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2961_3765_000320|desce a polônia esvaída cataléptica adormida à tumba do sobieski inda em sonhos busca a espada os reis passam sem ver nada e o czar olha e sorri|desce a polônia esvaída cataléptica adormida à tumba do sobieski inda em sonhos busca a espada os reis passam sem ver nada e o czar olha e sorri |
2961_3765_000321|e à voz dos libertadores reptis saltam condores a topetar n'amplidão e vós arcas do futuro crisálidas do porvir quando vosso braço ousado legislações construir levantai um templo novo|e à voz dos libertadores reptis saltam condores a topetar n'amplidão e vós arcas do futuro crisálidas do porvir quando vosso braço ousado legislações construir levantai um templo novo |
2961_3765_000322|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz e o|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz e o |
2961_3765_000323|vai lentamente cantando uma tirana indolente repassada de aflição e o menino ri contente mas treme e grita gelado se nas palhas do telhado ruge o vento do sertão|vai lentamente cantando uma tirana indolente repassada de aflição e o menino ri contente mas treme e grita gelado se nas palhas do telhado ruge o vento do sertão |
2961_3765_000324|e ri-se a orquestra irônica estridente e da ronda fantástica a serpente faz doudas espirais se o velho arqueja se no chão resvala ouvem-se gritos o chicote estala e voam mais e mais|e ri-se a orquestra irônica estridente e da ronda fantástica a serpente faz doudas espirais se o velho arqueja se no chão resvala ouvem-se gritos o chicote estala e voam mais e mais |
2961_3765_000325|não venhas tu que achas triste às vezes a própria festa tu grande que nunca ouviste senão gemidos da orquestra por que despertar tu'alma em sedas adormecida esta excrescência da vida que ocultas com tanto esmero|não venhas tu que achas triste às vezes a própria festa tu grande que nunca ouviste senão gemidos da orquestra por que despertar tu'alma em sedas adormecida esta excrescência da vida que ocultas com tanto esmero |
2961_3765_000326|o cáucaso é seu cepo é seu sudário o céu como um braço de algoz que em sangueira se nutre revolve lhe as entranhas o pescoço do abutre|o cáucaso é seu cepo é seu sudário o céu como um braço de algoz que em sangueira se nutre revolve lhe as entranhas o pescoço do abutre |
2961_3765_000327|tu não sabes que delírios sofrem as rosas e os lírios nesta dourada prisão sem falar com as violetas sem beijar as borboletas sem as auras do sertão|tu não sabes que delírios sofrem as rosas e os lírios nesta dourada prisão sem falar com as violetas sem beijar as borboletas sem as auras do sertão |
2961_3765_000328|não basta inda de dor ó deus terrível é pois teu peito eterno inexaurível de vingança e rancor e que é que fiz senhor que torvo crime eu cometi jamais que assim me oprime teu gládio vingador|não basta inda de dor ó deus terrível é pois teu peito eterno inexaurível de vingança e rancor e que é que fiz senhor que torvo crime eu cometi jamais que assim me oprime teu gládio vingador |
2961_3765_000329|se o canto pára um momento chora a criança imprudente mas continua a cantiga e ri sem ver o tormento daquele amargo cantar|se o canto pára um momento chora a criança imprudente mas continua a cantiga e ri sem ver o tormento daquele amargo cantar |
2961_3765_000330|ao gigante caído a terra e o céu rivais prantos lascivos dão suor de bacanais mas não|ao gigante caído a terra e o céu rivais prantos lascivos dão suor de bacanais mas não |
2961_3765_000331|são os filhos do deserto onde a terra esposa a luz onde vive em campo aberto a tribo dos homens nus são os guerreiros ousados que com os tigres mosqueados combatem na solidão|são os filhos do deserto onde a terra esposa a luz onde vive em campo aberto a tribo dos homens nus são os guerreiros ousados que com os tigres mosqueados combatem na solidão |
2961_3765_000332|pranto auriverde pendão de minha terra que a brisa do brasil beija e balança estandarte que a luz do sol encerra e as promessas divinas da esperança|pranto auriverde pendão de minha terra que a brisa do brasil beija e balança estandarte que a luz do sol encerra e as promessas divinas da esperança |
2961_3765_000333|se alguém quisesse os vender havíeis muito chorar havíeis muito gemer diríeis a rir perdão deixai meu filho arrancai me antes a alma e o coração|se alguém quisesse os vender havíeis muito chorar havíeis muito gemer diríeis a rir perdão deixai meu filho arrancai me antes a alma e o coração |
2961_3765_000334|onde pende a meiga lua como cimitarra nua por sobre um dólmã azul e a vaga dos dardanelos beija em lascivos anelos as saudades de stambul|onde pende a meiga lua como cimitarra nua por sobre um dólmã azul e a vaga dos dardanelos beija em lascivos anelos as saudades de stambul |
2961_3765_000335|tu que da liberdade após a guerra foste hasteado dos heróis na lança antes te houvessem roto na batalha que servires a um povo de mortalha|tu que da liberdade após a guerra foste hasteado dos heróis na lança antes te houvessem roto na batalha que servires a um povo de mortalha |
2961_3765_000336|encosto sobre as pedras a minha carabina junto a meu cão que dorme nas sarças da colina e como uma harpa eólia entregue ao tom dos ventos|encosto sobre as pedras a minha carabina junto a meu cão que dorme nas sarças da colina e como uma harpa eólia entregue ao tom dos ventos |
2961_3765_000337|inda arrogante e forte o olhar no sol cravado sublime no sofrer vencido não domado na última agonia arqueja prometeu|inda arrogante e forte o olhar no sol cravado sublime no sofrer vencido não domado na última agonia arqueja prometeu |
2961_3765_000338|na senzala úmida estreita brilha a chama da candeia no sapé se esgueira o vento e a luz da fogueira ateia junto ao fogo uma africana sentada o filho embalando|na senzala úmida estreita brilha a chama da candeia no sapé se esgueira o vento e a luz da fogueira ateia junto ao fogo uma africana sentada o filho embalando |
2961_3765_000339|bem feliz quem ali pode nest'hora sentir deste painel a majestade embaixo o mar em cima o firmamento e no mar e no céu a imensidade|bem feliz quem ali pode nest'hora sentir deste painel a majestade embaixo o mar em cima o firmamento e no mar e no céu a imensidade |
2961_3765_000340|prantos de sangue vagas escarlates toldam teus rios lúbricos eufrates dos servos de sião e as palmeiras se torcem torturadas quando escutam dos morros nas quebradas o grito de aflição|prantos de sangue vagas escarlates toldam teus rios lúbricos eufrates dos servos de sião e as palmeiras se torcem torturadas quando escutam dos morros nas quebradas o grito de aflição |
2961_3765_000341|a porta da fazenda foi aberta entraram no salão por que tremes mulher a noite é calma um bulício remoto agita a palma do vasto coqueiral tem pérolas o rio a noite lumes a mata sombras o sertão perfumes murmúrio o bananal|a porta da fazenda foi aberta entraram no salão por que tremes mulher a noite é calma um bulício remoto agita a palma do vasto coqueiral tem pérolas o rio a noite lumes a mata sombras o sertão perfumes murmúrio o bananal |
2961_3765_000342|ser mãe é um crime ter um filho roubo amá-lo uma loucura alma de lodo para ti não há luz tens a noite no corpo a noite na alma pedra que a humanidade pisa calma cristo que verga à cruz|ser mãe é um crime ter um filho roubo amá-lo uma loucura alma de lodo para ti não há luz tens a noite no corpo a noite na alma pedra que a humanidade pisa calma cristo que verga à cruz |
2961_3765_000343|e desse beijo santo desse ósculo sublime que lava a iniqüidade a escravidão e o crime hão de nascer virentes nos campos das idades amores esperanças glórias e liberdades|e desse beijo santo desse ósculo sublime que lava a iniqüidade a escravidão e o crime hão de nascer virentes nos campos das idades amores esperanças glórias e liberdades |
2961_3765_000344|basta senhor de teu potente braço role através dos astros e do espaço perdão p'ra os crimes meus há dois mil anos eu soluço um grito escuta o brado meu lá no infinito meu deus senhor meu deus|basta senhor de teu potente braço role através dos astros e do espaço perdão p'ra os crimes meus há dois mil anos eu soluço um grito escuta o brado meu lá no infinito meu deus senhor meu deus |
2961_3765_000345|enfim a terra é livre enfim lá do calvário a águia da liberdade no imenso itinerário voa do calpe brusco às cordilheiras grandes das cristas do himalaia aos píncaros dos andes|enfim a terra é livre enfim lá do calvário a águia da liberdade no imenso itinerário voa do calpe brusco às cordilheiras grandes das cristas do himalaia aos píncaros dos andes |
2961_3765_000346|ó raça que nunca te assombras pra o guerreiro uma tenda de sombras arma a noite na vasta amplidão sus pulula dos quatro horizontes sai da vasta cratera dos montes donde salta o condor o vulcão|ó raça que nunca te assombras pra o guerreiro uma tenda de sombras arma a noite na vasta amplidão sus pulula dos quatro horizontes sai da vasta cratera dos montes donde salta o condor o vulcão |
2961_3765_000347|nos ninhos d'águias que nos restam corvos que vendo a pátria se estorcer no chão passam repassam como alados crimes da lua pálida ao fatal clarão|nos ninhos d'águias que nos restam corvos que vendo a pátria se estorcer no chão passam repassam como alados crimes da lua pálida ao fatal clarão |
2961_3765_000348|se o gênio da noite no espaço flutua que negros mistérios a selva contém se a ilha de prata se a pálida lua clareia o levante que amores não tem|se o gênio da noite no espaço flutua que negros mistérios a selva contém se a ilha de prata se a pálida lua clareia o levante que amores não tem |
2961_3765_000349|oh é preciso inda esperar cem anos cem anos brada a legião da morte e longe aos ecos nas quebradas trêmulas sacode o grito soluçando o norte sobre os corcéis dos nevoeiros brancos pelo infinito a galopar|oh é preciso inda esperar cem anos cem anos brada a legião da morte e longe aos ecos nas quebradas trêmulas sacode o grito soluçando o norte sobre os corcéis dos nevoeiros brancos pelo infinito a galopar |
2961_3765_000350|ai triste que enxugas rindo os prantos que vão caindo do fundo materno olhar e nas mãozinhas brilhantes agitas como diamantes os prantos do seu pensar|ai triste que enxugas rindo os prantos que vão caindo do fundo materno olhar e nas mãozinhas brilhantes agitas como diamantes os prantos do seu pensar |
2961_3765_000351|tu bem sabes que maria fria é pra outros não pra mim que morrem lúcia joana e ana aos sons do meu bandolim mas tu és um passarinho ninho fizeste no peito meu eu sou a boca és o canto tanto que sem ti não canto eu|tu bem sabes que maria fria é pra outros não pra mim que morrem lúcia joana e ana aos sons do meu bandolim mas tu és um passarinho ninho fizeste no peito meu eu sou a boca és o canto tanto que sem ti não canto eu |
2961_3765_000352|ó maria pareces a palmeira bela esvelta embalada pelas auras e te miras no olhar de teu amante como a palmeira n'água transparente|ó maria pareces a palmeira bela esvelta embalada pelas auras e te miras no olhar de teu amante como a palmeira n'água transparente |
2961_3765_000353|a fome o cansaço a sede ai quanto infeliz que cede e cai p'ra não mais s'erguer vaga um lugar na cadeia mas o chacal sobre a areia acha um corpo que roer|a fome o cansaço a sede ai quanto infeliz que cede e cai p'ra não mais s'erguer vaga um lugar na cadeia mas o chacal sobre a areia acha um corpo que roer |
2961_3765_000354|corre corre sangue do cativo cai cai orvalho de sangue germina cresce colheita vingadora a ti segador a ti está madura aguça tua fouce aguça aguça tua fouce|corre corre sangue do cativo cai cai orvalho de sangue germina cresce colheita vingadora a ti segador a ti está madura aguça tua fouce aguça aguça tua fouce |
2961_3765_000355|parece que os astros são anjos pendidos das frouxas neblinas da abóbada azul que miram que adoram ardentes perdidos a filha morena dos pampas do sul|parece que os astros são anjos pendidos das frouxas neblinas da abóbada azul que miram que adoram ardentes perdidos a filha morena dos pampas do sul |
2961_3765_000356|não perdeste tua mãe ao fero açoite dos seus algozes vis e vagas tonto a tatear à noite choras antes de rir pobre criança que queres infeliz|não perdeste tua mãe ao fero açoite dos seus algozes vis e vagas tonto a tatear à noite choras antes de rir pobre criança que queres infeliz |
2961_3765_000357|eu vejo a imensidade e eu vejo a grécia e sobre a plaga errante uma virgem chorando é vossa amante tu disseste o condessa é a liberdade|eu vejo a imensidade e eu vejo a grécia e sobre a plaga errante uma virgem chorando é vossa amante tu disseste o condessa é a liberdade |
2961_3765_000358|então num santo êxtase escuto a terra e os céus o vácuo se povoa de tua sombra ó deus|então num santo êxtase escuto a terra e os céus o vácuo se povoa de tua sombra ó deus |
2961_3765_000359|provocante mas esquiva viva como um doudo beija-flor manuela a moreninha tinha em cada peito um amor inda agora quando o vento lento traz me saudades de então parece que a vejo ainda linda do fado no turbilhão|provocante mas esquiva viva como um doudo beija-flor manuela a moreninha tinha em cada peito um amor inda agora quando o vento lento traz me saudades de então parece que a vejo ainda linda do fado no turbilhão |
2961_3765_000360|são vagas lembranças de um tempo que teve palpita lhe o seio por sob uma cruz e em cisma doirada qual garça de neve sua alma revolve se em ondas de luz|são vagas lembranças de um tempo que teve palpita lhe o seio por sob uma cruz e em cisma doirada qual garça de neve sua alma revolve se em ondas de luz |
2961_3765_000361|em toda a fronte há luzes em todo o peito amores em todo o céu estrelas em todo o campo flores e enquanto sob as vinhas a ingênua camponesa enlaça às negras tranças a rosa da deveza|em toda a fronte há luzes em todo o peito amores em todo o céu estrelas em todo o campo flores e enquanto sob as vinhas a ingênua camponesa enlaça às negras tranças a rosa da deveza |
2961_3765_000362|tu choras porque um ramo de baunilha não pudeste colher ou pela flor gentil da granadilha dou-te um ninho uma flor dou-te uma palma para em teus lábios ver o riso a estrela no horizonte da alma|tu choras porque um ramo de baunilha não pudeste colher ou pela flor gentil da granadilha dou-te um ninho uma flor dou-te uma palma para em teus lábios ver o riso a estrela no horizonte da alma |
2961_3765_000363|por padre uma árvore vasta basta por igreja o azul do céu serão as brancas estrelas velas acesas pra o|por padre uma árvore vasta basta por igreja o azul do céu serão as brancas estrelas velas acesas pra o |
2961_3765_000364|e a noite a freira santa no órgão das florestas um salmo preludia nos troncos nas giestas se acaso solitário passo pelas picadas que torcem se escamosas nas lapas escarpadas|e a noite a freira santa no órgão das florestas um salmo preludia nos troncos nas giestas se acaso solitário passo pelas picadas que torcem se escamosas nas lapas escarpadas |
2961_3765_000365|oh treme branca filha de espanhola treme breve talvez tenhas em torno o uragã e o deserto então maria lamentarás o amor que hoje pudera te conduzir a mim bem como o kata da salvação o pássaro|oh treme branca filha de espanhola treme breve talvez tenhas em torno o uragã e o deserto então maria lamentarás o amor que hoje pudera te conduzir a mim bem como o kata da salvação o pássaro |
2961_3765_000366|stamos em pleno mar abrindo as velas ao quente arfar das virações marinhas veleiro brigue corre à flor dos mares como roçam na vaga as andorinhas|stamos em pleno mar abrindo as velas ao quente arfar das virações marinhas veleiro brigue corre à flor dos mares como roçam na vaga as andorinhas |
2961_3765_000367|o vale o rochedo escarpado trema o céu de trovões carregado ao passar da rajada de heróis que nas éguas fatais desgrenhadas vão brandindo essas brancas espadas que se amolam nas campas de avós|o vale o rochedo escarpado trema o céu de trovões carregado ao passar da rajada de heróis que nas éguas fatais desgrenhadas vão brandindo essas brancas espadas que se amolam nas campas de avós |
2961_3765_000368|roma inda tem sobre o peito o pesadelo dos reis a grécia espera chorando canaris byron talvez napoleão amordaça a boca da populaça e olha jersey com terror como o filho de sorrento treme ao fitar um momento o vesúvio aterrador|roma inda tem sobre o peito o pesadelo dos reis a grécia espera chorando canaris byron talvez napoleão amordaça a boca da populaça e olha jersey com terror como o filho de sorrento treme ao fitar um momento o vesúvio aterrador |
2961_3765_000369|é o grito dos cruzados que brada aos moços de pé é o sol das liberdades que espera por josué são bocas de mil escravos que transformaram-se em bravos ao cinzel da abolição|é o grito dos cruzados que brada aos moços de pé é o sol das liberdades que espera por josué são bocas de mil escravos que transformaram-se em bravos ao cinzel da abolição |
2961_3765_000370|que o mundo antigo s'erga e lance a maldição sobre vós remembrando a negra lnquisição a hidra escura e vil da vil teocracia o santo ofício as provas o azeite a gemonia|que o mundo antigo s'erga e lance a maldição sobre vós remembrando a negra lnquisição a hidra escura e vil da vil teocracia o santo ofício as provas o azeite a gemonia |
2961_3765_000371|os monges hodiernos açoita sem piedade como o divino mestre o fez na antiguidade jesuítas e frades que o|os monges hodiernos açoita sem piedade como o divino mestre o fez na antiguidade jesuítas e frades que o |
2961_3765_000372|assim a escrava da criança ao grito destemida saltou e a turba dos senhores aterrada ante ela recuou nem mais um passo cobardes nem mais um passo ladrões se os outros roubam as bolsas vós roubais os corações|assim a escrava da criança ao grito destemida saltou e a turba dos senhores aterrada ante ela recuou nem mais um passo cobardes nem mais um passo ladrões se os outros roubam as bolsas vós roubais os corações |
2961_3765_000373|a hungria é como um cadáver ao relento exposto nu nem sequer a abriga a sombra do foragido kossuth aqui o méxico ardente vasto filho independente da liberdade e do sol|a hungria é como um cadáver ao relento exposto nu nem sequer a abriga a sombra do foragido kossuth aqui o méxico ardente vasto filho independente da liberdade e do sol |
2961_3765_000374|no rancho as noites se escoam voam quando geme o trovador ouvi pois que esta guitarra narra o meu romance de amor manuela era formosa rosa rosa aberta no sertão com seu torço adamascado dado ao sopro da viração|no rancho as noites se escoam voam quando geme o trovador ouvi pois que esta guitarra narra o meu romance de amor manuela era formosa rosa rosa aberta no sertão com seu torço adamascado dado ao sopro da viração |
2961_3765_000375|era o relampejar da liberdade nas nuvens do chorar da humanidade ou sarça do sinai relâmpagos que ferem de desmaios revoluções vós deles sois os raios escravos esperai|era o relampejar da liberdade nas nuvens do chorar da humanidade ou sarça do sinai relâmpagos que ferem de desmaios revoluções vós deles sois os raios escravos esperai |
2961_3765_000376|ligado parece embalde tenta cobrir com as mãos a fronte abutre que esqueceu que o sol vem no horizonte vede as crianças louras aprendem no evangelho a letra que comenta algum sublime velho|ligado parece embalde tenta cobrir com as mãos a fronte abutre que esqueceu que o sol vem no horizonte vede as crianças louras aprendem no evangelho a letra que comenta algum sublime velho |
2961_3765_000377|que tremes mulher que estranho crime que remorso cruel assim te oprime e te curva a cerviz o que nas dobras do vestido ocultas é um roubo talvez que aí sepultas é seu filho infeliz|que tremes mulher que estranho crime que remorso cruel assim te oprime e te curva a cerviz o que nas dobras do vestido ocultas é um roubo talvez que aí sepultas é seu filho infeliz |
2961_3765_000378|mas eu nas salas brilhantes entre as tranças deslumbrantes a virgem me enlaçará depois cadáver de rosa a valsa vertiginosa por sobre mim rolará|mas eu nas salas brilhantes entre as tranças deslumbrantes a virgem me enlaçará depois cadáver de rosa a valsa vertiginosa por sobre mim rolará |
2961_3765_000379|cintila a festa nas salas das serpentinas de prata jorram luzes em cascata sobre sedas e rubins soa a orquestra como silfos na valsa os pares perpassam sobre as flores que se enlaçam dos tapetes nos coxins|cintila a festa nas salas das serpentinas de prata jorram luzes em cascata sobre sedas e rubins soa a orquestra como silfos na valsa os pares perpassam sobre as flores que se enlaçam dos tapetes nos coxins |
2961_3765_000380|do sul do norte do oriente irrompem dórias siqueiras e machado então vem pedro lvo no cavalo negro da lua pálida ao fatal clarão|do sul do norte do oriente irrompem dórias siqueiras e machado então vem pedro lvo no cavalo negro da lua pálida ao fatal clarão |
2961_3765_000381|às vezes quando à tarde nas tardes brasileiras a cisma e a sombra descem das altas cordilheiras quando a viola acorda na choça o sertanejo e a linda lavadeira cantando deixa o brejo|às vezes quando à tarde nas tardes brasileiras a cisma e a sombra descem das altas cordilheiras quando a viola acorda na choça o sertanejo e a linda lavadeira cantando deixa o brejo |
2961_3765_000382|lutai há uma lei sublime que diz à sombra do crime há de a vingança marchar não ouvis do norte um grito que bate aos pés do infinito que vai franklin despertar|lutai há uma lei sublime que diz à sombra do crime há de a vingança marchar não ouvis do norte um grito que bate aos pés do infinito que vai franklin despertar |
2961_3765_000383|vender vender vender meu filho senhor por piedade não vós sois bom antes do peito me arranqueis o coração por piedade|vender vender vender meu filho senhor por piedade não vós sois bom antes do peito me arranqueis o coração por piedade |
2961_3765_000384|trema o céu ó ruína ó desgraça porque o negro bandido é quem passa porque o negro bandido bradou cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz|trema o céu ó ruína ó desgraça porque o negro bandido é quem passa porque o negro bandido bradou cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz |
2961_3765_000385|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz |
2961_3765_000386|entanto a névoa da noite no átrio na vasta rua como um sudário flutua nos ombros da solidão e as ventanias errantes pelos ermos perpassando vão se ocultar soluçando nos antros da escuridão|entanto a névoa da noite no átrio na vasta rua como um sudário flutua nos ombros da solidão e as ventanias errantes pelos ermos perpassando vão se ocultar soluçando nos antros da escuridão |
2961_3765_000387|pra as iras lhe sustar corta o raio a amplidão e em correntes de luz prende amarra o titão agonia sublime e ninguém nesta hora consola aquela dor naquela angústia chora|pra as iras lhe sustar corta o raio a amplidão e em correntes de luz prende amarra o titão agonia sublime e ninguém nesta hora consola aquela dor naquela angústia chora |
2961_3765_000388|cristo embalde morreste sobre um monte teu sangue não lavou de minha fronte a mancha original ainda hoje são por fado adverso meus filhos alimária do universo eu pasto universal|cristo embalde morreste sobre um monte teu sangue não lavou de minha fronte a mancha original ainda hoje são por fado adverso meus filhos alimária do universo eu pasto universal |
2961_3765_000389|povo povo infeliz povo mártir eterno tu és do cativeiro o prometeu moderno enlaça te no poste a cadeia das leis o pescoço do abutre é o cetro dos maus reis|povo povo infeliz povo mártir eterno tu és do cativeiro o prometeu moderno enlaça te no poste a cadeia das leis o pescoço do abutre é o cetro dos maus reis |
2961_3765_000390|ai por cúm'lo de horror o oriente golfa a luz no olímpo brinca o amor por entre os seios nus de tirso em punho o bando das lúbricas bacantes correm montanha e val em danças delirantes|ai por cúm'lo de horror o oriente golfa a luz no olímpo brinca o amor por entre os seios nus de tirso em punho o bando das lúbricas bacantes correm montanha e val em danças delirantes |
2961_3765_000391|me fazem tremer de frio como os juncos da lagoa feliz da araponga errante que é livre que livre voa que é livre que livre voa para as bandas do seu ninho e nas braúnas à tarde canta longe do caminho|me fazem tremer de frio como os juncos da lagoa feliz da araponga errante que é livre que livre voa que é livre que livre voa para as bandas do seu ninho e nas braúnas à tarde canta longe do caminho |
2961_3765_000392|que pensas moço triste que sonhas tu poeta então curvo a cabeça de raios carregada e atando brônzea corda à lira amargurada o canto de agonia arrojo à terra aos céus|que pensas moço triste que sonhas tu poeta então curvo a cabeça de raios carregada e atando brônzea corda à lira amargurada o canto de agonia arrojo à terra aos céus |
2961_3765_000393|então no meio de um silêncio lúgubre solta este grito a legião da morte aonde a terra que talhamos livre aonde o povo que fizemos forte|então no meio de um silêncio lúgubre solta este grito a legião da morte aonde a terra que talhamos livre aonde o povo que fizemos forte |
2961_3765_000394|então por entre a folhagem ao passarinho selvagem a rosa assim respondeu cala-te bardo dos bosques ai não troques os quiosques pela cúpula do céu|então por entre a folhagem ao passarinho selvagem a rosa assim respondeu cala-te bardo dos bosques ai não troques os quiosques pela cúpula do céu |
2961_3765_000395|já falta bem pouco sacode a cadeia que chamam riquezas que nódoas te são não manches a folha de tua epopéia no sangue do escravo no imundo balcão|já falta bem pouco sacode a cadeia que chamam riquezas que nódoas te são não manches a folha de tua epopéia no sangue do escravo no imundo balcão |
2961_3765_000396|o tiradentes sobre o poste erguido lá se destaca das cerúleas telas pelos cabelos a cabeça erguendo que rola sangue que espadana estrelas|o tiradentes sobre o poste erguido lá se destaca das cerúleas telas pelos cabelos a cabeça erguendo que rola sangue que espadana estrelas |
2961_3765_000397|mas que vejo eu aí que quadro d'amarguras é canto funeral que tétricas figuras que cena infame e vil meu deus meu deus que horror|mas que vejo eu aí que quadro d'amarguras é canto funeral que tétricas figuras que cena infame e vil meu deus meu deus que horror |
2961_3765_000398|céus arquejam peitos e frontes nos lábios dos horizontes há um riso de luz é deus às vezes quebra o silêncio ronco estrídulo feroz será o rugir das matas ou da plebe a imensa voz|céus arquejam peitos e frontes nos lábios dos horizontes há um riso de luz é deus às vezes quebra o silêncio ronco estrídulo feroz será o rugir das matas ou da plebe a imensa voz |
2961_3765_000399|num turbilhão de fogo árvore e fonte envolve e seca a límpida vertente sente a palmeira a um hálito de morte crespar se o verde circ'lo da folhagem que tinha a majestade de uma c'roa e a graça de uma solta cabeleira|num turbilhão de fogo árvore e fonte envolve e seca a límpida vertente sente a palmeira a um hálito de morte crespar se o verde circ'lo da folhagem que tinha a majestade de uma c'roa e a graça de uma solta cabeleira |
2961_3765_000400|por que foges de mim por que maria e gelas te de medo se me escutas ah sou bem formidável na verdade sei ter amor ter dores e ter cantos|por que foges de mim por que maria e gelas te de medo se me escutas ah sou bem formidável na verdade sei ter amor ter dores e ter cantos |
2961_3765_000401|ontem simples fortes bravos hoje míseros escravos sem luz sem ar sem razão|ontem simples fortes bravos hoje míseros escravos sem luz sem ar sem razão |
2961_3765_000402|astros noites tempestades rolai das imensidades varrei os mares tufão quem são estes desgraçados que não encontram em vós mais que o rir calmo da turba que excita a fúria do algoz quem são|astros noites tempestades rolai das imensidades varrei os mares tufão quem são estes desgraçados que não encontram em vós mais que o rir calmo da turba que excita a fúria do algoz quem são |
2961_3765_000403|porém sabes às vezes há no fundo do deserto o uragã que tem ciúmes da fonte amada e arroja se e galopa o ar e a areia misturando turvos sob o vôo pesado de suas asas|porém sabes às vezes há no fundo do deserto o uragã que tem ciúmes da fonte amada e arroja se e galopa o ar e a areia misturando turvos sob o vôo pesado de suas asas |
2961_3765_000404|o cantar dos astros no mar do firmamento no mar das matas virgens ouço o cantar do vento aromas que s'elevam raios de luz que descem estrelas que despontam gritos que se|o cantar dos astros no mar do firmamento no mar das matas virgens ouço o cantar do vento aromas que s'elevam raios de luz que descem estrelas que despontam gritos que se |
2961_3765_000405|leitor se não tens desprezo de vir descer às senzalas trocar tapetes e salas por um alcouce cruel que o teu vestido bordado vem comigo mas cuidado não fique no chão manchado no chão do imundo bordel|leitor se não tens desprezo de vir descer às senzalas trocar tapetes e salas por um alcouce cruel que o teu vestido bordado vem comigo mas cuidado não fique no chão manchado no chão do imundo bordel |
2961_3765_000406|ai tua voz é mais doce do que o canto das aves que no céu vibram as asas e que vem no horizonte lá da pátria da pátria onde era rei onde era livre|ai tua voz é mais doce do que o canto das aves que no céu vibram as asas e que vem no horizonte lá da pátria da pátria onde era rei onde era livre |
2961_3765_000407|através das areias africanas guia o viajante lânguido à cisterna e por que enjeitas meu amor escuta eu sou rei minha fronte se levanta sobre as frontes de todos|através das areias africanas guia o viajante lânguido à cisterna e por que enjeitas meu amor escuta eu sou rei minha fronte se levanta sobre as frontes de todos |
2961_3765_000408|dos saaras africanos dos gelos da sibéria do cáucaso dos campos dessa infeliz lbéria dos mármores lascados da terra santa homérica dos pampas das savanas desta soberba américa prorrompe o hino livre o hino do trabalho|dos saaras africanos dos gelos da sibéria do cáucaso dos campos dessa infeliz lbéria dos mármores lascados da terra santa homérica dos pampas das savanas desta soberba américa prorrompe o hino livre o hino do trabalho |
2961_3765_000409|estranhas melodias estranhos pensamentos vibram me as cordas d'alma enquanto absorto cismo senhor vendo tua sombra curvada sobre o abismo colher a prece alada o canto que esvoaça e a lágrima que orvalha o lírio da desgraça|estranhas melodias estranhos pensamentos vibram me as cordas d'alma enquanto absorto cismo senhor vendo tua sombra curvada sobre o abismo colher a prece alada o canto que esvoaça e a lágrima que orvalha o lírio da desgraça |
2961_3765_000410|então me arrojo ousado das eras através deixando estrelas séculos volverem se a meus pés porque em minh'alma sinto ferver enorme grito ante o estupendo quadro das telas do infinito|então me arrojo ousado das eras através deixando estrelas séculos volverem se a meus pés porque em minh'alma sinto ferver enorme grito ante o estupendo quadro das telas do infinito |
2961_3765_000411|aí fitando uma rosa sua voz triste e saudosa pôs-se a improvisar assim ó rosa ó rosa bonita ó sultana favorita deste serralho de azul flor que vives num palácio como as princesas de lácio como as filhas de stambul|aí fitando uma rosa sua voz triste e saudosa pôs-se a improvisar assim ó rosa ó rosa bonita ó sultana favorita deste serralho de azul flor que vives num palácio como as princesas de lácio como as filhas de stambul |
2961_3765_000412|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz|cai orvalho de sangue do escravo cai orvalho na face do algoz cresce cresce seara vermelha cresce cresce vingança feroz |
2961_3765_000413|desde este dia o vento da desgraça por meus cabelos ululando passa o anátema cruel as tribos erram do areal nas vagas e o nômade faminto corta as plagas no rápido corcel|desde este dia o vento da desgraça por meus cabelos ululando passa o anátema cruel as tribos erram do areal nas vagas e o nômade faminto corta as plagas no rápido corcel |
2961_3765_000414|como outra madalena banhando a fronte pura na viração serena da urna do crepúsculo verter nos céus azuis perfumes luzes preces curvada aos pés da cruz|como outra madalena banhando a fronte pura na viração serena da urna do crepúsculo verter nos céus azuis perfumes luzes preces curvada aos pés da cruz |
2961_3765_000415|grega haidéia quero em seu seio escravo desgraçado a este nome tremeu te o braço exangue vê manchaste me a toga com o falerno irás manchar o coliseu com o sangue|grega haidéia quero em seu seio escravo desgraçado a este nome tremeu te o braço exangue vê manchaste me a toga com o falerno irás manchar o coliseu com o sangue |
2961_3765_000416|homens do mar ó rudes marinheiros tostados pelo sol dos quatro mundos crianças que a procela acalentara no berço destes pélagos profundos esperai esperai|homens do mar ó rudes marinheiros tostados pelo sol dos quatro mundos crianças que a procela acalentara no berço destes pélagos profundos esperai esperai |
2961_3765_000417|é outro condenado ao raio do infinito é o retumbar por terra desses impuros paços desses serralhos negros desses egeus devassos saturnos de granito feitos de sangue e ossos que bebem a existência do povo nos destroços|é outro condenado ao raio do infinito é o retumbar por terra desses impuros paços desses serralhos negros desses egeus devassos saturnos de granito feitos de sangue e ossos que bebem a existência do povo nos destroços |
2961_3765_000418|ó pátria desperta não curves a fronte que enxuga te os prantos o sol do equador não miras na fímbria do vasto horizonte a luz da alvorada de um dia melhor|ó pátria desperta não curves a fronte que enxuga te os prantos o sol do equador não miras na fímbria do vasto horizonte a luz da alvorada de um dia melhor |
2961_3765_000419|e ao canto dos obreiros na orquestra audaz do malho o ruído se mistura da imprensa das idéias todos da liberdade forjando as epopéias todos co'as mãos calosas todos banhando a fronte ao sol da independência que irrompe no horizonte|e ao canto dos obreiros na orquestra audaz do malho o ruído se mistura da imprensa das idéias todos da liberdade forjando as epopéias todos co'as mãos calosas todos banhando a fronte ao sol da independência que irrompe no horizonte |
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