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6,513 | Artropastia total da anca dolorosa sem sinais de instabilidade : causas e tratamento | Artroplastia,Anca,Ortopedia | Introdução: A coxartrose representa uma das causas mais frequentes de incapacidade nas populações ocidentais. Dentre as diversas modalidades de tratamento, a artroplastia total da anca (ATA) é a intervenção de maior sucesso, porque permite o restabelecimento precoce da função articular e o alívio/supressão da dor. No entanto, alguns pacientes desenvolvem dor crónica após uma ATA sem um motivo aparente, apesar de o exame radiográfico não mostrar sinais de instabilidade. As causas mais frequentes de ATA dolorosa são o descolamento assético e a infeção, com capacidade para interferirem na sua estabilidade mecânica. Objetivos: a finalidade deste trabalho foi determinar as outras causas de uma ATA dolorosa, sem sinais de instabilidade, identificar os fatores de risco, determinar um algoritmo de abordagem ao doente, assim como descrever os princípios terapêuticos. Métodos: Para a consecução dos objetivos definidos, realizou-se uma revisão da bibliografia ortopédica, procurando determinar a origem da dor numa ATA estável, tendo como referência os tecidos moles peri-articulares, as estruturas ósseas e neuromusculares. As pesquisas bibliográficas foram feitas recorrendo a PubMed e Elsevier Science Direct, ao RCAAP (Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal) bem como à biblioteca da FMUC, utilizando palavras-chave relacionadas com a problemática em causa. Discussão e conclusões: Considerou-se particularmente importante a dor causada por irritação dos tecidos moles, por ser a mais estudada e mais referenciada na literatura, destacando-se a tendinite do psoas-ilíaco. Esta entidade clínica pode ter uma multiplicidade de etiologias: impacto direto no tendão por um suporte não cimentado da cúpula acetabular, mau posicionamento da cúpula acetabular ou o facto de ser sobredimensionada, parafusos acetabulares demasiado grandes, impacto direto do tendão contra o colo femoral ou não existir qualquer causa mecânica aparente. O tratamento desta entidade depende da etiologia, no entanto a maioria dos doentes são tributários de tratamento cirúrgico. Outra entidade 2 revelante nesta primeira categoria é a Síndrome de Dor no Grande Trocânter, na qual está recomendado o tratamento por métodos não cirúrgicos. Um outro grupo de situações que podem levar ao desenvolvimento de dor numa ATA estável são as causas ósseas, nas quais se distinguem as ossificações heterotópicas. O tratamento preferencial é a sua prevenção, que é feita com recurso a AINE’s ou radiação, que têm igual eficácia. No que respeita às causas neuro-vasculares de dor após ATA, destaca-se a dor incisional por irritação/compressão do nervo cutâneo femoral lateral. A abordagem terapêutica definitiva consiste na ressecção cirúrgica seletiva do ramo posterior do nervo cutâneo femoral lateral. Dentre os fatores de risco que podem condicionar uma maior vulnerabilidade para desenvolver dor após ATA evidenciam-se os fatores somáticos (género feminino, idade avançada, IMC elevado), os fatores psicológicos (ansiedade pré-cirurgia, depressão) e os fatores exógenos (hipersensibilidade e hiperexcitabilidade dos neurónios do SNC). Neste trabalho, é também descrita uma forma sistematizada de abordagem de um doente que apresente uma ATA dolorosa, a qual inclui uma história clínica completa e dirigida, com especial atenção para a caracterização da dor. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,514 | Diabetes mellitus, complicações e o nível socioeconómico e cultural | Diabetes mellitus | A Diabetes Mellitus representa uma das principais ameças para a saúde humana no século XXI. Devido a este facto, é considerada uma das grandes epidemias mundiais e um problema de saúde pública. Um conjunto de factores de risco assume um papel importante no aparecimento e crescimento da doença na população. As sociedades são conhecidas por desenvolver e manter sistemas de estratificação social ao nível de diversas dimensões, tal como acontece com as condições socioeconómicas. Esta circunstância traduz-se na vantagem de determinados grupos e em desigualdades em áreas como a saúde. Através de uma investigação descritivo-correlacional, pretendeu-se estudar a associação entre factores potenciadores das complicações da Diabetes e o nível socioeconómico e cultural dos indivíduos. A população-alvo é constituída pelos indivíduos com Diabetes tipo 2 que são seguidos em consultas de Oftalmologia no Centro Cirúrgico de Coimbra. Recorreu-se a um método de amostragem não probabilística sistemática constituída por todos os doentes com diagnóstico de Diabetes tipo 2 que se deslocaram ao Centro Cirúrgico de Coimbra para a consulta referida no período entre Abril e Junho do presente ano, representando um total de 215 indivíduos. Foi aplicado um questionário que permitiu caracterizar os indivíduos sob o ponto de vista sociodemográfico, fisiológico e clínico e avaliar o nível socioeconómico e cultural dos mesmos através de três escalas (Índice de Graffar, Escala de avaliação da Literacia em Saúde e Questionário de avaliação dos conhecimentos em Diabetes). Os resultados obtidos confirmam a existência de uma associação entre os factores hemoglobina glicada e exercício físico com o nível de literacia em saúde dos inquiridos. O estudo permitiu perceber que a proporção de casos com hemoglobina glicada igual ou superior a 6,5% tende a diminuir em função do aumento dos níveis de literacia em saúde e que os indivíduos com níveis mais elevados de literacia em saúde realizam exercício físico regular com maior frequência. Verificou-se existir associação entre o perímetro abdominal e o nível socioeconómico, sendo que a proporção de casos com valores que traduzem risco muito aumentado de desenvolvimento de determinadas doenças é mais elevada para os inquiridos de nível socioeconómico mais baixo (classe IV) e menor para os que pertencem ao nível socioeconómico mais alto (classe I e II). Quanto ao controlo da alimentação o estudo revelou que este factor se encontra associado com o nível de literacia em saúde dos inquiridos e com o seu nível de conhecimentos sobre a Diabetes. A proporção dos inquiridos que controlo adequadamente a alimentação é menor nos que apresentam maior nível de literacia em saúde e maior nos indivíduos que evidenciaram maiores níveis de conhecimentos em Diabetes. Os resultados obtidos sugerem a necessidade de se considerar o nível socioeconómico e cultural quando se implementam programas para a prevenção e gestão da doença. Considera-se relevante o desenvolvimento de novos estudos sobre esta problemática e a forma como ela se traduz na realidade portuguesa. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,516 | Avaliação do número de cópias do DNA mitocondrial como biomarcador no cancro do pulmão | DNA mitocondrial,Biomarcadores,Neoplasias do pulmão | O cancro do pulmão é a principal causa de morte por cancro, em particular nos Estados Unidos e na Europa. A taxa de sobrevivência global em 5 anos é de apenas 15%, sendo extremamente importante o desenvolvimento de métodos de detecção precoce que incluam estratégias de forma não invasiva. O genoma mitocondrial é mais susceptível a lesões e, consequentemente, adquire mutações a uma taxa mais elevada do que o DNA nuclear, devido à ausência de histonas protectoras, à taxa elevada de produção mitocondrial de espécies reactivas de oxigénio (ROS) e às limitações nos mecanismos de reparação conhecidos para o mtDNA. Foram identificados em tumores humanos primários, muitos tipos de alterações no mtDNA, incluindo deleções, mutações pontuais, inserções e alteração do número de cópias. Alguns tipos de cancro apresentam um aumento do conteúdo do mtDNA, enquanto outros têm sido associados à diminuição do número de cópias do mtDNA, relativamente ao tecido não tumoral do mesmo doente. O objectivo principal deste estudo é avaliar o número de cópias do mtDNA em sangue e em tecido pulmonar, derivados de doentes com carcinoma bronco-pulmonar para averiguar a sua utilidade como possível biomarcador. A análise relativa ao número de cópias do mtDNA permitiu verificar uma diferença estatisticamente significativa entre as amostras de sangue e as amostras de tecido dos doentes com carcinoma bronco-pulmonar. Observou-se que 66,7% das amostras de sangue apresentam uma diminuição do número de cópias do mtDNA relativamente ao controlo, enquanto 67,6% das amostras de tecido dos mesmos doentes apresentam um aumento no tecido tumoral relativamente ao tecido pulmonar normal. O estudo comparativo deste parâmetro em amostras de sangue de casos de doença pulmonar inflamatória permitiu identificar um comportamento semelhante ao obtido para as amostras de sangue dos doentes com carcinoma bronco-pulmonar. Este estudo permitiu concluir que o número de cópias do mtDNA no sangue não pode ser utilizado como um biomarcador do cancro do pulmão. Para além disso, permitiu confirmar que o número de cópias do mtDNA está alterado no tecido tumoral comparativamente ao tecido normal, concluindo-se que ocorre diminuição nas amostras de sangue e um aumento nas amostras de tecido, relativamente ao controlo. A análise de correlação entre os parâmetros clínicos e o número de cópias de mtDNA no tecido normal vs. tecido tumoral, revela que ocorre um aumento do conteúdo de mtDNA no tecido normal dos fumadores activos, comparativamente aos fumadores passivos. O presente estudo é original e representa um contributo importante para a compreensão das alterações no número de cópias do mtDNA em células cancerígenas do cancro do pulmão e em tecido periférico. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,517 | Marcadores biológicos no líquido pleural | Marcadores biológicos,Pleura,Derrame plural | Várias doenças causam acumulação de líquido no espaço pleural. A primeira etapa no diagnóstico diferencial de um derrame pleural consiste na distinção entre um exsudato e um transudato. Um derrame é classificado como exsudato quando cumpre os critérios de Light, se bem que, numa certa percentagem de casos, um transudato pode ser erroneamente classificado como exsudato segundo estes critérios. A classificação numa destas duas categorias diagnósticas é de extrema importância, mas dentro de cada uma delas torna-se ainda necessário determinar a etiologia. Neste contexto, a toracocentese associada à utilização de uma variedade de estudos bioquímicos, citológicos, imunológicos e microbiológicos, permite diagnosticar a causa dos exsudatos em 70% dos casos e em cerca de 90% com o recurso a novos marcadores biológicos. Um transudato é na maior parte dos casos causado por insuficiência cardíaca ou cirrose. Por outro lado, o exsudato constitui um desafio diagnóstico mais complexo, podendo classificar-se como maligno ou não-maligno (exemplos: parapneumónico, tuberculoso, pós-embólico ou secundário a doenças do tecido conjunctivo). Este trabalho abordará os critérios de Light (críticas e alternativas), bem como o papel do doseamento de marcadores biológicos divididos nas seguintes categorias: (1) bioquímicos, (2) marcadores relacionados com a tuberculose, (3) tumorais, (4) imunológicos, (5) marcadores de stress oxidativo. O objectivo deste trabalho é fazer uma revisão sobre os marcadores biológicos passíveis de serem doseados no líquido pleural e da sua aplicabilidade clínica no diagnóstico diferencial do derrame pleural, procurando realçar as implicações terapêuticas e prognósticas dos mesmos quando existentes. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,518 | Diabético tipo 2 : adesão á insulinoterapia | Insulinoterapia,Adesão à terapêutica | O presente estudo é transversal, descritivo e correlacional de carácter exploratório e teve como finalidade identificar e analisar variáveis demográficas e variáveis clínicas associadas à adesão ao tratamento da diabetes. Foi avaliada uma amostra de conveniência de 103 indivíduos portadores de diabetes tipo mellitus 2 a fazer insulina, dos quais 44,7% do sexo feminino, e 55 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 34 e 83 anos, sendo a média de idades de 61.92 anos com desvio padrão de 8,74 anos. Os resultados sugerem que as variáveis sócio demográficas, a situação laboral, o apoio social e familiar percepcionados, não estão associados a diferenças na adesão ao tratamento. A importância do controlo da diabetes com insulina, quando prescrito e a necessidade de motivar para o tratamento, leva a que uma série de acções sejam tomadas de forma a garantir o controle das consequências da diabetes. Deste modo, é fundamental incrementar a educação dos profissionais de saúde sobre a insulina e as barreiras de adesão ao tratamento, para que possam transmitir aos doentes a importância do controle dos níveis de glicemia. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,519 | Controlo da ciatostominose equina : uma abordagem integrada | Doenças dos cavalos,Anti-helmínticos,Nemátodos,Strongyloides,Stresse | O equilíbrio hospedeiro-parasita na ciatostominose equina e a eliminação fecal de ovos de estrongilídeo como indicador de stress foram avaliados em dois estudos de desparasitação selectiva (2004 e 2008/9) numa população de 80 equídeos, com o limiar de desparasitação de 500 ovos por grama de fezes (OPG). Em ambos os estudos foram avaliados mensalmente os OPGs individuais e foram efectuadas coproculturas para avaliação da composição da população parasitária. No estudo de 2008/2009 foi ainda avaliada a evolução da condição corporal individual e no estudo retrospectivo de 2004 dois grupos expostos a um nível elevado de stress (poldros de desbaste e cavalos de desporto) foram submetidos mensalmente a recolha de sangue para determinação do hematócrito, proteinas totais e contagem diferencial de leucócitos. Os resultados confirmam a desparasitação selectiva como uma abordagem segura e economicamente viável face à desparasitação estratégica (supressiva) tradicional realizada anualmente, diminuindo para cerca de metade o número de animais desparasitados. A influência do stress na eliminação de ovos de estrongilídeo foi patente nos animais jovens e a condição corporal mostrou-se relacionada com alterações na nutrição mas não com a eliminação individual de ovos. A eficácia da ivermectina foi de 100% ao dia 14 em ambos os estudos e os ciatostomíneos sensu lato apresentaram-se como a população parasitária predominante em todas as coproculturas. A revisão bibliográfica incidiu sobre a epidemiologia, patologia, profilaxia e diagnóstico da ciatostominose, bem como sobre a evolução das resistências dos parasitas gastro-instestinais dos equídeos aos anti-parasitários comerciais. São ainda analisados temas menos abordados na parasitologia equina como a etologia e o stress, as eliminações de ovos em animais saudáveis, antiparasitários alternativos e práticas veterinárias etnológicas. São expostas medidas alternativas e complementares de controlo da ciatostominose equina (e das estrongilidoses em geral) que permitem evitar ou minimizar o recurso a anti-helmínticos químicos. É dada especial atenção às indicações práticas, que se pretendem objectivas e claras por forma a serem facilmente postas em prática no campo pelo clínico assistente no contexto de uma abordagem multidisciplinar. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,520 | Abordagem farmacogenómica na doença de Alzheimer : variação genética associada a CYP2D6 | Doença de Alzheimer,Farmacogenética,Polimorfismo genético,Citocromo P-450 CYP2D6 | A DA é o tipo de demência mais comum no idoso, sendo a terceira causa de mortalidade nesta faixa etária nos países desenvolvidos. É uma doença degenerativa que se vai instalando de forma insidiosa, causando um declínio gradual das funções cognitivas e psicomotoras, ligadas à percepção, à aprendizagem, à memória e ao raciocínio. A CYP2D6 é uma enzima pertencente à família das proteínas citocromo P450 sendo responsável pelo metabolismo de vários xenobióticos, incluindo fármacos como neurolépticos, antidepressivos, inibidores da recaptação selectiva de serotonina e β-bloqueadores. Geralmente, a maioria dos fármacos são metabolizados extensivamente. No entanto, cerca de 5 a 10% dos Caucasianos e 1 a 4% dos indivíduos da maioria dos grupos étnicos são considerados metabolizadores lentos com uma actividade enzimática reduzida, e, por esse motivo, correm o risco de sofrer intoxicação. Por outro lado, 1 a 7% dos Caucasianos e cerca de 20% da população do leste europeu são, por sua vez, metabolizadores ultra-rápidos, não atingindo por isso a concentração terapêutica da substância no plasma, sob o mesmo tratamento, não se obtendo desta forma o efeito desejado. Sabe-se hoje em dia que estes diferentes padrões de metabolização estão relacionados com polimorfismos nos genes CYP2D6. Por outro lado, foram descritos vários estudos que demonstram a influência destas variantes nas características de algumas patologias, como a esquizofrenia. Nesse sentido, e dada a heterogeneidade verificada nos doentes de Alzheimer, pretende-se com este trabalho testar se existe associação entre um polimorfismo (rs1065852) do gene CYP2D6 que influencia o padrão de metabolização, numa população de doentes com DA, e as características clínicas. Com esse objectivo, realizou-se o estudo genético por sequenciação e RFLP de 51 doentes diagnóstico provável de DA seguidos na consulta de demências dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Os nossos resultados mostraram que, apesar de se tratar de um estudo preliminar, o polimorfismo apresenta uma associação positiva com a idade de início da doença. Indivíduos portadores da variante associada a um padrão de metabolização mais lento apresentam a doença mais tardiamente. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,521 | Abuso sexual de crianças : aspectos jurídicos a ponderar no âmbito da perícia médico-legal | Abuso sexual -- criança,Perícia médico-legal,Medicina legal,Abuso sexual da criança | A presente dissertação insere-se no domínio da Medicina Legal e Ciências Forenses e trata da abordagem de abuso sexual de crianças visando explicitar a realidade dos menores de catorze anos, nos termos do art.º 171 do Código Penal1, no âmbito da perícia médico-legal. Neste sentido, foi utilizada uma amostra de 138 relatórios, provenientes de perícias, de natureza sexual relativos a um período de 5 anos (2004-2008), cuja informação transcrita foi feita através de uma ficha, semelhante a um questionário. O estudo apresentou algumas dificuldades no levantamento de dados visto que muitos dos relatórios quase nada ou nada tinha sobre os factos, se existisse mais informação, a abordagem jurídica poderia ter sido mais relevante. Embora o tema seja delicado e complexo, nomeadamente pela ausência de sinais objectivos de práticas sexuais, não significa que o abuso sexual não possa ter ocorrido, visto que num grande número destas situações não resultaram vestígios, o que constitui um inevitável desafio. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,522 | Qualidade de vida e psicopatologia : intervenção terapêutica em hospital de dia | Doente mental,Qualidade de vida | Aspectos relacionados com a qualidade de vida são cada vez mais equacionados na avaliação dos resultados em saúde. Este estudo pretende descrever e explorar a relação entre um protocolo de intervenção terapêutica e de apoio psicossocial e as várias dimensões da qualidade de vida dos utentes internados em regime de Hospital de Dia, no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra. A amostra final ficou constituída por treze utentes internados nesse serviço, com características heterogéneas relativamente à idade, sexo, escolaridade, situação laboral e diagnóstico clínico. A investigação teve dois momentos de avaliação: o primeiro ocorreu na primeira semana aquando da admissão no serviço e o segundo aquando da alta ou aos três meses de internamento. Nos dois momentos, avaliou-se a qualidade de vida, medida pela WHOQOL- Bref (World Health Organization Quality of Life - Brief Form) e a sintomatologia psicopatológica, avaliada pelo BSI (Brief Symptom Inventory). A qualidade de vida melhorou em todos os seus domínios e na sua Faceta Geral após a frequência do serviço, embora seja estatisticamente significativa apenas no Domínio Físico, Psicológico e Ambiente. Verificou-se também a diminuição em todas as dimensões e índices do BSI, com excepção à dimensão Ideação Paranóide, sendo as diferenças estatisticamente significativas nas dimensões Obsessões/compulsões, Ansiedade, Hostilidade e no Índice dos Sintomas Positivos. A Qualidade de vida e a psicopatologia encontram-se correlacionadas significativamente no Domínio Físico e Psicológico. O estudo sugere que o programa psicoterapêutico e de apoio psicossocial realizado no serviço contribui para a melhoria da qualidade de vida dos utentes e da sua sintomatologia psicopatológica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,523 | Gânglio sentinela na mama : modelo experimental | Biópsia do gânglio linfático sentinela,Neoplasias da mama | A cirurgia do tumor da mama durante todo o século XX e inicio do presente XXI, incluía sempre o esvaziamento axilar homolateral para fi ns diagnósticos, de estadiamento, prognóstico e terapêutico. Esta preocupação com a metástase linfática regional incluía sempre a sua remoção fazendo parte da radicalidade do tratamento. O aferimento axilar de metástases ganglionares fazia prever o risco de metastização de órgãos à distancia. Compreender e relacionar os dados dos gânglios linfáticos com os fenómenos de metastização à distancia e as suas implicações na sobrevida é uma preocupação antiga. Mas, à medida que o conhecimento desta patologia aumentou, a percepção da necessidade de radicalidade do tratamento também se foi alterando. Várias opções de tratamento cirúrgico ao longo do século, foram descritas. Mas, se no fi m do século XX já era possível conservar efi cazmente a mama, era lógico que a forma de aferir o status ganglionar da axila teria que igualmente mudar, face à enorme morbilidade que o esvaziamento axilar pode acarretar. Entrámos numa época onde o desenvolvimento de técnicas de imagiologia permitem diagnosticar com segurança um maior número de tumores em estádios precoces mesmo infra-clínicos. Nestas circunstâncias um maior número (cerca de 60%) de linfadenectomias totais axilares revelaramse negativas. E poderiam ter sido evitadas. O dilema colocava-se entre mastectomizar com esvaziamento axilar e sobretratar ou, conservar e arriscar recorrências. A biopsia do gânglio sentinela (BGS) no tumor da mama veio de encontro ao entendimento que alguns cirurgiões tinham de que o esvaziamento axilar não deveria ser encarado como parte do tratamento curativo, mas antes como um procedimento para estadiar e obter a máxima informação prognóstica. Hoje a biopsia do gânglio sentinela no tumor da mama é um paradigma que se impôs e muitos questões emergem desta recente prática corrente. Modelos pré-clínicos são fundamentais para resposta a estas questões. E, de preferência, modelos esses onde se possam constituir grupos sufi cientemente grandes para resposta às questões em estudo, onde se possa estudar o processo de carcinogénese. Tumores da mama quimicamente induzidos no animal, permitem este desenvolvimento de modelos de estudo de fenómenos ligados ao cancro da mama e gânglio sentinela no pequeno animal. Assim este trabalho de Mestrado em Patologia Experimental com a caracterização do modelo de gânglio linfático mamário no rato pretende ser um contributo para a unifi cação de conceitos sobre o papel dos gânglios linfáticos e a metastização tumoral no tumor da mama. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,525 | Avaliação funcional dos resultados do tratamento conservador das fracturas diafisárias da clavícula no adolescente | Adolescente,Fracturas da clavícula,Diáfise,Avaliação funcional | Introdução: O tratamento da fractura diafisária da clavícula no adolescente é tradicionalmente conservador. Alguns autores têm defendido o tratamento cirúrgico, alegando menores taxas de consolidação viciosa, mas não está provado que o tratamento cirúrgico permita obter melhores resultados em adolescentes. O objectivo deste estudo foi determinar os resultados funcionais do tratamento conservador das fracturas diafisárias da clavícula em adolescentes. Material e métodos: Realizou-se um estudo coorte retrospectivo, que incluiu adolescentes, com idades entre os 10 e os 17 anos, diagnosticados com fractura diafisária da clavícula e tratados de forma conservadora, no Serviço de Ortopedia Pediátrica do Hospital Pediátrico – CHUC, EPE, no período de 1 de Julho de 2008 a 30 de Junho de 2014. Excluíram-se os doentes que não tinham radiografia inicial disponível no Programa de Imagem do Hospital ou que sofreram fractura do membro superior ipsilateral. A partir dos processos clínicos, obtiveram-se dados demográficos e informações relativas ao exame clínico e radiológico. As radiografias foram analisadas para determinar o alinhamento/desvio dos topos ósseos, angulação, encurtamento e resultado final em termos de consolidação óssea. Aplicou-se telefonicamente o questionário QuickDASH, para avaliação funcional dos doentes. Determinou-se, ainda, a satisfação global dos doentes com o resultado final. Resultados: Incluíram-se neste estudo 91 doentes. A idade foi de 13,7 ± 2,0 anos e 41 doentes eram do sexo masculino. As fracturas tipo 2A2 de Robinson foram as mais frequentes (38,8%) seguidas das fracturas tipo 2B1 (33,0%). O tipo de fractura, com ou sem desvio, não foi influenciado pelo género (p=0,485) ou faixa etária (p=0,089). Após tratamento conservador, 2 dos 91 doentes apresentaram pseudartrose da clavícula. A avaliação funcional pelo QuickDASH foi realizada em 49 doentes, com quem foi possível estabelecer contacto telefónico. A pontuação no QuickDASH foi de 1,7 ± 3,3, não se verificando diferenças AVALIAÇÃO FUNCIONAL DOS RESULTADOS DO TRATAMENTO CONSERVADOR DAS FRACTURAS DIAFISÁRIAS DA CLAVÍCULA NO ADOLESCENTE 2 consoante o sexo do doente (p=0,562) ou o tipo de fractura (p=0,096). Destes 49 doentes, 28 afirmaram estar muito satisfeitos e 21 satisfeitos com o resultado final. A pontuação no QuickDASH foi um bom preditor da satisfação dos adolescentes (p=0,014). Conclusão: O tratamento conservador das fracturas da clavícula em adolescentes permite a obtenção de excelentes resultados funcionais, com elevados níveis de satisfação, independentemente do grau de desvio da fractura | Ciências Médicas e da Saúde |
6,526 | Qualidade de vida pelo uso de cardioversores implantados | Qualidade de vida,Cardioversão eléctrica,Desfibriladores implantáveis | Introdução: O cardioversor desfibrilhador implantável (CDI) é um dispositivo “life-saving” para doentes com arritmias ventriculares, que representam uma constante ameaça à vida. Apesar da sua comprovada eficácia na redução da mortalidade, o seu impacto na qualidade de vida é ainda fonte de alguma discussão, sendo um tema merecedor de investigação detalhada. Objectivos: Avaliar a qualidade de vida em doentes com insuficiência cardíaca antes e após a implantação de cardioversor desfibrilhador implantável associado ou não a sistema de ressincronização biventricular (BIV). Metodologia: Estudo prospectivo comparando características demográficas, clínicas e qualidade de vida em 40 doentes, distribuídos por dois grupos, portadores de cardioversor desfibrilhador implantável e portadores de cardioversor desfibrilhador implantável associado a sistema de ressincronização biventricular. A avaliação da qualidade de vida foi efectuada através do World Health Organization Quality of Life Questionnaire. Resultados: Nos grupos estudados observou-se uma tendência para o aumento da qualidade de vida ao fim de três meses. Contudo, após um ano, o grupo CDI apresentou scores inferiores no domínio social, ao contrário do grupo que associa BIV e CDI, que registou um aumento dos scores no domínio físico. Conclusão: No âmbito geral, a implantação de cardioversores desfibrilhadores implantados alteram a definição individual de qualidade de vida. Tendo em conta que a condição de base do doente com insuficiência cardíaca apresenta scores médios baixos de qualidade de vida, é imprescindível fornecer ao doente as devidas informações acerca do impacto variável dos CDI. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,528 | Estimativa de riscos decorrentes de resíduos tóxicos no Parque Industrial da Matola | Risco ambiental -- Moçambique,Resíduos tóxicos -- Moçambique | Resíduo tóxico industrial é toda substância sem utilidade que se elimina após ou durante actividade industrial. Os resíduos tóxicos, provenientes de indústrias são considerados de grande risco para a Saúde Pública, quando não observadas as normas adequadas de manuseamento. Estes são perigosos e prejudiciais à saúde, devido à presença de agentes na sua composição que podem poluir o meio ambiente, contaminar solo, ar e água, causando doenças crónicas de origem respiratória, cancro, alergias, etc. O presente estudo teve como objectivo avaliar os factores de risco para a saúde, na zona industrial da Matola. Na realização deste estudo foi feito um levantamento de dados e uma ampla pesquisa documental na Internet, instituições e em bibliotecas. A pesquisa comportou uma busca de informações em diversas empresas, mas beneficiou igualmente da colaboração de algumas entidades nacionais que forneceram dados importantes para realização do estudo, como o INE de Maputo. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,529 | Variação genética do gene CYPD6 na analgesia do parto : abordagem farmacogenómica | Gene CYP2D6,Parto -- analgesia | Nas parturientes, a dor, moderada ou severa, é comum após o trabalho de parto por cesariana. A administração intravenosa de morfina no período imediato à operação é um procedimento usual para o alívio da dor. Contudo, verifica-se uma grande variabilidade inter-individual na sua eficácia, conduzindo a perfis de tolerância e diversidade de aparecimento de efeitos secundários, como o prurido, náuseas e vómitos. A grande variabilidade inter-individual é devida a variações genéticas que influenciam a metabolização e/ou a acção dos fármacos, ou seja, está relacionado com a farmacogenómica. A enzima CYP2D6 tem uma elevada importância neste processo, por ser responsável pela metabolização oxidativa de vários fármacos e substâncias endógenas. O precursor da dopamina e da serotonina, dois neurotransmissores, são um exemplo de substâncias endógenas metabolizadas pela CYP2D6. A morfina promove a actividade dos neurónios dopaminérgicos, levando a um aumento na libertação de dopamina, responsável pelo controlo da dor. O gene CYP2D6 responsável pela codificação desta enzima é altamente polimórfico, resultando numa grande variabilidade de fenótipos de metabolização. A combinação de vários SNPs resulta em diferentes haplótipos que estão associados igualmente a diferentes perfis de metabolização. O presente estudo é pioneiro ao relacionar os três haplótipos (CYP2D6*4A, CYP2D6*10A e CYP2D6*2E) do gene CYP2D6 que definem diferentes perfis de metabolização (lento, intermediário e extensivo) com a dor e o surgimento de efeitos secundários, como o prurido, numa amostragem de parturientes sujeitas a analgesia com morfina após a cesariana. Os resultados mais evidentes deste estudo sugerem que estes haplótipos, quando presentes em heterozigotia ou homozigotia para o alelo variante, levam a um aumento da dor após a cesariana. O aumento da incidência do prurido está associado ao haplótipo CYP2D6*10A quando presente em heterozigotia ou homozigotia para o alelo variante. Este trabalho contribui para uma melhor compreensão do modo como as variantes alélicas do CYP2D6 poderão afectar a dor e o surgimento de efeitos secundários na analgesia do trabalho de parto. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,533 | Relação entre síndrome metabólica e canctro colo-rectal : avaliação do papel de mediadores inflamatórios e adipocitocinas | Cancro colo-rectal,Tecido adiposo | A incidência de síndrome metabólica e obesidade tem vindo a aumentar, afectando já milhões de pessoas em todo o mundo e começando a tomar proporções epidémicas. Diversos estudos têm demonstrado uma relação entre a obesidade e a síndrome metabólica com diversos tipos de cancro, nomeadamente o cancro colo-rectal. Contudo, os mecanismos envolvidos nesta associação não se encontram completamente esclarecidos, apesar da adiposidade visceral ter vindo a ser apontada como um importante factor de risco. Com este estudo pretendeu-se estabelecer, em condições de excesso de peso ou obesidade, uma relação entre os parâmetros de disfunção do tecido adiposo e cancro colo-rectal e, desta forma, contribuir para a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos associados. Verificámos que os doentes com cancro colo-rectal e excesso de peso apresentaram níveis aumentados de algumas citocinas e adipocitocinas, nomeadamente a resistina, a visfatina e o MCP-1 e diminuição dos níveis de adiponectina. As experiências in vitro, utilizando células de cancro do cólon, mostraram que a resistina e a visfatina aumentam a viabilidade celular. Em conclusão, a incidência de cancro colo-rectal em indivíduos com excesso de peso está associada à desregulação funcional do tecido adiposo, podendo esta contribuir, através da alteração da secreção de algumas adipocitocinas, para a progressão tumoral. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,537 | Polimorfismos genéticos e doenças cardiovasculares : estudo caso-controlo de um grupo de individuos vítimas de enfarte agudo do miocárdio | Enfarte do miocárdio,Doenças cardiovasculares,Polimorfismo genético | O Enfarte Agudo do Miocárdio é, em mais de 90% dos casos, uma manifestação clínica resultante de um processo aterosclerótico, que culmina, por processos embólicos ou trombóticos, na oclusão das artérias coronárias. As doenças cardiovasculares, incluindo o EAM, são uma das principais causas de mortalidade em Portugal e a nível global; prevê-se que a sua incidência continue a aumentar até ao ano 2025, especialmente nos países em vias de desenvolvimento. O controlo dos factores de risco (modificáveis) não se tem revelado totalmente eficaz na profilaxia do EAM, o que sugere que a predisposição genética pode ter um papel importante na sua etiologia. No presente estudo, recorreu-se a variantes genéticas causais putativas do EAM (SNPs) e procedeu-se a um estudo de associação directa. Seleccionaram-se cinco polimorfismos, supostamente funcionais, em genes candidatos biologicamente relevantes para a etiopatogenia do EAM, a saber: os genes que codificam a COX-2, a eNOS, o VEGF, o RAGE e o NPY. A COX-2 catalisa a conversão oxidativa do ácido araquidónico em prostaglandinas e tromboxano A2. Estas moléculas possuem efeitos vasculares muito diversos, como angiogénese, vasodilatação ou vasoconstrição, indução da produção de metaloproteinases da matriz ou da agregação plaquetar. A sobre-expressão de COX-2 em placas de ateroma sintomáticas foi relacionada com a instabilidade das mesmas. O polimorfismo T8473C do gene da COX-2 parece influenciar a estabilidade e degradação do seu RNAm e, assim, os níveis de expressão da enzima. A eNOS, em situações fisiológicas, converte L-arginina em Óxido Nítrico, um forte vasodilatador, anti-trombótico e anti-inflamatório. Na patologia aterosclerótica, a enzima produz sobretudo ião superóxido, que origina peroxinitrito por reacção com o Óxido Nítrico. Este produto promove a oxidação de LDL e de lípidos, aumenta a proliferação da íntima vascular, é trombogénico e pró-inflamatório. O polimorfismo G894T do gene da eNOS parece alterar a conformação da eNOS, aumentando a sua susceptibilidade à clivagem proteolítica, alterando assim a sua biodisponibilidade e a sua actividade. O VEGF e actua como citocina pró-inflamatória, potenciando o crescimento das lesões ateromatosas e é angiogénico, por activação do crescimento endotelial. Os neovasos produzidos no local das lesões possuem paredes frágeis e sofrem frequentemente hemorragia; nesta altura, o VEGF exerce uma acção trombogénica. Estudos demonstram que níveis elevados de VEGF estão relacionados com risco acrescido de EAM. O polimorfismo 936CT do gene do VEGF parece ter influência nos níveis de transcrição e na actividade do VEGF, uma vez que cria um local de ligação para a proteína activadora 4 (AP-4). O RAGE é o receptor dos produtos finais de glicosilação avançada. Da sua associação a estes produtos resulta quimiotaxia, acumulação e activação de células inflamatórias, proliferação de células de músculo liso e consequente estenose vascular, trombose e acumulação de LDL oxidadas. O aumento dos níveis de RAGE em placas de ateroma está associado a um maior desenvolvimento destas. O polimorfismo T-374A demonstrou estar relacionado especificamente com o grau de estenose vascular, o que poderá dever-se ao facto de influenciar a ligação de uma série de factores de transcrição, alterando a transcrição da proteína. O NPY é vasoconstritor, regula o metabolismo do colesterol, promove a activação plaquetária, a migração e activação de monócitos e é angiogénico. Pensa-se que níveis elevados de NPY estão associados a a progressão acelerada de aterosclerose, a níveis elevados de colesterol total e LDL e a isquémia do miocárdio. O polimorfismo T1128C no gene do NPY altera o péptido-sinal da proteína. Assim, este polimorfismo poderá alterar a expressão, o armazenamento e a cinética da libertação do NPY; de facto, parece influenciar as concentrações séricas de colesterol total e LDL e o grau de espessamento da íntima-média vascular. No presente estudo, não se encontrou associação estatisticamente significativa entre qualquer das variantes estudadas e a susceptibilidade à ocorrência de EAM, quando estudadas isoladamente. Encontrou-se, isso sim, uma associação estatisticamente significativa entre a presença simultânea do alelo C do polimorfismo T8473C da COX-2 e do alelo T do polimorfismo T-374A do RAGE e o risco de ocorrência de EAM. A homozigotia simultânea CC para o polimorfismo T8473C e TT para o polimorfismo T-374A esteve também significativamente associado a risco de ocorrência de EAM. O alelo C do polimorfismo T1128C do gene que codifica o NPY não foi encontrado na amostra estudada, pelo que esta variante continua por identificar na população portuguesa. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,538 | Trombose da veia porta em cirróticos: prevalência e impacto no curso do transplante | trombose da veia porta,cirrose,transplante,anticoagulação,TIPS | A trombose da veia porta é um acontecimento com prevalência mal definida que nos doentes cirróticos submetidos a transplante hepático pode originar variadas complicações. O objetivo do estudo é conhecer a sua prevalência em cirróticos com indicação para transplante e o impacto que a sua existência possa ter no curso subsequente dos doentes transplantados. Através de dados obtidos nos processos clínicos, foram selecionados todos os doentes com cirrose hepática e posteriormente os que tinham trombose da veia porta entre Março de 2012 e Abril de 2014. Obteve-se uma prevalência de 14,67% (11/75), com grande percentagem de complicações após o transplante (82%) e mortalidade de 27%. Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas no tempo de isquemia fria entre os dois grupos. Não se observaram diferenças estatisticamente significativas entre a idade, MELD, tempo de duração da cirurgia e mortalidade. Sabe-se que a anticoagulação e o TIPS (transjugular intrahepatic portosystemic shunt) são duas possíveis abordagens para recanalizar a veia porta. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,539 | Ressonância Magnética Multiparamétrica na deteção do carcinoma da próstata | Carcinoma da próstata,Diagnóstico,Ressonância Magnética,Ponderação em Difusão,Estudo Dinâmico após Contraste,Espectroscopia | Introdução O carcinoma da próstata é o segundo carcinoma mais frequente no homem. O diagnóstico é feito com base em análise histopatológica obtida em biopsia dirigida por ecografia transrectal. A baixa taxa de deteção da biopsia sistemática obriga à repetição da técnica aumentando os efeitos secundários deste procedimento invasivo. A Ressonância Magnética Multiparamétrica está indicada no estadiamento do carcinoma da próstata, e tem vindo a mostrar bons resultados na deteção e orientação da biopsia. Contudo, a variabilidade destes resultados têm impedido a sua indicação clara no diagnóstico. Com a criação do score PIRADS (Prostate Imaging Reporting and Data System) pela ESUR (European Society of Urogenital Radiology) foi dado um passo no sentido da normalização da técnica que, ainda assim, deve ser confirmada e aperfeiçoada. Objetivo Avaliar a utilidade dos diversos parâmetros da Ressonância Magnética, isoladamente e em conjunto, na deteção de carcinoma prostático em doentes com suspeita clinica e biopsias negativas. Materiais e Métodos No estudo foram incluídos 34 indivíduos com suspeita de carcinoma prostático e biopsias prévias negativas. Foram sujeitos a Ressonância Magnética Multiparamétrica e nova biopsia foi realizada posteriormente. Os doentes com baixa probabilidade de carcinoma e que não realizaram biopsia foram seguidos prospectivamente. Os parâmetros avaliados incluem a ponderação T2, ponderação em difusão, estudo dinâmico após contraste e espectroscopia. Os exames foram obtidos por um equipamento Magnetom Trio Tim, 3 Tesla, Siemens. Foi usada antena de coluna com 12 canais e “body phased array” com 16 canais. As imagens foram classificadas com base no score PIRADS. Com o objetivo de análise os scores foram dicotomizados: scores 4 e 5 foram considerados como resultado positivo e scores 1, 2 e 3 foram considerados negativos. Foi calculada a sensibilidade, especificidade, acuidade, valor preditivo positivo e negativo. Foi calculada a área sob a curva (AUC) para cada parâmetro, para a combinação de parâmetros excluindo a espectroscopia e para o resultado global da Ressonância Magnética. Para cada grau Gleason encontrado calculou-se a média de scores em cada parâmetro e as médias foram comparadas. Resultados Dos 34 doentes sujeitos a estudo foram identificados 8 carcinomas prostáticos após resultado positivo na Ressonância Magnética. Para o resultado global a sensibilidade foi de 88.89%, a especificidade de 80%, o valor preditivo negativo de 95.23%, o valor preditivo positivo de 61.54% e a acuidade de 82.35%. A AUC global foi de 0.887 (p=0.001). A espectroscopia foi o parâmetro que individualmente apresentou uma AUC mais elevada com um valor de 0.880 (p=0.006) seguida da ponderação T2 com 0.838 (p=0.015), ponderação em difusão com 0.741 (p=0.083) e por ultimo o estudo com contraste com 0.713 (p=0.125). A combinação da ponderação T2, difusão e estudo com contraste apresentou uma AUC de 0.856 (p=0.002). Na comparação de médias dos scores em cada grau Gleason não se encontrou diferenças estatisticamente significativas. 4 Conclusão A Ressonância Magnética Multiparamétrica de 3T com ponderação em T2, difusão, contraste dinâmico e espectroscopia é útil na deteção de carcinoma e na orientação da biopsia prostática. Estes resultados são assim mais um contributo no esclarecimento do potencial papel deste exame imagiológico no diagnóstico do carcinoma prostático. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,540 | Lesões do ligamento cruzado anterior: existem diferenças nos resultados funcionais de acordo com o género? | knee injuries,anterior cruciate ligament reconstruction,gender differences,outcomes | Introdução: Está descrita maior suscetibilidade do género feminino para rotura do ligamento cruzado anterior do joelho. No entanto, pouco ainda se sabe sobre as diferenças entre géneros na recuperação clínica e funcional após a sua reconstrução. Objetivo: Pretendeu-se avaliar e comparar os resultados funcionais a médio prazo, entre géneros, após reconstrução do ligamento cruzado anterior. Metodologia: Realizou-se um estudo retrospetivo não randomizado, tipo coorte, comparativo. Nível de evidência - IV. A hipótese a testar (H0) foi que não existe diferença nos resultados funcionais. Foram selecionados 50 doentes com rotura do ligamento cruzado anterior submetidos a ligamentoplastia pelo mesmo Cirurgião: 25 do género feminino e 25 do género masculino, com follow-up pós-operatório mínimo de dois anos, sem diferenças significativas entre os grupos. Como parâmetros de avaliação funcional foram escolhidas a escala funcional de Lysholm e a escala International Knee Documentation Committee. Como testes de estabilidade ligamentar, o teste da gaveta anterior e de Lachman. Resultados: Ao fim do 1º ano pós-operatório o teste da gaveta anterior foi negativo em 68% das mulheres versus 96% dos homens; a manobra de Lachman foi negativa em 84% das mulheres versus 68% dos homens. O valor médio da escala funcional de Lysholm foi de 98±3,15 no género feminino e de 95,8±5,8 no género masculino. A escala IKDC englobou na categoria A, 76% das mulheres e 44% dos homens; na categoria B, 20% das mulheres e 44% dos homens; na categoria C, 4% das mulheres e 12% dos homens. Conclusões: Os resultados clínicos e funcionais após reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior são idênticos entre homens e mulheres, não se justificando por isso a adoção de técnicas cirúrgicas diferenciadas em função do género. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,541 | Manifestações digestivas da alergia a alimentos de origem vegetal | Hipersensibilidade alimentar,Alergia IgE-mediada,Alergia não mediada por IgE,Alergénios vegetais,Sintomas digestivos | A alergia alimentar define-se como uma resposta imunológica adversa a um alimento. É considerada um importante problema de saúde pública, principalmente nos países ocidentais, onde a sua incidência está a aumentar. A sua prevalência é difícil de determinar, mas estima-se que afete cerca 1 a 2% da população mundial. A clínica da alergia alimentar é sistémica e muito variada. Do ponto de vista imunopatológico, a maioria das reações são decorrentes de hipersensibilidade mediada por Imunoglobulina E (IgE). Mais raramente, a alergia não é mediada por IgE e a sua imunofisiopatologia é ainda pouco conhecida. São reconhecidas distintas entidades clínicas que afetam o sistema digestivo, como os distúrbios intestinais eosinofílicos (mediados por IgE e por células), a enterocolite e proctocolite induzidas pelas proteínas alimentares e a doença celíaca (que ocorrem por mediação celular). Atualmente, a terapia da alergia alimentar consiste, essencialmente, na evicção do alimento causal e no tratamento farmacológico dos episódios agudos. Neste artigo, será apresentado um resumo sobre o que tem sido publicado relativamente a dados epidemiológicos e imunopatologia da alergia alimentar, manifestações digestivas da alergia alimentar e análise das dificuldades diagnósticas que impõem, assim como as opções terapêuticas disponíveis no tratamento da alergia alimentar, dando especial enfoque aos alergénios de origem vegetal. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,542 | Manifestações cutâneas de infecções virais em indivíduos infectados pelo VIH | Infecções por HIV.,Manifestações cutâneas,Infecções por vírus | A condição de imunossupressão num indivíduo com HIV demonstra a importância do sistema imune na função de defesa da pele. Esta debilidade revelou vários agentes patogénicos oportunistas, até então encarados como inócuos. Do vasto grupo de agentes infecciosos, os vírus são observados com uma prevalência significativa, sendo responsáveis por uma variada gama de apresentações muitas vezes revestidas de aspectos clínicos e evolutivos peculiares. As manifestações cutâneas constituem deste modo pistas para o diagnóstico inicial da imunodeficiência, bem como, podem em alguns casos indicar o estádio de desenvolvimento pelo que se torna de grande importância para a prática clínica compreender a relação entre os agentes virais e a imunodeficiência causada pelo vírus da imunodeficiência humana. Este trabalho dedica atenção à co-infecção do vírus da imunodeficiência humana com outros vírus de expressão cutânea, nomeadamente a família dos herpesvirus que inclui os vírus herpes simples 1 e 2, o vírus varicela-zoster, o vírus Epstein-Barr, o citomegalovirus e o vírus herpes 8, responsável pelo sarcoma de Kaposi. São igualmente discutidos o Papilomavirus, o Molluscum Contagiosum e ainda outros vírus com menor expressão clínica. Os objectivos são o estudo da prevalência dos agentes virais, a caracterização clínica de cada uma das infecções virais e a sua relação com o estado imune do portador de HIV, e ainda a melhor orientação terapêutica nestes casos, bem como possíveis tratamentos futuros. Para esse efeito, procedeu-se a uma revisão bibliográfica de livros de texto e de artigos científicos referenciados na MedLine/ PubMed e existentes na Biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Recorreu-se também a imagens do serviço de Dermatologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra para exemplificar os casos descritos. Com este artigo concluiu-se que, nos doentes imunodeprimidos, as infecções virais são observadas com maior prevalência, mas individualmente surgem consoante o grau de imunssupressão. A apresentação clínica, embora possa ser semelhante à verificada no imunocompetente, pode ser caracterizada por lesões atípicas na forma, no número, na extensão e na distribuição o que torna difícil o diagnóstico e condiciona atrasos na instituição da terapêutica correcta. Além disso estas infecções podem estar igualmente envolvidas no desenvolvimento de doenças neoplásicas. A co-infecção por VIH condiciona limitações às terapias convencionais, sendo com frequência necessárias doses maiores de fármacos. As taxas de recorrência são elevadas e verificam-se resistências em bastantes casos, pelo que se tem apostado no desenvolvimento de novas terapias, nomeadamente imunomodeladoras. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,544 | Esofagite eosinofílica em idade pediátrica: existirá concordância clínica e endoscópico/histológica? | Esofagite Eosinófilica,endoscopia,sintomas,concordância,histologia | Introdução: A Esofagite Eosinoíilica (EEo) é uma doença inflamatória crónica limitada ao esófago de etiologia auto-imune/antigenio-mediada. A sua fisiopatologia não está completamente esclarecida. Caracteriza-se clinicamente pela presença de sintomas de disfunção esofágica e histologicamente pela infiltração do epitélio esofágico por eosinófilos, existindo um mínimo de 15 por campo de grande ampliação. O diagnóstico exige a exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica. Objectivos: Descrever o padrão de concordância entre existência/ausência de sintomatologia e actividade endoscópico/histológica em doentes com EEo em idade pediátrica. Como objectivo secundário, avaliar a resposta terapêutica relativamente a dois objectivos: remissão clínica e histológica. Materiais e métodos: Um grupo de doentes pediátricos diagnosticados com EEo (n=17) realizaram duas avaliações endoscópicas com biopsias de mucosa esofágica durante o período de estudo. Os dados recolhidos foram: sexo, idade, raça, tempo de evolução da doença, sintomas, achados endoscópico/histológicos ao diagnóstico e achados endoscópico/histológicos numa endoscopia digestiva alta de controlo, tipo de tratamento. Resultados: Verificou-se a presença de concordância sintomatologia/achados endoscópico/histológicos em 10 dos casos (58,82%) e discordância em 7 (41,18%). No grupo de doentes que apresentaram sintomas (n=7) 6 (85,71%) apresentaram resultados histológicos compatíveis com doença activa enquanto que apenas 1 apresentava critérios de remissão a nível histológico. No grupo de doentes assintomáticos (n=10), 4 (40%) apresentaram critérios de remissão histológica enquanto que 6 (60%) evidenciaram critérios de actividade histológica. O grupo de doentes que apresentou concordância positiva tinha em média um tempo de evolução de doença de 3,8 anos enquanto que o grupo de doentes que apresentou concordância negativa ou discordância apresentou uma média de 4,57 anos. Na avaliação da resposta à terapêutica, 5 indivíduos (29,42%) evidenciaram resposta total ao tratamento, 6 (35,29%) obtiveram resposta parcial, enquanto 6 (35,29%) não revelaram resposta. Conclusões: Os resultados sugerem um fraco padrão de concordância entre sintomas e actividade endoscópico/histológica com cerca de 58% dos doentes a apresentar concordância positiva. Mais especificamente, cerca de 86% dos doentes com sintomas evidenciaram critérios histológicos de doença activa parecendo indicar que, a presença de sintomas pode ser um indicador de actividade da doença. No entanto, no grupo de doentes assintomáticos apenas 40% apresentaram critério histológico de inactividade da doença, pelo que a ausência sintomatológica pode não ser um bom preditor de inactividade de doença. Na avaliação da resposta à terapêutica não foi possível retirar conclusões, pelo facto de não haver uniformidade na amostra quanto ao tipo e duração de tratamento e timing da reavaliação endoscópica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,545 | Conhecimentos e comportamentos de risco nos indivíduos adultos infectados com VIH, em relação à sexualidade | Síndroma da imunodeficiência adquirida,Infecções por HIV,Sexualidade,Comportamento sexual. | Este estudo tem como finalidade identificar os conhecimentos e comportamentos de risco dos indivíduos adultos infectados por VIH, em relação à sexualidade, de modo a promover o estabelecimento de medidas de prevenção de disseminação da doença. Os dados apresentados foram recolhidos através de um questionário aplicado a 253 indivíduos com infecção VIH/SIDA, numa faixa etária entre os 25 e os 50 anos de idade, que recorreram às consultas externas ou aos hospitais de dia de Infecciologia de quatro hospitais de referência da cidade de Lisboa, entre os dias 4 de Agosto e 31 de Outubro de 2008. Os resultados obtidos evidenciam que os indivíduos adultos infectados por VIH são maioritariamente heterossexuais (79.4%) e sabem como foram contaminados (70.4%), sendo a via sexual a mais referenciada (49.8%). Apresentam conhecimentos acima dos 50.0% relativamente à infecção VIH/SIDA, em todas as componentes (prevenção, contaminação e conhecimentos gerais). Uma percentagem significativa (30.4%) não é sexualmente activa e dos indivíduos que são sexualmente activos (69.6%), a maioria comunica ao seu parceiro(a) sexual que é VIH positivo (59.1%), quando se trata de um relacionamento sério. Do total de inquiridos, 58.5% não possui um parceiro seroconcordante e 15.3% desconhece o estado serológico do parceiro sexual. Houve uma aparente redução de comportamentos sexuais considerados de risco para comportamentos sexuais mais seguros após a notificação da seropositividade para VIH. Observou-se que após a notificação, 36.8% dos inquiridos referem ter tido um único parceiro(a), 48.6% referem não ter tido parceiros ocasionais. O uso do preservativo, após a notificação, foi de 54.5% na prática de sexo oral, 71.5% no sexo anal e 72.3% na prática de sexo vaginal. Não se confirmou qualquer relação entre os conhecimentos relativos à infecção VIH/SIDA e a prática de comportamentos sexuais de risco. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,546 | Novas tecnologias na assistência e monitorização do doente com demência | Idosos,Demência,Novas Tecnologias,Monitorização,Assistência | A população mundial está a envelhecer rapidamente e as doenças que mais frequentemente afectam os idosos irão ver a sua prevalência aumentada. Destaca-se a demência, que se estima vir a afectar mais de 115 milhões de pessoas em 2050. A demência é uma doença crónica que se constitui como uma colectânea de sintomas relacionados com um declínio nos campos da memória, raciocínio, capacidades comunicativas e executivas. Pela progressiva perda das aptidões mentais referidas, aos cuidadores do doente com demência é requerida uma participação activa e contínua na vida do doente, pelo que soluções que assistam e monitorizem o doente são uma mais valia para ele e para o seu cuidador. O avanço tecnológico verificado nos últimos anos surge como um potencial recurso para a difícil tarefa de assistência e monitorização do doente com demência. Assim, identificaram-se as áreas (Linguagem e Comunicação, Memória, Orientação Espacial, Vigilância e Segurança e Parâmetros Vitais) em que as novas tecnologias mais auxiliam estes doentes e reviram-se e compararam-se aparelhos/sistemas tecnológicos englobados nas mesmas. Foram também discutidas questões éticas inerentes ao tema. Em todas estas áreas, existem soluções mais e menos vantajosas, mas concluiu-se que, na grande maioria das vezes, estas ajudam o cuidador e, principalmente, o doente nas suas tarefas de vida diária, tornando-o mais autónomo, independente, sociável e melhorando o seu bem-estar e qualidade de vida. Concluiu-se, também, que existe necessidade de adequar a utilização destas soluções de acordo com o contexto ambiental e pessoal de cada doente, tendo sempre em conta dificuldades que o doente possa apresentar, quer inerentes à sua demência, quer pelo contacto com as novas tecnologias. Como avanços recentes que são, algumas das tecnologias apresentadas são protótipos e não podem, ainda, ser utilizados no contexto da prática clínica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,548 | O papel dos biomarcadores na doença pulmonar obstrutiva crónica | Pneumologia,Doença pulmonar obstrutiva crónica,Marcadores biológicos | Estima-se que a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) se torne na terceira principal causa de morte em 2020. Dados recentes apontam para uma prevalência de 14,2%. Perante a inexistência de um tratamento eficaz, torna-se indispensável encontrar biomarcadores que se relacionem com a biopatologia desta doença, permitindo a sua melhor abordagem e monitorização. Identificar biomarcadores que indiquem a eficácia dos fármacos nos componentes do processo inflamatório, e assim descobrir um novo e adequado tratamento, é fundamental para travar o impacto sócio-económico e a morbimortalidade desta patologia. Com este trabalho de revisão pretende-se estudar os biomarcadores disponíveis, a sua relação com parâmetros clínicos, nomeadamente, o grau de progressão da doença, as alterações dos valores laboratoriais, a co-existência de hábitos tabágicos ou de comorbilidades e o valor preditivo nas exacerbações. Espera-se que o estudo aprofundado nesta área possa ter importância no conhecimento do rebate sistémico desta patologia inflamatória crónica e que, num futuro próximo, os biomarcadores se tornem úteis na prática clínica, no que refere ao diagnóstico, terapêutica e prognóstico da DPOC. Este trabalho foi elaborado segundo um levantamento equilibrado dos desenvolvimentos mais recentes sobre a importância dos biomarcadores na DPOC, não só pela lacuna científica no que diz respeito aos seus papéis na referida doença, mas também pela actualidade e emergência desta temática. Deste modo, foi feita uma pesquisa alargada na PubMed, com o termo “biomarkers in COPD”. Para melhor compreensão da fisiopatologia, foi realizada uma pesquisa com os termos “pathophysiology”, “imunopathogenesis” e “exacerbation”. Adicionalmente, foi realizada uma pesquisa na direcção electrónica da Sociedade Portuguesa de Pneumologia recorrendo, através desta, a revistas médicas disponíveis. Como modo de conclusão deste trabalho refere-se que, apesar do esforço farmacêutico e biotecnológico e de ensaios clínicos realizados, poucos são os biomarcadores usados rotineiramente na clínica. Além disso, os já identificados através da análise de amostras biológicas, permanecem longe de validação, isto é, de significado clínico. A realização de mais estudos clínicos e o recurso à proteómica vão permitir avançar nesta área, identificando-se novos e robustos biomarcadores, validando os já existentes | Ciências Médicas e da Saúde |
6,551 | Consequências da menopausa na sexualidade feminina | consequências da menopausa,sexualidade,menopausa e sexualidade,menopausa terapêutica | A menopausa define o final da capacidade reprodutiva da mulher e acarreta diversas consequências físicas e psicológicas que destabilizam a mulher, quer a nível pessoal, social, conjugal ou sexual. E, devido ao aumento da esperança media de vida, um maior número de mulheres vivencia um período crescente na menopausa, bem como todos os factores a esta associados. Antecedendo a menopausa, temos o climatério, fase em que ocorrem alterações no perfil hormonal da mulher que se caracteriza por irregularidades menstruais e sintomas característicos da depleção estrogénica, iniciando-se as alterações físicas e psicológicas. Portanto, ao longo do processo verifica-se que as mulheres experimentam alterações no padrão sexual, consequência destas mesmas alterações psicossomáticas. Dispareunia, secura vaginal, desconforto vaginal e redução do desejo sexual são as causas mais comuns de perturbação da vida sexual durante o climatério e na pós-menopausa. A avaliação da doente deve consistir numa abordagem biopsicossocial para uma boa intervenção clínica. O tratamento pode ser feito através da terapia de casal como primeira linha, passando pelo uso de lubrificantes não-hormonais e hormonais para diminuir a dispareunia. Nas fases mais avançadas da disfunção sexual pode-se tentar uma abordagem com moduladores seletivos dos receptores de estrogénio, terapia hormonal, tibolona ou testosterona. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,552 | Estudo da função respiratória na asma | Asma,Testes de função respiratória,Função Respiratória,Fisiopatologia | A Asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas de grande impacto na saúde pública. Actualmente, estima-se que a Asma afecta cerca de 300 milhões de pessoas de todas as idades em todo o mundo. Esta entidade clínica caracteriza-se, para além de uma inflamação, pela hiperreactividade das vias aéreas, desencadeada por vários estímulos. Clinicamente, apresenta-se sob a forma de sintomas respiratórios como a dispneia, pieira, sensação de aperto no tórax, tosse e astenia. A prevalência, a morbilidade e até a mortalidade, têm vindo a aumentar a nível mundial. Pensa-se, portanto, que os doentes não estão a ser devidamente identificados e, por isso, não estão a receber o tratamento apropriado. Assim sendo, para garantir melhores cuidados de saúde a doentes com Asma é necessário reconhecê-los, diagnosticá-los e monitorizar o seu controlo adequadamente. Ainda não existe um exame complementar de diagnóstico definitivo para a Asma. O diagnóstico é realizado com base nos sintomas, nos antecedentes pessoais, na história familiar, no exame físico, no uso de determinados fármacos e no Estudo da Função Respiratória. O Estudo da Função Respiratória tornou-se, com o passar dos anos, amplamente divulgado, sendo-lhe atribuída crescente importância, o que leva à necessidade de qualquer médico ser capaz de fazer a sua correcta interpretação. Os testes da Função Respiratória permitem detectar a presença de obstrução brônquica, avaliar a gravidade e monitorizar a evolução da doença. Na Asma, revelamse de extrema importância, uma vez que, permitem confirmar o diagnóstico conduzindo, assim, ao aconselhamento de medidas preventivas e uma optimização do tratamento. vi O presente trabalho procurou efectuar uma revisão sobre as bases fisiopatológicas, a boa prática do estudo da Função Respiratória na Asma, bem como, clarificar as alterações passíveis de serem identificadas nesta patologia | Ciências Médicas e da Saúde |
6,553 | Depressão e tiróide | Depressão,Tiróide,Hormonas tiroideias | perturbações do foro psiquiátrico cedo despertou o interesse dos investigadores, e ao longo das últimas décadas muito foi dito sobre a relação entre o eixo hipotálamo-hipófise-tiróide e a depressão. O objectivo deste trabalho é fazer uma revisão da literatura existente sobre este tema, com foco nas alterações do eixo hipotálamo-hipófise-tiróide, na interacção das hormonas tiroideias com sistema nervoso central e no papel das hormonas tiroideias no tratamento da depressão. Apesar das expectativas iniciais, a investigação do eixo hipotálamo-hipófise-tiróide acabou por não alcançar conclusões definitivas, mas ainda assim, alcançou alguns dados importantes. Os testes periféricos das hormonas tiroideias obtiveram resultados inconsistentes, sendo as alterações mais frequentemente encontradas, uma elevação dos níveis de tiroxina, que diminui com a recuperação da depressão, uma diminuição da resposta da tirotrofina à respectiva hormona estimuladora e uma alteração do ritmo circadiano da tirotrofina com ausência do seu pico nocturno. A nível central, foi repetidamente encontrada uma elevação dos níveis de hormona estimuladora da secreção tirotrofina. Apesar da relativa prevalência destas alterações, a maioria dos pacientes deprimidos eram analiticamente eutiróides. Uma maior prevalência de anticorpos antitiroideus foi também observada nos pacientes deprimidos. Evidências de uma interação entre as hormonas tiroideias e o sistema nervoso central resultaram também de diversas observações, tais como, a presença de receptores nucleares, a nível central, para as hormonas tiroideias, o transporte activo destas hormonas através da barreira hemato-encefálica, e ainda uma documentada influência das hormonas tiroideias nos sistemas serotoninérgico e noradrenérgico, na regulação da expressão génica e no metabolismo e perfusão cerebrais. As hormonas tiroideias, em especial a triidotironina, revelaram-se também eficazes na potenciação do tratamento antidepressivo, existindo evidências de que a sua acção antidepressiva não estará apenas relacionada com a 5 correcção de distúrbios do eixo hipotálamo-hipófise-tiróide. Apesar de toda a investigação realizada, os exactos mecanismos da relação entre a patologia depressiva e a tiróide são ainda pouco claros, pelo que mais estudos serão necessários para esclarecer as controvérsias existentes. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,554 | Mecanismos determinantes do envelhecimento e da longevidade | aging,longevity,oxidative stress,genes,telomerase,TOR Serine-Threonine Kinase,inflammation,caloric restriction,diet,sirtuins,exercise | O envelhecimento e a longevidade humana são, fenómenos complexos determinados por vias fisiológicas influenciadas por múltiplos fatores - genéticos, comportamentais, dietéticos, ambientais, e estocásticos. O aumento da esperança média de vida nas últimas décadas traduziu-se num envelhecimento da população com um enorme impacto social e económico. O envelhecimento determina modificações no organismo humano que conduzem a uma maior vulnerabilidade e maior incidência de patologias crónicas características do idoso. Os mecanismos fisiopatológicos relacionados com o envelhecimento e abordados neste trabalho, como a informação genética, o stress oxidativo, a atividade do eixo mTOR (do inglês mammalian target of rampamycin) e a atividade das telomerases, parecem ser determinantes neste processo, segundos vários estudos de investigação conduzidos em animais. Apesar da investigação em seres humanos também demonstrar esta relação, são necessários mais estudos em vertebrados superiores, como os mamíferos e primatas não-humanos, sobretudo na área do mTOR. É evidente neste trabalho de revisão, a interligação dos mecanismos determinantes do envelhecimento e da longevidade e as possíveis intervenções preventivas, incluindo a dieta, a restrição calórica e os seus miméticos e o exercício físico. A qualidade da dieta e o exercício físico têm um papel consensual na prevenção do desenvolvimento de patologias características do envelhecimento e na promoção de um envelhecimento com qualidade de vida, com independência funcional e livre de comorbilidades. Têm sido registados alguns avanços sobre a influência positiva da restrição calórica (RC), sobretudo quando associada a uma dieta equilibrada, no atraso do envelhecimento. Neste estudo podemos concluir que a melhor forma de promover um envelhecimento saudável e um aumento da longevidade, é a conjugação de várias intervenções terapêuticas, incluindo uma dieta de qualidade, prática regular de exercício físico adequado ao indivíduo e à idade e possivelmente algum nível de RC. De referir ainda, o importante papel que os biomarcadores de envelhecimento poderão vir a ter no futuro para monitorizar a aplicação destas e outras terapias/intervenções. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,557 | Avaliação funcional a médio prazo da artroplastia total do ombro invertida em doentes com rotura maciça da coifa dos rotadores | Ortopedia,Articulação do ombro,Artroplastia,Ombro,Ruptura | Introdução: a artroplastia total do ombro invertida é una técnica de reconstrução da articulação do ombro com recurso a um tipo de prótese ball and socket que inverte a orientação da articulação - prótese total do ombro invertida, desenhada em 1985 por Grammont e Baulot. Este tipo de artroplastia está indicado em várias patologias das quais faz parte a rotura maciça da coifa dos rotadores. Os doentes com esta patologia queixam-se habitualmente de: dor; falta de força e disfunção do ombro; e são incapazes de elevar ativamente o membro superior. Estudos a curto e médio prazo desta opção de tratamento têm revelado ganhos a nível da dor e função. Os objetivos deste trabalho são: (1) avaliar funcionalmente a médio prazo (10 anos) a artroplastia total do ombro invertida no tratamento da rotura maciça da coifa dos rotadores; (2) descrever o tipo e a frequência de complicações ocorridas; (3) caracterizar a médio prazo (10 anos) a curva de sobrevida da prótese total do ombro invertida. Materiais e métodos: foi feito um estudo retrospetivo de uma base de dados com 133 doentes (média de idades de 64,2 anos) que apresentavam o diagnóstico de rotura da coifa dos rotadores e tinham sido sujeitos a artroplastia total do ombro invertida. A avaliação funcional 2 do ombro foi feita com base na escala de Constant-Murley, tendo sido avaliado nos tempos: antes da cirurgia; 6 meses após a cirurgia; 1 ano e anos seguintes até 10 anos. As complicações foram igualmente registadas na base de dados durante o seguimento (que durou em média 74,41 meses com um follow-up mínimo de 12 meses). A curva de sobrevida das próteses foi construída definindo a revisão da artroplastia como o end-point das próteses. Resultados: A média do score de Constant-Murley passou de 33,31 pontos no préoperatório para 60,41 pontos no momento da última avaliação do seguimento, apresentando um ganho de 26,86 pontos. A taxa de complicações foi de 16,5%, tendo sido a infeção (10) a complicação mais frequente. A taxa estimada de sobrevida foi de 80,0% aos 10 anos. Conclusões: A artroplastia total do ombro invertida permite obter ganhos consideráveis e restaurar a função do ombro em doentes com rotura maciça da coifa dos rotadores, contudo, apresenta ainda uma taxa de complicações relativamente alta. São necessários mais estudos e de maior amplitude para se poder concluir sobre a sua efetividade a longo prazo e aplicação a doentes mais jovens | Ciências Médicas e da Saúde |
6,558 | Avaliação não-invasiva da doença cardíaca isquémica : técnicas de imagem | Doenças do coração,Isquémia,Diagnóstico imagiológico | Introdução - A Doença Cardíaca Isquémica resulta do desequilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigénio pelo miocárdio e tem como causa mais frequente a doença coronária aterosclerótica. A avaliação não-invasiva permite fazer o diagnóstico, avaliar a repercussão funcional da doença, estratificar o risco, determinar o prognóstico e orientar a terapêutica. Objectivos - Este trabalho teve por objectivo comparar as técnicas imagiológicas não-invasivas utilizadas na avaliação funcional da Cardiopatia Isquémica evidenciando as suas principais indicações clínicas, limitações, valor prognóstico, segurança e relação custo-benefício. Desenvolvimento - Na Ecocardiografia de Sobrecarga a observação de imagens em repouso e durante o esforço ou sobrecarga farmacológica com agentes simpaticomiméticos (Dobutamina) ou vasodilatadores (Adenosina ou Dipiridamol) permite identificar alterações da contractilidade segmentar do miocárdio, indicativas de isquémia. É uma técnica dependen-te do operador e a sua resolução espacial é limitada. 2 Na Cintigrafia de Perfusão Miocárdica a existência de alterações nas imagens de perfu-são obtidas por injecção de marcadores radioactivos durante o exercício ou após administra-ção de um fármaco simpáticomimético ou vasodilatador, que não se mantém nas imagens adquiridas em repouso, são habitualmente tradutoras de isquémia. A Ressonância Magnética é uma técnica com grande resolução espacial e temporal. A utilização de produtos de contraste, bem como de fármacos vasodilatadores, permitem a ava-liação da doença cardíaca isquémia, identificando com grande acuidade a extensão transmural de áreas de enfarte e a viabilidade miocárdica. Conclusões - A Ecocardiografia de Sobrecarga, a Cintigrafia de Perfusão e a Ressonân-cia Magnética permitem diagnosticar doença cardíaca isquémica com grande acuidade, bem como avaliar os pacientes com doença conhecida, estratificar o risco, determinar o prognósti-co e apoiar decisões terapêuticas. O mais extensivamente estudado e validado dos métodos é a cintigrafia de perfusão que, no entanto, também apresenta resultados falsos positivos e negati-vos. A Ecocardiografia e a Ressonância Magnética não expõem o doente a radiação ionizante e a sua utilização sequencial mostrou ser eficaz e com uma boa relação custo-benefício. A Ressonância Magnética apresenta-se como uma técnica bastante promissora que necessita ainda ser validada por ensaios clínicos multicêntricos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,559 | Divertículo de Meckel: revisão e análise retrospectiva de uma casuística de 64 doentes operados | Divertículo de Meckel,epidemiologia,embriologia,anatomia,complicações,diverticulite,diverticulite,hemorragia,perfuração,obstrução intestinal | O divertículo de Meckel é a anomalia congénita mais comum do trato gastrointestinal, afetando cerca de 4% da população em geral. Resulta da involução incompleta do ducto onfalomesentérico, foi descrito por J. F. Meckel e por isso adotou o seu nome. Afeta ambos os sexos na mesma proporção, sendo que as complicações que lhe estão inerentes acometem maioritariamente o sexo masculino podendo ocorrer em qualquer idade. Como a mortalidade associada às complicações é de aproximadamente 6%, sendo maior em doentes idosos, justifica-se a instituição de terapêutica cirúrgica. Nos últimos 14 anos foram tratados no Serviço de Cirurgia B do CHUC 64 doentes portadores de DM. Desses, 40 eram do sexo masculino e 24 do sexo feminino, com idade média de 51 ± 21 anos, mínima de 14 anos e a máxima de 86 anos. Trinta e cinco (54,7%) foram achados incidentais durante intervenções cirúrgicas por uma outra patologia: neoplasia do trato gastrointestinal (a mais frequente), apendicite e oclusão intestinal. Nos restantes vinte e nove doentes (45,3%) os DM revelaram-se com patologia própria como hemorragia (n=6), diverticulite (n=6), obstrução intestinal (n=6), perfuração (n=10) e necrose (n=1). O diagnóstico pré-operatório foi estabelecido em 5 dos portadores de DM. Desses, 3 foram diagnosticados e imediatamente ressecados. Os outros 2 foram diagnosticados previamente durante o estudo de uma hemorragia digestiva baixa contudo a ressecação foi realizada apenas posteriormente por recorrência do quadro clínico. O diagnóstico foi estabelecido por videocápsula (em um caso), por cintigrafia com Tc-99m (em três casos) e por trânsito do intestino delgado e cintigrafia com Tc-99m (em um caso). Dos 64 DM apenas um não foi ressecado. A principal complicação cirúrgica e fonte de morbilidade post-operatória ocorreu em 3 casos por infeção da ferida cirúrgica. Não houve casos de mortalidade. Concluem os autores que apesar dos avanços dos exames complementares, o diagnóstico pré-operatório de DM é extremamente difícil necessitando de um elevado índice de suspeição. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,560 | Estudo da estabilidade sagital, após artrodese instrumentada por fractura achatamento do corpo vertebral dorso-lombar (D10-L5), sem lesão neurológica | Fracturas da coluna vertebral,Artrose | Introdução: A técnica cirúrgica mais frequentemente aplicada em fracturas por esmagamento dos corpos vertebrais da coluna dorsolombar consiste na fixação transpedicular e artrodese póstero-lateral após redução da cifose. Objectivos: O objectivo deste estudo é determinar a estabilidade sagital em fracturas esmagamentos da coluna dorsolombar, entre D10 e L5, após artrodese instrumentada, em pacientes sem lesão neurológica. Material e Métodos: Sessenta e seis doentes entraram neste estudo, todos com fracturas entre D10 e L5, ocorridas entre Janeiro de 2005 e Dezembro de 2008 e submetidos a fixação transpedicular e artrodese póstero-lateral instrumentada no serviço de Ortopedia D. Posteriormente, através dos registos radiológicos destes doentes, efectuou-se a medição do ângulo entre os pratos superior e inferior da vértebra fracturada e do ângulo entre o prato inferior da vértebra sobrejacente e o prato superior da vértebra subjacente, recolhendo uma medição para cada um dos seguintes períodos: pré-cirurgia, e após a cirurgia aos 30 dias, aos 6, 12, 18, 24, 36 e 48 meses. Foram então criados dois grupos de casos, um contendo apenas aqueles doentes onde estavam disponíveis registos radiológicos relativos aos primeiros 30 dias após a cirurgia (Grupo 1) e outro contendo todos os doentes, inclusive os do Grupo 1, (Grupo 2). O Grupo 1 continha 19 casos. Então, para cada grupo foram procuradas relações estatisticamente significativas entre o tempo decorrido desde a cirurgia, a vértebra fracturada, o sexo e a idade do doente e a perda de redução da cifose. Resultados: No Grupo 1 apenas foi encontrada uma diferença estatisticamente significativa em fracturas de L1, 12 meses após a cirurgia com uma perda de 8,250⁰ de redução em média (p=0,022). No Grupo 2 obtiveram-se as seguintes perdas de redução com significado estatístico (p<0,05): 14,110⁰ aos 18 meses, 7,050⁰ aos 24 meses, 9,105⁰ aos 36 meses e 13,730⁰ aos 48 meses após a cirurgia. No sexo feminino as perdas foram de 20,420⁰ aos 18 meses, 10,690⁰ aos 24 meses, 15,786⁰ aos 36 meses e 18,119⁰ aos 48 meses. No sexo masculino apenas aos 18 meses houve uma perda significativa de 8,708⁰. Tendo em conta qual a vértebra fracturada, apenas para L1 houve uma perda de redução estatisticamente significativa: 14,110⁰ aos 18 meses, 7,050⁰ aos 24 meses, 9,105⁰ aos 36 e 13,730⁰ aos 48 meses após a cirurgia. No grupo etário dos 30 aos 40 anos verificou-se uma perda de redução de 10,067⁰, 12 meses após a cirurgia, no grupo dos 50 aos 60 anos verificou-se uma perda de redução de 22,860⁰ após 48 meses. Conclusões: Considerando todas as fracturas estudadas, houve uma perda estatisticamente significativa de redução. No sexo feminino, entre os 18 e os 48 meses após a cirurgia, houve uma perda significativa de redução. O mesmo se verificou para fracturas de L1 entre os 12 e os 48 meses. Analisando os grupos etários, encontrou-se uma perda significativa de redução para pacientes entre os 30 e os 40 anos, 12 meses após a cirurgia, e para pacientes entre os 50 e os 60 anos, 48 meses após a cirurgia. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,561 | Visita domiciliária : contributos da enfermagem na manutenção da amamentação | Aleitamento materno,Visita domiciliária | A visitação domiciliária é uma estratégia comunitária que permite o estudo e intervenção nas famílias no seu próprio espaço vital. Assim, o visitador domiciliário consegue ter uma perspectiva global da família e dos seus recursos e pode atuar de forma holística. A visitação domiciliária à puérpera e ao recém-nascido é defendida pela OMS, pelo PNS e pelo Programa de Saúde Infantil como uma medida para contribuir para a saúde da família, sendo ainda importante na promoção do aleitamento materno. Este estudo teve como objetivo avaliar o contributo da visita domiciliária na prevalência do aleitamento materno. Para isso, comparámos dois grupos, um alvo de visitação domiciliária e o outro não. Estabelecemos ainda como objectivos deste estudo calcular a prevalência do aleitamento materno aos 3 e aos 6 meses, e avaliar a influência das variáveis sóciodemográficas e obstétricas nesta prevalência. Este é um estudo quantitativo, correlacional de nível II. A colheita de dados foi feita através da aplicação de um questionário às mulheres inscritas na USF Buarcos e USF S. Julião, que tiveram parto no período de 1 de Janeiro de 2009 a 31 de Dezembro de 2010. A nossa amostra foi composta por 108 mulheres, 51 das quais foram alvo de visitação domiciliária e 57 que não foram. A variável “visitação domiciliária”, as variáveis “sóciodemográficas” e “obstétricas”, na nossa amostra não se revelaram estatisticamente significativas. No entanto, verificamos associação positiva entre a “decisão de amamentar” e o conselho médico/enfermeiro, em mais do dobro no grupo das mulheres visitadas. Obtivemos uma prevalência de aleitamento materno exclusivo de 80% aos 3 meses, mais elevado no grupo não visitado e de 27% aos 6 meses, mais elevado no grupo visitado. A percentagem de mulheres que mantém o aleitamento materno além dos seis meses é maior no grupo das visitadas (21,6%) do que no das não visitadas (18,5%). A maior parte das mulheres interrompeu o aleitamento materno entre o terceiro e o sexto mês. As razões evocadas com maior frequência foram a “falta de leite”, com idêntica percentagem nos dois grupos e “motivos laborais” esta mais indicada pelas mulheres visitadas. Apesar de a maior parte das mulheres (43,1%) tenha considerado a primeira semana como a altura ideal para a realização da visita domiciliária, verificamos que a maioria (39,2%) foi efectuada entre os 8 e os 14 dias do bebé. Embora a visitação domiciliária não se tenha revelado estatisticamente significativa na prevalência da amamentação exclusiva, esta foi mais elevada aos 6 meses no grupo de mulheres visitado, e foi considerada uma estratégia de ensino “muito útil” por metade da amostra estudada. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,562 | Efeitos da radiação X e níveis de exposição em exames imagiológicos : inquéritos a clínicos gerais | Radiação -- efeitos adversas,Raios X -- uso diagnóstico | O ser humano é um alvo constante da radiação quer natural quer artificial. Da mesma forma que isto acontece, também se vai tornando mais consciente dos efeitos secundários que esta poderá desencadear, nomeadamente quando falamos de radiação ionizante. De facto, a exposição exagerada aos raios-X de diagnóstico tem sido considerada uma questão de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde. O mais recente desenvolvimento dos equipamentos de radiologia, assim como a disponibilidade quase imediata para a realização de exames imagiológicos, revolucionou a prática da medicina; contudo, esta enorme evolução da imagem resultou também num significativo aumento da exposição cumulativa da população à radiação ionizante. No entanto, muitas vezes, esta procura não é sustentada pelo conhecimento científico, o que leva a crer que o conhecimento sobre os efeitos nefastos da radiação-X ainda não chegou a todo o lado. Nesse sentido, o presente estudo procurou avaliar o conhecimento, dos médicos de medicina geral e familiar dos ACES (Agrupamentos de Centros de Saúde) do Pinhal Interior Norte I e do Baixo Mondego I, acerca dos efeitos da radiação-X e dos níveis de exposição dos doentes sujeitos a diferentes exames imagiológicos, através de um questionário de resposta fechada. A adesão ao estudo foi de 38,5%, ficando a nossa amostra em 40 questionários respondidos. Os resultados revelaram que estes profissionais conhecem muito pouco acerca desta temática. Observando-se uma percentagem de respostas correctas para o grupo dos efeitos da radiação-X de 34,00% e para o grupo dos níveis de exposição de cada exame imagiológicos de 40,50%. Estes resultados levam-nos a concluir que é urgente actuar e proceder a mudanças que levem os profissionais de saúde a obter mais e melhor informação acerca da radiação-X. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,563 | Sistema de saúde cubano | Sistemas de saúde,Cuba | Depois da revolução de 1959, Cuba iniciou um processo de reformas no sistema de saúde que resultaram num serviço gratuito e universal de cuidados de saúde. Considerado um direito humano para todos os cidadãos, a Saúde em Cuba é uma prioridade nacional. As políticas de Saúde em Cuba dão especial relevo à prevenção, cuidados primários, no trabalho com as comunidades, através da interacção e participação dos cidadãos. Tal levou a uma elevação dos mais importantes indicadores de Saúde, apesar de todas as dificuldades económicas. Com o colapso do bloco socialista e o agravamento do embargo económico, comercial e financeiro dos Estados Unidos, o progresso que Cuba manifestava nos últimos 30 anos na área da Saúde Pública foi afectado, mas o sector continuou a ser financiado pelo Estado cubano, existindo mesmo um aumento orçamental durante a crise económica. Enquanto Cuba emergia do turbilhão económico dos anos 90, o Sistema de Saúde Cubano (SSC) começou a partilhar a sua experiência com diversos países em desenvolvimento, criando sinergias que se continuam a desenvolver na actualidade, tanto no que respeita a cuidados médicos, como em investigação e educação médica. A cooperação médica internacional é uma das principais características do sistema, e, desde 1963 mais de 130000 profissionais de saúde cubanos trabalharam voluntariamente no estrangeiro. Actualmente, existem 36770 profissionais de saúde a trabalhar em 70 países através de diversas modalidades de cooperação. O SSC é especialmente interessante devido aos seus indicadores de país desenvolvido numa economia de país em desenvolvimento, demonstrando, assim, a importância de um compromisso politico com os cuidados primários e a prevenção, e contrariando o preconceito amplamente instituído de que um sistema de saúde universal de alta qualidade é sempre dependente de um enorme investimento financeiro. O autor, para a realização deste trabalho, fez uma revisão da literatura, assim como viajou para Cuba com o objectivo de fazer trabalho de campo e investigação, relatando-se a sua experiência, entrevistas com pessoal de saúde e opiniões de cidadãos cubanos sobre o seu Sistema de Saúde. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,564 | Contributo para a compreensão da estabilidade postural e artrose | Postura,Artrose | Introdução: A gonartrose é uma patologia muito prevalente que condiciona limitações e incapacidades no dia-a-dia dos doentes. É referida como um factor de risco para queda e fractura. A manutenção do controlo postural requer a actuação de diversos mecanismos e a propriocepção é um dos mais importantes. Na gonartrose a actividade proprioceptiva está diminuída. Assim, a compreensão dos mecanismos de manutenção da estabilidade e o estudo do controlo postural em indivíduos com gonartrose reveste-se da maior importância. Objectivos: Estudar a estabilidade postural dinâmica numa população de doentes com gonartrose comparando-a com uma amostra controlo e avaliar o impacto da gonartrose na realização de actividades de vida diária. Metodologia: Estudo clínico transversal, não randomizado, onde foram incluídos 32 indivíduos de ambos os géneros, entre os 54 e os 71 anos, com gonartrose referenciada clinicamente. A estabilidade postural dinâmica foi avaliada recorrendo ao Biodex Stability System (BSS) e comparada com uma amostra controlo. Foi também utilizado o questionário KOOS (Knee Injury and Osteoarthritis Outcome Score) para avaliar a opinião dos indivíduos acerca dos problemas associados ao seu joelho e os resultados da amostra foram comparados com uma população controlo. Resultados: A estabilidade postural dos indivíduos estudados não apresentou diferença estatisticamente significativa comparativamente com a amostra controlo (p>0,05). Os resultados obtidos na aplicação do KOOS aos indivíduos com gonartrose mostraram diferença estatisticamente significativa em todas as suas dimensões quando comparados com uma população controlo (p<0,05). Conclusões: Na população estudada não foram encontradas diferenças na estabilidade postural dos doentes com gonartrose em relação a uma amostra controlo. Os indivíduos com gonartrose têm uma diminuição da qualidade de vida quando comparados com uma população controlo. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,565 | Cancro do recto: importância da qualidade da excisão macroscópica do meso-recto | Neoplasias do recto,Cirurgia colorrectal | Introdução O carcinoma colo-rectal é a 2ª causa de morte mais frequente por cancro no Mundo Ocidental, estando a sua incidência a aumentar. Ao longo do século XX verificou-se uma notável evolução na abordagem do cancro do recto. No início do século, a taxa de recidiva local após um tratamento cirúrgico com intuito curativo era elevada, reflictindo uma abordagem inadequada. Nos anos oitenta, Heald verificou que a remoção completa do meso-recto diminui a recidiva local, pois remove todo o tecido linfo-vascular à volta do recto que correspondia o local preferencial para a deposição de micro-metástases. Assim, a adopção universal da excisão total do meso-recto como Gold-standard para o tratamento do cancro do recto causou um impacto significativo na diminuição da recidiva local, no aumento da sobrevivência e no aumento de percentagem de cirurgias com conservação do esfíncter. Objectivo Pretende-se, com este trabalho, estudar a importância da excisão total do meso-recto, considerada a técnica recomendada para o tratamento do cancro do recto. Desenvolvimento Nos últimos 20 anos, houve avanços significativos no tratamento de uma neoplasia que era considerada de difícil extirpação, pois a recidiva era bastante frequente. A introdução da excisão macroscópica do meso-recto, acompanhada de optimização de esquemas quimioradioterapêuticos e avanços nos exames de imagem para um estadiamento mais precisos, muito contribuiram para o sucesso do tratamento do cancro do recto nos dias de hoje. O apoio dos anatomo-patologistas é importante no sentido de fornecer informações diagnósticas e prognósticas, promovendo a qualidade de excisão cirúrgica e auxiliando na decisão sobre a melhor terapêutica a instituir em cada doente. O impacto dessa evolução na abordagem do cancro do recto é significativo e vai ser abordado ao longo deste trabalho. Conclusão A excisão total do meso-recto é uma técnica cirúrgica recomendada para o tratamento do cancro do recto. A sua introdução mudou a abordagem cirúrgica à neoplasia, diminuindo as taxas de recidiva de 30-40% para menos de 10%, aumentou a sobrevivência aos 5 anos de 40-45% para cerca de 75%, reduziu igualmente as complicações de disfunção genito-urinária que eram bastante frequentes para cerca de 20%. Assim, para obter sucesso no tratamento do carcinoma do recto exige-se uma equipa multidisciplinar que engloba o cirurgião, o imagiologista, o radioterapeuta, o oncologista e o anatomo-patologista. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,566 | Avaliação do impacto do tratamento de quimioterapia na fertilidade masculina| | Neoplasias dos testículos,Quimioterapia -- efeitos adversos,Infertilidade masculina | O cancro do testículo (CT) é a neoplasia maligna mais frequente em homens em idade reprodutiva e a sua incidência está a aumentar. Os avanços no tratamento desta patologia permitem, actualmente, uma sobrevida média de 95% aos cinco anos. Face ao bom prognóstico da doença, o desafio que se impõe à clínica, no presente, consiste em minimizar os efeitos secundários a longo prazo induzidos pela terapêutica, nomeadamente a esterilidade, dado que os estudos actuais mostram que a possibilidade de paternidade futura é uma das principais preocupações dos doentes que sobrevivem ao CT. No que concerne à fertilidade, os doentes com CT representam um desafio particular uma vez que a sua capacidade reprodutiva não é afectada apenas pelo tratamento (cirurgia, quimio e radioterapia), mas também pelo próprio tumor que se associa à infertilidade, pelo que ambos são incluídos, por alguns autores, na síndrome de disgenesia testicular. A quimioterapia à base de cisplatina induz na maioria dos doentes azoospermia temporária, sendo que a recuperação da espermatogénese tende a ocorrer com o decorrer do tempo. O número de doentes com recuperação da espermatogénese tende a aumentar num período de pelo menos cinco anos. A probabilidade de melhoria da espermatogénese após a quimioterapia, bem como a sua extensão e velocidade, dependem do citostático usado, da dose administrada e da função testicular de base anterior ao tratamento. Contudo, 15% a 30% dos indivíduos vêem a sua função reprodutiva afectada de forma permanente e ainda que o efeito final da quimioterapia seja dependente da dose é actualmente impossível prever quais os doentes que serão afectados definitivamente. Actualmente, o único método capaz de preservar a capacidade reprodutiva dos doentes submetidos a terapêuticas gonadotóxicas é a criopreservação de esperma. Se o doente pretender procriar após ter sobrevivido ao cancro e caso apresente insuficiência gonadal induzida pelos citostáticos, o sémen preservado previamente pode ser usado em técnicas de procriação medicamente assistida (PMA), normalmente a Fecundação in Vitro (FIV) e a Injecção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI), sendo que as taxas de gestações obtidas por cada técnica rondam os 24% e os 33%, respectivamente. O objectivo do presente estudo consiste em verificar o efeito prejudicial da quimioterapia sobre a fertilidade masculina avaliando os parâmetros seminais e as hormonas reprodutivas em doentes com CT antes e após serem submetidos a quimioterapia. Após a colheita de amostras de sémen antes e após a quimioterapia, serão avaliadas a concentração e mobilidade espermáticas de acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS), enquanto a morfologia e a integridade da cromatina serão medidas com recurso a um método de coloração do tipo Diff-Quik. A integridade do ácido desoxirribonucleico (ADN) tem sido indicada como sendo um marcador importante da infertilidade masculina e tendo em conta que os parâmetros seminais clássicos não permitem avaliar o estado da cromatina nuclear, torna-se importante determinar o grau de fragmentação do ADN dos espermatozóides e de descondensação da cromatina para uma completa avaliação da qualidade espermática. É de esperar que a maioria dos doentes com CT apresente diminuição da qualidade espermática antes da quimioterapia e que esta agrave com o tratamento. Dois anos após a quimioterapia prevê-se que cerca de metade dos doentes apresente recuperação da espermatogénese. Nos mesmos períodos, serão obtidas amostras de sangue periférico para determinação das hormonas reprodutivas incluindo a hormona luteinizante (LH), a hormona folículo estimulante (FSH), a inibina B, a testosterona total e a testosterona livre. De acordo com a literatura prevê-se que haja diminuição dos níveis séricos de inibina B e de FSH indicando lesão do epitélio germinativo. Embora as células de Leydig sejam mais resistentes aos fármacos citostáticos, os níveis de LH tendem a estar elevados após a quimioterapia, sinal de disfunção endócrina. O aumento dos níveis de LH e de FSH permitem manter os níveis de testosterona nos limites da normalidade. Finalmente, com este projecto pretende-se demonstrar o efeito deletério da quimioterapia sobre a função gonadal de forma a sensibilizar médicos e doentes para a necessidade da criopreservação de esperma antes do início de uma terapêutica gonadotóxica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,569 | Avaliação da exposição profissional ao formaldeído e xileno no serviço de Anatomia Patológica dos Hospitais da Universidade de Coimbra | Exposição ocupacional. Formaldeído,Derivados do benzeno | Neste estudo realizou-se uma avaliação do risco ocupacional relacionado com a exposição dos trabalhadores do Serviço de Anatomia Patológica (SAP) dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) a Formaldeído e Xileno. O Formaldeído é considerado como um dos compostos químicos mais utilizados no mundo. As suas aplicações são variadas e multifacetadas em diversas actividades, sendo de realçar a área da saúde onde é bastante utilizado. Recentemente, a International Agency for Research on Cancer (IARC) reclassificou-o como agente carcinogénico para o Homem, com base em estudos epidemiológicos de populações ocupacionalmente expostas. O Xileno que também pode ser designado por Xilol é um líquido incolor, insolúvel em água, de odor característico, nocivo e inflamável. De acordo com a classificação de carcinogenicidade ocupacional, a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH/95-96) considerou que o Xileno não se enquadra como carcinogénico para o Homem, mas pode originar irritação ocular e do trato respiratório superior, bem como afecção do sistema nervoso central. A avaliação da exposição ocupacional a Formaldeído foi efectuada através do equipamento RKI Instruments, Inc., Modelo FP-30, cuja gama de detecção varia entre 0 – 0,4 ppm, com um tempo de detecção de 30 minutos (1800 segundos). A avaliação da exposição ocupacional a Xileno foi efectuada através do Phocheck+ e o FirstCheck, que faz a leitura por detecção a partir do princípio da fotoionização. Esta câmara está desenhada para que a amostra se desloque através da janela de uma lâmpada ultravioleta, a qual emite partículas de luz, os fotões, de alta energia UV. Para o grupo de trabalhadores expostos a Formaldeído, constatou-se que em 52,9% das avaliações o valor obtido estava acima do máximo de concentração do agente químico no ar, valor que nunca deve ser excedido durante qualquer período de exposição, de acordo com os valores de referência da NP 1796/2007 e ACGIH. Para os trabalhadores expostos a Xileno verificaram-se valores acima do limite de exposição, tendo sido atingido um pico máximo de 329 ppm. O conjunto de dados obtidos contribui para a caracterização/quantificação da exposição dos trabalhadores do Serviço de Anatomia Patológica (SAP) dos HUC a Formaldeído e Xileno, podendo a sua análise dar um importante contributo para a alteração de algumas práticas de trabalho e para que as entidades responsáveis possam modificar / alterar alguns aspectos do ambiente de trabalho, tendo como objectivo a salvaguarda da saúde destes profissionais. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,570 | Efeito das estatinas na progressão da estenose aórtica calcificada | Estenose aórtica,Inibidores da hidroximatil-glutaril-CoA reductases | A estenose aórtica é a doença valvular mais comum no mundo ocidental e quando se apresenta em formas clínicas ligeiras e moderadas é bem tolerada. No entanto, quando evolui para formas mais graves, como a estenose aórtica severa calcificada, está associada a níveis significativos de morbilidade e mortalidade. A sua fisiopatologia apresenta semelhanças com os processos de aterosclerose, nomeadamente no que toca a fenómenos inflamatórios locais e a hipercolesterolémia. Estudos prospectivos têm sido realizados no sentido de avaliar a eficácia e contributo da terapêutica intensiva com estatinas na regressão ou estabilização do curso natural da estenose aórtica. Procurou-se assim realizar uma análise que privilegiasse os estudos randomizados de maior evidência científica, de forma a concluir acerca da potencial utilidade desta terapêutica. Dos 6 estudos prospectivos publicados, 4 são de desenho randomizado. Todos eles avaliaram dados clínicos, bioquímicos e ecográficos de progressão de follow-up. Todos os estudos randomizados indicam que as estatinas não são benéficas para o controlo da estenose aórtica, confirmando, no entanto, o potencial pleiotrópico das mesmas na diminuição de LDL e PCR. Assim, o uso de estatinas para o controlo da progressão da estenose aórtica não está recomendado em doentes que não apresentem outras indicações clínicas para tal, como hipercolesterolémia ou doença coronária isquémica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,571 | Establishment of an in vivo model of human hematopoiesis on a three-dimensional (3D) humanized stroma | Medula óssea,Transplante de células estaminais hematopoiéticas | O transplante de células progenitoras/estaminais hematopoiéticas do sangue do cordão umbilical (SCU) é uma das terapias disponíveis para a clínica e uma área em expansão na investigação. O obstáculo principal da utilização destes progenitores está associado a uma lenta recuperação dos doentes, levando a um aumento no risco de falência do enxerto, incrementando a incidência de mortalidade nestes doentes. Esta limitação pode ser ultrapassada quando os factores que influenciam o sucesso do enxerto de SCU forem conhecidos, sendo crucial o estudo das interacções que ocorrem entre as células progenitoras e o seu ambiente (estroma). Ainda não estão estabelecidos modelos experimentais empregando estromas a 3 dimensões (3D) que criam uma analogia ao complexo sistema que ocorre na medula óssea (MO) para estudos in vitro, sendo crucial o seu desenvolvimento. Neste trabalho procurou-se estabelecer um “nicho” artificial de MO usando um biomaterial - Conduit-TCP (3D), juntamente com células precursoras mesenquimatosas humanas de medula óssea. Estas células foram diferenciadas a estroma utilizando técnicas clássicas de cultivo a longo prazo de medula óssea. Para atingir o objectivo do estudo as células CD34+ de SCU foram cultivadas durante cinco semanas neste “nicho” a 3D, que demonstrou capacidade durante o tempo de cultura de manter em estado imaturo as células progenitoras hematopoiéticas. A produção de colónias (CFU-GM) provenientes destes sistemas é superior à produção de colónias quando comparados com o sistema de cultivo convencional a duas dimensões, contudo não são diferenças significativas. Para complementar a estudos in vitro, desenvolvemos um modelo experimental in vivo de forma a avaliar a capacidade de enxerto das células expandidas neste “nicho” artificial, para tal implantamos subcutaneamente este biomaterial proveniente de cultivos com 4 e 5 semanas em murganhos NOD/SCID (animais imunossuprimidos). Na terceira e sexta semana após o xenotransplante o grupo onde foram implantados os biomateriais com menos tempo de cultivo (4 semanas), apresentavam maior recuperação hematopoiética de células humanas (CD45+). Quando se compara com o grupo standard em que o “nicho” foi construído in vivo, verificamos um maior nível de células humanas CD45+ no sangue periférico nas três semanas pós-transplante e em medula óssea na sexta semana pós-transplante, com regeneração medular mielóide (CD13+) para o grupo experimental. No grupo standard as células CD34+ foram transplantadas 7 semanas após indução in vivo das células mesenquimatosas a estroma em que se verificou maior enxerto de células CD19+ quando as células CD34+ foram transplantadas por via intravenosa, contudo quando subcutaneamente transplantadas esta linhagem linfóide diminuía. Quando finalizadas as 6 semanas foram realizados estudos ex vivo por histologia, imunohistoquímica e imunofluorescência ao biomaterial subcutaneamente implantado e aos fémur dos animais dos diferentes grupos. No caso dos grupos em que foram transplantados com o “nicho” (biomaterial+estroma+célulasCD34+) construído in vitro as células progenitoras hematopoieticas conseguiram migrar (homing) deste sistema para a medula óssea dos animais. Verificou-se regeneração de novo tecido no ConduitTMTCP em que as células mesenquimatosas humanas não só contribuíram para a formação do estroma nestes implantes como também na angiogénese. Um dado muito interessante foi a confirmação de que estas células similarmente as células humanas hematopoiéticas também foram capazes de migrar para a medula óssea murina encontrando-se principalmente na zona endosteal Em resumo, o nicho medular construído in vitro num sistema a 3D permitiu o crescimento, diferenciação e migração das células progenitoras hematopoieticas criando uma analogia ao ambiente da medula óssea humana, o que permitiu a manutenção e proliferação de células hematopoiéticas in vivo e in vitro. Este modelo permite o estudo da hematopoiese normal e patológica e sua relação com o estroma. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,572 | Auto-eficácia em pessoas com diabetes mellitus tipo 2 insulinotratadas | Diabetes mellitus do tipo 2,Medicina comportamental,Adesão à medicação,Auto-eficácia | A Diabetes Mellitus é uma das primeiras causas de morbilidade e mortalidade no mundo. A rápida evolução epidemiológica global registada nos últimos anos - aumento da prevalência e da incidência - leva a que a Diabetes seja considerada uma das pandemias do século XXI.De acordo com dados do Atlas da International Diabetes Federation (IDF),5ª edição 2011, existiu uma prevalência global de 8,3% e estima-se para 2030 um valor de 9,9%. No entanto, de acordo com o Estudo de Prevalência da Diabetes em Portugal (PREVADIAB 2011; Relatório Anual do Observatório da Diabetes), a prevalência total ajustada à população em 2010 foi de 12,4%, ou seja, superior à estimativa IDF para 2030 e uma das mais elevadas da UE. Cerca de 1/3 da população Portuguesa (20-79 anos) ou tem Diabetes ou uma maior predisposição para o desenvolvimento desta doença (Pré-Diabetes):7,0% prevalência diabetes diagnosticada e 5,4% não diagnosticada. Constata-se assim que esta patologia está a evoluir de forma inesperada, atingindo um número não previsível de pessoas. Além disso, trata-se duma doença crónica com elevados custos sociais e económicos. Viver com uma doença como a Diabetes Mellitus atinge todos os aspectos do quotidiano devido às exigências que impõe no estilo de vida dos indivíduos. O trabalho que se apresenta, tem como finalidade investigar um factor cognitivo da teoria de Bandura, a “Auto-eficácia” e a sua correlação com a dificuldade na adesão terapêutica à alimentação, ao exercício físico e administração de insulina nas pessoas com diabetes tipo 2 insulinotratadas, incluindo indicadores e variáveis sócio-demográficas. O estudo foi desenvolvido no Hospital da Universidade de Coimbra, EPE no Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, na consulta de diabetologia, às quintas -feiras, durante os meses de Abril e Maio de 2011. A amostra que constitui o presente estudo de investigação é de conveniência, sendo constituída por 63 pessoas com diabetes tipo2 insulinotratadas, com idades compreendidas entre os 20 e os 80 anos e doença diagnosticada pelo menos há um ano. 9 A técnica de recolha de dados realizou-se através dum guião de entrevista semi-estruturado, desenvolvido específicamente para este estudo e de uma “escala de auto-eficácia-SEDS” (Grossman, Brink & Hauser, 1987), traduzida e adaptada para Portugal por Mª da Graça Pereira e Paulo Almeida (Setembro, 2004). Esta escala baseia-se na teoria da auto-eficácia de Bandura e pretende avaliar as percepções pessoais relativas à competência, capacidades e meios para os pacientes lidarem adequadamente e com grau de sucesso, na Diabetes. Recorreu-se a uma análise quantitativa, com estatística descritiva e correlacional para análise da escala e do guião de entrevista. O estudo efectuado foi do tipo transversal. Os resultados constatam que os indivíduos têm níveis baixos para a auto-eficácia global e respectivas sub-escalas. A dificuldade de adesão para o regime alimentar e exercício físico são muito elevadas (93,7% e 95,2%, respectivamente), sendo a dificuldade de adesão para a administração de insulina baixa (7,9%). Os resultados do estudo de investigação comprovam as hipóteses formuladas. O estudo espera contribuir para uma ponderação no que respeita à abordagem holística das pessoas com Diabetes Mellitus tipo2 insulino- tratadas. Pretendemos com isso poder respeitar a pessoa doente com todas as suas características intrínsecas, onde a auto-eficácia se assume uma componente fundamental e também única na adesão aos comportamentos de saúde! | Ciências Médicas e da Saúde |
6,574 | Excesso de peso e obesidade nas crianças em idade escolar : prevalência e factores de risco | Excesso de peso -- criança,Obesidade -- criança | Este trabalho tem como objectivos gerais (1) determinar a prevalência de excesso de peso e da obesidade nas crianças em idade escolar do concelho de Mira e (2) investigar a associação entre o Índice de Massa Corporal das crianças (IMC) e o aleitamento materno, o peso à nascença, o IMC parental e o estatuto socioeconómico dos pais. A amostra envolve as crianças que frequentam o ensino básico no concelho de Mira autorizadas pelo seu encarregado de educação. É (1) efectuada uma medição do peso e da altura da criança e (2) um inquérito dirigido aos pais de forma a determinar a duração do aleitamento materno, o peso da criança à nascença, o IMC dos pais e o respectivo estatuto socioeconómico. O excesso de peso e a obesidade representam 35,7% das crianças medidas, sendo que a obesidade representa 16,3%. A grande maioria dos inquiridos do estudo encontra-se nas classes média baixa, média e média alta num total de 93,4%.As crianças que nasceram com peso favorável totalizam 81,1% da amostral. A percentagem de crianças com baixo peso é de 8,4 % enquanto a de excesso de peso é de 9,7%. As percentagens de tempo de amamentação insuficiente e favorável estão próximas, sendo a primeira de 42,7% e a segundo de apenas um pouco mais, 48,9%. Quanto ao tempo inadequado é relativamente baixa, 6,6%. Os pais com excesso de peso são 47,1%, segue-se os de peso normal, 31,7%. A obesidade de grau I representa 10,6% e as restantes categorias, baixo peso e obesidade grau II, representam respectivamente, 0,4% e 0,9% do universo em estudo. A percentagem de mães com excesso de peso é elevada (30,8%) e até a obesidade de grau I é considerável (9,3%). Quanto às mães com baixo peso e obesidade de grau II apresentam baixas percentagens, respectivamente, 3,1% e 4,4 %. Existem diferenças significativas no IMC das crianças quando comparadas com a duração do aleitamento materno e com o IMC do pai. Não existindo diferenças significativas quando comparadas com o estatuto socioeconómico, com o peso à nascença e com o IMC da mãe. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,575 | Manifestações somáticas da depressão do idoso | Depressão,Idoso,Sintomas | Introdução: A esperança média de vida e a prevalência da depressão têm vindo a aumentar progressivamente, sendo previsível que mantenham esta tendência, nos próximos anos. Nos idosos, uma das particularidades desta patologia é o predomínio de manifestações de sintomas somáticos, em relação aos sintomas do humor. Este facto pode protelar o diagnóstico, e consequentemente o tratamento, especialmente se co-existe patologia médica. Objectivos: Analisar as características particulares das manifestações somáticas na depressão do idoso, a sua influência nas estratégias para diagnóstico e tratamento e o seu reflexo no prognóstico da mesma. Desenvolver a influência das particularidades da depressão geriátrica, no desempenho do clínico geral e suas dificuldades na abordagem desta situação, bem como a necessidade de cuidados psiquiátricos diferenciados. Desenvolvimento: A apresentação clínica da depressão é menos evidente no idoso que no jovem. Muitas vezes, a depressão exprime-se apenas por sintomas somáticos ou modificações do comportamento habitual, frequentemente subestimadas nos idosos, por serem relacionadas com a comorbilidade médica, a polimedicação ou as alterações próprias da idade. Estes sintomas estão associados a recorrência mais frequente aos serviços de saúde e a sua severidade é proporcional à gravidade da depressão. A DSM-IV e a ICD-10 contemplam os sintomas somáticos, mas não estão adaptadas às especificidades da depressão no idoso. A primeira tem mesmo recomendações específicas para excluir os sintomas somáticos claramente associados a patologia médica, no entanto, muitas vezes, essa destrinça não é fácil, tendo surgido várias abordagens diagnósticas dos sintomas somáticos, tentando dar resposta a este dilema. Não obstante, não há consensos quanto à maior validade de qualquer uma delas sobre as outras. As escalas de avaliação da depressão são também importantes no idoso, como forma de acesso rápido e simples. A utilização de escalas com ou sem sintomas somáticos não reúne consenso entre os vários autores. Consequentemente, o diagnóstico da depressão do idoso não é fácil, estimando-se que seja bastante subestimado, especialmente nos cuidados primários de saúde, onde o idoso mais recorre, mas onde o clínico geral se depara com inúmeros entraves. A par do diagnóstico, também o tratamento é muito importante, assumindo algumas particularidades no idoso e podendo ser necessária a colaboração do psiquiatra, na tentativa de melhorar o prognóstico. Conclusões: A principal implicação dos sintomas somáticos na depressão do idoso é no diagnóstico, onde o seu uso como critérios de depressão deve ser prudente, atendendo-se à sua forma de aparecimento, à gravidade e às características particulares do doente. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,576 | Sintomas não-motores da doença de Parkinson | Doença de Parkinson,Sintomas | A Doença de Parkinson é considerada uma doença movimento paradigmática, cujo diagnóstico se baseia essencialmente no reconhecimento dos sintomas motores “clássicos”, tais como acinésia, tremor em repouso e rigidez; estes sintomas estão relacionados com o défice dopaminérgico subsequente à degenerescência da substantia nigra pars compacta. No entanto, cada vez mais tem vindo a ser focado um espectro de sintomas não-motores que afectam a grande maioria dos doentes, contribuindo para incapacidade marcada e impacto negativo na qualidade de vida. A sua etiologia é multifactorial, estando provavelmente envolvidos mecanismos de degenerescência não só das vias dopaminérgicas, como também de vias não-dopaminérgicas. Apesar de serem muito comuns, permanecem sub-reconhecidos e subtratados, ainda que existam fármacos disponíveis e eficazes no tratamento de alguns destes sintomas, nomeadamente a obstipação e a depressão. Outros podem ser mais difíceis de controlar, não respondendo à terapêutica dopaminérgica, constituindo um desafio para futuras estratégias terapêuticas. Este trabalho tem como objectivo fazer a revisão detalhada da literatura existente acerca dos sintomas não-motores e recentes avanços no conhecimento da doença, com especial relevo para perturbações do sono, alterações neuropsiquiátricas, desautonomia e disfunção sensorial. Chamamos a atenção para o facto de algumas destas alterações surgirem ainda antes dos sintomas motores, ou mesmo antes da doença clinicamente manifesta, tal como a disfunção do olfacto ou a Perturbação do Sono REM (Rapid-Eye Movement Sleep Behaviour Disorder); estes achados suportam a hipótese clinicopatológica proposta por Braak, o que poderá constituir uma base científica para a utilização futura de ferramentas de rastreio e diagnóstico precoce desta afecção. Deste modo, poderá aprofundar-se o conhecimento acerca do seu processo neuropatológico e, consequentemente, desenvolver novos fármacos com capacidade de atrasar ou mesmo prevenir a progressão da doença. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,577 | Stress e burnout nos médicos de família de Coimbra no contexto dos dois modelos organizacionais dos cuidados de saúde primários | Medicina familiar,Cuidados primários de saúde,Stresse,Saúde ocupacional,Médicos,Esgotamento profissional | O stress é uma resposta adaptativa e necessária ao ser humano, que o tem ajudado a vencer a dura batalha da sobrevivência. Mas, quando é intenso, repetitivo e prolongado determina consequências preocupantes que podem lesar o bem-estar e a saúde do indivíduo. Reconhecidamente, os médicos ocupam o topo das profissões “stressantes”. O síndrome de burnout traduz o esgotamento profissional com importantes repercussões a nível físico e psicológico. Afeta o desempenho profissional, o relacionamento interpessoal, a produtividade, mas também a qualidade de vida do indivíduo e a dinâmica da organização. A OMS considera o síndrome de burnout como um dos problemas de saúde mais graves da atualidade, não só pela alta prevalência do fenómeno em profissionais de saúde, como também pelas possíveis consequências na população assistida por esses profissionais. Num estudo realizado em Portugal, em 1998, Pinto Leal concluiu que 52,4% dos médicos de família estavam em burnout. O problema é mais prevalente nos médicos de família, depois nos médicos hospitalares, e sem significado nos clínicos que apenas desempenham funções administrativas. É objetivo deste trabalho avaliar a vulnerabilidade ao stress, determinar a prevalência de burnout, e se existe relação entre stress e burnout, comparando o que se passa nos médicos de família das Unidades de Saúde Familiar (USF) com aquilo que se passa nos médicos de família das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP). Trata-se de um estudo observacional, transversal e analítico. O estudo tem como população alvo os médicos de família a exercer funções clínicas nos três agrupamentos de Centros de Saúde do Baixo Mondego, nos dois modelos organizacionais de Cuidados de Saúde Primários: USF e UCSP. Seleciona-se uma amostra aleatória simples de unidades de saúde. A cada unidade de saúde atribui-se um número e extraem-se sucessivamente e sem reposição, um número tal de unidades de saúde até perfazer um total de 135 médicos de família (ou seja 60% dos 226 médicos que no total fazem parte dos 3 ACES, de acordo com os dados fornecidos pela Administração Regional de Saúde do Centro). De seguida, nas unidades de saúde selecionadas, a cada médico de família que consinta colaborar no estudo, será solicitado que responda de forma confidencial e anónima a um questionário constituído por questões sociodemograficas e profissionais e duas escalas: Questionário de Vulnerabilidade ao Stress (23QVS; Vaz Serra, 2000) e Inventário de Burnout de Maslach (Maslach, Leiter, 1996; Nunes, 1999). Os dados serão tratados por análise quantitativa (descritiva e inferencial), no programa SPSS, versão 17.0. Não existem estudos que comparem a prevalência de stress e burnout nos médicos de família que trabalham em USF e UCSP. Suspeita-se que o burnout esteja em crescimento entre os médicos de família, podendo o novo modelo organizacional dos Cuidados de Saúde Primários, ser determinante e diferenciador na resposta a este fenómeno. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,579 | Influência do tabagismo passivo na expressão clínica e funcional da asma, em crianças e jovens | Saúde pública,Criança,Asma -- epidemiologia,Tabagismo passivo -- efeitos adersos | Introdução: Os asmáticos, segundo vários autores, são mais vulneráveis às consequências nefastas do tabagismo passivo. Pretendemos avaliar se existia influência do tabagismo passivo, por parte dos pais, na expressão clínica e na função respiratória, de crianças e jovens asmáticos. Metodologia: Foram estudados 38 asmáticos, (6 e os 16 anos), acompanhados em consultas de especialidade. As 44 crianças não asmáticas (6 e os 10 anos), frequentavam o primeiro ciclo do ensino básico de uma escola pública. Todas as crianças realizaram espirometria. A todos os pais foi aplicado um questionário sobre hábitos tabágicos. Os asmáticos, também responderam a um questionário (ACT) sobre o seu nível de controlo da doença. Foi realizado um estudo observacional, tipo caso-controlo. Os resultados dos testes de hipótese foram considerados significativos para um nível de significância p≤0,05. Resultados: Das 82 crianças estudadas (9±2,5 anos), 42,7% viviam com fumadores (com maior significado para as raparigas) e 20,7% estavam efectivamente expostos ao fumo passivo. Mais de metade dos asmáticos (60,5%) já tinham coabitado com fumadores, e destes, 34,2% sofriam efectivamente de exposição ao fumo passivo dos seus pais. Entre asma e tabagismo passivo efectivo encontrámos uma relação estatisticamente significativa. O IT foi o parâmetro ventilatório que apresentou maior diminuição nos que coabitavam com fumadores. Crianças mais novas que já viveram com fumadores, apresentaram os ACT’s com menor pontuação. Conclusão: Tabagismo passivo pareceu de facto estar associado à asma infantil, com repercussão nos níveis de controlo da doença. A coabitação com fumadores revelou associar-se a uma tendência para níveis de função respiratória mais baixa nas crianças e jovens estudados. Emerge a sensibilização para os pais não fumarem na presença dos filhos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,580 | Avaliação do risco de queda no idoso e estratégias preventivas | Queda,Idoso,Fatores de Risco,Avaliação do Risco,Prevenção de Quedas | A população idosa tem vindo a crescer rapidamente nos últimos anos. Como o risco de queda aumenta com a idade, estima-se um aumento da incidência de quedas na população geriátrica. As quedas constituem uma das principais causas de lesão, hospitalização e morte nos idosos. Consequências psicológicas, como o medo de cair e a perda de confiança, levam a limitação funcional, com diminuição da interação social e risco de institucionalização precoce. Para além disso, contribuem com um gasto económico significativo. Por estas razões, as quedas nos idosos constituem um problema de saúde pública, que requer uma atuação preventiva. Como as quedas resultam de uma interação entre fatores de risco, os métodos preventivos compostos por vários componentes são os mais aceites. Destes, a intervenção multifatorial foi a que demonstrou maior eficácia na redução do risco de queda. Este método recorre a uma avaliação prévia, de forma a identificar os fatores de risco que o idoso apresenta. Existem diversos instrumentos de rastreio e avaliação do risco de queda. A escolha dos instrumentos deve basear-se na história do paciente, nos recursos disponíveis e no meio onde se encontra. Após identificar os fatores de risco, deve ser implementada uma estratégia preventiva dirigida aos fatores de risco encontrados. Os componentes preventivos que demonstraram maior evidência de eficácia foram os programas de exercício, a suplementação com vitamina D, a minimização da medicação, a correção de problemas visuais, o tratamento de patologias cardiovasculares e a intervenção ambiental. Este trabalho de revisão tem como objetivo apresentar uma revisão atualizada e crítica das publicações existentes sobre fatores de risco de queda no idoso, dos métodos de avaliação do risco e das estratégias preventivas. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,581 | Viabilidade e prematuridade: há limites? : abordagem clínica e ética | Ética clínica,viabilidade fetal,prematuridade extrema,abordagens éticas ao nascer | Objectivos – A actual diminuição do limite da viabilidade permite uma menor mortalidade de recém-nascidos (RN) prematuros extremos. Contudo, o custo é uma morbilidade que não diminui proporcionalmente, com consequências e limites que devem ser discutidos, numa temática cada vez mais actual e presente na Medicina Neonatal. O presente trabalho teve como objectivo a promoção da reflexão em torno do tema, cada vez mais pertinente, através da exposição dos aspectos clínicos a considerar e consequente abordagem dos aspectos éticos das tomadas de decisão, dando particular ênfase ao papel das equipas de profissionais, assim como dos pais. Métodos - Efectuou-se uma pesquisa da literatura nacional e internacional, nomeadamente através da base de dados online PubMed. Utilizaram-se também como fontes bibliográficas outros documentos como convenções, relatórios e declarações. Resultados – Realçam-se os aspectos clínicos, como a actuação de acordo com a idade gestacional e complicações possíveis a curto e longo prazo. Fazem-se considerações de carácter ético: a vulnerabilidade do RN, abordagens éticas ao nascer e dificuldades na tomada de decisão, envolvimento dos pais (aconselhamento, comunicação e consentimento) e conflitos de interesse, bem como aspectos socio económicos; integrando os princípios da ética médica como base de todo o trabalho. Conclusões – A capacidade de actuação na prematuridade extrema e os limites da aplicação das técnicas existentes levantam questões clínicas e sobretudo éticas, que ainda não encontram consenso entre profissionais de saúde, e que muitas vezes levam a falhas na comunicação com os pais, dificultando as tomadas de decisão. É cada vez mais importante uma maior sensibilização para este tema, e uma discussão dos limites éticos de tratamento, investimento e actuação, numa medicina cada vez mais técnica, mas que não pode deixar de ser humana. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,582 | Pé diabético: prevenção | Diabetes mellitus,Pé diabético | Introdução: A identificação dos pacientes diabéticos em risco de desenvolver úlceras do pé, e a necessidade da implementação de medidas preventivas justifica-se pela frequência e gravidade das amputações que daí resultam e as suas consequências tanto a nível médico, social e económico. Objectivos: Revisão da eficácia de métodos dirigidos a prevenção de úlceras no pé diabético. Foi realizada uma pesquisa na base de dados da Medline/Pubmed e fontes documentais de referência. Não foram colocados limites temporais à pesquisa. Desenvolvimento: A prevenção de ulceração no pé diabético inicia-se pela pesquisa da neuropatia e baseia-se essencialmente no teste do Semmes-Weinstein monofilamento 10g, sendo a perda da sensibilidade termo-álgica o principal factor de risco. A doença vascular periférica associada a isquémia tecidular, é um factor agravante e deve ser estudada pela medição regular do índice tornozelo-braço, podendo necessitar de um estudo complementar pela determinação da pressão parcial de oxigénio transcutânea. Essas medidas juntamente com a elaboração de uma história clínica e de um exame físico minucioso na pesquisa de lesões pré-ulcerativas, completado pelo exame sistemático do calçado, permite aos profissionais de saúde estratificar o risco lesional e determinar qual o tipo de intervenção a por em prática. A graduação do risco faz-se em 4 graus. Os graus 2 e 3 justificam cuidados prioritários. As medidas interventivas passam essencialmente pela educação do paciente diabético, centrada na sensibilização do doente e familiares quanto a perda da sensibilidade termo-álgica e suas consequências e quais os cuidados de higiene a terem em conta. Outras medidas preventivas incluem a optimização do controlo glicémico e o tratamento de outros factores de risco cardiovasculares, cuidados podológicos nomeadamente o desbridamento de calos e tratamento de onicomicoses. Doentes com deformações dos pés apresentando evidências de grande pressão plantar beneficiam do uso de palmilhas e/ou calçado a medida. Casos seleccionados podem beneficiar de intervenções cirúrgicas. Conclusão: Realça-se a importância do rastreio de todos os pacientes diabéticos quanto ao risco de desenvolver lesões do pé. As medidas interventivas a serem postas em prática devem ser adaptadas ao risco lesional e ao paciente. Baseiam-se numa abordagem multidisciplinar sendo essencial a criação de consultas profilácticas nos cuidados de saúde primária, já incluídas no Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,583 | Percepção de prática centrada no paciente, satisfação com a consulta e adesão à terapêutica em adultos surdos e não surdos | PMCD,Surdos,população geral,PPCD-16,satisfação, adesão, percepção de saúde | Introdução: A Prática da Medicina Centrada no Doente (PMCD) é particularmente desafiante para a população de Surdos, que enfrenta dificuldades no acesso aos serviços de saúde, fundamentalmente pelas barreiras de comunicação. Objetivos: Pretende-se comparar a percepção de PMCD, relativamente à última consulta médica, a satisfação com a consulta, a adesão e a perceção de saúde entre um grupo de adultos Surdos e um grupo de adultos da população geral; analisar a relação entre estas variáveis no grupo de adultos surdos. Materiais e Métodos: Adultos da população geral (n=1335) e adultos Surdos (n=36) de diferentes Associações Nacionais responderam à versão portuguesa validada do questionário de auto-resposta Percepção de Prática Centrada no Doente (PPCD-16) e a questões sobre satisfação, adesão e percepção de saúde. A sub-amostra de Surdos teve a opção de visionar um vídeo com a tradução do inquérito para Língua Gestual Portuguesa/LGP. Resultados: As duas sub-amostras não diferiram significativamente nas pontuações total e dimensionais do PPCD-16; apenas em 5 de 16 itens, relacionados com a percepção do motivo da consulta e a preocupação do médico com o doente, a sub-amostra de Surdos revelou pontuações significativamente inferiores (p<.05). O mesmo se verificou relativamente à satisfação, adesão e percepção de saúde física e psicológica (p<.01). A pontuação total e dimensionais da PPCD-16 relacionara-se significativa (p<.05), positiva e com magnitude moderada a elevada com a satisfação e com a adesão (≈.50). A pontuação total da PPCD-16 e a dimensão Compreensão e empatia foram preditores significativos da satisfação e da adesão (p<.001). Discussão: Apesar de não terem sido evidenciadas diferenças significativas em relação à população geral nas pontuações do PPCD-16, os participantes Surdos consideram que “muitas vezes”, não conseguem compreender e ser compreendidos pelo médico, mesmo quando estão acompanhados. Estes factores podem contribuir para a sua pior satisfação e adesão. São necessários mais estudos para testar se o recurso a intérpretes de LGP melhora a PPCD. Importa continuar a investigar e a promover a PMCD, nas populações com necessidades especiais, nomeadamente na população surda, onde está associada a melhores resultados em saúde. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,585 | Complicações urológicas do transplante renal: factores de risco e influência na sobrevivência do enxerto | Transplantação do rim,Factores de risco,Complicações pós-operatórias | Introdução: As complicações urológicas do transplante renal são responsáveis por uma significativa morbilidade e mortalidade. A sua incidência tem vindo a diminuir ao longo dos anos, quer devido a uma melhor imunossupressão, quer devido a melhoramentos das técnicas cirúrgicas, encontrando-se, nos dias de hoje, entre os 2,5% e os 14,1%. Objectivos: Este estudo teve como objectivo encontrar factores de risco associados às complicações urológicas do transplante renal e determinar a influência destas na evolução do transplante. Metodologia: Recorrendo à base de dados do Serviço de Urologia e Transplantação Renal dos Hospitais da Universidade de Coimbra, fez-se uma análise retrospectiva de 1864 transplantes consecutivos realizados desde 1980 até 30 de Junho de 2009. Caracterizou-se a amostra e recorreu-se a testes estatísticos para determinar a relação das variáveis com a ocorrência de complicações urológicas. Resultados: Registaram-se 119 (6,4%) casos de complicações urológicas, sendo que 45 (2,4%) foram fístula, 38 (2,0%) obstrução e 29 (1,6%) estenose. Houve ainda 3 (0,2%) casos de litíase renal, 2 (0,1%) de refluxo vesico-uretérico, 1 caso de calcificação do cateter duplo-J e 1 de cateter uretérico partido. Identificaram-se os seguintes factores de risco: patologia urológica prévia, uso de soluto de perfusão Eurocollins, implante renal à esquerda, transplante complicado, cirurgia prolongada e imunossupressão com ciclosporina. Conclusão: As complicações urológicas são uma complicação cirúrgica frequente do transplante renal, sendo a fístula urinária a mais frequente e precoce. O seu tratamento cirúrgico não teve influência na perda do enxerto; no entanto, verificou-se que os doentes com complicações urológicas tiveram menor sobrevivência do enxerto e maior mortalidade. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,586 | Linfomas: síntese anátomo-clínica | Linfoma | As neoplasias linfóides têm um espectro clínico que varia entre as mais indolentes e as mais agressivas das neoplasias humanas. Estes cancros têm origem nas células do sistema imunitário nos seus diferentes estádios de diferenciação, podendo apresentar-se como leucemia (isto é, envolvimento primário do sangue e medula óssea) ou como um linfoma (um tumor sólido do sistema imunitário), embora esta apresentação não seja estanque (podendo ocorrer transformação dum linfoma numa leucemia). Os linfomas mais frequentes são o Linfoma B Difuso de Células Grandes e o Linfoma Folicular, manifestam-se habitualmente por linfadenopatia(s), massa extranodal e/ou sinais de envolvimento medular, com ou sem sintomas sistémicos. A imunohistoquímica aplicada à biopsia estabelece o diagnóstico definitivo, utilizando comummente os marcadores CD20, CD79a, CD10, BCL-6, BCL-2 e o CD5. Estes, aliados à morfologia, permitem estabelecer o diagnóstico diferencial com outros linfomas de células grandes (no caso do primeiro) ou de células pequenas (no segundo). O linfoma de Hodgkin é historicamente segregado das outras neoplasias linfóides, muito devido à ausência de positividade para marcadores de linhagem B ou T. Actualmente considerado (na maioria dos casos) de origem B, a análise morfológica e a marcação das suas células características com CD30 e CD15 definem o seu diagnóstico, auxiliando na distinção com outros linfomas de células grandes. Tendo como pilar a Classificação 2008 da Organização Mundial de Saúde das Neoplasias Hematopoiéticas e dos Tecidos Linfóides, este trabalho abordou a classificação dos linfomas, com particular ênfase para a sua morfologia e imunofenotipagem, definindo a histologia clássica como "gold standard" para o diagnóstico destas neoplasias, integrando estes conhecimentos nos quadros clínicos respectivos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,587 | Resposta clínica tardia à fibrinólise endovenosa no acidente vascular cerebral isquémico agudo | recanalização precoce,melhoria tardia,NIHSS,idade,glicémia,resistência isquémica | Introdução: Em doentes com acidente vascular cerebral (AVC) isquémico agudo, a resposta clínica à fibrinólise endovenosa poderá ser bastante heterogénea. Alguns doentes com recanalização arterial precoce apresentam melhoria clínica apenas tardiamente. O principal objectivo deste estudo foi identificar preditores clínicos independentes de resposta tardia, em doentes com AVC isquémico agudo, com recanalização arterial precoce após a fibrinólise endovenosa. Metodologia: Efectuámos um estudo de coorte histórico incluindo todos os doentes, consecutivamente admitidos por AVC isquémico agudo e submetidos a fibrinólise endovenosa. A recanalização precoce foi avaliada por Ecografia-Doppler Transcraniana Codificada a Cores, definida como pontuação ≥ 4 na escala Thrombolysis in Brain Ischemia (TIBI) ou Angiografia por Tomografia Computadorizada com visualização de todas as artérias do território vascular sintomático. Definimos melhoria imediata como redução ≥ 4 pontos na National Institute of Health Stroke Scale (NIHSS) às 2 horas após a fibrinólise e modified Rankin Scale (mRS) ≤ 2 pontos aos 3 meses após o AVC; melhoria tardia como redução < 4 pontos, agravamento ou ausência de alteração na NIHSS às 2 horas, mas com mRS ≤ 2 pontos aos 3 meses após o AVC; e ausência de melhoria como mRS > 2 aos 3 meses após o AVC. Efectuámos análise estatística utilizando os seguintes testes: χ2, t-Student e análise de regressão logística multivariável. Resultados: Estudámos uma amostra de 269 doentes, com idade média de 72.57±11.27 anos, sendo 148(55%) do sexo masculino. Identificámos 91(33.83%) doentes com melhoria imediata, 73(27.14%) com melhoria tardia e 105(39.3%) sem melhoria. Pela análise de regressão logística multivariável identificámos três preditores clínicos independentes: NIHSS à entrada (OR = 0.824; IC 95%: 0.763-0.889, p < 0.001), idade (OR = 0.924; IC 95%: 0.884-0.966; p = 0.001) e glicémia à entrada (OR = 0.990; IC 95%: 0.981-0.998; p = 0.017). Discussão e Conclusões: NIHSS à entrada, idade e glicémia à entrada são preditores clínicos independentes de resposta tardia em doentes com AVC isquémico agudo e recanalização arterial precoce após a fibrinólise endovenosa. Sugerimos que esta resposta tardia esteja associada ao fenómeno de “atordoamento” cerebral, sendo influenciada por mecanismos fisiopatológicos que diminuem a resistência à isquémia. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,588 | Fracturas patológicas da diáfise umeral : tratamento com cavilha intramedular | Fracturas do úmero,Patologia,Tratamento | Apesar dos avanços nos tratamentos oncológicos terem aumentado a esperança média de vida dos doentes com cancro, o tratamento de fracturas patológicas continua a ser paliativo, devendo a abordagem terapêutica centrar-se no alívio sintomático e na restituição da função, idealmente sem necessidade de nova intervenção durante a restante vida do doente. O propósito deste estudo é analisar os resultados obtidos com fixação intramedular com cavilha estática e sem rimagem de fracturas patológicas da diáfise do úmero. Neste contexto, foi realizada uma análise retrospectiva de 59 doentes (62 cavilhas) da Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor do Serviço de Ortopedia do CHUC, tratados com a cavilha Universal Humeral Nail por via retrógrada ou anterógrada. A idade média dos doentes foi de 64 anos, sendo 18 deles homens e 41 mulheres. Os tumores primários mais prevalentes na série estudada incluem carcinoma da mama (22), mieloma múltiplo (15), adenocarcinoma do pulmão (5) e tumor de células claras do rim (3). A duração média da cirurgia e do internamento pós-operatório foi, respectivamente, de 100 minutos e 8,13 dias. A sobrevida média pós-operatória foi de 12,1 meses, encontrando-se apenas um dos doentes vivo à data da colheita dos dados. Apenas um dos doentes necessitou de ser re-operado. Não foram encontrados casos de complicações peri-operatórias graves e todos os doentes receberam terapia adjuvante. O encavilhamento intramedular não rimado, tanto por via retrógrada como por via anterógrada, demonstrou ser um método rápido, efectivo e com baixa morbilidade na resolução das fracturas patológicas da diáfise do úmero, melhorando a qualidade de vida dos doentes. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,591 | Caracterização clínica e laboratorial de doentes com leucemia linfócita crónica: identificação de factores de prognóstico | Leucemia linfóide,Hematologia | Introdução: A Leucemia Linfocítica Crónica é uma das patologias linfoproliferativas mais frequentes no mundo ocidental. É caracterizada por linfocitose monoclonal persistente e adenopatias localizadas ou generalizadas. Apesar da apresentação clínica inicial, a evolução é heterogénea, o que se traduz por uma sobrevivência variável entre 2 a 12 anos. Para além dos factores de prognóstico clínicos, surgem novos marcadores citogenéticos com impacto na sobrevivência livre de doença e sobrevivência global dos doentes com Leucemia Linfocítica Crónica. Objectivo: Analisar as características clínicas e biológicas ao diagnóstico de doentes com Leucemia Linfocítica Crónica diagnosticados nos Hospitais da Universidade de Coimbra num período de 10 anos (1999-2009), e comparar com a evolução e a sobrevivência global dos doentes. Metodologia: Foi efectuado um estudo retrospectivo que identificou 159 doentes (90 homens e 69 mulheres) com Leucemia Linfocítica Crónica segundo os critérios de 2008 da Organização Mundial de Saúde, recorrendo a diferentes marcadores biológicos por citometria de fluxo e por FISH (fluorescence in situ hybridization). A análise estatística dos dados foi feita recorrendo à versão do SPSS 19.0. Resultados: Nos 159 doentes estudados, observou-se um predomínio do sexo masculino (M) relativamente ao feminino (F), sendo a relação M/F de 1.3:1 e a idade mediana ao diagnóstico de 73 anos (43-96). A forma de apresentação ao diagnóstico incluiu: linfocitose, com mediana de 15,5 G/L (5,4-173), adenopatias em 78 doentes (49%) e esplenomegália e/ou hepatomegália em 27 doentes (15%). Pelo sistema de estadiamento Rai, 63% dos doentes (n=100) pertenciam ao grupo de baixo risco, 27% (n=43) ao grupo de risco intermédio e 10% (n=16) ao grupo de alto risco. A expressão de ZAP-70 e CD38 por citometria de fluxo foi efectuada em 110 doentes e mostrou que 15 doentes (17%) tinham positividade para estes dois marcadores (CD38+; ZAP70+). O estudo das alterações cromossómicas por fluorescence in situ hybridization revelou que cinquenta e um doentes (32%) não tinham anomalias cromossómicas, cinquenta e um (32%) tinham delecção do 13q, vinte e dois (14%) trissomia 12, dezoito (11%) delecção do 11q e em dezoito doentes (11%) foi identificada a delecção do 17p. Sessenta (36%) doentes apresentaram doença progressiva num período mediano de dezoito meses (0-120). Pelo sistema de estadiamento de Rai modificado a sobrevivência global aos 5 anos foi de 93% para os doentes de baixo risco, 85% para os de risco intermédio e de 15% para os de alto risco. A sobrevivência global aos 5 anos para os doentes com a 13qdel, trissomia do 12, del11q e del17p foi de 90%, 88%, 58% e 49% respectivamente Conclusão: A Leucemia Linfocítica Crónica é actualmente considerada uma patologia de curso indolente, com um prognóstico favorável, mas com evolução progressiva variável. Este estudo retrospectivo permitiu caracterizar os doentes com Leucemia Linfocítica Crónica seguidos nos HUC nos últimos 10 anos e confirmar a importância da aplicação dos factores de prognóstico com impacto na sobrevivência dos doentes e na definição de grupos de risco. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,592 | O consumo de álcool em contexto escolar: influência do grupo de pares | Alcoolismo,Escola,Estudantes,Adolescente,Hábitos | A investigação sobre a temática do alcoolismo juvenil apresenta resultados preocupantes, na medida em o padrão de consumo caracteriza-se por um aumento da quantidade e da frequência do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens, uma diminuição da idade do primeiro contacto com esta substância, uma maior preferência por bebidas destiladas, com efeitos mais nocivos para a saúde, e uma diminuição das tradicionais diferenças de consumo entre rapazes e raparigas. Tendo em conta as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 9/2002 de 24 de Janeiro, que pretende dificultar o acesso dos jovens a bebidas alcoólicas, procuramos através do contacto com uma escola do concelho de Nelas, distrito de Viseu, perceber os hábitos de consumo de bebidas alcoólicas dos jovens em idade escolar, de modo a identificar as principais características do seu padrão de consumo. Os resultados mostram que até ao 9.º ano, a generalidade dos jovens tem a sua iniciação no consumo de bebidas alcoólicas, mas que é a partir do 10.º ano que a tendência de consumo se agrava, confirmando-se no 12.º ano, onde os hábitos de consumo regular parecem estar já instalados. O consumo de bebidas alcoólicas parece assumir, assim, um carácter de ritual iniciático no processo de integração dos adolescentes no grupo de pares. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,594 | Impacto da presença de calcificações arteriais intracranianas nos doentes submetidos a fibrinólise endovenosa por AVC isquémico | Calcificações arteriais intracranianas,Aterosclerose,AVC isquémico,Resultado funcional,Terapia fibrinolítica | Introdução: As calcificações arteriais intracranianas (CAI) ocorrem na aterosclerose avançada, sendo frequentemente encontradas em TC de doentes com AVC isquémico (AVCi). Desconhece-se se a sua presença influencia a eficácia da terapêutica fibrinolítica endovenosa, avaliada pelo estado funcional aos três meses. Métodos: Estudo observacional, de coorte histórica, que incluiu os doentes hospitalizados na Unidade de AVC do serviço de Neurologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), no período entre Janeiro de 2011 e Setembro de 2014, com diagnóstico de AVCi e submetidos a terapêutica fibrinolítica. As CAI foram avaliadas por neurorradiologistas a partir das TC realizadas à admissão, com ocultação dos dados da observação clínica. Para o cálculo do valor total do cálcio (VTC) foram utillizadas duas escalas previamente descritas na literatura médica, avaliando o segmento intracraniano de ambas as artérias carótidas intracranianas. O prognóstico funcional, avaliado aos 3 meses através da escala de Rankin modificada, foi dicotomizado em favorável (mRS≤2) e desfavorável (mRS>2). Os factores determinantes das CAI foram analisadas com teste de Mann Whitney e recorreu-se à regressão logística para analisar a relação com o resultado funcional. Resultados: Dos 388 doentes incluídos, 399 apresentavam CAI (87.4%). Estes apresentavam uma média de idades mais elevada (15.6 ± 6.62), com distribuição semelhante entre sexos e com incidência elevada de comorbilidades. A presença de CAI associou-se a um prognóstico desfavorável aos 3 meses (mRS >2). Porém essa relação é dependente da idade (p<0.001) e do valor de NIHSS à entrada (p<0.001). Relativamente à transformação hemorrágica, o VTC não demonstrou prever a sua ocorrência. Apenas o valor de NIHSS à entrada se associou positivamente a esta complicação da fibrinólise endovenosa (p<0.001). Constatou-se também que de acordo com a etiologia TOAST, só a doença dos pequenos vasos (p=0.044) se associou a um valor de cálcio superior, em comparação com os outros grupos etiológicos. Conclusão: As CAI têm uma elevada prevalência nos doentes com AVCi e os seus principais preditores são a idade, a avaliação funcional com NIHSS e a presença de diabetes mellitus, insuficiência cardíaca congestiva e doença arterial periférica. Estes resultados demonstram que a presença de CAI não condiciona, de forma independente, o resultado funcional aos três meses nos doentes com AVCi submetidos a terapêutica fibrinolítica endovenosa. As CAI estão associadas de forma positiva com a idade e a sua presença parece conferir uma maior gravidade inicial ao evento vascular. A presença de CAI também não se associou com a ocorrência de transformação hemorrágica no período agudo pós terapêutica com rt-PA. Só o valor da avaliação inicial pela NIHSS está ligado à ocorrência de transformação hemorrágica assintomática. Relativamente à associação de CAI com os subtipos etiológicos (TOAST), constatou-se que a sua presença ocorre preferencialmente em AVC por doença de pequenos vasos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,598 | Acidente vascular cerebral e demência vascular no idoso | demência vascular,demência pós-AVC,defeito cognitivo vascular,idoso | Em consequência de um fenómeno global de envelhecimento populacional, é expectável um aumento na prevalência de demência. A demência vascular é a segunda causa mais comum de demência, depois da doença de Alzheimer. Trata-se de uma entidade clínica bastante heterogénea, sendo o acidente vascular cerebral (AVC) um dos seus mecanismos subjacentes. No entanto, nem todos os doentes desenvolvem demência após AVC, e nem sempre ela é do tipo vascular. Idade avançada, características do AVC, as suas complicações, e evidências neuro-imagiológicas de lesão cerebral acrescida, parecem determinar o desenvolvimento de demência. Evitar a recorrência do AVC, através do controlo de fatores de risco vasculares é, por enquanto, a única forma reconhecida de prevenção. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,599 | Caracterização dos politraumatizados que recorrem à urgência de um hospital universitário (CHUC) | Trauma,TRISS,Emergência médica,Mortalidade | Introdução Neste estudo caracterizámos a população de politraumatizados que deu entrada na Urgência do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC) quanto à sua epidemiologia e quanto à gravidade do trauma. Avaliámos as medidas para estabilização dos doentes e o tempo de demora para as concretizar, assim como o resultado final dos episódios. Materiais e Métodos Realizámos um estudo prospectivo, observacional e descritivo baseado nas vítimas de trauma maiores de idade, que deram entrada na Urgência do CHUC entre 30/6/14 e 20/7/14. Foram incluídas todas as vítimas de trauma classificadas através dos discriminadores do sistema de triagem de Manchester como “Lesão Toraco-Abdominal”, “Traumatismo Crânio-Encefálico” (TCE), “Grande Traumatizado”, “Queda” e “Agressão”, que não apresentavam critérios de exclusão, durante um período total de 21 dias. Registámos a observação clínica e os parâmetros fisiológicos no momento da entrada na Urgência, os gestos e as atitudes executadas para estabilização do doente, bem como os tempos em que foram realizadas. Para cada doente registámos resultados de exames complementares, e caracterizámos a gravidade das lesões através do índice de trauma Trauma and Injury Severity Score (TRISS) a fim de comparar o prognóstico fornecido pelos índice de gravidade com a evolução do doente ao longo do tempo. Resultados Colhemos dados relativos a 579 doentes, com idades compreendidas entre os 18 e os 99 anos, dos quais 50,7% do sexo masculino. “Queda” foi a causa mais comum com 334 doentes, seguida por “Acidente de Viação” com 114 doentes. No total registaram-se 251 TCE e realizaram-se 233 tomografia axial computarizada crânio-encefálica (TAC-CE). Apurámos que o tempo médio desde a entrada do doente na Sala de Cirurgia até que a sutura seja realizada foi 52,47 minutos e que apenas 2 doentes necessitaram de transfusão de unidade de concentrado eritrocitário (UCE) para estabilização do choque hipovolémico. Cerca de 97,4% dos doentes apresentava escala de Glasgow (GCS) ≥13 sendo que 68,8% dos doentes teve alta para o domicílio e 14,5% foram internados no CHUC. Verificámos uma boa correlação entre a sobrevivência prevista pelo TRISS (98,3%) e a observada, em conjunto com uma menor mortalidade do que a prevista. Conclusão A generalidade do trauma admitido no CHUC foi de baixa gravidade. O trabalho desenvolvido em período pré-hospitalar e o atendimento prestado ao trauma no CHUC é de elevada qualidade. No CHUC, um valor TRISS inferior a 89% associa-se a um aumento da mortalidade em vítimas de trauma. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,601 | Biópsia de gânglio sentinela em melanomas espessos: estudo clínico retrospetivo | sentinel lymph node biopsy,malignant melanoma,survival analysis,disease free survival,overall survival,prognosis | Introdução: A biópsia de gânglio sentinela (BGS) é uma técnica utilizada rotineiramente no estadiamento de doentes com melanoma cutâneo, estando o seu valor prognóstico e terapêutico bem definido nos melanomas de espessura intermédia (1-4 mm). Contudo, nos melanomas espessos (>4 mm) existe ainda alguma controvérsia quanto à sua utilidade. Objetivo: Avaliar o valor prognóstico do status do gânglio sentinela em doentes com melanomas espessos. Material e Métodos: Utilizando curvas de Kaplan-Meier e o modelo de regressão de Cox calcularam-se o tempo livre de doença (TLD) e o tempo de sobrevivência global (TSG) numa amostra de doentes com diagnóstico de melanoma espesso. O efeito de variáveis como idade, sexo, espessura do melanoma, presença de ulceração, tipo e localização do melanoma, no TSG e no TLD destes doentes também foi avaliado. Resultados: Estudaram-se 43 doentes com melanoma espesso (21 do sexo feminino e 22 do sexo masculino), com uma média etária de 63,88 anos. A BGS revelou-se positiva em 20 doentes (46.5%) e negativa em 23 (53.5%). O tempo médio de seguimento foi de 40 meses. Um total de 15 doentes (35%) morreram em relação com a progressão do melanoma e 22 doentes (51%) sofreram recidiva, não havendo diferença estatisticamente significativa entre o grupo de BGS positiva e o grupo de BGS negativa. A TSG foi tendencialmente menor nos doentes com BGS positiva (taxa de sobrevivência aos 5 anos de 52% versus 79% no grupo de BGS negativa). No entanto, esta tendência não atingiu significado estatístico. Os doentes com BGS negativa apresentaram um maior TLD, em comparação com os doentes com BGS positiva (taxa de sobrevivência livre de doença aos 5 anos de 63% versus 19%, respetivamente, com significado estatístico). A única variável que demonstrou influenciar o TSG e o TLD foi a espessura do melanoma. Conclusão: Este trabalho demonstrou que a BGS não prediz o tempo de sobrevivência global em melanomas espessos, provavelmente devido ao elevado risco de disseminação hematogénea. Contudo, o estado do gânglio sentinela contribui com importante informação prognóstica, uma vez que é um importante preditor do tempo livre de doença. Por este motivo, a biópsia do gânglio sentinela deve ser recomendada a todos os doentes com melanoma espesso. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,602 | Transplante hepático sequencial: o fim de uma técnica cirúrgica? | Transplante Hepático Sequencial,Polineuropatia Amiloidótica Adquirida | O Transplante Hepático Sequencial (THS) utilizando fígados de doentes com Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) é um procedimento cirúrgico introduzido inicialmente em Portugal em 1995 com vista a ultrapassar a crescente escassez de órgãos. Desde então já foram realizados 1085 THS de acordo com «Familial Amyloidotic Polyneuropathy World Tranplant Registry», dados de 31 de Dezembro de 2012. Estudos realizados demonstram excelentes resultados a curto e médio prazo, contudo, é agora demonstrado nesta pesquisa que a sintomatologia PAF ocorre em média 7.6 anos após o transplante. Este estudo reveste-se de particular importância uma vez que englobou doentes com um tempo de follow-up médio de 8.5 anos, o que nos permitiu averiguar as consequências a longo-prazo desta técnica cirúrgica. A amostra avaliada consistiu em 72 doentes seguidos no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) que receberam THS/PAF entre Outubro de 1995 e Novembro de 2010. A análise de factores implicados no aparecimento e evolução de Polineuropatia Familiar Adquirida (PNAA) realçou potenciais características benéficas como a presença do vírus da hepatite C. Contrariamente, constatou-se que a idade do receptor e consumo de álcool contribuem para uma evolução mais precoce de PNAA, assim como, doença avançada no dador. A sobrevida dos pacientes após o THS/PAF foi de 76.8%, 62.5% e 33.9% aos 1, 5 e 10 anos e a função do enxerto estava preservada em 90.7% e 93.3% aos 1 e 10 anos respectivamente. A pesquisa e identificação de factores que facilitem o depósito da amilóide e acelere a neuropatia são uma mais-valia quer para a compreensão mais aprofundada do mecanismo da doença, quer para uma selecção mais cuidadosa de potenciais receptores e dadores. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,606 | Amenorreia funcional hipotalâmica, a propósito de casos clínicos de anorexia nervosa | Amenorreia Funcional Hipotalâmica,Distúrbios alimentares,Anorexia Nervosa | A amenorreia funcional hipotalâmica (AFH), comummente associada ao stresse, caracteriza-se pela ausência de ciclos menstruais durante mais de 6 meses por supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, sem a identificação de uma anomalia orgânica. A AFH representa entre 15-48% dos casos de amenorreia. Considera-se que o defeito chave é uma alteração na secreção pulsátil da hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH), que altera a secreção das gonadotrofinas. Estas alterações resultam num profundo hipoestrogenismo, com redução progressiva da massa óssea e aumento do risco de fratura a longo prazo. A AFH pode estar associada à perda de peso abrupta, no contexto de distúrbios alimentares como a anorexia nervosa, ao exercício físico vigoroso e/ou ao stresse físico ou psíquico. Neste contexto fizemos uma revisão sistemática atualizada sobre o tema, focando a nossa atenção numa das causas mais frequentes e preocupantes de AFH: a anorexia nervosa (AN). Por fim procedemos à análise de dois processos de doentes com AN do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). As doentes com AN podem ter consequências profundas nos diversos sistemas orgânicos, bem como a nível psicológico e social. No que diz respeito ao sistema endócrino, objeto de maior relevo neste trabalho, as alterações são de carácter adaptativo. Destacam-se a alteração do metabolismo tiroideu, a hiperatividade do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, a resistência à ação da hormona do crescimento, a redução dos níveis de leptina e o aumento dos níveis de grelina. Neste âmbito é fundamental a avaliação cuidadosa destas doentes por uma equipa multidisciplinar. As opções terapêuticas são múltiplas e continuam em investigação, particularmente no que diz respeito à prevenção da perda da massa óssea e da osteoporose, uma das consequências mais temidas nestas doentes. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,608 | A insulina e o cérebro: da função à disfunção | Insulina,Cérebro,Resistência à insulina,Diabetes Mellitus,Doenças Neurodegenerativas,Doença de Alzheimer,Depressão | A insulina é uma hormona produzida e segregada pelas células β-pancreáticas, conhecida historicamente pelo seu papel na homeostasia da glicose. No entanto, tem-se verificado um crescente interesse pelas suas funções a nível do sistema nervoso central. O objetivo desta tese foi reunir e rever a literatura científica atual sobre as fontes da insulina existente no cérebro, as suas funções, as consequências da sua disfunção e o seu papel no desenvolvimento de doenças neuropsiquiátricas. Verificou-se que, apesar da aquisição de glicose no cérebro ser independente da insulina, os recetores desta hormona estão presentes no sistema nervoso central. Ainda não existe um consenso quanto à origem da insulina a nível cerebral, admitindo-se uma origem central, uma origem periférica com passagem pela barreira hematoencefálica, ou a associação de ambas. Observou-se que a insulina apresenta várias funções a nível do sistema nervoso central, nomeadamente a nível do metabolismo energético. A insulina central inibe a neoglicogénese hepática, provoca uma diminuição na ingestão alimentar e uma perda de peso. Esta hormona também apresenta um papel relevante na reprodução, ao estimular a libertação de GnRH pelo hipotálamo. Verificou-se também que a insulina apresenta uma função neuromodeladora importante, nomeadamente na transmissão glutaminérgica, GABAérgica, noradrenérgica e colinérgica, interferindo por isso em processos cognitivos e de memória. Esta hormona apresenta propriedades neuroprotetoras importantes: inibe a apoptose, minora os efeitos deletérios do stress oxidativo e da isquemia e diminui a toxicidade decorrente da acumulação do peptídeo β-amilóide. Talvez por isso, disfunções centrais da insulina estejam relacionadas com o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas e psiquiátricas. Confirmou-se que a doença de Alzheimer apresenta vários mecanismos fisiopatológicos comuns à diabetes mellitus, nomeadamente processos inflamatórios e resistência à insulina, levando a uma maior acumulação β-amilóide, aumento da formação de tranças neurofibrilares e deterioração sináptica. Além desta, existem muitas patologias neuropsiquiátricas (como a doença de Parkinson, doença de Huntington e depressão) em que distúrbios da insulina apresentam um papel patológico. Concluiu-se que este é um tema muito relevante, sendo necessários mais estudos para melhor avaliar o papel fisiológico e fisiopatológico da insulina a nível do sistema nervoso central, bem como a sua relevância a nível terapêutico. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,612 | As alterações do sono no idoso | Distúrbios da Iniciação e Manutenção do Sono,Idoso,Terapia,Insónia | As alterações do sono surgem com uma prevalência crescente com o avançar da idade, estimando-se atingir mais de 50% dos idosos. Alguns riscos relacionados com estas alterações como o isolamento social e o aparecimento de patologias físicas e mentais, condicionam assertivamente a qualidade de vida do idoso. Tendo em conta a dimensão do problema e as suas consequências para o idoso, o objetivo deste trabalho passou por descrever as alterações do sono nesta faixa etária, identificar critérios distintivos de alterações fisiológicas e patológicas, bem como avaliar as diferentes opções terapêuticas para esta problemática. Neste trabalho, foi realizada uma revisão bibliográfica de artigos obtidos a partir da subdivisão Pubmed do National Center Biothecnology Information (NCBI). Os artigos foram seleccionados por pesquisa de termos MeSH (Medical Subject Headings) “Sleep Initiation and Maintenance Disorders”, “Aged” e “Therapy”, bem como por relevância de conteúdos. As alterações mais relatadas pelos idosos com queixas de insónia são os despertares mais precoces, a dificuldade em manter o sono nas primeiras horas da manhã, o aumento da latência inicial de sono, a diminuição da eficiência do sono e a degradação da sensação de sono reparador. Vários estudos apontam também para um aumento do número de despertares noturnos e diminuição da duração total de sono, à custa de redução do tempo passado em fase III e IV de sono NREM e em sono REM. Estas alterações são documentadas na população geriátrica em geral, inclusive no grupo de indivíduos que não reporta queixas de insónia, sugerindo que farão parte da normal fisiologia do sono nos idosos. Assim, estas alterações deverão apenas ser conotadas como patológicas quando se fazem acompanhar por sintomas diurnos. O papel das sestas no idoso permanece controverso. O tratamento da insónia no idoso é feito, na maioria dos casos, com recurso a fármacos hipnóticos, amplificando o risco de quedas e morte em indivíduos já polimedicados. A pesquisa realizada indica que a as medidas higieno-dietéticas e a terapia cognitivo-comportamental deverão ser a primeira opção para o tratamento desta condição. O uso de fármacos hipnóticos deve ser cuidadosamente aplicado, por períodos de tempo limitados, inferior a 35 dias para os benzodiazepínicos, e a 90 dias para os não benzodiazepínicos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,614 | Novas abordagens da estimulação cerebral profunda | Estimulação Cerebral Profunda,Depressão Major,Demência (Doença de Alzheimer),Distúrbios da Consciência,Distúrbios Alimentares,Adição | Contextualização: As origens da técnica implicada na Estimulação Cerebral Profunda (ECP) estão fortemente ligadas à descoberta dos efeitos da estimulação elétrica de áreas cerebrais profundas realizadas durante neurocirurgias funcionais estereostáticas lesionais. O seu objetivo consiste em reequilibrar circuitos neuronais danificados, cujas alterações determinam défices neurológicos ou comportamentais. Trata-se de uma técnica de modulação, não lesiva e reversível, isto é, todo o dispositivo pode ser desligado sem cirurgia adicional ou mesmo removido. Desde a década de 1990 que se tem vindo a renovar o interesse na ECP e a sua técnica tem sido melhorada e considerada uma ferramenta neuromodulatória clínica muito poderosa. Atualmente, há uma utilização muito abrangente da ECP no tratamento, não só de perturbações do movimento incluindo o tremor associado à Doença de Parkinson (DP) e distonia, como também numa panóplia de outras patologias que suscitam interesse, nomeadamente Depressão major, Demência (Doença de Alzheimer (DA)), Distúrbios da Consciência, Distúrbios Alimentares (Anorexia Nervosa (AN) e Obesidade) e Comportamento Aditivo. Objetivos: Analisar a evolução crescente da técnica em novas indicações e caracterizar a sua origem teórica e base experimental. Destacando o enquadramento presente da ECP, torna-se, ainda, fundamental referir os seus imensos benefícios no controlo eficaz de sintomas incapacitantes refratários a terapêutica médica (e cirúrgica), bem como alertar para as preocupações e limitações aquando da realização dos ensaios clínicos e efeitos adversos deste tratamento cirúrgico. Material e Métodos: Com o intuito de investigar esta temática, procedeu-se à revisão da literatura publicada, recorrendo para tal à base de dados PUBMED. Inicialmente foram recolhidos artigos de 2009 a 2014, utilizando as palavras-chave Deep brain stimulation, cruzando-a com cada uma das vertentes do tema do trabalho. Foram, ainda, utilizados artigos referenciados bibliograficamente pelos artigos originalmente escolhidos, mesmo datados anteriormente relativamente à pesquisa inicial. Encontram-se incluídos artigos de revisão, artigos originais, ensaios clínicos e debates. Foi, também, recolhida bibliografia referente a revistas indexadas na área da Neurocirurgia desde 2009 até a atualidade. Resultados: Foi realizada uma avaliação e seleção rigorosa dos artigos mais relevantes com o intuito de fornecer informação mais completa sobre o tema deste trabalho e aprofundar a metodologia dos estudos publicados. Devido aos inúmeros artigos recolhidos a partir da pesquisa realizada, tornou-se fundamentar abordar os principais estudos efetuados em cada subtema por ordem cronológica para uma melhor compreensão e validação dos mesmos. Conclusão: No que diz respeito à aplicação da ECP, esta técnica em si tem uma ampla margem de progressão. Se considerarmos a multiplicidade de circuitos neuronais do cérebro que podem ser modulados através de impulsos elétricos, assim como a interpretação e a compreensão crescentes desses circuitos, percebemos que, esta técnica se torna numa alternativa mais eficaz e segura relativamente à cirurgia lesional, ainda que seja necessário um conhecimento mais profundo e preciso da técnica e rigor na escolha de “alvos terapêuticos” ótimos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,615 | Temperamento difícil e distress emocional | Distress Emocional,Sintomatologia Depressiva,Temperamento Difícil,Sono,Pós-parto,Gravidez | Introdução: A depressão pós-parto é um problema de saúde mental com consequências negativas para a saúde da mãe e para o desenvolvimento do bebé. Tem sido associada a vários fatores psicossociais, entre eles o temperamento difícil do bebé. O objetivo do presente trabalho é avaliar se o temperamento difícil do bebé contribui para a angústia da mãe durante o pós-parto, considerando o efeito de outros fatores preditivos. Métodos: Participaram no estudo um total de 100 mulheres com idade média de 31.9 anos (dp = 4.09), maioritariamente casadas ou vivendo com um companheiro (87.5%) e nulíparas (71.4%). Foram avaliadas na gravidez e no 3º mês do período pós-parto, através do preenchimento de um inquérito que incluía as versões portuguesas do Beck Depression Inventory-II (BDI-II) e da Postpartum Depression Screening Scale (PDSS), que permitiram avaliar os sintomas depressivos; a versão portuguesa reduzida do Profile of Mood States, que permitiu estudar os afetos positivo e negativo; questões sobre história prévia de depressão, perceção de stress e apoio social, um questionário sobre sintomas de insónia; e o Questionário de Temperamento Difícil do bebé, que foi aplicado para avaliar as dificuldades de regulação emocional e problemas de sono do bebé. Foi ainda realizada atigrafia num total de 25 bebés. A análise estatística consistiu em análises descritivas, correlações de Pearson e de Spearman, análises de regressão linear e análises de regressão múltipla. Resultados: Verificou-se que as variáveis da gravidez que mais contribuíram para sintomatologia depressiva no pós-parto foram o Afeto Negativo (33.1%, p< .001, BDI-II; 38.9%, p< .001, PDSS) e a História Prévia de Depressão (3.9%, p= .023, BDI-II; 5.2%, p= .006, PDSS), sendo que o Afeto Positivo também se revelou significativo para a PDSS (2.6%, p= .046). As variáveis do pós-parto que contribuíram consistentemente para a explicação da variância do BDI-II e da PDSS foram o Afeto Negativo (38.2%, p< .001, BDI-II; 57.1%, p< .001, PDSS) e o Temperamento de Sono do bebé (3.4%, p = .016, BDI-II; 3.6%, p= .005, PDSS). O Afeto Positivo mostrou-se significativo para a BDI-II (8.6%, p< 0.001) e a Insónia para a PDSS (2.2%, p= .024). Conclusão: Os resultados do presente estudo sugerem que o temperamento difícil e em particular as dificuldades em dormir do bebé contribuem para a angústia/sintomatologia depressiva da mãe no pós-parto. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,616 | Fibrilhação auricular e doenças não cardiovasculares | Fibrilhação auricular,doenças não cardiovasculares,cancro,sépsis,doença pulmonar obstrutiva crónica,síndrome da apneia obstrutiva do sono,doença renal crónica,terapêutica antitrombótica | A fibrilhação auricular (FA) é a arritmia cardíaca mais comum e está associada a um prognóstico adverso, aumentando o risco de acidente vascular cerebral e a mortalidade. Apesar de tradicionalmente se associar a FA a patologias cardiovasculares, também se verifica uma incidência aumentada de FA em determinadas patologias não cardiovasculares bastante prevalentes na população geral, nomeadamente no cancro, na sépsis, na doença pulmonar obstrutiva crónica, na síndrome da apneia obstrutiva do sono e na doença renal crónica. Assim, um número considerável de doentes é afetado por ambas as doenças e consequentemente está exposto a um maior risco de eventos adversos. Os autores realizaram uma revisão sistemática da literatura de forma a melhor elucidar esta coexistência. Existem diversos mecanismos que parecem contribuir para a coexistência de FA com estas patologias não cardiovasculares. As comorbilidades, a idade avançada, a disfunção autonómica, a disfunção eletrolítica e a inflamação são condições transversais a todas as patologias e podem predispor à FA. O tratamento de FA nestes doentes constitui um desafio clínico, especialmente em relação à terapêutica antitrombótica, uma vez que os scores de estratificação de risco tromboembólico como o CHADS2 ou CHADS2DS2VASC, bem como os de risco hemorrágico como o HAS-BLED, apresentam limitações quando aplicados nas patologias em questão. A evidência nesta área ainda é escassa, sendo que várias temáticas precisam de ser esclarecidas com maior pormenor em investigações futuras, em particular a epidemiologia, a patogénese, prevenção e tratamento. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,618 | Mecanismos fisiopatológicos do envelhecimento | Senescência,Envelhecimento,Telomerase,Teorias do Envelhecimento,Imunosenescência,mTOR | A esperança de vida do homem parece ter evoluído em duas fases. No passado distante, a esperança de vida duplicou dos 20 anos do ancestral homem-macaco para os 40 anos do Homo sapiens. Mais recentemente, desde o século XVIII, a esperança de vida duplicou novamente para os 80 e mais anos nos países desenvolvidos. Uma questão premente em torno do processo do envelhecimento, é o facto da esperança de vida estar a aumentar quase em continuo, muito embora tenha estabilizado desde há uns anos por volta dos 80 anos, mas o tempo máximo de vida não ultrapassar os 120 anos. Será possível ir mais além ou estamos pré destinados a não ultrapassar uma determinada longevidade? Estas questões preocupam o Homem, provavelmente desde que o ser humano existe. Para tentar responder a estas e outras questões é importante perceber os mecanismos do envelhecimento, ou seja quais os fatores preponderantes que conduzem a este processo de senescência que invariavelmente termina com a morte do indivíduo. São várias teorias que tentam explicar o processo do envelhecimento, no entanto o mais aceite é que o envelhecimento seja um processo multifatorial. Alguns exemplos das teorias do envelhecimento mais defendidas são: a teoria da telomerase, das mutações adquiridas do DNA, do Mammalian target of rapamycin (mTOR), dos radicais livres e a teoria genética. A esperança de vida aumentou, e perante esta realidade a grande prioridade em relação ao envelhecimento é que a capacidade de se envelhecer com qualidade e ativamente. Na promoção do envelhecimento ativo, existem entre outros fatores, que estão relacionados com o estilo de vida das pessoas. Fatores como a dieta, a atividade física, a higiene, o número de horas de sono diário, o stress, a vida social, a capacidade económica, são entre vários, outros preponderantes na longevidade. Sabe-se também, que a obesidade, a depressão e o stress alteram o funcionamento biológico do ser humano a vários níveis. A longevidade, está assim fortemente relacionada com a harmonia do modelo biopsicossocial do ser humano. Neste trabalho é feita uma revisão sistemática da literatura existente sobre os vários mecanismos fisiopatológicos que influenciam o envelhecimento. O objetivo principal é descrever e discutir as teorias do envelhecimento, aceites hoje com um papel major neste processo. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,619 | Disfunção celular face à hipóxia em cardiomiócitos sujeitos a condições de hiperglicémia | Diabetes,Hipoxia,Metilglioxal,HIF-1α,Proteossoma,Cardiomiócitos | Na Diabetes Mellitus existe uma desregulação da resposta celular à isquémia associada ao desenvolvimento de complicações como a retinopatia diabética e doenças cardiovasculares. Vários estudos sugerem que a hiperglicémia é um factor crítico envolvido na perda de resposta celular à hipoxia. Por exemplo, alguns estudos deste e doutros laboratórios demonstraram que a destabilização do HIF-1α parece constituir um mecanismo crítico para a disfunção e morte celulares em situação de hiperglicémia como a que se observa na Diabetes. Contudo, o mecanismo molecular associado à destabilização do HIF-1α em condição de hiperglicémia não se encontra bem esclarecido. O HIF-1 é um factor de transcrição induzido pela hipoxia que assegura a sobrevivência celular e proliferação endotelial em situação de depleção de oxigénio. O HIF-1α regula uma variedade de genes envolvidos no metabolismo anaeróbio da glicose, bem como promove a angiogénese nos tecidos sujeitos a isquémia através do aumento da expressão do factor de crescimento endotelial vascular. O objectivo deste estudo consistiu em avaliar o efeito do metilglioxal na estabilização do HIF-1α em condição de hipoxia em cardiomiócitos. Os cardiomiócitos foram sujeitos a hipoxia química (400 μM de CoCl2) durante 6 horas e nos últimos 30 min ou 3 horas de hipoxia adicionou-se ao meio de cultura metilglioxal (1mM ou 3mM). Quando apropriado, o proteossoma foi inibido com 20 μM de MG-132 durante 4 horas. Após os tratamentos as células foram processadas e os níveis de HIF-1α e dos conjugados endógenos de ubiquitina avaliados por Western Blot. A viabilidade celular foi avaliada pelo método MTT e a actividade do proteossoma 20S foi determinada pela degradação do substrato fluorogénico Suc-LLVY-MCA. O presente estudo pretendeu demonstrar que a acumulação de um metabolito da glicólise altamente reactivo, o metilglioxal, na diabetes compromete a resposta celular dos cardiomiócitos à hipoxia, através da destabilização do HIF-1α nestas condições. Pretendeu-se também avaliar se essa acção destabilizadora do HIF-1α pelo MGO é mediada pela degradação do HIF-1α pela via da ubiquitina-proteossoma Os resultados revelaram que a exposição dos cardiomiócitos ao metilglioxal em condições de hipoxia leva à diminuição dos níveis de HIF-1α intracelular e à inibição da actividade do proteossoma. Por outro lado, os níveis de conjugados endógenos de ubiquitina aumentam na presença de metilglioxal em condição de hipoxia. Com este estudo demonstrou-se que o metilglioxal diminui os níveis proteicos de HIF-1α em cardiomiócitos sujeitos a hipóxia e que essa destabilização pode estar associada à degradação deste factor de transcrição pela via ubiquitina-proteossoma. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,620 | Transplante renal heterotópico: técnica cirúrgica | Transplantação renal,kidney transplantation,renal transplantation,surgical technique,vascular anasthomosis,urinary anasthomosis,complications e anesthesia | A implementação do transplante como terapêutica curativa, permitiu alcançar um patamar de cuidados que visam manter uma elevada qualidade e expectativa de vida. Daí decorre o objectivo deste artigo, que passa por sequenciar os procedimentos inerentes à técnica cirúrgica e às suas especificidades. A pesquisa bibliográfica teve como fontes essenciais a base de dados do Pubmed e os livros das bibliotecas do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e do Pólo das Ciências da Saúde da Universidade de Coimbra. Daqui advieram 22 fontes bibliográficas. A abordagem de qualquer tema fica enriquecida pela percepção histórica e evolutiva do mesmo, para que consigamos enquadrar as melhorias e metas atingidas ao longo dos anos, como pontos fundamentais para os conhecimentos dos dias de hoje. Motivo pelo qual, o contributo de diversos nomes da transplantação renal como Voronoy, René Kuss, Joseph Murray ou Sir Peter Medawar, entre outros, tenham um papel de relevo no processo evolutivo desta técnica. Na preparação para a cirurgia, a avaliação geral e completa do doente é imperativa. Para assegurar as condições ideais ao procedimento, é importante avaliar os parâmetros vitais, equilíbrio hidroelectrolítico e condições electromorfológicas da função cardiorrespiratória. A terapia imunossupressora, que estes processos necessitam, deve ser criteriosamente escolhida para que a sobrevida do enxerto e do doente sejam exponenciadas. A preparação cuidada do doente e o seu posicionamento na mesa operatória é importante para uma abordagem local correcta. Após a preparação do enxerto, é necessário escolher qual a abordagem anastomótica a ser usada, tanto a nível vascular como a nível urinário. Tendo em conta essa questão, a pesquisa bibliográfica efectuada permitiu concluir que as variantes técnicas desta cirurgia são afectadas, não só pela consideração das vantagens e desvantagens de cada uma, mas também pela experiência técnica do cirurgião e pelas variações anatómicas do doente e do próprio enxerto. Enquanto a nível de anastomoses vasculares as variações anatómicas ditam a escolha, a nível da reconstrução do tracto urinário a escolha baseia-se nas vantagens de cada tipo de técnica cirúrgica. Assim, neste parâmetro, as mais vantajosas e frequentemente aceites são os diversos tipos de ureteroneocistostomia, que permitem uma maior fiabilidade e uma menor probabilidade de complicações. O procedimento cirúrgico pode apresentar diversas complicações. Entre elas destacam-se as estenoses, as hemorragias, as fístulas urinárias e as reacções de rejeição. Por estas possíveis ocorrências, o manuseamento cuidado do enxerto e escolhas fundamentadas são fulcrais para uma minimização de riscos. Uma referência importante, são as pequenas especificidades inerentes aos casos em que os dadores ou receptores são crianças. Este facto leva a que as técnicas sofram pequenos ajustes, de forma a serem adaptadas à situação. Se relativamente à anastomose urinária esta se processa como nos adultos, nas vasculares, existem variações como o recurso a patch de Carrel ou a transplante em bloco, devido às divergências de calibres, entre os vasos do dador e do receptor. Em qualquer dos casos, os cuidados pós cirúrgicos são fundamentais para uma preservação da função renal e a diminuição da ocorrência de complicações precoces e tardias. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,621 | Prevalência de lesões desportivas, numa equipa de futebol, nos escalões de formação | Lesões desportivas,Lesão traumática,Lesão de sobrecarga,Futebol,Escalões de formação | Introdução: Importância de lesões desportivas relativamente ao futuro e à magnitude problemática nos atletas jovens. Neste momento, existem poucos dados sobre essa matéria. Objetivo: Avaliar de uma forma retrospetiva as lesões desportivas, identificando, caracterizando e comparando as lesões. Métodos: Consultámos os registos existentes no departamento médico de uma equipa de formação de futebol, em dois anos competitivos e identificámos o tipo de lesão e suas caraterísticas. Os registos foram feitos numa folha de dados, onde foi registado: identificação do atleta; data de nascimento; idade; naturalidade; época desportiva; escalão de formação; posição; lesão; localização da lesão; lateralidade da lesão; data da lesão; lesão tipo; lesão traumática ou de sobrecarga; tratamento; tipo de tratamento; tempo de afastamento. Os dados colhidos foram tratados de uma forma anónima e confidencial, preservando a individualidade do atleta. Resultados: Os tipos de lesões mais frequentes foram entorses (16,2%), contusões (13,5%), contraturas (13,5%) e estiramentos (12,2%). A maior parte das lesões foram traumáticas (60,8%), localizadas nos membros inferiores (79,7%) e ocorreram mais nos treinos (74,3%) do que nos jogos. Observou-se também que a prevalência de lesões aumenta gradualmente, à medida que o escalão de formação é superior. Conclusões: Através deste estudo foi possível obter uma noção muito mais concreta do padrão e prevalência de lesões numa equipa de formação de futebol, de modo a poder verificar as que podem ser objeto de prevenção. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,622 | Aspetos clínicos da sarcoidose | sarcoidose,apresentação clínica,análise retrospetiva,estadiamento de Scadding | Objetivo: Analisar as características clínicas da sarcoidose, numa amostra de doentes seguidos no Serviço de Pneumologia A do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Materiais e métodos: Estudo descritivo retrospetivo, envolvendo uma amostra consecutiva de 79 doentes, com diagnóstico de Sarcoidose seguidos no Serviço de Pneumologia A do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. A informação foi obtida através da consulta dos processos clínicos dos doentes em questão e a análise estatística foi realizada com base no programa IBM SPSS 22. Resultados: A doença predominou nas mulheres (54,4%), na faixa etária dos 40-49 anos (29,1%), com uma média de idade de 41,67±13,18 anos. Os sintomas constitucionais (febre, astenia, anorexia, perda ponderal, sudorese noturna) foram os mais comuns (40,5%), seguidos pela dispneia (25,3%). O órgão mais frequentemente afetado foi o pulmão, estando envolvido em 92,4%, seguido pelos gânglios linfáticos, em 77,2%. O estadio radiológico predominante à apresentação foi o estadio II (44,3%), e as provas de função ventilatória encontraram-se alteradas em 29,1% dos doentes, sendo que o padrão obstrutivo foi o padrão mais comum em 11,4% do total dos doentes. Os valores de SACE revelaram-se elevados em 36,7% dos doentes, e os de cálcio sérico em 7,6%. A terapêutica com corticosteróides foi iniciada em 46,8%, predominando nos doentes com estadios radiográficos mais avançados (p < 0,05). Conclusão: Não se encontraram diferenças significativas entre os resultados obtidos no presente estudo, em comparação com outras séries anteriores de grande dimensão, realizadas em populações com características epidemiológicas diferentes. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,626 | Fototerapia: indicações e controvérsias | fototerapia,indicações,UVB,PUVA,cancro da pele,controvérsias | A fototerapia consiste na utilização de fontes de luz artificial para fins terapêuticos. As quatro modalidades de fototerapia abordadas neste artigo são a UVB convencional, a UVB de banda estreita, a PUVA e a UVA1. Este artigo resultou da revisão de literatura sobre as principais indicações para os tratamentos com fototerapia ou fotoquimoterapia. O seu objetivo foi identificar o papel da fototerapia no tratamento das dermatoses selecionadas. Estas incluem a psoríase, o vitiligo, a dermatite atópica, a micose fungóide e algumas doenças esclerosantes da pele. Neste artigo, foram igualmente abordadas as controvérsias sobre a fototerapia, as quais dizem respeito principalmente ao potencial carcinogénico da mesma, mas também à grande variabilidade de doses e regimes praticados, assim como a falta de estudos sobre o efeito da fototerapia em doentes com fototipos elevados. Concluiu-se que a fototerapia constitui uma abordagem terapêutica eficaz e segura no tratamento destas doenças. Nos doentes tratados com PUVA verificou-se um aumento do risco para desenvolver cancro da pele, mas tal pode ser atenuado com a adoção de medidas preventivas e um seguimento anual. Até ao momento não foi atribuído potencial carcinogénico à radiação UVB em humanos, contrariamente ao que foi observado em modelos animais. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,627 | Não se preocupe, durma bem! | Sono,perturbação do sono devido a preocupações,auto-percepção de insónia,percepção de saúde,factores psicossociais | Objectivo: Explorar as relações entre traços de personalidade, aspectos relacionados com o comportamento de sono-vigília, stresse, coping, humor/afecto, auto-percepção de saúde e perturbação do sono devido a preocupações, em estudantes universitários. Metodologia: Vários instrumentos de auto-resposta foram utilizados na recolha dos dados: Questionário do Sono-vigília (Azevedo, 2008); Escala de Sonolência de Epworth (Johns, 1991); activação pré-sono (Nicassio et al., 1985), Inventário de Personalidade de Eysenck (Eysenck, 1964); Inventário de Personalidade NEO - Forma revista_NE (NEO-PI-R, Costa & McCrae, 1992); Pensamento Repetitivo (Pereira e tal 2012); Questionário de Regulação Emocional (Gross & John, 2003); Perfil de Estados de Humor (McNair et al., 1971); Inventário de Fontes de Stresse (Pereira et al., 2003) e auto-percepção de saúde física/saúde psicológica. A perturbação do sono devido a preocupações foi avaliada com um item retirado do General Health Questionnaire (Sleep loss over worry; As preocupações tiram-me o sono). Participaram neste estudo 713 estudantes (65,6% do sexo feminino) com a idade média de 19.29 anos (DP=1.256; variação=17-24 anos). Resultados: Relataram perturbação do sono devido a preocupações “Muitas vezes + Quase sempre” 40.6% de estudantes do sexo feminino e 19.2% do sexo masculino. A perturbação do sono devido a preocupações mostrou estar associada com a percepção de saúde e a maioria das variáveis qualitativas/quantitativas do sono analisadas, principalmente a qualidade do sono e auto-percepção de insónia. Também mostrou estar relacionada com quase todas a variáveis psicológicas investigadas. Todavia a análise de regressão mostrou que somente activação cognitiva ( =.353; p<.001), stresse académico percebido ( =.129; p<.01), tendência para activação ( =.127; p<.01), tendência para preocupação geral ( =.153; p<.001), sexo ( =.118; p<.01) e percepção de saúde física percebida ( =-.093; p<.01) eram preditoras significativas da perturbação do sono devido a preocupações. Em conjunto explicam 40.3% da variância nas pontuações da perturbação do sono devido a preocupações. Conclusões: A perturbação do sono devido a preocupações é muito prevalente em estudantes, particularmente no sexo feminino. Os nossos resultados sugerem que activação cognitiva pré-sono, stresse académico percebido, predisposição para activação, tendência para preocupação geral, género e percepção de saúde física podem desempenhar um papel importante na perturbação do sono devido a preocupações. Assim, estratégias de intervenção focadas na preocupação, activação e stresse, poderão melhorar a qualidade do sono e bem-estar em populações jovens, particularmente do sexo feminino. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,628 | Técnicas de preservação de excertos para transplante renal | Transplantação renal,preservação de órgãos,preservação de enxertos,preservação estática em frio,máquina de perfusão,avaliação de viabilidade,viabilidade do enxerto | O número de doentes em lista de espera para transplante renal supera grandemente o número de enxertos disponíveis para o efeito. A discrepância entre a demanda e a oferta tem motivado o uso de rins de outro tipo de fontes, como dadores com critérios alargados e dadores após morte cardiocirculatória. Porém, os rins deste tipo de dadores são extremamente sensíveis às lesões de isquémia-reperfusão – as mais típicas encontradas durante a preservação. Apesar dos longos anos de investigação, a preservação estática em frio continua a ser o padrão em transplantação renal. No entanto, este tipo de técnica é incapaz de proteger completamente os enxertos deste tipo de dadores, realçando a necessidade de novas técnicas. Assim, otimizar a preservação deste tipo de órgãos tornou-se uma importante questão nesta área. O objetivo deste estudo é rever os métodos de preservação de enxertos para transplante renal, enunciar os princípios subjacentes aos mesmos e as suas indicações relativas e vantagens. As técnicas de perfusão têm um papel muito importante na função do enxerto póstransplante. Alguns estudos sugerem que a MPH (máquina de perfusão hipotérmica) e MPN (máquina de perfusão normotérmica) podem melhorar os resultados pós- transplante. Estas técnicas abrem ainda uma janela para a oportunidade de avaliação da viabilidade e manipulação de enxertos, um importante instrumento para a seleção e recuperação préoperatória dos mesmos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,629 | Ação do licopeno na prevenção e tratamento do cancro da próstata | Cancro da próstata,stress oxidativo,licopeno,prevenção,tratamento | O cancro da próstata é a neoplasia maligna mais frequentemente diagnosticada no sexo masculino, sendo também a segunda causa de morte por cancro nos países ocidentais. As taxas de incidência são mais elevadas na Austrália, Europa Ocidental e América do Norte, quando comparadas com países da Ásia Central e Oriental. Trata-se de uma doença diagnosticada predominantemente na sexta e sétima décadas de vida. Os mecanismos moleculares envolvidos na iniciação e progressão do carcinoma da próstata ainda não estão perfeitamente identificados. Contudo, sabe-se que alguns dos fatores implicados na patogénese da doença incluem: idade avançada, etnia, dieta alimentar, inflamação, metabolismo androgénico e ativação de oncogenes, constituindo fatores de risco em parte associados a um aumento de stress oxidativo. Por sua vez, este resulta do balanço entre a produção de espécies reativas de oxigénio (ROS) e defesas antioxidantes. Nos últimos anos, tem-se dado grande importância a estratégias que possibilitem prevenir o cancro baseadas na proteção contra o aumento de stress oxidativo. Diversos componentes alimentares foram identificados como compostos anticarcinogénicos, antioxidantes e anti-inflamatórios, com efeito demonstrado na prevenção do cancro da próstata. Alguns destes compostos, incluem o licopeno, o qual evidencia ainda propriedades terapêuticas sobre esta neoplasia que poderão traduzir a indução de apoptose e bloqueio da progressão do ciclo celular das células neoplásicas. Estas evidências suscitam interesse no estudo do efeito de dietas ricas em licopeno, abundante no tomate, e suplementos do mesmo para prevenção e/ou terapêutica do cancro da próstata. O objetivo deste artigo de revisão é fazer uma revisão bibliográfica sobre as propriedades do licopeno que permitem melhor compreender o seu potencial contributo no que diz respeito à prevenção e terapêutica do cancro da próstata, tendo em conta as evidências clínicas e científicas demonstradas, nomeadamente, no que concerne à modulação do stress oxidativo. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,630 | Medição de micromovimentos em implantes endósseos pelo método de correlação de imagem digital tridimensional | Implantes dentários,Métodos de medição de micromovimentos implantares,Correlação de Imagem Digital 3D (CID 3D),Análise de Frequência de Ressonância (AFR),Platform-switching | Os implantes dentários são atualmente uma opção terapêutica amplamente utilizada na substituição de dentes perdidos, devido ao seu excelente prognóstico e longevidade. A investigação tem demonstrado que uma das primeiras causas que impedem a osteointegração de um implante é os micromovimentos excessivos entre a superfície do implante e o osso peri-implantar. Contudo, micromovimentos dentro de níveis controlados influenciam positivamente a formação de osso na superfície de um implante. Até à data, não existe nenhum método clínico disponível para medir micromovimentos. O principal objetivo deste trabalho é o de validar o método de correlação de imagem como método alternativo para avaliar a reabilitação protética com implantes dentários. O processo de validação inclui medições em dois modelos experimentais e num ensaio clínico. Secundariamente, este projeto pretendeu contribuir para compreender quais os fatores que influenciam a ocorrência de micromovimentos, particularmente se a alteração da geometria dos pilares protéticos de “Standard” (SD) para “Platform-Switching ” (PS) influenciou no grau de micromovimentos. O primeiro modelo experimental consistiu na medição de micromovimentos num ensaio piloto in vitro com um modelo laboratorial de “viga simplesmente apoiada”, solicitada por uma carga concentrada aproximadamente a meio vão. As medições foram executadas apenas na direção vertical por CID 3D, com o sistema Vic-3D 2010 (Correlated Solutions®, Columbia, USA), para aferir a técnica. Considerou-se admissível um erro da ordem de 10%. Posteriormente utilizou-se o Método dos Elementos Finitos (MEF), para simular o ensaio e calcular o deslocamento esperado. Em simultâneo, os resultados obtidos foram comparados com a solução analítica. Os resultados permitiram concluir que o sistema de correlação de imagem Vic-3D pode ser utilizado como método alternativo para avaliar experimentalmente o deslocamento de estruturas tipo viga. O segundo modelo experimental consistiu num modelo animal ex vivo com mandíbulas de porco frescas isoladas onde foram colocados 30 implantes endósseos e pilares de cicatrização (SD e PS, n=15 para cada grupo). Sobre estes exerceu-se uma carga compressiva vertical de 100N. A medição dos micromovimentos efetuou-se pelo programa Vic-3D 2010. Os resultados obtidos foram comparados com os valores de ISQ (Implant Stability Quotient) do sistema de AFR (Osstell® ISQ, IntegrationDiagnostic, Suécia) obtidos previamente. Pelos resultados, verificou-se uma correlação entre a mobilidade medida por CID 3D e os valores de ISQ, mas apenas na direção mésio-distal (U). O ensaio clínico consistiu na medição dos micromovimentos de 32 implantes endósseos, inseridos em pacientes reabilitados com dois ou mais implantes adjacentes na região posterior da mandíbula e com dois pilares protéticos diferentes, PS e SD [n(SD)=18 e n(PS)=14]. As medições foram executadas por CID 3D, após a aplicação de uma carga oclusal mínima de 30N, aferida através de uma célula de carga (Applied Measurements Ltd., Berkshire, UK) e do sistema de design de software LabVIEW 2010 (National Instruments®, Texas, USA). Pelos resultados, verificou-se uma correlação entre a mobilidade medida por CID 3D e os valores de ISQ. Dentro das limitações deste estudo, o método de CID 3D parece ser capaz de medir os micromovimentos de implantes dentários. Os resultados parecem estar correlacionados com os valores de AFR. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,631 | Síndromes somáticos funcionais: abordagem terapêutica | functional somatic syndromes,management | Os Síndromes Somáticos Funcionais são uma entidade nosológica com um importante impacto na nossa sociedade. No entanto, a terapia médica convencional revela-se bastante ineficaz. Resultado: médicos e doentes insatisfeitos (estes últimos com sintomas e uma incapacidade crónicas) (1). Por isso, é de extrema importância entender as várias opções terapêuticas que podem ser aplicadas, e que, actualmente apresentam evidências positivas da sua eficácia. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,633 | O osso como órgão de metastização do carcinoma da próstata | Carcinoma da Próstata,Metástases Ósseas,Osteoblástico,Fisiopatologia da Metastização,Tratamento das Metástases Ósseas do Carcinoma da Próstata | A metastização óssea é um processo que atinge milhares de pessoas no Mundo, já que o osso apresenta características ótimas para a sobrevivência e proliferação das células. O Carcinoma da Próstata (PCa) é o tumor que mais contribui para esses números, devido à tendência que as suas células têm para atingir o osso. O PCa afeta milhões de homens e conduz a uma acentuada mortalidade e morbilidade quando se encontra disseminado. A doença óssea metastática do PCa é, assim, um alvo de grande interesse por parte dos investigadores, pela pertinência em se conhecer os mecanismos que estão na base da sua génese e evolução. Desta forma, poder-se-ão desenvolver novas estratégias terapêuticas para tratar estes doentes que, até agora, apenas dispõem de terapias paliativas. Este artigo pretende fazer a revisão da informação existente nesta área e, com base na informação científica existente, esclarecer melhor os mecanismos fisiopatológicos que ocorrem desde o PCa localizado até à formação de metástases, essencialmente osteoblásticas, passando por todas as barreiras moleculares, celulares e microambientais que as células tumorais têm que ultrapassar até se instalarem no osso. Pretende, ainda, apresentar as opções terapêuticas atualmente aprovadas e ainda em investigação. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,634 | Enxertos cutâneos: aplicações em cirurgia dermatológica | enxerto cutâneo,enxerto de pele parcial,enxerto de pele total,enxerto composto,reconstrução | Introdução: Os enxertos cutâneos são secções de pele transferidas de uma área do corpo para outra. Representam um método versátil e dinâmico de reconstrução cutânea, aplicado quando outras opções não são adequadas. São amplamente usados e constituem uma das técnicas indispensáveis em Cirurgia Dermatológica. Os defeitos cirúrgicos resultantes da excisão de neoplasias cutâneas são a sua principal indicação. Como se tem assistido a um aumento progressivo de doentes com neoplasias, a compreensão minuciosa e detalhada de cada técnica, bem como o conhecimento das aplicações dos diferentes enxertos, é essencial para uma boa prática cirúrgica. Materiais e Métodos: Foram selecionados artigos científicos relativos a diversas aplicações de enxertos cutâneos em Cirurgia Dermatológica, com recurso às plataformas PubMed, Medscape, SciELO e UpToDate. Foram, ainda, consultados livros de texto que se consideraram relevantes para o tema. A informação foi analisada criticamente, de forma a elaborar uma revisão de artigos. Resultados: Após a recolha de informação, constatou-se que os enxertos de pele total são frequentemente usados para reconstruções de defeitos faciais. Fornecem uma boa concordância na coloração, textura e espessura e a retração é mínima. São especialmente úteis na reparação de defeitos da asa nasal, sendo muito eficazes do ponto de vista funcional e estético. Também podem ser aplicados nas pálpebras com excelentes resultados, devido à menor retração, apesar do risco de discromia estar sempre presente. Os enxertos de pele parcial são preferíveis em áreas de maiores dimensões, por possuírem baixas exigências metabólicas. As úlceras crónicas dos membros inferiores são uma das suas grandes aplicações. Estes enxertos apresentam as vantagens de resistirem a condições em que há compromisso na vascularização e de consistirem numa técnica relativamente fácil. No entanto, apresentam uma alta probabilidade de discromia e, por isso, não são indicados em regiões muito expostas. Os enxertos compostos são uma opção para defeitos com características tridimensionais. Os enxertos condrocutâneos podem ser aplicados em zonas que requerem uma estrutura rígida, como a asa do nariz, e os enxertos compostos por pele e tecido subcutâneo representam uma boa alternativa aos enxertos de pele total em defeitos de pequenas dimensões da face. Os enxertos biológicos têm vindo a ser cada vez mais aplicados na prática clínica e discute-se a importância do seu desenvolvimento no futuro, sobretudo para aplicação em úlceras crónicas. Em muitas situações, o tratamento ideal envolve a combinação de mais do que um método. Conclusão: Apesar das regras básicas de aplicação de enxertos não se terem modificado muito ao longo do tempo, o desenvolvimento de novas técnicas e o estudo de variadas aplicações contribuíram para que esta área expandisse de forma significativa. O número de reconstruções através de enxertos continuará a crescer. Por isso, é necessário que a investigação prossiga, de forma a ultrapassar as atuais limitações e os novos desafios, que vão surgindo. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,636 | Síndrome da imobilidade no idoso | síndrome,imobilidade,geriatria,idoso,sequelas,mobilização,nutrição,quedas,cuidador,prevenção,tratamento | Introdução Neste artigo procurou-se rever de forma didática e elucidativa estudos realizados no âmbito da geriatria e assim promover um conhecimento mais aprofundado e sistemático da temática do síndrome da imobilidade no indivíduo idoso. O síndrome da imobilidade é então uma entidade cada vez mais presente na sociedade atual devido ao envelhecimento populacional verificado sobretudo nos países desenvolvidos e define-se como conjunto de sinais e sintomas decorrentes da imobilidade, por restrição a uma poltrona ou ao leito, por tempo prolongado, associada a múltiplas causas e com implicações físicas e psicológicas e que pode levar ao óbito. Resultados Foram também explanadas nesta revisão as consequências da imobilidade nas suas vertentes cardiovascular, respiratória, músculo-esquelética, metabólica, génito-urinária, gastrointestinal, neurosensorial e dermatológico. Procurou-se ainda rever as hipóteses de tratamento e as técnicas de prevenção que permitam um processo de envelhecimento saudável e não condicionado pela doença ou por deterioração da actividade física. A imobilidade para além de acarretar complicações para o individuo com restrições físicas, pode também condicionar alterações do foro relacional e psicológico para o indivíduo cuidador que passa a ser o principal contacto do doente com o exterior. Foi possível analisar ainda como esta interação relacional entre doente-cuidador influencia o prognóstico e a forma como a imobilidade é vista e sentida pelos atores em causa. Conclusão Nesta secção foi discutida a pertinência da utilização das escalas de funcionalidade e a importância da realização de estratégias preventivas multidisciplinares e focadas na terapêutica não farmacológica. Foi ainda abordada a relevância clínica e prognóstica da cooperação e confiança entre todos os profissionais de saúde, o cuidador e o doente. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,637 | Protecção pela sitagliptina num modelo de neurotoxicidade induzida pelo MPTP no murganho | Sitagliptina,Doença de Parkinson | A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa progressiva caracterizada pela perda de neurónios dopaminérgicos na substância negra pars compacta (SNpc) e consequente depleção de dopamina (DA) no estriado, bem como pela presença de corpos de Lewi (CL). Estas características neuropatológicas estão associadas a vários sintomas motores como o tremor em repouso, a rigidez, a bradicinesia e a instabilidade postural. Neste estudo pretendeu-se investigar um possível efeito neuroprotector da sitagliptina (tratamento agudo e sub-crónico) no sistema dopaminérgico nigroestriatal num modelo da DP por injecção de MPTP (1-metil-4-fenil-1,2,3,6-tetrahidropiridina) em murganhos C57BL/6. Para avaliar o impacto da sitagliptina na neurotoxicidade nigroestriatal produzida por MPTP, as seguintes estratégias foram seguidas: 1- avaliação do equilíbrio e da coordenação motora dos animais pelo teste rotarod; 2- quantificação dos níveis de dopamina, de serotonina (5-HT), bem como os dos seus respectivos metabolitos, por recurso ao método de HPLC (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência); 3-determinação da expressão de TH (Tirosina Hidroxilase – marcador da perda de neurónios dopaminérgicos) e de GFAP (Proteína Glial Fibrilar Ácida – marcador de astrócitos) por Western Blotting. A diminuição dos valores estriatais de DA e seus metabolitos, da enzima TH, o aumento do turnover da dopamina e finalmente o aumento da astrogliose são sugestivos de que o MPTP produziu neurodegenerescência dos terminais dopaminérgicos, sendo um bom modelo para estudar estratégias neuroprotectoras. Neste estudo ficou demonstrado que para além da administração sistémica de sitagliptina não ter protegido a via dopaminérgica nigroestrial induzida pela administração do MPTP, alterou o perfil de letalidade do MPTP incluindo a potenciação da perda de peso dos animais induzida por esta toxina. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,638 | O poder analgésico do riso | Riso,Doutor Palhaço,Dor,Criança,Idoso,Internamento | Introdução: O riso através do “doutor palhaço” traz inúmeros benefícios ao doente hospitalizado. Para além de humanizar o tratamento, tem poder analgésico. Neste trabalho, procedeu-se à avaliação da intensidade da dor em crianças e idosos internados, antes e após a atuação de uma dupla de “doutores palhaços”, com formação específica na área. Foi também avaliada, em ambas as faixas etárias, a relação entre a diferença de intensidade da dor (entre o antes e o depois da atuação) e o sexo, idade, tipo de dor, localização da dor, número de dias de internamento, presença de sintomas acompanhantes e interferência da dor no quotidiano. Nos idosos, foi ainda avaliada a relação entre a diferença na intensidade da dor e o estado civil, escolaridade e possível institucionalização antes do internamento. A comparação entre crianças e idosos no que respeita à diferença de intensidade da dor foi também estudada. Métodos: Estudo longitudinal em que foram incluídos 40 doentes, 20 crianças e 20 idosos, com dor aguda, internados nos serviços de Pediatria e Medicina Interna, respetivamente. O estudo decorreu no Centro Hospitalar do Baixo Vouga, E.P.E. - Aveiro e no Hospital Distrital da Figueira da Foz, E.P.E. Foi aplicada a escala de faces de Wong-Baker a crianças e a escala numérica da dor a idosos, antes e depois da atuação da dupla de “doutores palhaços” da Associação “Palhaços d’Opital”. Os dados foram avaliados através do SPSS 20,com um nível de significância de 5%. Resultados: Ocorreu uma diminuição significativa da intensidade da dor após a atuação dos “doutores palhaços”, tanto em crianças como em idosos. No que concerne à faixa geriátrica, foi encontrada uma maior diferença na intensidade da dor em idosos que se encontravam institucionalizados antes do internamento e naqueles em que a dor era o único sintoma. Foi ainda constatada uma maior diferença na intensidade da dor em crianças comparativamente com idosos. Discussão e conclusões: Após a confirmação do seu poder analgésico, o riso deve ser reconhecido e instituído como uma terapêutica complementar. Os “doutores palhaços” devem ser integrados na equipa hospitalar, de modo a potencializar e humanizar outras medidas analgésicas aplicadas. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,641 | Fracturas periprotéticas do fémur em antroplastias da anca: classificação e tratamento | Fractura periprotética do fémur,artroplastia da anca,classificação,tratamento | Introdução: As fracturas periprotéticas do fémur podem representar uma grave complicação das artroplastias da anca. A sua prevalência tem vindo a aumentar devido a um aumento da esperança de vida da população. É importante conhecer os seus principais factores de risco de modo a identificá-los e a tratá-los numa fase precoce. O objectivo deste trabalho é pesquisar a classificação das fracturas periprotéticas do fémur mais recomendada, por forma a tornar possível estabelecer a melhor estratégia terapêutica para o tratamento de cada situação clínica, recorrendo, para isso, a um estudo de revisão bibliográfica. Materiais e Métodos: Foram selecionados 30 documentos da literatura científica internacional ortopédica, abrangendo o período compreendido entre os anos de 1996 e 2014. A pesquisa foi realizada recorrendo à base de dados do PubMed e do Repositório Institucional dos HUC. Foram estudados os artigos que continham as palavras-chave e que apresentavam uma maior relevância de acordo com o tema. Resultados: Existem diversas classificações para caracterizar as fracturas periprotéticas do fémur em artroplastias da anca. As classificações geralmente mais utilizadas são as classificações da AAOS e de Vancouver. A classificação da AAOS tem em conta três níveis e seis tipos: Nível I - fractura do fémur proximal até ao pequeno trocânter (tipo I e II); Nível II - fractura abrangendo menos de 10 cm do fémur distal até ao pequeno trocânter (tipo III); Nível III - fractura abrangendo mais de 10 cm do fémur distal até ao pequeno trocânter (tipo IV, V e VI). A classificação de Vancouver caracteriza as fracturas em 3 tipos: A - fracturas da região trocantérica; B - fracturas diafisárias, localizadas em redor ou logo abaixo da haste femoral (B1, B2, B3); C - fracturas distais à haste femoral. Diversos estudos têm sido realizados no sentido de se verificar quais as melhores opções terapêuticas. A classificação de Vancouver propõe um plano terapêutico: A - métodos conservadores; B1 - redução aberta e fixação interna, com ou sem aloenxerto cortical strut; B2 - recolocação artroplástica com haste longa; B3 - recolocação artroplástica e aumento do capital ósseo com aloenxerto; C - redução aberta e fixação interna. Discussão: A maior parte das classificações existentes para caracterizar as fracturas periprotéticas do fémur após artroplastia da anca são descritivas, não apresentando qualquer valor significativo no que diz respeito à orientação para a formulação de uma estratégia terapêutica. Além disso, não consideram a fixação da prótese nem o capital ósseo remanescente. A classificação de Vancouver é considerada a classificação padrão uma vez que caracteriza o tipo de fractura tendo em conta a localização, a estabilidade da prótese e a qualidade óssea, estabelecendo também um algoritmo de tratamento. Conclusões: A classificação de Vancouver é a classificação mais usada uma vez que leva em linha de conta o tipo de fractura e estabelece desde logo a estratégia terapêutica mais indicada. O algoritmo de tratamento não tem um carácter vinculativo, devendo ser adaptado a cada caso clínico. O ponto central deste problema continua a ser a prevenção das fracturas, evitando, tanto quanto possível, situações de risco, e avaliando periodicamente a evolução da artroplastia. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,642 | Perfecionismo, pessimismo/otimismo e afeto negativo | Perfecionismo e Afeto Negativo/Afeto Positivo,Ansiedade Traço,Pessimismo Defensivo,Pessimismo e Otimismo,Mediação | Introdução: O Afeto Negativo (AN) e Positivo (AP) estão associados à Saúde Física (SF) e Psicológica (SP), sendo indicadores do bem-estar subjetivo e de qualidade de vida. O Perfecionismo (Perf) é um traço de personalidade caracterizado pela procura da perfeição e estabelecimento de elevados padrões de desempenho acompanhada de uma autoavaliação excessivamente crítica. O Perf tem sido relacionado com o AN/AP, mas não são bem conhecidos os mecanismos implicados nesta associação. Os principais objetivos deste estudo foram: analisar se o Perf, a Ansiedade Traço (AT), o Pessimismo/Otimismo disposicionais (Pess/Ot), o Pessimismo Defensivo (PD), a SF e SP são correlatos/preditores do AN e do AP e explorar que fatores medeiam a relação do traço de personalidade Perf com o AN/AP. Métodos: 192 estudantes universitários (78.1% mulheres), com idade média de 19,74 ± 2,10 anos, todos solteiros, completaram as versões portuguesas das duas Escalas Multidimensionais de Perfecionismo (Hewitt & Flett, Frost et. al), do Perfil de Estados de Humor, do Inventário de Ansiedade Estado-Traço, do Revised Life-Orientation Test, da Escala Revista de Pessimismo Defensivo e dois itens relativos à perceção de Saúde Física e Psicológica. Resultados: A análise de correlações e de grupos de AN mostraram uma associação positiva consistente do AN e das suas dimensões Depressão (Dep) e Ansiedade/Hostilidade (Ans/Host) com a AT, Perf, Pess, PD; e uma relação negativa com o Ot e SP. Os preditores negativos significativos consistentes do AN e das suas dimensões foram o Ot e a SP; e o preditor consistente positivo foi a AT. O Perf negativo e a sua dimensão Preocupação com os Erros foram preditores positivos do AN e Dep. O Perf não foi preditor da Ans/Host nem do AP. Os preditores do AP foram o Ot e a SP. A análise de mediação de bootstrapping indicou que os fatores de mediação da relação do Perf com o AN e as suas dimensões foram a AT, Pess e Ot, PD e SP. Foram observados alguns aspetos comuns, mas também especificidades na relação das dimensões do Perf com o AN, Dep e Ans/Host bem como a nível dos fatores mediadores destas associações. Discussão e Conclusão: O AN/AP são multideterminados. O Perf, a AT, o Pess e Ot, o mecanismo cognitivo de coping PD e a SP, estão implicados. A relação do Perf com o AN é parcialmente mediada pela AT, Pess, Ot, PD e pela SP, sendo que estas variáveis fortalecem a associação entre o Per e o AN. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,644 | Variabilidade interobservador da classificação de Waldenström na doença de Perthes: estudo retrospetivo | Doença de Perthes,classificação de Waldenström,variabilidade interobservador,fiabilidade,reprodutibilidade,concordância,valor de kappa | Introdução: A doença de Perthes é uma patologia da anca que ocorre em crianças. Apresenta uma incidência anual que varia de 2 a 294 por 1.000.000 de crianças, com maior prevalência entre os 4 e os 12 anos de idade, sendo mais comum no sexo masculino. Consiste num evento isquémico transitório, total ou parcial, do núcleo de ossificação da epífise superior do fémur, numa anca em crescimento. Além da fase aguda de lesão óssea, a doença carateriza-se por todo o processo subsequente de reparação e remodelação. Uma das principais dificuldades na orientação de crianças com doença de Perthes decorre do caráter evolutivo da patologia. Os poucos consensos internacionais existentes na abordagem terapêutica da doença dependem da nossa capacidade em enquadrar os doentes em grupos homogéneos, de forma a uniformizar a comunicação médica bem como a tomada de decisão clínica e melhorar a qualidade da informação dada às famílias. O estadiamento obtido pela classificação de Waldenström, ao enquadrar a doença em quatro grupos correspondentes à respetiva fase de evolução, torna-se um instrumento particularmente útil na abordagem desta doença. Materiais e métodos: Estudo de coorte retrospetivo. Seleção dos doentes a partir da base de dados do CHUC, EPE- Hospital Pediátrico, com o código ICD-9 7321. Incluídos doentes a partir do ano 2007, tendo sido excluídos doentes com outras patologias inicialmente classificadas como Perthes. Revisão dos processos clínicos dos doentes com recolha dos dados demográficos e informação relativa ao exame radiográfico das ancas. Compilação e organização das imagens da bacia (face e incidência de Löwenstein) de forma aleatória, intercalada e anónima num ficheiro PDF. Classificação das mesmas por um painel de três ortopedistas e três internos de ortopedia. Considerada como classificação de Waldenström padronizada a modificação publicada no livro de texto Tachdjian (4ª edição) da classificação original de H. Waldenström publicada no artigo de 1922. Análise estatística dos dados de forma a estabelecer a variabilidade interobservador desta classificação. A revisão da literatura foi feita utilizando o pubmed. Resultados: As classificações apresentaram um kappa global médio de 0,392, considerado de grau razoável. Apesar de existirem diferenças entre internos e especialistas em ortopedia (0,330 vs 0,548), estas diferenças não foram consideradas estatisticamente significativas. Mesmo assim, os especialistas apresentaram resultados mais concordantes e fiáveis. Para os internos, o estadio de reossificação foi o que apresentou maior discordância; no caso dos especialistas, houve maior discordância no estadio de fragmentação, tendo-se obtido concordância total no estadio de remodelação. Conclusões: Os resultados do presente estudo sugerem que a classificação de Waldenström, baseada isoladamente em critérios radiográficos, não é uma ferramenta de elevada fiabilidade nem reprodutibilidade para a avaliação dos doentes com Perthes. Assim sendo, admite-se a possibilidade combinar dados do exame físico e da evolução radiográfica a este sistema de classificação, no sentido de melhorar estes parâmetros e tornar mais fiável a decisão clínica nesta patologia. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,646 | Relação entre religião e perturbação obsessivo-compulsiva | Perturbação obsessivo-compulsiva,POC,Religião,Religiosidade,Escrúpulo,Escrupulosidade,Espiritualidade,Comportamento obsessivo,Fusão pensamento-acção,Tratamento | A relação entre a religião e a perturbação obsessivo-compulsiva (POC) foi analisada neste presente trabalho de revisão, sob várias perspectivas diferentes. Em primeiro lugar, o “mal do escrúpulo” ou “escrupulosidade” foi aqui abordada, enquanto entidade nosológica obsessivo-compulsiva, ainda em construção, que pretende agrupar as obsessões e compulsões de conteúdo religioso, cujo fundamento comum é o medo obsessivo de pecar (e das suas consequências). Estudos epidemiológicos apresentaram resultados por vezes contraditórios e de difícil comparação. Porém, duas tendências podem ser verificadas: 1) com base em amostras clínicas, as provas de que a religião possa ser um factor causal directo da POC são inconclusivas, e 2) a afirmação de uma associação positiva e complexa entre a religiosidade e o fenómeno obsessivocompulsivo (sintomas e meta-cognições relacionadas) em pessoas mentalmente saudáveis. Sob uma perspectiva cognitivo-comportamental, foram estudadas certas meta-cognições disfuncionais, destacando-se a fusão pensamento-acção relacionada com a moralidade, como possíveis mediadores específicos na relação entre a religião e a POC (ou escrupulosidade). Por último, devido às especificidades próprias de um doente escrupuloso, foram abordadas certas precauções e adaptações a fazer para maximizar a eficácia do tratamento, sobretudo da psicoterapia. A colaboração adjuvante de uma autoridade religiosa foi também discutida aqui. Objectivo: Em suma, o objectivo deste presente trabalho é realizar uma revisão da literatura sobre a relação entre a religião e a perturbação obsessivo-compulsiva (POC). | Ciências Médicas e da Saúde |
6,647 | Anafilaxia a veneno de himenópteros em idade pediátrica: diagnóstico e orientação terapêutica | alergia veneno himenópteros,imunoterapia específica veneno,anafilaxia,criança | As picadas de himenópteros ocorrem com frequência elevada em crianças e podem causar reações sistémicas que implicam uma orientação diagnóstica e terapêutica específica, com vista a reduzir a morbilidade, e mesmo mortalidade, potencialmente associadas. Não há muita literatura disponível que aborde esta alergia na criança, de forma global. A epidemiologia e as manifestações clínicas em idade pediátrica são distintas das dos adultos pelo que a doença deve ser abordada de forma específica. Também a orientação diagnóstica deve ser dirigida de forma particular, neste grupo etário, tendo em conta a morbilidade e risco dos exames a realizar, e as específicas recomendações terapêuticas. Os estudos existentes são geralmente realizados em adultos, alguns incluem crianças, mas a maioria não é desenhada especificamente para a Pediatria. De um modo geral, as guidelines incluem, apenas, algumas recomendações pediátricas relativas à indicação terapêutica. Para melhor caracterizar a doença em idade pediátrica, selecionar os exames complementares de diagnóstico, e definir as melhores opções terapêuticas nas distintas formas da doença, foi feita uma revisão da literatura nas bases de dados "PubMed","Embase" e “UpToDate” com as palavras-chave "hymenoptera venom allergy" e "child" no período de 2004 a 2014. Não sendo possível estabelecer a verdadeira incidência de alergia e anafilaxia a veneno de himenópteros em crianças e adolescentes, o único fator de risco de reação grave consensual é o tipo de reação prévia (moderada a grave). A iatrogenia associada aos exames complementares de diagnóstico (nomeadamente dor, medo e risco de reação alérgica) não tem sido considerada na escolha de exames a realizar. Conclui-se, ainda, que abaixo dos 16 anos de idade apenas há indicação para imunoterapia específica em doentes com reações prévias moderadas a graves, e que os esquemas acelerados têm eficácia e segurança comprovadas, também em idade pediátrica. Com base nestas conclusões, desenhou-se um protocolo de orientação diagnóstica e terapêutica a utilizar na Consulta de Alergologia, no Hospital Pediátrico, Centro hospitalar e Universitário de Coimbra. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,648 | Esófago de Barrett: da molécula ao cancro | Esófago de Barrett,Neoplasias do Esófago,Biomarcadores,Fatores de Risco,Metaplasia | O Esófago de Barrett (EB) consiste numa metaplasia, na qual o epitélio escamoso estratificado do esófago é substituído por epitélio colunar simples. Este constitui o principal fator de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma do esófago (ACE), uma neoplasia que tem vindo a crescer em incidência, em particular, nos países ocidentais. Este aumento tem originado uma onda de preocupação, por não se conseguir predizer quais os doentes com EB que progredirão para ACE. A vigilância dos doentes com EB tem um custo-benefício desfavorável e baixa sensibilidade, e embora sejam realizadas endoscopias e biopsias de controlo a todos, a capacidade de se predizer a evolução para ACE continua a ser deficitária e apenas uma pequena parte destes doentes evoluirá para neoplasia. Desta forma, muitos têm sido os investigadores que desenvolvem trabalho no sentido de validar biomarcadores que possam prever quais os doentes com maior risco de ACE, por forma a que estes sejam acompanhados com maior proximidade. A sua aplicação na prática clínica terá interesse se os mesmos permitirem a determinação de grupos de risco, se forem de fácil utilização, baixo custo e não invasivos. Este trabalho de revisão tem por objetivo apresentar uma versão atualizada e crítica acerca dos fatores de risco, mecanismos fisiopatológicos e marcadores moleculares subjacentes à transição EB-ACE. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,649 | Síndrome de cushing subclínica em incidentalomas adrenais: do desafio do diagnóstico à terapêutica | Síndrome de Cushing Subclínica,Incidentaloma da Suprarrenal,Hipercortisolismo Subclínico,Métodos de diagnóstico do hipercortisolismo subclínico,Tratamento do hipercortisolismo subclínico | Nos últimos anos, o crescente desenvolvimento e utilização de sofisticados métodos imagiológicos de diagnóstico, conduziu a um aumento do diagnóstico ocasional de massas adrenais, definidas como Incidentalomas Adrenais (IA). Consequentemente, a Síndrome de Cushing Subclínica (SCS) tem ganho um importante destaque na atualidade, por ser incontestavelmente, a alteração hormonal mais frequentemente associada aos Incidentalomas Adrenais, com uma prevalência compreendida entre os 5% e 20%, dependendo do protocolo de estudo e dos critérios de diagnóstico aplicados. O objetivo principal deste artigo é a realização de uma revisão bibliográfica, com base na literatura publicada acerca da SCS, abordando a sua definição, história natural, diagnóstico, comorbilidades, terapêutica e seguimento. A SCS corresponde a uma hipersecreção autónoma de cortisol, embora em pequeno grau, sendo portanto insuficiente para se expressar sob a forma de estigmas típicos de Síndrome de Cushing (SC), possuindo, porém, consequências nefastas para a saúde. Apesar de nesta patologia se verificarem algumas alterações nos testes de avaliação da função do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal (HHS), os critérios de diagnóstico para a SCS são alvo de grande controvérsia e discussão, não existindo, até à data, um protocolo de diagnóstico considerado como padrão de ouro. De entre todos os testes de avaliação hormonal disponíveis, existe consonância quanto ao lugar do Teste de Supressão com Dexametasona (TSD) como teste inicial de rastreio. A discussão acerca deste teste incide nos valores de corte (1,8μg/dL; 3μg/dL; 5μg/dL), acima dos quais se considera a existência de autonomia funcional, bem como nos diferentes protocolos usados (1mg, 2mg, 8mg). Porém, o teste de supressão com Dexametasona tem a vantagem de permitir quantificar o grau de hipersecreção autónoma de cortisol. Têm sido descritas consequências clínicas decorrentes da secreção inapropriada de cortisol, nos doentes com SCS, nomeadamente a presença de hipertensão arterial (HTA), obesidade central, diminuição da tolerância à glicose, dislipidemia ou de osteoporose. Pensa-se que estes doentes possuam um maior risco cardiovascular e que o processo de aterosclerose seja acelerado pelo hipercortisolismo, apesar de silencioso e em pequeno grau. Quanto à orientação terapêutica desta patologia, tanto a adrenalectomia como um seguimento cuidado e regular associado ao tratamento da Síndrome Metabólica, têm sido sugeridos como opções terapêuticas válidas e a considerar caso a caso. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,650 | Nevroma de Morton : estado da arte e o caso particular do CHUC | Ortopedia,Pé,Nevralgia,Deformidades do pé | O Nevroma de Morton foi inicialmente descrito por Thomas George Morton, em 1846. É uma lesão do sistema nervoso periférico, incluída no diagnóstico diferencial de dor no antepé, sendo uma das causas mais frequentes de metatarsalgia. É uma patologia que afecta tipicamente mulheres de meia idade, sendo o calçado o principal diferenciador da incidência entre os dois géneros, já que os sapatos estreitos e pontiagudos potenciam a doença e os sapatos dos homens tendem a ser mais largos e rasos. Os sapatos de salto alto e caixa estreita comprimem as estruturas ósseas, ligamentares, musculares e nervosas do antepé, provocando dor e inflamação, e fazem com que o peso corporal seja suportado por estas estruturas do antepé, aumentando a pressão sobre o mesmo. Actualmente, há várias teorias que explicam a etiologia, sendo que estas estão interligadas, englobando uma conjugação de vários factores, como o traumatismo crónico, a isquémia, o aparecimento de bursite intermetatársica e o entrapment nervoso. Estes factores podem ocorrer concomitantemente. O diagnóstico do Nevroma de Morton é essencialmente clínico, com base numa anamnese detalhada e no exame físico completo. Vários estudos têm mostrado que o diagnóstico clínico é mais sensível e específico, sendo o gold standard nesta patologia. Os quatro sinais clínicos mais frequentemente associados à presença do Nevroma de Morton são: espaço intermetatársico doloroso à palpação, teste de Mulder com click audível, percussão plantar dolorosa, e défice sensorial na ponta dos dedos. A investigação radiológica é útil quando é necessário excluir outras causas de metatarsalgia, ou nos casos de suspeita de múltiplas lesões ou envolvimento de múltiplos espaços interdigitais. 4 A nível histológico, o Nevroma de Morton é caracterizado pela presença de alterações de fibrose peri e epineural, alterações vasculares degenerativas e hiperplasia dos feixes nervosos. A hialinização do tecido do endoneuro e deposição de material amorfo envolvendo os feixes afectados também ocorrem frequentemente. O tratamento do Nevroma de Morton assenta sobre dois pilares: o tratamento conservador e o tratamento cirúrgico. A comunidade científica é quase unânime em considerar o tratamento conservador como primeira linha, englobando alterações a nível do calçado, utilização de palmilhas e injecção de anti-inflamatórios. Quando os sintomas persistem ou recorrem frequentemente, deve optar-se por um tratamento cirúrgico. A excisão do Nevroma de Morton continua a ser o procedimento mais utilizado. No entanto, apesar de ser um método muito popular, os resultados não têm sido os esperados. Para além da excisão do Nevroma, apresenta-se ainda outras alterativas, como a descompressão endoscópica, a descompressão minimamente invasiva e a neuroablação criogénica. O acompanhamento dos doentes após tratamento conservador ou cirúrgico é de extrema importância devido à alta taxa de recidiva sintomática, e à ocorrência de complicações. As principais complicações da nevrectomia são a dormência do espaço interdigital correspondente e, por vezes, até mesmo a superfície plantar do pé. Outro problema comum após resseção cirúrgica é o aparecimento de nevromas recorrentes. Qualquer procedimento invasivo apresenta ainda o risco inerente de infecção. Na segunda parte deste trabalho apresenta-se um estudo casuístico do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra – CHUC, em que se analisaram dados relativos a doentes com diagnóstico clínico de Nevroma de Morton. Estes doentes foram submetidos a cirurgia de ressecção entre Agosto de 2006 e Dezembro de 2012 e as peças excisadas foram analisadas pela Anatomia Patológica, no sentido de se confirmar o diagnóstico. 5 Nesta análise, concluiu-se que o Nevroma de Morton é uma patologia que afecta maioritariamente mulheres, numa relação homens/mulheres de 1/5,3, com uma idade média no diagnóstico de 53,3 anos. Não há diferenças de incidência entre o pé direito e o pé esquerdo e foi registado o mesmo número de Nevromas no 2º e no 3º espaços interdigitais. As alterações observadas pela anatomia patológica são características do NM, como as alterações degenerativas e a fibrose perineural, presentes na grande maioria das peças excisadas, mas também a hiperplasia dos feixes nervosos e a hiperplasia vascular, bastante prevalentes também nestas peças. Estes dados confirmaram que o diagnóstico clínico tem um valor preditivo positivo bastante alto, sendo que 58 das 60 peças excisadas eram Nevroma de Morton (96,7%). | Ciências Médicas e da Saúde |
6,651 | A importância da fluorescência na cirurgia dos gliomas | Glioma Maligno,Cirurgia Guiada por Fluorescência,Ácido 5-aminolevulinico,Resseção Radical do Tumor,Resseção Máxima Segura | Contextualização: Os gliomas representam 81% dos tumores primários malignos do cérebro. Apesar de serem relativamente raros, são causa de importante morbilidade e mortalidade. Entre os fatores prognósticos mais relevantes, encontra-se a resseção tumoral, a idade aquando do diagnóstico e a pontuação obtida na Escala de Performance de Karnofsky (KPS). Atualmente a cirurgia ainda permanece como terapêutica de 1ª linha, no entanto um factor importante que condiciona a realização deste procedimento, deve-se à dificuldade em distinguir intra-operatoriamente as margens de ressecção tumoral. Foi, neste contexto, que a fluorescência emitida pelo ácido-5-aminolevulinoco (5-ALA) surgiu como um método auxiliar de identificação dos limites tumorais intra-operatoriamente em tempo real, com o intuito de ajudar a tomada de decisão clinica do neurocirurgião. Objetivo: O objetivo deste artigo de revisão prende-se com a importância atual e futura desta técnica na ressecção de gliomas. Não só se pretende realizar uma análise da literatura disponível, relativamente à sua eficácia, mas também se procura entender a segurança e os riscos que esta implica. Material e Métodos: De forma a realizar este artigo de revisão foi consultada a PubMed (www.pubmed.com) como base de dados. Assim recorrendo a um conjunto de palavras-chave, foi possível abranger artigos desde 1989 a 2014, contendo fontes em literatura inglesa e portuguesa. O facto de este tema, de certa forma, representar uma técnica cirúrgica emergente, condicionou as datas das publicações disponíveis. Encontram-se incluídos artigos de revisão, artigos originais, ensaios clínicos, editorias, notas técnicas, entre outros. Resultados: Os dados contidos neste artigo de revisão, procuram, sempre que possível, serem apoiados em informações compreendidas em fontes e estudos de metodologia fiável, rigorosa e cujos resultados permitam uma correta interpretação e extrapolação dos mesmos. Dada a extensa pesquisa efetuada, foi necessário implementar critérios de inclusão com base nas palavras-chave enunciadas acima, na data de publicação do artigo, no autor do mesmo, o tipo de estudo realizado, bem como na sua metodologia e validade. Assim procedeu-se a uma leitura cuidada dos títulos e resumos dos artigos disponíveis, selecionando 75 artigos que preenchiam os critérios atrás enunciados. Conclusão: A resseção guiada pela fluorescência permite ao neurocirurgião distinguir de forma mais precisa, as margens do glioma intra-operatoriamente em tempo real, e assim aumentar a incidência de resseções tumorais radicais. Ao atingir este objetivo o doente é submetido a um menor número de reintervenções, apresentando maior sobrevida relativa e melhor resposta às terapêuticas adjuvantes, como a quimioterapia e a radioterapia. Relativamente à segurança da resseção guiada pela fluorescência emitida pela protoporfirina IX (PpIX), os défices neurológicos transitórios provocados por uma resseção mais extensa são compensados pelos benefícios a longo prazo para os doentes e justificados pelo uso de técnicas modernas, como a cirurgia guiada por fluorescência. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,653 | Inibidores da DPP-4: uma esperança na nefropatia diabética? | nefropatia diabética,inibidores da DPP-4,renoprotecção,incretinas,stress oxidativo,complicações microvasculares,diabetes mellitus | Em Portugal, a nefropatia diabética é a principal causa de doença renal em estádio terminal. A terapêutica atual para esta complicação da diabetes mellitus tem-se revelado insatisfatória, pois apenas atrasa a progressão da doença, não impedindo que os doentes percam a função renal a longo prazo. Por este motivo, é necessário procurar novas terapêuticas que interfiram na patogenia da nefropatia de forma a minorar o dano renal, ou até a preveni-lo. Neste sentido, efetuou-se uma revisão da literatura de forma a compreender em que medida é que os inibidores da DPP-4 podem contribuir para a terapêutica da nefropatia diabética. Com este trabalho, procurou compreender-se o mecanismo fisiopatológico pelo qual estes fármacos podem ter um efeito renoprotetor, tentando perceber quais são os efeitos dependentes do aumento da concentração de GLP-1 e quais os efeitos dependentes da ação de outros peptídeos. A evidência atual indica que um estado de microinflamação está envolvido na patogénese da nefropatia diabética. Várias citocinas inflamatórias e fatores de crescimento têm sido associadas ao desenvolvimento das principais características histológicas desta patologia: hipertrofia glomerular, espessamento da membrana basal glomerular e expansão da matriz extracelular que é posteriormente substituída por tecido fibrótico. Esta descoberta, conduziu à procura de novos alvos terapêuticos que possam interferir diretamente na patogénese da nefropatia diabética, impedindo de uma forma direta a progressão da patologia renal, independentemente do controlo glicémico e da pressão arterial. Uma das classes de fármacos que pode ter interesse nesta nova abordagem, são os inibidores DPP-4. Sabe-se que a enzima DPP-4 para além de aumentar os níveis de incretinas, também é importante na clivagem de vários peptídeos vasoativos. Entre as moléculas investigadas, o SDF-1α, a meprina β, e o HMGB1 parecem ser os peptídeos com maior potencial para serem alvos terapêuticos no futuro. Vários estudos pré-clínicos têm sido realizados para avaliar o efeito dos inibidores da DPP-4 na nefropatia diabética, avaliando o impacto da terapêutica nos marcadores de doença renal. No entanto, o resultado destes estudos deve ser interpretado com alguma cautela, pois em alguns casos, os parâmetros metabólicos, como a glicémia e a pressão arterial também melhoraram. Os estudos clínicos realizados ainda são escassos e muitas vezes não foram planeados para compreender especificamente qual é o efeito dos inibidores DPP-4 a nível renal. Por este motivo, os inibidores da DPP-4 como uma alternativa que ofereça proteção renal em doentes diabéticos, surge apenas como uma possibilidade. Apesar da evidência atual indicar um potencial renoprotetor que pode ter muito interesse e revolucionar a terapêutica da diabetes, há necessidade de realizar mais estudos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,660 | Prevalência e correlatos da insónia em jovens adultos | Sono,Auto-percepção de insónia,Auto-percepção de saúde,Sonolência diurna subjectiva,Factores psicológicos | Objectivo: O objectivo deste estudo foi examinar os factores associados à auto-percepção de insónia numa amostra de estudantes universitários. Metodologia: 467 indivíduos do sexo feminino e 247 do sexo masculino, estudantes de medicina (idade média 19.29 anos; DP=±1.256), completaram uma série de questionários que avaliaram a insónia (item do Inventário de Personalidade de Eysenck “Sofro de insónias”, respostas variando entre Quase nunca e Quase sempre), outros aspectos de sono-vigília (duração habitual do sono, necessidades de sono, profundidade do sono, qualidade subjectiva do sono, latência do sono, acordares nocturnos, inércia do sono, sonolência diurna, flexibilidade do sono, cronótipo, reactividade do sono ao stresse), activação pré-sono (activação cognitiva/somática), predisposição à activação, coping, neuroticismo, extroversão, auto-percepção de saúde física/mental, stresse académico e humor/afecto. Resultados: A insónia foi relatada por 10.5% dos estudantes do sexo feminino (Muitas vezes=9.2%, Quase sempre=1.3%) e 9.8% do sexo masculino (Muitas vezes=7.8%, Quase sempre=2.0%). Não foram encontradas diferenças significativas entre os sexos. A insónia estava significativamente correlacionada com a auto-percepção do estado de saúde e a maioria das variáveis sono-vigília (excepto necessidades de sono, preferências temporais para trabalho mental/ritmos fisiológicos, cronótipo e propensão para sonolência diurna), sendo os coeficientes mais elevados com a perturbação do sono por preocupações e índice de qualidade do sono. Também mostrou estar relacionada com quase todas as variáveis psicológicas investigadas. Todavia, a análise de regressão múltipla stepwise mostrou que apenas seis variáveis eram preditores significativos de insónia: activação cognitiva (=.372; p<.001); neuroticismo/NEO-PI-R na faceta ansiedade/N1 (=.085; p=.061); auto-percepção de saúde física (=-.075; p=.057); tendência para preocupação geral (=.086; p=.051); activação somática (=.099; p=.023) e afecto positivo (=-.085; p=.035). Estas variáveis explicaram, no conjunto, 29.8% da variância nas pontuações da insónia. Conclusões: Nesta amostra de jovens adultos a prevalência da auto-percepção de insónia foi de 10.2%. Conforme os resultados indicaram, a insónia como definida pelos indivíduos está relacionada com a perturbação do sono por preocupações e má qualidade do sono; a sonolência diurna percebida, mas não a propensão para sonolência diurna, estava significativamente relacionada com insónia. A activação pré-sono cognitiva/somática, ansiedade traço, auto-percepção de saúde física, tendência para preocupação geral e afecto positivo juntos revelaram-se preditores significativos da insónia. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,661 | Doseamento de hipocretina no diagnóstico da narcolepsia : acerca de um caso | Narcolepsia,Hipocretina,Diagnóstico,Criança | A narcolepsia é uma doença rara em que existe um distúrbio crónico do sistema nervoso central com desregulação do ciclo sono-vigília. Caracteriza-se por sonolência diurna excessiva, cataplexia, alucinações hipnagógicas e paralisia do sono. Em idade pediátrica o seu diagnóstico é difícil, atendendo à inespecificidade da clínica, particularmente na ausência de cataplexia. Os exames auxiliares de diagnóstico mais frequentemente utilizados apresentam limitações, com falsos positivos e negativos, não permitindo em diversos casos obter uma certeza diagnóstica. O atraso no diagnóstico pode condicionar alterações da personalidade e do comportamento, diminuição do rendimento escolar, deterioração das relações familiares e sociais e consequente diminuição na qualidade de vida da criança. O doseamento de hipocretina 1 no líquido cefalorraquidiano (LCR) é um exame de utilização recente, com elevada especificidade e sensibilidade para o diagnóstico de narcolepsia com cataplexia. O recurso a este exame, facultando uma certeza diagnóstica, pode permitir o tratamento precoce e evitar as complicações da doença. No entanto, por ser um método invasivo, está indicado apenas para casos específicos. Foi efectuada uma revisão bibliográfica da etiopatogenia, manifestações clínicas em idade pediátrica e exames auxiliares de diagnóstico da narcolepsia, de forma a aferir a utilidade do doseamento da hipocretina 1 no LCR como método de diagnóstico. Como complemento prático, é apresentado o caso de um rapaz de 9 anos referenciado à consulta de patologia do sono do Hospital Pediátrico por sonolência diurna excessiva, no qual o doseamento de hipocretina 1 se revelou fundamental para o diagnóstico | Ciências Médicas e da Saúde |
6,662 | Avaliação da qualidade de vida dos médicos do ACES do Baixo Mondego | Qualidade de vida,Stress,Burnout profissional | Introdução: A qualidade de vida e a vulnerabilidade ao stress devem ser estudadas para evitar o aparecimento de situações de maior gravidade, nomeadamente o burnout. Objetivo: Estudo da qualidade de vida e da vulnerabilidade ao stress nos médicos do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Baixo Mondego: sua avaliação e verificação do impacto do tipo de estrutura em que trabalham. Materiais e Métodos: Numa amostra aleatória e representativa dos médicos do ACES do Baixo Mondego, foi aplicado um questionário epidemiológico (idade, sexo, especialista/interno e local de trabalho) e os instrumentos EQ-5D e 23-QVS com fiabilidade já verificada para a população portuguesa. A amostra foi obtida por sorteio das Unidades de Saúde Familiares (USFs) e Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSPs) ordenadas por ordem alfabética após conhecimento do número de médicos em cada unidade. Foi efetuada estatística descritiva e inferencial. Resultados: Foi obtida uma amostra de 105 elementos (proporção de resposta de 62,1%), com uma média de idades de 40,1±13,3 anos, sendo 70,5% mulheres, 59,0% trabalhadores em USF e 49,5% especialistas em MGF. No EQ-5D verificamos que 71,4% dos inquiridos apresentam um resultado acima da média de corte da população portuguesa, sem diferenças estatísticas para sexo, grau na carreira e unidade de trabalho. No 23-QVS, 81,0% dos médicos mostraram-se resistentes ao stress psicológico, sem diferenças estatísticas para as variáveis sociodemográficas consideradas. Verificou-se correlação entre os resultados do 23-QVS e do EQ-5D (r=-0,213; p=0,029). Em função do EQ-5D verificamos que apenas o Fator 6 do 23-QVS (subjugação) apresenta diferença significativa (p=0,043). Discussão: A subjugação será matéria de estudo em futuras investigações que permitam conhecer os seus determinantes e como intervenções podem obviar o desenvolvimento de quadros psicológicos adversos futuros. Conclusões: Existe uma boa qualidade de vida e resistência psicológica ao stress a nível dos médicos do ACES do Baixo Mondego. As variáveis sociodemográficas analisadas não contribuem para os resultados obtidos. Na correlação entre EQ-5D e 23-QVS inferimos que melhor qualidade de vida levará a maior resistência ao stress. Concluímos, ainda, que o Fator que mais contribui para o desenvolvimento de stress é o Fator 6 (subjugação) | Ciências Médicas e da Saúde |
6,663 | Estenose aórtica paradoxal | estenose aórtica paradoxal,baixo fluxo sistólico,baixo gradiente,rigidez vascular,diagnóstico,tratamento,prognóstico | A estenose aórtica paradoxal define-se por uma área valvular aórtica ≤ 1 cm2, um volume sistólico indexado < 35 mL/m2 e um gradiente médio transvalvular < 40 mmHg, apesar de uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo preservada (> 50%). Caracteriza-se por uma marcada remodelagem concêntrica do ventrículo esquerdo, com predomínio de disfunção diastólica, e está associada a uma rigidez vascular sistémica aumentada. A prevalência desta doença varia entre os 3-35% dos doentes com estenose aórtica grave e afeta sobretudo doentes idosos, do género feminino e com multimorbilidade. A estenose aórtica paradoxal é um desafio diagnóstico, particularmente pelas inconsistências associadas à equação de continuidade. Têm surgido novos métodos de avaliação na literatura para auxiliar no diagnóstico do estado de baixo fluxo sistólico, bem como para estudar a remodelagem ventricular esquerda. Até há pouco tempo existia algum consenso na literatura sobre o facto da estenose aórtica paradoxal representar um estadio mais avançado da doença valvular aórtica. Como tal, na presença de sintomas, a substituição valvular aórtica parecia ser o tratamento mais indicado. No entanto, outros autores mostraram resultados diferentes e assim, aumentaram a discussão sobre a abordagem e gestão deste fenótipo da estenose aórtica degenerativa. A presente tese tem por objetivo elaborar uma revisão sistemática da literatura sobre a estenose aórtica paradoxal, e abordar aspetos relacionados com a sua demografia, semiologia, avaliação diagnóstica, implicações terapêuticas e prognóstico. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,665 | Úlceras de pressão em geriatria : tratamento | Geriatria,Úlcera do decúbito | Atualmente verifica-se que há uma grande quantidade de pessoas com idade mais avançada, sendo que a tendência é para que cada vez a esperança média de vida aumente devido à existência de melhores cuidados de saúde. Com este aumento surgem também problemas decorrentes de hospitalizações e imobilidade dos doentes. Um desses problemas são as úlceras de pressão que são definidas como sendo uma lesão localizada na pele e/ou tecidos subjacentes, normalmente sobre uma proeminência óssea, em resultado da pressão ou de uma combinação entre esta e forças de torção. De modo a perceber como combater esta problemática, foi feita uma revisão bibliográfica sobre o tratamento das úlceras de pressão nos doentes geriátricos. Esta revisão foi feita com base em artigos científicos, guidelines, relatórios e guias de tratamento. Foram analisados os diversos tipos de tratamento e concluiu-se que são necessários mais estudos de modo a tirar mais conclusões e tentar adotar um tratamento consensual. No entanto, existem terapêuticas mais utilizadas, como os pensos e o desbridamento, que outras. O tratamento varia de acordo com diversos fatores, quer individuais do doente, como o seu estado geral, comorbilidades associadas, quer da classificação da úlcera de pressão apresentada, se é única ou se há múltiplas úlceras de pressão, entre outros fatores. | Ciências Médicas e da Saúde |
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