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A Recorrente ... Hospital... defende que a Autora não tem direito à indemnização uma vez que se provou que a falecida vivia em união de facto há 14 anos com , e o estatuído no n3 do art. |
496 do CCivil, que, com referência aos danos não patrimoniais, estabelece que "se a vítima vivia em união de facto, o direito de indemnização previsto no número anterior, cabe, em primeiro lugar, em conjunto, à pessoa que vivia com ela e aos filhos ou outros descendentes.” Mas não lhe assiste razão. |
Estatui o art. |
1 da Lei n 7/2001 de 11 de Maio – diploma que adopta medidas de protecção das uniões de facto – que "a união de facto é a situação jurídica de duas pessoas que, independentemente do sexo, vivam em condições análogas às dos cônjuges há mais de dois anos.” No caso presente, o que resultou provado ponto é que se identificou perante o 1 Réu como "marido”, e que viveu maritalmente com a durante 14 anos. |
Trata-se de uma afirmação cuja veracidade não está estabelecida, não estando, pois, provado, que a relação entre a e o preenchia as condições legais para ser considerada "união de facto.” Acresce que a Lei n 23/2010 de 308, que alterou o art. |
496 do , e que colocou o companheiro de facto na posição privilegiada que ora ocupa na hierarquia das pessoas com direito a indemnização por morte da vítima, é posterior ao decesso da , sendo a sua eficácia ex nunc Acórdão do STJ de 002012), pelo que a nova redação do n 3 do art. |
496 não se aplica ao caso dos autos. |
Não vem questionado que a falecida sofreu de danos não patrimoniais, nem que os mesmos assumem gravidade bastante para justificarem a indemnização, como exige o n 1 do art. |
496 do A discordância resume-se ao quantum indemnizatório, pretendendo a Recorrente que o a indemnização não deve exceder €6000,0 A falecida sofreu danos de natureza não patrimonial de indiscutível gravidade, demonstrada pelas várias intervenções cirúrgicas a que foi sujeita, esteve 13 dias em coma induzido, os internamentos hospitalares, a necessidade de se deslocar mensalmente durante quase dois anos ao H..., as dores físicas e morais, e as limitações físicas e na sua vida quotidiana, que os pontos 81 a 83 e 120 a 123 evidenciam. |
Tendo presente os valores habitualmente fixados pela jurisprudência, afigura-se-nos excessivo o valor de €10000,00 e mais curial fixar a indemnização em €4000,0 Peticionou ainda a Autora indemnização pela perda do bem vida, no valor de €15000,00, e de €7000,00 como compensação do dano moral próprio. |
Este pedido foi considerado prejudicado por se ter julgado prescrita a acção contra o 1 Réu. |
Com a alteração do acórdão, cumpre conhecer dos mesmos. |
A tutela do direito à vida, material e valor ativamente o bem mais importante, encontra-se reconhecido no art. |
70 do , e no art. |
24 da Constituição da República Portuguesa. |
Nesta conformidade, é hoje pacífico na jurisprudência, sobretudo a partir do Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 101971, e sem prejuízo do direito de indemnização por danos não patrimoniais em vida pelo falecido, que há um direito autónomo, nos termos consignados no art. |
496 do , abarcando, por um lado, a indemnização pela perda da vida, e, por outro, a indemnização pelos danos não patrimoniais que a morte é susceptível de provocar aos titulares do direito referidos nos ns 2 e 3, daquele normativo. |
Na aferição do quantum a atribuir, necessariamente com apelo a um julgamento segundo a equidade, o tribunal de recurso deve apreciar, essencialmente, se foram observados, os critérios jurisprudenciais que generalizadamente vêm sendo adoptados, de molde a não pôr em causa a segurança na aplicação do direito e o princípio da igualdade, dando assim satisfação ao comando legal do art. |
8, n 3, Ora, da análise da jurisprudência do STJ, colhe-se a orientação de que a indemnização pela perda do bem vida se situa, em regra, em valores que oscilam entre os €5000,00 e os €8000,00, como dá nota o Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 002021, P. n 3710/12T8FAR.ES1, que vimos seguindo de perto. |
Nesta conformidade, afigura-se-nos adequado, fixar a indemnização pela perda do direito à vida em €7000,0 Quanto aos danos morais próprios da Autora com a morte da filha, num juízo equitativo, fixa-se a título de compensação a indemnização de €2000,0 Pede ainda a Autora, enquanto herdeira da sua filha, a condenação dos RR a pagarem-lhe, a título de salários que aquela deixou de auferir, a quantia de €1840,0 Fundamenta este pedido na circunstância de se ter provado que a trabalhava para a empresa "J..., da” e auferia o vencimento ilíquido de €990,00 em Agosto de 200 Todavia, não se provaram factos que sustentem este pedido indemnizatório. |
Provou-se que a filha da Autora trabalhou consecutivamente entre 17 de Maio de 2008 e 06 de Janeiro de 2009 n, período em que recebeu o salário da sua entidade patronal. |
E relativamente ao período entre Agosto de 2007 e Junho de 2009 recebeu a título de subsídio de doença do Instituto da Segurança Social a quantia de €169,0 Em suma, a Autora não logrou provar que a sua filha tenha sofrido o dano patrimonial que invoca, o que conduz à improcedência do recurso nesta parte. |
Vejamos por último o pedido de condenação dos RR a pagarem-lhe a quantia de €9555,00, que corresponde a ¼ da quantia de €37220,00 – montante dos salários que Autora auferiria até à reforma – com fundamento no art. |
495, n 3 do CCivil. |
Este artigo, com a epígrafe "Indemnização a terceiros em caso de morte ou lesão”, estatui no n 3: "Têm igualmente direito a indemnização os que podiam exigir alimentos ao lesado ou aqueles a quem o lesado os prestava no cumprimento de uma obrigação natural.” Nesta norma, a lei, excepcionalmente, em caso de morte, reconhece o direito a indemnização por danos patrimoniais futuros, iure proprio, às pessoas que podiam exigir alimentos do lesado directo ou àquelas pessoas a quem o lesado os prestava no cumprimento de uma obrigação natural. |
Em anotação a este artigo escreve Ana Prata, Código Civil anotado, Almedina, pag. |
644, que "para que se tenha direito a indemnização, segundo o n 3, não é indispensável que se estivesse a exercer o direito legal a alimentos, sendo bastante a prova de que se está em condições de o exercer.” Esta ilustre Jurista dá nota da divergência na jurisprudência do STJ quanto ao entendimento da prova que é necessária para o exercício deste direito. |
Assim, decidiram que o alimentando tem de provar a necessidade de alimentos os acórdãos de 102009 Sebastião Póvoas), e de 202009 Salvador da; sustentando que tal prova é dispensável os acórdãos de 002010 Salazar de 102011 Garcia, e de 102012, Azevedo. |
Independentemente da posição que se tomar nesta questão, é, todavia, necessário fazer a prova de que à data do facto danoso se estava em situação de legalmente exigir os alimentos ao lesado Ac. |
STJ de 212009, P. 85/07). |
Se é certo que os filhos estão vinculados à prestação de alimentos, não é menos certo que "os alimentos serão proporcionados aos meios daquele que houver de prestá-los e à necessidade daquele que houver de recebê-los” art. |
2004, n 1 do. |
Ora, a factualidade apurada não permite concluir que a Autora estava em situação de poder exigir alimentos à filha, não apenas por não ter provado a necessidade de alimentos, nem a previsibilidade dos mesmos, como não provou que aquela estava em condições de lhos prestar, atendendo a que auferia pouco mais que o salário mínimo nacional. |
Donde que a pretensão da Autora de serem os RR condenados a pagarem-lhe ¼ da totalidade das remunerações que a sua filha auferiria até à reforma, carece de total fundamento. |
E dada a ausência de factos alegados e provados, não há elementos que permitam proferir uma condenação com base na equidade, nos termos do art. |
566, n 4 do Da mesma forma não resultaram provados factos que sustentem o pedido indemnizatório por despesas várias, designadamente por consultas de psiquiatria, que a Recorrente pediu que fosse fixado equitativamente em €000,00, pelo que não pode ser atendido. |
Decisão. |
Em face do exposto, decide-se: Julgar procedente em parte o recurso subordinado da Autora e, em consequência, acorda-se em alterar a decisão recorrida, condenando-se os RR, solidariamente, a pagarem à Autora, na qualidade de herdeira da falecida , as quantias de €4000,00 por danos morais próprios da falecida, €7000,00 a título de indemnização pela perda do direito à vida, e a título de danos morais próprios €2000,00, no valor total de €13000,00; - Negar provimento às revistas da Rés ... Hospital... e da Genearali Seguros. |
As custas da acção e do recurso serão suportadas pelas partes, na proporção do decaimento. |
Sumário: - Na responsabilidade por acto médico, podem conviver a responsabilidade do Hospital privado com quem a doente celebrou um contrato para operação cirúrgica de colecistectomia por laparoscopia, que é de natureza contratual, com a responsabilidade extracontratual do médico quando no decurso da intervenção cirúrgica provoca uma lesão na saúde da doente, não exigida pelo cumprimento do contrato, o que é suficiente para revelar a prática de um acto ilícito, e se provam os demais pressupostos da responsabilidade ; - Para se ter como culposa a conduta do médico não é necessário que o acto lesivo da saúde da doente – a laceração da veia porta, causadora de hemorragia intensa que esteve na origem de falência hepática e necessidade de um transplante de fígado – tenha sido intencional; - A culpa na responsabilidade médica traduz-se na omissão de diligência e competências exigíveis, que fica demonstrada quando se prova que o laceração da veia porta teve como causa provável tração excessiva ou intempestiva, mas acidental, sobre o infundíbulo vesicular, o que só pode explicar-se por falta do cuidado exigível ou imperícia na execução do acto médico. |
Lisboa, 302022 Ferreira Lopes Manuel Capelo Tibério Nunes da Silva |
Acordam, em conferência, na secção de contencioso administrativo do Tribunal Central Administrativo Norte: RELATÓRIO ---, Lda., NIF e sede na Rua do, apresentou recurso de decisão de aplicação de coima proferida pelo Presidente da Câmara Municipal ...), mediante a qual lhe foi aplicada a coima de EUR 500,00, acrescida do montante de EUR 51,00 devido a título de custas, com fundamento na violação do disposto no n. 1 do art. |
74 do RJUE, p. e p. pelo art. |
98, ns 1, alínea, e 2 do mesmo diploma. |
Por sentença proferida pelo TAF de Viseu foi rejeitado liminarmente o recurso de contra-ordenação, com fundamento na sua intempestividade, nos termos do disposto nos arts 59, n. 3 e 63, n. 1 do RGCO. |
Desta vem interposto recurso. |
Alegando, a Autora formulou as seguintes conclusões: 11)-A lei-quadro das contra-ordenações é omissa quanto à possibilidade do recurso de impugnação judicial ser apresentado depois de expirado o prazo de 20 dias, estabelecido no n. 3 do artigo 5 do RGCO, sendo que o artigo 6 do mesmo diploma apenas refere o modo de contagem dos prazos. |
12)- Apesar da lei-quadro das contra-ordenações não resolver a questão, fornece um caminho de solução ao estabelecer, no seu artigo 4 n. 1, a aplicação, na forma subsidiária, dos preceitos reguladores do processo penal -do que resulta que as lacunas do regime processual das contra-ordenações serão supridas com a aplicação das disposições do Código de Processo Penal. |
13)- Sendo que o n. 5 do artigo 10 do CPP dispõe que "... pode o acto ser praticado no prazo, nos termos e com as mesmas consequências que em processo ...)”; e o Código Processo Civil, no seu artigo 139, n.os 5 e 6, prevê a possibilidade da prática do acto dentro dos três primeiros dias úteis subsequentes ao termo do prazo, sujeitando a sua validade ao pagamento de multa. |
14)- O n. 244/95, de 14 de Setembro, alterou o regime das contra-ordenações, com o objectivo de aproximar e coordenar tal regime com o processo penal. |
15)- O Acórdão n. 2/94, de 10 de Março, do Supremo Tribunal de Justiça, ao fixar que o prazo mencionado no n. 3 do artigo 5 não tem natureza judicial, ultrapassado se encontra pela entrada em vigor do já citado n. 244/95, de 14 de Setembro, cujas alterações produzidas no regime das contra-ordenações foram no sentido de aproximar este regime cada vez mais com o processo penal. |
16)- O legislador com a reforma de 1995 do processo contra-ordenacional, quis adoptar nesse processo a mesma regra de contagem dos prazos do processo penal e do processo , fazendo assim caducar o citado Acórdão n. 2/94 do STJ - tanto assim é que, ao estipular no artigo 6, o desconto no prazo do artigo 5 n. 3, de sábados, domingos e feriados, afastou a possibilidade de qualificação desse prazo como substantivo. |
17)- Porém, mesmo que tal não se considere, sempre se dirá que o citado Acórdão versa apenas sobre regras de contagem dos prazos e não sobre regras da prática dos actos, pelo que, de igual modo, seria de afastar a sua aplicação à discussão em causa nos presentes autos. |
18)- O prazo de recurso da decisão administrativa é um prazo procedimental, um prazo para a prática de um acto, integrado num processo com duas fases distintas - uma administrativa e outra judicial, mas apenas um processo, enquanto conjunto de actos pré-ordenados à produção de uma decisão com força de caso julgado. |
19)- Não parece aceitável a tese da natureza administrativa do prazo para impugnação judicial da aplicação de coima, já que o recurso da decisão administrativa não é um recurso administrativo, mas sim uma impugnação judicial. |
110)- Mesmo que se entenda coisa diversa, não há motivos para afastar a aplicação do artigo 139 do CPC, já que o processo contra-ordenacional é um processo com regras próprias que, não seguindo as do procedimento administrativo, foram moldadas, pelo motivo de se tratar de um processo sancionatório, nas do processo penal, às quais se há-de recorrer em caso de lacuna. |
111)- E o n. 433/82, de 27 de Outubro, com a redacção introduzida pelo n. 244/95, de 14 de Setembro, prevendo a forma, o prazo e o modo de contagem, é omisso quanto à possibilidade da prática do acto dentro dos três primeiros dias úteis subsequentes ao termo do prazo estabelecido no n. 3 do seu artigo 5. |
112)- Termos em que, ao abrigo do disposto no artigo 4 de tal diploma, tal lacuna será suprida com a aplicação das disposições do Código de Processo Penal. |
113)- À semelhança do que se passa em processo penal artigo 10, n., também em processo contra-ordenacional artigo 41, n. 1, do deverá o acto poder ser praticado dentro dos três dias úteis subsequentes ao termo do prazo estabelecido no n. 3 do artigo 5 do RGCO artigo 139, n. 5, do. |
114)- Face ao exposto, o despacho ora recorrido, que rejeitou por extemporâneo o recurso interposto pela Recorrente, violou o disposto nos artigos 4, n. 1, do RGCO, e bem assim nos artigos 139, n. 5, do CPP, aplicável ex do artigo 10 do CPP. |
Termos em que, e nos melhores de direito cujo suprimento se pede, deve ser julgado e decidido o presente recurso, assim se fazendo justiça. |
Em sede de contra-alegações concluiu-se: 1) Em divergência com o entendimento sufragado pela recorrente, considera-se que o ato de apresentação de recurso perante a autoridade administrativa que aplicou a coima, previsto no art. |
59, do RGCO, não pode ser praticado dentro dos três dias úteis subsequentes ao termo do prazo estabelecido para o efeito no n 3 desse preceito legal; 2) Pelo simples, mas importantíssimo, facto de que esse prazo, previsto no art. |
59, n 3, do RGCO, não é um prazo judicial, por não ser relativo a um ato processual, praticado em juízo, num processo pendente em tribunal; 3) E, por via disso, não lhe pode ser aplicável o regime previso no art. |
139, n 5, do CPC, ex o disposto no art. |
107, n 5, do CPP e 107A, deste diploma, o qual – como manifestamente emerge destes preceitos legais e dos Títulos em que estão inseridos sistematicamente – são exclusivamente atinentes à prática de atos processuais, no âmbito de um processo judicial, já pendente em Tribunal: 4) Antes constitui um prazo de natureza substantiva, cujo decurso preclude, por caducidade, o respetivo direito art. |
298, n 2, do Código; 5) Pelo que, em divergência com o preconizado pela arguida, não ocorre, no caso, qualquer omissão/lacuna no RGCO que houvesse de ser colmatada pela aplicação subsidiária ex o art. |
41, n do regime processual penal previsto no art. |
107, n 5, do CPP ainda o art. |
108-A) e, por força deste, do regime previsto no art. |
139, n 5, do CPC, para a prática de atos processuais fora de prazo; 6) A tese assim defendida pela arguida desvaloriza, por completo, uma questão que é basilar e incontornável; 7) A de que, ao contrário do que sucede no processo penal em que, independentemente da fase em que o mesmo se encontre – inquérito, instrução, julgamento – e da autoridade judiciária que lhe presida, existe sempre um processo em juízo), o processo de contraordenação tem duas fases distintas: uma fase administrativa e uma fase judicial; 8) A primeira fase, que decorre perante a entidade administrativa competente e que culmina com a decisão administrativa art. |
ou, no caso de esta ser impugnada, com a apresentação de recurso perante essa autoridade administrativa, nos termos do referido art. |
59, n 3, do RGCO; 9) A segunda fase, que, decorre perante o tribunal competente art., mas que só existirá e se iniciará se, depois da apresentação de recurso perante a administrativa nos termos daquele preceito legal, ocorrer a seguinte situação: a autoridade administrativa não revogar a decisão condenatória proferida e, consequentemente, enviar os autos ao Ministério Público – art. |
62, n 2, do RGCO, e o Ministério Público, depois de a entidade administrativa lhe enviar os autos, entender que que não existe fundamento que obste à apresentação dos autos em juízo – art. |
62, n 1; 10) Consequentemente, só a partir de então isto é, a partir desta apresentação dos autos em juízo), se poderá afirmar a existência de atos processuais nos termos que, como tal, são considerados no CPP e no, a cuja prática em juízo possa ser aplicável subsidiariamente, ex o disposto no art. |
41, do RGCO, o regime previsto no art. |
107, n 5, do CPP, e, por força deste, o disposto no art. |
139, n 5, do CPC; 11)E, assim, a apresentação perante a entidade administrativa de um recurso nos termos do art. |
59, do RGCO, porque ocorre antes da existência de um processo judicial, não poderá, inelutavelmente, configurar a prática de um ato processual e o prazo legalmente previsto para esse efeito não poderá ser considerado como um prazo judicial, com a inerente impossibilidade de se lhe aplicar o correspondente regime legal; 12)Contrariamente ao entendimento pugnado pela recorrente, considera-se, nos termos e pelas razões supra explicitadas, que, não obstante as alterações que posteriormente foram introduzidas ao RGCO pelo legislador de 1995, se mantém plenamente válida e atual a jurisprudência que, quanto à natureza do prazo, foi fixada pelo Acórdão do STJ n 2/94, de 10/03/94 DR Série-A, de 07/05/94), nos termos da qual: Não tem natureza judicial o prazo mencionado no n 3 do artigo 59 do Decreto-Lei n 433/82, de 27 de Outubro, com a alteração introduzida pelo Decreto-Lei n 356/89, de 17 de Outubro; 13)Sufragando-se aqui o entendimento uniforme da doutrina e da jurisprudência largamente maioritária acima; 14)No sentido, que aqui inteiramente perfilhamos, de que se mantém plenamente válida a indicada Fixação de Jurisprudência e, em consonância, que o prazo previsto no art. |
59, n 3, do RGCO, não é um prazo judicial e, consequentemente, não lhe pode ser subsidiariamente aplicável o regime privativo dos prazos judiciais previsto no art. |
107, n 5, do CPP, e, por força deste, no art. |
139, n 5, do, sendo antes um prazo de natureza substantiva, cujo não exercício tempestivo determina a extinção, por caducidade, do respetivo direito; 15)Nestes termos, o despacho recorrido, que assim o considerou intempestivo, não violou qualquer preceito legal, designadamente, os invocados pela recorrente. |
TERMOS EM QUE, Deverá ser negado provimento ao recurso interposto, mantendo-se o despacho recorrido. |
ASSIM, farão JUSTIÇA A Senhora Procuradora Geral Adjunta, notificado nos termos e para os efeitos do artigo 146/1 do CPTA, emitiu parecer no sentido do não provimento do recurso. |
Cumpre apreciar e decidir. |
FUNDAMENTOS DE FACTO Na decisão foi fixada a seguinte factualidade: A. |
A decisão punitiva foi proferida em 002021 cf. |
fls. |
31 dos; B. O Arguido foi notificado dessa decisão em 002021 cf. |
fls. |
25 a 27 dos; O Arguido remeteu recurso de impugnação dessa decisão aos serviços da Câmara Municipal ...), por correio electrónico, no dia 002021 cf. |
fls. |
07 a 24 dos autos). |
DE DIREITO Está posta em causa a sentença que ostenta este discurso fundamentador: Nos termos do art. |
59, n. 3 do RGCO o prazo para interposição do recurso é de 20 dias após o conhecimento pelo arguido da decisão condenatória. |
Esses 20 dias são úteis, na medida em que, de acordo com o art. |
60, n. 1 do mesmo RGCO o prazo fica suspenso aos sábados, domingos e feriados. |
Ora, tendo o Arguido sido notificado da decisão de aplicação de coima em 002021, é forçoso concluir que o prazo de 20 dias úteis de que beneficiava para impugnar judicialmente aquela decisão punitiva se esgotou no dia 00202 Pelo que, tendo o recurso de contra-ordenação sido por si remetido à entidade administrativa no dia 002021, tal sucedeu quando o prazo já se havia esgotado por completo. |
Refira-se que, por se tratar de um prazo de natureza substantiva – cf. |
Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul de 112017 proc. |
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