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Ocorre que em inegável ofensa ao princípio da legalidade estrita |
(CF, 150, inciso I)3 ? bem como ao histórico legislativo e jurisprudencial - exige a |
autoridade fazendária o recolhimento da contribuição social previdenciária |
pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há |
3Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos |
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; |
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remuneração por serviços prestados, ou seja, hipóteses que desbordam do fato |
gerador in abstracto: |
i) Terço constitucional de férias. |
ii) Férias gozadas. |
Todavia, são todas circunstâncias em que o empregado não |
está, obviamente, prestando serviços nem se encontra à disposição da empresa! |
E, assim age a autoridade recorrida, por exegese absolutamente |
equivocada dos dispositivos legais em tela, bem como, por abusiva confusão entre os |
institutos e conceitos em debate. |
c) Das Férias e do terço constitucional |
Como de conhecimento, a recorrida faz a indevida equiparação |
entre as contribuições patronais e dos empregados. |
Nesse contexto, a contribuição previdenciária patronal sobre os |
valores pagos a título de férias gozadas ao argumento de que estão excluídas do |
salário-de-contribuição apenas as férias indenizadas e o respectivo terço |
constitucional4. |
4 Lei n 8.212/91, art. 28, - 9 Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, |
exclusivamente: (Redação dada pela Lei n 9.528, de 10.12.97) d) as importâncias recebidas a título |
de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da |
remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; (Redação |
dada pela Lei n 9.528, de 10.12.97). (g.n.) |
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Ocorre que o salário-de-contribuição ? repita-se - é a base de |
cálculo da contribuição devida pelos SEGURADOS, não a base de cálculo da |
contribuição patronal, conforme previsto no já transcrito artigo 20 da Lei n 8.212/91. |
Como se não bastasse, esta indevida exigência é sustentada |
pela autoridade fazendária em dispositivos infra legais, contidos na citada IN RFB |
971/09: |
gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: [...] |
i) no mês a que se referirem as férias, mesmo quando pagas |
antecipadamente na forma da legislação trabalhista; [...] |
empresa e do equiparado são as seguintes: [...] |
- 8 A remuneração adicional de férias, de que trata o inciso XVII do art. 7 |
da Constituição Federal, integra a base de cálculo, no mês a que ela se referir, |
mesmo quando paga antecipadamente na forma da legislação trabalhista. [...] |
Todavia, INADMISSÍVEL, ILEGAL e INCONSTITUCIONAL que |
dispositivos de Instrução Normativa extrapolem a hipótese tributária, ocorrendo |
indubitável desrespeito ao princípio da legalidade. |
Na verdade, de acordo com o que já foi exaustivamente exposto, |
a hipótese de incidência da contribuição previdenciária patronal, bem como, sua base |
de cálculo, dizem respeito exclusivamente aos valores pagos, destinados a retribuir |
um trabalho efeito ou potencial ? o que não é o caso dos funcionários em gozo de |
férias ? não havendo, mais uma vez, que se invocar peculiaridades do salário-de- |
contribuição, atinente à contribuição dos trabalhadores. |
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Finalmente, impende ponderar significativa condição atinente as |
verbas em debate, atendo-se ao fato de que não há incorporação destes benefícios à |
aposentadoria do trabalhador, conforme assente a jurisprudência desta Corte. Sendo |
assim, o encargo inserido nesta obrigação fere a lógica de que se obtém o direito a |
um benefício previdenciário mediante a previa contribuição, e, por outro lado, a |
contribuição só se justifica ante a perspectiva da sua retribuição em forma de |
benefício. |
?(...) O REGIME CONTRIBUTIVO É, POR ESSÊNCIA, UM REGIME DE |
CARÁTER EMINENTEMENTE RETRIBUTIVO. A QUESTÃO DO |
EQUILÍBRIO ATUARIAL (CF, ART. 195, - 5 ). CONTRIBUIÇÃO DE |
SEGURIDADE SOCIAL SOBRE PENSÕES E PROVENTOS: AUSÊNCIA DE |
CAUSA SUFICIENTE. - Sem causa suficiente, não se justifica a instituição |
(ou a majoração) da contribuição de seguridade social, pois, no regime de |
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