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48 e 49 dos autos, que constitui cópia de um ofício da de ...), subscrito pelo Sr. Presidente da - Prof. Doutor E. -, que refere concretamente, inter alliud e em resposta "/carta com a epígrafe "crédito vencido G. - Equipamentos Municipais EEM" que "... Acusamos a receção da / carta datada, certamente por lapso, de "12 de Dezembro de 2015,", a qual mereceu a nossa melhor atenção e à qual temos agora oportunidade de responder. |
Por via dela tiveram /s. |
Exas. |
o ensejo de interpelar este Município para o pagamento de uma legado débito da sociedade G. - Equipamentos Municipais, EEM... ". |
Quer isto significar que esse débito foi apresentado ao Município, mas porém - contrariamente ao que consta da parte final do ponto 1 -, foi-lhe dada a resposta de 17/9/2015 que se transcreveu parcialmente e que constitui o documento cuja cópia conta de fls. |
48e 49 do processo físico, pelo que, o ponto 13 dos factos provados é alterado no seguinte sentido: "13 - Que foi apresentada à cobrança ao MUNICÍPIO ...), que obteve a resposta constante da cópia do Ofício de 17/9/2015 junta a fls. |
48 e 49 dos autos". |
No que se refere ao ponto 1 e que, de acordo com o Plano de dissolução/liquidação da empresa G., EEM, junto aos autos, refere: 16 - "Nos termos do ponto desse Plano: "O Conselho de Administração propõe igualmente que a G., E.E., no âmbito das suas possibilidades económicas e até 31 de dezembro de 2013, cumpra aos seus compromissos financeiros, pelo que, após essa data, considerando a transferência de todos os activos e passivos da G., E.E.para o Município, este deverá assumir todos os compromissos financeiros da empresa”. |
Quanto a este concreto ponto da factualidade dada como provada, independentemente das consequências jurídicas advindas - questão diversa - é manifesta a sua veracidade, visto o documento e fidelidade da transcrição, ainda que parcial, constante de fls. |
150 a 163, em especial, quanto à parte transcrita, fls. |
158 do processo físico, como, aliás, se fez constar, na parte final, do facto ínsito no ponto 16 do probatório. |
Dada, assim, resposta à questionada matéria fáctica, vejamos agora da bondade da decisão de mérito, propriamente dita e que culminou com a decisão do TAF do Porto, dispondo que: "... Julga-se a presente ação procedente e, consequentemente, condena-se o R. a pagar à A. a quantia de €16 203,00 dezasseis e duzentos e três acrescida de juros vencidos desde a data de vencimento de cada factura e vincendos até integral e efetivo pagamento". |
A sentença recorrida estribou a decisão na seguinte fundamentação, da qual discorda o recorrente, nos termos constantes das suas alegações recursivas, sumariadas supra, nas respectivas conclusões, sob os ns. |
1 a 4: " ... Quanto ao contrato relativo à apresentação do Festival do Fado: Está em causa um contrato de prestação de serviços celebrado entre a G., EEM e a A. Como se provou, a A. cumpriu tal contrato, tendo prestado os serviços a que se obrigara. |
A G. não procedeu ao pagamento do preço acordado invocando, em primeira linha, que foi violado o art. |
5, n. 1 e 9 da Lei n. 8/2012 de 202 e o art. |
7, n. 2 do Decreto-Lei n. 127/2012 de 21 de junho. |
Ora, não estando ainda em vigor, à data do contrato e da prestação do serviço, a Lei n. 8/2012, de 21 de fevereiro, carece de sentido a invocação deste regime legal como fundamento da nulidade do contrato. |
Não tendo sido alegado nem resultando da instrução da causa qualquer causa de invalidade deste contrato que foi cumprido pontualmente pela A. deveria a G. ter procedido ao pagamento do preço respetivo. |
Quanto ao contrato relativo à publicitação das Marchas de S. João de 2013: É verdade que não foi emitido qualquer número de compromisso em relação a este contrato, encontrando-se já em vigor a Lei n. 8/2012 de 21 de fevereiro. |
Assim sendo, o contrato em causa, nos termos do art. |
5, n. 3 do Decreto-Lei n. 127/2012, é nulo. |
Tal nulidade, nos termos do n. 4 do mesmo preceito legal, ode ser sanada por decisão judicial quando, ponderados os interesses públicos e privados em presença, a nulidade do contrato ou da obrigação se revele desproporcionada ou contrária à boa-fé. |
Ora, se é certo que a nulidade do contrato implica que deva ser restituído tudo o que tiver sido prestado art. |
285, n. 1 do Código, assim não será linearmente nos contratos nos quais uma das partes beneficie de um serviço. |
Como bem se evidencia em acórdão do Tribunal Central Administrativo Norte de 8 de abril de 2016 processo 02730/10, publicado em www.dgsi.pt), "a regra do art. |
289, n. 1 do Código Civil aplicada no domínio dos contratos de prestação de serviços mostra-se inadequada à sua própria teleologia, carecendo de uma restrição que permita tratar desigualmente o que é desigual, isto é, deve ser objeto de redução teleológica, cfr. |
Karl Larenz, ob. |
cit., pp. |
450/457) de molde a que, nos contratos de prestação de serviços, em que uma das partes beneficie do gozo de serviços cuja restituição em espécie não é possível, a inexistência contratual por caducidade não abranja as prestações já efetuadas. |
Tendo os serviços convencionados sido prestados, ao abrigo de um contrato entretanto declarado nulo, perante a inexistência de um contrato, a relação jurídica deverá ser equiparada a um "Contrato de facto”, cujos serviços terão de ser remunerados”. |
Em linha com o Acórdão do Colendo STA n 047638 de 21-09-2004, estando vedado o recurso aos princípios do instituto do enriquecimento sem causa, em função do carácter subsidiário deste art. |
474, mas tendo sido reconhecida a nulidade do contrato, deverá, no caso, o Município, ser condenado no pagamento dos serviços prestados, enquanto «relação contratual de facto», à luz do n 4 do Art 5 da Lei n 8/201 Como se disse, a nulidade do contrato não autoriza "a ilação de que o negócio jurídico seja equivalente a um nada, tal como se pura e simplesmente não tivesse acontecido”. |
Em suma, tendo sido prestado o serviço em causa e considerando que a nulidade em causa não é imputável à A., com vista a evitar uma vantagem abusiva e injustificada do R. que se traduziria numa desproporcionada violação do princípio da boa-fé, decide-se, nos termos do art. |
5, n. 4 da Lei n. 8/2012, sanar a nulidade em causa. |
A entidade responsável pelo pagamento das faturas em causa, correspondentes a serviços efetivamente prestados pela A., é o MUNICÍPIO ...) já que, nos termos do plano de dissolução da G. por si aprovado, ocorreu a transferência para si de todos os ativos e passivos daquela empresa, devendo as dívidas em questão subsumir-se a esse passivo, nos termos supra explicitados, acrescidas dos respetivos juros vencidos e vincendos". |
Apreciando a decisão recorrida, questionada pelo recorrente, temos que, quanto à dívida resultante do Festival do Fado, como bem se refere na decisão do TAF do Porto, porque ainda não em vigor a Lei 8/2012, de 21/2, à data do contrato e prestação do serviço, nenhuma pretensa ilegalidade importava o não pagamento, em tempo, da correspondente contrapartida ao serviço efectivamente efectivado pela A./Recorrida. |
Quanto ao "contrato" referente à publicitação das Marchas de S. João 201 Sendo evidente a nulidade do contrato, por violação do art. |
, n.3 da Lei 8/2012, de 21/2, na medida em que não foi - como deveria ter sido - emitido o correspondente número de compromisso, importa verificar se, mesmo assim, se verificam os requisitos previstos na mesma Lei - art. |
, n. 4 - para a sanação dessa nulidade. |
Vejamos estes normativos da Lei 8/2012, de 21 de Fevereiro - LEI DOS COMPROMISSOSE PAGAMENTOS EM ATRASO DAS ENTIDADES PÚBLICAS, inquestionavelmente aplicável à situação dos autos - art. |
- e, mais concretamente, no seu art. |
, sob a epígrafe "Assunção de compromissos": "1 - Os titulares de cargos políticos, dirigentes, gestores e responsáveis pela contabilidade não podem assumir compromissos que excedam os fundos disponíveis, referidos na alínea do artigo 2 - As entidades têm obrigatoriamente sistemas informáticos que registam os fundos disponíveis, os compromissos, os passivos, as contas a pagar e os pagamentos em atraso, especificados pela respetiva data de vencimento. |
3 - Os sistemas de contabilidade de suporte à execução do orçamento emitem um número de compromisso válido e sequencial que é refletido na ordem de compra, nota de encomenda, ou documento equivalente, e sem o qual o contrato ou a obrigação subjacente em causa são, para todos os efeitos, nulos. |
4 - A nulidade prevista no número anterior pode ser sanada por decisão judicial quando, ponderados os interesses públicos e privados em presença, a nulidade do contrato ou da obrigação se revele desproporcionada ou contrária à boa-fé. |
5 - A autorização para a assunção de um compromisso é sempre precedida pela verificação da conformidade legal da despesa, nos presentes termos e nos demais exigidos por lei" - sublinhado nosso. |
Daqui se depreende que, dado o incumprimento do disposto no art. |
,n. 3 da Lei 8/2012 que, sendo o contrato nulo, a sua sanação só poderia ser sanada, nos termos do n. 4 por decisão judicial, verificados os respectivos requisitos, ou seja, a dívida só poderia ser paga, obtida decisão judicial nesse sentido, pelo que, sem a mesma, não era exigível o respectivo pagamento. |
Vejamos, então seguidamente, se se verificam os requisitos previstos nesse transcrito n. 4 do art. |
da Lei 8/201, ou seja, ponderados os interesses públicos e privados em presença, a nulidade do contrato ou da obrigação se revele desproporcionada ou contrária à boa-fé que importe a sanação da nulidade. |
Ora, no caso em concreto dos autos, a A., enquanto sociedade que se dedica à prestação de serviços de radiodifusão sonora, a pedido da G., empresa municipal, sem qualquer contrato escrito, sem que tenha havido a emissão de qualquer número de compromisso, como a lei expressamente obrigava - daqui a nulidade contratual -, emitiu spots publicitários de 12 a 15 de Junho de 2015, referentes às marchas deão de 2013, no seguimento do que foi emitida factura, no valor de 702,00€ acrescido de IVA, no valor de 161,46€), o que até ao momento não foi pago. |
Tendo sido prestado um serviço, as regras jurídicas, em termos de equivalência de prestações e contraprestações, importam a sua sinalagmaticidade. |
Ou seja, vistos os interesses em causa, da empresa, aqui A., de reduzida dimensão, com os interesses públicos, assumidos por uma empresa municipal como foi a G., com um património na altura de 49429,00€ - cfr. |
fls. |
120 do processo físico, balanço de 17/6/2015 -, mostra-se desproprocionada e contrária à boa fé qualquer decisão que não passe pela correspectividade de compromissos - realização de um serviço, irrepetível - e correspondente pagamento, aliás, num valor diminuto cerca de 750,00€). |
A civilidade jurídica, seja por via dos arts. |
285, n.1, seja por via do art. |
28 do Código Civil, importariam igualmente essa consequência regularizadora, mas que, no caso, pode ser solucionada legalmente pela verificação positiva dos requisitos previstos no n. 4 do art. |
da Lei 8/2012 que possibilita, expressamente, a sanação da nulidade por via de uma decisão judicial. |
Concluímos, deste modo, quanto ao contrato referente à publicitação das Marchas de S. João 2013, que existe nulidade - que importa declarar - e determinar, por verificação dos respectivos pressupostos, a sua sanação, assim dando objectiva aplicação ao n. 4 do referido normativo , inserto na Lei 8/2012, de 21 de Fevereiro. |
Tirada esta conclusão, extinta, por dissolução, a empresa co-contratante G., Equipamentos Municipais, EEM, incumbe ao MUNICÍPIO ...) o pagamento destas 2 dívidas que, comprovadamente, não foram pagas por aquela empresa municipal. |
Vistos os factos constantes dos pontos 14 a 18 dos factos provados, tendo o MUNICÍPIO ...) aprovado a proposta apresentada pelo Conselho de Administração da G., EEM - reunião da de 6/2/2013 - e bem assim, a reunião da Assembleia Municipal de 13/2/2013 - cfr., em especial, o ponto 15 dos factos provados - sem necessidade de chamar à colação normas do Código das Sociedade Comerciais, dos administradores/liquidatários da G. - aliás, sem contestação recursiva - o seu chamamento foi indeferido -- cfr. |
fls. |
141/142 do autos - processo físico -- temos que estas dívidas terão de ser liquidadas pelo MUNICÍPIO ...). |
Quanto aos juros. |
No que se refere à dívida resultante do Festival do Fado, no valor de 1340,00€ com, não estando - como vimos - em causa qualquer invalidade/ilegalidade, muito menos nulidade, entendemos que os mesmos são devidos apenas desde 17/9/2015 - data do ofício de fls. |
48/49 do processo físico, endereçado pela de ...) à A./Recorrida, nos termos do ponto 13 dos factos provados, alterado parcialmente, nesta sede recursiva - sendo certo que não se mostra documentada - como poderia e deveria pela A./recorrida art. |
34, n.1 do Civil - a data da recepção da interpelação para pagamento. |
Quanto à dívida resultante da publicitação das Marchas de S. João 2013, porque a sanação da nulidade verificada apenas pôde ser sanada por decisão judicial - art. |
, n.4 da Lei 8/2012, de 21/2 - , como vimos, entendemos que os juros apenas são devidos desde essa decisão, ou seja, desde a decisão judicial de 9 de Janeiro de 2019, do TAF do Porto, que, implicitamente, condenando o Município ao pagamento, declarou a nulidade do "contrato" no que se refere à publicitação das Marchas de S. João 2013, na medida em que, até então, seja a G., seja o Município estava impedido de proceder ao pagamento. |
DECISÃO Nestes termos, acordam, em conferência, os juízes deste Tribunal em conceder parcial provimento ao recurso e assim, por um lado: - manter a sentença recorrida, quanto à condenação do MUNICÍPIO ...) em pagar à A./Recorrida "RÁDIO ...), SA", no que refere à dívidas em causa, num total de 1230,00 €; - alterar a condenação quanto aos juros de mora, nos seguintes termos: - quanto à dívida resultante do Festival do Fado, no valor de 1500,00€ mais IVA, no valor de 840,00€), ou seja, 1340,00€, os mesmos são devidos, desde 17/9/2015 até efectivo e integral pagamento; - quanto à dívida referente à publicitação das Marchas de S. João 2013, de 702,00 € mais IVA, no valor de 161,46€), ou seja, 863, 46€, os juros de mora são devidos apenas a partir de 9 de Janeiro de 2019 até efectivo e integral pagamento. |
Custas pelo recorrente e recorrida, na proporção do respectivo decaimento, em ambas as instâncias. |
Notifique-se. |
DN. |
Porto, 25 de Fevereiro de 2022 Antero Salvador Nuno Coutinho Helena Ribeiro, Voto de Voto de vencido o presente acórdão, com fundamento na posição que subscrevi no acórdão de 19/02/2021, proferido no processo n. 00103/17BEVIS, que relatei, no qual se propenderam os seguintes fundamentos: «É certo que nos termos do artigo , n.4 a nulidade decorrente da desconformidade da realização da despesa com as prescrições impostas pela LCPA que exige a prévia assunção do compromisso, e em termos válidos, pode ser sanada por decisão judicial, conferindo-se ao Tribunal essa possibilidade, quando ponderados os interesses públicos e privados em presença, a nulidade do contrato ou da obrigação se revele desproporcionada ou contrária à boa-fé. |
A questão está em saber quando é que a nulidade de um contrato, ponderados os interesses públicos e privados em presença, se revela desproporcionada ou contrária à boa-fé. |
Mas uma ilação que consideramos ser de extrair do regime instituído pela referida LCPA é que não bastará ao Tribunal, para sanar a referida nulidade, que os serviços ou bens cujo pagamento é reclamado tenham sido prestados pelo agente económico à entidade pública adjudicante para que se esteja perante uma situação em que a nulidade do contrato ou da obrigação se revele desproporcionada ou contrária à boa-fé. |
É que a LCPA impõe que o pagamento apenas pode ser realizado "após o fornecimento de bens e serviços ou da satisfação de outras condições” art. |
, n.1), donde resulta que constitui condição para que se possa efetuar o pagamento de uma despesa à luz do regime da LCPA que a prestação/fornecimento de serviços ou bens já tenha sido executada, exigência que acresce à necessidade do respetivo compromisso. |
Deste modo, ainda que haja compromisso válido da despesa, a entidade pública não poderá efetuar o pagamento de um bem ou serviço enquanto o mesmo não estiver efetuado. |
As "outras condições” a que se alude no artigo , n.1 da LCPA, serão casos excecionais, que remetem para a hipótese das condições postas pelo Código da Contratação Pública para que os adiantamentos de preço possam ser concedidos. |
Se o fornecimento do bem ou prestação do serviço constitui requisito prévio à possibilidade de pagamento por parte da entidade pública, ele não pode ser o pressuposto a considerar para que o tribunal, no uso dos poderes que lhe são conferidos pelo artigo , n4 da LCPA sane a nulidade do contrato. |
Em todas as situações em que se coloque a questão da nulidade do contrato por falta de assunção prévia e válida do compromisso relativo à despesa em que o mesmo se traduz, tem de verificar-se a prestação efetiva do serviço ou o fornecimento do bem, pelo que, essa circunstância não traduz nenhuma particularidade ou especificidade que estabeleça uma diferenciação no leque de situações abrangidas pela norma, que habilite o Tribunal a considera-la como uma razão forte para obstar à nulidade do contrato determinada pela LCPA, pois então, tal nulidade seria sempre sanada. |
Assim, outras razões que não o facto do serviço/ fornecimento ter sido prestado efetivamente e de a entidade pública o ter aceite, condição necessária para que se coloque à entidade pública a obrigação de pagamento, terão de ser alegadas e provadas, para que o Tribunal a quo, após devida e conscienciosa ponderação, à luz dos poderes que lhe são conferidos pelo n.4 do art. |
da LCPA, possa decidir pela sanação da nulidade do contato, decorrente da violação da obrigação de efetuar o prévio e válido cabimento da respetiva despesa. |
Que razões podem ser essas, é caminho que não vimos ainda trilhado pela jurisprudência mas que nos permitimos ilustrar com alguns exemplos que, a verificarem-se em concreto, poderiam, a nosso ver, justificar a sanação da nulidade do contrato por parte do julgador. |
Tal seria o caso de, por exemplo, se estar perante uma situação em que, cumulativamente, o montante a pagar fosse de pequena monta e a entidade pública não registasse pagamentos em atraso, tendo fundos disponíveis para efetuar o pagamento, caso em que não haveria nenhum risco de a situação irregular decorrente da falta de compromisso prévio contribuir para engrossar a lista de pagamentos em atraso ou fazer surgir um pagamento em atraso, desde que cumpridas as demais exigências, desde logo, as decorrentes da observância do procedimento pré-contratual . |
Tal poderia também ser o caso, desde que alegado e provado, duma situação em que o agente económico, em face das obrigações que sobre si impendem nos termos do artigo , n.2 da LCPA, perante a falta de indicação do número do compromisso, tivesse previamente ao fornecimento do bem ou à prestação do serviço contratado com a entidade publica, alertado aquela para a falta do compromisso e, nessa sequência, informado por aquela que a falta de envio do número de compromisso se ficou a dever a um lapso, que iria ser regularizado, com a indicação para que executasse o contrato. |
Numa tal situação, afigura-se-nos ser equacionável que o Tribunal a quo pondere sobre a possibilidade de sanação da nulidade do contrato, quando se apure que não obstante o exposto, o compromisso não chegou a ser validamente efetuado pela entidade pública, sendo que, num tal contexto, a nulidade do contrato poderia configurar uma consequência desproporcionada e violadora da boa-fé. |
Outras situações poderiam ainda equacionar-se, como, veja-se, atendendo ao momento presente que vivemos de emergência sanitária, se estivesse perante uma necessidade urgente e inadiável de contratação de serviços ou aquisição de bens para a salvaguarda da saúde pública por parte da Administração, que a tivessem levado a contratar esses bens ou serviços à margem do cumprimento da LCPA, e da legislação da contratação publica, tudo circunstâncias especialíssimas que careciam de ser alegadas e provadas pelo autor, de molde a demonstrar não só a sua boa fé e as razões concretas que o levaram a prestar aquele serviço/fornecimento e que a Administração o tivesse adjudicado à margem da LCPA e das regras da contratação pública. |
De contrário, estará o Tribunal a avalizar a ultrapassagem das regras da contratação pública e da LCPA, dando aso a todas as ilegalidades que são suscetíveis de ocorrer quando tais regras sejam postergadas, designadamente, violação da obrigação de não engrossar o leque de pagamentos em atraso, de regras concorrenciais e do princípio da igualdade, que impõe que os procedimentos de contratação pública sigam determinados formalismos, com regras estritas previstas no CCP com vista à salvaguarda do interesse público, nomeadamente, da livre concorrência entre os agentes económicos a quem assiste o direito de concorrerem à prestação de serviço e/ou fornecimento de bens à Administração Pública num clima saudavelmente concorrencial.». |
Na situação em causa neste processo, na minha perspetiva, não foi feita prova de uma situação que permita ao Tribunal sanar a nulidade em causa. |
Helena |
Acordam, em conferência, os juízes que constituem a Subsecção de Contencioso Tributário do Tribunal Central Administrativo Sul: - Relatório A Autoridade Tributária e Aduaneira, não se conformando com a sentença proferida pelo Tribunal Tributário de Lisboa, que julgou procedente a impugnação judicial deduzida por, , contra o ato de liquidação de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, respeitante ao exercício de 2003, no valor total de € 089,60, dela veio recorrer para este Tribunal Central Administrativo Sul. |
Nas alegações de recurso apresentadas, a Recorrente, formula as seguintes conclusões: Visa o presente Recursoreagir contra a douta Sentença que julgou a presente impugnação procedente e em consequência condenou a Fazenda Pública ao pagamento de custas e, com a qual não concordamos. |
Salvo o devido respeito pela decisão sufragada, não pode a Fazenda Pública conformar-se com o assim doutamente decidido, porquanto, considera existir erro de julgamento, quanto à interpretação do artigo 2 da por errada valoração dos elementos constantes dos autos, os artigos 1 da LGT e o do , "ex /” do art. |
, al. |
da LGT. |
A fundamentação da Sentença recorrida assenta, em síntese, no seguinte entendimento «...) entendemos que o período máximo de dois anos diz, sim, respeito à duração da isenção, e não ao período da deslocação, não só porque a norma não o diz expressamente, com também tal contrariaria a "ratio" da CDT. |
Concluindo, assim, que «) verifico que tem razão o Impugnante, e que o mesmo tem direito à isenção de tributação durante o ano de 2003, sendo o ato de liquidação ilegal por violação do artigo 2 da CDT, norma que vigora e prevalece na nossa ordem jurídica ex do artigo 8 da CRP, razão pela qual deve o mesmo ser anulado». |
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