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2961_3765_000120|é que eu escuto o sussurrar de idéias o marulho talvez das epopéias em torno aos mausoléus e me curvo no túm'lo das idades crânios de pedra cheios de verdades e da sombra de deus|é que eu escuto o sussurrar de idéias o marulho talvez das epopéias em torno aos mausoléus e me curvo no túm'lo das idades crânios de pedra cheios de verdades e da sombra de deus
2961_3765_000121|maldição mas que importa ela espedaça acaso a flor olente que se enlaça nas c'roas festivais nodoa a veste rica ao sibarita que importam cantos se é mais alta a grita das loucas bacanais|maldição mas que importa ela espedaça acaso a flor olente que se enlaça nas c'roas festivais nodoa a veste rica ao sibarita que importam cantos se é mais alta a grita das loucas bacanais
2961_3765_000122|de bravos soberbo estádio das liberdades paládio pegaste o punho do gládio e olhaste rindo pra o val descei de cada horizonte senhores eis-me de fronte e riste o riso de um monte e a ironia de um chacal|de bravos soberbo estádio das liberdades paládio pegaste o punho do gládio e olhaste rindo pra o val descei de cada horizonte senhores eis-me de fronte e riste o riso de um monte e a ironia de um chacal
2961_3765_000123|a mesa era pequena pobre lúcia foi preciso te ergueres do banquete deixares teu lugar aos mais convivas eu me lembro eu me lembro o sol raiava|a mesa era pequena pobre lúcia foi preciso te ergueres do banquete deixares teu lugar aos mais convivas eu me lembro eu me lembro o sol raiava
2961_3765_000124|aquelas terras tão grandes tão compridas como o mar com suas poucas palmeiras dão vontade de pensar lá todos vivem felizes todos dançam no terreiro a gente lá não se vende como aqui só por dinheiro|aquelas terras tão grandes tão compridas como o mar com suas poucas palmeiras dão vontade de pensar lá todos vivem felizes todos dançam no terreiro a gente lá não se vende como aqui só por dinheiro
2961_3765_000125|de repente lembrei-me lúcia lúcia a mulher se voltou fitou-me pasma soltou um grito e rindo e soluçando quis para mim lançar-se abrindo os braços|de repente lembrei-me lúcia lúcia a mulher se voltou fitou-me pasma soltou um grito e rindo e soluçando quis para mim lançar-se abrindo os braços
2961_3765_000126|ela foi-se ao pôr da tarde como as gaivotas do rio como os orvalhos que descem da noite num beijo frio o cauã canta bem triste mais triste é meu coração chora chora na viola violeiro do sertão|ela foi-se ao pôr da tarde como as gaivotas do rio como os orvalhos que descem da noite num beijo frio o cauã canta bem triste mais triste é meu coração chora chora na viola violeiro do sertão
2961_3765_000127|parte pois solta livre aos quatro ventos a alma cheia das crenças do poeta ergue-te ó luz estrela para o povo para os tiranos lúgubre cometa|parte pois solta livre aos quatro ventos a alma cheia das crenças do poeta ergue-te ó luz estrela para o povo para os tiranos lúgubre cometa
2961_3765_000128|oh por isso maria vês me curvo na face do presente escuro e turvo e interrogo o porvir ou levantando a voz por sobre os montes liberdade pergunto aos horizontes quando enfim hás|oh por isso maria vês me curvo na face do presente escuro e turvo e interrogo o porvir ou levantando a voz por sobre os montes liberdade pergunto aos horizontes quando enfim hás
2961_3765_000129|é preciso partir aos horizontes mandar o grito errante da vedeta ergue-te ó luz estrela para o povo para os tiranos lúgubre cometa|é preciso partir aos horizontes mandar o grito errante da vedeta ergue-te ó luz estrela para o povo para os tiranos lúgubre cometa
2961_3765_000130|mãe minha voz já me assusta alguém na floresta adusta repete os soluços meus sacode a terra desperta ou dá-me a mesma coberta minha mãe meu céu meu deus|mãe minha voz já me assusta alguém na floresta adusta repete os soluços meus sacode a terra desperta ou dá-me a mesma coberta minha mãe meu céu meu deus
2961_3765_000131|eles dizem reclinados nos festins de baltasar que importuno é esse que canta lá no eufrate a soluçar prende aos ramos do salgueiro a lira do cativeiro profeta da maldição ou cingindo a augusta fronte com as rosas d'anacreonte canta o amor e a criação|eles dizem reclinados nos festins de baltasar que importuno é esse que canta lá no eufrate a soluçar prende aos ramos do salgueiro a lira do cativeiro profeta da maldição ou cingindo a augusta fronte com as rosas d'anacreonte canta o amor e a criação
2961_3765_000132|caminheiro que passas pela estrada seguindo pelo rumo do sertão quando vires a cruz abandonada deixa-a em paz dormir na solidão|caminheiro que passas pela estrada seguindo pelo rumo do sertão quando vires a cruz abandonada deixa-a em paz dormir na solidão
2961_3765_000133|depois morrer que a vida está completa rei ou tribuno césar ou poeta que mais quereis depois basta escutar do fundo lá da cova dançar em vossa lousa a raça nova libertada por vós|depois morrer que a vida está completa rei ou tribuno césar ou poeta que mais quereis depois basta escutar do fundo lá da cova dançar em vossa lousa a raça nova libertada por vós
2961_3765_000134|morre feliz deixando sobre a estrada o marco miliário duma ossada assim quando essa turba horripilante hipócrita sem fé bacante impura possa curvar te a fronte de gigante possa quebrar-te as malhas da armadura|morre feliz deixando sobre a estrada o marco miliário duma ossada assim quando essa turba horripilante hipócrita sem fé bacante impura possa curvar te a fronte de gigante possa quebrar-te as malhas da armadura
2961_3765_000135|por isso quando vês as noites belas onde voa a poeira das estrelas e das constelações eu fito o abismo que a meus pés fermenta e onde como santelmos da tormenta fulgem revoluções|por isso quando vês as noites belas onde voa a poeira das estrelas e das constelações eu fito o abismo que a meus pés fermenta e onde como santelmos da tormenta fulgem revoluções
2961_3765_000136|se vivo seguirás o itinerário mas se morto rolares na mortalha terás selvagem filho da floresta nos raios e trovões hinos de festa|se vivo seguirás o itinerário mas se morto rolares na mortalha terás selvagem filho da floresta nos raios e trovões hinos de festa
2961_3765_000137|salve região dos valentes onde os ecos estridentes mandam aos plainos trementes os gritos do caçador e ao longe os latidos soam e as trompas da caça atroam e os corvos negros revoam sobre o campo abrasador|salve região dos valentes onde os ecos estridentes mandam aos plainos trementes os gritos do caçador e ao longe os latidos soam e as trompas da caça atroam e os corvos negros revoam sobre o campo abrasador
2961_3765_000138|faze da alma da inocente o ninho do teu amor verte o orvalho da virtude na minha pequena flor que minha filha algum dia eu veja livre e feliz ó santa virgem maria sê mãe da pobre infeliz|faze da alma da inocente o ninho do teu amor verte o orvalho da virtude na minha pequena flor que minha filha algum dia eu veja livre e feliz ó santa virgem maria sê mãe da pobre infeliz
2961_3765_000139|ai pobre lúcia como tu sabias festiva encher de afagos a família que te queria tanto e que te amava como se fosses filha e não cativa|ai pobre lúcia como tu sabias festiva encher de afagos a família que te queria tanto e que te amava como se fosses filha e não cativa
2961_3765_000140|quando a piedosa errante caravana se perde nos desertos peregrina buscando na cidade muçulmana do sepulcro de deus a vasta ruína olha o sol que se esconde na savana pensa em jerusalém sempre divina|quando a piedosa errante caravana se perde nos desertos peregrina buscando na cidade muçulmana do sepulcro de deus a vasta ruína olha o sol que se esconde na savana pensa em jerusalém sempre divina
2961_3765_000141|há muita virgem que ao prostíbulo impuro a mão do algoz arrasta pela trança muita cabeça d'ancião curvada muito riso afogado de criança|há muita virgem que ao prostíbulo impuro a mão do algoz arrasta pela trança muita cabeça d'ancião curvada muito riso afogado de criança
2961_3765_000142|não vês que noite cerrada ouviste essa gargalhada na mata escura ai de mim mãe ó mãe tremo de medo oh quando enfim teu segredo teu segredo terá fim|não vês que noite cerrada ouviste essa gargalhada na mata escura ai de mim mãe ó mãe tremo de medo oh quando enfim teu segredo teu segredo terá fim
2961_3765_000143|lúcia corríamos crianças na veiga no pomar na cachoeira como um casal de colibris travessos nas laranjeiras que o natal enflora|lúcia corríamos crianças na veiga no pomar na cachoeira como um casal de colibris travessos nas laranjeiras que o natal enflora
2961_3765_000144|inda lembras-te dizias sempre que a reza me ouvias em prantos de a sufocar ai têm orvalhos as flores tu filha dos meus amores tens o orvalho do chorar|inda lembras-te dizias sempre que a reza me ouvias em prantos de a sufocar ai têm orvalhos as flores tu filha dos meus amores tens o orvalho do chorar
2961_3765_000145|ou quereis como o sátrapa arrogante que o porvir nante sala espere o instante em que o deixeis subir oh parai a avalanche o sol os ventos o oceano o condor os elementos porém nunca o porvir|ou quereis como o sátrapa arrogante que o porvir nante sala espere o instante em que o deixeis subir oh parai a avalanche o sol os ventos o oceano o condor os elementos porém nunca o porvir
2961_3765_000146|depois quem mais mimosa e mais alegre sua boca era um pássaro escarlate onde cantava festival sorriso os cabelos caíam-lhe anelados como doudos festões de parasitas e a graça o modo o coração tão meigo|depois quem mais mimosa e mais alegre sua boca era um pássaro escarlate onde cantava festival sorriso os cabelos caíam-lhe anelados como doudos festões de parasitas e a graça o modo o coração tão meigo
2961_3765_000147|quando as praias se ocultam na neblina e como a garça abrindo a asa latina corre a barca no mar se então sem freios se despenha o norte é impossível parar volver é morte só lhe resta marchar|quando as praias se ocultam na neblina e como a garça abrindo a asa latina corre a barca no mar se então sem freios se despenha o norte é impossível parar volver é morte só lhe resta marchar
2961_3765_000148|trabalhar brada na sombra a voz imensa de deus braços voltai vos pra terra frontes voltai vos pros céus|trabalhar brada na sombra a voz imensa de deus braços voltai vos pra terra frontes voltai vos pros céus
2961_3765_000149|nos altos cerros erguido ninho d'águias atrevido salve país do bandido salve pátria do jaguar verde serra onde os palmares como indianos cocares no azul dos colúmbios ares desfraldam se em mole arfar|nos altos cerros erguido ninho d'águias atrevido salve país do bandido salve pátria do jaguar verde serra onde os palmares como indianos cocares no azul dos colúmbios ares desfraldam se em mole arfar
2961_3765_000150|lençol ensina o que morda mas pérfido oculte se bem como a serpente por baixo da chã que impávido veja seus pais desonrados que veja sorrindo mancharem lhe a irmã|lençol ensina o que morda mas pérfido oculte se bem como a serpente por baixo da chã que impávido veja seus pais desonrados que veja sorrindo mancharem lhe a irmã
2961_3765_000151|da infância o tempo fugindo tudo mudou-se em redor um dia passa em minha'alma das cidades o rumor soa a idéia soa o malho o ciclope do trabalho prepara o raio do sol|da infância o tempo fugindo tudo mudou-se em redor um dia passa em minha'alma das cidades o rumor soa a idéia soa o malho o ciclope do trabalho prepara o raio do sol
2961_3765_000152|não me maldigas num amor sem termo bebi a força de matar-te a mim viva eu cativa a soluçar num ermo filho sê livre sou feliz assim|não me maldigas num amor sem termo bebi a força de matar-te a mim viva eu cativa a soluçar num ermo filho sê livre sou feliz assim
2961_3765_000153|presa nos elos de uma só cadeia a multidão faminta cambaleia e chora e dança ali um de raiva delira outro enlouquece outro que martírios embrutece cantando geme|presa nos elos de uma só cadeia a multidão faminta cambaleia e chora e dança ali um de raiva delira outro enlouquece outro que martírios embrutece cantando geme
2961_3765_000154|stamos em pleno mar doudo no espaço brinca o luar dourada borboleta e as vagas após ele correm cansam como turba de infantes inquieta|stamos em pleno mar doudo no espaço brinca o luar dourada borboleta e as vagas após ele correm cansam como turba de infantes inquieta
2961_3765_000155|é da vida o único brilho meu filho é mais é meu filho deixai mo em nome da cruz porém nada comove homens de pedra sepulcros onde é morto o coração|é da vida o único brilho meu filho é mais é meu filho deixai mo em nome da cruz porém nada comove homens de pedra sepulcros onde é morto o coração
2961_3765_000156|da itália o filho indolente canta veneza dormente terra de amor e traição ou do golfo no regaço relembra os versos de tasso junto às lavas do vulcão|da itália o filho indolente canta veneza dormente terra de amor e traição ou do golfo no regaço relembra os versos de tasso junto às lavas do vulcão
2961_3765_000157|lança o grito da livre coorte lança ó vento pampeiro de morte este guante de ferro ao senhor cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz|lança o grito da livre coorte lança ó vento pampeiro de morte este guante de ferro ao senhor cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz
2961_3765_000158|meu filho dorme dorme o sono eterno no berço imenso que se chama o céu pede às estrelas um olhar materno um seio quente como o seio meu|meu filho dorme dorme o sono eterno no berço imenso que se chama o céu pede às estrelas um olhar materno um seio quente como o seio meu
2961_3765_000159|nem vêem que o deserto é meu sudário que o silêncio campeia solitário por sobre o peito meu lá no solo onde o cardo apenas medra boceja a esfinge colossal de pedra fitando o morno céu|nem vêem que o deserto é meu sudário que o silêncio campeia solitário por sobre o peito meu lá no solo onde o cardo apenas medra boceja a esfinge colossal de pedra fitando o morno céu
2961_3765_000160|ao canto dos ventos nas palmas brilhantes à luz transparente de um céu todo azul a filha das matas cabocla morena se inclina indolente sonhando talvez a fronte nos andes reclina serena e o atlântico humilde se estende a seus pés|ao canto dos ventos nas palmas brilhantes à luz transparente de um céu todo azul a filha das matas cabocla morena se inclina indolente sonhando talvez a fronte nos andes reclina serena e o atlântico humilde se estende a seus pés
2961_3765_000161|sempre a láurea lhe cabe no litígio ora uma c'roa ora o barrete frígio enflora lhe a cerviz universo após ela doudo amante segue cativo o passo delirante da grande meretriz|sempre a láurea lhe cabe no litígio ora uma c'roa ora o barrete frígio enflora lhe a cerviz universo após ela doudo amante segue cativo o passo delirante da grande meretriz
2961_3765_000162|acorda a pátria e vê que é pesadelo o sonho da ignomínia que ela sonha tomás ribeiro à tépida sombra das matas gigantes da américa ardente nos pampas do sul|acorda a pátria e vê que é pesadelo o sonho da ignomínia que ela sonha tomás ribeiro à tépida sombra das matas gigantes da américa ardente nos pampas do sul
2961_3765_000163|pesa-me a vida está deserto o forum e o tédio o tédio que infernal idéia dá-me a taça e do ergástulo das servas tua irmã trar me ás|pesa-me a vida está deserto o forum e o tédio o tédio que infernal idéia dá-me a taça e do ergástulo das servas tua irmã trar me ás
2961_3765_000164|no entanto o capitão manda a manobra e após fitando o céu que se desdobra tão puro sobre o mar diz do fumo entre os densos nevoeiros vibrai rijo o chicote marinheiros fazei os mais dançar|no entanto o capitão manda a manobra e após fitando o céu que se desdobra tão puro sobre o mar diz do fumo entre os densos nevoeiros vibrai rijo o chicote marinheiros fazei os mais dançar
2961_3765_000165|e o deus da caridade o pródigo jesus oh não mil vezes não o poeta americano vos deve sepultar no verso soberano pano negro que tem por lágrimas de prata as lágrimas que a musa inspirada desata|e o deus da caridade o pródigo jesus oh não mil vezes não o poeta americano vos deve sepultar no verso soberano pano negro que tem por lágrimas de prata as lágrimas que a musa inspirada desata
2961_3765_000166|perdão meu filho se matar-te é crime deus me perdoa me perdoa já a fera enchente quebraria o vime velem te os anjos e te cuidem lá|perdão meu filho se matar-te é crime deus me perdoa me perdoa já a fera enchente quebraria o vime velem te os anjos e te cuidem lá
2961_3765_000167|então num santo êxtase escuto a terra e os céus o vácuo se povoa de tua sombra ó deus|então num santo êxtase escuto a terra e os céus o vácuo se povoa de tua sombra ó deus
2961_3765_000168|também minaretes entre bosques palmeiras entre os quiosques mulheres nuas do harém mas embalde a lua inclina as loiras tranças pra o chão desprezada concubina já não te adora o sultão|também minaretes entre bosques palmeiras entre os quiosques mulheres nuas do harém mas embalde a lua inclina as loiras tranças pra o chão desprezada concubina já não te adora o sultão
2961_3765_000169|hoje em meu sangue a américa se nutre condor que transformara-se em abutre ave da escravidão ela juntou se às mais irmã traidora qual de josé os vis irmãos outrora venderam seu irmão|hoje em meu sangue a américa se nutre condor que transformara-se em abutre ave da escravidão ela juntou se às mais irmã traidora qual de josé os vis irmãos outrora venderam seu irmão
2961_3765_000170|brutus renega a tribunícia toga o apost'lo cospe no evangelho santo e o cristo povo no calvário erguido fita o futuro com sombrio espanto|brutus renega a tribunícia toga o apost'lo cospe no evangelho santo e o cristo povo no calvário erguido fita o futuro com sombrio espanto
2961_3765_000171|que a maldição vos lance a pena do gaulês tendo por tinta a borra das caldeiras de pez que o germano a sangrar maldiz em férreos hinos é justo|que a maldição vos lance a pena do gaulês tendo por tinta a borra das caldeiras de pez que o germano a sangrar maldiz em férreos hinos é justo
2961_3765_000172|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz
2961_3765_000173|as estrelas fugindo aos nenufares mandam rútilas pérolas dos ares de um desfeito colar no horizonte desvendam se as colinas sacode o véu de sonhos de neblinas a terra ao despertar|as estrelas fugindo aos nenufares mandam rútilas pérolas dos ares de um desfeito colar no horizonte desvendam se as colinas sacode o véu de sonhos de neblinas a terra ao despertar
2961_3765_000174|meu filho dorme dorme o sono eterno no berço imenso que se chama o céu pede às estrelas um olhar materno um seio quente como o seio meu|meu filho dorme dorme o sono eterno no berço imenso que se chama o céu pede às estrelas um olhar materno um seio quente como o seio meu
2961_3765_000175|tudo me traz um canto de imensa poesia como a primícia augusta da grande profecia tudo me diz que o eterno na idade prometida há de beijar na face a terra arrependida|tudo me traz um canto de imensa poesia como a primícia augusta da grande profecia tudo me diz que o eterno na idade prometida há de beijar na face a terra arrependida
2961_3765_000176|assim nos tempos perdidos idos eu cantava mas em vão manuela que me ouvia ria casta flor da solidão companheiros se inda agora chora minha viola|assim nos tempos perdidos idos eu cantava mas em vão manuela que me ouvia ria casta flor da solidão companheiros se inda agora chora minha viola
2961_3765_000177|presa ao mastro da mezena saudosa bandeira acena as vagas que deixa após do espanhol as cantilenas requebradas de langor lembram as moças morenas as andaluzas em flor|presa ao mastro da mezena saudosa bandeira acena as vagas que deixa após do espanhol as cantilenas requebradas de langor lembram as moças morenas as andaluzas em flor
2961_3765_000178|deixai que eu beba esta selvagem livre poesia orquestra é o mar que ruge pela proa e o vento que nas cordas assobia|deixai que eu beba esta selvagem livre poesia orquestra é o mar que ruge pela proa e o vento que nas cordas assobia
2961_3765_000179|inglês marinheiro frio que ao nascer no mar se achou porque a inglaterra é um navio que deus na mancha ancorou rijo entoa pátrias glórias lembrando orgulhoso histórias de nelson e de aboukir|inglês marinheiro frio que ao nascer no mar se achou porque a inglaterra é um navio que deus na mancha ancorou rijo entoa pátrias glórias lembrando orgulhoso histórias de nelson e de aboukir
2961_3765_000180|e o povo rei na vítima do mundo palpa as entranhas que inda sangue escorrem e ergue-se o grito extremo dos cativos ave cesar saúdam te os que morrem|e o povo rei na vítima do mundo palpa as entranhas que inda sangue escorrem e ergue-se o grito extremo dos cativos ave cesar saúdam te os que morrem
2961_3765_000181|ai vamos ver guilhotinadas almas da senzala nos vivos mausoléus escrava dá-me teu filho senhores ide lo ver é forte de uma raça bem provada havemos tudo fazer|ai vamos ver guilhotinadas almas da senzala nos vivos mausoléus escrava dá-me teu filho senhores ide lo ver é forte de uma raça bem provada havemos tudo fazer
2961_3765_000182|era um sonho dantesco o tombadilho que das luzernas avermelha o brilho em sangue a se banhar tinir de ferros estalar de açoite legiões de homens negros como a noite horrendos a dançar|era um sonho dantesco o tombadilho que das luzernas avermelha o brilho em sangue a se banhar tinir de ferros estalar de açoite legiões de homens negros como a noite horrendos a dançar
2961_3765_000183|a europa é sempre europa a gloriosa a mulher deslumbrante e caprichosa rainha e cortesã artista corta o mármor de carrara poetisa tange os hinos de ferrara no glorioso afã|a europa é sempre europa a gloriosa a mulher deslumbrante e caprichosa rainha e cortesã artista corta o mármor de carrara poetisa tange os hinos de ferrara no glorioso afã
2961_3765_000184|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz
2961_3765_000185|a criança do berço ei los arrancam que os bracinhos estende e chora em vão mudou-se a cena já vistes bramir na mata o jaguar|a criança do berço ei los arrancam que os bracinhos estende e chora em vão mudou-se a cena já vistes bramir na mata o jaguar
2961_3765_000186|página feia que ao futuro narra dos homens de hoje a lassidão a história com o pranto escrita com suor selada dos párias misérrimos do mundo página feia que eu não possa altivo romper pisar te recalcar punir te|página feia que ao futuro narra dos homens de hoje a lassidão a história com o pranto escrita com suor selada dos párias misérrimos do mundo página feia que eu não possa altivo romper pisar te recalcar punir te
2961_3765_000187|enquanto que eu desgraçado pelas chuvas ensopado levo o tempo a viajar boêmio da média idade vou do castelo à cidade vou do mosteiro ao solar|enquanto que eu desgraçado pelas chuvas ensopado levo o tempo a viajar boêmio da média idade vou do castelo à cidade vou do mosteiro ao solar
2961_3765_000188|escravo insano teu canto é o grito rouco das eumênides sombrio como um verso de lucano quero a ode de amor que o vento canta do palatino aos flóreos arvoredos quero os cantos de nero|escravo insano teu canto é o grito rouco das eumênides sombrio como um verso de lucano quero a ode de amor que o vento canta do palatino aos flóreos arvoredos quero os cantos de nero
2961_3765_000189|este olhar estes lábios estas rugas exprimem uma sede impaciente e impossível de saciar quer e não pode sente o desejo e a impaciência|este olhar estes lábios estas rugas exprimem uma sede impaciente e impossível de saciar quer e não pode sente o desejo e a impaciência
2961_3765_000190|o inverno ladra na rua enquanto adormeces nua na estufa até de manhã por escrava tens a aragem o sol é teu louro pajem tu és dele a|o inverno ladra na rua enquanto adormeces nua na estufa até de manhã por escrava tens a aragem o sol é teu louro pajem tu és dele a
2961_3765_000191|o profeta em cinza a fronte envolve velo a cabeça no areal que volve o siroco feroz quando eu passo no saara amortalhada ai dizem lá vai áfrica embuçada no seu branco albornoz|o profeta em cinza a fronte envolve velo a cabeça no areal que volve o siroco feroz quando eu passo no saara amortalhada ai dizem lá vai áfrica embuçada no seu branco albornoz
2961_3765_000192|ver não posso este labéu maldito quando dos livres ouvirei o grito sim talvez amanhã galopa meu cavalo serra acima arranca me a este solo eia te anima aos bafos da manhã|ver não posso este labéu maldito quando dos livres ouvirei o grito sim talvez amanhã galopa meu cavalo serra acima arranca me a este solo eia te anima aos bafos da manhã
2961_3765_000193|luz sim que a criança é uma ave cujo porvir tendes vós no sol é uma águia arrojada na sombra um mocho feroz|luz sim que a criança é uma ave cujo porvir tendes vós no sol é uma águia arrojada na sombra um mocho feroz
2961_3765_000194|deixai o pássaro ao ninho deixai à mãe o filhinho deixai à desgraça o amor meu filho é-me a sombra amiga neste deserto cruel flor de inocência e candura favo de amor e de mel seu riso é minha alvorada sua lágrima doirada minha estrela minha luz|deixai o pássaro ao ninho deixai à mãe o filhinho deixai à desgraça o amor meu filho é-me a sombra amiga neste deserto cruel flor de inocência e candura favo de amor e de mel seu riso é minha alvorada sua lágrima doirada minha estrela minha luz
2961_3765_000195|morrer por ti manuela bela se esqueces os sonhos meus por teus sombrios olhares mares onde eu me afogo de amor pelas tranças que desatas matas cheias de aroma e frescor|morrer por ti manuela bela se esqueces os sonhos meus por teus sombrios olhares mares onde eu me afogo de amor pelas tranças que desatas matas cheias de aroma e frescor
2961_3765_000196|por tenda tem os cimos do himalaia ganges amoroso beija a praia coberta de corais a brisa de misora o céu inflama e ela dorme nos templos do deus brama pagodes colossais|por tenda tem os cimos do himalaia ganges amoroso beija a praia coberta de corais a brisa de misora o céu inflama e ela dorme nos templos do deus brama pagodes colossais
2961_3765_000197|soldados do alto daquelas pirâmides quarenta séculos vos contemplam napoleão o século é grande e forte|soldados do alto daquelas pirâmides quarenta séculos vos contemplam napoleão o século é grande e forte
2961_3765_000198|tem a relva a trepadeira todas têm os seus amores eu não tenho mãe nem filhos nem irmão nem lar nem flores|tem a relva a trepadeira todas têm os seus amores eu não tenho mãe nem filhos nem irmão nem lar nem flores
2961_3765_000199|ohl tenho tédio embalde ao pôr da tarde pelas nereidas louras embalado vogo em minha galera ao som das harpas da cortesã nos seios recostado|ohl tenho tédio embalde ao pôr da tarde pelas nereidas louras embalado vogo em minha galera ao som das harpas da cortesã nos seios recostado
2961_3765_000200|as brisas dos cerros ainda lhe ondulam nas plumas vermelhas do arco de avós lembrando o passado seus seios pululam se a onça ligeira boliu nos cipós|as brisas dos cerros ainda lhe ondulam nas plumas vermelhas do arco de avós lembrando o passado seus seios pululam se a onça ligeira boliu nos cipós
2961_3765_000201|oh dia sacrossanto em que a justiça brilha eu vejo em ti das ruínas vetustas do passado o velho sacerdote augusto e venerado colher a parasita a santa flor o culto como o coral brilhante do mar na vasa oculto|oh dia sacrossanto em que a justiça brilha eu vejo em ti das ruínas vetustas do passado o velho sacerdote augusto e venerado colher a parasita a santa flor o culto como o coral brilhante do mar na vasa oculto
2961_3765_000202|e voz como um soluço lacerante continua a cantar eu sou como a garça triste que mora à beira do rio as orvalhadas da noite me fazem tremer de frio|e voz como um soluço lacerante continua a cantar eu sou como a garça triste que mora à beira do rio as orvalhadas da noite me fazem tremer de frio
2961_3765_000203|feroz libertai tribunas prelos são fracos mesquinhos elos não calqueis o povo rei que este mar d'almas e peitos com as vagas de seus direitos virá partir vos a lei|feroz libertai tribunas prelos são fracos mesquinhos elos não calqueis o povo rei que este mar d'almas e peitos com as vagas de seus direitos virá partir vos a lei
2961_3765_000204|senhores basta a desgraça de não ter pátria nem lar de ter honra e ser vendida de ter alma e nunca amar deixai à noite que chora que espere ao menos a aurora ao ramo seco uma flor|senhores basta a desgraça de não ter pátria nem lar de ter honra e ser vendida de ter alma e nunca amar deixai à noite que chora que espere ao menos a aurora ao ramo seco uma flor
2961_3765_000205|andes quebraram se as cadeias é livre a terra inteira a humanidade marcha com a bíblia por bandeirasão livres os escravos quero empunhar a lira quero que est'alma ardente um canto audaz desfira|andes quebraram se as cadeias é livre a terra inteira a humanidade marcha com a bíblia por bandeirasão livres os escravos quero empunhar a lira quero que est'alma ardente um canto audaz desfira
2961_3765_000206|amo o circo a dor gritos e flores a pantera o leão de hirsuta coma onde o banho de sangue do universo rejuvenesce a púrpura|amo o circo a dor gritos e flores a pantera o leão de hirsuta coma onde o banho de sangue do universo rejuvenesce a púrpura
2961_3765_000207|dentre a flor amarela das encostas mostra a testa luzida as largas costas no rio o jacaré catadupas sem freios vastas grandes sois a palavra livre desses andes que além surgem de pé|dentre a flor amarela das encostas mostra a testa luzida as largas costas no rio o jacaré catadupas sem freios vastas grandes sois a palavra livre desses andes que além surgem de pé
2961_3765_000208|oh escutai ao longe vago rumor se eleva como o trovão que ouviu-se quando na escura treva o braço onipotente rolou|oh escutai ao longe vago rumor se eleva como o trovão que ouviu-se quando na escura treva o braço onipotente rolou
2961_3765_000209|que chama douda teu olhar espalha és ciumenta mylord eu sou de itália vingativa mylord eu sou princesa|que chama douda teu olhar espalha és ciumenta mylord eu sou de itália vingativa mylord eu sou princesa
2961_3765_000210|para tais dimensões pra músculos tão grandes era pequeno o cáucaso amarram te nos andes e enquanto tu titão sangrento arcas aí o século da luz olha caminha ri|para tais dimensões pra músculos tão grandes era pequeno o cáucaso amarram te nos andes e enquanto tu titão sangrento arcas aí o século da luz olha caminha ri
2961_3765_000211|mas enquanto existir o grande o novo mundo ó filhos de jesus um cântico profundo irá vos embalar do sepulcro no solo a américa por vós reza de pólo a pólo dizei o vós dizei tamoios guaranis iroqueses tapuias incas e tupis|mas enquanto existir o grande o novo mundo ó filhos de jesus um cântico profundo irá vos embalar do sepulcro no solo a américa por vós reza de pólo a pólo dizei o vós dizei tamoios guaranis iroqueses tapuias incas e tupis
2961_3765_000212|sê pobre que importa sê livre és gigante bem como os condores dos píncaros teus arranca este peso das costas do atlante levanta o madeiro dos ombros de deus|sê pobre que importa sê livre és gigante bem como os condores dos píncaros teus arranca este peso das costas do atlante levanta o madeiro dos ombros de deus
2961_3765_000213|do solo adusto do africano saara surge um fantasma com soberbo passo presos os braços laureada a fronte louco poeta como fora o tasso|do solo adusto do africano saara surge um fantasma com soberbo passo presos os braços laureada a fronte louco poeta como fora o tasso
2961_3765_000214|dá-me teu filho repetiu fremente o senhor de sobr'olho carregado impossível que dizes miserável perdão senhor perdão meu filho dorme inda há pouco o embalei pobre inocente que nem sequer pressente que ides sim que o vou vender|dá-me teu filho repetiu fremente o senhor de sobr'olho carregado impossível que dizes miserável perdão senhor perdão meu filho dorme inda há pouco o embalei pobre inocente que nem sequer pressente que ides sim que o vou vender
2961_3765_000215|não venham esses que negam a esmola ao leproso ao pobre a luva branca do nobre oh senhores não mancheis os pés lá pisam em lama porém as frontes são puras mas vós nas faces impuras tendes lodo e pus nos pés|não venham esses que negam a esmola ao leproso ao pobre a luva branca do nobre oh senhores não mancheis os pés lá pisam em lama porém as frontes são puras mas vós nas faces impuras tendes lodo e pus nos pés
2961_3765_000216|mas eu senhor eu triste abandonada em meio das areias esgarrada perdida marcho em vão se choro bebe o pranto a areia ardente talvez p'ra que meu pranto ó deus clemente não descubras no chão|mas eu senhor eu triste abandonada em meio das areias esgarrada perdida marcho em vão se choro bebe o pranto a areia ardente talvez p'ra que meu pranto ó deus clemente não descubras no chão
2961_3765_000217|pelos peitos que entre rendas vendas com medo que os vão roubar pela perna que no frio rio pude outro dia enxergar por tudo que tem a terra serra mato rio campo e céu eu te juro manuela bela que serei cativo teu|pelos peitos que entre rendas vendas com medo que os vão roubar pela perna que no frio rio pude outro dia enxergar por tudo que tem a terra serra mato rio campo e céu eu te juro manuela bela que serei cativo teu
2961_3765_000218|somos nós meu senhor mas não tremas nós quebramos as nossas algemas pra pedir-te as esposas ou mães este é o filho do ancião que mataste este irmão da mulher que manchaste oh não tremas senhor são teus cães|somos nós meu senhor mas não tremas nós quebramos as nossas algemas pra pedir-te as esposas ou mães este é o filho do ancião que mataste este irmão da mulher que manchaste oh não tremas senhor são teus cães
2961_3765_000219|stamos em pleno mar dois infinitos ali se estreitam num abraço insano azuis dourados plácidos sublimes qual dos dous é o céu qual o oceano|stamos em pleno mar dois infinitos ali se estreitam num abraço insano azuis dourados plácidos sublimes qual dos dous é o céu qual o oceano