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6,381
Intoxicações por inibidores da acetilcolinesterase: etiologia, diagnóstico e tratamento
pesticidas,inseticidas,inibidores da acetilcolinesterase,organofosforados,carbamatos,intoxicação
Os pesticidas, amplamente utilizados em todo o mundo para proteger as culturas agrícolas e hortícolas contra danos e, em ambientes domésticos, para garantir um ambiente livre de pragas, envolvem uma grande variedade de substâncias e representam o maior grupo de químicos potencialmente tóxicos, propositadamente introduzidos no meio ambiente. Todos os pesticidas têm um grau inerente de toxicidade para o meio ambiente e ao ser humano. Os principais pesticidas associados a intoxicação no ser humano têm sido os organoclorados, organofosforados, carbamatos e o paraquato, sendo responsáveis por milhares de mortes todos os anos. A presente revisão pretende focar apenas os organofosforados e carbamatos, tendo estes o mesmo mecanismo de ação: ambos são inibidores da acetilcolinesterase. A acetilcolinesterase está envolvida na interrupção da transmissão do impulso, através de hidrólise rápida do neurotransmissor acetilcolina em numerosas vias colinérgicas, nos sistemas nervosos central e periférico. A inativação da enzima, induzida pelos seus inibidores, conduz à acumulação de acetilcolina, hiperestimulação dos receptores nicotínicos e muscarínicos, e interrupção da neurotransimssão. Assim, uma intoxicação por inibidores da acetilcolinesterase vai apresentar-se com sintomas nicotínicos, muscarínicos e do sistema nervoso central. O diagnóstico de intoxicação nem sempre é evidente, devido à mistura de sintomas e a determinação laboratorial do nível de atividade da colinesterase pode confirmá-lo. Um bom tratamento de suporte, descontaminação, terapia antimuscarínica, o controlo precoce das crises convulsivas e terapia com oximas precoce são as chaves para bons resultados.
Ciências Médicas e da Saúde
6,382
Tratamento da disfunção eréctil em doentes submetidos a prostatectomia radical
Disfunção eréctil, terapia,Prostatectomia
standard nos doentes com cancro da próstata localizado e expectativa de vida ≥ 10 anos. Porém, apesar dos avanços das técnicas cirúrgicas e dos óptimos resultados obtidos no controlo do cancro e preservação da função urinária, a disfunção eréctil persiste como uma das complicações mais prevalentes e com maior impacto na qualidade de vida dos doentes submetidos a prostatectomia radical. Objectivos Com o objectivo de abordar os aspectos mais importantes da epidemiologia, fisiopatologia, tratamento e últimos avanços da ciência na procura de novas terapêuticas para os doentes com disfunção eréctil após prostatectomia radical, procedeu-se à revisão sistemática da literatura científica disponível. Nesse sentido, foi efectuada uma extensa pesquisa de artigos científicos originais e de revisão na Pubmed/Medline (1991-2011) e noutras fontes bibliográficas de relevo. Desenvolvimento A disfunção eréctil secundária à prostatectomia radical tem sido atribuída à lesão temporária dos nervos cavernosos (neuropraxia), com subsequente hipóxia cavernosa, apoptose das células do músculo liso e células endoteliais, fibrose e disfunção venooclusiva. Uma das abordagens mais promissoras no tratamento da disfunção eréctil após prostatectomia radical assenta no conceito da reabilitação peniana. Esta consiste na utilização precoce de fármacos ou dispositivos que, ao impedir o desenvolvimento das alterações fisiopatológicas acima referidas, maximiza a recuperação da função eréctil. No TRATAMENTO DA DISFUNÇÃO ERÉCTIL EM DOENTES SUBMETIDOS A PROSTATECTOMIA RADICAL Joana Raquel Oliveira Castela 6 entanto, apesar dos modelos animais serem consistentes relativamente aos benefícios da reabilitação peniana, os ensaios clínicos não são ainda conclusivos. Das modalidades terapêuticas actualmente disponíveis os inibidores das 5- fosfodiesterases constituem habitualmente o tratamento de primeira linha nesta população de doentes. Quando não há resposta a esta classe de fármacos ou quando estão contra-indicados recorre-se habitualmente à aplicação intra-uretral ou intracavernosa de agentes vasoactivos. Em alternativa, podem ser utilizados os dispositivos de vácuo, eficazes, não invasivos e com bom custo-benefício. A implantação de uma prótese peniana está reservada para os doentes refractários aos tratamentos de primeira e segunda linha, ou que pretendam uma solução permanente. Contrariamente às restantes terapêuticas referidas, as próteses penianas não devem ser encaradas enquanto modalidade de reabilitação peniana. Conclusão Apesar de promissora, continua a verificar-se uma grande indefinição quanto ao papel da reabilitação peniana na prática clínica, pelo que são necessários mais estudos para assegurar a sua eficácia e identificar os regimes terapêuticos mais adequados. De igual modo, deve continuar a apostar-se no desenvolvimento de terapias inovadoras, com bons perfis de segurança, adesão e eficácia
Ciências Médicas e da Saúde
6,383
Micronutrientes na prevenção da doença no idoso
micronutrientes,prevenção primária,prevenção secundária,cancro,doenças cardiovasculares,declínio cognitivo,micronutrientes (ação farmacológica) suplementos diatéticos,idoso,idoso com 80 ou mais anos
O envelhecimento progressivo da população é um fenómeno mundial. Cerca de 80% da população idosa tem uma ou mais doenças crónicas e o declínio cognitivo é um fenómeno frequente que aumenta ao longo da idade. Vários estudos demonstraram a relação dos micronutrientes com estas problemáticas, nomeadamente, na sua patogénese, evolução, tratamento e prevenção. Esta revisão teve como objetivos, identificar alguns micronutrientes e prováveis mecanismos de ação envolvidos na prevenção do cancro, das doenças cardiovasculares e do declínio cognitivo e avaliar a existência de benefícios da suplementação destes micronutrientes na dieta do idoso. Propôs-se que em relação ao cancro, a vitamina A atue como supressor tumoral, podendo estar relacionada com um maior risco de cancro do pulmão e do estômago. Quanto ao ácido fólico e às vitaminas B6 e B12 sugeriu-se apresentarem um potencial carcinogénico e os resultados da relação entre a sua suplementação e o risco de cancro da mama não foram conclusivos para o ácido fólico e não foram estatisticamente significativos para as vitaminas B6 e B12. Os resultados dos estudos relativos ao efeito da suplementação das vitaminas A, B, C e D nas doenças cardiovasculares foram inconclusivos e não houve consenso quanto à relação entre as vitaminas A, B e C e o risco de surgimento destas doenças. Relativamente à suplementação com cálcio, os resultados foram inconclusivos, quanto ao seu potencial preventivo nas doenças cardiovasculares, no entanto, a ingestão de baixas doses foi sugerida como sendo benéfica no controlo na PAS e PAD. Estudos sugeriram que os níveis plasmáticos de zinco estejam relacionados com a melhoria da função cognitiva, propondo um possível envolvimento na patogénese da AD. Estudos recentes indicaram que níveis diminuídos de selénio podem estar relacionados com uma maior mortalidade e declínio da função cognitiva. Estudos indicaram o papel do ferro no processo neurodegenerativo e sugeriram que o aumento do ferro livre cerebral poderá ser responsável pela degradação neuronal. Estudos estabeleceram uma relação entre os níveis baixos de ácido fólico com o declínio cognitivo, não tendo esta evidência sido verificada para as vitaminas B6 e B12. Verificaram ainda que a suplementação com ácido fólico exerce influência na performance cognitiva, contudo com vitamina B12 esta influência não existe. Estudos referiram que as vitaminas C e E apresentam atividade neuromodeladora e que quando os níveis plasmáticos se encontram diminuídos estão associados a um maior risco de declínio cognitivo.
Ciências Médicas e da Saúde
6,384
Terapêutica farmacológica da obesidade : passado, presente e futuro
Obesidade,Terapêutica por medicamentos
Apresentando-se como uma das grandes epidemias do século XXI, a obesidade constitui um grave, actual e exponencial problema de Saúde Pública. O século XX constituiu um marco no interesse médico relativamente à obesidade, com um número crescente de descobertas relacionadas com os seus malefícios que contribuíram para se deixar de considerar a mesma não uma condição mas sim uma doença com graves consequências médicas, psicológicas bem como sociais quando não tratada. Surgem assim diversos estudos centrados nos mecanismos de acção de possíveis fármacos com vista a um objectivo comum, a redução do peso corporal. Ao longo dos anos, foram vários os fármacos que elevaram as expectativas da comunidade científica sem, contudo, apresentarem relação eficácia/segurança satisfatória. O orlistat é actualmente o único fármaco aprovado no que diz respeito à terapêutica médica farmacológica da obesidade e, apesar da multiplicidade de estudos em curso acerca de novos alvos terapêuticos nesta área, são escassos os que apresentam resultados favoráveis.Pretende-se realizar um artigo de revisão que permita conceder uma perspectiva histórica dos fármacos que fizeram parte da terapêutica da obesidade e as razões pelas quais foram abandonados. Pretende-se, igualmente, analisar os que existem actualmente no mercado e, ainda, perceber quais são as perspectivas futuras de que dispomos.
Ciências Médicas e da Saúde
6,385
Trombocitopenia imune: uma revisão
Púrpura,Trombocitopénica,Idiopática,Hemorragia,Plaqueta,Doença auto-imune,Agonistas da trombopoietina
A trombocitopenia imune é uma doença pró-hemorrágica que se pode apresentar de uma forma aguda, especialmente em crianças, ou crónica. Apresenta uma taxa de incidência variável na literatura de 1 a 12 casos por 100 000 pessoas por ano, com uma predisposição para o sexo feminino. Fisiopatologicamente, esta patologia resulta da formação adquirida de auto-anticorpos anti-plaquetares que conduzem tanto ao aumento da destruição, como à diminuição de produção das plaquetas. A maioria dos casos resulta de um processo primário com evento despoletante desconhecido, sendo que os restantes casos são secundários a condições clínicas pré-existentes, diagnosticadas ou não. As manifestações clínicas estão relacionadas com o aumento do risco de hemorragia, que pode ocorrer em até dois terços dos doentes. As hemorragias graves são observadas com mais frequência nos doentes com contagens plaquetares inferiores a 10 x 109/L; contudo, a correlação entre o risco de hemorragia e a contagem de plaquetas é pouco robusta. A história natural desta patologia assume um caráter variável, tal como a resposta à terapêutica instituída, levando a crer que exista alguma heterogeneidade etiopatogénica e fisiopatológica ainda não identificada entre os doentes. A terapêutica de primeira linha tem evoluído ao longo dos séculos XX e XXI, acompanhando a evolução sobre o conhecimento da fisiopatologia da doença. Apesar do recurso às técnicas cirúrgicas ter diminuído devido ao surgimento de novas linhas de orientação terapêutica médica, ao risco ainda considerável de infeção associada à intervenção, e às potenciais complicações pós-operatórias, a esplenectomia continua a ser o tratamento mais duradouro nos casos de falência do tratamento de primeira linha com corticosteróides ou imunoglobulina endovenosa. Novas abordagens terapêuticas têm sido propostas recentemente, como imunossupressores e agonistas dos recetores da trombopoietina; contudo, a sua utilização generalizada como terapêutica de segunda linha continua limitada pelos seus efeitos adversos e pela necessidade de ensaios clínicos randomizados mais robustos com estes agentes.
Ciências Médicas e da Saúde
6,387
Asma induzida pelo esforço: aspetos atuais e implicações das regulamentações anti-doping
atletas de elite,Asma induzida pelo Esforço,Broncoconstrição induzida pelo Exercício,beta agonistas,desporto,doping,tratamento & diagnóstico
A Asma induzida pelo esforço (AIE) é uma das condições mais prevalentes nos atletas de elite, sendo um tema de preocupação para as organizações anti-doping, devido ao constante aumento das notificações para o uso de β2-agonistas e ao abuso de certas substâncias com o objetivo de melhorar a performance desportiva. Esta revisão tem o objectivo de fornecer uma visão sistematizada sobre os achados fisiopatológicos, além das abordagens diagnósticas e terapêuticas atualmente aplicadas num atleta que apresente dispneia relacionada com o esforço, particularmente nos que praticam desportos de alto nível. Conclui-se que é necessário mais estudos que clarifiquem os mecanismos fisiopatológicos subjacentes para que se consiga realizar uma abordagem diagnóstica e terapêutica mais eficaz.
Ciências Médicas e da Saúde
6,391
Incontinência urinária pós-parto : da fisiopatologia à prevenção e ao tratamento
Complicações do parto,Incontinência urinária
A incontinência urinária (IU), definida como qualquer perda involuntária de urina, representa um problema de saúde global. É uma patologia mais frequente no sexo feminino, atingindo uma prevalência de 10 a 60%. Tanto o impacto na qualidade de vida como os custos socioeconómicos são significativos. A gravidez e o parto têm sido considerados como os principais fatores de risco para o desenvolvimento de IU em mulheres jovens. Os objetivos deste trabalho são rever a anatomia e explorar os mecanismos fisiopatológicos responsáveis pela IU pós-parto, analisar os fatores de risco e investigar o impacto na qualidade de vida, bem como eventuais medidas preventivas. Pretendemos ainda, analisar a situação atual do tratamento: quais os sucessos alcançados e as perspetivas futuras. A etiopatogenia da IU pós-parto, essencialmente IU de esforço, assenta em dois fatores fundamentais: a incapacidade dos mecanismos esfincterianos intrínsecos e a hipermobilidade da uretra. Para tal contribuem múltiplos fatores de risco ambientais/genéticos e obstétricos. Não existem evidências suficientes que permitam escolher entre a cesariana e o parto vaginal, sendo que este continua a ser a primeira opção. Contudo, a episiotomia de rotina deve ser abandonada. Apesar de a IU não ser uma situação que curse com risco de vida pode afetar substancialmente a sua qualidade. As principais estratégias de prevenção incidem nos fatores de risco modificáveis e na reabilitação do pavimento pélvico após o parto. Na maioria dos casos de IU é possível a cura ou, eventualmente, a melhoria dos sintomas. As medidas conservadoras incluem alterações do estilo de vida e exercícios de Kegel. A farmacoterapia está indicada na IU por urgência mas é controversa na IU de esforço. Nesta o tratamento ii cirúrgico é o preferido em caso de falha das medidas conservadoras. Nas últimas décadas, a introdução das bandas sub-uretrais foi um dos avanços mais significativos nesta área e representou uma nova esperança para muitas mulheres com IU de esforço. Atualmente, as células estaminais apresentam-se como um futuro promissor em termos de terapêutica da IU. Apesar de, para a maioria das doentes, estar disponível um tratamento relativamente eficaz, as taxas de recorrência dos sintomas continuam elevadas. É necessária a realização de mais estudos sobre novas terapêuticas, cada vez mais eficazes e menos invasivas, assim como sobre estratégias de prevenção/tratamento de condições que aumentem o risco de IU
Ciências Médicas e da Saúde
6,392
Suicídios no Centro de Portugal : análise casuística entre 2003 e 2009
Suicídio, Distrito de Coimbra, 2003-2009
Como um dos problemas mais específicos do ser humano, o suicídio tem vindo a ser investigado com atenção crescente um pouco por todo o mundo. Vários comportamentos de risco têm vindo a ser descritos, assim como as limitações que decorrem do seu estudo. A Organização Mundial de Saúde estima que este flagelo afecte um milhão de pessoas anualmente, o que se traduz numa morte a cada 40 segundos em todo o mundo. Segundo últimos estudos, Portugal, apesar dos bons índices (10 mortes por suicídio por 100000 habitantes), vinha apresentando uma tendência crescente entre os mais jovens. Com este trabalho pretendeu-se caracterizar a evolução do perfil suicida autopsiado no Serviço de Patologia Forense da Delegação do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal sob o ponto de vista de várias variáveis: Idade, sexo, estado civil, situação profissional, meio suicida, análises toxicológicas efectuadas (etanol, drogas de abuso, pesticidas e medicamentos) e algumas condições/comportamentos relativas à história pessoal (alcoolismo, ideação suicida, tentativas de suicídio, doença física, perturbação psiquiátrica). Para isso foram analisados os arquivos relativos ao período decorrido entre 1 Janeiro de 2003 e 31 de Dezembro de 2009. Finalmente uma breve abordagem a estratégias de prevenção resultantes de outros estudos, nacionais e internacionais, foi elaborada para concluirmos sobre a sua possível eficácia. O perfil comum obtido corresponde a um homem com idade compreendida entre os 65 e os 74 anos, casado, empregado que se suicidou através do enforcamento em Setembro, Maio ou Fevereiro. O sujeito seria submetido à determinação laboratorial da concentração sanguínea de álcool, medicamentos e pesticidas. O seu registo clínico incluiria um problema de saúde orgânico ou psiquiátrico, para além de comportamentos de risco como alcoolismo, ideação suicida ou tentativas de suicídio. Daniel Dias 2 | Suicides in the centre of Portugal: analysis between 2003 and 2009 | Apesar das limitações inerentes a um tema tão individual e subjectivo como é o suicídio algumas conclusões foram possíveis. O número de suicídios autopsiados na delegação do Centro aumentou, assemelhando-se o perfil ao resultado de muitos outros autores, inclusivamente ao do perfil já elaborado anteriormente nesta delegação. Contudo, novos desenvolvimentos médico-sociais colocam, agora, o enforcamento como o meio suicida preferido. Muitas barreiras continuam por derrubar mas vários programas de prevenção, derivados de uma crescente preocupação, começam a ser desenhados e postos em prática. Futuras avaliações e intervenções ao nível médico e social, incluindo no processo de certificação da morte, serão fundamentais para uma compreensão cada vez mais realística deste fenómeno
Ciências Médicas e da Saúde
6,393
Abordagem do EAM com supra ST: tempo é miocárdio!
Enfarte Agudo do Miocárdio,STEMI,Angioplastia,Antiplaquetar,Anticoagulante,Fibrinólise
Introdução Nos doentes com o diagnóstico de enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento ST (STEMI) é crucial iniciar o tratamento o mais precocemente possível. O tratamento ideal é a angioplastia (ICP) primária, desde que iniciada em menos de 120 minutos desde o primeiro contacto médico (PCM). Nas situações em que não se consegue cumprir os tempos objetivos da ICP, deve-se fazer fibrinólise até os primeiros 30 minutos após o PCM. Nos doentes submetidos a ICP primária deve-se administrar dupla terapêutica antiplaquetar e um anticoagulante adjuvante. Objetivo Este trabalho teve como objetivo analisar os tempos despendidos na abordagem dos doentes com STEMI no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC). Métodos Estudo prospectivo que incluiu os doentes admitidos no Serviço de Urgência (SU) do CHUC com STEMI, desde Dezembro de 2013 a Maio 2014. Criou-se uma folha de registo onde se anotou o meio de transporte utilizado pelos doentes a hora de início dos sintomas, da admissão hospitalar ao CHUC, do PCM, do primeiro electrocardiograma (ECG), hora de início da ICP primária. Assim como terapêutica antiplaquetar e anticoagulante adjuvante. Resultados A mediana do tempo entre o PCM até ICP primária, de todos os doentes do estudo, é 147 minutos. Apenas 4,5%, dos doentes transferidos de outras instituições para realizar ICP no CHUC, cumpriram o objetivo do intervalo de tempo entre o PCM até à ICP primária, de até 120 minutos. Discussão/Conclusão A maioria dos doentes chegou ao CHUC via INEM, ou encaminhados de outros hospitais. O tempo desde o início dos sintomas até PCM ficou acima da média europeia. O ECG diagnóstico cumpriu os objetivos das guidelines. O maior atraso verificou-se nos doentes encaminhados de outras instituições, colocando em causa os benéficos da ICP primária tardia face a fibrinólise atempada. A utilização da dupla terapêutica antiplaquetar e a anticoagulante cumpriu as guidelines atuais.
Ciências Médicas e da Saúde
6,395
Fibromialgia: conceito e abordagem clínica
Fibromialgia,Epidemiologia,Etiologia,Fisiopatologia,Diagnóstico,Tratamento
A fibromialgia é uma doença crónica, de etiologia pouco clarificada, diagnóstico incerto, fenótipo muito variável e tratamento muito heterogéneo. O objetivo deste trabalho foi o de reunir e relacionar a informação mais recente e relevante sobre a fibromialgia. A sua prevalência parece ser de 2 a 8% da população. A sua etiologia é provavelmente multifatorial e a teoria mais bem aceite sobre o seu mecanismo fisiopatológico é a da sensibilização central, onde as áreas matriciais da dor no cérebro são mais fortemente ativadas que em outros indivíduos por diversos estímulos. Ela parece ter também uma forte componente genética. Outros fatores psicológicos e biológicos podem estar na sua origem, como os abusos sofridos na infância e os distúrbios do sono. O seu diagnóstico é sobretudo clínico e a sua sintomatologia inclui não só a dor generalizada mas também uma miríade de outros sintomas, de entre os quais os mais relevantes são a fadiga, os sintomas cognitivos, os distúrbios do sono e a depressão. O seu tratamento deve incluir, para obter eficácia máxima, uma componente farmacológica e uma componente não farmacológica. A terapia cognitivo-comportamental e o exercício aeróbico são as modalidades não farmacológicas com maior evidência. Dentro da terapia farmacológica, os fármacos mais eficientes parecem ser os antidepressivos, particularmente os antidepressivos tricíclicos e os IRSN, e os antiepiléticos, particularmente a pregabalina. Outros fármacos e complementos dietéticos promissores estão em processo de investigação.
Ciências Médicas e da Saúde
6,396
Células mesenquimatosas e o envelhecimento
mesenchymal stem cells,bone marrow stromal cells,multipotent stem cells,multipotent stromal cells
O envelhecimento demográfico resulta da diminuição da taxa de natalidade a par do aumento da esperança média de vida. Evidentemente, a situação sem precedentes que estamos a viver presentemente representa um desafio no sentido de atenuar a morbilidade nos idosos, retardando, tratando ou curando as doenças sempre que possível. Uma das respostas é a terapia celular, particularmente a baseada em células estaminais mesenquimatosas (MSCs) – dada a sua acessibilidade, facilidade de cultura e versatilidade. Este trabalho pretendeu localizar-nos no estado da arte dos estudos com MSCs no âmbito de algumas doenças do envelhecimento, salientar as suas problemáticas mais importantes e eventuais limitações. Foram introduzidas as potencialidades das tecnologias emergentes, como os nanotubos, o pré-condicionamento e a terapia génica. Para a pesquisa bibliográfica utilizaram-se os termos “mesenchymal+stem+cells”, “bone+marrow+stromal+cells”, “multipotent+stem+cells” e “multipotent+stromal+cells”, na base de dados PubMed. Embora numa etapa preliminar de investigação, o uso das MSCs nas doenças do envelhecimento apresenta-se promissor, principalmente com base na aplicação das suas propriedades de tropismo para locais de lesão, imunomodulação e libertação de factores bioactivos. Hoje já existem alguns trabalhos impressionantes, ao nível da clínica, protagonizados pelas MSCs aplicadas à doença crónica. Gerou-se, portanto, uma grande expectativa no sentido de melhorar, ou quem sabe, reescrever a história natural das doenças do envelhecimento.
Ciências Médicas e da Saúde
6,397
Correlação entre o risco anestésico pré-operatório e complicações locais e sistémicas em artroplastia total do joelho
Ortopedia,Artroplastia total do joelho,Prótese total do joelho,Complicações,ASA,Comorbilidades
Introdução: A Artroplastia Total do Joelho (ATJ) é uma cirurgia cada vez mais frequente no tratamento da osteoartrose do joelho. A maioria dos doentes operados apresenta um número considerável de comorbilidades que devem ser avaliadas antes da cirurgia. A escala de risco anestésico da American Society of Anaesthesiologists (ASA) é um bom indicador da condição geral pré-cirúrgica podendo ser estudado para averiguar se um estado geral deficitário antes da cirurgia se pode refletir no aumento das complicações pós-operatórias. Objetivo: Pretende-se averiguar se existe correlação entre risco anestésico e complicações de ATJ surgidas até 1 ano após a cirurgia, e secundariamente correlacionar as condições peri-operatórias da cirurgia realizada com as principais complicações pós-cirúrgicas descritas como as mais frequentes na literatura médica. Metodologia: De forma aleatória foram identificados 100 doentes submetidos a ATJ entre 2010 e 2013 no polo HUC do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Levantados os respetivos processos clínicos do arquivo, procedeu-se de seguida à recolha dos dados, de forma anónima em base de dados, entre os quais os dados de risco do doente, sexo, idade, comorbilidades, avaliação de risco anestésico ASA e complicações pós-operatórias aí relatadas até um ano após a cirurgia. A avaliação estatística foi feita de forma descritiva recorrendo aos coeficientes de Pearson e Spearman para verificar a existência de correlação entre as condições peri-operatórias e as complicações estudadas. Resultados: Verificou-se a existência de 41% de infeções locais durante o seguimento de 1 ano na amostra avaliada. 44% dos doentes tiveram um internamento pós-operatório superior a 8 dias. Houve correlações positivas de intensidade média com significância estatística para p-value < 0,01 nos coeficientes de Pearson e Spearman entre o aumento da escala ASA e o surgimento de arritmia e disfunção cognitiva; demência e síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), disfunção cognitiva e arritmia; hemoglobina < 10 g/dl e albuminemia < 3,5 g/dl com insuficiência renal aguda; internamento pós-operatório superior a 8 dias e transfusão no mesmo período e o surgimento de infeção local. Conclusão: Foi patente o elevado número de infeções locais, nomeadamente relacionado com um internamento prolongado. Deve comparar-se a percentagem de infeções locais com outras unidades de saúde e instituir-se um rigoroso plano de assepsia e profilaxia antibiótica; o tempo de internamento prolongado deve ser combatido com a agilização das altas devido ao aumento do risco de infeções. O risco ASA tem de ser valorizado e recomenda-se a profilaxia antitrombótica e anticoagulante devido ao à correlação do seu valor com o surgimento de AVC e TEP. É válida e reprodutível a associação entre diversas condições pré-operatórias e respetivas complicações, destacando-se as seguintes e respetivas sugestões de atuação: a demência pré-operatória deve ser convenientemente avaliada antes da cirurgia, devendo estes doentes estar sob vigilância para deteção e tratamento precoce de SAOS, disfunção cognitiva e arritmia. Têm de ser valorizadas as alterações analíticas reveladoras de hipovolémia e repor o estado de hidratação do doente devido à sua correlação com insuficiência renal aguda.
Ciências Médicas e da Saúde
6,398
Treino de resistência e suplementação proteica para a hipertrofia muscular
Hipertrofia Muscular,Treino de Resistência,Suplementação Proteica
De entre as múltiplas razões para a construção de uma maior massa muscular destacam-se os seus efeitos protectores relativamente à Diabetes Mellitus II, Dislipidémia, Obesidade, Sarcopenia do Idoso e a melhoria de performance desportiva. A hipertrofia muscular é desencadeada por diversos estímulos anabólicos que, através de diferentes vias de sinalização intracelular, convergem na fosforilação de uma entidade central integradora – Mammalian Target of Rapamycin. O seu efeito é a activação da maquinaria de síntese proteica, que incorpora aminoácidos da dieta em novas proteínas musculares e, ultimamente, expande a massa muscular. O reconhecimento dos estímulos anabólicos mais potentes permitirá a sua incorporação num protocolo de aumento de massa muscular optimizado. Este artigo tem como objectivo a revisão da literatura científica relativa a práticas de exercício físico e suplementação proteica – reconhecidos estímulos anabólicos – com o objectivo de se elaborarem linhas orientadoras para resultados máximos de hipertrofia muscular. Recomendase a associação de suplementação de 20g de Proteína Whey a treinos de resistência – sem a adição de treinos de endurance, compostos por 3-6 sets, a 70-100% 1RM e 1-12 repetições por set (indivíduos inexperientes devem usar o esquema de 1-3 sets, a 70-85% de 1RM e 8-12 repetições por set), que incluam contracções concêntricas, excêntricas e isométricas, periodizados de modo a que na maior parte dos treinos sejam realizadas 6-12 repetições e que uma fracção menor recaia no intervalo de 1-6 repetições.
Ciências Médicas e da Saúde
6,400
Depressão no pós acidente vascular cerebral no idoso
Acidente vascular cerebral,depressão após o acidente vascular cerebral,depressão nos idosos,fatores de riscos,qualidade de vida
O acidente vascular cerebral (AVC) afeta principalmente os idosos, sendo que a depressão é uma das complicações neuropsiquiátricas mais comuns na população no pós-AVC, variando entre 30 a 50% dos doentes durante o primeiro ano. A depressão pós-AVC (DPA) associa-se a uma limitação das atividades da vida diária, a um prejuízo cognitivo, a um risco elevado de recorrência do AVC, e um pobre resultado de reabilitação, levando assim a piores evoluções do quadro clínico, pior aderência terapêutica e pior qualidade de vida com maior morbilidade e mortalidade. Foi realizado uma revisão da literatura disponível sobre a DPA no idoso, analisando estudos e revisões da bibliografia. Foi usado o PUBMED, uma revisão de dois relatórios da OMS, uma revisão e uma orientação da Direção Geral de Saúde assim como o Diagnostic and Statistical Manual of mental disorders – fifth edition. Verificou-se uma correlação entre a DPA e os idosos, apesar desta ser mais prevalente nos mais novos. Também verificou-se que as mulheres mais velhas relacionavam-se com a DPA, enquanto os homens apresentavam maior risco em idades mais jovens. De uma maneira geral existe uma dependência encontrada entre a DPA, o défice cognitivo e o prejuízo funcional. A DPA também leva a pobre qualidade de vida, assim como aumenta a mortalidade e sendo necessário um tratamento para prevenir esta entidade. O objetivo do trabalho pretende fazer uma revisão da literatura disponível da depressão na população idosa após um AVC, mais particularmente na sua incidência, nos fatores de risco e no seu impacto na qualidade de vida do doente.
Ciências Médicas e da Saúde
6,401
Anemia no idoso com doença renal crónica
Anemia,Doença Renal Crónica,idoso,eritropoietina,axa de filtração glomerular,agentes estimuladores da eritropoiese,défice de ferro
A anemia constitui uma complicação importante e frequente da doença renal crónica, verificando-se um aumento da incidência destas duas condições com o avançar da idade. Algumas das alterações na função e vasculatura renal podem ser atribuída ao próprio processo de envelhecimento. Em idosos saudáveis parece existir um aumento paradoxal da produção renal de eritropoietina, sugerindo que, ao longo dos anos, os percursores eritroides medulares poderão tornar-se menos sensíveis à estimulação da eritropoiese pela eritropoietina. No entanto, em doentes renais crónicos, a falência renal ocasiona uma produção inadequada de eritropoietina face às necessidades orgânicas com consequente diminuição da produção medular de eritrócitos. A anemia pode instalar-se precocemente e tende a agravar no decurso da evolução da doença renal crónica, frequentemente subdividida em cinco estadios de acordo com a constatação da existência de lesão renal e determinação da taxa de filtração glomerular. Apesar de se encontrarem bem esclarecidas as consequências potencialmente graves e a sua representatividade cada vez mais importante na população idosa, a anemia em doentes renais crónicos permanece como uma condição sub-valorizada, possivelmente devido à carência de diretrizes que estabeleçam a abordagem diagnóstica adequada a adotar e esquemas terapêuticos seguros a instituir nesta faixa etária. Apesar da produção inadequada de eritropoietina constituir a causa major de anemia na doença renal crónica, a sua etiologia é, na verdade, multifatorial podendo estar envolvidos diversos outros fatores como, por exemplo, um défice funcional de ferro frequentemente encontrado em condições inflamatórias. Consequentemente, o tratamento poderá passar não só pela administração de agentes estimuladores da eritropoiese, como pela necessidade de suplementação de ferro, quer pela eventual existência de um défice funcional quer pelo desenvolvimento de um défice absoluto induzido pela estimulação da eritropoiese. Este artigo tem como objetivo fazer uma revisao da literatura mais recente acerca da temática “anemia no idoso com doença renal crónica”, abordando os aspetos referidos anteriormente, bastante relevantes nesta população.
Ciências Médicas e da Saúde
6,402
Características que suscitam suspeita de maus-tratos em crianças e jovens em observação no serviço de urgência do Hospital Pediátrico de Coimbra
Maus-tratos,crianças,serviço de urgência,Hospital Pediátrico de Coimbra,Núcleo Hospitalar de Apoio às Crianças e Jovens em Risco,Consulta da Criança em risco
INTRODUÇÃO E OBJETIVO: As crianças são particularmente vulneráveis a qualquer tipo de violência, abuso ou exploração. O Serviço de Urgência (SU) constitui uma importante porta de entrada para o cuidado da criança vítima de maus-tratos e poderá representar uma oportunidade única de proteção para aquelas que não frequentam outros serviços de saúde. O presente estudo procurou identificar e descrever caraterísticas que podem suscitar suspeita de maus-tratos em crianças/adolescentes observados no SU do Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC) e sinalizados ao Núcleo Hospitalar de Apoio às Crianças e Jovens em Risco (NHACJR), por comparação com um grupo de controlo. MATERIAIS E MÉTODOS: Análise de 58 processos clínicos informatizados correspondentes a crianças/adolescentes, com idades compreendidas entre os zero e os 18 anos (não inclusive), que foram sinalizadas ao NHACJR do HPC, a partir do SU, durante um período de três anos civis: 2011-2013. Foram estudadas variáveis de caraterização do episódio de urgência, da criança, do mau-trato e do agressor, com posterior comparação entre os grupos, de modo a determinar as caraterísticas que permitiam diferenciá-los. RESULTADOS E CONCLUSÃO: A amostra é constituída por 58 casos, com uma média de idade de 7,51 anos, sendo 40 do sexo feminino. 67,3% dos casos recorreram ao SU por iniciativa da própria criança, da família ou da professora/educadora. Dos restantes casos, 24,4% foram referenciados por centros de saúde, 8,6% transferidos de outro hospital e 1,7% referenciados pela "Linha Saúde 24". Somente um dos casos foi acompanhado ao SU por ambos os progenitores e cerca de 7% vieram sozinhos com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Foi constatadoatraso na procura dos cuidados médicos em 36,2% das crianças. Entre os diagnósticos finais destacaram-se os abusos sexuais (37,9%), seguidos dos maus-tratos físicos (15,5%) e negligência (8,7%), sendo que o agressor era um familiar direto em 79,4% dos casos (em especial o pai). A grande maioria das crianças (84,5%) apresentava um ou mais fatores de stress psicossocial no seio familiar. Após observação no SU, 62,1% dos casos ficaram com Consulta da Criança em Risco (CCR) agendada para seguimento do caso e 24,1% foram internados. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos em estudo, no que se refere ao género, idade, gravidade clínica, comportamento no SU, desenvolvimento psicomotor e aproveitamento escolar. Pelo contrário, verificaram-se diferenças significativas na hora e motivo de ida ao SU, atraso na procura de cuidados médicos, tipo de acompanhante, orientação da criança após alta do SU, existência de episódios anteriores semelhantes e perfil de funcionalidade familiar. COMENTÁRIO: Pela existência de lacunas durante a recolha dos dados, que conduziu à exclusão de um grande número de variáveis inicialmente propostas para o estudo, seria preferível a realização de um estudo prospetivo, com acompanhamento longitudinal das respetivas crianças/adolescentes e suas famílias.
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6,403
Efeitos da risperidona no aumento e distribuição de peso e nos níveis de hemoglobina AIC numa amostra de crianças e adolescentes com autismo : estudo longitudinal de um ano
Risperidona,Aumento do peso do corpo,Adolescente,Criança,Transtorno autista
Introdução: A perturbação do espectro do autismo (PEA) é uma patologia complexa do neurodesenvolvimento, muito prevalente, que surge precocemente na infância. Refere-se a uma disfunção neurológica, que clinicamente se manifesta por atraso ou desvio nas aquisições do neurodesenvolvimento e alterações do comportamento. A PEA caracteriza-se por défice na comunicação e interação social e por um padrão de comportamento repetitivo e limitado nos interesses. O recurso à farmacoterapia justifica-se quando existem comportamentos disruptivos, que interferem negativamente no sucesso educativo e na qualidade de vida das crianças e suas famílias. A risperidona foi o primeiro antipsicótico autorizado na PEA e é o mais vezes prescrito. Embora sendo um fármaco seguro e eficaz, preocupações relacionadas com o seu efeito no aumento do peso e distribuição anómala da gordura e a sua interferência no metabolismo da glicose com aumento do nível de hemoglobina glicada A1c (HbA1c) têm emergido, sobretudo durante o crescimento e o processo evolutivo do neurodesenvolvimento. Objetivos: Caracterizar o efeito da risperidona no aumento do peso e distribuição da gordura e nos níveis de HbA1c. Métodos: Procedeu-se um estudo prospetivo de um grupo de 39 crianças e jovens com uma idade que variou entre os 3 a 21,5 anos (média ± DP, 9 ± 4,2) (trinta do sexo masculino (30/39; 77 %) com o diagnóstico de autismo e indicação para tratamento com risperidona por comportamentos disruptivos com significado clínico. A caracterização dos efeitos adversos, através da avaliação do índice de massa corporal, perímetro abdominal e HbA1c, foi realizada no tempo 0 (sem terapêutica) e nos tempos 1, 3, 6 e 12 meses de terapêutica. Resultados: A risperidona associa-se a uma elevação significativa e mantida dos valores de índice de massa corporal e perímetro abdominal, ao longo do tratamento. No entanto, não se verificou um aumento significativo nos níveis de HbA1c
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6,404
Avaliação da acupuntura no desempenho no rugby
Acupunctura,Futebol americano
Introdução: O objectivo deste estudo foi a investigação da utilidade da acupuntura no desempenho do Rugby, pela aplicação de tratamentos de contracturas musculares e pela utilização de um protocolo ao longo da época para melhorar a atenção e a memória visual, enquanto componentes do Processamento de Informação. Materiais e Métodos: Ao longo da época realizou-se um estudo de caso-controlo com 12 estudantes do ensino superior, atletas de uma equipa masculina de Rugby, sub-21. Os jogadores realizaram o registo do nível de lesões após os jogos realizados. Os participantes realizaram o inventário STAI e os testes de Menvis e de Toulouse-Piéron antes do início da época. Durante os treinos da época, aplicou-se um protocolo de acupuntura a metade dos atletas assim como se disponibilizou outros tratamentos de acupuntura a todos os elementos da equipa. Após o término da época, repetiram-se todas as avaliações. Resultados: Os tratados referiram uma recuperação total a nível da dor e limitação de movimentos antes da realização do jogo seguinte. Não se verificou diferenças entre os registos do nível de lesões entre os 2 grupos. Observou-se uma melhoria estatisticamente significativa na memória visual e na velocidade atencional, assim como uma diminuição da ansiedade-estado nos 12 participantes no estudo, sem diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos. Discussão: A acupuntura substituiu a fisioterapia como tratamento escolhido pelos atletas que tiveram contracturas musculares, tendo referido a resolução da dor e da limitação de movimentos. A prática de desportos de competição parece melhorar o Processamento de Informação ao longo de uma época. Conclusão: A Acupuntura revelou-se útil ao longo da época de Rugby, enquanto tratamento para as contracturas musculares, embora não se tenha registado uma melhoria estatisticamente significativa no processamento de informação atribuível ao protocolo de acupuntura utilizado no estudo
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6,405
O cancro da próstata no idoso
Neoplasias da próstata,Idoso
O cancro da próstata (CaP) constitui a neoplasia maligna mais frequente no sexo masculino e a segunda causa de mortalidade por cancro nos homens do mundo ocidental. Esta doença apresenta baixa taxa de mortalidade por cancro entre os homens, sendo um tumor com história natural altamente variável. Com o aumento da população geriátrica a incidência do CaP tende a aumentar. A idade apresenta o maior fator de risco para o cancro da próstata e esta patologia tem sido uma das maiores preocupações de saúde pública. Tendo em conta a relação risco-benefício, o doseamento de PSA é desaconselhado pois verifica-se um aumento do risco dos doentes serem confrontados com o diagnóstico de CaP em troca de uma redução incerta do risco de morte pela própria doença. Atualmente torna-se importante a utilização de uma avaliação geriátrica para identificar quais os doentes vulneráveis permitindo uma estimativa da esperança média de vida (EMV), fator muito importante nas decisões terapêuticas nos idosos com cancro. As opções de tratamento para o cancro da próstata têm evoluído significativamente ao longo da última década e são descritas várias opções de tratamento deferido, curativo e paliativo
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6,408
Metodologia de rastreio do cancro do cólon e recto
Neoplasias colorretais
O cancro do cólon e recto constitui actualmente a neoplasia responsável pelo maior número de mortes em Portugal. É de lamentar a inexistência de registos estatísticos nacionais, o que impede o acesso a dados relativos à incidência. À escala mundial, representa a terceira neoplasia maligna mais comum, a terceira causa de morte nas mulheres e a segunda nos homens. A prevenção deverá ter um papel fundamental na prática clínica, com o principal objectivo de diminuir a incidência e mortalidade deste cancro. O cancro colo-rectal tem etiologia multifactorial, estando identificados alguns dos seus factores de risco, cuja modificação corporiza a prevenção primária. Do ponto de vista fisiopatológio, a maioria tem origem em pólipos adenomatosos. Em consequência deste facto, o rastreio, considerado um método de prevenção secundária, deverá permitir a detecção precoce e consequente remoção destas lesões. Este trabalho teve como principal preocupação responder a perguntas sobre a complexidade das múltiplas opções de programas de rastreio e dos seus exames, abordando questões como eficácia, custos, exigências, vantagens, limitações, riscos, protocolos entre outros. Foram também abordados os diferentes factores de risco, bem como os respectivos conselhos para a adopção de um estilo de vida saudável. A metodologia baseou-se na consulta de inúmeras publicações recentes, com o objectivo de seleccionar os artigos mais adequados à revisão. Desta pré-selecção foram escolhidos os melhores para uma análise sistematizada. A pesquisa foi realizada nas bases de dados www.pubmed.com e www.uptodate.com. Em suma, na opinião de todas as sociedades científicas, a nível mundial, a prevenção desta neoplasia deve ser o objectivo primordial do rastreio. Como tal, têm reunido esforços no sentido de chegar a um consenso sobre as “guidelines” para a detecção de pólipos adenomatosos e cancro colo-rectal em indivíduos assintomáticos. Neste sentido, de acordo com a Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, será importante os profissionais estarem bem informados sobre os testes de rastreio para poderem aconselhar a população sobre a melhor opção. É de extrema importância o esclarecimento entre um exame que apenas detecta o cancro numa fase precoce, pesquisa de sangue oculto nas fezes, e outro, a colonoscopia, que, além disso, é eficaz na detecção e remoção de pólipos. No universo científico é consensual a eleição da colonoscopia como a técnica “gold standard” no rastreio do cancro do cólon. No entanto, contrariando todas as evidências e comprovado por experiência pessoal, a maioria da população recusa submeter-se a rastreio através da colonoscopia
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6,409
Osteoporose e exercício físico
Osteoporose,Exercício fisico
A osteoporose é uma doença esquelética sistémica. Caracteriza-se por uma baixa densidade óssea e por uma deterioração da microarquitectura, com consequente aumento da fragilidade e susceptibilidade para a ocorrência de fractura. Resulta do equilíbrio negativo, existente entre a formação e a reabsorção óssea. É a doença do osso mais prevalente em todo o mundo, sendo considerada actualmente um problema major de saúde pública. A definição de osteoporose, está também relacionada com a alteração dos valores da densitometria óssea devido à perda de massa óssea. É uma doença insidiosa que pode evoluir durante muitos anos sem qualquer sintoma, na inexistência de fractura. As medidas tomadas nos primeiros anos de vida, sob a forma de ingestão de cálcio e exercício físico, apresentam valor preventivo na evolução da osteoporose. O pico de massa óssea é influenciado pelo sexo, factores hereditários, raça, dieta e exercício. O exercício moderado tem acção protectora contra a osteoporose; a ausência de exercício, ou a sua prática excessiva podem causar osteoporose. É dada ênfase, à importância de exercícios físicos específicos, com o intuito de aumentar a força óssea e o poder muscular, consoante a idade e condição física subjacente. Este artigo revê as evidências literárias actuais, no que concerne à relação entre a actividade física habitual, aquisição e manutenção de tecido ósseo; as consequências ao nível esquelético de programas de treino, e o valor clínico em pacientes com fragilidade esquelética submetidos a exercício físico.
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6,410
Sarcoidose e suas formas de apresentação clínica
Sarcoidose,Pneumologia
A sarcoidose é uma doença granulomatosa multisistémica de etiologia desconhecida que afecta principalmente os pulmões e os gânglios linfáticos intratorácicos, atingindo preferencialmente mulheres jovens e de meia-idade. As primeiras manifestações da sarcoidose foram descritas por Jonathan Hutchinson em 1877 através do relato de lesões cutâneas. Só mais tarde o carácter sistémico da doença foi sugerido por Shaumann. A sarcoidose caracteriza-se por uma grande heterogeneidade no que toca à prevalência, à forma de apresentação clínica e à gravidade da mesma, variando sobretudo em função da localização geográfica e da raça dos pacientes. O envolvimento orgânico depende ainda do sexo e da idade dos doentes. Apesar da epidemiologia da doença se manter controversa, a sua prevalência parece ser maior nos países escandinavos e entre os afro-americanos dos Estados Unidos da América, sendo mais grave na raça negra. Por seu lado, Portugal parece apresentar uma das mais baixas prevalências de sarcoidose. As múltiplas formas de apresentação clínica da sarcoidose podem agrupar-se em três padrões distintos: doença assintomática, sintomas constitucionais inespecíficos e sintomas relacionados com envolvimento orgânico específico. Os pulmões e os gânglios linfáticos intratorácicos são os órgãos mais afectados, ocorrendo em mais de 90% dos doentes. O estadiamento radiográfico pulmonar é uma das melhores formas de caracterizar as manifestações intratorácicas e avaliar o seu prognóstico. Além do estadiamento radiográfico existem outros factores clínicos com valor prognóstico, a maioria deles relacionados com o comprometimento extratorácico e também com a forma de instalação aguda ou crónica. A frequência das diferentes manifestações clínicas atribuídas ao envolvimento orgânico específico é variável, dependendo dos meios de investigação diagnóstica aplicados. Na sua forma extratorácica, a sarcoidose pode atingir músculos, fígado, baço, olhos, pele, nódulos linfáticos extratorácicos, sistema nervoso, coração, rins, ossos e glândulas parótidas, entre outros. Apesar do seu curso clínico ser muitíssimo variável, a sarcoidose é uma doença que apresenta uma baixa taxa de mortalidade, variando entre 1 e 5%. As causas habituais de morte estão relacionadas com as complicações decorrentes do envolvimento pulmonar, cardíaco, neurológico e hepático. A presente revisão é complementada com a apresentação e análise de uma casuística de quase oitenta doentes, com o diagnóstico de sarcoidose, acompanhados no Serviço de Pneumologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
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6,411
Tratamento não farmacológico da obesidade
Obesidade,Dieta,Exercício físico
Durante anos a obesidade foi considerada sinónimo de beleza, bem-estar físico e poder. Hoje, constitui um importante problema de saúde pública, sendo mesmo considerada pela Organização Mundial de Saúde como a epidemia do Século XXI. O aumento da sua incidência e prevalência tem provocado um aumento insustentável de complicações com ela relacionadas, tais como: diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial sistémica, dislipidemias, aterosclerose e algumas formas de cancro, estando assim associada a um maior risco de morbilidade e mortalidade precoces. O tratamento da obesidade constitui hoje, um dos grandes desafios da prática médica. De um modo geral, é baseado em terapêutica dietética, orientação da actividade física, tratamento comportamental, medidas farmacológicas e cirúrgicas. Com esta revisão, pretendo abordar as principais medidas médicas não farmacológicas, à luz do conhecimento actual, no tratamento da obesidade, no sentido de poder estabelecer uma estratégia de abordagem terapêutica que, baseada nos conhecimentos que temos sobre os factores envolvidos, possa conduzir a um nível de eficácia mais adequado. Será exposta uma revisão criteriosa da literatura pertinente, visando identificar as bases científicas que esclarecem as principais medidas médicas não farmacológicas no tratamento da obesidade, sendo para tal utilizados os mais recentes artigos publicados, disponíveis na base de dados PubMed
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6,412
Terapêutica da diabetes mellitus tipo 1
Diabetes mellitus do tipo 1,Insulina
Introdução: Diabetes Mellitus (DM) é uma doença metabólica de etiologia múltipla caracterizada por hiperglicemia crónica com distúrbios no metabolismo dos hidratos de carbono, lípidos e proteínas, por deficiências na secreção e/ou acção da insulina. A descoberta da insulina em 1921, foi um grande marco na sua terapêutica, aumentando a esperança e qualidade de vida dos doentes, nomeadamente na DM tipo 1. Tornou-se um fármaco salvador de vidas (life saving). A primeira a ser comercializada foi a Regular. Pela necessidade de lentificar a sua acção, diminuindo o número de administrações/dia, desenvolveram-se outras, como a NPH, uma suspensão de insulina cristalina de zinco com protamina. Durante décadas usaram-se insulinas bovinas e porcinas, progressivamente mais purificadas e procurando sempre uma composição de aminoácidos semelhante à humana. As técnicas de DNA recombinante deram acesso às insulinas humanas e depois aos análogos. Estes são insulinas com aminoácidos idênticos aos da humana, mas com uma sequência modificada, tornando-os mais rápidos (lispro, asparte e glulisina) ou mais lentos (glargina e determir). Em 2006 surgiu a insulina humana inalável para uso pré-prandial, retirada do mercado por problemas custos/eficácia. Durante anos usou-se a insulina de forma convencional, uma a duas vezes por dia, impedindo a cetoacidose mas mantendo glicemias elevadas para evitar as hipoglicemias. Desenvolvimento: Em 1993 o estudo da DCCT provou que um bom controlo metabólico, usando regimes terapêuticos intensivos, protege os diabéticos tipo 1 do aparecimento e agravamento das complicações microvasculares. Esta terapêutica faz-se por múltiplas injecções diárias (MDI) ou bomba de perfusão contínua subcutânea de insulina (CSII). As MDI usam várias injecções diárias de insulina de acção longa (dose basal) e rápida (prandial). A CSII realiza-se por uma bomba electromecânica portátil. Mimetiza o aporte de insulina dos não diabéticos, administrando continuamente insulina de acção rápida no tecido celular subcutâneo (basal), adicionada de bólus antes das refeições. Desde a primeira, que surgiu em 1963, surgiram muitos modelos cada vez mais “inteligentes” e confortáveis para os doentes. Objectivo: Realizar uma revisão bibliográfica, comparando a eficácia de cada um destes sistemas no controlo metabólico e efeitos psicossociais da terapêutica. Conclusões: A CSII proporciona um controlo metabólico semelhante ou superior ao das MDI, tendo como vantagens a menor frequência de hipoglicemia, minimização do fenómeno de Dawn e melhor qualidade de vida. O custo é a principal desvantagem. Actualmente reserva-se para doentes que não atingem um bom controlo metabólico com MDI em regime optimizado e para melhoria do controlo na grávida.
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6,414
Hipoglicemia e tratamento da diabetes mellitus
Diabetes mellitus,Hipoglicemia
A diabetes mellitus é uma das doenças não transmissíveis mais comuns e a sua proporção epidémica colocou-a na linha da frente dos desafios actualmente colocados à saúde pública. De facto, a diabetes mellitus é uma preocupação prioritária devido às diferentes complicações severas associadas a ela. Neste sentido, atingir um nível glicémico normal é um dos principais objectivos actuais. Muita investigação tem sido dedicada por diferentes grupos nesta área particular. Enquanto muitos estudos são consensuais em considerar que a educação do paciente é primordial neste contexto, um número muito elevado de novos fármacos antidiabéticos têm sido desenvolvidos nas últimas décadas. É, no entanto, também consensual que atingir este controlo glicémico apertado origina muito frequentemente um ciclo vicioso de episódios hipoglicémicos recorrentes. As consequências mais graves da hipoglicemia são as que se fazem sentir ao nível do cérebro, incluindo perda de funções cognitivas, coma e até morte. Assim, o conhecimento dos potenciais hipoglicémicos relativos dos diferentes fármacos antidiabéticos, dentro de um contexto individual e multifactorial que caracteriza a doença, é de importância extrema.
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6,418
Enurese nocturna na criança
Enurese nocturna,Criança
A Enurese Nocturna (EN) afecta globalmente 15% das crianças aos 6 anos e perturba a sua auto-estima e socialização. Contudo, o sintoma é frequentemente considerado parte do crescimento e desenvolvimento “natural” e por isso banalizado e não tratado. A taxa de resolução espontânea é de 15%/ano, afectando 1% dos indivíduos na idade adulta. O trabalho proposto pretende fazer uma revisão bibliográfica da epidemiologia, fisiopatologia, causas, clínica, tratamento e evolução da EN na Criança, especialmente da mais prevalente – a monossintomática – apoiada nas mais recentes conclusões e propostas de orientação para o acompanhamento global desta situação. A EN tem um componente hereditário evidente e é considerada mais frequente no sexo masculino. É uma entidade com complexa patofisiologia e etiologia heterogénea. Estão disponíveis diferentes terapêuticas com resultados satisfatórios. A terapêutica actualmente aplicada engloba a educação na ingestão de fluidos, o reforço positivo e o treino vesical e esfincteriano. O sistema de alarme é considerado na primeira linha de tratamento. A desmopressina deve ser associada quando o alarme não resulta ou não é aplicável. A imipramina e a oxibutinina são terapêuticas de recurso devido, sobretudo, às toxicidades associadas. A medicina alternativa também já foi sugerida. A grande maioria dos casos de EN pode ser tratada ao nível dos Cuidados de Saúde Primários. Contudo, os casos sem sucesso terapêutico devem ser referenciadas aos Cuidados de Saúde Secundários para investigação urológica adicional. A optimização de estratégias para clarificar e perceber a etiofisiopatologia do problema, assim como para o prevenir e tratar, deve ser encorajada.
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6,419
Os cuidados de saúde primários na prevenção do AVC
AVC,prevenção,fatores de risco,médico de família,cuidados de saúde primários
Introdução: As doenças do aparelho circulatório, em particular as doenças cerebrovasculares são uma grande fonte de mortalidade e mobilidade. Em Portugal contribuem com grande peso para a mortalidade da população e apesar de a taxa de apresentação estar a diminuir, a sua prevalência continua alta. São na sua maioria doenças com expressão aguda, mas o seu período de incubação pode ser longo e por isso é necessário entender os fatores precipitantes ou que contribuem para o seu aparecimento. Essa compreensão permite a tomada de atitudes de forma racional e estruturada. A maioria dos AVC são primeiros eventos e grande parte pode ser prevenida. Assim a prevenção de ocorrência é primordial e é aqui que os cuidados de saúde primários são a chave pela sua visão holística do paciente, pelo acompanhamento, proximidade e cuidado que só o médico de família poder fornecer. Materiais e métodos: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica através do uso do motor de busca do sítio da internet PubMed de artigos de 2000 a 2014, com inclusão de raras exceções justificadas pela força e relevância científica. Foram ainda consultados sítios da internet de organizações de saúde fidedignas e literatura adequada ao tema. Resultados: O papel do médico de família é incontornável no contacto da população com a saúde, sendo o elo de ligação mais forte e mais próximo. As ações de prevenção são hoje em dia um ponto essencial para a saúde das populações e tem-se verificado que a atitude expectante deve passar a ser ativa, com vista a evitar os problemas antes que estes se tornem incontroláveis ou de muito difícil gestão. Sabendo isto e pensando que o AVC é a segunda causa de morte a nível mundial, fica claro que a prevenção é essencial. Atualmente pode ser feito o cálculo do risco recorrendo a diferentes escalas de risco, mas ainda não existe modo de integrar de forma completa os diferentes problemas de um doente. Verifica-se que existem fatores de risco que aumentam o risco de ocorrência de AVC e entre eles os mais importantes são a idade, o baixo peso ao nascimento, a raça/etnicidade, o género, fatores genéticos, a atividade física, a dislipidémia, a hipertensão, a dieta e nutrição, a obesidade, a diabetes mellitus, o tabagismo, as doenças cardíacas, a estenose carotídea assintomática, o consumo de álcool, o abuso de drogas e a enxaqueca. Discussão/Conclusão: A aliança entre o conhecimento médico dos fatores de risco e a forma como o médico de família aborda os pacientes torna possível a gestão dos diferentes fatores de risco e a integração destes num paciente e em toda a complexidade da sua vida. Deve ser feita, de uma forma geral e não exclusiva do médico de família, a promoção de saúde e prevenção de doenças e em particular do AVC, como medida para o enriquecimento da saúde das populações.
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6,420
Reconstrução do couro cabeludo pós-queimadura
queimaduras,couro cabeludo,reconstrução cirúrgica,cirurgia plástica
As queimaduras do couro cabeludo são um problema comum, ocorrendo mais frequentemente em ambiente laboral, em doentes do sexo feminino, mas atingindo também uma incidência aumentada na população pediátrica. Estas lesões podem dar origem a alterações funcionais, estéticas e psicológicas de grande magnitude, uma vez que para além da perda do revestimento protector do crânio, com os riscos sépticos daí resultantes, as sequelas cicatriciais, geralmente acompanhadas de placas de alopécia de dimensão variável, com deformidade estética numa área do corpo geralmente exposta, vão afectar profundamente a auto-imagem destes doentes. O tratamento naturalmente deve ser dirigido tanto à lesão funcional como à deformidade estética produzidas pelas queimaduras. Neste trabalho, são abordadas diferentes técnicas de reconstrução do couro cabeludo, utilizadas de acordo com a extensão, profundidade, localização e origem da lesão, bem como as vantagens e desvantagens inerentes a cada uma delas. É incluída ainda uma análise retrospectiva de 21 casos de queimaduras do couro cabeludo, internados no Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados (CPQ) do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), entre Janeiro de 2009 e Dezembro de 2014.
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6,422
Depressão perinatal: das relações familiares ao desenvolvimento da criança. Estratégias de prevenção
depressão perinatal,depressão pós-parto,fatores de risco,relações familiares,desenvolvimento da criança,rastreio,prevenção
Este artigo de revisão foi realizado com base em artigos científicos retirados de bases de dados como a PubMed e alguns livros sobre cuidados de saúde primários, com o objetivo de definir a depressão perinatal e os seus principais fatores de risco, as suas consequências em termos de relações familiares e desenvolvimento da criança, dando especial ênfase a estratégias de prevenção adequadas. Atualmente, 1 em cada 7 mulheres tem a probabilidade de vir a sofrer de depressão pós-parto (DPP), sendo a depressão durante a gravidez o seu principal preditor. A gravidez e os 12 meses que se seguem, são um tempo de grande transição para a mulher, para a família e para a comunidade que os rodeia. Sendo reconhecidamente um grave problema de saúde pública, importa estudá-la do ponto de vista das relações familiares e do desenvolvimento da criança. Existem evidências que demonstram que tanto o desempenho cognitivo como emocional, e até mesmo a saúde física da criança parecem ser negativamente afetados. O rastreio universal da depressão perinatal ainda não se encontra estabelecido. A investigação de novas abordagens preventivas tem apresentado resultados contraditórios, existindo necessidade de novos estudos de modo a esclarecer e identificar novas estratégias. Todavia, a identificação de qualquer grávida em risco parece ser a etapa mais importante na prevenção de uma depressão perinatal.
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6,423
Coagulação intravascular disseminada: estado da arte
Coagulação Intravascular Disseminada,Trombina,Fator tecidual,Inflamação,Coagulação,fibrinólise
A Coagulação intravascular disseminada (CID) é uma síndrome cujos sintomas se devem à ativação generalizada da coagulação e consequente deposição sistémica de fibrina, levando ao consumo dos fatores de coagulação e plaquetas, hiperfibrinólise cursando com hemorragia. Pode dever-se a uma grande variedade de situações patológicas sendo as principais a sépsis, o trauma ou as queimaduras. Esta síndrome pode ser aguda ou crónica, e pode apresentar dois fenótipos diferentes, um trombótico e um hemorrágico. Para cada fenótipo recorre-se a uma terapêutica específica. A base fisiopatológica da CID é comum qualquer que seja a etiologia ou quadro clínico, e deve-se à libertação/exposição e ativação do fator tecidual com consequente ativação da coagulação e consumo dos fatores de coagulação e plaquetas. O diagnóstico desta patologia é difícil devido à falta de testes no contexto clínico e por isso, recorre-se a séries de pequenos exames laboratoriais combinados num sistema de pontuação da CID. A base da terapêutica da CID é o tratamento agressivo da patologia de base associado a medidas de suporte. Nesta revisão será abordada sucintamente a CID focando os seus principais aspetos: a fisiopatologia, a clínica, a etiologia, o diagnóstico, a terapêutica e o prognóstico. O intenso estudo efetuado na área permitiu um melhor conhecimento e compreensão dos seus mecanismos fisiopatológicos resultando em melhores meios de prevenção, de diagnóstico e terapêuticas precoces.
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6,424
Asma ocupacional: uma revisão atualizada
Occupational Asthma,Causing Agents,Definitions,Diagnosis,Management,Prevention
A Asma Ocupacional (AO) é a doença ocupacional crónica mais comum em muitos países desenvolvidos, sendo objeto de estudo de várias Especialidades médicas e epidemiológicas. Existem centenas de agentes causadores de AO relatados na literatura, contudo, no contexto de uma investigação médica de AO, o diagnóstico não deve ser apenas baseado na clínica que o doente apresenta. Existe, portanto, a necessidade de o confirmar por meios objetivos, uma vez que um diagnóstico incorreto poderá acarretar consequências deletérias para o trabalhador, seja em termos sanitários, ou no plano socioeconómico. Atualmente, o médico tem ao seu dispor uma diversidade considerável de exames complementares, dos quais se destaca o TPE como padrão de referência. Após o diagnóstico, o tratamento da AO não difere da asma clássica, no entanto, o doente não poderá continuar em contacto com o agente causador de asma, o que pode traduzir-se em graves obstáculos profissionais para o trabalhador. Esta vertente socioeconómica da AO deverá ser resolvida em cooperação com o trabalhador, médico e empregador, pois está comprovado que os doentes com AO que permanecem (de forma inalterada) em contacto com o agente nocivo têm um pior prognóstico, que se traduz num agravamento dos sintomas e num aumento alarmante do risco de vida. Em oposição, os trabalhadores que são tratados de acordo com as recomendações vigentes podem vir a recuperar totalmente do seu quadro sintomatológico, com remissão completa da doença.
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6,426
Consequências da prematuridade no sistema respiratório
Neonatologia,Prematuridade,Cuidados perinatais,Doença pulmonar,Sistema respiratório,Neonatology,Prematurity,Perinatal Care,Pulmonary Disease,Respiratory System
Todos os anos nascem cerca de 15 milhões de crianças prematuras em todo o mundo e mais de 1 milhão morre no primeiro mês devido a várias complicações. A sobrevivência de um prematuro é cada vez maior devido aos avanços nos cuidados perinatais, contudo estas crianças sofrem frequentemente de morbilidade respiratória crónica. Os recém-nascidos prematuros têm um risco aumentado de possuírem alterações na função pulmonar durante a infância, adolescência e idade adulta, bem como um risco aumentado de infeções respiratórias, asma e doença pulmonar obstrutiva crónica. Estes problemas respiratórios são particularmente evidentes quando estas crianças prematuras desenvolvem displasia broncopulmonar. O objetivo deste trabalho passa deste modo por destacar quais as principais complicações a nível do sistema respiratório dos nascimentos pré-termo, salientando a importância de um correto desenvolvimento do aparelho respiratório na fase pré-natal e pósnatal.
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6,427
SAOS: resposta à ventilação por pressão positiva contínua
Síndrome da Apneia Obstructiva do Sono,Sonolência diurna excessiva
Introdução: A Síndrome da Apneia Obstructiva do Sono é um distúrbio respiratório muito prevalente na população adulta com importantes repercussões na saúde e na qualidade de vida, contudo é uma doença tratável com Ventilação por Pressão Positiva das Vias Aéreas. A compliance à terapêutica é fundamental, exigindo uma grande disponibilidade e vontade do doente para que seja a desejada, o que implica uma excelente relação entre o paciente e os prestadores de cuidados de saúde. Objectivos: O objectivo maioritário visa encontrar a correlação entre a compliance à ventilação mecânica não invasiva por pressão positiva com a melhoria sintomática e a clínica do doente. Encontrar padrões que possam caracterizar cada doente, melhorar a compliance e assim, melhorar o prognóstico. Metodologia: Realizou-se um estudo retrospectivo, usando as fichas de seguimento das consultas de follow-up de ventilação mecânica não invasiva domiciliária da Unidade Funcional de Pneumologia, Hospital Dr. José Maria Grande, Portalegre, ULSNA, tendo sido seleccionados aleatoriamente 100 doentes que começaram a utilizar APAP entre início de 2012 e de 2014. Resultados: Foram analisadas 97 fichas clínicas: 69% do sexo masculino; idade média 61 ± 11,3 anos; Índice de Massa Corporal médio de 33,6 ± 6,5 kg/m². Entre as comorbilidades, destaca-se a obesidade em 70,1% e HTA em 27,8%. A escala de Epworth média inicial era de 10,9, baixando para 5,4 e para 4,8 na segunda e terceira consultas, respectivamente. A compliance foi de 83,5%, sendo de 87,5% no sexo masculino e de 75% no sexo feminino. A fuga média pela interface foi de 24,38 no grupo aderente e de 20,08 l/min no grupo não aderente. Foi também analisada a relação entre os ventiladores de APAP utilizados, bem como, a interface com o sucesso terapêutico. De realçar que os doentes que utilizaram interface nasal obtiveram IAH residual médio de 3,25/h e os que utilizaram interface facial obtiveram IAH residual médio de 6,1/h. A interface facial e nasal apresentaram uma fuga média de 27,1 e 21,75 l/min, respectivamente. Conclusão: a obesidade é um comorbilidade com enorme predominância na SAOS, sobretudo nas mulheres. Os homens apresentaram uma melhor compliance. A interface nasal demonstrou vantagens sobre a interface facial. O tipo de APAP e as fugas não demonstraram relação com a adesão à terapêutica. Os bons resultados de compliance à terapêutica nesta amostra populacional, estão relacionados, com toda a certeza, com o apoio, disponibilidade e empenho dos profissionais de saúde nesta área na referida Instituição Hospitalar.
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Hemorragias gastro-intestinais : tratamento
Hemorragias gastro-intestinais :|btratamento,Terapia,Diagnóstico
A população mundial tem vindo a envelhecer, o que provoca o aumento da prevalência de algumas doenças, algumas das quais provocam hemorragia digestiva. Também o aumento do consumo de alguns fármacos, nomeadamente os anti-inflamatórios não esteróides e os fármacos inibidores da agregação plaquetar, levaram ao aumento da sua incidência. A mais prevalente das hemorragias é a hemorragia digestiva alta, sendo também a que possui uma mortalidade maior. Apesar de todos os avanços que se observaram nos últimos anos na Medicina em geral e na Gastrenterologia em particular, as hemorragias digestivas continuam a ter uma taxa de mortalidade elevada (cerca de 10%). Para este valor contribui, em grande medida, o agravar das co-morbilidades existentes (especialmente cardio-respiratórias) e, em menor grau, consequências directas da própria hemorragia digestiva. O importante numa hemorragia digestiva é estabilizar inicialmente o doente caso este se apresente com sinais de instabilidade hemodinâmica e realizar, depois do doente estabilizado, uma endoscopia (ou colonoscopia) de forma a estabelecer o diagnóstico da causa que provocou a hemorragia. Existem diferentes terapêuticas que podem ser aplicadas dependendo da causa da hemorragia e da estratificação do risco de recidiva hemorrágica. As modalidades terapêuticas disponíveis incluem a terapia médica farmacológica, importante não só no tratamento como também na profilaxia primária e secundária, a terapia médica endoscópica (terapia de injecção, térmica e mecânica) que é o “gold-standard” para o tratamento de muitas das causas de hemorragia digestiva, a terapia imagiológica (infusão selectiva de vasoconstritores, embolização transcatéter e os shunts transjugulares intra-hepáticos porto-sistémicos) e, por último, a terapia cirúrgica que é usada em último caso, quando não se consegue obter hemostase pelos outros métodos disponíveis.
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6,429
Retinoblastoma : estudo clínico e de factores de prognóstico numa população submentida a tratamento conservador
Retinoblastoma
Introdução O retinoblastoma é o tumor maligno primário do globo ocular mais frequente em crianças. É um tumor genético que pode ser classificado como uni ou bilateral e hereditário ou não hereditário. As formas clínicas de apresentação mais frequentes são a leucocória (mais de metade dos casos) e o estrabismo (cerca de 20% dos casos). Sem tratamento a mortalidade é de 100% conseguindo-se, com os tratamentos actualmente disponíveis, uma taxa de sobrevivência superior a 95% com um diagnóstico precoce. Daqui a necessidade de um conhecimento médico das formas clínicas de apresentação representativas da população portuguesa, fundamentais para um diagnóstico precoce. Metodologia Foi realizado um estudo retrospectivo das características demográficas e clínicas através da consulta dos registos de doentes com retinoblastoma e observados numa Consulta de Oncologia Ocular, nos últimos 20 anos. Foram analisados parâmetros demográficos, antecedentes familiares, manifestações clínicas iniciais, estadiamento (Classificação de Reese-Ellsworth), tratamentos efectuados, prognóstico vital, conservação do globo ocular e prognóstico visual a longo prazo. Foi realizado o tratamento estatístico dos dados obtidos, através de um programa de computador (SPSS® 18). Resultados Foram estudados 19 doentes com o diagnóstico de retinoblastoma submetidos a quimioterapia sistémica prévia a tratamento cirúrgico conservador. Verificou-se que o diagnóstico foi feito numa média de idades de 2,1 ± 1,17 anos. Observou-se um maior número de casos do sexo masculino (63,16%). Dos 19 casos estudados, 10 apresentavam um retinoblastoma bilateral (52,63%) sendo possível obter uma história familiar em 26,3%. As principais manifestações clínicas iniciais, e que motivaram uma observação oftalmológica e diagnóstico, foram a leucocória (77,95%) e o estrabismo (21,05%). A grande maioria dos tumores encontrava-se no grupo VB da Classificação de Reese-Ellsworth e, quando comparado o estadio de cada olho nos casos bilaterais, foi clara a existência de uma assimetria. Do número total de casos analisados registaram-se 4 mortes (21,1%), apenas uma relacionada directamente com o tumor. Do total de 8 casos bilaterais, foi possível conservar um dos globos oculares em 7 casos (87,5%). Dos casos unilaterais, foi possível conservar o globo ocular afectado em mais de metade dos casos (57,14%), recorrendo a quimioterapia sistémica prévia a tratamento conservador. Conclusões Até há cerca de uma década atrás, a enucleação era o tratamento primário preconizado e estandardizado para o retinoblastoma. Actualmente, a quimioterapia sistémica, com efeitos de quimiorredução, começou a assumir um papel de relevo, principalmente quando complementada com terapêuticas locais (crioterapia e/ou fotocoagulação laser). Os bons resultados obtidos, em casos unilaterais, mas sobretudo nos casos bilaterais, abriram novos horizontes na forma de tratar estes doentes. O estudo realizado, espelha precisamente esses bons resultados, revelando que é possível em muitos casos de retinoblastoma preservar pelo menos um dos olhos afectados, no caso dos retinoblastomas bilaterais, e em mais de metade dos casos de retinoblastomas unilaterais preservar o olho
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Virtópsia: o adeus ao bisturi?
Virtópsia,Autópsia,TC-PM,AngioTC-PM,RM-PM,imagiologia forense,barreiras religiosas
A investigação médico-legal atual tem cada vez mais ao seu dispor técnicas radiológicas que visam auxiliar o diagnóstico da causa de morte e mecanismos fisiopatológicos determinantes da mesma. Contudo, a dúvida levantada pela utilização desses métodos é se estes poderiam vir a ser substitutos da autópsia convencional, ou se apenas têm capacidade de ser implementados como adjuntos da mesma. Nesta revisão tentou-se focar os pontos a favor e contra de algumas das técnicas utilizadas, nomeadamente TC-PM; AngioTC-PM; RM-PM e fazer uma análise comparativa entre estes métodos, assim como analisar o benefício de menor invasibilidade do ponto de vista de alguns grupos religiosos que apresentam objeções à dissecção do corpo humano. Apesar da sua rápida evolução nos últimos anos constatou-se que a utilização das técnicas virtuais post-mortem parece não reunir consenso entre a comunidade médica, que levanta questões como inviabilidade financeira, entre outras, como objeção à sua implementação universal. Concluiu-se que ainda são necessários mais estudos internacionais multicêntricos em institutos equiparáveis, para que então se possa proceder à padronização de metodologia e à implementação destas técnicas quer como método adjunto à autópsia, quer como método substituto da mesma.
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6,432
Saúde reprodutiva após cancro da mama
cancro da mama,fertilidade,preservação da fertilidade,gravidez,aleitamento materno,disfunção sexual
INTRODUÇÃO: O cancro da mama constitui a neoplasia maligna mais frequente nas mulheres em idade reprodutiva. Nas últimas décadas tem-se registado um aumento da sobrevivência das mulheres com cancro da mama, pelo que as intervenções que visam a melhoria da saúde reprodutiva e da qualidade de vida assumem atualmente um interesse relevante. O risco de falência ovárica prematura (FOP) e consequente compromisso da fertilidade, resultante da terapêutica sistémica adjuvante do cancro da mama, constitui um dos efeitos mais deletérios na mulher em idade reprodutiva. Neste âmbito as técnicas de preservação da fertilidade atualmente disponíveis, que incluem a criopreservação de embriões, a criopreservação de ovócitos e a criopreservação de tecido ovárico, permitem minorar esse impacto. A terapêutica comanálogos da gonadotrophin releasing hormone (Gn-RH) pode estar associada a um efeito benéfico na preservação da função ovárica, mas as suas indicações mantêm-se controversas. OBJETIVO: Este estudo tem como objetivo rever os efeitos do tratamento do cancro da mama na saúde reprodutiva e as intervenções disponíveis para reduzir o seu impacto. MÉTODOS: Efetuou-se um revisão compreensiva da literatura. A pesquisa focalizou-se na avaliação do impacto do tratamento antineoplásico a nível da função reprodutiva e sexual. As controvérsias e a abordagem atual relativamente à preservação da fertilidade, à vigilância da gravidez, aleitamento materno e disfunção sexual em mulheres em idade reprodutiva com antecedentes de cancro da mama são realçadas. RESULTADOS: A quimioterapia realizada nas doentes com cancro da mama tem um impacto negativo sobre a fertilidade. Atualmente existem várias intervenções para preservar a fertilidade e os oncologistas devem orientar as doentes para os serviços de reprodução logo após o diagnóstico. As opções existentes neste âmbito podem aumentar a probabilidade de uma futura gravidez, apesar da eficácia de algumas intervenções, nomeadamente a administração de análogos Gn-RH, não estar ainda esclarecida. No que concerne à gravidez após cancro da mama, a evidência não revela um impacto negativo a nível da sobrevivência. Relativamente ao aleitamento materno, os estudos efetuados referem que é seguro para as crianças e não tem efeitos nocivos no prognóstico das mulheres com antecedentes de cancro da mama. A abordagem multimodal da disfunção sexual, com especial incidência no tratamento farmacológico e na terapia sexual revela-se eficaz, constituindo uma mais valia na saúde reprodutiva destas mulheres. CONCLUSÃO: O aumento das taxas de sobrevivência do cancro da mama tem levado a um empenho dos profissionais de saúde em alargar o alcance da sua responsabilidade, passando do simples tratamento da doença para uma perspectiva de atuação mais abrangente, que permita às mulheres restaurarem e manterem uma boa qualidade de vida. As decisões relativamente à preservação da fertilidade previamente ao tratamento citotóxico, bem como de gravidez e aleitamento materno após cancro, devem ser tomadas de acordo com uma concertação pluridisciplinar em oncologia e medicina da reprodução. Dada a prevalência das disfunções sexuais femininas após cancro da mama e o seu impacto no bem-estar pessoal é importante que os clínicos desenvolvam capacidades para as diagnosticar e proporcionar um acompanhamento dirigido. São necessários estudos mais alargados, multicêntricos, randomizados e controlados, com critérios de avaliação meticulosos, para se obterem respostas claras em relação às melhores estratégias a adotar na preservação da fertilidade pós-cancro, na vigilância da gravidez, na abordagem das disfunções sexuais e no aconselhamento contracetivo.
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6,433
Prematuridade como desfecho da gravidez na adolescência
teenage pregnancy,premature birth,socioeconomic status,risk factors,pregnancy outcomes,prenatal care
Este estudo teve como objetivos determinar se existe maior risco de prematuridade em grávidas adolescentes (10-19 anos) do que nas adultas (≥ 20 anos) e se as variáveis socioeconómicas/demográficas influenciam os desfechos perinatais. Tendo por base o modelo da revisão integrativa da literatura (RIL), utilizou-se o método P[I]COD para elaborar a questão de investigação e orientar a pesquisa bibliográfica. Os artigos analisados demonstraram que existe uma associação entre gravidez na adolescência e prematuridade e que o contexto socioeconómico/demográfico, bem como a maturidade fisiológica desempenham um papel importante no desfecho destas gestações.
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6,434
Caracterização de uma série hospitalar de doentes admitidos por pancreatite aguda
Pancreatite,Diagnóstico diferencial
Introdução: A pancreatite aguda é um processo inflamatório agudo do pâncreas que envolve os tecidos peri-pancreáticos e/ou sistemas de órgãos remotos, com incidência de 4.9-80/100.000 por ano e mortalidade de 5%. Classifica-se em ligeira e severa, de acordo com o Score de Ranson na admissão. A etiologia deve ser sempre esclarecida, representando a litíase e o álcool as duas principais causas. O diagnóstico baseia-se na dor abdominal, doseamento de amilasémia/lipasémia ou resultado da TC, sendo o seu prognóstico avaliável pelos Critérios de Severidade de Atlanta. O tratamento da pancreatite é sintomático, sem terapêutica específica. Objectivo: Caracterizar uma série hospitalar de doentes admitidos por pancreatite aguda. Metodologia: Foram analisados 89 doentes admitidos por pancreatite aguda em 2006, quanto a parâmetros de âmbito geral, clínico, laboratorial, imagiológico, prognóstico e terapêutico. Resultados: Dos 89 doentes, 44 pertenciam ao sexo feminino e 45 ao masculino, com idade média de 61.88 anos. O tempo decorrido para a admissão foi de 44.68 horas. A pancreatite severa correspondeu a 31% e a ligeira a 69%. O 1º episódio, verificado em 78% dos doentes, associou-se a um valor mais elevado de PCR na admissão/72 horas, e o recorrente a 22%. As etiologias idiopática, litiásica e alcoólica representaram 33.7%, 30.3% e 22.5%, respectivamente. A etiologia relacionou-se com a idade, sexo do doente e com o tempo de admissão. A Ecografia foi realizada em 92.1% dos doentes e a TC em 34.8%. O Score de Ranson na admissão relacionou-se com a idade do doente, falência de órgão, 1º episódio, PCR na admissão/72 horas, bilirrubinémia total na admissão e recurso a antibioterapia. Não se verificou relação entre o Score de Ranson na admissão e o sexo do doente, o desenvolvimento de complicações locais, sistémicas ou infecciosas. O Score de Ranson às 48 horas associou-se ao desenvolvimento de complicações locais, sistémicas, infecciosas e falência órgão. O Grau Balthazar não evidenciou relação com o desenvolvimento de complicações sistémicas ou infecciosas. Conclusão: A idade é factor de risco no desenrolar da pancreatite aguda, ao contrário do sexo do doente. A etiologia litiásica é mais frequente no sexo feminino e a alcoólica no masculino, revelando a etiologia idiopática um excessivo predomínio. O Score de Ranson na admissão prevê a falência de órgão e o Score de Ranson às 48 horas o desenrolar de complicações locais, sistémicas e infecciosas. A Ecografia é o exame mais utilizado no diagnóstico de PA. A um Grau Blathazar mais elevado não se associa um maior número de complicações sistémicas ou infecciosas.
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6,435
Reabilitação cardíaca na doença coronária
Reabilitação Cardíaca,doença arterial coronária,aterosclerose,exercício físico,benefícios RC
A doença arterial coronária, sendo uma importante causa de mortalidade e morbilidade nos países desenvolvidos, impõe um importante fardo económico e de recursos sobre os sistemas de saúde. O aumento da sobrevivência após eventos coronários agudos, levou a que o principal foco do problema fosse centrado nas incapacidades adquiridas enquanto doença crónica. A reabilitação cardíaca (RC) multifactorial, como método de prevenção secundária, engloba todas as acções que visam assegurar o bem-estar físico, psicológico e social, permitindo aos doentes cardíacos, retomar e manter, pelos seus próprios meios, um papel activo na sociedade. Os programas de RC, conduzidos por uma equipa multidisciplinar, incluem nos seus diversos componentes, o exercício físico, bem como uma vertente educacional, que aborde os factores de risco para doença coronária e motive o doente à adopção voluntária de um estilo de vida saudável. O principal objectivo deste trabalho foi analisar o estado actual da RC enquanto método de prevenção secundária na doença arterial coronária, visando sintetizar as evidências encontradas na literatura em termos dos benefícios clínicos da RC, bem como rever alguns dos mecanismos responsáveis por esses benefícios. Após a revisão bibliográfica, concluímos que os programas de RC estão associados a uma menor taxa de mortalidade global, mortalidade cardíaca e de reenfarte, bem como a uma melhoria do perfil lipídico e diminuição da disfunção do sistema nervoso autónomo e das incapacidades. O exercício físico, enquanto componente da RC, está associado a uma diminuição da disfunção endotelial e da progressão dos processos ateroscleróticos, factores chave na fisiopatologia da doença arterial coronária. Não obstante a solidez da evidência científica relativa aos benefícios dos programas de RC, as taxas de adesão e de implementação continuam a ser manifestamente insuficientes. Factores relacionados com o doente, com o médico e com os sistemas de saúde estão no cerne das oportunidades perdidas de melhoria do perfil de risco cardiovascular de um número considerável da população, e não devem ser ignorados.
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6,436
Tratamento da falência hepática fulminante
Insuficiência hepática aguda,Transplantação do fígado
A Falência Hepática Fulminante é uma condição pouco frequente. No entanto, mantém níveis de mortalidade e morbilidade elevados. O tratamento desta entidade inclui: tratamento dirigido à etiologia, medidas de suporte e transplante hepático. Enquanto em alguns doentes o fígado regenera, retomando a sua função, outros necessitam de transplante hepático. A reduzida disponibilidade de fígados para transplante torna o tratamento de suporte fundamental, a fim de manter os doentes em condições de receberem um novo órgão ou permitir a regeneração hepática espontânea. Com este propósito, tecnologias de suporte hepático extra-corporal têm sido desenvolvidas e clinicamente testadas. Estes novos sistemas podem ser divididos em duas categorias. Os sistemas de suporte artificial, puramente mecânicos, actuam através da destoxificação do sangue do doente. Os sistemas de suporte bioartificial contêm material celular, capaz de manter funções hepáticas de destoxificação e de síntese. Ambos os sistemas, além de seguros, têm-se mostrado capazes de promover melhoria de parâmetros clínicos e bioquímicos. No entanto, não foi ainda verificado um impacto significativo em termos de sobrevivência. É fundamental uma melhor compreensão da fisiopatologia desta síndrome e o estabelecimento de ensaios randomizados e controlados para definir o verdadeiro papel dos sistemas artificiais e bioartificiais no tratamento da Falência Hepática Fulminante.
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6,437
Manifestações neurológicas como forma de apresentação do cancro do pulmão
Neoplasias do pulmão,Manifestações neurológicas
O cancro do pulmão, em particular o carcinoma de pequenas células do pulmão, é a principal causa maligna de síndromes paraneoplásicas. Esta revisão foca-se nos dados da literatura acerca da associação das síndromes paraneoplásicas com o cancro do pulmão. As síndromes paraneoplásicas podem ser o primeiro sinal de apresentação ou de recorrência da neoplasia subjacente. Geralmente, a síndrome paraneoplásica pode ser aliviada com o tratamento bem sucedido do tumor. Síndromes paraneoplásicas, em particular as neurológicas, são doenças com fisiopatologia relacionada ao cancro, mas não atribuíveis a metástases ou outros mecanismos indirectos. Desenvolvem-se em menos de 1% dos doentes com neoplasias sistémicas, mais frequentemente neoplasia pulmonar de pequenas células, neoplasias da mama e ovário. Podem afectar qualquer nível do sistema nervoso e frequentemente antecedem a detecção do tumor. O diagnóstico correcto depende de um alto grau de suspeição por parte do médico, além do conhecimento de suas manifestações clínicas e dos tumores tipicamente a elas associadas. Por anteceder o diagnóstico da neoplasia, a sua importância reside na oportunidade de identificar e tratar precocemente o tumor, que muitas vezes é pequeno e por isso mesmo escapa à detecção mesmo após avaliações clínicas repetidas.
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6,438
Desenho infantil: análise comparativa entre crianças sem e com patologia do neurodesenvolvimento
Escala de Desenvolvimento Mental de Ruth Griffiths – Extensão Revista 2006,desenho infantil,neurodesenvolvimento
Introdução: O desenvolvimento das habilidades grafomotoras, incluindo o desenvolvimento das capacidades de desenho artístico, é um dos elementos tidos em consideração quando se avalia o desenvolvimento psicomotor (DPM) de uma criança. Sendo conhecido como uma tarefa universal e relativamente acultural, apreciada por pessoas de uma ampla faixa etária, o desenho infantil torna-se numa ferramenta agradável de utilizar para avaliação. Neste estudo pretendeu-se verificar os padrões de desenho apresentados por crianças entre os 4 e os 6 anos, sem e com patologia do neurodesenvolvimento. Métodos: Os desenhos foram recolhidos num pequeno caderno A5 produzido para o efeito e cotados com base na Subescala óculo-manual da Escala de Desenvolvimento Mental de Ruth Griffiths – Extensão Revista de 2006. Foram incluídos nesta avaliação a cópia de formas geométricas (círculo, cruz, quadrado, triângulo), o desenho da figura humana e da casa. Outros critérios foram explorados como a repetição das formas geométricas, os desenhos das linhas do chão e do céu no enquadramento de qualquer um dos seus desenhos. Resultados: Os resultados obtidos neste estudo mostraram que os desenhos das crianças com patologia do neurodesenvolvimento atravessam as mesmas etapas que as crianças sem patologia do neurodesenvolvimento (desenvolvimento típico), embora a um ritmo diferido. Na população em estudo, quer no grupo de crianças com desenvolvimento típico quer no outro, os resultados obtidos apresentaram-se na maior parte das situações inferiores aos níveis esperados tendo em conta o padrão da escala usada como normativa.
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6,439
Análise dos últimos 50 casos de tumor de células gigantes ósseo tratados na unidade de tumores do aparelho locomotor dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Tumores de células gigantes,Neoplasias dos ossos
Introdução e Objectivo: O tumor de células gigantes ósseo constitui 5% dos tumores ósseos primários, podendo atingir os 20% na Ásia. A sua histologia, clínica e epidemiologia são conhecidas e encontram-se bem retratadas na literatura científica actual. O seu comportamento biológico imprevisível torna-o um desafio na obtenção de bons resultados com a preconização da terapêutica cirúrgica. O objectivo deste estudo foi investigar as características epidemiológicas, distribuição esquelética, métodos de diagnóstico, tratamento e evolução dos doentes com tumor de células gigantes ósseo tratados na Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Metodologia: Análise do historial clínico dos últimos 50 doentes com tumor de células gigantes, tratados na Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor dos Hospitais da Universidade de Coimbra, entre 1 de Janeiro de 1988 e 31 de Dezembro de 2008. Colheram-se informações referentes a: sexo e idade dos doentes, tipo e duração de sinais e sintomas até à primeira consulta, distribuição esquelética do tumor, utilização de meios complementares de diagnóstico, período decorrente entre a primeira consulta e a cirurgia, tipo de cirurgia, duração do seguimento e existência de complicações e recidivas pós-operatórias num período não maior que 2 anos. Resultados: A média da idade de incidência foi de 40,4 anos, estando o pico de incidência localizado na 3ª década de vida. Houve predomínio de incidência nas mulheres (1.63:1). Foram frequentes as localizações no fémur distal e na tíbia proximal (28% e 32% respectivamente). A dor foi o sintoma predominante (84%), isolada (60%) ou acompanhada de outros sintomas (24%), tendo ocorrido fractura patológica em 20% dos casos. A investigação diagnóstica baseou-se na biópsia incisional (72%), na radiografia simples (97,9%), na tomografia axial computorizada (75%), na ressonância magnética (75%) e na cintigrafia (58,3%). A ressecção intramarginal lesional foi a técnica cirúrgica dominante (65,3%). A duração média do período entre a primeira consulta e a cirurgia foi de 3,6 meses. A taxa de recidiva foi de 8,2%, não tendo sido registados casos de metastização ou de tumor de células gigantes multicêntrico. A duração do follow-up foi, em média, 59 meses. Conclusões: A detecção precoce de deste tumor é importante pois condiciona a atitude terapêutica (de acordo com o grau do tumor), conduzindo a um melhor prognóstico. O protocolo terapêutico preconizado na Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor dos Hospitais da Universidade de Coimbra, que assenta na cirurgia, mostrou resultados que competem com o que é apresentado na literatura científica actual.
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6,441
Células estaminais na terapêutica das doenças hepáticas
Doenças do fígado,Células estaminais
hepáticas crónicas; pode, no entanto, ser também uma consequência de doenças metabólicas congénitas ou de situações de insuficiência hepática aguda. Actualmente existem, nos Estados Unidos, cerca de 10.000 pessoas com doença hepática terminal para quem o transplante constitui o único tratamento eficaz. Contudo, o número de órgãos disponíveis não é suficiente para as necessidades existentes, vindo 7% destes doentes a falecer enquanto integram as listas de espera. O advento da medicina regenerativa trouxe consigo a esperança de que formas alternativas de tratamento permitam uma abordagem terapêutica mais simples e eficaz destas patologias. A utilização de células estaminais é o procedimento que mais expectativas tem criado e a regeneração hepática, devido às suas capacidades únicas, é um dos processos que se tenta mimetizar com intuitos terapêuticos. OBJECTIVOS: Com este trabalho pretendeu-se fazer uma revisão de bibliografia disponível sobre o recurso à terapia celular com células estaminais para o tratamento das doenças hepáticas. DESENVOLVIMENTO: Foram descritos os tipos de células mais estudados até ao momento (células progenitoras hepáticas, as células estaminais hematopoiéticas e as células estaminais embrionárias) e analisado o papel das células estaminais na fisiologia, patofisiologia e terapêutica de doenças hepáticas. Foram ainda abordadas questões como a segurança a longo prazo, a tolerabilidade e a eficácia do tratamento, problemas que permanecem por resolver. CONCLUSÕES: A falta de conhecimentos no que diz respeito à própria biologia da célula estaminal, mas também a escassez de ensaios clínicos realizados até ao momento, não Células Estaminais na Terapêutica das Doenças Hepáticas 4 permitiram ainda a obtenção de respostas adequadas. Há, por outro lado, que notar a complexidade das questões éticas que, subjacentes à temática das células estaminais, condicionam consideravelmente a pesquisa neste campo
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6,442
PCR no diagnóstico da meningite tuberculosa em doentes com infecção por HIV
Infecções por VIH,Tuberculose meníngea,Reacção em cadeia da polimerase
O aumento da prevalência da infecção por Vírus da Imunodeficiência Humana tem favorecido o incremento da incidência de casos de meningite tuberculosa, patologia potencialmente grave ou mesmo fatal. A apresentação clínica dos doentes com meningite tuberculosa e co-infecção por VIH, não apresenta diferenças significativas relativamente aos doentes sem infecção por VIH. Apesar dos recursos tecnológicos hoje existentes, continuamos com grandes dificuldades no diagnóstico etiológico desta entidade nosológica. Os exames padrão possuem sensibilidade e especificidade baixas e são morosos, sendo imperativa a implementação de novos testes com um perfil melhorado. A PCR poderá vir a ser o exame de eleição no diagnóstico de meningite tuberculosa, embora o seu papel não esteja totalmente esclarecido no que diz respeito à abordagem desta patologia. O método padrão geralmente utilizado (cultura de Mycobacterium tuberculosis) é um exame pouco sensível e específico. Até ao momento, os diferentes estudos efectuados sobre PCR no diagnóstico de meningite tuberculosa apresentam valores de sensibilidade e especificidade discrepantes. Os protocolos estandardizados apresentam valores de sensibilidade e especificidade consistentes mas baixa sensibilidade, ao passo que os in-house apresentam, geralmente, sensibilidade mais elevada, mas com baixa consistência nos resultados. São necessários mais estudos, com um número de doentes superior, e com uma técnica in-house com um protocolo estandardizado. Apesar das suas limitações, a PCR deve ser executada por rotina, o que acontece já em muitos centros, uma vez que, na presença de uma suspeição clínica fundamentada, um resultado positivo é altamente sugestivo de etiologia tuberculosa da meningite. Palavras-chave: Meningite tuberculosa; PCR; diagnóstico; infecção por VIH; interacção tuberculose/VIH.
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6,445
Tratamento cirúrgico da gastrosquise: o estado da arte
Defeito da parede abdominal anterior,Gastrosquise,Diagnóstico,Tratamento,Prognóstico
A gastrosquise é um defeito congénito da parede abdominal anterior, em geral situado à direita da inserção normal do cordão umbilical e através do qual ocorre a herniação de órgãos abdominais, mais frequentemente as ansas intestinais. Como resultado, há uma exposição direta destes órgãos ao líquido amniótico, que constituí um potencial agente irritativo e prejudicial. Em termos epidemiológicos, verifica-se atualmente um menor número de casos/ano em virtude das melhorias no diagnóstico pré-natal, variando a sua incidência entre 0,5 – 4,5 casos por 10 000 nados vivos. Coloca-se a hipótese de haver associação com alguns fatores de risco como a idade materna jovem, baixo estrato socioeconómico, bem como a ingestão de alguns fármacos, álcool e tabaco. As cromossomopatias ou malformações associadas são raras, sendo que, a existirem, geralmente afetam apenas o trato gastrointestinal (atresia ou estenose intestinal). O diagnóstico pré-natal permite a preparação do parto num centro especializado e subsequente intervenção cirúrgica precoce, minimizando, desta forma, o risco de sequelas. Atualmente, a melhoria dos cuidados neonatais e o aparecimento de novas estratégias no tratamento cirúrgico desta patologia, permitiram um aumento da sobrevida e uma melhoria no prognóstico, sendo a atual taxa de sobrevivência superior a 90% nos países desenvolvidos. O principal objetivo deste artigo de revisão consiste em descrever as principais opções terapêuticas cirúrgicas atualmente aceites para a gastrosquise, que incluem o encerramento primário ou estadiado, e abordar novas técnicas como o encerramento plástico ou por pressão negativa (sistema de vácuo). Concomitantemente, procedeu-se a uma análise crítica de alguns casos clínicos obtidos a partir da base dados do Hospital Pediátrico - Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC).
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6,446
Malformações arteriovenosas cerebrais: impacto das diferentes opções terapêuticas
Malformações Arteriovenosas Cerebrais,Cirurgia,Radiocirurgia,Embolização endovascular
As malformações arteriovenosas cerebrais (MAV’s) são lesões vasculares complexas, nas quais o sangue arterial flui directamente para a rede venosa, através de múltiplas comunicações fistulosas sem um leito capilar interveniente. São lesões raras e formam um grupo heterogéneo do ponto de vista da angioarquitectura e localização. A etiologia não está esclarecida, mas é mais consensual a hipótese de origem congénita. Fisiopatologicamente representam alterações do desenvolvimento embrionário com a persistência de comunicações entre artérias e veias dentro do plexo vascular primitivo. A hemorragia cerebral é a apresentação sintomática mais comum, seguindo-se a epilepsia, cefaleia crónica e défices neurológicos focais. O diagnóstico pode ser feito com angiografia cerebral, angio-TC ou angio-RMN. O tratamento actual das MAV’s inclui três opções terapêuticas principais: cirurgia, radiocirurgia (RC) e embolização endovascular, com o objectivo de reduzir/eliminar a sintomatologia e preservar o estado funcional do doente, através da obliteração do nidus da MAV. Em casos seleccionados pode também ser feita apenas a observação das lesões, com tratamento médico sintomático. Os benefícios e riscos terapêuticos deverão ser balanceados em cada procedimento individual. Diversos factores podem ser considerados durante o planeamento terapêutico, incluindo factores relacionados com o doente, com as características da MAV e com o tratamento. A cirurgia é a escolha padrão no tratamento das MAV’s, com altas taxas de obliteração completa e com bom prognóstico associado à maioria das MAV’s tratadas cirurgicamente. A RC é um método terapêutico eficaz, seguro, minimamente invasivo, com altas taxas de obliteração e com morbilidade associada mínima. A embolização endovascular como tratamento primário associa-se a baixas taxas de obliteração, podendo ser também utilizada como terapêutica adjuvante à ressecção cirúrgica e RC, terapêutica alvo ou terapêutica paliativa. As MAV’s representam um desafio para os clínicos de modo a recomendar o melhor tratamento aos pacientes. A questão torna-se mais relevante em lesões assintomáticas, cuja vantagem da intervenção invasiva é menos consensual. Desta forma foi criado o estudo ARUBA com o intuito de esclarecer se o tratamento das MAV’s sem ruptura conduz a um melhor prognóstico a longo prazo, comparativamente com a história natural da doença. Neste artigo de revisão pretende-se rever de forma actualizada e crítica o que se tem publicado acerca das diversas opções terapêuticas das MAV’s, de forma a sistematizar as principais indicações para as diversas apresentações e tipos de MAV’s. Tenta-se assim uniformizar linhas de orientação para a decisão terapêutica, aquando do tratamento destas lesões.
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Fibromialgia e comorbilidade psiquiátrica
Fibromialgia,Co-morbilidade,Psiquiatria
Introdução. De acordo com os critérios do Colégio Americano de Reumatologia, a Fibromialgia é caracterizada por dores músculo-esqueléticas generalizadas que se prolongam por um período não inferior a 3 meses. Apesar do reconhecimento desta síndrome como uma entidade clínica, a sua etiologia permanece obscura e muito debatida. A Fibromialgia surge associada a uma certa heterogenia de distúrbios e comorbilidades que podem constituir um dilema aquando do diagnóstico e, a posteriori, da terapêutica. Alguns investigadores têm se debruçado no papel que factores psicológicos/psiquiátricos podem desempenhar na apresentação dos sintomas associados ao síndrome da Fibromialgia. Objectivos. Com este artigo de revisão, pretendemos estudar o binómio fibromialgia/distúrbios psiquiátricos e analisar três hipóteses: 1) A patologia psiquiátrica constitui-se um factor precipitante no aparecimento da Fibromialgia? 2) Compartilham ambas as mesmas vias fisiopatológicas, não sendo causa uma da outra? ou 3) É a Fibromialgia o "trigger" ou o desencadeante do aparecimento da patologia psiquiátrica? Em última análise, pretendemos averiguar a frequência da agregação Fibromialgia/Distúrbios Psiquiátricos e tecer alguns comentários e conclusões quanto à forma de ver a Fibromialgia quer do ponto de vista etiológico, quer fisiopatológico. Desenvolvimento. Após breve revisão da literatura e bibliografia nacional e internacional concluímos, indubitavelmente, que os distúrbios psiquiátricos estão fortemente agregados e relacionados com a Fibromialgia. Segundo diversos estudos, nestes doentes, a frequência de perturbações de ansiedade varia entre os 13 e os 63,8% e os índices de Depressão entre os 20 e os 80%. Verifica-se também a presença de agregação familiar da Fibromialgia, sendo que os parentes destes doentes apresentam um risco 8,5 vezes superior de vir a desenvolver a 3 mesma doença. Além disso, as perturbações psiquiátricas são mais frequentes em familiares destes doentes. Tendo em conta todos os dados, considerámos a possibilidade de A (Fibromialgia) e B (Distúrbios Psiquiátricos) partilharem um elemento etiológico comum, C. Este factor fisiopatogénico comum têm sido imensamente estudado em anos recentes. No entanto, verificamos que após intensa investigação de variadíssimas hipóteses etiológicas, nenhuma delas se assume, por agora, como a chave válida e definitiva da equação. Conclusões. É fundamental que se prossiga a investigação e que esta aborde a interacção de aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Neste contexto é propício que a Fibromialgia seja considerada do ponto de vista longitudinal, valorizando o factor tempo, a vida passada de um doente, o seu histórico de vida e não apenas os aspectos biológicos isoladamente. Adoptar esta perspectiva bimodal ajudar-nos-á a presentear o doente com Fibromialgia com o melhor tipo de tratamento.
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Complicações da endoscopia digestiva
Endoscopia do aparelho digestivo,Complicações
Introdução: A endoscopia digestiva tem sido fundamental para o diagnóstico e tratamento de muitas patologias do foro gastrenterológico. Contudo, todos os procedimentos endoscópicos acarretam algumas complicações. Estas são bastante baixas com a endoscopia diagnóstica, aumentando com a endoscopia terapêutica. Esta revisão apresenta uma introdução à incidência e prevenção das complicações que podem ocorrer após a endoscopia digestiva alta, colonoscopia e colangiopancreatografia endoscópica retrógrada. Métodos: A pesquisa bibliográfica foi efectuada através da b-on (pubmed, medline, …) utilizando as palavras-chave: complicações da endoscopia digestiva alta, complicações da colonoscopia, complicações da colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. Resultados: As complicações pré-procedimento incluem as resultantes da sedação, da anestesia tópica e da preparação intestinal. As principais complicações processuais consistem, principalmente, em perfuração e hemorragia. Há também um risco de transmissão de doenças infecciosas de e para o paciente. Conclusões: A endoscopia, como todos os procedimentos invasivos, traz significativos riscos potenciais para o paciente. Contudo, endoscopistas experientes e sensibilizados para as potenciais complicações, utilizando material apropriado, nas devidas condições de utilização e instalações físicas adequadas, podem evitar e tratar atempadamente as complicações resultantes da endoscopia.
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O impacto da obesidade na pele
Obesidade,Pele
Introdução: A obesidade, um problema de saúde crescente e epidémico, está relacionada com inúmeras disfunções metabólicas e funcionais com repercussões em diversos órgãos. Também a pele é alvo de alterações na obesidade, contudo as alterações cutâneas em pacientes obesos têm sido pouco estudadas. Objetivos: Rever o impacto da obesidade na fisiologia da pele, estudar as dermatoses que mais acometem os pacientes obesos e abordar a sua possível relação causal. Materiais e métodos: Foi feita uma revisão da literatura, entre 2004 e 2014, de artigos indexados nas bases Medline/Pubmed. Resultados: A obesidade conduz a alterações da fisiologia da pele incluindo efeitos sobre a função de barreira, colagénio, glândulas sebáceas e sudoríparas, células adiposas e microcirculação. Está relacionada com um largo espectro de doenças dermatológicas, associadas a fatores mecânicos, inflamatórios, endócrinos/hormonais e genéticos da obesidade. São reconhecidas como mais significativamente relacionadas com o excesso ponderal, as estrias, hiperqueratose plantar, intertrigo, acrocordões e pseudoacantose nigricante. Conclusão: Os cuidados da pele em pacientes obesos merecem atenção especial, não apenas devido à crescente prevalência de dermatoses nesta população, mas também por serem doenças passíveis de prevenção e tratamento médico e/ou cirúrgico
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Dermatite seborreica : revisão da panorâmica atual
Dermatite seborreica
A dermatite seborreica é uma dermatose eritemato-descamativa comum, tipicamente confinada às áreas cutâneas de elevada produção sebácea, como o couro cabeludo e maciço centro-facial e, menos frequentemente, às pregas corporais. Apresenta uma distribuição etária bimodal, com um pico de incidência no recém-nascido, no qual é autolimitada, e outro no adulto, onde apresenta um curso crónico com frequentes períodos de recorrência. É particularmente prevalente na doença de Parkinson e nos indivíduos infectados pelo HIV. Apesar de a patogénese não estar completamente elucidada, supõe-se que a doença tenha uma base multifactorial, com influências hormonais, microbianas (Malassezia spp.) e imunológicas. O diagnóstico é clínico, tendo por base as características morfológicas das lesões, a sua localização às áreas seborreicas, distribuição simétrica e padrão evolutivo. O tratamento da dermatite seborreica visa, essencialmente, o controlo sintomático e a prevenção de recidivas, sendo as terapêuticas tópicas o componente central do tratamento da DS, ficando as opções sistémicas reservadas para os casos mais graves. Existe uma variedade de fármacos disponíveis em diferentes formulações, como os corticosteróides, antifúngicos, imunomodeladores e queratolíticos. Os antifúngicos tópicos são a terapêutica de primeira linha e devem fazer parte do esquema terapêutico, isoladamente ou em combinação com outros fármacos.
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Hemofilias: uma abordagem atualizada
Doença de von Willebrand,Hemofilia
As Hemofilias A e B são as deficiências de fatores da coagulação mais comuns e definem-se pela ausência ou diminuição dos níveis de FVIII e FIX, respetivamente. Resultam de mutações nos genes que codificam os referidos fatores e caracterizam-se pela sua hereditariedade ligada ao sexo. A sua apresentação clínica nas formas graves (a maioria) é muito típica, sendo a hemartrose o seu sinal clássico. Nesta situação, mesmo que não exista história familiar, o diagnóstico não apresenta dificuldades significativas. Contudo, no que diz respeito a uma deficiência de FVIII, terá sempre que se descartar a hipótese se estar perante uma DvW e não uma Hemofilia A, devido à semelhança clínica e laboratorial. Nas formas leves, a sua apresentação mais tardia, implica não só excluir a DvW, como a HAA, pelos mesmos motivos. Assim sendo, estes são distúrbios abordados ao longo desta revisão. A terapêutica da hemofilia sofreu uma tremenda evolução nas últimas três décadas. Atualmente, dispõe-se de concentrados de fator derivados de plasma e recombinantes que, especialmente em países desenvolvidos, permitem a sua administração pelo doente ou família, na sua própria casa. Este progresso permitiu um considerável aumento na sobrevivência e uma marcada redução da incapacidade devidas aos danos articulares característicos da hemofilia. As recomendações terapêuticas assentam numa abordagem profilática contínua iniciada precocemente e mantida pelo menos até ao início da vida adulta. No entanto, poucas certezas existem ainda sobre as doses ótimas a serem administradas, a frequência da sua administração e o momento ótimo em que o doente deve abandonar a terapêutica profilática e iniciar tratamento apenas on demand. Já quase ultrapassado o flagelo das infeções pelo HIV, HBV e HCV, a principal e mais grave complicação do tratamento da hemofilia é, nos dias de hoje, o desenvolvimento 5 de inibidores. Também nesta área é necessário mais estudos que determinem as doses ótimas da ITI e as possíveis vantagens do uso de fármacos adjuvantes. Prevê-se que num futuro próximo sejam desenvolvidos e aprovados concentrados de fator com semi-vidas mais longas e metodologias de terapia génica. Assim sendo, esta revisão tem como objetivo apresentar os conceitos propostos atualmente pela comunidade científica no que concerne à abordagem da Hemofilia, desde o seu diagnóstico até às complicações do seu tratamento e perspetivas futuras. Com este intuito, foi realizada a pesquisa da literatura científica publicada até 2014 na base de dados PubMed, com recurso aos meios disponibilizados pela Biblioteca do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Após o levantamento dos artigos publicados na área, procedeu-se à seleção dos artigos, inicialmente com base no título e, posteriormente, pela leitura dos resumos daqueles que mostraram ser relevantes. Por último, sempre que possível, obteve-se a versão completa dos artigos cujo resumo demonstrou conter informação pertinente no âmbito da abordagem clínica das Hemofilias
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Composição em ácidos gordos de batatas fritas de pacote comercializadas em Portugal e sua importância na nutrição
Nutrição,Ácidos gordos,Indústria alimentar,Batatas
A prática de hábitos alimentares saudáveis desempenha uma acção preponderante na prevenção e controlo da morbilidade e mortalidade da população em Portugal. A ingestão de gordura alimentar deverá ser balanceada de acordo com as necessidades diárias de cada indivíduo. O consumo excessivo de gordura da alimentação poderá estar na origem de diversas doenças crónicas, e por este motivo, uma escolha acertada no tipo e quantidade de gordura consumida, contribui para a prática de uma alimentação saudável. Os ácidos gordos são os principais constituintes dos óleos e gorduras alimentares. Na última década, diversos estudos epidemiológicos têm evidenciado uma relação entre a saúde e o consumo de certos tipos de gordura, nomeadamente pela ingestão de alguns ácidos gordos específicos. Actualmente a informação disponível sobre a composição dos alimentos em ácidos gordos é ainda limitada ou inexistente na maioria dos produtos alimentares comercializados. As batatas fritas de pacote são um desses produtos e de acordo com os resultados do estudo do consumidor 2004, realizado pela Marktest, existem em Portugal cerca de 3 milhões de consumidores de batatas fritas de pacote. Este alimento apresenta um elevado teor de gordura, de ácidos gordos saturados e de sal. Deste modo e de acordo com a importância deste tema, no âmbito da promoção da saúde, foi realizado este estudo que teve como principais objectivos determinar o teor de gordura total, composição em ácidos gordos e teor de cloreto de sódio, em 18 marcas de batatas fritas de pacote. Estas determinações para além de permitirem fornecer novos dados que podem ser integrados na Tabela da Composição de Alimentos, os seus resultados foram também utilizados para comparar o perfil lipídico dos diferentes tipos de óleos/gorduras utilizados para a fritura em função da marca e da época em que foram comercializados. Em relação à gordura total determinada, os teores variaram entre 19,7 e 41,7 g/100 g de batata frita. O teor de cloreto de sódio mais elevado determinado foi de 2,94 g/100 g, na amostra 3 e o teor mais baixo encontrado foi de 0,14 g/100 g, na amostra 13. Os teores de ácidos gordos saturados, variaram entre 1,85 ± 0,01 e 19,19 ± 0,51 g/100 g de batata frita. Os teores de ácidos gordos monoinsaturados variaram entre 9,49 ± 0,35 g/100 g de batata frita e 23,67 ± 1,30 g/100 g de batata frita. Os teores de ácidos gordos polinsaturados variaram entre 2,58 ± 0,62 e 18,37 ± 0,32 g/100 g de batata frita. Os teores determinados para os ácidos gordos trans variaram entre 0,01 ± 0,01 e 0,28 ± 0,01 g/100 g de batata frita. A maior parte da gordura das marcas de batata frita analisadas é composta maioritariamente por ácidos gordos saturados e monoinsaturados. Neste estudo foi possível verificar-se que 7 das marcas de batata frita analisadas utilizaram gordura de palma para o processo de fritura. Esta gordura é muito utilizada industrialmente, uma vez que é uma gordura com boa estabilidade para a fritura, no entanto, é muito rica em ácidos gordos saturados cujos efeitos na saúde estão amplamente descritos na literatura. Tendo em conta a variedade de batatas fritas de pacote analisadas, verifica-se que a marca 3 pode ser a opção menos correcta para a saúde pelo elevado conteúdo em cloreto de sódio, apesar de apresentar um perfil em ácidos gordos equilibrado e ser frita em azeite; e as marcas 2 e 15 poderão ser a opção mais correcta do ponto de vista nutricional. A marca 2 porque é aquela que tem menor teor de gordura total, e apresenta um perfil em ácidos gordos equilibrado, no qual o ácido oleico é o ácido gordo maioritário; e a marca 15 porque apresenta um perfil em ácidos gordos equilibrado e tem menor teor de cloreto de sódio quando comparada com a marca 2. Neste estudo foi possível verificar que de uma forma geral, as batatas fritas de pacote apresentam elevados teores de gordura, elevados teores de sal, e são apreciadas por todas as pessoas, em todas as idades, mas principalmente pelos jovens. Deste modo, pode ser prudente recomendar às indústrias, a diminuição do teor de ácidos gordos saturados dos óleos usados para o processo de fritura e a diminuição do teor de sal das batatas fritas de pacote. O presente trabalho de investigação científica é de relevante importância, e futuramente tem interesse científico alargar este estudo incluindo novos tipos de batatas fritas de pacote, batatas fritas preparadas em casa com os diversos óleos/gorduras disponíveis no mercado e batatas fritas comercializadas em restaurantes “fast-food”.
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Adesão à dietoterapia em doentes renais crónicos em hemodiálise
Insuficiência renal crónica,Dietética,Hemodiálise
A insuficiência renal crónica resulta da degradação progressiva e irreversível da função renal normal, que nos estadios mais avançados (estadio 5 – falência renal) leva à necessidade de tratamento substitutivo dessa mesma função, ou seja, hemodiálise. Paralelamente é indispensável que o doente siga a dieta estipulada. O estabelecimento e promoção do cumprimento dessa dieta é uma das tarefas importantes do dietista que acompanha estes doentes, pois a não adesão ao tratamento aumenta de forma drástica a morbilidade e mortalidade. Um corpo alargado de estudos, sobre adesão na doença crónica, tem concluído que os comportamentos dos doentes não são apenas determinados pela sua informação sobre a doença, ou pelos conselhos dos profissionais de saúde mas, também, por processos individuais, dos quais se destacam as crenças sobre a doença, o tratamento e sobre si próprio, como sendo capaz do seu confronto. Este estudo teve como objectivos identificar os índices de adesão à dieta, as atitudes sobre as restrições dietéticas e representação de doença, em doentes renais crónicos em hemodiálise. Para a persecução destes objectivos foi delineado um estudo exploratório, transversal e correlacional onde participaram 195 doentes renais crónicos em hemodiálise, de dois centros de hemodiálise na zona centro do país. Para a avaliação dos índices de adesão foram utilizados parâmetros bioquímicos: potássio e fósforo séricos e aumento de peso entre diálises, e o questionário RABQ - Renal Adherence Behaviour Questionnaire (Rushe & McGee, 1998). Para identificação de atitudes e comportamentos perante as restrições dietéticas foi utilizado o questionário RAAQ - Renal Adherence Attitudes Questionnaire (Rushe & McGee, 1998). Por último, foi ainda aplicado o questionário IPQ-R – Revised Illness Perceptions Questionnaire, para a identificação da representação de doença, que foi desenvolvido por Moss-Morris et al. (2002). Para análise dos dados, foi utilizada estatística descritiva, correlação de Pearson e Spearman e teste de Qui-quadrado. Os resultados obtidos revelam, globalmente, adesão moderada a elevada à dietoterapia, verificada nas medidas biológicas, ainda que tenham sido verificas algumas diferenças entre os resultados nas várias medidas. Em relação às atitudes, os resultados elevados nas dimensões de bem-estar, auto-cuidado e aceitação, mostraram estar correlacionados com índices de maior adesão. No que diz respeito à representação da doença, as crenças individuais sobre as consequências, a duração da doença e sobre a capacidade de controlo, apresentaram correlação positiva com os parâmetros de adesão e com as atitudes mais favoráveis à aceitação e realização do tratamento. Estes resultados reforçam a importância das crenças e atitudes pessoais dos doentes, no seu comportamento de adesão, e podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias de intervenção do dietista que promovam esse comportamentos.
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Dor no corpo e na alma : vivências de dor em utentes com artrite reumatóide
Artrite reumatóide,Dor
O Plano Nacional de Luta Contra a dor preconiza que “o enfermeiro, tendo em conta o tempo de presença junto de doentes e famílias, bem como a relação terapêutica próxima na perspectiva da relação de ajuda, é, por excelência, uma pedra basilar na implementação, execução e avaliação de uma estratégia multidisciplinar de controlo da dor.” (Ministério da Saúde, 2001:49) Apesar disso, e da assunção da dor como 5º sinal vital, é notório que esta ainda é sinónimo de sofrimento. O presente estudo caminhou no sentido de contribuir para a reflexão e desenvolvimento de competências, tão importantes dos Enfermeiros, mas frequentemente descuradas, na avaliação e controlo da dor, isto é, para que estes profissionais garantam as suas funções de carácter autónomo e de colaboração face ao cuidado à pessoa com dor. A Artrite Reumatóide é uma doença auto-imune, que se caracteriza, principalmente, pelo envolvimento poliarticular e dor associada ao processo inflamatório. Contudo, pelo contacto com estas utentes, na minha prática, pude constatar que a dor que sentem vai para além das fronteiras do biológico. Os resultados obtidos permitem-nos concluir que a dor sentida pelos doentes com AR é mais do que um fenómeno biológico, resulta da cultura, do meio social e da estrutura psíquica desenvolvida ao longo da vida no processo de aculturação. Ao contrário do esperado, estes doentes apresentam níveis de resiliência significativos, o que explica a forma como enfrentam a dor perante o desafio complexo e crónico da AR. Com este estudo, o enfermeiro, ao compreender melhor as dimensões da dor nestes doentes, pode desenvolver uma prática mais adequada à pessoa/família.
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Complicações urológicas "major" na transplantação renal : estudo comparativo de duas técnicas de ureteroneocistostomia : Taguchi e Lich-Grégoir
Transplante do rim,Complicações pós-operatórias
Objectivos. A ureteroneocistostomia é a técnica mais adequada de reconstrução do tracto urinário na transplantação renal. O objectivo deste estudo foi a avaliação das complicações urológicas e os resultados da transplantação renal comparando duas técnicas: Taguchi versus Lich-Grégoir. Material e Métodos. Entre 4 de Outubro de 2002 e 29 de Setembro de 2009 foram realizados 798 transplantes renais. Incluímos no estudo 694 transplantes de rim de dador cadáver nos quais foi usada uma destas técnicas (63,8% doentes do sexo masculino e 36,2% doentes do sexo feminino). A idade média dos receptores foi de 46,96±13,224 anos e o tempo médio de seguimento de 32,64±23,57 meses. O grupo Taguchi tem 166 doentes (23,9%) e o grupo Lich- Grégoir 528 doentes (76,1%). Os dois grupos foram comparados em função de várias características do receptor, do dador, da cirurgia, sobrevivência do receptor e do enxerto. Os dados foram recolhidos retrospectivamente. Resultados. Ocorreram complicações urinárias em 4,2% dos transplantes renais (2,6% estenoses uretéricas, 1,6% fístulas urinárias). As pequenas diferenças observadas entre os dois grupos não tiveram significado estatístico. A única diferença com significado estatístico foi a duração da cirurgia, a técnica de Taguchi é de execução mais rápida. Conclusões. As duas técnicas apresentam resultados similares mas a Taguchi é mais simples e rápida. As complicações urológicas não têm relação com a técnica de ureteroneocistostomia. São necessários mais experiência, mais estudos comparativos e tempo de seguimento mais longo para avaliar os resultados a longo prazo.
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Impacto da desproporção entre a massa nefrónica e peso do receptor na evolução de transplantes renais
Transplantação do rim -- prognóstico
INTRODUÇÃO Pensa-se que o desequilíbrio entre a massa nefrónica transplantada e as necessidades metabólicas do receptor seja um factor prognóstico em transplantação renal. Têm sido utilizados múltiplos índices e factores do dador, enxerto e receptor para avaliar esta influência, sem consenso sobre qual deles é o mais adequado. Os resultados inferiores dos transplantes de dadores e receptores do sexo feminino têm sido atribuídos por alguns autores à diferença entre a massa nefrónica implantada e necessidades metabólicas do receptor. OBJECTIVOS Estudar as características morfométricas (dimensões e peso) de enxertos renais de cadáver e relacioná-las com dados do dador, tentando encontrar uma fórmula preditiva do peso do rim. Avaliar a influência da desproporção entre massa nefrónica transplantada e peso do receptor nos resultados do transplante. Averiguar se o emparelhamento de sexos entre dador e receptor tem algum papel nos resultados atribuíveis a este desequilíbrio. DOENTES E MÉTODOS Estudámos 236 primeiros transplantes únicos de enxertos de dador cadáver em receptores não hiperimunizados. Idade média do dador de 46,65 anos, 61% do sexo masculino, com 67,8% de causas de morte não traumática, idade média do receptor 49,35 anos, 65% de receptores do sexo masculino. Procedemos à medição das três dimensões ortogonais e pesagem do enxerto na banca antes do implante e tentamos correlacionar estes dados com dados do dador. Após um seguimento médio de 1,38 anos, avaliámos os resultados do transplante quanto à função inicial do enxerto, rejeições agudas, função renal estimada aos 1, 6, 12 e 24 meses e sobrevivência do enxerto e do doente e tentámos correlacioná-los com dados morfométricos do enxerto e relações entre o peso do enxerto e do receptor. Avaliámos os mesmos parâmetros em subgrupos homogéneos de sexo de dador e receptor. RESULTADOS Encontrámos valores médios para as dimensões do enxerto de 109,47 x 61,77 x 40,07 mm e um peso médio de 234,63g. O volume médio calculado do enxerto foi de 145,64cc. A relação média entre o peso do enxerto (PE) e peso do receptor (PR) foi de 3,65g/kg. Estes valores foram significativamente inferiores nos órgãos provenientes de dadores do sexo feminino. Através de uma correlação linear chegámos a duas fórmulas preditivas do peso do enxerto (g) = 2,411 x comprimento (mm) + 0,706 largura (mm) + 1,455 profundidade (mm) + 0,475 idade dador (anos) + 0,666 peso dador (kg) – 194,94 – 17,897 x (0 se sexo masculino ou 1 se sexo feminino) ou peso do enxerto (g) = 86,372 + 0,652 x idade dador (anos) + 1,793 x peso dador (kg) - 33,325 (0 se sexo masculino ou 1 se sexo feminino). Nenhuma das relações PE/PR, volume do enxerto/PR, peso dador/PR se correlacionou de uma forma significativa em análises uni e multivariadas com a função renal estimada aos 1, 6, 12 e 24 meses. O único factor que se correlacionou de uma forma significativa (r entre -0,558 e – 0,316; p < 0,05) com a função renal estimada numa análise multivariada nestes pontos foi a idade do dador. Não houve igualmente diferenças na função inicial do enxerto, rejeições agudas e sobrevivência do enxerto até aos 24 meses. Nos transplantes em que a relação peso dador / peso do receptor foi superior ao percentil 75 (1,35) a sobrevivência do doente aos 12 e 24 meses foi significativamente superior aos transplantes em que esta relação estava abaixo do percentil 25 (0,93). Nos grupos homogéneos de sexos de dador e receptor a mesma análise revelou resultados semelhantes – sem influência das relações estudadas na função renal do enxerto. Os transplantes de dadores do sexo masculino apresentaram uma taxa de filtração glomerular estimada significativamente superior até aos 12 meses, enquanto os transplantes em que os receptores eram do sexo masculino apresentaram uma taxa de filtração glomerular estimada significativamente superior a partir dos 6 meses. CONCLUSÕES É possível prever o peso do enxerto com recurso a informações do dador e parâmetros dimensionais do rim. O peso do enxerto não tem relação directa com a função renal estimada do dador. Num cenário contemporâneo de transplantação renal de cadáver, a desproporção entre a massa nefrónica implantada e as necessidades metabólicas do receptor não influencia os resultados funcionais nem a sobrevivência do enxerto até aos 24 meses pós-transplante. Os diferentes resultados do transplante observados consoante o sexo do dador e receptor, não se devem à desproporção entre massa nefrónica e peso do receptor, mas a outros factores próprios de cada sexo.
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Genética da população do Estado de São Paulo : análise de SNPs do cromossoma Y
Cromosoma Y,Genética da população,Estado de São Paulo
Uma vez que a diversidade do cromossoma Y se acumula nas linhagens masculinas, verificando-se uma especificidade populacional, os single nucleotide polymorphisms do cromossoma Y (Y-SNPs) permitem inferir sobre a origem de um indivíduo que possa, por exemplo, ter deixado uma amostra biológica numa cena crime. No entanto, no campo forense, mais do que um marcador de linhagem e informativo de ancestralidade, o seu estudo pode revelar-se indispensável quando as restantes metodologias já aplicadas na rotina parecem falhar ou revelar-se insuficientes e inconclusivas, designadamente em face da análise de amostras bastantes degradadas (i), no âmbito de investigações de parentesco complexas (ii) e na identificação de indivíduos em contextos de acidentes em massa (iii), podendo ter aplicação como método de exclusão simples e poderoso. Com a publicação da primeira árvore filogenética de haplogrupos binários do cromossoma Y, em 2002, foi possível a padronização da classificação de haplogrupo e da nomenclatura aplicada, o que permitiu que a troca internacional de conhecimentos e compreensão dos estudos publicados se tornasse uma realidade. Este foi um passo importante para que, em conjunto com o conhecimento das situações excepcionais de análise deste marcador — minimizando problemas de interpretação — e aumento das bases de dados populacionais, os Y-SNPs possam ocupar a posição de marcadores de excelência nos laboratórios forenses, actualmente detida pelos short tandem repeats do cromossoma Y (Y-STRs). Este estudo foi desenvolvido com o intuito de obter informações relativamente à possível origem biogeográfica da população de Ribeirão Preto (no Estado de São Paulo, Brasil) e consequentes relações filogenéticas. Historicamente, a origem do povoamento do Brasil situa-se precisamente no estado de São Paulo, em 1532, com a chegada dos portugueses. A variedade étnica que caracteriza a sua população tem um contexto histórico relacionado com a vinda de grupos africanos e posteriores vagas migratórias de espanhóis, italianos, alemães e japoneses. De acordo com os dados históricos da população, grau de polimorfismo dos marcadores e de acordo com a estratégia hierárquica da árvore de haplogrupos, 14 SNPs do cromossoma Y foram seleccionados e estudados, de modo a caracterizar a composição dos haplogrupos binários do cromossoma Y presentes na população. O DNA (ácido desoxirribonucleico) de 81 indivíduos, obtido a partir de amostras de sangue de homens não relacionados da população de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo (Brasil), foi extraído através do método de Chelex® 100. Para a caracterização dos haplogrupos do cromossoma Y desta população, 14 Y-SNPs foram seleccionados e estudados num sistema hierárquico de 2 multiplexes, de acordo com a estratégia de genotipagem sugerida por BRIÓN et al. (2004), e posteriormente estudados numa reacção de amplificação, seguida da reacção de purificação através de ExoSap-IT® (Usb®). A reacção de minisequenciação utilizando o SNaPshotTM multiplex kit (Applied Biosytems) foi seguida de uma purificação SAP (Roche). Os produtos da reacção foram detectados por electroforese capilar, utilizando os ABI PRISM® 310 e 3130 Genetic Analyzer (Applied Biosytems), analisando-se posteriormente os resultados através dos programas informáticos da ABI PRISM® (Applied Biosytems) GeneScan® v3.1 e GeneMapper® ID, v3.2, respectivamente. Um padrão interno, GeneScanTM120 LIZ Size Standard, foi previamente adicionado e o tamanho dos fragmentos das amostras obtido por comparação, resultando a genotipagem da população em estudo. Os haplogrupos presentes foram identificados e as frequências determinadas por contagem. A nomenclatura dos haplogrupos atribuída está de acordo com os estudos do YCC (2002), JOBLING e TYLER-SMITH (2003) e KARAFET et al. (2008). Os resultados obtidos apresentam-se em concordância com os dados históricos e estudos anteriores com outros marcadores — que indicam a inserção desta população no grupo das populações europeias ―, uma vez que entre os mais de 11 haplogrupos identificados, 73% correspondem a haplogrupos característicos dos europeus como R1b1, J2 e I(xI2a2). Embora com numa proporção menor, também foram detectadas as contribuições africanas, asiáticas e de ameríndios, não tendo sido detectado nenhum haplogrupo em contradição com os resultados previamente esperados. Deste modo, os dados obtidos podem tornar-se numa ferramenta útil em estudos de evolução e investigações forenses, como também no estudo da origem étnica de um indivíduo, através da análise de apenas alguns loci de Y-SNPs específicos para esta população.
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6,459
Comunicação, stress e estratégias de adaptação nos enfermeiros do Instituto Português de Oncologia de Coimbra de Francisco Gentil, EPE
Burnout profissional,Oncologia,Enfermeiros
Este trabalho surgiu da interrogação sobre a influência do comportamento comunicacional assertivo no cuidar. Pretendeu-se ainda estudar a interferência da vulnerabilidade ao stresse, as estratégias de adaptação e o apoio social percebido na adopção do comportamento comunicacional assertivo com os doentes e equipa multidisciplinar. O estudo do burnout também foi tido em conta devido ao interesse que este pode ter no comportamento adoptado pelo enfermeiro. O estudo é descritivo-correlacional e tem como objectivo caracterizar o comportamento comunicacional assertivo dos enfermeiros nas relações interpessoais/equipa, identificar situações de burnout; analisar as estratégias de adaptação ao stresse e relacionar as variáveis sócio-demográficas e profissionais com as características estudadas. A amostra é composta por 129 enfermeiros do IPOC-FG, EPE, que trabalham nos internamentos e ambulatório. Foi realizado previamente uma revisão bibliográfica pertinente para esta temática, de modo a contextualizar o estudo. Verificaram-se os seguintes resultados: -baixa vulnerabilidade ao stresse com uma média de 1,56 [0-4]; -burnout médio de 2,76 [0-6]; -estratégias de adaptação ao stresse na ordem dos 3,86 de média [1-5]; -comportamento comunicacional assertivo com elevada frequência 4,97 [1-6] de média; -grande satisfação com o apoio social percebido com uma média de 5,17 [1-6]. O estudo do comportamento comunicacional assertivo foi preponderante nesta investigação. Os enfermeiros apresentam comportamento comunicacional assertivo com elevada frequência. Este é adoptado com mais frequência com os doentes do que no seio da equipa multidisciplinar, daí a assertividade ser essencial para o bom ambiente de trabalho e nas relações interpessoais. O estudo mostra que há um valor alto de realização pessoal, baixo de despersonalização e médio de exaustão emocional. Entenda-se a despersonalização como um distanciamento face a relação, de modo a evitar um envolvimento nos problemas dos outros não afectando assim a vida pessoal do enfermeiro. Encontrámos nos homens mais despersonalização que nas mulheres, o que sugere um afastamento nas ligações, não se envolvendo demasiado como forma de não levar os problemas do hospital para casa. Um dado novo prende-se com a adopção de comportamento comunicacional assertivo e o facto de se ter um duplo emprego. Os enfermeiros que referem ter um duplo emprego apresentam com menos frequência comportamento comunicacional assertivo. O facto de trabalhar por turnos mostrou também o seu interesse no presente estudo, uma vez que se verificou que quem faz turnos adopta com menos frequência comportamento comunicacional assertivo do que quem tem horário fixo. Quanto à vulnerabilidade ao stresse o estudo sugere que os enfermeiros mais novos são mais propensos, podendo estar relacionado com o facto da pouca autonomia, das expectativas, do vínculo precário e dificuldades na prestação de cuidados. Encontraram-se ainda relações entre género, estado civil e experiência profissional com as outras variáveis em estudo, sendo importantes para as conclusões desta investigação.
Ciências Médicas e da Saúde
6,460
Suplementação com ácido docosahexaenóico em crianças com doenças hereditárias do catabolismo proteico
Nutrição,Suplementos dietéticos,Erros congénitos do metabolismo dos aminoácidos
Os doentes submetidos a dietas restritivas em proteínas estão inevitavelmente em risco de desenvolver défices nutricionais, não só no que diz respeito a vitaminas e minerais como em relação aos ácidos gordos essenciais. Neste grupo inclui-se o ácido docosahexaenóico (DHA), ácido gordo polinsaturado da série n-3 existente habitualmente nos peixes de água fria, eliminados da dieta destes doentes. Objectivos: com este estudo pretendeu-se determinar a concentração de DHA no plasma de indivíduos com doenças hereditárias do catabolismo proteico sujeitos a dietas restritas em proteína em comparação com um grupo controlo e avaliar a evolução após suplementação com aquele ácido gordo. Métodos: Vinte indivíduos com doenças hereditárias do catabolismo proteico (acidúrias orgânicas, doenças do ciclo da ureia, fenilcetonúria, homocistinúria, leucinose ou tirosinémia tipo I) e idade inferior a 18 anos foram submetidos a determinação das concentrações plasmáticas de DHA, colesterol total e das fracções LDL e HDL em três momentos (T0, T1 e T2), com intervalos de 60 dias. Nesse período foram sujeitos a suplementação com DHA na quantidade de 15 mg/kg/dia, sob a forma de emulsão lipídica. Para constituição do grupo controlo foram aleatoriamente seleccionados 33 indivíduos, com idades compreendidas entre os 4 meses e os 15 anos, sob dieta normal. Resultados: na determinação dos níveis basais (T0), o grupo de doentes apresentou um valor médio de DHA plasmático significativamente inferior ao grupo controlo (27,65 ± 13,69 μg/ml vs 55,23 ± 21,84 μg/ml; p = 0,000). Esta concentração sofreu um aumento estatisticamente significativo entre T0 e T2, apresentando-se no final dos 120 dias com um valor médio de 59,71 ± 22,61 μg/ml, próximo do valor médio do grupo controlo. A análise por patologia revelou que as doenças do ciclo da ureia apresentaram o valor médio mais baixo (19,9 μg/ml), enquanto o superior foi apresentado pelas acidúrias orgânicas (31,55 μg/ml). Detectou-se uma diminuição estatisticamente significativa da fracção LDL entre T1 e T2 (p = 0,044), assim como de triglicerídeos entre T0 e T1 (p = 0,025). Conclusão: os doentes sujeitos a dietas hipoproteicas estão em risco de défices nutricionais, nomeadamente em ácidos gordos essenciais como o DHA. A suplementação diária com este nutriente permite a normalização dos seus níveis plasmáticos. Esta deve assim fazer parte da terapêutica nutricional destes indivíduos, de modo a optimizar o crescimento e o neurodesenvolvimento destes doentes.
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6,461
Consumo de suplementos alimentares em frequentadores de ginásio na Cidade de Coimbra
Suplementos alimentares,Actividade física
A prática de actividade física pela população tem vindo a aumentar nas últimas décadas, especialmente dentro dos ginásios. A preocupação com a aparência e a estética pode levar ao consumo de suplementos alimentares pelos frequentadores de ginásio. A literatura científica tem mostrado que os atletas consomem este tipo de produtos em elevadas quantidades. Contudo pouco se conhece sobre a sua utilização pelos frequentadores de ginásios. O estudo desenvolvido tem por objectivo principal identificar qual a prevalência do consumo de suplementos alimentares em frequentadores de ginásio e health clubs da cidade de Coimbra e caracterizar o seu perfil. A recolha dos dados foi feita através de um questionário preenchido pelos praticantes, sendo a amostra constituída por 374 frequentadores de ginásios da cidade de Coimbra, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 16 e os 61 anos. A análise estatística dos dados foi efectuada no programa informático SPSS. Os resultados revelaram que 25,1% (94) dos frequentadores consumiam suplementos alimentares/nutricionais, destes 79,8% (75) eram do sexo masculino. Os cinco suplementos mais consumidos foram por ordem decrescente os proteicos (31%), seguindo-se os complexos de vitaminas e minerais (18%), a creatina (18%), os aminoácidos (13%) e as bebidas energéticas (11%). A associação de dois ou mais produtos utilizados simultaneamente ocorreu em 58,5% dos casos. A maioria (75%) dos indivíduos referiu ter iniciado o consumo de suplementos sem a orientação de um profissional especializado, ou seja por auto-prescrição ou indicação dos amigos. Os principais locais de aquisição referidos foram as lojas de desporto (45%), a internet (20%), os ginásios (18%) e por último as farmácias (17%). O valor monetário médio gasto mensalmente na aquisição de suplementos variou entre os 3 e os 200 euros, sendo que 57% gasta menos de 50 euros mensais. A maioria (62,8%) dos frequentadores de ginásio consome suplementos com o objectivo de aumentar a massa/força muscular. Os resultados obtidos apontam para um consumo significativo de suplementos, os quais não têm uma indicação cientificamente comprovada, em detrimento de uma alimentação saudável.São necessários mais estudos científicos sobre as indicações e os efeitos dos suplementos na saúde dos atletas, uma vez que o consumo deste tipo de produtos é cada vez mais significativo neste tipo de população.
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6,462
Modelo de hipertensão pulmonar com monocrotalina : estudo ecocardiográfico e anatomopatológico
Modelos animais,Ecocardiografia,Monocrotalina,Hipertensão pulmonar
Introdução: A utilização de monocrotalina é, actualmente, um dos métodos mais utilizados pela comunidade científica para desenvolver um modelo animal de hipertensão pulmonar. Uma correcta interpretação dos resultados obtidos em determinado estudo implica a necessidade de monitorizar a progressão da doença e detectar sinais de elevação da pressão vascular pulmonar. Para este fim, tem-se recorrido à medição invasiva das pressões pulmonares por cateterismo ou, alternativamente, têm-se analisado as alterações histopatológicas que se desenvolvem nos órgãos-alvo. Nos últimos anos, porém, a ecocardiografia tem surgido como um método de crescente interesse para a avaliação da função cardiovascular em diferentes modelos animais. Objectivo: Pretendeu-se com este estudo compreender o papel da ecocardiografia na avaliação da hipertensão pulmonar experimental por monocrotalina. Para isso, avaliou-se a evolução de diferentes parâmetros ecocardiográficos ao longo do desenvolvimento da doença, relacionando-os com as alterações anatomopatológicas desenvolvidas. Material e métodos: Vinte e cinco ratos Wistar de 8 semanas foram injectados intraperitonealmente com monocrotalina (60 mg/kg) e distribuídos em três grupos diferentes (T1, T2 e T3). A avaliação dos parâmetros ecocardiográficos e anatomopatológicos foi efectuada às 2, 4 e 6 semanas, respectivamente, após a injecção de monocrotalina. Um grupo controlo constituído por 6 animais foi utilizado para comparação dos resultados. Resultados: Os vários parâmetros ecocardiográficos analisados (o quociente tempo de aceleração/tempo de ejecção pulmonar, o índice de excentricidade do ventrículo esquerdo, o índice de desempenho miocárdico do ventrículo direito, a excursão sistólica do plano da tricúspide e o gradiente de pressões ventrículo direito/aurícula direita, na presença de insuficiência tricúspide) mostraram uma elevada correlação com o tempo de evolução da doença e com as alterações anatomo-patológicas analisadas. Conclusões: A ecocardiografia é um método imagiológico que permite de forma não invasiva avaliar a progressão da hipertensão pulmonar no modelo de monocrotalina.
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6,463
Impacto da doença pulmonar obstrutiva crónica na qualidade de vida
Doença pulmonar obstrutiva crónica,Qualidade de vida
Introdução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma das maiores causas de morbilidade e mortalidade no mundo e resulta num peso económico e social simultaneamente substancial e progressivo. A abordagem tradicional de acompanhamento dos pacientes com DPOC reside nos testes de função pulmonar para quantificar a gravidade e avaliar a resposta aos tratamentos instituídos. Contudo, os parâmetros fisiológicos e de sobrevivência não traduzem o impacto global na saúde experienciado pelos pacientes. A redução do peso pessoal e social da doença através da melhoria clínica dos sintomas, da diminuição do impacto nas actividades da vida diária e na qualidade de vida, são objectivos importantes a alcançar. Objectivos: O objectivo do presente estudo foi identificar os factores que exercem um maior impacto na qualidade de vida relacionada com a saúde individual (QVRS) de pacientes com DPOC e avaliar a associação entre QVRS e os estadios de gravidade recorrendo a avaliações da função pulmonar. Desenho: Estudo transversal. Local: Serviço de Pneumologia do Hospital da Universidade de Coimbra. Métodos: O estudo foi realizado em doentes com DPOC. 22 indivíduos (17 homens, média de idade 75,5 anos) completaram o questionário específico de doença – Saint George’s Respiratory Questionnaire (SRGQ). De igual modo, os pacientes foram submetidos a testes de função pulmonar, tendo sido distribuídos por quatro grupos de gravidade de doença, de acordo com os valores normais previstos de FEV1 (pós-broncodilatador), recorrendo a duas guidelines: GOLD e BTS. Idade, género, hábitos tabágicos e índice de massa corporal foram tidos em consideração. Resultados: Os estadios de gravidade da DPOC não estão correlacionados com o score Total do SGRQ. Associações significativas podem ser encontradas entre os scores Parciais dos domínios Sintomas, Actividade, Impactos e estadios de gravidade da DPOC (GOLD p = 0,037; 0,011; 0,032 ; BTS p = 0,011; 0,008; 0,018). O score Total do SGRQ correlaciona-se significativamente com os valores de FEV1 % previsto (p=0,046, Coeficiente de Correlação Pearson = -0,429). Não foram encontradas diferenças significativas entre QVRS e idade, género ou hábitos tabágicos. Conclusão: Os resultados obtidos neste estudo revelam que existe um claro impacto na QVRS individual e que o nível de QVRS dos pacientes com DPOC declina linearmente com a diminuição dos valores de FEV1 % previsto. Idade, sexo e hábitos tabágicos não afectam a QVRS dos indivíduos, uma vez estabelecida a DPOC.
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6,464
Estado nutricional e ingestão alimentar numa população de idosos institucionalizados|
Estado nutricional,Envelhecimento,Ingestão alimentar
O processo de envelhecimento acarreta muitas alterações (fisiológicas, sociais e psicológicas) que interferem directamente com a ingestão alimentar e estado nutricional dos idosos. Objectivos: O principal objectivo deste estudo foi avaliar o estado nutricional e a ingestão alimentar de um grupo de idosos institucionalizados. Para além da caracterização da amostra do ponto de vista do estado nutricional e da ingestão alimentar, pretendeu-se analisar a relação entre estes dois parâmetros e ainda determinar alguns factores que possam interferir com os mesmos. Métodos: O estudo foi desenvolvido num lar de idosos, sendo a amostra composta por 128 indivíduos. Desenvolveu-se um inquérito (composto por: uma parte de identificação, uma parte de avaliação antropométrica, uma parte de avaliação clínica e bioquímica, e o registo alimentar), que incluía o Mini-Nutritional Assessment (MNA). A avaliação do estado nutricional foi obtida a partir da recolha de dados antropométricos (peso, altura, distância do joelho ao calcanhar, Índice de Massa Corporal (IMC), perímetro do braço e da perna), da aplicação do questionário Mini Nutritional Assessment (MNA), e da recolha de dados bioquímicos (glicemia, colesterol total, colesterol HDL, triglicerídeos, albumina, hemoglobina e transferrina). Na análise da ingestão alimentar procedeu-se ao registo alimentar (com pesagem) dos alimentos ingeridos ao longo de 24 horas por parte dos idosos, durante três dias (dois dos quais dias de semana e um dia de fim-de-semana). Posteriormente os dados da ingestão alimentar foram convertidos em nutrientes pelo programa informático Food Processos Plus. Os dados da ingestão alimentar, em nutrientes, foram comparados com as recomendações nutricionais (Dietary Recommended Intakes - DRI). Resultados: Dos 128 indivíduos que compunham a amostra, 59,4% pertenciam ao sexo feminino e 40,6% ao sexo masculino. A média das idades era de 80,98 (7,58) anos. Os idosos recebem em média 317,44 (118,43) euros por mês. O valor médio de IMC foi 25,27 (5,54) kg/m2, verificando-se que 27,6% dos idosos estavam desnutridos; 26,0% encontravam-se em risco de desnutrição; 31,5% apresentavam-se bem nutridos e 15% eram obesos. De acordo com a classificação do MNA, 18% os idosos da amostra encontravam-se desnutridos, 67% encontravam-se em risco de desnutrição e 28,9% estavam bem nutridos. Os resultados obtidos a partir dos dados bioquímicos revelaram que os valores médios dos parâmetros analisados se encontravam todos dentro do intervalo de referência, contudo verificou-se que 39% dos indivíduos apresentavam valores de colesterol acima dos valores de referência e que para cerca de 30% dos indivíduos, os valores de hemoglobina e transferrina estavam abaixo dos valores de referência. O IMC correlacionou-se positivamente e de forma significativa com o MNA, o colesterol total, os triglicerídeos e a albumina. Estabeleceram-se correlações positivas e significativas entre o MNA e o colesterol total, a albumina, a hemoglobina e a transferrina. Em termos de ingestão alimentar e de forma absoluta, verificou-se que o valor calórico total (VCT) ingerido é ligeiramente inferior às recomendações (média total e médias por sexos), que a ingestão de fibra, ácidos gordos polinsaturados n-3 e n-6 é também inferior ao recomendado e que a ingestão de proteínas e hidratos de carbono é superior ao recomendado. Analisando a ingestão dos macronutrientes por percentagem do VCT verificou-se que todos os valores se encontravam dentro do recomendado à excepção: da proteína (acima do recomendado), da gordura monoinsaturada (inferior ao recomendado) e da gordura polinsaturada (ligeiramente superior às recomendações). Considerando os micronutrientes verificou-se os seguintes apresentavam valores inferiores ao recomendado: vitamina D, vitamina E, folato, cálcio, magnésio e sódio. Os idosos avaliados efectuavam em média de 4,7 (0,684) refeições por dia. Todos os parâmetros nutricionais principais (VCT, proteína total, gordura total, hidratos de carbono totais e colesterol) estão correlacionados entre si de forma positiva e significativa. O número de refeições estava correlacionado de forma negativa e significativa com o MNA. Os idosos apresentavam uma média de 3,87 ( 2,09) patologias, sendo as mais prevalentes: as doenças do aparelho circulatório, os transtornos mentais e comportamentais e as doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo. O número médio de fármacos prescritos aos indivíduos analisados era de 3,92 ( 3,14) por dia. Em relação à saúde oral verificou-se que: 47,7% dos idosos desta amostra não possuíam um único dente, a média de número de dentes era de 4,67 ( 6,70) e apenas 24% dos idosos possuíam prótese dentária. Apenas 10,2% dos idosos referiram praticar algum tipo de actividade física. O VCT demonstrou estar correlacionado positiva e significativamente com: o IMC, o MNA, a albumina e a transferrina. A ingestão de proteínas totais correlacionou-se de forma positiva e significativa com o IMC e o MNA. A ingestão de gordura total estava correlacionada positiva e significativamente com: o IMC, o MNA, a albumina e a hemoglobina. O IMC, o MNA e a albumina demonstraram estar correlacionados de forma positiva e significativa com a ingestão de hidratos de carbono. O número de patologias correlacionou-se de forma positiva e significativa com o IMC e o número de medicamentos. A prática de actividade física apenas se correlaciona de forma positiva e significativa com o MNA. Não se verificaram correlações significativas do número de medicamentos, do número de dentes ou do rendimento com as seguintes variáveis: o IMC, o MNA e o VCT. Conclusão: Os idosos são um grupo etário com problemas de malnutrição. Na amostra analisada observou-se uma elevada prevalência de desnutrição e de risco de desnutrição. Por oposição detectou-se uma percentagem significativa de obesidade. O MNA demonstrou ser um bom método para a avaliação do estado nutricional. De uma forma geral não se encontram grandes problemas ao nível da ingestão alimentar deste grupo de indivíduos, contudo existem alguns problemas nutricionais como deficits de algumas vitaminas e minerais, que a ingestão de alguns alimentos (como: peixes gordos, cereais integrais, vegetais, leite e algumas gorduras) pode solucionar. Conseguiu-se demonstrar uma relação positiva entre a ingestão alimentar e o estado nutricional (IMC, MNA e albumina).
Ciências Médicas e da Saúde
6,467
Efeitos na qualidade de vida da Associação da Acupunctura ao tratamento conservador da lombalgia inespecífica crónica
Qualidade de vida
Introdução: A dor lombar, nomeadamente a lombalgia inespecífica crónica, apresenta elevados índices de prevalência, sendo uma das causas mais comuns de atendimento médico. Constituindo uma das principais causas de limitação da actividade física e da qualidade de vida das pessoas em idade activa, tem importantes reflexos no absentismo e na diminuição de produtividade. Objectivos: Comparar doentes tratados com acupunctura associada a tratamento conservador com doentes tratados em Centros de Saúde exclusivamente com tratamento conservador, no que respeita à evolução do nível de dor, da incapacidade funcional e globalmente na qualidade de vida (QDV). Tipo de estudo: Estudo observacional, controlado, não randomizado. Doentes: A amostra foi constituída por 60 indivíduos, 30 submetidos a acupunctura associada a tratamento conservador em consultórios (Grupo I) e 30 submetidos exclusivamente a tratamento conservador em Centros de Saúde (Grupo II, de controlo). Metodologia: Foram dois os momentos de avaliação: antes do início do tratamento e três meses depois, considerado como final do tratamento. Utilizaram-se como instrumentos de avaliação uma Escala Visual Análoga para Avaliação da Dor, o Índice de Oswestry sobre Incapacidade (versão 2.0), Questionário WHOQOL-BREF e o Questionário MOS-SF 36 (versão 2.0) para avaliação da QDV e ainda a Escala Visual Análoga para avaliação de outros parâmetros, entre os quais a Satisfação com o Tratamento e a Satisfação com a Relação com o Profissional de Saúde. Resultados: Os dois grupos não eram diferentes nos seus aspectos demográficos. Comparando os resultados do início e do final do estudo dentro de cada grupo, verificamos em ambos uma diminuição significativa da intensidade de dor, aumento da QDV e ainda uma melhoria significativa na capacidade funcional (embora o Grupo I apresentasse menor incapacidade funcional inicialmente). No final dos tratamentos, comparando os grupos entre si, não se verificaram diferenças estatisticamente significativas na intensidade da dor, incapacidade funcional, QDV e satisfação com o tratamento. Relativamente à relação do doente com o profissional de saúde, o Grupo I apresenta maior satisfação nessa relação. No que respeita ao absentismo laboral, os dois grupos apresentam um índice elevado. Conclusão: O nosso estudo não permitiu detectar dados estatisticamente significativos que traduzam vantagens na adição da acupunctura ao tratamento conservador excepto o facto de o doente considerar de maneira mais favorável a sua relação com o profissional de saúde. Contudo, as características do nosso estudo aconselhariam a que o assunto seja reavaliado num estudo randomizado, com ocultação e maior número de doentes.
Ciências Médicas e da Saúde
6,468
Identificação genética de amostras de origem animal : canis familiaris e Felis Catus em contexto forense
Medicina legal,Poliformismo genético,Gatos,Criminologia,Cães
Numa investigação criminal, as amostras biológicas encontradas são maioritariamente humanas. Todavia, não são as únicas passíveis de constituir prova forense. Animais domésticos como gatos (Felis catus) e cães (Canis familiaris) coabitam com os seres humanos e depositam amostras biológicas, designadamente pêlos, saliva e sangue, que podem vir a ser úteis para incriminar ou para provar a inocência de um suspeito. O presente estudo tem por objectivo implementar técnicas de identificação individual através da análise de Short Tandem Repeats (STRs) do ADN nuclear para cada uma das espécies em estudo. Foram analisadas 61 amostras de canídeos de várias raças sem parentesco entre si. As amostras sanguíneas foram extraídas pelo método Chelex100® e os pêlos extraídos pelo kit comercial DNA IQTM (Promega), tendo sido amplificadas com o Multiplex Canine Stockmarks (Applied Biosystems) com os marcadores PEZ1, FHC2054, FHC2010, PEZ5, PEZ20, PEZ12, PEZ3, PEZ6, PEZ8 e FHC2079. Relativamente às amostras felinas, foram analisadas 64 amostras sanguíneas de animais sem parentesco entre si, extraídas pelo método Chelex100® e amplificadas para os marcadores FCA733, FCA723 e FCA731. As Frequências Alélicas, a Heterozigotia esperada (Hesp), a Heterozigotia observada (Hobs) e o Conteúdo de Informação Polimórfica (PIC) foram calculados através do programa de computador CERVUS 3.0.3. Os resultados evidenciaram uma elevada diversidade genética dos marcadores utilizados, para ambas as espécies e para as populações estudadas. Todos os loci estudados mostraram um elevado grau de polimorfismo e revelaram-se altamente informativos, tratando-se de uma importante ferramenta auxiliar na resolução de crimes e outras situações que envolvam amostras animais. Este estudo pretende contribuir para a identificação genética de amostras de proveniência animal (Felis catus e Canis familiaris) e para o aumento do potencial forense deste tipo de amostras.
Ciências Médicas e da Saúde
6,469
Impacto psicossocial do teste VIH positivo
Testes serológicos,Psicologia social,Síndroma da imunodeficiência adquirida
A infecção pelo VIH, desde os seus primórdios tem vindo a desafiar continuamente o conhecimento médico-científico, assim como os valores das sociedades contemporâneas. O desenvolvimento científico veio assinalar uma viragem no processo evolutivo natural da doença através da introdução da terapêutica anti-retroviral. Este marco veio permitir uma melhoria incontestável da qualidade de vida do doente seropositivo, aumentando a sua esperança de vida. A adaptação ao diagnóstico de seropositividade para o VIH é influenciada por factores de ordem psicológica, social e emocional, que foram analisados ao longo do trabalho de cariz exploratório e descritivo-correlacional. O presente trabalho envolveu 50 pessoas seropositivas para o VIH, maioritariamente do sexo masculino (76%), com uma média de idades de 42,3 anos e teve como objectivo compreender as reacções emocionais dos doentes ao diagnóstico de seropositividade para o VIH, contemplando variáveis sócio-demográficas, clínicas e psicológicas. As principais conclusões foram que os doentes seropositivos com menor auto-estima tendem a evidenciar níveis mais elevados de depressão, sendo que os doentes que têm uma relação afectiva estável e com vida sexual activa tendem a apresentar níveis mais baixos de depressão. As pessoas que sentem maior stress ao partilhar o diagnóstico com outros elementos da rede social, revelam menor auto-estima e maiores níveis de depressão em termos de constelação suicida e incapacidade para a vida em geral.
Ciências Médicas e da Saúde
6,470
O papel da ciência forense na investigação dos crimes de homicídio
Medicina legal,Criminologia
Em crimes de carácter mais violento, principalmente nos de homicídio, cumpre à Polícia Judiciária o apuramento das circunstâncias de tempo, lugar e modo em que o exercício da morte ocorreu, tornando-se, desde logo, nuclear ao sucesso da investigação que se proceda a uma boa Inspecção Judiciária ao local, de molde a possibilitar a recolha de prova testemunhal relacionada com o crime e, sobretudo, da prova material aí existente (fluidos corporais, impressões digitais, objectos, documentos, etc.), a qual, em sede forense, assume a designação de vestígios, passíveis de futuras análises laboratoriais. No entanto, a complexidade e/ou magnitude do cenário do crime poderá reclamar, ab initio, a intervenção do Sector de Local do Crime - valência laboratorial afecta à Área da Criminalística e vocacionada para inspecções judiciárias em casos de homicídio -, cujo nível de conhecimentos teórico-práticos e vanguardista tecnologia os coloca na linha da frente quanto à descoberta, interpretação, recolha e acondicionamento dos vestígios, promovendo, desta forma, a emergência de uma teoria acerca do ocorrido, com base na qual a Polícia Judiciária desenvolverá diligências subsequentes. Atendendo à natureza dos vestígios recolhidos (biológicos, físicos, químicos, balísticos, documentais), a investigação procede à formulação de quesitos laboratoriais direccionados às diferentes áreas técnico-científicas do L.P.C., visando respostas vertidas em relatórios periciais cientificamente fundamentados e, por conseguinte, inatacáveis em sede de julgamento, conquanto se presumem subtraídos à livre apreciação do juiz.
Ciências Médicas e da Saúde
6,471
Crenças e atitudes dos estudantes de enfermagem acerca das doenças e doentes mentais : impacto do ensino clínico de enfermagem de saúde mental e psiquiatria
Psiquiatria -- educação,Saúde mental,Estudantes de enfermagem
Os estigmas imputados às perturbações mentais foram-se mantendo fortes em resultado de atitudes negativas das populações relativamente aos portadores dessas doenças o que levou à perpetuação de estereótipos como a perigosidade, a imprevisibilidade e a incurabilidade (Scull, 1981; Pichot, 1983; Link & Cullen, 1983; Ayesteran & Paez, 1986; Skinner et al., 1992; Johnson & Orrel, 1995; Whaley, 1997; Phelan et al., 2000; Hirai & Clum, 2000; Angermeyer, 2004; Loureiro, 2008). Admitindo que os estudantes de Enfermagem partilham de atitudes estigmatizantes comuns à população em geral que poderão influenciar a sua prestação de cuidados enquanto futuros profissionais de saúde, este estudo tem como objectivos avaliar as crenças e atitudes dos estudantes de Enfermagem acerca dos doentes e doenças mentais e o efeito (in vivo contact) do ensino clínico de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria nessas crenças e atitudes. O presente estudo é de cariz quasi-experimental tendo sido avaliadas as crenças e atitudes antes e após a frequência do EC. A amostra é constituída por 89 estudantes a frequentar o Curso de Licenciatura em Enfermagem da Escola de Superior de Enfermagem de Coimbra. Como instrumentos de colheita de dados foi utilizado um questionário com questões sócio-demográficas, o Inventário de Crenças acerca das Doenças Mentais (ICDM) de Loureiro (2008) e a versão portuguesa traduzida e adaptada (Oliveira, 2005; Loureiro, 2008) da Opinions about Mental Illness Scale (OMIS) de Cohen e Struening (1962). Dos resultados acerca das crenças e atitudes perante os doentes e as doenças mentais previamente à frequência do ensino clínico de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria, as médias das crenças revelaram resultados positivos no sentido de um reconhecimento da doença e do seu cunho médico, ainda assim, os estereótipos da perigosidade, incurabilidade e responsabilidade individual são acentuados. Relativamente às atitudes observa-se que é na dimensão benevolência que se obtém uma média superior seguida, imediatamente, pela ideologia da higiene mental, no entanto, o autoritarismo e a restrição social surgem também como atitudes valorizadas pelos estudantes. A comparação dos resultados nas crenças e atitudes, antes e após o ensino clínico de Enfermagem de Saúde Mental e psiquiatria, revela um efeito estatisticamente significativo (p<0,05), no entanto, a maioria dos tamanhos de efeito são muito modestos (baixos), excepção para crença na incurabilidade e atitude de restrição social Conclui-se, então, perante estes resultados, que o ensino clínico contribui para uma perspectiva mais positiva em relação às crenças e atitudes dos estudantes de enfermagem.
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6,473
Ménage à moi : estudo sobre as representações da masturbação na televisão e no cinema : mainstream
Masturbação,Psiquiatria,Documentários cinematográficos,Masturbação -- psicologia,Sexualidade -- psicologia
Partindo de uma revisão bibliográfica do corpo de pesquisa dedicado ao tema e de representações culturais recentes, este trabalho de investigação tenta perceber, entre outros aspectos, a forma como a masturbação é vista e representada actualmente no cinema e na televisão mainstream, e relacionar estas representações com a sua herança histórica, médica e também religiosa. Examina as atitudes perante a masturbação na cultura ocidental, tal como se reflecte nos filmes, incluindo produções nacionais, e tenta perceber como a cultura influenciou a representação de comportamentos sexuais e até a forma como estes comportamentos são vistos pela sociedade. Aquilo que se pretende não é construir novas teorias mas fazer um estudo que enfatize o contraste entre as teorias religiosas, médicas e sociais em geral e a complexidade da vida real, dos comportamentos de pessoas comuns, sobre os quais nem sempre se reflecte, tensões que raramente são analisadas por historiadores. Em suma, o trabalho argumenta que a atitude negativa que ainda hoje se encontra nas representações da masturbação é igualmente modelada tanto pelo pânico anti-masturbatório dos séculos XVIII e XIX como por atitudes contemporâneas da prática.
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6,474
Opções terapêuticas no tratamento da dor crónica na população idosa
Idoso,Dor crónica
Os adultos acima de 65 anos de idade, são um grupo em grande crescimento demográfico no mundo ocidental e, nesta população, há uma grande prevalência de dor crónica. Esta leva a uma diminuição da capacidade funcional de um indivíduo e da sua qualidade de vida. O tratamento desta situação patológica nesta população é um desafio médico, já que as modificações fisiológicas condicionadas pelo envelhecimento, a frequente existência de comorbilidades e de polimedicação, conduzem caracteristicamente a um aumento da sensibilidade aos fármacos e a um aumento do risco de efeitos adversos dos mesmos. O objectivo deste trabalho é a revisão de opções terapêuticas analgésicas de natureza farmacológica adequadas a serem usadas no tratamento da dor crónica não oncológica em doentes idosos. Ao longo deste trabalho, considera-se a fisiopatologia e tipos de dor, formas de avaliação para desenvolvimento de planos de tratamento, a importância da polimedicação e terapias para tratamento da dor baseadas no uso de opióides, anticonvulsionantes, antidepressivos e analgésicos tópicos. A dor crónica é uma entidade multidimensional, tanto na sua etiologia como consequências. Os planos para tratamento devem levar em consideração a sensibilidade particular dos idosos aos efeitos dos fármacos e efeitos adversos. Os opióides, anticonvulsivantes, antidepressivos e analgésicos tópicos, são algumas das opções terapêuticas para a dor crónica que podem ser usadas de forma bem-sucedida.
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6,475
Rastreios oncológicos ao nível dos cuidados de saúde primários
Cuidados primários de saúde,Neoplasias
As doenças oncológicas são um dos principais problemas a nível mundial, sendo a segunda principal causa de morte em Portugal. O cancro colo-rectal é considerado a primeira causa de morte por neoplasia, enquanto que o cancro do colo do útero é a quinta. O cancro da mama é a principal causa de morte no sexo feminino. Rastreio é o processo selectivo para a detecção de formas precoces da doença em indivíduos assintomáticos, visando a melhoria do prognóstico da doença e redução da mortalidade. Os rastreios oncológicos permitem o diagnóstico precoce do cancro reduzindo a mortalidade e, por vezes, a incidência. Actualmente, em Portugal, existe um consenso acerca da utilidade de programas de rastreio em três tipos de cancro: colo-rectal, mama e colo do útero. Será feita também uma breve referência ao cancro da próstata. A revisão da literatura que se segue tem como objectivo a comparação dos principais protocolos internacionais ao nível dos rastreios oncológicos com o Plano Oncológico Nacional, assim como ao nível dos limites etários e periodicidade. Apesar de algum consenso, neste momento ainda se verificam alguns problemas e dúvidas acerca dos programas de rastreio existentes. Relativamente ao cancro colo-rectal, existem evidências acerca da utilidade da pesquisa de sangue oculto nas fezes, sigmoidoscopia e colonoscopia, bem como o seu início aos 50 anos de idade. Quanto ao cancro da mama, verifica-se consenso em relação ao uso da mamografia como método de rastreio. Contudo, a idade a que esta deve ser realizada ainda permanece controversa (40 a 50 anos), havendo um consenso para a idade do terminus (69 anos). O cancro do colo do útero apresenta um consenso relativamente ao seu método de rastreio: teste de Papanicolau. Por fim, não existe nenhuma evidência vantajosa acerca da utilidade de programas de rastreio utilizados no cancro da próstata. Assim, observa-se que, apesar das diferenças entre o Plano Oncológico Nacional e os restantes protocolos internacionais, este encontra-se adequado e actualizado no combate do cancro em Portugal.
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6,476
Complicações cardiovasculares associadas ao consumo de cocaína
Doenças cardiovasculares,Drogas ilícitas,Cocaína
A cocaína, é actualmente, a segunda droga ilícita mais consumida na Europa e a que mais frequentemente se associa a complicações médicas. As complicações cardiovasculares são as mais comuns, particularmente na forma de isquémia do miocárdio, estando, muitas vezes na origem enfarte agudo do miocárdio. O seu consumo pode originar também de arritmias, miocardiopatias e morte súbita. A pré-cordialgia após consumo de cocaína num indivíduo jovem e sem outros factores de risco cardiovasculares aparentes é a apresentação clínica mais comum. Foi nosso objectivo rever a bibliografia sobre os efeitos cardiovasculares decorrentes do consumo de cocaína e sua abordagem diagnóstica e terapêutica. Palavras chave: Cocaína; Pré-cordialgia; Enfarte agudo do miocárdio; Síndroma coronária aguda; Vasoespasmo.
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6,477
Avaliação nutricional de uma população de doentes insuficientes renais crónicos em programa de hemodiálise
Avaliação nutricional,Insuficiência renal crónica,Hemodiálise
A alteração nutricional mais comum na IRC é a desnutrição proteico-calórica, cuja prevalência nos doentes em programa de hemodiálise periódica se encontra entre 17-34%, e representa um importante factor pronóstico negativo, já que se relaciona com uma morbilidade e mortalidade elevadas. Neste estudo tem sido avaliado o estado nutricional dos doentes com insuficiência renal crónica em programa de hemodiálise periódica da clínica “ x” para detectar desvios nutricionais significativos e estabelecer uma estratégia de intervenção adequada e deste modo criar condições para aumentar a qualidade de vida e diminuir a sua morbi- mortalidade. O tipo de estudo é descriptivo, transversal e tem-se realizado sobre um total de 18 doentes (9 homens e 9 mulheres) estáveis em programa de hemodiálise; como critério de exclusão foi considerado a amputação de qualquer dos membros. A idade media foi 69.8 ± 9.3 nos homens e 61.5 ± 15.8 nas mulheres, e o tempo medio de permanência em hemodiálise de 101.2 ± 67.7 meses. O 61% dos doentes tinham iniciado a hemodiálise após os 40 anos. O grau de desnutrição determinou-se através de informações subjectivas fornecida pelos doentes, parâmetros antropométricos (IMC, perímetro da prega tricipital, perímetro muscular braquial, perímetro da cintura e perímetro da perna) e analíticos (hemoglobina, linfocitos totais, concentração de albúmina sérica e colesterol total). Para a avaliação do consumo alimentario utilizou-se o “Questionario de consumo alimentar e apetite CCAA”, “Folha de registo alimentar” e “ Folha para cálculo da dieta renal”. Realizaram-se estudos descriptivos e analíticos. Como programa informático estadístico utilizou-se o SPSS. No grupo que apresentava maior risco de desnutrição, encontrava-se a maior percentagem de doentes idosos (> 65 anos) e com maior tempo de permanência em hemodiálise (> 5 anos), com maior patologia associada e pior situação social (pior nível económico, institucionalizados em residências de idosos ou vivendo sozinhos, etc.). Houve uma correlação inversa do índice de desnutrição com o PMB e o PC. As mulheres apresentaram uma redução dos depósitos de gordura corporal. Não se observou redução da massa muscular. A prega cutânea tricipital constituiu o melhor parâmetro para identificar a desnutrição calórica. A maioria dos doentes em hemodiálise e em situação clínica estável apresentavam uma alteração dos parámetros analíticos, nomeadamente do nível de hemoglobina, do número de linfocitos e da concentração de albúmina que indiciaram uma desnutrição leve. A descida destes parámetros foi mais importante nos homens que nas mulheres e agravaram-se com a idade. O tipo de desnutrição foi diferente segundo o sexo, predominando a protéica nos homens e a calórica nas mulheres. A ingestão insuficiente de energia condiciona a ingestão proteica de nossos doentes. Embora consideradas adequadas, não aseguraram, contudo, um balanço nitrogenado neutro. A ingestão proteica, embora adequada (79.8 gr/paciente/dia), pode ser insuficiente devido ao maior catabolismo propio da diálise e a incidência de processos intercorrentes. É importante a detecção e correcção precoce de déficits nutricionais, mais frequentes nesta população, tendo sido demonstrado que o inquérito alimentar é mais sensível na sua detecção que os parámetros antropométricos ou determinações bioquímicas que só a denunciam quando já é evidente e dificil a sua correção. Em conclusão, confirma-se neste estudo a incidência de desnutrição proteico-calórica do doente em diálise e com restante situação clínica estável.
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6,479
Traumatologia ocular na Região Centro
Lesões do olho, epidemiologia,Factores de risco
Introdução: O trauma ocular é uma importante causa de cegueira, reconhecida internacionalmente e sobre a qual não existem dados em Portugal. Afecta principalmente a população activa e dele advêm consequências económicas e sociais graves. Objectivos: Caracterizar, de uma forma retrospectiva, a epidemiologia e os factores de risco associados ao trauma ocular, admitidos no Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra no ano de 2009. Metodologia: Foram analisados 3698 registos clínicos hospitalares, de pacientes cujo diagnóstico oftalmológico inicial, era de causa traumática. Destes, foram extraídos o sexo, a idade e concelho de residência, o diagnóstico inicial, o olho afectado, local de proveniência, instrumento/acção que desencadeou o trauma, antecedentes de acidentes de trabalho e por fim, o encaminhamento posterior. Os traumas mecânicos foram classificados de acordo com o Birmingham Eye Trauma Terminology System. Resultados: Há uma maior incidência no sexo masculino (3086; 83,5%), não se verificando diferença no olho traumatizado. Os jovens adultos (19-40) foram o grupo etário mais afectado (1606; 43,43%). O trauma fechado contabilizou 97,8% (3615) dos casos e o diagnóstico de corpo estranho na córnea foi o mais comum (1416; 38,3%). A maioria dos traumas teve lugar no domicílio (1920; 53,1%) e foi provocada por ferramentas/acções relacionadas com a construção e manufactura. A alta para o exterior foi o encaminhamento mais frequente (3515; 95,2%). Conclusões: Campanhas de prevenção agressivas, dirigidas ao público em geral, informando sobre os riscos associados ao uso de determinadas ferramentas (nomeadamente rebarbadoras e máquinas de soldar), devem ser efectuadas, para uma redução eficaz deste tipo de traumas, facilmente evitáveis com protecção adequada.
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6,480
Gene therapy for Stargardt and other ABCA4-related diseases: lessons from RPE65-LCA trials
Distrofias hereditárias da córnea,Mutação
A doença de Stargardt é a mais comum das distrofias maculares autossómicas recessivas, com cerca de 600 novos casos de doença diagnosticados por ano. É causada por mutações no ABCA4, um gene presente nos fotoreceptores retinianos e que está envolvido na cinética normal do ciclo da visão. O fenótipo resultante, com acumulação de lipofuscina e outros tóxicos no epitélio pigmentado da retina, é também reconhecido no modelo animal da doença, o rato abca4. Actualmente, a doença de Stargardt permanece incurável e há muito pouco que podemos fazer pelos doentes que dela padecem. Porém, avanços recentes no campo da terapia génica aplicada às doenças oculares irão certamente modificar esse cenário. Durante a última década, foi extensamente desenvolvida a terapia génica aplicada a uma outra forma de degenerescência da retina, a Amaurose Congénita de Leber associada a mutações no gene RPE65. A restituição duradoira e bem sucedida da visão, através da substituição genética do RPE65 por intermédio de vectores AAV em modelos animais e doentes com Amaurose Congénita de Leber, levou à natural e fácil extrapolação do conceito para a doença de Stargardt e, como tal, espera-se que, durante 2010, um ensaio clínico, visando a substituição genética do gene ABCA4, atinja a fase I/II de desenvolvimento. Ao provar-se bem sucedido, este ensaio clínico possibilitará oportunidades terapêuticas pioneiras para a doença de Stargardt e todo o espectro de fenótipos retinianos associados ao gene ABCA4.
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6,481
Agonia: últimos momentos de um doente terminal
Cuidados terminais,Morte,Cuidados paliativos
Introdução: Numa época em que a mortalidade por cancro aumenta exponencialmente, verifica-se a necessidade de uma adequação dos cuidados de saúde ao doente oncológico terminal, em particular, nos últimos dias de vida. Objectivos: Revisão sobre a agonia no doente oncológico terminal, abordando a sua definição, diagnóstico, características clínicas, fisiopatologia, propostas de intervenção e considerações éticas, através de uma pesquisa na base de dados da Medline/Pubmed e outras fontes documentais de referência, sem colocação de limites temporais. Desenvolvimento: O período de agonia constitui o culminar da evolução da doença oncológica. A disfunção orgânica resulta em alterações múltiplas e simultâneas, que se traduzem em sinais e sintomas característicos, com relevância acrescida para o estridor, a dor, a dispneia e o delirium. Nesta etapa, independentemente do local em que os cuidados são administrados, a abordagem médica centrar-se-á no conforto e na autonomia do doente. Todos os procedimentos e medicação supérfluos deverão ser descontinuados, mostrando-se fundamental uma paliação rápida e eficaz dos sintomas, através de medidas farmacológicas e não farmacológicas. A sedação terminal pode ser necessária nos sintomas refractários. Estas medidas não implicam o encurtamento do tempo de vida. Em alguns países são utilizados protocolos que sistematizam e facilitam a abordagem do doente agónico e da família. Conclusão: Conhecer a apresentação clínica da agonia ajuda a excluir potenciais quadros reversíveis ou a antever uma evolução inevitável. Através de uma selecção adequada de cuidados que evita os extremos da negligência e do encarniçamento terapêutico, é possível proporcionar um final de vida mais digno e humano.
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6,482
Comparação de duas técnicas de analgesia epidural na vivência do trabalho de parto: bólus intermitente versus perfusão contínua
Parto,Analgesia epidural,Anestesiologia
Objectivos: As melhorias verificadas nas tecnicas de analgesia, nem sempre acompanharam uma melhoria mensuravel na satisfacao materna. A satisfacao e uma questao multidimensional, em que a analgesia constitui um dos seus componentes. O objectivo do estudo foi comparar a tecnica de analgesia epidural atraves de bolus intermitente com a tecnica de analgesia epidural por perfusao continua, relativamente ao grau de satisfacao materna, eficacia analgesica e repercussao na dinamica do parto e bem-estar do recem-nascido. Material e Metodos: Estudo prospectivo, observacional, realizado em 48 parturientes de termo, em trabalho de parto, com dilatacao cervical entre 2-5 cm. Apos administracao de bolus inicial 10 ml de ropivacaina a 0,2% e 2 ml sufentanil 0,005 mg/ml, as parturientes foram divididas em 2 grupos, Grupo I (n = 24).manutencao da analgesia por perfusao continua, de solucao ropivacaina 1 mg/ml e sufentanil 0,25 ƒÊg/ml, a 8 ml/h iniciada ao fim de 1 hora e Grupo II (n =24) manutencao com bolus intermitente horario de 8 ml de solucao ropivacaina 1 mg/ml e sufentanil 0,25ƒÊg/ml, iniciado ao fim 1a hora. Foram registados dados relativos a monitorizacao clinica, intensidade da dor, quantidades de farmacos, numeros de bolus de resgate, bloqueio motor e sensitivo, duracao do parto, grau de satisfacao, Apgar e pH do recem-nascido. Se necessario foi administrado bolus de analgesia suplementar 5 ml de ropivacaina 0,2 %. As 48 horas, foi avaliada a satisfacao atraves do questionario QESP. Resultados: Nao se verificaram diferencas entre os dois grupos relativas as caracteristicas clinicas, bloqueio motor, sensitivo, duracao do parto, doses de farmacos, satisfacao da parturiente, Apgar e pH do recem-nascido. Durante o trabalho de parto, verificou-se no Grupo II uma diminuicao media horaria da escala numerica da dor de -0,416 (IC 95%, -0,766 a -0,066). O grupo II necessitou de menor numero de bolus de resgate (p=0,003), apresentando menos dor durante o 1o dia (p =0,001) e 2o dia pos-parto (p=0,009). Nao se verificaram diferencas na escala de satisfacao do QESP, entre os grupos. (p=0,510). As parturientes do grupo I apresentaram maior grau de preocupacao. (p= 0,025). Conclusoes: Em ambas as tecnicas o grau de satisfacao materna foi semelhante. A analgesia epidural por bolus intermitente horario e uma tecnica mais eficaz, leva a menor intensidade dolorosa, menor numero de doses de resgate, reduzindo as preocupacoes maternas durante o parto.
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6,484
Características das infecções respiratórias em idosos internados
Idoso,Infecções das vias respiratórias
Introdução: As infecções do tracto respiratório, nomeadamente as pneumonias, representam um grave problema de saúde pública, já que apresentam grandes taxas de morbilidade e mortalidade, sendo estas mais importantes ainda nos indivíduos com mais de 65 anos e nos doentes com comorbilidades. Hoje em dia, adicionalmente à classificação clássica de pneumonias em pneumonias adquiridas na comunidade ou pneumonias adquiridas no hospital, tem sido proposto um novo grupo de infecção respiratória: as pneumonias associadas a serviços de saúde, que incluem as pneumonias das pessoas residentes em lares ou em unidades de cuidados permanentes. Estas apresentam características clínicas diferentes das primeiras, nomeadamente, na população idosa. Objectivos: Caracterização das infecções respiratórias nos idosos, com o intuito de verificar se existe alguma relação entre a apresentação clínica da infecção e o local de residência dos mesmos (casa particular ou instituição de acolhimento). Metodologia: Foram estudados, retrospectivamente, os processos clínicos de 133 doentes, com idade superior a 65 anos, internados, no ano de 2008, num Serviço de Medicina Interna dos Hospitais da Universidade de Coimbra com o diagnóstico de pneumonia. Dividiram-se os idosos em dois grupos consoante o local de residência dos mesmos e analisaram-se diversos dados clínicos e terapêuticos. Resultados: Os dois grupos de idosos em estudo não apresentaram grandes diferenças entre si em quase todos os parâmetros analisados. Contudo a prevalência de acidente vascular cerebral como comorbilidade mostrou ser superior nos doentes institucionalizados, e o sintoma dor torácica mais frequente nos doentes vindos do domicílio. Verificou-se ainda que as culturas de expectoração são mais frequentemente realizadas e positivas nos doentes vindos de instituições. Também na antibioterapia empírica administrada, observou-se uma maior utilização dos antibióticos piperacilina e tazobactam nos doentes provenientes de instituições em comparação com os do domicílio. Além disso, a duração média do internamento foi superior nos idosos institucionalizados. Verificou-se ainda que a idade igual ou superior a 90 anos, o sexo masculino e a doença de Alzheimer são três factores que potenciam o falecimento, enquanto que a existência de hipertensão arterial como comorbilidade, aparentemente, se relaciona com menor risco de falecimento. Conclusões: A maioria dos parâmetros analisados neste estudo não apresentou diferenças significativas entre o grupo de idosos vindos do seu domicílio e os doentes institucionalizados. Contudo, devido à escassez de trabalhos no âmbito das pneumonias associadas a cuidados de saúde, seriam necessárias mais investigações nesta área para comprovar os resultados obtidos.
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6,485
Contracepção hormonal: evolução ao longo dos anos
Contraceptivos orais,Contracepção
A História da Contracepção data de tempos remotos, altura em que se usavam métodos "caseiros" e originais para evitar a gravidez. A introdução do primeiro contraceptivo hormonal nos anos 60 foi um marco muito importante para a mulher ,uma vez que lhe permitiu ter um maior e melhor controlo sobre a sua vida reprodutiva. Com esta inovação, após ter sido comprovada a sua eficácia e segurança como agente anticoncepcional, o número de utilizadoras foi aumentando gradualmente. Porém, alguns anos após o início da sua utilização começaram a detectar-se um conjunto de efeitos adversos os quais, mais tarde, evidenciaram ser provocados pelas doses elevadas de estroprogestativos, principalmente pelo componente estrogénico. Assim, nas quatro décadas que se seguiram ao aparecimento deste método contraceptivo, os esforços concentraram-se no sentido de desenvolver novas formulações com doses cada vez mais reduzidas, mantendo a eficácia e segurança contraceptivas. Foi nesta sequência que surgiram no mercado não só novos contraceptivos orais de baixa dosagem, como também novas formulações não orais - injectáveis, dispositivos intrauterinos, implantes subcutâneos, transdérmicos e anéis vaginais. O principal objectivo da criação de todo este leque de contraceptivos hormonais foi proporcionar novas oportunidades à mulher para encontrar o método mais adequado às suas necessidades individuais. Este artigo de revisão pretende analisar os vários tipos de contracepção hormonal e o desenvolvimento desde a sua origem até à actualidade, tendo em conta as vantagens e desvantagens de cada método, de modo a que se torne possível e exequível adequar e adaptar um determinado tipo de contraceptivo em casos individuais.
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6,486
Da timidez à fobia social
Distúrbios fóbicos,Timidez
A fobia social é classificada como um distúrbio de ansiedade que reflecte medo de interacção e desempenho social. A timidez, um termo bastante utilizado pela população em geral, é utilizada para situações bastante diversas. Serão estes dois conceitos semelhantes e sobreponíveis ou serão duas entidades distintas com características específicas? Relativamente à fobia social é realizada uma revisão dos diferentes critérios de diagnóstico, factores etiológicos ambientais e biológicos e dados epidemiológicos com diferenças na incidência e prevalência consoante a idade, género e o país de origem, com as naturais particularidades dependendo da cultura em que se inserem os estudos realizados. Considerando as características clínicas, são descritos os sintomas somáticos, manifestações cognitivas e alterações de comportamento características mas que por vezes se confundem com a existência de comorbilidade. Diferentes opções de tratamento são aqui referidas e há uma reflexão sobre o impacto da fobia social na sociedade e, particularmente, na economia.
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6,487
Lesões não melanocíticas da conjuntiva
Conjuntiva,Lesões do olho,Neoplasias da conjuntiva
A conjuntiva é um local frequente de desenvolvimento de neoplasias e de lesões que as simulam. Os tumores conjuntivais representam um amplo espectro de lesões benignas, pré-malignas e malignas, algumas capazes de causar não sómente a perda da visão como, também, da vida. Por esse motivo, na abordagem destes tumores é essencial um correcto diagnóstico e tratamento. As lesões não melanocíticas da conjuntiva podem ser congénitas ou adquiridas e ter uma origem epitelial, em glândulas anexiais, nos tecidos moles, no tecido linfóide, podem ser tumores secundários ou, ainda, lesões inflamatórias que simulam tumores. As lesões de origem epitelial podem ser benignas, pré-malignas ou malignas. As lesões benignas resultam de uma diferenciação celular anormal confinada ao epitélio e raramente progridem para a malignidade. São exemplos os quistos, os papilomas, a hiperplasia pseudoepiteliomatosa, a disqueratose intraepitelial hereditária benigna, a placa queratótica, e a queratose folicular invertida. São consideradas lesões epiteliais pré-malignas a queratose actínica e a neoplasia intra-epitelial da córnea e conjuntiva. Por fim, as lesões malignas incluem o carcinoma de células escamosas, o carcinoma de células espinhosas e o carcinoma mucoepidermóide. As lesões da conjuntiva também podem ser resultantes de lesões congénitas benignas, como o dermóide límbico, dermolipomas e coristomas complexos. Os tumores com origem em glândulas anexiais podem ser benignos (oncocitoma, adenoma pleomórfico, siringoma e adenoma sebáceo) ou malignos (carcinoma sebáceo, carcinoma adenóide quístico ou adenocarcinoma de glândulas sudoríparas). Observam-se, ainda, na conjuntiva, tumores com origem nos tecidos moles, como o hemangioma, linfangioma, hemangiopericitoma, angiossarcoma, sarcoma de Kaposi, rabdomiossarcoma, histiocitoma fibroso, fibromas, lipomas, leiomiossarcomas, osteomas, entre outros. Há ainda a considerar as lesões de origem linfóide, tais como a hiperplasia linfóide (benigna), e os linfomas e leucemias (malignas). Alguns tumores com origem em estruturas como a pele palpebral, canal naso-lacrimal, globo ocular, órbita ou seios podem estender-se para a conjuntiva, originando aí lesões secundárias, assim como algumas lesões inflamatórias, como o chalázio, podem simular tumores conjuntivais. Este artigo é uma revisão bibliográfica sobre lesões não melanocíticas da conjuntiva, incidindo sobre as suas características clinico-patológicas e sobre o seu tratamento, com o objectivo de aumentar o conhecimento sobre o diagnóstico diferencial e obter uma correcta abordagem terapêutica dos tumores da conjuntiva.
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6,488
Dor no recém-nascido
Recém-nascido,Dor
Durante muito tempo pensou-se que o recém-nascido não sentiria dor devido à imaturidade neurológica. No entanto, estudos recentes demonstraram que a nocicepção e as respostas a estímulos dolorosos estão presentes desde fases muito precoces do desenvolvimento. Assim, nas últimas décadas a dor no recém-nascido tem merecido cada vez mais atenção, principalmente por parte dos profissionais de saúde que trabalham nas Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais. Os recém-nascidos, em particular os que estão doentes, são submetidos a um grande número de estímulos nociceptivos. Embora a dor sirva como alerta para a existência de agressão, os seus efeitos quando não é adequadamente tratada são prejudiciais do ponto de vista do comportamento e fisiologia, tanto a curto como a longo prazo. A avaliação da dor continua a ser um dos principais desafios nesta área, dado que a capacidade de comunicação dos recém-nascidos é muito limitada e as suas respostas à dor são inconsistentes ou podem mesmo estar ausentes, o que torna esta avaliação muito difícil. Ao longo dos últimos anos, foram desenvolvidas diversas escalas de avaliação da dor adequadas a estas idades, com o objectivo de facilitarem este processo, tornando-se elementos fundamentais para os avanços verificados. A sua aplicação correcta é fundamental para que possamos optar pela abordagem ajustada ao tipo de dor, reduzindo ao máximo o sofrimento e o stress, e providenciando todo o tratamento de que estes recém-nascidos necessitam, com o máximo de conforto. Apesar de tudo, persistem ainda algumas dúvidas, relativamente a este tema, que podem explicar em parte a dificuldade em se implementar medidas adequadas de prevenção e tratamento de forma sistemática. Os objectivos deste trabalho são definir dor/nocicepção, rever a sua fisiologia e fisiopatologia no recém-nascido e sistematizar a resposta do recém-nascido à dor, quais os métodos para a sua avaliação e a abordagem mais adequada (prevenção, terapêutica não farmacológica e farmacológica).
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6,490
Coração de atleta
Coração,Atletas,Cardiomiopatia hipertrófica,Morte súbita
A síndrome do Coração de Atleta compreende um conjunto de alterações clínicas, electrocardiográficas e ecocardiográficas, tais como a bradicardia sinusal, a hipertrofia miocárdica ou o alargamento das cavidades cardíacas. Estas alterações são secundárias à prática regular e prolongada de exercício físico e traduzem a adaptação do sistema cardiovascular às modificações metabólicas e hemodinâmicas induzidas pelo esforço. A prática de desporto tem evidentes benefícios ao nível do sistema cardiovascular e, consequentemente, no bem-estar do indivíduo. No entanto, na presença de patologia cardíaca, a prática de exercício pode estar contra-indicada por se associar a um risco aumentado de morte súbita. Assim, torna-se importante distinguir as alterações patológicas potencialmente fatais das adaptações fisiológicas normais e sem risco para o atleta, procurando, desta forma, não privar desnecessariamente o indivíduo dos benefícios da prática desportiva. Pretendeu-se com este trabalho rever bibliografia sobre o tema “Coração de Atleta”, focando os seguintes pontos: as alterações fisiológicas mais comuns no atleta e os mecanismos que a elas conduzem; as causas mais frequentes de morte súbita no atleta, dando particular atenção à miocardiopatia hipertrófica e, finalmente, os mecanismos adoptados pela American Heart Association e pela European Society of Cardiology para prevenir a morte súbita durante a prática desportiva.
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6,492
A fiabilidade do método de estimativa da idade à morte através das suturas cranianas em indivíduos de meia-idade e idosos
Antropologia forense,Suturas cranianas,Determinação da idade pelo esqueleto
A estimativa da idade à morte em indivíduos adultos é um dos parâmetros mais problemáticos na determinação do perfil biológico, particularmente em contextos forenses, não obstante um vasto número de metodologias que podem ser aplicadas às diferentes partes do esqueleto. No que respeita à determinação da idade à morte em adultos através do crânio, o método que se destaca pela sua imensa popularidade é sem dúvida o método de obliteração das suturas cranianas. Directamente associada a esta popularidade encontra-se a controvérsia, os resultados obtidos a partir desta metodologia estão longe de ser consensuais e apontam mais para o seu descrédito do que para o seu sucesso. O objectivo deste estudo foi precisamente testar a sua eficácia e tentar perceber que informações podem ser retiradas do encerramento das suturas da abóbada craniana e das suturas palatinas, e de que modo o seu estudo nos pode permitir estimar intervalos etários mais precisos para adultos de meia-idade e idosos. Para isso analisou-se uma amostra total de 200 indivíduos com idades iguais ou superiores a 50 anos, provenientes de duas colecções identificadas: a colecção das Trocas Internacionais datada de finais do século XIX e inícios do século XX e a nova colecção de Esqueletos Identificados do Século XXI, ambas pertencentes ao Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Os resultados obtidos permitiram-nos concluir que existe um aumento gradual no grau de encerramento das suturas aproximadamente até aos 70 anos e, posteriormente uma ligeira diminuição. Verificámos que o encerramento das suturas segue a seguinte ordem: primeiro as endocranianas, depois as exocranianas e por último as palatinas. A nível individual, entre as suturas exocranianas a primeira a obliterar é a sagital, depois a coronal e por fim a lambdóide e nas palatinas encerra primeiro a mediana e depois a transversa. A comparação entre as duas colecções apenas revelou resultados distintos para as suturas palatinas, estas assumem graus de sinostose mais elevados na colecção mais recente. Constatámos ainda que existem diferenças na obliteração das suturas entre o sexo feminino e masculino, demonstrando o sexo masculino um tempo de encerramento mais rápido do que o feminino. A eficácia entre a idade real e a idade estimada a partir dos graus de sinostose observados revelou valores muito baixos, a percentagem de diagnósticos correctos foi muito inferior à percentagem de diagnósticos incorrectos, devido à grande variabilidade individual que se encontra nos graus de sinostose das suturas cranianas. Estes resultados levam-nos a não aconselhar o uso isolado desta metodologia, contudo não descuramos o seu valor quando inserido num contexto global.
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Morte súbita em atletas
Morte súbita,Atletas
Os atletas são reconhecidos como um grupo especial da população devido ao seu estilo de vida saudável, uma vez que praticam exercício físico de forma vigorosa e sistemática. Contudo, as evidências têm vindo a demonstrar que este estilo de vida não lhes confere uma “imunidade cardíaca”, estando mesmo em risco de morte súbita. Os objectivos da realização da presente revisão assentam na abordagem epidemiológica da morte súbita em jovens atletas de competição, na apresentação das principais causas do fenómeno e nas estratégias utilizadas para o seu diagnóstico. Para diagnosticar as causas deste fenómeno torna-se importante perceber as alterações fisiológicas que ocorrem no coração de atleta, de modo a distingui-las das principais patologias, como a Miocardiopatia Hipertrófica, que estão na origem do fenómeno. As diferentes abordagens no que diz respeito à prevenção secundária, serão discutidas realçando a importância da utilização do ECG nos protocolos de rastreio. As estratégias de rastreio diferem de um lado do atlântico para o outro, estando Europeus e Americanos em desacordo, essencialmente devido a questões económicas e diferenças populacionais. Em Itália, a utilização do ECG de 12 derivações, no rastreio de doenças cardíacas em jovens atletas de competição, diminuiu consideravelmente a prevalência de morte súbita nesta população. A importância do diagnóstico das patologias subjacentes à morte súbita em jovens atletas prende-se com a possibilidade de prevenir o fenómeno através da desclassificação destes atletas dos desportos de competição e através da possibilidade de tratá-los medicamente, com intervenção cirúrgica ou recorrendo à utilização do cardiodesfibrilhador implantável. Actualmente tem vindo a ser discutida a utilização de desfibrilhadores 4 automáticos externos em locais de eventos desportivos, também com intenção de prevenir a morte súbita em atletas de competição. Concluindo, a presente revisão pretende alertar para a importância de definir uma estratégia de rastreio que possibilite o diagnóstico das principais patologias causadoras de morte súbita em atletas, de modo a salvar um maior número de vidas na comunidade desportiva.
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Doença de Behçet
Sindroma de Behçet,Prognóstico,Factores de risco
Introducao: A Doenca de Behcet (DB) e uma doenca inflamatoria sistemica caracterizada por quatro manifestacoes clinicas principais: ulceras aftosas orais, ulceras genitais, lesoes cutaneas e lesoes oculares e que, ocasionalmente, envolve diversos orgaos e sistemas. As manifestacoes oculares da doenca, relativamente frequentes, tem uma implicacao no prognostico, pois causam com frequencia perda de visao. A perda irreversivel de visao e uma das complicacoes mais temidas e frequentes. Antes da introducao das terapeuticas imunomoduladoras, uma cegueira irreversivel na DB era considerada ocorrer irremediavelmente e, em media, 3,36 anos apos o inicio da doenca. Mesmo com tratamento e controlo intensivo da inflamacao intraocular, 74% dos doentes perdiam a visao util em 6 a 10 anos apos o inicio das manifestacoes oculares. O efeito das novas terapeuticas sobre o prognostico visual a longo prazo nao esta bem esclarecido. O objectivo deste estudo consistiu no estudo do prognostico visual a longo prazo, superior a 15 anos, e de possiveis correlacoes com parametros demograficos, geneticos, manifestacoes clinicas sistemicas e oculares, e tipo de terapeutica utilizada em doentes com diagnostico de DB. Material e Metodos: Estudo retrospectivo das caracteristicas demograficas, clinicas, geneticas e terapeutica realizada atraves da consulta dos registos clinicos de 100 doentes com o diagnostico de DB e observados na Consulta de Imunopatologia dos HUC, com um seguimento igual ou superior a 15 anos. A populacao foi subdividida em dois grupos, de acordo com a melhor acuidade visual corrigida determinada na ultima observacao (prognostico favoravel AV.5/10; prognostico desfavoravel: AV<5/10). Foi estudada a correlacao entre os factores avaliados e o prognostico visual a longo prazo. O tratamento estatistico foi efectuado com software estatistico SPSS, realizando-se uma analise Doenca de Behcet: prognostico visual a longo prazo 3 multifactorial para factores possivelmente relacionados com a perda de visão, calculando os Odd Ratio e através de uma regressão logistica gBack Stepwise Logistic Regression h com limite de entrada e de remocao de 0,05. Resultados: Dos 200 olhos observados, 175 (87,5%) apresentavam um prognostico visual favoravel e 25 (12,5%) apresentavam um prognostico visual desfavoravel. Entre os dois grupos observaram-se diferencas estatisticamente significativas: sexo masculino (p=0,001), desenvolvimento de panuveite (p<0,001) e teste de patergia positivo (p=0,006), mais frequentes no grupo com prognostico desfavoravel. A uveite como primeira manifestacao de doenca ocular (p=0,001) e um factor associado a um prognostico favoravel. A regressao logistica mostrou que o desenvolvimento de sinequias (p=0,018), uso de corticosteroides (p=0,011) ou clorambucil (p<0,001) estao associados a um pior prognostico visual. Conclusoes: Este estudo mostrou que o sexo masculino, o desenvolvimento de panuveite e um teste de patergia positivo estao associados a perda de visao a longo prazo na DB. A uveite como primeira manifestacao ocular e um factor protector de um prognostico visual desfavoravel. O desenvolvimento de sinequias e a terapêutica isolada com corticosteroides ou com clorambucil, são factores que potenciam uma perda de acuidade visual a longo prazo nos doentes com envolvimento do segmento posterior.
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6,495
Anatomia coronária por tomografia computorizada multi-corte e principais variantes
Artérias coronárias, anatomia,Tomografia por emissão computorizada
A avaliação das artérias coronárias assume uma elevada importância na prática clínica actual dado que as doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte nos países desenvolvidos. A técnica de eleição para o estudo coronário é a Angiografia Coronária por cateterismo, porém, esta acarreta alguns riscos. A Coronáriografia por Tomografia Computorizada (CTC) multi-corte tem vindo a posicionar-se como o melhor exame não invasivo para avaliação coronária, graças à rápida evolução tecnológica. Esta levou a um aumento da resolução temporal e espacial, permitindo assim minimizar a dificuldade de observar as artérias coronárias. O trabalho tem como objectivos uma revisão dos princípios da coronáriografia por tomografia computorizada, a sua aplicação no âmbito da avaliação da anatomia coronária normal e suas variantes e a ilustração e identificação das mesmas, tendo em consideração a sua relevância clínica. A tomografia computorizada multi-corte possibilita uma excelente visualização da anatomia coronária e suas variantes de origem, trajecto e terminação. A combinação de uma excelente resolução temporal e espacial com a capacidade de visualização tridimensional colocam a coronáriografia por tomografia computorizada na primeira linha do diagnóstico e avaliação das variantes da anatomia coronária. As potencialidades da tomografia computorizada neste contexto não estão esgotadas; a constante evolução tecnológica promete um alargamento das suas capacidades e indicações. O conhecimento teórico da anatomia coronária normal e suas variantes, é um requisito indispensável na avaliação dos exames de CTC. Só assim é possível uma correcta identificação e classificação das variantes das artérias coronárias, distinguindo as variantes 3 clinicamente relevantes das demais. As alterações como a presença de trajecto inter arterial, artéria coronária única, origem ectópica, estenose do ostium, fístula e ponte de miocárdio não devem ser ignoradas pelo risco de manifestações clínicas graves, incluindo a morte súbita. Palavras-chave: tomografia computorizada multi-corte; anomalias congénitas das artérias coronárias; artérias coronárias; angiografia coronária; coração.
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6,496
A saúde mental em cuidados de saúde primários
Saúde mental,Cuidados primários de saúde
As perturbações psiquiátricas no contexto da Clínica Geral / Medicina Geral e Familiar constituem um tema que tem vindo a ser estudado desde a década de 1960, sendo uma matéria complexa e com múltiplas implicações. Os estudos epidemiológicos mais recentes demonstram que as perturbações psiquiátricas e os problemas de saúde mental se tornaram a principal causa de incapacidade e uma das principais causas de morbilidade nas sociedades modernas. E, para além dos indivíduos que apresentam uma perturbação diagnosticável, muitos têm problemas de saúde mental que podem ser considerados subliminares, que não preenchem os critérios de diagnóstico, mas que se encontram também em sofrimento, devendo beneficiar de intervenções. Desta forma, os serviços de saúde mental devem organizar-se de forma a garantir acessibilidades, prestação de cuidados essenciais, integrando um conjunto diversificado de unidades e programas que respondam de forma efectiva às necessidades das populações. Para que estes serviços funcionem, é de primordial importância uma articulação estreita com os cuidados de saúde primários, tendo os especialistas em Medicina Geral e Familiar um papel decisivo neste âmbito, existindo diferentes modelos de articulação entre a psiquiatria e os cuidados de saúde primários, que serão analisados neste artigo. É assim necessária a integração dos cuidados de saúde mental no sistema geral de saúde, tanto a nível dos cuidados primários, bem como dos hospitais gerais e dos cuidados continuados, de modo a facilitar o acesso e a diminuir a institucionalização. O especialista em Medicina Geral e Familiar contacta com a grande maioria dos doentes que sofrem de perturbações psiquiátricas e depende de si a identificação e diagnóstico desses casos, sendo também da sua responsabilidade decidir quais os doentes que referencia para os cuidados especializados de saúde mental. Assim sendo, os Clínicos Gerais / Médicos de Família encontram-se em situação privilegiada para o reconhecimento, manejo e encaminhamento das perturbações psiquiátricas entre os seus utentes. A articulação entre os cuidados de saúde mental e os cuidados de saúde primários é o caminho para a prestação de cuidados de qualidade, em que os diferentes profissionais trabalhem em equipa, em harmonia e com vantagens mútuas.
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6,497
Characterization of multidrug resistance reversion in human colorectal adenocarcinoma cell lines
Resistência a múltiplos medicamentos,Tecnécio TC 99 m sestamibi,Neoplasias colorrectais
Introdução: A multirresistência a fármacos (MDR) é definida pela resistência cruzada a diversos fármacos não relacionados estruturalmente, representando um dos principais factores de insucesso da quimioterapia. Um dos mecanismos mais estudados de MDR é a sobre-expressão de proteínas de efluxo, como a glicoproteína P (Pgp), a multiple resistance-related protein-1 (MRP-1) e a major vault protein (LRP). A inibição farmacológica dos transportadores associados a MDR é a principal estratégia investigada para superar este fenótipo. O verapamil é um bloqueador dos canais de cálcio do tipo L e um modulador da Pgp e da MRP-1. A L-butionina-sulfoximina (BSO) é um inibidor da γ-glutamilcisteina sintetase e pode ser utilizada para diminuir a actividade funcional da MRP-1. Objectivo: Neste estudo pretendemos comparar a cinética de transporte para linhas celulares de adenocarcinoma colorrectal, uma sensível (WiDr) e outra resistente (LS1034), na presença e ausência de reversores de MDR, utilizando 99mTc-Sestamibi. Métodos: A expressão de proteínas MDR foi avaliada nas duas linhas celulares referidas. A expressão de Pgp e MRP-1 intracelular e membranar, e a expressão de LRP foram analisadas por citometria de fluxo; a expressão de Pgp foi também analisada por western blot. A cinética de transporte foi analisada na presença e ausência dos moduladores de MDR verapamil e BSO, usando 99mTc-Sestamibi. Foram efectuados estudos de captação e retenção utilizando células sensíveis e resistentes. A modulação de MDR foi avaliada pela realização de estudos de retenção em células resistentes após a incubação com os fármacos referidos, durante diferentes intervalos de tempo (10 e 60 minutos) e concentrações (10, 25, 50 e 100 µM). Resultados: A expressão de Pgp e MRP-1 foi significativamente superior (p<0,05) nas células resistentes, embora a LRP também estivesse expressa. Os estudos de western blot confirmaram os resultados da citometria de fluxo. A captação e retenção de 99mTc-Sestamibi foram significativamente superiores (p<0,05) na linha celular sensível para todos os tempos de amostra considerados. Nas células resistentes incubadas com moduladores de MDR não houve diferenças estatisticamente significativas (p>0,05) quando se consideraram as curvas como um todo. No entanto, para os primeiros minutos após a incubação com 99mTc-Sestamibi, houve diferenças entre as células incubadas com os moduladores. Conclusões: Estudos cinéticos in vitro com 99mTc-sestamibi podem ser um indicador de fenótipo MDR em células de adenocarcinoma colorrectal. Como os moduladores usados apenas mostraram reversão do perfil de retenção para os primeiros minutos, a sua administração deverá ser feita imediatamente antes da administração de citotóxicos.
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6,499
Alterações álgicas e da sensibilidade na reconstrução do ligamento cruzado anterior : osso-tendão-osso versus ísquio-tibiais
Lesões do joelho -- cirurgia,Dor,Ligamento cruzado anterior,Artroscopia
Introdução: É reconhecida a importância do Ligamento Cruzado Anterior no funcionamento normal do joelho, principalmente nos desportos que requerem movimentos de rotação desta articulação. Os episódios de instabilidade e a progressão frequente para artrose, como resultado da sua lesão ligamentar, justificam em grande número de casos a necessidade de reconstrução desse ligamento. Após a introdução de técnicas de reconstrução artroscópica do Ligamento Cruzado Anterior, os resultados em termos de restauração da laxidez e retorno à actividade desportiva têm sido geralmente bons. Porém, podem coexistir complicações relacionadas com o tipo e a técnica de colheita do enxerto, tais como alterações da sensibilidade e queixas álgicas, que na actualidade são tidas como causas major de morbilidade após ligamentoplastia do Cruzado Anterior. Objectivo: A dor anterior do joelho e o défice de sensibilidade são queixas frequentes quando se consideram os resultados a médio e longo prazo após ligamentoplastia artroscópica do Ligamento Cruzado Anterior (LCA). Infelizmente, dada a ausência de definições consensuais, os dados na literatura são de grande variabilidade. O objectivo deste trabalho é identificar e comparar a taxa de ocorrência, localização e evolução temporal das alterações álgicas e da sensibilidade, e as suas consequências a médio prazo na recuperação, na manutenção do nível de actividade desportiva e no score funcional. Para isso foram avaliados doentes com motivação desportiva que sofreram rotura isolada do LCA e que foram submetidos a reconstrução anatómica artroscópica pelo mesmo Médico, tendo sido utilizados dois tipos distintos de reconstrução ligamentar, uma com recurso ao tendão rotuliano e outra aos tendões dos musculos semitendinoso e gracilis em feixe quádruplo. Tipo de estudo: Estudo terapêutico, tipo coorte, comparativo e retrospectivo. Nível de evidência - III. Metodologia: Foram seleccionados 50 doentes com rotura isolada do ligamento cruzado anterior submetidos a ligamentoplastia artroscópica anatómica pelo mesmo Médico. Os critérios de inclusão consistiram em indivíduos do sexo masculino, sem antecedentes patológicos ou cirúrgicos, que não faziam uso de terapêutica analgésica crónica, com expectativas desportivas e sem sintomatologia clínica em ambos os joelhos até à data da lesão. Só foram incluídos no estudo atletas com um follow-up pósoperatório mínimo de dois anos, tendo sido seleccionado atletas operados entre 2007- 2008 e que não tiveram complicações peri ou pós operatórias. Dos 50 casos, em metade foi realizada a reconstrução com tendão livre dos músculos Isquío-Tibiais (semitendinoso e gracilis) em feixe quádruplo (grupo IT) e nos restantes casos foi utilizada uma plastia Osso-Tendão Rotuliano-Osso (grupo OTO). Em todos os casos, os enxertos eram autólogos e colhidos do lado da lesão. Para avaliação clínica procurou-se determinar a presença ou não de dor anterior do joelho e/ou alterações da sensibilidade. Nos casos em que estava presente, caracterizouse a sua localização, a sua intensidade e o impacto que teve na reabilitação, nas actividades de vida diária e desportivas. Adicionalmente, fez-se um estudo de avaliação subjectiva, com recurso a três testes de avaliação funcional: o Knee Walking Test; o Lysholm Knee Scoring Scale e o International Knee Documentation Committee - Subjective Knee Form Resultados: 13 doentes (27,1%) referiram dor anterior do joelho após 2 semanas de pós-operatório (32% no grupo OTO versus 21,7% no grupo IT) não sendo esta diferença estatisticamente significativa entre os 2 grupos (p-value=0,333). No grupo IT, os indivíduos referiram um menor tempo de persistência das queixas álgicas (0,8 ± 1,3 meses), existindo para este parâmetro diferenças estatisticamente significativas entre os 2 grupos (p-value=0,000). A maior parte dos doentes do grupo OTO referiram as suas queixas álgicas localizadas ao tendão rotuliano (44%), enquanto que no grupo IT a maioria descreveu-a como difusa (65,2%). No grupo OTO 84% dos doentes referiram alterações sensitivas e 40% mantém-as actualmente, enquanto que no grupo IT 56% dos doentes referiram essa queixa e apenas 20% as mantém actualmente. Em relação aos défices sensitivos no pós-operatório, no grupo IT os doentes referiram um menor tempo de persistência das queixas sensitivas (6,6 ± 9,6 meses), sendo a diferença entre os dois grupos estatisticamente significativa (p-value=0,026). Em ambos os grupos esta foi mais descrita ao nível do território inervado pelo ramo infrapatelar do nervo safeno (100% no grupo OTO versus 57,1% no grupo IT). A manutenção do nível de actividade (aferido pela Tegner Activity Level Scale) foi superior no grupo OTO (68% versus 60%) e o tempo médio até à alta médica desportiva foi também inferior no grupo OTO (6,5 versus 6,9 meses). Em ambos os grupos nenhum doente referiu que actualmente a dor anterior do joelho e/ou a alteração da sensibilidade interfira nas suas actividades de vida diária. O Knee Walking Test (KWT) foi positivo em um maior número de atletas submetido a ligamentoplastia com OTO (72% versus 28%), sendo as diferenças entre os dois grupos estatisticamente significativas (p-value=0,002). A Lysholm Knee Scoring Scale (LKSS) e o International Knee Documentation Committee - Subjective Knee Form (IKDC-SKF) foram sobreponíveis para ambas as técnicas. Conclusões: A ligamentoplastia artroscópica com OTO parece condicionar um maior número de dor anterior do joelho e défice sensitivo no pós-operatório, bem como uma maior persistência temporal destas queixas em comparação com a técnica realizada com IT. Uma maior percentagem de casos de manutenção do nível de actividade desportiva e um menor tempo até à alta médica desportiva foi verificada no grupo OTO. Em relação aos testes de avaliação funcional, o grupo IT revelou um menor número de KWT positivo, sendo as diferenças entres os dois grupos estatisticamente significativas. Para os restantes scores funcionais (LKSS e IKDC-SKF), não houve diferenças estatisticamente significativas entre as duas técnicas de ligamentoplastia. Verificou-se concordância entre os dois grupos no que diz respeito a um menor número de KWT doloroso, a um valor médio superior no LKSS e no IKDC-SKF, a uma maior manutenção do nível de actividade desportiva e a um menor tempo até à alta médica desportiva quando não estavam presentes queixas álgicas ou da sensibilidade no pósoperatório. No grupo OTO, independentemente de se verificarem ou não queixas álgicas após as 2 semanas de pós-operatório, o tempo médio até à alta médica desportiva manteve-se igual. Já para o grupo IT, o nível TALS pré e após lesão manteve-se igual independentemente de se verificarem estas queixas álgicas. Concluiu-se ainda para os 2 grupo que a maioria dos atletas que mantiveram as queixas álgicas após as 2 semanas referiram a presença de alterações sensitivas, não se tendo verificando o inverso. Em suma, a dor anterior do joelho e os défices sensitivos são uma realidade na cirurgia artroscópica de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior, sendo importante compreender que a sua existência depende das opções de enxerto e que esta irá ter implicação em alguns resultados funcionais. Uma melhor compreensão da sua origem poderá permitir modificar técnicas a fim de diminuir a sua incidência e melhorar os resultados finais.
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6,500
Manifestações oculares da infecção pelo HIV|
HIV,Síndroma da imunodeficiência adquirida,Manifestações oculares
A infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), reconhecida pela primeira vez nos Estados Unidos da América em 1981, constitui actualmente um dos problemas dominantes de saúde pública em Portugal, sendo este o país que apresenta a mais elevada taxa de incidência de infecção na Europa Ocidental e Central. Considera-se hoje uma doença crónica controlável, muito à custa do desenvolvimento da terapêutica anti-retrovírica de alta eficácia, um marco fundamental na história da evolução desta doença. A infecção pelo VIH provoca, duas a três semanas após o contágio, e em cerca de 50% dos infectados, a chamada síndroma viral aguda, na recuperação da qual acontece a seroconversão, com produção de anticorpos anti-VIH. Decorre, depois, um período de infecção crónica assintomática, de cerca de 8 a 10 anos, verificando-se uma activa replicação vírica, da qual resulta uma progressiva destruição do sistema imunitário. Segue-se uma fase sintomática, ou a Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) propriamente dita, definida pelo aparecimento de tumores ou infecções oportunistas. O envolvimento ocular é, neste contexto, frequente e um importante factor de morbilidade. Estima-se que mais de 70% dos doentes infectados irá sofrer uma complicação oftalmológica em algum momento da evolução da doença. As lesões oculares podem ocorrer a vários níveis, podendo acometer a órbita, os anexos oculares, e o segmento anterior e posterior do globo ocular. As lesões externas incluem tumores dos tecidos perioculares e infecções oculares externas. As manifestações do segmento anterior compreendem as queratites, a queratoconjuntivite sicca e a uveíte anterior. Já as lesões do segmento posterior, mais frequentes, incluem a retinopatia associada ao VIH e um grande número de infecções oportunistas da retina e da coróide. A infecção pelo VIH pode ainda originar manifestações neuro-oftalmológicas, tais como defeitos do campo visual, papiledema e diplopia. As queixas oftalmológicas são geralmente pouco específicas, sendo o diagnóstico baseado na avaliação das lesões oculares, na presença de eventuais manifestações sistémicas concomitantes e no estado imunológico do doente. As lesões oculares podem apresentar-se como a manifestação inicial da doença ou de infecções oportunistas, daí a importância do seu diagnóstico correcto. Assim, o presente trabalho tem como objectivo uma actualizada revisão bibliográfica, focando-se nas manifestações oculares desta infecção, sobretudo nas suas características clínicas, profilaxia e tratamento, bem como as consequências na modificação dos quadros clínicos após a introdução da terapêutica anti-retrovírica de alta eficácia. São ainda abordados alguns aspectos da epidemiologia da infecção pelo VIH, da história natural da doença, das doenças definidoras de SIDA e do seu diagnóstico, tratamento e prognóstico.
Ciências Médicas e da Saúde
6,503
Epidemiologia da retinopatia diabética na diabetes mellitus tipo 1
Retinopatia diabética,Factores de risco,Diabetes mellitus do tipo 1
O termo “Diabetes Mellitus” (DM) designa um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por cursar com hiperglicémia, como consequência de anomalias da secreção de insulina, da sua acção, ou de ambas. A longo prazo, a hiperglicémia crónica da diabetes causa lesões, disfunções e insuficiência de diversos órgãos, em particular nos olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos. A DM resulta numa morbilidade e mortalidade considerável, afectando cerca de 180 milhões de pessoas em todo o mundo. O número total de diabéticos espera-se que aumente para aproximadamente 300 milhões de casos até ao ano de 2025, com especial aumento nos países em desenvolvimento, nos idosos, obesos e nas pessoas com estilos de vida sedentários. A Europa é o continente que apresenta os dados mais completos e confiáveis, bem como o que apresenta a maior variação nas taxas de incidência. Neste continente, tem sido descrito um gradiente norte-sul, com a Sardenha a fugir à regra, por estar a cerca de 3000 km da Finlândia e ter uma taxa de incidência semelhante (cerca de 40/100 000/ano). A retinopatia diabética (RD) constitui uma complicação muito frequente da diabetes e a principal causa de cegueira na população activa do mundo ocidental. Resulta essencialmente de uma manifestação retiniana de uma microangiopatia sistémica generalizada, que pode ser observada na forma de edema da retina, exsudatos e hemorragias. Actualmente, diversos factores de risco têm sido implicados no aparecimento e progressão da RD em diabéticos tipo 1. A prevenção primária, desempenha assim um papel fundamental nos factores de risco modificáveis da RD - controlo metabólico, HTA, obesidade, tabaco, gravidez e nefropatia - uma vez que alguns destes se mostram intimamente relacionados com a adopção de novos estilos de vida pelos indivíduos diabéticos. Factores de risco como o sexo, raça, genética, idade de diagnóstico e duração da diabetes, não são passíveis de controlo. A RD afecta muitos indivíduos, pressupondo uma grande carga para estes e para a sociedade no que respeita a morbilidade, qualidade de vida e custos, e é um problema que previsivelmente aumentará no futuro pelo aumento de incidência desta patologia. A detecção precoce da retinopatia em indivíduos diabéticos torna-se fundamental, para um tratamento adequado de forma a atrasar a diminuição da acuidade visual e a sua evolução para a cegueira.
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6,504
Influência de níveis de vitamina D na actividade da artrite reumatóide
Artrite reumatóide,Vitamina D
Introdução: A artrite reumatóide (AR) é considerada uma doença inflamatória crónica e multisistémica, com evidentes características de auto imunidade, expressando uma polarização sinovial do fenotipo celular Th1. A descoberta dos VDR em células do sistema imune e a acção da 1,25 (OH) 2D3 na resposta imunológica antigénio específica adquirida pela inibição da proliferação de linfócitos T, especialmente de Th1, apoia o importante papel da vitamina D na AR se bem que é a 25 (OH) D que avalia o estado nutricional nesta vitamina. Objectivos: São objectivos deste estudo verificar não só a diferença entre os níveis de vitamina D em duas amostras de indivíduos, uma constituída por indivíduos considerados saudáveis (S) e outra com portadores de doença (AR) bem como a relação entre os níveis séricos de 25 (OH) D e a actividade da artrite reumatóide no grupo de doentes, usando o índice de actividade de doença (DAS 28), a EVA e o HAQ. Metodologia: Foi realizado um estudo observacional transversal durante um período de 6 meses e seleccionados 116 indivíduos divididos por dois grupos (AR e S). Todos foram submetidos a um protocolo de actuação e foi aplicado o SPSS para análise estatística dos dados obtidos. Foi considerada significância estatística um p <0,05. Resultados: Nos dois grupos predomina o sexo feminino e a média de idades foi de 57,62 + 13,15 no grupo com AR e de 54,24 + 14,93 no grupo controlo (p> 0,05). Também entre grupos não se verificaram diferenças na ingestão alimentar e exposição solar. Tal não se verificou em relação à toma de medicação (p <0,05). A relação da média de níveis de vitamina D com essas 3 variáveis revela significância nas duas primeiras (p <0,05) mas irrelevante quanto á medicação (p> 0,05) (ANOVA). A 25 (OH) D avaliada em todos os indivíduos não mostrou diferença entre os dois grupos sendo a média do seu doseamento para a AR e para os saudáveis de respectivamente 30,29 + 13,00 e 31,60 + 13,50 (p> 0,05). No grupo com AR foi realizada uma correlação de Pearson entre a média dos níveis da 25 (OH) D, o DAS 28, o HAQ e a EVA. Em todos se obteve uma correlação linear simples negativa, mas só no caso do DAS 28 essa teve um valor fortemente significativo (r = - 0,704). Conclusões: Na amostra estudada não se verifica diferença dos níveis de vitamina D entre os dois grupos, no entanto existe uma forte correlação entre a actividade de doença (AR) e o doseamento da vitamina D do que se conclui que a suplementação e enriquecimento alimentar nesta vitamina poderão eventualmente diminuir a actividade da AR, melhorar a evolução da doença e a qualidade de vida do doente.
Ciências Médicas e da Saúde
6,506
Efeitos pleiotrópicos das estatinas: o porquê da utilização de altas dosagens de estatinas no pós enfarte de miocárdio
Enfarte do miocárdio,Inibidores da hidroximetil-glutaril-CoA reductases
O enfarte agudo do miocárdio é a principal causa de morte nos países industrializados. Em Portugal, apenas durante o ano de 2003, foram diagnosticados cerca de 13500 enfartes do miocárdio em pacientes admitidos nos serviços de urgência hospitalar, com uma taxa de mortalidade que atingiu os 14%. Os efeitos gerais observados com as estatinas aparentam ser superiores ao esperado apenas pela alteração dos níveis lipídicos, sugerindo benefícios para além da redução do colesterol. Estudos recentes indicam que efeitos independentes do colesterol, ou efeitos pleiotrópicos, envolvem a melhoria da função endotelial, o aumento da estabilidade das placas ateróscleróticas, a diminuição do stresse oxidativo e da inflamação, e também a inibição da resposta trombogénica. Recentemente, outros trabalhos parecem demonstrar que o uso de estatinas está associado a uma significativa descida na recorrência de eventos cardiovasculares em pacientes pós síndrome coronário agudo, quando comparados com as terapêuticas standard que não contemplam o uso de estatinas. Os principais objectivos deste trabalho foram, primeiro, abordar as bases fisiopatológicas dos efeitos independentes do colesterol, ou pleiotropicos, das estatinas. Secundariamente, é discutida a utilização terapêutica de doses moderadas e altas dosagens de estatinas no tratamento de um paciente pós enfarte do miocárdio, neste caso, numa perspectiva mais abrangente de um síndrome coronário agudo. Esta revisão baseou-se numa análise rigorosa da temática, à luz dos estudos experimentais, mas sobretudo clínicos, disponíveis na literatura. Pela análise dos estudos mais recentes, a abordagem inicial com estatinas no pós síndrome coronário agudo revela-se benéfica, e apesar de alguns trabalhos não mostrarem diferenças estatisticamente significativas, concluí-se que uma terapêutica inicial com estatinas será desejável. Relativamente ao efeito benéfico de uma terapêutica mais agressiva, esta abordagem continua a mostrar-se promissora dentro de limites, nos quais a redução dos níveis totais de colesterol plasmático não seja excessiva. Considerando que os efeitos pleiotrópicos das estatinas são mais claros numa fase precoce da terapêutica, potenciais benefícios em abordagens agressivas na fase aguda não poderão ser assegurados à luz dos dados actualmente disponíveis na literatura. Objectivamente, um efeito cardioprotector apenas se verificou em fases mais tardias do tratamento e a maioria dos trabalhos analisados falharam em testar a fase aguda pós síndrome coronário agudo não sendo possível retirar conclusões definitivas.
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O transplante pulmonar na fibrose pulmonar idiopática
Fibrose pulmonar idiopática,Transplantação do pulmão
Introdução As pneumonias intersticiais idiopáticas são doenças do interstício pulmonar que englobam sete entidades distintas sendo a fibrose pulmonar idiopática (idiopathic pulmonary fibrosis: IPF) a mais frequentemente descrita. A IPF é uma pneumonia intersticial crónica fibrosante de causa desconhecida e limitada aos pulmões que apresenta um padrão de pneumonia intersticial comum (usual interstitial pneumonia: UIP) em biopsia cirúrgica. É uma doença cada vez mais comum que cursa com mau prognóstico, com uma sobrevida média entre os dois e os quatro anos. Objectivos Avaliar as opções de tratamento actualmente disponíveis, comparando a resposta à terapêutica médica com os resultados verificados actualmente em doentes transplantados. Desenvolvimento O tratamento médico disponível actualmente centra-se no componente inflamatório que se pensa levar à progressiva fibrose do parênquima pulmonar. Os vários estudos realizados até à data provam que esta opção terapêutica se mostra manifestamente incapaz de impedir a progressão da doença. Ainda assim, recomenda-se internacionalmente a associação de prednisolona, azatioprina e N-acetilcisteína, por ser a opção que melhores resultados tem obtido. No entanto, é ainda necessária a avaliação da real eficácia desta associação em estudos controlados randomizados. O tratamento paliativo inclui oxigenoterapia, analgesia e controlo da tosse e outros sintomas respiratórios. A IPF é actualmente o segundo principal diagnóstico pelo qual o transplante pulmonar é realizado. Os doentes que apresentam um diagnóstico clínico-radiológico de IPF ou histológico de UIP devem ser referenciados para transplante pulmonar. Aqueles cuja capacidade de difusão de CO (DLCO) seja inferior a 40% do valor previsto devem ser considerados para a transplantação imediata. As complicações decorrentes da intervenção incluem edema pulmonar de reperfusão, infecção e, a mais longo prazo, síndrome de bronquiolite obliterante e neoplasias. Conclusões Até à data, nenhum fármaco ou associação de fármacos demonstraram eficácia significativa no controlo da IPF. Apesar dos riscos e complicações inerentes à intervenção cirúrgica e à imunossupressão, o transplante pulmonar apresenta-se como o único tratamento que aumenta a sobrevida do doente, aumentando também a sua qualidade de vida.
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Imunoterapia na doença alérgica
Imunoterapia,Hipersensibilidade
A alergia é frequentemente considerada um processo de reacção inflamatória mediada por um alergénio. As doenças alérgicas afectam essencialmente indivíduos atópicos com predisposição genética para sintetizar anticorpos IgE específicos contra alergénios ambientais comuns. A apresentação dos alergénios por Células Apresentadoras de Antigénio resulta na polarização de células T específicas em células T helper 2 (Th2). Estas células, através da produção de IL-4 e IL-13, despoletam a síntese de IgE e, através da produção de IL-5, atraem e activam eosinófilos. Os anticorpos IgE específicos ligam-se a receptores de alta afinidade (FcεRI) de basófilos circulantes e mastócitos da pele e mucosas. No caso de exposição contínua ou re-exposição ao alergénio surge uma resposta bifásica com hipersensibilidade imediata e um componente inflamatório tardio. Na fase inicial ocorre desgranulação de mastócitos com libertação de mediadores inflamatórios como histamina, proteases, leucotrienos, prostaglandinas e citocinas. A fase tardia resulta da libertação adicional de mediadores inflamatórios desencadeada por eosinófilos, neutrófilos, basófilos, macrófagos e células T CD4+. O melhor tratamento para a doença alérgica é a evicção dos alergénios, quando tal não é viável e apenas em indivíduos seleccionados, a imunoterapia especifica pode modificar o curso da doença e melhorar a qualidade de vida. A imunoterapia específica (ITE) consiste na administração de alergénios modificados induzindo o sistema imunitário a tolerar os alergénios envolvidos na reacção alérgica. O mecanismo de actuação da ITE não está completamente esclarecido, embora seja aceite a sua intervenção na produção de IgG e IgE, apresentação antigénica, activação de células T e actuação de mastócitos e eosinófilos. Após ITE, ocorre elevação de IgG específica, nomeadamente IgG4, que actua como “bloqueador” impedindo a activação de basófilos, mastócitos IgE mediada e a ligação do complexo alergénio-IgE ao receptor de baixa afinidade da IgE (FcγRII) que se encontra na superfície de células B, diminuindo a capacidade destas células apresentarem os alergénios às células T específicas. Outro mecanismo ITE consiste na elevação de células T reguladoras (Treg), as quais têm um papel fundamental na tolerância do sistema imunitário encontrando-se diminuídas em indivíduos alérgicos. A funcionalidade destas células requer expressão do factor de transcrição Fox p 3, IL-10 e TGF-β. A ITE actua ainda no desvio de células Th2 para células com o perfil Th1 (T helper 1), inibindo eosinófilos e mastócitos e diminuindo a produção de IgE. Como foi referido o conhecimento do mecanismo de actuação da ITE está em constante actualização, havendo autores que apresentam novas propostas ainda em estudo, nomeadamente o papel da ITE na imunidade inata ou na indução da apoptose em células Th2, temas que serão abordados ao longo deste artigo de revisão. Existem critérios para selecção de doentes a submeter a ITE. Esta pode ser administrada por via subcutânea ou sublingual sendo utilizados extractos padronizados de um ou mais alergénios em doses progressivamente crescentes. A administração por via subcutânea deve ser efectuada exclusivamente em unidades de saúde especializadas, dado o risco de reacções sistémicas graves. Já a via sublingual pode ser administrada no domicílio, de acordo com indicações médicas rigorosas.
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Azeite e dieta mediterrânica num modelo de neoplasia experimental da mama
Neoplasias da mama,Dieta mediterrânica
Os resultados dos vários estudos epidemiológicos indiciam um papel determinante da alimentação no risco de cancro da mama. Os alimentos e os nutrientes, assim como as suas técnicas de processamento e confecção culinária podem ter um papel protector ou pejorativo na carcinogénese, incluindo no que diz respeito à glândula mamária. A complexidade da alimentação humana e a crescente necessidade de identificar alimentos e nutrientes envolvidos assim como estudar os mecanismos através dos quais essa influência é exercida despoletou a realização de estudos em animais de laboratório. Tendo sido as condições experimentais plenamente estabelecidas e validadas, este tipo de estudos permite investigar o papel de alimentos e/ou nutrientes isoladamente ou combinados na carcinogénese mamária, em grande parte dos casos quimicamente induzida com carcinogénios específicos e de efeitos conhecidos. O presente trabalho pretende dar continuidade a um projecto de investigação sobre o papel da alimentação do tipo mediterrânico na carcinogénese mamária. No mesmo projecto foram utilizados ratos fêmea da estirpe Sprague-Dawley a que foi administrado o carcinogénio 7,12 dimetilbenzantranceno nos animais dos grupos de estudo. Este trabalho teve a duração de 150 dias tendo todos os animais sobrevivente sido sujeitos ao 11 processo de necrópsia para observação do hábito interno e externo, incluindo os tumores mamários e extra-mamários encontrados em cada animal. Realizado o estudo experimental propriamente dito, pretendeu-se complementar os dados da observação macroscópica dos tumores mamários com parâmetros histológicos que pudessem ser indicadores da sua malignidade. Para o efeito, foram comparados os principais parâmetros histopatológicos dos tumores provenientes do grupo que apenas recebeu a ração padrão com os do grupo suplementado com azeite e ainda com os animais do grupo que receberam uma refeição do tipo mediterrânico. Conferiram-se também os resultados provenientes do grupo que foi poupado da administração do carcinogénio e que apenas recebeu a ração padrão, não tendo sido tal como se esperava, encontrados quaisquer tumores. Os resultados deste estudo histopatológico vieram confirmar o possível benefício do consumo de azeite na carcinogénese mamária. Os tumores provenientes dos animais que receberam esta gordura alimentar como suplemento apresentavam diferenças significativas no que diz respeito aos três principais indicadores histológicos de malignidade tumoral – extensão das áreas sólidas, pleomorfismo nuclear e contagem mitótica. No que diz respeito ao grupo suplementado com a refeição do tipo mediterrânico, os resultados deste estudo não foram tão evidentes quanto se esperava. Nos tumores deste grupo destacouse sobretudo o elevado pleomorfismo nuclear mas ainda assim, os 12 tumores encontrados apresentaram alguns indicadores positivos como a baixa contagem mitótica e baixa extensão de áreas sólidas. Tendo em conta os resultados deste e do trabalho anterior, considera-se relevante a continuidade dos trabalhos experimentais com disciplinas complementares como a histopatologia, com o objectivo de avaliar possíveis marcadores e indicadores da malignidade tumoral que possam ter expressão semelhante no ser humano e podendo estar relacionados com o prognóstico clínico.
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Caracterização da lesão ortopédica nos acidentes de viação : análise, gestão e fiabilidade na reparação do dano em direito civil na aplicação da tabela nacional de incapacidades
Acidentes de trânsito,Feridas e lesões,Classificação internacional de deficiências,Incapacidade e saúde
A frequência e violência crescente dos acidentes de viação e o aumento da longevidade humana têm sido factores responsáveis para que a traumatologia e as doenças do foro ortopédico sejam das patologias mais frequentes na prática clínica diária. O conceito médico-legal de “lesão”, segundo a Organização Mundial de Saúde (O.M.S.), compreende “toda a alteração do equilíbrio bio-psico-social”, que se ajuste á doutrina consignada no Código penal em vigor. A reparação do dano corporal inscreve-se num capítulo moderno da Medicina Legal que surgiu na sequência de uma das epidemias deste século: o acidente de viação. Este flagelo ocasiona para além de muitos mortos, um número de feridos ainda maior, com sequelas geradoras de grandes e variadas incapacidades. Pela sua natureza socioeconómica, este capítulo do Direito Médico e da Clínica Médico-Legal potencia uma riqueza multidisciplinar que vai desde as premissas jurídicas, que modelam a doutrina da reparação civil do dano corporal, até às múltiplas especialidades médicas envolvidas nas situações concretas do dano. E não interessa apenas tratar adequadamente as vítimas dos acidentes de viação( facultandolhes uma terapêutica adequada à situação de deficiência transitória), mas também interessa intervir, de forma conhecedora e esclarecida, na justa reparação do dano. Assim, como parte dos requisitos para a conclusão do Mestrado em Medicina Legal e Ciências Forenses pela Faculdade de Medicina de Coimbra, foi elaborada uma Dissertação intitulada “Caracterização da lesão ortopédica nos acidentes de viação. análise, gestão e fiabilidade na reparação do dano em direito civil na aplicação da tabela nacional de incapacidades”. Essa dissertação baseou-se na recolha de dados referentes a examinados observados nos gabinetes médico-legais de Aveiro, Faro, Figueira da Foz , Delegação do Centro e Leiria entre 2006 e 2009. Esta tese constitui não só um momento de enriquecimento individual pela constante reflexão que implica e ter sido um ponto de partida para um conhecimento aprofundado da temática em estudo, mas também constitui um projecto de grande importância no campo forense. A finalidade primordial deste estudo, pretende ser a comparação da I.P.G. (Incapacidade Permanente Geral), nos anos de 2006-2007e 2008-2009, atribuída aos examinados observados 8 no âmbito dos exames médico legais de avaliação de dano corporal em Direito civil nas vítimas, de acidentes de viação por choque frontal e de atropelamento, nos locais atrás referidos. Este estudo passou por três etapas fundamentais, a citar; - primeiro procedeu-se à consulta de relatórios periciais de avaliação de dano corporal em Direito Civil - posteriormente , efectuou-se um estudo descritivo desses processos onde foi aplicado o protocolo experimental, como instrumento de recolha de informação - por fim foi feita a caracterização da vítima de acidente de viação , atendendo as variáveis: ( gabinete médico-legal, ano civil, sexo, idade, profissão à data do acidente, data do acidente, profissão actual, lesão resultante do acidente, sequelas relacionadas com o acidente, nexo de causalidade, data de consolidação, queixas actuais, quantum doloris, I.P.G, dano futuro, rebate profissional, dano estético, prejuízo de afirmação pessoal, prejuízo de afirmação sexual, data exame final.) Assim verificou-se a existência de seiscentos e vinte e oito casos que foram estudados, dos quais 83,8% vítimas de acidentes de viação por choque frontal e 16,2% vítimas de atropelamento. O género masculino representa 71,1% que contrasta com 28,9% do género feminino. O grupo etário que mais se salientou com 43%, foi o que se encontra no intervalo de [20-40[ anos. O grupo profissional em evidência é o que se encontra no grupo dos Trabalhadores não Qualificados com 30,4% do total da amostra. Em relação à caracterização da lesão ortopédica definimo-la de; Lesão ortopédica Tipo 1-A, Tipo 1-B,Tipo 2-A,Tipo 2-B,Tipo 2-C e Tipo 3. No que se refere à sequela foi caracterizada em; score I,score II ,score III. Em relação ao acidente de viação temos um total de 25,7% com examinados com lesão Tipo 1-B e sem lesão com 0,2%. No que respeita ao atropelamento temos examinados com, lesão Tipo 1-B com 33,3% e lesão Tipo 3, com 28,4% No que se refere à I.P.G. surge-nos uma multiplicidade de valores, face ao qual se atribuíram intervalos de variação que vão de [0-10 [ até ao valor mais elevado no intervalo de [70-80 [. No âmbito da classificação do Quantum Doloris foi encontrado o valor da escala mais atribuído, o grau 5 (considerável). Quanto ao rebate profissional o item mais atribuído com 75,8%, foi “Esforços Acrescidos”. 9 No âmbito do Direito Civil, e face ao princípio da reparação integral do dano nele vigente, valoriza-se percentualmente a incapacidade permanente em geral, isto é, a incapacidade para os actos e gestos correntes do dia-a-dia, assinalando depois e suplementarmente o seu reflexo em termos da actividade profissional especifica do examinando. Como anexo II, o Decreto nº 352/2007 de 23 de Outubro, introduz na legislação nacional uma Tabela Nacional para Avaliação de incapacidades Permanentes em Direito Civil, que visa a criação de um instrumento adequado de avaliação neste domínio específico do direito, consubstanciado na aplicação de uma tabela médica com valor indicativo, destinada à avaliação e pontuação das incapacidades resultantes de alterações na integridade psico-física.
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