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sob o efeito de anestesia geral ou sob coma induzido e a ser submetida a 5 intervenções cirúrgicas para tentar reverter as lesões causadas pelo Réu, só tendo alta mais de um mês depois do ocorrido e, mesmo assim, a ter que viver num estado de dependência e o resto da sua vida na condição de transplantada, com as complicações que essa condição acarreta. |
Inexistem dúvidas que estamos perante uma situação típica de cumprimento defeituoso dos contratos de prestação de serviços médico-cirúrgicos de que são devedores ambos os RR., ora Recorridos, o que também não impede que possa convocar o regime da responsabilidade extracontratual, fundada na violação dos direitos subjetivos da paciente à integridade física e moral, ao livre desenvolvimento da personalidade e à autodeterminação arts. |
2, n. 1 e 2, n. 1 da CRP e 7, n. 1 do, direitos absolutos tutelados pelo princípio geral de responsabilidade delitual do art. |
48, n. 1, do 1 Perante uma situação que preencha simultaneamente a hipótese de responsabilidade delitual e contratual, a doutrina difere nas soluções encontradas. |
Sendo a perspetiva que tem maior expressão, relativa a um concurso de normas dos dois regimes de responsabilidade, isto é, considera-se haver um concurso de fundamentos de uma mesma pretensão indemnizatória, que permite ao lesado mobilizar, numa mesma ação, fundamentos das responsabilidades contratual e extracontratual. |
Esta já defendida por VAZ SERRA e prevista no art. |
76, n. 1, do Anteprojeto de sua autoria. |
Na Jurisprudência, veja-se os Acórdãos do STJ PINTO MONTEIRO de 19/06/2001; Acórdão do TRL RUI VOUGA, de 24/04/2007, Acórdão do STJ RUI MAURÍCIO, de 27/11/2007; Acórdão do STJ FERREIRA DE ALMEIDA 07/10/201 1 Ao errar na interpretação que fez dos artigos 80, 48 e 48 e art. |
115 do -, considerando que a responsabilidade do R., ora Recorrido, era exclusivamente de natureza delitual ou extracontratual, devendo antes ter identificado o concurso de responsabilidades, o que, aliado aos factos de o R. e a R., ora Recorridos, não terem logrado ilidir a presunção do artigo 79, n. 1, do e de se ter provado o nexo causal entre a atuação do R., ora Recorrido, e os danos causados à filha da Recorrente, significa estarem preenchidos todos os requisitos da responsabilidade contratual, pelo que a R. e o R., ora Recorridos, são solidariamente responsáveis pelos danos causados à filha da Recorrente, nos termos do disposto no artigo 80 do -, o Tribunal aquo também errou no enquadramento da aplicação do regime da prescrição quanto aos direitos indemnizatórios decorrentes da responsabilidade do 1 Réu e da 2 Ré. |
1 O prazo de prescrição do direito de indemnização decorrente da responsabilidade contratual são 20 anos artigo 30 do e o prazo de prescrição do direito de indemnização decorrente da responsabilidade extracontratual são 3 anos artigo 49, n. 1 do, salvo a exceção prevista no n. 3 do mesmo artigo. |
1 Resulta que ambas as relações estabelecidas respetivamente entre a Recorrente e a Recorrida, e entre R., ora Recorrido, e a Recorrente, confluem num concurso de normas de dois regimes de responsabilidade, isto é, considera-se haver um concurso de fundamentos de uma mesma pretensão indemnizatória, que permite à Recorrente mobilizar fundamentos das responsabilidades contratual e extracontratual, pelo que, tem aplicação o prazo ordinário dos 20 anos, nos termos do artigo 30 do e, em consequência, não se encontram prescritos os direitos indemnizatórios da Recorrente. |
1 Contudo, ainda que se entenda que a responsabilidade do R., ora Recorrido, se move no exclusivamente no âmbito do regime da responsabilidade extracontratual e, por isso, aplicando-se o prazo prescricional de 3, os direitos indemnizatórios da Recorrente também não estão prescritos por força da aplicação do disposto no artigo 49, n. 3 do 1 O alargamento do prazo prescricional, previsto no n. 3 do artigo 49 do , "radicanaespecialqualidadedoilícitoenãonacircunstânciadesedemonstrar,emsedepenal,orespectivocrime”, pelo que, não está dependente da ocorrência prévia de processo-crime, nem da existência de uma condenação penal, bastando, para tanto, a verificação de factos geradores de responsabilidade e da respetiva obrigação de indemnização. |
1 Aliás, é este o entendimento da jurisprudência maioritária, veja-se, o Acórdão do Tribunal da Relação de Guimarães JOSÉ ALBERTO MOREIRA, de 28/06/2018:; 18 . |
Por outro lado, dispõe a primeira parte do n. 1, do artigo 30 do o seguinte: "Oprazodaprescriçãocomeçaacorrerquandoodireitopuderserexercido;” o que, salvo devido respeito, é consentâneo com a data do falecimento da filha da Recorrente, em 10/07/2009, data em que é indiscutível a Recorrente ter conhecido da verificação dos pressupostos da responsabilidade extracontratual que conformam o seu direito indemnizatório, designadamente: o facto a realização da, a ilicitude, a culpa, os danos e a verificação do nexo causal entre aquele facto e os danos. |
Sendo este também o entendimento de MENEZES CORDEIRO. |
1 Conclui-se que o Tribunal aquo errou ao decidir que a responsabilidade do R., ora Recorrido, era de natureza exclusivamente delitual ou extracontratual, devendo antes ter entendido pela mobilização do concurso dos dois regimes de responsabilidade, contratual e delitual, sendo que, independentemente do regime de responsabilidade mobilizado, os direitos indemnizatórios da Recorrente não estão prescritos em virtude do alargamento do prazo prescricional previsto no artigo 49, n. 3 do , ex dos artigos 15, n. 2 ou 13 n. 1, e 11, n. 1, al. |
do CP, pelo que, devem ser todos estes incluídos no cômputo da condenação pelos danos não patrimoniais da Recorrente, no montante de € 7000,00 setenta e cinco, pelo dano morte da filha da Recorrente, no montante de € 15000,00 cento e cinquenta, e bem assim sejam os RR., ora Recorridos, solidariamente condenados a pagar à Recorrente estes mesmos montante indemnizatórios. |
2 Da matéria de facto provada está assente que: "trabalhavanasociedadeJ..., da,eauferiu,emAgostode2008,ovencimentolíquidode€990,00–fls.123K).” artigo 1 da matéria de facto. |
2 Mas, entendeu o Tribunal aquo que: "Consequentemente,ospedidosdeindemnizaçãonãoprescritossãoaosatinentesaosdanospatrimoniaisenãopatrimoniaissofridospelafilhadaautoranoconfrontocomaré... Hospital....Destesdanos, não se mostram provados os de natureza patrimonial salários e e subsistemapenasos de natureza nãopatrimonialabundantementedescritosnafactualidadedadacomoprovadadesdeaprimeiracirurgiaaoseudecesso,ocorridocercadedoisanosapós,afilhadaautorafoiváriasvezesintervencionada,foisubmetidaaumtransplantedefígadoepadeceucomtodoesseconjuntodeactosmédicoscomoestáacimadescrito).”. |
2 Assim que, não se compreende a fundamentação apresentada pelo Tribunal aquo, porquanto, não considerando como prescrita a pretensão indemnizatória da Recorrente quanto aos danos patrimoniais sofridos pela filha da Recorrente designadamente ossaláriosedemaisdespesas) entende que tais danos não se mostram provados, contradizendo, desta feita, pelo menos, o facto provado n. 1 2 A decisão proferida pelo Tribunal aquo padece de uma contradição entre os fundamentos a matéria dada como provada – artigo 1) e a errada aplicação do Direito à decisão, que se opõem, e pela ocorrência de ambiguidades no seu teor, que a tornam ininteligível, pelo que, não pode deixar de se concluir que o Acórdão aquo padece de nulidade por oposição entre os fundamentos e a decisão, nos termos do artigo 61, n. 1, al., ex do artigo 67, n. 1, al. |
do CPC, devendo tal nulidade ser reconhecida e declarada, para todos os devidos e legais efeitos, e bem assim sejam os RR. |
condenados a pagar à Recorrente indemnização pelos danos patrimoniais referentes aos salários por estarem provados no artigo 1 dos factos que a sua filha deixou de auferir no montante total de € 1840,00 quinze oitocentos e quarenta, acrescidos dos salários que a filha da Recorrente auferiria mensalmente, pelo menos, até à idade da reforma à data 65, no montante de € 37220,00 trezentos e setenta e quatro duzentos e vinte, valor reduzido a ¼, perfazendo o quantum indemnizatório no total de € 9555,00 noventa e três , quinhentos e cinquenta e cinco, nos termos do artigo 49 do 2 Acresce que, atendendo ao exposto quanto a outros danos patrimoniais da filha da Recorrente, designadamente despesas relativas a deslocações, medicação e honorários das consultas de psiquiatria, entende a Recorrente que deverá ser fixada uma quantia a este título pelo recurso aos valores da equidade, quantia essa que não se poderá ser fixada em montante inferior a € 000,00 três. |
2 Quanto aos danos patrimoniais decorrentes do artigo 49 do , entendeu o Tribunal aquo o seguinte: "Pelomesmomotivoaré... Hospital...tambémfoicitadaem5/3/2013)ocorreaprescriçãodospedidosformuladospelaautoraconexionadoscomoressarcimentododanomorteedosdanosnãopatrimoniaisporsisofridosporquantotêmporfundamentoaresponsabilidadeextracontratual.” 2 Mais entendeu o Tribunal a quo: "queaautorapoderiaterdireitoa indemnizaçãopelodanodaperdadealimentosart.49,n.3do)masnãotemdireito,porviasucessória,aospeticionadosrendimentosfuturosqueasuafilhapresumivelmenteaufeririaeque,porcausadasuamorte,deixoudeauferirporquantoesseeventoextinguiuapersonalidadejurídicadestaimpedindoqueseradicassenasuaesferaumdireitoaindemnizaçãodessetipoaestepropósito,Comentárioao,UC,Dt.DasObrigações,pág.347).” 2 Salvo devido respeito, entende a Recorrente que errou o Tribunal aquo na interpretação e aplicação que fez do Direito ao caso subjudice, designadamente considerando que a Recorrente não teria o direito, por via sucessória, a exigir a indemnização pelos danos patrimoniais que a filha da Recorrente auferiria, em virtude da extinção da personalidade jurídica da filha da Recorrente, contudo, conforme se demonstrará, a Recorrente era a única que em razão do artigo 49, n. 3 poderia vir a exigir alimentos à falecida e, portanto, a única com legitimidade para exigir a indemnização por danos patrimoniais. |
2 O art. |
49, n. 3 remete para o art. |
49, n. 3 do definindo serem as pessoas referidas neste último inciso legal que podem reclamar os danos patrimoniais próprios). |
2 Os danos indemnizáveis ora em questão são, desde logo, constituídos por tudo quanto, independentemente do montante de alimentos eventualmente exigível, - e sem com tal, enfim, qualquer correlação, o lesado direto efetivamente prestava, e com toda a probabilidade continuaria a prestar, à família, incluindo o cônjuge de facto, se fosse vivo. |
3 O n. 3 do art. |
49 do foi alvo da alteração, através da Lei n. 23/2010, de 30 de Agosto, sendo que na anterior redação do artigo, apenas se previa como titulares da indemnização os sujeitos elencados no n. 2 – que corresponde ipsisverbis ao atual n. 2 referindo que "Pormortedavítima,odireitoàindemnizaçãopordanosnãopatrimoniaiscabe,emconjunto,aocônjugenãoseparadodepessoasebenseaosfilhosououtrosdescendentes;nafaltadestes,aospaisououtrosascendentes;e,porúltimo,aosirmãosousobrinhosqueosrepresentem.” 3 Esta alteração tem efeito exnunc como aliás quedou decidido no Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça RAUL BORGES, de 08/03/201 3 À data da morte da filha da Recorrente, a Recorrente era a sua única herdeira cfr. |
artigo da matéria de facto e era a única que em razão do artigo 49, n. 3 poderia vir a exigir alimentos à falecida e, portanto, a única com legitimidade para exigir a indemnização por danos patrimoniais. |
3 Quanto à indemnização por danos patrimoniais, refere ANTUNES VARELA, mas também os Acórdãos Supremo Tribunal de Justiça de 16/04/1974 ABEL DE CAMPOS, de 18/02/2003 PONCE DE LEÃO, de 02/03/2004 SILVA SALAZAR e de 05/05/2005ARAÚJO BARROS que têm excecionalmente, direito a indemnização por danos patrimoniais, nos casos de morte ou lesão corporal, os terceiros que podiam exigir alimentos ao lesado ou aqueles a quem o lesado os prestava no cumprimento de uma obrigação natural, desde que, quanto àqueles, tenham a qualidade de que depende a possibilidade legal do exercício do direito aos alimentos, mesmo que não estivessem a receber da vítima qualquer prestação alimentar por carência efetiva deles. |
3 Face o exposto, conclui-se que o Tribunal aquo errou ao decidir que apenas a própria lesada teria o direito a exigir a indemnização por dano patrimonial, entendendo a Recorrente que tal direito lhe foi transmitido pela falecida filha, pela via sucessória – cfr. |
arts. |
2133, n. 1, al. |
e 2024 do Nestes termos deve o presente recurso subordinado ser recebido e julgado procedente, e, em consequência seja revisto e revogado o Acórdão do Tribunal da Relação ..., substituindo-se por outro, na parte em que é desfavorável à Recorrente, e bem assim: - Seja alterada a decisão de Direito quanto à questão do concurso da mobilização dos dois regimes da responsabilidade, contratual e extracontratual e à prescrição dos direitos indemnizatórios subsumíveis à responsabilidade extracontratual ou delitual e, consequentemente, fazendo uma correta aplicação do Direito, condene solidariamente os Recorridos ao pagamento no quantum dos danos indemnizatórios, patrimoniais e não patrimoniais, sofridos quer pela filha da Recorrente, quer pela própria Recorrente nas quantias supra alegadas, com todas as consequências e efeitos legais; - Seja reconhecida e declarada a nulidade do Acórdão recorrido, por oposição entre os fundamentos e a decisão, nos termos do artigo 61, n. 1, al., ex do artigo 67, n. 1, al. |
do CPC, para todos os devidos e legais efeitos; - Seja alterada a decisão de Direito no sentido de que, à data da morte da filha da Recorrente, a Recorrente era a sua única herdeira e era a única que em razão do artigo 49, n. 3 do CPC poderia vir a exigir alimentos à falecida, por via sucessória, sendo a única com legitimidade para exigir a indemnização por danos patrimoniais. |
/// A interveniente Ageas Seguros, respondeu ao recurso da Autora, tendo apresentado as seguintes conclusões: a) Para que fosse possível concluir-se existir responsabilidade contratual do réu médico impunha-se que a recorrente provasse que havia celebrado um "contratototalcomescolhademédicocontratomédicoadicional)quecorrespondea"umcontratototalmascomaespecificidadedehaverumcontratomédicoadicionalrelativoadeterminadasprestações) ou em alternativa um contratodividido,queéaqueleemque"aclínicaapenasassumeasobrigaçõesdecorrentesdointernamentohospedagem,cuidadosparamédicos,etc. |
),enquantooserviçomédicoédiretaeautonomamentecelebradoporummédicoatosmédicos)” b) No caso dos autos a filha da recorrente contratou apenas com o HOSPITAL a prestação dos cuidados de saúde, que foram prestados pelo réu médico, por este exercer a sua atividade nas instalações da ... Hospital.... ) A filha da recorrente não escolheu o médico que realizou a intervenção. ) |
No que respeita à responsabilidade do réu médico inexiste o concurso da responsabilidade contratual e extracontratual, não se impondo optar por um dos dois sistemas: o do cúmulo e o do não cúmulo. |
e) O artigo 49, n. 1, do Código Civil estabelece o prazo de prescrição – 3 anos –, assim como o diesaquo relevante que marca o início da contagem do prazo, regulando, por isso, quer o prazo, quer o termo inicial da contagem do prazo de prescrição. |
f) Se o prazo de prescrição do direito à indemnização, fundado no instituto da responsabilidade extracontratual, inicia a sua contagem sob a regra especial prevista no artigo 49, n. 1, do Código Civil, não se pode afastar essa regra e aplicar a regra de contagem de prazo prevista em geral no artigo 30, n. 1, do Código Civil. |
g) O direito de indemnização, segundo o disposto no artigo 498 do Código Civil, prescreve a contar da data em que o lesado teve conhecimento da verificação dos pressupostos que condicionam a responsabilidade do lesante, ou seja, o prazo prescricional conta-se a partir da data em que o lesado, conhecendo a verificação dos pressupostos que condicionam a responsabilidade o facto, a ilicitude, a culpa, o dano e o nexo de, soube ter direito à indemnização. |
h) Na situação dos autos, a recorrente teve conhecimento do facto danoso no próprio dia da intervenção cirúrgica, pelo que viu o prazo prescricional iniciar-se nesse mesmo dia, ainda que, àquela data, não tivesse conhecimento da extensão integral dos danos. ) |
Conclui-se assim que a situação fáctica dos autos, no que ao réu médico concerne, se subsume apenas ao regime da responsabilidade extracontratual, o que impõe que se conclua pela prescrição do direito à indemnização da recorrente, confirmando-se a decisão proferida pelo Tribunal da Relação ..., que fez a mais correta interpretação e aplicação do direito aplicável, concretamente, do disposto nos artigos 48, 49 e 30, n. 1, do Código Civil. |
A interveniente Generali também respondeu à revista da Autora, pugnando pela sua inadmissibilidade, por uma ocorrer uma situação de dupla conforme; assim não se entendendo, deve ser julgado improcedente. |
/// Contra alegou a Autora, tendo formulado as seguintes conclusões: Os danos não patrimoniais devem ser objeto de compensação a fixar com recurso à equidade, tendo em conta o grau de culpabilidade do agente, a situação económica deste e do lesado e as demais circunstâncias do casoartigos 496, n 3, e 49 do sempre com o objetivo, não de se reconstituir a situação que existiria caso não tivesse ocorrido a lesão – como se impõe fazer ao nível dos danos patrimoniais –, mas antes de se proporcionar uma satisfação adequada ao lesado. |
Acontece, porém, que, comparando a situação dos presentes com todos os arrestos citados pelo Recorrente, em nenhum decorre a perda do bem jurídico supremo: a vida; pelo que, salvo devido respeito, não pode querer o Recorrente comparar o que não é comparável! |
Acresce que, contrariamente ao exposto pelo Recorrente, a nossa jurisprudência mais recente tem vindo a fixar para o dano morte montantes consideravelmente superiores a € 6000,00 sessenta – valor peticionado pelo Recorrente -, e mais próximos dos valores fixados nos presentes autos, pelo que, inexistindo qualquer violação do disposto nos artigos49, 56 e 56 do , deve manter-se a decisão recorrida, condenando a R., Recorrente a pagar à A., ora Recorrida, a quantia de € 10000,00 cem a título de danos não patrimoniais. |
A decisão da matéria de facto só pode ser excecionalmente alterada pelo Supremo Tribunal de Justiça havendo ofensa de disposição expressa de Lei que exija certa espécie de prova para a existência do facto, ou que fixe a força probatória de determinado meio de prova artigos67, n. 3, e 68, n. 2 do, o que não sucedeu no caso em apreço. |
Salvo devido respeito, e contrariamente ao que a R., Recorrente, parece pretender almejar com as alegações de recurso por si apresentadas -, uma verdadeira reapreciação da matéria de facto -, não compete ao Supremo Tribunal de Justiça, enquanto Tribunal de Revista fazer uma nova interpretação da matéria de facto provada e assente, nem tecer quaisquer juízos de valor acerca da ponderação da prova e da competência das instâncias. |
Por seu turno, os poderes de cognição do Supremo Tribunal sindicados à reapreciação da matéria de direito ocorrem em situações muito específicas, de violação da lei substantiva ou de violação ou errada aplicação da lei do processo artigo67, n. 1, al. |
e al. |
e n. 2 do que não se compaginam com o alegado nas alegações apresentadas pela R., Recorrente, aliás, o enquadramento da matéria de direito e a solução jurídica a que chegou o Tribunal a quo, ancorando-se em toda a prova produzida – declarações de parte, documentos, depoimentos das testemunhas – é perfeitamente possível, não violando a aplicação de quaisquer normas jurídicas que não permitam a solução de direito a que chegou o Tribunal aquo. |
Entende a Recorrida que não assiste razão à R., Recorrente, pelo que, salvo o devido respeito por opinião diversa, não merece o douto Acórdão a quo censura ou reparo de qualquer natureza -, sendo, acontrario do que a R., Recorrente alega,"suscetíveldepôremcausaaconfiançaeacredibilidadeda Justiça” -, quer quanto à matéria de facto, quer quanto ao enquadramento da solução de Direito julgada, pelo menos, quanto à parte em que a A., ora Recorrida, teve provimento, devendo improceder o expendido pela R., Recorrente. |
Dos artigos 1 a 2 da matéria de facto provada, não restam dúvidas de que foi celebrado um contrato total com escolha de médico, e, portanto, tem plena aplicaçãono caso vertente a mobilização do regime do disposto no artigo80 do Assim sendo, não merece qualquer reparo a conclusão a que chegou o Tribunal aquo, sobre a relação estabelecida entre a filha da A., ora Recorrida, e a R., Recorrente, ser uma relação contratual, porquanto, entre ambas foi celebrado um contrato de prestação de serviços médicos globais cfr. |
art. |
115, do. |
Razão pela qual, "háqueconvocaropreceituadonoart.800n1dosendo, como sereferena decisãorecorrida, areferida réresponsávelpelosactos do1réucomosetaisfossempraticadosporelaprópria”. |
1 Contudo, tal não impede que em simultâneo se tenha estabelecido entre a filha da A., ora Recorrida, e o R., outra relação igualmente de natureza contratual. |
1 Este foi, aliás, o entendimento do Supremo Tribunal de Justiça MARIA GRAÇA TRIGO, no Acórdão datado de 28/01/2016: "Osfactosprovadospermitemafirmarqueestamosperanteumcasode"contratototalcomescolhademédicocomcontratodemédicoadicional)”.Comefeito,aA.escolheupessoalmenteoR.comoseumédico,foiporeleacompanhadaporperíodo detempoindeterminado,e,seguindoasuaorientação,decidiusubmeter-seaumacirurgianoBBHospital.Deste modo, a relação entre o R. BB Hospital e a A. tem anatureza de contratodeprestaçãodeserviçosmédicosglobaisenquadrando-senanoçãodoart.1154,doCódigoCivil), sem prejuízo dea relação entre o R. e a A. corresponder também a um contratodeprestaçãodeserviços médico-cirúrgicos segundo o previstonoart.1154,do).Ambas as relaçõeshospital/paciente) e médico-cirurgião/paciente) configuram relações de natureza contratual, tendocomo objecto uma cirurgia ortopédica ao pé direito da A. de forma acorrigir "uma fracturamal consolidada” e a evitar as dores e desconfortodaí resultantes. |
1 Ambas as relações são, por isso, de natureza contratual. |
1 E já concretamente quanto à aplicação do art. |
80, n. 1 do , refere-se no douto aresto: "Devesalientar-seque,diversamentedoquesepassanoregimedoart.500,do,queseaplicaàresponsabilidadeextracontratual,no art.800 do se abrange tanto a conduta deauxiliares dependentescomoa conduta deauxiliares independentescomodesenvolvidopelarelatoradesteacórdãoemResponsabilidadedelitualporfactodeterceiro,2009,págs.242esegs. |
).Queristodizerque,nocasoconcreto,éindiferente determinar qual o vínculo existenteentreoR.BBHospitalecadaumdosmédicosenvolvidosnaoperação–cirurgiãoeanestesista–porque,quersetratedecontratosdetrabalhoquersetratedecontratosdeoutranatureza,oregimederesponsabilidadedoR.BBHospitaléomesmo.Naspalavras deAndréDias Pereira,"no contrato de internamentocomescolhademédicocontratomédicoadicional),aclínicatambémassumearesponsabilidadeportodososdanosocorridos,incluindoaassistênciamédicaeosdanoscausadospelomédicoescolhido”cit.,pág.688).AresponsabilizaçãodoR.BBHospitalfunda-senarazãodeserdo regimedoart.800, n1,do , aqual, segundoVazSerra "Responsabilidadedodevedorpelosfactosdosauxiliares,dosresponsáveis legais oudos substitutos”,in Boletim do Ministério daJustiça,n72,pág.270)éaseguinte:"Odevedorqueseaproveitedeauxiliares nocumprimento,fá-lo a seu risco edeve,portanto,responderpelos factosdosauxiliares,quesãoapenasuminstrumentoseuparaocumprimento.Comtaisauxiliaresalargaram-seaspossibilidadesdodevedor,oqual,assimcomotiradaíbenefícios,devesuportarosprejuízosinerentesàutilizaçãodeles” 1 O desiderato da remoção da vesícula foi alcançado. |
Contudo, as lesões na veia porta, via biliar principal e leito hepático, causadas no decurso da intervenção cirúrgica, determinaram que a paciente fosse submetida a um transplante hepático e viesse a falecer dois anos mais tarde em virtude de uma complicação comum em doentes decorrente desse transplante. |
1 Inexistem dúvidas que estamos perante uma situação típica de cumprimento defeituoso dos contratos de prestação de serviços médico-cirúrgicos de que são devedores ambos os RR., oque também não impede que possa convocar o regime da responsabilidade extracontratual, fundada na violação dos direitos subjetivos da paciente à integridade física e moral, ao livre desenvolvimento da personalidade e à autodeterminação arts. |
2, n. 1 e 2, n. 1 da CRPe 7, n. 1 do, direitos absolutos tutelados pelo princípio geral de responsabilidade delitual do art. |
48, n. 1, do 1 Ao contrário do sustentado pela R., Recorrente, em responsabilidade médica, não há definições apriorísticas ou determinísticas dos regimes de responsabilidade contratual ou extracontratual a convocar, pelo que, entende a A., ora Recorrida, salvo devido respeito, que não assiste razão à R., Recorrente, quando alega que sendo a responsabilidade do R. de natureza extracontratual, a culpa não se presume. |
1 Perante uma situação que preencha simultaneamente a hipótese de responsabilidade delitual e contratual, a doutrina difere nas soluções encontradas. |
Por um lado, parte da doutrina adere a uma posição de não cúmulo, evocando, para o efeito, o princípio da consunção ou da absorção). |
Alguns autores falam de uma relação de especialidade, considerando que a responsabilidade contratual é um regime específico e, portanto, "consome” o da responsabilidade extracontratual - cfr. |
FIKENTSCHER/HEINEMANN e Ghestin apud COSTA, MÁRIO J. |
DE ALMEIDA in Direito das Obrigações, Coimbra, Almedina, 2011, pág. |
55 Por outro lado, ALMEIDA COSTA não se refere propriamente a uma relação de especialidade, porque adere a uma posição dualista entre modalidades de responsabilidade , mas entende que mesmo não havendo uma relação de especialidade, deve considerar-se que, se as partes entenderam disciplinar a responsabilidade por negócio jurídico, em plena concordância com o princípio da autonomia privada, então, essa responsabilidade será contratual – cfr. |
COSTA, MÁRIO J. |
DE ALMEIDA, op. |
cit., 2011, pp. |
546-55 1 Por outro lado, e em sentido contrário, há o chamado sistema do cúmulo, que tem merecido a aceitação da maior parte da doutrina e da jurisprudência portuguesas, que se subdivide em três orientações: uma primeira vai no sentido de conceder ao lesado a opção por um dos regimes; outra parte da doutrina defende que se deve permitir ações autónomas dos dois tipos de responsabilidade; por último, a perspetiva que tem maior expressão, relativa a um concurso de normas dos dois regimes de responsabilidade, isto é, considera-se haver um concurso de fundamentos de uma mesma pretensão indemnizatória, que permite ao lesado mobilizar, numa mesma ação, fundamentos das responsabilidades contratual e extracontratual. |
Esta já defendida por VAZ SERRA e prevista no art. |
76, n. 1, do Anteprojeto de sua autoria. |
1 Face ao exposto, entende a A., ora Recorrida, salvo devido respeito, que a R., Recorrente, errou na interpretação que fez dos artigos80, 48 e 48 e art. |
115 do -, considerando que a responsabilidade do R., era exclusivamente de natureza delitual ou extracontratual, devendo antes ter identificado o concurso de responsabilidades, oque, aliado aos factos de o R. e a R., Recorrente, não terem logrado ilidir a presunção do artigo79, n. 1, do e de se ter provado o nexo causal entre a atuação do R., e os danos causados à filha da ora Recorrida, significa estarem preenchidos todos os requisitos da responsabilidade contratual, pelo que a R., Recorrente e o R., são solidariamente responsáveis pelos danos causados à filha da Recorrida, nos termos do disposto no artigo80 do 2 Acresce que, entende a A., ora Recorrida, que a R., Recorrente, também errou no enquadramento que fez da aplicação do regime da prescrição quanto aos direitos indemnizatórios decorrentes da responsabilidade dos RR. |
Senão vejamos 2 A R., Recorrente, alegar o seguinte: "Emboranãosequestioneestadecisão referindo-se ao Acórdão do Tribunal aquo,mereceapenas doisreparos comrelevância nocaso: Ofactodanosoeocontrato)emdiscussãodatade11/07/2007,quandoocorreuacirurgiacolecistectomia)realizadapeloRéuMédiconasinstalaçõesda... Hospital...,enãodamortedafilha da Autoraocorrida doisanosdepoisem/07/200Embomrigor,acitaçãodosréusem05/03/2013)ocorreu mais de5anosapósaquelacirurgia.Oprazoprescricionalde3anoséreferenteaodireitodeindemnizaçãodecorrentederesponsabilidadeextracontratualenãoàresponsabilidadeemsi.Deoutraforma,nãofariasentidodiscutiraresponsabilidadedaRé... Hospital...alicerçadanaatuaçãodoseuauxiliarRéuMédico),casoseconsiderassequearesponsabilidadedesteestavajá prescrita.” 2 Entende a A., ora Recorrida, que não se encontram prescritos os seus direitos indemnizatórios, pela aplicação do regime dos artigos 30 e 49, n. 3 do da prescrição quanto aos direitos indemnizatórios decorrentes da responsabilidade do R. e da R., Recorrente. |
2 Resulta que ambas as relações estabelecidas respetivamente entre a A., ora Recorrida, e a R., Recorrente, e entre R., e a A., ora Recorrida, confluem num concurso de normas dos dois regimes de responsabilidade conforme supra, isto é, considera-se haver um concurso de fundamentos de uma mesma pretensão indemnizatória, que permite à Recorrida mobilizar fundamentos das responsabilidades contratual e extracontratual, pelo que, tem aplicação o prazo ordinário dos 20 anos, nos termos do artigo30 do e, em consequência, não se encontram prescritos os direitos indemnizatórios da A., ora Recorrida. |
2 Contudo, ainda que se entenda que a responsabilidade do R., se move no exclusivamente no âmbito do regime da responsabilidade extracontratual e, por isso, aplicando-se o prazo prescricional de 3, os direitos indemnizatórios da Recorrida também não estão prescritos por força da aplicação do disposto no artigo49, n. 3 do 2 O alargamento do prazo prescricional, previsto no n. 3 do artigo 49 do ,"radica naespecialqualidadedoilícito enãonacircunstância desedemonstrar,em sedepenal,o respectivo crime”, pelo que, não está dependente da ocorrência prévia de processo-crime, nem da existência de uma condenação penal, bastando, para tanto, a verificação de factos geradores de responsabilidade e da respetiva obrigação de indemnização cfr. |
entendimento da jurisprudência maioritária-Acórdão do T.R.G de 28/06/2018, bem como os do Supremo Tribunal de Justiça: de 212012, e de 212002, e de Tribunais da Relação Porto de 2011, do Guimarães de 12012, de Évora de 22007, e de Coimbra de 20201 2 Da factualidade alegada pela A., ora Recorrida, e dada como provada nos presentes autos, é indiscutível que o facto ilícito gerador de responsabilidade é, também, suscetível, em abstrato, e no mínimo, de constituir um ilícito típico, previsto e punido, nos termos do artigo 15 n. 2 do CP, com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias; ou, no máximo, de constituir um crime de homicídio por negligência, previsto e punido, nos termos do artigo13 n. 1 do CP, com pena de prisão até 3anos ou com pena de multa, se se entender que pena mais grave se lhe aplica. |
2 Os danos sofridos pela filha da Recorrida, laceração tangencialdoramo direitodaveiaporta, via biliar principal e leito hepático, que tevecomo causaprovávelumatraçãoexcessivaouintempestiva,masacidental,sobreoinfundíbulovesicular, causadas no decurso da intervenção cirúrgica, determinaram que a paciente fosse submetida a um transplante hepático e determinasse a morte da filha da Recorrida e dois anos mais tarde em virtude de uma complicação comum em doentes decorrente desse transplante. |
2 Conclui-se que a responsabilidade do R. não é de natureza exclusivamente delitual ou extracontratual, devendo antes ter-se entendido pela mobilização do concurso dos dois regimes de responsabilidade, contratual e delitual, sendo que, independentemente do regime de responsabilidade mobilizado, os direitos indemnizatórios da Recorrente não estão prescritos em virtude do alargamento do prazo prescricional previsto no artigo 49, n. 3 do , ex dos artigos 15, n. 2 ou 13 n. 1, e 11, n. 1, al. |
do CP, não assistindo também razão ao alegado pela R., Recorrente. |
3 Contrariamente ao discorrido pela R., Recorrente, ambas as relações estabelecidas respetivamente entre a A., ora Recorrida, e a R., Recorrente, e entre R., e a A., ora Recorrida, preenchem simultaneamente os regimes de responsabilidade delitual e contratual, segundo o sistema do cúmulo que se subdivide em três orientações: o lesado por optar por ser-lhe aplicado um dos regimes da responsabilidade contratual ou; ou outra que permite ações autónomas dos dois tipos de responsabilidade; ou, segundo a perspetiva que tem maior expressão, relativa a um concurso de normas dos dois regimes de responsabilidade, isto é, considera-se haver um concurso de fundamentos de uma mesma pretensão indemnizatória, que permite à A., ora Recorrida, mobilizar fundamentos das responsabilidades contratual e extracontratual. |
3 E, independentemente do regime de responsabilidade mobilizado, ainda que se entenda que a responsabilidade do R., se move no exclusivamente no âmbito do regime da responsabilidade extracontratual e, por isso, aplicando-se o prazo prescricional de 3, os direitos indemnizatórios da A., ora Recorrida, também não estão prescritos por força da aplicação do disposto no artigo49, n. 3 do , ex dos artigos 15, n. 2 ou 13 n. 1, e 11, n. 1, al. |
do CP. |
3 Aliás, não obstante a qualificação do tipo de ilícito, seja imputável ao previsto e punido no artigo 15, n. 2 do CP, ou, seja imputável ao presvisto no artigo 13, n. 1 do CP, o prazo prescricional aplicável será sempre o previsto no regime do artigo49, n. 3 do , extinguindo-se o direito indemnizatório da A., ora Recorrida, volvidos 5 anos sobre a data da prática do facto in casu, desde data da morte da filha da A., ora Recorrida, em 10/07/2009), nos termos do artigo11, n. 1, al. |
do mesmo inciso legal, razão pela qual não assiste razão ao alegado pela R., ora Recorrente. |
3 Por outro lado, segundo ANTUNES VARELA, "quantoaosdanospatrimoniaisaleimandaindemnizarnocasodemortecomonodelesão,oprejuízosofridoporaqueles quepodiamexigiralimentos do lesado o cônjuge,osseus descendentes,ascendentes,irmãos esobrinhos200)ouporaquelesa quemesteosprestavanocumprimento deumaobrigaçãonatural. |
3 O art. |
49, n. 3 remete para o art. |
49, n. 3 do definindo serem as pessoas referidas neste último inciso legal que podem reclamar os danos patrimoniaispróprios). |
3 O n. 3 do art. |
49 do foi alvo da alteração, através da Lei n. 23/2010, de 30 de Agosto, sendo que na anterior redação do artigo, apenas se previa como titulares da indemnização os sujeitos elencados no n. 2 – que corresponde ipsisverbis ao atual n. 2 referindo que "Por morteda vítima,o direito à indemnizaçãopordanosnãopatrimoniaiscabe,emconjunto,aocônjugenãoseparadodepessoasebenseaosfilhosououtrosdescendentes;nafaltadestes,aospaisououtrosascendentes;e,porúltimo,aosirmãos ou sobrinhosqueos representem.” 3 Esta alteração tem efeito exnunc como aliás quedou decidido no Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça RAUL BORGES, de 08/03/2012, que concluiu designadamente que não se aplicava às situações em que a morte do unido de facto fosse anterior à entrada em vigor da referida alteração, explicitando que: "...)háqueconsiderarqueosdireitosderivadosdamortedomembro deuniãodefactosurgemàdatadamorte.Poressaaltura...),nohorizontedeexpectativasdacompanheirasobrevivanãofiguravadireitoaindemnizaçãopordanodesgostocomassentonalei. |
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