audio_name|transcripts|normalized_transcripts
stringlengths
38
742
4367_4572_000088|como a ave dos palmares pelos ares fugindo do caçador eu vivo longe do ninho sem carinho sem carinho e sem amor|como a ave dos palmares pelos ares fugindo do caçador eu vivo longe do ninho sem carinho sem carinho e sem amor
4367_4572_000089|mas se eu não te jurei nada como hás de tu estouvada saber se eu as cumpro ou não tu dizes que eu sempre minto que protesto o que não sinto que todo o poeta é vário que é borboleta inconstante mas agora neste instante eu vou provar te o contrário|mas se eu não te jurei nada como hás de tu estouvada saber se eu as cumpro ou não tu dizes que eu sempre minto que protesto o que não sinto que todo o poeta é vário que é borboleta inconstante mas agora neste instante eu vou provar te o contrário
4367_4572_000090|é o coração que se espraia sobre o eterno tema do amor e que soletra o seu poema misterioso ao luar melancólico das nossas noites meu deus que se há de escrever aos vinte anos quando a alma conserva ainda um pouco da crença e da virgindade do berço|é o coração que se espraia sobre o eterno tema do amor e que soletra o seu poema misterioso ao luar melancólico das nossas noites meu deus que se há de escrever aos vinte anos quando a alma conserva ainda um pouco da crença e da virgindade do berço
4367_4572_000091|vem cá sentada a meu lado com esse rosto adorado brilhante de sentimento ao colo o braço cingido olhar no meu embebido escuta o meu juramento|vem cá sentada a meu lado com esse rosto adorado brilhante de sentimento ao colo o braço cingido olhar no meu embebido escuta o meu juramento
4367_4572_000092|nossas florestas sacudindo os galhos tocam cos braços este céu azul se tudo é grande neste pátrio ninho porque deixai o pra viver no sul|nossas florestas sacudindo os galhos tocam cos braços este céu azul se tudo é grande neste pátrio ninho porque deixai o pra viver no sul
4367_4572_000093|aves dos bosques brisas das montanhas bem te vis do campo sabiás da praia cantai correi brilhai minhalma em ânsias treme de gozo e de prazer desmaia|aves dos bosques brisas das montanhas bem te vis do campo sabiás da praia cantai correi brilhai minhalma em ânsias treme de gozo e de prazer desmaia
4367_4572_000094|como são belos os dias do despontar da existência respira a alma inocência como perfumes a flor o mar é lago sereno o céu um manto azulado o mundo um sonho dourado a vida um hino damor|como são belos os dias do despontar da existência respira a alma inocência como perfumes a flor o mar é lago sereno o céu um manto azulado o mundo um sonho dourado a vida um hino damor
4367_4572_000095|podes ler o meu livro adoro a infância deixo a esmola na enxerga do mendigo creio em deus amo a pátria e em noites lindas minhalma aberta em flor sonha contigo|podes ler o meu livro adoro a infância deixo a esmola na enxerga do mendigo creio em deus amo a pátria e em noites lindas minhalma aberta em flor sonha contigo
4367_4572_000096|eu juro sobre estas tranças e pelas chamas que lanças desses teus olhos divinos eu juro minha inocente embalar te docemente ao som dos mais ternos hinos|eu juro sobre estas tranças e pelas chamas que lanças desses teus olhos divinos eu juro minha inocente embalar te docemente ao som dos mais ternos hinos
4367_4572_000097|oh que saudades que tenho da aurora da minha vida da minha infância querida que os anos não trazem mais que amor que sonhos que flores naquelas tardes fagueiras à sombra das bananeiras debaixo dos laranjais|oh que saudades que tenho da aurora da minha vida da minha infância querida que os anos não trazem mais que amor que sonhos que flores naquelas tardes fagueiras à sombra das bananeiras debaixo dos laranjais
4367_4572_000098|azul tupá bondoso te derrame graças doce ventura te bafeje e siga e nos meus braços ao voltar do exílio saudando o berço que teu lábio diga|azul tupá bondoso te derrame graças doce ventura te bafeje e siga e nos meus braços ao voltar do exílio saudando o berço que teu lábio diga
4367_4572_000099|a sua vista espairecendo vaga quase indolente não me viu ai não mas eu que sinto tão profunda a chaga ainda a vejo como a vi então|a sua vista espairecendo vaga quase indolente não me viu ai não mas eu que sinto tão profunda a chaga ainda a vejo como a vi então
4367_4572_000100|nós cantores novéis somos as vozes secundárias que se perdem no conjunto duma grande orquestra há o único mérito de não ficarmos calados|nós cantores novéis somos as vozes secundárias que se perdem no conjunto duma grande orquestra há o único mérito de não ficarmos calados
4367_4572_000101|oh nessa idade da paixão lasciva como o prazer é o chorar preciso mas breve passa qual a chuva estiva e quase ao pranto se mistura o riso|oh nessa idade da paixão lasciva como o prazer é o chorar preciso mas breve passa qual a chuva estiva e quase ao pranto se mistura o riso
4367_4572_000102|oh dias da minha infância oh meu céu de primavera que doce a vida não era nessa risonha manhã em vez das mágoas de agora eu tinha nessas delícias de minha mãe as carícias e beijos de minha irmã|oh dias da minha infância oh meu céu de primavera que doce a vida não era nessa risonha manhã em vez das mágoas de agora eu tinha nessas delícias de minha mãe as carícias e beijos de minha irmã
4367_4572_000103|quero amor quero amor uns dedos brancos que passem a brincar nos meus cabelos rosto lindo de fada vaporosa que dê-me vida e que me mate em zelos|quero amor quero amor uns dedos brancos que passem a brincar nos meus cabelos rosto lindo de fada vaporosa que dê-me vida e que me mate em zelos
4367_4572_000104|feliz sorvia nesse olhar suave todo o perfume dessa flor da infância ouvia alegre o gazear dessa ave depois a borboleta da campina toda azul como os olhos grandes dela a doudejar gentil passou bem junto e beijou-lhe da face a rosa bela|feliz sorvia nesse olhar suave todo o perfume dessa flor da infância ouvia alegre o gazear dessa ave depois a borboleta da campina toda azul como os olhos grandes dela a doudejar gentil passou bem junto e beijou-lhe da face a rosa bela
4367_4572_000105|lá novos campos outros campos ligam e a vista fraca na extensão se perde e tu sozinha viverás no exílio garça perdida nesse mar que é verde|lá novos campos outros campos ligam e a vista fraca na extensão se perde e tu sozinha viverás no exílio garça perdida nesse mar que é verde
4367_4572_000106|na pátria no país das flores o filho pródigo a seus lares volve e concertando as suas vestes rotas o seu passado com prazer revolve|na pátria no país das flores o filho pródigo a seus lares volve e concertando as suas vestes rotas o seu passado com prazer revolve
4367_4572_000107|de tarde a pomba vem gemer sentida à beira do caminho talvez perdida na floresta ingente a triste geme nessa voz plangente saudades do seu ninho|de tarde a pomba vem gemer sentida à beira do caminho talvez perdida na floresta ingente a triste geme nessa voz plangente saudades do seu ninho
4367_4572_000108|o seu olhar não me cobriu dafago e minha imagem nem sequer guardou qual se reflete sobre a flor dum lago a branca nuvem que no céu passou|o seu olhar não me cobriu dafago e minha imagem nem sequer guardou qual se reflete sobre a flor dum lago a branca nuvem que no céu passou
4367_4572_000109|vi-a e amei a que a minha alma ardente em longos sonhos a sonhara assim o ideal sublime que eu criei na mente que em vão buscava e que encontrei por fim|vi-a e amei a que a minha alma ardente em longos sonhos a sonhara assim o ideal sublime que eu criei na mente que em vão buscava e que encontrei por fim
4367_4572_000110|então a alma cansada dos belos sonhos despida chorando a passada vida só tem um canto saudade|então a alma cansada dos belos sonhos despida chorando a passada vida só tem um canto saudade
4367_4572_000111|tu minspiraste oh musa do silêncio mimosa flor da lânguida saudade por ti correu meu estro ardente e louco nos verdores febris da mocidade|tu minspiraste oh musa do silêncio mimosa flor da lânguida saudade por ti correu meu estro ardente e louco nos verdores febris da mocidade
4367_4572_000112|era um canto simples e natural como o dos passarinhos e para possuí-lo hoje eu dera em troca este volume inútil que nem conserva ao menos o sabor virginal daqueles prelúdios|era um canto simples e natural como o dos passarinhos e para possuí-lo hoje eu dera em troca este volume inútil que nem conserva ao menos o sabor virginal daqueles prelúdios
4367_4572_000113|juntas unidas num estreito abraço as nossas almas uma só serão e a fronte enferma sobre o teu regaço criará poemas dimortal paixão|juntas unidas num estreito abraço as nossas almas uma só serão e a fronte enferma sobre o teu regaço criará poemas dimortal paixão
4367_4572_000114|o filho dos trópicos deve escrever numa linguagem propriamente sua lânguida como ele quente como o sol que o abrasa grande e misteriosa como as suas matas seculares|o filho dos trópicos deve escrever numa linguagem propriamente sua lânguida como ele quente como o sol que o abrasa grande e misteriosa como as suas matas seculares
4367_4572_000115|adormecia sorrindo e despertava a cantar oh que saudades que tenho da aurora da minha vida da minha infância querida que os anos não trazem mais|adormecia sorrindo e despertava a cantar oh que saudades que tenho da aurora da minha vida da minha infância querida que os anos não trazem mais
4367_4572_000116|vinhas pelas horas das tristezas sobre o meu ombro debruçar te a medo a dizer-me baixinho mil cantigas como vozes sutis dalgum segredo por ti eu me embarquei cantando e rindo marinheiro de amor no batel curvo|vinhas pelas horas das tristezas sobre o meu ombro debruçar te a medo a dizer-me baixinho mil cantigas como vozes sutis dalgum segredo por ti eu me embarquei cantando e rindo marinheiro de amor no batel curvo
4367_4572_000117|rasgando afouto em hinos desperança as ondas verde azuis dum mar que é turvo por ti corri sedento atrás da glória por ti queimei me cedo em seus fulgores queria de harmonia encher te a vida palmas na fronte no regaço flores|rasgando afouto em hinos desperança as ondas verde azuis dum mar que é turvo por ti corri sedento atrás da glória por ti queimei me cedo em seus fulgores queria de harmonia encher te a vida palmas na fronte no regaço flores
4367_4572_000118|depois na quadra ditosa nos dias da juventude quando o peito é um alaúde e que a fronte tem calor a alma que então se expande ardente fogosa e bela idolatrando a donzela soletra em trovas|depois na quadra ditosa nos dias da juventude quando o peito é um alaúde e que a fronte tem calor a alma que então se expande ardente fogosa e bela idolatrando a donzela soletra em trovas
4367_4572_000119|mas hoje minha querida eu dera até esta vida pra poupar essas lágrimas queixosas que as tuas faces mimosas vêm molhar|mas hoje minha querida eu dera até esta vida pra poupar essas lágrimas queixosas que as tuas faces mimosas vêm molhar
4367_4572_000120|livre filho das montanhas eu ia bem satisfeito da camisa aberto o peito pés descalços braços nus correndo pelas campinas à roda das cachoeiras atrás das asas ligeiras das borboletas azuis|livre filho das montanhas eu ia bem satisfeito da camisa aberto o peito pés descalços braços nus correndo pelas campinas à roda das cachoeiras atrás das asas ligeiras das borboletas azuis
4367_4572_000121|quero amor quero vida um rosto virgem alma de arcanjo que me fale amores que ria e chore que suspire e gema e doure a vida sobre um chão de flores|quero amor quero vida um rosto virgem alma de arcanjo que me fale amores que ria e chore que suspire e gema e doure a vida sobre um chão de flores
4367_4572_000122|quero amor quero vida os lábios ardem preciso as dores dum sentir profundo sôfrego a taça esgotarei dum trago embora a morte vá topar no fundo|quero amor quero vida os lábios ardem preciso as dores dum sentir profundo sôfrego a taça esgotarei dum trago embora a morte vá topar no fundo
4367_4572_000123|que amor que sonhos que flores naquelas tardes fagueiras à sombra das bananeiras debaixo dos laranjais|que amor que sonhos que flores naquelas tardes fagueiras à sombra das bananeiras debaixo dos laranjais
4367_4572_000124|dá-me em teus lábios um sorrir fagueiro e desses olhos um volver um só e verás que meu estro hoje rasteiro cantando amores serguerá do pó|dá-me em teus lábios um sorrir fagueiro e desses olhos um volver um só e verás que meu estro hoje rasteiro cantando amores serguerá do pó
4367_4572_000125|embora digas essa terra fria merece amores é irmã da minha quem dar-te pode este calor do ninho a luz suave que o teu berço tinha|embora digas essa terra fria merece amores é irmã da minha quem dar-te pode este calor do ninho a luz suave que o teu berço tinha
4367_4572_000126|chorei era de tarde o crepúsculo descia sobre a crista das montanhas e a natureza como que se recolhia para entoar o cântico da noite as sombras estendiam-se pelo leito dos vales e o silêncio tornava mais solene a voz melancólica do cair das cachoeiras|chorei era de tarde o crepúsculo descia sobre a crista das montanhas e a natureza como que se recolhia para entoar o cântico da noite as sombras estendiam-se pelo leito dos vales e o silêncio tornava mais solene a voz melancólica do cair das cachoeiras
4367_4572_000127|mas vê-lo quando a sua alma ao som dignota harmonia se derramava em poesia quando junto da donzela cativo dos olhos dela na voz que balbuciava de amores falava a medo quando o peito trasbordava de crenças de amor de fé|mas vê-lo quando a sua alma ao som dignota harmonia se derramava em poesia quando junto da donzela cativo dos olhos dela na voz que balbuciava de amores falava a medo quando o peito trasbordava de crenças de amor de fé
4367_4572_000128|ver a rosa do prado que a aurora deu cor e vida de manhã flor do valado de tarde rosa pendida mas ver a pobre mangueira na primavera primeira crescendo toda enfeitada de folhas perfume e flor ouvindo o canto de amor no sopro da viração|ver a rosa do prado que a aurora deu cor e vida de manhã flor do valado de tarde rosa pendida mas ver a pobre mangueira na primavera primeira crescendo toda enfeitada de folhas perfume e flor ouvindo o canto de amor no sopro da viração
4367_4572_000129|e morta a pomba nunca mais suspira à beira do caminho e como a juriti longe dos lares nunca mais chorarei nos meus cantares saudades do meu ninho|e morta a pomba nunca mais suspira à beira do caminho e como a juriti longe dos lares nunca mais chorarei nos meus cantares saudades do meu ninho
4367_4572_000130|perfumes da floresta vozes doces mansa lagoa que o luar prateia claros riachos cachoeiras altas ondas tranqüilas que morreis na areia|perfumes da floresta vozes doces mansa lagoa que o luar prateia claros riachos cachoeiras altas ondas tranqüilas que morreis na areia
4367_4572_000131|amor mas quando a crença se esgota na taça dos desenganos e o lento correr dos anos envenena a mocidade|amor mas quando a crença se esgota na taça dos desenganos e o lento correr dos anos envenena a mocidade
4367_4572_000132|ela estava sentada em meus joelhos e brincava comigo o anjo louro e passando as mãozinhas no meu rosto sacudia rindo os seus cabelos douro e eu fitando-a abençoava a vida|ela estava sentada em meus joelhos e brincava comigo o anjo louro e passando as mãozinhas no meu rosto sacudia rindo os seus cabelos douro e eu fitando-a abençoava a vida
4367_4572_000133|a lua é doce nosso mar tranqüilo mais leve a brisa nosso céu azul tupá quem troca pelo pátrio ninho as ventanias dos vergéis do sul|a lua é doce nosso mar tranqüilo mais leve a brisa nosso céu azul tupá quem troca pelo pátrio ninho as ventanias dos vergéis do sul
4367_4572_000134|volvo contente para o pátrio ninho deixei sorrindo esses vergéis do sul tinha saudades deste sol de fogo não deixo mais este meu céu azul|volvo contente para o pátrio ninho deixei sorrindo esses vergéis do sul tinha saudades deste sol de fogo não deixo mais este meu céu azul
4367_4572_000135|assim as minhas primaveras não passam de um ramalhete das flores próprias da estação flores que o vento esfolhará amanhã e que apenas valem como promessa dos frutos do outono|assim as minhas primaveras não passam de um ramalhete das flores próprias da estação flores que o vento esfolhará amanhã e que apenas valem como promessa dos frutos do outono
4367_4572_000136|o juramento está feito foi dito coa mão no peito apontando ao coração e agora por vida minha tu verás oh moreninha tu verás se o cumpro ou não|o juramento está feito foi dito coa mão no peito apontando ao coração e agora por vida minha tu verás oh moreninha tu verás se o cumpro ou não
4367_4572_000137|a de agosto de o alvo a ti doce virgem dos meus sonhos visão dourada dum cismar tão puro que sorrias por noites de vigília entre as rosas gentis do meu futuro|a de agosto de o alvo a ti doce virgem dos meus sonhos visão dourada dum cismar tão puro que sorrias por noites de vigília entre as rosas gentis do meu futuro
4367_4572_000138|sombras e sonhos um dia além dos órgãos na poética friburgo isolado dos meus companheiros de estudo tive saudades da casa paterna e chorei|sombras e sonhos um dia além dos órgãos na poética friburgo isolado dos meus companheiros de estudo tive saudades da casa paterna e chorei
4367_4572_000139|quero amor quero vida aqui na sombra no silêncio e na voz desta natura da primavera de minhalma os cantos caso coas flores da estação mais pura|quero amor quero vida aqui na sombra no silêncio e na voz desta natura da primavera de minhalma os cantos caso coas flores da estação mais pura
4367_4572_000140|que sede que eu sentia nessas noites quanto beijo roçou me os lábios quentes e pálido acordava no meu leito sozinho e órfão das visões ardentes|que sede que eu sentia nessas noites quanto beijo roçou me os lábios quentes e pálido acordava no meu leito sozinho e órfão das visões ardentes
4367_4572_000141|oh vem formosa meu amor é santo é grande e belo como é grande o mar e doce e triste como dharpa um canto na corda extrema que já vai quebrar|oh vem formosa meu amor é santo é grande e belo como é grande o mar e doce e triste como dharpa um canto na corda extrema que já vai quebrar
4367_4572_000142|sonhar assim se amanhã se logo sentires na face amada passar um sopro de fogo que te queime o coração|sonhar assim se amanhã se logo sentires na face amada passar um sopro de fogo que te queime o coração
4367_4572_000143|choraste de envergonhada no teu pudor ofendida porque minhalma atrevida no seu palácio de fada no sonhar da fantasia ardeu em loucos desejos ousou cobrir-te de beijos e quis manchar te na orgia|choraste de envergonhada no teu pudor ofendida porque minhalma atrevida no seu palácio de fada no sonhar da fantasia ardeu em loucos desejos ousou cobrir-te de beijos e quis manchar te na orgia
4367_4572_000144|e se ela farta dos aromas doces que tem achado nos jardins divinos tão caprichosa machucasse as rosas diz-me meu louco o que mais tinhas hinos|e se ela farta dos aromas doces que tem achado nos jardins divinos tão caprichosa machucasse as rosas diz-me meu louco o que mais tinhas hinos
4367_4572_000145|o lírio pendido pelo vento desabrido da divindade aos arcanos dobrando a fronte saudosa chorar a virgem formosa morta na flor dos anos|o lírio pendido pelo vento desabrido da divindade aos arcanos dobrando a fronte saudosa chorar a virgem formosa morta na flor dos anos
4367_4572_000146|quis cantar a minha terra mas não pode mais a lira que outro filho das montanhas o mesmo canto desfira que o proscrito o desterrado de ternos prantos banhado de saudades torturado em vez de cantar suspira|quis cantar a minha terra mas não pode mais a lira que outro filho das montanhas o mesmo canto desfira que o proscrito o desterrado de ternos prantos banhado de saudades torturado em vez de cantar suspira
4367_4572_000147|é como a rocha toda estéril nos plainos do ara em tu fada de amor dar-lhe coa vara qual do penedo que moisés tocara o jorro saltará|é como a rocha toda estéril nos plainos do ara em tu fada de amor dar-lhe coa vara qual do penedo que moisés tocara o jorro saltará
4367_4572_000148|tens razão valsa donzela a mocidade é tão bela e a vida dura tão pouco no burburinho das salas cercada de amor e galas sê tu feliz eu sou louco|tens razão valsa donzela a mocidade é tão bela e a vida dura tão pouco no burburinho das salas cercada de amor e galas sê tu feliz eu sou louco
4367_4572_000149|ó anjo da loura trança não descansa a primavera inda em flor por isso aproveita a aurora pois agora tudo é riso e tudo amor|ó anjo da loura trança não descansa a primavera inda em flor por isso aproveita a aurora pois agora tudo é riso e tudo amor
4367_4572_000150|então que a minha alma dormente duma vaga tristeza se inunda e que um rosto formoso inocente me desperta saudade profunda|então que a minha alma dormente duma vaga tristeza se inunda e que um rosto formoso inocente me desperta saudade profunda
4367_4572_000151|dizem que há gozos no viver damores só eu não sei em que o prazer consiste eu vejo o mundo na estação das flores tudo sorri mas a minhalma é triste|dizem que há gozos no viver damores só eu não sei em que o prazer consiste eu vejo o mundo na estação das flores tudo sorri mas a minhalma é triste
4367_4572_000152|doce filha da lânguida tristeza ergue a fronte pendida o sol fulgura como a flor indolente da campina abre ao sol da paixão tua alma pura|doce filha da lânguida tristeza ergue a fronte pendida o sol fulgura como a flor indolente da campina abre ao sol da paixão tua alma pura
4367_4572_000153|a chama seduz e brilha qual diamante entre as gazas e tu no fogo maldito tão descuidosa te abrasas mariposa mariposa tu vais queimar tuas asas|a chama seduz e brilha qual diamante entre as gazas e tu no fogo maldito tão descuidosa te abrasas mariposa mariposa tu vais queimar tuas asas
4367_4572_000154|e longe não pude sorver te a lágrima pura paul a úl pântano que banhou te a formosura ouvir-te a voz de alaúde a lamentar-se sentida humilde cair te aos pés oferecer te esta vida no sacrifício mais santo para poupar esse pranto que te rolou sobre a tez|e longe não pude sorver te a lágrima pura paul a úl pântano que banhou te a formosura ouvir-te a voz de alaúde a lamentar-se sentida humilde cair te aos pés oferecer te esta vida no sacrifício mais santo para poupar esse pranto que te rolou sobre a tez
4367_4572_000155|orvalho mas como às vezes sobre o céu sereno corre uma nuvem que a tormenta guia também a lira alguma vez sombria solta gemendo de amargura um treno|orvalho mas como às vezes sobre o céu sereno corre uma nuvem que a tormenta guia também a lira alguma vez sombria solta gemendo de amargura um treno
4367_4572_000156|e sonhava formosa embebida no doce sonhar e doce e sereno num mágico anseio debaixo das roupa batia-lhe o seio no seu palpitar|e sonhava formosa embebida no doce sonhar e doce e sereno num mágico anseio debaixo das roupa batia-lhe o seio no seu palpitar
4367_4572_000157|a mocidade no sonhar florida em mim foi beijo de lasciva virgem pulava o sangue e me fervia a vida ardendo a fronte em bacanal vertigem de tanto fogo tinha a mente cheia no afã da glória me atirei com ânsia|a mocidade no sonhar florida em mim foi beijo de lasciva virgem pulava o sangue e me fervia a vida ardendo a fronte em bacanal vertigem de tanto fogo tinha a mente cheia no afã da glória me atirei com ânsia
4367_4572_000158|índio a saudar o sol nascente coo sorriso nos lábios franco e ledo aperto a tua mão cantor das açucenas crê me agora este canto que a lira balbucia é pobre mas de irmão|índio a saudar o sol nascente coo sorriso nos lábios franco e ledo aperto a tua mão cantor das açucenas crê me agora este canto que a lira balbucia é pobre mas de irmão
4367_4572_000159|o mundo o mundo e que te importa o mundo velho invejoso a resmungar baixinho nada perturba a paz serena e doce que as rolas gozam no seu|o mundo o mundo e que te importa o mundo velho invejoso a resmungar baixinho nada perturba a paz serena e doce que as rolas gozam no seu
4367_4572_000160|ilusão que a minha alma coitada de ilusões hoje em dia é que vive é chorando uma gloria passada é carpindo uns amores que eu tive|ilusão que a minha alma coitada de ilusões hoje em dia é que vive é chorando uma gloria passada é carpindo uns amores que eu tive
4367_4572_000161|liberdade anos correram no torrão fecundo ao sol de fogo deste novo mundo a semente brotou e franca e leda a geração nascente à copa altiva da árvore frondente segura se abrigou|liberdade anos correram no torrão fecundo ao sol de fogo deste novo mundo a semente brotou e franca e leda a geração nascente à copa altiva da árvore frondente segura se abrigou
4367_4572_000162|se um rosto virgem doce vertigem me desse nalma turbando a calma que me enlanguece oh se eu pudesse hoje sequer fartar desejos nos longos beijos duma mulher|se um rosto virgem doce vertigem me desse nalma turbando a calma que me enlanguece oh se eu pudesse hoje sequer fartar desejos nos longos beijos duma mulher
4367_4572_000163|de pobre e de ancião e|de pobre e de ancião e
4367_4572_000164|onde foste visão dos meus amores minhalma sem te ver louca suspira nunca mais unirás sombra encantada o som do teu piano à voz da lira|onde foste visão dos meus amores minhalma sem te ver louca suspira nunca mais unirás sombra encantada o som do teu piano à voz da lira
4367_4572_000165|quando a lua majestosa surgindo linda e formosa como donzela vaidosa nas águas se vai mirar nessas horas de silêncio de tristezas e de amor|quando a lua majestosa surgindo linda e formosa como donzela vaidosa nas águas se vai mirar nessas horas de silêncio de tristezas e de amor
4367_4572_000166|ou só no campo ou no rumor das salas não sei porque mas a minhalma é triste minhalma é triste como a voz do sino carpindo o morto sobre a laje fria|ou só no campo ou no rumor das salas não sei porque mas a minhalma é triste minhalma é triste como a voz do sino carpindo o morto sobre a laje fria
4367_4572_000167|mas tu não sabes louquinha que a flor que pobre definha merece mais compaixão que a desgraçada precisa como do sopro da brisa os ais do teu coração|mas tu não sabes louquinha que a flor que pobre definha merece mais compaixão que a desgraçada precisa como do sopro da brisa os ais do teu coração
4367_4572_000168|agora corres nos charcos em vez das alvas areias deleita te a voz fingida dessas formosas sereias mas eu te falo e te aviso olha que tu te enlameias|agora corres nos charcos em vez das alvas areias deleita te a voz fingida dessas formosas sereias mas eu te falo e te aviso olha que tu te enlameias
4367_4572_000169|e triste não se ri minha mente já delira e meu peito só suspira por ti por ti ai quem me dera essa vida tão bela e doce vivida nos meus lares sem pesares|e triste não se ri minha mente já delira e meu peito só suspira por ti por ti ai quem me dera essa vida tão bela e doce vivida nos meus lares sem pesares
4367_4572_000170|a mocidade como a deusa antiga na fronte virgem lhe derrama flores abri lhe as rosas da grinalda amiga na mocidade derramai lhe amores|a mocidade como a deusa antiga na fronte virgem lhe derrama flores abri lhe as rosas da grinalda amiga na mocidade derramai lhe amores
4367_4572_000171|descansa se no céu há luz mais pura de certo gozarás nessa ventura do justo a placidez se há doces sonhos no viver celeste dorme tranqüilo à sombra do cipreste não tarda a minha vez|descansa se no céu há luz mais pura de certo gozarás nessa ventura do justo a placidez se há doces sonhos no viver celeste dorme tranqüilo à sombra do cipreste não tarda a minha vez
4367_4572_000172|tu és formosa e modesta as outras são tão vaidosas embora vivas na sombra amo-te mais do que às rosas a borboleta travessa vive de sol e de flores eu quero o sol de teus olhos o néctar dos teus amores|tu és formosa e modesta as outras são tão vaidosas embora vivas na sombra amo-te mais do que às rosas a borboleta travessa vive de sol e de flores eu quero o sol de teus olhos o néctar dos teus amores
4367_4572_000173|orgia perdão pro pobre demente culpado sim inocente que se te amou foi demais perdão pra mim que não pude calar a voz do alaúde nem comprimir os meus ais|orgia perdão pro pobre demente culpado sim inocente que se te amou foi demais perdão pra mim que não pude calar a voz do alaúde nem comprimir os meus ais
4367_4572_000174|mas se deus cortar me os dias no meio das melodias dos sonhos da mocidade minhalma tranqüila e pura à beira da sepultura sorrirá à eternidade|mas se deus cortar me os dias no meio das melodias dos sonhos da mocidade minhalma tranqüila e pura à beira da sepultura sorrirá à eternidade
4367_4572_000175|e a flor pra ter mais vida para ser rosa querida carece as gotas de orvalho com o talento é o mesmo quando tímido ele adeja qual ave que se espaneja como a flor também precisa em vez do sopro da brisa o sopro da simpatia que lhe adoce os amargores|e a flor pra ter mais vida para ser rosa querida carece as gotas de orvalho com o talento é o mesmo quando tímido ele adeja qual ave que se espaneja como a flor também precisa em vez do sopro da brisa o sopro da simpatia que lhe adoce os amargores
4367_4572_000176|depois uma vez sentados sob a copa do arvoredo falei te desse soluço que os lábios abriu te a medo mas tu fugindo guardaste daquele sonho o segredo|depois uma vez sentados sob a copa do arvoredo falei te desse soluço que os lábios abriu te a medo mas tu fugindo guardaste daquele sonho o segredo
4367_4572_000177|meu deus tu que és tão bom e tão clemente pra que apagas senhor a chama ardente num crânio de vulcão pra que poupas o cedro já vetusto e sem dó vais ferir o pobre arbusto às vezes no embrião|meu deus tu que és tão bom e tão clemente pra que apagas senhor a chama ardente num crânio de vulcão pra que poupas o cedro já vetusto e sem dó vais ferir o pobre arbusto às vezes no embrião
4367_4572_000178|o mundo em que eu habito tem mais sonhos a vida mais prazer vem pepita das tardes no remanso da rede dos amores no balanço comigo adormecer|o mundo em que eu habito tem mais sonhos a vida mais prazer vem pepita das tardes no remanso da rede dos amores no balanço comigo adormecer
4367_4572_000179|dizem que há gozos no correr da vida só eu não sei em que o prazer consiste no amor na glória na mundana lida foram-se as flores a minhalma é triste|dizem que há gozos no correr da vida só eu não sei em que o prazer consiste no amor na glória na mundana lida foram-se as flores a minhalma é triste
4367_4572_000180|e sonhava no rosto serena qual um serafim os cílios pendidos nos olhos tão belos e a brisa brincando nos soltos cabelos de fino cetim|e sonhava no rosto serena qual um serafim os cílios pendidos nos olhos tão belos e a brisa brincando nos soltos cabelos de fino cetim
4367_4572_000181|eu gosto de ouvir ao longe cheio de mágoa e de dor o sino do campanário que fala tão solitário com esse som mortuário que nos enche de pavor|eu gosto de ouvir ao longe cheio de mágoa e de dor o sino do campanário que fala tão solitário com esse som mortuário que nos enche de pavor
4367_4572_000182|e do livro primeiro e as primaveras de casimiro de abreu eus u me lembro eu me lembro era pequeno e brincava na praia o mar bramia|e do livro primeiro e as primaveras de casimiro de abreu eus u me lembro eu me lembro era pequeno e brincava na praia o mar bramia
4367_4572_000183|tu fugiste feiticeira e decerto mais ligeira qualquer gazela não é tu ias de saia curta saltando a moita de murta mostraste mostraste o pé|tu fugiste feiticeira e decerto mais ligeira qualquer gazela não é tu ias de saia curta saltando a moita de murta mostraste mostraste o pé
4367_4572_000184|tens razão valsa donzela a mocidade é tão bela e a vida dura tão pouco pra que fez deus as mulheres pra que há na vida prazeres tu tens razão eu sou louco|tens razão valsa donzela a mocidade é tão bela e a vida dura tão pouco pra que fez deus as mulheres pra que há na vida prazeres tu tens razão eu sou louco
4367_4572_000185|minhalma é um jardim oculto em sombras coas flores em botão vem ser da primavera o sopro louco vem tu pepita bafejar me um pouco que as rosas abrirão|minhalma é um jardim oculto em sombras coas flores em botão vem ser da primavera o sopro louco vem tu pepita bafejar me um pouco que as rosas abrirão
4367_4572_000186|eu disse então meus amores deixa mirar tuas flores deixa perfumes sentir mas naquele doce enleio em vez das flores no seio no seio te fui bulir|eu disse então meus amores deixa mirar tuas flores deixa perfumes sentir mas naquele doce enleio em vez das flores no seio no seio te fui bulir
4367_4572_000187|foge do canto da gentil sereia que engana com sorriso de feitiços tão pálida rachel não encostes na taça os lábios sôfregos o vaso queima e beberás nos risos da amargura o fel|foge do canto da gentil sereia que engana com sorriso de feitiços tão pálida rachel não encostes na taça os lábios sôfregos o vaso queima e beberás nos risos da amargura o fel