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O despacho de que recorre violou o disposto nos artigos 97, n 5, 123, n 2 e 403, n 1 e n 2 alínea do Código de Processo Penal e artigos 122 n 1 alínea e 125 n 1 alínea do Código Penal e 205 da Constituição da República Portuguesa, devendo ser substituído por outro que declare prescrita a sanção acessória aplicada ao arguido.» O P. respondeu, alegando que a cominação do crime de desobediência encontra-se bem realizada e ainda que "Tal pena acessória ainda não se mostra prescrita, por ainda não terem decorrido 4 anos desde a data do trânsito em julgado da decisão que aplicou tal pena, tal como se alude no artigo 122, n.1, al.
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e 2, do Cód.
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Penal.
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O Douto despacho que a aqui se recorre e posto em crise, proferido a 112021, ref.
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118795882, que indeferiu a pretensão do recorrente, não peca, s.o, de falta de fundamentação como o alega o recorrente, pois tal despacho foi claro e conciso, ao estribar a razão de ser, quer factual quer legal de que a pena acessória ainda a não se mostrava prescrita, e que se impunha ao arguido cumpri-la, mediante a entrega da sua carta de condução aos autos, sob pena de incorrer na pena de desobediência, previsto e punido pelo artigo 348, n. 1, do Cód.
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Penal.”Neste Tribunal da Relação do Porto, o Exmo.
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Procurador-Geral Adjunto emitiu parecer onde acolheu a posição do P. a quo pugnando pela improcedência do recurso.O recorrente respondeu mantendo a sua posição.
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É do seguinte teor a decisão colocada em crise transcrição): «Requerimento de 012021, ref.
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12166207: Vem o arguido requerer a prescrição da pena acessória, alegando, para tal, que o recurso por si apresentado a pena o foi quanto à pena principal e não já quanto à pena acessória.
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Em vista ao MP foi promovido o indeferimento do requerido.
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Apreciando.
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O arguido foi condenado por sentença proferida a 202017, sendo que o arguido recorreu da referida sentença, recurso que foi admitido, com efeito suspensivo.
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Pese embora o arguido apenas tenha recorrido quanto à pena principal, certo é que o recurso foi admitido, a subir nos próprios autos, imediatamente, com efeito suspensivo do processo, nos termos dos artigos 400 a contrario, 401, n.1, al., 406, n.1, 407, n. 2, al.
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408 n. 1, al.
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e 411, todos do Cód.
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de Processo Penal fls.
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188, ref.. Por acórdão proferido pela Relação do Porto, o recurso foi rejeitado por manifestamente improcedente.
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Foi ordenada a reabertura da audiência de discussão e julgamento, para os fins previstos no artigo 12, da lei n. 94/2017, de 208, com vista à substituição da pena de prisão por dias livres, tendo-se decidido, a 012018, que o arguido cumpriria a pena de 5 meses de prisão em regime de permanência na habitação fls.
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232, 239 e 247, ref., decisão que transitou em julgado a 11201 Como bem refere o Digno Magistrado de MP, só após o trânsito em julgado da decisão impunha-se ao arguido cumprir com a pena principal e a pena acessória.
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Ademais, o arguido ainda não cumpriu com a pena acessória de inibição de conduzir veículos automóveis pelo período de 9 meses.
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Assim, não se verifica a invocada prescrição da pena acessória, pelo que se indefere o requerido.Adverte-se o arguido que caso não proceda à entrega da sua carta de condução, no prazo de 10 dias, a mesma será apreendida, nos termos do artigo 500, n. 3, do Cód.
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de Processo Penal, e incorrerá na prática do crime de desobediência, previsto e punido pelo artigo 348, n. 1, do Cód.
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Penal.
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Notifique.” Dispositivo da sentença proferida em 20201 "DECISÃO.
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Nestes termos o Tribunal decide manter a decisão anteriormente proferida e assim: Condenar o arguido AA pela prática de um crime de condução de veículo em estado de embriaguez.
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previsto e punido pelo artigo 292, n. 1 do Código Penal, na pena de 5 meses de prisão, que se decide seja cumprida em dias livres, num total de 30 períodos de 36 trinta e horas cada um, os quais devem ter início aos Sábados pelas 8h00 e terminus ao Domingo pelas 20h00 artigo 45 do Código.
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O início do cumprimento da pena de prisão por dias livres deverá ocorrer no 4 sábado posterior à data do trânsito em julgado do presente sentença.
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Vai ainda o arguido ficar sujeito à pena acessória de proibição de conduzir veículos com motor, prevista pelo artigo 69, n.1, al.
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al do Código Penal, pelo período de 9 nove meses.
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Condenar o arguido nas custas, fixando-se a taxa de justiça em U., reduzida a metade em face da confissão artigo 513 do Código de Processo Penal e artigo N 9 do Regulamento das Custas Judiciais, com referência à Tabela n.. Notifique, sendo o arguido advertido de que após o trânsito desta sentença deverá entregar em 10 dias a sua carta de condução ou qualquer outro titulo que o habilite a conduzir, na Secretaria desta Instância Local - em qualquer posto policial, sob pena de não o fazendo incorrer na prática de um crime de desobediência e de que conduzindo qualquer veículo motor durante o período da inibição incorrerá na prática de um crime de violação de proibições artigos 69, n. 3 e 353, ambos do Código.
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Lida, vai a presente sentença ser depositada.
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Após trânsito: - remeta boletim ao Registo: - comunique à A.N.S.R; - remeta certidão da presente decisão ao processo identificado na al.
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do ponto dos factos provados.
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-abra conclusão.
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Albergaria–a-Velha, 22 de Setembro de 201” Conclusões do recurso interposto pelo arguido com registo de 21201 " A pena de prisão por dias livres desaparece do ordenamento jurídico com a entrada em vigor da Lei 94/2017 de 23/08, pelo que não deve ser aplicada.
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As penas curtas de prisão devem ser substituídas por penas não privativas de liberdade.
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O arguido é um cidadão válido que necessita de fazer tratamento e que o tem feito.
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A prestação de trabalho a favor da comunidade é a pena que melhor responde as necessidades de integração.
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A aplicação a um condenado de uma pena que desaparece do ordenamento jurídico antes de iniciado o seu cumprimento, é violadora dos princípios da igualdade, do acesso e da certeza da aplicação do direito criminal, ínsitos nos artigos 13 e 29 da Constituição da República Portuguesa.
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A douta sentença de que se recorre violou o disposto nos artigos 40%, 45, 48, 50 e 58 do Código Penal e artigo 13 e 29 da Constituição da República Portuguesa, devendo ser substituída por outra que aplique ao arguido pena não privativa de liberdade, vg.
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Prestação de trabalho a favor da comunidade, assim se fazendo, justiça.” Despacho de admissão do recurso.
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"Fls.
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683 e seg: Por legalmente admissível, estar em tempo, e ter legitimidade, admito o recurso apresentado pelo arguido AA, que sobe nos próprios autos, imediatamente, com efeito suspensivo do processo, nos termos dos art.s 400⁰ a contrario, 401, n. 1, al., 406, n. 1, 407, n. 2, al., 408, n. 1, al.
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e 411 do Código de Processo Penal.
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Notifique nos termos e para os efeitos do art.
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411, n. 6 do CPC.
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2/11/201” Parte final da Decisão Sumária proferida pelo Tribunal da Relação na sequência de recurso do arguido.
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)Por acaso, o recorrente já se manifestou a esse respeito; mas se o não fizesse, poderia este Tribunal de recurso, sem mais dirimir a controvérsia abstractamente prevista pela nova lei?
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Pensamos que não, e assim entendemos que bem conclui o Exmo PGA junto deste Tribunal da Relação no sentido de que após trânsito em julgado seja reaberta a audiência, a pedido do arguido.
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Nenhum transtorno trás a este a aplicação desta norma; na realidade, o requerimento até pode ser junto aos autos antes da data do trânsito, a fim de ser apreciado em Instância, como por vezes sucede.
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O arguido alegou que em Setembro iniciou tratamento ao seu alcoolismo; será bom que, em caso de reabertura de audiência de notícia do resultado de tal terapia.
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Trata-se de um dado que este Tribunal de recurso não possui; mas a sua reavaliação possibilita uma avaliação ainda mais aprofundada da opção que o art.
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1 citado prevê.
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Pelo exposto, rejeita-se, por manifestamente improcedente, o recurso interposto pelo arguido AA - arts.
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417, n. 6, al., 42, n.1, alínea, ambos do CPP.
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O arguido pagará 3 Ucs de taxa de justiça, a que acresce a sanção prevista no n. 3 do artigo 42 do CPP e que se fixa também em 3 Ucs.
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Porto, 19 de Fevereiro de 201” Decisão proferida ao abrigo do /Lei 94/2017, de 23 de Agosto, para substituição da pena de prisão por dias livre por outra pena.
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"Por requerimento de 002018 veio o arguido AA requerer a reabertura da audiência para os fins previstos no artigo 12 da Lei 94/2017, de 23 de Agosto, para que seja substituída a pena de prisão por dias livre por outra pena nomeadamente trabalho a favor da comunidade ou regime de permanência na habitação.
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Por sentença proferida nos autos foi o arguido condenado, pela prática de um crime de condução de veículo em estado de embriaguez, na pena de 5 meses de prisão, a cumprir por dias livres, num total de 30 períodos de 36 horas cada um.
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Acontece que, com a entrada em vigor da Lei n94/2017, de 23 de Agosto, a pena de prisão por dias livres desapareceu do ordenamento jurídico.
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Dispõe o artigo 12 da Lei n94/2017 que: "1- O condenado em prisão por dias livres ou em regime de semidetenção, por sentença transitada em julgado, pode requerer ao tribunal a reabertura da audiência para que: a) A prisão pelo tempo que faltar seja substituída por pena não privativa da liberdade, sempre que esta realizar de forma adequada e suficiente as finalidades da punição; ou b) A prisão passe a ser cumprida, pelo tempo que faltar, no regime de permanência na habitação introduzido pela presente lei.".
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Atentos os elementos recolhidos nos autos, nomeadamente atendendo ao teor do Relatório Social de fls.
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242/243, do qual consta designadamente, que o arguido tem um trabalho regular como empregado fabril, reside com os progenitores, a quem ajuda no sustento do agregado familiar, e encontra-se a efectuar acompanhamento/tratamento à sua dependência do álcool, pelo que entendo que as finalidades da pena de prisão ficarão suficientemente acauteladas com o seu cumprimento em regime de permanência na habitação.
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O arguido requereu expressamente esse cumprimento e o ministério Público de a sua concordância.
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Assim, nos termos expostos, defere-se o cumprimento da pena de 5 meses de prisão, a que o arguido foi condenado nos presentes autos, em regime de permanência na habitação, mediante fiscalização por meios técnicos de controlo à distância, autorizando se o mesmo a ausentar-se do domicílio no período de tempo estritamente necessário a desempenho da sua actividade profissional - art.
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43, 3, Penal.
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Notifique.
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Comunique à DGRSP, nos termos e para os efeitos previstos no artigo 19, 2, da Lei n33/2010, de 2 de Setembro.
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Texto elaborado em computador e integralmente revisto pela signatária Albergaria-a-Velha, 01201”Apreciando e decidindo: Questões a decidir no recurso É pelas conclusões que o recorrente extrai da motivação que apresenta que se delimita o objeto do recurso, devendo a análise a realizar pelo Tribunal ad quem circunscrever-se às questões aí suscitadas, sem prejuízo do dever de se pronunciar sobre aquelas que são de conhecimento oficioso As questões que o recorrente coloca à apreciação deste Tribunal de recurso são as seguintes: -Falta de fundamentação do despacho.
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-Falta de cominação do crime de desobediência.
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-Caso julgado parcial da pena acessória.
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-Prescrição da pena acessória.Vejamos.
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Da falta de fundamentação.
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Alega o recorrente que "O despacho de que se recorre limita-se a historiar o ocorrido nos autos e não se debruça sobre a questão da prescrição.
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Diz o despacho que não se verifica a invocada prescrição, mas não diz por que razão a pena acessória não prescreveu: nenhuma das normas referidas no despacho respeita à prescrição; nenhum dos factos historiados é entendido como causa de interrupção ou suspensão da prescrição da pena; não diz a partir de quando deve começar a contar-se o prazo prescricional e porquê não basta dizer que o arguido tinha de cumprir a partir do trânsito, são coisas, enfim o despacho omite pronúncia sobre a concreta questão em apreciação.” Ora, o Douto despacho que a aqui se recorre e posto em crise, proferido a 112021, ref.
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118795882, que indeferiu a pretensão do recorrente, não peca de falta de fundamentação como o alega o recorrente, pois tal despacho foi claro e conciso, ao estribar a razão de ser, quer factual quer legal de que a pena acessória ainda a não se mostrava prescrita, e que se impunha ao arguido cumpri-la, mediante a entrega da sua carta de condução aos autos, sob pena de incorrer na pena de desobediência, previsto e punido pelo artigo 348, n. 1, do Cód.
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Penal.
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O tribunal a quo invocando o efeito atribuído ao recurso e data da decisão proferida na 2 instância, partiu do pressuposto que o prazo da prescrição se contava do trânsito em julgado da mesma, concluindo não estar ultrapassado o prazo dos 4 anos.
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Como refere o Prof. Germano Marques da Silva "O objectivo de tal dever de fundamentação é imposto pelos sistemas democráticos, permitindo "a sindicância da legalidade do acto, por uma parte, e serve para convencer os interessados e os cidadãos em geral acerca da sua correcção e justiça, por outra parte, mas é ainda um importante meio para obrigar a autoridade decidente a ponderar os motivos de facto e de direito da sua decisão, actuando por isso como meio de autodisciplina”.
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No caso vertido, o despacho recorrido não padece de qualquer falta de fundamentação ou de fundamentação deficiente, o que seria a mesma coisa já que uma decisão apenas parcialmente fundamentada tem de ser entendida como não fundamentada, posto que inexiste meia fundamentação, tal como inexiste meia comunicação – Paulo Saragoça da Matta, Jornadas de DPP, in A Livre Apreciação da Prova, p. 265 –.
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Como diz o Tribunal Constitucional – Ac.
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27/07, in DR de 202007 - «Com o dever de fundamentação das decisões judiciais, a Constituição não impõe, na verdade, um modelo único de fundamentação, com descrição ou, ainda mais, transcrição, de todos os depoimentos apresentados no julgamento, ou a menção do conteúdo de cada um deles.
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Estes depoimentos, mesmo quando são depoimentos da arguida e das testemunhas de defesa, podem, com efeito, não ter sido decisivos para a formação da convicção do tribunal, podendo então bastar que o tribunal indique aqueles que o foram».
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Em síntese: determina a lei que o tribunal deve explicitar os factos provados não provados, enumerando-os, de molde a esclarecer objetivamente a razão da decisão tomada, o que se logra através da indicação e exame crítico das provas que fundaram a sua convicção, a que acresce o tratamento jurídico dos factos apurados e sua subsunção ao direito.
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Esta fundamentação deve permitir uma avaliação segura e inequívoca da razão da decisão proferida, deixando claro que foram apreciados todos os factos alegados e com interesse para a decisão, neles se incluindo os não provados, inclusive os alegados na contestação – Acs.
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do STJ de 111991 BMJ, 412-383), de 101993 CJSTJ, 1993, 1, p., de 101994 BMJ, 437-382)), de 301997 CJSTJ, 2, p., de 1197 CJSTJ, 3, p., de 101998 BMJ, 475-223).
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Ora, o conteúdo do despacho permite perceber o pensamento do julgador a quo e a interpretação que faz dos factos descritos para concluir como concluiu.
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De todo o modo, não estando em causa uma sentença, no sentido do ato decisório que conhece a final do objeto do processo arts.
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9, n. 1, al., e 37, n. 1, al., do, a falta de fundamentação não gera qualquer nulidade.
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No que concerne aos despachos, como é o caso da decisão recorrida, a falta de fundamentação apenas acarreta a irregularidade da decisão, atento o princípio da tipicidade legal em matéria de nulidades consagrado no art.
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11, n.s 1 e 2, do CPPenal.
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Com efeito, no caso em apreço não estamos perante uma nulidade insanável, que é oficiosamente declarada art.
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11 do, nem tão-pouco uma nulidade sanável dependente de arguição, posto que não se mostra prevista quer no art.
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12 do CPPenal quer em qualquer outro preceito.
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Como tal, a existir alguma falta de fundamentação ela apenas constituiria mera irregularidade no termos do art.
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12 do CPPenal, a ser arguida nos três dias seguintes à notificação do ato, conforme decorre do n. 1 do preceito, o que não aconteceu.
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Terminando, insistimos que o despacho escrutinado não enferma de omissão do dever de fundamentação.
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Por sua vez, também o art.
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97, n 5 não padece de qualquer inconstitucionalidade, na medida em que como acima se referiu o recorrente podia ter arguido a irregularidade do ato por eventual falta de fundamentação, que não se concede, a fim de que a mesma fosse sanada e não o fez em tempo, ver Ac RL de 20200 Da alegada omissão de pronúncia.
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Alega o recorrente que "Na parte final do despacho o tribunal a quo comina o arguido, ora recorrente, com a prática de um crime de desobediência previsto e punido pelo artigo 348 n 1 do Código Penal, caso não proceda à entrega da carta de condução.
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