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4367_4572_000188|no branco leito de pedra onde a miséria não medra sonhar os sonhos do céu ha tantas rosas nas campas tanta rama nos ciprestes|no branco leito de pedra onde a miséria não medra sonhar os sonhos do céu ha tantas rosas nas campas tanta rama nos ciprestes |
4367_4572_000189|apenas vi-te sereia chamei te rosa da aldeia como mais linda não há jesus como eras bonita coas tranças presas na fita coas flores no samburá|apenas vi-te sereia chamei te rosa da aldeia como mais linda não há jesus como eras bonita coas tranças presas na fita coas flores no samburá |
4367_4572_000190|será enorme o pecado mas tremenda a expiação se me deres por sentença da tua alma a indiferença do teu lábio a maldição perdão senhora perdão|será enorme o pecado mas tremenda a expiação se me deres por sentença da tua alma a indiferença do teu lábio a maldição perdão senhora perdão |
4367_4572_000191|da tarde morta o murmurar se cala ante a prece infantil que sobe e voa fresca e serena qual perfume doce das frescas rosas de gentil coroa|da tarde morta o murmurar se cala ante a prece infantil que sobe e voa fresca e serena qual perfume doce das frescas rosas de gentil coroa |
4367_4572_000192|não manches meu poeta as vestes brancas no mundo infame mirra se a grinalda e vão-se as ilusões a crença se desbota e o nauta chora desanimado no vaivém teimoso dos grossos vagalhões|não manches meu poeta as vestes brancas no mundo infame mirra se a grinalda e vão-se as ilusões a crença se desbota e o nauta chora desanimado no vaivém teimoso dos grossos vagalhões |
4367_4572_000193|dorme pois sobre a campa mal cerrada nós que sabemos que esta vida é nada choramos um irmão e denvolta cos prantos da amizade aqui trazemos nos goivos da saudade as vozes da oração|dorme pois sobre a campa mal cerrada nós que sabemos que esta vida é nada choramos um irmão e denvolta cos prantos da amizade aqui trazemos nos goivos da saudade as vozes da oração |
4367_4572_000194|flor mimosa que abrilhanta o prado ao sol nascente vai pedir fulgor e o sol abrindo da açucena as folhas dá-lhe perfumes e não nega amor|flor mimosa que abrilhanta o prado ao sol nascente vai pedir fulgor e o sol abrindo da açucena as folhas dá-lhe perfumes e não nega amor |
4367_4572_000195|teu que tem a morte de feia branca virgem dos amores toucada de murchas flores um longo sono nos traz e o triste que em dor anseia talvez morto de cansaço vai dormir no seu regaço como num claustro de paz|teu que tem a morte de feia branca virgem dos amores toucada de murchas flores um longo sono nos traz e o triste que em dor anseia talvez morto de cansaço vai dormir no seu regaço como num claustro de paz |
4367_4572_000196|se eu tivesse meu deus santos amores eu deixara este amor da glória vã nesse mundo de luz doce e risonho a pudibunda virgem do meu sonho seria minha irmã|se eu tivesse meu deus santos amores eu deixara este amor da glória vã nesse mundo de luz doce e risonho a pudibunda virgem do meu sonho seria minha irmã |
4367_4572_000197|é cedo ainda quando moça fores e percorreres deste livro os cantos talvez que eu durma solitário e mudo lírio pendido a que ninguém deu prantos|é cedo ainda quando moça fores e percorreres deste livro os cantos talvez que eu durma solitário e mudo lírio pendido a que ninguém deu prantos |
4367_4572_000198|quando a brisa da tarde respira o perfume das rosas do prado e que a fonte do vale suspira como o nauta da pátria afastado quando o bronze da torre da aldeia seus gemidos aos ecos envia e que o peito que em mágoas anseia bebe louco essa grave harmonia|quando a brisa da tarde respira o perfume das rosas do prado e que a fonte do vale suspira como o nauta da pátria afastado quando o bronze da torre da aldeia seus gemidos aos ecos envia e que o peito que em mágoas anseia bebe louco essa grave harmonia |
4367_4572_000199|suspiras deixas amor pelas galas e vais ouvir pelas salas essas douradas mentiras tens razão mais valem risos fingidos desses narcisos bonecos que a moda enfeita do que a voz sincera e rude de quem prezando a virtude os atavios rejeita|suspiras deixas amor pelas galas e vais ouvir pelas salas essas douradas mentiras tens razão mais valem risos fingidos desses narcisos bonecos que a moda enfeita do que a voz sincera e rude de quem prezando a virtude os atavios rejeita |
4367_4572_000200|o teu sorriso é delírio és alva da cor do lírio és clara da cor da neve a morena é predileta mas a clara é do poeta assim se pintam arcanjos|o teu sorriso é delírio és alva da cor do lírio és clara da cor da neve a morena é predileta mas a clara é do poeta assim se pintam arcanjos |
4367_4572_000201|cercai a sempre de bondade terna lançai orvalho sobre a flor querida fazei lhe oh deus a primavera eterna dai lhe bafejos prolongai lhe a vida|cercai a sempre de bondade terna lançai orvalho sobre a flor querida fazei lhe oh deus a primavera eterna dai lhe bafejos prolongai lhe a vida |
4367_4572_000202|e quando eu seja dormido sem luz sem voz sem gemido no sono que a dor conforta ao concertar tuas tranças no meio das contradanças diz tu sorrindo quimporta|e quando eu seja dormido sem luz sem voz sem gemido no sono que a dor conforta ao concertar tuas tranças no meio das contradanças diz tu sorrindo quimporta |
4367_4572_000203|a natureza se desperta rindo um hino imenso a criação modula canta a calhandra a juriti arrula o mar é calmo porque o céu é lindo|a natureza se desperta rindo um hino imenso a criação modula canta a calhandra a juriti arrula o mar é calmo porque o céu é lindo |
4367_4572_000204|oh quem me compra estas flores são lindas como os amores tão belas não há assim foram banhadas de orvalho são flores do meu serralho colhi as no meu jardim|oh quem me compra estas flores são lindas como os amores tão belas não há assim foram banhadas de orvalho são flores do meu serralho colhi as no meu jardim |
4367_4572_000205|eu olhei ela olhou doce mistério minhalma despertou se à luz da vida e as vozes duma lira e dum piano juntas se uniram na canção querida|eu olhei ela olhou doce mistério minhalma despertou se à luz da vida e as vozes duma lira e dum piano juntas se uniram na canção querida |
4367_4572_000206|sorri me era o sonho de minhalma esse riso infantil que o lábio tinha talvez que essa alma dos amores puros pudesse um dia conversar coa minha|sorri me era o sonho de minhalma esse riso infantil que o lábio tinha talvez que essa alma dos amores puros pudesse um dia conversar coa minha |
4367_4572_000207|e nesse ramo que o sepulcro implora paga-me as rosas desta infância ó anjo da loura trança que esperança nos traz a brisa do sul correm brisas das montanhas vê se apanhas a borboleta de azul|e nesse ramo que o sepulcro implora paga-me as rosas desta infância ó anjo da loura trança que esperança nos traz a brisa do sul correm brisas das montanhas vê se apanhas a borboleta de azul |
4367_4572_000208|como tremias oh vida se em mim os olhos fitavas como eras linda querida quando damor suspiravas naquela encantada aurora ora|como tremias oh vida se em mim os olhos fitavas como eras linda querida quando damor suspiravas naquela encantada aurora ora |
4367_4572_000209|que sonhas virgem nos sonhos que à mente te vem risonhos na primavera inda em flor no celeste devaneio no doce bater do seio que sonhas virgem amor|que sonhas virgem nos sonhos que à mente te vem risonhos na primavera inda em flor no celeste devaneio no doce bater do seio que sonhas virgem amor |
4367_4572_000210|a virgem incauta as vozes da flauta e o canto do nauta chorando o seu lar os trêmulos lumes da fonte os queixumes e os meigos perfumes que solta o vergel|a virgem incauta as vozes da flauta e o canto do nauta chorando o seu lar os trêmulos lumes da fonte os queixumes e os meigos perfumes que solta o vergel |
4367_4572_000211|dormia e sonhava a boca entreaberta o lábio a sorrir no peito cruzados os braços dormentes compridos e lisos quais brancas serpentes no colo a dormir|dormia e sonhava a boca entreaberta o lábio a sorrir no peito cruzados os braços dormentes compridos e lisos quais brancas serpentes no colo a dormir |
4367_4572_000212|tu passas de noite e dia sem poesia a repetir me os teus ais não te adoro quero o norte que é mais forte que é mais forte e eu amo mais|tu passas de noite e dia sem poesia a repetir me os teus ais não te adoro quero o norte que é mais forte que é mais forte e eu amo mais |
4367_4572_000213|vem tudo é tranqüilo a terra dorme bebe o sereno o lírio do valado sozinhos sobre a relva da campina que belo que será nosso noivado|vem tudo é tranqüilo a terra dorme bebe o sereno o lírio do valado sozinhos sobre a relva da campina que belo que será nosso noivado |
4367_4572_000214|quando tão moço no raiar da vida já doce cantas como o doce aroma das lânguidas sessenta odes criança erguer a fronte altiva omo ndré ner no crânio augusto alguma cousa tens|quando tão moço no raiar da vida já doce cantas como o doce aroma das lânguidas sessenta odes criança erguer a fronte altiva omo ndré ner no crânio augusto alguma cousa tens |
4367_4572_000215|os trêmulos lumes da veiga os perfumes da fonte os queixumes dos prados a flor do mar a ardentia da noite a harmonia tudo isso é poesia tudo isso é amor|os trêmulos lumes da veiga os perfumes da fonte os queixumes dos prados a flor do mar a ardentia da noite a harmonia tudo isso é poesia tudo isso é amor |
4367_4572_000216|canta e ama esta natura a pátria o céu azul o mar sereno a veiga que seduz e possa meu poeta essa existência ser um lindo vergel todo banhado de aromas e de luz|canta e ama esta natura a pátria o céu azul o mar sereno a veiga que seduz e possa meu poeta essa existência ser um lindo vergel todo banhado de aromas e de luz |
4367_4572_000217|a luz da alvorada e a nuvem dourada qual berço de fada num céu todo azul no lago e nos brejos os férvidos beijos e os loucos bafejos das brisas do sul|a luz da alvorada e a nuvem dourada qual berço de fada num céu todo azul no lago e nos brejos os férvidos beijos e os loucos bafejos das brisas do sul |
4367_4572_000218|o país nalegria todo imerso velava atento à roda só dum berço era o vosso senhor vós do tronco feliz doce renovo vede agora senhor na voz do povo quão grande é seu amor|o país nalegria todo imerso velava atento à roda só dum berço era o vosso senhor vós do tronco feliz doce renovo vede agora senhor na voz do povo quão grande é seu amor |
4367_4572_000219|um povo ergueu-se cantando mancebos e anciãos e filhos da mesma terra alegres deram-se as mãos foi belo ver esse povo em suas glórias tão novo bradando cheio de fogo portugal somos irmãos|um povo ergueu-se cantando mancebos e anciãos e filhos da mesma terra alegres deram-se as mãos foi belo ver esse povo em suas glórias tão novo bradando cheio de fogo portugal somos irmãos |
4367_4572_000220|e deixou-a sozinha e desgrenhada estátua da aflição aos pés dum túmulo o esquálido coveiro pra dois corpos ergueu a mesma enxada e nessa noite a mesma cova os teve e a mãe chorava e mais alto que o choro erguia as vozes|e deixou-a sozinha e desgrenhada estátua da aflição aos pés dum túmulo o esquálido coveiro pra dois corpos ergueu a mesma enxada e nessa noite a mesma cova os teve e a mãe chorava e mais alto que o choro erguia as vozes |
4367_4572_000221|da tarde virei da selva sobre a relva os meus suspiros te dar e de noite na corrente mansamente mansamente te embalar|da tarde virei da selva sobre a relva os meus suspiros te dar e de noite na corrente mansamente mansamente te embalar |
4367_4572_000222|uma mão fria e gelada comprimir a tua mão frisando os cabelos teus não tenhas tu vãos temores pois é minhalma querida que ao desprender-se da vida toda saudade e amores vai dizer-te o extremo adeus|uma mão fria e gelada comprimir a tua mão frisando os cabelos teus não tenhas tu vãos temores pois é minhalma querida que ao desprender-se da vida toda saudade e amores vai dizer-te o extremo adeus |
4367_4572_000223|eu vi-a lacrimosa sobre as pedras rojar se essa mulher que a dor ferira a morte lhe roubara dum só golpe marido e filho encaneceu lhe a fronte|eu vi-a lacrimosa sobre as pedras rojar se essa mulher que a dor ferira a morte lhe roubara dum só golpe marido e filho encaneceu lhe a fronte |
4367_4572_000224|depois de joelhos eu direi sois justo senhor mil graças eu vos rendo agora vós protegestes com o manto augusto a doce virgem que a minhalma adora|depois de joelhos eu direi sois justo senhor mil graças eu vos rendo agora vós protegestes com o manto augusto a doce virgem que a minhalma adora |
4367_4572_000225|permite que venha agora quem longe da pátria chora bem triste gravar saudade|permite que venha agora quem longe da pátria chora bem triste gravar saudade |
4367_4572_000226|dá-me os sítios gentis onde eu brincava lá na quadra infantil dá que eu veja uma vez o céu da pátria o céu do meu brasil se eu tenho de morrer na flor dos anos meu deus não seja já eu quero ouvir na laranjeira à tarde cantar o sabiá|dá-me os sítios gentis onde eu brincava lá na quadra infantil dá que eu veja uma vez o céu da pátria o céu do meu brasil se eu tenho de morrer na flor dos anos meu deus não seja já eu quero ouvir na laranjeira à tarde cantar o sabiá |
4367_4572_000227|ó anjo da loura trança a dor lança em nossa alma agro descrer que não encontres na vida flor querida senão contínuo prazer|ó anjo da loura trança a dor lança em nossa alma agro descrer que não encontres na vida flor querida senão contínuo prazer |
4367_4572_000228|corri pelas campinas noite e dia atrás do berço douro dessa fada rasguei me nos espinhos do caminho cansei me a procurar e não vi nada|corri pelas campinas noite e dia atrás do berço douro dessa fada rasguei me nos espinhos do caminho cansei me a procurar e não vi nada |
4367_4572_000229|pavor então proscrito e sozinho eu solto aos ecos da serra suspiros dessa saudade que no meu peito se encerra esses prantos de amargores são prantos cheios de dores saudades dos meus amores saudades da minha terra|pavor então proscrito e sozinho eu solto aos ecos da serra suspiros dessa saudade que no meu peito se encerra esses prantos de amargores são prantos cheios de dores saudades dos meus amores saudades da minha terra |
4367_4572_000230|bela moreninha sentada em tua banquinha cercada de todos nós rufando alegre o pandeiro como a ave no espinheiro tu soltas também a voz|bela moreninha sentada em tua banquinha cercada de todos nós rufando alegre o pandeiro como a ave no espinheiro tu soltas também a voz |
4367_4572_000231|dormia deitada na rede de penas o céu por dossel de leve embalada no quieto balanço qual nauta cismando num lago bem manso num leve batel|dormia deitada na rede de penas o céu por dossel de leve embalada no quieto balanço qual nauta cismando num lago bem manso num leve batel |
4367_4572_000232|e bela no tapiz das flores melhor perfume a violeta exala na primavera tudo é riso e festa brotam aromas do vergel florido e o ramo verde de manhã colhido enfeita a fronte da aldeã modesta|e bela no tapiz das flores melhor perfume a violeta exala na primavera tudo é riso e festa brotam aromas do vergel florido e o ramo verde de manhã colhido enfeita a fronte da aldeã modesta |
4367_4572_000233|nunca ouviste a voz da flauta a dor do nauta suspirando no alto mar nunca ouviste a voz da flauta como o nauta é tão triste o meu cantar|nunca ouviste a voz da flauta a dor do nauta suspirando no alto mar nunca ouviste a voz da flauta como o nauta é tão triste o meu cantar |
4367_4572_000234|feliz feliz quem pudera colher te na primavera de galas rica e louçã feliz oh flor dos amores quem te beber os odores nos orvalhos da manhã|feliz feliz quem pudera colher te na primavera de galas rica e louçã feliz oh flor dos amores quem te beber os odores nos orvalhos da manhã |
4367_4572_000235|triste minhalma é triste como a flor que morre pendida à beira do riacho ingrato nem beijos dá-lhe a viração que corre nem doce canto o sabiá do mato|triste minhalma é triste como a flor que morre pendida à beira do riacho ingrato nem beijos dá-lhe a viração que corre nem doce canto o sabiá do mato |
4367_4572_000236|a doce virgem como a tenra planta nunca floresce sobre terra ingrata bem como a rola qualquer folha a espanta bem como o lírio qualquer vento a mata|a doce virgem como a tenra planta nunca floresce sobre terra ingrata bem como a rola qualquer folha a espanta bem como o lírio qualquer vento a mata |
4367_4572_000237|valsa é doce a alegria mas ai que eu não veja um dia no meio de tantas galas dos prazeres na vertigem a tua coroa de virgem rolando no pó das salas|valsa é doce a alegria mas ai que eu não veja um dia no meio de tantas galas dos prazeres na vertigem a tua coroa de virgem rolando no pó das salas |
4367_4572_000238|por leito o berço das ondas meu colo por travesseiro eu pensativo cismava nalgum remoto desgosto avivado na tristeza que a tarde tem ao sol posto e ora mirava as nuvens ora fitava teu rosto|por leito o berço das ondas meu colo por travesseiro eu pensativo cismava nalgum remoto desgosto avivado na tristeza que a tarde tem ao sol posto e ora mirava as nuvens ora fitava teu rosto |
4367_4572_000239|esta minhalma nos hinos erguera cantos divinos por ti por ti ai assim viver não posso morrerei meu deus bem moço qual naurora que descora desfolhado bogari|esta minhalma nos hinos erguera cantos divinos por ti por ti ai assim viver não posso morrerei meu deus bem moço qual naurora que descora desfolhado bogari |
4367_4572_000240|eu guardo no peito a imagem querida do mais verdadeiro do mais santo amor minha mãe nas horas caladas das noites destio sentado sozinho coa face na mão|eu guardo no peito a imagem querida do mais verdadeiro do mais santo amor minha mãe nas horas caladas das noites destio sentado sozinho coa face na mão |
4367_4572_000241|quero morrer cercado dos perfumes dum clima tropical e sentir expirando as harmonias do meu berço natal minha campa será entre as mangueiras banhada do luar e eu contente dormirei tranqüilo à sombra do meu lar|quero morrer cercado dos perfumes dum clima tropical e sentir expirando as harmonias do meu berço natal minha campa será entre as mangueiras banhada do luar e eu contente dormirei tranqüilo à sombra do meu lar |
4367_4572_000242|mas lá da campa na beira será a voz derradeira por ti por ti ai não mesqueças já morto à minhalma dá conforto diz na lousa ele repousa coitado descansa aqui|mas lá da campa na beira será a voz derradeira por ti por ti ai não mesqueças já morto à minhalma dá conforto diz na lousa ele repousa coitado descansa aqui |
4367_4572_000243|ao hálito ardente o peito palpita mas sem despertar e como nas ânsias dum sonho que é lindo a virgem na rede corando e sorrindo beijou-me a sonhar|ao hálito ardente o peito palpita mas sem despertar e como nas ânsias dum sonho que é lindo a virgem na rede corando e sorrindo beijou-me a sonhar |
4367_4572_000244|como o nauta olha o céu de primavera eu sentado a seus pés ébrio de amor espreitara tremendo no seu rosto a sombra fugitiva dum desgosto à nuvem duma dor|como o nauta olha o céu de primavera eu sentado a seus pés ébrio de amor espreitara tremendo no seu rosto a sombra fugitiva dum desgosto à nuvem duma dor |
4367_4572_000245|a roda da bandeira sacrossanta um povo esperançoso se levanta infante e a sorrir a nação do letargo se desperta e livre marcha pela estrada aberta às glórias do porvir|a roda da bandeira sacrossanta um povo esperançoso se levanta infante e a sorrir a nação do letargo se desperta e livre marcha pela estrada aberta às glórias do porvir |
4367_4572_000246|morena minha morena és bela mas não tens pena de quem morre de paixão tu vendes flores singelas e guardas as flores belas as rosas do coração|morena minha morena és bela mas não tens pena de quem morre de paixão tu vendes flores singelas e guardas as flores belas as rosas do coração |
4367_4572_000247|eu choro e soluço por quem me chamava oh filho querido do meu coração minha mãe no berço pendente dos ramos floridos em que eu pequenino feliz dormitava quem|eu choro e soluço por quem me chamava oh filho querido do meu coração minha mãe no berço pendente dos ramos floridos em que eu pequenino feliz dormitava quem |
4367_4572_000248|se o peito morto doce conforto sentisse agora na sua dor talvez nesthora viver quisera na primavera de casto amor|se o peito morto doce conforto sentisse agora na sua dor talvez nesthora viver quisera na primavera de casto amor |
4367_4572_000249|e grave qual no templo um hino ou como a prece ao desmaiar do dia se passa um bote com as velas soltas minhalma o segue namplidão dos mares e longas horas acompanha as voltas das andorinhas recortando os ares|e grave qual no templo um hino ou como a prece ao desmaiar do dia se passa um bote com as velas soltas minhalma o segue namplidão dos mares e longas horas acompanha as voltas das andorinhas recortando os ares |
4367_4572_000250|é mudo aquele a quem irmão chamamos e a mão que tantas vezes apertamos agora é fria já não mais nos bancos esse rosto amigo hoje escondido no fatal jazigo conosco sorrirá|é mudo aquele a quem irmão chamamos e a mão que tantas vezes apertamos agora é fria já não mais nos bancos esse rosto amigo hoje escondido no fatal jazigo conosco sorrirá |
4367_4572_000251|eu serei teu vassalo e teu cativo nas terras onde és rei a sombra dos bambus vem tu ser minha teu reinado de amor doce rainha na lira cantarei|eu serei teu vassalo e teu cativo nas terras onde és rei a sombra dos bambus vem tu ser minha teu reinado de amor doce rainha na lira cantarei |
4367_4572_000252|mas eu bendigo estas dores mas eu abençôo o leito que tantas mágoas me dá se me jurares querida que meu nome no teu peito morto embora viverá que às vezes na cruz singela tu irás pálida e bela desfolhar uma saudade|mas eu bendigo estas dores mas eu abençôo o leito que tantas mágoas me dá se me jurares querida que meu nome no teu peito morto embora viverá que às vezes na cruz singela tu irás pálida e bela desfolhar uma saudade |
4367_4572_000253|tremem as folhas e palpita o lago da brisa louca aos amorosos frisos na primavera tudo é viço e gala trinam as aves a canção de amores|tremem as folhas e palpita o lago da brisa louca aos amorosos frisos na primavera tudo é viço e gala trinam as aves a canção de amores |
4367_4572_000254|nos cativam e|nos cativam e |
4367_4572_000255|eu lhe iria mostrar nos hinos dalma outro mundo outro céu outros vergéis nossa vida seria um doce afago nós dois cisnes vogando em manso lago amor nossos batéis|eu lhe iria mostrar nos hinos dalma outro mundo outro céu outros vergéis nossa vida seria um doce afago nós dois cisnes vogando em manso lago amor nossos batéis |
4367_4572_000256|céu tão puro que silêncio augusto que aromas doces que natura esta cansada a terra adormeceu sorrindo bem como a virgem no cair da sesta|céu tão puro que silêncio augusto que aromas doces que natura esta cansada a terra adormeceu sorrindo bem como a virgem no cair da sesta |
4367_4572_000257|quando a terra da vida cansada adormece num leito de flores qual donzela formosa embalada pelos cantos dos seus trovadores eu de pé sobre as rochas erguidas sinto o pranto que manso desliza e repito essas queixas sentidas que murmuram as ondas|quando a terra da vida cansada adormece num leito de flores qual donzela formosa embalada pelos cantos dos seus trovadores eu de pé sobre as rochas erguidas sinto o pranto que manso desliza e repito essas queixas sentidas que murmuram as ondas |
4367_4572_000258|meiga és inocente como a rola que contente voa e folga no rosal envolta nas simples galas na voz no riso nas falas morena não tens rival|meiga és inocente como a rola que contente voa e folga no rosal envolta nas simples galas na voz no riso nas falas morena não tens rival |
4367_4572_000259|não desmintas irmão este profeta sibarita indolente sobre rosas não queiras tu dormir se ao longe já te brilha amiga estrela proveito o talento estuda e pensa é belo o teu porvir|não desmintas irmão este profeta sibarita indolente sobre rosas não queiras tu dormir se ao longe já te brilha amiga estrela proveito o talento estuda e pensa é belo o teu porvir |
4367_4572_000260|quero sentar-me à beira do riacho das tardes ao cair e sozinho cismando no crepúsculo os sonhos do porvir se eu tenho de morrer na flor dos anos meu deus não seja já eu quero ouvir na laranjeira à tarde a voz do sabiá|quero sentar-me à beira do riacho das tardes ao cair e sozinho cismando no crepúsculo os sonhos do porvir se eu tenho de morrer na flor dos anos meu deus não seja já eu quero ouvir na laranjeira à tarde a voz do sabiá |
4367_4572_000261|no outro dia a pobre rosa tão vaidosa no hastil se debruçou pobre dela teve a morte porque o norte porque o norte a desfolhou|no outro dia a pobre rosa tão vaidosa no hastil se debruçou pobre dela teve a morte porque o norte porque o norte a desfolhou |
4367_4572_000262|amai vos disse deus criando o mundo amemos disse adão no paraíso amor murmura o mar nos seus queixumes amor repete a terra num sorriso|amai vos disse deus criando o mundo amemos disse adão no paraíso amor murmura o mar nos seus queixumes amor repete a terra num sorriso |
4367_4572_000263|moreninha moreninha tu és das belas rainha mas nos amores és má como tu ficas bonita coas tranças presas na fita coas flores no samburá|moreninha moreninha tu és das belas rainha mas nos amores és má como tu ficas bonita coas tranças presas na fita coas flores no samburá |
4367_4572_000264|mancebo atrás da glória que sorria sonhou grandezas para a pátria um dia e a ela os sonhos deu mártir do estudo na ciência ingrata bebeu nos livros esse fel que mata e pobre adormeceu|mancebo atrás da glória que sorria sonhou grandezas para a pátria um dia e a ela os sonhos deu mártir do estudo na ciência ingrata bebeu nos livros esse fel que mata e pobre adormeceu |
4367_4572_000265|nos sonhos dalma que te lembra a infância que sombra que fantasma vem banhado no doce eflúvio dessa quadra linda e a mente a folhear os dias idos que nome te recorda agora arinda|nos sonhos dalma que te lembra a infância que sombra que fantasma vem banhado no doce eflúvio dessa quadra linda e a mente a folhear os dias idos que nome te recorda agora arinda |
4367_4572_000266|então meu anjo compassiva e meiga depõe me um goivo sobre a cruz singela e nesse ramo que o sepulcro implora paga-me as rosas desta infância bela|então meu anjo compassiva e meiga depõe me um goivo sobre a cruz singela e nesse ramo que o sepulcro implora paga-me as rosas desta infância bela |
4367_4572_000267|é uma terra encantada mimoso jardim de fada do mundo todo invejada que o mundo não tem igual não não tem que deus fadou a dentre todas a primeira|é uma terra encantada mimoso jardim de fada do mundo todo invejada que o mundo não tem igual não não tem que deus fadou a dentre todas a primeira |
4367_4572_000268|oh canta e canta sempre esses teus hinos eu sei terão no céu ecos mais santos que a terra não dará oh canta é doce ao triste que soluça ouvir saudoso no cair da tarde a voz do sabiá|oh canta e canta sempre esses teus hinos eu sei terão no céu ecos mais santos que a terra não dará oh canta é doce ao triste que soluça ouvir saudoso no cair da tarde a voz do sabiá |
4367_4572_000269|quero ver esse céu da minha terra tão lindo e tão azul e a nuvem cor de rosa que passava correndo lá do sul quero dormir à sombra dos coqueiros as folhas por dossel e ver se apanho a borboleta branca que voa no vergel|quero ver esse céu da minha terra tão lindo e tão azul e a nuvem cor de rosa que passava correndo lá do sul quero dormir à sombra dos coqueiros as folhas por dossel e ver se apanho a borboleta branca que voa no vergel |
4367_4572_000270|ó anjo da loura trança és criança a vida começa a rir vive e folga descansada descuidada das tristezas do porvir ó|ó anjo da loura trança és criança a vida começa a rir vive e folga descansada descuidada das tristezas do porvir ó |
4367_4572_000271|em doce arrulo que o soluço imita o morto esposo gemedora chora e como a rola que perdeu o esposo minhalma chora as ilusões perdidas e no seu livro de fanado gozo relê as folhas que já foram lidas|em doce arrulo que o soluço imita o morto esposo gemedora chora e como a rola que perdeu o esposo minhalma chora as ilusões perdidas e no seu livro de fanado gozo relê as folhas que já foram lidas |
4367_4572_000272|as cachoeiras chorarão sentidas porque cedo morri e eu sonho no sepulcro os meus amores na terra onde nasci se eu tenho de morrer na flor dos anos meu deus não seja já eu quero ouvir na laranjeira à tarde cantar o sabiá|as cachoeiras chorarão sentidas porque cedo morri e eu sonho no sepulcro os meus amores na terra onde nasci se eu tenho de morrer na flor dos anos meu deus não seja já eu quero ouvir na laranjeira à tarde cantar o sabiá |
4367_4572_000273|bem vês sou como a planta que definha torrada do calor dá-me o riso feliz em vez da mágoa o lírio morto quer a gota dágua eu quero o teu amor|bem vês sou como a planta que definha torrada do calor dá-me o riso feliz em vez da mágoa o lírio morto quer a gota dágua eu quero o teu amor |
4367_4572_000274|e diz-me não te recordas debaixo do cajueiro lá da lagoa nas bordas aquele beijo primeiro ia o dia já findando quando|e diz-me não te recordas debaixo do cajueiro lá da lagoa nas bordas aquele beijo primeiro ia o dia já findando quando |
4367_4572_000275|lá no ipiranga do brasil o marte enrolado nas dobras do estandarte erguia o augusto porte cercada a fronte dos lauréis da glória soltou tremendo brado da vitória independência ou morte|lá no ipiranga do brasil o marte enrolado nas dobras do estandarte erguia o augusto porte cercada a fronte dos lauréis da glória soltou tremendo brado da vitória independência ou morte |
4367_4572_000276|e sonhava no sonho de amores chamava por mim e a voz suspirosa nos lábios morria tão terna e tão meiga qual vaga harmonia de algum bandolim|e sonhava no sonho de amores chamava por mim e a voz suspirosa nos lábios morria tão terna e tão meiga qual vaga harmonia de algum bandolim |
4367_4572_000277|era um louco em noites belas vinha fitar as estrelas nas praias coa fronte nua chorava canções sentidas e ficava horas perdidas sozinho mirando a lua|era um louco em noites belas vinha fitar as estrelas nas praias coa fronte nua chorava canções sentidas e ficava horas perdidas sozinho mirando a lua |
4367_4572_000278|é um livro lindo encadernado coas folhas em cetim vem tu pepita soletrá lo um dia tem poemas de amor tem melodia em cânticos sem fim|é um livro lindo encadernado coas folhas em cetim vem tu pepita soletrá lo um dia tem poemas de amor tem melodia em cânticos sem fim |
4367_4572_000279|mas se passa essa quadra fugitiva qual no horizonte solitária vela por que cismar na vida e no passado e de quem são essas saudades dela|mas se passa essa quadra fugitiva qual no horizonte solitária vela por que cismar na vida e no passado e de quem são essas saudades dela |
4367_4572_000280|minha mãe a sorrir olhou pros céus e respondeu um ser que nós não vemos é maior do que o mar que nós tememos mais forte que o tufão meu filho é deus|minha mãe a sorrir olhou pros céus e respondeu um ser que nós não vemos é maior do que o mar que nós tememos mais forte que o tufão meu filho é deus |
4367_4572_000281|na juventude no florir dos anos não sei que vozes nos entornam nalma canções de querubim uns perdem como eu cedo os verdores mas outros crescem no primor das graças e tu serás assim|na juventude no florir dos anos não sei que vozes nos entornam nalma canções de querubim uns perdem como eu cedo os verdores mas outros crescem no primor das graças e tu serás assim |
4367_4572_000282|para em horas de cansaço na estrada que vai trilhando encontrar de quando em quando por entre os espinhos flores e vós que acabais de ouvi-lo a suspirar nesse trilo no seu gorjeio primeiro vós que viste o seu começo dai lhe essas palmas de apreço que é artista e brasileiro|para em horas de cansaço na estrada que vai trilhando encontrar de quando em quando por entre os espinhos flores e vós que acabais de ouvi-lo a suspirar nesse trilo no seu gorjeio primeiro vós que viste o seu começo dai lhe essas palmas de apreço que é artista e brasileiro |
4367_4572_000283|foi ali foi no ipiranga que com toda a majestade rompeu de lábios augustos o brado da liberdade aquela voz soberana voou na plaga indiana desde o palácio à choupana desde a floresta à cidade|foi ali foi no ipiranga que com toda a majestade rompeu de lábios augustos o brado da liberdade aquela voz soberana voou na plaga indiana desde o palácio à choupana desde a floresta à cidade |
4367_4572_000284|e como achavas maria aqueles doces instantes de poética harmonia em que as brisas doudejantes folgavam nos teus cabelos belos|e como achavas maria aqueles doces instantes de poética harmonia em que as brisas doudejantes folgavam nos teus cabelos belos |
4367_4572_000285|sonhando mesmo acordada pendida a fronte adorada num cismar vago e sem fim do olhar o fogo tão vivo a voz o riso lascivo o pensamento é por mim|sonhando mesmo acordada pendida a fronte adorada num cismar vago e sem fim do olhar o fogo tão vivo a voz o riso lascivo o pensamento é por mim |
4367_4572_000286|como a criança que banhada em prantos procura o brinco que levou-lhe o rio minhalma quer ressuscitar nos cantos um só dos lírios que murchou o estio dizem que há gozos nas mundanas galas mas eu não sei em que o prazer consiste|como a criança que banhada em prantos procura o brinco que levou-lhe o rio minhalma quer ressuscitar nos cantos um só dos lírios que murchou o estio dizem que há gozos nas mundanas galas mas eu não sei em que o prazer consiste |
4367_4572_000287|foi um dia de glória o povo altivo trocou sorrindo as vozes de cativo pelo cantar das festas o leão indomável do deserto bramiu soberbo dos grilhões liberto no meio das florestas|foi um dia de glória o povo altivo trocou sorrindo as vozes de cativo pelo cantar das festas o leão indomável do deserto bramiu soberbo dos grilhões liberto no meio das florestas |
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