XIX,século XX
A presente tese visa analisar a Psiquiatria Forense em Portugal na transição do século XIX para o século XX, mais especificamente entre 1884 e 1926, procurando avaliar a receção das ciências psiquiátricas forenses estrangeiras no nosso país; defender a singularidade do caso português, através do protagonismo assumido especialmente por Júlio de Matos; estudar, no período cronológico considerado, a casuística de inimputabilidade criminal por razões de anomalia psíquica em algumas das obras do autor supracitado, bem como nos Arquivos da Universidade de Coimbra, das Delegações do Centro e Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal e da Torre do Tombo. O trabalho efetuado compreende duas partes. Na primeira, procedemos à contextualização da História internacional da Psiquiatria Forense, sobretudo no que se refere à Europa, apurando depois a receção da mesma em Portugal, principalmente através da originalidade de Júlio de Matos. Aprofundámos ainda a questão da legislação e regulamentos de assistência psiquiátrica, promulgados entre finais do século XIX e inícios do século XX no nosso país, que decretavam as medidas a tomar quanto ao destino dos alienados criminosos. Nesse âmbito, procurámos perceber a dimensão utópica de tal legislação, que, apesar das mudanças trazidas pela instauração da República, continuava a apresentar uma grande incongruência entre o teor escrito e a efetividade praticada. Na segunda parte, estudámos, na generalidade, os casos de inimputabilidade criminal em virtude de alienação mental, examinados pelo Conselho Médico-Legal da circunscrição de Coimbra, entre 1900 e 1926, os quais pesquisámos nos Arquivos da Universidade de Coimbra e da Delegação do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal. De entre eles, selecionámos cinco para trabalhar em profundidade, preservando, contudo, a identidade de tais indivíduos, através do uso das letras iniciais do seu nome. Para além disso, focalizámos igualmente a investigação sobre três casos relevantes e mediáticos na cronologia considerada: Rodrigo de Barros Teixeira dos Reis, assassino de Sousa Refoios, em 1905 (este caso foi complementado com o processo que encontrámos no Arquivo da Delegação do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal), o Tenente Aparício Rebelo dos Santos, homicida de Miguel Bombarda, em 1910 (caso complementado com o processo que consta no Arquivo da Delegação do Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal e com informação recolhida no Arquivo da Torre do Tombo); José Júlio da Costa, autor do crime sobre Sidónio Pais em 1918 (caso complementado com informação encontrada no Arquivo da Torre do Tombo).
Humanidades
3,839
"Arte de falar e Arte de Estar Calado": Augusto de Castro - Jornalismo e Diplomacia
História,História Contemporânea
A presente dissertação pretende ser um contributo para o conhecimento da vida e obra de Augusto de Castro, figura incontornável da vida diplomática, política e cultural do século XX português, que acompanhou de perto, praticamente, todas as grandes mudanças vividas pelo país. Assim, o estudo que aqui se propõe procura percorrer e reconstruir, numa fase inicial, os primeiros anos de vida deste periodista. Desde os ensinos primário e liceal, concluídos na cidade do Porto, até à formação superior na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Para, posteriormente, se deter na leitura dos primeiros jornais que dirigiu, A Província e a Folha da Noite, ensaiando uma análise dos seus artigos e uma interpretação da sua actuação. Tenta ainda definir o seu trabalho enquanto parlamentar e compreender a sua transição para a República, destacando a sua passagem pela Caixa Geral de Depósitos e Instituições de Previdência e pela Escola de Arte de Representar. Atenta, de igual modo, nas suas peças teatrais e nos seus primeiros livros de crónicas, observando as principais temáticas e influências. Detém-se, em seguida, na sua primeira direcção do Diário de Notícias, tentando aferir do seu envolvimento na organização dos primeiros Congressos da Imprensa Latina, em Lyon e Lisboa, respectivamente, e na constituição da Association de la Presse Latine. Para se debruçar, posteriormente, sobre a sua carreira diplomática, nomeadamente, as nomeações para as legações de Portugal em Londres (1924), Vaticano (1924), Bruxelas (1929), Roma (1931), e, de novo, Bruxelas (1935). Nesse sentido, procura dar conta do trabalho efectuado à frente dessas missões, da agenda diplomática, da participação e gestão de dossiers tão importantes e controversos como, a título de exemplo, o dos acordos de 1928. Busca, por último, de modo bastante sucinto, compreender a sua segunda e terceira passagens pelo Diário de Notícias, intentando estabelecer as linhas editoriais privilegiadas e aferir a ligação do jornal ao regime de Salazar. Detendo-se, de igual modo, nas suas diligências, enquanto comissário-geral da Exposição do Mundo Português e na sua estada em Paris, no pós-guerra, no exacto momento do (re)estabelecimento das relações diplomáticas com o governo francês de Charles De Gaulle.
Humanidades
3,841
Propostas de roteiros turísticos no território de Fátima
Animação turística,Património,Preservação,Roteiros turísticos,Território de Fátima,Turismo cultural
O presente trabalho de projeto propõe-se tratar o património e a animação turística. Partindo do princípio que a animação turística tem um papel fulcral na divulgação do património promovendo a sua preservação, é elaborado no presente trabalho um estudo de caso sobre o território de Fátima, apresentandose posteriormente propostas de roteiros turísticos para este território, com o objetivo de dinamizar e preservar o património, bem como aumentar e diversificar a oferta turística no território de Fátima. No decorrer do trabalho de projeto é realizada uma contextualização teórica da relevância do património para a animação turística, em geral, e para a realização de roteiros turísticos, em particular. No seguimento disto, é efetuada uma análise da oferta de animação turística neste território, bem como uma caracterização de lugares que detêm bens com valor patrimonial relevante. O trabalho assenta na criação de quatro roteiros turístico-culturais e de um roteiro de turismo de natureza: Roteiro dos Castelos do Rio Tejo; Roteiro Monumental de Coimbra e Condeixa-a-Nova; Roteiro Gótico de Batalha e Alcobaça; Roteiro Industrial do Vidro da Marinha Grande e da Cerâmica das Caldas da Rainha e o Roteiro de Turismo de Natureza da Serra de Aire e Candeeiros, sendo apresentada uma ficha técnica para cada um.
Humanidades
3,843
O Museu Municipal de Coimbra: Contributos para o Programa do Núcleo Museológico do Carro Elétrico
Tração Elétrica; Coimbra; História; História Urbana;Museu Municipal de Coimbra,Electric traction; Coimbra; History; Urban History, Municipal Museum of Coimbra
O presente trabalho corresponde ao relatório de estágio do Mestrado em Política Cultural Autárquica. Integra-se na preservação do património cultural da cidade de Coimbra e visa contribuir para o conhecimento da sua memória e identidade. Propõe-se fazer uma análise aos cerca de 100 anos da história da tração elétrica em Coimbra, tendo sido estudado o período de 1914 a 1930, priviligiando a sua relação com o crescimento do espaço urbano. Tem como principal objetivo contribuir para o enriquecimento dos conteúdos do futuro Núcleo do Carro Elétrico do Museu Municipal de Coimbra.
Humanidades
3,844
Mário Soares e a Europa : pensamento e acção
História de Portugal,União Europeia,Soares, Mário, 1924-,Integração europeia,Europa
É conhecido por todos os portugueses que Mário Soares foi o rosto político que levou Portugal à integração europeia, com a adesão à CEE, em 1985. Um marco da história de Portugal, que ficou gravado na memória de todos quantos assistiram à assinatura do Tratado de Adesão, no Mosteiro dos Jerónimos, talvez o monumento mais simbólico da cultura nacional, evocativo da epopeia dos Descobrimentos, situado na beira de Portugal, como que a dar as boas-vindas ao mar. Por isso, o encontro da assinatura do Tratado de Adesão à CEE com este local, esculpido pela odisseia marítima portuguesa, leva-nos a questionar se não terá sido um contra-senso a escolha de tal sítio para consumar a viragem de país para a Europa. Ao consolidar a sua vertente continental na política externa, não estaria Portugal a cortar com um passado atlântico? Imediatamente, esta questão leva-nos a outra: o que significa a Europa para Soares e que lugar deve ela ocupar na política externa portuguesa? São estas interrogações que nos impulsionam, ao longo das próximas páginas, a mergulhar no fundamento da ideia de Soares para a integração europeia de Portugal e no seu pensamento sobre a Europa. Ao entendermos as motivações ideológicas e políticas do socialista português para lançar a proposta e consumar a adesão de Portugal à CEE, iremos perceber se aquele dia 12 de Junho de 1985 terá representando a negação do simbolismo dos Jerónimos, isto é, uma ruptura com a identidade histórica e cultural nacional ou, pelo contrário, a sua continuidade da forma menos óbvia. Para chegarmos a tais respostas, não basta cingir-nos aos anos da vida de Soares que circundaram a época da adesão. É necessário recuar aos tempos da sua juventude activista e atravessar com ele a oposição ditatorial, acompanhar a sua formação ideológica, para entrar na génese do seu pensamento, de modo a descortinar as suas motivações políticas. Com base nisto, iremos também tentar desmontar o alicerce ideológico da sua oposição ao Estado Novo, tentando perceber se o seu antagonismo político a Salazar se articula, de alguma forma, com o rumo europeu que imprimiu a Portugal após o 25 de Abril. Como intuito final, neste trabalho, além da dissecação da sua acção política, pretendemos aprofundar o seu pensamento ideológico sobre Portugal e a Europa. A base científica deste trabalho assenta na análise de documentos institucionais e, maioritariamente, de discursos e textos escritos do próprio Mário Soares, assim como de outros políticos que com ele se cruzaram. Para cumprir o propósito desta dissertação, delineámos um limite temporal vasto para a análise documental, que vai desde a iniciação política de Soares no PCP, finais da década de 30, até à actualidade. Ressalve-se, porém, que a análise da sua acção política apenas se faz de forma exaustiva até às eleições de 1976, e em moldes mais sucinta até 1985, ano da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal às Comunidades Europeias. Porém, sendo uma das componentes importantes deste trabalho a caracterização ideológica do pensamento soarista, de modo a tentar perceber o fundamento da sua ideia de integração europeia, entendemos necessário continuar a avaliar o seu discurso posterior ao marco político da integração, dado que, após deixar os cargos executivos, nomeadamente na Presidência da República e depois de retirado da vida política activa, se sente mais liberto de uma estratégia política para ser fiel ao seu genuíno pensamento. Ora, estudar as suas palavras mais recentes, permite-nos fazer paralelismos históricos, de modo a melhor perceber as entrelinhas do seu discurso mais antigo e as intenções por detrás da sua estratégia política de oposição ao Estado Novo. Com estes critérios de análise, pretendemos responder às interrogações que inicialmente estabelecemos, retirar conclusões sobre o papel de Mário Soares na evolução da história de Portugal, nomeadamente sobre a sua influência para o país que temos hoje. Trataremos tais conclusões de forma historicamente integrada - tentando perceber paralelismos e antagonismos de opções políticas ao longo da história nacional - mas também de um modo prospectivo, que encontre na explicação do passado, a base da opção política de um rumo futuro para o país. Ao fazermos este cruzamento entre passado, presente e futuro, poderemos, finalmente, concluir se Soares conseguiu inscrever nas linhas arquitectónicas do Mosteiro dos Jerónimos o encontro da odisseia marítima portuguesa com a epopeia da Velha Europa. E se, nesse caso, o monumento mais emblemático dos lusitanos poderá ser, simultaneamente, a melhor porta europeia para o Atlântico.
Humanidades
3,848
O Trabalho Feminino em Contexto Urbano. O caso de Coimbra - Os finais do século XIX e a atualidade
Trabalho Feminino,Didática,Relatório de estágio,Estágio,Mulheres,Educação
O relatório de estágio tem como objetivo descrever as diferentes atividades desenvolvidas durante a prática pedagógica supervisionada e nos seminários de História e Geografia. O capítulo I diz respeito à realização do estágio pedagógico no colégio Bissaya Barreto, apresentando uma caracterização da escola, das turmas afetas, bem como das diferentes atividades desenvolvidas ao longo do estágio curricular. Neste capítulo encontra-se assim presente uma descrição detalhada de todo o meu estágio pedagógico. O segundo capítulo aborda a investigação científica realizada nos seminários científicos de História e Geografia. A temática desta investigação centra-se no trabalho feminino em Coimbra, nos finais do século XIX (1890-94), em 1960 e na atualidade (2011). Encontra-se presente neste capítulo na parte relativa à abordagem histórica, uma análise da realidade demográfica do século XIX, do trabalho feminino em Coimbra bem como das migrações para esta cidade nos anos de 1890 a 1893. Na parte correspondente à análise geográfica, são analisadas as mulheres em Coimbra nos anos de 1960 e 2011, nomeadamente o trabalho feminino e a educação. O terceiro e último capítulo apresenta a caracterização da aplicação didática, planeada com vista à ativação, em sala de aula, dos temas desenvolvidos nos seminários científicos. Esta aplicação didática trata-se de um workshop com fontes históricas (registos de entrada de doentes mulheres nos Hospitais da Universidade de Coimbra) e de trabalho com dados estatísticos (Dados fornecidos pelos Instituto Nacional de Estatística), que foi desenvolvido com as turmas do 8º e 9º ano.
Humanidades
3,850
Caldas de Vizela do passado à atualidade: uma proposta de reconversão
Vizela,Requalificação museológica,Termas,Museu,Caldas
As Caldas de Vizela contam episódios de curas, de tempos de lazer e de arquitetura termais ímpares no país. Os séculos XIX e XX foram pródigos na fundação de edifícios termais assim como na abertura e arborização de arques, ou áreas dependentes, de grande beleza, sendo Vizela uma referência incontornável desse processo. O seu encerramento é também um registo da história termal nacional, que conta com fases melhores e piores. Assim, conscientes da sua importância e das suas potencialidades, este projeto visa a reabertura e a readaptação do balneário principal sob os pressupostos de um espaço cultural e da gestão museológica. A criação de um museu, num edifício termal, coloca questões relativas à identidade do espaço. Contudo, é notória a representatividade da atividade termal e o capital simbólico que o edifício patenteia, pela singularidade arquitectónica e pela memória histórica. Atualmente regista-se, um pouco por todo o país, a execução de obras de melhoramentos, modernização e também readaptação de alguns espaços termais, em virtude da emergência e da necessidade, dos novos públicos, bem como da sua diversidade, preferências e gostos. Neste estudo desenvolve-se um projeto de requalificação museológica para o espaço termal, que compreende a história das termas e a apresentação e interpretação de objetos e de memórias pessoais. O estudo inicia-se pela análise dos espaços termais e pela cura termal, bem assim pela definição das metodologias de investigação e as devidas comparações com estabelecimentos internacionais. Na abordagem à reconfiguração do espaço apresenta-se o desenho do plano estratégico e diretor, uma refleção sobre as coleções e as exposições a organizar, como forma de dinamizar o núcleo museológico. A análise aos serviços de comunicação e marketing contribuiu para o desenvolvimento de propostas de merchandising. Os planos de avaliação e emergência, envolvendo os recursos humanos e a segurança do imóvel, são também considerados. O objectivo centra-se na proposta de revitalização do balneário principal como museu, segundo a designação MUT (Museus das Termas), não esquecendo os tratamentos termais e de Spa, constituindo-se o SUT (Saúde nas Termas) no balneário de 4.ª classe.
Humanidades
3,852
Castelo de Leiria: Estruturas Militares do Núcleo A - Análise Arquitetónica e Arqueológica
Castelo,Leiria,Muralhas,Torre de Menagem,Arqueologia da Arquitetura,Arquitetura Militar
De origem na Baixa Idade Média, o Castelo de Leiria foi, naturalmente, sofrendo alterações estruturais, sobretudo visando a sua adaptação às novidades poliorcéticas próprias das distintas conjunturas que conheceu, e durante as quais se manteve relevante do ponto de vista militar. No presente estudo, as estruturas militares do Núcleo A do Castelo de Leiria, uma das três áreas em que tradicionalmente se divide esta fortaleza, foram pela primeira vez na sua história submetidas a leitura estratigráfica, com base num exaustivo levantamento fotométrico. O método, baseado nos pressupostos da Arqueologia da Arquitetura, permitiu determinar a sequência construtiva de vários conjuntos edificados, e concludentemente intentar a sua atribuição cronotipológica. Confrontada com fontes de distintas naturezas e com ocorrências similares de datação bem definida, a cronotipologia obtida foi posteriormente afinada, para que cada estrutura analisada pudesse ser enquadrada no seu universo histórico-artístico. Alvo de múltiplas investigações, que, embora divergentes nos métodos, se aproximam no ímpeto de revelar os seus segredos, o Castelo de Leiria conta já com uma extensa e dedicada historiografia. Às diversas narrativas assumidas ao longo de mais de um século de pesquisas, propomo-nos acrescentar, com o presente estudo, novos argumentos, e com eles, confiamos, uma nova luz sobre as velhas muralhas do Castelo de Leiria.
Humanidades
3,853
Museu Nacional de Belas-Artes (1884-1911)
Museu Nacional de Belas-Artes,National Museum of Fine Arts,Academia Real de Belas-Artes de Lisboa,Royal Academy of Fine Arts of Lisbon,Políticas de Gestão de Coleções,Policies of Collection Management,Legado Valmor,Valmor Legacy,Finais do século XIX,Late 19th century
O Museu Nacional de Belas-Artes, antecessor do Museu Nacional de Arte Antiga, desde a data da sua fundação (1884), pretendia alcançar o estatuto de Grande Museu Nacional. As suas coleções eram constituídas essencialmente por bens provenientes das casas religiosas extintas, apesar das doações que instituição recebia. No final do século XIX, por via da dotação do Legado de Valmor, o museu encontrou ensejo de expandir o seu acervo. Neste estudo, pretendemos conhecer, numa primeira fase, o início do movimento museológico em Portugal e o percurso do Museu Nacional de Belas Artes até à sua abertura e, posteriormente analisar as fragilidades da instituição entre os anos 1884 e 1911. Numa segunda fase visamos avaliar a forma como a instituição geriu e promoveu as suas coleções e administrou as verbas do Legado Valmor para aquisição de obras de arte.
Humanidades
3,856
Reconstituição de uma comunidade histórica : Soure 1685-1735
Registo paroquial -- Soure -- 1685-1735,Soure -- 1685-1735
A presente dissertação insere-se na área de estudo da reconstituição de comunidades históricas e reconstituição de histórias de vida. A paróquia de Soure, de 1685 a 1735, foi a comunidade reconstituída, assim como foram reconstituídas histórias de vida de alguns dos seus membros. A existência de uma base de dados englobando toda a população da paróquia até 1720, permitiu direccionar a investigação para a referida comunidade. Seguindo a mesma metodologia, efectuou-se a transcrição de registos paroquiais até 1735, permitindo que a base de dados albergue agora no seu interior a população de meio século. A partir desta amostra significativa analisámos a dinâmica populacional no que concerne às variáveis da fecundidade da nupcialidade e da mortalidade, análise que teve diversas abordagens com um enfoque preferencial para a sazonalidade, mas não descurando a ilegitimidade, a origem e fixação dos nubentes, a idade do primeiro casamento, o segundo casamento, a diferença de idades dos noivos e a percentagem de órfãos que casavam. Sempre que possível a respectiva análise foi realizada comparativamente com outras realidades, ou com outros padrões passíveis de caracterizar a população da paróquia de Soure. A reconstituição de histórias de vida advém da abordagem nominal que quisemos imprimir à investigação, como regra geral os indivíduos que aparecem em mais actos sociais são dos mais influentes na comunidade pretendemos saber quem era quem na estratificada sociedade sourense. Como as Misericórdias eram os centros agregadores das elites locais, analisámos as listas das eleições da Santa Casa da Misericórdia de Soure reconstituindo as histórias de vida dos seus elementos. Com esses elementos na nossa posse observámos como apadrinhavam, quem eram os padrinhos dos seus filhos, em que casamentos testemunhavam, ou seja, como se relacionavam entre si os mesários de Soure, no intuito de detectar uma rede social que dominasse o acto eleitoral.
Humanidades
3,868
As "Missas do Parto" na ilha da Madeira : uma tradição a preservar
Maria, Virgem Santa -- culto -- Ilha da Madeira,Património cultural -- Ilha da Madeira,Missa do parto -- Ilha da Madeira
O objectivo deste trabalho consistiu em considerar as “Missas do Parto” ou Novenas do Menino Jesus, na Ilha da Madeira, como uma forma de património cultural imaterial. Partindo-se duma definição relativamente recente no quadro jurídico português, foi feito o enquadramento histórico dessa tradição madeirense, que remonta aos tempos da descoberta/povoamento da Ilha. Nesse sentido fez-se o seu historial, reconstituiu-se o percurso da sua recepção na Ilha da Madeira e coligiram-se elementos que demonstram a sua grande longevidade. Salientamos, neste aspecto, a recolha feita na imprensa periódica, com vista à sua protecção, entendendo-as como uma tradição a preservar. Tendo por fundamento a sua consideração como património, consultou-se a imprensa periódica da Madeira, desde meados do século XIX (1868) até 1998 e extraíram-se todas as notícias que anunciavam a celebração das referidas missas. Finalmente apresentaram-se algumas propostas de preservação, na actualidade, no sentido da sua eventual consideração, pelos poderes públicos, de património imaterial.
Humanidades
3,884
Os bispos e o Tribunal do Santo Ofício no arquipélago de Cabo Verde : 1538-1646
Bispo -- Cabo Verde -- 1538-1646,Inquisição -- Cabo Verde -- 1538-1646
O presente estudo pretende analisar a conjuntura da entrada, implantação e enraizamento do Santo Ofício em Cabo Verde, através da relação que este estabeleceu com o episcopado, nos séculos XVI e XVII, numa perspectiva evolutiva, apresentando ganhos efectivos e o consequente fortalecimento da sua hegemonia. Observar-se-á ainda a relação entre a Inquisição e outros organismos eclesiásticos, nomeadamente o cabido, bem como com organismos seculares, tais como: o governador, o corregedor e a câmara. Por fim, abordaremos a questão da presença dos cristãos-novos em Cabo Verde e na costa da Guiné.
Humanidades
3,893
Os audioguias na acessibilidade aos museus : a sua aplicação ao Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
Museologia,Museu da Ciencia da Universidade de Coimbra -- audioguias,Museu -- acessibilidade,Audioguias
No ano de 2009, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra propôs-se alargar o seu público a sectores que, normalmente, se encontram mais afastados deste tipo de instituição cultural devido às suas naturais limitações, como é o caso das pessoas portadoras de deficiência visual. Valendo-se da importância histórica e patrimonial do edifício onde se encontra instalado – o Laboratorio Chimico -, pretendeu-se criar condições para a fruição do seu espaço museológico por parte desse segmento de público, tornando-o, ao mesmo tempo, mais próximo do público em geral. Para viabilizar este objectivo, desenvolveu-se um projecto de audioguia, baseado na utilização de novas tecnologias de comunicação, no sentido de eliminar as eventuais barreiras que dificultavam a comunicação do discurso museológico a esse segmento de público, tema central desta dissertação. A produção de audioguias como instrumentos auxiliares das visitas ao Museu da Ciência exigiu uma investigação aprofundada quer sobre este recurso específico quer sobre os seus conteúdos particulares, os quais versam a história do edifício bem como as secções visitáveis. Apesar das vantagens que o sistema proporciona, facilitando a acessibilidade, foi possível concluir que se impõe complementar esse recurso com outras formas de comunicação e de acessibilidade adaptadas às especificidades desse segmento populacional.
Humanidades
3,898
Time link : a evolução de uma base de dados prosopográfica
MHK,Base de dados,Genealogia
Introdução A transformação de uma aplicação de gestão de bases de dados prosopográficas, desenvolvida em meio académico e utilizada por investigadores profissionais, num produto mais abrangente e apelativo, acessível a um público mais vasto, é o objecto do presente trabalho. A aplicação é conhecida, na sua versão original, pela sigla MHK, que desdobrada resulta em Micro-History with Kleio (ou Micro-História com Kleio1), e resulta do trabalho desenvolvido, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ao longo de vários anos, pelo Doutor Joaquim Ramos de Carvalho. A primeira versão tem origem na sua dissertação de doutoramento, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 1997, sob o título Comportamentos Morais e Estruturas Sociais numa paróquia de Antigo Regime (Soure, 1680-1720), da qual persistem o modelo de dados e a forma de registo e importação das fontes históricas. A aplicação foi depois utilizada noutros trabalhos de investigação de deram origem a dissertações de mestrado e doutoramento e a novas bases de dados, de que são exemplo Soure, Lousã e Eiras. Tomando consciência de um crescente interesse pelas questões da genealogia, espelhado no aparecimento de novos serviços online, equacionou-se, pela primeira vez, a conversão desta ferramenta de investigação numa aplicação acessível na Internet. Ambicionou-se levá-la a novos públicos e, deste modo, permitir que outros pudessem retirar vantagem do manancial de informação que até então permanecia nos computadores pessoais de cada investigador. O MHK, apesar de concebido e implementado como uma aplicação Web, nunca estivera verdadeiramente acessível na grande rede, na Internet. Para que essa ambição se concretizasse, seria necessário efectuar importantes transformações, especialmente nos componentes de visualização da informação, mas também em certos aspectos mais fundamentais da implementação. São estas transformações que se descrevem no corpo do presente documento. Desde logo no primeiro capítulo, identificam-se “os serviços genealógicos” existentes no mercado, desde as aplicações informáticas mais tradicionais, passando pelos websites dedicados ao tema e terminando as redes sociais online dedicadas à genealogia. O segundo capítulo -“MHK: um sistema para a reconstituição de comunidades históricas”-descreve aquele que é ponto de partida tecnológico, ou seja, o MHK na sua forma original. Descrevem-se, de forma relativamente sucinta, o modelo de dados, os mecanismos de transcrição e inserção de dados e, por fim, a interface gráfica de utilizador (GUI). No terceiro capítulo - “a informação genealógica” - procuram identificar-se as principais fontes históricas portadoras de informação genealógica, tecendo-se breves considerações históricas sobre a origem dessas mesmas fontes e identificando a sua localização ou possíveis localizações. O capítulo quarto –“os modelos de negócio” - faz um elenco de modelos de negócio explorados por entidades ligadas à disponibilização de conteúdos e prestação de serviços online, especialmente conteúdos e serviços ligados à genealogia.
Humanidades
3,901
O concelho de Pombal nos finais do Antigo Regime : aspetos demográficos e sociais (1782-1834)
Concelho de Pombal -- Aspectos demográficos,Concelho de Pombal -- Aspectos sociais,Concelho de Pombal -- 1782-1834
A presente dissertação insere-se na área de estudo da reconstituição de comunidades históricas e reconstituição de histórias de vida. A paróquia de S. Martinho de Pombal, que coincide com o concelho de Pombal, de 1782 a 1834, tal como todas as outras durante o Antigo Regime, não era delimitada por marcos ou divisórias como as propriedades senhoriais. O centro referencial era a igreja, neste caso particular, a Igreja Matriz de S. Martinho. A maior parte dos elementos compulsados para a composição deste trabalho, designadamente os concernentes à população, foram os registos paroquiais que, apesar de apresentarem algumas lacunas, nos permitem traçar percursos de vida desde o seu início até ao seu inexorável epílogo. Destaca-se também o importante e fulcral papel que desempenharam as instituições como pólos agregadores e protetores da sociedade. Abordamos também a importância dos poderes senhoriais caraterísticos do Antigo Regime que, sendo detentor dos principais meios de produção lhe permitiu uma hegemonia feroz só terminada com o surgir do Liberalismo. Não podíamos também deixar de incluir com algum pormenor neste trabalho, a passagem da 3ª invasão francesa por Pombal e a devastação daí decorrente. Finalmente terminamos com uma abordagem aos tempos do Liberalismo, debruçando-nos sobre a sua influência na vida da população, mormente através das alterações impostas aos organismos e instituições públicas.
Humanidades
3,902
O Hospital e Asilo da Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco de Coimbra (1851-1926)
Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco de Coimbra,hospital,asilo,assistência,século XIX,século XX
A Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco de Coimbra foi fundada a 5 de janeiro de 1659 como pessoa moral canonicamente ereta, no convento de S. Francisco da Ponte, com a prática dos seus exercícios espirituais na capela colateral da parte do Evangelho da igreja do referido convento. Desde cedo promoveu a assistência espiritual e material aos seus membros, com o acompanhamento à sepultura e a atribuição de esmolas, por exemplo. O Hospital e Asilo, fundados respetivamente em 1851 e 1884, são a prova maior da assistência material prestada aos membros da Ordem Terceira de Coimbra, que desta forma garantiu o socorro na doença e na velhice aos irmãos franciscanos seculares conimbricenses. Alcançado o edifício do extinto colégio dos Carmelitas Calçados, na rua da Sofia, em 1841, após a extinção das ordens religiosas masculinas, a preocupação dos diversos Definitórios foi garantir rendimentos que suportassem as obras de adaptação do imóvel às novas funções assistenciais; para isso, contaram com o apoio financeiro de ministros, benfeitores, irmãs e irmãos seculares. Não descurando a análise institucional e orgânica da administração do hospital e asilo, este trabalho centra-se nos homens e mulheres que passaram pelo hospital da Ordem Franciscana Secular de Coimbra e aqueles que viveram no asilo da instituição, entre 1851 e 1926, procurando dar voz aos que não têm voz. Importa-nos caracterizar o universo dos hospitalizados e dos asilados, quem foram, de onde vieram, onde viveram, como trabalharam e o que vestiram. Ao mesmo tempo, procedeu-se à análise dos regulamentos internos e das competências dos funcionários, procurando recriar o dia-a-dia na instituição, e à análise da situação financeira do hospital e asilo, sobretudo para perceber quais foram os gastos destinados aos assistidos no cômputo geral das despesas.
Humanidades
3,904
Parcerias, receitas próprias e mecenato : desafios para a gestão museológica : o Museu de Francisco Tavares Proença Junior : um estudo de caso
Gestão museológica,Mecenato,Parcerias,Museologia,Museu de Francisco Tavares Proença Júnior -- Castelo Branco
Os conceitos de museu e de museologia há muito que estão em renovação. Os museus de hoje são espaços dinâmicos, abertos a uma vasta tipologia de públicos, com diferentes exigências e expectativas, às quais, as baixas dotações e carências financeiras, nem sempre possibilitam responder de forma satisfatória. Esta situação obrigou a que, no seu seio, surgissem formas de financiamento alternativas à dependência estatal e que lhes permitisse converterem-se, parcialmente, em auto-sustentáveis. Assim, tornaram-se quotidianos para os profissionais que neles trabalham, os desafios de estabelecer parcerias, gerir receitas próprias e encontrar mecenatos. Todavia, as assimetrias existentes entre os grandes museus nacionais e os pequenos, de cariz regional, são notórias. Donde, com base nesta premissa, se procedeu a um estudo de caso, centrado no Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, de Castelo Branco, de forma a captar a capacidade daquele museu em aceitar os “novos” reptos da gestão museológica, face à sua localização geográfica no interior do país e dimensão regional.
Humanidades
3,905
"Parlamento europeu : embrião e suporte de uma Europa democrática"
Tratado de Lisboa -- União Europeia,Parlamento Europeu,Integração europeia -- Portugal
A União Europeia, à semelhança do que já havia acontecido na década de 70 e 80, faz mais uma vez a sua “travessia no deserto” não tanto por falta de ideias mas, principalmente, por falta de líderes à altura dos desafios que uma mundialização descontrolada veio aumentar quer quantitativamente quer e sobretudo em termos de complexidade. Acomodados num sistema bipolar que a Guerra Fria cristalizou, os dirigentes europeus tardam em assimilar as mudanças profundas que a Queda do Muro de Berlim desencadeou e vão fazendo pequenos ajustes, ora adaptando instituições, ora utilizando as (poucas) prerrogativas legislativas comunitárias numa tentativa desesperada de captar a confiança e apoio dos cidadãos sendo que estes parecem cada vez mais desiludidos ao verem que os seus problemas não só não são resolvidos como ainda se vão agravando de dia para dia. Este pequeno trabalho pretende salientar aquelas duas vertentes, de uma forma aberta e descomplexada, daí o termos abdicado terminantemente da linguagem politicamente correcta e também questionar até que ponto é que a única instituição eleita pelos cidadãos, o Parlamento Europeu, poderá contribuir para “dar a volta por cima” e fazer da União Europeia um actor credível interna e internacionalmente. Finalmente mas não menos importante indicámos alguns motivos que justificam a urgência em adoptar políticas concertadas para que sejam atingidos aqueles objectivos propondo, simultaneamente, um modelo de cariz federal para a U.E por julgarmos ser este o único capaz de levar a bom porto este barco que teima em “bolinar”.
Humanidades
3,907
Património e turismo em áreas de baixas densidade : o caso das aldeias do Pessegueiro e do Esquio
Turismo -- áreas rurais,Pessegueiro, Penela -- património paisagistico,Esquio, Penela -- Património paisagistico
Este trabalho apresenta uma reflexão sobre as trajectórias, dinâmicas e desenvolvimento das áreas rurais de montanha. A crescente valorização ambiental das áreas rurais trouxe novos dinamismos e potencialidades a estes espaços de baixas densidades. Outrora afectados por um intenso êxodo rural e por um paulatino e doloroso despovoamento e esquecimento, começam a ser redescobertos e a ganharem multifuncionalidades, vinculando-se a actividades lúdicas, desportivas ou terapêuticas. As áreas de montanha, sobretudo no sul da Europa, devido às suas características naturais, estruturais e funcionais são, agora, áreas deprimidas e fragilizadas. A descoberta de atractividade e formas de as potencializar económica e socialmente é, na actualidade, um desafio. Esta dissertação está estruturada em duas partes distintas. Numa primeira fase, com base numa revisão bibliográfica, procedeu-se à caracterização da actual situação das áreas rurais, potencialidades, recursos, modelos, estratégicas e politicas de desenvolvimento a nível nacional, regional e local; o que mudou no espaço rural português, como passou de um espaço vivo vinculado às actividades do sector primário a um espaço de consumo urbano. Paralelamente, foi feita a análise da importância do marketing e das formas de promoção empregadas pelo turismo. Numa segunda fase, realizou-se uma análise histórica e perceptibilidade das aldeias do Pessegueiro e do Esquio e da região envolvente, procedendo à avaliação do património paisagístico, arquitectónico, assim como ao património imaterial. Apontaram-se as potencialidades turísticas destas aldeias e dos territórios envolventes (ambiente rural, proximidade a pontos de interesse, património e biodiversidade), avaliando o perfil de turista que se adequará a estes espaços e que articulações com outras actividades e lugares de proximidade e poderão executar. Para terminus enfatizou-se estratégias a adoptar nesta região, de modo a impulsionar o turismo e consequentemente o desenvolvimento local e regional.
Humanidades
3,908
Políticas de memória na Argentina : 1983-2010 : transição política, justiça e democracia
Politica -- Argentina
Este trabalho que aqui se apresenta resulta de uma investigação sobre as políticas de memória concretas e justiça na Argentina após a queda da última ditadura militar, ou seja, desde a instauração da democracia até sensivelmente aos nossos dias. Para o desenvolvimento desta investigação permaneci durante cerca de seis meses em Buenos Aires, na Argentina, tendo tido oportunidade de contactar com o ambiente que se vive ao redor desta temática. As minhas primeiras preocupações foram contactar com instituições que desenvolveram e desenvolvem acções no âmbito da política de memória e com a Universidade de Buenos Aires. Pesquisei, também, fontes que me pudessem elucidar sobre este tema tão complexo, consultei jornais dos últimos trinta anos com correntes de pensamento diversas. Para além disto, foi importante tomar conhecimento da diversa legislação que foi sendo debatida utilizando, para tal, a Biblioteca do Congresso Nacional Argentino. Aliás, as bibliotecas foram fundamentais para uma pesquisa bibliográfica que me foi útil para o desenvolvimento deste trabalho. É de salientar a importância de espaços como a Comisión Por la Memoria, situada em La Plata, ou mesmo a Comisión Provincial por la Memoria de Córdoba, locais onde me desloquei e pude constatar que são, por excelência, espaços nos quais se desenvolvem investigações aprofundadas sobre a memória. Na cidade de Buenos Aires tentei conhecer com maior profundidade espaços como o ex-ESMA ou o Parque da Memoria, que são, hoje em dia, locais que procuram não deixar cair no esquecimento um período negro da História argentina. Assisti a algumas exposições e conferências das quais destaco uma conferência organizada pela Universidad Nacional de Tres de Febrero, sob o título Argentina: el papel de los juicios e coordenada por Daniel Feierstein e um seminário da Universidade de Buenos Aires intitulado Significados de la Última Dictadura en el marco de los procesos históricos post- 1955: perspectivas, formas de memoria e Historia Oral coordenado por Miguel Galante e Samanta Casareto que teve a duração de um trimestre. Este tipo de iniciativas, bem como edições de livros e outras actividades, constatei que eram muito comuns na sociedade. Por último, tentei auscultar o cidadão comum argentino (o que quer que isso se considere) de forma a aferir o sentimento vigente na sociedade sobre esta temática tão delicada.
Humanidades
3,909
A construção da finitude na transição do século XX para o século XXI : contributo para o estudo do caso português
Morte,Cremação,Idoso -- Cuidados paliativos
Com a dissertação A Construção da finitude na transição do século XX para o século XXI: contributo para o estudo do caso português procurou-se abordar as atitudes humanas na sua relação, mais ou menos directa, com a morte. O objectivo foi analisar estas atitudes na transição do século XX para o século XXI, mas sem esquecer o horizonte da história, permitindo, assim, distintas comparações e oposições. Espacialmente restringimo-nos ao Ocidente, com especial ênfase para o caso português. Dada a ligação estreita entre velhice e morte, tecemos algumas considerações sobre o idoso e os cuidados paliativos. Sendo a eutanásia um tema cada vez mais presente nas sociedades modernas Ocidentais, não poderíamos deixar de a referir, não olvidando o Direito português. Verificando que, neste contexto, também o destino a dar ao corpo morto se tem vindo a alterar, abordámos a temática da cremação em Portugal, desde o século XX. A nossa referência, ainda que breve, à tanatopraxia, prendeu-se com o facto de, na presente época, existir uma tendência a ocultar a morte. Finalmente, chegámos ao Panteão Nacional, que nos mostra a importância da preservação da memória dos mortos da Pátria.
Humanidades
3,910
A Guarda durante a II Guerra Mundial
Economia agrícola -- Portugal -- 1939-1945,Abastecimento de alimentos -- Guarda -- 1939-1945,Guarda -- 1939-1945,Guerra mundial -- 2ª -- 1939-1945 -- Guarda -- Portugal
O trabalho que aqui se apresenta foca a economia de guerra portuguesa durante a Segunda Guerra Mundial, mais concretamente no distrito da Guarda. A análise de uma zona específica do país permitirá fazer a comparação com os estudos já realizados para a realidade nacional do país. A delimitação geográfica escolhida também ganha uma acrescida importância tendo em conta que se trata de uma área de fronteira, onde havia intensos contactos com Espanha, fruto de fenómenos típicos de guerra como o contrabando e o mercado negro. O principal objectivo do trabalho passa por tentar compreender como o Estado português se organizou para fazer face ao conflito, sobretudo a um nível regional e local. Através do estudo das missivas de Governadores Civis, Presidentes de Câmara e Juntas de Freguesia, assim como de outros organismos que enformaram a economia de guerra portuguesa, retratar-se-á a realidade local com o cotejo da imprensa e dos cidadãos anónimos, os primeiros receptáculos das medidas governativas. Após a análise da diversa documentação chegar-se-á à conclusão da falta de preparação do Estado Novo para lidar com a situação de economia de guerra, isto, apesar da experiência vivida pela maioria dos seus dirigentes durante a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial. À semelhança de outras temáticas sobre o Estado Novo, comprovar-se-á o desfasamento entre o discurso oficial e a realidade do quotidiano.
Humanidades
3,911
O comércio internacional e a abordagem dos sistemas-mundo : um estudo no âmbito das relações Sul-Sul e Norte-Sul entre um conjunto de países atlânticos de África, América do Sul e Europa : 1970-2000
Relações económicas internacionais,Comércio internacional
O trabalho teve como objectivo verificar o carácter da distribuição dos ganhos comerciais entre um conjunto de países africanos (Angola, Nigéria e África do Sul), sulamericanos (Argentina e Brasil) e europeus (França, Reino Unido e Alemanha Ocidental), entre os anos de 1970 e 2000. Também se buscou classificar os volumes transaccionados em distintas categorias de produtos. Especificamente, o estudo preocupou-se com a capacidade das maiores economias em oferecer ganhos comerciais aos parceiros menores. De modo subsidiário, foi analisada a diversidade dos produtos comercializados entre as partes. O trabalho foi realizado sob o referencial da abordagem dos sistemas-mundo. Os resultados indicaram que as relações de trocas entre os países seleccionados da Europa e de África favoreceram a acumulação de superavits entre os países europeus. O Brasil, por sua vez, experimentou défice em seu comércio agregado com os países africanos estudados. A análise também indicou grande concentração das exportações angolanas e nigerianas no sector de alimentos e matérias-primas. Tal dinâmica não seria observada para a África do Sul, que teve um comércio mais equilibrado com seus parceiros extra-continentais. O estudo salientou o carácter periférico das economias angolana e nigeriana, especializadas na oferta de produtos primários a economias mais avançadas. Os países europeus mantiveram a posição de economias centrais em suas trocas com África, enquanto que Brasil e África do Sul demonstraram dinâmicas comerciais de carácter semiperiférico.
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3,914
Hábitos alimentares no convento do Espírito Santo da Vila da Feira (1820 – 1821)
Hábitos alimentares
A alimentação teve, tem e terá sempre um papel predominante na história das sociedades. Estudar os hábitos alimentares de uma época é, simultaneamente, analisar um aspecto importante da vida das populações dessa mesma época. Analisarei a lista de compras e de despesas da cozinha daquele que é, nos dias de hoje, o Convento dos Lóios sito em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro. O documento selecionado permitirá a obtenção de conclusões sobre os alimentos mais consumidos no início do século XIX e o valor monetário atribuído aos mesmos podendo, deste modo, compreender-se melhor o perfil socioeconómico do convento em apreço.
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3,915
Vinho, Genebra e champanhe : pedaços da vida no Realismo queirosiano
Literatura,Realismo,Realismo -- literatura portuguesa -- séc. 19,Vinho -- literatura portuguesa -- séc. 19,Queirós, Eça de, 1845-1900 -- obra,Queirós, Eça de, 1845-1900,Naturalismo
A Dissertação incide no estudo das bebidas vinho, genebra e champanhe enquanto elementos fundamentais para a compreensão do universo ficcional queirosiano. Analisa, por isso e em particular, o modo como a construção romanesca de algumas das mais conhecidas personagens e de alguns dos mais célebres episódios, ambientes e cenários da escrita de Eça dá corpo a muito representativos pedaços da vida do século XIX, o tempo do Realismo. A partir das cinco obras seleccionadas como corpus coloca-se em evidência o conjunto de temperamentos, hábitos e costumes do(s) ser(es) humano(s) individual(is) ou da sociedade em que se insere(m) e o alcance, sob vários pontos de vista, da observação queirosiana de percursos sociais, culturais e psicológicos. As bebidas, especialmente o vinho, a genebra e o champanhe, acompanham uma rica e vasta galeria de figuras, ora em contexto de sociabilidade, ora em atitudes de dissimulação e hipocrisia, ora em rasgos de sensibilidade e sentimentalismo. Não raro, é por via desse escopo que as narrativas ganham em autenticidade, traço singular que revela como tal componente do universo alimentar se pode correlacionar de forma tão próxima e quase única com a criação artística a que a palavra dá voz.
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3,916
Mosteiro de Santa Clara de Amarante. História, Património e Musealização
Mosteiro de Santa Clara de Amarante,Ordem de Santa Clara,Musealização
A presente dissertação de mestrado em História, especialização em Museologia intitulada: Mosteiro de Santa Clara de Amante: História, Património e Musealização, procura esclarecimento para algumas das questões mais nebulosas desta casa religiosa feminina, desde a sua obscura fundação no século XIII, enquanto recolhimento de mantelatas à posterior transformação em mosteiro da Ordem de Santa Clara. Dá igualmente relevância à História desta casa monástica, no período entre 1809, coincidente com a passagem do exército napoleónico, por Amarante, no contexto da Segunda Invasão Francesa, e 1862, data do encerramento das portas do mosteiro, no âmbito da extinção das Ordens Religiosas. Traça as alterações decorrentes do processo de transformação dos antigos espaços monásticos em Casa da Cerca. Analisa o seu processo de valorização patrimonial e a recente adaptação a Biblioteca e Arquivo municipais. Objectiva ainda um projecto de musealização para o complexo patrimonial do mosteiro de Santa Clara de Amarante, que pressupõe a recuperação da memória actualmente quase esquecida, do mosteiro mais antigo da cidade de Amarante.
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3,917
"Boletim Official do Golu" : diálogo da maçonaria portuguesa e brasileira : 1869-1909
Maçonaria -- Portugal -- 1869-1909,Maçonaria -- Brasil -- 1869-1909
Durante o século XIX, a maçonaria brasileira e portuguesa já havia se tornado uma instituição de abrangência internacional. Este fenómeno se deu em função da consolidação das suas estruturas em instituições federadas. Nos dois casos esta estruturação foi fortalecida pelo processo de unificação de suas Potências. No caso do Grande Oriente Lusitano Unido a união ocorreu em 1969 com a fusão de três das quatro obediências existentes em Portugal: Grande Oriente Lusitano, a Federação Maçónica Portuguesa, o Grande Oriente Português e parte do Supremo Conselho do Grau 33 – que funcionaram sob influência da maçonaria de matriz francesa. Para seu funcionamento, foi de fundamental importância o reconhecimento de outros Orientes, a exemplo do Grande Oriente do Brasil. Como vimos, essa conjuntura foi fundamental para emergir o principal veículo de comunicação entre as maçonarias do Brasil e de Portugal: O Boletim do GOLU, fonte primária de investigação neste estudo. Por este motivo, nos interessamos por fazer um levantamento das principais notícias veiculadas neste impresso, notadamente, com destaque para os acontecimentos vivificados no Brasil e que foram recepcionados pela maçonaria portuguesa. Para isto, fizemos um levantamento em todos os Boletins publicados no período de 1969-1909, disponíveis em acervos públicos e particulares. Em seguida classificamos as notícias: a) Visitas de personalidades ilustres da política brasileira em solo luso; b) Ajuda mútua (visitas recomendadas, Viagens subsidiadas com aporte financeiro maçónico, Abono de dívidas de maçons nas lojas, Donativos maçónicos para despesas oriundas dos conflitos e Informes fúnebres); c) Miscelânea das notícias vinculadas nos boletins, nomeadamente: Cisão da Ordem, guerras e Emancipação dos servos, Exaltação da República do Brasil e Ecos (ressonâncias de incentivos) para república em Portugal. Porém, fez-se necessário caracterizar o Boletim como fonte histórica, elencando todos os elementos que o compõem relacionando-o com documento histórico. Por meio desta investigação podemos demonstrar a existência não só de um diálogo permanente entre o GOLU e GOB, mas também uma relação de reciprocidade e de influências daquilo que acontecia no Brasil e era divulgado em Portugal, como os movimentos que vislumbravam a democracia e a liberdade política, consubstanciado na afirmação do republicanismo. Uma vez sabermos que a maçonaria foi participe tanto da formação como do desfecho da República nos dois lados do Atlântico.
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3,919
Transformações do consumo alimentar na época contemporânea
Hábitos alimentares -- séc. 19-20,Comportamento alimentar -- séc. 19-20
O estudo da História da Alimentação integra a visão de quem a analisa e repercute os pensamentos e as experiências que sustentam a sua pesquisa, revelando os seus resultados sob uma perspectiva pessoal, e imbuídos da carga emocional e racional que lhe é mais intrínseca. De facto, a abordagem a um tema tão densamente rico em factos, histórias e personalidades não se pode alienar de um sentido, de um objectivo que encaminha a busca por determinados episódios ou marcos relevantes na conjuntura geral da investigação. Assim, e de acordo com a minha história pessoal e profissional, pesquisei esta temática sob a orientação de uma perspectiva mais científica, numa vertente da demarcação dos principais momentos de mudança e de transformação alimentares, e nas reacções e respostas encontradas pela sociedade, no período da Época Contemporânea. Sob a luz da objectividade, a linha temporal do percurso alimentar relatado enuncia os dados de um modo sistematizado, oferecendo uma descrição sintética e sequenciada mas, ao mesmo tempo, marcada pela distinção ordenada das personagens e eventos que a atravessaram e caracterizaram de um modo significativo. Na idealização deste trabalho, encontrou-se principalmente subjacente a procura pelo percurso dos hábitos e comportamentos alimentares das gerações que viveram, sobretudo, durante os séculos XIX e XX, englobando aquelas que, neste momento, experienciam o início da segunda década do século XXI, e que coabitaram o mundo ocidental, compreendendo nesta delimitação a Europa e os Estados Unidos da América. Dando início a uma remodelação alimentar impar na História da humanidade, os avanços na agricultura dos séculos XVIII e XIX, e o desenvolvimento fulgurante da indústria alimentar a partir deste último, como consequência e igualmente causa da expansão e evolução agrícola, foram os principais pilares para o aumento da produtividade e obtenção de mais e melhores frutos e matérias-primas da terra cultivada e consecutivo incremento da sua aplicação nas emergentes fábricas de processamento alimentar. Salientado nos primeiros capítulos do trabalho, dos principais efeitos de ambas as formas de exploração alimentar, a urbanização e o aumento demográfico exponencial que se verificou por esta altura, vieram particularmente alterar os hábitos alimentares da população europeia. A partir deste ponto de viragem, todas as subsequentes transformações e inovações se abrigaram no crescimento da indústria alimentar e na rede que a sustentava, nomeadamente um sistema de comunicações e transportes em constante progresso e estratégias comerciais, que a implantaram definitivamente como alicerce da alimentação moderna. Acompanhando os degraus do aperfeiçoamento técnico, considerei determinante incluir os principais passos do desenvolvimento das ciências alimentar e nutricional, quer pela sua reconhecida importância na condução dos padrões alimentares por diferentes caminhos, quer pela intervenção que exerceu na resolução de muitas doenças, até então, consideradas incuráveis. São também analisadas as preocupações sociais relacionadas com a questão alimentar, não só no aspecto da relação entre consumo e saúde, mas também pelas implicações psicológicas e inter-relacionais que se estabeleceram na senda do valor do corpo, como meio de ascensão pessoal e estatuto social. Com um capítulo breve sobre a situação que se vive nos países denominados de Terceiro Mundo, realcei a realidade antagónica que domina o consumo alimentar mundial, extremando a obesidade das sociedades industrializadas com a malnutrição e fome dos países em vias de desenvolvimento. A abordagem a algumas soluções que se perspectivam para um futuro alimentar sustentável, revela que as preocupações com a natureza e a protecção dos recursos biológicos dominam, já no dia presente, a orientação das escolhas de consumo de muitas pessoas e a preocupação de várias entidades legislativas e associativas. De igual modo, a procura por meios de combate à progressão das doenças, causadas pela prática de uma alimentação calórica e nutricionalmente desequilibrada, tem ocupado a mente de cientistas, médicos e nutricionistas, e cada vez mais de produtores e empresários da indústria alimentar. A pertinência da segmentação do texto em vários capítulos e, por vezes, subcapítulos, deve-se à vasta quantidade de conteúdos que são estudados e necessária compartimentação temática. A profundidade de análise relaciona-se com a maior ou menor relevância que os capítulos assumem na globalidade da discussão dos vários tópicos, tendo a necessidade de abreviar alguns deles para dar mais ênfase a outros, considerados de maior importância. Para a organização deste trabalho, a conduta da escolha das fontes bibliográficas partiu da relevância que atribuíam aos episódios que considerei principais na estrutura narrativa desenvolvida. As contribuições das obras organizadas por Jean-Louis Flandrin e Massimo Montanari assim como por Kenneth Kiple e Kriemhild Coneé Ornelas, foram significativas na organização dos capítulos, como A. H. de Oliveira Marques o foi para a parte portuguesa, os quais enriqueci com dados e informações recolhidas a partir de vários livros, conteúdos disponíveis na Internet e por intermédio de uma filmografia, surpreendentemente esclarecedora, das realidades alimentares que se vivem na actualidade. Com o suporte bibliográfico a destacar os países pioneiros nas principais revoluções e metamorfoses alimentares, a distribuição da informação está orientada, sobretudo, de acordo com os factos como entidades individualizadas, dentro de um contexto temporal e espacial que lhe serve de base. A estrutura do trabalho realça as transformações alimentares ocorridas nos diferentes países abordados, de acordo com a relevância que assumiram em determinados acontecimentos mais importantes do progresso alimentar. A menção inicial à Inglaterra e posteriormente, e de forma recorrente, aos Estados Unidos da América, justifica-se com a sua importância no contexto das principais transformações que revolucionaram os hábitos alimentares a nível mundial, tendo sido os precursores da globalização alimentar de que ainda agora se sentem os efeitos. Por regra, são referidas as etapas da história da alimentação num esquema de comparação entre a Europa e os Estados Unidos da América, mas inseridos ambos os pólos geográficos no mesmo âmbito descritivo e analítico. De facto, e de forma regular, as descobertas e conquistas alimentares por eles alcançadas, conheceram o sucesso e uma divulgação efectiva nas sociedades, pelo jogo de complementaridade que assumiram. No horizonte maior que lhe serve de apoio, Portugal surge em apontamentos oportunos, quando as suas características alimentares se enquadram ou então divergem significativamente das observadas nos restantes países. Contudo, achei pertinente colocar, no primeiro capítulo, uma descrição mais pormenorizada acerca da situação que se vivia no Portugal rural do século XIX, que a partir deste momento dilata o seu afastamento das principais modificações sociais, e dentro destas as de foro alimentar, que se irão verificar numa Europa em acelerado processo de industrialização. Perante uma estimulante variedade de fontes, que abordam a alimentação sob diferentes perspectivas, sentidos e objectivos, elaborei um caminho pessoal por entre as personagens diligentes e acontecimentos surpreendentes que se encontram dentro da própria história da alimentação. A maior dificuldade sentida foi na constrição do discurso acerca dos vários pontos analisados, pois os dados de que dispunha permitiriam o preenchimento de um número infindável de páginas e um sem-fim de possíveis ramificações exploratórias. Optando pela via que me pareceu mais lógica e adequada à natureza do trabalho que pretendia desenvolver, orientei-o pela relevância dos factos, preterindo outros dados mais secundários ou situações circunstanciais, que apenas assumiam o aspecto de curiosidades. Para uma consistência estrutural e dando um remate aos assuntos desenvolvidos, a existência de uma lista de anexos tornou-se importante. Se, por um lado, as imagens dão um parecer mais real das situações experienciadas, na medida em que tornam possível usufruir dos mesmos estímulos visuais e perceber mais directamente o impacto que tiveram nas sociedades passadas, por outro, os textos que se encontram nesta secção, permitem especificar determinados acontecimentos paralelos que ambientaram os ritmos e os prazeres alimentares desta época.
Humanidades
3,921
Fome de quê? A alimentação dos estudantes brasileiros da Universidade de Coimbra (2014-2015)
Alimentação,Brasileiros,Identidade cultural,História da Alimentação
A Universidade de Coimbra (UC) é uma das mais antigas da Europa e a cada ano recebe estudantes estrangeiros, sendo a Universidade que mais recebe estudantes brasileiros fora do Brasil. Considerando a expressividade da população universitária brasileira na UC e compreendendo os significados culturais da alimentação, o presente trabalho teve como objetivo investigar a relação entre alimentação e identidade cultural dos estudantes brasileiros da UC. A metodologia seguida foi, predominantemente, quantitativa, sendo realizada com base no método de levantamento (survey). O inquérito foi aplicado pessoalmente e por via eletrônica, durante o período entre novembro de 2014 e março de 2015. Obteve-se uma amostra representativa de 309 indivíduos. Verificou-se que o estilo alimentar do estudante brasileiro em Coimbra caracteriza-se como dual. Ou seja, ao mesmo tempo em que se integrou à cultura alimentar portuguesa não abandonou sua identidade, reproduzindo no país de acolhimento, especialmente em seu ambiente doméstico, algumas comidas brasileiras.
Humanidades
3,923
A integração de Portugal nas Comunidades Europeias
Integração europeia -- Portugal,União Europeia
Apesar da ancestral afinidade histórica entre Portugal e a Europa, a especificidade geográfica portuguesa, emergente da sua localização no extremo ocidental do continente europeu e da consequente exposição atlântica, foram intercalando ao longo dos tempos outros rumos que a par de condicionalismos internos, convergiram na diáspora portuguesa. Mesmo assim, a parceria europeia apresentou-se sempre complementar e insubstituível, vindo a ganhar um novo e diferente impulso após a segunda guerra mundial. Ainda durante o Estado Novo e apesar da negação política de uma aproximação mais significativa face a sobreposição do lema: orgulhosamente sós, realizaram-se alguns acordos com instituições europeias. Só após a revolução de 1974, se deu um reforço dos laços com a Europa, que viria a culminar no processo de adesão à Comunidade Económica Europeia. Até à assinatura do tratado em 1985, decorreram cerca de oito anos de negociações que exigiram grandes adaptações internas. Ao longo dos últimos vinte e cinco anos, Portugal contribuiu activamente para o processo de construção europeia, verificando-se uma grande evolução em todos os aspectos da vida portuguesa: económico, político, social, educativo, cultural e organizacional. Tal veio a marcar de forma irreversível os destinos nacionais. Se actual crise que ensombra a União Europeia, tem vindo a propiciar algumas projecções menos optimistas em relação ao futuro do projecto europeu ou mesmo à conveniência da participação portuguesa, não será menos verdade que as crises sempre estiveram presentes na história do continente europeu e foram muitas vezes a alavanca de sucessos subsequentes.
Humanidades
3,924
Arquitectura setecentista no Baixo Mondego Litoral
Arquitectura civil -- Baixo Mondego -- séc. 18,Arquitectura religiosa -- Baixo Mondego -- séc. 18
A morfologia da arquitectura civil e religiosa, setecentista, no Baixo Mondego Litoral, a identificação e caracterização da tipologia de arquitectura seguida na região assinalada, será o enfoque desta dissertação.
Humanidades
3,925
Gestão e programação do Museu Mineiro do Lousal : o Museu polinucleado do Lousal
Museu Mineiro do Lousal
A Aldeia do Lousal, cuja origem se deve a exploração mineira de 1900 a 1988, é uma pequena localidade de caracteristicas profundamente pos- industriais com cerca de 700 habitantes. Esta concessão mineira possui uma área de mais de 200 hectares, sendo limitada a sul pela linha ferroviária do Sado e a norte pela Ribeira de Corona e do Espinhaço de Cão. Estamos perante um complexo industrial, voltado durante anos para a extracção mineira, em especial de pirite, ate ao seu fecho nos finais da década de 80. A S.A.P.E.C Imobiliária S.A, última e actual proprietária do terreno do complexo mineiro e das suas estruturas edificadas, apresentou-se como uma das grandes impulsionadoras do processo de musealização, gestão e programação das minas do Lousal. O Museu polinucleado Mineiro do Lousal é o único em Portugal, que aproveita as antigas instalações e infraestruturas da mina para a construção dos seus núcleos. Este Projecto de Revitalização do Complexo Mineiro do Lousal (RELOUSAL), foi promovido não só pela SAPEC Imobiliária S.A, mas também pela Câmara Municipal de Grândola e pela Fundação Frederic Velge; a responsabilidade científica do Projecto Ficou a cargo da Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial (APAI). A primeira fase deste projecto consistiu na reabilitação da antiga Central Eléctrica e a construção de um Centro de Interpretação. A segunda (anda em andamento) ira caracterizar-se pela animação e Musealização de uma antiga galeria da mina conhecido como projecto da “Descida a Mina”. Este museu consegue transformar-se a si e a Aldeia do Lousal num espaço de cultura, e vivência social, numa área edificada com testemunhos geológicos datados de 2000 a.C., os quais são analisados e estudados sobre um olhar crítico e imparcial nesta minha dissertação, tendo sempre bem assente a melhor maximização, programação e gestão deste património cultural edificado.
Humanidades
3,926
Turismo acessível : o caso da Lousã
Deficiente -- integração social -- Lousã,Deficiente motor -- mobilidade -- Serra da Lousã,Turismo -- Serra da Lousã
Durante muito tempo, a inclusão das pessoas com deficiência foi vista como um problema isolado, eram a família e as entidades especializadas que tinham que se responsabilizar pelos seus cuidados. Entretanto, foram surgindo instituições e grupos que com a preocupação de integrar essas pessoas, começaram a discutir a maneira mais saudável de as integrar. O Turismo tem assumido progressivamente uma postura mais crítica e preocupada, observando-se nos últimos tempos, a alterações nas características dos equipamentos e dos serviços turísticos. As pessoas com deficiências, desejam um tratamento igual às demais pessoas nas mais diversas actividades turísticas, nas quais respeitando as capacidades e mobilidades individuais, apenas carecem de algumas adaptações. A acessibilidade para todos, afecta todas as áreas da sociedade. Os serviços turísticos, enquanto qualidade, são um diferenciador de sucesso muito importante no que toca a vantagens competitivas. Neste sentido, “a adaptação da oferta do Destino Turístico para receber também as pessoas com incapacidade (idosos, doentes, deficientes, crianças, entre outros) começa hoje a ser considerada em alguns municípios portugueses como uma oportunidade” (FONTES & MONTEIRO, 2008: 68). O Concelho da Lousã é um dos municípios que se tem destacado em matéria de Turismo Acessível, tendo sido o único a abraçar um Projecto de “Destino de Turismo Acessível”. Deste modo, explicitamos o modo como foi desenvolvido este projecto que começou por dar os seus primeiros passos no Congresso Nacional de Turismo Acessível, a 20 de Abril de 2007, tendo como promotores a Câmara Municipal da Lousã, a Provedoria Municipal, o INR (Instituto Nacional de Reabilitação), a ESEC (Escola Superior de Educação de Coimbra), a DRE – Centro (Direcção Regional de Economia do Centro), a ARCIL (Associação de Recuperação dos Cidadãos Inadaptados da Lousã) e a DUECEIRA (Associação de Desenvolvimento do Ceira e Dueça). Após este congresso, o Município da Lousã apostou em se tornar no primeiro destino de Turismo Acessível de Portugal, assumindo assim, a primeira candidatura ao POPH Programa Operacional de Potencial Humano, que tendo sido aprovada, foi apoiada economicamente com fundos comunitários entre 2008 e 2011.
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3,929
A protecção à infância abandonada em tempos de conflito : os expostos em Trancoso (1803-1825)
Expostos -- Trancoso -- 1803-1825
O presente estudo pretende analisar o abandono de crianças em Trancoso, durante um dos períodos mais difíceis da vida do concelho, 1803 a 1825. Na busca das razões subjacentes à exposição procurar-se-ão identificar os constrangimentos económicos, políticos e sociais que motivaram o fenómeno. Tendo como pano de fundo o cenário da Guerra Peninsular, tentar-se-á, igualmente, analisar e relacionar a exposição de crianças com a época conturbada vivida naquela região fronteiriça e determinar as possíveis convergências entre a guerra, a pobreza e as motivações pessoais e familiares subjacentes. Um outro ângulo de análise deste estudo será a forma como a posição geoestratégica da região, na cena política, moldou o novo modelo de assistência aos expostos e os esforços que o concelho, apesar de arruinado, desenvolveu para cumprir o estipulado pela Ordem de Pina Manique, isto é, garantir a sobrevivência dos inocentes abandonados.
Humanidades
3,930
Requalificação, revitalização, reutilização do ramal de Sernada-Aveiro e do Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga como elementos catalisadores do turismo local, nacional e europeu
Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga,Património cultural -- Macinhata do Vouga,Economia do turismo -- Macinhata do Vouga,Turismo cultural -- Macinhata do Vouga
Este projecto visa criar uma nova dinâmica dotando-o de meios que permitam desenvolver um conjunto de iniciativas. Pretende-se promover um pólo de atracção que conduza à diversificação de actividades e investimentos para promoção do património existente e do seu desenvolvimento económico local e regional de um local fortemente ligado à ferrovia. Por isso, será necessário estabelecer, também parcerias fortes e promoção agressiva que dê a conhecer o local e as actividades aí desenvolvidas e a desenvolver. Muitos destes conceitos aqui apresentados serão transpostos para outras intervenções a desenvolver no concelho, para que exista uma ligação entre todas, numa estratégia concertada do desenvolvimento turístico do Município.
Humanidades
3,931
Estudo temático acerca da dispersiva obra de Francisco Salgado Zenha
Zenha, Francisco Salgado, 1923-1993 -- obra
Este trabalho de investigação, do curso de especialização em História das Ideologias e das Utopias Contemporâneas, lembra uma figura política, cujo passado ao serviço da liberdade e da justiça, reclamou com toda a legitimidade o direito a ser recordado. No primeiro capítulo debruçamo-nos sobre Zenha enquanto estudante e dirigente académico na Universidade de Coimbra, onde foi eleito presidente da Associação Académica, em dezembro de 1944 e, foi destituído do cargo seis meses depois, pelo governo de Salazar, por se ter recusado a participar numa manifestação pseudo-espontânea, de apoio ao ditador. Depois conheceu a perseguição e a prisão por razões políticas. No segundo capítulo recordamos o MUD Juvenil e o papel dinamizador de Salgado Zenha nesta organização. Em 1949 participou na campanha eleitoral de Norton de Matos; as medidas repressivas não se fizeram esperar: na madrugada seguinte, ao dia dessas eleições foi preso em Lisboa, pela PIDE. Entre os anos de 1952 e 1953 esteve novamente enclausurado e, nos cinco anos seguintes (1953 – 1958), o Estado salazarista fixou-lhe residência em Lisboa, não podendo sair da capital sem autorização policial. “Da esperança de 1958, ao processo dos católicos” constitui um terceiro item e, è uma viagem histórica à realidade do Estado Novo nas vertentes política e jurídica. Enquanto advogado de barra, demonstrou uma inquebrantável coragem em defesa de muitos, principalmente no Tribunal Plenário e, essa faceta encontra-se retratada no quarto capítulo desta dissertação. Como político, Francisco Salgado Zenha, foi candidato a deputado pela oposição democrática, entre 1965 e 1969. Após a restauração da democracia, distinguiu-se pelo vigor com que participou nos grandes debates da vida nacional, designadamente, abordando temas como a unicidade sindical, o divórcio, a liberdade de ensino, entre muitos outros. Foi ministro da Justiça entre maio de 1974 e julho de 1975; de Outubro de 1975 a Julho de 1976 foi ministro das Finanças, constituindo estes cargos e funções o aspecto reformista de Salgado Zenha e que motivou o capítulo quinto do trabalho. Quando tomou posse o primeiro governo constitucional, presidido por Mário Soares, assumiu o cargo de líder do grupo parlamentar do Partido Socialista, na Assembleia da República. Foi igualmente vice-presidente da Assembleia do Conselho da Europa e presidente do Conselho Nacional do Plano. Após se ter afastado de militante do Partido Socialista (no dia 12 de novembro de 1985) veio a anunciar a sua candidatura à presidência da República, no dia 15 do mesmo mês. Foi o contributo de Salgado Zenha para (segundo as suas palavras) o nascimento de uma nova democracia e uma nova república. Eis o sexto item da dissertação. Nessa campanha, debateram-se temas que confrontavam a rigidez do pensamento político português, tais como, o estado regional, a administração aberta, o direito à informação e a iniciativa legislativa popular, o referendo consultivo nacional, a democracia municipal alargada a grupos de cidadãos, a extinção da proibição de partidos regionais e o referendo consultivo regional. Após 1986, até 1 de novembro de 1993, concentrou-se na sua vida jurídica, no conhecimento do mundo real, na participação cívica, na reflexão filosófica, e no convívio, com os seus amigos de sempre. No último capítulo do trabalho e, antes da reflexão final, demos voz aos amigos de sempre, os que estiveram com ele no jantar dos seus 70 anos. Deixou -nos um exemplo de vida, ao serviço dos valores mais eternos - a liberdade e a tolerância.
Humanidades
3,932
Arquitecturas marcantes da região de Aveiro na viragem do século : que futuro para o património construído da região de Aveiro?
Património cultural -- preservação -- distrito de Aveiro,Arte nova -- distrito de Aveiro,Património construído -- preservação -- distrito de Aveiro
A problemática do património edificado de valor monumental foi objecto de estudo e valorização durante largos anos. Nos finais do século XX, no distrito de Aveiro, surgem manifestações intelectuais no sentido de evidenciar o estilo Arte Nova, tão em voga e valorizado no estrangeiro. Na imprensa local e regional de Aveiro alertavam para o estado em que encontrava o património identificativo da memória colectiva da região, denunciando as demolições existentes sem prévio registo fotográfico e, acima de tudo, chamavam a atenção para sua defesa e preservação. Os edifícios têm intrinsecamente uma história de vivência cultural que directa ou indirectamente influencia a história local. Com o objectivo da preservação e recuperação do património, juntam-se numa parceria vários saberes multidisciplinares de âmbito privado ou colectivo. A identificação do património construído, a sua caracterização e análise mais profunda permite fornecer por um lado o panorama sobre as características da corrente Arte Nova da região, por outro lado o estado actual do património que é na sua maioria de origem particular. Neste sentido, o esforço institucional e o exercício de cidadania na divulgação de programas de acção que incluem as noções de património, preservação, salvaguarda, reutilização e revitalização são fulcrais para não deixar cair a memória identificativa de uma região que se apresenta muito próspera.
Humanidades
3,933
A emigração feminina no concelho da Figueira da Foz com destino a França : (1960-1975)
Mulher emigrante -- França -- 1960-1975,Figueira da Foz -- 1960-1975,Emigração portuguesa -- França -- 1960-1975
O tema da emigração é recorrente na história de Portugal, em todos os tempos os portugueses saíram do país em busca de aventura, de melhores condições de vida e de trabalho. Constitui, pois, um tema que tem merecido vários estudos e são muitos os trabalhos elaborados em torno da emigração portuguesa. Sendo um tema muito analisado, o estudo que se efectuou procurou desenvolver um aspecto menos conhecido, a emigração das mulheres no âmbito da microhistória, mais concretamente no concelho da Figueira da Foz, entre 1960 e 1975. A emigração feminina caracteriza-se essencialmente pela sua planificação, pela organização e enquadra-se numa segunda fase da emigração: a do reagrupamento familiar. Foi uma emigração maioritariamente legal ao contrário da masculina. O estudo tem, portanto, como objectivo analisar o processo emigratório feminino, desde a sua situação em Portugal até à instalação em França. Como base de estudo, recorreu-se, entre outras fontes, aos Boletins de Emigração, elementos chaves dos processos de emigração, na medida em que disponibilizam os elementos essenciais acerca da emigrante. A título complementar, fizeram-se também entrevistas a antigas emigrantes de forma a aceder aos lados mais privados e escondidos dos processos emigratórios: as condições das viagens, os seus custos, as dificuldades do quotidiano em França, sobretudo no que respeita ao alojamento.
Humanidades
3,934
A assistência à infância em Torres Novas : estudo dos subsídios de lactação concedidos pela Câmara Municipal : (1873-1910)
Assistência à infância -- Torres Novas -- 1837-1910
O objectivo deste trabalho é efectuar o estudo de uma temática pouco explorada da história da assistência à infância; em particular os subsídios de lactação a crianças pobres, atribuídos por um município da zona Centro do país, no período final da monarquia. Elegemos como território para análise o concelho Torres Novas e o arco cronológico de 1873 a 1910. Utilizámos como principal fonte de investigação os livros de registo dos subsídios de lactação depositados no Arquivo Municipal de Torres Novas, cruzando os dados aí recolhidos com outras fontes de cariz municipal. Estruturámos o nosso estudo em seis capítulos. No primeiro, contextualizámos o papel do Estado na assistência à infância desvalida e abandonada no século XIX. No capítulo seguinte caracterizámos a vila e concelho de Torres Novas no período em estudo. O terceiro capítulo é dedicado ao enquadramento normativo dos subsídios camarários de lactação e à descrição das fontes utilizadas. O capítulo quatro foi destinado aos requerentes, onde analisámos primeiramente os processos de intimação efectuados às mulheres grávidas, para de seguida caracterizar os requerentes segundo o estado conjugal e o local de residência. No quinto capítulo descrevemos as crianças subsidiadas. O último capítulo é dedicado às despesas do município com os desvalidos.
Humanidades
3,935
Pobreza comum, vala partilhada. A pobreza coimbrã através dos registos de enterramento na vala geral do cemitério da Conchada (1871-1890)
Cemitério da Conchada,Coimbra,Enterros na vala comum,Pobreza,Regeneração (1871-1890)
A presente dissertação estuda a pobreza em Coimbra na segunda metade do século XIX, precisamente entre 1871 e 1890, a partir de fontes manuscritas: registos de enterramento na vala comum do cemitério da Conchada e registos dos Hospitais da Universidade de Coimbra; e de fontes impressas: Anais do Município de Coimbra; Regulamento para o cemitério Municipal de Coimbra; recenseamentos populacionais, jornais locais (Gazeta de Coimbra, Jornal de Coimbra, O Conimbricense) e legislação. Num primeiro momento, a partir de estudos já feitos, esclarece-se o que é a pobreza e o pobre e os seus vários conceitos, o que foi a assistência liberal, o que se sabe já sobre a pobreza em Coimbra e como surgiram os cemitérios em Portugal. No final coube falar das fontes a utilizar, apontando as suas potencialidades e fragilidades para responderem ao que se lhes perguntou. Numa segunda fase, para a necessária contextualização, traça-se o panorama de Portugal e de Coimbra na segunda metade do século, sob o ponto de vista político e socioeconómico, não se reconhecendo mudanças nas condições de vida dos mais desfavorecidos. Nos capítulos seguintes são explorados os registos de enterramento na vala comum do cemitério da Conchada como fontes para o estudo da pobreza. Trata-se de uma análise detalhada desta gente pobre (que a fonte já circunscreveu) e que permite traçar uma imagem da pobreza coimbrã, através das várias características apresentadas como a naturalidade, a filiação, a profissão, as doenças, a idade aquando da morte, entre outras.
Humanidades
3,937
As Eleições Europeias em Portugal e a influência dos Media. 1987-2014
Eleições Europeias em Portugal.,Influência dos média nas eleições para o Parlamento Europeu.,As eleições europeias em Portugal 1987-2014.
Esta dissertação de mestrado, tem por objetivo aprofundar vários aspetos do Parlamento Europeu e das suas eleições em Portugal. Numa primeira fase do trabalho, temos uma perspetiva histórica sobre a evolução do Parlamento Europeu e as eleições europeias em Portugal. Numa segunda fase (prática), analisaremos vários dados e tiramos as conclusões sobre a influência dos média neste tema das eleições europeias, em Portugal.
Humanidades
3,939
Uma revista feminina em tempo de guerra : o caso da "Eva" (1939-1945)
Imprensa periódica feminina -- Portugal -- 1939-1945,Revista Eva -- 1939-1945
Esta investigação teve como propósito analisar uma revista feminina durante os anos da Segunda Guerra Mundial, tendo recaído o estudo sobre a “Eva”, sendo sua directora, durante o período 1939-1945, Carolina Homem Christo. De um modo geral, a guerra dificultou o acesso a bens, diminuiu o poder de compra e, evidentemente, direccionou os olhares para outras questões, dificultando a venda da revista, uma vez que não é um bem essencial, assim como tornou mais complexa a sua própria edição, devido à escassez de papel e aumento dos restantes materiais imprescindíveis à sua edição. Procurou-se determinar como se conseguiu adaptar aos tempos de guerra e quais as estratégias usadas. Sendo uma revista dirigida ao sexo feminino, e num período em que o discurso oficial exalta a dona de casa, interessa conhecer a sua actividade no lar, que se coaduna com o bem-estar do marido e a educação dos filhos. Dessa forma, a análise incidiu sobre os diversos aspectos dessa condição, demonstrando que os propósitos da revista foram ao encontro da ideologia oficial do Estado Novo, sobretudo no que respeita a economizar e gerir materialmente o lar. Apesar da mensagem de modernidade que a revista anunciava, a análise do seu conteúdo, demonstra que esta ainda estava revestida de algum conservadorismo que, acreditamos, ser consequência do regime implantado.
Humanidades
3,943
"Ingratos" e "Desumanos": Acidentes Laborais em Coimbra (1930-1935)
Acidentes de Trabalho,Coimbra,Companhias de Seguro,Estado Novo,Industrialização,Tribunal do Trabalho,Industrialization,Insure Companies,Labor Court,Work Accidents
Esta dissertação tem como objetivo analisar os processos do Tribunal de Trabalho de Coimbra, relativos ao período de 1930-1935, e simultaneamente, refletir sobre o mercado de trabalho e conhecer melhor as condições em que os sinistrados viviam e trabalhavam. Analisa-se igualmente a génese dos Tribunais de Trabalho, enquadrando-os no desenvolvimento económico, político e social nacional. Procede-se, finalmente, ao esboço sociológico dos sinistrados, à análise das causas dos acidentes, aos conflitos com os empregadores e companhias de seguro, salientando o papel do tribunal como mediador.
Humanidades
3,944
Os Bispos de Macau (1576-1782)
Macau,Bispos,Igreja,sec. XVI-XVIII,Diocese
Os bispos constituíram uma importante elite durante o Antigo Regime. A nomeação régia seguida de confirmação apostólica, complementada pelo carácter sagrado do múnus episcopal, proporcionaram a formação de um corpo de indivíduos que, para além de obrigações religiosas, devia zelar pelo cumprimento das disposições régias e colaborar no governo temporal dos territórios que lhes eram adstritos, ao mesmo tempo que lhes cabia vigiar e controlar o comportamento das poluções que mantinham sobre a sua jurisdição. Deste modo, compreender o arquétipo procurado para cada território e conhecer a forma como os poderes se relacionaram com esta elite, afigura-se indispensável para o conhecimento do passado histórico de qualquer comunidade. A presente dissertação pretende dar um contributo no cumprimento desse objetivo em relação aos bispos de Macau, desde a criação da diocese (1576) até ao fim do mandato do último bispo nomeado durante o consulado pombalino (1782). A situação multicultural, o estatuto ambíguo e em permanente renovação aliada à dupla subordinação ao representante da Coroa portuguesa e o imperador chinês, foram circunstâncias que tornaram a presença e atuação episcopal neste território peculiares no contexto do império português. Numa perspetiva comparativa, partindo dos modelos episcopais procurados para os restantes espaços ultramarinos particularmente, o estudo do modelo dos bispos escolhidos para Macau permite um conhecimento aprimorado sobre as estratégias régias específicas que orientaram os soberanos no governo do território. Finalmente, o presente estudo pretende ser novo contributo para o conhecimento dos bispos nos territórios ultramarinos portugueses.
Humanidades
3,945
A Logística Militar na Cronística Portuguesa de Quatrocentos
Guerra Medieval,Logistica
A logística militar medieval é um tema pouco explorado, mas que possui grande importância. Sem a logística, sem toda aquela máquina que funciona por detrás de uma expedição, a hoste nunca poderia atingir o seu objetivo, nunca poderia chegar ao local de uma batalha, ou sequer montar cerco a uma cidade fortificada. Por detrás de qualquer empreendimento militar existe a logística, algo que não se vê mas sem o qual a campanha não poderia funcionar. Reconhecemo-lo na necessidade de abastecimento dos exércitos medievais, na coluna de marcha, na organização e localização do acampamento, bem como no transporte de todos os materiais necessários à guerra e à sobrevivência dos homens de armas. Para uma expedição se realizar, os homens necessitam de ser alimentados; a coluna de marcha necessita de ser organizada e conduzida de modo a não encontrar emboscadas ou a perder-se pelo caminho; o acampamento tem de ser devidamente organizado, vigiado, instalado onde haja água, lenha e erva; as passagens de rios, sempre complicadas para os exércitos medievais carregados com todas as suas forragens, implicavam que também nestes momentos houvesse um elevado nível de organização. Através das crónicas iremos observar como a logística funcionava no mundo militar português de Quatrocentos.
Humanidades
3,946
O homem guerreiro e os desafios feministas : perspectivas teóricas feministas em relações internacionais e o activismo antimilitaristas feminista nos Balcãs
Movimentos feministas -- Sérvia,Anti-militarismo
A presente dissertação pretende trazer para a disciplina de Estudos Europeus a contribuição das teorias feministas em Relações Internacionais na análise das dinâmicas e complexidades que compõem o actual panorama político internacional. Este estudo com base nas teorias e metodologias feministas incide sobre as mulheres nos Balcãs particularmente sobre o activismo feminista antimilitarista na Sérvia protagonizado pelas Mulheres de Negro de Belgrado. É objectivo demonstrar a forma como as suas lutas e reivindicações contribuíram para inclusão na Agenda internacional da problemática da violência e dos abusos das mulheres em contextos de guerra, nomeadamente para a introdução do crime de violação sexual, ocorrida durante os conflitos, nos mecanismos legais do Direito Internacional. Apesar de as mulheres desempenharem um papel activo na reconstrução pós-bélica, é verificado que as Organizações Internacionais que dirigem as missões de paz continuam a negligenciar o seu papel neste processo. Assim, pretende-se com este estudo conferir visibilidade às alternativas antinacionalistas e anti-militaristas propostas pelas Mulheres de Negro de Belgrado, que, ao constituírem-se em rede com outras organizações feministas à escala global, estão a criar um espaço de resistência e de debate para a introdução de novas perspectivas que possam contribuir para a reformulação do conceito de cidadania europeia.
Humanidades
3,947
A Mulher, a Política e os Media
Mulher, Política e Medias,Estdos Europeus
E se o mundo fosse só dos Homens? Qual a influência que as mulheres têm? Esta dissertação pretende fundamentar a ideia de que a Mulher tem vindo a desenvolver e a intensificar o seu papel no Mundo, tanto socialmente como profissionalmente. Ao longo dos séculos, a mulher tem vindo a evoluir na sua estrutura enquanto ser humano, mãe e trabalhadora. No entanto, essa evolução não tem existido sem entraves, pois a sociedade ainda a vê maioritariamente como mãe/doméstica. Este trabalho demonstra como, cada vez mais, se intensifica o poder da mulher na sociedade e na política, além de como os media reagem perante esta mudança social. Como vêem e apresentam a mulher política, em que difere a apresentação que fazem do homem político e como podem facilitar ou complicar a vida destas mulheres que optaram por uma carreira, maioritariamente, masculina. A ideia de uma mulher desempenhar um cargo político ainda é mal vista e pouco aceite. Contudo, o mundo tem vindo a conhecer cada vez mais mulheres no poder, tais como Angela Merkel, Indira Gandhi e Margareth Thatcher vieram fundamentar o seu poder e modificar as opiniões públicas. Apesar disso, os media têm um grande poder e influência, e não têm vindo a retratar de forma justa e semelhante as mulheres, sobretudo as de áreas políticas. Utilizam mais a sua propaganda para falar sobre elas enquanto mulheres e não enquanto detentoras de cargos políticos, quer estejam a atuar de forma considerada correta ou incorreta. Assim sendo, este estudo vem apresentar uma nova mulher que, cada vez mais, procura um lugar na sociedade, uma mulher trabalhadora, independente, responsável e académica. Uma mulher dos sete ofícios.
Humanidades
3,949
O fundo de coesão II : normas e práticas no horizonte português
Integração económica europeia,Fundo de coesão -- país da UE,Desenvolvimento económico -- Portugal
A integração europeia trouxe, ao longo do seu desenvolvimento, um conjunto de desafios e de impasses, resolvidos frequentemente com novas políticas comunitárias, construindo cada vez mais uma natureza de compromisso entre os países e criando paulatinamente um sentimento europeu próprio. A dinâmica europeia significa muitas vezes a cedência mútua entre os vários grupos de interesse no seio e em prol da comunidade como um todo. Esta dissertação pretende dar um contributo de base para o estudo do Fundo de Coesão, instrumento que fornece, a par com os restantes fundos estruturais, uma materialização da política de coesão da UE, que dá resposta ao crescente fosso entre os mais ricos e os mais pobres da união. Ao concentrar a análise do objecto de estudo no seu segundo período de programação, de 2000 a 2006, apresenta-se uma perspectiva geral que se identifica com um ponto de viragem face à nova conjuntura em constante definição após o fim da Guerra fria. Nesta compilação consideraram-se aspectos teóricos, ligados às estruturas legais adoptadas, e a vivência prática com os resultados reais, fazendo a ligação desta com o que foi idealizado inicialmente. Em paralelo, tentou-se abordar o objecto de estudo numa vertente comunitária, em primeiro lugar, transpondo-se depois para uma visão sobre Portugal, tendo em conta as semelhanças e peculiaridades inerentes às temáticas em causa.
Humanidades
3,950
A boa comida no início do século XXI - Entre Carlo Petrini e Michael Pollan
História Contemporânea,História da Alimentação
Este trabalho apresenta uma reflexão sobre o que significa boa comida para Carlo Petrini, gastrônomo italiano fundador do movimento internacional Slow Food; e para Michael Pollan, jornalista e ativista estadunidense. Usaremos como fontes da construção dessa dissertação os livros Buono, Pulito e Giusto – Principî de nuova gastronomia de Carlo Petrini, publicado em Maio de 2005 e Em defesa da comida: um manifesto de Michael Pollan, publicado em 2008. Duas questões de fundo atravessam nossa investigação. A primeira é uma busca por saber quais são as especificidades, convergências e divergências dos discursos de Petrini e Pollan sobre a boa comida no início do século XXI. A segunda é para pensarmos qual o mundo que possibilita a emergência de tais discursos. Para refletirmos sobre essas questões dividimos o trabalho em três capítulos: 1. O bom e o gosto entre tempos; 2. O bom para Carlo Petrini e o Slow Food; 3. O bom para Michael Pollan.
Humanidades
3,951
O Ensino Público e Privado em Portugal: uma abordagem histórico-geográfica no município de Coimbra
Ensino Privado e Público em Portugal: uma abordagem histórico-geográfico no município de Coimbra
O presente relatório tem como principal objetivo descrever as atividades letivas e extralectivas desenvolvidas no âmbito do Estágio Pedagógico Supervisionado realizado no Colégio São Teotónio, em Coimbra, no ano letivo 2013/2014. Pretende-se, ainda, apresentar os resultados das investigações relativas a dois trabalhos científicos, assim como a sua respetiva aplicação pedagógica. Os suprarreferidos estudos foram desenvolvidos no âmbito dos Seminários de História e Geografia, subordinados ao tema “O ensino público e privado em Portugal: uma abordagem histórico-geográfica no município de Coimbra (1930-2011)”.
Humanidades
3,952
A arte militar bizantina: o tratado De Velitatione Bellica (séc. X)
História,História Militar
A tratadística militar bizantina é um assunto virgem em Portugal, mas tem despertado o interesse da comunidade científica internacional, sobretudo devido à sua importância para a compreensão das táticas, do armamento e da composição do exército romano do Oriente. Em finais do século X, foi redigido em Bizâncio um tratado militar anónimo intitulado De velitatione bellica. Segundo alguns estudiosos, a autoria da obra pode ser atribuída ao imperador Nicéforo Focas; mas mesmo que se admita que este reputado general não foi o autor material do tratado, é visível que a sua controversa personagem e a sua carreira constituíram a principal fonte de inspiração do De velitatione bellica. Através das páginas deste tratado singular iremos então analisar a forma como a guerra era travada nas fronteiras do Tauro, onde se utilizavam táticas que poderemos considerar “de guerrilha”, postas em prática por forças regulares das circunscrições administrativas bizantinas – os témata. O interesse da obra atribuída ao imperador Nicéforo não se esgota, porém, neste tema: assuntos tão variados como a legitimação (póstuma) da família Focas ou a relação entre Bizâncio e o Islão também são abordados, tornando-o um caso de estudo único dentro do seu género. A análise do tratado é complementada com a necessária consulta de fontes árabes e bizantinas, bem como de estudos da especialidade. Sempre que possível, recorreu-se aos outros tratados bizantinos mais relevantes, como o Stratēgikón de Maurício (séc. VII) ou o Taktiká de Leão VI (séc. X), no sentido de verificar se o De velitatione bellica tem uma elevada dose de originalidade ou se, pelo contrário, continua a utilizar o antigo modelo, baseado nas obras dos autores clássicos.
Humanidades
3,953
Museu Judaico de Belmonte. Memória e Identidade Criptojudaica
História,Museologia
A presença judaica na Península Ibérica e nomeadamente em Portugal remonta às origens da nacionalidade. Em Belmonte, um dos mais antigos municípios portugueses, a presença da comunidade judaica que ali reside confunde-se com a história da localidade. Da necessidade de preservar a memória e a identidade judaicas, aliada à necessidade de dinamizar as atividades culturais e seus potenciais econômicos, surgiu a idéia de construir um museu judaico em Belmonte, hà pouco mais de uma década. O objetivo deste trabalho é avaliar o papel desempenhado pelo Museu Judaico de Belmonte, sua capacidade de identificação com as singularidades locais e a efetividade de suas ações, como uma instituição destinada à preservação da memória e da identidade judaica e criptojudaica. Para atingir o objetivo proposto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, documental e de campo, buscando contextualizar a instituição museológica através de uma concepção da nova museologia, onde o museu é inserido na vida social, cultural e econômica da comunidade. A conclusão do trabalho possibilitou identificar a articulação do museu com as demais instituições do município e região, para bem cumprir sua missão. Verificou-se, também, sua integração, como parte de um importante projecto de desenvolvimento do turismo cultural na Beira Interior, na Região Centro de Portugal. Palavras chave: Museu Judaico; História; Memória; Identidade Criptojudaica; Belmonte.
Humanidades
3,955
O segundo cerco de Diu (1546): estudo de história política e militar
Cerco de Diu -- História,História política e militar -- Portugal -- séc.16
A presente dissertação estuda o segundo cerco à fortaleza portuguesa de Diu, pelas forças do sultanato do Guzerate, capitaneadas por Coge Sofar, mercador e senhor de Surrate, que teve lugar entre Abril e Novembro de 1546. Acontecimento de incontestável importância para o “Estado da Índia”, este cerco não apenas definiu parte da governação de D. João de Castro (1545-1548) mas também representou a derradeira tentativa guzerate para retomar a fortaleza de Diu, entregue aos portugueses em 1535. Procuramos, numa primeira fase, compreender o contexto político desta operação militar, apresentando os principais momentos das relações luso-guzerates, desde a chegada de Vasco da Gama ao Índico, em 1498, até 1546. Encetamos de seguida uma análise das forças sitiantes guzerates e da defesa portuguesa. Pretendemos observar as estratégias, os efectivos, a organização dos homens, o armamento, as técnicas e as tácticas utilizadas, bem como as motivações e algumas vivências que definiram o cerco. Analisando este evento no contexto da arte da guerra quinhentista europeia e oriental, o nosso estudo pretende contribuir para um melhor conhecimento do fenómeno bélico na Expansão Portuguesa na Ásia.
Humanidades
3,956
Lúcio Costa em Ouro Preto: A invenção de uma "cidade barroca"
Lúcio Costa,Ouro Preto -- Brasil,Instituto do Patrimonio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN,Serviço do Patrimonio Histórico e Artístico Nacional - SPHAN,Barroco mineiro -- Brasil,Arquitetura colonial,Arquitetura moderna
Este trabalho propõe-se investigar mais a fundo o momento em que os temas “Lúcio Costa”, “Ouro Preto” e “Sphan” reuniram-se numa mesma conjuntura histórica: as décadas de 1930 a 1970, momento definidor das práticas preservacionistas no Brasil. Ao estudar tais assuntos, procura-se analisar a atuação do Sphan e, principalmente, de Lúcio Costa (principal teórico da instituição) em Ouro Preto, cidade que se tornou o símbolo da nacionalidade brasileira e paradigma para a política de preservação do património arquitetónico no Brasil. Procuramos entender a criação do Sphan, instituição responsável pela eleição dos patrimónios nacionais do Brasil, a atuação de Lúcio Costa como um de seus principais teóricos e as intervenções ocorridas em Ouro Preto, como produtos de um determinado contexto histórico em que diversos grupos, cada qual com uma proposta distinta para a Nação, lutavam entre si pela hegemonia. Compreendendo este contexto, procuramos mostrar que a atuação do Sphan e de Lúcio Costa em Ouro Preto, através dos tombamentos, reformas, restauros e demolições, contribuíram para reafirmar a cidade de Ouro Preto e o “barroco mineiro” como génese da cultura brasileira. Assim como, permitiu à arquitetura moderna, defendida por Lúcio Costa, justificar-se como herdeira direta da arquitetura colonial e nesse sentido, como a única capaz de expressar a verdadeira nacionalidade do povo brasileiro no século XX. Entre as demolições e reconstituições arquitetónicas efetuadas pelo Sphan inventou-se uma cidade de características “barrocas” onde a única arquitetura permitida além da colonial, era a moderna já que era considerada a legítima herdeira da boa tradição colonial.
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3,960
A Grande Guerra de 1914 – 1918 e a invenção de uma tradição cívica. O culto do Soldado Desconhecido
Grande Guerra,Frente Ocidental,Soldado Desconhecido,Túmulo,Luto,Culto cívico,The Great War,Western Front,Unknown Soldier,Tomb,Mourning,Civic cult
O ano de 2014 marcará o centenário do início da Guerra de 1914 – 1918, uma guerra como nunca se tinha visto no mundo. Uma guerra que devastaria a Europa e se tornaria global devido aos países envolvidos serem também potências coloniais. Consciente deste facto, ponderei abordar este tema abrangente da História, Política, Economia, Sociologia, Cultura e outros , não só a nível europeu mas a nível mundial, como dissertação de mestrado em Estudos Europeus. Outra das razões que me motivou para este estudo foi o facto de se ignorar tanto esta Guerra, quer a nível do ensino secundário, quer a nível de estudos superiores. Esta “Introdução”, a que normalmente se chama também “prefácio” é, de facto, um “posfácio”, ou seja, é escrita depois deste trabalho estar já delineado e a minha preparação bastante adiantada. Não faria sentido fazer planos sobre um tópico sem conhecer quais as possibilidades ou dificuldades que iria encontrar. Assim compreendo talvez um pouco sobre como em Portugal se ignora tanto esta Guerra e penso que uma das razões poderá ser o desempenho das nossas tropas tanto na Frente Ocidental como nas Frentes africanas de Angola e Moçambique, que poderá ter sido prejudicado pela política partidária agitada, da jovem República Portuguesa, na sua luta pela sobrevivência. Não me deterei sobre o desempenho das tropas nos campos de batalha, nem sobre as lutas políticas em Portugal que afectaram esse desempenho, mas debruçar sobre os horrores e sofrimentos de todos os militares e população civil ao longo de quatro anos e alguns meses de guerra. O tema “ A Grande Guerra de 1914 – 1918 e a invenção de uma tradição cívica, o culto do Soldado Desconhecido” provava ser de uma vastidão enorme, impossível de descrever numa dissertação de carácter limitado . Assim decidi fazer uma, abordagem da Guerra e das suas consequências como introdução alargada . O Capítulo I servirá como pano de fundo ou cenário para a compreensão do tema específico ,“A invenção de uma tradição cívica. O Culto do Soldado Desconhecido” que abordarei no Capítulo II. Ao escolher este tema julgo lembrar e honrar, neste centenário, todos os militares que combateram e morreram naquela terrível Guerra, especialmente aqueles que nela tudo perderam até o seu nome, “ os Soldados Desconhecidos”.
Humanidades
3,965
O espólio de António Gomes da Rocha Madahil e a sua importância para a História do Museu de Aveiro
Apresentação e tratamento do espólio,Estudo e análise do material documental
Este trabalho tem como objeto de estudo o Arquivo histórico do Museu de Aveiro, em concreto, o espólio que pertenceu ao Dr. António Gomes da Rocha Madahíl, que o próprio e os seus herdeiros doaram ao Museu de Aveiro. Os documentos que constituem este espólio transmitem informações históricas e sociais da época a que pertencem, e promovem a compreensão do papel desempenhado pelo Museu de Aveiro ao longo do tempo e a sua proximidade com a comunidade fortalecendo a sua identidade.
Humanidades
3,966
Cooperação transfronteiriça e coesão territorial : o caso ibérico : Minho-Lima/Pontevedra e Baixo Alentejo e Algarve/Huelva
Cooperação transfronteiriça -- Portugal-Espanha,Coesão territorial,Cooperação internacional -- Portugal-Espanha,Relações económicas -- Portugal-Espanha
Considerando o mais profundo processo de integração regional da actualidade, a União Europeia (UE) é decididamente uma referência para qualquer tipo de experiência de integração regional no mundo. Mas, as assimetrias dentro das fronteiras internas levaram a Comunidade a adoptar políticas, pois, era imperioso encontrar medidas que mitiguem os efeitos negativos do processo de liberalização trazido pela integração. Tal facto levou a que, desde o primeiro Tratado da Comunidade, a preocupação em busca da coesão económica e social estivesse sempre presente nas políticas comunitárias. Já mais recentemente foi acrescentada a coesão territorial, como um objectivo estrutural a cumprir. O conjunto de políticas europeias de âmbito regional, implementadas por meio dos fundos estruturais, tem sido direccionado para a prossecução de tais objectivos. É neste quadro que o nosso trabalho se insere, tendo em conta, por um lado, a abertura das fronteiras e, por outro, as políticas europeias que têm como missão a coesão económica, social e territorial no espaço da união. Neste âmbito a Cooperação Transfronteiriça terá, certamente, uma importância acrescida, dadas as características que estes territórios apresentam e as debilidades das infra-estruturas e equipamentos, a que se associam problemas de envelhecimento e fraco dinamismo socioeconómico. Estes foram assim os fundamentos que nos estimularam para o objecto desta dissertação. No essencial, tendo em conta os quadros plurianuais de programação da Cooperação Transfronteiriça entre Portugal e Espanha (2000-2006 e 2007-2013) e, considerando o eixo prioritário relativo ao ordenamento do território e acessibilidades, efectuamos uma análise integrada que permita uma leitura e avaliação retrospectiva e comparativa. Esta consiste em analisar o impacto e os benefícios produzidos na dinâmica de convergência nos domínios demográfico e socioeconómico das NUTS III objecto do nosso estudo, Minho-Lima/Pontevedra e Baixo Alentejo e Algarve/Huelva, no período de 2001 a 2009.
Humanidades
3,967
Almoxarifes e Almoxarifados ao tempo de D. Afonso IV
História Económica -- Séc. 14,História das Instituições -- Séc. 14,História Fiscal Portuguesa -- Séc. 14
A presente dissertação centra-se no estudo de uma instituição de cariz financeiro – os almoxarifados – e dos seus agentes – os almoxarifes –, durante o reinado de D. Afonso IV (1325-1357). Numa primeira parte, percorrem-se as origens (de D. Sancho I a D. Sancho II) e o desenvolvimento desta instituição (com D. Afonso III e D. Dinis), interpretando-se não só a organização da burocracia fiscal, no âmbito da crescente complexidade administrativa, como, também, a transição de uma flexibilidade de funções para uma definição clara das competências destes oficiais do fisco. Numa segunda parte, já no reinado de D. Afonso IV, analisa-se a afirmação orgânico-funcional dos almoxarifados, alicerçada na documentação da Chancelaria e na legislação aplicável, para a regulação desta instituição. Identificam-se as unidades orgânicas que compunham a rede de almoxarifados, problematizando as suas várias tipologias. De igual forma, identificam-se os almoxarifes responsáveis por cada unidade orgânica, definindo claramente as suas funções e competências, não deixando de examinar a sua representação nas Cortes de D. Afonso IV.
Humanidades
3,968
A dependência energética em termos de gás natural da União Europeia face à Rússia
Estudos Europeus,Relações Internacionais
A energia é sem dúvida alguma um bem essencial ao desenvolvimento mundial e à população. Contudo, devido à sua relevância no panorama global é sempre uma temática cuidadosamente abordada pelas potências, quer produtoras quer consumidoras, pois os recursos energéticos tornam uma grande parte do mundo dependente de outra bem mais pequena, o que por vezes gera problemas de fácil ou difícil resolução. A União Europeia é naturalmente uma região parca em recursos energéticos, destacando-se, no entanto, o carvão que originou um conflito entre a Alemanha e a França que acabou por conduzir à 1ª Guerra Mundial e mais tarde à primeira forma de união europeia, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Assim, a União Europeia, devido ao elevado grau de desenvolvimento dos seus Estados-membros, viu-se obrigada a importar grande parte da energia que consumia, sendo a Rússia um dos principais abastecedores. Em termos de gás natural o vizinho do leste europeu é responsável por mais de 50% das importações da União Europeia. Este estudo pretende, então, abordar esta relação de dependência energética em termos de gás natural principalmente no último quartel do século XX, desde o fim da União Soviética até aos dias de hoje. Paralelamente a esta abordagem relativamente à dependência pretende-se discutir e apresentar alternativas. Numa primeira fase desta dissertação englobada no capítulo dois, aborda-se a geopolítica entre as duas potências com especial enfoque a uma Rússia acabada de sair de uma mudança radical a todos os níveis, enfrentando uma grave crise resultado de uma política de mudança na ex-União Soviética levada a cabo por Gorbatchev que se relevou desastrosa, deixando a Rússia no fundo. Contudo, a última quinzena de anos revelou um homem que mudou os destinos do gigante energético, de seu nome Vladimir Putin, que tem reservado para si os principais cargos, tendo-se revezado como Presidente da República e como Primeiro-ministro, surgindo atualmente como Presidente da República e Dmitri Medvedev como Primeiro-Ministro, sendo que a esfera do poder e da decisão na Rússia se tem mantido nestes dois políticos. O terceiro capítulo aborda com mais enfoque as relações entre a União Europeia e a Rússia, na cooperação e na política que desenvolvem conjuntamente. Para além destes dá-se um especial enfoque a situações limite que tiveram a União Europeia e a Rússia em lados opostos, como são os casos da guerra na Geórgia, dos nacionalismos das ex-Repúblicas Soviéticas e das guerras do gás envolvendo a Ucrânia e que atravessa um momento complicado enquanto nação, fruto precisamente de um braço de ferro com a Rússia que não pretende abrir mão da “soberania” que detêm sobre a Ucrânia e tenta parar uma aproximação à União Europeia, utilizando o gás natural como trunfo. Nestes últimos tempos, temos assistido a uma recomposição das relações e dos poderes entre estas duas potências. A aproximação em termos energéticos deu-se sobretudo com a aposta, tanto da Rússia como da União Europeia, de fazer passar novas rotas de abastecimento de gás natural oriundas diretamente da Rússia quer pelo norte europeu, quer pelo sul. Mas esta aposta deu-se sobretudo para evitar uma importância cada vez maior da Ucrânia nesta questão das rotas energéticas uma vez que grande parte do gás natural que provém da Rússia para a União Europeia atravessa o território ucraniano. O papel da Ucrânia ganhou ainda mais relevo com os recentes acontecimentos e levou a um esfriar desta aproximação entre as potências que a ladeiam, encontrando-se um país profundamente dividido entre o ocidente encabeçado pela União Europeia e pelos Estados Unidos da América e um leste com a Rússia a apoiar todos os movimentos separatistas no país. Finalmente abordar a dependência entre a União Europeia e a Rússia, analisando os principais gasodutos e a rede de abastecimento europeia e o poder económico das grandes empresas nomeadamente no processo de decisão nas mais elevadas instâncias políticas. O futuro desta dependência pode passar por outras opções como as energias renováveis e mesmo outros pontos de importação de gás natural como é o Magrebe atualmente. Pretende-se assim demonstrar que esta dependência avassaladora da União Europeia face à Rússia pode ser minorada se a aposta dos principais líderes políticos assim o entender, invertendo a aposta até aqui realizada. Palavras-Chave: União Europeia, Rússia, dependência energética, gás natural, geopolítica, energia, recursos energéticos, energias renováveis
Humanidades
3,970
Museu de lanifícios da Universidade da Beira Interior: propostas de intervenção museológica
Património Industrial,Turismo Industrial,Covilhã,Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior,Gestão e Programação Cultural,Públicos da Cultura,Jovens Universitários da UBI
Das ruínas das antigas fábricas de lanifícios, reflexos da desindustrialização, despoletou a instituição responsável pelo renascimento da cidade, e que se se transformou ela própria uma marca inapagável da história da Covilhã: a Universidade da Beira Interior, que se tornou, ao tomar parte deste património, igualmente, responsável pela história da cidade, assumindo como encargo a salvaguarda e preservação dos vestígios que herdou desta forma de produção têxtil milenar. A UBI teve o mérito de valorizar a Covilhã, criando o Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior, responsável pela salvaguarda da área das tinturarias da antiga manufatura de estado, fundada pelo Marquês de Pombal, em 1764. O Museu garante a preservação, manutenção e divulgação deste património, o instrumento mais eficaz na transmissão da história e dos factos em torno do labor às gerações seguintes, honrando as memórias dos construtores desta indústria e os vários momentos dessa construção. No entanto, nem sempre os mais jovens, temporalmente afastados desta importante industria, demonstram o interesse que seria esperado pelo Museu, que, para se tornar suficientemente atrativo, carece de uma constante adaptação. Neste contexto, após uma reflexão sobre a importância da indústria e dos seus vestígios, desenvolveu-se um estudo cujo propósito é contribuir para o aumento do conhecimento do Museu de Lanifícios sobre o público jovem universitário da UBI, a nível dos seus hábitos e motivações culturais. Conhecer o perfil deste público possibilitou o desenvolvimento de estratégias de melhoramento da imagem do Museu, através de ações adaptadas aos seus gostos, ao nível de comunicação e da programação. Através destas propostas, procedeu-se ao desenvolvimento de projetos, que visaram a valorização e rentabilização do património que se encontra sobre a alçada do MUSLAN, assim como a ampliação da sua oferta cultural.
Humanidades
3,972
As Cortes de Coimbra e Évora de 1472-73
Política Parlamentar,Cortes,Afonso V,Dinastia de Avis
O objectivo da presente dissertação passa por transcrever, analisar e problematizar os Capítulos Gerais das Cortes de Coimbra e Évora de 1472-73, nos finais do reinado de Afonso V. Para tal, introduzimos o tema do estudo do discurso político com uma abordagem cronológica ao nascimento das instituições e órgãos parlamentares, onde incluímos, para além de Portugal, Leão e Castela e Inglaterra. São depois evidenciados os momentos deliberativos das Cortes na Dinastia de Avis – o seu nascimento e a sua extinção. De seguida, introduzimos o objecto de estudo com uma breve abordagem à actividade parlamentar no tempo de Afonso V, dividido por antecedentes, período de regência de D. Leonor de Aragão e de D. Pedro, Duque de Coimbra, e finalmente o seu reinado de facto. Concluímos este trabalho com um capítulo inteiramente dedicado ao tratamento da informação e da retórica nos capítulos, respostas e preâmbulo das Cortes de 1472-73. Complementámos com a acoplação em anexo da documentação transcrita, do desdobramento desses textos através de tabelas analíticas e uma base de dados em suporte digital.
Humanidades
3,973
Museu do Vinho de Alcobaça
Programação Cultural,Património Cultural
O Museu do Vinho de Alcobaça representa o mais importante e completo testemunho da actividade vitivinícola nacional, ao longo de vários séculos, sobressaindo como um enorme património cultural tangível, móvel e imóvel, constituído pelos edifícios e respectivo conteúdo, e valorizando-se como um importante legado, de uma cultura que nos acompanha, com uma grande expressão, até à actualidade. O presente trabalho propõe-se ao conhecimento da história da vitivinicultura em Alcobaça, enquanto contexto de origem do Museu. Neste espaço, encontramos uma importante mostra desta zona vitivinícola e, apesar do seu enfoque ser nacional, este Museu possui uma forte inserção no território traduzida num contexto local muito identificado com a história do edifício que alberga o museu, assim como do diverso e vasto património preservado. Esta dissertação revela, ainda, uma análise comparativa com outros espaços museológicos e apresenta, por fim, uma proposta de gestão e programação para este espaço.
Humanidades
3,976
A relação entre a Inquisição e D. Miguel de Castro, arcebispo de Lisboa (1586-1625)
Inquisição,Igreja
Alguns estudos apontam para uma cooperação e até mesmo para uma complementariedade entre os tribunais inquisitorial e eclesiástico. Outros autores contrapõem com a ideia de que a relação entre estes foi essencialmente marcada pelo conflito. Esta será uma questão subjacente ao trabalho que aqui se propõe, centrando-se principalmente na relação entre a Inquisição e D. Miguel de Castro, arcebispo de Lisboa (1586-1625). Esta análise passa por um profundo conhecimento das estuturas políticas vigentes durante a monarquia dual (1580-1640), assim como as relações políticas entre os agentes do campo religioso e o percurso pessoal de D. Miguel de Castro.
Humanidades
3,978
Em busca de um lar para os Judeus: a hipótese de Angola
Angola,Judeus
No início do século XX, com a instalação da República portuguesa, surgiu a oportunidade de se construir um lar judaico num território português de além-mar. Angola foi uma forte possibilidade. Vários fatores contribuíram para que tal oportunidade fosse possível. Os constantes massacres feitos ao povo judaico em variadíssimos países europeus, nomeadamente nos países de leste, e as dificuldades encontradas por Theodor Herzl, fundador do movimento sionista, para a edificação do desejado Estado judaico na Palestina, levou a que alguns líderes judaicos começassem a estudar outras hipóteses para o estabelecimento da comunidade judaica para além da Palestina. Era urgente encontrar uma solução para que o sofrimento dos judeus terminasse. Por outro lado, é preciso não esquecer que Portugal se debatia com uma grande questão, a necessidade de ocupar efetivamente as suas colónias, a fim de contrariar as pretensões alemãs e inglesas. A hipótese de criar uma colónia judaica em Angola, como forma de enfrentar as aspirações alheias, e a necessidade de valorizar aquele território, faziam da colonização judaica uma boa solução para Portugal. Tendo em conta as dificuldades de um povoamento de Angola com elementos naturais da metrópole, devido à fraca capacidade financeira do Estado português e a razões sociais e mentais, a colonização judaica aparecia como uma alternativa viável. No entanto, este projeto não se concretizaria. Serão identificados os fatores internos e externos que levaram a que este projeto não fosse posto em prática e tratar-se-á da posterior criação do Estado de Israel na Palestina, depois da Segunda Guerra Mundial.
Humanidades
3,979
As primeiras Galas Internacionais dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz: breve estudo histórico
Praia da Figueira da Foz,Crianças,Espetáculos infantis,Grande Casino Peninsular,Música infantil,UNICEF
Esta investigação tem como propósito analisar as primeiras Galas Internacionais dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz, enquadrando-as no contexto do investimento com o público infantil promovido na cidade desde longa data. Ressaltam-se as potencialidades climatéricas desfrutadas pela cidade da Figueira, as quais se consideravam terapêuticas para as crianças e que, por conseguinte, começaram a ser utilizadas como meio publicitário da praia. Como forma de dinamizar a estância balnear e de facultar uma estadia agradável aos pequenos turistas, surgiram na Figueira da Foz uma série de divertimentos, nomeadamente no Casino Peninsular, no qual se concretizaram por vários anos as famosas matinées infantis, que vieram a desenvolver diversas formas de entretenimento para os mais novos. A partir da década de 1960, devido a explosão turística que se fez sentir por todo o país, caiu em desuso o slogan “Figueira da Foz, praia ideal para as crianças”, uma vez que passou a dar-se importância a outras potencialidades citadinas e a outras questões. Portanto, foi neste contexto, que surgiu a Gala Internacional dos Pequenos Cantores, trazendo consigo implicitamente a finalidade de recordar que outrora a Figueira da Foz foi a estância balnear de excelência indicada para as crianças. Para além de se realizar na conjuntura de abertura política pós-25 de Abril de 1974 e de democracia, a Gala dos Pequenos Cantores veio apelar à tomada de consciência para os problemas que afetavam milhares de crianças em todo o mundo, refletindo, nesse campo, o trabalho desenvolvido pela UNICEF. O encontro musical entre pequenos cantores foi uma iniciativa pensada com o objetivo de fazer ressurgir a canção infantil, proporcionando uma ampla convivência entre crianças de todos os países mas em particular das ex-colónias e da Europa de Leste. Neste sentido, as Galas tiveram um claro objetivo político e estratégico, apelando à solidariedade entre nações com regimes políticos distintos bem como à tolerância religiosa, tomando como exemplo a saudável mundividência infantil unida pela música.
Humanidades
3,980
"Museus no Centro" - Uma rede em construção
Museus,Redes museológicas,Dinâmicas culturais,Plataformas e estratégias de comunicação,Identidade gráfica
O presente relatório é o resultado de seis meses de estágio curricular realizado no âmbito do mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural, efectuado na Direção Regional de Cultura do Centro e do consequente contato com os serviços dependentes da sua tutela, no caso específico, a rede de “Museus no Centro”. Após um percurso iniciado em 2013 através de estágios extracurriculares realizados nos renovados espaços museológicos da cidade de Coimbra, nomeadamente no Museu Nacional Machado de Castro e no Centro Interpretativo do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, constatei que os museus já não são “casas de memória que representam o passado”, mas espaços vivos que trabalham, cada vez mais, para a comunidade e para a contemporaneidade. Neste sentido, propus-me conhecer e analisar a estrutura que tutela a Rede “Museus no Centro”, Direção Regional de Cultura do Centro, à qual está afeto o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. A experiência em causa revelou que as instituições dependentes da administração pública sofrem constrangimentos financeiros que se refletem nos recursos logísticos, técnicos e humanos dos espaços museológicos sob a sua tutela. Esta realidade obrigou a uma adaptação e mudança de atitude por parte das equipas técnicas responsáveis pelos espaços museológicos. Para colmatar necessidades, reduzir custos e cativar o público, cada vez mais esclarecido, estes espaços começam a estabelecer ligações em rede baseadas na cooperação profissional e apostando nas dinâmicas culturais como meio de ligação à comunidade. Tendencialmente organizados em rede, os museus refletem, deste modo, a transformação a que a própria sociedade assiste, onde a necessidade de troca de informação, meios e conhecimentos é crescente e praticamente instantânea, através das redes estabelecidas entre diversos pólos de interesses e necessidades.O trabalho desenvolvido objetiva a análise da criação e o âmbito da Rede “Museus no Centro”, sendo esta tutelada pela Direção Regional de Cultura do Centro e composta pelas unidades orgânicas flexíveis: Museu de Aveiro, Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Museu Etnográfico e Etnológico Dr. Joaquim Manso (Nazaré), Museu da Cerâmica e Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), Museu Francisco Tavares Proença Júnior (Castelo Branco) e Museu da Guarda. Esta rede, fruto de um processo de vontade política, reúne um vasto acervo museológico de diferentes realidades locais e regionais. Das actividades desenvolvidas no estágio destacam-se: a pesquisa e recolha de informação sobre a implementação em Portugal das redes museológicas; a recolha e organização de um arquivo de documentação gráfica sobre as atividades culturais desenvolvidas pela rede “Museus no Centro”, desde o seu início; a elaboração de um questionário aos museus constituintes da rede “Museus no Centro” sobre questões relacionadas com desenvolvimento de suportes comunicacionais, estratégias de divulgação e constrangimentos técnicos e o estudo e testes de elementos gráficos para aplicação em suportes de comunicação.
Humanidades
3,981
O Museu da Água da EPAL: Rentabilização Cultural do Reservatório da Patriarcal e da Galeria do Loreto
património cultural,gestão,rentabilização,núcleos,Patriarcal,Loreto
Polinucleado, o Museu da Água da EPAL representa hoje um testemunho de como os nossos antepassados, ao longo de vários séculos, se debateram na procura eterna de água potável. Sob a forma de património cultural edificado, o notável legado existente tem uma forte presença na cidade de Lisboa embora uma quarta parte esteja praticamente escondida. Neste presente trabalho propõe-se o conhecimento da história do abastecimento de água a Lisboa, o diverso e vasto património preservado, o papel do Museu quanto à educação pelo património e as características de cada núcleo, o estado dos Acervos Histórico e Museológico, a gestão e a política cultural pelas empresas gestoras do abastecimento, e o posicionamento do Museu e do Arquivo Histórico na empresa. Numa abordagem mais específica, é apresentada uma proposta de renovação e gestão transversal a todo o Museu com uma incidência particular para um núcleo e uma galeria subterrânea: o Reservatório da Patriarcal e a Galeria do Loreto.
Humanidades
3,983
"Solidariedade Internacional" - A Revolução Argelina e os Movimentos Anticoloniais (MPLA, FRELIMO e PAIGC) e Antifascistas (FPLN)
Colonialismo,História
Em 1954 inicia-se a guerra de libertação da Argélia, colocando frente a frente os nacionalistas argelinos da FLN e o exército da República francesa. Durante oito anos as atividades bélicas permaneceram na colónia pertença do Império francês, culminando com a assinatura dos Acordos de Évian em 1962, e a consequente independência da Argélia, última colónia da França no Norte de África. Com a autonomia alcançada, os argelinos viram nascer um governo autoritário, liderado por Ben Bella, extremamente instável devido às fortes oposições internas provenientes das fações que compunham o FLN e que se uniram para o combate ao colonizador, agora anacrónico. Essa instabilidade conduz a um golpe de Estado em 1965, que impõe uma ditadura militar. Após a independência, e no seguimento de uma política de não-alinhamento e solidariedade ideológica, os líderes argelinos prestaram um grande auxílio a alguns movimentos de africanos de libertação, nomeadamente aos angolanos, moçambicanos e guineenses, mas também a grupos de exilados políticos portugueses. Esta política de solidariedade permitiu o acentuar da luta contra os colonizadores desses territórios, por parte destes movimentos autónomos, e dos exilados políticos contra a ditadura de Oliveira Salazar.
Humanidades
3,984
O Perfil Social da Vereação Viseense 1770-1820
Perfil Social da Vereação Viseense
O presente estudo tem como objeto a observação e análise de uma elite viseense, responsável pelo governo local, entre 1770 e 1820. Para tal recorreu-se a um conjunto de fontes que, através do seu cruzamento, possibilitaram chegar a algumas conclusões, nomeadamente sobre o seu perfil socioprofissional e o estatuto local que detinham. Partindo de uma análise do espaço social onde viviam e onde desempenhavam as suas funções, passando pela análise das competências da vereação e pelo destrinçar dos cargos da governança local, pretendeu-se compreender que fatores subjaziam à atuação destes indivíduos. Sendo certo que os fatores principais passaram pela influência do espaço natural e social e, também, inevitavelmente, pelo conjunto de funções que, por lei, a eles estavam destinadas. O processo eleitoral potenciava a criação destas elites locais, verdadeiras oligarquias municipais, que exerciam rotativamente o poder beneficiando de ligações matrimoniais e outras relações de parentesco estrategicamente delineadas. A constituição de verdadeiras redes de solidariedade social entre nobres e fidalgos fazia desta elite um grupo fechado sobre si e pouco recetivo a mudanças ou intromissões do poder central. A delimitação destas elites fez-se através da consulta de processos de arrolamentos dos elegíveis, permitindo-nos identificar especificidades da nobreza municipal viseense, procurando identificar os seus membros, as relações de parentesco, cargos e títulos detidos e aspetos da sua vida pessoal.
Humanidades
3,985
A Alimentação em Loulé Medieval (1384-1488)
Alimentação,Medieval
A partir das actas de vereação de Câmara do concelho de Loulé (1384-1488) procura-se interpretar um conjunto de dados que ajude a esclarecer os hábitos alimentares da população louletana no período medieval. Ainda, tenta-se contribuir para a redução do desconhecimento generalizado sobre a alimentação das populações algarvias, não obstante alguns estudos publicados, e clarifica-se se o modelo alimentar predominante terá sido o que se considera actualmente como “dieta mediterrânica”, na qual o consumo da carne é praticamente ausente, ou se este alimento detinha lugar importante no dia-a-dia alimentar das populações. Compreender a importância dos alimentos no quadro da economia, da sociedade no seu contexto cultural e religioso e ainda na política de gestão pública de um município é também um dos principais vectores deste trabalho.
Humanidades
3,991
O Mundial de 1966 : estudo de caso. Futebol e política na imprensa da fase final do Estado Novo
Estado Novo,Futebol,Política,Imprensa,Mundial de 1966
Através da observação da imprensa e do seu tratamento em função de critérios que concernem à análise dos media, o projeto, apoiado numa abordagem interdisciplinar e integrando uma reflexão epistemológica no campo da História e de outros saberes afins ao tema, entre os quais a Sociologia e o Jornalismo, escrutinará e confrontará a produção historiográfica e parte significativa do acervo documental existente sobre a relação entre política e futebol em Portugal.
Humanidades
3,992
A Gulf Oil Corporation na guerra colonial: estratégia para a permanência em Angola
Portugal
O tema em questão, nesta tese de Mestrado, é o apoio da Gulf Oil Corporation a Portugal durante a guerra colonial, em Angola. A petrolífera celebrou, em 1957, com o governo português o primeiro contrato de concessão para pesquisa e exploração de petróleo em Cabinda. Com o início da guerra colonial em Angola, em 1961, a Gulf teve de suspender os trabalhos em Cabinda, quando o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) controlou essa região. No entanto, poucos meses depois, em 1962, Portugal recuperou Cabinda e reforçou a segurança. Assim a petrolífera pôde voltar a desenvolver os trabalhos. Esse foi o início da colaboração entre as duas partes. Em 1966, a Gulf descobriu petróleo em Cabinda e, nesse mesmo ano, renovou o contrato de concessão com o governo português. Nessa altura, Portugal travava três guerras em simultâneo, o que exigia um grande esforço financeiro. Desse ano em diante, a cada renovação figuraram nos contratos cláusulas requerendo o pagamento de avultados montantes, não encontrados em outros vínculos assinados durante o período da guerra colonial em Angola.
Humanidades
3,993
Relatório de Estágio no Museu de Artes Decorativas
Relatório de Estágio
O presente relatório de estágio, apresentado à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, reflete o resultado de seis meses de prática numa entidade museológica, realizado no âmbito do Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural. O estágio curricular foi realizado no Museu de Artes Decorativas de Viana do Castelo devido à motivação do estagiário em conhecer melhor a realidade museológica da sua cidade natal. Cumulativamente, a realização deste estágio permitiu ao estagiário não só colocar em prática todo o conteúdo teórico adquirido durante o primeiro ano do curso, mas também a possibilidade participar em diversas atividades práticas e teóricas que consubstanciam um incremento do seu conhecimento e experiência nesta área profissional. Pese embora o reconhecimento da importância do conteúdo teórico previamente adquirido, a possibilidade de inserção num contexto de aplicação prática reveste, na vida de um estudante, um fator muito importante no seu desenvolvimento pessoal e na posterior inserção ao mercado de trabalho. Todas as experiências vivenciadas durante o processo de estágio permitem ao estagiário reunir novas visões sobre as diferentes situações que surjam no seu trabalho enquanto profissional desta área. Neste sentido, apresenta-se neste relatório um percurso pelo trabalho prático e também teórico levado a cabo durante a realização do estágio curricular, procurando simultaneamente dar conta da aplicação prática dos conhecimentos adquiridos no primeiro ano do curso.
Humanidades
3,994
O segmento low cost na indústria hoteleira em Coimbra: o caso dos hostels
Hostels na cidade de Coimbra
O relatório de estágio - O Segmento Low Cost na indústria hoteleira em Coimbra: o caso dos Hostels; tem por objetivo oferecer uma leitura pormenorizada sobre a tipologia dos hostels na cidade de Coimbra, assim como dos turistas que frequentam estes espaços percebendo a importância que estes oferecem à cidade. O fenómeno emergente dos hostels faz parte de um novo segmento de alojamento que trouxe mais-valias ao turismo. Os backpackers e, sobretudo os jovens, são fundamentais para dar seguimento a este modelo de negócio mas, atualmente, muitos dos denominados utilizadores de classe média já são adeptos deste tipo de alojamento. Portugal possui alguns dos hostels que se situam no topo dos melhores do mundo, segundo a entrega dos Hoscars que decorreu em 2014. Coimbra, enquanto cidade detentora de elevados recursos patrimoniais, necessita de acompanhar tendências no segmento das vistas e das viagens, pelo que é importante que no segmento do alojamento adeque a oferta às expectativas dos seus visitantes, acompanhando a evolução, de modo a ficar reconhecida pelo seu empenho e dedicação, como um destino amigável ao qual se deve retornar. Ao longo do tempo, os conceitos de turismo têm-se modificado e as novas tecnologias têm trazido com elas novos hábitos na compra de serviços e de exigência. Contudo, um dos pontos fulcrais é o fato dos turistas exigirem a crescente qualidade mas a um custo bastante reduzido, algo que estes espaços de alojamento procuram conjugar e oferecer. Os hostels representam apenas 1% da indústria não hoteleira em Portugal. O alojamento local, onde se insere a tipologia dos hostels, tem apenas 31,5% do total de estabelecimentos associados à indústria hoteleira. Os resultados deste relatório de estágio mostram localmente os contributos deste segmento assim como dos proprietários destes espaços, de modo a clarificar um fenómeno algo desconhecido por parte da população coimbrã e de todo o país. Palavras-chave: Coimbra, Hostels, Segmento Low cost, Turismo
Humanidades
3,995
A União Europeia e os Países de África, Caraíbas e Pacífico: meio século de parceria
Política de cooperação e desenvolvimento,Estudos Europeus
Na evolução da integração europeia, tornou-se premente a existência de posições concertadas entre os Estados-Membros relativas às relações comercias que a Comunidade Económica tinha com outras partes do globo, em especial com o mundo em desenvolvimento. É neste contexto que, em 1957, com a assinatura do Tratado de Roma, que comtempla o surgimento de uma das parcerias mais antigas da História da Unificação Europeia, com a criação do estatuto de associado, para a cooperação com os territórios insulares e ultramarinos, que tinha relações profundas com os Estados-Membros. O surgir das independências destes territórios, tornou-se importante aprofundar o relacionamento entre a Comunidade e os recém-Estados Independentes, e com o primeiro alargamento, surge então o Grupo de Países de África, Caraíbas e Pacífico com as Convenções de Lomé. Entretanto, estas convenções, com o evoluir desta parceria e do contexto internacional, em que a globalização surge com fulgor, existe a necessidade de renovar os pilares que fundearam esta relação e, após um longo período de negociações sobre o futuro das relações para o Século XXI, entrou em vigor a 23 de junho de 2000, em Cotonou, Capital do Benim, o novo Acordo de parceria entre a União Europeia e os Países de África, Caraíbas e Pacifico. Meio Século depois é importante analisar a construção e evolução desta parceria de longa data na história das relações externas da União Europeia, que a ajuda a ter um papel importante no contexto internacional da cooperação para o desenvolvimento, em que a sua política de cooperação para o desenvolvimento seja considerada uma das melhores e mais extensas. Esta dissertação visa colocar as questões necessárias para por em evidência os aspetos mais importantes, enfatizando as suas virtudes e vícios que tornam atualmente esta uma parceria que se encontra com muitas questões ainda por responder.
Humanidades
3,996
Facetas histórico-geográficas da Companhia de Jesus – de Macau a Portugal
Jesuítas,Macau,Exercícios Espirituais,Companhia de Jesus,Pedagogia,Turismo Religioso
O presente trabalho consiste no relatório de estágio pedagógico supervisionado, realizado no Colégio São Teotónio, em Coimbra, durante o ano lectivo 2013/2014. Em simultâneo apresenta os resultados das investigações científicas, fruto dos trabalhos realizados durante os seminários de Geografia e História, subordinadas ao tema “Facetas histórico-geográficas da Companhia de Jesus: De Macau a Portugal”, bem como a sua aplicação didáctica. Ao incidir sobre a pedagogia inaciana ao longo dos séculos, distinguindo o exemplo de Macau, ao mesmo tempo que aborda o turismo religioso através da prática dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola pretende-se demonstrar que estes encontram-se no cerne da espiritualidade e vivência inacianas, conduzindo todas as suas dinâmicas.
Humanidades
3,999
A construção de uma biblioteca de museu: o caso do Museu Nacional de Machado de Castro
Biblioteca,Museu,Biblioteca de Museu,Museu Nacional de Machado de Castro,Coimbra
Com este trabalho de projeto pretende-se refletir sobre o processo necessário para a criação de uma biblioteca de museu, tendo como objeto de estudo a Biblioteca do Museu Nacional Machado de Castro. Para tal, o trabalho de projeto aponta o enquadramento histórico e conceptual e a ligação dos termos biblioteca e museu; apresenta o objeto de estudo, narrando a sua história e missão, fazendo uma breve anunciação das coleções, descrevendo o seu serviço educativo, e apresentando da sua biblioteca; e sugere como deve ser gerida uma biblioteca do museu, tendo sempre em conta como esta devia idealmente ser e com esta na realidade é, e como divulgá-la para que se intensifique a importância do museu que a alberga. Conclui-se que uma biblioteca tem um contributo de primordial importância para o cumprimento efetivo das funções de um museu quando esta é bem gerida e quando aquele tira partido de todas as suas potencialidades.
Humanidades
4,001
O Museu da Universidade de Aveiro: uma proposta de execução
Museu,Núcleo Museológico,Universidade,Coleção,Colecionador,Gestão
O presente trabalho procura refletir, genericamente, sobre a existência e a importância de museus ou núcleos museológicos integrados em universidades, enquanto espaços de transmissão e produção de conhecimento. O objetivo da criação do Museu da Universidade de Aveiro, em termos organizacionais e de gestão, orientou um conjunto de leituras e reflexões essencial que dá corpo ao presente trabalho. Na atualidade, na designada era da informação e do conhecimento, a internet possibilitou um aumento extraordinário de difusão da informação, de forma rápida e intensa. Este facto, aliado ao uso generalizado das tecnologias da informação e da comunicação e aos avanços da ciência, favorecem o tratamento e a utilização da informação. Deste modo, as novas tecnologias e a globalização vieram estabelecer novas relações entre o passado, o presente e o futuro. Assim, e no contexto das sociedades contemporâneas, os museus não são exceção, são antes os espaços facilitadores do acesso à informação das coleções que os constituem. Atualmente, o papel da museologia, acerca do qual este trabalho procura refletir, desmultiplica-se em diversas valências, nomeadamente a nível científico, educativo, cultural e de entretenimento. No presente caso, em contexto universitário, as vocações científica, educativa e de lazer de um museu ou núcleo museológico tornamse evidentes. Assim, no presente estudo prevê-se que, além da abordagem às coleções numa perspetiva científica e educativa, se refiram os doadores, os colecionadores. Sequencialmente, justifica-se que se valorize a utilização das ferramentas de gestão tanto na sua definição e implementação, como na valorização do serviço cultural que pretendem prestar a todos os públicos, a começar pela comunidade académica.
Humanidades
4,002
A União Europeia em Conteúdos de História e Geografia
Relatório de estágio
Este trabalho corresponde ao culminar do trabalho desenvolvido na Escola Secundária José Falcão ao longo do ano letivo 2013/2014, na componente de Estágio Pedagógico do Mestrado em Ensino de História e Geografia no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Assim sendo, encontra-se organizado em três grandes partes. A primeira parte tem como objetivo caracterizar e analisar as atividades ao longo do Estágio Pedagógico, passando por uma caracterização da escola onde decorreu o estágio, das turmas em que desenvolvi atividade pedagógica e descrição da metodologia de trabalho aplicada no âmbito do estágio bem como apresentar as atividades desenvolvidas. A segunda parte, visto que o Mestrado incide na disciplina de História e de Geografia, procuro ligar os temas e trabalhos desenvolvidos ao longo do ano letivo, quer no seminário científico de História, como também no seminário científico de Geografia. Desta forma, penso conseguir desenvolver a interdisciplinaridade, numa primeira fase destacando o trabalho do seminário científico de História, sendo o Tratado de Roma o elo de ligação com o seminário científico de Geografia. Por último, a terceira parte diz respeito às aplicações didáticas correspondentes a cada disciplina. No caso da disciplina de História a aplicação didática corresponde a uma aula-aberta, enquanto na disciplina de Geografia a aplicação se direciona para trabalhos de grupo.
Humanidades
4,004
Europa(s) e Catolicismo em revista(s): 1945-1961
Catolicismo,Civiltà Cattollica,Estudos,Brotéria,Europa,Pio XII,João XXIII,Salazar,Estado Novo,Pós-guerra,CADC
Europa(s) e Catolicismo em revista(s): 1945-1961 é tema de uma investigação que procura ver qual a receção em Portugal, nos meios intelectuais católicos, das ideias de Europa avançadas pelo Magistério, em larga medida veiculadas pela Civiltà Cattolica, através da análise de duas revistas de cultura geral católica na conjuntura do Estado Novo: Estudos – revista do Centro Académico de Democracia Cristã (CADC); Brotéria – revista que, tal como a Civiltà Cattolica, pertence à Companhia de Jesus. Partindo de um conjunto de perguntas diretoras, a dissertação estrutura-se em duas partes. Na Primeira, situa-se o conceito de Europa no quadro de uma rede de noções como Cristandade, Ocidente e Atlantismo (Cap. 1) procurando depois ver que imagens de Europa resultam do Magistério dos Papas Pio XII e João XXIII (Cap. 2), bem como as linhas de força do tratamento da questão europeia na Civiltà Cattolica, quer no plano dos valores, quer no terreno das instituições (Cap. 3). Na Segunda Parte, centrada no caso português, núcleo da investigação, começa-se por, sucintamente, ver que posições sobre a temática europeia estruturaram o discurso e a prática do regime, referindo-se também as relações entre Estado Novo e Igreja Católica (Cap 1). Quanto às revistas católicas portuguesas de cultura escolhidas (Estudos e Brotéria), percorrem-se as várias ideias de Europa e os modos de institucionalização desta, não deixando de proceder a uma breve caracterização das entidades que as editam, respetivamente, o CADC e a Companhia de Jesus (Cap. 2 e 3). Conclui-se que, em matéria de Europa, a diferente circunstância portuguesa condicionou a receção do Magistério sobre o tema, bem como o próprio acompanhamento da (re)construção europeia.
Humanidades
4,005
O domínio senhorial em Cantanhede nos finais do Antigo Regime
Antigo Regime,Cantanhede
A presente dissertação aborda o domínio senhorial em Cantanhede nos finais do Antigo Regime, protagonizado pela Casa Cantanhede-Marialva. Procuramos numa primeira fase analisar o domínio senhorial numa vertente jurisdicional e territorial e encetamos, em seguida, uma abordagem à formação da Casa senhorial de Cantanhede-Marialva apresentando os privilégios e direitos jurisdicionais que deteve ao longo da sua existência. Prosseguimos com a análise dos territórios do Concelho de Cantanhede onde o donatário detinha domínio. Destacamos a Coutada como território de reserva de recursos naturais que suscitou problemas com a população gerando alguns processos. Por fim, encetamos uma viagem pela contestação antisenhorial que se verificou no Antigo Regime português, terminando com a análise da situação cantanhedense. Com o estudo deste tema, procuramos contribuir para um maior conhecimento sobre o domínio senhorial da Época Moderna e, de forma particular, sobre contestação antisenhorial em vigor nos finais do Antigo Regime. A Carta enviada pela Câmara Municipal de Cantanhede às Cortes Constituintes em 1821 constitui-se como um documento singular neste contexto.
Humanidades
4,008
António de Sousa de Macedo
António de Sousa de Macedo,Restauração,Inglaterra,D. Afonso VI,Conde de Castelo Melhor
A presente Dissertação de Mestrado aborda a vida política de António de Sousa de Macedo. Procuramos numa primeira fase traçar a sua biografia e, em seguida, expor a sua bibliografia. Prosseguimos com a análise da sua carreira diplomática, abordando a sua residência em Inglaterra e a Embaixada na Holanda. De seguida, analisamos a sua atividade na condição de Conselheiro da Fazenda, mostrando os seus votos e pareceres nos assuntos de importância nacional. Concluímos, com a análise da sua atuação enquanto Secretário de Estado do Rei D. Afonso VI. Todas as matérias aqui abordadas são acompanhadas de contextualizações para enquadrar a sua atividade no panorama nacional e internacional.
Humanidades
4,009
Reconstituições Digitais de Batalhas Históricas com Recurso a Tecnicas de Machinima
História,Machinima,Euromachs,Batalhas
Esta dissertação foca-se na criação de um método que permita a utilização de técnicas de machinima, como meio de recriar batalhas históricas com um elevado grau de autenticidade. Numa primeira fase iremos explorar a história e métodos de produção de machinima e a sua aplicação ao estudo da história. Seguidamente faremos uma contextualização histórica das batalhas a ser retratadas tendo esta uma incidência principal nos pormenores dos dispositivos táticos e equipamentos utilizados pelos combatentes, as batalhas em questão serão: Batalha de Aljubarrota (1385), batalha de Alcácer Quibir (1578) e batalha naval do Cabo de São Vicente (1833). Por fim será exposto o método proposto para a utilização de técnicas de machinima como meio de reconstrução de batalhas históricas, focando os métodos de gravação de imagem e som, recolha de informação relevante, gestão de equipa de trabalho e escolha de motores gráficos adequados ao trabalho pretendido, demostrando que esta pode ser mais uma ferramenta ao serviço do estudo e divulgação da história
Humanidades
4,010
Narrativas Digitais e Cibertextos de Influência Histórica: Um Ensaio de Game Design
Videojogos,Ludologia,Narratologia,Pedagogia,Estado Novo,Game Design
Tivemos como objetivo principal desta dissertação a criação de um protótipo de um jogo de influência histórica. Para a realização desse processo de prototipagem tivemos de abranger as mais diversas áreas de estudo. Iniciamos, assim, com uma tentativa de definição do conceito de jogo. Posteriormente, procuramos apresentar três teorias de design de videojogos: a visão ludológica e a visão narratologista, e uma outra que reúne aspetos das duas. Escolhemos analisar estas duas primeiras visões focando no seu ponto de vista relativo a narrativa, como meio de construção de um videojogo. Concluímos, no entanto, que era necessário apresentar uma terceira via que interligasse ambas as visões anteriormente apresentadas. Sendo a criação de um protótipo de influência histórica um dos objetivos principais desta dissertação, abordamos também a questão da pedagogia em Paulo Freire e a sua influência no teatro, como em Augusto Boal, e na criação de videojogos, como é o caso dos newsgames. Apresentamos também uma breve contextualização histórica do período no qual o universo do jogo reside. O período escolhido para ser abordado foi o Estado Novo, mais precisamente entre os anos de 1963 e 1974, estando localizado em Coimbra. Por fim, apresentamos um guião para o jogo e terminamos com uma mostra do protótipo que desenvolvemos para esta dissertação.
Humanidades
4,012
Cipião o Africano e a Reinvenção do Exército Romano
História Militar Antiga,História
O nome de Cipião ‘o Africano’ ergue-se como uma verdadeira luminária no universo da chefia militar dos exércitos da República romana. A sua competência enquanto general, quer no domínio da estratégia, quer nas suas realizações táticas, não encontra paralelo no que sabemos sobre o que foram os desempenhos militares dos grandes comandantes romanos. Cipião toma conta dos destinos militares de Roma durante a II Guerra Púnica, num contexto particularmente difícil, mas com a sua extraordinária visão estratégica e tática, vai conseguir mudar radicalmente o funesto destino que parecia então estar reservado à Urbe. Inicia um colossal conjunto de campanhas ousadas, com opções militares corajosas e inovadoras, numa programação detalhada de cada batalha, mostrando-nos uma capacidade de observação do inimigo e uma compreensão do potencial da legião que, estamos em crer, não terá sido atingida por nenhum outro comandante, nem antes nem depois. É surpreendente como Cipião consegue reutilizar e reinventar o potencial das suas legiões, aproveitando todos os recursos que o pragmatismo da sua fecunda imaginação lhe vai inspirando. Fatores como o seu magistral sentido de oportunidade, como a velocidade, o aproveitamento detalhado das condições atmosféricas ou do terreno, a surpresa, a utilização inovadora da constituição da estrutura manipular da legião, a dissimulação e a tentativa de ludibriar o adversário, as subtis e rápidas manobras de envolvimento, a forte manipulação psicológica dos seus homens e da moral do inimigo, vão ser apenas algumas das características mais marcantes das campanhas deste genial comandante.
Humanidades
4,013
Associação para o Desenvolvimento Cultural e Patrimonial do Marco de Canaveses
História
O presente trabalho assenta na criação de uma associação cultural no concelho de Marco de Canaveses designada: Associação para o Desenvolvimento Cultural e Patrimonial do Marco de Canaveses. Numa primeira fase serão dados a conhecer os conceitos-base do projeto e qual a razão da existência da associação neste concelho. Seguidamente será efetuado um estudo a toda a sua envolvente e em função disso traçadas as linhas estratégicas. A partir daí será desenvolvida toda a programação para o período de um ano civil bem como a sua respetiva divulgação e programação. O trabalho engloba ainda um capítulo dedicado ao orçamento e ao financiamento onde serão expostos todos os custos e ganhos previstos para o primeiro ano de funcionamento assim como as possíveis linhas de financiamento.
Humanidades
4,014
Patrimônio, Memória e Identidades Marítimas. Proposta de Implantação de um Museu Digital Marítimo para o Extremo Oreinte das Américas – Paraíba/Brasil
Museologia,Patrimônio Cultural,Cultura Marítima,Museu
Esta dissertação visa acoplar conhecimentos acerca da cultura imaterial marítima, como forma de estabelecer diretrizes que interligam os conceitos de pesca artesanal, patrimônio cultural imaterial, e a formação da identidade das comunidades pesqueira. Dessa forma busca salientar as necessidades de se preservar a história, a memória e a cultura local como um parâmetro de enaltecer e interligar o passado com o presente de maneira a dinamizar e a expressar na sociedade atual que as tradições vem para ser um agregador da história do país e em como sofreu influências da colonização que auxiliaram para a formação da tradição que está muito além da espacialidade. O trabalho vem apresentar capítulos que discorrem sobre o patrimônio cultural nos parâmetros mundial, português e brasileiro, como forma de demonstrar como a museologia se constitui na atualidade, com análises das legislações vigentes no âmbito mundial. E o texto discute uma reflexão para a construção de um museu digital do extremo oriente das américas que tem como finalidade constituir a cultura imaterial como um bem musealizado e que venha a ser um enlace de aproximação das comunidades com uma proposta de uma plataforma digital dinâmica e que busca trabalhar o museu através de projetos educativos interativos, o desenvolvimento das mídias sociais e uma base de dados que possa facilitar as pesquisas e estudos acerca das tradições imateriais ligadas ao mar.
Humanidades
4,016
Despertar Mortágua : projeto de construção de um Arquivo e Museu Municipal e criação de uma rota de moinhos de água
Arquivo Municipal -- criação -- Mortágua,Museu Municipal -- criação -- Mortágua,Moinho de água -- Mortágua,Património cultural -- Mortágua
A presente dissertação foi desenvolvida no âmbito do Mestrado em Política Cultural Autárquica, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. O objetivo deste estudo é dar a conhecer a importância do património arquivístico, do património museológico e do património molinológico, e a potencialidade que estes têm na promoção do turismo e no desenvolvimento local. A dissertação tem em vista a elaboração de um projeto intitulado “Despertar Mortágua” que pretende promover e dinamizar o património cultural de Mortágua. Este projeto inclui a proposta de criação de um arquivo e museu municipal em Mortágua, procurando assegurar a função de salvaguarda e promoção do património arquivístico e do património museológico. Para além de discutir a importância funcional e o papel de um arquivo e de um museu municipal, procura alternativas na área da museologia, que permitam a valorização, a educação e o aumento do onhecimento da comunidade local através da ecomuseologia. O projeto envolve também uma análise e reflecção sobre o estado em que se encontram os moinhos de água tradicionais em Mortágua, com um breve apontamento sobre a possibilidade de os requalificar, como meio de divulgação e enriquecimento dos locais onde se encontram inseridos. Visa-se ainda evidenciar a importância que a cultura poderá exercer na vida dos mortaguenses, procurando a melhoria da qualidade de vida da população local, com o objetivo de transformar a cultura num complemento da atratividade turística. Trata-se de um projeto pensado para assegurar e transmitir a memória de tradições e histórias protagonizadas pelas diversas gerações que vivem e viveram em Mortágua.
Humanidades
4,018
Traços da Paisagem Torrejana no século XIV e suas transformações recentes
Paisagem,Prática pedagógica supervisionada
Falar da importância da Prática Pedagógica Supervisionada, ao nível da experiência aí adquirida e da preparação para o mundo do trabalho, é como reconhecer, desde logo, que essa mesma importância é de relevo inquestionável e é criticar toda a desvalorização que lhe seja atribuída. Numa sociedade que exige a formação de cidadãos participativos, críticos e empreendedores é necessário que seja o próprio aluno a construir o seu conhecimento. Nessa linha de pensamento, o professor deve criar as estratégias mais adequadas para atingir esse objetivo, mantendo uma formação contínua, transversal e atual. O presente trabalho, mais do que descrever a Prática Pedagógica Supervisionada e refletir sobre a mesma, procura também, de forma a conciliar duas disciplinas que utilizam metodologias de ensino relativamente diferentes, caracterizar a paisagem natural de uma área da Estremadura e analisar a ação histórica e recente na sua transformação. Assim, procurou-se reconstituir a paisagem natural do século XIV, tendo por base uma fonte histórica da época, e quantificar, caracterizar e interpretar as mudanças ocorridas no uso/ocupação do solo, das duas últimas décadas do século XX até aos primórdios do século XXI, na mesma área. As influências do mediterrânio fazem-se sentir na referida área não apenas ao nível da temperatura, da precipitação e da hidrografia mas também ao nível da vegetação e dos hábitos alimentares, predominando já no século XIV a considerada tríade alimentar mediterrânica, isto é, os cereais, a vinha e a oliveira, que alimentavam o homem medieval, cujo quotidiano se desenvolvia em torno de conceitos cristãos, particularmente através das festas religiosas. Mais recentemente, fatores naturais, socioeconómicos, políticos, entre outros, justificam as alterações na paisagem a nível nacional, constatando-se uma diminuição da superfície cultivada e um aumento dos incultos e da superfície utilizada para prados e pastagens permanentes, tendência essa que foi seguida na área em estudo.
Humanidades
4,019
Vinho Verde Em Terras de Cambra
Rota do Vinho Verde,Terras de Cambra
O turismo e a oferta turística devem andar juntos face às necessidades dos novos turistas, que em uníssono solicitam destinos e produtos turísticos diferenciados, únicos e, sobretudo, onde o contacto com os espaços verdes (natureza), áreas rurais, património, gastronomia e um produto turístico/vinho estejam verdadeiramente presentes. Observa-se hoje uma grande preocupação com o património rural e dos saber-fazer tradicionais, com a valorização do turismo como motor do desenvolvimento. Apesar de tudo isto o turismo em meio rural não tem só por si, essa capacidade; é necessário pensar-se em criar variedade entre os vários setores económicos, dinamizar o produto local diferenciando-se para que permita a atração de novos turistas.Sendo o caso do Vinho verde em Vale de Cambra o meu centro desta investigação e toda a sua própria rota que tento recrear.
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4,022
A macrobiótica e a sua dimensão espiritual
alimentação macrobiótica,espiritualidade
Este trabalho pretende dar a conhecer a alimentação macrobiótica e partilhar a estreita ligação que une esta dieta à espiritualidade. Nesta dissertação pode ser encontrada uma contextualização dos estudos relevados acerca da temática da macrobiótica, como também uma contextualização geral, referindo a importância do papel da alimentação, mais concretamente da macrobiótica, na sociedade contemporânea e todas as mudanças pela qual a humanidade está a passar, abordando deste modo o conceito de “Nova Era”. Vão sendo abordado ao longo desta dissertação vários temas relacionados com a macrobiótica tais como a sua história: desde a sua origem etimológica na Grécia Antiga, passando pela construção do seu conceito na Alemanha do século XVIII; o seu nascimento enquanto alimentação e estilo de vida no Japão, pelas mãos de Georges Ohsawa e a sua divulgação no ocidente através de Michio Kushi; até à sua introdução em Portugal nos anos 1970 e à sua situação atual no nosso país. Este trabalho tem não só como objetivo diferenciar a macrobiótica do vegetarianismo, como também de analisar os pontos em comum de ambas as dietas. Um ponto de situação sobre o estado da macrobiótica em Portugal é então elaborado, questionando esta dieta como uma moda ou uma adesão, com a finalidade de conseguir perceber quais são as suas perspetivas no nosso pais. Para além da sua história, são também estudados os princípios da macrobiótica, abordando sobretudo os conceitos de Yin e de Yang, assim como o papel dessas duas energias na alimentação. Outro objetivo guia esta dissertação, pois nela pode ser encontrada a vontade de desmitificar as dietas sem carne, abordando vários assuntos como os alimentos que se destacam na macrobiótica: o arroz e o seu papel protagonista, as polémicas associadas ao leite e às carnes. A temática da carne é uma temática bastante salientada ao longo deste trabalho, onde o objetivo se fixou em apontar todas as desvantagens da carne, para tentar perceber as razões pelas quais cada vez mais pessoas optam por não comer este alimento tão controverso nestes últimos anos. Todo um capítulo é dedicado ao processo de adaptação à dieta macrobiótica, desde as motivações e incentivos, passando pelas precauções e preocupações, até às diversas adaptações desta alimentação, como a adaptação a um novo estado físico, mental e espiritual, como igualmente a adaptação da macrobiótica ao mundo, projetando assim a nova adaptação do Homem à humanidade nesta “Nova Era”. Por fim, poderá ser observada uma ligação entre macrobiótica e reiki, onde em primeiro lugar será detalhada esta prática terapêutica, desde a sua história, aos seus princípios, abordando até a introdução em Portugal desta prática igualmente originária do Japão. Esta dissertação é concluida com algumas conclusões que puderam ser tiradas ao longo dela.
Humanidades
4,025
Proposta de Criação de uma Rota Cultural dos Judeus em Trás-os-Montes
Gestão e Programação do Património Cultural,Judeus em Trás-os-Montes
Durante séculos o povo judaico foi alvo de perseguições e repressões que muitas vezes se despoletaram em verdadeiros massacres. Esta constante “caça aos judeus” motivada pelo preconceito contra este grupo social e religioso, provocou a sua dispersão por todo o mundo. Em Portugal desde os tempos ancestrais existiram judeus e, ao contrário do que aconteceu em outros países europeus, aqui encontraram algum equilíbrio e paz. Ainda que, tivessem de ter lidado com episódios violentos como massacres e proibições, com a Inquisição e as conversões maioritariamente forçadas e nunca podendo assumir-se enquanto judeus, viveram períodos de prosperidade tanto social como económica, proporcionada por alguns dos nossos reis. Mas, foi concretamente na região de Trás-os-Montes no interior norte de Portugal que os judeus puderam viver enquanto povo e religião, permanecendo durante várias décadas. Embora tivessem mais liberdade para praticar a sua religião e cultura, mantiveram-se sempre envoltos de um secretismo que lhes foi sempre tão característico e que fortaleceu o fenómeno do marranismo em Trás-os-Montes até ao século XX. O legado judaico deixado por este povo nas terras transmontanas é inegável. Por toda a região está visível património edificado com marcas típicas judaicas, edifícios que contam a sua história e costumes, e tradições que ainda hoje estão vivas em algumas localidades. O estabelecimento e dinamização deste património cultural como fator de crescimento, desenvolvimento e consequente valorização da nossa história tornam-se então imperiosos. Neste contexto, nasceu então esta Rota Cultural Judaica que não só identifica grande parte do legado judaico em Trás-os-Montes ainda visível como também estabelece pontos de ligação entre si. Esta iniciativa de gestão e programação integrada possibilita ao público uma viagem pela cultura judaica transmontana através de uma rota turística que proporciona o conhecimento de uma grande parte do património judaico registado até à atualidade em Trás-os-Montes, e promove um conjunto de atividades de programação que visam dinamizar e ativar o contacto das pessoas com o judaísmo português, divulgando esta herança patrimonial por todo o mundo. Esta estratégia de gestão e programação do património cultural irá garantir a revitalização, salvaguarda e devolução deste património às comunidades, permitindo um enriquecimento das mesmas e um desenvolvimento próspero de toda a região.
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