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Poderia, eventualmente, justificar-se o convite ao aperfeiçoamento com fundamento na sua complexidade – n.3 do artigo 639 do Código de Processo Civil. |
Mas, apesar de serem extensas cumprem, entendemos, o fim de delimitar com concisão o objecto do recurso. |
Termos em que se aceita o recurso com as conclusões apresentadas. |
- São estas as conclusões das alegações que definem o objecto do presente recurso jurisdicional: - Após devida análise de todo o conteúdo da sentença, é nosso entendimento haver aspetos da matéria de facto que apontam em sentido diverso do considerado na sentença e, consequentemente, a devida subsunção ao direito conduziria a uma sentença de conteúdo diferente da proferida. |
Matéria de facto: - A Recorrente considera terem sido indevidamente apreciados e julgados como provados os factos 7, 9, 10, 20, 22 e 26, admitindo-se pudessem ter julgamento diferente. |
Razão pela qual vem, ao abrigo do artigo 64 do CPC, aplicável ex art. |
e 14 do CPTA, sindicar a sua alteração. |
Assim: Facto provado 7 - Foi dado como provado o facto de a "Autora estar a conduzir o veículo à velocidade instantânea de 70Km/hora”, com base em depoimentos nas declarações de parte da própria Autora. |
Mais ninguém o confirmou. |
Sim, quem o poderia confirmar? |
A condutora até parece já sabia que iria ter o acidente e, instantes antes, olhou para o mostrador para ler e fixar a velocidade! |
Considerada a dinâmica do acidente, a sua violência, tendo o carro ficado totalmente destruído, a velocidade seria francamente excessiva. |
- Admite-se mesmo que a causa do acidente seria outra que não a alegada substância gordurosa. |
Estava bom tempo e piso seco e era a descer e zona de curva. |
No caso duma velocidade controlada, a haver acidente, os danos provocados teriam sido bem menores ou nem haveria capotamento. |
Não será de ignorar que a estrada estava devidamente sinalizada e com a clara advertência no local de "zona de acidentes”. |
- A muito discutível a existência da substância gordurosa, poderia ter resultado da própria viatura sinistrada. |
- De facto, na participação da GNR, designadamente no croqui, não foi referenciada, ainda que minimamente, a suposta mancha gordurosa e muito menos se apurou que tipo de substância estava em causa. |
Nem uma possível estimativa da distância ao início da derrapagem. |
- Ficou-se sem saber qual o ponto provável do início da derrapagem e onde se localizava a alegada mancha gordurosa que, sem qualquer suporte factual, foi dito que existia. |
A viatura derrapou, bateu de um e outro lado e acabou por se imobilizar bem mais adiante. |
Cita-se a passagem da gravação da audiência, das declarações da Autora, cerca de 7:00-10:00, em que a havia iluminação e antes não viu qualquer substância do tipo de óleo ou outra. |
Situa-se aqui a passagem da gravação 1:00:08 a 1:00:30 do Sr. Agente da GNR que não pôs de parte a hipótese da substância gordurosa ser do próprio carro. |
Ainda o depoimento do Bombeiro, Sr. F... que foi limpar a estrada passagem da gravação 1:18:00 a 11:20:00) - Custa ainda a compreender que, a Autora no momento em que estava em derrapagem com o carro, que é um facto instantâneo, ainda tivesse tempo de comentar com a colega que algo de estranho estava a acontecer. |
Também dizia que ia super devagar. |
- O que, mais uma vez, vem desacreditar as suas declarações, afigurando-se, previamente preparadas e ajustadas, conforme os seus interesses. |
Aliás, tinha dito que usava colar cervical e a colega .. foi perentória a dizer e contraditar que ela não usou colar cervical passagem da gravação a cerca de 1:32:30) Importa citar aqui a passagem entre 1:46:00 e 1:47:00 em que a testemunha .. refere claramente que não sabia bem com decorreu o embate até a viatura se imobilizar, porque ia ao telefone. |
- Antes, a instâncias do Ilustre Mandatário da Autora, já a mesma testemunha descrevia o acidente de uma forma tal que parecia muito convincente e seguro. |
- Por outro lado, circular na referida estrada, de madrugada por volta das 2 ou 3 horas, com pouco trânsito, não será tendente a uma especial atenção dos limites de velocidade. |
E com acompanhante ao lado, neste caso a colega .. que até ia ao telefone, proporciona sempre alguma distração. |
- Portanto, nada aponta ou comprova que o acidente se deu conforme declarações da Autora e do depoimento da colega .., pondo, desde logo, em causa o facto tido como provado da velocidade praticada de 70Km/hora, o que se requer seja devidamente reapreciado e revisto. |
Facto provado 9 - Considerou aqui o Tribunal que a derrapagem "foi causada pela existência de uma substância gordurosa existente na via, óleo ou gasóleo, que fez o veículo perder aderência ao pavimento”. |
Apesar da presença de vários intervenientes no local, após o acidente GNR, Bombeiros e, ninguém esclareceu que tipo de substância gordurosa se tratava óleo, gasóleo, azeite, etc.). |
E, decididamente, a precisa localização e área abrangida, designadamente, a que distância a partir da viatura sinistrada para a frente e para trás. |
- Ficou sempre a grande dúvida se, de facto, essa mancha de gordura já existia antes do acidente ou foi originada pelo próprio acidente derrame de combustível decorrente do. |
Certo que o carro, circulando, a descer e sem controlo por presumível excesso de velocidade e alguma imprudência), batendo ora de um lado ora do outro e percorrendo extensão relativamente apreciável, sempre poderá ter deixado uma certa extensão de derrame de combustível. |
- Dos danos referidos na viatura sinistrada, constam "tampões”, como é descrito no artigo 2 da petição. |
Não se apurou ainda se a suposta mancha gordurosa ainda se estendia para além do limite onde se imobilizou o carro. |
Ia até onde? |
Já tinha terminado? |
Foi mesmo até aquele preciso local? |
- Os depoimentos do Sr. Agente da GNR passagem da gravação entre 59:56 e 1:02:00 e do Bombeiro-Sr. F... passagem da gravação entre 1:17:00 e 1:20:00) não se mostraram esclarecedores quanto a esta factualidade. |
Ora, caso a substância gordurosa, por hipótese, já lá estivesse, ficou-se sem saber há quanto tempo lá estaria. |
Sendo que antes não se teve conhecimento qualquer outro eventual acidente no local. |
E não será de excluir a passagem, momentos antes, de que eventual veículo terceiro que tenha largado a alegada substância. |
Dadas as circunstâncias e o não conhecimento de algum outro sinistro acidente que se tenha verificado antes, essa substância não seria tendente a permanecer muito tempo na estrada. |
- A IP mostra ter efetuado a devida manutenção e conservação da estrada desde logo, a oportuna colocação da sinalização, com sinalização especial no local de alerta de "Zona de Acidentes”, recomendando circule com precaução), fiscalização e vigilância. |
Intervenção essa reafirmada pelos factos dados como provados nos pontos 31 e 32 da sentença, em que se evidencia a forma e regularidade com que é efetuado o patrulhamento da estrada. |
- Não se tratando de nenhuma autoestrada, o nível de exigência de vigilância é bem menor, não sendo tão intenso como nas autoestradas. |
Porém, é impossível manter em cada ponto da estrada e mesmo ao Quilometro uma brigada de vigilância ou, mesmo, um só vigilante, em regime permanente e de forma ininterrupta, 24 horas sobre 24 horas, para ver, entre outras ocorrências, quem derrama óleo ou combustível para estrada e, assim atuar de imediato. |
Nem nas autoestradas. |
- O Tribunal, a nosso ver e com todo o devido respeito, de forma muito sumária e sem especificar fundamento, veio imputar a responsabilidade à IP pela prática do "facto voluntário”, a página 13 da sentença, o que não se aceita - Tudo ponderado, quanto a este facto 9, deverá ser objeto de necessária revisão, decidindo-se por uma ausência de imputação de culpa à IP. |
Facto provado 10 - Dos autos e da prova produzida não se extrai que a condutora seguia atenta às condições da via, como se descreveu acima quanto ao facto 7, dado como provado. |
Facto provado 20 - Não há prova de que a reparação acresça a 379,44€, pois: -A reparação não existiu nem irá existir, na medida em que o veículo não tem reparação. |
Não vai ser reparado. |
A reparação, a ser possível, ficaria muito além do seu valor comercial. |
Depoimento da testemunha Sr. A. |
1:59:00 a 2:04:3 -Embora não se apurasse o valor comercial do veículo na altura do acidente, admite-se que não se afastaria de 000,00€. |
-Mesmo que, por hipótese, se avançasse para reparação, o valor apontado, com base num só orçamento, carece de devida consistência e validação. |
Não foi objeto de peritagem por perito independente, devidamente credenciado. |
-Ainda e muito determinante, a inclusão do IVA que, independentemente de haver ou não validação e consistência no valor do orçamento, o Digníssimo Tribunal fixou exatamente na sentença condenatória o valo pedido pela Autora, sem mais. |
Mas com o IVA que estava calculado em 753,88€. |
- O orçamento estava assim constituído em valor: -Valor atribuído à reparação-------625,56€ - IVA -----------------------------------753,88€ Total---------------------------------- 379,44€ - Evidentemente, mesmo que o Tribunal decidisse condenar a IP no valor da reparação pedido, deveria retirar o IVA, porque nem sequer há fatura pois não há reparação). |
E, por conseguinte, não haveria IVA para entregar ao Estado. |
Seria, pois, uma verba que acabaria por entrar, indevidamente, na posse da Autora. |
- Por conseguinte, na hipótese mais desfavorável de se vir a manter a condenação da IP, importa a devida reanálise quanto à inclusão do IVA. |
Facto provado 22 - Os meios económicos e financeiros parecem não ser a razão bastante para que a viatura não fosse reparada, pois, como já viu na análise do facto provado 20, a viatura não tinha reparação. |
Questão da privação de uso do veículo - Os pressupostos que ditaram a indemnização fixada de 800,00€, desde o dia do acidente até à instauração da ação 270 dias x 20,00€), bem assim a que se vier a apurar até o efetivo pagamento respeitante à reparação da viatura de que não vai haver reparação), não se verificam pelo que, também aqui, se requer revisão da sentença. |
- Além dos pressupostos que tendem a não se verificar, os valores atribuídos são extraordinariamente exorbitantes, o que equivale a dizer que vale a pena ter um acidente com um carro velho, com reduzido valor comercial e passar a ter disponível uma fonte de rendimento permanente e com juros de mora a, pelo menos, 4%), tipo pensão de reforma mensal superior ao salário mínimo nacional 20,00€/dia x 30 dias = 600,00€/mês) até quando se quiser. |
- Porque, nestas condições, ninguém quer reparar a viatura, ainda que tenha reparação. |
Se precisar de carro para o seu dia-a-dia, arranja outro que não em seu nome e, assim, vai andando. |
Enquanto ganha os cerca de 600,0€/mês, não tem descontos para coisa nenhuma. |
Nem tem custos. |
É dinheiro limpo e sempre atualizado com juros. |
- São incompreensíveis os juros fixados, de que ainda não se sabe como se calculam, porque as quantias em causa não ocorrem num mesmo momento temporal. |
Todos os dias acrescem novas importâncias. |
- Quanto aos pressupostos, não se poderá ignorar que: -Foi referido na audiência de julgamento que a Autora exercia, essencialmente, duas atividades laborais, como está sintetizado nos factos provados 24 e 2 -Não foi exibido qualquer contrato de trabalho ou declaração ainda que mínima das entidades patronais, horário de trabalho, declaração de IRS, recibos de vencimento, etc. |
-Não se identificaram os locais de trabalho. |
Diz-se que é monitora de sessões de ginástica sénior na freguesia de Estorãos. |
Mas se concretiza onde, quem paga e que horários em concreto. |
-Não se identifica o restaurante na cidade de Fafe onde a Autora trabalha ou trabalhava e que concretos horários praticava. |
- Perante tais indefinições e ausência documental, não se consegue aferir se existem ou não transportes públicos compatíveis com os horários de trabalho, pelo que o facto provado 26 estará, necessariamente prejudicado. |
- A este propósito cabe aqui situar as declarações de parte da Autora, na passagem da gravação cerca de 43:00 a 46:00, em que declarou que gastaria por semana em combustível com o veículo de cerca de 10,00€, o que significa que, caso utilizasse os transportes públicos gastaria necessariamente menos, o que equivaleria a gastar menos que 2,00€/dia 10,00€/7dias =1,42€/dia < 2,00€/dia). |
Valor este muito inferior aos 20,00€/dia fixados na sentença. |
- Certo é que com tais 10,00€/ semana em combustível, não seria de esperar circular mais de 100Km / semana, o que daria em média 14km /dia, muito longe dos alegados 30Km/dia a que refere a petição no artigo 4 - Mas, mesmo assim, o pedido da privação de uso não deveria ter provimento por falta de documentação demonstrativa e prova fundada. |
E nunca por um período tão longo e indeterminado. |
- O recurso à equidade, seguido por vários Acórdãos, não deverá significar, necessariamente, que seja a solução prevalente e que a tudo se aplica. |
O valor fixado der 20,00€/dia é manifestamente exagerado. |
Em situações mais exigentes e com prova mais intensa, há Acórdãos que apontam para menos cerca de 10,00€/dia). |
- Ainda de referir a seguinte jurisprudência: - De acordo com o acórdão do STJ de 12/01/2012, revista n. 1875/05TBVNO.CS1 " A simples privação do uso de um veículo, desacompanhada da demonstração de outros danos – seja na modalidade de lucros cessantes frustração de, seja na de danos emergentes despesas acrescidas justificadas pela impossibilidade de utilização) – não é suscetível de fundar a obrigação de indemnizar. |
- Daí que, não tendo a autora alegado, nem demonstrado, quaisquer ganhos ou vantagens frustradas pela impossibilidade de utilização do veículo sinistrado, nem as despesas que teve de suportar com o aluguer de viaturas – inexista dano de privação.” -O acórdão do STJ, de 23/11/2010, revista n. 2393/07TBSTS.PS1 "a simples privação de um veículo sem a demonstração de qualquer dano, isto é, sem qualquer repercussão negativa no património do lesado, não é suscetível de fundar a obrigação de indemnizar, para que a imobilização de uma viatura possa significar danos para o seu proprietário é necessário alegar e provar factos nesse sentido”. |
-No mesmo sentido, o acórdão do STJ, de 19/11/2009, revista n. 31/01TBLSD.S1 "A mera privação do uso de um veículo, independentemente da demonstração de factos reveladores de um dano específico emergente ou de um lucro cessante, não é suscetível de fundar a obrigação de indemnização”. |
- Admite-se que o recurso à equidade constitua critério adequado do julgador, no sentido de limitar ou contrariar períodos tão longos e indeterminados de indemnização por privação de uso. |
O Direito - A sentença proferida considera provada a dinâmica do acidente, o que não se pode aceitar, face ao que se acabou de descrever na alegação da matéria de facto. |
É deduzida uma responsabilidade sobre a IP que não tem qualquer suporte legal, em que, pelo menos, um dos exigíveis requisitos ou pressupostos para, eventualmente, responsabilizar a IP, falha. |
Concretamente, a imputação do facto e a ilicitude e culpa. |
- Considere-se o mais que provável excesso de velocidade com que a condutora, aqui Autora vinha circulando no local. |
- Dados os factos, como vimos, não se mostra ter havido qualquer prática de ato por ação ou omissão que configure ilicitude para a Infraestruturas de Portugal S.A. a. Não se vê, pois, por parte da IP, o que mais poderia fazer para evitar o acidente, a que só pode ser alheia, não tendo qualquer hipótese de controlar a situação, ficando refém de possíveis intervenientes terceiros. |
- Não recebeu qualquer aviso prévio, quer da GNR, quer dos Bombeiros ou outras Entidades externas que passam regularmente no local. |
Desconhecia o sucedido. |
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