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Cremos que esta interpretação é, na verdade, a mais consentânea com a defesa do princípio constitucional do acesso ao direito e aos tribunais por parte dos credores singulares, consagrado no art.
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20 da Constituição da República Portuguesa.
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Na verdade, o princípio par conditio creditorum não fica em nada prejudicado, pelo facto de cada pessoa conservar a legitimidade para defender os seus direitos relativamente aos administradores da sociedade insolvente.
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A legitimidade exclusiva do administrador da insolvência refere-se apenas às acções que tenham em vista a impugnação dos actos dos administradores prejudiciais à massa insolvente e, por conseguinte, lesivos da generalidade dos credores.
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Cremos ser esta a melhor interpretação da dar ao preceito em análise.
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Posto isto, afigura-se-nos assistir razão ao Apelante, procedendo as respectivas conclusões a este respeito.
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Contudo, não sufragando o argumento com base no qual foi indeferida a intervenção dos administradores da insolvente Espírito Santo Irmãos, SGPS, importa verificar se foi alegada a factualidade necessária e suficiente que sustente a admissibilidade da respectiva intervenção à luz dos critérios previstos no art.
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31 n. 3 alíneas e do P. Ora, analisada a factualidade alegada na petição inicial, não se vislumbra a descrição de factos suficientes através dos quais se possa atribuir aos administradores da ESI responsabilidade que efectivamente só foi atribuída aos Réus, inicialmente demandados.
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Assim, não se vê como possam aqueles chamados ser constituídos devedores da pretensão deduzida, e nessa qualidade chamados a intervir na acção, ainda que acessoriamente.
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Face ao exposto, não merece reparo a decisão da instância que indeferiu o incidente de intervenção principal dos administradores da ES IRMÃOS SGPS.
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Da intervenção principal das Seguradoras Foi requerida a intervenção principal e, subsidiariamente, acessória de onze sociedades seguradoras, com base na argumentação já supra referida e mencionada no despacho recorrido.
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Veio a ser também indeferida tal intervenção.
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Cumpre averiguar se foi legal tal decisão.
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Os factos que o Autor imputa ao Réu Requerente da intervenção foram-no enquanto administrador do BES.
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Estamos no âmbito do &O Insurance Directors and Officers que visa mitigar o risco pessoal do património do administrador de forma a incentivar e atrair os gestores mais capazes para o desempenho desses cargos.
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Ora, mediante contrato de seguron.
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B0823FD1410488, celebrado entre o BES e a Zurich Insurance Plc UK Branch, esta assumiu o risco da responsabilidade dos administradores do referido BES perante a sociedade, acionistas e terceiros pelos prejuízos decorrentes de atos ou omissões que lhes sejam individualmente imputáveis.
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Neste caso, tal seguro cobre a responsabilidade do R. até ao montante de € 100000,00, muito superior, portanto, ao pedido de indemnização formulado nestes autos.
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Considerando o disposto no art.14 n.2 da Lei do Contrato de Seguro e o disposto no art.
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39do CSC estamos perante um contrato de seguro que embora não seja rigorosamente um contrato de seguro obrigatório, são-lhe aplicáveis as disposições que regulam os seguros obrigatórios de responsabilidade Diz esta Autora: " com efeito, o dever que impende sobre os administradores é o de prestar caução, sendo facultativa a contratação desta ou de outra modalidade de contrato de seguro, ou a prestação de caução sem ser por via de um seguro.
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No entanto, por identidade de razão, entendo que deverá aplicar-se a este seguro de responsabilidade de administradores, na medida em que se destine a dar cumprimento a este dever legal, o regime dos seguros obrigatórios de responsabilidade Por identidade de razão, atendendo a que a razão de ser da constituição de um dever de segurar, no caso dos seguros de responsabilidade , é exactamente a mesma que subjaz à constituição de um dever de caucionar: pretende-se proteger os lesados, assegurando a existência de meios suficientes para o integral ressarcimento dos seus danos.
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Assim se explica a consagração legal, nos seguros obrigatórios, de um direito de acção directa dos lesados contra os seguradores de responsabilidade .”6 Assim sendo, é de todo justificada, ao abrigo do disposto no art.31 n.2 do Código de Processo Civil, a admissão da intervenção principal da seguradora Zurich Insurance Plc UK Branch – sendo desnecessária a intervenção das restantes seguradoras, face ao valor do pedido, compreendido no capital seguro.
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O Tribunal a quo embora tenha chegado a esta mesma conclusão acaba por entender que seria inútil o chamamento da seguradora face à previsível absolvição da instância dos administradores do BES.
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Cremos, porém, que o julgamento do incidente tem de realizar-se com base na realidade processual existente e não com base numa antevisão de uma decisão ainda não proferida.
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Assim, deverá ser admitida a intervenção principal da seguradora Zurich Insurance Plc UK Branch, deste modo procedendo, parcialmente, o recurso.
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-DECISÃO Em face do exposto, acordamos neste Tribunal da Relação de Lisboa, em julgar parcialmente procedente o recurso e, consequentemente, revoga-se o despacho recorrido apenas na parte em que nega a intervenção principal da seguradora Zurich Insurance Plc UK Branch.
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Custas em partes iguais pelo Apelante e Apelados.
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Lisboa, 17 de março de 2022 Maria de Deus Correia Teresa Pardal Anabela Calafate _______________________________________________________ 1 Rui Pinto Duarte, Classificação dos Créditos sobre a Massa Insolvente no Projecto de Código da Insolvência e Recuperação de Empresas, in "Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas”, Ministério da Justiça, Coimbra Editora, Coimbra 2004, p.5 2 Neste sentido, Maria de Fátima Ribeiro, A Tutela dos Credores da Sociedade por quotas e a desconsideração da personalidade jurídica, Almedina, Coimbra, p.48 3 Como refere a supra citada Autora.
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4 Luís Carvalho Fernandes e João Labareda, Código da Insolvência e Recuperação de Empresas Quid Juris, 2009, p.345 5 Margarida Lima Rego- A quem aproveita o seguro de responsabilidade de administradores celebrado para os efeitos do artigo 39?- 2011, p.447 6 A este propósito igualmente, Natália Nascimento da Silva, Seguro de Responsabilidade , Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Direito, 2016, disponível em www.repositório.ucp.pt
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Acordam na Secção Social do Tribunal da Relação de Guimarães APELANTE:R. APELADOS: SEGURADORAS ..., S.A.; - SOCIEDADE AGRÍCOLA QUINTA ..., S.A. Tribunal Judicial da Comarca de Viana do Castelo, Juízo do Trabalho de Viana do Castelo – Juiz 1 – RELATÓRIO Frustrada a tentativa de conciliação, R., residente na Rua , n. , Ponte de Lima, intentou a presente ação especial emergente de acidente de trabalho contra SEGURADORAS ..., S.A., com sede na Avenida – Lisboa e Sociedade Agrícola QUINTA ..., S.A., com sede na Rua Viana do Castelo, pedindo a condenação das Rés, a reconhecer o acidente como de trabalho e, consequentemente, na medida da respectiva responsabilidade, a pagar-lhe: - a quantia de €283,16 de diferenças nas incapacidades temporárias; - a pensão anual e vitalícia de €267,15, com início no dia 28/3/2019; - a quantia de €745,17 a título de subsídio de elevada incapacidade; - o valor de um ordenado mínimo nacional para pagamento de assistência prestada por terceira pessoa no período compreendido entre 23/5/2018 a 21/6/2018: - a quantia de €000,00 a título de danos patrimoniais e não patrimoniais; - juros vencidos e vincendos, à taxa de 4%.
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Regularmente citadas as Rés apresentaram as respectivas contestações.
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A Ré seguradora manteve a posição anteriormente assumida em sede de tentativa de conciliação, no que respeita à discordância da incapacidade determinada no exame médico realizado na fase conciliatória, acrescentando ainda que a sua responsabilidade está limitada ao montante de retribuição transferido pela entidade empregadora.
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Por sua vez, a Ré empregadora veio dizer, em resumo, que a retribuição auferida pelo sinistrado está totalmente transferida para a Ré Seguradora, manifestando também a sua discordância com a IPP e a IPATH atribuída ao sinistrado em sede de exame singular, concluindo pela improcedência da acção com a sua consequente absolvição do pedido.
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As Rés requerem a realização de exame por junta médica tendo formulado os respectivos quesitos.
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A Ré seguradora apresentou resposta à contestação da empregadora e o sinistrado veio exercer o contraditório relativamente aos documentos juntos pela Ré empregadora.
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Foi proferido despacho saneador com elaboração da matéria assente, não tendo sido indicados temas de prova, por a única questão controvertida se reportar às incapacidades do Autor.
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Foi aberto apenso de fixação de incapacidade, tendo sido proferida decisão a seguinte decisão: "No presente apenso para a fixação da incapacidade para o trabalho, não havendo razões para discordar do laudo unânime dos senhores peritos médicos, cujos esclarecimentos se nos afiguram totalmente claros e de acordo com a T.N., decide-se que o sinistrado se encontra curado, com uma IPP de 27,6%, tendo tido ITA desde 11/5/2018 a 27/3/2019 data da.
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N. Teve lugar a audiência de discussão e julgamento, com observância do formalismo legal e por fim, foi proferida sentença, que terminou com o seguinte dispositivo: "Condenar a R. seguradora a pagar: - o capital de remição correspondente à pensão anual e vitalícia de €893,36, com início no dia 28/3/2019, €765,67 de diferenças naindemnização pelas incapacidades temporárias e €20,00 de despesas de deslocação, acrescido de juros de mora, nos termos supra expostos; Condenar a R. "Sociedade Agrícola” a pagar: - o capital de remição correspondente à pensão anual e vitalícia de €151,89, com início no dia 28/3/2019, bem como €517,49 de diferenças nas incapacidades temporárias.
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Custas pela RR.
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na proporção da respectiva responsabilidade.
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Valor da acção: €2380,0 Proceda ao cálculo.
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Registe e notifique.” Inconformada com esta decisão, dela veio o sinistrado interpor recurso para este Tribunal da Relação de Guimarães formulando as seguintes conclusões, depois de aperfeiçoadas: "1 - O Recorrente não se conforma com a douta sentença a quo, que fixou a incapacidade para o trabalho ao sinistrado de uma IPP de 27,6%, que "no presente apenso para a fixação da incapacidade para o trabalho, não havendo razões para discordar do laudo unânime dos senhores peritos médicos, cujos esclarecimentos se nos afiguram totalmente claros e de acordo com a T.N., decide-se que o sinistrado se encontra curado, com uma IPP de 27,6%, tendo tido ITA desde 11/5/2018 a 27/3/2019 data da.” Bem como não se conforma com o entendimento do Digníssimo Tribunal, que ao analisar os elementos de Relatório de Perícia de Avaliação de Dano Corporal em Direito do Trabalho do , bem como, o Auto de Exame por Junta Médica, e Auto de Exame por Junta Médica Esclarecimentos não foram devidamente, tidos em conta para a fixação quer do coeficiente de 46,0500%, com Incapacidade Permanente Absoluta Habitual para o Trabalho do sinistrado.
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2 - Assim, na parte em que não foi considerado na decisão de fixação de incapacidade para o trabalho, as evidentes contradições quanto às limitações causadas pelas lesões e sequelas decorrentes do acidente de trabalho, evidentes e comprovadas nos autos, nomeadamente no exame documental a fls 62, 62v, 63, 63v, 64, 64v, 65 e 65v,.
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3 - Com relevo, destaca-se para as conclusões a fls.
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65v dos autos principais, que refere que "- As sequelas atrás descritas são causa de incapacidade permanente absoluta para a atividade profissional habitual, conforme Perícia de Neurocirurgia”.
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Itálico, no que respeita à atividade de tratorista do sinistrado, que é a manipulação de máquinas agrícolas.
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Bem como, se destacam as notórias contradições quanto à "cura”, às lesões e sequelas do sinistrado no Auto de Exame Por Junta Médica de fls com a referência 46073500 – apenso, Auto de Exame Por Junta Médica de fls com a referencia 46692894 – apenso e Auto de Exame Por Junta Médica Esclarecimentos de fls com a referencia 46997288 – apenso.
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4 – Verifica-se que resposta solicitada pelo sinistrado, e pelo Digníssimo Tribunal, nomeadamente ao quesito 7 a fls.
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3 do apenso A, não foi definitiva e esclarecedora, verificando-se vicio formal e legal, por falta de fundamentação.
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5-.
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6 - Conforme consta nos autos, em sede de tentativa de conciliação, a fls 70, 71, 72, 73 dos autos principais, o sinistrado não aceitou e /ou impugnou também a datada da alta.
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7 – Conforme consta nos autos a fls.
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74 a fls.
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84 dos autos principais, o sinistrado encontra-se de baixa médica, até à presente data, por lesões e sequelas decorrentes do acidente de trabalho em causa.
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8 – Verifica-se nos autos, vicio de fundamentação quanto ao conteúdo do auto de exame médico, porquanto a resposta ao quesito 7 As sequelas atrás descritas são causa de incapacidade permanente e absoluta para o trabalho habitual?)
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são infundadas, não correspondem com a realidade e muito menos com a verdade da situação existente na vida e na pessoa do sinistrado, não existem elementos clínicos que comprovem que o sinistrado se encontra curado.
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O que se impugnou e não se aceita.
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9 - As lesões e as sequelas ainda existem são incompatíveis com o exercício da função habitual do sinistrado.
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10 - No seguimento do pedido de tais esclarecimentos entendeu o Digníssimo Tribunal que os fundamentos para a resposta negativa ser demasiado sucinta e insuficiente para formar uma convicção correta sendo "difícil compreender como é que não está incapaz para a profissão habitual” Vd despacho com a referencia 46245453 de 16/02/2021 do apenso A e despacho com referencia 46853945 – apenso A de 06-05-2021) 11 - No seguimento de tais esclarecimentos, foi solicitado à junta médica que fundamentasse de forma mais completa, a resposta ao quesito 7, conforme tinha o sinistrado requerido no ponto 5 do seu requerimento.
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12- "deverão os senhores peritos, esclarecer os autos, mediante a resposta que deram ao quesito 7 As sequelas atrás descritas são causa de incapacidade permanente e absoluta para o trabalho habitual?)
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à qual foi negativa, quais os elementos clínicos e com que fundamentos clínicos assentaram a verificação de recuperação evidente e positivo da lesão.
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Sendo certo que as lesões e as sequelas ainda existem e são até à data de hoje incompatíveis com o exercício da função habitual do sinistrado, encontrando-se este, desde a data do sinistro de baixa médica decorrente de acidente de trabalho.” requerimento apresentado com a referência citius 2976529 de 02/12/2020 apenso).
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13 - À qual foi dada resposta, no seguimento dos esclarecimentos solicitados, no auto de exame por junta médica datado a 09/04/2021 referência do documento que "Considerando o quadro sequelar resultante do acidente e a profissão de agricultor, admite-se que o sinistrado apresente limitações em tarefas que exijam maior força de preensão com a mão esquerda, bem como destreza dessa mão, a qual será a mão dominante.
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Assim, admite-se que não seja aconselhável a condução de trator e/ou a manipulação de máquinas agrícolas que exijam força de preensão e destreza da mão esquerda.” itálico.
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14 Apesar de tais esclarecimentos 06/05/2021 com referencia não terem sido suficientes e muito menos fundamentados, mantiveram-se as contradições existentes, entendeu o Digníssimo Tribunal, existirem evidentes contradições prestadas pelos senhores peritos entre as lesões comprovadas no auto de exame médico e a função habitual do sinistrado.
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15 - Ou seja, encontra-se em forte contradição a resposta ao quesito 7 a fls.
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3 do incidente e a fls 105 dos autos entendendo os senhores peritos que as sequelas decorrentes do acidente, limitam o manuseamento de máquinas agrícolas, e são causa incapacitante permanente absoluta para o trabalho habitual.
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16 - Sucede que, estes esclarecimentos contêm contradições com o quadro clínico do sinistrado, nomeadamente com o conteúdo do Relatório da Perícia de Avaliação do Dano Corporal em Direito do trabalhador – Clinica Forense, de fls.
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61 a fls 65v.
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que permanecem à data da sentença, e não foram colmatados.
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17 - Os senhores peritos não fundamentam os esclarecimentos conforme requerido pelo sinistrado a fls.
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com a referência 37336555 datado a 02/12/2020, não fundamentam quais os elementos/ exames clínicos, que tiveram consideração para considerar quer o grau/ coeficiente de incapacidade, que passaram de 46,0500% para 27,6% quer o facto terem, alterado de forma infundada e sem registos clínicos que o comprovem, que as lesões são causa de IPATH, conforme resulta das conclusões do Relatório da Perícia de Avaliação do Dano Corporal em Direito do trabalhador – Clinica Forense, de fls.
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61 a fls 65v, para uma incapacidade temporária atribuída ao período compreendido entre 27/03/201 18 - O que, com o devido respeito, que é muito, não se aceita, e se requer que seja atribuído ao sinistrado IPATH o coeficiente de 46,0500% conforme resulta do Relatório da Perícia de Avaliação do Dano Corporal em Direito do trabalhador – Clínica Forense, de fls.
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61 a fls 65v.
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19 - Pelo que, mantendo os senhores peritos a convicção de que efetivamente o sinistrado apresenta lesões que incapacitam e limitam o exercício habitual da sua função/profissão de forma absoluta, não fundamentando a resposta dada ao quesito 7 de fls.
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3, apenso, apresentando informação contraditória, bem como, 20 - Não se demonstrando provado nos autos que o sinistrado, está e/ou esteja curado, mas pelo contrário, que apresenta lesões e sequelas que incapacitam e limitam o exercício da sua profissão de agricultor de forma permanente e absoluta e habitual, verifica-se que a decisão que se sindica padece de falta de fundamentação e /ou insuficiência/ deficiência de prova, e assente em pressupostos contraditórios que levam a uma decisão diferente.
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21 – Assim dos elementos que constam nos autos, requer, que seja alterada a decisão de fixação de incapacidade para o trabalho, para uma incapacidade própria, permanente absoluta e habitual, fixando-se o coeficiente de incapacidade em IPATH e o coeficiente de 46,0500% conforme resulta do Relatório da Perícia de Avaliação do Dano Corporal em Direito do trabalhador – Clinica Forense, de fls.
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61 a fls 65v.
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22 - Quanto ao período incapacitante, foi decidido que o período da incapacidade temporária absoluta de correu de 11/5/2018 a 27/03/2019 data da.
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23 - Pelo que, considerando tudo quanto exposto supra, em consequência da alteração da decisão de fixação de incapacidade para o trabalho, para uma incapacidade própria, permanente absoluta e habitual, deverá necessariamente ser alterado o período incapacitante, para uma IPATH para o trabalho desde 27/03/2019 mantando-se permanente, absoluta e habitual.
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24 a 30 – 31 - Com a devida vénia, verifica-se uma errada interpretação e aplicação dos elementos clínicos para a fixação da incapacidade para o Trabalho levada a cabo pelo tribunal a quo.
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32 - Pelo que em virtude do acidente ocorrido em requer que a decisão sindicada seja alterada por outra em que atribua ao sinistrado a fixação de incapacidade para o trabalho, para uma incapacidade própria, permanente absoluta e habitual, fixando-se o coeficiente de incapacidade em IPATH e o coeficiente de 46,0500% conforme resulta do Relatório da Perícia de Avaliação do Dano Corporal em Direito do trabalhador – Clinica Forense, de fls.
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61 a fls 65v., e em consequência que o período incapacitante, seja contado a desde a data do acidente, 11/05/2018 de forma permanente, absoluta e habitual.
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33 a 38 –” Termina pedindo a revogação da decisão recorrida, substituindo-se por outra que lhe fixe 46,05% de IPP, com IPATH, tudo com as demais consequências legais.
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Ré Seguradora veio responder ao recurso, concluindo pela sua improcedênciaAdmitido este recurso na espécie própria e com o adequado regime de subida e efeito, foram os autos remetidos a esta 2 instância.
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Depois das conclusões do recurso terem sido aperfeiçoadas, foi determinado que se desse cumprimento ao disposto no artigo 8 n. 3 do P.T., tendo o Exmo.
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Procurador-Geral Adjunto emitido douto parecer com a referência 7969067, no qual conclui pela anulação da sentença recorrida.
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Não houve qualquer resposta ao parecer emitido pelo Ministério Público.
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Efectuado o exame preliminar e colhidos os vistos legais, cumpre decidir.– DO OBJECTO DOS RECURSO Delimitado o objeto do recurso pelas conclusões da recorrente artigos 608 n. 2, 635, n 4 e 639, ns 1 e 3, todos do Código de Processo, não sendo lícito ao tribunal ad quem conhecer de matérias nelas não incluídas, salvo as de conhecimento oficioso, que aqui se não detetam, colocam-se à apreciação deste Tribunal da Relaç��o as seguintes questões: - Da errada apreciação da prova pericial; -Da data da cura clinica das lesões sofridas pelo sinistrado em consequência do acidente de trabalho.
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– FUNDAMENTAÇÃO DE FACTO A factualidade apurada é a seguinte: 1 – O A. nasceu no dia -/11/196 2 – No dia 19/5/2018, desempenhava a sua actividade profissional de agricultor sob as ordens, direcção e fiscalização da R. "Sociedade Agrícola”, com a retribuição anual de €1584,6 3 – Nessa data, quando o A. se encontrava no exercício da actividade referida em, a sulfatar com o auxílio de um tractor, este virou, o que lhe provocou fractura de costelas e da clavícula esquerda, bem como lesão nervosa do membro superior esquerdo.
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4 – A R. "Sociedade Agrícola” havia transferido para a R. seguradora a sua responsabilidade pela reparação de acidentes de trabalho, através de contrato de seguro, titulado pela apólice de fls.
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128 a 136, que aqui se dá por integralmente reproduzida.
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5 – A R. seguradora já pagou ao A. a quantia de €233,24 a título de indemnização pelas incapacidades temporárias.
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6 – O A. gastou a quantia de €20,00 em deslocações ao GML e a este tribunal, que a R. seguradora já aceitou pagar.
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7 – O A. encontra-se curado, com uma IPP de 27,6%, tendo tido ITA desde 11/5/2018 a 27/3/2019 decisão do.
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Factos aditados em conformidade com o decidido em 8- Na fase conciliatória dos autos, em sede de exame médico singular preliminar levado a cabo pela Gabinete Médico-Legal do Minho – Lima, a Sr. Perita Médica considerou em face das lesões/sequelas objectivadas e relacionadas com o evento, que para uma avaliação mais rigorosa necessitava que o sinistrado fosse submetido a avaliação pericial por Neurologia.
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9- A avaliação efectuada pela perícia de neurocirurgia conclui que o sinistrado apresente sequelas compatíveis com atingimento do plexo braquial esquerdo e valorizáveis com IPP de 30%, considerando o cap.
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3 0,3-0,4) da TNI valor a majorar pelo coeficiente 1,5 atenta a idade.
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O sinistrado apresente IPATH para a profissão de tratorista.
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É adequado considerar a data de 27-03-2019 como data da consolidação das lesões.
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