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7 do CIRS, na redação vigente à data dos factos conclusão 2 das alegações de.
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O Recorrente discorda, nestes termos singelos, do julgamento da matéria de facto adotado na decisão recorrida.
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Todavia, na impugnação da matéria de facto, impõe a lei, nos termos do disposto no artigo 640 CPC, um ónus rigoroso cujo incumprimento implica a imediata rejeição do recurso.
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Ora, o Impugnante e ora Recorrente não identifica os factos que entende terem sido mal julgados: quer por terem sido dados como provados quando o não deveriam ter sido, quer os que foram desconsiderados e considera serem relevantes à decisão, com indicação dos meios de prova que suportam esta sua pretensão de alteração do probatório.
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Com efeito, o Recorrente não indica nas alegações e respetivas conclusões os factos que considera incorretamente julgados, os concretos meios probatórios que imporiam decisão diferente, e a decisão que, no seu entender pretende aditar, complementar ou substituir, limitando-se a apresentar razões de discordância com o decidido na sentença por entender que os documentos carreados para os autos não foram tomados em devida consideração.
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Em suma, não requer qualquer alteração ou aditamento, seja por complementação, seja por substituição, da matéria assente, apenas argui o erro de julgamento, discordando do decidido.
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Assim, e sem necessidade de mais fundamentar, rejeita-se o recurso nesta parte.
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Recapitulemos os factos assentes na sentença recorrida: ) A Impugnante e ora Recorrida, no ano de 2009, auferiu rendimentos das categorias A, B e de IRS; ) E não entregou atempadamente a declaração de rendimentos relativa a esse ano de 2009; ) Em 26 de janeiro de 2011, a Autoridade Tributária e Aduaneira emitiu a liquidação oficiosa que vem impugnada; ) Posteriormente à emissão da liquidação oficiosa a Impugnante a ora Recorrida entregou declaração de rendimentos em que declara que os rendimentos auferidos na categoria B de IRS são relativos a vendas e não a prestações de serviços, contrariamente ao que foi considerado na liquidação oficiosa impugnada.
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A questão suscitada nos presentes autos, prende-se, sobretudo, com a tributação dos rendimentos auferidos pela Contribuinte na categoria de IRS, rendimentos empresariais.
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Como conclui a Recorrente na alínea das alegações de recursoa questão a decidir consisteem saber se a entrega da declaração de substituição do IRS de 2009, apresentada já depois da emissão da liquidação oficiosa efectuada pela AT, ao abrigo do disposto no n. 2 do art.
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7 do CIRS, mas ainda dentro do prazo da caducidade, poderá produzir os efeitos de anular a liquidação controvertida nos autos.
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Como é consabido, recai sobre os contribuintes o dever de declarar anualmente os rendimentos auferidos no ano anterior artigo 57 e que o incumprimento desse dever é censurável e passível de ser sancionado.
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Nos termos do artigo 76 CIRS, com a redação aplicável, aliás transcrito na sentença recorrida: 1 - A liquidação do IRS processa-se nos termos seguintes: a); b) Não tendo sido apresentada declaração, a liquidação tem por base os elementos de que a Direcção-Geral dos Impostos disponha; ) Sendo superior ao que resulta dos elementos a que se refere a alínea anterior, considera-se a totalidade do rendimento líquido da categoria B obtido pelo titular do rendimento no ano mais próximo que se encontre determinado, quando não tenha sido declarada a respetiva cessação de atividade.
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2 - Na situação referida na alínea do número anterior, o rendimento líquido da categoria B determina-se em conformidade com as regras do regime simplificado de tributação, com aplicação do coeficiente mais elevado previsto no n. 2 do artigo 3.
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3 - Quando não seja apresentada declaração, o titular dos rendimentos é notificado por carta registada para cumprir a obrigação em falta no prazo de 30 dias, findo o qual a liquidação é efetuada, não se atendendo ao disposto no artigo 7 e sendo apenas efetuadas as deduções previstas na alínea do n. 1 do artigo 7 e no n. 3 do artigo 9.
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4 - Em todos os casos previstos no n. 1, a liquidação pode ser corrigida, se for caso disso, dentro dos prazos e nos termos previstos nos artigos 4 e 4 da lei geral tributária.» Assim a falta de apresentação atempada da declaração dos rendimentos, conduziu à emissão da liquidação oficiosa de IRS respeitante ao ano de 2009, efetuada com base os elementos de que dispunha a Autoridade Tributária e Aduaneira, tendo sido apurado um rendimento coletável na categoria B de IRS de € 57 316,5 Anote-se que não vem questionado nos presentes autos a quantificação dos rendimentos que serviram de base à liquidação oficiosa impugnada, tendo o rendimento líquido da categoria B sido determinado em conformidade com o regime simplificado de tributação, socorrendo-se aos valores apurados em sede de IVA.
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A liquidação oficiosa teve, pois, por base o rendimento assim apurado com aplicação do coeficiente mais elevado previsto no n 2 do artigo 31 CIRS artigo 76/ Depois da emissão da liquidação oficiosa a Impugnante e ora Recorrida apresentou a declaração de rendimentos e no anexo B da declaração inscreveu o montante de € 57 316,50, no campo relativo a vendas de produtos do quadro Rendimentos Agrícolas, Silvícolas e Pecuários cf.
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alínea dos factos provados.
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Na declaração apresentada o sujeito passivo não alterou o montante do rendimento que tinha sido apurado com base nos elementos de que Autoridade Tributária e Aduaneira dispunha.
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Com a apresentação da declaração pretendia a Contribuinte alterar a qualificação dos refendimentos da categoria B de IRS, como vendas e não como prestações de serviços, afastando, pois, a aplicação do coeficiente mais elevado para apuramento ou determinação do imposto a pagar.
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Em regra, nos termos do artigo 75/1 da Lei Geral Tributária, presumem-se e de boa fé as declarações dos contribuintes apresentadas nos termos da lei.
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Mas já não será assim, no caso em que a declaração é apresentada fora do prazo legal e depois da liquidação oficiosa.
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Nesse sentido tem decidido a jurisprudência dos tribunais superiores, da qual citamos o Ac.
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STA de 201105, proferido no Proc.
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n 0/12BEVIS, disponível em www.dgsi.pt, também citado na decisão recorrida, as declarações apresentadas fora de prazo não gozam da presunção de veracidade art 75 n 1 da, mas no reverso não pode ignorar-se o disposto no art 76 n 4 do CIRS, vigente à data dos factos, que alguma razão de ser, na harmonia do sistema legislativo, há-de ter e que a nosso ver possibilita/impõe à Administração Tributária a correcção da liquidação oficiosa por si elaborada quando seja suprida pelo sujeito passivo a sua falta declarativa dentro dos prazos ali previstos. )
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Acresce referir que, a liquidação oficiosa efectuada pela AT é por natureza uma declaração provisória ainda que estejamos em sede de IRS uma vez que a AT pode na sequência de inspecção tributária vir a alterar a mesma. )
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não se aceitando que o n 2 do artigo 76 do CIRS encerre uma sanção obstativa do alcance do princípio da tributação do rendimento real.
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Vemos antes na expressão legal do referido preceito uma forma/métodos) de edificar uma liquidação a que será de dar o devido seguimento com as consequências legais, no caso de o contribuinte não a impugnar ou nunca vir a apresentar dentro dos aludidos prazos dos artigos 45 e 46 da LGT qualquer declaração de IRS, situação que não se verificou no caso dos autos.
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Está, pois, em causa nos presentes autos, saber se a liquidação oficiosa efetuada pela Autoridade Tributária e Aduaneira, em que o rendimento foi fixado nos termos previstos no artigo 76 CIRS, pode ainda assim ser corrigida pelo sujeito passivo, dentro do prazo de caducidade estabelecido nos artigos 4 e 4 da LGT e no artigo 9 CIRS.
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Ora, como vimos, a declaração apresentada pela Impugnante, ora Recorrida, foi submetida em 201028 e, logo, antes de se completar o prazo de caducidade.
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Contudo, esta liquidação oficiosa é por natureza uma liquidação provisória uma vez que a Autoridade Tributária e Aduaneira pode na sequência de inspeção tributária vir a alterar a mesma e que, por isso mesmo, esta não deveria, sem mais averiguar, desconsiderar a declaração apresentada.
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Não tem, aliás, razão a Recorrente quando defende que o artigo 76/2 CIRS tenha natureza sancionatória e que deve ser interpretado no sentido de afastar a possibilidade de correção da liquidação oficiosa.
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A sentença recorrida citou e seguiu a jurisprudência vertida no citado Acórdão do STA, proferido no Proc.
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n 0220/12BEVIS, no sentido de: "No presente caso a apresentação da declaração de substituição, referida na alínea do probatório, dentro do prazo de caducidade previsto no art.45, n.1, da G.T.
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cfr.art.76, n.4, do R.S.
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), não podia ser desconsiderada na sua substância, como o foi pela AT”, logo, "no caso dos autos a declaração modelo 3 do IRS a que vimos por facilidade de expressão chamando "de substituição” porque visa substituir a declaração oficiosa apresentada pela AT na circunstância de omissão declarativa do contribuinte mesmo depois de notificado para a prática do acto foi apresentada não na sequência de uma primitiva declaração do contribuinte que mas na sequência da declaração oficiosa elaborada pela AT e nas circunstâncias dos autos, necessariamente antes de ao sujeito passivo ser dada a conhecer a liquidação.
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Nestas condições, salvo o devido respeito por opinião diversa, devia ter sido considerada a declaração do contribuinte em toda a extensão do seu conteúdo como mais um elemento a considerar para uma eventual reforma/correcção da liquidação oficiosa com prévio recurso aos serviços de inspecção tributária em ordem ao apuramento da verdade fiscal.
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Neste sentido segundo cremos a lição de J. Lopes de Sousa no seu CPPT comentado e Anotado 6 edição vol.
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página 507 a 50 Assim, ao decidir que a Autoridade Tributária e Aduaneira deveria ter ponderado e considerado a declaração apresentada pela Impugnante e ora Recorrida, dentro do prazo de caducidade, designadamente quanto à qualificação dos rendimentos da atividade independente como vendas e não prestações de serviços, e determinar a anulação da liquidação, no montante que corresponder aos rendimentos da categoria B de IRS auferidos pela Impugnante no ano de 2009, não merece a censura que lhe foi feita e é de manter.
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Termos em que improcedem as alegações de recurso.
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Relativamente à condenação em custas importa considerar que nos termos dos artigos 527/1 CPC: a decisão que julgue a ação ou algum dos seus incidentes ou recursos condena em custas a parte que a elas houver dado causa.
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Assim, atento o princípio da causalidade, consagrado no artigo 527/2, do CPC, aplicável por força do artigo 2, alínea, do CPPT, custas são pela Recorrente que ficou vencida.
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Sumário/Conclusões: Recai sobre os contribuintes o dever de declarar anualmente os rendimentos auferidos no ano anterior artigo 57 e o incumprimento desse dever é censurável e passível de ser sancionado.
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A falta de apresentação atempada da declaração dos rendimentos, conduz à emissão de liquidação oficiosa de IRS respeitante ao ano em falta, efetuada com base os elementos de que disponha a Autoridade Tributária e Aduaneira.
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Esta liquidação oficiosa é por natureza uma liquidação provisória uma vez que a Autoridade Tributária e Aduaneira pode na sequência de inspeção tributária vir a alterar a mesma.
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O sujeito passivo pode entregar declaração de rendimentos, dentro do prazo de caducidade estabelecido nos artigos 4 e 4 da LGT, que ainda que não goze da presunção de veracidade não podia ser totalmente ignorada na sua substância.
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- Decisão Termos em que, face ao exposto, acordam em conferência os juízes da 2 Secção do Contencioso Tributário deste Tribunal Central Administrativo Sul, em negar provimento ao recurso, e manter a sentença recorrida.
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Custas pela Recorrente que decaiu.
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Lisboa, 24 de março de 2022 Susana Barreto Tânia Meireles da Cunha Cristina Flora
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Acordam na secção social do Tribunal da Relação de Guimarães APELANTE: – COMPANHIA DE SEGUROS, S.A. APELADO: J. Tribunal Judicial da Comarca de Braga, Juízo do Trabalho de Braga - Juiz 2 – RELATÓRIO Nos presentes autos de acção declarativa de condenação, com processo especial emergente de acidente de trabalho, em que é sinistrado J. e responsável – COMPANHIA DE SEGUROS, S.A. nafase conciliatória dos autos, veio o sinistrado, por apenso, intentar procedimento cautelar especificado de arbitramento de reparação provisória, ao abrigo do disposto nos arts.
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38 e 38 do Código de Processo Civil, com vista à fixação da indemnização provisória, no valor mensal de 696,00€ devida desde a data do acidente 29-04-2021), contabilizada à razão diária de €23,20, acrescida da quantia mensal de €350,00, devidos a título de prestação de auxílio por terceira pessoa.
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Como se fundamenta, em resumo, na decisão recorrida, o sinistrado foi admitido, aos 012016, ao serviço da sociedade Y – Casa Agrícola, S.A., para exercer, sob as ordens e direcção desta e na respectiva sede, localizada na Póvoa de Lanhoso, as funções de agricultor, ultimamente auferia a retribuição mensal de €800,00 x 14 meses, acrescida da importância de €81,40 x 11, a título de subsídio de alimentação.
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O seu horário de trabalho era distribuído pelos cinco dias úteis da semana, das 8h00-12h00 e das 14h00-18h00, horário esse passível de sofrer variações, em função das necessidades da entidade empregadora.
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Esta, por seu turno, tinha transferido para a ré a responsabilidade infortunística respeitante a acidentes de trabalho de que ele, requerente, fosse vítima.
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No dia 202021, o requerente iniciou pela manhã e retomou, após o período de almoço, a sua jorna de trabalho, sendo que uma das tarefas que tinha para realizar, por determinação da sua entidade empregadora, consistia na pulverização de campos de milho com herbicida.
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Cerca das 17h30m, colocava água com herbicida num pulverizador acoplado a um tractor agrícola, sendo que o sistema de pulverização era activado/desactivado através de cardãs ligados ao veículo, a dado momento, enquanto enchia o depósito do pulverizador com água, as calças que trazia vestidas prenderam-se no cardã do tractor, com o que o seu pé esquerdo foi puxado para o sistema de engrenagem do pulverizador, ficando esmagado, em consequência do que veio a perder os sentidos.
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Foi-lhe prestada assistência médica e veio a ser submetido a amputação transtibial do membro esquerdo, mantendo-se na condição de internado até 20202 Actualmente, continua em tratamentos de fisioterapia, no CS da , não tendo retomado, nem estando em condições de retomar, o exercício da sua profissão.
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O acidente foi participado à Ré, que no dia 002021, declinou a responsabilidade pela reparação do acidente, alegando o incumprimento de regras de segurança.
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Mais alega o requerente que necessita, quatro horas por dia, do auxílio de terceira pessoa para realizar as tarefas da sua vida diária, como vestir-se, ir à casa de banho, levantar-se e deitar-se, prestação a fixar em medida não inferior a € 350,00 por mês; que era com a sua remuneração que provia ao respectivo sustento e, juntamente com a remuneração do seu cônjuge, às despesas do agregado, composto por ambos e, ainda, por um filho menor, de 10 anos.
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A remuneração do seu cônjuge é insuficiente para prover a todas aquelas despesas, encontrando-se o seu agregado no limiar da pobreza e dependente de auxílio de familiares próximos.
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Designada data para audiência final, veio a requerida deduzir oposição, alegando, em síntese, que o sinistro em causa nos autos ocorreu pelas 17h40m e, por conseguinte, fora do seu horário de trabalho, que era das 8h00-12h00 e das 13h30 às 17h3 Nesse dia o requerente havia terminado a prestação de serviço, por conta da sua entidade empregadora, pelas 17h00, tendo-se dado o acidente que o vitimou, quando se encontrava a preparar o tractor e os equipamentos a ele acoplados, de sua pertença, para realizar trabalhos por conta própria, em terrenos próprios ou de terceiros.
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Acresce ainda dizer que o sinistro resultou de negligência do requerente e da violação por ele de regras de segurança.
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Concluiu, pugnando pela descaracterização do sinistro, com a consequente exclusão da sua responsabilidade.
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Caso assim não se entenda, considera que por haver desacordo entre as partes, seria o Fundo de Acidentes de Trabalho a adiantar o pagamento de prestações/indemnizações.
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Não tendo sido possível conciliar as partes teve lugar a audiência final, e por fim foi proferida decisão da qual se fez constar o seguinte dispositivo.
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"Pelo exposto, julga-se o presente procedimento cautelar parcialmente procedente, por parcialmente provado, termos em que se decide: a).
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Fixar no montante diário de € 23,20, vencido desde 302021, o valor da indemnização a que, provisoriamente, o requerente J. tem direito, a título de ITA, que perdurando para além dos 12 meses, passará a ter o valor diário de € 24,85, com a consequente condenação da requerida – Companhia de Seguros, S.A., no seu pagamento; b).
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Absolver a requerida do mais peticionado.
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Custas a cargo do requerente e da requerida, na proporção do respectivo decaimento, com taxa de justiça que se fixa no mínimo legal, e sem prejuízo do benefício de apoio judiciário que vier a ser concedido ao primeiro.
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Registe e notifique.” Inconformada com esta decisão, veio a Requerida interpor recurso de apelação para este Tribunal da Relação de Guimarães, apresentando alegações que terminam mediante a formulação das seguintes conclusões: "A Recorrente interpôs o presente recurso, visando, desde logo, a reapreciação da prova gravada, nos termos do disposto no n. 3 do artigo 8 do Código de Processo do Trabalho, por entender que a matéria de facto dada como indiciariamente demonstrada pela Meritíssima Juiz de instância, foi erradamente dada como provada, atenta a prova produzida, impondo-se, por essa razão, a sua reanálise e alteração, nos termos do presente recurso.
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).
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Com interesse para o presente recurso, foi dado como indiciariamente demonstrada a seguinte matéria de facto: ") Esse horário podia sofrer variações, em função das necessidades da entidade empregadora.
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f) Na data mencionada em, a entidade empregadora encarregou o requerente de, entre o mais, proceder à pulverização de um campo de milho com herbicida.
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g) Essa tarefa ia ser realizada pelo requerente através da utilização de um tractor, ao qual se encontravam acoplados, através de cardã, dois equipamentos, um de pulverização e uma roto-fresa, tudo pertença do próprio. )
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Na sequência e em cumprimento da determinação referida em, cerca das 17h40m da data aí considerada, o requerente encontrava-se a preparar a mistura de herbicida e de água no depósito do equipamento de pulverização.” Tendo concluído o Tribunal a quo que "apurou-se que o evento sob consideração teve lugar no local de trabalho e, também, no tempo deste, na medida em que, embora o mesmo haja tido lugar para além das 17h30m, mais concretamente cerca das 17h40m, a verdade é que se demonstrou que o requerente se encontrava a executar tarefa por conta e sob as ordens da sua entidade empregadora”.
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Não pode aceitar as conclusões vertidas na sentença proferida, designadamente, no que concerne aos pontos,, e da matéria indiciariamente demonstrada, uma vez que, quer a prova testemunhal, quer a prova documental deveriam ter permitido o Tribunal concluir de forma diversa.
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a Conforme apontado na sentença, foi notório o conhecimento das testemunhas inquiridas da posição da seguradora e que os depoimentos tenderam a ajustar-se no sentido de ultrapassar previsíveis resistências, pelo que é manifestamente questionável a veracidade dos depoimentos das testemunhas inquiridas.
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Das regras da experiência comum resulta, desde logo, que os depoimentos prestados logo após a ocorrência dos eventos, são mais genuínos e tendem a pautar-se pela verdade.
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a Resultou, isso sim, da prova produzida em Audiência de Julgamento, e resulta da matéria de facto dada como indiciariamente demonstrada, que o tractor e os equipamentos a ele acoplados eram propriedade do Recorrido A ser verdade, o que não se concede, mas apenas por mera hipótese de raciocínio se coloca, sempre se dirá que, era o mesmo remunerado pela sua Entidade Empregadora, quer em numerário, quer em troca de equipamentos, quando usava o seu tractor e equipamentos a ele acoplados, pelo que se coloca a questão se, afinal, não estávamos perante uma prestação de serviços, externa à prestação de trabalho propriamente dita Atento o exposto no presente articulado, é manifesto que o Tribunal não poderia ter dado como indiciariamente demonstrado os pontos,, e da Factualidade Demonstrada, impondo-se, por essa razão, decisão diversa, designadamente, que tal matéria seja dada como não demonstrada.
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Nos termos do artigo 12, n. 2, do Código de Processo de Trabalho, nos casos em que haja desacordo sobre a existência ou a caracterização do acidente como de trabalho "a pensão ou indemnização provisória e os encargos com o tratamento do sinistrado são adiantados ou garantidos pelo fundo a que se refere o n. 1 do artigo 8 da Lei n. 98/2009, de 4 de Setembro”.
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Nos termos do artigo 1 do Código Civil, há que aplicar tal artigo analogicamente ao caso dos presentes autos.
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É manifesto, atento a matéria em causa nos presentes autos, que existe desacordo, desde logo, quanto à caracterização do acidente como sendo acidente de trabalho, na medida em que a Recorrente invocou, desde logo, que o acidente em causa não foi um acidente de trabalho, bem como, caso assim não se entendesse, a descaracterização do acidente de trabalho por negligência grosseira do Recorrido.
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Se na fase contenciosa do processo emergente de acidente de trabalho, não seria a Recorrente a responsável pelo pagamento dos valores peticionados, não se pode conceber que, na fase conciliatória, seja a Recorrente responsável pelos mesmos.
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Assim, na fase em que se encontram os presentes autos, e atenta a matéria em causa nos presentes autos, é o Fundo de Acidentes de Trabalho o responsável pelo pagamento das quantias em causa nos presentes autos.
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Pelo que, também por aqui, deve ser revogada a decisão ora colocada em crise.
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Atento o exposto no presente articulado, deve a sentença recorrida ser revogada, e substituída por outra que julgue o pedido improcedente, e assim, absolva a Recorrente do pedido.
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Termos em que o recurso deve merecer provimento.
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Assim se fará, como sempre, inteira e sã JUSTIÇA!” O requerente apresentou contra alegação formulando as seguintes conclusões: "a) A matéria de facto encontra-se corretamente julgada.
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b) o arbitramento de reparação provisória é o meio próprio, porquanto dos autos principais ainda não é possível fixar uma pensão ao Sinistrado.
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Pelo que, deve manter-se a decisão proferida pelo Tribunal "a quo”.Foi admitido o recurso na espécie própria, com o adequado efeito e regime de subida.
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Os autos foram remetidos a esta 2 instância e foi cumprido o n. 3 do art.
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8 do CPT.
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O Exmo.
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Procurador-Geral Adjunto emitiu douto parecer no sentido da improcedência do recurso.
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O Recorrido veio aderir por inteiro à fundamentação plasmada no parecer.
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Colhidos os vistos legais cumpre decidir.
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- OBJECTO DO RECURSO Delimitado o objeto do recurso pelas conclusões da recorrente artigos 635, n 4, 637 n. 2 e 639, ns 1 e 3, do Código de Processo, as questões que se colocam a apreciação deste Tribunal são as seguintes: - Da impugnação da decisão da matéria de facto e sua repercussão na decisão de mérito - Da aplicação analógica do art.
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12 n. 2 do CPT nos casos em que haja desacordo sobre a ocorrência e a caracterização do acidente como de trabalho.
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– FUNDAMENTAÇÃO DE FACTO Os factos provados são os seguintes: a).
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O requerente J. foi admitido, aos 012016, ao serviço da sociedade Y – Casa Agro-Pecuária, S.A., para, sob as respectivas ordens e direcção e no local da sua sede, localizada no Lugar de ou , freguesia de , concelho de Póvoa de Lanhoso, exercer as funções correspondentes à categoria de operador de máquinas agrícolas, nisso se incluindo o cultivo de terrenos e todas as tarefas necessárias para o efeito.
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