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590 do CPC. |
K) «Daquela referência à exposição sucinta dos factos havemos de extrair um encurtamento da causa de pedir, não sendo curial esperar que ela seja tratada em termos idênticos aos que conformariam a petição inicial de uma acção declarativa, nascida como tal – o que aliás está de acordo com a simplificação e celeridade processuais que com aquele procedimento se pretendeu introduzir. |
O Requerente não estará, contudo, dispensado de invocar no requerimento, os factos jurídicos concretos que integram a respectiva causa de pedir, certo que a lei só flexibiliza a sua narração em termos sucintos, sintéticos e breves Salvador da Costa, «A Injunção e as Conexas Acção e Execução») ) No presente caso concreto ao Opoente não foi possível apreender com segurança a causa de pedir devido à ausência de exposição dos factos que originaram a obrigação. ) |
Ao decidir como fez, a sentença interpretou e aplicou erradamente o disposto no art. |
724 n 1 al do NCPC uma vez que considera que "Se há factos que não são expressamente alegados no r.e., o que se verifica é que tais factos constam do título executivo, que é o documento donde consta a obrigação cuja prestação se pretende obter por via coactiva, por intermédio do Tribunal e constitui condição da acção executiva e a prova legal da existência do direito de crédito, assumindo por isso, autonomia em relação à realidade que envolve” E ainda "embora não se identifiquem as facturas pelos respectivos números e datas de emissão, está claramente identificado o período em que a mesmas foram emitidas e enviadas” N) Sucede porém que não foi feita sequer qualquer prova sobre a emissão das facturas assim como do envio. |
Apesar de existir a menção de um prazo o mesmo não é suficiente para ver cumprido o estatuído na lei quanto à "exposição sucinta dos factos”. |
O) A esse propósito refere Alberto dos Reis: «podem dar-se dois casos distintos: A petição ser inteiramente omissa quanto ao acto ou facto de que o pedido procede; Expor o acto ou facto, fonte do pedido, em termos de tal modo confusos, ambíguos ou ininteligíveis, que não seja possível apreender com segurança a causa de pedir. |
Num e noutro caso a petição é inepta, porque não pode saber-se qual é a causa de pedir.» in «Comentário», vol. |
, págs. |
371-372 e. P) O Tribunal recorrido efectuou uma errada interpretação do Direito por si invocado porquanto existe, salvo o devido respeito, uma clara ineptidão por ausência de causa de pedir. |
art. |
724 n 1 al..» Não foi apresentada resposta ao recurso. |
- FUNDAMENTAÇÃO A- Objeto do recurso Delimitado o objeto do recurso pelas conclusões apresentadas, sem prejuízo das questões que sejam de conhecimento oficioso e daquelas cuja decisão fique prejudicada pela solução dada a outras artigos 63, n.s 3 e 4, 63, n. 1 e 60, n. 2, do, não estando o tribunal obrigado a apreciar todos os argumentos apresentados pelas partes para sustentar os seus pontos de vista, sendo o julgador livre na interpretação e aplicação do direito artigo , n. 3, do, importa apreciar da ineptidão da requerimento injuntivo e executivo por falta de causa de pedir B- De Facto A instância considerou a seguinte factualidade: «Factos assentes Com relevância para a decisão a proferir, deve ter-se por assente a seguinte factualidade: A execução baseia-se em requerimento de injunção apresentado em 102013, ao qual o Sr. Secretário de Justiça apôs fórmula executória no dia 00201 No requerimento executivo, pode ler-se além do mais o seguinte: ") Factos 1 Em 09/04/2013, foi aposta a fórmula executória no Requerimento de Injunção que correu termos sob o Proc. |
n. 27105/15YIPRT, no Balcão Nacional de Injunções, nos termos do qual; A Exequente reclamava o pagamento por parte do Executado da quantia total de €1741,90, sendo: €1943,47, devido a título de capital titulado pelas faturas emitidas e entregues ao Executado, vencidas e não liquidadas, facturas essas que melhor se identificou no referido Requerimento de Injunção; €246,43, devido a título de juros de mora contabilizados desde a data de vencimento de cada uma das aludidas faturas até à apresentação do Requerimento de Injunção 12/02/2013); €102,00, devido a título de taxa de justiça liquidada no âmbito do já referido Requerimento de Injunção e; € 450,00, devido a título de despesas administrativas e de contencioso a que o Executado deu lugar na sequência do seu incumprimento contratual que obrigou a Exequente a recorrer ao processo de Injunção. |
Certo é que até à presente data, o Executado ainda não procedeu ao pagamento das quantias peticionadas, encontrando-se, por conseguinte, em dívida o valor global de € 1741,9 Pelo que à indicada quantia, são devidos os respectivos juros de mora contabilizados às sucessivas taxas anuais de juros fixadas para as dívidas comerciais e que se venceram desde a data da apresentação do referido Requerimento de Injunção, isto é, desde 12/02/2013, até total e integral pagamento, os quais, nesta data se cifram em € 755,9 ) 11 €450,00, a título de despesas de contencioso a que o Executado deu lugar na sequência do seu incumprimento contratual e que obriga a Exequente a recorrer à execução do seu crédito, conforme peticionado no Requerimento de Injunção que ora se executa. ) |
Liquidação da obrigação Valor líquido: 13 741,90 € Valor dependente de simples cálculo aritmético: 7 814,09 € Valor NÃO dependente de simples cálculo aritmético: 475,50 € _______________________ Total 22 031,49 € A) Juros de mora calculados às sucessivas taxas de juro aplicáveis às transações comerciais que se venceram desde a data da apresentação do requerimento de Injunção que ora se executada até total e integral pagamento, os quais nesta data ascendem a € 755,91; B) Juros de mora calculados à taxa anual de 5% desde a data da aposição da fórmula executória até total e integral pagamento, os quais nesta data se contabilizam em € 058,18; ) Taxa de justiça devida pela apresentação do presente Requerimento de Execução, no valor de € 25,50; ) Despesas administrativas e de contencioso decorrentes da presente ação de execução, as quais, nesta data ascendem a € 450,0”. |
No referido requerimento de injunção alega-se a existência de um contrato de "Compra e venda” de 102009, com referência ao período de 102009 a 102010, indica-se como estando em dívida, além do mais, a título de "outras quantias”, o valor de € 450,00, e procede-se à seguinte descrição dos factos que fundamentam a pretensão: " A Requerente é uma sociedade comercial que se dedica, com escopo lucrativo, ao comércio de frutas. |
No âmbito da sua normal actividade, a Requerente foi oportunamente contactada pelo Requerido para lhe vender diversos artigos daquele seu comércio. |
Concluída a transacção comercial operada entre as partes e com vista ao recebimento das quantias devidas pela mesma, a Requerente emitiu e entregou ao Requerido as respectivas facturas, as quais melhor se encontram identificadas no extracto de conta corrente do Requerido como é do perfeito conhecimento deste, extracto esse que apresenta um saldo devedor de € 1943,47 para o período em referência. |
Não obstante o vencimento das aludidas facturas, bem como de todas as tentativas feitas pela Requerente, no sentido de ver satisfeito o seu direito de crédito, a verdade é que o Requerido ainda não procedeu ao pagamento dos valores apostos nas mesmas, tendo apenas entregue cheques para pagamento parcial, sendo certo que todos eles, não obtiveram bom pagamento. |
Face ao exposto, a Requerente vem requerer o pagamento por parte do Requerido do valor titulado pelas identificadas facturas, no valor total de € 1943,47, acrescido, face à mora do Requerido, dos respectivos juros de mora contabilizados desde a data de vencimento de cada uma das facturas em causa até total e integral pagamento e calculados às sucessivas taxas de juros de mora aplicáveis às transacções comerciais, os quais nesta data se cifram em € 246,43, acrescido ainda do valor da taxa de justiça devida pela apresentação do presente requerimento de injunção, no valor de € 102,00, e ainda das despesas administrativas e de contencioso a que a Requerida deu e der lugar na sequência do seu incumprimento contratual, despesas essas que nesta data se contabilizam em € 450,0 O que perfaz o valor global, vencido e exigível de € 1741,90 treze , setecentos e quarenta e um euros e noventa cêntimos), cujo pagamento desde já se requer.”. |
O embargante declarou a cessação da sua atividade perante a Autoridade Tributária, para efeitos fiscais, em 30201 A execução de que estes autos constituem apenso foi proposta em 20202 O executado foi citado para os termos da execução em 11202» - De Direito Da natureza executiva do requerimento injuntivo O Apelante defendeu nos embargos e reitera agora essa alegação, que o requerimento executivo é inepto por falta de causa de pedir, sendo, consequentemente, nulo; nulidade que é de conhecimento oficioso, determinante da extinção da instância executiva por via dos artigos 18, n.s 1 e 2, alínea, 27, n. 1, alínea, 57 e 55, n. 1, do CPC. |
Em suma, a alegação do apelante centra-se no facto do requerimento injuntivo se reportar a uma dívida suportada em faturação não junta aos autos; o requerimento executivo remeter, quanto a essas faturas, para o requerimento injuntivo e na contestação dos embargos a Embargada remeter para o «conhecimento do embargante» em relação ao conhecimento da referida dívida. |
Na sentença recorrida, admitindo, e bem, atenta a data da obtenção do título executivo, que poderiam ser invocados como fundamento da oposição todos os que poderiam ser invocados no processo de declaração, atenta a jurisprudência do Tribunal Constitucional adotada no acórdão n. 264/2015, de 12-05, com força obrigatória geral, em relação à interpretação normativa do artigo 85, n. 1, do CPC, aprovado pela Lei n. 41/2013, de 26-06, encontra-se a seguinte fundamentação: «) de acordo com o art. |
81 n.3, al. |
CPCivil, na redacção que lhe foi dada pelo 38/2003 de 8 de Março corresponde à atual alínea do n. 1 do art. |
724 do NCPC, o requerimento executivo deve conter a exposição sucinta dos factos que fundamentam o pedido, quando não constem do título executivo”. |
Analisando o r.e. |
e o título dado à execução, parece claro que dele consta a alegação da situação jurídica material que a exequente quer fazer valer em juízo, assim se cumprindo o comando legal que determina que o exequente proceda à exposição sucinta dos factos que fundamentam o pedido, quando não constem do título executivo – cf. |
alínea do n. 1 do art. |
724 do CPC. |
E se factos há que não são expressamente alegados no r.e., o que se verifica é que tais factos constam do título executivo, que é o "documento donde consta a obrigação cuja prestação se pretende obter por via coactiva, por intermédio do Tribunal e constitui condição da acção executiva e a prova legal da existência do direito de crédito, assumindo, por isso, autonomia em relação à realidade que envolve” cf. |
o acórdão. |
Na verdade, embora não se identifiquem as faturas pelos respetivos números e datas de emissão, está claramente identificado o período em que as mesmas foram emitidas e enviadas.1 De tudo isto flui a conclusão de que não se verifica a ineptidão do r.e., improcedendo desta forma a exceção invocada pelo embargante.» Vejamos, então, se se verifica ou não a alegada falta de causa de pedir. |
Temos, então, como assente que a exequente apresentou como título executivo um requerimento injuntivo que correu termos sob o Proc. |
n. 27105/15YIPRT, no Balcão Nacional de Injunções, ao qual foi aposta a fórmula executiva, em 09-04-2013, por não ter havido oposição do Requerido, ora apelante, tudo nos termos que constam do regime anexo ao Decreto-Lei n. 269/98, de 01-09, e alterações subsequentes, até àquela data. |
O teor do requerimento injuntivo consta do ponto 3 dos factos assentes, onde consta que foi ali alegado «) a existência de um contrato de "Compra e venda” de 102009, com referência ao período de 102009 a 102010, indica-se como estando em dívida, além do mais, a título de "outras quantias”, o valor de € 450,00, e procede-se à seguinte descrição dos factos que fundamentam a pretensão» nos termos que se podem sintetizar do seguinte modo: a Requerente é uma sociedade comercial que se dedica, com escopo lucrativo, ao comércio de frutas e no âmbito da sua normal actividade, a Requerente foi oportunamente contactada pelo Requerido para lhe vender diversos artigos daquele seu comércio. |
Concluída a transacção comercial operada entre as partes e com vista ao recebimento das quantias devidas pela mesma, a Requerente emitiu e entregou ao Requerido as respectivas facturas, as quais melhor se encontram identificadas no extracto de conta corrente do Requerido como é do perfeito conhecimento deste, extracto esse que apresenta um saldo devedor de € 1943,47 para o período em referência. |
Apesar de vencidas, o Requerido não procedeu ao pagamento dos valores apostos nas mesmas, tendo apenas entregue cheques para pagamento parcial, sendo certo que todos eles, não obtiveram bom pagamento. |
Assim, é pedido pela Requerente que o Requerido proceda ao «) pagamento do valor titulado pelas identificadas facturas, no valor total de €1943,47, acrescido, face à mora do Requerido, dos respectivos juros de mora contabilizados desde a data de vencimento de cada uma das facturas em causa até total e integral pagamento e calculados às sucessivas taxas de juros de mora aplicáveis às transacções comerciais, os quais nesta data se cifram em € 246,43, acrescido ainda do valor da taxa de justiça devida pela apresentação do presente requerimento de injunção, no valor de € 102,00, e ainda das despesas administrativas e de contencioso a que a Requerida deu e der lugar na sequência do seu incumprimento contratual, despesas essas que nesta data se contabilizam em € 450,00», perfazendo o valor global de €1741,9 No requerimento executivo, e como consta do ponto 2 dos factos assentes, é invocada a existência do requerimento injuntivo e da fórmula executória nele aposta, mais sendo alegado que as faturas em causa são as «que melhor se identificou no referido Requerimento de Injunção». |
As ditas faturas não foram juntas nem com o requerimento injuntivo, nem com o requerimento executivo. |
O que veio a ser junto aos autos foram as cópias dos cheques mencionados no ponto do requerimento de injunção e um documento onde constam referenciadas três faturas, os respetivos números, a data de emissão e de vencimento, o respetivo valor e o saldo em euros. |
No âmbito do requerimento injuntivo, o Requerente, utilizando o modelo de requerimento aprovado por portaria do Ministro da Justiça, deve, entre outros, expor sucintamente os factos que fundamentam a pretensão, como se refere no artigo 1, n. 1, 2 , alíneas, do anexo ao Decreto-Lei n. 269/98, de 01-0 Trata-se de jurisprudência amplamente consensualizada que a alegação factual sucinta a que se reporta a lei, não dispensa o requerente de indicar o núcleo dos factos essenciais que integram a causa de pedir, elemento essencial para a compreensão do pedido formulado e da razão jurídica que o sustenta. |
Como é sabido, a causa de pedir é o facto concreto que serve de fundamento ao efeito jurídico pretendido e corresponde ao núcleo fáctico essencial tipicamente previsto por uma ou mais normas como causa do efeito de direito material pretendido. |
Ocorre ineptidão da petição inicial por falta de causa de pedir quando se deteta uma omissão desse núcleo essencial, ou seja, quando não tenham sido indicados os factos essenciais e estruturantes que integram a previsão das normas de direito substantivo que justificam a concessão do direito em causa cfr. |
artigo , n. 1, do. |
Situação que não se confunde com deficiências de alegação que, não se enquadrando no artigo 1 do Regime Anexo ao Decreto-Lei n. 269/98, de 01-09, não impedem a aposição de fórmula executória, caso não haja oposição do Requerido artigo 1 do mesmo. |
Caso ocorra alguma dessas situações em que se verifique deficiências ou insuficiências alegatórias, considerando os objetivos de simplificação e eficácia pretendidos pelo legislador com a introdução do processo injuntivo e com a menor exigência no concernente à exposição sucinta dos factos que fundamentam a pretensão, compete ao juiz, já na fase contenciosa, aferir se, no requerimento injuntivo, foi ou não concretizado um núcleo mínimo de factos integradores da causa de pedir que cumpra o desiderato previsto no regime legal. |
Sendo que não se deve confundir falta com deficiência de alegação do facto, nem aquelas com inexistência ou falta de junção de determinado meio de prova. |
A falta de alegação de factos essenciais e estruturantes da causa de pedir é que origina a ineptidão; a deficiência alegatória é suprida por via de aperfeiçoamento, quando tal se justifique, enquanto a inexistência ou não junção de determinado meio de prova pode, ou não, conduzir à improcedência da pretensão em discussão. |
Se no requerimento injuntivo, como sucedeu no caso em apreço, é alegada a existência de uma concreta relação jurídica no âmbito do escopo lucrativo da Requerente comércio de, mais concretamente a celebração de um contrato de compra e venda entre as partes, em determinada data 14-08-2009), vigente até um determinado momento 10-05-2010), estando em dívida por parte do Requerido, que vendeu diversos daqueles produtos, um determinado montante indicado, mais juros de mora e outras quantias tudo também, referenciando-se que esses valores foram titulados por faturas que se encontram por pagar, apesar do vencimento da dívida, tendo o Requerido entregue cheques para pagamento dos valores apostos nas mesmas, que não obtiveram boa cobrança, será excessivo, em face das exigências legais no que concerne à alegação factual da causa de pedir no requerimento injuntivo, invocar dúvidas quanto à relação negocial concreta que está em causa na ação e que sustenta a pretensão deduzida, ainda que tais factos sempre pudessem ter maior especificação no que se refere à identificação da faturação. |
Ou seja, no requerimento injuntivo encontrando-se alegada a identificação das partes, a fonte do direito de crédito invocado como correspondendo a um contrato de compra e venda de determinada mercadoria, a execução do contrato em determinado período concretamente identificado, e o valor em dívida, discriminado e quantificado, estão sucintamente alegados os factos essenciais que enformam a causa de pedir deste tipo de providência. |
A falta de identificação da correspondente faturação corresponde a uma deficiência alegatória que não significa falta de indicação de causa de pedir. |
Por sua vez, a falta de junção de tais documentos situa-se ao nível do ónus de prova do alegado e não da falta ou deficiência da causa de pedir. |
Em suma, a conclusão a retirar é que não existe falta de indicação de causa de pedir no requerimento de injunção. |
Alega ainda o apelante que não lhe foi possível apreender com segurança a causa de pedir devido à ausência de exposição dos factos que originaram a obrigação. |
Lida a oposição-embargos não se deteta essa falta de apreensão do que é pedido e da causa do mesmo. |
Aliás, o embargante não nega a existência da dívida, o que refere é que quando cessou a atividade em junho de 2013 não existiam dúvidas retratadas contabilisticamente, o que é deveras diferente das mesmas não existirem. |
Por outro lado, quando foram juntos aos autos as cópias dos cheques e o documento onde se encontram mencionados os números das faturas, data de emissão, data de vencimento, valor e saldo, não impugnou tais documentos, o que indicia claramente que a relação comercial alegada pela Requerente no requerimento injuntivo e reiterada no requerimento executivo existiu e encontra-se em incumprimento nos termos alegados. |
Em face de todo o exposto, improcede a apelação, confirmando-se a sentença recorrida na parte em que foi impugnada. |
Dado o decaimento, as custas ficam a cargo do apelante artigo 52 do, sendo a taxa de justiça do recurso fixada pela tabela referida no n. 2 do artigo do RCP. |
- DECISÃO Nos termos e pelas razões expostas, acordam em julgar improcedente a apelação, confirmando a sentença recorrida na parte em que foi impugnada. |
Custas nos termos sobreditos. |
Évora, 07-04-2022 Maria Adelaide Domingos José Lúcio Manuel Bargado __________________________________________________ 1 Sublinhado nosso. |
Acordam na Secção Social do Tribunal da Relação de Guimarães. |
J. intentou a presente ação de processo comum contra Seguradora ..., S.A. – agora denominada Seguros, S.A. - pedindo que: a) a ré seja condenada a reconhecer que, no âmbito da relação contratual laboral que teve com o autor, a antiguidade deste reporta-se a 01/03/1992; b) ser declarado nula a cláusula segunda e terceira do acordo de cessação do contrato de trabalho, na parte em que é referido que a importância paga pela é ao autor inclui todos os créditos vencidos e vincendos até à data da cessação do contrato, bem como na parte em que o autor renúncia aos direitos e créditos que lhe são devidos; ) ser declarado nula a "declaração quitação/renúncia abdicativa” referida no artigo 80 supra; e ) ser a ré condenada a pagar ao autor a importância de 4238,54€, acrescida de juros vencidos e vincendos, à taxa legal até efetivo integral pagamento. |
Para tanto, alega que em 1/03/1992 foi admitido por contrato de trabalho no Grupo posteriormente integrado, por fusão, na – Companhia de Seguros, S.A.), onde exerceu, mediante o pagamento de retribuição, as funções de técnico comercial e de gerente de delegação até 1999, data em que foi admitido, para exercer aquelas funções, na Y – Companhia de Seguros, S.A., empresa que foi alvo de fusão na W Seguros S.A., que por sua vez foi alvo de fusão na ora ré. |
Alega o autor que, quando foi admitido na Y – Companhia de Seguros, S.A., esta assumiu a sua antiguidade reportada a 1/03/1992, tendo o autor exercido funções até 30/11/2018, data em que, por acordo entre o autor e a ré, o contrato de trabalho cessou na sequência do plano de rescisão de contratos implementado pela ré, tendo o autor recebido a respetiva compensação pela cessação do contrato, mas considerando a antiguidade reportada a 199 Alega que o pressuposto do pagamento da compensação ao autor tinha como elemento essencial a consideração da sua antiguidade reportada a 1992, o que a ré se comprometeu a fazer. |
Porém, invocando inexistir qualquer documento que comprovasse outra antiguidade, a ré procedeu ao pagamento da compensação calculada com base na antiguidade de 199 O autor consegui obter tal documento - que junta como n 9 – reclamando agora a diferença da compensação atendendo à antiguidade desde 1992, alegando que quando assinou o acordo de cessação, lhe foi criada a expectativa de que caso conseguisse provar a antiguidade de 1992 lhe seria pago o remanescente em dívida. |
Alega o autor, por outro lado, que assinou, no dia 20/06/18, o acordo de revogação e a declaração quitação/renúncia abdicatória junta aos autos, tendo a ré apenas assinado o primeiro daqueles documentos, no dia 30/11/18, sendo que o autor os assinou no pressuposto de que seria cumprido pela ré o critério por si anunciado de assunção da antiguidade reportada a 1992, pretendendo apenas dar quitação dos créditos que lhe seriam pagos e que constam do recibo de vencimento, não pretendendo renunciar ao direito de exigir a compensação pela antiguidade que lhe é devida no Grupo . |
Com fundamento no facto de tais documentos terem sido assinados pelo autor ainda durante a vigência do contrato de trabalho e de a ré os não ter assinado, invoca o autor a nulidade das cláusulas 2 e 3s do aludido acordo e declaração de remissão/renúncia. |
A ré contestou, invocando desconhecer os factos relativos ao invocado contrato de trabalho entre o autor e o Grupo , ainda que aceitando que a antiguidade do autor na catividade seguradora se reporta a 1/03/1992, o que relevou para efeito de pagamento do prémio de antiguidade previsto no contrato coletivo de trabalho. |
Nega, porém, que a sua antiguidade na ré se reporte àquela data, já que não aceita que a Y, S.A. tenha assegurado uma antiguidade ao autor para outros efeitos para além do pagamento do referido prémio, diversa da correspondente à sua data de admissão, nomeadamente no documento junto pelo autor. |
Nega, ainda, a ré que tenha sido pressuposto do acordo de revogação do contrato de trabalho do autor o pagamento de compensação por referência à sua antiguidade no sector e que tenha sido criada ao autor qualquer expectativa nesse sentido. |
Quanto à invocada nulidade das cláusulas 2 e 3s do aludido acordo e declaração de remissão/renúncia, impugna a ré a data da assinatura de tais documentos, alegando que, ainda que assim seja, por se tratarem de declarações subscritas num quadro de negociação dos termos da cessação do contrato, nada obsta à sua validade e, por outro lado, que a ré não carecia de formalmente aceitar a declaração abdicativa. |
Conclui pela improcedência da ação. |
O autor respondeu nos termos de fls. |
135-13 - Na ata de 2/11/20 foi indeferida de indeferir a junção aos autos dos documentos juntos com o requerimento apresentado pela ré no dia 23/10/2020, relativos à testemunha José, tratando-se: Como Doc. |
1, ficha de empregado de José , de onde consta a admissão na empresa em 011999 e a admissão na catividade em 101989; - Como Doc. |
2, comunicação da Y de 111999, enviada por Direção Áreas ... - , para Presidente do Conselho de Administração - Dr. , sobre proposta de admissão de José ; - Como Doc. |
3, comunicação da Y de 111999, enviada a José , sobre admissão deste na Y; - Como Doc. |
4, acordo de revogação do contrato de trabalho celebrado entre a Ré e José , de 202018; - Como Doc. |
5, simulação efetuada no "Simulador de compensação por cessação do contrato de trabalho” da ACT, com a introdução dos dados relativos a José ; - Como Doc. |
6, estimativa de créditos finais de José à data da cessação do contrato de trabalho – 312018, A ré interpôs recurso apresentando as seguintes conclusões: O presente recurso tem por objeto o despacho proferido não admitiu a junção aos autos dos documentos anexos ao requerimento da Ré de 212020, por um lado, porque o requerimento da Ré não se enquadra no instituto da contradita; por outro lado, porque o depoimento de uma testemunha não se poderá considerar uma "ocorrência posterior” para os efeitos previstos na segunda parte do n. 3 do art. |
42 do Código do Processo Civil. |
Quanto ao argumento segundo o qual o depoimento de uma testemunha não poderá ser considerado uma "ocorrência posterior” para os efeitos previstos na segunda parte do n. 3 do art. |
42 do CPC, a Ré, não se conforma com este argumento – pese embora a maior consideração que lhe merece o tribunal a quo – pelos seguintes motivos. |
Sucede que a testemunha José , em depoimento prestado entre as 15:31 horas e as 16:02 horas, na audiência de julgamento de 212020, deu a conhecer que havia interrompido a sua catividade na entre fevereiro e novembro de 1999, o que implicaria que a questão da antiguidade, quanto a si, não se colocaria nos mesmos termos que se colocou ao Autor, conforme excertos dos minutos 03:18 a 03:40 e 09:47 a 10:15 transcritos nos n. 9 e 10 das alegações deste recurso. |
Ora, perante estas informações prestadas pela testemunha José em audiência de julgamento, em 212020, tornou-se necessária, por causa dessas informações, a junção aos autos dos 6 documentos que a Ré pretendeu juntar através do requerimento de 21202 Através do confronto entre os 6 documentos relativos à testemunha José e os documentos similares relativos ao Autor, é possível fazer as constatações que constam dos n. 12 a 15 das alegações deste recurso. |
1 Mas o ponto essencial, o que aqui mais releva é este: perante a revelação feita por José , em audiência de julgamento de 212020, segundo a qual a questão da antiguidade, quanto a si, não se coloca nos mesmos termos que se coloca perante o Autor, na medida em que a Y não assumiu a sua antiguidade anterior a 011999, tornou-se necessário à Ré juntar aos autos os 6 documentos anexos ao requerimento de 212020, para se concluir, através da conjugação entre os 6 documentos e as declarações da testemunha José , que a menção "Antiguidade: 1991 no Grupo e atualmente sempre na função comercial” no Doc. |
9 da p.não significa que a Y assumiu essa antiguidade – ao contrário do que o Autor pretende fazer crer nos art. |
2 a 3 da p.e através das suas declarações de parte, prestadas em 212020 – pois se essa menção tivesse esse significado, a menção semelhante – "Antiguidade: 1995 no Grupo e atualmente ” – constante do Doc. |
2 do requerimento de 212020 implicaria que a Y também teria assumido a antiguidade de José, independentemente de este ter ou não prestado catividade para a no período de fevereiro a novembro de 199 1 Aliás, A. S. foi admitido exatamente para as mesmas funções que José – de escriturário – conforme Doc. |
4 do requerimento de 112020 e Doc. |
2 e 3 do requerimento de 21202 1 Invoca o Autor, no requerimento de 012020, que, atentas as datas dos 6 documentos anexos ao requerimento de 212020, a Ré podia e devia tê-los juntos aos autos com a contestação ou até 20 dias antes do início do julgamento, mas este argumento só colheria se a Ré tivesse invocado a sua junção aos autos ao abrigo do disposto na primeira parte do n. 3 do art. |
42 do CPC, o que não é o caso. |
1 Com o devido respeito pelo tribunal a quo, entende-se que o douto despacho recorrido viola o disposto na segunda parte do n. 3 do art. |
42 do CPC e – por referência ao despacho imediatamente seguinte, que ordena a junção aos autos de documentos também) a pedido do Autor, nomeadamente relativos a A. S., admitido na Y com a mesma categoria da testemunha José escriturário) – viola o disposto no art. |
do CPC. |
- Por requerimento de 13/11/20 a ré juntou documentos relativos a vários trabalhadores relativos a admissão no período de 1989 e 2010: - Doc. |
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