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648/10TBTNV-A.C1, Relator: MOREIRA DO CARMO "o tribunal deve proceder à fixação de alimentos a favor do menor, ainda que o respetivo progenitor esteja temporariamente desempregado”; e de 05-11-2013, proc. |
1339/15TBTMR.A.C1, Relator: CARVALHO MARTINS13; ‒ Acórdãos do Tribunal da Relação do Porto de 29-01-2013, proc. |
2424/09TMPRT-A.P1, Relator: HENRIQUE ARAÚJO; de 15-11-2012, proc. |
7737/14TBVNG.P1, Relator: JOSÉ FERRAZ; de 12-04-2012, proc. |
1659/19TMPRT.P1, Relator: LEONEL SERÔDIO; de 03-10-2011, proc. |
2337/11TMPRT.P1, Relator: ANA PAULA AMORIM; e de 21-06-2011, proc. |
1438/00TMPRT.P1, Relator: PINTO DOS SANTOS14; ‒ Acórdãos do Tribunal da Relação de Guimarães, de 02-11-2010, proc. |
614/00TMBRG.G1, Relator: TERESA PARDAL; e de 20-10-2011, proc. |
6/10TBGMR.G1, Relator: MANUEL BARGADO e de 21-03 2019 E mais recentemente também desta Relação, no acórdão de 21-03-2019, proc. |
n800/15T8BCL-G1, de que foi relatora SANDRA MELO, in dgsi.pt, proferido no âmbito de um incidente de incumprimento, decidiu-se: A simples e objetiva situação de desemprego não conduz automaticamente à exoneração da obrigação da prestação de alimentos dos progenitores aos filhos menores. |
Face ao fundamento desta obrigação e à necessidade de providenciar pelas condições de vida necessárias ao desenvolvimento da criança, este só é afastado pela total impossibilidade física dos progenitores providenciarem pelo sustento dos seus filhos.” Em sentido contrário, podem ver-se in dgsi.pt os seguintes acórdãos da Relação de Lisboa: de 04-12-2008, proc. |
8155/2008-6, Relator: MÁRCIA PORTELA; de 17-09-2009, Proc. |
5659/07TBSXL.L1-2, Relator: ONDINA CARMO ALVES; de 05-05-2011, proc. |
4393/03TBAMD.L1-2, Relator: EZAGÜY MARTINS; e de 06-12-2011, proc. |
3464/00TBAMD.L1-6, Relator: TOMÉ RAMIÃO. |
E da Relação do Porto, de 29-11-2011, proc. |
2213/00TMPRT, Relatora ONDINA CARMO ALVES; de 15-05-2014, proc. |
1860/02TBPRD-P1, Relator: MADEIRA PINTO; e de 29-05-2014, proc. |
743/16TBVNG.P1, Relator: DEOLINDA VARÃO. |
Esta jurisprudência minoritária alicerça-se sobretudo no art.2004, n1 do , o qual estabelece que "os alimentos serão proporcionados aos meios daquele que houver de prestá-los e à necessidade daquele que houver de recebê-los”. |
A partir da necessidade de ponderação do critério de proporcionalidade estabelecido na norma defende que nas situações ausência ou desemprego do progenitor não é possível fixar qualquer importância a esse título de alimentos. |
Desde já adiantamos, que aderimos ao entendimento maioritário, por ser aquele que, na nossa perspectiva, melhor acautela os interesses a tutelar. |
A este propósito escreve REMÉDIO MARQUES in Algumas Notas Sobre Alimentos devidos a, Coimbra Editora 2000, pg. |
69/70), "os direitos-deveres para com os menores são sempre devidos, independentemente dos seus recursos económicos e do estado de carência económica dos filhos, posto que se trata de direitos cujo exercício é obrigatório e prioritário em atenção à pessoa e aos interesses do menor.” E sobre uma situação de desemprego do progenitor, como sucede no presente caso, no acórdão da Relação do Porto de 102012, proc. |
n535/00TBPRT.P1, in dgsi.pt. |
foi expendida a seguinte argumentação: "Sobre o progenitor impende um dever jurídico de contribuir para o sustento do filho, de acordo com as suas possibilidades; não se trata de um simples dever jurídico de cariz estritamente pecuniário, mas dum dever de observar comportamentos, atitudes e modo de vida ordenado a dar ou no mínimo conforme a satisfação àquelas necessidades do seu descendente. |
Trata-se duma obrigação que assenta e emerge da responsabilidade parental, e nesta encontra o seu fundamento – atente-se que a obrigação alimentícia é uma obrigação não autónoma, ligada a uma relação jurídica especial onde tem a sua fonte, pressupondo por isso a existência de um outro vínculo jurídico. |
Não está em causa, neste particular aspecto das responsabilidades parentais, que o alimentante ponha em risco a sua própria subsistência para prover à subsistência do alimentado, mas antes que envide os necessários esforços considerando as suas capacidades, atributos, competências e habilitações para auferir rendimentos destinados a providenciar pela subsistência seu filho a par de providenciar pela. |
Porque a paternidade gera responsabilidade, compreende-se que, relativamente aos alimentos devidos a filho menor, o critério legal seja muito apertado, não repugnando estimular fortemente a capacidade de trabalho do progenitor, sendo certo que este não tem o direito de se manter ocioso, por forma a subtrair-se à prestação alimentar, pelo que deverão tomar-se em consideração os recursos que aquele poderia obter com o seu trabalho. |
A medida das possibilidades do obrigado é traduzida, por isso, não só pelos rendimentos efectivamente auferidos integrada pelos encargos suportados com a própria subsistência), no caso de exercer actividade profissional, mas também pela capacidade do obrigado exercer uma actividade profissional geradora de rendimento. |
A obrigação a que o progenitor está adstrito tem ínsita uma obrigação de facere, não sendo admissível que se remeta a uma passividade laboral incompatível com os seus deveres parentais. |
Havendo que ter primacialmente em conta em decisões como a presente o superior interesse do menor art. |
3 da Convenção sobre os Direitos da Criança e também o art. |
180, n 1 da O.T., que corresponde o n1 do art.140 do, tem de ponderar-se que o direito constitucionalmente reconhecido ao progenitor de escolher a sua forma de vida deve ser conciliado com as suas irrenunciáveis responsabilidades parentais, designadamente com o seu dever de prover ao sustento do filho. |
Por isso, no apuramento da existência – e medida – da obrigação de alimentos, não pode o tribunal deixar de considerar que o progenitor só fica exonerado da obrigação desde que demonstre estar impossibilitado de prestar, designadamente por estar incapacitado de obter rendimentos pelo exercício de uma actividade profissional. |
Incumbe ao progenitor, para ficar exonerado da obrigação de alimentos, o ónus de prova dos factos demonstrativos da impossibilidade de a prestar.” Revertendo para o caso dos autos, dos factos provados resulta que os menores F., nascido em -.2011, com 11 anos de idade, e , nascida em -.2015, com 6 anos de idade, residem com o pai desde janeiro de 2021, que trabalha na construção e declarou um vencimento de € 665 em setembro de 2021, sem que a requerida haja entregue qualquer mensalidade para ajudar no seu sustento. |
Por sua vez, a requerida já teve vários trabalhos, o último num lar de idosos, mas presentemente não exerce qualquer actividade profissional, nem aufere qualquer vencimento ou subsídio, sobrevivendo com a ajuda do actual companheiro e da mãe. |
Tem beneficiado de acompanhamento psiquiátrico e de internamentos que correspondem a momentos de crise, e de medicação para controlo da impulsividade. |
Declarou prever vir a receber RSI, no valor de € 180, sendo que na informação da segurança social junta aos autos, datada de 112021, nada consta a esse respeito, referindo-se apenas que não estão a ser declaradas remunerações em seu nome, nem lhe estão a ser processados subsídios de doença ou desemprego. |
Ante estes factos é forçoso reconhecer que a requerida, face à sua inactividade laboral não dispõe de rendimentos, quer para o seu sustento, quer para prestar alimentos aos filhos. |
A questão que se coloca é saber se, como se considerou na sentença recorrida, está inapta para trabalhar devido a problemas ponderosos de saúde física e mental e deve, por isso, ser desonerada do dever de prestar alimentos aos filhos. |
Desde já adiantamos, que entendemos, de acordo com o supra expendido, que o obrigado a alimentos só deve ser exonerado de tal dever quando fique demonstrada a sua incapacidade para exercer uma atividade laboral. |
Ora, sem menoscabo da argumentação da sentença recorrida, cremos que os factos constantes dos autos não permitem tal conclusão. |
Sendo parcos os factos constantes da decisão, lemos cuidadosamente o relatório do exame de psiquiatria forense realizado à requerida em 22020 no âmbito do processo de promoção e proteção dos menores e junto aos presentes autos, no qual, além do mais, consta o seguinte: Antecedentes:)” A examinada assume-se como saudável, sem registo de antecedentes médico-cirúrgicos, para além dos psiquiátricos, apresentados em parágrafo próprio. |
Assume-se fumadora de "um maço por dia”. |
Nega consumos etílicos ou tóxicos. |
Conclusões: Pode-se afirmar que na observação da examinada não foi evidente a presença de Doença Mental.. Apresenta traços ou características peculiares na sua Personalidade..). |
A examinada é uma pessoa bastante impulsiva, com dificuldade em lidar com situações de conflito ou tensão, com dificuldades no relacionamento interpessoal. |
É uma pessoa que poderá funcionar bem dentro de alguns regimes de vida que possa haver alguma estabilidade e apoios, mas será sempre uma pessoa conflituosa, exigente em relação aos outros, em relação aos seus direitos e necessidades e seus afectos, mas pouco atenta em relação aos seus deveres, à responsabilização dos seus atos e consequência dos mesmos. |
Tal explica que a examinada tenha antecedentes de acompanhamento em consulta da especialidade por sintomas da linha do humor e ansiedade somatizada que surgem de forma comórbida à sua personalidade com traços disfuncionais enquadrável numa personalidade do tipo em que impera a má tolerância à frustração e impulsividade. |
Tem inclusive, internamentos que correspondem a momentos de crise e crises dissociativas em momentos em que é necessária plasticidade emocional. |
Neste contexto encontra-se a cumprir um esquema polimedicamentoso para controlo da impulsividade e não se prevê melhoria do seu quadro dado este ser constitucional.” Ora, deste relatório médico, e inexiste qualquer outro no processo, não resulta que a requerida esteja inapta para o trabalho. |
A requerida não referiu qualquer problema físico que a impossibilite de trabalhar e, ao nível psíquico, o perito também negou a existência de doença mental. |
A requerida apresenta sim traços peculiares na sua personalidade, nomeadamente, um caráter bastante impulsivo e dificuldade em lidar com situações de tensão que não facilitam o seu relacionamento interpessoal e muito provavelmente explicam que não tenha permanecido muito tempo nos vários trabalhos que já teve. |
Mas tal não significa que esteja inapta para o trabalho. |
Apesar de tais traços de personalidade serem permanentes, o tratamento medicamentoso possibilita à requerida o controlo da sua impulsividade. |
E enquanto mãe tem a obrigação de trabalhar para poder contribuir para o sustento dos seus filhos, sendo que o exercício de uma atividade profissional permitir-lhe-á também prover à sua subsistência, o que contribuirá certamente para ter uma vida mais estável e equilibrada. |
Em suma, estando a requerida em plena idade ativa 29 anos de idade, cf. |
informação técnica inserta a fls 39 e e não estando impossibilitada de trabalhar é-lhe exigível que o faça e contribua para o sustento dos seus filhos, devendo, por isso, ser fixada uma pensão de alimentos a estes, pois, o rendimento mensal do pai €665,00, que correspondendo à remuneração mensal mínima garantida, no início deste ano terá passado para € 705,00 mensais, é escasso para assegurar todas as suas necessidades e é o interesse dos menores que acima de tudo importa salvaguardar. |
E acresce ainda uma outra razão, também mencionada pelo recorrente. |
É que, dependendo o acesso a tal Fundo de Garantia de Alimentos Devidos a Menores da prévia fixação de alimentos, em decisão judicial, a favor do menor – artigos 1 e 3 n 1 da Lei n 75/98, de 19/11 –, no caso, a não condenação da progenitora requerida a prestá-los impediria os menores de, em caso de incumprimento desta, beneficiarem do apoio desse Fundo, apesar de eles merecerem a mesma protecção que outros menores cujos alimentos foram fixados por sentença. |
Passemos então à fixação da pensão alimentícia aos menores, tendo em conta, nomeadamente o disposto nos artigos 2003 a 2006 do Pelo lado dos alimentandos, dir-se-á que as necessidades dos menores são em tudo similares às das crianças com a sua idade 6 e 1 É preciso alimentá-los, vesti-los, cuidar da sua educação e saúde, e prover ao seu desenvolvimento físico e psíquico. |
No que respeita às possibilidades da obrigada, na linha do que ficou dito, temos que considerar a sua capacidade de trabalho. |
Esta, estando em plena idade activa, poderá auferir, pelo menos, proventos equivalentes ao valor da remuneração mínima garantida, fixada em 705,00 €, desde janeiro do corrente ano. |
Deste modo, e à míngua de outros elementos concretos, temos por equitativa e adequada, a prestação mensal 120,00 € cem e vinte para cada um dos menores. |
Essa prestação é devida desde o momento da propositura da acção artigo 2006 do e deverá ser paga, por qualquer meio, até ao dia 8 de cada mês, com início no mês seguinte ao do trânsito em julgado deste acórdão, sendo sujeita a actualização anual, em função da taxa de inflação oficial. |
DECISÃO Em conformidade com o exposto, os Juízes deste Tribunal da Relação, na procedência da apelação, acordam em revogar a sentença recorrida, condenando-se a Requerida J. a pagar a cada um dos seus filhos menores a pensão alimentar mensal de 120,00 € cento e vinte nos termos e condições acima indicados. |
Sem custas, por delas estar isento o Ministério Público Notifique. |
Guimarães, 17 de março de 2022 O presente acórdão é assinado electronicamente pelos respectivos Relatora – M Eugénia Pedro; Adjunto – Pedro Maurício; Adjunto – José Carlos Duarte. |
Acordam, em conferência, na Secção de Contencioso Administrativo do Tribunal Central Administrativo Sul: – RELATÓRIO Por Deliberação proferida no dia 29 de outubro de 2019, extraído no âmbito do Recurso Hierárquico Impróprio n. 08-19/20, o CDFPF - SP, condenou a Demandante S.... |
SAD, pela prática da infração disciplinar "Agressões graves a espetadores e outros intervenientes", pp pelo art. |
182, n. 2, do RDLPFPF2019, com referência às als., e do RCLPFP, na sanção de multa de 188€. |
Não se conformando com a referida decisão veio a S.... |
SAD recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto, o qual, por Acórdão de 11 de novembro de 2020, veio a julgar procedente o recurso, e, consequentemente, revogar a decisão disciplinar condenatória recorrida. |
Correspondentemente, veio a Federação Portuguesa de Futebol Recorrer para esta Instância, em cujo Recurso, concluiu: " A Recorrente vem interpor recurso do Acórdão Arbitral proferido pelo Colégio Arbitral constituído junto do Tribunal Arbitral do Desporto, notificado em 11 de Novembro de 2020, que julgou procedente o recurso apresentado pela ora Recorrida, que correu termos sob o n. 65/2019, que revogou a deliberação que condenou a ora Recorrida a pagar, a título de sanção disciplinar, o valor de € 188,00, por infração disciplinar p. e p. pelo art. |
18, n. 2 do RD da LPFP - Agressões graves a espectadores e outros intervenientes; A questão em apreço diz respeito à responsabilização dos clubes pelos comportamentos incorretos dos seus adeptos por ocasião de jogo de futebol, o que, para além de levantar questões episódios de violência em recintos desportivos têm sido uma constante nos últimos anos em Portugal e o sentimento de impunidade dos clubes dado por decisões como aquela de que agora se recorre nada ajudam para combater este fenómeno; A questão essencial trazida ao crivo deste TCA - responsabilização dos clubes pelos comportamentos incorretos dos seus adeptos - revela uma especial relevância jurídica e social e melhor aplicação do direito; Assume especial relevância social a forma como a comunidade olha para o crescente fenómeno de violência generalizada no futebol - seja a violência física, seja a violência verbal, seja perpetrada por adeptos, seja perpetrada pelos próprios dirigentes dos clubes; Em causa nos presentes autos estão, essencialmente, comportamentos dos adeptos relacionados com o arremesso de objeto - moeda - para o terreno de jogo, objeto que atingiu o árbitro do jogo em crise nos autos, não lhe causando lesão de especial gravidade -ligeiro hematoma; que decorre dos regulamentos federativos, é certo, mas também da Lei e da Constituição; O Colégio Arbitral, declina que os clubes devem ser responsabilizados pelos comportamentos dos internacionais do Futebol, onde esta questão, de tão clara e evidente que é, nem sequer oferece discussão - entendendo também que o Conselho de Disciplina não coligiu nem carreou para os autos prova suficiente que sustente a condenação da Recorrida nos presentes autos; Diga-se, antes de mais que, desresponsabilizar os clubes por comportamentos incorretos dos seus adeptos, é fomentar este tipo de comportamentos o que se afigura gravíssimo do ponto de vista da repercussão social que este sentimento de impunidade pode originar; Esta questão tem conhecido posições contraditórias por parte do TAD, sendo que em mais de trinta e sete processos arbitrais a questão foi decidida de forma contrária à que fez o Tribunal a quo no acórdão de que ora se recorre, contra apenas cinco em sentido coincidente; 1 A questão em apreço é suscetível de ser repetida num número indeterminado de casos futuros, porquanto desde o início de 2017 até à presente data deram entrada no Tribunal Arbitral do Desporto mais de 70 processos relativos a sanções aplicadas a clubes por comportamento incorreto dos seus adeptos; 1 Não existe nenhuma crítica a fazer à decisão proferida pelo Conselho de Disciplina, ao contrário do que entendeu o tribunal a quo; 1 O Colégio de Árbitros não colocou, em momento algum, em causa que estes factos aconteceram, colocou em causa, sim, a suficiência da prova coligida pelo Conselho de Disciplina, e os deveres incumpridos nos termos da previsão do artigo 18, n. 2- do RD da LPFP; 1 Em concreto, entendeu o Colégio de Árbitros - erradamente -que não se deu como provado que o árbitro do jogo em crise nos autos foi atingido por uma moeda, mas sim por um objeto que não se tendo identificado - na tese do Tribunal a quo - não pode concluir-se que seja apto a provocar lesão no arbitro. |
Sem razão, senão vejamos, 1 Tal como consta dos Relatórios de Jogo cujo teor se encontra junto aos autos do processo arbitral,os Árbitros e os Delegados da LPFP, são absolutamente claros ao afirmar que tais condutas foram perpetradas pelos adeptos do S...., sem deixar qualquer margem para dúvidas; 1 O árbitro do jogo sub judice é também inequívoco foi atingido por uma moeda e que a mesma lhe provocou um ligeiro hematoma no peito, e que tal moeda foi arremessada por adeptos da Recorrida, situados em bancada maioritariamente reservada a estes e devidamente equipados com camisolas e cachecóis da Recorrida. |
1 Com base nesta factualidade, e atendendo à gravidade dos factos perpetrados, o Conselho de Recorrida, tendo esta recorrido de tal sanção, através de Recurso Hierárquico Impróprio - RHI - que veio a confirmar a sanção aplicada; 1 Ao mencionado RHI foram juntos, como não poderia deixar de ser, entre outros documentos, o relatório elaborado pelos Árbitros e pelos delegados da LPFP. |
Estes Relatórios gozam, consabidamente, da presunção de veracidade do todas as ocorrências relativas ao decurso do jogo, onde se incluem os comportamentos dos adeptos que possam originar responsabilidade para o respetivo clube; 1 Os Árbitros e os Delegados da FPF são designados para cada jogo com a clara função de relatarem 1 Assim, quando os Árbitros e os de determinada equipa que levaram a cabo determinados comportamentos, tal afirmação é 2 Sucede que, não obstante os meios de prova que o coligiu, designadamente os relatórios de arbitragem e do Delegado da LPFP juntos aos autos serem claríssimos ao afirmar que foram adeptos afetos ao S...., arremessaram uma moeda contra o árbitro do jogo, causando neste um ligeiro hematoma no peito, o Colégio de Árbitros, ainda que não por unanimidade, alega que a prova é insuficiente e que não é possível imputar à Recorrida o incumprimento de qualquer dever que sobre si impenda, não sendo possível sancionar-se com base no previsto no artigo 18 do RD da LPFP 2 Manifestamente, o acórdão recorrido não tomou em consideração a presunção de veracidade delegados da LPFP, respetivamente; inscrevendo-se nos princípios 2 E é, precisamente, esta presunção de veracidade que, fundamentais do procedimento disciplinar, confere um valor probatório reforçado aos relatórios delegados da LPFP relativamente aos factos deles constantes que estes tenham peticionado; 2 Isto não significa que os Relatórios dos Árbitros e Delegados da FPF contenham uma verdade completamente incontestável: o que significa é que o conteúdo dos Relatórios, conjuntamente com a apreciação do julgador por via das regras da experiência comum, são prova suficiente para que o Conselho de Disciplina forme uma convicção acima de qualquer dúvida de que foram adeptos ou simpatizantes da Recorrida que levaram a cabo os comportamentos sub judice; 2 Tal não significa que quem acusa não tenha o ónus de provar. |
Trata-se de abalar uma convicção gerada por documentos que beneficiam de uma especial força probatória; 2 E, para abalar essa convicção, cabia ao clube, no lugar de se remeter ao silêncio, apresentar contraprova. |
Essa é uma regra absolutamente clara no nosso ordenamento jurídico, prevista desde logo no artigo 349 do Código Civil; 2 Acresce que as normas constantes do RD da LPFP, em especial as constantes dos artigos 1, al. |
e 189 do RD da LPFP, foram aprovadas pelos clubes participantes em competições profissionais, constantes que estes tenham percecionado. |
os Relatórios dos Árbitros e dos jogos elaborados pelos árbitros e regulamentarmente estabelecida para os relatórios dos árbitros e entre os quais a Recorrente, em sede de autorregulação e na medida em que o direito ao desporto profissional LPFP, em especial do artigo 135 a|, violaria, assim, o conteúdo essencial desse direito, neste segmento. |
2 De modo a colocar em causa a veracidade do conteúdo dos Relatórios, cabia à Recorrida designadamente em sede de Recurso Hierárquico Impróprio apresentado ou quanto muito em sede, que pudesse afastar a referida presunção de veracidade dos relatórios dos árbitros e dos Delegados da LPFP; 2 Quanto à questão de saber se a ora Recorrida pode ser responsabilizada a título de culpa por Disciplina; 2 Não caberia ao Conselho de Disciplina provar adicionalmente ao que consta dos Relatórios de que o S.... violou deveres de formação a que se encontra adstrito, tendo de fazer prova de que houve uma conduta omissiva. |
Isto é, não caberia ao Conselho de Disciplina fazer prova de um facto negativo, o que, como sabemos, não é possível; 3 Ora, o Relatório dos Árbitros e dos Delegados da LPFP são perfeitamente suficientes e adequados para sustentar a punição do S.... no caso concreto. |
3 Ademais, há que ter em conta, nos termos acima explanados, que no caso concreto existe uma presunção de veracidade do conteúdo de tais documentos. |
3 Isto significa que o conteúdo dos Relatórios juntos aos autos, conjuntamente com a apreciação do julgador por via das regras da experiência comum, são prova suficiente para que o Conselho seus deveres. |
3 Em sede sancionatória, o "arguido", não pode simplesmente remeter-se ao silêncio, aguardando, sem mais, o desenrolar do procedimento cabendo-lhe, pelo menos, colocar uma dúvida na mente do julgador correndo o risco de, não o fazendo, ser punido se as provas reunidas forem todas no mesmo sentido. |
3 Do lado do Conselho de Disciplina, todos os elementos de prova carreados para os autos iam no mesmo sentido, pelo que dúvidas não subsistiam nem de que a responsabilidade que lhe foi assacada pudesse ser de outra entidade que não o S..... 3 De modo a colocar em causa a veracidade do conteúdo dos Relatórios cabia à Recorrida demonstrar, pelo menos, que cumpriu com todos os deveres que sobre si impendem, designadamente em sede de Recurso Hierárquico Impróprio ou quanto muito em sede de ação arbitral. |
Mas a Recorrida não o demonstrou, em nenhuma sede, não bastando alegar de forma vaga e genérica, sem juntar prova referente a quaisquer medidas concretas levadas a cabo pelo S.... - ou de medidas que não são aptas a evitar o comportamento dos adeptos - e que, in casu, seriam aptas, adequadas e suficientes a evitar o resultado: o mau comportamento dos seus adeptos/simpatizantes no jogo dos autos. |
3 Decorre de forma claríssima da Regulamentação aplicável que os clubes e sociedades desportivas deveres in formando e in vigilando dos seus adeptos, em especial, do cumprimento dos deveres estatuídos no artigo , n.- 1, ais., e da Lei n. 39/2019, de 30 de julho, e bem assim no art. |
3s, n. 1, ais.,, e do Regulamento das Competições da LPFP e ainda no art. |
1 n.s 1, als. |
e do Regulamento de Prevenção da Violência - Anexo ao RC da LPFP; 3 Com efeito, a imputação culposa das condutas infratoras dos adeptos da Recorrida, pelas quais esta é diretamente responsável tal como determina a previsão legal das infrações disciplinares em, resulta, pois, do incumprimento culposo de deveres de prevenção e de ação no âmbito nexo de causalidade adequado e direto, ao resultado aqui verificado: os comportamentos perigosos e incorretos dos seus adeptos e simpatizantes, 3 Por seu turno, o Colégio Arbitral não coloca em crise a prática dos factos por adeptos da Recorrida, apenas a responsabilização daquela pelos mesmos; 3 Do conteúdo dos Relatórios de Jogo elaborados pelos Árbitros e pelos Delegados da Liga, é possível extrair, desde logo, diretamente duas conclusões: que o S.... incumpriu com os seus deveres, senão não tinham os seus adeptos perpetrado condutas ilícitas violação do dever de formação); que os adeptos que levaram a cabo tais comportamentos eram apoiantes do S...., o que se depreendeu por manifestações externas dos mesmos; 4 Isto significa que para concluir que quem teve um comportamento incorreto foram adeptos do S.... e não adeptos do clube visitante e muito menos de um clube alheio a estes dois, o que seria altamente inverosímil), o Conselho de Disciplina tem de fazer fé no relatório dos árbitros e dos delegados, os quais têm presunção de veracidade. |
Posteriormente, o S.... pode fazer prova que contrarie estas evidências, porém, no caso concreto, tal não aconteceu; 4 O próprio Tribunal Constitucional, no Acórdão n.2 730/95, diz claramente que "o processo disciplinar que se manda instaurar ...) servirá precisamente para averiguar todos os elementos da infração, sendo que, por essa via, a prova de primeira aparência pode vir a ser destruída pelo clube responsável por exemplo, através da prova de que o espectador em causa não é sócio, simpatizante ou adepto do"; 4 Neste sentido, veja-se o Acórdão deste STA proferido no âmbito do recurso n.s 297/18, interposto de revista, diz que é lícito o uso das presunções judiciais e que cabe ao clube apresentar prova que contrarie a presunção de veracidade dos relatórios, o que no caso, não sucedeu; 4 Ainda que se entenda - o que não se concede - que o Conselho de Disciplina não tinha elementos suficientes de prova para punir o S...., a verdade é que desconhecido - a prática de condutas ilícitas por parte de adeptos da Recorrida e a violação dos respetivos deveres -foi retirado de outros factos conhecidos. |
4 Refira-se, aliás, que este tipo de presunção é perfeitamente admissível nesta sede e não briga com nenhum princípio constitucional, tal como o princípio da presunção de inocência ou o princípio da culpa, de acordo com jurisprudência, quer dos tribunais comuns, quer dos tribunais administrativos. |
4 É este o entendimento consensual do STA, em vários arestos, referidos nas presentes alegações 040/13BCLSB, onde se afirma que "é indubitável que, no domínio do direito disciplinar desportivo, vigora o princípio geral da "presunção de veracidade dos factos constantes das declarações e relatórios da equipa de arbitragem e dos delegados da Liga, e por eles percecionado no exercício das suas funções, enquanto a veracidade do seu conteúdo não for fundadamente posto em causa" art.- 1-, al., do RD. |
...) E não se vê que o estabelecimento desta presunção seja inconstitucional, quando o Tribunal Constitucional, no Ac. |
n. 391/2015, 12/8 publicado no 4 Isto significa que para concluir que quem teve um DR, Série, de 16/11/2015), considerou que, mesmo em matéria penal, são admissíveis presunções legais, desde que seja conferida ao arguido a possibilidade de abalar os fundamentos em que a presunção se sustente e desde que para tal baste a contraprova dos factos presumidos, não se exigindo a prova do contrário." |
Aliás, tal como o Tribunal Constitucional entendeu para a situação idêntica da fé em juízo dos autos de notícia cf, entre muitos, o Ac. |
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