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E não o terá feito porque a venda por negociação particular é, por regra, uma situação de recurso a que se lança mão depois de frustrada a venda mediante propostas em carta fechada, tal como decorre do disposto no artigo 83 do NCPC e em que se visa, numa segunda oportunidade, obter a venda do bem.» Atente-se que «Inexiste impedimento legal que impeça o juiz de, frustrada a venda por proposta em carta fechada, fixar o valor mínimo a levar a efeito por negociação particular abaixo daquele valor base que a lei estipula para a venda por proposta em carta fechada.»5 O que tudo serve para dizer que não sendo de desconsiderar na venda por negociação particular o critério e determinante constante do art.
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821, n3 do n.P.Civil para a venda mediante propostas em carta fechada – no qual se estabelece a regra de que só devem ser aceites propostas de valor inferior ao indicado no art.
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816, n2, desde que exequente, executado e todos os credores com garantia real nisso consintam/acordem – releva decisivamente que a ponderação concreta de tal caberá ao Juiz, naturalmente que numa apreciação casuística.
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Dito de outra forma: quando se pretenda efetuar a venda por negociação particular, por valor inferior ao valor base do bem, é necessária a autorização do juiz, com vista a garantir a defesa dos interesses de todos os envolvidos, incluindo o executado e os demais credores e interessados.6 Assente isto, cremos que está encontrada a resposta para a nossa interrogação de base.
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Com efeito, uma resposta afirmativa a tal pergunta estará diretamente dependente de se poder afirmar que resulta, casuisticamente isto é, da ponderação dos factores que podem e devem ser convocados na situação a defesa dos interesses de todos os intervenientes e interessados, mormente da aqui co-Executada/recorrente BB e demais credores, ao ser autorizada a venda por um preço bastante inferior ao anunciado para a venda.
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Vejamos então se houve desacerto nessa apreciação por parte da Exma.
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Juíza a quo ao proferir a decisão recorrida.
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Em nosso entender – e releve-se o juízo antecipatório – essa resposta é positiva.
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Desde logo porque não se nos afigura ajustado o 1 segmento da decisão através do qual se indeferiu a requerida concessão de 15 dias de prazo por parte da co-Executada/recorrente BB tendo em vista encontrar outro e melhor proponente.
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É certo que a Execução iniciou os seus termos no ano de 2008, mas à dilação que os autos patenteiam não é estranha a inércia da sr. A.E.
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inicialmente nomeada o que determinou a sua substituição no ano de 2012, nem a circunstância de serem vários os executados e imóveis penhorados a cuja venda se intenta proceder, com a dificuldade em obter propostas vantajosas para os mesmos.
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O imóvel penhorado à co-Executada/recorrente BB sobre o qual versa o presente recurso é paradigmático dessa situação.
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Tendo sido fixado o valor base de € 6 900,00 e como valor da venda € 5 865,00, tal determinou que não houvesse propostas para o mesmo na venda a qual teve lugar no ano de 2017 mediante propostas em carta fechada pela qual se iniciou a tentativa da sua venda.
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Por sua vez, na modalidade de venda por negociação particular que foi a sequência, as propostas iniciais foram sucessivamente de € 150,00 e € 200,00, o que naturalmente determinou a sua não aceitação.
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E quando no final do ano de 2020 foi noticiada pelo sr. A.E.
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uma proposta no valor de € 1 000,00, ainda assim a mesma não foi aceite, designadamente face à posição da co-Executada BB, que a considerou "irrisória”.
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O Tribunal face à posição assumida por esta co-Executada, por despacho de 18/01/2021, concedeu à mesma 30 dias para esta apresentar melhor proposta.
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Acontece que, por requerimento de 05/05/2021, a dita co-Executada alegando, por um lado, o estado de emergência/confinamento geral em que Portugal esteve mergulhado nos meses de Janeiro a Abril, e, por outro lado, que dado a idade avançada da mesma – 75 anos - não lhe havia sido foi possível conseguir um proponente para todos os bens referidos no requerimento de 17/11/2020 do sr. AE, nomeadamente, não conseguira para o bem imóvel em referência, solicitou mais 15 dias para o fazer, prazo este que a Exma.
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Juiz a quo não concedeu, tendo ordenado a venda pelo dito valor de € 1 000,0 Ora, face a este iter processual e estado da venda, não nos parece que a concessão de um prazo suplementar de 15 dias fosse de indeferir.
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Se dilação já havia, não era por mais 15 dias que a situação se tornava intolerável.
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Por outro lado, estava em causa a co-Executada/recorrente BB conseguir outra e melhor proposta, quando, na verdade, à luz de qualquer critério e objetivamente falando, a proposta de € 000,00 que existia era dececionante, e mesmo manifestamente insuficiente/desvantajosa.
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Atente-se que ab initio tinha sido fixado o valor base de € 6 900,00 e como valor da venda € 5 865,0 Estando alegado – e se afigura perfeitamente plausível!
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– que não ocorreu qualquer depreciação do valor do imóvel neste último período, antes pelo contrário, terá havido alguma valorização até!
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Sendo certo que, para além de ter sido invocada pela co-Executada ora Recorrente a justificativa causa condicionadora, senão mesmo impossibilitante, da pandemia do COVID 19 que então persistia e ainda persiste!, estava em causa a concessão tão somente de um prazo suplementar, sendo que o prazo de 15 dias requerido é, para este efeito, perfeitamente moderado e equilibrado.
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Acresce que não se vislumbra qualquer risco, designadamente de não se conseguir vender o bem ou de o mesmo vir, ainda, a ser transacionado por um valor inferior ao já existente dos ditos € 000,00, já que a venda por esse valor poderá ser retomada na imediata sequência, sendo disso caso.
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Finalmente, agora que já se perspetiva a ultrapassagem da crise epidémica, é de presumir que ocorra o restabelecimento do mercado imobiliário, posto que a pandemia acabou por perturbar os trâmites do seu melhor funcionamento.
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Na ponderação de tudo o vindo de dizer, entendemos que a autorização da venda pelo preço noticiado pelo sr.
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A.E., sem que seja facultada uma última oportunidade de lograr melhor e mais vantajosa proposta, viola os interesses dos demais credores e particularmente desta co-Executada proprietária do bem, não sendo, por isso, de manter a decisão recorrida.
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Nestes termos procedendo as alegações recursivas e o recurso.
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5 - SÍNTESE CONCLUSIVA ) 6 - DISPOSITIVO Pelo exposto, decide-se a final julgar procedente o recurso, assim se revogando a decisão recorrida e ordenando a sua substituição por outra que defira o prazo suplementar de 15 dias à co-Executada BB, tendo em vista esta encontrar melhor e mais vantajosa proposta para a venda do imóvel ajuizado, sobrestando a venda nesse particular por parte do sr. A.E.. Sem custas.
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Coimbra, 8 de Março de 2022 Luís Filipe Cravo Fernando Monteiro Carlos Moreira 1 Relator: Des.
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Luís Cravo 1 Adjunto: Des.
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Fernando Monteiro 2 Adjunto: Des.
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Carlos Moreira 2 Cf.
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acórdão do TRC de 212021, proferido no proc.
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n 176/11TBNS-A.C1, acessível em www.dgsi.pt/jtrc.
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3 Citámos LEBRE DE FREITAS e ARMINDO RIBEIRO MENDES, in "Código de Processo Civil Anotado”, Vol.
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3, Coimbra Editora, Setembro de 2003, a págs.
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601 e 602 em anotação ao artigo 905 do P.Civil, que corresponde ao art.
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833 do n.P.Civil.
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4 Assim no acórdão do TRC de 112015, proferido no proc.
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n 2650/08TBCLD-B.C1, acessível em www.dgsi.pt/jtrc.
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5 Esta a conclusão exarada no acórdão do TRP de 202015, proferido no proc.
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n 1951/15TBVNG.P1, acessível em www.dgsi.pt/jtrp.
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6 Neste sentido, vide também o acórdão do TRL de 012013, proferido no proc.
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n 30888/03T2SNT.L1-8, igualmente acessível em www.dgsi.pt/jtrl.
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Acordam neste colectivo da 6 Secção Cível do Tribunal da Relação de Lisboa: -RELATÓRIO.
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1-Condomínio do Prédio sito na Rua, Sandrae Pedro; Nunoe Maria; Nunoe Ana; Cátiae Pedro..., instauraram acção declarativa, com processo comum, contra, Sociedade de Construções,Lda, pedindo: - Seja a ré condenada a eliminar os vícios e defeitos de que a obra padece ao nível da rampa da garagem de acesso ao piso menos 2, tornando-a funcional e adequada ao fim a que se destina; - Caso a eliminação dos defeitos e vícios não se mostre possível e o acesso ao piso menos 2 se mantenha disfuncional, seja a mesma condenada a pagar aos 2s a 5s autores a quantia de €10000,00 €1000,00 por cada lugar de; - Seja a ré condenada a pagar aos 2 a 5 autores a quantia de €1000,00 a título de danos não patrimoniais €000,00 aos 2autores; €000,00 aos 3 autores; €000,00 aos 4 autores e €000,00 aos 5; - Seja a ré condenada, a título de dano de privação de uso, a pagar aos 2 a 5 autores o montante de €150,00/mês relativamente a cada lugar de garagem, desde a citação até à realização das obras indicadas no ponto 1 do pedido; - Seja a ré condenada a substituir as placas de revestimento do prédio aludidas no art.
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32 e 33 pi, realizando as obras necessárias à sua colocação e respeitando a linha arquitectónica do prédio; - Seja a ré condenada no pagamento aos autores de sanção pecuniária compulsória no montante de €20/dia, por cada dia de incumprimento na realização da prestação; - Seja a ré condenada no pagamento de juros de mora a contar da citação até integral pagamento.
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Alegaram, em síntese, que a ré construiu o prédio habitacional sito na Rua, tendo os autores, 2s a 5s adquirido àquela, determinadas fracções autónomas desse prédio.
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Aquando da amostragem e negociação das respectivas fracções, logo se aperceberam que o acesso aos lugares de garagem do piso menos 2 seria extremamente difícil, arriscado e nada prático para automóveis ligeiros e familiares de dimensões comuns, devido à inclinação excessiva, ângulo curto e piso escorregadio.
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A ré prontamente aceitou e reconheceu a existência do vício ou desconformidade e comprometeu-se a resolvê-la.
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Apesar das intervenções realizadas pela ré, o problema de acesso ao piso menos dois do prédio subsiste e a ré refere que não é possível melhorá-lo.
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Mais alegam que nunca utilizaram os parqueamentos para o fim a que se destinam e nessa sequência vêm a sofrer incómodos.
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Por sua vez, o Sr. Paulo, actuando em representação da ré, que também é condómina e proprietária de fracções no prédio, designadamente, das fracções "A”, "B” e "”, alegando urgência, ordenou e autorizou a recolocação das placas que se haviam soltado e a fixação à parede de todas elas, sem permitir que o condomínio decidisse os termos em que se deveria proceder a tal reparação.
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2- Citada, a ré contestou.
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Invocou que as situações alegadas pelos autores, com excepção das pretensas infiltrações nas fracções, dizem respeito a partes comuns do edifício, a saber, o piso menos 2 da garagem e a fachada tardoz do edifício, não se encontrando junta aos autos deliberação a atribuir poderes ao administrador para intentar a presente ação.
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Mais invocou a caducidade da presente ação, bem como a excepção de prescrição dos direitos invocados, impugnando, na sua maioria, os factos alegados.
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3- Foi decidida a não verificação da falta de deliberação para a intervenção do primeiro autor.
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Foi proferido despacho saneador, no qual se relegou a apreciação das excepções invocadas pela ré para momento posterior.
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4- Com data de 16/07/2021, foi proferida sentença, com o seguinte teor decisório: "- DECISÃO Nos termos e pelos fundamentos expostos, julgo a presente ação parcialmente procedente, por parcialmente provada e, consequentemente, condena-se a Ré SOCIEDADE DE CONSTRUÇÕES, LDA.
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: ) a pagar aos Autores a ), a quantia de € 1000,00 treze por cada lugar de parqueamento de que sejam proprietários, acrescida de juros moratórios, à taxa legal, contados desde a citação até integral pagamento; ) a pagar a cada um dos Autores a ) a quantia de € 000,00 dois, a título de danos não patrimoniais, acrescida de juros moratórios, à taxa legal, contados desde a citação até integral pagamento e ) a substituir as placas de revestimento, na fachada tardoz, do prédio sito na Rua, que foi pela Ré intervencionada, realizando-se para o efeito as obras necessárias à sua colocação, com respeito à linha arquitetónica do mesmo. )
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No mais, absolve-se a Ré do Pedido.
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Face aos factos ínsitos nos pontos 1, 1, 1, 1 e 1 da Matéria de Facto Provada e o alegado em sede de contestação no art.
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5, o Tribunal perspetiva a possibilidade de vir a condenar a Ré como litigante de má-fé, nos termos constantes do disposto no art.
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54, n.s 1 e 2, do Código de Processo Civil.
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Ao abrigo do disposto no art.
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, n. 3, do CPC, notifique a Ré para se pronunciar, querendo.” 5- Inconformada, a ré veio interpor o presente recurso, formulando as seguintes CONCLUSÕES: - A matéria dada como provada ficou aquém do que deveria abranger, resultando que a decisão em apreço é fundamentada em insuficiente e incongruente apreciação dos factos e incorrecta aplicação do Direito.
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- O que importa averiguar é se a conduta da Apelante é de molde a afastar a invocada caducidade do direito dos Apelados, por se aplicar o disposto no artigo 331, n 2 do Código Civil.
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- A análise dos documentos juntos aos autos, com a petição inicial, mormente as actas de assembleia de condomínio, permite concluir que nunca a Apelante reconheceu um direito dos Apelados e, portanto, nunca esteve no seu espírito renunciar ao prazo de caducidade de 3 anos, previsto no artigo 5-A, do Decreto-Lei 67/2003 de 8 de Abril.
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- Os depoimentos da testemunha Carlos e das partes Nuno e Pedro apenas permitem concluir que a Apelante se comprometeu a fazer obras de rectificação e melhoramento do acesso à rampa e que os próprios reconhecem vieram a ser feitas.
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- A prova testemunhal e depoimentos de parte deveriam ter sido valorados de forma individualizada, em relação a cada um dos Apelados coligados nos presentes autos.
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- Os Apelados não adquiriram as respectivas fracções no mesmo momento nem nas mesmas circunstâncias, pelo que o depoimento da testemunha Carlos apenas pode aproveitar ao Apelado Nuno, pois que este agente imobiliário só interveio na mediação e compra da fracção àquele respeitante.
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- Não existe prova documental ou testemunhal nos autos que permita concluir que a Apelante reconheceu algum direito aos Apelados, e só neste caso cairíamos no âmbito do disposto no artigo 331, n 2 do Código Civil.
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- Seria mesmo um contra-senso admitir que o facto de o construtor/vendedor, quando fizesse uma intervenção correctiva num imóvel, ficaria, automaticamente, privado do benefício do prazo de caducidade de 3 anos, já referido.
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- Se na lei estivesse ínsita a possibilidade desta interpretação, nenhum construtor colaboraria na resolução de patologias nos imóveis, com receio de ficar refém de um prazo prescricional geral de 20 anos!
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- Como refere o douto acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra, atrás citado: " Em matéria de "reconhecimento” e do artigo 331, 2 do Código Civil, há que distinguir duas situações/reconhecimentos: o reconhecimento da existência dos defeitos, hipótese em que o dono da obra/empreiteiro está dispensado de os denunciar, contando-se o prazo do exercício dos direitos desde a declaração de reconhecimento dos defeitos e, coisa diversa, o reconhecimento da existência dos direitos, o qual tem como efeitos impedir a caducidade, passando o exercício dos direito reconhecimentos a estar sujeitos apenas ao prazo de prescrição ordinário.
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A circunstância de o vendedor se ter deslocado à coisa defeituosa e ter procedido à realização de pinturas, vale como reconhecimento da existência de defeito na coisa mas não vale como um reconhecimento de direitos, que tem que ser concreto, preciso, indiscutível, evidente, real e categórico, sem margem de vaguidade ou ambiguidade, de tal modo que torne o direito certo e faça as vezes de sentença.a circunstância do Réu se ter deslocado à coisa defeituosa e ter procedido à realização de pinturas – como termo inicial para o exercício dos direito, isto é, tendo sido efectuada a denúncia dos defeitos e tendo, na sequência de tal denúncia, sido realizados trabalhos de eliminação de defeitos na coisa , trabalhos esses sem sucesso, mantendo-se a coisa defeituosa, o prazo de caducidade em causa conta-se, não deste a data da denúncia dos defeitos, mas sim a partir da data em que tais trabalhos, sem sucesso, de eliminação dos defeitos, foram realizados”.
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- No mesmo sentido aponta o Decreto-Lei 67/2003 de 08/04, quando refere no seu artigo 5-A, n3 que o prazo de caducidade do direito de acção de 3 anos suspende-se a partir do momento da reparação, e só começa a contar a partir da conclusão desta.
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- O que permite concluir que a reparação não é compaginável, por si só, com um reconhecimento do direito, mas tão-somente, do defeito.
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- Não houve nenhum reconhecimento formal, certo e indiscutível de um direito dos Apelados por parte da Apelante, contrariamente ao que julgou, incorrectamente, a sentença recorrida.
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- Assim, no caso em apreço, não se aplicará o prazo prescricional geral de 20 anos.
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- Tendo a Apelante dado por concluídos os trabalhos de melhoramento em 2011, conforme referido na acta número 3 de 0111, é a partir desse momento que se deverá iniciar a contagem do prazo de 3 anos, dentro do qual os Apelados poderiam ter interposto a competente acção judicial, prazo esse que terminou em 011 - Tendo a Apelante sido citada para a presente acção em 0017, já se encontrava precludido o direito dos Apelados de recorrer à via judicial.
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- Já no que respeita à reparação efectuada pela Apelante na fachada tardoz, enquanto construtora e ao abrigo da garantia quinquenal do imóvel, será forçoso analisar os factos à luz, igualmente, dos prazos a que alude a lei anteriormente citada.
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- Ora, tendo sido dado como provado que a intervenção em causa ocorreu durante o Verão de 2012, é a partir desse momento que, em rigor, se deveria, igualmente contar o prazo no qual os Apelados, insatisfeitos com a intervenção, poderiam ter intentado a competente acção judicial.
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- Estando esta situação explicitamente referida na acta número 4 de 1112, valer-nos-emos da mesma para considerar tal data e ficcioná-la como sendo a primeira denúncia formal do defeito da intervenção, e termo a partir do qual se contam os já mencionados 3 anos, que terminaram no dia 111 - Como referido, a Apelante foi citada para a presente acção em 0017, quando se verificava já a caducidade do direito dos Apelados.
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- Pelo acima exposto, verifica-se que a sentença a quo enferma de manifesta incongruência na fixação da matéria de facto, não tendo valorado e conjugado adequadamente a prova constante dos autos, com o que ofendeu o disposto no artigo 607, n 3 e 4 do P. - Ao considerar aplicável à situação vertente do disposto no artigo 331, n 2 do Código Civil, ao invés do disposto no artigo 5-A do 67/2003 de 08/04 a sentença fez uma incorrecta apreciação e aplicação do Direito.
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- Por essa razão, a sentença não declarou, caducado o direito à acção dos Apelados, como se impunha.
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Nestes termos deverá a presente Apelação ser julgada procedente por provada e, em consequência, revogada a sentença recorrida, devendo ser proferido douto acórdão no sentido de ser verificada a caducidade do direito dos Apelados, com a consequente absolvição do pedido.
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6- Os autores/apelados, contra-alegaram, sem formularem conclusões, pugnando pela inadmissibilidade do recurso, por falta de pagamento de multa a que se refere o art 642 do CPC; defendem a inadmissibilidade do recurso quanto à impugnação da matéria de facto; concluem pela improcedência do recurso.
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7- Por despacho de 24/11/2021, proferido na 1 instância, foi constatado que, a ré/apelante havia pago, tempestivamente, a taxa de justiça devida pela interposição do recurso.
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-FUNDAMENTAÇÃO.
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1-Objecto do Recurso.
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É sabido que o objecto do recurso é balizado pelo teor do requerimento de interposição art 635 n 2 do pelas conclusões arts 635 n 4, 639 n 1 e 640 do pelas questões suscitadas pelo recorrido nas contra-alegações em oposição àquelas, ou por ampliação art 636 e sem embargo de eventual recurso subordinado art 633 e ainda pelas questões de conhecimento oficioso cuja apreciação ainda não se mostre precludida.
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Assim, em face das conclusões apresentadas pela recorrente, são as seguintes as questões que importa analisar e decidir: -A impugnação da matéria de facto; -A revogação da sentença, com absolvição da ré do pedido, por procedência da excepção de caducidade do direito dos autores.
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Previamente importa ter em consideração a matéria de facto decidida na 1 instância.
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2- Factualidade Decidida na 1 Instância.
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"A. FACTOS PROVADOS Com interesse para a decisão da causa resultaram provados os seguintes factos: A Ré construiu o prédio habitacional sito na Rua na 2 Conservatória do Registo Predial de Loures, inscrito na matriz, sob o n. . Por escritura de compra e venda celebrada em 28/07/2011, os 2s AA.
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declararam comprar à 1 R. e esta declarou vender-lhes a fração designada pela letra E, correspondente ao 2 andar direito, pelo preço de €18500,00, com dois lugares de estacionamento no piso menos dois do edifício designado por lugar, com entrada pelo n. 12-A, estando o direito de propriedade sobre a referida fração inscrito desde 28/07/2011 a seu favor pela Ap.
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5, artigo matricial 2; Por escritura de compra e venda celebrada em 8/10/2009, os 3s AA.
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