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Não se afigura que haja tratamentos adicionais que neste momento possa melhorar o estado sequelar do examinado.
10- Em sede de exame singular levado a cabo pela Gabinete Médico-Legal do Minho – Lima, a Sr Perita Médica conclui o seguinte: - A data da consolidação médico-legal das lesões é fixável em 27/03/2019 - Incapacidade temporária absoluta fixável num período total de 321 dias - Incapacidade permanente parcial fixável em 46...
- O examinado é portador de material de osteossíntese na clavícula esquerda.
Vindo a ser necessária a sua remoção futura, prevê-se que tal acarrete, pelo menos, períodos adicionais de incapacidade temporária, podendo justificar um a revisão do caso 11 – Em sede de junta médica os Srs.
Peritos Médicos por unanimidade responderam aos quesitos formulados, da qual resultou que o sinistrado sofreu fratura dos arcos costais à esquerda, fratura da clavícula esquerda e lesão parcial do plexo braquial a nível da clavícula e apresenta como sequelas rigidez do ombro esquerdo, cicatriz clavicular esquerda na de...
O sinistrado esteve de ITA 11-05-2018 e 27-03-2019, sendo esta a data da alta.
O sinistrado não padece de IPATH uma vez que se verificou uma recuperação evidente e positiva da lesão neurológica.
12 – Em sede de pedido de esclarecimento aos peritos médicos que participaram na junta médica sobre a não atribuição de IPATH, por unanimidade os Srs.
Peritos Médicos disseram o seguinte: "Considerando o quadro sequelar resultante do acidente e a profissão de agricultor, admite-se que o sinistrado apresente limitação em tarefas que exijam mais força de preensão com a mão esquerda, bem como destreza dessa mão, a qual será não dominante.
Assim admite-se que não seja aconselhável a condução de trator e/ou manipulação de máquinas agrícolas que exijam força de preensão e destreza da mão esquerda.”.
E mais tarde confrontados com outro pedido de esclarecimento disseram o seguinte: "o sinistrado face ao quadro sequelar apresentado, não se encontra incapaz para a profissão habitual de agricultor.
O quadro sequelar traduzido por um défice funcional dos músculos intrínsecos da mão esquerda condiciona limitação na destreza manual não limitando significativamente a força de preensão dos dedos que se realiza à custa dos flexores.
Assim sendo, consideramos que o sinistrado apresenta capacidade de preensão com a mão esquerda, podendo agarrar um volante e girá-lo, bem como máquinas agrícolas, se bem que com alguma limitação e considerando que se trata de mão não dominante.
Mais se acrescenta que como agricultor poderá fazer tarefas como podar, tirar ervas daninhas, regar e utilizar a enxada, ainda que com limitações na sua realização.” 13 – Não consta dos autos nem o estudo do posto de trabalho nem o inquérito profissional.
– APRECIAÇÃO DO RECURSO Da errada apreciação da prova pericial A questão que cumpre apreciar respeita à valorização da prova pericial, designadamente a valorização do exame por junta médica em detrimento do exame médico singular, a que acresce a questão de saber se o exame por junta médica se encontra suficientemente...
Em suma, está em causa apenas a decisão proferida no que respeita ao apenso de fixação de incapacidade, razão pela qual, nos termos dos artigos 60 n. 4, 66 n. 1 e 66 n. 2 do Código do Processo Civil, se determina oficiosamente, pela sua pertinência e relevância para a boa decisão da causa, proceder ao aditamento da seg...
9- A avaliação efectuada pela perícia de neurocirurgia conclui que o sinistrado apresente sequelas compatíveis com atingimento do plexo braquial esquerdo e valorizáveis com IPP de 30%, considerando o cap.
3 0,3-0,4) da TNI valor a majorar pelo coeficiente 1,5 atenta a idade.
O sinistrado apresente IPATH para a profissão de tratorista.
É adequado considerar a data de 27-03-2019 como data da consolidação das lesões.
Não se afigura que haja tratamentos adicionais que neste momento possa melhorar o estado sequelar do examinado.
10- Em sede de exame singular levado a cabo pela Gabinete Médico-Legal do Minho – Lima, a Sr Perita Médica conclui o seguinte: - A data da consolidação médico-legal das lesões é fixável em 27/03/2019 - Incapacidade temporária absoluta fixável num período total de 321 dias - Incapacidade permanente parcial fixável em 46...
- O examinado é portador de material de osteossíntese na clavícula esquerda.
Vindo a ser necessária a sua remoção futura, prevê-se que tal acarrete, pelo menos, períodos adicionais de incapacidade temporária, podendo justificar um a revisão do caso 11 – Em sede de junta médica os Srs.
Peritos Médicos por unanimidade responderam aos quesitos formulados, da qual resultou que o sinistrado sofreu fratura dos arcos costais à esquerda, fratura da clavícula esquerda e lesão parcial do plexo braquial a nível da clavícula e apresenta como sequelas rigidez do ombro esquerdo, cicatriz clavicular esquerda na de...
O sinistrado esteve de ITA 11-05-2018 e 27-03-2019, sendo esta a data da alta.
O sinistrado não padece de IPATH uma vez que se verificou uma recuperação evidente e positiva da lesão neurológica.
12 – Em sede de pedido de esclarecimento aos peritos médicos que participaram na junta médica sobre a não atribuição de IPATH, por unanimidade os Srs.
Peritos Médicos disseram o seguinte: "Considerando o quadro sequelar resultante do acidente e a profissão de agricultor, admite-se que o sinistrado apresente limitação em tarefas que exijam mais força de preensão com a mão esquerda, bem como destreza dessa mão, a qual será não dominante.
Assim admite-se que não seja aconselhável a condução de trator e/ou manipulação de máquinas agrícolas que exijam força de preensão e destreza da mão esquerda.”.
E mais tarde confrontados com outro pedido de esclarecimento disseram o seguinte: "o sinistrado face ao quadro sequelar apresentado, não se encontra incapaz para a profissão habitual de agricultor.
O quadro sequelar traduzido por um défice funcional dos músculos intrínsecos da mão esquerda condiciona limitação na destreza manual não limitando significativamente a força de preensão dos dedos que se realiza à custa dos flexores.
Assim sendo, consideramos que o sinistrado apresenta capacidade de preensão com a mão esquerda, podendo agarrar um volante e girá-lo, bem como máquinas agrícolas, se bem que com alguma limitação e considerando que se trata de mão não dominante.
Mais se acrescenta que como agricultor poderá fazer tarefas como podar, tirar ervas daninhas, regar e utilizar a enxada, ainda que com limitações na sua realização.” 13 – Não consta dos autos nem o estudo do posto de trabalho nem o inquérito profissional.
Posto isto cabe-nos agora apurar se ocorreu ou não uma errada valoração do exame por junta médica no que respeita quer à atribuição da IPP, quer à não atribuição de IPATH.
Como é sobejamente sabido o exame por junta médica constitui uma modalidade de prova pericial, que se rege não só pelo disposto no art.
13 do CPT., mas também pelas normas do Código do Processo Civil que disciplinam este meio de prova, relativamente ao qual o CPT é omisso cfr.
art.
n. 2, al.
do CPT e arts.
46 e seguintes do estando assim sujeita à regra da livre apreciação pelo juiz cfr.
art.
389 do Código Civil e arts.
489 e 607, n 5 do.
A prova pericial tem por objecto, tal como resulta do prescrito no art.
38 doo Código Civil ") a percepção ou apreciação de factos por meio de peritos, quando sejam necessários conhecimentos especiais que os julgadores não possuem” ou quando os factos "relativos a pessoas, não devem ser objecto de inspecção judicial”.
Assim, como refere Antunes Varela, J. Miguel Bezerra e Sampaio e Nora, no Manual de Processo Civil, 2 Edição, Coimbra Editora, 1985, pág.
578, a função do perito é a de "auxiliar do tribunal no julgamento da causa, facilitando a aplicação do direito aos factos”, sendo "um agente de prova e que a perícia constitua um verdadeiro meio de prova”.
Contudo, sem deixar de salientar a função preponderante deste meio de prova, designadamente da colegial, tal não significa que o julgador esteja vinculado ao parecer dos peritos, pois o princípio da livre apreciação da prova permite-lhe que se desvie do parecer maioritário ou unanime daqueles.
Como bem refere a este propósito o Prof. Alberto dos Reis, no Código do Processo Civil Anotado Vol.
, Coimbra Editora, 1962, pág.
186 ") É dever do juiz tomar em consideração o laudo dos peritos; mas é poder do juiz apreciar livremente esse laudo e portanto atribuir-lhe o valor que entenda dever dar-lhe em atenção à análise crítica dele e à coordenação com as restantes provas produzidas Pode realmente num ou noutro caso concreto, o laudo dos peri...
O laudo de junta médica não é vinculativo, devendo por isso ser apreciado como qualquer outro meio de prova.
Contudo, estando em causa um juízo técnico-jurídico, para dele divergir o julgador tem de fundamentar essa divergência, impondo-se uma especial exigência da fundamentação, assente preferencialmente em opinião ou parecer científico ou técnico, de sinal contrário.
Porém, para que o juiz possa fundamentar circunstanciadamente a sua decisão é indispensável que a prova pericial se apresente também devidamente fundamentada.
Assim, embora o tribunal aprecie livremente os elementos médicos constantes do processo, designadamente perícia singular, relatórios clínicos e exames complementares de diagnóstico, a par da própria observação do sinistrado, essa livre apreciação não é, todavia, sinónimo de arbitrariedade, razão pela qual aos peritos m...
Resumindo, as perícias médicas não constituem decisão sob o grau de incapacidade a fixar, mas são somente um elemento de prova, com exigências especiais de conhecimentos na matéria, por isso o laudo pericial tem de conter os factos que serviram de base à atribuição de determinada incapacidade de modo a que o tribunal p...
Peritos Médicos de forma a poder valorá-lo.
Apesar do juiz não estar adstrito às conclusões das perícias médicas, certo é que, por falta de habilitação técnica, apenas delas deverá discordar em casos devidamente fundamentados e, daí também, a necessidade da cabal fundamentação do laudo pericial pois que, só assim, poderá o mesmo ser sindicado.
Competindo à perícia médica exame singular ou exame por junta médica), a apreciação e determinação das lesões/sequelas que o sinistrado apresenta, bem como proceder à fixação da incapacidade para o trabalho decorrente das mesmas, não existindo razões objectivas para se discordar do laudo médico ou para formular pedidos...
Contudo, a perícia por junta médica tem algumas particularidades que podem por em causa a sua validade, já que conformidade com o prescrito no art.
13 n. 2 do CPT, "sena fase conciliatória a perícia tiver exigido pareceres da especialidade, intervêm na junta médica, pelo menos, dois médicos das mesmas especialidades” Por outro lado, estabelece o n. 8 das Instruções Gerais da Tabela Nacional de Incapacidades, anexa ao n. 352/2007, de 23 de Outubro, que o resultado ...
E estabelece o n. 13 das mesmas Instruções Gerais o seguinte: A fim de permitir o maior rigor na avaliação das incapacidades resultantes de acidente de trabalho e doença profissional, a garantia dos direitos das vítimas e a apreciação jurisdicional, o processo constituído para esse efeito deve conter obrigatoriamente ...
Com efeito, na fase conciliatório dos autos foi solicitado parecer da especialidade de neurocirurgia, razão pela qual se impunha em conformidade com o previsto no n. 2 do art.
13 do CPT.
a realização de uma junta da especialidade de neurocirurgia ou seja na junta médica deveriam ter participado pelo menos dois neurocirurgiões, mas tal, não sucedeu, pois o que teve lugar foi uma junta médica generalista, a qual veio a divergir da avaliação efectuada na fase conciliatória pelo neurocirurgião, com o funda...
Na verdade, não constam dos autos elementos clínicos que fundamentem e comprovem a recuperação evidente e positiva das lesões sofridas pelo sinistrado, em data posterior à realização da perícia singular, nem os Srs.
Peritos Médicos, apesar de lhes ter sido solicitado, indicam quais os elementos clínicos e fundamentos clínicos que suportam a sua conclusão relativamente à recuperação do sinistrado Ficamos assim sem compreender das razões pelas quais os Srs.
Peritos Médicos que participaram na junta médica desvalorizaram o parecer da especialidade junto aos autos.
Em suma, o laudo de junta médica não está elaborado em conformidade com o previsto no ponto 8 das instruções gerais a TNI, aprovada pelo 352/2007, de 23 de Outubro, pois padece de insuficiência de fundamentação, sendo certo que os Srs.
Peritos Médicos não estavam habilitados a proceder à realização da perícia, uma vez que no caso se impunha a realização de uma perícia da especialidade de neurocirurgia.
Importa assim determinar a anulação da junta médica para que se proceda à realização de uma junta médica da especialidade de neurocirurgia, a fim de se apurar e valorizar as sequelas neurológicas que o sinistrado é portador e só posteriormente terá lugar a junta médica generalista para apurar e valorizar as restantes s...
Quanto à questão da atribuição ou não ao sinistrado de IPATH, como refere a este propósito José Augusto Cruz de Carvalho, "Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais”, 2 Ed., 1983, pág.97, ainda que no âmbito da Base , n 1, al., da Lei 2127, de 0065, mas aplicável quer no âmbito do art.
17 da Lei 100/97 quer no âmbito do actual art.
48, n 3, al., da Lei 98/2009de 4/09, "a fixação do regime especial para os casos da al., resultou da consideração lógica consagrada em legislação de que a incapacidade permanente absoluta para o trabalho habitual é sempre mais grave do que uma diminuição parcial da mesma amplitude fisiológica, não só pela necessidade d...
Assim, cientes de que nem sempre é fácil a determinação da existência, ou não, de IPATH, já que por vezes, é ténue a fronteira entre esta e a IPP, quando tal questão se suscita impõem-se proceder a uma rigorosa avaliação da repercussão desta na capacidade/incapacidade para o sinistrado continuar a desempenhar o seu tra...
O trabalho habitual a considerar é aquele que o sinistrado realizava à data do acidente e que em princípio corresponde ao executado de forma permanente, contínua.
Retornando de novo ao caso em apreço, temos por certo que não se mostram juntos aos autos, quer o inquérito profissional, nomeadamente para efeito de história profissional, quer a análise do posto de trabalho, que constituem elementos obrigatórios que já deveriam constar desde a fase conciliatória do processo, em confo...
10 do CPT., com influência necessária na decisão, designadamente porque em sede de exame singular foi entendido que as sequelas de que o sinistrado é portador o impedem de forma absoluta e permanente de exercer as funções de tratorista, que exercia quando ocorreu o acidente, a que acresce o facto da Seguradora responsá...
Sucede ainda, que em conformidade com o prescrito no art.
13 do CPT.
que regula a perícia por junta médica, designadamente no seu n. 7, "o juiz, se o considerar necessário, pode determinar a realização de exames e pareceres complementares ou requisitar pareceres técnicos”.
Por outro lado, dispõe o n. 4 do art.
2 da Lei n. 98/2009, de 4 de Setembro,, que estabelece o regime de reparação de acidentes de trabalho, que, sempre que haja lugar à aplicação do disposto na al.
do n. 3 do art.
4 e no art.
5, o juiz pode requisitar parecer prévio de peritos especializados, designadamente dos serviços competentes do ministério responsável pela área laboral, sendo certo que a al.
do n. 3 do art.
4 se refere à questão do reconhecimento ao sinistrado de incapacidade permanente absoluta para o trabalho habitual.
No caso em apreço, verificando-se que está em causa atribuição, ou não de IPATH ao sinistrado, e, constatando-se que não foram oportunamente realizados, como se impunha, inquérito profissional e análise do posto de trabalho que permitiriam um maior rigorna avaliação das incapacidades resultantes de acidente de trabalho...
Por último, é de referir que este Tribunal da Relação de Guimarães frequentemente tem decidido no sentido de que para que se possa formular um juízo científico no que respeita à atribuição de IPATH é necessário que conste dos autos, quer o estudo do posto de trabalho, quer o inquérito profissional, quer ainda a realiza...
Em conformidade com o entendimento constante desta Secção Social do Tribunal da Relação de Guimarães, a título meramente exemplificativo referenciamos o Acórdão de 18 de Junho de 2020, proferido no âmbito do processo n. 687/10T8VRL.G1 não.
Como resulta dos n.s 1 e 2, alínea do art.
66 do Código de Processo Civil, a Relação deve alterar a decisão proferida sobre a matéria de facto se os factos tidos como assentes, a prova produzida ou um documento superveniente impuserem decisão diversa, ou, mesmo oficiosamente, anular a decisão proferida na instância, quando, não constando do processo todos os e...
Assim, sendo necessário proceder à realização de nova junta médica bem como solicitar a realização de Inquérito profissional, nomeadamente para efeito de história profissional eAnálise do Posto de Trabalho, com caracterização dos riscos profissionais e/ou obter parecer de peritos especializados do Instituto do Emprego ...
Procede parcialmente o recurso, ficando prejudicada a questão referente à data da cura clinica das lesões sofridas pelo sinistrado em consequência do acidente de trabalho, não deixando, contudo, de referir que o sinistrado confunde os conceitos de cura clínica/alta clínica com incapacidade permanente absoluta ou parcia...
A cura clínica ocorre com a consolidação das lesões, ou seja, quando as lesões deixam de sofrer evolução regular medicamente observável, por terem estabilizado definitivamente ou por se revelarem insuscetíveis de modificação a não ser após o decurso de um período temporal mais ou menos longo, sendo possível apreciar a ...
Entre a data do acidente de trabalho e a cura clinica ocorrem em regra períodos de incapacidade temporária para o trabalho absoluta ou parcial.
As sequelas que subsistirem depois da cura clinica terão de ser valorizadas e enquadráveis na tabela nacional de incapacidades por acidentes de trabalho.
DECISÃO Nestes termos, acorda-se em anular parcialmente a sentença recorrida, a fim de proceder à realização de junta médica da especialidade, junta médica generalista e ser solicitado estudo do posto de trabalho e inquérito profissional e/ou parecer de peritos especializados do Instituto do Emprego e da Formação Prof...