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6,667 | Síndrome da disfunção múltipla de órgãos, estudo de uma amostra de doentes admitidos no serviço de medicina intensiva | Síndrome da Disfunção Múltipla de Órgãos,Sépsis,Síndrome de Resposta Inflamatória Sistémica,classificação,fisiopatologia | A Síndrome da Disfunção Múltipla de Órgãos é uma síndrome complexa e um dos paradigmas atuais da medicina moderna. Esta “síndroma do progresso” surge como uma disfunção fisiológica progressiva e potencialmente reversível de dois ou mais órgãos/sistemas no doente crítico, constituindo a etapa final do espectro de gravidade da SRIS e da Sépsis. O principal objectivo deste trabalho é o de caracterizar retrospectivamente casos do Serviço de Medicina Intensiva dos Hospitais da universidade de Coimbra relativos a um mês de internamento, procurando caracterizar a prevalência actual da SDMO no serviço e quais os sistemas de órgãos que mais frequentemente entram em falência. Consequentemente, foi realizado um estudo observacional através da consulta de processos clínicos e da base de dados do serviço, de onde foram colhidos dados necessários ao estabelecimento do diagnóstico de SRIS, Sépsis e SDMO. A análise estatística foi realizada usando o software SPSS v17 para Windows e o Microsoft Excel 2010 (Microsoft Corp, Redmond, WA). Foram incluídos no estudo 39 doentes, dos quais 56,41% (n=22) eram indivíduos do género masculino e de 43,59% (n=17) eram indivíduos do género feminino, com uma média de 61,33 (±15,90) anos de idade. Concluiu-se que todos os doentes apresentavam ou desenvolveram durante o internamento uma SRIS, 82,05% desenvolveram Sépsis e 94,87% desenvolveram SDMO. A SDMO independentemente dos critérios usados na sua definição e da população em estudo, constitui a principal causa de mortalidade dos doentes admitidos em unidades de cuidados intensivos. Estudos futuros deverão assentar na definição de critérios mais rigorosos que caracterizem melhor cada disfunção e a SDMO como um todo. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,669 | Aquisição de alergia alimentar em diferentes grupos etários | food hypersensitivity,cross reaction,imune tolerance,risk factor,anaphylaxis,adult,childhood,peanut,seafood,egg,milk | São enormes os desafios que se intrometem na tentativa de compreender a dimensão mundial das alergias alimentares. Contudo, não podem de modo algum abrir caminho para a subvalorização da doença, ou não estivesse em causa algo tão transversal e essencial no quotidiano do Homem, como é a alimentação. A verdade é que para alguns indivíduos, certos alimentos podem desencadear eventos adversos que comportam desde leve reações orais até quadros de anafilaxia, com possíveis desfechos dramáticos. A prevalência da alergia alimentar afeta mais de 1 a 2% e menos de 10% da população, com maior expressão em crianças e com relevantes indicadores de um aumento no número de indivíduos afetados. A sua aquisição e o tipo de alimentos envolvidos seguem padrões distintos, consoante o período da vida em que ocorre a sensibilização. O processo de sensibilização não implica necessariamente repercussão clínica. Para determinados alimentos, existem indicadores que nos poderão orientar na previsão de persistência ou aquisição de tolerância para a alergia. As características do alergénio, condições clínicas subjacentes e resultados de testes diagnósticos são auxiliares úteis na compreensão do curso esperado para a alergia a determinado alimento. Acredita-se que as alergias alimentares resultem quer da falha de indução de tolerância quer da perda da tolerância oral a determinado alimento. Caracteristicamente, resultam de um desvio funcional do fenótipo linfocitário Th1 para o fenótipo Th2. As células T que se pensam serem responsáveis por fenómenos de tolerância são denominadas de células Treg, com capacidade de secreção de Il-10 e TGF-β e expressão do fator de transcrição Foxp3. Sobretudo no adulto, a reatividade cruzada contribui significativamente para novas manifestações clínicas e dificulta a abordagem da doença. Em indivíduos com alergia a alguns dos alimentos mais prevalentes nesta faixa etária, como marisco e amendoim, não é infrequente a coexistência de reações motivadas por outros alergénios. Cada vez mais, se concentram esforços no sentido de individualizar fatores de risco que ajudem não só a compreender a etiopatogenia da alergia alimentar mas igualmente enriquecendo as formas de abordar e manusear a doença, assumindo a vitamina D algum destaque. Dada a seriedade do choque anafilático como possível manifestação clínica da alergia alimentar, é de maior importância a estruturação de marcadores específicos que identifiquem indivíduos em maior risco. Para além da asma, fator mais consensual, sugere-se a PAF acetilhidrolase como fator independente de risco. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,670 | Implicações da utilização da anelgesia epidural na evolução do trabalho de parto | Anestesia epidural,Parto | A analgesia por via epidural é hoje usada, por mais de metade das mulheres em trabalho de parto, não havendo ainda consenso sobre os seus efeitos secundários. É importante que todas as parturientes estejam previamente informadas das possíveis complicações uma vez que o seu uso é quase sempre eletivo. Este trabalho é uma revisão sistemática da literatura, examinando essencialmente a influência da analgesia epidural na duração do trabalho de parto, no parto distócico (instrumentado ou cesariana), referindo também outros possíveis efeitos adversos. Para esta revisão realizou-se uma pesquisa bibliográfica baseada, maioritariamente, nas fontes médicas Pubmed/Medline, considerando ainda outra literatura relevante. Grande parte da literatura é equívoca sendo que muitos ensaios clínicos são de pequena dimensão ou não permitem uma interpretação clara dos dados por diferentes metodologias dos estudos. Além disso, há fatores de confusão difíceis de controlar como por exemplo o facto de que as mulheres que solicitam analgesia epidural são diferentes das que não o fazem. No entanto, há dados suficientes para concluir que a analgesia por via epidural se associa a um prolongamento do trabalho de parto, mas não é consensual que seja a causa de uma maior taxa de partos instrumentados ou cesariana. As mulheres que receberam analgesia epidural também estão mais propensas a ter febre durante o parto bem como outros efeitos secundários. Mais pesquisas serão necessárias para fazer avançar a nossa compreensão dos efeitos colaterais da analgesia epidural e dos seus mecanismos, uma vez que a melhoria da informação permitiria às grávidas tomar decisões verdadeiramente informadas sobre a sua utilização no alívio da dor durante o parto. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,671 | Adenocarcinoma ductal pancreático: estratégias para o diagnóstico precoce | neoplasias pancreáticas,diagnóstico precoce,adenocarcinoma,marcadores biológicos,imagiologia,genómica,epigenómica | Este artigo de revisão teve como principais objetivos sumariar e avaliar os exames imagiológicos e os biomarcadores que atualmente são utilizados para a deteção precoce do adenocarcinoma ductal pancreático (ADP), e enunciar os biomarcadores que têm vindo a ser alvo de estudos promissores no campo do diagnóstico precoce, nomeadamente os marcadores genéticos, proteicos, metabólicos, epigenéticos e as células tumorais circulantes. Para este fim foram utilizadas as bases de dados bibliográficas Tripdatabase e PubMed/MEDLINE, tendo-se analisado as publicações dos últimos dez anos relativas aos exames imagiológicos e aos marcadores biológicos usados no diagnóstico precoce do ADP. Verificou-se que os métodos de diagnóstico hoje utilizados na prática clínica para detetar o adenocarcinoma ductal pancreático se baseiam na imagiologia e no biomarcador sérico antigénio dos hidratos de carbono (do inglês CA – carbohydrate antigen) 19-9, não tendo estes, todavia, sensibilidade e especificidade elevadas para permitirem o diagnóstico do ADP em estadios precoces. Verificou-se também que há biomarcadores genéticos, proteicos, metabólicos, epigenéticos e células tumorais circulantes que têm sido objeto de investigação, vindo a demonstrar resultados atrativos no que respeita à deteção de lesões neoplásicas em estadios iniciais, com valores de sensibilidade e de especificidade superiores aos do CA19-9 e aos da imagiologia. Todavia, apesar da descoberta de novos biomarcadores de diagnóstico e de estudos com resultados animadores, falta ainda validar e certificar esses biomarcadores, para que possam vir a ter aplicabilidade clínica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,672 | Qualidade de vida em doentes de cuidados paliativos | Cuidados Paliativos,qualidade de vida,ética | O presente estudo teve como objetivos avaliar a qualidade de vida das pessoas acompanhadas em cuidados paliativos e avaliar alguns aspetos éticos relacionados com a perceção do doente em relação ao seu estado atual e ao respeito demonstrado pela equipa de cuidados paliativos em relação aos seus valores e necessidades. A amostra é constituída por trinta e dois doentes a receber cuidados paliativos, acompanhados pelo Serviço de Cuidados Paliativos do Centro Hospitalar Cova da Beira. Sendo 19 (59,4%) dos inquiridos do género feminino, com idades compreendidas entre os 45 e os 96 anos (média = 72,41). O instrumento consistiu numa entrevista estruturada composta por características sociodemográficas e dados clínicos; pelo McGill Quality of Life Questionnaire e por quatro questões destinadas a avaliar alguns aspetos éticos. Os doentes revelaram níveis de qualidade de vida razoáveis em todas as dimensões (médias entre 4,96 e 9,16). A relação entre o género e a qualidade de vida e o estado civil e a qualidade de vida não são estatisticamente significativas. Houve uma avaliação positiva no que concerne a todas as questões éticas realizadas. Apesar da sua condição, os doentes revelaram níveis de qualidade de vida razoáveis. No que concerne aos aspetos éticos foi possível concluir que os doentes se sentem incluídos nas decisões tomadas e que as suas necessidades são respeitadas. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,673 | Avaliação cognitiva em idosos com doença metabólica crónica | Diabetes mellitus do tipo 2,Idoso,Perturbações da cognição | Introdução - Actualmente, sabe-se que a prevalência da Diabetes tipo 2 aumenta significativamente com a idade. A associação entre a Diabetes Mellitus tipo 2 e complicações vasculares e neurológicas é bem conhecidas. A degradação cognitiva do idoso constitui um dos grandes problemas da sociedade moderna. Nos últimos anos, o declínio cognitivo tem sido fonte de diversos estudos na tentativa de melhor compreender a fisiopatologia e factores de risco associados, de forma a propor medidas que permitam uma prevenção mais eficaz. A Diabetes também tem sido identificada como um factor de risco substancial para o défice cognitivo. Grandes flutuações diárias dos níveis de glicose, com hiperglicémia persistente, podem explicar a existência de declínio cognitivo mais rápido em pessoas diabéticas. Também a existência de produtos do metabolismo glicosilados que danificam o sistema vascular e as funções endoteliais, conduzem a reacções inflamatórias e a produção aumentada de proteína beta-amiloide. A hiperglicémia pode influenciar o fluxo sanguíneo cerebral e as funções dos neurotransmissores causando neuropatia cerebral. A relação hiperinsulinémia / enzima de degradação da insulina pode ter um papel extremamente importante na deposição de amilóide no cérebro. Objectivos - Comparar a função cognitiva numa população de idosos Diabéticos tipo 2 e Não Diabéticos, avaliar se os idosos com esta doença crónica têm maior declínio cognitivo e se o tempo de evolução da doença está relacionado com um declínio cognitivo mais acentuado. Para além destes objectivos principais, foi avaliada a eventual relação entre degradação cognitiva e nível de controlo metabólico, comorbilidades presentes e medicação. Metodologia – Foram realizadas 52 entrevistas a pessoas com mais de 65 anos que frequentaram as Consultas Externas do Serviço de Medicina Interna dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Para a avaliação cognitiva foi aplicado o “Mini Mental State Examination”, tendo as pessoas sido divididas em dois grupos: Diabéticos e Não Diabéticos. Resultados – Verificou-se que os idosos Diabéticos apresentaram valores mais baixos no “Mini Mental State Examination” quando comparados com o grupo de controlo Não Diabéticos. Além disso, apresentaram maior incidência de Doença Cardíaca, Acidente Vascular Cerebral/Acidente Isquémico Transitório, Doença Renal e declínio cognitivo mais acentuado. Discussão e Conclusões – Os idosos Diabéticos incluídos neste estudo apresentaram um maior declínio cognitivo que os Não Diabéticos, associado às alterações metabólicas. Pode mesmo afirmar-se que a Diabetes pode ser um factor importante no aparecimento de Défice Cognitivo, contudo são necessários mais estudos para provar esta afirmação sem ambiguidades. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,674 | Suplementos de cálcio e risco cardiovascular | Suplementos de Cálcio,Risco Cardiovascular,Calcificação Vascular,Enfarte Agudo do Miocárdio,Mortalidade,Idoso | As guidelines atuais recomendam a ingestão de cerca de 1200 g de cálcio por dia em indivíduos com idade superior a 50 anos. Frequentemente, esta quantidade só é conseguida recorrendo a suplementos de cálcio, daí a sua popularidade na prevenção e terapêutica da osteoporose. Durante muitos anos os suplementos de cálcio foram considerados seguros e eficazes, contudo, recentemente questionou-se a sua relação com o aumento do risco cardiovascular. A problemática surgiu em 2008, com uma meta-análise de 11 RCTs, que relatou um aumento do risco de enfarte agudo do miocárdio de cerca de 20%em indivíduos que administravam de suplementos de cálcio. Este estudo levou a outras investigações, com resultados divergentes, sendo que a sua maioria não encontrou nos efeitos adversos cardiovasculares estatisticamente significativos. Apesar de alguns estudos revelarem um aumento de risco cardiovascular considerável associado aos suplementos de cálcio, há uma falta de consenso que leva à necessidade de investigação. Este artigo de revisão foi realizado com o objetivo de dar a conhecer a informação mais recente acerca dos potenciais efeitos cardiovasculares dos suplementos de cálcio, com foco na pressão arterial, lípidos, calcificação vascular, enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e mortalidade. Recorremos a estudos observacionais e prospetivos, RCTs e metaanálises, através de pesquisa na base de dados eletrónica PUBMED. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,675 | Teorias de envelhecimento: passado e presente | envelhecimento,senescência,seleção natural,evolução,teorias evolucionistas,teorias mecanicistas,expressão génica,radicais livres,balanço hormonal no envelhecimento | A população mundial, particularmente a dos países desenvolvidos, encontra-se envelhecida. Com o desenvolvimento tecnológico e científico, assistiu-se à redução da mortalidade extrínseca, tornando a mortalidade intrínseca, baseada na senescência, como principal causa de morte. A pertinência da investigação da origem do envelhecimento é progressivamente maior. Desde o século XIX que a criação de teorias científicas explicativas não tem cessado. O objectivo consiste na descoberta de um mecanismo justificativo do processo senescente, com potencial ou não, de ser influenciado ou até controlado pelo ser humano. A presente revisão pretende compilar de forma sintética e estruturada a evolução da investigação gerontológica sobre a génese do envelhecimento. Inicia-se com a descrição de teorias desenvolvidas no século XIX e século XX, com maior foco nas teorias evolucionistas (Morte Programada, Acumulação de Mutações, Pleiotropia Antagonista e Soma Descartável) e na mais relevante teoria mecanicista desenvolvida (Teoria dos Radicais Livres). Posteriormente, debruça-se sobre as significativas descobertas de mecanismos bioquímicos e metabólicos, prosseguindo para a contextualização actual das teorias evolucionistas e para a descrição das teorias de envelhecimento mais pertinentes, formuladas neste novo século. O método utilizado foi a pesquisa nas bases de dados da PubMed e Medline, de literatura científica relacionada com as teorias de envelhecimento, mas também de publicações referentes a determinados processos metabólicos ou investigações referidas neste trabalho. A análise sobre o tema conclui que a descoberta de um mecanismo universal de envelhecimento ainda não foi conseguida. Existe, no entanto, referência a vias de expressão genética e metabólicas, com progressivamente maior evidência, do seu papel no controlo da sobrevida ou do ritmo do envelhecimento, apresentando-se conservadas na evolução (via insulina/IGF-1 por exemplo). Neste trabalho são descritas teorias que constituem relevantes formas de encarar o envelhecimento, encerrando um vasto potencial explicativo universal, requerendo ainda de aprofundada investigação adicional. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,676 | Resultados funcionais das revisões de próteses do joelho após infeção | Artroplastia total do joelho,Prótese total do joelho,Complicações,Infeção,Cirurgia de revisão,Função,Ortopedia | Introdução: A artroplastia total do joelho é um procedimento cirúrgico que consiste na substituição das superfícies articulares do joelho. Tem como principal indicação o alívio da dor causada por processos degenerativos ou inflamatórios da articulação do joelho. Contudo, com base na literatura atual, cerca de 12% dos doentes submetidos a esta intervenção irão necessitar de uma revisão da prótese num período de 10 anos, devido a complicações, sendo as mais comuns instabilidade, problemas do aparelho extensor, necrose asséptica da patela, fratura periprotésica, descolamento asséptico e séptico (infeção). A infeção da prótese total do joelho é uma das complicações mais incapacitantes para o doente. Ocorre em 1-2% em artroplastias totais do joelho primárias e 3-5% nas de revisão e um dos tratamentos mais efetuados, atualmente, é a substituição da prótese em dois tempos. Objetivo: Realizar um estudo retrospetivo de modo a avaliar os resultados clínicos e funcionais das revisões de próteses do joelho após infeção, num período médio de 5 anos, do serviço de Ortopedia do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra. Materiais e métodos: Obteve-se a lista de todos os indivíduos submetidos a uma revisão de prótese do joelho, no serviço de Ortopedia do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2014. Recorreu-se a consulta processual e selecionou-se todos os indivíduos com o diagnóstico de infeção protésica com necessidade de revisão. Para avaliar os resultados funcionais destes doentes, aplicou-se o Western Ontario and McMaster Universities Arthritis Index (WOMAC) e o Knee Society Score (KSS) (por sua vez, o KSS encontra-se dividido em Knee Society Knee Score (KSKS) e Knee Society Functionl Score (KSFS)). Resultados: Foram incluídos no estudo funcional 15 doentes. A taxa de sucesso da erradicação da infeção protésica através da substituição da prótese em dois tempos foi de 85,7%. Obtivemos uma média de 34,6 ± 27,1 no score WOMAC, uma média de 64,4 ± 22,2 no KSKS e uma média de 54 ± 26,1 no KSFS. Conclusões: Apesar de a amostra não ser estatisticamente significativa, verificamos que a substituição da prótese total do joelho infetada em dois tempos é eficaz na resolução da infeção, na salvação vital da articulação e na manutenção da função. Foi possível comparar os resultados obtidos por nós com a bibliografia atual, sendo que os nossos resultados funcionais foram sobreponíveis com os grandes estudos disponíveis hoje em dia. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,677 | Musicoterapia na doença de Alzheimer | Doença de Alzheimer,Musicoterapia,Demência | É um facto que a Doença de Alzheimer é uma patologia muito prevalente nos dias de hoje e com o envelhecimento gradual da população mundial, principalmente no que diz respeito ao grupo dos países desenvolvidos, essa mesma prevalência irá aumentar exponencialmente, resultando assim numa deterioração da qualidade de vida tanto dos indivíduos afetados pela doença como dos seus familiares e cuidadores. Atualmente a base terapêutica para o combate da Doença de Alzheimer, consiste em fármacos com o objetivo de atrasar a progressão da patologia e também combater os sintomas associados. Uma vez que essa mesma terapêutica farmacológica, aplicada sistematicamente, apresenta várias desvantagens e uma relação custo-benefício reduzida, torna-se essencial o desenvolvimento de outro tipo de estratégias de forma a melhorar a qualidade de vida dos doentes afetados. O objetivo deste artigo de revisão é tentar clarificar o possível papel de uma forma terapêutica alternativa como a Musicoterapia tanto na prevenção da doença como na alteração da sua apresentação clínica, sendo que para isso foi feita uma revisão de alguma da literatura que relata os efeitos do uso da Musicoterapia no contexto da Doença de Alzheimer e da demência em geral. Os resultados alcançados pelos estudos revistos sugerem que a Musicoterapia pode ter efeitos benéficos não só ao nível da prevenção da doença bem como no alívio dos principais sintomas de apresentação da mesma como por exemplo ao nível da redução da ansiedade, agitação, comportamentos agressivos e sintomas depressivos. Verificou-se ainda uma melhoria nos campos da memória autobiográfica, autoestima, função cognitiva, etc. A grande vantagem da Musicoterapia é que esta se apresenta como uma forma de intervenção com custos muito reduzidos e isenta de efeitos adversos associados. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,678 | Patologia endometrial assintomática na pré-menopausa | pré-menopausa,assintomáticas,pólipos endometriais,hiperplasia endometrial,cancro do endométrio,infertilidade,anovulação,tamoxifeno | A patologia endometrial assintomática é na prática clínica um desafio em termos de orientação. As implicações e os tratamentos mais adequados permanecem por definir. Este trabalho de revisão pretende rever a incidência e risco de malignidade associados com a patologia endometrial assintomática da mulher em idade fértil A patologia endometrial pode incluir pólipos endometriais, hiperplasia endometrial e carcinoma do endométrio. Os pólipos endometriais ainda não têm um consenso quanto à taxa de transformação maligna, nem quanto aos fatores de risco e características morfológicas implícitas na sua remoção. O diagnóstico de hiperplasia endometrial permite que seja precocemente tratada. Os fatores de risco para a patologia endometrial estão maioritariamente definidos, com especial destaque para a obesidade e terapêutica sob tamoxifeno Na mulher infértil a investigação da patologia endometrial não se traduz diretamente na melhoria dos resultados reprodutivos. Os distúrbios de anovulação devem ser alvo de intervenção pela sua estreita relação hormonal com a normal fisiologia do endométrio. A não conformidade nos valores absolutos da taxa de transformação maligna, métodos de diagnóstico sensíveis e específicos, com tratamentos adequados consoante cada patologia e fatores de risco relacionados, aponta para a necessidade de mais investigação neste sentido. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,679 | Síndrome da apneia obstrutiva do sono e doença coronária isquémica | Apneia obstrutiva do sono,Doença coronária | Introdução: A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é um distúrbio respiratório do sono com uma prevalência crescente na sociedade ocidental. Diversos estudos demonstram a associação entre SAOS e doença cardiovascular. A coexistência de hipertensão arterial, obesidade e SAOS, patologias que partilham mecanismos fisiopatológicos, constitui uma constelação de factores de risco cardiovascular frequente. Objectivos: Estudar uma população com patologia coronária isquémica e clínica suspeita de distúrbio respiratório do sono. Pretende-se quantificar a prevalência de SAOS neste grupo e definir o perfil epidemiológico destes doentes. Metodologia: Estudo retrospectivo, a partir da consulta de processos clínicos. Seleccionaram-se doentes com diagnóstico de qualquer forma clínica de patologia coronária isquémica, com internamento no Serviço de Cardiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, e que fizeram estudo polissonográfico no Laboratório do Sono do mesmo hospital. Resultados: Foram consultados 40 processos clínicos e seleccionados 37 doentes; 94,6% dos doentes eram do sexo masculino, com uma idade média de 65,8 anos e um Índice de Massa Corporal (IMC) médio de 30,9 ± 3,8 kg/m2. Em relação aos hábitos pessoais, 37% eram fumadores ou ex-fumadores, 81,4% apresentavam consumo de álcool e 25% referiam consumo de benzodiazepinas. A hipertensão arterial (94,4%) e diabetes tipo 2 (35,1%) foram as co-morbilidades mais frequentemente encontradas. 21,6% dos doentes apresentaram um Índice de Apneia-Hipopneia (IAH) entre 5,0 e 14,9/h (SAOS ligeira), 24,3% entre 15,0 e 29,9/h (SAOS moderada) e 37,8% superior a 30,0/h (SAOS grave). Obtiveram-se correlações significativas entre IAH e IMC (p = 0.03), IAH e biótipo compatível (p = 0,026), IAH e presença de hábitos etílicos (p = 0.03) e IMC e a presença de diabetes tipo 2 e de hipercolesterolémia (p = 0,003 e p = 0,047, respectivamente). Conclusões: SAOS foi diagnosticada em 83,8% da população analisada, sendo a forma mais grave a mais comum (37%). Verificou-se uma elevada prevalência de outras co-morbilidades, como hipertensão arterial, obesidade e diabetes tipo 2, igualmente contributivas para o risco cardiovascular. A gravidade do distúrbio respiratório do sono relacionou-se directamente com o IMC, o biótipo e os hábitos alcoólicos. São necessários mais estudos para compreender o impacto do tratamento com CPAP e de outras estratégias na diminuição do risco cardiovascular, particularmente de eventos isquémicos agudos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,680 | Pancreatite aguda | Pancreatite crónica | A Pancreatite crónica (PC) define-se como uma doença inflamatória contínua do pâncreas, que resulta em alterações morfológicas irreversíveis, tanto no parênquima como no sistema ductal, e que persistem mesmo com a supressão dos factores causais, culminando em perda funcional pancreática. Neste sentido, o objectivo do nosso trabalho engloba uma análise detalhada da epidemiologia, etiopatogenia, patofisiologia, bem como do diagnóstico clínico, bioquímico e imagiológico, e da terapêutica desta entidade clínica, através de uma revisão bibliográfica da literatura médica recente. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,681 | Uma revisão da literatura científica acerca das características epidemiológicas e clínicas próprias da classe médica | Médicos,Epidemiologia,Saúde Ocupacional,Perturbações do Médico,Mortalidade,Suicídio,Depressão,Abuso de Substâncias,Doenças Infecciosas,Saúde Reprodutiva | Os médicos são um grupo populacional com características distintas. Enquanto doentes, são marcados por uma baixa taxa de procura de cuidados de saúde, especialmente evidente em questões de saúde mental, e por uma elevada taxa de auto-diagnóstico e automedicação. Estas atitudes são fortemente influenciadas por factores psicossociais, como traços obsessivos ou dependentes, os quais estão frequentemente presentes nestes profissionais, expectativas sociais e profissionais, receios acerca de confidencialidade e a ideia da invulnerabilidade do médico. Epidemiologicamente, são também evidentes algumas diferenças. Os médicos apresentam taxas de mortalidade gerais e específicas menores que as da população em geral, com a excepção do suicídio. Em termos de estilos de vida, algumas das diferenças são para melhor, como as menores taxas de tabagismo, outras para pior, como as reduzidas horas de sono. Quanto a saúde mental, os médicos estão sujeitos a semelhantes taxas de depressão e de abuso de substâncias, mas a elevadas taxas de burnout e a uma probabilidade de suicídio aproximadamente 2 vezes maior que a restante população, facto particularmente notável em médicas. Quanto a doenças infecciosas, os médicos estão submetidos a maiores riscos, como lesões percutâneas e a possibilidade de infecções por agentes transmissíveis pelo sangue. Abordagens adequadas podem minorar este problema. Quanto à saúde reprodutiva são evidentes algumas diferenças relativas a alguns riscos de defeitos congénitos e maior prevalência de eventos adversos, como gravidezes de alto risco e abortos espontâneos Os dados existentes são, contudo, mais escassos do que seria de desejar, e muitas vezes desactualizados ou padecendo de falhas metodológicas. Assim sendo, coloca-se a necessidade da realização de novos estudos. Este artigo revê a literatura existente acerca desta temática, discutindo taxas epidemiológicas de algumas patologias, possíveis razões e possíveis abordagens ao problema do médico enquanto doente. Mais do que estabelecer respostas definitivas, este artigo pretende chamar atenção para o tema e para a necessidade do seu estudo. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,682 | Declínio da fertilidade masculina na população portuguesa da região centro entre 1994 e 2013 | Análise/qualidade do esperma,concentração/quantidade de espermatozoides,morfologia dos espermatozoides,mobilidade dos espermatozoides,declínio da fertilidade masculina | Introdução: Estudos prévios demonstraram um declínio da qualidade espermática em áreas geográficas distintas, motivando discussão científica sobre a existência ou não de declínio destes parâmetros. Métodos: Foram analisados parâmetros de 3168 amostras de ejaculado como a concentração média de espermatozoides, o volume médio do ejaculado, a quantidade média de espermatozoides por ejaculado, a percentagem de espermatozoides no ejaculado com mobilidade e morfologia normais de homens que recorreram a uma clínica de fertilidade da Região Centro de Portugal. Foram também analisadas a idade média e duração da abstinência sexual à data de realização do exame. As amostras reunidas foram classificadas de acordo com o ano da colheita em 5 grupos. O Grupo I inclui amostras colhidas em 1994, 1995 e 1996; o grupo II inclui amostras colhidas em 1999 e 2000; os grupos III, IV e V compreendem amostras colhidas nos anos 2005, 2009 e 2013, respetivamente. Resultados: A concentração média de espermatozoides dos grupos I (82,8±82,7x /mL) e V (73,4±68,7x /ml) não apresentou diferença estatisticamente significativa. O volume médio do ejaculado no Grupo I (3,59±1,9mL) foi significativamente superior ao do Grupo V (3,31±1,7mL);(p=0,031). A quantidade média de espermatozoides por ejaculado foi de 282,2x ±316,4 no Grupo I, enquanto a quantidade média de espermatozoides por ejaculado no Grupo V foi de 232,3±246,3x espermatozoides por ejaculado (p=0,0105). A idade e a duração da abstinência sexual não apresentaram diferenças. Conclusão: Foram identificadas alterações significativas do volume do ejaculado e da quantidade média de espermatozoides por ejaculado. Contudo, as alterações verificadas não são suficientes para ser sugerida uma deterioração da qualidade espermática da população masculina estudada nesta clínica de fertilidade entre 1994 e 2013. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,683 | Ioga e repercussões no metabolismo | Ioga,Metabolismo | O ioga é uma disciplina que tem como objetivo o desenvolvimento de equilíbrio entre a saúde física, mental e espiritual, através de um estilo de vida saudável e de meditação. A obesidade é um problema de saúde pública, cuja prevalência está a aumentar substancialmente. Esta está associada a outras comorbilidades, como hipertensão arterial (HTA), insulinorresistência (IR) e diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV). A obesidade está associada a inflamação e disfunção endotelial, que contribuem para o desenvolvimento das complicações referidas. O stresse, a ansiedade e a depressão podem também aumentar a produção de citocinas pró-inflamatórias. Todas estas condicionantes contribuem de forma negativa para a saúde do indivíduo, pelo que é crucial encontrar estratégias que diminuam o peso e as complicações associadas à obesidade, estabelecendo um estilo de vida saudável e assim prevenir problemas futuros. Sabendo que a prática de ioga pode melhorar o perfil clínico de doentes com várias patologias, este trabalho tem como objetivo fazer uma revisão bibliográfica sobre a ação do ioga em diferentes complicações metabólicas associadas à obesidade, de forma a obter uma melhor compreensão do potencial contributo do ioga na prevenção e terapêutica destas complicações | Ciências Médicas e da Saúde |
6,684 | Asma no idoso: diagnóstico, classificação e tratamento | Asma,Idoso | Introdução A Asma Brônquica é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas, de etiologia multifactorial, com incidência e prevalência crescentes a nível mundial, o que se traduz num impacto sócio-económico significativo e consequentes taxas de morbi-mortalidade em franco crescimento. Tradicionalmente, esta patologia afecta maioritariamente crianças e jovens mas é possível diagnosticar a doença também na idade adulta, incluindo na terceira idade. A sua história natural é característica, apresentando episódios de exacerbação intercalados por períodos de remissão cuja duração é variável. Objectivo É propósito deste trabalho rever a literatura científica mais actual e avalizada relativa à Asma Brônquica no idoso, com análise detalhada das características particulares que esta patologia exibe neste grupo etário. Desenvolvimento Clinicamente, o doente apresenta sintomas cardinais de dispneia, tosse seca, opressão torácica e pieira, de agravamento nocturno, e que surgem maioritariamente após exposição a algum factor desencadeante. Fisiopatologicamente, caracteriza-se por uma obstrução de predomínio expiratório das vias aéreas a condicionar uma diminuição do fluxo expiratório, resultante de uma cascata inflamatória que gere um componente celular dominado pelos eosinófilos, mastócitos e linfócitos CD4 Th2, e um componente humoral onde predominam as prostaglandinas, algumas citocinas e leucotrienos. Esta obstrução é caracteristicamente reversível com broncodilatação, pese embora o facto de uma evolução arrastada poder contribuir para alterações persistentes a traduzir um processo fibrótico da via aérea (remodelação). A terapêutica essencial baseia-se no controlo da inflamação pelo uso de corticosteróides ou modificadores dos leucotrienos, a que se associa quando necessário a broncodilatação por agonistas adrenérgicos β2 ou metilxantinas. Conclusão No idoso, esta patologia pode surgir apresentando particularidades que poderão dificultar o diagnóstico. O doente idoso é maioritariamente pouco sintomático ou desvaloriza com frequência os sintomas que apresenta, associa comorbilidades que mimetizam esta patologia, não realiza os exames necessários ao despiste da doença por não ser considerada uma hipótese neste grupo etário e, se os realizar, pode não apresentar os achados mais característicos por vicissitudes várias que incluirão algum déficit cognitivo, alterações fisiológicas do envelhecimento ou o impacto que outras co-morbilidades poderão ter nessa avaliação. Para além disto, a escassez de estudos nesta população que caracterizem de forma mais aprofundada a fisiopatologia, etiologia e evolução natural da doença no idoso, impede um verdadeiro conhecimento desta patologia neste grupo etário e uma adequação terapêutica mais eficaz de forma a garantir um melhor controlo da doença. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,685 | Sarcoidose ocular | Sarcoidose do olho,Uveíte | Introdução: O envolvimento ocular é uma manifestação importante e comum da sarcoidose, podendo constituir a manifestação inicial da doença, ou mesmo a sua única manifestação clínica. Objectivos: Avaliar os parâmetros demográficos, as manifestações clínicas sistémicas e oculares, os exames complementares de diagnóstico, a terapêutica efectuada, as complicações e a acuidade visual final numa população portuguesa com o diagnóstico de sarcoidose ocular. Metodologia: Foi realizado um estudo descritivo e retrospectivo, através da análise dos processos clínicos de 50 doentes com diagnóstico de sarcoidose ocular observados na consulta de Imunopatologia Oftálmica do Serviço de Oftalmologia dos HUC. A inclusão de cada doente implicou uma rigorosa caracterização clínica da doença de acordo com os critérios de diagnóstico do International Workshop on Ocular Sarcoidosis. Resultados: Foram estudados 50 indivíduos, dos quais 33 eram mulheres (66,7%) e 17 homens (33,3%) (M:H=2:1), e um total de 82 olhos. A média de idades, na observação inicial, foi de 40,1±15,4 anos (7-77) e a média do tempo de seguimento foi de 73,8±61,5 meses (4-253). Apenas 5 doentes (10,0%) tinham um diagnóstico estabelecido de sarcoidose sistémica. Em 90,0% o envolvimento ocular constitui a primeira manifestação de sarcoidose. O envolvimento de outros órgãos e sistemas ocorreu em 38,0% dos doentes, tendo o atingimento ocular isolado ocorrido em 62%. O local de envolvimento extraocular mais frequente foi o mediastino (77,8%), o parênquima pulmonar (42,1%) e a pele (26,3%). Os exames complementares de diagnóstico que mais contribuiram para o diagnóstico, pela sua percentagem de positividade, foram: enzima conversora da angiotensina (55,6%), lisozima (63,6%), cintigrafia com Ga69 (72,4%), radiografia do (38,5%), tomografia axial computorizada (45,5%), prova tuberculínica negativa (94,1%), provas de função pulmonar (100%), lavado bronco-alveolar e relação CD4/CD8 (50%). O envolvimento ocular bilateral ocorreu em 32 doentes (64%), sendo unilateral em 18 (36%), todos sob a forma de uveíte. Dos 82 olhos com inflamação intraocular, 14 (17,0%) apresentaram uma uveíte anterior isolada, 6 (7,3%) uma uveíte intermédia, 36 (43,9%) uma uveíte posterior isolada, e 26 (31,7%) uma panuveíte. Os corticosteróides foram os fármacos mais utilizados no tratamento, quer por via tópica isolada em 6 doentes com uveíte anterior recorrente, quer por via sistémica nos restantes 44. Os fármacos mais utilizados em associação foram a azatioprina, em 9 doentes, o metotrexato em 6 e a ciclosporina A em 1 doente. Num doente foi instituido tratamento com infliximab. Foi obtido um controlo da inflamação ocular e suspensa a terapêutica em 24 doentes (48,0%), após um tratamento médio de 17,5±7,5 meses (12-78 meses). Os restantes doentes encontram-se ainda sob tratamento, após um período de seguimento médio de 63,5±43,5 meses. As complicações oculares mais frequentemente observadas foram a catarata (36,6%), o edema macular cistóide (36,6%), as sinéquias posteriores (34,1%), a hipertensão ocular (6,1%) e a neovascularização da retina periférica (1,2%). A MAVC, na última observação, foi igual ou melhor do que na observação inicial em 65 olhos (79,3%). Nos restantes 17 olhos (20,7%) houve uma deterioração da acuidade visual relacionada com as complicações observadas. Conclusões: O envolvimento ocular é uma manifestação frequentemente isolada na sarcoidose. Na população portuguesa, apresenta-se geralmente na forma de uveítes, com um envolvimento predominantemente posterior e um prognóstico visual relativamente favorável | Ciências Médicas e da Saúde |
6,687 | O impacto da terapia com estatinas no desempenho cognitivo do idoso | Inibidores da hidroximetil-glutaril-CoA-reductases,Doenças de Alzheimer,Idoso | A U.S. Food and Drug Administration (FDA) relatou que as estatinas poderão provocar efeitos deletérios reversíveis e raros sobre a função cognitiva. Contudo, também existe evidência que suporta que níveis elevados de colesterol aumentam o risco de desenvolvimento de Doença de Alzheimer. Assim, através da análise de estudos observacionais e estudos randomizados e controlados publicados nos últimos dez anos, o objetivo deste artigo foi rever a literatura publicada sobre os possíveis efeitos adversos e benéficos das estatinas sobre a função cognitiva dos idosos. Foi possível concluir que as estatinas não provocam efeitos adversos no desempenho cognitivo dos idosos com função cognitiva preservada, nem naqueles com declínio cognitivo. Estudos observacionais evidenciaram um efeito preventivo das estatinas sobre o declínio cognitivo em idosos não dementes. Em relação à Doença de Alzheimer, estudos observacionais afirmam que estas podem prevenir os processos neuro-degenerativos. Vários estudos realizados em animais revelam que este potencial efeito neuroprotetor poderá ser causado pelos vários efeitos pleiotrópicos das estatinas, uns dependentes do colesterol, outros dependentes dos isoprenóides. No entanto, a possibilidade de as estatinas serem efetivas na prevenção da Doença de Alzheimer ainda é incerta, uma vez que estudos controlados e randomizados foram incapazes de o provar, e por isso as investigações na área da neuroproteção deverão ser continuadas, com o desenvolvimento de estudos maiores e melhores, e com o intuito de desvendar todos os possíveis efeitos benéficos destes fármacos sobre a cognição | Ciências Médicas e da Saúde |
6,688 | Bactérias multi-resistentes num hospital pediátrico: experiência de 5 anos | Pediatria,Doenças infecciosas,Farmacorresistência bacteriana múltipla,Agentes antibacterianos | Introdução: Nos últimos anos tem-se assistido a um aumento preocupante do número de infecções por bactérias multi-resistentes (BMR). As taxas de incidência de infecção por estas bactérias são um indicador de qualidade dos serviços de saúde. Os dados pediátricos são escassos e não há estudos portugueses publicados sobre este assunto. Objectivos: Avaliar a evolução da incidência de infecções por BMR associadas aos cuidados de saúde num hospital pediátrico. Analisar dados demográficos, clínicos, laboratoriais, terapêuticos e presença de factores de risco nessas infecções. Material e métodos: Estudo retrospectivo de incidência através de revisão de processos clínicos e base de dados microbiológicos, efectuado nas enfermarias médicas e cirúrgicas e Unidade de Cuidados Intensivos num hospital pediátrico nível III, entre Janeiro 2005 e Dezembro 2009 (5 anos). Resultados: Durante o período de estudo foram identificadas 106 BMR (17.1% dos isolamentos destas bactérias), correspondentes a 72 crianças, com predomínio do sexo masculino (65.3%). Os gérmens identificados foram S. aureus meticilino-resistentes, bacilos gram negativos produtores de β-lactamases de espectro expandido (ESBL), Enterococcus spp resistentes à vancomicina, Pseudomonas aeruginosa multi-resistentes e Acinetobacter baumanii resistente aos carbapenems. Das 106 BMR, 45 (42.5%) foram responsáveis por infecção. Ao longo dos cinco anos do estudo, a proporção anual de infecções por BMR variou entre 32.0% em 2006 e 55.6% em 2009, no entanto esta diferença não atinge significado estatístico. A taxa de incidência global de infecção por estas BMR foi de 0.400 por 1000 dias de internamento, correspondendo a 0.274 infecções por 100 internamentos, valor que se manteve estável ao longo dos 5 anos. Predominaram as infecções da corrente sanguínea, intra-abdominais, associadas a cateter venoso central e da pele e tecidos moles. Não foi encontrada nenhuma criança sem factores de risco e os mais frequentemente identificados foram antibioticoterapia prévia e doença crónica de base (> 90% dos casos). A maioria dos casos teve evolução favorável, no entanto 6/45 (13.3%) faleceram durante o internamento. Conclusões: A proporção de BMR apresentou uma tendência de aumento, embora sem significância estatística. Globalmente as taxas de incidência de infecção mantiveram-se estáveis e são inferiores às descritas na literatura, nomeadamente em estudos pediátricos, para o qual poderá contribuir o facto de a maioria dos estudos ser realizada em Unidades de Cuidados Intensivos. A quase totalidade das crianças apresentava factores de risco, nomeadamente antibioticoterapia prévia e doença crónica de base. Este constitui o primeiro estudo desta natureza efectuado na instituição e deverá ser o ponto de partida para uma vigilância continuada que leve à identificação dos problemas e implementação de medidas de resolução dos mesmos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,689 | Tabagismo passivo e doença vascular | Doenças vasculares,Poluição por fumo do tabaco,Tabagismo | Intodução: A relação entre a cardiopatia isquémica (CI) e o tabagismo passivo foi evidenciada pela primeira vez em 1986 no relatório da US Surgeon General (43) e no relatório da US National Research Council (31). Desde então, desenvolveu-se um particular interesse no estudo do tabagismo secundário como factor de risco para doença vascular. Objectivos: Pretende-se com este trabalho fazer uma revisão sobre a associação entre as diversas patologias cardiovasculares e a exposição ao fumo do tabaco Desenvolvimento: O resultado de vários estudos realizados na última década apontam para o aumento de incidência de cardiopatia isquémica (CI), doença arterial periférica (DAP), acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão arterial (HTA) e doença renal (DR) nos indivíduos não fumadores sujeitos à inalação de fumo do tabaco. É demonstrado um aumento da rigidez arterial que resulta do sinergismo da ateroclerose acelarada, aumento da insulino-resistência, activação da agregação plaquetar, stress oxidativo e disfunção endotelial, assim como variações dinâmicas por disfunção autonómica. A revisão da evidência científica actualmente existente pode ajudar a determinar atitudes de diagnóstico, terapêutica e profilaxia nos sujeitos a exposição do fumo de tabaco. Conclusão: O tabagismo passivo causador de doenças vasculares potencialmente fatais provoca uma reacção vascular complexa, anómala que pode ser evidenciada em vários territórios. O conceito do tabagismo passivo como factor de risco independente para doença vascular responsável por elevada taxa de mortalidade e morbilidade está em concordância com os dados do relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) que o define como a 3ª causa de morte evitável. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,691 | Relação entre saúde oral e doença sistémica | Saúde oral,Manifestações orais,Doença periodontal,Diabetes Mellitus,Doença respiratória,Doenças cardiovasculares | As doenças da cavidade oral têm vastos efeitos sistémicos. Com este trabalho pretendeu-se rever a evidência existente acerca da relação entre saúde oral e condições com afeção sistémica, como a Diabetes Mellitus, gravidez, doenças respiratórias e doenças cardiovasculares. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica no PubMed realizada na Biblioteca do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Em doentes com Diabetes Mellitus (DM) está documentado um aumento da frequência de doença periodontal (DP), xerostomia, hálito cetónico e cáries dentárias. As repercussões a nível do controlo metabólico ocorrem através da inflamação crónica causada pela periodontite, podendo comprometer a qualidade de vida do doente. Estas situações são normalmente negligenciadas pelos profissionais de saúde. Em grávidas, as cáries dentárias ocorrem pelo aumento de ácido na cavidade oral. A epúlide gravídica está associada a placa bacteriana e a alterações hormonais. A maioria dos estudos demonstram que existe uma associação entre doença periodontal e desfechos adversos, como o parto pré-termo e o baixo peso à nascença, apesar de ainda ser uma associação controversa. Existe uma associação entre a saúde oral e doenças respiratórias, mais especificamente a PAC, pneumonia nosocomial e DPOC. Uma carga bacteriana elevada na placa dentária permite predizer um aumento do risco de pneumonia. Quando a doença periodontal está associada ao tabagismo, pode haver um risco aumentado de desenvolver DPOC, podendo o tratamento da DP diminuir a frequência de exacerbações da DPOC. A doença periodontal está associada a níveis aumentados de PCR, estando provavelmente envolvida na patogénese de doenças cardiovasculares (DCV). As bactérias orais estão envolvidas na formação da placa aterosclerótica. São necessários mais estudos para comprovar uma relação entre a DP e DCV. 8 É evidente que a manutenção da saúde oral é importante para uma vida saudável. Quando necessário, o tratamento periodontal deve ser realizado precocemente, de forma a diminuir a morbi/mortalidade associada às doenças sistémicas | Ciências Médicas e da Saúde |
6,692 | Doença diverticular do cólon no idoso | Idoso,Doenças dos intestinos,Diverticulose | A doença diverticular do cólon é uma condição comum nas sociedades ocidentais desenvolvidas e com crescente incidência em todo o mundo, particularmente na população idosa. Os principais factores patogénicos conhecidos incluem uma dieta pobre em fibra, alterações da motilidade e da pressão intraluminal do cólon, bem como alterações anatómicas da parede do cólon relacionadas com o avançar da idade. O progressivo envelhecimento global da população poderá então originar um simultâneo aumento da incidência desta condição no futuro. Na maioria dos casos é uma condição assintomática, mas pode apresentar-se também com sintomas inespecíficos, como dor abdominal e alterações nos hábitos intestinais, e em cerca de 5% dos casos podem desenvolver-se complicações, mais frequentemente diverticulite ou hemorragia diverticular. A colonoscopia está indicada a todos os indivíduos com doença diverticular sintomática. A tomografia computorizada é o exame de eleição perante a suspeita de diverticulite aguda. A hemorragia diverticular é a causa mais comum de hemorragia digestiva baixa no idoso; a colonoscopia e a angiografia das artérias mesentéricas e do tronco celíaco são os exames mais utilizados para confirmar a origem da hemorragia, possibilitando também intervenções terapêuticas. Os objectivos gerais do tratamento da doença diverticular passam essencialmente pelo alívio sintomático e pela prevenção da recorrência dos sintomas e de complicações. O recurso à cirurgia está reservado para os casos em que não há resposta ao tratamento médico ou quando se verificam episódios recorrentes | Ciências Médicas e da Saúde |
6,693 | Stresse académico, afecto e qualidade do sono | Stresse académico,Afecto,Qualidade de sono,Activação pré-sono,Predisposição para activação,Reactividade do sono ao stresse,Neuroticismo,Extroversão,Auto-estima | Introdução: Estudos recentes demonstraram que o sono tem implicações na saúde e bem-estar, doença, desempenho e na sobrevivência. O Stresse académico e emocional afecta negativamente a Qualidade de sono nos estudantes universitários sendo frequente o auto-relato de perturbações do sono nesta população. A relação entre as variáveis Stresse, Afecto e Qualidade de sono é complexa e ainda pouco estudada nas suas diversas vertentes. Objectivos: Pretendeu-se com este trabalho estudar se, em estudantes universitários, existia alguma relação entre as variáveis Activação pré-sono (somática e cognitiva), Predisposição para activação, Stresse académico, Reactividade do sono ao stresse, Afecto (positivo e negativo), Neuroticismo, Extroversão, Auto-estima e a Qualidade de sono (IQS). Materiais e Métodos: Neste estudo foram analisadas as respostas de 713 estudantes de Medicina (468; 65.6% do sexo feminino), com a idade média de 19.29±1.256 (variação=17-24) que preencheram questionários que permitiram aferir os seguintes parâmetros: Activação pré-sono (somática e cognitiva), Predisposição para activação, Stresse académico, Reactividade do sono ao stresse, Afecto (positivo e negativo), Tendência para preocupação/ruminação; Neuroticismo, Extroversão, Auto-estima e Qualidade de sono. Para este último parâmetro foi utilizada uma escala multi-dimensional que incluiu os componentes: Profundidade, Qualidade subjectiva, Latência do sono (minutos) e o Número de acordares nocturnos. Resultados e Discussão: No sexo feminino, nos modelos de regressão, demonstraram-se predictoras significativas independentes da Qualidade de sono as variáveis Activação cognitiva pré-sono (β=.340, p<.001), Activação somática pré-sono (β=.126, p=.020) e a Reactividade do sono ao stresse (β=.170, p=0,002). Na análise de mediação as variáveis activação somática (IC95% .0010-.0281) e cognitiva pré-sono (IC95% .0009-.0421) revelaram-se como mediadores parciais significativos da relação entre a Reactividade do sono ao stresse e Qualidade de sono. No sexo masculino os modelos de regressão revelaram que a Activação cognitiva pré-sono (β=.311, p<.001), Reactividade do sono ao stresse (β=.176, p=.023) e Afecto positivo (β=-.214, p=.001) foram predictores significativos independentes da Qualidade de sono. O Afecto Positivo foi mediador parcial significativo da relação entre Activação pré-sono e Qualidade do sono (IC95% .0014-.0373) e também entre a Reactividade do sono ao stresse e Qualidade do sono (IC95% .090-.0623). Conclusões: Na amostra de estudantes analisada foi encontrada uma associação entre a Reactividade do sono ao stresse e Activação pré-sono e a variável independente deste estudo, a Qualidade de sono. Os nossos resultados sugerem, portanto, que tanto a variável Reactividade do sono ao stresse como a Activação pré-sono podem ser determinantes da qualidade geral do sono, nos jovens adultos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,694 | Relação entre presbiacusia e perda cognitiva: revisão da literatura | Presbiacusia,Perda cognitiva | A presbiacusia caracteriza-se por uma deterioração da capacidade auditiva que ocorre de forma progressiva com o avançar da idade. Apesar de muitas vezes desprezada, as suas implicações são profundas uma vez que compromete a interação com o mundo envolvente e muito especialmente a compreensão da fala, podendo conduzir ao isolamento social com todas as suas consequências, entre as quais um declínio da função cognitiva. Os dados disponíveis na literatura suportam uma forte relação entre a perda de audição e o declínio cognitivo na população idosa, apresentando os indivíduos com perda auditiva um risco de desenvolver défice cognitivo superior em 24% aos indivíduos com audição preservada, estando a magnitude desta associação linearmente relacionada com a gravidade do défice auditivo basal. Verifica-se uma relação entre o grau de défice auditivo e o risco de demência, sendo este duas, três e cinco vezes maior consoante a perda de audição é leve, moderada e severa, respetivamente. Apesar de não estar perfeitamente definida qual a causa desta associação, as hipóteses mais aceites baseiam-se no isolamento social e no aumento da carga cognitiva, em que mais recursos precisam de ser despendidos para que haja uma correta integração e perceção destes, fazendo com que outras áreas, como a memória, sejam prejudicadas. Pode assim concluir-se que a perda de audição relacionada com a idade deve ser considerada um fator de risco para a aceleração do declínio cognitivo, tornando de importância capital um diagnóstico e tratamento o mais precoces possível. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,695 | Prescrição de fármacos antiosteoporóticos e fatores que motivam a prescrição um ano após fratura da anca. | Osteoporose,fraturas osteoporóticas,tratamento anti-osteoporótico,FRAX®,fatores de risco | Introdução: As fraturas osteoporóticas constituem um problema de saúde pública que tem vindo a crescer com o aumento da esperança média de vida e as mudanças dos estilos de vida. Observam-se em Portugal mais de 10.000 fraturas osteoporóticas da anca em cada ano. A prevenção destes eventos é essencial. A ocorrência de fratura representa uma oportunidade para esse efeito, não só porque demonstra a existência de osteoporose mas também porque se associa a um aumento significativo do risco de fratura subsequente. Objetivos: Determinar a percentagem de doentes com tratamento anti-osteoporótico antes e após fratura da anca. Métodos: Realizou-se um estudo transversal, onde foram incluídas todas as fraturas da anca observadas em internamento no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (Pólo HUC), entre 1 de maio de 2013 a 31 de outubro de 2013. Contactaram-se telefonicamente os doentes ou seus cuidadores para a colheita de dados sócio-epidemiológicos e médicos referentes a fatores de risco para fratura osteoporótica. Procedemos a análise do processo único, de modo a validar e completar os dados do inquérito. Para o cálculo do risco de fratura a 10 anos utilizou-se o FRAX® sem densidade mineral óssea. Resultados: Foram incluídos 130 doentes (69% mulheres), com uma média de idades de 82 ±8.7) anos. Verificou-se que 65 destes doentes (50%) descreviam uma fratura osteoporótica prévia. 121 destes doentes (93.1%) tinham, à data da fratura, uma probabilidade de fratura da anca ou de fratura major a 10 anos, compatível com indicação para tratamento medicamentoso, de acordo com as NOF. Apenas 23 doentes (18%) estavam a realizar tratamento anti-osteoporótico até à data da fratura e a apenas 7 doentes (5.4%) este foi prescrito após a fratura. Observou-se que 10 doentes (43,5%) referiram abandono do tratamento pelo menos uma vez até à data da fratura. A terapêutica mais prescrita até à data da fratura foi Cálcio e Vitamina D (10,8%), seguida por ranelato de estrôncio (3,1%) e bifosfonatos (2,3%). Em 3,8% dos casos não foi possível especificar que medicação o doente estava a fazer. Após a fratura da anca, 77 doentes (59.2%) referiu ter tido pelo menos uma consulta de Medicina Geral e Familiar e 84 (64.6%) de Ortopedia. Conclusão: A percentagem de doentes que recebe tratamento para a osteoporose, quer antes quer após a fratura da anca é baixa. Devem ser adotadas estratégias de prevenção das fraturas osteoporóticas em indivíduos com alto risco para fratura e é ainda mais imperioso garantir que os doentes com fratura de fragilidade não fiquem sem tratamento adequado. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,696 | Acupunctura e olho seco: estudo experimental | Acupunctura,doença olho seco,TBUT,OSDI,lágrimas artificiais | Introdução: A doença do olho seco é uma patologia ocular multifactorial caracterizada por défice na quantidade/qualidade do filme lacrimal, e cuja prevalência global varia de 5 a 35%. As lágrimas artificiais constituem o pilar da terapêutica, no entanto há uma emergente aceitação de métodos alternativos, sendo a acupunctura um dos métodos mais recorrentes e aceites para a patologia ocular. O objectivo deste estudo preliminar é verificar se o tratamento realizado com acupunctura, aplicado num contexto de consulta especializada, apresenta melhorias em relação aos tratamentos convencionais. Materiais e Métodos: Aceitaram fazer parte do estudo 16 doentes seguidos em consulta especializada, doze deles realizaram tratamento com acupunctura e quatro realizaram tratamento com lágrimas artificiais. Os pontos de punctura foram aplicados caso a caso e usadas lagrimas artificiais à base de hialuronato de sódio. Foram avaliados o teste de partida da lágrima (TBUT) e o índice de desconforto ocular (OSDI) antes e após os tratamentos. A análise estatística dos dados foi realizada com o programa IBM® SPSS® Statistics 20. Resultados: Os doentes que realizaram acupunctura apresentaram resultados estatisticamente significativos na diminuição do OSDI (valor-p = 0,043) e no aumento do TBUT (olho esquerdo valor-p = 0,002, olho direito valor-p = 0,003). No grupo que fez tratamento com lágrimas artificiais, não houve diferença estatisticamente significativa nos resultados do TBUT, que aumentou no esquerdo e diminuiu no direito (valor-p=0,083 no olho esquerdo e valor-p=0,593 no olho direito). Discussão e Conclusão: Tratando-se de um estudo preliminar conclui-se que a acupunctura parece ter uma influência positiva no tratamento de doentes com a síndrome do olho seco, no entanto é imperativa a realização de um novo estudo que cumpra métodos criteriosos e sistematizados, de modo a que a inferência estatística tenha maior validade. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,697 | Educação para a saúde: qual o papel do médico de família? | Education for Health,Health Promotion,Physician-patient relationship,Family Physician | Neste trabalho, o autor procura dar a conhecer o modo como percebeu a função do Médico de Família na Educação para a Saúde ao longo do Estágio Programado e Orientado em Medicina Geral e Familiar (6º ano profissionalizante do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra), bem como da prática adquirida ao longo das demais Unidades Curriculares. São analisadas as lacunas do modelo actual, à luz da experiência como formando e dirigente associativo, sendo propostas algumas estratégias alternativas que permitam identificar e colmatar as falhas encontradas numa área chave da Saúde. Conclui-se que há défices significativos na comunicação sobre EpS, reflectindo dificuldades inerentes aos interlocutores ou ao conteúdo das mensagens. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,698 | Evolução de doentes infetados com hepatite C após transplante hepático | Hepatite C,Transplante Hepático,Carcinoma Hepatocelular,Recorrência da infeção,Sobrevivência,Complicações pós-transplante | Introdução: A infeção pelo vírus da hepatite C (VHC) é atualmente a principal indicação para transplante hepático nos países desenvolvidos. A recorrência da infeção é universal nos doentes que são RNA VHC positivos no momento do transplante. O objetivo deste estudo é avaliar retrospetivamente a evolução destes doentes e os fatores que influenciam o curso da doença. Materiais e Métodos: Foram incluídos os 62 doentes com infeção VHC submetidos a transplante hepático desde Outubro de 1994 até Outubro de 2013. Foram realizados 12 retransplantes para 11 doentes retransplantados. 31 doentes são seguidos regularmente no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). Foi feita uma análise descritiva dos dados, e comparação de sobrevivências, recorrendo a uma análise Kaplan-Meier. Resultados: Os principais motivos para transplante foram cirrose hepática por VHC, em 29 doentes (46,8%), e carcinoma hepatocelular (CHC) enxertado num fígado cirrótico por VHC, em 25 doentes (40,3%). A idade média dos doentes era de 49 anos. O genótipo VHC mais frequentemente encontrado foi o genótipo 1 (n=27). 4 doentes apresentavam valores de RNA VHC pré-transplante indetetáveis. 43 doentes apresentaram recorrência da infeção com valores detetáveis de RNA VHC. 14 negativaram durante o follow-up, 6 sob terapêutica antiviral com peginterferon alfa (pegIFN) e ribavirina. 39 apresentaram evidência histológica de recorrência da infeção. 24 doentes sofreram rejeição aguda e 2 rejeição crónica. 43 doentes apresentaram complicações, 16 (37,2%) vasculares, 14 (32,6%) biliares e 27 (62,8%) infeções bacterianas. Considerando todos os doentes, 41,9% (n=26) faleceram, 12 no primeiro ano, e a sobrevivência ao fim de 5 anos foi de 67,8%. Dos 11 doentes retransplantados, 72,7% (n=8) faleceram e a sobrevivência média após o retransplante foi de 17 anos. Conclusão: A recorrência da infeção ocorreu em mais de 95% dos doentes vivos após D30, sendo quase universal nesta série. Os doentes com infeções bacterianas apresentaram a mais baixa taxa de sobrevivência aos 5 anos, em comparação com as outras complicações. Observou-se uma taxa de negativação relativamente baixa, o que mostra a necessidade de se aplicarem regimes terapêuticos com melhores taxas de resposta virológica sustentada e sem recurso ao interferon, como é o caso do sofosbuvir. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,699 | Morte súbita no adulto: fatores de risco | Morte súbita,fatores de risco,adulto | Introdução: A Morte Súbita (MS) permanece um importante problema de Saúde Pública, nomeadamente no que concerne ao reconhecimento e controlo de fatores de risco. Objetivo: Este estudo visa pesquisar a incidência de MS no Adulto, bem como “fatores de risco” subjacentes. Material e Métodos: Para tal, procedeu-se à revisão dos processos das autópsias realizadas no INMLCF, I.P. em indivíduos com idades ≥ 18 anos (n=1053) falecidos em 2010 na zona Centro de Portugal e Ilhas (Madeira, Açores). Os dados foram submetidos a análise estatística. Resultados: A incidência de Morte Súbita no Adulto foi de 45,3%. As causas de morte predominantes foram do foro cardiovascular. Dos múltiplos fatores de risco documentados, os mais relevantes foram: género masculino, idade avançada, antecedentes pessoais de patologia cardiovascular (isquémica). Discussão e Conclusão: A incidência de MS no Adulto é elevada; pelo que o controlo de fatores de risco conhecidos, a pesquisa de fatores de risco adicionais, a avaliação de associações entre fatores de risco (com potenciação do mesmo) – quer recorrendo a medidas de prevenção primária quer secundária – é fundamental para tentar reduzir o número de eventos fatais. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,700 | Aspectos médico-legais da dopagem e o papel dos médicos na luta contra a mesma | Doping nos desportos,Médicos | A luta contra a dopagem tem-se tornado cada vez mais activa na actualidade, tanto a nível nacional como mundial, tendo começado a consolidar as suas bases a partir de 1999, com a criação da AMA. Esta reconheceu o direito ao tratamento médico dos praticantes desportistas somente em 2003 e publicou o Código Mundial Antidopagem revisto que entrou em vigor em 2009. O papel dos médicos nesta luta é amplo e reveste-se de grande importância. Assim sendo, no que concerne ao tratamento médico de atletas S.C.A., algumas particularidades devem ser tidas em consideração. Primeiramente, o médico responsável pela assistência destes deve conhecer as suas obrigações durante o tratamento desta classe de pacientes, dado que o mesmo possui uma legislação específica, que tem como objectivo garantir o direito ao tratamento sem que este possa resultar num contolo antidopagem positivo. Em Portugal, o regime jurídico em vigor, a Lei n.º 27/2009, que estabelece as normas da luta contra a dopagem no desporto no país, foi publicada em 2009 em conformidade com as diposições internacionais. Secundariamente, em casos de défices nutricionais onde seja imperativa a prescrição de suplementos, quando esta não possa ser substituída pela ingestão normal de alimentos, é necessário ter em consideração que, mesmo nos países nos quais as indústrias produtoras de suplementos estão correctamente reguladas pelo governo e a legislação referente à produção dos mesmos é devidamente aplicada, existe a possibilidade da contaminação destes com substâncias que integrem a Lista de Substâncias Proibidas, o que poderá conduzir a casos positivos de controlo antidopagem. Nesta conformidade, seguindo as recomendações da ADoP e da AMA, os atletas que necessitem fazer uso deste tipo de suplementos deverão conhecer este risco. Neste contexto, e tendo em consideração que, em teoria, qualquer médico pode vir a prestar assistência médica a praticantes desportivos, pretendeu-se, com este estudo exploratório, saber se os médicos, que trabalhem fora do âmbito do sistema desportivo, conhecem os aspectos médico-legais da dopagem; avaliar a preparação dos médicos para evitar que um controlo antidopagem seja positivo devido ao tratamento médico instituído em atletas S.C.A., principalmente em situações de Urgência e Emergência; e, por fim, avaliar a preparação dos médicos para instruir aos desportistas S.C.A. sobre a possível contaminação dos suplementos nutricionais prescritos por razões terapêuticas. Uma vez definida a problemática, elaboraram-se as hipóteses a serem estudadas e determinaram-se as variáveis e indicadores que possibilitaram a criação de um questionário Aspectos médico-legais da dopagem e o papel dos médicos na luta contra a mesma 10 anónimo, com perguntas fechadas, que foi preenchido por 42 médicos em contacto com pacientes, com situações de Urgência e/ou Emergência, e que prescrevem tratamentos. Estes profissionais pertenciam aos Serviços de Ginecologia, Traumatologia e Ortopedia, Otorrinolaringologia e Medicina Interna dos HUC e do Hospital Geral de CHC. Os dados obtidos foram analisados com o auxílio do software SPSS e o tratamento estatístico utilizado foi o descritivo. Os resultados obtidos demonstram um notável despreparo dos médicos para tratar, de maneira adequada, os praticantes desportivos, confirmando as hipóteses elaboradas: a maioria dos médicos desconhece os aspectos médico-legais da dopagem; a maioria dos médicos não está adequadamente preparada para evitar que um controlo antidopagem seja positivo devido ao tratamento médico instituído em atletas S.C.A., principalmente em situações de Urgência e Emergência; e por fim, a maioria dos médicos não está preparada para instruir os atletas S.C.A. sobre o risco de um controlo antidopagem positivo devido ao uso de suplementos nutricionais, que são prescritos por razões terapêuticas. Conclui-se que há médicos que não estão aptos para tratar, apropriadamente, os atletas S.C.A, o que é preocupante uma vez que poderá terminar por diminuir a confiança dos desportistas na classe médica, aumentar a quantidade de casos de violação de normas antidopagem de Portugal e aumentar o número de casos de negligência médica, a qual poderá constituir sanções disciplinares e criminais, factíveis de perda da própria liberdade. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,701 | Papel das estatinas na prevenção primária das doenças cardiovasculares no idoso | doenças cardiovasculares,estatinas,idoso,prevenção primária | O benefício de um tratamento farmacológico hipolipemiante nos indivíduos com doença cardiovascular conhecida está comprovado. Com base nas diretrizes atuais, as estatinas são consideradas como o tratamento de primeira linha em caso de doença cardiovascular conhecida. Vários estudos demonstraram a sua eficácia na redução da mortalidade associada a doença cardiovascular mas o seu uso como tratamento preventivo ainda suscita algumas dúvidas. As pessoas idosas apresentam uma prevalência elevada de doença cardiovascular subclínica e são por isso muitas vezes mal avaliadas e consequentemente subtratadas. Além disso, o primeiro evento cardiovascular é mais frequentemente mortal nas pessoas idosas devido à grande morbilidade associada à idade. A prevenção primária nessa faixa etária é por isso primordial. Contudo, a eficácia das estatinas na redução dos eventos cardiovasculares nos indivíduos sem doença cardiovascular conhecida mesmo em indivíduos de alto risco não está bem estabelecida. É preciso ter em conta que os idosos também são mais sujeitos a efeitos adversos e interações medicamentosas e é por isso necessário avaliar o risco benefício dum tratamento preventivo. Existe um número considerável de estudos cujos dados indicam um benefício do uso de estatinas nos idosos mas são necessários mais estudos clínicos a longo prazo para avaliar o impacto na sobrevida e na qualidade de vida. A decisão de tratar ou não tratar é uma decisão individual e personalizada que deve ser baseada nas comorbilidades do paciente, no seu tratamento atual e no seu modo de vida. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,704 | Síndromes parkinsónicas degenerescência corticobasal : estudo clínico imagiológico com IIC-raclopride | Doença de Parkinson,Exames complementares de diagnóstico | A degenerescência corticobasal (DCB) é uma enfermidade neurodegenerativa rara, progressiva, englobada num conjunto de patologias que partilham sinais extrapiramidais com a Doença de Parkinson (DP), denominadas síndromes parkinsónicas (SP). A imagiologia tem sido um método utilizado para procurar a discriminação de cada uma daquelas patologias. Com efeito, servimo-nos do radioligando 11C-Raclopride (RAC) e da tomografia por emissão de positrões (PET) para indagar sobre a possibilidade de distinção qualitativa entre doentes clinicamente diagnosticados com DCB e DP, através das classificações atribuídas por dois neurologistas às imagens obtidas. Seis doentes (Média de idade ± desvio padrão: 69 ±10,16 anos) foram recrutados a partir da consulta de Doenças do Movimento do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), apresentando clínica compatível com DCB, de acordo com os critérios diagnósticos mais recentes para a doença. Foram escolhidos, aleatoriamente, sete doentes com DP (65,2 ±6,5 anos) que já haviam feito PET com RAC. Recrutaram-se dez controlos saudáveis (63,6 ±11,71 anos). A PET com RAC realizou-se no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde, após a avaliação clínica. Os dados obtidos foram reconstruídos e quantificados de modo a serem apresentados como imagens de potencial de ligação. Dois neurologistas, pertencentes ao CHUC, com experiência em Doenças do Movimento, cegos para os resultados obtidos, compararam as imagens com uma Escala Visual Analógica e classificaram-nas como DCB, DP ou controlo. Analisámos os resultados, empregando testes de concordância entre as classificações atribuídas e o gold standard (GS) utilizado, ou seja, o diagnóstico clínico. O Neurologista 1 registou uma forte concordância (κ= 0,746; p <0,001) entre as suas classificações e o GS. O Neurologista 2 obteve uma concordância moderada, em comparação com o GS (κ= 0,400; p =0,016). Houve concordância moderada (κ= 0,565; p =0,001) entre as Degenerescência Corticobasal – Estudo Clínico-imagiológico com 11C-Raclopride Sérgio Miguel Martinho Trabalho Final de 6º Ano 5 classificações dos dois neurologistas. A partir dos dados do Neurologista 1, conseguimos os seguintes resultados estatísticos: exactidão - 87%; fiabilidade – forte (κ = 0,640); valor preditivo positivo - 71%; valor preditivo negativo - 91%; sensibilidade e especificidade - 83%; índice de Youden - 67%. Os resultados obtidos sugerem que neurologistas diferenciados conseguirão distinguir imagens de doentes com DCB ou com DP, utilizando a PET com RAC. Dos dados obtidos, nota-se que a DP possui um padrão característico, ao contrário da DCB, que exibe uma variabilidade imagiológica considerável. Esta variabilidade dos gânglios da base permite-nos especular sobre a maior expressividade de áreas extranucleares, nomeadamente corticais, na fenomenologia da doença | Ciências Médicas e da Saúde |
6,705 | Mortalidade e independência um ano após fratura da anca | Comorbilidade,Fratura da Anca,Fraturas Proximais do Fémur,Índice de Charlson,Índice de Katz,Mortalidade,Osteoporose | Introdução: A osteoporose tem vindo a apresentar uma prevalência crescente em paralelo com o aumento da esperança média de vida. As fraturas proximais do fémur (FPF) são a complicação da osteoporose com maior impacto socio-económico. Este trabalho tem como objetivo determinar a taxa de mortalidade em internamento e no ano subsequente à FPF e quais os fatores de risco que lhe estão associados, assim como avaliar o impacto da FPF na funcionalidade e independência dos doentes, um ano após a fratura. Métodos: Procedeu-se ao levantamento dos dados dos doentes internados no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (polo HUC) entre 1 de maio de 2013 e 31 de outubro de 2013 por FPF, com idade superior a 40 anos. De seguida, procedeu-se ao contacto telefónico dos doentes ou seus cuidadores, e realização de um inquérito sobre dados socio-epidemiológicos, fatores de risco para a osteoporose, índice de Charlson e Katz. Realizou-se também a análise do processo único, de modo a validar e completar os dados do inquérito. Resultados: Dos 201 resultados obtidos, 5 optaram por não participar no estudo e não foi possível estabelecer contacto telefónico com os restantes 66. Foram então incluídos 130 doentes (31% homens e 69% mulheres), com uma média de idades de 82±8.7 anos. Após a fratura da anca a dependência dos doentes agravou-se relativamente ao estado prévio (Média Katz prévio = 1; Média Katz 1 ano após FPF = 3; p<0.001). Menores níveis de dependência estão estatisticamente relacionados com o tratamento cirúrgico da fratura e com idades mais baixas. A taxa de mortalidade a um ano foi de 30%. Observa-se menor mortalidade em associação com estado civil casado, tratamento cirúrgico com substituição total da anca, alta para o domicílio, realização de fisioterapia e níveis inferiores do índice de Katz e Charlson previamente à fratura (p<0.05). Conclusão: Os resultados encontrados neste estudo vêm realçar o impacto das FPF na morbimortalidade das suas vítimas e sublinhar a importância das medidas de prevenção primária e secundária. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,706 | Doença de Bowen : perspectivas globais e actuais | Dermatologia,Doença de Bowen,Carcinoma espinhocelular | Introdução: A Doença de Bowen (DB) é um carcinoma espinho-celular (CEC) in situ, que afecta frequentemente idosos (áreas expostas à radiação solar) e imunodeprimidos, e que tem um risco de até 10% de evolução para CEC invasivo. Por isso, estas lesões devem ser identificadas e tratadas precocemente. Objectivos: Avaliar a evidência disponível de modo a proceder a uma descrição global e actualizada da DB, mais centrada nos factores etiológicos subjacentes, nos meios de diagnóstico, e na eficácia, adequabilidade e custo das terapêuticas preconizadas. A presente revisão é uma tentativa de completar e actualizar as Guidelines for management of Bowen’s Disease: 2006. Material e Métodos: Foi efectuada uma revisão pormenorizada, desde a descrição clínica da DB ao seu seguimento pós-terapêutico, baseada na literatura recente e disponível na base de dados PubMed, Science Direct e b-on, e em alguns manuais e atlas de Dermatologia. Um enfoque especial foi dedicado aos dados mais actuais acerca de alguns factores etiológicos, dos métodos de diagnóstico não-invasivo, e do papel das modalidades terapêuticas propostas. Conclusões: Os imunodeprimidos são um grupo de risco onde a doença tende a aparecer mais precocemente, em áreas não expostas à radiação solar, e com maior recorrência. A infecção por VPH contribui para o desenvolvimento de DB tanto genital como extra-genital. É atribuída apreciável precisão diagnóstica a várias técnicas de diagnóstico não-invasivo, contudo, possuem limitações que tornam o exame histo-patológico indispensável. Nenhum tratamento provou ser inequivocamente superior aos restantes, em eficácia. A escolha deve basear-se nas características da lesão e do doente, na experiência do clínico, e nos custos associados. É necessária mais investigação para o estabelecimento dos protocolos terapêuticos óptimos dos trantamentos não-cirurgicos disponíveis e para avaliação do papel promissor dos AINE tópicos. Seguimentos pós-terapêuticos mínimos de 12-24 meses são recomendados. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,707 | PGA artrite reumatóide: formulação das questões e relação com DAS28 | Rheumatoid arthritis,Patient global assessment,Phrasing | Introdução: A relevância da avaliação da atividade da Artrite Reumatóide segundo a perspetiva do doente tem aumentado nos últimos tempos, integrando diferentes índices de atividade da doença. Em relação à forma como o doente é questionado (Patient Global Assessment – PGA), várias formulações da questão e período temporal ao qual se reporta esta avaliação têm sido publicadas na literatura, podendo influenciar a avaliação de atividade e a decisão terapêutica. Objectivo: avaliar se a forma como a questão é formulada influencia a resposta do doente e qual a sua correlação com as outras variáveis do DAS28 e com outras medidas de avaliação do impacto da doença. Material e Métodos: Cento e um doentes, com o diagnóstico de AR de acordo com os Critérios de Classificação ACR 1987 ou ACR/EULAR 2010, seguidos em Consulta de Reumatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, completaram de forma autónoma um questionário que continha sete versões de PGA-VAS em escalas de 100 mm e duas versões atribuindo um valor de 0 a 100. Avaliaram também fadiga, dor, deformidade e mobilidade, utilizando escalas visuais 0-100 mm, e a capacidade funcional (HAQ). Pelo médico assistente foram avaliados os componentes individuais do DAS28. Através do coeficiente de correlação de Pearson foi avaliada a correlação entre as diferentes PGA-VAS e entre estas e outras medidas de avaliação do impacto da doença. p<0,05 foi considerado estatisticamente significativo em todas as análises. Resultados: As PGA-VAS correlacionam-se fracamente com as outras variáveis do DAS28, com exceção das articulações dolorosas, numa contagem de 28, em que correlação é moderada (rho 0.370 a 0.438, p<0.01). Estas correlacionam-se moderada/fortemente com as outras escalas visuais analógicas (fadiga, dor, deformidade e mobilidade), mas também com a capacidade funcional do doente (HAQ). Todas as PGA-VAS intercorrelacionam-se moderada/fortemente (rho 0.452 a 0.786, p<0.01), excetuando-se as duas escalas desenvolvidas pelos investigadores, com a questão realizada na positiva, que têm correlação fraca ou inexistente com as outras. As diferenças do valor global do DAS28 calculada com as diversas PGA-VAS é mínima (0.109±0.455). Conclusão: As diferentes PGA-VAS correlacionam-se moderadamente entre si e com as outras escalas de avaliação do impacto da doença. O impacto no DAS284vVS utilizando as várias PGA-VAS foi mínimo. Para uma maior homogenização de resultados recomenda-se a uniformização da questão da PGA-VAS e a sua validação. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,709 | O papel da aterosclerose na demência | Demência,Doença de Alzheimer,Demência Vascular,Aterosclerose,Epidemiologia,Fisiopatologia,Fatores de risco,Envelhecimento | Introdução: O aumento progressivo da esperança média de vida, responsável pelo envelhecimento da população, tem promovido o crescimento da prevalência de doenças crónicas e cardiovasculares, como são exemplo a demência e a aterosclerose (ATS), respetivamente. Nos últimos anos, a hipótese de existir uma relação entre a ATS e a demência tem sido alvo de discussão. A sua comprovação seria ideal para investigar a probabilidade da terapêutica da ATS constituir um recurso capaz de atrasar a progressão da patologia demencial, ou mesmo, uma solução para a sua incurabilidade. A elaboração da presente dissertação teve como principal objetivo a averiguação literária de uma possível relação entre a ATS e a demência. Métodos: O motor de busca PubMed, disponibilizado pela National Library of Medicine, foi utilizado para pesquisa de múltiplos artigos, após a introdução de uma combinação de diferentes palavras-chave. Também se procedeu à leitura de alguns livros relacionados com o tema em questão. Resultados: A doença de Alzheimer (DA) é o tipo de demência mais frequentemente diagnosticado. As placas senis e as tranças neurofibrilhares constituem as alterações histopatológicas típicas desta doença. A demência vascular (DV) é o segundo tipo mais comum de demência. Apresenta uma subclassificação, de acordo com o mecanismo fisiopatológico subjacente. As doenças vasculares que se associam à DV são a doença de pequenos vasos, a ATS das artérias cerebrais e a microangiopatia amilóide cerebral. A formação das placas ateroscleróticas, características da ATS, é melhor explicada pela Hipótese de Resposta à Lesão. Para além da idade, também a genética e o ambiente constituem fatores de risco das patologias demencial e aterosclerótica. Relativamente à relação entre a ATS e a demência, apesar de algumas controvérsias, a maioria dos estudos corrobora essa hipótese. Discussão e conclusão: Tanto a demência como a ATS se relacionam com o envelhecimento e partilham diversos fatores de risco, o que sugere um mecanismo subjacente comum, e portanto, uma relação entre ambas. A comunidade científica cada vez mais acredita que essa relação é válida, pois grande parte dos estudos comprova que a ATS aumenta o risco de desenvolvimento de demência, sobretudo se intracraniana ou carotídea. A necessidade de obter mais e melhor informação neste âmbito é indiscutível. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,710 | Tuberculose no idoso | Tuberculose,idosos,bacilo de Koch,necrose caseosa,cavitação,resistência,mortalidade,morbilidade,diagnóstico,teste tuberculínico,IGRA,tratamento e intervenção multidisciplinar | O trabalho teve como objectivo estudar as particularidades da tuberculose no idoso. A literatura científica, nacional e internacional, produzida sobre o assunto, considera idoso, o indivíduo que está na faixa etária de 65 anos ou mais. Reconhece-se a natureza dinâmica do conceito revelando, como um dos principais atributos essenciais e mais citados pela literatura, o recrudescimento de infecção longamente inativas. Atribui-se o envelhecimento (diminuição da imunidade celular), doenças associadas, alcoolismo, dentro de outras, e factores que favorecem a presença da tuberculose no idoso. Este está mais predisposto à re-infecção, tanto endógena (mais frequente) como exógena. Há a necessidade de enfoque diferenciado no diagnóstico e tratamento da doença no idoso, devido às caraterísticas clínicas especificas que o diferenciam dos adultos jovens. O diagnóstico da tuberculose deve ser sempre precedido pela anamnese, exame físico e a radiografia de tórax que pode auxiliar no diagnóstico. A bacteriologia ocupa um papel fundamental, permitindo, por meio do conhecimento dos vários aspectos da biologia do bacilo, a sua correta identificação. O teste tuberculínico, realizado com PPD (derivado de proteína purificada) e o teste IGRA (Interferon Gamma Release Assays), têm importância, sobretudo na detecção da infecção pelo bacilo e não na determinação da atividade da doença. A terapêutica utilizada combina várias drogas, uma vez que o bacilo causador apresenta, rotineiramente, mutações. Portugal tem aproximadamente 20% da população com 65 anos ou mais de idade e, com projecções para que este valor aumente nas próximas décadas. O processo de envelhecimento é dinâmico, apresentando modificações tanto morfológicas como funcionais, bioquímicas e psicológicas, que determinam a progressiva perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam por levá-lo à morte. Nos países desenvolvidos, essa doença acomete, mais frequentemente, as pessoas idosas, assim como as minorias étnicas e imigrantes estrangeiros. Face ao exposto, o interesse temático desta pesquisa justifica-se por considerar que a tuberculose no idoso é um problema de saúde complexo, devido à própria patologia e à presença de outras caraterísticas ou factores que podem favorecer a gravidade da doença. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,713 | Certificação do óbito: avaliação dos procedimentos legais | Morte,Medicina legal | Introdução: O objetivo deste estudo foi determinar a frequência e tipo de erros/lacunas encontrados nos certificados de óbito (CO) emitidos por médicos dentro e fora do circuito médico-legal, e constatar eventuais melhorias com o Sistema de Informação dos Certificados de Óbito (SICO). Materiais e métodos: Foram analisadas 266 cópias/impressões de CO arquivadas nos processos da Unidade Funcional de Patologia Forense do Serviço de Clínica e Patologia Forenses da Delegação do Centro, do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, 136 referentes ao primeiro semestre de 2011 (antes do SICO) e 130 referentes ao primeiro semestre de 2014 (após o SICO). A pesquisa dos erros/lacunas foi feita nos principais campos de preenchimentos dos CO, e todos os dados foram registados e tratados com o SPSS® versão 20. Resultados: Das 266 cópias/impressões de CO que preenchiam as condições do estudo, 36,47% tinham algum tipo de erro/lacuna. No ano de 2011 foram encontrados 13 tipos diferentes de erros/lacunas, num total de 177 erros/lacunas detetados. Em 2014 foram contabilizados 4 tipos diferentes de erros/lacunas, num total de 11 erros/lacunas detetados. Discussão e conclusão: Com o SICO desapareceram vários tipos de erros/lacunas e não surgiu nenhum erro novo relativamente ao suporte em papel. Com este, a percentagem de CO corretos subiu de 35,29% para 93,08%, e a percentagem de CO completos subiu de 49,26% para 95,38%, relativamente a 2011. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,716 | Presbiacusia: impacto social | presbiacusia,surdez neurossensorial,envelhecimento,impacto social,qualidade de vida | Introdução: A presbiacusia é a causa mais comum de défice auditivo em adultos e está na origem de muitas outras alterações que comprometem a qualidade de vida dos doentes, entre as quais se destaca a maior incidência de patologia do foro depressivo e a correlação com perda de funções cognitivas que pode vir a culminar em quadros demenciais. No entanto, a maior parte dos indivíduos desvaloriza a situação e são poucos os que procuram ajuda médica. A vida social do indivíduo desempenha um papel essencial neste processo e na decisão de utilizar ou não uma prótese auditiva. Objetivos: Precisar o número de doentes seguidos no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) por presbiacusia e qual a percentagem destes que utiliza prótese auditiva. Simultaneamente, pretendemos apreciar o impacto que esta patologia tem na vertente social destes doentes. Materiais e métodos: Foram analisados todos os processos clínicos do serviço de Otorrinolaringologia (ORL) do CHUC que datassem do ano civil de 2010 em diante. Paralelamente, foi aplicado um questionário a 50 destes doentes. As perguntas em causa foram selecionadas a partir do Hearing Handicap Inventory for the Elderly (HHIE) Portuguese short version. Resultados: Este estudo revelou um total de 2643 indivíduos com diagnóstico de presbiacusia corroborado por audiograma tonal típico. Apenas 3,14% utilizam prótese auditiva, dos quais 67,45% são do sexo feminino. A análise dos questionários mostrou que 74% dos indivíduos apresenta scores que indicam que a patologia em causa prejudica a sua qualidade de vida. Conclusões: Perante um elevado número de pacientes com queixas de hipoacusia, só uma pequena fração recorre a medidas de reabilitação auditiva, sendo a utilização de próteses substancialmente superior no sexo feminino. A perda auditiva da maior parte dos indivíduos em estudo tem repercussões na sua vida social. A gravidade dessas repercussões é maior no sexo feminino, principalmente para idades inferiores a 75 anos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,718 | Polimedicação no idoso | Polimedicação,idoso,prescrição inapropriada,reacções farmacológicas adversas,revisão da medicação,critérios STOPP/START,critérios de Beers | A polimedicação, também conhecida por polifarmácia, é um importante problema de saúde pública que afecta os idosos, a população com idade superior a 65 anos. De facto, apesar de por vezes ser necessário a utilização de diversos fármacos para o controlo óptimo das patologias destes, frequentemente ocorre prescrição de medicação desnecessária ou inapropriada, com risco superior ao benefício. Na verdade, esta população é mais susceptível aos efeitos adversos e interacções farmacológicas desta que os indivíduos mais jovens, devido às alterações fisiológicas inerentes ao envelhecimento e às múltiplas co-morbilidades que estes geralmente apresentam, o que torna a polimedicação uma importante causa de morbilidade e mortalidade nesta faixa etária. Deste modo, embora esta possa ser definida como o uso de vários fármacos no mesmo indivíduo, é mais apropriada a utilização da definição que a considera como a utilização de pelo menos um fármaco não indicado. Contudo, trata-se de uma problemática difícil de lidar, devido à existência de múltiplos factores contributivos, dentre os quais se destacam a especialização médica, que leva à existência de múltiplos médicos prescritores para o mesmo doente, necessidade de uso de múltiplos fármacos para a mesma doença e falhas na comunicação. Ainda assim, têm sido desenvolvidas várias estratégias para tentar detectar e minimizar este problema, como a revisão do regime medicamentoso e os critérios de Beers e STOPP/START (Screening Tool of Older People’s potentially inappropriate Prescriptions / Screening Tool to Alert doctors to Right Treatment) que mostraram ser eficazes na melhoria da adequação da prescrição do idoso. Contudo, a evidência actual ainda não permite afirmar que a sua utilização por rotina leve a resultados clínicos benéficos, sendo necessários mais estudos. Assim, este artigo revê a literatura mais actual acerca da temática da polimedicação no idoso, fornecendo uma visão geral sobre a epidemiologia, factores associados, consequências e possíveis formas de lidar com esta. Além disso, apresenta os procedimentos a ter em conta para realizar correctamente a revisão da medicação do idoso e considerações acerca dos critérios de Beers e STOPP/START, os mais utilizados actualmente. Por fim, aborda alguns aspectos sobre a versão 2 dos critérios STOPP/START, publicada em 2014, e alguns dados epidemiológicos sobre a polimedicação nos idosos portugueses, que mostraram ser semelhantes aos obtidos noutros países. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,723 | Hipotermia : utilização em doentes pós-paragem cardíaca | Paragem cardíaca,Hipotermia induzida | A paragem cardíaca é um fenómeno frequente em todo o mundo. A taxa de mortalidade pós paragem cardíaca em doentes com retorno da circulação espontânea é elevada e os sobreviventes apresentam elevada taxa de lesão neurológica. A hipotermia terapêutica (HT) é a única intervenção comprovada na redução da mortalidade e melhoria dos resultados neurológicos. O objetivo do trabalho é apresentar as evidências científicas atuais. Descobrir novas questões sobre a HT e responder a outras. Para tal, foram reunidos artigos de 2009 a 2015 (com algumas exceções), ou atualizados dentro do prazo estabelecido. Há milhares de anos que a hipotermia é utilizada como terapêutica, contudo, as evidências mais importantes que justificam as recomendações atuais ocorreram em 2002. A evolução dos métodos de arrefecimento acompanhou os tempos e melhorarou os resultados, embora muitas questões fundamentais necessitem de ser respondidas (velocidade de arrefecimento, momento ideal da indução, método de arrefecimento ideal, prognóstico neurológico, população que pode beneficiar e entre outras). A HT tem progressivamente entrado nos protocolos hospitalares, talvez um melhor conhecimento de todas as indicações, contraindicações, complicações, técnicas de suporte, monitorização e aparelhos de arrefecimento disponíveis, associadas a evidências recentes, sejam fatores preponderantes para a globalização da terapêutica, com resultados positivos futuros | Ciências Médicas e da Saúde |
6,724 | Consequências da polimedicação em doentes idosos em ambulatório | Cuidados ambulatórios,Polimedicação,Idoso | A população caminha a passos largos para um envelhecimento pouco sustentável. A polimorbilidade e a polimedicação associadas a esta franja da sociedade (> 65 anos de idade) acredita-se estarem a aumentar, o que por si só acarreta consequências de várias ordens. Mesmo de forma isolada a plurimedicação conduz a um aumento do risco de reacções adversas medicamentosas (RAMs), interacções entre fármacos, prescrição inapropriada de fármacos (PIFs), uma precária adesão à terapêutica, síndromes geriátricas (p.ex., quedas, incontinência urinária, alterações cognitivas), défices funcionais ou nutricionais e encargos de ordem financeira. Assiste-se a uma consciencialização crescente de que grande parte dos eventos associados à polimedicação são passíveis de prevenção, estando a prescrição inapropriada em especial enfoque. Assim sendo, têm-se elaborado vários estudos intervencionais com o intuito de avalizar a possibilidade de redução efectiva dos esquemas farmacoterapêuticos dos doentes geriátricos e seu impacto no prognóstico dos mesmos. Neste artigo de revisão pretendeu-se reunir a informação científica mais relevante e actualizada sobre os conceitos relacionados com a plurimedicação e suas consequências em indivíduos idosos em contexto de ambulatório, incluindo a descrição da sua epidemiologia, de factores de risco associados e dos resultados de estudos intervencionais elaborados. Constatei as discrepâncias entre os resultados dos estudos intervencionais referidos, causadas possivelmente pelas diversas metodologias aplicadas, pelas diferenças encontradas entre sistemas de saúde de diferentes países, ou mesmo pela utilização de definições de polimedicação desiguais. Apesar disto, os estudos intervencionais multidisciplinares, envolvendo médicos, farmacêuticos e enfermeiros CONSEQUÊNCIAS DA POLIMEDICAÇÃO EM DOENTES IDOSOS DE AMBULATÓRIO 5 parecem ser aqueles que demonstram resultados mais consistentes. Por fim são abordadas neste artigo recomendações descritas na literatura como estratégias de redução da polifarmacoterapia em doentes de ambulatório, nomeadamente o método ACADEMIA. Após compreensão das características que estão subjacentes a esta prática, e através da sensibilização dos profissionais de saúde, particularmente da comunidade médica, acredita-se ser possível combater os efeitos nefastos da polimedicação inapropriada em idosos de ambulatório | Ciências Médicas e da Saúde |
6,725 | Estilos de vida na gravidez, evidências e recomendações | Estilos de vida na gravidez,Alimentação na gravidez,Álcool, tabaco e cafeína,Exercício físico durante a gravidez,Profissão e factores socioculturais,Família grávida | O período da gravidez e a experiência da maternidade são etapas naturais do ciclo de vida da mulher que produzem grandes e importantes transformações, tanto a nível físico, como psicológico e social. O novo panorama social resultou num estilo de vida que se associa ao stress, tabagismo, sedentarismo e alimentação excessivamente calórica. E a forma como é vivenciada a gravidez tem-se vindo a modificar em função das exigências e dos valores que dominam uma determinada sociedade num determinado momento. Assim sendo, o significado da gravidez pela mulher foi sofrendo alterações, consoante a época e a cultura em que está inserida, mas o objectivo e a preocupação fundamental são a concepção de uma criança saudável. Sendo a gravidez uma época de profundas alterações na vida da mulher, pode e deve ser também uma oportunidade para alterar estilos de vida, e adotar comportamentos saudáveis. Este artigo engloba uma revisão dos diferentes aspectos que determinam o estilo de vida da mulher na gravidez. Foram abordados, o papel da alimentação e nutrição durante a gravidez, o efeito do consumo de substâncias como álcool, tabaco e cafeína, a prática do exercício físico durante a gravidez e associação com indicadores de saúde materna. Foram igualmente avaliados a influência da profissão, factores socioculturais, e o conceito de família grávida, por forma a elaborar um plano de cuidados. Conclui-se que estilos de vida da mulher durante a gravidez constitui um tema que levanta muitas questões tendo em conta a sua dimensão física, psicológica e social. A modificação do estilo de vida nos moldes descritos neste trabalho é benéfica tanto para a saúde da grávida, como à saúde do feto, e a maioria dos estudos são consensuais. As grávidas reconhecem a sua importância, no entanto, isso não se traduz numa maior adesão. Cabe aos profissionais de saúde indagar o seu conhecimento, orientar a grávida, reforçar a sua motivação e antecipar as complicações, embora a escolha por um estilo de vida saudável seja sempre individual. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,728 | Análise experimental da patogenicidade de variações de sequência novas no genoma mitocondrial | Genoma humano,Genoma,Mitocôndrias,Doenças mitocondriais,Mutação,Citopatias mitocondriais | As citopatias mitocondriais são um grupo de doenças heterogéneas, causadas por defeitos no sistema mitocondrial de produção de ATP. Este organelo tem o seu próprio genoma (mtDNA) que, quando sofre lesões/mutações, origina subunidades da cadeia respiratória mitocondrial (CRM) anormais, comprometendo o bom funcionamento da fosforilação oxidativa (OXPHOS) e, consequentemente, a síntese de ATP. Assim, é admissível que mutações, em qualquer gene essencial à integridade e funcionamento da CRM, possam causar alterações a nível da estrutura e função mitocondriais. Mutações pontuais no mtDNA incluem as que causam decréscimo na síntese de proteínas mitocondriais e as que afetam alguma das 13 subunidades da CRM, codificadas por aquele genoma. Uma vez que o mtDNA é altamente polimórfico, o significado patogénico de uma nova alteração de sequência detetada, necessita de ser determinado, usando uma série de critérios antes de se poder estabelecer o diagnóstico genético. O objetivo do presente trabalho é avaliar experimentalmente a patogenicidade de 12 novas variações de sequência no mtDNA, detetadas previamente no Laboratório de Bioquímica Genética do Centro de Neurociências e Biologia Celular, da Universidade de Coimbra (Responsável: Professora Doutora Manuela Grazina), em indivíduos portugueses com suspeita de citopatia mitocondrial, no período compreendido entre 1997 e 2010. No sentido de avaliar o impacto das variações de sequência, foram realizados diversos estudos, nomeadamente a verificação da sua ausência em controlos, por sequenciação automática. Foi ainda efetuada a determinação do seu efeito na expressão dos níveis dos transcritos respetivos por PCR em tempo real, na quantidade de proteína, por Western-blot, e na atividade dos complexos da CRM por espectrofotometria, em fibroblastos de cultura. Uma análise prévia in silico demonstrou que 4 das 12 alterações alteram o aminoácido e têm probabilidade de alterar a função da proteína, 2 alteram a estrutura de dois tRNAs e as restantes alteram o codão para outro menos frequentemente usado, no genoma mitocondrial. Os resultados experimentais obtidos no presente trabalho para a alteração m.14771C>A, no gene MT-CYB, que codifica uma subunidade do complexo III da CRM, mostram que, quando comparados com os valores controlo, os níveis do transcrito respetivo estão significativamente diminuídos, por outro lado os níveis da proteína que se encontram ligeiramente diminuídos. No que diz respeito à atividade dos complexos da CRM, verificou-se um aumento significativo na atividade do complexo III, nas células estudadas. É de notar que o presente trabalho representa uma contribuição científica original, dado que permite analisar o impacto das alterações em estudo de uma forma mais detalhada e precisa. Assim, de acordo com os critérios de patogenicidade, podemos concluir que a alteração m.12013G>A é “definitivamente” patogénica, a m.144771C>A obteve uma pontuação que permite atribuir a classificação de “provavelmente” patogénica, e as restantes alterações mantêm a previsão de “potencialmente” patogénicas, até poderem ser efetuados mais estudos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,729 | Terapia génica : avaliação do potencial terapêutico em células de carcinoma hepatocelular em cultura | Neoplasias do fígado,Terapia génica | O carcinoma hepatocelular (CHC) é uma doença com mau prognóstico cuja incidência tem aumentado dramaticamente nas últimas décadas. Muitos estudos têm vindo a ser realizados e variados protocolos investigados para o seu tratamento. Apesar disso, a taxa de mortalidade dos doentes com CHC avançado ainda é muito elevada, havendo assim a necessidade de desenvolvimento de novos fármacos, e de novas opções de tratamento, que poderão ser utilizados como agentes únicos ou em combinação. Esta falta de opções terapêuticas seguras e eficientes contra muitos tipos de cancro tem vindo a incentivar o desenvolvimento de novas aplicações para a terapia génica. A terapia génica suicida envolve a entrega de um gene suicida às células-alvo, tornando-as sensíveis a determinado pró-fármaco sendo os sistemas mais utilizados a timidina cinase do Vírus Herpes Simplex (HSV-TK)/ ganciclovir (GCV) e a citosina desaminase bacteriana (CD)/ 5-fluorocitosina (5-FC). A entrega do material genético pode ser feita por vectores virais ou não virais. Devido aos problemas que têm surgido com a utilização de vectores virais, principalmente relacionados com questões de segurança, os lipossomas catiónicos surgiram como sistemas promissores, devido à sua baixa toxicidade e imunogenicidade, à falta de patogenicidade e versatilidade. O objectivo do presente estudo consiste na avaliação do potencial terapêutico in vitro, em linhas celulares de carcinoma hepatocelular (HUH-7 e Hep-G2), das estratégias de terapia génica suicida (HSV-TK / GCV ou CD / 5-FC), em monoterapia ou em terapia combinada com agentes de quimioterapia convencional (doxorrubicina) e novos fármacos dirigidos a alvos moleculares (inibidor proteasoma MG-262), utilizando para a transfecção lipossomas associados a transferrina. A viabilidade foi avaliada pela técnica do Alarmar Blue e os mecanismos de morte verificados por citometria de fluxo com AV/IP, morfologia em esfregaços corados por May-Grünwald-Giemsa e análise do ciclo celular. Os resultados obtidos indicam que a aplicação da terapia génica suicida utilizando os sistemas HSV-TK/GCV ou CD/5-FC, tem um efeito antiproliferativo e citotóxico dependente da dose de pro-fármaco utilizada e do tempo de incubação. A combinação destas abordagens terapêuticas com doses inferiores ao IC50 de MG-262 ou doxorrubicina apresenta aumento do efeito antiproliferativo e citotóxico, indicando que a aplicação combinada de doses mais baixas de outros fármacos poderá levar a uma potenciação dos resultados com níveis de toxicidade e efeitos secundários reduzidos. Este efeito antiproliferativo foi verificado através das alterações observadas no ciclo celular das células (acumulação na fase G2 / M). Por citometria de fluxo e por estudos de morfologia, verificou-se que o mecanismo de morte celular predominantemente observado após aplicação dos diferentes tratamentos foi a apoptose. Estes resultados sugerem que a terapia de génica suicida com HSV-TK/GCV ou CD/5-FC pode constituir uma nova abordagem com potencial terapêutico no CHC não só em monoterapia, mas também, em associação com as terapias convencionais ou novos fármacos dirigidos a alvos moleculares. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,731 | Caracterização da alimentação nos jovens que frequentam o 8º ano e o 11º ano de escolaridade no concelho de Coimbra | Nutrição do adolescente,Alimentação escolar,Comportamento do adolescente,Exercício físico | A prática de uma alimentação saudável e actividade física desempenham um importante papel no desenvolvimento do adolescente, podendo contribuir para a diminuição de doenças crónicas, e aumentar a qualidade de vida do futuro adulto. O presente estudo, descritivo e inferencial, teve como objectivo caracterizar a alimentação praticada ao longo do dia, dos jovens que frequentavam o 8º e o 11º ano nos estabelecimentos de ensino público e privado do concelho de Coimbra. A amostra foi constituída por 217 alunos que frequentavam 10 estabelecimentos de ensino que aderiram participar. Neste estudo verificam-se algumas práticas desadequadas como o número de refeições, consumo baixo de sopa, de fruta, e a baixa adesão a actividades físicas ou de caminhar. No 8º ano e no 11º ano os alunos do ensino privado praticam uma alimentação mais saudável que os do ensino público. Observou-se que os alunos inquiridos referem realizar mais de 4 refeições por semana no refeitório da escola, sobretudo no 8º ano de escolaridade. No entanto os alunos do 8º ano que não utilizavam o refeitório escolar realizam o almoço em casa (100% público e 50% privado). No 11ºano os que optam por não realizar o almoço no refeitório, habitualmente almoçam fora de casa (55,6%) ou em casa (44,4%). Em relação ao lanche constatou-se que os alunos do ensino privado referem trazer maior número de vezes o lanche. Em relação à aquisição de produtos no bufete escolar ambos os anos de escolaridade adquirem produtos neste local, sendo que no 11º ano do ensino público, adquire mais. Existe número elevado de alunos que refere (53,1%EB vs 47,1%ES). não consumir sopa apresentando principalmente os motivos “não me apetece” (56%EB vs 55,2%ES) e “não gosto” (30%EB vs 15,5%ES). Os principais motivos apresentados para consumo inferior a 2 peças de fruta por dia (44,6%EB versus 43,8%ES) foram “não me apetece” (81%EB vs 62,3%ES), “É preciso descascar” (7,1%EB vs 15,1%ES), “Não gosto “ (4,8%EB vs 7,5%ES). Quanto ás opções de lanche vindas de casa são preferencialmente: bolacha, pão com fiambre, leite, pão com manteiga, iogurte, pão com queijo, fruta, Bolycao. Entre o 8º ano e o 11º ano de escolaridade há relação estatisticamente significativa no que se refere à opinião sobre as refeições na escola, tendo o ensino secundário do ensino público, em geral, uma opinião mais favorável. Na relação entre almoçar no refeitório escolar, o género o tipo de estabelecimento de ensino, verifica-se que não há relação estatisticamente significativa. Face a vulnerabilidade deste grupo às influências externas do meio, é importante e urgente promover e trabalhar com eles de modo a que sejam adquiridas competências que se reflictam em práticas alimentares saudáveis com benefícios a curto e a médio prazo para a saúde. Nesta faixa etária é imprescindível que toda a comunidade fomente um estilo de vida saudável no qual a alimentação tem papel fundamental. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,732 | Acção do tabaco no desenvolvimento e progressão de neoplasias | Neoplasias,Tabaco | Os hábitos tabágicos encontram-se profundamente enraizados na sociedade humana e têm sido associados a um número crescente de patologias, incluindo o cancro, que constitui uma doença de elevada prevalência e mortalidade no mundo ocidental. Apesar de se reconhecer uma relação directa entre os hábitos tabágicos e o desenvolvimento de alguns tipos de cancro, como o do pulmão, permanece por esclarecer a sua acção como factor de risco para o desenvolvimento de muitas outras neoplasias. A susceptibilidade para desenvolver a doença em indivíduos fumadores poderá depender em parte da capacidade da eliminação de compostos resultantes da combustão do tabaco bem como de outros factores como nomeadamente genéticos. Por outro lado, permanece por esclarecer a acção do tabaco na progressão do cancro. Neste contexto, admite-se que muitos compostos carcinogénicos resultantes da sua combustão, nomeadamente, os hidrocarbonetos poliaromáticos (PAHs), que estão associados ao desenvolvimento de vários tipos de cancro, poderão participar na progressão do tumor dado evidenciarem um efeito indutor da proliferação em várias linhas celulares de cancro. Por outro lado, reconhece-se actualmente que os hábitos tabágicos provocam um aumento de stresse oxidativo o qual poderá estar envolvido na transformação neoplásica bem como, com uma maior agressividade do fenótipo maligno. Pelo exposto, pretende-se então esclarecer a “Acção do tabaco no desenvolvimento e progressão de neoplasias”. Desta forma, importa documentar a incidência e prevalência de cancro a nível mundial, assim como a do tabagismo, e estabelecer a relação entre eles. Procura-se saber quais os cancros que estão associados ao tabaco, e destes, quais os mais frequentes, bem como reconhecer os componentes do tabaco e o seu fumo como cancerígenos. Interessa abordar a fisiopatologia do desenvolvimento e progressão de Acção do tabaco no desenvolvimento e progressão de neoplasias neoplasias pelo fumo do tabaco, assim como os mecanismos de defesa intra-celular contra esta agressão. Por outro lado, tendo em conta a não previsibilidade do desenvolvimento de uma neoplasia em determinado indivíduo, tentam-se identificar os polimorfismos/ genótipos que poderão constituir um factor de risco para o desenvolvimento de neoplasias em fumadores. Pretende-se com o presente trabalho a elaboração de uma revisão bibliográfica, capaz de sintetizar e organizar o conhecimento disponível relativamente à acção do tabaco no desenvolvimento e progressão de neoplasias. O cancro é uma importante causa de morte em todo o mundo. Esta doença era responsável por 7,4 milhões de mortes (cerca de 13% de todas as mortes no mundo) em 2004. Os tipos de cancro com maior mortalidade a nível mundial são o cancro do pulmão, do estômago, colo rectal, do fígado e da mama, sendo que cada um destes causa 1300000, 803000, 639000, 610000, 519000 mortes por ano, respectivamente. Prevê-se que as mortes por cancro em todo o mundo continuem a aumentar, estimando-se cerca de 12 milhões de mortes em 2030. Em Portugal, a taxa de mortalidade por cancro foi de 262,9 por 100000 habitantes para homens e 170,9 por 100000 habitantes para mulheres, em 2005. O cancro é uma doença multifactorial, resultando da interacção entre factores genéticos e factores ambientais. Esta interacção gene-ambiente proporciona a possibilidade de definir perfis de risco individual, que seriam importantes para a identificação de sub-grupos com maior risco para a doença. O fumo do tabaco tem mais de 4800 substâncias identificadas, das quais 81 foram classificadas como cancerígenas pela Agência internacional para Pesquisa sobre Cancro (IARC). Estas substâncias têm como principal porta de entrada o sistema respiratório e Acção do tabaco no desenvolvimento e progressão de neoplasias percorrem o organismo transportadas pelo sangue e são posteriormente excretadas, nomeadamente na urina. A carcinogénese é um processo com várias etapas, que tem na sua base a lesão genética e epigenética induzidas nas células alvo por carcinogéneos. Como resultado, as células adquirem uma maior capacidade de crescimento e multiplicação, e resistência à apoptose. Será muito difícil identificar detalhadamente os mecanismos pelos quais o fumo do tabaco provoca cancro, e é provável que existam diferentes mecanismos implicados na carcinogénese pelo fumo do tabaco. O consumo de tabaco aumenta o risco de cancro em múltiplos locais do organismo para além dos pulmões, de acordo com o trajecto do fumo do tabaco e com a acção dos seus componentes em diferentes locais do organismo humano. Estes locais incluem a cabeça e o pescoço (incluindo cancro do esófago, laringe, língua, glândulas salivares, lábio, boca e faringe), bexiga e rins, colo do útero, mama, pâncreas, cólon, estômago, cancro cerebral no adulto e leucemia mielóide aguda. Apesar do consumo continuado de tabaco, nem todos os fumadores desenvolvem cancro, isto explica-se em parte, pela interacção da exposição ao fumo do tabaco com factores genéticos. Assim existem polimorfismos genéticos e outros factores de risco que podem tornar o indivíduo mais susceptível a desenvolver neoplasias. A complexidade química do fumo do tabaco e activação metabólica de muitos dos seus constituintes, nomeadamente dos hidrocarbonetos poliaromáticos chamou a atenção para os polimorfismos genéticos de enzimas de biotransformação que metabolizam os carcinogénios do fumo do tabaco. Por isso, os genes de várias enzimas activadoras de compostos como as proteínas do citocromo P450 e de enzimas desactivadoras como a glutationa S-transferase, a N-acetiltransferase e uridinadifosfatoglucose transferase têm sido o Acção do tabaco no desenvolvimento e progressão de neoplasias principal alvo de estudo no contexto da carcinogénese induzida pelo fumo tabaco. A inactivação de genes supressores tumorais tais como p53, e a activação de proto-oncogenes K-ras também parecem relacionar-se com uma maior susceptibilidade para o desenvolvimento de cancro em indivíduos fumadores. Entre os principais efeitos adversos do fumo do tabaco, encontram-se o stresse oxidativo, peroxidação lipídica, desordens lipometabólicas e efeitos mutagénicos. Pensa-se que o fumo do tabaco causa stresse oxidativo por vários mecanismos, incluindo a lesão directa por espécies de radicais livres e em consequência da resposta inflamatória induzida pelo fumo do tabaco, causa também peroxidação lipídica das membranas celulares e a lesão oxidativa de outras biomoléculas como o ADN. Conclui-se então a necessidade de elaborar estratégias que promovam a cessação tabágica e que demovam as pessoas de começar a fumar. Existe evidência, apesar de limitada, de que o resultado do teste genético para identificação de possíveis alterações susceptíveis de aumentar o risco de cancro, pode possivelmente alterar positivamente o comportamento de fumadores, no contexto de cessação tabágica (aumento do número de tentativas e possivelmente aumento da taxa de sucesso da cessação tabágica), ou diminuindo a prevalência do tabagismo. Concomitantemente, e tendo em conta que acabar com o tabagismo é uma tarefa árdua, se não impossível, podem-se introduzir alterações na composição dos próprios cigarros de modo a diminuir o número e concentração de compostos carcinogéneos que os compõem, diminuindo, desta forma as suas acções nefastas no organismo humano nomeadamente neoplasias. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,733 | Actividade física em geriatria : elementos funcionais no idoso | Geriatria.,Exercício físico | Introdução: A dimensão do estado funcional é central para a avaliação geriátrica. Com o envelhecimento há maior vulnerabilidade a doenças e incapacidades ficando o idoso privado de uma vida saudável e autónoma, o que condiciona a sua qualidade de vida. Reduzir e adiar a incapacidade causada pelo envelhecimento é uma medida essencial e o exercício físico poderá desempenhar um importante papel nesse sentido. Objectivo: Este estudo de revisão tem como objectivo esclarecer os elementos funcionais que vão prever a capacidade funcional do idoso, por reunirem condições para que o indivíduo consiga realizar as tarefas do dia-a-dia de modo satisfatório. Os componentes de aptidão funcional destacados serão a condição cardio-respiratória, a mobilidade (força muscular, amplitude articular, flexibilidade; coordenação e equilíbrio), a condição sensorial e a condição cognitiva. Será também objectivo do presente estudo rever os benefícios que a actividade física poderá trazer para contrariar os efeitos do envelhecimento. Por outro lado, sabe-se que avaliação do nível de dependência funcional é também importante para elaborar programas de actividade física para o idoso, para que seja mais direccionada às suas reais necessidades, aumentando a efectividade do programa e reduzindo os riscos. Assim também se pretende sistematizar os vários instrumentos métricos de detecção de risco da actividade física no idoso. Metodologia: Foi realizada uma pesquisa em três bases de dados (Pubmed, Cochrane e Lilacs) de forma a identificar os elementos funcionais que predizem a capacidade funcional do idoso, e os vários instrumentos métricos de detecção de risco 7 de actividade física. Foram incluídos artigos do período entre 1980 a 2009, em Português e Inglês. Discussão/Conclusões: Com o envelhecimento há um declínio de todos os componentes de capacidade funcional. A capacidade aeróbia (VO2máx), a mobilidade, a condição sensorial e cognitiva têm uma forte relação com a realização de tarefas diárias, com a qualidade de vida e com o bem-estar do idoso. Estão por outro lado associados a maior risco de queda, lesão, morbilidades, dependência e mortalidade. A actividade física regular e adequada à capacidade do idoso contraria o efeito do envelhecimento, quer a nível físico quer a nível psíquico, minorando a perda de capacidade funcional e contribuindo para a prevenção da perda de autonomia e independência, uma das principais causas de degradação da qualidade de vida do idoso. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,734 | Síndrome lise tumoral : caracterização bioquímica, consequências clínicas e tratamento | Neoplasias,Síndroma da lise tumoral,Doenças metabólicas | A síndrome de lise tumoral (SLT) caracteriza-se por um conjunto de anomalias metabólicas graves resultantes da destruição maciça de células malignas com elevado "turnover" e, consequente, libertação do seu conteúdo intracelular na circulação sanguínea. Embora possa ocorrer de modo espontâneo, surge habitualmente em doentes com neoplasias linfoproliferativas e em alguns doentes com neoplasias sólidas submetidos a quimioterapia, corticoterapia e/ou radiação. A destruição maciça de células conduz à libertação de aniões, catiões e produtos resultantes do metabolismo das proteínas e dos ácidos nucléicos para a corrente sanguínea, conduzindo à hiperuricémia, hipercaliémia, hiperfosfatémia, e hipocalcémia, carcterísticas desta sindrome. Estas alterações bioquímicas podem levar à ocorrência de diversas complicações, designadamente, insuficiencia renal aguda por lesão tubular, convulsões e morte súbita. A SLT é considerada uma emergência oncológica devido à associação frequente com insuficiencia renal (25% - 38%); cursa com uma mortalidade de 5% a 14%, estando por isso associada a um prognóstico reservado. Apesar de mais de 90% dos doentes apresentarem manifestações laboratoriais, apenas cerca de 10% apresentam manifestações clínicas. Deste modo, a identificação dos doentes em risco, a prevenção da sua ocorrência e o tratamento adequado são fundamentais para diminuir o risco de complicações fatais. Apesar de haver concordância geral sobre as anomalias metabólicas associadas à SLT, actualmente não há um consenso sobre a definição ou o sistema de classificação. A primeira classificação foi desenvolvida por Hande e Garrow em 1993, e, mais recentemente, por Cairo e Bishop. Segundo estes autores, as alterações metabólicas permitem diagnosticar a SLT laboratorial, enquanto as manifestações clínicas de SLT, num quadro de SLT laboratorial, levam ao diagnóstico de SLT clínica. Apesar desta definição ser um instrumento útil permitindo o diagnóstico e classificação da SLT, nenhuma das manifestações laboratoriais da viii SLT é específica. Assim, a diferenciação entre SLT complicada por lesão renal aguda (LRA), de LRA sem SLT poderá ser um desafio. O desenvolvimento e a validação de estratégias baseadas no risco dos doentes são necessários para limitar a alta morbilidade e mortalidade desta síndrome. Além disso, a hidratação e administração de alopurinol e/ou rasburicase, nos doentes de alto risco, são algumas das medidas fundamentais para a prevenção das complicações graves da SLT. Este trabalho procura fazer uma revisão do estado da arte sobre os mecanismos bioquímicos envolvidos na síndrome de lise tumoral, discutir as suas consequências clínicas, o seu diagnóstico e tratamento, assim como, avaliar os principais factores de risco e as medidas preventivas a tomar, sobretudo nos doentes de alto risco que vão ser submetidos a quimioterapia e/ou radioterapia | Ciências Médicas e da Saúde |
6,735 | Tratamento do melanoma maligno | Melanoma maligno | A incidência do melanoma tem vindo a aumentar nas últimas décadas. Apesar de constituir uma pequena fracção dos tumores cutâneos, é responsável pela maioria das mortes por neoplasias da pele. A excisão cirúrgica com margem adequada é a única abordagem com um papel potencialmente curativo, pelo que continua a ser a pedra-angular do tratamento. As principais alterações que se registaram na abordagem cirúrgica foram a revisão das margens de segurança (ainda hoje não consensuais) e a introdução da biópsia selectiva do gânglio sentinela, com valor prognóstico indiscutível, mas desprovida de valor no prolongamento da sobrevivência global dos doentes. As linfadenectomias estão indicadas apenas nos doentes com invasão tumoral do gânglio sentinela ou com metástases ganglionares clinicamente detectáveis no momento do diagnóstico ou durante a evolução. O melanoma avançado é resistente à maioria das terapêuticas disponíveis, pelo que os tratamentos adjuvantes visaram reduzir o potencial de disseminação da doença e, por essa via, melhorar a sobrevivência. Neste contexto, a imunoterapia com interferão alfa (INF-α) foi desenvolvida em diversos protocolos, aplicando-se principalmente aos melanomas com disseminação linfática. Posteriormente, foram surgindo outras terapêuticas com fundamento imunológico, como a interleucina-2 (IL-2) e outras citocinas recombinantes, os linfócitos infiltrantes do tumor (células TIL) ou células dendríticas activadas, diversos tipos de vacinas antitumorais e alguns anticorpos monoclonais (ipilimumab). O uso de agentes quimioterápicos isolados ou em associação está reservado para a doença metastática, com taxas de resposta bastante reduzidas. Todavia, a quimioterapia intra- 5 -arterial sob hipertermia (perfusão ou infusão regional hipertérmica) tem demonstrado taxas de resposta elevadas quando aplicada às metástases cutâneas em trânsito nos membros. Os avanços mais recentes no conhecimento da biologia do melanoma abarcam a identificação de moléculas importantes na oncogénese e progressão desta neoplasia, permitindo delinear novos alvos terapêuticos. Têm surgido fármacos com acção anti- -angiogénica (bevacizumab), inibidores de tirosina cinases (sorafenib, axitinib) e fármacos que interferem com a sobrevivência celular (oblimersen). | Ciências Médicas e da Saúde |
6,737 | Avaliação do fígado num modelo de toxicologia experimental com DMBA | Fígado,Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos,Ratos | O presente estudo tem como objetivo avaliar e verificar o potencial efeito toxicológico hepático agudo da administração oral de 20 mg/kg/dia, três vezes por semana, durante 4 semanas, do hidrocarboneto aromático policíclico, DMBA, num modelo experimental com ratos, da estirpe Wistar, machos, de 8 semanas de idade. No fim do protocolo experimental, todos os animais foram sacrificados e necropsiados. Do fígado e do tecido adiposo, foram recolhidos fragmentos para avaliação histológica e para extração e determinação quantitativa da presença do DMBA, através da técnica HPLC, de forma a relacionar a intoxicação de DMBA com alterações morfológicas ao nível do fígado e a presença do DMBA nos tecidos hepático e adiposo. Neste estudo, todos os ratos em que se administrou DMBA apresentavam uma magreza em relação ao grupo controlo e observaram-se ligeiras a moderadas alterações histopatológicas de hepatotoxicidade. A análise cromatográfica quantificou a presença de DMBA no tecido adiposo dos ratos do grupo controlo. Este estudo da administração de DMBA mostrou ter um ligeiro efeito toxicológico hepático agudo, ao provocar alterações nos diferentes parâmetros avaliados, que embora não sejam muito significativas, vão de encontro aos estudos que apontam para a hepatotoxicidade do DMBA. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,739 | A influência das emoções básicas nos géneros | Emoções,Identidade sexual | Ao longo dos anos o estudo das emoções tem vindo a ser alvo crescente de investigação, há cada vez mais interesse sobre o tema, sobretudo pelo papel preponderante que as emoções exercem sobre o desenvolvimento global do ser humano, no seu processo de construção quer a nível pessoal, académico ou profissional. O presente estudo é designado ―A influência das Emoções Básicas nos Géneros e tem como objectivos: analisar o padrão de identificação das emoções em ambos os géneros, analisar o padrão de identificação das emoções em diferentes idades e analisar o padrão de identificação das emoções perante os diferentes estímulos. Este estudo tem como principal objectivo caracterizar o conceito de emoção em crianças com idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos, de ambos os géneros, de uma escola privada na área geográfica de Aveiro. Através de um questionário serão recolhidos os dados socio-demográficos, informações sobre o conceito de emoção e interpretação de estados emotivos. Os dados obtidos foram utilizados para verificar a relação entre a formação e organização do conceito de emoção, e as variáveis idade e género. A investigação passou por uma revisão bibliográfica exposta no primeiro capítulo – Fundamentação Teórica -, de forma a comparar com os dados obtidos na investigação, posteriormente no segundo capítulo – Metodologia. Quanto aos participantes e métodos, este estudo é descritivo-transversal e os instrumentos de recolha de dados utilizados foram: o questionário e a declaração de consentimento informado. A amostra é composta por 55 indivíduos do género feminino e 71 indivíduos do género masculino, com idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos, da área geográfica de Aveiro. O tipo de análise estatística feita foi com recurso ao software estatístico IMB Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 19.0.0. Os resultados desta investigação revelam que: a relação entre o conhecimento das emoções e a idade não tem significado estatístico; a relação entre a idade e as emoções mais experienciadas não revela um resultado estatisticamente significativo; existem uma maior facilidade de reconhecimento de expressões faciais com o avanço da idade, sendo esta diferença estatisticamente significativa; a capacidade de identificar emoções perante um estímulo (acção e acção/texto), de acordo com as diferentes idades, não é estatisticamente significativo, embora esta capacidade tenha tendência a progredir; a relação entre o conhecimento das emoções e o género não tem significado estatístico; verificam-se diferenças entre os géneros e as emoções mais experienciadas, contudo os resultados não são estatisticamente significativos; não existe significado estatístico entre o género e o reconhecimento de expressões faciais; a capacidade de identificar emoções perante um estímulo (acção e acção/texto), de acordo com os diferentes géneros, não é estatisticamente significativo, embora existam algumas diferenças. Em suma, a realização deste estudo permitiu concluir que não existem resultados estatisticamente significativos, contudo verifica-se que existe uma tendência para que, com o avanço da idade, a proficiência das crianças em relação às emoções seja cada vez melhor, quer na associação de emoções a expressões faciais quer na associação das emoções a acções. Em relação ao género, também não se verificam resultados estatisticamente significativos, contudo existem diferenças. No futuro tenciona-se investigar a relação entre as emoções e a bipolaridade, considerando que essa patologia afecta cada vez mais a população portuguesa como um problema de Saúde Pública, tornando-se pertinente perceber as emoções experienciadas por estes doentes. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,740 | Avaliação do estado nutricional das crianças com idades entre 10 e 12 anos e problemas associados: meio rural vs meio urbano | Avaliação nutricional,Estado nutricional,Criança | Dois terços da população mundial apresentam má nutrição calórico proteica. Nos países subdesenvolvidos onde uma das principais causas de mortalidade infantil é uma má nutrição com défice de aporte proteico e calórico, conduzindo à desnutrição, deficiente resposta do sistema imunitário, aumento de doenças e morte. No lado oposto temos os países desenvolvidos e em desenvolvimento com má nutrição, por excesso de aporte de alguns nutrientes como as gorduras saturadas, açucares e as proteínas de origem animal e deficiência de outros. Este excesso conduz à obesidade e morte. A prevalência da obesidade tem vindo a aumentar, adquirindo nos nossos dias o estatuto de Epidemia Global - Doença do século XXI (OMS). Nos EUA atinge grande pico nos anos 70, depois atinge a Europa, onde ainda hoje em muitos países continua a aumentar. Em Portugal, principalmente na idade adulta registou-se um aumento significativo da prevalência do excesso de peso/obesidade entre 1995 – 1998 e 2003 – 2005, de 49,6% para 53,6% (Carmo I, 2008). Relativamente `a prevalência de excesso de peso/obesidade existem poucos estudos, não existe um diagnóstico da situação. Refere-se um estudo realizado por Padez C. em 2004 em crianças (7-9 anos) (Padez C. 2004) onde a percentagem de excesso de peso/obesidade foi de 33% no sexo feminino e 28% no masculino. Refere-se, um outro com adolescentes (11, 13, 15, e 16 anos) integrado no Projecto da Organização Mundial de Saúde, Health Behaviour in School-Aged Children (HBSC) (Gaspar de Matos M e Projecto Aventura Social e Saúde, 2002). Neste estudo 17,9% de excesso de peso/obesidade era apresentado pela amostra. A obesidade apresenta etiologia multifactorial, o ambiente genético, o ambiente familiar com a partilha de hábitos culturais, alimentares de sedentarismo e de actividade física desempenham papel importante e determinante no aparecimento da obesidade. A obesidade associa-se a morbilidades e comorbilidades que representam também elas um problema grave para o indivíduo e para a sociedade. Destaca-se as deslipidémias, hipertensão arterial, diabetes tipo2, patologia ortopédica, esteatose hepática, alterações psicológicas, entre outras. 12 O tratamento da obesidade é difícil e requer uma abordagem adequada e o envolvimento da família, escola, ambiente de amigos, e a vontade da criança/jovem. Ao desenvolver o presente estudo os principais objectivos foram a determinação da taxa de obesidade em crianças/adolescentes com 10-12 anos, provenientes uns do meio urbano e outro do meio rural; Identificação de factores de risco para a taxa de obesidade; Avaliar a presença de possíveis associações entre marcadores clínicos e bioquímicos e a comorbilidade dependente da obesidade. Incluímos na amostra crianças do meio rural Vila de Rei, e as do Colégio S. José no Centro de Coimbra representantes do meio urbano. O estudo iniciou-se em Setembro de 2006 e terminou em Outubro de 2007 participaram 129 crianças/adolescentes. Do estudo fez parte a realização de um inquérito alimentar e de sedentarismo/actividade física, avaliação clínica (antropométrica com determinação do IMC, avaliação de pregas cutâneas, perímetros, e tensão arterial), antecedentes familiares de obesidade ou excesso de peso, avaliação da composição corporal com determinação da massa gorda e massa magra através da impedância bioeléctrica; avaliação de parâmetros biológicos, glicemia, insulina, leptina, colesterol total, HDL-c, LDL-c e triglicerídeos. Obtivemos uma taxa de obesidade de obesidade de 16,8%, e de excesso de peso/obesidade de 29,2%. Não se registaram diferenças entre o meio urbano e rural na prevalência de obesidade. Constatámos que no meio urbano o consumo de fruta é maior assim como o de peixe e carne, no meio rural o consumo de guloseimas, gelados, pizzas e hambúrgueres, assim como o de refrigerantes é maior. No meio urbano as crianças, praticam mais actividades físicas para além da educação física nas aulas em maior percentagem que as do meio rural. As crianças do meio rural praticam mais a caminhada superior ou igual a 30 minutos diários isoladamente como prática de exercício físico mais frequentemente que no meio urbano. Como factores de risco para a obesidade estatisticamente significativo, ser filho de pelo menos um dos pais obeso (p=0,001), a percentagem de obesidade nas crianças/adolescentes com pelo menos um pai obeso é 60,0%, se não tiver nenhum dos pais obesos a percentagem de obesidade foi de 9,3%. Concluímos que ter um pai obeso aumenta a ocorrência de obesidade 16 vezes; A ocorrência de obesidade na nossa amostra é cerca de 11 vezes maior naqueles que apresentam gasto energético médio comparativamente com os que apresentam gasto energético elevado (p=0,006) 13 Relativamente aos pais obesos além do ambiente genético que partilham com os filhos, são aqueles que oferecem mais vezes alimentos calóricos aos filhos (guloseimas, pizzas, gelados, hambúrgueres e bolos) (p=0,025), estão em maior número no meio rural e diariamente são os seus filhos que em média fazem mais de 4 refeições por dia. A associação da obesidade com alteração de parâmetros biológicos no nosso estudo, demonstrou se concordante com outros estudos. Todos os obesos têm massa gorda em excesso, todos apresentam perímetro abdominal superior ao percentil 90, todos em mais de 80% apresentam leptina elevada (p <0,001), a insulina sobe com o aumento de peso (p=0,013), as HDL-c apresentam-se diminuídas em 11,1% nos obesos (p=0,012), os triglicerídeos (TG), aumentam com o aumento de peso, tal como as LDLc. Relativamente á tensão arterial a tensão arterial diastólica vai aumentando ligeiramente com o peso (p=0,032). Com este trabalho e com os resultados obtidos, penso que mais urgente, e imperioso se torna uma intervenção profunda e estruturada com envolvimento do poder central, regional, local e entidades de saúde. Medidas devem ser implementadas, alterações de hábitos alimentares, instituir o hábito da prática de desporto adequado desde a infância. A maior e mais adequada sensibilização para o problema da obesidade em Portugal é fundamental. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,742 | Personalidade arrependimento e perturbação psicológica : estudo preliminar em estudantes | Personalidade,Doenças do sistema nervoso,Psicologia | Introdução: O pensamento contrafactual (PC) define-se como o conjunto de representações mentais de alternativas a ações passadas e quando se foca em decisões pessoais resulta no arrependimento, que se define como uma emoção negativa, aversiva, ligada a conteúdos cognitivos específicos e que pode ser funcional ou disfuncional, nomeadamente quando associado ao pensamento perseverativo negativo (PPN) e a determinados traços de personalidade, como o perfecionismo. Objetivos: Estudar a relação entre o arrependimento, perfecionismo, o PPN e a perturbação psicológica: (1A) analisar as relações entre os padrões de arrependimento, emoções e comportamentos gerados; (1B, 2A) analisar a relação dos mesmos e do arrependimento-traço com o perfecionismo, PPN, afeto, perceção de stresse e apoio; (2B) testar se o arrependimento-traço funciona como mediador da relação entre perfecionismo e perturbação psicológica. Materiais e Métodos: 87 estudantes universitários (73.6% raparigas; idade média 22.74±4.828) completaram as versões portuguesas validadas da Escala Multidimensional de Perfecionismo de Hewitt & Flett, do Inventário Multidimensional de Crenças Perfecionistas, do Questionário de Pensamento Perseverativo, do Perfil de Estados de Humor, da Escala de Stresse Percebido, da Escala de Arrependimento e do Questionário de Arrependimento ao Longo da Vida. Resultados: No Estudo 1A, após validado o QALV, o arrependimento associou-se ao aumento de outras emoções negativas e à diminuição de emoções positivas e que pensar em alternativas, algo que a maioria fez, inverte esta situação. Verificou-se maior intensidade de algumas emoções “quentes” e “mornas” no arrependimento ao longo da vida comparativamente ao recente. No Estudo 1B, sentir arrependimento associa-se a níveis mais elevados de perfecionismo, de PPN e de AN; e não senti-lo a níveis mais elevados de perceção de apoio. 6 No Estudo 2A, após validado o EA, o arrependimento-traço correlacionou-se com perfecionismo, PPN, AN e perceção de stresse; e inversamente, com AP e com perceção de apoio. No Estudo 2B, constatou-se ainda que o perfecionismo e o PPN são preditores de arrependimento-traço e que o II é mediador parcial da relação entre PE e EA. O arrependimento-traço revelou-se preditor de perceção de stresse. O PPN (II) forneceu um adito significativo para a variância de depressão e AN e, conjuntamente com PE, para a variância de AH. Discussão: O PPN, principalmente a sua dimensão mais desadaptativa (i.e. II), é um mediador da relação entre perfecionismo e arrependimento. O arrependimento revelou-se um preditor de perceção de stresse. Este estudo preliminar incentiva a continuação do estudo das relações entre arrependimento, perfecionismo, PPN e perturbação psicológica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,743 | Asma induzida pelo esforço | Asma induzida por exercício,Epidemiologia,Fisiologia,Diagnóstico,Terapia | asma de esforço é uma patologia muito frequente e cuja prevalência e incidência têm vindo a aumentar. A população jovem e, em particular, os atletas, são quem mais sofre com esta patologia, estimando-se que até 70% dos atletas de alta competição de desportos de Inverno sejam afectados. Estudos têm demonstrado que a prevalência desta patologia não é uniforme nas várias modalidades desportivas. A AIE é caracterizada por crises de dispneia, tosse e ruídos adventícios com inicio 3-5 min após o exercício, picos de 5-10 min e resolução espontânea em 30 a 45 min. Estas crises têm tradução na espirometria com diminuição da função respiratória com queda do FEV1. Na base desta patologia está a broncospasmo induzido pelo esforço. Muito se tem debatido e têm sido propostos vários mecanismos fisiopatológicos para explicar este fenómeno mas, os vários estudos realizados não têm permitido tirar conclusões claras, pelo que estes mecanismos são ainda desconhecidos. No entanto, duas teorias principais são propostas: a teoria hiperosmolar e a teoria do reaquecimento das vias aéreas. Pelo impacto que esta patologia tem na qualidade de vida das pessoas e pelo aumento progressivo dos índices de morbilidade e mortalidade associados, torna-se extremamente importante um diagnóstico correcto e terapêutica adequada.São objectivos deste trabalho, através de uma revisão bibliográfica e de artigos procurar determinar a incidência e prevalência desta patologia, conhecer melhor os factores e mecanismos fisioparológicos que estão na base do processo de broncoconstrição induzido pelo esforço e, finalmente quais os meios de diagnóstico e tratamento disponíveis e o que se pode fazer para prevenir. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,745 | Imunohistoquímica na investigação médico-legal: contributo real ou ficção? | Medicina legal,Imunohistoquímica | A Anatomia Patológica Forense – vertente fundamental do exame necrópsico médico-legal – recorre a técnicas complementares, tais como a Imunohistoquímica (IHQ), face a casos complexos e/ou com características particulares. A IHQ – processo baseado em reacções antigénio-anticorpo – é uma ferramenta diagnóstica imprescindível em Anatomia Patológica não-forense (hospitalar/privada). Conhecem-se estudos e aplicações na área forense; mas qual é o seu contributo real para a investigação médico-legal? Este trabalho pretende demonstrar a sua relevância, utilizando como material 47 amostras tecidulares de 42 casos das 1141 autópsias com exame anátomo-patológico realizadas na Delegação do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, I.P. no ano de 2011. Estes casos correspondem a 25 vítimas do género masculino com idade média de 55,85 anos e a 17 do género feminino, cuja idade média é de 61,59 anos. Foi utilizada imunomarcação segundo o “Two-Step Indirect Method, em material fixado e parafinado de lesões / alterações patológicas. Esta técnica permitiu não apenas para comprovar diagnósticos anteriormente estabelecidos, como também concluir casos em aberto não solucionados pela observação de lâminas coradas com HE e/ou Histoquímica, nomeadamente na área oncológica; contribuindo para a determinação da causa e da etiologia médico-legal da morte | Ciências Médicas e da Saúde |
6,746 | Hepatite C crónica : do diagnóstico ao tratamento | Hepatite C crónica,Diagnóstico,Terapia | A infecção pelo vírus da hepatite C é causa de cerca de 40% das doenças crónicas do fígado no ocidente, sendo a indicação mais frequente para transplante de fígado nos EUA. À escala global, mais de 170 milhões de pessoas estarão infectadas com o vírus da hepatite C. Actualmente, estima-se que um terço dos casos de carcinoma hepatocelular nos EUA e 90% dos casos de carcinoma hepatocelular no Japão está associado a hepatite C crónica; a incidência desta associação triplicou nos EUA e quadruplicou no Japão na última década. Em Portugal, a hepatite C e/ou o alcoolismo são as principais causas de cirrose hepática e carcinoma hepatocelular, estimando-se mais de 100.000 infectados, pelo que também entre nós é fundamental a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento da hepatite C. As consequências da hepatite C a longo prazo prevêem mortalidade e morbilidade substanciais, com custos elevados para o Sistema Nacional de Saúde. Isso justifica plenamente um plano nacional para as hepatites virais. Por não haver vacina para a hepatite C, há um conjunto de atitudes que devem ser postas em prática para baixar a incidência da hepatite C crónica para além do rastreio da infecção pelo vírus da hepatite C em dadores de sangue, e que incluirá a educação da população, o evitar de comportamentos de risco e o diagnóstico precoce dos portadores do vírus.Ao longo dos últimos 20 anos, foi imenso o progresso no que diz respeito ao diagnóstico e ao tratamento da hepatite C, conseguindo-se passar de pouco mais de 5% Hepatite C crónica- Do Diagnóstico Ao Tratamento FMUC- 2010 6 para mais de 50% de casos de erradicação viral com o tratamento. Actualmente o padrão é a associação de peginterferão e ribavirina, com esquemas adaptados ao genótipo, à carga viral e à evolução durante o tratamento. No entanto, cerca de metade dos doentes não responde ao tratamento, que tem efeitos secundários consideráveis e um custo elevado. Nestes casos têm sido ensaiados protocolos mais agressivos e espera-se a introdução de novos fármacos, como os inibidores da protease e da polimerase, que têm apresentado resultados promissores em ensaios clínicos. Para além de variáveis clínicas e laboratoriais, o grau e o estádio histológico são importantes para o estabelecimento do prognóstico e para a decisão terapêutica. Discutiremos o tipo e a duração de tratamento antiviral, de acordo com as características do vírus e do doente. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,748 | Hiperplasia benigna da próstata : tratamento médico vs tratamento cirurgico | Hiperplasia benigna da próstata,Urologia,Terapêutica | Introdução e objectivos: A hiperplasia benigna da próstata (HBP) é uma condição clínica muito prevalente nos homens a partir dos 40 anos, atingindo mais de metade da população masculina na sétima década de vida e a quase totalidade na oitava década. Os sintomas relacionados com esta patologia causam, frequentemente, prejuízo significativo à qualidade de vida destes doentes. O objectivo da presente revisão é resumir a literatura actual sobre a patologia, com enfoque para o tratamento médico e cirúrgico da HBP. Material e métodos: Realizamos uma pesquisa bibliográfica na base de dados Medline/PubMed de artigos científicos, revistos pelos pares, relacionados com o tratamento médico e cirúrgico da HBP. Resultados: A avaliação inicial do doente com HBP deve compreender a anamnese com aplicação do score de sintomas prostáticos internacional (IPSS), exame físico com toque rectal, avaliação laboratorial (PSA sérico, exame de urina e função renal), além de métodos de imagem e urodinâmica para casos seleccionados. O tratamento inicial para casos ligeiros e moderados é médico, com o uso de alfa-bloqueadores ou inibidores da 5-alfaredutase, ou ainda a combinação de ambos. Doentes que não respondem ao tratamento médico, com sintomas graves ou que desenvolvem complicações da HBP devem ser considerados para tratamento cirúrgico. Este consiste em cirurgia aberta para próstatas de grande volume, ressecção transuretral para próstatas menores, além de outros tratamentos invasivos menos disponíveis. A observação expectante deve ser ponderada naqueles doentes cuja qualidade de vida está pouco afectada, com uma HBP não complicada e com sintomas ligeiros. Conclusão: Em conclusão, a HBP é doença com alta prevalência, cujo tratamento deve ser individualizado e instituído antes do surgimento de complicações maiores. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,749 | Avaliação da acupunctura sobre o sistema imunitário | Acupunctura,Sistema imune,Imunofenotipagem | A acupunctura é praticada em todo o mundo como um tratamento complementar à medicina convencional. No entanto, ainda pouco se sabe sobre os mecanismos fisiológicos da acupunctura sobre o sistema imunitário. Neste trabalho, pretende-se avaliar e identificar os efeitos da acupunctura sobre o sistema imunitário através da imunofenotipagem, utilizando a citometria de fluxo. Para isto, recorreu-se a voluntários que foram submetidos a punctura durante três semanas e aos quais foi retirado sangue antes e após a punctura para análise de possíveis alterações nos valores de imunofenotipagem. O estudo foi elaborado com base em 22 voluntários jovens e saudáveis. No início e no final do estudo foram feitas colheitas de sangue, de 5 ml, cada, num total de duas colheitas, para imunofenotipagem com citometria de fluxo. Cada individuo foi submetido durante três semanas a três sessões de acupunctura por semana num total de nove tratamentos nos pontos: 11BX, 17BX, 23BX, 39VB, 36ES. Com este estudo pudemos concluir que a acupunctura não parece alterar significativamente os níveis de linfócitos nas amostras de sangue com base na comparação dos valores da imunofenotipagem antes e após a punctura. Este resultado parece-nos importante no sentido em que, ao demonstrar o papel não prejudicial da acupunctura em pessoas sem doença, evidencia o possível potencial da acupunctura como complemento à medicina ocidental em doentes sem os possíveis efeitos secundários associados aos tratamentos farmacológicos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,750 | Síndrome de bouveret : revisão da literatura e estudo retrospetivo de casos clínicos | Doenças do duodeno,Etiologia,Obstrução duodenal,Diagnóstico,Terapia,Cálculos biliares,Síndrome | A Síndrome de Bouveret constituí uma forma rara de íleos biliar caracterizada por uma obstrução ao esvaziamento gástrico, provocada pelo encravamento de um cálculo biliar a nível duodenal. É uma patologia rara, típica de doentes com idade avançada, múltiplas comorbilidades e de predomínio no sexo feminino. Embora pouco frequente, a morbilidade e mortalidade condicionadas por esta Síndrome são de valorizar. A apresentação pouco específica da Síndrome de Bouveret, associada à inespecificidade dos exames complementares, dificulta o diagnóstico, condicionando assim a precocidade da terapêutica. A forma de tratamento que mais se adequa a esta Síndrome suscita algum debate entre a comunidade médica. O tratamento cirúrgico apresenta-se como o mais favorável, enquanto a vertente endoscópica fica, por norma, reservada para doentes com maiores limitações do estado geral e com contraindicação cirúrgica. A realização deste trabalho tem como objetivo a elaboração de uma revisão da literatura, de forma a reunir e sumariar os mais recentes conceitos sobre o tema, bem como a ilustração do mesmo com casos clínicos de doentes operados no serviço de Cirurgia B do CHUC. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,751 | Prevalência da depressão nos idosos internados no Serviço de Medicina Interna do C.H.U.C. | Depressão,Idoso,Hospitalização,Medicina interna | Introdução: A patologia depressiva está a tornar-se num sério problema de saúde pública, sendo actualmente uma patologia com elevada prevalência na população em geral e particularmente preocupante na população idosa. No presente trabalho procedeu-se ao estudo da prevalência da depressão nos idosos internados no Serviço de Medicina Interna do C.H.U.C., relacionando-a com factores como o motivo de internamento, o recurso a medicação antidepressiva crónica, o Índice de Massa Corporal (IMC), o nível de educação e os antecedentes pessoais patológicos. Métodos: Estudo transversal em que foram inquiridos 80 doentes internados no Serviço de Medicina Interna do C.H.U.C., 40 homens e 40 mulheres, entre 1 e 31 de Julho de 2013 e 9 de Setembro de 2013 a 19 de Fevereiro de 2014. Foi utilizada a Escala geriátrica de Depressão de Yesavage (GDS-15) e os critérios de Depressão Major do DSM V (American Psychiatric Association´s Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). Resultados: Com a Escala geriátrica de Depressão (DGS-15), a prevalência da Depressão Grave foi de 28,7% e com os critérios de diagnóstico do DSMV (American Psychiatric Association´s Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), foi de 27,5%. O diagnóstico de patologia depressiva foi mais frequente em doentes do sexo feminino, não tendo sido encontrada qualquer relação entre este e o motivo de internamento, antecedentes pessoais patológicos, índice de massa corporal, nível de educação ou toma crónica de antidepressivos. Discussão e conclusões: Obteve-se uma prevalência de depressão muito semelhante com os dois métodos utilizados, encontrando-se de acordo com o descrito na literatura. As mulheres são quem mais frequentemente apresenta o diagnóstico, pelo que constituem um Grupo de maior risco. Um rastreio precoce é fundamental para a realização de terapêutica adequada, aumentando a esperança e qualidade de vida destes doentes. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,752 | Indicações e complicações dos bifosfonatos em ortopedia | Bifosfatos,Ortopedia,Osteoporose,Osteonecrose | Contexto: Ao longo dos últimos anos, a osteoporose tem vindo a revelar-se um problema de saúde pública de crescente importância, contribuindo para o aumento da prevalência de fraturas na população idosa. O objectivo deste trabalho foi proceder a uma revisão dos estudos publicados sobre a eficácia dos bifosfonatos na redução do risco de fratura osteoporótica, o seu impacto nas situações particulares de reparação de fracturas e pós-artroplastia total e, ainda as complicações do uso dos bifosfonatos com destaque para a osteonecrose dos maxilares e para as fracturas atípicas do fémur. Para isso, realizou-se uma extensa pesquisa bibliográfica em bases de dados da literatura ortopédica abrangendo o período de 2000 a 2013. A bibliografia selecionada encontrava-se escrita em língua portuguesa, inglesa e espanhola. As pesquisas foram realizadas recorrendo às base de dados Pubmed, Science Direct (www.sciencedirect.com) e no Repositório Institucional dos HUC (rihuc.huc.min-saude.pt) com o objectivo de encontrar estudos sobre as indicações e complicações dos bifosfonatos em ortopedia, tendo sido selecionadas 27 fontes bibliográficas A metodologia utilizada permitiu concluir que os bifosfonatos são considerados o tratamento de primeira linha em doentes com osteoporose, com eficácia comprovada na redução do risco de fratura osteoporótica. Os bifosfonatos parecem não interferir na reparação cirúrgica de fraturas. Estes fármacos também podem exercer um papel importante na redução de complicações na sequência de Artroplastia Total da Anca (ATA) e Artroplastia Total do Joelho (ATJ) e na manutenção de um boa fixação da prótese. Artigo de Revisão: Indicações e Complicações dos Bifosfonatos em Ortopedia Manuel de Almeida Marques 2 As principais complicações dos bifosfonatos são a osteonecrose dos maxilares e as fraturas atípicas do fémur, mas a sua baixa incidência confere ao tratamento com bifosfonatos, pelo menos durante 5 anos, uma boa relação benefício-risco. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,753 | Creatina como suplemento para aumento da força e massa muscular em atletas | Creatina,Creatinina,Atletas,Suplementos dietéticos,Força muscular,Músculos | A creatina monohidratada (Cr) é um dos suplementos mais investigados, utilizados e populares do mundo. Muitos atletas profissionais, amadores, recreativos, jovens ou idosos, tomam este suplemento de modo a conseguir um melhor desempenho nas suas actividades desportivas, e é estimado que por ano sejam utilizados mais de 2,5 milhões de quilos de Cr. A Cr pode ser obtida a partir de fontes exógenas como o peixe ou a carne, mas também pode ser produzida de forma endógena pelo fígado. A sua maior parte encontra-se nos músculos, sobre a forma fosforilada (PCr) ou na forma livre (Cr). Com a suplementação de Cr pode aumentar-se a Cr total intramuscular em 20% (Cr + PCr) e através de alguns mecanismos aumentar o desempenho muscular do corpo humano. Habitualmente, os protocolos referentes à toma de Cr incluem uma fase de aumento e uma de manutenção muscular. Está provado que os hidratos de carbono simples aumentam a captação de creatina nos músculos. A resposta do corpo humano à Cr é diferente de pessoa para pessoa, mas na maioria dos casos a Cr ajuda a célula do músculo a regenerar ATP durante a prática de exercício intenso. Assim, a força muscular mantém-se por um maior período de tempo, melhorando o desempenho muscular. A Cr é muito eficiente em exercícios com picos curtos de elevada intensidade como a realização de sprints, saltos, levantamento de pesos e mesmo ciclismo. Não se mostra tão eficaz para exercícios prolongados de endurance. A maior parte dos estudos revelam que os atletas que usam a CR como suplemento têm ganhos de força e potência. Estudos mais recentes indicam também que a Cr causa hipertrofia muscular, com aumento da massa gorda, não estando este facto apenas ligado à retenção de água. Para concluir, a suplementação de Cr parece segura, sem que haja uma evidência científica sólida dos seus efeitos adversos, em pessoas saudáveis. Contudo, essa segurança não é garantida se a sua utilização for prolongada por vários anos ou se a dosagem que se utiliza for superior à recomendada. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,754 | Imunossupressão no transplante rena : tratamento de manutensão | Imunossupressores,Transplantação do rim | Introdução: O transplante renal é atualmente o melhor tratamento para a doença renal em estádio terminal, quer pelo benefício na sobrevivência global como na qualidade de vida. Apesar dos excelentes resultados a curto prazo, a sobrevivência do enxerto a longo prazo não tem melhorado de forma paralela nos últimos anos. A nefrotoxicidade e os efeitos adversos associados à medicação imunossupressora têm sido apresentados como as principais causas de perda do enxerto e mortalidade. Este trabalho tem como objectivo consolidar os dados sobre imunossupressão de manutenção em transplantação renal, fazendo uma revisão bibliográfica sobre este tema. Materiais e métodos: A pesquisa de artigos sobre a temática deste trabalho foi realizada através da base de dados da PubMed. A pesquisa identificou mais de 500 artigos e a sua seleção foi realizada em três fases: análise do título, abstract e leitura do texto completo. Resultados: A utilização de múltiplos fármacos imunossupressores tem como premissa maximizar a eficácia e minimizar a toxicidade. O regime imunossupressor de manutenção consiste habitualmente na associação de um inibidor da calcineurina, um anti-proliferativo e um corticoesteróide. Na última década tem havido um interesse crescente em identificar regimes que permitam eliminar ou reduzir a exposição aos corticoesteróides e aos inibidores da calcineurina, numa tentativa de prevenir a disfunção crónica do enxerto e a mortalidade cardiovascular. Conclusão: A escolha do tratamento adequado deve ser individualizada, tendo em conta as propriedades farmacológicas de cada medicamento, o perfil de efeitos secundários, interações medicamentosas, doenças pré-existentes e o risco de rejeição. O surgimento de novos agentes poderá revolucionar o tratamento imunossupressor nos próximos anos, garantindo o mesmo grau de eficácia e melhorando a sobrevivência do enxerto e do paciente | Ciências Médicas e da Saúde |
6,757 | Tabagismo na gravidez: implicações sobre a saúde da grávida/puerpera e do feto/lactente: estratégias para a cessação tabágica | Tabagismo,Gravidez,Cessação tabágica | Introdução: O tabagismo na gravidez é um problema de saúde pública, com expressão epidemiológica significativa e impacto na saúde e qualidade de vida presentes e futuras quer da mãe quer do novo ser. Alguns dos seus efeitos deletérios são já conhecidos da comunidade científica e médica, quer ao nível da saúde da grávida/puérpera, quer ao nível do feto/recémnascido. Para a execução deste trabalho de revisão foram consultas diversas bases de dados científicas com destaque para PubMed, BioMedCentral, Cochrane Library e a National Guideline Clearinghouse. Objectivos: O presente trabalho tem por primeiro objectivo fazer uma revisão sistematizada da literatura científica, abordando o impacto do tabagismo em aspectos de saúde da grávida/puérpera e feto/lactente já comprovados cientificamente. A fisiopatologia dos danos conhecidos assim como os conhecimentos recentes e dados controversos também são abordados e tratados de forma coerente. Fazer uma revisão das estratégias terapêuticas mais adequadas para a cessação do consumo de tabaco durante a gravidez é o segundo objectivo do trabalho. Desenvolvimento: O tabagismo na gravidez encontra-se associado a abortamento, gravidez ectópica, morte fetal após as 28 semanas de gestação, rotura prematura de membranas, prematuridade, restrição de crescimento intra-uterino, descolamento prematuro da placenta normalmente inserida, placenta prévia, determinados tipos de malformações congénitas, mortalidade pós-natal e síndrome de privação neonatal da nicotina. O recém-nascido apresenta aumento do risco de diabetes mellitus tipo 2, obesidade, neoplasias, alteração da fertilidade masculina, doenças respiratórias, alteração da imunidade, doença de Legg-Calvé- Perthes e alterações comportamentais e do desenvolvimento. A cessação tabágica baseia-se sobretudo em terapêutica não farmacológica, reservando-se a terapêutica farmacológica para os casos que não responderam à terapêutica não farmacológica. Conclusão: O tabagismo na gravidez é um problema que, apesar de se apresentar em aparente remissão, continua a existir na sociedade. É competência médica avaliar correctamente o consumo de tabaco durante a gravidez e informar, orientar e aconselhar as grávidas a não fumar. O sucesso da cessação tabágica pode vir a traduzir-se num decréscimo do número de patologias a que, quer a grávida, quer o recém-nascido estão sujeitos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,758 | Impacto clínico e prognóstico da angioplastia primária em horário não laboral | Enfarte do miocárdio,Angioplastia | Introdução: A angioplastia primária (ICPp) é considerada internacionalmente como o gold-standard no tratamento de doentes diagnosticados com enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (EAMST). Estudos prévios mostram resultados até então contraditórios, relativamente ao prognóstico dos doentes que realizaram a ICPp em horário laboral (L) comparativamente aos que a realizaram em horário não laboral (NL). O objectivo deste estudo é comparar, em termos clínicos e prognósticos, os doentes com EAMST submetidos a ICPp de acordo com o horário de realização da sua realização (laboral versus não laboral). Materiais e métodos: Estudou-se 341 doentes com EAMST submetidos a ICPp ao longo de 3 anos, num centro de elevado volume com serviço 24horas/7dias. Dividiuse os doentes em dois grupos, consoante o horário de realização da ICPp: horário laboral (L (n=167): dias da semana das 8h-18h) e não laboral (NL (n=174): dias da semana das 18h-8h e fins de semana). Os doentes foram comparados em termos clínicos, analíticos, angiográficos e prognósticos. O seguimento médio foi de 24,1 ± 9,2 meses. Resultados: O grupo L apresentou, mais frequentemente, antecedentes de doença coronária (15,6% versus 5,2%, p=0,002) e angioplastia prévia (14,6% versus 4,0%, p=0,004). Os doentes do grupo NL tinham mais frequentemente oclusão da artéria culprit (87,4% versus 68,3%, p<0,001) assim como a valores de troponina I máxima mais elevados (137,9 ± 167,0 versus 102,4 ± 163,3, p=0,001). Não se encontraram outras diferenças a nível da evolução clínica, duração do internamento ou mortalidade intra-hospitalar (grupo NL: 8,6% versus grupo L: 4,2%, p=0,123). Durante o seguimento, não foram encontradas diferenças quanto à incidência de eventos cardíacos e cerebrovasculares major entre os dois grupos. 5 Conclusão: O prognóstico a curto e a longo prazo dos doentes com EAMST admitidos num centro de elevado volume é independente do horário da realização da ICPp. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,761 | Uma visão sobre a morte infantil: natural e não só... | Mortalidade infantil,Morte,Criança,Criança pré-escolar,Lactente,Recém-nascido,Portugal | Apesar das várias alterações que o termo Infância sofreu ao longo dos séculos, actualmente define-se como o período de tempo desde o nascimento até ao início da puberdade (0 aos 12 anos). A taxa de mortalidade infantil em Portugal tem vindo a diminuir, encontrando-se numa posição mediana quando comparada a outros países da União Europeia. A Morte Infantil pode ter causas naturais, violentas, ou indeterminadas. As circunstâncias em que ocorrem podem ser muito variadas. O objectivo deste trabalho é caracterizar e avaliar como a evolução da Morte Infantil no Centro de Portugal e Arquipélagos ao longo de 10 anos (2003-2012). Para tal, foram utilizados relatórios médico-legais da Delegação e Gabinetes Médico-legais do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, I. P. (INMLCF, I.P.), perfazendo um total de 149 casos de morte infantil. Os dados estudados, permitiram observar que a Mortalidade Infantil se manteve relativamente constante ao longo do decénio de estudo. O maior número de casos de “morte natural infantil” ocorreu no primeiro ano de vida, enquanto a morte violenta foi mais evidente a partir dos 2 anos de idade. Em ambas as situações, o género masculino foi o mais afectado. Este resultado vai de acordo com a literatura. Esta refere que nos primeiros meses/anos as crianças são mais frágeis, podendo mais facilmente contrair uma doença; enquanto as crianças mais crescidas são mais susceptíveis de se colocarem em situações de perigo. A Morte Natural deveu-se sobretudo a causas relacionadas com doenças no sistema respiratório, apesar das várias patologias acessórias detectadas. A Morte Violenta foi sobretudo por afogamento. A Histopatologia (=Anatomia Patológica) revelou-se um exame complementar essencial no estudo da causa de morte, sem o qual, o número de casos de morte indeterminada seria muito superior. Este trabalho mostra que muito pode ainda ser feito para reduzir a taxa de mortalidade infantil, e que essa redução pode depender de uma maior sensibilização e informação na população em geral | Ciências Médicas e da Saúde |
6,762 | Ambiente, poluição e saúde respiratória | Poluição do ar,Efeitos adversos,Sistema respiratório | A poluição atmosférica é um grave problema de saúde ambiental que afeta os países desenvolvidos e em desenvolvimento em todo o Mundo. Quantidades crescentes de gases e partículas potencialmente nocivas continuam a ser emitidas para a atmosfera numa escala global, resultando em danos para a saúde humana. Muitas pesquisas sobre os efeitos da poluição atmosférica na saúde foram publicadas na última década. O objetivo desta revisão foi resumir de forma concisa os últimos trabalhos publicados sobre os efeitos dos diversos poluentes atmosféricos na saúde respiratória. Numerosos estudos relacionaram os poluentes atmosféricos com muitos tipos de problemas de saúde dos mais variados sistemas do corpo humano, incluindo principalmente o sistema respiratório, mas também, os sistemas cardiovascular, imunológico, hematológico, neurológico e reprodutivo. Uma revisão dos efeitos na saúde dos principais poluentes do ar exterior, incluindo partículas, ozono, monóxido de carbono, óxidos de enxofre e azoto, metais e compostos orgânicos voláteis é aqui apresentada. Grande parte da população europeia continua a viver em áreas com fraca qualidade do ar. Para alguns poluentes e, em algumas regiões, esta situação não está a melhorar. Por esta razão, foi discutido neste trabalho o estado da qualidade do ar em Portugal. A poluição do ar está associada a grandes aumentos da mortalidade, morbilidade, internamentos hospitalares, sintomas clínicos e despesas médicas. Mais pesquisas sobre os efeitos na saúde da poluição do ar e métodos de redução de poluentes atmosféricos serão muito úteis para médicos, industriais, políticos e público em geral. Melhorar a qualidade do ar, melhorará a qualidade de vida e terá um impacto importante no desenvolvimento económico. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,763 | Análise genética da cardiomiopatia hipertrófica na morte súbita cardíaca : a importância da autópsia molecular | Cardiomiopatia hipertrófica,Genética,Morte súbita cardíaca,Autópsia | A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é a doença cardíaca hereditária mais comum, com uma prevalência de 1:500 na população em geral. Caracteriza-se por hipertrofia ventricular esquerda de causa inexplicada e apresenta grande variabilidade na expressão clínica, morfológica e genética. A CMH é uma das causas mais comuns de morte súbita cardíaca, especialmente entre jovens e atletas. Apresenta um padrão de transmissão autossómico dominante, com mais de 1000 mutações identificadas, especialmente em genes que codificam proteínas do sarcómero. A morte súbita cardíaca (MSC) define-se como a morte que ocorre geralmente dentro da primeira hora desde o início dos sintomas, devido a uma causa cardíaca subjacente. Nas últimas décadas tornou-se claro que doenças hereditárias cardíacas estão muitas vezes na base da MSC do jovem, sendo as cardiomiopatias e as arritmias cardíacas as patologias mais relevantes associadas a este evento trágico. Em muitos casos a causa de morte pode ser estabelecida, no entanto, numa percentagem significativa de casos de MSC, a causa de morte, mesmo após um exame postmortem rigoroso, permanece por esclarecer. Futuramente, a autópsia molecular poderá estar formalmente indicada para vítimas de morte súbita com autópsia negativa ou com doenças hereditárias cardíacas detectáveis, diminuindo a percentagem de casos com causa de morte indeterminada e permitindo o aconselhamento genético a familiares em risco. O presente trabalho tem como objectivo a avaliação da possibilidade de realizar um estudo retrospectivo das autópsias negativas ou com evidências de cardiomiopatia hipertrófica em vítimas previamente assintomáticas, realizadas no Instituto Nacional de Medicina Legal e avaliar a possibilidade de implementação da autópsia molecular, em futuros casos de morte súbita nestas situações. Através da aplicação de uma tecnologia recente, que permite o rastreio mutações conhecidas associadas à CMH, baseada na espectrometria de massa MALDI-TOF semi-automática, utilizando o sistema Sequenom MassARRAY, foram detectadas mutações em algumas vítimas. No entanto, não foi possível a sua confirmação por sequenciação automática. Uma vez que a qualidade do DNA é muitas vezes um factor limitante em estudos retrospectivos de MSC, em que a única fonte de material biológico disponível são amostras de tecido fixado em formalina e embebido em parafina, torna-se necessário o desenvolvimento de um protocolo com as delegações forenses, com o objectivo de obter amostras de sangue ou tecido fresco, para futura análise molecular nestas situações. O teste genético proposto permite proporcionar um rastreio rápido de mutações nos genes mais frequentemente envolvidos na MSC de jovens, com uma boa relação custo/benefício. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,764 | Estudo nutricional de estudantes do ensino superior | Estudantes,Nutrição,Estado nutricional | INTRODUÇÃO: Os estudantes universitários (habitualmente jovens entre os 18 e os 25 anos), contam na generalidade com um estilo de vida pouco regrado, muitas vezes marcado pelos excessos e erros alimentares, quer no tipo de alimentos ingeridos, quer na frequência e intervalo entre refeições. Este comportamento desregrado tem efeitos a longo prazo já descritos, ficando a dúvida sobre quais as consequências precoces nomeadamente a nível da composição corporal. OBJECTIVO: O objectivo principal deste estudo foi conhecer a composição corporal e os seus eventuais desvios em estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra a frequentar o 3º ano do Mestrado Integrado em Medicina. MATERIAL E MÉTODOS: Os alunos foram submetidos a uma avaliação da sua composição corporal por bioimpedância (utilizando o aparelho “InBody720®”- bioimpedância segmentar multi-frequência), na qual foram quantificados vários componentes da sua constituição corporal, tais como gordura, proteínas, sais minerais, entre outros. Foi utilizado o software SPSS para a análise estatística dos dados e comparação de variáveis. RESULTADOS: Na sua maioria os estudantes apresentaram valores considerados normais nos diversos parâmetros avaliados. No entanto, relatou-se a existência de alterações a nível da massa gorda em 47,4% dos avaliados, bem como a presença de distúrbios consideráveis da composição corporal em indivíduos com peso adequado à altura. DISCUSSÃO: Foi possível observar que, apesar da maioria dos resultados se situar dentro do intervalo da normalidade, existem alterações na composição corporal que não devem ser menosprezadas. CONCLUSÃO: Serão necessários mais estudos semelhantes e em maior escala, para que se possam identificar factores modificáveis e alertar atempadamente antes que os erros se tornem irreversíveis. Conclui-se ainda a necessidade de implementar medidas que permitam contornar os problemas apresentados. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,765 | A cirurgia bariátrica e o risco vascular | Cirurgia bariátrica,Obesidade,Doenças vasculares | De acordo com a organização mundial de saúde (OMS), define-se obesidade como uma acumulação excessiva ou anormal de gordura que se traduz por um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 Kg/m2. Acompanha-se de estado pró-inflamatório, combinado com elevado risco metabólico, cardiovascular e tromboembólico, potenciando o desenvolvimento de doenças multissistémicas e consequente diminuição da qualidade e esperança média de vida. Este trabalho visa consciencializar a comunidade médica e científica, para a importância da diminuição da gordura corporal e, em casos obesidade com IMC superior a 40 kg/m2, da necessidade de intervenção cirúrgica na melhoria da qualidade de vida das sociedades atuais, reduzindo o risco e os eventos vasculares. Foi realizada uma revisão da literatura existente desde 2006, referente ao tema “A cirurgia bariátrica e o risco vascular”, disponível nas bases de dados PubMed, B-on e ClinicalKey. O tratamento da obesidade pode consistir em intervenções higieno-dietéticas, comportamentais, farmacológicas ou cirúrgicas. Verifica-se uma melhoria nos diferentes fatores de risco vascular após cirurgia bariátrica, nomeadamente, normalização da pressão arterial sistólica e diastólica, alterações positivas nos parâmetros lipídicos, melhoria da resistência à insulina, do estado próinflamatório e da função endotelial, redução do risco de doença cardíaca coronária e da taxa de mortalidade geral e cardiovascular. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,767 | Avaliação antropométrica e fisiológica do jogador de rugby português | Atletas,Rugby,Antropometria,Fisiologia | Introdução: No rugby, cada posição apresenta exigências muito específicas e distintas, tanto ao nível antropométrico como fisiológico. Desde a introdução, em 1995, do profissionalismo, que os estudos publicados têm vindo a apontar para uma maior diferenciação dos atletas, em todos os níveis, para cada uma das posições. Todavia, apesar de serem comuns em países onde o rugby é mais popular, nenhum estudo procurando caracterizar do ponto de vista antropométrico e fisiológico o atleta de rugby português foi, até agora, publicado. Procurámos avaliar e caracterizar antropométrica e fisiologicamente o atleta de rugby português, estudando as seguintes variáveis: idade, massa corporal, estatura, composição corporal, capacidade aeróbia máxima, aceleração, velocidade e agilidade. Material e Métodos: Avaliámos 46 jogadores de rugby das duas equipas do concelho de Coimbra a disputarem competições nacionais seniores masculinas. Dos 46 atletas avaliados 24 pertenciam a uma equipa semi-profissional e 22 a uma equipa amadora. Foram, igualmente, separados por grupos, tendo em conta as posições ocupadas em campo. Os 46 atletas foram submetidos a uma avaliação antropométrica através da determinação das suas estaturas, massas corporais e pregas cutâneas. Do total de atletas avaliados, 40 submeteram-se, também, a uma avaliação das suas capacidades físicas que consistiu na determinação da velocidade e capacidade de aceleração, através dos testes de corrida de 30 e 10 metros, respectivamente. Determinou-se, igualmente, as suas capacidades aeróbias máximas, através da realização do teste de Luc Léger. Trinta e nove atletas foram, ainda, avaliados para a agilidade. A análise estatística foi realizada com recurso ao software IBM® SPSS® Statistics v.19, tendo sido considerado um valor de significância de 5%. Resultados: Os avançados aqui estudados eram significativamente mais altos, mais pesados e apresentavam uma maior percentagem de gordura corporal que os recuados. Eram, também, mais lentos, menos ágeis e tinham uma menor capacidade aeróbia máxima em função das suas massas corporais. No entanto, apresentavam uma maior capacidade aeróbia máxima em valor absoluto e produziam um maior momento linear. Já na comparação entre os atletas amadores e semiprofissionais não encontrámos diferenças significativas, com a excepção das percentagens de massa gorda, superior no primeiro grupo. Discussão: Os resultados obtidos no presente estudo foram de encontro aos da literatura, no que diz respeito às diferenças entre atletas avançados e recuados. Quanto às diferenças que seriam de esperar entre atletas de níveis competitivos distintos, a homogeneidade verificada parece indicar que o rugby português ainda não terá dado o salto qualitativo que o profissionalismo trouxe aos países com maior tradição na modalidade. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,768 | Role of natural killer cells in the progression of Mycobacterium tuberculosis infection to pulmonary disease | Doenças do pulmão,Mycobacterium tuberculosis,Células destruidoras naturais | Introdução: As células Natural Killer (NK) são componentes chave do sistema imune inato e participam numa primeira fase da resposta contra células infectadas ou danificadas. São caracterizadas pela expressão de um variado repertório de receptores, incluindo inibidores e activadores, cujo balanço irá mediar as funções destas células. A contribuição das células NK na infecção não se encontra definida. A infecção pelo Mycobacterium tuberculosis continua a ser um grave problema de saúde pública, podendo vir-se a agravar devido ao aumento da prevalência da infecção com o vírus da imunodeficiência humana (HIV). O principal objectivo deste trabalho foi clarificar o papel das células NK na imunopatogénese desta doença e a sua hipotética contribuição como alvos terapêuticos. Material e Métodos: Neste estudo foram analisadas amostras de sangue periférico de 38 doentes com tuberculose e 15 contactos saudáveis. Foi feito um hemograma seguido da enumeração dos subtipos dos linfócitos presentes. A expressão na superfície das células NK de alguns receptores e marcadores importantes (CD56/CD16, CD27/CD11b, CD57, CD94/NKG2D, NKp30, NKp44, NKp46, NKp80, KIR2DL1, KIR2DL2, KIR3DL1, KIR2DS1) foi avaliada juntamente com a expressão intracelular de IFN-γ. Resultados e discussão: Foi observada uma linfopenia moderada nos doentes com tuberculose, com um decréscimo em todos os subtipos de linfócitos, à excepção das células B. As células NK dos doentes com tuberculose apresentaram níveis mais elevados de maturação e de produção de IFN-γ. O aumento mais acentuado registou-se na expressão do CD57. Conclusão: Os dados aqui apresentados relativos à fenotipagem das células NK poderão ajudar na compreensão do papel destas células na infecção pela Mycobacterium tuberculosis e progressão para doença, abrindo perfectivas de utilização das células NK como alvos terapêuticos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,769 | A qualidade de vida do doente laringectomizado total por cancro da laringe e alguns factores com ela relacionados | Neoplasias da laringe,Laringectomia,Qualidade de vida | O cancro da laringe afecta milhares de pessoas em todo o mundo, sendo uma doença que con-duz a comorbilidades. Quando não tratada, esta doença é inevitavelmente fatal. Em tumores com estadio avançado o tratamento primário é a laringectomia total. Após este tipo de interven-ção o indivíduo passa a respirar por um estoma (traqueostoma), tornando os sistemas digestivo e respiratórios completamente independentes. Este acto cirúrgico acarreta imensas alterações na vida do doente laringectomizado: privação da voz, alterações anatomofisiológicas da respira-ção, disfagia, alterações do paladar e do olfacto, dor, dificuldades na mobilidade cervical, disfun-ções psicológicas e sociais, entre outras. A laringectomia salva a vida do doente, no entanto é extremamente agressiva deixando marcas e sequelas evidentes no doente e respectiva família. Deste modo a qualidade de vida após uma laringectomia está altamente comprometida. Através de uma investigação descritivo-correlacional pretendeu-se avaliar a qualidade de vida do doente laringectomizado total por cancro da laringe e conhecer alguns factores que possam influenciá-la. A população alvo é constituída pelos doentes submetidos a laringectomia total por cancro da laringe. O método de amostragem foi não probabilístico consecutivo ou sequencial, tendo sido obtida uma amostra de 33 doentes, na Associação Portuguesa dos Limitados da voz e no Institu-to Português de Oncologia de Coimbra, Francisco Gentil, Entidade Pública Empresarial. A reco-lha de dados foi realizada através de 3 questionários: um questionário sócio-demográfico cons-truído pela autora, o questionário QLQ-C30 da EORTC e o questionário SECEL validado nos EUA, que foi sujeito a métodos específicos de tradução e retroversão, tendo sido traduzido da língua inglesa para a língua portuguesa. Os resultados revelaram que a idade mais comum para sofrer de cancro da laringe é apartir dos 60 anos e que a maioria dos doentes pertence a classes sociais mais baixas e com níveis de escolaridade reduzidos. A idade é um factor que interfere com a qualidade de vida do doente laringectomizado, tendo em consideração que idades mais elevadas são preditivas de menor qualidade de vida. Estar casado/união de facto, também é considerado um factor com influência positiva na qualidade de vida do doente. Quantos mais anos de laringectomia o indivíduo vivenciar pior é a sua qualidade de vida. A voz esofágica é o método de voz mais utilizado. A presença de prótese fonatória apresenta uma correlação negati-va com a qualidade de vida. A realização de tratamentos antes da laringectomia prevê uma me-nor qualidade de vida, enquanto que a realização de tratamentos após a cirurgia sugere melhor qualidade de vida. O factor que mais limita a qualidade de vida do doente é a voz, contudo pela aplicação do SECEL percepcionamos que os indivíduos apresentam uma adaptação moderada à sua nova forma de comunicação oral. As dificuldades financeiras também interferem franca-mente com a qualidade de vida. Apesar do doente situar a sua qualidade de vida e saúde global num valor de 4 (numa escala de 0 a 7) a aplicação do questionário QLQ C-30 indica-nos que ambas são baixas nos indivíduos estudados. Estes resultados permitem concluir que o doente necessita de um acompanhamento pela equipa multidisciplinar, a fim de obter apoio psicológico, de aliviar a sintomatologia causadora de sofrimento, de habilitar o doente a comunicar, para retomar as suas actividades laborais, melhorar a sua sociabilidade, a auto-estima e a sua quali-dade de vida. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,773 | Profiling em crimes violentos: o perpetrador e a vítima em casos de filicídio | Infanticídio | Contextualização. Filicídio, o assassínio de uma criança por um dos progenitores, é um fenómeno multifacetado com várias causas e características. Foi efetuada uma revisão da literatura existente para delinear o estado atual de conhecimento sobre o filicídio. O objetivo deste estudo é descrever o homicídio de crianças em Portugal, examinar as diferenças de género nas características das ofensas e variáveis associadas, a fim de estabelecer um perfil comum dos criminosos filicidas e suas vítimas. As limitações do estudo e futuras direções para a investigação serão apresentados. Metodologia. O estudo, de caráter retrospetivo, foi aprovado pelo Comité de Ética da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, I.P. O estudo abrangeu todo o país. Foram examinadas as informações relativas aos certificados de óbito de crianças menores de 18 anos com etiologia homicida ou desconhecida/indeterminada, em 23 gabinetes médico-legais e forenses portugueses no período compreendido entre 2004 e2013. A análise dos dados foi feita com pacote de software estatístico SPSS, versão 19.0 . Resultados. A maior parte dos crimes foi cometido pelas progenitoras, jovens solteiras, com idade compreendida entre os 21-30 anos. As vítimas são maioritariamente recém-nascidos em ambientes não hospitalares, resultado de gravidezes indesejadas. Predominam por isso, os crimes de neonaticídio, com o recurso a métodos manuais e impessoais. Os progenitores são mais velhos, casados ou divorciados, que matam recorrendo a métodos mais violentos, por vingança ou retaliação contra a sua companheira. As suas vítimas são também mais velhas. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,775 | Complicações agudas da diabetes tipo I | Diabetes mellitus do tipo 1,Complicações,Hipoglicemia,Cetoacidose diabética | Introdução: A Diabetes Mellitus tipo 1 é uma doença crónica cuja incidência tem vindo a aumentar ao longo dos anos e em idades cada vez mais jovens. Deste modo, é de extrema importância conhecer, reconhecer e saber tratar atempadamente as suas complicações agudas, visto ocorrerem com alguma frequência. As principais complicações são a hipoglicémia e a cetoacidose diabética. Ambas ocorrem em função de alterações bruscas dos níveis de glicemia, quer por aumento exagerado, quer por queda acentuada e, constituem, duas possíveis situações de emergência em Endocrinologia. Objectivos: O fundamento deste trabalho consiste em abordar os mecanismos etiológicos e fisiopatológicos destas duas situações graves e frequentes (em especial a hipoglicémia) e, também, pesquisar o melhor método terapêutico a ser aplicado em cada caso, numa perspectiva clínica. Desenvolvimento: Um controlo glicémico apertado é fundamental para minimizar o aparecimento das complicações crónicas da Diabetes e, para tal, um tratamento agressivo com insulina é crucial. No entanto, a hipoglicémia surge com muita frequência nestes doentes, limitando a optimização da sua aplicação. Todos os diabéticos, assim como os seus familiares, devem saber reconhecer os sinais e sintomas iniciais de uma crise hipoglicémica, de modo a poder agir prontamente com a ingestão de alimentos açucarados ou administração de glucagon, podendo mesmo ser necessário recorrer ao Serviço de Urgência. Para tal é fundamental uma boa educação e aconselhamento médico, assim como uma monitorização apertada dos níveis da glicémia.A cetoacidose diabética, caracterizada por hiperglicémia, cetonémia e acidose metabólica, é outra complicação aguda frequente da Diabetes Tipo 1. Está muitas vezes associada a quadros infecciosos, assim como ao não cumprimento do esquema terapêutico 5 com insulina. O quadro clínico associado a esta condição também deve ser explicado ao diabético para que este possa detectar, quer o aumento da glicémia, quer a presença de corpos cetónicos, podendo administrar insulina antes da deterioração do estado geral. O tratamento consiste fundamentalmente na reposição de fluidos e insulinoterapia sendo, por vezes, necessária a correcção dos distúrbios hidro-electrolíticos. Conclusão: o objectivo deste trabalho consiste numa revisão dos conceitos de hipoglicémia e cetoacidose e uma breve discussão sobre o melhor tratamento para cada caso. No entanto, é de salientar que o melhor método ‘terapêutico’ é, sem dúvida, a prevenção e, para tal, é muito importante uma boa articulação médico-doente, de modo a conseguir diminuir a frequência destas complicações. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,776 | Irisina e insulino-resistência em modelos animais de obesidade e diabetes tipo 2 | Resistência á insulina,Diabetes mellitus do tipo 2 | A Diabetes Mellitus é uma entidade patológica bastante prevalente a nível mundial. A Diabetes Mellitus tipo 2 caracteriza-se por um estado de insulino-resistência hepática nos tecidos periféricos, principalmente no músculo esquelético, estando frequentemente associada a obesidade e sedentarismo. A hiperglicemia crónica associa-se a disfunção celular, em parte devido à produção de AGE’s e seus precursores (glicação), particularmente o metilglioxal. As miocinas constituem um grupo de péptidos expressos e segregados pelo músculo esquelético. Entre eles encontra-se a irisina, que actua no tecido adiposo, promovendo a sua actividade metabólica e termogénese (browning), em parte utilizando substratos lipídicos. Assim, o nosso objectivo consiste em avaliar se o metilglioxal potencia os efeitos da dieta hiperlipídica no desenvolvimento de insulino-resistência muscular e na secreção de miocinas num modelo animal. Estudámos quatro grupos de ratos Wistar: um controlo (Ct), um ao qual foi administrado metilglioxal (MG), um mantido com dieta hiperlipídica (HFD) e um mantido com dieta hiperlipídica e administração de metilglioxal (HFDMG). Um grupo de ratos Goto-Kakizaki (GK), um modelo diabético tipo 2 não obeso, com a mesma idade, também foi utilizado. Avaliámos o perfil metabólico sistémico e diversos parâmetros no músculo esquelético. O metilglioxal, quando associado a dieta hiperlipídica, induziu insulino-resistência muscular e intolerância à glicose, quando comparado com os controlos, não se observando alterações significativas nos grupos MG e HFD. Também a administração de metilglioxal juntamente com a dieta hiperlipídica resultou em níveis reduzidos de irisina sérica. Estes resultados sugerem que o metilglioxal pode estar envolvido no desenvolvimento de insulino-resistência muscular, assim como na alteração da expressão ou secreção de miocinas em condições de hiperlipidémia. Desta forma, a glicação poderá contribuir para o desenvolvimento e progressão das alterações metabólicas relacionadas com a insulino-resistêmcia muscular comummente observadas na obesidade e na pré-diabetes | Ciências Médicas e da Saúde |
6,777 | Etiologia da tontura no idoso : uma perspetiva multifatorial | Idoso,Tontura,Etiologia,Factores de risco,Envelhecimento | Objetivo: Avaliar de uma forma multifatorial a etiologia da tontura no idoso, explorando as patologias mais frequentes que a provocam, os factores de risco associados e as alterações que o processo do envelhecimento humano condicionam nos sistemas orgânicos associados à tontura. Material e Métodos: Realização de uma revisão sistemática da literatura médica utilizando o modelo de organização da evidência médica de 5S (sistemas, sumários, sinopses, sínteses e estudos) desenvolvido por Haynes , cruzando as palavras chave “dizziness” “presbyvertigo” com “geriatrics” . Resultados: Obtiveram-se 595 artigos, tendo-se selecionado 25 com base no cumprimento dos critérios de inclusão previamente estabelecidos e na sua relevância em relação aos objetivos da revisão. Relativamente aos fatores de risco, verificou-se uma forte associação da tontura com a polimedicação, polipatologia crónica, sintomas depressivos, ansiedade e disfunção sensorial. Em relação às causas específicas de tontura, nos estudos realizados nos cuidados primários observou-se uma maior prevalência das patologias cardiovasculares como a hipersensibilidade do seio carotídeo, a síncope vaso-vagal e a hipotensão ortostática; nos cuidados secundários e terciários predominaram as patologias vestibulares, e de forma particular, a Vertigem Posicional Paroxística Benigna ; em relação à disfunção orgânica associada ao envelhecimento foram observadas alterações tanto quantitativas (diminuição do número de células nervosas, sensoriais e de suporte) como qualitativas (alterações das estruturas celulares, do microambiente e da vascularização) em todos os sistemas responsáveis pela tontura (vestibular, propriocetivo, visual, musculoesquelético, e mecanismos de integração central da informação) . Conclusão: Uma abordagem eficientemente e bem sucedida do idoso com tontura só é possível através da exploração deste conceito nas suas diferentes dimensões, desde a pesquisa de patologias específicas, à procura e tratamento dos diversos fatores de risco associados à tontura. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,778 | Como suspeitar de doença coronária em diabéticos assintomáticos | Doença coronária,Diabetes mellitus do tipo 2 | Introdução: A diabetes mellitus é um importante factor de risco para doença aterosclerótica e eventos cardiovasculares. O melhor método para avaliação da doença coronária em doentes diabéticos assintomáticos ainda está por definir. O objectivo deste trabalho é avaliar a capacidade preditora do score de cálcio coronário na determinação de lesões obstrutivas coronárias em diabéticos assintomáticos. Métodos: Estudámos um grupo de 105 doentes diabéticos, sem clínica típica de doença coronária, referenciados para a realização de angio-TC cardíaca entre Janeiro de 2006 e 2009. Compararam-se género, idade, factores de risco cardiovascular, score de cálcio coronário, doença aterosclerótica e incidência de eventos cardíacos e cerebrovasculares major (MACCE) no follow-up médio de 12±8 meses. Resultados: Identificámos ausência de doença aterosclerótica em 30 (28,6%) doentes, lesões calcificadas isoladas em 43 (41%), lesões softs em 5 (4,8%) e lesões mistas (fibrocalcificadas) em 27 (25,7%). Estavam presentes lesões obstrutivas em 29 (27,6%) doentes, em relação com score de cálcio mais elevado (95,4 vs 293,6 p<0,001). Relacionando através da curva ROC o score de cálcio com a presença de lesão obstrutiva obtivemos uma AUC de 0,836 (p <0,001, IC95% 0,755 – 0,917) e para score de cálcio ≥129,7 encontrámos sensibilidade de 65,5% e especificidade de 84%. Discussão: Os doentes diabéticos apresentaram elevada prevalência de doença aterosclerótica, não identificada por critérios clínicos. O score de cálcio permitiu predizer a existência de lesão coronária significativa. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,779 | A influência da prática de exercício físico regular no idoso diabético tipo 2 | Idoso,Diabetes mellitus do tipo 2,Exercício físico | Introdução: A Diabetes Mellitus tipo 2 é uma doença crónica, sendo um dos principais problemas de saúde do mundo actual, estando ligada ao envelhecimento da população. Sendo uma doença que tem vindo a aumentar em Portugal, e tendo em conta não só os problemas de saúde associados, mas também problemas a nível económico e social tornar-se necessário adquirir novas medidas de prevenção e tratamento no combate a esta doença. Objectivo: O objectivo deste trabalho é apresentar uma revisão bibliográfica acerca do benefício do exercício físico na Diabetes Mellitus tipo 2, nomeadamente em doentes idosos. Desenvolvimento: Não só o envelhecimento da população , mas também as alterações comportamentais contribuíram para o aumento da prevalência da Diabetes Mellitus tipo 2. A Diabetes Mellitus tipo 2 é uma doença crónico-degenerativa e representa 90-95% de todos os casos de Diabetes. Sendo caracterizada por hiperglicémia crónica, que resulta de resistência e/ou deficiência na secreção de insulina. No que diz respeito ao idoso, esta doença requer um conjunto de cuidados adicionais e específicos devido às co-morbilidades e complicações frequentes nesta faixa etária. Sendo também considerados doentes frágeis com clínicas enespecíficas, dificultando a acção médica. O tratamento assenta em três pontos fundamentais: alimentação adequada, actividade física/exercício físico e terapêutica medicamentosa sempre que se justifique. A prática de exercício físico traz grandes benefícios aos idosos diabéticos. De salientar, o controlo do peso corporal, o aumento da tolerância e sensibilidade à insulina que contribuem para um melhor controlo glicémico, traduzindo um melhor funcionamento cardiovascular e bem-estar não só físico mas mental também. Benefício do Exercício no Idoso Diabético Tipo 2 6 Segundo as guidelenes, estes objectivos são obtidos tanto com o exercício aeróbico como com o exercício de resistência.. Recentemente a combinação destes dois tipos de exercício tem demonstrado ser o programa ideal para a diminuição da hemoglobina glicosilada. Conclusões: A Diabetes constitui uma doença com um grande aumento de prevalência, cujas consequências podem ser reduzidas através da alteração dos hábitos de vida e prática de exercício físico. O exercício físico é considerado um dos alvos do tratamento, constituindo uma forma de intervenção eficaz quando realizado no âmbito de um programa estruturado e orientado. O exercício físico aeróbio é o tipo de exercício tradicionalmente recomendado. No entanto, verificaram-se benefícios adicionais com a prática de exercício de resistência, nomeadamente no idoso. Deve então haver uma combinação de ambos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,780 | Ética em geriatria | Ética,Geriatria | Introdução: Devido às actuais tendências demográficas, os médicos lidam cada vez mais com o doente idoso, cujos problemas médicos e psicossociais complexos (e dos quais muitas vezes resulta perda de autonomia) podem levar ao desenvolvimento de dilemas éticos. Há, desta forma, uma necessidade crescente de os profissionais de saúde estarem familiarizados com estas questões, em que se verifica um confronto entre os diferentes princípios da ética médica. Objectivos: Conhecer e expor alguns conflitos éticos observados no contacto médico com o doente geriátrico, bem como possíveis formas de os solucionar ou até evitar. Promover a reflexão para uma melhor prática clínica futura. Métodos: Pesquisa online de artigos científicos através das bases de dados PubMed e UpToDate. Consulta de livros, revistas e legislação portuguesa, assim como de directrizes nacionais e internacionais, relacionados com o tema em questão. Desenvolvimento: O conceito de consentimento informado permite ao doente, de forma autónoma, voluntária e informada, tomar decisões acerca de uma intervenção médica. Contudo, para tal, vários parâmetros devem ser considerados, entre os quais a necessidade de não existir comprometimento da capacidade de decisão do doente, problema que muito comummente se pode encontrar no idoso, sendo extremamente importante saber avaliá-la adequadamente (o que muitas vezes é dificultado por diversos factores). Existem instrumentos de que o doente pode antecipadamente dispor para maximizar a sua autonomia quando já não mantiver a capacidade de decisão. No que diz respeito ao contacto com um doente terminal, o médico depara-se com diversas decisões e situações de grande dificuldade ética, relativamente às quais não há consenso, entre as quais eutanásia, suicídio assistido, abstenção terapêutica, tratamentos de risco. A lei portuguesa e alguns documentos como o Código Deontológico da Ordem dos Médicos e pareceres da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida podem fornecer orientações para a resolução destas questões. Conclusão: Variados dilemas éticos (nos quais se verifica uma dificuldade na hierarquização dos valores da autonomia, beneficência e não maleficência) surgem no contacto com o doente idoso, em grande parte devido à grande prevalência, nesta população, de doenças crónicas e degenerativas. Grande parte da sua prevenção e solução passa por uma eficaz comunicação médico-doente e médico-família, questionando o doente acerca dos seus objectivos de vida e valores pessoais, dando espaço para este colocar dúvidas e partilhar receios, evitando, assim, futuros conflitos | Ciências Médicas e da Saúde |
6,782 | Microftalmia de Lenz | Microftalmia,Anomalias congénitas | O Síndrome de Lenz é um distúrbio genético hereditário ligado ao cromossoma X de transmissão recessiva. Apresenta-se como anoftalmia ou microftalmia uni/bilateral associada a um espectro de malformações extra-oculares (atraso mental, microcefalia, músculo-esqueléticas, deformações a nível dos pavilhões auriculares, do palato, da arcada dentária, dos membros, cardíacas, uro-genitais e gastro-intestinais). Dois loci estão associados a este síndrome, o MAA2 (Xp11.4-p21.2) e o ANOP1 (Xq27-q28). Foi identificada uma mutação missense no gene BCoR numa família com microftalmia de Lenz mapeada em MAA2. É ainda desconhecido o gene que se associa a este fenótipo, no locus ANOP1. Este estudo tem como objectivo a caracterização clínica, imagiológica e estudo citogenético e molecular de um indivíduo do sexo masculino com fenótipo de Síndrome de Lenz. O resultado do cariótipo, das sondas subteloméricas e da sequenciação do BCoR e do HCCS foram normais, dando ênfase há heterogeneidade genética deste Síndrome. Está em execução o estudo do ADN deste indivíduo por tecnologia de microarray CGH, que sendo uma técnica mais precisa, poderá identificar micro-rearranjos não identificáveis por técnicas convencionais. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,784 | Envolvimento renal na esclerose tuberosa | Esclerose tuberosa,Doenças do rim | A esclerose tuberosa (ET), definida em 1880 por Bourneville, é caracterizada pela presença de hamartomas em diversos órgãos, incluindo cérebro, coração, pele, olho, rim e pulmão. Esta doença é transmitida segundo um padrão autossómico dominante, embora dois terços dos doentes apresentem mutações esporádicas. A hamartina e a tuberina, produtos proteicos dos dois genes responsáveis, TSC1 e TSC2 respectivamente, formam um complexo que inibe o mammalian target of rapamycin (mTOR), um dos principais reguladores do crescimento e proliferação celulares. O presente artigo apresenta uma revisão da literatura relacionada com a ET, com referência à incidência, epidemiologia e fenótipo. O objectivo principal deste trabalho é elucidar sobre os desafios com que se deparam os clínicos que lidam com esta doença, nomeadamente compreendendo o espectro de manifestações renais. Além disso, é apresentada uma revisão do conhecimento mais recente no campo da biologia molecular e genética. Este trabalho atenta de forma particular às principais opções terapêuticas disponibilizadas actualmente e realça os mais recentes e promissores estudos terapêuticos recorrendo ao uso do sirolimus. Como principais conclusões deste trabalho, são destacadas as orientações actualmente preconizadas no seguimento, diagnóstico e tratamento, com referência aos recentes avanços terapêuticos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,786 | Diagnóstico precoce da demência de corpos de Lewy | Exames complementares de diagnóstico,Doença de Alzheimer,Doença de Parkinson,Geriatria,Diagnóstico precoce | A Demência de corpos de Lewy é a segunda forma mais comum de demência neurodegenerativa, sendo responsável por 10-20% dos casos de demência. Caracteriza-se pela presença de corpos de Lewy a nível cortical e, do ponto de vista neuro-químico, pela perda colinérgica cortical e dopaminérgica nigroestriada. Os critérios de diagnóstico, bem definidos, apresentam uma sensibilidade reduzida, sendo a Demência de corpos de Lewy uma patologia frequentemente mal ou sub-diagnosticada, particularmente nas fases prodrómicas. Adicionalmente, a sobreposição sintomática com a Doença de Alzheimer ou a Demência da Doença de Parkinson torna o seu diagnóstico ainda mais difícil. Nesta revisão analisou-se a literatura mais actual e relevante acerca do contributo da clínica no diagnóstico precoce da Demência de corpos de Lewy, assim como dos últimos desenvolvimentos a nível de exames complementares de diagnóstico nesta identificação precoce. Nos últimos anos, vários avanços têm sido conseguidos no sentido de objectivar com maior precisão os sinais e sintomas que surgem precocemente na DCL. Apesar de não se encontrarem muito representados nos critérios de diagnóstico actuais, sintomas como a disfunção olfactiva, disfunção autonómica, disfunção visuoespacial e doença comportamental do sono REM são todos factores preditivos positivos precoces do surgimento posterior de Demência de corpos de Lewy. Realça-se também a importância do Montreal Cognitive Assessment, assim como de outros exames específicos de avaliação das capacidades visuo-construtivas na detecção precoce deste tipo de demência. Apesar dos testes genéticos e dos biomarcadores químicos não serem ainda opções viáveis para o diagnóstico da Demência de corpos de Lewy, achados como a demonstração de hipometabolismo occipital na 18F-FDG PET, hipoperfusão occipital na 123I-IMP SPECT, perda de transportadores dopaminérgicos na 123I-FP-CIT SPECT ou dano simpático miocárdico na cintigrafia 123I-MIBG miocárdica, têm sido avanços promissores, com elevada sensibilidade na detecção da doença nas fases de défice cognitivo ligeiro. Um diagnóstico precoce correcto é crucial para permitir a introdução de um plano terapêutico adequado. Uma nova revisão dos critérios de diagnóstico de DCL será necessária depois da condução de estudos multicêntricos longitudinais testando os vários exames existentes, sendo possível que no futuro o diagnóstico precoce de DCL seja cada vez mais uma realidade, permitindo uma gestão segura e adequada da doença a partir das suas fases mais iniciais | Ciências Médicas e da Saúde |
6,787 | Melanoma cutâneo : perspectivas atuais e futuras | Melanoma,Neoplasias da pele | O melanoma cutâneo é um tumor de incidência crescente que se desenvolve como resultado da transformação maligna dos melanócitos, surgindo, na maioria dos casos, como uma lesão de novo. Os indivíduos do sexo masculino com mais de 65 anos são duas vezes mais propensos ao seu desenvolvimento em comparação com as mulheres do mesmo estrato etário. Nesta revisão sistemática da literatura médica internacional, pesquisada na base de dados PubMed, abordaram-se as áreas mais controversas que dizem respeito ao melanoma. No que toca à prevenção primária, a associação entre a radiação UV e o melanoma cutâneo está ainda por esclarecer, mas tem sido constatado que o risco de melanoma está maioritariamente associado à exposição intermitente, aguda e intensa ao sol. Uma vez que a população subvaloriza estes conceitos, deve-se procurar enfatizar a importância da adoção de medidas protetoras aquando da exposição ao sol. As taxas de incidência do melanoma têm aumentado devido a uma maior vigilância que conduziu ao diagnóstico precoce de tumores curáveis. Por isso, nas últimas três décadas assistiu-se a um aumento da taxa de sobrevivência aos 5 anos. O conhecimento dos fatores de risco, a realização do autoexame da pele e a participação em esforços de prevenção secundária podem ajudar os doentes a combater o melanoma maligno. O exame visual da pele é o método de rastreio mais usado para diagnosticar tumores cutâneos. O ABCDE deve ser ensinado aos profissionais de saúde não diferenciados e à população em geral e complementado com a dermatoscopia. A avaliação ganglionar é um dos mais importantes indicadores de prognóstico a ser considerado na evolução do doente. A BGS é uma técnica segura, de reduzida morbilidade e que deve ser incluída nos protocolos de estadiamento, a par de vários métodos de imagem considerados igualmente adequados no estadiamento de doentes com melanoma e potencial metastização. O tratamento primário do melanoma cutâneo é a excisão cirúrgica. As margens de resseção cirúrgica são ainda controversas mas estão relacionadas com a espessura do tumor (índice de Breslow). O seguimento do melanoma permanece uma área de debate. Até à data, têm havido poucos estudos prospetivos randomizados que fundamentem um programa de seguimento em particular. Incentivar um maior consenso internacional pode melhorar os resultados para o doente e reduzir a preocupação dos clínicos e o impacto económico do melanoma nos sistemas de saúde. O papel das novas armas terapêuticas na melhoria do prognóstico destes doentes é bastante promissor. Tanto no campo da imunoterapia como com novos inibidores BRAF desenvolvidos, os resultados têm sido muito satisfatórios, com elevadas taxas de resposta e melhoria franca da sobrevivência global | Ciências Médicas e da Saúde |
6,790 | Malformações uterinas: do diagnóstico ao tratamento | Ginecologia,Anomalias Uterinas,Doenças uterinas congénitas,Classificação,Diagnóstico,Histeroscopia,Cirurgia | Perturbações na embriogénese uterina normal originam diferentes malformações congénitas uterinas por aplasia ou hipoplasia, defeitos na fusão dos canais de Müller e anomalias na reabsorção do septo inter-Mülleriano. Há vários fatores etiológicos possivelmente envolvidos, mas não está completamente esclarecida a sua influência e/ou forma de atuação. Um sistema de classificação permite a organização dos conhecimentos atuais, a uniformização da linguagem, a correta determinação da prevalência das anomalias, do seu diagnóstico, tratamento e prognóstico. Salienta-se a Classificação da ESHRE/ESGE que reúne grande consenso entre os especialistas. A quantificação da incidência e prevalência de malformações uterinas é complexa e pouco rigorosa. Estas manifestam-se habitualmente na idade adulta por eventos reprodutivos adversos, mas também na puberdade por amenorreia primária. A associação de histeroscopia/laparoscopia, a histerossonografia, a ecografia tridimensional e a ressonância magnética são consideradas meios complementares de diagnóstico/terapêutica com grande acuidade. De primeira linha deve ser utilizada a ecografia bidimensional muitas vezes complementada com estudos tridimensionais ou mesmo com recurso à ressonância magnética. A necessidade de correção das malformações uterinas varia caso a caso. O útero septado é a anomalia uterina mais prevalente, com piores resultados reprodutivos e mais facilmente passível de tratamento. O útero arcuado geralmente é inocente, sem benefícios com intervenção cirúrgica. Os úteros bicórneo e didelfo, se associados a maus resultados reprodutivos, são passíveis de correção com a metroplastia de reunificação de Strassman. Deve monitorizar-se cuidadosamente a gestação no útero unicórneo, despistar e remover-se cornos uterinos rudimentares, pelo risco de complicações graves. Nos casos de agenesia ou hipoplasia do útero, podem considerar-se a maternidade de substituição e a transplantação uterina. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,792 | Métodos rápidos de diagnóstico etiológico na pneumonia | Pneumonia | A pneumonia permanece como uma das maiores causas de morbilidade e mortalidade a nível mundial, apesar dos avanços no conhecimento da sua etiologia, epidemiologia e tratamento. São inúmeros os agentes responsáveis por esta entidade; no entanto, a sua etiologia permanece indeterminada em mais de 50% dos casos. Actualmente, é consensual que um diagnóstico etiológico tem não só implicações a nível individual, como em termos epidemiológicos. Os métodos de diagnóstico etiológico tradicionais não satisfazem as necessidades actuais. São demorados, pouco sensíveis e específicos, não distinguem entre infecção e colonização e são influenciados por antibioterapia prévia. Cerca de 6 a 15% dos doentes hospitalizados por pneumonia adquirida na comunidade não responde a antibioterapia empírica e o insucesso da terapêutica pode ser superior a 40% em doentes com maior número de critérios de gravidade. É neste contexto que surge a necessidade da aplicação de métodos moleculares ao diagnóstico de pneumonia, como as técnicas de amplificação de ácidos nucleicos, inicialmente a Polymerase Chain Reaction, com posterior desenvolvimento de variantes desta técnica e métodos de Nucleic Acid Sequence Based Amplification, análises multiplex, técnicas real-time, métodos quantitativos e DNA microarrays. Com este trabalho pretende-se fazer uma revisão teórica dos métodos rápidos de diagnóstico etiológico de pneumonia, comparando-os aos métodos tradicionais, evidenciando a sua utilidade na prática clínica, como meio de reduzir o recurso a antibioterapia empírica, através de uma célere identificação dos agentes etiológicos, diminuindo a morbilidade e mortalidade. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,793 | Mastite neonatal com causa infecciosa identificada : experiência de 10 anos de um hospital de nível 3 título do trabalho | Mastite,Lactente,Infecções | A mastite é uma inflamação da mama, que pode ou não ser acompanhada de processo infeccioso, sendo Staphylococcus aureus o gérmen mais frequentemente isolado. A grande maioria dos casos é unilateral e tem um bom prognóstico. Objectivos: Caracterizar as mastites neonatais infecciosas diagnosticadas e tratadas num hospital de nível três. Métodos: Análise retrospectiva de todos os processos clínicos das crianças com diagnóstico de mastite neonatal com identificação de gérmen, observadas no Hospital Pediátrico de Coimbra, entre Janeiro de 2000 e Junho de 2009. Foram avaliados aspectos clínicos, laboratoriais e microbiológicos bem como tratamento instituído e evolução. Resultados: Nove crianças cumpriram critérios de inclusão. Sete eram do sexo feminino. A mediana da idade de diagnóstico foi de vinte e quatro dias. Foi unilateral em oito dos casos. Os sinais mais frequentes foram tumefacção e eritema. Foi documentada febre em três crianças. O agente isolado no exsudato mamário foi Staphylococcus aureus meticilina susceptível em sete casos e meticilina resistente em dois. A terapêutica antibiótica mais utilizada foi Flucloxacilina, com duração mediana de dez dias. Registaram-se sete casos de abcesso mamário, todos drenados cirurgicamente. Não ocorreu outro tipo de complicações. Conclusões: Tal como descrito na literatura, na nossa série, a mastite neonatal foi mais frequente no sexo feminino e unilateral. A formação de abcesso mamário foi frequente. Staphylococcus aureus meticilino susceptível foi o gérmen mais frequente, pelo que a antibioterapia de escolha foi a Flucloxacilina, guiada pelos padrões locais de susceptibilidade. Houve isolamento de dois Staphylococcus aureus meticilino resistentes. Não se verificaram complicações. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,796 | Análise dos últimos 56 casos de sarcoma de Ewing tratados na unidade de tumores do aparelho locomotor dos HUC | Sarcoma de Ewing | O sarcoma de Ewing é uma neoplasia óssea bastante agressiva, relativamente rara, resultante de uma proliferação anárquica das células da medula óssea. O tumor afecta sobretudo rapazes entre os 10 e os 20 anos, podendo afectar qualquer osso do corpo. Atinge particularmente a região diafisária dos ossos longos e também tem afinidade pelos ossos planos. As suas localizações mais frequentes são o fémur e os ossos pélvicos, podendo originar metástases. Existe, ainda, uma variante que surge em partes moles e é histologicamente indistinguível. Geralmente começa com sintomas difusos e inespecíficos. O diagnóstico é por vezes difícil e baseia-se no exame clínico geral e no aspecto radiográfico que é bastante variável. Se o exame radiológico for suspeito, é realizada a biopsia da lesão. Uma vez confirmado o diagnóstico, é necessário iniciar imediatamente o tratamento que consiste em quimioterapia sistémica combinada com cirurgia e/ou radioterapia. Com a evolução e desenvolvimento da quimioterapia, a sobrevida e a probabilidade de cura melhorou consideravelmente nos últimos anos, aumentando significativamente o prognóstico de 5% a 15% para 75% ao fim de 5 anos. Pelo menos 50% são curados a longo termo. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,798 | Úlceras de pressão nos idosos | Úlcera por pressão,Idoso | As úlceras de pressão são particularmente comuns no indivíduo idoso. Com o expectável envelhecimento da população e consequente incremento da população idosa, prevê-se que a sua incidência aumente nos próximos anos. No presente trabalho de revisão, analisou-se o actual sistema de classificação de úlceras de pressão e procurou-se contextualizar a dimensão do problema em termos de incidência, prevalência, mortalidade e impacto económico. Abordou-se também os mecanismos fisiopatológicos e os principais factores de risco envolvidos no desenvolvimento das úlceras de pressão. Destacou-se a importância da avaliação clínica e das escalas dirigidas para a população geriátrica como forma de averiguar esse mesmo risco, e a partir daí considerar a necessidade de implementação de medidas preventivas, em que o aspecto fundamental é o alívio de pressão. Estabelecido o diagnóstico, essencialmente clínico, realçou-se a indispensabilidade de definir um programa de tratamento adequado à realidade particular de cada indivíduo idoso. Conhecendo os principais factores envolvidos no aparecimento das úlceras de pressão, é possível, através de uma abordagem multidisciplinar, a implementação de uma prevenção eficaz e um tratamento adequado. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,799 | O método mãe-canguru nos recém-nascidos de baixo peso | Criança de baixo peso ao nascer.,Cuidados infantis | Introdução: O elevado número de recém-nascidos de baixo peso constitui um importante problema de saúde pública e ainda representa uma taxa considerável de morbi-mortalidade neonatal. Deste modo, os cuidados aos recém-nascidos têm sido um foco primordial da atenção dos pediatras-neonatalogistas e outros profissionais de sáude que se dedicam a melhorar os cuidados neonatais. O Método Mãe-Canguru surgiu como um tipo de humanização e de assistência neonatal que implica o contacto entre a mãe/cuidador e o recém-nascido de baixo peso. Esta prática consiste no contacto “skin-to-skin” precoce, prolongado e contínuo, adoptando uma posição vertical e um decúbito prono do recém-nascido com o peito da mãe/cuidador. Além disso, o Método Mãe-Canguru promove a amamentação e a estabilização clínica. Objectivos: Este trabalho de revisão teve como objectivo realçar o crescente interesse da comunidade médica e científica em instituir esta prática nos recém-nascidos de baixo peso e compreender a sua importância na adaptação extra-uterina, bem como rever os seus efeitos sobre as respostas fisiológicas e comportamentais e sobre o desenvolvimento cognitivo-motor. Desenvolvimento: A promoção desta prática não só fortalece a necessidade precoce do vínculo afectivo e da amamentação, mas também contribui para a termoregulação, melhores padrões de sono e de alerta, redução da apneia, do choro e do stress, analgesia, redução das infecções, de outras morbilidades e da mortalidade. Sabe-se também que este método tem um grande impacte nas Unidades de Cuidados Neonatais, uma vez que permite a estabilização das respostas fisiológicas do recém-nascido: a frequência cardíaca, a frequência respiratória e a saturação periférica de oxigénio. Igualmente está associado a um maior ganho ponderal, o que O Método Mãe-Canguru nos Recém-nascidos de baixo peso 4 permite a alta precoce e um melhor crescimento e desenvolvimento. Contribui positivamente para as interacções sociais do recém-nascido e no ambiente familiar. O Método Mãe-Canguru tem sido comparado a muitas práticas adoptadas na Unidade de Cuidados Neonatais, demonstrando ser benéfico e seguro quando combinado com o suporte adequado que o recém-nascido necessita. Conclusões: Os benefícios do Método Mãe-Canguru no desenvolvimento psico-motor e na adaptação extra-uterina reflecte-se no prognóstico e na expectativa de sobrevivência dos recém-nascidos de baixo peso. A maioria dos estudos reporta resultados positivos e poucos efeitos deletérios. Além disso, esses benefícios parecem ter impacte a longo prazo. O Método Mãe-Canguru é uma prática neonatal recomendada nos recém-nascidos de baixo peso, empregue em todo o mundo, pelos ganhos fisiológicos, cognitivos e emotivos, embora sejam desejáveis mais estudos que o apoiem. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,801 | Reacções cutâneas adversas a fármacos aspectos clínicos, fisiopatológicos e de diagnóstico | Medicamentos.,Manifestações cutâneas | As reacções adversas a fármacos são respostas nocivas e inesperadas que ocorrem após administração de fármacos, usados na via adequada e dose habitual. A pele é um dos órgãos mais frequentemente atingidos por estas reacções adversas, que representam uma importante causa de morbilidade e mortalidade. Pretende-se com o presente estudo realizar uma revisão dos padrões clínicos mais frequentes de reacções cutâneas adversas a fármacos, sua fisiopatologia, métodos de diagnóstico e tratamento. A maioria destas reacções são previsíveis, quer pelo mecanismo farmacológico ou quer pelas características de metabolização do indivíduo; outras são idiossincráticas, envolvendo diferentes tipos de reacções de hipersensibilidade. Consequentemente, têm um amplo espectro clínico, podendo manifestar-se apenas como prurido ou desencadear situações potencialmente fatais, como a necrólise epidérmica tóxica. São habitualmente causadas por fármacos largamente utilizados como os antibióticos, anti-inflamatórios não-esteróides, antiepilépticos e o alopurinol. Manifestam-se sob uma grande variedade de padrões dermatológicos. Umas têm início imediato, como a urticária e o angioedema e são dependentes da desgranulação mastocitária. A maioria é de início retardado (exantema maculopapular, síndrome de hipersensibilidade a fármacos, pustulose exantemática aguda generalizada, eritema pigmentado fixo e necrólise epidérmica tóxica), estando dependentes sobretudo linfócitos T específicos. Estes são, estimulados quando o fármaco ou um metabolito, que se comporta como um hapteno, é apresentado pela célula apresentadora de antigénios ou em que o fármaco activa o receptor do linfócito T por um mecanismo semelhante a uma acção farmacológica (conceito pi). A diversidade clínica torna o seu diagnóstico diferencial um verdadeiro desafio. O reconhecimento e diagnóstico precoces destas reacções e a identificação do fármaco causal e mecanismo fisiopatológico subjacente, são fundamentais para garantir um tratamento mais eficaz e seleccionar o meio de diagnóstico mais adequado. O diagnóstico de hipersensibilidade farmacológica baseia-se fundamentalmente na avaliação clínica e sua relação cronológica com a exposição, eventualmente apoiado em testes in vitro, como a pesquisa de IgE específica ou marcadores de desgranulação mastocitária, na hipersensibilidade imediata, e testes de activação linfocitária na hipersensibilidade retardada, e, ainda, em testes cutâneos de leitura imediata (prick test) ou tardia (patch test e os testes intradérmicos). Pontualmente podem realizar-se testes de provocação oral. Contudo, estes exames são limitados e incompletamente estandardizados, não havendo nenhum teste diagnóstico isolado capaz de confirmar todos os tipos de hipersensibilidade medicamentosa. Em resumo, estas reacções cutâneas adversas apresentam um amplo espectro de padrões clínicos reflectindo a complexidade dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos, alguns ainda não totalmente esclarecidos. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,802 | Enfarte agudo do miocárdio sem elevação do segmento ST com coronárias angiograficamente normais : características clínicas e prognóstico | Enfarte do miocárdio,Electrocardiografia | Introdução: Estudos prévios estabeleceram que até 12% dos doentes com enfarte agudo do miocárdio não demonstravam lesão coronária aparente ao exame angiográfico. Contudo, existe muito pouca informação disponível acerca deste fenómeno em enfartes agudos do miocárdio sem elevação do segmento ST. O objectivo deste estudo foi avaliar uma população de doentes com esse diagnóstico sujeitos a angiografia coronária, analisando e comparando as características clínicas e os prognósticos entre os que não revelaram lesão coronária aparente e os que apresentavam doença coronária epicárdica. Métodos: O nosso estudo avaliou 270 doentes com enfarte agudo do miocárdio sem elevação do segmento ST que foram sujeitos a angiografia coronária nas primeiras 72 horas de enfarte. Foram valorizadas as características demográficas, clínicas, parâmetros analíticos, achados electrocardiográficos, fracção de ejecção ventricular esquerda, duração do internamento e prognóstico. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,803 | A influência da nutrição na resposta inflamatória e no envelhecimento | Inflamação,Envelhecimento.,Nutrição | O envelhecimento é um processo intrínseco, no qual há uma progressiva modificação da função fisiológica, resultando numa perda da função e aumento da vulnerabilidade a doenças. Com o aumento da esperança média de vida, particularmente a nível dos países desenvolvidos, o envelhecimento tem-se tornado um problema actual a encarar. É influenciado por factores endógenos e exógenos, que em conjunto vão determinando várias modificações em órgãos e sistemas, tais como por exemplo o sistema imunoinflamatório, a composição e peso corporal. Relativamente à resposta inflamatória, verifica-se no idoso o aumento dos mediadores inflamatórios. As variações do peso corporal sofrem grande influência hormonal, sobretudo as que actuam na regulação do apetite, como a leptina, grelina e adiponectina. O envelhecimento também altera a composição corporal, verificando-se, em oposição ao aumento da massa gorda, uma progressiva diminuição da massa magra à custa da massa muscular. Conhecida a importância da resposta inflamatória no envelhecimento, e sabendo que esta é influenciada por factores alimentares, pretende-se avaliar o papel da nutrição, nomeadamente o aporte calórico e suplementos dietéticos, na regulação da resposta inflamatória para, posteriormente, compreender a sua relação com o envelhecimento. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,805 | Anorexia nervosa : formas de actuação em dois serviços dos países Ibéricos | Anorexia nervosa | A anorexia nervosa é, hoje em dia, um flagelo da cultura ocidental. Constitui um problema muito sério nas crianças e adolescentes, que obriga a cuidados prolongados e tratamentos, não só médicos, como sociais e psicológicos. Já desde o século XVII que se fala de uma doença muito semelhante à anorexia nervosa e desde então tem evoluído até à anorexia nervosa que conhecemos hoje em dia. É uma doença multicausal, em que uma má alimentação associada a vulnerabilidade biológica, factores ligados ao desenvolvimento, predisposição genética e factores socioculturais são os principais factores etiológicos. O diagnóstico é feito com base nos critérios DSM-IV e o tratamento é multidimensional, através da renutrição e alimentação com a ajuda de certos fármacos no tratamento de complicações médicas e de abordagem psicofarmacológica. O objectivo deste trabalho é comparar os métodos de diagnóstico, internamento e tratamento da Anorexia Nervosa, analisando as semelhanças e diferenças metodológicas entre o Serviço de Pediatria do Hospital de Santiago de Compostela (HUSC) e o Serviço de Psiquiatria do Hospital de S. João (HSJ). Para a realização deste trabalho contactei com seis jovens em cada hospital. São rapazes e raparigas, entre os dez e os 17 anos, que foram internados por anorexia nervosa. Em ambos os serviços tive contacto com os doentes, baseei-me na história clínica que recolhi e na consulta do processo clínico. Ambos os hospitais são centros de referência nos cuidados de transtornos alimentares, nomeadamente a anorexia nervosa. Recebem frequentemente doentes encaminhados de outras unidades de saúde para o tratamento destas patologias. Concluiu-se que os serviços se baseiam nos mesmos critérios para o diagnóstico da doença e em critérios semelhantes para o internamento, sendo a principal diferença o IMC que tem que ser menor que 17kg/m2 no HUSC e menor que 13 kg/m2 no HSJ. Os métodos de tratamento no HUSC são mais rígidos sendo baseados num programa de orientação aos doentes com perturbações alimentares, já no HSJ são adaptados a cada indivíduo. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,806 | Síndrome hepato-renal | Síndroma hepatorrenal | A síndrome hepato-renal consiste no desenvolvimento de falência renal funcional, em pacientes com doença hepática em estádios avançados e disfunção circulatória severa. Esta complicação assenta numa intensa vasoconstrição renal, secundária a um quadro de intensa vasodilatação arterial esplâncnica e a um débito cardíaco reduzido. O prognóstico é caracteristicamente sombrio, apesar da natureza funcional da síndrome. Reconhecem-se dois tipos distintos de síndrome hepato-renal: a síndrome hepato-renal tipo-1 que é uma forma aguda com a menor sobrevida e o tipo-2 que é uma forma mais crónica e de prognóstico menos ominoso. Os mais recentes avanços na compreensão dos mecanismos fisiopatológicos permitiram introduzir novas opções terapêuticas. Os agentes vasoconstritores, como a terlipressina, a midodrina ou a noradrenalina, em associação com a infusão de albumina, proporcionam uma melhoria na função renal, podendo estabelecer uma “ponte” para o transplante hepático. O transjugular intrahepatic porto-systemic shunt ao reduzir a pressão portal e a actividade simpática associada à hipertensão portal, conduz a uma melhoria da função renal. Os sistemas de suporte hepático extracorporal, baseados na destoxificação de substâncias vasoactivas veiculadas pela albumina, têm revelado resultados positivos. A transplantação hepática, no entanto, permanece ainda como o único tratamento efectivo desta entidade clínica. | Ciências Médicas e da Saúde |
6,807 | Avaliação de função e qualidade de vida de doentes com prótese total do joelho | Qualidade de vida,Prótese do joelho | A gonartrose é uma patologia muito frequente (14,2% das mulheres e 5,9% dos homens) e causa dor e incapacidade funcional nos idosos. Em doentes com gonartrose severa, a artroplastia total do joelho é um tratamento eficaz, podendo ser complementado com um programa de reabilitação pós-operatório que melhora a capacidade funcional. A actividade física nestes doentes é importante, pois traz benefícios para a saúde e está associada a uma melhoria da qualidade de vida. Objectivos: Avaliar a função e qualidade de vida dos doentes que foram submetidos a artroplastia de substituição total do joelho. Metodologia: Estudo clínico transversal, não randomizado, onde foram incluídos 32 doentes com prótese total do joelho unilateral há mais de um ano, de ambos os sexos, entre os 50 e 70 anos. Utilizaram-se as versões portuguesas validadas dos seguintes instrumentos métricos: Short-Form (SF)-36, Knee injury and Osteoarthritis Outcome Score (KOOS) e short-form do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ). Resultados: Quinze doentes realizaram um programa de reabilitação após a artroplastia. Comparando este grupo com o que não realizou um programa de reabilitação, não se observaram diferenças estatisticamente significativas relativamente a todas as dimensões do KOOS, do SF-36 e do IPAQ. Cerca de 46.9% dos doentes foram incluídos na categoria de actividade física elevada e 34.4% integraram a categoria moderada do IPAQ. Comparando os valores do SF-36 da amostra com os valores da amostra total da população Portuguesa activa, observou-se que existem diferenças estatisticamente significativas na dimensão física. Comparando o KOOS com uma população controlo, encontraram-se diferenças significativas para as dimensões do KOOS no sexo feminino e masculino. KOOS dor e função actividades de vida diária correlacionaram-se significativamente com a dimensão física de SF-36; KOOS sintomas específicos de outra doença, KOOS qualidade vida relacionada com o joelho e IPAQ actividade física de intensidade vigorosa correlacionaram-se significativamente com subdimensões físicas e 3 mentais; KOOS desporto e função recreativa dependeu da dimensão física e função social; IPAQ caminhada e IPAQ total apenas se correlacionaram com a função física. Conclusões: A percepção que estes doentes possuem sobre a qualidade de vida está diminuída devido, maioritariamente, à diminuição do estado de saúde físico, apesar destes manterem uma boa actividade física | Ciências Médicas e da Saúde |
6,808 | Malnutrição e patologia cardíaca na população infantil de Bafatá, Guiné-Bissau | Perturbações da nutrição,Criança,Doenças cardiovasculares | A debilidade nutricional na infância manifesta-se na idade adulta, entre outros, com o aparecimento de factores de risco para a patologia cardiovascular como a hipertensão arterial, a frequência cardíaca alta em repouso, a dislipidémia ou a diabetes. A desvantagem sócio-económica assume um papel semelhante, prevalecendo nos países em desenvolvimento. A Guiné-Bissaué um dos mais pequenos países africanos onde 22% dos nascituros têm baixo peso e 25% das crianças com menos de 5 anos têm peso abaixo do normal para a idade. Objectivo: Pretendeu estabelecer-se a associação entre parâmetros de natureza cardiovascular – tensão arterial sistólica, tensão arterial diastólica e frequência cardíaca – com o estado nutricional na população infantil da região de Bafatá, Guiné-Bissau. Métodos: Realizou-se um estudo transversal, de natureza não experimental, envolvendo 175 indivíduos da região de Bafatá, dos 1 aos 12 anos de idade, sem sintomatologia clínica, aos quais foram avaliadas variáveis antropométricas – peso, altura e perímetro braquial – e de natureza cardiovascular – frequência cardíaca e tensão arterial. Resultados: Na amostra estudada, 20.9% dos indivíduos encontram-se abaixo do percentil 5 de índice de massa corporal para a idade e 29.7% em idêntico percentil de peso para a idade. 22.7% da amostra possui frequência cardíaca superior ao limite máximo para a idade e 41.4% têm a tensão arterial superior acima do percentil 95 para a idade. A tensão arterial sistólica e diastólica relacionam-se com o género (p=.006 e p=.026) sendo inferiores no sexo masculino. Os rapazes malnutridos possuem a freqência cardíaca mais elevada que os de outro perfil nutricional. (p=.022). Ainda no sexo masculino, a tensão arterial sistólica relaciona-se com diferentes classes de malnutrição (p=.025), sendo inferior nos malnutridos, subindo para rapazes com o índice de massa corporal para a idade normal-alto. Conclusão: A malnutrição infantil é uma realidade no seio das populações estudadas, relacionando-se significativamente com alterações de parâmetros cardiovasculares, como diminuição da tensão arterial e aumento dos valores de frequência cardíaca, principalmente nos indivíduos do sexo masculino | Ciências Médicas e da Saúde |
6,809 | Traumatismos e morte por tromboembolia pulmonar | Embolia pulmonar,Factores de risco,Morte,Ferimentos e lesões | A tromboembolia pulmonar é frequentemente consequência de uma trombose venosa a nível dos membros inferiores ou na região pélvica. Uma embolização maciça que ocorra principalmente na artéria pulmonar ou em algumas artérias lobares pode resultar em cor pulmonale agudo fatal, sendo a falência da circulação pulmonar, actualmente, uma das mais importantes causas de morte por doenças cardiovasculares. Nos Estados Unidos da América a tromboembolia pulmonar é a terceira doença cardiovascular mais comum, a seguir aos síndromes isquémicos agudos e aos acidentes vasculares cerebrais. Além dos factores genéticos, são vários os factores adquiridos que contribuem para elevar a probabilidade de vir a desenvolver uma TEP, por de alguma maneira interferirem na tríade de Virchow (lesão endotelial, estase ou turbulência do fluxo sanguíneo e hipercoagulabilidade sanguínea). Entre eles: a idade, obesidade, viagens de longa distância, tabagismo, uso de contraceptivos orais, gravidez, terapia hormonal de substituição após a menopausa, várias doenças crónicas, cirurgias e traumatismos (tema que pretendemos abordar neste trabalho). Num estudo japonês (Ayako Ro et al, 2008) em 52 autópsias de morte por TEP 12% apresentavam traumatismo da perna. Na fisiopatologia associada aos traumatismos encontramos um estado de hipercoagulação e a imobilização que resultará em estase sanguínea com a consequente formação de trombo que depois irá embolizar. Em polifracturados, especialmente em casos de fracturas da diáfise femural e da bacia, pode ocorrer ainda a entrada em circulação, a partir do foco de fractura, de partículas de gordura da medula óssea, que causam posteriormente embolia em diversos órgãos, principalmente a nível pulmonar e cerebral. Em termos médico-legais a TEP pós traumatismo é desafiante por vários aspectos. Em primeiro é necessário estabelecer a relação causal entre o traumatismo e a TEP, sendo também necessário confirmar que foi a TEP a causa da morte. A autópsia é por fim a única forma de confirmar o diagnóstico num caso de morte súbita inexplicável. A embolia maciça e fatal é com frequência confirmada facilmente numa fase inicial de investigação torácica no decorrer da autópsia. No entanto a presença de coágulos post-mortem pode dificultar uma correcta avaliação, podendo ser necessária uma diferenciação histológica. Nestes casos uma investigação detalhada dos vasos dos membros inferiores é essencial, pois a taxa de trombose venosa é de apenas 25% nos casos em que apenas as veias proximais da coxa são examinadas, mas a taxa de detecção sobe para mais de 90% quando a pesquisa inclui as veias crurais. No fim, o perito forense deve concluir se a TEP foi a causa da morte, se contribuiu para ela, ou se foi um mero achado. | Ciências Médicas e da Saúde |
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