sentence stringlengths 1 78k |
|---|
Estamos convencidos da veracidade desses registos, por se tratarem de registos oficiais da DGCI actual, os mesmos não terem sido postos em causa pelo Impugnante e não serem conhecidos elementos que façam duvidar da sua veracidade. |
No que toca ao facto provado, recordamos aqui que o Impugnante admite que foi notificado para efeito do art. |
10/4 do RGIT art. |
da, juntando o doc. |
E o segmento «seguramente antes de 1/1/2012» decorre de o doc. |
1 da PI provir ainda da antiga Direcção-Geral dos Impostos como se vê no canto superior esquerdo das páginas desse, que somente a partir de 1/1/2012 passou a integrar a Autoridade Tributária e Aduaneira ou AT - art. |
1 do 118/2011, de 15/12). |
E decorre, ainda, da conjugação com o facto provado, pois a notificação para efeito do art. |
10/4 al. |
do RGIT é efectuada, pela Administração Tributária, durante o inquérito, antes da acusação, por ser relevante para a punibilidade do crime de abuso de confiança fiscal, sendo necessária para poder ser deduzida a acusação. |
Considerando que a AT existe desde 1/1/2012 e que a acusação foi deduzida pouco tempo antes, em 11/11/2011, ficamos convictos de que até 31/12/2011 foi efectuada a notificação dada por provada no facto.» 2 – Apreciação do recurso O recorrente não se conforma com a sentença recorrida que julgou procedente a exceção per... |
O recorrente alega que andou mal a sentença recorrida ao considerar que a ilegalidade que fere os actos impugnados é sancionada com a anulabilidade pois «nos termos do disposto na Constituição da República Portuguesa, os atos que ofendam o conteúdo essencial de um direito fundamental são atos tributários feridos de nul... |
Logo, a presente impugnação judicial nunca poderia ser considerada extemporânea.» cf. |
conclusão a). |
Sustenta a sua tese, em resumo útil, no entendimento de que os actos de liquidação impugnados, são ilegais, atenta a existência das prestações de serviços subjacentes às facturas que foram «emitidas ao abrigo do contrato de prestação de serviços, Sub–Contratação, outorgado entre a sociedade supra mencionada e a socieda... |
conclusão). |
Além de que, a AT considerou tais facturas falsas correndo termos processo crime n. 1/09TAVNG, em que é imputado ao recorrente a prática de um crime de fraude fiscal previsto e punido pelos artigos 10 n. 1 alínea do Regime Geral das Infrações Tributárias,pela utilização de faturas falsas e consequente dedução de IVA qu... |
conclusões a). |
Mais alega que «é manifesto e evidente que o Recorrente é detentor de um interesse legitimo que é o de saber se terá de liquidar o imposto, porque as faturas são válidas e eficazes. |
Ou, em sentido contrário, terão as liquidações adicionais aqui em causa de serem objeto de declaração de nulidade, pois referem-se a documentação que não é válida, nem eficaz e como tal, não poderá nunca produzir quaisquer efeitos no ordenamento jurídico.» cf. |
conclusões e). |
Vejamos a forma como o recorrente configurou a acção. |
O recorrente instaurou «acção de impugnação judicial de acto inválido e para reconhecimento de um direito ou interesse legítimo em matéria tributária», formulando na petição inicial o pedido de anulação das liquidações objecto de impugnação sustentando tal pedido no seu interesse legítimo em ver resolvido o entendiment... |
Indica como divergente a consideração pela AT das facturas emitidas à sociedade P, SA, como falsas, decorrendo daí a sua desconsideração como custo e a participação crime por fraude fiscal correndo termos o processo 1/09TAVNG em que lhe é imputada a emissão de facturas falsas e em consequência, dedução indevida de IVA. |
Por outro lado, a imputação criminal no processo n. 9/00TDLSB decorrente da falta de liquidação de IVA relativo às mesmas facturas consideradas válidas. |
Na sua contestação a recorrida defendeu-se por excepção, invocando, além do mais, que a acção era intempestiva. |
Na sua resposta veio o recorrente invocar, pela primeira vez, o seguinte: «como já mencionado pelo Autor na sua Petição Inicial, o mesmo pretende a apreciação da nulidade das Liquidações Adicionais, melhor identificadas nos presentes autos, em virtude do entendimento divergente por parte da Ré, de que as mesmas foram a... |
Logo, presente impugnação não é intempestiva pelo decurso do prazo a que alude o disposto no n 2 do artigo 145 do CPPT.» É neste quadro que a sentença julgou a acção intempestiva em cujo discurso fundamentador se pode ler o seguinte: «No que concerne à caducidade do direito de impugnação judicial, podemos desde já ad... |
Efectivamente, «a jurisprudência da Secção do Contencioso Tributário do STA vem afirmando de forma reiterada e uniforme que no domínio do contencioso tributário, por regra os vícios dos actos tributários são fundamento da sua anulabilidade, só implicando a sua nulidade quando se verifique a falta de qualquer dos elemen... |
neste sentido, entre muitos outros, os Acórdãos deste Supremo Tribunal de 212005, recurso 612/05, de 102008, recurso 886/07, de 202008, recurso 220/08, de 202011, recurso 91/11, de 202011, recurso 63/11 e de 102012, recurso 275/12, todos in www.dgsi.pt. |
Também Mário de Aroso de Almeida e Carlos Alberto Fernandes Cadilha referem no seu Comentário ao Código de Processo nos Tribunais Administrativos, vol. |
, pag. |
247, "a nulidade constitui o regime de excepção, ao passo que a anulabilidade é o regime regra. |
É o que se depreende do disposto no artigo 13 do CPA, segundo o qual são anuláveis os ‘actos administrativos praticados com ofensa dos princípios ou normas jurídicas aplicáveis para cuja violação se não preveja outra sanção.’” Dispõe, por sua vez art. |
133 ns 1 e 2 al. |
do Código de Processo Administrativo são nulos os actos a que falte qualquer dos elementos essenciais ou para os quais a lei comine expressamente essa forma de invalidade, nomeadamente os actos que ofendam o conteúdo essencial de um direito fundamental. |
Porém, esses actos hão-de ser aqueles que contendem com os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. |
Mas não aqueles que contendem com o princípio da legalidade, como sucede no caso dos autos » Ac. |
do STA, de 21-11-2012, proc. |
0210/12, reafirmado pelo Ac. |
de 31-05-2017, proc. |
0975/16, em dgsi.pt). |
«A ilegalidade, a verificar-se não é geradora de nulidade, invocável a todo o tempo, mas de mera anulabilidade que há-de ser suscitada e graciosa ou contenciosamente declarada dentro dos prazos legais fixados para a reclamação, impugnação judicial ou revisão desse acto tributário que se mostram manifestamente excedido... |
Mesmo que possa constituir uma prática não detectável pela maioria dos contribuintes, ou que corra o perigo de se converter numa prática habitual, não deixa de constituir uma simples ilegalidade sanável por decurso do tempo. |
Pese embora a Administração Tributária esteja estritamente vinculada ao princípio da legalidade, isso não significa que qualquer acto que pratique e que se afaste da lei, ou da melhor interpretação dela, se possa qualificar como um acto estranho às atribuições da Autoridade Tributária para efeitos do disposto no artigo... |
Também se não descortina que a opção legislativa de restringir a nulidade dos actos tributários às situações enquadráveis no art. |
16 do CPA seja em si mesma violadora da Constituição da República Portuguesa na medida em que se ressalvam os actos que ofendam o conteúdo essencial de um direito fundamental. |
A este propósito convém realçar que, a liquidação de um imposto em montante superior ao devido, contendendo com o direito de propriedade privada art. |
6), que é um dos direitos fundamentais, porque constante da enumeração da Parte da CRP, que tem a epígrafe "Direitos e deveres fundamentais”, não basta para considerar como nula tal liquidação, quando a lei expressamente prevê para elas a sanção da anulabilidade, como se depreende do facto de prever um prazo para a sua... |
9 do Código de Processo e Procedimento Tributário. |
A suscitada ilegalidade atinge de modo limitado o direito de propriedade do recorrente que se não equipara à violação do conteúdo essencial desse direito fundamental, pelo que não é geradora de nulidade. |
No caso, o Impugnante alega uma violação de lei, com fundamento em erro nos pressupostos das liquidações do IVA, traduzido na veracidade das facturas que foram consideradas falsas pela AT. |
Pedindo, em conformidade, para «serem anulados os actos de liquidação adicional». |
Não se verificando qualquer uma das situações previstas no art. |
13/2 do CPA de 91 aplicável à data dos factos tributários - 2004 e. Aplicando-se a regra geral de que os vícios do acto administrativo geram anulabilidade, nos termos do art. |
13 do CPA de 91, da doutrina e jurisprudência referida no Parecer do MP e também na doutrina e jurisprudência acima citada na presente sentença. |
)» O recorrente invoca na petição inicial que os actos de liquidação são ilegais sustentando tal alegação na veracidade das facturas, extraindo dessa sua tese todas as consequências relativas à ilegalidade da desconsideração da dedução do IVA nelas mencionado, aludindo ainda à operação simétrica, já na esfera jurídica... |
Independentemente da questão da viabilidade da acção, que contende com o seu mérito, não há como negar que o que está em causa na pretensão deduzida é a desconformidade dos actos impugnadas com o direito à dedução do IVA incorrido, pelo que a consequência do desvalor correspondente à ilegalidade das liquidações é a anu... |
Não existindo norma especial nas normas tributárias que delimite o conceito de nulidade do acto, impõe-se socorrer-nos do regime constante no CPA que constitui regime de aplicação subsidiária, nos termos do disposto no artigo , alínea, do CPPT e , alínea, da LGT. |
Dispõe o artigo 13 n.s 1 e 2 alínea do Código de Processo Administrativo norma que consta actualmente do artigo 16 n. 1 e 2, alínea do, que são nulos os actos que ofendam o conteúdo essencial de um direito fundamental. |
A verificar-se a ilegalidade dos actos impugnados a consequência jurídica não é a nulidade dos mesmos, mas apenas a sua anulabilidade, donde o exercício do direito de acção estava sujeito ao prazo previsto no n. 1 do artigo 10 do CPPT, ou seja, não poderia ser apresentada a todo o tempo. |
Sendo o prazo aplicável à data dos factos de 90 dias, contados a partir do termo do prazo para pagamento voluntário das prestações tributárias em causa, nos termos do artigo 10, n. 1, alínea do CPPT e tendo em conta que o termo final do prazo de pagamento voluntário se verificou em 31/8/2005, 30/9/2005 e em 31/5/2007, ... |
Tal julgamento é, assim, de confirmar na íntegra. |
Não basta invocar que os actos em causa ofendem o direito de propriedade e que se trata de um direito fundamental para que a cominação aplicável seja a nulidade. |
Impunha-se ao recorrente que na petição inicial concretizasse em que consistia a ofensa desse direito e de que modo as aludidas liquidações ofendem o conteúdo essencial do direito de propriedade, já que o direito de propriedade não é um direito absoluto ou ilimitado. |
Não é pelo facto de o impugnante sustentar que a liquidação é ilegal, que vai atingir o núcleo essencial do seu direito fundamental consubstanciado no direito de propriedade, ou, sequer fazê-lo desaparecer. |
Com efeito, a imposição da tributação, não pode ser vista como restrição ao direito de propriedade, sendo antes, na verdade, uma imposição inerente a tal direito, decorrente do artigo 10 n.s 2 e 3 da Constituição da República Portuguesa, nos termos dos quais, a tributação das empresas incide fundamentalmente sobre o se... |
Ora, nada sendo substanciado quanto à medida da agressão na esfera patrimonial do recorrente, impõe-se concluir que não está em causa o seu núcleo essencial. |
Ainda assim, e por último, sempre seria de concluir que a liquidação de um tributo ao abrigo de norma inconstitucional não se mostra ferida de nulidade, mas antes de anulabilidade, uma vez que não ofende o conteúdo essencial do direito à propriedade privada, que, nos termos da Constituição da República, não é absoluta ... |
Deduzida a acção intempestivamente, improcedem todas as conclusões de recurso. |
Quanto à responsabilidade relativa a custas, atento o princípio da causalidade, previsto no artigo 52, n. 2, do CPC, atento o decaimento da Recorrente, deu causa à acção, sendo-lhe imputável a responsabilidade tributária da causa. |
Considerando a conduta processual das partes, a actividade desenvolvida no processo, já que as questões em apreciação já foram objecto de apreciação e decisão quer pelo Tribunal Constitucional, quer pelo Supremo Tribunal Administrativo, quer, ainda, por este TCA, atento o princípio da proporcionalidade, verificam-se os... |
– Não basta invocar que os actos em causa ofendem o direito de propriedade e que se trata de um direito fundamental, sem concretização alguma, para que a cominação aplicável seja a nulidade. |
– DECISÃO Termos em que, acordam os juízes que integram a 1 Subsecção do Contencioso Tributário deste Tribunal Central Administrativo em negar provimento ao recurso e em manter a sentença. |
Custas pelo recorrente, com dispensa de pagamento do remanescente da taxa de justiça, na parte em que excede € 275 000,0 Lisboa, 24 de Março de 202 Ana Cristina Carvalho – Relatora Lurdes Toscano – 1 Adjunta Maria Cardoso – 2 Adjunta |
Acordam no Tribunal dos Conflitos Relatório A– Associação para a Inovação Tecnológica e Qualidade, identificada nos autos, requereu no Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra, Juízo Central Cível de Coimbra, uma injunção contra a Universidade de Coimbra invocando que no exercício legal da sua actividade lhe prestou b... |
A Universidade de Coimbra deduziu oposição em que, além do mais, arguiu a incompetência material do Tribunal. |
Respondeu a A. defendendo a competência material do Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra. |
Em 102019 no Juízo Central Cível de Coimbra, Juiz 2, foi proferida decisão a declarar a sua incompetência material para apreciar e julgar o litígio fls. |
27 a. Sustentando-se no Acórdão do Tribunal dos Conflitos de 302017, Proc. |
023/16, considerou que: «) o regime da contratação pública estabelecido na parte do Código é aplicável à formação dos contratos públicos, entendendo-se por tal todos aqueles que, independentemente da sua designação e natureza, sejam celebrados pelas entidades adjudicantes referidas no presente Código, sendo que precisa... |
n 2 – são: "a) Os organismos de direito público, considerando-se como tais quaisquer pessoas colectivas que, independentemente da sua natureza pública ou privada: Tenham sido criadas especificamente para satisfazer necessidades de interesse geral, sem carácter industrial ou comercial, entendendo-se como tais aquelas cu... |
E acrescentou serem "contratos públicos todos os que foram celebrados pela Universidade de Coimbra que não se mostrem expressamente excluídos nos arts. |
4 e 5 do Código, entre os quais não se conta o contrato de aquisição de serviços prestados em termos concorrenciais pelos agentes particulares”. |
Concluiu que a presente acção está incluída no âmbito de previsão da al. |
do n. 1 do artigo do ETAF, sendo, portanto, da competência dos tribunais administrativos. |
O processo foi remetido ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra TAF de e aí, depois de junta nova petição inicial aperfeiçoada e ouvidas as partes sobre a eventual incompetência material do Tribunal, foi proferido o Despacho Saneador em 012019 fls. |
69 a que declarou a incompetência para apreciar o litígio. |
Para tanto, o TAF de Coimbra considerou que: "no caso concreto, resulta a inexistência de procedimento prévio de formação do contrato de prestação de serviços celebrado entre a Autora e Entidade Demandada, pelo que o mero facto de a Entidade Demandada ser uma pessoa colectiva de direito público não implica automaticame... |
4 do ETAF”. |
Assim, concluiu que: "a relação jurídica estabelecida entre as partes não se encontra submetida a um regime substantivo de direito administrativo, mas antes corresponde a um contrato de índole privada em que a autora se obrigou a prestar serviços traduzidos na realização de análises de água e a Entidade Demandada se ob... |
A Senhora Juíza do TAF de Coimbra suscitou a resolução do conflito negativo de jurisdição fls.. Remetidos os autos a este Tribunal dos Conflitos, as partes foram notificadas para efeitos do disposto no n 3 do artigo 11 da Lei n 91/2019, e nada disseram. |
A Exma. |
Procuradora Geral Adjunta emitiu parecer no sentido da competência material do TAF de Coimbra para apreciar e julgar o presente litígio. |
Os Factos Os factos relevantes para a decisão são os enunciados no Relatório. |
O Direito O presente Conflito Negativo de Jurisdição vem suscitado entre Tribunal da Comarca de Coimbra – Juízo Central Cível de Coimbra, Juiz 2 e o Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra. |
Cabe aos tribunais judiciais a competência para julgar as causas "que não sejam atribuídas a outra ordem jurisdicional” arts 211, n 1, da CRP, 64 do CPC e 40, n.1, da Lei n 62/2013, de 26/08 -, e aos tribunais administrativos e fiscais a competência para julgar as causas "emergentes das relações jurídicas administrativ... |
212, n 3, da CRP e 1, n 1, do. |
A competência dos tribunais administrativos e fiscais é concretizada no art. |
4 do ETAF Lei n 13/2002, de 19/2), com delimitação do "âmbito da jurisdição” mediante uma enunciação positiva ns 1 e e negativa ns 3 e. Para o presente caso importa ter em atenção o artigo 4, n 1, do ETAF que dispõe que compete aos tribunais da jurisdição administrativa e fiscal a apreciação de litígios que tenham por ... |
Subsets and Splits
No community queries yet
The top public SQL queries from the community will appear here once available.