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Masdoladodolesante,aquemincumbirápagarasindemnizações,oespectrodoeventualarcoindemnizatórioasatisfazertinhaosseuscontornosdefinidos,assuaslimitações,as vigenteseconhecidasàfacedaleientão aplicáveleapenas essas,eestetipo deconsideração nãopodeserarredado naanáliseaefectuar Ofalecimentoéumfactoquefazsurgirumasituaçãojurídicadeconstituiçãoinstantânea,sendoaplicávelaleicontemporâneadaaquisiçãododireito.. 3 À data da morte da filha da A., ora Recorrida, era a sua única herdeira cfr. |
Artigo da matéria de facto e era a única que em razão do artigo49, n. 3 do , poderia vir a exigir alimentos à falecida e, portanto, a única com legitimidade para exigir a indemnização por danos patrimoniais. |
3Quanto à indemnização por danos patrimoniais, refere ANTUNES VARELA, mas também os Acórdãos Supremo Tribunal de Justiça de 16/04/1974 ABEL DE CAMPOS, de 18/02/2003 PONCE DE LEÃO, de 02/03/2004 SILVA SALAZAR e de 05/05/2005ARAÚJO BARROS que têm excecionalmente, direito a indemnização por danos patrimoniais, nos casos de morte ou lesão corporal, os terceiros que podiam exigir alimentos ao lesado ou aqueles a quem o lesado os prestava no cumprimento de uma obrigação natural, desde que, quanto àqueles, tenham a qualidade de que depende a possibilidade legal do exercício do direito aos alimentos, mesmo que não estivessem a receber da vítima qualquer prestação alimentar por carência efetiva deles. |
3 Conclui-se que o Tribunal aquo errou ao decidir que apenas a própria lesada teria o direito a exigir a indemnização por dano patrimonial, entendendo a Recorrente que tal direito lhe foi transmitido pela falecida filha, pela via sucessória – cfr. |
arts. |
2133, n. 1, al. |
e 2024 do , e bem assim, contrariamente ao alegado pela R., Recorrente, não se verifica a violação do disposto no artigo49 do , inexistindo qualquer erro de julgamento. |
4Também sustenta a R., Recorrente, que o Tribunal aquo não tomou em consideração os princípios estruturantes do direito processual , entre os demais, o princípio do dispositivo, sendo que cabia à "Autoraalegarosfactosessenciaisqueconstituemacausadepedirquelimitamospoderesdecogniçãodotribunal,semprejuízodeoutros-expressãodoprincípio doinquisitório–quesejaminstrumentais,complementares ou notóriosart.3,n.s1e2doCPC)”. |
4Considerando, aliás, o expresso no facto n. 103 da matéria de facto provada "103–A laceração tangencialdo ramo direito daveia porta,referidaem47dosFactosProvados,tevecomocausaprováveluma tração excessiva ou intempestiva,masacidental sobre o infundíbulo vesicular tendo, eventualmente, contribuído a existência de aderências peri-vesicularesaessenível.”), salvo devido respeito, não pode a R., Recorrente, querer retirar partido da fundamentação do Parecer do Conselho do Colégio de Especialidade para alegar que o Tribunal aquo errou: - ao tomar como certo "ogestomeramenteprováveldeterprovocadoalesãonaveia porta”; - ao desconsiderar "categoricamentequeatraçãoexcessiva ouintempestivafoiacidental”; - "aodesvalorizarofactoassentedaexistênciadeaderênciasperi-vesicularespoderemeventualmentetercontribuídopara a produção dalesão acidental”; e, - "ofactodeserraraalesãodaveiaportaemcirurgias destetipo,nãopermitequeasuaocorrênciapossaevidenciarculpadoRéumédicopornãoaterprevenido”; desconsiderando totalmente que não basta alegar a possível existência de aderências, era preciso que tal tivesse sido provado, e provado pelos RR., já que, tratando-se de um facto modificativo ou extintivo do direito alegado pela A., ora Recorrida, o ónus da prova recairia sobre os RR. |
– cfr. |
art. |
34, n. 2 do e 57 do CPC - e, o R., não as documentou no processo clínico, nem as mencionou na sua contestação nem constam dos temas de prova!) |
– aqui, sim, salvo devido respeito, devendo ser tomada em consideração a violação o princípio do dispositivo pelo R.. 4 Sendo certo que, do vocábulo contribuir por referência ao facto n., só se pode concluir que há outras coisas a causar: a má avaliação do campo cirúrgico e, eventualmente, a existência de aderências peri-vesiculares. |
E é precisamente por isto que o parecer do colégio da especialidade refere no ponto das suas conclusões que "emrelação àatuaçãodoDr.....)houveumadeficienteavaliaçãodascondiçõeslocaisque,associadaaeventualmanobraintempestivaprovocaramumalesãovasculargravequenãofoipassíveldecorreção imediata apesardasmedidas instituídas”. |
4 Atendendo, ainda, a que o recurso ao adjetivo provável e ao advérbio eventualmente desvirtua o próprio conceito de facto provado, mostrando-se indiciador de uma incerteza quanto à ocorrência dos factos tal como relatados, tendo sido, aliás, esse o fundamento utilizado pelo Tribunal aquo para não alterar o artigo 10 dos factos provados: "oscirurgiões ouvidosDr.EE,Dr.FF,Dr.GG,Dr.HH,Dr.eDr.JJ)consideraramprovávelqueumatracçãosobreoinfundíbulovesicularpudesseprovocarumalesãonaveia portaaexistiremaderências peri-vesicularesmasnãosãoconcludentesnessesentidoporquantosóadmitemessaprobabilidade.” , 4 A doutrina e a jurisprudência tendem a distinguir entre obrigação de meios e obrigação de resultado, contudo, tal distinção teve origem com Demogue, no ordenamento jurídico francês, um ordenamento diferente do nosso no que toca à responsabilidade , razão pela qual encontramos posições doutrinais e jurisprudenciais que negam importação da referida distinção para o nosso ordenamento. |
4 Nesse sentido, atente-se na declaração de voto do Conselheiro CUSTÓDIO MONTES no Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça PIRES DA ROSA de 17/12/2009: "Qualquerobrigaçãosepodequalificarcomoobrigaçãodemeios,namedidaemqueaodevedorésempreexigívelumcertograudediligêncianarealizaçãodacondutadevida;mas,também,sepodequalificarcomoobrigaçãoderesultado,namedidaemquetodaaobrigaçãotendeaumcerto resultado.Devidoàqueladificuldadeemestabelecerafronteiraentreobrigaçãodemeioseobrigaçãoderesultado,importaéconsiderar,casoacaso,qualograu aleatório do resultado para,dessemodo,sesaberse éou nãodeexigirdodevedorummerocomportamentodiligenteouumcomportamentogarantísticodoresultado”. |
4 No campo da responsabilidade médica, a doutrina e a jurisprudência enquadra, via de regra, as obrigações assumidas pelos médicos nas obrigações de meios. |
Contudo, tanto a doutrina como a jurisprudência identificam casos que, pelo baixo grau de risco/aleatoriedade, configuram verdadeiras exceções à regra, identificando-as como obrigações de resultado nesse sentido, por exemplo, ALMEIDA COSTA e ANDRÉG.DIAS. |
4 Importa considerar que as lesões da veia porta são tão raras que entre 1996 e 2009, mais de 10 anos, apenas estão documentadas na literatura médica 16 lesões cfr. |
resposta ao quesito 3 do complemento do parecer do colégio da especialidade 19/04/2016). |
4 Face a essa raridade, será de convocar o raciocínio propugnado no Ac. |
do Supremo Tribunal de Justiça PIRES DA ROSA de 17/12/2009 que refere competir ao médico "aprovadeumgraudeconhecimentosedeumzeloediligênciademonstrativosdoempregodetodososmeioseconhecimentosediligênciasadequadosàobtençãodoresultadoquesenãoobteveouquesódefeituosamenteseconseguiu).Enãoapenaspelaafirmaçãodestaoudaqueladiligência,desteoudaquelemeio,oudestaoudaquelaatitudeouopçãocomoasqueteveporadequadas,maspelaafirmaçãodacoincidênciadessasdiligências,meios,atitudesouopçõescomaquiloqueseriaadequadocumprir,porpartedeumprofissionalqualificado,parao tipodeintervenção queofereceuaoseucliente. |
...) Aoréu competiaoónusdaprovadaausênciadeculpasuanaproduçãodoresultado,oónusimpostopelono1doart.79”. |
4 Ora, de facto, tal prova não foi produzida, decorrendo, aliás, que as lesões da veia porta são raras e não há sequer casos documentados em que simultaneamente se tenha lesionado a veia porta, o leito vesicular e a via biliar principal 5 Por outro lado, é chocante que na sequência de um procedimento de simples retirada da vesícula, alguém tenha que ser submetido a um transplante de fígado na sequência de – e atente-se bem nas lesões sofridas – "laceraçãoextensatangencialdoramodireito daveiaporta,secçãocompletadaviabiliarprincipalelaceraçãoprofundadoleitovesicular” facto n. 65 da matéria de facto. |
5 Face ao baixo grau de risco do procedimento, à constatação de que na grande maioria dos casos as complicações estão associadas ao cirurgião, e atendendo ainda às lesões produzidas, é possível estabelecer por prova prima facie ou porres ipsa loquitur nos termos do direito anglo-saxónico) que as lesõesproduzidas decorreram de uma má prática médica. |
5 Por fim, alega a R., Recorrente, que o Acórdão a quo "éomissoquantoàponderaçãodaverificação do nexo decausalidadeentreo ato médico eos danos:querquantoàquelesqueafilhadaAutorasofreuemmomentocontemporâneoeposterioràcirurgiaatéàaltahospitalardoHospital ...em24/08/2007);querapartirdomomentoemquetevealtadoseguimentoemconsultapós-transplanteem16/05/2008)epode,apósoacidenteiatrogénico,retomaruma vidacomrelativanormalidadepara.” E que, "Essanormalidadesófoiinterrompidadecorrente,nãodoacidenteiatrogénico,massimdecomplicaçõesrelacionadascomestenosedaanastomosebiliarrealizadanodecurso dotransplantehepático–cfr.pontos113dosFactosProvados. |
5 Ora, conforme resulta da resposta ao quesito 20 do complemento ao parecer do colégio da especialidade, datado 07/05/2018 fls. |
1148/1150), a estenose está diretamente relacionada com o transplante; e que o transplante está diretamente relacionado com as intercorrências ocorridas na colecistectomia cfr. |
resposta ao quesito. |
5 Salvo devido respeito, também não se pode ignorar,a contrario do alegado pela . |
R., Recorrente, o que resulta nas conclusões do Parecer, fls., quando refere que: "Asuamorte da filha da A., ora Recorrida, cercadedoisanosdepoistemcomocausapróximacomplicaçõesbiliaresresultantesdeumatransplantaçãohepáticaporfalênciahepáticafulminanteisquémicadevidaàlesãovasculo-biliarocasionadaduranteaintervençãopararealizaçãodacolecistectomia” e que "EmrelaçãoàatuaçãodocirurgiãoDr.BB,consideramosque:...)b)areferida lesão vascular grave, a laceração da veia porta condicionoudiretamenteascomplicaçõessubsequentese,indiretamenteodesfecho final.” 5 Resulta, ainda, ponto b) das conclusões do Parecer que "alesãovasculargraveocorridanodecursodacolecistectomiacondicionoudiretamenteascomplicações subsequentese,indiretamente,odesfecho final”. |
5 E que, escolha do procedimento a realizar "depende de vários fatores, nomeadamente estado clínico da doente, grau de dilatação da via biliar, experiência da equipa. |
Sendo que, nenhuma das opções mencionadas no quesito é, no entanto, um "procedimento minor”, especialmente no contexto de abordagem da via biliar num doente transplantado e multi-operado” cfr. |
resposta ao quesito 32 do complemento ao parecer do colégio da especialidade, datado de 13/12/2017). |
5 Assim que, salvo devido respeito por opini��o contrária, não restam quaisquer dúvidas que a morte da filha da A., ora Recorrida, decorreu da conduta do R. e que a filha da A. só teve que ser submetida ao transplante hepático que se mostrou absolutamente necessário dado à gravidade e irreparabilidade das lesões), ficando exposta aos riscos e complicações deste procedimento, por causa da conduta do R.. Foi, por isso, o R. que expôs a filha da A., ora Recorrida, ao risco de estenose da via biliar uma das complicações mais frequentes nos transplantes hepáticos) e ao risco de morte que efetivamente se veio a materializar. |
5 Razão pela qual, entende a A., ora Recorrida, que mesmo que a intervenção do médico não fosse o único fator a contribuir para o dano morte, não se pode negar que o mesmo contribuiu significativamente para a produção daquele dano, ao expor a paciente aos riscos decorrentes de um transplante, que de outro modo não teria sido exposta, o que permite afirmar o nexo causal, seja ele um nexo de causalidade na sua formulação negativa, ou seja um nexo de imputação, de acordo com a teoria das esferas de risco do lesante, do lesado e da vida em geral. |
5 Assim sendo, deve entender-se que, contrariamente ao alegado pela R., Recorrente, que não se verifica a interrupção do nexo de causalidade ou de imputação entre a conduta dos RR. |
e a morte da filha da A., ora Recorrida, sendo os RR., solidariamente responsáveis pelos danos sofridos quer pela filha da A., ora Recorrida, quer pela própria A., ora Recorrida. |
6 Face a tudo o exposto, não assiste razão à R., Recorrente, porquanto, a A., Recorrida, alegou, e em sede própria, todos os factos integradores dos pressupostos de verificação da responsabilidade , sendo que, demostrada a ilicitude, cabia aos RR. |
ilidira presunção da culpa, nos termos do artigo79, n. 1 do , o que não sucedeu, e provando-se o nexo causal entre a atuação do R., e os danos causados à filha da ora Recorrida, significa estarem preenchidos todos os requisitos da responsabilidade contratual, razão pela qual não existe qualquer erro de interpretação da matéria de facto ou erro de julgamento do Acórdão recorrido que mereça e quaisquer censura ou reparo. |
Colhidos os vistos, cumpre decidir. |
Fundamentação. |
Vem provada a seguinte matéria de facto: 1 - nasceu a .../.../1969 e foi registada como filha de KK e de AA ora A.) |
– fls. |
5 2 – A faleceu a de Julho de 2009 – fls. |
5 3 - Por Procedimento Simplificado, lavrado a 1 de Setembro de 2009, na Conservatória do Registo Civil ..., AA, de 78 anos, viúva, habilitou-se como única e universal herdeira de sua filha – fls. |
56/5 4 - Por sofrer de colecistite, submeteu-se, na manhã de 11 de Julho de 2007, a intervenção cirúrgica de colecistectomia por laparoscopia em litíase vesicular. |
5 - Nos exames realizados na Clínica ... e ..., apresentava: "vesícula biliar repleta de múltiplos cálculos de grandes dimensões, os maiores com cerca de 15 , que se acompanham de forte atenuação acústica posterior, verificando-se que a sua parede se encontra ligeiramente espessada 3,7 e colapsada sobre os mesmos; veia porta de calibre normal; pâncreas e baço de morfologia e dimensões normais e com textura homogénea” – fls. |
6 6 - Durante a laparoscopia surgiu uma hemorragia que obrigou a converter de emergência a laparoscopia em laparotomia operação de barriga. |
7 - Como não estava a ser possível controlar a hemorragia recorrendo ao Packing e manobras de Pringle, o Dr. BB contactou os colegas do Hospital ..., que é um centro de referência em Cirurgia Hepatobiliopancriática, que aceitaram a transferência da doente para este Hospital. |
8 - A transferência foi feita em ambulância medicalizada e acompanhada de médica anestesista e de uma enfermeira. |
9 - Teve alta a 30/07/200 10 - Submetida a Junta Médica, foi fixada, a 21/05/2008, a a incapacidade para o trabalho de 70% - fls. |
12 11 - trabalhava na sociedade J..., da, e auferiu, em Agosto de 2008, o vencimento líquido de € 990,00 – fls. |
12 12 - À data da intervenção cirúrgica 11/07/2007), a ... Hospital... tinha validamente transferida a sua responsabilidade profissional e de exploração para a interveniente Tranquilidade, por contrato de seguro titulado pela apólice n ...86 até ao montante de € 25000,00 – fls. |
339 e ss.. 13 - O Dr. BB tinha, à data da intervenção cirúrgica de 11/07/2007, a sua responsabilidade inerente ao exercício da sua atividade profissional de médico cirurgião validamente transferida para a interveniente AXA, por contrato de seguro titulado pela apólice n ...95, até ao montante de € 60000,00 por anuidade, ficando limitado, por sinistro, a 50% do respetivo valor, isto é, € 30000,00 – fls. |
19 14 – O Instituto da Segurança Social, IP, pagou à ora falecida , a título de subsídio de doença equivalência por prestação de doença), entre agosto de 2007 e junho de 2009, a quantia de € 169,95 – fls. |
545 e 546 e acordo das partes fls.. 15 – A marcou uma consulta com o 1 R. para o dia 04/06/2007, consulta esta que decorreu nas instalações da Ré ... Hospital.... 16 – O 1 R. nessa consulta procedeu à avaliação da sintomatologia, à realização do exame físico e à análise dos meios complementares de diagnóstico com que a se fazia acompanhar a ecografia abdominal referida em 5 dos Factos Provados e análises clínicas feitas na A...). |
17 – Estes exames complementares de diagnóstico eram atuais de maio de e os adequados para que o 1 R. pudesse considerar que a doente tinha indicação e condições para poder ser submetida a cirurgia. |
18 – O 1 R. fez o diagnóstico de litíase vesicular sintomática e deu indicação para a remoção da vesícula por laparoscopia. |
19 – O 1 R. fez também a história clínica da doente, da qual resultou a referência a uma trombose venosa profunda nas pernas, com necessidade de tratamento e internamento hospitalar em 199 20 – E registou, ainda, que a doente apresentava refluxo gastroesofágico e gastrite antral, e que naquela data não fazia qualquer medicação habitual. |
21 – O 1 R. informou a do seu quadro clínico, recomendou a realização da intervenção cirúrgica através de laparoscopia, por ser uma técnica segura, pouco invasiva e que possibilitava uma recuperação rápida. |
22 – Após foi assinado pela doente consentimento informado no dia 04/06/2007 e marcada a intervenção cirúrgica para o dia 11/07/2007 – fls. |
26 23 – Na mesma consulta, foi entregue à doente um conjunto de notas escritas com as instruções de como esta teria de agir na véspera e na data da intervenção cirúrgica. |
24 - O contrato para a operação cirúrgica de colecistectomia por laparoscopia foi celebrado entre e a ora Ré ... Hospital.... 25 – A foi admitida nas instalações da Ré ... Hospital... às 07,45 horas do dia 11/07/200 26 – A doente foi novamente observada e alertada pelo 1 R. do procedimento cirúrgico, dos seus riscos e benefícios e assinou um segundo consentimento informado – fls. |
16 27 – No quarto que lhe foi atribuído foi sujeita a um questionário de pré-operatório feito por uma enfermeira, tendo o mesmo sido registado no registo de cuidados pré-operatórios – fls. |
16 28 – Foi-lhe medida a tensão arterial e o pulso, ministrado "Diazepan – 5 mg” como medicação pré-anestésica e inserido um cateter n 1 29 – O Bloco Operatório da ... Hospital... é uma área do hospital de acesso reservado que é composto por duas salas de operações, sala de recobro, lavabos, vestiários, lavatórios, sanitários e arrecadações de material médico e cirúrgico. |
30 – A deu entrada no Bloco Operatório pelas 8,50 horas e foi levada para a sala de operações. |
31 – Foi recebida pela Senhora Enfermeira a qual, dando cumprimento aos parâmetros conhecidos de "cirurgia segura”, registou os parâmetros da doente no registo de cuidados pré-operatórios. |
32 – Seguidamente, foi colocada na mesa operatória em decúbito dorsal e monitorizada de acordo com os parâmetros internacionalmente aceites para se iniciar o ato anestésico, que começou cerca das 09,00 horas. |
33 – O anestesista deu autorização para começo do ato cirúrgico cerca das 09,20 horas. |
34 – O ato cirúrgico iniciou-se cerca das 09,25 horas com uma pequena incisão de cerca de 2 centímetros na região peri-umbilical, para, através dela, se introduzir a agulha de Veress e confecionar o pneumoperitomeu. |
35 – Colocada a agulha na cavidade peritoneal foi realizada uma aspiração com seringa e fez-se a confirmação da correta introdução na cavidade peritoneal. |
36 – Confecionou-se, então, o pneumoperitomeu, tendo sido necessário refazê-lo, o que atrasou o decurso da cirurgia. |
37 – Foi introduzido o 1 Trocar na região peri-umbilical através do qual entrou a câmara televisiva e fez-se a revisão da cavidade abdominal. |
38 – Posteriormente, seguindo-se o método francês, sob o controlo da câmara de televisão, foram colocado mais três Trocars: o 2 Trocar foi colocado no Epigastro; o 3 Trocar foi introduzido no flanco direito; e o 4 Trocar foi inserido através do flanco esquerdo. |
39 – De seguida, e com a visão direta proporcionada pela câmara televisiva, introduziu-se um grasper pelo trocar do epigastro que foi aplicado no fundo da vesícula. |
40 – Com este grasper faz-se a tração/mobilização que expôs o corpo/infundíbulo da vesícula. |
41 – Introduziu-se, então, um segundo grasper pelo flanco direito que foi colocado no corpo/infundíbulo da vesícula de forma a expor a área do triângulo de Calot. |
42 – Os grasper não são elementos cortantes correspondendo às vulgarmente chamadas pinças), mas podem ser elementos traumáticos. |
43 – A mobilização do corpo/infundíbulo da vesícula constitui um ato preliminar à dissecação do triângulo de Calot para identificação do canal cístico e da artéria cística. |
44 – Os quais, depois de devidamente identificados, são clipados com 3 clipes no canal cístico e três clipes na artéria cística) e seccionados, só depois se procedendo à remoção da vesícula do seu leito. |
45 – Foi ao mobilizar o corpo/infundíbulo da vesícula que surgiu, de forma inesperada, cerca das 10,00 horas, uma hemorragia. |
46 – Esta hemorragia foi originada pela laceração tangencial do ramo direito da veia porta. |
47 – A conversão da laparoscopia em laparotomia n 6 dos foi rápida pois todo o arsenal cirúrgico na mesa de operações estava pronto a ser utilizado para o efeito. |
48 – No momento da emergência, foi pedido e ministrado sangue à doente 2+2 assim como uma fluidoterapia mais agressiva. |
49 – Em simultâneo, já em laparotomia, o 1 R. procurou controlar a hemorragia recorrendo ao Packing colocação de compressas na zona do sangramento para garantir a compressão, reduzindo-o, atenuando-o ou até eliminando-o) e à manobra de Pringle clampagem da tríade, na tentativa de controlar a hemorragia. |
50 – Inicialmente foi efetuada a compressão e, depois, colocado um clamp. |
51 – A hemorragia persistiu e a dificuldade no seu controle e a impossibilidade de visualizar a sua sede/origem levaram o 1 R., em laparotomia, a remover a vesícula por via retrógrada iniciando- se a dissecação pelo fundo da vesícula em direção ao triângulo de. |
52 – Apesar da remoção da vesícula e da manutenção das manobras para controlar o sangramento, a dificuldade na visualização da sua origem adensou a suspeita porque não era possível a observação da existência de uma lesão vascular grave da veia porta. |
53 – Esta circunstância fez com que o 1 R. tomasse a decisão de contactar os colegas do Hospital ..., na cidade ..., que é um centro de referência em cirurgia hepatobiliopancriática. |
54 – Esta decisão foi tomada logo que se suspeitou da probabilidade e uma lesão vascular grave, sem possibilidade de controlo com a manobra de Pringle, com o tamponamento e por não ser possível localizar a sede do sangramento, mesmo com a retirada da vesícula. |
55 – Para tal, teria o 1 R. que concluir as manobras de estabilização que permitissem à paciente chegar ao ... com vida, o que se verificou. |
56 – Já em período de verdadeira emergência, encontrando-se noutra sala do mesmo Bloco Operatório um colega do 1 R., também cirurgião e muito experiente – ... -, foi solicitada a sua colaboração, tendo havido concordância com os gestos já efetuados conversão em laparotomia, packing, manobra de pringle, remoção da vesícula para tentar identificar o local do sangramento e intenção de transferir a doente para o Hospital ..., por se manterem as dificuldades no controle da. |
57 – A transferência referida em 8 dos Factos Provados foi feita cerca das 13,00 horas. |
58 – Enquanto a doente aguardava a transferência, continuaram os esforços do R. para controlar a hemorragia. |
59 – A paciente levou quatro unidades de sangue. |
60 – Antes da transferência da doente para o ..., o R. informou o companheiro desta que se identificou como marido e que viveu maritalmente com a , durante 14 anos, até à morte que a doente ia ser transferida para o Hospital ..., no ..., por uma questão de precaução, devido a uma hemorragia difícil de controlar. |
61 – E que estaria acompanhado no percurso por médico e enfermeiro da 2 Ré. |
62 – O companheiro e a irmã da ficaram preocupados e angustiados, deslocaram-se ao local onde a ambulância que levaria a paciente estava parada e ainda puderam vê-la a ser colocada na ambulância, inconsciente e com vária aparelhagem médica ligada ao corpo. |
63 – À chegada ao Hospital ... estava uma equipa médica que recebeu a doente e lhe proporcionou os cuidados necessários de emergência. |
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