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6,810
Nefrolitotomia percutânea no tratamento da litíase renal : perspectiva actual
Litíase renal.
Os cálculos renais de grandes dimensões (> 2cm) são um problema comum nos países desenvolvidos e quando não tratados podem levar a complicações significativas. No tratamento desta patologia destaca-se pela eficácia a nefrolitotomia percutânea (PCNL). Esta técnica minimamente invasiva está associada a menor tempo de internamento e menor dor pós-operatória. Objetivo Neste trabalho pretendemos fazer uma revisão bibliográfica dos trabalhos científicos editados que tratam do tema “Nefrolitotomia percutânea” abordando o histórico da técnica, indicações, as diferentes variantes técnicas, complicações e os seus resultados. Metodologia Neste artigo revimos informação de artigos referenciados na PubMed que serviram de suporte para a revisão do tema. Os artigos foram escolhidos de acordo com as palavras-chave Nefrolitotomia, Percutânea, Complicações, Posicionamento, Cálculos, Urinários, sendo dada prioridade a artigos recentes que abrangeram os temas abordados nos objectivos. Conclusão Hoje já se reconhece a elevada eficácia e segurança da PCNL, mesmo em doentes com comorbilidades associadas. Observam-se cada vez mais melhorias a nível da sua técnica, tais como na obtenção de acesso renal, na drenagem após o procedimento, na sua associação com outras técnicas, entre outras. Estas melhorias, nomeadamente associadas à evolução na área da imagiologia e dos instrumentos disponíveis sugerem que a PCNL pode ainda melhorar.
Ciências Médicas e da Saúde
6,812
Endocardite infecciosa e mortalidade intra-hospitalar
Endocardite.
Introdução: A endocardite infecciosa é uma doença multifactorial, que sofreu mudanças epidemiológicas nas últimas décadas, sendo encarada como um desafio diagnóstico. Objectivos: O objectivo principal do estudo foi a análise da taxa de mortalidade intra-hospitalar e identificação de factores preditores/protectores da mesma. Métodos: Análise retrospectiva a 78 processos clínicos consecutivos de pacientes com diagnóstico principal e secundário de endocardite infecciosa, admitidos no Serviço de Cardiologia dos Hospitais Universidade de Coimbra, entre 2005 e 2010. Resultados: A idade média da população era 60,7 (46,3 – 75,1) anos, com predominância do sexo masculino (75,6%). A mortalidade hospitalar foi de 37,2%. Esta encontrava-se associada com o aumento da idade, diabetes mellitus, neoplasias, valor máximo dos parâmetros inflamatórios e intervenção cirúrgica. Nenhuma outra relação foi identificada entre os antecedentes do doente, critérios de Duke, diagnóstico, apresentação clínica, dados ecocardiográficos e a mortalidade intra-hospitalar. Na análise multivariada, apenas a idade e a referenciação para cirurgia foram preditores independentes do evento referido. Conclusões: A mortalidade intra-hospitalar foi de 37,2%; a idade foi o único factor de risco relativo para a ocorrência de morte intra-hospitalar, sendo a cirurgia um factor protector
Ciências Médicas e da Saúde
6,813
A ideação suicida na adolescência
Suicídio,Adolescente
Os comportamentos suicidários na adolescência constituem actualmente um incontornável problema de saúde pública, sendo o suicídio uma das principais causas de morte nesta fase do ciclo de vida. Os fenómenos associados às condutas suicidas englobam um espectro alargado de pensamentos e comportamentos, sendo a ideação suicida o primeiro passo de um percurso, mais ou menos longo, que pode eventualmente conduzir à morte e que é sempre marcado pelo sofrimento. Objectivos: Este trabalho de revisão teve como propósito sistematizar de um modo abrangente, mas necessariamente sumário dada a vastidão do tema, o ponto da situação actual relativamente à compreensão do fenómeno suicida na adolescência. Desenvolvimento: Ao longo deste trabalho são abordados sucessivamente os seguintes pontos: definições, epidemiologia, ideação suicida, factores de risco, avaliação clínica, tratamento e estratégias de prevenção. Conclusões: Apesar da vasta informação já existente e dos avanços significativos que se têm verificado relativamente à compreensão dos comportamentos suicidários, existem ainda diversos aspectos chave que necessitam de clarificação adicional para melhorar a identificação precoce, o tratamento e a prevenção do suicídio e comportamentos relacionados na adolescência.
Ciências Médicas e da Saúde
6,814
Punção pancreática guiada por ecoendoscopia : casuística dos últimos onze anos do Serviço de Gastrenterologia dos HUC
Exames complementares de diagnóstico,Ecoendoscopia
Introdução: A punção aspirativa com agulha fina guiada por ecoendoscopia (EE-PAAF) em lesões pancreáticas ultrapassa algumas limitações dos métodos de punção tradicionais, sendo atualmente considerada um procedimento seguro e valioso. No entanto, não há consenso em relação à sua utilidade e impacto em lesões sólidas ressecáveis nem ao seu papel diagnóstico nas lesões quísticas. Objetivos: Avaliação do valor diagnóstico e segurança da EE-PAAF nas lesões pancreáticas sólidas e quísticas. Material e métodos: Estudo retrospetivo baseado na consulta dos processos referentes a doentes submetidos a EE-PAAF em lesões pancreáticas nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) entre 2000 e 2010. Classificação em lesões sólidas e quísticas, de acordo com a descrição imagiológica. O diagnóstico final foi obtido através de: análise anatomopatológica da peça operatória, cito e/ou histologia inequívoca na PAAF e seguimento clínico e/ou imagiológico. Nos cálculos de valor diagnóstico em lesões sólidas, os resultados suspeitos ou atípicos foram considerados como verdadeiros ou falsos positivos, e excluíram-se os casos com amostras insuficientes para diagnóstico. Nas lesões quísticas, todos os casos foram incluídos na análise. Resultados: Foram analisados 117 EE-PAAF, correspondendo a 64 lesões sólidas (33 do sexo feminino; idade média 61,6 ± 14,9 anos) e 45 lesões quísticas (25 do sexo feminino; idade média 55,7 ± 14,1 anos). Nas lesões sólidas, a punção foi efetuada maioritariamente na cabeça e/ou processo uncinado (72,5% dos procedimentos), com uma média de 1,97 ± 0,95 (1-4) passagens. A média do tamanho das lesões foi de 3,9 ± 1,5 cm. Na análise anatomo-patológica: 14,5% de amostras sem diagnóstico conclusivo (8,7% insuficientes para diagnóstico; 4,3% suspeitos para malignidade; 1,5% atípicos); 59,4% positivas para malignidade (incluindo 45,0% adenocarcinoma ductal; 14,5% tumores neuroendócrinos e 1,5% linfomas). Não foi possível obter dados de seguimento de dois doentes. A taxa de falsos negativos foi de 8,7% e a de falsos positivos foi de 3,2%. A sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP), valor preditivo negativo (VPN) e acuidade foram de 87,8%, 85,7%, 95,6%, 66,7% e 87,3%, respetivamente. A acuidade da repetição de punções em doentes com um primeiro resultado negativo foi de 66,7%. Nas lesões quísticas, a punção foi efetuada maioritariamente na cabeça e/ou processo uncinado (66,7% dos procedimentos), com uma média de 1,0 ± 0,6 (1-3) passagens. A média do tamanho das lesões foi de 4,7 ± 3,2 cm. Na análise anatomo-patológica: 42,2% de amostras sem diagnóstico definitivo; 15,6% com potencial de malignidade (8,9% adenocarcinoma ductal; 4,4% neoplasias mucinosas e 2,2% tumor neuroendócrino). Não foi possível obter dados de seguimento em 17 doentes. A taxa de falsos negativos foi de 21,4%. Não houve falsos positivos. A sensibilidade, especificidade, VPP, VPN e acuidade foram de 53,8%, 100,0%, 100,0%, 71,4% e 78,6%, respetivamente. Na análise do fluido quístico, a acuidade diagnóstica da Amilase (limiar de 50000 U/L) foi de 33,3%; do CA72.4 (limiar de 40 U/mL) foi de 57,1%; do CA19.9 (limiar de 50000 U/L) foi de 81,8% e do CEA (limiar de 192 ng/mL) foi de 85,7%. A acuidade da análise citológica e/ou CEA do fluído aspirado (limiar de 192 ng/mL) foi de 78,6%. Não houve complicações major em nenhum procedimento. Conclusões: A EE-PAAF é um procedimento seguro. Tem valor diagnóstico elevado em lesões pancreáticas sólidas, apesar das suas limitações na presença de alterações inflamatórias, que pode levar a resultados falsos positivos ou negativos. A análise cito-histológica em lesões quísticas apresenta uma alta taxa de resultados não diagnósticos, pelo que a análise bioquímica dos níveis de CEA do fluído aspirado pode ter um papel relevante na distinção do potencial de malignidade das lesões.
Ciências Médicas e da Saúde
6,815
Epifisiólise femoral superior
Ortopedia,Epifisiolise,Anca
A epifisiólise femoral superior é uma patologia importante da anca, já que afeta indivíduos em fase de desenvolvimento, maioritariamente dos 11 aos 15 anos. A sua etiologia não é, ainda, totalmente conhecida, sendo que vários fatores têm vindo a ser apontados como potenciais pontos de partida para o seu desenvolvimento. O doente típico é um jovem rapaz, com obesidade, claudicação, dor na região inguinal, na anca ou referida ao joelho, marcha em rotação externa e incapacidade de rotação interna e abdução da anca afetada. A radiografia tem-se demonstrado como o melhor método complementar de diagnóstico, muito útil na deteção da doença e na programação da terapêutica. O tratamento é variável consoante se trate de um caso agudo ou crónico, no entanto a cirurgia de fixação com recurso a um único parafuso ocupa posição de destaque em ambas as situações. Este trabalho visa fazer uma revisão bibliográfica do tema em questão recorrendo à bibliografia existente principalmente na Pubmed, focando-se em aspetos como a etiologia, epidemiologia, clínica, diagnóstico, tratamento e complicações. Pretende, ainda, realçar a importância de um tratamento precoce como a chave da prevenção do desenvolvimento de osteoartrose nestes doentes
Ciências Médicas e da Saúde
6,817
Depressão e envelhecimento
Envelhecimento,Depressão
O envelhecimento da população é um fenómeno de escala mundial, ao qual a população portuguesa não é exceção. Paralelamente a este acréscimo da população envelhecida tem-se verificado um aumento da prevalência da depressão nas últimas décadas, estando esta a tornar-se num dos principais problemas de saúde nos países desenvolvidos. No idoso a depressão é a perturbação mental mais prevalente, com várias consequências prejudiciais, pelo que a sua deteção precoce, tratamento adequado e, em particular, a sua prevenção são essenciais. Contudo, a depressão geriátrica é frequentemente subdiagnosticada e subtratada. O objetivo deste trabalho foi examinar e sumariar informação publicada sobre a depressão no idoso, esclarecendo determinadas particularidades sobre a mesma. Para isso abordou-se a etiologia e fatores de risco, as particularidades das manifestações clínicas, as escalas de avaliação da depressão e critérios de diagnóstico, as intervenções terapêuticas mais adequadas e, não menos importante, as formas de prevenção disponíveis. Concluiu-se que a etiologia da depressão no idoso ainda não está completamente esclarecida, mas há fatores de risco estabelecidos que devem ser reconhecidos pelo clínico. As manifestações clínicas da depressão geriátrica consistem mais em sintomas somáticos do que em sintomas afetivos. Não há critérios de diagnóstico específicos para a depressão no idoso, o que representa um problema quanto à inclusão ou não dos sintomas somáticos. Atualmente o tratamento farmacológico de primeira linha são os inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Outras opções terapêuticas eficazes são a eletroconvulsoterapia e a psicoterapia, em particular a terapia cognitivo-comportamental. A investigação sobre a prevenção da depressão no idoso é uma área recente, pelo que se aguardam mais estudos
Ciências Médicas e da Saúde
6,818
Obstipação crónica no idoso : opções terapêuticas
Idoso,Obstipação,Diagnóstico,Terapia,Prevenção e controlo,Doença crónica
Introdução. A obstipação crónica é uma doença muito prevalente, estimando-se que atinja entre 12-19% da população geral e 30-40% das pessoas com mais de 65 anos. Esta patologia afecta negativamente a vida social dos doentes e coloca um grande peso económico sobre os doentes e sistemas nacionais de saúde, podendo vir a piorar no futuro. Apesar de a obstipação não ser uma consequência fisiológica do envelhecimento, a sua prevalência mais elevada nesta faixa etária pode ser explicada pela diminuição de mobilidade, co-morbilidades e polimedicação encontradas no grupo em estudo. Mesmo sendo uma doença crónica e severa, a obstipação é tratada sobretudo empiricamente na prática clinica diária. Material e Métodos. Foi efectuada uma revisão de bibliografia publicada entre 2000-2014 e disponível no sítio da Internet da PubMed. Resultados. Apresenta-se uma visão geral da patofisiologia, epidemiologia, causas e subtipos, diagnóstico, tratamento actual, guidelines disponíveis, avanços recentes, farmacoeconomia e prevenção da obstipação crónica. De acordo com as guidelines e algoritmos publicados quanto ao tratamento da obstipação crónica, primeiramente o facto de a obstipação poder ser secundária a algo deve ser excluído. Posteriormente, mudanças nutricionais, do estilo de vida e treino comportamental devem ser implementados. Se estes falham, podemos considerar a utilização de um agente de volume ou um suplemento de fibra. Por sua vez, se este tratamento empírico falhar, um laxante osmótico (por exemplo: lactulose ou polietilenoglicol), ou agonista dos receptores da serotonina (por exemplo: prucalopride) ou um activador dos canais de cálcio (por exemplo: lubiprostone) podem ser usados. Em caso de obstipação crónica com defecação dissinérgica, o tratamento a adoptar deverá ser terapia por biofeeback. Os recentes avanços no controlo farmacológico da obstipação crónica permitem uma panóplia de opções que, especialmente no idoso, devem ser exploradas antes de recorrer à cirurgia, pela morbilidade e complicações a ela associadas. Discussão e Conclusão. Concluiu-se que a decisão terapêutica deve ser tomada de forma individualizada, tendo em conta o doente na sua dimensão bio-psico-social. As guidelines e recomendações terapêuticas não estão suficientemente actualizadas quanto às opções de tratamento mais recentes. Apesar de inúmeros estudos terem abordado esta problemática em adultos, poucos são os que a abordam em idosos, existindo, por isso, pouca orientação quanto ao tratamento nesta faixa etária. Há necessidade de realização de estudos de elevada qualidade que avaliem o tratamento da obstipação crónica em doentes idosos, para que se possa proceder a recomendações definitivas. Torna-se também importante a realização de estudos mais abrangentes que permitam identificar a melhor e mais económica forma de tratar esta problemática em lares e outras instituições de apoio a idosos. Quanto aos novos agentes, a realização de estudos a longo prazo é importante na definição de possíveis efeitos adversos não conhecidos até agora.
Ciências Médicas e da Saúde
6,820
Tratamento da hipertensão arterial nos doentes com diabetes mellitus tipo 2
Diabetes mellitus tipo 2,Anti-hipertensores
1 INTRODUÇÃO A Hipertensão Arterial (HTA) e a Diabetes Mellitus (DM), particularmente a Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), são entidades clínicas que frequentemente se associam e que exercem um efeito sinérgico, aumentando o risco cardiovascular e facilitando a deterioração da função renal. 1.2 OBJECTIVO Fazer uma revisão da literatura sobre o tratamento da HTA nos doentes com DM2, procurando estabelecer uma visão actualizada sobre o tema, designadamente analisar as classes farmacológicas e fornecer uma norma de orientação clínica para os médicos que acompanham estes doentes. 1.3 RESULTADOS E CONCLUSÕES O tratamento da HTA nos doentes com DM2 traz inúmeros benefícios uma vez que diminui o risco de eventos cardiovasculares e o aparecimento de lesões em órgãos alvo. Nestes doentes o objectivo é atingir uma tensão arterial (TA) inferior a 130/80 mm Hg. Para tal, além de toda a intervenção possível na adesão a hábitos de vida saudáveis, qualquer terapêutica farmacológica anti-hipertensora produz resultados importantes, mas esta deve ser adaptada às características específicas de cada indivíduo. No entanto, os anti-hipertensores de primeira linha deverão ser os Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina (IECA’s), devido aos seus efeitos protectores renais e cardiovasculares, ou os Antagonistas dos Receptores de Angiotensina II (ARA’s II) caso haja intolerância ou contra-indicação aos 4 primeiros. A associação de diuréticos tiazídicos poderá melhorar a qualidade de vida do doente diabético hipertenso, principalmente se já existe lesão renal. Outros fármacos que podem ser usados são os bloqueadores dos canais de cálcio (BCC), bloqueadores- , bloqueadores- e os agentes de acção central. A escolha adequada do medicamento para o tratamento da hipertensão arterial baseia-se no conhecimento produzido através de estudos de investigação de longa duração. Uma ou mais categorias de fármacos podem ser associadas entre si desde que esteja comprovado benefício desta medicação na redução do risco cardiovascular do doente. Quando a TA sistólica inicial é 20 mm Hg maior que a TA-alvo e a TA diastólica inicial é 10 mm Hg maior que a TA diastólica-alvo, pode-se considerar a introdução inicial de dois ou mais fármacos anti-hipertensores.
Ciências Médicas e da Saúde
6,823
Diatomáceas no contexto da investigação das mortes por agogamento
Afogamento,Diatomáceas,Patologia forense
A dificuldade na obtenção de um diagnóstico médico-legal de morte por afogamento representa ainda hoje um desafio para o patologista forense. Não obstante a evolução das leges artis, nomeadamente no que concerne a procedimentos e técnicas nas áreas da histologia e anatomia patológica, possibilitando conclusões sólidas acerca dos efeitos nos tecidos e a sua correlação com o afogamento, existem casos, na sua maioria resultantes da continuada permanência do corpo em meio liquido, da putrefação acentuada ou da segmentação do cadáver, que tornam bastante difícil aquele diagnóstico. Vários contributos auxiliares surgiram na tentativa de identificar marcadores ou elementos que permitissem, pela sua análise quantitativa e/ou qualitativa, diferenciar a submersão vital da imersão de um cadáver sendo que a pesquisa e identificação de algas unicelulares microscópicas, nomeadamente diatomáceas, nos órgãos do presumível afogado, constitui o teste mais abordado e controverso da literatura médico-legal. Diversos estudos e ensaios envolvendo a deteção de diatomáceas foram realizados desde o início século XX. Da experimentação animal à casuística de instituições médico-legais, com número de casos e de amostras variável, com seleção de tecidos e extensão das colheitas distintos, metodologias de amostragem e análise de resultados variadas, ou seja, a abordagem ao assunto tem diferido de autor para autor servindo os intentos de cada um, não sendo por isso estranho a existência de trabalhos que suportam e validam a utilização de diatomáceas enquanto outros concluem pela sua reduzida utilidade e falta de fiabilidade. Pretende-se aqui enunciar um conjunto de trabalhos elaborados por diversos especialistas tanto na área médico-legal como no campo das microalgas que apresentaram os seus contributos para a temática, revelando semelhanças nos métodos e princípios aplicados, mas, fundamentalmente, analisar o que é apontado como sendo os fatores-chave para a ausência de consenso e aceitação no uso do método das diatomáceas no contexto da investigação das mortes por afogamento, nomeadamente: - Inexistência de método padronizado, facilmente reprodutível e comummente aceite pela comunidade científica internacional; - Possibilidade de contaminação, com introdução de diatomáceas externas, contidas nos reagentes ou instrumentos da mesa de autópsia; - Dificuldade na análise e interpretação de resultados, nomeadamente no que se refere à identificação de diatomáceas ao nível do género e da espécie, baseado na observação de fragmentos da parede celular siliciosa (frústula), exigindo o recurso a um especialista em diatomáceas. Tendo presente estas dificuldades, apresenta-se um contributo para a prática em Patologia Forense no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF I.P.), através de um projeto de “kit de recolha” de amostras para pesquisa de diatomáceas, elaborado com o intuito de eliminar a problemática da contaminação nas colheitas de órgãos e tecidos durante a realização da prática tanatológica, baseado não só em materiais descartáveis de uso corrente médico-legal e/ou cirúrgico, mas principalmente recorrendo a guia de recomendações e boas práticas que respeita um encadeamento das diversas colheitas com minimização da possibilidade de contaminação por diatomáceas externas e/ou da contaminação inter-órgãos. No que concerne à necessidade de informação e análise especializada, nomeadamente na identificação taxonómica, condição sine qua non a uma análise rigorosa e válida, salienta-se a necessidade de formação das pessoas responsáveis pela análise das diatomáceas e fornecem-se dados acerca da distribuição de algumas comunidades de diatomáceas presentes em ambientes aquáticos de Portugal, fruto de trabalhos na área da avaliação da qualidade das águas, facultando este conhecimento a possibilidade de análise comparativa entre diatomáceas pesquisadas no cadáver e diatomáceas presentes naqueles corpos de água, permitindo eventualmente confirmar ou exclui-los como meio de afogamento.
Ciências Médicas e da Saúde
6,824
Comparação da marcação nuclear para evidenciaçãqo de ADN
Doenças do fígado,Hepatócitos,DNA,Coloração cromossómica
O fígado é a maior glândula do corpo humano, tendo uma componente endócrina e outra exócrina. Este órgão desempenha várias funções muito importantes, como: o armazenamento e libertação da glicose; metabolismo de lípidos e de proteínas; síntese da maioria das proteínas plasmáticas; processamento de drogas e hormonas; destrói os glóbulos vermelhos velhos ou anormais, transformando a hemoglobina em bilirrubina; armazena vitaminas e minerais; regula o volume sanguíneo e tem uma importante acção antitóxica contra substâncias nocivas ao organismo. No núcleo das células encontra-se cerca de 99% do ADN celular, contendo a informação genética de cada indivíduo (excluindo as mitocôndrias) e tendo a capacidade de transmiti-la à sua descendência. Neste trabalho foi usado tecido hepático de rato Wistar. O grupo controlo consistiu em 10 blocos de parafina com fígado de rato Wistar, sem qualquer manipulação, com 28 semanas. O grupo teste I foi constituído por 10 blocos de parafina com fígado de rato Wistar com 28 semanas a quem foi administrado carbaril. O grupo teste II foi constituído por 10 blocos de parafina com fígado de rato Wistar com 28 semanas a quem foi administrado vinho tinto. Através da realização de duas colorações histoquímicas, Hematoxilina & Eosina e a reacção de Feulgen, são comparados os resultados obtidos após quantificação do ADN, usando para tal um programa informático, “ImageJ”, de forma a concluir-se onde existe maior quantidade de ADN. Da análise dos resultados obtidos, sugere-se que os núcleos mais pequenos possam ter uma grande concentração de ADN.
Ciências Médicas e da Saúde
6,825
Contribuição para a criação de um modelo experimental de varizes
Varizes,Pressão venosa,modelos animais
Apesar dos conhecimentos alcançados, a causa das varizes dos membros inferiores ainda é desconhecida. Muitas causas têm sido apontadas, a mais evidenciada é a hipertensão venosa. É uma doença comum e exclusiva da espécie humana. Este facto levanta muitas dificuldades no estudo e investigação da doença. Com um modelo animal será mais fácil compreender a etiologia da doença, a sua evolução e estudar novos tratamentos. Este projecto tem como objectivo provocar varizes num animal, produzindo hipertensão venosa numa veia em ortostatismo, fazendo depois um estudo comparativo entre as lesões descritas no homem e as provocadas neste modelo. Foram usados 18 coelhos da raça Belier-francês, machos, com três meses de idade. Na orelha esquerda foi produzida cirurgicamente hipertensão venosa com a oclusão da veia auricular intermediária e o controlo foi efectuado com a orelha direita, não intervencionada. Os resultados obtidos mostram claramente uma alteração morfológica significativa das veias, causada pela cirurgia efectuada. Estas alterações não são constantes ao longo do tempo e têm uma variação considerável, de animal para animal. O modelo proposto é capaz de induzir alterações morfológicas e funcionais nas veias da orelha do animal em teste, que se aproximam das descritas nas varizes da espécie humana.
Ciências Médicas e da Saúde
6,826
Análise da divergência na proposta de incapacidades permanentes em exames médicos singulares e em exames por junta médica
Acidentes de trabalho,Exames médicos,Avaliação de incapacidade,Medicina legal
Objectivo Analisar a divergência entre as propostas de avaliação formuladas em exame médico singular e em exame por junta médica, nas situações de não conciliação, em clínica forense do Direito do Trabalho Método Estudo observacional de tipo descritivo assente em investigação comunitária longitudinal numa amostra não probabilística, de conveniência (n=178 casos). A amostra foi seleccionada da população alvo constituída pelos casos avaliados pela nova TNI, no âmbito das actividades forenses do GMLTV no período compreendido entre 2008 a 2010. Resultados A clínica forense em direito do trabalho representou 31% da actividade pericial do GMLTV, com um total de 2148 exames médico-legais, Os sinistrados do género masculino são maioritários (71%). A média etária da amostra é de 45,2 anos. O grupo profissional mais atingido foi o dos operários, artífices e trabalhadores similares (35% dos sinistrados). A maioria dos acidentes (79%) ocorreu nas instalações do empregador, devido a quedas (37%) e a movimentos excessivos (21%). As regiões do corpo mais atingidas foram os membros superiores (39%) e os inferiores (29%), sendo as lesões mais frequentes as luxações, entorses, roturas e distensões, que ocorreram em 52% dos acidentes. A taxa de não conciliação na amostra foi de 33%, com a seguradora a ser a parte mais vezes não conciliada (67%). A avaliação em exame por junta médica divergiu do exame médico singular em 111 casos (62%), alterando o coeficiente da IPP (76%) que viu o seu valor diminuir (87%) em média 0,0416. Conclusões As partes não se conciliaram em 33% dos casos. O exame por junta médica alterou em 62% dos casos a proposta de avaliação formulada em exame médico singular. O coeficiente de IPP foi o parâmetro mais frequentemente alterado.
Ciências Médicas e da Saúde
6,827
Transplante na polineuropatia amiloidótica familiar adquirida : bindicação ou contra-indicação?
Polineuropatia amiloidótica familiar,Transplantação do fígado,Qualidade de vida
A Polineuropatia Amiloidótica Familiar Adquirida é uma patologia iatrogénica, descrita após a introdução da técnica de transplante hepático sequencial. Atualmente, o único tratamento para frenar a evolução da doença é o retransplante hepático. O principal objetivo deste trabalho é a análise do risco/benefício do retransplante, nomeadamente pela avaliação da morbimortalidade e qualidade de vida dos doentes com Polineuropatia Amiloidótica Familiar Adquirida. Para tal, procedeu-se à recolha e análise retrospetiva da informação contida nos processos clínicos dos doentes que desenvolveram clínica de Polineuropatia Amiloidótica Familiar Adquirida no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e particularmente dos que realizaram retransplante, dados esses referentes ao período entre Outubro de 1995 e Junho de 2014. Verificou-se que para além de Polineuropatia Amiloidótica Familiar Adquirida apresentar um início muito mais precoce, também tem uma evolução muito mais rápida quando comparada com a verificada em doentes com Polineuropatia Amiloidótica Familiar hereditária, o que questiona a utilização desses dadores. A análise das complicações, morbimortalidade e evolução da qualidade de vida após o retransplante conclui que o mesmo é um procedimento seguro, obtendo os doentes um benefício claro.
Ciências Médicas e da Saúde
6,828
A capacitação dos utentes quanto aos rastreios médicos
Programas de rastreio,Prevenção secundária,Prevenção quaternária,Literacia em saúde
Introdução: A prevenção em saúde criou grandes expectativas relativamente a alguns dos cuidados preventivos na população em geral. Objectivos: Avaliar a capacitação de utilizadores de unidades de saúde quanto à realização de rastreios médicos. Métodos: Aplicação de um questionário a uma amostra de conveniência de 400 indivíduos que, entre Julho e Agosto de 2014, frequentaram as quatro Unidades de Saúde do concelho de Viseu, envolvidas neste Projecto. As respostas obtidas foram estudadas em função da idade, género, toma regular de medicação, formação académica, actividade profissional e percepção da qualidade de saúde. Resultados: A amostra tem idades compreendidas entre os 18 e os 89 anos (média 50,7 ± 15,5 anos), 79,5% têm idade inferior a 65 anos, 67,5% são do género feminino, 64,8% consomem regularmente medicamentos, 68,3% têm uma formação académica média, 62,0% são profissionalmente activos e 51,5% avaliam a sua saúde como “razoável ou fraca”. Dos inquiridos, 93,8% aceitam a realização de um rastreio médico sempre que lhe é proposto e 87,8% julgam que essa participação permite saber que têm uma doença. Há maior aceitação dos rastreios médicos no género feminino (95,6%) e nos que qualificam a sua saúde como “razoável ou fraca” (96,6%). Nos inquiridos com grau de formação académica elevado há menor aceitação (11,8%). À questão “Julga que fazer um rastreio permite saber que tem uma doença?” os utentes da UCSP respondem negativamente numa percentagem mais elevada (16,9%). Existe diferença significativa entre as motivações de aceitação dos rastreios médicos e as variáveis grupo etário, toma regular de medicamentos, grau de formação académica e qualidade em saúde (p<0,001). Discussão e Conclusão: Há uma grande aceitação dos rastreios médicos. A maioria dos inquiridos julga que fazer um rastreio permite saber que tem uma doença. A realização de rastreios com o intuito de querer saber que está saudável salienta a falsa sensação de protecção e garantia de saúde perante um resultado falso negativo. O conhecimento sobre o impacto da promoção e educação para a saúde é ainda insuficiente, destacando-se a necessidade de capacitação dos utentes.
Ciências Médicas e da Saúde
6,830
O Ruído nas escolas
Ruído,Saúde ocupacional,Serviços de saúde escolar,Factores de risco
Desde há muito que se reconhece o ruído como um fator de risco ocupacional na saúde dos trabalhadores e os efeitos da sua exposição têm sido objeto de estudo para muitos investigadores. As escolas com a sua população específica deveriam ser um local saudável e de promoção de comportamentos salutares. Os possíveis efeitos da exposição ao ruido, em contexto escolar, poderão ser considerados um fator de risco para alunos e profissionais docentes e não docentes nas escolas. Com base nesta premissa, o presente trabalho teve como objetivo, avaliar os níveis sonoros existentes nos espaços comuns e refeitórios das escolas. Na perspetiva teórica, aborda-se o conceito de ruido e os seus efeitos sobre a saúde, tendo em conta que a sensibilidade individual ao ruido é um parâmetro subjetivo, e como tal, a sua mensuração implica a aplicação de instrumentos já validados, como a Weinstein’s Noise Scale (WNS). Na perspetiva empírica inicia-se a concretização deste trabalho com a seleção de Escolas Básicas do 2.ºe 3.º ciclos dos Distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria e Viseu, tendo sido selecionadas 30 amostras. Foi medido o nível de exposição sonora durante os intervalos nos espaços interiores e durante o período do almoço nos refeitórios, sendo registado o nível sonoro contínuo equivalente ponderado A (LA,eq). Na metodologia utilizada foi elaborada uma ficha de caracterização para as escolas, a preencher localmente em cada avaliação feita (a qual permite recolher toda a informação necessária à caracterização das escolas para o estudo pretendido). O tipo e técnica de amostragem é probabilística aleatória estratificada e a dimensão da amostra é de 30 escolas. Face aos valores de nível sonoro encontrado nos locais estudados, podemos afirmar que o ruído existente nas escolas, é um potencial risco para a saúde da comunidade escolar, podendo efetivamente afetar a aprendizagem e aumentar a agressividade nas escolas. Não foi possível estabelecer relação entre a tipologia dos estabelecimentos de ensino e os níveis sonoros existentes nas zonas interiores dos polivalentes e nos refeitórios, a proveniência dos alunos, a existência de controlo na entrada dos refeitórios e dos vigilantes existentes no seu interior. A exposição ao ruído da comunidade escolar de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) pode causar danos psico-fisiológicos.
Ciências Médicas e da Saúde
6,831
Retalhos cutâneos para a reconstrução do nariz
Rinoplastia,Retalhos cirúrgicos
O nariz, ao ser uma das estruturas faciais mais proeminentes e visíveis, levanta numerosos e complexos problemas reconstrutivos na Cirurgia Dermatológica, considerando que as perdas de substância incluem com frequência estruturas extra-cutâneas, como músculo, cartilagem, mucosa endonasal e, eventualmente, osso. O objectivo da reconstrução nasal é restabelecer a normalidade da forma e função, tratando-se de um desafio especial devido às características particulares da pele que reveste esta área, bem como às múltiplas concavidades e convexidades existentes na sua superfície. Ao contrário da pele do nariz, pouco elástica, as regiões adjacentes (glabela e pregas nasolabiais) dispõem de uma pele de fácil mobilização, representando excelentes fontes de retalhos cutâneos. Apesar de ser uma região anatómica periférica, a sua vascularização abundante torna a reconstrução extremamente viável. Para a reconstrução da pirâmide nasal, estão disponíveis diversas opções por ordem de preferência: sutura primária (excisão simples), retalhos cutâneos, cicatrização por segunda intenção e enxertos. Retalhos cutâneos são unidades de tecido transferidas de um local dador para um local receptor mantendo o seu próprio suprimento sanguíneo. Possuem vantagens substanciais em relação aos enxertos cutâneos devido à sua viabilidade não depender do local receptor. Além disso, permitem a transferência de pele com cor e textura semelhantes às esperadas para o local onde se destinam. Existem diferentes tipos de retalhos cutâneos que se podem classificar de acordo com o suprimento sanguíneo, com a localização da área dadora ou com o tipo de tecido que vai ser transferido. Neste artigo de revisão abordam-se os retalhos cutâneos mais adequados para a reconstrução das diferentes regiões da pirâmide nasal, em concordância com o conceito de subunidade cosmética introduzido em 1985 por Burget e Menick, que divide o nariz em raiz, dorso, paredes laterais, asas, ponta e columela.
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Avaliação de riscos em postos de trabalho de soldadura
Saúde ocupacional,Soldadura,Factores de risco
Com o constante desenvolver da sociedade, a soldadura tem sido largamente utilizada em muitas áreas industriais. Nos últimos anos têm sido desenvolvidos novos métodos, novas aplicações e novos sistemas. O contínuo desenvolvimento da soldadura faz dela um processo fundamental nas indústrias. Além disso, contribui para a melhoria da qualidade de vida das populações, simplifica e acelera vários processos industriais e torna possível o desenvolvimento de novas indústrias, que aumentam a oferta de bens. A soldadura consiste num processo que tem, por objetivo a união de duas ou mais peças, assegurando ao mesmo tempo a continuidade das propriedades físicas, químicas e metalúrgicas da peça a soldar. Em termos genéricos, a avaliação de riscos consiste, na análise estruturada de todos os aspetos inerentes ao trabalho, concretizada através da identificação dos fatores de risco, estimação e valoração dos riscos e identificação dos trabalhadores a eles expostos, definindo em cada caso as medidas de prevenção ou proteção adequadas. Os soldadores são um grupo profissional que se encontra, no seu dia-a-dia, exposto a vários riscos: riscos mecânicos (esmagamento, corte e projeção de partículas), riscos associados a agentes físicos (iluminação, ruído e exposição a radiação não ionizantes), riscos associados à exposição a agentes químicos, entre outros. O presente estudo foi realizado numa metalúrgica, em postos de soldadura MIG MAG e pretendeu-se avaliar os seguintes parâmetros físicos: agentes químicos, iluminação, ruído e ambiente térmico. Em cada situação, os valores obtidos foram comparados com os valores legislativos / normativos aplicáveis a cada situação. Pretendeu-se ainda proceder à avaliação de riscos dos locais de trabalho por aplicação do método simplificado. Avaliação de Riscos em Postos de Trabalho de Soldadura XIX O presente estudo é do tipo descritivo. Quanto aos resultados obtidos verificamos que, após aplicação do método simplificado de avaliação de riscos, a tarefa de soldadura em si, é aquela que apresenta risco mais elevado para os colaboradores. Em relação à exposição a agentes químicos, verificamos que, face aos agentes em análise, estes se encontravam abaixo dos valores limite de exposição. Já a avaliação do ruído revelou-nos que os colaboradores se encontram expostos a este agente, podendo ocasionar risco para a saúde dos mesmo, visto os valores determinados se encontrarem acima do valor de ação inferior. Quanto aos níveis de iluminação, concluímos que estes cumpriam em todas as bancadas em análise. Finalmente face à avaliação do ambiente térmico aferimos que os colaboradores se encontram em situação aceitável de conforto térmico. Em conclusão, podemos referir que depois de avaliados os condicionantes ambientais dos postos de trabalho se verificou que não existe risco significativo para a saúde dos colaboradores, embora, devido á necessidade de utilização dos EPI’s requeridos pelo processo, não se poderá deixar de referir que se trata de um posto de trabalho gerador de algum desconforto. Importa ainda referir que, sendo a avaliação de riscos um processo contínuo e dinâmico, este deve constituir uma base sólida de qualquer empresa, de forma a dar resposta às exigências legais impostas, proporcionando, ao mesmo tempo, qualidade de vida a todos aos envolventes no processo.
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Contributos para a implementação da enfermagem forense em Portugal
Medicina legal,Vítimas de crime,Enfermagem forense,Serviço hospitalar de urgências
Reconhecendo que os enfermeiros são os profissionais de saúde que, para além de permanecerem junto do doente 24 horas por dia, são aqueles que mais vezes são confrontados, numa primeira linha, com pessoas vítimas de violência dos mais diversos tipos, tornou-se pertinente um estudo e reflexão sobre a forma como os enfermeiros portugueses prestam cuidados forenses e a percepção que têm sobre a Enfermagem Forense. Assim, como parte dos requisitos para a conclusão do Mestrado em Medicina Legal e Ciências Forenses pela Faculdade de Medicina de Coimbra, foi elaborada uma Dissertação intitulada “Contributos para a Implementação de Enfermagem Forense em Portugal.” Para além deste trabalho constituir um momento reflexão e de enriquecimento individual, constituiu também um ponto de partida para um conhecimento aprofundado da temática em estudo, constituindo um projecto de grande importância quer no âmbito da Enfermagem em Portugal, quer no campo forense. Os enfermeiros que trabalham nos diferentes Serviços de Urgência e INEM têm como principal objectivo manter a vida e promover a saúde dos pacientes. No entanto, em certas situações a actuação destes profissionais deve ser um pouco mais abrangente, isto é, deve englobar aspectos relativos a questões de âmbito forense. Para que assim seja, é necessário que os enfermeiros saibam conciliar os cuidados de enfermagem com os conhecimentos que detém em Ciências Forenses. Os principais objectivos deste estudo são compreender de que forma actuam os enfermeiros dos vários serviços de urgência pertencentes ao distrito de Santarém, e perceber se de facto há interesse por parte destes profissionais na criação de Enfermeiros Forenses em Portugal. A amostra é composta por enfermeiros que exercem funções nos serviços de urgências, incluindo pediátrica e ginecológica, e VMER por serem estes os serviços que recebem as vítimas de violência, quando estas necessitam de cuidados de saúde. O facto de a amostra ser composta por profissionais do distrito de Santarém prende-se com o interesse pessoal e profissional, visto exercer funções num hospital afecto a esta área geográfica aquando da realização do estudo e também, por uma questão de maior acessibilidade na aplicação dos questionários. A opção da amostra fundamenta-se ainda pela convicção de que os elementos que responderam aos questionários são ilustrativos de um universo nacional, na medida em que são várias as instituições de saúde pertencentes a este distrito. Estruturalmente, este estudo encontra-se dividido em três partes essenciais. XVI Na Parte I da presente dissertação, é feita uma revisão da literatura abordando a temática da violência, a origem da Enfermagem Forense, a forma como é vivida noutros países e a justificação da escolha do tema em estudo. A Parte II diz respeito ao trabalho experimental realizado, na qual são descritos a amostra em estudo, os resultados obtidos e a análise dos mesmos. Por fim, a parte III diz refere-se à Discussão dos resultados obtidos e respectivas Conclusões. Este estudo levanta o véu do longo caminho que os Enfermeiros Portugueses ainda têm de percorrer, no que concerne a Enfermagem Forense em Portugal.
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6,834
Diagnóstico precoce por ultrassonografia da doença inflamatória dos intestinos
Doenças inflamatórias dos intestinos,Ecografia
Introdução: A doença inflamatória intestinal é uma doença imune crónica do tracto gastrointestinal com uma incidência crescente em países desenvolvidos. A etiologia da doença inflamatória intestinal permanece desconhecida. No entanto, têm sido descritos factores genéticos e ambientais que contribuem para a resposta imune responsável pela lesão na mucosa gastrointestinal. A diarreia é um sintoma frequente na doença inflamatória intestinal que requer tratamentos adaptados à etiologia. A ultrassonografia de alta resolução tem-se mostrado útil como modalidade imagiológica para o rastreio de doentes com sintomatologia ou sinais clínicos indicadores de doença inflamatória intestinal, monitorização do tratamento médico através da avaliação da actividade da doença, extensão da doença e detecção de complicações. O seu uso optimizado, num contexto de Serviço de Urgência, pode evitar o recurso a exames imagiológicos invasivos, a cirurgias e hospitalizações desnecessários e, portanto, reduzindo os custos associados. Objectivo: Determinar o papel actual da ultrassonografia no estudo do tracto gastrointestinal no Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra em doentes que se apresentem com diarreia. Pretende-se avaliar a importância da ultrassonografia na determinação do segmento intestinal envolvido, fase de actividade da doença, selecção de pacientes que deverão ser sujeitos a procedimentos instrumentais mais complexos, na decisão terapêutica e no acompanhamento da evolução sob tratamento. Metodologia: Realizou-se uma análise retrospectiva dos doentes que deram entrada no Serviço de Urgência durante o ano de 2007, apresentando no seu quadro clínico diarreia e que, neste contexto, tenham realizado uma ultrassonografia abdominal. Resultados: As ultrassonografias realizadas no Serviço de Urgência forneceram escassa e, na maioria dos casos, nenhuma informação relativamente à região e extensão do intestino afectado, presença de espessamento da parede intestinal, estreitamento/dilatação luminal, padrão ecográfico da vascularização da parede ou outros sinais indirectos de doença intestinal. Conclusões: Observou-se um subaproveitamento das potencialidades da ultrassonografia na investigação inicial das doenças gastrointestinais. Apesar da já ser utilizada em alguns Centros como recurso inicial, a ultrassonografia ainda requer standardização e optimização do seu uso neste contexto.
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Parasitoses oportunistas no infectado pelo VIH : aspectos epidemiológicos e clínicos
Parasitoses,Infecções por HIV,Toxoplasmose,Criptosporidiose,Infecções por microsporos,Leismaniose,Doença de Chagas
INTRODUÇÃO: Apesar da incidência de infecções oportunistas em indivíduos infectados pelo VIH ter diminuído substancialmente com a utilização cada vez mais generalizada de regimes quimioprofilácticos específicos e de tratamento anti-retrovírico de grande actividade, estas continuam a constituir uma causa significativa de mortalidade e morbilidade nesta população, tanto em países desenvolvidos, devido a factores de índole variada, como em países com poucos recursos económicos, onde o acesso aos anti-retrovíricos ou mesmo a agentes profilácticos específicos é muito limitado e onde, de resto, se verificam as taxas mais elevadas de infecção pelo VIH. OBJECTIVOS: Abordar as mais importantes parasitoses oportunistas (Toxoplasmose, Criptosporidiose, Microsporidiose), incluindo duas relevantes parasitoses endémicas (Leishmaniose e Doença de Chagas). Este artigo pretende providenciar uma revisão dos seus contexto epidemiológico actual, quadro clínico, diagnóstico e recomendações para profilaxia e tratamento, bem como fazer referência a métodos de diagnóstico e/ou abordagens terapêuticas mais recentes que se tenham revelado promissores. DESENVOLVIMENTO/CONCLUSÕES: Algumas parasitoses oportunistas associam-se a taxas de mortalidade elevadas por não existir qualquer agente terapêutico específico para o seu tratamento. Noutras, isso acontece porque a resposta ao tratamento específico é pior em VIH-positivos, com menor taxa de cura e maior probabilidade de recidivas. É fundamental, assim, acima de tudo, implementar programas eficazes de diagnóstico precoce da infecção pelo VIH, de modo a evitar a ocorrência de infecções oportunistas. Além disso é necessário continuar a investir no desenvolvimento de métodos sensíveis e específicos de diagnóstico tão simples, rápidos e económicos quanto possível, bem como na realização de ensaios clínicos com agentes terapêuticos (ou combinações) que se revelaram promissores. Para os países com poucos recursos, é especialmente relevante o esclarecimento da eficácia de agentes terapêuticos pouco dispendiosos e amplamente disponíveis na profilaxia e tratamento das infecções oportunistas, dada a dificuldade de acesso ao tratamento anti-retrovírico de alta actividade.
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6,837
Efeito antiarrítmico das estatinas em doentes com miocardiopatia dilatada não-isquémica portadores de cardioversor-desfibrilhador implantável
Doenças do miocárdio,Inibidores das hidroximetilglutaril-CoA redutases,Antiarrítmicos,Cardioversão eléctrica,Desfibriladores implantáveis
Introdução e objectivos: Alguns estudos sugerem que as estatinas estão associadas a uma redução do risco de arritmias ventriculares (AV), maioritariamente em doentes com miocardiopatia de origem isquémica. É desconhecido o seu impacto em doentes com miocardiopatia dilatada não-isquémica (MCDNI). Este estudo propôs-se a determinar a influência das estatinas na incidência de eventos disrrítmicos em doentes com MCDNI, portadores de cardioversor-desfibrilhador implantável (CDI). Métodos: Realizou-se um estudo retrospectivo em 68 doentes com MCDNI, portadores de CDI. Durante o período de estudo, 45 doentes mantiveram estatinas (Grupo A) e 23 doentes não (Grupo B). Foi avaliada a associação entre a terapêutica com estatinas e as seguintes variáveis: número de episódios de taquicardia ventricular mantida (TVm) e não mantida (TVnm) e de fibrilhação ventricular (FV) e número de choques apropriados de CDI. Avaliaram-se ainda os desfechos compostos de [TVnm+TVm+FV], [TVnm+TVm] e [TVm+FV]. Resultados: Não se encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos relativamente ao número de eventos disrrítmicos ou de choques apropriados de CDI. No grupo A, houve uma menor proporção de doentes que apresentaram episódios de TVm (22,2% vs 34,8%; OR 0,536; p=0,267), o desfecho composto de [TVnm+TVm+FV] (40,0% vs 47,8%; OR 0,727; p=0,537) e que receberam choques apropriados de CDI (20,0% vs 26,1%; OR 0,708; p=0,567), sem, no entanto, atingir a significância estatística. Conclusões: O presente estudo não demonstrou relação entre a terapêutica com estatinas e a ocorrência de AV ou de choques apropriados de CDI numa população de doentes com MCDNI portadores de CDI.
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Pefeccionismo, cognições perserverativas e qualidade do sono em estudantes do sexo masculino
Distúrbios do sono,Estudantes,Testes de personalidade,Questionários
Introdução: A qualidade do sono tem vindo a ser associada quer ao traço de personalidade perfeccionismo quer às cognições perseverativas (preocupação e ruminação). Objetivo: Investigar a relação entre as cognições perseverativas, o perfeccionismo e a qualidade do sono em estudantes do sexo masculino. Metodologia: Participaram no estudo 245 rapazes (idade média 19.22±1.227 anos). Para avaliar o sono recorreu-se a um questionário de sono/vigília que incluía questões sobre a Duração habitual, Necessidades, Profundidade, Qualidade Subjetiva e Latência do Sono e Acordares Noturnos; somando a pontuação destes últimos quatro parâmetros construiu-se o Índice de Qualidade do Sono/IQS. O perfeccionismo foi avaliado com Escala Multidimensional de Perfeccionismo/EMP de Hewitt & Flett (Perfeccionismo Auto-Orientado/PAO; Perfeccionismo Socialmente Prescrito/PSP) e a EMP de Frost (Padrões Pessoais/PP; Dúvidas sobre as Ações/DA; Preocupação com os Erros/PE; Expectativas Parentais/EP; Criticismo Parental/CP). As cognições perseverativas (Preocupação e Ruminação) foram avaliadas através de um questionário de auto-resposta recentemente validado. Resultados: O IQS correlacionou-se significativa e positivamente com o PSP (r=.18, p<.01), PE (r=.14, p<.01), DA (r=.23, p<.01), CP (r=.13, p<.01), Perfeccionismo Negativo/Perf- (PSP+DA+PE, r=.22, p<.05), Preocupação (r=.20, p<.01) e Ruminação (r=.14, p<.05). Para cada uma destas variáveis, compararam-se as pontuações médias do IQS em três grupos, baseados na média e desvio padrão (baixo=M-1DP; médio=M±1DP; elevado=M+1DP). Os rapazes com elevadas DA, Perf- e Preocupação apresentaram pontuações médias de IQS 2 significativamente (p<.05) superiores aos outros grupos. A regressão linear múltipla mostrou que o modelo composto pelo PSP, PE, DA, CP, Preocupação e Ruminação explicava 7.5% da variância do IQS (R2=.075, p=.004) e apenas a dimensão DA era preditiva do IQS (Tendência; =.163, p=.064). O modelo composto pelo Perf-, Preocupação e Ruminação explicou 6.3% da variância do IQS [R2=.063, p=.001] e o Perf- foi o único preditor significativo do IQS (=.163, p=.024). A regressão logística foi usada para analisar quais as variáveis preditivas de pontuações elevadas (M+1DP; n=178, 72.7%) vs. baixas (M-1DP; n=29, 11.8%) no IQS. As DA foram a única variável que se correlacionou significativamente com esta variável dicotomizada (rS=.304; p=.014). O modelo explicou 9.0% (Cox e Snell R square) a 12.1% (Nagelkerke R square) da variância (p=.014). O odds ratio foi de 1.184 (p=.021; IC 95% OR=1.026-1.367). Conclusão: No sexo masculino, a Preocupação, a Ruminação e o Perfeccionismo Negativo estão associados à qualidade do sono, mas apenas a dimensão DA é preditiva da qualidade do sono.
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Síndrome do conflito femoro-acetabular
Impacto femoroacetabular,Osteoartrite da anca,Artroplastia
Introdução. A síndrome do conflito femoro-acetabular é uma patologia recente na comunidade ortopédica. Hoje, é reconhecido que possa constituir uma das causas das osteoartroses ditas idiopáticas no adulto jovem. Objectivos. Com este trabalho, pretende-se elaborar uma revisão completa e actual da definição, epidemiologia, etiologia, etiopatogenia, apresentação clínica, meios complementares de diagnóstico, tratamento e prognóstico da síndrome do conflito femoro-acetabular. Desenvolvimento. Esta entidade nosológica é caracterizada por um impacto entre a cabeça-colo femoral e rebordo acetabular, provocado por alterações morfológicas a nível do fémur, do acetábulo ou ambos (conflitos do tipo “cam”, “pinça” e “mistos”). Consequentemente, o conflito persistente vai originar lesões a nível da cartilagem articular e do complexo “debrum/labrum” acetabular. Manifesta-se por dor à flexão-adução-rotação interna e à extensão-rotação externa. O diagnóstico é baseado na clínica, no exame físico, nos sinais patognomónicos radiográficos, na RMN e na TAC. O tratamento do conflito femoro-acetabular engloba, essencialmente, uma vertente cirúrgica conservadora e a cirurgia de substituição articular da anca, sendo que as técnicas cirúrgicas com o intuito de preservar a articulação constituem uma opção terapêutica válida com resultados conseguidos na melhoria da qualidade de vida destes jovens pacientes. Conclusão. Apesar da etiopatogenia do conflito femoro-acetabular estar bem estudada e documentada, torna-se necessário encontrar os algoritmos da abordagem cirúrgica mais recomendados por forma a estabelecer, de forma segura, o seu papel na prevenção daosteoartrose da anca. Para isso, a análise multicêntrica dos resultados cirúrgicos a longo prazo assume uma importância nuclear.
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6,842
Bulimia e auto-mutilações
Bulimia nervosa,Anorexia nervosa,Automutilação,Distúrbios da personalidade
Diversos estudos sugerem uma associação entre Distúrbios Alimentares e Auto-Mutilações. A sua maioria foca principalmente a Anorexia Nervosa, deixando um vazio no que diz respeito à Bulimia Nervosa. Por outro lado, são várias as opiniões que defendem que as Auto-Mutilações ocorrem apenas em doentes com Distúrbio de Personalidade Borderline. Este trabalho de revisão visa preencher a lacuna no que diz respeito à ligação ente a Bulimia Nervosa e Comportamentos Auto-Lesivos, incluindo Comportamento Suicidário, averiguando a relação psicodinâmica entre estes distúrbios. Simultaneamente, permitirá também perceber se é necessário o diagnóstico de Personalidade Borderline para que a auto-lesão ocorra ou se então as características desse distúrbio da personalidade também se relacionam com ambas as entidades.
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6,843
Pulmonary extracellular adenosine triphosphate in hypersensitivity pneumonitis and sarcoidosis : a preliminary study
Doenças intersticiais do pulmão,Diagnóstico diferencial,Trifosfato de adenosina,Alveolite alérgica extrínseca,Sarcoidose pulmonar
As doenças intersticiais pulmonares constituem um grupo vasto e heterogéneo de patologias que apresentam várias manifestações clínicas e imagiológicas em comum criando frequentemente dificuldades no seu diagnóstico diferencial. A sinalização purinérgica mostrou estar envolvida na patogénese de várias doenças pulmonares como a fibrose pulmonar idiopática, a doença pulmonar obstrutiva crónica e a fibrose quística. O objectivo deste estudo foi comparar os níveis de adenosina trifosfato em várias doenças pulmonares para avaliar a sua utilidade no diagnóstico diferencial. A concentração de ATP foi medida em lavados broncoalveolares de 5 doentes diagnosticados com pneumonite de hipersensibilidade, 8 com sarcoidose e 10 com outras doenças pulmonares, utilizando o método de luminescência da luciferina-luciferase. Os dados clínicos dos pacientes foram obtidos dos processos clínicos, incluindo as provas de função pulmonar. A concentração de ATP no LBA de doentes com pneumonite de hipersensibilidade foi significativamente inferior aos doentes com sarcoidose. Adicionalmente foi verificada uma correlação da concentração de ATP com o número total de células e com a capacidade de difusão. Estes resultados lançam a sugestão que a medição de ATP poderá contribuir no diagnóstico diferencial alertando para a necessidade de realizar futuros estudos para explorar o papel da sinalização de ATP nestas patologias.
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6,844
A população muito idosa: diferenças na aplicação de revascularização coronária percutânea
Enfarte do miocárdio,Angioplastia,Idoso com mais de 80 anos,Revascularização miocárdica
Introdução: O aumento da esperança média de vida nos países desenvolvidos tem trazido aos cardiologistas de intervenção populações cada vez mais envelhecidas. A coorte de doentes com 85 ou mais anos de idade é cada vez mais numerosa nas salas de hemodinâmica, apesar da apertada selecção de que são alvo (devido à percepção de uma razão risco/beneficio desfavorável por parte do médico). Objectivos: Estudar uma população com ≥85 anos submetida a angioplastia coronária em termos de características-base, características angiográficas, técnicas inerentes ao procedimento e resultados intra-hospitalares das intervenções. Métodos: Realizou-se um estudo retrospectivo usando dados do Laboratório de Hemodinâmica e Cardiologia de Intervenção do Serviço de Cardiologia dos HUC, incluindo doentes entre Janeiro de 2006 e Abril de 2010. Formaram-se 3 grupos – A (dos 65 aos 74 anos), B (dos 75 aos 84 anos) e C (≥85 anos) – que se compararam relativamente a características-base, antecedentes pessoais, factores de risco, tipo de admissão, características lesionais, dados relativos ao procedimento, status hemodinâmico, complicações, terapêutica farmacológica antes e durante a intervenção e resultados. Resultados: Há uma percentagem crescente de mulheres intervencionadas (p <0.001) bem como uma diminuição do índice de massa corporal à medida que aumenta a idade (p <0.001). As admissões urgentes e por Enfarte Agudo do Miocárdio com Elevação do Segmento ST, assim como as lesões tipo C (classificação ACC/AHA) revelaram-se mais frequentes nos grupos etários mais elevados (p=0.005, p <0.001 e p=0.009, respectivamente). No grupo C, o tempo de procedimento foi inferior ao do grupo B (p=0.001). A percentagem de fluxo TIMI 3 pré-procedimento foi menor à medida que aumentou a idade (p=0.005), ocorrendo o contrário para a percentagem de estenose (p=0.004). O recurso a stents e dispositivos de encerramento arterial diminuiu com o aumento da idade (p=0.002 e p=0.001). Uma fracção de ejecção ventricular ≤ 30% é mais frequente nos indivíduos mais idosos (p=0.015). Também a presença de choque cardiogénico durante a intervenção, com consequente necessidade de reanimação aumentou com a idade (p <0.001 e p=0.004). Nos resultados finais, a percentagem de obtenção de fluxo TIMI 3 foi significativamente menor nos grupos de doentes mais velhos, ocorrendo o contrário para a mortalidade (p <0.001 e p=0.005). Conclusões: Os doentes com ≥85 anos são admitidos mais frequentemente em contexto urgente, têm lesões coronárias tecnicamente mais exigentes e mais difíceis de repermeabilizar, têm maior incidência de instabilidade hemodinâmica durante a intervenção, mais comorbilidades e maior mortalidade peri-procedimento. Tudo isto leva os cardiologistas a adoptar uma postura menos agressiva nas suas intervenções. Isso traduz-se numa maior rapidez do procedimento, na utilização menos frequente de stents (e, quando usados, optam por stents bare-metal) e de dispositivos de encerramento arterial (por receio de complicações hemorrágicas).
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6,845
Linfoma de Hodgkin clássico: experiência de 20 anos de uma instituição hospitalar
Doença de Hodgkin,Hematologia
O Linfoma de Hodgkin Clássico (LHC) é uma neoplasia caracterizada pela presença de células clonais malignas, designadas de Células de Hodgkin e de Reed-Sternberg, com origem maioritariamente em células B, dispersas num fundo heterogéneo de células inflamatórias não neoplásicas. Representa cerca de 95% de todos os Linfoma de Hodgkin. Compreende 4 subtipos: Esclerose Nodular, Celularidade Mista, Rico em Linfócitos e Depleção Linfocitária. As estratégias terapêuticas actuais conferem mais de 80% de probabilidade de cura nos doentes com LHC. No entanto, aproximadamente 20% dos doentes são primariamente refractários, apresentando má resposta às terapêuticas de segunda linha e sobrevivências globais baixas, e 20-40% recidivam após terapêutica de primeira linha. Várias variáveis clínicas, laboratoriais e biológicas têm sido utilizadas como factores de prognóstico para estratificação dos doentes em grupos de risco, com o objectivo de individualizar a terapêutica, reduzir a incidência de recidivas e de doença refractária, e de minimizar a toxicidade sem comprometer o controlo da doença. Com este trabalho pretendeu-se realizar a caracterização epidemiológica, clínica e laboratorial dos doentes com LHC diagnosticados e tratados consecutivamente nos Hospitais da Universidade de Coimbra nos últimos 20 anos, e avaliar a eficácia das terapêuticas instituídas para melhor compreender a sua evolução. Para o efeito realizou-se um estudo retrospectivo que englobou 276 doentes com LHC, diagnosticadas no período de 1 de Janeiro de 1990 a 31 de Dezembro de 2009. Foram pesquisadas múltiplas variáveis: demográficas, clínicas, laboratoriais, histológicas, terapêutica e resposta obtida, toxicidade tardia e morte. Os resultados foram analisados estatisticamente utilizando o programa PASW (SPSS®) v.18.0. Dos 279 doentes, a maioria era do sexo masculino (55,4%; n=153), com idade mediana de 29 anos (mínimo: 12 anos; máximo: 80 anos), com um pico de incidência na 2ª década de vida. A Esclerose Nodular foi o subtipo histológico mais frequente (76,5%; n=211), seguido da Celularidade Mista (11,2%, n=31), da Depleção Linfocitária (6,5%; n=18) e do Rico em Linfócitos (5,8%; n=16). Observou-se que os subtipos histológicos apresentavam distribuição variável de acordo com a década do diagnóstico, o grupo etário e o sexo. Na 2ª década de diagnóstico, salienta-se a redução da frequência dos subtipos histológicos, com excepção da Esclerose Nodular, a maior frequência do Rico em Linfócitos no sexo masculino (ratio masculino/feminino: 4,3/1), que apresenta distribuição etária bimodal, e o subtipo Depleção Linfocitária em que a mediana de idade foi mais elevada (40,5 anos). Além disso, os nossos resultados mostram que dos 275 doentes avaliáveis, 61,1% estavam no estádio clínico I e II e 38,9% no estádio III e IV, 56,7% tinham sintomas B, 21,8% tinham doença bulky, 5,8% envolvimento esplénico e 2,2% doença extranodal, à data do diagnóstico. Relativamente à distribuição por grupos de prognóstico do German Hodgkin Lymphoma Study Group (GHSG), observámos que 15,6% dos doentes estavam no estádio inicial favorável, 35,2% no estádio intermédio, e 50,2% se encontravam no estádio avançado. A análise dos resultados evidenciou que o tipo de terapêutica utilizada foi a radioterapia isolada em 11 doentes (4%), apenas quimioterapia em 149 doentes (54,6%), enquanto que 113 doentes (41,4%) fizeram quimioterapia combinada com radioterapia. A quimioterapia combinada com radioterapia foi usada predominantemente nos estádios clínicos I e II, enquanto que os doentes nos estádios III e IV fizeram maioritariamente apenas quimioterapia. Os regimes de quimioterapia mais usados foram o ABVD (Adriamicina, Bleomicina, Vimblastina, Dacarbazina), associados ou não a radioterapia (58,9% dos casos), seguido dos regimes híbridos (esquemas terapêuticos que combinam o ABVD e o MOPP) associados ou não a radioterapia em 19,3%, e em apenas 7,3% dos doentes foi utilizado o esquema MOPP (Mecloroetamina, Vincristina, Procarbazina, Prednisolona) sem ou com radioterapia associada. A taxa de resposta global (TRG) dos 259 doentes avaliáveis foi de 84,2%. A taxa de resposta completa (RC) foi de 77,6%, enquanto 15,9% dos doentes apresentaram doença estável (DE) ou progressiva (DP). Verificou-se aumento da taxa de RC da 1ª para a 2ª década, de 73,3% para 82,3%, com redução da taxa de DE e DP, mas sem significado estatístico (p=0,349). Esta melhoria sugere ser secundária à alteração da estratégia terapêutica que observámos entre as 2 décadas. Os doentes com DE e DP eram maioritariamente do sexo feminino (51,2%), dos estádios III e IV (63,4%), 78% tinham sintomas B e 82,9% pertenciam ao estádio avançado de acordo com o IPS (International Prognostic Score). Dos 259 doentes do nosso estudo avaliáveis, 32 recidivaram, sendo a maioria do sexo masculino (59,4%), com uma mediana de idades de 36 anos (mínimo: 12 anos; máximo: 77 anos). Além disso, ao diagnóstico 59,4% destes doentes estavam nos estádios I e II, 50% tinham sintomas B e 50% do estádio avançado. Metade dos doentes recidivou em menos de 12 meses após RC. Identificaram-se 14 casos de neoplasias secundárias em média 67,6 meses (DP52,5 meses) após o diagnóstico de LHC, sendo a maioria de origem hematológica (8 casos). A principal causa de morte foi a progressão da doença em 41 doentes. Por outro lado, apesar da heterogeneidade das terapêuticas efectuada, a Sobrevivência Global (SG) e a Sobrevivência Livre de Progressão (SLP) aos 5 anos foram de 84,6% e 68,1%, respectivamente. Estes resultados são globalmente inferiores aos descritas na maioria de outros estudos publicados, provavelmente devido à diversidade da população estudada e das terapêuticas efectuadas. No entanto, os grupos de prognóstico do GHSG e a quimioterapia combinada com radioterapia mostraram influenciar significativamente a SG e a SLP Assim, a utilização sistemática de uma estratégia terapêutica dirigida por grupos de prognóstico é fundamental para a melhoria do outcome dos doentes com LHC.
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6,846
Implantação coclear por surdez pós-meningite bacteriana versus surdez congénita: comparação de desempenhos
Meningite bacteriana,Surdez,Implante coclear
Introdução: A meningite bacteriana é uma conhecida causa de surdez adquirida. Esta pode ter graus variáveis e consequências inevitáveis, se não reabilitada em tempo útil. O Implante coclear, como forma de reabilitação da surdez profunda, tem reconhecida eficácia, mas melhores ou piores desempenhos são possíveis em função de vários factores, nomeadamente uma introdução atraumática e total dos eléctrodos e patologia associada no doente. O implante coclear (IC) é actualmente uma solução eficaz para doentes com surdez profunda bilateral de várias causas. Tendo por base a população de crianças surdas profundas sujeitas a implante coclear para reabilitação auditiva seguidas no Serviço de Otorrinolaringologia do Centro Hospitalar de Coimbra E.P.E., os autores fazem a comparação estatística dos resultados do desempenho audio-oral de crianças com surdez pós-meningite e crianças com surdez de causa congénita. Objectivo: Avaliar os resultados das capacidades audio-orais (performance auditiva, produção de fala e voz) com implante coclear em crianças com surdez profunda pós-meningite bacteriana e compara-los com os resultados de crianças com surdez profunda de causa congénita. Metodologia: Estudo retrospectivo baseado na revisão dos casos de crianças surdas profundas admitidas no programa de reabilitação auditiva com IC no CHC E.P.E. Fase 1: Revisão dos casos de crianças implantadas por surdez profunda após meningite bacteriana (24 casos). Fase 2: Criação de 2 grupos: Grupo A. crianças cuja causa de surdez foi meningite em idade pré e peri-lingual (21 casos, média de idades 35,67 meses, tempo médio de uso de implante coclear 9,88 anos; dp 3,92); Grupo B. Crianças com surdez congénita (314 casos, média de idades 35,49 meses; tempo médio de uso de implante coclear 6,90 anos, dp 4,59); Instrumentos de avaliação do desempenho com IC nos 2 grupos: A. Performance auditiva [Audiometria Tonal, Audiometria Vocal, Discriminação de Monossílabos, Números e Frases, Escala de Integração Auditiva (MAIS), Categorias de Performance Auditiva (CAP), Teste de Percepção da Palavra], B. Produção de fala [Escala de Utilização da Fala (MUSS), Racio de Inteligibilidade do Discurso (SIR), Teste de Articulação] C. Voz (Grelha de Avaliação das Características Vocais). Resultados: Os resultados dos testes das capacidades audio-orais para audição, produção de fala e voz foram semelhantes no grupo das crianças implantadas pós-meningite e no grupo implantado por surdez congénita (os valores de p foram superiores a 0,05 em todos os testes, excepto, o teste SIR p=0,004). Conclusões: Não houve diferenças estatisticamente significativas nos testes das capacidades audio-orais entre os 2 grupos estudados; o desempenho com IC foi semelhante. A meningite, como causa da surdez profunda ou total, não foi um factor de prognóstico desfavorável em crianças sujeitas a implante coclear (com aplicação precoce do IC, sem ossificação coclear), quando comparadas com as crianças com surdez profunda congénita.
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6,848
Papel da inflamação no desenvolvimento tumoral: potencial terapêutico dos inibidores da COX-2
Infamação,Neoplasias,Quimioprevenção,Inibidores da ciclo-oxigenase
Embora a mortalidade por doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, tenha decrescido substancialmente durante a última metade do século passado, muito por força dos avanços científicos e tecnológicos nas áreas da Medicina e Farmacologia/Terapêutica, apenas agora se começa a assistir a um ligeiro decréscimo da taxa de mortalidade por cancro. Segundo estatísticas da American Cancer Society, nos EUA, o cancro é responsável por aproximadamente um quarto das mortes, apenas ultrapassado pelas doenças cardíacas; em 2006, a patologia tumoral foi responsável por cerca de 600 mil mortes; um milhão e meio de cancros foram diagnosticados em 2009. Os dados para Portugal, e Europa em geral, são também desanimadores. A quimioprevenção é definida como o uso de agentes químicos, naturais ou sintéticos para reverter, suprimir ou prevenir a progressão carcinogénica para carcinoma invasivo. Os inibidores da ciclooxigenase-2 (COX-2), ou coxibes, são anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), que têm como alvo a COX-2, enzima responsável pela produção de mediadores da inflamação e do processo nociceptivo, como as prostaglandinas. A selectividade para esta enzima reduz os riscos e os efeitos adversos dos restantes AINEs. Observações pioneiras demonstraram concentrações superiores intratumorais de prostaglandinas em relação ao tecido normal circundante, o que se correlaciona com o facto de estas desempenharem um papel promotor no processo de carcinogénese. Desta forma, os coxibes têm sido vistos como um potencial agente de quimioprevenção, que advém dos seus efeitos anti-inflamatório, anti-proliferativo e pró-apoptótico, anti-metastático, de inibição da angiogénese e de imunomodulação. O principal objectivo deste trabalho é proceder a uma análise rigorosa da literatura científica relativa aos estudos experimentais, mas sobretudo clínicos, sobre o papel dos inibidores da COX-2 na quimioprevenção. Pretende-se fazer uma abordagem da possibilidade destes fármacos poderem constituir uma ferramenta terapêutica na prevenção da patologia tumoral, à luz dos estudos disponíveis na literatura e da experiência do Instituto de Farmacologia e Terapêutica Experimental da Faculdade de Medicina de Coimbra nesta área, designadamente no carcinoma da bexiga em modelo animal (rato). Conclui-se que, com base nas evidências actualmente disponíveis, serão necessários estudos experimentais e ensaios clínicos adicionais, sobre os efeitos quimiopreventivos dos inibidores da COX-2, de modo a esclarecer questões como a dose mínima efectiva, a idade de início, a duração da terapêutica e sua população–alvo, bem como a definição de eficácia e segurança dos diferentes fármacos.
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6,850
Comunicação interventricular: prevalência em recém-nascidos
Cardiopatias congénitas,Anomalias congénitas do septo cardíaco interventricular,Criança recém-nascida,Epidemiologia
Introdução: A Comunicação interventricular (CIV) é a mais frequente das cardiopatias congénitas na infância. O quadro clínico varia consoante a dimensão, localização e número de lesões, porém é quase sempre assintomática. A sua incidência tem vindo a aumentar graças ao diagnóstico precoce por ecocardiografia 2D com Doppler. O encerramento espontâneo das CIV é bastante comum, optando-se pela correção cirúrgica essencialmente nos casos gravemente sintomáticos. Objetivos: Avaliar a incidência, clínica e características anatómicas das CIV isoladas. Material e Métodos: Na Maternidade Daniel de Matos, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2010, dos 146 recém-nascidos (RN) com CIV isolada, foram analisados 130 processos, tendo em conta as características do RN, a idade de diagnóstico, as características das CIV, as características do encerramento e as características clínicas associadas. Os dados recolhidos foram introduzidos e processados numa base informática de análise estatística. Resultados: A CIV teve uma incidência de 0,75%. A proporção ♀:♂ é de aproximadamente 1:1. Os RN de termo totalizam 86,2%. Por cada 100 RN, 94,6 apresentam peso normal para a idade gestacional. Todas as CIV foram diagnosticadas até ao primeiro ano de vida, sendo que 73,1% foram detetadas nos primeiros sete dias de vida. As CIV musculares prevalecem com uma incidência de 79%, seguidas das sub-arteriais com 16%. A maioria (94,6%) apresentou lesões únicas. O encerramento espontâneo verificou-se em 98% dos casos contrastando com apenas 2% em que houve necessidade de encerramento cirúrgico. Em 62,9% dos casos, a resolução observou-se durante o primeiro ano de vida. As CIV assintomáticas somaram 84,6%. Somente 6,9% dos indivíduos apresentou complicações do foro cardíaco. Em 29,2% das CIV constataram-se outras pequenas malformações cardíacas. As CIV sub-arteriais foram as lesões mais predisponentes a causar sinais/sintomas e complicações com uma prevalência de 44,6% e 28,6% respetivamente, registando os únicos casos com necessidade de intervenção cirúrgica corretiva (9,5%). Conclusões: Observou-se um aumento da incidência das CIV (0,75%) quando comparada com a literatura atual, sendo as musculares as mais prevalentes, seguindo-se as sub-arteriais com uma prevalência muito superior às perimembranosas. A maioria encerra espontaneamente durante o primeiro ano de vida. As sub-arteriais e múltiplas são as mais problemáticas sendo, poucas vezes, necessário o recurso à cirurgia. Apesar disso, estas malformações não devem ser negligenciadas na medida em que é sempre necessário um diagnóstico precoce com posterior controlo médico rigoroso de forma a detetar, o mais precocemente possível, alterações clínicas que possam providenciar um tratamento médico e/ou cirúrgico.
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6,851
Variabilidade genética dos receptores dos estrogénios e patologia ginecológica
Receptores de estrogénios,Polimorfismo genético,Doenças genitais femininas
Introdução: Os estrogénios influenciam muitos processos fisiológicos nos mamíferos, quer ligados aos órgãos reprodutivos e glândulas mamárias, quer ao sistema cardiovascular, ao metabolismo ósseo e mesmo ao comportamento. Os receptores dos estrogénios têm um papel central na acção destas hormonas nos tecidos e órgãos-alvo. São conhecidos dois subtipos de receptores dos estrogénios: Receptor dos Estrogénios-Alfa, o mais abundante no organismo, codificado pelo gene ESR1, localizado no cromossoma 6; e o Receptor dos Estrogénios-Beta, codificado pelo gene ESR2, situado no cromossoma 14. Vários polimorfismos têm sido identificados em ambos os genes, com graus variáveis de evidência da sua importância biológica e de associação a determinadas doenças ginecológicas. Objectivos: Este trabalho consiste numa revisão bibliográfica sobre o papel dos polimorfismos dos receptores dos estrogénios em diversas patologias do foro ginecológico/obstétrico, com o objectivo de melhor compreender a susceptibilidade a patologias relacionadas com a exposição estrogénica, causadoras de morbilidade, mortalidade e diminuição da qualidade de vida. Desenvolvimento: A literatura publicada e revista neste trabalho, não é unânime quanto à existência de associação entre os polimorfismos avaliados e a susceptibilidade para doenças ginecológicas, como os leiomiomas uterinos, a endometriose e os cancros da mama, do endométrio e do ovário, ou a parâmetros clínicos como idade da menarca, idade da menopausa ou a resposta à estimulação ovárica em técnicas de reprodução medicamente assistida; sendo os resultados apresentados, por vezes mesmo contraditórios. Comparando artigos em que se afirma a existência de uma associação, o grau de evidência desta relação e o seu significado clínico, é também variável. Conclusões: Parece haver uma associação entre variações genéticas dos receptores de estrogénios e um aumento de susceptibilidade para algumas doenças. No entanto, serão necessários mais estudos para que o papel destes polimorfismos seja clarificado. A clarificação da etiologia genética destas doenças ou da influência destes polimorfismos em parâmetros clínicos, pode tornar estes polimorfismos importantes marcadores de susceptibilidade, facilitando a identificação de indivíduos em risco e no futuro, permitir o desenvolvimento de terapêuticas dirigidas.
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6,854
Orientação clínica das mulheres com teste positivo para mutações em BRCA 1 ou BRCA 2
Neoplasias genitais femininas,Genes BRCA1,Genes BRCA2,Mutação
Enquadramento: Os avanços na compreensão dos mecanismos moleculares e genéticos do cancro levaram a uma gestão mais “personalizada” da doença. Este conceito aplicado ao cancro da mama e/ou ovário permitiu revelar que as mulheres portadoras de mutações germinativas em BRCA apresentam uma maior probabiliade de desenvolver este tipo de cancro. Além disso, essa informação contribuiu para a elaboração de guidelines direccionadas para a orientação clínica destas mulheres, uma vez que a decisão a tomar é complexa. Objectivos e métodos: A presente revisão visa abordar a problemática da prevenção do cancro da mama e/ou ovário, bem como o acompanhamento – clínico e psicológico – das mulheres portadoras de mutações em BRCA, após a realização do teste genético. A metodologia escolhida baseou-se em artigos indexados na PubMed e guidelines disponíveis em websites clínicos. Resultados: A orientação clínica destas pacientes inclui a profilaxia e vigilância do cancro. A cirurgia profilática é a estratégia actualmente mais recomendada, tendo a anexectomia bilateral profilática uma eficácia superior à mastectomia bilateral profilática. As alternativas que podem ser consideradas abrangem a vigilância e quimioprevenção. A vigilância mamária apresenta bons resultados comparativamente à ginecológica. A quimioprevenção está reservada para as mulheres que optam por participar em ensaios clínicos com os fármacos disponíveis (i.e., tamoxifeno e raloxifeno). Conclusões: A orientação clínica das portadoras saudáveis de mutações em BRCA requere uma estratégia preventiva individual, na qual a intervenção de uma equipa multidisciplinar e especializada é fundamental. A decisão não cabe ao clínico, mas sim à própria paciente após esta ter sido totalmente informada e esclarecida em consultas de aconselhamento genético.
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6,855
Diabetes mellitus e hipoglicemia
Diabetes mellitus,Hipoglicemia,Hiperinsulinismo,Glucagon,Doenças cardiovasculares,Lesões do cérebro
A hipoglicemia é uma das mais frequentes complicações do tratamento da diabetes mellitus (DM), constituindo o principal obstáculo à otimização do controlo glicémico. Efetuou-se uma revisão da evidência mais atual do conceito de hipoglicemia, da sua etiopatogenia, da forma de apresentação clínica, das complicações que lhe podem estar associadas, do tratamento e da prevenção. A hipoglicemia pode ser definida como qualquer episódio em que se regista uma glicemia anormalmente baixa, que expõe o doente a um risco potencial. Atualmente, sugere-se um limiar glicémico de 70mg/dL para a definição de hipoglicemia em doentes diabéticos. Previamente a este valor ser atingido, as respostas da contra-regulação são ativadas, ocorrendo, sequencialmente, diminuição da secreção de insulina, aumento da secreção de glucagon, secreção de epinefrina, norepinefrina e acetilcolina, e, finalmente, de somatotrofina e de cortisol. Na DM, sobretudo tipo 1, estes mecanismos estão alterados: há uma hiperinsulinémia iatrogénica, um défice na secreção do glucagon e, na presença de episódios de hipoglicemia recorrentes, uma secreção deficiente de epinefrina, originando a síndrome clínica de hipoglicemia sem pródromos. A combinação destes três defeitos está na origem da Insuficiência Autonómica Associada à Hipoglicemia (IAAH), e torna o risco de hipoglicemia severa pelo menos 25 vezes superior. A ativação do Sistema Nervoso Autónomo (SNA) e o défice cerebral de glicose irão originar sintomas neurogénicos e neuroglicopénicos. O reconhecimento destes sintomas pode ser particularmente problemático em crianças, durante a noite e nos doentes com hipoglicemia sem pródromos, situações que favorecem o desenvolvimento de eventos severos. Morbilidade significativa está associada à hipoglicemia. A ativação do sistema simpato-adrenal induz alterações da irrigação coronária, que podem levar à isquémia miocárdica, e poderá provocar alterações da repolarização cardíaca, que podem estar na origem de arritmias fatais. Indução de stresse oxidativo, disfunção endotelial, inflamação e aumento da viscosidade sanguínea e da coagulabilidade ocorrem também em consequência da hipoglicemia, fatores que poderão desempenhar um papel importante nas complicações cardiovasculares da DM. Uma relação direta entre hipoglicemia e mortalidade permanece por estabelecer, embora estudos em doentes idosos e com comorbilidades indiquem que a hipoglicemia poderá aumentar o risco de morte. O mesmo parece não se verificar em doentes jovens, para os quais um controlo glicémico apertado parece estar associado a efeitos benéficos no que se refere às complicações macrovasculares da DM, apesar do risco aumentado de hipoglicemia. A longo-prazo e em consequência de eventos hipoglicémicos recorrentes, sobretudo em idade pré-escolar e em idosos, poderá haver dano cerebral, com alterações da função cognitiva. O tratamento tem como objetivos restaurar os níveis de glicemia e prevenir a hipoglicemia recorrente. Deve ser o mais precoce possível e pode passar por ingestão de hidratos de carbono (HC) em casos leves a moderados, ou por glucagon ou soros glicosados em casos severos. A individualização da terapêutica torna-se, atualmente, essencial no tratamento dos doentes com DM para a prevenção da hipoglicemia, quer no que se refere aos fármacos usados, quer relativamente aos alvos glicémicos estabelecidos. Outros fatores importantes incluem a monitorização da glicemia e a educação do doente no que se refere à alimentação e ao exercício.
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6,856
Holiday heart syndrome revisited after 34 years
Arritmias cardíacas,Perturbações relacionadas com o abuso do álcool,Férias
Os efeitos cardiovasculares do etanol são já conhecidos desde há anos. Contudo a maior parte da investigação tem-se focado nos efeitos benéficos (“Paradoxo Francês”) quando consumido moderadamente ou consequências nefastas, como desenvolvimento de miocardiopatia dilatada, quando ingerido cronicamente de forma abusiva. A associação entre consumo agudo excessivo e surgimento de arritmias cardíacas foi inicialmente observada no início dos anos 70. Em 1978 Phill Ettinger descreveu pela primeira vez a entidade “Holiday Heart Syndrome”, que consiste na ocorrência, em indivíduos saudáveis sem patologias cardíacas que predisponham para arritmias, de um distúrbio agudo do ritmo, mais frequentemente uma fibrilação auricular, associado a um episódio de consumo excessivo de bebidas alcoólicas (binge drinking). O seu nome deve-se ao facto de inicialmente esta síndrome ter sido constatada mais frequentemente após fim-de-semana ou durante férias. Já passaram 34 anos desde a descrição original do “Holiday Heart Syndrome”, tendo ocorrido investigação nesta área, com aumento do conhecimento sobre esta entidade. Ao longo deste artigo os autores pretendem rever a maioria dos dados disponíveis sobre o “Holiday Heart Syndrome” e salientar as questões ainda por resolver.
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6,857
Novos e antigos análogos da vitamina D como terapêutica renoprotectora
Doenças do rim,Insuficiência renal crónica,Vitamina D
Introdução. À vitamina D têm sido atribuídas desde há várias décadas funções na manutenção da homeostasia mineral. Mais recentemente, com a descoberta de receptores da vitamina D em diversos tecidos, novas funções são apontadas à vitamina D, nomeadamente a nível da protecção renal. Dada a relação existente entre o défice acentuado de vitamina D na população com doença renal crónica e uma maior morbilidade e mortalidade, estes novos dados abrem assim renovadas perspectivas para um melhor tratamento não apenas da doença renal crónica como também de outras patologias renais ainda sem tratamento terapêutico adequado. Objectivos. Com este trabalho pretende-se rever os conhecimentos actuais que suportam estas novas funções da vitamina D, analisando os seus mecanismos e avaliando a sua aplicabilidade na prática clínica. Pretende-se fazer o ponto da situação sobre esta temática, focando novos aspectos e possíveis implicações clínicas. Desenvolvimento. Os estudos em modelos experimentais disponíveis até ao momento demonstram a capacidade dos análogos da vitamina D em conferir protecção contra vários elementos-chave do estabelecimento e progressão da doença renal crónica, nomeadamente a fibrose intersticial, a inflamação, a glomerulosclerose e a proteinúria. Isto acontece essencialmente pela modulação do sistema renina-angiotensina e pela via do factor nuclear B. Além desta renoprotecção evidenciada, estão também demonstrados efeitos benéficos a nível da protecção cardiovascular, a maior causa de mortalidade no contexto de doença renal crónica. Conclusões. A partir destes dados, é possível atribuir vantagens evidentes no uso terapêutico dos análogos da vitamina D na doença renal crónica, apresentando-se assim como potencial terapêutica adjuvante ao bloqueio do sistema renina-angiotensina actualmente preconizado nestes casos. No entanto, o facto destes dados se basearem sobretudo em estudos em modelos experimentais expõe a necessidade de mais estudos, nomeadamente ensaios clínicos que avaliem de forma concreta a aplicabilidade na prática clínica do seu uso, podendo assim levar a uma revisão das recomendações actuais para a suplementação com vitamina D na doença renal crónica, as quais se encontram claramente subvalorizadas.
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6,858
Abordagem diagnóstica e terapêutica da cólica renal por litiase urinária
Cólica renal,Cálculos renais,Lítíase ureteral,Dor
Contexto: Como urgência urológica mais frequente e entidade que afecta uma significativa parte da população, a orientação de um doente com cólica renal deve ser um assunto esclarecido para os médicos. Para o doente, trata-se de uma dor bastante intensa, pelo que urge a necessidade de um tratamento rápido e eficaz, diminuindo a morbilidade que a mesma causa. Objectivo: Os objectivos da revisão consistem em indicar a abordagem imediata da cólica renal, identificar os melhores meios de diagnóstico, assim como apresentar a abordagem diferida num doente com cólica renal por litíase ureteral. Métodos: Procedeu-se à revisão e análise da literatura médica sobre cólica renal, desde o ano 2003 a 2013, das principais revistas científicas e de diversas áreas. Realizaram-se pesquisas na base de dados PubMed e no Índex de Revistas Médicas Portuguesas, de forma a encontrar estudos, artigos de revisão e guidelines acerca do tema cólica renal. Foram também consultadas as publicações da Associação Portuguesa de Urologia acerca do tema e seus subtemas. Resultados: Perante a clínica de cólica renal é importante excluir critérios de gravidade e tratar a dor. O diclofenac e a morfina são os fármacos com maior evidência. O parecoxib mostra-se igualmente eficaz e com menos efeitos secundários. Outro medicamento que revelou um perfil interessante foi a drotaverina. A terapêutica médica expulsiva é indicada para a maioria dos doentes com cálculos <10 mm. O estudo imagiológico é o principal meio de caracterizar a obstrução e alcançar o diagnóstico definitivo: a litíase urinária é o mais comum. A ecografia é o método mais barato e rápido, logo deve ser primeira linha. Caso não se perspective realizar uma tomografia computorizada sem contraste, o exame diagnóstico com maior evidência, a radiografia renovesical está indicada. A LEOC e a ureterolitotrícia apresentam taxas de sucesso óptimas e comparáveis na remoção do cálculo. A nefrolitotomia percutânea é a opção mais invasiva. Actualmente as técnicas tubeless ou totally tubeless são válidas para cálculos não complicados. Conclusões: A orientação diagnóstica e terapêutica num doente com cólica renal deve ser ajustada às necessidades e à vontade de cada doente, pelo que este deve ser informado das várias opções e apresentar a sua preferência. O estudo de diferentes fármacos para alívio da dor permite uma abordagem com menos efeitos adversos, pelo que a aprovação e implementação de novos adjuvantes terapêuticos é relevante. O desenvolvimento de técnicas minimamente invasivas para remoção dos cálculos é a principal área de interesse no tratamento da urolitíase.
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6,859
Doença poliquística renal autossómica dominante
Doenças do rim,Rim poliquístico autosómico dominante
A Doença Poliquística Renal Autossómica Dominante é uma das doenças hereditárias mais comuns. É uma doença multissistémica e progressiva, caracterizada pela formação e crescimento de quistos renais e em outros órgãos (como o fígado, pâncreas). As manifestações clínicas geralmente têm início entre a terceira e quarta década de vida mas, os quistos poderão ser detectados na infância e in utero. Esta doença causa perda progressiva da função renal, dor no flanco, infecção urinária, hipertensão arterial e alterações vasculares. Nos últimos anos existiram avanços nos conhecimentos genéticos e moleculares envolvidos na DPRAD, como a identificação dos genes PKD1 e PKD2. Os avanços nas técnicas imagiológicas, marcadores para o diagnóstico e progressão da doença têm permitido vários estudos clínicos de novos agentes terapêuticos que visam retardar a progressão da doença. Da mesma forma, as novas abordagens baseadas na cultura celular epitelial da parede quística e na descoberta das policistinas 1 e 2, conduziram também a novos protocolos terapêuticos que prometem actuar na formação e progressão quísticas. Esta revisão dirige-se, não só, ao conhecimento actual da patogénese e história natural da Doença Poliquística Renal Autossómica Dominante como também ao valor dos exames diagnósticos e às novas abordagens terapêuticas que estão a ser desenvolvidas.
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6,860
Idade de incidência da psoríase como fator prognóstico da artrite psoriática
Psoríase,Idade de começo,Artrite psoriásica,Produtos biológicos
Introdução: Existem poucos estudos epidemiológicos referentes à artrite psoriática. O objetivo deste trabalho foi investigar se a idade de aparecimento da psoríase pode ser fator prognóstico para o desenvolvimento de artrite psoriática, bem como a sua terapêutica. Métodos: Neste estudo retrospetivo, foram estudados 77 doentes com artrite psoriática, dos quais 37 estavam a receber tratamento com biológicos. A informação foi recolhida através da consulta dos processos clínicos e dos registos na base de dados nacional reumatológica Reuma.pt. Resultados: Os doentes com psoríase de início precoce (< 30 anos) foram diagnosticados com artrite psoriática, em média, aos 33 anos (33.0 ± 8.6), mas os doentes de início tardio (≥ 30 anos) desenvolveram artrite aos 45 anos (45.0 ± 10.2). Os doentes com psoríase tipo I começaram com inibidores do TNFα mais cedo (45.3 ± 10.6) do que os doentes com psoríase tipo II (53.1 ± 10.0). Estabeleceu-se uma correlação direta entre a idade de incidência de psoríase e a idade de desenvolvimento de artrite psoriática (R2 linear = 0.49). Não se identificaram diferenças estatisticamente significativas em relação ao sexo dos doentes. Discussão: A patogénese da artrite psoriática baseia-se na interação entre os fatores genéticos e ambientais. No entanto, são necessários mais estudos controlados e aleatorizados de larga escala sobre os fatores de risco para a artrite psoriática, usando a estratificação dos doentes de acordo com as suas características demográficas, tais como a idade de diagnóstico da psoríase. Conclusão: Os doentes com psoríase de início precoce desenvolvem artrite psoriática mais cedo. Uma maior preocupação por parte dos dermatologistas para as manifestações articulares e a cooperação entre esses e os reumatologistas são condições fundamentais para que o doente receba o melhor tratamento possível.
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6,861
Osteonecrose assética da cabeça do fémur
Necrose da cabeça do fémur,Osteonecrose,Artroplastia,Osteotomia
Introdução: A osteonecrose assética da cabeça do fémur é uma entidade nosológica de etiologia multifatorial, cuja fisiopatologia ainda não é totalmente conhecida. O tratamento da osteonecrose representa uma percentagem significativa de artroplastias da anca, nomeadamente em pacientes jovens (menos de 55 anos), tendo um grande impacto socio-económico. Objetivos: Este artigo de revisão pretende analisar os tratamentos cirúrgicos utilizados atualmente na osteonecrose assética da cabeça do fémur, apresentando uma proposta de tratamento de acordo com o estadio. Material e Métodos: O tema foi revisto utilizando as interfaces de pesquisa Biblioteca de conhecimento Online – Elsevier e PubMed da Medline, através das seguintes palavras chave de pesquisa: “osteonecrosis femoral head”, “surgical treatment osteonecrosis femoral head”, “core decompression femoral head osteonecrosis”, “arthroplasty femoral head osteonecrosis”. Os resultados da pesquisa foram restringidos a artigos na lingua inglesa e francesa, publicados desde o ano 2002 até à atualidade. Os artigos foram selecionados pela relevância do seu conteúdo. Artigos incluindo estudos animais foram excluídos, assim como artigos antigos que apresentassem equivalentes mais recentes. Resultados: Apesar de vários estudos demonstrarem bons resultados com as várias técnicas utilizadas, nenhum protocolo é consensual. Os tratamentos revistos foram a furagem descompressão, enxertos ósseos e osteotomias de reorientação femoral, assim como resurfacing, artroplastias parcial e total da anca. O estadiamento da patologia, associado à idade do paciente, bem como o seu estado geral e nível de atividade física irão influenciar a escolha do cirurgião pelas várias opções a praticar. Os procedimentos conservadores da cabeça femoral são bem aceites em pacientes jovens com lesões pré colapso. Enquanto que nos estadios pós colapso, sobretudo em pacientes com mais de 55 anos também é aceite a artroplastia total da anca. Conclusão: Dado a fisiopatologia desta patologia ainda não ser totalmente conhecida, prespectiva-se que estudos neesa área possam descobrir novos procedimentos eficazes no seu tratamento. A engenharia de tecidos também poderá vir a ter um papel importante no tratamento desta patologia, pelo que os estudos nesta área devem continuar a ser estimulados.
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6,862
Integração da saúde mental nos cuidados de saúde primários
Cuidados primários de saúde,Saúde mental
Introdução: As perturbações mentais afectam centenas de milhões de pessoas, em todo o mundo. Se não tratadas, cobram enorme preço em termos de sofrimento, invalidez e perda económica. Sendo as pessoas o pilar/ponto de partida dos cuidados de saúde primários, a integração da saúde mental nestes é a maneira mais viável de assegurar que as pessoas tenham acesso a esses cuidados quando precisam, a par de cuidados biológicos e sociais, constituindo o todo biopsicossocial. Objectivos: Esta revisão pretende avaliar qual o impacto/importância para as populações da integração da saúde mental nos cuidados de saúde primários. Reflexão da primordial importância do Médico de Família na prestação de cuidados de saúde mental e do seu papel na articulação com os cuidados secundários em saúde mental. Abordar determinados aspectos centrais, nomeadamente as particularidades de apresentação da patologia psiquiátrica nos cuidados de saúde primários e as dificuldades na avaliação e abordagem das perturbações mentais. Considerar respostas, nomeadamente ao nível dos cuidados de saúde primários, perante a escassez universal de recursos de saúde mental para crianças e adolescentes nos serviços especializados. Objectivar o impacto psicológico que a gravidez terá na família grávida e o modo como o médico de família pode intervir. Caracterizar a importância de investir num trabalho integrado de parceria, mais coeso e eficiente em países de baixo e médio rendimento, assim como em situações de emergência humanitária. Métodos: Reviu-se e analisou-se a literatura médica a respeito da Saúde Mental nos Cuidados de Saúde Primários, abrangendo o período de 2000 a 2014. Realizaram-se pesquisas na base de dados PubMed, no Repositório Institucional dos HUC e no Índex de Revistas Médicas Portuguesas com a finalidade de encontrar estudos, artigos de revisão e protocolos acerca dos pontos mais controversos sobre o tema. Conclusões: Estudos revelaram a importância para as populações do acesso a serviços de saúde mental mais próximos, continuando assim junto das suas famílias e mantendo as actividades quotidianas. Evidente é também que a prestação de cuidados de saúde mental a nível dos cuidados primários minimiza o estigma e a discriminação existente sobre as patologias do foro mental e que ainda prevalecem percepções erróneas, por parte das comunidades, em relação à natureza das perturbações mentais e ao seu tratamento. Foi perceptível a necessidade de se entender a patologia psiquiátrica como merecedora de maior tempo de consulta, de investir em formação pós-graduada e cursos na área de Saúde Mental e em promover sessões de esclarecimento e sensibilização para a patologia psiquiátrica, destinadas aos doentes
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Tratamento médico em tumores ósseos de células gigantes : uma nova perspectiva
Ortopedia,Tumores de células gigantes,Denosumab
Introdução O tumor de células gigantes (TCG) é uma lesão primária do osso rara, agressiva, potencialmente maligna que ocorre em adultos jovens e cujo tratamento cirúrgico não é sempre opção, por vezes resultando em séria morbilidade e comportando risco de recidiva. Estudos recentes propuseram o denosumab como primeiro tratamento médico eficaz para este tipo de tumor, tendo sido recentemente aprovado para esta indicação. Foram analisados nove casos de com TCG ósseo e tratados com denosumab na Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor (UTAL) no Serviço de Ortopedia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), de modo a avaliar os resultados iniciais e a médio prazo relativos à eficácia e à segurança deste medicamento no TCG ósseo. Métodos Foram analisados os processos clínico e informático dos doentes. Foram realizadas entrevistas clínicas executadas pela autora do artigo. Outras informações relativas aos doentes, tratamento, seguimento e evolução foram fornecidas pelos médicos do CHUC responsáveis e/ou próximos dos casos. Resultados Idade média ao diagnóstico de 40 anos (23-76 anos). Seis doentes com TCG no esqueleto apendicular e três ao nível da coluna/sacro. Todos os tumores eram potencialmente 3 ressecáveis, exceto as duas lesões localizadas no sacro. Quatro casos de recidiva tumoral, três deles ocorridos após ressecção cirúrgica e um caso de persistência tumoral irressecável (sacro). Os doentes receberam 120 mg de denosumab por via subcutânea ao primeiro, oitavo, décimo quinto e vigésimo oitavo dias e, a partir daí, de 28 em 28 dias. Diminuição da dor em todos os doentes e dos oito doentes a realizar o tratamento há mais de sete meses, sete demonstraram melhoria significativa na sintomatologia, conseguindo actualmente realizar as atividades de vida diária e profissional. Dos sete doentes com exames de imagem anteriores e posteriores, todos eles apresentam doença estável. Média de tratamento com denosumab de 23 meses (variação de 3 semanas a 53 meses). Discussão Critérios para início do denosumab utilizados na UTAL iguais às indicações atuais, exceto a recidiva tumoral. Não foi possível avaliar pormenorizadamente a evolução tumoral de cada doente por carência de exames e/ou acesso a exames/relatórios. Resultados consistentes com o estudo open-label de fase 2 em 2010, em que não se verificou progressão tumoral em 67% dos doentes avaliados radiologicamente; contudo discrepantes com os estudos que estiveram na base da aprovação do fármaco, com diminuição tumoral em 25% dos doentes. Conclusão O denosumab é eficaz na melhoria sintomática e funcional, capaz de manter a estabilidade do TCG ósseo, e bem tolerado pelos doentes. Para conclusões mais concretas sobre o seu efeito na evolução tumoral nestes doentes, é necessária a continuação do tratamento e do seu seguimento
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Hemoglobinopatias: clínica, diagnóstico e terapêutica
Hemoglobinopatias,Anemia de células falciformes,Talassemia,Terapia génica
As hemoglobinopatias, ou doenças da hemoglobina, são condições hereditárias caracterizadas por mutações dos genes das globinas humanas, levando a alterações quantitativas da sua síntese ou à formação de hemoglobinas estruturalmente anormais, comprometendo a sua vital função. São as doenças genéticas mais comuns na espécie humana, atingindo 7% da população mundial. As talassemias e a anemia de células falciformes são as mais relevantes. A implementação de programas de rastreio e de aconselhamento genético tem desempenhado um papel fulcral na prevenção de novos casos e no diagnóstico precoce e a melhoria das terapêuticas tem permitido aumentar a sobrevivência e a qualidade de vida dos afectados. A melhoria do contexto higio-sanitário populacional e das condições dos cuidados de saúde estão também na base do previsível aumento da sua prevalência no futuro. Sendo síndromes de gravidade muito variável com um curso clínico muitas vezes imprevisível apesar da caracterização genética, torna-se necessária na formação médica a obtenção de conhecimento clinico-científico nesta área. Nesta revisão, são abordadas as principais classes de hemoglobinopatias, com especial enfoque nas manifestações clínicas e achados laboratoriais, principais métodos de diagnóstico e modalidades terapêuticas básicas, sendo também fornecidos complementos sobre a sua base genética e fisiopatológica que permitem a aquisição de competências para a formulação de um raciocínio clínico adequado e perspicaz. É também feita uma pequena antevisão das terapias com grande potencial no futuro e das necessidades face ao panorama epidemiológico, sendo referidos alguns dos alvos da investigação científica actual. No futuro, o controlo e prevenção destas doenças, aliados à educação para a saúde, à sensibilização das populações para esta temática e à estimulação da investigação científica, permitirão melhorar os cuidados aos afectados, modificando o curso clínico, quiçá alcançando curas, e atenuando o impacto que se prevê estas condições terem no futuro da sociedade moderna.
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6,866
Transumbilical laparoscopic-assisted versus open appendectomy in children: outcomes in an academic hospital
Apendicite,Apendicectomia,Laparoscopia,Criança
Introdução: A abordagem cirúrgica da apendicite aguda na população pediátrica é ainda um assunto controverso. Objetivos: Este trabalho pretende comparar os resultados de duas técnicas cirúrgicas utilizadas no tratamento da apendicite aguda em crianças. Foram comparadas a apendicectomia transumbilical laparo-assistida e a apendicectomia convencional. Métodos: Entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010, foram avaliados, retrospectivamente, todos os doentes pediátricos submetidos a apendicectomia num hospital universitário. Os doentes foram classificados em diferentes grupos: apendicites não complicadas operadas por cirurgia convencional (ANC-CC), apendicites não complicadas operadas por cirurgia laparoscópica (ANC-CL), apendicites complicadas operadas por cirurgia convencional (AC-CC), apendicites complicadas operadas por cirurgia laparoscópica (AC-CL), apendicites operadas por cirurgia convencional (CC) e apendicites operadas por cirurgia laparoscópica (CL), independentemente da severidade. Os parâmetros avaliados foram: i) duração da cirurgia; ii) complicações intraoperatórias; iii) tempo de internamento; iv) taxa de readmissão; v) taxa de reoperação; e vi) complicações pós-operatórias major e minor. A analise estatística foi realizada com o teste Two Way ANOVA para as variáveis continuas e o teste Qui-quadrado, com a correção de Yates, para as variáveis categóricas. Resultados: Foram analisadas um total de 691 apendicectomias (ANC-CC, n=397, ANC-CL, n=90; AC-CC, n=156, AC-CL, n=48). A duração da cirurgia foi superior nos grupos ANC-CL (57±22min) e AC-CL (75±22min) , quando comparados com os grupos ANC-CC (43±15min) e AC-CC (57±34min), respetivamente. O tempo de internamento foi inferior no grupo ANC-CL (1.8±1.0days) quando comparado com o grupo ANC-CC (3.3±1.2days. Não se encontraram diferenças entre os grupos CL e CC relativamente á taxa de readmissão e ás complicações major. No que respeita as complicações minor, os grupos ANC-CL e AC-CL apresentaram uma taxa superior de granuloma da sutura quando comparado com os grupos ANC-CC e AC-CC, respetivamente. Conclusões: A apendicectomia transumbilical laparo-assistida deve ser considerada uma opção válida no tratamento cirúrgico da apendicite aguda, tanto complicada como não complicada. Esta técnica apresenta como vantagens um melhor resultado estético e um menor tempo de internamento no caso das apendicites não complicadas.
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6,867
A influência dos aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAS) na performance do atleta
Aminoácidos de cadeia ramificada,Atletas,Exercício físico,Lesões em atletas
Os aminoácidos (AA) são substâncias essenciais para o organismo humano. Estes podem ser classificados em dois grupos, os naturais, de produção endógena, e os essenciais, fornecidos pela dieta. Neste segundo grupo, incluem-se os aminoácidos de cadeia ramificada, (BCAAs) enquanto constituintes importantes das proteínas musculares, nomeadamente a valina, a leucina e a isoleucina. As ciências médicas estudam este grupo de AA, há mais de 30 anos, tentando perceber os eventuais benefícios para a saúde e desempenho desportivo. Os BCAAs desempenham um papel fulcral no processo de iniciação da tradução da síntese proteica, nomeadamente a leucina, estimulando as vias responsáveis pelo aumento do anabolismo proteico, dependentes, ou não, do mammalian target of rapamycin (mTOR). São também referidos como substrato para reações relacionadas com a obtenção de energia, tais como a gliconeogenese e o ciclo de Krebs. Os BCAAs são, assim, utilizados para aumentar o desempenho físico e a capacidade de recuperação após o esforço. São também referidos como importantes no alívio da síndrome que envolve a dor e contratura muscular decorrente do esforço denominada Delay Onset Muscle Soreness (DOMS), e na redução da perceção de fadiga resultante da alteração de síntese de neurotransmissores do sistema nervoso central. Esta monografia aborda um tema controverso, com estudos de baixa evidência, metodologias heterogéneas, resultados contraditórios e limitações na transposição da investigação animal para o Homem. Pretende ser um contributo para um melhor conhecimento da atividade fisiológica dos BCAAs no ser humano.
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6,868
Tratamento de metástases hepáticas de carcinoma colo-rectal
Neoplasias colorrectais,Metástases neoplásicas.
O carcinoma colo-rectal é responsável por mais de 75% das metástases hepáticas, sendo a segunda maior causa de morte por doença neoplásica nos EUA. Aproximadamente 50% dos pacientes com carcinoma colo-rectal desenvolvem metástases hepáticas ao longo da evolução da doença. A ressecção hepática é o tratamento de eleição na metastização hepática de carcinoma colo-rectal, dado que permite um aumento da sobrevida aos 5 anos entre 26 a 49%, sendo a única opção terapêutica que pode levar à cura. A hepatectomia apenas pode ser realizada em 10 a 20% dos pacientes com metastização hepática de carcinoma colo-rectal, porque na maioria dos pacientes, o parênquima hepático remanescente é insuficiente. Os critérios de ressecabilidade são actualmente mais latos que no passado, existindo uma tendência para a adopção de tratamentos mais agressivos. De forma a aumentar a ressecabilidade de metástases inicialmente irresecáveis, desenvolveram-se nos últimos anos terapêuticas multidisciplinares, onde se incluem a embolização de ramo da veia porta, quimioterapia neoadjuvante sistémica, quimioterapia hepática via arterial, quimioembolização arterial hepática, crioterapia e radiofrequência. O autor realiza um trabalho de revisão das diferentes opções terapêuticas na abordagem das metástases hepáticas de carcinoma colo-rectal, e efectua uma análise crítica de alguns casos clínicos.
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6,869
Cell therapy in brain neurodegenerative movement disorders :a clinical perspective
Terapia tissular,Doença de Parkinson,Doença de Huntington
As doenças neurodegenerativas do movimento, tais como a doença de Parkinson ou a doença de Huntington partilham o mesmo curso progressivo e inexorável com um aumento gradual da incapacidade motora associada a alterações neuropsiquiátricas. Estas patologias têm sido, nestas últimas décadas, um tema apaixonante de investigação experimental e clínica entusiasta devido à falta de opções terapêuticas. As terapêuticas de substituição celular conduziram tanto ao entusiasmo com a perspectiva do seu potencial para restaurar o dano cerebral, como à descrença devido a resultados menos atractivos dos ensaios clínicos. O objectivo desta revisão é analisar as terapêuticas de substituição celular aplicadas a ambas as doenças de Parkinson e de Huntington, desde o seu início, seguindo a sua sequência natural desde os estudos em animais experimentais até à sua aplicação em humanos, abordando a transplantação de tecido fetal neural bem como as outras fontes celulares recentes e de maior relevo. No momento presente, as células estaminais tornaram-se a vanguarda da terapia celular abrangendo as células estaminais embrionárias, neurais e pluripotentes induzidas, capazes de gerar com sucesso um fenótipo neuronal desejado e/ou fornecer às células vulneráveis ou em degeneração factores de crescimento, o que permitiu aos investigadores a entrata numa nova era pré-clínica. Existem ainda muitos obstáculos a superar antes da sua aplicação clínica ser possível, devendo ser assegurado que a fonte de células estaminais tenha um óptimo potencial de diferenciação, com absoluta integração e ganho funcional, ofereça benefícios clínicos mensuráveis com o mínimo impacto sobre o sistema imunitário do hospedeiro e sem a possibilidade de formação de tumores. As perspectivas futuras para a terapia com células estaminais são encorajadoras, mas progressos firmes e sólidos têm de ser feitos no âmbito da investigação básica e pré-clínica antes da sua aplicação clínica se tornar elegível.
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6,873
O sistema de comparticipação de medicamentos em Portugal
Medicamentos,Custos dos medicamentos,Planos de sistemas de saúde,Prescrições de medicamentos,Economia da saúde,Gestão de serviços de saúde
O sistema de comparticipação de medicamentos foi criado com o intuito de rectificar as injustiças socias, garantindo uma maior igualdade populacional no acesso aos medicamentos indispensáveis. Contudo, o próprio sistema tem sido um factor importante na despesa pública em saúde. A reduzida concorrência nos preços no sector farmacêutico português, a baixa sensibilidade dos médicos e utentes para os custos dos medicamentos e os níveis de prescrição elevados foram, ao longo dos anos, os principais problemas responsáveis por essa despesa. Com o intuito de contrariar esta tendência, os sucessivos Governos têm vindo a tomar várias decisões de forma a conter os custos com medicamentos e aperfeiçoar o Sistema de Comparticipação. O Sistema de Preços de Referência, o incentivo ao uso dos genéricos e a racionalização da prescrição foram as principais áreas de intervenção legislativa. Apesar do relativo sucesso das duas primeiras áreas de intervenção referidas, a prescrição racional continua a ser um problema para o qual ainda não foi encontrada solução.
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6,874
Obesidade e síndrome metabólica em adolescentes : implicações futuras
Obesidade,Sindroma metabólico,Adolescente
Introdução: Nas últimas décadas a prevalência da obesidade tem vindo a aumentar em todo o mundo e em todas as faixas etárias. Na adolescência constitui um dos mais importantes problemas de saúde pública, não só pela possibilidade de manutenção dessa condição até à vida adulta como também por aumentar o risco para o surgimento precoce das complicações metabólicas associadas ao excesso de gordura corporal, nomeadamente a Síndrome Metabólica. A Síndrome Metabólica é uma agregação de fatores de risco cardiovascular representada por hipertensão arterial, obesidade abdominal, hipertrigliceridémia, baixa concentração de lipoproteínas de alta densidade e intolerância à glicose. O seu diagnóstico no adolescente é controverso, contudo a International Diabetes Federation lançou em 2007 uma definição para idades compreendidas entre os 10 e os 16 anos: coexistência no mesmo sujeito de obesidade abdominal e dois ou mais dos restantes elementos acima mencionados. O diagnóstico de Síndrome Metabólica está geralmente relacionado com um risco elevado de desenvolvimento de doença cardiovascular. Objetivos: O objetivo dos autores foi, através de uma revisão bibliográfica, sublinhar a importância de um acompanhamento precoce e multidisciplinar e estabelecer orientações para a abordagem e atendimento dos adolescentes com obesidade na consulta. A escassez de estudos que relacionam a Síndrome Metabólica com a obesidade na adolescência tornou relevante o presente estudo, que teve como objetivos: analisar a relação entre a obesidade e a Síndrome Metabólica em adolescentes; identificar a prevalência da Síndrome Metabólica na população adolescente; tentar encontrar uma definição mais precisa para Síndrome Metabólica no adolescente e além disso inferir as implicações futuras que podem advir de um 4 adolescente obeso com Síndrome Metabólica, tanto a nível psicológico como orgânico. Materiais e Métodos: A pesquisa bibliográfica foi efetuada através da base de dados de artigos médicos (Pubmed/Medline), utilizando como palavras-chave os termos “obesity”, “metabolic syndrome”, “adolescence”, “cardiovascular diseases” e “diabetes mellitus”, em revistas de língua inglesa, espanhola e portuguesa, assim como em livros da especialidade. A pesquisa foi limitada aos artigos publicados entre 1995 e 2013, dando-se maior ênfase aos publicados nos últimos anos. Resultados: A ocorrência da Síndrome Metabólica em crianças e adolescentes está associada a risco aumentado de doenças cardiovasculares, problemas psicossociais, metabolismo anormal de glicose, distúrbios hepáticos e gastrintestinais, apnéia do sono, complicações ortopédicas e distúrbios no desenvolvimento motor. Além disso, a síndrome metabólica adquirida na juventude, assim como os seus riscos para a saúde, tendem a persistir na idade adulta. Discussão e Conclusão: Existe uma relação direta entre a obesidade abdominal e a Síndrome Metabólica na adolescência sendo que o controlo da obesidade deve ser iniciado em idades precoces e é da responsabilidade não só dos pais e familiares mas também dos Educadores/Professores, Pediatra e até mesmo do Médico de Família, uma vez que têm o primeiro contacto médico com as crianças e adolescentes.
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6,875
Qualidade da consulta de medicina geral e familiar percebida pelo utente e pelo médico
Cuidados primários de saúde,Médicos,Doentes
A qualidade dos Serviços de Saúde e da consulta médica tem vindo a ser analisada por múltiplos trabalhos de investigação, tendo conduzido a alterações nos modelos de saúde. A satisfação do utente é um reflexo da qualidade dos Serviços de Saúde, devendo ser monitorizada e consequente na alteração dos problemas identificados. A Medicina Geral e Familiar (MGF) é a forma mais acessível dos cuidados de saúde, tendo como princípios base a horizontalidade, equidade e universalidade, sendo por isso particularmente importante na avaliação da qualidade dos cuidados de saúde. Neste trabalho, tendo como objetivo conhecer o nível da satisfação geral dos utentes com a consulta e se os médicos são capazes de avaliar corretamente a satisfação dos utentes com a consulta, utilizou-se um questionário validado de 11 itens, aplicado no final das consultas de Medicina Geral e Familiar a médicos e utentes. Numa amostra de n=127 pessoas (88,0% dos questionários distribuídos), maioritariamente do sexo feminino (59,4%), ativa profissionalmente (56,3%), e com formação considerada elevada para 50,8%, os resultados demonstraram que os utentes estão satisfeitos com as consultas de MGF e que os médicos subavaliam a satisfação dos utentes sendo a comparação entre respostas de consulentes e médicos de pior resultado para os médicos com elevado significado estatístico. É de salientar os consulentes considerarem o equipamento do consultório como o aspeto mais fraco. Outros estudos devem ser feitos para confirmar os resultados e identificar possíveis causas para a subavaliação da satisfação dos utentes por parte dos médicos
Ciências Médicas e da Saúde
6,876
A prevenção da depressão pós-AVC em cuidados de saúde primários
Depressão,Acidente vascular cerebral
O AVC é uma importante causa de incapacidade e morte em todo o mundo. Cerca de um terço dos doentes com AVC pode apresentar depressão, o que pode afetar potencialmente a recuperação funcional, a qualidade de vida e a mortalidade a longo prazo após AVC. Contudo, a depressão após AVC mantem-se subdiagnosticada e subtratada. Os objetivos desta revisão bibliográfica focaram-se na prevenção, rastreio/diagnóstico e tratamento da depressão em doentes com AVC, assim como determinar o papel do médico de MGF na abordagem destes doentes e respetivas famílias. Diversos estudos avaliaram a efetividade da psicoterapia (entrevista motivacional e terapia baseada na resolução de problemas), musicoterapia e farmacoterapia na prevenção da depressão em doentes com AVC. No que diz respeito à prevenção, é importante determinar quais os fatores preditores que conferem um risco mais elevado para depressão. A profilaxia com antidepressivos pode prevenir a depressão nestes doentes. No entanto, não está ainda definido qual o fármaco de escolha, a dosagem e duração do tratamento mais efetiva, bem como o grupo de doente que poderá beneficiar mais com estas medidas. O rastreio da depressão é frequentemente recomendado para melhorar a sua deteção. Existem vários instrumentos psicométricos de rastreio, mas nenhum é específico para a doentes com AVC. “Heart and Stroke Foundation of Canada” e “Canada Stroke Network” recomendam a utilização da GDS, HADS, PHQ-9, BDI, CES-D, SADQ-10 e ADRS como escalas psicométricas para o rastreio de sintomas depressivos em doentes com AVC. Contudo, o diagnóstico deve ser estabelecido de acordo com os critérios da DSM-IV. O tratamento da depressão reduz os sintomas depressivos, melhora a recuperação funcional e a mortalidade a longo prazo. Os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina foram considerados o grupo de antidepressivos de escolha para a depressão após AVC, embora seja necessário investigar melhor qual o fármaco mais apropriado, a dosagem e a duração do tratamento. O médico de MGF apresenta um papel essencial na abordagem dos problemas médicos, psicológicos e sociais dos doentes com AVC. Além disso, a avaliação dos doentes, cuidadores e famílias pelo médico de MGF permite a elaboração de um Plano de Cuidados adequado.
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6,877
O estado da arte da robótica na neurocirurgia
Robótica
A cirurgia assistida pela robótica é uma tecnologia recente com grande potencial, particularmente na neurocirurgia. Os sistemas robotizados colmatam algumas das limitações próprias do ser humano, como o tremor fisiológico e a incapacidade de realizar movimentos precisos em microescala e, simultaneamente, beneficiam da capacidade de discernimento e adaptabilidade humanas inigualáveis. Na neurocirurgia, a estreita margem de erro e a necessidade de precisão e segurança na manipulação de estruturas delicadas, colocam um grande peso sobre as capacidades do cirurgião. Objectivo: revisão de alguns dos principais sistemas robotizados neurocirúrgicos utilizados actualmente, apresentando as suas vantagens e limitações actuais. Materiais e Métodos: Revisão de artigos pesquisados através do motor de pesquisa da PubMed, com as palavras-chave robotics, neurosurgery, haptics, NeuroMate, PathFinder, SurgiScope, NeuRobot, neuroArm, SpineAssist e CyberKnife. Os estudos foram seleccionados por relevância de tema. Resultados: É apresentado um conjunto de sistemas robotizados neurocirúrgicos representativo do estado da arte actual, com uma descrição breve dos seus componentes e características mecânicas, seguida de resultados de alguns estudos realizados com o respectivo sistema. São descritos sistemas desenhados para cirurgia estereotáxica (NeuroMate, PathFinder e SurgiScope), microcirurgia (NeuRobot, o sistema de Mitsuishi et al. e neuroArm), cirurgia raquidiana (SpineAssist) e radiocirurgia (CyberKnife). Discussão e Conclusão: Os estudos sugerem que o desempenho destes sistemas é, geralmente, comparável ao das técnicas convencionais. O outcome deve ser sempre a primeira prioridade na escolha de novas tecnologias e técnicas. Assim, são necessários estudos controlados e aleatorizados que comparem directamente o gold standard actual e a cirurgia robótica no sentido de perceber qual é o seu verdadeiro grau de benefício, a despeito do custo. No entretanto, novos avanços, quer na correcção de falhas, quer na optimização das vantagens, poderão permitir que esta tecnologia promissora deixe, a médio prazo, de ter apenas o potencial de revolucionar a neurocirurgia, para poder fazê-lo todos os dias no bloco operatório.
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6,878
A transplantação renal, o pós-transplante imediato
Transplantação do rim,Período pós-operatório
A transplantação renal constitui o melhor tratamento substitutivo da função renal, permitindo uma melhor qualidade de vida aos pacientes. Todavia, e apesar dos inegáveis benefícios, apresenta complicações. As complicações são decorrentes da complexidade da cirurgia, das comorbilidades do paciente, da imunossupressão e das diferentes exposições epidemiológicas entre dador e receptor. No período imediato após o transplante podem ocorrer complicações cirúrgicas, mais precoces, e médicas, mais tardias. As complicações cirúrgicas, neste período, apresentam uma incidência baixa, ainda que a anastomose urinária constitua ainda um problema importante. A melhoria na técnica cirúrgica, assim como a melhoria na eficácia dos esquemas imunossupressores, constituem os principais motivos para a diminuição das complicações cirúrgicas. O conceito chave da imunossupressão moderna tem por objectivos aumentar a sobrevivência do enxerto a curto prazo, minimizando os efeitos secundários, e o aumento da sobrevivência do doente a longo prazo com indução de tolerância do receptor ao enxerto. Não obstante os grandes avanços nesta área, continua por descobrir a terapêutica imunossupressora ideal. O atraso da função do enxerto constitui um problema importante no período imediato ao transplante e condiciona pior prognóstico a longo prazo na função e na sobrevivência do enxerto. A incidência de rejeição aguda diminuiu substancialmente nas últimas duas décadas, sobretudo desde a introdução da ciclosporina. A biópsia continua a ser necessária para o diagnóstico e para orientar a terapêutica, embora estejam em investigação vários marcadores de rejeição não invasivos. A rejeição aguda deve ser diferenciada da toxicidade dos inibidores da calcineurina, das infecções e das complicações cirúrgicas mais tardias. Dois terços da mortalidade do primeiro ano pós-transplante decorrem nos três primeiros meses. É sobretudo causada por infecções e doenças cardiovasculares. As doenças infecciosas para além de poderem causar a morte do receptor, aumentam a susceptibilidade para a perda do enxerto. Assim, é muito importante efectuar, desde logo, uma avaliação cuidadosa, tanto do dador como do receptor no sentido de as prevenir no pós-transplante imediato. As infecções bacterianas obrigam a metodologias cuidadosas no diagnóstico e tratamento das infecções estabelecidas, de forma a evitar o surgimentos de resistências e supra-infecções. As mesmas constituem a causa principal de infecção no primeiro mês, seguidas infecções viricas e fúngicas, em especial as infecções urinárias e as infecções respiratórias. Após este período, as infecções viricas constituem a principal causa de infecção, devendo ser atribuída particular atenção à infecção por citomegalovírus.
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6,879
Especificidades da síndrome da apneia obstrutiva do sono na mulher
Apneia obstrutiva do sono,Mulheres
A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) consiste numa síndrome clínica caracterizada pela ocorrência de episódios repetitivos de apneias e/ou hipopneias de carácter obstrutivo durante o sono, secundárias à obstrução e colapso das vias aéreas superiores. A SAOS representa o mais comum dos Distúrbios Respiratórios do Sono, e a sua prevalência no sexo masculino é cerca de 2 vezes superior à verificada no sexo feminino. Estudos recentes sugerem que não só o sexo feminino possui efeito protector no desenvolvimento da SAOS, como esta é largamente negligenciada na Mulher, não sendo diagnosticada nem instituída terapêutica. O principal objectivo deste Artigo de Revisão consiste em descrever as principais especificidades da SAOS no Sexo Feminino, em virtude da necessidade premente de caracterizar este distúrbio respiratório na Mulher, explicitando diferenças entre géneros na Apresentação Clínica e Polissonográfica, possíveis Factores Predisponentes, Mecanismos Patogénicos, Comorbilidades e Adesão e Eficácia da Terapêutica da SAOS. Mulheres com SAOS manifestam mais frequentemente sintomas atípicos, e, comparativamente com os Homens, são geralmente mais obesas, apresentam apneia obstrutiva de menor severidade, com predominância de eventos apneicos em sono REM e menor eficácia do sono. A Menopausa e o Envelhecimento representam os principais factores de risco de SAOS no género feminino, e a Hipertensão Arterial a principal comorbilidade. A implementação de tratamento com CPAP em Mulheres com SAOS está associada a uma diminuição da procura dos Cuidados de Saúde. A presente Revisão Bibliográfica revela que a SAOS no sexo feminino se reveste de particularidades que podem estar na base no subdiagnóstico desta patologia do sono na Mulher.
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6,880
Hipogonadismo hipogonadotrófico e infertilidade masculina
Infertilidade masculina,Hipogonadismo
Introdução: No hipogonadismo hipogonadotrófico em doentes do sexo masculino com infertilidade, é hoje possível efetuar uma terapêutica eficaz. Esta consegue na maioria das vezes restaurar a fertilidade e melhorar a qualidade de vida destes doentes. Objectivos: Fazer uma revisão bibliográfica actualizada do hipogonadismo hipogonadotrófico e as suas implicações na fertilidade masculina. Foi realizada uma pesquisa na base de dados na Pubmed e fontes documentais de referência. Desenvolvimento: O hipogonadismo hipogonadotrófico é uma causa rara de infertilidade masculina, no entanto, o seu diagnóstico durante o estudo de um casal infértil é importante porque é reversível com tratamento apropriado. Um dos aspectos que leva o doente a procurar ajuda é a infertilidade. Mas, existem outros sinais e sintomas que podem afectar negativamente a vida do doente, e nos quais o tratamento é igualmente eficaz. Noutras situações, poderá haver atraso no desenvolvimento pubertário e o diagnóstico é feito antes de surgir o problema da fertilidade. Também nesta fase o tratamento tem um papel importantíssimo. Para fazer o diagnóstico e determinar a etiologia, é importante fazer uma história clínica e um exame físico completos. Só depois se efectuam os exames complementares, como estudo analítico geral, doseamentos hormonais, exames de imagem, espermograma, e outros que sejam necessários. Nalguns casos já é possível o diagnóstico genético. O tratamento do hipogonadismo hipogonadotrófico consiste na correcção do défice hormonal de gonadotrofinas e testosterona. Contudo a escolha do esquema terapêutico é feita com base no desejo do doente de recuperar a fertilidade ou apenas de melhorar o seu bem-estar, com melhoria da sintomatologia hipoandrogénica. Todos os doentes devem ser acompanhados durante todo o tratamento, para determinar se está a ser eficaz e se necessita de algum ajustamento terapêutico, assim como para prevenir e controlar eventuais efeitos adversos. Conclusões: Aprofundar conhecimentos sobre o hipogonadismo hipogonadotrófico como causa possível de infertilidade masculina ou de atraso pubertário. Após o diagnóstico encaminhar o doente para centros especializados visando uma terapêutica individualizada. A maioria das terapêuticas preconizadas actualmente têm-se demonstrado bastante eficazes.
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6,881
Estilo de vida e prevenção do cancro do cólon
Estilo de vida,Neoplasias do cólon
O cancro do cólon é hoje um tema com grande importância quer em termos de prevalência, quer no que diz respeito à mortalidade que lhe está associada. Os estudos epidemiológicos revelaram ao longo dos anos uma associação entre esta patologia e o estilo de vida ocidental. Apesar dos resultados sobre a relação entre cancro do cólon e determinados comportamentos se revelaram controversos, estes permitiram a sugestão de recomendações alimentares, bem como outras atitudes relacionadas com o estilo de vida. Um exemplo são os diversos estudos que têm revelado que o consumo elevado de carne vermelha e processada está relacionado com um risco aumentado de cancro do cólon. Por outro lado, o peixe tem-se destacado como uma fonte de proteínas mais segura e saudável. No que diz respeito ao efeito protector das fibras, frutas e legumes, apesar da controvérsia existente, há a sugestão de um efeito preventivo associado ao aumento da sua ingestão. No que diz respeito ao estilo de vida, a manutenção de um peso adequado, a prática de actividade física regular, bem como a evicção de dois conhecidos comportamentos de risco da sociedade, o consumo de álcool e de tabaco, apresentam uma evidente redução de risco do desenvolvimento de uma das patologias secundárias ao crescimento económico e social. Com base nesta evidência, é natural que a promoção de um estilo de vida saudável tenha impacto na prevenção primária da patologia, cuja incidência é modificável.
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6,882
Síndrome de resistência aos glucocorticóides : do diagnóstico à terapêutica
Glucocorticóides,Resistência aos medicamentos
Objetivo: Os glucocorticóides (GC) desempenham um papel fundamental na fisiologia e manutenção da homeostasia de vários sistemas, intervindo em inúmeras funções essenciais à vida do ser humano. A sua ação é mediada por recetores intracelulares específicos, que quando mutados originam resistência aos glucocorticóides, generalizada ou tecido-específica, consoante a localização da resistência. A síndrome de resistência generalizada aos glucocorticóides (SRGGC) foi descrita pela primeira vez em 1982, por George Chrousos. Com este trabalho pretende-se fazer uma revisão sistemática da clínica, das alterações genéticas e moleculares, do diagnóstico e das opções terapêuticas, desenvolvidas até a atualidade. Métodos: Foi efetuada uma revisão da literatura publicada através da pesquisa na Medline, com interface de pesquisa PubMed (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed), tendo sido selecionadas as referências desde 1993 até à atualidade. Resultados: A síndrome de resistência generalizada aos GC é uma condição genética rara, familiar ou esporádica, caracterizada por insensibilidade generalizada aos GC nos tecidos-alvo. Acompanha-se de uma ativação do eixo hipotálamo-hipófise-supra renal (HHSR) e caracteriza-se por hipercortisolismo bioquímico, sem características clínicas de síndrome de Cushing, e por aumento da produção de mineralocorticóides e androgénios adrenais. O espectro clínico é amplo, desde ausência se sinais e sintomas, a casos severos de hiperandrogenismo e excesso de mineralocorticóides. Não existem critérios uniformizados para o diagnóstico da SRGGC, sendo o diagnóstico diferencial feito com várias condições, nomeadamente com a doença de Cushing. As bases moleculares têm sido descritas como mutações no gene do recetor dos glucocorticóides, num total de 16 mutações, até ao momento. O tratamento passa pela administração de dexametasona, com o objetivo de suprimir o eixo HHSR e assim suprimir a produção exagerada de mineralocorticóides e androgénios. Discussão/conclusão: Novos estudos relativamente aos mecanismos de ação dos GC, quer a nível celular, quer molecular serão de extrema importância. A grande variedade de fenótipos clínicos e as dificuldades no diagnóstico correto podem contribuir para a baixa prevalência encontrada, uma vez que muitos casos não são reconhecidos ou estarão mal classificados
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6,883
Cirurgia bariátrica e diabetes mellitus tipo 2
Cirurgia bariátrica,Diabetes mellitus tipo 2
Tanto a obesidade como a DM2 representam dois graves problemas de saúde a nível global, cuja prevalência tem vindo a aumentar drasticamente ao longo dos anos, em todo o mundo. Ambas são caracterizadas por uma evolução crónica, com génese multifactorial, e que requerem esforços continuados para serem controladas, constituindo uma ameça para a saúde e um importante factor de risco para o desenvolvimento e agravamento de outras doenças. Actualmente, a terapêutica médica (inclui dieta, exercício físico e terapia farmacológica), que consiste no tratamento padrão da DM2, não apresenta os resultados esperados em pacientes obesos, que frequentemente falham os objectivos terapêuticos. É neste contexto que a cirurgia bariátrica surge como uma nova arma terapêutica, revelando a maioria dos estudos uma melhoria do controlo glicémico de uma maneira muito além do que seria esperado, atingindo em muitos casos a remissão da DM2. Esta melhoria ocorre muito antes que haja perda de peso significativa, o que implica a existência de outros mecanismos independentes da perda ponderal. Nos últimos anos têm-se feito inúmeros estudos nesta área, proporcionando o desenvolvimento de procedimentos cirúrgicos inovadores, e aplicáveis como terapêutica cirúrgica em indivíduos com DM2 e IMC < 35kg/m². Apesar dos resultados promissores que se têm verificado, existem ainda muitos poucos estudos realizados a longo prazo, sendo por isso necessária a realização de ensaios clínicos a uma população-estudo de maiores dimensões e com um seguimento de maior número de anos. Assim, apesar de existir na cirurgia bariátrica um grande potencial a nível da cura da DM2, são necessários mais estudos a longo prazo, e uma avaliação do risco/benefício para cada caso.
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6,884
A importância da vitamina D no processo de envelhecimento
Vitamina D,Envelhecimento
Introdução: A vitamina D é uma hormona esteróide que pode ser adquirida através da dieta ou sintetizada na pele em resposta à exposição à radiação ultravioleta (UV) e sofre uma hidroxilação a nível do fígado e subsequentemente uma ativação a nível do rim para se tornar na forma ativa, 1,25-diidroxivitamina D. Embora amplamente conhecida pelo seu papel na homeostasia do cálcio e na formação óssea, surgiram ao longo das últimas decadas novas evidências em que a vitamina D possa estar relacionada com outros sistemas fisiológicos, como por exemplo o sistema imunitário, cardio-vascular ou cancro, entre outros. Estudos recentes demonstraram que foram identificados receptores de vitamina D em diferentes tipos de células que são capazes de converter a vitamina D na sua forma ativa, aumentando desta maneira a sua concentração para causar determinado efeito a nível dos diferentes sistemas. A deficiência de vitamina D é um assunto importante especialmente na população idosa que na sua maioria sofre de várias co-morbilidades. A deficiência de vitamina D leva não só a um distúrbio da mineralização óssea com uma redução da densidade óssea e um aumento do número de fraturas ósseas como também está intimamente relacionada com alterações a nível dos sistemas renal, cardio-vascular e imunitário que por sua vez afetam negativamente a qualidade de vida do doente. Objetivo: Rever e entender a síntese, o metabolismo e a importância da vitamina D no organismo humano e principalmente as alterações relacionadas no processo de envelhecimento. Realçar não só a interação com a paratormona (PTH), cálcio e fósforo mas também a relação com doenças crónicas, o sistema imunitário e o cancro. Métodos: Foi efetuada uma pesquisa através do Pubmed sobre a literatura recente (2005-2013) acerca da vitamin D, da sua síntese e do seu metabolismo, da deficiência da vitamina D, da sua relação com o sistema imunitário, cardiovascular e o cancro para a realização deste artigo de revisão. Conclusões: A manutenção da auto-suficiência é de extrema importância para a população em geral mas especialmente para a população mais idosa considerando a existência de um rápido aumento da esperança de vida em todo o mundo e particularmente nos países em desenvolvimento, influenciada por fatores genéticos e ambientais. É notável que a vitamina D, como um importante fator ambiental, desempenhe um papel significativo em oferecer longevidade e retardar o processo de envelhecimento.
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6,888
Adesão às vacinas extra plano nacional de vacinação : fatores de decisão dos pais
Vacinas,Planos de sistemas de saúde
Introdução: O Plano Nacional de Vacinação (PNV) foi instituído em Portugal em 1965 e é atualmente constituído por um conjunto de 12 vacinas, com distribuição gratuita a toda a população. No entanto, existem vacinas de recomendação universal não abrangidas pelo PNV, como é o caso da vacina contra o rotavírus e da vacina pneumocócica. O objetivo deste estudo é avaliar a adesão às vacinas de recomendação universal extra PNV e identificar os fatores associados à adesão e não adesão. Métodos: Estudo transversal da adesão às vacinas extra PNV e das principais razões associadas à adesão e não adesão, em crianças entre os 3 meses e os 8 anos de idade seguidas no Centro Saúde Norton de Matos, no período entre Janeiro e Fevereiro de 2015. Os dados foram recolhidos através do preenchimento de questionários, por parte dos pais das crianças. Resultados: Dos 48 questionários analisados, 89,6% das crianças aderiram a alguma das vacinas fora do PNV. Destas, 48,8% adquiriram apenas a vacina contra o Streptococcus pneumoniae, 2,3% a vacina contra o rotavírus e 48,8% receberam ambas as vacinas. A baixa escolaridade dos pais está associada à não adesão às vacinas fora do PNV (p = 0,011). As principais razões apontadas para a adesão às vacinas extra PNV foram o conselho do médico de família (48,8%) e o conselho do pediatra (41,5%). A única razão apontada para a não adesão foi o custo demasiado elevado das vacinas (100,0%). Discussão e Conclusão: Neste estudo a adesão à vacinação fora do PNV foi elevada. A cobertura vacinal para a vacina pneumocócica foi superior à descrita previamente e a cobertura vacinal para a vacina contra o rotavírus foi sobreponível à literatura. A baixa escolaridade dos pais foi identificada como fator associado à baixa adesão às vacinas fora do PNV. Seria importante realizar estudos mais alargados, que contribuíssem para uma melhor compreensão do fenómeno da adesão à vacinação.
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6,890
Comparação dos níveis de EPC's circulantes dos doentes com insuficiência cardíaca avançada de etiologia isquémica versus não isquémica : um estudo prospectivo
Células progenitoras endoteliais,Terapia de ressincronização cardíaca,Insuficiência cardíaca,Etiologia
Introdução: A terapêutica de ressincronização cardíaca (TRC) tem demonstrado a sua eficácia no tratamento da insuficiência cardíaca (IC) avançada. No entanto, cerca de 30% dos doentes não respondem positivamente a esta terapêutica. Torna-se por isso necessário encontrar critérios de seleção que consigam identificar os doentes que mais beneficiam com a implantação destes dispositivos. Embora controversa, tem sido levantada a hipótese da etiologia da IC poder condicionar a resposta à TRC. Por outro lado, estudos recentes sugerem que os níveis circulantes de células endoteliais progenitoras (EPC’s), essenciais na regeneração do endotélio vascular após uma lesão, possam ser usados como preditores da resposta à TRC. Objetivo: O objetivo deste estudo foi quantificar os níveis de EPC’s circulantes em doentes com IC avançada submetidos a TRC, comparando etiologia isquémica e não isquémica, de forma a tentar determinar se estas células influenciam a resposta à terapêutica. População e Métodos: Foram estudados 60 doentes com IC avançada (14 de etiologia isquémica e 46 não isquémicos), submetidos a TRC entre Outubro de 2009 e Setembro de 2012. Foram analisados parâmetros clínicos, laboratoriais e ecocardiográficos antes e 6 meses depois do procedimento, de forma a avaliar a resposta à terapêutica. As EPC’s foram quantificadas através de citometria de fluxo, avaliando as populações celulares CD45dimCD133+KDR+, CD45dimCD34+KDR+, CD45dimCD133+CD34+KDR+ e CD45dimCD34+KDR+CXCR4+. Resultados: Cerca de 67% dos doentes estudados responderam à TRC. A predominância de EPC’s circulantes nos doentes com miocardiopatia não isquémica foi observada para as subpopulações CD45dimCD34+KDR+CD133+ (1,00 ± 3,50% vs. 0,38 ± 0,37%, p = 0,700), CD45dim CD133+KDR+ (0,78 ± 0,63% vs. 0,16 ± 0,11%, p = 0,040) e CD45dimCD34+KDR+ (2,40 ± 4,46% vs. 0,90 ± 0,34%, p = 0,465). Com a TRC, observou-se um aumento da fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 3,7  5,3 no grupo de IC isquémica e de 9,4  10,8 no grupo de IC não isquémica (p = 0,015). A variação do volume telessistólico do ventrículo esquerdo foi também significativamente maior no grupo da MCP não isquémica (44,4  71,1 ml vs. 1,8  30,8 ml, p = 0,015). Conclusão: As EPC’s circulam em níveis mais elevados nos doentes com IC de etiologia não isquémica, o que parece indicar uma vantagem na resposta deste grupo à TRC.
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6,892
Metodologia de estimativa da idade à morte pela clavícula :uma abordagem Bayesiana
Medicina legal,Antropologia forense,Determinação da idade pelo esqueleto
Uma amostra composta por 158 clavículas (85 Femininas, 73 Masculinas) provenientes da Colecção de Esqueletos Identificados do Museu Antropológico da Universidade de Coimbra (n = 105) e da Colecção de Esqueletos Identificados do Museu Bocage – Lisboa (n = 53) – foi estudada com o intuito de ser criada uma nova metodologia de estimativa de idade à morte através da quantificação da evolução do processo de união da epífise medial à diáfise da clavícula. Os objectivos do estudo passaram pela criação de uma metodologia capaz de responder às necessidades actuais da Antropologia Forense, no que à estimativa da idade à morte diz respeito, e também por aplicar aos dados recolhidos várias abordagens estatísticas já utilizadas em estudos distintos (Regressão linear, Calibração Clássica) e introduzir uma nova (Regularização local sem e com distribuição marginal conhecida). Desta forma pudemos compreender, através da comparação dos resultados, qual a melhor abordagem estatística ao tratamento deste tipo de dados. Foi ainda criado um modelo através de uma sub-amostra retirada da nossa amostra inicial composta apenas por 19 indivíduos com o intuito de testar o comportamento da nova abordagem estatística quando aplicada a amostras de tamanho reduzido. A análise preliminar dos dados recolhidos permitiu verificar que o primeiro indivíduo a concluir o processo de união da epífise à diáfise em estudo era do sexo feminino e tinha 23 anos, sendo que toda a amostra já tinha o processo de união concluído aos 28 anos de idade. Dos 5 modelos criados o que mostrou resultados mais promissores foi o modelo tratado com a Regularização local com distribuição marginal conhecida, permitindo estimar a idade com uma grau de certeza de 100% na resposta dada e ainda associando aos intervalos etários uma probabilidade de o indivíduo em análise se encontrar nos respectivos grupos etários. Este tipo de resposta vem trazer uma maior credibilidade à análise do perito perante uma entidade judicial, à imagem do que acontece noutras áreas da ciência forense, como a Genética, por exemplo. Outro resultado de salientar refere-se ao comportamento do método de Regularização local com distribuição marginal conhecida quando aplicado à amostra reduzida, tendo os resultados ficado muito acima da expectativa, dando-nos este modelo um grau de credibilidade de 89%. ix Este estudo teve também como objectivo realçar algumas questões que podem introduzir erro tanto na criação de metodologias de estimativa da idade à morte como na sua aplicação e sugerir algumas soluções para as mesma
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6,893
Lavagem broncoalveolar em pacientes com doença do tecido conjuntivo
Lavagem broncoalveolar,Doenças do tecido conjuntivo
Introdução O papel da lavagem broncoalveolar (LBA) na patologia pulmonar intersticial associada a doenças do tecido conjuntivo (DPI-DTC) mantém-se desconhecido e não é recomendado de forma rotineira nestes casos. Objetivo Avaliação do estudo da lavagem broncoalveolar em doentes com DPI-DTC e a sua associação com os parâmetros radiológicos e funcionais. Métodos Estudo retrospetivo incluindo doentes com doença pulmonar instersticial - doença do tecido conjuntivo (DPI-DTC) associados a Esclerose Sistémica Progressica (ESP), Artrite Reumatóide (AR), polimiosite ou dermatomiosite (PM/DM), Lúpus Eritematoso Sistémico (LES) e Síndrome de Sjögren (SS), referenciados para realização de lavagem broncoalveolar. Resultados Foram incluídos 41 doentes, incluindo 16 com ESP, 7 com PM/DM, 10 com AR, 5 com LES e 3 com SS. Os grupos com AR e PM/DM demonstraram percentagens médias de linfócitos e neutrófilos elevadas, enquanto os com ESP e SS apresentavam predominantemente neutrofilia. Observou-se uma tendência para a elevação do rácio CD4/CD8 nos pacientes com LES. A neutrofilia e eosinofilia associam-se a valores de VEMS e CVF diminuídos respetivamente. O padrão de fibrose na TCAR correlacionou-se com uma CVF, VEMS e DLCO diminuídos. Conclusões Linfocitose e neutrofilia associam-se à AR e PM/DM, enquanto neutrofilia é o achado predominante na ESP e SSj. O padrão de fibrose na TCAR, a neutrofilia e a eosinofilia associam-se a uma pioria dos parâmetros das provas de função respiratória (PFR). São necessários mais estudos no sentido de avaliar utilidade do LBA no diagnóstico diferencial e prognóstico nos casos de DPI-DTC.
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6,894
Gravidez e transplante renal
Gravidez,Insuficiência renal crónica,Transplantação do rim
Enquadramento: A gravidez é rara em mulheres com Doença Renal Crónica, sobretudo em estadio avançado, em virtude de várias condicionantes como a disfunção ovárica, hemorragias vaginais anovulatórias e amenorreia. Contudo, após transplante renal é possível alimentar o sonho de constituir família, mas é preciso considerar os riscos aumentados para o enxerto e a maior susceptibilidade para complicações da gravidez. Objectivo: Avaliar os riscos e identificar as variáveis que influenciam o sucesso da gravidez em mulheres após transplante renal. Métodos: Estudo retrospectivo, descritivo e analítico realizado com uma amostra constituída por 37 casos ocorridos entre 1989 e 2010 numa maternidade da zona centro de Portugal. Resultados: A idade média das mulheres foi de 27.3 (±5.17 dp) anos, oscilando entre os 18 e os 37. Em 32.43% dos casos a causa da insuficiência renal era desconhecida e em 21.62% foi motivada por doença renal poliquistica do adulto. Dos casos em que o tempo entre o transplante e a concepção foi inferior a um ano, 66.67% resultaram em episódios de rejeição do enxerto. A média da creatinina sérica pré-gestação foi de 1.27 (±1.19 dp) mg/dL mas registaram-se 5 casos com valores superiores a 1.5mg/dL e, destes, 20.0% resultaram em interrupção médica da gravidez e 60.0% em rejeição do enxerto. Cerca de 35% das mulheres necessitaram de ajustes na terapêutica imunossupressora baseada em Ciclosporina, Azatioprina e Prednisolona. Registámos, pelo menos, uma infecção urinária em 16.22% dos casos e 21.62% desenvolveram hipertensão arterial. Procedeu-se a interrupção médica da gravidez em 5.40% dos casos, 10.81% sofreram aborto espontâneo e 5.40% resultaram em nados mortos. A prematuridade complicou 77.42% dos casos e em 64.52% os partos foram por cesariana. Verificámos que 56.25% dos recém-nascidos eram baixo peso e 40.63% necessitaram de cuidados intensivos neonatais. A creatinina sérica pré-gestação revelou-se o parâmetro que mais influencia o estado final do enxerto, sendo que a valores iniciais mais elevados se associam mais casos de rejeição. Conclusão: A análise retrospectiva de casos de gravidez em mulheres com transplante renal permite verificar que, quando acompanhada por equipa multidisciplinar, a gestação bem-sucedida é possível após o transplante, mas as complicações maternas e perinatais, bem como a possibilidade de rejeição do enxerto, não podem ser ignoradas. Projectar a gravidez para um período pós-transplante superior a dois anos, assegurar a estabilidade da função renal com valores de creatinina sérica pré-gestação inferiores a 1.5 mg/dL e proteinúria inferior a 1g/dia e controlar a tensão arterial é fundamental para a minimização dos riscos e consequente protecção da grávida, do feto e do enxerto renal.
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6,895
A queda do idoso : fatores de risco e prevenção
Quedas acidentais,Idoso,Geriatria
A queda geriátrica tem uma incidência que está a aumentar, revelando impacto biopsicossocial no idoso, pela morbilidade e mortalidade que causa. Este artigo visa abordar os principais fatores de risco de queda geriátrica, a avaliação desse risco, bem como a prevenção da ocorrência de queda. A pesquisa executada baseou-se em artigos publicados entre 2000 e 2014. Ainda assim, para incluir alguns estudos essenciais houve necessidade de prolongar este intervalo de tempo. A pesquisa efetuada demonstrou a existência de fatores de risco de queda intrínsecos e extrínsecos, cuja avaliação e análise deve ser feita com vista a adoção de uma estratégia preventiva da queda geriátrica. A estratégia preventiva é de carácter multifatorial, centrando-se na melhoria da condição do idoso e também na redução da exposição aos fatores de risco de queda
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6,896
Macrossomia na diabetes gestacional
Diabetes gestacional,Macrossomia fetal,Fisiopatologia,Factores de risco,Complicações na gravidez
Introdução: As gestações podem ser complicadas de diabetes gestacional. Consequentemente, esta patologia é responsável por um conjunto de outras complicações maternas, fetais e neonatais. A macrossomia fetal representa a complicação mais comum. O crescimento fetal resulta de uma interacção complexa de várias influências genéticas e ambientais. Existem muitos fatores de risco para a macrossomia fetal e nem todos são passíveis de intervenção, tal como a idade materna, antecedente pessoal de um parto de um recém-nascido macrossómico ou diabetes gestacional prévia. Há evidências de que a macrossomia acarreta riscos tanto para a mãe como para o recém-nascido, a curto e longo prazo. Objetivos: Com esta revisão pretendeu-se compreender de que forma a diabetes gestacional interfere na fisiopatologia da macrossomia fetal, quais os fatores de risco envolvidos neste processo e ainda as complicações que a macrossomia acarreta. Discussão: A presença de diabetes gestacional condiciona alterações a nível fetal, independentemente do grau de controlo metabólico da gestante. A alteração major consiste num excessivo crescimento fetal à custa da passagem a nível placentário, de hidratos de carbono, e consequentemente produção excessiva de insulina por parte do feto, associado ao conjunto de efeitos que a insulina tem sobre o crescimento fetal. Parece racional que devam ser implementadas medidas preventivas. De fato, fatores de risco como o metabolismo da glicose materna e a obesidade materna são passíveis de alterar, com o objetivo de diminuir a prevalência de macrossomia fetal. O acompanhamento de um feto macrossómico exige considerado atenção por um obstetra experiente, assim como a preparação para o parto, devido às inúmeras complicações associadas à macrossomia fetal. Conclusão: A presença de diabetes gestacional aumenta o risco de incidência de macrossomia fetal. O conhecimento dos fatores de risco possibilita o rastreio e o diagnóstico precoce de macrossomia fetal numa gestação complicada de diabetes gestacional. É de extrema importância proceder a um controlo adequado da glicemia materna, de forma a prevenir possíveis complicações associadas à macrossomia fetal.
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6,897
Diagnóstico de morte cerebral : do exame neurológico ao uso de meios complementares de diagnóstico
Morte cerebral,Diagnóstico,Exames complementares de diagnóstico
A tafofobia, ou o medo de ser enterrado vivo, criou a necessidade de confirmação de morte. Mais tarde com a introdução de suporte avançado de vida nas unidades de cuidados intensivos surgiu, por sua vez, o conceito de Morte Cerebral como heart beating, brain death. Os critérios para o seu diagnóstico foram evoluindo até aos atuais, essencialmente clínicos e de fácil execução. Com o evoluir da medicina surgiram vários métodos complementares de diagnóstico que auxiliam o médico na confirmação do diagnóstico de Morte Cerebral. Este trabalho propõe-se definir Morte Cerebral e explicitar quais os critérios de diagnóstico aceites a nível mundial e, especialmente, os utilizados em Portugal. Além disso, é fundamental referir quais os métodos complementares de diagnóstico utilizados neste contexto e quais as situações em que devem ser realizados, dando especial ênfase ao cintigrama de perfusão cerebral que ocupa atualmente um lugar de destaque. Assim, foi efetuado um levantamento da literatura mais recente, essencialmente dos últimos três anos, recorrendo a textos mais antigos para traçar a linha evolutiva e fazer a contextualização histórica. Para isto, foi utilizada essencialmente a PubMed e a seleção de artigos teve como base os objetivos deste trabalho, excluindo a maioria dos artigos que discutiam conceitos filosóficos e éticos de Morte Cerebral bem como os que tinham como único objetivo a doação de órgãos. O protocolo de abordagem publicado pela American Academy of Neurology, em 1995, revela critérios de fácil execução, fiáveis, inequívocos que permitem a exclusão de quadros que mimetizam a Morte Cerebral, reduzindo ao máximo a existência de possíveis erros. De entre os métodos complementares de diagnóstico disponíveis, neste contexto o médico pode contar essencialmente com quatro exames, o eletroencefalograma, a angiografia cerebral dos quatro vasos, o doppler transcraniano e o cintigrama de perfusão cerebral. Estes métodos são de caráter opcional e são usados quando os pré-requisitos ou o próprio exame clínico não foram conclusivos, como casos em que a causa é desconhecida ou existem alterações que levam à impossibilidade de testar alguns reflexos assim como à completa realização do teste da apneia. Com este estudo, podemos verificar que o cintigrama de perfusão cerebral com 99mTc-HMPAO é o exame disponível que mais se assemelha com o método complementar de diagnóstico ideal, sendo o mais efetuado em todo o mundo.
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6,899
Avaliação do peso ingestão alimentar e atividade física em adolescentes de uma escola particular em Almada
Hábitos alimentares,Avaliação da nutrição,Peso corporal,Exercício físico,Adolescente
A adolescência é um tempo de intenso e rápido crescimento e desenvolvimento físico, psíquico e social, demandando um aumento das necessidade nutricionais, assim como a habilidade do indivíduo em satisfazer estas necessidades. Entretanto, durante a adolescência é comum a realização de dietas inadequadas, muitas vezes autoprescritas e sem nenhum acompanhamento profissional, o que potencializa os riscos à saúde. Além disso, o estilo de vida, as tendências alimentares do mesmo grupo etário, de amigos e da própria família, contribuem para que, nem sempre, o adolescente tenha uma boa nutrição. Diante da crescente onda do aumento de sobrepeso/obesidade em adolescentes e, cada vez mais a possibilidade de aumento da má qualidade alimentar nos mesmos acentuar-se, despertou o interesse da realização desse projeto, visando avaliar o peso, ingestão alimentar e prevalência de atividade física em adolescentes de uma escola particular da cidade de Almada. A pesquisa contou com a participação de 220 adolescentes de uma escola particular em Almada e a coleta de dados foi realizada em âmbito escolar, com o preenchimento de um formulário pelos próprios alunos. Foram avaliados: a corpolência, através do método IMC; a prevalência de prática de atividade física; o nível de satisfação corporal com o peso/imagem; a prevalência de fumo e consumo de álcool; a ingestão habitual de alimentos, com a aplicação do QFA, bem como analisar a ingestão alimentar dos mesmos em macronutrientes; e por fim, perceber o impacto socioeconômico familiar sobre a qualidade de vida e alimentação dos adolescentes. Do total de adolescentes, 47,7% eram do gênero feminino e 52,3% do gênero masculino. A idade variou entre 11 e 18 anos, com média de 13,9 anos. A prevalência de fumo foi de 2%. 76,8%, onde 54,5% praticavam entre 1 a 2 horas diárias. Na avaliação da corpolência, 41,6% das raparigas apresentaram IMC adequado e 53,12% sobrepeso. Dos rapazes, 40,17% apresentaram IMC adequado e 46,40% sobrepeso. Em relação à satisfação com a imagem/peso corporal, 33,33% das raparigas e 23,14% dos rapazes apresentaram-se insatisfeitos, onde 100% das raparigas e 65,21% dos rapazes consideravam-se acima do peso. Na avaliação da ingestão alimentar, 47,16% realizavam 3-4 refeições diárias e 48,11% realizavam entre 5-6 refeições diárias. Pelo QFA e ingestão de macronutrientes, foi observado que houve um bom consumo na maioria dos grupos alimentares e um baixo consumo no grupo de "Hortaliças e legumes", porém observamos que houveram preferências de certos alimentos não-saudáveis ao invés de opções melhores, como refrigerantes, massas simples e chocolates. Na avaliação da ingestão de macronutrientes e fibras, quase a totalidade dos macronutrientes apresentaram-se com ingestões segundo o recomendado pela OMS (2002) na maioria dos adolescentes, estando apenas as proteínas e o consumo de colesterol fora do recomendado. Por fim, na avaliação do consumo de bebidas alcoólicas, a prevalência de consumo foi baixa, tanto para consumo mensal, quanto para consumo semanal. Diante do que podemos concluir, os adolescentes apresentaram um bom estado nutricional, prática de atividade física e um bom consumo alimentar, não fugindo dos resultados de estudos nacionais que abordaram esses objetivos.
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6,900
Influência do genótipo vs. fenótipo da enzima paraoxonase I (PONI) no risco de doença coronária isquémica
Doença coronária,Fenótipo,Genótipo
A paraoxonase 1 (PON1) é uma enzima associada às liporoteínas HDL (lipoproteínas de alta densidade), que protege as LDL (lipoproteínas de baixa densidade) da oxidação, reverte os efeitos biológicos das LDL oxidadas, e preserva a função das HDL ao inibir a sua oxidação, possuindo assim propriedades antiateroscleróticas. A sua acção protectora resulta da capacidade de hidrólise de fosfolípidos oxidados biologicamente activos e de hidroperóxidos colesteril-éster das lipoproteínas LDL e HDL. Vários estudos, transgénicos, clínicos e epidemiológicos, confirmam a actividade antiaterogénica da PON1. O gene que codifica a proteína PON1 apresenta variações polimórficas, tanto na região codificadora, como na região reguladora. Desenvolveram-se uma série de estudos genéticos para examinar a importância do genótipo na determinação do risco de doença coronária. Duas meta-análises sustentam que os riscos-relativos por-alelo para os polimorfismos principais (Q192R, L55M e C-108T) são pouco significativos, e vários estudos apresentam resultados contraditórios entre si. Em muito menor número, foram realizados estudos que avaliaram a actividade e/ou concentração da PON1. Esses estudos concluíram que a actividade e/ou concentração da PON1 eram mais determinantes do risco cardiovascular do que o genótipo por si só. Através da quantificação das actividades de paraoxonase vs. diazoxonase, é possível resolver o genótipo da PON1 para o polimorfismo Q192R, que pode contudo ser confirmado por PCR. Considera-se que este método enzimático com dois substratos organofosforados da PON1 determina o status funcional da PON1 – genótipo para polimorfismo Q192R e actividade e/ou concentração da PON1. A maior importância do fenótipo da PON1, na determinação do risco de doença 2 coronária isquémica, levou os investigadores a estudar a modulação da enzima por factores ambientais farmacológicos, dietéticos e de estilo de vida. Um exemplo de modulação farmacológica da actividade da PON1 é a que acontece com as estatinas e os fenofibratos mas existem resultados opostos em vários estudos in vitro e também in vivo. Quando alguns autores compararam os resultados do tratamento com estatinas (efeito nos parâmetros lipídicos) em doentes dislipidémicos com actividades e/ou concentrações de PON1 diferentes, verificaram que o fenótipo da PON1 pode ser preditivo do sucesso ou insucesso desses tratamentos, um interesse adicional da PON1. Dadas as suas propriedades antiateroscleróticas, a descoberta de novos fármacos que aumentem com eficácia a actividade da PON1, pode potencialmente ter consequências clínicas, como a diminuição do risco de doença coronária isquémica
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6,902
Genotype-phenotype correlations in CFEOM syndrome : studies in the portuguese population
Músculos oculomotes,Genótipo,Fenótipo,Mutação,Genética
Introdução: Fibrose congénita dos músculos extra-oculares (FCMEO) constitui um grupo raro de patologias caracterizadas por oftalmoplegia congénita, não progressiva e restritiva dos músculos extra-oculares, com ou sem ptose palpebral. FCMEO está associada a desenvolvimento anormal da totalidade ou parte dos nervos óculo-motor (III) e troclear (IV) e da consequente inervação aberrante dos músculos extra-oculares e/ou músculo elevador palpebral. Objectivos: Realizar uma completa caracterização fenotípica de doze pacientes Portugueses, realizar um estudo genético para os “hotspot” das mutações da FCMEO no gene KIF21A por sequenciação directa (em nove pacientes de seis famílias independentes) e estabelecer potenciais correlações genótipo-fenótipo. Métodos: Avaliação clínica e análise mutacional do gene KIF21A em doze pacientes portugueses com FCMEO. Resultados: Fibrose congénita dos músculos extra-oculares foi demonstrada em todos os casos. Identificamos dez pacientes com FCMEO do tipo 1 e dois pacientes com provável FCMEO do tipo 3. Todos os pacientes têm ptose bilateral com posição anómala da cabeça compensatória com o queixo levantado, 92% têm ambliopia, 42% têm inervação aberrante, 42% têm patologias sistémicas associadas (tais como atraso mental em 25% e polidactilia em 8,3%). A maioria dos pacientes têm oftalmoplegia com os olhos fixos em infradução (sendo incapazes de elevar os olhos acima da linha média vertical), estrabismo horizontal com exotropia variável e movimentos oculares bruscos. Os resultados da análise mutacional estão pendentes.
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6,903
Deficiência da vitamina B12 como um fator de risco na demência do idoso
Demência,Idoso,Vitamina B12
A doença demencial tem alcançado proporções epidémicas, atingindo 4,6 milhões de indivíduos por ano no mundo. Com uma população cada vez mais envelhecida, a prevalência da demência irá aumentar dramaticamente nas próximas décadas. Embora a idade possa estar fortemente relacionada com o desenvolvimento de demência, essa doença não é uma parte inevitável do envelhecimento, mas uma doença com os seus fatores de risco genéticos e não genéticos. A prevenção será então possível quando forem identificados os fatores de risco não genéticos. Alguns fatores de risco já foram sugeridos, mas ainda não foram todos comprovados por estudos de investigação. As baixas concentrações de vitaminas B (folatos, vitamina B12 e vitamina B6) são um possível fator de risco no desenvolvimento de demência vascular e de doença de Alzheimer. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura sobre o declínio cognitivo associado aos níveis de vitamina B Métodos: Foram pesquisados artigos na língua inglesa, portuguesa, francesa e espanhola através das bases de dado PubMed e Google académico. Todos os estudos prospetivos, avaliando a associação entre os níveis de vitamina B12 ou seus biomarcadores e cognição, foram incluídos. Resultados: Foram identificados e avaliados trinta e cinco estudos de coorte. Vinte e um estudos de qualidade positiva não confirmaram o papel dos níveis de vitamina B12 na etiologia de demência ou na deterioração cognitiva. Apenas sete estudos de 5 qualidade positiva, demonstraram a associação entre os níveis de vitamina B12 e o declínio cognitivo, demência ou doença de Alzheimer. Conclusão: No geral, os estudos foram de qualidade razoável mas com duração de seguimento e número de amostra inadequados para determinar se existe realmente uma relação entre o nível de vitamina B12 sérico e a cognição ou demência
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6,904
O que leva uma pessoa à consulta : confronto de perspectivas
Relações médico-doente,Comunicação,Medicina geral
Introdução: A comunicação médico-doente, apesar de toda a sua importância é um tema pouco explorado na literatura médica, devendo ser avaliado para tomada de consciência da sua utilidade. Objetivo: Conhecer o resultado desta comunicação e de que forma os doentes a entendem. Materiais e métodos: Estudo observacional e transversal, realizado entre Fevereiro e Julho de 2014, na Unidade de Saúde Familiar Topázio, por aplicação de questionário, baseado na classificação ICPC-2, aos consulentes que se encontravam no local, sobre o motivo de consulta. No fim da recolha dos dados, estes foram cruzados com a informação recolhida e classificada pelos médicos na consulta do dia em que foram entrevistados. Realizou-se estatística descritiva e inferencial. Resultados: Foi estudada uma amostra de 82 indivíduos, maioritariamente do sexo feminino (68,3%), com uma média de idade de 51,2±20,6 anos. Os consulentes referem 96 motivos de consulta no total, com maior prevalência para “geral e inespecífico” (16), “endócrino, metabólico e nutricional” (14 vezes), “sistema músculo-esquelético” e “gravidez/planeamento familiar” (13 vezes, cada), enquanto os médicos codificam 81 motivos de consulta, sendo “endócrino, metabólico e nutricional” e “gravidez/planeamento familiar” (13 vezes) os mais comuns. O grau de semelhança entre a informação veiculada pelos doentes e a codificada por médicos foi de 78%. Dos consulentes 86,6% sente-se satisfeito com a comunicação com o seu médico. Discussão: Não existindo mais estudos sobre esta temática, torna-se imprescindível que mais estudos como este sejam realizados noutros locais de cuidados de saúde primários, mas também em hospitais, de forma a conhecer-se de que forma a comunicação é realizada e saber a sua importância para a obtenção diagnóstica com melhoria dos resultados terapêuticos. Conclusão: Existe boa comunicação médico-doente na USF Topázio e os consulentes estão satisfeitos com a forma como essa comunicação está a ser realizada.
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6,905
Medicina centrada no paciente e capacitação do consulente em medicina geral e familiar
Assistência centrada no paciente,Medicina familiar,Medicina geral,Capacitação
Introdução: A Medicina Centrada no Paciente (MCP) abrange a experiência total de doença do utente, envolvendo-o nas decisões clínicas. Não existe em Portugal uma ferramenta que avalie a sua existência segundo a opinião do consulente. A Capacitação representa a medida em que um paciente se sente fortalecido, após uma consulta médica, na compreensão e gestão da doença. O Instrumento de Capacitação do Consulente (PEI/ICC) foi validado recentemente para a população portuguesa. Objetivos: São objetivos deste estudo a validação do Questionário da MCP em Portugal (MCP-PT), e a verificação da existência de MCP conforme a opinião do consulente, relacionando-a com a Capacitação, segundo o PEI/ICC. Materiais e Métodos: Construímos o MCP-PT com base nos seis componentes da MCP propostos por Moira Stewart e validámos em trinta consulentes da USF Topázio. De seguida, aplicámos o MCP-PT e o PEI/ICC, em duzentos utentes das USF Topázio, Briosa e Rainha Santa. Analisámos as respostas segundo o género, grupo etário, tipo de família, grau de formação, ter doença crónica e tomar medicamentos regularmente. Posteriormente, verificámos a correlação entre os dois questionários. Resultados: O MCP-PT foi validado para Portugal com valores de Alfa de Cronbach superiores a 0,8 e excelente fiabilidade. A amostra inquirida é maioritariamente feminina, entre 36 e 64 anos, vive acompanhada, tem a 4ª classe e toma medicamentos regularmente, referindo 50% ter doença crónica. A distribuição das respostas no MCP-PT teve propensão para a resposta “Sim” e, no PEI/ICC, a resposta intermédia “Melhor” foi tendencialmente mais escolhida. O MCP-PT, sendo um indicador composto por vários objetivos, foi estudado em valor absoluto e em distribuição relativa a valores percentílicos. O PEI/ICC tem também valor de indicador que estudámos igualmente. Verificámos correlação entre o MCP-PT e o PEI/ICC, que variam em sentido oposto de valor, com p=0,010. Discussão e Conclusão: Neste estudo, pudemos validar o MCP-PT para a população portuguesa, aferindo a opinião do consulente sobre a aplicação da MCP na consulta. A verificação de correlação positiva entre a MCP e a Capacitação, permite pensar em melhores resultados terapêuticos. Salientamos a necessidade de se realizarem mais estudos nesta área, com amostras mais significativas e noutras regiões de Portugal.
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6,906
Dor lombar no adolescente desportista : artigo de revisão
Lombalgia,Atleta -- adolescente,Adolescente,Factores de risco,Actividade física
Durante muitos anos, a dor lombar foi percepcionada como uma queixa do adulto e encarada como uma situação rara nos jovens. Actualmente, compreende-se que é frequente em todas as faixas etárias e as investigações apontam a dor lombar na adolescência como um importante factor de risco para o aparecimento desta condição durante a vida adulta. Este trabalho revê a literatura mais recente (1998-2008) sobre a relação da dor lombar no adolescente com a prática de desporto. O objectivo deste artigo é avaliar até que ponto a dor lombar no adolescente é um problema de saúde pública; identificar possíveis factores de risco e protectores; traçar os principais passos a seguir na abordagem do adolescente com lombalgia e definir os principais diagnósticos diferenciais a considerar. Centralizando a pesquisa no adolescente desportista, pretende-se identificar factores de risco de lombalgia e de lesões da coluna lombar, destacando a sua relação com a participação activa em modalidades e desportos específicos. Os possíveis factores de risco para a lombalgia na adolescência são alvo de muitas investigações, procurando-se obter dados que permitam traçar planos de prevenção orientados. A relação entre a actividade física e a dor lombar é motivo de grande discussão e controvérsia, mas existem evidências de que os jovens sedentários apresentam uma maior probabilidade de manifestarem lombalgia. Contudo, determinados desportos expõem a um maior risco de lesão da coluna lombar, acarretando lombalgia crónica em jovens desportistas. Actualmente, compreende-se que existem diferenças entre o adolescente e o adulto que exigem abordagens distintas. No adolescente, identifica-se com frequência uma causa específica da lombalgia e na população adulta a lombalgia inespecífica é o diagnóstico mais frequente. Estes pontos devem ser percepcionados por todos os clínicos, constituindo a base da sua actuação. A maioria dos estudos abordando o tema da dor lombar no adolescente, foram realizados na América do Norte e nos países Escandinavos. Apesar da existência de uma grande diversidade de trabalhos nesta área, verificam-se limitações metodológicas que dificultam a uniformização da investigação, e poucos estudos pesquisam a relação entre a dor lombar no atleta jovem e a prática de desportos específicos. Em Portugal, a investigação nesta área é escassa, mas começam a surgir algumas investigações necessárias para definir o panorama nacional.
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6,907
Comparação dos resultados clínicos e ortopédicos no tratamento cirúrgico de fracturas trocantéricas instáveis : DHS vs PFNa
Fracturas do quartil,Terapia,Cirurgia
Introdução: As fracturas trocantéricas, especialmente em idosos com osteoporose, representam um desafio para o cirurgião ortopédico. Enquanto o Dynamic Hip Screw (DHS) representa o implante de eleição para o tratamento das fracturas estáveis, o implante ideal para o tratamento de fracturas instáveis permanence controverso, apesar do recente ganho de popularidade das hastes intramedulares (PFNa). Objectivo: Este estudo retrospectivo comparou os resultados radiológicos, clínicos e ortopédicos dos implantes Dynamic Hip Screw (DHS) e Proximal Femoral Nail antirotation (PFNa), no tratamento de fracturas trocantéricas instáveis (AO 31 A2). Material e Métodos: Foram analisados registos clínicos de 116 doentes com fracturas trocantéricas instáveis, com um follow-up igual ou superior a 12 meses. 66 doentes foram tratados com DHS e 50 com PFNa. Foram registados dados do tempo operatório, tempo de internamento, tipo e qualidade da redução, consolidação, necessidade de transfusão sanguínea e complicações clínicas e ortopédicas. Resultados: Considerando a totalidade das fracturas 31 A2, o DHS apresentou taxas superiores de reduções da fractura consideradas insatisfatórias (23,4% e 18,0% para DHS e PFNa, respectivamente) e de complicações clínicas (34,8% e 32,0% para DHS e PFNa, respectivamente) e ortopédicas (15,2% e 14,0% para DHS e PFNa, respectivamente). O tempo de cirurgia, a necessidade de transfusão sanguínea (53,0% e 68,0% para DHS e PFNa, respectivamente) e a proporção de reduções da fractura consideradas anatómicas (21,9% e 36,0% para DHS e PFNa, respectivamente) foi superior no grupo do PFNa. O tempo de internamento e as taxas de consolidação foram semelhantes nos dois tipos de implante. Restringindo a análise apenas para o tipo específico de fracturas 31 A2.2., alguns resultados estatísticos sofreram alterações. As taxas de complicações clínicas (20,7% e 14,3% para DHS e PFNa, respectivamente) e ortopédicas (37,9% e 31,0% para DHS e PFNa, respectivamente) acentuaram-se no grupo do DHS, com taxas de transfusão (69,0% e 64,3% para DHS e PFNa, respectivamente) semelhantes em ambos os grupos. Conclusão: O PFNa mostrou-se superior ao DHS no tratamento das fracturas trocantéricas instáveis, em termos de qualidade de redução e taxas de complicações clínicas e ortopédicas. Nas restantes variáveis, o PFNa não mostrou inferioridade relativamente ao DHS.
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6,908
Diabetes Gestacional : consequências da implementação dos critérios de diagnóstico de 2011
Diabetes gestacional,Diagnóstico,Glicémia,Peso ao nascer
Introdução: A diabetes gestacional (DG) é a patologia endocrinológica mais frequente na gravidez. Até 2010, havia uma multiplicidade de critérios de diagnóstico. No ano 2010, conciliando o resultado de estudos baseados nas complicações maternas e fetais, um grupo de peritos publicou uma recomendação relativamente aos limiares de glicemia para diagnóstico de DG. Em 2011, Portugal adotou-os. Este trabalho teve como objetivo investigar se a adoção dos novos critérios se traduziu numa alteração do perfil de intervenções perinatais, de complicações maternas, fetais e do recém-nascido (RN) e no aumento da prevalência da DG. Materiais e métodos: Estudo retrospetivo das gestações complicadas por DG, seguidas na consulta de Diabetologia-Grávidas do Hospital Garcia de Orta, E.P.E., no período compreendido entre 2005 e 2014. Avaliou-se a prevalência de DG e compararam-se, relativamente às complicações maternas, fetais e do RN e às intervenções perinatais, os casos diagnosticados através dos critérios Carpenter e Coustan (CeC), com os casos diagnosticados com recurso aos critérios da International Association of the Diabetes in Pregnancy Study Groups (IADPSG), adotados em 2011. Resultados: Foram analisados 577 registos de grávidas diagnosticadas pelos critérios de CeC e 569 através dos critérios da IADPSG. A prevalência de DG foi de 3,0% e 5,9%, respetivamente. A idade gestacional média do diagnóstico e da primeira consulta hospitalar foi significativamente menor no grupo diagnosticado através dos critérios da IADPSG. Neste, houve um recurso maior à insulinoterapia e observou-se um maior número de grávidas com ganho ponderal excessivo. Não houve diferenças nas complicações obstétricas. O parto ocorreu mais cedo e houve uma percentagem menor de cesarianas urgentes do que no grupo dos critérios de CeC. O peso ao nascer foi menor, com menos RN macrossómicos, mas com mais RN com baixo peso. Ocorreram menos casos de traumatismo de parto. Uma taxa de iv reclassificação de 62,7% foi encontrada com a utilização dos novos critérios da IADPSG, com um número significativamente maior de resultados normais. Discussão: A adoção dos novos critérios levou a um aumento da prevalência da DG. O diagnóstico e a primeira consulta de diabetes na gravidez ocorreram mais cedo. Associados a um aumento do uso de terapêutica farmacológica, poderão ter levado a uma maior medicalização e uso dos recursos de saúde. No entanto, houve uma diminuição da taxa de cesarianas urgentes e os novos critérios parecem ter contribuído para uma diminuição do peso ao nascimento e consequente traumatismo de parto. Mais estudos devem ser realizados para avaliar se o aumento do consumo de recursos em saúde é compensado de uma forma consistente pela melhoria dos resultados perinatais. Conclusão: A implementação dos critérios de diagnóstico de DG de 2011 resultou num aumento da prevalência, diagnóstico mais precoce, aumento da insulinoterapia e redução da macrossomia e traumatismo de parto
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6,909
Deficiência das enzimas do ciclo de Krebs
Enzimas,Ciclo de ácido citrico
Introdução A importância do ciclo dos ácidos tricarboxílicos ou ciclo de Krebs está associada à formação de equivalentes redutores para a produção de energia (ATP) pela fosforilação oxidativa, na mitocôndria. Também tem uma importante ligação com outras vias, fornecendo intermediários importantes para a biossíntese de várias moléculas, tais como ácidos gordos, aminoácidos, ou substratos para outras vias metabólicas, como a neoglucogénese. Este trabalho, em formato de artigo de revisão, pretende mostrar a importância das enzimas do ciclo de Krebs e a sua relação com patologias. É possível observar que a deficiência enzimática pode estar relacionada com o aparecimento ou com o prognóstico de patologias de foro metabólico ou mesmo oncológico. Metodologia Para a realização deste artigo de revisão foram analisados, como referência, vários artigos científicos e de revisão. Como critério de inclusão, foram selecionados os artigos com referência às deficiências das enzimas fumarato hidratase, succinato desidrogenase, a malato desidrogenase, a aconitase isomerase e o complexo enzimático da α-cetoglutarato desidrogenase porque estas enzimas quando se encontram deficientes são exemplos importantes na génese de patologias mencionadas na introdução. A base de dados consultada foi o “ Pubmed “, sem restrição a nível do contexto da temporalidade. Os termos de pesquisa mais frequentemente utilizados foram a designação à deficiência das enzimas assinaladas, às mutações dos genes que as codificam e às designações das patologias associadas a estas deficiências enzimáticas. Jaquelina Silva, 2016 4 Objetivos O objetivo deste trabalho é elaborar um artigo de revisão sobre os achados bioquímicos e genéticos das patologias do ciclo de Krebs, integrados no contexto clínico respetivo. Resultados Este estudo põe em evidência a deficiência das enzimas fumarato hidratase e succinato desidrogenase como predisposição para o aparecimento de duas síndromes tumorais hereditárias, a HLCCR (leiomiomatose e carcinoma das células renais hereditários) e a HPGL (paragangliomas com feocromocitoma hereditários) respetivamente. A deficiência daquelas enzimas causa o aumento de duas moléculas intermediárias do ciclo dos ácidos tricarboxílicos, o fumarato e o succinato, que nestas condições, ativam um mecanismo tumoral. Mais recentemente, foi atribuído o estatuto de oncometabolito, que é um conceito muito recente, ao ácido fumárico ou fumarato. Para o mecanismo de tumorogénese, além da disfunção metabólica que é de grande importância, é essencial o estudo das mutações nos genes que codificam as enzimas correspondentes (por exemplo para a fumarato hidratase é o gene FMU1). São analisadas também evidências de que os doentes com leucemia mieloblástica que apresentam uma atividade deficiente da malato desidrogenase, têm uma evolução clínica mais favorável. Também é possível observar que a deficiência da aconitase está associada a ataxia de Friedreich, uma doença neurológica com ataxia cerebelosa progressiva associada a cardiomiopatia. A deficiência da enzima é devido a mutação no gene que codifica a proteína frataxina. Jaquelina Silva, 2016 5 Também é descrito uma situação atípica associada à deficiência enzimática E3 do complexo enzimático da α-cetoglutarato desidrogenase. Este caso mostra a importância do estudo das mutações que afetam o gene que codifica cada subunidade E1,E2 e E3. Conclusão Neste estudo foi focada a importância clínica dos défices enzimáticos de enzimas do ciclo de Krebs; contudo, é necessária mais investigação para uma melhor caracterização das causas e dos mecanismos fisiopatológicos associados às suas deficiências para, assim, possibilitar uma terapêutica cada vez mais eficaz, específica e segura
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6,910
Avaliação do seguimento da pessoa que sofre de diabetes com base num indicador composto
Diabetes mellitus,Medicina familiar
Introdução: A DGS preconiza o estabelecimento de metas relativas a indicadores de saúde, que excluem a individualidade da pessoa que sofre de diabetes. A avaliação dos indicadores de cuidados de saúde, de adequação técnico-científica, de resultados, de ganhos em saúde e de tratamento, como base de um indicador composto, permite avaliar as competências do médico e o cumprimento da pessoa sofrendo de Diabetes. Objetivo: Avaliar a qualidade do seguimento da pessoa que sofre de Diabetes com base num indicador composto. Metodologia: Estudo observacional transversal em amostra representativa e aleatória com reposição dos elementos excluídos, feita com base nos 5 ficheiros da USF Topázio, ACES Baixo Mondego. Foi observada a realidade entre 1 de Abril de 2013 e 1 de Abril de 2014, dos 592 diabéticos. Colheram-se dados para os indicadores: processo cuidados, adequação técnico-científica, resultados e ganhos em saúde, com um total de 19 pontos, total do indicador composto. Calcularam-se indicadores parcelares e a média final pela percentagem de pontos relativos ao indicador composto. Realizou-se análise estatística descritiva e inferencial, paramétrica e não paramétrica. Resultados: Da amostra calculada, de 80 indivíduos, 47,5% do sexo masculino, com idade média global de 67,7±10,8 anos (IC:95% de 65,3 a 70,1 anos). Encontraram-se corretamente aplicados: processo de cuidados 82,5%; adequação técnico-científica 60,0%; bom resultado terapêutico em 38,8%; complicação devida a Diabetes em 11,1%. Sem diferença significativa a distribuição por sexo, grupo etário, tipo de família e formação académica para o indicador composto. 52,5% da amostra está acima do percentil 50 de cumprimento do indicador composto. Avaliação do seguimento da pessoa que sofre de Diabetes com base num indicador composto 2 Conclusão: Observam-se diferenças fundamentais relativamente aos indicadores da DGS. O indicador composto representa uma nova abordagem à avaliação da Diabetes, abordando a pessoa que sofre de Diabetes.
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6,912
Revisão epidemiológica da esclerose múltipla
Esclerose múltipla,Epidemiologia
Introdução: A Esclerose Múltipla é uma doença desmielinizante do Sistema Nervoso Central, imuno-mediada e crónica, altamente incapacitante, que afecta mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo. Os diversos estudos epidemiológicos realizados ao longo dos anos têm fornecido indícios sobre a sua possível etiologia, mas nunca de uma forma assertiva. Objectivos: Realização de uma actualização de conceitos e conhecimentos na área da patogénese da Esclerose Múltipla, abordando os mais recentes e relevantes dados epidemiológicos (factores genéticos e ambientais) e como a sua interpretação nos ajuda a compreender as diversas dimensões desta patologia, no sentido de encontrar novas armas terapêuticas. Desenvolvimento: Vários factores ambientais e genéticos têm sido descritos como possíveis agentes etiopatogénicos mas a variedade fenotípica, genética e imunológica que caracterizam esta doença, tornam a sua abordagem complexa. Conclusões: Os dados decorrentes dos estudos epidemiológicos são fundamentais para a compreensão da Esclerose Múltipla. A heterogeneidade que a caracteriza parece dever-se a interacções multifactoriais entre um componente poligénico e factores ambientais como a Vitamina D e o Vírus Epstein-Barr
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6,913
Análise do electrocardiograma na prática da acupunctura
Acupunctura,Electrocardiograma,Sistema nernoso central
O coração tem uma importante actividade eléctrica na base do seu funcionamento, estando esta relacionada com o sistema nervoso autónomo. Diversas patologias cardíacas foram associadas a alterações dos sistemas simpático e parassimpático. Por outro lado, alterações na amplitude e duração da onda P do electrocardiograma (EKG) estão também relacionadas com patologia cardíaca. Sabendo-se da capacidade da acupunctura interferir com o funcionamento do sistema nervoso autónomo e funcionamento cardíaco, procurámos estudar de forma simples e em indivíduos saudáveis se tais acções se reflectem em alteração dos valores da duração da revolução cardíaca e onda P. Na derivação DII do EKG, estudámos 20 voluntários em três momentos distintos: antes da aplicação de acupunctura, um dia depois do término das sessões de acupunctura e três dias após o mesmo marco temporal. Os pontos selecionados para punctura seca foram os seguintes: 07CO (Shénmén), 03CO (Shàohˇai) e 06PE (Nèigu¯an) bilateralmente, 20DU (Bˇaihuì) eYintang, durante 20 minutos consecutivos por sessão, ao longo de duas semanas, num total de quatro sessões (duas por semana). Os valores medidos em cada EKG, juntamente com os valores do IMC (índice de massa corporal) e STAI Y-2 (State-Trate Anxiety Inventory forma Y-2) previamente calculados, foram submetidos a análise estatística. Foram encontradas diferenças significativas entre EKGs. Considerando que as condições estruturais anatómicas do sistema circulatório não devem ter sofrido alterações relevantes durante o período do estudo (duas semanas), é de admitir que possam existir apenas alterações do controlo cardíaco, ao nível do sistema nervoso autónomo. Este trabalho mostra assim que o uso de acupunctura manual nos pontos selecionados, num período de curta duração, induz algumas alterações no funcionamento cardíaco de indivíduos sem patologia diagnosticada e em condições de vida diária consideradas normais
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6,915
Carcinoma in situ da bexiga : diagnóstico e tratamento
Neoplasias da bexiga,Carcinoma in situ,Diagnóstico,Etiologia
Introdução: O carcinoma in situ (CIS) urotelial é uma lesão com elevado potencial para progressão, sendo considerado um precursor do carcinoma invasivo da bexiga. Apesar de a sua forma isolada ser rara, é frequentemente encontrado em associação com outros tumores da bexiga. Material e métodos: Este trabalho constitui uma Tese de Mestrado em Medicina sob a forma de artigo de revisão que incide sobre o estado da arte no que se refere ao diagnóstico e tratamento do CIS da bexiga. Foi elaborado através da pesquisa e leitura de um grande número de artigos científicos e de revisão, publicados na Medline e B-on nos últimos 10 anos sobre este tema. Resultados: Actualmente pensa-se que o CIS da bexiga terá origem em alterações genéticas por uma via que inclui mutações do TP53. Constitui um tumor com elevada probabilidade de progressão e recorrência, habitualmente multifocal e cuja presença implica uma diferente abordagem ao nível do plano de tratamento e seguimento. O CIS da bexiga constitui um desafio diagnóstico pelas limitações das técnicas actualmente disponíveis para a sua pesquisa. A cistoscopia e a citologia, aliadas a novos métodos de pesquisa de alterações celulares e marcadores bioquímicos em amostras de urina constituem os exames auxiliares de diagnóstico actualmente mais usados. As opções de tratamento actualmente com melhores resultados implicam a utilização de terapêutica intravesical ou cistectomia radical. A presença desta lesão é fonte de morbilidade e mortalidade considerável caso o seu diagnóstico e tratamento precoce não sejam realizados, o que justifica a sua importância no contexto da patologia oncológica em Urologia.
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6,916
A prova de esforço cardiorrespiratória em pneumologia : o exemplo da DPOC
Prova de esforço,Provas funcionais respiratórias,Pneumologia
Um dos desígnios actuais da medicina, face ao envelhecimento populacional e aumento da prevalência de patologias crónicas, é melhorar a qualidade de vida destes doentes, procurando optimizar a gestão de recursos. A doença pulmonar obstructiva crónica – DPOC – é 4ª. Causa de mortalidade mundial, e representa um importante problema de saúde pública. Na abordagem desta patologia, a intolerância ao exercício é um forte indicador do dano global do indivíduo, preditora de prognóstico, de tal modo que a avaliação da capacidade física pode considerar-se tão importante como a avaliação da função pulmonar. Na prática clínica estão difundidos sobretudo os testes de marcha – prova dos seis minutos marcha (six minute walk test - 6MWT) e a prova de shuttle (shuttle walk test - SWT) - e a Prova de esforço cardiorespiratória (cardiopulmonary exercise test - CPET). Esta revisão pretendeu comparar os diferentes testes para concluir acerca da aplicabilidade e da necessidade da CPET na avaliação da DPOC. Na avaliação das variáveis que auxiliam na caracterização da severidade da doença, avaliação do prognóstico, e definição da terapêutica, os testes da marcha permitiram uma boa aproximação aos valores obtidos pela CPET. Fornecem informação satisfatória na avaliação da performance, prognóstico, e terapêutica instituída, e apresentam boa reproductibilidade, se realizados com rigor. Apresentam como grande vantagem face à CPET a simplicidade de execução na prática clínica. A CPET, por sua vez, permite identificar comorbilidades, condições co-existentes, ou alternativas diagnósticas, como causa de intolerância ao esforço. Assim, conclui-se que na prática clínica a CPET poderá reservar-se para situações específicas e não elucidadas após avaliação rotineira e dos resultados dos testes da marcha, não sendo necessária na abordagem primária da DPOC.
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6,917
Perfecionismo, pensamento perseverativo negativo e perturbação psicológica
Psicologia médica,Psicopatologia,Pensamento,Doenças do sistema nervoso
Introdução: Dada a relação entre um vasto leque de psicopatologia e o perfecionismo, este é considerado um processo transdiagnóstico. Várias dimensões de perfecionismo têm sido associadas à preocupação e à ruminação. Estes dois constructos estão correlacionados e partilham caraterísticas processuais, pelo que foram integrados no conceito mais amplo de Pensamento Perseverativo Negativo/PPN. Este define-se como um estilo de pensamento sobre os próprios problemas ou experiências negativas, que é repetitivo, intrusivo, de difícil controlo e é percebido como sendo improdutivo e interferindo com a capacidade mental, sendo igualmente considerado um fenómeno transdiagnóstico. Objetivos: Estudar a relação entre perfecionismo, PPN e perturbação psicológica: (1) analisar o padrão de relações entre as dimensões do perfecionismo e do PPN; (2) testar se as dimensões de PPN funcionam como mediadoras da relação entre perfecionismo e perturbação psicológica. Materiais e Métodos: 344 estudantes universitários (68.4% raparigas; idade média 20.69±1.586) completaram as duas Escalas Multidimensionais de Perfecionismo (Hewitt & Flett, Frost et. al), o Questionário de Pensamento Perseverativo, o Perfil de Estados de Humor, a Escala de Stresse Percebido e o Inventário Multidimensional de Crenças Perfecionistas. Resultados: Ambas as dimensões de PPN (Pensamento repetitivo/PR e Interferência e Improdutividade/II) se correlacionaram positivamente com os outcomes mais negativos (Depressão, Tensão-Ansiedade e Afeto Negativo/AN) e inversamente com o Afeto Positivo/AP, sendo que a II apresentou coeficientes mais elevados. Na comparação das pontuações médias dos outcomes negativos por grupos, todos se distinguiram, bem como, no sentido inverso, para as pontuações de AP, também com diferenças mais acentuadas por 5 grupos de II. As correlações mais elevadas entre variáveis de PPN e de perfecionismo verificaram-se com as dimensões PSP, PE_Frost, EP_Frost, PreoAv e PE_IMCP. Nas regressões realizadas, as dimensões de PPN provocaram sempre um adito significativo. Relativamente à mediação, a II mostrou-se um mediador parcial da relação entre PSP e depressão, PE_Frost e depressão, PE_IMCP e ansiedade, PSP e AN, PE_Frost e AN, DA e AN e PE_IMCP e AN. Já o PR revelou-se um mediador parcial da relação entre PE_IMCP e ansiedade. A II foi ainda mediadora total das relações entre PAO e depressão, entre EsfPerf e AN, entre PAO e AN e entre PE_Frost e AP. Discussão: O PPN, principalmente a sua dimensão mais desadaptativa (i.e. II), é um mediador da relação entre perfecionismo e perturbação psicológica. Tanto o perfecionismo como o PPN devem ser encarados como potenciais alvos para estratégias de prevenção e tratamento da perturbação psicológica
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6,919
Capilaroscopia periungueal no estudo do fenómeno de Raynaud
Angioscopia microscópica,Doença de Raynaud
A distinção entre Fenómeno de Raynaud primário (FRP) e Fenómeno de Raynaud secundário (FRS) é difícil. A Capilaroscopia Periungueal (CPU) é uma técnica não-invasiva utilizada para avaliar in vivo a microcirculação e as alterações encontradas no Fenómeno de Raynaud (FR) são precoces, frequentemente precedendo a doença subjacente por vários anos. O objetivo deste estudo é avaliar o valor da CPU e dos achados microcirculatórios na caracterização de diferentes doenças auto-imunes, e na diferenciação entre FR primário e FR secundário. Foi utilizada uma amostra com 333 doentes, com CPU realizada entre Janeiro de 2011 e Junho de 2014. Os dados que não existiam nos registos da CPU foram adicionados consultando os processos clínicos, a rede informática hospitalar e/ou o médico assistente. Nos doentes com FR secundário e FR primário foi obtida uma relação entre o tipo de FR sugerido pela CPU e o tipo de FR diagnosticado. Em doentes com FR foi obtida também uma relação entre a presença de DAI na sugestão da CPU e DAI no diagnóstico, assim como entre uma CPU normal e ausência de doença/FR primário. Foi também demonstrada uma relação entre titulações baixas ou ausentes de ANA com ausência de doença/FR primário, e titulações altas com diagnóstico de DAI, e uma ausência de relação com qualquer uma das hipóteses para titulações de ANA 1:320. O estudo revelou ainda com a CPU sensibilidades de 85%, 53% e 100% para SSc, LES e DMTC/overlap, respectivamente, e especificidades de 97%, 98% e 96% para SSc, LES e DMTC/overlap, respectivamente. Foi concluído que a CPU é útil na diferenciação entre FR secundário e FR primário, assim como na presença ou ausência de DAI em doentes com FR. A alta especificidade obtida para LES, esclerose sistémica e DMTC/overlap sugere a utilidade do teste para identificar corretamente os indivíduos sem doença, enquanto a sensibilidade para esclerose sistémica sugere a capacidade do teste para identificar aqueles que têm a doença.
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6,921
A importância do estudo molecular na síndrome de QT longo
Síndroma do QT longo,Genética
Introdução: A síndrome de QT longo é uma doença cardíaca, na maioria dos casos com uma hereditariedade autossómica dominante, caracterizada por prolongamento do intervalo QT no electrocardiograma e por um risco acrescido de síncope e de morte súbita. Até ao momento foram já identificados treze genes associados a esta patologia, tendo o seu estudo molecular uma rentabilidade de 75 a 80%. Métodos: Caracterização clínica e molecular de quinze casos com diagnóstico de síndrome de QT longo referenciados ao Serviço de Genética Médica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra para aconselhamento genético. Foi igualmente realizado o aconselhamento genético a 28 familiares em risco. Resultados: Foram identificadas mutações em 11 casos: uma mutação no gene KCNQ1 (6,67%); seis mutações no gene KCNH2 (40%); uma mutação no gene SCN5A (6,67%); e uma mutação no gene KCNE2 (6,67%). Em dois casos foram detectadas mutações em mais do que um gene (13,33%). Ocorreram mutações de novo em quatro casos (44,44%). Seis dos 12 familiares estudados, excluindo os progenitores, eram portadores das mutações previamente identificadas nos casos índex. Discussão e Conclusões: Os resultados obtidos estão de acordo com a literatura, exceptuando a menor percentagem de casos atribuídos ao gene KCNQ1 e a maior frequência de mutações de novo. Demonstrou-se a importância do estudo molecular nesta doença, quer para o seu diagnóstico, prognóstico e terapêutica, quer para o aconselhamento genético dos doentes e seus familiares. Palavras-chave: síndrome do QT longo; aconselhamento genético; gene KCNQ1; gene KCNH2; gene SCN5A; gene KCNE1; gene KCNE2 
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6,922
Esclerodermia : atualização terapêutica
Esclerodermia sistémica,Epidemiologia,Etiologia,Terapia
A esclerodermia é uma doença do tecido conjuntivo multissitémica e rara, de etiologia desconhecida, caracterizada por inflamação, disfunção vascular e fibrose da pele e órgãos viscerais. Não existindo nenhum tratamento modificador que aborde a patogenia básica da doença, os clínicos centraram-se no tratamento das manifestações órgão-específicas. Esta abordagem conduziu a uma redução notável da morbilidade e mortalidade em pacientes com esclerodermia, tendo em conta as duas principais causas de mortalidade: a insuficiência renal, devido a crise renal esclerodérmica; e a insuficiência cardiopulmonar, por hipertensão pulmonar. Novas descobertas na patogenia da esclerodermia conduziram a uma mudança drástica na perspetiva tradicional da terapia e levaram ao desenvolvimento da terapêutica dirigida a um alvo, de modo a modificar o curso natural da doença, nomeadamente, imunomoduladores, agentes antifibróticos e terapias biológicas. Este artigo trata-se de uma revisão das opções terapêuticas prevalentes e das futuras terapêuticas dirigidas na esclerodermia.
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6,923
Síndrome da morte súbita do lactente : conceitos e realidade
Morte súbita de criança,Prevenção e controlo,Lactente,Factores de risco
A Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL) é definida como a morte súbita e inesperada de uma criança com menos de um ano de idade para a qual não é encontrada uma explicação após uma investigação cuidadosa das circunstâncias da sua morte. Trata-se de um tema complexo que tem suscitado interesse e levantado diversas dúvidas entre os profissionais de saúde. A etiologia da SMSL permanece desconhecida. De entre as várias hipóteses elaboradas para explicar a fisiopatologia destas mortes, a disfunção do sistema cardiorrespiratório associada a alterações dos mecanismos envolvidos no despertar é, até ao momento, a teoria mais aceite. Atualmente, são vários os fatores de risco já identificados, sendo consensual que esta situação resulta da interação de vários fatores. A identificação dos diversos fatores de risco assim como a identificação de determinados fatores protetores permitiu a elaboração de recomendações que procuram prevenir a SMSL. No entanto, apesar dos esforços realizados no sentido da divulgação destas medidas preventivas, esta síndrome continua a ser a principal causa de morte pós-neonatal, em diversos países, durante o primeiro ano de vida. Neste trabalho apresenta-se uma revisão da literatura existente, abordando vários aspetos relacionados com esta temática, incluindo a sua definição, epidemiologia, fisiopatologia, fatores de risco, fatores protetores e as suas medidas preventivas. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas fontes médicas PubMed, Pediatrics e Sociedade Portuguesa de Pediatria tendo sido selecionadas publicações dos últimos 5 anos.
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6,924
O impacto da ventilação não invasiva na qualidade de vida dos doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica
Ventilação pulmonar,Qualidade de vida,Doença pulmonar obstrutiva crónica
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é um estado patológico que se caracteriza por limitação do débito aéreo não totalmente reversível. Esta limitação progride lentamente e de forma irreversível, estando geralmente associada a uma resposta inflamatória anómala dos pulmões à inalação de partículas ou gases nocivos. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é responsável por uma elevada taxa de morbilidade e mortalidade a nível mundial e segundo as estimativas da Iniciativa Global para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, a taxa de mortalidade aumentará ainda mais, passando da sexta para a terceira causa de morte mais comum no mundo inteiro, em 2020. A progressão desta doença está frequentemente associada a um aumento da dispneia e da intolerância ao exercício, resultando num impacto extremamente negativo na qualidade de vida destes doentes e no seu meio familiar, profissional, económico e social. Com vista à optimização terapêutica destes doentes, muitos são integrados em programas de reabilitação pulmonar por ser uma forma eficiente de minimizar os sintomas, melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida. A Ventilação Não Invasiva tem sido utilizada como terapêutica complementar, com o objectivo de reduzir o trabalho dos músculos respiratórios, prevenir o colapso dinâmico das vias aéreas e promover melhores níveis de tolerância ao esforço. O objectivo deste trabalho centra-se numa sistematização de alguns conceitos teóricos com base numa pesquisa bibliográfica e de análise documental exaustiva sobre o tema, tipo “artigo de revisão”, complementado pela avaliação do impacto da Ventilação Não Invasiva na qualidade de vida destes doentes com a aplicação de um questionário de qualidade de vida, “Saint George Respiratory Questionary “, a 34 3 doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica com e sem Ventilação Não Invasiva, acompanhados no Serviço de Pneumologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, com a respectiva análise e apresentação dos resultados. Sendo a qualidade de vida um factor tão importante, quer para o doente, quer para o médico, este trabalho poderá constituir mais um contributo para uma melhor abordagem do doente com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica
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6,925
Manifestações extra-intestinais articulares da colite ulcerosa
Gastroenterologia,Colite ulcerosa,Articulações,Patologia
As artropatias são as manifestações extra-intestinais mais comuns da Colite Ulcerosa, podendo associar-se a morbilidade significativa. A sua prevalência entre estes doentes varia entre 15,8% e 62%. À semelhança da Colite Ulcerosa, a etiologia destas manifestações será multifactorial e permanece não completamente conhecida. A relação entre intestino, sistema imunitário e articulações em indivíduos geneticamente susceptíveis, parece ser crucial para o desenvolvimento destas artropatias. As manifestações articulares são actualmente englobadas no grupo das espondilartropatias seronegativas e são classificadas em duas formas principais: a artrite periférica e a artrite com atingimento axial. O tratamento consiste basicamente na extrapolação da terapêutica usada em outras formas de artrite, através do recurso ao repouso, fisioterapia, injecções locais de esteróides, analgésicos e outros fármacos. No caso particular da artrite periférica tipo I, a medida terapêutica mais importante consiste no controlo, médico ou cirúrgico, da doença intestinal, uma vez que esta forma de artrite se relaciona com a actividade da Doença Inflamatória Intestinal. Em virtude da morbilidade significativa e acréscimo dos custos assistenciais associados, as manifestações articulares da Colite Ulcerosa representam um desafio para o gastroenterologista, para o reumatologista e, num sentido mais amplo, para o próprio sistema de saúde
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6,926
Tumores musculo-esqueléticos primários do pé e do tornozelo
Tumores,Pé,Tornozelo,Tumores Ósseos,Tumores de Tecidos Moles,Tumor de células gigantes,Sinoviossarcoma
Introdução: Os tumores do pé e tornozelo são raros, tornando-se difícil caracterizar particularidades clínicas, anatomopatológicas, intervenção terapêutica e evolução. Material e métodos: No período decorrido entre Agosto de 2000 e Agosto de 2010, 72 pacientes com o diagnóstico de tumores musculo-esqueléticos primários do pé e tornozelo, benignos e malignos, confirmados histologicamente, foram tratados numa única instituição. Este estudo retrospectivo apresenta a evolução clínica destes pacientes portadores desta rara neoplasia. Resultados: Dos 72 pacientes estudados, 56% eram do sexo feminino. A idade mediana de diagnóstico dos pacientes foi 52 anos. Sessenta e dois tumores estavam localizados no pé e 10 localizavam-se no tornozelo. Quanto ao tipo de tumor, 63 eram tumores dos tecidos moles, enquanto 9 eram tumores ósseos. Na generalidade, 56 (78%) eram tumores benignos e 16 (22%) eram tumores malignos. O tipo histológico mais frequente, tanto dos tumores dos tecidos moles como dos tumores ósseos, foi o tumor de células gigantes. O período de follow3 up variou de 4 a 119 meses, com um valor mediano de 49 meses. Conclusão: A grande maioria dos tumores localizava-se no pé. Verificou-se um predomínio de tumores benignos, que representavam mais do triplo dos tumores malignos. A diversidade dos tipos histológicos dos tumores benignos foi evidente, sendo os mais frequentes: o tumor de células gigantes, o angiomioma e o lipoma. Quanto aos tumores malignos, houve uma prevalência superior no sexo masculino, a idade mediana de diagnóstico foi de 45 anos e o tipo histológico mais frequente foi o sinoviossarcoma. A taxa de Sobrevivência Global e a taxa de Sobrevivência Livre de Doença aos 9 anos foram de 65% e 40%, respectivamente. São necessários mais estudos com um maior número de pacientes com tumores do pé e tornozelo para perceber este raro subgrupo de neoplasias
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6,929
Anemia da doença crónica na insuficiência cardíaca
Geriatria,Anemia,Insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca é uma das doenças mais prevalentes a nível mundial, especialmente no idoso, e apesar dos avanços médicos na prevenção de doenças cardiovasculares e nos arsenais terapêuticos, estima-se que a sua prevalência aumente em 50-75% até ao final de 2030 e o número de hospitalizações em 50% nos próximos 25 anos. Uma das suas complicações de maior importância e com significado prognóstico independente é o desenvolvimento de anemia. Os mecanismos através dos quais a anemia piora o prognóstico são desconhecidos mas podem estar relacionados com aumentos na pré-carga cardíaca. A patogenia da anemia no contexto de insuficiência cardíaca é multifactorial, com a conjugação de deficiente produção de eritropoietina ou resistência medular à sua acção, expressão aumentada de hepcidina ou hemodiluição; no entanto, evidências recentes sugerem que a anemia da inflamação possa ser a etiologia dominante e o mecanismo preferencial do desenvolvimento desta complicação. De facto, o ambiente pró-inflamatório que caracteriza a insuficiência cardíaca tem sido intensamente estudado, começando-se a delinear as alterações na regulação sistémica de ferro em períodos inflamatórios e as bases fisiopatológicas da anemia desenvolvida neste contexto. Tem ainda existido crescente reconhecimento dos efeitos inibitórios que a inflamação tem na produção de eritropoietina e na resposta que precursores eritróides exibem a esta hormona, bem como do conceito de deficiência funcional de ferro. Concomitantemente com o avanço no esclarecimento destes mecanismos, surgem novos marcadores com valor prognóstico que reflectem o seu impacto nestes doentes, nomeadamente o RDW. A anemia da doença crónica apresenta assim importantes desafios diagnósticos à comunidade médica, nomeadamente no reconhecimento e diagnóstico diferencial desta entidade com anemia por deficiência de ferro através da interpretação dos parâmetros hematológicos convencionais. Novos parâmetros, como o sTfR, o Índice de sTfR ou o CHr são importantes recursos ainda obliviados e pouco disponíveis ou explorados na prática clínica diária, sendo de grande relevo o seu contínuo desenvolvimento e adopção das mais recentes considerações diagnósticas e mesmo terapêuticas que têm sido alcançadas. Se a anemia é um mediador e não apenas um marcador de mau prognóstico, a sua correcção pode tornar-se um novo e significativo alvo terapêutico na tentativa de melhorar a sobrevida a longo termo destes pacientes. Constante actualização neste tópico é essencial à boa prática clínica no seguimento de pacientes com insuficiência cardíaca ou outras doenças crónicas com importante componente inflamatório
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6,931
Aspetos distintos da TB em imunocompetentes e em imunodeprimidos
Imunossupressão,Tuberculose
A tuberculose é uma doença infeciosa comum, à qual se associa uma mortalidade considerável. Apesar disto, a maioria dos indivíduos infetados pelo M. tuberculosis não desenvolvem doença. A progressão para infeção ativa é dependente de vários fatores, mas a capacidade imune do indivíduo infetado é de especial destaque. No sentido de procurar as diferenças da tuberculose na população imunocompetente e na imunodeprimida foi revista a bibliografia disponibilizada na base de dados PubMed. Existe distinções no efeito de diferentes patologias imunossupressoras na tuberculose. De modo geral, a incidência encontra-se elevada, os sintomas tornam-se menos específicos ou mesmo mascarados, o diagnóstico menos sensível e a mortalidade aumenta. O conhecimento e prevenção destas patologias tornam-se então importantes para encarar o presente objetivo: combater a epidemia que é a Tuberculose.
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6,932
Estudo anatómico dos tecidos moles epicranianos : aplicações nas abordagens cranianas ântero-laterais
Crânio,Tecidos
Introdução: Durante a realização de craniotomias ântero-laterais, a lesão do nervo zigomático-temporal (NZT), do nervo aurículo-temporal (NAT) e do ramo temporal do nervo facial (RTNF) produz morbilidade significativa. Material e Métodos: Revisão da literatura. Resultados: Os tecidos moles epicranianos da região temporal apresentam uma estrutura complexa, que inclui a pele, tecido subcutâneo, fáscia temporoparietal, plano de tecido conjuntivo areolar, fáscia temporal, músculo temporal e pericrânio. Estes planos receberam designações variadas e ambíguas, dificultando a análise da literatura. Os nervos epicranianos apresentam um trajecto previsível através dos tecidos moles epicranianos da fossa temporal. Conclusão: A raiz posterior do zigoma, a sutura frontozigomática, o limite superior da gordura da fáscia temporal e a artéria temporal superficial são referências topográficas facilmente identificadas durante abordagens cranianas que permitem a localização do NZT, NAT e RTNF
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6,933
A determinação da morte
Morte,Morte cerebral,Ética médica
Ao longo dos tempos, a definição e determinação da morte da pessoa humana, foram consistentemente motivo de controvérsia. O advento das técnicas de suporte ventilatório e hemodinâmico ao longo do Século XX implicou uma alteração do paradigma até então vigente de morte como sinónimo de cessação da função cardio-respiratória. É objectivo deste artigo proceder a uma breve revisão dos critérios mais amplamente propostos de morte, bem como das críticas que suscitam. As referências bibliográficas foram obtidas mediante pesquisa na base de dados PubMed, utilizando uma restrição temporal de 1950-2014. Foram além disso consultados livros de texto, pareceres, convenções e legislação relevante. Foram adoptados critérios neurológicos de determinação da morte, vulgarmente designada por “morte cerebral”, que variam consideravelmente de país para país, quer na sua formulação teórica quer na aplicação prática. Da determinação da morte por critérios neurológicos dependem directamente a possibilidade de colheita de órgãos de dador cadáver bem como a decisão de suspender cuidados e medidas de suporte de vida. A discussão em torno da definição de morte assume assim relevância não só do ponto de vista académico como também sob uma perspectiva clínica. Conclui-se que o conceito de morte cerebral, apesar da sua ampla aceitação, permanece alvo de justas críticas. Nenhuma das alternativas é porém isenta de falhas quer conceptuais quer de ordem prática
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6,934
Alimentos funcionais
Alimentos funcionais,Prebióticos,Probióticos,Simbióticos,Carotenóides,Ácidos gordos ómega 3,Fitosteróis,Flavonóides,Ácido linoleico
Os alimentos funcionais não têm uma definição universalmente aceite. Assume-se, no entanto, que um alimento adquire estatuto de alimento funcional se originar efeitos fisiológicos benéficos para a saúde, no que respeita especificamente à redução do risco de desenvolvimento de doença ou à optimização de uma situação de saúde, para além da sua função básica nutritiva. A pertinência deste artigo de revisão assenta, portanto, no papel dos alimentos funcionais como promotores da saúde sendo portanto, uma mais-valia económica pela sua participação na redução de custos na saúde e na melhoria da qualidade de vida. Realizei uma revisão pormenorizada com base na literatura recente publicada após 2000 e disponível nas bases de dados da PubMed, Science Direct e b-On. Com este trabalho pretendo caracterizar os principais compostos activos (prebióticos e probióticos, carotenóides, flavonóides, ácido linoleico conjugado (CLA), ácido gordo ómega 3 e fitosteróis) e respectivos efeitos metabólicos no organismo e, clarificar o conceito de benefício para a saúde dos alimentos funcionais. Apesar dos estudos animais, assim como, os estudos epidemiológicos sugerirem uma associação positiva entre os diversos alimentos funcionais e a redução do risco de doenças crónicas, tais como a diabetes, cancro, doenças cardiovasculares, muitos dos mecanismos de acção subjacentes a esses efeitos benéficos não estão completamente esclarecidos, devendo estes serem considerados em próximos estudos, no entanto, propõe-se uma dieta mediterrânica com o intuito de uma melhor qualidade de vida da população em geral
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6,935
Diabetes gestacional e programação fetal
Diabetes gestacional,Feto
Introdução: A diabetes gestacional é, actualmente, um problema de saúde pública. Sendo um estado patológico, aumenta a incidência de complicações tanto maternas como fetais. A programação fetal representa a oportunidade crucial para uma possível estratégia de prevenção na tentativa de parar a progressão da epidemia crescente da diabetes e outros distúrbios metabólicos. Objectivos: Conhecimento dos mecanismos moleculares subjacentes a um ambiente intrauterino adverso, mais precisamente, gerado numa gravidez complicada por diabetes gestacional e suas modificações epigenéticas no feto com consequências para a sua vida futura, nomeadamente, no desenvolvimento de diabetes e síndrome metabólica. Conhecimento de possíveis estratégias de prevenção a partir daquele momento de oportunidade que é a programação fetal, de forma a reduzir o risco pré-programado de diabetes mellitus tipo 2 e síndrome metabólica. Métodos: Pesquisa na base de dados da PubMed de literatura científica referente a diabetes gestacional, obesidade, síndrome metabólica e epigenética, bem como artigos mais específicos e relevantes para a programação fetal e recomendações para a avaliação e acompanhamento destas patologias. Desenvolvimento: A epidemia crescente de diabetes mellitus tipo 2 e obesidade nos países desenvolvidos não pode ser apenas explicada pela sobrenutrição, baixa actividade física e/ou factores genéticos. Um ambiente intrauterino adverso poderá alterar a expressão génica permanentemente. Um insulto, durante esta fase crítica e sensível que é o desenvolvimento fetal, pode significar o aumento do risco de desenvolvimento de determinadas patologias Diabetes Gestacional e Programação Fetal Rita Inês Félix Soares 3 FMUC - Mestrado Integrado em Medicina numa fase posterior da vida do indivíduo, nomeadamente, diabetes mellitus tipo 2, obesidade e doenças cardiovasculares. Desta forma, é fulcral definir estratégias de prevenção de forma a contrariar a crescente epidemia. Os mecanismos epigenéticos poderão ser, em parte, a chave dessa prevenção. Conclusão: É necessário ter em conta que os distúrbios metabólicos na descendência exposta a diabetes gestacional resultam de uma combinação de factores genéticos e epigenéticos, sendo que os epigenéticos também envolvem alterações no transporte placentar, insulina, leptina, marcadores inflamatórios. Assim, é necessário focar a atenção no controlo e abordagem da mulher grávida com diabetes e obesidade, no que diz respeito ao rastreio, alterações do estilo de vida, controlo glicémico e ponderal, bem como a abordagem ao recémnascido com o incentivo ao aleitamento materno. É urgente definir estratégias eficazes para o controlo dos distúrbios metabólicos.
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6,936
Osteoporose e o envelhecimento
Envelhecimento,Osteoporose
Introdução: A osteoporose é uma doença sistémica e progressiva caraterizada por uma redução na massa óssea e desarranjo da sua microarquitetura, o que conduz à fragilidade óssea e ao aumento do risco de fratura após um traumatismo de baixa energia. Atualmente a doença em questão constitui um problema de saúde pública numa sociedade que caminha cada vez mais para o envelhecimento. Este trabalho tem por objetivo a revisão dos conhecimentos atuais, clarificando aquilo que hoje é conhecido e aplicado acerca do mecanismo de desenvolvimento da osteoporose no decurso do processo natural do envelhecimento. Novas perspetivas e teorias sobre este tema foram também lançadas. Métodos: Foram revistos estudos originais e também revisões da literatura publicados em revista, livros ou indexados no pubMed, relativos ao tema da osteoporose e ao processo natural do envelhecimento. Também foi obtida informação publicada por sociedades científicas. A publicação da informação no período temporal decorrido entre 2004 e 2014 constituiu um critério de seleção. Resultados: Durante o envelhecimento há um comprometimento no turnover ósseo, com impacto na estrutura e nas propriedades dos constituintes do osso elevando-se, desse modo, o risco de fratura. A idade constitui, em si mesmo, um fator de risco para o desenvolvimento de osteoporose, observando-se para os dois sexos, feminino e masculino, uma diminuição da massa óssea à medida que se envelhece. Além deste, outros fatores de risco intrínsecos e extrínsecos foram debatidos. A deficiência de estrogénio desempenha um papel fulcral na patogénese da doença, embora outros eixos hormonais também ajudem a entender o decurso de perda óssea na população geriátrica. Dada a grande prevalência de osteoporose no idoso e a grande propensão para quedas neste grupo etário, observa-se uma taxa cada vez mais elevada de fraturas à medida que a idade avança. Atualmente, o diagnóstico de osteoporose assenta na determinação da densidade mineral óssea, existindo Osteoporose e o envelhecimento Ana Isabel Fernandes Lopes 6 também índices de risco como o FRACTURE e o FRAX, que são igualmente úteis. Deve ser dada especial atenção ao tópico da prevenção e instituído o tratamento farmacológico mais adequado aos indivíduos em risco. Discussão e Conclusão: Quer as sequelas clínicas não monetárias, como a debilidade dos doentes, a perda da sua dependência, o aumento da mortalidade, quer o grande impacto económico da doença constituem duas grandes razões para travar esta epidemia. A população geriátrica representa o grupo onde a terapêutica da osteoporose é mais vantajosa. Todavia, apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento descritos, apenas uma minoria de doentes com alto risco de fraturas é identificada e somente uma pequena percentagem acima dos 80 anos é tratada. Os tratamentos hoje existentes não são curativos, e cada vez mais, surgem novas apostas farmacológicas, nomeadamente, no que respeita aos conhecimentos dos diferentes mecanismos moleculares envolvidos.
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6,937
Avaliação nutricional : desnutrição em idosos residentes em lar vs idosos hospitalizados
Idoso,Avaliação nutricional,Desnutrição
O idoso é particularmente vulnerável, sendo a desnutrição o principal e mais importante distúrbio nutricional do mesmo. A prevalência de desnutrição antes da admissão nas unidades de cuidados, quer agudos quer continuados, é alta. Este estudo teve como objetivo a avaliação nutricional comparativa de 2 populações, 50 idosos provenientes do Lar de Idosos e 50 do Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, através da análise descritiva e estatística de parâmetros de Avaliação Funcional (Índice de Barthel), Nutricional (MNA), Antropométrica, Composição Corporal e Analítica. O intuito do mesmo foi concluir qual a população com maior risco de desnutrição. O mesmo mostrou que não havia diferença estatisticamente significativa entre o Índice de Barthel das duas amostras e entre os dois sexos, com p=0,938 e p=0,933, respetivamente. No Mini Nutritional Assessment verificou-se que a nível hospitalar a maior percentagem dos doentes encontraram-se “Sob Risco de Desnutrição” (62% n=31), enquanto no lar de idosos a maior fração encontravam-se com “Estado Nutricional Normal” (56% n=28). Verificou-se ainda que há diferenças estatisticamente significativas entre as amostras e o sexo, com p=0,000. No estudo descritivo do IMC verificou-se que a nível hospitalar 50% dos idosos possuíam um “Normopeso” (22-27 kg/m2) e no lar idosos 72% estavam classificados como “Sobrepeso” (> 27 kg/m2). De forma global, verificou-se que a nível hospitalar o número de idosos com IMC <22 kg/m2,“Magreza”, é superior do que no lar de idosos com 22% e 10%, respetivamente. A hospitalização surge como a principal fonte de doentes desnutridos, tendo em média idades mais jovens, mas não de forma significativa. Não existiu diferença estatisticamente significativa entre ambos os sexos (p=0,410), mas, apesar disso, a nível percentual são os idosos do sexo masculino que apresentam um índice de nutrição inferior em relação ao sexo feminino. De forma global, os idosos hospitalizados encontram-se em condições nutricionais diferentes dos que residem em lares de idosos. Os idosos hospitalizados encontravam-se significativamente “Sob Risco de Desnutrição” enquanto no lar de idosos, maioritariamente, com “Estado Nutricional Normal”.
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6,938
Linfadenectomia no carcinoma do endométrio
Neoplasias genitais femininas,Neoplasia do endométrio
Objetivos: Caracterização clinico-patológica dos cancros do endométrio diagnosticados e tratados no Serviço de Ginecologia A dos CHUC e avaliação da linfadenectomia e suas implicações prognósticas. Material e métodos: Estudo retrospetivo descritivo dos casos de CE diagnosticados e tratadas (n=226) no Serviço de Ginecologia A dos CHUC entre 2008-2012. A análise estatística foi realizada com recurso ao programa SPSS versão 22,0, a análise descritiva apresentada em função do número e percentagem de casos observados. Para estudar a associação entre as variáveis nominais foi efetuado o teste da percentagem residual, as curvas de sobrevivência foram estimadas pelo método Kaplan-Meier. Resultados: A amostra foi constituída por 226 mulheres com CE, com uma idade média de 61,2 ± 10,5 anos [32-93]. O estudo histológico revelou adenocarcinoma endometrioide em 82,9% (n=174), 9,0% (n=19) adenocarcinoma seroso papilar, 6,7% (n=14) adenocarcinoma misto, 0,5% (n=1) adenocarcinoma de células claras e 1,0% (n=2) carcinoma indiferenciado. O estadiamento cirúrgico correspondeu em 27,4% (n=62) ao estádio IA, 16,8% (n=38) IB, 3,1% (n=7) II, 0,9% (n=2) IIIA, 3,1% (n=7) IIIB, 4,0% (n=9) IIIc1, 2,2% (n=5) IIIc2, 0,9% (n=2) IVA, 6,6% (n=15) IVB. A linfadenectomia foi realizada em 31,9% (n=72) das mulheres, apresentando um estádio cirúrgico ≤II em 73,5% (n=53) dos casos e > III em 26,5% (n=17). A embolização linfática foi o único fator associado a embolização linfática. A análise do ILD ao longo de 5 anos não evidenciou diferenças significativas entre os grupos linfadenectomia versus sem linfadenectomia (p= 0,233), para o estádio cirúrgico inferior a II. Conclusões: A invasão linfovascular foi o único fator preditivo de invasão ganglionar. O ILD em estádios iniciais não foi influenciado pela realização de linfadenectomia. Apesar do procedimento orientar o tratamento adjuvante, o sobre-estadiamento não teve implicações prognósticas em estádios iniciais
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6,939
Tempos de actuação na via verde do AVC
Acidente vascular cerebral
Introdução: O Acidente Vascular Cerebral é a primeira causa de morte em Portugal e está associado, igualmente, a uma elevada taxa de morbilidade. A aprovação da fibrinólise no tratamento do AVC isquémico, condicionada pela curta janela de tempo terapêutico, obrigou a uma alteração nos procedimentos. Pretende-se, deste modo, uma rápida avaliação clínica e imagiológica que permita o início o mais precoce possível da administração do fibrinolítico e, no máximo, até 4,5 horas após o início dos sintomas. Neste sentido, foi instituída, em 2006, a Via Verde do AVC com o intuito de diminuir o tempo desde o início dos sintomas até à avaliação clínica e desta até à realização de fibrinólise, se indicada. Objectivos: Analisar os diferentes parâmetros de actuação nos doentes submetidos a activação da Via Verde do AVC e admitidos nos Hospitais da Universidade Coimbra; comparar os dados obtidos com as recomendações internacionais e com registos anteriores de performance da mesma Unidade; identificar factores que possam contribuir para uma maior celeridade na chegada do doente ao hospital. Métodos: Entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2010, foi realizado um estudo de base hospitalar, prospectivo, observacional, dos doentes com activação da Via Verde do AVC. Os dados foram registados num formulário específico elaborado para este efeito, preenchido pelo médico de serviço na Unidade de AVC. A consulta deste foi complementada com a recolha de informação dos parâmetros registados no site SITS MOST. V Resultados: Foram registadas 159 activações da Via Verde do AVC, em que 140 eram doentes com doença vascular cerebral aguda e 19 eram falsos positivos. O diagnóstico foi de AVC isquémico em 118 doentes, tendo 90 realizado fibrinólise. O tempo médio desde o início dos sintomas até à chegada ao Hospital foi de 99.2 minutos, sendo este tempo significativamente menor no caso no TACI (86.6 m) e no AVC hemorrágico (85.3 m), comparativamente ao LACI (188.1 m). O tempo desde a chegada ao Serviço de Urgência até à avaliação clínica e à realização da TAC foi, respectivamente, 10.6 e 31.7 minutos. O tempo decorrido desde a entrada no Hospital até ao início da administração da terapêutica fibrinolítica foi 67.4 minutos. Conclusões: Uma melhor abordagem dos doentes com suspeita de AVC isquémico tem permitido aumentar o número de doentes tratados com fibrinólise, melhorando assim o seu prognóstico. Todos os parâmetros estudados respeitaram as recomendações internacionais, à excepção do tempo decorrido desde a entrada do doente no hospital até ao início do tratamento, o qual, apesar da sua melhoria progressiva, ainda se encontra fora da janela de tempo preconizada. A chegada precoce do doente à instituição de saúde, parece estar na dependência da gravidade do quadro neurológico.
Ciências Médicas e da Saúde
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Terapêutica do cancro e princípios da bioética
Neoplasias,Terapia,Bioética
As doenças do foro oncológico estão cada vez mais presentes na sociedade e afetam cada vez mais portugueses. Por este motivo, é necessário analisar os contornos desta doença bem como a forma como está a ser gerida por profissionais de saúde e doentes. Assim, este trabalho pretende analisar de que forma devem ser ajustados os princípios da bioética à terapêutica do cancro, clarificar questões relacionadas com a transmissão de informação e a sua relação com a tomada de decisões em doentes oncológicos. Procurou-se ainda avaliar a qualidade de vida de doentes oncológicos e a sua satisfação com os cuidados recebidos. Para atingir estes objetivos, realizaram-se entrevistas a uma amostra de 20 doentes que se encontravam em remissão da sua doença oncológica e em seguimento na Consulta Externa do Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. O instrumento de colheita de dados utilizado consistiu num questionário composto por questões relativas às variáveis sociodemográficas e clínicas, pela escala de avaliação da qualidade de vida do doente oncológico (QLQ-C30, versão 3.0, da EORTC) e por um inquérito destinado à avaliação da satisfação de conhecimentos sobre a doença. A individualidade e complexidade de cada individuo não permite criar um protocolo de atuação médica com benefícios absolutos para o doente. Assim, na procura de um equilíbrio entre beneficência e não maleficência mantém-se a necessidade de ver o doente como um ser biopsicossocial e avaliar não só a vertente clínica (biológica) mas também o impacto da doença, a qualidade de vida e expectativas. Este estudo mostrou que os doentes inquiridos apresentam níveis de qualidade de vida razoáveis. O respeito da autonomia encontra-se cada vez mais relacionado com o ato de informar. Verificou-se que este constitui um relevante mecanismo na melhoria da qualidade de vida. A maioria dos doentes não está satisfeito com a qualidade da informação recebida. Com o contexto socioeconómico vivido em Portugal, o princípio da justiça, nomeadamente na distribuição de recursos, é cada vez mais pertinente e a prova disso está patente nas alterações que têm vindo a ocorrer no SNS e no debate público. Verificaram-se algumas assimetrias na distribuição de recursos, nomeadamente a nível dos rastreios populacionais. Este estudo permitiu realçar a importância de fornecer a informação adequada ao doente oncológico com relevância no seu prognóstico e com isso pretende-se disponibilizar uma melhor informação aos médicos, de forma a melhorar os cuidados clínicos.
Ciências Médicas e da Saúde