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20,647 | Os lugares e as suas arquitecturas de relação : construção de um mapeamento identitário da cidade partindo das relações entre sujeito e espaço | Cidade,Espaço na arquitectura, Coimbra,Lugar na arquitectura | Este trabalho tem por objectivo aprofundar a relação entre o sujeito e o espaço urbano, tendo por base uma ideia da cidade que se realiza na associação da sua parte construída com sistemas imateriais, permitindo a estes últimos concretizarem-se no território e serem potenciados através dele. Na perspectiva de que a identidade é produto desta relação, propõe-se a elaboração de um método de mapeamento da mesma, tomando os lugares representativos da cidade e as suas arquitecturas de relação (conceito de autor) como coordenadas: pontos físicos onde a subjectividade das relações humanas se funde com a estrutura material da cidade. Avança-se ainda com uma aplicação exemplificativa deste método a três praças da cidade de Coimbra, tendo por objectivo testar a transposição para a prática dos conceitos desenvolvidos e justificar a importância e utilidade do reconhecimento da identidade de cada lugar e do seu contexto enquanto ferramenta para a intervenção na cidade. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,648 | Arranjo da zona central de Aveiro, de Fernando Távora (1962-67 : das influências teóricas às referências práticas | Távora, Fernando, 1923-2005, obra,Planeamento urbano, Aveiro,Projecto urbano, Aveiro | A presente dissertação pretende fazer uma análise do Arranjo da Zona Central de Aveiro (1962-67) da autoria do arquitecto Fernando Távora (1923-2005). A análise envolve não apenas a dimensão arquitectónica mas também a dimensão urbana. Foca as questões espaciais, formais e programáticas, de um plano elaborado por alguém que sabia estar atento ao tempo em que vivia e ao que se fazia na arquitectura e urbanismo portugueses e mundiais. É um plano que conjuga harmonicamente duas ideias tão distintas: a preservação do ambiente histórico da cidade, mas ao mesmo tempo a sua transformação, com a finalidade de dar à cidade de Aveiro uma nova identidade. Para fazer a análise do plano de pormenor de Távora é necessário identificar a sua base e toda a evolução da cidade até ao momento da intervenção. Como é imprescindível o estudo das várias influências durante o processo de planeamento. Influências que tanto podem ser de cariz teórico como também assumir a forma de exemplos concretos. O estudo das influências/referências garante que a análise do plano é mais completa. É também importante para uma melhor compreensão das propostas e do pensamento do arquitecto aquando do processo de planeamento. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,649 | O forte de Nossa Senhora da Graça : arte e regra do desenho | Desenho de fortificações,Forte de Nossa Senhora da Graça,Fortificação abaluartada,Fortificações, Elvas | A forma de fortificar sofreu grandes alterações a partir do século XVI, transitando de uma fortificação vertical munida de torres para uma horizontal abaluartada. Ao longo dos tempos foram produzidos diversos tratados de fortificação moderna que respondiam aos avanços da artilharia, propondo adaptações às novas técnicas de guerra até ao seu obsoletismo em finais do século XIX. A cidade de Elvas, como praça fronteiriça e principal ponto de entrada em Portugal, viu o seu conjunto fortificado ser constantemente alterado e alargado durante a sua história. As suas fortificações foram levantadas de acordo com as técnicas de alguns dos sistemas que mais se afirmaram internacionalmente. Apresentam, dentro dos critérios de cada método, soluções distintas e inovadoras que permitem à fortificação adaptar-se às condições do local, garantindo um melhor desempenho da sua função. O Forte de Nossa Senhora da Graça é o principal expoente das fortificações elvenses. Destaca-se pela sua posição estratégica, poderio militar e composição arquitectónica. O desenho do Forte é um reflexo do conhecimento da arte da guerra e de fortificação do Conde de Lippe e do génio inventivo do Engenheiro Valleré. As suas características revolucionárias representam uma grande evolução tecnológica para a época, fazendo do Forte da Graça uma fortificação de referência internacional. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,650 | O Liceu de Coimbra : projecto de reabilitação da Escola Secundária José Falcão | Escola Secundária José Falcão | Desde a sua origem nos anos de 1800, com as reformas liberais e a valorização de áreas científica e das artes, o Liceu de Coimbra teve um percurso atribulado, sempre condicionado pelas tendências da Universidade, passando pela sua instalação inicial no edifício do Colégio das Artes e o seu realojamento sucessivo noutros locais até à criação do edifício na Avenida D.Afonso Henriques, projectado pelo arquitecto Carlos Ramos. Este novo edifício resultou de concurso lançado pelo governo em 1930, em plena afirmação do Estado Novo, na sequência de outros lançados a nível nacional para diferentes Liceus. O edifício é um exemplo da expressão do arquétipo racionalista internacional, mas apresenta uma componente de experimentação que revela uma grande capacidade de adaptação e um grande carácter arquitectónico. Tal modelo foi experimentado pelo próprio Carlos Ramos pouco tempo antes no projecto para o Liceu D.Filipa de Lencastre para a Rua do Quelhas, e por Jorge Segurado com o projecto polémico para o Liceu Nacional Fialho de Almeida, em Beja, noutro concurso lançado em 1930. No meu trabalho procurei recuperar a traça original do edifício, numa intervenção que não fosse intrusiva nem apresentasse soluções de custos desproporcionados e respeitando as ideias originais do arquietcto Carlos Ramos, tendo sempre presente a necessidade de fazer uma actualização das condições da vivência da escola segundo os parâmetros actuais. Para tanto, fiz o estudo do panorama actual da escola, verifiquei as alterações introduzidas ao projecto original e apresentei as minhas soluções. Assim, procedi a uma recuperação da volumetria original no bloco da Educação Física e no bloco da antiga casa do reitor. Ao mesmo tempo fiz uma renovação dos espaços exteriores e uma reorganização programática de alguns espaços, como foi o caso do refeitório, o bar, a Associação de Estudantes e instalações balneares, entre outras situações mais pontuais. A nível construtivo proponho novas infraestruturas técnicas e uma renovação a nível de isolamentos e coberturas, estas com um novo desenho para as áreas desportivas, e ainda de caixilharias, elemento muito desvalorizado com o decorrer das intervenções realizadas. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,652 | Tectónica e arquitctura contemporânea : o caso da arquitectura suíço-alemã de finais do século XX | Arquitectura, Alemanha, 1970-2000,Arquitectura, Suiça, 19790-2000,Arquitectura contemporânea,Construção,Tectónica | A presente dissertação explora o conceito de tectónica na prática arquitectónica contemporânea examinando os fundamentos que estão na origem do seu significado. A tectónica é um termo que está dificilmente associado a uma só definição, podendo ser entendido, num sentido lato, como compreendendo os aspectos técnicos do objecto arquitectónico e a sua representação artística. Quando se adivinha um conflito entre a técnica e os valores da arte, a tectónica é recolocada no discurso pela dificuldade de a arquitectura proporcionar uma experiência autêntica que não veja fragilizada o seu carácter ontológico nem o seu carácter representativo. O argumento que está aqui implícito é o de a arquitectura adquirir significado artístico a partir da expressão de temas intrínsecos à própria construção, e não de valores subjectivos estabelecidos a priori que transcendem a sua condição material. Isto é demonstrado através da análise dos desdobramentos da forma tectónica que foram desenvolvidos “num sentido moderno” a partir do século XIX, através do legado (arqui)tectónico de Friedrich Schinkel, Karl Bötticher e Gottfried Semper. A partir daqui, o percurso da tectónica adquire variações, sendo revisitado de forma pertinente a partir da segunda metade do século XX, por teóricos como Eduard Sekler e Kenneth Frampton. A análise da evolução do significado de tectónica desde a sua raiz etimológica até às interpretações fundadoras, permite entender de que forma a tectónica participa como meio estruturante no processo de criação arquitectónica. Para o corroborar, investigamos a sua real expressão na arquitectura suíço-alemã de finais do século XX, uma arquitectura que traz de volta uma linguagem equilibrada entre construção e simbolismo. Este reconhecimento permite compreender a importância dos princípios tectónicos no repensar da prática arquitectónica actual, expondo a arquitectura a um discurso que procura na objectividade da técnica a sua representação artística. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,653 | Luz, divino e arquitectura | Arquitectura religiosa.,Luz. | Este trabalho tem como objectivo chegar a uma conclusão clara e concisa da forma como a Luz molda não só o espaço físico da oração mas também a vivência do crente, segundo toda a carga simbólica e emotiva que o termo “divindade” transporta a cada um. Esta análise será feita através da interpretação das ferramentas utilizadas em Arquitectura para moldar, adaptar, e desenhar a entrada da luz e a iluminação do espaço litúrgico; da investigação da reforma e da alteração do paradigma do espaço cristão no séc. XX; e do estudo aprofundado de quatro igrejas cristãs em diferentes tempos e momentos da história. Procura-se reflectir e responder à questão: como é que a Luz pode remeter para o Divino, e de que forma a relação entre os dois pode ser preponderante para a apropriação e desenho de um determinado espaço de culto? Interpretar-se-á a posição referenciadora e preponderante que a luz natural1 assume nos espaços de culto, nomeadamente na religião cristã, segundo a sua carga simbólica relativa ao sagrado. Enquadrar-se-á a temática através dos diferentes movimentos artísticos em que a igreja cristã, nomeadamente a católica, se tornou protagonista revelando as suas obras e arquitectos/autores mais influentes e mais interventivos para o estudo em causa. Deste modo, crê-se que o estudo da iluminação neste tipo de edificação, aliado ao termo “divino” é um ponto fulcral não só para a compreensão dos seus espaços interiores, mas também como factor preponderante para a alteração da vivência e apropriação dos mesmos. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,654 | Construção em altura : reflexões : uma análise sobre o fenómeno da construção em altura | Arranha-céus,Edifício torre | O conceito de Torre (Torre de Babel, Torre de Londres 1087, Torre Eiffel 1889) como estrutura elevada de numerosas plantas com identidade tecnológica, está baseado nas suas proporções e relação entre os seus limites artísticos, técnicos, filosóficos e críticos, capazes de se relacionarem com o mundo real. A revolução tecnológica, a ambição humana e os desafios, elevaram o conceito de Torre com múltiplas plantas à denominação de arranha-céus. Neste trabalho será desenvolvido uma análise geral sobre o fenómeno da construção em altura, como resultado de uma complexa equação cultural, tecnológica, económica, ambiental e arquitectónica. A sua forma é a síntese que, a cada momento, os seus autores fazem de todas estas condicionantes. Actualmente, com o crescimento populacional, esgotamento dos recursos naturais e degradação ambiental, a solução é a densificação sustentável da cidade. A construção em altura, constantemente em evolução, terá um papel fulcral para esse fim, mais ainda na sua próxima manifestação – a cidade vertical – que vai revolucionar a forma como percepcionamos a cidade e o espaço a todos os níveis. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,656 | Mercados municipais : origem, património, desenvolvimento | Mercado municipal, Portugal,Património urbano, Portugal,Património arquitectónico, reabilitação | O comércio, como forma de abastecimento, começa desde cedo a ser trabalhado e assume uma importância vital no decorrer do desenvolvimento da humanidade. Os primeiros traços de civilização, constituídos por pequenos aglomerados urbanos, evoluem para cidades populosas, densas e dependentes de serviços considerados básicos, o que faz com que as estruturas de Mercado, como lugares de abastecimento, se assumam como equipamentos-ancora em qualquer envolvente. A exploração da atividade como serviço acontece desde cedo em culturas exemplo de gestão urbana, caso Grego, Romano e Islâmico, que são consideradas bases de conhecimento para uma exploração posterior à Revolução Industrial. A distanciação temporal e cultural é considerável, no entanto, após um período de grande instabilidade em território Europeu, os valores e as dinâmicas alcançadas nos momentos clássicos vieram a proporcionar as primeiras experiencias no decorrer do século XIX. A exploração do tema comercial nas cidades nunca se esgotou, e atingiu um patamar de renovação no inal do século XX com a introdução de novos modelos comerciais. O abastecimento de hoje não é dependente dos equipamentos de Mercado, no entanto estes são considerados espaços de especialidades cheios de oportunidades e dinâmicas, por vezes subaproveitadas. A análise histórica no território português compreende o maior período de produção, acompanhando a evolução do século XX até à atualidade, onde as cidades são construídas segundo diferentes épocas de pensamento em que os Mercados, como edifícios essenciais à evolução urbana, acompanham os diferentes períodos de transição. A consciencialização do património contruído e o entendimento das ações/inações aplicadas nestas estruturas é o objetivo da presente dissertação. O estudo de diferentes abordagens internacionais como forma de aproveitamento dos edifícios de mercado é um complemento conclusivo do trabalho, que abre o leque de possibilidades de atuação para possíveis dinâmicas aplicadas em casos nacionais. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,657 | A cidade, o campo e o mime : uma leitura da casa de hóspedes de Balkrishna Doshi, 1956-65 | Doshi, Balkrishna, 1927-, obra,Arquitectura vernácula pós-colonial, Índia,Casa de hóspedes de Balkrishna Doshi,Habitação colectiva, Índia | À procura dos princípios da dinâmica singular da obra de Balkrishna Doshi, este estudo coloca-se no lugar inquieto da concepção de um projecto construído em 1965 em Ahmedabad. Feita do deslocamento de elementos urbanos para o privado, a obra do arquitecto indiano absorve os pormenores construtivos de Louis Kahn e a agilidade de Le Corbusier — o dito acrobate que confere a Doshi o papel do mime — para desenvolver gestos silenciosos, aprendidos e contudo improvisados. Na Casa de Hóspedes da Ahmedabad Textile Industry's Research Association aparece em relevo o que inquietava o arquitecto: além da referência aos mestres modernos, ao familiarizar-se com o modelo rural da arquitectura popular indiana, era paradoxalmente a cidade, pela construção de habitação a custo mínimo, aquilo que o arquitecto interrogava — a cidade no seu sentido lato: o do lugar de convívio. Falar de um arquitecto como de um mime é já colocar pistas de investigação; implica traçar o seu percurso inicial e encontrar nele pontos de convergência entre a sua obra e os modelos conhecidos. É a época entre 1947 e 1965 que nos interessa: as datas correspondem, entre outros, à Independência da Índia e ao famoso banho no Mediterrâneo de Le Corbusier, o mestre adoptado por Doshi — dois eventos cuja justaposição numa só frase pode parecer incongruente, mas que o estudo, nas entrelinhas, pretenderá esclarecer. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,658 | O que foi feito dos planos gerais de urbanização? : opções e tendências na localização e organização espacial da indústria vilas e cidades médias (1930's - 1970's) | Planos gerais de urbanização | Est a dissertação dedica-se ao estudo da consideração que a indústria mereceu no planeamento urbanístico entre as décadas de 1930 e 1970, procurando avaliar a influência que as propostas dos Planos Gerais de Urbanização tiveram na realidade. Os prime iros pólos industriais em Portugal começaram a concentrar-se em Lisboa e no Porto, só posteriormente se começaram a instalar nas vilas e cidades médias, que constituem o universo de casos de estudo desta dissertação. O processo de industrialização em Portugal ocorreu tarde, atingindo o seu auge nas décadas de 50/60 do séc.XX, período concidente com o auge do planeamento urbanístico em Portugal no período em análise, e com a sua integração internacional. As propostas dos Planos Gerais de Urbanização analisadas nesta dissertação datam maioritariamente desse intervalo de tempo. Vários fac tores condicionaram a localização da indústria. Inicialmente, as exigências de salubridade das cidades conduziram à sua descentralização, e à sua concentração nos subúrbios com o uso do princípio do zonamento. Mas também questões relacionadas com a proximidade a uma rede viária principal e às linhas férreas são factores que condicionaram as opções apresentadas nas propostas dos planos. A maior parte destas propostas influenciaram o que hoje existe no que diz respeito à localização das zonas industriais, e a alguma da sua organização espacial. Actualmente, estas áreas industriais incluem, maioritariamente o sector terciário, mais propriamente armazéns de comércio, e não tanto o sector secundário. De modo a responder à questão ‘‘O que foi feito dos Planos Gerais de Urbanização?’’, lançada pela linha de investigação apresentada à disciplina de Seminário em Arquitectura no ano lectivo 2014-2015, em todos os casos de estudo analiso as propostas dos planos em função do existente antes da sua elaboração para determinar o que foi feito e hoje existe. No que diz respeito ao estudo das opções tomadas no planeamento urbano da cronologia em análise, já existem contributos científicos de diferentes ordens disciplinares, mas não em relação ao planeamento industrial. É esse o contributo que se pretende dar com esta dissertação. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,659 | Habitar casas de acolhimento para crianças e jovens em Portugal | Casas de acolhimento, crianças, Portugal,Casas de acolhimento, jovens, Portugal | Este trabalho tem por objetivo determinar o papel da arquitetura na conceção de espaços que promovam a integração, apropriação e as vivências das crianças/jovens residencializadas. Num tema ainda pouco abordado pela disciplina, propõe-se analisar o programa das casas de acolhimento para crianças e jovens, explorando a dimensão social do arquiteto enquanto criador de lugares com esta especificidade. Neste sentido, procura-se clarificar o conceito de acolhimento residencial, particularmente em Portugal, elaborando uma síntese das respostas existentes e sua evolução. Pretende-se entender as necessidades destes utilizadores para, assim, assinalar de que forma é que a arquitetura pode ser um contributo, refletindo sobre a influência do espaço nas dinâmicas sociais aqui envolvidas, sobre o conceito de habitar na sua génese e do seu significado aplicado ao contexto institucional. Por fim, sintetizam-se os conceitos abordados em casos de estudo representativos, fazendo a sua interpretação espacial, comparando e analisando criticamente aspetos fundamentais a considerar pelo arquiteto para a compreensão deste programa e da complexidade que lhe é inerente. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,664 | Memória e nostalgia : uma proposta urbana entre a Sofia e a Avenida | Metro Mondego,Mosteiro de Stª Cruz de Coimbra,Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes | O local de enfoque deste trabalho é o corredor urbano da Rua Olímpio Nicolau Fernandes, situado no Vale de Santa Cruz, estando este repleto de história e acontecimentos, que confere a todo o edificado um grande valor patrimonial. No momento este espaço encontra-se num período de especulação, devido às indecisões geradas com os planos do Metro Mondego e Avenida Central. É neste âmbito que desenvolvo o trabalho, assumindo a concretização destes planos, visando estudar e propor um programa de solução integrada de todos os problemas desta zona sensível da cidade, que foi sendo construída e desconstruída com intervenções parciais, carecendo de uma visão integrada. Pretendo fazer a demostração de como um conjunto de intervenções integradas podem resolver os problemas e qualificar a área, recorrendo a propostas formatadas de forma a validar num âmbito preliminar a sua viabilidade. Tendo como intuito estimulando uma reflexão sobre o lugar, para a necessidade de um programa de intervenção, e só após uma discussão e adesão pública poderá vir a ser desenvolvido como projeto. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,665 | Entre a janela e o corpo : as relações de género no limiar da habitação | Arquitectura doméstica, aspectos de género | Uma vez inata ao ser humano uma natureza identitária – seres femininos ou masculinos – também ao espaço poderá atribuir-se uma sexualidade inerente e a potência de um género que poderá também ser considerado na sua fruição. O objectivo da dissertação é estudar o género como agente condicionador do projecto em arquitectura, quer no momento da sua idealização quer na vivência efectiva do espaço, ora modelador das relações domésticas ora modelado por elas. Procura-se compreender a representatividade da construção da relação género-espaço no universo das experiências arquitectónicas desde o período moderno, e que espelham modos de habitar o espaço e paradigmas da interacção homem-mulher. A concretização da reflexão dá-se na janela enquanto elemento activo nas dinâmicas domésticas e no modo como homem e mulher experienciam e se colocam no espaço. Partindo da relação janela-género, exploramos a Villa Mairea (1938) de Alvar Aalto, a Farnsworth House (1946) de Mies van der Rohe e a Bergren House (1985) de Michael Rotondi e Thom Mayne, para compreender a janela na sua capacidade de ser instrumento de poder entre os géneros, mediadora da relação da mulher com o mundo e lugar de vivências e narrativas protagonizadas pela diferenciação de género. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,666 | Frente de mar da Figueira da Foz : hipóteses para o espaço lúdico | Frentes de água, Figueira da Foz | A presente dissertação tem como objetivo estimular uma discussão sobre o potencial lúdico da avenida marginal da Figueira da Foz e, portanto, da sua frente de mar, que apresenta, atualmente, uma condição imagética pouco apelativa em termos urbano-paisagísticos. Para o efeito, conjetura-se um exercício de hipóteses que procura a criação de uma nova imagem para o lugar, através de colagens mais ou menos conceptuais, realizadas com base na interpretação e apropriação de referências paradigmáticas, entre as quais se tem como protagonista a Las Vegas dos anos 60 e 70, pelas significações e figurações visuais dos seus elementos. Estas alusões, espera-se, serão pertinentes e inspiradoras para a conceção de tais imagens, cujo propósito é, através das suas representações e conteúdos, despoletar uma ponderação crítica sobre as possibilidades visuais, associadas ao lazer e ao turismo, da marginal e da frente de mar da Figueira da Foz. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,667 | A luz natural como conteúdo da arquitectura | Campo Baeza, Alberto, 1946-, obra.,Arquitectura.,Luz natural. | Partindo de um princípio de que a luz natural é omnipresente, ganhando ao longo do decorrer do dia diversas intensidades e orientações, pareceu-se interessante interpelar este material tão importante, fazendo uma clara ligação entre a luz natural e um arquiteto especifico. Pretende-se portanto abordar a luz natural como um material arquitectónico e posteriormente interpretar os vários tipos de luz natural problematizados e usados pelo arquiteto Alberto Campo Baeza. Deste modo, estuda-se um arquiteto, relacionando sempre que seja pertinente, a obra deste realizada com a escrita, de modo a estudar como o arquiteto tira partido da luz nos seus diversos projetos, quer sejam eles de carácter habitacional (privado), educacional ou público. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,668 | O desenho urbano na relação com a natureza : Le Corbusier | Le Corbusier, obra.,Arquitectura, meio ambiente.,Desenho urbano.,Urbanismo. | Esta dissertação propõe investigar a relação entre a arquitetura e a natureza no movimento moderno, especificamente no desenho urbano desenvolvido por Le Corbusier. O estudo consiste na análise e interpretação dos planos e critérios urbanísticos desenvolvidos por Le Corbusier [Ville Contemporaine (1922), Ville Radieuse (1930), Carta de Atenas (1943), Plano Voisin (1925), Plano para São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires (1929) e Plano Obus (1931-1934)] em entender as relações estabelecidas entre o desenho urbano e a natureza. Pretende por isso, ser um contributo para a evolução da questão da natureza no desenho urbano já explorada desde o século XIX na reação à metrópole, à cidade industrial. O trabalho estrutura-se em três partes, focando-se respetivamente no desenho elaborado para a habitação na arquitetura e a sua relação com a natureza, nas soluções desenvolvidas pelo arquiteto para a integração da natureza no desenho urbano e, por fim, na escala territorial do desenho da cidade entendida como complemento da natureza. Neste estudo menciona-se a influência da educação, o contributo de vários arquitetos, a presença em determinadas exposições e as intervenções em várias cidades que contribuíram para o desenvolvimento do desenho urbano de Le Corbusier. O arquiteto destaca-se pelo notável método de desenho, pela liberdade do conceito e pelo equilíbrio estabelecido entre a arquitetura e a natureza. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,669 | Singapura, uma questão de identidade? : de cidade portuária a cidade global | Urbanismo, Singapura.,Identidade, Singapura.,Desenvolvimento urbano, Singapura. | Singapura, cidade-estado com forte acento global, resulta de uma multitude de temporalidades que produzem e reproduzem um tipo de organização sui generis. O ritmo de desenvolvimento frenético do país nas últimas décadas derivou num estado de palimpsesto e num défice de património urbano e ambiental, destoantes da “tradição” ocidental do stick with the origin. Atualmente, e no decorrer das políticas agressivas implementadas nas décadas posteriores à independência, Singapura começa agora a olhar para si própria. A imediata perceção deste organismo complexo a partir da sua materialidade aparente, é uma abordagem que, apesar de pecar por frágil, tem servido de base para as teses que sustentam a ausência de identidade de Singapura com a sua negligência face ao passado. Procura-se, no entanto, demonstrar que o passado surge como uma entidade acusmática que persiste nos processos que estruturam os seus contornos atuais. Num estado assumidamente tateante e, por vezes, contraditório, onde se desvirtua qualquer sentido de linearidade histórica e cultural, procede-se então à dissecação da fórmula de Singapura. E será este um caso restrito ao Sudeste Asiático? Não será sim um denominador transversal à era da globalização? Todas estas indagações são analisadas dentro do prisma da mentalidade asiática própria de um país que se cristalizou com base numa cultura não apenas definida pelo que é mas também mediada por aquilo que não é, e pela forma como se constrói e relaciona com outras culturas. O problema é o facto de uma cultura não se relacionar apenas com outra cultura mas sim com uma tábua de categorias que determinam o próprio sistema relacional. À luz de uma realidade que se pugna pela promoção de uma competitividade voraz pelo reconhecimento alheio, Singapura, mais do que o medo panótico de ser permanentemente observada, revela precisamente a inversão deste conceito: o temor último de não ser de todo observada. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,670 | Arquitetura e memória : o palheiro como objeto de identidade territorial | Palheiros, Praia da Tocha,Palheiros, Praia de Mira,Arquitectura popular portuguesa | O palheiro, enquanto objeto de humanização da paisagem, surge estritamente relacionado com a prática da pesca. Devido à sua implantação na duna, esta tipologia popular, de carácter efémero e precário, era conhecida como a habitação adequada à vivência da praia. A sua evolução e expansão, durante o século XX, permitiu a ixação de aglomerados ao longo da costa litoral portuguesa. Com o aumento da procura turística destes aglomerados, houve uma evidente alteração da sua isionomia, do ponto de vista social e cultural. O desaparecimento de um modo de viver e de construir foi de tal modo evidente que pouco resta, hoje, desse ambiente. A presente dissertação pretende recuperar a memória do palheiro. Recorrendo à memória social e coletiva, enquanto instrumento ativo de revitalização da arquitetura popular, pretende-se perenizar os valores de identidade local, claramente em risco de desaparecimento, recuperando saberes e culturas construtivas populares através da reinterpretação desta tipologia arquitetónica. Deste modo, existe a vontade de fomentar um pensamento crítico sobre a importância do palheiro como propulsor da expansão dos aglomerados piscatórios e do desenho da paisagem litoral, assim como incentivar a recuperação desta tipologia como novo elemento cenográico, de modo a reaver o arquétipo do palheiro como impulsor da memória coletiva. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,671 | Arquitectura em metamorfose : as adaptações do dormitório novo do Mosteiro de Celas | Arquitectura hospitalar,Dormitório novo do Mosteiro de Celas,Mosteiro de Celas,Sanatório de Celas | A arquitectura possui o poder de gerar metamorfoses, de conferir mudança, como arte regeneradora da cidade. A reutilização de edifícios devolutos é uma realidade transversal dos centros urbanos, como estratégia simbiótica de conservação e de satisfação das suas carências. O presente trabalho, ilustra o exemplo do dormitório novo do Mosteiro de Celas, em Coimbra, que com raízes no século XVII perdurou por quatro séculos, graças à sua capacidade de se reinventar e de se adaptar a diferentes programas para colmatar as falhas da urbe no campo da saúde pública. Fundado como dormitório cisterciense, acolheu posteriormente um Asilo, um Sanatório feminino/infantil e um Hospital Pediátrico. Ao longo de três capítulos, esta dissertação debruça-se sobre o estudo do edifício original, o dormitório de Celas, bem como sobre as transformações provocadas pelas diversas adaptações programáticas. São contextualizadas as causas, as influências de modelos europeus e os intervenientes políticos que estiveram na origem da constante metamorfose do edifício. Numa última parte, a investigação lança um olhar sobre o futuro do edifício e sobre a proposta que actualmente se debate para a instalação de um novo programa. A investigação procura expor o valor arquitectónico do edifício, bem como ilustrar o papel dinamizador que conferiu a Coimbra. Sendo um edifício acarinhado e que faz parte da memória colectiva, aguarda-se com expectativa o seu futuro na cidade. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,672 | Arquitetura discutida (1981-1993) : Jornal dos Arquitectos - Jornal de Letras, Artes e Ideias | Arquitectura, Portugal, 1981-1993,Meios de comunicação social, Portugal, 1981-1993,Jornal dos Arquitectos,Jornal de Letras, Artes e ideias | Esta linha de investigação resulta de um estudo proposto na disciplina de Seminário de Investigação em Arquitetura e incide na temática Metodologias e Instrumentos da Arquitetura Contemporânea. Por entre a proliferação de mass media em que a Arquitetura encontra lugar, o jornal, como instrumento de comunicação e de interatividade entre todos os campos da cultura, destaca-se como veículo prático de reflexões teóricas, capaz de filtrar e sintetizar a generalidade dos assuntos referentes à prática arquitetónica. Com o intuito de (re)produzir um retrato panorâmico da Arquitetura portuguesa, através do fenómeno da mediatização, recorreu-se à eleição cuidada de duas plataformas de debate, com práticas de discussão paradoxais e com estratégias de comunicação individualizadas, que possibilitassem, de igual modo, a confrontação e a simbiose de conteúdos análogos sobre a realidade arquitetónica. Deste modo, o discurso especializado do Jornal dos Arquitectos e o discurso não especializado do Jornal de Letras, Artes e Ideias foram objeto de estudo no período compreendido entre 1981 a 1993. Perante a tão vasta diversidade de categorizações emergentes do campo arquitetónico , a estruturação do trabalho resulta da seleção de três possíveis leituras: [Arquitetura - Disciplina], [Arquiteto - Profissão] e [Cidade - Cultura] que ilustram, de forma singular, uma reflexão crítica sobre a Arquitetura Discutida publicada nas páginas dos jornais. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,673 | Coimbra, caminho para a contemporaneidade : (reflexões sobre a evolução do planeamento tradicional para o planeamento estratégico) | Planeamento urbano, Coimbra,Requalificação urbana, Coimbra | Esta Dissertação pretende ser um instrumento de apoio à reflexão sobre o estado actual das políticas de planeamento que afectam a cidade de Coimbra. Analisa-se alguns dos planos urbanísticos e planos estratégicos afectos à cidade e procura-se uma explicação para a causa da sua incapacidade para realizar as intervenções propostas. Reflectindo sobre estas questões: uma cidade com um património histórico riquíssimo e um centro inegável de capital humano superior, como pode Coimbra estar tão atrasada nas intervenções do seu Centro Histórico? O que impede as entidades decisórias de tomarem uma atitude ora de reabilitação ora de revitalização do seu património histórico e assim procurar colocar a cidade ao nível das grandes cidades históricas europeias? | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,676 | Paredes habitáveis : arquitectura e espaço a propósito da análise da habitação contemporânea | Arquitectura contemporânea, estudos,Habitação contemporânea | A casa é, desde sempre, tema de pesquisa da arquitectura. Da discussão ao longo da história depreende-se que a questão central reside na organização espacial e funcional, factores que espelham diretamente as necessidades do ser humano e, por extensão as mudanças da sociedade. Esta dissertação propõe uma reflexão sobre a condição actual da habitação, em que aparenta haver uma tendência geral para uma organização de funções nos limites dos espaços. Essencialmente a organização implica uma hierarquia que se define pela distinção entre o espaço vazio e o ocupado pelas funções, na qual se recorre a uma ocultação periferal de todos os elementos essenciais ao habitar. O resultado é um vazio genérico que se encontra delimitado por planos espaciais que contém uma profundidade, escondida ou visível. Pode-se dizer que os limites dos espaços ganham espessura com função, transformam-se assim em paredes habitáveis. O trabalho reparte-se entre uma leitura histórica e actual, entre uma análise escrita e uma análise desenhada, e determina nesta perspectiva a terminologia actual das paredes habitáveis, na condição de organizadores espaciais da habitação. O estudo que se elabora para a caracterização das paredes habitáveis define ainda uma reflexão preponderante perante a condição do espaço na arquitectura. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,677 | Palácio da Quinta da Bouça : recuperação e adaptação a Hotel de Turismo Rural | Preservação do património,Turismo Rural,Palácio da Quinta da Bouça | O património arquitectónico é um recurso de extrema importância na identidade de um colectivo, fruto da interação entre as pessoas e os lugares ao longo do tempo, resultando na diferenciação e consolidação de uma identidade, tanto nacional como regional. Trata-se de um processo evolutivo de constantes adaptações como forma de responder a questões de conforto, mas também de distinção social. Parte deste património corresponde à arquitectura civil privada, às casas senhoriais, que constituem um importante testemunho de época, de gostos e de costumes. Um projecto de intervenção sobre o património é o objectivo do presente trabalho/tese, com a finalidade de integrar a rede PHI (Património Histórico-cultural Ibero-americano), uma base de dados de trabalhos académicos com intervenções em património. O objecto de estudo é a Quinta da Bouça (também conhecida por Boiça), situada a norte da vila de Penela, composta por casa senhorial e dependências agrícolas (em avançado estado de ruína). Actualmente o Palácio encontra-se em estado de deterioração, ainda que recuperável. Urge um programa que o torne sustentável, rentável. Uma revalorização do espaço. Sendo o abandono uma das principais causas de degradação de edifícios, uma utilização através de um programa não intensivo, mas diário, poderia levar à manutenção deste por muitos mais anos. Dada a impossibilidade por parte dos proprietários de realizar obras de restauro e conservação, procura-se uma rentabilidade da Quinta através da adaptação desta a Hotel de Turismo Rural. Pretende-se responder à questão de como intervir no Palácio por forma a adaptá-lo ao novo programa, tendo em conta as suas características arquitectónicas e construtivas. Para tal é necessário compreender a evolução da casa senhorial portuguesa, assim como o enquadramento histórico da Quinta da Bouça, de modo a perceber como enaltecer o valor patrimonial do edificado. É realizado uma análise construtiva e um estado de conservação da estrutura, com o intuito de se poder apontar soluções de restauro, e quando assim não é possível, serão apresentadas soluções “passivas”. No final é proposto um projecto de reabilitação da Quinta, com um programa composto por hotel, spa, restaurante, adega, loja de produtos rurais e escola de equitação. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,680 | Arquitectura sensorial : o tacto para a fruição do espaço arquitectónico | arquitectura,fruição sensorial,tacto,pele,percepção,háptico,Architecture,sensory fruition,sense of touch,skin,perception,haptic | O objectivo deste trabalho é compreender a importância da dimensão sensorial táctil na experiência espacial da Arquitectura, esclarecendo, dentro da dimensão disciplinar arquitectónica do tema, quais são os métodos e ferramentas utilizadas no processo de projecto para o desenvolvimento de espaços estimulantes do ponto de vista táctil. Procura-se reflectir sobre as ligações sensíveis entre o espaço e o fruidor, bem como o modo como as suas características podem proporcionar diferentes experiências espaciais. O desenvolvimento deste trabalho prossegue sob duas vertentes, teórica e prática, procurando reflectir sobre o assunto a partir de fontes bibliográficas relevantes, analisando igualmente casos de estudo que fazem da dimensão táctil uma intenção de projecto, bem como obras em que o estímulo do tacto seja feita em consequência de outras premissas projectuais. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,682 | O papel dos equipamentos no desenho urbano de Bragança : do período medieval à contemporaneidade | Desenho urbano, Bragança,Equipamentos urbanos, Bragança, séc. 13- | A cidade reescreve-se permanentemente, tal qual um palimpsesto. Ainda assim, existem elementos que tendem a acompanhar as diversas transformações urbanas, influenciando diretamente o desenho e vivência da urbe. Falamos de equipamentos coletivos, com um caráter público, que foram assumindo representações tão variadas como a muralha e outras construções militares, edifícios religiosos, colégios, cemitérios, hospitais ou escolas. O presente estudo ambiciona, deste modo, analisar o papel desempenhado pelos equipamentos no desenho urbano da cidade de Bragança. A análise parte do período medieval, e acompanha as transformações urbanas ocorridas até à contemporaneidade. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,683 | Hortas urbanas : o contributo da arquitetura para a integração das hortas urbanas na (re)qualificação da cidade | Planeamento urbano, Portugal,Arquitectura sustentável, Portugal,Agricultura, zonas urbanas,Cidade, Portugal | As hortas urbanas comunitárias e pedagógicas são uma manifestação sociocultural de preservação de tradições de cultivo e, uma prática agrícola que contribui para o desenvolvimento sustentável. Porém, estes espaços agrícolas podem ser mais do que uma mera componente sustentável e contribuir para a (re) qualificação urbana, qualificando a cidade. A presente dissertação analisa as caraterísticas das hortas urbanas de forma a entender como o arquiteto pode dar o seu contributo na (re) qualificação da cidade com espaços hortícolas, de forma a dar um sentido urbano a lugares intersticiais ou expectantes da cidade. Assumindo que a arquitetura e o urbanismo têm um papel determinante na organização da cidade e que as hortas urbanas são práticas sustentáveis, pretendo demonstrar que deve existir mais investimento a nível do próprio desenho urbano, planificação e melhor integração das hortas dando lugar a espaços de caráter urbano, embora com caraterísticas que ainda são comummente associadas ao ambiente rural. A arquitetura como disciplina de síntese deve fomentar a ideia de deixar de existir uma barreira entre o rural e urbano, pois, apesar das hortas, no seu sentido lato, não emergirem de um caráter urbano, não deixam de ser cidade. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,790 | Are you really here? : arquitectura cinemática, o tempo no espaço | Cinêma,Arquitectura,Arquitectura, estudos | O corpo é material mas a matéria do corpo é processada. A introdução da noção de sistema, nos alvores da Sociedade da Informação (anos 60), reconfigura as estruturas do pensamento que significam o paradigma da complexidade, mais centrado na dimensão relacional do que na objectual. Nos últimos 50 anos, a tecnologia, paralelamente ao esgotamento das proposições funcionalistas, tem animado as reflexões sobre o discurso arquitectónico. A emergente cultura tecnológica, em especial a partir dos anos 90 com a explosão das Tecnologias de Informação e Comunicação, deforma a experiência física. A matéria, ampliada ou encolhida pela quantidade de processos firmados em imagens, expande o corpo e contamina a geografia dos lugares onde o elogio do aparente redesenha o espaço e balança o referencial da arquitectura. O corpo olha mas pode ver; essa espacialização do olhar precisa de tempo no espaço. A Arquitectura Cinemática, instrumento de reflexão activado pela dimensão virtual (estática sensitiva), procura novas matérias-primas para a arquitectura através da interacção do corpo com o lugar. Palavras-chave : Arquitectura Cinemática, tempo, matéria, processo, espaço, corpo, lugar, realidade, imagens, filme, ser-aí, virtual e actual, cultura virtual, Sociedade da Informação, tecnologia, Paradigma da Complexidade, Discurso do Método, Teoria da Relatividade, Fenomenologia, Cibernética, Teoria Geral dos Sistemas.The body is material but body matter is processed. By introducing the concept of system, on the beginning of the Information Society (in the 60’s) the mental structures that configure the paradigm of complexity are more centered on the relational dimension rather than the objectual. Over the past 50 years, technology, along with the fall of functionalist propositions, has been a major subject in the architectural discourse. The emerging technological culture, in particular since the 90’s with the Information and Communication Technologies boom, deforms physical experience. Matter, lengthened or shrunk by the amount of processes related to images, expands the body and contaminates the geography of places where the praise for the apparent redraws the space and balances the architecture referential. The body sees flashes, but it can look beyond; spatializing the eye takes time in space. Cinematic Architecture, as a mental tool activated by virtual dimension (sensual statics), searches for new building materials for architecture through the interaction between body and place. Keywords : Cinematic Architecture, time, matter, process, space, body, place, reality, images, film, being-there, virtual and actual, virtual culture, Information Society, technology, Paradigm of Complexity, Discourse on the Method, Theory of Relativity, Phenomenology, Cybernetics, General Theory Systems. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,798 | Máquinas urbanas : a adaptação funcional dos grandes equipamentos em obsolescência | Equipamento urbano,Morfologia urbana,Desenvolvimento urbano, Europa, séc. 19-21,Urbanismo, Europa, séc. 19-21 | Esta dissertação foca-se na importância crescente detida pelos grandes equipamentos urbanos no desenvolvimento e caracterização do espaço da cidade tendo por base o estudo da sua evolução ao longo do tempo. No contexto europeu, pretende-se analisar o nascimento dos grandes equipamentos urbanos no século XIX, as circunstâncias da sua geração e o que os levou a tornarem-se máquinas geradoras de cidade, compreendendo-se o papel original das “máquinas urbanas” no panorama da Europa industrial. Centrando-se, de seguida, no Movimento Moderno e nas suas políticas de organização urbana, explanam-se as alterações do esquema funcional das cidades modernas e o seu efeito nas “máquinas urbanas” a nível programático e de integração no tecido da urbe. Dão-se a entender as consequências de uma nova abordagem à questão da conservação patrimonial que poderia levar grandes equipamentos urbanos a tornarem-se obsoletos. Do mesmo modo, pretende-se analisar as medidas que foram tomadas para retirar as “máquinas urbanas” do estado de obsolescência e as suas repercussões na caracterização e desenvolvimento urbano contemporâneo. A dissertação quer assim expor medidas de reestruturação urbana a partir de uma requalificação, apresentando exemplos contemporâneos concretos de reconversão e adaptação funcional. São analisados quatro exemplos reconhecidos pela crítica, situados em Espanha – o Museu de Arte Contemporânea de Vigo (Vigo); a Estação de Caminho de Ferro da Atocha (Madrid); o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madrid); e o Mercado de Santa Caterina (Barcelona)– que representam apostas na qualificação e dinamização urbanas através da recuperação de grandes equipamentos urbanos. Em paralelo, analisam-se duas propostas de reconversão próximas de experiências pessoais do autor – o Cluster Cultural (Coimbra); e o Museu do Carro Eléctrico (Porto) – que remetem para uma hipotética aplicação de modelos de reconversão no panorama nacional português, utilizando como suporte os ensinamentos teóricos e práticos já consagrados. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,804 | (Re) visão da casa contemporânea : do moderno ao digital | Habitação, séc. 20-21 | Sob o título ‘(Re) Visão da Casa Contemporânea: do Moderno ao Digital’, esta Dissertação tem como centro de pesquisa a Casa e a Tecnologia, particularmente a forma como a tecnologia influi no seu desenho, procurando avaliar a sua presença na contemporaneidade. Assente no enquadramento histórico de investigação a partir do início do século passado, torna-se necessário investigar o programa da Casa. Assim, consideram-se dois momentos: o paradigma Moderno e o paradigma Digital. Deste modo, constrói-se a génese do Movimento Moderno de acordo com três vectores determinantes: a Forma/Construção, a Tipologia/Programa, O Lugar/Simbologia. Seguindo a mesma lógica de raciocínio, avaliam-se os pressupostos inerentes ao paradigma Digital. Estes vectores organizam a leitura do trabalho de acordo com estes dois paradigmas que servem de base para verificar a sua aplicação nos casos de estudo aqui apresentados. O principal objectivo desta Dissertação é contribuir para a clarificação dos processos inerentes à concepção e produção do espaço habitacional. Para tal, é necessário analisar as transformações ocorridas na família contemporânea, os seus modos de vida e o impacto das Novas formas de Tecnologias de raíz de aplicação Digital, no quotidiano doméstico e social do habitar. Assim, analisa-se a sua concepção projectual, a sua produção e o resultado alcançado em projectos de habitação, procurando fornecer critérios que possam auxiliar na reflexão sobre o design e a domesticidade. Trata-se, sobretudo, de uma tentativa de entender as diversas tipologias do programa da Casa existentes no mercado, de modo a entender o que poderá ser a Casa-ideal contemporânea? Possíveis inserções do que seria um entendimento de novas tipologias habitacionais são apontadas, sobretudo no que respeita à escala urbana, ou seja, na cidade. Para tal, avalia-se a sua capacidade de resposta a um contexto global de crise e mudanças constantes, de forma a desenvolver ou criar respostas economicamente acessíveis e sustentáveis. Desse modo, aponta-se a possibilidade do uso de novas tipologias como ponto de partida para a existência de uma Nova Casa e um Novo Homem. Por fim, cabe o exercício de reflectir sobre a Casa Moderna e a Casa Contemporânea, comparando-as, aferidas que estão as necessidades e exigências dos seus utilizadores, enquanto habitantes. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,805 | Património industrial português da época do Movimento moderno : das experiências modernistas às novas necessidades contemporâneas | Património industrial, Portugal,Movimento moderno (arquitectura) | Este trabalho pretende abordar o tema da intervenção arquitectónica sobre o património industrial português, tomando especial atenção à arquitectura industrial produzida no período correspondente ao Movimento Moderno (1920 a 1970). Tomando consciência do processo de desindustrialização que se começou a verificar a partir dos anos setenta, levantase a questão: o que fazer com estes espaços industriais agora desactivados e, em muitos casos, abandonados e deixados à ruína? Uma das formas de garantir a preservação deste espólio arquitectónico é através da recuperação, reconversão ou musealização, atribuindo a estes espaços um renovado interesse e dinamismo, uma vez que o seu propósito original se tornou obsoleto em virtude da constante evolução tecnológica inerente à produção industrial. É neste sentido que a arquitectura contemporânea pode dar um contributo a estes exemplares da arquitectura do período modernista, complementando programas com a introdução de novos elementos ou reestruturando os espaços e as suas materialidades na procura de uma melhor adaptação à nova vida (e função) a que o edifício se destina. Pretende-se portanto analisar as opções dos arquitectos responsáveis pelas intervenções sobre o património industrial estudadas neste trabalho, procurando perceber quais as potencialidades e dificuldades destas experiências, e que cuidados existiram na preservação da identidade original dos edifícios. Estas análises permitirão fazer uma posterior comparação entre as diferentes experiências, através da qual se poderão retirar conclusões. Procura-se também descrever os contextos em que surgiram estes equipamentos industriais, para melhor perceber as opções tomadas pelos arquitectos que os conceberam, à luz do período em que se integram – o período do Movimento Moderno. Outro objectivo deste trabalho é expor a importância do reconhecimento do valor patrimonial da arquitectura da indústria produzida em Portugal, evidenciando que a sua recuperação ou reutilização poderá ser uma forma de revitalizar algumas zonas urbanas ou rurais que poderão ter caído no esquecimento ou abandono. Deste modo, pretende-se reafirmar a importância de intervir sobre o património arquitectónico industrial português produzido durante o período correspondente ao Movimento Moderno, através da análise do contexto em que surgem os edifícios iniciais até à vontade contemporânea de lhes dar uma nova vida, reconhecendo o seu valor, cruzando informações e retirando conclusões. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,809 | Espaços residuais urbanos : os baixos de viadutos | Planeamento urbano, séc. 20-21,Espaço urbano, séc. 20-21, aspecto social,Sociologia urbana | No contexto das nossas metrópoles contemporâneas, caminhamos muitas vezes por espaços prosaicos e desumanos. São espaços de limite, obsoletos e esquecidos pelo desenvolvimento, embora sejam o resultado directo dos modelos de crescimento urbano. São áreas que geralmente fogem à hegemonia do controlo tecnológico e se apresentam especialmente fracturados, sendo por vezes estranhamente comoventes. Pode ser essa comoção que faz com que estas áreas marginais possam ser o palco de novas situações participativas, oferecendo um novo leque de possibilidades à cidade. Manuel de Solà-Morales foi um dos impulsionadores deste tipo de pensamento, que tornou relevante o tema do estranho e do estranhamento. Esta percepção foi mais rapidamente aceite pelas áreas artísticas da fotografia ou do cinema, assim como foi, também, compartilhada por alguns pintores, como Mario Sironi ou De Chirico, contudo, o interesse por parte da arquitectura tem vindo a crescer mais recentemente. A tese Espaços Residuais Urbanos: os ‘baixios’ de viadutos propõe um estudo acerca dos espaços públicos sobrantes e/ou esquecidos no processo de planeamento urbanístico. Para isso, foca-se mais especificamente no que se passa sob os viadutos que irrigam os nossos centros urbanos, não se referindo apenas aos que nasceram no século XIX, mas também àqueles que, sendo fruto de planos urbanísticos modernos e se julgando capazes de resolver os problemas dos aglomerados populacionais, tornaram-se, tantas vezes, áreas vazias e descaracterizadas. De modo a proporcionar uma melhor compreensão: do aparecimento e crescimento espontâneo destes lugares residuais; do processo de apropriação por parte da população vizinha, ou por parte daqueles que destes fazem a sua casa; bem como dos reflexos que estes causam no resto da cidade, a presente dissertação recua até aos anos 20 do passado século (época em que o Movimento Moderno faz uma revisão dos seus métodos urbanísticos) e fala de forma resumida, acerca do crescimento dos centros urbanos, e de como a era da mobilidade, dos fluxos e do automóvel, favoreceu a formação de determinados espaços que nem sempre foram levados em conta pelos arquitectos e urbanistas. Não obstante, tenta-se examinar como diferentes contextos culturais e sociais vivenciam estes espaços residuais da cidade e lhes configuram a identidade na informalidade que é reflexo da própria sociedade. Depois de estudar algumas metodologias de intervenção e tendo como base alguns exemplos internacionais, conclui-se, desenvolvendo uma vertente mais prática, através de uma proposta de intervenção para os baixios das plataformas de acesso nascente à Ponte Rainha Santa Isabel, na aproximação do Vale das Flores com o rio Mondego, em Coimbra. A intenção principal é revelar o potencial dos lugares residuais e mostrar que nem todas as ocupações espontâneas que se apoderam destes espaços urbanos sobrantes são necessariamente negativas. Mostrar que, pelo contrário, são capazes de permitir a criação de lugares de encontro qualificados, num âmbito contemporâneo, desde que se faça a ponte certa entre as diferentes escalas que dão corpo à cidade. Deste modo, esta presente dissertação desenvolve-se segundo especulações acerca da existência de uma linguagem estável para o tratamento de todos os espaços, ou se estes se podem alterar segundo imprivisibilidades e situações acidentais que os façam ganhar novos significados. A questionabilidade da ‘receita’ para a arquitectura dos interstícios e residuais é, também, uma dos temas balizadores para a escolha das leituras e indagações acerca do espaço público de uma cidade contemporânea cada vez mais metropolitana. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,813 | Penitênciária de Coimbra : permeabilidade e inserção no espaço urbano | Penitenciária, Coimbra, projecto,Arquitectura prisional, Coimbra | A presente Tese de Dissertação tem como objecto de estudo o Estabelecimento Prisional de Coimbra, propondo uma reflexão crítica deste edifício, com valor ímpar para a cidade e para a história das penitenciárias em Portugal. A investigação foca-se na problemática da reestruturação e influência das penitenciárias no centro urbano das cidades, propondo, assim, um novo conceito de prisão, que visa a permeabilidade do edifício penitenciário com o cidadão comum. Este edifício emblemático da cidade, tem um valor patrimonial de excelência, pese embora a sua condição intramuros, que cria uma barreira e uma descontinuidade na malha urbana. Interessa também para o estudo, fazer esta analogia de descontinuidade, entre o recluso e a sua futura reinserção social. Atendendo a estes condicionalismos e a toda a história da Penitenciária, pretende-se, neste âmbito, corrigir, contornar e criar condições para que a cidade tire partido deste edifício, tanto ao nível formal, como pelos serviços prestados à comunidade. Para tal, a metodologia que servirá de suporte a este ensaio, assentará no contexto histórico da arquitectura penitenciária, na sua evolução, nas premissas inerentes aos processos de intervenção neste tipo de equipamento e perceber, no âmbito nacional e internacional, as reformas feitas na abordagem aos estabelecimentos prisionais. Penitenciária de Coimbra. Permeabilidade e inserção no espaço urbano. | 5 Desta feita, privilegiar a preservação do edifício enquanto “máquina de justiça”, enquanto valor simbólico da cidade, procurando uma solução sensata e firme de projecto, para um novo conceito de penitenciária de baixa segurança, inserida no espaço urbano, contribuindo para uma acção regeneradora da condição social de recluso. Palavras-chave: Penitenciária de Coimbra, permeabilidade, inserção urbana, recluso, Penitenciária de baixa segurança, prestação de serviços. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,836 | Leiria, cidade do (Po)lis : análise da estratégia de revitalização da frente de água | Frentes de agua,Requalificação urbana, Leiria,Leiria | Os rios tiveram, desde sempre, um papel fundamental na vivência urbana, sendo por vezes a própria origem da cidade. Leiria desenvolveu-se morfologicamente em função do curso do rio que a serpenteia – o Lis. Esta ligação entre as frentes de água e as urbes foi perdendo importância com o passar do tempo, e as zonas ribeirinhas foram progressivamente excluídas da vida da cidade e transformadas em espaços inutilizados ou degradados. Em Portugal, recentemente, os Programas Polis (Programa de Requalificação Urbana e Valorização das Cidades), intervenções urbanísticas a grande escala, procuraram reintegrar as frentes de água no tecido urbano e transformá-las em focos de atracção. Estas intervenções têm sido uma oportunidade para a valorização urbanística e ambiental bem como para a implantação de novas actividades, tentando reforçar assim a “identidade” das cidades, o que contribui para a competitividade entre elas. Decorrente do êxito do Projecto da Expo’98, o Programa Polis teve como principal objectivo requalificar as cidades portuguesas do ponto de vista urbanístico e ambiental, com base em parcerias entre o Estado e as Câmaras Municipais. Em Leiria o Polis pretendeu requalificar e valorizar o rio Lis, apostando na articulação do espaço urbano com a linha de água, através da criação de estruturas verdes contínuas que incluem percursos pedonais e ciclovias nas suas margens e da implementação de espaços de recreio e lazer, na tentativa de uma integração paisagística do rio. O presente trabalho é dedicado à análise comparativa das situações antes e pós Polis em três perspectivas: estética e paisagística; urbana e ambiental e sócio-cultural. Palavras-chave: Leiria, Programa Polis, frentes de água, valorização ambiental, revitalização urbana | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,855 | O ensino moderno da arquitectura : a reforma de 57 e as Escolas de Belas-Artes em Portugal (1931-69) | Escola de Belas Artes -- Porto -- estudos e ensino -- 1931-1969,Escola de Belas Artes -- Lisboa -- estudos e ensino -- 1931-1969,Beaux-Arts,Arquitectura -- ensino -- Portugal -- 1931-1969,Arquitectura -- estudos e ensino -- 1931-1969 | Nas Escolas de Belas-Artes do Porto e Lisboa, o ensino da Arquitectura acompanhou o debate que os arquitectos portugueses promoveram sobre a Arquitectura Moderna, espelhando ora as posições de resistência ora as posições de adesão e entusiasmo face à nova atitude perante a Arquitectura, a Arte e a Sociedade. Em Portugal, a implementação da Arquitectura Moderna está também dependente da acção do Estado Novo nas políticas de obras públicas e também nas políticas educativas, produzindo uma legislação com objectivos ideológicos. Neste contexto, consideramos, como ponto de partida, que a luta pela Arquitectura Moderna foi também alicerçada na luta por um Ensino Moderno da Arquitectura com a intenção de formar um arquitecto com uma dimensão artística e técnica. De acordo com esta perspectiva cultural e política, este estudo tem como objectivo identificar e caracterizar o ensino praticado nos cursos de Arquitectura das Escolas de Belas- Artes portuguesas durante o período de vigência da Arquitectura Moderna e do Estado Novo, utilizando como balizas cronológicas a promulgação da Reforma de 1931 e a dissolução da Reforma de 1957, em 1969. Considerando que a Reforma de 1931 consolidou um ensino Beaux-Arts interessa analisar a crítica a este sistema através do processo de construção e implementação da Reforma de 57, pelos professores, pelos estudantes e pelos arquitectos. Ao longo deste estudo iremos argumentar que este processo de reforma corresponde ao processo de construção de um Ensino Moderno da Arquitectura, referenciando este sistema nas metodologias pedagógicas propostas por John Dewey para a pedagogia moderna e por Walter Gropius na Bauhaus e no curso de Arquitectura da Universidade de Harvard, divulgadas mais tarde nos Congressos Internacionais de Arquitectura Moderna. Do ponto de vista metodológico, a transformação do ensino Beaux-Arts num ensino moderno foi investigada através de duas abordagens: uma de carácter político-cultural, onde se estuda o debate nacional e internacional sobre os modelos de ensino, o papel do arquitecto na sociedade e as reformas do ensino; outra de carácter educativo, onde se aprofunda o quotidiano do Curso de Arquitectura nas duas Escolas de Belas-Artes, através da direcção da Escola, da actividade pedagógica, da actividade associativa, da actividade cultural e dos espaços de ensino. A investigação foi suportada fundamentalmente em documentos que testemunham o debate e a didáctica promovida no período em estudo e cruzada com as reflexões produzidas pelos seus intervenientes directos, através de dissertações, artigos, entrevistas e depoimentos. Deste conjunto alargado, os trabalhos escolares constituíram o motor da investigação, permitindo desde já concluir dois aspectos paradoxais - nas duas Escolas de Belas-Artes, com métodos e abordagens diversas, o ensino moderno foi implementado sobre um currículo Beaux- Arts e, por sua vez, o currículo moderno gerou um ensino experimental, de crítica à Arquitectura Moderna. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,857 | Casos de Câmara : quatro paços na consolidação de um modelo | Arquitectura portuguesa, séc. 15-18,Edifício público, Portugal, séc. 15-18,Câmara Municipal, Portugal, séc. 15-18,Câmara Municipal de Barcelos, séc. 15-18,Câmara Municipal de Viana do Castelo , séc. 15-18,Câmara Municipal de Guimarães, séc. 15-18,Câmara Municipal de Setubal, séc. 15-18 | O presente trabalho tem como objeto de estudo os Paços do Concelho dos finais do século XV e inícios do século XVI, período que pode considerarse como o auge do apuramento de um modelo. Este estudo vem na sequência da minha Prova Final, um estudo mais alargado sobre as Casas de Câmara do século XV ao XVIII. Focando-se, agora, naquele período temporal, é dada ênfase ao estudo de quatro edifícios: Barcelos, Viana do Castelo, Guimarães e Setúbal. Cada um destes casos é analisado a partir de documentação existente - escrita, gráfica e material - com destaque naturalmente para o edifício no seu estado atual (exceto o de Setúbal, que já não existe), tentando chegar ao modelo original essencialmente através de desenho. Abstract The objective of this thesis is to study Town Hall building from the late 15th century to the beginning of the 16th century, a timeline that can be considered as the peak of a model clearance. This study follows in sequence of my Graduation Thesis, a more extended study of Town Hall buildings from the 15th to the 18th century. Focusing now in that period of time, it is emphasized by the study of four buildings: Barcelos, Viana do Castelo, Guimarães and Setúbal. Each one of these case studies is analyzed from the existing material - written and graphic - highlighting the original state of the building (except for Setúbal as it does not exist anymore) and trying to reach the original model essentially through the drawing | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,862 | A ecologização da arquitectura : a estratégia ecológica no caso IBA Emsscher Park | Arquitectura ecológica, séc. 20-21,Arquitectura sustentável, séc. 20-21,Arquitectura bioclimática, séc. 20-21,Ambiente urbano,Ecologia,Internationale Bauausstellung Emscher Park, aspecto ecológico | Os fenómenos que caracterizam a «realidade complexa» são cada vez menos coadunáveis com os modelos explicativos que, desde o século XVII têm vindo a fundamentar o nosso modelo civilizacional, cultural e mental: «o Pradigma Mecanicista-Newtoniano-Cartesiano». Esta discordância traduz-se numa série de acumulativos problemas ambientais, económicos e sociais, que se conjugam na actual «crise ecológica». No campo da arquitectura, a problemática ecológica tem sido geralmente reduzida a questões de cariz ideológico/tecnológico, resultando essencialmente em duas vias predominantes: uma «low-tech» e outra «eco-high-tech» que associamos à denominada «arquitectura sustentável». Hoje porém, detectamos todo um novo contexto ecológico que sugere uma reflexão aprofundada em torno da actual condição da Arquitectura e motiva uma reformulação da problemática ecológica, não numa perspectiva meramente ideológica – tendencialmente parcial e simplista – mas numa perspectiva paradigmática e «complexificada». Ao abordar a Ecologia – na sua inerente condição científica – deparamo-nos com um paradigma científico (na definição de Thomas Kuhn) que tem vindo a atravessar uma revolução epistemológica. Na realidade, a Ecologia constitui uma «nova ciência» que, ao induzir a percepção e compreensão de um universo complexo e ecossistémico, informa simultaneamente um paradigma civilizacional (na definição de Edgar Morin) mais vasto e transversal: «o Paradigma da Complexidade-Ecologia». Assistimos pois à emergência de um novo «paradigma ecológico», profundamente transformador da nossa percepção e compreensão do mundo, e que motiva inevitavelmente uma reflexão/revisão da forma como, enquanto arquitectos, cidadãos e seres-humanos, nos inter-relacionamos e transformamos/construímos colectivamente o nosso habitat. A este «Paradigma da Complexidade-Ecologia» emergente corresponde uma nova concepção da realidade, uma nova visão de mundo e um novo pensamento paradigmático, capazes de informar abordagens mais compreensivas e estratégias de acção ecológica no campo da arquitectura – também ela tendencialmente «complexificada» e «ecologizada» – como aferimos num conjunto de projectos integrados no IBA Emscher Park. Palavras-chave: Arquitectura ; Paradigma ; Complexidade ; Ecologia ; Estratégia ; IBA Emscher Park | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,876 | Arquitectura biológica : uma análise da obra de Frei Otto | Otto, Frei Paul, 1925-, obra,Arquitectura ecológica,Ecologia,Urbanismo,Parque Olímpico de Munique,aspecto ecológico | Esta dissertação foca-‐se na relação entre a Arquitectura e a Biologia, tendo como base de estudo a obra do arquitecto alemão Frei Otto. Tem como principal objectivo observar e demonstrar a aplicação de analogias biológicas na Arquitectura, questionando a sua importância e o seu papel na prática arquitectónica. No contexto biológico pretende-‐se analisar a relação entre Arquitectura e Biologia através de uma perspectiva temporal, científica, metodológica e conceptual, salientando a elementaridade e o potencial da Natureza como resposta às adversidades arquitectónicas. Este estudo é suportado com a explanação das diferentes ramificações biológicas, entre as quais ganham destaque as áreas da Biónica, da Biomimética e do Biotecnológico. A obra de Frei Otto surge como exemplo elucidativo deste estudo, reunindo as qualidades necessárias e exemplificativas na adaptação de analogias [bio]lógicas à Arquitectura. Em complementaridade à sua obra, são expostas as participações em distintos grupos de investigação, as metodologias, a forte componente experimental, as técnicas e os processos de busca da forma, caracterizando o seu peculiar percurso como arquitecto. O Parque Olímpico de Munique, através das suas características arquitectónicas, biológicas e experimentalistas, é analisado como caso de estudo, constituindo um elemento esclarecedor da ligação entre Arquitectura, e a Biologia na obra de Frei Otto. A revisão deste exemplo procura, desta forma, sintetizar e demonstrar os objectivos propostos nesta dissertação. Palavras-‐chave: Arquitectura, Biologia, Frei Otto, Natureza, Biónica, Biomimética, Biomorfismo, Tecnologia, Parque Olímpico de Munique. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,882 | Arquitectura : substantivo feminino : contribuição para uma história das mulheres na arquitectura | Arquitectura, estudos,Mulher na arquitectura | Por diversas razões, que também dependem do contexto histórico e social em que ocorrem, as mulheres têm sido excluídas da história (ou têm papéis secundários) e as contribuições femininas permanecem subestimadas. A arquitectura tem apoiado o seu reconhecimento na vida dos ‘grandes mestres’ e nas suas obras, como ‘faróis históricos’ capazes de legitimar a quase totalidade de um discurso disciplinar. Algumas vertentes da teoria da arquitectura e diversos teóricos feministas têm investigado quais as consequências desta visão unilateral da história e quais as alternativas possíveis - este debate começou recentemente em Portugal mas tem vindo a ser desenvolvido sobretudo nos países anglo-saxónicos, em Espanha e na Austrália. O primeiro objectivo desta dissertação é explorar as formas como as mulheres vivenciam e ocupam o espaço, enquanto utilizadoras, e expor a problemática da construção da cidade e da arquitectura como um prática maioritariamente masculina, onde as mulheres e as minorias vão entrando de modo paulatino. Em segundo, surge uma tentativa de reformulação da arquitectura, enquanto instituição, e da sua história, que visa incluir as perspectivas das arquitectas, desvendar o mainstream da disciplina e explorar os cenários profissional e educacional da mesma, ambos do domínio masculino. A rematar, lança-se o debate da possibilidade de uma ‘arquitectura feminina’, com características próprias que podem levantar novas questões, soluções e práticas arquitectónicas. Estas temáticas estão relacionadas com o questionamento de género em arquitectura e são explanadas através de um alargado panorama de autores e autoras, com base numa série de antologias bastante heterogéneas em perspectivas, abordagens e opiniões. For many reasons, which also depend on the historical and social context in which they occur, women have been excluded from the history (or they have secondary roles) and female contributions remain undervalued. The architecture has supported its recognition in the life of the ‘great masters’ and their works, as ‘historic lighthouses’ able to legitimize almost all of a disciplinary discourse. Some aspects of the theory of architecture and many feminist theorists have investigated the consequences of this sided view of history and what the possible alternatives - this debate has recently started in Portugal but it has been mostly developed in anglo-saxon countries, Spain and Australia. The first aim of this thesis is to explore the ways women experience and occupy space, as users, and expose the problems of city building and architecture as a practice mostly male, where women and minorities are gradually rising. Secondly, there is an attempt to remodel the architecture as an institution and its history, that seeks to include the perspectives of architects, unravel the mainstream of the discipline and explore the professional and educational settings, both from male domain. To finalize, it opens the discussion of the possibility of a ‘feminine architecture’, with its own characteristics that can bring new questions, solutions and architectural practices. These themes are related to the questioning of gender in architecture and they are explained through a broad panorama of authors, based on a series of anthologies highly heterogeneous in perspectives, approaches and opinions. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,887 | A casa corrente na Baixa de Coimbra : aproximação a uma estratégia de intervenção | Património histórico, Coimbra,Centro histórico, Coimbra,Baixa de Coimbra, requalificação urbana,Coimbra | A Baixa de Coimbra é o centro da actividade da cidade e encontra-se actualmente num processo de deterioração e envelhecimento generalizado que é necessário contrariar. Com uma estrutura consolidada e uma riqueza patrimonial exemplar, acolhe sobretudo uma intensa actividade comercial. Todavia, também o comércio tem vindo a perder terreno face aos novos modelos de comércio localizados nas periferias da cidade. Por sua vez, as edificações têm sido alvo de constantes situações de abandono pela sua população, não permitindo que a zona tenha tido capacidade para atrair a habitação. É neste contexto que o projecto de intervenção da reabilitação urbana da Baixa de Coimbra pretende intervir, delineando uma estratégia para a Casa Corrente, construindo uma ponte para o futuro através de uma herança recebida, nomeadamente o património edificado e a oportunidade que ele representa na intervenção proposta. Actua-se num denominador comum, a redescoberta da cidade e da sua própria identidade, dotando-a de melhores condições de acolher a população residente e orientando a recepção de novos públicos-alvo, ultrapassando e evitando situações de estagnação e declínio. PALAVRAS-CHAVE: Baixa de Coimbra, Casa Corrente, Centro Histórico, Património, Reabilitação Urbana | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,889 | Arquitectura teatral na cidade : repensar o Teatro Sousa Bastos em Coimbra | História do teatro,Teatro Sousa Bastos, Coimbra, reabilitação, projecto | A presente dissertação procura reflectir sobre a importância e valor de edificios teatrais na actualidade. Parte com uma problemática que procura uma resposta concreta no meio da Arquitectura: Pode um edifício de tipologia teatral ser resposta para os problemas culturais de uma cidade? Inicia-se uma compreensão da relação entre Arquitectura e Teatro, fazendo uma análise da evolução da tipologia e inserções urbanas desde a Antiguidade Clássica até ao século XXI. Nesta, procura encontrar-se valores que possam justificar a validade da questão para a cidade e para o edificio teatral de Hoje . Tomando três casos de estudo, que se apresentam como tipologias, contextos e motivações diferentes, analisam-se as suas particularidades e envolvências (culturais e urbanas) que se apontam como perspectivas para uma mesma proposta. Na insuficiência de documentação sobre a História da Arquitectura Teatral em Coimbra , especialmente a partir do Século XX, faz-se um esforço por compreender o seu percurso desde o início do século XIX até à actualidade, mencionando momentos de excepcionalidade como Coimbra Capital do Teatro e Coimbra Capital Nacional da Cultura. No final apresenta-se uma proposta teórica para a reabilitação de um edificio que vem sendo alvo de propostas e vontades de reanimação mas que tem caido no abandono e se encontra praticamente degradado - o Teatro Sousa Bastos. Com esta proposta pretende-se concretizar a validade do problema-chave que se aponta para uma cidade tida como um pólo do conhecimento e que alberga actualmente a vontade e oportunidade de ganhar visibilidade por ter parte do seu centro histórico como património classificado pela UNESCO. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,890 | João Guilherme Faria da Costa : o caso único da Figueira da Foz | Costa, João Guilherme Faria da, 1906-1971, obra,rbanismo, Portugal, séc. 19-20,Plano de urbanização, Figueira da Foz, 1937, projecto,Plano de urbanização, Figueira da Foz, 1953 | primeiro urbanista português, João Guilherme Faria da Costa, dando particular relevância à cidade da Figueira da Foz. Porquê a Figueira da Foz? A resposta está ‘nos planos’. É do conhecimento geral que João Guilherme Faria da Costa realizou como tese de final de curso um plano de arranjo e extensão para a cidade da Figueira da Foz, mas o que não se sabe, ou pelo menos não é tão divulgado, é que este arquiteto-urbanista realizou outro plano para esta cidade, cerca de vinte anos mais tarde. Com base neste facto, achou-se de particular interesse perceber qual a evolução que o pensamento de Faria da Costa sofreu desde a realização da sua tese de final de curso, em 1937, até à execução do novo plano, em 1953. Esta análise procura, para além de revelar os princípios orientadores que o primeiro urbanista português adquiriu em Paris, mostrar a evolução que o seu pensamento sofreu quando passou da teoria à prática. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,891 | O bayle mourisco : arquitectura neomourisca em Lisboa e Sintra : as "casas marroquinas" de Raul Lino | Lino, Raul, 1879-1974, obra,Arquitectura portuguesa, séc. 19-20, influência islâmica,Neomourisco, arquitectura portuguesa, séc. 19-20,Mudéjar | O presente trabalho pretende organizar uma reflexão acerca da proveniência dos géneros arquitectónicos de influência oriental, edificados em Portugal, especialmente na dualidade Lisboa e Sintra, ao longo do século XIX entrando no início do século XX, tendo em consideração o contexto histórico e cultural europeu, ibérico e nacional. Assim, tendo por base a influência islâmica, a eleição dos casos de estudo recai essencialmente sob as obras em que se verificam elementos de carácter decorativo e/ou arquitectónico, que sugiram uma reinterpretação dos modelos de construção islâmicos e/ou mudéjar. Como forma de compreender a proveniência dos modelos de inspiração oriental que abordamos, e não esquecendo a contextualização oitocentista e a visão romântica do Oriente, é feita uma análise da imagem nacional como um país de relações com o Oriente, e no qual se enquadraria um género arquitectónico e decorativo proveniente de uma corrente ecletizante europeia. Advindo de uma interpretação nacionalista, é abordado o caso do arquitecto Raul Lino, que ao regressar a Portugal reconhece na nossa arquitectura elementos importados da arte islâmica, incorporando-os na sua obra, juntamente com outros elementos verificáveis na nossa tradição, como forma de criar um modelo arquitectónico sintetizador de uma linguagem portuguesa. Palavras-chave: Arquitectura neomourisca, Mudéjar; Neomudéjar; Oriente; Século XIX; Raul Lino; Lisboa; Sintra; Alentejo; Marrocos; Romantismo; Nacionalismo; Revivalismo. Abstract The present work intends to organize a reflexion on the origin of architectural genres of oriental influence, built in Portugal, particularly in the duality Lisbon and Sintra, throughout the nineteenth century entering the early twentieth century, taking into account the historical and cultural context European, Iberian and national. Thus, based on the Islamic influence, the election of the case studies, lies mainly on the works in which there are elements of decorative and/or architectural character which suggest a reinterpretation of Islamic and / or Mudejar models of construction. In order to understand the origin of the oriental-inspired models that we address, and not forgetting the nineteenth-century context and romantic view of the Orient, is made an analysis of the national image as a country of relations with the Orient, in which fits an architectural and decorative genre from an eclectic European current. Resulting from a nationalist interpretation, is approached the case of the architect Raul Lino, that on his return to Portugal recognizes in our national architecture imported elements of Islamic art, incorporating them into his work along with other elements verifiable in our tradition, in order to create an architectural model that synthesized a ‘Portuguese’ language. Keywords: Neomoresque architecture; Mudéjar; Neomudéjar; Orient; nineteenth Century; Raul Lino; Lisbon; Sintra; Alentejo; Morocco; Romanticism; Nationalism; Revival. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,897 | Desenhar a verde : um estudo comparativo entre a arquitectura sustentável high-tech e low-tech | Arquitectura sustentável,Meio ambiente | Torna-se cada vez mais evidente e urgente uma consciência global da necessidade de proteger o ambiente e minimizar o impacto negativo da actividade humana. A arquitectura tem um papel preponderante neste desafio uma vez que a construção, a utilização e demolição de edifícios envolvem um elevado uso de materiais, energia e produção de resíduos. O objetivo principal deste estudo é analisar não só a questão da sustentabilidade em edifícios, mas também comparar duas formas distintas de Arquitectura Sustentável, a High-tech e Low-tech, resultantes de dois diferentes contextos históricos, referindo não só as suas características formais, mas também a sua forma de pensar e filosofia. Através desta comparação, pretende-se perceber como se pode projectar de forma sustentável, como se caracterizam na prática os conceitos e mecanismos das diferentes abordagens, de forma a melhor compreender os seus resultados.The global awareness of the necessity to protect the environment and minimize the negative effects of human activities to the Planet is growing ever more urgent and obvious. Since building, using and demolishing buildings involves high energy and material consumption and waste production, architecture has a major role in facing this challenge before us. This paper focuses on analyzing not only the issue of sustainability in buildings, but also on the comparison between two distinct styles of sustainable architecture, the high-tech and low-tech. The two are a result of different historic contexts, not only in respect to their formal characteristics, but also the underlying philosophy and reasoning. Through this comparison one can try to understand how to design in a sustainable way and also how are the concepts and mechanisms of these different approaches practically defined in a way that will allow us a better understanding of its results. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,899 | Parede-pneu : uma técnica construtiva para a arquitectura solar passiva em Portugal : (projeto para uma pousada da juventude em Salreu | Arquitectura sustentável,Arquitectura bioclimática,Construção sustentável,Técnicas de construção,Energia solar,Pousada, Estarreja, projecto | Ler o seu termo – parede-pneu – porventura bastará para percebemos que esta é uma técnica construtiva que está longe do panorama da arquitetura em Portugal. Que técnica construtiva é esta, que ainda nem nome tem na língua portuguesa? Será ela apenas um produto gerado por e para alguma espécie de movimento underground? Porquê construir arquitetura com parede-pneu, quando o podemos fazer em betão? É essa mesma arquitetura que dá forma ao nosso habitat, e assim traduz aquilo que expressamos. E o que queremos nós expressar? Este trabalho pretende aproximar a parede-pneu das técnicas construtivas de que atualmente dispomos na arquitetura em Portugal, constituindo-a como uma alternativa válida. Para que possa, enquanto opção, contribuir para o projeto que se faz agora, pois será ele o habitat de amanhã. Palavras- | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,900 | A identidade de uma memória : através do Centro Histórico : a cidade de Viseu | Património arquitectónico, Viseu,Centro histórico, Viseu, reabilitação urbana | A Identidade de uma Memóriavisa refletir sobre a identidade da cidade,definida peloseucentro histórico,através da análise dos seus conceitos e,também,docaso de estudo, o Centro Histórico da Cidade de Viseu. Este tema é e será sempre adequado,porque aquestãodaidentidadeé umassuntoque faz parte da definição de todos os indivíduos, bem como de todas as cidades, sendoimportante conhecer as suassingularidades, as quaisos tornam únicos num mundo cheio de semelhanças, e saber as suasdiferenças, asque os distinguem uns dos outros, seja entre pessoas, entre sociedades, entre cidades ou entre objetos.Ointeresse pelos centros históricos das cidades tornou-se num fenómeno contemporâneo, existindo,cada vez mais,um cuidado, por parte das cidades e também das sociedades, em proteger e conservar os seus patrimónios, materiais ou imateriais, por estes serem umadas mais importantes particularidades que as definem.Estes elementos definidores são omotivopelo qualsetenciona analisar estes espaços históricos e as suas caraterísticas, e,de que forma estes,são ou não partes integrantes e identitáriasdas cidades.A mensagem que se pretende transmitir équea partir do momentoemque a sociedade identifica a sua cidade, identifica-se a si própria, sobretudose essa identificação for feita apartir do seu centrohistórico. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,902 | Sanatório do Outão : a evolução da arquitectura no combate à tuberculose | Sanatório do Outão,Sanatório, Portugal,Tuberculose,Forte de Santiago do Outão | Há edifícios que têm a capacidade de lutar contra o tempo, e persistir. À medida que os anos passam reinventam-se, adaptam-se às transformações da sociedade que os habita e às novas funções que adquirem. O Outão é um exemplo da elasticidade que foi apresentado ao longo dos tempos. Durante cerca de 500 anos obedeceu a um programa militar; um forte, que tendo começado apenas com uma torre, foi ampliado e modificado por diversas vezes, para ir respondendo às exigências que iam surgindo. Já no final do século XIX, com a queda do programa militar, o conjunto é remodelado, sendo-lhe acrescentado mais um corpo, renascendo, assim, como sanatório. Chegou a ter aproximadamente de 400 leitos, tendo sido o primeiro sanatório a operar no combate à tuberculose em Portugal continental. Esta dissertação pretende fazer uma análise das mudanças que foram sucedendo no Sanatório Marítimo do Outão, tendo, como base, os consensos médicos que travavam esta luta. passando pelos vários tipos de tratamento marítimo, o trabalho foca-se nas galerias de cura do Sanatório do Outão que, mesmo tendo sido construídas a posteriori, enaltecem toda esta ideia, dos benefícios advindos da exposição direta ao clima marítimo e ao sol. Assim, esta investigação vai permitir entender a evolução formal do Sanatório do Outão, enquadrando-o temporalmente - ao analisar as medidas contra a tuberculose que se tomavam no início do século XX, e como se explicavam, também, em outros sanatórios - e espacialmente - através do contexto do antigo forte e da sua própria evolução formal. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,907 | Coimbra | Universidade de Coimbra | Embora não o soubéssemos na altura, o leitmotif que veio a dar origem a esta dissertação surgiu num dos primeiros trabalhos do curso. A (então) recentemente renomeada disciplina de Introdução à Cultura Arquitectónica pedia que de entre os vários temas marcantes da história da arquitectura escritos no quadro, se formasse um grupo e se escrevessem algumas páginas a propósito de um deles. Escolhemos, quase ao acaso, A Arquitectura das Ditaduras. Este trabalho serviu, ainda que sucintamente, como uma introdução ao interesse no tema da relação Arquitectura/Poder, que esperamos seja mais aprofundado nesta dissertação. A relação entre a arquitectura e os vários poderes e ideologias políticas e a forma como estes se materializam em edifícios ficou como interesse particular dentro da disciplina arquitectónica. Queremos reflectir sobre o que está a montante e jusante da Arquitectura, perceber melhor o que, mesmo sendo externo, lhe confere contexto e consequência. Pretendemos pensar a Arquitectura desta perspectiva, como parte política, na génese da sua encomenda, e como parte programática, na sua realização, interdisciplinar e comunitária no uso. Tendo sempre este tema como objectivo para a dissertação, faltava fazê-lo palpável, concreto, faltava um objecto que servisse como caso de estudo. Este surgiu prontamente nas primeiras conversas com o orientador: os 3 pólos universitários de Coimbra, como reflexos privilegiados dos poderes que lhes deram origem, três episódios na Cultura Arquitectónica Portuguesa. Serviria então como base óbvia e essencial a esta dissertação o ensaio de Nuno Grande 3 pólos universitários, 3 faces da arquitectura portuguesa no número 29 da revista Rua Larga. Planeados como novas “cidadelas”, os três Pólos Universitários de Coimbra tornaram-se, a seu tempo, em assentamentos “datados” – mesmo que incompletos – isto é, cristalizados nas suas opções urbanísticas e arquitectónicas.1 O presente estudo surge com a vontade de reflectir sobre a relação Arquitectura/Poder, pensando a arquitectura e o desenho urbano como inevitáveis inscrições do poder, uma vez que as experiências de grande escala serão assim frequentemente apoiadas. Pretendemos compreender o que contextualiza a arquitectura e como esta argumenta o ideário do poder que a sustenta. Tomaremos como casos de estudo três episódios na Cultura Arquitectónica Portuguesa, concretizados nos três pólos da Universidade de Coimbra. Questionaremos nesta relação Arquitectura/Poder as intervenções do ponto de vista do Estado que as encomenda: o que diferencia ou aproxima, na materialização, o desenho encomendado por um regime de poder autoritário, como o Estado Novo, de um regime pós 25 de Abril, numa primeira democratização do acesso ao Ensino Superior? E o que separará ou terão por sua vez em comum com o regime democrático actual no que diz respeito aos edifícios construídos e à cidade desenhada? Interessa-nos, na perspectiva da relação Arquitectura/Poder estudar sistematicamente os três pólos da Universidade. Tendo sido a Cidade Universitária do Estado Novo, Pólo I, objecto de um maior número de estudos, tencionamos colocar os três pólos em contraponto, perceber a encomenda que origina cada um deles, analisando-os do ponto de vista do desenho arquitectónico e de cidade, os aspectos que os distinguem e que os aproximam. Queremos, sobretudo, através dos três pólos, contar a história da cultura arquitectónica portuguesa nesses respectivos momentos. Vários autores exploraram já a relação Arquitectura/Poder. Deyan Sudjic em The Edifice Complex questiona a capacidade que a arquitectura terá de projectar um edifício com um significado inerente. Também Adrian Tinniswood em Visions of Power analisa esta relação ao longo da História, em vários edifícios e regimes assinaláveis que vão desde o Panteão de Adriano em Roma à nova cidade de Paris de François Mitterrand. A origem da Universidade em Portugal foi também já objecto de vários estudos: Joaquim Veríssimo Serrão, em A História das Universidades expõe o contexto na origem das primeiras universidades europeias. A compilação editada pela Fundação Calouste Gulbenkian, História da Universidade em Portugal trata os vários aspectos na origem e primeiros séculos depois da fundação dos Estudos Gerais portugueses. A Universidade na Cidade, prova de doutoramento de Rui Lobo, estuda o período de origem da universidade, respectivo urbanismo e arquitectura, até ao seu desenvolvimento pleno2. Como referência no estudo da reforma de D. João III tomaremos a tese de doutoramento de Walter Rossa, Divercidade: urbanografia do espaço de Coimbra até ao estabelecimento definitivo da Universidade. Pelo mesmo autor, o capítulo A cidade Portuguesa no terceiro volume da História da Arte Portuguesa coordenado por Paulo Pereira e O Verdadeiro Mapa do Universo, de Nuno Grande, servirão como referências quanto ao estudo da reforma Pombalina na Universidade de Coimbra. No livro Cidade Sofia, resultado de um ciclo de conferências no âmbito de Coimbra, Capital Nacional da Cultura 2003, com coordenação de Rui Lobo e Nuno Grande, reflecte-se sobre o programa da cidade universitária em vários exemplos de cidades europeias, em especial, Coimbra nos seus vários pólos. Nuno Rosmaninho em O Princípio de uma “Revolução Urbanística” no Estado Novo analisa, no período de 1934-1940, os primeiros planos para a Cidade Universitária de Coimbra com a intenção de melhor explicar a origem do projecto que nos anos seguintes viria a operar profunda remodelação urbanística na Alta da cidade. Em O Poder da Arte, O Estado Novo e a Cidade Universitária de Coimbra, do mesmo autor, temos uma análise detalhada da intervenção do Estado Novo na Cidade Universitária de Coimbra. O autor analisa a construção dessa cidade como uma das melhores expressões de arquitectura de poder do Estado Novo, afirmando que poucas obras revelarão tão claramente o uso propagandista do património. Várias provas finais de licenciatura em Arquitectura tiveram como objecto de estudo a edificação levada a cabo pelo Estado Novo, algumas das quais analisam a Cidade Universitária de Coimbra. Destas destaca-se a prova Expressão: Fascista? O Percurso da Cidade Universitária de Coimbra como expressão de uma arte política de Sílvia Benedita onde é estudada a cidade universitária como instrumento de um poder. No que diz respeito ao estudo do Pólo II, existe a prova final de Filomena Pinheiro, Pólo II: uma Nova (Univer)Cidade. A dissertação de doutoramento de Maria Madalena Aguiar da Cunha Matos, As cidades e os campi, será referência quanto ao estudo dos edifícios universitários em Portugal. Nos dois pólos mais recentes, a base fundamental do estudo serão necessariamente os documentos consultados no Gabinete para as Novas Construções da Reitoria da Universidade de Coimbra e os documentos cedidos ao Arquivo da Universidade de Coimbra pelo antigo Pró-Reitor, Professor Carlos Sá Furtado. A pertinência do trabalho aqui proposto prende-se com a análise que porá em contraponto, para cada um dos três pólos universitários, o contexto que lhes deu origem, a encomenda e o poder que a sustentou, e como este terá eventualmente condicionado a resposta dos arquitectos no desenho. Pretendemos perceber as intenções da Universidade e de todo o seu desenvolvimento desde a génese da encomenda ao processo de construção. A importância desde estudo estará também na perspectiva da relação Arquitectura/Poder no estudo dos Pólos II e III e a sistematização e contraponto com a cidade universitária de Cottinelli Telmo, já alvo de mais estudos pormenorizados. Assim, no capítulo ZERO, de contextualização e antecedentes, começaremos por fazer uma breve reflexão sobre a relação Arquitectura/Poder que será fio condutor da dissertação. Estudaremos brevemente a origem da Universidade em Portugal como antecedente da fixação da instituição em Coimbra. Neste estudo interessar-nos-á particularmente, a mudança definitiva dos Estudos Gerais para Coimbra com a reforma de D. João III. Analisaremos também a reforma levada a cabo pelo Marquês de Pombal e consequentes e particulares reflexos na Universidade de Coimbra. Interessa-nos, mais que fazer um estudo aprofundado que aqui não caberia, fazer uma breve análise, do ponto de vista da relação Arquitectura/Poder da fundação da Universidade e respectivas reformas fundamentais anteriores ao Estado Novo: a de mudança definitiva para Coimbra levada a cabo por D. João III, e a do Marquês de Pombal que rematou o processo de expulsão dos Jesuítas e reforma do ensino, até então monopolizado pela Companhia. Seguiremos depois, no capítulo UM, com os três episódios na arquitectura portuguesa, o primeiro dos quais será o período do Estado Novo, cujas opções tomadas na construção da Cidade Universitária de Coimbra tomaremos como caso de estudo. Interessa-nos perceber a génese do projecto, a sua relação com a cidade existente, o modo como se relaciona com o regime político que o apoia. Saber como nasce a cidade universitária contra a topografia e memória da velha Alta, como é imposta a planta e como aparece a nova linguagem arquitectónica monumental-nacionalista. No capítulo DOIS debruçar-nos-emos sobre o estudo do Pólo II, Pólo das Engenharias, como objecto resultante e, de certa forma, representativo do contexto pós-25 de Abril em Portugal com a democratização do acesso ao Ensino Superior e consequente acréscimo do número de cursos, disciplinas e estudantes. Analisaremos as intenções e condicionantes no concurso para o plano do Pólo II e os desígnios e teoria na base da proposta vencedora dos arquitectos Camilo Cortesão e Mercês Vieira. Tentaremos perceber a resposta de cada um dos arquitectos para os diferentes edifícios e programas, e respectiva concretização numa aparente consistência tipológica e uniformidade formal e material. Interessa-nos perceber a encomenda da Universidade, sob um poder democrático, necessariamente mais difuso. No capítulo TRÊS, o objecto de estudo final será, necessariamente, o Pólo III, das Ciências da Saúde, localizado na zona de Celas, junto do Hospital Universitário inaugurado em 1987. Observaremos as condicionantes impostas no plano do arquitecto Eduardo Rebello de Andrade e a resposta dada no projecto de cada um dos edifícios. Na sua maioria assinadas por ateliers de jovens (colectivos) de arquitectos, e objecto de concurso público, cada um dos edifícios parece assumir-se como um objecto, num aparente novo tipo de racionalismo, eminentemente formal, numa desmaterialização da escala e da leitura de pisos e vãos, que o autonomiza.3 Concluiremos, no capítulo QUATRO, pondo em contraponto os três casos de estudo, desde o contexto na respectiva génese, poder que o apoiou na encomenda e materialização. Compararemos a forma como cada um dos pólos universitários desenhou a cidade e interagiu com o existente, a sua concretização, linguagens utilizadas e respectiva coerência e intenção. Por último, no capítulo Anexos estará o importante ponto de vista de pessoas com um papel chave no processo de construção da Universidade de Coimbra através de entrevistas: o Engenheiro Rui Prata, o Professor Carlos Sá Furtado, o Arquitecto Eduardo Rebello de Andrade e a Doutora Teresa Mendes. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,909 | Tur'n to green | Edifício Industrial,Arqueologia Industrial,Urbanismo,Espaços Verdes | A reconversão de antigas estruturas que se encontram obsoletas ou em ruína é, actualmente, e será cada vez mais, uma problemática pertinente. Considerando a situação contemporânea do mundo industrializado, onde se assiste cada vez mais ao declínio e falência de vários modos de produção industrial, muitas vezes coincidentes com a debilitação da economia e da política, mostra-se importante ensinar à sociedade maioritariamente consumista, em tempos de crescente escassez financeira, que importa reutilizar o que já existe. Nos dias de hoje mais de metade da população mundial vive nas cidades ou em zonas urbanas e, nas próximas décadas, esse número poderá crescer para cerca de dois terços1; é preciso aprender a considerar a cidade que envelhece como um recurso a acarinhar, como algo em extinção, e não como um jogo de legos que se monta e desmonta quando não queremos brincar mais. No panorama português actual, e face à crise que o país está a atravessar, é incontornável que se pensem maneiras de reaproveitar o vasto património construído pré-existente (de um modo geral, e industrial em particular), conservando ao mesmo tempo a materialidade e a memória histórica que lhe deu origem. Para estes espaços serem reabilitados torna-se necessário percebê-los, com os seus aspectos positivos e negativos, de forma a evoluírem e responderem aos propósitos de uma evolução presente. Apesar de, com a criação da Expo’98, Portugal se ter colocado no mapa no que toca á regeneração urbana territorial, ainda demonstra ser um país com pouca experiência a este nível; as revitalizações e reconversões que se têm realizado são mais frequentemente direccionadas a um objecto específico, não tratando o território no seu conjunto.Esta dissertação tem como objectivo apresentar e perceber algumas formas de intervir no património industrial, mais particularmente as reconversões que promovem novos espaços verdes, confrontando e reagindo aos problemas produzidos pelos vazios e ruínas urbanas, frutos da desindustrialização a que temos vindo a assistir com início evidente a partir das décadas de 70 e 80 do século XX. Num desejo de responder positivamente a este acontecimento crescente, nas últimas décadas, sempre que possível, as sociedades têm vindo a procurar soluções para valorizar estas arqueologias industriais. Fazem-no com a ambição de melhorar as condições de vida nas cidades, quer seja pela substituição de alguns elementos originais, que pela reutilização do espaço para outros fins. De que forma podem então estas estruturas industriais ser transformadas? Que paisagens urbanas permitem construir, a fim de corresponder aos novos modos de vida da sociedade contemporânea? A sua transformação em espaços verdes responde às necessidades das cidades onde se inserem? Através da análise de casos específicos – o IBA EMscher Park, o High Line e o Paddington Reservoir Gardens –, tentamos compreender algumas soluções experimentadas no âmbito paisagístico/urbano, na última década, a fim de concluir se a reconversão destes espaços em novas áreas verdes urbanas poderá constituir uma solução para responder proveitosa e criativamente à obsolescência e/ou ruína das estruturas industriais, tanto a nível internacional como (e principalmente) a nível nacional. A pertinência deste trabalho prende-se com a análise e o reconhecimento da importância das intervenções feitas em antigas estruturas industriais, convertidas para parques públicos verdes, que actualmente representam pontos de desenvolvimento importantes em áreas específicas. As soluções apresentadas pretendem despertar a consciência para um problema crescente no meio urbano, em vários países incluindo o nosso, e assim mostrar que é possível devolver aos habitantes uma parte relevante da cidade, enriquecida com as memórias industriais que aí se cristalizaram. É importante reflectir sobre o que despoletou a necessidade de metamorfose da área devoluta, os processos pelos quais passaram até ao que são hoje, as características (positivas ou negativas) que inseriram no território, e qual o futuro que estes parques nos reservam ou permitem aspirar. Esta análise será realizada tendo em vista uma possível aplicação ao nosso país, uma vez que não existe aqui uma conjugação directa entre a obsolescência e as áreas verdes urbanas. A metodologia para a realização deste trabalho apoia-se em bibliografia especializada de história da indústria, de desenvolvimento do território e da arquitectura, bem como na análise de obras que tratam reconversões ou reutilizações de edifícios industriais. Uma vez que apenas foi possível a visita ao caso de estudo nova-iorquino, o parque urbano High Line, tornou-se imprescindível proceder à recolha de informações detalhadas dos demais projectos e dos testemunhos dos autores, ou de moradores da zona, sempre que possível. Do conjunto destas leituras resultaram três capítulos: Herança Industrial, Preservação e Memória e Old Spaces New Ideas. No primeiro – Herança Industrial – é descrito, de uma forma sintetizada o aparecimento da indústria, e as principais mudanças que as sociedades e os territórios sofreram com este acontecimento. O segundo capítulo – Preservação e Memória – aborda as consequências do aparecimento e, mais tarde, a obsolescência dos produtos construídos do processo industrial, e expõe os procedimentos actuais de valorização do património, face às estruturas abandonadas. É, igualmente, explicada a importância da preservação deste património arqueológico, dando especial destaque à memória. No último capítulo – Old Spaces, New Ideas – são analisados três exemplos, que retratam antigas estruturas industriais, obsoletas ou em ruína, que através de um processo de reconversão e revitalização foram transformadas em parques verdes urbanos. Ao estudar estes casos específicos procurou-se compreender se o resultado produzido, se essas reconversões de zonas industriais urbanas em novos espaços verdes, respondia a novas e reais necessidades das cidades onde se inserem, e de que maneira o factor localização deve, ou pode, ser determinante para o despoletar de acções futuras, de novas expansões ou realizações, ou se será um factor simplesmente irrelevante. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,911 | Claustros serlianos em Portugal | Claustro de D. João III do Convento de Cristo,Claustro, Portugal séc. 16-17,Serlio, Sebastiano, 1475-1554, obra | Após uma pesquisa bibliográfica e estudo, o grupo dos Claustros Serlianos demonstrou maior pertinência e interesse em ser aprofundado, nomeadamente pela possibilidade deste motivo em clautros ter tido a primeira expressão em Portugal, com o Claustro de D. João III do Convento de Cristo em Tomar. O estado da arte relativo ao motivo Serliano em claustros está pontualmente abordado por alguns autores: George Kubler em A Arquitectura Portuguesa Chã, estuda os Claustros de Tomar e de S. Domingos de Benfica; Miguel Soromenho e Rafael Moreira dedicam-se, respectivamente, ao Claustro de S. Bento da Vitória no Porto e ao Claustro de Torralva em Tomar, em História da Arte Portuguesa volume II,Círculo de Leitores. Estas obras serão referênciais para este trabalho. Assim, esta reflexão terá como intuito estabelecer uma abordagem comparativa e de conjunto no uso da serliana nos claustros portugueses. “O Claustro de Tomar é muito mais complexo que qualquer desenho italiano do mesmo século.” 2 Pretende-se perceber como começa este “movimento”, o sentido inovador e o seu seguimento no uso da serliana; perceber o facto de ser tão breve; perceber o que leva a um intervalo de duas décadas entre o primeiro exemplo - o Claustro de Tomar do traçado de Torralva (1558-1564, com a retoma do motivo serliano em 1584, com o início dos trabalhos de Terzi em Tomar) e o conjunto que se seguiu de Claustros Serlianos (1596-1635). O facto da serliana ser tão pouco usada em Claustro desperta curiosidade acrescida, assim como o carácter pioneiro da utilização deste motivo em claustro, com o exemplo de Diogo de Torralva (1500-1566) no Convento de Cristo em Tomar. A evolução do método construtivo/estrutural usado nos claustros da época acrescenta interesse por este trabalho. A passagem do uso do contraforte nos Claustros Castilhianos (e.g. Colégio de S. Tomás e Colégio de S. Jerónimo, em Coimbra) para o uso da Serliana. O Claustro Castilhiano é tipicamente de configuração quadrangular e duplo andar, dotado de três tramos separados por contrafortes e preenchidos por um sistema de arcaria geminada (ao nível do piso inferior) e vãos de verga recta (ao nível do piso superior). Os espaços claustrais dos colégios renascentistas da Rua da Sofia, em que se enquadra o de S. Tomás, formalizam um conjunto tipológico homogéneo, que resultou de uma evolução tecnológica e estilística delineada pelo mesmo autor, Diogo de Castilho, para específica adaptação às necessidades dos novos colégios universitários. No conjunto de Claustros Serlianos em Portugal, iniciado pelo Claustro de D. João III, identificam-se mais seis casos de estudo. Esta selecção deve-se às características de cada um destes claustros, onde se pode observer a matriz serliana do tratado de Serlio: o claustro do Colégio dos Agostinhos de Coimbra, de Filipe Terzi, datado de 1593-96; o claustro do Convento da Graça de Lisboa, sendo obra anónima, possivelmente de finais do século XVI; o claustro de S. Bento da Saúde em Lisboa, de Baltasar Álvares, datado de 1598-1615; o claustro de S. Bento da Vitória no Porto, de Diogo Marques Lucas, datado de 1608; o claustro de S. Domingos de Benfica, que poderá estar ligado a Diogo Marques Lucas, datado de 1624; e o claustro do Santíssimo Sacramento de Alcântara, de autor desconhecido, datado de 1620-1635. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,913 | Memórias deslocadas | Arquitectura, Portugal, Séc.20,Arquitectura, Holanda, séc. 20,Amaral, Keil do, 1910-1972, obra,Siza, Álvaro, 1933- , obra | Ao percorrer a cidade de Amesterdão sobressai a unidade da construção e a escala acolhedora, contrastando estranhamente com a condição de capital europeia. É curioso rever esta experiência urbana nos textos de Keil do Amaral sobre a Holanda nos anos 1930, ainda que embebidos num deslumbramento difícil de repetir nos dias de hoje. O sentido de ordem e unidade evidencia-se ainda em Haia, onde os projectos de Álvaro Siza de 1980/90 se dissolvem num gesto de anonimato deliberado. Os dois arquitectos portugueses chegam à Holanda por motivos distintos. O primeiro visita o país em viagem, inicialmente por iniciativa própria e posteriormente no âmbito de um estudo sobre parques verdes, centrando-se nas cidades de Amesterdão e Hilversum. O segundo é convidado para elaborar um projecto de reabilitação urbana na periferia de Haia e desenvolver dois projectos de habitação colectiva e um projecto de duas moradias. A presente dissertação propõe uma análise sobre práticas arquitectónicas entre Portugal e a Holanda, estabelecendo um paralelo entre duas geografias através dos métodos de projecto de Keil do Amaral e Álvaro Siza. A escolha de duas experiências com lugar neste país de terras baixas parte de um interesse pessoal pelas diferenças que actualmente se evidenciam no entendimento da disciplina nos dois contextos, tendo levantado questões que contribuíram para a minha formação. Considerando o erro que a generalização necessariamente contém, a arquitectura portuguesa demonstra uma maior maturação relativamente ao passado e ao significado das formas e dos espaços, enquanto a arquitectura holandesa evidencia estratégias mais próximas da conceptualização e da inovação tecnológica. São interpretações pessoais, que remetem respectivamente para respostas sobre o significado do espaço («saber porquê») e sobre a resolução técnica do espaço («saber como»). Contudo, a revisão da arquitectura portuguesa, nos anos 1930/40 e nos anos 1970/80 através do olhar crítico sobre o contexto holandês de Keil do Amaral e Álvaro Siza, detém uma especificidade própria dos tempos em que as experiências ocorreram. Alves Costa destaca “as figuras de Keil do Amaral, Fernando Távora e Siza Vieira, talvez de outros, como portadores de consciência da permeabilidade recíproca dos discursos fundamentando racionalidades plurais, sendo as suas obras, elas próprias, pelas quais deverão ser julgadas e não pela aplicação de categorias conhecidas.”2 Keil do Amaral e Álvaro Siza representam duas gerações muito particulares do contexto nacional, transparecendo questões relativas à arquitectura portuguesa nas suas interpretações sobre as experiências na Holanda. Enquanto as viagens de Keil do Amaral se enquadram no contexto de ditadura em Portugal, sendo muito limitados os contactos com o exterior; os projectos de Álvaro Siza correspondem a um período de maior abertura ao contexto internacional e reconhecimento da arquitectura portuguesa. Tendo em consideração as transformações arquitectónicas em dois momentos no contexto português e holandês, questiona-se sobre o poder das contaminações ocorridas através de itinerários individuais. A convicção de que o jogo entre referências do arquitecto e realidade colectiva constitui um factor determinante para o resultado arquitectónico conduz ao tema da memória. Este é um conceito valorizado depois da Segunda Guerra Mundial, enquanto tema participante no exercício de projecto, contudo, o debate com a realidade que antecede o projecto foi recorrentemente um tema presente, consciente ou inconscientemente, nas experiências de Keil do Amaral e de Álvaro Siza. Com efeito, o acto criativo implica a exposição da individualidade, associada à memória individual, perante a realidade colectiva que engloba contexto físico, cultura, história, comunidade, sistema político e económico. Apesar de se reconhecer na actualidade a relativização da questão autoral, sendo cada vez mais premente o trabalho colaborativo, importa não destituir de significado o imaginário individual do arquitecto. Nesta ordem de ideias, importa sublinhar que: “A Arquitectura enquanto expressão criativa, a par com outras artes, será sempre o resultado de processos complexos, transdisciplinares, intuitivos que implicam na sua expressão autoral e poética o confronto saudável entre objectividade e subjectividade, entre ciência e arte, entre regra e excepção.”3 Nos primeiros dois capítulos desenvolve-se a análise da actividade na Holanda dos dois arquitectos separadamente, incorporando a contextualização do momento anterior à «partida» e o posterior ao «regresso». As duas sequências cronológicas têm como momento central a experiência holandesa de cada um, correspondendo ao desvio do referencial de origem. É necessário considerar que o «antes» e o «depois» cingem-se aos aspectos que contribuíram para a experiência central e àqueles que dela decorreram. Numa leitura linear das diversas experiências, ou seja, atendendo ao seu valor enquanto parte da formação, é possível compreender a cadeia de dependências que, cumulativamente, contribui para o arquivo mental do arquitecto. A base factual da análise assenta na informação gráfica dos projectos realizados e visitados e, essencialmente, nos discursos de cada um dos arquitectos em entrevistas ou textos próprios. No terceiro capítulo introduz-se a ideia de memória no âmbito da viagem, atendendo às circunstâncias de contaminação cultural inerentes à prática arquitectónica. Distingue-se este conceito enquanto arquivo mental do arquitecto e enquanto construção colectiva aplicada à arquitectura. No plano individual, destacam-se os mecanismos relativos à memória e percepção, e a presença destes mecanismos na transformação do real; no plano colectivo, a ideia de memória como concepção partilhada é interpretada no âmbito do pensamento arquitectónico dos anos 1920 aos anos 1980. Retomando a citação inicial de Herberto Hélder, a memória no âmbito do projecto é entendida como experiência, individual ou colectiva, que adquire operacionalidade perante a condição presente. Tendo em conta a visão dos dois arquitectos em causa sobre a noção de memória em arquitectura, procede-se, por fim, à interpretação dos percursos entre Portugal e a Holanda. Salienta-se a movimentação de referências de Keil do Amaral de Amesterdão e Hilversum para os projectos de parques verdes em Lisboa; e a contaminação da experiência e referências de Álvaro Siza, inerentes aos projectos de habitação social em Portugal, para os que realiza em Haia. A compreensão das múltiplas influências convergentes no projecto permite relacionar empatias e contrastes evidenciados entre a arquitectura portuguesa e holandesa, destacando-se os temas inerentes à cidade, à metodologia e técnica e à concepção espacial e formal. O significado da memória para Keil do Amaral e Álvaro Siza consiste numa linha orientadora da análise dos contrastes entre forças individuais e colectivas presentes nos três temas especificados. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,915 | Ernesto Korrodi | Arquitectura, Portugal,Korrodi, Ernesto, 1870-1944, obra,Leiria | Todo o cidadão possui muitas relações com algumas partes da sua cidade e a sua imagem está impregnada de memórias e significações.”1 Ao percorrer Leiria, deparamos-mos com diversos elementos físicos que se destacam na imagem da cidade, pela sua presença urbana. A cidade é povoada por diversos edifícios significativos, caracterizados pelo seu desenho arquitectónico que tiveram um determinado autor, tempo, e espaço de concretização. No entanto, muitas vezes, os edifícios que nos despertam a atenção são ao mesmo tempo identidades desconhecidas, das quais não temos qualquer informação ou conhecimento relativos a quem os projectou. Apesar da diferente percepção de cada indivíduo, alguns desses elementos acabam por marcar a imagem e consequente identidade da cidade. Actualmente, ao recordar Leiria, a primeira imagem que nos surge é a do paço acastelado no alto do morro. Mas este castelo nem sempre apresentou a imagem que tem hoje e, até à sua reconstrução no início do século XX, apresentava-se em ruínas. Ernesto Korrodi «[…] foi o grande responsável pela imagem de Leiria, ao fixar, idealmente, a reconstituição das ruínas do seu castelo.»2 Mas a sua intervenção na cidade não se limitou aos estudos histórico-arqueológicos do castelo. Ernesto Korrodi (1870-1944), que veio para Leiria como professor de desenho, rapidamente propagou a sua tendência artística na actividade de architecto construtor.3 Foi como arquitecto que marcou a imagem da cidade de Leiria do início do século XX, com obras em que é possível reconhecer um estilo arquitectónico próprio, que se destaca no gosto revivalista da época. Além de realizar alguns dos mais relevantes edifícios públicos de Leiria, «seria essencialmente nos seus projectos para casas de habitação e prédios de rendimento que Korrodi, como arquitecto desse tempo, melhor o soube interpretar e definir.»4 Este trabalho tem como principal objectivo a análise do estilo arquitectónico do arquitecto Ernesto Korrodi, através dos projectos de habitações de modo a compreender a evolução e maturidade do seu estilo. Para tal, estabelecemos a cidade de Leiria como espaço físico de concretização desses projectos e a habitação como programa que consolida o tecido urbano. «A casa é um documento autêntico da vida do homem – documento de pedra e cal, mas de extraordinária importância para estudarmos os costumes, a evolução do gosto e da vida social.»5 Procuramos encontrar e definir as principais zonas de intervenção onde se inserem essas habitações; seguindo-se uma análise das diferentes tipologias habitacionais e o seu enquadramento no tecido urbano. Não sendo possível uma análise exaustiva de todas as obras, para os casos de estudo, escolhemos exemplos que representem as diferentes características tipológicas e de enquadramento. A sua escolha prende-se ainda com aquelas que, pelo seu carácter estilístico, melhor caracterizam a evolução do estilo pessoal do arquitecto. Assim, apresentam-se as habitações que, pelo seu valor artístico, têm impacto visual quando percorremos a cidade. No entanto, não pretende ser um trabalho monográfico com uma descrição histórica exaustiva de cada habitação, e muito menos a história genealógica dos seus habitantes, mas sim uma análise do estilo arquitectónico do edifício e a sua relação com a cidade. Para tal, recorreu-se essencialmente aos seus projectos, pois «se os projectos mais significativos de Korrodi foram quase sempre alterados por razões que o ultrapassavam, é sobretudo aí, mais do que nos edifícios construídos, que devemos procurar inferir o seu estilo pessoal.»6 A investigação iniciou-se com a pesquisa da bibliografia existente sobre a vida e obra do arquitecto Ernesto Korrodi. O primeiro reconhecimento e identificação dos edifícios da autoria de Korrodi na cidade de Leiria deveu-se à obra de Genoveva Oliveira – Ernesto Korrodi: Roteiro na Cidade de Leiria (2010). Consiste num roteiro que circunscreve os principais edifícios na cidade, permite ter um conhecimento geral daquilo que foi a intervenção de Korrodi e facilita a sua identificação in situ. Mas apresenta uma determinada lacuna de informação arquitectónica sobre a maioria dos edifícios de habitação. O principal estudo divulgado sobre o arquitecto Ernesto Korrodi é da autoria de Lucília Verdelho da Costa – Ernesto Korrodi: 1889-1994: arquitectura, ensino e restauro do património (1997), e diz respeito, sobretudo, a questões relacionadas com os estudos histórico-arqueológicos do castelo e com o seu percurso como professor, fazendo referência a alguns aos projectos de arquitectura. Foi esta obra que muito auxiliou a elaboração deste estudo, e na qual nos apoiamos para melhor descrever o percurso artístico de Korrodi. Quanto à estruturação desta dissertação, compõe-se por três momentos distintos mas sequenciados: o arquitecto, o lugar e a obra. Num primeiro capítulo dedicado ao arquitecto Ernesto Korrodi, apresentamos o seu percurso artístico antes de se dedicar à actividade de arquitecto, referindo a sua actividade enquanto professor e os estudos histórico-arqueológicos. Para tal, faremos um pequeno enquadramento respectivamente da situação do ensino em Portugal, que justificou a vinda de Korrodi para o nosso país; e da situação do património arquitectónico no panorama português, que fundamentou as suas intervenções. Relativamente à arquitectura, apresentamos em primeiro o panorama artístico nos finais do século XIX e início do século XX, que transitava dos revivalismos para o modernismo através da Arte Nova. Partindo do contexto europeu, centramo-nos na situação portuguesa, na qual se enquadra a obra de Korrodi. É no termo deste capítulo que apresentamos o percurso arquitectónico de Korrodi. Indicamse as influências e principais particularidades do seu estilo arquitectónico. Focando a questão da habitação apresenta-se a evolução da linguagem decorativa, que caracterizou a sua obra. O segundo capítulo prende-se com a cidade de Leria, de modo a contextualizar o espaço físico, cenário das diversas intervenções de Korrodi. Baseámos a pesquisa na bibliografia existente sobre a história e morfologia da cidade. Assim apresenta-se um contexto histórico da cidade, a partir do qual nos centramos na época em estudo, caracterizada pela expansão e adensamento do tecido urbano. Apresentamos ainda o impacto que a obra de Korrodi teve na imagem da cidade de Leiria. O terceiro capítulo é finalmente dedicado à questão da habitação urbana que nos finais do século XIX ainda era predominantemente constituída pela moradia unifamiliar. Apresentamos a casa burguesa como o espaço doméstico que caracteriza a habitação urbana, a qual desenha a cidade. Assim, descrevemos a evolução da habitação na cidade de Leiria, centrando depois o estudo nos projectos realizados por Korrodi. Primeiro identificam-se as principais zonas da cidade onde se localizam essas habitações. Referimo-nos também aos projectos que consistiram em alterações e ampliações do edificado existente. Seguidamente, no que concerne aos projectos para novas habitações apresentam-se as tipologias realizadas, o seu enquadramento urbano e relação com o espaço público. Neste último ponto, analisam-se os casos de estudo que consideramos melhor representarem a evolução da linguagem decorativa e que demonstraram ter um maior impacto visual, destacando-se na imagem da cidade. Deste modo, dá-se especial destaque à habitação unifamiliar, apresentando os exemplos mais representativos de moradias isoladas e moradias em banda. Sem querer expandir muito o programa habitacional plurifamiliar, centramos a sua análise no desenho das fachadas. Procuramos apresentar uma série de elementos particulares – como o padrão dos azulejos, as cantarias e o desenho de gradeamentos – constantes nas obras e que permitem facilmente identificar e reconhecer um edifício da autoria dA recolha de informação gráfica, relativa aos projectos das habitações teve por base várias fontes. Em primeiro o Fundo Pessoal Ernesto Korrodi, disponível no Arquivo Distrital de Leiria (ADLRA). Nele se encontra o espólio do arquitecto, doado pelos seus herdeiros ao ADLRA, composto por diversos tipos de documentação relativos à vida pessoal e profissional do arquitecto e do qual faz parte «um vasto número de projectos e plantas arquitectónicos não só da região de Leiria, mas de todo o território nacional».7 A partir da secção relativa aos projectos de arquitectura realizados na cidade de Leiria restringimo-nos aos projectos de habitação. De seguida, os processos do Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Leiria (CML), tendonos sido informado que abrangiam todos os projectos aprovados pela CML. O conjunto é constituído por um grande número de processos, dos quais fazem parte não só os projectos originais, mas também os processos relativos a alterações e remodelações. No entanto, em alguns casos, após pesquisa in situ não conseguimos encontrar a concretização física desses projectos; o que nos leva a concluir que no decorrer do tempo poderão ter sido profundamente alterados, demolidos, ou que não tenham sido construídos. Estes dois espólios complementam-se numa imensa documentação que traduz a intensa actividade arquitectónica de Korrodi. Ainda assim, ao consultar o Inventário do Património Arquitectónico do SIPA relativo ao edificado na cidade de Leiria, deparamo-nos com mais edifícios que estão indicados como sendo da autoria de Ernesto Korrodi e que excedem o conjunto formado pelas fontes acima referidas. Destas habitações, desconhecemos a localização da informação relativa à documentação gráfica. Com o decorrer da pesquisa, deparamo-nos com um grande número de projectos de habitações realizados pelo arquitecto. Na impossibilidade de numa dissertação de mestrado apresentar e desenvolver toda a documentação recolhida, achamos por bem não a manter oculta, mas antes divulgála através da criação de um catálogo. Apesar de não ser o objectivo primeiro desta dissertação, esta documentação serviu de base para o seu desenvolvimento. Em anexo encontra-se o catálogo com a listagem de projectos relativos a habitações que identificamos como sendo traçados por Korrodi para a cidade de Leiria - Lista das habitações identificadas em Leiria, da autoria de Ernesto Korrodi. Apesar de apresentar um número considerável de obras, admitimos que não é uma lista exaustiva e terá, como em todas as obras deste género, algumas falhas. Pretende-se com esta lista iniciar uma base de dados, que permitirá o futuro desenvolvimento de estudos mais aprofundados. Numa segunda parte do catálogo apresentam-se fichas relativas às obras mais significativas do arquitecto, que incluem a diversa informação recolhida referente a cada obra – Fichas individuais das habitações. Nessas fichas, apresentamos a informação gráfica que foi possível recolher e que se considerou relevante, pelo seu valor artístico e por melhor caracterizar o estilo arquitectónico de Korrodi. Com este catálogo, pretende-se ainda dar a conhecer à população em geral e aos leirienses em particular, a extensa obra do arquitecto Ernesto Korrodi, «suíço de nascimento e leiriense por adopção».8 Ao longo do trabalho, quando nos referimos aos projectos incluídos no catálogo indicamos, em nota de rodapé, o número de projecto apresentado no catálogo Anexo [P --], de modo a facilitar a referência à sua consulta. Resta-nos referir que, ao longo deste trabalho, quando nos referimos ao arquitecto Ernesto Korrodi, apenas o apresentamos com o nome de família – Korrodi. Nos casos em que pretendemos referirmo-nos ao seu filho, também arquitecto, utilizamos o nome Camilo Korrodi. Korrodi. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,916 | Cidade litoral | Ribeira Grande de Santiago | A ilha de Santiago, Cabo Verde, sofreu uma reestruturação administrativa em 2005 e foi constituído o concelho da Ribeira Grande. Sendo um concelho recente, foi elaborado em 2010 o Plano Director Municipal, tendo em vista a expansão da sua área urbana e consolidação de as diversas localidades espalhadas. Neste concelho encontra-se inserida a Cidade Velha, centro histórico e patrimonial, apresentando-se como o poder administrativo local, abarcando diversas problemáticas quer a nível social quer a nível espacial. Esta dissertação pretende reflectir sobre o modelo de expansão proposto para a concepção da Cidade Nova do PDM, com base em factores inerentes ao lugar, fazendo também uma abordagem ao tema do património e o seu papel na Ribeira Grande. A pertinência do tema advém de um interesse pessoal neste lugar, onde componente histórica transcende a dimensão desta pequena localidade, e também de uma vontade de desenvolver um pensamento crítico sobre uma área que até pouco tempo estava caída no esquecimento e actualmente é considerada Património da UNESCO. Neste contexto, a primeira parte do trabalho “Análise” trata primeiramente os factores históricos da Cidade Velha, lugar onde se fixa o primeiro povoamento em Cabo Verde, a sua formação até aos dias de hoje. Seguidamente é exposta a situação do concelho da Ribeira Grande em relação aos aspectos geomorfológicos e sociais, com a finalidade de se compreender a área em estudo. De seguida é feito uma abordagem ao tema do centro histórico da Cidade Velha, como lugar de origem da construção de um ambiente familiar distinto que se relaciona com o espaço urbano envolvente, numa procura de traços gerais que permitam caracterizar o lugar. Este entendimento do lugar, a estas três escalas diferentes, remete para a percepção da essência local e das vertentes do concelho. Estas análises pretendem ser base para a compreensão da proposta de ordenamento do Plano Director Municipal da Ribeira Grande, onde se insere a construção da Cidade Nova para o concelho. A concepção desta nova urbanidade será objecto de estudo central do presente trabalho, baseando-se seguidamente numa reflexão crítica sobre a elaboração deste novo paradigma e como se relaciona a sua projecção como o centro histórico e a envolvente. A segunda parte do trabalho “Proposta” procura ir ao encontro da linha de pensamento estabelecido no capítulo anterior, desenvolvendo uma proposta prática, denominada Cidade Litoral, como o intuito de resolver as problemáticas não só do concelho, mas também da zona histórica. Aqui o texto aborda a implantação e a construção do novo abrangendo aspectos inerentes ao concelho. Neste contexto, o centro histórico tem um papel importante na medida em que aparece como o ponto de partida para esta idealização espacial. Este segundo capítulo apresenta por conseguinte um conjunto de desenhos, acompanhando o processo descritivo, que procuram demonstrar a solução pretendida, traduzindo os conceitos abordados ao longo do conteúdo teórico exposto neste trabalho. Esta solução pretende demonstrar de forma crítica uma alternativa ao modelo urbano proposto no PDM para a Ribeira Grande. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,917 | A piscina de marés e as termas de Vals | Arquitectura contemporânea,Arquitectura, Estudos,Espaço na Arquitectura,Siza, Álvaro, 1933-, obra,Zumthor, Peter,1943-, obra. | A arquitectura contemporânea é marcada por uma diversificação e multiplicação generalizada. Cada arquitecto desenvolve a sua arquitectura, não existem regras ou uma linha de pensamento que apontem uma tendência concreta. É necessária uma reflexão acerca desta arquitectura, perceber o que deve oferecer ao homem contemporâneo. Torna-se necessária uma mudança, se a vida está presa num sentido, numa direcção, naturalmente procura e encontra outra forma de continuar.1 Contudo, a arquitectura contemporânea não beneficia de avanços tecnológicos significativos que proporcionem uma renovação expressiva da linguagem arquitectónica, como no caso do Movimento Moderno. Viramo-nos para outros formatos de mudança… Depois de uma construção massiva com o movimento moderno, surge uma forte mediatização da arquitectura. Aqui o que importa é a imagem e a criação de novas formas de nos chamar a atenção, de nos seduzir através do que observamos. O arquitecto surge como figura de um star system que o reconhece como criador dessas novas formas ou imagens. Esta forte tendência coloca de parte a vivência do homem no espaço como interesse prioritário, destruindo a linguagem, identidade e noção de pertença. Esta dissertação pretende reflectir, sobre um dos caminhos possíveis, acerca da importância de uma recuperação de valores passados, por uma arquitectura de experiência que, visivelmente, está em decadência. A experiência de que falamos é a da percepção e da sensação, a relação entre o homem e o seu invólucro. É importante perceber que a arquitectura tem uma ligação física e intrínseca com a vida, com o homem. É para ele que ela existe. A arquitectura deve exaltar a vida, deve tornar visível como nos toca o mundo.2 Pretendemos reflectir sobre estas questões e compreender a necessidade de as incorporar nos nossos projectos. Deste modo, iremos fazer referência à arquitectura contemporânea que, remando contra a maré, ainda insiste nas relações que fortificam e densificam a experiência de quem habita esse espaço. Pareceu-nos evidente o estudo das Piscinas de Marés de Álvaro Siza e das Termas de Vals de Peter Zumthor, não só porque partilham de uma sensibilidade para com o tema que acreditamos ser inerente e transversal a qualquer boa arquitectura, como nos mostra que, independentemente da cultura e influências, os princípios que regem o processo arquitectónico são os mesmos – o respeito pelo lugar, pelos materiais, pelo homem; sobretudo porque desde o início deste curso foram elementos de referência e de inspiração. Começámos por ler alguns críticos que se mostram fundamentais para o entendimento da arquitectura contemporânea [Sigfried Giedion, Bruno Zevi, Le Corbusier, entre outros], de modo a sustentar e a tornar mais coesa a noção, ainda pouco clara, do mundo e da arquitectura actual. Sigfried Giedion vê na história da arquitectura e da arte, no passado, uma forma de analisar o presente e antecipar o futuro, pretendendo mostrar a evolução da noção de espaço ao longo dos tempos, a ideia de que o passado está sempre presente no presente. Além disso, revela a importância da cultura e das tradições para a construção de um futuro [próximo ou não], revê as concepções do espaço ao longo da história de modo a captar pistas para uma noção arquitectónica contemporânea e tenta, de certo modo, fazer no campo da arquitectura o mesmo que Einstein fez na física: trazer um conjunto de regras que estabeleçam um princípio regulador ou modelo que nos permita evoluir sobre o conceito de espaço. É um pouco neste sentido que a dissertação se vai desenvolver, um retomar dos princípios reguladores da arquitectura que nos parecem fragilizados e cada vez menos incluídos na concepção dos espaços e edifícios. A par de um entendimento da teoria arquitectónica, procurámos uma fundamentação filosófica com base numa compreensão dos temas inerentes à experiência que envolve o mundo contemporâneo. O mundo, enquanto complexo de relações, não permite o estudo da experiência sem a criação de uma rede de articulações teóricas, sem uma abertura ao novo e desconhecido e sem uma reflexão sobre o mesmo. A complexidade do tema engloba uma multidisciplinaridade que aprofundada irá alargar o campo de estudo, intensificando e enriquecendo a problemática. Assim, o estudo de temas como a percepção, os sentidos, a sensação, o pitoresco, o movimento, a empatia [Einfühlung] - a relação homem-espaço - serão de um profundo interesse para a compreensão da temática. Começaremos com uma análise de conceitos que giram em torno da problemática da concepção do espaço, da relação homem-espaço. Debateremos as diferenças entre paisagem e natureza, entre lugar e espaço. Da percepção à apreciação será um subtema no qual iremos proceder ao desmantelamento da evolução da estética, do pitoresco estático até à percepção em movimento. Falaremos de Kant, de Dilthey, de Schamrsow, entre outros, o que conduzirá ao subtema O corpo em Movimento. Por fim, e de modo a rematar esta abordagem mais filosófica, iremos tratar as questões da linguagem, como entendemos o espaço e de que forma pode o arquitecto contribuir para um entendimento mais generalizado deste [ainda que a experiência seja individual e única]. Prosseguiremos com um enquadramento da noção de banho, da água enquanto elemento inerente às obras que nos propomos estudar, a evolução e crescente incorporação na vida quotidiana e de como se tornou resposta na procura de um experienciar o espaço. Por fim, iremos referenciar os casos que deram origem a esta dissertação – primeiro as Piscinas de Marés, depois as Termas de Vals – numa abordagem pragmática, discutindo os pensamentos que poderão ter estado na sua origem, fazendo um enquadramento do projecto, descrevendo e reflectindo acerca da sucessão espacial. Interessa-nos a arquitectura que é mais do que uma resposta funcional ao programa proposto, a arquitectura que nos toca, que nos motiva, que encontra formas de interacção com o ser e que existe por ele. Esperamos conseguir fazer jus à sua importância e motivar a sua reflexão com as próximas páginas. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,918 | Le dodici città ideali | Superstudio, obra,Movimento moderno | As revoluções estudantis italianas levadas a cabo durante o controverso ano de 68 ficaram, sobretudo, marcadas pela batalha do Valle de Giulia no dia 1 de Março. A Faculdade de Arquitectura de Roma, ocupada pelos estudantes já desde o início de Fevereiro, presenciou, neste dia, um dos muitos confrontos entre as forças de autoridade e os estudantes que se revoltavam contra os sistemas de educação autoritários e hierárquicos. Este ano, não só em Itália, mas em toda a Europa, com o principal epicentro em Paris, foi marcado por uma grande crise revolucionária que tomou grandes proporções, indo desde as ocupações estudantis, tanto no ensino superior, como no secundário, às lutas de classes e greves gerais. Estas revoluções vieram agravar o panorama italiano que se mantinha instável desde o final da segunda Guerra Mundial. Apesar de no final dos anos 40 a arquitectura italiana estar no centro da atenção crítica e, finalmente liberta do fascismo, Itália pudesse ser a génese do desenvolvimento do movimento moderno europeu, tal não sucedeu, uma vez que a reconstrução do pós-guerra se deu muito tardiamente e as condições políticas e económicas com que o país se debatia não permitiam este progresso1. A crise do modernismo fazia-se sentir por toda a europa, surgindo duas fortes e antagónicas vertentes europeias que discutiam o seu futuro: por um lado os arquitectos britânicos – muito impulsionados pelo Team X formado nos encontros finais dos CIAM – que propuseram reinterpretações modernas e mais tecnológicas, deixando de parte a cidade tradicional; e por outro os arquitectos italianos que procuraram dar continuidade à cidade histórica, defendendo a tradição e memória – que é o caso de Bruno Zevi, Giulio Carlo Argan e Ernesto Nathan Rogers. É neste panorama de desenvolvimento incerto do movimento moderno, numa revolução de princípios sociais, políticos, económicos e ideológicos, e das revoluções nas universidades, que surgiram vários grupos que se propuseram a dar hipóteses e soluções radicais, notoriamente utópicas, para esta crise moderna. Durante os anos 60, aparecem vários grupos de estudantes italianos, que desafiaram e subverteram as metodologias funcionalistas dos modernistas do início do século. A cidade de Florença serviu como génese deste fenómeno particular, ao qual Peter Lang vai denominar geração Superarchitecture2. Este é o caso dos Superstudio, um grupo de estudantes finalistas de arquitectura formado em 1966, que desenvolveram “propostas radicais que tomavam as contribuições tecnológicas como referência conceptual e crítica”3. O trabalho dos Superstudio acaba por oscilar incertamente entre propostas radicais de teorias tecnológicas e socialistas para a cidade moderna, e a produção de objectos de mobiliário, próprios de uma sociedade de consumo. Os Superstudio nascem então no seio de uma sociedade italiana ansiosa por uma revolução, inundada não só pelo rio Arno, mas também por valores historicistas e racionais, ansiando uma reformulação ideológica dos princípios da arquitectura moderna. Adolfo Natalini, Cristiano Toraldo di Francia, Roberto Magris, Piero Frassinelli, Alessandro Magris e Alessando Poli são os membros do grupo em questão, que vão tomar um papel preponderante num movimento reformista, utilizando a ironia, a crítica e a utopia como língua oficial. Desde o pós-guerra, com a necessidade de reconstrução de grande parte das cidades europeias, muitas utopias urbanísticas do início do movimento moderno tentaram passar do papel para a concretização, e pela europa fora surgiram cidade histórica defendida pelos mestres italianos. As vanguardas desenvolvidas durante estes anos estavam destinadas a transformar o que até aqueles tempos era considerado um elemento perturbador e confuso em possibilidades criativas, trabalhando ao redor de hipóteses de a arquitectura funcionar como um meio crítico, usando sistematicamente a metáfora, demonstratio quia absurdum4 e outros recursos retóricos de forma a ampliar a discussão sobre a disciplina.5 Nesta dissertação pretende-se estudar o trabalho deste grupo no âmbito das propostas urbanísticas tecnológicas e mega estruturalistas que desenvolveram numa abordagem contra utópica e provocativa com o texto Le Dodici Dittà Ideali, em 1971. Aqui, Piero Frassinelli, descreve doze cidades ideais, “isolando um número de particularidades do urbanismo moderno, como a industrialização da construção, zoning, uniformidade”6, oferecendo a cada cidade uma versão extrema de cada característica. Pretende-se também compreender de que forma é que as vanguardas europeias que surgem pela europa dos anos 60, com propostas utópicas que agem também de forma crítica em relação ao panorama vivido, serviram de influência ao grupo italiano. Alimentava-se uma época em que as utopias político-sociais se desenvolviam em paralelo com a vontade de conceber uma cidade ideal, para o usufruto de uma sociedade também ideal. Deste modo, será possível concluir como é que a sociedade acolheu estas propostas radicais, que representavam imagens de um futuro melhor e mais desenvolvido, e que graças ao seu carácter chamativo e imagético, chegavam mais facilmente e de forma directa ao cidadão comum. Assim, num primeiro capítulo, que se pretende como um enquadramento da investigação, percorre-se a história das revoluções estudantis italianas nas panorama do ensino historicista e conservador da Itália do pós-guerra e pelas tendências modernistas da arquitectura italiana da época. Então, faz-se também uma pequena revisão do panorama arquitectónico italiano e os resultados das reuniões finais dos CIAM – Congrès International de Architecture Moderne. O segundo capítulo foca-se nas características da arquitectura radical de sessenta, remetendo para a particularidade do grupo em estudo e a forma como progrediram os seus trabalhos junto da sociedade italiana e no panorama da arquitectura. Desta forma, assimila certos movimentos que tiveram modos de acção semelhantes aos Superstudio, com projectos e utopias que procuravam uma cidade ideal, juntamente com críticas à evolução da arquitectura da época. O último capítulo pretende ser um estudo mais genérico da crítica à cidade e sociedade modernas por parte dos Superstudio, fazendo uma análise do texto das Doze Cidades Ideais, tentando perceber as bases que os levaram à execução da obra e o resultado que as suas propostas tiveram, ou poderiam ter. “As Dodici Città Ideali não eram, de todo, cidades ideais, mas uma espécie de pesadelo científico baseado nalgumas tendências já existentes, exageradas ao máximo.”7 O estudo deste tema pareceu estimulante pelo facto de despontar num contexto social que teve resultados semelhantes por toda a europa, inclusive em Portugal, mas que no entanto não resultou uma repercussão deste género, um movimento díspar de carácter radical, que entrava em ruptura com o que tinha sido feito até então, fazendo uso da arquitectura para a crítica social. A análise deste tipo de propostas é também pertinente tendo em conta o actual panorama de crise que se arrasta pela europa. Permite-nos questionar sobre a viabilidade de um revivalismo do pensamento utópico e radical característico dos anos 60, de modo a criar espectativas de um futuro favorável, não só na arquitectura, mas também a nível social, político e económico. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,919 | Significado e emoção | Lewerentz, Sigurd, 1985-1975, obra,Arquitectura, estudos | Do latim significatus, que significa sentido ou sinal, o significado é um termo que, de uma forma ou de outra, tem figurado em um grande número de disputas filosóficas durante a segunda metade do séc. XX. Sem a mesma profundidade de um estudo filosófico, a questão do significado é uma problemática que me acompanha desde um tempo que já não consigo recordar. Ainda antes do meu percurso académico comecei a indagar-me sobre o significado das coisas, sobre a relação entre a experiência de um objecto e o sentido que lhe deu origem. Interroguei-me continuamente sobre o porquê. Porque seria mais agradável a cadeira de meu avô que a da minha escola? Porque sabia melhor a água naquela caneca de barro que a minha avó teimava em deixar fora do meu alcance? Porque razão me sentiria tão abraçado e protegido sempre que brincava no velho casão? Há qualquer coisa de intrigante, de misterioso, neste sentimento que alguns objectos despertam em nós. Com a entrada no curso de arquitectura estas dúvidas apenas se intensificaram. Eu não só pensava enquanto sujeito de uma acção sobre um objecto, mas também enquanto indivíduo que lhe podia dar origem, isto é, sobrepunha-se nessa altura um problema directo preso com a minha intencionalidade, com a mensagem que eu queria transmitir. O que significa isto? O que pretende isto ser? O que vão sentir aqui as pessoas? Nestas perguntas que me surgiam diariamente durante o processo de projecto havia muito esta arrogância, quanto a mim natural e inocente, de querer fazer sentir algo, ou seja, de querer transmitir a alguém (um ser imaginário porque afinal de contas tratavam-se de projectos académicos), através de um qualquer recurso, uma determinada sensação projectada a partir de mim mesmo. Havia sempre uma vontade pessoal, centrada em cumprir as necessidades funcionais de um programa, à qual sentia necessidade de juntar algo mais; à razão quis juntar emoção. Acredito que, e tomo de empréstimo as palavras de Zumthor, O processo de projectar baseia-se numa cooperação contínua entre o sentimento e o intelecto. As emoções, preferências, ânsias e cobiças que surgem e tomam forma devem ser examinadas com um raciocínio crítico. É depois o sentimento que nos transmite se os pensamentos abstractos são coerentes. (…) a verdadeira substância da arquitectura é originada, no meu entender, pela emoção e inspiração.1 A esta forma pessoal de fazer, ou melhor, de pensar sobre arquitectura, juntavamse os projectos que fui conhecendo nos livros e a experiência das visitas de estudo: durante todos os anos do curso percorri, com amigos e professores, edifícios fantásticos (e outros nem tanto); relembro pormenorizadamente alguns deles, sendo que de outros pouco mais que uma imagem me resta. Voltava agora, de forma mais madura e intelectual, a questão que já se abatia sobre mim há muito tempo: que qualidade, ou que características possuem estes edifícios, ou objectos, que os tornam tão apetecíveis à minha memória? Porque diabo me tocam estas obras?2 Este sentimento, de que, de alguma forma, havia objectos com os quais me identificava, coisas pelas quais nutria uma especial empatia incomodava-me, porque de repente, parecia-me imperceptível essa associação, isto é, eu não conseguia perceber o porquê desse fenómeno. Das piscinas de Leça, ao museu dos Judeus em Berlim, várias foram as obras que me impressionaram de uma forma particular; pareciam-me carregadas de significado, de emoção, mas como se constrói objectos assim? Como se constrói o significado e a emoção? Perguntei-me eu a mim mesmo tantas vezes. A leitura do livro As Built, uma monografia do ateliê inglês Caruso St. Jonh, mostroume a obra de um outro arquitecto: pertencia a outro tempo, chamavam-lhe de mestre, Sigurd Lewerentz de seu nome. Aquele texto, Sigurd Lewerentz y una base material de la forma, captou a minha atenção. As palavras de Adam Caruso, e as imagens das obras de Lewerentz, produziram em mim uma sensação de estranheza; ainda não era a obra na sua totalidade que ali estava presente, mas aquela mistura de palavras e imagens, juntamente com a minha imaginação, tiveram em mim um impacto que, tal como aconteceu em alguns edifícios, eu não conseguia explicar. Com o tempo fui aprofundando o meu conhecimento da obra deste arquitecto, embora não tivesse experienciado a sua obra fisicamente, comecei a compreender algumas coisas: as formas albergavam de forma funcional os programas que lhes correspondiam, eram edifícios bonitos, eu pelo menos sentia-me fascinado pela aparência estética daqueles objectos; mas não era só isso, comecei a denotar, mesmo antes de lá ter estado, que havia questões que trespassavam a simples realidade física; a forma, com Lewerentz, dava lugar a uma emoção, isto é, era possível depreender naquelas obras significados que não estavam fisicamente ali – tudo parecia revelar o seu sentido. Ao partir para este trabalho de dissertação pareceu-me importante aproveitar a oportunidade para pensar sobre estas questões que me acompanhavam. Na obra de Lewerentz encontrei um amparo e um objecto de estudo. Visitei as obras e congratulei-me com a satisfação de tudo ser como esperava, melhor, de ser melhor do que esperava. Quando se tem demasiadas expectativas, ou se conhece muito de uma coisa, o medo da desilusão é uma questão que está marcadamente presente (mas não foi este o caso). Assim este trabalho terá como objectivo retomar um assunto pendente no meu percurso (o que não invalida que se possa indexar ao percurso de outros), a partir de um momento pessoal marcante: a experiência do significado na obra de Lewerentz. Definir a questão e a sua génese é o ponto de partida. Percebendo primeiro a origem da colocação do problema, isto é, porque existe esta diferença entre objectos que parecem refundir-se numa abstracção intangível, e outros nos quais o sujeito se revê e depreende significados. Os primeiros prendem-se numa abstracção que leva ao descomprometimento para com o sujeito enquanto habitante do mundo. Por oposição, temos uma outra qualidade de edifícios, que se conectam com o ser humano, que evocam emoções; usando as palavras de Dan Graham, este tipo de arte irradia ante un testigo (sujeto) que debe dar cuenta de ella, acogiéndola, reconociéndola. Tal testimonio constituye la intervención y la instalación de la cual puede derivar un mundo transfigurado.3 O significado em arquitectura parece começar neste processo, da interacção entre um sujeito e uma obra. Partindo desta ideia, este trabalho centra a questão a partir das condições que podem definir, em certa medida, a interacção que o Homem estabelece com o mundo que o envolve, relacionando-as com a arquitectura de Sigurd Lewerentz, onde se foram encontrando materializadas algumas dessas proposições. Naturalmente, seguir-se-ão questões que, apoiadas pelos textos de alguns autores, e pela experiência deste próprio autor, buscarão hipóteses de explicação para esta problemática. Sem nunca promover uma espécie de verdade irrefutável, este trabalho almeja apenas alcançar uma visão, justificada, de um problema que é adstringente à potência da construção arquitectónica. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,920 | Arquitetura de terra | Arquitectura de terra, taipas,Construção em terra | A sociedade encontra-se numa época de mudança. Existe uma consciência maior sobre os problemas resultantes do modelo de desenvolvimento atual. Ao nível da construção, estes aspetos traduzem-se na procura de métodos alternativos, que permitam uma arquitetura mais adaptada ao lugar e menos desperdiçadora de recursos. É neste contexto que a terra regressa como um material de construção: verifica-se uma aceitação mais generalizada da taipa, pelas suas potencialidades estéticas e ecológicas associada a processos mecanizados que permitam a sua inserção no mercado. Em Portugal, é no Alentejo que a técnica recomeça a ganhar mais expressão. No entanto, as exigências atuais aliadas às novas ambições arquitetónicas, fazem com que a terra seja vista como um material limitado; é no confronto com a água e grandes esforços mecânicos que as construções manifestam algumas fragilidades. Ao mesmo tempo, ao observar as construções ancestrais, não existem dúvidas da resistência no tempo, conseguida através dos poucos meios que o Homem tinha à disposição - os materiais naturais, o engenho e a arte. Assim, procura-se perceber de que forma pode a arquitetura intervir na durabilidade das construções, tendo em conta as particularidades do material e da técnica. É feita uma análise geral sobre as diferentes abordagens contemporâneas, baseada em exemplos internacionais e na realidade do Alentejo. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,923 | Por um hospital mais urbano | Hospital de S. João do Porto,Hospital da universidade de Coimbra | A partir do século XX, uma nova linguagem, proveniente da revolução industrial, torna-se transversal a todo o discurso arquitectónico. O hospital pavilhonar é substituído por uma nova tipologia – o hospital vertical. Com o acelerado crescimento urbano proveniente do processo de industrialização das cidades, as novas construções hospitalares tendem a ocupar um lugar periférico, o que lhes permitia prever e introduzir posteriores ampliações e, ao mesmo tempo, os dotava de uma tranquilidade, não encontrada no interior dos centros urbanos. Se num primeiro momento esta periferização do hospital conduz ao aparecimento de novas vias estruturais de circulação automóvel que permitissem a sua ligação aos centros urbanos, ao mesmo tempo potenciava o desenvolvimento de toda essa área periurbana. Actualmente, este afastamento esbate-se em função de uma posterior malha urbana ter absorvido estas regiões. O hospital passa a estar integrado na cidade tornandose um “motor de economia” da mesma. Dada a especificidade e complexidade do programa que incorpora, tende a propiciar o aparecimento de novos equipamentos, não só de apoio à própria actividade escolar, mas, também, de ensino, habitação, comércio, etc. Contudo, persistem ainda problemas de articulação e estruturação da rede viária e áreas de estacionamento, bem como a abertura destes equipamentos à sua envolvente e aos eixos de animação urbana. Com base nestas considerações, depreende-se a relevância e a actualidade do tema de requalificação das envolventes hospitalares como meio de minimizar os problemas socio-urbanísticos e promover o desenvolvimento equilibrado destas zonas da cidade. “O hospital de Hoje deve ser aberto para a cidade e romper com esta imagem de fortaleza implantada (…) nas franjas das nossas cidades que durante séculos simbolizaram a exclusão, a morte e a doença.”1 Esta questão revela-se importante quando enquadrada numa reflexão sobre o espaço público hospitalar, enquanto espaço urbano e enquanto palco de diferentes níveis de socialização. Partindo deste princípio, a requalificação destas áreas constitui uma oportunidade de inverter a “dinâmica negativa” que envolve o Hospital, promovendo um ambiente urbano, social e globalmente coeso e equilibrado na cidade. Deste modo, esta dissertação tem como objectivo, a partir do estudo de dois hospitais portugueses – o Hospital de Universidade de Coimbra, EPE. e o Hospital de São João, EPE - compreender a relação destes equipamentos com a cidade e a sua participação directa ou induzida na construção da mesma, bem como elaborar uma reflexão sobre o conceito de hospital contemporâneo e a forma como arquitectos e urbanistas intervém hoje na envolvente destes equipamentos, numa tentativa de adaptar o hospital do século XX à cidade do século XXI. A consciência da importância deste tema na actualidade, motivou a escolha no âmbito desta dissertação. Considerou-se útil a elaboração de um estudo que, por um lado contribuísse para a compreensão da problemática em questão e por outro sistematizasse alguns objectivos globais de intervenção arquitectónica na requalificação destes espaços. Para tal, procedeu-se à leitura e análise de diversas obras e trabalhos académicos como: “A Cabana do Higienista”, “Hospitais: daorganização à arquitectura”, “Os novos princípios do urbanismo: o fim das cidades não está na ordem do dia”, “Para uma Cidade mais Humana”, “Reabilitar o urbano ou como restituir a cidade à estima pública”, “Colóquio Hôpital, urbanisme et Architecture” bem como de diversos artigos em publicações periódicas, com edições dedicadas à saúde e ao urbanismo, que se evidenciaram mais significativas, como por exemplo “El espácio público como Crisis de significado” e “Espaços de Saúde”. Não menos importante foi também a aula “Hospitais: edifícios de corpo e alma”, leccionada no Departamento de Arquitectura da FCTUC pelo Dr. Artur Vaz e organizada pelo Professor Doutor Paulo Providência. A escolha dos objectos em estudo justifica-se por, em ambos os casos, se tratarem de hospitais escolares construídos durante o século XX na periferia da cidade e por, se terem desenvolvido projectos de reabilitação da envolvente hospitalar, factos que permitem a análise e comparação entre eles. É de salientar no entanto que, apenas no caso do Porto, o projecto se encontra em fase de execução. O Hospital de São João, EPE, inaugurado em 1959, da autoria do arquitecto alemão Hermann Distel, trata-se de um hospital escolar construído em plena época do Estado Novo, cuja obra é bem representativa deste tipo de Arquitectura de Estado. A dualidade programática – Hospital e Faculdade de Medicina – deste projecto veio assim motivar a edificação de novas infra-estruturas, dando origem ao actual Pólo II da Universidade do Porto. Inicialmente, colocado na periferia da cidade, na zona da Asprela, o hospital apenas dialogava com o centro urbano através da Circunvalação. Posteriormente, durante a década de 50 e aquando a concretização do Plano Regulador da Cidade do Porto, são propostos novos eixos rodoviários que viriam agilizar não só a ligação ao hospital, mas também da cidade universitária ao centro urbano. Para além dos diversos edifícios dedicados ao ensino começam a surgir outro tipo de infraestruturas que, por sua vez, complementam as já existentes. É o caso do Instituto Português de Oncologia (IPO), das residências universitárias, de habitações colectivas e unifamiliares e, em 2005, da linha amarela do Metropolitano do Porto. Actualmente o Projecto da Área Central do Pólo II da Universidade do Porto, criado sob a orientação do Arquitecto Rui Mealha, visa a estruturação funcional, urbanística e ambiental2 desta zona da cidade. A criação de um espaço ligado à Ciência e Tecnologia e de um Parque Urbano, reabilitando a antiga Ribeira da Asprela, aliados a uma série de factores de atractividade e a novos eixos de mobilidade, potenciarão o desenvolvimento de uma nova centralidade urbana na cidade do Porto. O Hospital da Universidade de Coimbra, EPE, inicialmente instalado nos velhos colégios da Alta, começa a ser construído em 1980 nos terrenos da Quinta do Espinheiro, em Celas. Seguindo a tipologia monobloco vertical, o projecto da autoria do arquitecto Fernando Flores, implantado no centro do terreno, carece de relação com a própria cidade. Tal como no Porto, também a localização periférica do hospital motivou o aparecimento de novas infra-estruturas e equipamentos ligados ao ensino e à saúde. A deslocação da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra para junto do Hospital retoma a imagem Faculdade/Hospital, outrora existente aquando a sua fixação na Alta de Coimbra. O plano do Pólo das Ciências da Saúde - Pólo III, do arquitecto Rebelo de Andrade, vem propiciar um novo centro de ensino, investigação e tratamento na área da saúde em Coimbra. No entanto, trata-se de um plano voltado para dentro do seu próprio programa3 não comunicando com o hospital, como seria de esperar. O projecto urbano para o HUC, realizado pelo Centro de Estudos em Arquitectura da FCTUC (CEARQ), sob a coordenação dos Arquitectos Gonçalo Byrne e António Bandeirinha, fundamenta uma proposta de reabilitação da envolvente hospitalar, com a criação de novos equipamentos de saúde e consequente estruturação da rede viária e qualificação do espaço público, propiciando o diálogo entre Hospital, Universidade e Cidade. Também aqui, a incorporação do metro ligeiro de superfície vai reforçar e complementar o sistema de circulação viária. Esta dissertação encontra-se dividida em dois capítulos. No primeiro capítulo – Evolução da tipologia hospitalar - irá fazer-se uma abordagem à história dos hospitais, a partir do século XVIII, seguindo uma lógica cronológica. Pretende-se assim compreender o conceito de hospital e a sua evolução ao longo da história. Inicia-se com a tipologia pavilhonar seguindo-se o hospital vertical, cuja influência e linguagem dos processos industriais marca a arquitectura moderna. Numa segunda fase procede-se a uma reflexão sobre o conceito de hospital contemporâneo, abordado sobre dois pontos de vista: o hospital enquanto edifício propriamente dito e as componentes que influenciam a sua arquitectura e o espaço público enquanto espaço de saúde. Este subtema fará a ponte entre o capítulo I e o capítulo II. No segundo capitulo – O hospital como factor de desenvolvimento urbano – irá proceder-se à análise dos casos de estudo e dos respectivos Planos de Urbanização, tendo em conta três componentes: Hospital, Universidade e Cidade. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,924 | Ensino na arquitectura, arquitectura no ensino | Dias, Manuel Graça,Arquitectura, ensino, Portugal, 1970-1977,Arquitectura, reforma de 57 | Concluímos que o ensino da arquitectura é, no período em questão, instável, sobrecarregado e desadequado. Procurava formar um “arquitecto investigador”, com isso havia uma certa sobrecarga disciplinar, nomeadamente de cadeiras das áreas das ciências socais e exactas, para além de que estas não tinham uma interligação adequada com as disciplinas essenciais do curso e que desconsideravam o lado artístico do curso. Questiona-se o ensino moderno implementado pela reforma de 57 que chega sete anos depois de ser proposto e que vem desactualizado pois no panorama do debate arquitectónico os ditames modernos são questionados, provocando debates e contestações sobre a formação do arquitecto e a sua função na sociedade. A Reforma de 57, acaba por não ser bem aceite nem os alunos nem a nova geração de professores, provocando divergências entre “duas gerações” de professores, estes e os mestres residentes. Manuel Graça Dias entra na ESBAL em 1970, neste período de instabilidade da escola em que se verifica, paralelamente uma crise instaurada na universidade. Apesar se terem sido tomadas algumas medidas que tentaram reformular os cursos de arquitectura, o regime ditatorial não permitiu que essas medidas fossem sucedidas. O país encontra-se socialmente instável e a instabilidade reflecte-se também no ensino. As manifestações dentro e fora da escola culminam com a Revolução de Abril de 74, e o curso de arquitectura é encerrado nesse ano. Os alunos são “abandonado” à sorte, até que a escola volte a abrir no novo ambiente democrático, o que acontece em 1976. Neste ambiente, que se reflecte no ensino, surgiu a possibilidade de um encontro entre a escola e a nova cultura emergente. Manuel Vicente abriu novos horizontes a Manuel Graça Dias quando, através das suas aulas, levou a cultura pós-moderna para a ESBAL. Os ideais do pós-modernismo, em que o técnico e o simbólico se encontram num misto de arte e ciência, reconciliaram Manuel Graça Dias com o curso e com a Arquitectura. De facto, pudemos constatar com a realização da presente dissertação que que a influência do professor na escola será, de todas elas, a mais importante. Apesar da situação de instabilidade da escola enquanto Manuel Graça Dias a frequenta, a reflexão sobre a sua obra confirma que as influencias que assimilou do seu tempo de estudante terão sido de professores, mais do que o ensino que se queria protagonizado na escola. Tendo em conta que cada ano é constituído por um corpo de docentes variados e que, normalmente, muda de ano para ano, o estudante de arquitectura tem várias hipóteses de se identificar melhor com um deles. O que aconteceu com MGD, no primeiro e último ano do curso, com professores que não estavam presos ao comodismo e burocracia da escola, e que foram introduzindo algum dinamismo nas suas aulas: Lagoa Henriques através do seu total despreconceito de desenho, em que tudo é desenhável, “mandado” os alunos desenhar para a rua, introduzindo a novidade do Diário Gráfico; e Manuel Vicente, com as suas aulas faladas e histórias contadas com os alunos à volta da mesa, introduziu o pós-modernismo e a cultura americana na ESBAL. Desde que se formou que contribui para a crítica e divulgação da Arquitectura Portuguesa, tendo publicado em várias revistas e jornais, produzindo vários livros, e participando também em programas radiofónicos e televisivos de divulgação de arquitectura. A sua crítica terá evoluído em três fases, começando num registo agitador, depois mais romântico e finalmente mais factual. Este início agitador pode ter ocorrido pela abertura excepcional que a recém democracia proporcionava, pelo enorme fascínio que Graça Dias tem pela arquitectura e pela vida, um legado introduzido por Manuel Vicente. Da mesma maneira que o “boom” da democracia atenuou, Manuel Graça Dias atenua a sua agitação, focando-se agora na sua paixão pela profissão. A maturação da profissão, da crítica e do próprio pós-modernismo revela-se numa escrita mais factual. Em todas elas a reflexão é sobre uma condição pós-moderna. Ao nível da obra arquitectónica MGD começa cedo e em força, sendo que esta é vasta em quantidade e tipos de projecto: entre recuperações, arquitectura de interiores, programas privados e públicos de vários tipos. Destas obras, fizemos um estudo sobre as de cariz escolar, das quais concluímos que há um experimentalismo constante (experimenta o claustro, o pátio, a mega estrutura, a transparência, os pilotis, o desconstrutivismo), que ligamos a derrapagem construtiva; uma arquitectura saturada e inclusiva (influências moçambicanas, macaenses, americanas, brasileiras) que ligamos a surto ecléctico; e um acompanhamento constante do projecto pelo desenho (as formas ambíguas, as formas dinâmicas, o surrealismo e o expressionismo, relação interior/exterior) que ligamos a epidemia da forma. Em reflexão final podemos concluir que o ambiente de crítica à reforma na ESBAL poderá ter fomentado o espírito crítico de Manuel Graça Dias. A sua paixão pelo desenho é revigorada pelas aulas de Lagoa Henriques. As experiências extra curriculares deram-lhe uma abertura para o mundo das artes, teatro, cinema, música, pintura e desenho que, à excepção da última, não estiveram patentes no seu curso, e que reforçam o pluralismo da sua arquitectura. O pensamento pós-modernista chega-lhe através de Manuel Vicente que o vem reconciliar com a arquitectura, através dele conhece uma série de arquitectos ligados este pensamento. O seu eclectismo deriva de todas estas experiências e ainda das influências moçambicanas, da sua infância; pelas experiências americanas, através de Manuel Vicente e pelas experiências macaense, através do seu estágio com Manuel Vicente. Nos seus projectos também se denotam influências da arquitectura brasileira, de características mais plásticas que permitem dramatizar os espaços. O seu experimentalismo constante, que em certa medida confere singularidade aos projectos de Manuel Graça Dias, poderá ser também um reflexo do seu tempo de escola, visto que «a formação arquitectónica, escolar, de MGD foi maioritariamente autodidacta, anárquica e ecléctica»201. «Escrevendo regularmente na imprensa e tendo também actividade intensa como arquitecto, Graça Dias estabelece uma relação vital entre a teoria e a prática que lhe vai permitindo configurar um pós-modernismo com raízes na cultura portuguesa» | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,925 | A re-invenção do lugar | Aldeamento Patacão de Cima,Cultura Avieira,Escaroupim | Depois de um ensino em arquitectura levado por uma série de projectos muito abstractos, fui confrontada com um olhar para uma realidade muito específica na cadeira Townhouse in a Foreign Culture, que fiz durante o programa Erasmus, no ano lectivo 2010/11. Esta cadeira tinha como objectivo a elaboração de um projecto de arquitectura com programa à nossa escolha, na cidade de Lhasa, no Tibete. Para isso tive a oportunidade de passar dois meses naquela região, em que metade desse tempo foi gasto em viagens e investigação sobre a cultura tibetana. Era imperativamente importante conhecer o contexto antes de propor qualquer tipo de projecto. Foi muito interessante sair dos livros da biblioteca e dos esquissos do estirador para ir ao terreno conhecer as pessoas, os seus hábitos e vivências, de forma a poder perceber aquela realidade e o que realmente ali era necessário. Tive de aprender a interpretar essas necessidades pela análise do contexto, através de avaliações que iam desde o estudo urbano ao contacto directo com o interior das habitações e com diferentes realidades familiares. O projecto partiu das reflexões dessas avaliações e teve um importante papel no confronto entre aquilo que a nossa formação ocidental podia oferecer numa realidade completamente diferente e tão específica. Foi a experiência no local que me fez perceber o quão importante é esse confronto com a realidade na prática de arquitectura, porque é daí que o projecto se adequa à realidade inserida. Era importante para mim, nesta dissertação, ter um pedaço escrito e de reflexão sobre aquilo que acredito na arquitectura, de forma a poder confrontar-me com alguns aspectos que defendo. Para isso, era importante poder ter uma situação real de projecto para fugir às abstracções programáticas que tive ao longo do percurso académico, e para pôr em prova esses aspectos que defendia em teoria. Queria renovar a minha consciência e responsabilidade social, tal como Octávio Filgueiras propõe aos seus alunos na década de 60 na Escola de Belas Artes do Porto com a cadeira de arquitectura analítica. Filgueiras punha-os face a realidades concretas para lhes incutir uma renovada consciência e preparar para uma correcta profissionalização. Foi isso que procurei também. Se no início pensei que o melhor seria ir para um país em desenvolvimento, pelo choque de culturas e para poder trabalhar num contexto de comunidade com um fim muito útil e prático, depressa me apercebi que em Portugal ainda há muito que desconheço e sobretudo muito onde os arquitectos têm que reflectir e actuar. Isso ganha mais pertinência nesta altura em que o país parece parado pela crise económica que se instalou porque as necessidades são evidentes e muito é preciso ser feito. Acabei por encontrar a oportunidade que achei adequada para esse fim muito facilmente. Em Setembro de 2011, no encontro internacional dos Arquitectos Sem Fronteiras (ASF) em Lisboa, fez-se uma reflexão sobre o papel da arquitectura na sociedade e na qualidade do habitat humano. Vi, nos projectos apresentados, um carácter social e humano que me interessou bastante e por isso aproveitei para, de acordo com as suas necessidades, os poder ajudar e associar um projecto prático a esta dissertação. Acabei por achar muito interessante trabalhar sobre a Cultura Avieira, que está neste momento num processo de candidatura a património nacional imaterial e da Unesco. Os Arquitectos Sem Fronteiras de Portugal (ASFP) estão a trabalhar especificamente sobre o património material dessa cultura e necessitam de ajuda no processo de reabilitação dos aldeamentos. Estes são constituídos por casas de madeira elevadas do solo, construídas por pescadores no anos 70/80 ao longo do rio Tejo e rio Sado. É um património riquíssimo que está a desaparecer devido à precariedade das suas construções e falta de uso. É, portanto, urgente e muito pertinente fazer levantamentos do material construído de forma a registar os locais em desaparecimento para ganhar ferramentas para a elaboração de projectos de reabilitação dos espaços. Foi a partir dessa oportunidade que este presente trabalho ganhou forma e duas componentes essenciais. Uma teórica, que procura uma reflexão que completa a experiência e realidade vivida e, uma outra prática, de projecto que condensa algumas das conclusões geradas ao longo deste processo. Como metodologia visitei a maioria dos aldeamentos e seleccionei dois que achei pertinentes para trabalhar em projecto. Elaborei os levantamentos dos aldeamentos Patacão de Cima e Escaroupim - o primeiro em parceria com a minha colega Lara Borges que também propõe um projecto para o mesmo local na sua tese de mestrado. Fiz, durante quase todos os meses até aqui, visitas aos locais, de forma a perceber a morfologia dos mesmos durante as diferentes estações do ano e a sua evolução ou degradação com o passar do tempo. Durante todo este processo houve uma aproximação aos locais, às pessoas que os habitam, às pessoas que estão envolvidas neste processo de candidatura e às autarquias e entidades públicas envolvidas. Isso ajudou-me a encontrar as ferramentas para resolver diferentes frentes de projecto. Houve uma aproximação teórica e de análise sobre a cultura aveira para entrar no processo de projecto, que foi acompanhado pela leitura de alguma bibliografia sobre intervenção em património e metodologias de trabalho adoptadas em casos semelhantes. Durante o processo de projecto o entendimento e paixão que ganhei pelos locais foram moldados pela ideia de os reinventar, deixando-os sobreviver ao tempo - a partir da beleza da sua arquitectura, da tranquilidade da natureza envolvente e pela riqueza das suas tradições. Foi essa a intenção de todo o trabalho e daí que partiu o título desta dissertação. “Re-inventar o lugar” a partir de uma perspectiva diferente daquela que hoje vemos e que está a deixar morrer esta cultura. No primeiro capítulo começa-se por fazer uma análise da primeira metade do século XX, pela Europa e pelo caso português, para chegar à conclusão que a arquitectura não se deve desassociar das raízes e camadas, porque é essa memória que confere a identidade dos locais. Esse é o ponto de partida para uma pequena reflexão sobre os desafios da arquitectura nos dias que correm porque, mais do que construir de novo, deve haver uma readaptação e reinvenção da arquitectura já existente. O modo de viver e construir os espaços deve ser redefinido e os arquitectos têm que se reposicionar. No segundo capítulo a atenção é focada sobre o tema do património avieiro, a partir de uma perspectiva arquitectónica. Depois de estudar as suas origens, partiu-se para uma análise territorial sobre todo o património avieiro espalhado ao longo do rio Tejo. Foi importante compreender a arquitectura desta cultura desde a sua implantação no território até à sua escala de construção, passando pela compreensão das dinâmicas de cada aldeamento de forma a ganhar bases para o projecto que se seguia. O terceiro capítulo apresenta a proposta prática de intervenção sobre esses dois aldeamentos avieiros, um desabitado e outro habitado, o que desenha realidades completamente diferentes. Foi muito interessante desencadear uma reflexão sobre essa dicotomia para perceber as formas de actuar perante a realidade avieira. Durante o capítulo são relatadas experiências deste processo, o contacto com o local, com as pessoas, as percepções e paixões desenvolvidas que não se limitam ao campo arquitectónico. Deparar-me com limitações reais, gerir diferentes frentes, conhecer pessoalmente o público-alvo, foram características que queria que fizessem parte desta reflexão para me aproximar da realidade de uma prática que levarei por aqui em diante. Dar o salto para uma realidade que precisa de estratégias dinamizadoras do espaço existente foi a oportunidade que achei adequada para abrir os meus horizontes e transformar a minha maneira de ver os locais como arquitecta. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,926 | Pólo industruial criativo | Património Industrial, Coimbra, reabilitação,Fábrica de Curtumes de Coimbra, requalificação | O seguinte trabalho de investigação com grande vertente prática centra‐se no seu objecto de estudo. Contudo, este motiva a exploração de temas e conceitos provenientes da sua tipologia industrial. A presença do património industrial na cidade de Coimbra revela um paradigma constante no compromisso com a memória do passado. O seu presumível desaparecimento sugere uma reflexão sobre como agir perante este. Para tal, analisa‐se o conceito de património, bem como a definição do valor histórico e cultural inerente a ele. A questão da reabilitação de espaços industriais conduz ao estudo de vários projectos que demonstram empenho e interesse com a salvaguarda destes. Para isso, seguiram as tendências programáticas do seu tempo, ou seja, numa resposta às carências sociais da época, como uma possibilidade para a recuperação e reintegração desses testemunhos. Neste sentido, pretende‐se investigar e desenvolver a adaptação da antiga Fábrica de Curtumes de Coimbra em prol da proposta do Pólo Industrial Criativo, um projecto inovador que une a necessidade social, cultural e empreendedora, como um instrumento para a requalificação urbana e para a salvaguarda patrimonial. Deste modo, demonstra‐se que existe um ambicioso espólio de monumentos industriais, cabendo à nossa geração o dever de proteger esse dito património, bem como partilhá‐lo com as gerações futuras. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,930 | A reconstrução da escola técnica | Escola Técnica, Portugal | Falar da Escola é explorar um sistema complexo de entidades e relações. Parte indissociável deste, as construções escolares são, também, elas, reflexo de sucessivos discursos políticos e ideologias sociais. Muito já se tem investigado sobre as construções para o Ensino Liceal e de que forma estas foram sendo representativas dos vários modos de pensar e fazer Arquitectura. Apesar de tudo, é visível a falta de investigação em torno desta temática. Foi de facto esquecida esta via de ensino em favor do Ensino Liceal e no campo da Arquitectura tal lacuna ainda não foi colmatada. Continuam a ser produzidas pela comunidade científica investigações no campo dos edifícios outrora Liceus, mas pouco se tem avançado no estudo da Arquitectura das Escolas Técnicas e suas especificidades. Deste modo, considerámos útil proceder ao estudo das construções para o Ensino Técnico que, como veremos, sempre tiveram algum desfasamento cronológico em relação aos Liceus mas introduziram no campo da Arquitectura Escolar novas especificações programáticas derivadas de uma nova ideologia pedagógica que acabou por dar origem a novos esquemas tipológicos. Assim, pertinente é o estudo da arquitectura destes equipamentos no seu enquadramento histórico, político e social e, das suas especificidades que se desenvolveram segundo concepções espaciais distintas das do Ensino Liceal. Partindo de uma abordagem geral da História de Portugal1 e da Educação2, destacámos, segundo Ensino Técnico em Portugal 3, três momentos chave de definição do Ensino Técnico e suas construções. Para o seu estudo, no primeiro foram-nos essenciais os estudos de Ferreira Gomes4, no segundo, os de Moreira Marques5 e no terceiro e, para o enquadramento da Parque Escolar nas políticas educativas actuais, o livro da ex-Ministra Mª de Lurdes Rodrigues6. De modo a orientar a nossa leitura sobre os vários projectos no seu enquadramento político e social, baseámo-nos em Canto Moniz7, sendo que para um entendimento do conceito de tipologia nos foi, ainda, essencial a aproximação aos estudos de Durand8. Por sua vez em relação ao contexto arquitectónico foi útil a consulta de Paulo Pereira9. Sobre a Escola Brotero destacamos três autores: Maria de Lourdes Figueira10, que não deixa no olvidamento os 126 anos de história e vivências da Escola, Joaquim Ferreira Gomes11 e António Martinho12. Na generalidade, o Ensino Técnico desenvolveu-se segundo um percurso paralelo ao do Ensino Liceal dinamizado pela crescente força da indústria e do comércio. Perante o dualismo Humanidades/Tecnologia, o Ensino Técnico esteve sempre associado ao ensino do saber fazer, sendo, por isso a concretização de um conceito de educação para as massas e de qualificação de mão-de-obra capaz de potenciar o desenvolvimento industrial do país. Neste Trabalho entendemos a Escola Técnica como um espaço físico e social que proporciona ou privilegia o ensino da técnica e dos saberes práticos. Por isso abrangemos na definição deste conceito, não só as escolas que assim se denominaram por um curto período do século XX, mas também as instituições de formação para a vida activa: Escolas Industriais, de Desenho Industrial, Escolas Técnicas ou mesmo Profissionais. A introdução do Ensino Técnico em Portugal remonta, às políticas do Marquês de Pombal na segunda metade do século XVIII. Posteriormente, com o liberalismo cria-se um ambiente político propício à difusão de uma visão mais tecnológica suportada por um ensino com componente técnica que permitisse preparar mão-de-obra qualificada para o sector industrial e comercial (transportes e comunicações). Contudo, só no final do século XIX, o país vê sistematizada e alargada a todo o território esta via de ensino com a criação das Escolas Industriais e de Desenho Industrial. Estas, servindo os novos modelos de produção, foram um marco na história política e educativa do país, sendo sobre elas que realizámos a nossa investigação. Partindo da análise e sistematização da recolha realizada em Arquivos e Bibliotecas, procurámos reflectir sobre os paradigmas arquitectónicos que esta via de ensino foi revelando dos finais do século XIX à actualidade. Tendo em conta a estreita relação que a Arquitectura Escolar sempre teve com a sociedade, as políticas educativas e os modelos pedagógicos tentámos entender de que forma esta relação fez gerar, ao longo do tempo, diferentes maneiras de pensar e construir a Escola. Neste sentido, a investigação sobre os edifícios escolares e os conceitos pedagógicos desenvolve-se a partir de um estudo tipológico que permite analisar um conjunto alargado das Escolas Técnicas desde finais do século XIX. Os estudos tipológicos e a própria formulação do significado de Tipo desenvolveram- -se no sentido de contribuir para a resolução dos novos programas da sociedade liberal, como o escolar. Nesta perspectiva, a construção de uma arquitectura racionalista está ancorada nas lições de Durand e na sua fixação de regras de composição para a organização dos programas como a proposta para um college, onde o pátio ganha diversas funções e proporções. Se o século XIX pretendeu consolidar tipologias, como o projecto-tipo para as Escolas Primárias Conde Ferreira ou Adães Bermudes, a modernidade da primeira metade do século XX promoveu uma certa experimentação programática, espacial e construtiva que desse corpo aos ideais revolucionários da sociedade industrial. Esta experimentação tipológica desenvolveu e complexificou os programas, que atribuíram condições espaciais e construtivas para cada função, como se verificou nos programas para os Liceus. Será o pós-guerra a promover estudos sobre o Tipo com o objectivo de desenvolver projectos-tipo que dêm reposta à necessidade da construção em massa. Os estudos de Aldo Rossi ou dos estruturalistas como Herman Hertzberger e Aldo van Eyck são fundamentais para o desenvolvimento de sistemas tipológicos e para uma refundação do Tipo, integrando a Escola numa perspectiva mais humanista e moderna. Com este enquadramento, neste trabalho iremos realizar uma leitura dos projectos de arquitecura pela decomposição/desconstrução do todo nas suas partes, com o objectivo de evidenciar as relações entre os espaços e a sua evolução ao longo dos tempos. Deste modo, pretende-se analisar o processo da construção de uma organização e de um espaço próprio para as construções do Ensino Técnico, integrando as visões políticas e sociais que condicionaram o seu desenvolvimento e desencadearam novas formas de pensar a sua Arquitectura. Paralelamente, interessa ter em conta que o país passou por diferentes sistemas de governança da Monarquia Constitucional à República, da Ditadura à Democracia e que ao longo deles se foi modificando fruto das transformações do pensamento e do desenvolvimento económico e social. Assim, estruturámos o nosso trabalho segundo três momentos de definição de um programa e tipologia próprios do Ensino Técnico. No primeiro capítulo, referente ao arranque do Ensino Técnico, fazemos uma abordagem à sua história na tentativa de perceber para que foram criadas estas Escolas, a que programas responderam e como se instalaram e/ou adaptaram edifícios pré -existentes. As quatro décadas iniciais caracterizaram-se por um período de experimentação do conceito e suas especificidades, no qual é definida a implementação de uma rede escolar por todo o país. No entanto, nesta primeira fase, foram poucas as escolas com edifícios construídos. Apoiamos, por isso, também, a nossa análise em alguns projectos não construídos. O segundo capítulo, temporalmente compreendido entre a Reforma do Ensino Técnico de 1947 e os primeiros Estudos Normalizados de 1960, analisa as construções escolares durante o período ditatorial. Politicas educativas como o estrangulamento do Ensino Liceal e consequente alargamento da rede do Ensino Técnico, salientaram o interesse do Estado nesta via de ensino. Apoiado no investimento dos vários planos de desenvolvimento económico, caracterizou-se por ser um período de consolidação onde são clarificados objectivos e programas deste ensino e no qual é posta em prática uma política de expansão sustentada na aplicação de projectos-tipo executados por uma equipa multidisciplinar que passa a gerir toda a construção escolar de carácter secundário: a Junta de Construções Escolares para o Ensino Técnico e Secundário (JCETS). Por sua vez o terceiro capítulo reporta-se à época mais recente. Os anos 70, do século XX, demarcam uma nova etapa do Ensino Secundário em Portugal. Os princípios de igualdade proclamados pelo 25 de Abril de 1974 fazem-se sentir também no sistema educativo e, em 1975, é implementado o Ensino Secundário Unificado que acaba com as Escolas Técnicas e regulariza o Ensino Secundário segundo a via liceal e suas humanidades. Esta postura prefigura o declínio do Ensino Técnico e Profissional e consequentemente uma arquitectura própria para esta via de Ensino deixa de ter sentido, sendo que, se em alguns casos, dependências específicas são aproveitadas para novos fins, noutros foram encerradas. Interpretando as intervenções da Parque Escolar (2007 - , este terceiro e último capítulo, tenta perceber qual a orientação da Arquitectura Escolar actualmente. Pretenderão os novos conceitos pedagógicos ressuscitar a Escola Técnica do passado ou eliminar de vez a sua existência? O presente é, por si só, ponderativo, mas encontramo-nos hoje em fase de transformação/ transição e de delineamento de uma nova estratégia de educação na qual a discussão sobre o técnico é imperativa. É neste sentido que, como objectivo último, se pretendem analisar os novos conceitos pedagógicos e arquitectónicos introduzidos pela Parque Escolar e as suas consequências no edifício escolar. De que forma terá encarado a Arquitectura a memória e o futuro? | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,934 | O germinar de um cipreste | Lino, Rau, 1879-1974, obra | A obra de Raul Lino é conhecida pela temática da “Casa Portuguesa”, no entanto esta não é a única temática presente na sua obra. Arquitecto, aguarelista, decorador, cenógrafo, desenhador, figurinista e escritor, considerava-‐‑se um homem livre, como um cipreste. Raul Lino nasce a 21 de Novembro de 1879, em Lisboa. Proveniente de uma família abastada, filho de José Lino da Silva, um rico negociante de materiais de construção e Maria Margarida de La Salette Lino. Teve o privilégio de ir estudar muito cedo para Inglaterra e Alemanha. É na Alemanha que tem a oportunidade de trabalhar com Albrecht Haupt, com quem mantém uma amizade duradoura, até 1932, ano da morte de Haupt. Quando volta a Portugal, em 1897, começa a exercer arquitectura num período controverso de viragem de século. O nome de Raul Lino ficou ligado a temáticas de defesa dos valores tradicionais da arquitectura portuguesa. Numa análise mais cuidada à sua obra é possível encontrar, principalmente nos seus primeiros trabalhos, elementos pertencentes a um pensamento moderno. Para lá das representações formais que por vezes à primeira vista nos remetem para a arquitectura popular portuguesa, existem preocupações como a defesa de uma arquitectura feitas à medida do Homem (o projecto era um produto do Homem para os Homens2) e com o local onde constrói, preocupando-‐‑se com a história e o espírito do lugar. Estéticamente podemos considerar a obra de Lino como conservadora e ecléctica, mas as suas influências estilísticas e a sua formação metodológica é claramente moderna. O período de 1900 constitui um período de charneira da história da arquitectura portuguesa. Surge na sociedade Lisboeta uma nova burguesia, conhecida também por “novos ricos” graças às sua fortuna proveniente do Brasil e África. Estes novos elementos da sociedade priveligiavam a cultura e eram bastante informados sobre o que se estudava pela Europa. Dentro das primeiras obras de Raul Lino encontram-‐‑se, maioritariamente, as casas de férias para esta elite, que com o saudosismo pelo mundo rural vão ocupar Sintra, Cascais e o Estoril. 3 Raul Lino, autor de numerosos textos teóricos sobre a problemática doméstica popular, a casa portuguesa e várias publicações para jornais e revistas, entre eles o Jornal de Notícias, morre a 13 de Julho de 1974, com 94 anos, deixando também uma obra com mais de 700 projectos. Esta dissertação procura compreender como é que a formação e diferentes experiências, como viagens e a precoce autonomia para viver e estudar sozinho vão dar a Raul Lino as “ferramentas” para idealizar e projectar as suas primeiras obras. Ao contrário de outros arquitectos da sua geração que se formavam em Portugal e, ou seguiam para a Escola de Belas Artes ou para França onde cursavam na École Nationale Supérieure des Beaux-‐‑Arts de Paris, Raul Lino indo estudar com apenas 10 anos de idade para um colégio católico em Inglaterra, vai ter uma formação em vários aspectos diferente. Como refere Rui Ramos : “ Até aos anos de 1920, o jovem Raul Lino realiza uma obra singular pela sua concepção inovadora do espaço habitável e adequação do edifício ao sítio, programa e utilizador. A sua obra deste período, onde se distingue a arquitetura doméstica, não é elaborada por cânones beauxartianos, ligando-‐‑se à procura no projeto de uma relação orgânica entre construção e vida.” 4 Existem vários livros e pesquisas sobre o Raul Lino, mas concretamente sobre o seu período de formação, principalmente desde o seu tempo vivido em Inglaterra ou na Alemanha e os primeiros anos de retorno a Portugal, persistem ainda grandes possibilidades de pesquisa. É esta diferente opção de formação que vai levar à sua produção artística tornando-‐‑o numa das personagens mais influentes da arquitectura portuguesa do início do século XX. Um dos primeiros problemas que a minha pesquisa procurou resolver passou pela organização de uma cronologia detalhada sobre os anos que me propus estudar. Essa cronologia delimita o período de pesquisa entre os anos que passou no estrangeiro, por onde ficou e com quem contactou; a sua chegada a Portugal (1897); o seu contacto com contemporaneos como Roque Gameiro, Raul Gilman e Alexandre Rey Colaço; os primeiros trabalhos desde a casa para Roque Gameiro; a proposta para o pavilhão de Portugal e “as Casas Marroquinas”. Uma das metodologias que me propus adoptar no início da dissertação passava por consultar documentação inédita, através de diários, cartas ou cadernos de viagem que se encontrassem em espólio da família de Raul Lino. Frustadas todas as tentativas de contacto com a família de Lino urgia adoptar novas fontes. E é neste momento que venho a ter acesso ao neto do Aguarelista Roque Gameiro, o Arquitecto Pedro Martins Barata e aos espólios dos dois museus -‐‑ o Museu Aguarela Roque Gameiro, em Minde e a Casa Museu Roque Gameiro na Amadora. Para além das visitas aos museus, edifícios projectados por Raul Lino, ainda tive acesso a cartas inéditas trocadas entre Lino e Gameiro. Não foi possível comprovar qual o colégio católico que frequêntou em Windsor, na Inglaterra bem como encontrar os registos da sua passagem pela Handwerker und Kunstgeweberschule, em Hannover. Mais facilmente tive o acesso ao registo das aulas em regime de curso livre que frequentou na Königliche Technische Hochschule de Hannover, comprovado nos registos de uma tese de douturamento sobre Haupt -‐‑ “Karl Albrecht Haupt (1852-‐‑1932) e o «desenho de viagem» : o registo dos monumentos nacionais : compreensão arquitectónica e fruição estética” da Dra. Lucília dos Santos Belchior. A análise de textos e publicações de Diário de Notícias do próprio Lino foi de grande ajuda, assim como o acesso ao espólio do museu Rafael Bordalo Pinheiro, uma vez que encontrei um original da revista "ʺParódia"ʺ com a crítica à proposta para o Pavilhão de Portugal. O acesso às publicações do espólio do museu da fábrica de Loiças de Sacavém mostrou-‐‑ se por outro lado, essencial para descobrir quem foi Raul Gilman. Parece-‐‑me desde logo pertinente levantar questões quanto a uma formação diferente de Raul Lino. Em vez do tradicional curso de arquitectura, opta por um curso técnico profissional de carpintaria na Handwerker und Kunstgeweberschule, em Hannover, ao mesmo tempo que realiza um estágio no atelier de Albrecht Haupt e assiste, no regime de cursos livres, a aulas teóricas do curso de Arquitectura da Königliche Technische Hochschule de Hannover. Lino encontra-‐‑se fora do seu País de origem desde os 10 anos de Idade e quando regressa já tem 18 anos. Pode-‐‑se então colocar a seguinte questão: como é que uma formação “estrangeirada” e de cariz autodidata se vai reflectir numa construção de uma cultura nacional, recriando um imaginário colectivo do "ʺreaportuguesamento da casa portuguesa"ʺ?5 A necessidade de afirmação do que é ser Português, e a valorização da cultura Portuguesa, talvez esteja relacionada com o saudosismo próprio do emigrante, uma vez afastado da sua pátria. Mas pode também ser sinal das correntes nacionalistas do final do século XIX alemãs. Assim, para Lino, a estadia no estrangeiro terá reforçado o seu interesse pela cultura Portuguesa. Considera-‐‑se apropriado, encontrar e compreender a evolução da sua metodologia de projecto, como chegou à sua identidade e estilo arquitectónico, como articulava os seus conhecimentos e formações estrageiras, e como isso se reflecte nas suas primeiras obras ao chegar a Portugal. Desta forma, as viajens que faz, não só pelo seu País, como também por Marrocos, devem ser entendidas como procura de uma cultura Portuguesa. Assim, as viagens reforçam a diferente identidade de Lino e são entendidas como momentos de auto-‐‑reflecção, de descoberta e de íntimo contacto com a natureza. Como diz Irene Ribeiro: “A procura do jovem Lino é sustentada pelo seu entendimento do “caminhar a pensar” ou Wandern. As longas caminhadas de Lino são isto, a experiência do território para o seu conhecimento profundo e íntimo, o que lhe permite elaborar a ideia de um genuíno “regresso à terra”. Trata-‐‑se da procura de uma verdade projectual...” 6 Integrado neste contexto de constante procura e viagens, no culminar do trabalho é importante a análise das suas primeiras obras: primeiramente, a participação na casa para o seu amigo Roque Gameiro, a sua proposta para o Pavilhão de Portugal e as “casas marroquinas” – Casa Monsalvat (1901), Casa Silva Gomes (1902), Casa de Santa Maria (1902) e Vila Tânger (1903). Dos casos de estudo apresentados nesta dissertação é importante compreender os estímulos alentejanos e marroquinos com a sua forte utilização das dinâmicas interior-‐‑exterior e luz/sombra, tão típica das construções mediterrânicas. Mas não são só as viagens e as suas leituras que ajudaram Raul Lino na sua defesa do genuíno “regresso à terra”, a sua estadia do atelier do Arquitecto Haupt (estudioso da arquitetura Renascentista em Portugal) é também um dos factores que vão apoiar a justificação pela sua defesa de um estilo nacional, visível desde cedo nas suas produções arquitectónicas. A estrutra adoptada nesta dissertação passa pela composição de duas partes: na primeira exploro a formação de Raul Lino e na segunda proponho a análise das primeiras obras do chamado "ʺprimeiro período"ʺ. A análise da primeira parte, à qual abordo a formação de Lino, é dividida em quatro capítulos, uma vez que a sua formação é composta por um conjunto de quatro acontecimentos: o estudo do tipo de ensino e as escolas por onde passou dos 10 aos 18 anos de idade; a compreensão da importância que foi o estágio no atelier de Albrecht Haupt, da amizade que daí nasce; as viagens que simbolizam momentos de descoberta e de aprendizagem; e as amizades que trava com amantes da cultura germânica, em Portugal. A segunda parte do trabalho corresponde a uma análise das primeiras obras, obras de carpintaria e design fortemente ligadas à Arte Nova, como o seu quarto de solteiro. As suas primeiras obras como arquitecto são o reflexo não só da sua formação, como também de um trabalho de experimentação In loco que acaba por servir como formação, uma vez que estas obras demonstram uma procura e tentativa de representação do que encontra nas suas viagens. Este estudo aborda então, a considerada “primeira fase” da vida e obra de Raul Lino, marcada por uma formação autodidacta, através dos seus contactos com escolas e personagens incontornáveis da história da arquitectura, literatura, música e outras artes, quer nacionais quer internacionais. Desta forma, considera-‐‑se essencial compreender este período de formação e autodescoberta, para perceber não só como se tornou nesta figura de estudo da história da arquitectura do século XX, mas também como chegou à defesa de uma arquitectura de carácter nacionalista. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,938 | Arquitectura do território | Ordenamento do território, Baixo Mondego | A partir do Choupal, até à foz na Figueira, a imagem do Baixo Mondego caracteriza-se, desde há muito, pela imensidão dos seus campos agrícolas, marca da acção humana ao longo dos séculos. Como objectivo primordial pretende-se sintetizar e traduzir a identidade deste território. Torna-se pertinente a valorização de um vale riquíssimo quer pela sua variedade de fauna e flora, quer pela fertilidade dos seus campos. Um excelente exemplo de vida animal e variedade de coberto vegetal é o Choupal, situado na margem direita do rio, logo depois da ponte do Açude. Ainda de âmbito ambiental são de salientar os Pauis do baixo Mondego que se estendem pelos braços dos afluentes do Rio Mondego nesta última secção. No último trecho deste vale o Mondego abre-se num amplo estuário com 10 quilómetros de comprimento. Neste encontro com o Atlântico, desenvolveu-se fortemente o cultura do Sal. Indissociáveis da história da formação deste Território são as obras do Homem sobre o Rio. Importante torna-se portanto, perceber como o Homem lidou com o Rio e o transformou. A violência das cheias e a sua elevada frequência, transformaram uma vasta bacia aluvial com 150 Km2 de área numa espécie de delta inferior em assoreamento contínuo e rápido que só foi travado com as Barragens construídas no Médio Mondego. O campo sempre forneceu a maior parte dos produtos agrícolas comercializáveis como o arroz, milho e hortícolas, enquanto o monte, protegido da zona de cheia assegurava as necessidades básicas em matéria de subsistência – lenha, batata, vinho, fruta e azeite. Neste contexto é proposto a revalorização e a revitalização da paisagem ribeirinha do Mondego, através da potenciação do corredor verde sustentado no desenho de uma ciclovia que permitirá a interpretação e o entendimento de um vasto território, como também uma nova perspectiva de ordenamento do território, num quadro de sustentabilidade ambiental, social e económica, despertando assim o interesse de investidores, turistas e a auto-estima das populações. Posto isto, demonstra-se essencial projectar roteiros como expressão física de ideias culturais e ambientais, através de um desenho específico que visa a Saúde e Bemestar dos utilizadores. O objectivo principal passa por interpretar toda uma vasta região e implementar equipamentos que façam a ponte entre o passado e o presente e que construam uma paisagem cultural, aquela que assinala as marcas da acção humana. A realização de um mapa permite a síntese descritiva e interpretativa de um território. Foram definidas zonas de tratamento específico onde, em maior detalhe, se organiza o relativo aos usos de circulação, à instalação/recuperação de edificações - como o Moinho das 12 Pedras, as Termas da Amieira e o Celeiro da Quinta do Paço- destinadas a acolher o visitante e a remetê-lo para a interpretação deste território. Estas zonas de tratamento específico são resultado das obras do homem combinadas com a natureza, que registam uma paisagem cultural1. Apesar de o 15 Baixo Mondego ter um carácter natural, a paisagem foi desenhada e criada inteiramente/intencionalmente pelo homem, ou seja, abrange a diversidade de manifestações resultantes da interacção entre o Homem e o ambiente natural2. Para atingir este objectivo, primeiramente foi necessário a leitura e análise de trabalhos como “O esforço do homem na bacia do mondego” e “Projecto Territorial do Parque Patrimonial do Mondego –revisitações da paisagem cultural ribeirinha”, assim como de outros trabalhos ou artigos redigidos em publicações como: Locus, Sociedade e Território, Cadernos de Geografia, JA Jornal de Arquitectos, e outras publicações que se demonstraram significativas. Os casos de estudo escolhidos – Parque Nacional da Peneda-Geres, Vale do Ocreza e Parque Agrícola do Baixo Llobregat - justificam-se pela diversidade de entendimento e interpretação do território fruto de diferentes metodologias adoptadas em cada caso. Ambos os casos representam a imagem de uma colectividade que construiu um património natural e cultural, reflexo da paisagem em que estão inseridos. Um pelo valor ambiental e paisagístico intimamente ligado à Natureza como é o caso do Parque Nacional da Peneda- Geres; outro pela abordagem e pelo olhar do Arquitecto no desenho de projecto, que visa ser contemplativo e interpretativo de uma região como e o projecto de José Adrião para o Vale de Ocreza; e finalmente, numa aproximação ao tema agrícola, e com características muito comuns ao Baixo Mondego, surge o Parque Agrícola do Baixo Llobregat, em Barcelona, que permite entender as estratégias de preservação do espaço agrário e a promoção e desenvolvimento económico das explorações agrícolas. No que toca à aproximação e entendimento do desenvolvimento do Território – Baixo Mondego - foi necessária a recolha de cartografia e imagens de forma a compreender as transformações que a Região e principalmente o rio Mondego sofreram. Imperioso foi também realizar um trabalho de campo, uma série de visitas ao Baixo Mondego, desde o Choupal ao Salgado da Figueira, mas também aos pequenos núcleos habitacionais que se foram desenvolvendo em torno dos Campos Agrícolas, protegidos da linha de cheia. O intuito destas visitas foi de registar, quer pelo desenho ou fotografia, locais ou edifícios que sejam reflexo da imagem daquele território, que representem a relação entre o Homem e o Meio, como resultado/construção de um processo dinâmico que acaba por definir a paisagem do Baixo Mondego. Feito este trabalho de aproximação e identificação do Vale do Mondego tornou-se indispensável a realização de um mapa de escala territorial para iniciar o trabalho de projecto. Foi impreterível portanto, a realização de plantas através da cartografia e desenhos recolhidos que sustentassem o desenho da ciclovia, assim como das infra-estruturas necessárias ao seu desenvolvimento. Esta abordagem sobre o Baixo Mondego culmina no desenvolvimento de 3 projectos exemplificativos: a conversão das termas da Amieira num Spa/Ginásio e alojamento; a recuperação do Celeiro da Quinta do Paço, em Tentúgal, enquanto Centro de Interpretação Agrícola; e a reabilitação do Moinho das 12 Pedras, na Figueira da Foz, num Restaurante de carácter interpretativo, quer pela história do edifício, quer pelos produtos e sabores daquela Região. Como fio condutor destes projectos, desenhou-se uma ciclovia, com diversos pontos de paragem, (miradouros, parques de merendas, centros de interpretação), que conferem um carácter unitário aos programas propostos, naquilo que será a exaltação de um corredor interpretativo dos Campos de Coimbra, que engloba os pequenos núcleos populacionais através dos 4 temas que caracterizam o território do Baixo Mondego: a Água, a Agricultura, o Sal e o Ambiente. A Dissertação está divida em 3 partes. Na fase inicial da elaboração deste trabalho procurou-se definir o conceito de paisagem enquanto resultado da acção humana sobre o território. Nesse sentido uma visão geográfica e os trabalhos de Augustin Berque foram fundamentais no entendimento de um território enquanto paisagem cultural - espelho do Homem e das suas acções ao longo dos tempos.No segundo capítulo será caracterizado o Rio Mondego, fio condutor de todo o trabalho. É importante perceber o percurso ziguezagueante que faz desde a nascente à foz e reconhecer a importância que teve na História, desde o rio irreverente que permitiu a fixação das populações na cidade de Coimbra, até ao rio “pachorrento” depois das grandes obras de aproveitamento hidráulico e agrícola, como são exemplo a barragem da Aguieira e o Açude. Neste seguimento abordou-se a acção do homem sobre o rio e as suas margens, na sua fase final denominada Baixo Mondego, procurando afirmar uma identidade cultural, baseada nos costumes e história deste território. A terceira parte diz respeito exclusivamente à prática de projecto. Trata os casos de estudo, o desenho do mapa, a delineação da ciclovia ao longo do Baixo Mondego e as rotas que evocam a memória daquilo que o rio e as suas gentes já foram. Neste capítulo são apontados e sustentados nos temas da Água, Agricultura, Sal e Ambiente, os percursos de lazer e didácticos, mas também as implantações dos diferentes programas, assim como a justificação da sua escolha. Aqui são desenvolvidos todos os projectos tendo em conta estes conceitos, procurando sempre a imagem material e imaterial do Rio, o verdadeiro protagonista, o elemento de unificação identitária do Território. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,941 | Uma reinterpretação contemporânea da aldeia do Patacão | Aldeia do Patacão,Arquitectura bioclimática, Portugal,Arquitectura sustentável | O termo sustentabilidade não é um “clear-cut”2, sendo um vago e problemático conceito cuja complexidade tornou a escolha de que tipo de abordagem seguir o primeiro desafio desta dissertação. Desde o princípio soube que queria abordar este tema no âmbito da arquitectura sustentável cuja matéria de estudo seria sobre como pensar sustentável a partir do desenho do espaço e da luz, valores imprescindíveis a uma arquitectura de qualidade. Pretendia assim contribuir para a compreensão que um “projecto ambiental dentro da arquitectura precisa a autoconsciência de ´arte´ tanto quanto qualquer nova narrativa precisa.” 3 O tema tornou-se mais focado quando participei num projecto com os ASF-P, pois existia a necessidade de intervir num sítio em particular que, devido à sua sensibilidade, não permitia uma intervenção indiferente ao contexto em que se inseria. A integração neste projecto proporcionou-me a oportunidade de incluir uma vertente prática nesta tese tendo sido esse factor um elemento de extrema importância como premissa justificativa da teoria a abordar. O projecto em questão teve início em 2005 e partiu da ideia de dois investigadores que estudavam as tradições da zona de Santarém. A ideia materializou-se no estudo dos costumes e tradições das Aldeias Avieiras, cuja origem provém da migração de pescadores de Vieira de Leiria para a margem do Tejo e Sado. Conforme o estudo avançava perceberam que estavam em presença de “uma cultura rica, em estado latente, à espera de condições para reaparecer algures no tempo e no espaço, trajando novas vestes mas mantendo uma originalidade a toda a prova.”4 Partindo desta convicção elaborou-se um trabalho com vista a candidatar a cultura Avieira a património nacional. Em 30 de Junho de 2007 5 esta candidatura foi apresentada à comunidade no primeiro Encontro Regional da Cultura Avieira. Em 2008 a esta vertente cultural imaterial aglomerou-se a materialidade destes assentamentos de modo a credibilizar a candidatura. Com esta nova perspectiva em jogo, os ASF-P, foram convidados a intervir e identificar a qualidade material destes assentamentos avieiros. Vestígios como “as casas das aldeias Avieiras, os pontões ancoradouros, os barcos, as artes da pesca, os trajes e ainda muitos pescadores a exercer a sua actividade no Tejo” 6 foram reconhecidos como elementos cruciais desta candidatura. O processo de identificação e reconhecimento por parte do ASF-P incluiu toda a região, não apenas no Rio Tejo, mas também no Rio Sado onde se encontravam também vestígios culturais e materiais desta população. A relevância do património avieiro, materializado na sua arquitectura, é confirmada no Relatório de campo dos ASF-P quando afirmam que as “ aldeias são lugares esquecidos (situados ao longo de dois rios) tendo resistido à investida do betão.”7 A candidatura iniciada por curiosidade e estudo académico confluiu num projecto âncora justificada pela continuidade material presente em toda a região. De modo a credibilizar este projecto definiu-se um programa específico como premissa justificativa desta intervenção. A ideia de promover a sustentabilidade económica, social e arquitectónica baseou-se na criação de um projecto de reabilitação e criação de uma rota turística entre as diferentes aldeias, duas delas abandonadas, em articulação com outras que ainda são habitadas. O primeiro passo foi a limpeza das aldeias em questão seguindo-se o projecto de reabilitação, o embelezamento das vias de acesso e a reflorestação das marachas com salgueiros, freixos e choupos. Por último, a limpeza da rede de praias fluviais e a atribuição de uma bandeira azul compreendem um novo começo. Este projecto de reabilitação seria apelidado sustentável no sentido de criar diferenciação perante o mercado e como contributo exemplar de reabilitação com um carácter contemporâneo e sensível ao local em questão. Perante a riqueza cultural e a forte presença do contexto físico em questão, o tema da arquitectura sustentável focou-se na sua vertente bioclimática, em que contexto e arquitectura popular se unem, constituindo por isso espelho fiel do tipo de táctica a seguir. A convicção de ser a estratégia de intervenção mais adequada às necessidades culturais e de preservação do património em causa foi justificada pela ideia da Arquitectura Bioclimática como uma reinterpretação da arquitectura popular indo de encontro à sustentabilidade, no entanto adiciona-lhe uma sensibilidade em termos sociais perante a continuidade ou descontinuidade de uma cultura através da sua arquitectura característica. Este projecto “na sua vertente construída, pressupõe uma reflexão sobre o modo de registar, manter, recuperar e salvaguardar para as gerações futuras estes exemplos únicos”.8 Existem raras referências nacionais quanto a este tipo de abordagem bioclimática e esta dissertação pretende, através de um projecto real, dar uma contribuição através da formulação de uma intervenção com um sentido de lugar tendo em atenção materiais, cultura e vivências e que se adapte ao espaço geográfico. Não se pretende um revivalismo do vernacular, mas um projecto de registo contemporâneo, surgindo o termo sustentabilidade como arquitectura de subsistência vivencial e cultural. A proposta é pertinente pela integração deste projecto de reabilitação das casas palafíticas num novo paradigma arquitectónico que, para além da comodidade, da solidez e estética vitruvianas incorpora uma consciência viva sobre a importância da sustentabilidade sem descartar o património como meio de construção do futuro. A metodologia adoptada para a realização desta dissertação compreendeu a leitura da bibliografia sobre a cultura em questão e a Arquitectura Bioclimática de modo a apreender e transformar os conceitos de modo a aplicá-los na parte prática. No entanto, o crucial neste processo foi a deslocação ao local, a visita às aldeias em questão e a conversa com os habitantes alpiarcenses, antigos avieiros e familiares, elementos do ISP e dos ASFP. Tarefas como a limpeza de uma aldeia, as viagens, via terrestre e fluvial, pelo Tejo de aldeia em aldeia tornaram este processo demorado e complexo mas muito interessante em termos pessoais constituindo simultaneamente elementos de estudo para a tese. Um dos aspectos essenciais foi a escolha de uma das aldeias, Aldeia do Patacão, e o levantamento e elaboração dos desenhos técnicos das habitações, pois eram essenciais para a candidatura da cultura material avieira a Património Nacional e da UNESCO e, mais recentemente, a Aldeia Histórica de Portugal. Para além disso o registo fotográfico e a elaboração de desenhos à mão levantada permitiu a assimilação da complexidade do local e como intervir naquele contexto. A medição dos objectos arquitectónicos apresentou alguns obstáculos, pois devido à falta de manutenção da madeira, o material estava deformado e, em alguns casos, a sua ausência dificultou a leitura dos volumes como um todo. A estrutura do trabalho organiza-se em quatro capítulos constando do primeiro a explicação da abordagem teórica e explicação dos conceitos inerentes à Arquitectura Bioclimática como base que suporta a parte prática. Aborda-se a Arquitectura bioclimática como sustentabilidade com uma forte ligação ao contexto, a sua interligação com a arquitectura popular e a sua pertinência neste caso de estudo. Para compreender a amplitude total desta intervenção é necessário compreender a totalidade do seu complexo passado social e ocupacional. No segundo capítulo decidi abordá-los segundo a perspectiva da sua origem em Vieira de Leiria, da migração ocorrida para as margens do Tejo, da construção do seu património candidato a riqueza nacional e da decadência e abandono que conduziram à sua quase extinção. Há factos históricos e relatos pormenorizados que se tornaram secundários, pois o importante era compreender as memórias e vivências mais genuínas deste povo. No terceiro capítulo apresenta-se a escolha da Aldeia do Patacão de Cima e a sua pertinência enquanto caso de estudo. A análise e interpretação bioclimática revela-se um elemento chave para a compreensão da metodologia de intervenção como ponte para projecto. As condicionantes climáticas e as suas consequências tal como a explicação de estratégias bioclimáticas e o conceito de sistemas passivos são aqui abordados. A análise da tipologia, do espaço interior e da estrutura/materialidade dos diferentes objectos arquitectónicos da Aldeia do Patacão revelam uma fonte importante de conhecimento como base para a intervenção em causa. Finalmente a análise do estado físico das habitações em causa e a constatação das carências infraestruturais fecham o capítulo dando material de estudo suficiente para a compreensão do próximo capítulo. Por último, o capítulo quatro revela-se como a síntese e a aplicação prática dos pressupostos anteriormente referenciados constituindo um ensaio criativo e crítico sobre este caso de estudo. Redesenham-se as infraestruturas e propõem-se novas hipóteses que contribuem para a melhoria das condições de habitabilidade da aldeia. A reabilitação das habitações pré-existentes e a integração de novo edificado tendo sempre como base de desenho as estratégias da Arquitectura Bioclimática são essenciais. Este capítulo funciona como um elemento de reflexão sobre os aspectos abordados em termos teóricos. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,945 | Os valores intangíveis da arquitectura | Arquitectura, estudos | Enquanto disciplina situada entre a arte e a técnica, a arquitetura articula valores de natureza distinta: sejam estes de ordem objetiva, diretamente mensuráveis e quantificáveis - aqui designados de valores tangíveis - sejam de ordem subjetiva, qualificáveis, de resultado indireto - designados de valores intangíveis. Face aos modelos vigentes, conceptuais (tecnicista-macanicista) e mentais (pensamento reducionista-dualista-positivista), potenciados por lógicas de mercado e interesses políticos e económicos, verificamos que os valores intangíveis têm sido consecutivamente ignorados ou desacreditados, enquanto consequência e resultado benéfico de uma arquitetura com qualidade. Esta questão é ainda mais evidente quando inserida no âmbito do discurso sustentável. Adivinha-se, por isso, pertinente promover o debate em torno da problemática, a fim de se aferirem os motivos e consequências que tais métodos de avaliação e concepção implicam num âmbito particular e geral. De que modo um repensar de valores e prioridades pode informar a construção de arquiteturas mais conscientes e consequentes, cidades mais saudáveis, socialmente mais coesas e dinâmicas e, por fim, globalmente mais sustentáveis. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,946 | Ruínas genéricas | Cidade,Edifício | Esta dissertação surge do fascínio pessoal pelos espaços gerados por construções inacabadas - sobretudo, pela sua capacidade de representar, da maneira mais estática possível, o constante movimento da cidade - e isso, foi também o que me levou a perceber que estes espaços podem ser mais do que fascinantes. Podem ser úteis. A necessidade cada vez mais actual de procurar estratégias urbanas alternativas, ligada ao fenómeno da contração urbana, forneceu o contexto ideal para construir uma abordagem possível a estes espaços. O termo Ruína Genérica não vem da necessidade de tipificar estes espaços, mas antes da necessidade de lhes reconhecer um valor, que até então permanece menosprezado. Este trabalho está dividido em três capítulos. No primeiro, irei abordar estes espaços à escala da cidade. Desse modo, identificarei três conceitos principais que fizeram parte da discussão sobre cidade num passado recente, procurando nesses mesmos conceitos, características que permitam chegar até ao conceito actual da contração urbana. A contração urbana, através da apresentação do projecto Shrinking Cities, será o tema base para o desenrolar dos capítulos seguintes. No segundo capítulo, irei abordar estes espaços à escala do lugar. Começarei por explicar o modo como o estado inacabado tem influência na especificidade destes lugares e porque razão os poderá transformar em ferramentas indispensáveis ao desenvolvimento da cidade. Depois de explicar o conceito de Ruína Genérica - um conceito introduzido por mim, que surge da necessidade de reconhecer um valor a estes espaços - e identificar as características-chave destes locais, irei passar à sua demonstração através de três casos de Ruínas Genéricas que se encontram actualmente ocupadas: a Torre David em Caracas, o Szkieletor em Cracóvia e o Vakko Fashion Center em Istambul. Seguidamente, irei colocar a questão intervir ou não intervir?, que me levará, por fim, à identificação de três problemáticas que se demonstrarão essenciais, antes, e durante a formulação de qualquer ideia de intervenção para uma ruína genérica. Finalmente, no terceiro capítulo, em jeito de resumo e conclusão da dissertação, irei apresentar um projecto genérico para locais específicos, que identifiquei na cidade de Coimbra. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,947 | Ar(t)quitectura | Arquitectura, estudos,Arte, estudos | A arquitectura no seu campo artístico foi um ponto de paragem na procura de um tema para uma investigação. Uma paragem que se expandiu em várias questões: Arquitectura é arte, ou é uma arte? Pode a arte ter uma linguagem arquitectónica? Quando se separaram os dois saberes (se alguma vez se separaram)? Qual o lugar da arte na arquitectura, hoje? Afinal, o que é então a arquitectura? Esta investigação compreende 3 capítulos que procuram mais do que encontrar respostas (se as houver), conhecer novas relações, divulgar novas perspectivas, explorar pensamentos e opiniões, levantar questões, criar discussões e dúvidas, e principalmente, percorrer um caminho acompanhado destas problemáticas. No capítulo I proponho uma análise aos acontecimentos históricos que foram condicionantes dos caminhos dos dois saberes. Procuro explorar, no I.I uma recolha mais ampla da história a partir do momento em que a arte e arquitectura se autonomizaram e fazer especial referência a movimentos que se irão tornar relevantes para o desenvolvimento da análise: o ready-made, o construtivismo, o modernismo, o brutalismo e a pop-art. Aprofundando este relacionamento histórico, no I.II, com a linha orientadora do artigo de Robert Morris “Notes on Sculpture” (1966) são exploradas as problemáticas comuns dos dois campos que se destacaram neste artigo, (relevo, cor, luz, forma, tamanho, escala, detalhe e envolvente) apesar da sua especificação escultórica. No I.III procuro o impacto na arquitectura com a reunião das várias artes num movimento modernista: o brutalismo. Um grupo composto por artistas, arquitectos, fotógrafos, etc, que partilhavam os mesmos ideais e que interagiam nas suas práticas, com especial foco nas exposições Parallel of life and art (1953) e This is tomorrow (1956). Como um caminho até à contemporaneidade o capítulo II apresenta uma panorâmica das relações entre a arquitectura e a expansão dos campos que interagem e se cruzam. A primeira abordagem, que apresento no II.I, é a relação da arquitectura como medium para a arte: Museu/ Galeria considerado um espaço para obras em oposição ao Site Specific projectando as obras para um espaço específico. Pretendo explorar a relação com os espaços expositivos e perceber se são condicionantes ou limitadores; e a evolução dessa participação artística em espaços construídos. Procuro assim exemplos de diálogos entre a obra de arte e os espaços de exposição, como no caso de Duchamp ao desafiar a liberdade da galeria, a ruptura de Mondrian, o desprendimento de Corbusier, e o conceito de museu como caixa branca. Ao sair do espaço delimitado do museu/galeria, transmitirá o site-specific (exemplos como Andrea Zittel, e Richard Serra) uma liberdade criativa mais intensa? Exponho assim a relação com o espaço e a obra em si, e a sua potência como experiência, concluindo com uma reflexão sobre a articulação entre a produção e a exposição, com uma especial referência ao Instituto Inhotim, no Brasil. A arquitectura no campo expandido é explorada, no II.II, em diferentes etapas. A primeira etapa corresponde a uma apropriação de um esquema de R. Krauss, no seu artigo “Sculpture in the Expanded Field” (1979) para a temática da arquitectura e procuro uma linha orientadora que vai determinar essa análise: corresponde à “Mesa redonda sobre Arte e Arquitectura” publicada na ArtForum (Oct. 2012), por artistas, arquitectos e teóricos. 1 Para um desenvolvimento mais específico no diálogo dos dois pólos artísticos exploro, numa segunda etapa, a problemática da casa, da cidade, das relações espaço-tempo, e as relações pessoais (entre o autor e o público). O último capítulo (III) corresponde a um lado mais prático da investigação que se debruça sobre as obras de duas personalidades criativas da actualidade e reflectem os possíveis cruzamentos quer do artista na área arquitectónica - Rodrigo Oliveira (III.I), quer no arquitecto na área artística – Didier Fiuza Faustino (III.II). A metodologia prevista incluía uma pequena entrevista pessoal, preparada para cada um dos casos de estudo, complementada com uma análise interpretativa às obras relevantes para o tema; não tendo sido possível uma entrevista pessoal a Didier, realizo uma recolha de várias entrevistas e utilizo assim o seu testemunho sobre as suas intenções. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,948 | Políticas de autor ou políticas sociais? : Nuno Portas e o papel do arquitecto em Portugal | Portas, Nuno, 1934-, obra,Arquitectura, Portugal | POLÍTICAS DE AUTOR, POLÍTICAS SOCIAIS Nuno Portas e o papel do arquitecto em Portugal É em períodos de crise que a crítica aparece mais vincada e mais frontal, como forma de interrogação sobre dúvidas que se levantam. Por estar ligada à construção material do mundo, a Arquitectura é das primeiras áreas do pensamento e das artes a assinalar esses momentos. Por outro lado, procura também outras afirmações para refutar o que tinha sido feito até então. Na segunda metade do século XX, entre o rescaldo do fim dos CIAM (Congresso Internacional de Arquitectura Moderna) e o aparecimento de vias críticas europeias muito fortes (nomeadamente, em Inglaterra e Itália), surge a necessidade de reinterpretar e rever o Movimento Moderno. Nuno Portas foi, em Portugal, umas das pedras basilares para a construção dessa outra via: uma arquitectura moderna construída com uma forte significação contemporânea e social. Numa altura em que a ditadura salazarista deixou de exercer tanto poder na expressão de um estilo de construção, e após o Congresso Nacional de Arquitectos de 1948, os dois maiores pólos de ensino e debate da profissão - Lisboa e Porto - unem-se no Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa. É neste cenário que a crítica de arquitectura ganhou o seu verdadeiro âmago na figura de Nuno Portas e da revista Arquitectura, fundamental na discussão do Movimento Moderno em Portugal. Com os seus textos e entrevistas publicados nas mais variadas revistas nacionais e internacionais da especialidade, mostrou projectos de arquitectos emergentes como Álvaro Siza, Manuel Tainha, Vítor Figueiredo e Nuno Teotónio Pereira. O seu artigo, A responsabilidade de uma novíssima geração no Movimento Moderno em Portugal, foi o mote que deu início à internacionalização da arquitectura nacional. No entanto, Nuno Portas vive o paradoxo de defender esses profissionais enquanto autores, e a convicção de que o arquitecto tem acima de tudo uma função social. Ou seja, está ao serviço da comunidade revogando qualquer tipo de vedetismo. PALAVRAS-CHAVE: Nuno Portas, crítica, políticas de autor, políticas sociais, internacionalização da arquitectura portuguesa. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,951 | Fernando Távora : de o problema da casa portuguesa ao da organização do espaço | Távora, Fernando, 1923-205, obra | Abracei este último trabalho – que encerra os meus seis anos académicos – como uma oportunidade para explorar um tema que me interessasse e fosse acrescentar valor pessoal ao meu percurso. O arquitecto Fernando Távora é um tema motivador, pela riqueza do seu contributo arquitectónico – fruto da época em que viveu – que lhe permitiu presenciar e marcar anos muito importantes para a história da arquitectura. Sendo um assunto tão vasto, sentia uma certa ignorância nesta temática, visto que não tinha tido ainda oportunidade de o estudar com a profundidade e tempo que o assunto requer. Assim, ao ler a seguinte afirmação de Nuno Portas, decidi limitar o meu estudo ao intervalo de tempo a que este se refere, entre os anos de 1945 e 1962: “ (…) Pode ser interessante é situar o discurso neste caso de Fernando Távora, na evolução das ideias e práticas arquitectónicas do momento ou da fase em que foi produzido – ideias e práticas em que o seu autor teve especial protagonismo no ambiente português (…) ” 2 Este trabalho não tem o intuito de ser algo inovador, nem superar os inúmeros escritos que já existem sobre esta personagem e esta época. Mas sim uma intersecção de leituras acerca do tema em foco. Apresenta-se como uma breve compilação – em resposta à escala da dissertação proposta – que visa tocar ao de leve os temas fulcrais destes anos, com o intuito de dar a conhecer ao leitor algumas pistas. Desta forma espero despertar o interesse de quem lê, despertando o interesse para irem estudá-los de forma mais detalhada, tal como eu o fiz. O intervalo temporal situa-se numa fase de mudanças, de grande agitação social, económica e política, e acaba por englobar dois momentos distintos na História da arquitectura em Portugal. São anos de novidade, de agitação e sonhos, onde os portugueses procuram informação internacional, Num primeiro momento, aproximadamente de 1948 a 1955, surge uma exaltação do movimento moderno, onde os arquitectos tentam absorver toda a informação nova que este fornecia. Procuravam colocar a arquitectura portuguesa lado a lado com a que se fazia internacionalmente. Nesta fase muitas das referências são provenientes do Brasil e é no ano que inicia este período que surge o Primeiro Congresso Nacional de Arquitectura em Portugal. No momento que se lhe sucede há um período mais meditativo, onde se começa a questionar a validade dos anos anteriores. Surge um grupo de arquitectos que começa a preocupar-se com a contextualização da arquitectura face ao lugar, pondo em causa os modelos internacionais. Não acreditando que o acto de projectar fosse apenas seguir regras pré-estabelecidas – aplicando-as a qualquer sítio e ocasião – defendem que a arquitectura tem que ser emotiva, orgânica e reflexo de diferentes condicionantes. Fernando Távora será um grande defensor destas premissas, que “persegue” ao longo da sua trajectória profissional. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,956 | Arquitectura e identidade : a expressão crítica do vernacular no Tibete | Arquitectura,Arquitectura vernácula, Tibete,Identidade | Desde a invasão chinesa do Tibete em 1950, têm sido postas em práctica fortes alterações ao seu panorama arquitectónico e urbano, sobretudo no contexto específico da capital Lhasa. Estando perante um património vernacular único e de grande valor cultural, é pertinente a discussão sobre que caminhos a arquitectura tomará no futuro, de forma a que se procure uma identidade contemporânea que respeite e conviva com a identidade tradicional sem que uma se sobreponha à outra. Partindo de uma análise da discussão decorrida ao longo do séc. XX em torno das relações entre arquitectura, ‘poder’ e ‘identidade, conseguida através de casos de estudo internacionais de diferentes épocas, faz-se uma aproximação ao caso tibetano, com a análise das características arquitectónicas tradicionais e da morfologia urbana tradicional de Lhasa. Segue-se um estudo sobre as principais intervenções chinesas no núcleo histórico da cidade, sustentadas pela dicotomia poder/identidade já estudada. Por fim, são apresentadas algumas obras de arquitectura tibetana contemporâneas construídas dentro e fora do Tibete, das quais são extraídas premissas de abordagem vernacular distintas que, em todos os casos, pretendem transmitir uma identidade local. Alguns dos objectos de estudo apresentados, construídos recentemente em território tibetano, parecem já deixar antever uma maior abertura das autoridades para a manutenção da identidade tibetana. De um modo global, estabelecem-se referências e consolidam-se conceitos que permitem criar uma base operativa de suporte para desenvolver, mais do que um sentido crítico, alguns projectos pontuais exemplares para o futuro da arquitectura tibetana. Esta recente consciência e sensibilização para o contexto tibetano encontra neste trabalho outro meio de divulgação, entre os raros existentes, que vem colmatar uma inacessibilidade muito sentida no meio académico. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,957 | Arquitectura com sentidos : os sentidos como modo de viver a arquitectura | Arquitectura, estudos | “Toda experiência comovente com a arquitectura é multissensorial; as características de espaço, matéria e escala são medidas igualmente pelos nossos olhos, ouvidos, nariz, pele, língua, esqueleto e músculos. A arquitectura reforça a experiência existencial, a nossa sensação de pertencer ao mundo, e essa é essencialmente uma experiência de reforço de identidade pessoal. Em vez da mera visão, ou dos cinco sentidos clássicos, a arquitectura envolve diversas esferas da experiência sensorial que interagem e fundem entre si.” 1 A arquitectura multissensorial que me proponho a estudar é uma referência e objectivo para o meu futuro na arquitectura. Este curso acompanhou os últimos cinco anos da minha vida, como tal, senti que na dissertação final fazia sentido fazer uma reflexão sobre um tema que sempre me interessou, e apesar de já explorado, continua a ser pertinente. Num período em que a crise económica e política são as palavras do dia, é necessário perceber o papel dos arquitectos. A necessidade de mudança na arquitectura já é uma problemática que vem sendo discutida desde a última década. Os arquitectos têm de lutar por trazer de volta a sensibilidade do ser humano para o espaço. Temos de ter prazer em visitar e viver a arquitectura. Não podemos apenas construir paredes e um tecto que nos proteja, mas sim investir numa arquitectura que nos estimule e viva connosco. Juhani Pallasmaa e Peter Zumthor entre outros exploraram o potencial percepcional que a arquitectura tem na relação dos sentidos humanos com o espaço nas suas obras, respectivamente, Os Olhos da Pele e Atmosferas. Muita da bibliografia escrita sobre a relação que o homem tem com o espaço é o relatar de uma experiência própria. Os sentidos transportam-nos para um plano de subjectividade e que só pode ser vivenciado presencialmente. Neste sentido dividi a dissertação em três capítulos que seguem uma lógica condutora culminando com a análise dos casos de estudo selecionados. No primeiro capítulo abordei os cinco sentidos humanos percebendo o modo como funcionam e a sua relação histórica com a arquitectura. Posteriormente, foi importante explicar de que maneira é que, com o auxílio dos sentidos, a percepcionamos. Para isso entro pelo mundo da filosofia, psicologia e antropologia onde encontro respostas sobre a percepção geral e em particular do espaço arquitectónico. É aqui que percebo que o que experienciamos não depende só dos sentidos mas também da memória. Procuro resposta sobre a relação da memória com a arquitectura e assim concluo que este é um aspecto que é importante para o entendimento individual do espaço. Depois de perceber como vivemos e percepcionamos a arquitectura, passo à História da mesma. O segundo capítulo começa com uma análise histórica da relação dos sentidos com arquitectura. Abordo momentos desde o período Medieval, e quando a arquitectura era dominada pela igreja, até ao Modernismo, passando pelos tratados encontrados no Renascimento. O Modernismo é para mim o ponto viragem da arquitectura. Foi baseada nos princípios de Corbusier que esta arte evoluiu e chega aos nossos dias sob a forma de várias correntes. Por isto, achei pertinente a escolha de quatro obras da época e a sua análise. Corbusier pelos seus princípios modernistas, Frank Lloyd Wright pela arquitectura organicista e Mies van der Rohe pelo seu minimalismo. Como defendo que a arquitectura só pode ser completamente percepcionada através da vivência in loco, reuni testemunhos dessas obras para fortalecer a minha teoria. O percurso segue até a actualidade onde tento entender o papel da arquitectura no campo multissensorial. Mais uma vez selecciono três projectos e os seus respectivos testemunhos que expõe o vivenciar das obras. Tadao Ando com arquitectura de origens orientais, Peter Zumthor pelos seus princípios na concepção de arquitectura e Frank Ghery pela sua arquitectura desconstrutivista. Num mundo onde a visão é o sentido predilecto é necessário entender a diferença entre conhecer um projecto através dos seus desenhos e fotografias, e a visita à obra. É esta problemática que encerra o segundo capítulo. No capítulo 3 começo por explorar a desconstrução como análise arquitectónica e estabeleço uma metodologia a aplicar nos casos de estudo. O Museu Judaico de Daniel Libeskind e da Casa do Cipreste de Raúl Lino foram inicialmente os projectos que seleccionei para analisar e desconstruir. Depois da viagem que fiz a Berlim no sentido de experienciar o caso de estudo, não resisti a trabalhar também paralelamente ao Museu Judaico o Memorial ao Judeus Mortos na Europa de Peter Eisenman pela simplicidade da forma e complexidade sensorial. Posteriormente à descrição da experiência individual analiso cientificamente as passagens mais pertinentes com o objectivo de perceber de que maneira e usando que técnicas podemos explorar os sentidos. Com esta dissertação tenciono criar linhas que orientem o meu futuro e a minha maneira de ver a arquitectura. O mundo actual está demasiado industrializado e as cidades estão sobrelotadas pela construção e os centros históricos continuam a degradar-se. Numa época em que a reabilitação devia ser uma prioridade continuam a comprar-se terrenos e construir novas habitações. É necessário parar para reflectir. É preciso dar sentido com os sentidos à arquitectura. “(...)A arte não deve ser explicada, deve ser sentida. Mas por meio de palavras é possível ajudar os outros a senti-la, e é isso que tentarei fazer aqui.”2 | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,959 | Ar(t)quitectura : arquitectura no campo expandido | arquitectura, estudos,arte, estudos | A arquitectura no seu campo artístico foi um ponto de paragem na procura de um tema para uma investigação. Uma paragem que se expandiu em várias questões: Arquitectura é arte, ou é uma arte? Pode a arte ter uma linguagem arquitectónica? Quando se separaram os dois saberes (se alguma vez se separaram)? Qual o lugar da arte na arquitectura, hoje? Afinal, o que é então a arquitectura? Esta investigação compreende 3 capítulos que procuram mais do que encontrar respostas (se as houver), conhecer novas relações, divulgar novas perspectivas, explorar pensamentos e opiniões, levantar questões, criar discussões e dúvidas, e principalmente, percorrer um caminho acompanhado destas problemáticas. No capítulo I proponho uma análise aos acontecimentos históricos que foram condicionantes dos caminhos dos dois saberes. Procuro explorar, no I.I uma recolha mais ampla da história a partir do momento em que a arte e arquitectura se autonomizaram e fazer especial referência a movimentos que se irão tornar relevantes para o desenvolvimento da análise: o ready-made, o construtivismo, o modernismo, o brutalismo e a pop-art. Aprofundando este relacionamento histórico, no I.II, com a linha orientadora do artigo de Robert Morris “Notes on Sculpture” (1966) são exploradas as problemáticas comuns dos dois campos que se destacaram neste artigo, (relevo, cor, luz, forma, tamanho, escala, detalhe e envolvente) apesar da sua especificação escultórica. No I.III procuro o impacto na arquitectura com a reunião das várias artes num movimento modernista: o brutalismo. Um grupo composto por artistas, arquitectos, fotógrafos, etc, que partilhavam os mesmos ideais e que interagiam nas suas práticas, com especial foco nas exposições Parallel of life and art (1953) e This is tomorrow (1956). Como um caminho até à contemporaneidade o capítulo II apresenta uma panorâmica das relações entre a arquitectura e a expansão dos campos que interagem e se cruzam. A primeira abordagem, que apresento no II.I, é a relação da arquitectura como medium para a arte: Museu/ Galeria considerado um espaço para obras em oposição ao Site Specific projectando as obras para um espaço específico. Pretendo explorar a relação com os espaços expositivos e perceber se são condicionantes ou limitadores; e a evolução dessa participação artística em espaços construídos. Procuro assim exemplos de diálogos entre a obra de arte e os espaços de exposição, como no caso de Duchamp ao desafiar a liberdade da galeria, a ruptura de Mondrian, o desprendimento de Corbusier, e o conceito de museu como caixa branca. Ao sair do espaço delimitado do museu/galeria, transmitirá o site-specific (exemplos como Andrea Zittel, e Richard Serra) uma liberdade criativa mais intensa? Exponho assim a relação com o espaço e a obra em si, e a sua potência como experiência, concluindo com uma reflexão sobre a articulação entre a produção e a exposição, com uma especial referência ao Instituto Inhotim, no Brasil. A arquitectura no campo expandido é explorada, no II.II, em diferentes etapas. A primeira etapa corresponde a uma apropriação de um esquema de R. Krauss, no seu artigo “Sculpture in the Expanded Field” (1979) para a temática da arquitectura e procuro uma linha orientadora que vai determinar essa análise: corresponde à “Mesa redonda sobre Arte e Arquitectura” publicada na ArtForum (Oct. 2012), por artistas, arquitectos e teóricos. Para um desenvolvimento mais específico no diálogo dos dois pólos artísticos exploro, numa segunda etapa, a problemática da casa, da cidade, das relações espaço-tempo, e as relações pessoais (entre o autor e o público). O último capítulo (III) corresponde a um lado mais prático da investigação que se debruça sobre as obras de duas personalidades criativas da actualidade e reflectem os possíveis cruzamentos quer do artista na área arquitectónica - Rodrigo Oliveira (III.I), quer no arquitecto na área artística – Didier Fiuza Faustino (III.II). A metodologia prevista incluía uma pequena entrevista pessoal, preparada para cada um dos casos de estudo, complementada com uma análise interpretativa às obras relevantes para o tema; não tendo sido possível uma entrevista pessoal a Didier, realizo uma recolha de várias entrevistas e utilizo assim o seu testemunho sobre as suas intenções. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,960 | Arquitetura religiosa contemporânea em Portugal : três igrejas do início do séc. XXI | Barbini, Flávio, 1966-, obra,Gonçalves, José Fernando, 1963- obra,Graça, Carilho da, 1952- obra,Silva, Maria João obra,Capela de São José, Vila Nova de Gaia,Igreja de Nossa Senhora de Lurdes, Coimbra,Igreja de Santo António Portalegre | Com o presente trabalho pretende-se uma análise reflexiva sobre a arquitetura religiosa contemporânea em Portugal. Essa análise é feita através do estudo de três igrejas construídas nos últimos 20 anos. A escolha destas igrejas deve-se ao desejo de restringir o estudo e de procurar três casos semelhantes, em programa e dimensões. Com esse propósito foram excluídas igrejas de dimensões superiores, igrejas que não possuem complexo paroquial e também capelas. A interação com a cidade é próxima nos três casos, bem como as soluções adotadas. As três igrejas são definidas por “jogos de volumes” que interagir a igreja e o centro paroquial, com o utilizador e com a malha urbana. Nestas igrejas é possível ver o desejo do arquiteto de criar um espaço sacro, usando a conceção arquitetónica contemporânea para possibilitar aos fiéis um espaço que, para eles, seja mais que um lugar mundano. Estas igrejas são analisadas com base no estudo prévio do conceito de igreja. A História da arquitetura religiosa, até ao momento da construção destas igrejas, é ponto-chave que possibilita a compreensão destes espaços. A arquitetura religiosa não depende apenas da liberdade criativa do arquiteto, ela depende também de um ritual litúrgico e da fé dos fiéis que a utilizam e que atribuem significado aos espaços. Ao estudar a arquitetura religiosa das últimas décadas, detetam-se alguns pontos de viragem na criação do espaço religioso. Os que precedem a arquitetura religiosa contemporânea são o Movimento de Renovação da Arte Religiosa, em Portugal (1952 – 1967), o Concílio do Vaticano II (1962 – 1965) e a igreja do Marco de Canaveses, do arquiteto Álvaro Siza (1992). A questão de qual a sua influência, no seu tempo, e o legado que criaram, influenciando arquitetos para lá do seu tempo, define a abordagem feita nos casos em estudo. Qual a imagem de igreja hoje? Como se define o espaço místico nos dias de hoje? São algumas das questões sobre as quais se pretende refletir ao longo deste trabalho. Palavras-chave Arquitetura Religiosa, Contemporâneo, Igreja, Interior - Exterior, Luz. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,961 | J. A. 00-12 : um retrato panorâmico da arquitectura portuguesa em 5 temas | Arquitectura portuguesa, 2000-2012, estudos,Jornal Arquitectos | A arquitetura portuguesa responde hoje a uma multiplicidade de fatores impossíveis de quantificar de forma linear. Permitindo muitas categorizações possíveis, desde a autoria nacional à localização geográfica, é um objeto de estudo de difícil delimitação. Desta impossibilidade, e com o objetivo de criar um retrato panorâmico da arquitetura portuguesa contemporânea, este trabalho utiliza o Jornal Arquitectos (J.A.) como filtro para a análise, garantindo assim uma relação direta entre o caso de estudo e os intervenientes que operam na sua constituição. Seguindo uma estruturação temática que resulta da seleção dos temas de maior recorrência na revista, ‘CIDADE’, ‘HABITAÇÃO’, ‘MEMÓRIA E IDENTIDADE’, ‘NORMA’ e ‘VALORES’ constituem o corpo da reflexão, criando linhas de leitura possíveis e facilitando o consequente acesso aos conteúdos produzidos. A abordagem segue assim dois objetivos distintos: um primeiro que diz respeito ao levantamento das premissas principais para o desenvolvimento da arquitetura portuguesa de 2000 a 2012; e um segundo que, catalogando todos os conteúdos, desenvolve meios para a instrumentalização do J.A., cujos conteúdos são relevantes para uma grande variedade de estudos posteriores. PALAVRAS-CHAVE: arquitetura portuguesa; Portugal; Jornal Arquitectos; J.A.; cidade; habitação; memória; identidade; norma; valor; revista; artigo; profissão; arquiteto. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,969 | Ver para crer, tocar para sentir : a casa como experência material e sensorial | Arquitectura contemporânea, Portugal,Habitação unifamiliar, séc.20,Materiais de construção | Numa sociedade cada vez mais complexa e exigente, a casa tornou-se palco de inúmeras experiências que a transformaram num produto comercializável. Com a constante evolução tecnológica e social, assim como com o salto qualitativo que as novas tecnologias promoveram, a casa foi perdendo algum do seu significado, caminhando em direção a uma arquitetura pluralista e descontinuada que nos afastou da sua essência. Assim, entende-se ser pertinente repensar o valor tectónico e poético dos materiais na habitação como forma de promover uma arquitetura vivida e experienciada que se aproxime novamente do Homem. O trabalho incide sobretudo no modo como os materiais determinam o desenho e o viver da habitação e na capacidade de se adaptarem a novos contextos, novas exigências, de proporcionarem experiências diferentes. Para isso, evidencia-se ao longo do texto a importância dos materiais e técnicas utilizadas através da análise de algumas casas que se consideram marcos da história da arquitetura do século XX e nos permitem entender melhor o caminho que os materiais têm percorrido até hoje. Analisam-se também quatro casas contemporâneas que levantam questões sobre o tema da materialidade e da imagem, pertinentes para a reflexão sobre o significado da arquitetura contemporânea. O presente estudo caminha então na direção de um objetivo global: procurar nos materiais e nas suas propriedades formais e plásticas uma alternativa à arquitetura de imagem desprovida de significado, que pode entender-se como uma nova visão sobre a construção da casa e compreender uma postura crítica que utilize sabiamente os materiais para conferir conforto e identidade ao espaço doméstico. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,972 | Flexibilidade em arquitetura : um contributo adicional para a sustentabilidade do ambiente construído | Habitação colectiva,Arquitectura de habitação, adaptação,Arquitectura sustentável | Atualmente vivemos num mundo em que a repercussão da globalização, tecnologias de informação, migração, incerteza e instabilidade, começam a ditar novas tendências e formas arquitetónicas para o habitat. No entanto, o mercado disponibiliza, ainda, uma escolha muito limitada no que diz respeito a novas soluções dos espaços habitacionais multifamiliares, consequentes, em parte, da compartimentação interior rígida e da distribuição tipificada dos usos, da multiplicação dos edifícios idênticos e da limitação dimensional e espacial, provenientes do surto capitalista, impedindo a evolução dos utentes no seu habitat. Os modos de vida mudam e, muitas vezes, as habitações não. Este facto vai reflectir-se, depois, numa insustentabilidade dita económica, ambiental e, nomeadamente, social. Este trabalho pretende alertar, numa perspetiva mais generalizada, para a necessidade de encarar a flexibilidade como uma atitude intrínseca ao pensamento, não só do arquiteto, mas também da sociedade, contribuindo, assim, para a dignidade, individualidade e dinamismo do habitante. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,974 | Manifesto e mimese : passado e presente no brutalismo britânico | Arquitectura moderna, Inglaterra, séc. 20,Brutalismo (arquitectura) | Pretendo nesta dissertação descrever os acontecimentos que estiveram na origem do termo Brutalismo, a partir da discussão que foi suscitada pelos arquitectos e críticos que o desenvolveram como sendo uma hipótese de superação do Movimento Moderno. Durante os anos 1950, enquanto o Reino Unido recuperava o seu poder económico e social, os arquitectos Alison e Peter Smithson preconizavam uma vontade de mudança e, no fulgor do seu percurso inicial, decidem usar a escrita como método para então propor uma nova maneira de olhar para a arquitectura. No mesmo período, o crítico e historiador Reyner Banham associa-se a esta demanda ao expandir as ideias destes arquitectos para o campo da crítica, possibilitando uma leitura mais abrangente com a junção da arquitectura e da arte. Sucederam-se então várias discussões em volta do Brutalismo, tendo sempre como protagonistas principais os arquitectos e o crítico citados. Depois deste período denso que durará até ao início dos anos 1970, estes voltaram-se para outras investigações dentro do seu campo de trabalho, ao mesmo tempo que o ímpeto inicial do Brutalismo que haviam incutido em Inglaterra era apropriado por diferentes facções a nível global, distanciando-se das premissas estabelecidas. O objecto de investigação encontra actualmente um interesse renovado por parte de uma nova geração de arquitectos, críticos e historiadores. O conjunto de projectos, edifícios e textos ligados ao Brutalismo, que estabeleceram contornos polémicos no passado, podem ser analisados de outra forma no presente graças a uma distância temporal que o permite. A dissertação encontra-se dividida em três capítulos, sendo iniciada por uma breve contextualização do objecto da investigação, seguindo-se uma descrição dos textos principais que o potenciaram, assim como os acontecimentos dentro da arquitectura e da arte que se seguiram. No segundo capítulo, são analisadas as reacções subsequentes dos arquitectos e críticos que entram na discussão em volta do Brutalismo britânico, passando depois pelos projectos de Alison e Peter Smithson e pela obra de Reyner Banham. No terceiro e último capítulo, é abordado o ressurgimento do Brutalismo que acontece a partir de retrospectivas do período analisado nos primeiros dois capítulos e também sob a forma de uma herança declarada por arquitectos britânicos contemporâneos em volta do trabalho de Alison e Peter Smithson. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,975 | Desenhar e construir a paisagem : o povoamento florestal entre Mira e Quiaios, na primeira metade do século XX | Ordenamento do território, Litoral português, séc. 20,Florestação, Litoral português, séc. 20,Paisagem, Litoral português, séc. 20,Dunas, Mira,Dunas, Quiaios | A paisagem da costa portuguesa, que vai desde o concelho de Mira até à freguesia de Quiaios, na Figueira da Foz, manteve-se, durante o século XIX e início do século XX, um imenso e inóspito manto de dunas. Os densos bosques de pinheiro marítimo, que outrora povoaram aquele território, deram lugar a extensas áreas de vazio. Transportadas pelo vento, as areias, não tendo qualquer obstáculo, destruíam campos agrícolas férteis e ameaçavam as povoações, pondo em risco o seu sustento e a sua sobrevivência. Os povos dependiam dos proveitos da pesca e da agricultura, e viam no desaparecimento dos pinhais o aumento da sua precariedade. Este era, aliás, um problema antigo e amplo, que se generalizava por toda a costa nacional, desde as Dunas do Camarido, em Viana do Castelo, até às de Vila Real de Santo António. Como forma de suster o avanço do extenso areal e de pôr cobro aos prejuízos por ele causado, as dunas de Mira a Quiaios vão ser alvo de um intenso programa de Povoamento Florestal, durante a primeira metade do século XX. Aos vastos areais sucede a floresta que protege e promove a prosperidade das populações limítrofes e o desenvolvimento económico do país (Freire, 2004, p.193). Mas, simultaneamente à fixação das areias para proteção do território habitado, o Povoamento Florestal protagoniza uma profunda transformação da imagem daquele território. As árvores geram uma nova paisagem e dão lugar a novas interpretações do espaço. Um espaço que reflete uma intenção de desenho, projeto e organização, segundo a lógica de exploração económica dos recursos da floresta, e à qual se associa um conjunto de infraestruturas e equipamentos. Além de manifestação cultural, a obra é expressão do poder administrativo, económico e político, que o Estado exerce sobre o território. Pode dizer-se que a paisagem das dunas, de Mira a Quiaios, é a protagonista deste trabalho, que propõe a revisão da sua história e a reflexão sobre as implicações do processo de Povoamento Florestal na sua construção, durante a primeira metade do século XX. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,976 | Estádio Universitário de Coimbra : um retrovisor que reflete o futuro | Universidade de Coimbra, Estádio Universitário,Estádio universitário, reabilitação, projecto | Desde que foi realizado o primeiro desenho, o Estádio Universitário de Coimbra foi um projeto bastante ambicionado por todas as entidades universitárias. Este projeto permitiu à academia mais eclética do país ter uma casa digna para a prática desportiva. É necessário, volvidos mais de 50 anos desde a sua inauguração, proceder a uma renovação. Foi nesta base que se desenvolveu um estudo para conduzir a uma solução coerente e que fosse capaz de melhorar as condições dos utilizadores do Estádio. Planear o futuro obriga a uma reflexão sobre o presente e, não menos importante, analisar o passado. Estudá-lo e aprender com ele é uma das formas de garantir que o futuro irá ser sempre melhor. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,978 | Baixa crúzia : contribuição para a reabilitação de uma área na Baixa de Coimbra | Reabilitação de edifícios,Baixa de Coimbra,Património arquitectónico,Coimbra | O centro histórico de Coimbra, como muitos outros, sofre as consequências do grave problema da desocupação. A gravidade deste problema nota-se ao olhar para o estado de degradação e ruína dos edifícios, mas também, e principalmente, ao percorrer o espaço no período noturno, altura em que o comércio fecha deixando a área totalmente sem vida e consequentemente pouco convidativa e perigosa. A quem cabe a função de animar este espaço? Ao comércio? O prolongar o seu horário de funcionamento ou o manter as luzes das montras acesas durante a noite acarretam custos e alteração de dinâmicas que são dificilmente compensados. Aos turistas? Estes têm um caráter transitório. Então cabe a quem? Tem de caber á população residente na área. Mas, se o espaço está desabitado, quem o vai dinamizar? A reabilitação tem de passar pela criação de condições para que se recupere e desenvolva a função habitacional. Como proliferar a função habitacional em edifícios que não respondem às exigências mínimas de habitabilidade dos dias de hoje? Já lá vai o tempo em que se demolia para construir de novo. Hoje, mais do que nunca, o valor patrimonial do legado arquitetónico é valorizado (e bem!) pois é parte essencial da identidade da cidade e da nossa identidade. Num espaço como o centro histórico a reabilitação da casa corrente deve promover as melhorias das condições de habitabilidade e ao mesmo tempo o seu valor enquanto parte constituinte de um conjunto com identidade própria. A questão fundamental a que esta tese se propõe tentar responder é: ‘Como reabilitar?’ | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,980 | Habitar (n)a natureza : projecto de uma habitação pré-fabricada em madeira com impacto residual no ambiente para aplicação em zonas paisagisticamente sensíveis | Construção em madeira,Habitação modular pré-fabricada,Sustentabilidade | A elaboração da dissertação de mestrado pretende desenvolver uma solução arquitectónica estandardizável, tipologicamente flexível e de baixa pegada ecológica, tendo como principal objectivo a incorporação da mesma em espaços naturais. Podendo ao mesmo tempo ser uma alternativa viável à habitação de construção e características convencionais. Esta dissertação prende-se assim com o recente debate sobre ecologia e arquitectura equacionada no contexto da pré-fabricação, focando-se em três premissas: flexibilidade tipológica, construção em madeira e reversibilidade da construção. Entende-se por reversibilidade da construção a possibilidade de recuperar o estado inicial do lugar ou paisagem através da simples remoção da construção. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,981 | Who decides? Who provides? : um contributo para a comprensão da obra de John Turner | Turner, John F. C., 1927, obra,Habitação social,Autoconstrução,América Latina | A presente dissertação pretende explorar os vários temas com que a arquitectura social se relaciona desde a década de 50 até aos dias de hoje, partindo do estudo de trabalhos de John F. C. Turner. No contexto do pós Segunda Guerra Mundial começa-se a questionar a capacidade de resposta da arquitectura moderna face às necessidades habitacionais de uma Europa arrasada. As críticas daqueles que defendem uma arquitectura ligada às ciências sociais aumentam, colocando assim em causa o papel do próprio arquitecto na sociedade. Turner, desde cedo influenciado pelas narrativas de William Morris e Patrick Geddes, partilha desta dúvida, juntamente com nomes como Giancarlo de Carlo e Eduardo Neira. É com este contexto, e a partir do convite deste último, que Turner vai para o Perú, onde as oportunidades para progredir na sua aprendizagem se apresentavam incomparavelmente mais altas do que em Inglaterra. Turner foi desenvolvendo uma profunda relação com os habitantes das barriadas, responsáveis pela construção da sua própria habitação, e durante os oito anos em que esteve no Perú, concomitantemente ao seu trabalho enquanto arquitecto questionou o seu papel e o do Estado no processo de housing. Dos inúmeros escritos que resultaram desta experiência, destacam-se Dwelling Resources in South America (1963), The Reeducation of a Professional (1972) e Housing by People (1976) como a obra que resume as suas premissas. É com uma analogia aos vários casos de estudo que nos apresenta que pretendemos responder às questões who decides? Who provides? | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,982 | Sobre uma montanha em movimento : evolução urbana da Favela do Vidigal | Urbanismo, Rio de Janeiro,Planeamento urbano, Rio de Janeiro,Favela do Vidigal, Rio de Janeiro,Sociologia urbana, Brasil | A presente dissertação desenvolve uma análise ao crescimento da favela do Vidigal no contexto da cidade do Rio de Janeiro, a partir de uma lógica de etnografia urbana possível pela experiência pessoal como visitante e posteriormente moradora da comunidade em questão. A partir do enquadramento mundial do fenómeno slum, analisa o caso específico do Rio de Janeiro e em particular do Vidigal. Assim, pretende através do estudo do passado e pela experiência do presente, pensar num futuro da “cidade partida” que passa pela progressiva luta pela integração da favela no asfalto. O presente estudo contou com algumas obras importantes para a sua elaboração. O Processo Saal e a Arquitectura no 25 de Abril de 1974, dissertação de doutoramento do Professor Doutor José António Bandeirinha, pelo facto de ter sido o ponto de partida para entender o processo de evolução da favela como uma cidade sem ideias pré-estabelecidas. Pelo seu peso histórico, actua como base para o entendimento do fenómeno slum globalmente, para melhor analisar o caso particular do Rio de Janeiro, do Vidigal. Também pela presença de informação histórica é importante a dissertação de mestrado Favelfis : outra história da construção do espaço urbano carioca da Arquitecta Inês Nunes. Além disso, contém semelhanças nas motivações e interesse demonstrado na favela. A Cidade Partida de Ventura é uma obra imensamente importante para a elaboração desta dissertação pelo facto de ser uma etnografia urbana. Pela semelhança da experiência do autor, como visitante e parte de uma comunidade favelada, não pacificada. Do seu olhar, das suas motivações, da sua curiosidade e acção no descobrir os encantos que a favela tem quando o olhar atravessa os olhos de fora. Da sua intenção de desvendar e tentar solucionar a “cidade partida”. Por fim, o contacto com o trabalho e obra do Arquitecto Jorge Mario Jáuregui aquando do estágio no Atelier Metropolitano é essencial para a presente dissertação pela sua actualidade e proximidade relativamente ao estudo das favelas do Rio de Janeiro. Através do estágio, pela experiência, são consolidados interesse com vivência, teoria com práctica, e aumentada, assim, a percepção da realidade da arquitectura e urbanismo actual nas favelas do Rio de Janeiro. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,983 | A prática de uma aprendizagem | Liceu Velho, Mindelo,requalificação,Escola Internacional de Arte, Mindelo,Arquitectura sustentável, Cabo Verde, sec. 20-21 | Esta dissertação teve como principal objectivo refletir sobre a minha experiência realizada no âmbito da arquitetura em Portugal - realização do projeto da Prova Final de Licenciatura - Reconversão de uma Escola de Arte em Cabo Verde paralelamente com a colaboração em projetos diversos no escritório do Arq. José Gigante - e em Cabo Verde - vinculado ao M_EIA Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura enquanto arquiteto responsável do Departamento de Arquitetura e docente dos cursos de artes visuais, design e arquitetura. O discurso provém da prática das aprendizagens, uma vez que considero a experiência enquanto objecto de análise e reflexão enraizada na realidade. Essa mesma experiência é potenciadora de um discurso que transporta em si suas construções culturais e sociais numa perspectiva de produção de conhecimento engajado e implicado com o contexto de onde advém. Ao longo da dissertação sobressaem as singularidades dos diferentes projetos. Na primeira e segunda parte desta dissertação, centradas no projeto da Prova Final e na experiência no escritório do Arq. José Gigante, a aprendizagem é dotada de um tempo de ação em que o ato de projetar encontra o seu sentido real, entre o processo e a obra. No entanto, na terceira parte, em que me dedico fundamentalmente aos projetos do Departamento e respectivos cruzamentos pedagógicos no M_EIA, a aprendizagem concretiza-se no tempo de ação em que o ato de projetar encontra o seu sentido de compromisso com a realidade de Cabo Verde. O mais recente desafio, da prática da arquitetura em Cabo Verde, é incorporado na dinâmica pedagógica do M_EIA e é através da investigação aplicada que se encontram respostas para a prática da arquitetura neste contexto sustentadas no resgate das tecnologias de construção endógenas e dos paradigmas da arquitetura contemporânea. The primary objective of this dissertation is the reflection of my work experience in the ambit of arquitecture in Portugal – realization of the final project of the graduation test – Reconversion of an Art School in Cape Verde, parallel colaboration with various projects in the José Gigante’s Architecture office – and in Cabo Verde – attached to M_EIA - Universtity Institute of Art, Technology and Culture as the Arquitect responsible for the Architecture Department and teacher for the Visual Arts, Design and Architecture courses. This discourse originates from apprenticeship once that i consider experience as the analisis object and reflexion with enfasis on the reality. This same experience is the potential of the discourse that internaly transports their cultural and social constructions in the perspective of knowledge production, attached and implicated in the context which it originates. Through out the dissertation, i bring to surface the singularities of the different projects. In the first and second part of this dissertation, focused on the project for the Final Test and through the experience gained in the José Gigante’s Architecture office, the knowledge aquired is gifted with a time of action in which the act of projecting, finds its real meaning, between the process and the actual work. Meanwhile, in the third part, its fundamentaly dedicated to the Department projects and the respective pedagogical intersections in M_EIA, the knowledge aquirement meets its end with the time of action where the act of projecting finds its engagement with the reality of Cape Verde. The most recent challenge, in the praxis of architecture in Cape Verde, is incorporated in M_EIA´s pedagogical dynamics and its through the applied research which we find the answers to the architecture praxis in this context, sustained by recovering the endogenous construction technologies and the paradigms of the contemporary architecture. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,984 | Capitais europeias da cultura : Lisboa '94, Porto 2001, Guimarães 2012 | Capital Europeia da Cultura, Lisboa, 1994,Capital Europeia da Cultura, Guimarães, 2012,Capital Europeia da Cultura, Porto, 2001,Requalificação urbana,Política cultural europeia | A União Europeia mantém ativa, desde 1985, uma manifestação cultural designada por “Capital Europeia da Cultura” (CEC), sendo este título anualmente atribuído a uma ou mais cidades europeias. Esta iniciativa tem como objetivo valorizar a diversidade cultural da Europa, bem como as suas características comuns. Pretende-se que as cidades tomem como base as estruturas e capacidades criadas neste âmbito para uma estratégia de desenvolvimento cultural sustentável, que assegure efeitos a longo prazo. Na apresentação da candidatura ao título é essencial estarem bem definidos e explícitos quais os objetivos a atingir, sendo variáveis nas diferentes cidades. Na maioria dos casos, a reformulação ou criação de novas infraestruturas está presente, embora podendo assumir-se mais ou menos prioritárias. O presente estudo foca-se no caso português, que já foi distinguido com a nomeação de Lisboa, em 1994, do Porto, em 2001, e de Guimarães, em 2012, com intuito de perceber como se têm encarado estas oportunidades e qual tem sido o papel dos arquitetos nesta afirmação nacional. Cada caso enquadra-se em diferentes momentos da evolução das CEC permitindo, também, desenvolver uma investigação prospetiva do conceito de CEC. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,985 | O sítio arqueológico de Conímbriga : proposta de um novo museu | Museu Monográfico de Conimbriga, projecto | Foi há mais de cem anos que se iniciaram as escavações arqueológicas em Conimbriga. Desde aí, para além de posta a descoberto parte da estrutura urbana da cidade, um vasto conjunto de objetos do quotidiano foram surgindo, enriquecendo o conhecimento e interpretação da cidade e do seu modo de vida. Em 1962 constrói-se o Museu Monográfico de Conimbriga, um instrumento importante de gestão e divulgação da estação arqueológica, mas também de preservação e exposição dos achados. Ao longo da sua existência e de acordo com as necessidades, o museu, foi alvo de várias intervenções até ao ponto de, hoje em dia, não responder às exigências atuais. É um edifício desatualizado, insuficiente e incompleto. Há ainda outro problema que é a relação do sítio arqueológico com a aldeia de Condeixa-a-Velha e a sua população. Antes das escavações, coberto de terra arável, o oppidum da cidade era um espaço de onde a população retirava sustento através da agricultura e da produção de mós. Com as escavações, a população foi obrigada a abandonar o local. Desde então, aos seus olhos, a ruína é vista como um problema e não como uma vantagem. O presente trabalho tem como objetivo a apresentação de uma proposta de um novo Museu para Conimbriga. Pretende por isso, ser um contributo para uma discussão que já se iniciou e que responda não só aos problemas que ao longo do trabalho se faz referência, mas também que responda às exigências atuais de um museu de arqueologia. Procura ainda ser capaz de otimizar a compreensão do sítio arqueológico e da própria paisagem envolvente à cidade de Conimbriga. Para além de ter autonomia própria, o museu, insere-se numa estratégia global de intervenção para o sítio arqueológico. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,986 | Construção do imaginário arquitectónico : influências fotográficas | Arquitectura,Fotografia | Vivemos rodeados de imagens. A cultura visual em que nos inserimos hoje obriga-nos a interagir com a imagem como meio fundamental de representação. A arquitetura, como atividade que prioriza o visual, encontra-se também embebida neste consumo imagético interminável. É muitas vezes encarada como vítima da Imagem, mas também como beneficiária das regalias da fiel representação do real. Documentação, difusão e inspiração criativa, são alguns dos domínios onde Arquitetura e Imagem se cruzam, com especial atenção para esta interseção de conhecimento e inspiração que se apura na relação projetual. A importância da imagem arquitetónica vai além da mera representação técnica, e essa condição verifica-se na compreensão das mútuas influências que ocorrem desde os tempos modernos, era em que o visual ganha protagonismo, e começa a imiscuir-se na conceção da arquitetura. Esta intromissão faz da imagem o seu veículo, e da memória o seu acolhimento. Imagem e memória estão intimamente relacionadas, e juntas estabelecem um processo de armazenamento e produção criativa, que participa na metodologia projetual. O conceito de Museu Imaginário, de André Malraux é estudado, numa próxima confrontação com a atividade arquitetónica. Procurando um ampla compreensão da relação Arquitetura - Imagem integrada numa produção cultural, esta investigação pretende descortinar as oportunidades oferecidas pela Fotografia, e a sua responsabilidade na construção do imaginário arquitetónico do arquiteto. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,987 | Materiais e técnicas construtivas de baixo custo para a construção em Cabo Verde | Habitação popular,Materiais de construção,Urbanismo,Cabo Verde | O teor deste trabalho consiste na apresentação de soluções construtivas a baixo custo empregando materiais e técnicas que possibilitam ou garantem a qualidade da construção. Com tal assunto surgiu um outro tema a ser questionado, a necessidade de aproveitar os recursos naturais trazendo assim benefício social, bem-estar e qualidade da habitação, possibilitando a todos uma habitação condigna e a baixo custo. Pretende-se portanto, estudar os materiais que estão disponíveis no território e empregá-los na prática através de projetos habitacionais seguindo as regras de edificação do país em estudo. Deste modo, Cabo Verde torna-se área geográfica de estudo pela inexistência de estudos detalhados sobre este tema, e como consequente demostrar que é possível integrar a habitação “popular” em conjuntos habitacionais urbanos, minimizando a estratificação social. Foram propostos modelos de habitação que resolvessem os problemas de execução, custos e organização, mantendo a correta utilização dos espaços, de acordo com os hábitos dos moradores, sem denegrir o conforto ambiental e a qualidade da construção. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,990 | Construção da intimidade : a partir de casa mental | Casa,Construção da identidade | A presente dissertação aborda a problemática da construção dos valores de intimidade no espaço doméstico. É analisado o papel protagonista da experiência do habitar nessa construção que, no entanto, é muitas vezes esquecido. Assim, parte-se do pressuposto que é necessário o retorno à origem, ao ponto onde se dá início à construção mental de casa, para encontrar respostas para o desenraizamento que o habitante contemporâneo sofre. A casa deve voltar a ser lugar último da intimidade que permita a construção do habitante enquanto ser humano. Deve potenciar o devaneio como o princípio que cria as raízes do homem no espaço e o integra no mundo; e é na casa que o devaneio tem lugar. O arquétipo de casa surge como uma força que integra pensamentos, lembranças e sonhos onde memória e imaginação se cruzam exponenciando os valores de intimidade. A casa física é colorida pela casa mental, e desse ponto de vista torna-se pertinente entender a casa mental e as suas qualidades oníricas. Na relação triangular homem, casa, cosmos, casa surge no meio, como ponto mediador entre outras duas extremidades. O homem precisa do confinamento sugerido tanto pelo ninho como pela concha para que, posteriormente lhe seja possibilitado o conforto com o domínio exterior. No seguimento desse raciocínio, torna-se pertinente tentar estabilizar a indomável dialéctica entre interior e exterior. Na era moderna o limite entre os dois domínios é, de algum modo, desmanchado. O público invade o privado e o privado torna-se motivo público. É progressivamente dissolvida a construção burguesa dessa fronteira, com resultados imponderáveis, em prol de novos valores e evolução tecnológica. Esqueceu-se que a casa é uma espécie de prolongamento da pele que medeia uma séria relação entre o mundo da intimidade e o mundo público, sem a qual não se constroem valores de intimidade que possibilitam, posteriormente, a estabilidade do Ser ante a agressividade do domínio público. Nesse panorama, surge um desejo pelo espaço próprio a que o movimento moderno não dá resposta. A casa é antes tomada como máquina e o homem um ser perfeitamente inserido numa sociedade laboral, sem nada a esconder. Desde logo se percebe que o positivismo não vai dar resposta às necessidades do Eu do novo sujeito. Casa mental torna-se objecto de estudo de diversas correntes filosóficas que tentam definir a condição do seu sujeito. Nesse seguimento é levantada a problemática do limite, conceito que se materializa na casa enquanto elemento mediador entre sujeito e domínio público. Para ilustrar essa problemática são levantados dois modelos protagonistas da história de arquitectura e reinterpretados a partir da perspectiva paradigmática do novo sujeito. Afinal, a que sujeitos dão esses modelos resposta e como influenciam a sua casa mental. No seguimento destas questões levantadas, a segunda parte da dissertação dedica-se à análise da casa urbana numa busca pelos antigos espaços capazes de se relacionar com o ser humano, de lhe propiciar condições para a construção do Eu-próprio. Surgem três casos de estudo, três casas de três tempos não muito distintos, de três cidades portuguesas. Para a construção da intimidade no espaço seria necessário um estado de permanência impossibilitado por questões logísticas. Para mais, sendo uma questão tão difícil de definir dada o seu carácter subjectivo, o testemunho de uma experiência também não completaria o objectivo. Assim, à presente dissertação não interessam aspectos experienciados fisicamente, mas, as relações entre a análise objectiva de três modelos e as imagens fantasiosas, levantadas pela própria experiência do habitar tanto de quem escreve como de quem lê. É exactamente a partir desses devaneios, que afinal não são somente contaminados pela experiência do habitar mas também pela formação académica, que surgem outros três exemplos descontextualizados tanto geograficamente como temporalmente. Duas obras de arquitectura e um vídeo são capazes de manipular a construção mental de casa. Abrem novos horizontes, novas possibilidades, novos caminhos. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,991 | Seia, ainda uma cidade industrial : um ensaio sobre os edifícios que resistem | Bairro operário,Seia,Fiação Estrela de Seia,séc. 20,Requalificação urbana,Seia | A Cidade de Seia, situada na Serra da Estrela, tornou-se, no final dos anos 50 do séc. XX, um considerável polo industrial. Beneficiando da riqueza em linhas de água, aqui se fixaram importantes fábricas do sector têxtil dos lanifícios. A FISEL (Fiação Estrela de Seia, Lda.) foi uma dinâmica unidade industrial, exportando para países como a Alemanha, a Finlândia ou o Reino Unido. No final dos anos 60 do séc. XX, ao acrescentar a função da tecelagem ao seu processo de fabrico criou igualmente a necessidade de aumentar o seu corpo de operários. É neste contexto que surge o bairro operário da Fisel. Construído ao lado da fábrica e na periferia de Seia, encontra-se actualmente no seu centro, junto a relevantes artérias da cidade e a serviços importantes, constituindo uma nova centralidade. Este conjunto de cem habitações unifamiliares sobreviveu à desindustrialização, à quebra da demografia e foi alvo, em 2003, de um projecto de requalificação urbana. Por outro lado, a fábrica vai decaindo, podendo, com o cessar das suas funções, dar lugar a uma ruína industrial preocupante, dada a sua localização na cidade e à memória que sustenta.Torna-se, portanto, de grande pertinência perceber o papel deste bairro na cidade, como foi este envolvido por ela e como interagem, e como essa relação existiu, existe e pode ser potenciada no futuro. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,992 | Habilitar o devoluto : (re) caracterização sustentável dos jardins do Mondego | Reabilitação urbana, Coimbra, estudo,Desenvolvimento urbano sustentável,Coimbra | O futuro das nossas cidades passará pela reabilitação urbana e pela adaptação do parque edificado segundo as necessidades da sociedade de consumo em que vivemos. É, nesta conjuntura economicista do mundo atual, que a arquitetura tem a oportunidade de se assumir como meio transformador de hábitos, de introduzir preocupações e, assim, melhorar as “performances”, a qualidade de vida e a eficiência da cidade. Existem várias opções e estratégias de desenho que possibilitam aos arquitetos chegar a soluções de intervenção diferentes para obter o mesmo resultado, cumprindo os mesmos objetivos, os mesmos propósitos e as mesmas ambições, capazes de estimular esta mudança ético-estético-comportamental e, com isso, mudar a paisagem – sociocultural, ambiental e económica – das cidades. Atendendo às metas que se têm vindo a conformar, delineadas pelos Estados Membros, relativamente às exigências de conforto interior, de desempenho e eficiência energética, revela-se pertinente recaracterizar todo o parque edificado existente, em particular, situações obsolescentes e cicatrizes urbanas como se apresenta, por exemplo, a urbanização Jardins do Mondego, em Coimbra, considerando as oportunidades de resposta, transformação e adaptação que lhes estão especificamente associadas, bem como o ensejo de alavancar novos padrões de desenvolvimento urbano aliados à potenciação do investimento inicial, reforço da visibilidade e da atratividade do lugar. É essencial, perante cicatrizes urbanas, ambicionar uma nova arquitetura, um novo projeto que as recoloque à altura do seu próprio tempo e dos seus próprios desafios. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,993 | Parque das Nações : abordagem precursora ao desenho da cidade sustentável | Expo'98, Lisboa,Parque das Nações,Requalificação ambiental,Arquitectura paisagística,Planeamento urbano sustentável | A realização da Exposição Mundial de Lisboa – Expo’98 – serviu como pretexto para levar a cabo uma operação de reconversão urbana e ambiental, na zona oriental de Lisboa, de referência no panorama português. Beneficiando de um contexto político favorável, o evento configurou-se como uma oportunidade para Portugal marcar posição perante os parceiros europeus, mostrando-se comprometido com os objetivos delineados em relação ao desenvolvimento sustentável e estrategicamente alinhado com o debate internacional que nesse âmbito se vinha a estabelecer. O próprio tema escolhido – “Os Oceanos, um Património para o Futuro” – é sintomático, por um lado, da evocação da “portugalidade”, e por outro, das preocupações ambientais, fazendo com que o conceito de sustentabilidade tenha sido tomado como paradigma do exercício de requalificação urbana, sendo assim integrado de forma precursora como desígnio nacional. A intervenção possibilitou a regeneração de uma vasta área territorial, descaraterizada e degradada, transformada num núcleo urbano com caraterísticas de exceção – hoje designado Parque das Nações – compreendendo uma abordagem integrada à conceção do espaço urbano. Foram implementados sistemas infraestruturais de serviço urbano, tecnologicamente avançados e inovadores, nomeadamente o Sistema de Recolha Pneumática de Resíduos Sólidos Urbanos e a Rede Urbana de Frio e Calor, que se tornaram indissociáveis do projeto de espaço público e da qualidade do ambiente urbano – que conformam, no seu conjunto, o principal objeto de estudo da presente dissertação. Revelou-se ainda pertinente proceder ao posicionamento desta experiência em relação ao panorama internacional, mais concretamente face ao quadro europeu, através da análise de duas intervenções recentes, de reconhecido mérito, assumidas como casos paralelos: Hammarby, em Estocolmo; e HafenCity, em Hamburgo. Este balanço permite não só estabelecer relações de proximidade, mas também perceber quais as assimetrias e as estratégias de otimização que poderiam ser postas em prática no caso português, para levar ainda mais longe o que foi feito. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,994 | A casa para uma cidade intensa : tipologia portuense na forma da cidade | Casa Burguesa, Porto,Habitação, Porto,séc. 18-19,Reabilitação de edifícios, Porto | No processo de transformação urbana ocorrido no Porto, tal como em muitas das cidades europeias, a cidade apresenta um decréscimo gradual e constante da população. O abandono do centro histórico e o movimento de massas para as periferias, é resultado das diversas transformações, tanto económicas como culturais, como também da inadaptabilidade das velhas tipologias aos novos modos de vida e exigências da sociedade. O êxodo que se assiste enfatiza o abandono dos edifícios, criando condições para um aumento dos edifícios devolutos e em ruina. Por outro lado, as novas formas de habitar exigem uma revisão das tipologias, em prol das crescentes exigências de conforto e funcionalidade, que hoje em dia apresentam um grande significado no projeto do espaço habitacional. Numa era presenciada por uma sociedade globalizante do século XXI que vive das novas tecnologias tornando-se informatizada e comunicante, é caracterizada por dicotomias ambíguas entre o que é próximo e distante, o que é exterior e interior, o que é urbano ou doméstico, criando soluções confusas. Deste modo, torna-se necessário pensar a cidade e a habitação num sentido indissociável, refletindo os novos modos de habitar, perante as velhas tipologias e assim tentar responder ao ritmo alvoraçado do rápido desenvolvimento da sociedade atualmente. O propósito desta dissertação, centrado no tema da habitação urbana e na relação desta com os novos programas, é demonstrar a permanência do edifício de habitação inserido no lote tradicional de uma matriz urbana medieval, identificando este como catalisador de vitalidade e regeneração da cidade do Porto. A casa burguesa, tanto a do século XVIII/XIX, alta e estreita, como a do século XX, moradias individuais, foram e serão elemento importante na relação passado, presente e futuro, na dicotomia entre espaço doméstico e urbano, entre habitação e cidade. Assim é demonstrada a capacidade de adaptabilidade que estes edifícios tradicionais da cidade do porto apresentam através da elaboração de um estudo do conjunto dos dispositivos que a casa apresentou ao longo da sua história, aplicando conceitos como flexibilidade e versatilidade, temas sempre presentes na contemporaneidade. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,995 | Plateau : estratégia de reabilitação integrada do centro histórico da Praia | Plateau,Cidade da Praia,reabilitação | Este trabalho ensaia a integração do Plateau no contexto da cidade e a sua valorização como património cultural através de um conjunto de ações que tiram partido das suas potencialidades, nomeadamente o património construído, a harmonia do conjunto, as belas vistas e a dinâmica cultural do lugar. As referidas ações são desenvolvidas na terceira parte desta dissertação, despois de analisar, na segunda parte, um conjunto de planos e/ou estudos elaborados no contexto da cidade da Praia. Essas ações são parte integrante da estratégia de reabilitação e revitalização do Plateau. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
20,996 | Marialva : da ruína à aldeia histórica | Aldeias históricas,Marialva,Programa de recuperação das aldeias históricas de Portugal,Património arquitectónico,Preservação e conservação | O Programa de Recuperação das Aldeias Históricas de Portugal (PRAHP) foi um projeto-piloto, criado pelo Governo, que visou lutar contra a fraca produtividade, envelhecimento e desertificação populacional de um conjunto de aldeias da Beira Interior, maioritariamente ao longo da linha fronteiriça, destacando-se pela monumentalidade patrimonial e valor do passado, como locais de conquista, povoamento, defesa e estabilização do território. Tendo a Aldeia Histórica de Marialva como base de estudo, esta análise pretende perceber os conceitos e práticas de intervenção no património rural, a preservação da memória do passado e das técnicas tradicionais, com o intuito de promover uma nova vitalidade, quer em termos sócio-económicos, quer turísticos. Com uma análise do enquadramento do núcleo rural, operativamente surge, neste trabalho, uma divisão segundo três tipos de abordagem, cada uma executada por diferentes promotores: intervenção nas Fachadas e Coberturas na Rua da Corredoura, através da Autarquia Local; a (re)construção de um edifício para Posto de Acolhimento e Turismo, através da Administração Central (IPPAR); e a recuperação de um núcleo de construções devolutas para um empreendimento turístico rural, as Casas do Côro, da parte de um agente privado. Este estudo visa aprofundar o carácter das operações, relacionando-as com as questões inerentes ao desenvolvimento de novas valências, adaptadas aos tempos actuais, nomeadamente a questão da reconstrução/reabilitação, da materialidade, do tradicional, da imagem e da adaptabilidade tipológica, para a oferta segundo as premissas Turísticas. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,001 | Cidades criativas : uma estratégia para a regeneração da Baixa de Coimbra | Reabilitação urbana,Praça do Comércio,Coimbra | Esta dissertação surge como resposta ao Seminário de Investigação em Arquitetura proposto pelo professor Walter Rossa, derivado do tema Coimbra Capital Europeia da Cultura 2027: plano e projetos para uma candidatura virtual. Para tal revelou-se indispensável uma análise pragmática sobre as fraquezas e potencialidades desta cidade como forma de eleição de um tema de trabalho. O que nos levou a selecionar a zona da Baixa de Coimbra como área a regenerar e a toma do discutível conceito de Cidades Criativas como veículo. Os conceitos e instrumentos que definiram a proposta final são esclarecidos num primeiro capítulo, incluindo, não só as cidades criativas, mas também acupuntura urbana, planeamento estratégico e empreendorismo urbano. A proposta final é exposta no terceiro e último capítulo, sendo precedida por uma contextualização histórica e urbana da cidade, da Baixinha e da Praça do Comércio, a área da intervenção. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,002 | Repúblicas universitárias : uma estratégia para a regeneração urbana de Coimbra | Repúblicas universitárias, Coimbra | No âmbito do Seminário de Investigação em Arquitectura subordinado ao tema Coimbra Capital Europeia da Cultura 2027: plano e projectos para uma candidatura virtual, leccionado pelo Professor Doutor Walter Rossa, e no seguimento da inscrição da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia na lista de património da UNESCO, surgiu o interesse de investigar o tema das Repúblicas Universitárias de Coimbra, mais especificamente sobre o modo como funcionam, se organizam e são geridas, pois são casas dinamizadoras de cultura e vivência comunitária que foram em tempos um dos postais da cidade. De forma a organizar o trabalho, este foi dividido em três partes. A primeira visa enquadrar o contexto em que surgiram as Universidades e, consigo, os problemas de alojamento para os estudantes, que tiveram de procurar residência nas zonas urbanas nas quais as Universidades se foram instalando. Na segunda parte é abordado o Caso de Coimbra, e com ele o tema essencial das Repúblicas Universitárias, que aí surgiram como resposta à falta de alojamento para estudantes e alternativa de vivência comunitária, com encargos económicos mais acessíveis. Por último, é feita uma abordagem sumária de três repúblicas, analisando o seu estado de conservação e necessidades ao nível da organização espacial interior, sendo sugeridas propostas de resolução dos problemas encontrados, contribuindo assim para uma vivência mais cómoda no seio destas comunidades. São três exemplos de trabalho para o que poderá vir a ser um estudo exaustivo e universal. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,004 | A(u)tores de um lugar comum : comutação cultura-arquitetura em Bravães | Arquitectura popular, Vale do Lima,Cultura popular, Vale do Lima,Bravães, estudo | Que lugar é este onde vivo? Um lugar comum, construído de forma aparentemente aleatória, imprevisível, numa cidade dispersa que se perde pelo território. Que campo é este onde vivo? O campo onde o carro de bois se transformou em carro de gente e os caminhos, agora estradas cada vez mais largas, ligam tudo a todo o lado. Que cultura é esta que trouxe o espigueiro da eira do meu avô para o móvel da minha sala? Quem transforma este espaço? São os arquitetos? É o povo? É a cultura? E quem é que transforma a cultura? É o povo? São os arquitetos? É o próprio espaço? A transformação deste lugar comum, em Bravães, tem-se revelado um processo complexo de comutação continua entre cultura e arquitetura, influenciada por um vasto leque de atores-autores, que este estudo ajuda a compreender. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,005 | O projeto não construído da Igreja do Colégio de Jesus de Coimbra: análise e reconstituição | Colégio de Jesus, Coimbra, séc. 16,Arquitectura jesuita, Portugal | O presente projeto faz parte da Dissertação de Mestrado Integrado, apresentada ao Departamento de Arquitetura da FCTUC e sob a orientação do Professor Doutor Rui Lobo. Este trabalho insere-se no âmbito do estudo do projeto não construído para o Complexo Colegial da Companhia de Jesus, situado na Alta de Coimbra, abordando o tema da história da Arquitetura Jesuíta, em Portugal, das suas tipologias e dos seus projetos. Esta investigação tem como suporte as plantas primitivas dos pisos térreo e superior dos Colégio de Jesus e das Artes, desenhadas pelo arquiteto do rei D. Sebastião (reinado 1557-1578), existentes na Bibliothèque Nacional de France, em Paris e referenciadas pelos autores Fausto Sanches Martins, na sua tese de doutoramento designada A Arquitetura dos Primeiros Colégios Jesuítas de Portugal: 1542-1759 e Rui Pedro Lobo em Os Colégios de Jesus, das Artes e de S. Jerónimo. Neste estudo, as Igrejas de São Roque, em Lisboa, do arquiteto Afonso Álvares construída entre 1566 e 1586 e a Igreja do Espírito Santo, em Évora, (talvez sob a alçada do mesmo arquiteto) levantada entre 1566 e 1574 são dois exemplos relevantes de igrejas jesuítas que serviram de referência ao projeto para a igreja conimbricense nunca realizado. Foi, ainda, efetuada uma análise comparativa das referidas igrejas, por forma a melhor alcançar o nosso objetivo. Na conclusão deste trabalho serão apresentadas algumas fotografias da maqueta da reconstituição da Igreja conimbricense que nunca foi executada. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
21,006 | Escola e cidade : zona escolar do Calhabé | Escola Secundária Infanta Dona Maria, estudos,Escola Secundária Avelar Brotero, estudos,Edifícios escolares, Coimbra, séc. 20-21,Urbanismo, Coimbra, séc. 20-21 | A escola, enquanto equipamento público, assume um importante papel na estruturação e desenvolvimento da Cidade. A construção escolar foi, ao longo da história, associada a importantes operações urbanísticas de abertura de arruamentos, construção de espaços públicos que se reflectem naturalmente na imagem local e na sua malha urbana. Pelo seu carácter social e cultural, assume-se como um equipamento gerador de centralidades. Na sua evolução, o edifício escolar foi, influenciado por diversos factores pedagógicos, políticos, sociais e económicos, crescendo num sentido de maior democracia, permitindo uma maior permeabilidade e relacionamento com os alunos e com a sociedade. A Zona Escolar do Calhabé, em Coimbra é exemplo de como o equipamento escolar se revela uma peça fundamental no planeamento e crescimento da cidade, construindo um importante núcleo escolar que cria uma identidade urbana e uma nova centralidade. Neste sentido, a Zona Escolar do Calhabé permite explorar duas escolas secundárias, com diferentes origens, as relações que estabelecem com a cidade e com a sociedade, e a forma como estas ligações se transformaram com o Programa de Modernização das Escolas Destinadas ao Ensino Secundário. | Ciências da Engenharia e Tecnologias |
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